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PORTUGUÊS 9º ANO

Os amores de D. Pedro e Inês de Castro

D. Pedro I foi o 8º rei de Portugal. Uns chamaram-no de Justiceiro, outros de Cruel. Estas
"alcunhas" têm a ver com uma triste história de amor que viveu quando ainda era príncipe.
Esta é a história de D. Pedro e D. Inês de Castro, uma das mais famosas histórias de amor do
mundo!

D. Pedro nasceu em 1320 e era filho de D. Afonso IV, que


teve muitas dificuldades durante o reinado, nomeadamente por causa
de pestes e maus anos agrícolas. D. Afonso IV viveu também muitas
guerras na conquista de África, tendo ficado conhecido por vencer os
mouros, na Batalha do Salado, ajudando o rei de Castela.
D. Pedro D. Afonso IV
Uma bela história de amor
Tudo começou com o casamento de D. Pedro com uma princesa castelhana, D. Constança. Não
existia amor entre os dois, uma vez que o casamento foi arranjado pelos pais. Foi nessa altura que D.
Pedro conheceu D. Inês de Castro.
Viera de Castela, na companhia da princesa, uma linda moça, dama de honor,
que se chamava Inês. Era uma donzela de linhagem fidalga, filha natural de D. Pedro
de Castro, nobre guerreiro da Galiza, e bisneta do rei D. Sancho IV de Castela. Na
verdade, era ainda parente de D. Pedro, sua prima em segundo grau. Inês de Castro
vivia na Corte com D. Constança e D. Pedro. A formosura de Inês atraiu D. Pedro. A
convivência com tão bela mulher em pouco tempo ateou o coração do Infante o amor
e a paixão que não podia disfarçar. Inês de Castro

Esta ligação amorosa não foi nada bem-vinda. Todos tinham medo que D. Inês, filha de um
poderoso nobre espanhol, pudesse ter muita influência sobre o príncipe.
A questão dos amores entre D. Pedro e D. Inês preocupava o velho rei, mais que tudo. Resolveu
encontrar uma solução para o caso e obrigou a amante do filho a exilar-se para a terra de Albuquerque,
entre Castela e Portugal. Frustraram-se, no entanto, as intenções do rei. De facto, não separou os
apaixonados que comunicavam entre si por cartas levadas e trazidas secretamente.
A falta de saúde de D. Constança e os desgostos de uma vida amargurada não iriam permitir-lhe
durar muito. Morreu de parto, logo a seguir ao nascimento da filha Maria, em 1345. Nem o físico nem o
astrólogo da Corte haviam conseguido salvar a vida da princesa. A tragédia consternou a todos. Mas D.
Pedro ficava livre para cair nos braços da Inês.

Um amor louco
Ninguém podia suster a força do amor que unia, de modo irresistível, o Príncipe à mulher de sua
paixão. Era, de facto, tão ardente e tão profundo o sentimento do casal enamorado que D. Pedro, contra
ordem de seu pai, mandou vir D. Inês para Coimbra. Acabava, assim, o desterro em Albuquerque e
começava uma nova fase da vida para os dois, finalmente juntos.
A existência de D. Pedro e da linda Inês era imensamente feliz. Habitavam em Santa Clara, na
margem esquerda do rio Mondego. Ali nasceram quatro filhos: o primeiro chamou-se Afonso, o nome do
avô, mas morreu criança de tenra idade; os outros, dois meninos (João e Dinis) e uma menina (Beatriz),
cresceram com saudável robustez física, rodeados de carinho e ternura dos pais.

Passaram-se dez anos, desde a morte de D.Constança. Os conselheiros da Corte diziam e repetiam
a D. Afonso IV que havia um grande perigo para a Coroa e para o futuro próximo do País se D. Inês
viesse a ser rainha. Poderia muito bem dar-se o caso de um filho de D. Inês vir a ser rei, tirando o trono ao
herdeiro D. Fernando. D. Afonso IV ouvia e ficava inquieto, sem saber o que havia de decidir.
O triste luar de Janeiro
Os primeiros tempos do ano de 1355 iam testemunhar uma tragédia de sangue. O príncipe D.
Pedro nem presumia o que estava para acontecer quando se despediu da sua querida Inês e dos seus filhos
para iniciar a caça a cavalo, com nobres amigos e escudeiros.
Por aqueles dias, D. Afonso IV subiu a Montemor-o-Velho com o seu séquito e ali reuniu os seus
conselheiros de Estado, Diogo Lopes Pacheco, Álvaro Gonçalves e Pero Coelho, para tomar uma decisão
sobre o destino da vida de Inês de Castro. Os argumentos que ouviu não o convenceram mas conseguiram
que entregasse a sorte da amante de D. Pedro nas mãos dos que a queriam ver morta.

No dia 7 de Janeiro, ao cair da noite, Inês de Castro foi surpreendida pela


chegada dos reis e dos conselheiros. Não houve lágrimas nem gemidos de crianças
inocentes que impedissem a execução da vítima.
Quando o luar brilhou no firmamento, veio encontrar a pobre Inês sem vida,
degolada friamente pelo machado do carrasco. Nunca, na história de Portugal,
houve ou haveria tal crime de horror.
Morte de Inês de Castro

Sabias que o local onde D. Inês foi morta, em Coimbra, é hoje


conhecido como a Quinta das Lágrimas? Em sua memória,
existe lá também a Fonte dos Amores. Fonte dos Amores, na Quinta
É um lugar onde os namorados se encontram. das Lágrimas, em Coimbra

A terrível vingança
Depois da execução de D. Inês de Castro, D. Pedro revoltou-se contra o pai e declarou-lhe guerra.
Felizmente, a paz voltou graças à sua mãe, a rainha D. Beatriz, que evitou o encontro militar entre pai e
filho.
Quando D. Pedro subiu ao trono, era muito cuidadoso com o povo, que gostava bastante dele. Mas
uma das primeiras coisas que fez foi vingar a morte de D. Inês de Castro executando de modo cruel os ex-
conselheiros do pai: mandou arrancar-lhes o coração! Dizia que era assim que se sentia desde que D. Inês
tinha morrido.
O mais sinistro de toda a história é que D. Pedro elevou D. Inês a rainha já depois de morta e
obrigou toda a corte a beijar-lhe a mão, ou o que restava dela (porque D. Inês já tinha morrido há dois
anos).
Apesar de ter perdido o seu grande amor, D. Pedro voltou a casar-se e teve vários filhos, legítimos
e ilegítimos. Dois deles chegaram a reis: D. Fernando e D. João I, Mestre de Avis.

Mandou depois construir o mosteiro de Alcobaça onde fez um belo túmulo para D.
Inês. Mesmo em frente mandou construir o seu, onde foi enterrado em 1367. Diz-se que está
nesta posição para que, quando acordarem no dia do Juízo Final, olhem imediatamente um
para o outro.

Mosteiro de Alcobaça

Túmulo de D. Inês de Castro Túmulo de D. Pedro I

A trágica história de D. Pedro e D. Inês inspirou poetas, escritores e compositores em Portugal e


no estrangeiro. Camões foi um dos primeiros escritores a celebrar a lenda, em "Os Lusíadas".