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AS POSSIBILIDADES DE ATUAÇÃO DE PROFISSIONAIS DE

PSICOPEDAGOGIA NA CRECHE, SOB A ÓTICA DAS PROFISSIONAIS


DOCENTES

Solange Maria de Oliveira Cruz – USF1

RESUMO

Esta pesquisa teve por objetivo conhecer o que pensam professoras 2 sobre as possibilidades de atuação de
profissionais de psicopedagogia na creche. O estudo buscou analisar se as professoras sabem o que faz um
psicopedagogo, e se, ou como, esse profissional pode ajudar o trabalho docente desenvolvido na creche. As
profissionais pesquisadas são professoras de educação infantil de uma creche da rede pública municipal de
ensino, da região metropolitana de Campinas, no Estado de São Paulo. Para tanto utilizamos registros
coletados junto às docentes numa reunião de trabalho pedagógico, no início do ano letivo de 2019, com o
intuito de discutir o tema, levando-as à reflexão sobre a necessidade, ou não, deste profissional na educação
infantil de zero a três anos. A partir do registro das falas das professoras, buscamos estabelecer uma relação
com a teoria psicopedagógica, dentro do contexto institucional, nos aproximando de autores que defendem
a importância do tema, tais como Barbosa (2001), Beauclair (2009), Bossa (2000), Oliveira (2015), Sá
(2013), entre outros. A análise dos dados mostrou quais conhecimentos esse grupo de professoras de
educação infantil têm sobre o assunto e evidenciou em suas falas que entendem ser de muita importância a
atuação dos profissionais de psicopedagogia já na primeiríssima infância, possibilitando, de forma
preventiva, que as dificuldades de aprendizagem sejam detectadas em sua gênese, a fim de minimizar os
problemas de aprendizagem que surgem no contexto escolar.
Palavras-chave: Possibilidades. Psicopedagogia. Educação infantil. Creche.

INTRODUÇÃO

Sabemos, como profissionais da educação, a importância que os primeiros anos da


infância tem para a formação da criança, como ser humano integral, por essa fase da vida
tratar-se de momento ímpar em que ocorre o desenvolvimento das capacidades físicas,
psíquicas, motoras, cognitivas e psicossociais, essenciais para a vida adulta.
Sabemos também que o desenvolvimento de tais capacidades se dão basicamente, no
mundo contemporâneo, por meio da institucionalização escolar das crianças desde a mais

. Diretora de Unidade Escolar da Rede Pública Municipal de Paulínia-SP. Doutoranda em Educação –


1

USF- Itatiba E-mail para contato: solangecruzse@gmail.com

2
Neste trabalho utilizaremos o termo “professoras” porque o grupo pesquisado é formado integralmente
por docentes do sexo feminino.
tenra infância, por volta dos 6 meses de vida, quando são inseridos em instituições
escolares, onde passarão grande parte da sua infância e juventude, de lá saindo para a
convivência social, na vida adulta.
Ao entrar em contato com a instituição escolar, a criança descortina um mundo de
possibilidades em seu desenvolvimento humano, dele participando ativamente e
adquirindo aprendizagens múltiplas, que a levarão à continuidade de seus estudos e de
seu desenvolvimento vida afora.
O pensar em aprendizagem na primeira infância, nos remete ao problemas comumente
observados cada vez mais precocemente no processo de ensino e de aprendizagem em
crianças que frequentam as creches, visto os profissionais docentes terem despertado este
olhar mais atento desde que a educação infantil de zero a três anos passou a compor a
educação básica, em busca de ajuda profissional, quando estes fogem do âmbito
pedagógico, para ao menos minimizar tais problemas dentro do contexto escolar.
Diante de tal cenário surge o profissional psicopedagogo, trazendo questionamentos já
conhecidos dentro do âmbito escolar, mas com um olhar focado nos atos de aprender e
ensinar, pois como defende Barbosa (2001), a Psicopedagogia, sendo uma ciência que
estuda o processo de ensino e de aprendizagem, tem muito a contribuir com a escola , em
sua missão de resgatar o prazer de aprender e de apresentar situações prazerosas de
aprendizagem.
Segundo Sá (2013, p. 16) “O psicopedagogo é o profissional indicado para assessorar e
esclarecer a escola a respeito de diversos aspectos do processo de ensino-aprendizagem”,
sendo assim, a presença deste profissional dentro da escola poderia nos despertar
reflexões e questionamentos tais: como a criança aprende? Por que algumas crianças
aprendem e outras não? Ou, por que algumas crianças aprendem com maior ou menor
dificuldade/facilidade? Ou ainda: Qual a origem da(s) dificuldade (s) de aprendizagem de
conteúdos e habilidades, especialmente em âmbito escolar, desde a creche?
Sendo o objeto de estudo da Psicopedagogia, os atos de aprender e ensinar, surge então a
necessidade de avaliarmos, junto às professoras que atuam diretamente com as crianças
na creche, se este profissional multidisciplinar3, que trabalha com a finalidade de
entender como ocorrem os processos de aprendizagem, pode trazer contribuições para a
prática docente na creche, e de que maneira poderia atuar para investigar as causas das
dificuldades de aprendizagem no processo educacional infantil, promovendo

3
Visto que integra, em seu campo de atuação, vários campos do conhecimento, tais como a Psicologia, a
Psicanálise, a Filosofia, a Psicologia, a Pedagogia, a Neurologia, entre outros.
intervenções de modo a eliminar, ou minimamente prevenir as razões que impedem ou
dificultam a aprendizagem escolar .
Entendendo a Psicopedagogia como um campo de atuação de natureza preventiva, no
âmbito de sua atuação, seja clínica, seja institucional, a fim de compreender os processos de
aprendizagens e desenvolvimento humano , e diante da necessidade de se buscar apoio para
as dificuldades de aprendizagem apresentadas por crianças atendidas na creche, fomos
pesquisar, o que pensam as professoras desta faixa etária, a respeito da possibilidade da
atuação de profissionais que possam diagnosticar e intervir nas dificuldades de
aprendizagem observadas nesta faixa etária , com vistas a orientar pais e professores,
sobre os mecanismos de aprendizagem que se processam e quais meios de superação
das dificuldades de aprendizagens poderiam ser oferecidos, por meio do trabalho do
profissional psicopedagogo , às crianças na escola de educação infantil de 0 a 3 anos.
Considerando com Serra (2012, p.7), que “A Psicopedagogia, dentro da Instituição
escolar, tem caráter predominantemente preventivo”, objetivamos analisar se, sob a ótica
das professoras de educação infantil na creche, os problemas que podem surgir no
processo de aprendizagem infantil, como possíveis dificuldades de aprendizagem e/ou
transtornos de desenvolvimento, podem ser objeto de intervenção da área de atuação deste
profissional e o que pensam as docentes sobre as contribuições que os psicopedagogos
podem agregar em sua prática cotidiana na instituição escolar, frente a essas dificuldades.
Analisar se as professoras identificam o que faz um psicopedagogo em sua atuação
profissional institucional.
Verificar, se e como esse profissional pode ajudar no trabalho docente dentro da
instituição escolar.
Refletir sobre as possibilidades de atuação de profissionais de psicopedagogia na creche
sob a ótica das profissionais de educação infantil que atuam junto as crianças de zero a
três anos.
Segundo Visca (1987) a Psicopedagogia estuda o processo de aprendizagem humana,
sendo definida como uma área do conhecimento que estuda a aprendizagem humana, de
modo a melhorar as condições dessa aprendizagem, de forma preventiva, a partir da
compreensão dos processos naturais de desenvolvimento, bem como das patologias que
possam acometer o desenvolvimento humano.

“A Psicopedagogia realiza seu trabalho por meio de processos e


estratégias que levam em conta a individualidade do aprendente,
portanto é uma práxis comprometida com a melhoria das
condições de aprendizagem”. (VERCELLI,2012,72)

A formação do Psicopedagogo4 se dá em cursos de especialização Lato Sensu, tendo


como exigência prévia, que o profissional seja formado em um curso superior, não
especificando exatamente em qual área, visto ser a psicopedagogia uma área do saber que
perpassa por diversos campos do conhecimento, como matemática, fonoaudiologia,
psicologia, pedagogia, psicanálise, neurociência, linguística e outras.
A área de atuação do Psicopedagogo é dividida em Clínica e Institucional, sendo que a
primeira, pode ser desenvolvida em hospitais, centros de saúde, e em clínicas particulares,
e consultórios particulares, ao passo que a psicopedagogia institucional , acontece dentro
de instituições escolares, objetivando diagnosticar e prevenir as dificuldades de
aprendizagem que possam levar ao fracasso escolar, tendo, ultimamente , importante
papel no atendimento institucional das crianças com necessidades especiais. “Assim, cabe
ao psicopedagogo institucional, junto com a equipe escolar avaliar os fatores que
interferem na aprendizagem dos alunos e suas causas” (VERCELLI,2012,73).
Para Nascimento (2013) o Psicopedagogo é um profissional importante para assessorar
e esclarecer à escola a respeito de diversos aspectos do processo de ensino aprendizagem
tendo uma atuação preventiva e interventiva.
Tendo a psicopedagogia institucional papel preventivo nas dificuldades de aprendizagem,
ela ajuda a escola a oferecer condições para que a criança seja atendida em situações de
conflito e que possa ser encaminhada rumo ao sucesso escolar, bem como auxiliando e
orientando professores e demais profissionais do ambiente escolar a acolher e entender
as diferenças da aprendizagem que naturalmente faz parte da vida humana na
aprendizagem dos alunos e suas causas”. (VERCELLI,2012,73).
O profissional de psicopedagogia também pode atuar na formação dos professores,
articulando e promovendo ações que visem a prevenção, orientação, intervenção e
atendimento aos discentes, contribuindo para que superem as dificuldades de
aprendizagem e de relacionamento psicossocial, bem como assessorando a equipe técnica
pedagógica, em parceria com os pais e responsáveis pelas crianças.
Ferreira (2008, p.141) complementa afirmando que o psicopedagogo "busca possibilitar
o florescimento de novas necessidades, de modo a provocar o desejo de aprender e não

4
A formação do psicopedagogo se dá em curso de graduação e/ou em curso de pósgraduação – especialização “lato
sensu” em Psicopedagogia, ministrados em estabelecimentos de ensino devidamente reconhecidos e autorizados por
órgãos competentes, de acordo com a legislação em vigor. (Código de Ética do Psicopedagogo, ABPp, 2011, p. 2.)
somente uma melhora no rendimento escolar", analisando os fatores que favorecem,
intervêm ou prejudicam uma boa aprendizagem dentro de uma instituição de ensino
(NASCIMENTO, 2013), dando suporte pedagógico aos profissionais que trabalham com
as crianças.
Para Oliveira (2007),

No âmbito da instituição escolar, o psicopedagogo pode


contribuir, preventivamente, para: melhorar o processo de ensino
e a qualidade das aprendizagens, com base em uma visão ética e
social; promover aprendizagens cooperativas, em que cada aluno
possa atingir seus objetivos de forma colaborativa, tendo a
integração, o grupo, o trabalho em equipe como pressuposto para
essa aprendizagem: promover a cooperação escola-família com
base nos projetos educativos específicos; colaborar com a
formação dos professores; participar de equipes
multidisciplinares, compartilhando dos ideais, procedimentos e
materiais didáticos. (OLIVEIRA, 2007, p.49)

Quanto ao trabalho a ser desenvolvido pelo psicopedagogo dentro da instituição escolar,


Blaszko,Portilho e Ujiie (2016, p.146) destacam que este profissional

(...) necessita conhecer e valorizar as diferentes aprendizagens construídas ao


longo da história de vida da pessoa, considerando que estas podem contribuir
para enaltecer a aprendizagem ou favorecer o aparecimento de dificuldades. O
olhar e a escuta para aquele que aprende, considerando suas experiências,
conhecimentos, sentimentos, valores, habilidades, dificuldades e
potencialidades é a atitude que se espera do psicopedagogo que trabalha
considerando a totalidade da pessoa.

Ainda mais quando consideramos a infância, pois se trata de um período de intensa


aprendizagem, que contribui de maneira fecunda para a formação da personalidade
adulta.
Assim, o psicopedagogo deve ser visto como o profissional capaz de auxiliar a reorientar
os processos de ensino e aprendizagem em âmbito escolar, propondo métodos educativos,
investigando as possíveis causas de problemas nesses processos que ocorrem dentro da
escola (processos de ensinar e de aprender), fazendo intervenções e trazendo reflexões
contínuas para a prática docente.
Segundo Rubstein:

O psicopedagogo é como um detetive que busca pistas,


procurando solucioná-las, pois algumas podem ser falsas, outras
irrelevantes, mas a sua meta fundamentalmente é investigar todo
o processo de aprendizagem levando em consideração a
totalidade dos fatores nele envolvidos, para valendo-se desta
investigação, entender a constituição da dificuldade de
aprendizagem (RUBINSTEIN, 1987, p. 51).

Na escola de educação infantil a ação investigativa do psicopedagogo pode ser


desenvolvida dá em parceria com o professor, em forma de assessoramento, onde

investigar, analisar e por em prática novas propostas para uma


formação de educadores que os habilite a estabelecer relações
mais maduras e conscientes com as crianças e com a equipe
escolar apresenta-se, então, como um dos mais fortes desafios ao
psicopedagogo comprometido com a Educação Infantil em
instituições.( CAVICCHIA ,2013, p. 210)

Ou seja, o papel desse profissional dentro da instituição de educação infantil situa-se em


um papel formativo, em que a

(...) formação deve ultrapassar os treinamentos ou a simples


sugestão de atividades e brincadeiras a realizar. É necessário,
sobretudo, um trabalho de reflexão crítica sobre as práticas
desenvolvidas no dia a dia, por meio de espaços de trocas e de
diálogo entre educadores e da divulgação de experiências
inovadoras que contemplem a criança na atualidade, numa
postura investigativa e curiosa sobre seus singulares contextos de
vida. (HOFFMANN;SILVA, 2014, p. 12,)

Assim, em se tratando da atuação do profissional de psicopedagogia na instituição de


educação infantil, seu papel preventivo situa-se na busca por acolher e contribuir com
estratégias que ajudem a melhorar o atendimento às crianças com dificuldade ou
distúrbios de aprendizagem , contribuindo para uma atendimento educacional
individualizado e de qualidade no ambiente escolar,
Realizamos pesquisa de cunho teórico, por meio de leituras de estudos publicados sobre
o tema, em livros e artigos científicos Gil (2002), além de pesquisa de campo, com coleta
de registros escritos das professoras, por meio de questionários aplicados em Horário de
Trabalho Pedagógico Coletivo - HTPC5.
A amostragem da pesquisa foi composta por doze professoras de Educação Infantil de
uma creche da rede pública municipal de ensino, de uma cidade da Região Metropolitana
de Campinas - RMC6, no estado de São Paulo, todas da mesma unidade pública municipal
de ensino, que atende crianças na faixa etária de zero a três anos.

5
Formação continuada em serviço.
6A Região Metropolitana de Campinas – RMC foi criada em 2000 e é integrada por 20 municípios: Americana, Artur
Nogueira, Campinas, Cosmópolis, Engenheiro Coelho, Holambra, Hortolândia, Indaiatuba, Itatiba, Jaguariúna, Monte
Mor, Morungaba, Nova Odessa, Paulínia, Pedreira, Santa Bárbara d'Oeste, Santo Antônio de Posse, Sumaré,
Foi aplicado questionário semiestruturado contendo sete questões mistas entre objetivas
e subjetivas, os quais foram respondidas pelas professoras, tendo como objetivo conhecer
os posicionamentos em relação às possibilidades de atuação de profissionais de
psicopedagogia na creche.
A pesquisa, num primeiro momento é embasada teoricamente, apresentando alguns
pressupostos e definições da Psicopedagogia, refletindo sobre as possibilidades de
atuação do profissional psicopedagogo na instituição escolar de educação infantil.
E por fim, apresentamos a análise dos dados coletados, via aplicação de questionário
semiestruturado para as professoras,

DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA

Apresentamos a proposta da pesquisa em reunião pedagógica, no mês de Fevereiro, início


do ano letivo de 2019, esclarecendo tratar-se de um trabalho de conclusão de curso de
Pós – Graduação, em Psicopedagogia Institucional e Clínica.
Nesta primeira reunião parte do grupo não estava presente.
Numa segunda reunião, já com o grupo completo, rediscutimos a proposta, que foi aceita
por todas as docentes e propusemos as questões ( anexo 1), para que fossem respondidas
com base em suas experiências profissionais, cujas “falas”, sobre as questões propostas,
revelariam uma espécie de “escuta” das vozes docentes deste grupo.
Selecionamos alguns desses registros, a nosso ver bastante significativos, por tratarem-se
de opinião de quem está desenvolvendo um trabalho dentro da escola, e como veremos
adiante, algumas por muitos anos.
Analisamos a seguir como as docentes concebem as possibilidades de atuação de
profissionais de psicopedagogia na creche e como pensam que este profissional poderia
ajuda-las na execução diária de sua tarefa docente junto às crianças da educação infantil.

RESULTADOS

Caracterização do grupo

Valinhos e Vinhedo. É a segunda maior região metropolitana do Estado de São Paulo em população, com mais de 3,2
milhões de habitantes, de acordo com estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/2018).
Pesquisamos um grupo de professoras, que atuam numa creche pública municipal, na
região periférica de um município da Região Metropolitana de Campinas, algumas delas
atuando juntas, nesta Unidade de Ensino, desde o ingresso no cargo.
A maioria é casada e tem filhos, uma é solteira, e duas são avós. Uma delas atua há 30
anos na Educação , sendo todo esse tempo de experiência dedicados à Educação Infantil,
em creches.
São professoras em idade entre 39 e 55 anos, cuja média de idade do grupo está em torno
dos 40 anos.
Quanto ao tempo de trabalho na educação, a que possui menos tempo de atuação, está há
15 anos atuando na Educação, sendo 7 dos quais em creche , e os demais em Pré – Escola
(faixa etária de 4 e 5 anos de idade). As demais possuem uma média de 21 anos de atuação
na educação Infantil, em creche.
As professoras cumprem uma carga horária de seis horas aulas, de cinquenta minutos
cada, totalizando cinco horas de atuação docente por dia e trinta horas por semana, sendo
que 1/3 dessas horas atuam sem as crianças, com horários reservados para planejamentos
individuais e coletivos, com o grupo de professores e gestão da escola.
Analisando o quadro construído a partir das informações coletadas nos questionários,
observamos que as docentes que tem menos tempo de atuação na educação, trabalham
entre 11 e 20 anos na função, tendo iniciado suas atividades docentes na creche, e que
as docentes com maior tempo de atuação na educação infantil estão prestes a se aposentar,
visto já terem passado dos 20 anos de atuação docente.

Tabela 1.Tempo de atuação na Educação


Quantidade Total em
Tempo em de porcentagem
anos Docentes %
0-10 anos - -
11-20 anos 05 docentes 42%
20-30 anos 07 docentes 58%
Fonte: a autora (2019)

Tabela 2.Tempo de atuação na Educação Infantil - Creche


Quantidade Total em
Tempo Em de porcentagem
anos Docentes %
0-10 anos 02 17%
11-20 anos 06 50%
20-30 anos 04 33%
Fonte: a autora (2019)

Vemos nos quadros 1 e 2 que as professoras tem experiência de, no mínimo, 10 anos no
trabalho com crianças em creches, o que as leva a ter uma experiência que as capacita a
avaliar quais as necessidades educativas, em todas dimensões do desenvolvimento
humano, essas crianças possuem, e quais tipos de profissionais podem ajudá-las em seu
fazer pedagógico cotidiano.
A seguir, temos uma análise gráfica da formação acadêmica do grupo pesquisado:

Gráfico 1 – Formação acadêmica

8,3%

17%
Pedagogia

8,3% Magistério
Especialização Lato Sensu
Outras
92%

Fonte: a autora (2019).

Analisando a formação acadêmica do grupo de professoras, observamos que apenas uma


não possui formação em nível superior, não mencionando sua formação acadêmica
(possivelmente magistério, que é a titulação mínima exigida para atuar na docência na
Educação Infantil).
As demais são formadas em licenciatura plena em Pedagogia; três estão cursando Pós-
Graduação Lato Sensu em Psicopedagogia Clínica e Institucional, na fase final do curso,
estagiando em clínicas e em escolas, no período inverso ao seu período de trabalho; uma
já é formada em Psicopedagogia, e por fim, uma é graduada em Pedagogia, Letras e
Direito, além de ser especialista em Psicopedagogia, Didática do Ensino Superior e
Docência do Ensino Superior, esta última, lecionando também em Universidade no
período noturno.
Quanto à formação exigida para atuar na Educação Básica brasileira, conforme artigo 62
da lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, temos que:

A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível


superior, em curso de licenciatura plena, admitida, como formação mínima
para o exercício do magistério na educação infantil e nos cinco primeiros anos
do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade normal.
(LDB, Art. 62,1996).

O gráfico mostra que quase a totalidade das professoras pesquisadas possuem a formação
mínima exigida em lei para atuar neste nível de ensino.

Análise das “vozes” docentes


Após uma análise da idade, formação e tempo de atuação profissional das docentes, as
mesmas foram questionadas sobre o que faz um Psicopedagogo (questão 5), se este
profissional poderia ajudar seu trabalho na creche (questão 6), e de que forma (questão
7).
Observamos no gráfico a seguir, o percentual de conhecimento que as docentes
apresentaram sobre a atuação do Psicopedagogo, sem especificar se a atuação clínica ou
institucional.

Gráfico 1 – Você sabe o que faz um Psicopedagogo?

12
83,3%
10

4
16,6%
2

0
Sim Não sei
Das doze docentes pesquisadas, uma respondeu que não sabe o que faz este profissional
(PROFESSORA 6).
Outra respondeu não saber exatamente:

“Não sei exatamente, porém, acredito que seja um pedagogo, ou melhor, um


profissional que atua na área da psicologia e pedagogia, automaticamente
auxiliando no trabalho pedagógico, no que se refere ao equilíbrio da emoção
e razão dos alunos, pais, professores e demais funcionários” (Professora 8).

As demais responderam que sim, sabem e explicaram de variadas formas, o tipo de


trabalho desenvolvido por este profissional, dentre as quais destacamos algumas falas:

O psicopedagogo é um profissional que auxilia no processo de aprendizagem


de crianças com dificuldades de assimilação e transtornos. (Professora 2)

É um profissional preparado para atender crianças ou adolescentes com


problemas de aprendizagem (...). (Professora 5)

Sim, o psicopedagogo atua com a criança que tem dificuldade na


aprendizagem. (Professora 9)

(...) trabalha na busca de soluções para a difícil questão do problema de déficit


de aprendizagem. ( Professora 3)

De modo geral, as falas demonstram que as professoras entendem o papel deste


profissional como sendo o de auxiliar, atender ou atuar no processo de aprendizagem,
porém, associam esse auxílio, ou atendimento, às dificuldades de aprendizagem, que elas
chamam também de “ problemas” , “dificuldades”, “transtornos” e “déficit de
aprendizagem”.
Um docente menciona o papel preventivo da atuação do profissional de psicopedagogia
como sendo o de alguém que vai contribuir: “(...) ajudando na prevenção, diagnóstico e
tratamento clínico ou institucional”. (Professora 5).
Em outro registro aparece a questão do atendimento fora do âmbito escolar deste
profissional: “(...) pelo que observo, em sua maioria, desenvolve um trabalho
extraescolar em consultórios, atendendo individualmente alunos com dificuldades de
aprendizagem”. (Professora 7), dando a entender que considera essa atuação como
externa à atuação escolar, uma vez que utiliza a expressão “extraescolar”.
Uma delas compreende essa atuação como de orientação ao professor, quando ela diz que
o Psicopedagogo: “Orienta o professor que está com dificuldade com alunos”. (Professor
10), e outra considera que este profissional atua nos processos de aprendizagem, e não
apenas nas dificuldades de aprendizagem: “sim, estuda os processos de aprendizagem de
crianças e adolescentes (...)” (Professora 11).
Dentre as “falas” aparece uma menção à atuação do Psicopedagogo como facilitador dos
processos de educação: “O Psicopedagogo institucional atua diretamente como
‘facilitador’ dos processos de educação, na qual tenta compreender a complexidade dos
diversos fatores de desenvolvimento e da aprendizagem”. (Professora 12), além de uma
correlação entre a Pedagogia e a Psicologia, compondo a área de conhecimento e de
atuação deste profissional: “É um pedagogo que adentra a Psicologia; avança um pouco
mais em questões mentais, acerca da construção do conhecimento...” (Professora 1)
Observamos que as professoras, curiosamente, tem interesse por esta área de
conhecimento, pois três delas estão cursando pós-graduação nesta área, e duas já são
formadas, talvez por esta razão, entre o grupo exista o entendimento da importância deste
profissional na área em que atuam.
Ao serem questionadas se o Psicopedagogo pode ajudar seu trabalho na instituição escolar
onde atuam, observamos no quadro a seguir a resposta, “depende”, em uma das falas.

Gráfico 2 : O Psicopedagogo pode ajudar o trabalho docente na creche?

12 91,6%

10

2 8,3%

0
Sim Depende

Porém, a maioria das professoras responde que sim (Gráfico 2), que esse profissional
pode ajudá-las, e suas respostas expressam a necessidade de apoio: “O apoio de um
Psicopedagogo se faz necessário quando a creche identifica crianças com transtornos ou
crianças que apresentem dificuldades com regras ou de participar do grupo” ( Professora
2); observação e orientação : “(...) como um profissional qualificado poderia observar
e orientar como desenvolver um trabalho adequado para o pleno desenvolvimento das
crianças”; auxílio e prevenção:
“O psicopedagogo é um profissional que auxiliaria muito a creche, pois
ajudaria a esclarecer e assessorar os professores nos diversos aspectos de
desenvolvimento e aprendizagem de seus educandos, atuando também de
forma preventiva, procurando junto aos docentes criar competências e
habilidades na capacidade de solução aos problemas e também dos diversos
conflitos entre família e escola”. (Professora 12)

Aqui vemos que a docente amplia o campo de atuação do Psicopedagogo para além da
escola, alcançando também as relações familiares.
Uma professora ao responder que sim, argumenta que o Psicopedagogo a “(...) levará a
refletir (...)” e completou “tanto nas minhas ansiedades, na minha prática pedagógica e
nas minhas relações com o meu grupo de trabalho” (Professora 7), ou seja, ela vê como
positiva a atuação do Psicopedagogo também nas relações interpessoais , no ambiente
de trabalho e nos sentimentos pessoais, quando se refere à própria ansiedade.
A profissional que respondeu “depende”, sobre a importância da atuação do
Psicopedagogo na escola, completou dizendo : “caso houver aluno que apresente algum
problema de saúde, motor”. (Professora 10)
De modo geral, a exemplo desta, a maior parte das professoras associam a figura do
psicopedagogo à resolução de problemas relacionados aos alunos com alguma deficiência
cognitiva ou psicomotora.
Sobre como o Psicopedagogo poderia ajudar, uma vez que a maioria concordou que este
profissional pode colaborar com a prática docente na creche, as professoras sugerem que
seja em forma de intervenções, detectando “dificuldades presentes nos alunos”
(PROFESSORA 7), orientações quanto a suas posturas “diante destes alunos e diante
das mais variadas situações” (Idem), também “ ajudando na melhor forma de trabalhar
as dificuldades pedagógicas que possam estar prejudicando o desenvolvimento do aluno”
( Professora 5) .
Citam como possíveis intervenções: orientação aos pais/família, conversas com os alunos,
auxílio “com técnicas, jogos e brincadeiras que ajudem no desenvolvimento das crianças
no geral” (Professora 11) , além de “avaliar e encaminhar crianças que necessitam de
acompanhamento de outros profissionais” ( Idem), e “pontuando questões psíquicas que
escapem às pedagógicas...pontuando e sinalizando” ( Professora 11).
A orientação a que se referem pode ser explicada pela fala de uma delas “ Orientando o
professor, em como se comunicar e se aproximar desse aluno, ajudando a preparar
atividades e facilite o aprendizado e a convivência com o outro. E se necessário, como
chegar na família para pedir ajuda” (Professora 4). Aqui também vemos menção ao
trabalho do Psicopedagogo junto à família.
Esta mesma professora pontua em suas observações que “embora ainda são bem
pequenas , algumas crianças apresentam dificuldades de concentração, linguagem,
afetividade e de aprendizagem”, ressaltando a importância da atuação do Psicopedagogo
na creche.
Um das docentes cita a questão da saúde psíquica dentro do ambiente escolar “Diante de
um problema comportamental ou emocional que envolve a saúde psíquica da criança ou
do adulto dentro da Unidade escolar, o psicopedagogo atuaria auxiliando na resolução
desse problema” (Professora 8), e faz um comentário sobre a ajuda do Psicopedagogo em
relação às mães que segundo ela, são “problema”: “Por exemplo: como agir, falar ou
interagir com uma mãe “problema”, dando dicas de como falar, do que falar e como
abordar o assunto com essa mãe, por exemplo.(Idem)
Embora seja uma questão secundária, que não diz respeito diretamente ao que queremos
investigar nesta pesquisa, aparece um elemento novo na fala, a mãe considerada
“problema” pela professora, que mereceria uma pesquisa e uma reflexão mais
aprofundada sobre o que seria, para as professoras de educação infantil na creche, uma
mãe considerada “problema”, um elemento que talvez interfira nas relações interpessoais
estabelecidas dentro e fora do ambiente escolar, mas que dizem respeito diretamente ao
trabalho docente dentro da instituição escolar, junto às crianças.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As vozes, no geral, demonstraram grande adesão, por parte das docentes, sobre a
importância da atuação do profissional de Psicopedagogia dentro da creche.
Quanto às possibilidades de atuação deste profissional nas questões relativas aos
problemas de aprendizagem e relacionamentos observamos uma ênfase maior no apoio à
questões de alunos com transtornos e déficit de aprendizagem, o que sugere talvez, que
elas estejam associando a atuação psicopedagógica às questões patológicas ou de
atendimento na área da educação especial, embora não citam nomeadamente de forma
direta essa questão.
Demonstraram considerar em suas respostas que a atuação do Psicopedagogo pode ir
muito além da atuação institucional.
Sugerem um trabalho junto às famílias, e entre os funcionários, estabelecendo um
ambiente de colaboração recíproca e de prevenção de conflitos.
Também deixam claro a necessidade que sentem de ter um profissional que atue com elas,
observando, apoiando, orientando e se preciso, intervindo em suas práticas cotidianas, a
fim de dar suporte ao desenvolvimento de seu trabalho.
Expressam que o modo desse profissional atuar em parceria com elas seria diagnosticando
e realizando intervenções psicopedagógicas, facilitando assim, o acesso das crianças às
aprendizagens esperadas, tanto cognitivas, como socioemocionais.
Este trabalho funcionaria, como pudemos entender entrelinhas, como uma assessoria e
também como uma ação preventiva, de modo a detectar precocemente , nas crianças, as
necessidades educacionais e de desenvolvimento humano.

A atuação do Psicopedagogo, segundo as profissionais de educação pesquisadas , se


estenderia à resolução de conflitos entre as famílias e a escola, e no próprio ambiente de
trabalho, entre os adultos.

as docentes possuem uma postura reflexiva sobre o tema, e demonstram um anseio em


agregar este novo olhar , o psicopedagógico, a fim de melhorar sua prática docente, o
que a nosso ver pareceu algo muito positivo por demonstrar que o tema está presente no
repertório cultural e acadêmico das professoras, e que a necessidade de aprimorar seus
conhecimentos e sua práxis, coloca sobre elas um olhar simpático às questões
psicopedagógicas de seus alunos, ao menos neste grupo de docentes de educação infantil
de zero a três anos, ora pesquisado.

Os comentários sobre a atuação do Psicopedagogo visando ao pleno desenvolvimento das


crianças, evidenciaram a preocupação das profissionais que atuam na educação infantil
em oferecer atendimento psicopedagógico às crianças, constituindo-se como um grupo
que compreende a importância deste profissional para sua prática educativa.

Concluímos com essa pesquisa que as professoras entendem que precisam do profissional
de Psicopedagogia atuando na creche, para que juntos, alinhem um trabalho de reflexão
e ação, rumo a construção de um olhar integrador das diversas áreas de conhecimento,
com o fim único de contribuir com o ensino e a aprendizagem das crianças, na creche,
minimizando ou evitando problemas de aprendizagem que possam vir a surgir.
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