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RESENHA

Lucia Santaella é professora e pesquisadora titular da PUC-SPS, com


doutoramento em Teoria Literária, e com Livre-Docência em Ciências da Comunicação
no ECA/USP. É referência no Brasil com seus estudos sobre semiologia a partir
do referencial teórico de Chales Sanders Pierce. Possui 28 livros publicados, e conta
com mais 200 artigos científicos divulgados no Brasil e no exterior.
Dos livros já lançados, Semiótica Aplicada é um dos que se destacam pela
linguagem didática, mas não distante do cientificismo, sobre os estudos dos signos na
era de sua “proliferação” em uma sociedade cada vez mais moderna e
tecnológica. Santaella, propõem um estudo além do modo que nos é familiar na nossa
relação com os novos signos, oferecendo para isso, exemplos próximos da nossa
realidade em uma tentativa de dirimir as definições.
Para elucidar melhor o objeto de estudo da Semiótica, a autora parte da
definição da fenomenologia como ciência voltada para a compreensão dos fenômenos
ligados a consciência. A Semiótica está intrinsecamente ligado à esse conceito, pois ao
constitui-se como ciência no início do século XX, ocupa-se das representações dos
signos sobre todas as suas formas de representação, tendo assim um significado para a
compreensão de cada fenômeno, seja ele de qual natureza for.
A autora destaca ainda algumas características sobre o estudo do signo para
uma compreensão em uma dimensão mais ampla, e traz novamente as contribuições de
Pierce que considerou três “elementos formais e universais em todos os fenômenos que
se apresentam à percepção e à mente” (SANTAELLA, 2005, p. 07). Sendo eles
a primeiridade – ligado ao acaso; secundidade – determinação e terceiridade –
inteligência.
Deixando para trás o lado histórico do estudo, Santaella lança sua diligência
para uma análise das particularidades mais detalhadas, e salienta que:
“[...] signo é qualquer coisa de qualquer espécie (uma palavra, um livro,
uma biblioteca, um grito, uma pintura, um museu, uma pessoa, uma mancha de tinta,
um vídeo etc.) que representa uma outra coisa, chamada de objeto do signo, e que
produz um efeito interpretativo em uma mente real ou potencial, efeito este que é
chamado de interpretante do signo” (SANTAELLA, 2005, p. 08).
Quando conseguirmos identificar essas propriedades sobre o signo, nossa
compreensão será bem mais fácil, visto que não buscaremos definições para algo tão
presente e próximo da nosso cotidiano que é atingido na era da cultura simbolística de
uma variedade infinita e de significados tão diversos. Mas para isso, é necessário ao
mesmo lembrar da tríade que organiza o sistema da “[...] significação, a da objetivação e
a da interpretação” (SANTAELLA, 2005, p. 09).
Para finalizar em parte os esclarecimentos a cerca do campo de estudo da
Semiologia, a autora faz um questionamento que foge à curiosidade de quem estuda o
tema: a final, “o que dá fundamento ao signo?”. Outra vez, ela destaca a importância das
investigações de Pierce, sendo que este listou três propriedades capazes de conceder a
natureza dos signos, sendo elas: qualidade – suas características; existência – o fato
de existirem e seu caráter – tudo segue a uma ordem para funcionar, para dar certo.

REFERÊNCIAS
SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo: Pioneira Thomson Learning,
2005.
Lucia Santaella – PUC-SP. Disponível em: <
http://www.pucsp.br/~lbraga/fs_curr_port.htm>. Acesso em: 14 ago. 2016.