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PROGRAMA DE GRADUAÇÃO À DISTÂNCIA EM

FISIOTERAPIA ONCOLÓGICA

EXERCÍCIOS ATIVOS RESISTIDOS EM PACIENTES ONCOLOGICOS-


REVISÃO DE LITERATURA.

Eduardo Alves Assenza

BRASÍLIA - DF
MARÇO 2019
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PROGRAMA DE GRADUAÇÃO À DISTÂNCIA EM


FISIOTERAPIA ONCOLÓGICA

EXERCÍCIOS ATIVOS RESISTIDOS EM PACIENTES ONCOLOGICOS-


REVISÃO DE LITERATURA.

Trabalho de conclusão de curso


apresentado à Faculdade Unyleya
como parte das exigências do
Programa de Pós-Graduação em
Fisioterapia Oncológica.

Orientador: Prof.MsC Mauricio Silva.

BRASÍLIA - DF
MARÇO 2019
3

RESUMO

A literatura defende o uso exercício físico como conduta no tratamento e por


mais de três décadas ainda é discutida e divulgada a sua eficácia, como cada
paciente desenvolve a doença de forma singular deve se ter a indicação medica para
a intervenção por meio de cinesioterapia. Através deste estudo buscamos responder
como o emprego de exercícios ativos resistidos trazem benefícios aos pacientes
oncológicos, identificar protocolos que apresentam maior eficiência; responder se
mecanoterapia é indicado para esses pacientes oncologicos. Identificar os exercícios
mais indicados, a periodicidade da realização dos mesmos e a duração desses
programas. O estudo foi realizado através de revisão bibliográfica por buscas
sistemáticas, utilizando os bancos de dados eletrônicos: Medline, Liliacs, PubMed,
PreDo, SciELO, Instituto Nacional de Câncer (INCA). Utilizando os seguintes
descritores: utilizando os descritores em inglês e português: cancer, physical
exercise, physical activity, exercise, kinesitherapy, câncer, exercícios resistidos,
exercícios físicos, atividades físicas, cinesioterapia; de forma isolada e combinada
em citações no título ou resumo. Os estudos demonstraram que existe uma relação
positiva entre os exercícios ativos resistidos em pacientes com Câncer, as
constatações que as populações avaliadas são capazes de exercitar se de forma
ativa, estes por sua vez apresentaram aumento na funcionalidade, composição
corporal e na qualidade de vida; apontam também para redução da fadiga, distúrbios
do sono, menor ocorrência de eventos adversos ao tratamento. Sendo assim
comprova-se a efetividade dos exercícios ativos resistidos na redução e controle dos
sintomas debilitantes associados aos diversos estágios da doença e do tratamento.

Palavras-chave: Câncer, Exercícios Resistidos, Exercícios Físicos, Atividades


Físicas, Cinesioterapia.
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ABSTRACT

The literature advocates the use of physical exercise as conduct in treatment


and for more than three decades it is still discussed and disclosed its effectiveness,
as each patient develops the disease in a unique way should have the medical
indication for the intervention through kinesiotherapy. Through this study we seek to
answer how the use of resistive active exercises bring benefits to cancer patients, to
identify protocols that present greater efficiency; if mechanotherapy is indicated for
these oncological patients. Identify the most indicated exercises, the frequency of
their performance and the duration of these programs. The study was carried out
through a systematic review of the literature, using the electronic databases: Medline,
Liliacs, PubMed, PreDo, SciELO, National Cancer Institute (INCA). Using the
following descriptors: using the English and Portuguese descriptors: cancer, physical
exercise, physical activity, exercise, kinesitherapy, cancer, resistance exercises,
physical exercises, physical activities, kinesiotherapy; in isolation and combined in
quotations in the title or abstract. Studies have shown that there is a positive
relationship between active resistance exercises in patients with cancer, the findings
that the evaluated populations are capable of exercising actively, these in turn have
increased functionality, body composition and quality of life; also point to reduced
fatigue, sleep disturbances, less occurrence of adverse events to treatment. Thus, the
effectiveness of the resistive active exercises in the reduction and control of the
debilitating symptoms associated to the different stages of the disease and the
treatment is proved.

Keywords: Cancer, Resisted Exercises, Physical Exercises, Physical Activities,


Kinesiotherapy.
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ÍNDICE

1 - INTRODUÇÃO....................................................................................6 pag.
1.1 - REFERENCIAL TEÓRICO....................................................6 pag.
1.2 - OBJETIVOS...........................................................................7 pag.
1.3 - JUSTIFICATIVA.....................................................................8 pag.

2 - REVISÃO DE LITERATURA...............................................................8 pag.


2.1 - METODOLOGIA.....................................................................8 pag.
2.2- EXERCICIOS RESISTIDOS NO TRATAMENTO DE PACIENTE
ONCOLOGICOS........................................................................................9 pag.
2.3 - ANALISANDO OS PROTOCOLOS.......................................10 pag.
2.4 - CONDIÇÕES PARA PRESCRIÇÃO......................................13 pag.

3 - CONCLUSÃO.......................................................................................13 pag.

4 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................14 pag.


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1- INTRODUÇÃO
O câncer é resultado de mutação genética, a reprodução desorganizada das células. Na
historia os registros da doença datam de 1.600 a.C no antigo Egito estes relatam lesões.
Hipócrates, "pai da medicina", foi quem cunhou a palavra "câncer" (460 e 370 a.C.) utilizou os
termos "carcinos" e "carcinoma", que significa "caranguejo", para descrever certos tumores, as
projeções e vasos sanguíneos ao seu redor fazem lembrar as patas do crustáceo. Séculos
depois, Galeno, um médico romano se tornando referência no tratamento do câncer, ele
determinou que a doença fosse incurável e que, uma vez diagnosticada, havia pouco a fazer.
Séculos depois com os avanços da Ciência é possível compreender o câncer a partir das
alterações no material genético de suas células, essas mutações em determinados genes
alteram os comandos de divisão, diferenciação e morte celular, permitindo sua multiplicação
desenfreada. Com seus mecanismos de controle da divisão inoperantes passam a se multiplicar
independentemente das necessidades do organismo. Por meio de sucessivas divisões, a célula,
agora chamada de maligna, acaba formando um agrupamento de células praticamente idênticas
que recebe o nome de tumor. Diante dessa perda de controle intrínseca da multiplicação celular,
só resta ao organismo tentar identificar e destruir essas células anormais por intermédio do seu
Sistema Imunológico. Se esse sistema mostrar-se ineficaz, a doença passará a ter condições de
evoluir.
Exercício Ativo Resistido é o treinamento contra resistência realizado pelo paciente,
geralmente realizado com a utilização de pesos, e tem como benefícios: o desenvolvimento de
potência, força e resistência muscular, diminuição de gordura corporal, e aumento de massa
magra e deste modo favorece uma melhor aptidão física e qualidade de vida. Neste contexto, o
exercício físico se torna uma conduta terapêutica elegível por melhorar capacidades físicas e
capacidades correlacionadas fundamentais para auxiliar o enfrentamento desde o diagnostico
até a recuperação. A literatura enfatiza os inúmeros benefícios que o exercício físico promove
aos pacientes oncologicos, porém, ainda é necessário uma maior divulgação, desmistificação e
conhecimento por parte da população e profissionais da saúde sobre esta importante ferramenta
no auxílio do tratamento.

1.1- REFERENCIAL TEÓRICO


O exercício físico é recomendado há milênios, na historia se relaciona com a evolução e
construção de nossa sociedade, cientificamente os benefícios de uma vida ativa vem sendo
comprovados. Sendo assim o exercício físico tem sido utilizado como forma de prevenção de
doenças, e também no seu tratamento.
Através de pesquisas científicas realizadas nas ultimas décadas sobre os efeitos do
exercício físico no câncer e seu tratamento criou se uma base de conhecimento que qualifica o
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exercício como uma importante conduta terapêutica no câncer. Sendo assim devemos nos
manter atualizados e utilizarmos essa conduta de forma assertiva.
No estudo de DO CANTO MACHADO, Guilherme, (2018), a cinesioterapia, ou tratamento
por exercício físico em pacientes que apresentam fadiga como um dos sintomas relacionados ao
câncer, uma medida eficiente no combater a fadiga. A prática regular de exercícios leva o
paciente a exercer suas capacidades funcionais das AVD, ganhando em tônus muscular,
passando a realizar as atividades diárias com menor esforço, ou seja, mais eficientemente.
Sendo assim o exercício físico deve ser uma conduta elegível nos diferentes tipos de
câncer, reduzindo não só os efeitos do câncer sobre o organismo sedam defendida a eficácia na
redução das sequelas e de recividas.
A literatura defende o uso exercício físico como conduta no tratamento e por mais de três
décadas ainda é discutida e divulgada a sua eficácia, como cada paciente desenvolve a doença
de forma singular deve se ter a indicação medica para a intervenção por meio de cinesioterapia.
Em outro estudo que relaciona a cinesioterapia com qualidade de vida dos pacientes
mostra que o protocolo adotado foi eficiente elevando a motivação do exercício autônomo, a
intensidade do exercício foi indiferente nos resultados. Mas apenas os participantes que se
exercitaram em maior intensidade mantiveram sua melhora. A participação na intervenção não
melhorou a QV mais do que os controles. Martin, Eric, et. al,(2015).
A literatura oferece inúmeras evidências de que a prática exercícios fiscos promovem
reduções consideráveis nas taxas de mortalidade dos indivíduos, essas evidências de que o
exercício físico é capaz de influenciar a incidência da doença e melhorar as condições de
humanos e animais portadores de neoplasias sugiram no início do século 20.
Estes estudos afirmam que o exercício físico também possui efeito benéfico no
diagnóstico e nas fases posteriores de tratamento. Um modelo desenvolvido pelo Physical
Exercise Across the Cancer Experience (PEACE) sugere que indivíduos fisicamente ativos
apresentam uma maior preparação física e psicológica ao tratamento, o que se reflete nas
posteriores fases do tratamento. (PEDROSO, 2006).

1.2- OBJETIVOS
Através deste estudo buscamos responder como o emprego de exercícios ativos
resistidos trazem benefícios aos pacientes oncológicos, identificar protocolos que apresentam
maior eficiência; responder se mecanoterapia é indicado para esses pacientes oncologicos.
Identificar os exercícios mais indicados, a
periodicidade da realização dos mesmos e a duração desses programas.
8
1.3- JUSTIFICATIVA
Os tratamentos de câncer são complementados com estratégias não farmacológicas que
promovem a manutenção da saúde e do bem estar dos pacientes. Há artigos que relacionam os
cânceres de mama, próstata e os reais benefícios da prática de exercício físico durante o
tratamento. Entretanto, ainda não se têm estabelecidos os efeitos da prática regular de exercício
físicos nos pacientes de outros tipos de câncer, como o de fígado e de pulmão.

2. REVISÃO DE LITERATURA
Pesquisas apontam para os benefícios da cinesioterapia advindos da fisioterapia e da
prática regular de exercícios físicos, na reabilitação de pacientes com câncer. Os exercícios
promovem alterações físicas, funcionais e de humores quando associado as demais terapias. A
fisioterapia é indicada nas varias fases do tratamento de câncer, objetivando melhora e
manutenção das funções motora e respiratória.
Em um estudo de Evenson, Stevens et. al de 2003, concluí se que níveis aumentados de
aptidão cardiorrespiratória estão diretamente associados à redução da mortalidade por câncer.
No mesmo sentido, outro estudo realizado em 2003 encontrou riscos diminuídos no
desenvolvimento do câncer de mama quando comparou mulheres ativas e sedentárias pré e
pós-menopausa. Concluindo que as mulheres que se mantiveram ativas por um período superior
de 20 anos, apresentaram efeitos protetores contra o câncer de mama. Há evidências que
qualquer intensidade de exercício seja benéfica na proteção contra o câncer. Dorn, Vena et
al.(2003).
Alguns estudos investigaram os efeitos do exercício nos sintomas de fadiga de pacientes
com câncer, sendo definida fadiga como um estado de cansaço, fraqueza, exaustão ou
desmotivação, podendo ser crônica ou aguda, resultando na perda de qualidade de vida antes,
durante e após o tratamento da neoplasia, apontando para redução na sensação de fadiga e
melhora no desempenho do teste submáximo de esforço, indicando a atividade física de
intensidade moderada. Pedroso, Araújo et al. (2005).
A literatura disponível destaca os benefícios que a Cinesioterapia e os Exercícios Ativos
Resistidos promovem entre os pacientes oncologicos, se faz então necessário uma maior
divulgação, deste conhecimento sobre a utilização destes.

2.1- METODOLOGIA
O estudo foi realizado através de revisão bibliográfica por buscas sistemáticas, utilizando
os bancos de dados eletrônicos: Medline, Liliacs, PubMed, PreDo, SciELO, Instituto Nacional de
Câncer (INCA). Utilizando os seguintes descritores: utilizando os descritores em inglês e
português: cancer, physical exercise, physical activity, exercise, kinesitherapy, câncer, exercícios
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resistidos, exercícios físicos, atividades físicas, cinesioterapia; de forma isolada e combinada em
citações no título ou resumo.

2.2- EXERCICIOS RESISTIDOS NO TRATAMENTO DE PACIENTE ONCOLOGICOS


Em outras épocas o repouso absoluto era a conduta adequada aos pacientes oncologicos,
devido à crença de que qualquer tipo de esforço físico pudesse agravar o quadro clinico já
debilitado pela neoplasia e/ou pelo tratamento, no entanto a relação entre Exercício Ativo
Resistido e Câncer esta sendo investigada, na literatura há um consenso, que a prática desse
tipo de exercício na reabilitação de pacientes é importante, o exercício resistido pode agir sobre
os efeitos deletérios do tratamento do Câncer e por ser capaz de promover o aumento de força e
da capacidade funcional destes pacientes, auxiliando na sua reabilitação e na recuperação.
No meio acadêmico existe o um consenso com relação à prescrição de Exercícios Ativos
Resistidos para populações específicas, não se questionando no que diz respeito aos benefícios
para redução dos fatores de risco ligados a doenças cardiovasculares ao Diabetes melitus tipo2,
à Osteoporose bem como para manutenção da massa magra (PINTO, C. A. et al 2011), melhoria
do equilíbrio e preservação da capacidade funcional (ACSM, 2018). Com isso o número de
praticantes de programas de Exercícios Ativos Resistidos em todas as faixas etárias e em ambos
os sexos.
O paciente de câncer tem diversas alterações metabólicas devido ao estresse causado ao
organismo pela doença e dos efeitos colaterais produzidos pelos tratamentos tradicionais
administrados (cirurgia, quimioterapia ou radioterapia). A essas alterações metabólicas podem
ser associadas à depressão psicológica e à perda de apetite, fatores que favorecem um ciclo
vicioso de redução da massa muscular, por consequência a diminuição nos de atividade física,
resultando em um quadro de fraqueza generalizado (FERREIRA, et al. 2016)
A periodicidade, a intensidade e quais de exercícios físicos são fatores exigem certa
consideração para prescrição de exercícios específicos aos pacientes oncologicos, após o
diagnóstico da doença, diferentes abordagens de prescrição têm sido utilizadas, mas as
alterações induzidas pelo Exercício Ativos Resistido podem não trazer benefícios para a redução
dos níveis de fadiga desses pacientes. Portanto, as adaptações crônicas induzidas pelo exercício
e suas relações com o nível de fadiga precisam ser mais bem estabelecidas Exercícios Físicos
Aeróbios e Ativos Resistidos de baixa intensidade e volume foram aplicados em conjunto aos
tratamentos tradicionais de câncer (cirurgia, quimioterapia e radioterapia) e após o término
desses. (FERREIRA, et al. 2016).

Em recém-publicada revisão de literatura, os autores encontraram após a análise de


pacientes em tratamento do câncer de próstata, melhoras significativas na fadiga e na qualidade
de vida, quando aplicados protocolos de exercício que contemplem o treinamento de força e
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aeróbico com duração de 12 semanas. Concluiu se que, para a população em questão, o
exercício resistido oferece uma oportunidade na redução dos sintomas do tratamento. A
necessidade de acompanhamento e planejamento específicos para o paciente com câncer deve
ser respeitada. Pinto, C. A. (2011). Apesar da relação entre Exercício Ativo Resistido e Câncer
ser pouco investigada durante o tratamento, entre os autores a prática desse tipo de exercício na
reabilitação de pacientes é muito eficaz
Na literatura selecionada para este estudo, as pesquisas realizadas apontam para a
assertividade dos diversos protocolos de exercício para pacientes oncologicos, tendo variação
em sua intensidade, volume e modalidade, estas estando relacionadas aos efeitos colaterais dos
tratamentos de diversos tipos de câncer. Estes estudos indicam a importância do exercício como
forma de prevenção dos efeitos da doença sobre o organismo na manutenção da saúde física e
psicológica e após o tratamento. Foi relacionada às reduções na fadiga crônica, ansiedade
(depressão), distúrbios do sono, LDL (colesterol "ruim”) e gordura corporal. E as melhoras na
função cardiovascular, concentração de hemoglobina (glóbulos vermelhos), sensibilidade à
insulina, HDL (colesterol "bom”), força, potência, resistência, funcionalidade e massa muscular,
densidade óssea, aumento da ADM (amplitude de movimento) e do sistema imunológico.
Atualmente os exercícios ativos resistidos fazem parte dos protocolos de atividade física
dos pacientes em tratamento ontocologico, sendo considerado no meio medico como parte
integrante do tratamento de câncer.

2.3- ANALISANDO OS PROTOCOLOS


Procurando responder qual o volume de exercícios indicados ao paciente oncológico, se
as evidencias apontam para protocolo eficaz encontramos as recomendações do Colégio
Americano de Medicina Esportiva (ACSM – American College of Sports Medicine) para pacientes
sobreviventes de câncer, As diretrizes enfatizam que os pacientes devem evitar a inatividade e
se envolver em atividades diárias normais e exercitar-se o máximo possível durante e após o
tratamento, me da necessidade de adaptar o protocolo conforme a necessidade do paciente.
Não existem evidências que determinem o tipo de exercício, a frequência, duração, intensidade,
estes dependerão do estado de saúde do paciente; tornando apenas evidente que nenhum modo
de exercício é nocivo para pacientes durante o tratamento.
No artigo publicado por pesquisadores americanos da Universidade Estadual da Califórnia
(Martin, E. et al. 2015), foram utilizados dois treinamentos distintos em aspectos motivacionais e
de qualidade de vida em 87 pacientes diagnosticados com câncer de mama e 72 com câncer de
próstata. a intervenção teve duração de oito semanas, foram avaliados aspectos como o bem
estar físico e a funcionalidade através de questionários específicos, todos que se exercitaram
obtiveram índices significativos, independente da intensidade do treinamento. Somente o do
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grupo de alta intensidade mantiveram esses ganhos após quatro meses quando reavaliaram os
resultados seus níveis de motivação à atividade física igual aos obtidos no término do protocolo.
Na atualização de revisão de literatura de TURNER, Rebecca R. et al.(2018) estudos que
contaram com 23 artigos, somando 1372 participantes. Com descritores que procuravam
abranger os diversos tipos de cânceres, apenas preencheram os critérios de inclusão os estudos
sobre câncer de mama, próstata, colorretal e pulmão. Treze destes estudos afirmaram a
eficiência de protocolos que continham exercícios aeróbicos de intensidade moderada (150
minutos por semana); ou exercícios resistidos (exercícios de treinamento de força pelo menos
dois dias por semana), a compreensão por parte dos pacientes da necessidade da intervenção
terapêutica através de exercícios interferiu significativamente na adesão aos protocolos, ainda
que de forma intuitiva, as intervenções resultaram em melhorias a tolerância ao exercício
aeróbico de 2 a 3 meses de intervenção (604 participantes, 10 estudos; evidências de baixa
qualidade) contra cuidados usuais. Aos seis meses, a tolerância ao exercício aeróbico também
foi melhorada entre os 591 participantes; sete estudos; evidências de baixa qualidade).
Em estudo de 2010; que submeteram pacientes a treinos de 2,5h de intensidade
moderada, o equivalente a uma caminhada de 40 minutos, quatro vezes na semana constatou se
a redução em até 13% do índice de mortalidade destes pacientes, com o aumento do tempo de
treino estes valores podem atingir 27% o que equivale a 7,5 h/semana o que equivale a 60
minutos de caminhada todos os dias; não foram avaliados dados pré-diagnósticos (níveis de
sedentarismo antes do diagnostico) os pesquisadores sugerem que os exercícios estimularam os
organismos estudados a desenvolverem mecanismos com potencial de ação antitumoral. Li,
Tingting, et al.(2015).
Em estudo publicado em 2016, selecionados por descritores utilizando Treinamento de
Força (musculação), composição corporal, capacidade aeróbico, avaliações funcionais e
parâmetros psicossociais foram incluídos. Selecionados 39 estudos citando sete tipos de
cânceres; destes estudos de 20% a 50% apontavam para aumento de força do paciente pós-
treinamento, indicando que os protocolos de Treinamento de Força, foram eficazes. A função
física também foi aumentada (de 7% para 38% dos casos), embora os ganhos tenham sido
menos consistentes. Poucas foram às alterações na composição corporal e as alterações
psicossociais observadas neste estudo. Sendo correto afirmar que o Treinamento de Força
promoveu benefícios que podem ser específicos para os tipos de câncer. A força foi o único
resultado consistente que melhorou em todos os sobreviventes de câncer este achado é de
grande importância, dado seu impacto na funcionalidade e na qualidade de vida dos pacientes.
HANSON, Erik D., et al.(2016). Na conclusão foram feitas diversas considerações práticas para
testes de exercício, treinamento e relatório de dados os autores afirmaram ser necessários mais
12
estudos para tornar evidente a eficiência dos treinamentos de força durante o tratamento de
câncer.
Parece não existir um consenso no que se referem ao volume/intensidade nos protocolos,
a prescrição de exercícios deve ser modulada conforme as condições físicas do paciente, e que
os treinos considerados de alto volume (150min por semana) deverão ser elaborados de forma a
progredir conforme a adaptação fisiológica. Mas os exercícios de intensidade moderada
combinados a exercícios resistidos apresentam melhores resultados na manutenção das
capacidades físicas dos pacientes.
Podendo assim afirmar que realização sistematizada e regular de exercícios físicos, com
controle do esforço e tempo adaptados a condição física do paciente sendo uma estratégia
eficaz baseada em evidencias para aumentar a sobrevida do paciente ontológico.
Em sua revisão Soares (2011), afirma que pacientes de ambos os sexos têm sido
submetidos a protocolos de exercício físicos, embora tenha se encontrado um numero maior de
trabalhos cujo objeto de estudo tenham sido mulheres com câncer de mama, em relação a um
numero significativamente menor de trabalhos com pacientes de câncer de cólon, cabeça,
endométrio, estômago, linfoma, mieloma múltiplo, melanoma, pescoço, próstata, pulmão e
transplante de medula óssea. Na literatura selecionada para este estudo pode se observar que
os pacientes recrutados compreendiam um estadiamento de grau I ou II da doença; poucos
estudos realizados com pacientes em estágios avançados ou com metástase.
Na revisão de literatura de Stout, Nicole L., et al.(2018) que analisou outras 51
publicações; entre 2005 e 2017, que relacionava a pratica de exercício físico e pacientes com
câncer, objetivando reunir informações sobre os benefícios e prescrições do exercício físico para
esta população. Os resultados sugerem que a duração e o tipo de exercício físico afetavam de
forma diferente marcadores biológicos e fisiológicos, fatores psicossociais, deficiências
funcionais, proporcionando maior e melhor tolerância ao tratamento. Indicando que as
intensidades moderadas ou vigorosas potencializam estes resultados e são consideradas
seguras. Em sua conclusão os autores orientam que é obrigação dos profissionais da área de
saúde recomendar o exercício físico, e que o paciente ontológico requer atenção e um protocolo
de exercícios específico, desenvolvido com base em criteriosa avaliação das condições do
paciente e seus ideais de saúde.
As pesquisas elaboradas nos levam a compreender melhor os mecanismos envolvidos e
na forma com que o exercício ativo resistido possa potencializar os resultados dos tratamentos.
A aplicação de protocolos de atividade física em pacientes durante o tratamento é amplamente
aceita no meio médico, sendo parte integrante do tratamento do paciente oncológico.
13
Em nenhum dos artigos relacionados para este estudo foram encontradas referencias a
utilização da mecanoterapia de forma direta, estando possivelmente implícito ao uso de
exercícios ativos resistidos.

2.4 CONDIÇÕES PARA PRESCRIÇÃO


A escolha metodológica e a tipificação dos exercícios a serem utilizados nestes estudos
são complexas, devido às diferenças encontradas entre os tipos de câncer pela resposta não
linear ao exercício. As complexidades e características de cada paciente, exigem uma visão mais
abrangente os protocolos em sua maioria contam com exercícios ativos resistidos, aeróbios , de
alongamento, consciência corporal, técnicas de relaxamento. Não há um consenso sobre quais
abordagens sejam mais eficazes, os trabalhos em sua maioria citam a utilização de exercícios
aeróbios de intensidade moderada como método terapêutico.
A manutenção da adesão a um programa de atividade física fora de grupos que tenham
um objetivo em comum é difícil. O conhecimento adequado do portador sobre a necessidade da
adesão ao programa e da influencia sobre sua condição de saúde influencia a incorporação da
mesma em sua rotina. (HEYWOOD, 2018) Sendo a supervisão profissional considerada o
principal fator de adesão dos pacientes.
Sendo o "movimento" natural ao ser humano, ele pode apresentar riscos tanto para
indivíduos saudáveis quanto para aqueles que estão acometidos por alguma patologia. Deve se
ter atenção aos potenciais riscos à prescrição dos exercícios a literatura estudada aponta para
potencial imunossupressivo, probabilidade de fraturas, exacerbação da cardiotoxicidade da
quimio e radioterapia, dor, náusea, fadiga e incapacidade de tolerância

Para uma prescrição adequada de exercícios é necessário que o protocolo tenha se de


seguir princípios básicos, individualidade, adaptação, especificidade, reversibilidade e
sobrecarga, a reavaliação constante dos parâmetros.
As pesquisas apontam para além dos aspectos fisiológicos, os exercícios devem ser
agradáveis e interativos para que haja o desenvolvimento de novas habilidades e vínculos de
confiança com o paciente.

3. CONCLUSÃO

Os estudos demonstraram que existe uma relação positiva entre os exercícios ativos
resistidos em pacientes com Câncer, as constatações que as populações avaliadas são capazes
de exercitar se de forma ativa, estes por sua vez apresentaram aumento na funcionalidade,
composição corporal e na qualidade de vida; apontam também para redução da fadiga,
distúrbios do sono, menor ocorrência de eventos adversos ao tratamento. Sendo assim
14
comprova-se a efetividade dos exercícios ativos resistidos na redução e controle dos sintomas
debilitantes associados aos diversos estágios da doença e do tratamento.

Existem as exceções à prescrição aos exercícios ativos resistidos que podem não ser
recomendados um determinado paciente, e por isso que independente ao estadiamento do
câncer e da senilidade do paciente, exigisse se uma rigorosa avaliação prévia por uma equipe
multidisciplinar, identificando as possíveis comorbidades, complicações musculoesqueléticas,
condições cardíacas e neurológicas baseando se em evidencias para prescrever a intensidade, o
volume e o modo do exercício físico. Concluo que são necessárias mais pesquisas sobre o tema
a fim de gerar evidencias cientificas colaborando assim com a evolução da Fisioterapia.

4. REFERÊNCIAS

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