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Guia básico sobre

ETHEREUM
CONHEÇA A PLATAFORMA QUE VAI REVOLUCIONAR OS 
MERCADOS DESCENTRALIZADOS NO MUNDO 
INTRODUÇÃO      
 
Imagine que toda a humanidade pudesse ter acesso a um único super computador. Mas que este, na 
verdade, fosse o conjunto de centenas de milhares de computadores espalhados pelo mundo atuando na 
mesma rede, de forma descentralizada e processando as mesmas informações. Esta é basicamente a 
proposta por trás da plataforma Ethereum. 
 
Ao longo  dos últimos sete  anos, o  mundo vem  observando uma crescente  onda de entusiasmo e interesse 
no que diz respeito às redes descentralizadas. 
 
No momento, a  maior e  mais notável destas redes é  a Blockchain  do  protocolo Bitcoin, que durante esse 
tempo  conseguiu  lançar  as  bases de uma promissora indústria  de  tecnologia  financeira e  também  serviu 
como inspiração para várias outras ideias geniais, como é o caso da plataforma Ethereum. 
 
Diferentemente  do  Blockchain,  que  permite  apenas  a   existência  do  bitcoin  como  moeda  digital,  o  
Ethereum  promete  ser o  berço de qualquer aplicativo descentralizado ou criptomoeda que você queira  e 
possa programar. 
 
A  moeda  nativa  da  plataforma,  chamada   de  ether,  vem   registrando  forte  alta  nos  últimos  dois  meses,  
quando  seu  valor  saiu  de  pouco  menos  de  US$  1  e passou os US$ 14,  fazendo com que  o  seu valor  de 
mercado ultrapassasse US$ 1 bilhão. 
 
Este ​
rally a transformou na segunda principal criptomoeda em negociação no momento, inclusive com um 
valor de mercado maior que todas as outras criptomoedas existentes, com a óbvia exceção do bitcoin. 
 
Atenta  às  tendências  do  mercado,  a  coinBR, q​
ue também  possui operações  de  mineração  de ether  e em 
breve  começará a  negociar a  moeda  no Brasil,  ​
publica este ebook para  explicar como surgiu a plataforma 
Ethereum, quais seus conceitos  básicos, suas  características  inovadoras  e potencias aplicações em nossas 
vidas e negócios. 
 
O  bitcoin,  sem  dúvida,  quebrou  paradigmas  na   indústria  de  tecnologia  financeira  desde  que  surgiu.  O 
Ethereum,  aparentemente,  possui  ainda  mais  ferramentas  para  ir  além  e  ajudar  na  criação  e 
desenvolvimento de outros mercados. 
 
A revolução será descentralizada. 
 
Boa leitura! 
 
 
 

O QUE É O ETHEREUM? 
 
Ethereum  é  uma  plataforma  digital  cuja  missão  principal  é  a  implementação  de  aplicações 
descentralizadas  (dapps)  e  de  ​ smart  contracts  (contratos  inteligentes).  Dapps  são  programas  de 
computador que  removem  a necessidade de intermediários em basicamente qualquer serviço centralizado 
existente  ao  permitirem  que  qualquer  pessoa   confie  em  uma  contraparte  desconhecida  para  realizar  os 
mais variados tipos de negócios e acordos de forma 100% digital. 
 
No  Ethereum,  os desenvolvedores  também  podem  escrever  a lógica  de  negócios  e acordos  em  forma  de 
contratos  inteligentes,  que  são  executados  automaticamente  quando  suas  condições  são  satisfeitas  por 
ambas  as partes e  informadas à rede. Estes contratos podem armazenar dados, enviar  e receber transações 
e até mesmo interagir com outros contratos, independentemente de qualquer controle. 
 
Inicialmente,  o  termo  “smart  contract”  foi  empregado para descrever o  uso de  sistemas  computacionais 
(ou outros meios automatizados) que tinham como objetivo efetivar determinados acordos. 
 
Como exemplo  de  um smart  contract mecânico,  podemos  citar  uma máquina que  vende  refrigerantes  ou 
chocolates.   Quando  você  coloca  uma  nota  ou  moeda  nestas  máquinas,  um  sistema  computacional 
programado  para  identificar  a  quantia  recebida   e  a   opção  do  produto feita pelo usuário  faz cumprir  um 
acordo entre o consumidor e o proprietário da máquina e realiza uma venda automática. 
 
Os  dapps  e  smart   contracts  funcionam  na  blockchain  do  Ethereum,   que  teve  sua  arquitetura  inicial 
concebida  por  um  jovem  gênio  russo­canadense,  à  época  com  19  anos,  chamado  Vitalik  Buterin,  que 
escolheu  o seguinte  título  para o seu  ​
white paper​: “Ethereum:  uma  plataforma de contratos inteligentes e  
aplicativos descentralizados da próxima geração”. 
 
Por  “próxima  geração”,  Buterin  refere­se  às  ferramentas  agregadas  à  sua  invenção   que,  em  teoria,  são 
capazes de  resolver de  maneira simples  e objetiva  várias  das limitações da Blockchain  do bitcoin e, com 
isso, inaugurar a fase 2.0 das criptmoedas. 
 

COMO FUNCIONA O ETHEREUM? 


 
Qualquer   pessoa  pode  carregar  aplicativos  ou  contratos  inteligentes   na  rede  do  Ethereum. A  equipe  de 
desenvolvimento  da  plataforma  buscou  deixar  tudo  o  mais  simples  possível  para  amplificar o  acesso  à 
tecnologia.  Por  isso,   os  desenvolvedores  podem  escrever seus  códigos em sete  diferentes  linguagens de 
programação,  incluindo   algumas  bastante  comuns,  como  HTML  e  JavaScript,  dentre  outras, como Go, 
Python e Lisp. 
 
Como desenvolvedor  de  aplicativos,  você vai precisar de infraestrutura zero para implementar  e distribuir 
suas  aplicações.  Qualquer  coisa  que  possa  ser  representada  matematicamente  pode  ser  modelada, 
garantida   e  negociada  através  do  Ethereum.  Depois  de  ser  escrito  em  uma  linguagem  de  programação 
aceita  pela plataforma, basta subir o código na plataforma, preencher as variáveis iniciais  e enviar. Depois 
disso, o  trabalho  passa a  ser da plataforma, que em  alguns segundos converte o código para linguagem de 
máquina, compilado em bytecode, e depois de minerado ele estará passível de ser executado. 
 
Uma  vez feito o upload, o contrato estará armazenado no  blockchain e outros usuários poderão acessá­lo 
diretamente  através da  plataforma ou por  meio  de  qualquer API  (​ Application  Programming Interface ou 
Interface de Programação  de Aplicações) desenvolvida  para acessá­lo. Com isso, aquele contrato, a partir 
da  identificação   de  que   as  condições  celebradas  nele foram satisfeitas, irá  automaticamente executar  as 
premissas nele estipuladas e poderá, por exemplo, enviar ou receber valores de uma pessoa a outra. 
 
Além  disso,  assim  como  o  bitcoin,  com  o  qual  você  não  precisa  confiar  em   um  banco  ou  em  uma 
autoridade central para manter seus recursos financeiros seguros, no Ethereum suas informações pessoais, 
sua   identidade  e  seus  fundos  também  ficam  sob  seu  controle  todo  o  tempo,  desde  que  dentro  de  sua 
carteira. Sem contar  que  suas aplicações também estão blindadas a ataques de negação de serviço, devido 
à natureza da tecnologia ser à prova desse tipo de intempérie. 


Muito provavelmente, as principais aplicações que serão desenvolvidas no
Ethereum ainda sequer foram pensadas e surgirão no futuro
- Vitalik Buterin, criador do Ethereum


O Ethereum possui uma moeda própria, chamada de ether (ETH) que tem basicamente dois propósitos: 
 
● Para rodar um dapp ou um contrato inteligente na rede da plataforma, o usuário precisa pagar pela 
utilização do poder de processamento da rede. Quanto mais complexo for o aplicativo, mais ether 
ele exigirá.  Se o bitcoin é o ouro digital, pense o ETH neste caso como se fosse o  petróleo  digital, 
um  combustível  necessário  para  manter  os  computadores  rodando,  garantir  a  verificação  das 
transações e, não menos importante, a segurança de toda a rede. 
 
● Assim  como  acontece  com   o  bitcoin,  aqueles  que  participam  do  processo  de  mineração  do 
Ethereum, ou  seja, de verificação dos blocos  de  transação,  recebem como recompensa uma  certa 
quantidade  de  ETH.  O  ether  é  minerado  através   de  um  algoritmo  chamado  Ethash,   que  foi 
construído  para  dificultar  seu  processamento  por  meio  de  hardwares  específicos,  como o chips 
ASICs,  ​ utilizados  para  minerar   bitcoin.  Sendo   assim,  a  mineração  ocorre  por  meio  de  GPUs, 
hardwares  bem  mais  simples,  o  que  acaba  encorajando  a   descentralização  do  processo, 
diferentemente  do   que vem ocorrendo  na  indústria  do  bitcoin,  que está  bastante  concentrada  em 
investidores  com  capacidade  de  sustentar  uma  operação  de  grande  escala  e  uso  intensivo  de 
capital. 
 
O  Ethereum  não  foi  chamado  de  uma tecnologia da nova  geração dos  mercados  descentralizados  à toa. 
Ele traz uma série de melhorias em relação às outras alternativas. Vejamos algumas delas: 
 
● O tempo de confirmação de cada bloco  na rede Ethereum  é de 17  segundos, que será  baixado para 
15  segundos  nas  próximas  atualizações. Em comparação,  ao  utilizarmos  o  bitcoin  este processo 
leva  cerca  de  10 minutos para  acontecer, podendo  às vezes  levar até mais  tempo dependendo do 
congestionamento  da  rede.  Em suma,  o Ethereum processa uma  transação 30  vezes mais  rápido 
que o bitcoin. 
 
● Você  pode  criar  sua  própria  criptomoeda  ou token utilizando  a plataforma  Ethereum. Enquanto 
isso, na rede do Bitcoin, só existe a moeda digital homônima e nenhuma outra. 
 
● Somente  contratos e  aplicações  simples  podem  ser  implementadas no Blockchain  do bitcoin. No 
Ethereum, qualquer tipo de  contrato inteligente ou dapp, por mais complexo que ele seja, pode ser  
criado e executado. Tudo isso de maneira distribuída e resistente à censura de qualquer órgão. 
 
● A  escalabilidade  do  Ethereum  não  é  passível  de  uma  longa  e  penosa  discussão  como  vem 
acontecendo  com  o  bitcoin.  No  caso  da primeira plataforma, o poder  de  processamento  da  rede 
pode  aumentar  ou  diminuir  de  acordo  com  a  demanda.  Isso  já  está  pré­definido  no  protocolo 
Ethereum. 
 
 
 
 

PARA QUE SERVE O ETHEREUM?


 
A maioria dos serviços que se usa hoje tem um fator em comum: são centralizados. Assim, por exemplo, 
você confia que seu banco pode manter seu dinheiro seguro, ser auditado independentemente e honesto. 
 
O mesmo é  verdade com o  Facebook, quando  você carrega uma  foto dos  seus  filhos, quando você envia 
um documento ao Dropbox ou  mesmo quando você vai  a uma  consulta no hospital e cadastra na rede de  
saúde  suas  informações médicas pessoais. Se  você trabalha como desenvolvedor, você  precisa submeter 
sua aplicação a uma App Store e se arrisca a tê­la removida pelas razões mais triviais e diversas. 
 
A  história   tem   mostrado  continuamente  que   esse  modelo  centralizado  é  falho,  mas  necessário  para 
garantir  os  níveis  de  confiança  entre  as  contrapartes.  Contudo,  isso  é  complexo  e  custoso  demais  para 
todos os envolvidos. 
 
Lembrando  que  tudo  que  é  centralizado  torna­se  mais  fácil  de  se  atacar,  pois  oferece  um  ponto  único 
como alvo, como o firewall de um website. 
 
As  aplicações  construídas no Ethereum não exigem que  seus  usuários confiem nos desenvolvedores com  
relação  a  informações  pessoais  ou  fundos.  No  Ethereum,  suas  informações   pessoais  permanecem  suas, 
seus  fundos  permanecem  seus  e  seu  conteúdo  permanece  seu.  Por  ser  descentralizada,  seus  principais 
benefícios  são o fato de ser uma plataforma  transparente, à  prova de  hackers  e que nem  sequer  fica  fora 
do ar. 
 
Como o  Ethereum  permite que você lance sua  própria  moeda,  é possível criar qualquer tipo de  ações de 
empresas dentro da plataforma ou representar a posse de qualquer objeto, como um carro ou uma casa. 
 
O  Ethereum  serve  para  retirar  essas  barreiras  de  desconfiança  entre  as  partes.  Você  pode  pensar  nele 
como  uma  rede  distribuída  programável.  O  fato  de  que  o  Ethereum  é,  por  sua  própria  concepção, 
resistente  à  fraude  e  à  adulteração,  significa  que  ele  oferece  uma   nova  gama  de  soluções  para  os 
problemas diários que são resolvidos atualmente  a custos  exorbitantes. Máquinas  de  votação,  registro de 
nome de  domínio, registro de  documentos  legais,  software médico, transferência de bens, serviços, smart 
property  e  contratos  entre  indivíduos,  sistemas  de  reputação  e  derivativos  financeiros.  Todos  esses 
aplicativos  podem  ser criados em uma rede onde os usuários  mantêm o controle dos seus fundos e de seus 
dados pessoais o tempo todo. 
 
Uma  aplicação futura do Ethereum são os DAOs ou organizações autônomas descentralizadas. Uma DAO 
é   composta  de   um  ou  mais  contratos  e  poderia  ser  financiada  por  um  grupo  de  indivíduos  com  ideias 
similares. Uma DAO opera  completamente transparente  e independente de qualquer intervenção humana, 
incluindo  seus  criadores  originais.  Uma  DAO   vai  ficar  na  rede  por  tanto  tempo  quanto ela cobrir seus 
custos de sobrevivência e fornecer um serviço útil à sua base de clientes. 
 
O  Ethereum  também  permite   que  desenvolvedores  criem,  por  exemplo,  diferentes  mercados 
descentralizados,   armazenem  registros   de  dívidas  ou  promessas  de  pagamentos,  transfiram  fundos  de 
acordo com  instruções  dadas no passado (como  uma intenção  de  compra/venda  ou um  contrato  futuro) e 
muitas  outras  coisas  que  não  haviam  sido  inventadas  ainda,  tudo  isso   de  forma  automática,  sem  um 
intermediário ou risco de contraparte. 


O Ethereum permite que você crie em sua plataforma qualquer aplicação
aplicação descentralizada ou moeda digital

”  
 
 

POTENCIAIS APLICAÇÕES

Ethereum  é  uma  plataforma  de  programação   de  aplicativos.   O  que  pode  ser construído nele  é limitado 
apenas  pela  criatividade  dos  seus  desenvolvedores.  Dito  isso  sobre  a   tecnologia,  há  três  tipos  de  
aplicações que nos vêm à mente. 
 
A primeira  são as moedas individuais.  Imagine se você é um artista e quer se sustentar através da emissão 
de  uma  nova  moeda.  Se  você  quiser  apoiar  esse  artista,  você  iria  comprar  essa  moeda,  tecnicamente 
investindo  em  seu   própria  oferta  inicial  de  ações  (IPO).  E,  como  as  milhões  de  moedas  que  são 
negociadas  em bolsas descentralizadas,  esta  moeda se tornaria uma representação do valor  daquele artista 
e não apenas um meio de troca. 
 
Ethereum  torna  simples  emitir  seus  próprios  tokens  de  valor  para  recompensar  seus   usuários  por 
determinadas  ações que eles tomam, mesmo fora da rede, como um check­in no Foursquare, por exemplo, 
ou participar de um projeto colaborativo de computação. 
 
Imagine como o relacionamento entre  os consumidores e os  varejistas mudaria se em vez de emitir pontos 
de  fidelidade,  varejistas  emitissem  cupons  criptográficos de valor que poderiam  ser  trocados por  bens  e 
serviços em mercados descentralizados ou mesmo outros pontos de valor, como milhas aéreas. 
 
Outra  aplicação interessante desse conceito  é que hoje, no  Facebook,  quando  você ajuda a  identificar  os 
artistas  que vão se tornar bem  sucedidos, clicando  no botão curtir, esse  valor  vai  para os anunciantes do  
Facebook e não vai para os produtores de conteúdo, nem para você.  
 
No Ethereum,  por outro lado, tanto o  criador do conteúdo quanto os early adopters seriam recompensados 
por   apontarem  este  artista.  Este  é  um  novo  modelo  de  renda  que  nunca  existiu  antes  e  que  pode 
revolucionar completamente a nossa forma de pensar sobre os rendimentos na internet de hoje. 
 
O segundo  tipo  de aplicação  que  prevemos  que será  muito  bem sucedido no Ethereum são os aplicativos  
que  atualmente  necessitam de um  intermediário. Os  usuários estão  cansados de pagar  taxas exorbitantes 
para empresas como Ebay, Kickstarter ou Airbnb.  
 
Numa  rede peer  to peer,  a existência de  um  intermediário  se  limita  a trazer  valor  agregado  real, como  o 
seguro,  por  exemplo,  ao  invés  de  apenas  colocar  duas  pessoas  em  contato.  Num  Kickstarter 
descentralizado,  em  vez  de  receber  um  produto  encomendado  que  rapidamente  se   torna  obsoleto  ou 
apenas  uma  camiseta, os usuários poderão  ser  recompensados com cupons  de  valor  das startups  em  que 
investem. 
 
O terceiro  tipo  de aplicação  se  refere às financeiras. Em nossa sociedade, há este conceito de aldeia, cujo 
qual,  se  você  pegar  um  empréstimo  e  ficar  inadimplente, você  seria banido do meio. Em resumo, você 
está garantindo acesso a empréstimos com a sua reputação ao invés de usar, para isso, bens físicos.  
 
Este  é  um  conceito  bem­sucedido  no  mundo  em desenvolvimento,  onde as empresas de  micro­finanças 
sofreram com  taxas  de  inadimplência  muito  baixas. Mas isso não é  novidade e  nunca  se escalou além de 
um grupo pequeno de indivíduos. 
 
Com   Ethereum,  você  pode  escalar  a  reputação  para  milhões  de  pessoas,  por  isso  prevemos  grandes 
mudanças não apenas no  mundo em desenvolvimento, mas  também  muito mais perto  de casa. E isso não 
seria  limitado   apenas  ao  crédito.  No  Ethereum,  qualquer  usuário   pode  emitir  e   negociar  ações,  títulos,  
derivativos e até contratos de diferenças. 
 
Pode  ser  que  as  aplicações  Ethereum  que  terão  o   maior  impacto  no  mundo  não  tenha  ainda  sido 
inventadas,  da  mesma forma que levou  quatro anos para as  redes sociais aparecerem  na  web e mais dois 
anos para vê­las diversificar e inventar novas aplicações como micro­blogging. 
 
 
UM POUCO DE HISTÓRIA

O  Ethereum  foi  inicialmente  descrito  por  Buterin  no  final  de  2013 como  o resultado  de  sua pesquisa  e 
trabalho  na  comunidade  Bitcoin.  Pouco  depois,  Vitalik  publicou  o  ​ Ethereum  white  paper​ ,  no  qual  ele 
descreve  em  detalhes  o   desenho   técnico  e  racional por trás  do protocolo Ethereum, além  da arquitetura  
dos smart contracts. 
 
No dia 25  de janeiro de 2014, durante a North American Bitcoin Conference, realizada em Miami (EUA), 
Vitalik  apresentou  oficialmente  sua ideia.  Imediatamente  após sua apresentação, uma  grande quantidade 
de desenvolvedores o procurou para entender melhor sua proposta. 
 
Em  abril  daquele  ano,  Dr.  Gavin   Wood,  que  começou  a  trabalhar  com  Buterin,   publicou  o  ​ Ethereum 
Yellow  Paper   que  serviu  como  a  bíblia  técnica  e  a  especificação  de­facto  para  a  Ethereum  Virtual 
Machine  (EVM).  A  partir  deste  artigo  técnico,  o  Ethereum  passou  a  ter  a   possibilidade  de  ser 
implementado em várias linguagens de programação. 
 
Além do  desenvolvimento  do software  para o Ethereum, a viabilidade para lançar uma  nova criptomoeda 
e   uma  blockchain  requeria  um  esforço  gigantesco  de  bootstrapping,  uma  espécie  de  mecanismo  de 
inicialização de aplicações, com o  objetivo  de reunir os recursos necessários para colocar a plataforma de 
pé e em funcionamento. 
 
 

 
 
 
 
Para dar início  a uma grande rede de desenvolvedores,  mineradores, investidores e outros interessados,  o 
Ethereum anunciou um plano para conduzir uma pré­venda das moedas ether. 
 
As  complexidades  legais  e  financeiras  que  envolvem  o  levantamento  de  recursos  por  meio  de  uma 
pré­venda  levou  a  criação  de  várias  entidades  legais,  incluindo  a  Fundação  Ethereum,  estabelecida em 
junho de 2014, em Zug, na Suiça. 
 
No  início  de  julho,  o  Ethereum  distribuiu  a  alocação  inicial  de  ether  por  meio  de  uma  pré­venda  que 
durou  42 dias,  totalizando  o equivalente  a 31.591 bitcoins, que  à época valiam pouco  mais de USD 18,4 
milhões, em troca por 60.102,216 ETH. 
 
Os  resultados da  venda  foram  inicialmente usados para pagar débitos acumulados com as questões legais 
e  jurídicas da empreitada e também para os meses de  empenho dos desenvolvedores que ainda precisavam 
ser compensados, além de dar sustentação ao contínuo desenvolvimento da tecnologia. 
 
Após  o  sucesso  da  pré­venda  de  ether,  o  desenvolvimento  da   tecnologia  foi  formalizado  sobre  uma 
organização sem  fins  lucrativos  chamada  ETH DEV,  que gerencia o desenvolvimento do Ethereum e tem 
Vitalik Buterin, Gavin Wood e Jeffrey Wilcke como os três diretores da entidade. 
 
Ao longo  de  2014,  o  interesse dos desenvolvedores cresceu firmemente e o time da ETH DEV conseguiu 
entregar  uma  série  de  lançamentos  de  proof­of­concept  (PoC)  para  a comunidade  desenvolvedora  fazer 
suas  avaliações.  Frequentes  posts  do  time  desenvolvedor   no  blog  do  Ethereum  ajudaram  a  manter  o 
entusiamo  e ímpeto  ao  redor  dos avanços do Ethereum. O aumento do tráfego e o crescimento da base de 
usuários tanto  no fórum do  Ethereum  quando  no Reddit  eram  provas  de que a plataforma estava atraindo 
uma  comunidade devota e  rapidamente crescente de desenvolvedores.  Isso tem continuado ainda nos dias 
de hoje. 
 
Em  novembro  de  2014,  o  ETH  DEV   organizou  o  evento   DEVcon­0,  que  reuniu  desenvolvedores 
Ethereum de todo o  mundo na cidade alemã de Berlim  para discutir uma série de questões envolvendo a 
tecnologia.  Várias  apresentações  e  sessões  da  conferência  serviram  mais  tarde  para orientar  importante 
iniciativas que tornaram o Ethereum mais confiável, seguro e escalável. 
 
Em  abril  de  2015,  o  programa   DEVgrants  foi  anunciado,  que  consistiu  em  um   programa  que  oferecia 
recursos para contribuições tanto  para  a plataforma  quanto para projetos baseados no Ethereum. Centenas 
de  desenvolvedores   já  estavam  dedicando  seu  tempo   e  intelecto  para os projetos. O  programa  continua 
ainda aberto a todo e em janeiro de 2016 foi renovado oferecendo mais recursos aos participantes. 
 
Ao longo  de 2014 e 2015 o desenvolvimento da  plataforma passou por uma série de lançamentos de PoCs 
que  culminaram  no  teste  de   rede  do  9º  PoC,  chamado  Olympic.  A  comunidade  desenvolvedora  foi 
convidada  a  testar  os  limites  da  rede  e um prêmio  substancial  em  recursos foi  alocado para  aqueles que 
conseguissem  ter sucesso em  quebrar  o sistema de  algum jeito. Um mês  depois do teste, as recompensas 
foram anunciadas oficialmente depois do lançamento oficial do Ethereum. 
 
No  começo  de  2015,  outro  programa  de  recompensas  foi  lançado oferecendo bitcoins  para  aqueles  que 
encontrassem  vulnerabilidade  em  qualquer  parte  do  software   do  Ethereum.  Isso  sem dúvida contribuiu 
para  a  confiabilidade   e  segurança  do  Ethereum  e  a  própria  confiança  da  comunidade na plataforma. O 
programa ainda continua ativa e não há data planejada para seu fim. 
 
A  auditoria  de   segurança  do  Ethereum  começou  no  final  de  2014  e  continuou  ao  longo  do  primeiro 
semestre de 2015. Múltiplas firmas terceiras de segurança de software foram envolvidas  para conduzir um 
processo  final  de auditoria nos  componentes críticos do  protocolo. Os relatórios de auditoria descobriram 
problemas de segurança  que foram resolvidos e testados novamente e resultaram, em última instância, em 
uma plataforma mais segura. 
 
A  rede  do  Ethereum  Frontier foi lançada oficialmente no dia  30  de julho de 2015  e os desenvolvedores 
começaram   a  escrever  smart  contracts  e  aplicativos  descentralizados,  conhecidos  como  Dapps,  para 
rodarem em tempo  real  na  rede  Ethereum. Ao mesmo  tempo, mineradores começaram  a se  juntar  à rede 
Ethereum para manter a segurança da blockchain da plataforma e passaram a ganhar ether para minerar os 
blocos, algo muito similar ao que acontece com o bitcoin. 
 
Apesar   de  que   o  lançamento  do  Frontier  tenha  sido  o  primeiro  marco  do  projeto  Ethereum  e  foi 
inicialmente  pensado  como uma  versão  beta por  seus desenvolvedores, ele  acabou se mostrando no final 
das   contas  muito  mais  capaz  e  confiável  do  que  se  esperava   e  houve  uma  verdadeira  corrida  de 
desenvolvedores que passaram a construir soluções e a melhor o ecossistema do Ethereum. 
 
A segunda conferência de desenvolvedores DEVCON1 ocorreu na cidade inglesa de Londres no início de 
novembro  do ano  passado.  O evento, que durou cinco dias, reuniu mais de 100 apresentações e painéis de 
discussões,   atraindo  mais  de  400  participantes,  compostos  por  desenvolvedores,  empreendedores, 
pensadores e executivos de negócios. 
 
A  presença  de  grandes  corporações,  como  UBS,  IBM  e Microsoft,  claramente  indicam o interesse  pela 
tecnologia.  Inclusive,  a Microsoft  anunciou  que  iria oferecer o  Ethereum  em sua  nova blockchain  como 
uma oferta de serviço na plataforma de computação na nuvem Microsoft Azure. 
 
Outro  grande marco para tecnologia ocorreu no  dia  14 de março, quando  o  Ethereum  deixou  sua versão 
beta  Frontier  e  passou  a   rodar  a  robusta  versão  conhecida  por  Homestead,  que  inclui  uma  série  de 
melhorias no protocolo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONCLUSÃO
 
O  Ethereum  é  uma  plataforma  em  constante  desenvolvimento.  Surgiu  a  partir  de  uma  jovem  mente 
brilhante  e  hoje  já  envolve  centenas  de  desenvolvedores de alto nível que estão  trabalhando  dia  e noite 
para propor melhorias e soluções criativas para a rede. 
 
Diferentemente  do bitcoin,  o  ether não tem como  proposta ser uma  moeda  de  reserva  de  valor, mas isso  
poderá acontecer, dependendo  da  conjuntura. O  cerne do Ethereum é ser a infraestrutura tecnológica para 
a resolução de crises de confiança entre contrapartes que são tão presentes no mundo. 
 
No  futuro,  talvez  utilizaremos  aplicações  sem  sequer  saber  que  elas  estão  rodando  na  plataforma  do 
Ethereum. Mas até chegarmos  a esse  ponto,  muita coisa ainda precisa  acontecer. A  única certeza é que o 
time de Vitalik Buterin  está caminhando por  terras ainda não desbravadas pela humanidade e, só por isso, 
já merece nosso respeito e atenção.