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Que limites e avanços podem-se perceber na Educação contemporânea no Brasil?

Considere
o período de 1920 a 2016.

Desde o final do Império despertou-se um interesse pela educação com significativa


ampliação do debate pedagógico, por meio de conferências pedagógicas, criação de
bibliotecas, museus, além da difusão de livros e artigos de jornal sobre pedagogia. O estado
atua na educação, final do séc. XX, por meio de um esboço de um modelo de escolarização
baseado na escola seriada, com normas, procedimentos, métodos, instalações adequadas,
transparecendo um interesse do governo pelo ensino publico, queriam implantar a ordem e a
disciplina, crescendo assim o interesse pela formação de professores gerando o problema de
desvio de verbas.

A Igreja era contra as novidades positivistas atribuídas ao governo republicano, pois


este separou governo e igreja além da laicização do ensino publico na constituição. Mesmo
assim não podemos pensar na democratização do ensino, pois ele ainda favorecia a elite.

No período compreendido entre 1920 e 1930 tínhamos vários grupos com ideários
diferentes no Brasil: os liberais, os conservadores, os grupos de esquerda socialistas e
anarquistas e outros da direita, não nos esqueçamos dos militares. Os conservadores eram
representados pelos católicos defensores da pedagogia tradicional já os liberais eram
representados pelos simpatizantes da escola nova e tinham o objetivo de democratizar a
sociedade por meio da escola. Os católicos criticavam a tendência laica e queriam a
reintrodução do ensino religioso nas escolas.

Em 1932 foi publicado o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, assinado por 26
educadores incluindo Fernando de Azevedo e Anísio Teixeira. Segundo o manifesto a educação
deveria ser obrigatória, gratuita, pública e leiga como dever do estado, a ser implantada em
programa de âmbito nacional.

Em 1930, no governo provisório de Getúlio Vargas houve a reforma Francisco Campos,


adepto da escola nova, possibilitando a organização da escola do Rio de Janeiro, e a criação do
Conselho Nacional de Educação, do ensino secundário e do comercial.

Em 1942 com a reforma educacional do ministro Capanema, ofereciam ensino de


torneirismo, mecânica e eletricidade. Porém persistia o dualismo escolar e o descuidado com o
ensino fundamental. Segundo Fernando de Azevedo de 1930 a 1940 o desenvolvimento do
ensino primário e secundário alcançou níveis jamais registrados até então no país. De 1936 a
1951 o numero de escolas primarias dobrou e o de secundarias quadriplicou.

Neste cenário surgiram vários movimentos educacionais e culturais empenhados na


alfabetização, no enriquecimento cultural e a conscientização política do povo. Os principais
foram: CPC que surgiu em 1961por iniciativa da UNE, MCP surgiu ligado a prefeitura de Recife,
Pernambuco em 1960, grupo o qual Paulo Freire participou e o MEB criado em 1961 pela
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Durante a época da ditadura temos várias reformas acontecendo em todas as áreas,


algumas delas são: Reformas do ministro Gustavo Capanema (leis orgânicas de ensino),
reforma tecnicista e acordos MEC-Usaid, reforma universitária de 1968, reformas do 1º e 2º
graus de 1971 dentre outras. Em suma os efeitos dessas reformas no Brasil foram desastrosos
para a educação brasileira. A obrigatoriedade de oito anos na escola tornou-se lenda já que
não tinha o recurso necessário para tal demanda, faltavam professores especializados, as
escolas não ofereciam estruturas adequadas, além disso, ao introduzir disciplinas sobre
civismo eram propagados os ideários da ditadura, reforçada pela extinção da filosofia e
diminuição da carga horária de história e geografia. Tivemos algumas inovações educacionais,
sob o ideário escolanovista: ginásios e colégios de aplicação da USP, os pluricurriculares, o
grupo experimental da Lapa (SP).

Anos de chumbo (1964 a 1985) foram desastrosos para a educação e cultura brasileira.
Em 1960 o Brasil atravessa um período de seria contradição entre ideologia politica e o modelo
econômico. A ditadura causou reflexos na educação, são eles: 1967 foram postas fora da lei as
organizações consideradas subversivas, como a UNE. As escolas do grau médio sofrem
controle, e seus grêmios foram transformados em centros cívicos, sob a orientação do
protetor de Educação Moral e Cívica. Em 1969 foi baixado um decreto-lei pela junta militar que
tornou obrigatório o ensino da moral e cívica, em fevereiro do mesmo ano foi baixado um
decreto-lei que proibia aos professores, alunos e até mesmo os funcionários toda e qualquer
manifestação de caráter político. Decreto nº 68.908/71 pôs fim à crise dos excedentes em
vestibulares, criando o vestibular classificatório.

Em 1967 foi criado o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), que começou a


funcionar de fato em 1970, o programa usava o método Paulo Freire, porém esvaziado de
conteúdo ideológico considerado subversivo.

No ano de 1980 começam os sinais da decadência da ditadura, e finalmente em 1985


passamos ao primeiro governo cível, ainda com resquícios da fase autoritária. Após a análise
dos reflexos da ditadura na educação era inevitável uma maior valorização do magistério e a
recuperação da escola pública.

Constituição de 1988, pontos importantes: gratuidade do ensino púplico e,


estabelecimentos oficiais; ensino fundamental obrigatório e gratuito; extensão do ensino
obrigatório e gratuito, progressivamente, ao ensino médio; atendimento em creches e pré-
escolas às crianças de zero a seis anos; valorização dos profissionais do ensino, com planos de
carreira para o magistério público.