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Diplomacia 360o – Módulo Atena – Economia – Aula 02

Prof. Daniel Sousa – 08.08.2018

MACROECONOMIA

Na aula passada, foi feita uma comparação entre o modelo brasileiro de crescimento, muito
ancorado no mercado interno (ou absorção interna), e o modelo chinês de crescimento, que
vem sendo pautado pelas exportações líquidas (ou absorção externa).

No caso do Brasil, tem sido verificado um modelo baseado numa economia fechada, com:
- Tarifas médias de importação altas.
- Subsídios ao produtor local (desonerações).
- Crédito por meio dos bancos públicos (com juros menores do que os praticados no mercado).
- Controle cambial (que hoje já não existe mais).

No caso da China, verifica-se um modelo baseado nas plataformas de exportação, com:


- Exportações líquidas (alavancáveis por custos locais de produção reduzidos).
- Câmbio desvalorizado como mecanismo de impulso ao crescimento.

→ Setor externo acaba transbordando renda para o mercado macroeconômico doméstico.


Ranking dos PIBs mundiais:

1o lugar: EUA - 25% do PIB mundial.


2o lugar: China - 15% do PIB mundial.
→ EUA + China + União Europeia = 65% do PIB mundial.
*Somente a empresa norte-americana Apple tem US$ 1 trilhão em valor de mercado. Se a Apple
fosse um país, estaria em 16o lugar, à frente do México e da Turquia.

3o lugar: Japão - 6% do PIB mundial.


→ Acreditou-se, por muito tempo, que a economia do Japão ultrapassaria a dos EUA. Japoneses
teriam uma capacidade de expansão da oferta agregada muito veloz, devido à sua capacidade
inovativa. Essa percepção durou até a década de 1990, quando a economia do Japão estagnou.

*A China, por sua vez, tem sim a capacidade de superar a economia dos EUA, pois a taxa de
crescimento chinesa segue com uma taxa considerável. Grande parte das barreiras comerciais
impostas à China pelos EUA advém do pavor que os americanos têm de que a China ultrapasse
a economia dos EUA.

4o lugar: Alemanha - maior economia da União Europeia.


5o lugar: Reino Unido

6o lugar: Índia
- Taxas de produtividade em ascensão veloz.
- Desenvolvimento expressivo do setor de serviços.
- Aumento acelerado do mercado consumidor interno.
- Organização macroeconômica (metas de inflação, metas fiscais).
- Estabilidade política (maior democracia do mundo, com eleições livres e diretas há décadas).

7o lugar: França
8o lugar: Brasil - PIB anual 9 vezes menor do que o americano.
WORLD ECONOMIC OUTLOOK – APRIL 2018
→ Perspectivas para o crescimento mundial em 2018

http://www.imf.org/external/datamapper/NGDP_RPCH@WEO/OEMDC/ADVEC/WEOWORLD

*América do Sul é a região que menos crescerá este ano, segundo o FMI. Brasil tem previsão
oficial de crescer 2,3%, mas, de fato, deve crescer só 1,5%. O mundo crescerá 3,9% em 2018.

→ Por que o Brasil tem tido recentemente tanta dificuldade em crescer acima da média mundial?

O Brasil é um país que faz pouco comércio. Suas exportações líquidas são o indicador que está
se comportando melhor atualmente (em 2017, o Brasil teve o maior superávit de sua história),
sobretudo por causa da alta nos preços das commodities, mas isso tem um impacto pequeno
no PIB (cerca de 12%).

No que se refere aos gastos do governo (situação fiscal), União, Estados e municípios tiveram
um déficit de R$ 513 bilhões em 2017 (resultado completo e não apenas primário), não sendo
possível qualquer expansão de gastos. O governo terá que vender R$ 1,2 trilhões em títulos do
Tesouro Direto para pagar esse déficit e os títulos que estão vencendo. Isso significa que o
governo irá retirar esses R$ 1,2 trilhões da economia, poupança que poderia financiar
investimentos e, até mesmo, consumo.

*A venda de títulos só pode legalmente acontecer para pagar títulos que estão vencendo, para
pagar juros da dívida; ou para financiar obras, por exemplo. A regra de ouro é uma regra da
legislação brasileira que proíbe o governo de vender títulos para pagar despesas de custeio
(como salários do funcionalismo, por exemplo), mas isso já está quase ocorrendo.

Os investimentos no Brasil são muito dependentes das empresas estatais, mas elas estão,
atualmente, sem capacidade de investimento por causa de seu endividamento. As empresas
nacionais também estão com as expectativas muito deterioradas, tanto pelo ambiente político
de muita imprevisibilidade quanto pela falta de demanda. Níveis de confiança do empresariado
estão muito ruins.

Em relação ao consumo das famílias, temos ainda uma taxa de desemprego muito alta, que
trava os resultados positivos nesse sentido. As famílias estão ainda relativamente endividadas
e consumidores com expectativas muito pessimistas para o futuro.
→ O crescimento do PIB brasileiro apresenta extrema irregularidade.

O Brasil tem, tradicionalmente, uma tendência de expansão da demanda agregada mais veloz
do que a expansão da oferta agregada. O Brasil tem muita dificuldade de expandir sua oferta
agregada, aumentando a dotação de fatores de produção. A oferta agregada depende da
quantidade de capital, tecnologia, poupança, recursos naturais, produtividade da mão-de-obra.

Quando o Brasil consegue expandir a oferta de forma mais forte, isso normalmente ocorre
mediante captação de poupança externa, como ferramenta para alavancar investimentos. Isso,
entretanto, não ocorre de forma contínua. Em geral, a demanda agregada cresce muito mais do
que a oferta agregada e, por isso, o Brasil não consegue apresentar crescimento sustentável.

Durante o período do milagre econômico (1969-1974), momento de grande crescimento


econômico, o Brasil apresentou a maior taxa de investimento em proporção do seu PIB na sua
história. Durante o II PND (1975-1979), houve uma desaceleração, mas o crescimento
permanece robusto. No governo Figueiredo (1979-1985), o Brasil entrou em recessão. Ocorre
que o crescimento verificado no milagre foi baseado, sobretudo, em poupança externa, em
momento de altíssima liquidez mundial (política expansionista dos EUA).

Entre 1984 e 1989, a economia brasileira terá alguma recuperação, devido aos bons resultados
na balança comercial. Essa melhora nos resultados comerciais brasileiros foi fruto dos
investimentos realizados durante o II PND. O país teve uma queda expressiva das importações
e um crescimento considerável da exportação de produtos de maior valor agregado (máquinas
e equipamentos).

Em seguida, temos o Plano Collor (1990), colocando a economia novamente em recessão. Ao


longo da primeira metade dos anos 1990, verificou-se um nível médio de crescimento da
economia, que foi freado pela crise da maxidesvalorização do real (1999).

Depois de uma recuperação econômica ao longo dos anos 2000, o Brasil sentiu os efeitos da
crise de 2008. Houve recuperação a partir de 2010, influenciada pelas commodities e por altas
taxas de investimento estrangeiro direto. Há uma crise econômica do final do governo Dilma,
que inviabilizou politicamente seu governo, culminando, em 2016, no impeachment.
THE WORLD FACTBOOK (CIA) – BRASIL / 2017

→ 2018: previsão de crescimento da economia brasileira em torno de 1,5%.

→ De 2015 para cá, o PIB per capita vem diminuindo, devido à variação negativa do PIB.

Agricultura: 6,2% do PIB.


Indústria: 21% do PIB.
Serviços: 72,8% do PIB.

*Alta de 9% do setor agropecuário, em 2017, teve pouco impacto no crescimento brasileiro,


devido a sua menor representatividade na composição do PIB. Mesmo assim, crescimento de
1% do PIB brasileiro em 2017 foi, sobretudo, devido ao setor agrícola e ao setor exportador.

→ 2017:
- Poupança nacional em torno de 14,8% (SP + SG)
- Consumo representou 63,4% do PIB.
- Gastos do governo foram de 20% do PIB.
- Investimentos foram 15,6% do PIB
- Exportações de bens e serviços foram 12,6% do PIB
- Importação de bens e serviços representaram -11,6%.
→ (x – m) foi positivo em 2017.

*Investimentos podem ser definidos como formação bruta de capitais fixos mais a variação de
estoques (I = FBCF + VE). Variação de estoques é uma forma de investimento. Se você produziu e
ninguém comprou, é como se você tivesse comprado de sua empresa através de variação de
estoques.
EXERCÍCIOS DE 1a FASE: