Você está na página 1de 61

Manual Prático de Polícia

Judiciária Militar

Manual
Prático de
Polícia
Judiciária 2018
Militar
INQUÉRITO POLICIAL MILITAR

AUTOR: Cap PM Demétrios Wagner Cavalcanti da Silva

1
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Conteúdo
1. Inquérito Policial Militar (IPM)............................................................................................... 3

1.1 O que é um Inquérito Policial Militar e quando deve ser produzido? ............................... 3

1.2 Como fazer uma capa ...................................................................................................... 7

1.3 Como ser nomeado encarregado: Portaria ou Despacho? .............................................. 10

1.4 Como fazer a nomeação de escrivão.............................................................................. 14

1.5 Como fazer os autos conclusos ...................................................................................... 16

1.6 Como fazer um despacho .............................................................................................. 17

1.7 Como fazer um recibo, certidão e juntada ..................................................................... 19

1.8 Como fazer uma intimação para civil ............................................................................. 21

1.9 Como requisitar a presença de um militar para depoimento ......................................... 26

1.10 Como fazer um interrogatório ..................................................................................... 27

1.11. Como fazer a prisão por parte do encarregado do IPM ............................................... 31

1.12. Como representar pela prisão preventiva ................................................................... 35

1.13 Como fazer um Termo de depoimento de testemunha ................................................ 36

1.13.1 Como fazer um depoimento registrado em vídeo (vídeo-audiência)? .................... 39

1.14 Como fazer uma acareação ......................................................................................... 40

1.15 Como fazer uma Deprecada ........................................................................................ 42

1.16 Como fazer um depoimento por vídeo conferência?.................................................... 43

1.17 Como requisitar uma perícia........................................................................................ 45

1.18 Como fazer um pedido de interceptação telefônica ..................................................... 48

1.19 Como fazer um Termo de Reconhecimento Fotográfico de Pessoas ............................. 52

1.20 Como fazer um Termo de Reconhecimento de Pessoas ............................................... 55

1.21. Como nomear um perito ad hoc ................................................................................. 58

1.22 Como fazer um Laudo Pericial ..................................................................................... 59

1.23 Como fazer um Relatório para encerrar o IPM? ........................................................... 60

2
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1. Inquérito Policial Militar (IPM)

1.1 O que é um Inquérito Policial Militar e quando deve ser


produzido?

A Polícia Judiciária é o ramo da atividade policial que visa desenvolver


papéis que anteveem as ações do judiciário, em muitas das vezes sendo-lhe
imprescindível.

Dentro da atividade de Polícia Judiciária Militar, encontramos alguns


procedimentos típicos dessa atividade e dentre esses temos o Inquérito Policial.

O Inquérito Policial é uma peça investigativa típica das atividades de Polícia


Judiciária.

A Polícia Judiciária Militar é exercida por algumas autoridades e que


estão descritas no art. 7º do CPPM. Vejamos:

Código de Processo Penal Militar


Art. 7º A polícia judiciária militar é exercida nos orças do art. 8º,
pelas seguintes autoridades, conforme as respectivas jurisdições:
a) pelos ministros da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, em todo o
território nacional e fora orç, em relação às orças e órgãos que
constituem seus Ministérios, bem como a militares que, neste caráter,
desempenhem missão oficial, permanente ou transitória, em país
estrangeiro;
b) pelo chefe do Estado-Maior das Fôrças Armadas, em relação a
entidades que, por disposição legal, estejam sob sua jurisdição;
c) pelos chefes de Estado-Maior e pelo secretário-geral da Marinha,
nos órgãos, orças e unidades que lhes são subordinados;
d) pelos comandantes de Exército e pelo comandante-chefe da
Esquadra, nos órgãos, orças e unidades compreendidos no âmbito da
respectiva ação de comando;
e) pelos comandantes de Região Militar, Distrito Naval ou Zona Aérea,
nos órgãos e unidades dos respectivos territórios;
f) pelo secretário do Ministério do Exército e pelo chefe de Gabinete do
Ministério da Aeronáutica, nos órgãos e serviços que lhes são
subordinados;
g) pelos diretores e chefes de órgãos, repartições, estabelecimentos ou
serviços previstos nas leis de organização básica da Marinha, do
Exército e da Aeronáutica;
h) pelos comandantes de forças, unidades ou navios; (Grifos
nossos)

No caso das Polícias e Corpos de Bombeiros Militares a


AUTORIDADE DE POLÍCIA JUDICIÁRIA MILITAR ORIGINÁRIA é dos

3
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Comandantes de Unidades ou do próprio Comandante Geral. Vemos então que


a condição de ser militar é condição precedente ao exercício da Polícia Judiciária
Militar. Estão de fora portanto governadores, prefeitos, secretários de defesa
social e corregedores da Secretaria de Defesa Social 1.

O legislador federal definiu um rol EXEMPLIFICATIVO de atividades a


serem desenvolvidas pela Polícia Judiciária Militar:

CPPM. Art. 8º Compete à Polícia judiciária militar:


a) apurar os crimes militares, bem como os que, por lei especial, estão
sujeitos à jurisdição militar, e sua autoria;
b) prestar aos órgãos e juízes da Justiça Militar e aos membros do
Ministério Público as informações necessárias à instrução e julgamento
dos processos, bem como realizar as diligências que por eles lhe forem
requisitadas;
c) cumprir os mandados de prisão expedidos pela Justiça Militar;
d) representar a autoridades judiciárias militares acerca da prisão
preventiva e da insanidade mental do indiciado;
e) cumprir as determinações da Justiça Militar relativas aos presos sob
sua guarda e responsabilidade, bem como as demais prescrições deste
Código, nesse sentido;
f) solicitar das autoridades civis as informações e medidas que julgar
úteis à elucidação das infrações penais, que esteja a seu cargo;
g) requisitar da polícia civil e das repartições técnicas civis as
pesquisas e exames necessários ao complemento e subsídio de
inquérito policial militar;
h) atender, com observância dos regulamentos militares, a pedido de
apresentação de militar ou funcionário de repartição militar à autoridade
civil competente, desde que legal e fundamentado o pedido.

Observe que a primeira atribuição da Polícia Judiciária Militar é a


apuração do crime militar e sua autoria. Ou seja, dizer “quem fez” e “o que fez”,
face o disposto no Código Penal Militar. E é justamente aí que entra a figura do
Inquérito Policial Militar:

CPPM. Art. 9º O inquérito policial militar é a apuração sumária de


fato, que, nos termos legais, configure crime militar, e de sua
autoria. Tem o caráter de instrução provisória, cuja finalidade precípua
é a de ministrar elementos necessários à propositura da ação penal.

Parágrafo único. São, porém, efetivamente instrutórios da ação penal


os exames, perícias e avaliações realizados regularmente no curso do
inquérito, por peritos idôneos e com obediência às formalidades
previstas neste Código.
(Grifos nossos)

1
Assim é inconstitucional texto Lei estadual nº 11.929/01 que diz em seu art. 2º que “São atribuições
institucionais da Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social: (...)VII - instaurar ou requisitar a
instauração de inquérito policial civil ou militar, acompanhando, nos casos de requisição, a apuração dos
ilícitos;”

4
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Numa concepção lato sensu, podemos entender o Inquérito policial


um instrumento desenvolvido em todos os níveis policiais, seja, ela federal ou
estadual:

Gênero Espécies Quem faz


Polícia Federa
COMUM Polícia Civil
Exército
INQUÉRITO POLICIAL Marinha
MILITAR Aeronáutica
Polícia Militar
Bombeiro Militar
ATENÇÃO
Não confunda: Chamamos de Inquérito Policial Militar não porque são
realizados pela Polícia Militar mas porque são confeccionados em qualquer
esfera militar, federal ou estadual

São características do Inquérito:

 SIGILOSO: Não segue o rito da publicidade.

CPPM. Art. 16. O inquérito é sigiloso, mas seu encarregado pode


permitir que dele tome conhecimento o advogado do indiciado.

É bom alertar que se um advogado solicitar vistas de um


Inquérito, deve-se ceder sempre:
Lei 8906, de 04/07/94
Art. 7º São direitos do advogado: (...) XIV - examinar, em qualquer
instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem
procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer
natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade,
podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital;

 PROVISÓRIO: A decisão que for lavrada em desfavor do imputado


em sede de Inquérito não é definitiva. Ela só será definitiva quando
lhe suceder uma Ação Penal e nela decidir o Juiz.
 INFORMATIVA: Se diz informativa por razões semelhantes a
anterior. Isso porque as notícias trazidas nos autos de um IPM
deve novamente ser produzidas em juízo para estas sim serem
tomadas como prova cabais para condenar ou absolver o
imputado.
 ESCRITA: Porque tudo no IPM é reduzido a termo, ou seja,
descrito no papel.
 INQUISITORIAL: Ou seja, dispensa a aplicabilidade de recursos
que assegurem ao preso a ampla defesa e contraditório vez que o

5
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

papel do IPM é apenas subsidiar uma Ação Penal. Nessa sim é


que haverá o usufruto dessas garantias constitucionais.
 INDISPONÍVEL: O início de um Inquérito, obrigatoriamente deve
ser encerrado nas mãos da autoridade judiciária única competente
para determinar seu arquivamento. Também por esse princípio
deve-se compreender que no IPM não é possível transacionar sua
marcha. A sequencia da apuração deve sempre ser esta:

AUTORIDADE DE PJM PROMOTOR MILITAR JUIZ MILITAR

Ao final INDICIA ou NÃO Ao final DENUNCIA ou NÃO Decide se ARQUIVA ou


INDICIA DENUNCIA ou pede pra
não o IPM
voltar para novas diligências

Quanto ao prazo, assim definiu o legislador:

CPPM. Art 20. O inquérito deverá terminar dentro em vinte dias, se o


indiciado estiver preso, contado esse prazo a partir do dia em que se
executar a ordem de prisão; ou no prazo de quarenta dias, quando o
indiciado estiver solto, contados a partir da data em que se instaurar o
inquérito.

Ainda sobre o prazo do IPM, o legislador definiu que:

CPPM. Art. 20 (...)


§ 1º Este último prazo poderá ser prorrogado por mais vinte dias pela
autoridade militar superior, desde que não estejam concluídos exames
ou perícias já iniciados, ou haja necessidade de diligência,
indispensáveis à elucidação do fato. O pedido de prorrogação deve ser
feito em tempo oportuno, de modo a ser atendido antes da terminação
do prazo.

§ 2º Não haverá mais prorrogação, além da prevista no § 1º, salvo


dificuldade insuperável, a juízo do ministro de Estado competente. Os
laudos de perícias ou exames não concluídos nessa prorrogação, bem
como os documentos colhidos depois dela, serão posteriormente
remetidos ao juiz, para a juntada ao processo. Ainda, no seu relatório,
poderá o encarregado do inquérito indicar, mencionando, se possível, o
lugar onde se encontram as testemunhas que deixaram de ser ouvidas,
por qualquer impedimento.

3º São deduzidas dos prazos referidos neste artigo as interrupções pelo


motivo previsto no § 5º do art. 10.

O parágrafo 5º do art. 10 é aquele referente a suspeição de oficial


superior ao encarregado quando se aguardará determinação da Autoridade de
Polícia Judiciária Militar Originária.

6
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.2 Como fazer uma capa

A Capa de um IPM é a peça responsável por preservar os


documentos constantes dos autos, motivo pelo qual deve ser confeccionada
preferencialmente em papel tipo cartolina, tamanho 48 x 32 ( A3+), gramatura
entre 180g/m² e 75g/m².

A cor da capa é importante para identificar o procedimento


especialmente quando incorporados ao Processo Criminal. Na maioria dos
estados a cor é cinza ou verde.

Deve-se evitar
qualquer tipo de
48cm
encadernamento. Isso porque,
por se tratar de um
procedimento pré-processual,
em seu desenvolvimento e

Vinco
Vinco
mesmo após seu término
documentos podem ser incluídos
ou manuseados, além de que
32cm
ele poderá fazer parte de outras
espécies de Processos, 2cm
especialmente o processo crime.

Outro procedimento a
observar é a dobra da capa.
Optamos por preferir dois
vincos, distanciados em 2cm, centralizados. Isso
favorecerá uma melhor distribuição dos documentos a serem incluídos nos
autos.

Outra observação importante a notar é a quantidade de páginas por


volume. Não há uma normatização única e geral, variando de estado a estado,
mas 200 ( duzentas ) folhas é o padrão adotado em sua maioria. Por referência
apontamos o art. 47 das normas de serviço da corregedoria geral da justiça
publicada no Provimento nº 50/89, de 04/09/1989, e ainda o art. 90, §1º, do
Provimento da Corregedoria Geral de Justiça de PE nº 20 de 20/11/2009
(Código de Normas dos Serviços Notariais e de Registro do Estado de
Pernambuco), publicado no DOPJ 30/11/2009.

Para que tal organização seja coerente, é importante que todas as


peças produzidas e que irão compor o volume sejam feitas em papel branco,
tamanho A4.

7
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Importante desde já destacar é que embora faça parte dos autos, a capa
conta como se folha fosse mas sua numeração não é aposta .

Também devemos advertir que caso seja necessário a abertura de um novo


volume, nova capa deverá ser produzida.

Podemos dividir a capa em 03 ( três partes: Cabeçalho, dados indicativos e


autuação.

O cabeçalho deve ser colocado no alto da face que servirá de primeira


página deve ser colocado o timbre da Corporação, seguido do ordenamento hierárquico
da Organização Militar. Não se deve incluir o setor operacional onde está sendo
produzido

Pernambuco
Governo do Estado
Secretaria de Defesa Social
Polícia Militar de Pernambuco
11ºBPM – Batalhão 17 de Agosto
1ª Seção

A seguir devem ser apostos os dados indicativos, normalmente


apostos no centro da capa. São eles:

 Numeração do Procedimento (onde haja 2)

 Dados do encarregado: nome completo, OME, posto e matrícula.

 Dados do escrivão: nome completo, OME, posto e matrícula.

 Dados do indiciado: nome completo, OME, posto e matrícula.

 Dados do ofendido (se houver) : nome completo, OME, posto e


matrícula.

 Sinopse do fato. Aqui deve-se narrar sucintamente o fato, evitando-


se referir-se ao tipo penal onde se encontre.

2
Em Pernambuco, devemos destacar a que exsite e ´qe representado pelo SIGPAD – Sistema Integrado de
Gestão de Processos Administrativos Disciplinares.

8
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Modelo de Capa

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto

INQUÉRITO POLICIAL MILITAR


NUP nº 2015.1.0000153

ENCARREGADO: Cap PM Mat. 115231-0 José Fortunato

ESCRIVÃO: 3º Sgt PM Mat. 980023-2 Marcos José dos Santos

INDICIADO: Sd PM Mat. 970234-1 Natanael Bezerra Cruz

OFENDIDO: José Genivaldo de Lima

SINOPSE DO FATO: O imputado teria agredido fisicamente o ofendido durante abordagem


policial em 23/12/2015.

AUTUAÇÃO

Aos 27 dias do mês de janeiro do ano de 2015, nesta cidade de Recife-PE, no Quartel do
11ºBPM, autuo a Portaria e demais documentos a ela inclusos, que foram entregues pelo Sr. Cap
PM Marcos José dos Santos, Encarregado deste Inquérito Policial Militar do que, para constar ,
lavro o presente termo. Eu, 3º Sgt PM Marcos José dos Santos, servindo de Escrivão, que
escrevi e assino _____________.

Note que na parte inferior da capa, temos a autuação. Autuação é o


procedimento adotado pelo escrivão de dar forma ao Processo, gerando um livro
( o auto) capaz de receber todos os documentos e provas relacionadas ao objeto
demandado. É na autuação que o escrivão atestará ao encarregado que os
documentos originários estão prontos para ser instruídos.

9
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.3 Como ser nomeado encarregado: Portaria ou Despacho?

Há dois tipos de competências quando tratamos de Polícia Judiciária


3
Militar . Como vimos anteriormente, a primeira é aquela definida pelo próprio
Código de Processo Penal Militar no art. 7º. Chamamos essa de
COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA. Mas ela pode ser transferida a terceiros. A essa
chamamos de COMPETÊNCIA DELEGADA que foi definida nos parágrafos 2º,
3º e 4º do art. 7º. Vejamos:

Art. 15. Será encarregado do inquérito, sempre que possível, oficial de


posto NÃO INFERIOR AO DE CAPITÃO ou CAPITÃO-TENENTE; e,
em se tratando de infração penal contra a segurança nacional, sê-lo-á,
sempre que possível, oficial superior, atendida, em cada caso, a sua
REGRA hierarquia, se oficial o indiciado.
GERAL CPPM. Art. 7º (...)
§ 2º Em se tratando de delegação para instauração de inquérito policial
militar, deverá aquela recair em OFICIAL DE POSTO SUPERIOR AO
DO INDICIADO, seja este oficial da ativa, da reserva, remunerada ou
não, ou reformado.
1ª Hipótese § 3º Não sendo possível a designação de oficial de posto superior ao
Excepcional do indiciado, poderá ser feita a de oficial do mesmo posto, desde que
mais antigo.

2ª Hipótese § 4º Se o indiciado é oficial da reserva ou reformado, não prevalece,


Excepcional para a delegação, a antiguidade de posto.
§ 5º Se o posto e a antiguidade de oficial da ativa excluírem, de modo
3ª Hipótese
absoluto, a existência de outro oficial da ativa nas condições do § 3º,
Excepcional
caberá ao ministro competente a designação de oficial da reserva de
posto mais elevado para a instauração do inquérito policial militar; e, se
este estiver iniciado, avocá-lo, para tomar essa providência.

Assim basta ser Oficial Intermediário para ser designado encarregado


de IPM, independente do quadro a que pertença. Mas há uma observação do
legislador aposta no art. 10, §5º, do CPPM:

CPPM. Art. 10 (...) §5º.Se no curso do inquérito, o seu encarregado verificar a existência de indícios
contra oficial de posto superior ao seu, ou mais antigo, tomará as providências necessárias para que
as suas funções sejam delegadas a outro oficial, nos termos do §2º do art. 7º

O art. 10 diz em seu caput que “O inquérito é iniciado mediante


portaria”, e em seguida passa a elencar os meios que podem provocar sua
edição. Assim não é possível ter um Inquérito iniciado por despacho pois foi o

3
Eis uma diferença a Polícia Judiciária comum pois o Delegado, embora tenha esse nome, tem a
competência originária dada pelo próprio legislador para instaurar o Inquérito Policial ( comum),
conforme art. 4º do CPP.

10
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

legislador que apontou que deverá ser confeccionado Portaria. Entretanto, por se
tratar de uma peça indiciária e sigilosa, não há obrigatoriedade de que este ato
seja publicado em Boletim da OME.

A portaria deverá ser elaborada conforme o critério de redação oficial


da Organização Militar expedidora, mas deve conter o seguinte texto:

Fl. nº 002
O carimbo de
folhas deve ser
________
Escrivão aposto no alto
à direita da
PERNAMBUCO folha.
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO ATENÇÃO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto Não se numera
o verso!

Portaria nº 395/15

Resolve: Instaura IPM e nomeia


encarregado

O Comandante do 11ºBPM, no uso de suas atribuições


conferidas pelo art. 144, §4º, parte final, e pelo art. 7º e 8º,a, do
CPPM, e, ainda, considerando a notícia crime referente aos delitos A partir de agora (
militares em tese perpetrados, RESOLVE: ou seja, na capa não
se faz) todo verso de
I - Instaurar inquérito Policial Militar, a fim de apurar as documento em
circunstâncias em que o Sd PM Mat. 970234-1 Natanael Bezerra branco deverá ser
Cruz teria agredido fisicamente o Sr. José Genivaldo de Lima riscado. Veja na
durante abordagem policial em 23/12/2015;
II – Delegar, nos termos do art. 7º, §2º do CPPM, poderes
próxima página
ao Cap PM Mat. 115231-0 José Fortunato para desenvolver as
funções de Encarregado do IPM.
III – Estabelecer o prazo inicial de 40 ( quarenta) dias.

Recife-PE, 26 de janeiro de 2015

O “recebido” é
Ten Cel PM Ronaldo José de Moraes optativo. Serve para
Comandante do 11ºBPM
Recebi em 27/12/2015
assinalar a data de
recebimento
Encarregado

11
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Pode ser que a dinâmica administrativa da Unidade impeça a


lavratura de Portaria por parte da Autoridade Originária. Nesse caso, é o próprio
encarregado quem lavrará a Portaria e nesse caso o instrumento poderá servir
para substituir a nomeação do escrivão (que seria o próximo documento),
Fl. nº 002

________
Escrivão

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto

PORTARIA
(Do Encarregado)

Com as atribuições a mim delegadas pelo Ilmo. Sr. Cel


Fulano de Tal, e nos termos do art. 10, b, do Código de Processo
Penal Militar, resolvo baixar a presente Portaria para determinar a
instauração do presente Inquérito Policial Militar com vistas apurar
acusação em desfavor do Cb PM Mat. 9999099-9 tal tal tal,
suspeito de haver no dia tal feito tal coisa contra tais pessoas.
Diante dos fatos, nomeio como escrivão o Sgt PM Mat.
ssssss-s tal, determinando-lhe que proceda com as atribuições e
providências que lhe são inerentes nessa fase procedimental.

Recife-PE, 26 de janeiro de 2015

Cap PM Fulano de Tal


Encarregado do IPM

fazendo-se assim tudo em um ato só:

A partir da Portaria será comum termos folhas com verso em branco.


Compete ao escrivão tomar a cautela de riscar ou carimbar o verso. Vejamos como:

12
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

EM BRANCO

Procure colocar o
carimbo em uma
posição bem
centralizada,
equidistante.

Entretanto nada impede que normas administrativas imponham outros dados


que devem conter a Portaria de instauração. É o caso de Pernambuco onde o
Comandante Geral da PMPE baixou a seguinte diretriz:

Port. do Cmdo Geral PMPE nº 638, de 10/07/03


Pub. no SUNOR nº 036, de 14/07/03

Art. 1º. Os Comandantes, Chefes e Diretores deverão mencionar nas Portarias


de instauração de Processos Administrativos Disciplinares ( Processo de
Licenciamento ex officio, a bem da Disciplina e Sindicância) e de
Procedimentos investigatórios ( Inquérito Policial Militar) a narração sucinta do
fato e quando possível a autoria do mesmo.

Sugerimos quatro perguntas que devem ser respondidas na elaboração de


uma Portaria instauradora:

(1) Quem? Refere-se aos dados do acusado e ofendido.


(2) Quando? A data do ocorrido a apurar.
(3) Onde? Local.
(4) O que? O fato a ser apurado.

13
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.4 Como fazer a nomeação de escrivão

Caso não já tenha sido definido na Portaria, é possível nomear a


posteriori um escrivão, para o que definiu o legislador:
CPPM. Art. 11. A designação de escrivão para o inquérito caberá ao respectivo
encarregado, se não tiver sido feita pela autoridade que lhe deu delegação para
aquele fim, recaindo em segundo ou primeiro-tenente, se o indiciado for
oficial, e em sargento, subtenente ou suboficial, nos demais casos.

Parágrafo único. O escrivão prestará compromisso de manter o sigilo do


inquérito e de cumprir fielmente as determinações deste Código, no exercício
da função.

O texto é simples. Vejamos.

Fl. nº 003

________
Escrivão

PERNAMBUCO
A partir de
agora, as folhas Governo do Estado
produzidas no SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
IPM devem ter POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
essa
Inquérito Policial Militar
demarcação

NOMEAÇÃO DE ESCRIVÃO

No uso das atribuições que me confere o Art. 11 do Código de


Processo Penal Militar, designo para exercer as funções de Escrivão deste
IPM o 3º Sgt PM Mat. 980023-2 Marcos José dos Santos, para isso
prestando o solene compromisso legal, juntar a exordial e autuar
juntamente com ela as peças que a acompanham.

Recife-PE, 27 de janeiro de 2015

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

14
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

O escrivão, devidamente designado pela autoridade delegante ou pelo


encarregado do IPM, tem o dever de prestar toda assistência que se fizer
necessária ao encarregado do IPM. Ele desempenha um papel fundamental na
apuração da infração penal militar na medida em que é responsável pela reunião
e o ordenamento das peças do Inquérito Policial Militar. É dele a competência
de, dentre outros, digitar as oitivas, numerar, receber documentos e guardar os
autos em local protegido. O termo de nomeação de escrivão deve ser seguido
imediatamente do Termo de Compromisso:

Fl. nº 003

________
Escrivão

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

TERMO DE COMPROMISSO

Aos vinte e sete dias do mês de janeiro de dois mil e quinze, eu, 3º
Sgt PM Mat. 980023-2 Marcos José dos Santos, com arrimo no que
preconiza o art. 11 do Código de Processo Penal Militar, perante o sr.
Encarregado, presto o compromisso de manter sigilo e fielmente cumprir
as determinações legais inerentes as funções de escrivão do Inquérito
Policial Militar instaurado por força da Portaria do Cmdo do 11ºBPM nº
395, de 26 de janeiro de 2015

3º Sgt PM Marcos José dos Santos


Escrivão

15
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.5 Como fazer os autos conclusos

Prestado o compromisso e autuado os documentos, a primeira parte


do IPM estará pronto, ou seja, “CONCLUSO”. Sempre que alguma determinação
for cumprida e encontrar-se pronta para nova movimentação, será necessário
que o escrivão diga isso nos autos.

O termo que marca a conclusão pode ser firmado de duas maneiras:

1) Através de termo próprio, ou; 2) Carimbando o verso da última folha

Fl. nº 004

________
Escrivão

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar
_____ CONCLUSÃO _____

Aos _27_ dias do mês de


_janeiro_ de _2015_, faço
TERMO DE CONCLUSÃO conclusos os autos ao Sr.
Encarregado.

_______________
Escrivão

Aos vinte e sete dias do mês de janeiro de


2015, eu, 3º Sgt PM Mat. 980023-2 Marcos José dos
Santos, faço conclusos os autos ao Sr. Encarregado do
IPM, do que para constar lanço o presente Termo. Procure colocar o
carimbo em uma
posição bem
centralizada,
equidistante.
3º Sgt PM Marcos José dos Santos
Escrivão

16
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.6 Como fazer um despacho

Concluso os autos, estes devem retornar ao Encarregado que o


observará e dará as primeiras determinações instrutórias. Chamamos de
Despachos ordinatórios.

Mais que procedimentos devem ser observados pelo Encarregado?


Observemos o que diz o Código de Processo Penal Militar:

CPPM. Art. 10 (...) § 2º O aguardamento da delegação não obsta que o


oficial responsável por comando, direção ou chefia, ou aquele que o
substitua ou esteja de dia, de serviço ou de quarto, tome ou determine
que sejam tomadas imediatamente as providências cabíveis, previstas
no art. 12, uma vez que tenha conhecimento de infração penal que lhe
incumba reprimir ou evitar.

Art. 12. Logo que tiver conhecimento da prática de infração penal


militar, verificável na ocasião, a autoridade a que se refere o § 2º do art.
10 deverá, se possível:
a) dirigir-se ao local, providenciando para que se não alterem o estado
e a situação das coisas, enquanto necessário;
b) apreender os instrumentos e todos os objetos que tenham relação
com o fato;
c) efetuar a prisão do infrator, observado o disposto no art. 244;
d) colher todas as provas que sirvam para o esclarecimento do fato e
suas circunstâncias.

Art. 13. O encarregado do inquérito deverá, para a formação deste:


Atribuição do seu encarregado
a) tomar as medidas previstas no art. 12, se ainda não o tiverem sido;
b) ouvir o ofendido;
c) ouvir o indiciado;
d) ouvir testemunhas;
e) proceder a reconhecimento de pessoas e coisas, e acareações;
f) determinar, se for o caso, que se proceda a exame de corpo de delito
e a quaisquer outros exames e perícias;
g) determinar a avaliação e identificação da coisa subtraída, desviada,
destruída ou danificada, ou da qual houve indébita apropriação;
h) proceder a buscas e apreensões, nos termos dos arts. 172 a 184 e
185 a 189;
i) tomar as medidas necessárias destinadas à proteção de
testemunhas, peritos ou do ofendido, quando coactos ou ameaçados
de coação que lhes tolha a liberdade de depor, ou a independência
para a realização de perícias ou exames.

Reconstituição dos fatos


Parágrafo único. Para verificar a possibilidade de haver sido a infração
praticada de determinado modo, o encarregado do inquérito poderá
proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que esta não
contrarie a moralidade ou a ordem pública, nem atente contra a
hierarquia ou a disciplina militar.

17
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Fl. nº 005

________
Escrivão

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

DESPACHO nº 001

01. Oficie-se ao Sr. José Genivaldo de Lima, residente na rua 123, nº456, Bairro
Sem Fim, para na qualidade de Ofendido ser ouvido no presente IPM.
02. Intime-se o indiciado a fim de prestar suas declarações.
03. Oficie-se ao Srª Maria Angela de Lima, para ser ouvida na qualidade de
testemunha;
04. Expeça carta precatória ao Sr Comandante do 8º BPM, a fim de determinar,
em seu cumprimento, seja ouvido a testemunha Sofia Andrade Sampaio,
moradora daquela urbe, sobre os fatos que deram origem ao presente Inquérito.
05. Oficie-se ao Sr Diretor do Instituto de Medicina Legal requisitando-lhe o
Laudo Traumatológico realizado na vítima no dia do fato. Caso não tenha sido,
apresente-se o ofendido para ser submetido ao exame.
06. Providencie-se o Sr. Escrivão

Recife-PE, 28 de janeiro de 2015

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

Listamos abaixo apenas alguns exemplos de provas legais que


podem ser produzidos em sede de IPM: (a) Oitiva de Testemunhas; (b)
Acareação; (c) Interrogatório do imputado; (d) Reconstituição dos fatos; (e)
Reconhecimento fotográfico; (f) Reconhecimento pessoal; (g) Avaliação de
coisas ( em casos patrimoniais); (h) Exame residuográfico; (i) Exame
tanatoscópico; (j) Exame de corpo de delito; (k) Interceptação Telefônica; (l)
Documental ( para analisar se foi rasurado, adulterado, etc); (m) Perícia
Grafotécnica ( para comparar assinaturas, textos a mão, etc); (n) Perícia médica
para insanidade mental, etc. É no despacho que o encarregado escolhe as
provas que pretende produzir naquela fase da apuração. Daí porque ser
imprescindível que o encarregado reflita sobre o objeto apuratório para delimitar
no menor número de despachos possíveis todas as provas que vislumbra.

18
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.7 Como fazer um recibo, certidão e juntada

A feitura do IPM, além das diligências, é marcado por uma série de


atos cartoriais e dentre eles temos aqueles que marcam a evolução no tempo
dos atos e providências. Aí se destacam o RECEBIMENTO, CERTIDÃO e
JUNTADA.

O RECEBIMENTO nada mais é do que um registro do dia que os


autos retornam para o escrivão, após lançados os despachos ordinatórios do
encarregado. Caberá ao Escrivão providenciar o cumprimento de todas as
ordens. É para assinalar o dia que os autos retornaram para o domínio do
escrivão, que este lançará em folha própria, o RECEBIMENTO.

Já a CERTIDÃO é uma providencia cartorial que deve ser feita assim


que a última ordem do despacho for cumprida. Não se exige aqui que se tenha a
resposta pretendida mas a provocação da medida. Ou seja, a intimação para
comparecimento das testemunhas, o ofício de solicitação de perícia, etc.

Por fim teremos a JUNTADA. É importante destacar que a juntada


refere-se apenas aos documentos estranhos ao IPM. Assim, não se deve fazer
juntada de ofícios expedidos pelo próprio IPM mas apenas das respostas que se
juntarem aos autos. A data desse termo é a mesma do último documento (
resposta) recebido.

Outra observação importante acerca da “juntada” é que este


procedimento pode ser feito discricionariamente pelo escrivão quando de
respostas a expedientes do IPM elaborados em razão de despachos ordinatórios
do Encarregado. Entretanto, se for recebido um documento para incluir no IPM
mas que não decorra diretamente de um despacho, deve esse documento
passar pelo encarregado que determinará a punho, no canto direito superior
deste, a expressão “junte-se”, seguido de data e rubrica.

Todos esses três atos cartorários, típicos do escrivão de PJM, podem


ser substituídos por carimbos. Nestes casos, os textos devem ser suficientes
para assinalar nos autos a data em que se operam e devem ser apostos
preferencialmente na verso da folha de despachos correspondente. Não
dispondo dos carimbos, o jeito será lançar mão de uma folha com os termos.

19
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Fl. nº 006

________
Escrivão
PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

RECEBIMENTO
Aos 28 dias do mês de janeiro do ano de 2015, nesta cidade de Recife-PE, no
Quartel do 11ºBPM, recebi do Sr. Cap PM José Fortunato, Encarregado do Inquérito,
os presentes autos, do que para constar lavrei o presente termo. Eu 3º Sgt PM Marcos
José dos Santos, servindo de escrivão que digitei e assino ___________.

CERTIDÃO
Aos 30 dias do mês de janeiro do ano de 2015, nesta cidade de Recife-PE, no
Quartel do 11ºBPM, certifico que cumpri o despacho nº 001, do que para constar lavrei
o presente termo. Eu 3º Sgt PM Marcos José dos Santos, servindo de escrivão que
digitei e assino ___________.

JUNTADA
Aos 07 dias do mês de fevereiro do ano de 2015, nesta cidade de Recife-PE,
no Quartel do 11ºBPM, juntei os documentos que adiante seguem, do que para
constar lavrei o presente termo. Eu 3º Sgt PM Marcos José dos Santos, servindo de
escrivão que digitei e assino ___________.

20
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.8 Como fazer uma intimação para civil

Para conduzir a fase de tomada de depoimentos, o encarregado deve


socorrer-se subsidiariamente do previsto entre os arts. 347 e 364 do CPPM. É
isso que determina o art. 301 do próprio CPPM 4.

CPPM. Art. 347. As testemunhas serão notificadas em decorrência de


despacho do auditor ou deliberação do Conselho de Justiça, em que
será declarado o fim da notificação e o lugar, dia e hora em que devem
comparecer.
Comparecimento obrigatório
§ 1º O comparecimento é obrigatório, nos termos da notificação, não
podendo dele eximir-se a testemunha, salvo motivo de força maior,
devidamente justificado.
Falta de comparecimento
§ 2º A testemunha que, notificada regularmente, deixar de comparecer
sem justo motivo, será conduzida por oficial de justiça e multada pela
autoridade notificante na quantia de um vigésimo a um décimo do
salário mínimo vigente no lugar. Havendo recusa ou resistência à
condução, o juiz poderá impor-lhe prisão até quinze dias, sem prejuízo
do processo penal por crime de desobediência.
Afirmação falsa de testemunha
Art. 364. Se o Conselho de Justiça ou o Superior Tribunal Militar, ao
pronunciar sentença final, reconhecer que alguma testemunha fez
afirmação falsa, calou ou negou a verdade, remeterá cópia do
depoimento à autoridade policial competente, para a instauração de
inquérito.

Civis podem ser intimados naturalmente através de intimação


assinada pelo próprio encarregado. Não há necessidade de autorização judicial
ou mesmo do Comandante. É ato discricionário do Encarregado no exercício de
seu múnus.

Quanto à convocação de servidor público, diz o art. 349 do CPPM que


“o comparecimento de militar, assemelhado, ou funcionário público será
requisitado ao respectivo chefe, pela autoridade que ordenar a notificação”.

Já o art. 13, i, elenca, dentre outras, que é atribuição do encarregado


“tomar as medidas necessárias destinadas à proteção de testemunhas, peritos
ou do ofendido, quando coactos ou ameaçados de coação que lhes tolha a
liberdade de depor, ou a independência para a realização de perícias ou
exames”. Assim, diferentemente do que ocorre no processo, não há qualquer

4
CPPM. Art. 301. Serão observadas no inquérito as disposições referentes às testemunhas e sua
acareação, ao reconhecimento de pessoas e coisas, aos atos periciais e a documentos, previstas neste
Título, bem como quaisquer outras que tenham pertinência com a apuração do fato delituoso e sua
autoria.

21
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

obrigação de que o imputado acompanhe o termo de depoimento em sede de


IPM.

Nisso optamos por filar-nos a corrente que entende que a intimação


assinada pelo Encarregado não corresponde a ordem de condução coercitiva
que só pode ser determinada pelo Juiz. Nesse ponto, não é de nosso interesse
esgotar esse tortuoso debate, mas nos damos a permissão de trazer para
provocar a pesquisa, algumas facetas da controvérsia. Iniciemos pela corrente a
qual nos filiamos:

Melhor é que se entenda pela necessidade de autorização judicial


para a condução coercitiva. Desse modo, caso a autoridade policial
repute indispensável a oitiva do indiciado que se recusou a atender
notificação, deverá noticiar esse fato ao juiz, pleiteando a condução
coercitiva (TÁVORA; ALENCAR, p. 121) 5

Já em sentido contrário:

A condução coercitiva isolada não consiste em restrição à liberdade ou


qualquer outra espécie de segregação (a pessoa não está presa).
Trata-se da imposição de cumprimento de dever legal de
comparecimento. Não há que se falar em “reserva de jurisdição” para
uma providência inerente à regularidade da atividade policial, seja por
ser consectário lógico da função de investigação criminal e correlata
instrução extrajudicial, seja por invocação de poderes implícitos para
viabilizar a identificação, a oitiva ou outro ato que reclame a presença
da pessoa (MORAES, 2014)6

Entedemos que a condução coercitiva impõe uma supressão de


direitos constitucionais insculpidos na Carta Magna em seu Art. 5º do que
destacamos o inciso II ( ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer
qualquer coisa a não ser em virtude de lei) e XV ( liberdade de locomoção). A
dizer deste último dispositivo, para a testemunha civil compelida a comparecer,
contra sua vontade, para prestar depoimento em um procedimento pré-
processual é inquestionável notar-se a supressão temporária da liberdade de ir e
vir do cidadão, praticamente uma mini-prisão, pelo que se impõe atentar ao
disposto no inciso LXI do mesmo Art. 5º da Constituição que excepcionalmente
permite a supressão da liberdade em caso de prisão em flagrante ou ordem
judicial.

Tal discussão parece-nos antes de tudo histórica. Isso porque, a CF


de 1967(69) em seu art. 150, §2º, dizia que “(...) ninguém poderia ser preso salvo

5
TÁVORA, Nestor; ALENCAR, Rosmar Rodrigues. Curso de Direito Processual Penal; 8ª ed. Salvador/BA:
Juspodivm, 2013.
6
MORAES, Rafael Francisco Marcondes. Condução Coercitiva e Polícia Judiciária. In Associação Nacional
dos delegados de Polícia Federal. Artigo. Disponível em
http://www.adpf.org.br/adpf/admin/painelcontrole/materia/materia_portal.wsp?tmp.edt.materia_codig
o=7191&wi.redirect=TPTEOQ7ETXFS7UA0ORLA#.WtnqjRsvzIU. Acesso em 20/04/2018

22
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

por ordem escrita da autoridade competente”, texto este contemporâneo do


Código de Processo Penal Militar que também é de 1969. O equívoco foi
coerentemente corrigido no art. 5º, LXI, da Constituição de 1988.

Assim também entende Nucci7 que pontua ao tratar sobre semelhante


ferramenta, só que do Art. 260 do Código de Processo Penal: "Atualmente,
somente o juiz pode determinar a condução coercitiva, visto ser esta uma
modalidade de prisão processual, embora de curta duração”, entendimento este
que foi patenteado em parecer publicado por Maurício Vieira8 no site jusmilitaris.

Vemos 03 ( três) maneiras de efetivar-se a intimação: (a) a intimação


pode ser feita no modelo proposto adiante; (b) em modelo ofício comum da OME
desde que com numeração própria do IPM e com campo assunto “intimação”, e
ainda; (c) através de Mandado de Intimação, ocasião em que o encarregado
determina ao Escrivão que intime o depoente, certificando o escrivão tão logo
efetive a determinação.

7
NUCCI, Guilherme de Souza. Código de Processo Penal Comentado. RT. São Paulo. 2012. 11ª Ed.
8
VIEIRA, Maurício. Condução Coercitiva de Ofendido e Testemunha no Inquérito Policial Militar – IPM.
Parecer. PMERJ. Disponível em http://www.jusmilitaris.com.br/novo/uploads/docs/condcoercipm.pdf

23
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Vejamos como fazer uma intimação:

Fl. nº 005

________
Escrivão

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

INTIMAÇÃO nº 001

O Cap PM José Fortunato, encarregado do IPM instaurado por força


Modelo de intimação

da Port. Cmdo 11ºBPM nº 395, de 26/01/1995, no exercício das atribuições


legais que lhe são conferidas
INTIMA
João Alexandre Gadelha Silva a comparecer, perante este
encarregado, conforme aposto abaixo a fim de prestar depoimento na condição
de testemunha:

Data: 03 de janeiro de 2016


Local: Secretaria do 11ºBPM, sito à Rua Apipucos, 15 Apipucos, Recife, PE
Hora: 10:00 hs

Recife-PE, 26 de dezembro de 2015

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

Recebi o Original em
____/____/ 2015

___________________

24
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Modelo de Mandado de intimação

Fl. nº 007

________
Escrivão
PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

M.I. nº 001 Recife-PE, 26 de janeiro de 2015

MANDADO DE INTIMAÇÃO

Determino ao sr. escrivão que intime o sr. João


Alexandre Gadelha Silva, em seu endereço sito a Av.
Beberibe, 1900, Arruda, Recife-PE, ou onde encontrar, a fim
de que este compareça, perante este encarregado, conforme
aposto abaixo a fim de prestar depoimento na condição de
testemunha:

Data: 03 de janeiro de 2016


Local: Secretaria do 11ºBPM, sito à Rua Apipucos, 15
Apipucos, Recife, PE
Hora: 10:00 hs
Fui intimado em
____/____/ 2015

Cap PM José Fortunato ________________


Encarregado do IPM

Fl. nº 007

________
Escrivão

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

Of. nº 001 Recife-PE, 26 de janeiro de 2015


Do Encarregado do IPM
Ao Sr. João Gadelha
Assunto: INTIMAÇÃO

Com as atribuições legais a mim conferidas como


encarregado de IPM, INTIMO a V. Sª a fim de que este
compareça, perante este encarregado, conforme aposto abaixo
a fim de prestar depoimento na condição de testemunha:

Data: 03 de janeiro de 2016


Local: Secretaria do 11ºBPM, sito à Rua Apipucos, 15
Apipucos, Recife, PE
Hora: 10:00 hs Recebi o Original em
____/____/ 2015

__________________
Cap PM José Fortunato
Encarregado do IPM

25
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.9 Como requisitar a presença de um militar para depoimento

Conforme discorremos anteriormente, o art. 349 do CPPM determina


que “o comparecimento de militar, assemelhado, ou funcionário público será
requisitado ao respectivo chefe, pela autoridade que ordenar a notificação”.

Assim, se o militar a depor faz parte da mesma Unidade Militar do


encarregado do IPM, não há necessidade de oficiar ao Comando do Batalhão
pois o encarregado já está atuando por delegação deste. Basta oficiar ao
Comandante da Companhia ou mesmo chefe da 1ª Seção da Unidade.

Entretanto, se o militar for de outra Unidade que não a do


Encarregado do IPM, este deverá oficiar ao Comandante da Unidade. É
importante deixar claro na redação do documento que o signatário está oficiando
diretamente ao Superior hierárquico por atuar sob delegação.

Modelo de Ofício
Fl. nº 007

________
Escrivão

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

Of. nº 001 Recife-PE, 26 de janeiro de 2015


Do Encarregado do IPM
Ao Ilmo. Sr. Comandante do 17ºBPM
Assunto: APRESENTAÇÃO DE MILITAR
(Solicita)

Cumprimentando respeitosamente V. S, solicito os bons préstimos no


sentido de apresentar o Cb PM Mat. xxxx-x/xxBOM – FULANO DE TAL para
na condição de testemunha prestar depoimento nos autos do IPM no qual fui
encarregado por força da Port. nº 391/15-Cmdo do 11ºBPM.

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

26
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.10 Como fazer um interrogatório

Quem responde ao interrogatório é o imputado. Não há interrogatório


para testemunha. Para a testemunha, chamamos de depoimento.

O interrogatório é composto da qualificação, que corresponde a


consignar nos autos nome completo, filiação, endereço e outros, e das perguntas
propriamente dito, dispostas. Assim dispõe o art. 306 do CPPM:

CPPM. Art. 306. O acusado será perguntado sôbre o seu nome,


naturalidade, estado, idade, filiação, residência, profissão ou meios de
vida e lugar onde exerce a sua atividade, se sabe ler e escrever e se
tem defensor. Respondidas essas perguntas, será cientificado da
acusação pela leitura da denúncia e estritamente interrogado da
seguinte forma:
a) onde estava ao tempo em que foi cometida a infração e se teve
notícia desta e de que forma;
b) se conhece a pessoa ofendida e as testemunhas arroladas na
denúncia, desde quando e se tem alguma coisa a alegar contra elas;
c) se conhece as provas contra êle apuradas e se tem alguma coisa a
alegar a respeito das mesmas;
d) se conhece o instrumento com que foi praticada a infração, ou
qualquer dos objetos com ela relacionados e que tenham sido
apreendidos;
e) se é verdadeira a imputação que lhe é feita;
f) se, não sendo verdadeira a imputação, sabe de algum motivo
particular a que deva atribuí-la ou conhece a pessoa ou pessoas a que
deva ser imputada a prática do crime e se com elas esteve antes ou
depois desse fato;
g) se está sendo ou já foi processado pela prática de outra infração e,
em caso afirmativo, em que juízo, se foi condenado, qual a pena
imposta e se a cumpriu;
h) se tem quaisquer outras declarações a fazer.

O interrogatório é uma oportunidade para que o imputado apresente


uma versão para a acusação de que está sendo alvo, não podendo o presidente
esquecer que por isso prevalece ao depoente o direito de, querendo,
permanecer em silêncio. O CPPM descreve o interrogatório nos arts. 302 a 306,
e ainda 404 a 409.

Damos destaque aqui ao texto do art. 305, que diz que “ Antes de
iniciar o interrogatório, o juiz observará ao acusado que, embora não esteja obrigado a
responder às perguntas que lhe forem formuladas, o seu silêncio poderá ser
interpretado em prejuízo da própria defesa”(grifos nossos). Esse texto final do art.
305 não foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988. Isso porque
prevalece em nosso ordenamento o Nemo tenetur se detegere, ou comumente
traduzido sob a

27
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

, expressão "ninguém será obrigado a produzir prova contra si


mesmo" mormente utilizado como razão de furtar-se a depor. Trata-se de um
princípio consignado no Pacto de San José da Costa Rica, que em seu Art 8º,
§2º, alínea "g", assegura que "toda pessoa tem o direito de (...) não ser obrigada
a depor contra si mesma, nem a confessar-se culpada"

O art. 305 do CPPM, possui um parágrafo único que diz ainda que
“Consignar-se-ão as perguntas que o acusado deixar de responder e as razões que
invocar para não fazê-lo.” Vejamos o que diz Renato Brasileiro9 acerca desse
dispositivo ( Art. 305):

Os dispositivos do estatuto processual penal militar são claramente


incompatíveis com o princípio do nemo tenetur se detegere. Se o
acusado é titular do direito ao silêncio, do exercício desse direito não se
pode extrair qualquer consequência que lhe seja desfavorável. Caso o
acusado invoque seu direito de ficar em silêncio, não pode o
magistrado ficar fazendo perguntas, uma após a outra, consignando as
perguntas que o acusado deixar de responder como se o acusado
estivesse cometendo uma irregularidade ao negar as respostas. Isso
poderia servir como forma de pressionar o acusado (...) Além disso,
como os registros das perguntas não respondidas e das razões
arguidas pelo acusado não podem ser objeto de valoração pelo
magistrado, deve ser suprimida dos autos qualquer menção a tais
elementos, a fim de se evitar influência indevida sobre o convencimento
do órgão julgador.

Há dois modelos de condução de audiência no sistema processual:

a) Cross examination: É o adotado no Processo penal (comum), a partir do


art. 212 do CPP, onde os advogados, promotores e o próprio juiz faz as
perguntas de seu interesse diretamente ao depoente, delas registrando o
escrivão/secretário.

b) Presidencialista: Neste, todas as perguntas devem ser feitas através do


presidente do ato. É dele a competência para julgar o mérito e forma da
pergunta, bem como a maneira como será consignado. Esse é o modelo
adotado na processualística processual militar.

Há três maneiras de confeccionar um Termo de depoimento:

a) Meramente expositivo: aquele cujo texto é redigido apenas com “QUE”s,


em caixa alta. Nesse modelo o presidente não consigna as perguntas,
mas apenas as respostas. Nesse modelo o presidente do ato apenas
consigna “(...) às perguntas do encarregado, respondeu QUE não estava
no local do fato; QUE não conhece o ofendido; QUE (...)”. Nesse modelo o

9
DE LIMA, Renato Brasileiro. Manual de Processo Penal, Volume I. Niterói: Impetus, 2012, p. 946

28
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

pronome será sempre o início da frase, escrito em letra maiúscula, e


separado das frases com ponto-e-vírgula.

b) Cerimonial: Neste modelo, o encarregado registra tudo conforme ocorre


na audiência. É o que estabelece o art. 300 do CPPM. Assim, o
encarregado deve digitar assim “(..) nada mais falando o depoente,
passou o encarregado a perguntar: PERGUNTADO se o depoente estava
no local do fato, RESPONDEU que estava no local do fato;
PERGUNTADO se conhece o ofendido, RESPONDEU que sim; (...) Neste
modelo as palavras “PERGUNTADO” e “RESPONDEU” devem ser
digitados em caixa alta e separados por vírgula. Entretanto, entre um
quesito e outro as frases devem ser separadas por ponto-e-vírgula10.

c) Misto: o que possui na ata os dois modelos.

Importante também destacar o que o art. 19 do CPPM


estabelece

Inquirição durante o dia


Art. 19. As testemunhas e o indiciado, exceto caso de urgência
inadiável, que constará da respectiva assentada, devem ser ouvidos
durante o dia, em período que medeie entre as sete e as dezoito horas.

Inquirição. Assentada de início, interrupção e encerramento


§ 1º O escrivão lavrará assentada do dia e hora do início das
inquirições ou depoimentos; e, da mesma forma, do seu encerramento
ou interrupções, no final daquele período.

Inquirição. Limite de tempo


§ 2º A testemunha não será inquirida por mais de quatro horas
consecutivas, sendo-lhe facultado o descanso de meia hora, sempre
que tiver de prestar declarações além daquele têrmo. O depoimento
que não ficar concluído às dezoito horas será encerrado, para
prosseguir no dia seguinte, em hora determinada pelo encarregado do
inquérito.

§ 3º Não sendo útil o dia seguinte, a inquirição poderá ser adiada para
o primeiro dia que o fôr, salvo caso de urgência.

Vejamos um modelo proposto para confecção de interrogatório.

10
CPPM. Art. 300. Sem prejuízo da exposição que o ofendido, o acusado ou a testemunha quiser fazer, a
respeito do fato delituoso ou circunstâncias que tenham com este relação direta, serão consignadas as
perguntas que lhes forem dirigidas, bem como, imediatamente, as respectivas respostas, devendo estas
obedecer, com a possível exatidão, aos termos em que foram dadas.

29
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Fl. nº 008

________
Escrivão

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

INTERROGATÓRIO

Aos quatro dias do mês de janeiro do ano de dois mil e quinze, nesta cidade de
Recife, no quartel do 11ºBPM, presente o Cap PM José Fortunato, encarregado de IPM, e
comigo 3º Sgt PM Marcos José dos Santos, servindo atualmente como escrivão,
compareceu às 10:00 horas o imputado, Sd PM Natanael Bezerra Cruz, Mat. 970234-1,
RG 8697, servindo atualmente no 11º BPM, casado, natural de Recife-PE, a fim de ser
interrogado sobre os fatos constante na Portaria Cmdo 11ºBPM nº 395/15, que lhe foi lida,
bem como das demais peças que lhe seguem, tendo o interrogado dito: QUE não estava no
local, e não conhece o ofendido; QUE nunca o viu. Nada mais dito, passou o presidente a
perguntar: PERGUNTADO se (....), RESPONDEU que (....);PERGUNTADO se (....),
RESPONDEU que (....). E como nada mais disse nem lhe foi perguntado, deu o
encarregado por encerrado o presente ato as 10:30 horas mandando lavrar esse termo que
depois de lido e achado de conforme assina o encarregado, imputado, e comigo 3º Sgt PM
Marcos José dos Santos, servindo de escrivão, que o escrevi.

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

Sd PM Natanael Bezerra Cruz


Imputado

3º Sgt PM Marcos José dos Santos


Escrivão

30
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.11. Como fazer a prisão por parte do encarregado do IPM

O instituto da detenção determinada pelo encarregado do IPM


está prevista no art. 18 do CPPM. Vejamos:

Art. 18. Independentemente de flagrante delito, o indiciado poderá ficar


detido, durante as investigações policiais, até trinta dias, comunicando-
se a detenção à autoridade judiciária competente. Esse prazo poderá
ser prorrogado, por mais vinte dias, pelo comandante da Região,
Distrito Naval ou Zona Aérea, mediante solicitação fundamentada do
encarregado do inquérito e por via hierárquica.

É importante destacar ao novel estudante do processo penal


militar que este instituto não deve se confundir com a prisão em flagrante nem
tampouco por qualquer outra espécie de preventiva decretada pelo juízo. É uma
ferramenta a disposição da discricionariedade do encarregado, ou seja, uma
espécie de “detenção provisória decretada pelo encarregado de IPM”.

Primeira observação a ser feita é que, sendo a norma anterior a


CF, é imprescindível sua interpretação observando-se o que foi ou não
recepcionado pela nova ordem constitucional. Neste sentido, temos o art. 5º, LXI,
da CF que diz que “ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem
escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de
transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei”, ou seja, a
detenção provisória pelo encarregado do IPM só é cabível nos crimes
propriamente militares, já que aos demais o constituinte restringiu a hipótese de
cerceamento de liberdade apenas quando do flagrante delito ou ordem judicial.

Os crimes propriamente militares são aqueles que só podem ser


praticados por militares11, enquanto que os impropriamente militares podem ser
praticados por militares ou civis. Assim podemos dizer que deserção ( art. 187 do
CPM) é um crime propriamente militar pois exige-se a condição de militar para
se figurar como seu autor.

Acertado o resumo de ALVARENGA12, 2013:

No meio das espécies de prisões cautelares admitidas na fase de


investigação policial militar, a lei processual militar prevê: a prisão
preventiva, a prisão em flagrante e a detenção pelo encarregado
do IPM. (...). No que tange à prisão temporária, parece não ser
aplicada aos crimes militares, uma vez que a Lei 7.960/89, que a

11
Alguns doutrinadores defendem que há uma exceção que seria o crime de insubmissão ( art. 183 do
CPM)
12
ALVARENGA, Arnaldo Alves de. DETENÇÃO CAUTELAR DO INVESTIGADO POR DECISÃO DO
ENCARREGADO DO INQUÉRITO POLICIAL MILITAR SEM FLAGRANTE E SEM ORDEM JUDICIAL. Disponível
em http://www.jusmilitaris.com.br/novo/uploads/docs/detencaocautelar(1).pdf

31
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

instituiu, não permitiu sua aplicação a esses delitos, nem tampouco


inseriu ou modificou dispositivos do CPPM, circunstância esta que
inviabiliza sua aplicabilidade na fase persecutória penal militar

Entretanto o autor esqueceu da menagem13, outra figura cabível


no ordenamento processual penal militar. Diz o parágrafo único do art. 18 do
CPPM que “ Se entender necessário, o encarregado do inquérito solicitará,
dentro do mesmo prazo ou sua prorrogação, justificando-a, a decretação da
prisão preventiva ou de menagem, do indiciado ”.

Acerca da decretação da prisão, de maneira geral, diz o CPPM:

CPPM. Art. 225. A autoridade judiciária ou o encarregado do inquérito


que ordenar a prisão fará expedir em duas vias o respectivo mandado,
com os seguintes requisitos:
a) será lavrado pelo escrivão do processo ou do inquérito, ou ad hoc , e
assinado pela autoridade que ordenar a expedição;
b) designará a pessoa sujeita a prisão com a respectiva identificação e
moradia, se possível;
c) mencionará o motivo da prisão;
d) designará o executor da prisão.

ALVARENGA coerentemente sugere a adição de outros dois


fundamentos: prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria
(fumus comissi delicti), bem como perigo na liberdade do investigado (periculum
libertatis)

Entretanto, cremos que não é suficiente tais fundamentos. Isso


porque ainda deve-se asseverar que a prisão decretada é imprescindível para o
objetivo do IPM e essa imprescindibilidade deve incluir ainda a inexistência de
outros meios legais hábeis para a medida. Se assim não fosse o legislador
processual penal militar não teria determinado que, embora possa ser decretado
discricionariamente pelo encarregado do IPM, este deve comunicar
imediatamente ao juiz militar a aplicação da medida, oportunidade em que a
autoridade judiciária poderá inclusive anular a medida ou substituí-la por outra
que julgue adequada.

Resumimos assim os requisitos para aplicação da medida de


prisão decretada pelo encarregado do IPM: (a) Existência do crime e indícios de
autoria; (b) Perigo na liberdade do investigado; (c) Imprescindibilidade para o
IPM, e; (d) Inexistência de outros meios legais para o objetivo.

13
Art. 266, do CPPM, verbis: "O insubmisso terá o quartel por menagem, independentemente da decisão
judicial, podendo, entretanto, ser cassada pela autoridade militar, por conveniência e disciplina."

32
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Vejamos então como redigi-la:

Fl. nº 008

________
Escrivão

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

DESPACHO INTERLOCUTÓRIO DE DETENÇÃO CAUTELAR

Trata-se de análise quanto ao cabimento de detenção cautelar insculpida no art. 18,


caput, do CPPM em desfavor do Sd PM Mat. xxxxxxx - xxxxxxxxx apurado nos autos do
presente Inquérito Policial Militar.
Narra a exordial que o militar é acusado de ter xxxxxxx
Os autos demonstram, até o presente momento, que o imputado de fato deu causa
as xxxxxxx. Isso porque xxxxxx
Quando ouvido, o imputado evasivamente alegou que xxxxxxxxxx
Ocorre que, uma vez solto, o militar tem coagido testemunhas e xxxxxx ( fls. xxx).
Além disso, agasalhado pela liberdade, o imputado tem se esforçado para mitigar as
provas remanescentes da acusação, vez que xxxxx ( fls. xxx).
É o relatório. Passo a decidir.
Os autos revelam o periculum libertatis e o fumus comissi delicti, pois como
demonstrado largamente, o militar impede a investigação em trâmite. Por si só, tais
circunstâncias demonstram a imprescindibilidade do encarceramento do imputado para o
prosseguimento do IPM.
Doutro modo, não há outra medida legal e eficazmente hábil a dar a pronta resposta
que o caso requer.
Assim, com fundamento no art. 18, caput, do Código de Processo Penal Militar,
DECRETO a imediata detenção cautelar do Sd PM Mat. Xxxx – xxxxx , com residência
em xxxxxx devendo o escrivão lavrar o competente mandado.

Recife-PE, 07 de janeiro de 2015

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

Embora o documento sugerido acima esteja resumido em apenas


uma lauda, não se deve poupar laudas para exaurir a justificativa da excepcional
medida. Após esse documento teremos o mandado de detenção cautelar, nos
moldes do art. 255:

33
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Fl. nº 008

________
Escrivão

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

MANDADO DE DETENÇÃO CAUTELAR

Inquérito instaurado por força da Portaria nº 395/15

O Encarregado do IPM, por força da lei, MANDA ao Sgt PM Mat. Xxxx – xxxx,
designado como executor, que RECOLHA DETIDO, em razão de decretação de
detenção cautelar, nos termos do art. 18, caput do CPPM, ao alojamento do 11ºBPM
onde deverá permanecer à ordem e disposição deste Encarregado, a pessoa de seguinte
qualificação:

Posto/Grad:
Matrícula:
Nome Completo:
Data de Nasc: Naturalidade:
Sexo: Cor.
Residente:

O presente mandado é expedido conforme r. decisão, datada de ___/___/___, que


determinou a detenção cautelar, nos termos do artigo 18, caput, do Código de
Processo Penal Militar, decorrente da acusação de haver no dia xxxxxx feito xxxxx.
CUMPRA-SE, sob pena de desobediência e responsabilidade.

Recife-PE, 07 de janeiro de 2015

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

34
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.12. Como representar pela prisão preventiva

Essa é outra medida prevista no CPPM nos artigos 8º, d, 18, e 254 e
seguintes do CPPM. Uma vez representado, cópia integral dos autos devem ser
encaminhados juntamente a representação para deliberação do juiz. Vejamos
como fazê-la:

Fl. nº 008

________
Escrivão

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

REPRESENTAÇÃO PELA PRISÃO PREVENTIVA


( Parágrafo único do Art. 18 do CPPM)

EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL DE


PERNAMBUCO

Colige os presentes autos de Inquérito Policial Militar, que me foi delegado para
figurar como seu encarregado através da Portaria nº 395, de 26/12/2015, da lavra do pelo
Ilmo. Sr. Comandante do 11ºBPM, objetivando esclarecer acusação de que o imputado, o
Sd PM Mat. 970234-1 Natanael Bezerra da Cruz, teria agredido fisicamente o sr. José
Genivaldo de Souza durante abordagem policial em 23/12/2015.
Os autos revelam que os indícios da autoria são verdadeiros e a prática delituosa
inatacável. Isso porque, as diligências encetadas por este encarregado manifestam
cristalina evidência probatória quanto à autoria delitiva.
Dos fatos descritos nos autos, cujo esclarecimento corresponde ao objeto do
presente Inquérito Policial Militar, provem a formação de juízo desta Autoridade quanto à
imperiosa necessidade da segregação provisória daquele que contra si convergiu os
indícios suficientes de autoria, resultado dos trabalhos investigativos desenvolvidos, pelo
que REPRESENTA ESTE ENCARREGADO, com fulcro no art. 8º, d, 18, e 254 e
seguintes do CPPM, acerca da DECRETAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA DO
INDICIADO, Sd PM Mat. 970234-1 - Natanael Bezerra da Cruz, infrator do Art. 209 do
CPM, por irrefutável necessidade aferida pela presença coexistente dos pressupostos
PROVA DA EXISTÊNCIA DO CRIME E INDÍCIO SUFICIENTE DE AUTORIA
aliados à condição GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA e SEGURANÇA DA
APLICAÇÃO DA LEI PENAL MILITAR, exigência do Art. 255 “a” e “d” do CPP.

Recife-PE, 07 de janeiro de 2015

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

35
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.13 Como fazer um Termo de depoimento de testemunha

Novamente recordamos o que diz o Art. 19 do CPPM:

Inquirição durante o dia


Art. 19. As testemunhas e o indiciado, exceto caso de urgência
inadiável, que constará da respectiva assentada, devem ser ouvidos
durante o dia, em período que medeie entre as sete e as dezoito horas.

Inquirição. Assentada de início, interrupção e encerramento


§ 1º O escrivão lavrará assentada do dia e hora do início das
inquirições ou depoimentos; e, da mesma forma, do seu encerramento
ou interrupções, no final daquele período.

Inquirição. Limite de tempo


§ 2º A testemunha não será inquirida por mais de quatro horas
consecutivas, sendo-lhe facultado o descanso de meia hora, sempre
que tiver de prestar declarações além daquele têrmo. O depoimento
que não ficar concluído às dezoito horas será encerrado, para
prosseguir no dia seguinte, em hora determinada pelo encarregado do
inquérito.

§ 3º Não sendo útil o dia seguinte, a inquirição poderá ser adiada para
o primeiro dia que o fôr, salvo caso de urgência.

Outro destaque que damos é a hipótese do crime de falso testemunho. Essa


figura tanto existe no Código Penal comum como no militar.

Falso testemunho no CPB Falso testemunho no CPM

Falso testemunho ou falsa perícia Falso testemunho ou falsa perícia


Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou Art. 346. Fazer afirmação falsa, ou negar ou
calar a verdade como testemunha, perito, calar a verdade, como testemunha, perito,
contador, tradutor ou intérprete em processo tradutor ou intérprete, em inquérito policial,
judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou processo administrativo ou judicial, militar:
em juízo arbitral: Pena - reclusão, de dois a seis anos.
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) Aumento de pena
anos, e multa. 1º A pena aumenta-se de um terço, se o crime
§ 1o As penas aumentam-se de um sexto a é praticado mediante suborno.
um terço, se o crime é praticado mediante Retratação
suborno ou se cometido com o fim de obter 2º O fato deixa de ser punível, se, antes da
prova destinada a produzir efeito em processo sentença o agente se retrata ou declara a
penal, ou em processo civil em que for parte verdade.
entidade da administração pública direta ou
indireta.
§ 2o O fato deixa de ser punível se, antes da
sentença no processo em que ocorreu o ilícito,
o agente se retrata ou declara a verdade.

36
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Antes de acreditar-se estar diante de um criminoso, é bom é bom relembrar


o rol de testemunhas que não prestam compromisso. Isso porque, se a lei não imputa a
eles a obrigatoriedade de falar a verdade, não há como imputar-lhe a prática criminosa.
Vejamos:

CPPM. Art. 296 (...) § 2º Ninguém está obrigado a produzir prova que
* o incrimine, ou
* [ incrimine] ao seu cônjuge,
* [ incrimine ao] descendente,
* [ incrimine ao] ascendente ou
* [ incrimine ao] irmão

CPPM. Art. 352 (...) § 2º Não se deferirá o compromisso aos


* DOENTES E DEFICIENTES MENTAIS,
* aos MENORES DE QUATORZE ANOS,
* nem às pessoas a que se refere o art. 354

CPPM. Art. 354. A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de


depor. Excetuam-se
* o ascendente
* o descendente
* o afim em linha reta
* o cônjuge, ainda que desquitado, e
* o irmão de acusado,
* bem como pessoa que, com ele [acusado], tenha vínculo de adoção
salvo quando não for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se
a prova do fato e de suas circunstâncias

CPPM. Art. 355. São proibidas de depor as pessoas que, em razão de


função, ministério, ofício ou profissão, devam guardar segredo, salvo
se, desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar o seu
testemunho.

Outro ponto a destacar é que o crime de falso testemunho ele não é passível
de flagrante na prática e isso por duas razões: Primeiro, porque o encarregado, mesmo
que diante de uma mentira escabrosa, não pode dar voz de prisão a uma testemunha
que mente pois a verdade só poderá assim ser definida ao término da apuração. Por
mais que já esteja convencido, apenas no relatório é que o encarregado poderá nos
autos indicar a versão que entende verdadeira e quem dela desviou-se, ou seja, mentiu.
Segundo, porque o próprio legislador que é possível a retratação da mentira conforme
descrito nos últimos parágrafos do art. 346 CPM e 342 CPB.

Também devemos destacar que na justiça militar estadual, apenas é


possível proceder em desfavor de militares estaduais (Constituição, art. 125, §4º).
Assim, se o encarregado entender que uma ou outra testemunha civil mentiu ou omitiu
alguma informação que sabia, restar-lhe-á sugerir que se extraiam peças dos autos para
que o Ministério Público, caso entenda cabível, denuncie a testemunha civil mentirosa
no âmbito da justiça comum.

37
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Fl. nº 008

________
Escrivão

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

TERMO DE DECLARAÇÕES DA TESTEMUNHA


José Fulano de Tal

Aos seis dias do mês de janeiro do ano de dois mil e quinze, nesta cidade de
Recife, no quartel do 11ºBPM, presente o Cap PM José Fortunato, encarregado de IPM, e
comigo 3º Sgt PM Marcos José dos Santos, servindo atualmente como escrivão,
compareceu às 15:00 horas o Sr. José Fulano de Tal, RG nº 999999, casado, natural de
Recife-PE, Cobrador de ônibus, filho de Maria Fulana de Tal e José Fulano de Tal,
residente na Rua outrossim de lá, nº 123, bairro De Cá, Cidade de Olinda-PE, tel. para
contato (81) 9 9999-9999, o qual na condição de TESTEMUNHA prestou compromisso
de dizer a verdade de tudo o que sabia acerca dos fatos apurados neste IPM, e advertida
sobre o crime descrito no art. 342 do CPB, passou a declarar: QUE não possui grau de
parentesco com o acusado ou ofendido, nem com eles possui qualquer relacionamento;
não estava no local, e não conhece o ofendido; QUE xxxxxxxxx. Nada mais dito, passou o
presidente a perguntar: PERGUNTADO se (....), RESPONDEU que (....);PERGUNTADO
se (....), RESPONDEU que (....). E como nada mais disse nem lhe foi perguntado, deu o
encarregado por encerrado o presente ato as 16:30 horas mandando lavrar esse termo que
depois de lido e achado de conforme assina o encarregado, a testemunha, e comigo 3º Sgt
PM Marcos José dos Santos, servindo de escrivão, que o escrevi.

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

José Fulano de Tal


Testemunha

3º Sgt PM Marcos José dos Santos


Escrivão

38
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.13.1 Como fazer um depoimento registrado em vídeo (vídeo-


audiência)?

Desde 2009 o emprego a vídeo-conferência, inclusive em


interrogatório de réu preso, em sede de Ação Penal é possível, conforme
assinala a Lei nº 11.900, de 08/01/09. Essa realidade também se aplica ao
Inquérito, onde é possível ao invés de se registrar as resposta em papel, fazê-las
em mídia.

Fl. nº 008
Fl. nº 008
________
PERNAMBUCO ________
Escrivão
Escrivão
PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL Governo do Estado
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
Inquérito Policial Militar
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar
TERMO DE DEPOIMENTO
(Com registro em vídeo)
MÍDIA COM DEPOIMENTO(S)
Aos sete dias do mês de janeiro do ano de dois mil e (Por videoconferência)
quinze, nesta cidade de Recife, no quartel do 11ºBPM, presente o
Cap PM José Fortunato, encarregado de IPM, e comigo 3º Sgt PM
Marcos José dos Santos, servindo atualmente como escrivão,
compareceu às 15:00 horas o Sr. José Fulano de Tal, casado, filho
de Fulana de Tal e Tal e de João de Tal e Tal, RG 55555, CPF
555555, nascido em Serra Talhada-PE, residindo atualmente no
endereço Rua tal, número tal, bairro tal, o qual após tomar ciência
das razões da presente apuração, passou a esclarecer os fatos
conforme sabia, tudo registrado através de mídia que segue
anexo aos presentes autos. E como nada mais disseram nem lhe
foi perguntado, deu o encarregado por encerrado o presente ato as
16:30 horas mandando lavrar esse termo que depois de lido e
achado de conforme assina o encarregado, e comigo 3º Sgt PM
Marcos José dos Santos, servindo de escrivão, que o escrevi.

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

Cap PM José Fortunato


Testemunha

3º Sgt PM Marcos José dos Santos


Escrivão
Você pode inserir
vários arquivos dentro
de uma mesma mídia,
Peça para todos
desde que
rubricarem a mídia
identificados
onde será gravada o
vídeo

39
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.14 Como fazer uma acareação

Diz o CPPM sobre a acareação:

Art. 301. Serão observadas no inquérito as disposições referentes às


testemunhas e sua acareação, ao reconhecimento de pessoas e
coisas, aos atos periciais e a documentos, previstas neste Título, bem
como quaisquer outras que tenham pertinência com a apuração do fato
delituoso e sua autoria.

Art. 365. A acareação é admitida, assim na instrução criminal como no


inquérito, sempre que houver divergência em declarações sobre fatos
ou circunstâncias relevantes:
a) entre acusados;
b) entre testemunhas;
c) entre acusado e testemunha;
d) entre acusado ou testemunha e a pessoa ofendida;
e) entre as pessoas ofendidas.

Pontos de divergência
Art. 366. A autoridade que realizar a acareação explicará aos acusados
quais os pontos em que divergem e, em seguida, os reinquirirá, a cada
um de per si e em presença do outro.
§ 1º Da acareação será lavrado termo, com as perguntas e respostas,
obediência às formalidades prescritas no § 3º do art. 300 e menção na
ata da audiência ou sessão.
§ 2º As partes poderão, por intermédio do juiz, reperguntar as
testemunhas ou os ofendidos acareados.

A acareação enquanto prova só é cabível para dirimir pontos


controversos entre depoimentos. Isso posto, não é lógico entende-la como meio
de prova inicial mas apenas acessório pois se não houve pontos controversos
entre os depoentes aspirantes a acareação, não haverá o que dirimir.
Outro detalhe é que é possível haver acareação de uma só pessoa.
Para tanto, basta que o depoimento de uma testemunha não coadune em
determinado ponto com outro depoimento. Ao convocar as testemunhas,
imaginemos que uma delas falte ao ato. Tal ausência entretanto não impede que
se afronte ao presente as questões apresentadas pelo depoimento alheio. É o
que diz o art. 367 do CPPM:

Ausência de testemunha divergente


Art. 367. Se ausente alguma testemunha cujas declarações divirjam
das de outra, que esteja presente, a esta se darão a conhecer os
pontos da divergência, consignando-se no respectivo termo o que
explicar.

40
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Fl. nº 008

________
Escrivão

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

TERMO DE ACAREAÇÃO

Aos sete dias do mês de janeiro do ano de dois mil e quinze, nesta cidade de
Recife, no quartel do 11ºBPM, presente o Cap PM José Fortunato, encarregado de IPM, e
comigo 3º Sgt PM Marcos José dos Santos, servindo atualmente como escrivão,
compareceu às 15:00 horas o Sr. José Fulano de Tal, já qualificado neste autos às fls. 013
quando prestou seu primeiro depoimento, por isso figurando neste termo na condição de
TESTEMUNHA 01, e a Srª. Mariana Eticétera da Silva, já qualificada nestes autos às fls.
017 quando prestou seu primeiro depoimento, por isso figurando neste termo na condição
de TESTEMUNHA 02, as quais prestaram compromisso de dizer a verdade de tudo o que
sabiam acerca dos fatos apurados neste IPM. A partir de então o encarregado do IPM leu
aos depoentes os pontos divergentes em seus depoimentos datado de __/__/__ e __/__/__
respectivamente, e instadas a esclarecerem as divergências, passou a declarar a
testemunha 01: (....) Nada mais falando passou a esclarecer a testemunha 02: (...). E como
nada mais disseram nem lhes foi perguntado, deu o encarregado por encerrado o presente
ato as 16:30 horas mandando lavrar esse termo que depois de lido e achado de conforme
assina o encarregado, as testemunhas, e comigo 3º Sgt PM Marcos José dos Santos,
servindo de escrivão, que o escrevi.

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

José Fulano de Tal


Testemunha 01

Mariana Eticétera da Silva


Testemunha 02

3º Sgt PM Marcos José dos Santos


Escrivão

41
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.15 Como fazer uma Deprecada

O nome do ato é “Precatória”. Diz-se deprecante aquele que pede a


diligência a uma autoridade deprecada. Acerca do instituto diz o CPPM:

CPPM. Art. 361. No curso do inquérito policial militar, o seu


encarregado poderá expedir carta precatória à autoridade militar
superior do local onde a testemunha estiver servindo ou residindo, a fim
de notificá-la e inquiri-la, ou designar oficial que a inquira, tendo em
atenção as normas de hierarquia, se a testemunha for militar. Com a
precatória, enviará cópias da parte que deu origem ao inquérito e da
portaria que lhe determinou a abertura, e os quesitos formulados, para
serem respondidos pela testemunha, além de outros dados que julgar
necessários ao esclarecimento do fato.

Fl. nº 010

________
Escrivão
PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

Of. nº 00x/16 -IPM Recife-PE, 08 de janeiro de 2015


Do Encarregado do IPM
Ao Ilmo. Sr. Comandante do 8ºBPM
Assunto: SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA
Anexos: (1) Cópia da Port. Cmdo 11ºBPM
nº 395/15
(2) Cópia da comunicação datada de
xxxxx
(3) Cópia de xxxxx

Cumprimentando-o cordialmente e considerando que fui


designado como encarregado de proceder o IPM por força da Portaria nº 395, de
23/12/2015, arrimado no art. 361 do CPPM, solicito determinar que se proceda a
inquirição da testemunha xxxxxxxxxxx vez que encontra-se residindo no
endereço xxxxxxxxxxx, portanto na área dessa OME, ao tempo que solicito que
se façam as seguintes perguntas além de outras que julgue pertinentes o
encarregado por V. Sª:

a) Se a testemunha viu quando xxxxxxxxx


b) Se o imputado, o Sd PM xxx – xxxx, estava fardado no momento em que
xxxxxxx
c) Se sabe dizer de mais alguma pessoa que xxxxxxxxxxxx

Atenciosamente,

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

42
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.16 Como fazer um depoimento por vídeo conferência?

Na atualidade existem diversos dispositivos que permitem que a


própria autoridade encarregada do procedimento proceda a diligência à
distância. Não assiste razão em impedir o uso de recursos tecnológicos no
Inquérito Policial Militar. Primeiro, porque precisamos ter em mente que trata-se
de uma peça informativa, preliminar e precária. Assim, não há que se falar em
nulidade em nenhum de seus atos. Por outro modo, desde 2009 o emprego a
vídeo-conferência, inclusive em interrogatório de réu preso em sede de Ação
Penal é possível, conforme assinala a Lei nº 11.900, de 08/01/09. Por outro lado,
vez que prevalece no Direito Penal a busca pela verdade real e não apenas a
formal, é bem melhor que o próprio encarregado proceda a diligência a tentar
fazê-lo através de terceiros.
Em Pernambuco inclusive esse recurso foi também adotado para
Processos Administrativos Disciplinares, conforme regulado no Provimento
Correcional nº 01, de 21 de março de 2001, publicado no BG/SDS nº 054, de
22/03/2017. Sugerimos assim a adoção de uma simples assentada de ata
deponencial.
Para tanto, sugerimos ao encarregado que:
1. Busque um recurso tecnológico de gravação continuada, ou seja, que não
precise fazer cortes caso a audiência se prolongue;
2. NUNCA realize edições no arquivo
3. O arquivo deve ser contínuo e gravado em mídia que será aposta na folha
imediatamente após o(s) depoimento(s)
4. Antes de iniciar a gravação, é importante testar o aúdio e imagem para
assegurar-se;
5. No início da audiência, o encarregado deve apresentar-se nitidamente
para que sua voz seja registrada.
6. Após sua apresentação, deve solicitar que o respondente também se
apresente para que fique registrado no arquivo, devendo ainda informar
quem o acompanha na sala de vídeo-audiência (normalmente indicamos
que se designe um assessor técnico para apoiar a diligência).

43
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Fl. nº 008
Fl. nº 008
________
________
Escrivão
Escrivão

PERNAMBUCO PERNAMBUCO
Governo do Estado Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto 11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar Inquérito Policial Militar

TERMO DE DEPOIMENTO MÍDIA COM DEPOIMENTO(S)


(Por videoconferência) (Por videoconferência)

Aos sete dias do mês de janeiro do ano de dois mil


e quinze, nesta cidade de Recife, no quartel do 11ºBPM,
presente o Cap PM José Fortunato, encarregado de IPM, e
comigo 3º Sgt PM Marcos José dos Santos, servindo
atualmente como escrivão, compareceu às 15:00 horas na
sala da secretaria do 14ºBPM o Sr. José Fulano de Tal,
casado, filho de Fulana de Tal e Tal e de João de Tal e Tal,
RG 55555, CPF 555555, nascido em Serra Talhada-PE,
residindo atualmente no endereço Rua tal, número tal,
bairro tal, o qual após tomar ciência das razões da presente
apuração, passou a esclarecer os fatos conforme sabia,
tudo registrado através de mídia que segue anexo ao
presente Termo. E como nada mais disseram nem lhe foi
perguntado, deu o encarregado por encerrado o presente
ato as 16:30 horas mandando lavrar esse termo que depois
de lido e achado de conforme assina o encarregado, e
comigo 3º Sgt PM Marcos José dos Santos, servindo de
escrivão, que o escrevi.

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

3º Sgt PM Marcos José dos Santos


Escrivão

44
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.17 Como requisitar uma perícia


Importante conhecer como funciona o sistema de Polícia
científica no estado para conhecer seu funcionamento.
Em Pernambuco, existe uma Gerência Geral de Polícia
Científica onde se reúnem os órgãos:
Instituto de Medicina Legal - Realiza Perícias Técnico-científicas: Pessoas
vivas (Traumatológicas, sexológicas etc), Cadáveres (Tanatoscópicas) e
Toxicológicas (material orgânico).
Instituto de Criminalística - Realiza perícias Técnico-Científica de locais de
morte, acidentes de trânsito, desabamentos,incêndios, balística,vegetal, etc.
Instituto de Identificação Tavares Buril - Realiza perícias Técnico-Científicas
da prova objetiva no campo da papiloscopia e da representação facial
hunama, por meio das perícias papiloscópicas (em geral inclusive em local
de crime), necropapiloscópicas, neonatal e representação facial humana,
bem como, procede à identificação civil e criminal emitindo carteiras de
identidade e antecedentes criminais.
Laboratório de Perícia e Pesquisa em Genética Forense - Realiza perícias
baseadas no DNA
Identificado o órgão a que se requisitará a perícia, deve o
encarregado oficiar a seu representante maior. Não há necessidade de que esse
ofício seja assinado pelo Comandante da OME mas pelo próprio encarregado já
que há uma delegação legal. Importante neste sentido destacar também o
fundamento disposto no art. 13 do CPPM que ao estabelecer as atribuições do
encarregado, elencou no item “f” como sua competência “determinar, se for o
caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outros exames e
perícias”
Importante destacar que, diferentemente do rito processual, não
há necessidade de intimar o acusado para que requisite perguntas. Não se trata
de um procedimento contraditório.
Outra imposição legal é a descrita no art. 328 do CPPM que
determina que “Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame
de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do
acusado.”
Já o art. 330 elenca alguns exemplos de exames:

CPPM. Art. 330. Os exames que tiverem por fim comprovar a existência
de crime contra a pessoa abrangerão:
a) exames de lesões corporais;
b) exames de sanidade física;

45
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

c) exames de sanidade mental;


d) exames cadavéricos, precedidos ou não de exumação;
e) exames de identidade de pessoa;
f) exames de laboratório;
g) exames de instrumentos que tenham servido à prática do crime.

Fl. nº 010
PERNAMBUCO ________
Escrivão
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

Of. nº 00x/16 -IPM Recife-PE, 08 de janeiro de 2015


Do Encarregado do IPM
Ao Ilmo. Sr. Dr Elbson Cavalcanti – MD Gestor do
IML/PE
Assunto: SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA

Cumprimentando-o cordialmente e considerando que fui desginado


como encarregado de proceder o IPM por força da Portaria nº 395, de 23/12/2015, em
desfavor do Sd PM Mat. Xxxx – xxxxx, vez que foi acusado de haver xxxxx, solicito
periciar o objeto anexo, xxxx, a fim de identificar:
a) xxxxxx
b) xxxxxx
c) xxxxxx

Atenciosamente,

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

Alguns textos são de praxe para determinadas perícias. No caso


de exame traumatológico, por exemplo, a redação normalmente é a seguinte:

Pelo presente, solicito de V. Sª., providências no sentido de ser procedido


o competente EXAME TRAUMATOLÓGICO na pessoa abaixo
qualificada:NOME: , IDENTIDADE N.º , IDADE: , ESTADO CIVIL: ,
PROFISSÃO: , NACIONALIDADE: , NATURALIDADE: , FILIAÇÃO: E DE ,
RESIDÊNCIA: ,N.º , CIDADE: .Outrossim esclareço que.......

46
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Outro exame que nos atemos é o de (in)sanidade mental. Isso


porque diz o CPPM:

CPPM. Art. 156. Quando, em virtude de doença ou deficiência mental,


houver dúvida a respeito da imputabilidade penal do acusado, será ele
submetido a perícia médica.
(...
§ 2º A perícia poderá ser também ordenada na fase do inquérito policial
militar, por iniciativa do seu encarregado ou em atenção a requerimento
de qualquer das pessoas referidas no parágrafo anterior.

Obedecendo o art. 159 do CPPM, o encarregado deve incluir nos


seus quesitos, dentre outros:

1) O periciando, sofre de doença mental, de desenvolvimento mental


incompleto ou retardado?
2) No momento da ação ou omissão, o periciando se achava em algum
dos estados referidos na alínea anterior?
3) Em virtude das circunstâncias referidas nas alíneas antecedentes,
possuía o periciando capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou
de se determinar de acordo com esse entendimento?
4) A doença ou deficiência mental do periciando, caso não tenha lhe
suprimido, diminuiu-lhe, entretanto, consideravelmente, a capacidade
de entendimento da ilicitude do fato ou a de autodeterminação, quando
o praticou?

47
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.18 Como fazer um pedido de interceptação telefônica

Inicialmente, devemos lembrar que a interceptação telefônica é


antes de tudo uma medida excepcional. Assim, sugere-se elaborar inicialmente
um ofício de encaminhamento de pedido de interceptação telefônica simples

Fl. nº 010

________
Escrivão

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

Of. nº 00x/16 -IPM Recife-PE, 08 de janeiro de 2015


Do Encarregado do IPM
Ao Ilmo. Sr. Dr. Luiz Cavalcanti Brito – Juiz de
Direito da Vara da Justiça Militar de PE
Assunto: INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA
Anexos: Requerimento de interceptação telefônica

Cumprimentando cordialmente V. Exª. e vez que fui designado como


encarregado de proceder o IPM por força da Portaria nº 395, de 23/12/2015, arrimado no
art. 361 do CPPM, encaminho em anexo requerimento de interceptação telefônica pelas
razões de fato ali expostas.

Atenciosamente,

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

Anexo a este documento, faremos um requerimento semelhante


ao disposto no capítulo 1.11 “Representação pela prisão preventiva”. Entretanto,
desta feita será assim encorpado:

Fl. nº 008

________48
Escrivão
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

REPRESENTAÇÃO PELA INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA


(Art. 5º, XII da CF e Art. 3º, I da Lei nº 9.296/96)

EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL DE


PERNAMBUCO

( Vide texto a seguir)

Recife-PE, 07 de janeiro de 2015

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

Vamos ao texto.
Assim propomos:

O Cap PM Mat. Xxxxx-xx / 11ºBPM - xxxxxxxxxxx, designado pela


Portaria Cmdo 11ºBPM nº Portaria nº 395, de 23/12/2015 como
encarregado do Inquérito Policial Militar com a finalidade de apurar as
circunstâncias em que o xxxxxxxxxxxxxx fez xxxxxxxxxxx vem, com
fundamento no art.3º, da Lei nº 9.296, de 1996, requerer a V.Exa., se
digne em autorizar a interceptação das comunicações dos telefones
abaixo relacionados, pelos motivos de fato e de direito a seguir
expostos:

DOS FATOS

Preliminarmente, já existem elementos suficientes para confirmar


a participação em infração criminal e indícios razoáveis de autoria dos
indiciados acima citados. E, ainda, os informes apontam que todo o
esquema e contatos da referida quadrilha são realizados através dos
seus telefones celulares, possibilitando, assim, em caso de
interceptação, o mapeamento detalhado de todas as transações ilícitas,
sendo a censura telefônica o único meio eficiente e eficaz de produção
de prova. Vale salientar que, tendo em vista as peculiaridades desta
investigação, a censura legal possibilitará um conhecimento detalhado
do iter crimini, possibilitando um aprofundamento da investigação
criminal e o êxito do seu objetivo.
Conseqüentemente, como se percebe pelas informações até
aqui coletadas, há motivos suficientes para o embasamento da

49
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

necessidade de censura para fins de investigação criminal, motivo


deste requerimento.

DOS PEDIDOS

Em razão do exposto e objetivando possibilitar o esclarecimento


das circunstâncias e estabelecer a inequívoca autoria do ilícito visando
à colheita de elementos que venham auxiliar nas investigações,
requeiro a V.Exª. pela Interceptação Telefônica , pelo prazo de 15
dias, prorrogados por mais 15 dias, com desvio para os números
fornecidos pela Gerência de Inteligência da Secretaria de Defesa Social
(SDS), e que sejam expedidos Mandados Judiciais, em três vias, para
cada empresa de telefonia, de quebra de sigilo
telefônico, determinando que a empresa xxxxxxx, sob pena de incursão
no crime de desobediência, desvie os áudios, as imagens e os dados,
em tempo real, diretamente para o Sistema Guardião, dos terminais
telefônicos móveis de números 081.9999.9999 e 081.9999.9999, linhas
estas de uso de xxxxx e xxxxx, inclusive por desvio e redirecionamento
de chamada (serviço SIGA-ME), vinculação automática da censura
legal ao respectivo aparelho, ESN e IMEI atual e seus eventuais
sucessores, bem como:
a) Que disponibilize os áudios, os textos, as imagens e os dados
dos números acima referidos, em tempo real, diretamente para o
Sistema Guardião, Gerência de Inteligência da SDS, com identificação
das chamadas tentadas, geradas e recebidas, bem como das Estações
Rádiobase (ERBs) transmissoras das ligações e suas respectivas
localizações com os códigos correspondentes à setorização (canal
de controle - rotas de entrada/saída) e intensidades de sinais;
b) Que disponibilize a relação completa dos números telefônicos
das ligações realizadas ou tentadas, geradas e/ou recebidas, pelo
terminal 081.9999.9999, vinculando o ESN e IMEI atual e seus
eventuais sucessores, em relatório detalhado, com nomes, endereços,
e demais dados cadastrais existentes em poder da empresa, referentes
ao período, em planilha eletrônica de terminação .xls. (planilha
eletrônica do Microsoft Excel) gravado em mídia magnética (disquete)
ou óptica (CD-ROM).
c) Que a empresa, acima citada, bem como as demais concessionárias
de telefonia disponibilizem, em tempo real, quando solicitado pela
autoridade policial, os nomes, endereços, telefones adicionais de
contato e demais dados cadastrais existentes em poder das empresas,
referentes aos assinantes dos terminais móveis que tenham gerado,
tentado realizar ou recebido ligações de/para o terminal 081.9999.9999
, vinculando o ESN e IMEI atual e seus eventuais sucessores, bem
como as Estações Rádio-base (ERBs) transmissoras das ligações e
suas respectivas localizações com os códigos correspondentes à
setorização (canal de controle – rotas de entrada/saída) e intensidades
de sinais quando do contato estabelecido, no período de _________
a __________, em planilha eletrônica de terminação ..xls. (planilha
eletrônica do Microsoft Excel) gravado em mídia magnética (disquete)
ou óptica (CD-ROM);
d) Que disponibilize a listagem com todos os números de
telefone, programados para a transferência automática de ligação
(serviço SIGA-ME) pelo terminal telefônico 081.9999.9999, vinculando
o ESN e IMEI atual e seus eventuais sucessores, na qual deverão
constar os locais de instalação, nomes dos assinantes, endereços e
telefones de referência e demais dados cadastrais existentes em poder
da empresa referentes ao período de _______ a _________, em

50
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

planilha eletrônica de terminação ..xls. (planilha eletrônica do Microsoft


Excel) gravado em mídia magnética (disquete) ou óptica (CD-ROM);
e) Que disponibilize listagem com todos os números de telefone
que sinalizaram operação na ERB nº. ... , e outras que tenham efetuado
cobertura ao endereço... no dia.../.../..., entre ...h... e ...h...
(individualizar intervalo de tempo), com as 122 respectivas
sinalizações, em planilha eletrônica de terminação..xls. (planilha
eletrônica do Microsoft Excel) gravado em mídia magnética (disquete)
ou óptica (CD-ROM);

A ordem judicial, acima referida, e ora solicitada, dará maior agilidade


à investigação policial militar e, conseqüentemente, se terá uma melhor
instrução processual penal militar. Faz-se necessário salientar que não
se dispõe de outra alternativa investigativa, resguardando,
indubitavelmente, o absoluto sigilo no deferimento desse pedido
e durante a execução da escuta.

Recife-PE, xxx de xxxxx de 2016

Cap PM.xxxxxxxx

51
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.19 Como fazer um Termo de Reconhecimento Fotográfico de


Pessoas

Fl. nº 008

________
Escrivão

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

TERMO DE RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO

Aos dezessete dias do mês de janeiro do ano de dois mil e quinze, nesta cidade de
Recife, no quartel do 11ºBPM, presente o Cap PM José Fortunato, encarregado de IPM, e
comigo 3º Sgt PM Marcos José dos Santos, servindo atualmente como escrivão,
compareceu às 15:00 horas o Sr. José Fulano de Tal, RG nº 999999, casado, natural de
Recife-PE, Cobrador de ônibus, filho de Maria Fulana de Tal e José Fulano de Tal,
residente na Rua outrossim de lá, nº 123, bairro De Cá, Cidade de Olinda-PE, tel. para
contato (81) 9 9999-9999, o qual na condição de TESTEMUNHA, sob compromisso de
dizer a verdade de tudo o que sabia acerca dos fatos apurados neste IPM, passou a
descrever o suspeito das agressões que alega ter sofrido, assim relatando: alto, moreno,
cabelos grisalhos, xxxxxx. Encerrada a descrição, foi-lhe apresentado a folha de
reconhecimento constante de 06 ( seis) imagens de militares do 11ºBPM, identificados
apenas por algarismos numéricos, passando a testemunha a indicar a imagem nº 03 ( três)
como sendo o de seu agressor, tendo neste ato circulado a imagem que, conforme consta
na folha de confrontação, corresponde ao Sd PM Mat. Xxxxx – xxxxxxx como sendo a
daquele que o agrediu em 23/12/2015 durante xxxxxx.

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

José Fulano de Tal


Testemunha

3º Sgt PM Marcos José dos Santos


Escrivão

O Termo de Reconhecimento Fotográfico de pessoas não foi


expressamente relacionado pelo legislador processual penal militar mas é uma
ferramenta que pode ser usada pelo encarregado para o esclarecimento da
apuração.

52
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Para tanto serão necessárias 03 peças:


1) O termo
2) A folha de reconhecimento
3) A folha de confrontação
O Termo é o documento propriamente dito. Isso porque é nele que
faremos a assentada de dia e hora do procedimento, bem como das
testemunhas além da qualificação de quem procede ao reconhecimento.
Inicialmente o encarregado apresentará ao reconhecedor a “folha de
reconhecimento”(modelo na próxima página). Nela deve constar a foto
disponibilizada em quadro fotográfico da OME envolvida com outros militares
uniformizados com o mesmo padrão ( normalmente o 4ºA) e sob um mesmo
tamanho de fotografia ( normalmente 3x4), todos identificados apenas por
números. Importante que o encarregado tenha uma cautela de dispor pessoas
com mesmo perfil do imputado. Assim se ele é um homem, não se deve
apresentar ao reconhecedor(a) fotos de militares femininas. A quantidade de
imagens deve seguir o bom senso do encarregado.
Já na “folha de confrontação” devem ser apostos as mesmas imagens
fotográficas, na mesma ordem e tamanho, mas desta feita com a matrícula e
nome-de-guerra do militar a que corresponde.
Essas cautelas visam minizar os riscos da injustiça na aplicação
desse meio de prova. A despeito do reconhecimento fotográfico, voltemo-nos á
doutrina:
Cuida-se de meio de prova inominado, porém lícito, vez que não
contraria expressamente qualquer norma constitucional ou legal. Mas
a licitude da produção da prova não pode significar, automaticamente,
eficiência e relevância. Ao reconhecimento fotográfico deve-se
conceder valor relativo, com análise cuidadosa e, se viável, admitido
em caráter excepcional (NUCCI, Guilherme de Souza. Provas no
Processo Penal. 2ª ed. Rev., atual. E ampl. São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 2011. Pg. 185)

53
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Antefolha Folha de identificação


Fl. nº 013 Fl. nº 014

________ ________
Escrivão Escrivão

PERNAMBUCO PERNAMBUCO
Governo do Estado Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto 11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar Inquérito Policial Militar

FOLHA DE RECONHECIMENTO FOLHA DE CONFRONTAÇÃO


Sd PM Mat. Sd PM Mat. Sd PM Mat.
Foto 01 Foto 02 Foto 03 Xxxx - xxxx Xxxx - xxxx Xxxx - xxxx

imagem imagem imagem imagem imagem imagem

Sd PM Mat. Sd PM Mat. Sd PM Mat.


Foto 04 Foto 05 Foto 06 Xxxx - xxxx Xxxx - xxxx
Xxxx - xxxx

imagem imagem imagem imagem imagem


imagem

54
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.20 Como fazer um Termo de Reconhecimento de Pessoas

Acerca da prova, com arrimo no art. 301 do CPPM, assim diz o


diploma legal:

CPPM. Art. 368. Quando houver necessidade de se fazer o


reconhecimento de pessoa, proceder-se-á pela seguinte forma:
a) a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento será convidada a
descrever a pessoa que deva ser reconhecida;
b) a pessoa cujo reconhecimento se pretender, será colocada, se
possível, ao lado de outras que com ela tiverem qualquer semelhança,
convidando-se a apontá-la quem houver de fazer o reconhecimento;
c) se houver razão para recear que a pessoa chamada para o
reconhecimento, por efeito de intimidação ou outra influência, não diga
a verdade em face da pessoa que deve ser reconhecida, a autoridade
providenciará para que esta não seja vista por aquela.
§ 1º O disposto na alínea c só terá aplicação no curso do inquérito.
§ 2º Do ato de reconhecimento lavrar-se-á termo pormenorizado,
subscrito pela autoridade, pela pessoa chamada para proceder ao
reconhecimento e por duas testemunhas presenciais.

É importante registrar que o imputado não é obrigado a participar do


procedimento. Isso porque prevalece no ordenamento jurídico a máxima de que
ninguém será obrigado a produzir provas contra si mesmo.
É necessário ter muita cautela quanto a esse meio de prova. A
despeito do reconhecimento pessoal, encontramos na doutrina:

De todas as provas previstas no nosso diploma processual penal, esta


é a mais falha, a mais precária. A ação do tempo, o disfarce, más
condições de observação, erros por semelhança, a vontade de
reconhecer, tudo, absolutamente tudo, torna o reconhecimento uma
prova altamente precária (TOURINHO FILHO, Fernando, Código de
processo Penal Comentado, Ed. Saraiva, 12º Edição, ano 2009, Tomo
I, pag. 645)
GOMES (2010)14, de outro modo complementa:

Qualquer tipo de prova contra o réu que dependa (ativamente) dele só


vale se o ato for levado a cabo de forma voluntária e consciente. São
intoleráveis a fraude, a coação, física ou moral, a pressão, os
artificalismos etc .

Assim, propomos um modelo que salvaguarde a diligência que é


composto de dois procedimentos, a saber: o termo de consentimento, assinado
pelo imputado, e o termo de reconhecimento, assinado pelo reconhecedor:

14
GOMES, Luiz Flávio. Princípio da não auto-incriminação: significado, conteúdo, base jurídica e âmbito
de incidência. Disponível em http://www.lfg.com.br 26 janeiro. 2010.

55
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Fl. nº 008

________
Escrivão

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

TERMO DE LIVRE CONSENTIMENTO

Aos dezessete dias do mês de janeiro do ano de dois mil e quinze, nesta cidade de
Recife, no quartel do 11ºBPM, presente o Cap PM José Fortunato, encarregado de IPM, e
comigo 3º Sgt PM Marcos José dos Santos, servindo atualmente como escrivão, compareceu o
Cb PM Mat. 2222-2/11ºBPM - José Fulano de Tal, já qualificado nestes autos o qual,
cientificado do interesse da vítima de proceder a reconhecimento pessoal, consentiu livremente
em dele participar, e para tanto foram convidados para ladear o imputado na sala de
reconhecimento o Sd PM Mat. 23232-2/11ºBPM – Josué de Silva Sauro, Cb PM Mat. 23342-
5/12ºBPM – Antônio Sandro do Costa, Cb PM Mat. 23234-1/11ºBPM – José Sávio das Coisas
e Cb PM Mat. 12123-2/12ºBPM – André Nascimento da Costa, todos posicionados ombro-a-
ombro, com mesmos aspectos fisionômicos e vestimentas, do que para constar lavrei o
presente termo que vai assinado pelo imputado, por testemunhas presenciais, pelo presidente e
por mim, Marcos José dos Santos, escrivão que o digitei.

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

Cb PM José Fulano de Tal


Imputado

José Fulano de Tal


Testemunha do livre consentimento

José Fulano de Tal


Testemunha do livre consentimento

3º Sgt PM Marcos José dos Santos


Escrivão

56
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

Fl. nº 008

________
Escrivão

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

TERMO DE RECONHECIMENTO DE PESSOAS

Aos dezessete dias do mês de janeiro do ano de dois mil e quinze, nesta cidade de
Recife, no quartel do 11ºBPM, presente o Cap PM José Fortunato, encarregado de IPM, e
comigo 3º Sgt PM Marcos José dos Santos, servindo atualmente como escrivão, aí compareceu
o Sr José Fulano de Tal, Identidade nº 0000032, CPF Nr 001.369.888-44, 22 (vinte e dois)
anos, natural de Recife - PE, filho de Maurício Lopes e Vania Souza, frentista, residindo no
Caxanga, Nr 50, bairro do Iputinga, Recife-PE, advertido do previsto nos artigos 343 a 345 do
CPM e 296, § 2º do CPPM para fins de reconhecimento da pessoa que segundo seu
depoimento de fl.xxxx, onde disse que xxxxxxxxxxx. Foi providenciado a pedido do
reconhecedor, para que não fosse visto pelo reconhecido, um vidro escuro com visibilidade
apenas de um lado. Em seguida ainda, o reconhecedor, foi convidado a descrever o ocorrido e
a pessoa, tendo informado que era um rapaz moreno, estatura mediana, cabelos pretos,
fortinho, com tatuagem na barriga, não sabendo descrever qual era o tipo de tatuagem, sendo
então levado à sala de reconhecimento onde já se encontravam as três pessoas retro
relacionadas, perfiladas e numeradas. Primeiramente, providenciou o Sr Encarregado que o Sr
JACKSON VARELLA, fosse colocado na sala da 2ª Sessão do CMNE, juntamente com mais
02 ( duas) pessoas parecidas com ele, usando os mesmos trajes operacionais, todos numerados
da seguinte forma: ( 1) Sgt PM xxxxxx; (2) Cb PM xxxxxx; (3) Sd PM xxxxxx. Após olhar
atentamente pelo vidro escuro e que lhe proporcionava visão das três pessoas dentro da sala,
apontou e reconheceu de imediato a pessoa de número três, identificada como JACKSON
VARELLA, (qualificação) como sendo o responsável pelos fatos narrados acima. Perguntado
se tinha certeza, respondeu: “absoluta”. A cena do reconhecimento segue em fotografia abaixo,
com seta indicando a pessoa que foi reconhecida.

Imagem

Nada mais havendo a tratar, determinou o Sr Encarregado que se encerrasse este auto,
que depois de lido e achado conforme, vai devidamente assinado por todos os envolvidos na
diligência, pelas testemunhas presenciais e por mim, xxxxxxxxxxxxxxxxxx, escrivão que o
digitei.

Cap PM José Fortunato


Encarregado do IPM

José Fulano de Tal


Testemunha

3º Sgt PM Marcos José dos Santos


Escrivão

57
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.21. Como nomear um perito ad hoc

A realidade fática de diversos municípios brasileiros muitas vezes não


permite ao encarregado socorrer-se de um perito em determinada área do
conhecimento que ele próprio, o encarregado, não domina. É nessa hora que
surge para o encarregado a possibilidade de nomear um perito ad hoc ou seja,
“destinado a essa finalidade”. Podemos proceder assim:

Fl. nº 002

________
Escrivão

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto

NOMEAÇÃO DE PERITO Ad hoc

Ao vinte dias do mês de maio do ano de dois mil de quinze, na sede do 11ºBPM, onde se
achava presente o Cap PM Fulano de Tal, encarregado do IPM, presente o Escrivão 3ºSgt PM Mat.
121-2/11ºBPM – José de Tal, na presença das testemunhas que a tudo assistiram), Sd PM Mat.
13450-2/11ºBPM – Coisado de tal e Sd PM Mat. 12340-5/11ºBPM – Silcrano de Longe, na falta ou
impedimento de Perito Oficial, nomeia e constitui, o sr. José Joaquim de Joás, portador(a) do CPF
nº. 0878078-77, casado, brasileiro, profissão mecânico, filho de Joana da Creuza de tal e Marcos
Creuzo de Tal por Tal, perito “Ad-Hoc”, para proceder a análise, sem dolo nem malícia, relatar o
que sua consciência entender, expedindo laudo de avaliação econômica de veículo, referente ao
veículo Fiat Pálio, placa KKK-1212, RENAVAM 123124245, objeto apreendido no presente IPM,
deferindo-lhe o compromisso legal de bem e fielmente desempenhar o encargo, compromisso esse
que foi prontamente aceito, e, para constar, foi lavrado o presente termo que vai devidamente
assinado, pelo Encarregado, pelas testemunhas, por mim, escrivão que o digitei e pelo
compromissado que na oportunidade também subscreve seu compromisso.

Cap PM Fulano de Tal 3º Sgt PM José de Tal


Encarregado do IPM Escrivão

Sd PM Coisado de Tal Sd PM Marcos José dos Santos


Testemunha Testemunha

_____________________________________________________________

Presto o compromisso de servir sem dolo ou malícia no exercício da função a mim


atribuída na condição de Perito Ad Hoc.

José Joaquim de Joás

58
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.22 Como fazer um Laudo Pericial

Nomeado o Perito, é necessário que ele produza o Laudo Pericial. Para


tanto, o encarregado deve, através de um ofício, relacionar perguntas que
devem ser por respondidas pelo perito acerca do bem periciado. Seria
impossível criar um modelo único para atender a todas as múltiplas
possibilidades de Laudos Periciais. Suscitamos portanto apenas um roteiro que
deve conter:

LAUDO PERICIAL
Inicia-se com a descrição
Perito: João Joás da Silva
CREA nº 929290-58 mais completa possível
do objeto periciado

I – Do objeto
Trata-se da análise pericial de um edifício situado à rua Tal, nº 78,
Bairro das Graças, contendo 320 m² distribuídos em 4 cômodos, sendo o
primeiro um quarto de ................

II – Das respostas aos quesitos Essas perguntas


devem ser
1.0 O imóvel encontra-se em condições de uso? O imóvel não
apresenta mais condições de moradia
entregues ao
2.0 Existe algum indício de que houvesse um aviso de perigo perito através de
iminente no imóvel? Os restos da demonstram que ....... um Ofício
3.0 Qual a motivação da queda do imóvel? A partir da análise
das estruturas, percebe-se que ........

IV – Das conclusões

Isto posto, resta concluso que o que deu causa a queda


precipitada do imóvel de propriedade de. .... foi.....

V – Encerramento

Aos vinte dias do mês de março de dois mil e dezesseis, faço o


encerramento dos trabalhos atinentes a perícia no objeto qualificado
alhures do que para constar lavrei o presente termo.

João Joás da Silva


Perito Ad Hoc

59
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

1.23 Como fazer um Relatório para encerrar o IPM?

O relatório talvez seja a peça mais importante do IPM. É a partir dele


que o Comandante, que é a autoridade de Polícia Judiciária Militar originária, irá
expedir sua solução. Diz o CPPM:

Art. 22. O inquérito será encerrado com minucioso relatório, em que o


seu encarregado mencionará as diligências feitas, as pessoas ouvidas
e os resultados obtidos, com indicação do dia, hora e lugar onde
ocorreu o fato delituoso. Em conclusão, dirá se há infração disciplinar a
punir ou indício de crime, pronunciando-se, neste último caso,
justificadamente, sobre a conveniência da prisão preventiva do
indiciado, nos termos legais.

É preciso observar que o texto final do art. 22 do CPPM não foi


recepcionado pela Constituição Federal. Isso porque ninguém poderá ser punido
sem que se observe o Devido Processo Legal, que no caso dos militares é
aquele definido no seu Código ou Regulamento Disciplinar. Assim, o que pode o
encarregado é ao término demonstrar que a conduta praticada pelo imputado é
ao mesmo tempo um crime mas também uma transgressão disciplinar, e por
essa última opinar que se extraiam cópias de tais e tais peças para que dêem
lastro a instauração de um Processo Administrativo Disciplinar.
O encarregado portanto, após relatar sobre tudo o que apurou, deverá
de forma clara e objetiva dizer DEIXA DE INDICIAR ou INDICIA o imputado, e
neste último caso deve dizer exatamente qual a figura penal que visualiza como
sendo a mais adequada ao caso. Se por outro modo entender por deixar de
indiciar também deve fundamentar as razões fáticas e jurídicas para deixar de
fazê-lo. Em ambos os casos, devemos lembrar que a decisão em sede de IPM é
meramente provisória pois a definitiva mesmo só será conhecida quando da
sentença, ao término da Ação Penal.
Caso até o término do relatório, o encarregado não esteja ainda
convencido do cometimento ou não de uma figura penal, poderá ele no relatório
dizer porque não está convencido e relacionar as diligências não encerradas
para que o Ministério Público, próximo personagem a manusear as peças,
decida sobre a conveniência de ofertar a Denúncia ou devolver para novas
diligências. Entendo necessidade de novas diligências os autos são
encaminhados para o Juiz Militar que devolverá ao encarregado os autos para
proceder com as pendencias supervenientes.

60
Manual Prático de Polícia
Judiciária Militar

PERNAMBUCO
Governo do Estado
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO
11º BPM – Batalhão 17 de Agosto
Inquérito Policial Militar

RELATÓRIO
I - INTRODUÇÃO
O presente Inquérito Policial Militar foi instaurado por força da Port. nº 434, de 12/14/12,
da lavra do Ilmo. Sr. Ten Cel PM Mario Mariado de Maria, comandante do 11ºBPM, em face das
acusações de que o Sd PM Mat. 12121/11ºBPM – Fulano de tal, portador da cédula de identidade nº 45635
PMPE, servindo atualmente no 11º BPM, residente à Rua Visconde de Suassuna, nº 87, Boa Vista, Recife-
PE, nascido aos 18/10/1985, natural de Olinda-PE, filho de Eduardo da Costa Basílio e de Maria Antonieta
Júlia, pelo fato de ter praticado crime de natureza militar, tipificado no Artigo 243 do Código Penal Militar,
no dia 15/45/2018, quando teria em tese afrontado o Maj PM Caval Cavul Caviá.

II – DAS DILIGÊNCIAS
Foram procedidas as seguintes diligências:
a) Remesa de Ofício a ........
b) Juntada de cópia das imagens do CFTV de.....
c) Juntada de registros do GPS da viatura nº.....
d) Remesa de Ofício a ........
...........

III - EXPOSIÇÃO DOS FATOS

As provas colecionadas neste procedimento demonstram que no dia dezoiti de outubro de


dois milita e quinze, às 10:00hs o ..........(fls. 18). Ocorre que ...... (fl.22). Informa o ofendido que ...........
(fls. 19), informação esta corroborada integralmente pelas testemunhas, ........ (fls. 13). ........

IV- CONCLUSÃO

Diante das provas apresentadas, este Encarregado entende que o acusado incorreu no
tipo penal descrito no Art. 294 do Código Penal Militar, não restando outra alternativa senão concluir pela
seu INDICIAMENTO pela prática da referido tipo penal.
Outrossim, vez que a conduta do acusado afronta os pilares éticos traçados no art. 4º do
Dec. 22.114/00, resta imperioso também encetar o competente Processo Administrativo Disciplinar a fim de
aferir a plausibilidade de seus atos perante a figura pública que investe, razão pela qual opino também pela
instauração de Conselho de Disciplina em seu desfavor.
É o opinativo.

Recife - PE, 12 de abril de 2015.

FULANO DE TAL - CAP QOPM


Encarregado

61