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SUMÁRIO

1 AS NOVAS TECNOLOGIAS E A REJEIÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA


EDUCAÇÃO ................................................................................................................ 3

2 DESCREVENDO SOBRE O TERMO TECNOLOGIA ................................. 4

2.1 TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO ............................................................. 5

2.2 AS NOVAS MÍDIAS .............................................................................. 8

3 LISTA ELETRÔNICA/FÓRUM .................................................................. 10

3.1 Aulas-pesquisa ................................................................................... 11

3.2 Construção colaborativa ..................................................................... 13

3.3 Mudanças na educação presencial com tecnologias ......................... 15

3.4 Quando vale a pena encontrar-nos na sala de aula ........................... 16

3.5 Equilibrar o presencial e o virtual ....................................................... 17

4 TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA ..................................... 19

5 O PAPEL DO PROFESSOR NO PROCESSO EDUCATIVO ................... 21

6 O USO DA TECNOLOGIA DIGITAL ......................................................... 24

7 BIBLIOGRAFIA BÁSICA ........................................................................... 28

8 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR .......................................................... 28

9 LEITURA COMPLEMENTAR.................................................................... 30

10 ENSINO DA INFORMÁTICA NA GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM DE


INSTITUIÇÕES PÚBLICAS BRASILEIRAS .............................................................. 30

11 RESUMO ............................................................................................... 30

12 Introdução .............................................................................................. 30

12.1 Métodos .......................................................................................... 33

12.2 Resultados ...................................................................................... 34

12.3 Discussão........................................................................................ 36

12.4 Conclusão ....................................................................................... 38

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13 Referências ........................................................................................... 39

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1 AS NOVAS TECNOLOGIAS E A REJEIÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA
EDUCAÇÃO

Fonte: az616578.vo.msecnd.net

As tecnologias sempre existiram, mesmo que não reconhecidas por essa


nomenclatura. Elas são as ferramentas que usamos para solucionar, da melhor forma,
questões as quais levariam, talvez, muito tempo para resolvê-las, tornando mais
prático e confortável o processo de execução das nossas atividades diárias.
As novas tecnologias estão em todo e qualquer lugar, seja em fábricas ou nas
demais empresas dos mais diversos segmentos, não ficando de fora, é claro, o setor
educacional e, influenciando no processo de ensino-aprendizagem. Sabemos que
essas ferramentas vêm a facilitar a forma do trabalho dentro e fora das escolas, o que
não quer dizer que essa facilidade seja vista por todos com bons olhos, pois, há uma
grande quantidade de profissionais da educação, principalmente professores, que não
aceitam as novas tecnologias como instrumento transformador na sua prática
pedagógica.

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Essa rejeição muitas vezes se dá devido à falta de conhecimento, por parte
desses, sobre a forma como utilizá-las para adquirir praticidade no processo de
ensino-aprendizagem. Se as novas tecnologias educacionais não são usadas, torna
cada vez mais difícil o processo de inclusão digital tão discutido e esperado. O que
não quer dizer que o uso desordenado dessas tecnologias será bem aproveitado, pois
o que importa é saber usá-las e não apenas usá-las.

2 DESCREVENDO SOBRE O TERMO TECNOLOGIA

Tecnologia é conhecimento, interpretação, aplicação e/ou estudo de técnica e


de suas variáveis, enquanto aplicação e aplicativo, ao longo da história e em
determinada sociedade. É um termo muito abrangente que envolve conhecimentos
técnicos e científicos, este sugere objetos que são suas ferramentas, que usamos
para aplicar em cada contexto. Não só as ferramentas técnicas, como as máquinas,
como também os conhecimentos. Sendo assim, todo processo utilizado para facilitar
ou resolver problemas é uma forma de tecnologia, obviamente sendo aplicada ao seu
contexto especifico, auxiliando-nos na busca de solução dos problemas, de forma
prática, com segurança e em tempo reduzido. Segundo Daniel, “Tecnologia é a
aplicação do conhecimento cientifico, e de outras formas de conhecimento
organizado, a tarefa prática por organizações compostas de pessoal e maquinas”
(DANIEL 2003:26 APUD ZANELA, 2007:1).
O termo “tecnologia” tem ligação forte com um movimento surgido na Inglaterra
em meados do século XVIII: a Revolução Industrial, denominada assim por ser a
responsável pelo avanço das maquinas sobre a manufatura. O que para o liberalismo
econômico teriam muitos benefícios, de forma que aumentaria a produção,
aumentando o lucro de pessoal, podendo também fazer os produtos caírem de preço.
Uma tecnologia nova é oriunda de tecnologias já existentes, tornando-se
ultrapassada a partir dessa, ou seja, sendo um novo método para resolução de
problemas. Sempre surge para executar tarefas que a existente não tem suporte ou
para executar tarefas em menor tempo que a tecnologia que já existe: o chamado
aperfeiçoamento ou evolução objetivando redução de tempo na execução da
atividade, redução de custo e aumento de lucros. As tecnologias e seus avanços são

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frutos do capitalismo. A evolução da humanidade a partir da descoberta do fogo, da
roda, da energia etc., é um exemplo claríssimo de análise diacrônica da história das
tecnologias. “A invenção da imprensa por Gutemberg em 1442 foi a primeira grande
revolução tecnológica na história da cultura humana [...]”. (PAIVA, 2008. p.2).
Hoje, usamos a tecnologia para nos divertir, fazer amizades, trabalhar, cuidar
da saúde, nos comunicar, etc. As tecnologias são tão presentes em nossas vidas que
chegam a mudar a forma como trabalhamos ou pensamos e, levando-nos assim, a
mudar o nosso modo de vida tornando-o mais fácil e prático.

2.1 TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO

Fonte: silabe.com.br

Quando se fala em recursos tecnológicos, pensa-se logo na televisão, no


telefone e, principalmente, no computador. Mas em se tratando de educação qualquer
meio de comunicação que completa a ação do professor é uma ferramenta
tecnológica na busca da qualidade do processo de ensino-aprendizagem. Exemplos
disso são: o quadro negro e o giz, umas das ferramentas mais antigas e mais usadas
na sala de aula.

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A Internet é a nova tecnologia que tem se mostrado eficiente na transmissão
de informações e na comunicação, importantíssima na construção do conhecimento.
Através dela é possível fazer os mais diversos tipos de pesquisas, ter acesso a
conteúdos completos de livros, revistas, bem como comunicar-se com o mundo
adquirindo informações em tempo real bem próximo à comunicação face a face.
Mediada através do computador uma potente ferramenta que nos proporciona
inúmeras formas de uso na educação, mesmo sem o uso da rede mundial de
computadores, a internet, nos propicia o rompimento da barreira do tempo e do espaço
nos mais variados seguimentos. Mas é essa potente máquina composta por
componentes simples interligados, o computador, que nos permite o acesso a esse
grande potencial na mediação de informações permitindo a interação global através
dos mais variados meios, agrupando, assim, todas as tecnologias de comunicação já
inventadas pelo homem transformando-se no aliado perfeito na busca do
conhecimento.
A tecnologia da informática evoluiu rapidamente e o computador e seus
periféricos, além do correio e do telégrafo, passaram a integrar todas as tecnologias
da escrita, de áudio e vídeo já inseridos na sociedade: máquina de escrever, imprensa,
gravador de áudio e vídeo, projetor de slides, projetor de vídeo, rádio, televisão,
telefone e fax. (PAIVA, 2008. p.9).
Com a evolução tecnológica, a comunicação através da Internet, surge como a
forma mais viável de suprir essa necessidade, do homem moderno, de comunicar-se
rapidamente sem a necessidade de estarem no mesmo local ou até no mesmo
momento.
O homem por ser altamente comunicativo utiliza-se de vários meios para
manter sua comunicação: imagens, símbolos, sinais, gravuras, sons e muitos outros,
além da escrita e da fala. Com a evolução da linguagem percebemos que os signos
linguísticos vêm sofrendo modificações na comunicação oral e consequentemente na
escrita perdendo elementos da sua composição. Com o avanço da comunicação
através das mensagens instantâneas, isso tem acontecido constantemente porque o
homem moderno, na sociedade capitalista, necessita das informações no menor
tempo possível. Os signos linguísticos são reduzidos objetivando a diminuição do
tempo de transmissão de mensagens e aceleração na comunicação. As ferramentas
tecnológicas, hoje, são instrumentos eletrônicos indispensáveis no processo de
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evolução prática da comunicação. Com essa nova forma de comunicação, o homem
passa a obter uma enorme quantidade de informações em curto espaço de tempo não
sendo possível seu armazenamento, pois, nosso cérebro não funciona com tamanha
rapidez.
Com o domínio da informática, o homem passou a dominar inúmeras novas
tecnologias, sem desprezar as já existentes, reportando-nos, por exemplo, a
tecnologia educacional, denominadas por Zanela de TIC. “Tecnologias da Informação
e da Comunicação (TIC), é o conjunto de tecnologias microeletrônicas, informáticas e
de telecomunicações, que produzem, processam, armazenam e transmite dados em
forma de imagens, vídeos textos ou áudios” (ZANELA, 2007. p.25).
Mas seu uso constante sem planejamento orientado tem se tornado um grande
problema. Fortalece argumentos por parte de alguns profissionais da educação como
suporte ideário de resistência no processo de adesão das novas tecnologias como
ferramenta pedagógica essencial no processo de ensino-aprendizagem. Este
processo é apresentado, por Paiva, numa classificação em estágios: rejeição, adesão
e normalização.
Quando surge uma nova tecnologia, a primeira atitude é de desconfiança e de
rejeição. Aos poucos, a tecnologia começa a fazer parte das atividades sociais da
linguagem e a escola acaba por incorporá-la em suas práticas pedagógicas. Após a
inserção, vem o estágio da normalização, definido por Chambers e Bax (2006, p.465)
como um estado em que a tecnologia se integra de tal forma ás práticas pedagógicas
que deixa de ser vista como cura milagrosa ou como algo a ser temido. (PAIVA, 2008.
p.1).
Educar é colaborar para que professores e alunos - nas escolas e organizações
- transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. É ajudar os
alunos na construção da sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional - do
seu projeto de vida, no desenvolvimento das habilidades de compreensão, emoção e
comunicação que lhes permitam encontrar seus espaços pessoais, sociais e
profissionais e tornar-se cidadãos realizados e produtivos.
Na sociedade da informação todos estamos reaprendendo a conhecer, a
comunicar-nos, a ensinar e a aprender; a integrar o humano e o tecnológico; a integrar
o individual, o grupal e o social.

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Uma mudança qualitativa no processo de ensino/aprendizagem acontece
quando conseguimos integrar dentro de uma visão inovadora todas as tecnologias: as
telemáticas, as audiovisuais, as textuais, as orais, musicais, lúdicas e corporais.
Passamos muito rapidamente do livro para a televisão e vídeo e destes
para o computador e a Internet, sem aprender e explorar todas as possibilidades de
cada meio.

2.2 AS NOVAS MÍDIAS

Fonte: www.gettingsmart.com

O professor tem um grande leque de opções metodológicas, de possibilidades


de organizar sua comunicação com os alunos, de introduzir um tema, de trabalhar
com os alunos presencial e virtualmente e assim avaliá-los.
Cada docente pode encontrar a forma mais adequada de integrar as várias
tecnologias e procedimentos metodológicos. Mas também é importante que amplie,
que aprenda a dominar as formas de comunicação interpessoal/grupal e as de
comunicação audiovisual/telemática.
Não se trata de dar receitas, porque as situações são muito diversificadas. É
importante que cada docente encontre o que lhe ajuda mais a sentir-se bem, a

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comunicar-se bem, ensinar bem, ajudar os alunos a que aprendam melhor. É
importante diversificar as formas de dar aula, de realizar atividades, de avaliar.
Com a Internet podemos modificar mais facilmente a forma de ensinar e
aprender tanto nos cursos presenciais como nos à distância. São muitos os caminhos,
que dependerão da situação concreta em que o professor se encontrar: número de
alunos, tecnologias disponíveis, duração das aulas, quantidade total de aulas que o
professor dá por semana, apoio institucional. Alguns parecem ser, atualmente, mais
viáveis e produtivos.
No começo procurar estabelecer uma relação empática com os alunos,
procurando conhecê-los, fazendo um mapeamento dos seus interesses, formação e
perspectivas futuras. A preocupação com os alunos, a forma de relacionar-nos com
eles é fundamental para o sucesso pedagógico. Os alunos captam se o professor
gosta de ensinar e principalmente se gosta deles e isso facilita a sua prontidão para
aprender.
Vale a pena descobrir as competências dos alunos que temos em cada classe,
que contribuições podem dar ao nosso curso. Não vamos impor um projeto fechado
de curso, mas um programa com as grandes diretrizes delineadas e onde vamos
construindo caminhos de aprendizagem em cada etapa, estando atentos - professor
e alunos - para avançar da forma mais rica possível em cada momento
É importante mostrar aos alunos o que vamos ganhar ao longo do semestre,
por que vale a pena estarmos juntos. Procurar motivá-los para aprender, para
avançar, para a importância da sua participação, para o processo de aula-pesquisa e
para as tecnologias que iremos utilizar, entre elas a Internet.
O professor pode criar uma página pessoal na Internet, como espaço virtual de
encontro e divulgação, um lugar de referência para cada matéria e para cada aluno.
Essa página pode ampliar o alcance do trabalho do professor, de divulgação de suas
ideias e propostas, de contato com pessoas fora da universidade ou escola. Num
primeiro momento a página pessoal é importante como referência virtual, como ponto
de encontro permanente entre ele e os alunos. A página pode ser aberta a qualquer
pessoa ou só para os alunos, dependerá de cada situação. O importante é que
professor e alunos tenham um espaço, além do presencial, de encontro e viabilização
virtual.

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Hoje começamos a ter acesso a programas que facilitam a criação de
ambientes virtuais, que colocam alunos e professores juntos na Internet. Programas
como o Eureka da PUC de Curitiba, o LearningSpace da Lotus-IBM, o WEBCT, o
Aulanet da PUC do Rio de Janeiro, o FirstClass, o Blackboard e outros semelhantes
permitem que o Professor disponibilize o seu curso, oriente as atividades dos alunos,
e que estes criem suas páginas, participem de pesquisa em grupos, discutam
assuntos em fóruns ou chats. O curso pode ser construído aos poucos, as interações
ficam registradas, as entradas e saídas dos alunos monitoradas. O papel do professor
se amplia significativamente. Do informador, que dita conteúdo, se transforma em
orientador de aprendizagem, em gerenciador de pesquisa e comunicação, dentro e
fora da sala de aula, de um processo que caminha para ser semipresencial,
aproveitando o melhor do que podemos fazer na sala de aula e no ambiente virtual.
O professor, tendo uma visão pedagógica inovadora, aberta, que pressupõe a
participação dos alunos, pode utilizar algumas ferramentas simples da Internet para
melhorar a interação presencial-virtual entre todos.

3 LISTA ELETRÔNICA/FÓRUM

Em relação à Internet, procurar que os alunos dominem as ferramentas da


WEB, que aprendam a navegar e que todos tenham seu endereço eletrônico (e-mail).
Com os e-mails de todos, criar uma lista interna de cada turma ou um fórum.
A lista eletrônica interna ajuda a criar uma conexão virtual permanente entre o
professor e os alunos, a levar informações importantes para o grupo, orientação
bibliográfica, de pesquisa, a dirigir dúvidas, a trocarmos sugestões, envio de textos,
de trabalhos.
A lista eletrônica é um novo campo de interação que se acrescenta ao que
começa na sala de aula, no contato físico e que depende dele. Se houver interação
real na sala, a lista acrescenta uma nova dimensão, mais rica. Se no presencial houver
pouca interação, provavelmente também não a haverá no virtual.

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3.1 Aulas-pesquisa

Fonte: www.usnews.com

Podemos transformar uma parte das aulas em processos contínuos de


informação, comunicação e de pesquisa, onde vamos construindo o conhecimento
equilibrando o individual e o grupal, entre o professor-coordenador-facilitador e os
alunos-participantes ativos. Aulas-informação, onde o professor mostra alguns
cenários, algumas sínteses, o estado da arte, as coordenadas de uma questão ou
tema. Aulas-pesquisa, onde professores e alunos procuram novas informações,
cercar um problema, desenvolver uma experiência, avançar em um campo que não
conhecemos. O professor motiva, incentiva, dá os primeiros passos para sensibilizar
o aluno para o valor do que vamos fazer, para a importância da participação do aluno
neste processo. Aluno motivado e com participação ativa avança mais, facilita todo o
nosso trabalho. O papel do professor agora é o de gerenciador do processo de
aprendizagem, é o coordenador de todo o andamento, do ritmo adequado, o gestor
das diferenças e das convergências.

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Uma proposta viável é escolher os temas fundamentais do curso e trabalhá-los
mais coletivamente e os secundários ou pontuais pesquisá-los mais individualmente
ou em pequenos grupos. Os grandes temas da matéria são coordenados pelo
professor, iniciados pelo professor, motivados pelo professor, mas pesquisados pelos
alunos, às vezes, todos simultaneamente; às vezes, em grupos; às vezes,
individualmente.
A pesquisa grupal na Internet pode começar de forma aberta, dando somente
o tema sem referências a sites específicos, para que os alunos procurem de acordo
com a sua experiência e conhecimento prévio. Isso permite ampliar o leque de opções
de busca, a variedade de resultados, a descoberta de lugares desconhecidos pelo
professor. Eles vão gravando os endereços, artigos e imagens mais interessantes em
disquete e também fazem anotações escritas, com rápidos comentários sobre o que
estão salvando O professor incentiva a troca constante de informações, a
comunicação, mesmo parcial, dos resultados que vão sendo obtidos, para que todos
possam se beneficiar dos achados dos colegas. É mais importante aprender através
da colaboração, da cooperação do que da competição. O professor estará atento aos
vários ritmos, às descobertas, servirá de elo entre todos, será o divulgador de
achados, o problematizador e principalmente o incentivador. Depois de um tempo, ele
coordena a síntese das buscas feitas, organiza os resultados, os caminhos que
parecem mais promissores.
Passa-se, num segundo momento, à pesquisa mais focada, mais específica, a
partir dos resultados anteriores. O mesmo tema vai ser pesquisado no mesmo
endereço, de forma semelhante por todos. É uma forma de aprofundar os dados
conseguidos anteriormente e evitar o alto grau de entropia e dispersão que pode
acontecer na etapa anterior da pesquisa aberta. Como na etapa anterior é importante
a troca de informações, a divulgação dos principais achados. Há vários caminhos para
aprofundar as pesquisas: Do simples ao complexo, do geral ao específico, do aberto
ao dirigido, focado. Os temas podem ser aprofundados como em ondas, cada vez
mais ricas, abertas, aprofundadas. Os alunos comunicam os resultados da pesquisa.
O professor os ajuda a fazer a síntese do que encontraram.
O professor atua como coordenador, motivador, elo de união do grupo. Os
textos e materiais que parecem mais promissores são salvos, impressos ou enviados
por e-mail para cada aluno. Faz-se uma síntese dos materiais coletados, das ideias
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percebidas, das questões levantadas e se pede que todos leiam esses materiais que
parecem mais importantes para a próxima aula, numa leitura mais aprofundada e que
sirva como elo com a próxima etapa de uma discussão mais rica, com conhecimento
de causa. Os melhores textos e materiais podem ser incorporados à bibliografia do
curso. O professor utilizou uma parte do material preparado de antemão
(planejamento) e o enriqueceu com as novas contribuições da pesquisa grupal
(construção cooperativa). Assim o papel do aluno não é o de "tarefeiro", o de executar
atividades, mas o de pesquisador, responsável pela riqueza, qualidade e tratamento
das informações coletadas. O professor está atento às descobertas, às dúvidas, ao
intercâmbio das informações (os alunos pesquisam, escolhem, imprimem), ao
tratamento das informações. O professor ajuda, problematiza, incentiva, relaciona.
Ao mesmo tempo, o professor coordena a escolha de temas ou questões mais
específicas, que são selecionados ou propostos pelos alunos, dentro dos parâmetros
propostos pelo professor e que serão desenvolvidos individualmente ou em pequenos
grupos. É interessante que os alunos escolham algum assunto dentro do programa
que esteja mais próximo do que eles valorizam mais. Quanto mais jovens são os
alunos, mais curto deve ser o tempo entre o planejamento e a execução das
pesquisas. Nas datas combinadas, as pesquisas são apresentadas verbalmente para
a classe, trazem um resumo escrito para a aula ou o enviam pela lista interna para
todos os participantes. Alunos e professor perguntam, complementam, participam.
O professor procura ajudar a contextualizar, a ampliar o universo alcançado
pelos alunos, a problematizar, a descobrir novos significados no conjunto das
informações trazidas. Esse caminho de ida e volta, onde todos se envolvem,
participam-na sala de aula, na lista eletrônica e na Home Page - é fascinante, criativo,
cheio de novidades e de avanços. O conhecimento que é elaborado a partir da própria
experiência se torna muito mais forte e definitivo em nós.

3.2 Construção colaborativa

A Internet favorece a construção cooperativa e colaborativa, o trabalho conjunto


entre professores e alunos, próximos física ou virtualmente. Podemos participar de
uma pesquisa em tempo real, de um projeto entre vários grupos, de uma investigação
sobre um problema de atualidade.
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Uma das formas mais interessantes de trabalhar hoje colaborativamente é criar
uma página dos alunos, como um espaço virtual de referência, onde vamos
construindo e colocando o que acontece de mais importante no curso, os textos, os
endereços, as análises, as pesquisas. Pode ser um site provisório, interno, sem
divulgação, que eventualmente poderá ser colocado à disposição do público externo.
Pode ser também um conjunto de sites individuais ou de pequenos grupos que se
visibilizam quando os alunos acharem conveniente. Não deve ser obrigatória a criação
da página, mas incentivar a que todos participem e a construam. O formato, colocação
e atualização podem ficar a cargo de um pequeno grupo de alunos.
O importante é combinar o que podemos fazer melhor em sala de aula:
conhecer-nos, motivar-nos, reencontrar-nos, com o que podemos fazer a distância
pela lista - comunicar-nos quando for necessário e também acessar aos materiais
construídos em conjunto no Home-Page, na hora em que cada um achar conveniente.
É importante neste processo dinâmico de aprender pesquisando, utilizar todos
os recursos, todas as técnicas possíveis por cada professor, por cada instituição, por
cada classe: integrar as dinâmicas tradicionais com as inovadoras, a escrita com o
audiovisual, o texto sequencial com o hipertexto, o encontro presencial com o virtual.
O que muda no papel do professor? Muda a relação de espaço, tempo e
comunicação com os alunos. O espaço de trocas aumenta da sala de aula para o
virtual. O tempo de enviar ou receber informações se amplia para qualquer dia da
semana. O processo de comunicação se dá na sala de aula, na internet, no e-mail,
no chat. É um papel que combina alguns momentos do professor convencional - às
vezes é importante dar uma bela aula expositiva - com mais momentos de gerente de
pesquisa, de estimulador de busca, de coordenador dos resultados. É um papel de
animação e coordenação muito mais flexível e constante, que exige muita atenção,
sensibilidade, intuição (radar ligado) e domínio tecnológico.

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3.3 Mudanças na educação presencial com tecnologias

Fonte: edge.alluremedia.com.au

Caminhamos para formas de gestão menos centralizadas, mais flexíveis,


integradas. Para estruturas mais enxutas. Menos pessoas, trabalhando mais
sinergicamente. Haverá maior participação dos professores, alunos, pais, da
comunidade na organização, gerenciamento, atividades, rumos de cada instituição
escolar.
Está em curso uma reorganização física dos prédios. Menos quantidade de
salas de aula e mais funcionais. Todas elas com acesso à Internet. Os alunos
começam a utilizar o notebook para pesquisa, busca de novos materiais, para solução
de problemas. O professor também está mais conectado em casa e na sala de aula e
com recursos tecnológicos para exibição de materiais de apoio para motivar os alunos
e ilustrar as suas ideias. Teremos mais ambientes de pesquisa grupal e individual em
cada escola; as bibliotecas se convertem em espaços de integração de mídias,
software e bancos de dados.

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Os processos de comunicação tendem a ser mais participativos. A relação
professor-aluno mais aberta, interativa. Haverá uma integração profunda entre a
sociedade e a escola, entre a aprendizagem e a vida. A aula não é um espaço
de inanimado; e sim um espaço contínuo de aprendizagem. Os cursos serão híbridos
no estilo, presença, tecnologias, requisitos. Haverá muito mais flexibilidade em todos
os sentidos. Uma parte das matérias será predominantemente presencial e outra
predominantemente virtual. O importante é aprender e não impor um padrão único de
ensinar.
Com o aumento da velocidade e de largura de banda, ver-se e ouvir-se a
distância será corriqueiro. O professor poderá dar uma parte das aulas da sua sala e
será visto pelos alunos onde eles estiverem. Em uma parte da tela do aluno aparecerá
a imagem do professor, ao lado um resumo do que está falando. O aluno poderá fazer
perguntas no modo chat ou sendo visto, com autorização do professor, por este e
pelos colegas. Essas aulas ficarão gravadas e os alunos poderão acessá-las off-line,
quando acharem conveniente.
Haverá uma integração maior das tecnologias e das metodologias de trabalhar
com o oral, a escrita e o audiovisual. Não precisaremos abandonar as formas já
conhecidas pelas tecnologias telemáticas, só porque estão na moda. Integraremos as
tecnologias novas e as já conhecidas. As utilizaremos como mediação facilitadora do
processo de ensinar e aprender participativamente.
Haverá uma mobilidade constante de grupos de pesquisa, de professores
participantes em determinados momentos, professores da mesma instituição e de
outras.

3.4 Quando vale a pena encontrar-nos na sala de aula

Podemos ensinar e aprender com programas que incluam o melhor da


educação presencial com as novas formas de comunicação virtual. Há momentos em
que vale a pena encontrar-nos fisicamente, no começo e no final de um assunto ou
de um curso. Há outros em que aprendemos mais estando cada um no seu espaço
habitual, mas conectados com os demais colegas e professores, para intercâmbio
constante, tornando real o conceito de educação permanente.

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Como regra geral, podemos encontrar-nos fisicamente no começo e no final de
um novo tema, de um assunto importante. No início, para colocar esse tema dentro
de um contexto maior, para motivar os alunos, para que percebam o que vamos
pesquisar e para organizar como vamos pesquisá-lo. Os alunos, iniciados ao novo
tema e motivados, o pesquisam, sob a supervisão do professor e voltam a aula depois
de um tempo para trazer os resultados da pesquisa, para colocá-los em comum.
É o momento final do processo, de trabalhar em cima do que os alunos
apresentaram, de complementar, questionar, relacionar o tema com os demais.
Vale a pena encontrar-nos no início de um processo específico de
aprendizagem e no final, na hora da troca, da contextualização. Iniciar o processo
presencialmente. O professor estimula, motiva. Coloca uma questão, um problema,
uma situação real. Os alunos pesquisam com a supervisão dele. Uma parte das aulas
pode ser substituída por acompanhamento, monitoramento de pesquisa, onde o
professor dá subsídios para os alunos irem além das primeiras descobertas, para
ajudá-los nas suas dúvidas. Isso pode ser feito pela Internet, por telefone ou pelo
contato pessoal com o professor.

3.5 Equilibrar o presencial e o virtual

Se tivermos dificuldades no ensino presencial, não as resolveremos com o


virtual. Se olhando-nos, estando juntos temos problemas sérios não resolvidos no
processo de ensino-aprendizagem, não será "espalhando-nos" e "conectando-nos"
que vamos solucioná-los automaticamente.
Podemos tentar a síntese dos dois modos de comunicação: o presencial e o
virtual, valorizando o melhor de cada um deles. Aproveitar o melhor dos dois modos
de estar.
Estar juntos fisicamente é importante em determinados momentos fortes:
conhecer-nos, criar elos, confiança, afeto. Conectados, para realizar trocas mais
rápidas, cômodas e práticas.
Realizar atividades que fazemos melhor no presencial: comunidades, criar
grupos afins (por algum critério específico); definir objetivos, conteúdos, formas de
pesquisa de temas novos, de cursos novos. Traçar cenários, passar as informações

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iniciais necessárias para situar-nos diante de um novo assunto ou questão a ser
pesquisada.
A comunicação virtual permite interações espaço-temporais mais livres; a
adaptação a ritmos diferentes dos alunos; novos contatos com pessoas semelhantes,
fisicamente distantes; maior liberdade de expressão a distância.
Certas formas de comunicação, as conseguirmos fazer melhor a distância, por
dificuldades culturais e educacionais de abrir-nos no presencial. Na medida em que
avançam as tecnologias de comunicação virtual, o conceito de presencialidade
também se altera. Podemos ter professores externos compartilhando determinadas
aulas, um professor de fora "entrando" por videoconferência na minha aula. Haverá
um intercâmbio muito maior de professores, onde cada um colabora em algum ponto
específico, muitas vezes a distância.
O conceito de curso, de aula também muda. Hoje entendemos por aula um
espaço e tempo determinados. Esse tempo e espaço cada vez serão mais flexíveis.
O professor continua "dando aula" quando está disponível para receber e responder
mensagens dos alunos, quando cria uma lista de discussão e alimenta continuamente
os alunos com textos, páginas da Internet, fora do horário específico da sua aula. Há
uma possibilidade cada vez mais acentuada de estarmos todos presentes em muitos
tempos e espaços diferentes, quando tanto professores quanto os alunos estão
motivados e entendem a aula como pesquisa e intercâmbio, supervisionados,
animados, incentivados pelo professor.
As crianças terão muito mais contato físico, pela necessidade de socialização,
de interação. Mas nos cursos médios e superiores, o virtual superará o presencial.
Haverá uma grande reorganização das escolas. Edifícios menores. Menos salas de
aula e mais sala ambiente, salas de pesquisa, de encontro, interconectadas. A casa,
o escritório será o lugar de aprendizagem.
Poderemos também oferecer cursos predominantemente presenciais e outros
predominantemente virtuais. Isso dependerá do tipo de matéria, das necessidades
concretas de cobrir falta de profissionais em áreas específicas ou de aproveitar melhor
especialistas de outras instituições, que seria difícil contratar.
Caminhamos rapidamente para processos de ensino-aprendizagem totalmente
audiovisuais e interativos. Veremos, ouviremos, escreveremos simultaneamente, com

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facilidade, a um custo baixo, às vezes em grupos grandes, em outros em grupos
pequenos ou de dois em dois.

4 TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Fonte: media.pennlive.com

Estamos numa fase de transição na educação à distância. Muitas organizações


estão limitando-se a transpor para as virtuais adaptações do ensino presencial (aula
multiplicada ou disponibilizada). Há um predomínio de interação virtual fria
(formulários, rotinas, provas, e-mail) e alguma interação on-line. Começamos a passar
dos modelos predominantemente individuais para os grupais. A educação a distância
mudará radicalmente de concepção, de individualista para mais grupal, de utilização
predominantemente isolada para utilização participativa, em grupos. Das mídias
unidirecionais, como o jornal, a televisão e o rádio, caminhamos para mídias mais
interativas. Da comunicação off-line evoluímos para um mix de comunicação off e on-
line (em tempo real).

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Educação a distância não é só um "fast-food" aonde o aluno vai lá e se serve
de algo pronto. Educação a distância é ajudar os participantes a que equilibrem as
necessidades e habilidades pessoais com a participação em grupos -presenciais e
virtuais - onde avançamos rapidamente, trocamos experiências, dúvidas e resultados.
Iremos combinando daqui em diante cursos presenciais com virtuais, uma parte dos
cursos presenciais será feita virtualmente. Uma parte dos cursos a distância será feita
de forma presencial ou virtual-presencial, vendo-nos e ouvindo-nos. Períodos de
pesquisa mais individual com outros de pesquisa e comunicação conjunta. Alguns
cursos poderão fazê-los sozinhos com a orientação virtual de um tutor e em outros
será importante compartilhar vivências, experiências, ideias.
A internet está caminhando para ser audiovisual, para transmissão em tempo
real de som e imagem (tecnologias streaming). Cada vez será mais fácil fazer
integrações mais profundas entre TV e WEB.
As possibilidades educacionais que se abrem são fantásticas. Com o
alargamento da banca de transmissão como acontece na TV a cabo torna-se mais
fácil poder ver-nos e ouvir-nos a distância. Muitos cursos poderão ser realizados a
distância com som e imagem, principalmente cursos de atualização, extensão. As
possibilidades de interação serão diretamente proporcionais ao número de pessoas
envolvidas.
Teremos aulas a distância com possibilidade de interação on-line e aulas
presenciais com interação a distância. Algumas organizações e cursos oferecerão
tecnologias avançadas dentro de uma visão conservadora (lucro, multiplicação)
O ensino será um mix de tecnologias com momentos presenciais, outros de
ensino on-line, adaptação ao ritmo pessoal, mais interação grupal, avaliação mais
personalizada (com níveis diferenciados de visão pedagógica)
Outras organizações oferecerão tecnologias de ponta com visão pedagógica
avançada (cursos de elite, subsidiados). O processo mais lento do que se espera.
Iremos mudando aos poucos, tanto no presencial como na educação à distância. Há
uma grande desigualdade econômica, de acesso, de maturidade, de motivação das
pessoas. Alguns estão prontos para a mudança, outros muitos não. É difícil mudar
padrões adquiridos (gerenciais, atitudinais) das organizações, governos, dos
profissionais e da sociedade.

20
Ensinar com as novas mídias será uma revolução, se mudarmos
simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino, que mantêm distantes
professores e alunos. Caso contrário conseguirá dar um verniz de modernidade, sem
mexer no essencial. A Internet é um novo meio de comunicação, ainda incipiente, mas
que pode ajudar-nos a rever, a ampliar e a modificar muitas das formas atuais de
ensinar e de aprender.

5 O PAPEL DO PROFESSOR NO PROCESSO EDUCATIVO

Fonte: noticias.universia.com.br

As políticas sociais vêm transformando as relações de trabalho, através da


inserção das tecnologias digitais, de forma significativa no cotidiano dos profissionais
de todas as áreas. Impulsionado pelos avanços tecnológicos, o professor modifica sua
prática pedagógica, utilizando-se de ferramentas que não tem conhecimento, em
nome do valor dado ao acesso rápido e estratégico de informações.
Com relação à prática pedagógica, por mais que a educação se transforme com
um emprego de novas metodologias e tecnologias, o professor, através da sua
postura e do seu conhecimento, é quem efetiva a utilização desse aparato tecnológico
e científico. Dessa forma, redimensiona o seu papel, deixando de ser o transmissor
de conhecimento para ser o estimulador. “O professor se transforma agora no

21
estimulador da curiosidade do aluno por querer conhecer, por pesquisar, por buscar a
informação mais relevante” (MORAN, 1995).
Ao estruturar sua proposta pedagógica, utilizando tecnologia digital, o professor
precisa estabelecer vínculos com os alunos, conhecer seus interesses, saber o que o
aluno já sabe, o que o aluno não sabe e o que ele gostaria de saber. Motivar o aluno
a fazer parte da proposta pedagógica, colocando-o a par sobre o que será abordado
e convidando-o a contribuir. "Os alunos captam se o professor gosta de ensinar e
principalmente se gosta deles e isso facilita a sua prontidão para aprender” (MORAN,
2000).
O professor detém um lugar de destaque na aprendizagem porque possui uma
formação específica, sendo legitimado por sua formação acadêmica para trabalhar
nessa área. Para que a atuação do professor seja satisfatória, ele necessita estar
constantemente se atualizando e estudando sempre. A formação continuada do
profissional é processo constante, permitindo a análise da teoria na prática, além de
desenvolver o senso reflexivo sobre a sua atuação. Porém, a realidade, nem sempre,
proporciona isso devido à pequena disponibilidade de tempo ou à distância, o que
vem sendo resolvido com os cursos a distância.
Segundo Pedro Demo, 1998, o professor moderno apresenta, ou deveria
apresentar, algumas características a comentar. O professor deve ser um
pesquisador, assumindo um compromisso com o questionamento reconstrutivo a fim
de ultrapassar a simples socialização do conhecimento. Para tanto, é fundamental a
consciência crítica, o questionamento para a construção ou para a realização de
intervenção alternativa. O professor ao estruturar o planejamento da sua aula e ao
utilizar novas técnicas estará experimentando outras propostas pedagógicas,
qualificando o processo de ensino aprendizagem.
A realidade mostra um quadro um pouco diferente. Para pesquisar é necessário
tempo, e o professor, que se encontra em sala de aula, por vezes com uma sobrecarga
de trabalho, não encontra este tempo para a pesquisa, para criar novas propostas de
aula.
Outro fator importante da prática pedagógica é a faculdade do professor
elaborar por si próprio seu material como marca de teor emancipatório e de autonomia,
fundamentado teoricamente. A experiência pela experiência leva a um caminho

22
perigoso, o do “achismo”. O professor acha que o seu aluno está aprendendo sem
fazer uma avaliação teórica da situação.
O acesso à Internet é uma ferramenta que pode facilitar na inovação de
propostas pedagógicas alternativas, bem como no contato com o conhecimento de
ponta para poder comparar e avaliar as propostas. Isso se faz possível, uma vez que
as escolas se encontram equipadas tecnologicamente.
A teorização da prática faz parte da atuação pedagógica. Com o confronto entre
teoria e prática, surge uma relação dialética que garante um processo construtivo da
aprendizagem. “A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação
Teoria/Prática sem a qual a teoria pode ir virando blábláblá e a prática, ativismo”
(FREIRE, P., 1998, P.24).
O professor também necessita de atualização permanente, buscar sempre
informações, saber o que está acontecendo, estar consciente da relação entre os
diferentes saberes. Saber somente sobre a sua área de atuação não é mais suficiente
para atender as necessidades dos alunos. Isto não quer dizer que o professor precise
saber tudo, mas sim, saber o que o aluno quer conhecer. O processo educativo
precisa estar vinculado ao contexto social, em que o sujeito - aluno - está inserido.
Isso irá implicar em conhecer e usar instrumentação eletrônica, bem como outros
recursos pedagógicos.
Uma questão que envolve a prática educativa relaciona-se com a avaliação,
sendo necessário que o professor reveja sua teoria e prática dessa etapa. A avaliação
permite acompanhar o aluno e verificar o seu processo de aprendizagem, para dar
continuidade na construção do conhecimento através de propostas específicas.
Portanto, ela exige do professor dedicação e sensibilidade.
Antes de falar sobre o professor frente ao uso da tecnologia digital na educação,
faz-se necessário uma pequena explanação sobre estas tecnologias, como propostas
metodológicas e como ferramentas de aprendizagem.

23
6 O USO DA TECNOLOGIA DIGITAL

Fonte: www.xalingo.com.br

Dentro desse novo panorama, importante, sem sombra de dúvidas, é a questão


da possibilidade de uso do computador, da informática, pelo professor na educação,
sendo o computador uma forma de mídia educacional em que a abordagem
pedagógica é auxiliada por esta ferramenta.
Através do computador, é possível repassar a informação para ser processada
em conhecimento com a criação de ambientes de aprendizagem e a facilitação do
processo do desenvolvimento intelectual do aluno.
O professor tem a sua disposição uma série de ferramentas, que podem ser
utilizadas através do computador, como as listadas abaixo, que possibilitam a
incrementação de sua prática pedagógica:
- Teleconferência: a teleconferência permite que um especialista esteja em
contato com telespectadores das mais diversas e distantes regiões do mundo, esta
atividade permite que informações e experiências sejam transmitidas, reforçando-se
o aspecto do ensino. Para que haja um processo de aprendizagem, essa técnica deve
ser precedida de estudos sobre o tema, com um preparo prévio da conferência para

24
a realização de um debate e não um monólogo. Outro ponto é a necessidade da
continuidade da atividade que se integra a uma teleconferência, esta não pode ser um
acontecimento isolado.
- Videoconferência: a videoconferência possibilita o encontro de várias
pessoas, localizadas em espaços diferentes. Através da videoconferência as pessoas
podem trocar áudio, vídeo, trabalhar juntas através dos recursos de compartilhamento
e construir esquemas ou gráficos no quadro de comunicação.
- Chat ou bate-papo: funciona como uma técnica de brainstorm, momento em
que todos os participantes interagem sincronicamente, expressando suas ideias de
forma livre. Permite conhecer as manifestações espontâneas dos participantes sobre
determinado tema, possibilita uma discussão mais profunda e motiva o grupo para um
assunto. Esta técnica acontece numa velocidade surpreendente, podendo haver a
manifestação simultânea de todos, o que requer um acompanhamento do professor
orientando a atividade e também tomando cuidado para não entrar a todo o momento
nas manifestações.
-Listas de discussão: cria online grupos de pessoas que debatem sobre um
assunto que tenham interesse. O objetivo da lista é avançar os conhecimentos, as
informações e experiências, para trabalhar as ideias iniciais. As listas de discussão
exigem um tempo maior para o preparo dos textos a serem colocados na lista. Trata-
se de uma reflexão contínua, de um debate fundamentado de ideias. Não se fecha o
assunto, e como funciona não necessariamente online simultaneamente, exige tempo
para ser realizada. As listas são criadas utilizando-se o correio eletrônico.
- Correio eletrônico – e-mail: este recurso permite a interação aluno/professor -
aluno/aluno, sustentando a continuidade do processo de aprendizagem através do
atendimento a um pedido de orientação, ou o professor pode se comunicar com todos
os seus alunos (ou com algum em particular) durante o espaço entre uma aula e outra.
Coloca os alunos em contato direto, favorecendo a troca de materiais, a produção de
textos em conjunto, agilizando a comunicação.
- Internet: é um recurso dinâmico, atraente, atualizado, de fácil acesso, que
permite a transmissão de som e imagem em tempo real. Além das facilidades
interativas, através da Internet, tem-se acesso ao conhecimento de ponta, bem como
o acesso a bibliotecas do mundo todo. Com a Internet, aprende-se a ler, buscar
informações, pesquisar, comparar dados...
25
- Softwares educacionais: estes recursos disponibilizam informações e
orientações de trabalho para os usuários mais facilmente, pois se apresentam de
forma integrada. Devem funcionar como incentivadores e interativos das atividades
de aprendizagem.
A utilização da ferramenta e da metodologia, sem uma proposta coerente, não
garante a eficácia na construção do conhecimento. O professor estará apenas
reproduzindo os modelos tradicionais. O avanço tecnológico consiste na relação
estabelecida entre o professor e o uso da ferramenta.
Para a construção do conhecimento do aluno atual, o professor assume o papel
do mediador e orientador, que pode ser designado não somente ao professor, como
também a outro sujeito com maior conhecimento sobre o assunto desenvolvido.
O professor, com o uso das novas tecnologias em sala de aula, pode se tornar
um orientador do processo de aprendizagem, trabalhando de maneira equilibrada a
orientação intelectual, a emocional e a gerencial. (Moran, J., 2000).
Os professores, muitas vezes, procuram acompanhar as mudanças
pedagógicas que vêm ocorrendo. Porém, não conseguem exercer o seu papel no
processo educativo. É imprescindível a reconstrução desse papel de reprodutor para
transformador.
O professor tem a finalidade de equilibrar a participação dos alunos nos
aspectos qualitativos (nível de colocações e concepções trazidas à cerca do tema
proposto) e quantitativo (não controlador, mas de observador sobre as causas da não
participação). O professor então assume um papel de mediador da interação entre os
sujeitos, tencionando o processo de construção do conhecimento desses sujeitos.
Neste processo os alunos se conscientizam dos diferentes tempos e espaços da
construção do seu conhecimento, através da autonomia.
Mesmo que o processo educativo esteja atrelado ao professor, este precisa ter
claro que a sua proposta deve estar voltada à aprendizagem do aluno e ao seu
desenvolvimento. Através de ações conjuntas direcionadas para a aprendizagem
levando em conta incertezas, dúvidas, erros, numa relação de respeito e confiança.
As intervenções do mediador precisam estar coerentes com as necessidades e /ou
dificuldades dos alunos.
O professor que trabalha na educação com a informática há que desenvolver
na relação aluno-computador uma mediação pedagógica que se explicite em atitudes
26
que intervenham para promover o pensamento do aluno, implementar seus projetos,
compartilhar problemas sem apresentar soluções, ajudando assim o aprendiz a
entender, analisar, testar e corrigir erros”. (MASETTO, M., P. 171, 2000).
Os alunos provenientes de uma Prática Pedagógica Tradicional não
vivenciaram situações de autonomia na construção do seu conhecimento, importante
na proposta de ensino. Desta forma há o fortalecimento do papel do mediador no
sentido de estar atento e envolvido com a construção.
O professor é a autoridade do espaço designado para a construção do
conhecimento, é a pessoa que possui maior conhecimento, estruturou os objetivos e
estabeleceu uma metodologia para atingi-los. Porém, não é apropriado ao professor
exercer sua autoridade com autoritarismo.

27
7 BIBLIOGRAFIA BÁSICA

KAMPFF. Adriana Justin Cerveira. Tecnologia da informática e comunicação na


educação, Curitiba: IESDE Brasil, 2007. 143p., (371.334 K15t)

MUNHOZ, Antonio Siemsen. ABP - Aprendizagem baseada em problemas:


ferramenta de apoio ao docente no processo de ensino e aprendizagem. São
Paulo: Cengage Learning, 2015. 243p., (371.334 M966a)
OLIVEIRA, Betty Antunes de. O estado autoritário brasileiro e o ensino superior,
São Paulo: Cortez, 1980. 111p., (378 O481e)

8 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

COLL, Cesar S. Aprendizagem escolar e construção do conhecimento. Porto


Alegre: Artes Médicas, 1994.

DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez, 1998.

DEMO, Pedro. Questões para Telê educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998. 365p.

DERTOUZOS, Michael. O que será. Como o novo mundo da informação


transformará nossas vidas. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Saberes necessários à prática educativa.
7ed. São Paulo: Paz e Terra, 1998. 159p.

GARDNER, Howard. Estruturas da Mente. A teoria das inteligências múltiplas. Porto


Alegre: Artes Médicas, 1994.

GATES, Bill. A estrada do futuro. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. GILDER,
George. Vida após a televisão; vencendo na revolução digital. Rio de Janeiro: Ediouro,
1996.

LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. O futuro do pensamento na era da


informática. Rio de Janeiro: Ed 34, 1993. ___________. A inteligência coletiva; por
uma antropologia do ciberespaço. São Paulo: Loyola, 1998.

LIPMAN, Matthew. O pensar na educação. Petrópolis: Vozes, 1992.


28
LYON, Harold C. Aprender a sentir-sentir para aprender. São Paulo: Martins
Fontes, 1977.

MASETTO, Marcos (org.) Docência na Universidade. Campinas: Papirus, 1998.


MORAN, José Manuel, MASETTO, Marcos T., BEHRENS, Marilda A. Novas
tecnologias e mediação pedagógica. Campinas, SP: Papirus, 2000. 133p.

MORAN, José Manuel. Ensino e aprendizagem inovadores com tecnologias.


Artigo disponível online http://www.eca.usp.br/prof/moran Consultado em 06/02/2001.

MORAN, José Manuel. Mudanças na comunicação pessoal. São Paulo: Paulinas,


1998. ___________________. Aprendendo a viver. São Paulo: Paulinas, 1999.
__________________. Como ver televisão; leitura crítica dos meios de
comunicação. São Paulo: Paulinas, 1991. ___________________ . Internet no
ensino. Comunicação & Educação. V (14): janeiro/abril 1999, p. 17-26.
NEGROPONTE, Nicholas. A vida digital. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

PAPERT, Seymour. A máquina das crianças: repensando a escola na era da


informática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

POSTMANN, Neil. Tecnopolio. São Paulo: Nobel, 1994.

ROGERS, Carl. Liberdade para aprender. Belo Horizonte: Inter livros, 1971.
____________. Um jeito de ser. São Paulo: EPU, 1992.

SEABRA, Carlos. Usos da telemática na educação. In Acesso; Revista de Educação


e Informática. São Paulo, v.5, n.10, p.4-11, julho, 1995.

SETZER, Valdemar W. Uma revisão de argumentos em favor do uso de


computadores na educação elementar. Artigo disponível online
http://www.ime.usp.br/~vwsetzer consultado em 30/10/2000.

SHAFF, Adam. A Sociedade Informática. São Paulo: Brasiliense-UNESP,1992.

29
9 LEITURA COMPLEMENTAR

Nome do autor: Luiz Miguel Picelli SanchesI; Rodrigo JensenII; Maria Inês
MonteiroIII; Maria Helena Baena de Moraes LopesIV
Disponível em: SCIELO

10 ENSINO DA INFORMÁTICA NA GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM DE


INSTITUIÇÕES PÚBLICAS BRASILEIRAS

11 RESUMO

Este estudo descritivo objetivou verificar a inserção de disciplinas relacionadas


à informática nos cursos de graduação em Enfermagem, de instituições de ensino
superior federais e estaduais brasileiras. Os cursos de graduação foram localizados
pelo sistema e-MEC. A busca da grade curricular dos campi que ofereciam o curso de
Enfermagem foi realizada pela internet, identificando-se disciplinas relacionadas à
informática. Foram localizadas 81 instituições de ensino superior e 123 campus.
Apenas 100 campi disponibilizavam a grade curricular na internet e, desses, 35 campi
ofereciam a disciplina. A maior proporção ocorreu na Região Nordeste (46,1%) e, a
menor, na Região Norte (8,6%). A disciplina é oferecida em maior frequência como
eletiva (57%), no primeiro e segundo ano do curso (80%) e com carga horária média
de 47 horas-aula. A baixa oferta da disciplina na graduação contraria as tendências
do mercado de trabalho e das Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de
graduação em Enfermagem.
Descritores: Informática em Enfermagem; Educação Superior; Currículo.

12 INTRODUÇÃO

O crescimento da tecnologia de informação em saúde gerou, em âmbito


mundial, a necessidade da criação de cursos de formação profissional para
desenvolver, implementar e avaliar sistemas para a saúde. Os programas para

30
formação de profissionais especializados em informática biomédica ou em saúde vêm
sendo incentivados desde as duas últimas décadas.
O ensino sobre informática tem sido integrado na graduação de profissionais
da saúde, de modo a proporcionar conhecimento mínimo para que, no papel de
usuários, esses profissionais tenham conhecimento sobre recursos de tecnologia de
informação e comunicação, visando o uso eficiente e responsável de informações,
metodologias de processamento do conhecimento e tecnologias de informação e
comunicação(1).
Há mais de uma década, apontamentos científicos identificaram a revolução
digital na Enfermagem, associando as práticas de qualidade ao uso de computadores
e incorporação das novas tecnologias(2). Essa prática também é observada na área
educacional, o que demanda melhor preparação para que esses profissionais sejam
formados com capacidade para se adaptar e usufruir de toda a tecnologia da
informação e comunicação(3).
O conteúdo curricular e a definição de competências da informática na
Enfermagem têm sido discutidos na literatura científica. Embora a importância dessas
competências seja reconhecida mundialmente, ainda não há ampla incorporação das
mesmas nos currículos de Enfermagem, em nível de graduação ou pós-graduação de
vários países(4).
Em pesquisa realizada nos Estados Unidos da América (EUA), cujos sujeitos
foram coordenadores de cursos de graduação em Enfermagem, foi identificado que
80% deles consideraram que o diplomado em Enfermagem deveria ter competências
em informática, tais como conhecimento sobre uso de e-mail, processamento de texto,
recuperação bibliográfica e internet. Porém, apenas 33% relataram que eram
ensinadas essas competências nos cursos que coordenavam (5). Em estudos
brasileiros, é complementada essa informação, apontando que docentes e alunos
ainda apresentam conhecimento deficiente quanto aos recursos de informática,
impedindo-os de empregarem as tecnologias da informação e comunicação nas
diferentes dimensões que a Enfermagem abrange, como: ensino, pesquisa,
gerenciamento e assistência(3,6).
Devido ao desconhecimento tecnológico, alguns docentes apresentam medo,
insegurança e preconceito em relação à informática. O docente sente-se excluído do

31
mundo de vida tecnológico, não conseguindo perceber os novos caminhos que estão
sendo vivenciados pelos alunos, com relação às tecnologias(7).
Uma pesquisa realizada no Brasil, com alunos de Enfermagem de uma
universidade pública, mostrou que 94% possuíam, em casa, computador com internet.
A maior frequência da utilização do computador entre os alunos se deu no uso de
programas de digitação (94,4%), internet (91,3%), apresentação de trabalhos (88,8%)
e pesquisa bibliográfica (86,1%). Parte dos alunos demonstrou habilidade no
manuseio de e-mail (44,4%) e navegação de sites (47,2%). Os autores do estudo
defendem que a disciplina de informática não deve focalizar somente o treinamento
básico de informática, mas permitir que os alunos visualizem potencialidades e
limitações dos recursos tecnológicos na prática profissional(8).
Nos EUA, a certificação de informática em Enfermagem já é realizada há mais
de uma década(1). O primeiro impacto significativo de publicações abordando o uso do
computador no ensino de Enfermagem, com enfoque na temática informática no
currículo de graduação e pós-graduação, ocorreu na década de 80,
predominantemente nos EUA. No Brasil, a primeira iniciativa relacionada ao uso do
computador, na área da educação, também é datada da década de 80 (9).
É determinado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação
em Enfermagem, Art.4º - III, que, como parte da formação do enfermeiro, o aluno deve
ter acesso ao domínio de tecnologias de comunicação e informação. O Art.5º - XV, da
mesma resolução, afirma que um dos objetivos da formação do enfermeiro é dotá-lo
dos conhecimentos requeridos para o exercício de competências e habilidades, no
uso adequado de novas tecnologias de informação e comunicação (10).
Discussões estão acontecendo no Brasil, em âmbito federal, sobre a
implantação de sistemas informatizados para o gerenciamento de informações em
saúde. Órgãos públicos têm se manifestado a favor da implantação e integração
desses sistemas para uso nos diferentes níveis de atenção à saúde, com a finalidade
de facilitar o acesso à informação. Isso levou à proposta da Política Nacional de
Informação e Informática em Saúde (PNIIS) do Sistema Único de Saúde (SUS), que
objetiva conduzir "o processo de informatização do trabalho de saúde, tanto nos
cuidados individuais quanto nas ações de saúde coletiva, de forma a obter os ganhos
de eficiência e qualidade permitidos pela tecnologia, gerando automaticamente os
registros eletrônicos em que serão baseados os sistemas de informação de âmbito
32
nacional, resultando pois em informação de maior confiabilidade para gestão, geração
de conhecimento e controle social"(11).
Trata-se de política que pressupõe a necessidade de aplicação da informática
no ensino de graduação e também em programas de educação permanente,
fortalecendo e aproximando as habilidades de aprendizagem, promovendo melhor
desenvolvimento individual, social e profissional(12).
Frente às determinações das Diretrizes Curriculares e à tendência de
informatização dos serviços de saúde, surgem questionamentos sobre a formação dos
enfermeiros no Brasil: o enfermeiro, na sua formação acadêmica, é preparado para
atender os requisitos de conhecimento de informática exigidos pelo mercado de
trabalho?
Este estudo teve por objetivo verificar a inserção de disciplinas relacionadas à
informática nos cursos de graduação em Enfermagem de instituições de ensino
superior federais e estaduais brasileiras.

12.1 Métodos

Trata-se de pesquisa descritiva, cujos dados foram coletados no mês de


novembro de 2010.
Foi realizado, inicialmente, o levantamento dos cursos de graduação em
Enfermagem de instituições de ensino superior federais e estaduais brasileiras, por
meio do sistema e-MEC(13), recurso do Ministério da Educação. Em seguida, realizou-
se busca, na internet, da grade curricular dos cursos de graduação em Enfermagem
identificados.
Foram incluídas no estudo todas as instituições de ensino superior públicas
federais e estaduais que possuíam curso de graduação em Enfermagem e
disponibilizavam sua grade curricular para consulta por meio da internet. Assim, foi
analisada a grade curricular dos cursos e identificadas as disciplinas que possuíam
temática relacionada à informática, por meio do nome da disciplina e da ementa.
Por não existir regra geral para nomear as disciplinas ou desenvolver o
conteúdo programático, considerou-se que qualquer forma de oferecimento de
conteúdo de informática atenderia os critérios de inclusão no estudo. Sendo assim,
consideraram-se como disciplinas de Informática em Saúde aquele as que referiam,
33
em suas ementas, o ensino de informática básica aplicada ou não, sistemas de
informação em saúde ou informática aplicada à área de saúde.
Calculou-se a frequência absoluta e relativa das variáveis estudadas e os
dados foram apresentados em tabelas e figura.

12.2 Resultados

Em novembro de 2010, o Brasil possuía 1.109 cursos de graduação em


Enfermagem, entre instituições de ensino superior públicas e privadas. Na Tabela 1 é
apresentada a distribuição das instituições de ensino superior de natureza jurídica
pública federal e estadual que oferecem o curso de graduação em Enfermagem, assim
como de seus campi(13).

Na Tabela 2 é apresentada a distribuição da oferta das disciplinas


relacionadas à informática, segundo as instituições de ensino superior públicas
federais e estaduais, que disponibilizavam suas grades curriculares na internet
(n=100). Observou-se que 35 (35%) desses cursos de Enfermagem ofereciam
disciplinas relacionadas à informática.

34
Considerando-se o total de cursos de graduação em Enfermagem de
instituições de ensino superior públicas federais e estaduais (123), nove (13,8%)
campi de instituições de ensino superior federais e 14 (24,1%) estaduais não
disponibilizavam na internet suas grades curriculares.
A distribuição geográfica, em âmbito nacional, dos cursos de graduação em
Enfermagem, oferecidos por instituições públicas federais e estaduais, comparando-
se com a oferta de disciplinas de informática nas grades curriculares, está
apresentada na Figura 1.
As maiores proporções no oferecimento de disciplinas relacionadas à
informática ocorreram nas Regiões Nordeste (46,1%) e Sudeste (45,8%),
considerando o número de campi de cada região. Na Região Norte do Brasil é onde,
proporcionalmente ao número de campi, se localiza o menor número de cursos que
oferecem disciplinas relacionadas à informática (8,6%).
Entre as 35 grades curriculares de cursos de Enfermagem analisadas, que
oferecem alguma disciplina relacionada à informática, em 15 (43%) campi a disciplina
é oferecida como componente obrigatório da grade curricular, e em 20
(57%) campi como componente eletivo. Cinco cursos de graduação em Enfermagem,
das universidades analisadas, oferecem duas ou mais disciplinas relacionadas à
temática de informática.
Em apenas 20 campi foi informado o semestre em que é oferecida a disciplina
de informática; dessas, 16 (80%) eram oferecidas entre o primeiro e segundo ano do
35
curso de graduação. As disciplinas apresentaram carga horária média de 47 horas-
aula.

12.3 Discussão

Neste estudo foi possível identificar que a maior parte dos cursos de graduação
em Enfermagem no Brasil, de instituições de ensino superior federais e estaduais, não
possui disciplinas relacionadas à informática na grade curricular. Considera-se que
esse dado pode estar subestimado, já que não foi possível localizar, na internet, a
grade curricular de algumas instituições.
Com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em
Enfermagem e considerando-se as exigências atuais do mercado de trabalho, como
a tendência da implantação de sistemas de informação em serviços de saúde, esse é
um dado preocupante e evidencia que, possivelmente, os enfermeiros não estão
sendo preparados para atuar em instituições que necessitam de profissionais
capacitados para interagir com as tecnologias de informação.
Nas instituições de ensino superior federais foi encontrada maior frequência de
oferta de disciplinas de informática (41,1%) em comparação com as estaduais
(27,3%). Apesar dessa diferença, tanto as instituições estaduais quanto as federais
não atendem as demandas de capacitação profissional que advieram da Política
Nacional de Informação e Informática em Saúde do SUS(11).
A escolha do melhor momento para oferecer uma disciplina de informática,
visando a discussão de sua aplicação na prática de saúde, ainda é controversa e com
poucas evidências na literatura. Neste estudo, foi identificado que 80% dos cursos
ofereciam a disciplina no primeiro ou segundo ano de formação do aluno, o que mostra
que disciplinas de informática têm sido predominantemente oferecidas no início do
curso de graduação, quando o aluno ainda não vivenciou a prática em instituições de
saúde.
A disciplina informática aplicada à saúde deve ser adaptada ao avanço dos
alunos e utilizada para estimular o aprendizado na formação do enfermeiro. Por
exemplo, o ensino sobre o prontuário do paciente deve ser introduzido após o aluno
ter alguma experiência clínica, mas não ao final do curso, para que o aluno possa se
beneficiar desse conhecimento nos últimos estágios de sua formação clínica (1).
36
Tecnologia e estratégias de ensino on-line podem ser utilizadas positivamente
no ensino de Enfermagem. Usar tecnologias no ensino de Enfermagem e ensinar os
alunos a utilizarem tecnologias e informática pode favorecer o aprendizado do aluno
em relação a habilidades psicomotoras associadas ao uso de software e hardware, o
que será benéfico para um ambiente de cuidado que utiliza tecnologias. A exposição
de alunos à tecnologia e informática, no ensino de Enfermagem, pode ter grande
impacto nos cuidados de saúde(14).
As Regiões Nordeste e Sudeste apresentaram, proporcionalmente, maior
número de instituições que oferecem disciplinas de informática na graduação do
enfermeiro. Esses fatores podem estar associados ao fato de essas regiões serem
polos tecnológicos, nos quais, possivelmente, os profissionais possuem maior acesso
às tecnologias de informática. A Região Sul do Brasil, onde foi publicada a primeira
iniciativa de uso da informática no ensino de Enfermagem no Brasil(9), não apresentou
os números mais expressivos.
Uma possível limitação do estudo é que algum curso poderia introduzir
conteúdos relacionados à informática em disciplinas não específicas, o que não foi
possível identificar durante a pesquisa, uma vez que o conteúdo programático das
disciplinas não era disponibilizado pelos cursos. Algumas disciplinas que poderiam
apresentar conteúdo relacionado à informática seriam as de diagnóstico de
Enfermagem, processo de Enfermagem ou mesmo campos de estágio que permitem
o contato do aluno com sistemas de informação hospitalar e prontuário eletrônico;
assim como recursos de informática utilizados no processo ensino/aprendizado (15).
Contudo, mesmo que isso possa ocorrer em alguns cursos, disciplinas específicas
para discutir informática aplicada à saúde permitem ao aluno conhecer maior
abrangência de aplicações e recursos.
Houve grande dificuldade para localizar a grade curricular dos cursos de
graduação em Enfermagem na internet. Algumas das situações que dificultaram a
busca foram constituídas por sites desatualizados, estrutura deficiente da página
da web e informações de difícil acesso. Fatores como esses dificultam que alunos,
professores e pesquisadores possam obter informações sobre os cursos e, soma-se
a isso o fato de que, por serem instituições públicas, essas deveriam disponibilizar
informações para a sociedade que as mantém.

37
Órgãos como a Associação Internacional de Informática Médica oferecem
recomendações para o ensino da Informática em Saúde(1). Contudo, no Brasil, a falta
de enfermeiros capacitados, nessa área de conhecimento, e a ausência de definição
de conteúdo mínimo a ser abordado na formação dos alunos podem ser fatores
contribuintes para a baixa oferta dessa disciplina, nas instituições de ensino superior.
Sugere-se que sejam desenvolvidos estudos que investiguem as causas da
baixa oferta dos cursos de informática no currículo de Enfermagem e que proponham
conteúdo programático mínimo para as disciplinas de Informática em Saúde.

12.4 Conclusão

Neste estudo foi identificado que, no Brasil, apenas 35 cursos de graduação


em Enfermagem de instituições de ensino superior federais e estaduais ofereciam
disciplinas relacionadas à informática em sua grade curricular, disponibilizadas na
internet, em 2010. Essa situação não acompanha as tendências atuais do mercado
de trabalho do enfermeiro e não atende as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso
de graduação em Enfermagem.
Questiona-se: de quem é a responsabilidade do ensino da Informática em
Saúde para os enfermeiros? Como a profissão acompanhará as inovações e proporá
o desenvolvimento de tecnologias, se não está sendo formada para isso?

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