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G – Flexão Composta

7.0 – Flexão Composta.

7.1 – Flexão Composta com Força Normal. Introdução.


A linearidade da distribuição das deformações longitudinais e tensões normais em
pontos de uma dada seção de uma barra reta, nos casos da tração pura (tensões e deforma-
ções uniformes) e da flexão pura (tensões e deformações proporcionais às coordenadas do
ponto da seção da viga), permite-nos aplicar o princípio da superposição dos efeitos, esta-
belecendo que a tensão total será obtida pela soma algébrica das tensões provocadas pelos
dois esforços, como se atuassem separadamente.

Tal suposição deixa de ser aplicável,


N N entretanto, no caso de flexão composta
de vigas esbeltas sob compressão já que
a flecha produzida pela flexão provoca
M M uma excentricidade da seção para as for-
ças externas, que altera o valor do mo-
mento fletor na seção, sendo tal efeito
cumulativo (ver “flambagem”, adiante).

f
N N

M1 M1
M = M1 + N.f
Fig. 7.1.1 – Flexão composta com força normal. Superposição dos efeitos.

7.2 – Flexão Simétrica composta com Força Normal. Carga Axial Excêntrica.

A aplicação da superposição dos efeitos para o caso da flexão simétrica composta


com força normal leva a:

σ = N/A + (M/Ic) y ............ (7.2.1)

sendo Ic o momento de inércia baricêntrico (a linha


neutra não mais conterá o centróide da área A).

Quando o momento fletor for conse-


qüência de uma excentricidade “e” da aplica- M = N.e
ção do esforço normal externo em relação à =
posição do centróide da seção, podemos escre- e N
ver: → M = N.e N

σ = N/A + (N.e / Ic) y = (N/A)[1 + (A/Ic)/(e.y) y y


Fazendo Ic = A (kc)2...(kc – Raio de Giração) Fig. 7.2.1 – Carga axial excêntrica.

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G – Flexão Composta
σ = (N/A) [1 + (e.y)/ kc2 ]......... (7.2.2)
Exemplo 7.2.1 - O elo aberto de uma corrente de aço 500 N
tem as dimensões mostradas na figura. Supondo uma
força de tração na corrente de 500 N, pede-se determi-
nar, para a seção média do elo:
1) a máxima tensão de tração; d = 10mm
2) a máxima tensão de compressão, e 15 mm
3) a distância da linha neutra em relação ao
ponto central da seção.

Solução
500 N
Na seção média do elo ⇒ N = 500N; M = 500 x 0,015 = 7,5 N.m. + 76,4 + 82,8
A = π (0,010)2 / 4 = 78,54 x 10-6 m2 e
Ic = π (0,010) / 64 = 0,4909 x 10-9 m4. Levando em 6.1, teremos:
4
0,42mm

(σTração)
max
500/78,54x10-6 + (7,5 / 0,4909x10-9)0,005 =
= + 6,4 MPa
= 6,4 + 76,4 = 82,8 MPa (no lado interno do elo)

(σCompressão)
max
= 500/78,54x10-6 - (7,5 / 0,4909x10-9)0,005 =
= 6,4 – 76,4 = 70,0 MPa (no lado externo do elo)

Na linha neutra σ = 0 ⇒ 500/78,54x10-6 + (7,5 / 0,4909x10-9) yLN = 0 - 70,0


- 76,4
⇒ yLN = 0,42 mm.

Exemplo 7.2.2: O torno de bancada mostrado


na figura foi apertado provocando uma força
de compressão que atinge 500 N na peça apri-
12,7 sionada.
50
Pede-se:
A 4
1) determinar as tensões máximas de tração e
21,3
de compressão no corpo do torno (seção
yc transversal em “T”).
A
4 2) indicar a posição da linha neutra em rela-
Seção A-A ção a face interna do torno.

Solução:
A avaliação das características geométricas da seção nos leva a:
A = 12,7 x 4 + 21,3 x 4 = 136 mm2; yc = 12,7 x 4 x 23,3 + 21,3 x 4 x ½ 21,3 / 136 = 15,38 mm
IC = 12,7x43/ 12 + 12,7x4x(23,3 – 15,38)2 + 4x21,32/ 12 + 4x21,3x(15,38 - ½21,3) 2 = 8382 mm4
N = 500N ; M = 500[50 + (25,3 – 15,38)]x10-3 = 29,96 N.m
σT = (N/A) + (M/Ic)y’ = 500 / 136x10-6 + (29,96 / 0,008382x10-6)(0,0253 – 0,01538) = 39,1 MPa (T)
σC = (N/A) - (M/Ic)y’’ = 500 / 136x10-6 - (29,96 / 0,008382x10-6)(0,01538) = - 51,3 MPa (C)
Na linha neutra, σ = 0 e
0 = 500 / 136x10-6 - (29,96 / 0,008382x10-6) yLN >> yLN = 1,03 mm, portanto a LN está a 1,03 mm
abaixo de C, ou seja, a 25,3 – 15,38 + 1,03 = 10,95 mm da face interna do torno.

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G – Flexão Composta

130
100 kN
Problema Proposto 7.2.3: O duto esquematizado
na figura, de parede com 20 mm de espessura e
seção quadrada de 200 x 200 mm2, está subme-
tido a uma força de tração centrada de 100 kN.
O duto dispõe de uma janela de inspeção retan-
gular como mostrado. Pede-se descrever a dis- 20
tribuição das tensões normais na seção à altura
da janela (indicando os valores extremos e se
haverá inversão, com a existência de tensões 200
compressivas). 100 kN

200 mm
7.3 – Caso Geral do Carregamento Axial Excêntrico de Barras Espessas.
Quando uma barra reta é submetida a um carregamento axial com uma excentrici-
dade, mesmo que fora de um plano de simetria, ou nos casos em que a seção não apresen-
ta um eixo de simetria, o procedimento para o cálculo das tensões será o mesmo, ou seja,
as tensões provocadas pela força normal e pelo momento fletor são calculadas separada-
mente, após o que os efeitos serão superpostos (algebricamente, considerando os corres-
pondentes sinais para as tensões calculadas).
P = 46,4 kN
Exemplo 7.3.1 – A coluna curta esquematizada é ataca- A
da por uma força de compressão P na posição mostrada
(ponto de ataque em A). 100
Calcular as tensões normais nos pontos da base 1, 2, 3 e
4 indicados. 20
15
Solução 120 z
Para o perfil esquematizado teremos: A
Área A = 2 x (100 x20) + 120 x15 = 5.800 mm2 10
Iz = 15 x1203/12 + 2 x [100 x203/12 + 20 x100 x 702] = 25
= 21,89 x10 6 mm4 = 21,89 x10 -6 m4. z
y
Iy = 2 x (20 x 1003 /12) + 120 x 153 / 12 = 3,367 x10-6m4.
A força normal é de compressão e vale: 3
N = - 46,4 x 103 N. 2
Computando as componentes do momen- 1 y
to fletor em relação aos eixos z e y, obtemos:
Mz =- 46,4 x103 x 0,070 = - 3.248 N.m
My =- 46,4 x103 x 0,025 = - 1.160 N.m 4

As tensões nos pontos indicados serão:


(ponto 1) - σ1 = (-46,4 x103) / 5.800 x10-6 + (-3.248/21,89 x10-6) (-0,080) + (-1.160 / 3,367) (-0,050) = 21,1MPa (T)
(ponto 2) - σ2 = (-46,4 x103) / 5.800 x10-6 + (-3.248/21,89 x10-6) (-0,060) + (-1.160 / 3,367) (-0,0075) = 3,49MPa (T)
(ponto 3) - σ3 = (-46,4 x103) / 5.800 x10-6 + (-3.248/21,89 x10-6) (+0,080) + (-1.160 / 3,367) (+0,050) =37,1MPa (C)
(ponto 4) - σ4 = (-46,4 x103) / 5.800 x10-6 + (-3.248/21,89 x10-6) (+0,060) + (-1.160 / 3,367) (-0,050) = 0.321MPa (T)

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G – Flexão Composta

A posição da linha neutra (LN) será obtida estabelecendo o lugar geométrico dos pontos da
seção onde a tensão normal é nula, escrevendo:
(na LN) - σ = 0 = (-46,4 x103) / 5.800 x10-6 + (-3.248/21,89 x10-6) (yLN) + (-1.160 / 3,367) (zLN), ou seja:

zLN = -0,4307 yLN – 0,02322,


equação de reta que corta o eixo z a 23,22 mm a esquer-
da do centróide e o eixo y a 53,91 mm acima do centrói-
de. -53,91
O conhecimento do posicionamento da linha neu-
-23,22
tra é muito útil para se avaliar a posição dos pontos críti-
cos da seção (os pontos mais solicitados – à tração e à z
compressão, são aqueles mais afastados da linha neutra).
No exemplo em análise verifica-se que os pontos LN
(1) e (3) são os que apresentam maiores tensões de tração
e de compressão (respectivamente), enquanto que o pon-
to 4 está muito próximo à linha neutra.

y
3
2 Barra Chata
50 x 10 Exemplo 7.3.2: a haste esquematizada é
montada com duas barras chatas de 50 x 10
mm2, em forma de abas, rigidamente conec-
tadas a outra barra chata (120 x 10 mm2),
como alma, sendo atacada por uma força de
tração P = 11 kN, a meia distância da espes-
1 sura das barras, na junção inferior, como
Barra Chata
indica a figura.
120 x 10
Pede-se determinar o valor das tensões nor-
mais despertadas nos pontos indicados, sufi-
P = 11,0 kN cientemente afastados do ponto de aplicação
da carga ativa.
55
Barra Chata
50 x 10
Solução
Para o perfil montado teremos: 55
Área A = 2 x 50 x 10 + 120 x 10 = 2.200 mm2; z
3 3 2 6 4
Iz = 10 x 120 / 12 + 2(50 x 10 / 12 + 50 x 10 x 55 ) = 4,473 x 10 mm
Iy = 120 x 103 / 12 + 2(10 x 503 / 12 + 10 x 50 x 302) = 1,118 x106 mm4
Pyz = - 2 (50 x 10 x 55 x 30) = - 1,650 x 106 mm2

Quanto aos esforços solicitantes teremos:


N = 10 kN; MZ = 11.000 x 0,055 = + 605 N.m; MY = 0.
55
As tensões serão calculadas fazendo: y
σ = N / A + k1 y + k2 z (como em 5.12). Através do sistema de equações em 5.13, teremos:
+ 605 = 4,473 x 10 - 6 k1 + (- 1,650 x 10-6) k2; k1 = 278,5 x 106 Pa/m
-6 -6
0 = (-1,650 x 10 ) k1 + 1,118 x 10 k2 . k2 = 388,3 x 106 Pa/m
portanto: σ = 11.000 / 2.200 x 10 -6 + ( 278,5 x 106 ) y + (388,3 x 106 ) z, ou seja:
σ = [ 5 + 278,5 y + 388,3 z ] x 106
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G – Flexão Composta
As tensões nos pontos assinalados valerão: 2 3
Ponto 1 (+0,060; -0,055) - σ 1 = 0,3535 MPa (T)
Ponto 2 (-0,060; -0,005) - σ 2 = -13,65 MPa (C)
Ponto 3 (-0,060; + 0,055) - σ 3 = 9,647 MPa (T)
A equação da Linha Neutra (σ = 0) será: C
0 = 5 + 287,5 y + 388,3 z → zLN = -0,7172 yLN – 0,01288 z
LN
(a LN corta os eixos Z e Y em -12,88 mm, à esquerda de C, e
à – 17,96 mm acima de C).
Verifica-se que o ponto da seção mais solicitado à
tração é o canto 4 (+0,060;+0,005), mais afastado da LN,
4
onde σ4 = 23,65 MPa. 1
y

7.4 – Núcleo de Ataque em Pilares Curtos.


Quando é importante garantir que, em um pilar comprimido pelos topos por uma
força que possa apresentar certa excentricidade, não haja inversão do sinal da tensão (caso
do concreto, incapaz de suportar tensões de tração), será necessário limitar uma região da
seção (chamada de “núcleo central de ataque”) onde a força poderá atuar. Convém repisar
que tal análise não se aplica a colunas esbeltas (longas) devido à influência no valor da
excentricidade, decorrente das deformações por flexão, alterando o momento fletor. P
e
No caso de uma coluna de seção circular, de diâme- e P
tro d, é fácil concluir que o núcleo central será uma área
também circular, de raio igual à máxima excentricidade ad-
missível, tal que:
0 = - P/A + (P.e/ IC)(d/2), sendo A = πd2 / 4 ; e
IC = πd4 / 64. Teremos, portanto:
e máximo = d/8 (pilar circular)
No caso de um pilar de seção retangular de dimen-
sões (b x h), verifica-se que o núcleo central terá a forma de
um losango. Realmente: supondo que o pilar seja atacado
num ponto qualquer do primeiro quadrante da seção, de co-
ordenadas (y, z), e que seja nula a tensão no vértice diame-
tralmente oposto, teremos:
0 = -P/ b.h + [(-P.y)/(bh3/12)](-h/2) + [(-P.z)/hb3/12)](-b/2);
y/(h/6) + z/(b/6) = 1, z
equação de uma reta (na forma normal) que corta os eixos y d
e z em pontos que distam do centro C, respectivamente, h/6 d/4 h/6
e b/6. Conclusões idênticas seriam obtidas analisando os
outros três quadrantes, indicando o formato do núcleo de
ataque como um losango. b/6
y
Problema Proposto 7.4: Fig.7.4.1 – Núcleo Central de Ataque
Para o perfil “I”, cuja
seção transversal é es- 200 x 10 150 x 15
quematizada ao lado,
determine a configuração
e as dimensões do núcleo
central de ataque.

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G – Flexão Composta

7.5 – Solicitações Combinadas. Flexão Composta com outros esforços seccionais.

Na determinação das tensões ocorrentes em pontos da seção transversal de vigas ou


barras submetidas a esforços solicitantes combinados, utilizaremos o princípio da super-
posição dos efeitos, computando as tensões devidas a cada um dos esforços, como se atu-
ando isoladamente, para depois obter o valor total, somando-as algebricamente.
A seguir serão apresentados alguns exemplos de aplicação do método.

mancal
Exemplo 7.5.1 – A extremidade em balanço do
eixo maciço esquematizado (D = 60mm) é
submetida às forças indicadas.
Determinar as tensões normais e cisalhantes no 1
plano da seção do eixo na altura do mancal, 4 D= 75 mm
nos quatro pontos assinalados.
2 3
10 kN

1
200
τxz
R= 30
MZ
σx 20 kN
QZ
z τxy
z
σx
40 kN
QY N σx τxy

MX = T τxz σx x
MY x
y y

Os esforços solicitantes atuando na seção indicada valem:


N = - 40 kN; Qy = + 10 kN; QZ = + 20 kN;
MX = T = - 20 x 30 = - 600 N.m; MY = -20 x 200 = - 4.000 N.m; MZ = - 10 x 200 = - 2.000 N.m
(Obs.: MZ é negativo – apesar de ter o sentido positivo do eixo Z , pois provoca tensões de compressão em pontos do
primeiro quadrante).
As características geométricas da seção indicam que: Área A = π (75) / 4 = 4.418 mm ;
2 2

IY = IZ = π (75) / 64 = 1,553 x 10 mm ; JP = π (75) / 32 = 3,106 x 10 mm


4 6 4 4 6 4

Para o ponto (1) (z = 0 e y = - d/2) teremos:


σX = - 40.000 / 4.418 x 10- 6 + (- 2.000/ 1,553 x 10 - 6) (- 0,075/2) = ( - 9,05 + 48,29 ) x 106 = + 39,2 Mpa (T);
τXY = 0; τXz = (4/3)[20.000 / 4.418 x 10 ] + (-600 / 3,106 x 10 ) (- 0,075/2) = 6,036 + 7,244 = + 13,28 MPa
–6 -6

As tensões nos demais pontos são calculadas da mesma forma, produzindo a tabela abaixo:

P TENSÃO NORMAL σ)
(σ) TENSÃO TANGENCIAL (ττ)
(N/A) (M/I)(d/2) Total (4/3) (Q/A) (T/Jp)(d/2) Total
1 -9,05 +48,29 +39,2 MPa +6,036 +7,244 +13,3 MPa
2 -9,05 +96,59 +87,5 MPa +3,018 -7,244 -4,23 MPa
3 -9,05 -48,29 -57,3 MPa +6,036 -7,244 -1,21 MPa
4 -9,05 -96,59 -106 MPa +3,018 +7,224 +10,3 MPa

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G – Flexão Composta

Exemplo 7.5.2 – O duto de parede fina es-


quematizado (e = 5mm) é submetido aos z 4,0 kN
esforços indicados.
50
Determinar as tensões máximas de tração,
de compressão e de cisalhamento, no plano
500 x 8,0 kN
da seção de engastamento do duto.

y
5
50
Solução - Propriedades geométricas da seção:
2 100 1
A = 100 x 50 – 90 x 40 = 1.400 mm
@ = 95 x 45 = 4.275 mm2
3 3 2 6 4
IZ = 2x5x40 /12+2[100x5 /12+100x5x(22,5) ] = 0,5617x10 mm ;
3 3 2 6 4
IY = 2x5x100 /12 + 2[40x5 /12 + 40x5x (45) ] = 1,644 x 10 mm ;
Esforços solicitantes na seção do engaste: 2
N = 8,0 kN; QY = 4,0 kN; MY= 800 Nm; MZ = -2.200 Nm; MX = T = 400 Nm. z
3

No cálculo das tensões utilizaremos as expressões: y


σ = N / A + (MZ/IZ) y + (MY/IY) z; e τ = ξ (Q / A) + T / (2 @ e

(σMáx.)
Tração -6 -6 -6
= 8.000/ 1.400x10 + (-2200/ 0,5617x10 ) x(-0,025) + (800/1,644x10 ) x 0,050 = +128 MPa (Pt.1)
(σMáx.)
Compr
= 8.000/ 1.400x10-6 + (-2200/ 0,5617x10-6) x (+0,025) + (800/1,644x10-6) x (-0,050) = -117 MPa (Pt.2)
(τMáx.)Cisalh. = 3,600 x (4.000 / 1.400 x 10-6) + 400 / 2 x 4.275x10-6 x 0,005 = 19,6 MPa (Pt. 3)

Exemplo 7.5.3: O reservatório cilíndrico esque-


matizado é fabricado em chapa de aço com 5mm
de espessura e com diâmetro interno de 500mm,
sendo submetido a uma pressão manométrica de 250 350
2 atmosferas e à ação de uma força provocada
pelo tirante ABC, tracionado através do macaco C
esticador B com uma força de 13,0 kN.
Para o plano da seção da base do recipiente,
pede-se determinar as máximas tensões de tra- CY
ção, de compressão e de cisalhamento.
p
Solução: A decomposição da força de13kN apli- B
cada em C nos fornece: CX = 12kN e CY = 5kN. 5
Os esforços solicitantes na seção da base valem: CX 1.200
N = pA – CX = 2x105x π0,52/4 – 12x103=+27,27kN
QY = +5,0kN; T = 5 x 350 = 1750 N.m
MZ=-5x1.200=-6.000Nm; MY=-12x350=-4.200Nm
As propriedades geométricas da seção valem:
A=(πx505)x5=7.933mm2;
Jp = π(505)(5)(252,5)2 = 505,7 mm4 ; IY = IZ = ½ Jp = 252,9mm4
A
Num ponto P genérico (y, z) da seção da base, a tensão normal 500
valerá:
σ = N/A + (MZ/IZ)y + (MY/IY)z
σ=27,27x103/7.933x10-6+(-6000/252,9x10-6)y+(- 5 500
4.200/252,9x10-6)z
σP = 3,438 – 23,72 y – 16,61 z (MPa)......(a) P

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G – Flexão Composta

+ + +
A localização dos pontos mais solicitados à tração e à Y + Z
compressão pode ser feita verificando-se os posicionamentos da +
+ +
linha neutra e dos pontos da seção mais afastados da mesma, do LN
lado tracionado e do lado comprimido. +
252,5
No caso, a equação da LN (onde σ = 0) será: + +
ZLN = - 1,428 YLN + 0,2070, _
reta que cruza os eixos Z e Y, respectivamente, a 207mm a direita + O
do centro O e a + 145mm (abaixo do centro O). Z
207
A direção perpendicular à LN terá como coeficiente angu- + 145
lar, - 1/1,428 = + 0,7003, o que nos permite obter as coordenadas
_
dos pontos da seção mais afastados em relação à LN e as corres- + _
pondentes tensões: +
σT Máxima = 3,438 –23,72(-0,207) –16,61(-0,145)= +10,7
+
_
MPa _ _
σC Máxima
= 3,438 –23,72(0,207) –16,61(0,145)= - 3,88 MPa Y

O mesmo resultado seria alcançado se, na equação (a), válida para os diversos pontos da seção reta na
base do recipiente, tivéssemos estabelecido uma relação entre as coordenadas y e z desses pontos (já que per-
tencem a uma circunferência de raio 252,5 mm), a saber:
y2 + z2 = (0,2525)2 = 0,06376 que, levada em (a), nos forneceria:
σP = 3,438 –23,72 y –16,61 (0,06376 – y2)1/2 . Derivando e igualando a zero para obter o valor extre-
mo da tensão, chegamos a y= 0,207 m, confirmando o resultado anterior.

Exemplo 7.5.4: A figura abaixo representa o eixo propulsor de um navio sendo conhecidos:
Motor: Potência: 5.000 (BHP) ( 1); rotação: 385 rpm; Velocidade do Navio: 18 nós ( 2)
Hélice: - peso: 3,17 toneladas métricas; eficiência propulsiva: η = 63% ( 3)
Eixo: aço 1045 (γ =7,8 ton/m3). Maciço. Diâmetro: 220 mm. Rendimento mecânico: η = 96%( 4)
Calcular, para a seção do eixo situada no mancal de ré (próximo ao engaxetamento na popa),
as tensões extremas (normal e tangencial).
OBS.: (1)(potência do motor medida em bancada, no freio); (2) 1 nó = 1 milha náutica/hora =
1.852 m / h = 0,5144 m/s. (3) relação entre a potência fornecida pelo eixo ao hélice e a que efeti-
vamente empurra o navio naquela velocidade; (4) relação entre a potência fornecida pelo motor
ao eixo e a que chega até ser fornecida ao hélice.

Gaxeta
Motor

Mancal

1,24m 3,20m 2,35m

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G – Flexão Composta
Solução: A potência nominal do motor (5000HP) é transferida ao
2,35m
propulsor através do eixo, com uma perda mecânica, alcançando mancal
5.000 x 0,96 = 4.800HP. Somente 63% desse valor serão utiliza-
dos para empurrar o navio (através do eixo propulsor comprimi-
do), mantendo a sua velocidade, vencendo as forças resistentes. P hélice
Parte da energia é despendida na movimentação do meio flutuante
(esteira e ondas). Portanto a potência efetiva que mantém o navio
em movimento será 0,63 x 4.800 = 3.024 HP (produto da força T
propulsiva pela velocidade), então:
(F propulsiva).(Vnavio) = 3.024 HP. 2
P eixo
F propulsiva = N = 3.024 x 746 / 18 x 0,5144 = 243,6kN.
O torque na seção junto ao propulsor valerá:
T = (4.800 x 746) / (385x2π / 60) = 88,82 kN.m 3 N
A força cortante na seção junto ao mancal valerá:
Q = (Força = Peso Hélice) + (Peso de 2,35m do eixo)= 3,17 x 10 + 7,8 x1 10 x 2,35 x π(0,220) /4 =
3 3 2

= 3.170 + 696,8 = 3.866,8 kgf = 3.866,8 x 9,81 = 37,93 kN


O momento fletor na seção junto ao mancal valerá:
M = 3.170 x 9,81 x 2,35 + 696,8 x 9,81 x 2,35 / 2 = 81,11kN.m
Para tais esforços solicitantes, teremos as seguintes tensões nos pontos críticos da seção (com propriedades geomé-
tricas A = π(220) /4 = 38.013mm ; IC =π(220) /64 = 115,0 x 10 mm ):
2 2 4 6 4

σ Máx(compressão) = - 243,6 x103/38.013 x10 -6 – (81,11 x 103/115,0 x 10 -6)(0,220/2) =


= - 6,408 x 106 – 77,58 x 106 = - 71,2 MPa (PONTO 1)
σ (tração) = - 243,6 x103/38.013 x10 -6 + (81,11 x 103/115,0 x 10 -6)(0,220/2) =
Máx

= - 6,408 x 106 + 77,58 x 106 = -84,0 MPa (PONTO 2)


τ Máx 3 -6 3 -6
(cisalhamento) = (4/3) 37,93x10 /38.013 x10 + (88,82 x 10 /2 x 115,0 x 10 )(0,220/2) =
6 6
=1,330 x 10 + 42,48 x 10 = 43,8 MPa (PONTO 3)

OBSERVAÇÃO FINAL – Os capítulos estudados permitem calcular as tensões máximas ocorrentes no plano da seção
transversal das barras e vigas submetidas aos diversos esforços solicitantes. Resta-nos analisar as tensões ocorrentes nesses
pontos, porém em outros planos, que não o da seção transversal, para avaliar se tensões ainda maiores do que as até agora cal-
culadas estarão lá presentes.
Nos estudos seguintes vai-se mostrar que, conhecidas as tensões atuantes, num certo ponto de um corpo carregado, em
dois planos perpendiculares, será possível determinar as tensões nesse ponto, porém em um outro plano qualquer, permitindo
avaliar em quais planos os valores extremos das tensões ocorrerão, e os valores por elas alcançados.
Assim, mostraremos que, conhecidas as tensões σx, σy e τxy (= τyx), atuantes em um ponto,

τyx σy σmin σmed τ max


τxy σmed
τ=0
σx = σmax
=

σ Max/Min = ½ (σx + σy) + {[½ (σx - σy)]2 + τxy 2}1/2 (atuam em planos perpendiculares onde τ = 0 – os
chamados planos principais).
τ Max/Min = + {[½ (σx - σy)]2 + τxy 2}1/2 (atuam em planos a 45º dos principais, onde σ = σ Med =
= ½ (σx + σy). (Para maiores informações, matricule-se em RES MAT XI).

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