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Universidade Federal do Ceará

Centro de Tecnologia

Departamento de Engenharia Mecânica

Relatório de experimento sobre influência da força de arrasto em diferentes


corpos

Aluno: Paulo Henrique Sousa Pereira - 375339

Professores: Claus Franz Wehmann e Carla Freitas

Disciplina: Aerodinâmica
Lista de símbolos

- Velocidade de corrente livre do fluido

- massa específica de corrente livre do fluido

- Dimensão da forma em questão (Diâmetro)

- Força de arrasto

- Viscosidade dinâmica de corrente livre do fluido

- Número de Reynolds

- Coeficiente de arrasto

- Área frontal do corpo

Introdução

Um corpo de qualquer forma, quando imerso em um fluido em escoamento, fica sujeito a forças e
momentos (White, 1986). Estas forças são três: o arrasto, que age numa direção paralela à direção da
corrente livre, e duas forças de sustentação, que agem em direções ortogonais.

O arrasto exercido no corpo é composto pelas duas parcelas que aparecem na Equação (1). O primeiro
termo à direita do sinal de igualdade é o chamado “arrasto de atrito”, pois resultam da integração do
produto entre o tensor das tensões viscosas, w, que age na superfície, e a área superficial. A outra
parcela, chamada de “arrasto de forma”, resulta da integração da pressão, p, que age sobre a
superfície do corpo,

 
D   w  n  dS   p  n  dS Eq. (1)
S S

O experimento apresentado neste documento terá como foco apenas a Força de Arrasto, D, e a
influência da forma do corpo utilizado no coeficiente de arrasto, para diferentes velocidades.

O coeficiente de arrasto é dependente dos números de Mach e Reynolds. Porém, em baixas


velocidades, pode-se considerar como sendo apenas função de , sendo este definido pela
seguinte equação (2):

Eq. (2)

A forma mais usual de representar o adimensional é por meio da equação (3):

d
CD  Eq. (3)
1 2V 2 A
Metodologia

O experimento foi realizado utilizando o túnel de vento do Laboratório de Aerodinâmica e Mecânica


dos Fluidos e a balança aerodinâmica construída pela Equipe Avoante Aeromec.

Foram usados três corpos diferentes, a saber: um disco, um cilindro e uma ogiva, conforme a Figura
(1).

Figura 1 - Formas semelhantes às utilizadas no experimento.

Para cada objeto, foram coletados os dados de Forças de Arrasto, em grama-força, para quatro
velocidades.

Os números de Reynolds e os respectivos coeficientes de arrasto foram calculados os valores de


velocidade considerados. Também, tomando como base que foram analisados dois corpos rombudos e
um aerodinâmico, utilizou-se por simplificação a área frontal. Abaixo, podem-se verificar registros
fotográficos do experimento.

Figura 2 – Escoamento sobre o disco.


Figura 3 – Escoamento sobre o cilindro.

Figura 4 – Escoamento sobre a ogiva.


Resultados e discussão

Foram obtidos os seguintes resultados de Números de Reynolds e coeficientes de arrasto para as velocidades
consideradas no experimento, conforme as tabelas (1), (2) e (3).

Disco

V [m/s] D[gF] D[N] d [mm] A[m²] Re Cd


14,8 102 1,00062 71,9 0,00406 6,86E+04 1,95108
12,6 72,4 0,710244 71,9 0,00406 5,84E+04 1,91071
9,6 37 0,36297 71,9 0,00406 4,45E+04 1,68212
6,7 17 0,16677 71,9 0,00406 3,11E+04 1,58671
Tabela 1 - Resultados utilizando-se o disco.

Cilindro

V [m/s] D[gF] D[N] d [mm] A[m²] L[mm] Re Cd


14,8 85 0,83385 75,3 0,00445 131 7,18E+04 1,62590
12,6 55 0,53955 75,3 0,00445 131 6,12E+04 1,45151
9,8 28,5 0,279585 75,3 0,00445 131 4,76E+04 1,24334
6,6 12,9 0,126549 75,3 0,00445 131 3,20E+04 1,24079
Tabela 2 - Resultados utilizando-se o cilindro.

Ogiva

V [m/s] D[gF] D[N] d[mm] A[m²] L[mm] Re Cd


14,7 52 0,51012 75,5 0,004476 170 7,15E+04 0,91925
12,7 36 0,35316 75,5 0,004476 170 6,18E+04 0,85263
9,6 18 0,17658 75,5 0,004476 170 4,67E+04 0,74610
6,7 8 0,07848 75,5 0,004476 170 3,26E+04 0,68078
Tabela 3 - Resultados utilizando-se a ogiva.

Também, foi plotado o gráfico do número de Reynolds por Coeficiente de sustentação.

Coeficiente de Arrasto x Reynolds


2,50000

2,00000
Disco

1,50000 Cilindro
Cd

Ogiva
1,00000

0,50000

0,00000
2,90E+04 3,40E+04 3,90E+04 4,40E+04 4,90E+04 5,40E+04 5,90E+04 6,40E+04 6,90E+04
Número de Reynolds
Como já discutido, o arrasto em um corpo possui contribuição das forças viscosas (atrito) e forças de
pressão. No entanto, conforme [2], em corpos rombudos, isto é, não delgados, tais como cilindros e
placas planas normais ao escoamento, o arrasto de pressão é dominante e corresponde a mais que
90% do arrasto total. Na figura (5), oriunda da referência [2], é possível ver a influência da espessura
do corpo em relação às proporções entre as duas contribuições do arrasto total.

Figura 5 – Influência da espessura do corpo no arrasto total.

De fato, isso é comprovado pelo experimento aqui tratado. O cilindro de mesmo diâmetro que o disco
possui comprimento longitudinal muito maior e, consequentemente, maior região de contato com o
fluido. Mesmo assim, apresenta menores valores de arrasto total.

Pelo princípio do não-descolamento da camada limite, o escoamento tem velocidade nula na


superfície do corpo. Quando se inicia a separação da camada limite, forma-se uma região de baixa
pressão e há a formação de vórtices. Devido à geometria dos corpos essa separação ocorre de forma
abrupta tanto no disco quanto no cilindro. Neste último, seu comprimento permite que o escoamento
se desenvolva; por isso, há menor incidência de vórtices que no disco e, dessa forma, menor arrasto.

A ogiva configura-se como um corpo aerodinâmico, porém aqui será desconsiderada a influência da
rugosidade no arrasto, focando-se no devido à pressão. Como esperado, a ogiva possui menor arrasto
em relação aos outros dois corpos. Sua ponta delgada possibilita uma distribuição de pressão com
menores valores, possibilitando assim um menor arrasto. Como pode ser visualizado na Figura (5),
quanto menor a espessura, menor será o arrasto devido à pressão.
Por fim, como pode ser visto na figura (6), os valores de Cd, obtidos por meio do experimento,
condizem com a literatura, fato que valida os aparatos e o procedimento utilizados na aula prática.

Figura 6 – Influência da espessura do corpo no arrasto total.

Conclusão

Foi possível observar o comportamento do escoamento em diferentes corpos e verificar a influência


das geometrias na força de arrasto atuante. Pôde-se comprovar em corpos rombudos, há pouca
influência do arrasto devido ao atrito, sendo a componente da pressão a mais significativa. Também,
foi possível observar a influência da espessura dos corpos e do afilamento de ponta em relação ao
arrasto, comprovando-se que corpos aerodinâmicos possuem menores coeficientes de arrasto. Além
disso, foi possível verificar resultados de coeficiente de arrasto coerentes com os valores da literatura.
Também, a prática no laboratório foi bastante enriquecedora para a consolidação dos conhecimentos
adquiridos em sala de aula.

Referências bibliográficas

[1] - Fox&McDonald, “Introdução à Mecânica dos Fluídos”, Edit. Guanabara Dois, 1978, Cap. 8, parte E.

[2] EM - 847 : LABORATÓRIO DE CALOR E FLUÍDOS DETERMINAÇÃO DO ARRASTO TOTAL EM PERFIL


AERODINÂMICO

[2] - Schlichting, H.; “Boundary Layer Theory” , McGraw-Hill, 1968. Cap. 9 e Cap. 25.

[3] - Japan Society of Mechanical Engineers, “Visualized Flow”, Pergamon Press, 1989.

[4] – F.M. White, “Fluid Mechanics’, 2nd Ed. McGraw Hill, 1986.
Apêndice

Considera-se Temperatura igual a 35° C e pressão atmosférica.

Viscosidade do Ar seco a 1 atm

T 

(oC) (N.s/m2)

0 1.71x10-5

10 1.76x10-5

20 1.81x10-5

30 1.86x10-5

60 2.00x10-5

100 2.18x10-5

Densidade do ar