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QUESTÕES – PROCESSO PENAL X

1- Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – As consequências jurídicas extrapenais previstas no art. 91 do Código Penal são decorrentes
de sentença condenatória. Tal não ocorre, portanto, quando há transação penal, cuja sentença
tem natureza meramente homologatória, sem qualquer juízo sobre a responsabilidade criminal
do aceitante.
II – A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei 9.099/1995 não faz coisa
julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitando-se
ao Ministério Público a continuidade da persecução penal mediante oferecimento de denúncia
ou requisição de inquérito policial.
III – O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações penais
cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena
mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite
de um ano.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
e) Todas estão incorretas

Gabarito: A
I – CORRETA - As consequências jurídicas extrapenais previstas no art. 91 do Código Penal são
decorrentes de sentença condenatória. Tal não ocorre, portanto, quando há transação penal, cuja
sentença tem natureza meramente homologatória, sem qualquer juízo sobre a responsabilidade
criminal do aceitante. As consequências geradas pela transação penal são essencialmente aquelas
estipuladas por modo consensual no respectivo instrumento de acordo. STF. Plenário. RE
795567/PR, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 28/5/2015 (Info 787).
II – CORRETA - Súmula vinculante 35-STF: A homologação da transação penal prevista no artigo 76
da Lei 9.099/1995 não faz coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a
situação anterior, possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da persecução penal
mediante oferecimento de denúncia ou requisição de inquérito policial.

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III – CORRETA - Súmula 243-STJ: O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação
às infrações penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva,
quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da majorante,
ultrapassar o limite de um (01) ano
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia>

2- Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – É cabível a suspensão condicional do processo na desclassificação do crime e na procedência
parcial da pretensão punitiva.
II –Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do processo, mas se
recusando o Promotor de Justiça a propô-la, o Juiz, dissentindo, deverá propô-la de ofício.
III – Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se a soma da
pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de um sexto for superior a um ano.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
e) Todas estão incorretas

Gabarito:
I – CORRETA - Súmula 337-STJ: É cabível a suspensão condicional do processo na desclassificação
do crime e na procedência parcial da pretensão punitiva.
II – INCORRETA - Súmula 696-STF: Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão
condicional do processo, mas se recusando o Promotor de Justiça a propô-la, o Juiz, dissentindo,
remeterá a questão ao Procurador-Geral, aplicando-se por analogia o art. 28 do Código de
Processo Penal.
III – CORRETA - Súmula 723-STF: Não se admite a suspensão condicional do processo por crime
continuado, se a soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de um
sexto for superior a um ano.
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia>

3- Assinale a alternativa INCORRETA.


a) A suspensão condicional do processo é instituto de política criminal, benéfico ao acusado, que
visa a evitar a sua sujeição a um processo penal, cujos requisitos encontram-se expressamente
previstos na Lei nº 9.099/95.
b) A existência de ações penais em curso contra o denunciado impede a concessão do sursis
processual por força do art. 89 da Lei nº 9.099/95.
c) A suspensão condicional do processo é direito subjetivo do acusado e poder-dever do
Ministério Público, titular da ação penal, a quem cabe, com exclusividade, analisar a possibilidade
de aplicação do referido instituto, desde que o faça de forma fundamentada.
d) É possível ao magistrado a fixação de outras condições para o sursis, além daquelas obrigatórias
previstas nos incisos do § 1º do art. 89 da Lei 9.099/95, desde que adequadas ao fato e à situação
pessoal do acusado.
e) Se descumpridas as condições impostas durante o período de prova da suspensão condicional
do processo, o benefício poderá ser revogado, mesmo se já ultrapassado o prazo legal, desde que
referente a fato ocorrido durante sua vigência.

Gabarito: C
a) e b) De acordo com o art. 89 da Lei nº 9.099/95, a suspensão condicional do processo é instituto
de política criminal, benéfico ao acusado, que visa a evitar a sua sujeição a um processo penal,
cujos requisitos encontram-se expressamente previstos na norma em questão. É constitucional a
norma do art. 89 da Lei nº 9.099/95, que estabelece os requisitos para a concessão do benefício
da suspensão condicional do processo, entre eles o de não responder o acusado por outros delitos.
Assim, a existência de ações penais em curso contra o denunciado impede a concessão do sursis
processual por força do art. 89 da Lei nº 9.099/95. STF. 1ª Turma. AP 968/SP, Rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 22/5/2018 (Info 903). STF. 2ª Turma. RHC 133945 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 21/06/2016.
c) A suspensão condicional do processo não é direito subjetivo do acusado, mas sim um poder-
dever do Ministério Público, titular da ação penal, a quem cabe, com exclusividade, analisar a
possibilidade de aplicação do referido instituto, desde que o faça de forma fundamentada. STJ. 6ª
Turma. AgRg no RHC 74464/PR, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 02/02/2017. A
suspensão condicional do processo é solução de consenso e não direito subjetivo do acusado.
STJ. 5ª Turma. AgRg no RHC 91265/RJ, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 27/02/2018.
d) É possível ao magistrado a fixação de outras condições para o sursis, além daquelas obrigatórias
previstas nos incisos do § 1º do art. 89 da Lei 9.099/95, desde que adequadas ao fato e à situação
pessoal do acusado. Essa liberdade de fixação de outras condições (art. 89, § 2º da lei 9.099/95)
permite ao magistrado que imponha o perdimento do valor da fiança como forma equivalente à
prestação pecuniária. STJ. 6ª Turma. RHC 53172/PR, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em
17/12/2015.
e) Se descumpridas as condições impostas durante o período de prova da suspensão condicional
do processo, o benefício poderá ser revogado, mesmo se já ultrapassado o prazo legal, desde que
referente a fato ocorrido durante sua vigência. Exemplo: Rafael foi denunciado pela prática do
crime de descaminho. Como a pena mínima deste delito é igual a 1 ano, o MP, na denúncia,
ofereceu proposta de suspensão condicional do processo, que foi aceita pelo acusado em
05/05/2005 pelo período de prova de 2 anos (ou seja, até 05/05/2007). Em 05/02/2007, Rafael
praticou lesão corporal e foi denunciado, em 05/04/2007. Em 05/06/2007, ou seja, após o período
de prova, o juiz no momento em que ia proferir a sentença extinguindo a punibilidade do réu,
soube que ele foi processado por outro delito. Tomando conhecimento do novo crime praticado
por Rafael, o juiz poderá revogar a suspensão concedida mesmo já tendo passado o período de
prova. STJ. 3ª Seção. REsp 1498034-RS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 25/11/2015
(recurso repetitivo) (Info 574).
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia>

4- Com relação ao procedimento dos crimes falimentares, assinale a alternativa INCORRETA.


a) A decisão que decreta a falência, a que concede a recuperação judicial e a que concede a
recuperação extrajudicial, é condição objetiva de punibilidade de tais infrações penais
b) Todos os crimes previstos na Lei 11.101/2005 são de ação penal pública incondicionada,
devendo, portanto, o processo respectivo ser iniciado mediante denúncia do Ministério Público.
c) Decorrido o prazo legal sem que o representante do Ministério Público ofereça denúncia,
qualquer credor ou o administrador judicial poderá oferecer ação penal privada subsidiária da
pública, observado o prazo decadencial de seis meses.
d) Compete ao juiz criminal da jurisdição onde tenha sido decretada a falência, concedida a
recuperação judicial ou homologado o plano de recuperação extrajudicial, conhecer da ação penal
pelos crimes falimentares.
e) Se o processo penal for inaugurado após a concessão da recuperação judicial ou homologação
do plano de recuperação extrajudicial, sobrevindo a decretação da falência do devedor, tal decisão
interrompe a contagem do prazo prescricional.

Gabarito: C
a) Condições de punibilidade: dispõe o art. 180 da Lei 11.101/2005 que a decisão que decreta a
falência, a que concede a recuperação judicial e a que concede a recuperação extrajudicial, é
condição objetiva de punibilidade das infrações penais descritas nesse diploma. Precitado
dispositivo, portanto, condiciona a atuação estatal, no âmbito criminal, à decretação da falência, à
concessão da recuperação extrajudicial ou à concessão da recuperação judicial, razão pela qual,
antes dessas providências, a polícia judiciária e o Ministério Público (e também os credores
habilitados e o administrador judicial em relação à ação penal privada subsidiária da pública) não
poderão atuar na seara falimentar por falta da mencionada condicionante. Não há, enfim,
justificativa para o oferecimento da denúncia ou da queixa sem o implemento de condição
essencial para o exercício da ação penal.
b) Prazo para oferecimento de denúncia pelo Ministério Público: conforme já expusemos, todos os
crimes previstos na Lei 11.101/2005 são de ação penal pública incondicionada, devendo, portanto,
o processo respectivo ser iniciado mediante denúncia do Ministério Público. Possível, contudo, na
inércia do Promotor de Justiça no prazo legal, o ingresso de queixa subsidiária, pelo administrador
judicial ou por qualquer credor habilitado.
c) Ação penal privada subsidiária da pública: estabelece o art. 184, parágrafo único, que
“decorrido o prazo a que se refere o art. 187, § 1.º, sem que o representante do Ministério Público
ofereça denúncia, qualquer credor habilitado ou o administrador judicial poderá oferecer ação
penal privada subsidiária da pública, observado o prazo decadencial de 6 (seis) meses”.
d) Juízo competente: reza o art. 183 da Lei 11.101/2005 que “compete ao juiz criminal da
jurisdição onde tenha sido decretada a falência, concedida a recuperação judicial ou homologado
o plano de recuperação extrajudicial, conhecer da ação penal pelos crimes previstos nesta Lei”. Em
síntese, com a nova regulamentação procedimental, dissipou-se a inútil previsão incorporada ao
antigo decreto de quebras, no sentido de que a denúncia fosse ajuizada no juízo falimentar e, após
recebida, encaminhada ao juízo criminal comum.
e) Prescrição: a Lei 11.101/2005, fulminando as complexas regras de contagem do prazo
prescricional previstas no Decreto-lei 7.661/1945, estabelece no art. 182 que a prescrição dos
crimes previstos nesta Lei reger-se-á pelas disposições do Código Penal, começando a correr do dia
da decretação da falência, da concessão da recuperação judicial ou da homologação do plano de
recuperação extrajudicial. Agora, se o processo penal for inaugurado após a concessão da
recuperação judicial ou homologação do plano de recuperação extrajudicial, sobrevindo a
decretação da falência do devedor, tal decisão, mais uma vez, interrompe a contagem da
prescrição, consoante se depreende do parágrafo único do citado dispositivo:
“Parágrafo único. A decretação da falência do devedor interrompe a prescrição cuja contagem
tenha iniciado com a concessão da recuperação judicial ou com a homologação do plano de
recuperação extrajudicial”
Avena, Norberto Cláudio Pâncaro. Processo penal. 9.ª ed. rev. e atual. – Rio de Janeiro: Forense;
São Paulo: MÉTODO, 2017, p. 524/525.

5- Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – O conceito de funcionário público, para efeitos penais, é bastante amplo, incluindo quem,
embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública, a este
se equiparando, também, quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e
quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução
de atividade típica da Administração Pública.
II – Crimes funcionais próprios são aqueles em que a conduta apenas é ilícita quando praticada
por um funcionário público, não havendo qualquer tipificação caso perpetrada pelo particular,
Já os crimes funcionais impróprios são aqueles cuja conduta é penalmente relevante
independentemente de ser ou não o agente funcionário público, modificando-se tão somente a
tipificação do crime.
III – Tratando-se de crime funcionais afiançável, o rito previsto é praticamente idêntico ao
procedimento comum ordinário. Por outro lado, sendo hipótese de crime funcionais
inafiançável, antes do recebimento da inicial, deve o acusado ser notificado para apresentação
de defesa preliminar, seguindo-se, de resto, a disciplina do procedimento comum ordinário.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
e) Todas estão incorretas

Gabarito: B
I – CORRETA - Funcionário público
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora
transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade
paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para
a execução de atividade típica da Administração Pública.
§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste
Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de
órgão da administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação
instituída pelo poder público.
II – CORRETA – (...) crimes funcionais, podem ser classificados em próprios ou impróprios. Os
primeiros são aqueles em que a conduta apenas é ilícita quando praticada por um funcionário
público, não havendo qualquer tipificação caso perpetrada pelo particular, tal como ocorre com os
delitos de prevaricação e de abandono de função. Os segundos, aqueles cuja conduta é
penalmente relevante independentemente de ser ou não o agente funcionário público,
modificando-se tão somente a tipificação do crime, como é o caso do peculato, que é o crime
resultante da apropriação ou furto perpetrado por funcionário público, ações estas que, se
praticadas por particulares, terão enquadramento nos arts. 155 ou 168 do Estatuto Repressivo.
Sem embargo dessa distinção, desde que o agente seja um funcionário público ou a ele equiparado
no exercício da função pública e que o delito esteja sendo praticado contra a administração pública,
tanto os crimes funcionais próprios como os impróprios serão processados segundo o rito especial
ditado pelo Código de Processo Penal. É o caso das infrações previstas nos arts. 312 a 326 do CP e
no 3.º da Lei 8.137/1990.
III – INCORRETA - Na apuração dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos,
estabelece o Código de Processo Penal procedimento diferenciado conforme o caráter inafiançável
ou afiançável do delito.
Tratando-se de crime inafiançável, o rito previsto é praticamente idêntico ao procedimento
comum ordinário, dele se diferenciando apenas em razão do que prevê o art. 513 do CPP, no
sentido de que a queixa ou a denúncia será instruída com documento ou justificação que façam
presumir a existência do delito ou com declaração fundamentada da impossibilidade de
apresentação de qualquer dessas provas, sugerindo esta última parte do dispositivo a possibilidade
de oferecimento da inicial sem a prova pré-constituída da materialidade do crime.
Por outro lado, sendo hipótese de crime afiançável, estabelece o art. 514 do CPP que, antes do
recebimento da inicial, deve o acusado ser notificado para apresentação de defesa preliminar,
seguindo-se, de resto, a disciplina do procedimento comum ordinário.
Avena, Norberto Cláudio Pâncaro. Processo penal. 9.ª ed. rev. e atual. – Rio de Janeiro: Forense;
São Paulo: MÉTODO, 2017, p. 529. Destacamos.

6- Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – O procedimento dos crimes contra a honra (arts. 519 a 523 do CPP) é aplicável a todos os
crimes contra a honra contemplados na legislação penal, não se aplicando o rito sumaríssimo da
Lei 9.099/95 quando a pena máxima cominada ao crime for igual ou inferior a dois anos de
prisão.
II – No procedimento dos crimes contra a honra, oferecida a queixa-crime, deverá o magistrado,
antes de recebê-la, ordenar a notificação do querelante e do querelado para comparecerem à
audiência de tentativa de conciliação, a qual se realizará sem a presença de advogados.
III – A exceção da verdade consiste na oportunidade assegurada ao réu para demonstrar a
veracidade das afirmações consideradas ofensivas pelo querelante. Já a exceção da notoriedade
do fato é aquela que visa demonstrar que a afirmação realizada pelo réu não causa reação no
meio social, já que respeita a fato conhecido por todos.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
e) Todas estão incorretas

Gabarito: D
I – INCORRETA - (...) é importante destacar que o procedimento dos arts. 519 a 523 do CPP é
aplicável tão somente às hipóteses em que a pena máxima cominada ao crime for superior a
dois anos de prisão. Caso contrário, vale dizer, se a infração classificar-se como de menor
potencial ofensivo, o rito a ser observado será o sumaríssimo da Lei 9.099/1995 (arts. 77 a 81).
Isto, aliás, ocorre na maioria dos crimes contra a honra contemplados na legislação penal. Delitos
com apenamento máximo in abstrato superior a dois anos e, portanto, sujeitos ao procedimento
ditado pelo Código de Processo Penal (...)
II – CORRETA - Ajuizamento da ação penal e audiência de tentativa de conciliação: oferecida a
queixa-crime (máximo de oito testemunhas, exceto as não compromissadas, conforme se infere do
art. 401), deverá o magistrado, antes de recebê-la, ordenar a notificação do querelante e do
querelado para comparecerem à audiência de tentativa de conciliação (art. 520 do CPP), a qual se
realizará sem a presença de advogados. Evidentemente, sendo a queixa manifestamente inepta,
deve o juiz indeferi-la de plano (art. 395 do CPP), não sendo necessário aprazar a audiência.
Aprazada, porém, que venha a ser a solenidade judicial, nela serão ouvidas as partes
separadamente, iniciando-se pelo querelante e, depois, pelo querelado. Após ouvi-los, entendendo
viável o acerto, o juiz buscará promover o entendimento entre as partes. Havendo a conciliação,
será assinado termo de desistência da ação penal, arquivando-se o feito. Frise-se que no termo
não serão mencionados os acontecimentos havidos na audiência, tão somente o resultado. Por
outro lado, se restar inexitosa a tentativa conciliatória, caberá ao juiz proceder ao seu recebimento,
ordenando a citação do réu para resposta em 10 dias (art. 396 do CPP).
III – CORRETA - Exceção da verdade e exceção da notoriedade do fato (art. 523):
contemporaneamente à apresentação da resposta (arts. 396 e 396-A do CPP), poderá o querelado,
em petição distinta, apresentar exceção da verdade ou exceção da notoriedade do fato.
A exceção da verdade consiste na oportunidade assegurada ao réu para demonstrar a veracidade
das afirmações consideradas ofensivas pelo querelante.
(...)
Por outro lado, a exceção da notoriedade do fato é aquela que visa demonstrar que a afirmação
realizada pelo réu não causa reação no meio social, já que respeita a fato conhecido por todos. É
cabível apenas na difamação, independentemente da condição do ofendido (funcionário público ou
não).
Avena, Norberto Cláudio Pâncaro. Processo penal. 9.ª ed. rev. e atual. – Rio de Janeiro: Forense;
São Paulo: MÉTODO, 2017, p 531/535. Destacamos.

7- Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – Para a configuração do delito de violação de direito autoral e a comprovação de sua
materialidade, é suficiente a perícia realizada por amostragem do produto apreendido, nos
aspectos externos do material, e é desnecessária a identificação dos titulares dos direitos
autorais violados ou daqueles que os representem.
II – Segundo o STJ, é desnecessária a resposta preliminar de que trata o artigo 514 do Código de
Processo Penal, na ação penal instruída por inquérito policial.
III – Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação ao crime previsto no
artigo 184, parágrafo 2º, do Código Penal, a conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
e) Todas estão incorretas

Gabarito: A
I – CORRETA - Súmula 574-STJ: Para a configuração do delito de violação de direito autoral e a
comprovação de sua materialidade, é suficiente a perícia realizada por amostragem do produto
apreendido, nos aspectos externos do material, e é desnecessária a identificação dos titulares dos
direitos autorais violados ou daqueles que os representem.
II – CORRETA - Súmula 330-STJ: É desnecessária a resposta preliminar de que trata o artigo 514 do
Código de Processo Penal, na ação penal instruída por inquérito policial. • Polêmica. • O STF
possui julgados em sentido contrário a essa súmula, ou seja, afirmando que “é indispensável a
defesa prévia nas hipóteses do art. 514 do Código de Processo Penal, mesmo quando a denúncia é
lastreada em inquérito policial” (HC 110361, j. em 05/06/2012). Veja também: STF HC 110361.
•Apesar disso, o STJ continua aplicando normalmente o entendimento sumulado. Nesse sentido:
HC 173.864/SP, julgado em 03/03/2015.
III – CORRETA - Súmula 502-STJ: Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em
relação ao crime previsto no artigo 184, parágrafo 2º, do Código Penal, a conduta de expor à
venda CDs e DVDs piratas
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
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8- Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – Havendo excesso de linguagem na pronúncia, com base no princípio da economia processual,
o Tribunal pode apenas determinar que a sentença seja desentranhada do processo.
II – Na sentença de pronuncia, a exclusão de qualificadora constante na denúncia somente pode
ocorrer quando manifestamente improcedente, sob pena de usurpação da competência do
Tribunal do Júri, juiz natural para julgar os crimes dolosos contra a vida.
III – O testemunho por ouvir dizer, produzido somente na fase inquisitorial, não serve como
fundamento exclusivo da decisão de pronúncia, que submete o réu a julgamento pelo Tribunal
do Júri.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
e) Todas estão incorretas

Gabarito: D
I – INCORRETA - A sentença de pronúncia deve ser fundamentada. No entanto, é necessário que o
juiz utilize as palavras com moderação, ou seja, valendo-se de termos sóbrios e comedidos, a fim
de se evitar que fique demonstrado na decisão que ele acredita firmemente que o réu é culpado
pelo crime. Se o magistrado exagera nas palavras utilizadas na sentença de pronúncia, dizemos
que houve um “excesso de linguagem”, também chamado de “eloquência acusatória”. O excesso
de linguagem é proibido porque o CPP afirma que os jurados irão receber uma cópia da sentença
de pronúncia e das decisões posteriores que julgaram admissível a acusação e do relatório do
processo (art. 472, parágrafo único). Assim, se o juiz se excede nos argumentos empregados na
sentença de pronúncia, o jurado irá ler essa decisão e certamente será influenciado pela opinião
do magistrado. Havendo excesso de linguagem, o que o Tribunal deve fazer? Deverá ANULAR a
sentença de pronúncia e os consecutivos atos processuais, determinando-se que outra seja
prolatada. Em vez de anular, o Tribunal pode apenas determinar que a sentença seja
desentranhada (retirada do processo) ou seja envelopada (isolada)? Isso já não seria suficiente,
com base no princípio da economia processual? NÃO. Não basta o desentranhamento e
envelopamento. É necessário anular a sentença e determinar que outra seja prolatada. Isso
porque, como já dito acima, a lei determina que a sentença de pronúncia seja distribuída aos
jurados. Logo, não há como desentranhar a decisão, já que uma cópia dela deverá ser entregue
aos jurados. Se essa cópia não for entregue, estará sendo descumprido o art. 472, parágrafo único,
do CPP. STF. 1ª Turma. RHC 127522/BA, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/8/2015 (Info 795).
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1442002-AL, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/4/2015
(Info 561).
II – CORRETA - A exclusão de qualificadora constante na denúncia somente pode ocorrer quando
manifestamente improcedente, sob pena de usurpação da competência do Tribunal do Júri, juiz
natural para julgar os crimes dolosos contra a vida. Por vigorar nesta fase o princípio in dubio pro
societate, somente é autorizado ao julgador afastar as qualificadoras contidas na denúncia caso
não haja dúvidas de que elas não estão configuradas no caso concreto. Não havendo certeza disso,
o juiz deverá deixar para o Conselho de Sentença decidir sobre a incidência ou não da
qualificadora. STJ. 5ª Turma. HC 406.869/RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 19/09/2017. STJ.
6ª Turma. AgRg no AREsp 830.308/RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 20/06/2017.
III – CORRETA - O testemunho por ouvir dizer (hearsayrule), produzido somente na fase
inquisitorial, não serve como fundamento exclusivo da decisão de pronúncia, que submete o réu a
julgamento pelo Tribunal do Júri. STJ. 6ª Turma. REsp 1373356-BA, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz,
julgado em 20/4/2017 (Info 603).
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia>

9- Assinale a alternativa INCORRETA.


a) Na pronúncia opera o princípio in dubio pro societate, porque é a favor da sociedade que se
resolvem as dúvidas quanto à prova, pelo Juízo natural da causa.
b) A intimação da decisão de pronúncia poderá ser feita por edital ao acusado que não for
encontrado.
c) Constitui a pronúncia juízo fundado de suspeita, que apenas e tão somente admite a acusação.
d) É admitido que a intimação da decisão de pronúncia seja realizada por edital mesmo quando o
processo houver transcorrido desde o início à revelia do réu que também fora citado por edital.
e) A pronúncia não profere juízo de certeza, necessário para a condenação, motivo pelo qual a
vedação expressa do art. 155 do CPP não se aplica à referida decisão.

Gabarito: D
O art. 420, parágrafo único, do CPP, com a redação dada pela Lei 11.689/2008, estabeleceu a
possibilidade de a intimação da decisão de pronúncia ser feita por edital ao acusado que não for
encontrado. De acordo com o STJ, aludido dispositivo, por ter índole processual, deve ser aplicado
imediatamente, mesmo aos crimes ocorridos antes de sua vigência. No entanto, tal norma
processual penal não pode ser aplicada aos fatos anteriores à Lei 9.271/1996, em que foi
decretada a revelia do réu, uma vez que tal compreensão implicaria a sua submissão a
julgamento pelo Tribunal do Júri sem que sequer se tenha certeza da sua ciência acerca da
acusação que pesa contra si. Assim, não é admitido que a intimação da decisão de pronúncia
seja realizada por edital quando o processo houver transcorrido desde o início à revelia do réu
que também fora citado por edital. STJ. 6ª Turma. HC 226285-MT, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior,
julgado em 20/2/2014 (Info 537).

É possível a pronúncia do acusado baseada exclusivamente em elementos informativos obtidos na


fase inquisitorial? • NÃO. Haverá violação ao art. 155 do CPP. Além disso, muito embora a análise
aprofundada seja feita somente pelo Júri, não se pode admitir, em um Estado Democrático de
Direito, a pronúncia sem qualquer lastro probatório colhido sob o contraditório judicial, fundada
exclusivamente em elementos informativos obtidos na fase inquisitorial. STJ. 5ª Turma. AgRg no
REsp 1.740.921-GO, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 06/11/2018 (Info 638). STJ. 6ª Turma. HC
341.072/RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 19/4/2016. • SIM. É possível
admitir a pronúncia do acusado com base em indícios derivados do inquérito policial, sem que isso
represente afronta ao art. 155. Embora a vedação imposta no art. 155 se aplique a qualquer
procedimento penal, inclusive dos do Júri, não se pode perder de vista o objetivo da decisão de
pronúncia não é o de condenar, mas apenas o de encerrar o juízo de admissibilidade da acusação
(iudiciumaccusationis). Na pronúncia opera o princípio in dubio pro societate, porque é a favor da
sociedade que se resolvem as dúvidas quanto à prova, pelo Juízo natural da causa. Constitui a
pronúncia, portanto, juízo fundado de suspeita, que apenas e tão somente admite a acusação.
Não profere juízo de certeza, necessário para a condenação, motivo pelo qual a vedação expressa
do art. 155 do CPP não se aplica à referida decisão. STJ. 5ª Turma. HC 435.977/RS, Rel. Min. Felix
Fischer, julgado em 15/05/2018. STJ. 6ª Turma. REsp 1458386/PA, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz,
julgado em 04/10/2018. Obs: prevalece, no STJ, a segunda posição, ou seja, de que é possível a
pronúncia.
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia>
10- Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.
I – No procedimento do Tribunal do Júri, o juiz pode, na fase do art. 415 do CPP, efetivar a
absolvição imprópria do acusado inimputável, na hipótese em que, além da tese de
inimputabilidade, a defesa apenas sustente por meio de alegações genéricas que não há nos
autos comprovação da culpabilidade e do dolo do réu, sem qualquer exposição dos
fundamentos que sustentariam esta tese.
II – No procedimento relativo aos processos de competência do Tribunal do Júri, o acusado solto
que, antes da Lei 11.689/2008, tenha sido intimado pessoalmente da decisão de pronúncia pode,
após a vigência da referida Lei, ser intimado para a sessão plenária por meio de edital caso não
seja encontrado e, se não comparecer, poderá ser julgado à revelia.
III –A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de
função estabelecido exclusivamente pela Constituição estadual.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
e) Todas estão incorretas

Gabarito:
I – CORRETA - No procedimento do Tribunal do Júri, o juiz pode, na fase do art. 415 do CPP,
efetivar a absolvição imprópria do acusado inimputável, na hipótese em que, além da tese de
inimputabilidade, a defesa apenas sustente por meio de alegações genéricas que não há nos autos
comprovação da culpabilidade e do dolo do réu, sem qualquer exposição dos fundamentos que
sustentariam esta tese. STJ. 5ª Turma. REsp 39920-RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 6/2/2014
(Info 535).
II – CORRETA - No procedimento relativo aos processos de competência do Tribunal do Júri, o
acusado solto que, antes da Lei 11.689/2008, tenha sido intimado pessoalmente da decisão de
pronúncia pode, após a vigência da referida Lei, ser intimado para a sessão plenária por meio de
edital caso não seja encontrado e, se não comparecer, poderá ser julgado à revelia. STJ. 6ª Turma.
HC 210524-RJ, Rel. Min. Maria Thereza De Assis Moura, julgado em 11/3/2014 (Info 537).
III – CORRETA - Súmula vinculante 45-STF: A competência constitucional do Tribunal do Júri
prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição
estadual.
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia>