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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE DIREITO DE RIBEIRÃO PRETO


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO – MESTRADO

Disciplina: DRP 6018 – Diálogos sobre a Docência no Ensino Superior: Teoria e Prática
Docente: Prof. Dr. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
Discente: Robert Augusto de Souza – NUSP 11586738

SÍNTESE DO CAPÍTULO 1 – “ESCREVER BEM”

Pinker inicia o primeiro capítulo da obra discordando da famosa afirmação de Oscar


Wilde no sentido de que a boa escrita, especialmente no que toca a certos princípios de estilo,
não pode ser ensinada. Com efeito, o autor afirma que há certas características identificáveis
em todos os bons escritores, como o fato de que todos eles são leitores ávidos e extraem suas
referências de outros escritores, o que lhes permite assimilar um vasto inventário lexical e, por
consequência, articular as palavras de maneira mais profícua.
Tomando fôlego no hábito da leitura como mecanismo de desenvolvimento da boa
escrita e compreendendo este esforço como um instrumento de engenharia reversa, Pinker
propõe a análise de excertos da obra de quatro autores (Richard Dawkins, Rebecca Newberger
Goldstein, Margalit Fox e Isabel Wilkerson), cujos textos ele entende exemplificarem o que se
definiria como “boa prosa”, a qual permitiria ao aspirante a escritor pensar o ato de escrever
não como um itinerário espinhoso e cheio de obstáculos, mas como “algo prazeroso, como
cozinhar ou fotografar” (PINKER, 2016, p. 25).
Avaliando o texto de Dawkins (Unweaving the Rainbow), o autor observa a utilização
de palavras marcantes, mas não clichês, no início do escrito (“Vamos morrer, e isso faz de nós
os premiados pela sorte.”) como forma de incitar a curiosidade do leitor e fugir da banalidade.
Além disso, o recurso de elaborações linguísticas paradoxais também induz a curiosidade, o
que se reforça pela utilização de palavras breves e simples (geralmente monossilábicas). Outro
mecanismo útil seria a utilização de figuras de linguagem vívidas para forçar o leitor a
involuntariamente projetar mentalmente a imagem induzida no texto, o que, no exemplo do
texto de Dawkins, opera para corroborar a intenção de sustentar um argumento naturalista a
partir de um conceito sobrenatural (“fantasmas não nascidos”).
Assim, no texto de Dawkins, verifica-se uma articulação em torno da racionalização do
sentido da vida a partir de digressões ásperas sobre a morte (inclusive pelo uso de conceitos
com os quais o autor, que é ateu, não concorda).
Ao contrário de Dawkins, Rebecca Goldstein apela para técnicas pessoais e evocativas,
abrindo espaço para reflexões mais afetas à metafísica e à pessoalidade. No trecho citado por
Pinker, a autora promove uma reflexão acerca do desenvolvimento do eu a partir de digressões
sobre sua infância, relacionando momentos de graça (como no caso do seu eu infantil tentando
comer uma melancia) com a melancolia (expressada pela morte de sua irmã). As técnicas de
escrita adotadas por Goldstein, por mais que distintas daquelas invocadas por Dawkins, também
servem para atrair o leitor a continuar na leitura e a se identificar com a narrativa.
Já no caso de Margalit Fox, Pinker demonstra como esta autora transformou a maneira
de redigir obituários, nos quais a vida das personagens falecidas devem ser resumidas em, no
máximo, oitocentas palavras. Nos trechos citados, Fox faz uso a todo tempo do cinismo e de
figuras de linguagem não tão comuns, além de se utilizar de certos recursos gramaticais, como
o zeugma, para articular os períodos de maneira mais interessante para o leitor, considerando-
se a carga emocional relacionada à temática do óbito.
Por último, a obra de Isabel Wilkerson demonstra de maneira sinestésica o fenômeno
das migrações. Conforme a análise de Pinker, a autora retrata a realidade dos migrantes a partir
de entrevistas que incutem no leitor um verdadeiro sentimento de movimento, levando seus
interlocutores a pensar criticamente sobre as causas que levam as pessoas a migrar.
O capítulo se encerra tracejando similaridades entre os autores estudados, do que se
destaca o prazer pela escrita, o uso de figuras de linguagem que remetem a frescor e a aplicação
de técnicas e estilos apelativos à intenção de cada espécie de texto.

BIBLIOGRAFIA

PINKER, Steven. Guia de escrita: como conceber um texto com clareza, precisão e elegância.
São Paulo: Contexto, 2016.

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