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PC-ES

Polícia Civil do Estado do Espírito Santo

Legislação Extravagante
Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade

Livro Eletrônico
© 01/2019

PRESIDENTE: Gabriel Granjeiro

VICE-PRESIDENTE: Rodrigo Teles Calado

COORDENADORA PEDAGÓGICA: Élica Lopes

ASSISTENTES PEDAGÓGICAS: Francineide Fontana, Kamilla Fernandes e Larissa Carvalho

SUPERVISORA DE PRODUÇÃO: Emanuelle Alves Melo

ASSISTENTES DE PRODUÇÃO: Giulia Batelli, Jéssica Sousa, Juliane Fenícia de Castro e Thaylinne Gomes Lima

REVISOR: Bárbara Pimentel

DIAGRAMADOR: Washington Nunes Chaves

CAPA: Washington Nunes Chaves

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PÉRICLES MENDONÇA

Péricles Mendonça de Rezende Júnior é Agente


da Polícia Civil do Distrito Federal (aprovado no
concurso realizado pelo CESPE em 2013).
Hoje, com 32 anos, tem em seu histórico apro-
vações em concursos como o do BRB, Serpro
(Analista), Secretaria de Educação (Analista de
Gestão Educacional), MPU (Técnico e Analista),
PMDF/2009 e PCDF/2013 (Agente e Escrivão).

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LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE
Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade
Prof. Péricles Mendonça

Lei n. 4.898/1965........................................................................................5
1. Conceitos Iniciais.....................................................................................5
2. Finalidades da Lei....................................................................................6
3. Tríplice Responsabilização.........................................................................6
4. Direito de Representação..........................................................................8
5. Sujeito Passivo...................................................................................... 10
6. Autoridade............................................................................................ 11
7. Das Penas............................................................................................. 14
8. Competência......................................................................................... 15
9. Prescrição............................................................................................. 20
10. Dos Crimes......................................................................................... 20
11. As Perícias nos Crimes de Abuso............................................................ 30
Resumo.................................................................................................... 32
Questões de Concurso................................................................................ 37
Gabarito................................................................................................... 53
Gabarito Comentado.................................................................................. 54

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Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade
Prof. Péricles Mendonça

LEI N. 4.898/1965
Estamos de volta com o nosso curso de Legislação Extravagante para a Polícia

Civil do Espírito Santo.

Sempre que ministro aulas sobre a legislação extravagante eu gosto de falar

sobre a importância da leitura das leis.

Eu sei que o nosso edital vem sempre recheado de “pequenas” leis que temos

que estudar e que na hora da prova nem é garantido que teremos uma questão

sobre o assunto.

Porém, a Lei de Abuso de Autoridade, quando colocada no edital, costuma ser

cobrada pelo menos em uma questão.

Outro aspecto que vou chamar a atenção logo no início da aula é sobre a alte-

ração do Código Penal Militar, que possibilitou que o abuso de autoridade praticado

por militar seja julgado pela Justiça Militar. Comentaremos melhor sobre isso du-

rante a nossa aula.

1. Conceitos Iniciais
A Lei n. 4.898/1965 é uma lei bem antiga, porém com uma temática bem atual.

Temos visto constantemente nos noticiários que existem algumas propostas para a

alteração do abuso de autoridade.

Existem dois projetos de lei, o PLS n. 280/2016 e o PLS n. 85/2017, que buscam

alterar a responsabilização do autor de abuso de autoridade no Brasil. O senador

Roberto Requião propôs um substitutivo que, inclusive, foi aprovado pelo plenário

do Senado Federal e aguarda votação pela Câmara dos Deputados.

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Você não precisa se preocupar com as alterações previstas nesse substitutivo,

visto que seu edital é bem específico quanto à Lei de Abuso de Autoridade.

2. Finalidades da Lei
Bom, então do que se trata a Lei n. 4.898/1965? Ela somente define os crimes

de abuso de autoridade? Não, meu(minha) querido(a), a lei, além de definir os cri-

mes de abuso, em seus artigos 3º e 4º, traz a tríplice responsabilização e o direito

de representação.

A lei tutela dois bens jurídicos, quais sejam: o regular funcionamento da Admi-

nistração Pública; e os direitos e garantias fundamentais previstos em nossa Cons-

tituição Federal.

3. Tríplice Responsabilização
O que seria essa tríplice responsabilização? Bom, meu(minha) querido(a), a Lei

de Abuso de Autoridade é uma lei penal especial, que trouxe, em seu texto, a pos-

sibilidade de responsabilização do autor do abuso.

Essa responsabilização pode ser tanto na esfera penal quanto cível e funcional,

ou administrativa. Ou seja, o autor poderá ser, ao mesmo tempo, réu num processo

criminal, requerido numa ação civil e investigado por uma Processo Administrativo

(PAD) pela Corregedoria do órgão a que pertence.

Essa é uma previsão expressa na lei, tanto no artigo 1º como no artigo 6º, ve-

jamos.

Art. 1º O direito de representação e o processo de responsabilidade administrati-


va civil e penal, contra as autoridades que, no exercício de suas funções, cometerem
abusos, são regulados pela presente lei.
Art. 6º O abuso de autoridade sujeitará o seu autor à sanção administrativa civil e
penal.

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Então, conforme o legislador, o autor de abuso de autoridade é alcançado nas três

esferas. Então um único juiz proferirá todas as sentenças? Negativo, meu(minha)

querido(a), os processos correrão em separado, cada um na sua respectiva esfera.

A lei, nos parágrafos do artigo 6º, traz as possíveis punições em cada esfera

(civil, criminal e administrativa).

§ 1º A sanção administrativa será aplicada de acordo com a gravidade do abuso co-
metido e consistirá em:
a) advertência;
b) repreensão;
c) suspensão do cargo, função ou posto por prazo de cinco a cento e oitenta dias, com
perda de vencimentos e vantagens;
d) destituição de função;
e) demissão;
f) demissão, a bem do serviço público.
§ 2º A sanção civil, caso não seja possível fixar o valor do dano, consistirá no paga-
mento de uma indenização de quinhentos a dez mil cruzeiros.
§ 3º A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do
Código Penal e consistirá em:
a) multa de cem a cinco mil cruzeiros;
b) detenção por dez dias a seis meses;
c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por
prazo até três anos.

O parágrafo 4º desse mesmo artigo, ainda afirma que o autor poderá ser res-

ponsabilizado ao mesmo tempo nas três esferas.

§ 4º As penas previstas no parágrafo anterior poderão ser aplicadas autônoma ou cumu-
lativamente.

Outra informação importante que devemos levar para a nossa prova é que a lei

traz ainda, expressamente, a proibição da paralisação do processo administrativo

com o intuito de aguardar que as demais esferas sejam concluídas.

Art. 7º, § 3º O processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de
aguardar a decisão da ação penal ou civil.

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Só a título de curiosidade, no substitutivo aprovado pelo Senado Federal, caso

uma excludente de ilicitude seja reconhecida no processo criminal, fará coisa julga-

da também nas demais esferas (civil e administrativa).

4. Direito de Representação
O que seria o direito de representação constante na Lei n. 4.898/1965? Seria

o mesmo que a representação nos crimes de ação penal pública condicionada a

representação?

Negativo, meu(minha) querido(a), até mesmo porque as condutas tipificadas

em nossa lei são todas de ação penal pública incondicionada.

Essa representação é o direito de petição da vítima para representar contra o

autor dos fatos. Isso não quer dizer que uma vítima de abuso de autoridade não

poderá comparecer a uma Delegacia de Polícia para narrar os fatos à autoridade

policial. O legislador apenas garantiu mais uma forma de noticiar os fatos.

Questão 1    (CESPE/DEPEN/AGENTE PENITENCIÁRIO FEDERAL/2015) Com base na

Lei Antitortura e na Lei contra Abuso de Autoridade, julgue o item subsequente.

Nos crimes de abuso de autoridade, a ação é pública condicionada à representação

da vítima, pois a falta dessa representação impede a iniciativa do Ministério Público.

Errado.

Por diversas vezes, o examinador tentará te confundir sobre a representação, posto

que a lei fala sobre uma representação, mas os crimes previstos nessa lei são cri-

mes de ação penal pública incondicionada.

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Essa representação não é condição de procedibilidade, tem natureza de notitia cri-

minis.

Questão 2    (CESPE/TRT 8ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO/2016/ADAPTADA) Com

base na legislação penal, assinale certo ou errado.

A representação prevista na lei que trata dos crimes de abuso de autoridade é mera

notícia do fato criminoso, inexistindo condição de procedibilidade para a instaura-

ção da ação penal.

Certo.

Exatamente como vimos, a representação não é condição de procedibilidade, seria

uma notitia criminis.

Então, essa representação se refere ao exercício do direito de petição, que tem

a finalidade de narrar os fatos formalmente a autoridade competente.

Essa representação será uma petição escrita feita pela vítima, mas devemos

lembrar que não é uma condição para que a polícia judiciária apure o fato ocorrido.

A peça deverá ser endereçada ao Ministério Público ou à autoridade adminis-

trativa superior que tenha competência para apurar o fato, conforme previsto nas

alíneas “a” e “b” do artigo 2º da lei.

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Na prática, alguns advogados acabam encaminhando a representação ao dele-

gado de polícia, porém a lei é bem clara, e não consta a autoridade policial como

uma das autoridades a quem deve ser endereçada a representação.

Art. 2º O direito de representação será exercido por meio de petição:


a) dirigida à autoridade superior que tiver competência legal para aplicar, à autoridade
civil ou militar culpada, a respectiva sanção;
b) dirigida ao órgão do Ministério Público que tiver competência para iniciar processo-
-crime contra a autoridade culpada.

Professor, e o que deve conter essa representação?

Meu(minha) querido(a), a lei também trouxe essa informação, no parágrafo

único do artigo 2º. A representação deverá conter um resumo dos fatos, a quali-

ficação dos envolvidos e, se houver, o rol das testemunhas, num máximo de três.

Outra exigência da lei, é que ela seja feita em duas vias.

Art. 2º, parágrafo único. A representação será feita em duas vias e conterá a exposi-
ção do fato constitutivo do abuso de autoridade, com todas as suas circunstân-
cias, a qualificação do acusado e o rol de testemunhas, no máximo de três, se as
houver.

5. Sujeito Passivo
A doutrina afirma que, nos crimes de abuso de autoridade, nós temos uma du-

pla subjetividade passiva, ou seja, os crimes sempre possuem duas vítimas.

Temos uma vítima imediata ou direta, que é a pessoa sobre a qual recai dire-

tamente a conduta abusiva, e uma outra mediata ou direta, que seria o Estado,

também chamado de vítima permanente, tendo em vista que a conduta de abuso

sempre maculará o Estado.

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6. Autoridade
Os crimes de abuso de autoridade são crimes próprios, visto que só podem

ser praticados por autoridades. Mas quem seriam essas autoridades?

O próprio legislador já definiu o conceito de autoridade no artigo 5º da lei. Au-

toridades são aqueles que exercem cargo, emprego ou função pública de natureza

civil ou militar, mesmo que transitoriamente ou sem remuneração.

Art. 5º Considera-se autoridade, para os efeitos desta lei, quem exerce cargo, empre-
go ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que transitoriamente e sem
remuneração.

Portanto, não podemos falar em abuso de autoridade quando o autor exerce

uma atividade privada, como, por exemplo, um vigilante de um banco.

E aquelas pessoas que exercem o “múnus público”, são abrangidas por essa lei?

Professor, em primeiro lugar, o que é “múnus público”?

Meu(minha) querido(a), o “múnus público” é uma obrigação imposta pela lei,

em atendimento ao Poder Público, em benefício da coletividade, como, por exem-

plo, o advogado dativo, o tutor etc.

E então, essas pessoas cometem ou não abuso de autoridade? Conforme a ju-

risprudência, essas pessoas não estão inseridas no conceito de autoridade prevista

na Lei n. 4.898/1965, portanto, não podem responder pelo abuso de autoridade.

Professor, então se essas pessoas não podem responder, o particular também

não pode, né?

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Não vamos nos precipitar. O particular responde sim, em caráter excepcional,

por abuso de autoridade. Ele responderá quando atuar em companhia da autori-

dade e souber dessa condição, portanto, agirá como coautor ou como partícipe.

O artigo 30 do Código Penal garante que as elementares do crime se comuni-

cam.

Art. 30. Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo


quando elementares do crime.

Questão 3    (CESPE/DEPEN/AGENTE PENITENCIÁRIO FEDERAL/2015) Com base na

Lei Antitortura e na Lei contra Abuso de Autoridade, julgue o item subsequente.

O particular que atuar em coautoria ou participação com uma autoridade pública

no cometimento de crime de abuso de autoridade não responderá por esse crime

porque não é agente público.

Errado.

Meu(minha) querido(a), um particular sozinho não praticará o delito de abuso de

autoridade, certo?

Como vimos em nossa aula, o particular responde sim, em caráter excepcional, por

abuso de autoridade. Ele responderá quando atuar em companhia da autoridade e

souber dessa condição, portanto, agirá como coautor ou como partícipe.

O artigo 30 do Código Penal garante que as elementares do crime se comunicam.

Art. 30. Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo


quando elementares do crime.

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Questão 4    (MPE-SC/MPE-SC/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2014) A Lei n. 4.898/1965,

que prevê os crimes de abuso de autoridade, é aplicável inclusive aos que exercem

cargo, emprego ou função pública de natureza civil, ainda que transitoriamente e

sem remuneração.

Certo.

Questão bem simples cobrando o conhecimento do artigo 5º da lei, ou seja, quais

as pessoas que se enquadram como autoridade para nossa lei em estudo.

Art. 5º Considera-se autoridade, para os efeitos desta lei, quem exerce cargo, emprego
ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que transitoriamente e sem
remuneração.

Devemos observar o elemento subjetivo do crime, pois não existe abuso culpo-

so. Os crimes de abuso são punidos somente a título de dolo, e o dolo deverá ser

específico. De acordo com a doutrina, deve existir um dolo de abusar.

Questão 5    (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/TÉCNICO LEGISLATIVO/2014) No

que se refere ao crime de abuso de autoridade, admitem-se as modalidades dolosa

e culposa.

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Errado.

Não temos muito o que comentar nessa questão, é uma questão bem direta. Sabe-

mos que os crimes de abuso de autoridade só serão cometidos dolosamente, então,

se a questão afirmar que existe abuso culposo, a questão estará errada.

7. Das Penas
Antes de analisarmos os crimes previstos na lei, vamos ver quais são as penas

cabíveis nos casos de sanção penal.

Seja qual for o crime previsto na lei, a pena sempre será a mesma:

• detenção de 10 dias a 6 meses;

• multa;

• perda do cargo.

A perda do cargo ainda poderá vir combinada com a inabilitação para o exercício

de qualquer outra função pública pelo prazo de até três anos.

Uma outra sanção específica que a lei traz é nos casos em que o autor é um

policial civil ou militar. Nesse caso, poderá ainda ser cominada uma pena autônoma

ou acessória, pela qual o acusado não poderá exercer funções de natureza policial

ou militar no município da culpa, pelo prazo de 1 a 5 anos.

Art. 6º
§ 3º A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Có-
digo Penal e consistirá em:
a) multa de cem a cinco mil cruzeiros;
b) detenção por dez dias a seis meses;
c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública
por prazo até três anos.

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§ 5º Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou militar, de
qualquer categoria, poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória, de não poder o
acusado exercer funções de natureza policial ou militar no município da culpa, por prazo
de um a cinco anos.

Essas penas podem ser aplicadas isoladas ou cumulativamente, ou seja, pode

um condenado pelo crime de abuso receber somente a pena de multa, ou somente

a detenção.

Então quer dizer, professor, que nem sempre o condenado perderá o cargo?

Exatamente, meu(minha) querido(a). Diferentemente do crime de tortura, em

que a perda do cargo é um efeito automático da condenação, aqui, no abuso de au-

toridade, a perda do cargo é uma possibilidade de sanção penal que o magistrado

poderá aplicar ou não ao condenado.

8. Competência
Os crimes de abuso de autoridade são infrações de menor potencial ofensi-

vo, uma vez que a pena máxima não ultrapassa os dois anos.

Na prática, o que significa isso, professor?

Meu(minha) querido(a), o crime de abuso de autoridade é apurado, em regra,

mediante Termo Circunstanciado (TC), ao final do qual não existe um oferecimento

de denúncia. O que ocorrerá, via de regra, é uma proposta de Transação Penal por

parte do Ministério Público.

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Professor, eu já li a lei toda e não fala nada sobre isso, de onde veio essa infor-

mação?

Meu(minha) querido(a), a Lei n. 4.898/1965 traz um rito especial que não fala

nada sobre Transação Penal, porém, o STJ entendeu que a Lei n. 9.099/1995 der-

rogou a parte procedimental prevista na Lei n. 4.898/1965.

Ainda estudaremos a Lei dos Juizados Especiais (Lei n. 9.099/1995), mas posso

adiantar que existem alguns requisitos para que o Ministério Público ofereça a Tran-

sação Penal, entre eles, se o autor não foi condenado anteriormente pela prática

de crime a uma pena privativa de liberdade, e não ter o agente transacionado nos

últimos cinco anos.

Caso não seja o caso de Transação Penal, será aplicado o rito sumaríssimo da

Lei n. 9.099/1995.

Agora, preste atenção no que eu vou dizer: esse não é um entendimento comple-

tamente pacificado, sendo que alguns doutrinadores entendem que o rito da Lei n.

4.898/1965 deve continuar sendo aplicado.

Algumas bancas já cobraram sobre o rito da Lei de Abuso, principalmente no

que se refere aos prazos, mas a maioria das bancas já entende pela aplicação da

Lei dos Juizados Especiais.

Eu sempre digo que as leis extravagantes devem ter um estudo da legislação

“seca”, posto que algumas bancas cobram a literalidade da lei. Então, nesse caso,

leia a lei por completo, mesmo a parte procedimental.

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Questão 6    (CESPE/TCE-RN/AUDITOR/2015) A respeito dos crimes de lavagem de


dinheiro e de abuso de autoridade, julgue o item subsequente.
Conforme o entendimento do STJ, ao acusado de crime de abuso de autoridade
pode ser feita proposta de transação penal.

Certo.
Questão corretíssima, visto que, conforme vimos aqui, o STJ entende que a Lei n.
9.099/1995 derrogou a parte procedimental da Lei n. 4.898/1965.
Alguns doutrinadores entendem que os crimes de abuso de autoridade não seriam
de menor potencial ofensivo (Guilherme Nucci é um deles), por terem a possibili-
dade da perda do cargo como sanção penal.

Questão 7    (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/2014)


Julgue o próximo item, referentes às penas e aos crimes de abuso de autoridade e
de tráfico ilícito de entorpecentes.
Em razão do patamar das penas cominadas na Lei de Abuso de Autoridade, não
é possível a suspensão condicional da pena aplicada devido à prática de delito de
abuso de autoridade.

Errado.
É exatamente o contrário, em razão do patamar das penas cominadas na Lei de
Abuso de Autoridade é que é possível a suspensão condicional da pena, uma vez
que estamos diante de infrações de menor potencial ofensivo.

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Questão 8    (CESPE/AGU/ADVOGADO DA UNIÃO/2015) No que se refere a crime de

abuso de autoridade e ao seu processamento, julgue o próximo item.

O crime de abuso de autoridade, em todas as suas modalidades, é infração de

menor potencial ofensivo, sujeitando-se seu autor às medidas despenalizadoras

previstas na lei que dispõe sobre os juizados especiais cíveis e criminais, desde que

preenchidos os demais requisitos legais.

Certo.

Com os conhecimentos que adquirimos até agora em nossa aula já conseguimos

ser Advogados da União (rs).

Brincadeiras à parte, meu(minha) querido(a), veja que as bancas consideram o

entendimento do STJ, segundo o qual devemos aplicar o rito sumaríssimo da Lei

dos Juizados Especiais.

Então, compete à Justiça Comum, Federal ou Estadual processar e julgar o

delito de abuso de autoridade. A regra é que ele seja julgado na justiça comum

estadual, competindo a justiça federal somente quando causar violação a bens e

interesses da União.

A simples condição de o agente que pratica o delito de abuso de autoridade per-

tencer aos quadros da Administração Pública Federal não determina a competência

da Justiça Federal para processar e julgar o delito.

E se o crime for praticado por um militar em serviço? A competência será da

Justiça Militar?

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Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade
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O STJ tem esse entendimento sumulado, por meio da Súmula n. 172, que diz

que “compete à Justiça Comum processar e julgar militar por crime de abuso de

autoridade, ainda que praticado em serviço”.

Porém, a Lei n. 13.491/2017 alterou o Código Penal Militar, em seu arti-

go 9º, II, considerando como crimes militares os previstos naquele código

e os previstos na legislação especial (que é o nosso caso), quando pratica-

dos nas situações descritas naquele inciso.

Então, meu(minha) querido(a), analisando essa lei, que é bem recente, abriu-se

a possibilidade dos militares que incorrerem na prática de abuso de autoridade, nas

situações previstas no art. 9º, II, do CPM, serem julgados pela Justiça Militar.

Até pouco tempo, não tínhamos posicionamento jurisprudencial, porém os tri-

bunais já estão aplicando esse entendimento, ou seja, para a nossa prova, esses

delitos, se praticados nas condições previstas no artigo 9º do Código Penal Militar,

serão de competência da Justiça Militar.

E se o crime de abuso for conexo com um crime militar? Deverá ocorrer a sepa-

ração dos processos, sendo que a justiça especializada julgará o crime militar, e o

JECrim, o abuso de autoridade. O STJ também tem esse entendimento sumulado.

Súmula n. 90: Compete à Justiça Estadual Militar processar e julgar o policial


militar pela prática do crime militar, e à Comum pela prática do crime comum
simultâneo àquele.

Porém, aqui, acredito que se enquadra de forma semelhante ao que vimos. De

acordo com a Lei n. 13.491/2017, não teria porque o julgamento ocorrer em sepa-

rado.

O que eu tenho que responder na minha prova, professor? E as Súmulas do STJ?

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Apesar do STJ não ter se manifestado a respeito de suas súmulas, o entendi-


mento doutrinário é de que elas deixaram de ter validade, visto que agora o julga-
mento se dará pela Justiça Militar nas duas situações que vimos.
A súmula então perde então o seu fundamento embasador, cai por terra, deven-
do ser tida como superada pela Lei n. 13.491/2017.
Acredito que seja importante você possuir esse conhecimento de como era e
como está agora, no caso de uma questão discursiva sobre o assunto.
Agora me responda: e se o crime de abuso de autoridade for conexo com um
crime doloso contra a vida? Pelo que vimos até agora, deverá ocorrer a separação
dos processos, né? Não, meu(minha) querido(a), nesse caso não.
O artigo 78, I, do Código de Processo Penal traz expressa previsão de que o
Tribunal do Júri será o órgão competente para processar e julgar os dois delitos.

Art. 78. Na determinação da competência por conexão ou continência, serão observa-


das as seguintes regras:
I – no concurso entre a competência do júri e a de outro órgão da jurisdição comum,
prevalecerá a competência do júri (CPP);

9. Prescrição
Os crimes previstos em nossa lei têm a pena máxima de seis meses de deten-
ção, portanto, conforme previsão do artigo 109 do Código Penal, em seu inciso IV,
temos uma prescrição de três anos.

Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto


no § 1º do art. 110 deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade
cominada ao crime, verificando-se:
VI – em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano.

10. Dos Crimes


Os crimes de abuso de autoridade estão previstos nos artigos 3º e 4º da nos-

sa lei.

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Os crimes previstos no artigo 3º são classificados como crimes de atentado, que

são aqueles que já trazem a figura da tentativa como elemento do tipo. Conforme

diz o professor Gabriel Habib, seria correto, portanto, afirmar que nesses crimes,

o tentar já é consumar. Dessa forma, o delito não admite a figura da tentativa.

Por serem vagos, os tipos penais desse artigo ferem o princípio da taxatividade.

Liberdade de Locomoção

A conduta do agente viola o direito fundamental previsto na Constituição em

seu artigo 5º, XV, que diz:

(...) é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pes-
soa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens.

Isso não quer dizer que esse é um direito absoluto, afinal de contas, não existe

um direito fundamental absoluto. Haverá momentos em que a restrição a esse di-

reito será lícita em ponderação a garantia de outros direitos.

Inviolabilidade de Domicílio

Agora, a conduta do agente fere outro direito fundamental, com previsão no

artigo 5º, XI, da CF/1988, que diz:

a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimen-
to do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro,
ou, durante o dia, por determinação judicial.

A inviolabilidade do domicílio é muito pouco questionada quando se trata de

cumprimento de ordem judicial ou para prestar socorro. O maior questionamento

ocorre no caso do flagrante delito.

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Geralmente, a polêmica ocorre nos casos de crimes permanentes. O que são os

crimes permanentes? São aqueles que a consumação protrai no tempo, ou seja,

a pessoa estaria em flagrante a todo tempo.

Vamos analisar o entendimento das Cortes Superiores sobre o assunto. O Su-

premo entende que a entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é

lícita, mesmo em período noturno, quando amparada em fundadas razões, devi-

damente justificadas a posteriori, que indiquem que dentro da casa ocorre situação

de flagrante delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente

ou da autoridade e de nulidade dos atos praticados.

O caso analisado pelo Supremo foi o seguinte. A polícia estava investigando

determinados traficantes e conseguiu abordar um caminhão que transportava de-

terminada quantidade de drogas.

Ao ser entrevistado, o motorista indicou a residência de seu sócio e afirmou que

lá teria o restante da droga. Diante dessa informação, a polícia se dirigiu ao ende-

reço e localizou 8,5 kg de cocaína em um veículo na garagem da residência.

Perceba que, mesmo sem a ordem judicial, a polícia já tinha uma investigação

em andamento sobre aqueles “alvos”, portanto, tinha convicção de que eles eram

traficantes e que naquela residência teria droga.

No julgamento do Supremo, o ministro Gilmar Mendes afirmou que, nesse caso,

a polícia poderia entrar na casa, mas deveria enviar a posteriori as fundadas razões

que justificaram a violação do domicílio.

Essas fundadas razões não podem ser um juízo de mera suspeita ou intuição

policial.

Corroborando com esse entendimento, o STJ, recentemente, absolveu uma pes-

soa acusada de tráfico de drogas, por entender que a polícia localizou as drogas

violando o domicílio do autor, sendo, então, as provas ilícitas.

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A situação foi a seguinte: uma guarnição da polícia militar estava em patru-

lhamento num local conhecido como ponto de venda de drogas, e um indivíduo,

ao avistar a viatura, correu para dentro de casa.

Os policiais entraram na casa do sujeito e, nas buscas no interior da residência,

localizaram pedras de crack no banheiro e no quarto do agente, sendo ele conde-

nado em primeira instância.

O Tribunal absolveu o acusado por considerar ilícita a violação domiciliar. O caso

chegou ao STJ, que disse que a mera intuição acerca de eventual traficância prati-

cada pelo recorrido, embora pudesse autorizar a abordagem em via pública, para

averiguação, não configura, por si só, justa causa para autorizar o ingresso em seu

domicílio, sem o consentimento do morador e sem determinação judicial.

Entendeu o STJ, a prova como sendo nula, como decorrência da doutrina dos

frutos da árvore envenenada e manteve a absolvição do réu.

As duas cortes entendem que o conceito fático anterior à entrada na residência

é que validará a entrada da polícia.

Professor, e se, mesmo com as fundadas razões, a polícia entrar na residência

e não se deparar com o crime permanente? Incorrerá em abuso?

Não, meu(minha) querido(a). Veja que, conforme o Supremo, a polícia deverá, num

ato posterior, comunicar as fundadas razões ao judiciário, afastando a possibilidade de

responsabilização criminal por abuso, posto que não agiu com o dolo específico.

Sigilo de Correspondência

Essa é mais uma garantia aos direitos fundamentais, dessa vez ao direito fun-

damental previsto no artigo 5º, XII, da CF/1988.

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Como já vimos nesta aula, os direitos não são absolutos. Assim, os casos auto-

rizados pela lei e pela jurisprudência não ferem esse direito.

Por exemplo, o conhecimento justificado pelo diretor do estabelecimento prisional

do conteúdo da correspondência escrita e recebida pelo preso, ou até mesmo na

busca domiciliar, na qual se pretenda apreender cartas fechadas, destinadas ao

acusado ou em seu poder, quando haja suspeita de que seu conteúdo possa ser útil

a elucidação do fato.

Outro ponto que devemos observar é que, para falarmos em sigilo de corres-

pondência, ela deve estar lacrada.

Liberdade de Consciência e de Crença e Livre Exercício do Culto Religioso

Esses dois incisos são muito parecidos e tutelam os direitos fundamentais pre-

vistos no artigo 5º, incisos VI e VIII,

VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exer-


cício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e
a suas liturgias;
VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção
filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos im-
posta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.

Por estarmos em um Estado laico, nenhuma autoridade poderá impedir a prática

desses direitos, mas, como também não temos direitos absolutos, os cultos não

poderão atentar contra outros direitos.

Outra situação que poderia a autoridade pública intervir seria nos casos dos

cultos em que ocorrem sacrifícios animais ou que atentem contra a ordem pública.

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Liberdade de Associação

Perceba que o legislador quis garantir o exercício dos direitos fundamentais,


punindo aquelas autoridades que atentarem contra o exercício desses direitos.
Muito próximo a esse direito, temos ainda o direito de reunião, previsto na alí-
nea “h”.
Agora, é lícito que a autoridade impeça a reunião com fins ilícitos, ou mesmo
que atentem contra outros direitos de interesse coletivo, direitos fundamentais de
outras pessoas, ou simplesmente para garantir a ordem pública.

Exercício do Voto

O voto é um direito constitucional garantido a todos os cidadãos, o exercício do


voto é o pilar que sustenta o Estado Democrático de Direito.
É possível que a autoridade atente contra o direito de voto do cidadão? Sim,
como venho dizendo em todos esses tópicos, não existe um direito absoluto, por-
tanto, em razão de séria e provável lesão ou ameaça de lesão ao Estado Democrá-
tico de Direito ou à ordem constitucional, é lícito que uma autoridade atente contra
o direito de voto do cidadão sem cometer nenhum ilícito.

Incolumidade Física do Indivíduo

Esse tipo penal abrange qualquer tipo de violência física. Então pode ir das “vias
de fato” até a morte da vítima. Nesses casos, a autoridade responderá pelos dois
crimes em concurso material.
É importante ressaltar que o Supremo Tribunal Federal já firmou entendimento
de que tanto o crime previsto nesse inciso quanto o crime previsto no artigo 322

do Código Penal, violência arbitrária, coexistem no Brasil, ou seja, essa alínea não

revogou o Código Penal.

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Professor, qual seria a diferença entre esses dois institutos?

Uma das diferenças é a seguinte: no crime de abuso de autoridade, o sujeito

se excede em sua discricionariedade, ou seja, o agente tinha o direito de realizar

a conduta, porém se excedeu. No tipo previsto no Código Penal, o comportamento

não era autorizado pelo ordenamento jurídico, então o agente nunca poderia ter

praticado aquele ato.

Exercício Profissional

Quando o legislador falou no atentado contra o exercício profissional, ele estava

pensando no trabalho lícito, ou seja, essas ações governamentais para retirar os

“camelôs” de locais não autorizados não configuram o tipo penal aqui estudado.

Como eu havia dito anteriormente, os crimes do artigo 3º são tipos penais va-

gos, genéricos, que ferem o princípio da taxatividade.

Já os crimes previstos no artigo 4º observam o princípio da taxatividade, são

bem claros e admitem tentativa para as condutas comissivas.

Ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, sem as

formalidades legais ou com abuso de poder

A nossa Carta Magna garante que ninguém poderá ser preso, se não em fla-

grante delito ou por ordem escrita e fundamentada de uma autoridade judiciária

competente.

Portanto, não pode a autoridade privar alguém de sua liberdade individual por

mero capricho. Perceba que o legislador resolveu punir tanto quem ordena como

quem executa, abrangendo todas as pessoas envolvidas no ato ilícito.

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Professor, e a prisão disciplinar militar? Se aplica nesse inciso?

Meu(minha) querido(a), é bem verdade que a Constituição dispõe que não cabe

habeas corpus contra as punições disciplinares militares, porém esse óbice é so-
mente para a análise do mérito, podendo o Judiciário fazer uma análise da lega-

lidade da prisão, como, por exemplo, a competência do superior hierárquico para

aplicar a pena de prisão.

Por isso que, nesse caso, a autoridade pública militar pratica o delito que esta-

mos analisando.

Submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constran-

gimento não autorizado em lei

Esse inciso resguarda a vontade do custodiado, ou seja, a autoridade comete

o ilícito quando sujeita a pessoa a algo contra a sua vontade, acabando com sua

voluntariedade.

Quando o legislador se refere a constrangimento não autorizado em lei, ele se

refere, por exemplo, à Lei de Execuções Penais, que garante os direitos do preso.

Então, se o diretor do presídio, por exemplo, impedir os presos de tomarem sol,

impedir as visitas, submeter alguém ao Regime Disciplinar Diferenciado sem funda-

mentos, estará cometendo abuso de autoridade tipificado nesse inciso.

Deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou

detenção de qualquer pessoa

Imediatamente hoje é sinônimo de 24 horas. O Brasil tem adotado a prática dos

Núcleos de Audiência de Custódia (NAC), portanto, nos locais em que já estiverem

ocorrendo essas audiências, a comunicação se dará pela realização destas.

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Professor, mas eu estudei no Processo Penal que a prisão de qualquer pessoa e

o local onde se encontre devem ser comunicados imediatamente ao juiz com-

petente, ao Ministério Público e à família do preso ou pessoa por ele indicada,

e, em alguns casos, à Defensoria Pública.

Então, se deixar de comunicar a qualquer um, o agente incorrerá em abuso de

autoridade?

Não, apesar de o CPP trazer essas previsões, a lei de abuso não as trouxe, por-

tanto, seria abuso somente a ausência de comunicação ao juiz.

Deixar o juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que

lhe seja comunicada

Esse é um delito que só poderá ser cometido pela autoridade judicial, e não se

trata simplesmente do não relaxamento da prisão.

O que quero dizer é que o magistrado só incorrerá nesse delito se a prisão for

manifestamente ilegal, ou ele souber de algo que torne a prisão ilegal e mesmo

assim não relaxar a prisão e, ao contrário, convertê-la em prisão preventiva.

Levar à prisão e nela deter quem quer que se proponha a prestar fiança,

permitida em lei

A maioria dos crimes são afiançáveis, temos uma minoria em nosso ordena-

mento de crimes que não aceitam fiança.

E quem pode arbitrar a fiança? A autoridade policial, ou seja, o  delegado de

polícia poderá arbitrar fiança nos casos de infração penal cuja pena privativa de

liberdade máxima não seja superior a quatro anos.

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Nos demais casos, somente a autoridade judiciária poderá conceder fiança.

Então, se uma dessas autoridades deixa de arbitrar fiança para um delito afian-

çável ou deixa de recolher a fiança dolosamente de quem esteja disposto a pagar,

incorrerá em abuso.

Obs.:
 as alíneas “f” e “g” são inaplicáveis em nosso ordenamento jurídico, visto que

não existem no sistema carcerário brasileiro quaisquer custas ou emolumen-

tos, ou outra despesa semelhante, que possam ser cobradas pelo carcereiro.

Ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica,

quando praticado com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal

Vamos iniciar diferenciando o abuso do desvio do poder. No abuso de poder, a au-

toridade tem competência para realizar o ato, mas excede o seu limite legal. No des-

vio de poder, a autoridade também tem competência para realizar o ato, mas o exe-

cuta com o desvio de finalidade, ou seja, com um fim diferente do interesse público.

Imagine que uma equipe policial vai cumprir um Mandado de Busca e Apreensão expe-

dido pela autoridade competente. Ao chegar no local, um dos agentes percebe que o

morador da casa é seu desafeto e, ao realizar as buscas, causa diversos danos ao patri-

mônio da pessoa. Nesse caso, o agente incorrerá em abuso, conforme esse inciso.

Prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de

segurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imedia-

tamente a ordem de liberdade

Esse é um delito que pode ser cometido por qualquer autoridade no que se re-

fere a deixar de cumprir o alvará de soltura.

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Já na modalidade, “deixar de expedir”, somente a autoridade judiciária poderá

praticar esse delito.

11. As Perícias nos Crimes de Abuso


A regra trazida pelo Código de Processo Penal, em seu artigo 158, é que, quan-

do os crimes que deixarem vestígios, será indispensável o exame de corpo de deli-

to, sendo que nem a confissão do acusado poderá suprir esse exame.

Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de


delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.

Então, regra geral: se uma infração penal deixar vestígios (infrações penais não

transeuntes), será obrigatória a perícia.

Eu disse “regra geral” porque, por própria previsão do CPP, em seu artigo 167,

se não for possível a realização da perícia pelo desaparecimento dos vestígios,

a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta.

Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os
vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta.

A Lei de Abuso de Autoridade é um pouco diferente, ela prevê que, se o fato

tiver deixado vestígios, a vítima poderá realizar a comprovação por meio de duas

testemunhas, ou poderá requerer a perícia.

Art. 14. Se a ato ou fato constitutivo do abuso de autoridade houver deixado vestígios


o ofendido ou o acusado poderá:
a) promover a comprovação da existência de tais vestígios, por meio de duas testemu-
nhas qualificadas;
b) requerer ao Juiz, até setenta e duas horas antes da audiência de instrução e julga-
mento, a designação de um perito para fazer as verificações necessárias.

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Terminamos a nossa aula por aqui. Vamos, agora, fazer um breve resumo de

tudo que estudamos e, depois, fazer alguns exercícios para fixar a matéria.

Espero que tenha gostado da aula. Me coloco à disposição para mais esclare-

cimentos, dúvidas, críticas e sugestões através do e-mail profpericlesrezende@

gmail.com e do Instagram @vemserpolicial.

Grande abraço e bons estudos.

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RESUMO
Vamos iniciar nossa revisão relembrando o conceito de autoridade.

Considera-se autoridade, para os efeitos desta lei, quem exerce cargo, emprego

ou função pública, de natureza civil ou militar, ainda que transitoriamente e

sem remuneração.

Os crimes previstos em nossa lei são crimes próprios, ou seja, exigem uma

qualidade especial do agente. Contudo, admitem coautoria ou participação.

O particular pode praticar crimes de abuso de autoridade quando em coautoria

ou participação com uma das autoridades previstas na lei.

Quais as finalidades da lei?

• tríplice responsabilidade;

• direito de representação;

• definição dos crimes de abuso de autoridade.

A tríplice responsabilização afirma que a responsabilidade do agente autor do

fato poderá ser tanto na esfera civil quanto nas administrativa e penal.

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O processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar


a decisão da ação penal ou civil.

Sanção administrativa Sanção civil Sanção penal

Multa de cem a cinco mil


Advertência.
cruzeiros.

Detenção por dez dias a


Repreensão.
seis meses.
Suspensão do cargo, função Caso não seja possível fixar o valor
ou posto por prazo de 5 do dano, consistirá no pagamento
a 180 dias, com perda de de uma indenização de quinhentos
Perda do cargo e
vencimentos e vantagens. a dez mil cruzeiros.
inabilitação para o exercício
Destituição da função. de qualquer outra função
Demissão. por prazo de até três anos.

Demissão, a bem do serviço


público.

O direito de petição será exercido por meio de uma petição:


• dirigida à autoridade superior que tiver competência legal para aplicar, à au-
toridade civil ou militar culpada, à respectiva sanção;
• dirigida ao órgão do Ministério Público que tiver competência para iniciar pro-
cesso-crime contra a autoridade culpada.

Essa representação não é condição de procedibilidade, tem natureza de notitia


criminis.
A ação penal, nos casos de abuso de autoridade, é Ação Penal Pública Incondi-
cionada.

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Os crimes de abuso de autoridade são infrações de menor potencial ofensivo,

uma vez que a pena máxima não ultrapassa os dois anos.

A Lei n. 13.491/2017 alterou o artigo 9º, II, do Código Penal Militar, incluindo a

possibilidade de um crime de uma legislação especial (que é o nosso caso), se

praticado nas situações descritas naquele inciso, ser tratado como crime militar,

ou seja, seja julgado pela Justiça Militar. A Súmula n. 172 do STJ perdeu o

seu fundamento embasador, devendo ser tida como superada pela Lei n.

13.491/2017.

Art. 3º (atentado) Art. 4º


Ordenar ou executar medida privativa da
À liberdade de locomoção. liberdade individual, sem as formalidades
legais ou com abuso de poder.
Submeter pessoa sob sua guarda ou
À inviolabilidade do
custódia a vexame ou a constrangimento
domicílio.
não autorizado em lei.
Crimes de abuso de Deixar de comunicar, imediatamente,
Ao sigilo da
autoridade ao juiz competente a prisão ou detenção
correspondência.
de qualquer pessoa.
Deixar o Juiz de ordenar o relaxamento
À liberdade de consciência
de prisão ou detenção ilegal que lhe seja
e de crença.
comunicada.
Levar à prisão e nela deter quem quer
Ao livre exercício do culto
que se proponha a prestar fiança,
religioso.
permitida em lei.

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LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE
Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade
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Cobrar o carcereiro ou agente de


autoridade policial carceragem,
custas, emolumentos ou qualquer
À liberdade de associação.
outra despesa, desde que a cobrança
não tenha apoio em lei, quer quanto
à espécie quer quanto ao seu valor.
Recusar o carcereiro ou agente
Aos direitos e garantias de autoridade policial recibo de
legais assegurados ao importância recebida a título de
exercício do voto. carceragem, custas, emolumentos
ou de qualquer outra despesa.
O ato lesivo da honra ou do patrimônio
de pessoa natural ou jurídica, quando
Ao direito de reunião.
praticado com abuso ou desvio de poder
ou sem competência legal.
Prolongar a execução de prisão
temporária, de pena ou de medida
À incolumidade física do
de segurança, deixando de expedir
indivíduo.
em tempo oportuno ou de cumprir
imediatamente ordem de liberdade.
Aos direitos e garantias
legais assegurados ao
exercício profissional.

Lembre-se de que não existem, no sistema carcerário brasileiro, quaisquer custas

ou emolumentos, ou outra despesa semelhante, que possam ser cobradas pelo

carcereiro ou agente policial de carceragem, razão pela qual o tipo penal se torna

inaplicável.

E se o fato deixar vestígios? Como devemos proceder? Se o fato tiver deixado

vestígios, a vítima poderá realizar a comprovação por meio de duas teste-

munhas, ou poderá requerer a perícia.

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Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade
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Apresentada ao Ministério Público a representação da vítima, aquele, no prazo de

48 horas, denunciará o réu.

Se o MP não apresentar a denúncia no prazo previsto, será admitida a ação pri-

vada.

A ação penal será iniciada, independentemente de inquérito policial ou justificação

por denúncia do Ministério Público, instruída com a representação da vítima do

abuso.

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Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade
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QUESTÕES DE CONCURSO
Questão 1    (AOCP/SUSIPE-PA/AGENTE PRISIONAL/2018) De acordo com o que

disciplina a Lei n. 4.898/1965 acerca dos casos de Ação Penal em face de abuso de

autoridade, após recebida a denúncia, o Juiz despachará, recebendo-a ou rejeitan-

do-a, no prazo de

a) 5 dias.

b) 3 dias.

c) 24 horas.

d) 36 horas.

e) 48 horas.

Questão 2    (AOCP/SUSIPE-PA/AGENTE PRISIONAL/2018) De acordo com as dis-

posições contidas na Lei n. 4.898/1965, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o

que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.

 (  ) As testemunhas de acusação e defesa deverão ser previamente intimadas.

 (  ) A hora marcada, o Juiz mandará que o porteiro dos auditórios ou o oficial de

justiça declare aberta a audiência, apregoando em seguida o réu, as testemu-

nhas, o perito, o representante do Ministério Público ou o advogado que tenha

subscrito a queixa e o advogado ou defensor do réu.

 (  ) A audiência de instrução e julgamento será sempre pública e realizar-se-á em

dia útil, entre nove (09) e dezoito (18) horas, na sede do Juízo ou, excepcio-

nalmente, no local que o Juiz designar.

 (  ) Nas comarcas onde os meios de transporte forem difíceis e não permitirem a

observância dos prazos fixados nesta lei, o juiz poderá aumentá-los, indepen-

dentemente de motivação, até a metade.

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a) F-V-F-F.

b) V-F-V-F.

c) F-F-F-V.

d) F-V-F-V.

e) V-F-F-F.

Questão 3    (AOCP/SUSIPE-PA/AGENTE PRISIONAL/2018) De acordo com a Lei n.

4.898/1965, quando o abuso de autoridade for cometido por agente de autoridade

policial, civil ou militar, de qualquer categoria, poderá ser cominada a pena autôno-

ma ou acessória, de não poder o acusado exercer funções de natureza policial ou

militar no município da culpa, pelo prazo de

a) Dois a seis meses.

b) Três a oito anos.

c) Um a cinco anos.

d) Seis meses a seis anos.

e) Um a seis anos.

Questão 4    (VUNESP/PC-SP/INVESTIGADOR DE POLÍCIA/2018) Nos termos da Lei

n. 4.898/1965 (Lei de Abuso de Autoridade), é correto afirmar:

a) o processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a

decisão da ação penal ou civil.

b) o direito de representação será exercido por meio de petição dirigida exclusiva-

mente ao Ministério Público.

c) não constitui abuso de autoridade deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de

prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada.

d) não contempla qualquer sanção administrativa.

e) a legislação possui penal de reclusão para determinadas modalidades de abuso.

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Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade
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Questão 5    (VUNESP/PC-BA/INVESTIGADOR/2018) A Lei n. 4.898/1965 regula o

Direito de Representação e o processo de Responsabilidade Administrativa Civil e

Penal, nos casos de abuso de autoridade. Acerca de referida lei, assinale a alterna-

tiva correta.

a) Para os efeitos da Lei, considera-se autoridade quem exerce cargo, emprego ou

função pública, de natureza civil ou militar apenas de forma permanente e remu-

nerada.

b) Caso haja necessidade de se aguardar decisão de ação penal ou civil, o processo

administrativo poderá ser sobrestado.

c) O início da ação penal depende de inquérito policial relatado e encaminhado ao

órgão do Ministério Público.

d) Nos termos da lei, constitui abuso de autoridade submeter pessoa sob sua guar-

da ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei.

e) As testemunhas de acusação e defesa não poderão ser apresentadas em juízo,

já que é imprescindível sua intimação.

Questão 6    (FCC/TRT – 15ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2018) Segundo a Lei

de Abuso de Autoridade, as sanções administrativas que poderão ser aplicadas, de

acordo com a gravidade do abuso de autoridade, são, dentre outras,

a) Advertência, multa e repreensão.

b) Advertência, repreensão e demissão.

c) Advertência, detenção e multa.

d) Demissão, suspensão e reclusão.

e) Demissão, repreensão e reclusão.

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Questão 7    (FCC/TRF – 5ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2017) Genival, Delega-

do de Polícia Civil do Estado X, prende em flagrante delito Marcos, pelo crime de

estupro. Ao encarcerá-lo junto a outros detentos determina que Marcos passe a

noite despido, devolvendo-lhe suas vestes somente na manhã seguinte. De acordo

com a Lei n. 4.898 de 1965, sem prejuízo de outras sanções penais, Genival estará

sujeito a sanções

a) penal e disciplinar, sendo vedada a sanção civil.

b) administrativa, somente, por não ter observado as determinações em vigor para

encarceramento de detento.

c) civil, eximindo-se as demais sanções com a efetiva reparação dos danos morais

provocados.

d) penal, somente, que absorverá as sanções das demais esferas.

e) Administrativa, penal e civil.

Questão 8    (FCC/DPE-RS/TÉCNICO/2017) Um agente público de natureza civil, no

exercício de seu cargo, executou medida privativa da liberdade individual para um

cidadão, sem as formalidades legais. De acordo com a Lei n. 4.898/1965, esse

agente público está sujeito à sanção administrativa que

a) consistirá em multa de valor fixado pela legislação vigente; detenção por dez

dias a seis meses; perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer ou-

tra função pública por prazo até três anos.

b) consistirá no pagamento de uma indenização com valor prefixado pela legislação

vigente, caso não seja possível fixar o valor do dano.

c) será aplicada de acordo com a gravidade do abuso cometido, que poderá con-

sistir em advertência; repreensão; suspensão do cargo, função ou posto por prazo

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de 5 a 180 dias, com perda de vencimentos e vantagens; destituição de função;

demissão; demissão, a bem do serviço público.

d) poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória, de não poder o acusado

exercer funções de natureza policial ou militar no município em questão, por prazo

de um a cinco anos.

e) consistirá, dentre outros, em detenção de dez dias a um ano, pagamento de

uma indenização com valor prefixado pela legislação vigente e demissão, a bem do

serviço público.

Questão 9    (FCC/TRT – 24ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2017) Carlos exerce

cargo público de natureza civil, de forma transitória e sem remuneração. No exer-

cício do seu trabalho, cometeu atentado ao livre exercício do culto religioso. Por

isso, Carlos recebeu sanção administrativa legalmente determinada em função da

gravidade do abuso cometido, que consistiu em advertência. Considerando as dis-

posições da Lei n. 4.898/1965, Carlos

a) não é considerado autoridade, pois exerce seu cargo de forma transitória.

b) sofreu advertência por abuso de autoridade.

c) não é considerado autoridade, pois exerce seu cargo sem remuneração.

d) cometeu abuso de autoridade, mas a advertência não é sanção administrativa

prevista para o atentado cometido.

e) cometeu atentado que não caracteriza abuso de autoridade.

Questão 10    (FCC/MPE-PB/TÉCNICO MINISTERIAL/2015) Ricardo, engenheiro ci-

vil, era noivo de Maria e rompeu o relacionamento no final do ano de 2014. Maria

começou a namorar Pedro. Ricardo, inconformado com o término da relação com

Maria tornou-se desafeto de Pedro. Ricardo resolveu, então, solicitar para seu pri-

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mo Rodrigo, Policial Militar, abordar seu desafeto Pedro em plena via pública. No

mês de abril deste ano, quando saía para trabalhar, Pedro foi abordado e algemado

pelo Policial Militar Rodrigo, o qual realizou a busca pessoal e liberou Pedro algum

tempo depois. Pedro apresentou representação ao Ministério Público apontando

a prática de crime de abuso de autoridade prevista no artigo 4º, “a”, da Lei n.

4.898/1965 (“ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, sem as

formalidades legais ou com abuso de poder”). Neste caso, Ricardo

a) praticou crime de abuso de autoridade em coautoria com Rodrigo, e estará su-

jeito às penas de detenção por 10 dias a 6 meses, multa, além de inabilitação para

o exercício de função pública pelo prazo de até 3 anos, penas estas aplicadas de

forma autônoma ou cumulativa.

b) não praticou crime de abuso de autoridade em coautoria com Rodrigo, por se

tratar de crime próprio.

c) praticou crime de abuso de autoridade em coautoria com Rodrigo, e estará su-

jeito às penas de detenção por 10 dias a 6 meses, multa, além de inabilitação para

o exercício de função pública pelo prazo de até 3 anos, penas estas aplicadas obri-

gatoriamente de forma cumulativa.

d) praticou crime de abuso de autoridade em coautoria com Rodrigo, e estará su-

jeito às penas de detenção de 6 meses a 2 anos, multa, além de inabilitação para

o exercício de função pública pelo prazo de até 5 anos, penas estas aplicadas de

forma autônoma ou cumulativa.

e) praticou crime de abuso de autoridade em coautoria com Rodrigo, e estará su-

jeito às penas de detenção de 6 meses a 2 anos, multa, além de inabilitação para

o exercício de função pública pelo prazo de até 5 anos, penas estas aplicadas obri-

gatoriamente de forma cumulativa.

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Questão 11    (FCC/DPE-ES/DEFENSOR PÚBLICO/2016) A Lei Federal n. 4.898/1965

disciplina a responsabilidade em caso de abuso de autoridade. Tal diploma esta-

tui que:

a) O processo administrativo para apurar abuso de autoridade deve ser sobrestado

para o fim de aguardar a decisão da ação penal que apura a mesma conduta.

b) Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou militar,

de qualquer categoria, poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória, de não

poder o acusado exercer funções de natureza policial ou militar no município da

culpa, por prazo de um a cinco anos.

c) Dentre as sanções penais que podem ser aplicadas está a perda do cargo e a

inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por prazo de até

oito anos.

d) Constitui abuso de autoridade qualquer atentado ao exercício dos direitos sociais.

e) Considera-se autoridade, para os efeitos da referida lei, apenas quem exerce

cargo, emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar, de natureza per-

manente.

Questão 12    (FCC/TRT-1ª REGIÃO/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2015) Cons-

titui abuso de autoridade:

a) ordenar ou executar medida restritiva de liberdade individual, mesmo com as

formalidades legais ou com excesso de autoridade.

b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento,

mesmo que autorizado em lei.

c) cobrar o carcereiro ou agente de autoridade policial carceragem, custas, emolu-

mentos ou qualquer outra despesa, desde que a cobrança não tenha apoio em lei,

quer quanto à espécie, quer quanto ao seu valor.

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d) deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão, a busca e

apreensão ou detenção de qualquer pessoa.

e) prolongar a execução de prisão em flagrante ou preventiva, ou de medida de

segurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente

ordem de liberdade.

Questão 13    (FCC/TJ-AP/ANALISTA JUDICIÁRIO/2014) Com relação às sanções do

abuso de autoridade previstas na Lei n. 4.898/1965, considere o parágrafo 5º do

artigo 6º da Lei de Abuso de Autoridade.

Art. 6º (...)

§ 5º Quando o...... for cometido por agente de autoridade......,...... ou......, de

qualquer categoria, poderá ser cominada a pena...... ou......, de não poder o acusa-

do exercer funções de natureza policial ou militar no município da culpa, por prazo

de um a cinco anos.

Completa correta e, respectivamente, a disposição:

a) Crime – policial – civil – militar – alternativa – final.

b) abuso – federal – estadual – municipal – principal – autônoma.

c) crime – federal – portuária – rodoviária – autônoma – acessória.

d) abuso – federal – estadual – municipal – alternativa – de reclusão.

e) abuso – policial – civil – militar – autônoma – acessória.

Questão 14    (FCC/TRF-4ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2014) De acordo com a

Lei n. 4.898/1965 (Lei de Abuso de Autoridade),

a) o direito de representação será exercido por meio de petição e dirigido somente

ao órgão do Ministério Público que tiver competência para iniciar processo-crime

contra a autoridade culpada.

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b) é considerada autoridade, quem exerce cargo, emprego ou função pública, ape-

nas de natureza civil, ainda que transitoriamente e sem remuneração.

c) é considerada autoridade, quem exerce cargo, emprego ou função pública, de

natureza civil, ou militar, desde que remunerado.

d) o processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a

decisão de ação penal ou civil.

e) o direito de representação será exercido por meio de petição e dirigido somente

à autoridade que tiver competência legal para aplicar, à autoridade culpada, a res-

pectiva sanção.

Questão 15    (FCC/MPE-PA/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2014) A Lei Federal n. 4.898,

de 9 de dezembro de 1965, regula o direito de representação e o processo de res-

ponsabilidade administrativa, civil e penal, nos casos de abuso de autoridade. Tal

lei estatui que

a) dentre as penas cominadas no âmbito administrativo, está a de multa, limitada

ao valor máximo de 90 (noventa) dias de remuneração.

b) o processo administrativo de apuração de abuso de autoridade não poderá ser

sobrestado para o fim de aguardar a decisão da ação penal ou civil.

c) o direito de representação, no tocante à apuração da responsabilidade adminis-

trativa, será exercido por meio de petição à Chefia do Poder ao qual está subordi-

nada a autoridade administrativa representada.

d) constitui abuso de autoridade impedir o gozo, pelo cidadão, de serviços públicos

essenciais.

e) as sanções nela previstas não são aplicáveis aos militares, que possuem regime

de responsabilidade estabelecido em legislação especial.

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Questão 16    (VUNESP/TJM-SP/JUIZ DE DIREITO/2016) Analisando em conjunto as


Leis n. 4.898, de 9 de dezembro de 1965 e n. 7.960, de 21 de dezembro de 1989,
é correto afirmar que constitui abuso de autoridade
a) decretar a prisão temporária em despacho prolatado dentro do prazo de 24 (vin-
te e quatro) horas, contadas a partir do recebimento da representação.
b) prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de seguran-
ça, deixando de expedir em tempo oportuno ordem de liberdade.
c) executar a prisão temporária somente depois da expedição de mandado judicial.
d) decretar a prisão temporária pelo prazo de 5 (cinco) dias, e prorrogá-la por igual
período em caso de comprovada necessidade.
e) determinar a apresentação do preso temporário, solicitar informações e esclare-
cimentos da autoridade policial e submetê-lo a exame pericial.

Questão 17    (VUNESP/PC-SP/INVESTIGADOR DE POLÍCIA/2014) Hércules, dele-


gado de polícia, efetuou uma prisão em flagrante delito, mas deixou de comunicar
ao juiz competente, de imediato, a prisão da pessoa, mesmo estando obrigado a
fazê-lo. Segundo as leis brasileiras, essa omissão de Hércules constitui crime de
a) Omissão delituosa.
b) Tortura.
c) Omissão de socorro.
d) Abuso de autoridade.
e) Usurpação de poder.

Questão 18    (VUNESP/SPTRANS/ADVOGADO/2012) De acordo com a Lei


n. 4.898/1965 (Abuso de Autoridade), é correto afirmar que
a) a pena administrativa mais grave é a destituição da função.
b) o processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a
decisão da ação penal ou civil.

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c) a sanções penais de multa, detenção e perda do cargo não podem ser aplicadas

cumulativamente.

d) é imprescindível a apuração dos fatos por inquérito policial para ajuizamento da

ação penal.

e) não é admitida a ação privada, ainda que inerte o órgão do Ministério Público no

que tange ao ajuizamento de ação penal.

Questão 19    (IADES/METRÔ-DF/SEGURANÇA METROFERROVIÁRIO/2014) Acerca

da Lei n. 4.898/1965, assinale a alternativa correta.

a) Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou militar,

de qualquer categoria, não poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória,

de poder o acusado exercer funções de natureza policial ou militar no município da

culpa, por prazo de um a cinco anos.

b) Não existindo no município, no Estado ou na legislação militar normas regulado-

ras do inquérito administrativo, serão aplicadas, alternativamente, as disposições

dos arts. 219 a 225 da Lei n. 1.711/1952 (Estatuto dos Funcionários Públicos Civis

da União).

c) O processo administrativo poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a deci-

são da ação penal ou civil.

d) À ação civil serão aplicáveis as normas do Código Civil brasileiro.

e) A ação penal será iniciada, independentemente de inquérito policial ou justificação

por denúncia do Ministério Público, instruída com a representação da vítima do abuso.

Questão 20    (CONSULPLAN/TRF – 2ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO/2017) Sobre

a Lei de Abuso de Autoridade (Lei n. 4.898, de 9 de dezembro de 1965), analise as

afirmativas a seguir.

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I – Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou mi-

litar, de qualquer categoria, poderá ser cominada a pena autônoma ou aces-

sória, de não poder o acusado exercer funções de natureza policial ou militar

no município da culpa, por prazo de um a três anos.

II – Considera-se autoridade, para os efeitos da lei de abuso de autoridade, quem

exerce cargo, emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda

que transitoriamente e sem remuneração.

III – A ação penal será iniciada, independentemente de inquérito policial ou justi-

ficação por denúncia do Ministério Público, instruída com a representação da

vítima do abuso.

Estão corretas as afirmativas

a) I, II e III.

b) III, apenas.

c) I e II, apenas.

d) II e III, apenas.

Questão 21    (CONSULPLAN/TRF – 2ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO/2017) “De

acordo com a Lei de Abuso de Autoridade, apresentada ao Ministério Público a re-

presentação da vítima, aquele, no prazo de ___________, denunciará o réu, desde

que o fato narrado constitua abuso de autoridade, e requererá ao Juiz a sua cita-

ção, e, bem assim, a designação de audiência de instrução e julgamento”. Assinale

a alternativa que completa corretamente a afirmativa anterior.

a) 24 horas.

b) 48 horas.

c) 5 dias.

d) 10 dias.

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Questão 22    (CONSULPLAN/TRF – 2ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO/2017) De

acordo com a Lei n. 4.898, de 9 de dezembro de 1965, o abuso de autoridade su-

jeitará o seu autor à sanção administrativa civil e penal. A sanção administrativa

será aplicada de acordo com a gravidade do abuso cometido e NÃO consistirá em:

a) Advertência.

b) Repreensão.

c) Demissão, a bem do serviço público.

d) Suspensão do cargo, função ou posto por prazo de trinta a trezentos e sessenta

dias, com perdas de vencimentos e vantagens.

Questão 23    (FUNDATEC/SUSEPE-RS/AGENTE PENITENCIÁRIO/2014) Quem exer-

ce cargo, emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que tran-

sitoriamente e sem remuneração, e praticar um ato considerado abuso de autori-

dade será sancionado administrativamente de acordo com a gravidade do abuso

cometido. Qual alternativa NÃO é considerada sanção administrativa prevista na

Lei Federal n. 4.898/1965, que regula o direito de representação e o processo de

responsabilidade administrativa civil e penal, nos casos de abuso de autoridade?

a) Advertência.

b) Multa.

c) Repreensão.

d) Demissão, a bem do serviço público.

e) Destituição da função.

Questão 24    (FUNCAB/PC-PA/DELEGADO DE POLÍCIA/2016) Cuida a Lei n. 4.898,

de 1965, do direito de representação e do processo de responsabilidade adminis-

trativa, civil e penal, nos casos de abuso de autoridade. Sobre o tema, analise as

assertivas a seguir e assinale a correta.

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a) Os crimes do art. 3º da Lei n. 4.898 são classificados como delitos de mão própria.

b) O abuso de autoridade praticado por militar em serviço é da competência da

Justiça Militar, estadual ou federal.

c) Aos crimes previstos na Lei n. 4.898 não se aplica o instituto da transação penal,

contemplado pelo art. 76 da Lei n. 9.099.

d) Sequer excepcionalmente os crimes previstos na Lei n. 4.898 admitem a moda-

lidade culposa.

e) Somente será considerado autoridade para a finalidade de aplicação da Lei n.

4898 o ocupante remunerado de cargo, emprego ou função pública, de natureza

civil ou militar.

Questão 25    (OBJETIVA/SESCOOP/ASSESSOR JURÍDICO/2015) Em conformidade

com a Lei n. 4.898/1965, constitui abuso de autoridade:

I – Ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, sem as forma-

lidades legais ou com abuso de poder.

II – Qualquer atentado à liberdade de locomoção, à inviolabilidade do domicílio,

excetuando-se à liberdade de associação.

III – Deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou deten-

ção de qualquer pessoa.

Está(ão) CORRETO(S):

a) Somente os itens II e III.

b) Somente os itens I e III.

c) Somente o item I.

d) Todos os itens.

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Questão 26    (CESPE/PC-SE/DELEGADO DE POLÍCIA/2018) Situação hipotética:

Uma autoridade policial prolongou, sem autorização judicial, a execução de prisão

temporária de um indiciado, o que levou a defesa deste a representá-la criminal-

mente por abuso de autoridade, mediante petição dirigida à autoridade superior.

Assertiva: Nessa situação, a representação é condição de procedibilidade para a

aplicação das sanções penais correspondentes.

Questão 27    (CESPE/DPF/DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL/2018) Eventual ato de

delegado da PF de impedir advogado de assistir seu cliente em interrogatório con-

figuraria crime de abuso de autoridade.

Questão 28    (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) Havendo dúvidas

quanto à possibilidade de condenação na esfera criminal, o processo administrati-

vo deve ser suspenso até o fim da ação penal, no intuito de se evitarem decisões

conflitantes.

Questão 29    (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) A representação da

vítima do abuso, mesmo que desacompanhada de inquérito policial, é documento

hábil para subsidiar a denúncia do Ministério Público e iniciar a ação penal.

Questão 30    (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) As sanções penais

previstas para o delito de abuso de autoridade incluem multa e detenção e podem

ser aplicadas autônoma ou cumulativamente.

Questão 31    (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) Nos termos da lei,

é possível a responsabilização civil, hipótese em que a sanção consistirá no paga-

mento do valor do dano cumulado com quantia indenizatória arbitrada pelo juiz.

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Questão 32    (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) As sanções adminis-

trativas previstas para o crime de abuso de autoridade aplicam-se de acordo com

a gravidade da conduta praticada e incluem a perda do cargo e a inabilitação para

o exercício de qualquer outra função pública pelo prazo legal.

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GABARITO
1. e 25. b

2. a 26. E

3. c 27. C

4. a 28. E

5. d 29. C

6. b 30. C

7. e 31. E

8. c 32. E

9. b

10. a

11. b

12. c

13. e

14. d

15. b

16. b

17. d

18. b

19. e

20. d

21. b

22. d

23. b

24. d

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GABARITO COMENTADO
Questão 1    (AOCP/SUSIPE-PA/AGENTE PRISIONAL/2018) De acordo com o que

disciplina a Lei n. 4.898/1965 acerca dos casos de Ação Penal em face de abuso de

autoridade, após recebida a denúncia, o Juiz despachará, recebendo-a ou rejeitan-

do-a, no prazo de

a) 5 dias.

b) 3 dias.

c) 24 horas.

d) 36 horas.

e) 48 horas.

Letra e.

Essa é daquelas questões que resolveríamos com a leitura da lei seca, demonstran-

do a importância desse hábito para o nosso sucesso nas provas. Vejamos o disposto

no artigo 17 da lei:

Art. 17. Recebidos os autos, o Juiz, dentro do prazo de quarenta e oito horas, pro-
ferirá despacho, recebendo ou rejeitando a denúncia.

Então, com a leitura do artigo 17, temos como resposta o prazo de 48 horas.

Questão 2    (AOCP/SUSIPE-PA/AGENTE PRISIONAL/2018) De acordo com as dis-

posições contidas na Lei n. 4.898/1965, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o

que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.

 (  ) As testemunhas de acusação e defesa deverão ser previamente intimadas.

 (  ) A hora marcada, o Juiz mandará que o porteiro dos auditórios ou o oficial de

justiça declare aberta a audiência, apregoando em seguida o réu, as testemu-

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nhas, o perito, o representante do Ministério Público ou o advogado que tenha

subscrito a queixa e o advogado ou defensor do réu.

 (  ) A audiência de instrução e julgamento será sempre pública e realizar-se-á em

dia útil, entre nove (09) e dezoito (18) horas, na sede do Juízo ou, excepcio-

nalmente, no local que o Juiz designar.

 (  ) Nas comarcas onde os meios de transporte forem difíceis e não permitirem a

observância dos prazos fixados nesta lei, o juiz poderá aumentá-los, indepen-

dentemente de motivação, até a metade.

a) F-V-F-F.

b) V-F-V-F.

c) F-F-F-V.

d) F-V-F-V.

e) V-F-F-F.

Letra a.

Veja que essa prova de agente prisional cobrou mais a parte processual da lei.

Como vimos em nossa aula, em regra, a parte processual seguirá o rito da Lei n.

9.099/1995, mas a parte processual da própria lei não foi revogada e não deve ser

deixada de lado a sua leitura.

Veremos que não fugiremos muito da literalidade da lei. O primeiro item é falso,

porque, conforme o artigo 18, as testemunhas de acusação e defesa poderão ser

apresentadas em juízo, independentemente de intimação.

Já o item seguinte está verdadeiro, exatamente porque o examinador “copiou e

colou” o artigo 19 da lei, vejamos:

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Art. 19. A hora marcada, o Juiz mandará que o porteiro dos auditórios ou o oficial de
justiça declare aberta a audiência, apregoando em seguida o réu, as testemunhas, o pe-
rito, o representante do Ministério Público ou o advogado que tenha subscrito a queixa
e o advogado ou defensor do réu.

Seguindo a ideia de copiar e colar os artigos, o examinador nos trouxe agora o ar-

tigo 21, porém com a afirmação de que a audiência sempre será pública, o que não

é verdade, conforme dispôs o legislador.

Art. 21. A audiência de instrução e julgamento será pública, se contrariamente não


dispuser o Juiz, e realizar-se-á em dia útil, entre dez (10) e dezoito (18) horas, na
sede do Juízo ou, excepcionalmente, no local que o Juiz designar.

Por fim, recorrendo ao artigo 27, o examinador afirmou que o juiz não precisará

motivar o aumento dos prazos e trouxe o aumento até a metade, sendo que a lei

traz até o dobro.

Art. 27. Nas comarcas onde os meios de transporte forem difíceis e não permitirem a
observância dos prazos fixados nesta lei, o juiz poderá aumentá-las, sempre moti-
vadamente, até o dobro.

Temos então, F-V-F-F.

Questão 3    (AOCP/SUSIPE-PA/AGENTE PRISIONAL/2018) De acordo com a Lei n.

4.898/1965, quando o abuso de autoridade for cometido por agente de autoridade

policial, civil ou militar, de qualquer categoria, poderá ser cominada a pena autôno-

ma ou acessória, de não poder o acusado exercer funções de natureza policial ou

militar no município da culpa, pelo prazo de

a) Dois a seis meses.

b) Três a oito anos.

c) Um a cinco anos.

d) Seis meses a seis anos.

e) Um a seis anos.

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Letra c.

Veja que essas são questões recentes, todas de 2018, da nossa banca, e que vie-

ram cobrando a letra da lei. Essa é uma questão mais comum de ser cobrada, até

mesmo por se tratar de concurso para a carreira policial.

Conforme prevê o art. 6º, § 5º:

Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou militar, de
qualquer categoria, poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória, de não poder
o acusado exercer funções de natureza policial ou militar no município da culpa, por
prazo de um a cinco anos.

Questão 4    (VUNESP/PC-SP/INVESTIGADOR DE POLÍCIA/2018) Nos termos da Lei

n. 4.898/1965 (Lei de Abuso de Autoridade), é correto afirmar:

a) o processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a

decisão da ação penal ou civil.

b) o direito de representação será exercido por meio de petição dirigida exclusiva-

mente ao Ministério Público.

c) não constitui abuso de autoridade deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de

prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada.

d) não contempla qualquer sanção administrativa.

e) a legislação possui penal de reclusão para determinadas modalidades de abuso.

Letra a.

a) Certa. Essa é a exata previsão do artigo 7º, § 3º: “O processo administrativo

não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a decisão da ação penal ou civil”.

b) Errada. Conforme prevê o artigo 2º da lei, o direito de representação poderá

ser exercido por meio de petição dirigida à autoridade superior que tiver compe-

tência legal para aplicar, à autoridade civil ou militar culpada, à respectiva sanção

ou ao Ministério Público.

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c) Errada. Temos a previsão no artigo 4º, “d”, que constitui abuso de autoridade

deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja

comunicada.

d) Errada. Temos no artigo 6º, § 1º, quais seriam as sanções administrativas para

o delito de abuso de autoridade.

e) Errada. O artigo 6º, § 3º, traz a previsão das sanções penais, e, dentre elas,

não temos a pena de reclusão, somente multa, detenção e perda e inabilitação do

cargo.

Questão 5    (VUNESP/PC-BA/INVESTIGADOR/2018) A Lei n. 4.898/1965 regula o

Direito de Representação e o processo de Responsabilidade Administrativa Civil e

Penal, nos casos de abuso de autoridade. Acerca de referida lei, assinale a alterna-

tiva correta.

a) Para os efeitos da Lei, considera-se autoridade quem exerce cargo, emprego ou

função pública, de natureza civil ou militar apenas de forma permanente e remu-

nerada.

b) Caso haja necessidade de se aguardar decisão de ação penal ou civil, o processo

administrativo poderá ser sobrestado.

c) O início da ação penal depende de inquérito policial relatado e encaminhado ao

órgão do Ministério Público.

d) Nos termos da lei, constitui abuso de autoridade submeter pessoa sob sua guar-

da ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei.

e) As testemunhas de acusação e defesa não poderão ser apresentadas em juízo,

já que é imprescindível sua intimação.

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Letra d.

a) Errada. Conforme o artigo 5º,

Considera-se autoridade, para os efeitos desta lei, quem exerce cargo, emprego ou
função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que transitoriamente e sem re-
muneração.

b) Errada. O processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de


aguardar a decisão da ação penal ou civil.
c) Errada. A ação penal será iniciada independentemente de inquérito policial.
A denúncia do MP poderá ser embasada na representação da vítima de abuso.
d) Certa. Conforme previsão do artigo 4º, “b”, constitui abuso de autoridade sub-
meter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não
autorizado em lei.
e) Errada. As testemunhas de acusação e defesa poderão ser apresentadas em
juízo independentemente de intimação.

Questão 6    (FCC/TRT – 15ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2018) Segundo a Lei


de Abuso de Autoridade, as sanções administrativas que poderão ser aplicadas, de
acordo com a gravidade do abuso de autoridade, são, dentre outras,
a) Advertência, multa e repreensão.
b) Advertência, repreensão e demissão.
c) Advertência, detenção e multa.
d) Demissão, suspensão e reclusão.
e) Demissão, repreensão e reclusão.

Letra b.
As sanções administrativas estão previstas no artigo 6º, § 1º, e constituem em:

a) advertência;
b) repreensão;

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c) suspensão do cargo, função ou posto por prazo de cinco a cento e oitenta dias, com
perda de vencimentos e vantagens;
d) destituição de função;
e) demissão;
f) demissão, a bem do serviço público.

Dessa forma, temos como resposta a letra “b”.

Questão 7    (FCC/TRF – 5ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2017) Genival, Delega-


do de Polícia Civil do Estado X, prende em flagrante delito Marcos, pelo crime de
estupro. Ao encarcerá-lo junto a outros detentos determina que Marcos passe a
noite despido, devolvendo-lhe suas vestes somente na manhã seguinte. De acordo
com a Lei n. 4.898 de 1965, sem prejuízo de outras sanções penais, Genival estará
sujeito a sanções
a) penal e disciplinar, sendo vedada a sanção civil.
b) administrativa, somente, por não ter observado as determinações em vigor para
encarceramento de detento.
c) civil, eximindo-se as demais sanções com a efetiva reparação dos danos morais
provocados.
d) penal, somente, que absorverá as sanções das demais esferas.
e) Administrativa, penal e civil.

Letra e.
O caput do artigo 6º nos traz que “o abuso de autoridade sujeitará o seu autor à
sanção administrativa civil e penal”.

Questão 8    (FCC/DPE-RS/TÉCNICO/2017) Um agente público de natureza civil, no


exercício de seu cargo, executou medida privativa da liberdade individual para um
cidadão, sem as formalidades legais. De acordo com a Lei n. 4.898/1965, esse
agente público está sujeito à sanção administrativa que

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a) consistirá em multa de valor fixado pela legislação vigente; detenção por dez
dias a seis meses; perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer ou-
tra função pública por prazo até três anos.
b) consistirá no pagamento de uma indenização com valor prefixado pela legislação
vigente, caso não seja possível fixar o valor do dano.
c) será aplicada de acordo com a gravidade do abuso cometido, que poderá con-
sistir em advertência; repreensão; suspensão do cargo, função ou posto por prazo
de 5 a 180 dias, com perda de vencimentos e vantagens; destituição de função;
demissão; demissão, a bem do serviço público.
d) poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória, de não poder o acusado
exercer funções de natureza policial ou militar no município em questão, por prazo
de um a cinco anos.
e) consistirá, dentre outros, em detenção de dez dias a um ano, pagamento de
uma indenização com valor prefixado pela legislação vigente e demissão, a bem do
serviço público.

Letra c.
Como vimos nas questões anteriores, o artigo 6º nos traz a previsão das sanções,
sejam civis, penais ou administrativas.
O § 1º apresenta as sanções administrativas, vejamos:

§ 1º A sanção administrativa será aplicada de acordo com a gravidade do abuso come-
tido e consistirá em:
a) advertência;
b) repreensão;
c) suspensão do cargo, função ou posto por prazo de cinco a cento e oitenta dias, com
perda de vencimentos e vantagens;
d) destituição de função;
e) demissão;
f) demissão, a bem do serviço público.

Dos itens apresentados pelo examinador, o único que apresenta as opções elenca-
das no artigo 6º, § 1º, é a letra “c”.

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Questão 9    (FCC/TRT – 24ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2017) Carlos exerce

cargo público de natureza civil, de forma transitória e sem remuneração. No exer-

cício do seu trabalho, cometeu atentado ao livre exercício do culto religioso. Por

isso, Carlos recebeu sanção administrativa legalmente determinada em função da

gravidade do abuso cometido, que consistiu em advertência. Considerando as dis-

posições da Lei n. 4.898/1965, Carlos

a) não é considerado autoridade, pois exerce seu cargo de forma transitória.

b) sofreu advertência por abuso de autoridade.

c) não é considerado autoridade, pois exerce seu cargo sem remuneração.

d) cometeu abuso de autoridade, mas a advertência não é sanção administrativa

prevista para o atentado cometido.

e) cometeu atentado que não caracteriza abuso de autoridade.

Letra b.

a) Errada. Considera-se autoridade, para os efeitos da lei, quem exerce cargo,

emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que transitoria-

mente e sem remuneração.

b) Certa. A advertência é uma das sanções administrativas previstas na lei.

c) Errada. Considera-se autoridade, para os efeitos da lei, quem exerce cargo,

emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que transitoriamente

e sem remuneração.

d) Errada. A advertência é sim uma das sanções administrativas, estando presen-

te no artigo 6º, § 1º, “a”.

e) Errada. O atentado contra o livre exercício de culto religioso constitui abuso de

autoridade.

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Questão 10    (FCC/MPE-PB/TÉCNICO MINISTERIAL/2015) Ricardo, engenheiro ci-

vil, era noivo de Maria e rompeu o relacionamento no final do ano de 2014. Maria

começou a namorar Pedro. Ricardo, inconformado com o término da relação com

Maria tornou-se desafeto de Pedro. Ricardo resolveu, então, solicitar para seu pri-

mo Rodrigo, Policial Militar, abordar seu desafeto Pedro em plena via pública. No

mês de abril deste ano, quando saía para trabalhar, Pedro foi abordado e algemado

pelo Policial Militar Rodrigo, o qual realizou a busca pessoal e liberou Pedro algum

tempo depois. Pedro apresentou representação ao Ministério Público apontando

a prática de crime de abuso de autoridade prevista no artigo 4º, “a”, da Lei n.

4.898/1965 (“ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, sem as

formalidades legais ou com abuso de poder”). Neste caso, Ricardo

a) praticou crime de abuso de autoridade em coautoria com Rodrigo, e estará su-

jeito às penas de detenção por 10 dias a 6 meses, multa, além de inabilitação para

o exercício de função pública pelo prazo de até 3 anos, penas estas aplicadas de

forma autônoma ou cumulativa.

b) não praticou crime de abuso de autoridade em coautoria com Rodrigo, por se

tratar de crime próprio.

c) praticou crime de abuso de autoridade em coautoria com Rodrigo, e estará su-

jeito às penas de detenção por 10 dias a 6 meses, multa, além de inabilitação para

o exercício de função pública pelo prazo de até 3 anos, penas estas aplicadas obri-

gatoriamente de forma cumulativa.

d) praticou crime de abuso de autoridade em coautoria com Rodrigo, e estará su-

jeito às penas de detenção de 6 meses a 2 anos, multa, além de inabilitação para

o exercício de função pública pelo prazo de até 5 anos, penas estas aplicadas de

forma autônoma ou cumulativa.

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e) praticou crime de abuso de autoridade em coautoria com Rodrigo, e estará su-

jeito às penas de detenção de 6 meses a 2 anos, multa, além de inabilitação para

o exercício de função pública pelo prazo de até 5 anos, penas estas aplicadas obri-

gatoriamente de forma cumulativa.

Letra a.

Essa questão não é tão atual, mas está bem contextualizada. Que o policial militar

cometeu crime de abuso de autoridade, é possível perceber, né?

Agora, e Ricardo? Temos a participação de Ricardo como coautor e, portanto, ele

também responderá por abuso de autoridade.

O § 3º do artigo 6º afirma que a sanção penal consiste em:

a) multa de cem a cinco mil cruzeiros;


b) detenção por dez dias a seis meses;
c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por
prazo até três anos.

Questão 11    (FCC/DPE-ES/DEFENSOR PÚBLICO/2016) A Lei Federal n. 4.898/1965

disciplina a responsabilidade em caso de abuso de autoridade. Tal diploma esta-

tui que:

a) O processo administrativo para apurar abuso de autoridade deve ser sobrestado

para o fim de aguardar a decisão da ação penal que apura a mesma conduta.

b) Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou militar,

de qualquer categoria, poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória, de não

poder o acusado exercer funções de natureza policial ou militar no município da

culpa, por prazo de um a cinco anos.

c) Dentre as sanções penais que podem ser aplicadas está a perda do cargo e a

inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por prazo de até

oito anos.

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d) Constitui abuso de autoridade qualquer atentado ao exercício dos direitos so-

ciais.

e) Considera-se autoridade, para os efeitos da referida lei, apenas quem exerce

cargo, emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar, de natureza per-

manente.

Letra b.

Veja, meu(minha) querido(a), que mesmo numa prova de Defensor Público o exa-

minador não mudou muito a forma de cobrar o assunto.

a) Errada. O processo administrativo não poderá ser sobrestado para aguardar a

decisão penal ou civil.

b) Certa. Traz exatamente o previsto no artigo 6º, § 5º.

c) Errada. Nesse item, o examinador trocou o prazo para a inabilitação em outro

cargo, mudando de “três anos” para “oito anos”.

d) Errada. Como ele afirma que é um atentado, deveria estar no rol trazido pelo

artigo 3º, porém a lei não tutelou os direitos sociais nesse artigo.

e) Errada. As autoridades são consideradas ainda que exerçam o cargo de forma

transitória, ou seja, não se exige que seja de forma permanente o exercício do

cargo.

Questão 12    (FCC/TRT-1ª REGIÃO/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2015) Cons-

titui abuso de autoridade:

a) ordenar ou executar medida restritiva de liberdade individual, mesmo com as

formalidades legais ou com excesso de autoridade.

b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento,

mesmo que autorizado em lei.

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c) cobrar o carcereiro ou agente de autoridade policial carceragem, custas, emolu-

mentos ou qualquer outra despesa, desde que a cobrança não tenha apoio em lei,

quer quanto à espécie, quer quanto ao seu valor.

d) deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão, a busca e

apreensão ou detenção de qualquer pessoa.

e) prolongar a execução de prisão em flagrante ou preventiva, ou de medida de

segurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente

ordem de liberdade.

Letra c.

a) Errada. Veja que o examinador afirmou no item que seria abuso de autoridade

mesmo com as formalidades legais, entretanto, nesse caso, não seria abuso.

b) Errada. Constitui abuso submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame

ou a constrangimento não autorizado em lei.

c) Certa.

Professor, foi falado em nossa aula que as alíneas “f” e “g” do artigo 4º não teriam

aplicação, então esse item está errado.

Mais ou menos, meu(minha) querido(a). Realmente, essas alíneas não se aplicam,

porém, ainda estão presentes na lei, e alguns examinadores maldosos, ou até mes-

mo desavisados, podem cobrar esse conhecimento em nossa prova. Eu particular-

mente não concordo, mas temos que estar pronto para a guerra.

d) Errada. A lei não fala na falta de comunicação da busca e apreensão, somente

da prisão e da detenção.

e) Errada. Mais uma vez o examinador trocou algumas palavras para tentar te

confundir. A lei fala em prisão temporária, e não em prisão em flagrante, portanto

o item está incorreto.

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Questão 13    (FCC/TJ-AP/ANALISTA JUDICIÁRIO/2014) Com relação às sanções do

abuso de autoridade previstas na Lei n. 4.898/1965, considere o parágrafo 5º do

artigo 6º da Lei de Abuso de Autoridade.

Art. 6º (...)

§ 5º Quando o...... for cometido por agente de autoridade......,...... ou......, de

qualquer categoria, poderá ser cominada a pena...... ou......, de não poder o acusa-

do exercer funções de natureza policial ou militar no município da culpa, por prazo

de um a cinco anos.

Completa correta e, respectivamente, a disposição:

a) Crime – policial – civil – militar – alternativa – final.

b) abuso – federal – estadual – municipal – principal – autônoma.

c) crime – federal – portuária – rodoviária – autônoma – acessória.

d) abuso – federal – estadual – municipal – alternativa – de reclusão.

e) abuso – policial – civil – militar – autônoma – acessória.

Letra e.

Esse é aquele tipo de questão que favorece aos candidatos que decoraram os arti-

gos. Não gosto desse tipo de questão, mas poderá cair em sua prova, uma vez que

as bancas são bem parecidas.

O examinador quer exatamente a literalidade da lei.

§ 5º Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou militar,
de qualquer categoria, poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória, de não
poder o acusado exercer funções de natureza policial ou militar no município da culpa,
por prazo de um a cinco anos.

Questão 14    (FCC/TRF-4ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2014) De acordo com a

Lei n. 4.898/1965 (Lei de Abuso de Autoridade),

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a) o direito de representação será exercido por meio de petição e dirigido somente

ao órgão do Ministério Público que tiver competência para iniciar processo-crime

contra a autoridade culpada.

b) é considerada autoridade, quem exerce cargo, emprego ou função pública, ape-

nas de natureza civil, ainda que transitoriamente e sem remuneração.

c) é considerada autoridade, quem exerce cargo, emprego ou função pública, de

natureza civil, ou militar, desde que remunerado.

d) o processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a

decisão de ação penal ou civil.

e) o direito de representação será exercido por meio de petição e dirigido somente

à autoridade que tiver competência legal para aplicar, à autoridade culpada, a res-

pectiva sanção.

Letra d.

As questões podem até parecer repetidas, mas não são. Essa é uma nova questão,

cobrando assuntos de uma forma muito semelhante a que temos respondido até

agora.

A questão correta é a letra “d”, que afirma que o processo administrativo não po-

derá ser sobrestado para o fim de aguardar a decisão de ação penal ou civil, exa-

tamente como consta no art. 7º, § 3º.

Questão 15    (FCC/MPE-PA/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2014) A Lei Federal n. 4.898,

de 9 de dezembro de 1965, regula o direito de representação e o processo de res-

ponsabilidade administrativa, civil e penal, nos casos de abuso de autoridade. Tal

lei estatui que

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a) dentre as penas cominadas no âmbito administrativo, está a de multa, limitada

ao valor máximo de 90 (noventa) dias de remuneração.

b) o processo administrativo de apuração de abuso de autoridade não poderá ser

sobrestado para o fim de aguardar a decisão da ação penal ou civil.

c) o direito de representação, no tocante à apuração da responsabilidade adminis-

trativa, será exercido por meio de petição à Chefia do Poder ao qual está subordi-

nada a autoridade administrativa representada.

d) constitui abuso de autoridade impedir o gozo, pelo cidadão, de serviços públicos

essenciais.

e) as sanções nela previstas não são aplicáveis aos militares, que possuem regime

de responsabilidade estabelecido em legislação especial.

Letra b.

Eu sempre gosto de afirmar a importância da resolução de exercícios. Veja que,

numa prova de Promotor de Justiça, com um elevado grau de dificuldade, a ques-

tão cobrada é semelhante a diversas outras questões que já resolvemos aqui.

O examinador, mais uma vez, queria saber se o(a) candidato(a) conhecia o art. 7º,

§ 3º, e como você já leu sobre ele aqui diversas vezes, acertaria esse item e se

tornaria Promotor de Justiça.

Questão 16    (VUNESP/TJM-SP/JUIZ DE DIREITO/2016) Analisando em conjunto as

Leis n. 4.898, de 9 de dezembro de 1965 e n. 7.960, de 21 de dezembro de 1989,

é correto afirmar que constitui abuso de autoridade

a) decretar a prisão temporária em despacho prolatado dentro do prazo de 24 (vin-

te e quatro) horas, contadas a partir do recebimento da representação.

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b) prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de seguran-

ça, deixando de expedir em tempo oportuno ordem de liberdade.

c) executar a prisão temporária somente depois da expedição de mandado judicial.

d) decretar a prisão temporária pelo prazo de 5 (cinco) dias, e prorrogá-la por igual

período em caso de comprovada necessidade.

e) determinar a apresentação do preso temporário, solicitar informações e esclare-

cimentos da autoridade policial e submetê-lo a exame pericial.

Letra b.

Eu sei que estamos em nossa aula sobre a Lei de Abuso de Autoridade, e não sobre

prisão temporária, que nem é objeto de cobrança em sua prova, porém não preci-

samos conhecer a Lei n. 7.960/1989 para respondermos nossa questão.

A Lei n. 4.898/1965, em seu artigo 4º, alínea “i”, traz a seguinte previsão:

Art. 4º
i) prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de segurança, dei-
xando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade.

Veja que o examinador costuma cobrar a letra da lei.

Questão 17    (VUNESP/PC-SP/INVESTIGADOR DE POLÍCIA/2014) Hércules, dele-

gado de polícia, efetuou uma prisão em flagrante delito, mas deixou de comunicar

ao juiz competente, de imediato, a prisão da pessoa, mesmo estando obrigado a

fazê-lo. Segundo as leis brasileiras, essa omissão de Hércules constitui crime de

a) Omissão delituosa.

b) Tortura.

c) Omissão de socorro.

d) Abuso de autoridade.

e) Usurpação de poder.

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Letra d.

Na lei de abuso de autoridade temos a seguinte previsão no artigo 4º, “c”.

Art. 4º
c) deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou detenção de
qualquer pessoa;

Portanto, Hércules cometeu crime de abuso de autoridade.

Questão 18    (VUNESP/SPTRANS/ADVOGADO/2012) De acordo com a Lei

n. 4.898/1965 (Abuso de Autoridade), é correto afirmar que

a) a pena administrativa mais grave é a destituição da função.

b) o processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a

decisão da ação penal ou civil.

c) a sanções penais de multa, detenção e perda do cargo não podem ser aplicadas

cumulativamente.

d) é imprescindível a apuração dos fatos por inquérito policial para ajuizamento da

ação penal.

e) não é admitida a ação privada, ainda que inerte o órgão do Ministério Público no

que tange ao ajuizamento de ação penal.

Letra b.

a) Errada. Como sanção administrativa, temos a pena de demissão, portanto,

a destituição da função não é a mais grave.

b) Certa. Conforme prevê o artigo 7º, § 3º, “O processo administrativo não poderá

ser sobrestado para o fim de aguardar a decisão da ação penal ou civil”.

c) Errada. As sanções penais poderão ser aplicadas de forma autônoma ou cumu-

lativa.

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d) Errada. A ação penal será iniciada independentemente do Inquérito Policial,

podendo o MP denunciar com base na representação da vítima de abuso.

e) Errada. Se o MP não oferecer a denúncia no prazo fixado em lei, será admitida

ação privada.

Questão 19    (IADES/METRÔ-DF/SEGURANÇA METROFERROVIÁRIO/2014) Acerca

da Lei n. 4.898/1965, assinale a alternativa correta.

a) Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou militar,

de qualquer categoria, não poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória,

de poder o acusado exercer funções de natureza policial ou militar no município da

culpa, por prazo de um a cinco anos.

b) Não existindo no município, no Estado ou na legislação militar normas regulado-

ras do inquérito administrativo, serão aplicadas, alternativamente, as disposições

dos arts. 219 a 225 da Lei n. 1.711/1952 (Estatuto dos Funcionários Públicos Civis

da União).

c) O processo administrativo poderá ser sobrestado para o fim de aguardar a deci-

são da ação penal ou civil.

d) À ação civil serão aplicáveis as normas do Código Civil brasileiro.

e) A ação penal será iniciada, independentemente de inquérito policial ou justifi-

cação por denúncia do Ministério Público, instruída com a representação da vítima

do abuso.

Letra e.

Vamos aos comentários dos nossos itens. Você perceberá que a banca gosta de

trocar palavras na letra da lei, tornando o item incorreto.

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a) Errada.

Art. 6º § 5º Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou mi-
litar, de qualquer categoria, poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória,
de não poder o acusado exercer funções de natureza policial ou militar no município da
culpa, por prazo de um a cinco anos.

b) Errada.

Art. 7º § 2º não existindo no município no Estado ou na legislação militar normas re-
guladoras do inquérito administrativo serão aplicadas supletivamente, as disposições
dos arts. 219 a 225 da Lei n. 1.711, de 28 de outubro de 1952 (Estatuto dos Funcioná-
rios Públicos Civis da União).

c) Errada. Comentamos sobre isso em nossa aula. O processo administrativo não

poderá ser sobrestado para aguardar o resultado das demais esferas.

Art. 7º § 3º O processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim de
aguardar a decisão da ação penal ou civil.

d) Errada. O artigo 11 traz a previsão do Código de Processo Civil, e não do Código

Civil, como afirmou o examinador.

e) Certa. Para terminar, o examinador colocou a cópia fiel do artigo 12 da lei.

A ação penal será iniciada, independentemente de inquérito policial ou justificação por


denúncia do Ministério Público, instruída com a representação da vítima do abuso.

Eu, particularmente, acho que esse tipo de questão não mede conhecimento do(a)

candidato(a), porém, algumas bancas, como a IADES, gostam desse tipo de questão.

Então eu volto a dizer, é muito importante que você leia a “lei seca” para nossa

prova.

Questão 20    (CONSULPLAN/TRF – 2ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO/2017) Sobre

a Lei de Abuso de Autoridade (Lei n. 4.898, de 9 de dezembro de 1965), analise as

afirmativas a seguir.

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I – Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou mi-

litar, de qualquer categoria, poderá ser cominada a pena autônoma ou aces-

sória, de não poder o acusado exercer funções de natureza policial ou militar

no município da culpa, por prazo de um a três anos.

II – Considera-se autoridade, para os efeitos da lei de abuso de autoridade, quem

exerce cargo, emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda

que transitoriamente e sem remuneração.

III – A ação penal será iniciada, independentemente de inquérito policial ou justi-

ficação por denúncia do Ministério Público, instruída com a representação da

vítima do abuso.

Estão corretas as afirmativas

a) I, II e III.

b) III, apenas.

c) I e II, apenas.

d) II e III, apenas.

Letra d.

Essa é mais uma daquelas questões que demonstra a importância da leitura da lei.

I – Errada. Essa afirmativa está incorreta, porque o artigo 6º, § 5º, da lei afirma

que o prazo que o agente ficará afastado será de 1 a 5 anos, e não de 1 a 3, como

afirma a questão.

II – Certa. Essa afirmativa reproduziu o artigo 5º da lei.

III – Certa. Já essa afirmativa trouxe o artigo 12 da lei para a análise do candidato.

Então temos como corretas as afirmativas II e III.

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Questão 21    (CONSULPLAN/TRF – 2ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO/2017) “De

acordo com a Lei de Abuso de Autoridade, apresentada ao Ministério Público a re-

presentação da vítima, aquele, no prazo de ___________, denunciará o réu, desde

que o fato narrado constitua abuso de autoridade, e requererá ao Juiz a sua cita-

ção, e, bem assim, a designação de audiência de instrução e julgamento”. Assinale

a alternativa que completa corretamente a afirmativa anterior.

a) 24 horas.

b) 48 horas.

c) 5 dias.

d) 10 dias.

Letra b.

Meu(minha) querido(a), conforme vimos em nossa aula, os crimes de abuso de

autoridade seguirão o rito sumaríssimo da Lei n. 9.099/1995, porém, como disse

na aula, algumas questões cobrarão os ritos, principalmente os prazos, previstos

na Lei n. 4.898/1965.

Essa questão cobra os conhecimentos trazidos pelo artigo 13:

Apresentada ao Ministério Público a representação da vítima, aquele, no prazo de


quarenta e oito horas, denunciará o réu, desde que o fato narrado constitua abuso de
autoridade, e requererá ao Juiz a sua citação, e, bem assim, a designação de audiência
de instrução e julgamento.

Questão 22    (CONSULPLAN/TRF – 2ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO/2017) De

acordo com a Lei n. 4.898, de 9 de dezembro de 1965, o abuso de autoridade su-

jeitará o seu autor à sanção administrativa civil e penal. A sanção administrativa

será aplicada de acordo com a gravidade do abuso cometido e NÃO consistirá em:

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a) Advertência.

b) Repreensão.

c) Demissão, a bem do serviço público.

d) Suspensão do cargo, função ou posto por prazo de trinta a trezentos e sessenta

dias, com perdas de vencimentos e vantagens.

Letra d.

Para resolver essa questão, vamos relembrar as possíveis sanções administrativas

trazidas pela lei em seu artigo 6º, § 1º.

A sanção administrativa será aplicada de acordo com a gravidade do abuso cometido e


consistirá em:
a) advertência;
b) repreensão;
c) suspensão do cargo, função ou posto por prazo de cinco a cento e oitenta dias, com
perda de vencimentos e vantagens;
d) destituição de função;
e) demissão;
f) demissão, a bem do serviço público.

O examinador colocou somente sanções previstas na lei e, para tentar enganar o(a)

candidato(a), ele alterou os prazos da suspensão, de “cinco a cento e oitenta dias”

para “trinta a trezentos e sessenta”.

Então, como o examinador pediu que marcássemos a incorreta, essa deveria ser a

nossa resposta.

Questão 23    (FUNDATEC/SUSEPE-RS/AGENTE PENITENCIÁRIO/2014) Quem exer-

ce cargo, emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que tran-

sitoriamente e sem remuneração, e praticar um ato considerado abuso de autori-

dade será sancionado administrativamente de acordo com a gravidade do abuso

cometido. Qual alternativa NÃO é considerada sanção administrativa prevista na

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Lei Federal n. 4.898/1965, que regula o direito de representação e o processo de

responsabilidade administrativa civil e penal, nos casos de abuso de autoridade?

a) Advertência.

b) Multa.

c) Repreensão.

d) Demissão, a bem do serviço público.

e) Destituição da função.

Letra b.

Na questão anterior, já vimos as possíveis sanções administrativas trazidas pelo

legislador, previstas no artigo 6º, § 1º.

Nessa questão, o examinador colocou a sanção de multa ali para tentar confundi-lo

com a sanção penal prevista no § 3º do mesmo artigo. Porém, você, que estudou

por esta aula, não vai cair nessa.

§ 3º A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Có-
digo Penal e consistirá em:
a) multa de cem a cinco mil cruzeiros;
b) detenção por dez dias a seis meses;
c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por
prazo até três anos.

Questão 24    (FUNCAB/PC-PA/DELEGADO DE POLÍCIA/2016) Cuida a Lei n. 4.898,

de 1965, do direito de representação e do processo de responsabilidade adminis-

trativa, civil e penal, nos casos de abuso de autoridade. Sobre o tema, analise as

assertivas a seguir e assinale a correta.

a) Os crimes do art. 3º da Lei n. 4.898 são classificados como delitos de mão própria.

b) O abuso de autoridade praticado por militar em serviço é da competência da

Justiça Militar, estadual ou federal.

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c) Aos crimes previstos na Lei n. 4.898 não se aplica o instituto da transação penal,
contemplado pelo art. 76 da Lei n. 9.099.
d) Sequer excepcionalmente os crimes previstos na Lei n. 4.898 admitem a moda-
lidade culposa.
e) Somente será considerado autoridade para a finalidade de aplicação da Lei n.
4898 o ocupante remunerado de cargo, emprego ou função pública, de natureza
civil ou militar.

Letra d.
a) Errada. Em nossa aula, vimos que os crimes de abuso de autoridade são crimes
próprios, e não de mão própria.

E qual é a diferença, professor?

Os crimes próprios são aqueles que só podem ser cometidos por determinadas
pessoas, tendo em vista que o tipo penal exige certa característica do sujeito ativo;
estes crimes admitem coautoria. Os crimes de mão própria estão descritos em fi-
guras típicas necessariamente formuladas de tal forma que só pode ser autor quem
esteja em situação de realizar pessoalmente e de forma direta o fato punível; não
admitem coautoria.
b) Errada. Como vimos em nossa aula, a Súmula n. 172 do STJ diz que “Compete
à Justiça Comum processar e julgar militar por crime de abuso de autoridade, ainda
que praticado em serviço”.
c) Errada. Os crimes previstos nessa lei são Infrações de Menor Potencial Ofensi-
vo, portanto, são abrangidos pelo rito sumaríssimo da Lei n. 9.099/1995 e admitem
Transação Penal.
d) Certa. Os crimes previstos nessa lei só admitem a modalidade dolosa.
e) Errada. A autoridade, para fins dessa lei, pode ser ocupante de cargo remune-
rado ou não.

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LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE
Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade
Prof. Péricles Mendonça

Questão 25    (OBJETIVA/SESCOOP/ASSESSOR JURÍDICO/2015) Em conformidade

com a Lei n. 4.898/1965, constitui abuso de autoridade:

I – Ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, sem as forma-

lidades legais ou com abuso de poder.

II – Qualquer atentado à liberdade de locomoção, à inviolabilidade do domicílio,

excetuando-se à liberdade de associação.

III – Deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou deten-

ção de qualquer pessoa.

Está(ão) CORRETO(S):

a) Somente os itens II e III.

b) Somente os itens I e III.

c) Somente o item I.

d) Todos os itens.

Letra b.

Nessa questão, o examinador misturou condutas previstas nos artigos 3º e 4º

da lei.

I – Certo. Esse item está previsto no artigo 4º, “a”.

II – Errado. O item excetua a liberdade de associação como um instituto protegido

por essa lei, o que está errado, visto que o artigo 3º, “f”, veda qualquer atentado

contra a liberdade de associação.

III – Certo. O item voltou a cobrar uma das previsões do artigo 4º, agora na alí-

nea “c”.

Então, estão corretos os itens I e III.

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Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade
Prof. Péricles Mendonça

Questão 26    (CESPE/PC-SE/DELEGADO DE POLÍCIA/2018) Situação hipotética:


Uma autoridade policial prolongou, sem autorização judicial, a execução de prisão
temporária de um indiciado, o que levou a defesa deste a representá-la criminal-
mente por abuso de autoridade, mediante petição dirigida à autoridade superior.
Assertiva: Nessa situação, a representação é condição de procedibilidade para a
aplicação das sanções penais correspondentes.

Errado.
A representação não é condição de procedibilidade, como vimos em nossa aula.
Dessa forma, a nossa questão está errada.
Veja que essa é uma questão de 2018, bem recente.

Questão 27    (CESPE/DPF/DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL/2018) Eventual ato de


delegado da PF de impedir advogado de assistir seu cliente em interrogatório con-
figuraria crime de abuso de autoridade.

Certo.
Apesar de o inquérito ser um procedimento inquisitivo, não sujeito ao contraditório,
o artigo 7º, XXI, do Estatuto da OAB garante o direito ao advogado de assistir seus
clientes durante a apuração das infrações.
Sendo assim, o delegado irá responder pelo crime de abuso de autoridade, confor-
me previsto no artigo 3º, “j”.

Questão 28    (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) Havendo dúvidas


quanto à possibilidade de condenação na esfera criminal, o processo administrati-
vo deve ser suspenso até o fim da ação penal, no intuito de se evitarem decisões
conflitantes.

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Lei n. 4.898/1965 – Abuso de Autoridade
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Errado.

Questão bem recente sobre o nosso conteúdo. Conforme preconiza o artigo 7º,

§ 3º, o processo administrativo não poderá ser sobrestado para aguardar algu-

ma decisão na esfera criminal ou civil.

Questão 29    (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) A representação da

vítima do abuso, mesmo que desacompanhada de inquérito policial, é documento

hábil para subsidiar a denúncia do Ministério Público e iniciar a ação penal.

Certo.

Conforme o artigo 12 da Lei n. 4.898/1965, para o início da ação penal, não é ne-

cessário o IP ou a denúncia do MP, basta a representação da vítima do abuso.

Art. 12 A ação penal será iniciada, independentemente de inquérito policial ou justi-


ficação por denúncia do Ministério Público, instruída com a representação da vítima
do abuso.

Questão 30    (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) As sanções penais

previstas para o delito de abuso de autoridade incluem multa e detenção e podem


ser aplicadas autônoma ou cumulativamente.

Certo.

As sanções penais estão previstas no parágrafo 3º do artigo 6º, e dentre elas temos

a pena de multa e detenção, conforme previsto na questão.

§ 3º A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Có-
digo Penal e consistirá em:
a) multa de cem a cinco mil cruzeiros;
b) detenção por dez dias a seis meses;
c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por
prazo até três anos.

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Questão 31    (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) Nos termos da lei,

é possível a responsabilização civil, hipótese em que a sanção consistirá no paga-

mento do valor do dano cumulado com quantia indenizatória arbitrada pelo juiz.

Errado.

Conforme a lei, existe a previsão da responsabilização civil do agente, porém não

da forma como dito pelo examinador.

O parágrafo segundo do artigo 6º, afirma que “a sanção civil, caso não seja pos-

sível fixar o valor do dano, consistirá no pagamento de uma indenização de

quinhentos a dez mil cruzeiros”.

Questão 32    (CESPE/ABIN/AGENTE DE INTELIGÊNCIA/2018) As sanções adminis-

trativas previstas para o crime de abuso de autoridade aplicam-se de acordo com

a gravidade da conduta praticada e incluem a perda do cargo e a inabilitação para

o exercício de qualquer outra função pública pelo prazo legal.

Errado.

As sanções administrativas estão previstas no parágrafo 1º do artigo 6º da lei. Ve-

jamos:

§ 1º A sanção administrativa será aplicada de acordo com a gravidade do abuso co-
metido e consistirá em:
a) advertência;
b) repreensão;
c) suspensão do cargo, função ou posto por prazo de cinco a cento e oitenta
dias, com perda de vencimentos e vantagens;
d) destituição de função;
e) demissão;
f) demissão, a bem do serviço público.

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Vai ser muito comum o examinador tentar te confundir com essa questão, afirman-

do que ocorrerá a perda do cargo, quando, na verdade, ocorrerá a suspensão do

cargo, portanto, fique atento(a).

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