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Faculdade Fortium

Campus Gama

Disciplina: Direito Administrativo II

Professor: Marcelo Coelho

Leis do Direito Administrativo

GAMA, 2019

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Faculdade Fortium

Campus Gama

Disciplina: Direito Administrativo II

Professor: Marcelo Coelho

Turma: Dir6na

Aluno: Assis Gonçalves de Souza

Leis do Direito Administrativo

GAMA, 2019

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Sumário
1-Lei Complementar n° 101/2000 - Lei de Responsabilidade Fiscal .......................... 6
1.1-Introdução ............................................................................................................. 6
1.2- Origem .................................................................................................................. 6
1.2.1- FMI ................................................................................................................. 6
1.2.2- Fiscal Responsibility Act - Nova Zelândia .................................................. 7
1.2.3- Tratado de Maastricht .................................................................................. 7
1.2.4- Budget Enforcement Act- EUA ................................................................... 7
1.3- Estrutura .............................................................................................................. 7
1.4- Princípios .............................................................................................................. 8
1.5- Doutrina................................................................................................................ 8
1.6- Jurisprudências.................................................................................................... 9
1.6.1- Tribunal Regional Federal da 1ª Região TRF-1 - APELAÇÃO CÍVEL:
AC 1616 PI 2005.40.00.001616-5 ............................................................................ 9
1.6.2- Superior Tribunal de Justiça STJ - RECURSO ESPECIAL: Resp.
1732021 SP 2018/0063933-6 .................................................................................... 9
1.7- Questionário ...................................................................................................... 11
2-Lei 8.429/92- Lei de Improbidade Administrativa ................................................. 12
2.1- Introdução .......................................................................................................... 12
2.2- Origem ................................................................................................................ 13
2.3- Estrutura ............................................................................................................ 13
2.3.1- Sujeito Passivo (o que sofre a ação) ........................................................... 13
2.3.2- Sujeito Ativo (o que pratica a ação) .......................................................... 14
2.3.3- Ato danoso ................................................................................................... 15
2.3.4- Elemento subjetivo: Dolo ou Culpa ........................................................... 15
2.4- Princípios ............................................................................................................ 15
2.4.1- Princípio da Moralidade............................................................................. 15
2.4.2- Princípio da Impessoalidade ...................................................................... 15
2.4.3- Princípio da Legalidade.............................................................................. 16
2.4.4- Princípio da Publicidade ........................................................................... 16
2.5- Doutrinas............................................................................................................ 16
2.6- Jurisprudências.................................................................................................. 17

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2.6.1- Superior Tribunal de Justiça STJ - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL: EDcl no AgRg no
Resp. 1177579 PR 2010/0017146-5 ....................................................................... 17
2.6.2- Superior Tribunal de Justiça STJ - AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL: AREsp 788946 SE 2015/0242096-3 -Decisão Monocrática ........ 17
(STJ - AREsp: 788946 SE 2015/0242096-3, Relator: Ministro GURGEL DE
FARIA, Data de Publicação: DJ 26/10/2018). .......................................................... 20
2.7- Conclusão ........................................................................................................... 20
2.8- Questionário ...................................................................................................... 20
3- Referências ............................................................................................................ 21
ALVES, E.P. Lei de Improbidade Administrativa. Abril de 2019. Disponível em:<
https://elizomar.jusbrasil.com.br/artigos/703179847/lei-de-improbidade-
administrativa>. Acesso em: 11 de Maio de 2019. ..................................................... 21
ANGELIS, Juliano de. A Lei de Improbidade Administrativa vista pela doutrina e
jurisprudência. Publicado em 01/2006. Disponível em:<
https://jus.com.br/artigos/7807/a-lei-de-improbidade-administrativa-vista-pela-
doutrina-e-jurisprudencia>. Acesso em: 11 de Maio de 2019. ................................. 21
CARVALHO, Guilherme Luiz Séver. Os princípios administrativos e o ato de
improbidade administrativa. Disponível em:<
https://guisever.jusbrasil.com.br/artigos/138977853/os-principios-administrativos-
e-o-ato-de-improbidade-administrativa>. Acesso em: 11 de Maio de 2019. ........... 21
DAHER, J. LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL E O CONTROLE DA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA MUNICIPAL. Publicado em 21 de Março de 2010.
Disponível em:< https://jorgedaher.wordpress.com/2010/03/21/lei-de-
responsabilidade-fiscal-e-o-controle-da-administracao-publica-municipal/>. Acesso
em: 11 de Maio de 2019. ............................................................................................... 21
ESQUEMAS PARA CONCURSOS. Lei de Responsabilidade Fiscal (nº 101/2000).
Disponível em:< https://esquemasparaconcursos.blogspot.com/2015/08/lei-de-
responsabilidade-fiscal.html>. Acesso em: 11 de Maio de 2019. .............................. 22
JUSBRASIL. Superior Tribunal de Justiça STJ - EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL:
EDcl no AgRg no Resp. 1177579 PR 2010/0017146-5. Disponível em:<
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/22852241/embargos-de-declaracao-no-
agravo-regimental-no-recurso-especial-edcl-no-agrg-no-resp-1177579-pr-2010-
0017146-5-stj?ref=serp>. Acesso em: 11 de Maio de 2019. ....................................... 22
MOURA, Cid Capobiango Soares de. Aspectos relevantes sobre a Improbidade
Administrativa, Lei 8.429/92. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XVII, n. 125, jun
2014. Disponível em: <http://www.ambito-
juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=14131>. Acesso
em: 11 de Maio 2019. .................................................................................................... 23

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SOUSA, Fábio Torre de. Improbidade administrativa:21 anos da Lei 8.429/92.
Publicado em 05/2014. Disponível em:<
https://jus.com.br/artigos/28695/improbidade-administrativa/2>. Acesso em: 11 de
Maio de 2019. ................................................................................................................ 24

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LEIS DO DIREITO ADMINISTRATIVO

1-Lei Complementar n° 101/2000 - Lei de Responsabilidade Fiscal

1.1-Introdução

A Lei complementar visa completar as normas não executórias da constituição, no


qual podem ser propostos projetos que irão ser examinados, discorridos e poderão ser
transformados em lei, em que qualquer membro ou comissão da Câmara dos Deputados,
do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo
Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador Geral da República e aos
cidadãos em geral são permitidos a propor tais projetos.

Basicamente, a Lei Complementar 101, de 04 de Maio de 2000, tem o objetivo de


instaurar normas de finanças públicas direcionadas a responsabilidade na gestão e
administração fiscal.

Essa lei foi criada na tentativa de ter um Estado mais barato e eficaz, no qual seria
necessário um maior controle dos gastos públicos e maior nitidez na aplicação dos
recursos disponíveis. Assim a implantação de processos que assegurem a utilização
adequada dos recursos no presente e que os protejam para a as geração futuras, levou a
criação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

1.2- Origem
Alguns modelos foram tomados como base para a elaboração da Lei de
Responsabilidade Fiscal, sendo eles: o fundo Monetário Internacional (FMI), o Fiscal
Responsibility Act de 1994 da Nova Zelândia, o Tratado de Maastricht da Comunidade
Econômica Europeia e a edição do Budget Enforcement Act, aliado ao princípio de
“accountability” dos Estados Unidos.

Apesar de terem sido modelo para a elaboração da Lei de Responsabilidade Fiscal


do Brasil, não foram as únicas referências, porque não se tem um modelo perfeito de
controle de finanças. Abaixo estarão descritas as principais características de cada um
dos modelos influenciadores da LRF brasileira.

1.2.1- FMI
Tem uma estrutura em que as principais características são a transparência dos atos
(todo tipo de movimentação dentro do setor público, devem ser divulgadas e bem
definidas, deixando claras as atividades fiscais do passado, do presente e as que estão

6
planejadas), o planejamento (especificação da política fiscal, estrutura econômica, riscos
fiscais e políticas orçamentárias), e por última publicidade, prestação de contas,
relatórios fiscais (contas fiscais devem ser apresentadas ao Legislativo e ao público
regularmente).

1.2.2- Fiscal Responsibility Act - Nova Zelândia


Os princípios dessa gestão são: Estado unitário e Parlamentarista; princípios
padrões e transparência do Executivo que tem liberdade para orçar e utilizar os recursos;
gestão fiscal responsável, com redução do débito da Coroa (dívida pública) a classes
ponderadas; alcance e manutenção de níveis líquidos da Coroa o protegendo de futuras
surpresas; gerenciamento de riscos fiscais da Coroa; e é considerado diferente de todos
os outros por não prever metas fiscais, admite afastamentos temporários, considera a
perda de credibilidade pelo não cumprimento de metas, e arreceia pela manipulação de
informação, tentando encaixá-las as metas fixadas.

1.2.3- Tratado de Maastricht


As características que definem esse tratado são a fixação de parâmetros para a
verificação da base financeira de cada governo; condução das políticas dos Estados
relativamente independentes, se direcionando aos acordos realizados e prevenção de
déficits extremos; monitoramento de orçamento e controle da dívida para que não
ocorram desvios; e responsabilidade independente para cada Estado, estando de acordo
com as exigências do Tratado, isso tudo através de um Pacto de estabilidade e
crescimento de 1997.

1.2.4- Budget Enforcement Act- EUA


Abrande apenas o Governo Federal, cada um com suas normas; fixação do
superávit e controle de gastos através do BEA; garantia de metas de limites e metas
orçamentárias (Sequestration); e compensação orçamentária, em que qualquer fato que
leve ao aumento das despesas, deverá ser compensado pela diminuição em outros gastos
ou aumento das receitas (Pay as you go).

1.3- Estrutura
É uma lei composta por dez capítulos e setenta e cinco artigos, e que pode ser
classificada como uma lei extensa, que veio para mudar a história do Brasil em relação à
administração pública. Em que através dessa ferramenta todos os governantes têm o
dever de respeitar as normas e os limites estabelecidos para a administração das
finanças, comprovando todos os gastos que tem relação com os recursos públicos.
7
Todos os órgãos, governantes sejam eles da União, dos Estados, do Distrito Federal
e dos Municípios, autarquias, fundações, entidades de todos os organismos federativos e
empresas estatais (que recebem recursos do Estado), deverão obedecer aos princípios da
lei, estando sujeitos a pena de severas sanções. A única exceção para a Lei de
Responsabilidade Fiscal é para as empresas estatais independentes, que são empresas
não controladas e que não recebem recursos públicos para gastos com pessoal, geral ou
capital.

1.4- Princípios
A LRF têm como base os princípios da transparência, antecipação, equilíbrio entre
gastos e receitas, responsabilidade fiscal, exatidão (previsões para receitas baseadas em
cálculos científicos e que estejam próximos à realidade), e a limitação de empenho (são
avaliações bimestrais e quadrimestrais (preferencialmente via internet) de arrecadação,
mostrando a situação financeira de cada esfera do governo, que irão limitar a quantidade
de despesas naquele momento).

1.5- Doutrina
A doutrina compreende que a Lei de Responsabilidade Fiscal é organizada sobre
quatro bases: planejamento, controle, transparência e responsabilização. Para o
professor Ângelo Roberto Pessini Júnior (2007), as definições para esses termos são as
seguintes:

 Planejamento são o estabelecimento de metas, limites e condições para renúncia,


arrecadação de receita e criação de despesas, no qual foram criadas peças
orçamentárias: Plano Plurianual (PPA); Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO); e
Lei Orçamentária Anual (LOA);
 Controle é o acompanhamento da arrecadação e dos gastos públicos, com
fiscalização do Tribunal de Contas, possibilitando o reparo das condutas errôneas
dos administradores;
 Transparência é a divulgação irrestrita das atividades e dos resultados da
administração pública, com peças como o anexo de metas fiscais, o anexo de riscos
fiscais, o relatório resumido da execução orçamentária e o relatório de gestão fiscal,
e ainda permite a participação pública para o arranjo orçamentário;
 Por fim a Responsabilização impõe sanções administrativas (institucionais ou
pessoais) ao Ente federado e ao agente, que descumprir alguma norma, exemplo é o

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impedimento no recebimento de transferências voluntárias (não inclui SUS, ICMS,
FPM e IPVA), proibição de contratação de operações de crédito e prestação de
garantias para obtenção de empréstimos (incluindo ARO) e as punições pessoais
podem levar à prisão, que estão previstas na Lei Federal n. 10.028/00, Código
Penal, Lei 1.079/50, Decreto-Lei 201/67 e a Lei 8.429/92.

1.6- Jurisprudências

1.6.1- Tribunal Regional Federal da 1ª Região TRF-1 - APELAÇÃO CÍVEL: AC


1616 PI 2005.40.00.001616-5
EMENTA: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AMORTIZAÇÃO DE DÉBITOS
PREVIDENCIÁRIOS. LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL. SUPOSTA
OFENSA AO ART. 42 DA LEI COMPLEMENTAR 101/2000. DÉBITO DA
CÂMARA MUNICIPAL. RESPONSABILIDADE DO MUNICÍPIO.

1. Não prospera a alegação de ofensa no art. 42 da lei complementar 101/2000 que


houve O reconhecimento de dívida pré-existente foi criada a nova dívida apenas
avençou-se a forma de pagamento.
2. Cabe ao município e não a câmara de vereadores responderem perante o INSS
dívida oriundas do não recolhimento de contribuições previdenciárias.
3. Apelação improvida.

ACÓRDÃO

A Turma, por unanimidade, negou provimento à apelação.

(TRF-1 - AC: 1616 PI 2005.40.00.001616-5, Relator: DESEMBARGADOR


FEDERAL LEOMAR BARROS AMORIM DE SOUSA, Data de Julgamento:
24/11/2009, OITAVA TURMA, Data de Publicação: e-DJF1 p.294 de 22/01/2010).

1.6.2- Superior Tribunal de Justiça STJ - RECURSO ESPECIAL: Resp. 1732021


SP 2018/0063933-6
EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO
MUNICIPAL. VENCIMENTOS. REVISÃO GERAL ANUAL. VIOLAÇÃO DOS
ARTS. 22 E 71 DA LEI COMPLEMENTAR 101/2000. DEFICIÊNCIA NA
FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. QUESTÃO DIRIMIDA SOB ENFOQUE
CONSTITUCIONAL. ANÁLISE VEDADA. USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA
DO STF. ALÍNEA C. NÃO DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.

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1. Não se conhece de Recurso Especial no que se refere à violação aos arts. 22 e 71
da Lei Complementar 101/2000 quando a parte não aponta, de forma clara, o
vício em que teria incorrido o acórdão impugnado. Aplicação, por analogia, da
Súmula 284/STF.
2. O Tribunal de origem consignou: "o recurso não comporta provimento. A
apelante pleiteia tutela jurisdicional voltada à indenização em razão da estagnação
de seus vencimentos, os quais, por força do artigo 37, XI, da Constituição Federal
(após redação da Emenda Constitucional nº 41/2003), ficam limitados ao subsídio
do Chefe do Executivo Municipal. (...) A pretensão à indenização é inacolhível,
pois encontra óbice máximo no princípio da separação dos Poderes, disposto no
artigo 2º da Constituição Federal. Embora constatada a omissão dos Poderes
Executivo e Legislativo no tocante à matéria, não poderia o Poder Judiciário
usurpar as funções e atividades que lhe competem, por força constitucional,
reconhecendo direito que depende, elementarmente, de previsão legal. Tal medida
visa a assegurar tanto a competência da Administração Pública para organizar a si
própria, quanto a necessidade de conferir, perante o Município, tratamento
igualitário a todos os servidores no tocante ao reajuste de seus vencimentos, o que
ocorre, inicialmente, mediante previsão geral e abstrata da lei, que defina a
revisão e a forma como esta produzirá efeitos" (fls. 208-214, e-STJ, grifei).
3. Com efeito, o acórdão recorrido apreciou a questão sob o enfoque de
interpretação constitucional. Destarte, a análise da matéria em Recurso Especial
fica inviabilizada, sob pena de usurpação da competência do STF.
4. A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre
demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos
confrontados, com indicação da similitude fático-jurídica entre eles. Indispensável
a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e
paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem
caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos
legais e regimentais (art. 541, parágrafo único, do CPC/1973, art. 1.029, § 1º, do
CPC/2015 e art. 255 do RI/STJ) impede o conhecimento do Recurso Especial
previsto na alínea c do inciso III do art. 105 da Constituição Federal.
5. Recurso Especial não conhecido.

10
(STJ - Resp.: 1732021 SP 2018/0063933-6, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN,
Data de Julgamento: 24/04/2018, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação:
21/11/2018)
1.7- Questionário

1) O que é a Lei de Responsabilidade Fiscal?

Resposta: É a Lei Complementar 101, de 04 de Maio de 2000, relacionada às finanças


públicas, para gestão de arrecadações e despesas e administração fiscal, com objetivo de
regular as contas públicas.

2) Qual a abrangência dessa Lei?

Resposta: Todos os órgãos, governantes sejam eles da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, autarquias, fundações, entidades de todos os organismos
federativos e empresas estatais (que recebem recursos do Estado), deverão obedecer aos
princípios da lei, estando sujeitos a pena de severas sanções, exceto aos de empresas
estatais independentes.

3) Quais foram os modelos influenciadores na criação da Lei de Responsabilidade


Fiscal?

Resposta: o fundo Monetário Internacional (FMI), o Fiscal Responsibility Act de 1994


da Nova Zelândia, o Tratado de Maastricht da Comunidade Econômica Europeia e a
edição do Budget Enforcement Act, aliado ao princípio de “accountability” dos Estados
Unidos.

4) Quais os princípios da Lei de Responsabilidade Fiscal?

Resposta: transparência, antecipação, equilíbrio entre gastos e receitas,


responsabilidade fiscal, exatidão e a limitação de empenho.

5) Quem são os responsáveis pela fiscalização?

Resposta: Os responsáveis pela fiscalização são os Tribunais de Contas, mas a lei cria
relatórios bimestrais e quadrimestrais obrigatórios que deverão ser de acesso público (de
preferência, via Internet) e mostrarão a situação das finanças de cada esfera de governo.

1.8- Conclusão

Foram observadas que a Lei de Responsabilidade Fiscal são normas que visam o
crescimento do país, com a diminuição de gastos e aumentando a receita, mas com

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controle e transparência em todas as transações que são efetivadas em todas as esferas
de governo, assim garantido uma maior estabilidade financeira ao país.

2-Lei 8.429/92- Lei de Improbidade Administrativa

2.1- Introdução
Segundo Dirley da Cunha Júnior (2009), Improbidade Administrativa é: “Ato de
improbidade administrativa é todo aquele que, à custa da Administração Pública e do
interesse público, importa em enriquecimento ilícito (art.9°); que causa prejuízo ao
erário (art. 10) e que atenta contra os princípios da Administração Pública (art. 11)”
(artigos presentes na Lei 8.429/92).

Atualmente na situação presenciada no Brasil, os atos irregulares tomados como


corrupção, realizados pelos representantes e agentes públicos, anseia por uma justiça
aos cidadãos. Assim é importante o estudo sobre a responsabilidade por improbidade
administrativa, no qual tem por base a Lei n°8.429, de 02 de Junho de 1992 (Lei de
Improbidade Administrativa- LIA), que veio como um marco na realidade e uma grande
vitória para a população.

Desde sua validade, têm sido vista como um dos importantes instrumentos de
proteção do patrimônio público e da moralidade e ainda possui enorme eficácia na
gestão dos recursos públicos. Essa lei foi, publicada na época em que o povo requeria da
instituição medidas firmes de moralização e ética dentro do setor público, controle da
corrupção e a devida punição àqueles que exerciam sua função a favor dos interesses
pessoais em detrimento aos interesses públicos. No qual tais atitudes implicavam em
prejuízos às finanças e a reputação da Administração.

As atitudes que estão vinculadas a probidade são: a honestidade, retidão, lealdade,


boa fé, princípios éticos e morais, e todas outras que levam a crer na boa conduta do
indivíduo. A Constituição federal de 1998 trata da improbidade no art. 37, 4° da
seguinte forma: “Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos
direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o
ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação
penal cabível”.

O fato de ter sido instalada essa Lei, não levou a extinção da corrupção na esfera
pública brasileira, mas como garantia de que o desempenho de atividade pública

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(Cargo/função) seja executado em favor do Povo, que é detentor do poder, e na visão
republicana de tudo que é público.

2.2- Origem
As punições para condutas que lesam o patrimônio público foram pela primeira vez
prevista em sede constitucional, pela Constituição de 1946, no qual as normas foram
repetidas na Constituição de 1967 e na Emenda Constitucional n° 01, de 17 de outubro
de 1969.

De acordo José dos Santos de Carvalho Filho, por ser legislação infraconstitucional,
algumas normas era explanado de forma sucinta e incompleta sobre a questão de
improbidade administrativa, com referências a apreensão e a perda de bens dos
responsáveis pelas condutas danosas ao patrimônio público ou geradoras de
enriquecimento ilegítimo. Somente em 1988 com a Constituição Federal, foi feita uma
abordagem completa, que deu sentido à moralidade administrativa, tornando-a princípio
constitucional que rege todas as atividades administrativas públicas.

Na intenção de regulamentar a previsão constitucional sobre os atoa de


improbidade, foi promulgada a Lei n° 8.429/92, assim regulando os atos de
improbidade, sujeitos ativos e passivos desses atos, as sanções, da mesma forma que os
procedimentos da administração, e medidas judiciais cabíveis.

2.3- Estrutura
É uma lei comporta por oito capítulos e vinte e cinco artigos, nos quais são
descritos aos atos que são considerados improbidade, as penas as quais os que
cometerem terá que acatar, sobre o processo de declaração de bens, processos
administrativos e judiciais, e por fim as disposições penais, as prescrições e as
declarações finais (que afirma a atividade da Lei na data de sua publicação).

Existem elementos constitutivos o ato de improbidade administrativa, em que para


serem aplicadas as sanções previstas no art. 37, 4° da Constituição, esses elementos são:
sujeito passivo, sujeito ativo, ocorrência do ato danoso e elemento subjetivo: dolo ou
culpa.

2.3.1- Sujeito Passivo (o que sofre a ação)


No art. 1° da lei 8.429/92, são demonstradas as instituições que podem ser atingidas
por atos de improbidade administrativa: “Os atos de improbidade praticados por
qualquer agente público, servidor ou não, contra a administração direta, indireta ou

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fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos
Municípios, de Território, de empresa incorporada ao patrimônio público ou de entidade
para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de cinquenta
por cento do patrimônio ou da receita anual, serão punidos na forma desta lei”.

No parágrafo único também estão descritos os que estão sujeitos à punição: “Estão
também sujeitos às penalidades desta lei os atos de improbidade praticados contra o
patrimônio de entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou
creditício, de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário
haja concorrido ou concorra com menos de cinquenta por cento do patrimônio ou da
receita anual, limitando-se, nestes casos, a sanção patrimonial à repercussão do ilícito
sobre a contribuição dos cofres públicos”.

De acordo com o art. 1° da Lei 8.429/92, os agentes passivos principais estão


divididos em três grupos: os que a criação ou custeio financeiro tenha contribuído mais
de cinquenta por cento do patrimônio ou dos ganhos totais. Já os sujeitos passivos
secundários são divididos em dois grupos: são as entidades que recebem algum tipo de
benefício fiscal ou de crédito, e aquelas entidades que a criação ou custeio financeiro,
tenha concorrido ou concorra com menos de cinquenta por cento do patrimônio ou da
receita total.

2.3.2- Sujeito Ativo (o que pratica a ação)


Segundo os artigos 1° e 3° da Lei 8.429/92, os sujeitos ativos são o agente público,
e os terceiros, que segundo a lei mesmo não sendo agentes públicos, se ele induzir ou
concorrer a qualquer atividade que seja considerada improbidade administrativa, ou se
beneficiar tanto direta ou indiretamente, será penalizado por seus atos.

Já no art. 2° é feita uma descrição do agente público, como sendo “todo aquele que
exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação,
designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato,
cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo 1°”.

Os agentes públicos podem ser separados em três categorias: os agentes políticos


(Chefes do Executivo, Ministros, Secretários, Senadores, Deputados, Vereadores, entre
outros), agentes colaboradores (Magistrados e membros do Ministério Público) e
servidores públicos no geral (estatutário, trabalhista e especial).

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2.3.3- Ato danoso
Não se deve considerar apenas os atos administrativos, mas as omissões e condutas
de agentes públicos ou terceiros também devem ser considerados. Na lei n° 8.429/92,
esses atos estão descritos nos artigos 9°(atos que geram enriquecimento ilícito), 10 (atos
que causam dano ao erário), 10-A (atos decorrentes de concessão ou aplicação indevida
de benefício financeiro ou tributário) e 11(atos que atentam contra os princípios da
administração pública).

2.3.4- Elemento subjetivo: Dolo ou Culpa


A verificação do dolo ou culpa do sujeito, é importante para o enquadramento do
sujeito à improbidade administrativa. O ato errôneo deverá ter apresentado o mínimo de
má-fé, o que revelará a existência de comportamento desonesto por parte do autor.

2.4- Princípios
São um conjunto de normas que fortificam um sistema e lhe confere eficácia. Para
Bandeira de Mello (2009): “Princípio é, pois, por definição, mandamento nuclear de
um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre
diferentes normas, compondo lhes o espírito e servindo de critério para exata
compreensão e inteligência delas, exatamente porque define a lógica e a racionalidade
do sistema normativo, conferindo-lhes a tônica que lhe dá sentido harmônico”.

O ato de improbidade administrativa é constituído por qualquer atitude que atentar


contra os princípios da moralidade, impessoalidade, legalidade e publicidade às
instituições.

2.4.1- Princípio da Moralidade


Moral é uma palavra derivado do latim Morales, que significa “relativo a
costumes”. Pode ser definido também, como conjunto de regras, valores, normas e
prolegômenos bem aceitos de uma determinada época. No direito administrativo a
moral vem como um objetivo obrigatório, exigindo que o agente público demonstre as
regras morais em seu comportamento.

2.4.2- Princípio da Impessoalidade


De acordo com esse princípio, a administração pública fica proibida de exercer
atividade que satisfaça seu interesse pessoal, assim ficando somente o interesse público.
Dessa forma o suprimento da satisfação coletiva sempre estará em primeiro lugar,
mesmo que beneficie ou prejudique os interesses particulares. Assim se descumprido

15
esse principio, será considerado improbidade administrativa, que acarretará em punição
de acordo com o ato cometido.

2.4.3- Princípio da Legalidade


É um princípio que leva tanto o administrador público, quanto qualquer servidor a
seguir estritamente o que está disposto em lei. No caso é considerado impraticável
qualquer ato que não conste descrito na lei. Nos termos do inciso II do artigo 5° da
Constituição Federal: “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa
senão em virtude de lei”.

2.4.4- Princípio da Publicidade


A publicidade materializa os princípios básicos de um governo republicano, em
que os atos executados pelo administrador sejam públicos, e permitam que haja
fiscalização realizada pela população. Então o objetivo principal da publicidade é
garantir a transparência da gestão, no qual o administrador não é o dono dos bens, mas
sim o representante do coletivo, tendo que prestar contas sobre as atividades exercidas
em sua gestão.

2.5- Doutrinas
Existem algumas interpretações de doutrinas que tratam da administração pública
como sem moral e caráter. Para Marçal Justen Filho (2014), a “improbidade
administrativa consiste na ação ou omissão violadora do dever constitucional de
moralidade no exercício de função pública, que acarreta na imposição de sanções
civis, administrativas e penais, de modo cumulativo”.

Como tratado no art. 11 da Lei n° 8.429/92, de acordo com a melhor doutrina,


improbidade administrativa trata-se de atos praticados contra os princípios
direcionadores da administração pública, juntamente dom a deslealdade e a
desonestidade.

De acordo com o doutrinador José Adércio Leite Sampaio (2002), “a improbidade


em geral é a qualidade da ação ímproba, ou seja, desvestida de honestidade, pundonor,
dignidade, brio, de bom caráter, de boas intenções, de honradez, de justiça e de retidão”.
Para Luiz Alberto Ferracini (1997), a improbidade é entendida como “má qualidade,
imoralidade, malícia. Juridicamente, lega-se ao sentido de desonestidade, má fama,
incorreção, má conduta, má índole, mau caráter”.

16
Mesmo não havendo previsões sobre quem pode legislar sobre a improbidade na
Constituição Federal de 1988, entende-se que somente a União tem o poder de fazer
cumprir a lei por improbidade administrativa, pois as sanções previstas para esses atos
são de responsabilidade da União.

2.6- Jurisprudências
2.6.1- Superior Tribunal de Justiça STJ - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL: EDcl no AgRg no Resp.
1177579 PR 2010/0017146-5
EMENTA: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO NO AGRAVOREGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. LEI N.8.429/92. AUSÊNCIA DE
CONTRADIÇÃO.

1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece


de omissão, contradição ou obscuridade, consoante dispõe o art. 535, I e II, do CPC,
bem como para sanar a ocorrência de erro material.

2. No caso, não há qualquer contradição no acórdão embargado, pois se decidiu que,


quanto à pretensão relacionada aos artigos 10 e 11da Lei n. 8.429/1992, o Tribunal de
origem, eventualmente, poderia proceder à adequação da pena.

3. Embargos de declaração rejeitados.

(STJ - EDcl no AgRg no REsp.: 1177579 PR 2010/0017146-5, Relator: Ministro


BENEDITO GONÇALVES, Data de Julgamento: 20/11/2012, T1 - PRIMEIRA
TURMA, Data de Publicação: DJe 27/11/2012).

2.6.2- Superior Tribunal de Justiça STJ - AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL:


AREsp 788946 SE 2015/0242096-3 -Decisão Monocrática

AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 788.946 - SE (2015/0242096-3)


RELATOR : MINISTRO GURGEL DE FARIA

AGRAVANTE : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SERGIPE


AGRAVADO : JOÃO BOSCO MACHADO

ADVOGADOS : HELDER SANCHES BARBOSA E OUTRO (S) - SE000203B


BRUNO FREIRE MARINHO - SE007160

RICARDO TORRES ROBERTI - SE006339 DECISÃO

17
EMENTA: Trata-se de agravo em recurso especial apresentado pelo MINISTÉRIO
PÚBLICO DO ESTADO DE SERGIPE contra decisão que inadmitiu apelo nobre
interposto com fundamento no art. 105, inciso III, da Constituição Federal e que
desafia acórdão assim ementado (e-STJ fls. 424/426): EMBARGOS
INFRINGENTES. DIREITO ADMINISTRATIVO- APELAÇÃO CÍVEL QUE, POR
MAIORIA, REFORMOU DECISÃO NOS AUTOS DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA
PELA PRÁTICA DE ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA - PREFEITO
MUNICIPAL - CONTRATAÇÃO IRREGULAR DE SERVIDORES PÚBLICOS.
VOTO VENCEDOR - PARA A INCIDÊNCIA DOS TIPOS PREVISTOS NA LEI
DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA (LEI 8429/92), MOSTRA-SE
IMPRESCINDÍVEL A CONFIGURAÇÃO DO DOLO OU MÁ-FÉ DO AGENTE;
OS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE
ACARRETAM A IMPOSSIBILIDADE DE IMPOR CONSEQÜÊNCIAS DE
SEVERIDADE INCOMPATÍVEL COM A GRAVIDADE DOS FATOS;
DEMONSTRADA NOS AUTOS A INEXISTÊNCIA DE DOLO DO AGENTE, FOI
JULGADA IMPROCEDENTE A AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA.
VOTO VENCIDO - CONHECE O RECURSO PARA LHE DAR PARCIAL
PROVIMENTO, MANTENDO-SE A CONDENAÇÃO DO APELANTE PELA
PRÁTICA DE ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA, CAPITULADO NO
ART. 11, CAPUT DA LEI 8.429/1992. APLICANDO, NO ENTANTO, AO
RECORRENTE A SANÇÃO DE MULTA CIVIL CORRESPONDENTE A UMA
VEZ O VALOR DA SUA ÚLTIMA REMUNERAÇÃO PERCEBIDA ENQUANTO
PREFEITO MUNICIPAL. CONCLUSÃO: PREVALÊNCIA DA TESE
MAJORITÁRIA - PONDERAÇÃO DAS CIRCUNSTÂNCIAS DO CASO
CONCRETO - INEXISTÊNCIA DE DOLO NA CONDUTA DO AGENTE E DE
PREJUÍZO AO ERÁRIO - EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO ESSENCIAL -
"O STJ ostenta entendimento uníssono segundo o qual, para que seja reconhecida a
tipificação da conduta do réu como incurso nas previsões da Lei de Improbidade
Administrativa, é necessária a demonstração do elemento subjetivo, consubstanciado
pelo dolo para os tipos previstos nos artigos 9o e 11 e, ao menos, pela culpa, nas
hipóteses do artigo 10.

Precedentes: AgRg no AREsp 20.747/SP, Relator Ministro Benedito Gonçalves,


Primeira Turma, Dje 23/11/2011; REsp 1.130.198/RR, Relator Ministro Luiz Fux,

18
Primeira Turma, Dje 15/12/2010; EREsp 479.812/SP, Relator Ministro Teoria Albino
Zavascki, Primeira Seção, Dje 27/9/2010; REsp 1.149.427/SC, Relator Ministro Luiz
Fux, Primeira Turma, Dje 9/9/2010; e EREsp 875.163/RS, Relator Ministro Mauro
Campbell Marques, Primeira Seção, Dje 30/6/2010.

CONHECIMENTO DO RECURSO PARA LHE NEGAR PROVIMENTO,


PRESTIGIANDO O R. VOTO MAJORITÁRIO, QUE MODIFICOU A V.
SENTENÇA A QUO. Aponta a parte recorrente violação do art. 11 da Lei n.
8.429/1992. Parecer ministerial pelo provimento do agravo (e-STJ fls. 559/563). Passo
a decidir. De início, cumpre ressaltar que o Tribunal de origem, ao realizar o juízo de
admissibilidade do recurso especial, deve analisar os pressupostos específicos e
constitucionais concernentes ao mérito da controvérsia, não havendo que se falar em
usurpação da competência do STJ. Nesse sentido: AgRg no AREsp 173.359/AM, Rel.
Ministro SÉRGIO KUKINA, Primeira Turma, julgado em 17/03/2015, DJe
24/03/2015, e AgInt no AREsp 933.131/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES,
Segunda Turma, julgado em 25/10/2016, DJe 27/10/2016. Mediante análise dos autos,
verifico que a inadmissão do especial se deu com base na incidência das Súmulas 7 e
83 do STJ. Embora tenha o agravante impugnado especificamente esses fundamentos,
entendo que, no caso concreto, a pretensão deduzida no recurso especial não
ultrapassa a esfera do conhecimento, à vista da necessidade do exame das provas que
repousam nos autos. É que, tendo o Tribunal de origem reconhecido que o conjunto
probatório não foi hábil a demonstrar o enquadramento do recorrido nos atos de
improbidade administrativa (violação de princípio da administração pública art. 11 da
LIA), à vista da inexistência do elemento subjetivo (dolo), a reforma desse julgado
demandaria o reexame fático-probatório dos autos, inviável em sede de recurso
especial. Registro, por oportuno, que o marco inicial de aplicação do Novo Código de
Processo Civil é a intimação do decisum recorrido, a qual, no presente caso, foi
realizada sob a égide do antigo Codex Processual. Assim, nos termos do Enunciado
Administrativo n. 2 do STJ,"aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973
(relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os
requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas, até
então, pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça". Ante o exposto, com base
no art. 253, parágrafo único, II, a, do RISTJ, CONHEÇO do agravo para NÃO
CONHECER do recurso especial. Sem arbitramento de honorários sucumbenciais

19
recursais (art. 85, § 11, do CPC/2015), em razão do disposto no Enunciado n. 7 do
STJ. Publique-se. Intimem-se. Brasília (DF), 19 de outubro de 2018. MINISTRO
GURGEL DE FARIA Relator.

(STJ - AREsp: 788946 SE 2015/0242096-3, Relator: Ministro GURGEL DE FARIA,


Data de Publicação: DJ 26/10/2018).

2.7- Conclusão
Como improbidade administrativa é qualquer ato que leve o administrador público
a colocar seus interesses pessoais antes do coletivo, enriquecimento ilícito,
beneficiamento improprio de entidades, todas as sanções publicadas tem o objetivo de
corrigir tais transgressões. Assim, mantendo a segurança financeira da nação, com
gestores que estarão dispostos a cumprir todos os princípios de probidade, para que
possa ter um melhor desenvolvimento da administração pública.

2.8- Questionário

1) O que é improbidade administrativa?

Resposta: é todo ato que à custa da Administração Pública e do interesse público,


importa em enriquecimento ilícito, que causa prejuízo ao erário e que atenta contra os
princípios da Administração Pública.

2) Qual a origem da Lei n° 8.429/92?

Resposta: a origem vem desde as constituições federais de 1967, 1969 e 1988, que
traziam versões incompletas, só sendo publicada uma versão bem explícita no dia 02 de
Junho de 1992, que hoje conhecemos como a Lei de Improbidade Administrativa.

3) Quais são os elementos constitutivos da improbidade administrativa?

Resposta: Sujeito passivo (o que sofre a ação), Sujeito ativo (o que executa a ação), ato
danoso (atitude que leva a ser conhecida a improbidade), elemento subjetivo: dolo ou
culpa (culpabilidade após cometer o ato).

4) Quais são os princípios da Lei de Improbidade Administrativa?

Resposta: Princípio da moralidade (ética, bons costumes), impessoalidade (interesse


público acima do interesse pessoal), legalidade (atos executados de acordo com a lei) e
publicidade (transparência dos atos administrativos).

5) Quem são os responsáveis para legislação das sanções dos atos de improbidade?

20
Resposta: A União.

3- Referências

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jurisprudência. Publicado em 01/2006. Disponível em:<
https://jus.com.br/artigos/7807/a-lei-de-improbidade-administrativa-vista-pela-doutrina-
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2000. Disponível em:<
https://www2.camara.leg.br/legin/fed/leicom/2000/leicomplementar-101-4-maio-2000-
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CARVALHO, Guilherme Luiz Séver. Os princípios administrativos e o ato de


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Disponível em:< https://jorgedaher.wordpress.com/2010/03/21/lei-de-responsabilidade-
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DEBUS, Ilvo. NASCIMENTO. Edson Ronaldo. "Lei complementar N. 101/2000 -


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em: <http://www3.tesouro.gov.br/hp/downloads/EntendendoLRF.pdf>. Data de acesso:
11 de Maio de 2019.

21
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Disponível em:< https://esquemasparaconcursos.blogspot.com/2015/08/lei-de-
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24