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Prof. Denis Donoso

Enunciados – Prova 01 (dia 09/04/2019)


Considere que a prova foi aplicada em Janeiro/2018

Administrativo
No dia 05/06/2015, o estado Alfa fez publicar edital de concurso público para o
preenchimento de cinco vagas para o cargo de médico do quadro da Secretaria de Saúde,
com previsão de remuneração inicial de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), para uma jornada de
trabalho de 20 horas semanais. O concurso teria prazo de validade de um ano, prorrogável
por igual período. Felipe foi aprovado em quinto lugar, conforme resultado devidamente
homologado em 23/08/2015. No interregno inicial de validade do concurso, foram
convocados apenas os quatro primeiros classificados, e prorrogou-se o prazo de validade do
certame. Em 10/03/2017, o estado Alfa fez publicar novo edital, com previsão de
preenchimento de dez vagas, para o cargo de médico, para jornada de 40 horas semanais e
remuneração inicial de R$ 6.000,00 (seis mil reais), com prazo de validade de um ano
prorrogável por igual período, cujo resultado foi homologado em 18/05/2017, certo que os
três primeiros colocados deste último certame foram convocados, em 02/06/2017, pelo
Secretário de Saúde, que possui atribuição legal para convocação e nomeação, sem que
Felipe houvesse sido chamado. Em 11/09/2017, o advogado constituído por Felipe impetrou
mandado de segurança, cuja inicial sustentou a violação de seu direito líquido e certo de ser
investido no cargo para o qual havia sido aprovado em concurso, nos exatos termos
previstos no respectivo instrumento convocatório, com a carga horária de 20 horas semanais
e remuneração de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), mediante fundamentação nos argumentos
jurídicos pertinentes, sendo certo que as normas de organização judiciária estadual
apontavam para a competência do Tribunal de Justiça local. Sobreveio acórdão, unânime,
que denegou a segurança, sob o fundamento de que o Judiciário não deve se imiscuir em
matéria de concurso público, por se tratar de atividade sujeita à discricionariedade
administrativa, sob pena de violação do princípio da separação de Poderes. Foram opostos
embargos de declaração, rejeitados por não haver omissão, contradição ou obscuridade a
ser sanada. Redija a petição da medida pertinente à defesa dos interesses de Felipe contra a
decisão prolatada em única instância pelo Tribunal de Justiça estadual, publicada na última
sexta-feira, desenvolvendo todos os argumentos jurídicos adequados à análise do mérito da
demanda. Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser
utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo
legal não confere pontuação.

Civil
Marilene procura você, como advogado(a), assustada, porque, há duas semanas, recebeu a
visita de um Oficial de Justiça, que entregou a ela um Mandado de Citação e Intimação. O
Mandado refere-se à ação de execução de título extrajudicial ajuizada por Breno, distribuída
para a 1ª Vara Cível da Comarca da Capital do Estado de São Paulo, em que é pretendida a
satisfação de crédito de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), consubstanciado em instrumento
particular de confissão de dívida, subscrito por Marilene e duas testemunhas, e vencido há
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mais de um mês. Breno indicou à penhora valores que Marilene tem em três contas
bancárias, um carro e o imóvel em que reside com sua família. Alegou ainda que a executada
estaria buscando desfazer-se dos bens, razão pela qual o juízo deferiu de plano a
indisponibilidade dos ativos financeiros de Marilene pelo sistema eletrônico gerido pela
autoridade supervisora do sistema financeiro nacional. Pelo andamento processual no sítio
do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, você verifica que o mandado de citação e
intimação positivo foi juntado aos autos há dois dias. Marilene, muito nervosa, relata que
manteve relacionamento com Breno, durante o qual ele insistiu que ela assinasse alguns
papéis, informando se tratar de documentos necessários para que ele pudesse receber um
benefício previdenciário acumulado. Ela, sem muito estudo, assinou, acreditando estar
apenas declarando que ele, Breno, ainda não tinha recebido R$ 15.000,00 (quinze mil reais),
aos quais alegava fazer jus frente ao INSS. Informa, inclusive, que uma das pessoas que
assinou como testemunha é uma vizinha sua, que sabe que ele a induziu a acreditar que
estava assinando apenas uma declaração para que ele obtivesse o benefício. Esclarece que,
quando o relacionamento acabou, Breno se tornou agressivo e afirmou que tomaria dela as
economias que sabia ter em uma poupança, mas, na época, ela achou que era uma ameaça
vazia de um homem ressentido. Ela está especialmente preocupada em resguardar sua
moradia e os valores que tem em uma de suas contas bancárias, que é uma poupança, que
se tornou fundamental para a subsistência da família, já que sua mãe está se submetendo a
um tratamento médico que pode vir a demandar a utilização dessas economias, informando
que, em caso de necessidade, preferia ficar sem o carro que sem o dinheiro. Gostaria,
todavia, de impugnar o processo executivo como um todo, para não mais sofrer nas mãos de
Breno. Na qualidade de advogado(a) de Marilene, elabore a defesa cabível voltada a
impugnar a execução que foi ajuizada, desconsiderando a impugnação prevista no Art. 854,
§ 3º, do CPC/15. Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam
ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo
legal não confere pontuação.

Constitucional
Após anos de defasagem salarial, milhares de trabalhadores que integravam o mesmo
segmento profissional reuniram-se na sede do Sindicato W, legalmente constituído e em
funcionamento há vinte anos, que representava os interesses da categoria, em assembleia
geral convocada especialmente para deliberar a respeito das medidas a serem adotadas
pelos sindicalizados. Ao fim de ampla discussão, decidiram que, em vez da greve, que
causaria grande prejuízo à população e à economia do país, iriam se encontrar nas praças da
capital do Estado Alfa, com o objetivo de debater publicamente os interesses da categoria de
forma organizada e ordeira, e ainda fariam passeatas semanais pelas principais ruas da
capital. Em situações dessa natureza, a lei dispõe que seria necessária a prévia comunicação
ao comandante da Polícia Militar. No mesmo dia em que recebeu a comunicação dos
encontros e das passeatas semanais, que teriam início em dez dias, o comandante da Polícia
Militar, em decisão formalmente comunicada ao Sindicato W, decidiu indeferi-los, sob o
argumento de que atrapalhariam o direito ao lazer nas praças e a tranquilidade das pessoas,
os quais são protegidos pela ordem jurídica. Inconformado com a decisão do comandante da
Polícia Militar, o Sindicato W procurou um advogado e solicitou o manejo da ação judicial
cabível, que dispensasse instrução probatória, considerando a farta prova documental
existente, para que os trabalhadores pudessem cumprir o que foi deliberado na assembleia
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da categoria, no prazo inicialmente fixado, sob pena de esvaziamento da força do


movimento. Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser
utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo
legal não confere pontuação.

Empresarial
Padaria e Confeitaria São João Marcos Ltda., ME, ajuizou ação executiva por título
extrajudicial para cobrança de valores relativos a dois cheques emitidos por Trajano de
Morais, em 19/06/2016. O primeiro cheque foi emitido em 24/10/2015, no valor de R$
7.500,00 (sete mil e quinhentos reais), e o segundo, em 28/12/2015, no valor de R$
15.000,00 (quinze mil reais). Os cheques foram emitidos em Rio Claro/RJ, pagáveis nessa
mesma cidade, e possuem garantia pessoal cambiária firmada por Vitor Silva no anverso, em
favor do emitente. Trajano de Morais e Vitor Silva foram incluídos no polo passivo da
execução. O juiz da Comarca de Rio Claro, de Vara Única, despachou a inicial da ação
executiva e determinou a citação dos réus para as providências legais. Vitor Silva, citado
regularmente, procura você para patrocinar a defesa na ação. Tendo acesso aos autos do
processo no dia 13/07/2016, você verifica que: I. o emitente nomeou bens à penhora, com
termo de penhora de gado e juntada de laudo de avaliação ao processo; II. o oficial de
justiça certificou nos autos a juntada do mandado de citação dos réus, no dia 10/07/2016;
III. os cheques não são pós-datados, tendo o primeiro sido apresentado para compensação
no dia 20/11/2015 e devolvido na mesma data por insuficiência de fundos disponíveis (há
carimbo de devolução do primeiro cheque no verso da cártula); o segundo foi apresentado
na agência sacada em Rio Claro pelo beneficiário e exequente, no dia 12/01/2016, sendo
também devolvido pelo mesmo motivo do primeiro cheque; IV. os cheques não foram
protestados. Com base nas informações contidas no enunciado, elabore a peça processual
adequada. Obs.: a peça processual deve abranger todos os fundamentos de Direito que
possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do
dispositivo legal não confere pontuação.

Penal
Lucas, 22 anos, foi denunciado e condenado, definitivamente, pela prática de crime de
associação para o tráfico, previsto no Art. 35 da Lei nº 11.343/06, sendo, em razão das
circunstâncias do crime, aplicada a pena de 06 anos de reclusão em regime inicial
semiaberto, entendendo o juiz de conhecimento que o crime não seria hediondo, não tendo
sido reconhecida a presença de qualquer agravante ou atenuante. No mês seguinte, após o
início do cumprimento da pena, Lucas vem a sofrer nova condenação definitiva, dessa vez
pela prática de crime de ameaça anterior ao de associação, sendo-lhe aplicada
exclusivamente a pena de multa, razão pela qual não foi determinada a regressão de regime.
Após cumprir 01 ano da pena aplicada pelo crime de associação, o defensor público que
defende os interesses de Lucas apresenta requerimento de progressão de regime,
destacando que o apenado não sofreu qualquer sanção disciplinar. O magistrado em
atuação perante a Vara de Execução Penal da Comarca de Belo Horizonte/MG, órgão
competente, indefere o pedido de progressão, sob os seguintes fundamentos: a) o crime de
associação para o tráfico, no entender do magistrado, é crime hediondo, tanto que o
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livramento condicional somente poderá ser deferido após o cumprimento de 2/3 da pena
aplicada; b) o apenado é reincidente, diante da nova condenação pela prática de crime de
ameaça; c) o requisito objetivo para a progressão de regime seria o cumprimento de 3/5 da
pena aplicada e, caso ele não fosse reincidente, seria de 2/5, períodos esses ainda não
ultrapassados; d) em relação ao requisito subjetivo, é indispensável a realização de exame
criminológico, diante da gravidade dos crimes de associação para o tráfico em geral. Ao
tomar conhecimento, de maneira informal, da decisão do magistrado, a família de Lucas
procura você, na condição de advogado(a), para a adoção das medidas cabíveis. Após
constituição nos autos, a defesa técnica é intimada da decisão de indeferimento do pedido
de progressão de regime em 24 de novembro de 2017, sextafeira, sendo certo que, de
segunda a sexta-feira da semana seguinte, todos os dias são úteis em todo o território
nacional. Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de
Lucas, redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus e embargos de declaração,
apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do
prazo para interposição. Obs.: a peça processual deve abranger todos os fundamentos de
Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou
transcrição do dispositivo legal não confere pontuação.

Trabalho
Foi prolatada sentença nos autos da ação 9.876, movida por Maria das Graças em face da
sociedade empresária Editora Legal Ltda., que tramita perante a 100ª Vara do Trabalho de
Goiânia/GO. Na demanda, a reclamante informou ter sido empregada da ré de agosto de
2015 a janeiro de 2017, quando pediu demissão. Houve regular contestação e instrução. Na
sentença, o juiz julgou improcedente o pedido de dano existencial pela extensa jornada
alegadamente cumprida e procedente o pedido de uma hora extra com adicional de 80%
pelo intervalo intrajornada violado, uma vez que a sociedade empresária concedia apenas 30
minutos e que, a despeito de haver nos autos autorização do Ministério do Trabalho para a
redução, isso não seria previsto em lei. Julgou, ainda, improcedente o pedido de horas de
prontidão, porque a trabalhadora não permanecia nas instalações da empresa fora do
horário de trabalho, e procedente o pedido de reintegração, porque a empregada
comprovou documentalmente que, por ocasião da ruptura do contrato, estava grávida. O
juiz julgou procedente o pedido de horas de sobreaviso, porque a trabalhadora permanecia
com celular da empresa permanentemente ligado, inclusive fora do horário de serviço, e
deferiu adicional de insalubridade em grau médio (30% sobre o salário mínimo), porque
ficou comprovado por perícia que a autora manuseava produtos químicos na editora para
realizar as impressões. O magistrado julgou procedente o pedido de recolhimento do INSS
do período trabalhado, que não foi feito pelo empregador, conforme comprovado pelo
Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) e julgou improcedente o pedido de
adicional de transferência, porque a alteração de local de trabalho não gerou mudança de
domicílio da autora. Na sentença, publicada em setembro de 2017, o juiz ainda julgou
procedente em parte o pedido de adicional noturno porque comprovado, pelo depoimento
do preposto, que a autora trabalhava das 16.00h às 23.00h, motivo pelo qual condenou a ré
a pagar o adicional de 25% entre 22.00h e 23.00h. O magistrado também deferiu a
integração ao salário do valor do plano dental concedido gratuitamente à reclamante, com
as repercussões daí advindas, ao argumento de que isso não poderia ser confundido com
plano de saúde (este sim, que não sofreria integração). Documentos juntados pelas partes:
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contracheques, cartões de ponto, TRCT, autorização do Ministério do Trabalho para a


redução do intervalo e CNIS. Como advogado(a) contratado(a) pela sociedade empresária e
considerando que a sentença não possui vícios nem omissões, elabore a peça jurídica em
defesa dos interesses dela. Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que
possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do
dispositivo legal não confere pontuação.

Tributário
A indústria Alfa vende bebidas para o supermercado Beta, que, por sua vez, revende-as a
consumidores finais, sendo certo que todas as operações ocorrem dentro dos limites do
estado ABC, em cuja capital estão domiciliadas as duas sociedades empresárias. No estado
ABC tem vigência a Lei Ordinária nº 123, que prevê a indústria como substituta tributária do
ICMS incidente nas operações subsequentes. Em abril de 2017, o estado ABC exigiu de Alfa
todo o tributo incidente sobre a cadeia produtiva descrita. Assim, Alfa pagou o ICMS
incidente na operação própria (a venda que fez ao supermercado Beta) e também na
operação subsequente – isto é, o ICMS que incidiria na operação entre o supermercado Beta
e os consumidores finais. Dessa forma, para a verificação do valor a ser pago, o ICMS foi
calculado sobre o valor presumido de venda da mercadoria ao consumidor final. Ocorre que,
para surpresa da indústria Alfa, o supermercado Beta, que sempre vendeu as bebidas
produzidas por Alfa pelo valor de R$ 16,00 (dezesseis reais), resolveu, diante da crise
econômica, comercializar as bebidas por R$ 14,00 (catorze reais). Com isso, a indústria Alfa
entendeu que a base de cálculo do imposto foi inferior àquela que havia sido presumida,
razão pela qual, na prática, pagou, como contribuinte substituto, um valor de ICMS maior do
que aquele que seria realmente devido. Diante disso, e em razão de a indústria Alfa e o
supermercado Beta serem clientes do mesmo escritório X, as duas sociedades empresárias
lhe expuseram os fatos narrados acima. Na qualidade de advogado(a) do escritório X, redija
a medida judicial adequada para condenar o Estado ABC a restituir, em espécie, o valor do
tributo pago a mais. (Valor: 5,00) Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de
Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou
transcrição do dispositivo legal não confere pontuação.

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