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AGENTES PÚBLICOS: CONCEITO, FUNÇÃO E CLASSIFICAÇÃO

Do latim agens, agente se refere ao sujeito da ação, ou seja, à pessoa que atua,
opera, faz. No que se refere à expressão agente público, o termo é utilizado
para determinar, de forma específica, qualquer pessoa que age em nome do
Estado, independente de vínculo jurídico, ainda que atue sem remuneração e
transitoriamente.

É por meio do agente público que o Estado se faz presente, manifestando sua
vontade nas três esferas de Governo (União, Estados, Distrito Federal e
Municípios), nos três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). Ao longo
dessa leitura, vamos explorar os mais diversos pontos pertinentes aos agentes
públicos, como: conceito, classificação e função dentro da administração
pública brasileira.

CONCEITUANDO AGENTES PÚBLICOS

De forma genérica, agentes públicos são todas as pessoas que exercem


função pública. Hely Lopes Meirelles, autor de diversas obras jurídicas voltadas
ao Direito Administrativo, complementa este conceito afirmando que agentes
públicos são pessoas físicas responsáveis, seja de modo definitivo ou transitório,
do exercício de alguma função estatal conferido a órgão ou entidade da
Administração Pública.

Outra importante fonte que faz referência ao conceito de agentes públicos é a Lei
de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92). Em seu art. 2º está previsto que
agente público é

“todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por
eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de
investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades
mencionadas no artigo anterior”.

Parece ser muita informação em apenas um conceito, mas calma, nós


detalhamos melhor. A partir do conceito, já podemos concluir que os agentes
públicos são as pessoas que fazem “a coisa acontecer”, seja o técnico
previdenciário do INSS, o prefeito do seu município ou o recenseador do IBGE.
Além disso, eles podem estar apenas de passagem no funcionalismo público,
como o caso dos recenseadores do IBGE, ou estar de forma definitiva, como é
o caso dos agentes da polícia federal.
CLASSIFICANDO OS AGENTES PÚBLICOS: QUEM É QUEM?

O conceito trazido, dentre outros pontos, nos mostrou que “agente público” é
uma designação genérica quando nos referimos a pessoas que desempenham
função pública. Contudo, este termo é apenas o gênero que comporta várias
espécies de agentes públicos, cada qual com suas características e
peculiaridades. Prefeitos, auditores da receita federal, carteiros, recenseadores
do IBGE, mesários eleitorais, leiloeiros e ainda aqueles que representam o Brasil
em algum evento internacional, todos eles são agentes públicos. Percebeu agora
extensão do termo “agentes públicos”? A partir de agora, vamos detalhar cada
espécie, ligando seu conceito a exemplos vistos em nosso dia a dia. Vamos lá?
Quanto à classificação dos agentes públicos, dois grandes autores do mundo
jurídico possuem uma visão distinta acerca do tema, são eles: Maria Sylvia Di
Pietro e o já citado Hely Lopes Meirelles. Segundo Maria Sylvia, esta
classificação organiza-se da seguinte forma: agentes políticos, servidores
públicos, militares e particulares em colaboração com o Poder Público. Já na
visão de Hely Lopes, os agentes públicos dividem-se nas seguintes espécies:
agentes políticos, administrativos, honoríficos, delegados e credenciados.

Mas afinal, qual visão está correta? Ambas. Todavia, a classificação mais
utilizada em obras jurídicas é a do autor Hely Lopes Meirelles, e é com ela
que vamos seguir daqui por diante. Comecemos pelos agentes políticos!
Agentes políticos: quem são e o que fazem?

Agentes políticos são aqueles que compõem os altos escalões do Poder


Público, responsáveis pela elaboração das diretrizes de atuação
governamental, possuindo atribuições próprias previstas na Constituição,
desempenhando funções de direção, orientação e supervisão geral da
administração. Em regra, ingressam por meio de eleições, desempenhando
mandatos fixos, sendo sua vinculação com aparelho governamental não
profissional, mas institucional e estatutária.

São agentes políticos: Chefes do Poder Executivo (Presidente da


República, Governadores e Prefeitos) e seus auxiliares (Ministros de Estado,
Secretários Estaduais e Municipais), membros do Poder Legislativo
(Senadores, Deputados Federais e Estaduais e Vereadores), Magistrados,
Membros do Ministério Público (Procuradores e Promotores), Membros dos
Tribunais de Contas (Ministros e Conselheiros) e diplomatas.
Agentes administrativos: quem são e o que fazem?

Diferente dos agentes políticos, os agentes administrativos exercem


uma atividade pública de natureza profissional e remunerada, sujeitos à
hierarquia funcional e ao regime jurídico próprio da entidade. Os agentes
administrativos são classificados em: servidores públicos, empregados
públicos e temporários (isso mesmo: uma subclassificação dentro da
classificação). Vamos entender cada um?

 Servidores públicos: são agentes administrativos que mantêm relação


funcional com o Estado, de caráter estatutário, sendo titulares de cargos
públicos de provimento efetivo ou em comissão (em breve você irá entender
esses termos). Exemplos: analista previdenciário do INSS e fiscal do IBAMA.

 Empregados públicos: também mantêm relação funcional com Estado,


porém de caráter contratual trabalhista, sendo regidos basicamente
pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Exemplos: empregados
do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobrás e Correios.

 Temporários: são agentes contratados por tempo determinado para


atender necessidade de excepcional interesse público, como está previsto
no art. 37, IX da Constituição Federal. Não possuem cargo, nem emprego
público, apenas exercem uma função pública remunerada temporária e o seu
vínculo com administração pública é contratual. Exemplos: recenseadores do
IBGE, professores substitutos em universidades federais e contratados para
auxiliar em casos de calamidade pública.

Percebeu as diferenças contidas nesta subclassificação? Vamos detalhar melhor


pra você. O analista da seguridade social, por exemplo, é um servidor
público que foi previamente submetido e aprovado em um concurso público e
agora ocupa um lugar (cargo público) dentro da estrutura do INSS (autarquia
federal). Posteriormente, uma vez aprovado em uma avaliação desempenho,
adquirirá estabilidade do serviço público (que não é absoluta, mas relativa,
vale lembrar).

Além disso, sua relação funcional com o Estado é de caráter estatutário, ou seja,
legal. A lei é que define a relação jurídica entre o agente e o Estado. No
exemplo do analista da seguridade social, ele submete-se à Lei 8.112/91 que
trata regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das
fundações públicas federais.

Por outro lado, o servidor titular de um cargo em comissão, o


famoso “comissionado”, não se submete ao concurso público e ingressa em
um órgão ou entidade da administração pública de acordo com o grau de
confiança entre ele e o gestor. Contudo, ele não goza de estabilidade no
serviço público, podendo ser exonerado a qualquer tempo, como é o caso de
um assessor parlamentar que trabalha no gabinete de algum deputado ou
senador.
Já o empregado público, assim como o ocupante de um cargo público de
caráter efetivo, também submete-se à regra do concurso público, porém seu
vínculo com a administração pública não será legal, mas sim contratual, sendo
regido pela CLT (na prática, é a famosa carteira assinada), como é o caso de
um escriturário do Banco do Brasil, por exemplo.

Por fim, importante lembrar, que os empregados públicos não têm a


estabilidade de um servidor público ocupante de cargo efetivo, típico do
regime estatutário. Contudo, isso não quer dizer que o empregado público possa
ser demitido livremente, como um empregado comum. Para que isso aconteça,
a demissão deverá ser motivada e após regular processo administrativo,
observado o contraditório e ampla defesa.

Quanto aos temporários, última espécie de agente administrativo, vale a


seguinte observação: eles não ocupam nenhum lugar na estrutura da
administração pública. Os temporários não ocupam cargo público nem
emprego público, exercendo tão somente uma função pública. A contratação
temporária no âmbito dos órgãos da administração federal direta, bem como de
suas autarquias e fundações públicas, foi regulamentada pela Lei n. 8.745/93.
Vamos seguir com as demais espécies de agentes públicos?
Agentes honoríficos: quem são e o que fazem?

Os agentes honoríficos são cidadãos requisitados ou designados, em função


da sua honra, de sua condição cívica para, transitoriamente, colaborarem com o
Estado mediante a prestação de serviços específicos, não possuindo qualquer
tipo de vínculo com a administração, atuando usualmente sem
remuneração. Enquanto desempenham a função pública, ficam
momentaneamente inseridos na hierarquia do órgão. Exemplos de agentes
honoríficos são os jurados, mesários eleitorais e os membros dos Conselhos
Tutelares.
Agentes delegados: quem são e o que fazem?

Os agentes delegados são particulares que, por delegação do Estado,


executam atividade ou serviço público, em nome próprio, por conta e risco, mas
sempre sob a fiscalização da administração pública. Apesar de colaborarem com
o Poder Público, os agentes delegados não são considerados servidores
públicos, pois não atuam em nome do Estado. A remuneração que recebem
não é paga pelos cofres públicos, mas sim pelos usuários do serviço. São
os concessionários e permissionários de serviços públicos, os leiloeiros, os
tradutores públicos, entre outros.
Agentes credenciados: quem são e o que fazem?

Os agentes credenciados são os que recebem a incumbência da


administração para representá-la em determinado ato ou praticar certa atividade,
mediante remuneração do Poder Público credenciante. Como exemplo,
podemos citar quando é atribuída a alguma pessoa a tarefa de representar o
Brasil em determinado evento internacional.

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