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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

PÓS GRADUAÇÃO GESTÃO DE MANUTENÇÃO EM AERONAVES

A IMPORTÂNCIA DOS TREINAMENTOS PARA O SETOR DE


MANUTENÇÃO DE AERONAVES

DANIEL BERTA

Florianópolis / SC – Brasil
2019
1
DANIEL BERTA

A IMPORTÂNCIA DOS TREINAMENTOS PARA O SETOR DE


MANUTENÇÃO DE AERONAVES

Monografia apresentada a Universidade


Estácio de Sá como requisito para a
obtenção do grau de pós graduação em
Gestão de Manutenção em Aeronaves.

Florianópolis / SC – Brasil
2019

2
DANIEL BERTA

A IMPORTÂNCIA DOS TREINAMENTOS PARA O SETOR DE


MANUTENÇÃO DE AERONAVES

Monografia apresentada a Universidade


Estácio de Sá como requisito para a
obtenção do grau de pós graduação em
Gestão de Manutenção em Aeronaves.

Aprovada em ------------------------ de 2019 pela Banca Examinadora formada

pelos seguintes membros:

BANCA EXAMINADORA

3
Dedico este trabalho à meu pai e
minha mãe que sempre me apoiam
nas minhas loucuras e desafios da
minha vida, e a Joice Reichenbach.
Estes que me apoiaram em todo meu
caminho até aqui.
4
AGRADECIMENTOS

Agradeço em primeiro lugar a Deus que por me dar forças para ter chegado até
aqui. Agradeço a minha cara, Joice Reichenbach, que de forma especial e carinhosa,
tem me apoiado nos momentos difíceis, quero agradecer também aos meus colegas
que me apoiaram de alguma forma ou outra pela admiração e pela consideração. E
não deixando de agradecer de forma honrosa o meus pais Sr Alceu D. Berta e Nair T.
Berta, pois sem seus ensinamentos e paciência não seria a pessoa que sou hoje, fica
registrado meu muito obrigado. E sem deixar de lado as empresas de manutenção
Supportfly de Passo Fundo e Aeroclube de Blumenau. Que abriram as portas para
que eu sanasse minhas dúvidas e me auxiliaram com as pesquisas de campo.
.

5
“A beleza do aprendizado é que ninguém pode
roubá-lo de você.”

Autor: B.B. King

“É muito melhor arriscar coisas grandiosas,


alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se a
derrota, do que formar fila com os pobres de espírito
que nem gozam muito nem sofrem muito, porque
vivem nessas penumbras cinzentas que não
conhecem vitória nem derrota.”

Autor: Theodore Roosevelt

6
RESUMO

Com o custo de manutenção entre 9 a 25% dos operacionais de uma aeronave,


está variação depende do tamanho da frota, idade e nível de utilização, dados
segundo a “International Civil Aviation Organization”(ICAO). Segundo dados da
European Safety Agency (EASA), sendo necessário uma manutenção de qualidade e
eficiente e para isso, devesse analisar as questões primordiais não só do fator
“mecânico”, ou seja, que a aeronave fique o mínimo possível parada. Mas sim que o
colaborador da manutenção esteja devidamente capacitado para executar tal função,
mesmo hoje em dia, com o aumento da preocupação em relação a capacitação de
colaboradores dentro do setor, ainda há um grande número de colaboradores que
iniciam suas atividades em um meio “leigo” dentro da função. Esse estudo mostrou-
se eficiente em empresas onde a EASA aplicou além da formação básica dos
Técnicos de Manutenção de Aeronaves (AMTs), um significativo aumento na
segurança de operações as quais eram atribuídas aos colaboradores.
.

Palavras-Chave: Manutenção – Segurança - Treinamentos – Aeronaves.

7
ABSTRACT

With the cost of maintenance between 9 to 25% of the aircraft's operating


variance depends on the size of the fleet, age, and level of use, data, according to the
International Civil Aviation Organization (ICAO). According to the European Safety
Agency (EASA), requiring quality and efficient maintenance, and for this, one must
analyze the key issues not only of the "mechanical" factor, on other words, but the
aircraft must also stay as little as possible "on the ground". But the maintenance
technicians of the maintenance is properly trained to perform that function, even today,
with the increased concern about the training of employees in the companies, there is
still a large number of employees who start their activities in a kind of "lay" within the
function. This study proved to be efficient in companies where the EASA applied in
addition to the basic training of aircraft maintenance technicians (AMTs), a significant
increase in the safety of operations which were allocated to employees.

Keywords: Maintenance – Safety - training – Aircraft.

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LISTA DE ABREVIATURAS

AC Advisory Circular
ANAC Agência Nacional de Aviação Civil
ARAC Aviation Rule Making Advisory Committee
ATA Associação de Transporte Aéreo
ATM Aviation Maintenance Technician
CTM Centro Técnico de Manutenção
DAC Departamento de Aviação Civil
EAD Ensino A Distância
EASA European Business Aviation Association
FAA Federal Aviation Administration
ICAO International Civil Aviation Organization
MPI Manual de Procedimento e Inspeção
OJT On the Job Trainin
PDCA Plan, Do, Control, Action = Planejar, Fazer, Controlar, Agir
RBAC Regulamento Brasileiro da Aviação Civil
RBAH Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica
SMS Safety Management System

9
LISTA DE FIGURAS

Figura 1. Detalhamento do PDCA para manter resultados. --------------------------------- 19

Figura 2. Matriz de análise SWOT -------------------------------------------------------------------- 20

Figura 3. Ciclo de treinamentos. ----------------------------------------------------------------------- 22

10
Sumário

1. INTRODUÇÃO ...............................................................................................................................12
1.1. OBJETIVO GERAL ....................................................................................................................12
1.2. OBJETIVO ESPECIFICO ...........................................................................................................13
2. FUNDAMENTOS TEÓRICOS ........................................................................................................13
2.1.1. ANAC......................................................................................................................................15
2.1.2. RBHA E RBCA .......................................................................................................................16
2.2. FERRAMENTAS PARA TREINAMENTOS................................................................................17
2.2.1. CICLO PDCA. ........................................................................................................................18
2.2.2. MATRIZ SWOT ......................................................................................................................20
2.3. ISO 10015. .................................................................................................................................21
2.4. DEFINIÇÃO DAS NECESSIDADES DO TREINAMENTO ........................................................23
2.5. LEI DE INCENTIVO FISCAL PARA TREINAMENTOS. ............................................................23
2.6. TREINAMENTOS NA AVIAÇÃO ................................................................................................24
3. IMPORTÂNICA DOS TREINAMENTOS NA MANUTENÇÃO DE AERONAVES. ........................24
3.1.1. TREINAMENTOS ...................................................................................................................26
3.1.1.1. INICIAL ...................................................................................................................................26
3.1.1.2. TÉCNICO ...............................................................................................................................26
3.1.1.3. RECORRENTE ......................................................................................................................27
3.1.1.4. ESPECIALIZADO ...................................................................................................................28
3.1.1.5. CORRETIVO ON THE JOB TRAINING (OJT) .......................................................................28
3.1.2. EXECUÇÃO DE TREINAMENTOS .......................................................................................28
3.1.3. DEFINIÇÃO, FONTES E METODOS DE TREINAMENTOS.................................................29
3.1.3.1. EAD (ENSINO A DISTÂNCIA) ...............................................................................................30
3.1.3.2. SIMULAÇÃO DE CASOS PRATICO .....................................................................................30
3.1.4. REGISTROS ADMINISTRATIVOS ........................................................................................30
3.2. TREINAMENTOS CONFORME LEGISLAÇÃO .........................................................................32
4. ANÁLISE DE TREINAMENTOS PARA MANUTENÇÃO DE AERONAVES .................................34
4.1. PESQUISA DE IMERÇÃO A MANUTENÇÃO DE AERONAVES .............................................35
4.1.1. ANÁLISE DE PESQUISA DE CAMPO ..................................................................................36
5. CONCLUSÃO .................................................................................................................................38

11
1. INTRODUÇÃO

O mecânico de aviação desempenha um papel vital na indústria de transporte


aéreo no mundo inteiro, e pela natureza de sua ocupação requer que tanto no
treinamento inicial quanto o treinamento subsequente que lhe forneça as habilidades
e conhecimentos técnicos necessários para realizar seu trabalho com a mais alta
precisão e eficiência possível sem que haja a mínima chance de fazer um “retrabalho”.
Os avanços tecnológicos dentro da indústria da aviação estão ocorrendo em um
ritmo extremamente rápido, estes avanços criaram a necessidade de mecanismos
adicionais de aviação para manter, desde os mais simples até os mais avançados dos
sistemas de aeronaves. Esses avanços tecnológicos também tornaram necessário
atualizar os programas instrucionais de aprendizagem, que atualmente vem sendo
usado na maioria das escolas técnicas de manutenção de aviação.
Segundo (ALLEN, DAVID. 1970) um estudo nacional da ocupação dos
mecânicos da aviação, diz que as escolas ficam defasadas em treinamentos a cada 3
anos, ou seja, as tecnologias vistas pelos alunos no primeiro ano de aula já estarão
obsoletas no último ano.
E desde a publicação deste estudo, avanços tecnológicos na construção e
sistemas de aeronaves, juntamente com mudanças nos negócios aviação comercial,
tornam a afirmação do Dr. Allen ainda mais relevante hoje em 2019.
Para isso hoje no Brasil a ANAC (Agencia Nacional de Aviação Civil) concede
certificações para os técnicos de aviação com validade de 5 anos, para que de tempos
em tempos seja realizada uma prova de proficiência na função para que o mesmo
continue executando a mesma.
Porém hoje no mundo temos dois tipos de certificação concedidos para que
antes o profissional seja de fato um técnico, nos Estados Unidos, temos a certificação
que sua renovação deve ser feita a cada 2 anos. Já o padrão europeu segue
exatamente conforme mencionado acima, certificação que deve ser renovada a cada
5 anos.

1.1. OBJETIVO GERAL

12
Apresentar um método de melhoria nos treinamentos iniciais e contínuos no
processo de desenvolvimento profissional dos profissionais do setor da manutenção
de aeronaves.

1.2. OBJETIVO ESPECIFICO

Identificar oportunidades de melhorias nos treinamentos dos colaboradores da


manutenção, disponibilizando melhores recursos para quem está adentrando no setor
da manutenção ou os próprios colaboradores do setor tenham conhecimento e
recursos para a qualificação profissional.
Analisar e avaliar a importância dos treinamentos técnicos do pessoal ligado às
empresas de manutenção de aeronaves, bem como suas implicações para a melhoria
da segurança e da qualidade dos serviços prestados.

2. FUNDAMENTOS TEÓRICOS

Em 1998 a Federal Aviation Administration (FAA), através do Aviation Rule


Making Advisory Committee (ARAC), propôs a reestruturação da estrutura do então
atual certificado de propulsores (powerplant) em dois certificados, um certificado de
técnico de manutenção de aviação (AMT) e um certificado de transporte de técnico de
manutenção de aviação (AMTT), resultando na AMT-T certificado. O certificado AMTT
foi proposto nos Estados Unidos pelo fato de que as empresas aéreas estavam tendo
um fluxo muito grande de passageiros e exigia um cuidado a mais dentro da indústria
de manutenção de aviação, acreditavam que os técnicos, para entrar no setor de
trabalho não estavam adequadamente preparados para realizar manutenção em
aeronaves de grande porte complexo. Durante o processo, os participantes da
indústria de aviação enfatizaram que a necessidade era crítica na área de eletrônica
onde os avanços tecnológicos aumentaram dramaticamente requisitos de
conhecimento para os técnicos e requisitos de formação presentes eram insuficientes.
Enquanto estas preocupações foram manifestadas principalmente através do
Comitê de treinamento de manutenção de associação de transporte aéreo (ATA), as
13
companhias aéreas não eram adequadamente treinadas e orientadas pelos
fabricantes dada a complexidade crescente de aeronaves e a falta de técnicos no
mercado para a época.
Já para a European Union Aviation Safety Agency (EASA), decidiu ter uma
diferente abordagem para o mesmo problema, foi feito três certificado específicos em
cada área, Celula, Propulsores e aniônicos. Ainda hoje mesmo com a mudança e
fragmentação dos certificados e durante o processo de mudança, os participantes da
indústria da aviação enfatizaram que a necessidade era crítica na área de manutenção
onde os avanços tecnológicos aumentaram drasticamente, conforme a previsão de
(Allen D.) 1970, e os requisitos de conhecimento para os técnicos não seguiram essa
proporção, estes requisitos atuais de treinamento são inadequados. Embora essas
preocupações tenham sido expressas principalmente através do Comitê de
Treinamento de Manutenção da Associação de Transporte Aéreo (ATA), eles se
dizem “sozinhos” em estar preocupado com a crescente complexidade da aeronave e
a falta de treinamento apropriado para os técnicos de manutenção.
Neste caso após as mudanças cada nação adota suas próprias
regulamentações seguindo um padrão mundial, estes rigorosamente estipulados para
que a segurança das operações seja “inviolável”, pois com o crescente número de
operações, seja na aviação civil ou militar, passageiros ou carga, há necessidade de
garantir a segurança das mesmas, e parte maior dessa responsabilidade parte dos
colaboradores da manutenção.
No Brasil a regulamentação é feita pela Agencia Nacional de Aviação Civil
(ANAC), onde a mesma limita e rege as regras das operações no Brasil, para o quesito
de treinamentos iniciais dos que pretendem ingressar no setor da manutenção como
técnicos eles devem seguir as normas ou Regulamento Brasileiro de Aviação Civil
(RBAC), estes desenvolvidos pela Agencia Nacional de Aviação Civil (ANAC). No
caso como as Regulamento Brasileiro de Aviação Civil (RBAC 65.75) para
treinamentos inicialmente todo candidato a mecânico deve satisfazer os seguintes
requisitos (RBAC 65.75):
(1) ter idade mínima de 18 (dezoito) anos;
(2) ter concluído o nível médio (antigo 2º. grau), com certificado reconhecido pelo
MEC ou Secretaria de Educação e Cultura;

14
(3) ter concluído com aproveitamento um curso de formação em uma entidade
homologada pela ANAC/SEP; e
(4) obter aprovação nos exames teóricos específicos da ANAC.

2.1.1. ANAC

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), uma das agências reguladoras


federais do País, foi criada para regular e fiscalizar as atividades da aviação civil e a
infraestrutura aeronáutica e aeroportuária no Brasil. Instituída em 2005, começou a
atuar em 2006 substituindo o Departamento de Aviação Civil (DAC). É uma autarquia
federal de regime especial e está vinculada ao Ministério da Infraestrutura. As ações
da ANAC se enquadram nos macroprocessos de certificação, fiscalização,
normatização e representação institucional.
Tendo como missão promover a segurança e a excelência do Sistema de
Aviação Civil. Outro marco importante foi a implantação do Safety Management
System (SMS) em 2008 pela ICAO, traduzido no Brasil como Sistema de
Gerenciamento da Segurança Operacional, que apresenta como conceito de
segurança de voo uma abordagem sistêmica e ampla, considerando todos os
aspectos que envolvam a segurança na operação e manutenção de uma aeronave e
promovendo a melhoria contínua dos níveis de segurança operacional (DOS
SANTOS, 2014).
Em 2012 a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) realizou, no dia 5 de
outubro de 2012, apresentação presencial para abertura de audiência pública
referente às propostas dos Regulamentos Brasileiros da Aviação Civil (RBAC)
140, 141 e 147, as regulamentações as quais se referem a fiscalização e cumprimento
de normas para escolas que desejam atuar no segmento aeronáutico.
O objetivo da apresentação foi esclarecer, em especial às escolas de aviação
civil e aos aeroclubes autorizados segundo o Regulamento Brasileiro de Homologação
Aeronáutica – RBHA 141, a respeito da nova regulamentação proposta nos RBAC
140, 141 e 147, que passará a requerer a certificação dessas instituições como
Escolas de Voo ou como Centros de Instrução de Aviação Civil. As propostas, que
entrarão em audiência pública a partir do dia 8 de outubro, vão atualizar as normas
15
atuais vigentes (RBHA 140 e RBHA 141), que estabelecem requisitos para
autorização de funcionamento e homologação de cursos de escolas de aviação civil e
aeroclubes. Com a atualização da norma, a ANAC garantiu o aumento do nível de
segurança e de qualidade das atuais instituições de ensino voltadas à formação do
pessoal da aviação civil.
Em 2018 houve uma mudança na RBHA 141 que veio a ser substituída pela
RBCA 141 onde a mesma também deixa claro que a partir da data vigente quem fará
a regulamentação das escolas será a Gerência Técnica de Organização de Formação
GTOF. A mesma seguirá os padrões das RBCA vigentes e também promete atuar
com mais rigor sobre os treinamentos ligados a aviação civil.

2.1.2. RBHA e RBCA

RBHA 145 – Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica nº 145, é


importante citar este regulamento que de prestadores de serviços de manutenção
neste artigo visto que a manutenção de aeronaves no Brasil pode ser feita,
basicamente, de duas formas: pelas próprias empresas aéreas, regidas pelo RBAC
121 ou por empresas de manutenção, que efetuam esses serviços de forma
terceirizada e que são regulamentadas pelo RBHA 145 (Machado, Urbina, Scarpel,
2011).
Desconhecido de muitos no segmento da aviação civil, este Regulamento,
também emitido pela ANAC, trata dos requisitos para a concessão de certificado de
organização de manutenção, e regulamenta a manutenção, manutenção preventiva,
reconstrução e modificação de aeronave, célula, motor, componentes e partes, que
estão no escopo do RBHA 43, sendo aplicado a organizações de manutenção que
foram homologadas através do mesmo. Ou seja, são as regras aplicadas as atividades
de oficinas de manutenção aeronáutica que não são empresas aéreas certificadas
pelo RBAC 121. Essas empresas aéreas podem realizar manutenção em suas
aeronaves sem a necessidade da homologação de suas oficinas, ou podem contratar
estes serviços de oficinas homologas pelo RBHA 145 se não possuem meios próprios
para conduzir a manutenção de seus aviões (Machado, Urbina, Scarpel, 2011).

16
RBHA 43 – Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica nº 43, é o
documento que rege todos os serviços de manutenção no Brasil em todos os sentidos,
ou seja, tudo que se relacione a manutenção, manutenção preventiva, modificações,
recondicionamentos, reparos e outros, de qualquer motor, célula, equipamento,
componente de qualquer aeronave que opere com um certificado de aero
navegabilidade do Brasil. O RBHA 43 versa sobre quem está autorizado a realizar
serviços de manutenção, como devem ser feitos os registros de manutenção, quais
regras que se aplicam às inspeções em aeronaves e suas partes, sendo de extrema
importância as empresas que desempenham esse tipo de trabalho.
Em função das exigências apresentadas no RBAC 121 quanto à manutenção da
aero navegabilidade das aeronaves por parte de seus proprietários ou operadores, o
RBAC 145 apresenta todas as exigências para o funcionamento das oficinas de
manutenção detentores desse certificado, como instalações, equipamentos, recursos
para manutenção, requisitos relativos às pessoas, e treinamento das mesmas, que
executam os serviços, organizam a manutenção, exercem controle da garantia de
qualidade nas empresas e outros.
Na seção 205 do RBHA 145 está especificado que a empresa de manutenção
prestando serviços a uma empresa de transporte aéreo que opere segundo o RBAC
121, deve seguir o Programa de Manutenção de Aero navegabilidade Continuada
dessa empresa. Para isso, a empresa de manutenção deve realizar as tarefas de
acordo com o manual do operador e com o correspondente programa de manutenção
do mesmo e deve ter os equipamentos necessários, o pessoal qualificado e os dados
técnicos para tal manutenção.
Cabe citar que, pela definição da própria ICAO no seu documento 9713, Aero
navegabilidade continuada “é todo processo que garanta que, em qualquer momento
da sua vida, uma aeronave cumpre com as condições técnicas emitidas no Certificado
de Aero navegabilidade e está em condições para uma operação segura”.

2.2. FERRAMENTAS PARA TREINAMENTOS

O treinamento deve ser a parte mais importante a partir do momento em que o


colaborador inicia sua vida em uma empresa, desde o início, dados históricos mostram
17
que se tornou possível a transmissão do conhecimento mesmo para os mais antigos
colaboradores até os mais novos. Os principais fatores que tornam o treinamento, uma
forma especifica de educação são: foco nos objetivos da organização, segurança em
operações, bem estar social e profissional, busca de atualizações tecnológicas e
contemplação dos objetivos pessoais de cada funcionário. Dessa forma o setor de
treinamento representa uma área indispensável para qualquer empresa. Sua principal
finalidade é formar e manter um nível de excelência de trabalho dentro da empresa.
Assim, as empresas devem possuir um programa de treinamento destinado a
manter os funcionários sempre em condições de executar suas tarefas, conforme o
previsto por um planejamento estratégico e segundo as exigências regulamentares
como supra citado. Dessa forma, os programas devem, portanto, fazer parte do
planejamento estratégico das organizações visando à maximização da produtividade,
ou minimizar os problemas causados pela falta dos mesmo, como os que afetam a
segurança de operações, falta de conhecimento nas atividades realizadas e falta de
planejamento e definição de metas e objetivos, isso tudo tende a ser evitado através
da capacitação das habilidades dos colaboradores do setor em questão.

“Treinamento não é alguma coisa feita uma vez só com os novos


empregados – é usado continuamente em todas as empresas bem
administradas. Todas as vezes que você coloca alguém para fazer uma
tarefa de uma forma determinada, está treinando. Cada vez que você
orienta ou discute um procedimento, está treinando” (Dooley, 1.946).

2.2.1. CICLO PDCA.

Ciclo PDCA é uma ferramenta de qualidade que consiste em detectar e tratar as


anormalidades dos processos para fins de evitar falhas ou perdas seja em máquinas
ou processos. Aqui o objetivo é desenvolver um método de um plano de ação para
que os colaboradores do setor de manutenção de aeronaves, que elimine as
atividades de manutenção que tendem a gerar mais falhas, é considerada uma
ferramenta avançada e especializada, se adequadamente administrada a sua técnica.

18
Segundo (XENOS, HARILAUS. 2004), para atingir uma determinada meta é
preciso seguir as fases do PDCA que são:
- (Plan) Planejamento: Estabelecer Claramente as metas e os métodos para
alcançá–las.
- (DO) Execução: Treinar e educar as pessoas envolvidas nos processos a
serem colocados em prática.
- (Check) Verificação: Observar a situação e verificar se os resultados do
trabalho executado estão progredindo em direção à meta.
- (ACTION) Atuação: Verificar se os resultados não estão progredindo em
direção à meta, atuando no processo em função dos resultados obtidos.
Basicamente, existem metas que se deseja manter (metas padrões) e metas que
se deseja melhorar (metas de melhoria). O fluxograma abaixo dá um exemplo de
PDCA na prática.

Figura 1. Detalhamento do PDCA para manter resultados.


Fonte. Campos, 1996, p.268

19
2.2.2. MATRIZ SWOT

A Análise SWOT é uma ferramenta utilizada para fazer análise de cenário (ou
análise de ambiente), sendo usado como base para gestão e planejamento
estratégico de uma corporação ou empresa, mas podendo, devido a sua simplicidade,
ser utilizada para qualquer tipo de análise de cenário, desde a criação de um blog à
gestão de uma multinacional. A Análise SWOT é um sistema simples para posicionar
ou verificar a posição estratégica da empresa no ambiente em questão. A técnica é
creditada a Albert Humphrey, que liderou um projeto de pesquisa na Universidade de
Stanford nas décadas de 1960 e 1970, usando dados da revista Fortune das 500
maiores corporações. O termo SWOT é uma sigla oriunda do idioma inglês, e é um
acrónimo de Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades
(Opportunities) e Ameaças (Threats).

Figura 2. Matriz de análise SWOT


Fonte: http://coachingsp.wordpress.com/2009/06/29/ferramentas-de-coaching-
analise-swot/ Acesso em: 21 mai. 2019.

20
Não há registros precisos sobre a origem desse tipo de análise, segundo
(HINDLE & LAWRENCE, 1994) a análise SWOT foi criada por dois professores da
Harvard Business School: Kenneth Andrews e Roland Christensen. Por outro lado,
TARAPANOFF (2001:209) indica que a idéia da análise SWOT já era utilizada há mais
de três mil anos quando cita em uma epígrafe um conselho de Sun Tzu: “Concentre-
se nos pontos fortes, reconheça as fraquezas, agarre as oportunidades e proteja-se
contra as ameaças” (SUN TZU, 500 a.C.) Apesar de bastante divulgada e citada por
autores, é difícil encontrar uma literatura que aborde diretamente esse tema.

2.3. ISO 10015.

A norma ISO 10015 é uma normativa ou diretriz a ser seguida pelas empresas
com a finalidade, segundo a norma, os treinamentos devem obedecer a quatro
estágios:
- Definição das necessidades de treinamento;
- Projeto e planejamento do treinamento;
- Execução do treinamento;
- Avaliação dos resultados do treinamento.
Segue o abaixo diagrama esquemático previsto pela norma ISO 10015,
demonstrando as quatro diretrizes do ciclo de treinamento de avaliar os treinamentos
caracteriza-se por um processo continuo de aprendizagem: é um investimento a longo
prazo.

21
Figura 3. Ciclo de treinamentos.
Fonte: Norma ISO 10015.

As empresas esperam que ao término dos treinamentos, os resultados e


benefícios, tanto para a organização como para os funcionários, se traduzam em
termos reais. Dada a sua importância, os treinamentos tornaram-se ferramentas
importantes na busca pela qualidade, desde 1.999, quando a International
Standardization Organization (ISO), desenvolveu a Norma ISO 10015, intitulada
Gestão da Qualidade – Diretrizes para Treinamento. Essa norma foi editada no Brasil
em Abril de 2001, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Ela
esclarece que os treinamentos devem ser encarados como sérios investimentos e não
apenas sob a ótica das despesas. Para ser possível avaliar um treinamento ele deve
apresentar resultados mensuráveis, esses resultados precisam ser comparados com
indicadores de performance e atender ao planejamento estratégico da empresa. Já
na introdução da Norma ISO 10015, aparece uma definição sobre a função estratégica
da norma:

22
“. . . fornece diretrizes que possam auxiliar uma organização a
identificar e analisar as necessidades de treinamento, projetar e
planejar o treinamento, executar o treinamento, avaliar os resultados
do treinamento, monitorar e melhorar o processo de treinamento, de
modo a atingir seus objetivos. Essa norma enfatiza a contribuição do
treinamento para a melhoria contínua e tem como objetivo ajudar as
organizações a tornar seu treinamento um investimento mais eficiente
e eficaz” (Norma ISO 10015, 2001, p. 02).

2.4. DEFINIÇÃO DAS NECESSIDADES DO TREINAMENTO

Ao analisar as necessidades da empresa e as deficiências dos funcionários


recomenda-se analisar a situação atual e futura da empresa assim definese um
projeto e ou planejamento de treinamentos a serem realizados. Como por exemplo,
definir métodos de avaliação, local, data, escolha de instrutores entre outros.
Já a execução do treinamento propriamente dito, é especificado no projeto e no
planejamento, nesta fase a empresa deve dar todo o apoio ao instrutor e aos treinados
no sentido de facilitar a execução do treinamento, que assim todos os treinamentos
possam ser avaliado, para que a empresa possa confirmar se os objetivos dos
funcionários e da organização foram atendidos. Essas avaliações devem ser
conduzidas da forma em que foram apresentadas no projeto e no planejamento.
A avaliação consiste em uma coleta de dados para a monitoração do processo,
essa que seria a principal finalidade da monitoração é o aperfeiçoamento do processo.
Ela deve estar presente nas quatro fases das diretrizes conforme o ciclo de
treinamentos.

2.5. LEI DE INCENTIVO FISCAL PARA TREINAMENTOS.

Devido a grande importância dos treinamentos, em 1975 o então Presidente


da república Ernesto Geisel, sancionou a Lei de Incentivo Fiscal para os
treinamentos. Foi denominada LEI n.º 6.297 (íntegra do texto em anexo) de 15
23
de Outubro de 1975, que tratava da dedução do lucro tributável, para fins de
impostos de renda de pessoas jurídicas, do dobro do valor das despesas
realizadas em projetos de formação profissional previamente aprovados pelo
Ministério do Trabalho, desde que esse valor não ultrapassasse 10% do lucro
tributável acumulado no período do exercício financeiro. Caso ultrapasse esse
valor, poderia ser deduzido nos próximos três exercícios financeiros subseqüentes.
Para a LEI n.º 6.297, considerava-se formação profissional, as “atividades
realizadas exclusivamente em território nacional, que objetivam a capacitação
imediata para o trabalho de indivíduos menores ou maiores, através de aprendizagem
metódica, qualificação profissional do aperfeiçoamento e especialização técnica em
todos os níveis”, ou seja, os diversos tipos de treinamento.
Inúmeras organizações eram beneficiadas, porém algumas empresas utilizavam
essa Lei de forma errada, realizando muitos treinamentos desnecessários. Devido a
esses acontecimentos em 12 de Abril de 1990, no governo do Presidente Fernando
Collor, foi criada a LEI n.º 8034 (íntegra do texto em anexo), que suspendeu a LEI n.º
6.297, eliminando o incentivo fiscal do Governo para as empresas. Isso resultou no
enfraquecimento dos processos de treinamento. Porém após a suspensão dessa Lei,
as empresas passaram a focar mais seus investimentos em treinamentos.

2.6. TREINAMENTOS NA AVIAÇÃO

Como foi relatado nesse capítulo, verificou-se que os treinamentos são


importantes para qualquer empresa. Na aviação ele não pode jamais ser deixado de
lado. É o treinamento que faz as empresas aéreas serem consideradas com indicies
elevados de confiabilidade. A aviação é um setor que trabalha com altas tecnologias
e envolve tarefas de alta complexidade, assim o treinamento é muito importante para
todos os funcionários.

3. IMPORTÂNICA DOS TREINAMENTOS NA MANUTENÇÃO DE AERONAVES.

Segundo (DRUKER, PETER. 1967) ”o maior benefício do treinamento não vem


de se aprender algo novo, mas de se fazer melhor aquilo que já fazemos bem”, ou

24
seja não se trata de se estamos fazendo bem ou não o nosso trabalho, mas sim de
que sempre podemos melhora-lo, os treinamentos nos mostras que podemos
identificar falhas recorrentes dentro de nossa empresa, se for dada a devida
importância dos programas de treinamento como importante ferramenta para se
alcançar os objetivos estratégicos de um planejamento empresarial, sendo que o setor
de manutenção de aeronaves também tem ser validado desses preceitos, podemos
assim dizer que podemos melhorar de uma forma significativa o que já atingimos
(metas e ou objetivos) ou para realmente atingir a produtividade desejada no setor
manutenção de aeronaves, seja esses objetivos focados em segurança ou qualidade
os mecânicos devem possuir um nível avançado de treinamentos específicos.
A legislação em relação aos programas de treinamento nos Estados Unidos, está
regulamentada na Advisory Circular(AC) 145-10. Sendo essa legislação nos traz
parâmetros de como se criar um programa de treinamento para manutenção.
Podemos dizer que essa AC é uma orientação para a confecção dos programas de
treinamento de acordo com a AC 145-10, os programas devem atender uma serie de
parâmetros específicos para a manutenção, caso haja necessidade, deve ser
adequado ao tamanho da oficina para atender as diversidades dos serviços prestados
pela mesma.
Esta mesma AC ainda determina que seja proposto uma espécie de análise do
colaborador antes de executar o treinamento, para avaliar a experiência do mesmo.
Sendo mensurado o conhecimento do colaborador deve ser direcionado um
treinamento especifico para sua função, ou seja, a função que ele irá desempenhar
após a realização do treinamento em questão. Sendo assim podemos dizer que há
uma determinada demanda especifica para cada treinamento ou seja, a qualificação
será para uma possível promoção do colaborador ou somente uma atualização, sendo
uma atualização pode seguir como uma qualificação de atualização, agora se for para
uma promoção de função, deve ser observado alguns parâmetros a serem seguidos.
Assim, é importante dividir os funcionários em cada nível de experiência, ou seja,
treinamentos específicos para:
- Inspetores;
- Mecânicos;
- Auxiliares;

25
3.1.1. TREINAMENTOS

A trazendo como uma base conceitual de exemplo um programa de treinamento


para uma oficina de manutenção que deve ser seguido baseado em 5 etapas: Inicial,
técnico, recorrente, técnico especializado e corretivo on the job training (OJT).

3.1.1.1. INICIAL

Indicado e utilizado para novos colaboradores deve conter alguns parâmetros


como: normas institucionais e políticas da empresa, procedimentos padrões adotados
pela empresa, aspectos e fatores humanos adotados para a manutenção de
aeronaves segundo as legislações aeronáuticas vigentes. Fica evidenciado ainda que
o escopo da norma de formação é baseado para todos os colaboradores da
manutenção, não se limitando as áreas operacionais, e ainda a metodologia de ensino
para o treinamento deve ser aplicada conforme a função executada pelo colaborador.
Lembrando que esse procedimento deve ser adotado para caso haja a
promoção de algum colaborador, e ou alterações de normas institucionais e ou
alteração de procedimento, para fins de adequação da adoção de novos parâmetros
e ou processos.

3.1.1.2. TÉCNICO

Esta deve ser direcionadas a níveis específicos e separados dos demais níveis,
ou seja, devesse atentar para as áreas de atuações do colaborador sendo que a
doutrinação ou metodologia aplicada, devendo ser apropriado para as funções
especificas que o colaborador irá executar. Este tipo de treinamento pode ser para
capacitar as seguintes habilidades ou colaboradores:
- Colaboradores que possuir um certificado em uma área especifica.
- Colaboradores experimental que está executando tarefas semelhantes em
outra estação de reparação.
- Colaboradores com experiência de manutenção aplicáveis da aviação militar.

26
- Colaboradores sem habilidades, experiência, ou conhecimento que atuam
como auxiliares.
Cabe observar que estes tipos de treinamentos técnicos devem ser separados
conforme classificação supramencionada, e também vale ressaltar que esse tipo de
treinamento deve qualificar o colaborador sobre uso de ferramentas especificas,
segurança na execução dos trabalhos, execução de processos administrativos e ou
preenchimentos de formulários técnicos, entre outros.
O objetivo deste, é deixar claro e objetivo os tipos de tarefas a serem
executadas pelo colaborador e também assegurar a importância de executar
corretamente sua função deixando em evidencia a segurança da operação e
funcionamento da aeronave.

3.1.1.3. RECORRENTE

Pode ser interpretado como uma reciclagem com colaboradores que já executam
determinada função, estes devem ser submetidos a um treinamento que muitas vezes
tem uma duração menor que as demais, pois como se trata de uma função já
executada pelo mesmo, pode-se interpretar que aplicando diferentes tipos de
atividades e ou conceitos de aprendizagens conforme as necessidades de operação,
vale ressaltar que os treinamentos recorrentes devem ser de acordo com as funções
empregadas.
Também pode ser avaliado os intervalos de treinamentos recorrentes para cada
função, ou seja, pode se determinar que um treinamento recorrente para um inspetor
possa durar menos ou mais que um técnico por exemplo.
Devesse atentar para a situação dos seguintes itens para o desenvolvimento
desse tipo de treinamento.
- Atualização básica dos treinamentos de iniciais com base em mudança de
legislação;
- Atualização de tempos de função (reciclagem);
Cada tipo de treinamento deve ser avaliado conforme necessidade especifica,
seja ela número de colaboradores, tamanho da base de operação, necessidades de
clientes e ou atualização de sistemas de aeronaves.

27
3.1.1.4. ESPECIALIZADO

Este deve ser baseado em situações especificas de operação, como


complexidade, habilidades e necessidade.
Podemos adotar algumas observações para aplicação deste, situações que
exigem trabalhos em altura, com áreas de calor, inspeções especiais, entre outros que
exijam atividades diferenciadas dos demais colaboradores.

3.1.1.5. CORRETIVO ON THE JOB TRAINING (OJT)

Usado para corrigir uma deficiência em operações, seja ela de habilidades e ou


procedimentos, é executado em casos de falhas, e pode ser ministrado para um
colaborador e ou setor inteiro, tendo em vista que este pode ser executado on the job
trainin, que é o treinamento executado no próprio local de trabalho.
Estes treinamentos devem conter ainda: formas de avaliação do aluno,
identificação de fontes e métodos para aplicação do mesmo, uma forma de avaliar ou
mensurar o nível de conhecimento do aluno, certificação de conclusão de cursos e
uma forma de definir como o treinamento tem correlação com a função executada,
não sendo necessária somente uma relação direta, podendo ser indireta.

3.1.2. EXECUÇÃO DE TREINAMENTOS

As definições de planos de treinamentos devem ser definidas pelas formas que


serão avaliadas as necessidades e as potencialidades de cada colaborador treinado.
Já as avaliações das necessidades consistem em identificar os conhecimentos
e habilidades de cada colaborador se ele está apto para executar a tarefa, para que o
treinamento seja assim direcionado para as reais necessidades, podendo evitar
perdas desnecessárias seja de tempo, ou investimentos e até mesmo recursos de
operações. A avaliação de potencialidade serve para identificar se o indivíduo é capaz
de executar a tarefa designada de um modo satisfatório. Para esse tipo de situação
deve ser usado avaliações teóricas, porém esse tipo de avaliação não garante que o
funcionário possua habilidades para a execução da tarefa, tendo em vista que as

28
avaliações teóricas demonstram o conhecimento conceitual e não pratico
propriamente dito. Para avaliar as habilidades são necessárias provas prática
podendo ser executadas no mesmo posto de trabalho, desde que haja a supervisão
necessária para execução da mesma, não colocando assim em risco a segurada do
bem e nem da integridade física do colaborador. Podem-se utilizar avaliações, nesse
caso, objetivas e julgadas pela realização bem-sucedida da tarefa solicitada unindo
assim conceitos práticos e teóricos.

3.1.3. DEFINIÇÃO, FONTES E METODOS DE TREINAMENTOS

Considerando a definição de conteúdo para ministrar os treinamentos como uma


identificação de necessidades, podemos observar como os conteúdos e avaliações
serão ministradas, ou seja, conceitualmente, devesse construir esboço ou um modelo
teórico de conteúdo a serem ministrados visando assim as metodologias de avaliação
que serão aplicadas ao fim do treinamento.
Adotar também uma fonte confiável de informação, pois devido a globalização
da informação nos dias atuais tendo a necessidade de atentar as fontes confiáveis
para serem aplicadas, por exemplo, treinamentos técnicos podem ser aplicados
conforme requisitos de fabricantes específicos, cabe a cada empresa adotar uma
fonte que deve satisfazer as necessidades e exigências legais para cada modelo de
treinamento e também adequar estes treinamentos para o segmento que a empresa
atua. Em muitos casos as empresas têm uma porcentagem maior de determinadas
aeronaves com mesmo modelo e configuração, as fontes para o treinamento podem
ser baseadas nos manuais do fabricante desta aeronave.
As metodologias de treinamentos devem ser desenvolvidas conforme as fontes
adotadas para a mesma, pois as mesmas devem coexistir seguindo os padrões
estipulados e avaliados, tendo em vista uma gama de aeronaves e legislações
vigentes em cada país, com a diversidade de aplicação, pois devesse criar matérias
específicos para cada tipo de aplicação e treinamentos, havendo a necessidade
podem compartilhar certas peculiaridades, porém devesse sempre avaliar
necessidades e metodologias especificas para cada treinamento.
Hoje com a gama de opções para metodologias de aplicação de treinamentos
podemos ressaltar algumas básicas que são adotadas hoje no mercado:
29
3.1.3.1. EAD (ENSINO A DISTÂNCIA)

Método o qual o aluno e instrutor interagem não estando no mesmo espaço físico
conforme decreto nacional.
“A Educação a Distância é a modalidade educacional na qual a
mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e
aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de
informação e comunicação, com estudantes e professores
desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos
diversos.” (Decreto nº. 9.057, 2017).

Neste caso pode usar metodologias utilizando recursos áudio visuais, tais
como, teleconferências, videoconferências, tele aulas; aulas virtuais também
chamadas de aulas via internet. A vantagem é que o aluno e instrutor podem executar
treinamentos estando os dois em ambas áreas remotas distintas, um em um campo
prático e outro não. As desvantagens são os meios de comunicação que podem
dificultar os meios de aprendizado do aluno.

3.1.3.2. SIMULAÇÃO DE CASOS PRATICO

Este treinamento pode ser uma ferramenta importante em casos de treinamentos


de reciclagem, pois além de unir a teoria e a prática em necessidades especificas,
podendo assim simular a realização de atividades que serão executadas ao longo da
função. No caso das reciclagens reforçam os conhecimentos já existentes, mas não
significa que não possa ser utilizado em treinamentos iniciantes. Para ministrar este
treinamento a empresa deve garantir a segurança e integridade dos colaboradores e
alunos em questão.

3.1.4. REGISTROS ADMINISTRATIVOS

Para assegurar a efetividade do treinamento e também a máxima aderência dos


conteúdos por parte do colaborador ou aluno, para que os mesmos tenham plena
30
capacidade de executar a função, devesse criar um método de avaliação, este método
pode ser utilizado para também mensurar a eficácia do treinamento, ponderando
pontos fracos e fortes a serem trabalhados, por isso devesse verificar logo após o
treinamento se os objetivos foram alcançados, após isso verificasse na pratica essa
efetividade da eficácia, este processo deve ser realizado com uma frequência para
fins de realização de novos treinamentos.
Para a avaliação de necessidade de novos treinamentos podemos utilizar
ferramentas de matriz SWOT como referência de efetividade do treinamento conforme
segue abaixo:

Tabela 1. Análise SWOT para treinamentos

Analise SWOT para avaliar treinamentos.

Fatores positivos (S) Fatores negativos (W)


Fatores Internos

Equipe muito técnica; Ferramentas obsoletas;


Instrutores qualificados; Equipamentos não condizem com treinamentos;
Conhecimento de mercado; Tempo insuficiente para treinamentos;
Normas de legislação não são objetivas e claras;
Fatores Externos

Oportunidades (O) Ameaças(T)

Explorar nichos novos de mercado; Fortalecimento da concorrência;


Atualizar uma equipe de alto desempenho; Constantes atualizações de sistemas de aeronaves;
Qualificar para um novo mercado; Legislação mudando constantemente;
Enfoque em segurança de operação;
Fonte: Autor.

Por fim é obrigatório manter registros individuais de avaliações e métodos


aplicados aos treinamentos, estes registros podem ser feitos através de certificados
de conclusão, como exemplo básico. Neste registro deve conter nome e função do
colaborador, documentos que comprovem participação das cargas horárias e
períodos de realização dos treinamentos, descrição dos conteúdos ministrados e

31
notas de aproveitamento. Em caso de reciclagem, o certificado e ou comprovante de
aptidão da execução da tarefa com prazos expirados e ou renovados.

3.2. TREINAMENTOS CONFORME LEGISLAÇÃO

No Brasil temos regulamentações especificas para treinamentos, de uma forma


não muito detalhada quando falamos sobre treinamentos de manutenção de
aeronaves, com pouca regulamentação se comparamos com os treinamentos para
tripulação. Na Instrução da Aviação Civil (IAC) 145.1001, que faz as regulamentações
das empresas de manutenção e homologação de empresas, mas o principal item é o
que trata de confecção do Manual de Procedimento de Inspeção (MPI), que diz
segundo o item 4.2.7.2 que uma empresa deve ter um programa de treinamentos para
manutenção em seu MPI, conforme segue:

“Programa de treinamento de pessoal em relação aos produtos


aeronáuticos, que deve ser estabelecido como um anexo ao MPI,
contendo, por exemplo, procedimentos de treinamento inicial e de
reciclagem, procedimentos para o registro e arquivo de treinamento
individual, incluindo teórico e prático, definições de critérios de
qualificação de instrutores ou de empresas contratadas, caso não seja
feito treinamento nos fabricantes, e procedimentos para o treinamento
em novos produtos e tecnologias”. (IAC 145-1001 item 4.2.7.2 b, p.
19).

Trazendo também exigências para treinamentos não técnicos, e faz menção


também ao próprio treinamento do MPI da empresa, sobre as RBCAs, IACs e outros
treinamentos sobre regulamentos específicos. Esses treinamentos podem ser
abordados dentro da ideia de qualificação inicial e em treinamentos periódicos,
quando houver alguma alteração na legislação. Esses treinamentos podem ser
realizados separadamente ou em conjunto, com programas especificas e ou de uma
forma que a empresa definir e pode ser ministrado para engenheiros, inspetores e
mecânicos, auxiliares, gestores e Controle Técnico de Manutenção (CTM).

32
Para confecção destes MPI, a ANAC disponibiliza a IAC 3132, que é
responsável por padronizar procedimentos e métodos para treinamentos do setor da
manutenção, criando e estipulando requisitos a serem seguidos como exemplos.
Conforme descrito nesta IAC a responsabilidade destes treinamentos é do gerente
geral e ou do gerente de manutenção, dependendo do enquadramento da empresa
de manutenção, conforme segue a abaixo a pagina especifica da IAC 3132 que
referente aos treinamentos:

Figura 4. Página 23 da IAC 3132


Fonte: IAC 3132

33
Na RBCA 145, no item 145.39 descreve que os empregados das oficinas
homologadas devem possuir conhecimento detalhado das técnicas e procedimentos
de manutenção; que podem ser adquiridos em cursos promovidos pelos fabricantes,
em escolas homologadas ou em larga experiência com o produto ou técnica envolvida.

4. ANÁLISE DE TREINAMENTOS PARA MANUTENÇÃO DE AERONAVES

Como visto até aqui, existem vários requisitos que devem ser observados antes
de um treinamento dentro do setor de manutenção de aeronaves, tendo em vista a
importância que este setor representa para a aviação hoje, porém, podemos constatar
algumas deficiências nesse setor se compararmos com uma legislação específica,
como a de qualificação de “tripulação de aeronaves para transporte”, que temos as
IAC 121 que trata exclusivamente das empresas homologadas deixando claro as
atribuições diversas, porém com um singelo parágrafo único sobre treinamentos para
a manutenção, não deixando muito clara e objetiva as especificações para o setor de
manutenção conforme segue o parágrafo abaixo:

“Cada detentor de certificado, ou pessoa executando trabalho de


manutenção ou manutenção preventiva para o detentor, deve
estabelecer um programa de treinamento que assegure que cada
pessoa (incluído o pessoal de inspeções obrigatórias) encarregada de
determinar a adequabilidade de um trabalho realizado esteja
plenamente informada sobre procedimentos, técnicas e novos
equipamentos em uso e seja competente para executar suas
obrigações.” (RBCA 121, item 121 - 375, p. 112).

O problema que isso traz para o setor da manutenção é mostrado em não


conformidades aplicadas ao setor em 2000 e 2003, algumas delas podem ser
recorrentes ainda hoje, e ainda sim mesmo retificando alguns pontos específicos,
como os treinamentos que não necessariamente precisam estar limitados a
equipamentos e aeronaves homologados pela empresa, ou seja, deve ser
considerado, também, o treinamento em fatores humanos qualificar CTM por exemplo.

34
O programa deve abranger o treinamento no conhecimento e habilidades relacionadas
ao desempenho humano para que a gestão e operação sejam eficientes, quando for
o caso.

“...apesar destes dados terem sidos expostos nos anos de 2000 e


2003, segundo os inspetores da ANAC, estes aspectos continuam
fazendo parte como não conformidades no setor da manutenção
ainda nos dias atuas de forma alarmante”. (GIL 2010, PG.17)

Os programas de treinamentos podem ser relacionados ao tamanho da


empresa e sua área de atuação, os PTM de empresas de grande porte são bons
exemplos disso, porém empresas de pequeno porte conseguem ser mais maleáveis.
Mas não adianta ter um programa excelente de manutenção se o colaborador não
quiser desenvolver seus conhecimentos e também as legislações não forem claras e
objetivas nessa questão, e não podemos desconsiderar a ideia de que nessa
atribuição o que pode ser uma boa aplicação de treinamentos são formações
continuadas para todos os colaboradores do setor da manutenção, auxiliares,
mecânicos, inspetores, CTM, supervisores e gerentes.

4.1. PESQUISA DE IMERÇÃO A MANUTENÇÃO DE AERONAVES

Para avaliar a relação e conhecimento dos colaboradores da manutenção com


as legislações vigentes, e seus conhecimentos técnicos, foi desenvolvido e aplicado
uma pesquisa com discussões locais em seus devidos hangares de manutenção em
dois estados diferente com duas empresas distintas de manutenção de aeronaves,
baseada em conhecimento empírico, onde a mesma tem por objetivo mostrar qual a
visão dos colaboradores de manutenção desde auxiliares até inspetores e CTM das
duas empresas de manutenção de aeronaves. Foram realizadas 6 questões
descritivas as quais os profissionais expressaram as suas opiniões em relação a
treinamentos, legislação e segurança de manutenção de aeronaves.
1 - Você acredita que o treinamento para quem atua na área da
manutenção da aviação é importante?

35
2 - Você conhece todas as tecnologias aplicadas na manutenção em
sua área de atuação em especial?

3 - Você conhece a legislação vigente hoje na sua área de atuação na


manutenção, considera ela clara, objetiva e eficiente?

4 - Na sua opinião os treinamentos para manutenção de aeronaves


podem ser utilizados como ferramentas estratégicas para o
gerenciamento da qualidade do setor?

5 - Você acredita que a manutenção de aeronaves é importante na


prevenção de acidentes do setor da aviação

6 – Você acha que a formação continuada através de cursos curtos


(aperfeiçoamento) e ou cursos de especialização, são importantes para
ser usado como plano de carreira em uma empresa? Cite quais cursos
você conhece que poderia lhe ajudar?

4.1.1. ANÁLISE DE PESQUISA DE CAMPO

Para a empresa A, situada no estado de Santa Catarina, foram reunidos nesta


empresa um auxiliar de mecânica em treinamento no segundo semestre do curso
técnico de manutenção em aeronaves, um técnico de manutenção, um responsável
técnico (inspetor) e um colaborador responsável pelo CTM que está no terceiro
semestre do curso técnico de manutenção em aeronaves, onde a média de tempo na
manutenção dos colaboradores foi de aproximadamente 7 anos. A empresa trabalha
com manutenção de aeronaves para aviação civil, experimentais conforme RBHA 091
e RBHA 103.
Para a pergunta número 1 realizada para os colaboradores em relação a
importância do treinamento para o setor, a resposta sim foi unânime, seguido de uma
observação sobre a importância dos treinamentos como uma ferramenta de
aperfeiçoamento e segurança para o setor, o que chamou a atenção foi a seguinte
observação “...envolve vidas e não pode ter erros em relação a manutenção.” (Leal,
Diego F. 18/06/2019)
Para a pergunta número 2 realizada, que refere as tecnologias utilizadas, 3/4
(três quartos) dos entrevistados disseram que não conhecem as tecnologias e

36
ponderam sobre a importância de treinamentos constantes para desenvolver
conhecimento das mesmas.
Para a pergunta número 3 em relação ao conhecimento da legislação vigente,
se os entrevistados consideram clara e objetiva, a respostas se manteve em 3/4 (três
quartos) dos entrevistados disseram achar a legislação pouco objetiva e pouco
eficiente.
Para a pergunta número 4 em relação aos treinamentos sendo usados como
ferramentas estratégicas para o setor, a resposta sim foi unânime, ponderado
situações especificas e objetivas de qualidade.
Para a pergunta número 5 em relação a importância da manutenção para a
segurança do setor da aviação, a resposta sim foi unânime, ponderando algumas
situações de operação e conscientização, e também reforçando a importância da
manutenção para esse item em específico.
Para a pergunta número 6 em relação a importância da formação continuada do
setor, continuamos com uma resposta sim, foi unânime, nessa questão houve várias
ponderações sobre a importância dos treinamentos com visões particulares e
específicas, porem com uma ideia central que é a importância dos treinamentos para
o setor.
A empresa B situada no Rio Grande do Sul também tem uma estrutura para
manutenções similares a empresa A, porém como se trata de uma empresa familiar
que atende mais a parte de aviação agrícola e algumas aeronaves para aviação civil
partícula, nesta empresa temos a responsável pelo CTM um mecânico e um Inspetor
responsável técnico pelos serviços que na média de tempo na aviação tem 25 anos
no setor.
Para a pergunta número 1 realizada para os colaboradores em relação a
importância do treinamento para o setor, a resposta foi sim, seguido de uma
observação sobre a atualização de conhecimentos em relação a equipamentos e
procedimentos
Para a pergunta número 2 realizada, que refere as tecnologias utilizadas, a
resposta foi sim, pois ambos concordam sobre o tempo que atuam na área de
manutenção, ambos os técnicos têm aproximadamente 40 anos de experiência na
área.

37
Para a pergunta número 3 em relação ao conhecimento da legislação vigente,
se os entrevistados consideram clara e objetiva, foi dividida, pois um dos entrevistados
defende que na atualidade as normas têm sido modificadas e atualizadas
constantemente, já o RT cita que acha que deveria ser mais clara e mais objetivas.
Para a pergunta número 4 em relação aos treinamentos sendo usados como
ferramentas estratégicas para o setor, ambos concordam com o treinamento sendo
usado para atualização constante do setor.
Para a pergunta número 5 em relação a importância da manutenção para a
segurança do setor da aviação, a resposta sim foi unânime, tendo em vista que a
manutenção é peça fundamental para a prevenção de acidentes.
Para a pergunta número 6 em relação a importância da formação continuada do
setor, continuamos com uma resposta sim, foi unânime, nessa questão assim como
na empresa A, houve várias ponderações, sobre os órgãos regulamentadores facilitar
os treinamentos, para as empresas e ou adaptar os mesmos para as realidades
específicas.

5. CONCLUSÃO

A ideia inicial para esse tema surgiu da necessidade de criar meios de


treinamentos e analisar a efetividade dos treinamentos básicos para o setor da
manutenção de aeronaves. Conforme visto no capitulo 4, a legislação hoje para a área
de manutenção é bem falha se comparada com a legislação que regulamenta cursos
de cabine por exemplo, onde que podemos perceber através da pesquisa que há
dificuldades ponderadas pelos entrevistados sobre a normas e legislações vigentes,
então partimos do princípio que, poderíamos melhorar os treinamentos e também com
melhorias na legislação, e ou desenvolver treinamentos específicos nesta área, onde
os colaboradores possam ver com mais objetividade as normas e legislação vigente.
Um dos fatores motivador desta pesquisa, também foi observado através da
dificuldade que as empresas de manutenção aeronáutica enfrentam com os
treinamentos básicos iniciais para o setor de manutenção. Se analisarmos a legislação
brasileira, podemos observar que realmente faltam diretrizes para essas empresas

38
construírem seus próprios programas de forma eficiente e eficaz, afinal fica muito
amplo e genérico para o setor em questão.
Uma observação interessante, é que as empresas pesquisadas, não tendo
muita relação em questão de atuação, ponderam as mesmas situações sobre a
questão de treinamentos onde o ponto em comum foi a importância da formação
continuada para os profissionais do setor.
Definindo um treinamento ideal, hoje, temos que analisar o porte da empresa, e
poderia ser realizado seguindo o seguinte processos simples: primeiramente, o
funcionário deve ter contato físico e visual com as partes e sistemas que compõem
uma aeronave, motor, rotor, hélice, componente/acessório como um exemplo de
treinamento prático não somente englobando isso na teoria.
Deve ser realizada uma apresentação genérica dos fatores determinantes para
o treinamento inicial, ressaltando os pontos de maior interesse, ou seja, legislação,
segurança, tecnologia ou componentes. Somente depois dessa ambientação é que
deve ser realizado o treinamento teórico para que o mecânico se sinta mais
familiarizado. O treinamento teórico pode ser efetuado em conjunto com atividades
laborais e práticas simuladas, não necessariamente tendo contato com situações
reais. Após esses treinamentos simulados, deve-se voltar às instruções teóricas, para
esclarecer eventuais dúvidas que tenham surgido, assim clareando e sanando
duvidas que são geradas nas atividades práticas simuladas. Ressalta-se que realizar
somente os cursos teóricos não resolve o problema, pois temos a necessidade de
treinar as habilidades nas práticas para fins de reforçar a segurança do tanto do
profissional quanto do trabalho que ele irá executar.
Podemos concluir também que é fato inquestionável que os treinamentos são de
suma importância para o setor analisando como um todo, sendo em fatores de
tecnologia, segurança e ou rever conceitos já visto antes, bem como é inquestionável
também o fato de que a segurança das operações aéreas depende muito de se ter
mecânicos com um nível de conhecimento muito amplo não somente na sua área de
atuação.
Por fim se as empresas entenderem que treinar os colaboradores for visto como
um grande aliado se tratando de adquirir novos conhecimentos em uma área
determinada, ou não, com a finalidade de promover não só as habilidades especificas,
mas entender que treinar é um meio de fornecer proficiência através da visão
39
sistêmica de fatores que podem vir a ocorrer, ou seja prevenir, e não esperar não
conformidades chegar para utilização da instrução teórica e da prática especializada
para corrigir essas não conformidades, seja elas técnicas ou não, devemos entender
que a importância de um treinamento para o setor da manutenção, se refletirá no
conteúdo e na recorrência do mesmo, será uma condição que sem a qual não será
possível se ter homens conscientes de suas responsabilidades técnicas em tornar
equipamentos seguros para voos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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<https://www.anac.gov.br/A_Anac/institucional> Acesso em 20 Maio 2019.

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qualidade – Diretrizes para treinamento. Rio de Janeiro, 2001.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO. Manual


de treinamento e desenvolvimento. 2.º edição, São Paulo, Markon Books, 1994.

BRASIL. Decreto nº 9.057, de 25 de Maio de 2017. Estabelece as diretrizes e bases


da educação a distância nacional. Diário Oficial da República Federativa do Brasil,
Brasília, DF, art. 1, Lei nº 10.861, 23 dez. 1996.

DOS SANTOS, P. R. Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional -


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Of Transportation (Org.). Aviation Maintenance Technician Handbook.
Disponível em:
<http://www.faa.gov/regulations_policies/handbooks_manuals/aircraft/amt_handbook
/>. Acesso em: 12 Jun. 2019.

40
FAA. FAR/AMT series 2016: Federal Aviation Regulations for Aviation
Maintenance Technicians, Newcastle WA: Aviation Supplies & Academics, 11 Jul.
2015.

FAA. Federal Aviation Administration. Disponível em:


<https://www.faa.gov/regulations_policies/advisory_circulars/index.cfm/go/document.i
nformation/documentID/22721>. Acesso em 07 Jul. 2019

FERREIRA, Douglas. Análise SWOT. 29 jun. 2009. Disponível em:


<http://coachingsp.wordpress.com/2009/06/29/ferramentas-de-coaching-analise-
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GIL, Mauricio Rodrigues, Qualidade nos Processos de Manutenção da Aviação


Civil Particular Brasileira, Revista Ciências Gerais, Vol. 14, nº 20, 2010.

MACHADO, Márcio. C.; URBINA, Ligia. M. S.; SCARPEL, Rodrigo. A. Capacitação


Técnica das Empresas de Manutenção Aeronáutica no Brasil. XXXI Encontro
Nacional de Engenharia de Produção, Belo Horizonte, MG, Brasil, 2011.

ORIBE, Claudemir Y. A Hora e a Vez da ISO 10.015. Banas Qualidade, São Paulo:
Editora EPSE, ano XIII. n. 141, fevereiro 2004, p. 24-28.

SABATOVSKI, E. KNIHS, K. FONTOURA, I. P. Código brasileiro de aeronáutica.


4.ed. Curitiba: Jurua Editora, 2008. HOMA, Jorge M. Aerodinâmica e teoria de voo:
noções básicas. 28a ed. São Paulo: ASA, 2010. 125 p.

XENOS, HARILAUS GEORGIUS D’PHILIPPOS. Gerenciando a Manutenção


Produtiva. Nova Lima: Editora Falconi, 2004.

Anexos

PESQUISA SOBRE TREINAMENTOS PARA O SETOR DE MANUTENÇÃO DE


AERONAVES.

Nome: _____________________________________________

Empresa (opcional): __________________________________

Função atual na aviação: ______________________________

Tempo de trabalho na aviação: __________________________

41
1 - Você acredita que o treinamento para quem atua na área da manutenção da
aviação é importante?

Por quê? SIM ( ) - NÃO ( )

___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

2 - Você conhece todas as tecnologias aplicadas na manutenção em sua área de


atuação em especial?

Por quê? SIM ( ) - NÃO ( )

___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

3 - Você conhece a legislação vigente hoje na sua área de atuação na manutenção,


considera ela clara, objetiva e eficiente?

Por quê? SIM ( ) - NÃO ( )

___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

4 - Na sua opinião os treinamentos para manutenção de aeronaves podem ser


utilizados como ferramentas estratégicas para o gerenciamento da qualidade do
setor?

Por quê? SIM ( ) - NÃO ( )

___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

42
5 - Você acredita que a manutenção de aeronaves é importante na prevenção de
acidentes do setor da aviação?

Por quê? SIM ( ) - NÃO ( )

___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

6 – Você acha que a formação continuada através de cursos curtos


(aperfeiçoamento) e ou cursos de especialização, são importantes para ser usado
como plano de carreira em uma empresa? Cite quais cursos você conhece que
poderia lhe ajudar?

Por quê? SIM ( ) - NÃO ( )

___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

43