Você está na página 1de 15

CENTRO PAULA SOUZA

Etec Prof. Elias Miguel Junior

Nathalia Schiming Lima

ABSOLUTISMO

Votorantim - SP
Abril 2018
Nathalia Schiming Lima

ABSOLUTISMO

Trabalho de aproveitamento
apresentado à disciplina de
História da Etec Prof. Elias
Miguel Junior, sob orientação do
Professor Alisangelo.

Votorantim - SP
Abril 2018
Sumário

1. INTRODUÇÃO...................................................................................4

2. O Absolutismo....................................................................................5

2.1. Surgimento e Contexto Social...........................................................5


2.2. Mercantilismo.....................................................................................6

3. Teorias do Absolutismo.....................................................................7

3.1. Jacques Bossuet................................................................................8

3.2. Thomas Hobbes.................................................................................9

3.3. Nicolau Maquiavel............................................................................11

4. O Fim do Absolutismo......................................................................12
CONCLUSÃO.........................................................................................14

REFERÊNCIAS.......................................................................................15
4

1. INTRODUÇÃO

Este trabalho aborda o sistema político e administrativo europeu da teoria


política denominada Absolutismo;com seus aspectos e características. Evidenciando
a economia e a política relacionados ao contexto social do período histórico entre os
séculos XVI e XVIII. Indicando seus principais pensadores e suas respectivas
teorias.
5

2. O Absolutismo

O Absolutismo foi o sistema político e administrativo dos países europeus,


durante o período conhecido como Antigo Regime (séculos XVI ao XVIII ). Em suma,
o soberano centralizava todos os poderes do estado em suas mãos e os utilizava a
revelia de toda sociedade.

De partida, podemos localizar a formação do absolutismo durante a


constituição e fortalecimento das monarquias nacionais, quando a Idade Média tem
seu fim (séculos XIV e XV) diante da centralização política em ascensão.

Para todos os efeitos, os monarcas obtiveram o apoio da nobreza e da burguesia


mediante a padronização das políticas fiscais e monetárias, ao mesmo tempo em
que protegeria as propriedades das revoltas camponesas que ameaçavam a
nobreza e o clero.

Os reis detinham o monopólio da violência para reprimir qualquer pessoa ou


movimento social que contrariasse a vontade da realeza.

Os principais reinos absolutistas foram Espanha, França e Inglaterra.

2.1. Surgimento e Contexto Social

À medida que o Estado Nacional foi consolidando suas fronteiras e demandas


e com o surgimento de uma forte classe mercantil, houve a necessidade de um
representante que defendesse seus interesses e, assim, o poder passou a ser
concentrado na figura do monarca. Diferentemente do que acontecia durante a
Idade Média em que o poder do real não era unânime e, por isso, era necessário o
auxílio dos nobres para composição do exército, por exemplo, no Absolutismo, o
monarca controlava todo o poder na tomada de decisões da nação.

Assim, eram determinadas pelo rei a organização das leis, a criação dos
impostos, a delimitação e implantação da justiça etc. Surgiu ainda, nesse período, a
burocracia, toda uma estrutura de governo que era responsável pela execução do
trabalho administrativo da nação, de forma a auxiliar o rei na administração do
Estado recém-criado.
6

Com a delimitação das fronteiras nacionais, o Absolutismo contribuiu para a


diminuição das diferenças culturas locais, ou seja, houve uma padronização. Assim,
uma só moeda foi implantada e um só idioma foi escolhido para toda a nação. Com
o fortalecimento do comércio, foi criada uma série de impostos para a sua regulação,
além de impostos alfandegários para a defesa da economia interna.

A partir desses impostos, o rei pôde montar um exército permanente que


ficava a seu serviço na defesa interna, em casos de rebeliões, e na defesa externa,
em casos de conflitos. Além disso, do ponto de vista religioso, o poder real foi visto
como uma escolha direta de Deus, portanto, indiscutível.

O Absolutismo não possuía, entretanto, características homogêneas e


apresentava também suas particularidades em diferentes locais. Dessa forma,
destacaram-se três modelos desse sistema político: o francês, o inglês e o espanhol.
O rei francês Luís XIV foi o melhor exemplo de aplicação do poder Absolutismo.

Na Espanha, a unificação política ocorrera em 1469 por meio do casamento


do rei Fernando de Aragão e a rainha Isabel de Castela.

Na França, durante a dinastia Valois (século XVI), consolidou-se o poder


absolutista, o qual atinge seu ápice com o rei Luís XIV, o "Rei Sol" (1643 e 1715).

Já na Inglaterra, o absolutismo de Henrique VIII (1509), também foi apoiado


pela burguesia, a qual consentiu no fortalecimento dos poderes monárquicos em
detrimento do poder parlamentar.
Todavia, com a difusão dos valores iluministas bem como pela Revolução
Francesa, os valores que sustentavam o período conhecido como o “Antigo Regime”
ruíram derrubando todo aquele sistema.

2.2 Mercantilismo

O mesmo processo de centralização administrativa e financeira que extinguiu


os exércitos mercenários, estabeleceu uma burocracia civil capaz de auxiliar o
Estado na implementação de padrões monetários e fiscais para regulamentar e
7

permitir a ampliação das atividades comerciais, ao mesmo tempo em que viabilizaria


uma situação mais segura para o deslocamentos comerciais.

Outro ponto a se notar é que os negociantes, ao financiar a centralização da


monarquia, obtiveram participações consideráveis nos negócios do Estado.
Enquanto regime, podemos dizer que prevaleceu por todo período
o Mercantilismo, que por sua vez esta pautado no Metalismo, Industrialização,
Protecionismo Alfandegário, Pacto Colonial e Balança Comercial Favorável.

3. Teorias do Absolutismo

Em busca de bases ideológicas que conferissem legitimidade ao poder


absoluto, os monarcas faziam derivar diretamente de Deus sua autoridade sobre os
homens e as coisas incluídas nos limites de seus domínios. O direito divino concedia
ao governante o poder temporal, enquanto o espiritual cabia ao papa. Cedo, porém,
a expansão das tendências absolutistas levou o monarca a pretender também a
direção suprema do movimento religioso nacional. A igreja, com interesses
universais e uma política própria, tornou-se uma rival capaz de contestar e limitar o
poder absoluto do soberano.

Ao procurar atingir as prerrogativas reais, a Reforma protestante contribuiu


para fortalecer a tese do direito divino, dispensando a ação intermediária de Roma.
Por sua vez, os governantes viram nas idéias da Reforma o veículo adequado para
abolir a influência de Roma e assumir também o comando da vida espiritual de seus
povos.

Paradoxalmente, o chamado "despotismo esclarecido" do século XVIII, em


contestação frontal aos dogmas religiosos, não impedia aos monarcas reclamarem,
mais que em qualquer outra época, origem divina para os poderes que se atribuíam.
E o reinado de Luís XIV, que se estendeu do fim do século XVII ao princípio do
XVIII, constitui o momento culminante do absolutismo.

As teorias do direito divino perderam definitivamente a força depois da


revolução francesa e da independência dos Estados Unidos. Chegam, porém, até
8

nossos dias os vestígios desse período, com os títulos e prerrogativas formais de


certas monarquias, como a inglesa, em que o monarca é também chefe da igreja
(anglicana) e exerce seus poderes "pela graça de Deus".

Muitos filósofos desta época desenvolveram teorias e chegaram até mesmo a


escrever livros defendendo o poder dos monarcas europeus À medida que o poder
real era fortalecido, uma série de teóricos escreveram sobre a justificativa do poder
absoluto.
Entre eles, se destacam Nicolau Maquiavel, Thomas Hobbes, Jacques Bossuet.

3.1 Jacques Bossuet

Foi publicada a obra póstuma Política tirada da Sagrada Escritura (1709) do


bispo e teólogo francês Jacques Bossuet (1627-1704). A obra fora escrita anos
antes, quando o bispo era preceptor do filho mais velho de Luis XIV e herdeiro do
trono. Luis XIV, apelidado de “Rei Sol”, era então, a própria encarnação da
monarquia absolutista. Seu governo foi marcado pela glorificação do poder
absolutismo exibido nas artes, em peças teatrais, balés, monumentos públicos e nos
palácios magníficos como o Louvre e, especialmente Versalhes para onde o rei e
sua corte se mudaram em 1682.

O Rei Sol reuniu à sua volta escritores, sábios e poetas franceses como
também estrangeiros. Assim como os pintores e escultores que decoravam
Versalhes, esses artistas assalariados residiam no palácio e executavam seus
trabalhos sob encomenda real, sempre com o objetivo de exaltar as virtudes do rei.
Nas artes, Luís XIV era elevado à categoria das divindades.

O bispo Jacques Bossuet fez parte deste universo de exaltação e


engrandecimento do Rei Sol. Foi convidado por Luís XIV para pregar sermões na
corte e residiu no palácio entre 1670 e 1681, quando foi preceptor do Delfim (título
do primogênito e herdeiro do trono francês). Sob esse clima, Bossuet escreveu A
Política tirada da Sagrada Escritura na qual, apoiando-se na Bíblia, explicava a
origem do poder e da autoridade do rei. A teoria do direito divino, que havia tempos
era conhecida, atingiu o seu ponto culminante com Bossuet.
9

A teoria do direito divino dos reis entrelaça teologia e política. O poder


absoluto do rei expressa a vontade de Deus e, portanto, é sagrado e os súditos
devem obedecer ao príncipe como obedecem a Deus. Qualquer rebelião contra ele
é sacrilégio, isto é, um crime político e religioso. A autoridade real é absoluta, o
poder do príncipe é indivisível e ele não deve prestar contas a ninguém de suas
decisões. Em contrapartida, o soberano deve governar seus súditos como um pai
governa e ama a sua família, sem se deixar afetar pelo poder.

3.2 Thomas Hobbes

O matemático e filósofo Thomas Hobbes (1588-1679) nasceu no reinado de


Elisabeth I, época áurea do absolutismo inglês e quando a Inglaterra firmou-se uma
grande potência econômica. Em 1607, a fundação da colônia Jamestow, na
América, marcava o início do expansionismo colonial ultramarino inglês.

Para Hobbes, o Estado, personificado no rei, torna-se o controlador da


sociedade e da liberdade, encarregado de promover a paz e a defesa comum. Um
tal soberano tem poder absoluto e ilimitado para poder garantir a paz, não está
10

submetido a qualquer lei e nem precisa dar satisfação de seu governo, sendo
responsável apenas perante Deus.

Hobbes simboliza esse Estado absoluto na figura de Leviatã, nome de um ser


monstruoso mencionado na Bíblia. Para ele, o Leviatã concentraria todo o poder em
torno de si, ordenando todas as decisões da sociedade e pondo fim a “guerra de
todos contra todos” (Bellum omnium contra omnes). Leviatã, nome de sua obra
publicada em 1651, fundamenta o absolutismo e é considerada uma das obras mais
influentes do pensamento político mundial.
11

3.3 Nicolau Maquiavel

Um dos primeiros a formular idéias a esse respeito foi o pensador italiano


Nicolau Maquiavel (1469 – 1527). Durante o período em que viveu, Maquiavel
observou atentamente as diversas disputas políticas deflagradas entre os diversos
reinos espalhados na Península Itálica. Ao observar a instabilidade gerada pelos
recorrentes conflitos entre esses reinos, o teórico florentino começou a pensar sobre
como seria possível o rei se manter no poder em meio às mais variadas
adversidades.

A partir dessa preocupação que ele concebeu “O príncipe”, uma de suas mais
proeminentes obras políticas. Em meio suas reflexões, Maquiavel instaurou o
trabalho com os conceitos de Virtude e Fortuna. O primeiro era concernente à
capacidade do governante em escolher as melhores estratégias para o
fortalecimento de seu poder. Já a Fortuna, se dirigia aos imprevistos que poderiam
supostamente limitar o poder de ação do rei.

Para Maquiavel, o governante hábil deveria equilibrar a Virtude e a Fortuna


para que assim pudesse garantir seus interesses. No entanto, para que esse
12

equilíbrio fosse possível, o pensador sugeriu que os valores morais impostos pela fé
e pela sociedade não poderiam restringir a ação do rei. Com isso, Nicolau Maquiavel
promoveu a cisão entre Moral e Política tecendo sua célebre frase, onde pregava a
idéia de que “os fins justificam os meios”.

Essa proposta do pensamento maquiavélico tinha grande influência dos


valores individualistas que começaram a ganhar espaço no imaginário europeu.
Talvez por isso, Nicolau Maquiavel fazia questão de frisar que o rei sempre estaria à
mercê de inimigos egoístas interessados em destituí-lo de seu cargo. Entretanto,
esse problema não poderia transformá-lo em um tirano. O bom rei deveria deter
seus traidores desde que não fosse odiado a ponto de incitar uma grande revolta
contra si.

A partir de então, Maquiavel salientou que o planejamento e a estratégia eram


elementos indispensáveis para a preservação do Estado Absolutista. Ao mesmo
tempo, sendo um homem fortemente marcado pelos valores da Renascença,
Maquiavel não admitiu nenhum tipo de justificativa religiosa para explicar o poder
real. Com isso, o pensador italiano primou pelas ações individuais humanas
enquanto fontes de explicação das instituições políticas de sua época.

4. O Fim do Absolutismo

O Absolutismo deixou de existir como forma de governo por volta do século XIX,
uma vez que já era contestado pelos ideais iluministas. A Revolução Francesa e as
mudanças que surgiram a partir dela contribuíram para o fim dessa forma de
governo em toda a Europa. Tais mudanças buscavam a descentralização do poder,
ou seja, o oposto do que era defendido até então, como também questionavam a
teoria da vontade divina do poder real, pois o Iluminismo defendia a racionalização
do pensamento humano.

Na França, é possível afirmar que o absolutismo vê seu fim com a Revolução


Francesa e com todos os eventos que se seguiram, com a decapitação do monarca
e com a instalação de um governo supostamente mais ligado ao povo.
13

Já na Inglaterra, o fim do absolutismo chegou com a chamada Revolução Gloriosa,


em 1688, que trouxe mudanças importantes para a lógica de funcionamento político
britânico que vigoram até os dias de hoje.
14

CONCLUSÃO

A partir da elaboração deste trabalho, pude concluir que o Absolutismo foi um


sistema político e administrativo originado no fim da Idade Média juntamente ao
crescimento mercantil, no qual todo o poder do Estado estava nas mãos dos
monarcas, o poder absoluto dado ao rei. Os mesmos tinham apoio da elite e o
monopólio do poder para defender suas propriedades das revoluções camponesas,
que se apresentavam como uma ameaça. O rei tomava todas as decisões da nação,
implantava leis e impostos, executava a justiça e administrava o Estado.

Com o fortalecimento da economia, foi necessária a unificação da moeda e do


idioma de um mesmo país, a aplicação de taxas alfandegárias e a criação de um
exército para conter as rebeliões internas e invasões externas.

Para explicar ao povo o seu domínio e controle, o rei colocava seu poder
como uma vontade de Deus, uma dádiva divina. Dessa forma, utilizando a fé da
população contra eles mesmo; ao dizer comandar por escolha dos céus, o rei se
mostrava uma figura grandiosa irrefutável.

Haviam muitos teóricos que defenderam esse sistema. Estes reforçaram a


ideia de que o rei representava Deus, e alguns ainda ousaram dizer que, para
manter-se a ordem, seria lícito violar a moral. E que mais valia um soberano temido
do que amado.

A queda do Absolutismo se deu com a propagação das ideologias iluministas,


que visavam ir contra a monopolização do poder, conceito totalmente contrário ao
até então vigorante, Absolutismo.
15

REFERÊNCIAS

ABSOLUTISMO. Disponível em:


<https://www.todamateria.com.br/absolutismo/> Acesso em: 2 abril 2018.

ABSOLUTISMO. Disponível em:


<https://www.suapesquisa.com/absolutismo/> Acesso em: 2 abril 2018.

ABSOLUTISMO. Disponível em:


<https://historiadomundo.uol.com.br/idade-moderna/o-absolutismo-e-o-rei.htm>
Acesso em: 2 abril 2018.

ABSOLUTISMO: SURGIMENTO, AUGE E CRISE NO ANTIGO REGIME. Disponível


em: <https://www.iped.com.br/materias/enem-gratis/absolutismo-surgimento-auge-
crise-antigo-regime.html> Acesso em: 2 abril 2018.

NICOLAU MAQUIAVEL. Disponível em:


<http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiageral/nicolau-maquiavel.htm> Acesso
em: 2 abril 2018.

O ABSOLUTISMO: TEÓRICOS E CONTEXTOS. Disponível em:


<http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/absolutismo/> Acesso em: 2 abril 2018.

TEORIA DO ABSOLUTISMO. Disponível em:


<https://www.colegioweb.com.br/absolutismo/teoria-do-absolutismo.html> Acesso
em: 2 abril 2018.