Você está na página 1de 13

Você sabe onde está localizado o Haiti?

Pois bem, pode parecer uma pergunta boba ao perguntar a localização geográfica de um
país, mas é bem comum muitas pessoas não saberem onde está localizado corretamente o
pequeno país. Alguns preferem responder que não sabe, outros dizem que é na África, alguns
“chutam” que se localiza na Ásia. E você, sabe onde se localiza? O pequeno país faz parte de
uma ilha na América Central.

Acredito que o “chute” na África é devido a formação etnológica do país, sendo o mesmo
composto, em sua grande maioria, por negros. Agora podemos indagar: Por que o país é for-
mado em sua grande maioria por negros?

Inicialmente, por ser uma ilha de predominância espanhola com a chegada de Colombo
em 1492, a ilha, como um todo, era conhecida como Hispaniola, cuja mão de obra era indíge-
na. Com a concessão do lado leste ao rei Luís XVI da França, o território passou a se chamar
Saint-Domingue. Sua mão de obra passou a ser africana. Dessa forma, vários navios vinham
da África carregados de negros para serem comercializados com grandes fazendeiros brancos
para as plantações do sistema de Plantation.

Você sabe o que é um sistema de Plantation?


Sistemas de Plantation são focados em uma monocultura. Então uma única fazendo pro-
duzia apenas café, a outra apenas algodão, a outra cana-de-açúcar e assim sucessivamente.
Com esse sistema de plantação, a ilha de Saint-Domingue passou a ser chamada de Pérola
das Antilhas, devido a sua alta lucratividade para a França, principalmente pelo comércio de
cana-de-açúcar.
A REVOLUÇÃO HAITIANA — 1791 A 1804
Agora que sabemos a economia da colônia, mesmo que de forma rápida, podemos falar
do começo da Revolução Haitiana. Lembra quando vocês estudaram sobre o Iluminismo e seus
ideais filosóficos? Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Esses princípios chegaram a colônia
francesa de Saint-Domingue. Mesmo que houveram várias tentativas de evitar que o pensa-
mento filosófico iluminista fosse disseminado, pois, a colônia era rentável aos cofres franceses.
Na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão francês os o primeiro artigo diz:

Art.1º. Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só po-
dem fundamentar-se na utilidade comum.

Dessa forma, um ex-escravo alfabetizado francês chamado Vicent Odé, chega a colônia e
começa a criar movimentos com os escravos contra a escravidão, dado que os princípios da
República instaurada na França eram a Igualdade e Liberdade, como foi mostrado acima. Tal-
vez tenha surgido a dúvida: Mas por que os escravos se rebelaram?
Como foi dito na página anterior, os escravos eram levados as fazendas para trabalharem
nas plantações. O escravo não possuíam os mesmo direitos que os brancos, então não tinham
propriedade deles, apenas um pedaço de terra cedido aos negros para fazerem suas hortas.
Mas, principalmente, os negros eram maltratados. Eles eram chicoteados, tinham membros am-
putados, eram castigados sendo jogados em caldeiras de calda de açúcar, entre outros maus
tratos pelo o que seus senhores consideravam indisciplina.
Vicent Odé, após a disseminação dos ideais iluministas ao grupo de escravos rebeldes,
ele é executado em 1791, se tornando o estopim para as grandes revoltas escravas contra o
sistema escravagista na colônia. Com a morte de Odé os escravos alfabetizados Jean-François
e Biassou lideraram os grupos. Havia um grupo escravo mais rebelde liderado por Toussaint
Louverture, do quais estavam na Província do Norte e tinham apoio tático dos espanhóis.
No período houve uma ameaça de invasão britânica na ilha e os insurretos estavam avan-
çando pelas províncias do Ocidente e Sul, com isso, a França nomeia um novo governador:
Thomas Galbaud. Galbaud era a favor da continuação da escravidão e desafiou à autoridades
dos comissionários franceses Léger-Félicité Sonthonax e Étienne Polverel, do qual estavam cri-
ando Proclamações de liberdade aos escravos, mas em sua grande maioria ficaram restritas ao
Norte de Saint-Domingue, em troca deles lutarem pela França contra os ingleses. Esses atritos
só aumentaram as revoltas que destruíram 2/3 da capital Le Cap.
No dia 21 de Junho de 1793 os comissionários criaram uma proclamação de liberdade:
“Liberdade para todos aqueles combatentes negros que vinham a lutar pela república contra
todos os seus inimigos internos e externos”.
No dia 02 de Julho de 1793 acrescentam à proclamação do dia 21: “Esses que nós havía-
mos ainda de elevar à dignidade de homens livres”. Podemos notar que aqui os ideais iluminis-
tas começam a aparecer, mostrando que essa liberdade vinha acompanhada de uma cidada-
nia.
A ideia de cidadania, onde os negros se tornaram cidadãos franceses, submetia a ideia de
responsabilidade, sendo essa moral e civil. Com a visão de que o negro não era responsável e
que não saberia se portar em uma sociedade moralizada, segundo os comissionários, o negro
deveria formar uma família formal. Com isso, no dia 11 de Julho de 1793 Sonthonax cria uma no-
va regra: “Os rebeldes [negros] emancipados deveriam libertar seus mulheres e filhos, mas deve-
riam se casar formalmente com elas. As festas de casamento se tornavam comemorações de
liberdade.

No dia 25 de Julho de 1793, Polverel estende a lei de casamento para a província do Sul,
mas havia outra condição para essa liberdade, não apenas o casamento, com ela o negro deve-
ria obrigatoriamente se registrar nas Legiões Armadas Republicanas para lutaram pela França.
Enquanto os escravos que não se registravam voltaram as plantações, para subsidiar o exército,
mas era uma forma de manter a disciplina e subordinação dos libertos, porém havia a promessa
de melhora nas condições de vida aos novos cidadãos.

Em 29 de agosto de 1873, Sonthonax, com o apoio da Assembleia Municipal de Le Cap,


publica sua última proclamação: “Todos os negros e pessoas de cor presentemente escravizados
são declarados livres e beneficiados do conjuntos de Direitos inerentes à cidadania francesa”,
conhecida como Declaração do Direito do Homem e do Cidadão. Porém a verdadeira intenção
era atrair o exército de Toussaint Louverture para o lado francês, já que o mesmo estava sendo
apoiado pelos espanhóis. Como Louverture não concorda com todas essas proclamações, se
autodeclara representante e líder negro das revoltas.

Mas afinal, quem era Toussaint Louverture? Ele era um escravo, onde suas habilidades fo-
ram aproveitadas pelo seu senhor nas funções administrativas da fazenda. Essa diferenciação
dos outros escravos lhe deu certas liberdades e uma delas foi a alfabetização.

François-Dominique Toussaint L'Ou-


verture
O QUE É CIDADANIA?

Com a liberdade e a cidadania francesa aos negros, precisamos pensar sobre o que é a
cidadania na colônia. Para esse conceito haviam 2 implicações: A 1º implicação: Os direitos de
cidadania deveria ser sujeitos e circunscritos a um conjunto de medidas que seriamente restrin-
gem as condições de emancipação; a 2º era onde essa aplicação era feita: Apenas na Provín-
cia do Norte. Por que Polverel não estendeu essas medidas para suas províncias? O comissio-
nário possuía um pensamento gradualista e pretendia criar novas formas de trabalho e de direi-
tos de propriedade aos libertos.
Outra coisa que precisamos entender é que Saint-Domingue ainda era uma COLÔNIA.
Então o Sistema de Plantation passa a ser uma Economia de Guerra. Dessa forma se restaura
os níveis de produção e de exportação das monoculturas, mas garante o trabalho livre dos ne-
gros, pois foram abolidos em 29 de agosto de 1793. Dentro dessa nova forma de economia,
surgem dificuldades em conciliar os conceitos de Igualdade e Cidadania com a necessidade
de permanecer com a Economia de Guerra e a continuação do sistema de plantação.
Com esse obstaculo , Sonthonax diz aos novos cidadãos que eles não poderiam fazer to-
das as suas vontades, mas sim trabalhar e criar um sentimento de gratidão aos franceses pela
liberdade que adquiriram. Nesse caso foi necessária a criação de lei salariais para esses liber-
tos, portanto, Sonthonax cria essa lei:
 1º ano de trabalho: Os trabalhadores ficam ligados às plantações de seus ex-senhores e
devem cultivar.
 Salários:
 1/3 dos rendimentos TOTAIS da plantação ou
 1/4 após o pagamento de impostos
 Diferenciação de pagamento:
 Divisão pela posição, ocupação, idade e sexo
 MULHERES:
 Recebiam 2/3 do que os homens recebiam
 O restante era dividido igualmente entre livros do proprietário e as despesas de manuten-
ção e operação das plantações

Para o trabalhador ter direito de receber seu salário deveria trabalhar 6 dias por semana,
exceto aos domingos e feriados e 2 horas do seu dia são dedicados para as hortas dos traba-
lhadores. Havia punição para quem não cumprisse seus 6 dias por semana: os trabalhadores
perdiam parte ou totalidade das suas remunerações.
Além das leis de salário, haviam as leis criminais, pois, agora, eram homens livres e cida-
dãos, então deveriam viver conforme uma cidadania, mas a ideia de cidadanias que os comissi-
nários tinham
Se o trabalhador for encontrado vagueando e não tivesse meio de subsistência, como um
emprego ou uma plantação ou não fosse registrado no exército, seriam presos. As penas variam
conforme a recorrência do acontecimento.
 1ª vez preso = 1 mês de detenção
 2ª vez preso = 3 meses de detenção
 3ª vez preso = 1 ano trabalhando em obras públicas sem pagamento

Dessa forma, podemos dizer que para Sonthonax sua cidadania é uma Cidadania de
Plantation, pois todos seus direitos são baseados nas plantações. Sendo que sua liberdade in-
dividual e direito de igualdade, presado nos ideais iluministas, não eram os mesmos da esfera
cívica ou pública.
Diferente de Sonthonax, Étienne Polverel liberta todos os escravos das plantações de emi-
grantes e deportados do Ocidente em 27 de agosto de 1793. Polverel tenta combinar os Direi-
tos de Cidadania com os Direitos de Propriedade dos escravos. Ele pretendia incentivar os
libertos a trabalharem para si mesmo se tornando cidadãos responsáveis e donos de terras para
plantações.
Como Sonthonax, Polverel cria uma leis sobre partilha de recursos e salários, além de di-
zer que a Liberdade Não Traria o Direito à Propriedade, mesmo que incentivasse os libertos a
terem suas terras. Sobre o salário: quanto mais se trabalha, mais você recebe.
 Trabalhassem 6 dias/semana = direito a parte da colheita
 Trabalhassem 5 dias/semana = direito reduzido pela metade
 Trabalhassem 4 dias/semana = Não receberiam sua parte e poderiam ser expulsos e
substituídos por assalariados diários.

INÍCIO DAS RESISTÊNCIAS NEGRAS

Em Outubro de 1793 a Maio de 1794 os libertos começam a se apropriar de vários direitos


por iniciativa própria. Com essa apropriação, os negros aumentaram suas hortas, se apossaram
de produtos agrícolas, rações, mercadorias como xarope, açúcar para comercializar e obter lu-
cro próprio, além de utilizarem animais de tração para transporte e comercialização dos produ-
tos.
Ainda, como forma de resistência, os trabalhadores de algumas plantações escolhiam tra-
balhar por 5 dias/semana e nos dias trabalhados eram improdutivos, quebravam implementos
agrícolas, destruíam canaviais ou se recusavam a trabalhar coletivamente e iam cuidar de suas
hortas. As mulheres também fizeram parte das resistências, pois, exigiram ganhar a mesma
quantidade que os homens.
Haviam plantações cujo regimento não era tão rigoroso, do qual permitia o trabalhador ir à
outras plantações visitar parentes ou amigos como forma de não trabalharem. Alguns trabalha-
dores optavam por deixar as plantações e se registravam no exército, prejudicando a Economia
de Guerra. Com as atitudes dos trabalhadores, a emancipação corria riscos de ser anulada,
pois, ao invés de se rebelarem, deveriam proteger a colônia estava ocupada, em grande exten-
são, por ingleses e espanhóis.
Por consequência das rebeliões os comissionários realizavam “chantagens” com os traba-
lhadores, utilizando a ideia de irmandade para se referirem aos outros negros das outras colô-
nias francesas. Pois, se a emancipação desse errado, prejudicariam os outros irmãos pela aber-
tura de oportunidades para outras nações colonizarem os países, tendo assim, a volta da escra-
vidão. Por isso foi levantada a questão para reflexão: Até que ponto eles eram cidadãos france-
ses? No dia 04 de fevereiro de 1794 é abolida constitucionalmente a escravidão, onde os Direi-
tos e Deveres como cidadão livre seriam determinados pela necessidade da colônia em guerra.
“[...] Nunca na história colonial europeia, tinha sido abolida a escravatura; além disso, os
ex-escravos, que eram, por definição, propriedade e, portanto, não tinham existência jurí-
dica, tornaram-se cidadãos de uma nação que se autodefinia por meio de princípios uni-
versais de igualdade humana”

EMANCIPAÇÃO DE ESCRAVOS E CIDADANIA NO NOVO ESTADO HAITIANO

Com a abolição universal da escravatura em 04 de fevereiro de 1794 e morte de Robespi-


erre, o governo francês definiu alguns termos de relacionamento entre colônia e metrópole a par-
tir da Nova Constituição de 1795. Eles tentaram assimilar territorialmente e legislativamente to-
das as colônias na República Francesa, fazendo parte integrante da nação e sujeitas às mes-
mas leis vigorantes na França. Haviam alguns colonialistas que tentaram suspender a ação da
Constituição nas colônias, dessa forma, Saint-Domingue entrou em estado de sítio — medida
decretada pelos governantes da França como forma de proteger seu território — e o General
Thomas Hedouville assume como administrador colonial.

Após a medida francesa, Toussaint Louverture se junta ao exército francês, derrotou a ocu-
pação britânica e espanhola, negociou pessoalmente a retirada dos espanhóis do território, ex-
pulsou o General Hedouville e derrotou as tentativas de tomada de poder dos líderes das elites
criollas. No ano de 1801, Louverture invade a Hispaniola começa a governar virtualmente como
comandante-em-chefe e governador de Saint-Domingue.

Como Toussaint não confiava em um governo que estava tentando acabar com a emanci-
pação, ele redefine as relações entre o regime interno de Saint-Domingue e a metrópole, conso-
lidando bases de emancipação da colônia. Essa redefinição o fez opositor as forças do Diretório
Francês, fazendo Napoleão Bonaparte preparar a restauração da escravidão.

Napoleão ascende ao Poder


Em 1799 Napoleão Bonaparte ascende ao poder através de um
Golpe de Estado conhecido como 18 Brumário. Onde as
colônias seriam governadas por leis diferentes da metrópole
O Regimento de Toussaint Louverture
Com Napoleão no poder, que tipo de regime, Louverture estava preparando para Saint-
Domingue? Pois a principal luta de Louverture era a não reestruturação da escravidão na ilha.
Para ele a economia precisava estar restaurada e próspera para manter os gastos de combate,
além de um governante supremo negro, pois a liberdade dependeria de um exército forte e disci-
plinado sob o comando de um líder negro.

A partir de agora poderá ser visto algumas semelhanças com o regime dos comissionários
franceses. Louverture acredita que para sustentar um exército a economia precisava vir da agri-
cultura e da exportação para outros países. Então, como forma de recompor a economia da ilha,
manteve as grandes propriedades de terra, convidou os proprietários brancos para assumirem
as plantações, alugou aos generais superiores plantações que haviam sido ocupadas e os traba-
lhadores estavam sob controle militar novamente.

Como medida de controle de fuga, Louverture se tornou autoritário, pois, era necessário os
trabalhadores se dedicarem ao serviço das plantações para fortalecer financeiramente o exérci-
to. Com atitude tomada, podemos ver relação com as atitudes de Sonthonax com a cidadania
de plantation que foi intensificada por Toussaint, visto que entregou os trabalhadores aos co-
mandos de ex-patrões e militares.

Após a retomada de um regime autoritário, qual era o conceito de liberdade para Toussaint
Louverture?

 Os trabalhadores deveriam receber 1/4 dos rendimentos

 Não seriam maltratados impunemente

 Trabalhariam mais

 Punição severa para o que não cumprissem suas obrigações

Portanto, para o Governador Louverture, a Liberdade, pela qual lutaram deveria ser cons-
trangida e codificada para renovar as prosperidades da colônia e preservar da emancipação da
escravidão. Em 12 de outubro de 1800, chega ao fim a Guerra Civil entre as forças de Louvertu-
re e as elites criollas do Sul, criando, dessa forma, uma tentativa de estabilização de uma no-
va ordem.

Louverture fixou uma base econômica de exportação agrícola, com a intenção de fortalecer
a existente, caracterizando um Estado Militar. Logo, essa Nova Ordem estaria dividida clara-
mente entre multidão de negros emancipados; ex-proprietários brancos e a nova elite predomi-
nante — comandante-em-chefe e governador. Deste modo, os trabalhadores do campo estavam
inevitalmente ligados ao solo e as suas plantações, diferentemente de Sonthonax que permitia o
escravo se registrar no exército para ser liberto.
Com a militarização do Estado, haviam divisões de funções dentro da militarização:

 Os comandantes militares estavam encarregados de localizar e comunicar a existência de


indivíduos do campo em situação de “vadiagem”. Caso os militares não comunicassem, po-
deriam ser punidos com prisão ou demissão.

 Os administradores e capatazes eram obrigados a submeter relatórios aos comandantes


militares locais e distritais sobre a conduta dos trabalhadores das plantações. Seus relató-
rios eram enviados aos generais que puniram severamente quem não cumprisse ou negli-
genciasse as ordens

Outro objetivo de Toussaint era proibir as transações de terras envolvendo menos de 50


carreaux (aproximadamente 165 hectares), pois queria evitar a formação de pequenos proprietá-
rios, diferente de Polverel que incentivada o negro a criar sua própria plantação, mesmo não ten-
do criado uma lei que permitisse, verdadeiramente, a obtenção de terras pelos negros.

Então, para Toussaint, liberdade enquanto Direito do Cidadão Liberto, ao exercício de su-
as liberdades individuais (ideia Iluminista) levaria a vadiagem e a preguiça generalizada; desapa-
recimento dos valores morais e virtudes cívicas, ao fim das responsabilidades dos país pela edu-
cação dos seus filhos e a ruína econômica e moral da colônia. Contrapondo, dessa forma, todas
as medidas de Sonthonax e Polverel que o mesmo foi contra nos momentos de Proclamação.

Com essa visão, ele cria a 1ª Constituição do Haiti em 1801 (fragmentos nas páginas se-
guintes), onde estabelece leis sobre a escravidão, cidadania francesa, constitucionaliza a milita-
rização da agricultura e garante o seu poder de promulgar e ordenar as medidas necessárias
para se manter a disciplina agrícola. Com essa constituição, aumentaram as revoltas de traba-
lhadores ao Norte da ilha. Toussaint foi reconhecido como o líder que derrotou o exército napo-
leônico, mas foi capturado em 1802 por Napoleão e exilado, vindo a falecer. Desse modo, um ex
-escravo analfabeto Jean Jacques Dessaline em 01 de janeiro 1804 proclamou independência.

Após a Independência do Haiti, a França cobrou, como forma de indenização pela perda da
lucratividade e território, uma dívida de independência da nova república, sendo finalizada em
1947. O acordo prometia ao Haiti reconhecimento diplomático pela França em troca de uma re-
dução de 50% das tarifas alfandegárias às importações francesas e uma indenização de 150 mi-
lhões de francos (cerca de US$ 21 milhões), pagos em cinco parcelas. Foram necessários em-
préstimos de bancos franceses e ingleses para o pagamento da dívida, cujo endividamento se
perdurou até o século XX.
Você sabia??
 A população de Saint-Domingue era de 536 mil habitantes? Sendo 480 mil escravos (90%
da população) e 56 mil brancos (10% da população)

 Jean-Jacques Dessaline se proclamou Imperador em 1805, se tornando Jacques I.

 Houveram ideais de monarquia no Haiti, sendo o último Faustino I em 1859.

Referências Bibliográficas
ARAUJO, Alberto Maia. “A Disputa Entre Negros e Mulatos no Processo de Independência do
Haiti”. Caderno Temático de História. Brasília, v.2, nº 1, jan./jun.2014.Disponível em: https://
repositorio.uniceub.br/jspui/bitstream/235/6917/1/2%20%20A%20disputa%20entre%20negros%
20e%20mulatos%20no%20processo%20de%20%20independ%C3%AAncia%20do%20Haiti.pdf

ASSUNÇÃO, Victor Fialho de; VIEIRA, Jofre Teófilo. A Crise no Haiti Pós-Independência, de
1804-1915. Ameríndia. Ceará, v.2, nº 2, 2006. Disponível em: http://www.periodicos.ufc.br/
amerindia/article/view/1553

CONSTITUIÇÃO DO HAITI (1801). In: ROMERO, José Luis; ROMERO, Luiz Alberto. Pensami-
ento Politico de la Emancipación (1790 a 1825). Caracas: Biblioteca Ayacucho, v. 1, p. 81 -
83.

FICK, Carolyn. Para uma (re) definição de liberdade: a Revolução no Haiti e os paradigmas da
Liberdade e Igualdade. Revista Estudos Afro-Asiáticos, Rio de Janeiro, Ano 26, nº. 2, 2004.

JEAN, Dieumettre. Construção da Identidade Nacional na Poesia Haitiana: Início de uma Refle-
xão. Revista Entrelinhas. São Leopoldo, v. 21, n. 2, jul./dez.2018. Disponível em: http://
revistas.unisinos.br/index.php/entrelinhas/article/view/entr.2018.12.2.03/60746628

Material Didático desenvolvido como suporte de aula para a disciplina de Estágio Supervisiona-
do de História pela Universidade Estadual de Londrina para o Ensino Médio no Colégio Hugo
Simas, 2º ano H. Sob supervisão da Profª. Drª. Patrícia Marcondes de Barros.

Desenvolvido por Emmanuelle Caetano de Almeida. E-mail: emmanuelle_cda@hotmail.com