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23/09/2019 “Sigamos em luta na defesa do Jornalismo e da democracia”, convoca mesa de abertura do 38° Congresso dos Jornalistas - FENAJ

“Sigamos em luta na defesa do Jornalismo e da


democracia”, convoca mesa de abertura do 38°
Congresso dos Jornalistas
ago 26, 2019

Vozes diversas e ao mesmo tempo uníssonas se reuniram para


afirmar a importância do Jornalismo e o papel dos jornalistas em
tempos de obscurantismo, desinformação e retrocessos, durante
a abertura do 38° Congresso Nacional dos Jornalistas, ocorrida na
quinta-feira, 22 de agosto, no Teatro São José, localizado em
Fortaleza -CE. A escolha do equipamento simbolizou a resistência
da cultura popular de uma região que também luta contra os desmontes ocasionados pela
conjuntura atual.

Antes da solenidade, programada para iniciar com a composição


da mesa de abertura, o grupo de tradições folclóricas Raízes
Nordestinas, que possui 23 anos de existência, subiu ao palco do
Teatro São José para dar as boas-vindas aos presentes naquele
momento. A apresentação contou com interpretações da vida
sertaneja, incluindo canções cearenses populares e muita dança.
Vale lembrar que a data coincidiu exatamente com o Dia do
Folclore (22/08). Na plateia, estavam operárias e operários da notícia de vários Estados, assim
como personalidades locais. As presenças mais ilustres foram citadas uma a uma durante todo o
evento.

O discurso que deu início ao Congresso Nacional dos Jornalistas foi lido pelo jornalista Kennedy
Saldanha. O texto lembrou e ressaltou conceitos e acontecimentos que seguem sendo debatidos
pela categoria e sociedade no geral. O espectro neofascista que paira sobre o Brasil; o falso
moralismo tão presente na disputa de narrativas; o perigoso anti-intelectualismo; o extermínio
do povo negro; a morte de Marielle Franco; a prisão política de Lula; o desemprego generalizado;
a desinformação disseminada; a crise do modelo de negócios do Jornalismo e suas
consequências.

Logo após a leitura, a mesa de abertura foi composta pelos seguintes nomes: Maria José Braga,
presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ); Rafael Mesquita, presidente do
Sindicato dos Jornalistas no Ceará (Sindjorce); Chagas Vieira, assessor especial de comunicação
do Governo do Estado do Ceará; Moacir Maia, coordenador de comunicação da Prefeitura de
Fortaleza; Inácio Arruda, secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado do
Ceará; Gilvan Paiva, secretário da Cultura de Fortaleza; Antonio Oliveira, procurador do Ministério
Público do Trabalho no Ceará (MPT-CE); Oswaldo Maneschy, representante da Associação
Brasileira de Imprensa – ABI; e Luizianne Lins, deputada federal pelo Ceará.

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23/09/2019 “Sigamos em luta na defesa do Jornalismo e da democracia”, convoca mesa de abertura do 38° Congresso dos Jornalistas - FENAJ

Houve aspectos unânimes nos discursos de cada autoridade, como a concordância em relação
aos momentos difíceis vividos na atualidade, marcada por ataques profundos a instituições
históricas e a áreas essenciais para o Estado Democrático de Direito. Gilvan Paiva enfatizou o
momento grave pelo qual a cultura nacional está passando. O secretário considera o contexto um
verdadeiro ataque à democracia.

Moacir Maia, por sua vez, relembrou fatos importantes sobre a história do Ceará. Segundo o
jornalista, há “disposição e capacidade de luta” no povo cearense, por essa razão, é necessário
desenhar “caminhos e estratégias para sairmos dessa nuvem sombria”. Da mesma forma, Inácio
Arruda defendeu, em seu discurso, a importância das informações verdadeiras, bem como das
pessoas capacitadas para produzi-las.

Enquanto secretário da Ciência, ele comentou sobre o aprimoramento das tecnologias, como
alternativa para a recuperação da Economia, e afirmou seu repúdio aos ataques promovidos pelo
atual presidente. Segundo Arruda, o termo “Terra da Luz” não é à toa, pois simboliza a luz da
liberdade e da democracia. O Ceará, em sua opinião, é um dos estados mais equilibrados, assim
como os demais da região Nordeste.

Antonio Oliveira disse enxergar o processo civilizatório ameaçado. O procurador do Trabalho


frisou que a luta pelos direitos é diária, logo, “o único caminho é continuar lutando”. Oliveira
afirmou acreditar na existência de “um Brasil que está dando as costas ao Planalto”, pois “a
planície está fazendo” por si só. Criticou, ainda, a “cultura da má notícia”, defendendo a busca
por um “rio das boas notícias”, que deve pautar assuntos além da “agenda da destruição”.

Chagas Vieira iniciou sua fala afirmando que estamos vivendo


“uma grande oportunidade para mostrar que ninguém vai calar os
jornalistas e que não iremos sucumbir”. Segundo o assessor de
comunicação, o Jornalismo vai sair (desse processo singular)
mais fortalecido, principalmente contra as chamadas fake news.
Ele finalizou seu discurso com a frase “Somos todos Paraíba”,
fazendo referência ao recente episódio que envolveu o presidente
da República e os governadores do Nordeste.

Rafael Mesquita, presidente do


Sindjorce, discursou de forma assertiva. Frisou a necessidade do
fortalecimento da categoria dos operários e operárias da notícia;
agradeceu o apoio do Governo do Estado do Ceará às iniciativas
dos jornalistas cearenses; mencionou a ex-presidente Samira de
Castro como fundamental para a superação de crises e
construção de uma unidade; rechaçou a conjuntura atual citando
o retorno de ações praticadas na ditadura civil-militar brasileira; apontou os desmontes
trabalhista e previdenciário; relatou a atual crise de credibilidade do Jornalismo; repudiou as

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posturas das empresas de comunicação, que exploram seus funcionários por meio da
multifuncionalidade; e reafirmou o Jornalismo como pilar da democracia.

Por fim, Rafael frisou o papel fundamental dos jornalistas, dizendo “não podemos nos calar!”.
Além disso, deixou questionamentos representativos, como “Quem matou Marielle e Anderson?
Quem mandou matar?”, “Onde está o Queiroz?” e “Cadê a prova contra Lula?”.

Oswaldo Maneschy, em sua oportunidade, comentou sobre a relevância histórica da Associação


Brasileira de Imprensa, que possui mais de 100 anos de existência. Assim como os demais, falou
sobre a luta pela democracia, que deve ser protagonizada pelo povo brasileiro. Oswaldo fez
menção ao jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept, enfatizando a responsabilidade social
que a categoria possui em relação à opinião pública.

Da mesma forma, Luizianne Lins afirmou que a situação do Jornalismo é grave e frisou que os
jornalistas não podem ser cúmplices do que ela chama de “idiotização do Brasil”. Segundo a
deputada federal, os colegas jornalistas possuem o “papel não só de detectar, mas de subverter”.
“A resistência não é fácil, mas é possível”, finalizou.

Maria José Braga, última da mesa a discursar, parabenizou o


Ceará por estar vivendo um momento diferente dos demais
Estados e fez menção honrosa à diretoria do Sindjorce pelo
trabalho desenvolvido nos últimos anos. A presidenta da FENAJ
compartilhou estar vivenciando os mesmos sentimentos das
demais autoridades e deixou a seguinte reflexão: “o Governo
brasileiro caiu no abismo do absurdo”. Segundo Braga, o País está
dando passos em direção ao passado, pois, “não há área da
civilização humana que não esteja sendo afetada”, concluiu.

“Somos chamados de idiotas”, disse Maria José em relação às


declarações do atual executivo federal sobre os jornalistas. Ela também expressou sua
preocupação ao ver a constante disseminação do ódio no meio social. Da mesma forma, a
presidenta frisou que é “urgente sairmos da defensiva” mas reconhece: “felizmente, não estamos
imobilizados”. Para finalizar, deixou uma convocação: “sigamos em luta na defesa do Jornalismo e
na defesa da democracia brasileira”.

Redação: Alex Ferreira

Edição: Samira de Castro

Fotos: David Leitão Aguiar

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