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Compêndio para a Sustentabilidade: Ferramentas de Gestão de Responsabilidade Socioambiental

Normas
e certificações

7.1 Introdução
7.2 Suécia - International Organization for Standardization - ISO 26000 ISO
7.3 Suécia - International Organization for Standardization - ISO 14064/5 ISO
7.4 Alemanha - Forest Stewardship Council FSC-IC
7.5 Alemanha - ValuesManagementSystemZFW - VMS DNWE/ZFW
7.6 Austrália - Australian Standards - AS 8003 ASCSR
7.7 Israel - Standard Israel - SI 10000 SII
7.8 Brasil - Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT NBR 16001 ABNT
7.9 Comissão Européia - Eco Management and Audit Scheme - EMAS CE
7.10 Dinamarca - Det Social Index DSI
7.11 Espanha - Sistema de Gestión Ética Y Responsabilidad Social - SGE 21 FORÉTICA
7.12 EUA - Occupational Safety & Health Administration - OHSAS 18001 OHSAS
7.13 EUA - Social Accountability - SA 8000 SAI
7.14 França - Sustainable Development - SD 21000 AFNOR
7.15 Itália - QRES CELE
7.16 Japão - Ethics Compliance Management System Standard - ECS2000 JSBES
7.17 Reino Unido - AccounAbility - AA 1000 ACCOUNTABILITY
7.18 Reino Unido - British Standards - BS 8555 BSI
7.19 Reino Unido - British Standards - BS 8800 BSI
7.20 Reino Unido - British Standards - BS 8900 BSI
7.21 Reino Unido - Good Corporation Good Corporation Ltd
7.22 Reino Unido - Comunity Mark BITC
7.23 Reino Unido - Investors in People Standard / Investors in People UK

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Intro 7.1

A normatização é um processo característico de grandes empresas


porque envolve grande investimento financeiro, organizacional e
humano. Para as pequenas, a normatização ocorre geralmente por
pressão da concorrência e de grandes empresas compradoras ou
contratantes de serviços.

As várias normas existentes não se resu- Especificamente na área de RSE, o Brasil


mem, porém, à padronização de procedi- já possui sua norma de responsabilida-
mentos. Elas propiciam à empresa uma de social, que tem caráter de sistema de
ampla reflexão a respeito das ferramentas gestão e propósito de certificação.
de gestão a serem utilizadas para garantir
• ABNT NBR 16001
o planejamento da evolução sustentável.
Elas implicam, sobretudo, a mobilização Também possuem normas de responsa-
interna necessária para realizar um diag- bilidade social os seguintes países:
nóstico detalhado e fiável do comprome-
• Inglaterra (BS 8900)
timento da organização. Nesse sentido, as
normas são também parte da estratégia • Austrália (AS 8003)
das organizações. • França (SD 21000)
• Israel (SI 10000)
Podemos distinguir dois tipos de nor-
mas de acordo com os objetivos de seus • Japão (EC S2000)
promotores. • Itália (Q-Res)

Há aquelas que são publicadas por me- • Alemanha (VMS)


canismos oficiais de normatização, entre Com base na demanda mundial sobre
as quais destacamos: o tema da responsabilidade social, está
• ISO 14000 (meio ambiente) em andamento e previsto para 2009 a
• ISO 9000 (qualidade) criação de uma terceira geração de nor-
mas — a de Responsabilidade Social —
• CE EMAS (ambiental)
apresentando diretrizes sem propósito
• BS 8800 (condições dignas de trabalho)
de certificação.
• BS 8855 (ambiental)
• ISO 26000
O mercado incentivou a criação de ins-
tituições que normatizassem certos ele- Mas é na área ambiental que encontra-
vados padrões de gestão em áreas como mos o maior número de normas e tam-
segurança e condição do trabalho, entre bém as mais avançadas, com instrumen-
outros. Neste domínio, as normas de tos aceitos e estabelecidos. Elas são úteis
maior destaque são: para a divulgação da RSE e também por-
que oferecem modelos já consagrados
• SA 8000 (direitos sociais)
que podem servir de inspiração para o
• OHSAS 18001 (riscos/acidentes)
aprimoramento das normas sociais.
• AA 1000 (prestações de contas)

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7.2 ISO 26000

ISO 26000
International Organization for Standardization – ISO

“Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos atentos e comprometidos


pode mudar o mundo. Na verdade, isso é o que sempre ocorreu.”
Margaret Mead, antropóloga (1901-1978)

País liderança de um processo dessa magnitude.

Suécia O processo de elaboração da ISO 26000 é inovador


dentro da ISO por ter como premissa a construção
O que é coletiva do conhecimento e a participação multis-
takeholder: consumidores, empresas, governos, orga-
A ISO 26000, como a norma será chamada, estabelece nizações não-governamentais, trabalhadores, além de
um padrão internacional de diretrizes de Responsabi- organismos de normalização e entidades de pesquisa.
lidade Social. Diferentemente da ISO 9001 e da ISO Assim, um de seus destaques é a ampliação da parti-
14001, esta não será uma norma para certificação, cipação de partes interessadas, em geral excluídas de
pelo menos nesta primeira versão. processos dessa natureza — trabalhadores, consumi-
dores e ONGs — historicamente elaborados, sobretu-
do por empresas e organismos de normalização.
Origem
Por essa razão, deverá ter legitimidade, profundidade
A International Organization for Standardization
e abrangência que a tornem capaz de consolidar as di-
(ISO) foi criada em 1946 como uma confederação in-
versas iniciativas já existentes no campo da responsabi-
ternacional de órgãos nacionais de normalização de lidade social. Esse é um trabalho permanente. As mes-
todo o mundo. Promove normas e atividades que fa- mas características que o legitimam fazem com que, à
voreçam a cooperação internacional nas esferas inte- medida que os debates avançam, cresça a demanda por
lectual, científica, tecnológica e econômica. Com sede sua universalização. O desafio continua sendo trazer
em Genebra, Suíça, está presente em mais de 150 pa- mais organizações para participar desse processo.
íses, nos quais é representada por organismos nacio-
nais de normalização. No Brasil, sua representante é a Esse grupo terá três anos para finalizar a norma, que
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). deverá estar disponível em 2009.

As séries de sistemas de gerenciamento atualmente Cronograma de construção


disponíveis na ISO são consideradas como dois dos Set 02 – Conselho da ISO cria Strategic Advisory Group
grandes sucessos de modelos da gestão do final do sé- Jun 04 – ISO decide pela normalização
culo 20, superando mais de 600 mil certificados com
Jan 05 – Iniciam os trabalhos do GT de RS da ISO
base na ISO 9001 e ISO 14001 (dados de maio de
2005, site ISO: www.iso.org). Mar 05 – I Reunião Internacional em Salvador, Brasil
(março de 2005)
O Brasil, representado pela Associação Brasileira de Set 05 – II Reunião Internacional em Bangkok, Tailândia
Normas Técnicas (ABNT), em conjunto com o Swe- (setembro de 2005)
dish Standard Institute (SIS), da Suécia, são responsá- Mai 06 – III Reunião Internacional em Lisboa, Portugal
veis pela condução dos trabalhos, liderando o Grupo (maio de 2006)
de Trabalho (ISO/TMB WG – Working Group) de Jan 07 – IV Reunião Internacional em Sidney, Austrália
Responsabilidade Social da ISO (com mais de 430 pes- (fevereiro de 2007)
soas de 72 países e 35 organizações internacionais). Nov 07 – V Reunião Internacional em Viena, Áustria
Este processo inaugura um fato histórico na ISO: é a (novembro de 2007)
primeira vez que um país em desenvolvimento está na Nov 09 – Publicação da ISO 26000

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ISO 26000 7.2
Capítulo 7
Normas e certificações

Objetivo • Mecanismos para recall


• Serviço e suporte pós-fornecimento
Sua finalidade consistirá em apresentar diretrizes de
• Resolução de disputas
responsabilidade social (sem ter caráter de sistema de
• Práticas justas de propaganda e marketing
gestão) e orientar organizações de diferentes portes e
naturezas — pequenas, médias e grandes empresas, • Produtos ambientalmente e socialmente benéficos
governos, organizações da sociedade civil, entre ou- • Segurança da informação e privacidade
tras — a incorporá-las a sua gestão. Por ser aplicável Práticas leais de operação
a diversos tipos de organização e não somente às em-
• Práticas justas de fornecimento e pós-fornecimento
presas, a ISO 26000 utilizará a terminologia respon-
• Práticas éticas e transparentes
sabilidade social (RS) e não responsabilidade social
empresarial (RSE). • Combate à corrupção
• Promoção dos stakeholders Desfavorecidos
• Promoção de concorrência justa
Conteúdo • Respeito pelos direitos de propriedade
A futura ISO 26000 será consistente, e não conflitante, Desenvolvimento Social
com normas da ISO e outros documentos, tratados
• Envolvimento comunitário
e convenções internacionais já existentes. A intenção
• Contribuição para o desenvolvimento social
é que se torne um documento-guia de RS, capaz de
orientar organizações em diferentes culturas, socieda- • Contribuição para desenvolvimento econômico
des e contextos, para estimular a melhoria de desem-
penho e resultados. Definição preliminar
de RS acordada em Sidney
Temas centrais abordados
na futura ISO 26000 Responsabilidade de uma organização pelos impactos
de suas decisões e atividades na sociedade e no meio
GOVERNANÇA ORGANIZACIONAL
ambiente, por meio de um comportamento transpa-
• Comando
rente e ético que:
• Legitimidade
- seja consistente com o desenvolvimento sustentável e o
• Conduta Justa e Ética
bem-estar da sociedade;
• Responsabilidade
- considere as expectativas dos stakeholders;
• Transparência
- esteja em conformidade com a legislação aplicável e seja
• Desempenho
consistente com normas internacionais;
Direitos humanos - seja integrado por toda a organização.
• Direitos civis e políticos
• Grupos vulneráveis
Passo-a-passo
• Direitos econômicos, sociais e culturais
• Direitos fundamentais do trabalho De acordo com as deliberações realizadas até o pre-
sente momento, a ISO 26000 será estruturada nas se-
Práticas de trabalho
guintes seções:
• Emprego
• Direitos no trabalho 0. Introdução
• Proteção Social 1. Escopo
• Diálogo Social 2. Referências Normativas
• Saúde e Segurança 3. Termos e definições
Meio ambiente 4. O contexto da RS no qual as organizações operam
• Uso sustentável da terra 5. Princípios de RS
• Uso sustentável de recursos 6. Diretrizes em temas principais da RS
• Conservação e restauração de ecossistemas e natureza
7. Diretrizes para as organizações na implementação da RS
• Prevenção da poluição
Anexos
• Mudanças climáticas
• Energia Bibliografia
• Água

Questões relativas ao consumidor Referências


• Informações adequadas e verdadeiras www.iso.org/sr
• Produtos seguros e confiáveis www.uniethos.org.br

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7.3 ISO 14064

ISO 14064/65
International Organization for Standardization – ISO
“Os participantes do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, em 2007, destacaram as mudanças
climáticas como a ameaça mais grave que pesa sobre a economia mundial. As séries ISO 14064 e ISO 14065
são um bom exemplo dos esforços que a ISO faz para desenvolver e promover ferramentas práticas que
contribuam para o desenvolvimento sustentável do Planeta.”
Alan Bryden, secretário-geral da ISO

País do projetos de MDL na busca da credibilidade e trans-


parência do projeto, bem como para a valorização dos
Suécia
seus créditos de carbono.
O que é Os objetivos da ISO 14064 são:
Normas internacionais que estabelecem diretrizes • melhorar a confiabilidade ambiental da quantificação
e procedimentos para a implementação de Projetos de GEE;
MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), pre- • aumentar a credibilidade, a consistência e a
vistos no Protocolo de Kyoto, englobando os concei- transparência da quantificação, do monitoramento e
tos sobre mudanças climáticas, emissões e remoções da elaboração de relatórios de GEE sobre reduções de
de gases de efeito estufa. emissões e melhorias de remoções de projetos de GEE;
• facilitar o desenvolvimento e a implementação de
Origem planos e estratégias de gerenciamento de GEE de uma
organização;
A norma ISO 14064:2006 relacionada com a quanti-
• facilitar o desenvolvimento e a implementação de
ficação e verificação de GEE foi publicada em março
projetos de GEE;
de 2006 para dar suporte às organizações quanto aos
seus projetos e inventários de GEE. Ela consolida o • facilitar a capacidade de acompanhar o desempenho e
o progresso na redução de emissões de GEE e/ou aumento
resultado do trabalho de 175 especialistas internacio- nas remoções de GEE;
nais de 45 países.
• facilitar a concessão de créditos de carbono originados
Principais Características e Princípios Direcionadores: de reduções de emissão ou melhorias de remoção de GEE
e sua negociação.
• Interação com os relatórios do IPCC.
• Norma neutra (aplicável a todos os tipos de programas
ou regimes). Conteúdo
• Rigor técnico, pois há conceitos novos e de difícil
aferição e medição. ISO 14064-1:2006 - Especificação com guia no nível or-
• Ampla participação de países. ganizacional para a quantificação e relato de emissões e
• Compatibilidade e consistência com: remoções de Gases de Efeito Estufa, focando empresas
o Protocolos de GEE do WBCSD e WRI; e outras organizações que pretendem reportar seus in-
o Mecanismos de flexibilização de Kyoto.
ventários de emissões de gases de efeito estufa.
Conteúdo
A ISO 14064 foi complementada pela ISO 14065:2007
1 Escopo
- Gás de Efeito Estufa, que especifica requisitos para
2 Definições
entidades de validação e verificação de GEE para o uso
em acreditação ou outras formas de reconhecimento. 3 Princípios
Esta norma foi elaborada por um grupo de trabalho 4 Planejamento e Desenvolvimento de Inventários de GEE
integrado por cerca de 70 experts internacionais pro- 4.1 Limites Organizacionais
cedentes de 30 países (entre eles o Brasil) e de nume- 4.2 Limites Operacionais
rosas organizações em rede, inclusive o Fórum Inter- 4.3 Quantificação de Emissões e Remoções de GEE
nacional de Credenciamento (IAF). 5 Componentes do Inventário de GEE
5.1 Emissões e Remoções de GEE
Objetivo 5.2 Atividades da Organização para reduzir emissões ou
A norma ISO 14064 aparece como um diferencial ampliar remoções de GEE
para as empresas que possuem ou estão desenvolven- 5.3 Ano-base do Inventário de GEE

142
ISO 14064 7.3
Capítulo 7
Normas e certificações

6 Gerenciamento da informação de inventários de GEE Conteúdo


6.1 Gerenciamento da informação de GEE e 1 Escopo
monitoramento 2 Definições
6.2 Retenção de documentos e dados 3 Princípios
7 Relatórios de GEE 4 Requisitos de Validação e Verificação
7.1 Planejamento 4.1 Geral
7.2 Conteúdo 4.2 Seleção do validador por verificador
7.3 Formato 4.3 Objetivos, escopo, critérios e nível de incerteza da
7.4 Distribuição validação ou verificação
8 Verificação (1ª parte) 4.4 Abordagem da validação ou verificação
4.5 Avaliação do sistema de informações e seus controles
ISO 14064-2:2006 - Especificação com guia no nível de 4.6 Avaliação das informações e dados de GEE
projetos para a quantificação, monitoramento e relato 4.7 Avaliação contra critérios de validação ou verificação
de reduções e remoções de Gases do Efeito Estufa, fo-
4.8 Avaliação da Declaração sobre os GEE
calizando projetos de Mecanismos de Desenvolvimen-
4.9 Declaração de validação e verificação
to Limpo ou outros que tenham por objetivo a redução
de emissões. 4.10 Registros da validação ou verificação

Conteúdo: Resultados
1 Escopo A Norma mostra que é possível compatibilizar a ativi-
2 Definições dade industrial, geradora do crescimento econômico,
3 Princípios com a responsabilidade social e com o meio ambiente
4 Introdução aos projetos de GEE preservado e protegido, e que não deverá haver difi-
5 Requisitos para projetos de GEE culdades para a aplicação dos requisitos estabelecidos
- Anexo A pela nova norma ISO 14064.
- Anexo B
Referências
- Bibliografia
www.creaes.org.br/downloads/ciclo/pasta05/
ISO 14064-3:2006 - Especificações com guia para SeminarioCreaES1005.pdf
validação e verificação de afirmações de Gases do http://magazine.meioambienteindustrial.com.br/
Efeito Estufa. ?sessaoID=949118625107821126619491321570&aID=7

A relação entre as três partes da ISO 14064 e ISO 14065


Mostra a inter-relação das normas focadas nos gases de efeito estufa (GEE).

ISO 14064-1 ISO 14064-2


Planos e desenvolvimento de Plano e implementação de
inventário de GEE organizacionais projetos GEE

Relatórios e documentação Relatórios e documentação


de inventário GEE de projetos de GEE

Nível de confiança Requisitos do


Declaração de GEE Declaração de GEE
consistente com as programa de
necessidades do Validação e/ou GEE aplicável
Verificação interessado impactável ou interessados
verifacação
impactáveis

ISO 14064-3
Processo de verificação, Processo de validação e verificação processo

Por exemplo ISO 14064-1


Requisitos para os órgãos de Específico do
validação ou verificação programa

Fonte: ISO 14064 - Greenhouse gases - Part 1, 2 and 3. Introduction

143
7.4 FSC

Princípios, Critérios e Padrões FSC


Forest Stewardship Council - FSC

País benef ícios múltiplos e impactos ambientais, levando-


se em conta o gerenciamento florestal.
Alemanha (sede)
Os dez Princípios
O que é Princípio 1: Obediência às Leis e aos Princípios do FSC
Para manter o diálogo sobre o uso sustentável das flo- Princípio 2: Responsabilidades e direitos de posse e uso
restas, a iniciativa estabeleceu princípios, critérios e da terra
padrões que envolvem preocupações econômicas, so- Princípio 3: Direitos dos Povos Indígenas
ciais e ambientais. Princípio 4: Relações Comunitárias e dos Direitos dos
Trabalhadores
Origem Princípio 5: Benefícios da Floresta
Princípio 6: Impacto Ambiental
Após processos de ampla consulta em vários países e
com apoio de movimentos socioambientais, em 1993 Princípio 7: Plano de Manejo
foi criada a organização Forest Stewardship Council Princípio 8: Monitoramento e Avaliação
- IC, em assembléia de fundação com mais de 130 Princípio 9: Manutenção de florestas de alto valor de
participantes de 26 países na cidade de Toronto, no conservação
Canadá. Princípio 10: Plantações

A principal missão do FSC-IC é desenvolver Princí- Ver detalhamento dos 57 critérios:


pios e Critérios universais, conciliando os interesses www.fsc.org.br/arquivos/P&C%20originais%20português.doc
de stakeholders (grupos de interesses) das câmaras
O FSC apóia o desenvolvimento de padrões nacionais
ambientais, sociais e econômicas. Por meio de pa-
ou regionais de manejo florestal, adaptados às realida-
drões, políticas e guias, o FSC promove o manejo res-
des dos diferentes países.
ponsável das florestas do mundo.
Padrões para download:
O Conselho Brasileiro de Manejo Florestal - FSC Bra-
sil é uma organização não-governamental indepen- • Padrão SLIMF Amazônia brasileira (453 Kb) www.fsc.
dente e sem fins lucrativos. reconhecida como uma org.br/arquivos/Padrão%20SLIMF%20Amazônia%20bra
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público sileira.pdf
(Oscip) e inscrita no Cadastro Nacional de Entidades • Padrão Mata Atlântica (219 Kb)
Ambientalistas (CNEA).  www.fsc.org.br/arquivos/Padrão%20Mata%20Atlântica
1.pdf
Objetivo • Padrão Castanha da Amazônia (539 Kb)
www.fsc.org.br/arquivos/Padrão%20Castanha%20da%
Os padrões do FSC, hoje amplamente disseminados,
20Amazônia.pdf
representam o mais forte sistema mundial para o ma-
nejo de florestas, que visam à sustentabilidade. • Padrão Floresta Amazônica de Terra Firme (319 Kb)
www.fsc.org.br/arquivos/Padrão%20Floresta%20Amazô
nica%20de%20Terra%20Firme.pdf
Conteúdo
• Padrão de Plantações (409 Kb)
São dez princípios e 57 critérios que remetem a ques- www.fsc.org.br/arquivos/Padrão%20de%20Plantações
tões legais, direitos indígenas, direitos trabalhistas, .pdf

144
FSC 7.4
Capítulo 7
Normas e certificações

Passo-a-passo • Monitoramento anual - após a certificação é realizado


pelo menos um monitoramento da operação ao ano.
A certificação é um processo voluntário em que é rea-
lizada uma avaliação de um empreendimento florestal, O processo da certificação é conduzido pela certifica-
por uma organização independente, a certificadora, e dora. O Conselho Brasileiro de Manejo Florestal não
verificados os cumprimentos de questões ambientais, emite certificado. Cabe às certificadoras avaliar opera-
econômicas e sociais que fazem parte dos Princípios e ções de manejo florestal ou de cadeias de custódia pa-
Critérios do FSC. ra conceder o uso do selo FSC nos produtos, e auditar
O processo pode ser resumido em macroetapas: operações certificadas, seja de manejo florestal ou de
cadeia de custódia. Também cabe à certificadora pre-
• Contato inicial - a operação florestal entra em contato cificar e cobrar por este serviço.
com a certificadora.
O Conselho Brasileiro de Manejo Florestal não recebe
• Avaliação - consiste em uma análise geral do manejo,
da documentação e da avaliação de campo. O seu
qualquer subsídio ou repasse financeiro pelas certifi-
objetivo é preparar a operação para receber a certificação. cações concedidas no País.
Nessa fase são realizadas as consultas públicas, quando
os grupos de interesse podem se manifestar. Saber mais: www.fsc.org.br/arquivos/05abr2006__carti-
lha_fsc_nr6.pdf
• Adequação - após a avaliação, a operação florestal
deve adequar as não-conformidades (quando houver).
Referências
• Certificação da operação - a operação florestal recebe
a certificação. Nessa etapa, a certificadora elabora e www.fsc.org.br
disponibiliza um resumo público. www.fscus.org

FSC PARCEIROS
Iniciativas Nacionais e Representantes dos setores
Centro Internacional social, ambiental e econômico

PADRÕES
(Príncipios e Critérios)

CERTIFICADORAS
Credenciadas pelo FSC IC
5 atuando no Brasil

PRODUTORES
Manejo Florestal e Cadeia de Custódia
madeireiros e não madereiros

CONSUMIDOR
Corporativo ou indivíduo

145
7.5 VMS ZfW

ValuesManagementSystemZfW - VMSZfW
Rede Alemã de Ética Empresarial - DNWE

País O método essencial do VMSZfW é desenvolver uma


estrutura de referência para a governança de valores
Alemanha através de um sólido compromisso por parte da em-
presa. Dessa forma, o VMSZfW implementa o conceito
O que é de autogovernança baseada em valores. Sua credibi-
lidade se baseia na comunicação contínua e transpa-
É a norma alemã de gerenciamento de valores que
rente do processo de comprometimento com o tema
integra a dimensão moral das transações econômi-
em cada uma de suas etapas, dentro da empresa e para
cas e outras questões de valores às estratégias, po-
com seus parceiros externos.
líticas e procedimentos das companhias (norma de
procedimentos). Os princípios do VMS são os seguintes:

Origem • Sustentabilidade: manter a possibilidade de opera-


ção e crescimento, nos sentidos jurídico, econômico,
O ValuesManagementSystemZfW foi desenvolvido ecológico e social do termo.
pelo Zentrum für Wirtschaftsethik - ZWF (Centro
para a Ética Empresarial), fundado em 1988 pela Rede • Adequação: mostrar integridade e honestidade em
Alemã de Ética Empresarial (DNWE)1 para promover todos os aspectos do negócio.
a prática da ética negocial na Alemanha e na Europa, • Competência: organizações e indivíduos devem ter
em estreita cooperação com outros institutos científi- os recursos para lidar com a responsabilidade social
cos e econômicos. corporativa assim como lidam com os casos práticos.
O VMSZfW foi desenvolvido com base em uma década • Integração: cada componente e elemento de um
de experiências práticas e cooperação com grandes VMS devem integrar e fazer parte do processo de ge-
companhias alemãs, desde pequenas e médias empre- renciamento da empresa como um todo.
sas até multinacionais.
• Compromisso: um VMS só pode ser sustentável e
bem-sucedido se os atores se comprometerem com o
Objetivos
programa.
Oferecer uma estrutura de proteção sustentável às
• Orientação Gerencial: um VMS deve ser uma par-
empresas e ao seu desenvolvimento, em todas as di-
mensões (jurídicas, econômicas, ecológicas, sociais); te integrante de todas as áreas de gerenciamento re-
levantes.
Auxiliar as empresas a fim de que alcancem o geren-
ciamento sustentável, nas suas dimensões econômi- • Liderança: um VMS necessita do envolvimento dos
cas, morais, jurídicas e políticas. escalões superiores da administração, como exemplo
para todos e como atores responsáveis.
De acordo com a organização, “credibilidade e reputa-
ção moral são os pré-requisitos para o sucesso corpora- • Valores efetivos: programas de adequação impostos
tivo em sua relação com os mercados e a sociedade”. por lei, isoladamente, não podem ser bem-sucedidos,
a adequação deve ser acompanhada por uma orienta-
ção baseada em valores.
Conteúdo
• Orientação do Processo: as melhores práticas em
A base do VMSZfW é a idéia fundamental de que o va-
Responsabilidade Social Corporativa precisam de um
lor de um negócio depende de seus valores. Os valores
foco voltado para o desenvolvimento de competências
morais, de cooperação, de desempenho e de comuni-
éticas dentro da corporação.
cação de uma organização têm de estar interconecta-
dos, de forma a gerar uma identidade e uma orienta- • Validação: qualquer VMS sério precisa de avaliação
ção específica no processo decisório. e auditoria. O VMS alemão (VMSZfW) concentra-se

1 A Rede Alemã de Ética Empresarial (DNWE) é uma rede fundada em maio de 1993. Conta atualmente com cerca de 500 membros registrados, muitos dos
quais vindos dos setores empresarial, político, da Igreja ou da comunidade científica. O DNWE visa estimular o intercâmbio de idéias relacionadas a aspectos
éticos no comércio e encorajar atividades empresariais a seguir uma orientação ética. O DNWE é o ramo alemão da Rede Européia de Ética Empresarial (EBEN),
que foi fundada em 1987 em Bruxelas, e busca promover um diálogo intercultural sobre várias questões de ética empresarial. Atualmente, a EBEN é formada por
cerca de 1.000 membros, espalhados por 33 países e mantém contato com todas as principais associações voltadas ao tema da ética.

146
Capítulo 7
Normas e certificações
VMS ZfW 7.5

em comprometimento e auto-avaliação, embora uma socialmente responsável. Essa forma de comunicação


avaliação externa possa aumentar a credibilidade. distingue-se pelo fato de ser integrada nas atividades
operacionais e nos procedimentos-padrão. Políticas e
Passo-a-passo procedimentos são importantes meios de comunica-
ção, porque têm conseqüências para o modo como as
Todo sistema de gerenciamento de valores baseia-se na empresas atuam de forma responsável.
definição e codificação dos valores que determinam a
identidade de uma companhia e estruturam suas de- 3. Implementação – A implementação pode ser reali-
cisões. O foco do processo de gerenciamento na reali- zada e auditada por meio de programas de adequação
zação de um VMS é integrar os quatro passos citados e/ou valores. Programas de adequação concentram-se
abaixo nos sistemas da corporação – ou seja, no geren- fortemente nos aspectos jurídicos das decisões em-
ciamento estratégico, no desenvolvimento operacional presariais e das ações dos funcionários. Geralmente
e no treinamento, nas políticas e procedimentos, na co- consistem em informação sobre os deveres legais e so-
municação interna e externa e no controle. bre a intenção da companhia em cumpri-los. Progra-
mas de valores, por outro lado, visam a um compro-
Processo de gerenciamento – O VMS deve ser integrado
metimento para com os valores e o autocontrole da
na estratégia de negócios específica da empresa e em
companhia. Tópicos como treinamento, métodos de
sua operação. Isso dá apoio à relevância do VMS dentro
recrutamento, “barômetros éticos”, avaliações de cima
da corporação para as operações do dia-a-dia e garante
para baixo e auditoria ética interna são todos parte de
a eficiência de sua aplicação. Dessa forma, o processo de
um programa de valores. Programas impostos por lei
gerenciamento VMS torna-se parte do processo estra-
e programas baseados em valores devem ser coorde-
tégico e operacional “normal”, e não um processo sepa-
nados a fim de serem bem-sucedidos.
rado, em um departamento separado da empresa.
Definição de valores essenciais – O VMSZfW não pres-
4. Organização – Embora um “Supervisor de Ética”
creve um conjunto definido de valores mas, em vez tenha um papel preponderante no contexto norte-
disso, deixa ao processo dentro da corporação a tarefa americano, o VMS alemão prefere uma integração
de encontrar os valores apropriados para sua missão. funcional nos departamentos já existentes de uma
Esse processo tem de começar de cima para baixo, e empresa. Isso pode ser feito através de um Supervisor
deve ser continuado de baixo para cima. Os escalões de Adequação, de departamentos de Gerenciamento
superiores da administração têm de liderar o processo de Qualidade ou Auditoria Interna ou de um encarre-
e envolver pessoas de diferentes níveis dentro da orga- gado, respondendo diretamente à administração su-
nização, assim como seus representantes. perior. Todas as possibilidades são produtivas desde
que haja um compromisso da administração superior
A declaração dos valores básicos de um VMS é imple- para com o programa, e disposição de sua parte em
mentada através de um processo em quatro passos: ser um modelo a ser seguido.
1. Codificação – O gerenciamento de valores baseia-
se na definição de quatro tipos de valores empresa- Resultados
riais: valores de desempenho, valores de cooperação,
O VMS é uma certificação e já foi aplicado por empresas
valores de comunicação e valores morais. Eles devem
como ABB, BASF ou Fraport (aeroporto de Frankfurt).
ser codificados em um documento escrito (Código de
Ética, Declaração de Objetivos, Valores e Visão Cor-
porativa, Declaração de Princípios etc.). Referências
www.dnwe.de/2/content/bb_01.htm
2. Comunicação – Os valores comunicados têm de ser
codificados dentro da companhia, entre companhias PDF: www.dnwe.de/2/files/wms_en.pdf
e clientes e em relação à sociedade. A comunicação http://bas.sagepub.com/cgi/reprint/44/1/74.pdf
é o meio crucial para estimular padrões de conduta www.dnwe.de/2/files/200401_eu_report.pdf

Exemplos de valores VMS:


• Valores de desempenho: lucro, competência, desempenho, flexibilidade, criatividade, inovação, qualidade.
• Valores de Cooperação: lealdade, espírito de equipe, resolução de conflitos, abertura.
• Valores de Comunicação: respeito, afiliação, abertura, transparência, comunicação.
• Valores Morais: integridade, justiça, honestidade, sinceridade, responsabilidade social, cidadania.

147
7.6 AS 8003

AS 8003 Standards Australia


Australian Standards Corporate Social Responsibility

País (Investment and Financial Services Association), ASX


Austrália (Australian Securities Exchange) e Corporate Gover-
nance Council.
O que é 1. Escopo geral
A Norma AS 8003 é uma das primeiras no mundo 1.2 Escopo
direcionada para implantação de Responsabilidade 1.3 Objetivos
Social Corporativa integrada às políticas e cultura 1.4 Documentos de Referência
da empresa. Essa norma faz parte de um conjunto de 1.5 Definições
compromissos de governança: 1.6 Estrutura Regulatória

A publicação e divulgação da AS 8003, assim como 2. Elementos estruturais


outros produtos e serviços da Standards Australia, é 2.1 Compromisso
feita por meio da Standards Web Shop, mas apenas 2.2 Políticas de Resp. Social Corporativa
empresas associadas têm acesso. 2.3 Responsabilidades
2.4 Implementação
AS 8000 Bons Princípios de Governança.
2.5 Recursos
AS 8001 Controle de Fraude e Corrupção. 2.6 Melhoria Contínua
AS 8002 Código de Conduta. 3. Elementos operacionais
AS 8003 Responsabilidade Social Corporativa (a que 3.1 Identificação de RSC
tratamos agora). 3.2 Desenvolvendo procedimentos para RSC
AS 8004 Programa de Proteção de Testemunhas para 3.3 Implementação
Empresas (Whistleblower Protection). 3.4 Feedback
3.5 Controle de registros
Origem 3.6 Identificação e correções
As normas australianas (Australian Standards), de- 3.7 Relatar
senvolvidas pela Standards Australia (SAI), são o pri- 3.8 Transparência
meiro consenso no mundo baseado em Diretrizes para 3.9 Engajamento de Stakeholders
Governança Corporativa e foram desenvolvidas com 3.10 Supervisão
envolvimento de um grupo extenso de stakeholders. A 3.11 Política e Procedimentos de Ética no Negócio
SAI tem publicado todas as séries da AS — AS 8000, 4. Manutenção de elementos
AS 8001, AS 8002, AS 8003 e AS 8004 —, para apoiar o 4.1 Educação e Treinamento
desenvolvimento das organizações e a implementação 4.2 Visibilidade, Comunicação e Influência
efetiva de práticas de governança corporativa. 4.3 Monitoramento e Avaliação
4.4 Revisão
Objetivo
4.5 Integração
O objetivo da norma AS 8003 é fornecer elementos 4.6 Prestação de contas
essenciais para estabelecer, implementar e geren- 4.7 Verificação da 3ª Parte
ciar um Programa de Responsabilidade Social Cor-
5. Implementação dos elementos essenciais
porativa dentro da organização e orientá-lo em sua
5.1 Diretrizes para Elementos Estruturais
metodologia:
5.2 Elementos Operacionais
• Fornecer às empresas um processo de implantação e 5.3 Elementos de Manutenção
manuseio da cultura de Responsabilidade Social por meio
de um comitê auto-regulatório; Referências
• Fornecer uma estrutura efetiva para um Programa de RSC,
www.saiglobal.com/PDFTemp/Previews/OSH/as/
de forma que seu processo possa ser monitorado e avaliado.
as8000/8000/8003-2003(+A1).pdf
Conteúdo www.ifap.asn.au/about/csr.html
www.erc.org.au/goodbusiness/page.php?pg=0412infocus70
O conteúdo dessa norma é revista periodicamente
pela Standards e atualizada sempre que necessário.
COLABORAÇÃO
Tais ajustes também podem ser feitos até mesmo du-
rante uma edição já pronta da norma. A AS 8003 com- Beat Grüninger, Marco Perez
plementa algumas diretrizes produzidas pela IFSA Business and Social Development (www.bsd-net.com)

148
SI 10000 7.7

Standard Israel - SI 10000


Standards Institution of Israel - SII

País Passo-a-passo
Israel 1. GERAL
1.1 Escopo e Proposta da Norma
O que é
1.2 Referências
A Norma SI 10000 aborda práticas de “responsabili- 1.3 Definições
dade social e envolvimento com a comunidade”.
2. RESPONSABILIDADE SOCIAL E
ENVOLVIMENTO COM A COMUNIDADE
Origem
2.1 Responsabilidades da Diretoria
A SI 10000 foi desenvolvida pela Standards Institu- 2.2 Alocação de Recursos para Gerenciamento
tion of Israel (SII), em 2001. 2.3 Envolvimento e Responsabilidades dos Colaboradores
2.4 Qualidade do ambiente de trabalho
Objetivos
2.5 Qualidade do Meio Ambiente
Exigências específicas de práticas de responsabilidade 2.6 Ética
social e envolvimento com a comunidade buscam ca- 2.7 Transparência e Publicação
pacitar as companhias a: 2.8 Ações Preventivas e Corretivas
• Desenvolver, manter e reforçar políticas e procedimentos 2.9 Treinamento
para controlar suas ações de RS e interação com a
2.10 Controle
comunidade;
2.11 Registro de Documentação
• Demonstrar para as partes interessadas que as políticas
e procedimentos com foco na comunidade estão sendo
seguidas de acordo com as exigências da norma. Referências
http://209.85.165.104/search?q=cache:ULle8G2X5qEJ:
Conteúdo www.jisc.go.jp/policy/pdf/DrSI%252010000%2520in%
2520English-modified.pdf+%22si+10000%22&hl=pt-
A SI 10000 propõe critérios para implementação de BR&ct=clnk&cd=1&gl=br
políticas de responsabilidade social e interação com a
Colaboração
comunidade, incluindo gerenciamento sênior e com- Beat Grüninger, Marco Perez
promisso dos funcionários, alocação de recursos para Business and Social Development
propostas sociais, gerenciamento do impacto ambien- www.bsd-net.com
tal da organização, coerência entre negócios e ética,
transparência e prestação de contas, prevenção, trei-
namento e mecanismos de documentação.
Algumas outras normas serviram de referência no
complemento da SI 10000:
SI 1432 – Qualidade no Gerenciamento e Assurance
SI 4481 – Sistemas de Saúde e Segurança em Indústrias
ISO 9000 séries – Gestão de Qualidade
ISO 14001 séries – Sistema de Gestão Ambiental

149
7.8 ABNT NBR 16001

ABNT NBR 16001


Associação Brasileira
de Normas Técnicas - ABNT

País NBR 16001, a comissão é o fórum onde se reúne a


delegação brasileira para a discussão das posições na-
Brasil cionais a serem levadas ao Grupo de Trabalho da ISO
26000, de Responsabilidade Social.
O que é
É uma norma brasileira de responsabilidade social que Objetivo
tem caráter de sistema de gestão e propósito de cer- Esta Norma estabelece os requisitos mínimos relati-
tificação. vos a um sistema da gestão da responsabilidade social,
permitindo à organização formular e implementar
Origem uma política e objetivos que levem em conta os requi-
Fundada em 1940, a Associação Brasileira de Nor- sitos legais e outros, seus compromissos éticos e sua
mas Técnicas (ABNT) é o órgão responsável pela preocupação com a:
normalização técnica no País, que fornece base ne- • promoção da cidadania;
cessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro.
• promoção do desenvolvimento sustentável, e
É entidade privada, sem fins lucrativos e membro
fundador da International Organization for Standar- • transparência das suas atividades.
dization (ISO); da Comissão Pan-americana de Nor- A NBR 16001 tem por objetivo fornecer às organiza-
mas Técnicas (Copant) e da Associação Mercosul de ções os elementos de um sistema da gestão da respon-
Normalização (AMN). sabilidade social eficaz, passível de integração com
A ABNT, como representante oficial da ISO no Brasil, outros requisitos da gestão, de forma a auxiliá-las a
estabeleceu em dezembro de 2002 um grupo-tarefa alcançar seus objetivos relacionados com os aspec-
para o desenvolvimento de uma Norma Brasileira de tos da responsabilidade social. Não se pretende criar
Requisitos em Sistema de Gestão de Responsabilida- barreiras comerciais não-tarifárias, nem ampliar ou
de Social. alterar as obrigações legais de uma organização. Ela
não prescreve critérios específicos de desempenho da
O projeto foi submetido a consulta nacional. O Grupo
responsabilidade social e se aplica a qualquer organi-
teve mais de 140 participantes cadastrados em suas
zação que deseje:
discussões e elaborações, das mais diversas partes
interessadas, que representaram empresas privadas, • implantar, manter e aprimorar um sistema da gestão de
públicas, governos, ONGs, universidades, normaliza- responsabilidade social;
dores, entre outros. • assegurar-se de sua conformidade com a legislação
aplicável e com sua política da responsabilidade social;
Após dois anos de preparação, foi publicada, em de- • apoiar o engajamento efetivo das partes interessadas;
zembro de 2004, a norma ABNT NBR 16001 – Res-
• demonstrar conformidade com esta Norma ao:
ponsabilidade Social – Sistema de Gestão – Requi-
sitos, responsabilidade da Associação Brasileira de - realizar uma auto-avaliação e emitir autodeclaração
da conformidade com esta Norma;
Normas Técnicas (ABNT), que pode ser adquirida
por meio do site da ABNT: www.abnt.org.br. - buscar confirmação de sua conformidade por partes
que possuam interesse na organização;
Atualmente, além de dar continuidade ao desenvol- - buscar confirmação de sua autodeclaração por uma
vimento dos documentos complementares à ABNT parte externa à organização; ou

150
Capítulo 7
Normas e certificações ABNT NBR 16001 7.8

- buscar certificação do seu sistema da gestão da Sumário


responsabilidade social por uma organização externa.
Prefácio
Os requisitos da NBR 16001 são genéricos, para que Introdução
possam ser aplicados a todas as organizações. Sua
1 Objetivo
aplicação dependerá de fatores como a política de
responsabilidade social da organização, a natureza de 2 Definições
suas atividades, produtos e serviços; da sua localidade 3 Requisitos do sistema da gestão da responsabilidade
e das condições em que opera. social
3.1 Requisitos Gerais
Conteúdo 3.2 Política da responsabilidade social

A NBR 16001 utiliza, como um dos seus fundamen- 3.3 Planejamento


tos, as três dimensões da sustentabilidade – econô- 3.3.1 Aspectos da responsabilidade social
mica, ambiental e social –, conceitos descritos como 3.3.2 Requisitos legais e outros
sustentabilidade. Está fundamentada na metodologia 3.3.3 Objetivos, metas e programas
conhecida como PDCA (Plan-Do-Check-Act, ou pla-
3.3.4 Recursos, regras, responsabilidade e autoridade
nejar-fazer-verificar-atuar).
3.4 Implementação e operação
Os objetivos e metas devem ser compatíveis com a 3.4.1 Competência. Treinamento e conscientização
política de responsabilidade social e devem contem-
3.4.2 Comunicação
plar (mas não se limitar a):
3.4.3 Controle operacional
a) boas práticas de governança;
3.5 Requisitos de documentação
b) combate à pirataria, sonegação e corrupção; 3.5.1 Generalidades
c) práticas leais de concorrência; 3.5.2 Manual do sistema da gestão da responsabilidade
d) direitos da criança e do adolescente, incluindo o 3.5.3 Controle de documentos
combate ao trabalho infantil;
3.5.4 Controle de registros
e) direitos do trabalhador, incluindo o de livre associação,
de negociação, a remuneração justa e benefícios básicos, 3. 6 Medição, análise e melhoria
bem como o combate ao trabalho forçado; 3.6.1 Monitoramento e medição
f) promoção da diversidade e combate à discriminação 3.6.2 Avaliação da conformidade
(por exemplo: cultural, de gênero, de raça/etnia, idade, 3.6.3 Não-conformidade e ações corretiva e preventiva
pessoa com deficiência);
3.6.4 Auditoria interna
g) compromisso com o desenvolvimento profissional;
3.6.5 Análise pela Alta Administração
h) promoção da saúde e segurança;
Anexo A (informativo) Bibliografia
i) promoção de padrões sustentáveis de desenvolvimento,
Anexo B (informativo) Outros termos
produção, distribuição e consumo, contemplando
fornecedores, prestadores de serviço, entre outros;
Referências
j) proteção ao meio ambiente e aos direitos das gerações
futuras; e www.abnt.org.br
k) ações sociais de interesse público. www.iadb.org/ETICA/Documentos/abn_norma-p.doc

151
7.9 EMAS
Eco Management
and Audit Scheme – EMAS
Comissão Européia

O que é preocupações sociais e ambientais por parte das em-


presas nas suas operações e na sua interação com
Eco Management and Audit Scheme (EMAS) é um
outras partes interessadas”. A esta estratégia segue
sistema de gestão ambiental (SGA), assim como a
consulta pública, que foi lançada em 2001, via Livro
ISO 14001. É altamente reconhecido por entidades
Verde, cujo objetivo é melhorar os conhecimentos
governamentais e reguladoras do ambiente e opção
sobre RSE e facilitar o intercâmbio de experiências
vantajosa para algumas empresas que cumprem re-
e boas práticas.
quisitos regulamentados e têm envolvimento em
programas governamentais. A proposta da Comissão Européia inclui a criação de
um fórum europeu multilateral sobre RSE (CSR EMS
De fato, muitas empresas implementam os dois refe-
Fórum) que conduza a avaliação e o benchmarking
renciais (EMAS e ISO 14001) e mantêm quer a certi-
externos do desempenho social e ambiental das em-
ficação ISO 14001, quer o registo EMAS. Pelas regras
presas e dos códigos de conduta existentes. A fim de
do referencial EMAS, a empresa se obriga a reportar,
fazer a RSE crível, a estratégia apela para caminhos
em declaração pública, seu desempenho ambiental.
que promovam a convergência e a transparência das
práticas e ferramentas no domínio da RSE.
Origem

A norma EMAS, lançada em 1995 pela Comissão Objetivo


Européia, é uma ferramenta de gestão para todos os
Os sistemas de ecogestão, como são formalizados na
tipos de organizações, que permite avaliar, melhorar
ISO 14000 e no regulamento europeu EMAS, defi-
e dar conta do seu desempenho ambiental.
nem o modus operandi que as empresas devem ado-
tar a fim de atingirem uma gestão integrada do meio
Conteúdo ambiente, permitindo a melhoria contínua dos seus
Em 2001, reservada até então unicamente às em- desempenhos ambientais.
presas, a norma EMAS estendeu-se a outras orga- Esta operação é realizada apenas após ter determi-
nizações (ONG, serviços públicos etc.) e integrou nado a situação ambiental da empresa. No caso da
as diretrizes da ISO 14001 como sistema de gestão EcoAuditoria (EMAS), esta etapa é pedida explicita-
ambiental de referência. mente, não é o caso da ISO 14001, no entanto, a apli-
Em 2002, a Comissão Européia adotou a nova es- cação da ISO 14001 não pode ser feita corretamente
tratégia referente à Responsabilidade Social das sem esta etapa prévia.
Empresas (RSE), que visa realçar a contribuição das EMAS é instrumento importante da RSE, reconhe-
empresas para o desenvolvimento sustentável. A RSE cido como ferramenta-chave para orientar as exi-
passou a ser vista como “a integração voluntária de gências ambientais e para promover a inovação e

152
EMAS 7.9
Capítulo 7
Normas e certificações

a modernização dos processos. Conseqüentemen- Ao contrário das exigências da norma ISO 14001, o
te, contribui para a competitividade das empresas. regulamento EMAS prevê a publicação de uma decla-
Neste contexto, solicita-se ao fórum do CSR EMS ração ambiental que deve incluir uma avaliação dos
que explore a oportunidade de aplicar a abordagem problemas ambientais, um resumo dos dados quan-
EMAS ao desempenho social das empresas e de ou- tificados.
tras organizações.
Referências
Passo-a-passo www.emas.org.uk
http:// ec.europa.eu/environment/emas/index_en.htm
Uma organização que deseja beneficiar-se desta certi-
http:// ec.europa.eu/environment/emas/about/summary_en.htm
ficação deve validar as quatro seguintes etapas:
www.emas.org.uk/aboutemas/mainframe.htm
• Elaboração de diagnóstico ambiental, levando-se em
conta o conjunto dos aspectos ambientais das atividades da
organização, dos seus produtos e serviços, dos seus métodos
de avaliação interna etc.;

• Definição de um sistema de gestão ambiental em face


dos resultados do diagnóstico e dos objetivos fixados
pelos executivos da empresa. Este sistema deve definir as
responsabilidades, os objetivos, os meios para atingi-lo, os
procedimentos operacionais, as necessidades de formação
e os sistemas de informação.

• Realização de auditoria ambiental, levando-se em conta


a implantação deste sistema sua conformidade com os
objetivos ambientais da empresa, bem como sobre o
respeito das leis ambientais pertinentes.

• Redação de declaração do desempenho ambiental da


organização, que permita comparar os resultados atingidos
com os objetivos estabelecidos, bem como as próximas
etapas de melhoria do desempenho.

O diagnóstico ambiental, o sistema de gestão, o pro-


cedimento de auditoria e a declaração final devem ser
auditados por um organismo de certificação aprovado
pela comissão.

153
7.10 DSI

Det Sociale Indeks


Ministério dos Assuntos Sociais

País Avançando no processo do Det Social Indeks, a em-


presa ganhará uma visão geral de seus pontos fortes e
Dinamarca das possibilidades de melhora. As ferramentas podem
também funcionar como base do trabalho futuro da
O que é empresa com responsabilidade social.
O Det Social Indeks é uma ferramenta de gestão de
responsabilidade social passível de certificação com Conteúdo
foco na relação das organizações com seus funcioná-
O questionário proposto busca avaliar o grau de ade-
rios enquanto uma de suas partes interessadas.
são aos três pilares do DS nas ações e nas políticas (as
respostas variam entre “sempre” e “nunca”), o grau de
Origem motivação de RSE, o nível de atividade RSE da empre-
Det Social Indeks, ou “índice empresarial”, é um ins- sa, além de avaliar os resultados obtidos.
trumento de autodiagnóstico elaborado em 2000 O questionário compreende três partes:
pelo Ministério dos Assuntos Sociais da Dinamarca e
distribuído pelo Ministério do Emprego. Trata-se de • O que queremos - avaliar os objetivos e intenções da
uma tentativa original de construir uma avaliação das organização ao trabalhar com responsabilidade social.
práticas oficiais e certificadas para o público. • O que fazemos - avaliar as ações em curso.
• O que ganhamos - avaliar os resultados da prática da
Objetivo responsabilidade social da organização com relação aos
objetivos traçados. Observação: Se estes forem limitados,
O Det Social Indeks é o primeiro instrumento de pro- o desempenho pode ser muito bom, apesar de uma
cesso destinado a organizações privadas ou públicas de ambição modesta.
todos os portes que desejam avançar o seu grau de res- No total, as três categorias reúnem 18 tópicos espe-
ponsabilidade social com relação ao seu público inter- cíficos, os quais a empresa pode discutir e decidir de
no. A ferramenta foca no diálogo entre os empregados que modo o Det Social Indeks pode se transformar
e a empresa, oferecendo a esta uma oportunidade de se num processo de diálogo que debate os diferentes
certificar como um local de trabalho socialmente res- pontos de vista sobre como a empresa lida com a res-
ponsável, sendo assim também uma ferramenta para a ponsabilidade social.
comunicação do compromisso social da organização.
Para cada um dos 18 tópicos é realizado um diagnós-
O Det Social Indeks é uma ferramenta de avaliação que tico quantitativo numa escala de 0 a 100, que forne-
geralmente é utilizada para os seguintes objetivos:
ce uma visão de como a empresa lida com a área em
• Avaliação do status da empresa em relação à questão. Ao final do processo, a empresa terá um dia-
responsabilidade social. gnóstico total do seu comprometimento social.
• Planejamento de ações específicas para melhorias que
podem ser diretamente incluídas em planos de trabalho Passo-a-paSso
com responsabilidade social.
• Comunicação para a sociedade do comprometimento A ferramenta está disponível gratuitamente. Sua apli-
social da organização. cação deve ocorrer mediante o apoio e o compromis-
so da liderança da organização em complementar o
O Det Social Indeks relaciona as políticas gerais da processo. A partir daí, um coordenador de projeto é
empresa, o estágio atual de implementação, os resul- designado, e um grupo de trabalho multifuncional e
tados e o acompanhamento. A ferramenta é flexível representativo (incluindo a gerência), é selecionado
e pode ser adaptada às necessidades e circunstâncias para discutir os diferentes aspectos de ser socialmen-
das empresas. te responsável. Isso envolve lidar com tópicos como

154
DSI 7.10
Capítulo 7
Normas e certificações

ausência de funcionarios por doença, equilíbrio entre sa). Caso a documentação seja satisfatória, os requisitos
família e trabalho, política para funcionários mais ve- para certificação sejam observados na prática e a orga-
lhos, desenvolvimento de competências, integração nização receba uma nota entre 60 e 100, ela poderá uti-
de equipes com redução da capacidade de trabalho, lizar o logo do Det Social Indeks por três anos.
entre outras questões.
Caso a organização ou empresa não queira passar pelo
A ferramenta é baseada no diálogo e dá aos funcio- processo, o Det Social Indeks pode funcionar como
nários oportunidade de discutir na organização como inspiração, mas a experiência demonstrou que o diá-
ela lida com a responsabilidade social e de construir logo com os stakeholders é muito benéfico à empresa,
uma visão de futuro sobre o tema. pois aumenta a compreensão e fornece uma base para
identificar as iniciativas que poderão melhorar o de-
A certificação não é um requisito para se trabalhar com
sempenho social da empresa. A ferramenta é baseada
o Det Social Indeks. A empresa que desejar certificação
no diálogo e dá principalmente ao público interno a
deve passar por um processo que envolve o preenchi-
oportunidade de discutir a empresa e melhorar seus
mento e envio do questionário ao Secretariado do Det
resultados dentro da área de RES/DS.
Social Indeks seguido de auditoria externa (que evolve
visitas à organização para análises críticas, entrevistas
com funcionários e gerentes, exame de documentação Referências
e observação, e a avaliação final e independente sobre www.detsocialeindeks.dk
os 18 tópicos do questionário respondidos pela empre- www.detsocialeindeks.dk/extweb/dsi/dsi.nsf/DocNo/eng-01-02-01

Implementação de pla-
nos de Ação

Decisão de trabalhar com


o Det Social Indeks

Implementação de
planos de Ação Reunião inicial

Reunião de reavaliação

Sugestões de melhorias Avaliação individual dos


transformadas em planos de ação 18 tópicos

Reunião para consenso –


avaliação conjunta dos 18 tópicos

155
7.11 SGE 21

Sistema de Gestión Ética Y


Responsabilidad Social - SGE 21
Fórum para a Avaliação da Gestão Ética – Forética

País proposto pelo Forética, que, por sua vez, permite às


empresas gerenciar (planejar, monitorar e avaliar),
Espanha de acordo com seus valores, as relações com todas as
partes interessadas. O sistema garante a integração
O que é estratégica dos valores organizacionais nas opera-
Norma voluntária que permite a avaliação da gestão ções, mediante um enfoque de processos, avaliações
ética e responsável das organizações (estabelecendo e planos de melhoria.
um sistema de gestão) passível de auditoria e certi-
ficação. Conteúdo
A Norma de Empresa SGE 21 é parte de uma família
Origem
de normas do Forética para avaliação da gestão ética,
O Fórum para a Avaliação da Gestão Ética – Forética pertencendo à série SG20 Empresa. Ela parte de va-
é uma associação sem fins lucrativos fundada em Bar- lores comuns a toda organização, os quais formam a
celona. Espanha, no ano de 1999, com a missão de fo- cultura organizacional e sobre os quais se dá o proces-
mentar a cultura da gestão ética e a responsabilidade so de reflexão estratégica.
social das organizações. Tem como membros diversos
A Norma se estrutura em nove Áreas de Gestão sobre
profissionais, acadêmicos, empresas e ONGs dedica-
as quais se implementam uma série de protocolos e
dos à prestação de serviços e ao desenvolvimento e
requerimentos conforme a política de Responsabili-
aperfeiçoamento de ferramentas que melhorem a ges-
dade Social baseada nos valores da organização. 
tão da responsabilidade social para organizações de
todos os tamanhos e setores de atividade.
Lançada em 1999, a Norma de Empresa SGE 21 foi Processo de Planejamento Estratégico
uma das primeiras iniciativas do Forética e se tornou
a base do primeiro Sistema de Gestão Ética e Social- Código de Conduta
Missão
mente Responsável (SGE)1 europeu, que permite, de
maneira voluntária, alcançar uma certificação. Visão

Valores POLÍTICA RSE


Objetivo
Introduzir valores éticos e auditáveis nas áreas de ges- Objetivos
tão de uma organização de qualquer porte e setor que
deseja assumir compromissos sociais, permitindo a Comitê de RSE
Abordagens estratégicas
avaliação e a verificação dos compromissos adquiridos
pela alta direção em termos de responsabilidade social.
A Norma desenvolve os critérios que permitem es- A implantação de cada Área de Gestão é avaliada ob-
tabelecer, implantar e avaliar nas organizações o jetivamente e, portanto, com possibilidade de subme-
Sistema de Gestão Ética e Socialmente Responsável ter-se a auditoria. São elas:

1
O SGE é composto por uma família de normas, guias e documentos formais desenvolvidos pelo Forética e baseia-se em uma série de diretrizes de RSE:
Diretrizes OCDE e OIT, Pacto Mundial das Nações Unidas, Comunicação da Comissão Européia relativa à Responsabilidade Social das Empresas (2002),
Livro Verde da Comissão Européia (2001), ISO 9001:2000, ISO 14001:2004 e ISO 19011:2002, OHSAS 18000, SA8000.

156
SGE 21 7.11
Capítulo 7
Normas e certificações

1. Alta Direção
Acionistas Governo
2. Clientes
3. Fornecedores e terceiros
4. Recursos Humanos
Alta Direção
Entorno Social e Clientes
5. Entorno Social Entorno Ambiental
6. Entorno Ambiental
7. Investidores
8. Competidores Recursos Concorrência Fornecedores
9. Administradores Competentes Humanos

Passo-a-passo Certificação
A SGE 21 pode ser utilizada por microempresas até
grandes multinacionais. Ela pode ser implantada em SGE 21
toda a organização de maneira integrada, por graus de
Implementação por Áreas
implantação (sendo a certificação em Gestão Ética a de
maior reconhecimento) ou ainda por áreas de gestão. Nível de Códigos de Conduta
Implementação
O sistema é totalmente compatível com as normas Política de
ISO 9000:2000 e ISO 14000, permitindo auditorias Responsabilidade
conjuntas e assim redução de custos.
O sistema deve ser revisado e avaliado periodicamen-
te de forma a garantir a melhoria contínua.
conformidade, o Forética emite o Certificado de Ges-
• Auditoria interna - auditores designados e capaci- tão Ética e Responsabilidad Social. Este selo é revisado
tados avaliam o cumprimento da norma e desenvol- anualmente com auditorias de acompanhamento e a
vem planos de melhoria submetidos a um comitê de cada três anos com auditorias completas.
responsabilidade social.
• Avaliação de conformidade – avaliação por terceiro
A empresa opta por uma auditoria ou avaliação de sem necessidade de solicitar certificação. Pode ser rea-
conformidade a ser realizada anualmente: lizada por uma certificadora ou consultoria reconheci-
da pelo Forética. O objetivo é emitir um informe sobre
• Auditoria externa – realizada por uma certificadora
o grau de operação do sistema, que permita à direção
de qualidade e meio ambiente acreditada pela ENAC
estabelecer planos de melhoria para o cumprimento de
e reconhecida pelo Forética. O relatório de auditoria
objetivos de suas políticas de responsabilidade social. 
é revisado por um comitê de certificação designado
pela Direção Técnica do Forética, que inclui membros
do Forética (presidente, especialista em RSE e área Referências
técnica), a entidade certificadora envolvida no pro- www.foretica.es
cesso, outra certificadora oficial e uma ONG. Com a www.foretica.es/imgs/foretica/sge21.pdf

157
7.12 OHSAS 18001

Occupational Health and Safety


Assessment Series 18001 - OHSAS
U.S. Department of Labor - Occupational Safety
& Health Administration

País Conteúdo
EUA A norma OHSAS 18000 integra-se no mesmo modelo
das normas ISO 9000 e ISO 14000, apresentando uma
O que é abordagem por processo.

Norma voltada à saúde e segurança ocupacional. É Estas normas são baseadas na utilização do “ciclo de
passível de auditoria e certificação. Deming”, que permitem uma melhoria contínua dos
desempenhos.
Origem A OHSAS 18000 compõe-se de um sistema de gestão
A OHSAS 18001, cuja sigla significa Occupational que integra:
Health and Safety Assessment Series — entrou em • o compromisso de seguir uma política de gestão dos
vigor em 1999, após estudos de um grupo de organis- riscos,
mos certificadores e de entidades de normalização da • a identificação e a avaliação dos fatores e áreas de
Irlanda, Austrália, África do Sul, Espanha e Malásia. riscos,
• a identificação de objetivos e programas,
Objetivo • a formação do pessoal,
• a implantação de processos de controle,
Esta norma visa auxiliar as empresas a controlar os ris- • a preparação a situações de emergência,
cos de acidentes no local de trabalho. É uma norma para • o estabelecimento de procedimentos de medida de
sistemas de gestão da Segurança e da Saúde no Trabalho vigilância,
(SST). A certificação por essa norma garante o compro- • a implantação de medidas de prevenção dos acidentes,
misso da empresa com a redução dos riscos ambientais
• a instauração de um procedimento regular de verificação.
e com a melhoria contínua de seu desempenho em saú-
de ocupacional e segurança de seus colaboradores.
Passo-a-passo
A criação dessa norma levou em conta algumas
normas nacionais já existentes, como a BS 8800, na O procedimento de certificação desenvolve-se em
Inglaterra. A norma se baseia no conceito de que a três etapas:
companhia deve periodicamente analisar e avaliar seu • a pré-avaliação efetuada pelo organismo responsável
pela auditoria de certificação;
sistema de gestão da SST, de maneira a sempre iden-
tificar melhoras e implementar as ações necessárias. • o estudo dos documentos fornecidos pela empresa;
Por isso, ela não estabelece requisitos absolutos para • a auditoria de certificação a fim de examinar e verificar
o desempenho da Segurança e Saúde no Trabalho a implantação efetiva dos procedimentos por parte da
— mas exige que a empresa atenda integralmente à empresa.
legislação e regulamentos aplicáveis e se comprometa
Referências
com o aperfeiçoamento contínuo dos processos.
www.osha.gov
Por não estabelecer padrões rígidos, duas organizações www.osha-bs8800-ohsas-18001-health-and-safety.com
que desenvolvam atividades similares, mas que apresen- www.osha-bs8800-ohsas-18001-health-and-safety.com/
tem níveis diferentes de desempenho da SST, podem, electronic.htm (para compra)
simultaneamente, atender aos requisitos da norma. http://emea.bsi-global.com/OHS/index.xalter

158
SA 8000 7.13

Social Accountability 8000


Social Accountability International – SAI

País • remuneração
• sistema de gestão
EUA

Passo-a-passo
O que é
A SA 8000 é uma norma que estabelece padrões para as Há duas opções para a implantação da SA 8000:
relações de trabalho, passível de auditoria e certificação. 1. Certification SA 8000

Para obter a certificação, a empresa deve se submeter


Origem
à avaliação de auditor independente, que verifica o
Foi elaborada em 1997 pela organização não-governa- cumprimento das normas estabelecidas pela SAI em
mental norte-americana Council on Economic Prio- relação a gestão, operações e prestação de contas. O
rities Accreditation Agency (Cepaa), hoje chamada processo de certificação é conduzido por organizações
Social Accountability International (SAI) e que ficou credenciadas e supervisionadas pelos próprios audito-
responsável pelo seu desenvolvimento e pela sua su- res da SAI, que promovem visitas regulares de inspeção
pervisão. Elaborada por grupos de trabalhos que in- a agências credenciadas e empresas certificadas.
cluem especialistas e representantes de stakeholders,
Informações: www.sa-intl.org/index.cfm?fuseaction=Page.
a SA 8000 é a primeira certificação internacional de
viewPage&pageID=617
responsabilidade social e foi revisada em 2001.
Lista de facilitadores www.sa-intl.org/index.
cfm?fuseaction=Page.viewPage&pageID=745
Objetivo
A SA 8000 é cada vez mais reconhecida mundialmen- 2. Corporate Involvement Program (CIP)
te como um sistema de implementação, manutenção As empresas que vendem mercadorias, ou têm etapas
e verificação de condições dignas de trabalho e res- de produção e venda desses produtos, podem integrar
peito dos direitos fundamentais dos trabalhadores. É o Corporate Involvement Program SA 8000, que aju-
destinada principalmente às empresas que possuem
da as empresas a implementarem os padrões da SA
centros de compra ou de produção em países onde é
8000 e a avaliá-los. Há dois níveis de participação:
necessário assegurar-se de que os produtos são reali-
zados em condições de trabalho decentes. • SA 8000 Explorer (CIP Level One) - o objetivo é
avaliar a SA 8000 como uma ferramenta ética para as
relações de trabalho. 
Conteúdo
Apresenta-se como um sistema de auditoria similar à • SA 8000 Signatory (CIP Level Two) - visa
implementar a SA 8000 na cadeia produtiva pela
ISO 9000, mas com requisitos baseados nas diretrizes
certificação de fornecedores e comunicação do
internacionais de direitos humanos, incluindo a De- processo de implementação aos stakeholders.
claração Universal dos Direitos Humanos da ONU,
as convenções da OIT, bem como as convenções da Lançado em 1999, o CIP atraiu membros que represen-
ONU sobre os direitos da criança. tam faturamento anual superior a US$ 100 bilhões. Os
programas incluem cursos para gestores, fornecedores,
As principais áreas objeto de atenção da SA 8000 são:
trabalhadores e assistência técnica para a implementa-
• trabalho das crianças, ção da SA 8000, além do direito de uso da logomarca da
• trabalho forçado SAI na comunicação com os stakeholders.
• higiene e a segurança www.sa-intl.org/index.cfm?fuseaction=Page.
• práticas viewPage&pageID=527
• discriminação
• direito de reunião (sindicatos) Referência
• tempo de trabalho www.sa-intl.org

159
7.14 SD 21000

SD 21000
Association Française de Normalisation - AFNOR

País com as PI, da integração dos sistemas de gestão e de in-


formação (avaliação, indicadores, reporting). Apóia-se
França
sobre um mecanismo de transação sobre desafios que não
são unicamente econômicos.”
O que é
O Guia visa responder a duas problemáticas:
O Guia SD 21000 representa a contribuição francesa
• Ajudar as empresas a construir uma estratégia que leva
para o debate internacional sobre as normas de de- em conta os desafios do desenvolvimento sustentável e
senvolvimento sustentável organizado pelas instân- levá-lo a efeito.
cias da ISO. Porém, as recomendações do Guia SD • Organizar um sistema de transação com as partes
21000 não são destinadas para certificação; ele pre- externas à empresa numa visão estratégica e construir as
tende ser um guia de boas práticas e não a implanta- ações com base em desafios julgados como significativos.
ção de uma nova norma.
Conteúdo
Origem
O Guia SD21000 propõe bases para ajudar técnica e
Criada em 1926, a Associação Francesa de Normali- culturalmente a adaptar o sistema de gestão de uma
zação – AFNOR é reconhecida como utilidade públi- empresa a fim de integrar progressivamente os objeti-
ca e colocada sob a tutela do Ministério responsável vos do desenvolvimento sustentável.
pela Indústria. Conta com cerca de 3.000 empresas
associadas. AFNOR é o membro francês do CEN e A abordagem estratégica inicial proposta pelo Guia
da ISO. SD 21000 fará emergir um grande número de desafios
potenciais para a empresa e a necessidade de anali-
Após dois anos de elaboração por um grupo de traba- sar os próprios riscos da empresa. Esta oportunidade
lho de mais de 50 parceiros que representam o con- permitirá que a empresa identifique os desafios mais
junto do mundo econômico (patronato, sindicatos, significativos.
associações, poderes públicos), a AFNOR chegou em
2003 a um consenso final referente ao Guia SD 21000, Na seqüência, a empresa estará então em condições
que visa apresentar recomendações de ordem estraté- de determinar a sua visão, a sua estratégia, a sua polí-
tica e os seus objetivos para elaborar o seu programa
gica e operacional para levar em consideração os de-
plurianual. Ela deduzirá assim o seu plano de ações.
safios do desenvolvimento sustentável na estratégia e
As ações serão acompanhadas, avaliados e os impac-
na gestão das organizações.
tos dos desafios significativos serão medidos e comu-
nicados às partes interessadas.
Objetivo
O instrumento de diagnóstico é “informatizado”.
“O Guia SD 21000 não é uma receita do desenvolvimen-
to sustentável. É uma ferramenta pedagógica de sensibi- Um acompanhamento de cinco dias permite ajudar
lização que ajuda os chefes de empresa a colocar boas a empresa a familiarizar-se com o Desenvolvimento
perguntas. Trata-se de uma ajuda à reflexão estratégica Sustentável e a construir um plano de ação relevante,
que permite identificar os desafios ‘significativos’ e instau- além do apoio de um programa de formação adaptado
rar uma iniciativa de progressos do controle das relações aos atores locais.

160
SD 21000 7.14
Capítulo 7
Normas e certificações

Passo-a-passo Resultado

A primeira fase tem por objetivo uma reflexão inicial, Um ano depois do seu lançamento, 200 empresas fo-
quando da elaboração da estratégia da empresa com ram mobilizadas em nove regiões.
suas conseqüências à escala mundial sobre a vida e o
funcionamento das empresas. Dica

A segunda fase tem por objetivo a operacionalização, O guia para a hierarquização dos desafios do de-
propondo recomendações hierarquizadas que visam senvolvimento sustentável (FD X 30-023) é um do-
ajudar a empresa a fixar os seus objetivos em relação cumento de ajuda à aplicação do Guia SD 21000 para
ao SD, integrando a gestão aos objetivos RS. identificar e hierarquizar os desafios de desenvolvi-
mento sustentável.
Identificação dos desafios Apóia-se sobre uma metodologia desenvolvida, que
permite, com base nos instrumentos de pilotagem já
• Princípios de desenvolvimento sustentável existentes na empresa:
• Boas práticas setoriais
• Identificar os desafios de desenvolvimento sustentável;
• Regulamentação e Normas
• Hierarquizar estes desafios, em termos de riscos e
• Expectativas das partes interessadas oportunidades;
• Considerar o grau de maturidade da empresa em relação
Estratégia de responsabilidade aos diferentes desafios de desenvolvimento sustentável bem
empresarial como o grau de maturidade das práticas empresariais;

Escolhas e prioridades: • Implementar ações a fim de construir a sua estratégia


referente ao desenvolvimento sustentável e construir um
• Desafios significativos
programa que visa a melhoria contínua;
• Visão e valores da empresa
• Elaborar o plano de ações prioritárias adaptado;
• Dialogar sobre o assunto internamente e externamente
Política com as partes interessadas.
• Programa O método apóia-se numa lista de 34 desafios que var-
• Ação rem o conjunto dos domínios cobertos pelo desenvol-
• Objetivos vimento sustentável.
• Indicadores
O Guia SD 21000 versão Autarquias Locais (AF-
NOR AC X30-022) visa ajudar as comunidades locais
Operacionalização e apropriar-se do conceito e tem por objetivos:
• Favorecer uma tomada de consciência das comunidades
• Sistema de gestão
sobre os princípios e desafios do desenvolvimento
• Plano de ação sustentável;
• Formação • Favorecer uma reflexão prospectiva para a integração dos
• Comunicação princípios de desenvolvimento sustentável;
• Quadro de controle • Localizar alguns métodos e instrumentos de aplicação de
uma iniciativa de desenvolvimento duradoura.

Reporting Este guia dirige-se principalmente aos atores que de-


verão impulsionar a iniciativa e tem o poder de deci-
• Avaliação e Comunicação dos desempenhos são e orientações estratégicas bem como ao pessoal
• Retorno de informação às partes interessadas que contribuirá para a aplicação da iniciativa.
• Melhoria contínua
Efetivamente, o desenvolvimento sustentável é uma
• Atualização da identificação dos desafios
iniciativa participativa que mobiliza todas as energias
A iniciativa de reporting — dar informação aos inves- dos atores em todos os níveis.
tidores em potencial, referente aos diferentes resulta-
dos da empresa, bem como levar em consideração as Referências
partes interessadas, vítimas ou beneficiárias — cons- www.afnor.org/developpementdurable/default.html
titui os dois eixos das ferramentas formatadas para www.afnor.org/developpementdurable/normalisation/
atingir o Desenvolvimento Sustentável. A obrigação referentiels.html
de prestar conta torna-se uma necessidade e uma no- www.afnor.org/developpementdurable/normalisation/
ção indispensável ao funcionamento da sociedade. sd21000.html

161
7.15 Q-RES

Q-RES
Centro para Ética, Direito e Economia - CELE

País foi elaborada a primeira versão da Norma Q-RES (cer-


tificável), que traduz o Sistema de Gestão Q-RES em
Itália um padrão certificável por organismos independentes
e está em processo de consulta.
O que é
Sistema de gestão para a responsabilidade social e Objetivo
ética que pode ser adaptado para empresas privadas, O projeto Q-RES visa elaborar um padrão de qualida-
organizações públicas e associações, baseado no con- de de responsabilidade social e ética das corporações
ceito de gestão estratégica, justa e eficaz das relações que possa ser certificável e capaz de proteger a repu-
com stakeholders. Princípios de ética empresarial tação social e ética, além de construir confiança nas
(business ethics)(*). relações com stakeholders. A idéia é que as empresas
(*) A ética empresarial sugere como critério de equilíbrio reconhecidas como socialmente e eticamente respon-
o conceito de um “contrato social” justo e eficiente entre sáveis possam gozar de melhores relações com os seus
a empresa e todos os demais participantes (stakehol- stakeholders e ter uma vantagem competitiva em ter-
ders), não um contrato real, mas um contrato ideal, mos de reputação, confiança e credibilidade.
um conjunto de critérios, uma pedra de toque. Ele se
fundamenta em um conceito de justiça que vê como Conteúdo
justo o que as pessoas aceitam de forma racional, con- O documento Diretrizes Q-RES (Q-RES Guidelines),
sensual e unânime. publicado em 2001, descreve seis instrumentos pro-
Para que se obtenha um acordo justo, algumas condi- postos para gerenciar a qualidade social e ética (RSE)
ções têm de ser preenchidas: das organizações:
• Os interesses de todos devem ser levados em 1. Visão Ética Corporativa
consideração;
Define o conceito de justiça da organização que fun-
• Todos devem ser informados, e não enganados;
damenta o comportamento responsável que ela deve
• Ninguém pode sofrer ou ter sofrido violência ou estabelecer e seguir nas relações com seus stakehol-
constrangimento; e
ders. Expressa um contrato social entre empresa e
• O acordo tem de ser obtido voluntariamente, pela stakeholders, caracterizado pela imparcialidade e ade-
racionalidade. são livre, a fim de que cada parte contribua para o al-
cance da missão da empresa.
Origem
2. Código de Ética
Concebido em 1998 pelo Centro para Ética, Direito e
Conjunto de princípios, regras e parâmetros que re-
Economia (CELE), da Universidade Castellanza (Va-
gulam questões relativas ao poder discricionário e
rese, Itália), o sistema foi desenvolvido por um gru-
governança corporativa. Visa proteger as partes inte-
po de trabalho (Mesa Q-RES) que integra empresas,
ressadas dos abusos de poder da empresa, estender os
consultorias e ONGs que tem por objetivo criar fer-
padrões de relação aplicados a investidores aos demais
ramentas de gestão para promover a responsabilidade
stakeholders e fornecer elementos para a avaliação da
social e a ética nos negócios.
reputação organizacional pelas diversas partes inte-
O Q-RES mantém diálogo com iniciativas semelhantes ressadas, a fim de construir relações de confiança.
na Europa, entre elas o Sigma Project, do Reino Unido,
e o Values Management System, da Alemanha, além do 3. Formação Ética
próprio governo italiano e da Comissão Européia, a fim Visa criar as condições para a melhor compreensão
de estudar conjuntamente a definição de um padrão eu- dos empregados quanto às regras e os princípios éti-
ropeu para a gestão da responsabilidade social. cos da organização. A “formação ética” procura prever
as zonas de conflito (indivíduo/empresa) e criar um
As diretrizes Q-RES Guidelines para aplicação da fer- diálogo para favorecer o respeito, pelos empregados,
ramenta foram lançadas em 2001. Em 2002 e 2003, aos códigos de condução e às regras da empresa. Pre-
iniciaram-se os primeiros projetos-pilotos. Já em 2003 para o funcionário para que esteja apto a identificar

162
Q-RES 7.15
Capítulo 7
Normas e certificações

e lidar com questões de natureza ética no ambiente de pesquisas do time e da comparação entre experi-
organizacional. ências das organizações participantes. Podem se unir
à Mesa Q-RES empresas públicas e privadas, asso-
4. Sistema de Implementação e Controle ciações, ONGs e fornecedores de serviços sociais no
Trata-se da “infra-estrutura” para apoiar a implemen- campo da RSE que compartilhem a Missão do Projeto
tação das práticas de responsabilidade social e ética, e pretendam contribuir para a manutenção do progra-
monitorar seu cumprimento e melhorar a performan- ma de pesquisa realizado pelo grupo do Q-RES.
ce ética. O guia define dois processos para isso:
As atividades têm como objetivos:
• O processo "de baixo para cima" visa medir o
desempenho ético e social via Balanced Score Card (BSC) • Revisão do Guia e da Norma Q-RES de acordo com
ajustado e adaptado. O BSC engloba quatro dimensões de os resultados das pesquisas em curso, financiadas pela
desempenho organizacional: finanças, clientes, processos Comissão Européia, sobre o desenvolvimento de um
internos, aprendizagem e desenvolvimento, cada qual com padrão comum de gestão RSE, realizadas em parceria
políticas, objetivos e estratégias definidas no sistema. com o Projeto Sigma, Accountability e Universidade de
Poderia ser utilizado para medir o desempenho social e Constanza;
ético (ou sustentabilidade) da organização ao se incorporar • Refinamento dos instrumentos do sistema de gestão Q-
essas questões nas dimensões do sistema. Desta forma, o RES à luz da experiência das empresas participantes dos
BSC poderia se tornar um instrumento de gestão da RSE. projetos-pilotos;
• O processo "de cima para baixo" propõe a avaliação e a • Colocar em processo de auditoria e futura certificação da
melhoria dos processos de controle, gestão de riscos, e Norma Q-RES;
governança corporativa associados às questões de ética via
• Promoção da consciência e adoção do Guia de Diretrizes
auditoria ética interna. Q-RES junto a empresas e associações.

5. Prestação de Contas da Responsabilidade 2. Realização de um projeto-piloto


Social e Ética
A equipe Q-RES pode ser contratada pela organiza-
Visa informar as partes interessadas sobre o desem-
ção para a realização de um projeto-piloto, que por
penho de RSE da organização, ampliando o escopo e
a transparência da comunicação corporativa. Vários sua vez levará à adoção e/ou melhoria de um ou mais
modelos e abordagens de relatório que consideram o instrumentos previstos no Sistema de Gestão Q-RES
triple bottom line são referenciados no Q-RES: GRI, (código de ética, balanço social, formação ética, siste-
The World Business Council for Sustainabale Develo- mas de auditoria externa etc.).
pment, AccountAbility etc. Tipicamente um projeto-piloto prevê as seguintes ati-
vidades realizadas pela equipe Q-RES:
6. Verificação externa
• Gap Analysis - para se desenvolver um plano operacional
A verificação por um auditor externo confere maior para a implementação ou melhoria dos instrumentos Q-
credibilidade e valor à “declaração” da empresa em RES existentes na organização;
termos de RSE. O auditor avalia o cumprimento das • Suporte ao planejamento dos instrumentos de acordo
diretrizes e instrumentos propostos pelo Q-RES, de com as Diretrizes Q-RES;
acordo com critérios de excelência fornecidos. Os
• Suporte ao desempenho dos instrumentos Q-RES;
modelos de referência de maior relevância para o Q-
• Verificação da aplicação dos instrumentos com base na
RES são SA 8000 e AA 1000.
Norma Q-RES.
Para cada instrumento de gestão do modelo Q-RES,
o Guia traz: definição, função, conteúdo, metodologia A realização de projetos-pilotos ocorre de acordo com
de desenvolvimento, evidências de auditoria e critérios acordos específicos entre o time Q-RES e a organiza-
de excelência para a adoção da responsabilidade social ção interessada, visando identificar nível e modalida-
e ética. Além disso, o modelo de RSE descrito no guia des de envolvimento da equipe.
Diretrizes Q-RES foi desenvolvido, levando, sistemati-
camente, em conta a observação e a verificação externa Resultados
das práticas da empresa pelas partes interessadas.
Durante as atividades do Projeto Q-RES, foram iniciados
projetos-pilotos com as seguintes empresas: ENEL Coop
Passo-a-passo
Consumers, The Northeast Freeways for Italy.
A adesão à Norma pode ocorrer em duas modalidades:
Referências
1. Adesão à Mesa Q-RES
www.qres.it
Fórum de discussão e elaboração científica de princí-
pios, metodologias e instrumentos de RSE, por meio www.liuc.it
da apresentação dos resultados e propostas originadas www.liuc.it/ricerca/cele/qres.pdf

163
7.16 ECS2000
Capítulo 7
Normas e certificações

Ethics Compliance Management


System Standard - ECS 2000
Japan Society for Business Ethics Study

País • Estabelecer e administrar um Sistema de Conformidades


Legais;
Japão
• Criar um Sistema Interno de “ouvidoria” (coleta de
sugestões e críticas) para os stakeholders e também criar um
O que é Código de Ética (caso não tenha) e uma filosofia de trabalho.

A ECS 2000 é uma norma que auxilia na implemen-


tação de Sistemas de Conformidades Legais e Éticas Conteúdo
nas organizações, de acordo com os princípios dos
A estrutura básica dessa norma pode ser ilustrada em
Direitos Humanos e de Liberdade e Co-Prosperidade
quatro estágios:
dentro do mercado econômico.
1º) Cada organização deve esclarecer sua Política de Ética
Os Direitos Humanos e de Liberdade são condições e em seguida planejar e desenvolver o Código de Ética e as
básicas para a democracia, e sem elas a economia em Regulamentações Internas requeridas para a compreensão
termos gerais não funciona. dessa política;

2º) Uma pessoa treinada ou um departamento deve


Origem assumir responsabilidade pela conformidade ética e legal.
A área de comunicação também deve direcionar mais seu
A Sociedade Japonesa de Estudos de Ética nos Ne-
trabalho para esse assunto.
gócios (Japan Society for Business Ethics Study) foi
criada em 1993, 15 anos depois da criação da Socie- 3º) Uma auditoria independente deve ser contratada pela
dade de Estudos de Ética nos Negócios, dos Estados organização, para auditar os membros da organização.
Unidos. O departamento responsável pelas Regulamentações e
Código de Ética deve publicar o funcionamento e resultado
Coube à sociedade japonesa estabelecer um Centro dessas auditorias.
de Pesquisa de Ética nos Negócios que direcionasse
empresários para a introdução de programas de éticas 4º) Baseando-se nos resultados dessa auditoria, reformas
em suas companhias. Como fruto desse trabalho, em potenciais devem ser identificadas e implementadas,
incluindo desde a revisão nos Códigos de Ética até a
1999 foi publicada no Japão a primeira Norma adota-
criação de Programas de Educação e Treinamento e
da para a Ética nos Negócios — a ECS 2000. Sistemas de Consultas.

Objetivos Passo-a-passo
Esta norma visa permitir que as organizações possam 1. ESCOPO
encontrar meios mais avançados de precaução contra
negociações duvidosas – ilegais e/ou injustas – con- 2. REFERÊNCIAS NORMATIVAS
duzidas pelos próprios membros da diretoria da em- 3. DEFINIÇÕES
presa, violando o Código de Ética ou Política de Tra-
balho. Assim, permite que essas violações e as pessoas 4. SISTEMA DE REQUERIMENTO E
responsáveis possam ser identificadas. Para conseguir GERENCIAMENTO DA ÉTICA
isso é necessário: 4.1. Requerimentos Gerais

164
ECS2000 7.16
Capítulo 7
Normas e certificações

4.2. FORMULANDO POLÍTICAS BÁSICAS DE cia mundial, as organizações japonesas tiveram suas
CONFORMIDADE NA ÉTICA E PRODUÇÃO DE MANUAIS estruturas da governança corporativa reformuladas,
4.2.1. Formulando Políticas Básicas de Conformidade dando maior ênfase à Ética nos Negócios.
na Ética
4.2.2. Divulgação das Políticas Básicas de O governo japonês também decretou a Lei de Proteção
Conformidade na Ética e Produção de Manuais a Testemunhas (Whistleblower Act) e revisou os siste-
mas internos de controle das companhias japonesas.
4.3. PLANEJAMENTO
4.3.1. Implementação do Planejamento A grande mudança foi percebida rapidamente no re-
4.3.2. Legislação; outras Regulamentações e Leis lacionamento com os stakeholders, o qual era mar-
relatadas cado por grandes escândalos, nas décadas de 70 a 90.
4.3.3. Regulamentações Internacionais Um bom exemplo são os consumidores, que normal-
mente nunca denunciavam as grandes companhias, e
4.4. IMPLEMENTAÇÃO E OPERAÇÃO hoje isso já não acontece com tanta freqüência.
4.4.1. Estrutura e Responsabilidades
4.4.2. Educação e Treinamento Referências
4.4.3. Comunicação Business Ethics & Compliance Center
4.4.4. Sistema de documentação de Conformidades na Reitaku University
Ética
http://ecs2000.reitaku-u.ac.jp
4.4.5. Controle de Documentos
www.seattleu.edu/asbe/abei/papers%20for%202006%20c
4.4.6. Controle Operacional
onference/Nobuyuki%20Demise.pdf
4.4.7. Nível de Preparação de Emergência
COLABORAÇÃO
4.5. MONITORAMENTO E CORREÇÕES Beat Grüninger, Marco Perez
4.5.1. Monitoramento e Avaliação Business and Social Development
4.5.2. Ações Preventivas e Correções www.bsd-net.com
4.5.3. Registro
4.5.4. Sistemas de Gerenciamento das Conformidades
Éticas da Auditoria

4.6. REVISÃO GERENCIAL

4.7. SISTEMA DE REFORMA DRÁSTICA DECORRENTE DE


SITUAÇÕES EMERGENCIAIS

Resultado
Com o apoio da ECS 2000 e o empenho de várias com-
panhias japonesas no “desenvolvimento de programas
de ética nos negócios”, devido à demanda e exigên-

165
7.17 AA 1000

AA1000
Institute of Social and Ethical
Accountability - ISEA

País focado no engajamento da organização com as partes


interessadas, vincula questões sociais e éticas à gestão
Reino Unido estratégica e operações do negócio.

O que é O engajamento das partes interessadas é o ponto-chave


do padrão AA 1000. É por meio deste que a organiza-
Norma internacional certificável composta por prin- ção fará a priorização dos pontos críticos a serem ende-
cípios e padrões de processo focados no engajamento reçados, determinará indicadores e metas e escolherá o
com as partes interessadas. sistema de relatório mais adequado à empresa.

Origem A série favorece a aprendizagem organizacional e a


inovação. Traz benef ícios ao desempenho geral —
A norma, que tem o desafio de ser o primeiro padrão nos aspectos social, ético, ambiental e econômico — e
internacional de gestão da RSE, foi lançada em 1999 contribui para que a organização caminhe na direção
pelo ISEA - Institute of Social and Ethical Accounta- do desenvolvimento sustentável.
bility, uma organização não-governamental com sede
A norma é certificável, porém não define padrões de
em Londres. A organização foi fundada em 1995 para
certificação ou desempenho real, mas especifica o pro-
promover inovações na prestação de contas a fim de
cesso a ser seguido na construção do relatório de desem-
avançar as práticas de negócio responsáveis e ampliar
penho e não os níveis de desempenho desejados. Assim,
a prestação de contas da sociedade civil e de órgãos
a norma não atesta comportamento ético e socialmente
públicos. É formada por 350 membros entre empre-
responsável para uma organização, mas garante que ela
sas, ONGs e organismos de pesquisa que elegem um
aja conforme a sua missão e valores e cumpra as metas
conselho composto por representantes do Brasil, Índia,
definidas a partir do diálogo com stakeholders.
América do Norte, Rússia, África do Sul e Europa.
Algumas das mais importantes contribuições da AA
Módulo mais recente da Série AA 1000. Em 2005 a
1000 são os processos e definições que dão suporte à
AccountAbility lançou o segundo módulo da AA 1000
prática da responsabilidade social empresarial. Enfati-
Series, o AA 1000SES – Stakeholder Engagement
za-se a inovação na forma de adotar as regras, permi-
Standard. Essa ferramenta traz uma série de conside-
tindo que cada empresa defina seu próprio caminho.
rações práticas sobre engajamento das partes interes-
Isso confere às companhias maior responsabilidade.
sadas e formata um processo de diálogo propriamente
Seguir esse padrão tem sido visto como uma garantia
dito. Os princípios aplicados neste processo são: In-
para os sócios e demais partes interessadas de que há
clusão, Materialidade, Completude e Resposta.
consistência nas ações da empresa.

Objetivo
Conteúdo
A série de normas AA 1000 define melhores práticas
Série AA 1000 é composta por Padrões Principais
para prestação de contas a fim de assegurar a qualida-
(AA1000 Framework, AA 1000AS – Assurance Stan-
de da contabilidade, auditoria e relato social ético de
dard e AA 1000SES – Stakeholder Engagement), No-
todos os tipos de organizações (públicas, privadas e
tas de Direcionamento e Notas para Usuário.
ONGs de todos os portes). Os padrões de processo da
AA 1000 associam a definição e a integração dos valo- A norma apresenta os principais tópicos ligados à res-
res da organização com o desenvolvimento das metas ponsabilidade social, os pontos de divergência e de
de desempenho e com a avaliação e comunicação do convergência com os demais padrões, como as ISO,
desempenho organizacional. Por meio desse processo, SA 8000 e GRI.

166
AA 1000 7.17
Capítulo 7
Normas e certificações

A estrutura da AA 1000 (AA 1000 Framework) con- social e ético façam parte das operações, sistemas e
tém processos e princípios para relatórios, prestação políticas da organização e não sejam apenas destinados
de contas e auditoria. Existem 11 princípios de quali- à produção de relato social e ético.
dade que devem ser seguidos pela organização, agru- 11. Melhoria Contínua – ações tomadas, reconhecidas e
pados por área de referência: externamente auditadas, para melhorar o desempenho em
resposta aos resultados dos processos de contabilidade,
I. Escopo e Natureza do Processo de Organização auditoria e relato social e ético, oferecem oportunidade
para o desenvolvimento contínuo do processo.
1. Completude – inclusão imparcial das áreas
apropriadas e atividades relacionadas com desempenho
social e ético nos processos de contabilidade. Passo-a-passo
2. Materialidade – inclusão de informação significativa A AA 1000 pode ser usada isoladamente ou em con-
que podem afetar as partes interessadas e sua avaliação junto com outros padrões de prestação de contas,
do desempenho social e ético da organização.
como a Global Report Initiative (GRI) e as normas
3. Regularidade e Conveniência – disponibilidade de ação ISO e SA 8000.
e informação sistemática dos processos de contabilidade,
auditoria e relato social para apoiar a tomada de decisão O processo de implantação da AA 1000 segue um
organização e partes interessadas. ciclo definido de atividades agrupadas nos cinco ele-
mentos da norma:
II. Significância da Informação
• Planejamento
4. Garantia da Qualidade – processo de auditoria da
organização realizado por um auditor externo ou partes • Contabilidade
independentes e competentes. • Auditoria e Relato
5. Acessibilidade – comunicação apropriada e efetiva • Integração
para as partes interessadas da organização sobre seus • Engajamento das Partes Interessadas
processos de contabilidade, auditoria e relato social e
ético e seu desempenho. É importante frisar que a seqüência das etapas descri-
tas no processo não é sempre cronológica.
III. Qualidade da Informação
A verificação acompanha todo o processo segundo
6. Comparabilidade – capacidade de comparação de
desempenho da organização com períodos anteriores,
modelo sugerido pelo ISEA. Para a verificação devem
metas de desempenho, benchmarks externos, ser aplicados os princípios de garantia do Padrão de
regulamentação e normas não obrigatórias. Garantia AA1000S: Completude, Materialidade, Pró-
7. Confiabilidade – garantia para a organização e partes
atividade, Acessibilidade e Evidência.
interessadas de informação íntegra e imparcial proveniente Em cooperação com o IRCA – International Register
da contabilidade, auditoria e relato social e ético.
of Certified Auditors, o ISEA certifica auditores pro-
8. Relevância – informação útil para a organização e fissionais de sustentabilidade cuja prática de audito-
partes interessadas para construção de conhecimento e
ria segue o padrão específico da Série AA 1000, a AA
suporte à tomada de decisão.
1000AS – Assurance Standard.
9. Entendimento – garantia de compreensão da
informação (incluindo questões de língua, estilo e
Referências
formato) pela organização e partes interessadas.
www.accountability.org.uk
IV. Gerenciamento do Processo em Base Contínua www.accountability21.net
10. Integração – de informações ou sistemas, garantia www.accountability21.net/aa1000/default.asp
de que os processos de contabilidade, auditoria e relato www.accountability21.net/aa1000/default.asp?pageid=286

167
7.18 BS 8555

British Standard 8555 – BS 8555


The Acorn Trust

País Passo-a-passo
Reino Unido A ferramenta está disponível on-line e pode ser con-
sultada gratuitamente. As PMEs podem utilizar o
O que é método Acorn para realizar um processo por etapa
(seis etapas ao todo) para instaurar práticas de gestão
Conjunto de padrões de gerenciamento ambiental
ambiental. Não há obrigatoriedade de se implementar
voltado para Pequenas e Médias Empresas (PMEs).
todas as fases do processo.

Origem As seis etapas previstas pela ferramenta são:


Criado pelo Projeto Acorn, um projeto nacional cria- 1. Compromisso e estabelecimento de uma base de trabalho
do para ajudar pequenas e médias empresas a crescer 2. Identificação das necessidades em matéria de
e desenvolver seus padrões de performance ambien- conformidade com as regulamentações: assegurar-se da
tal, construídos a partir de necessidades específicas conformidade
do próprio negócio. O projeto foi grenciado pela The 3. Desenvolvimento de objetivos e de programas
Acorn Trust, fundação que visa tornar o gerencia- 4. Instauração de um sistema de gestão ambiental
mento ambiental acessível e lucrativo para as PMEs.
5. Avaliação, auditoria e acompanhamento
A fundação é formada por representantes do governo
6. Certificação do sistema de gestão ambiental
do Reino Unido, de associações comerciais, de orga-
nizações não-governamentais, de pequenas e médias Após a implementação de cada etapa, a empresa pode
empresas e consultores ambientais. A norma foi lan- realizar auditorias internas, permitir a verificação pe-
çada em abril de 2003 com o apoio do Ministério do los principais clientes ou ainda por terceiros, a fim de
Comércio e Indústria e o Ministério do Ambiente e assegurar que os requerimentos de cada fase foram
Negócios Rurais ingleses. Um processo para a certi-
alcançados. Na fase 6, a organização pode optar por
ficação nacional pela BS 8555 está em estudo pelaThe
uma auditoria adicional para verificar a conformidade
Acorn Trust.
com as exigências da ISO 14000 e da EMAS.

Objetivo O instrumento propõe também um método men-


toring partnership pelo qual uma grande empresa
Implementação (por fases) de um sistema de gestão
acompanha a PME nas suas iniciativas. Este método
ambiental, visando à melhoria contínua e preparação
refere-se, sobretudo, às PMEs que desejam instaurar
para a obtenção de certificação ISO 14001 e registro
uma gestão ambiental sob a pressão ou após um pedi-
EMAS (European EMAS Regulation).
do do seu grande cliente (cadeia de subcontratação).
Conteúdo
Referências
O processo de implantação é realizado em cinco ní-
www.theacorntrust.org
veis. Um sexto nível permite às organizações para
www.theacorntrust.org/in_method_intro.shtml
desenvolver sistemas com a possibilidade de atingir
reconhecimento por padrões aceitos e reconhecidos www.theacorntrust.org/free_register.shtml
internacionalmente como a ISO 14001 e o EMAS. http://epi-tool.theacorntrust.org/

168
BS 8555 7.18
Capítulo 7
Normas e certificações

ETAPA 1 – Compromisso e estabelecimento de uma


base de trabalho (vide Figuras 2 a 9)

ETAPA 1 – auditoria

ETAPA 2 – Identificação das necessidades em maté-


ria de conformidade com as regulamentações (vide
Figuras 10 a 15)

ETAPA 2 – auditoria

ETAPA 3 – Desenvolvimento de objetivos, metas e


programas (vide Figuras 16 a 23)

ETAPA 3 – auditoria

ETAPA 4 – Instauração de um sistema de gestão am-


biental (vide Figuras 24 a 30)

ETAPA 4 – auditoria

ETAPA 5 – Avaliação, auditoria e acompanhamento


(vide Figuras 31 a 36)

ETAPA 5 – auditoria

ETAPA 6 – Certificação do sistema de


gestão ambiental (vide Figuras 37 a
42)

Auditoria de clientes e certificação da Preparação para registro EMAS


rede de suprimentos (vide introdução) (vide Etapa 6, passos 2 a 6)

Preparação para avaliação


externa do sistema de gestão
(BS EN ISO 14001)

169
7.19 BS 8800
British Standards 8800 – BS 8800
British Standard Institution – BSI

País Passo-a-passo
Inglaterra A compra pode ser feita on-line. Existe também a pu-
blicação.
O que é https://secure.element5.com/shareit/checkout.html?produc
tid=156337&language=English
Norma de origem inglesa voltada para a gestão da
saúde e segurança ocupacional, passível de auditoria Etapas necessárias para uma certificação:
e certificação.
1. Comprometimento da alta administração.
2. Seleção e designação formal de um coordenador.
Origem
3. Formação do Comitê de coordenação.
Criada pelo British Standard Institution (BSI), órgão
4. Treinamento.
britânico encarregado de elaborar normas técnicas,
foi publicada em 1996 originalmente como BS 8750. 5. Elaboração e divulgação da política de segurança.
É considerada como a norma mais atual em todo o 6. Palestra sobre qualidade para todos os funcionários.
mundo para a implantação de um sistema eficaz de
7. Divulgação constante do assunto segurança.
gerenciamento das questões relacionadas com a pre-
venção de acidentes e doenças ocupacionais. Sua sigla 8. Estudo dos requisitos da norma e realização do
diagnóstico da empresa em relação a cada um deles.
deverá ser ISO 18000 quando aprovada mundialmente
pela Organização Internacional para a Normalização, 9. Plano de trabalho para cumprir o que estabelece cada
nos comitês e workshop(s) internacionais, como o requisito da norma.
programado para Genebra, na Suíça. Diversos países, 10. Formação de grupos de trabalho com a participação
inclusive o Brasil, estão fazendo eventos preparatórios dos funcionários para elaborar as instruções de trabalho.
e discutindo os assuntos nas câmaras setoriais com o 11. Elaboração do manual de segurança.
objetivo de esclarecer e consolidar suas posições so-
12. Treinamento dos funcionários na documentação.
bre o assunto.
13. Formação dos auditores internos de segurança.

Objetivo 14. Realização das auditorias internas.


15. Implantação das ações corretivas para as não-
Implantação de um sistema eficaz de gerenciamento conformidades.
das questões relacionadas à prevenção de acidentes e
16. Seleção da entidade certificadora.
doenças ocupacionais.
17. Realização da pré-auditoria (avaliação simulada).

Conteúdo 18. Realização da auditoria de certificação.

A norma BS 8800 prescreve um Sistema de Gestão de


Saúde Ocupacional e Segurança compatível com a ISO Referências
14001, apoiado nas mesmas ferramentas do ciclo PDCA www.bsi-global.com
(Plan-Do-Check-Act) de melhoria contínua. Esta com- Download em português http://br.geocities.com/acisbr/
patibilidade permite a unificação de ambas as normas e bs8800.htm
a integração com as normas da série ISO 9000, forman- www.osha-bs8800-ohsas-18001-health-and-safety.com/
do uma poderosa ferramenta de gestão para a empresa. bs8800.htm

170
BS 8900 7.20
Capítulo 7
Normas e certificações

British Standards 8900 – BS 8900


British Standard Institution – BSI
País organização. A BS 8900 também ajuda as empresas a
fazer a conexão entre as normas existentes relaciona-
Inglaterra das ao tema (como, por exemplo, a série ISO 14000,
O que é as diretrizes GRI e a AA 1000), além de contribuir no
processo mundial de elaboração da futura norma ISO
Não é uma norma de sistema de gestão. É um guia de 26000 de Responsabilidade Social.
diretrizes, sem propósito de certificação para organi-
zações de todos os tamanhos, tipos e setores, sobre as Conteúdo
opções para o gerenciamento da sustentabilidade, por A BS 8900 baseia-se na construção do aprendizado e
meio do balanceamento entre o capital social e os ca- na implementação de estruturas de tomada de deci-
pitais ambiental e econômico do negócio, tendo-se em são nas organizações para torná-las mais sustentáveis.
vista a melhoria contínua do desempenho e a accoun- A norma estabelece os resultados que a organização
tability das organizações. deve alcançar, e não os processos que ela deve seguir,
Origem e aponta os meios para identificar a maturidade da
sustentabilidade da organização, de forma que sua
BSI – British Standards Institution - lançou na Ingla- posição atual possa ser mensurada e seu progresso,
terra a primeira norma do mundo para a Gestão do representado graficamente.
Desenvolvimento Sustentável. As novas diretrizes aju-
Apresentação 
darão as organizações na construção de uma aborda-
gem equilibrada e duradoura da atividade econômica, 0 Introdução
da responsabilidade ambiental e do progresso social. 0.1 Generalidades 
0.2 Resultados 
Objetivo 1 Escopo 
Mike Low, diretor da BSI, diz: 2 Termos e definições 
Essa norma é um importante passo no sentido de aju- 3 Princípios do desenvolvimento sustentável 
dar as organizações a concretizarem um futuro susten- 4 O desenvolvimento sustentável colocado em prática 
tável, mantendo-se ao mesmo tempo o desempenho 4.1 A organização 
da empresa. Uma abordagem eficaz para gerenciar o 4.2 Identificação de questões 
desenvolvimento sustentável ajudará a assegurar que a
4.2.1 Generalidades 
organização tome decisões de alta qualidade que pro-
4.2.2 Identificação das partes interessadas 
movam sucesso contínuo e duradouro. Essas decisões
4.2.3 Engajamento das partes interessadas 
geralmente estão relacionadas com as organizações,
4.2.4 Considerações adicionais 
as quais se fazem as seguintes perguntas:
4.3 Capacidade da organização 
• Como ter certeza de que nenhum grupo ou indivíduo 4.3.1 Generalidades 
está em desvantagem ou permanece na ignorância?
4.3.2 Alocação de recursos 
• Como lidar com os outros com integridade? 4.3.3 Construção da competência 
• As decisões organizacionais resultarão em mudanças 4.4 Gestão 
ambientais ou societárias irreversíveis?
4.4.1 Generalidades 
• Como ter certeza de que informações pertinentes e 4.4.2 Avaliação de riscos e oportunidades 
confiáveis estão disponíveis em meios acessíveis, de baixo
custo, e são comparáveis? 4.4.3 Identificação de indicadores de desempenho 
4.4.4 Obtenção do progresso 
• Como interesses, influências e beneficiários
significativos são registrados, comunicados e gerenciados? 4.5 Análise crítica 
A Matriz de Maturidade do Desenvolvimento Susten- 4.5.1 Generalidades 
tável contida na BS 8900 ajuda a responder a essas per- 4.5.2 Análise crítica da estratégia 
guntas, fornecendo meios de rastrear o desempenho 4.5.3 Análise crítica operacional 
em relação aos critérios estabelecidos e trabalhando 4.5.4 Follow-up 
continuamente em direção à melhoria de cada área. 4.6 Construção da confiança 
A BS 8900 também contribui com o desenvolvimen- 5 Matriz de maturidade do desenvolvimento sustentável 
to da futura ISO 26000. Vale ressaltar que a norma
inglesa está alinhada com as principais deliberações Referências
já aprovadas para a futura ISO 26000, quais sejam: www.bsi-global.com/British_Standards/sustainability/index.xalter
não terá propósito de certificação, não terá caráter de
sistema de gestão e será aplicável a todos os tipos de www.qsp.org.br/bs8900.shtml

171
7.21 GOOD CORPORATION

Good Corporation Standard


A Good Corporation Ltd.

País Passo-a-passo
Reino Unido O processo de certificação é conduzido sigilosamente
por auditores que se baseiam em dados sobre a gestão
O que é provenientes de várias fontes: documentais, de gesto-
res e de stakeholders.
É uma certificação distribuída por uma empresa pri-
vada, a Good Corporation, às organizações que de- 1º passo: Inicialmente, a empresa deve preencher um
monstrem práticas de gestão responsável e melhoras questionário on-line para conhecer o estágio em que
em relação às questões sociais, éticas e ambientais de se encontram suas práticas, para ser verificada. Em
acordo com um conjunto de critérios definidos. seguida, deve inscrever-se na Good Corporation para
obter informações e solicitar verificação.
Origem 2º passo: Uma vez o contrato assinado, um auditor
(credenciado pelo Good Corporation) efetua uma
A Good Corporation Ltd. foi criada em 2000 por análise da empresa de acordo com critérios de res-
ex-sócios da empresa de consultoria KPMG. É uma ponsabilidade social da organização. Esta verificação
empresa privada que destina 5% de seus lucros a boas passa por várias etapas:
causas. Conta com o apoio de representações sindi-
cais, organizações sem fins lucrativos, assim como de • Com base em documentos fornecidos pela empresa;
pequenas e grandes empresas. Com sede no Reino • Com base no site;
Unido, a Good Corporation mantém uma rede inter- • Por entrevistas com as partes interessadas.
nacional de parceiros e assessores. O Good Corpo-
Ao final desse processo, o auditor faz sua avaliação.
ration Standard foi desenvolvido em conjunto com o
Para obter a certificação, a empresa deve obter pare-
Institute of Business Ethics e lançado em 2001.
cer no mínimo “satisfatório” em cada tópico avaliado.
Se certificada, ela poderá usar a logomarca do Good
Objetivo Corporation em suas peças de comunicação durante
A Good Corporation confere às empresas uma cer- o período de um ano. No caso de parecer negativo,
a empresa pode se basear nas sugestões do relatório
tificação independente que as ajuda a proteger sua
de verificação para estabelecer melhoras nos setores
reputação e a promover práticas de negócio respon-
reprovados na verificação e pedir uma reavaliação.
sáveis. A certificação destina-se a empresas de qual-
quer tamanho ou setor. Para obtê-la, a empresa tem A avaliação é conduzida de forma confidencial.
de comprovar a adoção de boas práticas em relação Os resultados não são publicados por Good Corpora-
a funcionários, clientes, fornecedores, comunidade, tion, embora uma lista daquelas organizações que se
meio ambiente e acionistas. encontraram no padrão apareça no website.

Conteúdo Resultados

A avaliação é realizada a partir de um conjunto de A Good Corporation já certificou empresas em mais


critérios de boa condução do negócio, em relação às de 30 países na Europa, na América do Norte e Amé-
partes interessadas e inclui categorias como gestão de rica do Sul, na África e na Ásia. O trabalho também já
relações, impactos e contribuições. São avaliadas seis foi estendido para pequenas empresas, organizações
sessões – público interno, clientes, fornecedores e ter- sem fins lucrativos e do setor.
ceirizados; comunidade, meio ambiente, acionistas e
outros públicos da área financeira, e compromisso da Referência
direção. No total, são verificadas 62 práticas de gestão. www.goodcorporation.com

172
COMMUNITY MARK 7.22

Community Mark
Business in the Community- BITC
País Quality Foundation). Analisa 12 domínios de ativi-
dades das PMEs nas suas localidades, avaliando os
Reino Unido benef ícios gerados para a comunidade e as iniciati-
vas empreendidas para chegar aos resultados apre-
O que é sentados. Os “resultados” são comunicados, e as
Um padrão certificável de atuação social para PMEs “abordagens” são descritas.
inglesas.
Passo-a-passo
Origem As empresas que desejam obter a certificação devem
A certificação britânica Community Mark é promo- seguir alguns passos:
vida e distribuída gratuitamente pela Business in the 1. Enviar uma carta de compromisso ao BITC, e assim
Community (BITC) e conta com apoio do Ministério subscrever os princípios do Community Mark, i.e.
do Interior. O instrumento foi desenvolvido com a • Integrar valores de RS na sua gestão e
contribuição de Brighton & Hove Business Commu-
• Respeitar as diferentes partes interessadas.
nity Partnership.
• Instaurar um programa em proveito da sua
A BITC é uma organização fundada em 1982 por um comunidade em dois anos - o Community Program.
grupo de grandes empresas britânicas comprometi- 2. Participar de uma rede local, animada por uma pessoa
das em ampliar seu impacto positivo na sociedade. da rede BITC, o Community Mark Advisor, que acompanha a
A organização é presidida pelo Príncipe de Gales e empresa ao longo de todo o processo de certificação.
é atualmente formada por 750 empresas membros e 3. Fornecer 53 informações sobre as melhorias levadas ao
uma rede de 2.000 empresas engajadas por meio de 90 seu Community Program.
parceiros globais.
4. Preencher um questionário de avaliação sujeito ao comitê
de avaliação do BITC (Assessment Panel) que se reúne três
Objetivo
vezes ao ano. O Comitê pode completar o exame de pedido
Community Mark é destinado às pequenas e médias de certificação consultando certas partes interessadas.
empresas (até 250 assalariados) que desejam obter o
Uma vez validada pelo Comitê, a empresa poder utili-
reconhecimento da sociedade diante das atividades de
interesse público e dos investimentos que realizam em zar o logotipo da Community Mark durante três anos.
proveito das comunidades nas quais estão inseridas. Observação: Um novo padrão Community Mark
O instrumento permite à empresa dar visibilidade à está sendo desenvolvido pela Business in the Com-
sua atuação social e aos benef ícios gerados às comu- munity (BITC) em parceria com empresas mem-
nidades locais, agregando valor à sua imagem insti- bros, além do setor público e de organizações de
tucional (como empresa responsável), esperando que voluntariado. O selo será lançado em caráter piloto
esse reconhecimento contribua para a conquista e fi- no início de 2007. Será um padrão para o reconheci-
delização de clientes. mento de práticas empresariais de responsabilidade
Community Mark é um padrão nacional com três ca- social com foco nas iniciativas voltadas à comuni-
racterísticas: dade (disponível a partir de 2007). O Community
Mark será destinado às empresas de B2B e B2C de
• Reconhece a contribuição de pequenos e médios negócios
em comunidades locais. todos os portes que desejem obter o reconhecimen-
• Fornece um modelo que permite pequenos e médios
to público da sua contribuição para as comunidades
negócios maximizar seu envolvimento com a comunidade nas quais estão inseridas, resultando num potencial
para beneficiar os negócios e a comunidade. aumento do valor do negócio. O selo oferecerá um
• Fornece um modedo que encoraja pequenos e médios modelo para auxiliar as empresas a maximizar seu
negócios, até mesmo aqueles que não estejam envolvidos envolvimento comunitário, gerando benef ícios mú-
em assuntos comunitários, a engajar-se em questões para tuos — para si e para as comunidades.
beneficiar seus negócios e a comunidade.
Vantagem concreta - uma certificação Community Mark Referências
permite a uma PME, por exemplo, fornecer exemplos das
suas práticas de investimento local, quando responde a www.bitc.org.uk
um concurso público. www.communitymark.org.uk
www.bitc.org.uk/programmes/programme_directory/
Conteúdo
communitymark/
O Community Mark baseia-se no modelo de exce- www.bitc.org.uk/programmes/programme_directory/
lência da fundação britânica da qualidade (British communitymark/what_is_commuark.htm

173
7.23 INVESTORS IN PEOPLE

Investors In People Standard


Investors In People Uk

Por ter uma estrutura genérica e flexível, UK, que promove o uso da ferramenta e é respon-
o Investors In People se adapta ao ciclo de sável pelas revisões feitas a cada três anos. A última
delas foi finalizada em novembro de 2004.
planejamento das empresas e focaliza os
aspectos de desenvolvimento e formação
Objetivos
de recursos humanos, que devem ser
considerados pelos gestores para o Investors in People Standard tem como proposta
acompanhamento das ações. fornecer uma metodologia de planejamento e gestão
para melhorar os resultados de organizações a partir
[Conteúdo] da formação e do desenvolvimento de seus recursos
humanos, relacionando-os com as estratégias e obje-
tivos da empresa.

Conteúdo

Investors in People Standard foi criada para ser usada


em qualquer tipo e porte de organização. Por ter uma
estrutura genérica e flexível, ela se adapta ao ciclo de
País
planejamento das empresas e focaliza os aspectos de
Reino Unido desenvolvimento e formação de recursos humanos,
que devem ser considerados pelos gestores para o
O que é  acompanhamento das ações. A ferramenta espelha o
ciclo do planejamento de negócio (plan, do, review),
Um padrão de gestão de recursos humanos, passí-
de forma que as organizações o sigam e executem
vel de certificação, administrado por uma empresa
em seu próprio ciclo do planejamento, cada qual
privada.
com requerimentos específicos de evidência. A
ferramenta apresenta três etapas e dez indicadores
Origem
que devem orientar o trabalho em cada uma delas,
O desenvolvimento dos recursos humanos é um cada qual com requerimentos específicos de evi-
ponto crítico para as empresas que pretendem me- dência.
lhorar seu desempenho. Pensando nisso, integrantes
de organizações empresariais, de profissionais e de
Passo-a-passo
trabalhadores criaram no Reino em 1990, no âmbito
de uma iniciativa chamada National Training Task O primeiro passo é fazer um diagnóstico da empresa,
Force, a Investor People Standard, uma ferramen- que pode ser realizado com o auxílio de ferramenta
ta para ajudar as organizações a melhorar sua per- disponível no site da Investors in People. (www.inves-
formance por meio de seus recursos humanos. Em torsinpeople.co.uk). Em seguida, inicia-se o processo
1993, foi criada a organização Investors in People seguinte:

174
Capítulo 7
Normas e certificações INVESTORS IN PEOPLE 7.23

1
10 Estratégia de
Melhora negócios 2
contínua Estratégia de
formação e
desenvolvimento

PLANEJAMENTO 3
Desenvolvimento Estratégia de
REVISÃO de estratégias
Avaliação dos impactos administração
para melhorar a de pessoas
na performance da performance da
9 organização
Medição do organização
desempenho 4
Liderança e
gerenciamento
EXECUÇÃO da estratégia
Implementação de
ações para melhora
8 da performance da 5
Aprendizado e organização Eficácia do
desenvolvimento gerenciamento
7 6
Envolvimento e Reconhecimento
Fonte: www.investorsinpeople.co.uk/IIP/
empoderamento e premiação
Web/About+Investors+in+People/Investors
+in+People+Standard/default.htm

1ª. ETAPA rante um período de três anos. Dentro deste prazo,


Planejamento – Desenvolvimento de estratégias para a empresa pode escolher com que freqüência deseja
melhorar a performance da organização. Nesta etapa, busca- fazer essas revisões. A avaliação pode ser feita com
se assegurar a compreensão dos objetivos da empresa e ajuda de um Assessor do Investors in People ou pela
criar estratégias claras para formação e desenvolvimento de
equipes que atendam a estes objetivos.
própria organização, utilizando gratuitamente uma
ferramenta on-line (Business Improvement Diag-
1. Conhecimento da estratégia de negócios.
nostic Tool).
2. Estratégia de formação e desenvolvimento.
Informações: www.investorsinpeople.co.uk.
3. Estratégia de administração de pessoas.
4. Liderança e gerenciamento da estratégia. Resultados
2ª. ETAPA Por mais de 12 anos, pesquisas independentes têm de-
Execução – Corresponde à implementação de ações monstrado a eficácia da Investors in People Standard
criadas no planejamento para melhora da performance das para organizações de qualquer setor e porte. Cerca de
organizações. 37 mil empresas do Reino Unido, o que corresponde
5. Eficácia do gerenciamento. a 27% da força de trabalho do país, utilizam a ferra-
6. Reconhecimento e premiação. menta e apresenta taxa de retenção de funcionários
7. Envolvimento e empoderamento. acima de 90%.
8. Aprendizado e desenvolvimento.
Referências
3ª. ETAPA www.iipuk.co.uk
Revisão – É o momento de avaliar os impactos na Step by step manual: www.tso.co.uk/bookshop.
performance da organização.
Overview
9. Medição do desempenho.
www.investorsinpeople.co.uk/NR/rdonlyres/miomn2
10. Melhora contínua. hhhyzxmg6d6vpgnudhrejzid2wyou2x6v7swwv24jfh3xuqb
vjwd7rpka/Overview.dfecfomd3en3e7xkjeejygrxw4uiqmmio
Investors in People confere um selo às empresas que mn2hhhyzxmg6d6vpgnudhrejzid2wyou2x6v7swwv24jfh3x
utilizam sua ferramenta e faz revisões periódicas du- xuqbvjwd7rpka/Overview.pdf

175
8
Compêndio para a Sustentabilidade: Ferramentas de Gestão de Responsabilidade Socioambiental

Considerações Finais:
Espiritualidade,
Valores e Consciência
Organizacional

8.1 Introdução
Mapeamento das Ferramentas de Gestão
Indo além da Eficiência Econômica, Eqüidade Social e Equilíbrio Ambiental...

8.2 Instrumento para Avaliação da


Educação de Lideranças para a Sustentabilidade da FDC
8.3 O Valor de um Negócio depende de seus Valores
8.4 Dicas de Leitura

176
176
Intro 8.1

Esta publicação apresentou um amplo panorama das diversas


ferramentas de gestão de Responsabilidade Social existentes no
mundo, que pretendem contribuir para a Evolução Sustentável e
inspirar experiências em vários países.

Em geral, essas ferramentas são instru- mais avançadas e numerosas, com nor- legislativos ao antecipar-se a ele.
mentos de auto-avaliação e aprendiza- mas estabelecidas, servindo de base para
Não tínhamos a pretensão de abranger
gem desenvolvidos para atender às ne- a RSE.
todas as ferramentas existentes, mesmo
cessidades das organizações (de todos os
A quase totalidade das ferramentas in- porque o tema é relativamente recente e
setores) de orientação e incorporação de
ventariadas não faz menção à dimensão encontra-se em pleno desenvolvimento.
conceitos e práticas de responsabilidade
das empresas consideradas, nem limita Optamos, portanto, por uma pesquisa
social nas diversas etapas de gestão da
o tamanho a que se destinam. Existe, realizada na Internet a partir de um ma-
RSE. Portanto, abrangem as fases de diag- porém, um visível esforço de elaboração peamento feito pelas várias organizações
nóstico, implementação, benchmarking e das ferramentas para pequenas e micro- que lidam com o tema no Brasil e no Ex-
avaliação do desempenho da organização empresas. terior. Tampouco incluímos todo o leque
nos três aspectos da evolução sustentá-
de ferramentas da RSE como, por exem-
vel — econômico, social e ambiental —, A origem das ferramentas de gestão
plo, os Bancos de Práticas e Códigos de
permitindo-lhes gerenciar de forma cada socialmente responsável pesquisadas é
Ética e Conduta, que merecem toda a
vez mais efetiva as relações com seus pú- majoritariamente privada procedente
atenção das organizações por serem de
blicos de interesse e os impactos sociais em grande parte de iniciativas não-go-
inegável contribuição para sua perfor-
e ambientais decorrentes de suas ativi- vernamentais.
mance socialmente responsável.
dades em toda sua cadeia produtiva, de A tipologia observada no âmbito deste es-
valores e redes de cooperação. A Internet é, de fato, o local ideal e mais
tudo parte da constatação de que o grau de
freqüente de distribuição das informa-
No entanto, apesar da diversidade, a uti- interatividade (stakeholders + cadeia pro-
dutiva, de valores e redes de cooperação) ções dessas ferramentas, bem como de
lização dessas ferramentas é ainda “ne- “socialização” das melhores práticas em-
gócio” praticado por um número limi- e acompanhamento externo (auditoria) é
hoje o fator mais importante de diferen- presariais. O levantamento tentou res-
tado de organizações, sendo que muitas peitar a forma pela qual o conteúdo das
ciação dos instrumentos observados. É
delas são também atores responsáveis ferramentas é apresentado, de modo a
ele, com efeito, que determina o impacto
pelo desenvolvimento dessas ferramen- mostrar ao leitor um retrato fiel de como
nos recursos financeiros e humanos da
tas juntamente com organizações não- estas ferramentas foram concebidas.
organização, bem como a profundidade
governamentais, organismos públicos, desta iniciativa durante seu trabalho em
associações e universidades. Esses di- No momento, não podemos pecar pelo
direção à evolução sustentável. excesso e pela euforia, desconsiderando
versos atores implicados no desenvolvi-
mento destas ferramentas estão entre os Por enquanto, a adoção de ferramen- as importantes disfunções potenciais, ou
precursores, tanto no plano conceitual tas de gestão de RSE/DS permanece no mesmo a ausência de dados que dificul-
como no avanço do movimento da RSE. campo da adesão voluntária. Para uns, tam a avaliação sobre a eficácia real de
Assim, parte destas iniciativas está ainda mais liberais, as iniciativas voluntárias tais iniciativas. É preciso ter em mente
em fase de construção ou de experimen- constituem uma prova tangível da von- que apesar do avanço metodológico e
tação, buscando a interlocução dentro tade de compromisso das empresas; técnico e do número expressivo de fer-
do movimento de RS para legitimá-las. para os outros, mais regulacionistas, ramentas, estamos apenas começando
elas confirmam mais a determinação uma longa etapa de remodelação de um
Notamos que, em matéria de soluções, a das empresas em não deixar o Estado sistema que até hoje priorizou apenas os
gestão ambiental apresenta ferramentas impor-lhes novos constrangimentos aspectos econômicos.

177
8.1 Intro
Capítulo 8
Considerações Finais

Mapeamento das Ferramentas de Gestão

Cada organização tem seus próprios desafios, exter- Princípios e Diretrizes - capítulos 2, 3 e 4.
nalidades, cultura corporativa, diferentes partes inte-
ressadas e sistemas próprios de gerenciamento. Os princípios e diretrizes devem estar pre-
sentes nas organizações desde o início da trajetória para a
A proliferação de modelos de ferramentas de gestão difi- sustentabilidade, pois esses instrumentos definem o seu
culta o entendimento e clareza dos gestores para sua es- escopo e auxiliam no seu entendimento por trabalhar
colha e utilização. Alguns modelos são complementares, com a visão integrada da RS. Nem todos os princípios e
enquanto outros apresentam muitas sobreposições. diretrizes são adequados para as organizações mais ini-
ciantes; no entanto, fazem parte da sua realidade e dos
Mas as ferramentas de gestão têm em comum a capa- mercados onde atuam. Vale observar que não há uma
cidade de ordenar o tema da RS nas organizações. Tal- separação tão explícita entre a legislação e os princípios
vez seja esta a principal motivação para quem procura e diretrizes, uma vez que a lei se fundamenta neles.
um modelo de gestão: integrar as práticas de RS de
forma natural, respeitando os diferentes estágios de Exercício de Diagnóstico - capítulos 5 e 6.
evolução de cada organização, desmistificando seus
aspectos abstratos, tornando-as, assim, uma atividade O exercício de diagnóstico das ações de
cotidiana da organização. responsabilidade socioambiental das organizações au-
xilia na reflexão do status da organização em relação à
Ao escolher uma ferramenta, o gestor deve ponde- RS e seu correspondente planejamento. A ferramenta
rar entre as limitações e os benef ícios de sua escolha. de diagnóstico/indicadores é um ótimo exemplo de
Assim, considerará, como adequada, aquela que in- instrumento para esta finalidade. Além de a organi-
fluencia o comportamento da organização de maneira zação realizar uma auto-avaliação, oferece padrões de
desejável e previsível, promovendo uma mudança sig- comparabilidade com o mercado.
nificativa, direcionada e monitorada, que impacta, em
Instrumentos de Gestão - capítulos 5 e 6.
diferentes aspectos, seus processos organizacionais
rumo à sustentabilidade do planeta. Gerenciar de forma cada vez mais efeti-
O processo de escolha das ferramentas inicia e se de- va as relações com seus públicos de interesse diretos
tém quase sempre na reflexão sobre questões básicas¹ : e indiretos — além dos impactos sociais, ambientais
e econômicos decorrentes de suas atividades em toda
Quais as oportunidades e/ou ameaças a RS traz para
sua cadeia de valor — é a palavra de ordem dos instru-
sua organização?
mentos de gestão nesta fase de integração da temática
Como a organização deve posicionar-se estrategica-
na estratégia de gestão da organização. Por mais que
mente diante dos desafios apresentados?
persista uma gradação ampla entre os instrumentos
Como transformar desafio em oportunidade, in-
segundo o nível de detalhe, de mensuração e de veri-
tegrando essa oportunidade na estratégia central
ficação, o grau de interatividade da organização com
das organizações?
seus stakeholders, cadeia produtiva, de valor e redes de
Este amplo panorama das diversas ferramentas de cooperação, além do acompanhamento externo (audi-
gestão apresentadas nesta publicação pode ser inte- toria), é hoje o fator mais importante de diferenciação
grado na agenda do gestor da seguinte forma: dos instrumentos observados. A relevante formação
de redes de cooperação, em que uma organização in-
Legislação – Conformidade Legal fluencia as demais e é por elas influenciada, induz à
A legislação é um mecanismo eficien- melhora contínua desse processo.
te e democrático de indução de boas práticas de RS, Normas e Certificações - capítulo 7.
mesmo se sua existência nem sempre é suficiente para
assegurar o seu cumprimento. Promover a criação e Além das leis, os princípios e diretrizes tam-
o aperfeiçoamento de políticas públicas, assim como bém fundamentam as normas e certificações. Vale dizer
cumprir e fazer cumprir a lei, propicia o avanço do que muitas vezes as normas e certificações tornam-se
movimento da RS em prol da sustentabilidade do pla- “obrigatórias” para posicionamentos estratégicos e aces-
neta. Para os mais regulacionistas, a determinação so a mercados. Uma das principais forças motrizes do
das organizações em não deixar o Estado impor-lhes avanço da RS é o mercado: o maior castigo não são as
novos constrangimentos legislativos é confirmada ao multas governamentais, mas a perda de mercado impos-
antecipar-se a eles. ta por um consumidor consciente e bem-informado.

¹ “Stakeholder Sniff-Test” desenvolvido pela AccountAbility.


178
Intro 8.1
Capítulo 8
Considerações Finais

Espiritualidade, Valores e Consciência coerência dos agentes econômicos entre esse consenso
Oganizacional - capitulo 8 e suas práticas cotidianas.
Por fim, e indo além da eficiência econômica, eqüi- A capacidade de articulação entre governo, empresa
dade social e equilíbrio ambiental, a RS requer um pro- e sociedade civil vai determinar a velocidade da mu-
cesso de entendimento que demanda atitude, princí- dança de atitude que pode acelerar a transição de um
pios, valores, DNA: uma forma de ser, pensar, decidir, mundo baseado em um modelo esgotado de relações
agir, conduzir e reagir (Plan, Do, Chek, Act) diante de ambientais, sociais e econômicas para a nova era da
suas atividades. Requer também um processo de en- sustentabilidade2.
tendimento em que os comportamentos éticos trazem
Não por acaso a falta de articulação institucional, en-
ganhos econômicos e não prejuízo. É preciso entender
tre empresas, setor público e sociedade civil, tem sido
que se trata de nosso desafio: ter a responsabilidade pelo
apontada como principal obstáculo à incorporação dos
todo começando por nós mesmos, individualmente.
desafios da sustentabilidade aos objetivos e ações estra-
Superar-se passa a ser, então e também, o grande tégicas das organizações3.
objetivo.
Por ora basta dizer que um exercício realizado pelo
Sair da zona de conforto para encontrar novos modelos, Pnud, muito revelador e particularmente subversivo,
novas tecnologias e novos parceiros na busca e melhoria expressa a relação entre as despesas mundiais neces-
das soluções em vez de usar a mesma mentalidade, es- sárias para tratar os males mais inaceitáveis da huma-
perando resultados diferentes, mas que não resolvem os nidade — fome, falta de acesso a água potável, falta de
mesmos desafios. ¨O mundo não evoluirá para além de cuidados básicos e luta contra epidemias curáveis — e
seu atual estado de crise, usando o mesmo pensamento os gastos com publicidade. Para combater a indignida-
que criou a situação” (Albert Einstein). de humana, bastariam algumas dezenas de bilhões de
dólares por ano – US$ 50 bilhões, que fossem. No en-
É preciso visão, inovação, ousadia e espírito empreen- tanto, somos incapazes de reunir essa soma, revelam os
dedor para dar um grande salto rumo a um mundo dife- pesquisadores, muito embora desembolsemos cinco a
rente. A escala de desafios é imensa e exige abordagens dez vezes mais com despesas publicitárias. E nem es-
radicais para mudanças essenciais, salto de consciência, tamos falando dos gastos com armamento, que supera
desenvolvimento espiritual, conciliando razão e emo- todas os orçamentos. É uma boa demonstração de que
ção, cabeça e coração. a escassez de recursos, ou mesmo de moeda, não está,
absolutamente, na origem das principais contradições
São estas as principais exigências do cenário global para
e incoerências no desenvolvimento da economia socio-
uma evolução sustentável. Uma revisão dos valores hu-
ambiental mundial.
manos diante de uma crise civilizatória...
Os desafios não são poucos...
Impõe ainda o exercício do diálogo com alicerce na éti-
ca, capaz de conciliar e concertar três forças distintas: o
chamado primeiro setor, ou poder público; o segundo “De uma nova consciência pode surgir a
setor, constituído pelo poder privado, e o terceiro setor, criação de um novo mundo, mais justo e
representado pelas organizações não-governamentais. O
sustentável. Estamos falando nada menos que
terceiro setor tem idéias, mas não tem dinheiro; o segun-
do setor tem dinheiro, mas não desfruta credibilidade; o reinventar a nós mesmos, reenquadrar nossas
primeiro, por sua vez, tem poder, mas sem eficácia. percepções, remodelar nossas crenças e nossos
Construir um ambiente institucional favorável à evolu- comportamentos, adubar nosso conhecimento,
ção sustentável exige da sociedade um nível mínimo de reestruturar nossas instituições e reciclar nossas
conscientização sobre o desafio e de consenso sobre as sociedades.”
possíveis soluções: ações articuladas entre Estado, em-
presas e sociedade civil. O caminho da transformação Hazel Henderson
exige estratégia, metodologia, persistência e muita co-
erência. Requer o reconhecimento de políticas públicas
como fator de universalização de interesses coletivos e a Colaboração: Vivian Smith

² Fernando Almeida: “Os desafios da sustentabilidade: uma ruptura urgente”.


³ FDC: “Desafios para a sustentabilidade e o planejamento estratégico das empresas no Brasil”. 179
8.2 THE VALUE CENTER

O valor de um negócio depende


de seus valores

As ferramentas de gestão têm o papel fundamental de funcionários com aqueles da cultura atual da organização,
estruturar as atividades da empresa e integrar, entre e os valores da cultura atual com a cultura desejada?
outras, as dimensões social, ambiental e econômica. O diagnóstico detalhado da cultura de uma organiza-
Mas elas não podem ser vistas como soluções isola- ção é essencial, uma vez que organizações dirigidas
das, pois seu sucesso depende da cultura e do contex- por Valores são as organizações de maior sucesso.
to da organização na qual são implementadas. Criar uma cultura corporativa de sucesso tornou-se
Antes de escolher uma ferramenta, os gestores pre- a mais importante fonte de vantagem competitiva e
cisam analisar a empresa para entender seu estágio diferenciação da marca nos negócios atualmente1.
de desenvolvimento e suas expectativas frente à RS. Mas, o que são Valores?
Da mesma forma, os gestores devem compreender as
limitações e benef ícios de cada ferramenta e sua ade- São princípios fundamentais que definem e apóiam as
quação frente à realidade da organização e a situação decisões que tomamos.
futura que quer alcançar. • Pessoas expressam seus valores por meio de seus
comportamentos.
Porem, antes de responder à questão sobre os valores,
princípios éticos e de desenvolvimento que estas fer- • Organizações expressam seus valores por meio de sua
cultura operante.
ramentas devem contemplar para que seus usuários
passem a gerir suas questões de maneira responsável A pesquisa de Valores baseia-se em três perguntas:
e efetivamente sustentável, devemos responder às se-
guintes perguntas: • Quais dos seguintes valores e comportamentos melhor
representam quem você é?
- Quais são os valores e os princípios fundamentais • Quais dos seguintes valores e comportamentos melhor
que definem e apóiam as decisões dos gestores das representam como a empresa funciona?
organizações, expressas por meio de sua cultura operante?
• Quais dos seguintes valores e comportamentos melhor
- Qual alinhamento existe entre os valores pessoais dos representam como você gostaria que sua empresa funcionasse?

SETE NÍVEIS DE CONSCIÊNCIA ORGANIZACIONAL foco positivo foco excessivo

SERVIR sERVIR À HUMANIDADE


à humanidade e ao planeta 7 Perspectiva de Longo Prazo: Ética. Responsabilidade social.
Futuras gerações.
ESPIRITUAL

FAZER A DIFERENÇA ALIANÇAS E PARCERIAS ESTRATÉGICAS


na vida das pessoas 6 Colaboração: Realização funcionário.
Envolvimento comunidade.

COESÃO INTERNA DESENVOLVIMENTO DE UMA CULTURA FORTE E COESA


Encontrar significado 5 Visão Compartilhada: Comprometimento.
na existência Entusiasmo. Valores Compartilhados.
MENTAL

TRANSFORMAÇÃO RENOVAÇÃO E APRENDIZAGEM CONTÍNUA


Equilibrar o interesse 4 Melhoria Contínua. Adaptabilidade. Inovação.
próprio e o coletivo Trabalho equipe.

AUTO-ESTIMA SISTEMAS E PROCESSO DE ALTO DESEMPENHO


Estabelecer um sentido 3
EMOCIONAL

Melhores Práticas: Produtividade. Eficiência. Qualidade.


de valor próprio Crescimento Profissional. Burocracia. Complacência.
RELACIONAMENTO RELACIONAMENTOS QUE APÓIAM A ORGANIZAÇÃO
Desenvolver relacionamentos 2 Satisfação do cliente: Boa comunicação entre
harmoniosos funcionários, clientes e fornecedores. Manipulação. Culpa.
FÍSICO

FOCO NO LUCRO E NO VALOR DO ACIONISTA


SOBREVIVÊNCIA 1 Estabilidade Financeira: Saúde financeira. Saúde e segurança
e segurança física do funcionário. Exploração. Controle Excessivo.

180
Capítulo 8
Considerações Finais THE VALUE CENTER 8.2

Os líderes precisam ser a mudança que


eles querem ver acontecer.
O presidente ou líder da organização precisa querer se O modelo abaixo ilustra os Sete Níveis de Liderança
comprometer com a sua transformação pessoal de ma- na medida em que eles correspondem aos Sete Níveis
neira a mudar a cultura. de Consciência.

Como Líderes Motivam Por que líderes falham

Sendo um exemplo de Falta de ética, compaixão e


SÁBIO - VISIONÁRIO 7 serviço desinteressado humildade

Possibilitando que os Falta de empatia com


MENTOR - PARCEIRO 6 funcionários façam a funcionários e parceiros
diferença

Por sua visão


INTEGRADOR 5 inspiradora, Falta de visão e paixão
alinhamento de valores

Falta de foco em inovação,


FACILITADOR Liberdade e autonomia
INFLUENCIADOR 4 P&D e estratégia
responsável

Falta de foco em resultados


GERENTE Reconhecimento e e gerenciamento da
3
valorização performance

GERENTE Comunicação aberta, Falta de habilidades de


RELACIONAMENTO 2
que fortalece a lealdade comunicação interpessoal

DIRETOR CRISES 1 Recompensas e Inabilidade em confiar nos


benefícios financeiros outros

Referências: Colaboração
Richard Barrett, Libertando a Alma da Empresa, Roberto Ziemer
Editora Cultrix. Solicitar questionário de auto-avaliação para:
www.valuescentre.com robertoziemer@uol.com.br

1
Em Cultura Corporativa e Performance, Kotter e Heskett mostram que empresas com uma forte cultura adaptativa baseada em valores compartilhados tiveram
mais sucesso que as outras empresas por uma margem significativa. Durante um período de 11 anos, empresas que enfatizaram todas as partes interessadas
cresceram quatro vezes mais rapidamente do que as empresas que não o fizeram. Eles também descobriram que estas empresas criaram empregos num ritmo
sete vezes mais elevado, tiveram ações que aumentaram de valor doze vezes mais rápido e níveis de lucratividade até 750 vezes mais altos do que as empresas
que não tinham valores compartilhados e culturas adaptadas.
Em Feitas para Durar, Collins e Porras mostram que as empresas que, de forma consistente, focaram na criação de culturas corporativas sólidas durante um
período de várias décadas tiveram um desempenho superior às empresas que não o fizeram por um fator de 6, e tiveram um desempenho superior à média do
mercado de ações por um fator de 15.

181
Núcleo Andrade Gutierrez de Sustentabilidade

8.3 FDC
e Responsabilidade Corporativa
Fundação Dom Cabral

Instrumento para Avaliação da Educação de


Lideranças para a Sustentabilidade - IAELS
Fundação Dom Cabral - FDC

País pelo “biograma”, que, em seu primeiro nível de com-


plexidade, descreve a relação mútua de contenção de
Brasil organismos menores em outros maiores e vice-versa.

O que é Voltado às empresas em geral, o biograma tem a for-


ma de círculos concêntricos, expressando dimensões
Este Instrumento sintetiza a compreensão histórica e de organismos do mais central para o mais abrangen-
das tendências futuras (estado da arte) de articulação te, na seguinte ordem: indivíduo, organização, merca-
entre os conceitos e práticas sobre educação, lideran- do, sociedade e planeta (figura 1).
ça e sustentabilidade, possibilitando, dessa maneira, o
estabelecimento de uma pauta para o encontro entre
as premissas do movimento pelo desenvolvimento Figura 1
sustentável e a função de desenvolvimento humano Biograma Organizacional
nas organizações.
Planeta
Origem Sociedade
O IAELS é o resultado do projeto de pesquisa reali- Mercado
zado em 2005 e 2006 pelo Centro de Referência em Org.
Gestão Responsável para a Sustentabilidade, da Fun-
dação Dom Cabral, que congrega um seleto grupo de IND.
grandes empresas brasileiras e multinacionais, que
tem como missão desenvolver posturas de gestão para
a sustentabilidade que agreguem ao País e ao mundo.
Para elaboração desse instrumento, foram realizadas
investigações teóricas e práticas, compreendendo pes-
quisas bibliográficas, participação em eventos afins,
pesquisas de campo em empresas do Centro, naque- Objetivo
las consideradas referenciais no tema da pesquisa e em O instrumento tem por finalidade aferir o nível de so-
instituições especializadas que estão promovendo o fisticação da ELS que está sendo praticado na organi-
desenvolvimento sustentável no País e no exterior. zação, permitindo, com essa informação, um melhor
Conceitualmente, o modelo no qual o Centro de Re- posicionamento estratégico da empresa com relação
ferência vem baseando suas iniciativas está pautado ao tema, no sentido de promover a sua longevidade,
em uma tríade que compreende: Gestão Responsável em consonância com a sustentabilidade dos merca-
para a Sustentabilidade — a gestão das funções ge- dos, sociedade e recursos naturais envolvidos.
renciais com foco na sustentabilidade; Organizações
Conscientes — a percepção orgânica e humanamente Conteúdo
consciente da realidade viva das organizações, e Pen-
a) Aspectos Fundamentais – enfoca condições básicas
samento Biossistêmico — exercício da percepção, re-
que devem ser observadas na organização, as quais
flexão e elaboração de atitudes e ações, pautadas no
promove a educação de lideranças para a sustenta-
reconhecimento de princípios naturais.
bilidade e as demais iniciativas pertinentes ao tema.
Para a compreensão da ELS, utilizou-se esse “pensa- Avalia os itens: abrangência da identidade quanto à
mento biossistêmico”, que identifica a dinâmica vital orientação para partes interessadas; consideração das
presente nas organizações em suas interações internas partes interessadas; abrangência da governança cor-
e externas. Essa lógica é representada simbolicamente porativa relacionada com as partes interessadas; en-

182
FDC 8.3
Capítulo 8
Considerações Finais

volvimento da presidência; adequação da estrutura Passo-a-passo


organizacional e coerência entre discurso e prática.
O instrumento está organizado em duas partes, sendo
b) Conceitos Utilizados – afere o nível de conceituação que a primeira trata de aspectos relevantes para a ELS
que a empresa apresenta, para explicar e elaborar as com subitens que apresentam afirmações. Essas afir-
suas práticas correntes relativas à educação de lideran- mações devem ser avaliadas dentro de uma escala que
ças para a sustentabilidade. Avalia os itens: identidade vai de 1 (“discordo totalmente”) a 6 (“concordo total-
(se voltada para o atendimento a demandas humanas); mente”), significando as condições menos favoráveis
organização (se entidade viva); educação (como de-
e mais favoráveis respectivamente (abaixo das escalas
senvolvimento humano); liderança (como liderança
encontram-se as descrições dessas condições).
consciente); sustentabilidade e partes interessadas.
c) Conteúdo Educacional – aborda aspectos relacionados
A segunda parte afere o nível de referência no qual se
com os temas do conteúdo educacional voltados para a encontra a empresa, dentro dos aspectos abordados
sustentabilidade. Avalia os itens: perfil de maturidade na primeira parte, indicando uma escala de abran-
das lideranças; temas específicos da sustentabilidade; gência que aborda as dimensões setoriais de negócio
sistemas de gestão e medição específicos; metadisci- abarcadas pelo item de referência, combinadas com as
plinaridade; permeabilidade da sustentabilidade nos dimensões geográficas, onde estas variam da abran-
diversos assuntos de outras especialidades, e adequa- gência local à global.
bilidade do conteúdo à realidade organizacional.
d) Práticas e Processos – atentam operacionalmente aos
Resultados
aspectos metodológicos da ELS. Avaliam os itens: rela- Uma organização pode se tornar referência em algum
ção entre teoria e prática; processo decisório (se partici- aspecto, por meio de reconhecimentos formais, tais
pativo); cultura para mudança e aprendizagem; respeito como prêmios de grande repercussão, notoriedade
à individualidade; andragogia; vivências; tutoria (coa- na mídia especializada, convite em eventos oficiais de
ching); aprendizado in loco e autodesenvolvimento.
instituições renomadas para apresentação de experi-
e) Planejamento da ELS – verifica o nível de organiza- ências e/ou recebimento de homenagens especiais,
ção do planejamento da educação de lideranças para a e relatos de cases em publicações de prestígio. Para
sustentabilidade. Avalia os itens: vínculo com o plane- aferir o nível que a empresa apresenta, verificar se ela
jamento organizacional; envolvimento das lideranças; é referência em um ou mais subitens de cada aspecto
envolvimento das funções; envolvimento das partes abordado, com a seguinte escala de abrangência: (1)
interessadas; envolvimento de fontes referenciais; alo- no setor (mercado no qual atua) municipal; (2) em ge-
cação de recursos e acompanhamento de resultados. ral (considerando todos os setores de mercado) muni-
f) Comunicação Empresarial – compreendendo a fun- cipal; (3) no setor estadual; (4) em geral estadual; (5)
ção da comunicação empresarial como fator também no setor nacional; (6) em geral nacional; (7) no setor
importante no processo educacional, confere a sua global e (8) em geral global.
adequação ao desenvolvimento sustentável. Avalia os
itens: conteúdo e forma; reiteração para assimilação; Referência
envolvimento das partes interessadas e avaliação. www.fdc.org.br
g) Resultados – questionam o nível dos resultados ob-
tidos referentes ao desenvolvimento sustentável. Ava-
liam os itens: sistematização dos relacionamentos com OBS.: As empresas que compuseram o Centro de Referência em Ges-
tão Responsável para a Sustentabilidade da FDC no desenvolvimento
as partes interessadas; reconhecimento interno; reco- dos trabalhos são: Anglogold Ashanti, Construtora Andrade Gutier-
nhecimento do mercado; reconhecimento da socieda- rez, Sadia, TIM, Souza Cruz, Banco Itaú, Banco Real, Arcelor (Belgo
de e reconhecimento na interação com o planeta. Mineira e CST) e Philips.

183
8.4 LEITURA
Capítulo 8
Considerações Finais

Tema: RSE NO MUNDO e códigos de boas práticas das empresas. Por meio
dessa análise, pretende-se saber quais são as priorida-
Titulo: Responsabilidade Social na Europa, Ásia e Amé- des das empresas em matéria de RS. Foram analisadas
rica do Norte: que diferenças? empresas provenientes de 50 países europeus, asiáti-
Autor: Universidade de Hong-Kong 2004 cos e dos Estados Unidos.
http//:web.hku.hk/%7Ecegp/image/publications/report11.pdf Algumas conclusões:
(31 pgs)
• O segundo inquérito vem demonstrar que, em relação ao
O Centro de Planejamento Urbano e Gestão Ambien- ano 2000, as empresas têm hoje mais preocupações nos
tal da Universidade de Hong-Kong, por meio dos seus domínios da ética, do combate à corrupção e da erradicação
especialistas, vem acompanhando as atividades de do trabalho infantil.
Responsabilidade Social (RS) das empresas européias, • Comparando-se os diferentes continentes, é possível
asiáticas e norte-americanas. Após um primeiro es- concluir também que, contrariamente ao que tantas
tudo, realizado em 2000, são agora divulgados os re- vezes é dado como verdadeiro, os países asiáticos não
sultados de um segundo inquérito, que vem reforçar se encontram atrás dos ocidentais em matéria de RS.
as conclusões já obtidas há quatro anos e obter novos No Japão, em particular, as preocupações com RS têm
crescido.
dados de interesse.
• Apesar disso, sabe-se que a RS caminha de braços
Os inquéritos realizados procuram analisar as políti- dados com o desenvolvimento econômico e que, em
cas de RS das empresas, com base em 20 elementos muitos países, os níveis de RS estão ainda relacionados
considerados relevantes em convênios internacionais com as questões ligadas às tradições locais.

Tema: ISR – INVESTIMENTO SOCIAL influencia as decisões e atitudes de gestores de fundos


RESPOnsavel e de analistas financeiros.
As conclusões apontam para um crescimento do ISR,
Título: Investing in responsible business: survey of Eu-
embora sejam evidentes diferenças profundas, relati-
ropean fund managers, financial analysts and investor
vamente ao nível de desenvolvimento e à percepção
relations officers sobre ISR entre países europeus.
Autor: CRS Europe 2003
O estudo baseado em entrevistas por telefone com 388
www.csreurope.org/publications/surveyfundmanagers/ gestores de fundos e analistas financeiros de empre-
sas grandes, em nove países europeus (Bélgica, França,
Este estudo recente sobre Investimento Socialmente
Alemanha, Itália, Suécia, Espanha, Holanda, Suíça e
Responsável representa o primeiro retrato europeu de
Grã-Bretanha).
como a performance social e ambiental das empresas

Tema: STAKEHOLDER ENGAGEMENT e diferentes tipos de stakeholders, este relatório procura


ENGAJAMENTO DE PARTES INTERESSADAS demonstrar que o envolvimento de todos neste proces-
so, através do diálogo e parcerias multissetoriais, são fer-
Título: Making Stakeholder Engagement Work ramentas fundamentais para enfrentar estes desafios.
Autor: CRS Europe 2003/2004 Enquanto muitos dos acontecimentos recentes da
O segundo relatório da Campanha Européia de Res- atualidade têm demonstrado a dificuldade em pros-
ponsabilidade Social relativa ao biênio 2003-2004 tem seguir de forma equilibrada o processo da globaliza-
como foco o envolvimento e o diálogo entre as par- ção (exemplos disso são os fracassos da Cimeira de
tes intervenientes no processo da Responsabilidade Cancún, as recentes tensões geopolíticas e a reces-
Social (os chamados stakeholders — dos quais fazem são econômica), o presente relatório procura lançar
parte empresas, clientes, colaboradores, acionistas e um olhar rápido sobre o oposto: os casos de sucesso
também os governos, sindicatos, ONG, mídia e so- — conseguidos precisamente através do diálogo e en-
ciedade civil). volvimento — que permitem afirmar que a Europa
conseguiu construir soluções que até há pouco tempo
Este tema foi escolhido, tendo em conta o atual contexto não teriam sido possíveis.
de complexidade em que vivem os países europeus, no-
meadamente os novos desafios colocados às empresas, O relatório mais recente da CSR Europe afirma-se
em nível econômico, social e ambiental. como uma fonte de inspiração para ajudar a tornar o
processo de revitalização européia o mais dinâmico e
Por meio da análise de casos e de entrevistas a empresas abrangente possível.

www.sairdacasca.pt/recursos/docseestudos.asp

184
LEITURA 8.4
Capítulo 8
Considerações Finais

Tema: CONSUMO CONSCIENTE Este é o primeiro estudo europeu realizado no âmbito


das atitudes do consumidor em face da Responsabili-
Título: Stakeholder Dialogue: Consumer Attitudes dade Social das empresas.
- European Survey of Consumer’s Attitudes towards Levado a cabo pelo MORI (Market and Opinion Rese-
Corporate Social Responsibility arch International), em nome do CSR Europe, envol-
Autor: CRS Europe 2000 veu 12 mil consumidores de 12 países europeus. Os
participantes foram questionados sobre as suas atitu-
www.csreurope.org/publications/europeansurvey/
des diante do papel dos negócios na sociedade atual.

Tema: DIVERSIDADE Lançado no passado mês de junho, este documento


descreve as medidas já tomadas pela UE para proibir
Título: Livro Verde para a Igualdade e Não-discrimina-
todas as formas de discriminação — em especial no se-
ção numa União Européia alargada tor laboral — e faz uma análise atenta dos novos desa-
Autor: CE 2004 fios surgidos nos últimos anos, incluindo aqueles que
www.sairdacasca.com/recursos/docs/Livro_Verde.pdf (37pgs) se relacionam com o alargamento da União Européia.
Há cinco anos a União Européia avançou com medi- Um exemplo disso é o caso da comunidade Rom (ci-
das reforçadas para combater a discriminação a todos gana), tantas vezes vítima de práticas discriminatórias
os níveis — sexo, raça ou origem étnica, religião, ida- e que, com o alargamento da UE, se tornou o grupo
de, incapacidades ou orientação sexual. étnico minoritário com mais expressão na UE.
A legislação comunitária então aprovada não conse- Entre junho e agosto de 2004, o Livro Verde pôde ser
guiu, no entanto, impedir que certas formas de dis- comentado, através da Internet.
criminação tenham vindo a aumentar ou que muitos Para que todos os cidadãos participem na definição
estados membros continuem sem aplicar as novas re- de políticas antidiscriminatórias e estejam vigilantes à
gras já definidas. sua aplicação prática, a União Européia convidou toda
O Livro Verde para a Igualdade e Não-discriminação a população a apresentar suas idéias, através do pre-
vem agora fazer um balanço da evolução ocorrida. enchimento de um questionário on-line.

Tema: PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS (PMEs) ficos, ao tema da responsabilidade social, o observatório
revela que as PMEs mais “bem comportadas” situam-se
Título: As PMEs Européias e a Responsabilidade Social no Norte da Europa. As conclusões do estudo revelam
e Ambiental ainda diferenças no envolvimento das PMEs com a co-
Autor: O Observatório das PMEs Européias 2002 munidade e com o tema do ambiente. No que se refere
http://ec.Europa.eu/enterprise/enterprise_policy/analysis/ à comunidade, o envolvimento é mais visível, essen-
doc/smes_observatory_2002_report4_en.pdf (69 pgs) cialmente motivado por “razões éticas”, e a maioria das
PMEs inquiridas sabe facilmente identificar os benefí-
Este estudo partiu de um inquérito a cerca de 7.700
cios provenientes das atividades responsáveis da empre-
empresas européias e veio revelar que as práticas de
sa. Já o esforço das PMEs em nível ambiental é menor.
responsabilidade social não são exclusivas às grandes
E se deve essencialmente a aspectos práticos (que estão
empresas, já que cerca de metade das PMEs européias
relacionados com exigências do mercado, legislação em
está envolvida em causas de responsabilidade social
vigor ou procura de vantagens competitivas).
ou ambiental. No entanto, embora as PMEs se inte-
ressem cada vez mais pela responsabilidade social, o As empresas entrevistadas ainda têm algumas dúvidas
estudo conclui que esta ainda não é ponderada na es- sobre as vantagens decorrentes de atividades responsá-
tratégia ou planejamento do negócio. veis na área ambiental. Em geral, e conforme sublinham
os autores deste observatório, ainda pouco se sabe das
Até a data, o envolvimento das PMEs na sociedade é
atitudes e atividades das PMEs em termos de responsabi-
ocasional, feito de donativos ou de patrocínios pontu-
lidade social. Além do mais, este observatório considera
ais. Um dos fatores que naturalmente condicionam o
apenas o relacionamento das PMEs com os stakeholders
investimento na responsabilidade social está relacio-
externos (com especial destaque para a comunidade e o
nado com a falta de apoio público às PMEs.
ambiente), quando a ponderação dos stakeholders inter-
De acordo com este estudo, embora as autoridades nos seria determinante para os resultados obtidos.
públicas já percebam a importância da responsabili-
Seja como for, este observatório serve de pontapé de
dade social, existem diferenças significativas de país
saída para a pesquisa sobre a responsabilidade social
para país. No total, apenas 8% das PMEs européias se
no vasto mundo das PMEs. As conclusões obtidas re-
beneficiam do apoio do Estado ao participarem em
velam aspectos interessantes sobre o envolvimento, as
atividades de caráter socialmente responsável (seja
atitudes, a relação custo/benef ício e as barreiras que
em redução de taxas, subsídios, informação etc.).
se interpõem no relacionamento entre as PMEs e os
No que se refere à adesão das PMEs, em termos geográ- seus stakeholders externos.

www.sairdacasca.pt/recursos/docseestudos.asp

185
Lançamento 2008

Indicadores e índices de nômico duradouro e eqüitativo, preserva-


ção do meio ambiente, conservação e pro-
moção da cultura e boa governança.
sustentabilidade de Nações Podemos ainda destacar o Ìndice de De-
senvolvimento Humano (IDH) proposto
pelo Programa das Nações Unidas para
(*) Um indicador é uma variável que serve para dar conta de o Desenvolvimento (PNUD), que pode
uma realidade. Já um índice faz a síntese de vários indicadores. completar o PIB em alguns aspectos. O
IDH combina três indicadores de base:
a expectativa de vida, a renda e o nível
de renda. Ainda assim não se levam em
conta os efeitos colaterais do progresso,
Indicadores são instrumentos usados para adotar decisões em todos os níveis e como o desemprego, o aumento da cri-
para avaliar uma determinada realidade que contribuam para uma sustentabilida- minalidade, novas necessidades de saúde,
levando-se em conta variáveis pertinen- de auto-regulada dos sistemas integrados poluição ambiental, desagregação fami-
tes para sua composição. Além da avalia- do meio ambiente e o desenvolvimento” liar, entre outros.
ção, o uso de indicadores permite medir (United Nations, 1992).
e monitorar aspectos da realidade. Já está criada a percepção de que o de-
Desde a assinatura da Agenda 21, 178 pa- senvolvimento econômico deve estar a
A busca por novos indicadores que pos- íses concordaram em corrigir distorções serviço do desenvolvimento social, le-
sam ajudar empresas, governos e pessoas­ geradas por uma avaliação exclusivamen- vando-se em conta as gerações futuras
a enxergar o mundo de maneira mais te econômica do PIB. Para tanto, deve-se (sustentabilidade).
precisa é necessária para que se avalie somar a este cálculo dados sobre recur-
concretamente a utilidade social das ati- sos socioambientais e subtrair os dados Se quisermos orientar a economia para o
vidades. Só assim se pode construir uma de atividades predatórias e desperdício desenvolvimento sustentável e o bem-es-
base para decisões políticas e criação de de recursos, entre outras distorções. Só tar comum (acabar com a miséria, pro-
estratégias empresariais condizentes com assim seria possível definir padrões de mover a justiça e a dignidade para todos),
o estado atual do mundo, de escassez e sustentabilidade e desenvolvimento que canalizando racionalmente os nossos es-
insustentabilidade. incluíssem aspectos econômicos, sociais, forços produtivos para resultados susten-
éticos e culturais. táveis, devemos construir os instrumentos
As dificuldades para a criação desses de avaliação desses resultados. A mudança
indicadores passam por parâmetros de As críticas ao PIB, como padrão aceito é essencial, pois, além de ampliar o âmbi-
conceituação, implementação e monito- internacionalmente, derivam do fato de to da avaliação, mudaremos o enfoque: o
ramento de um sistema local, nacional ser uma medição bruta de qualquer ati- bem-estar passa a ser objeto, e a economia
ou internacional. É consenso que uma vidade econômica, independentemente volta modestamente a ser o meio.
política de desenvolvimento sustentável de sua natureza, desde que gera fluxos
não é possível sem indicadores. Pouco se monetários e desconsidera a deprecia- O bem-estar é evidentemente dif ícil
tem de concreto, pois o tema é novo para ção do “capital natural” necessário para de ser medido, mas a realidade é que,
a comunidade acadêmica, e os resultados mantê-la. A economista Hazer Hender- enquanto não forem adotadas formas
de pesquisa e experimentação ainda não son entende que o padrão de riqueza aceitas e generalizadas de medir o nos-
estão disponíveis, já que muitos trabalhos das nações deve incluir, além de recur- so bem-estar e os resultados da utilidade
estão em andamento. sos financeiros, ativos da Natureza e os social de nossas atividades, não teremos
capitais social e intelectual dos povos. como formular e avaliar nem políticas
Na Conferência das Nações Unidas para o públicas nem privadas. “O indicador so-
Meio Ambiente - Rio’92, levantou-se a ne- Sob esse aspecto, falha o PIB, porque
não monitora a dilapidação do planeta, cial apenas indica; não substitui o con-
cessidade de desenvolver indicadores ca- ceito que o originou” (Januzzi, 2002).
pazes de avaliar a sustentabilidade, já que tampouco as condições de vida de sua
os instrumentos disponíveis, entre eles o população. Seria importante desenvolver “É preciso refletir para medir, e não me-
PIB, não forneciam dados suficientes para nesta perspectiva indicadores que consi- dir para refletir” (Bachelard). Trata-se da
análise. O documento final da Conferência, derem o bem-estar dos povos. Só assim reflexão e renovação de novas tendências
a Agenda 21, em seu capítulo 40, destaca: poderemos ter a verdadeira dimensão do e novos problemas que temos de encarar
“Os indicadores comumente utilizados, progresso e introduzir novos critérios de em relação aos desafios da sustentabilida-
como o produto nacional bruto (PNB) ou decisão para a sociedade sustentável. de. A construção das soluções para cami-
as medições das correntes individuais de Um exemplo é Butão, pequeno país budis- nhar para o desenvolvimento sustentável
contaminação ou de recursos, não dão in- ta que decidiu introduzir um novo fator e pede que enfrentemos o problema num
dicações precisas de sustentabilidade. Os aferição de desenvolvimento — a Felicida- novo patamar: O que deve ser mudado
métodos de avaliação da interação entre de Nacional Bruta — e substitui o Produ- para sermos economicamente, social-
diversos parâmetros setoriais do meio am- to Nacional Bruto (PNB) como resposta mente e ambientalmente sustentáveis?
biente e o desenvolvimento são imperfeitos a pressões do Banco Mundial por cresci- O que deve ser medido? Como deve ser
ou se aplicam deficientemente. É preciso mento econômico e liberdade de mercado. medido? Quais são os indicadores para
elaborar indicadores do desenvolvimen- A Felicidade Nacional Bruta leva em conta avaliar isso?
to sustentável que sirvam de base sólida fatores como desenvolvimento socioeco- Os desafios não são poucos.

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patrocínio

patrocínio cultural

apoio institucional

Núcleo Andrade Gutierrez de Sustentabilidade


e Responsabilidade Corporativa
Fundação Dom Cabral

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