Você está na página 1de 8

HIPOTIREOIDISMO

Rio de Janeiro
Junho de 2019
SUMÁRIO

1. BREVE DEFINIÇÃO DE HIPOTIREOIDISMO ............................................... 04


2. MENOPAUSA E HIPOTIREOIDISMO ............................................................... 04
3. PREVALÊNCIA ...................................................................................................... 05
4. FATORES DE RISCO ............................................................................................ 06
5. O TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR ......................................................... 07
5.1 ENFERMEIRO ........................................................................................................ 07
5.2 NUTRIÇÃO ............................................................................................................ 07
6. CONCLUSÃO .......................................................................................................... 08
REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 09
3

1. BREVE DEFINIÇÃO DE HIPOTIREOIDISMO

O hipotireoidismo é uma doença do sistema endócrino caracterizada pela queda


na produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina) pela tireoide, levando a
uma lentificação generalizada dos processos metabólicos.
É dividido em três grupos: primário, secundário e terciário, sendo os dois
últimos ditos como hipotireoidismo central; e a, partir da avaliação laboratorial, é
classificado como clássico e subclínico.
Dentre estes o hipotireoidismo subclínico é definido como elevação dos níveis
séricos do hormônio estimulador da tiroide (TSH), tendo a tiroxina livre (T4-L) e a
triiodotironina, dentro da taxa de normalidade. Recomenda-se que sejam realizadas
dosagens de TSH a cada cinco anos, iniciando aos 35 anos de idade.

2. MENOPAUSA E HIPOTIREOIDISMO

O hipotireoidismo subclínico é frequente na pós-menopausa, associando-se a


efeitos adversos à saúde da mulher que podem ser evitados pela simples dosagem do
TSH.
O hipotireoidismo é uma condição que pode atingir a saúde de homens e
mulheres, de qualquer faixa etária e perfil. Entretanto, essa é uma condição muito mais
manifestada em mulheres do que em homens, especialmente quando falamos do período
do climatério e da menopausa. A queda da produção hormonal, natural do período da
menopausa, também pode ser responsável pelo desenvolvimento dos quadros de
hipotireoidismo. Exatamente por isso é que mulheres nessa fase apresentam maior risco
de manifestar a doença e devem, portanto, estar atentas a essa condição quando visitam
seus médicos para tratar do tema.
Como os sintomas da menopausa e os do hipotireoidismo são parecidos, acabam
se confundindo, e quando ocorre demora na identificação da doença, consequentemente
há demora no início do tratamento. Alguns sintomas da menopausa, como aumento de
peso, fadiga, insônia, irritabilidade, palpitações e queda de cabelo são associados ao
hipotireoidismo.
4

3. PREVALÊNCIA

A prevalência desta condição na população adulta americana é de 4 a 10%.


Entretanto, em mulheres com mais de 60 anos está presente em até 20%. Nos Estados
Unidos, mais de 20% das menopausadas são diagnosticadas com a doença, comum nas
mulheres com mais de 40 anos.
No Brasil ainda não existem estudos específicos desta patologia nesta população,
porém existem estudos regionais realizados.
No município de Vassouras, RJ, foi realizada uma pesquisa em 2016 por Moraes
et al., publicado pelo Almanaque Multidisciplinar de Pesquisa da Universidade
Unigranrio, em pacientes do SUS no período de janeiro a junho de 2014.
Este estudo determinou a prevalência de hipotireoidismo na população estudada
foi de 15,89%, sendo que a maior taxa de prevalência em mulheres com idade avançada
(> 24% em mulheres com superior a 60 anos).
O grupo populacional foi de 856 pacientes com uma faixa etária entre 01 e 96
anos, sendo 719 mulheres (84 %) e 137 (16 %) homens. Como pode ser visto, 84,11 %
dos analisados, equivalente a 720 pacientes, não tiveram alterações hormonais; e
15,89% (correspondente a 136) pacientes possuíram alteração na dosagem hormonal
característica de hipotireoidismo.

Gráfico 1 – Percentual de pacientes com Hipertireoidismo


5

De acordo com a prevalência em 136 pacientes, o Gráfico 2 mostra o número de casos


encontrados no sexo feminino entre as diferentes faixas etárias, sendo encontrados
6,14% (7 casos) em crianças e adolescentes; 57,9 % (66 casos) em adultos; 34,21 % (39
casos) em idosos, e 1,75 % (2 casos) não tiveram a idade identificada.

Gráfico 2- Percentual de mulheres com hipotireoidismo

Um estudo de PEDROSO & TANEDA (2016) mostrou que No noroeste de


Mato Grosso, a maior ocorrência de hipotireoidismo confirmado foi em mulheres e na
faixa etária de 41 a 50 anos, idade na qual as mulheres estão entrando na fase da
menopausa. Outro estudo de TOMAZ et al. (2016) mostrou que em um município de
Taubaté o hipotireoidismo foi detectado em 69,81% de mulheres idosas.
O estudo de Moraes et al. (2016) mostrou que existe uma prevalência de
hipotireoidismo em mulheres com idade avançada (> 24% em mulheres com superior a
60 anos).

4. FATORES DE RISCO

Além da menopausa, outro fator de risco para o acometimento do


hipotireoidismo é a dieta com iodo. O iodo é o elemento essencial para a síntese dos
HTs (hormônios da tireoide), além de ser essencial para o crescimento e
desenvolvimento, particularmente do cérebro e do sistema nervoso central. Sua
deficiência é um problema de saúde pública mundial, acometendo cerca de 800 milhões
de pessoas. Em casos de baixo consumo de iodo a tireoide adapta-se aumentando a
secreção de TSH pela hipófise.
6

5. O TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR

5.1 ENFERMEIRO

Para controlar os sintomas de uma mulher que está vivendo o momento da


menopausa, mas manifestando o hipotireoidismo, é importante que o seu atendimento
médico seja multidisciplinar. A prescrição de um tratamento de reposição
hormonal voltado para a menopausa pode ser considerado essencial, assim como a
reposição dos hormônios tireoidianos é indispensável para evitar o agravamento da
condição. A Nutrição também possui papel fundamental neste processo.
Nos pacientes idosos, devido ao maior risco de desenvolver angina ou
cardioarritmia, o reajuste de dose deve ser feito de forma mais cautelosa. Os idosos
hipotireoideos normalizam o TSH com doses menores de levotiroxina do que os
adultos, portanto, recomenda-se doses de 12,5-25 μg total dia, aumentando somente 25
μg a cada quatro semanas até a dose suficiente para normalização do TSH.

5.2 NUTRIÇÃO

 IODO
A redução do teor de iodo na dieta, característica de recomendações da redução
da ingestão de sal para prevenir ou ser coadjuvante no tratamento da hipertensão arterial
em pacientes idosos está relacionada à ingestão inadequada de iodo. A Organização
Mundial da Saúde (OMS) recomenda no mínimo 75 µg de iodo ao dia, o que
corresponde a 10g de sal iodado.
As principais fontes alimentares, além do sal iodado, são os frutos do mar
(ostras, moluscos, mariscos e peixes de água salgada), leite e seus derivados (desde que
oriundos de animais que tenham pastado em solos ricos em iodo ou alimentados com
rações que contenham o nutriente), castanha do Brasil, pão e vegetais oriundos de solos
ricos em iodo também são boas fontes.

 SOJA
É importante ressaltar que a soja constitui uma preocupação sobre a função da
glândula tireoide. Estudos in vitro e em animais demonstram que as isoflavonas (que
7

são compostos orgânicos abundantes na soja), apresentam a capacidade de inibir a


enzima TPO, a qual promove a iodação da tireoglobulina, importante para a síntese dos
HTs. A inibição dessa enzima provoca diminuição da produção de HTs, aumenta a
produção de TSH endógeno e pode induzir ao hipotireoidismo. Portanto pacientes com
função tireoidiana comprometida devem evitar o consumo de soja. Além disto a soja
pode bloquear a absorção de medicamentos para a tireoide.

6. CONCLUSÃO

As doenças da tiroide, particularmente o hipotireoidismo, são frequentes na pós-


menopausa. Os profissionais preocupados com a saúde da mulher devem estar
familiarizados com a multiplicidade de sinais e sintomas das disfunções tireoidianas. A
disponibilidade da dosagem de TSH na rotina do atendimento torna o diagnóstico direto
e barato.
8

REFERÊNCIAS

FREITAS, M.C.; LIMA, L.H.C. Diagnóstico e Tratamento do Hipotireoidismo. In:


Vilar L. Endocrinologia Clínica. 5a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2013. p.
297-309

MEZZOMO, T.R.; NADAL, J. Efeito dos nutrientes e substâncias alimentares na


função tireoidiana e no hipotireoidismo. Demetra; 2016; 11(2); 427-443

MORAES, S.R.; CINTRA, T.J.D.S.; CARDOSO, C.E.; CORTES, P.P.R.


Hipotireoidismo em pacientes do SUS no município de Vassouras/RJ. ALMANAQUE
MULTIDISCIPLINAR DE PESQUISA. ANO III – Volume 1 - Número 2 2016.

NAHAS, E.A.; NAHAS-NETO, J.; SANTOS, P.E.M.F.; MAZETO, G.M.F. DALBEN,


I.; PONTES, A.; TRAIMAN, P. Prevalência do hipotiroidismo subclínico e
repercussões sobre o perfil lipídico e massa óssea em mulheres na pós-menopausa. Rev.
Bras. Ginecol. Obstet., Rio de Janeiro , v. 27, n. 8, p. 467-472, Aug. 2005.

SBEM - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. 2015. Disponível em:


http://www.tireoide.org.br/guidelines-da-tireoide/