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FIORIN, José Luiz.

Linguagem e ideologia O plano da expressão (manifestação) não é apenas o modo com que o discurso é veiculado, mas
Cap. 10: A consciência é um fato social | Cap. 11: A individualidade na linguagem | Cap. 13: Falar uma fôrma que o molda. Um mesmo discurso pode assumir diferentes formas segundo seu
ou ser falado? | Cap. 16: O discurso é reflexo da realidade? | Cap. 20: Comunicar é agir suporte.

Sujeito como produto da ideologia coletiva “Os efeitos linguísticos da expressão estabelecem uma homologia entre expressão e conteúdo,
procurando manifestar o conteúdo na expressão e não apenas pela expressão.” (p. 38)
A consciência dos indivíduos não lhes é única e particular, nem tampouco independente por si só.
“Em síntese, o mesmo discurso pode ser manifestado por diferentes meios de expressão. Nessa
A consciência é social e coletiva.
manifestação, atuarão as coerções do material e agregar-se-ão os conteúdos engendrados pelos
O homem se constitui de “relações sociais ativas e inteligentes” (p. 36), e estas são regidas por
princípios que lhe dita ações, discursos, desejos e sentimentos. efeitos estilísticos da expressão” (p. 40)
A vida concreta dos sujeitos é determinada por sua consciência coletiva: sua própria subjetividade
é coletiva. Discurso como formador do sujeito

“Não há a possibilidade de existir um homem livre de todas as coerções sociais” (p. 36) O homem é formado pelo discurso que ele mesmo emite e que, invariavelmente, o precede e não
o contrário. Sujeito como aquele que se sujeita, não autônomo em relação à ideologia que veicula.
“O que está na consciência é provocado por algo exterior a ela e independente dela” (p. 53)
“As ideias que tem à disposição para tematizar seu discurso são aquelas veiculadas na sociedade
Linguagem como construtora do conhecimento em que vive” (p. 44)

“O discurso não é, pois, a expressão da consciência, mas a consciência é formada pelo conjunto
“A linguagem contém uma visão de mundo, que determina nossa maneira de perceber e conceber
a realidade, e impõe-nos essa visão (...) ordena o caos, que é a realidade em si” (p. 52) dos discursos interiorizados pelo indivíduo ao longo de sua vida” (p. 35)

“A linguagem tem um papel ativo no processo de aquisição do conhecimento” (p. 52) O enunciador “por ser produto de relações sociais, assimila uma ou várias formações discursivas,
que existem em sua formação social, e as reproduz em seu discurso (...) é suporte de discursos” (p.
43)
 Via de mão dupla entre linguagem (discurso) e realidade (ideologia)
“Na medida em que o homem é suporte de formações discursivas, não fala, mas é falado por um
“Embora haja diferentes formações discursivas numa formação social, a formação discursiva discurso” (p. 44)
dominante é a da classe dominante” (p. 43)
“O ‘árbitro’ da discursivização não é o indivíduo, mas as classes sociais. O indivíduo não pensa e
“A linguagem cria a imagem do mundo, mas é também produto social e histórico (...) A linguagem não fala o que quer, mas o que a realidade impõe que ele pense e fale” (p. 43)
formou-se (...) constituindo um produto e um elemento da atividade prática do homem” (p. 53)
 Relação de autonomia entre sujeito e discurso
“O discurso não reflete uma representação sensível do mundo, mas uma categorização do mundo,
ou seja, uma abstração efetuada pela prática social” (p. 54)
Mesmo sendo gerado (e gerador) da ideologia dominante, o discurso aprendido é passível de
“A linguagem tem influência também sobre os comportamentos do homem. O discurso contestação e de vozes a ele contrárias. Ao mesmo tempo em que o sujeito é capaz de reproduzir
e reforçar os discursos históricos da superestrutura, é também capaz de reconhecer seus erros
transmitido contém em si (...) um sistema de valores, isto é, estereótipos dos comportamentos
sistêmicos e construir um discurso que parta daí. O sujeito, no entanto, é incapaz de não partir, de
humanos que são valorizados positiva ou negativamente” (p. 55)
uma forma ou de outra (negativa ou positivamente), da realidade ideológica que o cerca e o
forma.
Discurso como maleável pela expressão
“Discurso crítico não surge do nada, do vazio, mas se constitui a partir dos conflitos e das
“O discurso pertence ao plano do conteúdo. Ele é manipulado por um plano de expressão. (...) contradições existentes na realidade” (p. 44)
Enquanto o discurso pertence exclusivamente ao plano do conteúdo, o texto faz parte do nível da
manifestação.” (p.37-38)

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