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DICIONÁRIO HISTÓRICO

DE INSTITUIÇÕES DE
PSICOLOGIA NO BRASIL

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DICIONÁRIO HISTÓRICO
DE INSTITUIÇÕES DE
PSICOLOGIA NO BRASIL
1ª Edição

Rio de Janeiro
2011

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Copyright © Conselho Federal de Psicologia, para esta edição

Capa: Luciana Mello e Monika Mayer

CIP-Brasil. Catalogação na fonte


Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.

D542 Dicionário Histórico de Instituições de Psicologia no Brasil/Coordenação geral: Ana Maria Jacó-Vilela.
– Rio de Janeiro: Imago; Brasília, DF: CFP, 2011.

ISBN 978-85-312-1068-6

1. Psicologia - Brasil - Associações, etc. - Dicionários 2. Psicologia - Brasil - História - Dicionários.


I. Jacó-Vilela, Ana Maria, 1950-. II. Conselho Federal de Psicologia (Brasil).

10-4280. CDD: 150.6081


CDU: 159.9:061(81)

Reservados todos os direitos. Nenhuma parte desta obra poderá


ser reproduzida por fotocópia, microfilme, processo fotomecânico ou
eletrônico sem permissão expressa da Editora.

A pesquisa para este Dicionário foi realizada no período de 2006 a


2009, com o apoio dos Editais CAPES/PROCAD de 2005 e 2007,
envolvendo três instituições — UERJ, UFMG e PUC-SP —, contando
ainda com a participação de pesquisadores do Grupo de Trabalho em
História da Psicologia da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Gra-
duação em Psicologia (ANPEPP) e com o apoio do Conselho Federal
de Psicologia (CFP).

2011

IMAGO EDITORA
Rua da Quitanda, 52/8º andar — Centro
20011-030 — Rio de Janeiro-RJ
Tel.: (21) 2242-0627 — Fax: (21) 2224-8359
E-mail: imago@imagoeditora.com.br
www.imagoeditora.com.br

Impresso no Brasil
Printed in Brazil

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DICIONÁRIO HISTÓRICO
DE INSTITUIÇÕES DE
PSICOLOGIA NO BRASIL

Organização
Ana Maria Jacó-Vilela (UERJ)

Coordenações locais
Rio de Janeiro: Francisco Teixeira Portugal (UFRJ)
São Paulo: Maria do Carmo Guedes (PUC-SP)
Paraná: Mitsuko Aparecida Makino Antunes (PUC-SP)
Minas Gerais: Regina Helena de Freitas Campos (UFMG)
e Érika Lourenço (UFMG)
Rio Grande do Sul / Santa Catarina: William Gomes (UFRGS)
Norte-Nordeste: Nádia Maria Dourado Rocha (FRB)
Centro-Oeste: Mariza Monteiro Borges (UnB)
Espírito Santo: Edinete Maria Rosa (UFES)

Colaboradores
Alexandre de Carvalho Castro (CEFET-RJ)
Carmem Silvia Rotondano Taverna (PUC-SP)
Cristina Lhullier (UCS-RS)
Daniela Ribeiro S neider (UFSC)
Heliana de Barros Conde Rodrigues (UERJ)
Julia Maria Casulari Mo a (PUC-SP)
Marisa Todescan Dias da Silva Baptista (PUC-SP)
Mônica Leopardi Bosco de Azevedo
Raul Albino Pacheco Filho (PUC-SP)
Sérgio Dias Cirino (UFMG)
Silvia Vasconcelos Carvalho (UFF)

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Apoio técnico
Assistente de pesquisa – Irene Bulcão
Revisão de texto – Isabel Cristina de Oliveira
Secretariado – Alice Helena do Nascimento
Auxiliar de pesquisa – Alessandra Gracioso Tranquilli
Auxiliar de pesquisa – Ronaldo Decicino
Auxiliar de pesquisa – Sérgio Domingues
Auxiliar de pesquisa – Sunna Prieto de Azevedo

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Autores

Abigail Alvarenga Mahoney Ana Teresa A. Venancio


Adailson Medeiros Andrea Cristina Coelho Scisleski
Ademir Pacelli Ferreira Andréa dos Santos Nascimento
Adriana Alves Santos Andréa Gonçalves
Adriana Amaral do Espírito Santo Andréa Soares Wuo
Adriana Rosa Andressa Siqueira Gonzaga
Adriano Furtado Holanda Angela Marques
Aidyl M. Q. Pérez-Ramos Argentina Rosas
Albenise de Oliveira Lima Arlindo Carlos Pimenta
Alessandra Daflon dos Santos Arnaldo Alves da Mo a
Alessandra Gracioso Tranquilli Arrigo Leonardo Angelini
Alexander Jabert Arthur Arruda Leal Ferreira
Alexandra Ayach Anache Augusto Costa Conceição
Alexandra Valéria Vicente da Silva Aurora Telles Herkenhoff
Alexandre de Carvalho Castro Bárbara Brandão
Amanda dos Santos Gonçalves Beatriz de Andrade Rabelo
Ana Carla S. Silveira da Silva Bernadete Aparecida de Castro
Ana Cristina Costa de Figueiredo Bernardete Ga i
Ana Gabriela Nunes Fernandes Carina Márcia Magalhães Nepomuceno
Ana Laura Prates Pacheco Carla Sardinha Siebra de Souza
Ana Maria Gageiro Carlos Monarcha
Ana Maria Jacó-Vilela Carmefran Viana Araújo Teixeira
Ana Maria Rudge Carmem Silvia R. Taverna
Ana Maria Sarmento Seiler Poelman Carmen Lucia Montechi Valladares de Oliveira
Ana Mercês Bahia Bock Cassiana Léa do Espírito Santo

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Célio Garcia Francisco Teixeira Portugal


Celso Francisco Tondin Gabriela Neiva Orrico
Cesar Mussi Ibrahim Gisela Maria Guedes
Cristiana Facchine i Giselle B. Petri M. Costa
Cristianne Almeida Carvalho Giselle Silva Sanches
Cristina Lhullier Gustavo Gauer
Daniel Kupermann Helena Beatriz Kochenborger Scarparo
Heliana de Barros Conde Rodrigues
Daniela Ribeiro Schneider
Helio Roberto Deliberador
Deise Mancebo
Henrique José Leal Ferreira Rodrigues
Denis de Carvalho
Hilusca Alves Leite
Denise Pereira de Alcantara Ferraz
Iarlis Brandão
Diemerson Saque o
Iramaia Santos Rodríguez
Diogo Esmeraldo Cavalcanti
Irene de Melo Pinheiro
Edinete Maria Rosa
Íris Barbosa Goulart
Edmar Oliveira
Irme Salete Bonamigo
Edson Soares Lannes Janira Siqueira Camargo
Eduardo A. Tomanik Jefferson Bernardes
Eduardo Mourão Vasconcelos Joana Branco Gongora
Edvaldo Nabuco João Batista de Mendonça Filho
Elayne Magaldi Daemon João Bosco Monteiro
Eliana Rodrigues Pereira Mendes João Paulo Sales Macedo
Eliane Gonçalves Cordeiro José Jorge de Moraes Vieira da Cunha
Eliane Rodrigues da Silva José Renato Barros Silva
Elicarlos Coutinho de Oliveira Júlia Maria Casulari Mo a
Elison Antonio Paim Karina Pereira Pinto
Elizabeth Cruz Müller Kátia Vergal Furtado
Elizabeth da Silva de Alcântara Larissa Alcantara Lavrador
Emanuelle Figueiredo Socorro Larisse Seixas
Laura Cristina de Toledo Quadros
Emílio Nolasco de Carvalho
Leila de Andrade Oliveira
Emmanuel Zagury Tourinho
Leonardo Majdalani Sacramento e Nascimento
Érika Lourenço
Lídia Maria Teixeira Lima Coelho
Ernani Henrique Fazzi
Ligia Maria do Nascimento Souza
Esther Maria de Magalhães Arantes
Lígia Rocha Cavalcante Feitosa
Eveline Correa Miranda
Luana da Silva dos Santos
Fábio de Cristo
Lucia Ghiringhello
Fernando Ramos Lúcia Willadino Braga
Filipe Degani Carneiro Luciano Ferreira Piccoli
Flávia Moreira Oliveira Lucila Lima
Flávio Durães Ludmila Cerqueira Correia
Francis Moraes de Almeida Luiz Alberto Pinheiro de Freitas
Francisca Monteiro de Albuquerque Luiz Fernando Pinto

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Lygia Maria de França Pereira Mariza Monteiro Borges


Mab Amália Alencar Sacramento de Souza Marta Maria Telles
Marcela Peralva Aguiar Marta Zappa
Marcela Reuter Ferreira Mathilde Neder
Marcelo de Almeida Ferreri Mercedes Cunha Chaves de Carvalho
Marcelo Moreira Takahashi Michelle Menezes Wendling
Marci Dória Passos Mitsuko Aparecida Makino Antunes
Márcia Antonia Piedade Araújo Mônica Leopardi Bosco de Azevedo
Márcia Biavati Messias Mônica Nogueira dos Santos Vilas-Boas
Márcia Ferreira Myriam Augusto da Silva Vilarinho
Márcia Moraes Nádia Maria Dourado Rocha
Marcos Almeida de Sá Nair Iracema Silveira dos Santos
Marcos Goursand de Araújo Natália Alves dos Santos
Marcos Vieira Silva Nayara Gomes dos Santos
Marcus Vinicius de Oliveira Silva Ode e de Godoy Pinheiro
Margareth Uarth Christoff
Paola Vargas Barbosa
Maria Antonieta Antonacci
Paula Coimbra da Costa Pereira
Maria Aparecida Fernandes Martin
Paula Eugenia César
Maria Auxiliadora Teixeira Ribeiro
Paulo José Carvalho da Silva
Maria Cláudia Almeida Orlando Magnani
Paulo Roberto de Andrada Pacheco
Maria Cláudia Novaes Messias
Polianne Alves Silva
Maria das Graças Barbosa Moulin
Priscila Rocha Mendonça da Frota
Maria das Graças Victor Silva
Rachel Nunes da Cunha
Maria de Fátima Almeida Braga
Rafael Mendonça Dias
Maria de Fátima Belo de Morais
Rafael Pinheiral
Maria de Fatima Lobo Boschi
Raquel Cavalcante Freire
Maria de Nazaré Santos de Souza
Raquel Martins de Assis
Maria do Carmo Guedes
Raquel Wrona
Maria do Socorro Brito
Raul Albino Pacheco Filho
Maria Eveline Cascardo Ramos
Regina Célia Passos Ribeiro de Campos
Maria Inês Badaró Moreira
Maria Lucia Boarini Regina Helena de Freitas Campos

Maria Lucia Seidl-de-Moura Regina Nazaré Damasceno da Silva


Maria Luísa Oliveira Abrunhosa Regineide Marques Simões
Maria Luisa Sandoval Schmidt Rejane Sousa da Silva
Maria Neusa Monteiro Renata Alves Lima
Maria Stella Brandão Goulart Renata Castelo Branco Araújo
Marilene Proença Rebello de Souza Renata Monteiro Garcia
Marina Massi Renato Diniz Silveira
Marisa Lopes da Rocha Ricardo Campelo Auto
Marisa T. D. S. Baptista Ricardo Gorayeb
Maristela de Souza Pereira Rita de Cássia Teixeira Valente
Maristela Nascimento Duarte Rita de Cássia Vieira

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Roberta Santos de Oliveira Sonia Vieira Coelho


Roberta Scaramussa Sunna Prieto de Azevedo
Roberto Alves Banaco Suzana Maria Vale Lima
Roberto Heloani Tácito Augusto Medeiros
Roberto Sagawa Tatiane Dias Bacelar

Rogério Centofanti Telma Avelar

Ronaldo Ribeiro Jacobina Terezinha Féres-Carneiro


Therezinha Andrade
Rosa Maria Stefanini de Macedo
Thiago Ferreira dos Santos
Rosane de Azevedo Neves da Silva
Thiago Monteiro Pithon
Rôsanny Moura
Vanessa Leite
Rosaura Maria Braz
Veline Filomena Simioni Silva
Rosimary Paula Ferreira Vargas
Vilma Rangel
Sandra Cristina Soares de Oliveira
Viviane Costa
Saulo de Freitas Araujo
Walkyria Camaro i
Saulo Luders Fernandes Walter Mariano de Faria Silva Neto
Sergio Carrara Walter Melo
Sérgio Domingues Wedja Josefa Granja Costa
Sheila Antony William Barbosa Gomes
Sheila Maria Rosin Wilma Mascarenhas
Silvia Vasconcelos Carvalho Wilson Ferreira de Melo
Simone Neno Zélia Pereira Barbosa

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Sumário

Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
Instituições de A a Z . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
Sobre os Autores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 453
Índice Onomástico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 463
Índice Remissivo de Instituições . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 499

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Apresentação

O Dicionário Histórico de Instituições de Psicologia no Brasil, que agora temos o prazer de apre-
sentar, foi organizado após o lançamento do Dicionário Biográfico da Psicologia no Brasil, publica-
do em 2001. O apoio do Conselho Federal de Psicologia (CFP) aos dicionários insere-se em um
projeto do Conselho chamado Memória da Psicologia Brasileira, que tem por finalidade contri-
buir para resgatar e ampliar o conhecimento sobre a evolução histórica da área da Psicologia no
Brasil, em seus aspectos de produção intelectual, científica, institucional e profissional.
Ao lado dos dicionários, fazem parte do projeto as coleções de livros Clássicos da Psicologia
Brasileira, Histórias da Psicologia Brasileira e Pioneiros da Psicologia Brasileira, além de vídeos bio-
gráficos. O projeto Memória tem contado, desde o seu início, com a colaboração do Grupo de
Trabalho em História da Psicologia da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em
Psicologia.
O investimento na pesquisa histórica e na produção de materiais abrangentes que subsidiem
estudantes, acadêmicos e profissionais, é uma decisão estratégica do Conselho, tomada pelo
XI Plenário (1999-2001) e acatada pelos Plenários posteriores, que tem como objetivo contribuir
para a superação das lacunas de materiais que registrem e analisem o caminho percorrido pela
Psicologia no Brasil.
Produzir e tornar disponível material histórico é essencial para que os profissionais tenham
elementos para situar sua atuação no tempo, identificar soluções já testadas para problemas
que ainda existem, contextualizar os desafios que enfrentam no dia a dia, logrando produzir
respostas cada vez mais qualificadas às demandas profissionais e acadêmicas.
O conhecimento do desenvolvimento histórico da Psicologia é essencial para o processo de
construção de uma profissão engajada com as realidades brasileira e latino-americana, que te-
nha sempre em vista o compromisso social da profissão na superação das desigualdades e com
a garantia dos direitos humanos para toda a população.
No marco do Projeto Memória da Psicologia Brasileira, este dicionário ganha sentido ainda
mais especial pela perspectiva de comemoração dos 50 anos da profissão no Brasil, que serão

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completados em 27 de agosto de 2012, cinco décadas depois da publicação da Lei 4.119, que
regulamentou a profissão no Brasil.
Para o Sistema Conselhos de Psicologia, a comemoração dessa data é essencial para reunir a
categoria na reflexão sobre o sentido da profissão. Nada mais apropriado, para subsidiar este
processo, do que ter registros do passado que nos ajudem a traçar caminhos para a profissão
que queremos construir. O presente volume deixa à vista a quantidade de instituições que estão
para ser conhecidas, exploradas, analisadas, pesquisadas em seus diversos aspectos.
O Conselho Federal de Psicologia agradece e parabeniza todas as dezenas de pesquisadores
que se engajaram nesse trabalho hercúleo de recolher informações sobre as 264 instituições que
deram origem a verbetes no Dicionário Histórico de Instituições de Psicologia no Brasil.

Humberto Verona
Presidente do Conselho Federal de Psicologia

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Introdução

Este Dicionário Histórico de Instituições de Psicologia no Brasil é um projeto do Grupo de Tra-


balho (GT) de História da Psicologia da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em
Psicologia (ANPEPP) em parceria com o Conselho Federal de Psicologia, parceria esta que já
gerou, em 2001, o Dicionário Biográfico da Psicologia Brasileira – Pioneiros (coeditado pela Imago/
CFP). Este novo Dicionário contou também com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior (CAPES), por meio dos Editais Procad 2005 e 2007, envolvendo o
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da UERJ, o Programa de Educação da UFMG
e o Programa de Psicologia Social da PUC-SP.
Tal aliança é, sem dúvida, indicativa do entendimento de que nossos atuais fazeres acadêmi-
cos e profissionais geram perguntas que muitas vezes necessitam interrogar sua história, seu
passado, para melhor compreenderem e, se necessário e possível, modificarem seu presente.
Neste sentido, a expressão “Psicologia” no título do Dicionário tem um sentido amplo, abar-
cando aquilo que é normalmente referido como “saberes psi”.
Para os fins deste Dicionário, “instituição” refere-se tanto a estabelecimentos, associações e
organizações públicas, privadas e não governamentais, de pesquisa, de formação, de prestação
de serviços etc. quanto a publicações seriadas (periódicos), congressos e legislação. Contudo,
tendo em vista o montante de investigação necessária para cobrir todos esses aspectos, decidi-
mos que este volume tratasse somente de estabelecimentos, associações e organizações, deixan-
do periódicos, congressos e legislação para um volume subsequente.
A confecção do Dicionário revelou-se um desafio, dada a inexistência de pesquisa prévia sobre
muitas instituições. O funcionamento seguiu a lógica anteriormente utilizada no Dicionário Pio-
neiros, quando membros do GT foram encarregados de áreas temáticas ou regiões geográficas.
Assim, membros do GT de alguns estados/regiões foram encarregados de buscar pesquisadores
que pudessem redigir verbetes sobre instituições de determinados estados/regiões (destaque
deve ser dado aqui à colega Nádia Rocha, que assumiu, sozinha, a responsabilidade pelas re-
giões Norte-Nordeste). Contudo, foi necessário lançar mão de dois pesquisadores de fora do
GT nos casos do Espírito Santo e da Região Centro-Oeste, casos que nos interessavam particu-
larmente porque não constava no Dicionário Pioneiros nenhum personagem destes dois lugares.
Neste sentido, consideramos que este Dicionário não é uma obra acabada. Muitas instituições

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certamente não constam dele e algumas informações estão incompletas. Procuraremos suprir
essas deficiências com o projeto de construir uma versão online deste Dicionário o mais rapida-
mente possível, tornando-o disponível através da BVS-Psi. Neste caso, alterações e acréscimos
poderão ser realizados, como explicaremos mais adiante.
O cotidiano do Dicionário ficou a cargo de uma equipe constituída pela Coordenadora Ge-
ral, junto à qual trabalharam um assistente e um auxiliar de pesquisa, e pelos Coordenadores
de estados/regiões específicos, com os respectivos auxiliares de pesquisa. Todos os verbetes
passaram por parecer duplo – do Coordenador do estado/região e da Coordenadora Geral, e
muitas vezes solicitou-se parecer de algum outro membro do GT. Realizou-se pelo menos uma
reunião anual de avaliação dos trabalhos; em 2008 e 2009, ocorreram duas reuniões para revisão
conjunta de todos os verbetes.
Por que a opção de fazer “dicionários”? Os dicionários reúnem uma gama considerável de
informações que devem ter sua coerência interna. Se bem-sucedidos, tornam-se obras de refe-
rência e podem mesmo, pela evitação de ambiguidades e posições contrárias, tornar-se autori-
dades e fontes da verdade. Este risco foi claro para nós desde o princípio, quando orientamos os
responsáveis a utilizarem uma redação em linguagem direta, na afirmativa, sem adjetivações, e
quando cuidamos da revisão interverbetes nas reuniões acima mencionadas.
Por outro lado, e aqui se situa a justificativa de nosso interesse, os dicionários possibilitam
uma difusão democrática do conhecimento. Em vez do acesso restrito a teses ou artigos cien-
tíficos, ainda não visibilizados como alternativa para boa parte da população, mesmo a “edu-
cada”, a informação está ali, num livro impresso ou disponível na internet, com quantidade
considerável de dados. Dicionário, em suma, é uma fonte organizada de consulta sobre dife-
rentes temas (em nosso caso, diferentes instituições), os quais foram pesquisados com o uso de
diferentes fontes. Os autores são os responsáveis pela feitura do retrato de uma instituição, para
o qual tiveram que recorrer a determinadas estratégias de obtenção de dados e optar por uma
determinada forma narrativa. Neste sentido, tanto as estratégias quanto a narrativa utilizadas
podem ser consideradas como indicativas de nosso desenvolvimento na pesquisa em História
da Psicologia, o que denominamos caleidoscópio, visões diversas sobre como fazer história. E,
esperamos, podem possibilitar novos estudos sobre as instituições aqui apresentadas.
Enfrentamos alguns desafios na construção deste Dicionário. A Psicologia é um campo re-
cente de produção e prática no Brasil, da mesma forma que a Psicanálise – anos de 1920/1930.
Mesmo a Psiquiatria – de onde se originam, em boa parte, os outros campos – também tem ori-
gem não tão distante, já que sua primeira cátedra surgiu no último quartel do século XIX. São,
portanto, atores e fontes muito próximos, alguns atores figurando como autores dos verbetes.
Em muitos casos, para os próprios autores a história de vida mescla-se com a história da insti-
tuição. Ou seja, a história do tempo presente aqui se realiza. Embora se conheçam os cuidados
a serem tomados, a explicitação das implicações, essa história é uma das principais formas de
conhecimento de eventos tão próximos ainda de nós.
Além disso, na falta anteriormente mencionada de pesquisas sobre instituições, recorrremos,
em boa parte dos casos, à contribuição de autores sem experiência de investigação e escrita ou
de pesquisadores cuja experiência investigativa não era referida à pesquisa historiográfica. Não
podemos deixar de mencionar quantas descobertas positivas surgiram deste universo.
Chegando, finalmente, aos critérios de escolha das instituições a fazerem parte do presente
Dicionário, consideramos como critério de inclusão a criação da referida instituição até o ano de
1980. Isto se deve a que, pelo que sabíamos da História da Psicologia no Brasil, ocorrera uma
grande expansão de instituições de Psicologia e de Psicanálise na década de 1980, o que nos
obrigaria a, além de uma dedicação mais exaustiva a esta década, enfrentar diferentes casos de

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instituições com duração mínima. Além da data, foram critérios também utilizados a existência
de sinais de pioneirismo da instituição, como formação de pessoal, publicações, criação de no-
vos campos de atuação etc. Por outro lado, como critério de abrangência do verbete, ou seu limite
temporal, para utilizarmos o termo empregado no Dicionário Pioneiros, consideramos que deve-
ria ir desde a criação da instituição até seu fechamento (se fosse o caso) ou até os dias de hoje.
Alguns critérios secundários também foram estabelecidos. Instituições de âmbito nacional,
mesmo que tenham subdivisões regionais, têm um único verbete. Exemplos: ABRAPSO, APAE,
Conselho Federal de Psicologia, DETRAN. Instituições com uma grande capilaridade no terri-
tório nacional, como a Santa Casa de Misericórdia, a Escola Normal, o Serviço de Orientação
Educacional, mereceram um verbete específico, que denominamos “genérico”. Por outro lado,
tendo em vista que um dos poucos verbetes possíveis em diferentes estados era o referido à
Escola Normal, optamos por deixá-los no Dicionário. No caso de seminários católicos, institui-
ções espíritas e instituições protestantes, tendo em vista haver presença da Psicologia, porém
pequena, em cada um deles, decidiu-se por um único verbete sobre cada forma religiosa.
A proposta é que verbetes específicos de instituições subordinadas venham a ser colo-
cados no Dicionário de Instituições de Psicologia no Brasil, em sua forma virtual, na BVS-Psi
(www.bvs-psi.org). Nele também poderemos oferecer fotos das instituições.
O resultado final, no sentido de representatividade do território nacional, é bem positivo.
Corresponde, ao nosso ver, à ordem de expansão da Psicologia pelos diferentes estados. A maior
parte dos verbetes é do Rio de Janeiro, seguido por São Paulo e, logo depois, por Minas Gerais,
lugares por onde a Psicologia começou a se constituir entre nós. O Rio Grande do Sul vem logo
a seguir. Os demais estados das regiões Sul e Sudeste têm poucas instituições relacionadas em
cada um. Da região Nordeste, a Bahia tem um grande número de verbetes, seguido por número
razoável ou pequeno nos demais estados. A região Centro-Oeste apresenta poucos verbetes
de cada estado e do Distrito Federal, observando-se que não há nenhum de Goiás. Por fim, da
região Norte só temos verbetes do Pará – não foi possível nenhum registro de instituição nos
demais estados.
É importante lembrar, todavia, que isso não significa que não haja ou não tenha sido fun-
dada nenhuma instituição de Psicologia nesses lugares antes de 1980. Tem-se clareza de que o
Dicionário poderá ser acrescido por inúmeros outros dados, tanto sobre as instituições aqui re-
lacionadas quanto pela inserção de novas instituições. Por isso a proposta do Dicionário virtual,
como já dissemos.
Quanto à estrutura e apresentação do Dicionário, os verbetes – em um total de 265 – encon-
tram-se em ordem alfabética. Esta segue o nome atual completo (ou o último) da instituição,
seguido da sigla – ou forma como é mais comumente conhecida – entre parênteses. Em seguida,
datas de criação e eventual dissolução. Abaixo, alinhadas à direita, mudanças anteriores de
denominação, caso tenham ocorrido, sempre seguidas das datas de cada uma. Segue-se o texto
narrativo, referências, nome(s) do(s) autor(es). Este procedimento pode gerar a impressão de
uma história linear, na suposição de que as alterações de nome não tenham nenhum significado,
mantendo-se a mesma instituição. Este foi, todavia, um critério arbitrário, adotado tanto para a
diminuição do número de verbetes quanto para uma coerência na escrita das instituições.
Após os verbetes, há três anexos. O primeiro, intitulado “Sobre os Autores”, explicita a titula-
ção e a inserção institucional de cada um. Nos 264 verbetes encontramos 186 autoras e outros 75
autores. Este dado aponta, sem dúvida, para a crescente feminilização do campo psi, não mais
somente em termos de exercício profissional, mas também enquanto sujeitos que podem falar/
escrever sobre o campo. Coincidentemente, apresentamos quase o mesmo número de auto-
res (261) e de verbetes (264).

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O anexo seguinte é o Índice Onomástico de personagens citados no Dicionário. Nele conta-


mos com 139 personagens que também estão presentes, como verbetes, no Dicionário Biográfico
da Psicologia no Brasil – Pioneiros. Como este último tem 200 verbetes, parece-nos que nossa
historiografia está construindo um campo de conhecimento bastante sólido – que, por sua vez,
traz os riscos da história-verdade que comentamos anteriormente. Para clarificação do leitor,
colocamos um asterisco (*) após o nome presente no Dicionário que é também personagem com
verbete no Dicionário Pioneiros.
O último anexo é o Índice Remissivo de Instituições, em que estão listadas todas as institui-
ções que fazem parte do Dicionário, com seus nomes atuais e os nomes que porventura tenham
tido no passado. Além disso, no Índice Remissivo constam também todas as instituições citadas
no corpo dos verbetes, o que, ao nosso ver, favorece pesquisas futuras que entrelacem as dife-
rentes instituições que aqui relatamos.
Quanto aos critérios de redação, esclarecemos, que usamos a grafia já utilizada no Dicionário
Pioneiros para a redação de nomes de pessoas.
Finalmente, ao considerarmos este trabalho terminado – na medida em que é possível conside-
rar um “fim” em um trabalho deste tipo –, algumas pessoas e instituições devem ser lembradas:
z A Universidade do Estado do Rio de Janeiro, tanto seu Instituto de Psicologia, na pessoa
de sua Diretora, Profa. Dra. Neusa Eiras, que forneceu condições de infraestrutura básica e
de equipamentos para a execução deste projeto, quanto o seu Programa de Pós-Graduação
em Psicologia Social;
z A Universidade Federal de Minas Gerais, através de seu Programa de Pós-Graduação em
Educação;
z A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, através de seu Programa de Pós-Gra-
duação em Psicologia Social;
z A Universidade Federal do Rio Grande do Sul, através de seu Programa de Pós-Graduação
em Psicologia;
z A Faculdade Ruy Barbosa, pela infraestrutura fornecida;
z A equipe técnica que colaborou conosco, cujos nomes constam no início deste Dicionário.

Encerramos voltando ao CFP e à Capes, instituições das quais recebemos o apoio necessário
para a concretização deste projeto. Nossos agradecimentos muito especiais pela confiança em
nosso trabalho, que se traduziu em condições para seu exercício.

Ana Maria Jacó-Vilela


Coordenadora Geral do Dicionário

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Instituições de A a Z

Academia Paulista de Psicologia (APP)


Ambulatório Central Roberto Resende
Asilo Provisório de Alienados da Cidade de São Paulo
Assistência a Psicopatas
Associação Baiana de Psicólogos (ABAP)
Associação Baiana de Recuperação do Excepcional (ABRE)
Associação Brasileira de Análise do Comportamento (ABAC)
Associação Brasileira de Daseinsanalyse (ABD)
Associação Brasileira de Psicanálise (ABP)
Associação Brasileira de Psicodrama e Sociodrama (ABPS)
Associação Brasileira de Psicologia (ABP)
Associação Brasileira de Psicologia (SBP)
Associação Brasileira de Psicologia Aplicada (ABRAPA)
Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO)
Associação Brasileira de Psicoterapia de Grupo (ABPG)
Associação Brasileira para Superdotados (ABSD)
Associação das Pioneiras Sociais – Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação
Associação de Assistência ao Excepcional do Paraná
Associação de Pais e Amigos do Excepcional (APAE)
Associação de Psicodrama de São Paulo (SOPSP)
Associação de Psicologia de São Paulo (ASPSP)
Associação de Psicologia do Pará (APPA)
Associação de Psiquiatria e Psicologia da Infância e da Adolescência (APPIA)
Associação Milton Campos para o Desenvolvimento das Vocações (ADAV)

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Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP)


Asylo de Sant’Anna (ASA)
Atheneu Norte-Rio-grandense
Casa das Palmeiras
Casa de Saúde Ana Nery
Casa de Saúde Dr. Eiras
Casa de Saúde Santa Mônica Ltda. (Espaço Bom Viver – EBV)
Casa de Saúde São Pedro Ltda. (CSSP)
Centro da Consciência e do Desenvolvimento Humano (INTEGRAR)
Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff (CDPHA)
Centro de Estudos de Antropologia Clínica (CESAC)
Centro de Estudos de Gestalt-Terapia de Brasília (CEGEST)
Centro de Estudos Freudianos (CEF)
Centro de Estudos Freudianos do Recife (CEF-Recife)
Centro de Informações Antiveneno da Bahia (CIAVE)
Centro de Logopedia e Psicomotricidade da Bahia (CLPB)
Centro de Orientação e Seleção Psicotécnica (COESP)
Centro de Orientação Familiar (COFAM)
Centro de Orientação Infantil
Centro de Orientação Médico-Psicopedagógica (COMPP)
Centro de Pesquisas e Orientação Educacionais da Secretaria de Educação e Cultura do Estado
do Rio Grande do Sul (CPOE)
Centro de Psicodrama de Brasília (CPB)
Centro de Psicologia Aplicada (CENPA)
Centro de Psicologia Aplicada (CEPA)
Centro de Psicologia da Pessoa (CPP)
Centro de Saúde Mental Oswaldo Camargo (CSMOC)
Centro Dom Vital
Centro Especializado de Habilitação Profissional Mercedes Stresser
Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ)
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB)
Centro Integrado de Assistência Psicossocial Adauto Botelho (CIAPS Adauto Botelho)
Centro Juvenil de Orientação e Pesquisa (CEJOP)
Centro Psicopedagógico (CPP)
Centro Regional de Pesquisas Educacionais do Sudeste
Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ)
Círculo Psicanalítico de Minas Gerais (CPMG)
Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro (CPRJ)
Círculo Psicanalítico do Rio Grande do Sul (CPRS)

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21

Clínica de Orientação Infantil


Clínica de Orientação Infantil (COI)
Clínica de Orientação Psicológica e Social Ltda. (COPS)
Clínica de Repouso da Tijuca
Clínica Social de Psicanálise Anna Ka rin Kemper
Colégio Abílio
Colégio Estadual da Bahia (Central)
Colégio Estadual Guaíra
Colégio Freudiano do Rio de Janeiro (CFRJ)
Complexo Hospitalar do Juquery
Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira (CPJM)
Conselho Federal e Conselhos Regionais de Psicologia (CFP/CRP)
Curso de Habilitação para o Exercício do Magistério em Primeiro Grau do Colégio Estadual
Emir de Macedo Gomes
Curso de Psicologia da Faculdade de Ciências Humanas da Fundação Mineira de Educação e
Cultura (Psicologia/FCH/FUMEC)
Curso de Psicologia da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP)
Curso de Psicologia da Universidade Católica Dom Bosco
Curso de Psicologia do Centro Universitário Celso Lisboa (UCL)
Departamento de Administração do Serviço Público (DASP)
Departamento de Orientação e Treinamento do Banco da Lavoura de Minas Gerais (DOT)
Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade
Federal de Minas Gerais (FAFICH/UFMG)
Departamento de Psicologia da Faculdade ESUDA
Departamento de Psicologia da Faculdade Frassine i do Recife
Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
Departamento de Psicologia da Universidade de Uberaba (UNIUBE)
Departamento de Psicologia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)
Departamento de Psicologia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)
Departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Maringá (DPI-UEM)
Departamento de Psicologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)
Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC)
Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Maranhão (DEPSI/UFMA)
Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Pará (UFPA)
Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense (GSI-UFF)

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22

Departamento de Psicologia da Universidade Gama Filho (UGF)


Departamento de Psicologia do Centro de Estudos Superiores de Maceió (CESMAC)
Departamento de Psicologia do Centro Educacional Anísio Teixeira (CEAT)
Departamento de Psicologia e Departamento de Psicologia Social e do Desenvolvimento da
Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
Departamento de Recursos Humanos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (DRH/
Embrapa)
Departamento de Trânsito (DETRAN)
Divisão de Psicologia Edouard Claparède (Clínica Claparède)
Divisão de Recrutamento e Seleção do Banco Econômico S.A.
Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP/FGV)
Escola de Aperfeiçoamento
Escola Doméstica de Natal
Escola Especial Ulisses Pernambucano
Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo (ELSP)
Escola Normal de São Paulo
Escola Normal Modelo
Escolas Normais
Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (FACHO)
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Sedes Sapientiae
Faculdade de Medicina da Bahia (FMB) da Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (FAPSI/PUCRS)
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP)
Federação Brasileira de Psicodrama (FEBRAP)
Federação Psicanalítica da América Latina (FEPAL)
Fundação Carlos Chagas (FCC)
Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE)
Fundação Dom Bosco
Fundação Helena Antipoff (FHA)
Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG)
Fundação Universitária do Desenvolvimento do Oeste (FUNDESTE)
Grupo de Atendimento Psicológico (GAP)
Hospício da Visitação de Santa Isabel
Hospício de Diamantina
Hospital Adauto Botelho (HAB)
Hospital Arquidiocesano Cônsul Carlos Renaux

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Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCUSP)


Hospital de Custódia e Tratamento da Bahia (HCT-BA)
Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Heitor Carrilho
Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Professor André Teixeira Lima
Hospital Escola Portugal Ramalho (HEPR)
Hospital Especializado Mário Leal (HEML)
Hospital Galba Velloso (HGV)
Hospital João Viana
Hospital Juliano Moreira
Hospital Nacional de Psicopatas
Hospital Nina Rodrigues (HNR)
Hospital Psiquiátrico Dr. Garcia Moreno
Hospital Psiquiátrico e Judiciário Jorge Vaz
Hospital Psiquiátrico São Pedro (HPSP)
Hospital Ulysses Pernambucano (Tamarineira)
Hospital Universitário Pedro Ernesto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (HUPE/UERJ)
Instituições Espíritas no Brasil
Instituições Protestantes no Brasil
Instituto Brasileiro de Psicanálise, Grupos e Instituições (IBRAPSI)
Instituto Central de Educação Isaías Alves (ICEIA)
Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (CAp/UERJ)
Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (IASES)
Instituto de Cegos da Bahia (ICB)
Instituto de Doenças Nervosas e Mentais
Instituto de Educação Caetano de Campos
Instituto de Educação de Minas Gerais
Instituto de Educação Estadual de Maringá
Instituto de Educação General Flores da Cunha (IE)
Instituto de Educação Professor Fernando Duarte Rabelo
Instituto de Educação Rui Barbosa (IERB)
Instituto de Educação Superior Presidente Kennedy
Instituto de Gestalt-Terapia de Brasília (IGTB)
Instituto de Organização Racional do Trabalho (IDORT)
Instituto de Orientação Psicológica (IOP)
Instituto de Orientação Vocacional (IDOV)
Instituto de Proteção e Assistência à Infância (IPAI)
Instituto de Psicodrama e Psicoterapia de Grupo de Campinas (IPPGC)
Instituto de Psicologia Aplicada de Minas Gerais (IPAMIG)

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Instituto de Psicologia Aplicada do Espírito Santo (IPAES)


Instituto de Psicologia da Aeronáutica (IPA)
Instituto de Psicologia da Bahia (IPB)
Instituto de Psicologia da Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena (FSFCLL)
Instituto de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas)
Instituto de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (IPPUC-SP)
Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (IP/UnB)
Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP)
Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IP-UERJ)
Instituto de Psicologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Instituto de Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia (INPSI/UFU)
Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IP/UFRJ)
Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IP/UFRGS)
Instituto de Psicologia do Recife (IPR)
Instituto de Psicologia do Trabalho (IPT)
Instituto de Psicologia e Psicanálise da Universidade Santa Úrsula (IPP-USU)
Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB/UFRJ)
Instituto de Psiquiatria do Estado de Santa Catarina (IPq)
Instituto de Psiquiatria Forense (IPF)
Instituto Decroly
Instituto dos Cegos da Paraíba (ICPB)
Instituto Freudiano de Psicanálise (IFP)
Instituto Guanabara
Instituto Médico-Pedagógico Paulista
Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira (IMASJM)
Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira
Instituto Municipal Philippe Pinel
Instituto Psicopedagógico da Bahia (IPPB)
Instituto Psiquiátrico Forense Maurício Cardoso (IPFMC)
Instituto Raul Soares (IRS)
Instituto Sedes Sapientiae
Instituto Superior de Educação Antonino Freire (ISEAF)
Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro
Instituto Superior de Estudos e Pesquisas em Psicologia da Fundação Getulio Vargas (ISOP/FGV)
Laboratório de Biologia Infantil (LBI)
Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro
Laboratório de Psicologia na Escola Normal Secundária de São Paulo
Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHM)
Movimento da Luta Antimanicomial (MLA)

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Museu de Imagens do Inconsciente


Núcleo Assistencial Caminhos para Jesus (NACJ)
Núcleo Central de Psicologia da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (NuCePsi-PMERJ)
Núcleo de Estudos e Formação Freudiana (NEFF)
Núcleo Paulista da Abordagem Centrada na Pessoa (NPACP)
Pedagogium
Psicoclínica Comércio Varejista de Livros e Testes Psicológicos
Sanatório Clifford Whi ingham Beers
Sanatório Maringá Ltda.
Sanatório Recife
Sanatório São Paulo (SSP)
Santa Casa de Misericórdia
Seminários Católicos do Brasil Colônia e Império
Serviço de Ensino e Seleção Profissional da Estrada de Ferro Sorocabana (SESP/EFS)
Serviço de Orientação Educacional do Colégio Santa Teresa (SOE)
Serviço de Orientação Psicopedagógica (SOPP)
Serviço de Ortofrenia e Higiene Mental (SOHM)
Serviço de Psicologia Aplicada (SEPA)
Serviço de Psicologia Aplicada (SPA) da Secretaria de Educação e Saúde Pública do Estado de
São Paulo
Serviço de Psicologia Escolar da Secretaria da Educação da Prefeitura Municipal de São Paulo
Serviço de Psicologia Médica (COJ)
Serviço de Seleção do Pessoal da Marinha (SSPM)
Serviços de Orientação Educacional
Setor de Psicologia Aplicada do Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (USP)
Setor de Psicologia Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Sindicato dos Psicólogos do Rio de Janeiro
Sindicato dos Psicólogos no Estado de São Paulo
Sociedade Brasileira de Biosofia
Sociedade Brasileira de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal
Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP)
Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro (SBPRJ)
Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica (SBPA)
Sociedade Brasileira de Psychanalyse
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)
Sociedade de Análise Transacional do Rio de Janeiro (SANTRARJ)
Sociedade de Estudos Psicanalíticos Latino-Americanos (SEPLA)
Sociedade de Estudos Psychicos
Sociedade de Psicanálise da Cidade do Rio de Janeiro (SPCRJ)

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Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle (SPID)


Sociedade de Psicodrama do Rio de Janeiro (SOPERJ)
Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul (SPRGS)
Sociedade de Psicoterapia Analítica de Grupo do Estado do Rio de Janeiro (SPAG-E.RIO)
Sociedade de Serviços Gerais para a Integração Social pelo Trabalho (SOSINTRA)
Sociedade Mineira de Psicologia (SMP)
Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais
Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA)
Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro (SPRJ)
Sociedade Psicanalítica Gradiva (SPAG-RJ)
Sociedade Rorschach de São Paulo (SRSP)
Supervisão de Avaliação e Acompanhamento aos Portadores de Necessidades Educacionais
Especiais (SAANE)
Teatro Experimental do Negro (TEN)

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„ Academia Paulista de Psicologia (APP) científicas ou didáticas de reconhecido valor


– 1979- ou ainda que sejam personalidades de grande
significação na docência, na pesquisa, no exer-
cício profissional e/ou na prestação de servi-
A entidade, com sede na rua Pelágio Lobo, ços na área da psicologia. Tem por finalidade
107, na cidade de São Paulo, é pessoa jurídica, principal resgatar e preservar a história da
sem fins lucrativos, regida por estatuto e regi- psicologia, como também estimular o progres-
mento interno, ambos registrados no 1º Car- so dessa ciência no país, mediante outorga de
tório de Títulos e Documentos, na cidade de prêmios, realização de produções científicas,
São Paulo. Foi fundada em 31 de dezembro de construção de acervo literário e iconográfico,
1979, ano em que se comemorou internacio- implementação de projetos e ações em prol do
nalmente o centenário da psicologia científica. reconhecimento público da ciência psicológi-
A entidade é mantida por seus próprios mem- ca no país, em especial no Estado de São Pau-
bros. A exemplo do que é verificado em ou- lo. O corpo acadêmico está estruturado em
tras áreas do conhecimento, como a medicina, 40 cadeiras, identificadas por número, nome
a história, as letras e a educação, um grupo de e patrono, além de um quadro de membros
psicólogos paulistas julgou que era chegado o correspondentes e de membros beneméritos.
momento de fundar uma academia devotada Os patronos foram escolhidos quando da fun-
à psicologia. De fato, o desenvolvimento desse dação da academia entre eminentes figuras da
ramo do saber assumira considerável impor- intelectualidade paulista que contribuíram,
tância, graças à existência de cursos univer- de modo destacado, com os primeiros passos
sitários, especialmente de pós-graduação, à para impulsionar o progresso da psicologia
atuação de especialistas no exercício profissio- no Brasil, especialmente em uma época histó-
nal, à significativa produção de pesquisas e de rica de pioneirismo. Exemplos de alguns pa-
publicações e à frequente realização de con- tronos de diferentes áreas de especialidades:
gressos e outros eventos científicos, nacionais psiquiatria – Francisco Franco da Rocha; edu-
e internacionais. Foi concebida (e permanece) cação – Manuel Bergström Lourenço Filho;
como uma entidade que congrega psicólogos sociologia – Fernando de Azevedo; filosofia –
proeminentes, que tenham publicado obras Laerte Ramos de Carvalho; pediatria – Pedro

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de Alcântara Machado; engenharia – Roberto pondentes, como também outorga de prêmios


Mange; etnologia – Herbert Baldus; religião e homenagens póstumas aos ex-integrantes da
– Paul Siwek. As cadeiras da academia são academia. Além do seu caráter formal, essas
ocupadas por membros titulares, psicólogos sessões são abrilhantadas por um contexto
notáveis residentes no Estado de São Paulo. científico dos discursos pronunciados pelos
O quadro de membros correspondentes tam- novos titulares, homenageando os patronos
bém é constituído por eminentes profissio- e os acadêmicos falecidos, de cujas cadei-
nais, mas residentes em outras regiões do país ras tomam posse. Acrescem-se as exposições
ou no exterior, por serem assim designados. dos laureados sobre os temas respectivos dos
É dirigida por uma diretoria eleita entre os trabalhos premiados. Quanto às realizações
seus membros titulares para um mandato de científicas, registram-se também conferências
três anos, composta de presidente, vice-pre- e cursos intensivos de pós-graduação, sobre
sidente, secretário-geral, primeiro e segundo questões históricas da ciência psicológica e
secretários, primeiro e segundo tesoureiros. suas perspectivas futuras, novas teorias ou
Desde sua fundação, em 1979, teve, respecti- atualização das conhecidas áreas da psicolo-
vamente, os seguintes presidentes: Carlos Del gia, entre outros temas importantes. Nessa
Nero, que ocupa a cadeira n. 7, cujo patrono mesma linha, encontram-se exposições do
é Oscar Freire; Mathilde Neder (cadeira n. 14, acervo da academia, principalmente de suas
patrono Anibal Silveira); Samuel Pfromm Net- publicações e de fotos raras e de incontestá-
to (cadeira n. 5, patrono José Rodrigues Arru- vel valor histórico. Mais ainda, distinguem-se
da); Oswaldo de Barros Santos (cadeira n. 15, nessas atividades os projetos que a academia
patrono Roberto Mange); Nelson de Campos vem realizando para o resgate do legado de
Pires (cadeira n. 40, patrono, Walter Barioni), vida e obra dos acadêmicos, mediante docu-
e, atualmente, Arrigo Leonardo Angelini, que mental iconográfico, gravações em áudio e
ocupa a cadeira n. 4, cujo patrono é Antonio em DVDs. Destes, O legado da psicologia para
Ferreira de Almeida Júnior. Existem quatro o desenvolvimento humano, sob os auspícios do
comissões de trabalho, nomeadas pela direto- Ministério da Cultura, constando de DVDs
ria entre os seus titulares, a saber: comissão de que contemplam a vida e a obra de acadêmi-
contas, comissão de termos, comissão de pu- cos e que são distribuídos a cem bibliotecas de
blicações e comissão de bibliografia, e, atual- psicologia do país e aos Conselhos Federal e
mente, duas comissões especiais: comissão de Regionais de Psicologia. Salienta-se também,
cidadania e direitos humanos e comissão de entre as atividades da academia, com precisa
eventos. Estas últimas foram criadas dada a regularidade, a publicação do Boletim Acade-
importância destinada aos eventos e também mia Paulista de Psicologia, porta-voz de suas
à defesa dos direitos humanos pelos acadê- realizações e, particularmente, de progressos
micos, inclusive pelos comprometidos direta- científicos alcançados pela ciência psicológica
mente com essas ações. Em termos de rotina, no país.
tem-se uma variedade de reuniões da direto-
ria para deliberações sobre assuntos adminis-
Referências
trativos, indicações de membros correspon-
dentes e de representantes de comissões de ACADEMIA PAULISTA DE PSICOLOGIA. Acervo
trabalho, entre outros temas de sua competên- Técnico e Científico. São Paulo: APP, 1979-2007.
cia. Registram-se as assembleias ordinárias e ACADEMIA PAULISTA DE PSICOLOGIA. Dispo-
extraordinárias, incluindo deliberações sobre nível em: <h p://www.appsico.org.br/>. Acesso em:
reformas estatutárias, eleição da diretoria e de 17 ago. 2008.
membros titulares, entre outros assuntos que ACADEMIA PAULISTA DE PSICOLOGIA. O lega-
lhe são próprios. No contexto dessas ativida- do da psicologia para o desenvolvimento huma-
des, destacam-se as sessões solenes de posse no: resgate da vida e obra de acadêmicos titulares
de acadêmicos, titulares e de membros corres- através de depoimentos de Arrigo L. Angelini e

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Aidyl Pérez-Ramos. DVDs. Bauru: APP, 2006. mental mineira. O caráter centralizador do
ACADEMIA PAULISTA DE PSICOLOGIA. Relató- ambulatório significava uma primeira etapa
rios de Atividades das Diretorias. São Paulo: APP, para a construção de um modelo assistencial
1979-2007. capaz de oferecer alternativas à internação
ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE PSICOLOGIA. Bole-
psiquiátrica. O Ambulatório Central Roberto
tim. São Paulo: APP, 1980-2006. Resende, em seu curto período de autonomia
(1969-1971), representou uma tentativa de hu-
LOPES, A. M. P. Apresentação. Sistema de subsí- manizar a assistência psiquiátrica, por meio
dios para o ensino de psicologia. Disponível em:
de uma assistência extramuros, pública, que
< h p://www.bvs-psi.org.br/subsidio.htm>. Acesso
procurava estreitar as relações com a comuni-
em: 17 ago. 2008.
dade. Começou a funcionar com a finalidade
de trabalhar terapeuticamente com homens,
Aidyl M. Q. Pérez-Ramos mulheres e crianças. Respondia a objetivos
inovadores da política assistencial inicialmen-
te implementada pela FEAP de, com ele,
construir um modelo de funcionamento que
„ Ambulatório Central Roberto Resende produzisse as necessárias vivência e mentali-
– 1969-1971 dade ambulatoriais. Foram estruturados dois
Ambulatório Roberto Resende serviços, no contexto desta experimentação,
– 1963-1968 o técnico e o administrativo, ambos dota-
dos de relativa autonomia. O serviço técnico
compunha-se de cinco seções: psiquiatria, psi-
Em 1969, o Ambulatório Central Roberto cologia, serviço social, clínica médica e seção
Resende inaugurou a primeira tentativa de de arquivos médicos e estatísticas. A seção
uma assistência terapêutica extra-hospitalar Psicologia foi instalada em junho de 1970, sob
e interdisciplinar. Conquistando autonomia a coordenação de Carmen Souza Rocha, e de-
perante o Instituto Raul Soares (IRS), graças à senvolvia as seguintes atividades: atendimen-
criação da Fundação Estadual de Assistência to psicológico individual, adulto e infantil,
Psiquiátrica (FEAP) em 1968, recebeu a deno- atendimento de famílias, aplicação de testes
minação Ambulatório Central, tornando-se de inteligência e personalidade, e atendimen-
um modelo alternativo no campo da assis- to em psicomotricidade. Promovia também a
tência psiquiátrica pública em Minas Gerais. seleção, o treinamento e a orientação dos fun-
Estruturou-se, então, no já existente Ambu- cionários administrativos, incentivando a ra-
latório Roberto Resende, fundado em 1963, cionalização do trabalho de todos os serviços
anexo ao IRS, na segunda seção deste, em seu e colaborando decisivamente na elaboração
pavimento inferior. Situava-se na avenida do do regimento interno e organograma. O servi-
Contorno, 3.017, bairro Santa Efigênia – Belo ço administrativo tinha cinco seções: pessoal,
Horizonte, e integrava o Departamento de admissão (encarregada de receber, registrar
Saúde Mental da Secretaria de Saúde Estadual e encaminhar o paciente e os seus familiares
de Minas Gerais, ou seja, era uma instituição para os atendimentos), contabilidade, tesou-
pública, estadual e assistencial. Com a criação raria e aprovisionamento. Entre as vantagens
da FEAP, foram extintos os ambulatórios dos inerentes a esse tipo de tratamento, pensava-
chamados hospitais de agudos de Belo Hori- se que o ambulatório não afastava o pacien-
zonte. O Ambulatório Central Roberto Resen- te de seu meio familiar e permitia o trabalho
de modificaria suas funções, voltando-se para de equipe interdisciplinar. Neste sentido, era
a comunidade. Seu diretor, ao longo dos dois um contraponto à internação e à segregação
anos de experiência inovadora, foi Francis- do portador de transtorno mental. Uma expe-
co Paes Barreto, uma das mais significativas riência inédita até então e que incorporava a
lideranças da reforma da política de saúde prática clínica em psicologia. Em 1971, o Am-

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bulatório Central Roberto Resende perdeu a rimental Integrado (Portaria Superge 132/80), a
sua autonomia. A relação entre o ambulatório criação de uma equipe interdisciplinar em uma
e o Hospital Psiquiátrico Raul Soares passou a enfermaria com um projeto psicoterapêutico
ser questionada do ponto de vista das políti- que incluía atendimento ambulatorial e aten-
cas públicas, em função de uma mudança na dimentos de famílias no mesmo espaço físico.
composição política da FEAP, que deixou de Só então o ambulatório voltou a atuar de modo
apoiar a prática psicoterapêutica ambulatorial a diminuir as reinternações, configurando um
no âmbito da assistência psiquiátrica no Estado trabalho integrado com a enfermaria. No final
de Minas Gerais. Com o fim desta experiência dos anos de 1980, o movimento da reforma
de autonomia, o ambulatório voltou a integrar psiquiátrica em Minas Gerais questionou o bi-
o Hospital Psiquiátrico Raul Soares. O papel nômio ambulatório/hospital, como alternativa
que o Ambulatório Central Roberto Resende ao modelo hospitalocêntrico hegemônico, uma
exerceu na assistência psiquiátrica em Minas vez que não alterava o ciclo de internação-al-
Gerais abriu, no entanto, importante caminho ta-internação. Foram constituídos os serviços
para se pensar o binômio ambulatório/hospital substitutivos ao hospital psiquiátrico desvin-
psiquiátrico na história da reforma da política culados da FHEMIG e o Ambulatório Roberto
de saúde mental mineira. Depois de 1971, os Resende manteve-se vinculado ao IRS, dando
hospitais de agudos voltaram a ter seus am- continuidade a atividades psicoterapêuticas
bulatórios anexos, que funcionavam apenas complementares à internação psiquiátrica.
como portas de entrada para o sistema hos-
pitalar. O ambulatório manteve-se no mesmo
local físico, porém perdeu de vista seu projeto Referências
psicoterapêutico e integrador. Apenas no final BARRETO, F. P. “Evolução do conceito de assistên-
dos anos de 1970, por ocasião do III Congres- cia psiquiátrica”. Revista Brasileira de Psiquiatria.
so Mineiro de Psiquiatria (1979), realizado em São Paulo, v. 5, n. 2, jun. 1971.
Belo Horizonte, que contou com a presença de BARRETO, F. P. “O ambulatório psiquiátrico”. Bo-
Franco Basaglia e Robert Castel, a assistência letim Mineiro de Psiquiatria. Belo Horizonte, v. 6,
ambulatorial voltaria a ser enfatizada. O poder p. 3-5, jul. 1981.
público, por meio da Fundação Hospitalar do BARRETO, F. P. et al. “Relação ambulatório-hos-
Estado de Minas Gerais (FHEMIG), sucessora pital em psiquiatria: relato e reflexões sobre uma
da FEAP, foi interpelado pelos trabalhadores experiência”. Revista Brasileira de Psiquiatria. São
de saúde mental e pela sociedade organizada Paulo, v. 6, n. 4, p. 123-126, dez. 1972.
na forma dos sindicatos acerca de uma políti-
BARRETO, F. P. et al. “Assistência psiquiátrica pública
ca assistencial. Em relatório apresentado neste
em Minas Gerais”. Revista do Centro de Estudo Gal-
congresso, José R. Paiva Filho (superintendente
ba Velloso. Belo Horizonte, v. 2, n. 4, jan./jun. 1971.
hospitalar da FHEMIG) afirmaria, como novo
princípio diretor da política de assistência nos CICLO DE DEBATES, I. Reavaliação sobre os cin-
hospitais psiquiátricos, a ênfase ao tratamento co anos de reestruturação da assistência psiquiá-
ambulatorial. No início dos anos de 1980, du- trica no IRS: realidades e perspectivas: resumos.
rante vários seminários organizados no IRS, foi Belo Horizonte: Instituto Raul Soares, 1985.
apresentada uma proposta de reestruturação FUNDAÇÃO HOSPITALAR DO ESTADO DE MI-
psiquiátrica para aquela instituição, que foi im- NAS GERAIS; ASSISTÊNCIA PÚBLICA DE MI-
plementada entre 1980 e 1985. Neste contexto, NAS GERAIS. Revista do Centro de Estudo Galba
constatou-se que o Ambulatório Roberto Re- Velloso. Belo Horizonte, n. 5, jun./dez. 1979.
sende restringira-se a ações basicamente me- GOULART, M. S. B. O ambulatório de saúde men-
dicamentosas e tinha uma demanda excessiva. tal em questão: desafios do novo e reprodução de
Disso resultava um atendimento de baixa qua- velhas fórmulas. Dissertação (Mestrado em Socio-
lidade. A partir da ocorrência de seminários logia). Universidade Federal de Minas Gerais, Belo
avaliativos, foi implementado o Módulo Expe- Horizonte, 1992.

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MORETZOHN, J. A. História da psiquiatria minei- 1862, o hospício foi transferido para um novo
ra. Belo Horizonte: COOPMED, 1989. prédio, na Ladeira Tabatinguera, na Várzea do
PAPROCKI, J.; RANGEL, E. “Alguns aspectos da Carmo, hoje Parque D. Pedro II. A preocupa-
psiquiatria em Minas Gerais”. Revista do Centro ção incidia sobre a necessidade de ações dis-
de Estudo Galba Velloso. v. 2, n. 4, jan./jun. 1971. ciplinares, sem comprometimento com ações
RATI, R. M. S. Evolução histórica das políticas de de natureza terapêutica. A direção do hospício
saúde mental em Minas Gerais: o caso Instituto no novo prédio continuou sob a guarda do
Raul Soares. Belo Horizonte: UFMG, 1986. referido alferes. Permaneceram os problemas
de superlotação, rebeliões e surtos de doenças.
Maria Stella Brandão Goulart Com a nomeação para diretor do hospício de
Frederico Alvarenga, filho do alferes, que fazia
Flávio Durães
críticas à condição de prisão do hospício, este
não ingressou tampouco numa fase de ação
médico-terapêutica, revestindo-se mais como
„ Asilo Provisório de Alienados da Cidade instância de ação filantrópica. Somente com
de São Paulo – 1852-1898 a nomeação, em 1896, de Francisco Franco da
Rocha, o primeiro médico alienista a ingressar
na instituição, o hospício passou a exercer uma
O Asilo Provisório de Alienados da Cidade ação de ordem médico-terapêutica. Esse hos-
de São Paulo foi criado, por lei provincial, em pício chegou ao fim com a fundação do Hospí-
1848. Em 1851, foi aprovada uma nova lei, cujo cio do Juqueri, em 1898, por Franco da Rocha.
objetivo era a implantação de um hospício cen-
tral para toda a província. Assim, em 1852 foi
Referências
inaugurado o hospício, na avenida São João,
nas imediações da avenida Ipiranga, conheci- ANTUNES, M. A. M. O processo de autonomiza-
do mais tarde como Hospício Velho. As ações ção da psicologia no Brasil (1890-1930): uma contri-
do hospício restringiam-se à reclusão, com a buição aos estudos em história da psicologia. Tese
finalidade de excluir o louco das ruas da cida- (Doutorado em Psicologia Social). Pontifícia Univer-
de. Sua direção coube a um alferes, Tomé de sidade Católica de São Paulo, São Paulo, 1991.
Alvarenga; seus funcionários eram em geral CUNHA, M. C. P. O espelho do mundo – Juquery, a
negros libertos e egressos de prisões, que, por história de um asilo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
suas condições sociais, eram aqueles que acei-
tavam a baixa remuneração e o serviço consi- Mitsuko Aparecida Makino Antunes
derado aviltante e repugnante. Composto de
sete aposentos, teve inicialmente seis internos,
dentre os quais alguns criminosos. Em 1853
houve uma rebelião, que provocou o retorno „ Assistência a Psicopatas – 1927-1941
de muitos internos às prisões e o gradeamento Assistência a Alienados – 1903-1927
das janelas. Em 1859 já eram 39 internos, den- Assistência Médico-Legal aos Alienados –
tre os quais negros alforriados e imigrantes
1890-1903
italianos; o número de homens era o dobro
do número de mulheres. Além das rebeliões,
muitas foram as epidemias que assolaram o Instituição pública federal dedicada à orga-
hospício. Pelo incômodo à população da cida- nização da assistência a psicopatas, denomi-
de, que crescia para além dos limites da região nação dada à época para pessoas com pertur-
onde se encontrava o hospício, assim como o bações mentais no Brasil, foi fundada em 23
aumento da demanda por vagas, o governo de maio de 1927, por meio do Decreto 17.805,
entendeu que era necessário ampliá-lo e levá- assinado por Augusto Viana do Castello, mi-
lo para além do centro da cidade. Assim, em nistro da Justiça e dos Negócios Interiores

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do governo de Washington Luís. Em 1930, mo tempo que revigorava um dos elementos


passou a integrar o Ministério da Educação e significativos da legislação de 1903 – a expli-
Saúde Pública, criado pelo então governo pro- citação de mecanismos legais de proteção
visório. Seu objetivo era socorrer as pessoas à pessoa e aos bens do alienado –, concebia,
que apresentavam distúrbios mentais e estu- de modo inovador, o estatuto da capacidade
dar os problemas relativos à higiene mental e limitada, ainda que este não tivesse se tornado
à psicofisiologia, normal ou mórbida, aplica- uma prática judiciária. Sendo assim, a criação
das às diversas atividades sociais, no intuito dessa instituição refletia dois movimentos
de fixar os meios mais eficazes de organizar complementares e articulados: de um lado, a
a profilaxia das perturbações nervosas. His- necessidade de superar o esgotamento do mo-
toricamente, a Assistência a Psicopatas foi o delo administrativo representado pelo hos-
terceiro órgão federal brasileiro encarregado pício central superlotado, substituindo-o por
de assistir a essa população específica. Veio colônias e outros serviços; de outro, trouxe à
substituir a Assistência a Alienados, instituída cena um novo conjunto de determinações le-
em 1903, por sua vez decorrente da Assistên- gislativas concernentes à relação entre justiça
cia Médico-Legal aos Alienados, criada pelo e psiquiatria, que vinha se impondo a partir
Decreto 206-A de 15/02/1890, primeiro órgão das exigências médico-periciais da psiquia-
formulador de uma política assistencial na- tria forense na década de 1920. A Assistência
cional nesse âmbito. Vinculada ao Ministério a Psicopatas no Distrito Federal era mantida
do Interior, a Assistência Médico-Legal aos pela União por meio do Instituto de Psicopa-
Alienados englobava o Hospício Nacional de tologia (destinado à admissão de enfermos
Alienados e as Colônias da Ilha do Governa- suspeitos de perturbação mental, do Hospital
dor (Conde de Mesquita e São Bento), tendo Nacional de Alienados), do Manicômio Judi-
como objetivo socorrer os enfermos alienados, ciário do Rio de Janeiro, das colônias especiais
nacionais e estrangeiros, que carecessem de para homens e para mulheres, assim como dos
auxílio público, bem como os que, mediante asilos-colônias, para ébrios, epilépticos e atra-
determinada contribuição, dessem entrada em sados mentais, que viessem a ser criados. Jun-
seus hospícios. O órgão foi dirigido por João to aos estabelecimentos, com verbas expressa-
Carlos Teixeira Brandão até 1897, quando este mente voltadas para esse fim, foram abertos
deixou também a cátedra de professor de Psi- serviços de assistência familiar, ambulatórios
quiatria da Faculdade de Medicina do Rio de e serviços clínicos especialmente destinados
Janeiro para dedicar-se à carreira política. Em à profilaxia das doenças mentais e nervosas,
fins de 1903 e início de 1904, o então presiden- funcionando de acordo com instruções orga-
te da República Francisco Rodrigues Alves e o nizadas pelo diretor-geral e aprovadas pelo
ministro do interior J. J. Seabra assinaram os ministro da Justiça. Em 1927, foi criado tam-
Decretos 1.132 (22/12/1903) e 5.125 (01/02/1904) bém o Serviço de Assistência Social da Assis-
para uma reorganização desse órgão público tência a Psicopatas, encarregado de apurar
federal, criando-se assim a Assistência a Alie- dados relativos à saúde anterior dos pacientes
nados. Segundo Delgado, em as razões da recolhidos no Hospital Nacional de Aliena-
tutela, tal reorganização trouxe à cena as ques- dos. Em 15 de agosto de 1932, foi criada a Se-
tões dos direitos, da proteção da pessoa e bens, ção de Genealogia e Estatística da Assistência
e o estatuto jurídico do alienado, articulando- a Psicopatas, sendo dela encarregado Cunha
as à organização formal e administrativa dos Lopes. Provisoriamente instalada, a seção ini-
estabelecimentos psiquiátricos e já propondo ciou seus serviços em dezembro de 1932, e,
a criação de uma instituição para alienados conforme registramos os Anais da Assistência
que se encontravam nas prisões. A criação da a Psicopatas daquele mesmo ano, teria como
Assistência a Psicopatas, em 1927, se inseriu no suas atribuições realizar pesquisas genealó-
contexto de nova reestruturação dos serviços gicas em todo o domínio da heredobiologia,
assistenciais para doentes mentais. Ao mes- visando principalmente aos familiares de

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doentes mentais e de anormais psíquicos; am- ARQUIVOS do Serviço Nacional de Doenças


pliar essa atividade de investigação a todos os Mentais. Rio de Janeiro: Serviço Gráfico do Minis-
tério da Educação e Saúde, 1943.
estabelecimentos de assistência psiquiátrica,
médico-legal e de repressão criminal do Distri- BRASIL. Decreto 5.148-A de 10/01/1927. Reorgani-
za a Assistência a Psychopatas no Distrito Federal.
to Federal; levantar estatísticas das causas da
Coleção de Leis do Brasil. Disponível em: <h p://
anormalidade psíquica, doença mental e cri- www6.senado.gov.br/sicon/PreparaPesquisaLegis-
minalidade; e estabelecer normas propícias ao lacao.action>. Acesso em: 15 dez. 2007.
desenvolvimento de caracteres sadios e à rege- BRASIL. Decreto 17.805 de 23/05/1927. Cria a Assis-
neração da prole. A Assistência a Psicopatas tencia a Psychopatas. Coleção de Leis do Brasil.
manteve como órgão de divulgação os Anais Disponível em: <h p://www6.senado.gov.br/sicon/
da Assistência a Psicopatas, com o objetivo de PreparaPesquisaLegislacao.action>. Acesso em: 15
divulgar material didático sobre os insanos e dez. 2007.
neuropatas recolhidos às instituições a ela vin- BRASIL. Decreto-lei 3.171 de 02/04/1941. Cria o
culadas. Editado anualmente pela Imprensa Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM).
Nacional, seu primeiro número, de 1932, pu- Coleção de Leis do Brasil. Disponível em: <h p://
www6.senado.gov.br/sicon/PreparaPesquisaLegis-
blicou as atividades da instituição relativas ao lacao.action>. Acesso em: 15 dez. 2007.
ano de 1931. O diretor geral do serviço, Walde-
DELGADO, P. G. G. As razões da tutela. Rio de
miro Pires, era também membro da comissão Janeiro: Te Corá, 1992.
organizadora da publicação, composta ainda
ENGEL, M. G. Os delírios da razão: médicos, lou-
por Hélion Povoa e I. Costa Rodrigues. Foram
cos e hospícios (Rio de Janeiro, 1830-1930). Rio de
encontrados os volumes editados em 1932, Janeiro: FIOCRUZ, 2001. (Coleção Loucura & Civi-
1936, 1939 e 1941. O volume de 1939, segundo lização.)
a própria publicação, divulgava as atividades TEIXEIRA, M. O. “Nascimento da Psiquiatria no
do ano de 1937, devido à reorganização dos Brasil”. Cadernos do IPUB, Rio de Janeiro: Instituto
diversos serviços do Ministério da Educação de Psiquiatria da UFRJ, n. 8, 1997.
e Saúde, a partir daquele ano, ocasionando a
transferência das oficinas gráficas da Saúde
Ana Teresa A. Venancio
Pública para o Serviço Gráfico do Ministério
da Educação e Saúde. Assim, apenas em fins
de 1939, por iniciativa de Adauto Botelho, foi
publicado o exemplar correspondente às ativi- „ Associação Baiana de Psicólogos (ABAP)
dades de 1937. No ano de 1941 foi lançado o – 1974-19??
número correspondente às atividades de 1939
e 1940. A extinção da Assistência a Psicopatas
Criada em meados da década de 1970 – o
ocorreu em 2 de abril de 1941, por meio do De-
ano de registro em cartório é 1974, porém o
creto 3.171, que a substituiu pelo Serviço Na-
estatuto da associação foi publicado no Diário
cional de Doenças Mentais (SNDM), dirigido
Oficial do Estado da Bahia no dia 9 de maio de
por Adauto Botelho.
1972 –, com o objetivo principal de congregar
institucionalmente o grupo de psicólogos que
Referências se formava em Salvador e proporcionar à cate-
ANAIS DA ASSISTÊNCIA A PSICOPATAS. Rio goria fundamentação teórica e científica, uma
de Janeiro: Imprensa Nacional, 1932 e 1936. vez que somente em 1968 foi criado o Curso de
ANAIS DA ASSISTÊNCIA A PSICOPATAS. Rio Psicologia na Universidade Federal da Bahia
de Janeiro: Imprensa Nacional, 1936. (UFBA). Estes profissionais psicólogos, que
ANAIS DA ASSISTÊNCIA A PSICOPATAS. Rio permitiram o avanço da psicologia no estado
de Janeiro: Serviço Gráfico do Ministério da Educa- na época, eram formados em filosofia, medici-
ção e Saúde, 1939. na ou pedagogia. Não possuíam ainda a for-

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mação especializada para exercerem a profis- deres públicos, visando ao aperfeiçoamento do


são de psicólogos, mas confirmaram o exercício ensino da especialidade e à defesa dos interesses
profissional e obtiveram, do MEC, registros que profissionais da classe; assessorar os órgãos de
autorizavam o exercício da profissão de acordo pesquisa e educacionais, quando for para isto so-
com a Lei 4.119/62. A ABAP originalmente foi licitada; articular-se com as demais entidades/as-
uma associação profissional que assegurou um sociações, quando for para isto solicitada; articu-
espaço para encontros e discussões sobre a pro- lar-se com as demais sociedades congênitas dos
fissão e também viabilizou seu reconhecimento, outros estados e países; promover a publicação e
na medida em que atendeu ao dispositivo do divulgação dos assuntos de interesse da classe.
Ministério do Trabalho que exigia a organiza- Portanto, a ABAP teve o propósito de congre-
ção de uma associação profissional como con- gar os psicólogos que estavam em atividade na
dição para a criação do sindicato de psicólogos. Bahia. A criação da instituição contribuiu para
Ao mesmo tempo, pode-se considerar a ABAP que a psicologia do estado prosperasse e a cate-
uma associação científica, pois seus membros goria profissional alcançasse representatividade
trouxeram para a Bahia novos conhecimentos. social. Após esse processo de desenvolvimento
Esta associação, juridicamente, constituiu uma da profissão – por meio do suporte fornecido
entidade de caráter civil de direito privado, por pela ABAP – implantou-se o Conselho Regional
representar uma determinada categoria profis- de Psicologia da 3ª Região, que assumiu o papel
sional. Era mantida pelos próprios profissionais, até então desempenhado pela associação.
por meio de uma mensalidade, e sua adminis-
tração era realizada pelos seguintes órgãos: as- Referências
sembleia geral, conselho deliberativo e diretoria.
BELOV, M. das G. C. Entrevista concedida a Mab Amá-
Esta última foi exercida (na primeira gestão) por:
lia Alencar Sacramento de Souza. Salvador, ago. 2007.
presidente, Antonio Rodrigues Soares; vice-pre-
sidente, Eglê Vieira Duarte; primeiro secretário, BAHIA. Cartório de Registro de Títulos e Docu-
Ana Maria Rocha da Silva; segundo secretário, mentos. Certidão de Registro da Associação Baia-
Noemia Carvalho Miranda; primeiro tesoureiro, na de Psicólogos (ABAP). Arquivos do 1º Ofício de
Maria das Graças Costa Belov; segundo tesourei- Registros de Títulos e Documentos. n. 3.018 do Li-
ro, Giscele Ma os. Estes dirigentes tornaram-se vro A/28. Código do Ato: 24.015. Salvador, set. 2007.
personagens relevantes para a sustentação da DUARTE, E. V. Entrevista concedida a Mab Amália
associação. A comissão de finanças era compos- Alencar Sacramento de Souza. Salvador, jul. 2007.
ta por: Amauri Pina, Maria Fernandes de Souza, BAHIA. Associação Baiana de Psicólogos (ABAP).
Eduardo Messena e José Carlos Tourinho e Silva. Estatuto da ABAP. Diário Oficial do Estado. Salva-
Já a comissão científica e de defesa profissional dor, 9 maio 1972.
tinha como membros: Mercedes Cunha, Urania
Maria Tourinho Perez, Aida Pustilnik de A. Viei-
Mab Amália Alencar Sacramento de Souza
ra e Ruth Brasil Mesquita. Por fim, dos nomes já
citados acima, na redação havia Aida Pustilnik
de A.Vieira, Ruth Brasil Mesquita e Urania Maria
Tourinho Perez. Além dos objetivos já citados, a
„ Associação Baiana de Recuperação do
ABAP teve outras finalidades previstas em seu
Excepcional (ABRE) – 1974-
estatuto, tais como: unificar os psicólogos em ati-
vidade no estado; incentivar o progresso e o de-
senvolvimento da psicologia; zelar pelo exercício A ABRE localiza-se na rua Raul Leite, 93,
da especialidade; organizar e promover congres- Vila Laura, Matatu de Brotas, Salvador-BA e
sos, simpósios e reuniões científicas periódicas; foi fundada em 12 de dezembro de 1974 por
analisar os problemas específicos no estado, bem Maria José Lobo, Heraldo Cidade e Eduardo
como sugerir diretrizes e apresentar sugestões ao Sérgio Guimarães Teixeira da Silva, entre ou-
setor da sua administração; atuar junto aos po- tros pais de pacientes. É uma instituição assisten-

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cial, de natureza filantrópica que, em convênio (AVD), de arquivos, de eletroencefalograma, mé-


com o SUS, fornece assistência ambulatorial e dica, de psicopedagogia, de fonoaudiologia, de
trabalhos multidisciplinares a crianças e ado- terapia ocupacional, de atendimento psicológico
lescentes (até 15 anos) que apresentam dificul- e duas de reabilitação. As atividades desenvolvi-
dades no aprendizado devido a distúrbios e/ou das pelas psicólogas, incluem avaliações psicoló-
síndromes na área de saúde mental. Foi criada gicas, que se caracterizam como um processo de
em função da carência de entidades para este fim investigação da demanda para acompanhamen-
no Estado da Bahia. A instituição tem por obje- to psicológico, por meio de entrevista com os res-
tivo reabilitar, tratar, escolarizar, prestar assis- ponsáveis e com as crianças, bem como aplicação
tência social, assim como defender a cidadania de testes psicológicos. Se o paciente encontra-se
das pessoas com deficiências e/ou portadoras de no perfil de atendimento da clínica, é inserido em
necessidades educacionais especiais, promoven- grupos terapêuticos, atendimento individual e/
do sua inclusão social. Para tanto, conta com a ou suporte terapêutico às famílias. Os grupos te-
atuação de profissionais nas áreas de psiquiatria, rapêuticos se constituem de cinco a 10 crianças e
neurologia, psicologia, fonoaudiologia e terapia ocorrem uma vez por semana, com duração de
ocupacional. A instituição muda de dirigente a quarenta minutos. Os atendimentos individuais
cada três anos. Em 2008 teve como presidente acontecem também uma vez por semana, com
Letícia Cristiane Viana Castro e como superin- duração de trinta minutos. Os suportes terapêu-
tendente Maria José Lobo. Não existem publica- ticos familiares ocorrem mensalmente e/ou quin-
ções institucionais, entretanto, há vários eventos zenalmente, de acordo com as necessidades dos
realizados, tais como: seminários de reabilitação, pacientes. Casos que requerem terapia familiar
campanha no âmbito estadual contra o abuso se- e/ou individual dos responsáveis pelas crianças
xual de portadores de deficiência, apresentação são encaminhados para instituições que realizam
dos alunos dos cursos de teatro e dança, dentre esse tipo de trabalho. Os atendimentos semanais
outros. A diretoria da instituição é composta por são registrados em fichas de evolução, sendo ane-
um superintendente, um presidente, um diretor xados aos prontuários, juntamente com os rela-
técnico, um diretor administrativo e coordena- tórios elaborados trimestralmente e que são su-
dores. A equipe técnica atual é composta por pervisionados pela diretoria médica. Segundo as
cinco médicos, duas terapeutas ocupacionais, psicólogas desta instituição, o trabalho realizado
quatro psicólogas, duas assistentes sociais, três é de fundamental importância para o sucesso do
fonoaudiólogas, quatro auxiliares de enferma- projeto de inclusão social de acordo com a Lei Fe-
gem, 13 reabilitadoras, uma coordenadora pe- deral 7.853, de 24/10/1989. Consideram também
dagógica, uma instrutora de artes. A instituição de grande importância a divulgação do trabalho
ocupa subsolo, solo e primeiro andar de um dos psicólogos em equipes multidisciplinares e
edifício. No solo há uma recepção para os pais no contexto do SUS, bem como as limitações e
das crianças, uma área ampla, uma secretaria/ possibilidades terapêuticas dentro das institui-
arquivo, um sanitário para os pais, três salas de ções. Cumpre observar que a ABRE, tal como
reabilitação, uma sala de oficinas, uma sala para o Centro de Logopedia e Psicomotricidade da
atendimento psicológico, uma cozinha, uma des- Bahia e o Instituto Guanabara, têm em comum
pensa e uma área verde inutilizada. No subsolo, a mesma superintendente, Maria José Calheira
uma recepção, um banheiro, um quarto para os Lobo Teixeira da Silva.
vigilantes noturnos e três salas de reabilitação.
No primeiro andar está a recepção para aten- Referência
dimento ambulatorial e assistência médica, um
SILVA, M. J. C. L. T.; CASAS, D. S. Entrevista con-
consultório de terapia ocupacional, um banheiro,
cedida a Gabriela Neiva Orrico. Salvador, 11 e 16
um consultório médico, dois banheiros (um para
jun. 2008.
a equipe profissional e outro para os pacientes),
salas para coordenação, para diretoria médica,
de jogos cognitivos e atividades da vida diária Gabriela Neiva Orrico

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„ Associação Brasileira de Análise do e um de ética. Eram sócios, essencialmente, pro-


Comportamento (ABAC) – 1981-1986 fessores e estudantes universitários e profissio-
Associação de Modificação do nais ligados à prática clínica e educacional, que
utilizavam como ferramenta básica a análise do
Comportamento (AMC) – 1974-1980
comportamento. As reuniões de diretoria ocor-
riam no Instituto de Psicologia da USP. Vários
Depois da criação dos primeiros cursos de encontros científicos foram abrigados pela PUC-
Análise do Comportamento no Brasil, com a SP. Alguns encontros com convidados interna-
consequente formação de profissionais pós- cionais (Fred Keller, Jack Michael, entre outros)
graduados voltados para essa abordagem, ocorreram em auditório da FAPESP e em hotéis
era necessária uma organização em torno de na cidade de Campinas. Personagens relevantes
temas científicos. A criação da Associação de para a Associação foram: Carolina Martuscelli
Modificação de Comportamento (AMC), em Bori, Sergio Vasconcelos de Luna, Maria do Car-
1974, visava tornar possível o aprofundamen- mo Guedes, Rachel Rodrigues Kerbauy, Myrian
to e a atualização dos conhecimentos até então de Oliveira Lima, Margarida Windholz, Maria
obtidos, a difusão da prática dos profissionais Lucia Dantas Ferrara, Darcy Corazza, Lígia Ma-
da abordagem, bem como a criação de publi- ria de Castro Marcondes Machado, Maria Hele-
cações que tornassem perenes os avanços al- na Leite Hunziker, Maria Martha Hubner, Ana
cançados. A AMC foi substituída em 1981 pela Lucia Cortegoso, Sonia Beatriz Meyer, Olavo
Associação Brasileira de Análise do Compor- Galvão, João Cláudio Todorov, Marlise Apare-
tamento (ABAC), por sugestão e orientação cida Bassani, Roberto Alves Banaco, Hélia Uti-
de Carolina Martuscelli Bori, que, empenhada da, Raphael Cangelli Filho, Cristiano Nabuco,
em dar força política à Sociedade Brasileira Denize Rozana Rubano, Mônica Tieppo Gian-
para o Progresso da Ciência (SBPC), insistia faldoni, Roberta Gurgel Azzi, Regina Christina
que as associações científicas no Brasil conti- Wielenska, Lucia Cavalcanti de Albuquerque
vessem o adjetivo brasileira em seus nomes. Da- Williams, Maria Amália Andery, Fátima Regi-
dos os movimentos já observados internamente na Pires de Assis, Luiz Carlos de Freitas, Silvio
dos profissionais, que viam a análise do com- Paulo Botomé e Tereza Maria Pires Sério. Duas
portamento de uma maneira mais ampla do que publicações institucionais foram editadas ao
propunha a modificação do comportamento en- longo de sua existência: a revista Modificação do
quanto técnica de atuação, e as sugestões de Ca- Comportamento, por dois anos, quatro números,
rolina Bori, uma assembleia de sócios aceitou a editada pela Hucitec, e os Cadernos de Análise do
mudança do nome e do estatuto. A ABAC, como Comportamento (oito números entre 1976 e 1986).
a AMC antes dela, foi uma sociedade científica No período, muitos eventos foram organizados
mantida por sócios, profissionais e estudantes – alguns como atividades em eventos maiores
por meio de contribuições anuais. Tinha por ob- como a SPRP e SBPC; outros como atividades
jetivos reunir estudiosos da área em torno de ati- que a associação fazia realizar em diferentes ins-
vidades científicas – encontros, minicongressos tituições, como PUC-SP e USP. A ABAC, como a
e publicações especializadas. Foram fundadores AMC antes, foi importante por dar início à orga-
da AMC: Luiz Otávio Seixas Queiroz, Garry nização científica de analistas do comportamen-
Martin, Hélio José Guilhardi e Carolina Mar- to no Brasil, e por ser responsável pela primeira
tuscelli Bori. E foram seus presidentes – quando publicação específica da área em língua portu-
se chamava AMC: Luiz Otávio Seixas Queiroz, guesa. Fortaleceu a então Sociedade de Psicolo-
Garry Martin, Hélio José Guilhardi; quando gia de Ribeirão Preto – SPRP (atual Sociedade
ABAC: Maria Lucia Dantas Ferrara, Luiz Carlos Brasileira de Psicologia – SBP), bem como a área
de Freitas, Maria Amélia Matos. A diretoria foi da Psicologia na Sociedade Brasileira para o
sempre exercida por um grupo que, além do pre- Progresso da Ciência (SBPC) por meio de orga-
sidente, tinha ainda vice-presidente, dois secre- nização de eventos em encontros anuais dessas
tários, um comitê de cursos, um de publicações instituições. Na SBPC chegou a ser uma subá-

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rea, tantos foram os trabalhos apresentados nos sede era na rua Bento Freitas). Foi gestada, em
encontros científicos por ela organizados. Desde 1949, com a chegada em São Paulo do doutor Só-
1991 até hoje, os analistas do comportamento no lon Spanoudis, médico formado em Viena, gre-
Brasil têm na Associação Brasileira de Psicotera- go de nascimento, que emigrara com seu irmão
pia e Medicina Comportamental (ABPMC) sua Theon Spanudis, quando este viera, a convite da
mais representativa organização nacional, des- Sociedade Brasileira de Psicanálise, como psica-
tinada a congregar pessoas interessadas no de- nalista didata. Em 1954, com o reconhecimento
senvolvimento científico e tecnológico da terapia do diploma de médico do doutor Sólon Spa-
comportamental e cognitivo-comportamental, noudis, inicia-se seu trabalho como psiquiatra-
da medicina comportamental e da análise do psicoterapeuta, médico psiquiatra do Serviço
comportamento. Filiada à Association for Beha- de Higiene Mental do Estado de São Paulo, e a
vior Analysis International (ABAI), a ABPMC formação de grupos de estudos de psiquiatria
tem hoje duas publicações regulares: a Revista existencial, juntamente com o doutor Edu Ma-
Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva chado Gomes, psiquiatra e professor da Escola
(iniciada em 1999) e uma coleção de livros com Paulista de Medicina, primeiro psiquiatra a se
trabalhos apresentados nos Encontros anuais referir ao movimento existencial em psiquia-
intitulada Sobre Comportamento e Cognição. tria no Brasil. A partir dos contatos pessoais do
Iniciada em 1996, esta coleção alcançou em 2007 doutor Sólon com o doutor Medard Boss e das
um total de 20 volumes publicados. vindas deste ao Brasil, de 1970 até 1989 (última
estada de Boss no Brasil), constitui-se o núcleo
Referências inicial que dá origem à Associação Brasileira de
MODIFICAÇÃO DO COMPORTAMENTO. São Pau- Análise e Terapia Existencial (ABATE) que, em
lo: AMC, 1974-1975. maio de 1974, é reconhecida como a primeira
LUNA, S. V. de. Entrevista concedida a Roberto associada da Internacionale Gessellscha Für
Alves Banaco. São Paulo, ago. 2007. Daseinsanalyse de Zurich, Suíça. Na carta de
HÜBNER, M. M. Entrevista concedida a Roberto
aceitação e reconhecimento, o doutor Medard
Alves Banaco. São Paulo, ago. 2007. Boss dá seu integral apoio e estímulo à associa-
ção e sugere que em seu nome conste a palavra
GUILHARDI, H. J. Entrevista concedida a Roberto
Alves Banaco. São Paulo, ago. 2007. Daseinsanalyse, grafada no modo original para
que, com os anos e os modismos incessantes, a
CADERNOS DE ANÁLISE DO COMPORTAMEN-
TO. São Paulo: AMC/ABAC, 1976-1986.
própria origem desta associação não viesse a se
perder. Assim, quatro meses depois de criada,
a ABATE passou a chamar-se Associação Brasi-
Roberto Alves Banaco leira de Análise e Terapia Existencial-Daseinsan-
lyse (ABATED). Em 1977, seu nome é alterado
ainda uma vez: Associação Brasileira de Dasein-
sanalyse (ABD), fortalecendo a vinculação ao
„ Associação Brasileira de Daseinsanalyse pensamento e à obra de Martin Heidegger.
(ABD) – 1977- O Estatuto registrado sob o n. 17.466 no 7º Ofí-
Associação Brasileira de Análise e Terapia cio de Registro Civil de Pessoas Jurídicas da Ca-
Existencial-Daseinsanalyse (ABATED) – pital de São Paulo rege a associação como uma
1974-1977 entidade privada sem fins lucrativos, com a fina-
lidade de associação profissional e estudos em
Associação Brasileira de Análise e Terapia
psicologia e psiquiatria. É uma sociedade man-
Existencial (ABATE) – 1974
tida pelos associados com o objetivo de estudar
e desenvolver o pensamento de Martin Hei-
Fundada em janeiro de 1974, é associação degger e, desde 2002, formar psicoterapeutas
profissional e de formação, com sede na rua daseinsanalistas. Foram seus fundadores: Sólon
Cristiano Viana, 172, São Paulo – SP (até 1981 a Spanoudis, Casimiro Angielczyk, Luis Antonio

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Weinmann, David Cytrynowicz e João Augus- ABD veio ampliando seu quadro associativo e,
to Pompéia, e seus dirigentes: Medard Boss em 2002, alterou seu estatuto para incluir a for-
(presidente de honra), Sólon Spanoudis (1974- mação de terapeutas daseinsanalistas nos mol-
1981), David Cytrynowicz (1981-1997) e Maria des da Associação Internacional. Criou então o
Beatriz Cytrynowicz (desde 1997). Sua publica- Projeto Alcance que, sob supervisão dos mem-
ção institucional é a Revista da Associação Brasi- bros efetivos da associação, oferece atendimen-
leira de Daseinsanalyse. A associação promove e to psicoterapêutico gratuito para segmentos da
participa de fóruns, congressos, encontros, com população que, por razões econômicas, a ele não
o objetivo de estudar, desenvolver, divulgar a teria acesso.
daseinsanalyse e conhecer a originalidade, atua-
lidade e o impacto do pensamento heideggeria-
Referências
no na psicologia, psiquiatria e psicopatologia.
Promove cursos e grupos de estudo acerca do CYTRYNOWICZ, M. B. “Palestra: Um pouco de
pensamento fenomenológico existencial e reali- história”. In: 30 anos da Criação da Associação Bra-
za traduções de obras ou artigos de interesse, su- sileira de Daseinsanalyse. São Paulo, 18 abr. 2004.
pervisões clínicas, atendimentos psicoterápicos Mimeo.
gratuitos voltados a quem não pode arcar com REVISTA DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DA-
os custos deste atendimento. A daseinsanalyse SEINSANALYSE. São Paulo: ABD, 1976-2002.
como prática clínica de psiquiatria e psicologia
está fundada na ontologia de Martin Heideg-
Helio Roberto Deliberador
ger, e tal posicionamento faz contraponto com
as teorias psicológicas comprometidas com o
modo de pensar metafísico, que propõe para a
psicologia os modelos importados das ciências „ Associação Brasileira de Psicanálise
exatas e biológicas. A associação trabalha com (ABP) – 1967-
contribuições de seus sócios efetivos e de outros
colaboradores, reconhecidos por suas pesquisas
e estudos, especialmente convidados para troca Fundada em 6 de maio de 1967, durante a
de informações, além de colaborar com a Asso- I Jornada Brasileira de Psicanálise, realizada
ciação Internacional. Conta com um grupo dire- na Associação Paulista de Medicina (APM), em
tivo composto pelo presidente, tesoureiro, secre- São Paulo. A ABP foi resultado da reunião de
tário, diretor científico, diretor de serviços e com quatro sociedades componentes (Sociedade Bra-
seus membros associados. Promove encontros sileira de Psicanálise de São Paulo – SBPSP, So-
regulares e assembleias, conforme previsto na ciedade Psicanalítica do Rio de Janeiro – SPRJ,
legislação em vigor. A ABD foi o primeiro grupo Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de
oficial de estudos e práticas clínicas de Daseinsa- Janeiro – SBPRJ e Sociedade Psicanalítica de
nalyse no Brasil e na América Latina. Ao longo de Porto Alegre – SPPA), que são filiadas à Inter-
sua história, vem colaborando com o desenvol- national Psychoanalytical Association (IPA). Foi
vimento da psicologia brasileira, na medida em dirigida inicialmente em 1967-1968 por Mário
que agrega profissionais de psicologia e psiquia- Martins e Roberto Pinto Ribeiro. Em 1969, foi
tria, colaborando com seu crescimento pessoal eleito o primeiro conselho diretor, tendo como
e profissional enquanto psicoterapeutas, assimi- presidente Durval Marcondes. A primeira inicia-
lando e desenvolvendo informações empíricas tiva mais importante da ABP foi a organização
de pesquisas em psicologia e medicina, bem de Congressos Brasileiros de Psicanálise, a cada
como incorporando conhecimentos advindos dois anos, que vêm sendo realizados ininterrup-
da filosofia e de outros modos de expressão tamente, sobre temas de repercussão científica,
sensível do homem. Tudo isto para buscar com- clínica e social. Além disso, a ABP propiciou a
preender o homem e cuidar dos desafios da exis- retomada, em 1967, da publicação da Revista
tência humana na sociedade contemporânea. A Brasileira de Psicanálise, cuja primeira edição fora

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lançada em 1927. Outra função importante da nálise, com duração de cinco anos, sem contar
ABP é a publicação de Roster – relação de mem- a análise didática que se iniciaria no quarto ano,
bros e candidatos, com endereço e telefone – dos sem data de término prefixada. Apesar de pro-
psicanalistas formados por suas sociedades posta no âmbito da ABP desde os anos de 1960,
componentes. No entanto, o Roster demorou somente entre 1975 e 1979 a regulamentação da
para ser publicado e atualizado de forma profis- profissão de psicanalista foi apresentada ao Con-
sional. Começou, de forma artesanal, nos anos gresso Nacional em seis projetos, sem qualquer
de 1970, por cada sociedade, e somente no final participação da ABP. A ABP teve um importante
dos anos de 1980 ganhou um formato de publi- papel na argumentação contra todos estes proje-
cação sistemática, reunindo todas as sociedades tos que, por não atenderem aos critérios de for-
filiadas. Desde então, a cada dois anos, é lançada mação psicanalítica, acabaram sendo arquiva-
uma nova edição. A ABP tem ainda uma publi- dos. A partir da gestão de Wilson Amendoeira
cação informativa: o ABP Notícias. A ABP tem (1999-2001), a ABP tem dedicado atenção espe-
foro e sede na cidade do Rio de Janeiro, onde se cial a esta questão, reunindo-se com o fórum
encontram os escritórios administrativos, os ar- de instituições psicanalíticas no Brasil filiadas
quivos históricos etc. Esta decisão institucional ou não à IPA. Hoje, a ABP é composta de cinco
foi fruto de um acordo entre as três sociedades sociedades (acrescida a Sociedade Psicanalítica
mais influentes dos anos de 1960 e 1970, a socie- de Recife – SPR) mais três sociedades provisó-
dade de São Paulo e as duas sociedades do Rio rias (Sociedade Psicanalítica de Pelotas – SPPel,
de Janeiro. Enquanto o Rio de Janeiro ficou com Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Ale-
a sede administrativa da ABP – funcionando na gre – SBP de PA e Sociedade Psicanalítica de Bra-
avenida Nossa Senhora de Copacabana, 540, sília – SPB) e três grupos de estudos psicanalíti-
sala 704 – Rio de Janeiro, São Paulo ficou com a cos (de Ribeirão Preto, de Mato Grosso do Sul e
administração da Revista Brasileira de Psicanálise. Rio de Janeiro-3). Os grupos de estudos são uma
Na gestão de Leopold Nosek, entre 1991 e 1993, etapa institucional prévia e aguardam reconhe-
houve uma profunda modificação institucional. cimento como sociedade de psicanálise.
Foi feita uma reformulação dos estatutos no que
se refere à forma de gestão na ABP, alterando de-
Referências
cisivamente seu funcionamento: descentralizan-
do o poder do presidente e tomando decisões de GALVÃO, L. A. P. “Sobre o exercício da psicanálise:
forma coletiva, levando em consideração todas uma nova profissão”. Revista Brasileira de Psica-
as sociedades componentes, independentemen- nálise, v. 1, n. 2, p. 250-262, 1967.
te de seu tamanho numérico ou sua influência LEVY, L. E. “ABP Perspectivas”. Revista Brasileira
política. Além disso, esta mudança de exercí- de Psicanálise, v. 28, n. 3, p. 401-410, 1994.
cio de poder implicou participação efetiva dos NOSEK, L. Álbum de família. São Paulo: Casa do
membros de todas as sociedades filiadas por Psicólogo, 1994.
meio do voto direto para eleição das diretorias
e, também, na realização dos Congressos Bra- PERESTRELLO, M. Encontros: Psicanálise. Rio de
sileiros de Psicanálise. No caso dos congressos, Janeiro: Imago, 1992.
o sistema anterior baseava-se em um sistema PERESTRELLO, M. História da Sociedade Brasi-
de rodízio em que cada sociedade realizava o leira de Psicanálise do Rio de Janeiro. Suas ori-
congresso e a ABP dava seu endosso. Há uma gens e fundação. Rio de Janeiro: Imago, 1987.
questão de caráter nacional que, em particular, SAGAWA, R. Y. A construção local da Psicanálise.
deve ser destacada: a da profissionalização do Marília: Interior, 1996.
psicanalista. Já no segundo número da Revista
SAGAWA, R. Y. Durval Marcondes. Rio de Janei-
Brasileira de Psicanálise, Luiz de Almeida Prado
ro: Imago, 2002.
Galvão escreveu um importante artigo sobre a
nova profissão de psicanalista. Em particular,
propôs a criação de uma Faculdade de Psica- Roberto Sagawa

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„ Associação Brasileira de Psicodrama e cial, promocional, recreativo e educacional,


Sociodrama (ABPS) – 1970- sem cunho político ou partidário, e se mantém
basicamente pelas mensalidades dos cursos de
formação em psicodrama, tendo como obje-
A ABPS tem como objetivo principal a for- tivos: organizar cursos, conferências, seminá-
mação de psicodramatistas e a divulgação do rios, congressos, dentre outros relacionados
psicodrama; presta serviços psicoterápicos com sua finalidade, difundindo o psicodrama e
à comunidade, desenvolve projetos sociais e o sociodrama; promover a publicação de traba-
educacionais. Foi fundada em 3 de dezembro lhos; manter biblioteca e arquivos especializa-
de 1970 e continua desenvolvendo suas ativi- dos relacionados direta ou indiretamente com
dades até hoje. Atualmente está localizada na sua área de atuação; promover o intercâmbio
rua Eça de Queiroz, 220, Paraíso, São Paulo, SP. e participar de atividades com entidades afins;
No contexto de sua criação está uma vivência treinar e aperfeiçoar profissionais e alunos filia-
realizada em fevereiro de 1968 pelo psicodra- dos à ABPS; prestar atendimento psicoterápico
matista Jaime G. Rojas Bermudez, em São Pau- à comunidade e assessoria na área de recursos
lo, na clínica de Oswaldo Di Loreto e Michael humanos, mediante convênio com empresas,
Schwazschild. Após a vivência, foi feita uma escolas e instituições. Foram seus fundadores,
reunião entre os interessados em Psicodrama, conforme ata de fundação, Íris Azevedo, José
no Hospital Público do Estado de São Paulo, D’Alessandro, Alfredo Soeiro, Sonia Pedrosa,
que deu origem ao Grupo de Estudos de Psi- Bernardo Ackermann, Lucia Ackermann, Ma-
codrama de São Paulo (GEPSP), filiado à Asso- ria José Oliveira, Maria Tereza Soeiro, Maria
ciação Argentina de Psicodrama e Psicoterapia Apparecida Stefanini, Maria Dolores Verri, Re-
de Grupo, fundada por Jaime Bermudez. Maria gina Monteiro, Fantina Duarte, Ivete Coutinho,
Alícia Romana, também integrante do GEPSP, Márcia Zane i, Maria Lucia D’Alessandro, Eli-
foi a iniciadora, em 1970, da prática do Psico- zabeth Soeiro, Célia Florence, Annita Malufe e
drama Pedagógico, atualmente denominado Amarylis Pontedeiro. José D’Alessandro, em
Psicodrama Socioeducacional, que ampliou a 1975, criou a Biblioteca e o Instituto da ABPS,
utilização do psicodrama para a educação, área departamento responsável até hoje pela pres-
social, organizacional e institucional. É auto- tação de atendimentos à comunidade, e que
ra de diversos livros e contribuiu na criação atualmente também oferece trabalhos na área
e execução de projetos sociais, educacionais socioeducacional. Foi idealizador e diretor da
e de formação de psicodramatistas na ABPS. Trupe de Teatro Espontâneo da ABPS, chama-
O GEPSP organizou o V Congresso Internacio- da D’Aletribodrama. Compôs o corpo docente
nal de Psicodrama e Sociodrama e o I Congres- até seu falecimento, em agosto de 2004. Cons-
so Internacional de Comunidade Terapêutica ta nos arquivos da ABPS a publicação de dois
em agosto de 1970, no Museu de Arte de São jornais: ABPS Hoje, no período de 1978 e 1979,
Paulo (MASP), tendo como presidente Alfredo e O Protagonista, com seis edições no perío-
C. Soeiro. Após este evento, Alfredo C. Soeiro, do de 1997 a 2001. A ABPS promove eventos
Íris S. Azevedo e José M. D’Alessandro, que científico-culturais, como palestras, vivências,
integravam a coordenação do GEPSP e con- workshops, sessões de teatro espontâneo e psi-
tribuíram para a organização do Congresso, codrama público, dentre outros. Destacam-se:
fundaram a ABPS, visando, conforme a ata de Encontro Além das Máscaras, 1991, realizado
fundação, formar psicodramatistas e difundir no SESC Pompeia, em comemoração aos 21
o psicodrama pela organização de atividades, anos da fundação da ABPS; as Semanas Cien-
publicações científicas e promoção do inter- tíficas Culturais, que acontecem anualmente
câmbio científico com entidades congêneres desde 2001 em novembro e dezembro, por oca-
nacionais e internacionais. De acordo com seu sião do aniversário da associação; as Jornadas
estatuto atual, a ABPS é pessoa jurídica de di- da ABPS, que acontecem desde 1989, objetivan-
reito privado, de caráter filantrópico, assisten- do a apresentação das monografias dos alunos

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e outros trabalhos de psicodramatistas, docen- Referências


tes e supervisores. Em seu calendário de even- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICODRAMA E
tos, integra ainda na sua programação ativida- SOCIODRAMA. Disponível em: <h p://www.abps.
des que acontecem nas últimas sextas-feiras do com.br/>. Acesso em: 31 ago. 2007.
mês, além dos cursos de formação, extensão e ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICODRAMA
núcleos de estudo e supervisão. A ABPS está E SOCIODRAMA. Ata de Fundação. São Paulo:
organizada da seguinte forma: presidência; ABPS, 1970.
cinco diretorias: (Administração e Finanças,
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICODRAMA
Eventos Culturais e Científicos, Comunicação
E SOCIODRAMA. Documentos de divulgação do
e Divulgação, Ensino e Ciência e o Instituto arquivo. São Paulo: ABPS, 2007.
Psicossocial e Educacional) e o conselho con-
sultivo fiscal (composto por quatro sócios). ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICODRAMA E
SOCIODRAMA. Estatuto. São Paulo: ABPS, 2005.
Todos os cargos da diretoria são eleitos em
assembleia geral. Nos cursos de formação, a
ABPS atende profissionais graduados, que Maria Aparecida Fernandes Martin
atuem nas áreas psicoterápica, educacional,
social, organizacional e institucional. Por meio
de seu instituto, oferece atendimento psicote-
rápico individual e grupal a todas as faixas „ Associação Brasileira de Psicologia (ABP)
etárias e desenvolve projetos educacionais e – 1978-1994 – 1999 (?)
sociais para a comunidade, bem como para Associação Brasileira de Psicólogos –
instituições. Seu corpo docente é formado por 1954-1978
profissionais autônomos, em sua maioria gra-
duados em psicologia e pedagogia, especia-
lizados em diversas áreas de atuação. Conta Fundada em outubro de 1954, em São Pau-
também com uma estagiária de psicologia que lo, a partir da sugestão de Annita Marcondes
atua no instituto. As atividades acontecem em Cabral, tendo em vista a criação do curso de
uma casa com 11 salas, que são utilizadas para Psicologia na USP nesse mesmo ano, a Asso-
as aulas e também para os atendimentos à co- ciação Brasileira de Psicólogos teve uma des-
tacada influência na história da psicologia no
munidade e realização de estágios, biblioteca,
Brasil, em especial no contexto de regulamen-
secretaria e sala para o instituto e recepção.
tação da profissão. A ideia inicial era agrupar
Além disso, existe uma área externa com pal-
um restrito grupo de psicólogos, com forma-
co coberto e uma área aberta para atividades
ção acadêmica, interessados na regulamenta-
sociais, totalizando aproximadamente 400 m2.
ção da profissão no país. Dentre os fundado-
Desde sua fundação, a ABPS teve como diri- res, destacam-se Arrigo Angelini, Oswaldo de
gentes: Alfredo Correia Soeiro (1971-1972), Barros Santos e outros como: Carolina Martus-
Maria do Rosário B. de Carvalho (1973), José celli Bori, Carlos Paes de Barros, Aniela Meyer
Manoel D’Alessandro (1974-1975), Luiz Ma- Ginsberg, Ode e Lourenção Van Kolck, Theo-
noel da Silva (1976), Amarilys Pontedeiro dorus Van Kolck e Dante Moreira Leite. Já em
(1977-1980), Sergio Alves de Almeida (1981- fins dos anos de 1950 e início dos anos de 1960,
1982), Maria Regina Volpe (1983-1984), Vera algumas associações e sociedades de psicolo-
Lucia Capuano (1985-1986), Rosa Lídia P. Pon- gia se engajaram no debate de uma série de
tes (1987-1990), Antonio F. Pontes (1991-1992), questões, pois alguns segmentos da sociedade
Angela Marly De Luca (1993-1996), Madalena brasileira entendiam que, no âmbito da psico-
Cabral Rehder (1997-2000), Maria Aparecida terapia, a psicologia deveria ser subordinada
Fernandes Martin (2001-2004), Gisele da Silva à medicina. Opinião, por exemplo, que era
Baraldi (2005-2006) e Odaice Formagge Santos publicamente defendida por Nilton Campos,
(2007-2008). médico psiquiatra e professor de psicologia da

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Universidade do Brasil, hoje Universidade Fe- – MG, abordou temas como: a criação de uma
deral do Rio de Janeiro (UFRJ). Por conta de entidade nacional que coordenasse as ativida-
tais restrições, a primeira proposta de regula- des das sociedades de psicologia; a definição
mentação da profissão de psicólogo, elaborada do dia 27 de agosto como Dia do Psicólogo;
pela Associação Brasileira de Psicotécnica (de- a regulamentação da Lei 5.766 (20/12/1971),
pois, Associação Brasileira de Psicologia Apli- que criara o Conselho Federal de Psicologia
cada – ABPA), em 1954, sofreu muitas objeções. (CFP) e os Conselhos Regionais; e a discussão
Assim, a Associação Brasileira de Psicólogos, de questões de ordem prática referentes ao
em conjunto com a Sociedade de Psicologia exercício da profissão, como por exemplo a
de São Paulo e professores da USP, elaborou, aposentadoria. No III Encontro Nacional das
em 1958, um substitutivo ao projeto de regula- Sociedades de Psicologia, realizado de 3 a 5
mentação que tramitava na Câmara dos Depu- de junho de 1973 no Rio de Janeiro, as discus-
tados, acompanhado por justificativa redigida sões enfatizaram a necessidade de realização
por Dante Moreira Leite. Desse substitutivo, de eleições para a diretoria do CFP e a ques-
que incluiu a expressão “solução de problemas tão da ética profissional. Em 20 de dezembro
de ajustamento” para designar a prática clínica, de 1973, representada por seus presidente e
resultou a Lei 4.119 de 27/08/1962. A Associa- vice-presidente, respectivamente Ode e Lou-
ção Brasileira dos Psicólogos deu continuidade renção Van Kolck (que, na ocasião, foi eleita
ao processo de regulamentação da profissão e, como membro suplente) e Theodorus Van
com base no documento preparado por Oswal- Kolck, a Associação Brasileira de Psicólogos,
do de Barros Santos, iniciou ampla discussão por convocação do Ministério do Trabalho e
para a elaboração do anteprojeto do Código Previdência Social, participou da criação do
de Ética Profissional. Tal documento foi discu- CFP, assim como da eleição indireta para a
tido na assembleia geral dos sócios realizada primeira diretoria. Destaca-se que a atuação
em julho de 1964, por ocasião da XVI Reunião da Associação Brasileira de Psicólogos não se
Anual da Sociedade Brasileira para o Progres- restringiu ao Brasil. No plano internacional, fi-
so da Ciência (SBPC), em Ribeirão Preto – SP, liou-se à International Union of Psychological
e aprovado em 12 de julho de 1966 na assem- Sciences (IUPsy), representando essa organi-
bleia geral realizada durante a XVIII Reunião zação no país. De fato, Aniela Meyer Ginsberg
da SBPC em Blumenau – SC. Nessa reunião e Arrigo Angelini, no período de 1966 a 1972,
houve a recomendação de que o código fosse representaram a Associação Brasileira de Psi-
adotado por todos os psicólogos e que, enquan- cólogos nos Congressos Internacionais de Psi-
to não se organizasse legalmente o Conselho de cologia organizados pela IUPsy. Além disso, a
Psicólogos do Brasil, ou entidade congênere, Associação participou da organização do XIV
caberia à Associação Brasileira de Psicólogos Congresso da Sociedade Interamericana de
e às sociedades regionais de psicologia receber Psicologia, realizado em São Paulo de 14 a 19
denúncias a respeito do exercício da profissão de abril de 1973. Na gestão de Mathilde Ne-
de psicólogo por pessoas sem o devido regis- der, que teve início em 1975, foi votada uma
tro. Ainda com a perspectiva da regulamenta- alteração do estatuto e aprovada a mudan-
ção do Conselho Federal e dos Conselhos Re- ça de nome para ABP. Tal decisão implicou
gionais, a Associação Brasileira dos Psicólogos uma mudança estrutural expressiva, princi-
promoveu três encontros nacionais. O I En- palmente a partir de abril de 1978, quando
contro Nacional das Sociedades de Psicologia essa nova ABP foi efetivamente organizada.
ocorreu em 13 e 14 de março de 1971, em São Pretendia-se formar uma federação que en-
Paulo, tendo como temática a discussão de es- globasse as outras associações brasileiras de
tratégias para a institucionalização dos órgãos psicologia. Houve a adesão das sociedades
reguladores da profissão. O II Encontro Na- de psicologia de São Paulo, do Distrito Fe-
cional das Sociedades de Psicologia, realizado deral e do Rio Grande do Sul, da Sociedade
em 28 e 29 de janeiro de 1972 em Barbacena Mineira de Psicologia e da Associação Brasi-

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leira de Psicologia Aplicada. Posteriormente, MORAIS, S. T. P. Professores universitários e psicó-


o número de sociedades agregadas passou a logos contam suas vidas. Tese (Doutorado em Psico-
seis, com a entrada da Sociedade de Psico- logia). Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999.
logia de Mato Grosso do Sul. Todavia, essa PESSOTTI, I. “Dados para uma História da Psico-
associação entre as diferentes associações e logia no Brasil”. Psicologia, ano 1, n. 1, maio 1975.
sociedades não se desenvolveu muito. Em ar-
PESSOTTI, I. “Notas para uma História da Psico-
tigo publicado em fevereiro de 1990, Ode e logia no Brasil”. In: CONSELHO FEDERAL DE
Lourenção Van Kolck já afirmava que a ABP PSICOLOGIA. Quem é o psicólogo brasileiro. São
estava atravessando período crítico. Alguns Paulo: Edicon, 1988.
anos depois, Franco Lo Presti Seminerio, úl-
timo presidente da ABP, encaminhou à Socie- RUBIANO, M. R. B. Apresentando a Sociedade
Brasileira de Psicologia. Disponível em: <h p://
dade Brasileira de Psicologia de Ribeirão Pre-
www.sbponline.org.br/historico2.asp>. Acesso em:
to (SBPRP) uma proposta de fusão e sucessão,
10 ago. 2007.
o que levou a assembleia dos sócios dessa so-
ciedade, por ocasião da XXIV Reunião Anual, THEOPHILO, R. Subsídios para a História da Psi-
em 1994, a aceitar a condição de depositária cologia do Brasil. Disponível em: <h p://www.
dos arquivos da Associação Brasileira de Psi- psicologia.org.br/internacional/pscl4.htm>. Acesso
cologia, a fim de preservar sua importância e em: 10 ago. 2007.
história. De qualquer forma, apesar da SBPRP VAN KOLCK, O. L. “Visão histórica da Psicologia
ter incorporado a ABP em 1994, não é possível em São Paulo”. Arquivos Brasileiros de Psicologia,
registrar com exatidão a data do fim da insti- v. 42, n. 1, p. 155-160, 1990.
tuição, pois no currículo La es do professor WEIL, Pierre. Manual de Psicologia Aplicada.
Seminério consta sua condição de presidente Disponível em: <h p://www.pierreweil.pro.br/Li-
reeleito da ABP em fins de 1999, o que sugere vros/Portugues/manualdapsicologiaaplicada.htm>.
que a Associação tenha existido pelo menos Acesso em: 3 dez. 2006.
até essa data.
Alexandre de Carvalho Castro
Referências
Lucia Ghiringhello
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOLOGIA
APLICADA. 40 anos de história. Rio de Janeiro:
ABPA, 1989.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. “A Psi- „ Associação Brasileira de Psicologia (SBP)
cologia no Brasil”. Psicologia, ciência e profissão. – 2005-
Edição especial, dez. 1979.
Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP) –
CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA – 6ª
1991-2005
REGIÃO. Uma profissão chamada Psicologia.
CRP-06, 20 anos. São Paulo, 1994. Sociedade de Psicologia de Ribeirão Preto
CUNHA, W. H. Entrevista com o professor Walter (SPRP) – 1970-1991
Hugo de Andrade Cunha. Entrevistadores: Cesar
Ades, Marina Massimi, Roberto de Andrade Mar-
tins. Campinas, maio 1990. Disponível em: <www.
Associação científica, com sede na rua
cle.unicamp.br/arquivoshistoricos/ewalter.pdf>. Florêncio de Abreu, 681, sala 1.104, Ribeirão
Acesso em: 4 dez. 2006. Preto-SP, a Sociedade Brasileira de Psicologia é
MATOS, M. A. “CAROLINA BORI: A Psicolo- sucessora legal da Sociedade de Psicologia de
gia Brasileira como Missão”. Psicologia USP. São Ribeirão Preto, fundada no primeiro semestre
Paulo, v. 9, n. 1, 1998. Disponível em: <h p://www. de 1970. A instituição nasceu nas aulas de Ética
scielo.br/scielo.php?script=sci_ar ext&pid=S0103- do Curso de Psicologia da Faculdade de Filo-
65641998000100009&lng=es&nrm=iso>. Acesso em: sofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto, USP,
5 maio 2007. por movimento dos alunos, liderados por Ri-

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cardo Gorayeb e estimulados pela professora com sete membros. Seu público-alvo eram os
Angela I. S. Rozestraten. Depois envolveu os profissionais, professores e estudantes de Psi-
docentes da Faculdade de Medicina de Ribei- cologia e ciências afins. Tinha como funcioná-
rão Preto – USP e da Faculdade de Filosofia, rios as secretárias e auxiliares, em geral alunos
Ciências e Letras de Ribeirão Preto, na época de psicologia, contratados para colaborar na
Instituto Isolado da Secretaria da Educação e realização de congressos. Iniciou suas ações
hoje na Universidade de São Paulo. Seu fecha- sem sede própria, utilizando-se de uma caixa
mento deu-se na Assembleia Geral de Sócios postal dos Correios e dos endereços de seus
realizada em 24/10/1991, quando se deliberou diretores para recebimento de correspondên-
transformá-la em Sociedade Brasileira de Psi- cia e questões legais. Em 1984 adquiriu sede
cologia (SBP), tornada então sua sucessora le- própria, onde funcionaram a secretaria e os
gal. Como a SPRP, a SBP é sociedade científica arquivos da instituição. A SPRP teve represen-
de caráter e direito públicos. Assim, em 2005, tantes em diversas regiões do país e as chama-
teve seu nome alterado para atender a dispo- das “divisões”, que agrupavam profissionais
sições legais vigentes, passando a chamar-se que atuavam na mesma área, entre elas: Divi-
Associação Brasileira de Psicologia, embora são de Psicobiologia, Divisão de Psicologia do
continue a usar SBP em seus eventos e publi- Desenvolvimento e Divisão de Modificação
cações. A SPRP teve como mantenedores os do Comportamento. Ressalta-se sua relevân-
sócios, que pagavam anuidade, e as contribui- cia para a emergência, institucionalização e
ções de fundações e agências de fomento para expansão do campo da psicologia no Brasil,
a realização das reuniões científicas. E como pois foi a primeira sociedade de psicologia
objetivo, promover o desenvolvimento da Psi- no Brasil que teve efetiva ação nacional, suas
cologia como ciência e profissão. A primeira reuniões anuais se constituíam em importan-
diretoria da SPRP foi composta por Reinier te fórum para congregação de profissionais e
Rozestraten (presidente), João Cláudio Todo- estudantes. Na época de sua criação ainda não
rov (1º vice-presidente de assuntos científi- existia a legislação que autorizava o funciona-
cos), Angela Simões Rozestraten (2º vice-pre- mento dos conselhos de psicologia, e a 1ª vice-
sidente de assuntos éticos), Ricardo Gorayeb Presidência de assuntos éticos zelava pela éti-
(1º secretário), Zélia M. M. B. Alves (2º secre- ca no exercício profissional, até a criação dos
tário), Lino de Macedo (1º tesoureiro) e Luiz conselhos. O fato de a Sociedade de Psicolo-
Marcelino de Oliveira (2º tesoureiro). Quan- gia de Ribeirão Preto constituir-se, na prática,
to à SBP, teve na primeira diretoria: Carolina numa sociedade científica de âmbito nacional
Martuscelli Bori (presidente), Reinier Rozes- levou naturalmente à sua transformação em
traten (1º vice-presidente), Luiz M. de Olivei- Sociedade Brasileira de Psicologia, SBP, sua
ra (secretário-geral), Deusy G. de Souza (1º se- sucessora, mantendo-se a Reunião Anual de
cretário), Maria Amélia Ma os (2º secretário), Psicologia, mas agora em diferente cidade a
Heloisa H. F. Rosa (1º tesoureiro) e Célia M. cada ano. A SBP mantém também a publica-
L. C. Zannon (2º tesoureiro). O principal even- ção de Anais dos Encontros, mas aproveitou os
to promovido pela SPRP foi a Reunião Anual trabalhos apresentados a cada ano em duas
de Psicologia, realizada ininterruptamente de publicações: os Cadernos, especialmente com
1971 a 1991, congregando profissionais e estu- debates metodológicos, e uma revista – Temas
dantes de todo o país. Como publicação ins- em Psicologia. Esta, entretanto, passou em 2003
titucional editou os Anais das Reuniões Anuais a ser uma revista científica eletrônica semes-
de Psicologia regularmente desde o I Encontro tral, aberta à submissão de artigos em fluxo
em 1971. Foi regida por estatuto e regimento contínuo, para avaliação cega por pareceris-
interno, que sofreram ligeiras modificações tas. A SBP é entidade civil sem fins lucrativos
ao longo dos anos, até seu encerramento. Seu e sem vinculações políticas, ideológicas ou re-
nível máximo de decisão era a Assembleia Ge- ligiosas, tendo sua sede física no mesmo ende-
ral de Sócios. Tinha uma diretoria executiva, reço da antiga SPRP, na cidade de Ribeirão

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Preto. Tem por finalidades: a) colaborar para o SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICOLOGIA. Atas
desenvolvimento científico e técnico do país; da Diretoria. São Paulo: SBP, 2001-2007.
b) promover a pesquisa, o ensino e a aplicação SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICOLOGIA. Es-
da Psicologia, objetivando o bem-estar huma- tatuto da Sociedade Brasileira de Psicologia. São
no; c) promover e facilitar a cooperação entre Paulo: SBP, 1991.
pesquisadores, profissionais e estudantes de SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICOLOGIA. Pro-
Psicologia e áreas afins; d) defender questões gramas e comunicações científicas das Reuniões
de política científica e programas de desenvol- Anuais. São Paulo: SBP, 1991-2004.
vimento científico e técnico que atendam aos SOCIEDADE DE PSICOLOGIA DE RIBEIRÃO
reais interesses do país; e) defender os direi- PRETO. Atas da Diretoria. Ribeirão Preto/SP: SPRP,
tos dos que ensinam e pesquisam, e dos que 1970-2001.
trabalham na aplicação dos conhecimentos SOCIEDADE DE PSICOLOGIA DE RIBEIRÃO PRE-
psicológicos; f) zelar pela ética nas ativida- TO. Programas e resumos das Reuniões Anuais e
des científicas. Para cumprir tais objetivos, a Anais das Reuniões Anuais. Ribeirão Preto/SP:
SBP realiza anualmente uma reunião de cará- SPRP, 1971-1991.
ter científico, promove atividades científicas,
culturais e de divulgação, e publica os anais Ricardo Gorayeb
das reuniões anuais, revistas de psicologia e
outros periódicos e catálogos. Interage com
outras associações científicas, formula pro-
postas de políticas de desenvolvimento cientí- „ Associação Brasileira de Psicologia
fico para a psicologia e representa a psicologia Aplicada (ABRAPA) – 1993-
junto a agências de fomento e órgãos gover- Associação Brasileira de Psicologia
namentais. Tem como fontes de recursos para Aplicada (ABPA) – 1959-1993
sua manutenção: anuidades pagas pelos asso-
ciados, valores recolhidos para inscrição nas Associação Brasileira de Psicotécnica –
reuniões anuais e outros eventos, patrocínio 1949-1959
de empresas que façam divulgação durante
os eventos promovidos e apoio recebido do A criação da Associação Brasileira de Psi-
poder público, como incentivo à realização de cotécnica, em 2 de setembro de 1949, no Rio
eventos científicos. Tem como órgão máximo de Janeiro, ocorreu num momento em que a
de deliberação a Assembleia Geral de Associa- psicologia começava a ser valorizada como
dos. Tem ainda um conselho, constituído pelo instrumento para melhor formação de mão de
presidente da associação, pelos ex-presidentes obra qualificada para a indústria. Nesse con-
desde 1971, pelos associados honorários e por texto do início da industrialização no Brasil,
cinco membros eleitos entre os sócios; e uma os testes psicotécnicos gozavam de grande
diretoria, com sete membros: presidente, vice- prestígio como elemento de avaliação de inte-
Presidente, secretário-geral, dois secretários e ligência e aptidão profissional. Por intermédio
dois tesoureiros. de Emilio Mira y López, seu primeiro secretá-
rio-geral (1949 a 1964), a instituição logo se
filiou à Associação Internacional de Psicotéc-
Referências nica, desenvolvendo as primeiras atividades
GORAYEB, R. Revista Ciência e Cultura. História voltadas para o estudo da seleção de moto-
da Sociedade de Psicologia de Ribeirão Preto, v. 41, ristas e o diálogo com o Congresso Nacional
n. 910, p. 827-831, 1990. Brasileiro sobre projetos que diziam respeito à
ROZESTRATEN, R. J. A. (Org.). Anais da XVIII psicotécnica. A atuação de Mira y López junto
Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psico- à Associação Brasileira de Psicotécnica, aliás,
logia. São Paulo: SBP, 1988. exemplifica o quanto essa instituição esteve

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imbricada ao Instituto de Seleção e Orientação paulistas. Esta suprimiu o termo psicoterapia,


Profissional (ISOP), pois Mira era diretor des- concedendo ao psicólogo o direito de atuar na
te, o que implicava o intercâmbio permanente clínica dentro do que se convencionou cha-
de ideias, principalmente porque as mesmas mar de solução de problemas de ajustamento.
pessoas eram integrantes de ambas as enti- Após a promulgação da Lei 4.119/62, a ABPA
dades. Desde seus primórdios, então, sob a persistiu no empenho de fiscalizar a prática
influência do ISOP, a Associação Brasileira de profissional. Assim, encaminhou ao MEC, em
Psicotécnica estabeleceu como objetivo a luta 1966, outro anteprojeto de lei que visava, des-
pela regulamentação da profissão de psicó- sa vez, criar o Conselho Federal e os Conse-
logo. Nesse sentido, elaborou um minucioso lhos Regionais de Psicologia, sendo uma das
anteprojeto de lei – estabelecendo a formação instituições que participou, com sugestões e
regular do profissional – acompanhado de propostas, do complexo processo de criação
um memorial que ressaltava a importância desses órgãos. Em virtude dessa ativa parti-
da atuação da psicologia aplicada nos âmbi- cipação, o Ministério do Trabalho e Previdên-
tos da escola, da clínica e do trabalho. Esse cia Social convoca associações de psicólogos
material, tido como a primeira proposta para com personalidade jurídica própria, dentre
regulamentar a profissão, foi encaminhado ao elas a ABPA (representada por Clovis Sten-
Ministério da Educação (MEC) em novembro zel e Franco Lo Presti Seminerio), a se reuni-
de 1953, reencaminhado com pequenas mu- ram para eleger, em 20 de dezembro de 1973,
danças em 1957 (quando recebeu parecer fa- pelos votos de seus delegados, os membros
vorável do Conselho Nacional de Educação) efetivos e suplentes do primeiro Plenário do
e enviado ao Legislativo em março de 1958. Conselho Federal de Psicologia (CFP). A sigla
Em abril de 1959, a Associação Brasileira de da instituição mudou no início dos anos de
Psicotécnica mudou seu nome para Associa- 1990, quando se verificou que ABPA já estava
ção Brasileira de Psicologia Aplicada (ABPA), registrada por uma entidade de propaganda.
mas continuou a atuar segundo os mesmos A nova designação, ABRAPA, termo pelo qual
propósitos, razão pela qual, em 1961, man- a Associação Brasileira de Psicologia Aplicada
teve contatos com outras associações, tam- passou a ser conhecida, foi oficializada em 19
bém pioneiras no movimento da psicologia de maio de 1993 com o registro de seu esta-
no Brasil: a Sociedade de Psicologia de São tuto, não estando, entretanto, relacionada a
Paulo e a Associação Brasileira de Psicólogos qualquer alteração de ordem política ou epis-
(dirigida então pela professora Carolina Mar- temológica, porque correspondia apenas à ne-
tuscelli Bori). Estas duas instituições haviam cessidade de atender a um aspecto legal. Em
apresentado um substitutivo ao Anteprojeto mais de meio século de história, a ABRAPA
de Lei 3.825/1958 do MEC, que possibilitou investiu na divulgação da psicologia aplicada,
a efetiva regulamentação da profissão de psi- em diversos congressos, encontros e eventos,
cólogo, por meio da Lei 4.119 de 27/08/1962. dentre os quais se destacam: I Seminário Lati-
As idas e vindas desses anteprojetos podem no-Americano de Psicotécnica (1955); VI Con-
ser explicadas pelo fato de que a primeira gresso Interamericano de Psicologia (1959);
proposta, apresentada no início dos anos de I Seminário Brasileiro de Ergonomia (1974);
1950, determinava como uma das atividades I Encontro Nacional de Psicólogos (1977); e o
profissionais a atuação na área clínica. Como V Seminário Anual Interdisciplinar (1999) –
alguns segmentos do governo e da sociedade alusivo à comemoração dos seus 50 anos. No
entendiam que o psicólogo deveria se limitar caso do Congresso da SIP realizado no Rio de
a ser um assistente técnico, tendo sua atuação Janeiro de 16 a 21 de agosto de 1959, merece
supervisionada por um médico, estabeleceu- destaque o fato de ter sido o primeiro realiza-
se um obstáculo que somente foi transposto do na América do Sul. Na ocasião, Lourenço
com a proposta substitutiva das associações Filho presidiu a comissão diretora dos traba-

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lhos e, na solenidade de abertura, afirmou que scielo.br/scielo.php?script=sci_ar ext&pid=S0103-


os trabalhadores da psicologia nas Américas 65641998000100009&lng=es &nrm=iso>. Acesso em:
deveriam fazer de sua disciplina um instru- 5 maio 2007.
mento útil ao desenvolvimento das nações, ao ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOLOGIA
entendimento entre os homens, e, com isso, à APLICADA (ABPA). 40 anos de história. Rio de Ja-
conquista de melhores níveis de vida social. neiro: ABPA, 1989.
A associação criou duas publicações institu- THEOPHILO, R. Subsídios para a história da Psi-
cionais: o Boletim da Associação Brasileira de cologia do Brasil. Disponível em: <h p://www.
Psicotécnica (lançado em setembro de 1951) e psicologia.org.br/internacional/pscl4.htm>. Acesso
ABPA: Notas e Notícias (lançado em março de em: 10 ago. 2007.
1972). A divulgação dos trabalhos científicos,
no entanto, era feita revista Arquivos Brasilei- Alexandre de Carvalho Castro
ros de Psicologia Aplicada, inicialmente lançada
Elizabeth da Silva de Alcântara
como Arquivos Brasileiros de Psicotécnica e pos-
teriormente Arquivos Brasileiros de Psicologia,
publicação do ISOP criada em 1949, que atual-
mente é publicada pelo Instituto de Psicologia „ Associação Brasileira de Psicologia Social
da Universidade Federal do Rio de Janeiro. (ABRAPSO) – 1980-
Além de Mira y López e Manoel Bergström
Lourenço Filho (presidente de 1951 a 1964),
A insatisfação de um grupo de pesquisa-
vários outros nomes relevantes para a psicolo-
dores da América Latina propiciou discussões
gia brasileira estiveram presentes na história
em congressos da Sociedade Interamericana
da ABRAPA, como João Carlos Vital (dire-
de Psicologia (SIP) sobre a inadequação do
tor da Fundação Getúlio Vargas e o primeiro modelo de psicologia social predominante
presidente, de 1949 a 1951), Antonio Gomes em seus países e o reconhecimento da neces-
Penna (presidente de 1964 a 1966), Antonius sidade de mudanças teóricas, metodológicas
Benkö (presidente de 1966 a 1968), Franco Lo e na prática da psicologia. Em 1979, o grupo
Presti Seminerio (presidente de 1973 a 1979), brasileiro, liderado por Sílvia Lane, esteve
Yonne Moniz Reis (presidente de 1979 a 1982) reunido durante a realização do seminário
e Fany Malin Tchaicovsky (presidente de 1982 Psicologia Social e Problemas Urbanos, ocor-
a 1998). rido na Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo (PUC-SP), para o qual foi convi-
Referências dado Aroldo Rodrigues, então presidente da
Associação Latino-americana de Psicologia
MALUF, M. R. “A Participação de Psicólogos
Social (ALAPSO). Os presentes consideraram
Brasileiros na Sociedade Interamericana de Psico-
necessário criar uma associação que represen-
logia: Contribuições e Perspectivas”. Revista Inte-
tasse os pesquisadores brasileiros na ALAPSO
ramericana de Psicología/Interamerican Journal
e em outras associações internacionais. Cons-
of Psychology, Porto Alegre, v. 38, n. 2, p. 323-332,
tituiu-se, assim, uma comissão provisória
2004.
que, em reunião do grupo em 10 de julho de
MOURA, M. L. S. Entrevista concedida a Elizabeth 1980, durante a 32ª Reunião Anual da Socie-
da Silva de Alcântara. Rio de Janeiro, 15 jun. 2007. dade Brasileira para o Progresso da Ciência
TCHAICOVSKY, F. M. Entrevista concedida a Eli- (SBPC), ocorrida na Universidade do Estado
zabeth da Silva de Alcântara. Rio de Janeiro, 27 ago. do Rio de Janeiro (UERJ), propôs a criação
2007. da Associação Brasileira de Psicologia Social
MATOS, M. A. “CAROLINA BORI: A Psicolo- (ABRAPSO). Esta é uma associação científi-
gia Brasileira como Missão”. Psicologia USP. São ca, civil, sem fins lucrativos e sediada juridi-
Paulo, v. 9, n. 1, 1998. Disponível em: <h p://www. camente em São Paulo, criada com os objeti-

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vos de: a) garantir e desenvolver as relações uma associação efetivamente nacional, com
entre pessoas dedicadas ao estudo, ensino, uma rede dinâmica de seções regionais. Ao
investigação e aplicação da psicologia social; longo dos anos de 1990, muitos abrapsianos se
b) propiciar a difusão e o intercâmbio de in- engajaram na institucionalização de diversos
formações sobre o desenvolvimento de traba- programas de pós-graduação relacionados à
lhos de interesse para o desenvolvimento da psicologia social e fortaleceram a presença das
psicologia social; c) organizar conferências e propostas da ABRAPSO na produção científica
cursos e promover a publicação de trabalhos brasileira na área. Por outro lado, seus objetivos
de interesse para o desenvolvimento da psico- sofreram algumas alterações nos seus quatro
logia social. Sua estrutura organizativa é for- sucessivos estatutos. O primeiro deles, datado
mada por uma diretoria nacional – localizada de 1981, foi aprovado em Salvador (Bahia), du-
normalmente na instituição do presidente —, rante a 33ª Reunião Anual da SBPC, o segundo
pelas vice-presidências regionais e pelas coor- em 1986 durante a 38ª Reunião Anual da SBPC
denadorias dos núcleos, todos eleitos durante realizada em Curitiba (Paraná), o terceiro em
as assembleias gerais da associação. Existem 1995, durante o VIII Encontro Nacional de Psi-
três categorias de associados: fundadores, ti- cologia Social realizado em Fortaleza (Ceará)
tulares e estudantes. A diretoria inicial provi- e o estatuto atual foi aprovado em assembleia
sória, com o mandato de um ano, foi compos- geral extraordinária, ocorrida na UERJ, em
ta por: Marília de Oswald de Andrade, Silvia 2006. Este não propôs maiores modificações
Tatiana Maurer Lane, Roberto Malufe, Bronia ao Estatuto, antes, objetivou adaptá-lo à legis-
Liebesny e Wanderley Codo. Foram ainda in- lação vigente, facilitar o processo de aprova-
dicados os seguintes representantes regionais: ção de novo Estatuto e ordenar de forma mais
Dirceu Pinto Malheiros (Nordeste), Georgina adequada seus diferentes temas. De acordo
Silva (Minas Gerais), Marcos G. Araújo (San- com ele (e, portanto, com o de 1995), são finali-
ta Catarina), Julio Figueiredo (Rio de Janeiro), dades da ABRAPSO: a) congregar pessoas que
conforme a ata de fundação da associação. As se interessam pelo desenvolvimento da psico-
primeiras presidências (Sílvia Maurer Lane, logia social no Brasil; b) garantir e desenvolver
1981- 1983 e Ângela Maria Caniato, 1983-1987) as relações entre pessoas dedicadas ao estudo,
buscaram desenvolver características próprias ensino, investigação e aplicação da psicologia
à psicologia social no Brasil. Entendia-se que em uma perspectiva social no Brasil; c) propi-
estas versariam sobre aspectos psicossociais ciar a difusão e o intercâmbio de informações
da população brasileira, em uma perspectiva sobre o desenvolvimento do conhecimento
crítica e transformadora, e levariam ao apro- e prática da psicologia social; d) promover a
fundamento de métodos de intervenção psi- integração da psicologia com outras áreas do
cossocial comprometidos com a emancipação conhecimento que atuem em uma perspecti-
e autonomia das camadas sociais menos favo- va social crítica; e) incentivar e apoiar institu-
recidas. Essa proposta atraiu muitos psicólo- cionalmente o desenvolvimento de ações no
gos profissionais e principalmente professo- campo social e comunitário. Com eleições a
res universitários, não só de Psicologia, mas cada dois anos, a ABRAPSO teve entre suas
também de outras áreas engajados na crítica direções — nacionais, regionais e de núcleos —
à desigualdade social no Brasil. Entretanto, pessoas comprometidas com a psicologia social
a ABRAPSO ainda era uma associação quase brasileira. Atualmente, ocupa-se de sua capila-
que exclusivamente do Sudeste e do Sul. Nos rização, entendendo que as propostas abrap-
anos 80, houve uma tentativa de ampliar o nú- sianas devem vir da base dos interessados em
mero de associados e de integrar à associação psicologia social que, portanto, devem estar
pessoas comprometidas com as propostas da presentes em núcleos. Neste sentido, dedica-se
ABRAPSO em diversas regiões do país. Essa prioritariamente às regiões Norte, Nordeste e
integração progressiva tornou a ABRAPSO Centro-Oeste, onde seu funcionamento ainda

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era restrito a poucas pessoas. Seu público-alvo „ Associação Brasileira de Psicoterapia de


é constituído por professores, pesquisadores, Grupo (ABPG) – 2002-
profissionais, estudantes e trabalhadores so- Associação Brasileira de Psicoterapia
ciais interessados na promoção da psicologia Analítica de Grupo (ABPAG) – 1963-2002
social no Brasil, caracterizando-se por ser uma
perspectiva em psicologia em que múltiplos
olhares voltados para o “social” são aceitos, Fundada em 1963, durante a II Jornada Bra-
sileira de Psicoterapia de Grupo, em São Paulo,
buscando-se que permaneçam em constante
é entidade sem fins lucrativos, da iniciativa pri-
diálogo. A associação é mantida pelas anuida-
vada, com autonomia administrativa e finan-
des dos sócios, pela venda de seu periódico —
ceira, segundo seus estatutos datados de 31 de
que é gratuito aos sócios — e pelo que arrecada outubro de 1987. É uma associação nacional de
em seus eventos. Além do periódico Psicologia sociedades e centros de estudos sobre os proces-
& Sociedade, publicação quadrimestral disponí- sos psicológicos em grupos, psicoterápicos ou
vel na base SciELO e bem avaliada pela CAPES não. Tem sede itinerante, que muda a cada dois
desde o período em que Cleci Maraschin, da anos, de acordo com a unidade da federação
UFRGS, foi sua editora, a ABRAPSO também em que reside o presidente da associação. Até
publica livros, anais de seus eventos científicos o dia 8 de junho de 2002 chamava-se ABPAG e
nacionais e regionais e boletins informativos, tinha por objetivo congregar as sociedades de
sendo anais e boletins ultimamente divulgados psicoterapia analítica de grupos do Brasil. Por
em seu site, www.abrapso.org.br. Os Encontros decisão tomada em assembleia, sob a primeira
Nacionais de Psicologia Social, realizados a gestão de Jair Franklin de Oliveira (2000-2001),
cada dois anos, são o principal evento científico seu nome foi mudado para ABPG, em função
que a Associação promove e são coordenados da alteração de objetivos, visto que passou a
pela diretoria nacional. Além disto, a ABRAP- congregar todos aqueles que trabalham com
SO apoia eventos de entidades afins bem como grupos, sejam de fundamentação psicanalítica
ou outra orientação teórica. A ideia norteadora
os de seus núcleos e regionais, e alguns destes
passou a ser fortalecer o movimento grupote-
promovem regularmente encontros desde sua
rápico de uma maneira geral. Oriunda de um
criação. No XIV Encontro Nacional, ocorrido
grupo de membros que, em sua maioria, fez
no Rio de Janeiro em 2007, foram premiados os formação grupoanalítica, análise pessoal em
melhores trabalhos em psicologia social, tanto grupo, supervisão e curso teórico de orientação
artigos de graduação quanto dissertações e te- analítica, trabalhou com grupos analíticos em
ses, estas últimas sendo publicadas numa cole- consultório, no serviço público, nas empresas e
ção intitulada Prêmio Abrapso. na educação, a ABPAG priorizava inicialmen-
te o trabalho com orientação psicanalítica, o
Referências que lhe conferiu o nome. Tinha objetivos mui-
to semelhantes aos que hoje possui a ABPG:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOLOGIA SO-
estimular o intercâmbio científico entre as so-
CIAL. Ata da reunião de fundação da ABRAPSO.
Rio de Janeiro: UERJ, 1980.
ciedades de psicoterapia de grupo no Brasil;
promover e difundir a psicoterapia de grupo
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOLOGIA no Brasil, como método profilático e terapêu-
SOCIAL. Estatuto da ABRAPSO. Rio de Janeiro: tico; estimular a produção científica ligada à
UERJ, 2006.
psicoterapia de grupo; promover a divulgação
BOMFIM, E. M. et al. ABRAPSO: 25 anos de uma de trabalhos científicos ligados à psicoterapia
histórica construção psicossocial. Psicologia e So- de grupo por meio da publicação periódica
ciedade (no prelo). de uma revista, a Revista da ABPAG (publica-
da em Ribeirão Preto, SP), sendo seu primeiro
Ana Maria Jacó-Vilela número datado de 1989. Sete números foram

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editados com o nome da ABPAG e um com o Segundo informações colhidas em entrevista,


nome da ABPG. A ABPG também veicula arti- a ABPG teve como presidente David Zimmer-
gos on-line e planeja uma revista eletrônica. mann, seguindo-se no cargo Luiz Alberto Py
Congrega associações, tais como: Centro de (1986-1987); Waldemar José Fernandes (1988-
Estudos, Atendimento e Pesquisa em Grupos 1989 e 1996-1997), em cuja primeira gestão se
(CEAPEG), RS; Sociedade Paulista de Psicote- elaboraram estatutos, ata de fundação, regi-
rapia Analítica de Grupo (SPPAG); Núcleo de mentos, duas revistas, Jornada e Congresso e,
Estudos em Saúde Mental e Psicanálise das na segunda, reorganizou-se a edição dos nú-
Configurações Vinculares (NESME); Sociedade meros 3, 4, 5 e 6 da Revista da ABPAG; Fernando
de Psicoterapias Analíticas Grupais do Estado Angerami (1990-1991); Jorge Luiz Veschi (1997-
de São Paulo (SPAGESP); Sociedade de Psicote- 1998), com a edição do número sete da Revista;
rapia Analítica de Grupo de Campinas (SPAG Luiz Querolim Neto (1999-2000); Jair Franklin
Campinas); Sociedade de Psicoterapia Analíti- de Oliveira Junior (2000-2001 e 2002-2004), com
ca de Grupo de São José do Rio Preto (SPAG a edição da Revista número 8, criação do site da
Rio Preto); Centro de Estudos de Psicotera- Associação e troca de nome para ABPG; Carla
pia Analítica de Grupo de Franca SP (CEPAG Penna (2004-2005) e Luiz Carlos Lafont Coro-
Franca); Sociedade de Psicoterapia Analítica de nel (2006). Não há informações sobre as outras
Grupo de Pernambuco (SPAG PE); Centro de gestões ou precisão quanto a datas. A ABPG é
Estudos em Psicoterapia Analítica de Grupos mantida pelas sociedades a ela filiadas e pelos
do Pará (CEPAG Pará); Grupo de Psicoterapia congressos promovidos. Ainda segundo infor-
de Juiz de Fora — Barbacena (GPA JF); Socieda- mações colhidas em entrevistas com Waldemar
de de Psicoterapia Analítica de Grupo do Esta- J. Fernandes e Carla Penna, a ABPG vem per-
do do Rio de Janeiro (SPAG E. RIO); Sociedade dendo força institucional.
de Psicanálise GRADIVA – RJ (SPAG RJ). E, já
dentro dos novos estatutos da ABPG, Grupos Referências
de Florianópolis e Instituto Abuchaim – RS. A PENNA, C. M. P. A. Entrevista concedida a Vilma
ABPG promove o Congresso Brasileiro de Psi- Rangel. Rio de Janeiro, 19 nov. 2006.
coterapia de Grupo, que tem como um de seus
FERNANDES, W. J. Entrevista concedida a Vilma
objetivos a associação e troca entre as afiliadas. Rangel. Rio de Janeiro, 11 jun. 2006.
Embora a proposta fosse realizá-lo a cada dois
PY, L. A. Entrevista concedida a Vilma Rangel. Rio
anos, promovendo simultaneamente a eleição de Janeiro, 11 jun. 2006.
da nova diretoria, o encontro de âmbito nacio-
RANGEL, V. A psicoterapia de grupo com funda-
nal ocorreu em Gramado (1998), Rio de Janeiro
mentação psicanalítica — um rosto carioca. Disser-
(1999), Águas de Lindoia (2001) e Campinas tação. (Mestrado em Psicologia Clínica.) Pontifícia
(2002). Desde então, os encontros vêm rarean- Universidade Católica do Rio de Janeiro, 1966.
do, tendo o último acontecido em 2007 em Por-
to Alegre, sede atual da instituição. Em 1991,
Vilma Rangel
realizou-se no Brasil o I Encontro Luso-Brasi-
leiro, por iniciativa do NESME. Depois ocorreu
o I Encontro Luso-Brasileiro de Saúde Mental,
graças à Federação Latino-Americana de Psico- „ Associação Brasileira para Superdotados
terapia Analítica de Grupo (FLAPAG). Assim, (ABSD) – 1978-
a ABPG, além do Congresso Brasileiro, passou
a copromover o Congresso Luso-Brasileiro de
Psicoterapia de Grupos, alternando a realiza- A ABSD é uma sociedade civil, sem fins
ção entre Brasil e Portugal. O evento de 2005 lucrativos, de natureza técnico-científica, fun-
foi realizado em Portugal e o de 2007 em Porto dada no Rio de Janeiro em 9 de maio de 1978.
Alegre, junto com o Congresso Brasileiro de Tem como objetivos reunir esforços, realizar
Psicoterapia de Grupo promovido pela ABPG. pesquisas e formar recursos humanos no to-

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cante ao fenômeno da superdotação. O con- publicadas no boletim técnico-científico PRÓ-


ceito de superdotado se aplica aos indivíduos PENSAR, da própria ABSD. Ainda por sua
que se situam acima da média das pessoas em vinculação à UERJ, a Associação realizou o
relação a uma habilidade relevante. Sua cria- Programa Experimental de Desenvolvimento
ção foi uma proposta do professor João Bina Instrumental (PEDI) para atendimento de por-
Machado aos professores que, junto com ele, tador de altas habilidades (PAH), um projeto
organizaram o II Seminário Nacional sobre pioneiro no Brasil vigente entre 1983 e 1986.
Educação de Superdotados, realizado em 1976 Seus efeitos de longo prazo foram avaliados
na Universidade do Estado do Rio de Janeiro por um follow-up, realizado entre 1997 e 2001.
(UERJ), pelo Departamento de Estudos Espe- Um outro estudo longitudinal, chamado DES-
cíficos da Faculdade de Educação, em parceria TAQUE, foi realizado por meio de um progra-
com o Ministério da Educação (MEC). A ABSD ma de atendimento a alunos com destaque
teve como primeiro diretor o próprio Macha- acadêmico, tendo como objetivos registrar e
do, no período de 1979 a 1982, e funcionou documentar dados referentes à formação do
durante grande parte de sua história no 12º indivíduo superdotado no Brasil, visando
andar da UERJ, alternando salas na Faculda- apoio à pesquisa científica do fenômeno. No
de de Educação desta universidade até 2005. esforço para suprir a demanda de serviços
Os primeiros anos foram de planejamento e voltados aos PAHs, ao longo de sua história, a
estruturação interna. A Associação nunca con- ABSD manteve um fórum com palestras sobre
tratou funcionários, os serviços eram realiza- altas habilidades e inteligência, além de ofici-
dos por alunos de graduação, por participan- nas de orientação e atendimento às famílias.
tes de cursos de extensão, por seu conselho Tais ações buscavam promover uma melhor
técnico e por seus associados. A Associação integração do superdotado à sociedade, bem
se manteve com pequenos patrocínios, como como o desenvolvimento de seus talentos.
a contribuição de sócios colaboradores e com Cabe registrar a falta de consenso teórico e a
recursos do MEC para viagens e realização de complexidade do tema. Em 1995 a nomencla-
congressos. Ao longo de sua história, a ABSD tura superdotado foi substituída por portador
realizou 11 seminários nacionais: São Paulo de altas habilidades, por ser este termo menos
(1979), Porto Alegre (1981), Salvador (1983), gerador de preconceito e mitificação, segun-
Belo Horizonte (1985), Curitiba (1987), Belém do a visão de alguns membros da associação.
(1989), Goiânia (1991), Vitória (1994), Rio de A ABSD realizou diversas parcerias com esco-
Janeiro (1996), Brasília (1998) e Porto Alegre las públicas e particulares. Na década de 1990,
(2000). Em cada estado em que realizou se- empreendeu consultoria e supervisão à Secre-
minário, fundou uma secional da Associação. taria de Educação do Município do Rio de Ja-
Por falta de recursos materiais, as secionais neiro e ao Instituto Helena Antipoff. Também
foram perdendo força até serem desativadas nesse período, realizou parceria com a Dire-
ou reformadas, dando origem a outras or- toria de Ensino Preparatório e Assistencial do
ganizações. O vínculo da ABSD com a UERJ Ministério do Exército para o Projeto de De-
possibilitou a participação em diversos pro- senvolvimento de Potencialidades (PRODEP),
jetos e programas ligados às Sub-Reitorias de ação de âmbito nacional realizada entre 1994
Graduação, de Pós-Graduação e Pesquisa e de e 2003. O PRODEP consistia em acompanhar,
Extensão e Cultura. Durante a gestão da pro- por um período de dois anos, grupos de alu-
fessora Marsyl Bukool Me rau (1997 a 1999), nos na faixa etária de 12 a 15 anos, realizan-
a Associação atuou na criação do primeiro do um trabalho de educação metacognitiva,
curso de especialização em Altas Habilida- estímulo e reconhecimento, e de valorização
des do Brasil. As monografias do curso foram de potenciais próprios e coletivos, desenvol-

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vendo a criatividade, autoestima, autocom- fissional em Ciências da Reabilitação; Mestrado


preensão e cooperação dos participantes. Em Acadêmico em Neurociências e Reabilitação, e
2005, com a aposentadoria da professora Met- pesquisa sênior para doutorado e pós-doutora-
trau, a Associação deixou de ter sede na UERJ. do de universidades públicas. Os cursos de ex-
A ABSD permaneceu sem atividades até 2007, tensão são, atualmente, em Psicologia Cultural e
quando iniciou o processo de sua reativação Reabilitação e em Interações, Desenvolvimento
na Universidade Salgado de Oliveira (UNI- e Criatividade, ambos destinados a graduandos
VERSO), na cidade de Niterói, no Estado do dos cursos de Psicologia e Artes. Possui um Cen-
Rio de Janeiro, coordenada pela própria Met- tro de Desenvolvimento de Equipamentos Hos-
trau. pitalares e Tecnologia (Equiphos-CTRS), que
desenvolveu a cama-maca, utilizada em toda
Referências a rede. A instituição foi o primeiro hospital do
NOVAES MIRA, M. H. Boletim histórico. Rio de Ja- Distrito Federal a incluir psicólogos na equipe,
neiro: Associação Brasileira para Superdotados, 1990. percorrendo, desde a década de 1970, os campos
PRÓ-PENSAR. Boletim técnico-científico da ABSD. da psicologia da saúde, da psicologia clínica, da
Rio de Janeiro: Associação Brasileira para Superdo- psicologia do desenvolvimento, da psicologia
tados, 1998-2001. social e das neurociências. Foi também pioneira
ao criar um programa de residência multipro-
Thiago Ferreira dos Santos fissional em saúde no início da década de 1980.
Marcelo de Almeida Ferreri A participação do psicólogo na equipe de rea-
bilitação favorece o processo de enfrentamento
da doença/deficiência e adesão ao tratamento,
de reintegração social, com base no modelo de
„ Associação das Pioneiras Sociais – Rede atenção integral à saúde. Além disso, facilita a
Sarah de Hospitais de Reabilitação – 1991 atuação em equipe e o processo de comunicação
Centro de Reabilitação Sarah Kubitschek — entre paciente, família e equipe de reabilitação.
Fundação das Pioneiras Sociais – 1960-1991 O psicólogo tem contribuído na normatização
e padronização de instrumentos de avaliação e
Fundada em 1960, como Centro de Reabilita- reabilitação neuropsicológica. Com a expansão
ção Sarah Kubitschek – Fundação das Pioneiras e o aumento de complexidade da Rede Sarah,
Sociais, em 1991 foi transformada em Associa- a equipe de psicologia passou a atuar em todas
ção das Pioneiras Sociais – Rede Sarah de Hospi- as unidades hospitalares de desenvolvimento
tais de Reabilitação (Lei 8.246/91). A Rede Sarah, tecnológico, ensino e pesquisa. Essa equipe de
criada a partir da experiência desenvolvida no psicólogos atua também na equipe interdisci-
Centro, foi concebida com o objetivo de prestar plinar das áreas de reabilitação, neurociências,
assistência interdisciplinar pública em saúde na desenvolvimento tecnológico, bioengenharia,
área da reabilitação e de desenvolver pesquisa, recursos humanos, pesquisa, formação de pro-
tecnologia e formação de recursos humanos. fissionais, ensino e orientação no programa de
É composta por oito hospitais, um Centro In- pós-graduação da Rede Sarah, além de realizar
ternacional em Neurociências e Reabilitação e promoção científica por meio de visitas técnicas,
um Centro de Formação e Pesquisa, com cur- participação em congressos, eventos, cursos, pu-
sos de pós-graduação e extensão. Os cursos de blicações nacionais e internacionais.
pós-graduação são: Especialização em Ciência
de Reabilitação; Especialização em Psicologia Lúcia Willadino Braga
Cultural e Reabilitação Infantil; Mestrado Pro- Ligia Maria do Nascimento Souza

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„ Associação de Assistência ao Excepcional Referências


do Paraná – 1975- CENTRO ESPECIALIZADO DE HABILITAÇÃO
PROFISSIONAL MERCEDES STRESSER. Admi-
Associação de Assistência ao Psicopata
nistração. Disponível em: <www.mercedesstresser.
do Paraná – 1958-1975 com.br/administracao.htm>. Acesso em: 23 mar.
2007.
Fundada em 27 de junho de 1958 na cidade PARANÁ. Diário Oficial do Estado, 3.597. Lei
de Curitiba – Paraná por um grupo de senhoras 9.705/1991. Curitiba, 12 set. 1991.
da Liga Católica, liderado por Dalila de Castro
Lacerda. Tinha como finalidade amparar meno- Janira Siqueira Camargo
res considerados retardados e doentes mentais.
Em 10 de abril de 1961, juntamente com a Liga
das Senhoras Católicas de Curitiba, fundou a Es-
„ Associação de Pais e Amigos do
cola Mercedes Stresser, que tinha como objetivo
dar atendimento ao excepcional deficiente men-
Excepcional (APAE) – 1954-
tal treinável e educável. Foi denominada Asso-
ciação de Assistência ao Excepcional do Paraná Fundada no Rio de Janeiro, em 11 de de-
em 18 de agosto de 1975, no entanto o que oficia- zembro de 1954, por professores e pais preo-
lizou tal mudança foi a Lei 9.705, de 11/09/1991. cupados com a educação das crianças que ti-
É considerada entidade de utilidade pública vessem algum problema de adaptação à escola
municipal (Lei 3.434, de 30/12/1968), estadual regular, destacando-se Beatrice Bemis e Hele-
(Lei 6.251, de 20/11/1971) e federal (Lei 96.747, na Antipoff, dentre outras. A APAE é uma ins-
de 21/09/1988), sem fins lucrativos. Possui uma tituição assistencial destinada ao cuidado e
diretoria composta por presidente, primeiro e educação de crianças excepcionais. O termo
segundo vice-presidentes, primeiro e segundo excepcional foi cunhado por Helena Antipoff,
secretários, primeiro e segundo tesoureiros, um em 1934, para se referir àquelas crianças que
conselho fiscal, além de profissionais especia- apresentavam alguma diferença com relação à
lizados para as atividades desenvolvidas pela média. A escolha do termo se deve a, no come-
associação. O diretor atual é Quintiliano Macha- ço do século XX, essas crianças serem chama-
do Ne o. A Associação é mantenedora da Escola das por nomes pejorativos como anormais,
imbecis, idiotas etc. Segundo o Estatuto da Fe-
Mercedes Stresser e promove ações necessárias
deração Nacional das APAEs de 1962, consi-
para que esta se viabilize, se consolide e dê con-
dera-se excepcional a pessoa que desvia, para
tinuidade aos seus objetivos. Fica localizada na
cima ou para baixo do nível médio dos indiví-
rua Augusto Stellfeld, 1.190, bairro Bigorrilho,
duos, em relação a uma ou várias característi-
Curitiba – PR. A instituição é a primeira a dar
cas físicas, mentais ou sensoriais, de forma a
atendimento a pessoas com deficiência mental
constituir um problema especial com referên-
fora dos hospitais psiquiátricos no Estado do cia à sua educação, desenvolvimento e ajusta-
Paraná, por isso se constitui em um marco em mento social. Em março de 1955, a Sociedade
termos do desenvolvimento da psicologia no Pestalozzi do Brasil colocou à disposição parte
estado. Atualmente conta com quatro psicó- de seu prédio, localizado na rua Visconde de
logos, que têm como atividades: a) avaliações; Niterói, 1.450, bairro da Mangueira, Rio de Ja-
b) grupos de atendimento à sexualidade e de neiro – RJ, para que ali se instalasse uma esco-
preparação para inserção no mercado de traba- la para crianças excepcionais. Esta foi a sede
lho; c) expedição de laudos e encaminhamentos, provisória da primeira unidade da APAE.
sempre que necessário; d) atendimento aos alu- Neste espaço foram instaladas duas classes es-
nos, famílias, professores e à comunidade, num peciais com cerca de vinte crianças em cada.
sistema de rede. A fundação da APAE ocorreu num momento

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em que a preocupação com a educação dos ex- gregando como filiadas as APAEs e outras en-
cepcionais se fazia cada vez mais presente, tidades congêneres. Caracteriza-se por pro-
não apenas pelo movimento de pais, professo- mover a educação de excepcionais, que de
res, médicos e psicólogos, mas também nas outra forma estariam à margem do sistema
políticas públicas. Desde sua criação, o objeti- educacional regular. É mantida por doações e
vo da APAE é promover a educação e a inclu- por convênios com os governos municipais,
são social de crianças e jovens excepcionais. estaduais e federal. No final de 1962, os diri-
Para realizar tal intento, oferece aos alunos gentes de 12 das 16 APAEs então existentes
não apenas a educação formal, como a obtida (Caxias do Sul, Curitiba, Jundiaí, Muriaé, Na-
em escolas regulares, mas também acompa- tal, Porto Alegre, São Leopoldo, São Paulo,
nhamento e atendimento médico, psicológico, Londrina, Rio de Janeiro, Recife e Volta Re-
fisioterapêutico, fonoaudiológico etc. Entre seus donda), participaram em São Paulo da primei-
fundadores destacam-se Beatrice Bemis, Olí- ra Reunião Nacional de Dirigentes Apaeanos,
via Pereira, La-Faye e Cortes, Helena Anti- presidida pelo psiquiatra Stanislau Krynsky.
poff, Helena Dias Pereira Carneiro e Alaíde Desta reunião participaram também familia-
Tibo. Beatrice Bemis, assim como Helena res de excepcionais. Pela primeira vez no Bra-
Antipoff, eram estrangeira. A primeira era sil, as famílias puderam levar ao movimento
procedente dos Estados Unidos, onde ajudara suas experiências como pais e, em alguns ca-
a fundar outras entidades semelhantes à sos, também como técnicos na área. Das publi-
APAE, além de ser membro do corpo diplo- cações da APAE destacam-se a revista Mensa-
mático norte-americano e mãe de uma criança gem da APAE, editada a partir de janeiro de
com síndrome de Down. Já Helena Antipoff 1963 (com periodicidade anual a partir de
era russa, tendo feito sua formação em Psico- 2006), o Boletim da Federação Nacional das APAEs,
logia na Universidade de Genebra, trabalhado publicado a partir de março do mesmo ano,
na Maison de Petits, onde fora assistente de com periodicidade mensal, e os Anais das reu-
Edouard Claparède. As APAEs se multiplica- niões nacionais dos dirigentes apaeanos, ocor-
ram por todo o Brasil e, um tempo após sua ridas a partir de junho de 1963. Além destas,
criação, surgiu a necessidade de se criar uma há também a revista educativa Amigos da
federação que congregasse todas as unidades. APAE e a revista APAE Ciência. Dentre os
Em 10 de novembro de 1962, foi criada a Fede- eventos promovidos pela instituição se encon-
ração Nacional das APAEs. Esta funcionou tra o Congresso Nacional das APAEs, que
durante vários anos em São Paulo, no consul- ocorre bienalmente em uma das unidades fe-
tório do psiquiatra Stanislau Krynsky, sendo derativas, nos anos ímpares. Foi realizado
posteriormente transferida para Brasília – DF. pela primeira vez no Rio de Janeiro, no perío-
O primeiro presidente da Federação foi Anto- do de 11 a 13/07/1963. Até hoje totalizam-se 22
nio Clemente Filho (1963-1965) seguido de congressos realizados. Outros eventos são a
Antonio Simão dos Santos Figueira (1965- Olimpíada Nacional, contando com 17 edi-
1967), José Cândido Maes Borba (1967-1977), ções até 2004, e o Festival Nossa Arte, que teve
Justino Alves Pereira (1977-1981), Elpidío sua quinta edição em 2003. Cada entidade da
Araújo Neris (1981-1987), Nelson de Carvalho APAE, mesmo submetida à regra da federa-
Seixas (1987-1991), Flávio José Arns (1991- ção, goza de um grau considerável de autono-
1995), Eduardo Luiz Barbosa (1995-1999), Flá- mia, com liberdade para realizar seus próprios
vio José Arns (1999-2001), Luiz Alberto Silva empreendimentos e iniciativas. O espaço físi-
(2001-2003, reeleito para gestão 2003-2005), co das APAEs varia de local para local. Suas
Eduardo Luiz Barros Barbosa (2005-2007). instalações são semelhantes às de uma escola
A Federação Nacional das APAEs é uma socie- regular, com o acréscimo de salas onde se
dade civil, filantrópica, de caráter cultural e prestam os atendimentos de caráter clínico.
educacional com duração indeterminada, con- Ao longo dos anos tornou-se uma das institui-

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ções para educação de excepcionais de maior rando o direito à educação de qualidade e ao


abrangência no Brasil. Além da Federação Na- trabalho, tendo como propósito a inclusão
cional, a APAE contava em 2006 com 21 federa- social; o Programa Nacional de Autossusten-
ções estaduais e com 202 conselhos regionais, tação, que é composto de campanhas e proje-
responsáveis por tomar decisões e iniciativas tos, realizados pela Federação Nacional das
referentes às regiões que estão sob sua gerên- APAEs, com a finalidade de gerar recursos fi-
cia. Conta com aproximadamente 200 mil vo- nanceiros; e o Programa Nacional de Proteção
luntários e 2 mil unidades presentes em muni- à Gestante-Pré-Natal, cujo objetivo fundamen-
cípios de todo o país, propiciando atendimento tal é a redução da morbimortalidade materno-
educacional a mais de 230 mil excepcionais. infantil e outros agravos que possam acometer
Desde sua criação, a APAE mantém com a psi- mães e filhos, caracterizando-se como um pro-
cologia um profícuo diálogo, de tal forma que grama preventivo.
a participação do psicólogo em seus quadros
funcionais configura-se como indício do papel
Referências
desta instituição para a regulamentação da
profissão de psicólogo no país. Uma persona- ANTIPOFF, O. Entrevista concedida a Sérgio Do-
gem importante na história da APAE foi a psi- mingues. Belo Horizonte, 16 ago. 2006.
cóloga russa Helena Antipoff. Ela considerava ANTONINI, I. G.; LOURENÇO, E. “O ilia Braga
que somente um movimento social genuíno Antipoff ”. In: CAMPOS, R. H. de F. (Org.). Dicio-
de pais e amigos teria fôlego e força para in- nário biográfico da Psicologia no Brasil: Pioneiros.
fluenciar os governos e a sociedade em prol Rio de Janeiro: Imago; Brasília: CFP, 2001.
dos excepcionais. A APAE, ao longo dos mais
ASSISTÊNCIA ao excepcional. Jornal Mensageiro
de cinquenta anos de sua existência, criou es-
Rural. Belo Horizonte, ago. 1962. Suplemento, p. 3.
colas, centros de reabilitação, centros de pro-
fissionalização etc. Hoje luta em prol da inclu- CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E PESQUISA
são, considerando que não é a pessoa HELENA ANTIPOFF. Boletim do Centro de Do-
excepcional que deve mudar para ser aceita, cumentação e Pesquisa Helena Antipoff. Ibirité,
mas sim a sociedade que deve se adaptar para n. 1, 1981. Disponível em: <www.camara.gov.br/
recebê-la. Alguns dos principais projetos da eduardobarbosa/release%2086.htm>. Acesso em: 10
Federação Nacional das APAEs são: o Projeto jun. 2006.
Águia, que visa contribuir para a qualificação ESTATUTO DA FEDERAÇÃO NACIONAL DAS
do atendimento à pessoa portadora de defici- APAEs. São Paulo: [s.n.], jul. 1991.
ência, assim como na melhoria da capacidade
FEDERAÇÃO NACIONAL DAS APAES. Disponí-
gerencial das unidades e instâncias do movi-
vel em: <h p://www.apaebrasil.org.br>. Acesso em:
mento, com programas de desenvolvimento
22 set. 2006.
técnico, institucional e gerencial; o APAE Edu-
cadora: A Escola que Buscamos, conjunto de FEDERAÇÃO NACIONAL DAS APAEs. Federação
ações pedagógicas e educacionais, tendo APAEs do Rio Grande do Sul, um pouco da história
como ponto de partida a construção de uma do movimento das APAEs. Disponível em: <h p://
escola que tenha compromisso social para www.apaers.org.br/?mod=secoes&id=3943>. Aces-
com todas as pessoas portadoras de deficiên- so em: 10 jun. 2006.
cia mental, dentro de uma perspectiva de es- SOUZA, I. M. “Helena Dias Pereira Carneiro”. In:
colarização para a vida, visa mostrar os cami- CAMPOS, R. H. de F. (Org.). Dicionário biográfico
nhos que se devem seguir para garantir a da Psicologia no Brasil: Pioneiros. Rio de Janeiro:
independência, a autorrealização e o desen- Imago; Brasília: CFP, 2001.
volvimento pleno das potencialidades do por-
tador de deficiência mental, sua felicidade, a
participação da família/comunidade, assegu- Sérgio Domingues

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„ Associação de Psicodrama de São Paulo tica psicodramática e pelo padrão ético dessa
(SOPSP) – 2005- prática; divulgar junto à comunidade em geral
Sociedade de Psicodrama de São Paulo o psicodrama e suas práticas; promover traba-
(SOPSP) – 1970-2005 lhos nas áreas de saúde e educação da comuni-
dade com vistas ao cultivo da ética e construção
da cidadania. A SOPSP oferece cursos de intro-
Fundada em 15 de dezembro de 1970, em dução e de formação em Psicodrama, dirigidos
São Paulo-SP, a SOPSP é a mais antiga entida- a estudantes e profissionais das áreas da saú-
de ligada ao psicodrama que continua atuante de, educação e outras, interessados no trabalho
dentro do movimento psicodramático bra- com pessoas e grupos na perspectiva da trans-
sileiro. A partir de 2005, atendendo ao novo formação pessoal-profissional. A formação em
Código Civil, teve que mudar o nome para psicodrama pode ter o foco psicoterápico para
Associação de Psicodrama de São Paulo, mas médicos e psicólogos, ou o foco socioeducacio-
continua a usar a sigla que a tornou conhecida nal, para outros profissionais de nível superior
no país e no exterior. Com expressiva repre- que também trabalham ou estejam interessa-
sentatividade, a SOPSP, filiada à Federação dos em trabalhar com pessoas e grupos. São
Brasileira de Psicodrama (FEBRAP), participa três os níveis de formação oferecidos. O nível
de todas as manifestações e atividades liga- I, em convênio com a Pontifícia Universidade
das ao psicodrama dentro e fora do Brasil. Já Católica de São Paulo (PUC-SP), é oferecido
formou centenas de psicodramatistas, entre como curso de pós-graduação lato sensu; ao
psicólogos, médicos e outros profissionais da concluir este curso, o profissional recebe o tí-
saúde e da educação. Publicou quatro núme- tulo de psicodramatista. O nível II é dirigido
ros de Psicodrama: Revista da Sociedade de Psi- aos profissionais que concluíram o nível an-
codrama de São Paulo, três na década de 1970, terior, formando-os psicodramatistas didatas.
um em 1992. Seus associados têm publicado O nível III é dirigido àqueles que concluíram
inúmeros livros e artigos sobre psicodrama e o nível II e, ao término, o profissional recebe o
psicologia. O SOPSP tem colaborado na or- título de psicodramatista didata supervisor. A
ganização dos Congressos Brasileiros de Psi- Coordenação Pró-Educação Continuada (CO-
codrama, do Congresso Ibero-americano de PEC) é o órgão da SOPSP que, além do curso
Psicodrama e do Congresso Internacional de de Introdução ao Psicodrama e dos cursos de
Psicodrama de Grupo. Realiza diversos even- Formação em Psicodrama níveis II e III, orga-
tos: Jornadas Internas, Quartas em Ação e Ca- niza e oferece a todos os interessados eventos
fés Psicodramáticos. Sua sede em São Paulo de educação continuada. O Centro de Atendi-
situa-se na rua Eça de Queiroz, 220. Trata-se mento em Psicodrama (CAPSI) é um outro ór-
de uma associação civil sem fins lucrativos, gão que cuida dos serviços prestados à popu-
de utilidade pública municipal, que tem por lação pelos seus associados, tanto em termos
objetivos: promover e divulgar estudos e de assistência psicoterápica como socioedu-
pesquisas para o desenvolvimento do psico- cacional e organizacional. O Centro de Es-
drama e áreas afins; promover o intercâmbio tudos do Relacionamento (DAIMON) é um
de experiências e o congraçamento entre os parceiro da SOPSP, em cuja sede também são
associados; promover a legitimação da plura- realizados atos sociopsicodramáticos aber-
lidade do pensamento e das formas de ação tos à população. A estrutura político-admi-
no âmbito do psicodrama; manter relações de nistrativa da SOPSP é inspirada no modelo
intercâmbio com entidades congêneres, na- parlamentarista, no qual a diretoria executiva
cionais ou estrangeiras; promover a formação cuida de questões administrativas e a câmara
e o aperfeiçoamento de profissionais da área de representantes avalia questões do âmbito
por meio de vivências, maratonas, palestras e político e da conformidade de projetos com
cursos; zelar pela qualidade crescente da prá- os objetivos da Associação. Todos os associa-

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dos em pleno gozo de seus direitos formam „ Associação de Psicologia de São Paulo
a assembleia geral. A diretoria executiva é (ASPSP) – 2004-
composta por seis membros: presidente, vice- Sociedade de Psicologia de São Paulo
presidente, secretário, tesoureiro, diretor de (SPSP) – 1945-2004
comunicação e diretor suplente. A câmara de
representantes é composta por 12 membros.
O fundo social da SOPSP é constituído, basica- Antiga SPSP, entidade científica que com o
mente, de contribuições periódicas dos sócios, nome de sociedade fundou-se em São Paulo
de rendas provenientes de atividades sociais no dia 9 de novembro de 1945, mantendo, des-
e de doações de seus associados. A lista de de então, suas atividades ininterruptamente.
Foi a primeira no país a reunir associados
fundadores da SOPSP é extensa e consta em
devotados à psicologia. Em outubro do ano
seu site. A lista de personagens importantes
de 1945, a professora Annita de Castilho e
da SOPSP seria ainda maior, pois seus mem-
Marcondes Cabral, da então Faculdade de Fi-
bros entendemos que, independentemente do
losofia, Ciências e Letras da Universidade de
tamanho da colaboração de cada associado,
São Paulo, reuniu em sua casa um grupo de
todos são corresponsáveis pela sua história,
professores e outros profissionais da área de
todos são coautores e codiretores de sua tra-
psicologia, com o objetivo de organizar uma
jetória. No entanto, a título ilustrativo, apre- sociedade para o cultivo dessa ciência e de
sentamos aqui apenas alguns associados que suas aplicações. Para essa reunião foi convi-
contribuíram e que continuam contribuindo, dado o professor O o Klineberg, da Colum-
por exemplo, para a produção científica do bia University (NY-EUA), recém-chegado ao
psicodrama e da psicologia: Dalmiro Bustos, Brasil, para atuar como professor visitante na
Antonio Carlos Cesarino, José Fonseca, Ani- Universidade de São Paulo (USP). O profes-
bal Mezher, Miguel Perez Navarro, Sergio Pe- sor Klineberg realizou naquela oportunidade
razzo, Wilson Castello de Almeida, Camilla uma exposição sobre as sociedades científicas
Salles Gonçalves, Anna Maria Knobel, Içami nos Estados Unidos, tomando como exemplo
Tiba, Mariângela Wechsler, Carlos Calvente, a American Psychological Association (APA).
Rosa Cukier, Elizabeth Sene Costa, Marília Um grupo de trabalho foi então instituído para
Josefina Marino, Yve e Datner, Ronaldo Pam- elaborar o projeto de estatuto da futura socie-
plona, Carlos Borba, entre outros. Também dade. Assim foi fundada como entidade civil
Zerka Moreno, psicodramatista, viúva de Ja- sem fins lucrativos, com sede na cidade de São
cob Levy Moreno, criador do Psicodrama, é Paulo, posteriormente declarada de utilidade
sócia-honorária da SOPSP. pública pela Lei 3.371, de 06/06/1956, e cujo
endereço atual é avenida Professor Mello Mo-
Referências raes, 1.721, São Paulo – SP. A nova denomina-
CESARINO, A. C. “Brasil 70 – Psicodrama Antes
ção da entidade, aprovada em assembleia dos
e Depois”. In: ALMEIDA, W. C. (Org.). Grupos: a sócios realizada em 13/12/2004, decorreu de
proposta do psicodrama. São Paulo: Ágora, 1999. imposição da Lei 10.406/2002 que aprovou o
novo Código Civil Brasileiro, segundo o qual
SOCIEDADE DE PSICODRAMA DE SÃO PAU-
o nome sociedade é reservado a instituições
LO (SOPSP). Ata de Assembleia Geral. São Paulo:
SOPSP, 15 dez. 1970.
com fins lucrativos, e as antigas sociedades
científicas, sem fins lucrativos, devem ostentar
SOCIEDADE DE PSICODRAMA DE SÃO PAULO o nome associação. Nos termos do estatuto da
(SOPSP). Disponível em: <h p://www.sopsp.org.
entidade, os sócios são admitidos nas seguin-
br/>. Acesso em 25 ago. 2007.
tes categorias: titulares, aspirantes e institucio-
nais. Associado titular é aquele inscrito como
Cassiana Léa do Espírito Santo psicólogo no conselho profissional da catego-

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ria; ou o que tem formação em psicologia no experimentos de laboratório, de pesquisas de


país ou no exterior, mas não está inscrito no campo ou de aplicações práticas da psicolo-
conselho profissional da categoria; ou, ainda, gia. A partir de 1950 e até 1964, inspirada na
o que possui o título de mestre, doutor ou rea- organização da APA, a ASPSP manteve qua-
lizou pós-doutorado na área da psicologia, tro divisões, com a finalidade de congregar
inscrito ou não no conselho profissional da ca- sócios com interesses comuns relativamente
tegoria. Associado aspirante é o que frequenta a diferentes áreas da psicologia. As divisões
regularmente curso de ensino superior de psi- estabelecidas foram as seguintes: I – Psicolo-
cologia em instituição oficial ou reconhecida. gia Teórica e Experimental, Social e da Perso-
Associado institucional é qualquer entidade nalidade; II – Psicologia Educacional; III – Psi-
pública, privada ou pessoa física cuja ativida- copatologia, Psicologia Clínica, Correcional e
de contribua para o progresso da psicologia Higiene Mental; e IV – Psicologia Aplicada ao
como ciência ou como profissão. A finalidade Trabalho e à Indústria. A inscrição nas divi-
geral da ASPSP é a de promover o progresso sões era facultada aos sócios e cada divisão era
da psicologia e defender seu emprego como dirigida por um chefe, geralmente renovado
ciência e como profissão. Para tanto, realiza por ocasião da eleição da diretoria da ASPSP.
cursos, conferências, seminários, simpósios, A partir de 1964, quando começaram a surgir
colóquios, ciclos de palestras, participação em associações destinadas ao cultivo de áreas es-
congressos e mantém intercâmbio científico pecíficas da psicologia, as divisões deixaram
com outras entidades. Na assembleia de fun-
de existir e a ASPSP continuou no seu propó-
dação da entidade (9 de novembro de 1945)
sito eclético de acolher qualquer trabalho de
foi aprovado o estatuto (que seria alterado
valor no vasto campo da ciência psicológica,
em assembleia de 13/12/2004) e eleita uma
não importando a área específica em que pu-
diretoria provisória, composta dos seguintes
desse ser classificado. A ASPSP desempenhou
membros: Roberto Mange, presidente; O o
papel relevante, ao lado da então Associa-
Klineberg, vice-presidente; Annita de Casti-
ção Brasileira dos Psicólogos e das Cátedras
lho e Marcondes Cabral, primeira secretária;
de Psicologia e de Psicologia Educacional da
Mário Wagner Vieira da Cunha, segundo se-
então Faculdade de Filosofia, Ciências e Le-
cretário; Joaquim Machado de Mello Júnior,
primeiro tesoureiro; e João Batista Damasco tras da USP, na campanha junto ao Congres-
Penna, segundo tesoureiro e, a partir de 1946, so Nacional para a regulamentação legal da
vêm sendo eleitas sucessivas diretorias a cada profissão de psicólogo e formação desse pro-
dois anos aproximadamente. Das diretorias fissional em nosso país. A partir dos últimos
têm participado principalmente professores anos da década de 1950, inúmeras reuniões,
de Psicologia da USP e da Pontifícia Univer- coordenadas pela ASPSP, foram realizadas
sidade Católica de São Paulo (PUC-SP), além para a discussão de anteprojetos submetidos
de psicólogos responsáveis pelas aplicações ao Congresso Nacional, que resultaram final-
da psicologia em outras entidades da cidade mente na aprovação da lei 4.119, sancionada a
de São Paulo. Historicamente, cumpre assina- 27/08/1962. Desde setembro de 1949, a ASPSP
lar que vários participantes da ASPSP, como vem publicando ininterruptamente seu ór-
diretores ou como associados, são considera- gão oficial, o Boletim de Psicologia, o qual em
dos pioneiros dos estudos, das pesquisas e das 2005 já alcançava 122 números. Consoante os
aplicações da psicologia em São Paulo e no objetivos da Associação, essa publicação abri-
Brasil. A entidade mantém desde sua funda- ga artigos originais das mais diversas áreas da
ção uma orientação pluralista no tocante aos psicologia, teóricos ou de pesquisas, além de
modelos ou escolas psicológicas, isto é, abriga resumos de conferências, resenhas bibliográ-
quaisquer contribuições de valor, quer sejam ficas, correspondência de caráter científico e
trabalhos teóricos, quer sejam resultantes de notícias de interesse dos associados.

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Referências logia como profissão e ciência e sobre as ati-


ALVES, I. C. B. “Revisão histórica sobre o Boletim vidades próprias e privativas do psicólogo;
da Sociedade de Psicologia”. Boletim de Psicolo- contribuir para o aperfeiçoamento profissio-
gia, v. L, n. 112, p. 1-36, 2000. nal de seus associados; e contribuir para o
CUSTÓDIO, E. M. “A história da Psicologia no Bra- desenvolvimento da psicologia como ciência
sil a partir dos primeiros Boletins da Sociedade de voltada para os interesses das classes menos
Psicologia de São Paulo”. Boletim de Psicologia, v. favorecidas. Na sua origem, a APPA voltou-se
L, n. 112, p. 37-51, 2000.
tanto para questões pertinentes ao exercício
CUSTÓDIO, E. M. “Manhã de festa: cinquentenário da profissão de psicólogo quanto para temas
da SPSP”. Boletim de Psicologia, v. XLVI, n. 104,
culturais e acadêmicos. Contribuiu decisiva-
p. 1-17, 1996.
mente para a criação, em 20 de junho de 1985,
ESTATUTO DA ASSOCIAÇÃO DE PSICOLOGIA
da Associação Profissional dos Psicólogos do
DE SÃO PAULO. Boletim de Psicologia, v. LIV,
n. 120, p. 121-132, 2004. Pará (APPSI), primeira forma de organização
sindical dos psicólogos no Estado do Pará,
MORAIS, S. T. P.; WITTER, G. P. “Sociedade de
Psicologia de São Paulo e Boletim de Psicologia na resultante de encontros regulares do Gru-
perspectiva de alguns de seus diretores”. Boletim po das Terças-Feiras (Grupo Pró-Associação
de Psicologia, v. XLVI, n. 104 p. 43-53, 1996. Profissional de Psicólogos). Com a criação
PÉREZ-RAMOS, A. M. Q.; MORAIS, S. T. P. “As di- da APPSI, as atividades da APPA passaram a
visões da Sociedade de Psicologia de São Paulo: um ter como foco principal os assuntos acadêmi-
legado de reconhecido valor”. Boletim de Psicolo- cos, políticos e culturais, embora sua direção
gia, v. L, n. 112, p. 53-64, 2000. continuasse contribuindo com a construção
de uma organização sindical da categoria no
Arrigo Leonardo Angelini estado. Não foram encontrados registros da
composição da primeira diretoria da APPA e
das diretorias seguintes. Os registros locali-
zados referem-se ao período da diretoria que
„ Associação de Psicologia do Pará (APPA) tomou posse em dezembro de 1984 e dirigiu
(APPA) – 1979-1987 a APPA até sua extinção, em 1987. De 1985 a
1986, a APPA promoveu cursos, palestras e
A Associação de Psicologia do Pará (APPA) outros eventos, além de ter publicado o Bole-
foi uma iniciativa de acadêmicos e profissio- tim da APPA, com periodicidade quase sem-
nais em psicologia no Estado do Pará, no mo- pre trimestral. Em 1986, chegou a formatar o
mento em que começava a se estabelecer ali número 1, volume 0 da publicação Psicologia
a profissão de psicólogo. O primeiro curso de em Revista, apresentada por um prefácio de
graduação em Psicologia no Pará começou a José Carlos Simões Fontes, e que trazia textos
funcionar em 1974, na Universidade Federal acadêmicos de Emmanuel Zagury Tourinho e
do Pará, e foi reconhecido por meio do De- Evenice Santos Chaves, Ernani Pinheiro Cha-
creto 83.857, de 15/08/1979, do Ministério da ves, José Carlos Simões Fontes, Grauben José
Educação. Até o início da década de 1980, Alves de Assis, Audonai Costa Botelho e Tere-
este foi o único curso de graduação em Psi- zinha N. B. Toledo. A revista nunca chegou a
cologia no estado. Os primeiros psicólogos ser impressa e distribuída. De 27 a 31 de maio
formados no Pará fundaram, em 27 de agosto de 1986, a APPA realizou a I Reunião Anual de
de 1979, a APPA. O estatuto da APPA esta- Psicologia, com o tema A Educação Especial e
belecia como objetivos: promover a união de as Instituições Prestadoras de Serviços à Co-
seus associados e a defesa de seus interesses munidade. No ano anterior, havia contribuído
e direitos; promover o desenvolvimento da com a organização da Semana de Psicologia,
psicologia como profissão e como ciência; realizada no período de 9 a 13 de dezembro
esclarecer a comunidade a respeito da psico- de 1985, em conjunto com a APPSI e unida-

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des acadêmicas da Universidade Federal do canalistas Mauricio Knobel e Eduardo Kalina,


Pará e das Faculdades Integradas Colégio Mo- com a participação de Arminda Aberastury,
derno (que havia criado, em 1980, o segundo Leon Grinberg e Arnaldo Rascovsky, que à
curso de graduação em Psicologia no estado). época vinham regularmente ao Brasil minis-
No período da última diretoria (1985-1987), a trar cursos e palestras. A APPIA era composta
APPA chegou a ter 139 sócios. Ao final deste majoritariamente por psicólogos de orienta-
mandato, com alguns membros da diretoria ção psicanalítica, liderados por psicanalistas
já afastados (para cursar pós-graduação fora da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro
do estado ou para tratar de assuntos pessoais), (SPRJ) com apoio dos argentinos menciona-
várias tentativas foram realizadas para desig- dos acima, também ligados à Associação
nar, em assembleia geral, uma nova direto- Psicanalítica Argentina (APA). A APPIA vi-
ria, mas sem sucesso. A esta altura, além da sava a congregar profissionais interessados
APPSI, já começava a funcionar em Belém o em desenvolver e divulgar os conhecimen-
primeiro curso de Mestrado em Psicologia na tos psicanalíticos na área da infância e da
Amazônia, o Curso de Mestrado em Psico- adolescência por meio da promoção de cur-
logia: Teoria e Pesquisa do Comportamento, sos e eventos, sem fins explícitos de forma-
iniciado em 1987, sob a direção de José Carlos ção. Contou com 54 membros fundadores,
Simões Fontes. O curso de graduação em Psi- a maioria psicólogos, além de psicanalistas,
cologia na UFPA encontrava-se dividido em médicos e assistentes sociais. Dentre eles, es-
três departamentos: Departamento de Psicolo- tão os psicanalistas da SPRJ Carlos César Cas-
gia Experimental, Departamento de Psicologia tellar Pinto (primeiro presidente), Fábio Leite
Clínica e Departamento de Psicologia Social e Lobo, Fábio Lacombe, José Ibsen de Almeida,
Escolar. A última diretoria da APPA foi inte- Wilson Chebabi, Eduardo Mascarenhas, Clo-
grada por Solange Calcagno, Marcelo Baptista, doaldo Frison, Nylde Ribeiro, Luiz Antonio
Elyeda Pessoa, Emmanuel Tourinho e Isabel Telles de Miranda, Ana Maria Mourão, Anna
Florentino. Guelerman Ramos, Carlos Antonio Garrido
Pereira e Ubirajara Pessoa Guerra. Entre os
psicólogos, incluem-se Ana Lucia Mascare-
Emmanuel Zagury Tourinho nhas, Ângela Podkameni, Beatriz Verschoore,
Simone Neno Carmen Lent, Célia Damasceno, Clara Helena
Portella Nunes, Inez Farah, José Inácio Paren-
te, Marci Vaz de Carvalho, Maria Anita Ribei-
ro, Maria Elisa Delecave, Maria Imelde Farah,
„ Associação de Psiquiatria e Psicologia
Maria Regina Moraes, Mary Kleinman, Narci-
da Infância e da Adolescência (APPIA) –
so Teixeira, Nilza Ericson, Paulo Sergio Lima
1972-1982
e Silva, Pedro Américo Corrêa e Therezinha
Lins de Albuquerque. Estes psicólogos são
Associação de natureza privada, sem fins hoje, em sua maioria, psicanalistas reconhe-
lucrativos, mantida por seus membros filiados, cidos. A instituição era representada por uma
de caráter científico multidisciplinar, voltada à diretoria e promovia cursos, eventos e semi-
área da infância e adolescência, foi fundada em nários, não se caracterizando estatutariamen-
31 de janeiro de 1972 no contexto do movimen- te, contudo, como formadora. Seu público era
to dos trabalhadores de saúde mental. Recebeu composto predominantemente por psicólo-
forte influência do movimento argentino, que gos que buscavam uma forma de associação
havia organizado uma instituição em moldes profissional e de formação, incluindo também
semelhantes em 1970, a Associação Argentina outros profissionais da área de saúde mental.
de Psiquiatria e Psicologia da Infância e da Segundo dados de 1976, a APPIA chegou a ter
Adolescência (ASAPPIA), liderada pelos psi- cerca de mil membros associados e promovia

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eventos de grande porte, sempre abertos ao Referências


público. Contou com boletins de circulação ASSOCIAÇÃO DE PSIQUIATRIA E PSICOLOGIA
interna e com uma publicação trimestral, Re- DA INFÂNCIA E DA ADOLESCÊNCIA. Relatório
vista da APPIA, cujo primeiro volume foi pu- de avaliação do I Congresso Brasileiro de Psicopa-
blicado em 1975. No ano seguinte, a revista tologia Infanto Juvenil. Rio de Janeiro, 1972. Mimeo.
publicou artigos de autores brasileiros con- ASSOCIAÇÃO DE PSIQUIATRIA E PSICOLOGIA
ceituados, de áreas como antropologia, socio- DA INFÂNCIA E DA ADOLESCÊNCIA. Boletins
logia e letras, como Gilberto Velho e Antonio da APPIA. Rio de Janeiro: circulação interna, maio
Houaiss, e também de psicanalistas argenti- 1975 – abr. 1982.
nos, como Hector Fiorini, Armando Barrigue- REVISTA ARGENTINA DE PSIQUIATRIA Y PSI-
te, Rodolfo Bohoslavsky e Raul Usandivaras. COLOGIA DE LA INFÂNCIA E DE LA ADOLES-
No período compreendido entre 1972 e 1976, CÊNCIA, ano 1, n. 3-4, Buenos Aires: ASAPPIA/
época de ouro da associação, foram promovi- Paidós, 1970.
dos dois grandes congressos. O primeiro, em REVISTA ARGENTINA DE PSIQUIATRIA Y PSI-
1972, com o tema “a situação da psicoterapia COLOGIA DE LA INFÂNCIA E DE LA ADOLES-
infantojuvenil no Brasil”, contou com a parti- CÊNCIA, ano 3, n. 1, Buenos Aires: ASAPPIA/Pai-
cipação de cerca de 2 mil pessoas; e o segun- dós, jun. 1972.
do, em 1976, teve três temas-eixo: formação FIGUEIREDO, A. C. Estratégias de difusão do mo-
de profissionais em saúde mental; aspectos vimento psicanalítico no Rio de Janeiro – 1970/
preventivos em psicoterapia com crianças, 1983. Dissertação (Mestrado em Psicologia). Ponti-
adolescentes e famílias; organização das insti- fícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio
tuições para uma psiquiatria comunitária. de Janeiro, 1984.
Este segundo congresso também contou com
cerca de 2 mil participantes e teve, inclusive, Ana Cristina Costa de Figueiredo
repercussão na imprensa da época. A APPIA
cumpriu por certo período uma finalidade
de formação, ainda que assistemática, e foi
referência central para os psicólogos e psica- „ Associação Milton Campos para o
nalistas brasileiros e latino-americanos mais Desenvolvimento das Vocações (ADAV)
progressistas, interessados em ampliar os – 1973-
espaços de intervenção psicológica, em espe-
cial na área da infância e adolescência. Além
disso, funcionou como uma espécie de sede A ADAV foi registrada no Cartório Jero
profissional para os psicólogos, o que possi- Oliveira, sob o número de ordem 24.035, no
bilitou uma maior organização da categoria dia 27 de julho de 1973, como associação civil,
em torno de um projeto interdisciplinar na de caráter não lucrativo, de duração ilimitada,
saúde mental. A APPIA foi uma incubadora com sede no município de Ibirité-MG, na Fa-
de outras instituições, que já se constituíram zenda do Rosário. Considerada a obra caçula
numa perspectiva definida de formação em da psicóloga e educadora Helena Antipoff, a
psicanálise, primordialmente para os psi- ADAV propõe-se a orientar e a oferecer condi-
cólogos, como o Instituto Brasileiro de Psi- ções para o desenvolvimento integral da crian-
canálise, Grupos e Instituições (IBRAPSI), a ça e do jovem bem-dotados, ou seja, daqueles
Sociedade de Estudos Psicanalíticos Latino- que têm capacidade e potencial superior em
Americanos (SEPLA), o Instituto Freudiano relação à média da população, nas diversas
de Psicanálise (IFP), a Letra Freudiana e ou- habilidades humanas. A necessidade de uma
tros. Por esse mesmo motivo, a associação atenção especializada aos bem-dotados vinha
entrou em declínio e fechou suas portas em sendo abordada por Helena Antipoff desde a
dezembro de 1982. década de 1930, estando prevista, inclusive,

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nos estatutos da Sociedade Pestalozzi. Entre- dual ou grupal; motivá-lo para que seja o bom
tanto, parece que a urgência do atendimento fermento no meio em que voltar a viver mais
às crianças então consideradas deficientes fez tarde; dar-lhe condições para a escolha de um
com que suas ideias nesse sentido não fossem caminho certo, livre de pressões, de elemen-
operacionalizadas de imediato. Em 1971, no tos corruptos, com possibilidade de liderança;
entanto, após participar do Seminário Nacional elaborar e manter cursos de treinamento de
para a Educação de Superdotados realizado pessoal especializado e estágios permanentes,
em Brasília, Helena Antipoff decidiu concre- aprimorando-se as técnicas de estudo global
tizar, na Fazenda do Rosário, um projeto em do bem-dotado e conservando-se a instituição
prol dos bem-dotados e talentosos. Este come- como um campo livre aos interessados no pro-
çou a ser implementado em agosto de 1972, gresso da ciência, da educação e do bem-estar
sob a forma de colônias de férias, e recebeu social; estudar a problemática do bem-dotado
o nome de CIRCULA (Civilização Rural, Cul- por meio da pesquisa científica, abrangendo
tura e Lazer). Logo em seguida, a partir do o campo genético, mesológico, psicopedagó-
empenho de diversos colaboradores, nasceu gico etc; planejar e proporcionar a constante
a ADAV que, através do CIRCULA, propu- sensibilização da sociedade em conferências,
nha-se a oferecer a jovens bem-dotados um seminários, encontros, congressos, aprovei-
ambiente físico, educativo, cultural e social tando-se também dos recursos atuais de tele-
que os estimulasse e propiciasse o desenvol- comunicação, jornais e revistas; divulgar, pelo
vimento de sua personalidade. A primeira órgão oficial da instituição, suas atividades e
diretoria da ADAV foi composta por Helena interligação com organizações congêneres na-
Antipoff (presidente de honra), Caio Benja- cionais e estrangeiras. Um balanço das ativida-
min Martins (presidente), Francisco de Assis des realizadas pela ADAV nos seus primeiros
Magalhães Gomes e José Maria de Álkmim dez anos de existência foi publicado na obra
(vice-presidentes), Hélio Durães de Alkimim Dez anos em prol do bem-dotado. Dentre estas
e Maria Alves Teixeira (secretários), Ademar atividades, merecem destaque as conferências
de Carvalho Barbosa e Raul de Castilho Filho promovidas para divulgar as experiências de
(tesoureiros) e Olga Campos Simão e Maria trabalho da ADAV e aspectos da educação
Glecy Pimentel Dias (coordenadores de rela- dos bem-dotados, cursos de aperfeiçoamento
ções-públicas). Os objetivos iniciais da ADAV, e atualização pedagógica, tendo como temá-
explícitos em seus estatutos, eram os seguin- tica a educação dos bem-dotados e os encon-
tes: identificar o bem-dotado; estudar os fato- tros de bem-dotados promovidos pelo CIR-
res hereditários da superdotação; estudar seu CULA. Nos anos de 1977 e 1983 foram feitos,
meio familiar, social e escolar; proporcionar- utilizando-se de questionários, levantamen-
lhe ambientes sadios, sugestivos à manifes- tos do perfil dos jovens que participaram dos
tação de sua personalidade, de seus anseios, encontros de bem-dotados. Os seguintes itens
suas angústias, bem como o desenvolvimen- foram abordados: nível de escolaridade, saú-
to de sua vocação; oferecer-lhe condições de de, interesses perante jornais e TV, liderança,
concretizar sua vocação, proporcionando-lhe profissão dos pais e nível cultural dos pais.
liberdade orientada, num meio ambiente pro- Os resultados desses levantamentos foram
pício e com material variado para sua criativi- relatados por Daniel Antipoff na obra acima
dade; colocá-lo em contato com associações citada.
e grêmios esportivos, artísticos, científicos,
comunitários, religiosos, com o escotismo e Referências
com a natureza; preservar-lhe a saúde física, ALKMIM, H. D. “A escola ativa ensaiada na educa-
mental, moral, espiritual e social, dando-lhe ção dos bem-dotados”. Boletim do CDPHA, Ibirité-
condições de vida feliz e construtiva, indivi- MG, n. 8, p. 35-37, 1988.

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ALKMIM, H. D. “O que é a ADAV?” In: ASSOCIA- tivamente em 1982. Eram preocupações das
ÇÃO MILTON CAMPOS. Dez anos em prol do agências: a) estabelecer diretrizes para discus-
bem-dotado. Brasília: MEC; Belo Horizonte: ADAV, são das tendências da área; b) discutir melhor
Imprensa Oficial, 1984. distribuição das áreas de concentração dos
ANTIPOFF, D. “Dados Complementares sobre o programas pelas diferentes regiões do país,
bem-dotado da ADAV”. In: ASSOCIAÇÃO MIL- evitando duplicações; c) organizar uma repre-
TON CAMPOS. Dez anos em prol do bem-dotado. sentatividade que facilitasse a comunicação
Brasília: MEC; Belo Horizonte: ADAV, Imprensa
entre os órgãos de fomento e a comunidade
Oficial, 1984.
científica da psicologia no sentido de discutir
ESTATUTO DA ADAV. In: ASSOCIAÇÃO MIL-
e por em prática as diretrizes pensadas para a
TON CAMPOS. Dez anos em prol do bem-dotado.
área. Do ponto de vista dos programas, a dis-
Brasília: MEC; Belo Horizonte: ADAV, Imprensa
Oficial, 1984. cussão e o estabelecimento de tais diretrizes e
de representação junto aos órgãos de fomento
GUENTHER, Z. C. “Helena Antipoff e a sua preo-
certamente facilitariam a melhor compreensão
cupação com os bem-dotados”. In: ASSOCIAÇÃO
MILTON CAMPOS. Dez anos em prol do bem- das especificidades e necessidades da área, e
dotado. Brasília: MEC; Belo Horizonte: ADAV, Im- permitiriam uma participação mais ativa nos
prensa Oficial, 1984. processos de análise e julgamento de pedidos
de auxílio no país e exterior, bem como na no-
Érika Lourenço
meação de seus representantes nas comissões
de avaliação e consultoria ad hoc. Ao ser cria-
Regina Helena de Freitas Campos
da, em 1982, constituiu-se uma comissão de
estatuto, a ser apresentado para discussão na
35ª Reunião da SBPC, em Belém do Pará, em
„ Associação Nacional de Pesquisa julho de 1983. Os estatutos, no entanto, só fo-
e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP) ram aprovados em outubro do mesmo ano, na
– 1980- reunião da Sociedade de Psicologia de Ribei-
rão Preto, sendo escolhida a seguinte diretoria
pro-tempore: presidente – Maria Amélia Ma os
É de 1980, no CNPq, a proposta de asso-
(USP); tesoureira – Ana Lúcia Dias Schlieman
ciações nacionais que reunissem programas
(UFPE); secretário – Timothy Mulholhand
de pós-graduação, principalmente na então
(UnB). Formal e legalmente estabelecida, os
Grande Área de Ciências Humanas e Sociais,
objetivos da ANPEPP foram assim definidos:
tida por muitos como a área mais desorgani-
zada do sistema. Chamada a participar, Caro- a) incentivo à formação de pesquisadores em
lina Martuscelli Bori, assessora no CNPq para psicologia e o desenvolvimento de pesquisas
essa grande área, levou a ideia para os coor- na área; b) defesa dos interesses e promoção
denadores de programas da área da psicolo- dos cursos e programas de pós-graduação
gia. Para os 19 programas existentes naquele em psicologia no país; c) divulgação dos tra-
momento, justificava-se a criação de uma en- balhos científicos produzidos em encontros,
tidade associativa, com base na avaliação que seminários, congressos e reuniões de interesse
constatava uma pulverização das pesquisas para a psicologia; d) promoção de intercâmbio
realizadas na área, caracterizada por grande e cooperação entre centros de pesquisa e seus
variedade de temas, nem sempre levando em pesquisadores e a proposta de medidas de
conta sua relevância social para o desenvol- apoio e incentivo a entidades filiadas. A pri-
vimento da área ou do país. Assim, gestada meira tarefa da ANPEPP foi mapear a situação
ao longo de 1981 entre os coordenadores de dos programas de pós-graduação; para tanto,
programas de pós-graduação e gestores da quatro comissões foram constituídas, visando:
CAPES e do CNPq, a ANPEPP foi criada efe- a) levantar os temas pesquisados e a produ-

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ção científica: a cargo de Rosa Maria Macedo nização do II Simpósio de Pesquisa e Inter-
e Maria Amélia Ma os, com apoio do CNPq; câmbio Científico, realizado em Gramado-
b) discutir os documentos sobre projetos e li- RS, em 1989. Neste se reafirmou a utilidade e
nhas de pesquisa elaborados pelos programas, relevância do cumprimento dos objetivos da
a cargo de João Cláudio Todorov; c) analisar a associação para o desenvolvimento da psico-
elaboração de teses e dissertações em psicolo- logia no país. Pela primeira vez constituíram-
gia, a cargo do doutor Sérgio Luna; d) discutir se os grupos de trabalho como formato básico
a avaliação da pós-graduação em psicologia da metodologia dos encontros, ao lado dos
pela CAPES, a cargo da doutora Ana Lúcia simpósios, para discutir aspectos da política
Schlieman. Em junho de 1984, por ocasião da e das metas do pós-graduação em psicologia
III Reunião da ANPEPP, os resultados desses no país. No simpósio seguinte, ocorrido em
trabalhos foram discutidos e, com a eleição da Águas de São Pedro-SP, em 1990, estabeleceu-
primeira diretoria estatutária, a Associação se nova periodicidade: atendendo sobretudo
Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação se con- a uma sugestão da CAPES e do CNPq, que
solidou. A primeira presidente eleita foi Caro- assim teriam maior possibilidade de fornecer
lina Martuscelli Bori, grande incentivadora, apoio financeiro para viabilizá-los, passaram,
de liderança incontestável na mobilização dos então, a ser bienais. Além desses dois órgãos
programas de pós-graduação em Psicologia; federais, a ANPEPP já contou com auxílio
visava levar a Psicologia ao mesmo nível de da FINEP e de órgãos estaduais de auxílio à
reconhecimento e respeito das outras áreas pesquisa como FAPESP, FAPEMIG, FAPERJ,
da ciência já consolidadas. De 1984 a 1987 FAPERGS. Hoje, os simpósios são abertos à
trabalhou-se no aperfeiçoamento dos cursos inscrição de grupos de trabalho de todos os
e programas de pós-graduação organizados programas credenciados, podendo receber
em torno de linhas de pesquisa segundo os professores pesquisadores de outros progra-
critérios de avaliação da CAPES, procurando mas e instituições de pesquisa, bem como alu-
adequar melhor as linhas às áreas de concen- nos de pós-graduação envolvidos nos grupos
tração dos programas. O ano de 1988 foi um de trabalho. Em 1989 os GT eram 11, em 1994
marco na história da ANPEPP. Por iniciativa eram 20 e hoje já são mais de 50, numa clara
de Ana Lúcia Schlieman, participante da di- demonstração de quão eficazmente eles têm
retoria, realizou-se em Caruaru-PE, o I Sim- contribuído para o fortalecimento da associa-
pósio de Pesquisa e Intercâmbio Científico ção e estimulado o desenvolvimento da pes-
da ANPEPP, na gestão de Aroldo Rodrigues. quisa. Na divulgação dos trabalhos realizados
A avaliação desse encontro comprovou a ne- pelos GTs, a associação publicou alguns Cader-
cessidade de uma organização para promover nos da Anpepp, com relação de pesquisas em
o desenvolvimento da área da psicologia, a andamento nos programas e sobre resultados
fim de competir com as demais áreas das ciên- de GT, como o organizado por Gomes e Rosa,
cias com programas de pós-graduação. Obte- publicado com o título Divulgação de pesquisas
ve-se, com base nisso, a informação do quanto em psicologia no Brasil, em 1992, pela Editora
era incipiente a pesquisa em psicologia: dos IMS, de São Bernado do Campo-SP. Em 1996,
programas existentes, apenas 25% possuíam a diretoria propôs e apoiou financeiramente a
linha de pesquisa consolidada, com resulta- realização de um conjunto de livros: as Coletâ-
dos significativos e divulgados no país e no neas ANPEPP, com os temas discutidos pelos
exterior; 25% estavam implantando ou tentan- GTs no VI Simpósio de Pesquisa e Intercâm-
do consolidar linhas de pesquisa e 50% não bio Científico, realizado de 22 a 25 de maio,
tinham definido ou implantado suas linhas em Teresópolis-RJ. Foram então publicados,
de pesquisa. O conhecimento dessa realidade 16 tomos, envolvendo 19 grupos. Em 2004, os
serviu de incentivo e parâmetro para a orga- simpósios incluíram uma nova atividade: os

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fóruns de discussão, oportunidade para en- mantido pelo governo do estado até a data de
contro dos pesquisadores e debate de temas 03/01/1891, passou a ser gerenciado pela San-
gerais de interesse para políticas da área, tais ta Casa de Misericórdia da Paraíba, por meio
como: política científica, produção e publica- de uma portaria assinada pelo governador
ção, relação graduação/pós-graduação, ética Venâncio Augusto de Magalhães Neiva. Em
na pesquisa em psicologia. O aprofundamento 13/12/1892, o governador Álvaro Lopes Ma-
das relações entre os pesquisadores, o inter- chado promulgou uma lei estadual doando
câmbio de experiências, a constatação de in- para a Santa Casa de Misericórdia o domínio
teresses comuns de pesquisa têm dado opor- útil do Sítio Cruz do Peixe, incluindo o Asylo
tunidade para o surgimento de novos projetos de Sant’Anna, que já vinha sendo administra-
e parcerias, promovendo a cooperação entre do pela Santa Casa. Até o ano de 1910, no seu
centros de pesquisa e pesquisadores e assim, corpo de funcionários havia apenas relatos da
recursivamente, ampliando e fortalecendo a existência de médicos clínicos e de práticos
ANPEPP. em enfermagem. Em 01/02/1910, o psiquiatra
Octávio Ferreira Soares começou a trabalhar
voluntariamente no ASA, tornando-se então
Referência um personagem de grande relevância dentro
GUEDES, M. C. Para uma história da ANPEPP. desta instituição. Não foi possível encontrar
Disponível em: <h p://www.anpepp.org.br/histori- referências a publicações institucionais, assim
co.html#Para%20uma%20história%20da%20>. como eventos promovidos pela instituição,
Acesso em: 10 maio 2008. o estatuto e sua estrutura funcional. Seu es-
paço físico era constituído por um pavilhão
Rosa Maria Stefanini de Macedo do lado nascente rodeado por alpendres,
com teto baixo, com mais ou menos 30 m² de
área coberta, com 12 celas escuras (seis para
homens e seis para mulheres), sem ventila-
„ Asylo de Sant’Anna (ASA) – 1889-1928
ção, com portas pesadas e grades em cruz,
Hospital dos Variolosos (HV) – 1878-1889 por onde, através de uma pequena abertu-
Colégio dos Artífices (CA) – [s.d.] ra, se passavam aos internos medicamentos
e alimentos. Nos pisos das celas, orifícios de
fossas serviam de sanitários. Até 1910 o ASA
Instituição de natureza pública, localiza-
funcionou exclusivamente como depósito de
da no Sítio do Cruz do Peixe, instalada no doentes mentais, sem tratamento adequado,
segundo pavilhão do Hospital da Cruz do utilizando como recurso apenas o isolamento
Peixe, na cidade de João Pessoa-PB. Sua cria- social. A história dessa instituição remete às
ção se deu em meados de 1878, com o surto formas de exclusão e violência a que foram
de varíola, quando o CA foi transformado em secularmente submetidos os doentes mentais.
HV, passando depois a abrigar todas as pes- Relatar essas experiências é um meio de re-
soas marginalizadas socialmente e doentes tratar a forma desumana como inicialmente
de muitas endemias. Com a seca de 1877-79, eram tratados os pacientes acometidos de
muitas pessoas começaram a apresentar trans- transtornos mentais.
tornos mentais, devido aos grandes proble-
mas sociais que ela trouxe, sendo gradativa-
Referência
mente encaminhadas para esse hospital, que
com o fim da Monarquia (1889) recebeu um SILVA FILHO, E. B. da. História da Psiquiatria na
pavilhão chamado Asylo de Sant’Anna, cujo Paraíba. João Pessoa: Santa Clara, 1998.
objetivo era oferecer tratamento psiquiátri-
co aos doentes mentais. Fundado, dirigido e Maria do Socorro Brito

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„ Atheneu Norte-Rio-grandense – 1858- terminado pelos exames de admissão das fa-


culdades, principalmente de Direito e Medici-
na. Posteriormente, a partir da década de 1930,
Primeiro colégio brasileiro, foi criado pelo
o Atheneu foi transformado em um colégio de
presidente provincial Basílio Quaresma pela
ensino secundário, tendo como consequência
lei 30, de 30/03/1835, sendo inaugurado no
dia 1º de março de 1858. Embora tenha sido a retirada das disciplinas psicológicas de seu
criado durante o Império, o Atheneu passou currículo. Grandes intelectuais potiguares en-
a ter uma significativa importância na forma- sinaram nessa instituição, como José Augusto
ção cultural e política da elite natalense com Medeiros (educador representante do movi-
o advento da República. A primeira inserção mento da escola nova), Câmara Cascudo (his-
do discurso psicológico no Atheneu ocorreria toriador e folclorista) e padre Monte, pioneiro
em 1911, mediante o Decreto 250, que refor- no estudo da obra de Freud no Rio Grande do
mulou o sistema de ensino do estado. O novo Norte. Atualmente o Atheneu é uma escola
regimento do Atheneu, publicado com o de- pública de ensino médio, sem possuir vínculo
creto supramencionado, instituiu a disciplina com a psicologia.
Lógica e Phisyo-Psychologia. Esta disciplina
expressava a dificuldade da psicologia de se Referências
diferenciar de suas duas fontes: a filosofia e BARROS, E. C. Atheneu Norte-Rio-grandense:
a fisiologia. A disciplina Psicologia, Lógica e práticas culturais e a formação de uma identidade
História da Filosofia foi instituída no Atheneu (1892-1924). Tese (Doutorado em Educação, His-
pela lei 395, de 16/12/1915. Floriano Cavalcan- tória e Filosofia da Educação). PUC-SP, São Paulo,
ti, jurista formado na Faculdade de Direito 2000.
de Recife em 1918, seria o primeiro professor CARVALHO, D. B. A cidade e a alma reinventadas:
dessa disciplina. A presença da psicologia no modernização urbana e a consolidação acadêmica
Atheneu era muito mais teórica do que prá- e profissional da Psicologia na cidade de Natal –
tica. Apesar de a psicologia experimental ser Rio Grande do Norte. Dissertação (Mestrado em
o conhecimento predominante, sua presença Psicologia.) UFRN, Natal, 2001.
deveria complementar a análise de outros co- CARVALHO, D. B.; SEIXAS, P. S.; YAMAMOTO,
nhecimentos, sobretudo o filosófico. Este fato O. Y. Modernização urbana e a consolidação da
não era injustificado, pois o Atheneu seguia Psicologia em Natal – Rio Grande do Norte. Psicol.
uma lógica utilitarista da educação, imposta Estud., Maringá, v. 7, n. 1, p. 131-141, 2002.
desde a reforma do ensino secundário, em
1908. O currículo do ginásio potiguar era de- Denis de Carvalho

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„ Casa das Palmeiras – 1956- Centro Psiquiátrico, sendo rejeitada. A partir daí,
Nise da Silveira pensou em criar uma institui-
ção em local extra-hospitalar. Maria Stela Braga
Instituição de natureza filantrópica, assis-
a apresentou à educadora Alzira Lopes Côrtes,
tencial e de formação, foi fundada no dia 23 de
dona do Instituto La-Faye e, que, imediatamen-
dezembro de 1956, por Nise da Silveira (psiquia-
tra), Maria Stela Braga (psiquiatra), Belah Paes te, cedeu um andar de um casarão na rua Had-
Leme (cenógrafa) e Lygia Loureiro da Cruz (as- dock Lobo, na Tijuca. Como na frente do casarão
sistente social), com o objetivo de superar o re- havia palmeiras imperiais e não se queria asso-
corrente problema das reinternações psiquiátri- ciar a instituição a algum nome que lembrasse
cas. Possui como público-alvo pessoas egressas os tratamentos psiquiátricos, a artista Belah Paes
de instituições psiquiátricas e pessoas em rela- Leme sugeriu o nome Casa das Palmeiras. Des-
ção às quais se quer evitar a primeira internação. de sua fundação até os dias atuais, a Casa das
A primeira diretoria foi constituída por Alzira Palmeiras funciona de segunda a sexta-feira, das
Lopes Côrtes (presidente), Nise da Silveira (di- 13h às 17h30, sempre com as portas abertas. O
retora técnica) e Lygia Loureiro da Cruz (direto- método de tratamento utilizado é a terapêutica
ra administrativa). Possui como mantenedores ocupacional, enfatizando-se as atividades de
seus sócios e, eventualmente, instituições que cunho expressivo como pintura, modelagem,
apoiam projetos específicos. Seu endereço atual xilogravura, teatro, música, poesia, dentre ou-
é rua Sorocaba, 800, Botafogo, Rio de Janeiro-RJ. tras. De acordo com Nise da Silveira, mesmo
Em 1944 Nise da Silveira foi trabalhar no Centro atividades de cunho pragmático, como a marce-
Psiquiátrico Nacional (atual Instituto Municipal naria, podem ser consideradas expressivas des-
de Assistência à Saúde Nise da Silveira) e ficou de que seja observada a maneira como o cliente
impressionada com o alto índice de reinterna- lida com os materiais de trabalho. Na Casa das
ções. Estas seriam um indício de que havia algo Palmeiras, tanto terapeutas quanto clientes têm
de errado no conjunto do tratamento. Pensou, a oportunidade de se expressar através das inú-
então, em uma instituição que funcionasse como meras atividades oferecidas e de manipular os
uma espécie de ponte entre o hospital e o retorno materiais aí encontrados. O contato com esses
à sociedade. A proposta foi levada ao diretor do materiais (argila, papel, tinta, madeira, lã, gesso)

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e suas variadas densidades (duro, mole, áspero, A Casa das Palmeiras conseguiu reverter de
liso, seco, molhado) serve de estímulo para que maneira significativa os altos índices de reinter-
a imaginação encontre um ponto de apoio numa nação de seus frequentadores, servindo de re-
imagem privilegiada. A emoção de lidar, expres- ferência para a criação dos Centros de Atenção
são que tão bem alude ao sentimento que vem Psicossocial (CAPS), como principal dispositivo
à tona quando se entra em contato com um de- de tratamento no campo da saúde mental nos
terminado material de trabalho, foi cunhada por dias atuais.
um dos frequentadores da Casa das Palmeiras
que, após fazer um gato de lã, escreveu a seguin-
Referências
te poesia: “Gato, simplesmente angorá do mato
/ Azul olhos, nariz cinza / Gato marrom / Orelha DELGADO, P. “Ponto de vista”. Revista da Saúde:
castanho, macho / Agora rapidez / Emoção de o Brasil falando como quer ser tratado, ano II, n. 2,
Lidar”. A pessoa que passa a viver o interminá- dez. 2001.
vel ciclo de reinternações encontra-se apartada FREIRE, M. “A miséria do hospital”. In: LUCCHE-
do convívio social e, quando passa a frequentar SI, M. (Org.). Artaud: a nostalgia do mais. Rio de
a Casa das Palmeiras, tem aberta a oportunida- Janeiro: Numen, 1989.
de de circulação pelo espaço urbano, ocorrendo GULLAR, F. Nise da Silveira: uma psiquiatra re-
uma intensificação das trocas afetivas, além de belde. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1996.
ser estimulada à liberdade para expor ideias e MELO, W. Nise da Silveira. Rio de Janeiro: Imago;
sentimentos. Muda-se, desta forma, a concepção Brasília: Conselho Federal de Psicologia, 2001.
de uma doença que precisa ser controlada à for- MELO, W. Ninguém vai sozinho ao paraíso: o per-
ça para a possibilidade de expressão do ser. Ao curso de Nise da Silveira na Psiquiatria do Brasil.
contrário de tentar uniformizar as pessoas em Tese (Doutorado em Psicologia Social). Universida-
padrões de comportamento e em maneiras de de do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2005.
sentir, passa-se a estimular a diversidade e são
PITTA, A. “Cuidado de Psicótico”. In: GOLDBERG,
valorizados os inumeráveis estados do ser. As
J. Clínica da Psicose: um projeto na rede pública.
funções da equipe técnica da Casa das Palmei-
Rio de Janeiro: Te Corá, 1994.
ras são: receber o cliente e proporcionar-lhe um
ambiente afetivo; acompanhar a série de ima- SILVEIRA, N. da. Teoria e prática da T.O. Rio de
gens do inconsciente produzida nas diversas Janeiro: Casa das Palmeiras, 1979.
modalidades de atividades expressivas; e per- SILVEIRA, N. da. Imagens do inconsciente. Rio de
manecer atenta às pontes que o cliente lança em Janeiro: Alhambra, 1981.
direção ao mundo externo, dando-lhe apoio no SILVEIRA, N. da. Casa das Palmeiras: a emoção de
momento oportuno. O terapeuta funciona, por- lidar. Rio de Janeiro: Alhambra, 1986.
tanto, como um afeto catalisador, e as atividades SILVEIRA, N. da. O mundo das imagens. São Pau-
expressivas são os principais instrumentos para lo: Ática, 1992.
a reabilitação do indivíduo para a comunidade.
Desde o início de seu funcionamento a Casa das
Palmeiras contou com a colaboração de inú- Walter Melo
meros profissionais, estagiários e voluntários,
dentre os quais podemos destacar a psiquiatra
Alice Marques dos Santos e a cozinheira Maria
„ Casa de Saúde Ana Nery – 1966-2006
Senhoria. Alice Marques dos Santos foi a mais
constante companheira de Nise da Silveira e,
de 1962 até 1997, ano de sua morte, ocupou o A Casa de Saúde Ana Nery localizava-se na
cargo de vice-presidente da Casa das Palmeiras. praça da Liberdade, no largo da Soledade, 14,
Maria Senhoria exerce há décadas a função de em Salvador-BA. Esta instituição foi fundada
cozinheira e, até hoje, é a principal referência em 1964 e inaugurada em março de 1966, sob a
para os frequentadores da Casa das Palmeiras. direção de Adilson Peixoto Sampaio, no intuito

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de atender ao aumento da demanda por aten- „ Casa de Saúde Dr. Eiras – 19??-2004
dimento em saúde mental. Foi criada e manti- Casa de Convalescença Dr. Eiras – 1865-19??
da pelos Serviços Médicos Cirúrgicos da Bahia
S. A., sociedade que também havia fundado o
Sanatório Bahia e o Hospital Santa Mônica, 22 Primeiro hospital psiquiátrico privado bra-
anos antes. A instituição era de natureza priva- sileiro, localizava-se na antiga residência do
da e objetivava, além da assistência psiquiátrica, Marquês de Olinda, em Botafogo, Rio de Ja-
proporcionar um espaço de ensino e aprendi- neiro, onde anteriormente funcionava a Casa
zagem para estudantes interessados na área. de Saúde Dr. Peixoto. Em 1865 Manoel Joa-
Ocorria, sempre, uma reunião semanal de todo quim Fernandes Eiras, médico pernambuca-
o corpo clínico para a discussão de casos. Estu- no, comprou a Casa de Saúde e denominou-a
dantes de psiquiatria e, posteriormente, estu- Casa de Convalescença Dr. Eiras. Em material
publicitário da época há também referência
dantes de psicologia podiam participar destas
ao estabelecimento como Casa de Saúde do
reuniões, bem como acompanhar o cotidiano
Dr. Eiras, sendo difícil precisar quando rece-
da instituição. O público era, em sua maioria,
beu este nome. Manoel Eiras começara sua
constituído de pacientes particulares, da Pre-
carreira como clínico geral e só mais tarde
vidência Social e conveniados a outras institui-
veio a dedicar-se à assistência aos alienados.
ções. A estrutura era composta de um alojamen-
Em 1864 já anunciava em jornais e revistas a
to com 130 leitos (que foi expandido para mais
existência de banhos e quartos especiais para
de 200), área de lazer (salão de jogos e campo alienados na sua antiga clínica, a Casa Im-
de futebol, por exemplo), lavanderia, refeitório perial de Saúde e de Convalescença. Com o
e salas da diretoria, administração e respectivos hospital incorporado como dispositivo para
serviços constituintes do corpo clínico. O se- lidar com os fenômenos de saúde/doença e a
gundo diretor, Gabriel Cedraz Nery, implantou destinação quase exclusiva dos leitos existen-
algumas mudanças no estabelecimento no pe- tes para as populações pobres, observa-se a
ríodo em que exerceu essa função, entre 1967 e criação de clínicas privadas voltadas para os
1973. A psiquiatria comunitária foi um exemplo que podiam pagar. A Casa de Saúde Dr. Eiras
de tais transformações, assim como a inserção foi criada, portanto, em um momento inicial
de atividades ligadas ao teatro, ao candomblé, de institucionalização do alienismo, que se
e comemorações dos aniversários e celebrações afirmou efetivamente com o advento da Re-
de festas populares. No final da gestão de Nery pública. Após a morte do fundador, assumiu a
foi criado o periódico Ensaios, com edições nos direção seu filho, o médico Carlos Fernandes
anos de 1972 e 1973. Não temos dados sólidos Eiras. Em 1920, este vende a casa ao enteado e
sobre as gestões a partir de 1973; entretanto, colaborador, o psiquiatra Waldemar da Ponte
muitos nomes foram citados como personagens Ribeiro Schiller. Em 1940, com o falecimento
relevantes, envolvidos na história da institui- do último, assume a gestão seu filho Maurício
ção: Alípio Castelo Branco Pinheiro, Aurélio Brandon Schiller que, em 1943, vende a casa a
Souza, Aziz Abdala Mujaes, Eduardo Saback, um grupo de médicos, do qual faz parte Leo-
Irineu Fileto Gomes, Manoel Hybernom Guer- nel Tavares Miranda de Albuquerque. Este
reiro, Maria Eugênia Nery, Rosa Garcia e Sílio acabou por assumi-la integralmente com o
Nascimento de Andrade. falecimento ou afastamento dos sócios. Nessa
época, ocorreu uma mudança no perfil assis-
Referência tencial brasileiro: os hospitais públicos pas-
saram a ser destinados aos que não possuíam
NERY, G. C. Entrevista concedida a Diogo Esme-
vínculo com a Previdência Social e o Estado
raldo Cavalcanti. Salvador, 15 ago. 2007.
contratava leitos privados para os previden-
ciários. O processo foi intensificado com o gol-
Diogo Esmeraldo Cavalcanti pe militar de 1964 e, particularmente, com a

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nomeação de Leonel Miranda como Ministro Mercedes Gross Miranda, também médica,
da Saúde do governo Costa e Silva. Durante assumiu a direção da casa. Em 1991, tornou-
sua gestão (1967 a 1969), foi criado o Plano se proprietário Carlos Gross Miranda, filho do
Nacional de Saúde, embrião de propostas casal, que indicou diferentes psiquiatras para
privatizantes do setor saúde. Nesse contexto, assumirem a direção técnica dos hospitais.
Leonel Miranda cria, em 1962, a unidade Pa- A unidade de Botafogo abrangia então uma
racambi, propriedade da família até os dias área construída de 18.000 m2, em um terreno
atuais, que ocupa uma área de 8.809.600 m2, de 42.000 m2. Na década de 1990 ali funcio-
da qual foram urbanizados 500.000 m2 e cons- navam 15 pavilhões, oferecendo 380 vagas,
truídos 60.000 m2, com capacidade projetada sendo seis pavilhões femininos (175 vagas),
para 2.500 leitos. Devido a desapropriações cinco masculinos (154 vagas) e quatro mistos
efetuadas na década de 1990, no governo Leo- (51 vagas). Passaram pela Casa de Saúde Dr.
nel Brizola, a unidade passou a ter 119.000 m2 Eiras vários personagens do cenário brasilei-
de área construída, composta por 11 pavilhões ro. Já em 1868 chega à clínica para realizar
e setores administrativos. A casa de saúde er- exames de sanidade mental José Joaquim de
gueu uma estação de trem, batizou-a com o Campos Leão, autodenominado Qorpo San-
nome Dr. Eiras e incorporou-a à malha ferro- to, gaúcho que revolucionou a linguagem
viária, facilitando o acesso da potencial clien- teatral e literária, de quem suspeitavam ser
tela. O objetivo inicial de acolher os doentes o talento nada além de sintoma de desequilí-
crônicos da unidade de Botafogo logo foi ul- brio mental. Não foi possível estabelecer um
trapassado: a casa Dr. Eiras/Paracambi passou diagnóstico consensual, talvez porque ainda
a receber egressos da extinta Fundação Nacio- não houvesse passado por lá, na condição de
nal do Bem-Estar do Menor (FUNABEM), da aprendiz e aluno de Teixeira Brandão, o futu-
Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor ro fundador do Hospício de Juqueri, Franco
(FEBEM) e do extinto Hospital Estadual de da Rocha. Em 1936, foi internada pela famí-
Vargem Alegre, bem como pessoas em busca lia Dora Vivacqua, uma moça com compor-
de benefício previdenciário, especialmente a tamento inadequado para sua época: tinha o
população da Baixada Fluminense, o que lhe hábito de se vestir com folhas de parreira e
conferiu feições de um imenso hospital geral usar duas cobras como braceletes. Esse é um
pré-pineliano. Por outro lado, a casa Dr. Eiras/ dos inícios da história de Luz del Fuego, baila-
Paracambi paradoxalmente abrigou, de 1971 a rina que dançava seminua acompanhada por
1978 aproximadamente, uma inusitada comu- serpentes e que escandalizou o Rio nos anos
nidade terapêutica, com 84 pacientes. Na con- de 1950. Uma das precursoras do naturismo,
tramão do grande asilo, uma equipe formada Fuego vivia em busca de uma sociedade alter-
por diferentes profissionais, incluindo psicó- nativa, que só veio a ser formalmente propos-
logos, promovia uma assistência inspirada em ta anos depois, nas letras de Paulo Coelho, en-
um dos movimentos precursores da reforma toadas por seu parceiro Raul Seixas. Também
psiquiátrica, garantindo um tempo médio de internado pela família em 1966, 1967 e 1968,
internação de 180 dias, num período em que a Paulo Coelho revelou a história de suas inter-
alta hospitalar era uma possibilidade remota. nações ao manifestar publicamente seu apoio
Em relação à casa Dr. Eiras/Botafogo, verifica- à Lei 10.216/2001, que consolidava as lutas por
se também grande expansão na gestão de Leo- uma assistência psiquiátrica antimanicomial.
nel Miranda e sócios. Em 1950 foram construí- Em dezembro de 2000, a Casa de Saúde Dr.
das novas instalações a partir de projeto de Eiras/Botafogo solicitou o descredenciamento
Oscar Niemeyer, ampliando a capacidade de de seus leitos-SUS, após dois anos sem rece-
90 para 600 leitos. Em 1960 foi criado o Centro ber novos pacientes por determinação do po-
de Estudos da Casa de Saúde Dr. Eiras e seu der público. A Secretaria Municipal de Saúde
órgão oficial, a Revista de Psiquiatria. Em 1983, do Rio de Janeiro instituiu uma comissão para
com a morte de Leonel Miranda, sua esposa acompanhar a transferência dos 580 pacientes

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então internados, que foram encaminhados INSTITUTO FRANCO BASAGLIA (IFB). Boletim
para suas famílias e inseridos em programas 18 de maio. Informativo do Instituto Franco Basa-
de desospitalização dos hospitais psiquiá- glia (IFB), Rio de Janeiro, ano 8, n. 17, nov./dez. 2000
tricos públicos. Na década de 1990, a casa Dr. e janeiro de 2001.
Eiras-Paracambi ganhou as manchetes dos jor- MEMÓRIA VIVA – Luz del Fuego. Disponível em:
nais em função das precárias condições a que <http://www.memoriaviva.com.br/luzdelfuego>.
estavam submetidos seus 2.100 internos. Após Acesso em: 5 jan. 2007.
algumas tentativas de intervenção, em 2000, MORAES, M. F. Algumas considerações sobre a
após visita da I Caravana Nacional de Direitos história dos hospitais privados no Rio de Janeiro:
Humanos, o poder público entrou na unida- o caso Clínica São Vicente. Originalmente apresen-
de de Paracambi e em 2004, devido a sucessi- tada como dissertação de mestrado, Casa de Oswal-
vas denúncias de maus-tratos e do alto índice do Cruz – FIOCRUZ, 2005. Disponível em: <h p://
de óbitos, ocorreu a intervenção na unidade. www.coc.fiocruz.br/pos_graduacao/completos/mo-
Dois meses depois foram divulgados pelo Mi- raesmf.pdf>. Acesso em: 7 jan. 2007.
nistério da Saúde os resultados do Programa PICCININI, W. J. “Franco da Rocha: vida e obra”.
Nacional de Avaliação dos Hospitais Psiquiá- Psychiatry On-line Brazil, n. 8, abril 2003. Dispo-
tricos (PNASH) 2003/2004, com o descreden- nível em: <h p://www.polbr.med.br/arquivo/wal
ciamento de 53 hospitais, dentre eles a Casa de 0403.htm>. Acesso em: 25 dez. 2006.
Saúde Dr. Eiras/Paracambi. Atualmente, con-
RIO DE JANEIRO (Município). Resolução Secre-
tinua o processo de sua desativação e, simul-
taria Municipal de Saúde 746, de 4 de dezembro
taneamente, tem sido constituída uma rede de
de 2000. dispõe sobre a Comissão de acompanha-
atenção territorial em saúde mental, mediante mento do processo de transferência dos pacientes
a implantação de Centros de Atenção Psicos- internados na Casa de Saúde Dr. Eiras – Botafogo.
social (CAPS), em especial nos municípios Diário Oficial do Rio de Janeiro, Poder Executivo,
da Baixada Fluminense, dos quais provinha Rio de Janeiro, 5 de dezembro de 2000.
um contingente expressivo dos internados.
A Casa de Saúde Dr. Eiras/Paracambi, que já
foi o maior hospício da América Latina, é um Adriana Rosa
marco da psiquiatria asilar, que o movimento Raquel Cavalcante Freire
de Reforma Psiquiátrica busca superar.

Referências „ Casa de Saúde Santa Mônica Ltda.


ALMEIDA, C. “Política e planejamento: o plano de (Espaço Bom Viver – EBV) – 1995-
saúde Leonel Miranda”. Revista Saúde Pública.
Hospital Santa Mônica (HSM) – 1962-1995
Vol. 40 (3), p. 381-5, 2006. Disponível em: <h p://
www.scielo.br/pdf/rsp/v40n3/02.pdf>. Acesso em:
7 jan. 2007. Fundado em 3 de janeiro de 1962 como Hos-
BIFE: O palco em revista – Qorpo Santo. Disponível pital Santa Mônica, estabelecido na rua São Ju-
em: <h p://www.bife.com.br/bife.php?class=agend das Tadeu, s/n., Jardim Santa Mônica, Bairro
a&action=detalhe&id=170>. Acesso em: 5 jan. 2007. do IAPI, Salvador – BA, tendo como entidade
mantenedora a empresa Serviços Médicos Ci-
COSTA FILHO, C. F. E. da. Entrevista concedida a
rúrgicos da Bahia S. A., da qual também fa-
Adriana Rosa. Rio de Janeiro, 24 jan. 2007.
ziam parte o Sanatório Bahia e o Hospital Ana
GOMES, M. P. C. Entrevista concedida a Adriana Nery. Em 1995, houve uma cisão parcial da
Rosa. Rio de Janeiro, 26 jan. 2007. empresa mantenedora e o Hospital Santa Mô-
HISTÓRIA da Casa de Saúde Dr. Eiras. Disponível nica (HSM) passou a existir como pessoa ju-
em: <h p://www.hma os.kit.net/historiadacasade- rídica independente, denominando-se, então,
saude.html>. Acesso em: 4 de jan. 2007. Casa de Saúde Santa Mônica (nome fantasia:

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Espaço Bom Viver). O fundador do HSM (1962) ção, parte de seu extenso espaço físico para dar
e idealizador da Casa de Saúde Santa Mônica continuidade à prestação de serviços médicos a
(Espaço Bom Viver – 1995) foi o psiquiatra Cílio pacientes portadores de doenças mentais e de-
Nascimento Andrade. Durante o período de sua pendentes químicos vinculados ao SUS. No dia
existência, o HSM possuía 452 leitos destinados 30 de abril de 2003, houve a desvinculação total
aos portadores de doença mental vinculados do SUS, com a saída do último paciente conve-
ao INPS e, a partir de 1990, ao SUS, e 40 leitos niado. A área até então destinada ao SUS foi de-
para atender pacientes particulares e convênios, sativada e parte dela vem sendo reformada para
totalizando 492 leitos. A instituição atendia uma melhor atender à clientela. Depois dessa desvin-
população predominantemente de baixa renda. culação, o EBV deixou de ser regido por deter-
Até 1994, a única atividade complementar ao minação oficial, que exija a presença do psicólo-
atendimento psiquiátrico era a terapia ocupacio- go no quadro de funcionários, embora, segundo
nal, e mesmo esta era muito incipiente devido ao seus dirigentes, esse profissional deva continuar
grande número de internos, o que impossibilita- inserido na assistência. Em 2008, dois psicólogos
va a qualidade adequada de assistência. A par- estavam incluídos na equipe, com carga horária
tir daquele ano, por exigência do Ministério da de 36 horas semanais, atendendo os 70 pacien-
Saúde, o psicólogo passou a fazer parte da equi- tes internados. A estrutura física do EBV com-
pe multidisciplinar dos hospitais de psiquiatria, preende uma área total de 15.000 m2, localizada
estabelecendo-se a obrigatoriedade de pelo me- na área metropolitana de Salvador, com 8.000 m2
nos um psicólogo, com carga horária de 20 ho- de área construída. Há 70 leitos distribuídos em
ras semanais, para cada grupo de 60 pacientes. três unidades (M1, M2, M3). O refeitório serve
Essa determinação foi cumprida pelo HSM e, cinco refeições diárias. A equipe multidiscipli-
posteriormente, pelo EBV. Na qualidade de en- nar é composta por 12 médicos (10 psiquiatras
tidade privada com fins lucrativos, é regida pelo e dois clínicos), um terapeuta ocupacional, dois
contrato social registrado na Junta Comercial do enfermeiros, um professor de educação física,
Estado da Bahia (JUCEB). Há um estatuto inter- um assistente social, dois psicólogos, um nutri-
no que estabelece as diretrizes e normas de seu cionista e um farmacêutico, além de contar com
funcionamento. A direção clínica da empresa os serviços de seis auxiliares de enfermagem e
vem sendo exercida desde 1997 pela psiquiatra quatro apoios técnicos que garantem a seguran-
Mara Christina Moraes de Andrade e a direção ça (dados de 2006). Todas as segundas-feiras a
administrativo-financeira, desde sua fundação, equipe técnica se reúne com os visitantes e pa-
pelo administrador José Augusto Andrade. Os cientes, a fim de esclarecer as práticas terapêu-
dirigentes têm a intenção de, no futuro, vincu- ticas adotadas pelo hospital, além de procurar
lar essa empresa a uma instituição acadêmica, conscientizar os familiares sobre a importância
transformando-a em um centro de pesquisa. do seu apoio para a adesão do paciente ao trata-
O EBV surgiu para atender à demanda na área mento. Adaptando-se a uma nova concepção de
de saúde mental e dependência química da po- tratamento clínico na área de saúde mental, par-
pulação do Estado da Bahia. Até o ano de 1995, o te da área desativada após o descredenciamento
mercado de medicina suplementar (assistência do SUS foi utilizada para a construção de uma
médica a particulares e operadoras de planos de área de lazer com piscina, academia de ginástica
saúde) contava com o atendimento a pacientes e quadra esportiva. Com isso, pretendia-se ga-
custeados por recursos próprios (particulares) rantir ao paciente condições favoráveis a fim de
ou pelas operadoras de planos de saúde (me- manter suas relações sociais preservadas e pro-
dicina de grupo, cooperativas médicas, segura- porcionar uma internação menos penosa. Há
doras de saúde e empresas de autogestão). Em um projeto para que até 2008 o EBV esteja equi-
2008 englobava 2.100.000 pessoas no Estado da pado com um ambulatório, uma unidade de
Bahia. Embora tenha sido criado com o objeti- internação para 150 pacientes, uma unidade de
vo de prestar assistência no âmbito da medicina hospital-dia e um pronto atendimento psiquiá-
suplementar, o EBV cedeu, desde sua funda- trico, incluindo o suporte de serviço psicológico,

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terapia ocupacional, preparação e recuperação coterapia individual e grupal, grupos operati-


física do interno e acompanhamento por parte vos e reflexivos, reuniões com pacientes e seus
de um assistente social. familiares, bem como orientação psicológica às
famílias de pacientes. A evolução de cada caso
é registrada em prontuários, para que a equipe
Referências
multiprofissional conheça a avaliação realizada
ANDRADE, M. C. M. de. Depoimento concedido a pela psicologia. O serviço de psicologia promo-
Gisela Maria Guedes Carneiro Reis e Rita de Cás-
ve eventos ligados a datas comemorativas como
sia Teixeira Valente. Salvador, 26 out. 2006.
Natal, dia das mães, dia dos pais e dia de São
ANDRADE, J. A. Depoimento concedido a Gisela João. Objetivando a capacitação dos funcioná-
Maria Guedes Carneiro Reis e Rita de Cássia Tei- rios, foram realizados, nos anos de 2004 a 2006,
xeira Valente. Salvador, 17 nov. 2006. cursos de humanização e motivação. Quanto a
publicações institucionais, não foram obtidos
Gisela Maria Guedes dados. Na estrutura funcional da instituição
Rita de Cássia Teixeira Valente existem a direção-geral, direção administrativa,
setor de recursos humanos e as coordenações
de psicologia, nutrição, educação física, terapia
ocupacional e medicina. O espaço físico da casa
„ Casa de Saúde São Pedro Ltda. (CSSP) comporta cerca de 170 leitos, distribuídos por
– 1966- várias enfermarias masculinas. Há cinco salas de
coordenações profissionais, uma quadra polies-
portiva, cinco pavilhões (sendo um particular),
Instituição de assistência psiquiátrica, de na- jardim, cozinha, lavanderia e 60 banheiros.
tureza privada, sendo mantida por particulares
e, atualmente, por convênios: SUS, Instituto de
Referências
Previdência do Estado (IPEP), Fundação de Se-
guridade Social (GEAP), Caixa de Assistência MACHADO, M. M. Entrevista concedida a Maria
dos Funcionários do Banco do Brasil (CASSI) e do Socorro Brito Mendes. João Pessoa, 26 set. 2008.
Fundo de Saúde do Exército (FUSEX). Localiza- MACIEL, S. Entrevista concedida a Maria do So-
da na avenida Epitácio Pessoa, 1.312, Torre, Pa- corro Brito Mendes. João Pessoa, 26 set. 2008.
raíba, foi fundada em 13 de agosto de 1966, pelo SILVA FILHO, E. B. da. História da Psiquiatria na
casal de psiquiatras paraibanos Danilo de Lira Paraíba. João Pessoa: Santa Clara, 1998.
Maciel e Maria das Neves Carneiro Maciel, sen-
do destinada ao tratamento de pacientes porta- Maria do Socorro Brito
dores de transtornos psiquiátricos, psicológicos
e relacionados à dependência química (álcool e
outras drogas). A equipe atual de psicólogos é
composta por três profissionais da área clínica „ Centro da Consciência e do
e hospitalar e por estagiários de psicologia vin- Desenvolvimento Humano (INTEGRAR)
dos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) – 2003-
e do Centro Universitário de João Pessoa (UNI-
Serviço de Orientação Educacional e
PE), sob a coordenação da psicóloga Silvana
Vocacional do Ceará (SOEVOC) – 1962-2003
Maciel Carneiro. Os pacientes encaminhados à
instituição são recebidos pelo médico, pela assis-
tente social ou pela enfermeira-chefe, sendo em Localizada na rua Osvaldo Cruz, 1, sala
seguida encaminhados às alas de internação, 1.305, Meireles, Fortaleza-CE, é uma institui-
recebendo a partir daí o atendimento especiali- ção privada, fundada em 1962 por Artamilce
zado. O serviço de psicologia, fundado em 1974, Moreira Guedis Lobo e Maria Júlia Cipião,
realiza atividades como: apoio psicológico, psi- pedagogas e orientadoras educacionais, vi-

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sando atender à demanda de aplicação e in- „ Centro de Documentação e Pesquisa


terpretação de testes de inteligência e apti- Helena Antipoff (CDPHA) – 1980-
dões em Fortaleza. De 1976 a 1995, diante das
exigências emanadas da regulamentação da
Foi criado em 25 de março de 1980 em
profissão de psicólogo, através da Lei 4.119, de
sessão solene realizada na sede da Fazenda
27/08/1962, a responsabilidade técnica da insti-
do Rosário, em Ibirité, Minas Gerais, com os
tuição foi assumida pela psicóloga Ana Cristina
objetivos de preservar a memória e divul-
Kichler, suprindo a demanda de psicodiagnós-
gar a obra da psicóloga e educadora Helena
tico oriunda de médicos, instituições públicas
Antipoff. De origem russa, Helena Antipoff
e privadas e de seleção para empresas locais.
formou-se em psicologia e educação em Pa-
Em 1983 Martha Guedis Lobo, estudante de
psicologia, assume a administração da SOE- ris e Genebra. Após exercer por alguns anos
VOC em lugar de Artamilce Moreira Guedis a profissão de psicóloga na Rússia e na Suí-
Lobo – licenciada por questão de saúde – insti- ça, como assistente de Édouard Claparède,
tuindo estágio, que vigorou até 1991, para es- transferiu-se para o Brasil, em 1929. Já no Bra-
tudantes de psicologia da área organizacional, sil, atuou no ensino de psicologia para edu-
com a Universidade Federal do Ceará (UFC), cadores e liderou extensa obra voltada para a
e contratando novos psicólogos. Ainda neste educação de excepcionais, através da criação da
ano, Martha Guedis Lobo, formada pela UFC Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais e da So-
e em formação na Escola Paulista de Psico- ciedade Pestalozzi do Brasil. Atuou também
drama (SP), inicia a prática psicoterapêutica. na formação de educadores para o meio rural
Em dezembro de 2003, já no papel de dire- em experiência pioneira no Brasil, iniciada na
tora técnica e administrativa, muda o nome Fazenda do Rosário com a criação do Instituto
da Instituição para INTEGRAR (Centro da Superior de Educação Rural (ISER), em 1952,
Consciência e do Desenvolvimento Humano) e a oferta de numerosos cursos de aperfeiçoa-
e amplia as atividades ofertadas, que passam mento para educadores do meio rural. O pa-
a ser: atendimentos psicológicos, seleção de trimônio do CDPHA é constituído do acervo
pessoal e cursos de formação em psicoterapia. de documentos, biblioteca e objetos de uso
Tem por público-alvo pessoas físicas, jurídi- pessoal que pertenceram à educadora, e que
cas e públicas da sociedade. A instituição tem se encontram atualmente guardados na Fun-
promovido eventos como: curso de formação dação Helena Antipoff, em Ibirité, MG, e na
em psicoterapia com crianças e adolescentes; Sala Helena Antipoff, localizada na Biblioteca
curso sobre os testes de Zuliguer e PMK; e tem Central da Universidade Federal de Minas
como projeto em curso apresentar um evento Gerais. O CDPHA é gerido pela assembleia
cujo tema será Aspectos Psicológicos da Ree- geral dos associados, que se reúne anualmen-
ducação Alimentar, Prevenção e Tratamento te, por ocasião dos Encontros Anuais Helena
da Obesidade. Foi a primeira instituição, no Antipoff; pela presidência, vice-presidência,
Ceará, a oferecer prestação de serviços nas conselho consultivo, coordenadorias técnicas
áreas clínica, escolar e organizacional e a pri- regionais e conselho fiscal. Os vice-presiden-
meira a ofertar estágio em psicologia organi- tes do CDPHA são obrigatoriamente vincu-
zacional. lados às instituições criadas por Helena Anti-
poff: a Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais,
Referência a Sociedade Pestalozzi do Brasil, a Fundação
LOBO, M. G. Depoimento concedido a Angela de
Helena Antipoff, a Associação Milton Campos
Moura Marques. Fortaleza-CE, 30 e 31 ago. 2008 e 18 (ADAV) e a Associação Comunitária do Ro-
set. 2008. sário (ACORDA). A cada encontro, um tema
relacionado à obra da educadora é escolhido,
orientando as reflexões dos conferencistas
Angela Marques convidados e dos trabalhos apresentados, de-

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pois publicados no Boletim do CDPHA. Entre conservar e restaurar a parte do acervo que
1980 e 1999, o CDPHA foi presidido pelo psi- lhe foi cedida pelo CDPHA, com o auxílio da
cólogo Daniel Antipoff. Funcionou também a equipe da professora Bethânia Reis Veloso, do
Coordenadoria Regional do CDPHA do Rio Centro de Conservação e Restauração de Bens
de Janeiro, presidida pela professora Olívia Culturais Móveis (CECOR-UFMG). Em 2000,
Pereira, da Universidade do Estado do Rio de a presidência do CDPHA foi transferida para
Janeiro (UERJ). Durante esse período, foram Regina Helena de Freitas Campos, professora
reunidas novas doações ao acervo, e editada a de psicologia da educação na UFMG, e Daniel
Coletânea das Obras Escritas de Helena Antipoff, Antipoff continuou na diretoria, como presi-
em cinco volumes, com o apoio da Imprensa dente de honra, a convite da assembleia dos
Oficial do Estado de Minas Gerais. Foi também associados. Os Encontros Anuais Helena Anti-
organizada pela bibliotecária Lea Valverde a poff continuaram a ser realizados regularmen-
Bibliografia Preliminar de Helena Antipoff, con- te e foram consideravelmente ampliados, com a
tendo a relação de trabalhos publicados pela integração de eventos reunindo pesquisadores
educadora, acompanhados dos respectivos re- da história da psicologia e história da educa-
sumos, bem como uma relação de publicações ção no Brasil. Em 2000, o XIX Encontro foi rea-
sobre sua obra. A bibliografia foi divulgada no lizado em associação com o Conselho Federal
Boletim do CDPHA n. 2. Os encontros anuais de Psicologia (CFP). Na ocasião, a presidenta
realizados nos anos de 1980 reuniram diversos do CFP, professora Ana Mercês Bahia Bock,
amigos e colaboradores da psicóloga home- compareceu ao evento e promoveu a entrega
nageada, e seus depoimentos foram publica- do Prêmio Monográfico Helena Antipoff, insti-
dos nos primeiros boletins. Em 30/03/1989, o tuído pelo Conselho com a finalidade de pre-
CDPHA firmou convênio com a Fundação He- miar monografias de excelência sobre o tema
lena Antipoff, pelo qual a fundação cedeu ao da inclusão social. As monografias premiadas
centro quatro salas para a guarda e exposição foram publicadas no Boletim do CDPHA n. 15,
de seu acervo, por dez anos. Durante os anos editado naquele ano. A partir de 2003, alguns
iniciais da década de 1990, a manutenção do encontros foram realizados em associação com
acervo ficou prejudicada pelo desinteresse da a Rede Interinstitucional de Pesquisadores em
direção da fundação. A partir de 1998, contu- História da Psicologia, reunindo pesquisado-
do, quando assumiu a direção da instituição a res de diversas universidades brasileiras vol-
professora Irene de Melo Pinheiro, ex-aluna e tados para o estudo da história da psicologia.
colaboradora de Helena Antipoff, foram reto- Em 2005, com o falecimento de seu fundador,
mados os trabalhos de organização do acervo Daniel Antipoff, aos 85 anos, sua esposa, a tam-
sediado em Ibirité. Na mesma ocasião, em 16 bém psicóloga Otília Braga Antipoff, tornou-se
de abril de 1999, foi celebrado convênio entre presidente de honra do CDPHA. A partir de
a Secretaria de Estado da Educação de Minas 2007, com a ampliação do número de contribui-
Gerais, a Universidade Federal de Minas Ge- ções, o Centro instituiu uma nova publicação: a
rais e o CDPHA, visando dar continuidade ao Coleção Encontros Anuais Helena Antipoff. Con-
trabalho de preservação do acervo e divulga- tando em seu conselho editorial com pesquisa-
ção da obra de Antipoff, com o estabelecimen- dores de instituições universitárias brasileiras
to do Memorial Helena Antipoff na Fundação e estrangeiras, a publicação se destina a veicu-
Helena Antipoff, e da Sala Helena Antipoff, na lar as contribuições apresentadas nos eventos
Biblioteca Central da Universidade Federal de promovidos anualmente. O CDPHA mantém
Minas Gerais (UFMG). Por meio desse convê- atualmente o acervo de Helena Antipoff em
nio, a fundação se comprometeu a manter sua duas unidades: em Ibirité, na Fundação Helena
parte do acervo, bem como uma exposição per- Antipoff, onde está sediado o Memorial Helena
manente sobre a vida e a obra de Helena Anti- Antipoff; e no campus da UFMG, na Biblioteca
poff. A UFMG se comprometeu a inventariar, Central da UFMG, em Belo Horizonte, onde

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está sediada a Sala Helena Antipoff, cujo acervo de dois psicanalistas ligados à Sociedade Psi-
é registrado como Coleção Especial da bibliote- canalítica do Rio de Janeiro (SPRJ): Inês Be-
ca. Além disso, o centro continua a promover souchet, psicóloga de formação, e Wilson de
os encontros anuais, destinados à discussão de Lyra Chebabi. Posteriormente incorporam ao
trabalhos de pesquisa sobre temas relaciona- grupo a psicóloga e psicodramatista Norma
dos à obra de Helena Antipoff. Como resulta- Jatobá e a psicóloga e psicanalista uruguaia
do desses eventos, realizados alternadamente Marta Nieto. Participam do CESAC também
na Fundação Helena Antipoff e na UFMG, são a psicóloga Therezinha Lins de Albuquer-
publicados anualmente o Boletim do CDPHA e que, o teólogo Arcângelo Buzzi e o filósofo
um volume da Coleção Encontros Anuais Helena Emmanuel Carneiro Leão. O CESAC propõe
Antipoff. um programa de estudos eclético e diletan-
te que engloba rudimentos de filosofia, psi-
Referências canálise, antropologia, matemática, religião,
etimologia da língua hebraica, incluindo até
CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E PESQUISA HE-
o estudo da cabala. Além disso, havia cursos
LENA ANTIPOFF – CDPHA. Boletim do CDPHA,
Belo Horizonte: Centro de Documentação e Pesquisa
e práticas psicodramáticas, usadas inclusive
Helena Antipoff, n. 1-20, 1981-2008. na seleção dos candidatos, sob a orientação
de Norma Jatobá. Seu público-alvo era com-
CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E PESQUISA posto por uma maioria de psicólogos em bus-
HELENA ANTIPOFF – CDPHA. Estatuto do Cen-
ca de formação e, curiosamente, havia uma
tro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff.
exigência de estar em análise para fazer parte
Belo Horizonte: Centro de Documentação e Pesqui-
da instituição. O CESAC não chegou a editar
sa Helena Antipoff, 1980.
uma publicação própria de maior circulação,
embora contasse com boletins internos. Em
Regina Helena de Freitas Campos 1972 o CESAC era composto por um corpo de
15 membros e, três anos depois, chegaria a 96
filiados, sendo 27 alunos do curso de especia-
lização da PUC-Rio. Em 1976, quando esses
„ Centro de Estudos de Antropologia alunos terminaram o curso, o convênio com
Clínica (CESAC) – 1972-198? a universidade foi encerrado. Nessa época o
CESAC passou a receber uma demanda de
Associação científica e profissional funda- formação psicanalítica que não foi atendida
da em 11 de junho de 1972 em convênio com e, após sucessivas crises internas sobre sua
a Pontifícia Universidade Católica do Rio de função, ficou definido, em documento data-
Janeiro (PUC-Rio), a partir do chamado gru- do de 11 de dezembro de 1978, que a insti-
po dos oito, composto por oito psicólogos que tuição era definitivamente um centro de estu-
buscavam uma formação e uma definição para dos, mas não de formação. O CESAC foi uma
o trabalho em psicologia clínica que pudesse instituição que reuniu psicanalistas e psicó-
se distinguir de uma formação exclusivamen- logos em torno da psicanálise e saberes afins
te acadêmica. Posteriormente, em 1976, esses no campo das ciências humanas, tendo sido,
psicólogos ingressaram no curso de especia- na década de 1970, uma espécie de vestíbulo
lização da PUC em parceria com o CESAC. para a formação psicanalítica dos psicólogos
Eram eles: Ira Fernandes, Maria Celuta Lana- e uma extensão da SPRJ, já que os psicana-
re, Neide Lobato dos Santos, Vera Drummond listas que ministravam cursos, supervisão e
– que produziram, em coautoria, uma mono- mesmo a análise dos psicólogos participantes
grafia sobre a história do CESAC −, Narciso da instituição pertenciam a essa sociedade.
Teixeira, Irene Lavigne, Eliane Nogueira e Lia- Desse modo, houve uma oscilação constante
na Luz. Inicialmente se organizam em torno no CESAC entre um centro de estudos mul-

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tidisciplinares e uma instituição com forte zado oficial e legalmente em 1984, tendo como
demanda de formação psicanalítica, que não fundadores: Walter Ferreira da Rosa Ribeiro,
se concretizou até a instituição fechar suas Enila Chagas, Jorge Ponciano, Marta Carrijo,
portas. A data desse encerramento é pouco Braulina Romancini, Thales Garcia, Thereza
precisa, mas o CESAC manteve diferentes Gayoso, Zélia Rocha e Elizabeth Pinheiro – to-
atividades até o final da década de 1980. dos com formação em gestal erapia, partici-
pantes do G1. Em 1988, um grupo de pessoas
Referências organizou, na Escola Nacional de Administra-
ção Pública (ENAP), um seminário sob o título
FERNANDES, I. O grupo dos oito – pré-história do
“Entendidos e Mal-Entendidos da Gestal era-
CESAC. Monografia (Especialização em Psicologia
pia”, tendo como palestrantes Walter F. R. Ri-
Clínica). Pontifícia Universidade Católica do Rio de
beiro, Cristina Frascaroli – na época também
Janeiro, Rio de Janeiro, 1976.
professora da Universidade Federal do Rio
CENTRO DE ESTUDOS DE ANTROPOLOGIA de Janeiro (UFRJ) –, Enila Chagas, Elizabeth
CLÍNICA (CESAC). Relatório de Avaliação do ano
Pinheiro Dias Leite, Laura Furst Arantes e ou-
letivo de 1976. Rio de Janeiro, 1977, Mimeo.
tros. O número dos participantes superou as
FIGUEIREDO, A. C. Estratégias de difusão do expectativas, deixando claro o interesse que a
movimento psicanalítico no Rio de Janeiro – gestal erapia despertava. Em 1989, durante
1970/1983. Dissertação (Mestrado em Psicologia). o II Encontro Nacional de Gestal erapia, em
Rio de Janeiro: Universidade Católica do Rio de Caxambu-MG, Walter Ferreira da Rosa Ribei-
Janeiro, 1984.
ro foi escolhido, com o apoio da caravana de
Brasília ali presente, para organizar o III En-
Ana Cristina Costa de Figueiredo contro Nacional de Gestal erapia, em Brasí-
lia. Esse III Encontro, realizado em 1991 com
586 inscritos, foi um marco para o CEGEST,
pela oportunidade de os psicólogos gestal-
„ Centro de Estudos de Gestalt-Terapia de tistas se apresentarem uns aos outros. Walter
Brasília (CEGEST) – 1978- foi o principal organizador e o responsável
teórico pelo encontro, que conferiu ao grupo
Os movimentos iniciais que precedem a organizador e aos participantes um sentido
criação do CEGEST ocorreram com a chegada de pertencimento e identidade, contribuin-
de Walter Ferreira da Rosa Ribeiro a Brasília, do para o fortalecimento do CEGEST como
onde vive desde 1973. Pioneiro da gestal era- espaço propiciador de questionamentos, re-
pia no Brasil, conduziu o primeiro workshop flexões, exame e reexame da gestal erapia e
nessa abordagem já em 1973, no então Insti- sua aplicabilidade. Em 2004 e 2006, respec-
tuto para o Desenvolvimento Regional (IDR), tivamente, o CEGEST, junto com o Instituto
juntamente com Thérèse A. Tellegen e Marina de Gestal erapia de Brasília (IGTB), realizou
Pacheco Jordão. Iniciou grupos de treinamen- o I e o II Encontro Candango da Abordagem
to em 1977 e 1978, no intuito de estudar, com- Gestáltica, tendo o último 164 participantes,
preender e trabalhar com a abordagem gestál- além de 51 palestrantes – consolidando mais
tica. Em 1978, constituiu o primeiro núcleo de uma vez a gestal erapia no Distrito Federal.
formação em gestal erapia de Brasília, o G1, O CEGEST promove formação, especializa-
com 20 pessoas, seguido em anos posteriores ção, aprimoramento bem como pesquisa e
pelos G2, G3 e G4. Surgiram a partir daí diver- troca de conhecimentos sobre a abordagem
sos subgrupos, que tiveram como treinadores de base existencial-fenomenológica da gestalt-
os membros do G1. Convidados brasileiros terapia, através do estudo da teoria e prática
e americanos contribuíram nesse processo. dessa abordagem. É aberto a profissionais da
O CEGEST foi criado em 1978 e institucionali- área de saúde e interessados em participar do

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estudo da dinâmica do conhecer e do existir psicologia clínica em gestal erapia. A equipe


humano, a serviço da melhoria da qualida- docente conta com um coordenador de cursos
de das relações humanas. Seus objetivos são: e dez professores, especialistas em psicologia
promover estudos da filosofia, teoria e meto- clínica, mestres e doutores, além de professo-
dologia da abordagem gestáltica; produzir e res convidados. A manutenção do CEGEST
transmitir conhecimentos na área das ciências decorre da contribuição mensal dos seus só-
do homem; disponibilizar atendimento à co- cios e da arrecadação obtida com as atividades
munidade nas diversas áreas de atuação da desenvolvidas. Possui uma clínica-escola em
gestal erapia; promover intercâmbio cultural que os psicólogos do curso de especialização
e acadêmico com entidades congêneres. A fi- atendem, sob a supervisão do corpo docente.
nalidade da instituição é propiciar formação Tem também um serviço de plantão, de cunho
contínua aos profissionais interessados no de- social, em que profissionais sócios do CEGEST
senvolvimento da abordagem gestáltica e de se oferecem voluntariamente para atendimen-
si mesmos, aprimorar a formação acadêmica, to psicoterápico à comunidade, a preços dife-
a compreensão teórica, a prática, a reflexão, o renciados, considerando as diferenças socioe-
entendimento e a atualização intelectual, emo- conômicas dos clientes.
cional e psicológica da atitude e mentalidade
gestálticas. As atividades do CEGEST incluem
o Curso de Formação e Especialização em Referência
Psicologia Clínica em Gestal Terapia, além de CENTRO DE ESTUDOS DE GESTALTTERAPIA
uma programação periódica de eventos, vi- DE BRASÍLIA (CEGEST). Disponível em: <www.
sando à constante atualização do profissional cegest.org.br>. Acesso em: 11 abr. 2007.
via seminários, simpósios, cursos de extensão,
palestras, grupos de reflexão e de discussão. Zélia Pereira Barbosa
Elabora a tradução de livros e artigos, orienta
Elayne Magaldi Daemon
a elaboração e apresentação de monografias.
Possui biblioteca especializada com um acer-
vo de 220 livros, noventa artigos catalogados,
videoteca com 36 fitas de palestras, congressos „ Centro de Estudos Freudianos (CEF) – 1975-
e cursos, que podem ser utilizados em ensino
e pesquisa, estando o material disponível para
consulta ou empréstimos tanto para os sócios O CEF foi o primeiro grupo lacaniano bra-
e os alunos do CEGEST, como para consulta sileiro a estabelecer-se com o estatuto formal
do público em geral. O CEGEST é administra- de instituição destinada ao estudo, debate,
do por um conselho executivo, cujos membros produção de conhecimentos e formação psi-
são eleitos, bienalmente, em assembleia geral. canalítica, a partir das proposições de Jacques
É composto por conselho diretor, coordena- Lacan. O início da institucionalização da Psica-
ção de secretaria, coordenação de finanças, nálise no Brasil data de 1927: ano da fundação
adjunto de finanças, coordenação de eventos e da Sociedade Brasileira de Psychanalyse. Essa
um ombudsman. Em 2006, o CEGEST foi cre- primeira sociedade tornou-se inativa, na me-
denciado pelo Conselho Federal de Psicologia dida em que seu principal fundador, Durval
(Resolução CFP 007/01) a conferir o título de Marcondes, buscando manter-se coerente com
Especialista em Psicologia Clínica, através de o processo de normatização e regulamentação
curso de formação e especialização teórica e do processo de formação de psicanalistas es-
prática (380 horas de parte teórica e 120 horas tabelecido pela International Psychoanalytical
de parte clínica, com um mínimo de 60 horas Association (IPA), voltou-se para o processo
de psicoterapia na abordagem gestáltica e de de constituição da primeira instituição brasi-
elaboração de monografia de base teórica em leira de formação de analistas legitimada pela
gestal erapia), possibilitando o exercício da IPA: a Sociedade Brasileira de Psicanálise de

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São Paulo (SBPSP), oficialmente reconhecida Instituto de Psicologia da USP, onde defendeu
em 1951. Diversas instituições vieram a per- seu doutorado sobre o inconsciente freudia-
correr a mesma via em outros estados brasilei- no. Já em 1974 tinham-se iniciado os contatos
ros, consolidando o contexto de exclusividade de Nogueira com Checchinato, que voltara
da IPA, na formação de psicanalistas no Brasil, para Campinas após realizar seu mestrado na
que vigorou até meados dos anos 70. A partir França e tornar-se membro da EFP. E Laberge
daí, iniciou-se a fratura dessa hegemonia, com e Corrêa, também formados na tradição filo-
a criação progressiva de instituições desafian- sófica dos jesuítas, haviam retornado a Recife
do esse poder centralizador. A origem desse após estudos sobre as obras de Freud e Lacan,
processo remete a acontecimentos do campo em Paris. Além de desenvolverem atividades
psicanalítico francês. Em 1953, um grupo de em consultório, tinham constituído, com ou-
psicanalistas didatas, entre os quais Jacques tros colegas, um grupo de estudos sobre psi-
Lacan, fundou a Sociedade Francesa de Psi- canálise. Corrêa, além disso, era professor da
canálise (SFP), após se desligar da Sociedade Universidade Católica de Pernambuco e atua-
Psicanalítica de Paris (SPP). Lacan desafiava va como psicólogo na Fundação Estadual do
a regulamentação técnica da IPA, com suas Bem Estar do Menor (FEBEM). O CEF, embora
sessões curtas e de tempo variável. E também fundado em 1975 por indivíduos sediados em
inaugurava uma produção teórica que criti- apenas dois estados brasileiros, foi concebido,
cava o dogmatismo predominante, iniciando desde o início, com pretensões de representa-
um ensino sistemático que chamou de “retor- tividade nacional. Grupos subsidiários regio-
no a Freud”, a partir da influência da lingüísti- nais vieram a ser criados em São Paulo, Re-
ca e da antropologia estrutural. Após um lon- cife, Campinas, Brasília, Curitiba, Piracicaba,
go processo, a IPA recusou a filiação da SFP e, Salvador, Natal, Porto Alegre e Goiânia, ainda
em 1963, retirou de Lacan o título de didata. que alguns com duração efêmera. No artigo
Em 1964, Lacan fundou a Escola Freudiana em que relata a história do CEF, Laberge expli-
de Paris (EFP), com o objetivo de reconduzir cita que o desejo inicial que impulsionou sua
a práxis original do campo aberto por Freud fundação foi criar uma instituição acessível a
ao dever que entendia lhe competir em nosso analisantes e não analisantes, analistas e não
mundo. Criou-se, assim, um novo modelo ins- analistas e pessoas dos mais variados cam-
titucional de formação de psicanalistas, que pos – antropologia, história, matemática, lin-
abolia o título de analista didata. Em 1967, güística etc –, onde a interrogação freudiana,
propôs o dispositivo do “passe” para aqueles através da palavra de Lacan, pudesse ser co-
que desejassem testemunhar os problemas locada: uma instituição onde a possibilidade
cruciais da sua própria análise (Proposição de de ser analista estivesse condicionada unica-
9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da mente ao desejo de cada um, provado no divã
Escola). Os anos 70 iniciaram-se com novas ar- e no estudo da psicanálise. As proposições
ticulações teóricas, agora a partir da influência fundadoras adotadas desde os encontros ini-
da matemática e da topologia. Sensíveis a es- ciais do grupo refletiam com clareza a trans-
ses acontecimentos, e influenciados pela obra ferência com Lacan e seu ensino: a referência
de Lacan e por suas idéias sobre transmissão fundamental ao “retorno a Freud”, a abolição
da psicanálise e formação de analistas, cinco da análise didática como elemento funda-
pessoas reuniram-se em São Paulo, em 4 de mental da formação de analistas, a sustenta-
outubro de 1975, para fundar o CEF: Luiz Car- ção da viabilidade da análise de psicóticos, a
los Nogueira, Durval Checchinato, Jacques adoção de sessões de duração curta e variável
Laberge, Ivan Corrêa e Jeanne-Marie Macha- (o “tempo lógico”) e a atenção à interlocução
do de Freitas. Luiz Carlos Nogueira fora se- com outras áreas do saber. A partir de 1975,
minarista na ordem dos jesuítas e graduara-se realizaram-se diversos encontros nacionais,
em Filosofia. Iniciara sua formação psicanalí- alternando-se as cidades que os sediavam.
tica com analistas da SBPSP e era professor do Neles, realizavam-se debates e apresentações

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teóricos, debates sobre a prática psicanalítica, OLIVEIRA, C. L. M. V. de. História da psicanálise.


apresentações de casos clínicos e reuniões so- São Paulo: 1920-1969. São Paulo: Escuta, 2006.
bre política institucional. Em um encontro de PACHECO FILHO, R. A. “Koch, Adelheid Lucy”.
1976, houve uma malograda tentativa de fu- In: CAMPOS, R. H. de F. et al (Orgs.). Dicionário
são com o Colégio Freudiano do Rio de Janei- biográfico da Psicologia no Brasil. Rio de Janeiro:
ro: outro grupo lacaniano, fundado em 1975 Imago; Brasília/DF: CFP; 2001, p.193-196.
por Magno Machado Dias e Be y Milan. No ROSAS, P. Memória da Psicologia em Pernambu-
final da década de 70, com a progressiva dis- co. Pernambuco: Ed. UFPE, 2001.
solução dos grupos regionais e o afastamento
ROUDINESCO, E. e PLON, M. (Orgs.). “Brasil”.
de membros para outras atividades, ou para
In: Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge
a fundação de novos grupos, o CEF perdeu
Zahar, 1998, p.86-92.
seu caráter nacional. Em 1980, Jacques Lacan
dissolveu a EFP, fundando a Escola da Causa SAGAWA, R. Y. “A história da Sociedade Brasileira
Freudiana (ECF). Ele faleceu em 1981. Esses de Psicanálise de São Paulo”. In: NOSEK, L.(Org.)
Álbum de família: imagens, fontes e idéias da Psi-
acontecimentos modificaram sobremaneira
canálise em São Paulo. São Paulo: Casa do Psicó-
o campo lacaniano brasileiro e internacio-
logo, 1994.
nal. Quanto aos fundadores do CEF, Laberge
continuou exercendo a psicanálise no Recife. SIQUEIRA, E. S. de; MORAES, E. A. de; CORRÊA,
Checchinato fundou com colegas a Associa- I. “Percursos do movimento psicanalítico em Per-
ção Campinense de Psicanálise, em 1992, nambuco”. Neurobiologia, 60v. 60, n. 3, p. 115-122,
visando a formação de analistas e a difusão jul./set. 1997.
do conhecimento psicanalítico. Nogueira SOBREIRA, S. “Antes e depois de meu encontro
aderiu ao Campo Freudiano, fundando a com Lacan: Paris - julho de 1977. (Entrevista com
Escrita Freudiana, em 1989. Essa instituição Luiz Carlos Nogueira)”. Psicologia USP, v. 15, n.
foi dissolvida para que seus membros ade- 1/2, p. 109-123, 2003.
rissem à iniciativa que deu origem à Escola
Brasileira de Psicanálise (EBP), fundada em Ana Laura Prates Pacheco
1995. Em 1998, Nogueira participou da cisão
Raul Albino Pacheco Filho
internacional que deu origem à Internacio-
nal dos Fóruns do Campo Lacaniano (IF) e
fundou com colegas, em São Paulo, o Fórum
do Campo Lacaniano (FCL-SP), do qual foi o „ Centro de Estudos Freudianos do Recife
primeiro diretor. Faleceu em 2003. No Reci- (CEF-Recife) – 1984-
fe, Corrêa continua na liderança do Centro de
Estudos Freudianos de Pernambuco.
Teve sua fundação ligada ao grupo inte-
grado por Ivan Corrêa, Jacques Laberge e
Referências outros interessados no estudo, divulgação e
CORRÊA, A. I. “Tributo a uma década”. Céfiso: Re- transmissão da psicanálise freudiana-lacania-
vista do Centro de Estudos Freudianos do Recife, na, sendo uma das primeiras instituições a
v. 1, n.4, p. 17-18, 1985. introduzir o estudo de Lacan no Brasil. Este
LABERGE, J. “História de um projeto, o Centro de grupo, juntamente com colegas de outras ci-
Estudos Freudianos”. Céfiso: Revista do Centro de dades, tendo como sustentação a transferên-
Estudos Freudianos do Recife, v. 1, n. 4, p. 5-14, cia à obra de Freud e Lacan, reuniu-se, no I
1985. Encontro Nacional, em 4/10/1975, em reunião
LACAN, J. “Proposição de 9 de outubro de 1967 aberta como concretização de um projeto
sobre o psicanalista da Escola”. In: LACAN, J. amadurecido nos contatos anteriores. Após
Outros Escritos. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, esse primeiro encontro, alguns grupos re-
2003, p. 248-264. gionais deram os primeiros passos, de modo

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informal e assistemático. No Recife, Ivan Cor- como os de Ivan Corrêa e Amélia Medeiros,
rêa, Jacques Laberge e outros, mantiveram os bem como Cadernos de Estudos, com transcri-
estudos e as interlocuções, sustentando o nú- ções e traduções de textos auxiliares aos es-
cleo que possibilitaria a posterior fundação do tudos dos grupos. Atualmente (2008), o CEF-
CEF-Recife. Neste primeiro encontro nacional Recife funciona no bairro da Tamarineira, na
foi escolhido o tema A Transferência para o rua Joseph Turton, 227, Recife-PE, dispondo
encontro seguinte (realizado em fevereiro de uma biblioteca, duas salas de estudo para
de 1976 em São Paulo), com base no estudo grupo e um auditório para 50 pessoas. Suas
do Seminário de Lacan “A Transferência”. O atividades são planejadas em assembleia dos
grupo do Recife, avançando no desejo de di- membros participantes e orientadas e execu-
fundir, estudar e transmitir a psicanálise, com tadas pelos membros e pela coordenação, esta
base nos textos de Freud e de Lacan, organi- eleita a cada dois anos. Contando com dois
zou-se também na fundação jurídica do CEF- funcionários fixos: um auxiliar de secretaria e
Recife. O CEF foi constituído como pessoa um funcionário de serviços gerais. A institui-
jurídica em 27/10/1984, sediando-se na época ção mantém grupos de estudo, um projeto de
na rua Joaquim Xavier de Andrade, 72, no tema anual de estudo ou de outros interesses
bairro de Casa Forte, Recife-PE. Em sua pri- afins a seus objetivos, bem como um seminá-
meira ata, datada de 06/10/1984, aprovou-se rio semanal aberto ao público.
o texto elaborado pela comissão de revisão e
reformulação dos estatutos e regulamento in- Referências
terno. O CEF-Recife tem por finalidade estu-
dar o inconsciente, proposto inicialmente por CENTRO DE ESTUDOS FREUDIANOS DO RE-
CIFE (CEF-Recife). Ata da Primeira Assembleia
Freud e relido por Lacan e outros, proceden-
Geral Extraordinária. Recife: Livro de Atas, 6 de
do a investigação e a pesquisa do significante outubro de 1984.
na realidade brasileira, além de constituir-se
como lugar onde se processa a formação de CENTRO DE ESTUDOS FREUDIANOS DO RECI-
FE (CEF-Recife). Revista Céfiso, n. 4, tomo 1, Edi-
psicanalistas. Para a consecução das suas ati-
ção comemorativa dos dez anos de fundação do
vidades, o CEF-Recife propõe estudos, semi- CEF-Recife. Recife: CEF-Recife, 1995.
nários, cursos e atividades correlatas, como de
pesquisa e de publicação. A instituição é man- CENTRO DE ESTUDOS FREUDIANOS DO RECI-
FE (CEF-Recife). Estatuto e Regimento Interno do
tida pelas mensalidades dos membros parti-
CEF-Recife. Recife, 1984.
cipantes e dos participantes de grupos de es-
tudos, além das vendas de suas publicações e
das inscrições nos eventos organizados, como Maria de Fátima Belo de Morais
conferências, seminários, jornadas e encontros
científicos. Desde sua fundação, o CEF-Recife
realiza anualmente uma Jornada de Estudos
de âmbito regional e um Encontro Anual de
„ Centro de Informações Antiveneno da
âmbito mais amplo, contando com a partici- Bahia (CIAVE) – 1980-
pação de convidados de destaque do Brasil e
colegas de outros países, com os quais man- É uma instituição pública estadual, assis-
tém suas interlocuções fortalecidas por uma tencial, que atua na orientação, diagnóstico
transferência de trabalho. Mantém, também, a e terapia de pacientes intoxicados. Localiza-
publicação da Revista Céfiso, agora em seu nú- se na estrada do Saboeiro, s/n., no Cabula,
mero 16, destinada a fazer circular as produ- Salvador-BA. As primeiras entidades ligadas
ções dos grupos e intervenções apresentadas às intoxicações exógenas surgiram na Europa
nas Jornadas e nos Encontros. Organiza, edita em 1949, nos Estados Unidos em 1963 e na Ar-
e publica os livros dos membros participantes, gentina em 1970. O primeiro centro antivene-

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no implantado no Brasil foi o da Prefeitura de citação em toxicologia para médicos emergen-


São Paulo e data de 1971. Em 1976, foi criado o cistas. Fornece informações a respeito de seus
Centro de Informações Toxicológicas em Por- trabalhos para vários estados do Brasil, além
to Alegre-RS, que originou o Sistema Nacional de fazer palestras em feiras da saúde e esco-
de Informações Toxicológicas (SNITF). O CIA- las públicas. Seus profissionais publicam em
VE foi criado pela Secretaria de Saúde do Es- revistas científicas e em congressos. O CIAVE
tado da Bahia (SESAB) e inaugurado em agos- está organizado em dois setores: o de ativida-
to de 1980, sendo Daisy Schuwab Rodrigues, de assistencial e o de apoio. O primeiro diz
enfermeira toxicologista, a atual diretora ge- respeito à assistência ao paciente, orientação
ral do centro. Foi o segundo implantado pelo diagnóstica e terapêutica, análise toxicológica
SNITF, dos 34 centros atualmente existentes de urgência, além de produção e fornecimento
no país, e é o único na Bahia, sendo Centro de de antídotos e soros antipeçonhentos. As ativi-
Referência Estadual em Toxicologia. O CIAVE dades de apoio são: toxicovigilância; toxicolo-
funciona em anexo do Hospital Roberto Santos gia veterinária; biológicas (plantas e animais);
(Salvador-BA), embora seja independente des- capacitação (objetivo dos núcleos de estudos
te. Seu objetivo é prestar informações e orien- e pesquisas); e atividades administrativas e
tações sobre toxicologia e sobre como proceder financeiras. A instituição ocupa uma área do
em caso de envenenamento a profissionais da Hospital Roberto Santos de 600 m² divididos
área de saúde, a entidades públicas e priva- em 25 salas que são: sala de apoio administra-
das e à população do Estado da Bahia, além tivo, sala da diretoria e secretaria, sala do plan-
de prestar atendimento médico de urgência e tão médico, consultório médico, coordenação
acompanhamento de pacientes intoxicados. administrativa, coordenação de descentraliza-
Com esse propósito, o centro se dedica à iden- ção e apoio à rede (distribuição de antídotos,
tificação, investigação e prevenção dos riscos soros etc.), laboratório de toxicologia, que se
tóxicos em todos os níveis, visando ao controle subdivide em: coleta, gerência, coordenação,
desses riscos nas comunidades por meio dos laboratório, coordenação de informática, almo-
programas de toxicovigilância; informação e xarifado, arquivo, expurgo (depósito de mate-
orientação toxicológica aos profissionais de rial de limpeza), Núcleo de Estudo e Pesquisa
saúde, de entidades públicas e privadas da ca- (NESPEC), biblioteca, psicologia, veterinária,
pital e interior e outros estados do Nordeste e biologia (sala de animais peçonhentos, sala do
à comunidade em geral; orientação no atendi- biólogo, portaria, sala do arsenal terapêutico –
mento médico de urgência e acompanhamen- antídotos e soros). No ano de 2000, quando o
to de pacientes intoxicados nas unidades do centro completou vinte anos de funcionamen-
Hospital Geral Roberto Santos; capacitação de to, inaugurou-se em sua área externa o jardim
recursos humanos pelo seu Núcleo de Estudos de plantas tóxicas. A criação do jardim está de
e Pesquisas. O ingresso dos funcionários ocorre acordo com as recomendações do Ministério
de três maneiras: por concursos; por meio de da Saúde através do Projeto de Plantas Tóxicas,
empresas terceirizadas, como por exemplo, os coordenado pela FIOCRUZ. Em 1991 o Serviço
médicos plantonistas, que são contratados pelo de Psicologia do CIAVE foi criado, com o obje-
Regime Especial de Direito Administrativo tivo inicial de atender à demanda de pacientes
(REDA); ou pela ocupação de cargos de con- com tentativa de suicídio por envenenamento
fiança. Desde o ano de fundação acontecem no que se encontravam internados no Hospital
centro os Cursos Anuais de Toxicologia Básica, Roberto Santos. Desde 2007, com a criação do
ministrados por profissionais do próprio CIA- Núcleo de Estudos e Prevenção do Suicídio
VE. Além disso, a instituição promove cursos (NEPS), a atuação da psicologia na instituição
para agentes comunitários de saúde e de capa- foi ampliada, passando a operar na prevenção

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do suicídio, fornecenecendo atendimento indi- com quatro psiquiatras, quatro assistentes so-
vidual e orientação à família para a população ciais, três psicólogos, dois neurologistas, três
de risco, ou seja, que tem queixa de depressão terapeutas ocupacionais, dois fonoaudiólogos
ou ideação suicida, e fornecendo acompanha- e três enfermeiros, sendo dois psicólogos com
mento psiquiátrico ao usuário. O serviço conta carga horária de 20 horas semanais e um com
com psicólogos e estagiários de psicologia. 40 horas semanais. O espaço físico da institui-
ção é composto por dois andares: o primeiro
Referência
possui um corredor onde fica a recepção, uma
sala para a coordenação, uma sala utilizada
Centro de Informações Antiveneno da Bahia. Dis-
por técnicos de enfermagem, uma para con-
ponível em: <h p://www.saude.ba.gov.br/ciave>.
Acesso em: 5 set. 2007. sultas médicas e uma escada que dá acesso ao
arquivo. Neste andar também está localizada
uma sala de espera, que dá acesso à copa, aos
Iramaia Santos Rodríguez
banheiros (dos usuários e dos funcionários) e
Elicarlos Coutinho de Oliveira a mais duas salas de atendimento. No segun-
Sunna Prieto de Azevedo do andar, há seis salas para atendimentos dos
Alessandra Tranquilli profissionais. A instituição oferece, na área de
psicologia, atendimento clínico e avaliação
psicológica. O SUS impõe algumas exigências
à instituição, que incluem a determinação de
„ Centro de Logopedia e Psicomotricidade cotas para avaliações e atendimento indivi-
da Bahia (CLPB) – 1972- dual. O CLPB funciona sem uma grade de ati-
vidades prontas, elas são livres. Dependendo
Fundado em 1972 por Maria José Lobo (fo- da demanda do grupo, o profissional define
noaudióloga), o Centro de Logopedia e Psico- a melhor maneira de prosseguir seu trabalho.
motricidade da Bahia (CLPB) localiza-se na rua Conta com um acervo bibliográfico composto
Frederico Costa, 89/91, Brotas, Salvador-BA. por alguns livros de avaliações psicológicas,
Inicialmente o CLPB só atendia pacientes parti- disponíveis para o trabalho dos psicólogos.
culares. Atualmente (2008) a clientela da insti- Assim, os demais profissionais que necessita-
tuição é predominantemente do SUS. O CLPB rem ampliar seus conhecimentos ou pesqui-
funciona como um ambulatório para crianças sar sobre algo específico deverão buscar fora
e adultos, objetivando o acompanhamento e da instituição. Sua relevância para a emer-
tratamento de pacientes portadores de deficiên- gência, institucionalização e expansão do
cia mental e transtornos de comportamento, campo da psicologia no Brasil está associada
tendo como público-alvo crianças, adolescente à disponibilização de diversos profissionais
e quaisquer outras pessoas portadoras de defi- da área de saúde pelo SUS e com a abertura
ciência mental e/ou transtornos de comporta- ao público em geral que necessita deste tipo
mento. A instituição é assistencial, não gover- de atendimento.
namental, de natureza filantrópica. Não foram
encontradas publicações institucionais nem
registro de eventos promovidos. Embora haja Referência
um estatuto, ele estava indisponível. O CLPB SILVA, L. A. M.; BRANCO, S. M. C.; MELO, B. C.
tem como dirigente a superintendente Maria S. Entrevista concedida a Gabriela Neiva Orrico.
Salvador, 26 mar. 2008.
José Lobo que, desde a sua fundação, tem lu-
tado em prol de verbas governamentais visan-
do à manutenção da instituição. O CLPB conta Gabriela Neiva Orrico

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„ Centro de Orientação e Seleção dito, criado em virtude da diretriz de depar-


Psicotécnica (COESP) – 1970-1988 tamentalização imposta pela referida reforma
e que deu origem ao atual Instituto de Psico-
Departamento de Psicologia da
logia da UFRGS. Na prática, a coexistência do
Universidade Federal do Rio Grande do
COESP e do Departamento de Psicologia refle-
Sul (UFRGS) – 1954-1970 tiria a presença de dois grupos ligados à psico-
logia na UFRGS após a reforma universitária.
O COESP foi criado em novembro de 1970, O COESP manteve a tradição e experiência
pelo primeiro Departamento de Psicologia da do Departamento de Psicologia Clínica, mas
Universidade Federal do Rio Grande do Sul constituía-se em um órgão suplementar vincu-
(UFRGS). O COESP foi um órgão ativo na lado à Pró-Reitoria de Extensão. Além das ati-
prestação de serviços psicológicos à comuni- vidades de psicologia aplicada, o COESP pro-
dade em geral e à comunidade universitária moveu diversos cursos de extensão, mas não
em particular, além de promover, por meio de teve participação direta no estabelecimento
suas atividades e cursos, o interesse de futuros do Curso de Psicologia da UFRGS. Este ficou
psicólogos sul-rio-grandenses pela psicologia a cargo do novo Departamento de Psicologia.
aplicada. Instalado em 22 de abril de 1954, o Nos anos de 1980, o COESP serviu principal-
primeiro Departamento de Psicologia integra- mente como local de estágio e supervisão para
va a Faculdade de Filosofia da Universidade os alunos do curso de graduação em Psicolo-
do Rio Grande do Sul (URGS), posteriormente gia. O COESP editou um periódico intitulado
UFRGS. Foi nomeado para a sua chefia o pro- Cadernos de Psicologia Aplicada, idealizado e
fessor catedrático Nilo Antunes Maciel. De- fundado, conforme consta na publicação, pelo
vido às atividades voltadas para a psicologia professor Arthur de Ma os Saldanha. O pe-
aplicada nas áreas de psicologia clínica, psi- riódico circulou por três anos (1973 a 1975),
cologia do trabalho e psicologia escolar, ficou perfazendo um total de três volumes, com seis
mais conhecido como Departamento de Psi- números. O material publicado incluía artigos
cologia Clínica. Era diretamente vinculado à teóricos e empíricos, vasto noticiário sobre as
Reitoria e prestava serviços de psicodiagnósti- atividades do COESP e acontecimentos im-
co, orientação e seleção profissional, voltados portantes na área da psicologia profissional e
primariamente à contratação de funcionários científica. A qualidade da publicação, compa-
da própria universidade. O Departamento de rada com outras existentes no Brasil naquela
Psicologia Clínica, bem como as cátedras de época, assemelhava-se aos Arquivos Brasilei-
Psicologia nos cursos de graduação Filosofia e ros de Psicologia Aplicada; sua apresentação
Pedagogia, foi importante contexto de forma- gráfica era excelente, com boa padronização
ção de novos psicologistas no estado. Ligado de estilo, e numeração contínua de páginas.
ao ensino de Psicologia da Faculdade de Filo- Em 1988, o COESP foi extinto em consequên-
sofia, o departamento traduzia a influência da cia de uma reforma administrativa da UFRGS.
visão de Nilo Maciel a respeito da aplicação Suas instalações e os recursos materiais, loca-
empresarial do conhecimento e dos instru- lizados num prédio do campus das Ciências
mentos psicológicos. Nilo Maciel foi sucedido da Saúde, nas proximidades do Hospital de
pelo professor Artur de Ma os Saldanha, que Clínicas, foram herdados pela atual Clínica de
seria o último coordenador do Departamento Atendimento Psicológico do Instituto de Psi-
cologia da UFRGS.
de Psicologia Clínica e o primeiro diretor do
COESP, órgão criado para substituir aquele
departamento em virtude da reforma univer- Referências
sitária. Note-se que aquele primeiro Departa- GAUER, G. Psicologia na Universidade Federal
mento de Psicologia Clínica, prévio à reforma do Rio Grande do Sul. Dissertação (Mestrado em
universitária de 1968, não se confunde com Psicologia do Desenvolvimento). Universidade Fe-
o Departamento de Psicologia propriamente deral do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2001.

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GAUER, G.; GOMES, W. B. “O Curso da Reforma: a funcionar de segunda a sexta-feira nos três
ensino de Psicologia na Universidade Federal do turnos. É, pois, uma instituição assistencial e
Rio Grande do Sul (1971-1979)”. Psicologia: Refle- de prestação de serviços de natureza filantró-
xão & Crítica, v. 15, n. 3, p. 497-513, 2002.
pica, sendo o MFC a entidade mantenedora.
GAUER, G.; GOMES, W. B. Psicologia na Univer- Todo o trabalho é realizado por voluntários.
sidade Federal do Rio Grande do Sul: 1943-2003. Tem como principais objetivos: atender pes-
Disponível em: <h p://www.ufrgs.br/museupsi/su-
soas e famílias em crise de relacionamento
mario.htm>. Acesso em: 25 jul. 2007.
interpessoal; promover estudos e pesquisas
GOMES, W. B. (Org.). Psicologia no estado do Rio
relacionadas à temática família-sociedade;
Grande do Sul. Porto Alegre, nov. 2006. Disponí-
vel em: <h p://www.ufrgs.br/museupsi/PSI-RS/su-
promover atividades socioeducativas no âm-
mars.htm>. Acesso em: 25 jul. 2007. bito família-sociedade; promover cursos de
INSTITUTO DE PSICOLOGIA DA UNIVERSIDA-
especialização em terapia familiar. Atende to-
DE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Dispo- das as faixas etárias, recebendo reduzida taxa
nível em: < h p://www.psicologia.ufrgs.br/>. Aces- de contribuição das pessoas e famílias atendi-
so em: 25 jul. 2007. das. Suas instalações constam de duas peque-
nas salas, nas quais funcionam a recepção e a
secretaria, e quatro salas para o atendimento
Luciano Ferreira Piccoli
aos clientes. Funciona nos dias úteis, das 8:00
William Barbosa Gomes
às 20:00 horas, reservando sábados e domin-
Gustavo Gauer
gos para eventuais cursos e vivências grupais.
A estrutura do COFAM é a seguinte: conselho
administrativo, composto pelo presidente Ta-
„ Centro de Orientação Familiar (COFAM) les Graco Pombo, secretário e tesoureiro; con-
– 1980- selho fiscal; diretoria executiva, Magda Dussel
Hita; coordenação de cursos, Margarida Rego;
coordenação de triagem, Jacira Barbosa; coor-
Em 1979 o Movimento Familiar Cristão
denação técnica, Aidil Fadul; coordenação
(MFC) recebeu de dom Thomas Murphy, bis-
técnica de terapia familiar, Terezinha Alves;
po auxiliar de Salvador, a incumbência de im-
coordenação de pesquisa e documentação,
plantar um centro de atendimento à família,
semelhante ao Centro de Orientação Familiar Ada Nícia Nogueira Santos. O COFAM pos-
(COF) de Campinas-SP. A equipe diocesana sui biblioteca especializada em família e tera-
do MFC de Salvador organizou um grupo de pia familiar, na qual constam, além de publi-
trabalho para coordenar a instalação e fun- cações do próprio MFC, como a Revista Fato e
cionamento do COFAM. Para este fim, con- Razão (publicação trimestral) e livros especial-
seguiu-se que a Santa Casa de Misericórdia mente dirigidos para os trabalhos das equipes
cedesse o pavilhão Júlia Carvalho, situado na do movimento de cursos de preparação matri-
avenida Joana Angélica, 79, no bairro de Na- monial, monografias de conclusão dos cursos
zaré. Em 1980 o COFAM deu início às suas ati- de pós-graduação mantidos pelo COFAM em
vidades contando com profissionais de saúde convênio com a UCSAL: Especialização em
da área de psicologia, atendendo duas tardes Família, dirigida a profissionais que desejam
por semana. Porém, a instituição só foi oficial- ampliar seus conhecimentos, e Especialização
mente inaugurada por Jorge e Ana Maria Stu- em Terapia Familiar, dirigida aos profissionais
dart em março do mesmo ano, contando com aprovados nas disciplinas do curso supraci-
a presença de autoridades eclesiásticas, com tado, tendo como objetivo final a formação
o assistente espiritual do centro, com partici- de terapeutas familiares. Os profissionais do
pantes do MFC e com pessoas da comunida- COFAM são frequentemente convidados a
de. Depois da inauguração, o COFAM passou participarem de mesas-redondas, conferên-

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cias, discussões sobre a temática da instituição „ Centro de Orientação Infantil – 1949-1949


nos jornais e telejornais locais e a realizarem
trabalhos específicos em escolas, empresas, Instalado em 1949, junto ao Departamento
centros comunitários e paróquias, em regime Estadual da Criança (DEC), órgão da Secreta-
de trabalho voluntário. Atuam no COFAM ria da Saúde e Assistência Social de Curitiba.
profissionais que preencham os seguintes re- Idealizado para ser uma nova organização,
quisitos: graduação e especialização compro- baseada nos modernos princípios da neu-
vadas na área em que atuam (atendimento ropsiquiatria, o centro teve por finalidade
individual, grupal, casal, familiar, comuni- estudar as perturbações mentais apresenta-
tário e áreas afins), totalizando aproximada- das por crianças em idade pré-escolar e es-
mente setenta profissionais; estagiários dos colar que poderiam impedir uma adaptação
cursos de Especialização em Terapia Familiar social adequada destas, prejudicando seu
e Terapia Comunitária, com a supervisão da ajustamento ao meio familiar, escolar e, futu-
Universidade Católica de Salvador; estagiá- ramente, profissional. Os estudos do centro
abrangiam tanto os aspectos médicos e neu-
rios do oitavo semestre de Psicologia, com a
rológicos como os aspectos psicossociais das
supervisão da entidade de ensino ou super-
perturbações mentais. Compreendia-se na épo-
visão particular devidamente comprovadas. ca que as questões que comprometiam o de-
O COFAM mantém parceria com o Núcleo de senvolvimento da criança não poderiam ser
Estudo das Terapias (NET) para realização de resolvidas senão por meio de uma atenta ob-
cursos, vivências e seminários. Os profissio- servação das ações complexas do terreno bio-
nais que atendem no COFAM há no mínimo lógico, das reações psicológicas, da influência
dois anos poderão realizar atendimentos, em das doenças orgânicas e dos traumatismos. O
seus consultórios particulares, individuais, programa traçado pelo Centro de Orientação
casais e famílias encaminhadas pelo próprio Infantil entendia que os métodos científicos
COFAM, na condição de receberem pelo tra- para o estudo das perturbações da inteligên-
balho profissional uma taxa compatível com cia e do caráter da criança não deveriam ser
a mensalidade paga anteriormente ao centro. os mesmos empregados na pediatria e nem
O trabalho realizado nesta instituição é rele- os mesmos da psiquiatria dos adultos, pois
ao exame médico, neurológico e ao diag-
vante para a expansão da terapia individual,
nóstico psiquiátrico clínico deveriam ser as-
de casal, de família e comunitária; de traba-
sociadas técnicas de medidas psicológicas:
lhos pedagógicos-vivenciais com grupos, com
testes de inteligência, de nível mental, de
família; de trabalhos científicos e de pesqui- maturidade, de caráter, de orientação profis-
sas, principalmente no âmbito da família, te- sional, entre outros. O diagnóstico e o trata-
rapia familiar e comunitária. mento das perturbações das crianças neces-
sitavam, portanto, da colaboração de uma
Referências equipe composta por psiquiatra, pedagogo,
psicólogo e assistente social. Desta forma, a
MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO (MFC). Rela-
equipe constituída para atuar no centro teve
tório de 21 anos de existência do COFAM – Coletâ-
como responsável pela orientação técnica o
nea. Salvador, 2002, Mimeo.
pediatra Domício Costa, diretor de divisão
MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO (MFC). Cole- do DEC; a professora Pórcia Guimarães Al-
ção Revista Fato e Razão. Rio de Janeiro, [s.n., s.d.], ves, a quem coube a parte de psicologia; a
vol. 1. professora Eny Caldeira; o pediatra Plínio
Pessoa; o clínico Osíres Rego Barros; os psi-
Carmefran Viana Araújo Teixeira quiatras José Sche ini e Launfran Villanue-

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va; a assistente social Maria Rute Junquei- Infância e Adolescência (CAPSI), registrado
ra e auxiliares de serviços sociais. O centro no Ministério da Saúde desde 1998. Além des-
funcionou apenas durante alguns meses e de ses projetos específicos, atende a outras desor-
forma precária. dens emocionais e comportamentais infanto-
juvenis e oferece terapia na área pedagógica
Referências e psicomotora a crianças e adolescentes das
ALVES, P. G. Memórias da Psicologia no Paraná. redes pública e particular de educação. Todos
Curitiba: Pinha, 1997. estes projetos contam com parcerias com ór-
CAMPOS, R. H de F. (Org.). Dicionário Biográfico gãos das Secretarias de Saúde, de Educação
da Psicologia no Brasil. Rio de Janeiro: Imago, 2001. e de Justiça do DF. Dentro deste contexto, o
PROTEÇÃO à maternidade e a infância. Gazeta do setor de psicologia, existente desde a funda-
Povo, Curitiba-PR, ano XXXI, n. 8681, 22 jul. 1949. ção do COMPP, desenvolve atividades de: psi-
coterapia individual e psicoterapia de grupo;
Sheila Maria Rosin psicodiagnóstico individual e psicodiagnós-
tico interventivo em grupo; grupos de apoio
e orientação aos pais de crianças hiperati-
vas; grupo de apoio e orientação aos pais de
„ Centro de Orientação Médico- crianças vítimas de abuso sexual e violência
Psicopedagógica (COMPP) – 1969- doméstica; atendimento multifamiliar; gru-
po terapêutico com os pais das crianças em
Criado em 23 de outubro de 1969, é um atendimento; grupo terapêutico com pais de
órgão da Secretaria de Saúde do governo do crianças e adolescentes com transtorno inva-
Distrito Federal. Pioneiro em sua área de atua- sivo do desenvolvimento (autismo, psicose,
ção, é a única instituição pública do Distrito borderline); visitas domiciliares conforme
Federal para atendimento em saúde mental a necessidade da criança e sua família; tera-
de crianças e adolescentes. O COMPP possui pia psicomotora em grupo e individual. Há
um modelo especializado de atenção inter- ainda a atividade de preceptoria, na qual os
disciplinar, contando com diferentes especia- psicólogos seniores atuam como supervisores
lidades (psiquiatria, neurologia, psicologia, de psicólogos em treinamento e de alunos de
pedagogia, fonoaudiologia, enfermagem, te-
psicologia em estágio clínico de final de curso.
rapia ocupacional, nutrição e serviço social).
Neste último caso, as instituições de ensino
Esse modelo, além de permitir a oferta de uma
públicas e privadas que oferecem o curso de
atenção diferenciada à saúde mental de crian-
ças e de adolescentes, tem contribuído para graduação em Psicologia devem ser convenia-
o desenvolvimento do exercício profissional, das com a Secretaria de Saúde.
no contexto multiprofissional em saúde, com
a oferta sistemática de estágio e treinamento Referências
em serviço associada aos programas e pro- COMPP, Secretaria de Estado de Saúde do Gover-
jetos do COMPP, que envolvem as diversas no do Distrito Federal. Relatório de Atividades do
especialidades. Desenvolve programa de Pre- COMPP de 2007. Brasília, 2007.
venção a Acidentes e Violência (PAV); Projeto
DIÁRIO OFICIAL DO DISTRITO FEDERAL. Decre-
de Atendimento aos Transtornos Alimentares
to 1.174 de 23/10/1969. Brasília, 1969.
(GATA); Projeto de Atenção ao Transtorno de
Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH);
e Ambulatório de Enxaqueca. Conta também Sheila Antony
com um Centro de Atenção Psicossocial para Andréa Gonçalves

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„ Centro de Pesquisas e Orientação tins, encontra-se a publicação dos resultados


Educacionais da Secretaria de Educação de pesquisas desenvolvidas e outros estudos
e Cultura do Estado do Rio Grande do e levantamentos em andamento ou concluí-
Sul (CPOE) – 1943-197(?) dos; atividades da seção de psicologia; orien-
tações técnicas e pedagógicas (instruções e
Secção Técnica da Diretoria Geral de
comunicados). Alguns textos são acompa-
Instrução Pública – 1935-1943 nhados por gráficos ou figuras ilustrativas.
Além disso, encontram-se publicados ofícios,
Em 17 de junho de 1943, a Secção Técnica informações sobre atividades como cursos,
da Diretoria Geral de Instrução Pública, coor- seminários, missões pedagógicas, visitas a
denada pelas professoras Olga Acauan Gayer escolas e legislação. Os comunicados e as
e Marieta da Cunha e Silva, transformou-se instruções chegavam aos professores com
no CPOE da Secretaria de Educação e Cultu- orientações de como proceder, por exem-
ra do Estado do Rio Grande do Sul (SEC-RS). plo, em relação aos critérios de verificação
Instituído pelo Decreto 794, cabia ao CPOE a do rendimento da aprendizagem; aos tipos
realização de estudos e investigações psico- de questões para a verificação da aprendi-
lógicas, pedagógicas e sociais, destinadas a zagem; atividades para estudos sociais e es-
manter em bases científicas o trabalho escolar. tudos naturais na escola primária. Incluíam
O CPOE desenvolvia estudos de caráter obje- ainda sugestões para o ensino; orientações
tivo sobre a criança em todos os aspectos que para o planejamento escolar e para orienta-
intervêm no processo educativo (biológico, ção educacional. A presença da psicologia se
psicológico, sociológico, pedagógico); sobre a fazia notar pelos cursos de aperfeiçoamento,
aprendizagem (princípios e leis, instrumentos com técnicas e teorias psicológicas, destina-
e processos, conteúdo e eficiência); e sobre o dos tanto aos professores como aos orienta-
meio escolar (disciplina, instituições, recrea- dores educacionais da rede estadual de ensi-
ções, relações com o meio social). Procurava no, além da ênfase na aplicação das técnicas
desenvolver atividades de orientação por meio de avaliação psicológica, com o aparecimento
de cursos e reuniões; visitas às unidades es- gradual dos testes projetivos. A preocupação
colares; direção de ensaios pedagógicos; res- com o psicodiagnóstico infantil abarcava não
postas a consultas de ordem técnica; elabo- somente a avaliação da inteligência, mas tam-
ração de programas, planos, comunicados, bém dos componentes afetivos envolvidos no
circulares e instruções aos professores; ma- processo de aprendizagem. Havia inclusive
nutenção de uma biblioteca central de obras um estudo detalhado das fases do desenvol-
pedagógicas e escolares; indicação de livros vimento infantil. O CPOE tinha o intuito de
didáticos e de obras para as bibliotecas do pro- pôr em prática as ideias da Escola Nova, sen-
fessor e da criança, organizando e revisando do influenciado também pelo funcionalismo
muito desses materiais. Elaborava ainda me- e pelo higienismo. Existia a preocupação de
didas para organização das classes, orienta- utilizar o arcabouço científico, em especial
ção educacional e controle do rendimento os métodos de testagem, para um constan-
escolar. Mantinha uma publicação institucio- te aprimoramento da educação. Para além
nal própria, o Boletim do Centro de Pesquisas dos estudos a respeito do desenvolvimento
e Orientação Educacionais (Boletim do CPOE), normal, havia interesse na investigação dos
publicado entre 1947 e 1966. No primeiro nú- transtornos biológicos e psicológicos da in-
mero estão anunciadas as suas finalidades, fância e da adolescência. Estava, pois, em
que se dirigem no sentido de informar, de consonância com o panorama da pedagogia
promover a difusão de novas práticas com da época, que buscava uma padronização dos
base em um espírito científico e de vincular o problemas de aprendizagem com intuito de
trabalho desenvolvido pelo centro com o mo- construir estratégias de intervenção. Acredi-
vimento renovador em educação. Nos bole- tava-se que isto somente seria possível com o

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conhecimento detalhado do desenvolvimen- de semana, pela falta de psicodramatistas na


to normal e patológico. Deste modo, os ins- cidade. Em 1989 foi iniciada a primeira tur-
trumentos de avaliação psicológica fornece- ma, em Brasília, de Psicodrama Aplicado,
riam os dados empíricos necessários para a hoje denominado Psicodrama Socioeduca-
prática pedagógica. Por meio das pesquisas, cional. As formações em Psicodrama Tera-
cursos e boletins, o CPOE foi um órgão ativo pêutico e em Psicodrama Socioeducacional
na prestação de serviços psicológicos e na di- incluíam, como incluem até hoje, conteúdo
fusão da psicologia aplicada, principalmente teórico, processo terapêutico e supervisão
à educação. Suas atividades e cursos fomen- da prática psicodramática, além de redação
taram o interesse de futuros psicologistas de uma monografia ao final do curso. O CPB
por essa área. Não se pode precisar o fim do tem uma história de trabalho comunitário
CPOE, mas acredita-se que este tenha tido a relevante, desenvolvendo em instituições de
sua denominação modificada ou que tenha saúde, centros comunitários e outros, desde
sido incorporado a outros órgãos da SEC-RS. 1985, atividades de treinamento do papel
profissional, cursos sobre temas específicos
com enfoque psicodramático ou sociodramá-
Referências
tico de diagnóstico, e intervenções em esco-
BOLETINS DO CENTRO DE PESQUISA E ORIEN- las públicas e privadas. Realiza, atualmente,
TAÇÃO EDUCACIONAIS (CPOE). Porto Alegre: trabalhos de prevenção à AIDS, ao abuso de
Secretaria da Educação e Cultura do Estado Rio drogas e à violência, principalmente em es-
Grande do Sul, 1947-1966. paços públicos como shoppings e feiras, esco-
LHULLIER, C. As ideias psicológicas e o ensino las, empresas e órgãos públicos. O CPB foi
de Psicologia nos cursos normais de Porto Alegre fundado por Maria Eveline Cascardo Ramos
no período de 1920 a 1950. Dissertação (Mestrado e Eliana Lazzarinni e, hoje, é um núcleo do
em Psicologia do Desenvolvimento). Universidade Instituto de Pesquisa e Intervenção Psicos-
Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1999. social (INTERPSI), dirigido por Maria Eveli-
QUADROS, C. “Boletins do CPOE/RS (1947-1966): ne Cascardo Ramos e Marlene Magnabosco
Produção, Circulação e Leitura”. In: CONGRESSO Marra, ambas psicólogas, mestres em Psico-
LUSO-BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA EDUCA- logia Clínica.
ÇÃO. Anais do 6º Congresso Luso-Brasileiro de
História da Educação (COLUBHE 06). Uberlândia,
MG: UFU, 2006. Maria Eveline Cascardo Ramos

Luciano Ferreira Piccoli


Cristina Lhullier „ Centro de Psicologia Aplicada (CEPA)
– 1952

Sociedade civil fundada em 1952, sendo sua


„ Centro de Psicodrama de Brasília (CPB)
primeira diretoria constituída por Antonio Ro-
– 1979-
drigues – diretor presidente (administrador,
economista, psicólogo e professor); Otacílio
Fundado em setembro de 1979, filiado à Fe- Rainho – diretor honorário (médico, professor
deração Brasileira de Psicodrama (FEBRAP), e diretor do Liceu Literário Português, psicó-
iniciou suas atividades com o curso de for- logo e escritor); Theodomiro Rothier Duarte –
mação em Psicodrama Terapêutico, voltado presidente de honra (engenheiro, professor
para o atendimento clínico. O CPB contava, do Colégio Pedro II e diretor do Colégio Paulo
na ocasião, com professores vindos de insti- de Frontin, e Pierre Weil – diretor técnico (psi-
tuições de São Paulo para maratonas de fim cólogo, professor e escritor, contratado, junto

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com Leon Walter, para trabalhar com Eva Nick empresas e exame para concursos oficiais;
no SENAC; membro-fundador da Associação Departamento Educacional, que promove e
Brasileira de Psicologia). Seu surgimento no administra cursos de especialização e seminá-
cenário da psicologia no Brasil ocorreu qua- rios para psicólogos, psiquiatras, administra-
se que simultaneamente ao do ISOP (Instituto dores, chefes de pessoal, orientadores educa-
de Seleção e Orientação Profissional), dirigido cionais, professores e estudantes de Psicologia
por Emilio Myra y Lopez, e da Associação Bra- e demais profissionais que atuam diretamente
sileira de Psicologia, tendo as três instituições com o ser humano. Também promove e admi-
desenvolvido um trabalhado pioneiro para a nistra cursos e/ou treinamento intensivos e
regulamentação da psicologia no Brasil. Foi especiais; Departamento de Estudos, dirigido
criado nos moldes do Centre de Psychologie para o desenvolvimento de trabalhos relativos
Appliquée (CEP), sediado na França, cujo à análise, tradução e adaptação de novos tes-
objetivo era oferecer cursos de formação em tes psicológicos para publicação. Acompanha
Seleção e Treinamento Profissional. Desde sua projetos em parceria com outras instituições,
fundação o CEPA tem-se dedicado à aplicação promovendo apoio técnico e material neces-
de métodos da psicologia para a resolução dos sário para a realização de trabalhos da área
problemas humanos, em aulas, conferências, da Psicometria. Presta assessoria técnica para
orientação e publicações relativas a grupos empresas, por meio de pareceres técnicos, e
de atividades, que são sempre atualizadas de assistência técnica para profissionais de Psi-
acordo com demandas emergentes da socie- cologia para assuntos relacionados ao campo
dade civil e da própria psicologia. Tal como da Psicologia Aplicada; Departamento Edito-
estabelecido na cláusula nº 1 de seu estatuto, rial, voltado para a edição, importação e co-
essas atividades são as que se seguem: adap- mercialização de material pedagógico, testes
tação do homem ao trabalho pela seleção e psicológicos e educacionais, livros, teses de
reajustamento profissional, pela modificação Psicologia e material didático de Psicologia;
do ambiente, do material e dos processos de Departamento Clínico e Desportivo, criado
trabalho e pela orientação de adolescentes; em 2002, que objetiva oferecer espaço psico-
orientação vocacional; orientação vital; pes- terapêutico para aqueles que buscam apro-
quisas psicológicas com a finalidade de re- fundar o conhecimento de suas capacidades
novar as técnicas utilizadas e de adaptar ao e potencialidades. Possui filiais nas cidades
Brasil as técnicas estrangeiras; divulgação da de Macaé e Niterói (ambas no Rio de Janeiro)
Psicologia Aplicada para o público em geral e representantes nas capitais e grandes cida-
e das técnicas e processos para psicólogos, des de outros estados brasileiros. O CEPA,
educadores e médicos; intercâmbio com enti- desde de sua criação, tem contribuído para a
dades estrangeiras para a obtenção de suas re- disseminação da cultura dos testes no Brasil,
presentações e concessão de direitos autorais configurando-se, até hoje, como um dos prin-
e venda de material psicotécnico e didático. cipais editores desse testes no Brasil, manten-
O CEPA tem, assim, se dedicado a selecionar, do amplo acervo de testes psicológicos na-
treinar e desenvolver o potencial dos traba- cionais e estrangeiros, manuais de aplicação
lhadores de empresas privadas, institucionais desses instrumentos e material bibliográfico
e corporativas, além de fomentar um trabalho sobre esse ramo da Psicologia Aplicada. Seus
permanente de orientação profissional, de técnicos organizaram, ainda, a Bateria Fatorial
acordo com perfis preestabelecidos. Atual- CEPA, nos moldes de baterias multifatoriais
mente o CEPA mantém os seguintes depar- importadas (como a BTAG), que reúne testes
tamentos, responsáveis pela implementação de origem e finalidades diversas, cuidadosa-
dessas atividades: Departamento Técnico, que mente escolhidos seguindo os critérios defini-
executa atividades referentes à avaliação psi- dos pela Psicometria, utilizada até o presente,
cológica com vistas à seleção profissional para e que se propõem a ser um instrumento auxi-

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liar para os processos de orientação e seleção recursos humanos em psicologia, pedagogia e


educacional e profissional. Sua diretoria atual de projetos que resultaram na criação dos pri-
é composta por: Antonio Rodrigues – diretor meiros cursos de Psicologia de Minas Gerais:
presidente; Maria Helena Rodrigues – direto- o da então Universidade Católica de Minas
ra pedagógica; Pierre Weil – diretor técnico e Gerais (hoje, Pontifícia Universidade Católica
Viviane Weil Afonso – diretora médica. de Minas Gerais – PUC-Minas) e o da Facul-
dade de Filosofia, Ciências e Letras da Univer-
sidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Por
Referência
um longo período, foi o único órgão oficial do
RODRIGUES, A. Entrevista concedida a Silvia
Estado de Minas Gerais a oferecer serviços de
Carvalho Vasconcelos. Rio de Janeiro, 20 nov. 2007.
psicologia aplicada voltados para orientação e
seleção de pessoal e atendimento psicossocial
Sílvia Vasconcelos Carvalho gratuito à população de Belo Horizonte e do
interior do estado. O SOSP era subdividido
em três setores. O setor de orientação infan-
til atendia a crianças do pré-escolar ao ensi-
„ Centro de Psicologia Aplicada (CENPA) no fundamental, encaminhadas pelo IEMG
– 1994- e por outras escolas e órgãos públicos. Sua
Serviço de Orientação e Seleção clientela eram crianças de três a 14 anos, com
Profissional (SOSP) – 1949-1994 dificuldades emocionais, psicomotoras e/ou
pedagógicas de adaptação social e aprendiza-
gem escolar. Pais e professores eram orienta-
Criado pela Lei Estadual 482, de 11/11/1949,
dos para a condução mais adequada de cada
o SOSP foi organizado pelo professor Emílio
caso. Tinha como finalidade a aplicação de um
Mira y López (1886-1964), diretor técnico do
conjunto de medidas técnicas que visava à in-
Instituto de Seleção e Orientação Profissional tegração da criança no meio familiar, escolar
(ISOP) do Rio de Janeiro, a convite do go- e social. Entre tais medidas, encontravam-se:
vernador Milton Campos e do secretário de avaliação psicológica da criança (aspecto inte-
estado da Educação de Minas Gerais, Abgar lectual, psicomotor, emocional e psicopeda-
Renault. Órgão do Instituto de Educação gógico); levantamento de hipótese diagnósti-
de Minas Gerais (IEMG), sua sede, anexa ao ca; orientação de medidas terapêuticas mais
IEMG, teve suas dependências especialmen- adequadas e encaminhamentos; e tratamento
te construídas para o exercício da psicologia psicológico, que abrangia as seguintes possi-
aplicada. Seu objetivo era orientar vocações bilidades: orientação psicológica; psicoterapia
no meio escolar e estabelecer critérios para a infantil (ludoterapia); reeducação psicomoto-
seleção de pessoal destinado à administração ra; e orientação de pais e professores. Já o setor
pública e a organizações particulares. Com de orientação vocacional e profissional, criado
um quadro de pessoal habilitado, funcionava em 1962, atendia a adolescentes e adultos que
nos moldes do ISOP do Rio de Janeiro. Para buscavam alternativas profissionais e educa-
sua chefia foi contratado, em 1949, o profes- cionais. Com o uso de técnicas de projeção e
sor Sincha Jerzy Schwarzstein, da Universida- recursos audiovisuais, o SOSP oferecia acesso
de de Genebra. No ano seguinte, esta passou a informações e pesquisas sobre as profissões
para o professor Pedro Parafita de Bessa. Ao e cursos. O processo consistia em: avaliação
final da década de 1960, assumia a psicóloga psicológica do sujeito, investigação da his-
Marina Machado Tavares, que permaneceu tória de vida, habilidades e interesses; infor-
até a década de 1980, quando foi substituída mação sobre as diversas profissões e campos
pela também psicóloga Regina Morato Cam- de atuação; e orientação sobre as profissões
pos. O SOSP tornou-se fonte de formação de mais adequadas. O setor de seleção profissio-

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nal realizava seleção de pessoal para várias uma fase de transição (1990-1993), assumiu a
instituições, públicas e particulares, e também direção a psicóloga Marlene Baptista Franco.
para os cursos de graduação e especialização Em 22 de setembro de 1994, pela Lei Estadual
em Pedagogia, Medicina e Biblioteconomia. 11.539, art. 24, inciso IV, juntamente com a Es-
Realizava, ainda, seleções para juiz de direito, cola Guignard, a Fundação Mineira de Arte
promotor e juiz do trabalho, elaborava laudos Aleijadinho (FUMA) e o Curso de Pedagogia
periciais e julgamentos sobre laudos duvi- do IEMG, o SOSP foi incorporado à Univer-
dosos e discrepantes de outras clínicas. Sua sidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e
decisão final era, geralmente, bem acatada. transformado em CENPA. Este, atualmente, é
O serviço administrativo do SOSP organizava subordinado à reitoria da UEMG/Campus de
os processos e laudos psicológicos em arqui- Belo Horizonte e funciona no mesmo prédio
vos, e ainda fiscalizava o uso e conservação do onde ficava o SOSP. Está limitado, entretan-
material existente, além de elaborar ofícios, to, a duas salas, sendo que uma sala de aula
laudos, certidões, atestados e atendimento é utilizada para os atendimentos. Sua direção
direto ao público. De sua criação até hoje, o desde 2002 está a cargo da psicóloga Maria de
SOSP passou por transformações internas, Lourdes Costa Ribeiro e sua equipe, hoje, é
motivadas pela necessidade de acompanhar formada por três psicólogas, uma funcionária
o desenvolvimento da psicologia e de respon- administrativa e uma estagiária. Tem acolhi-
der à demanda de sua clientela. A princípio, do estagiários dos cursos de Pedagogia da
o SOSP importou modelos de atendimento, UEMG e de Psicologia da FUMEC. Após um
técnicas de exame e de avaliação do compor- longo período de dificuldades e mudanças,
tamento de outros países. Trazidos dos Esta- em que seu quadro de funcionários foi extre-
dos Unidos, os testes eram utilizados para mamente reduzido, o CENPA vem buscando
diagnóstico da inteligência, para sondagem adequar-se à nova realidade. Pretende manter
de aptidões e avaliação de interesses. Depois, sua vocação original, apresentando uma pro-
foram construídos métodos próprios, técnicas posta de estudos e práticas ligadas à orienta-
de orientação vocacional e educacional e pro- ção vocacional de adolescentes e reorientação
cedimentos ligados à seleção profissional para profissional de demanda espontânea. Realiza,
vários cargos do Estado de Minas Gerais. Ao ainda, o Projeto de Desenvolvimento da Com-
final da década de 1960, o advento de estudos petência Humana, acompanhando estudantes
sobre as doutrinas científicas do humanismo das Escolas de Design e da Faculdade de Edu-
e da dialética hegeliana provocou uma reação cação da UEMG.
crítica à quantificação e ao positivismo, ge-
rando crescente desinteresse pelas medidas
Referências
psicológicas e instrumentos psicométricos.
A ênfase das atividades do SOSP recaiu, en- ARQUIVOS BRASILEIROS DE PSICOTÉCNICA.
Rio de Janeiro, v. 2, n. 1, mar. 1950.
tão, na avaliação psicológica com visão dinâ-
mica da personalidade, buscando resguardar ARQUIVOS BRASILEIROS DE PSICOTÉCNICA.
a qualidade de seu trabalho. Ofereceu campo Rio de Janeiro, v. 6, n. 2, jun. 1954.
de estágio a alunos de psicologia e de pedago- BARROS, J. A.; RIBEIRO, M. de L. C.; SILVA, N.
gia, principalmente da UFMG e da PUC-Mi- L. Serviço de Orientação e Seleção Profissional –
nas, formou quadros para órgãos criados pelo SOSP: investigação sobre a história da psicologia
governo do estado e desenvolveu pesquisas, e a história da educação em Minas Gerais (1949-
visando analisar, adaptar, padronizar e atua- 1994). Diamantina: [s.n.], 2006.
lizar os instrumentos de avaliação psicológica CAMPOS, R. C.; ROSA, W. M. “Serviço de Orien-
para utilização na população brasileira e criar tação e Seleção Profissional-SOSP (1949-1994): uma
novas metodologias em orientação profis- história a ser contada”. Vertentes. São João Del Rei,
sional e técnicas de exame psicológico. Após n. 25, p. 57-64, jan./jun. 2005.

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CAMPOS, R. H. “História da psicologia e história na pessoa, através de atividades de ensino,


da educação – conexões”. In: FONSECA, T. N. de pesquisa e atendimento psicoterápico. Seus
L. História e historiografia da Educação no Brasil. princípios orientadores são, pois, a psicolo-
Belo Horizonte: Autêntica, 2003. gia humanista, principalmente o pensamento
FRANCA, M. et al. Projeto de transformação do de Carl Rogers e colaboradores. A instituição
Serviço de Orientação e Seleção Profissional – se dedica à prestação de serviços de assis-
SOSP em Centro de Psicologia Aplicada – CENPA tência psicológica individual e em grupo a
e sua incorporação à Universidade do Estado de crianças, adolescentes e adultos; à formação de
Minas Gerais. Belo Horizonte, jun. 1994, Mimeo. psicoterapeutas de acordo com a abordagem
MINAS GERAIS, Governo do Estado. Lei 482. Belo centrada na pessoa; à divulgação dessa abor-
Horizonte: Minas Gerais/Órgão oficial dos poderes dagem pela promoção de eventos e workshops;
do Estado, ano LV11, n. 252, 11 nov. 1949. ao desenvolvimento e aperfeiçoamento de mé-
MINAS GERAIS, Secretaria de Educação. Lições todos em psicologia aplicada; e à assessoria
de Minas: 70 anos da Secretaria da Educação. Belo técnica a organizações. Desta forma, o CPP
Horizonte: Secretaria de Educação do Governo de está estruturado em quatro setores: setor clí-
Minas Gerais, 2000. nico, que inclui atendimentos particulares
em uma clínica social; setor de ensino; setor
SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E. História da Psico-
logia Moderna. São Paulo: Thomson Learning, 2006.
de empresas e setor cultural. A instituição é
de natureza privada e não possui mantene-
dores, sendo sua fonte de renda advinda de
Regina Célia Passos Ribeiro de Campos
recursos próprios. Desde a data de sua cria-
ção, tem por dirigente Rogério Christiano
Buys. Atualmente, são seus sócios os psicó-
„ Centro de Psicologia da Pessoa (CPP) – 1976- logos e professores universitários: Rogério
Christiano Buys, Márcia Alves Tassinari e
Carlos Alberto Marconi da Costa. Em 1976,
Informalmente fundado em janeiro de 1975, iniciou sua primeira turma de formação de
constituiu-se como pessoa jurídica em abril de psicoterapeutas. Em seguida, inaugurou sua
1976, tendo por sócios fundadores: Vera Lúcia clínica social, em convênio com o Juizado de
Pirassununga Reis, Rogério Christiano Buys, Menores. Na primeira década de funciona-
Teresa Cristina Othenio Cordeiro Carreteiro, mento, recebeu Max Pagès – ex-colaborador
Maria Alice Lustosa de Abreu, Márcia Alves de Carl Rogers, atualmente professor e dire-
Tassinari e Magale Dorfman. A instituição se tor do Laboratório de Transformação Social
encontra em funcionamento e se localiza na da Universidade de Paris-Dauphine – e John
rua Barão do Flamengo, 22/201, Flamengo, Keith Wood, colaborador de Carl Rogers,
Rio de Janeiro, embora originalmente tenha para realização de workshops e palestras.
se situado na rua Bulhões de Carvalho, 524, Participou do I Encontro da Abordagem
casa 1, Copacabana, Rio de Janeiro, sendo Centrada na Pessoa (1977, Arcozelo, RJ),
transferida em agosto de 1983 para a rua que teve por convidados Carl Rogers e asso-
Fonte da Saudade, 87, Lagoa, Rio de Janeiro ciados do Center for Studies of the Person.
e, em agosto de 1993, para o atual endereço. Posteriormente, promoveu a coorganização
Seu espaço físico é um imóvel comercial de do retorno de Carl Rogers ao Brasil (1978).
200 m², contendo seis salas para consultório, A instituição realizou, em 1983, a I Jornada
uma biblioteca e um miniauditório. A fun- de Psicologia Humanista, tendo como tema
dação do CPP ocorreu a partir do propósito central Os Caminhos e Descaminhos da
de Rogério Christiano Buys de promover a Psicologia Humanista. Foram organizadas,
criação de um espaço que tivesse por fina- também, algumas jornadas, em conjunto
lidade a disseminação e a prática do pensa- com o Instituto de Psicologia da Universida-
mento humanista e da abordagem centrada de Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Outros

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eventos tiveram como convidados profissio- o próprio CPP com o pronto atendimento.
nais e docentes de variadas universidades Atualmente, está oficializando a parceria
como, por exemplo, Jaime Doxsey (UFES), com o Projeto Rio-Mulher (Decreto 19.438,
Henrie e Morato (USP), Rachel Rosenberg, de 01/01/2001) do município do Rio de Janei-
Vera Cury (PUC-Campinas), Elias Boainain ro, que visa promover e articular ações para
Jr., Mauro Martins Amatuzzi (PUC-Campi- integração de políticas públicas de gênero.
nas), Antonio Monteiro dos Santos (UFS), Em novembro de 2006, promoveu a Jornada
Vera Alves (PUC-Campinas). Alguns eventos CPP 2006, cujos temas centrais foram a ACP
realizados, em conjunto com outras institui- aplicada às áreas da saúde, da educação,
ções, foram: o III Encontro Latino-America- assim como seus fundamentos filosóficos.
no da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP) Atualmente, o CPP forma por ano aproxima-
(1986) e o IV Fórum Internacional da ACP damente 30 psicoterapeutas e atende a cerca
(em 1989). O CPP esteve presente nos: I En- de cem pessoas. Oferece anualmente duas
contro Nordestino da Abordagem Centrada turmas para o curso de formação de psicote-
na Pessoa (1987); IV e VII e VIII Encontros rapeutas, assim como cursos de curta dura-
Latino-Americanos da ACP (1988, 1994 e ção e workshops.
1996); III, IV, V, VI e IX Fóruns Internacio-
nais (1987, 1989, 1992, 1995 e 2004). Em 1986, Referências
foi criado o Boletim do Centro de Psicologia da
BUYS, R. C. Entrevista concedida a Carla Sardinha
Pessoa, contendo notícias de eventos, artigos,
Siebra de Souza. Rio de Janeiro, 27 set. 2006.
sugestões para leituras e websites, mas, até
o momento, somente três números foram MONTEIRO, L. A. M., TASSINARI, M. VI Jornada
editados. Em 1990, foi criada uma biblioteca de Psicologia Humanista: a abordagem centrada
da instituição, tornando público o seu acer- na pessoa. Disponível em: <h p://www.cpp-online.
com.br/brasil/net_index.html>. Acesso em: 15 set.
vo bibliográfico. Além disso, o CPP passou
2006.
a incentivar projetos de pesquisa sobre a
história da abordagem centrada na pessoa TASSINARI, M. A.; PORTELA, Y. R. “História da
no Brasil e a história dos encontros latino- abordagem centrada na pessoa no Brasil”. In: GOB-
americanos da abordagem centrada na pes- BI, S. L.; MISSEL, S. T. (Org.). Vocabulário e noções
soa. Contando com a presença de Natalie básicas da abordagem centrada na pessoa. Tuba-
Rogers – filha de Carl Rogers e divulgadora rão: UNISUL, 1998.
de sua obra –, a instituição organizou um TASSINARI, M. A. Entrevista concedida a Carla Sar-
programa de treinamento em Terapia Ex- dinha Siebra de Souza. Rio de Janeiro: 9 nov. 2006.
pressiva Centrada na Pessoa, por ocasião do
IV Fórum Internacional da ACP. O CPP rece- Carla Sardinha Siebra de Souza
beu Alexei Matjushkin, da Universidade de
Francisco Teixeira Portugal
Moscou, e Alberto Segrera, da Universidade
Ibero-Americana (México), para estabelecer
intercâmbios, tendo este último colaborado
com o Projeto dos Arquivos Internacionais „ Centro de Saúde Mental Oswaldo
da ACP. Em 1998, criou o Projeto de Plan- Camargo (CSMOC) – 1962-
tão Psicológico – em que o psicólogo atende
no momento em que a experiência psíquica
emerge, não apenas nos horários previamen- Instituição assistencial e prestadora de servi-
te marcados para consulta –, inicialmente em ços, situada na rua Itabuna, nº 2, parque Cruz
parceria com escolas municipais e estaduais, Aguiar, Rio Vermelho, Salvador-BA. Foi funda-
ampliando-o para o projeto social Dançan- da em 21 de janeiro de 1962, pelo governo do
do para não dançar, que atende a centenas Estado da Bahia, com o objetivo de promover
de crianças de comunidades cariocas, e para a saúde mental da comunidade pertencente ao

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distrito sanitário Barra/Rio Vermelho, atuando atuação na saúde mental, procurando sair de
em níveis profilático e terapêutico, com assis- um modelo médico que excluía e marginaliza-
tência médica, psiquiátrica e psicoterapêutica. va o portador de transtorno mental. A tentativa
O centro permanece atuando na comunida- pioneira de desinstitucionalizar o paciente psi-
de, tendo como público-alvo portadores de quiátrico abriu campo para uma maior atuação
transtornos mentais. Funciona de segunda a da psicologia na Bahia. Este não era apenas um
sexta-feira, das 7:00 às 17:00 horas. Promove novo modelo de tratamento, mas também uma
atividades como acolhimento, atendimento in- forma de readaptar pacientes com transtornos
dividual, psicoterapia em grupo, atendimento mentais em diversos âmbitos sociais, tais como
familiar, atividades comunitárias, oficinas tera- família, escola, trabalho. O CSMOC também
pêuticas e avaliação de enfermagem. A imple- oferece oportunidades de estágio para estudan-
mentação de algumas dessas atividades decor- tes, proporcionando desenvolvimento no espa-
reu da proposta do SUS de municipalização do ço educacional de nível superior.
centro em 1998. Este passou a ser coordenado e
mantido financeiramente pela Prefeitura Muni-
Referências
cipal de Salvador, passando a funcionar tanto
como atendimento ambulatorial quanto como CENTRO DE SAÚDE MENTAL OSWALDO CA-
Centro de Apoio Psicossocial (CAPS). Devido a MARGO. Relatório da Gestão C.M.S.O.M. Salva-
uma perda do acervo bibliográfico decorrente dor, mar. 1991/dez. 1994, Mimeo.
de diversos alagamentos, foram encontrados SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE. Coordena-
apenas dados de duas dirigentes: Célia Nunes doria de apoio à promoção de saúde. Projeto CAPS
Silva (1991-1994) e Maria da Glória Porto de II – Distrito Sanitário Barra/Rio Vermelho. Salva-
Araújo, que ocupou o cargo a partir de 2002, dor: Prefeitura Municipal de Salvador, 1998.
sem que obtivéssemos conhecimento sobre o Entrevistas semiestruturadas com funcionários do
final deste mandato. Somente um relatório de local concedida a Carina Márcia Magalhães Nepo-
gestão do período de 1991 a 1994, do CSMOC, muceno. Salvador, out. 2006.
foi encontrado. A instituição possui os servi- MARTINS, M. Entrevista concedida a Paulo Jorge
ços de: psicologia, serviço social, psiquiatria, Silva. São Paulo, 10 jan. 1985.
enfermagem, farmácia e setor administrativo. CORREIO DA BAHIA. Cárcere da razão: Hospital
Atuam profissionais da área de psicologia, psi- Juliano Moreira começa a se enquadrar na reforma
quiatria, neurologia, assistência social e terapia manicomial, mas ainda guarda vestígios do pas-
ocupacional. O espaço físico é constituído por sado. Disponível em: <h p://www.correiodabahia.
uma casa de dois andares, contendo: recepção, com.br/reporter/noticia.asp?codigo=112125>. Aces-
coordenação/administração, três consultórios, so em: 27 set. 2006.
quatro oficinas terapêuticas, sala de espera, de
lazer, sala para reunião/grupo, sala para re-
Carina Márcia Magalhães Nepomuceno
pouso/observação com dois leitos, posto de en-
fermagem, farmácia, refeitório, copa/cozinha/
oficina, almoxarifado, dois vestiários, dez sani-
tários/banheiros, área aberta para lazer. Não fo-
„ Centro Dom Vital – 1922-
ram encontrados dados referentes ao estatuto e
eventos realizados pelo centro. A instituição re-
cebeu este nome em homenagem ao psiquiatra Entidade religiosa criada em 1922, com
Oswaldo Camargo, um dos diretores do Hospi- sede na cidade do Rio de Janeiro, sua funda-
tal Juliano Moreira (Salvador-BA), pioneiro do ção corporificou uma vertente de reação da
movimento baiano contra a exclusão de pacien- Igreja Católica diante da perda de fiéis intelec-
tes portadores de transtorno mental, que se des- tuais e formadores de opinião. Nesse contex-
tacou por suas ideias no campo da psiquiatria. to, o objetivo eclesiástico que deu origem ao
O centro abriu caminho para uma nova área de Centro Dom Vital foi o de criar um local para

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servir de ponto de encontro e referência para a se período que o centro viveu seu apogeu. Na
intelectualidade católica e devolver-lhe a per- década de 1930, paralelamente ao Centro Dom
dida projeção na sociedade. A principal rele- Vital, diversos movimentos de reação da Igreja
vância do centro para o campo da psicologia à perda de fiéis dentro da elite intelectual brasi-
foi ter contribuído ativamente para a funda- leira foram criados e o próprio centro, na pessoa
ção da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Alceu Amoroso Lima, participou ativamen-
de Janeiro (PUC-Rio), que instituiu, em 1953, o te desse processo de ramificação de entidades
primeiro curso de Psicologia do país. Desde fi- políticas e culturais em defesa da doutrina da
nais do século XIX, a Igreja Católica vivencia- Igreja. Dentre as entidades católicas que mere-
va o afastamento progressivo de sua doutrina cem menção estão a Ação Universitária Cató-
por grande parte da elite intelectual brasilei- lica, a Juventude Universitária Católica, a Liga
ra, interessada nas novas ideias positivistas, Eleitoral Católica e o Instituto Católico de Es-
evolucionistas e materialistas que chegavam tudos Superiores. A este último deve ser dada
ao país. Um dos principais expoentes da rea- especial atenção. Fundado em 1932, pela aliança
ção da Igreja a esse movimento foi o jornalista de Alceu Amoroso Lima, na qualidade de presi-
Jackson de Figueiredo. Estimulado por Dom dente do Centro Dom Vital, com o missionário
Sebastião Leme, cardeal arcebispo do Rio de dominicano Antônio Maria Sala, funcionava,
Janeiro, Figueiredo foi o responsável pela re- inicialmente, na Escola Nacional de Belas-Artes,
conversão de inúmeros intelectuais de relevân- oferecendo cursos superiores e livres de Filo-
cia devido à sua capacidade de personificar as sofia, Teologia e Sociologia. Em 1940 teve seu
três principais correntes dominantes no pen- nome alterado para Faculdade Católica do Rio
samento filosófico da elite brasileira do início de Janeiro e, posteriormente, em 1946, para Uni-
do século XX: o materialismo, o espiritualismo versidade Católica do Rio de Janeiro. Comple-
e o ceticismo – a chamada Synthese Catholica. tando seu trajeto, em 1947 recebeu da Santa Sé
Dentre as principais iniciativas lideradas por o título definitivo de Pontifícia Universidade
Jackson de Figueiredo, têm especial destaque Católica do Rio de Janeiro. E é principalmente
a fundação da revista A Ordem, em agosto de neste desdobramento que reside a importância
1921, e a criação do Centro Dom Vital, em do Centro Dom Vital para a autonomização da
1922, do qual foi o primeiro presidente e ao psicologia no Brasil, tendo em vista que foi na
qual a revista passou a ser vinculada. Ambos, o PUC-Rio que ocorreu, em 1953, a criação do
centro e a revista, exerceram papel fundamental primeiro curso de graduação em Psicologia do
na disseminação dos ideais católicos, com o ní- país. Isto também indica o que outros dados
tido propósito de: (a) promover a divulgação da confirmam: o entrelaçamento da doutrina re-
doutrina, (b) atingir as elites intelectuais e (c) po- ligiosa com a gênese da psicologia, como ci-
sicionar-se politicamente acerca de notórias e ência autônoma, no Brasil. Entre 1950 e 1966,
controvertidas questões sociais. Assim, o Centro embora Alceu Amoroso Lima ainda figurasse
Dom Vital logo se tornaria um fórum de deba- como presidente do Centro Dom Vital, quem
tes e o apelo irradiador da inteligência religiosa assumiu a frente de suas atividades foi o pro-
católica a partir do Rio de Janeiro. A Ordem, por fessor Gustavo Corção, uma vez que Alceu
sua vez, publica com frequência textos em que havia aceitado convite para ocupar cargo de
o conteúdo moral se mistura com conteúdo psi- destaque na União Pan-Americana e, portan-
cológico como em textos sobre família, educa- to, estava afastado do dia a dia das atividades.
ção, papel feminino. Além disto, publica textos Gustavo Corção imprimiu uma visão tradicio-
marcadamente psicológicos de autores católicos nalista ao Centro Dom Vital, o que resultou
consagrados como Theobaldo Miranda Santos, numa relação tensa e conflituosa com as po-
padre Leonel Franca, Alceu Amoroso Lima. sições de Alceu Amoroso Lima. Diante desse
Com a morte de Jackson de Figueiredo, em 1928, contexto de afastamento e tensão política, em
aquele último assume a presidência do centro, 1966 este último deixou o cargo de presiden-
na qual permanece até 1966. Foi certamente nes- te, gerando um visível esvaziamento da insti-

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tuição. Ainda assim, o centro permanece até tro Lacerda, presidente da Liga das Senhoras
hoje. Seus outros presidentes foram: o profes- Católicas de Curitiba, assumiu a direção dos
sor Eduardo Prado de Mendonça, o advoga- trabalhos de instalação da escola. Situada em
do Heráclito Sobral Pinto e o professor Tarcí- um bairro distante da cidade de Curitiba, a
sio Padilha; este último permanece no cargo escola funcionou inicialmente em condições
desde 1994. Atualmente, o Centro Dom Vital bastante adversas: sem calçamento, telefone
possui exclusivamente a função de promover e transporte, com barulho excessivo e longe
atividades culturais e de manter a publicação
do asfalto. A área disponível era limitada,
da já octogenária revista A Ordem. Sua sede é
contava com: uma sala para exames psico-
uma pequena sala do edifício João Paulo II,
na rua Benjamin Constant, 23 – 10º andar, no lógicos; outra para atividade didática espe-
Rio de Janeiro. cial; uma sala maior para música e recreação;
uma sala para jogos, mais tarde aproveitada
para aulas de judô; cozinha e dependências
Referências sanitárias. Na frente do prédio foi instalado
AGUIAR, M. P.; FABRICIO, A. L. da C.; JACÓ-VILE- um playground e um tabuleiro de areia. A pri-
LA, A. M. “Fé e Psicologia: As novas relações da Ciên- meira equipe de trabalho foi composta pelas
cia com a Igreja no período da Primeira República”. professoras Claraidália Deszonnet Stechman,
In: Boletim do CDPHA, v. único, p. 135-136, 2003. Mirtes Junglut Loureiro, Lindamir Possebon
RIOS, J. A. “Para uma história do Centro Dom Vi- de Freitas, Maria Julieta Alves Malty e as
tal”. A Ordem: 80 anos do Centro Dom Vital, v. 92, voluntárias Rosa Elisa Perrone de Souza e
n. 82, p. 25-41, 2003.
Gilda Weiss, acadêmicas do curso de Peda-
ATHAYDE, T. de. “Instituto Catholico de Estudos gogia. A equipe, movida pelo espírito de soli-
Superiores”. A Ordem, ano XIII, v. VI. p. 415-425, dariedade e boa vontade, enfrentou as adver-
jan./jul. 1932. sidades e acreditou que o que faltasse em
condições técnicas e pedagógicas seria com-
Marcela Peralva Aguiar pensado pelas condições humanas: carinho,
atenção e respeito à criança. A professora
Pórcia Guimarães Alves permaneceu na dire-
ção da entidade até o fim de 1961, acreditan-
„ Centro Especializado de Habilitação do que foi neste primeiro ano de funciona-
Profissional Mercedes Stresser – 1987- mento que se consolidaram os alicerces sobre
Centro de Habilitação Profissional os quais se edificaria a escola idealizada: com
Mercedes Stresser – 1973-1987 amplos espaços, novas técnicas e atividades,
Escola Mercedes Stresser – 1961-1973 além de novos profissionais. Em março de
1962, a direção foi assumida pela professora
Maria de Lourdes Canziani e neste mesmo
Fundada em abril de 1961 pela Associação
de Assistência ao Psicopata do Paraná e pela ano a escola foi transferida para um prédio
Liga das Senhoras Católicas de Curitiba, com cedido pela Reitoria da Universidade Federal
o objetivo de atender e orientar o excepcional do Paraná (UFPR), na rua Maurício Caillet,
com deficiência mental que fosse treinável e 265, bairro Água Verde. Sua equipe foi tam-
educável. Atendendo à solicitação dos ideali- bém enriquecida com a contratação de novos
zadores da escola, o prefeito de Curitiba, Ibe- profissionais. No ano de 1963 foi organiza-
rê de Matos, colocou à disposição desta uma da na escola uma oficina pedagógica com o
casa localizada no bairro do Tarumã, rua objetivo de atender ao adolescente excepcio-
Edgard Stellfeld, 4.400. A professora Pórcia nal. A partir de 1964, passou a funcionar em
Guimarães Alves, a pedido de Dalila de Cas- dois períodos: no período da manhã, com

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atendimento aos adolescentes, e no período oficina pedagógica e a oficina protegida pas-


da tarde, com as crianças. Em 1966, a escola saram a denominar-se Unidade Pedagógica e
ganhou sede própria, na rua Augusto Stell- Unidade de Trabalho Supervisionado. Em ju-
feld, 1.190, bairro Bigorrilho, endereço no nho de 2003 foi inaugurada a Casa de Acanto-
qual ainda permanece. Em agosto de 1973, namento, com o objetivo de oferecer um espa-
a escola transformou-se em Centro de Habi- ço que proporcionasse vivências em situações
litação Profissional Mercedes Stresser, com de vida diária, com atividades voltadas para
a finalidade de atender ao adolescente e ao o desenvolvimento da autonomia, responsa-
adulto, a partir de 15 anos, que fosse treiná- bilidade e também o lazer. O Centro Especia-
vel e educável, com o objetivo de promover lizado de Habilitação Profissional Mercedes
sua habilitação profissional para o ingresso Stresser, desde 1978 sob a direção de Tânia
no mercado de trabalho. Os alunos da antiga Maria Mafessoni, tem o objetivo de desen-
Escola Mercedes Stresser, com idade de 3 a volver, por meio dos programas da Unidade
15 anos, mais alguns professores e técnicos Pedagógica, da Unidade de Trabalho Super-
passaram a ser atendidos pela Escola Ecu- visionado e da Unidade Sócio-Ocupacional, o
mênica, conforme convênio firmado entre potencial da pessoa com deficiência, com vis-
a Associação de Assistência ao Excepcional tas à igualdade de oportunidades, aquisição
do Paraná, entidade mantenedora da esco- de conhecimentos e competências, promoven-
la, e a Fundação Ecumênica de Proteção ao do a inclusão sociolaboral, a abertura cultural
Excepcional. Em setembro de 1973 foi orga- e o exercício da cidadania. O centro é particu-
nizada no centro uma oficina protegida para lar, de caráter filantrópico e tem como entida-
o atendimento do adulto excepcional, com de mantenedora a Associação de Assistência
atividades de subcontrato com empresas da ao Excepcional do Paraná, sob a presidência
comunidade. Neste ano assumiu a direção do de Quintiliano Machado Ne o. Possui uma
centro a professora Iva de Abreu Costa e Sil- subsede, localizada na rua Professor Luiz Car-
va, que permaneceu na direção até outubro los Pereira, 100, no Jardim Botânico. O centro,
de 1977, quando foi sucedida pelo professor desde sua criação, tem desempenhado impor-
Haroldo Souto Carvalhido. Em 1983 foi im- tante papel no atendimento de pessoas com
plantado no centro uma Unidade Sócio-Ocu- necessidades educativas especiais, contribuin-
pacional, para o atendimento dos alunos que do desta forma com a psicologia e a educação.
já frequentavam a oficina pedagógica e a ofi-
cina protegida e que, devido ao grau de com-
Referências
prometimento, não apresentavam condições
ALVES, P. G. Memórias da Psicologia no Paraná.
de atividade laboral no mercado de trabalho.
Curitiba: Pinha, 1997.
Esta unidade teve como objetivo integrar o
aluno socialmente, por meio de atividades ALVES, P. G. Memorial. Curitiba, 1978. Mimeo.
ocupacionais, que eram desenvolvidas em CELLA, S. M. R. “ALVES, Pórcia Guimarães”. In:
módulos. Em 1987 o Centro de Habilitação CAMPOS, R. H. de F. (Org.). Dicionário biográfico
Profissional Mercedes Stresser passou a deno- da Psicologia no Brasil: pioneiros. Rio de Janeiro:
Imago; Brasília: CFP, 2001.
minar-se Centro Especializado de Habilitação
Profissional Mercedes Stresser, por exigência MAFESSONI, T. M. Histórico. Disponível em:
da Secretaria Estadual da Educação, nomen- <www.mercedesstresser.com.br>. Acesso em: 21
nov. 2007.
clatura que foi aprovada em 9 de dezembro de
1998, conforme Parecer n. 500/98 do Conselho
Estadual de Educação. Em março de 1997, a Sheila Maria Rosin

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„ Centro Federal de Educação Tecnológica Consequentemente, não é o caso de conceber a


Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ) – criação da Escola Técnica Nacional (ETN), em-
1978 bora construída no mesmo terreno, numa linha
harmoniosa de continuidade em relação à Es-
Escola Técnica Federal Celso Suckow da
cola Normal de Artes e Ofícios Wenceslau Brás
Fonseca (ETFCSF) – 1967-1978
(1917-1937) porque, na perspectiva do governo
Escola Técnica Federal da Guanabara federal, o que de fato houve foi uma ruptura
(ETFG) – 1965-1967 intencional. Aspecto que pode ser ilustrado até
Escola Técnica Nacional (ETN) – 1942-1965 em pequenos detalhes administrativos, pois na
solenidade de inauguração da ETN, o ministro
da Educação – Gustavo Capanema – impediu
Grande parte do ideário do Estado Novo a colocação de um painel do ex-presidente
levava em consideração a importância do Nilo Peçanha (tido como criador das Escolas
processo de industrialização do país. Assim, de Aprendizes Artífices) ao lado do de Getúlio
no âmbito de uma série de medidas político- Vargas (intitulado criador do Ensino Técnico
administrativas que visavam a uma maior Industrial). Assim, não obstante a Escola Wen-
eficiência no processo produtivo – como, por ceslau Brás tenha encerrado suas atividades em
exemplo, a criação do Departamento Adminis- 1937, somente cerca de cinco anos depois, com
trativo do Serviço Público (DASP), em 1938 – o Decreto-lei 4.073, de 30/01/1942 (que promul-
também começou a ganhar forma a concepção gou a Lei Orgânica do Ensino Industrial) e o
que atribuía ao saber psicotécnico a condição Decreto-lei 4.127, de 25/02/1942 (que estabe-
de avaliar de forma científica as aptidões dos leceu as bases de organização da rede federal
trabalhadores. Por esse motivo, quando o go- de estabelecimentos de ensino industrial) é
verno de Getúlio Vargas decidiu realizar uma que foi instituída a Escola Técnica Nacional (e,
ampla reformulação do ensino profissional e depois, algumas outras escolas técnicas regio-
técnico-industrial, os testes psicológicos obti- nais, espalhadas pelo país). A ETN, tida pelo
veram especial relevância no processo de sele- ministro Capanema como a escola-padrão do
ção e matrícula dos alunos nos cursos técnicos. ensino industrial, iniciou suas atividades em
Assim, em 1937, reformulou-se o ensino profis- 15 de julho de 1942, com cursos de nível indus-
sional nos moldes como era até então realizado trial (muito básicos, voltados para artífices)
na Escola Normal de Artes e Ofícios Wenceslau e de nível técnico (mais aprimorados e com-
Brás, dando-lhe uma nova estrutura. A preocu- plexos), tais como: Construção de Máquinas e
pação, que tinha como foco instruir os pobres Motores, Eletrotécnica, Edificações, Desenho
para que tivessem uma profissão, passou a ser Técnico etc. Dentro da perspectiva de uma me-
direcionada à necessidade de aproveitar para lhor qualificação profissional, uma das carac-
a indústria os que realmente fossem mais ap- terísticas mais marcantes dessa nova escola foi
tos. Tal decisão implicou o encerramento das que os exames vestibulares a partir desse ano
atividades da referida escola nesse mesmo ano, passaram a incluir a obrigatoriedade do teste
a fim de que uma nova instituição de ensino de nível mental, que tinha, inclusive, efeito eli-
técnico-profissional fosse instalada no local. No minatório. Roberto Mange já usara, no Liceu
entanto, a conjuntura políticossocial da época, de Artes e Ofícios de São Paulo, na década de
assim como a amplitude das mudanças, fize- 1920, alguns princípios de psicotécnica para a
ram com que o processo de reformulação fosse escolha de candidatos à matrícula. No entan-
muito lento. A Escola Wenceslau Brás, única to, com a reformulação do ensino técnico nos
do gênero na capital da República, era dirigi- anos de 1940, instalou-se um quadro mais am-
da principalmente para artes femininas (com plo e abrangente. Celso Suckow da Fonseca,
cursos de corte e costura, de chapéus e flores diretor da ETN no período de 1943-1951, afir-
etc.), enquanto o governo desejava um ensino mava, na época, que com essas mudanças não
que qualificasse mão de obra para a indústria. seriam apenas os órfãos, os miseráveis e os

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infelizes que as escolas iriam buscar para seus corrências políticas, a própria ETN mudou de
alunos. Com a implantação da psicotécnica, nome na década de 1960, passando a denomi-
seriam matriculados os mais capazes, os que nar-se Escola Técnica Federal da Guanabara e,
apresentassem melhores índices de eficiência, depois, Escola Técnica Federal Celso Suckow
aqueles que melhores aptidões específicas re- da Fonseca. Com o advento da Lei 6.545, de
velassem para aprendizagem do ofício e para 30/06/1978, ocorreu nova transformação e ela
sua posterior utilização no trabalho das fábri- deixou de ser uma escola técnica para se tor-
cas. A relevância deste quadro para a história nar um Centro Federal de Educação Tecnoló-
da psicologia no Brasil consiste em evidenciar gica – CEFET.
que na década de 1940 a avaliação psicológi-
ca não se circunscrevia apenas aos trabalha-
Referências
dores recrutados e selecionados para o traba-
lho industrial, mas incluía também a seleção DIAS, D. de O. Estudo documentário e histórico
de alunos para ingresso no ensino industrial. sobre a Escola Técnica Federal Celso Suckow da
Esses testes mentais eram elaborados pelo Fonseca. Rio de Janeiro, CEFET-RJ, 1980.
Ministério da Educação e anualmente enca- FONSECA, C. S. da. História do Ensino Industrial no
minhados não só à ETN, mas também para as Brasil. Rio de Janeiro: Escola Técnica Nacional, 1961.
demais escolas técnicas de todo o país. Eram ARQUIVO GERAL DO CEFET-RJ. Orientações so-
compostos de três etapas, tanto para o Curso bre teste de nível mental. Rio de Janeiro, 1940-1955.
Industrial (formas, conhecimentos mecânicos
e semelhanças) quanto para o Curso Técnico
Alexandre de Carvalho Castro
(formas, informações gerais e séries numéri-
cas) e deviam ser feitos em um prazo de 55
e 65 minutos, respectivamente. O exame da
documentação existente, contudo, mostra que „ Centro Hospitalar Psiquiátrico de
os procedimentos eram improvisados e super- Barbacena (CHPB) – 1977-
ficiais. Francisco Montojos, diretor de ensino
industrial, remetia à escola orientações relati- Hospital Colônia de Barbacena – 1934-1977
vas à aplicação e avaliação do teste. Algumas Azylo Colônia – 1922-1934
vezes, entretanto, questões dos testes eram Assistência a Alienados em Minas Geraes
anuladas por erro de impressão no papel de – 1903-1922
aplicação, fato que, pelos padrões psicométri-
cos, comprometeria toda a avaliação. Outro
problema é que a escola técnica, por sua vez, Campo de concentração, fábrica de cadáve-
tinha a incumbência de designar professores res, inferno humano. Estas são algumas deno-
para aplicar e corrigir esses testes, circunstân- minações que encontramos como referência ao
cia que também trazia problemas, pois não Hospital Colônia de Barbacena durante as dé-
eram necessariamente pessoas qualificadas cadas de 1950 a 1970. Nesse período, a impren-
para isso. Ao final da década de 1950, porém, sa veiculou uma série de denúncias, revelando
houve uma mudança radical na estrutura do o mau estado das dependências da instituição,
ensino industrial e técnico-profissional da as condições sub-humanas de vida a que eram
ETN. O Decreto-lei 47.038, de 16/10/1959, im- submetidos os internos, as altas taxas de morta-
plicou a formação exclusiva de técnicos. Os lidade e os convênios para o fornecimento de
cursos industriais básicos que formavam artí- peças anatômicas para diversas escolas de me-
fices foram suspensos e o processo de admis- dicina do país. Para entender como esse hospi-
são de alunos ao curso técnico foi reestrutura- tal público chegou a essa condição, é necessário
do. Dessa forma, os vestibulares realizados a apontar alguns marcos importantes na história
partir de 1960 deixaram de contar com o teste desse nosocômio. A Assistência a Alienados em
de nível mental. Em virtude de diversas inter- Minas Gerais foi criada pela Lei Estadual 290,

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de 16/08/1900, e foi regulamentada pelo Decre- doentes crônicos, isto é, indivíduos que, pela
to 1.519, de 21/02/1903. Foi instalada no prédio sua doença mental ou anormalidade, deman-
do antigo Sanatório de Barbacena (que fora davam longo período de internação, devendo
criado em 1870 para o tratamento de tuberculo- ser enviados para a Colônia a fim de serem
sos e fechado por má situação financeira), loca- observados, tratados e controlados. Os enfermos
lizado na atual praça Presidente Eurico Gaspar admitidos na assistência eram classificados como
Dutra, 376 B, bairro Grogotó. Sua inauguração pacientes agudos pertencentes à categoria de in-
ocorreu em 12 de outubro de 1903, tendo como digentes ou contribuintes, e a internação dos
primeiro diretor o médico Joaquim Dutra. De primeiros era requisitada por uma autoridade
acordo com o Decreto 1.519, a Assistência a da localidade da qual provinha, do cônjuge ou
Alienados se destinava a receber os habitantes algum parente próximo, pelo tutor ou pelo che-
do Estado de Minas Gerais que necessitassem fe de corporação religiosa ou beneficente a que
de tratamento por motivo de alienação mental. pertencesse. Além disso, os contribuintes deve-
A urbanização, ao propiciar a visibilidade das riam pagar uma diária, cujo valor variava com
condutas, fez com que os indivíduos exigissem o tipo de instalação e alimentação que deve-
das autoridades medidas de controle para riam receber. A Colônia era reservada aos pa-
aquelas categorias consideradas desviantes cientes capazes de realizar atividades agrícolas
sociais, perturbadores da ordem social. Tor- ou outras, como a carpintaria e a olaria, que
nou-se necessária a criação e/ou expansão de eram consideradas práticas de laborterapia.
novos espaços para controlá-los, tratá-los e, se Nos arredores da Assistência, ocorria a assis-
possível, curá-los. Diante da superlotação da
tência heterofamiliar; um hospedeiro ou nutrí-
Assistência a Alienados e do reconhecimento
cio, geralmente um chefe de família ou peque-
da competência dos psiquiatras em detectar a
no sitiante residente nas proximidades do
doença e lidar com a ordem social, foram inau-
hospital, adotava um enfermo para trabalhar
gurados, em 1922, o Instituto Raul Soares, em
em suas terras. O alienado deveria receber par-
Belo Horizonte, e a Colônia, anexa à Assistên-
te daquele carinho familiar, deveria ser admiti-
cia, em Barbacena. Embora prevista no regula-
do à mesa mas, permanence obrigado a traba-
mento de 1903, até esse momento a Colônia
ainda não tinha sido criada. Assim, o setor ini- lhar mais do que cinco horas por dia. As
cial da Assistência passou a ser designado mulheres-loucas e indigentes permaneciam no
Azylo Central e o novo setor foi designado complexo do Azylo Central, juntamente com os
Azylo Colônia. Em 1927, o termo azylo foi contribuintes de ambos os sexos. No Decreto
substituído pela denominação Hospital Colô- 11.276, de 1934, que aprovou o Regulamento da
nia de Barbacena, que foi oficializado em 1934 e Assistência Hospitalar do Estado de Minas Ge-
utilizado até 1977, quando a instituição passou rais, encontram-se os dispositivos sobre a profi-
a ser denominada Centro Hospitalar e Psiquiá- laxia mental, a assistência e proteção à pessoa e
trico de Barbacena (CHPB). A Colônia localiza- aos bens dos psicopatas e a fiscalização dos ser-
va-se no km 4 da rodovia MG-365, em terreno viços psiquiátricos. Este regulamento, que rea-
próximo ao do Azylo Central. O Instituto Raul firma o saber e o poder psiquiátricos, pode
Soares foi criado com a destinação de receber também ser considerado inovador para a épo-
doentes mentais agudos, ou seja, os que apre- ca, no sentido do reconhecimento dos direitos
sentavam manifestações isoladas de perturba- civis dos psicopatas. Entretanto, as normas
ções mentais, capazes de serem recuperados e tornaram-se anacrônicas pelo longo período
voltarem ao convívio social. Já a Assistência de- de sua vigência e, principalmente, porque fo-
veria asilar e tratar homens-loucos e indigentes ram pouco utilizadas na defesa dos direitos
procedentes de todo o Estado de Minas Gerais. dos doentes mentais. A vigência dessas nor-
Esse asilamento poderia acarretar anos de mas perpassa a criação de diferentes institui-
internação, haja vista que para aquele hospital ções, que foram responsáveis pela organização
se destinavam, em sua grande maioria, os ditos e administração da saúde mental em Minas

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Gerais, como a Divisão de Assistência Neuropsi- bem visualizadas no documentário Em nome


quiátrica (1946), a Fundação Estadual de As- da razão, do cineasta Helvécio Ra on, e no li-
sistência Psiquiátrica – FEAP (1968), posterior- vro Nos porões da loucura, de Hiram Firmino, o
mente transformada em Fundação Educacional Hospital Colônia de Barbacena, a exemplo de
de Assistência Psiquiátrica (1971), e a Fundação outros hospitais públicos destinados aos
Hospitalar do Estado de Minas Gerais – FHEMIG doentes mentais, passou por um processo de
(1977). Vale ressaltar que, em 1968, o Hospital reestruturação dentro do movimento de refor-
deixou de pertencer diretamente ao estado, por ma psiquiátrica. Cabe lembrar que essa rees-
meio da Secretaria de Saúde, passando a inte- truturação tornou-se possível também em
grar a FEAP e depois (e ainda hoje), a FHEMIG. decorrência do III Congresso Mineiro de Psi-
Durante o período destas administrações, as quiatria (1979), realizado em Belo Horizonte, e
referências às práticas asilares e terapêuticas do do Movimento dos Trabalhadores de Saúde
Hospital Colônia de Barbacena são de um local Mental (MTSM) instalado no país. Iniciada em
em que predominava a superlotação e o leito 1979 e ainda em curso, a reforma psiquiátrica
chão nos dormitórios. Sem camas e sem col- no CHPB propiciou uma reestruturação inter-
chões, era espalhado um monte de capim para na e a desinstitucionalização dos pacientes.
os internos dormirem. Com o passar do tempo, Esse processo, compreendido em três etapas,
os excrementos nele depositados tornavam-no inclui diversas medidas como: atendimento
fétido e propício à proliferação de doenças. Du- ambulatorial e de pacientes com crises agudas
rante o dia, os internos ficavam espalhados e em regime de hospital-dia, reformas em diver-
deitados pelos pátios. Os recursos terapêuticos sos pavilhões, encaminhamento de pacientes
– contenção através do uso de celas, camisas de com vínculos familiares aos seus locais de ori-
força e de eletrochoques, lobotomia, aplicações gem, redução gradativa do número de inter-
de injeções do tipo sossega-leão e o chá da nos e contratação de um quadro de funcioná-
meia-noite – funcionavam mais como mecanis- rios qualificado e interdisciplinar. A reforma
mos de punição e de castigo. O conjunto das ainda contempla mudanças arquitetônicas em
práticas asilares e terapêuticas realizadas na relação ao tipo de construção de módulos resi-
instituição, associadas às doenças intercorren- denciais, de maneira a oferecer um tratamento
tes, à desnutrição e às endemias dos internos, mais humanizado e individualizado aos pa-
contribuiu sobremaneira para o alto índice de cientes. Por certo, a instituição não conseguiu
mortalidade. Identificadas pela visão contem- reintegrar os pacientes sem vínculos familia-
porânea como práticas de tortura, que pode- res e com sequelas que ali já se encontravam
por vários anos. Parte deles ficou em pavi-
riam acarretar a morte, essas práticas devem
lhões, módulos residenciais existentes no pró-
ser percebidas como recursos legítimos e reco-
prio Hospital. Outros conseguiram ser de-
mendadas pelos psiquiatras no tratamento da
sinstitucionalizados e passaram a morar em
loucura na época. Os instrumentos utilizados
diversas residências terapêuticas em diferen-
nesse período, além de um acervo fotográfico
tes bairros da cidade. Cabe destacar que as
sobre as diversas fases da instituição, estão ex-
mudanças instituídas no CHPB só se torna-
postos no Museu da Loucura, criado em 1996,
ram possíveis com a contratação de profissio-
no torreão do CHPB, na Rodovia MG-365. Re-
nais da área psi, entre eles os psicólogos, res-
sultado de uma parceria entre a Fundação
ponsáveis em grande medida pela introdução
Municipal de Cultura de Barbacena (FUN-
e mudança de concepção e de práticas no tra-
DAC), a Fundação Hospitalar do Estado de
tamento da doença mental.
Minas Gerais (FHEMIG) e o Centro Hospita-
lar e Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), pre-
tendem contar a história do tratamento psi- Referências
quiátrico estabelecido em Minas Gerais a ALVIM, C. de F. “Assistência ao doente mental”.
partir de 1900. Em decorrência das denúncias Revista da Associação Médica de Minas Gerais,
sobre a situação dos internos, que podem ser Belo Horizonte, v. 7, n. 3-4, set./dez. 1956.

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COELHO, R. S. Barbacena: 1900-1980. Belo Hori- Enfermaria dos Alienados da Santa Casa de Mi-
zonte, 1979. Mimeo. sericórdia de Cuiabá. Em 1944 chegou a Cuiabá
DUARTE, M. N. Ares e luzes para mentes obs- um médico psiquiatra vindo de Minas Gerais,
curas: o caso do Hospital Colônia de Barbacena doutor Vargas, que enviou um relatório ao go-
(1922-1946). Dissertação (Mestrado em Ciência Po- verno mencionando as condições precárias em
lítica). Universidade Federal de Minas Gerais, Belo que se encontrava a assistência mental. Contu-
Horizonte, 1996.
do, somente em 1955, Adauto Botelho, então
FIRMINO, H. Nos porões da loucura. Rio de Janei- diretor do Serviço Nacional de Doença Mental,
ro: Codecri, 1982. firmou um convênio com o governo de Mato
MAGRO FILHO, J. B. A tradição da loucura – Mi- Grosso para a construção de um hospital psi-
nas Gerais: 1870-1964. Belo Horizonte: COOPE- quiátrico, o que ocorreu em 1957. Permaneceu
MED/UFMG, 1992. como o único hospital, apesar do intenso fluxo
MOREIRA, D. Psiquiatria: controle e repressão so- migratório da década de 1960, que aumentou
cial. Petrópolis: Vozes, 1983. enormemente a população do estado. Nessa
PAIVA FILHO, J. R. de. “Testemunho sobre o Hospital época, o HPAB tinha capacidade para 250 pa-
Colônia de Barbacena”. In: CURSO ALTERNATIVAS cientes e abrigava 500. Em 1975, com a elabo-
DE ATENÇÃO À SAÚDE MENTAL. Belo Horizonte: ração do Manual de Assistência Psiquiátrica na
Faculdade de Medicina da UFMG, 1982. Mimeo. Previdência Social, outros profissionais, além
SILVA, M. C.; BARBOSA, E. Repensando os porões dos médicos e enfermeiros, passaram a com-
da loucura: um estudo sobre o Hospital Colônia por as equipes multiprofissionais em serviços
de Barbacena. Dissertação (Mestrado em História). de atenção à saúde mental, entre eles o psicó-
Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Hori-
logo. Em 7 de outubro de 1975, criou-se o Ser-
zonte, 2005.
viço de Saúde Mental no estado, sendo uma de
TOLLENDAL, R. A História do Hospital-Colônia, suas ações a ampliação do HPAB e mudança
[197-]. Mimeo.
nos aspectos técnicos e administrativos, além
VIDAL, C. E. L. Avaliação das habilidades de vida da realização de um censo no hospital com o
independente e do comportamento social de pa- intuito de diagnóstico psicossocial dos inter-
cientes psiquiátricos desospitalizados. Disserta-
nos. Não há registros precisos sobre a data de
ção (Mestrado em Saúde Pública). Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006.
início do trabalho do psicólogo no serviço de
saúde mental em Mato Grosso, porém infere-se
que ocorreu nesse período. Em 1978 o Estado
Maristela Nascimento Duarte
do Mato Grosso foi dividido e em 1988, com
a implantação do SUS, iniciou-se a construção
„ Centro Integrado de Assistência de uma rede assistencial regionalizada e hierar-
Psicossocial Adauto Botelho (CIAPS quizada. Entretanto, com o intenso crescimento
Adauto Botelho) – 1993- populacional posterior à divisão do estado, o
Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho atendimento era insuficiente em relação à de-
manda. Em 1991 o HPAB foi fechado e o estado
(HPAB) – 1957-1991
contou durante dois anos com um único hospi-
tal psiquiátrico privado, o Instituto de Neurop-
O CIAPS Adauto Botelho é um complexo siquiatria (inaugurado em 1989 e fechado em
de cunho assistencial, público, estatal, manti- 2004). Em 1993, o HPAB foi reinaugurado, com
do pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato nova denominação, de Centro Integrado, alte-
Grosso. A sede administrativa situa-se na rua rando sua sigla para CIAPS Adauto Botelho.
Adauto Botelho, s/n, bairro Coophema, Cuia- Atualmente o complexo abrange os seguintes
bá-MT. É sucessor do HPAB, fundado em 1957, serviços: pronto atendimento (emergência e
no local onde funcionava antes a Chácara dos internação de curta permanência), internações
Loucos. Antes de sua fundação, o atendimento feminina e masculina para portadores de trans-
no âmbito da saúde mental era prestado pela torno mental agudo, um Centro de Atenção

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Psicossocial Infantil (CAPSI), um Centro de Referências


Atenção Psicossocial (CAPS) Álcool e Drogas, LAMBERT, Á.; OLIVEIRA, S. B. História do atendi-
um hospital-dia (fechado em 2007), um am- mento ao doente mental no Estado de Mato-Gros-
bulatório (municipalizado desde 2007), uma so até 1970. Monografia (Especialização em Saúde
unidade de internação para tratamento de de- Mental). Universidade Federal de Mato Grosso,
pendência química (apenas para homens), um Cuiabá, 1995.
manicômio judiciário (apenas para homens) e OLIVEIRA, A. G. B. Superando o manicômio? De-
uma unidade denominada Lar Doce Lar. Os safios na construção da reforma psiquiátrica. Cuia-
setores de pronto atendimento e internação bá: EdUFMT, 2005.
estão localizados no mesmo espaço físico. As
VASCONCELOS, E. Mundos paralelos, até quan-
demais unidades funcionam em outros pontos
do? Os psicólogos e o campo da saúde mental
da cidade de Cuiabá. As atividades realizadas
pública no Brasil nas últimas décadas. Disponível
estão previstas nas portarias dos CAPS e hos-
em: <h p://www.uerj.br/cliopsyche/site/revistam-
pital-dia, englobando atendimento individual,
nemosine/ARTIGOS.htm>. Acesso em: 5 jul. 2005.
atendimento em grupo, visitas domiciliares,
atendimento à família, entre outros. Essas ati-
vidades também ocorrem nos setores de inter- Veline Filomena Simioni Silva
nação masculina e feminina. O número atual
de psicólogos no CIAPS é de 19 profissionais, e
algumas ocupam cargo de gerência, de direto-
ria técnica e geral. A equipe técnica das unida- „ Centro Juvenil de Orientação e Pesquisa
des é formada por psicólogo, assistente social, (CEJOP) – 1955-
psiquiatra, enfermeiro, terapeuta ocupacional,
arte-terapeuta, técnico de enfermagem. O nú- Criado em 2 de julho de 1955 por dona
mero de profissionais varia de acordo com a Altair de Azevedo, católica ligada a questões
demanda e número de usuários dos serviços, sociais, formada em Serviço Social e Peda-
porém em todas as unidades há psicólogos. gogia, o CEJOP está localizado na rua Irineu
O CIAPS Adauto Botelho é hoje não só um Marinho, 449, Icaraí, Niterói – RJ, tendo a fina-
complexo de serviços em saúde mental como lidade de atender às necessidades da popu-
referência no estado. Configura-se como um lação carente. Funcionando em dois prédios
campo de atuação do psicólogo com ampla com cinco andares cada um, é uma instituição
clientela e modalidades de atendimento. En- filantrópica, considerada de utilidade pública
volve a necessidade de formação e ação mais nos setores municipal, estadual e federal. De
ampla não apenas em saúde mental, mas prin- início, a instituição contava com uma equipe
cipalmente na saúde pública. A prática do psi- composta exclusivamente por assistentes so-
cólogo em saúde mental no Brasil nem sempre ciais com foco voltado para o lazer e a orien-
foi discutida a partir de uma visão social crítica. tação educacional. Ao longo dos anos, foram
Ao entrar nesses serviços, os profissionais da instituídas outras formas de atendimento e,
psicologia reproduziam práticas individuais. atualmente, a instituição possui uma equi-
Hoje, com as experiências no serviço público de pe multidisciplinar formada por psicólogos,
atendimento a portadores de transtorno men- fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fo-
tal e dependentes químicos, a psicologia passa noaudiólogos e médicos, além de assistentes
a questionar as práticas então difundidas. Em sociais. São oferecidos serviços de psicopeda-
conjunto com outros profissionais, o psicólogo gogia, psicomotricidade, audiometria – servi-
na saúde mental passa a fazer parte de ações ço no qual o CEJOP é pioneiro em Niterói –,
que visam contribuir para a desospitalização e reforço escolar, além da Escola Especial São
desinstitucionalização, pautando-se na reinser- José, para crianças portadoras de necessidades
ção e reabilitação psicossocial da clientela. especiais, e da Colônia de Férias Nossa Senhora
de Lourdes, localizada em Rio das Ostras, RJ.

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Por meio de convênios com o Sistema Único de 2.094, de 14/03/1947, determinou a criação
Saúde (SUS) e com diversas instituições como a conjunta de um Instituto de Psicopedagogia.
antiga Legião Brasileira de Assistência (LBA), O Hospital seria destinado à hospitalização e
a Secretaria Municipal de Assistência Social, tratamento das crianças e o Instituto de Psi-
a Secretaria Estadual de Saúde (SES-RJ), a Se- copedagogia seria destinado à classificação e
cretaria de Integração e Cidadania e Promoção orientação pedagógica de crianças anormais.
Social (SICPS) e com a Fundação Municipal O diretor da Divisão de Assistência Neuro-
de Educação, o CEJOP atende gratuitamente psiquiátrica da Secretaria de Saúde, médico
um público de crianças, adolescentes, adultos Austregésilo Ribeiro Mendonça, reformou
e idosos com poucos recursos financeiros e e equipou o antigo Hospital Militar para se
que vêm procurar serviços de reabilitação ou transformar na nova instituição, que se dispu-
a escola especial. Entre os anos de 2000 e 2001, nha a prestar os primeiros cuidados às crian-
o CEJOP atendia a cerca de 500 pacientes por ças portadoras de distúrbios mentais até a
mês. O público que busca seus serviços passa idade de 16 anos. Até 1949, o Hospital atendia
por uma triagem inicial no Serviço Social e é somente em regime ambulatorial e, a partir de
encaminhado, conforme o caso, para a especia- então, o serviço de internações começou a fun-
lidade. Há, ainda, um convênio com o Apoio cionar. As verbas federais para a implantação
Sócio Educativo de Meio Aberto (ASEMA), que foram conseguidas pelo médico Adauto Bote-
possibilita ao CEJOP retirar crianças e jovens lho, então responsável pelo Serviço Nacional
da ociosidade, desde que matriculados nas re- de Doenças Mentais. A capacidade inicial do
des municipal ou estadual de ensino, fazendo hospital previa o atendimento de 150 crianças
atendimentos, desenvolvendo atividades lúdi- e seu primeiro diretor foi o médico Bernardi-
cas e de reforço escolar e lazer. no Alves. O médico José Abranches Gonçalves
o sucedeu, dirigindo o hospital durante 21
Referências anos. Este diretor apontou os graves proble-
BRAGA, H. C. de S. Entrevista concedida a Priscila mas existentes no traçado institucional, de-
Rocha Mendonça da Frota. Rio de Janeiro, 10 out. nunciando o aumento de internações causado,
2006. sobretudo, pela falta de atendimento psiquiá-
ZANON, M. M. de S. Entrevista concedida a Pris- trico extramural e pela redução de tratamento
cila Rocha Mendonça da Frota. Rio de Janeiro, 24 nas esferas tradicionais, como eletroconvul-
out. 2006. soterapia, insulinoterapia e psicofármacos.
CENTRO JUVENIL DE ORIENTAÇÃO E PESQUI- Em 1969, a diretoria foi ocupada pelo médico
SA (CEJOP). CEJOP. Preparando para a vida. Uma José Raimundo da Silva Lippi. O HNPI iniciou
entidade filantrópica. Juiz de Fora: Editar Editora nova etapa, com a criação dos serviços de pe-
Associada, 2002. dagogia no hospital, reorganizando-se o ser-
viço social e o serviço de enfermagem, além
Priscila Rocha Mendonça da Frota da organização do setor de arquivos. Nesse
mesmo ano, um serviço de psicologia come-
Francisco Teixeira Portugal
çou a funcionar, dirigido pela psicóloga Maria
Auxiliadora de Souza Brasil. O HNPI viveu
intensamente seu projeto de reformas até 1973,
„ Centro Psicopedagógico (CPP) – 1980- quando foi criada a Unidade Psicopedagógica
(UNP), com o objetivo de prestar atendimento
Hospital de Neuropsiquiatria Infantil
gratuito às crianças das escolas públicas que
(HNPI) – 1947-1980 apresentassem problema de aprendizagem.
Tal intento se justificava na medida em que,
Foi inaugurado em 1947, no governo Mil- segundo pesquisas da época, 70% da clientela
ton Campos, com o nome Hospital de Neu- era portadora de distúrbios de escolaridade,
ropsiquiatria Infantil (HNPI). O Decreto-lei da fala ou de conduta, distúrbios estes que

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interferiam em seu rendimento escolar. Se subunidades, como Hospital-Dia, Núcleo de


inicialmente foi vinculada ao HNPI, a UNP Atenção Psicossocial, Atendimento a Pacien-
cresceu e, em 1975, tornou-se unidade inde- tes com Transtornos Invasivos do Desenvol-
pendente. Em 1976, foi elaborado um estudo, vimento (Autismo), Lar Abrigado, além do
apresentando uma avaliação do projeto inicial Centro de Atenção Psicossocial Infantil. Pos-
e recomendando a criação de outras miniuni- sui 11 leitos de observação reversíveis e sete
dades psicopedagógicas em áreas regionais de leitos-abrigo.
Belo Horizonte. Como tal projeto não foi leva-
do adiante, a UNP sofreu excessiva demanda, Referências
impossível de ser atendida, gerando filas para
avaliações e atendimentos com espera de até CAMPOS, A. C. M. C.; SAVASSI, M. “O Centro Psi-
copedagógico e seu modelo assistencial”. Revista
um ano. Em 1977 foi criada a Fundação Hos-
de Psiquiatria Psicanalítica Criança Adolescente.
pitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG), Belo Horizonte, v. 1, n. 4, p. 63-69, jan./dez. 1996.
entidade que passou a gerenciar a UNP. Em
CENTRO PSICOPEDAGÓGICO – FHEMIG. Rela-
1979, a visita do psiquiatra italiano Franco Ba-
tório da Diretoria. Belo Horizonte, 1980.
saglia suscitou denúncias acerca dos abusos
sofridos por menores no Hospital Colônia de CENTRO PSICOPEDAGÓGICO – FHEMIG. Pri-
Oliveira, cidade mineira, sendo essas crianças meiro Seminário Interno: documento relativo às
moções apresentadas. Belo Horizonte, 1984.
transferidas para o HNPI. Um ano depois, ou-
tras denúncias atingiriam a UNP e o HNPI, CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE PSI-
que foram comparados por jornais da época QUIATRIA INFANTIL, 2º. Contribuições aos te-
mas oficiais; hospital de neuropsiquiatria infantil.
ao inferno. A direção da FHEMIG optou por
Belo Horizonte: FEAP, 1972.
unir os dois serviços e implantar o Centro Psi-
copedagógico (CPP), que iniciou suas ativida- FIRMINO, H. “Os meninos de Barbacena”. Estado
des em 9 de setembro de 1980. Esse processo de Minas. Belo Horizonte, 15 jul. 1980.
de fusão trouxe problemas para a uniformiza- FIRMINO, H. “Os meninos de Barbacena”. Estado
ção dos critérios de internação e alta dos pa- de Minas. Belo Horizonte, 16 jul. 1980.
cientes, decisões fundamentais para o funcio- FUNDAÇÃO EDUCACIONAL E DE ASSISTÊN-
namento clínico e administrativo do CPP. Na CIA PSIQUIÁTRICA. Relatório da Direção Geral,
década de 1980, foram criadas novas frentes 1971/1972. Belo Horizonte, 1972.
de trabalho, como a capacitação dos atenden- FUNDAÇÃO EDUCACIONAL E DE ASSISTÊN-
tes, a introdução de equipes interdisciplinares CIA PSIQUIÁTRICA. Boletim estatístico do H.N.P.I.
e de equipe de diagnóstico. Em 1984, foi reali- Belo Horizonte, 1972.
zada a primeira assembleia geral do CPP, que
considerou seu funcionamento viável, exceção Renato Diniz Silveira
feita ao atendimento de pacientes crônicos,
que precisava ser melhorado. Atualmente, o
CPP é referência, em Minas Gerais, na atenção
em saúde mental da criança e do adolescen- „ Centro Regional de Pesquisas
te para os casos de maior complexidade, bem Educacionais do Sudeste – 1972-1975
como um centro de referência na formação de Centro Regional de Pesquisas Educacionais
profissionais da rede do SUS. Para esta rede, Prof. Queiroz Filho – 1963-1972
presta ainda serviço de assistência em saúde
mental à população de zero a 18 anos incom-
Centro Regional de Pesquisas Educacionais
pletos, em níveis de complexidade secundário de São Paulo (CRPE) – 1955-1963
e terciário. Seu ambulatório atende em uma
lógica multidisciplinar: psiquiatria, neurolo- O CRPE, instituição de pesquisa criada ofi-
gia, psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, cialmente pelo Decreto 38.460, de 28/12/1955,
serviço social, oficina terapêutica. Apresenta começou a funcionar em junho de 1956 e foi

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extinto em 23 de maio de 1975, pelo Decreto chamadas ciências-fonte da educação – cien-


75.754. Por duas vezes teve sua denominação tistas sociais, antropólogos e psicólogos – bus-
alterada: em 1963, tornou-se o Centro Regional cassem no campo da prática escolar os seus
de Pesquisas Educacionais Prof. Queiroz Filho problemas de investigação. Tendo em vista o
e, a partir de 1972, após uma reestruturação, cumprimento de tais orientações, o CRPE de
recebeu a denominação de Centro Regional de São Paulo organizou-se inicialmente em duas
Pesquisas Educacionais do Sudeste. Instalado, seções de pesquisa: a Divisão de Estudos e
desde sua fundação, em um prédio construído Pesquisas Sociais (DEPS) e a Divisão de Estu-
pelo Instituto Nacional de Estudos Pedagógi- dos e Pesquisas Educacionais (DEPE), dirigi-
cos (INEP) na Cidade Universitária Armando das, respectivamente, pelo sociólogo Renato
de Salles Oliveira, USP, o CRPE compartilhou Jardim Moreira e pelo psicólogo Joel Martins.
seu espaço físico, a partir de 1962, com o Curso A partir de 1957, Joel Martins passou a dirigir
de Pedagogia da Faculdade de Filosofia, Ciên- a Divisão de Aperfeiçoamento do Magistério
cias e Letras (FFCL/USP) e, a partir de 1969, (DAM) e outro psicólogo, Dante Moreira Lei-
com a Faculdade de Educação da Universi- te, assumiu a direção da DEPE. Ambos perma-
dade de São Paulo (FE/USP). O CRPE de São neceram nestes cargos até 1959. A partir dessa
Paulo fazia parte de uma rede de instituições data, a DEPE passou a ser dirigida por Maria
de pesquisa subordinada ao INEP e integrada do Carmo Guedes e Silvia Tatiana Maurer (Sil-
por mais quatro centros regionais (Salvador, via Lane), graduadas pelo Curso de Filosofia
Recife, Belo Horizonte e Porto Alegre) e pelo da FFCL/USP, que, alguns anos mais tarde,
Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais participariam do processo de instalação do
(CBPE), localizado no Rio de Janeiro. O Decre- Curso de Psicologia da Pontifícia Universida-
to 38.460, de 28/12/1955, que criou os centros, de Católica de São Paulo (PUC-SP). Em 1962,
determinava que, além da realização de pes- o DEPS e o DEPE se fundiram, formando a
quisas sociais e educacionais, estas institui- Divisão de Estudos e Pesquisas Educacionais
ções seriam responsáveis pela elaboração de e Sociais (DEPES). Dois representantes da ca-
propostas de mudanças a serem introduzidas deira de Psicologia Educacional da FFCL/USP,
na educação brasileira; preparo de material de Arrigo Leonardo Angelini e Samuel Pfromm
ensino; e oferecimento de cursos de treinamen- Ne o, também participaram das atividades
to e aperfeiçoamento do magistério. O proces- do CRPE, integrando seu conselho deliberati-
so de criação destes centros foi conduzido por vo, em 1961. A revista do CRPE, denominada
Anísio Teixeira – diretor do INEP entre 1952 Pesquisa e Planejamento, teve 17 números pu-
e 1964 – e contou com a colaboração da Orga- blicados entre 1957 e 1975, sendo o principal
nização das Nações Unidas para a Educação, meio de divulgação das pesquisas realizadas
Ciência e Cultura (UNESCO) e de diversos pela instituição. Em seus números, encon-
intelectuais brasileiros e estrangeiros, como o tram-se os artigos divulgados pela equipe
psicólogo social O o Klineberg e o sociólogo de Joel Martins, que trabalhou na elaboração
Florestan Fernandes. A partir da ideia de que das chamadas escalas de escolaridade para o
a educação brasileira precisava se adaptar às ensino primário; os artigos de Dante Moreira
necessidades e exigências do povo brasileiro, Leite sobre livros de leitura utilizados na esco-
sugeriu-se a elaboração de uma nova política la primária e sobre a reprovação neste mesmo
educacional para o país como um todo e para nível de ensino; e um artigo de Arrigo Ange-
cada uma de suas regiões, que tomasse por lini, sobre motivação e aspirações profissio-
base os resultados de investigações científicas nais. Outros dois trabalhos podem ser citados
e as condições de desenvolvimento da socie- para exemplificar outras pesquisas, na área da
dade. Para contribuir com este tratamento Psicologia, promovidas pelo CRPE: em 1959,
científico das questões educacionais, Anísio Dante Moreira Leite participou do Simpósio
Teixeira acreditava que os centros deveriam sobre Problemas Educacionais Brasileiros,
gerar condições para que os trabalhadores das realizado pelo CRPE, com um trabalho so-

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bre as possíveis contribuições da Psicologia DEPE. “Escalas de escolaridade”. Pesquisa e Plane-


à renovação educacional; e, em 1962, Arrigo jamento, São Paulo, n. 4, p. 97-101, jun. 1960.
Angelini e Samuel Pfromm Ne o iniciaram LEITE, D. M. “O brinquedo, a leitura e a criança”. Pes-
a pesquisa intitulada Análise de Conteúdo quisa e Planejamento, São Paulo, n. 2, p. 11-17, jun. 1958.
da Psicologia Educacional, cujos resultados
LEITE, D. M. “Promoção automática e adequação do
foram apresentados na 17ª Reunião Anual da
currículo ao desenvolvimento do aluno”. Pesquisa
SBPC, realizada em Belo Horizonte, em 1965.
e Planejamento, São Paulo, n. 3, p. 15-34, jun. 1959.
Com base nesses exemplos de pesquisas em
Psicologia sobre a temática educacional e da LEITE, D. M. “Análise de conteúdo dos livros de lei-
identificação de alguns psicólogos que foram tura da escola primária”. Pesquisa e Planejamento,
atraídos para selecionar, na prática escolar, seus São Paulo, n. 4, p. 102-126, jun. 1960.
problemas de investigação, é possível realizar LEITE, D. M. “A investigação psicológica face à
uma aproximação em relação à participação educação brasileira [Trabalho apresentado no ‘Sim-
do CRPE no processo de institucionalização pósio sobre Problemas Educacionais Brasileiros’,
do campo da psicologia em São Paulo, atuan- realizado no CRPE, em 1959]”. In: CRPE. Técnicas
do em estreita proximidade com as áreas de e problemas de mudança cultural provocada em
Educação e de Psicologia da Faculdade de Filo- face da organização e funcionamento do sistema
sofia, Ciências e Letras da USP. Em uma época educacional brasileiro. São Paulo: MEC/INEP/
em que os cursos de Psicologia ainda estavam CRPE “Prof. Queiroz Filho”, 1967, p. 75-104.
se organizando em São Paulo, o CRPE apresen- TEIXEIRA, A. “Ciência e arte de educar”. Pesquisa
tou condições capazes de atrair para suas ati- e Planejamento, São Paulo, n. 1, p. 67-85, jun. 1957.
vidades os talentos locais e constituir, com eles
e com os recursos materiais de que dispunha,
um espaço de maturação de ideias e de experi- Márcia Ferreira
mentação de práticas relacionadas à educação
que, alguns anos mais tarde e em outros espa-
ços institucionais – principalmente nos cursos „ Centro Universitário de João Pessoa
e institutos de Psicologia –, se desenvolveriam
(UNIPÊ) – 1994-
e contribuiriam para a consolidação da psico-
logia e, mais especificamente, da psicologia Departamento de Psicologia do Instituto
educacional no Brasil. Paraibano de Educação – 1971-

Referências Instituição de natureza privada, situada na


BR 230, km 22, Água Fria, João Pessoa – PB e
ANGELINI, A. L.; PFROMM NETTO, S.; ROSAMI-
fundada em 21 de junho de 1971. Foi criada
LHA, N. “Análise de Conteúdo da Psicologia Educa-
a partir da ideia inicial de fundação de uma
cional [Trabalho apresentado à 17ª Reunião Anual da
SBPC, realizada em Belo Horizonte, em 1965]”. Psico-
Universidade Católica. Esta era a proposta
logia Escolar e Educacional, Campinas, v. 5, n. 1, 2001. inicial de Marcos Trindade, depois de deixar
a Reitoria do Seminário Arquidiocesano, à
ANGELINI, A. L.; ROSEN, B. C. “Motivação, aspi- qual se aliara ao amigo e confrade de ministé-
ração profissional e alguns aspectos da educação
rio, padre José Trigueiro do Vale. Mas, levada
dos filhos: estudo comparativo de dados obtidos no
ao exame do bispado da época, o projeto da
Brasil e nos Estados Unidos”. Pesquisa e planeja-
universidade não logrou aprovação. Como, ao
mento, São Paulo, n. 7, jun. 1964.
lado de outros companheiros de magistério,
DEPE. “Escalas de escolaridade”. Pesquisa e Plane- Manuel Batista de Medeiros estava articulan-
jamento, São Paulo, n. 2, p. 167-232, jun. 1958. do a fundação de uma escola autônoma do
DEPE. “Escalas de escolaridade”. Pesquisa e Plane- mesmo nível, não demorou para que os dois
jamento, São Paulo, n. 3, p. 148-153, jun. 1959. grupos se incorporassem à mesma iniciativa.

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A ata de 1971 foi, assim, o resultado formal de psicologia os eventos são promovidos em
dessa união, celebrada e efetuada no Mosteiro período semestral e anual, envolvendo ativi-
de São Bento, então abandonado e que ia pre- dades como simpósios, congressos, ciclos de
cisar de restauração, cedido à nova entidade palestras, ciclos de jornadas; seminários de ex-
em regime de comodato (gerência temporá- tensão; mesas-redondas, comemoração do dia
ria) pela arquidiocese. Deve-se aos primeiros do psicólogo; feiras de informações promo-
alunos da instituição a escolha dos quatro vidas por professores e alunos de Psicologia.
primeiros cursos. As primeiras turmas foram Em 2003 teve participação na organização do
constituídas pelo excedente do vestibular de III Congresso Norte-Nordeste de Psicologia –
universidades federais, muitos dos alunos CONPSI. No Departamento de Psicologia, o
vindos do Ceará, outros do Rio Grande do quadro de funcionários é composto por Iany
Norte. A instituição tem por objetivos desen- Cavalcanti da Silva Barros (coordenadora),
volver valores, habilidades e conhecimentos Suy-Mey Carvalho de Mendonça Gonçalves
que capacitem os discentes no exercício de (coordenadora adjunta), Iva Izabel Cavalcan-
suas atribuições profissionais, sendo o públi- ti da Silva Barros (responsável técnica), assim
co-alvo os alunos secundaristas; profissionais como professores com especialização, mestra-
já inseridos no mercado de trabalho; a própria do e doutorado e profissionais de apoio ad-
comunidade, já que são oferecidos programas ministrativo. Possui unidades de triagem, de
de assistência jurídica, de saúde, desporto e atendimento psicoterápico, de psicopedago-
lazer comunitário; e o meio empresarial, prin- gia e de orientação vocacional e profissional,
cipalmente nas áreas administrativa e contá-
além dos núcleos de estágio supervisionado e
bil. Fundado por Marcos Augusto Trindade,
o de pesquisa e extensão. A clínica de psicolo-
José Trigueiro do Vale, Afonso Pereira da Sil-
gia, que foi criada pela Resolução 05/04/1974
va, Flávio Colaço Chaves, José Loureiro Lopes
e em 19/10/2001, através da Portaria 123, pro-
e Manuel Batista de Medeiros, e dirigida por
move estágio e treinamento aos alunos de Psi-
José Loureiro Lopes; diretor vice-presidente
cologia, propiciando condições para a experi-
Oswaldo Trigueiro do Valle; diretor-secretário
ência profissional, por meio do atendimento à
Paulo Augusto Trindade Padilha; diretor de
patrimônio e finanças Flávio Colaço Chaves. comunidade e na prevenção da saúde mental.
Sendo seus conselheiros: Afonso Pereira da Na clínica são oferecidos os serviços de tria-
Silva, Monsenhor José Trigueiro do Valle, Ma- gem, plantão de escuta psicológica, psicotera-
nuel Batista de Medeiros, monsenhor Marcos pia individual, de casal, familiar; ludoterapia
Augusto Trindade Padilha. Possui convênio individual e em grupo; anamnese infantil;
com o objetivo de promover a inserção do avaliação psicológica; orientação profissional
alunado em estágio com: Centro de Integra- e psicopedagógica; acompanhamento psicoló-
ção Empresa-Escola (CIEE), Instituto Evaldo gico a idosos e a deficientes e atendimento psi-
Lodi (IEL), Companhia de Água e Esgotos da copedagógico. A instituição possui área total
Paraíba (CAGEPA), Complexo Psiquiátrico de 300.000 m² e área construída de 35.246,28
Juliano Moreira, Controladoria Geral do Esta- m². Funciona de segunda a sábado das 7:00 às
do, Companhia Tecidos Norte de Minas (CO- 22:00 horas. São oferecidos atendimentos as-
TEMINAS), Lojas MAIA, Fundação de Apoio sistenciais nas clínicas-escolas de psicologia,
ao Portador de Deficiências (FUNAD), Fun- fisioterapia e fonoaudiologia, na área jurídica,
dação Estadual da Criança e do Adolescente contábil e administrativa. No decorrer de seus
(FUNDAC), Gráfica Santa Marta, Hospital 36 anos de existência, muitas foram suas pu-
São Vicente de Paula, Lar da Providência, Or- blicações, documentadas e arquivadas em seu
dem dos Advogados da Paraíba (OAB – PB), acervo cultural, disponível ao conhecimento
ORSERV Ltda – Empregos e Serviços, Insti- público no Núcleo de Documentação e Ar-
tuto e Maternidade Cândida Vargas, Institu- quivos desta Instituição. Em 1994 a instituição
to da Assistência ao Servidor (IPEP). Na área teve o seu nome alterado para UNIPÊ.

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Referências neiro, em São Paulo ou fora do país. No entan-


CENTRO UNIVERSITÁRIO DE JOÃO PESSOA to, no Rio Grande do Sul havia um núcleo de
(UNIPÊ). Disponível em: < h p://www.unipe.br/>. estudos psicanalíticos dirigido por Malomar
Acesso em: 17 set. 2008. Lund Edelweiss, padre e diretor da Univer-
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE JOÃO PESSOA sidade Católica de Pelotas. Malomar tomara
(UNIPÊ). Pró-Reitoria de Ensino de Graduação.
conhecimento da obra de Igor Caruso, reco-
Curso de Psicologia. Projeto Pedagógico do Curso
de Psicologia. João Pessoa, 2003. Mimeo. nhecido então mundialmente como expoente
INSTITUTOS PARAIBANOS DE EDUCAÇÃO
de uma psicanálise com base no existencia-
(IPÊ). Núcleo de Documentação e Arquivos. Rela- lismo cristão e como fundador, em 1947, do
tórios de atividades anuais. João Pessoa: IPÊ, 1994- Círculo Vienense de Psicologia Profunda. Este
2008. Círculo abrigava pessoas de diferentes forma-
SILVA, C. T. P. da S. Resenha histórica do IPÊ/UNI- ções, criando uma frente heterodoxa e multi-
PÊ 30 anos 21 junho 1971 – 2001. João Pessoa: Uni- disciplinar que permitia, na Viena de então, a
pê, 2002. continuidade dos estudos e investigações no
terreno da psicanálise, que haviam sido difi-
Rejane Sousa da Silva cultados durante a II Guerra Mundial, com a
ascensão do nazismo e a anexação da Áustria
ao III Reich. Malomar foi para Viena, onde se
„ Círculo Psicanalítico de Minas Gerais analisou com Caruso. Em 1956 fundou no Bra-
(CPMG) – 1970- sil, com a presença de Caruso, o Círculo Brasi-
leiro de Psicologia Profunda, com sede inicial
Círculo Brasileiro de Psicologia Profunda em Pelotas e depois em Porto Alegre. Dese-
– Seção Minas Gerais – 1963-1970 jando difundir a psicanálise e sabendo da de-
manda dos profissionais mineiros, Malomar
Associação científica voltada à formação transferiu-se para Belo Horizonte em 1963 e,
de profissionais na área da psicanálise, sem em conjunto com os doutores Elba Duque de
fins lucrativos e de utilidade pública estadual Moura, Djalma Teixeira Oliveira, Jarbas Moa-
(Lei 11.709, de 22/12/1994) e municipal (Lei cir Portela, Antônio Franco Ribeiro da Silva e
4.211, de 23/10/1985), o CPMG é mantido pela Eunice Rangel, criou o Círculo Brasileiro de
contribuição mensal de seus associados e tem Psicologia Profunda – Secção Minas Gerais.
como clientela pessoas com curso superior O grupo logo se expandiu. Em 1968 o próprio
completo, especialmente das áreas humanas Caruso foi convidado para dar assistência
e biológicas e estudantes dos últimos perío- teórica ao Círculo e para intermediar certas
dos de Psicologia e Medicina. Conta com uma divergências que vieram com o aumento do
Clínica de Psicanálise que se destina a atender número de participantes. Em 1970, o grupo
pessoas de baixa renda por preços acessíveis mudou seu nome para CPMG, fazendo preva-
e fornecer material de pesquisa para os for- lecer a psicanálise sobre a psicoterapia (aten-
mandos. Com sede própria na rua Maranhão, dimento de grupos, casais, famílias etc.), dan-
734, 3º andar, bairro Santa Efigênia, Belo Ho- do prioridade à análise clássica no divã, como
rizonte – MG, o CPMG dispõe de secretaria, foi estabelecida por Freud. No nível nacional,
duas salas de aula, auditório para 60 pessoas, o CPMG é vinculado ao Círculo Brasileiro de
biblioteca, copa e banheiros. Fundado em 17 Psicanálise (CBP), fundado em 1956 no Rio
de abril de 1963, o CPMG veio atender à de- Grande do Sul por um grupo de psicanalis-
manda de um grupo de psiquiatras mineiros tas liderados pelo professor Malomar Lund
que procurava uma formação em psicanálise Edelweiss. Este Círculo funciona como uma
que, até então, só podia ser feita no Rio de Ja- federação e tem unidades em vários estados:

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Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Ja- Reverso. Há também uma publicação interna
neiro, Bahia, Pernambuco, Paraíba e Sergipe. para os sócios e alunos em formação, o Bole-
A filiação internacional do CPMG é a Interna- tim Informativo, com edição mensal, além de
tional Federation of Psychoanalytic Societies uma edição anual do Boletim Informativo Espe-
(IFPS), que tem também Igor Caruso como cial, com informações gerais sobre o CPMG e
um de seus fundadores. A IFPS se caracteri- os cursos oferecidos a cada ano. Publica ainda
za por ser pluralista e por acatar as diferenças os Cadernos das Jornadas com os trabalhos que
de cada país e de cada formação local, embo- são apresentados nos eventos que promove.
ra haja requisitos básicos para a pertinência O CPMG foi responsável por dois números
a seus quadros. Ao longo de sua história, o especiais do periódico International Forum of
CPMG tem testado vários modelos de funcio- Psychoanalysis (revista trimestral da Interna-
namento. O modelo atual congrega a Socieda- tional Federation of Psychoanalytic Societies,
de de Psicanalistas e o Fórum de Psicanálise. sediada em Estocolmo): em 2002, o volume II,
O CPMG é estruturado para ser uma socieda- n. 2, Social Realities and Psychoanalysis in Brazil
de pluralística, composta por membros que e, em 2005, o volume 14, n. 3-4, The Multiple
seguem diferentes orientações teóricas, sem Faces of Perversion. O Círculo promove anual-
tentativas de uniformização. A maioria dos mente a Jornada do Fórum de Psicanálise do
sócios segue uma linha freudo-lacaniana, em- CPMG e participa das Jornadas e Congressos
bora haja alguns adeptos dos ensinamentos de do Círculo Brasileiro de Psicanálise (CBP), do
Melaine Klein, Winnico e Laplanche. A di- Fórum Mineiro de Psicanálise e dos fóruns
retoria do CPMG é composta de: presidente, internacionais da International Federation of
vice-presidente, primeiro-secretário, segun- Psychoanalytic Societies.
do-secretário, tesoureiro, coordenador admi-
nistrativo, coordenador do departamento de Referências
publicação, coordenador da biblioteca, coorde-
AMORETTI, R. “Cronologia e contradição: o CBP
nador da comissão de formação psicanalítica
de Viena a Minas Gerais.” Reverso, Belo Horizonte,
permanente, coordenador da clínica de psica-
n. 35, p.132-142, 1993.
nálise, comissão de ética, conselho fiscal, de-
legados junto ao CBP e à IFPS. O CPMG teve CÍRCULO PSICANALÍTICO DE MINAS GERAIS.
como primeiro presidente o professor Malo- Estatuto. Belo Horizonte, 2003.
mar Lund Edelweiss, seguindo-se a ele vários CÍRCULO PSICANALÍTICO DE MINAS GERAIS.
outros psicanalistas, com gestões de dois anos Regimento interno. Belo Horizonte, 2003.
de duração. Além dos fundadores e dirigentes
MENDES, E. R. P. “Os trinta anos do Círculo Psi-
já citados, o CPMG contou com a visita de vá-
canalítico de Minas Gerais – CPMG”. Estudos de
rios psicanalistas de renome nacional e inter-
Psicanálise, Belo Horizonte, n. 16, p. 76-79, 1993.
nacional, que ministraram cursos e palestras:
Charles Melman, Contardo Calligaris, Eliza- PIMENTA, A. C. “The historical path of the Círculo
beth Roudinesco, Gregório Barembli , Joel Psicanalítico de Minas Gerais.” International Jour-
Birman, Marco Antônio Coutinho Jorge, Ma- nal of Psychoanalysis. v. 2, n. 2, p.85-89, 2002.
ria Rita Kehl, Phillipe Julien, Piera Aulagnier, PIMENTA, A. C. (Org.). 40 anos do Círculo Psica-
Renato Mezan, entre outros. Desde 1971, o nalítico de Minas Gerais. 1 videocassete (88 min.):
CPMG mantém uma publicação científica pró- VHS. Belo Horizonte: Plano Geral Vídeo, 2003.
pria. A princípio chamada Boletim Informativo
Interno do Círculo Psicanalítico de Minas Gerais,
a revista recebeu novo nome e novo projeto Eliana Rodrigues Pereira Mendes
editorial em 1986, quando passou a se chamar Arlindo Carlos Pimenta

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„ Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro atividade no Círculo dois de seus fundadores:


(CPRJ) – 1969- Edson Soares Lannes e Henrique Alberto Baez
Sampaio. Os primeiros anos foram de for-
talecimento científico e organizacional, com
Fundado a 27 de março de 1969, é uma so- intensa atividade de estudos teóricos, técnicos
ciedade de psicanálise fundamentada na obra e clínicos, bem como de definição progressi-
de Freud e de seus continuadores, que não se va de um estilo de convivência no processo
propõe a oficializar nem excluir qualquer cor- de adaptação interna, com a saída de alguns
rente do pensamento psicanalítico. Tem como e a entrada de outros, e de reconhecimento
finalidade o estudo teórico-clínico da psicaná- externo. Como decorrência de sua fundação
lise e de conhecimentos afins como um pro- ter ocorrido dentro do CBPP, o Círculo estava
cesso de formação permanente, em que a troca vinculado desde o início à International Fede-
de experiências torne possível a circulação do ration of Psychoanalytic Societies (IFPS), enti-
saber e o reconhecimento entre pares. Entende dade que congregava, em 2007, 27 sociedades
a psicanálise como procedimento de investi- de 15 países. Em 1978, em função de divergên-
gação dos processos mentais inconscientes e cias administrativas relacionadas à criação,
como método de tratamento de problemas pelo CBPP (hoje Círculo Brasileiro de Psica-
psíquicos baseado neste procedimento. O Cír- nálise – CBP), de um grupo de estudos psica-
culo implementa o seu programa de estudos nalíticos em Teresópolis, o CPRJ se desligou
teórico-clínicos em um espaço denominado do CBPP. No mesmo momento, apresentou
Fórum de Psicanálise, cuja dinâmica visa à à IFPS a proposta de vinculação direta, apro-
produção e à circulação do saber psicanalítico, vada pela assembleia de delegados à IFPS em
implicando todos os seus membros. A admi- 1980, em Helsinki. A partir de 1973, atendendo
nistração da instituição é feita por quatro co- à demanda de formação psicanalítica de mui-
missões executivas: administrativa, de forma- tos interessados, o CPRJ compôs turmas para
ção permanente, de publicações e biblioteca e estudos teórico-clínicos. O grupo de 1973 foi
de clínica. O poder, soberano em suas decisões, chamado de Turma 2, porquanto o grupo ori-
é exercido pela assembleia geral dos membros ginal fora denominado Turma 1. Mesmo sen-
efetivos. O Fórum de Psicanálise é adminis- do criadas novas turmas para estudos teórico-
trado pela comissão de formação permanen- clínicos seriados a cada dois anos, em média,
te. Interessados em psicanálise que não sejam a ideia de que uma formação psicanalítica é
ainda membros efetivos podem se associar ao permanente perpassa todos os estudos feitos.
fórum, após entrevistas com a comissão de Como critério preliminar, macroscópico, de
formação permanente. Em 2007, o CPRJ tinha candidatura à formação seriada oferecida, os
84 membros efetivos, dois membros corres- candidatos às primeiras turmas deveriam ser
pondentes e cerca de 200 associados ao fórum. formados em Psicologia ou Medicina, visando
Em 1968, Igor Caruso, de Salzburg, foi a Belo à tranquilidade futura do exercício profissio-
Horizonte, sede, na época, do Círculo Brasilei- nal, uma vez que essas categorias profissio-
ro de Psicologia Profunda (CBPP), presidido nais já dispõem de cobertura legal para abrir
por seu discípulo, Malomar Lund Edelweiss. consultórios. Hoje a única exigência feita aos
Os dois fizeram contato com Anna Ka rin que se interessem em participar das ativida-
Kemper (dona Catarina), interessados em des de estudo da instituição é que tenham
que se criasse no Rio uma unidade do CBPP. curso universitário completo. A composição
Estimulados por ela, quatro membros de seu de turmas no CPRJ chegou à turma 9 quando,
grupo de estudos, junto a quatro outros cole- no início da década de 1990, em mais uma re-
gas ligados a Malomar, decidiram criar uma flexão sobre a experiência vivida e sempre dis-
instituição vinculada ao CBPP e assim nasceu, posto a uma reformulação organizacional que
em 1969, o CPRJ, como quarta sociedade psi- facilitasse a concretização de seus objetivos,
canalítica nesta cidade. Ainda estão em plena o CPRJ criou a estrutura atual, com suas co-

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missões executivas e o Fórum de Psicanálise. CÍRCULO PSICANALÍTICO DO RIO DE JANEIRO.


Em 1974, foi criada a biblioteca, hoje chamada Ata da Assembleia Geral. Rio de Janeiro, dez. 1992.
Biblioteca Anna Ka rin Kemper. Do acervo INTERNATIONAL FEDERATION OF PSYCHO-
inicial fazem parte a coleção completa do In- ANALYTCS SOCIETIES. Ata da Assembleia de
ternational Journal of Psychoanalysis e os filmes agosto de 1980. Helsinki, 1980.
de René Spitz. Em 1978, foi lançada uma re-
vista que veio a ser chamada, a partir de seu Edson Soares Lannes
segundo número, de Cadernos de Psicanálise
do CPRJ. A revista publica, além de notícias
de interesse da instituição, entrevistas e tex-
tos, muitos deles apresentados nas jornadas „ Círculo Psicanalítico do Rio Grande do
anuais do CPRJ. Muitos membros do Círculo Sul (CPRS) – 1971-
já vinham participando da Clínica Social de
Psicanálise, fundada em 1973 por um grupo Círculo Brasileiro de Psicologia Profunda
de psicanalistas liderados por dona Catarina (CBPP) – 1956-1971
e Hélio Pellegrino. O Departamento Clínico,
contudo, só foi criado em 1981 e é adminis- O CPRS foi criado em 26 de setembro de
trado pela comissão de clínica. A relevância 1956, com o nome de Círculo Brasileiro de
do CPRJ pode ser demonstrada, entre outras Psicologia Profunda (CBPP), tornando-se a
razões: porque é pioneiro na liberdade de matriz do Círculo Brasileiro de Psicanálise.
estudo da psicanálise no Rio de Janeiro; por O início dessa instituição estava intimamente
sua estrutura organizacional essencialmente ligado ao padre Malomar Lund Edelweiss, da
democrática desde os tempos de privação dos Universidade Católica de Pelotas. Devido ao
direitos de cidadania do Brasil; por sua parti-
seu interesse pelos fenômenos psicológicos,
cipação na criação da Clínica Social de Psica-
mantivera contatos com o psicanalista húnga-
nálise no Rio; porque, juntamente com outras
ro-argentino Bela Székely, de quem recebera
sociedades psicanalíticas, organizou seis Fó-
informações sobre o psicanalista Igor Caru-
runs Brasileiros de Psicanálise na década de
so. Estas o levaram ao Círculo de Psicologia
1990; porque hospedou, juntamente com o
Profunda de Viena, onde realizou sua análise
CBP e a SPID, dois Fóruns Internacionais de
com o próprio Caruso. Malomar Edelweiss
Psicanálise da IFPS (no Rio, 1989, e em Belo
Horizonte, 2004). Vale mencionar ainda a par- era diretor da Faculdade de Filosofia de Pelo-
ticipação do CPRJ no movimento Articulação tas e organizou cursos sobre a teoria carusiana
de Entidades Psicanalíticas Brasileiras, que se na Universidade Católica de Pelotas (UCPel)
mantém alerta quanto às novas tentativas de e na Pontifícia Universidade Católica do Rio
regulamentação profissional da psicanálise Grande do Sul (PUCRS). A partir de sua inicia-
no Brasil. O CPRJ caracteriza-se pela atenção tiva e de seus colaboradores, destacando-se o
às condições de exercício do ofício de psica- médico Siegfried Kronfeld, sua esposa Gerda
nalista, não abrindo mão da livre associação Kronfeld, os padres jesuítas Aloysio Köehler
de ideias, em todos os sentidos, e por cultivar e Gèza Köveckses, e o médico Francisco Vi-
um espaço de trabalho sempre pensado para dal, pôde ser fundado em Pelotas o Círculo
não ir além do estritamente necessário à reali- Brasileiro de Psicologia Profunda (CBPP). Os
zação do seu potencial criativo. Kronfeld foram a Viena, em 1954, para serem
analisados por Caruso. No retorno, depois
de um período em Pelotas, mudaram-se para
Referências
Porto Alegre, onde ofereceram atendimen-
CÍRCULO PSICANALÍTICO DO RIO DE JANEI- to clínico e formação em psicanálise. Nesta
RO. Estatutos. Rio de Janeiro, 1969. época, o CBPP transferiu-se também para a
CÍRCULO PSICANALÍTICO DO RIO DE JANEI- capital do Estado do Rio Grande do Sul. O pa-
RO. Atas. Rio de Janeiro, 1978. dre Gèza Köveckses fundou e dirigiu os cur-

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114

sos Christus Sacerdos e Ancilla Domini, que dos da História do Freudismo). Université Paris 7
visavam a uma formação reciclada do clero, – Denis Diderot, Paris, 2001.
dos religiosos e das religiosas, tentando uma GOMES, W. B. (Org.). Psicologia no estado do Rio
síntese entre teologia, espiritualidade e psi- Grande do Sul. Porto Alegre, nov. 2006. Disponí-
canálise. O padre Aloysio Köehler, em 1972, vel em: <h p://www.ufrgs.br/museupsi/PSI-RS/su-
fundou o curso de Psicologia na Universidade mars.htm>. Acesso em: 25 jul. 2007.
do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), uma RIBEIRO, L. C. “Malomar Lund Edelweiss”. In:
instituição católica da Companhia de Jesus, CAMPOS, R. H. de F. (Org.). Dicionário biográfico
fundada em 1969 na cidade de São Leopoldo. da Psicologia no Brasil: pioneiros. Rio de Janeiro:
A atividade pioneira iniciada no Rio Grande Imago; Brasília: CFP, 2001.
do Sul frutificou-se em vários outros estados SILVA, L. O. T. “Os psicólogos e o exercício da psi-
da união. Em 1970, o CBPP passou a ser mem- canálise”. Revista da SPRGS, v. 3, n. 5/6, p. 38-39,
bro da Federação Internacional de Sociedades 1977.
Psicanalíticas, com sede em Viena. No ano se-
guinte, teve seu nome mudado para Círculo
Luciano Ferreira Piccoli
Brasileiro de Psicanálise e todas as suas socie-
dades integrantes adotaram, daí em diante, a
denominação de Círculo Psicanalítico, acresci-
do do nome do estado em que suas atividades „ Clínica de Orientação Infantil – 1938-196(?)
eram desenvolvidas. O Círculo Brasileiro de
Psicanálise está filiado à Federação Interna-
cional dos Círculos de Psicologia Profunda, Durval Bellegarde Marcondes (1899-1981)
fundado em Viena em 1947, por Igor Caruso, a criou em 1938 a Clínica de Orientação Infan-
qual, por sua vez, está filiada à Federação Inter- til, da Seção de Higiene Mental da Diretoria
nacional das Sociedades Psicanalíticas e à Fe- de Saúde Escolar, da Secretaria de Educação
deração Internacional de Psicoterapia Médica. de São Paulo (Lei 9.872, de 28/11/1938), ten-
Hoje, o Círculo Brasileiro de Psicanálise agrega do como colaboradoras: Virginia L. Bicudo,
em seu corpo, além do Círculo Psicanalítico do Clarisse Fleury, Alcinda Ferrari, Jacy Arruda,
Rio Grande do Sul, o Círculo Psicanalítico de Margarida Lisboa, Ligia de Souza, Lygia A.
Minas Gerais, o Círculo Psicanalítico da Bahia, Amaral, Margarida Vieira da Cunha, Maria
o Círculo Psicanalítico de Pernambuco, o Cír- Rita G. Lobo, Jacira Leite e Belkiss Vieira de
culo Psicanalítico do Rio de Janeiro, o Círculo Mello. A clínica tinha por finalidade prestar
Psicanalítico de Sergipe e a Sociedade Psica- serviço de atendimento de saúde mental para
nalítica da Paraíba. O CPRS localiza-se atual- crianças e seus familiares. A organização do
mente na rua Senhor dos Passos, 235/cj. 1.001 referido grupo, denominado educadoras sani-
– Centro – Porto Alegre. tárias, mostra a relação existente entre a psico-
logia e a medicina, condição própria da época.
Esta relação ocorria especialmente por meio
Referências do movimento denominado higiene mental,
CÍRCULO BRASILEIRO DE PSICANÁLISE – SE- que tinha por objetivo inicial a melhoria das
ÇÃO RIO DE JANEIRO. Disponível em: <h p:// condições de assistência aos doentes mentais,
www.cbp-rj.org.br>. Acesso em: 15 ago. 2007. com atendimento especializado, baseado prin-
CÍRCULO BRASILEIRO DE PSICANÁLISE. Dis- cipalmente nas ideias de Freud. O movimento
ponível em: <h p://www.cbp.org.br/index.htm>. higienista gradativamente incluiu a educação
Acesso em: 15 ago. 2007. como uma de suas preocupações. A problemá-
GAGEIRO, A. M. L’histoire de la psychanalyse au tica educacional é considerada pelos higienis-
Brésil: la fondation de la Sociéte Psychanalytique tas uma doença social, advinda da ignorância
de Porto Alegre (1963). Tese (Doutorado em Estu- do povo, sendo um entrave para a moderni-

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zação do país. A primeira escola para indiví- Ensino Básico. Os serviços prestados na Clí-
duos anormais data de 1917, tendo Vieira de nica de Atendimento Infantil demonstram,
Mello como chefe do Serviço Médico Escolar entre outros, a consolidação da psicologia no
em São Paulo, mas, oficialmente, foi com a Brasil.
criação da Clínica de Orientação Infantil que
a higiene mental escolar começou a ser prati-
Referências
cada institucionalmente. Tendo como objetivo
atender a crianças com problemas no proces- ANTUNES, M. A. M. “Quadro de referências sobre
so de escolarização, a clínica prestava serviços a história da psicologia no Brasil: 1930-1962”. Psi-
cologia da Educação, n. 8, p. 97-132, maio de 1999.
de natureza terapêutica. Durval Marcondes já
havia iniciado a prática clínica desde sua for- ANTUNES, M. A. M. “Sobre a formação dos psi-
mação na Faculdade de Medicina e Cirurgia cólogos: aspectos históricos”. Psicologia da Educa-
de São Paulo, em 1932, por meio da análise de ção, n. 5, p. 35-56, 1997.
pacientes neuróticos, baseada nas descobertas ANTUNES, M. A. M. A Psicologia no Brasil: lei-
de Freud, com quem chegou a trocar corres- tura histórica sobre sua constituição. São Paulo:
pondência, além do auxílio de Francisco Fran- UNIMARCO, 1998.
co da Rocha. Sobre seu trabalho na Clínica de LIMA, R. A. “A Psicologia da Educação nos progra-
Atendimento Infantil, Marcondes propôs um mas de Pedagogia”. Psicologia da Educação, São
novo serviço de higiene mental escolar que, Paulo, n. 17, 2003, p. 51-73.
por meio da formação de professoras, tinha
NELKEN, R. & JUNQUEIRA FILHO, L. C. “Trajetó-
como atividade o estudo do ambiente fami- ria modernista”. Sociedade Brasileira de Psicanáli-
liar. Ainda segundo Marcondes, o serviço de se de São Paulo, ano 4, n. 6, 1978.
higiene mental era multidisciplinar, contando
com o psiquiatra, o pediatra, o neuropediatra PESSOTI, I. “Notas para uma história da Psicologia
brasileira”. In: BASTOS, A. V. B. & GOMIDE, P. I. C.
e o psicólogo escolar, função que ele afirma-
(orgs.). Quem é o psicólogo brasileiro?. Conselho
va ter criado. Cabe ressaltar o pioneirismo de Federal de Psicologia. São Paulo: EDICON, 1988.
Marcondes no atendimento multidisciplinar e
sua defesa em favor dos psicólogos escolares. SAGAWA, R. Y. “Marcondes, Durval Bellegarde”.
No entanto, o tratamento terapêutico seguia In: CAMPOS, R. H. de F. (Org.). Dicionário bio-
gráfico da Psicologia no Brasil: pioneiros. Rio de
tendências da época, tanto da medicina como
Janeiro: Imago; Brasília: CFP, 2001.
da educação, no atendimento aos indivíduos
excepcionais, cuja proposta era a segregação TAVERNA, C. S.R. “O ensino superior e a Psicolo-
destes em classes e escolas especiais. A preocu- gia no Brasil: 1930-1962”. Psicologia da Educação,
pação com diferenças mentais que pudessem n. 5, p. 9-33, 1997.
impedir a homogeneização de classes e, por
consequência, o ensino, sustenta a ideia hi- Renata Alves Lima
gienista de dar continuidade ao atendimento
especial ao aluno excepcional. A proposta de
exclusão de escolas normais de alunos tidos
como anormais segue de tal forma que, na dé- „ Clínica de Orientação Infantil (COI) –
cada de 1950, São Paulo já contava com mais 1953-1980
de 20 classes especiais. Nos anos seguintes
Clínica de Orientação Juvenil (COJ) –
foram criadas clínicas para pessoas com defi-
ciências visuais, auditivas e, posteriormente,
194?-1953
físicas. A unificação da orientação técnica do
atendimento educacional dos excepcionais Fundada no Instituto de Psiquiatria da
ocorreu somente no final da década de 1960, Universidade do Brasil (IPUB) em setembro
com a incorporação do Serviço de Educação de 1953, durante a gestão de Mauricio de Me-
Especial, subordinado ao Departamento de deiros como diretor do IPUB, a COI funcio-

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nava no pavilhão Torre dos Homens, em um etapa era a hora do brinquedo, na qual eram
prédio de formato oval, situado próximo ao observadas as reações e o estado emocional
anfiteatro, no próprio IPUB, na rua Vences- da criança pelo psiquiatra; por último, cabia
lau Brás, 71, Botafogo-RJ. A clínica foi criada aos que exerciam a função que, com a regu-
nos anos de 1940 como Centro de Orientação lamentação da profissão, seria dos psicólogos,
Juvenil (COJ) nos moldes das Child Guidence a realização dos exames psicológicos, com a
Clinic, fruto do movimento iniciado no sécu- aplicação de testes. Após a coleta dos dados,
lo XX por médicos, pesquisadores e estudio- os casos eram analisados com o propósito de
sos cujos interesses estavam voltados para a traçar o tratamento indicado ao paciente, que
investigação, o cuidado e o atendimento do poderia consistir em combinações de sessões
público infantil, envolvendo equipe multidis- de psicanálise, orientação medicamentosa e
ciplinar: assistentes sociais, psicólogos, psi- sessões de psicoterapia. O trabalho na clínica
quiatras e médicos. Algumas teorias vigentes se estendia também ao meio social e familiar
no período de fundação da instituição, como em que a criança estava inserida, com ses-
as freudianas, ressaltavam a importância que sões de orientação familiar e palestras para
a vida infantil exerce na fase adulta, tornan- as mães, ministradas por Marialzira Peres-
do necessário tanto o estudo de casos clínicos trello. O objetivo era habilitar as mães a lida-
infantis como o tratamento diferenciado para rem com questões cotidianas das crianças em
meninos e meninas. Em 1953, transformou-se seus lares. Durante o período de setembro de
na COI, clínica voltada à infância. Nesse con- 1955 a agosto de 1963, a COI realizou 1.576
texto, as crianças encaminhadas para atendi-
triagens, teve 696 crianças matriculadas e en-
mento na psiquiatria infantil, até então rece-
caminhou 792 casos para outras instituições.
bidas juntamente com os adultos, passaram
Em setembro de 1965, foi realizado o simpósio
a ser destinadas à equipe da recém-fundada
A Orientação da Infância, em comemoração
COI, que destacava a importância exercida
ao 10º aniversário da clínica, com apresenta-
pelos fatores familiares e sociais sobre as de-
ção de casos clínicos que passaram pela COI,
sordens psicológicas dos seus pacientes. Fa-
ziam parte da equipe fundadora da clínica: o contando com a participação de profissionais
psiquiatra Affonso Ne o, a psicanalista Ma- de diferentes áreas. Por circunstâncias admi-
rialzira Perestrello, o pediatra Vidal Dutra Fi- nistrativas e carência de pessoal, em 1980, foi
lho, além de Mara Salvini de Souza, Ana Elisa anexado à COI o setor de adolescente do Insti-
Mercadante, Fernando Nogueira de Souza, o tuto de Psiquiatria – criado pela psicóloga Ju-
psiquiatra William Azmar e a assistente social lia Chermont e pelo psiquiatra Edson Saggese
Jovita Madeira. O público da clínica consistia – dando origem ao setor infantojuvenil. Este,
em crianças entre dois e 12 anos, de ambos os de orientação majoritariamente psicanalíti-
sexos, portadoras de problemas referentes a ca, passou a adotar a Terapia de Grupo como
conduta, linguagem, escolaridade, aquisição mais uma forma de psicoterapia. Em 1998, no
de hábitos, neuroses estruturadas, psicoses conjunto de transformações produzidas pela
e problemas na esfera psicossomática. Ao reforma psiquiátrica, a clínica infantojuvenil
chegarem à clínica, passavam pela triagem, foi transformada em um dos primeiros Cen-
dividida em cinco etapas, referentes às dife- tros de Atenção Psicossocial (CAPS) infantis
rentes áreas de atendimento. Primeiramente, do Brasil, sob a direção de Edson Saggese.
era realizada a entrevista social com a criança Seu nome passou a ser Centro de Atenção e
e os pais pela assistente social; em seguida a Reabilitação da Mocidade (CARIM), receben-
entrevista com o médico, que visava investi- do verbas do Sistema Único de Saúde (SUS)
gar o desenvolvimento cognitivo da criança, e da Universidade Federal do Rio de Janeiro
hábitos de limpeza do ambiente em que ela (UFRJ). Em 2004, o serviço sofreu uma nova
vivia, hábitos alimentares, antecedentes pato- divisão, segmentando-se em Serviço Ambula-
lógicos da criança e da sua família; depois era torial, no Serviço de Psiquiatria da Infância e
realizado o exame neuropediátrico; a quarta Adolescente (SPIA) e no CARIM.

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Referências noaudiologia, fisioterapia, terapia corporal,


FREITAS, S. “A psicanálise de crianças no Rio de Ja- terapia ocupacional, serviço social, pediatria,
neiro”. Psicanalítica, v. 4, n. 1, 2003. neurologia, psiquiatria e psicopedagogia.
GABBAY, R. O Serviço Social face ao diagnóstico A equipe multidisciplinar continua atenden-
global – COI. Monografia (Graduação em Serviço do ao público que sempre foi seu principal
Social). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio foco: crianças, adolescentes e famílias. Hoje
de Janeiro, 1969. também oferece diagnóstico e tratamento
JORNAL BRASILEIRO DE PSIQUIATRIA. Rio de precoce, investigando o desenvolvimento
Janeiro, v. 12, n. 4, p. 421-424, out./dez. 1963. psicomotor da criança desde o nascimento.
MANHÃES, Maria. Manhãs de Manhães – memó- A história da clínica perpassa pela formação
ria. Rio de Janeiro: [s.n.], 1997. em psicanálise no estado, que começou após
PERESTRELLO, M. Entrevista concedida a Beatriz sua fundação. Na década de 1980, um gru-
de Andrade Rabelo. Rio de Janeiro, 15 set. 2006. po de psicanalistas argentinos foi ao Espírito
SAGGESE, E. Entrevista concedida a Beatriz de Santo para criar um núcleo de estudos em
Andrade Rabelo. Rio de Janeiro, 22 set. 2006. psicanálise, o então denominado Centro de
Estudos e Pesquisa de Psicanálise do Espíri-
to Santo (CEPES), a primeira instituição psi-
Beatriz de Andrade Rabelo
canálistica criada no Espírito Santo. Roberta
Francisco Teixeira Portugal
Giovanno i e Liberato Tristão Schwartz esta-
vam entre os sócios-fundadores do CEPES.
A partir daí, foram criadas outras instituições
„ Clínica de Orientação Psicológica e de psicanálise: o Colégio Freudiano, hoje
Social Ltda. (COPS) – 1973- denominado Escola Lacaniana de Vitória; o
Campo Freudiano; Significado-Significante;
Psicanálise e Cultura, e muitos outros gru-
A COPS, com sede na rua Engenheiro pos, que promovem o estudo da psicanáli-
Pinto Homem de Azevedo, 31, Jucutuqua- se no estado. A formação em psicanálise no
ra, Vitória – ES, foi fundada no dia 20 de Espírito Santo surgiu sob forte influência da
setembro de 1973. Foi criada por Liberato psicanálise argentina, com a chegada dos
Tristão Schwartz, médico e professor do cur- psicanalistas argentinos, Hugo Guangiroli,
so de Medicina da Escola de Medicina da Jorge Volnovich, Enrique Banfi e Éster Mar-
Santa Casa de Misericórdia (EMESCAM), tinez, que estruturaram cursos de formação,
Ana Rita Costa Gomes, psicóloga, e Roberta seminários e grupos de estudo. Neste mesmo
Giovanno i, assistente social e psicanalista. período, houve uma busca de qualificação
O principal objetivo era oferecer atendimen- pelos profissionais que atuavam no setor de
to psicológico à criança, ao adolescente e aos saúde mental, aumentando o interesse pela
pais. No início a clínica oferecia os serviços psicanálise no estado. Jorge Volnovich, um
de psicodiagnóstico infantil e psicoterapia dos argentinos que visitou o Espírito Santo
para os pais, depois ofereceu também servi- naquela ocasião, passou a dar supervisão
ços em psicopedagogia. Em 1976, Liberato e para a COPS, influenciando muito a forma de
Ana Rita saíram da sociedade. Atualmente a trabalho e de conduta no atendimento à po-
clínica possui dois sócios: Roberta Giovan- pulação infantojuvenil. Sua influência levou
no i e Fernando Giovanno i. A clínica, que os fundadores da COPS a trabalharem tam-
inicialmente contava com apenas três profis- bém com o desenho da criança, com as entre-
sionais – um médico, uma psicóloga e uma vistas e com a escuta psicanalítica. Foi nesse
assistente social e psicanalista –, atualmente contexto que os sócios construíram a ideolo-
conta com 25 profissionais de diversas áreas gia da clínica. Na década de 1980, houve um
e especialidades: psicologia, psicanálise, fo- grande investimento na clínica. Uma de suas

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fundadoras começou a visitar várias empre- De acordo com a Secretaria de Ação Social
sas e instituições, buscando e ampliando os do Estado, atualmente a COPS é um centro
convênios. A COPS é uma clínica particular de referência no atendimento de meninos e
e firmou convênios com diversas empresas meninas com distúrbios de conduta. Aten-
como o Banco do Estado do Espírito Santo de a crianças e adolescentes em situação de
(BANESTES); a Companhia Siderúrgica de vulnerabilidade e proporciona a inclusão das
Tubarão (CST), denominada hoje de Arcelor famílias no processo de recuperação de seus
Mi al; Espírito Santo Centrais Elétricas S.A. filhos, por meio da terapia familiar, e os en-
(ESCELSA); e com a Prefeitura Municipal de caminhamentos são feitos a diversos órgãos,
Vitória. Em 1978, os proprietários começaram como unidades de saúde, escolas municipais
a investir no setor de seleção e montaram um e estaduais, juizados da infância e da juven-
setor organizacional na clínica, desenvolven- tude, conselhos tutelares, entre outros. A re-
do trabalhos de psicologia organizacional: se- levância da COPS para psicologia no Espírito
leção, recrutamento e treinamento de pessoal. Santo deve-se ao trabalho de divulgação do
Promoveram também cursos, seminários e conhecimento psicológico, com a prestação
palestras relacionadas à sua área de atuação, de serviços nos campos da psicologia clínica
trabalhando também para outras empresas e organizacional, consequentemente na for-
como PETROBRAS, Aracruz Celulose S/A, mação de profissionais, pois até hoje a clínica
ECT – CORREIOS e Prefeitura Municipal de serve como um campo de aprendizagem para
Vila Velha. Esse trabalho permaneceu por 24 esta formação. Além disso, a COPS foi um lo-
anos, visto que em 2002 a clínica encerrou as cal de atuação para psicólogos que vieram de
atividades relacionadas ao setor organizacio- outros estados. Com a criação do Curso de
nal, passando a se dedicar exclusivamente ao Psicologia na Universidade Federal do Espí-
setor clínico. Isto decorreu da ideologia da rito Santo (UFES), em 1979, muitos profissio-
clínica, desde a sua formação, ser a de tra- nais que trabalharam na COPS foram atuar
balhar com crianças, adolescentes e família. na Universidade.
Assim, resolveu investir e se especializar nes-
te setor e não mais trabalhar com o setor or- Referências
ganizacional, já que este também demanda- CARVALHO, C. Á. Os psiconautas do Atlântico
va um investimento e especialização maior, Sul. Uma etnografia da Psicanálise. Campinas:
ultrapassando os limites de atuação da clíni- UNICAMP/Centro de Memória – UNICAMP; Vitó-
ca. Atualmente, um diferencial da clínica é o ria: EDUFES, 1998.
convênio que possui com a Prefeitura Muni- CLÍNICA DE ORIENTAÇÃO PSICOLÓGICA E SO-
cipal de Vitória. Através dele a COPS atende CIAL. Arquivos da Clínica de Orientação Psicológi-
a crianças e adolescentes de 0 até 17 anos e 11 ca e Social, pasta de contratos. Vitória, 18 dez. 2006.
meses, de vários bairros de Vitória, e é nesse CLÍNICA DE ORIENTAÇÃO PSICOLÓGICA E
trabalho que a clínica tem investido, posto SOCIAL. Arquivos da Clínica de Orientação Psi-
que devido à grande demanda, esse tipo de cológica e Social, Documentos diversos. Vitória, 18
atendimento configura a sua principal ati- de dez. 2006.
vidade. Devido à clientela conveniada ser
GIOVANNOTTI, R. Entrevista concedida a Paula
constituída de pessoas oriundas dos bairros Coimbra da Costa Pereira. Vitória, 18 dez. 2006.
mais periféricos de Vitória e com menor po-
VITÓRIA ON-LINE. Programa VIDATIVA de Aten-
der aquisitivo, a clínica começou a ser este-
dimento à Pessoa com Deficiência. Disponível em:
reotipada como Clínica dos Pobres. Porém,
<h p://www.vitoria.es.gov.br/secretarias/acaosoc/
apesar do grande investimento nesse tipo de
portador_deficiencia.htm>. Acesso em: 18 dez. 2007.
atendimento, o objetivo da clínica é ser reco-
nhecida como um lugar de atendimento para
todos, independentemente de classe social. Paula Coimbra da Costa Pereira

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„ Clínica de Repouso da Tijuca – 1943-1956 a camadas desfavorecidas da população, a


Clínica funcionou como núcleo de resistência
ao arbítrio imposto, por um lado, pelo Estado
Fundada pela psicanalista brasileira Iracy
de um período de exceção, e por outro pela
Doyle em 1943, situava-se na rua Alves de
Brito, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. psicanálise dita oficial. A fundação da Clínica
Foi idealizada por sua fundadora nos mesmos colocou-se a serviço de algumas determinações
moldes que a Clínica Psiquiátrica dos irmãos históricas: resgatar o velho sonho da psicanáli-
Menninger, em Topeka, nos Estados Unidos, se antecipado por Freud, no famoso Discurso
de orientação predominantemente psicológi- de Budapest (1918), quando foi pensada como
ca. Iracy lá estivera em 1940. Na sua volta ao instrumento de alívio do sofrimento psíquico
Brasil, insatisfeita com os tratamentos ofere- das grandes massas, a partir da constatação da
cidos pela psiquiatria clássica, de base orga- relação assimétrica entre o número de psicana-
nicista, pretendeu, com a fundação da clínica, listas e analisandos em potencial; reeditar a ex-
oferecer um novo tipo de tratamento na área periência da Policlínica de Berlim nos anos de
da saúde mental. Esse tratamento fomentava 1920, que se propunha a estender o alcance dos
os princípios de uma psiquiatria dinâmica e benefícios da prática psicanalítica; abrigar psi-
da psicanálise moderna. Dando continuidade canalistas, incluindo aqueles em formação, que
ao trabalho desenvolvido em sua clínica, Iracy não dispunham de espaço institucional de in-
Doyle fundou, em dezembro de 1952, o Insti- terlocução, onde circulassem livremente ideias
tuto de Medicina Psicológica, atual Sociedade usualmente não acolhidas nas sociedades liga-
de Psicanálise Iracy Doyle. A Clínica de Re- das à Associação Internacional de Psicanálise
pouso da Tijuca funcionou até a morte de sua (IPA); instituir um laboratório clínico, onde a
fundadora, em 1956. técnica analítica pudesse ser experimentada
e eventualmente adaptada a um atendimen-
Referências to mais abrangente, criando as bases de um
FALECEU ONTEM A DRª IRACY DOYLE. Correio centro de pesquisa e discussão que incluísse
da Manhã. Rio de Janeiro, 19 ago. 1956. práticas clínicas descomprometidas com o ri-
FREITAS, L. A. P. SPID / IMP: 45 anos de Psicaná- gor da pureza analítica. Figuras fundamentais
lise, de 1953 a 1998. Disponível em: <h p://www. ligadas à fundação da Clínica são Anna Ka rin
spid.com.br/a_spid.htm>. Acesso em: 25 ago. 2007. Kemper e Helio Pellegrino. Embora outros psi-
GRANDE PERDA PARA A PSIQUIATRIA BRASI- canalistas tivessem aderido ao projeto como
LEIRA. O Globo. Rio de Janeiro, 20 ago. 1956. colaboradores, coube àqueles dois o papel de
IRACY DOYLE, GRANDE FIGURA DE MULHER mobilização não só dos pares mas da opinião
E DE CIENTISTA. Diário de Notícias. Rio de Janei- pública, por intermédio dos meios de comuni-
ro, 9 set. 1956. cação. O momento de instauração contou com
PERDE A CIÊNCIA BRASILEIRA UMA DAS a participação de membros de, pelo menos, três
MAIORES ENTUSIASTAS DA PSICANÁLISE. Úl- instituições do Rio de Janeiro. A mais expres-
tima Hora. Rio de Janeiro, 20 ago. 1956.
siva parece ter sido a de membros do Círculo
Psicanalítico do Rio de Janeiro, fundado por
Luiz Alberto Pinheiro de Freitas Ka rin Kemper, e a de um grupo a ela ligado,
dissidente da Sociedade Psicanalítica do Rio de
Janeiro (SPRJ). A instalação da primeira sede
ocorreu em 1972, numa casa alugada em Copa-
„ Clínica Social de Psicanálise Anna Kattrin
cabana, na rua Toneleros. Ela foi sendo equipa-
Kemper – 1972-1991 da por meio de doações efetuadas a partir da
repercussão da sua fundação. A clínica se man-
Congregando psicanalistas comprometi- tinha com o que cada analisando podia pagar.
dos em viabilizar atendimento psicanalítico Esse valor era discutido, para cada situação sin-

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gular, com o analista. Os colaboradores nada o período de criação da Clínica como uma fase
recebiam. Havia um banco de horas, em que em que a psicanálise se encontrava hermeti-
cada profissional oferecia sua disponibilidade e camente encastelada em suas instituições. Por
a clientela apresentava sua demanda. Tratava- essa razão, a clínica, embora nunca se tenha
se de uma clientela de classe média (donas de colocado formalmente como alternativa para a
casa, estudantes e assalariados), que não dispu- formação de analistas, abrigou generosamente
nha de recursos para se tratar com os mesmos os que se afinavam com sua ideologia. Nessa
analistas em sua prática privada. O impulso moldura se encaixavam os que não tinham vin-
clínico mais significativo parece ter partido de culação institucional alguma. Foi nesse espaço
Ka rin, ou, como era chamada, dona Catarina, que se produziu uma de suas mais relevantes
com um trabalho original de grupoterapia com contribuições para a história da psicanálise em
crianças, conhecido como grupos lúdicos. Eram nosso país: o Simpósio sobre Psicanálise e Po-
grupos psicoterápicos nos quais as crianças de- lítica, realizado na PUC-Rio de 17 de setembro
senvolviam formas de interação em conversas a 29 de outubro de 1980. Após a realização da
e atividades como desenhar, pintar, modelar primeira mesa, da qual participaram Helio Pel-
etc., acompanhadas pelos terapeutas. Foi nes- legrino, Eduardo Mascarenhas e Wilson Lyra
te trabalho que dona Catarina introduziu uma Chebabi, um artigo publicado no Jornal do Bra-
técnica que denominou interpretação aludida. sil deu ensejo a uma série de desdobramentos
Esse tema já havia sido objeto de um trabalho políticos, que culminaram com a expulsão dos
apresentado por ela, em junho de 1962, no IV dois primeiros da SPRJ. Revelou-se, assim, a
Congresso Psicanalítico Latino-Americano, sob questão do autoritarismo da psicanálise oficial
o título “A interpretação aludida: sua relação e do comprometimento de um de seus candi-
com as vivências e comunicações pré-verbais.” datos com a tortura nos órgãos de repressão:
Nos primórdios da clínica, ocorreram eventos a denúncia desencadeou o famigerado caso
abertos ao público, intitulados Encontros Psi- Amílcar Lobo, que redefiniu as práticas insti-
codinâmicos (nome sugerido por Chaim Katz, tucionais psicanalíticas a partir de então. Ou-
colaborador da clínica). Despertaram grande tra contribuição da Clínica foi sua decisiva
interesse das famílias que buscavam ajuda para participação na luta do psicólogo para con-
lidar com os filhos e produziram uma grande quistar espaço dentro do feudo psicanalítico.
demanda de atendimento de crianças, adoles- Até então, apesar da posição freudiana sobre
centes e adultos. Mais tarde foi criado o Núcleo a análise leiga, a formação psicanalítica no
de Atendimento Terapêutico (NAT), concebido Rio de Janeiro era vedada institucionalmente
como grupo de pesquisa e estudo das psicoses, aos não-médicos. A Clínica foi solidária com
e tendo como coordenador o psicanalista Ju- a legítima expectativa dos psicólogos, que exi-
randir Freire Costa. O NAT criou uma interes- giam o reconhecimento de sua competência
sante experiência de convívio e partilhamento para o exercício da psicanálise. Em meados
de sofrimento psíquico, com o Grupo de Ajuda dos anos de 1980, houve a mudança para sua
Mútua (GAM), que se reunia com os terapeutas segunda sede, outra casa na rua Visconde Sil-
semanalmente e privilegiava as possibilidades va, em Botafogo, onde funcionou até encerrar
de desenvolvimento de vínculos afetivos, em suas atividades, em 22 de novembro de 1991.
atividades que ocorriam dentro ou fora da clíni- Algumas críticas quanto ao alcance social do
ca (passeios, visitas a instituições culturais, ati- atendimento foram feitas de dentro e de fora
vidades físicas etc.). Aí desponta a importância da instituição. Discutiu-se também o traço
histórica da Clínica por sua ousadia e coragem assistencialista que marcava a relação cliente-
de inovar, de se contrapor aos cânones oficiais analista e o papel do dinheiro, significante
da psicanálise, além de denunciar privilégios que, em uma análise, supostamente deveria
que uma reduzida parcela de psicanalistas re- ser trabalhado no registro simbólico. Essas e
lutava em abandonar. É preciso contextualizar outras críticas foram permanentemente discu-

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tidas ao longo da existência da Clínica Social. na rua Ipiranga, 4 – Botafogo, na cidade do


Independentemente das imperfeições, a Clíni- Rio de Janeiro. A construção que então abri-
ca Social de Psicanálise Anna Ka rin Kemper gava o Colégio destacava-se por ser afastada
veio a se constituir, possivelmente, na mais da cidade; possuir cozinha, refeitório e dor-
próxima experiência institucional do modelo mitórios bem aparelhados; apresentar ampla
proposto por Freud para o atendimento às e arborizada área de recreação e, sobretudo,
grandes massas. A clínica, como espaço insti- possuir salas de aula equipadas com apare-
tucional de resistência ao período autoritário lhos e mecanismos próprios para o ensino.
de exceção, cumpriu sua função histórica e No final da década de 1870, com a dissolu-
encerrou suas atividades em 1991, quando o ção da sociedade entre Abílio César Borges e
processo de consolidação democrática se esta- Epifânio Reis, este último assumiu o estabele-
bilizou em nosso país. cimento de ensino da Corte, denominando-o
Colégio Epifânio Reis. Abílio César Borges
Referências mudou-se logo em seguida para a cidade de
FIGUEIREDO, A. C. Estratégias de difusão do movi- Barbacena-MG e aí, no dia 3 de fevereiro de
mento psicanalítico no Rio de Janeiro – 1970-1983. Dis- 1881, inaugurou a segunda unidade do Co-
sertação (Mestrado em Psicologia). Pontifícia Universi- légio Abílio. Para esse fim, adquiriu a pro-
dade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1984. priedade onde anteriormente funcionara o
FREUD, S. “Linhas de progresso na terapia psica- Colégio Providência, que tinha características
nalítica (1918)”. In: E. S. B. Obras Completas de S. similares às do Colégio Abílio da Corte. Essa
Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1969. Vol. XVII. propriedade, localizada no n. 19 da rua que
IBRAHIM, C. M. Clínicas sociais psicanalíticas do hoje é denominada Santos Dumont, abrigou,
Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Psico- nos anos subsequentes ao encerramento das
logia). Pontifícia Universidade Católica do Rio de atividades do Colégio Abílio, o Ginásio Mi-
Janeiro, Rio de Janeiro, 1992. neiro, o Colégio Militar, o Colégio Estadual
KATZ, C. S. “A questão do dinheiro na psicanálise”. de Barbacena e a Escola Preparatória de Ca-
In: ROPA, D.; MAURANO, D. Agenda de Psicaná- detes do Ar, esta última ainda em funciona-
lise. Rio de Janeiro: Xenon, 1989. mento. O Colégio Abílio funcionou em Bar-
SIMPÓSIO PSICANÁLISE E POLÍTICA. Textos das bacena até meados do ano de 1888, quando
conferências realizadas na PUC-Rio sob a coorde- Abílio César Borges, seu fundador e diretor,
nação da Clínica Social de Psicanálise Anna Kat- retornou à Corte e encerrou as atividades da
trin Kemper. Rio de Janeiro: Bloch, 1981. instituição na cidade. Logo após a mudança
de Abílio César para Barbacena, seu filho, Joa-
quim Abílio Borges, abriria, no Rio de Janei-
Cesar Mussi Ibrahim
ro, uma terceira unidade do Colégio Abílio.
Sua inauguração se deu no dia 15 de março
de 1883. Essa unidade funcionou inicialmente
„ Colégio Abílio – 1871-1911 em Botafogo e foi posteriormente transferida
para a rua Marquês de Abrantes, 20. Nesse lo-
cal, funcionou até seu fechamento, em 1911.
Entre 1871, ano em que foi inaugurado, e Enquanto o Colégio Abílio da Corte coexistiu
1911, ano em que suas atividades foram de- com o Colégio Abílio de Barbacena, era per-
finitivamente encerradas, o Colégio Abílio mitida a transferência de alunos de uma uni-
teve três unidades e funcionou em três dife- dade para outra, a qualquer momento do ano
rentes lugares. A primeira unidade foi criada letivo, uma vez que as duas unidades tinham
pelo médico e educador baiano Abílio César os mesmos princípios e eram regidas pelo
Borges (Barão de Macaúbas), em sociedade mesmo estatuto. Retornando ao Rio de Ja-
com Epifânio Reis. O Colégio foi inaugura- neiro, Abílio César Borges foi colaborador de
do no dia 1º de agosto de 1871 e localizava-se seu filho na direção do Colégio Abílio até seu

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falecimento, em 1891. Estabelecimento de en- madores da educação no século XIX, volta-


sino particular, o Colégio Abílio destinava-se das para o desenvolvimento de técnicas mais
à instrução primária e secundária e só admitia compatíveis com o desenvolvimento infantil.
alunos internos. O pagamento da pensão era
feito adiantado, incluía aulas de canto, nata- Referências
ção, ginástica, instrumentos musicais, dese-
ALVES, I. Vida e obra do Barão de Macahubas. São
nho e dança, além da lavagem e “gomado”
Paulo: Companhia Editora Nacional, 1942.
de roupas, fornecimento de livros e materiais
BORGES, A. C. Do aritmometro fraccionario de
de escrita e o direito ao uso da mobília, do
sua invenção. Exposição Pedagógica do Rio de Ja-
dormitório, dos aparelhos de ginástica e dos neiro. 1883. (Conferência). Rio de Janeiro: Typogra-
instrumentos de ensino. O Colégio Abílio me- phia Nacional, 1884.
rece destaque na história da psicologia e da
GONDRA, J. G. “Abílio César Borges”. In: FÁVERO,
educação brasileiras pela tentativa de Abílio M. de L. de A.; BRITTO, J. de M. Dicionário de edu-
César Borges, seu idealizador, de reformar a cadores no Brasil: da Colônia aos dias atuais. Rio
educação em diferentes aspectos, incluindo de Janeiro: UERJ/MEC-INEP, 1999.
os estruturais, metodológicos, disciplinares MASSENA, N. Barbacena: a terra e o homem. Belo
e morais, tornando-a mais “humana e racio- Horizonte: Imprensa Oficial, 1985.
nal”. Uma de suas marcas foi a atenção espe- ROCHA, N. M. D. “Abílio César Borges – Barão de
cial ao aluno e às condições adequadas para Macaúbas”. In: CAMPOS, R. H. de F. (Org.). Dicio-
que ocorresse o processo de ensino e aprendi- nário biográfico da Psicologia no Brasil: pioneiros.
zagem. Assim, não só criou métodos e instru- Rio de Janeiro: Imago; Brasília: CFP, 2001.
mentos especiais para o ensino, por exemplo, SAVASSI, A. J. Barbacena: 200 anos. Belo Horizon-
o Aparelho Escolar Multiplo, como também te: Leme, 1991.
defendia a substituição dos castigos físicos VALDEZ, D. A representação de infância nas
pela persuasão e pelo apelo à dignidade dos obras pedagógicas do Dr. Abílio Cesar Borges: o
alunos, buscava inspirar nas crianças o amor barão de Macahubas (1856-1891). Tese (Doutorado
pelo estudo e estimulava as qualidades dos em Educação). Universidade Estadual de Campi-
alunos, negando-se a enfatizar seus defeitos. nas, Campinas, 2006.
O Aparelho Escolar Múltiplo (AEM) surgiu
da constatação, em 1872, quando acompanha- Érika Lourenço
va uma aula superior de aritmética, em que os
Nádia Maria Dourado Rocha
alunos pouco compreendiam as operações re-
petitivas, praticadas de forma abstrata. Idea-
lizou então o “fraciômetro” (arithmometro „ Colégio Estadual da Bahia (Central) – 1837-
fracionário), para facilitar o ensino de frações,
ao qual, posteriormente foram agregadas
outras funções. Assim, o AEM era composto É uma instituição pública estadual, de
de: arithmometro fracionário, imprensa es- formação geral, com o objetivo de formar os
colar, pauta musical, quadros-negros, sólidos alunos no curso científico e no nível médio.
geométricos, porta-mapas, aparelho cromáti- A ela pertence também um curso técnico em
co (disco de Newton), frações sólidas de uni- informática. Localizado na avenida Joana An-
dades, cavilhas com caracteres alfabéticos e gélica, praça Carneiro Ribeiro, s/n., bairro Na-
algarismos, contador: de bolas para inteiros, zaré, Salvador-Bahia, ficou conhecido como
de palitos para ordens de unidades, vértico- Colégio Central. Entre seus dirigentes, des-
horizontal. Este aparelho, em palavras do Ba- taca-se José Cardoso Pereira de Mello (1837),
rão de Macaúbas, estava destinado a prestar o primeiro a dirigir o colégio. Personalidades
importantíssimo serviço nas escolas primárias. como Aninha Franco, Antônio Carlos Maga-
Pode-se, por isto, dizer que o Colégio Abílio lhães, Aristides Maltez, Calasans Neto, Carlos
foi um exemplo das preocupações dos refor- Maringueira, Cid Teixeira, Ernesto Carnei-

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ro Ribeiro, Fernanda Rocha Perez, Glauber SILVA, M. E. C. Entrevista concedida a Adriana Al-
Rocha, Jacó Gorender, João Ubaldo Ribeiro, ves Santos. Salvador, 11 ago. 2007.
Juca Ferreira, Lauro Faranzio Freitas, Lídice LIMA, D. K.; RAMOS, J. L; VEIGA, M. A.; OLIVEI-
da Mata, Luiz Anselmo, Luiz Dias Henrique RA, C.; OLIVEIRA, M. C. Entrevista concedida a
Tavares, Raul Seixas, Valdir Freitas Oliveira, Adriana Alves Santos. Salvador, 16 ago. 2006
Valdir Pires e Virgilio Dazio Cenna estuda- SACRAMENTO, J. N. Entrevista concedida a
ram neste colégio. A instituição publicou os Adriana Alves Santos. Salvador, 18 ago. 2007.
seguintes livros: em 1971, Memórias históricas
do Colégio Estadual da Bahia (Central) e em 1937 Adriana Alves Santos
Memória histórica do ensino secundário oficial
da Bahia. A instituição promove a Semana da
Consciência Negra, gincanas, projetos pe-
dagógicos, halloween e torneios. A base legal „ Colégio Estadual Guaíra – 1999-
para o regimento do colégio é a Lei Federal Centro Educacional Guaíra – 1954-1999
9.394/96, que estabeleceu as diretrizes e bases
da educação nacional. Os órgãos importantes
da instituição são o colegiado escolar, o conse- Instalado em 1954, na rua Lamenha Lins,
lho permanente e o conselho de classe. A insti- 1.962, em Curitiba – Paraná, o Centro Educa-
tuição atende desde adolescentes, a partir de cional Guaíra foi idealizado para ser local de
14 anos, até adultos. Três mil e oitocentos alu- desenvolvimento das atividades pedagógicas
nos estavam matriculados em 2007, mas so- do Centro de Estudos e Pesquisas Educacio-
mente 2.700 estavam frequentando as aulas. nais (CEPE), em funcionamento na capital do
A maior parte dos alunos são dos bairros de estado desde 1952. A criação do centro foi so-
Periperi, Paripe, Castello Branco, Pirajá e Fa- licitada ao secretário de Educação e Cultura,
zenda Grande. O colégio tem seis pavilhões, doutor João Xavier Viana, pela professora Pór-
55 salas, uma sala de educação física e duas cia Guimarães Alves, para que neste se rea-
quadras de esporte. Ainda oferece educação lizassem as atividades do estágio de aperfei-
básica de ensino médio em caráter regular, çoamento para professores do Paraná, com o
anual, nos períodos diurno e noturno. O Co- objetivo de desenvolver práticas pedagógicas
légio Central teve um Serviço de Orientação norteadas pelas características próprias do de-
Educacional (SOE), que realizava trabalhos senvolvimento psicológico das crianças, tendo
de orientação profissional, informação profis- como princípio fundamental o respeito ao alu-
sional e também atendia a alunos que assim no. O Guaíra foi proposto como um centro de
o desejassem. O SOE fazia tanto atendimento demonstração, cuidando em especial das con-
em grupo quanto individual, além do atendi- dições do espaço físico destinado às ativida-
mento às famílias. O serviço participava das des de ensino. Seu prédio foi doado pela Pre-
reuniões das coordenações e dos professores. feitura de Curitiba e parte das verbas para as
Não foram obtidas informações sobre a exis- instalações e equipamentos foi enviada pelo
tência de psicólogos na instituição. Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos
(INEP). A ampla construção era composta por
Referências salas de aula, sala de mecanografia, salão para
atividades solenes, sala de reunião pedagó-
COSTA, W. A. da; NEVES, O. M. B.; SOUZA, O. C.
de; LEITE, C. V.; SANTOS A. Memórias históricas
gica, salão de lanche, biblioteca infantil, sala
do Colégio Estadual da Bahia (Central) 1937 – de artes plásticas e sala da direção. O prédio
1971. Salvador: Imprensa Oficial, 1971. em forma de M, pintado na parte externa em
FARIAS, G. de A.; MENEZES, F. da C. Memória cinza com detalhes em branco, tinha as salas
histórica do ensino secundário oficial da Bahia de aula pintadas de verde-claro, com carteiras
1837 – 1937. Salvador: Imprensa Official do Estado, escolares, mesa do professor, quadro-negro e
1937. armários. A carteira escolar, leve, móvel e com

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a tampa lisa e horizontal, diferente dos mode- res, diretores e professores de várias escolas e,
los fixos e acoplados predominantes nas esco- ainda, o professor Anísio Teixeira, diretor do
las da época, foi especialmente projetada para INEP, a quem foi entregue a chave da entra-
o centro, com o objetivo de favorecer sua loco- da para que abrisse as portas da nova escola.
moção para qualquer parte da sala e também O centro iniciou suas atividades com 319 alu-
facilitar os trabalhos em grupo. A mesa do nos, 11 professoras, entre elas, Lydia Volpi,
professor apresentava, na parte dianteira, pra- Jacyra Ribeiro, Francelina Xavier da Silvei-
teleiras para a colocação de livros destinados ra Valente, Elvira Giannini, Nacyr Giannini,
ao estudo e à pesquisa; sobre a mesa havia va- Eugênia Boamorte, Jurema M. de O. Ramos,
sos em cerâmica marrom para a colocação das Leny Silva Trevisani, Ruth Carneiro de Souza,
flores trazidas pelos alunos. O quadro-negro Nice Lorusso Muhlfeit e Eunice E. K. Simão,
tinha, em sua moldura, dois quadros, sendo com a direção da professora Pórcia Guima-
um deles em madeira com ganchos, para pen- rães Alves. O nome do centro sofreu algumas
durar mapas e cartazes pedagógicos, e o outro, alterações, em atendimento às políticas para
fabricado em celotex, destinado à colocação a educação brasileira e, em 1999, passou a
dos trabalhos de cartografia ou de desenhos denominar-se Colégio Estadual Guaíra, desti-
realizados pelos alunos. Cada sala de aula nado ao ensino fundamental e médio. Atual-
possuía ainda dois armários baixos com qua- mente, a escola atende aproximadamente a
tro portas, pintadas em cores diferentes. Sobre 1.400 alunos, que se distribuem pelas salas de
os armários, havia quadros emoldurados em aula, biblioteca, quadras esportivas, labora-
madeira clara, sendo nas séries iniciais qua- tórios de física, química e biologia e sala-am-
dros de paisagem e, nas séries mais adianta- biente de artes. O colégio ainda possui salas
das, cópias de quadros célebres. Completando especiais, salas de recurso, salas de reforço e
a parede do fundo da sala, cabides, nos quais sala de avaliação psicoeducacional, esta sob
bolas coloridas serviam para a colocação de a coordenação da professora Norma Gonçal-
abrigos. Nas salas destinadas ao jardim de in- ves, que também ocupa o cargo de diretora.
fância, alguns detalhes foram observados para A importância do Centro Educacional Guaíra
adequá-las às crianças: o quadro-negro, feito no cenário da psicologia e da educação bra-
apenas de massa corrida verde, ficava loca- sileira deve-se às várias iniciativas pioneiras
lizado a apenas 30 cm do chão, para facilitar por ele empreendidas em especial a preocu-
o desenho livre dos alunos. Para as atividades pação com a arquitetura do prédio, nas cores
em classe, mesas quadradas de um metro e 20 e na luminosidade, um modelo de mobiliário
cm, com prateleiras. Na parede lateral, faixa menos rígido e mais agradável, melhor ade-
em celotex para a fixação dos desenhos. Nos quado às características físicas dos alunos e às
corredores havia um esboço de museu, com atividades em sala de aula.
armários-vitrines que expunham objetos típi-
cos ou regionais. A biblioteca infantil possuía Referências
estantes à altura dos alunos e poltronas mi-
ALVES, P. G. Memorial. Curitiba, 1978. Mimeo.
rins. Salão de lanches, mobiliado com mesas
desmontáveis, também servia para acolher os ALVES, P. G. Memórias da Psicologia no Paraná.
Curitiba: Pinha, 1997.
alunos no frio e chuvoso inverno de Curitiba.
A inauguração do centro ocorreu no dia 8 de CENTRO EDUCACIONAL GUAÍRA. Ata de Insta-
janeiro de 1954, concomitante com a realiza- lação do Centro Educacional Guaira. Curitiba,
ção, em Curitiba, da XI Conferência Nacional 1954.
de Educação. Na cerimônia estiveram presen- GONÇALVES, N. Entrevista concedida a Sheila
tes renomadas autoridades, entre elas, o go- Maria Rosin. Curitiba, 12 jan. 2007.
vernador do Estado do Paraná, doutor Bento MILLARCH, A. “Pórcia, uma educadora do Paraná
Munhoz da Rocha Neto, o secretário da Edu- (o segredo de uma eterna juventude)”. Estado do
cação e Cultura, doutor Lauro Portugal Tava- Paraná, p. 20, 4 jan. 1991.

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ROSIN, S. M. “Pórcia Guimarães Alves”. In: CAM- tada no CFRJ, recebeu grande aceitação desse
POS, R. H. de F. (Org.). Dicionário biográfico da contingente carente de legitimação simbólica.
Psicologia no Brasil: pioneiros. Rio de Janeiro: A opção pelo termo colégio remetia à signifi-
Imago; Brasília: CFP, 2001. cação de uma aproximação de colegas, e freu-
diano ao fato de o pensamento de Freud ser
Sheila Maria Rosin considerado a via de abertura à voz de Lacan.
No CFRJ não havia análise didática obrigatória
– apesar de quase todos os seus membros ana-
lisarem-se com M. D. Magno – e, assim como
„ Colégio Freudiano do Rio de Janeiro na EFP, foi adotado o trabalho em cartel, bem
(CFRJ) – 1975- como o passe, como dispositivo de acesso ao
grau de Analista Membro do Colégio (AMC).
A instituição primava pela sofisticação teórica,
Resultando do encontro de Magno Macha-
pela articulação entre psicanálise, artes e filo-
do Dias (M. D. Magno) com Be y Milan em
sofia, o que contrastava com a pobreza intelec-
1975, em Paris, foi concebido em um bistrô
tual encontrada nas concidadãs filiadas à IPA,
em Montparnasse. Be y Milan, após contato
onde o processo de formação era burocrático e
com a obra lacaniana, ainda em São Paulo,
a dinâmica institucional estagnada devido, so-
iniciou, em 1973, uma análise com Jacques
bretudo, à reserva de mercado imposta pelos
Lacan, que duraria cerca de cinco anos. M.
analistas didatas. Em 1983, o Instituto Jacques
D. Magno, um dos pioneiros no ensino da Lacan reorganizou a formação segundo crité-
teoria lacaniana no Rio de Janeiro, embarcou rios universitários, criando os graus de mestre
para Paris em setembro de 1975, para tam- e doutor em Psicanálise (inexistiam à epoca
bém se analisar com Lacan. Seu conhecimento programas de pós-graduação em Psicanálise
de Literatura, disciplina que lecionava, e de nas universidades). Em 1977, M. D. Magno
criação estética – sobretudo da produção ar- retornou a Paris para lecionar um período
tística brasileira –, aliado à influência do es- na Universidade de Paris VIII, estreitando os
truturalismo e do pós-estruturalismo france- laços com Lacan e Jacques Alain-Miller. Com
ses, possibilitariam uma elaboração singular a dissolução da EFP em 1980, o CFRJ filiou-
da psicanálise. Ao retornar ao Rio de Janeiro, se à Cause Freudienne, dirigida por Miller.
em dezembro de 1975, criou, com auxílio dos A aproximação com Miller rendeu a M. D.
acadêmicos Antônio Sérgio Mendonça e Lé- Magno a direção da tradução dos seminários
lia Gonzáles, o CFRJ. O primeiro estatuto do de Lacan no Brasil, realizada por membros
colégio foi publicado no Diário Oficial do Rio do colégio até a ruptura entre os dois. Após
de Janeiro, em 25/10/1976. Acompanhando os a morte de Lacan, Miller iniciou a coordena-
princípios vigentes na École Freudienne de ção de uma internacional lacaniana (criada
Paris (EFP), o CFRJ apostou, inicialmente, na como Association Mondiale de Psychanalyse),
formação psicanalítica segundo o ensino de adotando uma postura colonialista diante dos
Lacan. No Rio de Janeiro, havia poucas alter- latino-americanos. Sintonizado com o tropi-
nativas de formação em psicanálise para os calismo – uma atualização do movimento an-
psicólogos. As sociedades cariocas filiadas à tropofágico liderado por Oswald de Andrade
International Psychoanalytical Association na década de 1920 –, o CFRJ resistiu às inves-
(IPA), que detinham a hegemonia no campo tidas millerianas em três frentes, a teórica, a
psicanalítico, eram restritas aos médicos. Im- político-institucional e a transferencial: de um
pedidos de se proclamarem psicanalistas, os lado, o projeto antropofágico de uma psicaná-
psicólogos amargavam o status inferior de psi- lise brasileira; de outro, a criação d’A Causa
coterapeutas. A proposição lacaniana de que o Freudiana do Brasil; finalmente, a assunção,
psicanalista só se autoriza por si mesmo, ado- por M. D. Magno, de uma superação em rela-

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ção ao ensino de Lacan. Em 11/11/1983, foram primidos da edição brasileira do Dictionaire,


votados novos estatutos para o CFRJ, segundo supervisionada por Marco Antonio Coutinho
os quais o colégio orienta aqueles que querem, Jorge). Mas a polêmica não esgota, decerto, a
no campo aberto por Sigmund Freud, prosse- importância do CFRJ na história da psicanáli-
guir no caminho indicado por Jacques Lacan, se do Rio de Janeiro. Lacan também analisa-
segundo o percurso de M. D. Magno. A novi- ra a maioria dos membros da EFP, e criara a
dade residia, portanto, na afirmação da emer- doutrina que amalgamava a transferência de
gência de um mestre ao qual se devia amor trabalho naquela instituição. Não se trata, por-
e obediência, o que era justificado institucio- tanto, de exclusividade tupiniquim. Além dis-
nalmente com base na teorização lacaniana da so, analistas formados no colégio mereceram
alienação irredutível ao Outro na constituição destaque no campo psicanalítico, ainda que,
do sujeito. Na esteira da elaboração de uma quase sempre, após dolorosas rupturas com
psicanálise brasileira, criou-se o sarau, en- M. D. Magno. Porém o preço pago por cada
contro entre os psicanalistas do colégio e um um, bem como o entusiasmo experimentado
convidado representativo da cultura. O com- no período em que o colégio constituía uma
positor Caetano Veloso e o carnavalesco João- magnífica alternativa à formação ipeísta, são
zinho Trinta foram os primeiros participantes. alguns dos muitos mistérios magnos que es-
Em 1985, o colégio listava 30 membros, 10 creveram a história do CFRJ.
deles AMC: Be y Milan, Clare Paine, Inês de
Souza, José Nazar, Marco Antonio Coutinho
Referências
Jorge, Mary Kleinman, M. D. Magno, Octa-
BODDIN, C. F. L’arrivée du freudisme au Brésil et
vio Souza, Rubens Molina e Sonia Nassimo.
l’implantation du mouvement lacanien à Rio de
A Causa Freudiana do Brasil programou seu
Janeiro. Villeneuve d’Ascq: Septentrion, 1998.
2º Congresso para outubro de 2005, com o
tema A psicanálise do Brasil, e uma grande KATZ, C. S. Ética e psicanálise. Uma introdução.
banana como emblema – prioritariamente Rio de Janeiro: Graal, 1984.
endereçada aos imperialistas da internacional KUPERMANN, D. Transferências cruzadas. Uma
lacaniana. Em 1991, M. D. Magno fundou a história da psicanálise e suas instituições. Rio de
UniverCidadeDeDeus, instituição que segue Janeiro: Revan, 1996.
os princípios da NOVAMENTE – ou Nova LACAN, J. “Proposição de 9 de outubro de 1967 so-
Psicanálise –, como passou a nomear a sua bre o psicanalista da Escola”. In: Outros Escritos.
teorização. A partir de 1993, o CFRJ foi ofi- Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.
cialmente integrado à UniverCidadeDeDeus, MILLER, J.-A. Lacan elucidado. Palestras no Bra-
como o órgão responsável pela formação do sil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.
psicanalista. As ressonâncias provocadas pelo
colégio, bem como o caráter polêmico de M. NOVAmente. “Um pensamento para o século II da
era freudiana”. Homepage institucional da Univer-
D. Magno, cruzaram o Atlântico. Em Lacan
CidadeDeDeus. Disponível em: <h p://www.nova-
elucidado, Miller referiu-se a Magno como uma
mente.org.br/index.html>. Acesso em: 10 jan. 2007.
catástrofe, insinuando práticas desrespeitosas
com os analisandos. Já no verbete “Brésil” do PLON, M.; ROUDINESCO, E. Dictionaire de la
Dictionaire de la psychanalyse, Plon e Roudines- psychanalyse. Paris: Fayard, 1997.
co aproximam o relacionamento estabelecido PLON, M.; ROUDINESCO, E. Dicionário de psica-
entre M. D. Magno e seus discípulos ao fenô- nálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
meno da dialética tropical entre senhor branco
REVIRÃO. Revista da Prática Freudiana. 1, 2 e 3.
e escravo negro descrita por Gilberto de Mello
Rio de Janeiro: Aoutra, jul./out./dez. 1985.
Freyre. Além disso, afirmam que a sua doutri-
na sexual terminava por incitar os analisandos
à passagem ao ato (comentários que foram su- Daniel Kupermann

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„ Complexo Hospitalar do Juquery – 2006 Resguardada a separação por sexo, os doen-


Hospital de Juqueri – 1923-2006 tes considerados curáveis eram mantidos no
prédio central; as colônias ficavam reservadas
Hospício e Colônias de Juquery – 1898-1923 aos incuráveis, particularmente àqueles aptos
para o trabalho. Havia ainda um pequeno se-
Inaugurado em 1898 como Hospício e Co- tor para pensionistas – ala particular; colônias
lônias de Juquery, uma instituição assistencial para crônicos; setor de laborterapia – padaria,
pública para alienados, passou a chamar-se, a rouparia, sapataria, oficina mecânica, planta-
partir de 1923, Hospital de Juquery. Atualmente ções e criações; setor anatomopatológico; labo-
compõe o Complexo Hospitalar do Juquery. Si- ratório de análises clínicas; setor de farmácia –
tuado na avenida dos Coqueiros, s. n., Franco com produção local de medicamentos; Escola
da Rocha – SP. Construído durante a década Pacheco e Silva – para menores anormais; di-
de 1890 pelo arquiteto Ramos de Azevedo, no retoria; corpo clínico; Centro de Estudos Fran-
município de Juquery, hoje chamado de Fran- co da Rocha; Museu Osório César. Esse novo
co da Rocha, às margens do Rio Juquery e da modelo de hospício havia sido recomendado
São Paulo Railway, foi o primeiro asilo públi- pelo Congresso Internacional de Alienistas,
co do Estado de São Paulo destinado e inteira- realizado em Paris em 1889. A ideia era con-
mente planejado para a guarda e tratamento centrar todos os alienados do estado, abrigan-
dos alienados. Foi também o primeiro que do um número muito grande de doentes (mil
utilizou práticas ditadas pelo conhecimento internos), num lugar longe das cidades de
considerado como científico para o alienismo origem dos doentes, garantindo isolamento e
da virada do século XIX para o XX – em vez saneamento do ambiente, a possibilidade de
de vários e pequenos manicômios espalhados trabalho agropecuário e artesanal-oficineiro
dentro das cidades, deveriam ser construídos em área rural, possibilitando que o próprio
grandes hospícios no estilo asilo-colônia, em alienado contribuísse com seu trabalho para
áreas rurais, bucólicas e salubres, relativamen- a sustentabilidade da instituição. O Hospício
te afastadas dos núcleos urbanos, desde que de Juquery oferecia à cidade de São Paulo a
garantido fácil acesso. Sua fundação consta de possibilidade científica da cura dos doentes
1898 por Francisco Franco da Rocha, formado e da prevenção dos males sociais advindos
em medicina no Rio de Janeiro e especializado da degeneração, particularmente aquela tra-
no Hospício D. Pedro II e na Casa de Saúde zida pelos imigrantes. Além disso, o alienis-
Dr. Eiras. Até 1896, o Asilo Provisório de Alie- mo apresentava uma proposta que favorecia
nados da Cidade de São Paulo (1852-1862) e a ordem e o progresso, na medida em que
o Hospício de Alienados de São Paulo (1862- estava ancorado num saber que estava ope-
1896) eram estabelecimentos públicos para rando sobre a anomia, produzia individua-
reclusão e guarda de loucos pobres, escanda- lização, classificação, compartimentalização
losos e perambulantes. A tecnologia emprega- e jurisprudência clínica. No que diz respeito
da era a carcerária. A mudança para inclusão à possibilidade de disciplinarização, à oferta
de atendimento hospitalar se deu com a che- de prevenção e à intenção de cura, a proposta
gada de Franco da Rocha. Considerada um alienista da virada do século não se situava de
sistema completo, a proposta asilar de Franco maneira defasada em relação à medicina. Em-
da Rocha incluía o asilo fechado para os agu- bora eminentemente nosocomial, o Juquery
dos, colônias em regime de open-door parcial, foi palco de vários ensaios de terapêuticas de
fazendas com open-door total e a assistência orientação psicanalítica, ainda na primeira
familiar, em que o doente permanecia liga- metade do século XX. Nesse mesmo período,
do à instituição pela roupa que dela recebia algumas práticas de arteterapia foram levadas
e pelo salário pago à família de sitiantes que a cabo graças à atuação do psiquiatra Osório
o hospedava. A arquitetura do hospício res- César, nome hoje do Museu do Juquery. Ao
peitava algumas subdivisões fundamentais. cabo de 25 anos à frente de todos os trabalhos

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administrativos e clínicos que o Hospício de- Alvarenga (1970-1971); Paulo Frale i (1972);
mandava, Franco da Rocha chegou à conclu- Dante Bastos Cabella (1973-1976); Walter
são de que o trabalho de implantação de um Speltri (1977-1982); Joaquim Lopes Alho Filho
hospício totalmente científico estava concluí- (1983); Marco Marcondes de Moura (1984-
do. Avaliando que o futuro científico de sua 1985); Mario Balster Martins (1986); João
disciplina residia na anatomopatologia, deci- Godinho Reston (1987-1988); Abrão Jorge
diu escolher como seu sucessor um jovem e Reston (1989-1991); Luiz Benjamin Francisco
empreendedor anatomopatologista: doutor (1992-1995) e atualmente Maria Teresa Gia-
Antônio Carlos Pacheco e Silva. O período em nerini Freire (a partir de 1995). Segundo o
que a instituição foi dirigida por Pacheco e Sil- Departamento de Recursos Humanos do hos-
va (1923-1933) caracterizou-se, principalmen- pital, o primeiro contrato oficial de psicólo-
te, pela cientificidade do conhecimento – já go foi em 09/01/1973, o segundo foi em 1974,
agora chamado de psiquiátrico –, com o de- poucos no início. Segundo informação oral,
senvolvimento de várias estratégias terapêuti- os primeiros psicólogos trabalhavam no setor
cas, como a malarioterapia para os quadros de de psiquiatria infantil. A participação efetiva,
paralisia geral progressiva, a piretoterapia e os tanto dos psicólogos como dos demais com-
choques cardiazólico e insulínico. Além disso, ponentes das equipes multiprofissionais de
havia as tentativas de correlação de investiga- saúde mental, parece estar muito mais liga-
ções anatomoclínicas, relatadas em inúmeros da ao início do projeto de humanização do
artigos publicados em vários periódicos mé- hospital, da década de 1980. Posteriormente,
dicos importantes, inclusive e principalmente nas últimas duas décadas, essas equipes con-
na revista do próprio hospital. Sua principal tribuíram de modo fundamental para o pro-
publicação é o periódico iniciado como Memó- cesso de desinstitucionalização, nos moldes
rias do Juquery; passando a se chamar Arquivos preconizados pela reforma psiquiátrica brasi-
de Assistência a Psicopatas do Estado de São Paulo leira, o que inclui a reabilitação psicossocial.
(até o volume XVI, em 1951); em seguida re- Atualmente o Juquery divide seu espaço físi-
cebeu o nome de Arquivos do Departamento de co com outras unidades de serviços assisten-
Assistência a Psicopatas do Estado de São Paulo; ciais, tendo se tornado referência na atenção
em 1965, o volume 32 passou a ser publicado à saúde nos níveis primário e secundário para
sob o título Arquivos da Coordenadoria de Saú- a população da região de Franco da Rocha.
de Mental do Estado de São Paulo; e a partir do O Complexo Hospitalar do Juquery é com-
volume 46, de 1986/87, Arquivos de Saúde Men- posto por: duas áreas de internação (divisão
de pacientes internados e o núcleo assisten-
tal do Estado de São Paulo. Toda essa atividade
cial em saúde mental), quatro ambulatórios
transformou o Hospital do Juquery num pólo
(especialidades, saúde mental, reabilitação fí-
que não só aliava assistência, docência e pes-
sica e saúde da mulher), área de diagnóstico,
quisa, como também centralizava e geria todo
assistência farmacêutica, ouvidoria, núcleo
o cuidado público do Estado de São Paulo em
de comissões hospitalares, área administrati-
relação aos doentes mentais. A partir de mea-
va e acervo institucional.
dos da década de 1930, o hospital começou a
perder sua importância, na medida em que as
atividades científicas mais modernas foram Referências
se transferindo para a Escola de Medicina da BALAGUER, G. O açúcar da psicanálise. Franco
capital do estado (atual Faculdade de Medi- da Rocha, psiquiatria e recepção das ideias psica-
cina da USP). Projetado para comportar até nalíticas em São Paulo. Dissertação (Mestrado em
mil leitos psiquiátricos, o Juquery chegou a Psicologia). Universidade de São Paulo, São Paulo,
albergar mais que 9 mil pacientes na década 2005.
de 1940, o que terminou por transformá-lo CARVALHO, H. M.; LENTINO, P. “Considerações
num grande depósito de loucos. Outros di- a respeito dum caso de esquizofrenia paranóide,
retores do Juquery foram: Raphael de Mello tratado pelo método de Sakel e posteriormente pelo

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método psico-analítico”. Arquivos de Assistência por objetivo oferecer tratamento psiquiátrico


a Psicopatas do Estado de São Paulo, v. IV, n. 3-4, e psicológico aos portadores de sofrimento
p. 243-279, 1939. psíquico e usuários de álcool e outras drogas,
FRANCO DA ROCHA, F. Hospício e colônias de com idades que variam dos 11 aos 65 anos,
Juquery – vinte anos de assistência aos alienados oriundos de todo o Estado da Paraíba e esta-
em São Paulo. São Paulo: [s. n.], 1912. dos vizinhos. Foi criado em substituição ao
LENTINO, P. “Sobre um caso de esquizofrenia crô- Asylo de Sant’Anna (1893), que não desempe-
nica (de 8 anos) forma hebefrênica, curado pela psi- nhou adequadamente sua proposta terapêuti-
canálise”. Arquivos de Assistência a Psicopatas do ca de tratamento aos pacientes psiquiátricos.
Estado de São Paulo, v. V, n. 1-4, p. 255-291, 1940. Esse foi um dos incentivos para a construção
MARCONDES, D. A therapeutica psychanalitica da da colônia, que contou com financiamento do
impotencia sexual. Boletim da Sociedade de Medi- governo federal, tendo sido concluída pelo
cina e Cirurgia de São Paulo, v. 14, n. 4, p. 162-166, governo estadual, passando a ser chamada, a
1930.
partir de 1997, de Complexo Psiquiátrico Julia-
PEREIRA, L. M. F. “Franco da Rocha e a teoria da no Moreira. Estruturalmente, o Complexo Psi-
degeneração”. Revista Latino-americana de Psico- quiátrico está organizado hierarquicamente
patologia Fundamental, v. VI, n. 3, p. 154-163, set.
em: direção-geral, direção administrativa, di-
2003.
reção técnica, coordenação de psicologia e se-
PEREIRA, L. M. F. “Franco da Rocha e os usos do tor de recursos humanos. Quanto ao espaço fí-
trabalho no hospício”. Revista de Terapia Ocupa-
sico, sua área total corresponde a 50.743,88 m²,
cional da Universidade de São Paulo, v. 9, n. 2,
p. 70-3, maio/ago. 1998. sendo 9.088,42 m² de área construída. Em 2008
existiam 251 leitos destinados às alas masculi-
PEREIRA, L. M. F. “Os primeiros sessenta anos da
na, feminina e mais seis leitos da triagem, dis-
Terapêutica Psiquiátrica no estado de São Paulo”.
In: ANTUNES, E. H.; BARBOSA, L. H. S; PEREIRA,
tribuídos em quatro pavilhões; uma cozinha;
L. M. F. (Org.) Psiquiatria, loucura e arte: fragmen- uma cozinha experimental; quatro salas para
tos da história brasileira. São Paulo: EDUSP, 2002. atendimento multiprofissional; duas oficinas
PEREIRA, L. M. F. Reformas da ilusão:a terapêutica terapêuticas; uma biblioteca; um auditório;
psiquiátrica em São Paulo na primeira metade do um campo esportivo; ambulatório; área de vi-
século XX. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva). Uni- sita; duas áreas de socioterapia; almoxarifado;
versidade Estadual de Campinas, Campinas, 1995. manutenção; coordenações profissionais; la-
YAHN, M. “Reflexões sobre os últimos 10 anos do vanderia; horta; direção-geral; duas triagens.
movimento psiquiátrico em S. Paulo”. Imprensa A instituição promove atividades relativas a
Médica, n. 386, p. 92-100, 1946. datas comemorativas como Carnaval, Páscoa,
dia das mães e dos pais, São João, desfile cívi-
Lygia Maria de França Pereira co de 7 de Setembro, dia mundial da saúde
mental, Natal e dia do idoso, como também
oficinas de canto, corpo e relaxamento, ativida-
des religiosas, vivências de biodança, ativi-
„ Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira dades externas em praias e parques. Em 2004
(CPJM) – 1997- ofereceu um curso de extensão: A Psicanálise
Colônia Juliano Moreira – 1928-1997 e a Reforma Psiquiátrica Brasileira. Em 2007 e
2008 participou dos Simpósios de Psicologia,
com o tema Saúde Mental e Justiça: a Psicolo-
Instituição de assistência psiquiátrica e gia e a Justiça Dialogando a Reforma Psiquiá-
de natureza pública, mantida pelo governo trica e O Caso a Caso na Clínica da Psicose
estadual, criada em 23 de junho de 1928, no numa Instituição Psiquiátrica, respectivamen-
governo de João Urbano Pessoa de Vasconce- te. Ainda em 2008, em comemoração aos 80
los Suassuna. Localizada na avenida Pedro II, anos de sua fundação, a instituição promoveu
1.826, Torre, João Pessoa-PB. A instituição tem o relançamento do livro O problema da assistên-

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cia ao alienado no estado da Paraíba e do Projeto UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA (UFPB).


Aimée – formação profissional e clínica no atendi- Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários
mento a pacientes psicóticos, sob a coordenação (PRAC). Projeto de Extensão Projeto Aimée – “For-
mação Profissional e Clínica no Atendimento a
da psicóloga Regileide de Lucena Fernandes.
Pacientes Psicóticos”. (Coord. Regileide de Lucena
O serviço de psicologia foi iniciado no ano de Fernandes.) João Pessoa, 2000.
1978, sendo dirigido, desde o ano de 2006 até
o ano de escritura deste verbete (2008), pela
psicóloga Jackeline Nunes Alves Farias. Os Maria do Socorro Brito
trabalhos oferecidos pelo serviço de psicolo-
gia são realizados por psicólogos clínicos e
hospitalares, e as oficinas terapêuticas con-
tam também com o apoio de auxiliares admi-
„ Conselho Federal e Conselhos Regionais
nistrativos. A equipe conta com psicólogos de Psicologia (CFP/CRP) – 1973-
clínicos de abordagens teóricas diversas, nas
quais a escuta psicológica orienta o tratamen- Entidade profissional com sede no Distrito
to, realizando as atividades de atendimento Federal e sedes regionais em capitais de 17 es-
individual na triagem (para esclarecimento do tados da Federação (dado de 2007), foi criado
motivo da internação, sintomatologia, hipóte- pela Lei 5.766, de 20/12/1971 (regulamentada
se de diagnóstico e encaminhamentos), aten- pelo Decreto 79.822, de 17/06/1977). Em 20 de
dimento psicológico individual, atendimento
dezembro de 1973 foi instalado o CFP, quando
em grupo, anamnese, evolução em prontuário
se elegeram os primeiros conselheiros; em 27
único e oficina terapêutica, plantões de escu-
de agosto de 1974, dia do psicólogo (data em
ta psicológica aos funcionários da instituição,
reunião com familiares dos internos, grupo de que a Lei 4.119, de 27/08/1962, que regulamen-
preparação para alta; reuniões multiprofissio- tou a profissão, foi homologada), foram insta-
nais, passeios terapêuticos, supervisões clíni- lados os primeiros sete conselhos regionais.
ca institucional, trabalho terapêutico na horta Hoje, são 17 CRPs: 1ª Região – DF, Amazonas,
e cinema, além de uma biblioteca. Ao longo de Acre, Rondônia e Roraima; 2ª Região – Per-
seus oitenta anos, a instituição vem oferecen- nambuco e Fernando de Noronha; 3ª Região
do aos portadores de sofrimento psíquico em – Bahia e Sergipe; 4ª Região – Minas Gerais; 5ª
situação financeira desfavorável um espaço Região – Rio de Janeiro; 6ª Região – São Paulo;
multiprofissional de apoio especializado. 7ª Região – Rio Grande do Sul; 8ª Região – Pa-
raná; 9ª Região – Goiás e Tocantins; 10ª Região
Referências – Pará e Amapá; 11ª Região – Ceará, Piauí e
Maranhão; 12ª Região – Santa Catarina; 13ª
COMPLEXO PSIQUIÁTRICO JULIANO MOREI-
RA (CPJM). Setor de Psicologia. Projeto de Tera- Região – Paraíba; 14ª Região – Mato Grosso
pêutico do Complexo Psiquiátrico Juliano Mo- do Sul e Mato Grosso; 15ª Região – Alagoas;
reira. (Coord. Jackeline Nunes Alves Farias). João 16ª Região – Espírito Santo e 17ª Região – Rio
Pessoa, abr. 2007. Grande do Norte. Os Conselhos de Psicologia,
GOVERNO DO ESTADO DA PARAÍBA. Secretaria dotados de personalidade jurídica de direito
de Estado da Saúde. Folder informativo sobre o público, autonomia financeira e administrati-
Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira (CPJM). va, constituindo uma autarquia, têm, por lei,
João Pessoa/PB, 2000. as funções de orientar, disciplinar e fiscalizar
NUNES, J. Depoimento concedido a Maria do So- o exercício da profissão de psicólogo e zelar
corro Brito Mendes. João Pessoa, 19, 22, 23 set. e pela fiel observância dos princípios de éti-
1º out. 2008. ca e disciplina da classe. A receita financeira
SILVA FILHO, E. B. da. História da Psiquiatria na dos conselhos é composta fundamentalmente
Paraíba. João Pessoa: Santa Clara, 1998. pelo pagamento de anuidade de pessoas físi-

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cas e jurídicas inscritas. A inscrição nos con- encaminhamentos unificados no sistema. Os


selhos é requisito obrigatório para o exercício CRPs e CFP têm suas plenárias, compostas
da profissão e podem exercê-la aqueles que por conselheiros eleitos que acompanham,
satisfazem as condições estabelecidas pela Lei executam, avaliam e são responsáveis pelo
4.119/62 e pelo Decreto 53.464, de 21/01/1964, desenvolvimento das funções e tarefas dos
ou seja, os possuidores de diploma de psicólo- Conselhos. Os conselheiros, com ajuda de psi-
go expedido no Brasil por faculdade reconhe- cólogos convidados, organizam-se em comis-
cida ou por faculdade estrangeira reconheci- sões que são responsáveis pela execução das
da no país de origem e revalidado no Brasil. tarefas essenciais. Quatro destas comissões
À época da aprovação da lei, outras pessoas são obrigatórias e regulamentadas: Comis-
puderam requerer seu registro: aquelas que são de Ética, de Orientação e Fiscalização, do
ocupavam cargos no serviço público sob as Registro de Especialistas e de Direitos Huma-
denominações de psicólogo, psicologista ou nos. Os Conselhos contam com assessorias
psicotécnico, ou militares que tivessem diplo- jurídicas e técnicas em psicologia. No senti-
ma de curso do Ministério da Defesa ou ainda do da qualificação, realizam eventos, fazem
aquelas que exercessem há cinco anos ativida- publicações debatendo e divulgando temas
des de psicologia aplicada; além destes, os que de interesse dos psicólogos e necessários à
eram portadores de diploma de especialistas profissão (jornais, Revista Ciência e Profissão,
em Psicologia, Psicologia Educacional e Psi- Revista Ciência e Profissão-Diálogos, várias pu-
cologia Aplicada ao Trabalho, expedidos por blicações resultantes de eventos sobre psico-
estabelecimentos de ensino superior reconhe- logia, pesquisas sobre o psicólogo brasileiro,
cidos. Os registros nos conselhos podem ser publicações resultantes de caravanas de direi-
feitos nas categorias de psicólogo e psicólogo tos humanos, vídeos (como o realizado em
especialista. As gestões nos Conselhos de Psi- parceria com a TV Futura sobre a dimensão
cologia são de três anos e eleitas diretamente subjetiva da realidade, e vídeos de eventos
pela categoria profissional. O CFP regulamen- realizados, como o do Tribunal dos Crimes da
ta o funcionamento da autarquia e o exercício Paz), mantêm sites (www.pol.org.br), organi-
da profissão por meio de resoluções que se zam serviços de atendimento e orientação à
encontram disponíveis no site (www.pol.org. população e aos psicólogos, e editam resolu-
br). A estrutura atual dos Conselhos de Psico- ções que oferecem referências para a qualifi-
logia implica várias instâncias deliberativas cação do exercício profissional. Os Conselhos
superiores, que contam com a participação da de Psicologia funcionam ainda como tribunais
categoria de forma organizada. O Congresso de ética da profissão e neste sentido recebem
Nacional da Psicologia (CNP), órgão máximo denúncias sobre o exercício profissional, cons-
de deliberação e espaço privilegiado do de- troem processos e realizam os julgamentos,
bate político na entidade, ocorre de três em aplicando ou não penalidades ao profissional.
três anos e é composto por delegados eleitos O documento utilizado como referência para
nos congressos regionais, que aprovam dire- este trabalho é o Código de Ética Profissional
trizes gerais de ação dos conselhos no triênio, dos Psicólogos. O código que hoje vigora foi
sendo espaço de debate e inscrição de chapas construído a partir de um amplo processo de
candidatas ao Plenário do CFP. Na estrutura debate em todas as regiões do país, envolven-
dos conselhos, abaixo dos congressos está a do um número expressivo de psicólogos; foi
Assembleia de Políticas Administrativas e Fi- instituído pela Resolução CFP 010/2005, sendo
nanceiras – APAF, em que representantes dos o quarto texto de código da categoria. Os Con-
CRPs e do CFP se encontram para debater e selhos de Psicologia desenvolvem ações que
aprovar os encaminhamentos necessários com visam, além da qualificação da prática profis-
base nas decisões do CNP. Ainda há fóruns, sional, à garantia de direitos sociais, à cons-
espaços de debate de temas importantes para trução de condições dignas de vida e ao res-
a profissão que exigem regulamentação ou peito aos direitos humanos. Os conselhos têm

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buscado ampliar o lugar social da psicologia „ Curso de Habilitação para o Exercício do


e para isto realizaram a experiência do Banco Magistério em Primeiro Grau do Colégio
Social de Serviços em Psicologia, em parceria Estadual Emir de Macedo Gomes – 1975-2001
com vários órgãos governamentais e o Centro
Escola Normal de Linhares – 1964-1975
de Referência Técnica em Psicologia e Políti-
cas Públicas (CREPOP), que é um centro de
documentação que visa organizar referências A Escola Normal de Linhares iniciou sua
para a atuação dos psicólogos em várias áreas primeira turma em 1964, tendo a última con-
da profissão e dar visibilidade a experiências cluído o curso em 2001. O Curso tinha duração
e atuações profissionais de psicologia em po- de três anos e a partir de 1975 passou a ser de
líticas públicas. Os Conselhos mantêm parce- quatro anos, em função das mudanças na Lei
rias com movimentos sociais, órgãos gover- de Diretrizes e Bases da Educação de 1971. De
namentais e outras entidades, participam do acordo com a grade curricular de 1964/1965,
Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia estava prevista a disciplina de Psicologia Ge-
Brasileira, com várias entidades e com elas são ral e Educacional, com carga horária de três
responsáveis pela Biblioteca Virtual de Psi- horas/aula semanais, oferecida no segundo
cologia – BVS-Psi (www.bvs-psi.org.br), pelo ano do curso. A partir de 1970, esta matéria foi
Congresso Brasileiro de Psicologia Ciência e subdividida em três disciplinas, distribuídas
Profissão; e pela União Latino-Americana de ao longo dos três anos do curso: Noções de
Entidades de Psicologia, formando um con- Psicologia, Psicologia Evolutiva e Psicologia
junto de entidades de psicologia da América da Aprendizagem, cada uma delas com carga
Latina, sendo responsáveis com elas por uma horária de três horas/aula semanais. O colégio
revista eletrônica (www.psicolat.org) e pelo não possuía arquivo das pautas ou ementas
Congresso da ULAPSI, que ocorre de dois em das disciplinas oferecidas, nem registro dos
dois anos em algum país da América Latina. professores das mesmas. Sabe-se, porém, que
Os Conselhos são entidades que fazem a me- todas as matérias do curso eram ministradas
diação entre as possibilidades profissionais por educadores formados em Pedagogia ou
da psicologia e as demandas da sociedade e em Curso Normal. Entre os professores de
visam garantir qualidade técnica, rigor ético e Psicologia, encontram-se Maria do Carmo
compromisso social da profissão de psicólogo Moulin e Lucimar Taque i. Tivemos acesso
no Brasil. ao caderno de atividades da disciplina de Psi-
cologia Evolutiva, ministrada pela professora
Lucimar Taque i no ano de 1975, cedido por
Referências
Lucilia Scaramussa da Silva, ex-aluna do cur-
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA E CON- so. De acordo com esse registro, a disciplina
SELHOS REGIONAIS DE PSICOLOGIA. Psico- objetivava acompanhar os principais aspectos
logia Legislação-estrutura e funcionamento dos do desenvolvimento do ser humano, desde
Conselhos, n. 9, 2002. sua vida pré-natal até a adolescência; o cader-
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA E CON- no, além de ser ilustrado com figuras (coladas
SELHOS REGIONAIS DE PSICOLOGIA. Profissão ou desenhadas) dos períodos do desenvolvi-
Psicólogo – legislação e resoluções para a prática mento infantil (da gestação à adolescência),
profissional, n. 1, 2003. possui também informações e conselhos sobre
CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA – 6ª. RE- cada fase pesquisada nas referências: Revista
GIÃO. Uma profissão chamada Psicologia (CRP- Pais e Filhos; Revista Família Cristã e os livros
06, 20 anos). São Paulo, 1994. da coleção Sexo, Amor e Família. Em entrevista,
a professora Lucimar Taque ti cita como re-
ferência de seu planejamento autores como
Ana Mercês Bahia Bock Dorin, Mouly, Parisi, Mira y Lopez, Jacquin
Marcus Vinicius de Oliveira Silva e Jersild. Em 1975, ao adaptar-se à LDB (Lei

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5.692/1971) o Curso Normal passou a ser de- „ Curso de Psicologia da Faculdade de


nominado Curso de Habilitação para o Exer- Ciências Humanas da Fundação Mineira
cício do Magistério em Primeiro Grau do Co- de Educação e Cultura (Psicologia/FCH/
légio Estadual Emir de Macedo Gomes. Além FUMEC) – 1969-
de passar a ter quatro anos de duração, os
conteúdos de Psicologia foram aglutinados na
disciplina Fundamentos I – aspectos biopsico- Mantida pela Fundação Mineira de Educa-
lógicos. Em 2001, atendendo às exigências do ção e Cultura, é uma instituição privada de
Decreto 3.554, de 07/08/2000, o Curso Normal formação superior em Psicologia, localizada
de Linhares foi encerrado, formando sua últi- na rua do Cobre, 200, no bairro Cruzeiro, re-
ma turma neste mesmo ano. Esse decreto esta- gião Centro-Sul de Belo Horizonte-MG. Ini-
beleceu que a formação de professores para a ciou suas atividades no ano de 1969, porém
atuação destinada ao magistério na educação só obteve autorização para funcionamento
infantil e nos anos iniciais do ensino funda- em 4 de novembro de 1971, pelo Decreto
mental deveria ser realizada em cursos nor- 69.462. Sua primeira turma, nos idos de 1969,
mais superiores. Dessa forma, o Colégio Emir organizava-se autonomamente, de forma au-
de Macedo Gomes passou a oferecer apenas togestionária: somava os gastos, as despesas
a formação de nível médio, com seu curso de – papel, luz, aluguel, a manutenção do curso
Habilitação para o Exercício do Magistério em
– e cotizava o pagamento entre professores e
Segundo Grau. A Escola Normal de Linhares
estudantes. Além disto, o grupo, docente, dis-
teve importante papel na divulgação do conhe-
cente e funcionários, se reunia para discutir
cimento psicológico na área educacional, bem
como apontou para a necessidade de formação a estrutura do currículo e a seleção dos pro-
de profissionais psicólogos no estado, visando fessores. Em seu início, cada aluno utilizava
suprir a demanda já existente nos municípios uma carteira que ele próprio havia adquirido
do interior, onde havia maior dificuldade em para a escola. Em seu primeiro endereço, na
atrair psicólogos de outras regiões. rua Turfa, no bairro Prado, também em Belo
Horizonte, o curso era conhecido como Escola
Referências do Dr. Halley Alves Bessa – numa referência,
BRASIL. Decreto 3.554, de 07/08/2000. Dá nova reda-
coloquial, a este notável professor que foi e
ção ao § 2º do art. 3º do Decreto 3.276, de 6 de dezem- ainda é um nome fundamental para o ensi-
bro de 1999, que dispõe sobre a formação em nível no de Psicologia e consolidação da profissão
superior de professores para atuar na educação bá- de psicólogo no Brasil. Em agosto de 1969, o
sica, e dá outras providências. Seção 1, p. 1. Brasília: MEC passou a exigir autorização prévia para
Diário Oficial da União, 8 ago. 2000. que um curso pudesse iniciar suas atividades.
BRASIL. Lei 5692, de 11/08/1971. Fixa Diretrizes Esta medida obrigou a paralisação do curso
e Bases para o ensino de 1º e 2º graus, e dá outras até que a documentação pudesse ser concluída.
providências. Brasília: Diário Oficial da União, 12 Ao longo deste processo, seus fundadores re-
ago. 1971.
correram à Fundação Universitária de Minas
CALMON, J. Entrevista concedida a Roberta Sca- Gerais (FUMG), solicitando que incorporasse
ramussa da Silva. Linhares, 11 out. 2006.
o novo curso de Psicologia, proposta que foi
SILVA, L. S. Entrevista concedida a Roberta Scara- aceita. Posteriormente, a FUMG se transfor-
mussa da Silva. Linhares, 11 out. 2006. mou na Fundação Mineira de Educação e Cul-
TAQUETTI, L. Entrevista concedida a Roberta Sca- tura (FUMEC), atual mantenedora do curso.
ramussa da Silva. Linhares, 29 nov. 2006. Em 4 de novembro de 1971, o Diário Oficial da
União publicou a autorização para o funciona-
Paola Vargas Barbosa mento do Curso de Psicologia da Faculdade
Roberta Scaramussa de Ciências Humanas (FCH) da FUMEC. Os

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primeiros dirigentes, de 1971 a 1975, foram no primeiro período, 100 vagas, 50 por turno.
Halley Alves Bessa (diretor-geral), Ary Xa- Anualmente, a instituição promove a Semana
vier (vice-diretor de ensino) e Paulo César da Psicologia. Em conjunto com a UFMG, a
Valle (vice-diretor administrativo). O Curso PUC-Minas e o Centro Universitário Newton
de Psicologia da FCH-FUMEC surgiu como Paiva, realiza o Encontro Mineiro de Avalia-
uma proposta pedagógica inovadora de for- ção Psicológica (EMAP). O curso de Psicolo-
mar psicólogos que pudessem intervir na gia da FCH-FUMEC já publicou, em parceria
realidade brasileira, visando à equidade. Ao com duas editoras, 19 livros de seus professo-
mesmo tempo, se constituía em um espaço res, numa política de incentivo à divulgação
de transformação pessoal de seus professores, da produção científica. Desde 1990, publica
alunos e funcionários. Os principais objetivos semestralmente a Revista Plural – Revista do
do curso eram: proporcionar aos estudan- Curso de Psicologia da FUMEC, atualmente no
tes uma formação humanística, levando em número 27 e indexada ao BVS-Psi. Também
consideração os processos sócio-históricos, e produz, desde 1993, a Revista Oficina, publica-
estudar, compreender e intervir nas relações da semestralmente e voltada para monogra-
intra e interpessoais, de forma a assegurar me- fias, relatos de práticas extensionistas e está-
lhores condições de existência para a popula- gios do curso de Psicologia; a Revista Amélia:
ção. A concepção humanística representou, na programa de atenção às vítimas de violência do-
época da sua criação, uma alternativa diante mésticas e a AIDS: é o bicho foram publicações
dos projetos e história dos cursos já estabele- especiais para enfretamento das questões da
cidos em Belo Horizonte, que tendiam para violência doméstica e da AIDS na população
perspectivas psicotécnicas e experimentalistas. carcerária, que ocorreram, respectivamente, em
O curso de Psicologia da FUMEC expressou 2003 e 2005.
a concepção de seus fundadores, Halley Bes-
sa, Ary Xavier e Paulo César Valle. A princi-
Referências
pal característica do curso tem sido, desde a
fundação, a gestão por estruturas colegiadas. ATAS E REGISTROS DE POSSE DA FUNDAÇÃO
A estrutura do curso de Psicologia da FCH- MINEIRA DE EDUCAÇÃO E CULTURA. Belo Ho-
FUMEC comporta o Serviço de Psicologia, o rizonte: FUMEC, 1966.
Laboratório de Exames e Avaliação em Psi- FUMEC. Curso de Psicologia: projeto pedagógico.
cologia, os Laboratórios de Desenvolvimento Belo Horizonte: Centro Universitário FUMEC – Fa-
Humano, de Análise do Comportamento, de culdade de Ciências Humanas, 2003. Mimeo.
Neuroanatomia e Neurofisiologia, de Psico- SAMPAIO, T. O. S. Contexto externo e trajetórias
logia e Educação e de Psicologia e Trabalho. organizacionais: o caso do Centro Universitário
O curso funciona em um prédio com quatro FUMEC. São Paulo: Annablume; Belo Horizonte:
níveis no campus da rua Cobre da FUMEC. FUMEC, 2005.
O prédio possui uma ampla biblioteca com
VIEIRA, G. A. Cultura de valores organizacionais:
1.200 m² e acervo constituído inicialmente
um estudo na Faculdade de Ciências Humanas.
pela biblioteca pessoal do professor Halley São Paulo: Annablume; Belo Horizonte: FUMEC,
Bessa, três laboratórios de informática, uma 2004.
sala multimeios, uma sala (laboratório) para
dinâmica de grupo, uma sala de conferências
com capacidade para 120 pessoas, um teatro Maria Stella Brandão Goulart
e 39 salas de aula. O curso é oferecido nos João Batista de Mendonça Filho
turnos da manhã e da noite, sendo ofertadas, Eliane Rodrigues da Silva

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„ Curso de Psicologia da Universidade 21/01/1964. Visava oferecer campo de está-


Católica de Pernambuco (UNICAP) – gio aos alunos do curso de Psicologia e, con-
2007 sequentemente, atendimento psicológico à
comunidade. O primeiro corpo docente foi
Departamento de Psicologia da UNICAP
constituído pelos professores Maria Auxilia-
– 1972-
dora Moura (uma das fundadoras do Conse-
Curso de Psicologia da Faculdade de lho Federal e do Conselho Regional de Psico-
Filosofia, Ciências e Letras da UNICAP – logia), Lúcio Flávio Campos e Ivan Correia.
1962-1972 Os primeiros psicólogos da clínica foram Ma-
Instituto de Psicologia Aplicada – 1960-1962 ria Ayres, Maria José da Costa Ribeiro e Agui-
naldo Cordeiro. A partir de 1972, inserido no
Centro de Teologia e Ciências Humanas, as
A Universidade Católica de Pernambuco atividades do curso de Psicologia e da Clínica
(UNICAP), criada a 27 de setembro de 1951 e de Psicologia passaram a ser da competência
reconhecida pelo governo federal através do de uma nova unidade orgânica, constituída
Decreto 30.417, de 18/01/1952, originou-se da sob a forma e denominação de Departamento
primeira escola superior católica da região, a de Psicologia. Neste período o curso passou
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Ma- por reformulações, adaptando-se ao sistema
nuel da Nóbrega, fundada em 1943, pela Pro- de créditos implantado no país. Seu objetivo
víncia dos Jesuítas do Nordeste. A UNICAP passou a ser formar psicólogos inseridos e
é uma instituição de natureza privada, sem comprometidos com a realidade sociocultural
fins lucrativos, filantrópica e beneficente de contemporânea, éticos e conscientes de sua
assistência social, comunitária, confessional, cidadania, tendo como proposta a formação
tendo como mantenedor o Centro de Educa- do psicólogo, privilegiando a articulação entre
ção Técnica e Cultural (CETEC). Situa-se na produção e aquisição do conhecimento e a prá-
rua do Príncipe, 526, Boa Vista, Recife-PE. tica profissional. Em 1990 foram criados dois
Seu atual chanceler é o padre José Pablo Her- cursos de Especialização em Psicologia Clíni-
nández Gil Monfort. Seu curso de Psicologia, ca: Abordagem Fenomenológica Existencial
pioneiro no Norte e Nordeste, foi criado em e Orientação Analítica. Estes cursos serviram
1960 pelo padre Pedro de Mello SJ, do Insti- de base para, em 1998, ser criado o mestrado
tuto de Psicologia Aplicada da UNICAP, que e o doutorado em Psicologia Clínica, ambos
havia sido criado em 1960. Passou a funcionar, pioneiros no Norte e Nordeste do país, com
efetivamente, desde o início do ano letivo de três linhas de pesquisa: Intervenções Clínicas
1961, com um total de 39 alunos matriculados na Abordagem Fenomenológica Existencial,
na primeira turma. A partir de agosto de 1962, Psicopatologia Fundamental e Psicanálise e
com a assinatura da Lei 4.119, de 27/08/1962, o Família e Interação Social. Em 2007 a UNICAP
Instituto de Psicologia Aplicada foi transfor- passou por reformulações estruturais, aca-
mado em curso, tendo como diretor o padre bando com a denominação Departamento e o
Lúcio Flávio Campos, passando a funcionar curso de Psicologia foi inserido no Centro de
vinculado à Faculdade de Filosofia, Ciências Ciências Biológicas e Saúde, sob a direção do
e Letras, também da UNICAP. Em 17/01/1968 professor Aranildo Lima. Quanto à sua moda-
o curso foi reconhecido pelo Decreto 62.139, lidade, o curso é de formação de psicólogos,
publicado no Diário Oficial da União, 13, p. 611, tem duração mínima de dez períodos – e má-
de 18/01/1968. Em 1962 foi criada a Clínica de xima de 18 períodos, priorizando três ênfases
Psicologia da UNICAP, para atender à deter- curriculares: Psicologia Clínica, Psicologia da
minação contida no art. 16, da Lei 4.119, de Intervenção Psicossocial e Psicologia Organi-
27/08/1962 do Conselho Federal de Educação, zacional e do Trabalho. O curso de Psicologia,
exigência que foi reafirmada posteriormen- especificamente, dispõe de uma secretária,
te, pela letra b, art. 7º do Decreto 53.464, de três auxiliares de secretaria, um coordenador

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de curso, um coordenador da clínica-escola Psicólogo veio em 1980. Desde então o curso


e dois coordenadores de estágio curricular. atravessou três grandes ciclos. São períodos
A UNICAP ocupa uma área com 53.608 m2, que refletem tendências gerais da história da
com perfil arquitetônico predominantemente psicologia no contexto da sociedade do Brasil
vertical. A graduação do curso de Psicologia e no quadro mundial mais amplo, e que aca-
funciona no bloco B (sexto, sétimo e oita- bam encontrando entre si uma forma de con-
vo andares), nos turnos da tarde e da noite. viver, senão harmonia. O primeiro período
A pós-graduação do curso funciona nos pré- foi marcado, por um lado, pela preocupação
dios J e G4. O curso de Psicologia da UNICAP pedagógica e por outro, pela influência dos
está sempre em expansão, formando ininter- conhecimentos produzidos pela pesquisa e
ruptamente psicólogos, enquanto a pós-gra- pela experiência da área biomédica. O curso
duação vem formando mestres em psicologia, da UCDB nasce no final dos anos da ditadu-
doutores em psicologia e especialistas em di- ra militar, corroborando e tentando aglutinar
versas áreas do saber psicológico, atingindo debates em torno dos direitos humanos e ci-
vários estados do Norte e do Nordeste brasi- vis. Foi um dos primeiros da região a formar
leiro. Promove eventos dos mais variados, en- psicólogos, a organizar em diversas áreas da
tre eles, fóruns de debates sobre adolescência, psicologia cursos de pós-graduação lato sen-
dependências químicas, psicologia hospitalar, su. A instituição foi pioneira na organização
psicologia organizacional e do trabalho, como de mestrado em Psicologia aprovado pela
também promove jornadas de iniciação cien- CAPES. O segundo período marcou a am-
tífica. Atualmente o curso não está com publi- pliação da atuação dos profissionais egres-
cação própria. No entanto, a UNICAP publica sos das primeiras turmas, que passaram a
anualmente algumas revistas, como a Ágora desenvolver trabalhos em diversos setores,
Filosófica, Interlocuções, Symposium, além de ter com destaque na área de saúde, educação e
uma publicação semestral, a Revista de Teologia trabalho, bem como na criação de novos cur-
e Ciências da Religião da UNICAP. sos de Psicologia, partir da década de 1990 no
Estado de Mato Grosso do Sul, em instituições
privadas de ensino, sendo todos esses coor-
Referências
denados por psicólogas egressas do curso da
UNICAP. Projeto Pedagógico do Curso de Psicolo- UCDB. O terceiro e atual período na história
gia. Recife, 2005.
do curso da UCDB se constitui como uma ten-
UNICAP – Plano de Desenvolvimento Institucio- tativa de mediação entre o saber sobre o ser
nal 2006-2011. Recife, 2006.
humano produzido na academia e as diversas
UNICAP. Carta de Princípios. Disponível em maneiras de relação com a prática e as formas
h p://www.unicap.br/acatolica/carta.htm. Acesso
de vida da sociedade local. Tem também um
em 31/03/2009.
papel fundamental no contexto da discussão
da inserção do profissional em modelos dia-
Albenise de Oliveira Lima lógicos e participativos de prática, bem como
Regineide Marques Simões em discussões que interessem à elevação do
padrão de sua atuação, como a participação
em conselhos de ética, bem como: a militân-
cia em prol dos direitos humanos, da inclusão
„ Curso de Psicologia da Universidade
social, da democratização do acesso ao uso
Católica Dom Bosco – 1978-
da psicologia pela população. O processo de
consolidação do curso contou com a participa-
O curso de Psicologia da Universidade Ca- ção de alguns professores, dentre eles Alfredo
tólica Dom Bosco foi autorizado – Licenciatu- Barbosa de Souza Filho, Benedito Juberto Tei-
ra Plena – em 26 de junho de 1978. A autoriza- xeira, Edwiges Gonçalves de Paula, Geraldo
ção para funcionar a habilitação Formação de Grendene, Gete Otano Rosa, Giuseppe Butera,

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Irmã Macário, Marina R. Guerchi, Jair Gon- sor Celso de Souza Santos Lisboa que, após
çalves Ribeiro, Jane Ma. A Gonçalves, Juberty abandonar a política em 1964, dedicou-se
G. Teixeira, Leda Buaes Zandavalli, Luis Sal- integralmente à educação, dirigindo o Co-
vador de Miranda, Magaly S. C. Coelho, Ma- légio Atheneu Brasileiro, fundado em 1960,
ria Solange Felix Pereira, Rui Falcão Novaes, destinado à Educação Básica (Ensino Fun-
Maria Stela de Araújo Bergo, Marila Teodoro- damental e Médio) e à Educação Profissional
wic Reis, Osmar R. Galeano de Souza, Sônia (Técnica em Contabilidade, Eletrônica e Ele-
Grubits, Walter Bocchio, Yara Ma. B. Pentea- trotécnica). Posteriormente, em 1972, suce-
do. Atualmente, o curso de Psicologia da Uni- dendo ao Colégio Atheneu, criou a Sociedade
versidade Católica Dom Bosco está situado na Universitária Celso Lisboa, como mantene-
avenida Tamandaré, 6.000, Jardim Seminário, dora da Faculdade de Ciências Econômicas,
Campo Grande, MS. Possui umaclínica-escola Administração e Contábeis, ampliada em
que funciona nos blocos das Clínicas-Escola 1973 para Federação das Faculdades Celso
de Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição, Lisboa, com a criação dos Cursos de Pedago-
Psicologia, Terapia Ocupacional, o Núcleo de gia e Psicologia. Em 1980, a instituição pas-
Práticas Jurídicas e o Complexo Didático Es- sou a se chamar Faculdades Integradas Celso
portivo. Dentre as contribuições que este cur- Lisboa, e em 1998 chegou a Centro Universi-
so oferece, destacam-se projetos de extensão tário Celso Lisboa, criando também o curso
e pesquisa desenvolvidos junto à população de Enfermagem. A mantenedora foi dirigida
indígena e na área de trânsito/circulação hu- pelo professor Celso Lisboa durante todo
mana. Registre-se que essas linhas se fortale- este período, ocupando a presidência até seu
ceram com a instalação do Programa de Mes- falecimento em 8 de dezembro de 2007. Por
trado em Psicologia. outro lado, a estrutura de centro universitá-
rio exige uma Superintendência e uma Reito-
ria. Assumiu a superintendência o professor
Referência
Celso de Souza Santos Lisboa Filho, que fa-
PEREIRA, Maria Solange Felix. Entrevista a Ale- leceu em 2001, sendo sucedido por sua filha
xandra Anayche. Corumbá, 2006.
mais velha, Karina Paternó Castello Lisboa,
atual presidente da instituição. A Superin-
Alexandra Ayach Anache tendência hoje é ocupada por sua irmã, Ana
Carolina Paterno Castello Lisboa. O curso de
Psicologia teve seu funcionamento autori-
zado pelo decreto 73350/74 e seu reconheci-
„ Curso de Psicologia do Centro mento pelo decreto 79979, de 10/03/1977, sen-
Universitário Celso Lisboa (UCL) – 1998 do renovado pela portaria 748, de 03/09/2007.
Curso de Psicologia da Federação das O curso foi organizado pelo doutor Oswaldo
Faculdades Integradas Celso Lisboa – Ferreira Costa, assessorado por Guilherme
1974-1998 Gaspary Ribeiro. Passaram pelo corpo do-
cente da instituição profissionais como José
Curso de Psicologia da Federação das Novaes, Cecília Coimbra, Hilda Fabro, Otá-
Faculdades Celso Lisboa – 1973 -1974 vio Leite, Bernardo Jablonsky, Lenice Silvei-
ra, Teresa Erthal, Ana Jacó Vilela, Ademir
Instituição de ensino superior de nature- Pacelli Ferreira, Aglée Queiroz de Carvalho,
za privada, mantida pelo Instituto Superior entre outros. O curso de Psicologia hoje está
de Ensino Celso Lisboa (UCL), é uma socie- vinculado ao recém-criado Núcleo de Saúde
dade civil com personalidade jurídica, sem e Bem-Estar e oferece turmas nos turnos da
fins lucrativos. Localiza-se na rua 24 de maio, manhã e da noite. A graduação é estrutura-
797, Sampaio, região conhecida como Gran- da em regime seriado e oferece dupla en-
de Méier. A instituição foi criada pelo profes- trada, conforme as Diretrizes Curriculares

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Nacionais vigentes: Licenciatura em Psico- Referências


logia (sete períodos) e Formação de Psicó-
CENTRO UNIVERSITÁRIO CELSO LISBOA. Esta-
logo (dez períodos). O Serviço de Psicologia
tuto e Regimento do Centro Universitário Celso
Aplicada abrange as práticas desenvolvidas
Lisboa. Homologado pelo MEC/CNE em outubro
pela equipe de professores/supervisores nas
de 1998
principais áreas de atuação: Clínica (criança,
adolescente, adulto, idoso), Social-Institu- CENTRO UNIVERSITÁRIO CELSO LISBOA. Pla-
cional (Saúde mental, Escolas, Lares, ONGs, no de Desenvolvimento Institucional do Centro
Comunidades) e Organizacional e do Traba- Universitário Celso Lisboa. Rio de Janeiro: CUCL,
lho (Empresas, Consultorias, Trabalhadores 2006.
informais). O SPA conta com oito salas para
atendimento individual, uma sala para gru- CENTRO UNIVERSITÁRIO CELSO LISBOA. Pro-
pos e duas salas de Ludoterapia. Realizam- jeto Político-Pedagógico do Curso de Psicologia.
se fóruns de discussão a cada semestre, onde Rio de Janeiro: CUCL, 2002 e 2006.
os estagiários podem apresentar e discutir CENTRO UNIVERSITÁRIO CELSO LISBOA. Pro-
suas práticas em ação. O curso de Psicologia jeto Político-Pedagógico do Curso de Licenciatura
já realizou quatro pesquisas contando com da Psicologia. Rio de Janeiro: CUCL, 2002 e 2006.
apoio institucional, nas quais os docentes
desenvolvem seus projetos com a colabora- CENTRO UNIVERSITÁRIO CELSO LISBOA. Dis-
ção de discentes, caracterizando o processo ponível em: <h p://www.celsolisboa.com.br/celso-
de Iniciação Científica. Desde 2000, o UCL lisboa2/>. Acesso em: 24 mar. 2008.
publica a Revista Presença, cuja periodicida-
de é bienal, tendo até o momento quatro nú-
meros publicados. Laura Cristina de Toledo Quadros

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„ Departamento de Administração do público brasileiro. Por isso, como a problemá-


Serviço Público (DASP) – 1938-1986 tica que se colocava era a de identificar quais
pessoas eram as mais habilitadas, abriu-se uma
grande porta à prática psicológica voltada ao
Órgão criado pelo governo de Getúlio Var- recrutamento e seleção de funcionários públi-
gas em decorrência do início do processo de cos, assim como, no âmbito privado, de traba-
industrialização do país nos anos de 1930. De lhadores para funções distintas na produção
fato, nessa época, começaram a circular nas industrial e no comércio. O saber psicológico,
esferas públicas e privadas do Brasil uma sé- à época, preconizava que era necessário avaliar
rie de teorias e conceitos, oriundos da Europa de forma objetiva e científica as aptidões dos
e Estados Unidos, que visavam à organização trabalhadores, a fim de se obter uma adaptação
racional do trabalho. As reformas na adminis- mais produtiva aos cargos e funções. Esses pro-
tração do serviço público estavam inseridas cedimentos da psicologia aplicada colocaram
no bojo das propostas políticas do movimen- em primeiro plano os psicotécnicos (ou psico-
to revolucionário que levou Getúlio Vargas ao logistas) e seus testes, cujos objetivos eram
poder. A necessidade de uma maior eficiência bem pragmáticos: conseguir funcionários mais
no processo produtivo, então, ensejou, em 30 adequados para os postos de trabalho. Alguns
de julho de 1938, a criação do DASP, sendo autores assinalam que as ideias e práticas de-
nomeado como diretor o engenheiro Luís Si- senvolvidas no DASP desembocaram na cria-
mões Lopes. Esse departamento, diretamente ção da Fundação Getúlio Vargas (FGV), pois o
subordinado à presidência da República, tinha próprio Luis Simões Lopes foi quem sugeriu ao
a função de racionalizar a administração do go- presidente da República, em 4 de julho de 1944,
verno federal, fato que implicou uma série de a criação dessa nova entidade, em documento
iniciativas: a elaboração da proposta do orça- densamente doutrinário, que revelava uma
mento federal, a fiscalização orçamentária etc. determinada percepção quanto ao desenvolvi-
No que diz respeito à relevância para a história mento da administração no Brasil. É o DASP
da psicologia no Brasil, é necessário ressaltar também, juntamente com outras entidades
que também era atribuição do DASP promover públicas, um dos responsáveis pela primeira
critérios de seleção para o ingresso no serviço vinda do psiquiatra espanhol Mira y Lopez ao

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Brasil, em 1945, quando realizou conferências „ Departamento de Orientação e


sobre a psicologia aplicada, no Rio de Janeiro e Treinamento do Banco da Lavoura de
São Paulo, que causaram grande repercussão. Minas Gerais (DOT) – 1958-1969
Esses fatos e circunstâncias, aliás, permitem
inferir relações genealógicas de proveniência e
emergência entre o DASP e o Instituto de Se- O Banco da Lavoura de Minas Gerais S.A.
leção e Orientação Profissional (ISOP) – setor foi criado em 1925, em Belo Horizonte – MG,
de orientação profissional da Fundação Getúlio como uma instituição bancária privada. Nesse
Vargas, criado por Mira y López em 1947. Com período, Belo Horizonte representava a cida-
o fim do Estado Novo, em outubro de 1945, o de de maior crescimento demográfico do país
DASP passou por uma ampla reestruturação e e passava por um momento de significativo
suas funções ficaram parcialmente esvaziadas, crescimento industrial e comercial. O banco
assumindo um caráter de mera assessoria, ex- promovia operações com o comércio, a indús-
ceto no aspecto de seleção de pessoal, área em tria e a lavoura. Fora fundado por Clemente
que se manteve como órgão executor. Em 1986, de Faria e adquiriu popularidade por seu pio-
entretanto, foi definitivamente extinto, dando neirismo no crédito popular: fazia emprésti-
lugar a órgãos que, com nomes diversos em mos facilitados para pequenos negócios, não
governos distintos, mantiveram mais ou me- exigia avalista e, dessa forma, conquistou es-
nos as mesmas atribuições: Secretaria de Admi- paço na área do crédito pessoal. Clemente de
nistração Pública da Presidência da República
Faria contava com o auxílio de seus dois filhos
(SEDAP), Secretaria da Administração Federal
na direção do Banco da Lavoura: Aloysio de
da Presidência da República (SAF), e Minis-
Andrade Faria e Gilberto Faria. O Banco da
tério da Administração Federal e Reforma do
Estado (MARE). Lavoura cresceu rapidamente e em 1947 foi
considerado o maior banco privado no que di-
zia respeito a volume de depósitos. Em 1964,
Referências
recebeu o título de maior banco particular em
PEREIRA, L. C. B. “Da administração pública buro-
funcionamento no Brasil e na América Latina,
crática à gerencial”. In: Revista do Serviço Público,
contando com 411 agências espalhadas por
v. 47, n. 1, jan./abr. 1996. Disponível em: <www.bres-
serpereira.org.br /papers/1996/95.AdmPublicaBuro-
todo o território brasileiro. No ano de 1971, o
craticaAGerencial.pdf>. Acesso em: 13 jan. 2007. Banco da Lavoura deu origem a outros dois
bancos – o Banco Real e o Banco Bandeirante.
MARTINS, H. V. “Uma revolução e um revolucio-
nário? A Psicologia na época de Mira y Lopez”. In:
O DOT foi criado, em 1958, devido à necessi-
Jacó-Vilela, A. M.; Rodrigues, H. B. C. (Org.). Clio- dade de qualificar e treinar os funcionários do
Psyché: histórias da psicologia no Brasil. Rio de Banco da Lavoura que ocupavam cargos de
Janeiro: UERJ/Nape, 1999. chefia (chamados titulados, ou seja, gerentes
MANCEBO, D. “Formação em psicologia: gêne- e executivos). Não encontramos dados sobre
se e primeiros desenvolvimentos”. In: Jacó-Vilela, o estatuto e as normas de funcionamento do
A. M.; Rodrigues, H. B. C. (Org.). Clio-Psyché: DOT. Sabe-se, no entanto, que foi idealizado
histórias da psicologia no Brasil. Rio de Janeiro: e dirigido pelo psicólogo e professor francês
UERJ/NAPE, 1999. Pierre Weil. Configurou-se como uma estrutu-
DIRETRIZES DO ESTADO NOVO (1937-1945). Po- ra que prestava serviços à diretoria do banco,
lítica e Administração: Departamento de Adminis- atuando na formação de pessoal e na pesqui-
tração do Serviço Público – DASP. Disponível em: sa, atividades que eram realizadas no Labo-
<h p://www.cpdoc.fgv.br/nav_historia/htm/anos37- ratório de Psicologia Social do Banco da La-
45/ev_poladm_dasp.htm>. Acesso em: 13 jan. 2007. voura. Contou, ao longo de sua história, com
uma extensa equipe de psicólogos, antropólo-
Alexandre de Carvalho Castro gos, sociólogos, educadores e psiquiatras que

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empreendeu um trabalho pioneiro no âmbito camente para serem usados em treinamentos,


da psicologia social, pelo treinamento de pes- como os que o DOT realizava). Profissionais
soal numa perspectiva de desenvolvimento como: Célio Garcia, Marinha da Silva, Jarbas
de relações humanas, com vistas à otimização Portela, Pedro Parafita de Bessa, Ruy Flores
do nível técnico e emocional dos envolvidos. Lopes, Geraldo Magela de Resende, Nilza Ro-
A direção do DOT localizava-se na praça Sete cha Ferres, Domingos Muchon, Maria Letícia
de Setembro, no centro de Belo Horizonte, no Barreto, Délcio Vieira Salomon, Lucy Esther
interior da própria sede do Banco. Contava Paixão, Melpomene Guerra, Roberto Regnier,
também com um espaço complementar de José Ennes Rodrigues Jr. e Marcos Goursand
formação de pessoal, a Escola de Administra- de Araújo integraram a equipe responsável
ção Bancária Clemente de Faria, que funciona- pelo trabalho desenvolvido pelo DOT. Este
va no Hotel Taquaril, localizado no bairro Ta- trabalho consistia em reunir, em sua sede, em
quaril, também em Belo Horizonte. A escola, regime de internato durante um mês, funcio-
posteriormente, foi transferida para a região nários do banco de diversas partes do país.
da Pampulha, sob a direção de Bolívar Gomes Nesse período, a equipe promovia uma sé-
e, em seguida, de Geraldo Magela de Resen- rie de atividades, utilizando técnicas como o
de. Pierre Weil veio para o Brasil em meados T. Group, Socioanálise, Dinâmica de Grupos
dos anos de 1950, a convite do professor de (Kurt Lewin) e o Psicodrama de Moreno. Este
Psicologia Industrial Léon Walther, com quem processo foi denominado Desenvolvimento
trabalhou no Serviço Nacional de Aprendiza- em Relações Humanas (DRH). As dinâmi-
gem Comercial (SENAC). Após o término de cas realizadas possibilitavam aos participan-
seu trabalho de assistência ao SENAC, Weil tes tomar conhecimento e refletir acerca dos
foi convidado por Aloysio Faria para o tra- problemas ocorridos dentro da instituição.
balho no Banco da Lavoura de Minas Gerais. Iniciavam-se com atividades grupais e pro-
Desenvolveu, então, uma técnica de treina- grediam para a realização de encontros indi-
mento em relações humanas, inspirado nas viduais (entrevistas não diretivas), associadas
metodologias de Anne Ancelin Schutzenber- à realização de bateria de testes de personali-
ger, Jacob Levy Moreno e Kurt Lewin. Neste dade. O serviço prestado pelo departamento
processo, contou com a assessoria de Célio foi pioneiro no país, introduzindo as técni-
Garcia, socioanalista e professor da Universi- cas grupais no âmbito da psicologia social e
dade Federal de Minas Gerais (UFMG), e de a interdisciplinaridade como ferramenta de
Karl Frost, especialista em Training Group (T. trabalho em recursos humanos e na psicologia
Group). Seu objetivo era propiciar o desenvol- organizacional. Sua originalidade e compe-
vimento psicológico, emocional e psicossocio- tência faziam paralelo apenas com os traba-
lógico da equipe de gestores do Banco da La- lhos realizados nos bancos RCA Victor (Esta-
voura, gerando mudanças de atitude capazes dos Unidos) e Crediliannar (França). A partir
de repercutir nas inter-relações de trabalho e do trabalho ali realizado, foi publicado o livro
pessoais. O DOT se subdividia em seções e Dinâmica de grupo e desenvolvimento em relações
setores. A seção de psicologia, dirigida pelo humanas, que relata a criação da técnica DRH e
psiquiatra Djalma Teixeira Oliveira, desde o sua aplicação no DOT. Trata-se, segundo Weil,
início contava com o apoio de 16 psicólogos do primeiro ensaio brasileiro de catalogação e
e outros três psiquiatras. Havia também as articulação de fenômenos de caráter interdis-
seções de tecnologia de ensino; de sociologia, ciplinar (sociologia, psicologia, antropologia,
de trabalhos bancários; e de técnicas de co- educação e psiquiatria). Os direitos autorais
municação (que possuía um setor de recursos do livro foram doados à Sociedade Pestalozzi
audiovisuais com uma coleção de 40 filmes de de Minas Gerais, em homenagem a Hele-
rolo, produzidos nos Estados Unidos especifi- na Antipoff. O serviço do DOT foi mantido

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durante 11 anos. Além de ter capacitado cerca „ Departamento de Psicologia da


de 12 mil funcionários, executivos e gerentes, Faculdade de Filosofia e Ciências
de todo o país, todos os chamados titulados Humanas da Universidade Federal de
da rede já haviam passado pelo DOT e muitos Minas Gerais (FAFICHUFMG) – 1962-
já haviam deixado o banco. O trabalho reali-
zado no departamento fora bem-sucedido e
O Departamento de Psicologia integra a Fa-
esgotara-se do ponto de vista técnico. Porém,
culdade de Filosofia e Ciências Humanas
acabou gerando, entre os integrantes da equi-
(FAFICH) da Universidade Federal de Minas
pe, o interesse pela formação psicanalítica Gerais (UFMG) e compõe-se de: Assembleia,
com Malomar Lund Edelweiss. Deste interes- Câmara Departamental, Colegiado de Curso
se resultaria a criação do Círculo Psicanalítico de Graduação, Seção de Ensino e Centro de
de Minas Gerais. Aplicação da Psicologia Pedro Parafita de Bes-
sa. O departamento conta, atualmente, com
Referências três funcionários e 46 docentes efetivos. O cur-
so de Psicologia da Faculdade de Filosofia da
CAMPOS, R. H. de F. (Org.). Dicionário biográfico
UFMG iniciou seu funcionamento no final de
da Psicologia no Brasil: pioneiros. Rio de Janeiro:
1962. O reconhecimento do curso se deu pelo
Imago; Brasília: CFP, 2001.
Decreto-lei 26.848, de 10/01/968. Os primeiros
CIRINO, P. Entrevista com Pedro Parafita de Bes- alunos foram recebidos em 1963, na antiga
sa. Disponível em: <h p://www.ufmg.br/boletim/ sede da Faculdade de Filosofia, à rua Caran-
bol1227/pag5.html>. Acesso em: 18 jun. 2006. gola, 288, no bairro Santo Antônio, em Belo
COSTA, F. N. Origem do capital bancário no Bra- Horizonte. Desde janeiro de 1990, o curso fun-
sil: o caso RUBI. Texto para discussão. IE/UNI- ciona no campus da UFMG, situado na aveni-
CAMP, Campinas, n. 106, mar. 2002. da Antonio Carlos, 6.627, Cidade Universitá-
HISTÓRICO DO GREP. Disponível em: <h p:// ria, bairro Pampulha, Belo Horizonte. A história
www.grep.com.br>. Acesso em: 20 jun. 2006. da criação do curso de Psicologia da UFMG se
mescla com a história de instituições e pessoas
JACOB, C. A. Crédito bancário no Brasil: uma in-
ligadas à psicologia em Minas Gerais. Em
terpretação heterodoxa. Tese (Doutorado em Eco-
1927, no auge do otimismo pedagógico, o
nomia). Universidade Estadual de Campinas, Cam-
prof. Francisco Luís da Silva Campos, secretá-
pinas, 2003.
rio de Educação do governador de Minas, An-
OLIVEIRA, D. T. de. Entrevista concedida a Maria tônio Carlos Ribeiro de Andrada, realizou
Stella Brandão Goulart. Belo Horizonte, julho 2006. uma ampla reforma do ensino, com a finalida-
SANTOS, R. C. A trajetória institucional e históri- de de implantar as ideias escolanovistas que
ca da difusão do psicodrama pedagógico em Cam- floresciam na Europa. Em 1928, a convite do
pinas: relatos orais sobre motivações vivenciais, governo, veio a Minas a Missão Europeia, in-
contradições institucionais e perspectivas educa- tegrada por Théodore Simon, Léon Walther e
cionais. Dissertação (Mestrado em Educação). Uni- outros. A psicóloga russa Helena Antipoff,
versidade Estadual de Campinas, Campinas, 2004. formada na Suíça e na França, integrava esta
WEIL, P. et al. Dinâmica de grupo e desenvolvi- missão e não retornou à Europa, tornando-se
mento em relações humanas. Belo Horizonte: Ita- docente da Escola de Aperfeiçoamento de
tiaia, 1967. Professores, em Belo Horizonte. Esta profes-
sora aqui instalou o primeiro laboratório de
WEIL, P. A revolução silenciosa: autobiografia pes-
Psicologia, onde se faziam experimentos e
soal e transpessoal. São Paulo: Pensamento, 1973.
avaliações psicológicas, segundo a perspecti-
va do funcionalismo europeu e da psicometria
Maria Stella Brandão Goulart nascente. Em 1939, com a fundação da Facul-
Natália Alves dos Santos dade de Filosofia de Minas Gerais (que viria

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integrar a Universidade de Minas Gerais – rou ao corpo docente professores como Pierre
atual UFMG – em 1948), Helena Antipoff pas- Weil, Maria Auxiliadora de Souza Brasil, Gale-
sou a lecionar Psicologia no último ano dos no Procópio Alvarenga, Ione Scarpelli, que já
cursos destinados à formação de professores. lecionavam Psicologia na Faculdade de Filo-
Quando deixou Belo Horizonte para atuar no sofia da UFMG. Alguns técnicos que atuavam
Rio de Janeiro, por volta de 1945, assumiu o no SOSP foram convidados para lecionar –
lugar seu ex-aluno, Pedro Parafita de Bessa. Elza Lima, Marina Machado, Antonio Luiz
Helena Antipoff foi a responsável pela indica- Rodrigues da Costa, Maria Antonieta Bianchi.
ção de docentes para a Universidade Católica Outros profissionais que trabalhavam com a
de Minas Gerais e técnicos para os primeiros psicologia na ocasião tiveram a oportunidade
serviços de psicologia aplicada, como é o caso de se submeter ao curso preparatório durante
do Instituto Pestalozzi e do Serviço de Orien- um ano e alguns deles foram posteriormente
tação e Seleção Profissional. Em 1949, inspira- incorporados ao corpo docente. Assim, os pri-
do no Instituto de Seleção e Orientação Profis- meiros docentes do curso de Psicologia da
sional (ISOP), que havia sido criado no Rio de UFMG provinham do curso de Pedagogia da
Janeiro em 1947, Abgar Renault, secretário de mesma universidade, do Serviço de Seleção e
Educação do governo Milton Campos, criou Orientação Profissional (SOSP) e do Serviço
em Belo Horizonte o Serviço de Orientação e de Psicologia do antigo Banco da Lavoura,
Seleção Profissional (SOSP), onde técnicos uti- uma das primeiras experiências de aplicação
lizavam recursos psicológicos para realizarem da psicologia no contexto organizacional rea-
orientação profissional e avaliação de candi- lizadas em Minas. Em 1968, como consequên-
datos a cargos públicos. Um incêndio des- cia do Decreto-lei 62.347, de 28/02, que iniciou
truiu, em 1952, a maior parte do Laboratório a reforma universitária promovida pelo go-
de Psicologia criado por Helena Antipoff e o verno militar, a antiga Faculdade de Filosofia
material e as competências do Laboratório foi desmembrada em várias unidades, inte-
passaram ao SOSP. A partir de 1956, iniciou-se gradas por departamentos. As áreas da Filoso-
um movimento destinado à regulamentação fia e das Ciências Humanas passaram a fazer
da profissão de psicólogo e à discussão da for- parte da Faculdade de Filosofia e Ciências Hu-
mação desse profissional. Foi então criada a manas – FAFICH, ligada ao sistema básico da
Sociedade Mineira de Psicologia, cuja primei- UFMG. O Departamento de Psicologia, princi-
ra reunião se deu em 12 de novembro de 1956, pal responsável pelo curso de Psicologia, ficou
e iniciaram-se as discussões, que culminariam vinculado à FAFICH. As disciplinas da área
na criação dos cursos de Psicologia. A Lei das Ciências Biológicas, que também faziam
4.119, de 27/08/1962, dispôs sobre os cursos de parte do currículo do curso, eram de respon-
formação em Psicologia e regulamentou a sabilidade do Instituto de Ciências Biológicas
profissão de psicólogo. A partir de então, as (ICB). Também faziam parte do curso outras
pessoas que já trabalhavam com psicologia fo- disciplinas da área de Humanas, como Lógica,
ram orientadas para organizarem um currícu- Antropologia, Sociologia. No ano da reforma,
lo documentado e submetê-lo ao Conselho o prof. Pedro Parafita de Bessa assumiu a dire-
Federal de Educação, para análise e obtenção ção da Faculdade de Filosofia e logo em segui-
de autorização para atuarem como psicólo- da foi aposentado pelo governo militar, por
gos. Enquanto isso, na Faculdade de Filosofia ocasião da edição do Ato Institucional n. 5,
da UFMG, em 1962, foi criado o Departamen- que autorizou intervenções autoritárias na
to de Psicologia e foi iniciado um curso com a estrutura universitária. Assumiu então a che-
duração de um ano, destinado a preparar pro- fia do departamento o prof. Galeno Procópio
fissionais formados em Pedagogia, Filosofia e Alvarenga, médico. O ano de 1968 marcou
Sociologia para o exercício da profissão de psi- também o início de um período de crescimen-
cólogo. O prof. Pedro Parafita de Bessa assu- to do curso de Psicologia. A entrada de novos
miu a coordenação do novo curso e incorpo- alunos se ampliou de 30 para 120 alunos por

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ano, devido às fortes pressões sociais pela Fora, Universidade Federal de São João Del-
abertura de vagas no ensino superior e ao mo- Rei e Universidade Federal de Uberlândia), a
vimento dos “excedentes”, isto é, candidatos revista Gerais teve seu primeiro número publi-
aprovados no vestibular que não podiam ser cado em 2008. Além da Gerais, a revista eletrô-
admitidos por falta de vagas. A criação da Clí- nica Memorandum: Memória e História em Psico-
nica de Psicologia se deu em 1969; em 1974 foi logia também está vinculada ao Departamento
transformada em Centro de Aplicação da Psi- de Psicologia da UFMG. Nascida a partir de
cologia (CEAP), para dar oportunidade a no- uma iniciativa do Grupo de Pesquisa Estudos
vas opções de trabalho para os alunos. Tam- em Psicologia e Ciências Humanas: História e
bém em 1974 foi realizada uma profunda Memória, a revista Memorandum está igual-
reforma do currículo do curso, com a partici- mente vinculada ao Departamento de Psicolo-
pação de alunos e professores, visando tornar gia e Educação da Faculdade de Filosofia,
o currículo mais flexível, com a criação de um Ciências e Letras de Ribeirão Preto/USP e vem
grande número de disciplinas optativas. A re- sendo publicada desde o ano de 2001.
forma trouxe também novas áreas de forma-
ção, como a Psicologia Comunitária, a Inter- Referências
venção Psicossociológica, as diversas técnicas ANUÁRIO da Faculdade de Filosofia da Universi-
psicoterápicas, entre outras. Durante os anos dade de Minas Gerais – 1939-1953. Belo Horizonte:
de 1970 e 1980, a qualificação dos professores Gráfica Santa Maria, jul. 1954.
integrantes do Departamento de Psicologia foi
ATAS do Conselho Técnico e Administrativo da
grandemente ampliada, com o apoio da UFMG Faculdade de Filosofia da UFMG. Belo Horizonte,
e da CAPES. Vários professores se afastaram 1962-1964.
para pós-graduação, no Brasil e no exterior,
tendo obtido o doutorado em instituições CAMPOS, R. H. de F. (Org.). História da Psico-
logia: pesquisa, formação e ensino. São Paulo:
como a Universidade de São Paulo, Fundação
EDUC; ANPEPP, 1996.
Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, Universida-
de de Stanford, nos EUA, Universidade de Pa- CAMPOS, R. H. de F. “Notas para uma história das
ris. Ao retornarem, esses professores instala- ideias psicológicas em Minas Gerais”. In: CON-
ram o programa de pós-graduação em SELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA (4ª região).
Psicologia: possíveis olhares, outros fazeres. Belo
Psicologia, com área de concentração em Psi-
Horizonte: Conselho Regional de Psicologia, 1992.
cologia Social, inicialmente. Mais tarde, o pro-
grama foi ampliado, incorporando novas áreas FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HU-
de concentração. Atualmente a pós-graduação MANAS DA UFMG. Disponível em: <h p://www.
funciona nos níveis de mestrado e doutorado, fafich.ufmg.br>. Acesso em: 15 fev. 2007.
com três áreas de concentração: Psicologia So- FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HU-
cial, Estudos Psicanalíticos e Psicologia do De- MANAS DA UFMG. Disponível em: <h p://www.
senvolvimento Humano. No que concerne às ufmg.br>. Acesso em: 20 fev. 2007.
publicações, entre os anos de 1984 e 2003, o GIUSTA, A. da S.; MATA MACHADO, M. N. e
Departamento de Psicologia da UFMG publi- CAMPOS, R. H. F. “Notas sobre a formação do psi-
cou o periódico Cadernos de Psicologia. Por de- cólogo na UFMG”. Cadernos de Psicologia. Belo
cisão da Câmara Departamental, em 2004, este Horizonte, v. 3, n. 1, p. 77-100, jun. 1986.
periódico encerrou suas atividades, cedendo GOULART, Í. B. Psicologia da Educação em Minas
lugar à revista científica eletrônica Gerais: Re- Gerais: histórias do vivido. Tese (Doutorado em
vista Interinstitucional de Psicologia. Fruto de Psicologia). Pontifícia Universidade Católica de São
uma articulação entre as Instituições Federais Paulo, São Paulo, 1985.
de Ensino Superior de Minas Gerais que pos- LEITE, W. S. História e memória da Psicologia em
suem curso de graduação e de pós-graduação Minas Gerais. Dissertação (Mestrado em Psicolo-
em Psicologia (Universidade Federal de Mi- gia Social). Universidade Federal de Minas Gerais,
nas Gerais, Universidade Federal de Juiz de Belo Horizonte, 2005.

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MAHFOUD, M.; MASSIMI, M. “Editorial: O conhe- partir de convênios e acordos de cooperação


cimento do homem e do seu psiquismo: desafios técnica estabelecidos com hospitais da região.
do passado e do presente”. Memorandum. v. 15, Desde 2006, a Clínica de Psicologia desenvol-
out. 2008, p.1-8. Disponível em: <h p://www.fafi- ve o projeto Incubadora, que visa oferecer aos
ch.ufmg.br/~memorandum/a15/ed15.htm>. Acesso recém-formados mais tempo de atendimento
em: 19 abr. 2009. e supervisão, com o objetivo de enriquecer
PRADO, M. A. M. “O ‘Cadernos de Psicologia’: me- seu fazer profissional, a fim de que possam
táfora de um tempo?”. Gerais: Revista Interinsti- entrar no mercado de trabalho mais seguros
tucional de Psicologia, v. 1, n. 1, p. 4-7. Disponível e cônscios de suas responsabilidades. Tal pro-
em: <h p://www.fafich.ufmg.br/gerais/index.php/ jeto tem tido repercussão não só pelo aprimo-
gerais/article/view/5/6>. Acesso em: 19 abr. 2009. ramento da formação profissional dos alunos,
como também pela qualidade dos serviços
oferecidos à comunidade. O Departamento de
Íris Barbosa Goulart
Psicologia tem trabalhado na implantação de
serviços de atendimento a grupos de família,
uma vez que tem observado a necessidade de
intervenções específicas no âmbito familiar.
„ Departamento de Psicologia da
A ESUDA dispõe de sala de produção cien-
Faculdade ESUDA – 1974- tífica, sala de estudo individual e de grupo,
salas de aula, biblioteca, sala dos professores,
O curso de Psicologia da Faculdade Espí- auditório, salas de pesquisa, cine-teatro de
rito Santo Uniu Dois Amigos (ESUDA) come- algibeira, salas de vídeo, laboratórios para o
çou em 1974, e foi reconhecido pelo Ministério curso de Psicologia de Neurociências e uma
da Educação e Cultura quando da formação clínica-escola.
da primeira turma, em 1979. A instituição
funciona na rua Bispo Cardoso Ayres, s/n, Referências
Santo Amaro – Recife/PE. O curso criou nú- DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA DA FACUL-
cleos de pesquisa nas diversas áreas da Psico- DADE ESUDA. Acervo de material institucional.
logia, sendo a primeira a incluir, na região, em Recife, 1974-2007.
sua grade de formação, a disciplina de Neu- BRITO, Â. W. Entrevista concedida a José Renato
ropsicologia, que serviu de fundamento para Barros Silva. Recife, 25 out. 2008.
a implantação do também primeiro curso de ANJOS, M. dos A. Entrevista concedida a José Re-
especialização em Neuropsicologia na região. nato Barros Silva. Recife, 25 out. 2008.
A ESUDA criou, em 2008, o núcleo de pós-gra-
duação e oferece cursos de especialização lato
José Renato Barros Silva
sensu, além do curso em Psicoterapia Cogni-
tivo-Comportamental; Psicologia Conjugal e
Familiar; Psicologia Social e Saúde Mental e
Pública; e em Psicologia Clínica. Por ocasião „ Departamento de Psicologia da
da implantação do curso de Psicologia, inau- Faculdade Frassinetti do Recife – 2000-
gurou-se, também, a Clínica de Psicologia,
com o objetivo não só de formar profissionais Departamento de Psicologia da Faculdade
na área clínica e organizacional, mas também de Filosofia do Recife (FAFIRE) – 1941- 2000
com o propósito de atender às necessidades Instituto Superior de Pedagogia e Letras
da comunidade, realizando atendimento psi- Paula Frassinetti – 1941-1941
coterápico a crianças, adolescentes e adultos,
orientação vocacional e plantão psicológico.
Atualmente, além de estágios na área de Psi- A Faculdade Frassine i do Recife é uma
cologia Clínica, com ênfase em Psicanálise, e instituição de ensino superior privada, cató-
Psicologia Organizacional, a clínica oferece lica e filantrópica, tendo como mantenedora
estágio na área de Psicologia Hospitalar, a a congregação de Santa Doroteia do Brasil.

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Possui cursos de graduação em Pedagogia, em torno de 80 pessoas por mês (individual e


Psicologia, Ciências Biológicas, Administra- de grupo) e 40 (primeira vez). Conta com qua-
ção, Letras e Turismo, contando com 2.300 tro funcionários e sete supervisores, e cada
alunos e 300 funcionários em 2008. Está esta- um pode acompanhar dois grupos de alunos,
belecida na avenida Conde da Boa Vista, 921, com média de oito por grupo. A carga horá-
Boa Vista, Recife-PE. Antes de ser implanta- ria para o estágio é de 500 horas e ele ocor-
do o curso de Psicologia, já funcionava a Clí- re no nono e décimo períodos do curso, nos
nica de Conduta, que subsidiava o estágio de turnos manhã e tarde. Orientado para ênfases
Pedagogia e prestava serviços psicológicos em Psicologia Clínica Psicossocial e Psicologia
à comunidade do Recife, com profissionais Organizacional e do trabalho, seus objetivos
psicólogos e psiquiatras. Assim, o curso de são uma formação profissional que unifique
Psicologia, o segundo implantado na região, ensino, pesquisa e extensão, em uma atuação
iniciou suas atividades como uma Clínica de diversificada para contextos e campos nas
“Conduta”. Possui 555 alunos, 40 professo-
perspectivas curativa, preventiva, aperfeiçoa-
res, funciona em dois turnos (manhã e tarde)
mento e promoção de saúde consoante com as
com carga horária de 4.244 horas, mais 286
políticas públicas e de saúde mental vigentes
horas de estágio profissionalizante, 500 ho-
no país, que estão presentes em diversos pro-
ras de estágio supervisionado e 180 horas de
jetos de extensão comunitária. São oferecidas,
atividades acadêmicas, científicas e culturais.
Em 1968 funcionou a primeira turma do cur- na área de psicologia, nove pós-graduações
so de Psicologia e a clínica passou a ser deno- lato sensu, sobre Intervenções clínica na abor-
minada de Clínica de Psicologia da FAFIRE, dagem psicanalítica; Clínica psicológica junto
sendo, atualmente, Clínica Paula Frassine i. à família; Atenção e promoção de saúde da
O curso foi reconhecido em 13/11/1972 atra- família: Aspectos psicossociais e clínicos; Psi-
vés do Decreto-lei 71.362. Seu novo projeto cologia no âmbito da saúde mental na atenção
pedagógico (2008), adequado às novas dire- básica; Psicologia no âmbito da saúde men-
trizes curriculares para os cursos de gradua- tal nos serviços especializados; Psicologia no
ção no Brasil (Ministério da Educação), con- âmbito da saúde mental na rede de apoio so-
cebe a formação de um profissional atento ao cial; Psicologia no âmbito da saúde mental na
contexto social, comprometido do ponto de gestão de políticas de saúde mental; Interven-
vista técnico, ético e político para atender às ção psicossocial com grupos em situação de
necessidades emergentes da região Nordes- risco; Análise do discurso: abordagem institu-
te, considerando as transformações sociais, cional e da pesquisa qualitativa. A instituição
as mudanças de paradigmas, as discrepân- possui as seguintes publicações: Revista Lú-
cias econômicas e o sofrimento de diferentes men, desde 1948; Informe FAFIRE, desde 2004;
pessoas em situação de risco e vulnerabilida- e Revista FAFIRE, desde 2008. Podemos citar
de social. A Clínica Paula Frassine i oferece as edições dos encontros Educação para o Nor-
estágios em: Clínica Psicossocial, nas aborda- deste (EDUNE), Fórum FAFIRE de Ideias Con-
gens fenomenológica-existencial (abordagem temporâneas, Encontro das Ciências Ambientais,
centrada na pessoa e gestalt), Analítica e Psi- e Congresso de Iniciação Científica. Ressaltamos
cologia Organizacional e do Trabalho, além os eventos do curso de Psicologia: Encontro
de prestar serviço a comunidades carentes. Anual de Psicologia, cuja 10ª edição ocorreu
Possui oito salas de supervisão, 17 salas de em 2008, e o encontro bimensal Psicologia em
atendimento individual, três para grupo, três Foco.
salas de ludoterapia, sala de espera, sala de
secretaria, coordenação da clínica e outra de
coordenação de estágio. Neste local funciona Referências
também o laboratório animal. A clínica aten- REGIMENTO DA FACULDADE FRASSINETTI
de a crianças, adolescentes, adultos e idosos DO RECIFE. Recife: [s.n], 2004.

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PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO DE PSICO- cluíram o curso em dezembro de 1956, dentre


LOGIA – FAFIRE. Recife: [s.n], 2005. eles, Aroldo Rodrigues que, posteriormente,
ROSSETO, R. Paula Frassine i “... em bicos de passaria a ter um importante papel na sua his-
pés”: fundadora da Congregação das Irmãs de tória. Em 1957, o curso foi transferido para o
Santa Doroteia. Lisboa: Lio Braga, 1988. campus, recém-inaugurado, da Gávea, e pas-
sou a funcionar no período diurno. De 1957
Maria das Graças Victor Silva a 1966 o IPA foi dirigido pelo padre Antonius
Benkö, jesuíta, húngaro, chegado ao Brasil em
1954. Padre Benkö juntou-se a membros de
outras instituições, unindo esforços em busca
„ Departamento de Psicologia da Pontifícia da regulamentação da profissão de psicólo-
Universidade Católica do Rio de Janeiro go, elaborando propostas ao Legislativo. Em
(PUC-Rio) – 1967 agosto de 1962, a Lei 4.119 institucionalizou a
formação e a profissão do psicólogo no país.
Instituto de Psicologia Aplicada (IPA) – 1953
Em 1963/1964, padre Benkö foi chamado para
integrar a comissão responsável pelo registro
O profissional chamado de psicotécnico dos psicólogos, o que evidenciava a impor-
surge em São Paulo, entre 1930 e 1940, com o tância e a representatividade do IPA. Na sua
objetivo de tornar a produção mais eficiente. gestão, ocorreu o início da prestação de ser-
No Rio de Janeiro, esse novo profissional ga- viços pelo IPA, em dois setores: o Serviço de
nhou um lugar em 1947, com a vinda para o Seleção e Orientação Profissional e Industrial
Brasil de Emílio Mira y López, que passou a (SOPI), futuro Serviço de Orientação e Seleção
ministrar um curso intensivo, com a preocu- Profissional (SOS); e o Centro de Orientação
pação prática de oferecer serviços de orienta- Psicopedagógica (COPP), futura Clínica. Em
ção e seleção profissional, no recém-fundado 1966, Aroldo Rodrigues assumiu a direção
Instituto de Seleção e Orientação Profissional e implantou, neste mesmo ano, o primeiro
(ISOP) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). mestrado em Psicologia do país. Em 1967, a
Contrapondo-se a esse caráter eminentemen- estrutura da universidade foi modificada,
te prático, a Psicologia, como disciplina, é sendo criado o Departamento de Psicologia,
ministrada na PUC-Rio a partir de 1941, no e o IPA passou a destinar-se exclusivamente
curso de Filosofia, e de 1943, no curso de Ser- às atividades de estágio. Aroldo Rodrigues
viço Social. Em 1953, valorizando a formação criou o setor de pesquisa e os laboratórios de
universitária, surgiu o Instituto de Psicologia psicologia social e experimental, de psicologia
Aplicada (IPA), que iniciou o primeiro curso fisiológica e de psicologia animal. Em 1968, o
de formação de psicólogos do país, dirigido regime de crédito foi implantado no Centro de
por Hanns Lippmann de 1953 a 1956. O curso Teologia e Ciências Humanas, do qual o De-
pioneiro oferecido pela PUC-Rio não era ofi- partamento de Psicologia faz parte. Em 1969,
cial, ou seja, o diploma conferido não poderia Carlos Paes de Barros assumiu a direção, nela
ser registrado no MEC. O curso tinha a dura- permanecendo até 1972. Nesta gestão foram
ção de três anos e meio, e o corpo docente era criados o setor de psicologia comunitária, que
formado por médicos, filósofos e educadores. muito se destacou, o Centro de Modificação
Nilton Campos, catedrático de Psicologia e do Comportamento e o Centro de Treinamen-
diretor do Instituto de Psicologia da Univer- to Rogeriano, numa tentativa de incentivar o
sidade do Brasil, foi um importante colabo- desenvolvimento de abordagens diferentes
rador na implantação do curso, que começou da psicanálise, predominante naquele mo-
a ser ministrado no período noturno, nas en- mento. De julho de 1972 a novembro de 1976,
fermarias da Santa Casa de Misericórdia. Dos Aroldo Rodrigues dirigiu, pela segunda vez,
36 alunos da primeira turma, apenas sete con- o departamento. Sua preocupação era conso-

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lidar o trabalho do diretor anterior, bem como são oferecidos com área de concentração em
iniciar os estudos para criação de um douto- Psicologia Clínica, em quatro linhas de pes-
rado conjunto com o Departamento de Edu- quisa: Psicanálise: Clínica e Cultura; Lingua-
cação, que posteriormente desvinculou-se do gem e Construção da Subjetividade; Família
Departamento de Psicologia, permanecendo e Casal: Estudos Psicossociais e Psicoterapia;
apenas como um doutorado em Educação. e Clínica e Neurociências. O departamento
Em novembro de 1976, Ângela Biaggio assu- oferece ainda cinco cursos de especialização:
miu a direção. Sua gestão durou apenas nove Psicologia Clínica; Psicologia da Saúde; Psi-
meses e foi marcada por muitos conflitos com cologia Junguiana: Arte e Imaginário; Terapia
professores, alunos e técnicos do IPA. Tais de Família e Casal; e Psicologia Clínica com
problemas levaram-na a solicitar sua exo- Crianças. A revista Psicologia Clínica: Pós-Gra-
neração do cargo. O então reitor padre João duação e Pesquisa, criada em 1986, passa a ser
Augusto MacDowell convidou, para assu- denominada Psicologia Clínica, em 2000, sendo
mir a direção, Terezinha Féres-Carneiro, cuja publicada semestralmente e encontrando-se,
gestão, de 1977 a 1981, foi marcada por mu- hoje, indexada nas mais importantes bases de
danças na estrutura do departamento. O IPA dados da área. Há quase seis décadas forman-
passou a ser denominado Serviço de Psico- do profissionais e pesquisadores, construindo
logia Aplicada, e com base na compreensão o conhecimento na área e prestando serviços
de que a supervisão de estágio era uma ati- à comunidade, o pioneiro Departamento de
vidade docente, os técnicos psicólogos foram Psicologia da PUC-Rio continua exercendo o
incentivados a cursar o mestrado, passaram a papel de liderança que sempre lhe coube no
ser contratados como docentes e a ministrar cenário da psicologia no Brasil.
disciplinas em suas respectivas áreas de espe-
cialização. Os psiquiatras e assistentes sociais
Referências
ficaram como consultores, sem as atribuições
de supervisão. Posteriormente, apenas os psi- BENKO, A. “Liberdade e institucionalização”. In:
quiatras se mantêm, na medida em que não STUBBE, H.; LANGENBACH, M. (Orgs). História
houve possibilidade de o Departamento de da Psicologia no Brasil, Departamento de Psicolo-
Serviço Social absorver as assistentes sociais gia PUC-Rio, p. 12-28, 1988.
como docentes. A partir destas reformulações, FACULDADES CATÓLICAS. Anuário das Facul-
as equipes de estágio do SPA passaram a ser dades Católicas 1941/1942. Rio de Janeiro, 1942.
constituídas por um professor-supervisor e FÉRES-CARNEIRO, T. “Memórias do curso de pós-
cinco estagiários, formato mantido até os dias graduação em Psicologia da PUC-Rio: comemo-
de hoje. Nas gestões que se seguiram, o depar- rando seus 40 anos”. Psicologia Clínica, v. 19, n. 1,
tamento foi dirigido por Bernard Rangé (1981- p. 217-225, 2007.
1985), Maria Elizabeth Ribeiro (1985-1989), LANGENBACH, M. (Org.). “O Serviço de Psico-
Teresa Creusa Negreiros (1989-1991), Maria logia Aplicada (SPA) da PUC-Rio: uma prática em
Euchares Mo a (1991-1998), Claudia Garcia debate”. Série Estudos PUC-Rio, n. 10, 1982.
(1998-2000) e Ana Maria Rudge (2000-2006),
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO
encontrando-se, novamente, desde 2006, sob
RIO DE JANEIRO. Anuário da Pontifícia Univer-
a direção de Maria Elizabeth Ribeiro. Atual-
sidade Católica do Rio de Janeiro 1947/1948. Rio
mente, o departamento oferece o curso de de Janeiro, 1948.
graduação em Formação de Psicólogo. O SPA,
órgão responsável pela prática supervisiona- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO
da, além do estágio em clínica em diferentes RIO DE JANEIRO. Anuário da Pontifícia Univer-
sidade Católica do Rio de Janeiro 1968. Rio de Ja-
abordagens, oferece também estágios nos
neiro, 1968.
campos educacional, jurídico, organizacional,
comunitário e da saúde. Os cursos de mes-
trado e de doutorado (implantado em 1985) Terezinha Féres-Carneiro

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„ Departamento de Psicologia da psicólogo e licenciatura. O reconhecimento do


Universidade de Uberaba (UNIUBE) – curso aconteceu por meio do Decreto 81.026/77.
1988 Nesse período, estiveram na direção do insti-
Departamento de Psicologia da FIUBE – tuto: diretora Suely Terezinha de Abreu e vi-
ce-diretora Herilda Pinto Coelho (1974-1978);
1984-1988
diretora Élsie Barbosa e vice-diretora Eliane
Departamento de Psicologia do Centro de Gonçalves Cordeiro (1978-1982). Em 1982, o
Ciências da Saúde da FIUBE – 1982-1984 Instituto de Ciências Humanas foi extinto e
Departamento de Psicologia do Instituto criou-se o Centro de Ciências da Saúde (CCS),
de Ciências Humanas das Faculdades que incorporou o Departamento de Psicologia,
Integradas de Uberaba (FIUBE) – 1972-1982 então coordenado por Angela Marina Kefalás
Curso de Psicologia – 1972-1973 Barbosa. Em 1984, quando da extinção do CCS,
o departamento passou a funcionar com dire-
ção própria, não estando mais subordinado a
Instituição de ensino, pesquisa e prestação um instituto ou centro, tendo como diretoras:
de serviços, mantida pela Sociedade Educacio- Lídia Queiroz Silva Magnino (1984-1987); Zoé
nal Uberabense, de natureza particular e sem Margarida Chaves Vale (1987-1988); Neide
fins lucrativos. A história da UNIUBE remonta Cunha Andrade (1988-1991); Cibele Chapadei-
ao ano de 1940, quando Mário de Ascenção Pal- ro Castro Sales (1991-1996); Leila Maria Ven-
mério fundou, em Uberaba, o Lyceu do Triân- ceslau Rodrigues da Cunha (1996-1997); Lídia
gulo Mineiro, denominado, mais tarde, Colégio Queiroz Silva Magnino (1987-2005) e Eliane
do Triângulo Mineiro. Posteriormente, foi cria- Gonçalves Cordeiro (desde 2005). A Clínica
da a Escola Técnica de Comércio do Triângulo de Psicologia Aplicada (CPA) foi implantada
Mineiro, que deu origem aos primeiros cursos em 1976, num espaço adaptado, conquistando
ligados ao ensino superior. Em 1947, o MEC au- sua sede própria em 1980, no Campus Centro,
torizou a criação da Faculdade de Odontologia avenida Guilherme Ferreira, 217. Em 1999, com
do Triângulo Mineiro e, até o final da década proposta de focar as ações na prevenção e no
seguinte, funcionavam também a Faculdade de trabalho em rede, passou a ser denominada
Direito do Triângulo Mineiro (1950) e a Esco- de Clínica Integrada de Docência-Assistência
la de Engenharia do Triângulo Mineiro (1956), (CLIDA). Atualmente, compõe um complexo
que formaram as Faculdades Integradas de de atenção de especialidades, que desenvolve
Uberaba (FIUBE). No ano de 1988, a instituição ações interdisciplinares com os demais cursos
foi reconhecida como universidade pelo MEC. da área da saúde. Teve como diretora-geral, de
O curso de Psicologia mais antigo da região do 1976 até a extinção da função em 1986, Anto-
Triângulo Mineiro nasceu em 1972, como ciclo nia Teresinha da Silva. A direção clínica foi
básico junto ao Curso de Direito das Faculda- ocupada, respectivamente, por Francisco Mau-
des Integradas de Uberaba (FIUBE). Na ocasião ro Guerra Terra (1976-1978), Eliane Gonçalves
de sua criação, foi organizado um currículo Cordeiro (1979-1982), Angela Marina Kefa-
com ciclo básico, o mesmo do curso do Direito lás Barbosa (1982-1983), Ilcéia Sônia Maria de
já existente. Por essa razão, os alunos tinham Andrade Borba (1983-1986), Lídia Queirós Sil-
aulas em conjunto com os do curso de Direito. va Magnino (1986-1989), Maria Abadia Pereira
Nesse ciclo básico, não havia conteúdos especí- Ramos (1989-1991), Martha Franco Diniz Hueb
ficos de Psicologia. Com a criação do Instituto (1991-1996), Maria Abadia Pereira Ramos
de Ciências Humanas, em 1973, e a autorização (1997-2000), Marisa Terra Cunha do Amaral
de funcionamento do curso pelo MEC (Decreto (2000- 2002), Luciana Nogueira Fioroni (2002-
71.356/72), estabeleceu-se o Departamento de 2005) e Bárbara Calife (desde 2005). No primei-
Psicologia, que formou a primeira turma em ja- ro momento da história do curso, os estágios
neiro de 1976, nas habilitações de formação de centraram-se na área clínica, escolar e organi-

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zacional. Em 1979, foram expandidos para a SUS, cuidando da dimensão pedagógica na


comunidade, ampliando-se os convênios com formação dos futuros psicólogos. A UNIUBE
instituições, principalmente na área da assis- oferece também um curso de especialização
tência social. Do primeiro currículo do curso, em Psicoterapia Psicanalítica, em parceria
datado de 1973, até os atuais currículos que com a Sociedade Brasileira de Psicanálise de
atendem às diretrizes curriculares do MEC, São Paulo (SBPSP) e um curso de extensão em
busca-se a consolidação de uma formação que Terapia Comunitária, para psicólogos da Se-
acompanhe as transformações da sociedade, cretaria Municipal da Saúde de Uberaba. Com
por meio de uma construção coletiva de pro- relação ao espaço físico, as aulas teóricas e a
postas que teve seu marco com a realização prática laboratorial concentram-se no campus
de um seminário, em 1996, que apresentou Aeroporto, avenida Nenê Sabino, 1801. De
como resultado a Abordagem Estratégica da 1983 a 1985, foram realizados quatro Congres-
Universidade de Uberaba e do Curso de Psi- sos Internos da CLIDA. O departamento par-
cologia. A partir de então, o modelo de for- ticipou também das Semanas de Seminários
mação busca o compromisso com as questões Institucionais (1997-2005), e a de 2004 ocor-
individuais e coletivas, além da ampliação dos reu durante a X Reunião Anual da Sociedade
espaços de atuação profissional do psicólogo, de Psicologia do Triângulo Mineiro (SPTM).
para responder às orientações dos fóruns de A partir de 2005, o curso participou da Se-
classe e do MEC, bem como às necessidades mana da Luta Antimanicomial e realizou, em
sociais. Para tanto, um novo projeto pedagó- agosto, a Semana do Psicólogo, com objetivo
gico foi elaborado, dando corpo a uma nova de enriquecimento curricular dos alunos e de
estrutura de curso, ainda com o oferecimento comemorar o dia do psicólogo. Desde 2005,
de licenciatura e formação de psicólogo, divi-