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ASSOCIAÇÃO PIAUIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA – APEC

CENTRO DE ENSINO SUPERIOR VALE DO PARNAÍBA – CESVALE

PRINCÍPIOS GERAIS DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

TERESINA – PI

2019
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ALUÍSIO RODRIGUES SILVA

EDUARDO RODRIGUES DA SILVA

ISLA REBECA SOUSA RIBEIRO SILVA

JEFFERSON FEITOSA GOMES DE SOUSA

LUIZ DANIEL DA SILVA SOUSA

THAYNÁ OLIVEIRA DE CARVALHO

PRINCÍPIOS GERAIS DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

Trabalho apresentado junto à disciplina Direito do


Consumidor, 6º período Direito, tarde, CESVALE.

Orientador: Prof. Ronaldo Braga

TERESINA – PI

2019
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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 3

PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA A LUZ DO CDC ............................ 4

O PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO ................................................................................................ 4

PRINCÍPIO DA TRANSPARÊNCIA ........................................................................................ 5

PRINCÍPIO DA VULNERABILIDADE ................................................................................... 5

PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA ...................................................................................... 6

PRINCÍPIO DA INFORMAÇÃO .............................................................................................. 6

PRINCÍPIO DA FACILITAÇÃO DA DEFESA ....................................................................... 7

PRINCÍPIO DA REVISÃO DAS CLAÚSULAS CONTRATUAIS ......................................... 7

PRINCÍPIO DA CONSERVAÇÃO DOS CONTRATOS ......................................................... 8

PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE ......................................................................................... 8

PRINCÍPIO DA IGUALDADE ................................................................................................. 9

REFERÊNCIAS ......................................................................................................................... 9
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INTRODUÇÃO

O Código de Defesa do Consumidor é uma verdadeira lei especial, não em relação ao


conteúdo, mas sim pela pessoa que ele busca tutelar por imposição constitucional, o
consumidor, seja ele pessoa física, jurídica, ou coletividade, determinada, ou não de
consumidores.

Trata-se por tanto da defesa do consumidor, com regra e princípios próprios. Como um
microssistema próprio que será aplicado sempre que se estiver diante de uma relação jurídica
de consumo, não importando seu conteúdo, qualquer que seja o ramo do direito, não sendo tão
importante a data que foi celebrada, bastando que seus efeitos se deem já na sua vigência da
Lei 8.078/90.

O Código de Defesa do Consumidor possui uma posição de destaque dentro do


ordenamento jurídico, sendo, portanto, uma norma supralegal, com uma malha de princípios
própria, certo que em eventuais conflitos deverá ser aplicada aquela que melhor proteger e
tutelar o vulnerável.
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PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA A LUZ DO CDC

O princípio da dignidade da pessoa humana estar previsto expressamente no artigo


primeiro da nossa constituição de 1988.

A garantia da dignidade humana está diretamente vinculada à efetivação dos direitos


fundamentais, não há de se falar em direitos como: à vida, à liberdade à igualdade, sem garantir
a dignidade dos detentores de tais direitos, sem dignidade não importaria ao ser humano estar
vivo, ser livre ou ter tratamento igualitário, todos os demais direitos perderiam o sentido de
existir se não for garantida a dignidade na concretização de cada um deles.

O respeito e a preocupação com a efetivação do princípio da dignidade da pessoa


humana são expressos e evidentes no código de defesa do consumidor, principalmente em um
dos artigos mais importante do estatuto legal: art.4°. A política nacional das relações de
consumo tem o objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua
dignidade, a saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos a melhoria da sua
qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo.

O PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO

A constituição (CRFB/88) incorporou a proteção ao consumidor como princípio básico


individual; art.5°, XXXII. E como princípio coletivo econômico, apresentado no art.170°, V,
CF. Seguindo assim a criação do código de defesa do consumidor, que ficou evidenciado a
proteção no presente código, art.1°, CDC.

Podemos perceber essa obrigação quando: O fornecedor tem uma cópia do CDC
presente no estabelecimento; A possibilidade de nulidade das cláusulas abusivas; quando não
há acordo entre as partes não podem acordar em aplicar o CDC não negocio;

É perceptível que visa criar uma proteção e busca uma igualdade entre as partes,
fornecedor e consumidor (hipossuficiente tecnicamente).
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PRINCÍPIO DA TRANSPARÊNCIA

No art.6°, III, da lei 8078/90 assegura que o consumidor a ciência da exata extensão das
obrigações assumidas perante o fornecedor, transmitindo assim todas as informações ao
consumidor.

Jorge de Alberto Quadros de Carvalho Silva: “o princípio da transparência,


essencialmente democrático que é, ao reconhecer que, em uma sociedade, o poder não é só
exercido no plano da política, mas também da economia, surge no CDC, com o fim de
regulamentar o poder econômico, exigindo-lhe visibilidade, ao atuar na esfera jurídica do
consumidor. No CDC, ele fundamenta o direito à informação”

Esse princípio tem o intuito de deixar as informações claras tanto para o consumidor,
quanto para o fornecedor, evitando assim a possibilidade de beneficiar somente uma das partes.

PRINCÍPIO DA VULNERABILIDADE

Previsto no artigo 4º, inciso I da Lei 8.0078/90 (lei que institui o Código de Defesa do
Consumidor – CDC), reconhece a fragilidade do agente mais fraco nas relações de consumo.
Este princípio tem reflexo direto no campo de aplicação do CDC, ou seja, ele determina quais
relações contratuais estarão sob a égide desta lei e de seu sistema de combate ao abuso.

Importante ressaltar que não se confunde vulnerabilidade com hipossuficiência. Esta é


uma marca pessoal, limitada a alguns, até mesmo a uma coletividade, mas nunca a todos os
consumidores. Sendo, portanto, distinta da vulnerabilidade, que abrange todos os
consumidores. Essa constatação se faz em três âmbitos distintos, econômico, técnico e jurídico
ou científico, pois, notadamente, o fornecedor é quem detém com superioridade todos esses
poderes e conhecimentos, se comparado ao consumidor.

Vale ressaltar, que a vulnerabilidade é fenômeno de direito material, diferente da


hipossuficiência que se encontra no direito processual.
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PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA

Significa que nas relações de consumo as partes devem proceder com probidade,
lealdade, solidariedade e cooperação nas suas relações. Veja-se o que dispõe o artigo 4º, III, do
Código de Defesa do Consumidor. Trata-se da regra de conduta, de um dever permanente entre
as partes em suas relações.

Diante disso o artigo 51, IV, do CDC determina que, são nulas de pleno direito, entre
outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que
estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, e que coloquem o consumidor em
desvantagem exagerada, ou seja, incompatíveis com a boa-fé ou a equidade.

PRINCÍPIO DA INFORMAÇÃO

É um direito básico do consumidor a informação adequada e clara sobre os diferentes


produtos e serviços, com especificação correta de quantidade características, composição,
qualidade, tributos incidentes e preço bem como a composição, qualidade, tributos incidentes e
preço, bem como sobre os riscos que apresentem, segundo artigo 6º, III. É direito do consumido
ser informado e dever do Fornecedor de produto ou serviço informar.

Baseando-se neste princípio, o consumidor tornou-se detentor do direito subjetivo de


informação e o fornecedor sujeito de um dever de informação. Dizer que o silêncio do
consumidor se traduz em aceitação não pode prevalecer, trazendo a nulidade de tal cláusula de
acordo com o art. 51, IV3 do CDC:

Por isso faz se necessário uma informação clara, sem possibilidade de interpretação
dúbia pelo fornecedor, assegurará ao consumidor o direito de vincular-se ou não, de forma
consciente, ao contrato. As manifestações, por exemplo, de propaganda veiculada ou
informação restada devidamente comprovada, tornam-se fontes contratuais, e a sua
interpretação deve ser sempre a mais favorável ao consumidor, já que não é ele quem redige as
normas as quais irá aderir.
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PRINCÍPIO DA FACILITAÇÃO DA DEFESA

É o direito que estabelece que a defesa do consumidor, será facilitada por meio de
normas de direito material e processual, bem como por atuação específica do Estado, tem como
objetivo acarreta na inversão do ônus da prova e garante ao consumidor a facilitação dos meios
de defesa de seus direitos, dizer que um dos meios de facilitação de defesa é a inversão do ônus
da prova, portanto, difere-se da relação de direito civil onde a prova incube a quem alega.

Na relação de consumo, o consumidor reclama em juízo, e o fornecedor deverá prova


o contrário quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele
hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências. Sendo o fornecedor a parte que
detém o poder econômico e financeiro na relação consumerista, nada mais justo que a prova
dos fatos seja de sua responsabilidade, por isso a inversão do ônus da prova, com vistas a
facilitar o acesso do consumidor à justiça, para ver/ter seus direitos garantidos.

PRINCÍPIO DA REVISÃO DAS CLAÚSULAS CONTRATUAIS

A possibilidade da revisão do contrato de consumo tem seu fundamento no Art. 6º, V,


CDC. “São direitos básicos do consumidor; V – a modificação das cláusulas contratuais que
estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que
as tornem excessivamente onerosas ”.

São estabelecidos dois critérios alternativos para a revisão contratual, a modificação e a


revisão. No tocante a modificação, existe no contrato uma relação de desproporcionalidade
entre direitos e obrigações. Quanto à revisão, o contrato é celebrado em perfeito equilíbrio,
ocorre que por motivo posterior, sem a possibilidade de previsão das partes, há um desequilíbrio
contratual que termina por onerar excessivamente o consumidor.

A garantia da revisão contratual pela parte prejudicada decorre de outros princípios


basilares para o código consumerista, quais sejam o da boa-fé objetiva e da vulnerabilidade do
consumidor, ambos derivados do princípio da isonomia CF art. 5º caput.

A doutrina diverge quanto à possibilidade ou não da previsão de fato ensejador da


revisão contratual, sendo necessário, segundo corrente majoritária, que após a assinatura do
contrato surjam fatos que torne a prestação excessivamente onerosa.
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PRINCÍPIO DA CONSERVAÇÃO DOS CONTRATOS

O aproveitamento do contrato de consumo tem seu fundamento esculpido no Art. 51, §


2º do CDC que estabelece “a nulidade de uma cláusula contratual abusiva não invalida o
contrato, exceto quando de sua ausência, apesar dos esforços de integração, decorrer ônus
excessivo a qualquer das partes”.

Tal princípio deriva do Código Civil, que destaca os princípios sociais do contrato
prevista no art. 421 CC. Tal dispositivo em comento é basilar ao princípio da revisão das
cláusulas contratuais.

Por tal princípio subentende-se que após analisadas todas as cláusulas que, em tese,
geram onerosidade, o contrato deve ser conservado, mantido, aproveitado.

PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE

É a responsabilidade solidária de todos os agentes envolvidos na atividade de colocação


de produto ou serviço no mercado de consumo. É uma regra geral na lei de proteção ao
consumir. Nesse caso a responsabilização abrange não somente o vendedor ou comerciante,
que manteve contato direto com o consumidor, mas também os demais fornecedores
intermediários que tenham participado da cadeia de produção e circulação do bem, como por
exemplo, o importador, o fabricante, o construtor, o importador e o incorporador.

O princípio da solidariedade encontra-se no parágrafo único do artigo 7º e parágrafo 2º


do artigo 25 CDC; a lei consumerista especifica a solidariedade entre os fornecedores por
defeito do serviço, art. 14; imputa individualmente a responsabilidade objetiva do fabricante,
do construtor, do importador e do comerciante, pelo defeito no produto ou existência de vício,
arts. 12 e 13. A solidariedade entre o fabricante e o comerciante está prevista no art. 18 CDC,
no caso de vício do produto. Enfim, o Código Civil consagra o instituto no artigo 942.

Há responsabilidade solidária entre outros nos seguintes momentos:

Face ao ato do preposto; entende-se, neste caso, que o empregador prolonga sua
atividade através do empregado; quando entre os agentes dos contratos de consórcio estejam a
administradora e a empresa agenciadora; O mau serviço do hotel, incluído no pacote turístico,
é assumido pela empresa de turismo, responde solidariamente o fabricante, o comerciante, o
revendedor, o prestador do serviço, pelo vício na qualidade do produto.
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Enfim, o Direito do Consumidor deve ser entendido como facilitador na distribuição das
riquezas nacionais em nítido comportamento de solidariedade social.

PRINCÍPIO DA IGUALDADE

Baseia-se em princípios constitucionais, o CDC vem caracterizado como um juiz natural


que determina que as relações de consumos sejam estabelecidas através da isonomia, onde
consiste em dar tratamento igual aos iguais e tratamento desigual aos desiguais em busca da
igualdade.

A dignidade da pessoa humana se faz presente em todos os campos em que se desponte


imperativo consolidar o respeito a um valor intrínseco do ser humano, logo, se encontra na
procura de igualdade material nas relações jurídico-sociais.

E como já salientado o consumidor é a parte mais fraca na relação de consumo, haja


vista que o fornecedor detém o poder econômico. E com isso, nada mais, pleno e justo que a
isonomia (igualdade) é aplicada na relação consumerista, porque decorre do fato de que
devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de suas
desigualdades.

REFERÊNCIAS
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BRASIL Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Código de Defesa do Consumidor.


Legislação Federal. Sítio eletrônico internet - planalto.gov.br. Acesso em set 2019.

GARCIA, Wander ; FLUMIAN, Renan . Super-Revisão para Concursos Jurídicos: Doutrina


Completa. 4ª ed. Indaiatuba: Editora Foco, 2016. ISBN 978-85-8242-135-2. p. 842.

Juristas Brasil, pelo advogado Wilson Rafael: https://juristas.com.br/foruns/topic/principio-da-


solidariedade-cdc/

LAGES, Leandro Cardoso. Direito do consumidor: a lei, jurisprudência e o cotidiano. 2ª ed,


Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2015.

Site Migalhas, por Antônio Pessoa Cardoso, Desembargador TJ/BA:


https://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI33148,2104Principio+da+solidariedade+no+CDC

SOUZA, Neri Tadeu Camara. Princípios gerais da defesa do consumidor. In: Âmbito Jurídico,
Rio Grande, II, n. 4, fev 2001. Disponível em: <http://www.ambito-
juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=2113>. Acesso em
set/2019.