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A IMPORTÂNCIA DA NEUROCIÊNCIA

PARA A PRÁTICA EDUCATIVA

Josiane Silva Leite Fiuza

Antares Pós-graduação
Psicopedagogia

04/09/2017
RESUMO

Os avanços e descobertas na área da neurociência ligados ao processo de


aprendizagem é sem dúvida, uma revolução para o meio educacional. O presente
trabalho trata de expor de forma direta e sucinta, o que é e como o professor pode
adequar os conhecimentos de neurociência no processo de ensino aprendizagem,
levando em consideração o pensamento e ensinamento cognitivo entre professor-
aluno, havendo uma troca de informações, ideias e experiências para que se
consolide como aprendizagem significativa.

Palavras-chave: Neurociência; Aprendizagem; Educação; Ensino.

ABSTRACT

The advances and discoveries in the field of neuroscience linked to the learning
process is undoubtedly a revolution for the educational environment. The present work
tries to present in a direct and succinct way, what is and how the teacher can adapt
neuroscience knowledge in the process of teaching learning, taking into account the
thought and cognitive teaching between teacher-student, having an exchange of
information, ideas and experiences to be consolidated as meaningful learning.
INTRODUÇÃO

A neurociência da aprendizagem, em termos gerais, é o estudo de como o


cérebro aprende. É o entendimento de como as redes neurais são estabelecidas no
momento da aprendizagem, bem como de que maneira os estímulos chegam ao
cérebro, da forma como as memórias se consolidam, e de como temos acesso a essas
informações armazenadas. E entendemos por aprendizagem, como o processo pelo
qual o cérebro reage aos estímulos do ambiente e como ativa essas sinapses
(ligações entre os neurônios por onde passam os estímulos), tornando-as mais
"intensas". A cada estímulo novo, a cada repetição de um comportamento que
queremos que seja consolidado, temos circuitos que processam as informações, que
deverão ser então estabilizadas e solidificadas.
Nos últimos anos, inúmeros estudos foram realizados no intuito de se entender de
forma mais assertiva as atividades cerebrais e como as mesmas influenciam no
comportamento humano. E é justamente nesse contexto que se encaixa a
neurociência, ela corresponde a área em que estuda o sistema nervoso central, bem
como suas funcionalidades, estrutura, fisiologia e patologias. Esse sistema é
responsável por estruturar as atividades do corpo humano, sejam elas voluntárias ou
não. Assim, as experiências e a maneira como o ser humano lida com essas
atividades, afetam seu cérebro e seu desenvolvimento. Nesse sentido, a neurociência
diz respeito a inteligência, aos sentimentos, a capacidade de tomar decisões, além de
gerar entendimento sobre o funcionamento do sistema nervoso e como agir sobre ele.
Para que este estudo seja realizado, os cientistas levam em consideração os
processos a nível cognitivo, ou seja, como o ser humano adquire conhecimento (seja
por meio da atenção, da associação, da memória, da imaginação, do pensamento, da
linguagem, entre outros), através dos cinco sentidos, resultando assim, em seu
desenvolvimento intelectual, comportamentos, interações e adaptação ao meio.
REFERENCIAL TEÓRICO

A neurociência vem nos desvendar o que antes desconhecíamos sobre o


momento da aprendizagem. O cérebro é matricial no processo do aprender. Suas
regiões, lobos, sulcos e reentrâncias tem suas funções e real importância num
trabalho em conjunto, onde cada parte interage com outras, formando assim, a
aprendizagem. Mas qual o papel e função de cada região cerebral? Aonde o aprender
tem realmente a sua sede e necessita ser estimulada adequadamente? Conhecer o
papel do hipocampo na consolidação de nossas memórias, a importância do sistema
límbico, responsável pelas nossas emoções, desvendar mistérios que envolvem a
região frontal, sede da cognição, linguagem e escrita, poder entender os mecanismos
de atenção e comportamentais de alunos com TDAH, as funções executivas e o
sistema de comando inibitório do lobo pré-frontal, são hoje assuntos fundamentais na
educação, assim como compreender as vias e rotas que norteiam a leitura e escrita
(regidas inicialmente pela região visual mais especifica (parietal), que reconhece as
formas visuais das letras e depois acessando outras áreas para que a codificação e
decodificação dos sons sejam efetivas e demais áreas onde podemos aprofundar para
entender da melhor forma através também, da diversidade da realidade de nossos
alunos.
O aprender e o lembrar do estudante ocorre no seu cérebro. Conhecer como o
cérebro funciona não é a mesma coisa que saber qual é a melhor maneira de ajudar
os alunos a aprender. A aprendizagem e a educação estão intimamente ligadas ao
desenvolvimento do cérebro, o qual é moldável aos estímulos do ambiente (Fischer &
Rose, 1998). De forma resumida, as experiências e a maneira como o ser humano
lida com as mesmas, afetam seu cérebro e seu desenvolvimento. Nesse sentido, a
neurociência diz respeito a inteligência, aos sentimentos, a capacidade de tomar
decisões, além de gerar entendimento sobre o funcionamento do sistema nervoso e
como agir sobre ele.
Para que este estudo seja realizado, os cientistas levam em consideração os
processos a nível cognitivo, ou seja, como o ser humano adquiri conhecimento (seja
por meio da atenção, da associação, da memória, da imaginação, do pensamento, da
linguagem, entre outros), através dos cinco sentidos, resultando assim, em seu
desenvolvimento intelectual, comportamentos, interações e adaptação ao meio.
Dentre as subdivisões da Neurociência, uma delas é a Neurociência Cognitiva,
ela tem como foco, o estudo a respeito das capacidades mentais do ser humano, como
por exemplo, seu pensamento, aprendizado, inteligência, memória, linguagem e
percepção.
Com base nisso, as sensações e a percepção do indivíduo são o que norteiam
os estudos da Neurociência Cognitiva, ou seja, como uma pessoa adquiri
conhecimento a partir das experiências sensoriais a que é submetida; uma música,
um aroma, o gosto de uma comida, uma imagem ou uma sensação corporal, tudo isso
engloba as experiências sensoriais e são elas as responsáveis por captar os dados
do ambiente e levá-las ao cérebro.
A Neurociência Cognitiva tem como objeto de estudo, a compreensão, na
prática, sobre como a nossa mente processa as informações, como isso possibilita
aprender, desenvolver e acumular conhecimentos e aperfeiçoar as múltiplas
inteligências. Essa consciência dos pontos fortes e de limitação é fundamental no
processo de ensino, uma vez que possibilita desenvolver modelos de aprendizado que
levem em conta o processo cognitivo de cada um e com soluções adequadas a cada
pessoa.
Bruer (2002), o qual argumenta que a neurociência possivelmente nunca
contribuirá para a educação devido a desarticulação de conhecimentos entre as duas
áreas, contrapõe-se a postura de Connell (2004), onde argumenta que, introduzindo
o “nível de análise” com agregação da neurociência computacional, elimina as
fronteiras específicas.
Assim, a neurociência, psicologia e ciências cognitivas somadas à educação,
trazem novo enquadramento e integração destas áreas do conhecimento.
Verifica-se então, que a Neurociência Cognitiva não diz respeito apenas ao
sistema nervoso, como também, como as experiências sensoriais adquiridas ao longo
da vida são processadas pelo no cérebro e são transformadas em conhecimento.
Pensando em como o cérebro processa as informações que recebe, e em como
tal ação reflete no aprendizado e na vida como um todo. É justamente através da
Neurociência que tais perguntas podem ser respondidas, pois seus estudos
compreendem como uma pessoa processa as informações adquiridas pelo ambiente
e as transforma em aprendizado. A partir daí, é possível definir estratégias assertivas
de ensino, o que garante a pessoa, uma melhor absorção do conteúdo.
Identificadas algumas áreas em que a neurociência pode auxiliar no aprendizado:
A inteligência humana está intensamente ligada a emoção, portanto, o aspecto
emocional interfere na nossa cognição: quanto mais um evento contenha emoção,
mais a pessoa se lembrará dele e isso afeta na obtenção de conhecimento (de forma
positiva ou negativa).
Nesse sentido, a emoção da pessoa precisa ser instigada (quando ela for
positiva) ou desestimulada (quando ela for negativa), para que o desenvolvimento
intelectual não seja prejudicado.
A motivação é o que fomenta o aprendizado, quando a pessoa se depara com
uma interferência positiva, isso mobiliza a atenção da mesma, o que gera a motivação.
Da mesma forma, se o indivíduo encontra uma tarefa muito difícil, sua mente se frustra
e ele acaba desmotivado, e isso interfere na sua aprendizagem. A pessoa deve então,
no decorrer do desenvolvimento intelectual, não apenas entrar em contato com
inúmeros conteúdos, como também, realizar atividades que despertem a sua
curiosidade, proponham desafios e a motivem.
A atenção é fundamental para que o conhecimento seja adquirido, pois o
sistema nervoso só absorve a informação quando a pessoa está com a atenção
voltada para a mesma. O indivíduo presta atenção em alguma coisa, quando aquilo é
entendido, ou seja, tem significado. Nesse sentido, a falta de atenção muitas vezes
não ocorre por indisciplina, mas sim, por falta de estímulo. Por conta disso, para que
a pessoa dê atenção a uma informação, a interação entre a mesma e o indivíduo
precisa ocorrer.
As experiências sociais do ser humano e o ambiente ao qual ele está inserido,
formam a sua cognição, ou seja, o cérebro se modifica e se desenvolve durante a
vida. Através da socialização, é possível que a pessoa consiga aprimorar a sua
linguagem verbal e não verbal, interagir com outras pessoas, reconhecer e expressar
emoções, exercer suas potencialidades e ter empatia.
A memória se dá através de repetições, quando a pessoa decora uma
informação e através de associações, quando existem vínculos e relações com o
conteúdo. Nesse sentido, o ato de aprender não ocorre apenas quando se grava
informações, mas também, quando o conteúdo afeta a pessoa. Com isso, o indivíduo
deve identificar pontos de ancoragem para que o conteúdo aprendido tenha sentido e
fique na sua memória.
Para a construção de uma boa base cerebral, segundo a neurociência, a base
do sistema nervoso central de uma pessoa é construída até os três primeiros anos
de idade. Isso influencia a inteligência e a capacidade de aprendizado do indivíduo
adulto. Por isso, estimular a inteligência do bebê com músicas, objetos, cores,
cheiros, lugares diferentes é importante para o desenvolvimento cognitivo.

CONSIDERAÇÕES

A neurociência oferece um grande potencial para nortear a pesquisa educacional e


futura aplicação em sala de aula. Pouco se publicou para análise retrospectiva.
Contudo, faz-se necessário construir pontes entre a neurociência e a prática
educacional. Há fortes indicações de que a neurociência cognitiva está bem colocada
para fazer esta ligação de saberes. Políticas educacionais devem ser planejadas
através da alfabetização em neurociência, como forma de envolver o público em geral
além dos educadores. É preciso aprofundar o estudo de ambientes educativos não
tradicionais, que privilegiem oportunidades para que os alunos desenvolvam
entendimento, e que possam construir significado à partir de aplicações no mundo
real.
BIBLIOGRAFIA

Disponível em <http://webartigos.com/artigos/a-importancia-da-neurociencia-na-
aprendizagem-e-educacao/12767#ixzz4riCoLoOH>. Acessado em
http://www.artigos.com/artigos-academicos/3306-a-importancia-da-neurociencia-na-
aprendizagem-e-educacao
https://www2.icb.ufmg.br/neuroeduca/arquivo/texto_teste.pdf
Bruer, J. T. (2002). Avoiding the pediatrician’s error: how neuroscientists can help
educators (and themselves). Nature Neuroscience supplement, 5:1031-1033
Connell, M. W. (2004). A response to John Bruer’s bridge too far. AERA Annual
Conference Abstract, San Diego, CA, 32p
Fischer, K. W., Rose, S. P. (1998). Growth cycles of the brain and mind. Educational
Leadership, 56(3):56-60