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MATEMÁTICA E MEIO AMBIENTE: SUA IMPORTÂNCIA PARA A NOSSA

VIDA E PROPOSTAS DE ATIVIDADES PARA SALA DE AULA


Pedro Carlos Pereira1
1
Professor Adjunto do Departamento de Matemática da UFRRJ

Equipe2: Robert Rene Michel Junior, Jéssica Nascimento das Neves, Luciana da Silva
Caetano de Almeida, Gabrielle Santiago de Souza, Grazielle Santiago de Souza, Natalia
Castelano de Souza, Charmane Moura da Silva, Maiara Navarini Martins, Maira Blanco
Martinez Forcato, Nelson David Amado Jurado, Daiane Soares da Cruz, Alberto
Barcelos, Arthur da Silva Moraes e Thaís Muniz Lopes dos Santos.
2
Alunos do Curso de Licenciatura em Matemática da UFRRJ

Resumo
A proposta de trabalho que ora apresentamos é fruto das ações desenvolvidas pelo
grupo de pesquisa do Programa de Educação Tutorial Matemática e Meio Ambiente da
UFRRJ - MATEMÁTICA E MEIO AMBIENTE: SUA IMPORTÂNCIA PARA A NOSSA
VIDA E PROPOSTAS DE ATIVIDADES PARA SALA DE AULA. Procuramos em nosso
trabalho subsidiar os professores e alunos da Educação Básica, em sala de aula, para
uma melhor conscientização em relação à cultura e preservação da água, apresentando
suas diferentes formas de uso, seus ciclos, sua importância para a vida e para a história
dos povos.

Palavras Chave: Modelagem Matemática e a Educação Matemática; Licenciatura em


Matemática; Formação Continuada do Professor de Matemática.

O Curso de Matemática na UFRRJ


No ano de 1976 a UFRRJ criou os cursos de Licenciatura em Ciências, nas
modalidades de Física, Química, Biologia e Matemática. Em 1986, essas modalidades
foram reestruturadas em graduações nas respectivas áreas. A Graduação em Matemática
até o ano de 2000 possuía as modalidades de Bacharelado e Licenciatura, e em 2004, é
adicionado o Bacharelado em Matemática Aplicada e Computacional.
O Curso de Graduação em Matemática tem como objetivo geral:
"Formar um profissional de Matemática socialmente
integrado, crítico em sua capacidade de análise e proposição
no enfrentamento científico, tecnológico e social e,
sobretudo, capaz de produzir, aplicar e ensinar a
matemática, interagindo com outras áreas do conhecimento
científico.”
(PPP-Projeto Político Pedagógico, p. 6, 2007)

Acreditamos que para ter a formação tão ampla quanto à apregoada no objetivo
acima, o graduando deverá ter, durante seu curso, contato em diferentes áreas da
ciência, proporcionando uma vasta experiência ligada à Matemática.
Nosso projeto visar contemplar as experiências que deverão abrir, diante dos
olhos do aluno, todo um campo de aplicabilidade da Matemática, mostrando o seu
desenvolvimento sócio-histórico, o seu processo de construção como ciência e que tem
suas bases vista como instrumento para outras áreas. Além disso, o aluno deverá ter
uma sólida compreensão dos conceitos matemáticos.
Mais uma vez citando o PPP, um dos estruturantes do curso de Graduação em
Matemática é a concepção de que o egresso do curso deve perceber que o conhecimento
científico é patrimônio da humanidade e deve ser aplicado em seu benefício, sobretudo
na preservação da natureza e do homem. Tendo a questão ambiental como um ponto
central em nosso projeto, o aluno será levado a discuti-la a partir da busca e
compreensão da complexidade de fatores envolvidos na implantação de um aterro
sanitário.
O presente projeto tem como base o estudo e compreensão da situação-
problema: o Aterro Sanitário de Seropédica, buscando levar o aluno a uma atitude de
investigação frente a ele. Os estudantes serão levados a procurar pontos-chave da
problemática com que se defronta, devendo utilizar-se de ferramentas matemáticas, ou
mesmo instrumentos de outras áreas, para teorizar e propor possíveis soluções. Por fim,
deverá avaliar se o proposto está de acordo com a situação-problema inicial.
Acreditamos que ao trabalhar, segundo essa metodologia de estudo, o futuro
egresso enriquecerá o elenco de práticas pedagógicas possíveis de que poderá lançar
mão. Além disso, terá a oportunidade de praticar as competências e habilidades
necessárias a uma atitude investigativa que, esperamos, venha adotar em seu exercício
profissional. Mais ainda, terá a chance de estudar, ou mesmo criar modelos que
propiciem a ele um melhor entendimento da situação-problema que investiga. Em todas
essas situações, acreditamos que o futuro profissional poderá elaborar, praticar e mesmo
adotar para si habilidades mais que desejáveis em seu campo de trabalho.
O Projeto Político Pedagógico do Curso de Matemática nos aponta um perfil do
estudante ingressante no curso bastante desafiador, para nós. Ou seja, a aluno apresenta
uma série de deficiências em sua formação na Educação Básica. Este fato contribui para
que o discente tenha muitas dificuldades no inicio do curso, pois as disciplinas são
lecionadas de forma descontextualizada e num grau de aprofundamento a que não está
acostumado, gerando assim um desinteresse por parte dos alunos. Outro fato a ser
considerado é que o estudante ainda, não tem o grau de amadurecimento intelectual
suficiente para acompanhar o curso, acarretando, assim, um alto grau de retenção nessas
disciplinas iniciais do curso de Matemática.
Em nosso projeto pretendemos contribuir para a superação desse verdadeiro
gargalo do curso de Matemática. Os alunos bolsistas trabalharão conteúdos matemáticos
que julgamos necessários para que um aluno tenha sucesso no curso. Para tanto,
realizaremos um conjunto de atividades visando a remediação com dos alunos dos
primeiros períodos, empregando a metodologia proposta.

Modelagem Matemática e Meio Ambiente


A Modelagem tem sido apontada como uma metodologia viável para a prática
didática com diversos conteúdos matemáticos. Diversos autores, Bassanezzi (1994),
Barbosa (2000) e Bean (2001) relatam experiências bem sucedidas com essa
metodologia em diversos níveis de ensino.
A metodologia da Modelagem possui duas correntes básicas: a corrente
pragmática e a científica. A corrente pragmática trabalha com conteúdos matemáticos
que podem ser aplicados ao contexto extra-matemático. Ficam excluídos, portanto,
todos os conteúdos que não possuem aplicabilidade imediata. Dessa forma a
Modelagem, segundo Barbosa, dentro dessa concepção, pressupõe que os modelos a
serem desenvolvidos devem ser úteis à sociedade.
A segunda, corrente científica, já tem uma visão, digamos, mais internalista no
enfoque que dá à relação da Matemática com as demais áreas. Mais uma vez citando
Barbosa, os modelos matemáticos devem servir como motivadores para o trabalho com
conteúdos da própria matemática. Em outras palavras: a Matemática, suas estruturas e
relações devem ser o parâmetro fundamental para se ensinar conteúdos da disciplina,
não devendo ser abandonada.
No projeto que ora apresentamos MATEMÁTICA E MEIO AMBIENTE: SUA
IMPORTÂNCIA PARA A NOSSA VIDA E PROPOSTAS DE ATIVIDADES PARA SALA
DE AULA utilizará como metodologia a primeira visão da Modelagem, a corrente
pragmática.
Um dos objetivos do trabalho com Modelagem reside na construção e estudo de
modelos matemáticos que possibilitem a melhor compreensão de problemas realistas. O
que caracteriza a construção do modelo a ser utilizado são hipóteses simplificadoras
que, apesar de levarem ao abandono de vários aspectos da realidade, permitem que se
lance mão de ferramentas matemáticas de uma maneira mais eficaz:
“A essência da modelagem matemática consiste em um
processo no qual as características pertinentes de um objeto
ou sistema são extraídas, com a ajuda de hipóteses e
aproximações simplificadoras e representadas em termos
matemáticos (o modelo). As hipóteses e as aproximações
significam que o modelo criado por esse processo é sempre
aberto à crítica e ao aperfeiçoamento.” (Bean, 2001, p.53)

O fazer matemático com Modelagem tira o estudante da postura passiva


tradicionalmente assumida em nossas salas de aula. O aluno, inserido nessa
metodologia, é levado a pesquisar, fazer hipóteses, testá-las e criticá-las, aplicando os
conhecimentos matemáticos já construídos, ou em processo de construção, na
elaboração do modelo e procurando possíveis soluções para o mesmo. Além disso, o
estudante deverá testar se as suas soluções encontradas são pertinentes à situação-
problema proposta inicialmente.
Outro ponto a ser destacado é que, dentro da proposta metodológica da
Modelagem, as situações problema a serem estudadas devem ser construídas a partir do
interesse dos próprios alunos. Portanto, os problemas propostos devem ser elaborados a
partir do contexto sócio cultural dos discentes, de suas experiências com outras áreas do
conhecimento, ou com a própria Matemática. Isso coloca nosso trabalho,
MATEMÁTICA E MEIO AMBIENTE: SUA IMPORTÂNCIA PARA A NOSSA VIDA E
PROPOSTAS DE ATIVIDADES PARA SALA DE AULA numa perspectiva que encara o
ensino da Matemática sendo capaz de instrumentalizar o aluno para uma postura crítica
e atuante em sociedade, pois acreditamos ser esta uma das razões de ensinar
Matemática. Segundo D’Ambrósio:
"(...) deve ser encontrada num contexto sociocultural,
procurando situar o aluno no ambiente de que ele é parte,
dando-lhe instrumentos para ser um indivíduo atuante e
guiado pelo momento sociocultural que ele está vivendo,"
(p.63,1986)

O trabalho com Modelagem consiste encontrar modelos matemáticos que


permitam descrever fenômenos da realidade. Nesse processo de procura do modelo
adequado que descreva o fenômeno, a hipóteses aproximativas são feitas de forma a
possibilitar a sua construção. Claro que, nesse processo de aproximações parte da
realidade é perdida, tudo isso deve ser levado quando da validação do modelo quanto a
sua capacidade de descrever o real. Como bem nos diz D'Ambrósio (1986, p.65), esse
jogo característico da modelagem de tentar ter um quadro o mais fidedigno possível do
real, sendo um processo holístico, a partir de reduções dessa mesma realidade, sendo
por isso reducionista, deve ser bem trabalhado com o aluno na elaboração de suas
conclusões. Esse processo está na essência do método científico e deveria ser trabalhado
em todos os níveis de escolarização.
Numa sociedade onde as necessidades sociais, culturais e profissionais ganham
novos contornos, todas as áreas requerem alguma competência em Matemática e
procedimentos que ajudem a estruturar o pensamento, fazer argumentações, organizar o
raciocínio lógico-dedutivo, o uso de novas tecnologias e ferramentas indispensáveis à
vida cotidiana em quase todas as atividades humanas.
Por essas razões, justifica-se o projeto MATEMÁTICA E MEIO AMBIENTE:
SUA IMPORTÂNCIA PARA A NOSSA VIDA E PROPOSTAS DE ATIVIDADES PARA
SALA DE AULA, cuja proposta é contribuir de modo significativo para a melhoria da
qualidade de formação do egresso, por meio da discussão/reflexão/ação acerca de como
ampliar o conhecimento específico e amplo em seu campo de atuação, gerando uma
postura dentro e fora do contexto ambiente de sala de aula, pelo ato de produzir novos
conhecimentos e aplicá-los.
O Plano de Trabalho que ora apresentamos, tem como propósito subsidiar uma
melhoria nos processos de ensino e de aprendizagem dos nossos alunos do curso de
Licenciatura em Matemática.
Para tanto, propõe-se uma discussão sobre as diferentes propostas de programas
de Formação de Professores e suas implicações no real significado da postura do
docente diante de sua atividade profissional.
Considerando a proposta curricular apresentada pelo Departamento de
Matemática para a Licenciatura, uma atividade importante é a direcionada a Modelagem
Matemática, acreditando ser facilitadora para os interesses e estímulos externos à
Matemática, vindos do mundo real. Outro fator importante é a capacidade de estabelecer
relações entre os diferentes campos da matemática e os outros, evitando reproduzir
modos de pensar estanques e fracionados, que a nosso olhar está o futuro da formação
de novos quadros de professores e pesquisadores prontos a enfrentar o desafio de pensar
no todo.
Na Educação Básica, o porquê de se ensinar matemática deve ser questionado.
Os conhecimentos fundamentais das estruturas algébricas, do cálculo e da geometria
seriam meros jogos destinados a desenvolver habilidades intelectuais ou deveriam ser
instrumentos aplicáveis aos usos cotidianos? A Matemática não deve ser considerada
importante por alguma definição arbitrária ou porque mais tarde ela poderá ser aplicada.
Acreditamos que os professores devem valorizar o que ensinam de modo que o
conhecimento seja ao mesmo tempo interessante, por ser útil, e estimulante, por ser
fonte de prazer. Nessa forma de olhar a Matemática, a modelagem – que pode ser vista
como um método científico de pesquisa quanto como uma estratégia de ensino e
aprendizagem – tem se mostrado muito eficaz. A Modelagem Matemática consiste na
arte de transformar problemas da realidade em problemas matemáticos e resolvê-los
interpretando suas soluções na linguagem do mundo real.
Estes fatores contribuem para que o ensinar e o aprender elevem a motivação do
aluno e da progressão do conhecimento, considerando os já consolidados, sem rouba-lhe
o ímpeto de saber.
Uma série de pontos deve ser levantada para destacar a importância da
Modelagem Matemática quando utilizada como instrumento de pesquisa:
 Pode estimular novas idéias e técnicas experimentais
 Pode dar informações em diferentes aspectos dos inicialmente previstos
 Pode servir como recurso para melhor entendimento da realidade
 Pode servir de linguagem universal para compreensão e entrosamento entre
pesquisadores em diversas áreas do conhecimento

A Modelagem Matemática, com toda sua abrangência e poder de síntese, é por


excelência o método científico usado nas ciências factuais, por sua ampla esfera de
aplicação e variedade das idéias matemáticas utilizadas podem ser melhor expressas
examinando-se suas atuais áreas de pesquisa.
Um esforço maior em Matemática Aplicada tem sido na solução de problemas
computacionais, das ciências sociais e das engenharias. Para tanto, propomos um estudo
na organização de dados para testar a objetividade dos estudos que as Ciências
Ambientais vem desenvolvendo na análise de equilíbrio do meio ambiente, utilizando a
teoria de controle como instrumento em busca de otimização, fazendo a análise da
dinâmica desse sistema por meios de sistema de equações.
Durante o desenvolvimento desse estudo será possível notar que as teorias
matemáticas e suas apresentações não são acabadas e completas e também irão conduzir
a observar a evolução do processo histórico de construção do conhecimento
matemático.
Assim será possível notar que um teorema é ensinado, seguindo o esquema:
enunciado – demonstração – aplicação, quando de fato o que deveria ser feito é sua
construção na ordem inversa, a mesma que deu origem ao teorema, isto é, sua
motivação, a formulação de hipótese, a validação das hipóteses e novos
questionamentos, e finalmente seu enunciado. Estaremos assim reinventando o
resultado junto aos alunos, seguindo o processo da modelagem e conjugando
verdadeiramente o binômio ensinar & aprender.
Podemos concluir que, a Formação do Professor está intrincada na relação entre o
“poder fazer”, “saber fazer”, e “querer fazer” que remetem à análise do significado do
que é ser professor de matemática. Tais argumentos sustentam a evidência de que não
aprendemos só pelo repertório de habilidades, pelo potencial de inteligência ou pela
disponibilidade de estruturas cognitivas, mas também pelo que somos, buscamos,
concebemos, valorizamos e fazemos. Cultura e aprendizagem são faces inseparáveis na
condução do ensino e decisivas na constatação de seus resultados. Assim como não se
pode dirigir o curso de aprendizagem em uma única trajetória, não se podem controlar
os significados atribuídos ao saber ou aos usos do conhecimento conquistado.
Evidentemente, o mérito da análise não é o de esgotar a compreensão dos fatores,
mas de pôr em evidência a importância dos programas de formação docente. Centrada
no eixo metodológico, grande parte dos cursos de licenciatura peca pela abordagem
excessivamente instrumental do ensino, não se trata de suprimir as disciplinas voltadas
para a prática do ensino, mas de equilibrá-las pela profunda compreensão da ação
escolar em face da realidade em que vivemos.
O nosso tem por objetivo:
 Levar o aluno a reconhecer a Matemática como um construto humano, a partir
de necessidades históricas e culturais específicas.
 Incentivar a construções de competências ligadas à prática científica, tais como o
de questionar, levantar hipóteses, verificar a validade de certo procedimento,
praticar o raciocínio indutivo e dedutivo, etc.
 Desenvolver no futuro egresso o hábito da pesquisa, de busca de alternativas
para o seu trabalho em sala de aula.
 Estimular o gosto pelo trabalho em equipe
 Estimular no aluno o gosto pela Matemática, tanto pelo seu caráter intrínseco de
ciência estruturada em técnicas e formas de argumentação específicas, quanto
pelo seu aspecto de ferramenta para outras ciências.
 Discutir o desenvolvimento histórico dos conceitos matemáticos necessários a
pesquisa.
 Conhecer diversos aspectos da metodologia de Modelagem.
 Aplicar técnica de Modelagem a situações específicas de diversas ciências, tais
como as Ciências Ambientais, a Física, a Economia, a Biologia, etc.
 Trabalhar em equipe o desenvolvimento e solução dos modelos matemáticos que
envolvam conceitos matemáticos necessários a pesquisa.
 Pesquisar situações a serem modeladas

Uma proposta para sala de aula


No primeiro momento fizemos um levantamento do que é considerado Água,
como se dá sua coleta, seu descarte, depósito e tratamento adequado. Em seguida,
discutimos os diferentes tipos de armazenamento da água e sua importância.
Para tanto, teremos em questão o local que será construído um centro de
tratamento, seu impacto ambiental, que abrange o sócio-cultural, econômico e físico,
benefícios à sociedade local e em torno, a empregabilidade direta e indireta, dentre
outros fatores.
Após este levantamento de dados, realizamos o fazer matemático, baseados em
conteúdos da Educação Básica e de comum acordo com os Parâmetros Curriculares:
grandezas e medidas, números e operações, espaço e forma e tratamento da informação.
Não podemos deixar de mencionar que a Matemática é uma linguagem, que utiliza de
códigos para expressar conceitos de forma significativa e com sentido para todos.
Temos ainda em seu bojo, o uso das tecnologias, tornando-a cada vez mais intrínseca no
desenvolvimento da humanidade.
As atividades desenvolvidas foram aplicadas uma escola pública, após terem
sido discutidas e elaboradas com a equipe. Assim, cada aluno bolsista teve em sua
responsabilidade alunos da segunda fase do Ensino Fundamental (6º, 7º, 8º ou 9º ano).
Outro momento dessa aplicação foi com os alunos que ingressaram no Curso de
Licenciatura em Matemática, na UFRRJ, ou seja, alunos do primeiro período.
Portanto, estas aulas foram dinamizadas em espaços ociosos, entre os tempos
regulares das referidas unidades e as atividades do projeto, onde cada bolsista ficou
responsável por um grupo de alunos, com um encontro semanal. Nessa ocasião, fizemos
uma discussão sobre o sistema e organização educacional, o livro utilizado, a formação
dos professores, o ensino de Matemática e sobre o cumprimento do planejamento
pedagógico.
Um dos objetivos das atividades é determinar quais conteúdos que os alunos
dominam e em que nível estava. A partir dessa informação, passamos a compor as
atividades com modelagem, visando à aquisição desse conhecimento apontado na
triagem, bem como o seu nível de maturidade e sua aplicação no cotidiano.
O apuro das atividades em primeiro momento foi o de reflexão sobre o porquê
de se estudar Matemática, como ela se insere na formação do ser humano e como é
exigida na prática da cidadania e do meio ambiente. Por fim, apresentamos aos alunos
exemplos significativos, em situações reais, da necessidade de cada um dos conteúdos
abordados na triagem.
A análise dos dados do presente estudo, de maneira geral, pode nos indicar a
necessidade de buscar melhores formas de procedimentos para o ensino da Matemática,
sobretudo em cursos de graduação. Assim, consideramos que a metodologia de ensino
deve ser voltada para uma aplicação que venha despertar o interesse do aluno e uma
atitude crítica com relação à Matemática. Tão ou mais importante que os conteúdos
matemáticos são os componentes filosófico e social que neles estão inseridos.
Lembremos que a utilização da modelagem na matemática, e nas diferentes áreas das
ciências, segue uma orientação positiva, na qual a objetividade da pesquisa deve refletir
a objetividade do contexto.
Assim, talvez já possa se considerar um grande avanço quando o aluno
compreende a importância da utilização da Matemática em sua área de atuação, qual a
lógica desse procedimento e em que pressupostos tal prática se apoia.
Dentre as ações desenvolvidas pelo grupo de alunos bolsistas do PET –
Matemática e Meio Ambiente da UFRRJ, destacamos para nosso trabalho a
“Construção de Filtro”, por ser muito utilizado em nossos dias e pelo grande volume
de água que é descartado, merece atenção perante seu gerenciamento. Ele está
diretamente ligado a questões ecológicas e de acordo com os problemas atuais da
humanidade. E mesmo o descarte de forma indevida desse material pode acarretar danos
ao ambiente onde o processo de reciclagem se faz necessário. O objetivo central desse
tratamento de água no projeto PET foi:
Conscientizar os alunos do DEMAT/UFRRJ sobre o desperdício de renda e
matéria-prima que o descarte água;
Diminuir a quantidade de água descartada no DEMAT/UFRRJ;
Evitar o desperdício de material.
O projeto tem como argumento base às vantagens que se obtém em realizar o processo
de reciclagem da água, como:
Redução dos custos no tratamento
Economia de Recursos Naturais

Inserido na metodologia empregada pelo programa PET-Matemática, que é a


construção da consciência ambiental, pode-se obter com a água reciclada é um material
apropriado para ser utilizado em diversas atividades escolares. Durante o processo de
tratamento, foi possível discutir como determinados conteúdos matemáticos podem ser
apresentados aos alunos da Educação Básica de forma contextualizada.
Mesmo que as vantagens expostas façam referência à reciclagem em baixa
escala, o início de um projeto pode vir a motivar outros de maior porte onde tais. Em
virtude disso, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), organizou
vantagens podem ser bem observadas e principalmente, o de formação de uma
conscientização ambiental entre todos envolvidos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sendo os primeiros anos de trabalho do grupo PET-Matemática, na Universidade
Federal Rural do Rio de Janeiro, este caminho foi desafiador e intrigante. Pois,
inicialmente tínhamos uma visão instigante com relação à atividade do grupo de
pesquisa. Desde o princípio nosso intuito no Curso de Licenciatura em Matemática
era fazer com que o conhecimento tenha valor prático, que não seja limitado somente à
sala de aula. Sendo assim, nosso grupo abraçou a idéia, e mesmo sem saber o que
haveria de vir no transcorrer do projeto, passamos a trabalhar para que este desejo
viesse a se tornar realidade em nosso curso.
O ensino é um ponto fundamental para os acadêmicos, a pesquisa é onde eles
podem aprofundar seus conhecimentos em área específica e se aperfeiçoarem, já a
extensão tem como foco a comunidade externa, bem como a acadêmica. Para tanto, essa
interação sociedadeacademia se faz necessária e grupo PET-Matemática vem cavando
seu espaço e procurando oportunidade de melhorar tanto a formação acadêmica e
profissional dos nossos bolsistas, mas também no pessoal, enquanto ser humano.
Podemos afirmar que no decorrer das atividades, aprendeu-se vários assuntos
importantes e a oportunidade de conhecer diferentes pessoas, de diversas classes sociais,
mas com o mesmo objetivo, um ambiente melhor para se viver. O grupo teve a
felicidade de se integrar e enfrentar os desafios que foram aparecendo durante o ano, de
distintas naturezas, e de poder trabalhar com o tripé ensino-pesquisa-extensão que é
importante para a vida profissional, acadêmica e pessoal do aluno, criando a
oportunidade de um aprendizado da convivência e raciocinar coletivamente.
Esperamos que no decorrer dos anos seguintes de trabalho possamos criar
material didático para ser usado em sala de aula com alunos da educação básica, bem
com cursos de capacitação para professores de matemática com a finalidade de mostrar
algumas relações dos conceitos matemáticos com o meio ambiente e principalmente
com a coleta, reaproveitamento e reciclagem do lixo.

BIBLIOGRAFIA
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