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DIREITO COLETIVO DO TRABALHO

PRINCÍPIOS ESPECIAIS DO DIREITO COLETIVO DO TRABALHO

Por Breno Lenza Cardoso e Julia Garcia Baptistuta


SUMÁRIO

1 – INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................. 3
2-PRINCÍPIOS ASSECURATÓRIOS DA EXISTÊNCIA DA FIGURA DO SER COLETIVO OBREIRO ...................................... 3
3- PRINCÍPIOS QUE TRATAM DAS RELAÇÕES ENTRE OS SERES COLETIVOS OBREIROS E EMPRESARIAIS, NO
CONTEXTO DA NEGOCIAÇÃO COLETIVA ................................................................................................................ 8
4- PRINCÍPIOS REGENTES DAS RELAÇÕES ENTRE NORMAS COLETIVAS NEGOCIADAS E NORMAS ESTATAIS: .......... 12
DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO ....................................................................................................... 17
BIBLIOGRAFIA UTILIZADA ................................................................................................................................... 18
ATUALIZADO EM 08/04/20181

PRINCÍPIOS ESPECIAIS DO DIREITO COLETIVO DO TRABALHO2

1 – INTRODUÇÃO

O Direito Coletivo do Trabalho é um segmento jurídico especializado do Direito do Trabalho que, apesar da
controvérsia acerca da sua autonomia, possui princípios e regras próprios. Esses princípios foram elaborados com
base na noção de ser coletivo e dos direitos e obrigações assumidos pelos sujeitos coletivos em suas relações e nos
interesses que visam proteger.

De acordo com Maurício Godinho Delgado, os princípios especiais do Direito Coletivo do Trabalho são
divididos em três grandes grupos:
1. Princípios assecuratórios da existência da figura do ser coletivo obreiro;
2. Princípios que tratam das relações entre os seres coletivos obreiros e empresariais, no contexto da
negociação coletiva;
3. Princípios regentes das relações entre normas coletivas negociadas e normas estatais;

2-PRINCÍPIOS ASSECURATÓRIOS DA EXISTÊNCIA DA FIGURA DO SER COLETIVO OBREIRO

Os princípios assecuratórios da existência da figura do ser coletivo obreiro são aqueles cujo objeto é o ser
coletivo obreiro, a sua criação e organização, visando à proteção dos direitos daqueles que representam e
exprimindo a real vontade da coletividade.

A observância desses princípios possibilita o surgimento e desenvolvimento das organizações coletivas dos
trabalhadores, como os sindicatos.

1. PRINCÍPIO DA LIBERDADE ASSOCIATIVA E SINDICAL

1
As FUCS são constantemente atualizadas e aperfeiçoadas pela nossa equipe. Por isso, mantemos um canal aberto de diálogo
(setordematerialciclos@gmail.com) com os alunos da #famíliaciclos, onde críticas, sugestões e equívocos, porventura
identificados no material, são muito bem-vindos. Obs1. Solicitamos que o e-mail enviado contenha o título do material e o
número da página para melhor identificação do assunto tratado. Obs2. O canal não se destina a tirar dúvidas jurídicas acerca do
conteúdo abordado nos materiais, mas tão somente para que o aluno reporte à equipe quaisquer dos eventos anteriormente
citados.
2
FUC confeccionada pelos Coaches Breno Lenza Cardoso e Julia Garcia Baptistuta, com colaboração de Naiane Santos Pereira e
Marina Pimenta Fraga.
Defende o direito de todo trabalhador à associação e sindicalização. Assim, é livre a associação permanente
entre as pessoas, desde que de forma pacífica. Assegura o direito de associação independente do segmento social e
dos interesses defendidos, sem a intervenção Estatal.

#APROFUNDAMENTO #COMPLEMENTAÇÃO:
Qual a diferença entre REUNIÃO e ASSOCIAÇÃO? A reunião é o agrupamento de pessoas de forma pacífica e
episódica/temporária/eventual em razão de interesses em comum. Por outro lado, a associação tem caráter
permanente ou, ao menos, de longa duração. Esses conceitos estão interligados, pois o direito de reunião é
pressuposto para o alcance da efetivação do direito de associação. São ainda importantes vetores da democracia e
têm como base o caráter social do ser humano.

Extraem-se do art. 5º, XX da CF duas dimensões da liberdade de associação. Uma dimensão positiva, ou seja, a
liberdade de criação e/ou vinculação a uma associação; e uma dimensão negativa, isto é, o direito de se desvincular
de uma associação a qualquer momento.

Art. 5º XX - Ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;

O princípio da liberdade possui três aspectos:


a) Liberdade de constituição: O Estado não pode intervir na criação, funcionamento e extinção de uma
associação;
b) Liberdade de filiação: As pessoas têm liberdade de se filiar, permanecer ou se desligar da entidade;
c) Liberdade de organização: O Estado não pode interferir na organização e administração da entidade
associativa, há a liberdade na estruturação interna e atuação externa da associação.

Há ainda a dimensão coletiva: a liberdade de criação e extinção da associação; e a dimensão individual:


liberdade de se filiar, permanecer ou se desligar da entidade associativa.

Os aspectos e dimensões ora apresentadas aplicam-se também à liberdade de sindicalização, conforme art. 8º,
I e V da CF/88:

Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:


I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no
órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical;
V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato;

#JURISPRUDÊNCIADOSTF #ATENÇÃO
O STF entende que a participação do poder executivo nas negociações coletivas de trabalho ofende o princípio da
liberdade sindical:

Ação direta de inconstitucionalidade. Lei complementar estadual que fixa piso salarial para certas categorias.
Pertinência temática. Conhecimento integral da ação. Direito do trabalho. Competência legislativa privativa da
União delegada aos Estados e ao Distrito Federal. Lei Complementar federal nº 103/2000. Alegada violação ao art.
5º, caput (princípio da isonomia), art. 7º, V, e art. 114, § 2º, da Constituição. Inexistência. Atualização do piso
salarial mediante negociação coletiva com a participação do “Governo do Estado de Santa Catarina”. Violação ao
princípio da autonomia sindical. Inconstitucionalidade formal. Procedência parcial. (...) A parte final do parágrafo
único do art. 2º da Lei Complementar nº 459/2009, ao determinar a participação do "Governo do Estado de Santa
Catarina" nas negociações entre as entidades sindicais de trabalhadores e empregadores para atualização dos pisos
salariais fixados na referida lei complementar, ofende o princípio da autonomia sindical (art. 8º,I, CF/88) e extrapola
os contornos da competência legislativa delegada pela União. AS NEGOCIAÇÕES COLETIVAS DEVEM OCORRER COM A
PARTICIPAÇÃO DOS REPRESENTANTES DOS EMPREGADORES E DOS TRABALHADORES, SEM INTROMISSÃO DO
GOVERNO (PRINCÍPIO DA NEGOCIAÇÃO LIVRE). Ao criar mecanismo de participação estatal compulsória nas
negociações coletivas, o Estado de Santa Catarina legisla sobre "direito coletivo do trabalho", não se restringindo a
instituir o piso salarial previsto no inciso V do art. 7º da Constituição Federal” " (ADI 4364/SC)

Cláusulas de sindicalização forçada: Também chamadas de cláusulas de segurança sindical, são cláusulas que
visam incentivar a sindicalização, mas que são incompatíveis com o princípio da liberdade sindical no que se refere a
sua dimensão individual (liberdade de se filiar, permanecer e se desligar da entidade sindical):

 Closed shop (empresa fechada): O empregador se compromete com o sindicato dos trabalhadores a
somente contratar empregados que estejam vinculados a ele. Nos EUA, tal dispositivo foi considerado
ilegal pela Lei Taft-Hartley, de 1947.
 Union shop (empresa sindicalizada): A empresa empregadora firma compromisso no sentido de
manter no seu quadro de funcionários apenas aqueles empregados que se filiarem ao sindicato
obreiro, após período razoável da sua admissão.
 Preferencial shop (empresa preferencial): Dá preferência à contratação de trabalhadores filiados ao
respectivo sindicato.
 Maintenance of membership (manutenção de filiação): o empregado deve se manter filiado à
respectiva entidade sindical, durante a vigência de convenção coletiva, sob pena de perder o seu
emprego.

Práticas antissindicais: São práticas que desestimulam a sindicalização e interferem na atuação do sindicato,
contrariando o princípio da liberdade de sindicalização e, por isso, são consideradas inválidas, pois ferem princípio
constitucionalmente assegurado:
 Yelow dogs contracts (contratos de cães amarelos): o empregado se compromete a não se filiar ao
respectivo sindicato em troca da admissão e permanência no emprego. No Brasil há algumas práticas
informais que indiretamente inviabilizam a filiação do empregado ao respectivo sindicato, através de
pressões no ambiente de trabalho.
 Company unions (sindicatos de empresas – No Brasil: sindicatos amarelos): o empregador estimula e
controla, mesmo que indiretamente, o sindicato dos seus empregados, no que se refere à organização
interna e atuação externa.
 Lista suja ou Mise à L’index: os empregadores compartilhariam entre si os nomes dos trabalhadores
que participam ativamente nos seus sindicatos visando excluir esses trabalhadores do mercado de
trabalho.

Garantias à atuação sindical: Tem como objetivo a previsão no ordenamento jurídico de garantias mínimas de
proteção da organização e atuação do sindicato, visando à efetivação da função da entidade sindical de exprimir a
real vontade da coletividade e proteger os direitos da categoria representada.

O ordenamento jurídico brasileiro prevê algumas garantias como a vedação de dispensa sem justa causa do
dirigente sindical desde a data do registro da candidatura até um ano após o término do mandato.

Art. 8º VIII, CF/88 - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura
a cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final
do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei.

Art. 543, CLT - O empregado eleito para cargo de administração sindical ou representação profissional,
inclusive junto a órgão de deliberação coletiva, não poderá ser impedido do exercício de suas funções,
nem transferido para lugar ou mister que lhe dificulte ou torne impossível o desempenho das suas
atribuições sindicais.

Algumas garantias estão previstas nas Convenções da OIT, como as Convenções nº 11, 87, 98, 135, 141 e 151,
por exemplo.

#JÁCAIU #MAGISTRATURA
2012 – TRT - 8ª Região (PA e AP)- Banca própria – Juiz do Trabalho Substituto:
“No atual modelo constitucional brasileiro, é garantida a plena liberdade de associação profissional ou sindical, vez
que independente da autorização do Estado, mas a estrutura em que essa liberdade está inserida implica algumas
restrições na organização e na administração sindical, o que, aliado a outros aspectos, impede a ratificação da
Convenção n. 87 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) pelo Brasil.”
R: CORRETA
2017- TRT 16ª Região – Juiz do Trabalho Substituto:
“Em consonância com as normas internacionais, a Constituição Federal de 1988 reconheceu a liberdade de
associação profissional ou sindical sem qualquer restrição, controle ou limitação à criação e/ou atuação dos
sindicatos. “
R: FALSA: Trecho incorreto: “sem qualquer restrição, controle ou limitação à criação e/ou atuação dos sindicatos”

#OLHAOGANCHO #DIREITO PENAL


Atentado contra a liberdade de associação
Art. 199 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou deixar de participar de
determinado sindicato ou associação profissional:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

2. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA SINDICAL

Este princípio garante às entidades associativas autonomia no que se refere a sua gestão, sem interferência e
intervenção do Estado ou das empresas empregadoras. Assim, os sindicatos possuem liberdade no que tange à sua
estrutura interna, sua organização, sua atuação externa, sustentação econômico financeira. É garantida a
desvinculação de controle estatal e empresarial.

Tendo em vista que a autonomia sindical sempre sofreu restrições na história e política brasileira, o princípio
maior da liberdade sindical foi dividido em duas diretrizes, qual seja, da própria liberdade, como visto no tópico
anterior, e o da autonomia dos sindicatos.

No início da ditadura de Vargas, na década de 1930, os sindicatos não possuíam autonomia. A estrutura e
organização dos sindicatos eram controladas pelo Estado, com características corporativistas, conforme modelo
facista importado da Itália.

Em que pese a Ditadura Vargas ter chegado ao seu fim em 1945, o princípio da autonomia sindical ainda não
era devidamente efetivado, apesar de constar formalmente na Constituição de 1946. Ainda eram aplicadas as regras
do modelo corporativista autoritário sindical.

No período do regime militar, as regras corporativistas foram ajustadas ao modelo antidemocrático deste
regime. Não houveram mudanças nas Constituições editadas nesta fase histórica (1967 e 1969 – EC n. 1).

Apenas com o advento da CF/88, o princípio da autonomia sindical passou a ter efetividade na ordenamento
jurídico brasileiro. O Estado deixou de ter controle sob a administração dos sindicatos no que se refere a sua criação,
sua gestão interna e foram ampliadas as suas prerrogativas de atuação externa, seja através da atuação em questões
judiciais ou administrativas, seja através da negociação coletiva e até mesmo assegurando o direito de greve.
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:
I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no
órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical;
III - Ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive
em questões judiciais ou administrativas;
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de
exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.

Em que pese ter ampliado a autonomia dos sindicatos, a CF/88 manteve algumas características do modelo
corporativista vigente na época da ditadura Vargas, como a unicidade sindical, o sistema de financiamento
compulsório, o amplo poder normativo dos tribunais trabalhistas e a representação classista na Justiça do Trabalho.

Art. 8º II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa
de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos
trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um Município;
IV - a assembléia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será
descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva,
independentemente da contribuição prevista em lei;

A EC nº 24/99 extinguiu a representação classista na Justiça do Trabalho. A EC nº 45/04 restringiu o poder


normativo trabalhista, acrescentando o requisito do comum acordo para a propositura de dissídio coletivo. Com a
Reforma Trabalhista a contribuição sindical deixou de ter caráter compulsório.

REDAÇÃO ANTIGA REDAÇÃO NOVA


Art. 545 - Os empregadores ficam obrigados a Art. 545. Os empregadores ficam obrigados a
descontar na folha de pagamento dos seus descontar da folha de pagamento dos seus
empregados, desde que por eles devidamente empregados, desde que por eles devidamente
autorizados, as contribuições devidas ao Sindicato, autorizados, as contribuições devidas ao sindicato,
quando por este notificados, salvo quanto à quando por este notificados.
contribuição sindical, cujo desconto independe
dessas formalidades.

3- PRINCÍPIOS QUE TRATAM DAS RELAÇÕES ENTRE OS SERES COLETIVOS OBREIROS E EMPRESARIAIS, NO
CONTEXTO DA NEGOCIAÇÃO COLETIVA
Esses princípios orientam as relações coletivas, estabelecendo deveres, poderes e parâmetros de conduta
dos entes coletivos de trabalho na negociação coletiva.

1. PRINCÍPIO DA INTERVENIÊNCIA SINDICAL NA NORMATIZAÇÃO COLETIVA:

Está previsto no art. 8º, VI da CF/88 e determina que para que a negociação coletiva seja válida é obrigatória
a presença da entidade sindical dos trabalhadores.

Art. 8º VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;

O objetivo deste princípio é a efetividade da equivalência entre os sujeitos da relação coletiva laboral,
evitando a negociação coletiva entre o empregador e um grupo de trabalhadores reunidos apenas de forma
eventual, sem a força institucional democrática que é característica das entidades sindicais obreiras e as garantias
sindicais já mencionadas.

Qualquer ajuste feito informalmente entre empregado e empregador sem a presença do sindicato obreiro
terá validade apenas de cláusula contratual, sem aptidão de criação de negociação coletiva. Entendimento em
sentido contrário daria a particulares poder de criação de normas jurídicas sem a garantia que a vontade real do ser
coletivo e os seus interesses sociais estejam assegurados.

Este princípio, entretanto, é excepcionado pelo art. 617, §1º da CLT:

Art. 617 § 1º Expirado o prazo de 8 (oito) dias sem que o Sindicato tenha se desincumbido do encargo
recebido, poderão os interessados dar conhecimento do fato à FEDERAÇÃO a que estiver vinculado o
Sindicato e, em falta dessa, à correspondente CONFEDERAÇÃO, para que, no mesmo prazo, assuma a
direção dos entendimentos. ESGOTADO ESSE PRAZO, PODERÃO OS INTERESSADOS PROSSEGUIR
DIRETAMENTE NA NEGOCIAÇÃO COLETIVA ATÉ FINAL.

Assim, quando houver recusa injustificada do sindicato para participar da negociação coletiva, o princípio ora
estudado será restringido. Este artigo foi recepcionado pelo CF/88, mas não autoriza a criação de normas que
contrariem o ordenamento jurídico.

#DEOLHONOSINFORMATIVOSDOTST

Acordo direto entre empregados e a empresa. Recepção do art. 617 da CLT pelo art. 8º, VI, da CF. Recusa de
participação do sindicato da categoria profissional na negociação coletiva. Necessidade de prova cabal.

O art. 8º, VI, da CF estabelece ser obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho. Já
o art. 617, caput, da CLT, dispõe que os empregados que decidirem celebrar acordo coletivo de trabalho com as
respectivas empresas darão ciência de sua resolução, por escrito, ao sindicato representativo da categoria
profissional, que terá o prazo de oito dias para assumir a direção dos entendimentos entre os interessados. Caso
não sejam tomadas as medidas negociais por parte do sindicato representativo da categoria, o § 1º do art. 617 da
CLT autoriza a formalização de acordo diretamente entre as partes interessadas. Nesse sentido, reputa-se válido
acordo firmado diretamente entre o empregador e empregados, sem a intermediação do sindicato da categoria
profissional, desde que demonstradas a livre manifestação de vontade dos empregados em assembleia e a efetiva
recusa da entidade sindical em consultar a coletividade interessada. O art. 617 da CLT, portanto, foi recepcionado
pela Constituição Federal, mas em caráter excepcional, pois é imprescindível que o sindicato seja instado a
participar da negociação coletiva. Somente a demonstração da inequívoca resistência da cúpula sindical em
consultar as bases autoriza os próprios interessados, regularmente convocados, a firmarem diretamente o pacto
coletivo com a empresa, na forma da lei. No caso concreto, em negociação direta entre o empregador e comissão
de empregados acordou-se a fixação de jornada de trabalho em turnos ininterruptos de revezamento de doze
horas. O TRT, todavia, com fundamento no art. 8º, VI, da CF, considerou inválido o referido acordo, deixando,
porém, de apreciar os requisitos previstos no art. 617 da CLT. Assim, a SBDI-I, por unanimidade, conheceu dos
embargos, no tópico, por divergência jurisprudencial, e, no mérito, por maioria, deu-lhes provimento parcial para,
diante da recepção do art. 617 da CLT pela Constituição da República de 1988, determinar o retorno dos autos ao
TRT de origem a fim de que aprecie o atendimento ou não dos requisitos exigidos no art. 617 da CLT para a validade
do acordo coletivo de trabalho firmado sem assistência sindical, máxime no tocante à comprovação cabal ou não
de recusa do sindicato da categoria profissional em participar da negociação coletiva. Vencidos os Ministros Luiz
Philippe Vieira de Mello Filho, relator, Augusto César Leite de Carvalho, José Roberto Freire Pimenta e Hugo Carlos
Scheuermann. TST-E-ED- RR-1134676-43.2003.5.04.0900, SBDI-I, rel. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, red. p/
acórdão Min. João Oreste Dalazen, 19.5.2016. (Informativo TST nº 137)

#OUSESABER: As negociações coletivas são as tratativas prévias que podem ou não culminar na posterior signatura
de Acordos ou Convenções Coletivas do Trabalho. As negociações coletivas, tais como os Acordos e Convenções
Coletivas do Trabalho são frutos da denominada autonomia privada coletiva nas relações de trabalho, a qual permite
a auto-regulamentação das relações de trabalho pelos grupos profissionais e econômicos, por meio de seus
representantes coletivos. A Constituição da República dispõe no inciso VI do art. 8º que “é obrigatória a participação
dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho”. Não obstante não haja a especificação, é pacífico na doutrina
e jurisprudência que tal obrigatoriedade diz respeito tão somente aos Sindicatos Profissionais, não sendo obrigatória
a participação do Sindicato representante da categoria econômica. Isso porque a própria CLT prevê, além da
Convenção Coletiva de Trabalho, a figura do Acordo Coletivo de Trabalho, que consiste em instrumento coletivo de
criação de normas jurídicas autônomas aplicáveis à categoria profissional ligada à empresa signatária. Ou seja, os
Acordos Coletivos são firmados entre Sindicato Profissional e uma ou mais empresas, de forma que a negociação
coletiva prévia à firmatura de um Acordo Coletivo de Trabalho prescinde da participação do sindicato da categoria
econômica, podendo ser realizada diretamente pela (s) empresa (s) interessada (s). Ressalte-se que a própria
Constituição da República, em seu artigo 7º, inciso XXVI, reconheceu expressamente as Convenções e os Acordos
Coletivos de Trabalho. Portanto, não é obrigatória a participação do sindicato da categoria econômica nas
negociações coletivas, podendo tais negociações serem empreendidas diretamente por uma ou mais empresas,
sem necessidade da entidade sindical.

2. PRINCÍPO DA EQUIVALÊNCIA DOS CONTRATANTES COLETIVOS

Os sujeitos do direito coletivo do trabalho são: o empregador e os sindicatos dos trabalhadores e dos
empregadores. O empregador, mesmo isoladamente, é considerado como ser coletivo. Já os trabalhadores, por
outro lado, para se constituírem como ser coletivo precisam estar agrupados em um ente associativo, como os
sindicatos.

Esses sujeitos buscam exprimir suas vontades e proteger seus direitos através de mecanismos de atuação e
pressão, como garantias de emprego, greve. Os instrumentos de atuação visam reduzir o desequilíbrio social entre
empregado, individualmente considerado, e empregador.

Desta forma, tendo em vista o equilíbrio entre os sujeitos do Direito Coletivo do Trabalho, perderia o sentido
de aplicação, neste segmento laboral específico, dos princípios de proteção dos trabalhadores que, organizados
coletivamente através do sindicato, não mais seriam hipossuficientes.

Contudo, no Brasil, ainda não há um completo equilíbrio entre os sujeitos coletivos do trabalho, ou seja,
ainda não há uma real equivalência entre eles. Conforme menciona Maurício Godinho Delgado, não foi editada, após
a CF/88, uma Carta de Direitos Sindicais que adéque as regras sindicais com “as necessidades da real democratização
do sistema trabalhista e da negociação coletiva”.

3. PRINCÍPIO DA LEALDADE E TRANSPARÊNCIA NA NEGOCIAÇÃO COLETIVA:

Este princípio está ligado ao princípio da equivalência dos contratantes coletivos, pois tem como objetivo
assegurar condições para que essa equivalência seja concretizada na prática.

A lealdade e transparência são pressupostos para o desenvolvimento democrático e a efetivação da


negociação coletiva. Todos os sujeitos envolvidos no processo negocial coletivo devem observar os princípios da
lealdade, transparência, boa-fé, honestidade.

Não pode haver greve, por exemplo, durante a vigência do diploma coletivo negociado, pois este pacificou a
relação havida entre os negociantes. Entretanto, se houver uma modificação nas condições fáticas, poderia ser
aplicada a exceção da cláusula rebus sic stantibus (teoria da imprevisão). Caso o empregador descumpra aquilo que
foi negociado, a greve será válida. O entendimento jurisprudencial já ultrapassado de que a greve não seria válida,
por ser cabível uma ação de cumprimento, restringia demasiadamente o direito de greve constitucionalmente
assegurado.

A transparência traduz-se no dever de que as condições previstas na negociação coletiva sejam claras, pois
há a produção de normas jurídicas cogentes, diferentemente das negociações privadas. Desta forma, o acesso a
informações no que se refere à criação de normas que irão reger determinada categoria deve ser mais amplo.

4- PRINCÍPIOS REGENTES DAS RELAÇÕES ENTRE NORMAS COLETIVAS NEGOCIADAS E NORMAS ESTATAIS:

Estes princípios estão relacionados aos efeitos das normas criadas através da negociação coletiva. Tratam
das relações entre as normas produzidas autonomamente pelos sujeitos coletivos e as normas heterônomas do
Direito Individual do Trabalho.

1. PRINCÍPIO DA CRIATIVIDADE JURÍDICA DA NEGOCIAÇÃO COLETIVA

A negociação coletiva cria normas jurídicas através dos acordos e convenções coletivas de trabalho. No
entanto, a autonomia da vontade dos entes coletivos e a liberdade de produção de normas jurídicas por estes são
limitadas pelas normas heterônomas estatais.

Desta forma, deve haver harmonia entre as normas autônomas criadas pelos instrumentos coletivos
(contrato coletivo, acordo coletivo e convenção coletiva), e as normas heterônomas estatais.

A criação autônoma de normas jurídicas pelos entes coletivos concretiza o Princípio democrático de
descentralização política e de avanço da autogestão social.

Diferentemente das cláusulas contratuais, que possuem efeito adesivo permanente ao contrato de trabalho,
as normas criadas pelos sujeitos do Direito Coletivo do Trabalho não aderem permanentemente ao contrato
pactuado pelas partes, por isso podem ser revogadas ou modificadas. As normas poder suprimir as cláusulas
contratuais, mas o contrário não é verdadeiro, exceto quando a cláusula contratual trouxer benefício superior à
norma coletiva.

O contrato de trabalho não se caracteriza como ato-regra, não possuindo caráter geral, abstrato e impessoal,
pelo contrário, suas cláusulas são concretas, específicas e pessoais e regulam a apenas a relação jurídica pactuada
entre os contratantes.
A norma jurídica criada pela negociação coletiva, quando institua um novo direito trabalhista, não previsto
em normas heterônomas estatais, vai reger os efeitos da parcela instituída.
#JACAIU #MAGISTRATURA

2016 – TRT 3 – Juiz do Trabalho Substituto:


“O princípio da criatividade jurídica da negociação coletiva traduz a noção de que nos processos negociais
coletivos e seus instrumentos (contrato coletivo, acordo coletivo e convenção coletiva do trabalho) têm real
poder de criar norma jurídica, sem qualquer limitação ou harmonia com a normatividade heterônoma estatal.”
R: FALSA: “Trecho incorreto: sem qualquer limitação ou harmonia com a normatividade heterônoma estatal”

Maurício Godinho Delgado (2016) assim esclarece: “O princípio da criatividade jurídica da negociação coletiva
traduz a noção de que os processos negociais coletivos e seus instrumentos (contrato coletivo, acordo coletivo e
convenção coletiva do trabalho) têm real poder de criar norma jurídica (com qualidades prerrogativas e efeitos
próprios a estas), em harmonia com a normatividade heterônoma estatal.

2. PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SETORIAL NEGOCIADA

Este princípio trata das limitações e dos critérios de harmonização entre as normas autônomas criadas
através da negociação coletiva e as normas heterônomas estatais. Foi idealizado por Maurício Godinho Delgado pela
primeira vez no seu artigo “Princípios do Direito do Trabalho” de 1994, mas ainda não foi universalizado na doutrina.

Decorre da interpretação feita pelos tribunais quando se analisa a relação entre as normas criadas pela
negociação coletiva e as normas legais estatais.

#APROFUNDAMENTO #COMPLEMENTAÇÃO

De acordo com Maurício Godinho Delgado3: “as normas autônomas juscoletivas construídas para incidirem sobre
certa comunidade econômico-profissional podem prevalecer sobre o padrão geral heterônomo justrabalhista desde
que respeitados certos critérios objetivamente fixados. São dois esses critérios autorizativos:

a) quando as normas autônomas juscoletivas implementam um padrão setorial de direitos superior ao padrão geral
oriundo da legislação heterônoma aplicável; as normas autônomas elevam o patamar setorial de direitos
trabalhistas, em comparação com o padrão imperativo existente. Assim o fazendo, não afrontam sequer o princípio
da indisponibilidade de direitos que é inerente ao direito individual do trabalho.
b) quando as normas autônomas juscoletivas transacionam setorialmente parcelas justrabalhistas de
indisponibilidade apenas relativa (e não de indisponibilidade absoluta); o princípio da indisponibilidade de direitos é
realmente afrontado, mas de modo a atingir somente parcelas de indisponibilidade relativa. Estas assim se
qualificam, quer pela natureza própria à parcela (modalidade de pagamento salarial, tipo de jornada pactuada,

3
DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 15. Ed. São Paulo: LTr, 2016
fornecimento ou não de utilidades e suas repercussões no contrato, etc), quer pela existência de expresso
permissivo jurídico heterônomo a seu respeito (montante salarial, montante de jornada).

Isso quer dizer que não prevalece a adequação setorial negociada se concernente a direitos revestidos de
indisponibilidade absoluta, os quais não podem ser transacionados nem mesmo por negociação sindical coletiva.
Tais parcelas são aquelas imantadas por uma tutela de interesse público, por se constituírem em um patamar
civilizatório mínimo que a sociedade democrática não concebe ver reduzido em qualquer segmento econômico –
profissional, sob pena de se afrontarem a própria dignidade da pessoa humana e a valorização mínima deferível ao
trabalho. Expressam ilustrativamente essas parcelas de indisponibilidade absoluta a anotação de CTPS, o
pagamento do salário mínimo, as normas de saúde e segurança do trabalho.

No caso brasileiro, esse patamar civilizatório mínimo está dado, essencialmente, por três grupos convergentes de
normas trabalhistas heterônomas: as normas constitucionais em geral (respeitadas as ressalvas parciais
expressamente feitas pela própria constituição: art. 7º vi, xiii, xiv, por exemplo); as normas de tratados e
convenções internacionais vigorantes no plano interno brasileiro; as normas infraconstitucionais que asseguram
patamares de cidadania ao indivíduo que labora (preceitos relativos à saúde e segurança do trabalho, normas
concernentes a bases salariais, normas de identificação profissional, dispositivos antidiscriminatórios, etc.)

A jurisprudência tem considerado que, estando a parcela assegurada por norma imperativa estatal (CF, leis federais,
tratados e convenções internacionais ratificados), ela prevalece soberanamente, sem possibilidade jurídica de
supressão ou restrição pela negociação coletiva trabalhista – salvo se a própria regra heterônoma estatal abrir
espaço à interveniência da norma coletiva negociada.”

“Há limites objetivos à adequação setorial negociada; limites jurídicos objetivos à criatividade jurídica da negociação
coletiva trabalhista. Desse modo, ela não prevalece se concretizada mediante ato estrito de renúncia (e não
transação). É que ao processo negocial coletivo falece poderes de renúncia sobre direitos de terceiros (isto é,
despojamento unilateral sem contrapartida do agente adverso). Cabe-lhe, essencialmente, promover transação (ou
seja, despojamento bilateral ou multilareal, com reciprocidade entre os agentes envolvidoS), hábil a gerar normas
jurídicas. Também não prevalece a adequação setorial negociada se concernente a direitos revestidos de
indisponibilidade absoluta (e não indisponibilidade relativa), os quais não podem ser transacionados nem mesmo
por negociação sindical coletiva. Tais parcelas são aquelas imantadas por uma tutela de interesse público, por
constituírem um patamar civilizatório mínimo que a sociedade democrática não concebe ver reduzido em qualquer
segmento econômico profissional, sob pena de se afrontarem a própria dignidade da pessoa humana e a valorização
mínima deferível ao trabalho (arts. 1º, III e 170, caput, CF/88).”

#JACAIU #MAGISTRATURA
2012 – FCC – TRT 11 –Juiz do Trabalho Substituto: “O princípio da autonomia privada coletiva reflete a capacidade
de autorregramento das partes envolvidas na negociação coletiva, respeitados os limites impostos pela ordem
constitucional.”
R: CORRETA
A autonomia privada coletiva é um poder que se confere aos entes sindicais, de estabelecer normas coletivas de
trabalho, a serem aplicadas às relações trabalhistas. Assim, dentro da relação do direito coletivo do trabalho,
considera-se que as partes envolvidas têm igualdade, podendo, portanto, exercer maior autonomia (se
compararmos à situação existente na relação trabalhista individual).

#REFORMATRABALHISTA

A Reforma Trabalhista acrescentou à CLT rol de hipóteses em que o negociado prevalecerá sobre o legislado
e, por outro lado, direitos em que é vedada a supressão ou redução por negociação coletiva (rol taxativo). Impôs a
prevalência do negociado ao legislado, sendo possível reduzir ou suprimir direitos trabalhistas, exceto aqueles
previstos no art. 611-B da CLT. Corrente doutrinária defende a inconstitucionalidade desses artigos, pois a CF/88 já
estabeleceu os limites da flexibilização dos direitos trabalhistas. Assim, inconstitucional norma que tenta reduzir ou
suprimir direitos além daqueles já definidos na CF/88 como passíveis de flexibilização.

Art. 611-A. A convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros,
dispuserem sobre:
I – pacto quanto à jornada de trabalho, observados os limites constitucionais;
II – banco de horas anual;
III – intervalo intrajornada, respeitado o limite mínimo de trinta minutos para jornadas superiores a seis
horas;
IV – adesão ao Programa Seguro-Emprego (PSE), de que trata a Lei nº 13.189, de 19 de novembro de 2015;
V – plano de cargos, salários e funções compatíveis com a condição pessoal do empregado, bem como identificação
dos cargos que se enquadram como funções de confiança;
VI – regulamento empresarial;
VII – representante dos trabalhadores no local de trabalho;
VIII – teletrabalho, regime de sobreaviso, e trabalho intermitente;
IX – remuneração por produtividade, incluídas as gorjetas percebidas pelo empregado, e remuneração por
desempenho individual;
X – modalidade de registro de jornada de trabalho;
XI – troca do dia de feriado;
XII – enquadramento do grau de insalubridade;
XIII - prorrogação de jornada em ambientes insalubres, sem licença prévia das autoridades competentes do
Ministério do Trabalho;
XIV – prêmios de incentivo em bens ou serviços, eventualmente concedidos em programas de incentivo;
XV – participação nos lucros ou resultados da empresa.
§ 1º No exame da convenção coletiva ou do acordo coletivo de trabalho, a Justiça do Trabalho observará o disposto
no § 3º do art. 8º desta Consolidação.
§ 2º A inexistência de expressa indicação de contrapartidas recíprocas em convenção coletiva ou acordo
coletivo de trabalho não ensejará sua nulidade por não caracterizar um vício do negócio jurídico.
§ 3º Se for pactuada cláusula que reduza o salário ou a jornada, a convenção coletiva ou o acordo coletivo de
trabalho deverão prever a proteção dos empregados contra dispensa imotivada durante o prazo de
vigência do instrumento coletivo.
§ 4º Na hipótese de procedência de ação anulatória de cláusula de convenção coletiva ou de acordo coletivo
de trabalho, quando houver a cláusula compensatória, esta deverá ser igualmente anulada, sem repetição do
indébito.
§ 5º Os sindicatos subscritores de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho deverão participar, como
litisconsortes necessários, em ação individual ou coletiva, que tenha como objeto a anulação de cláusulas desses
instrumentos.
Art. 611-B. Constituem objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho, exclusivamente, a
supressão ou a redução dos seguintes direitos:
I – normas de identificação profissional, inclusive as anotações na Carteira de Trabalho e Previdência Social;
II – seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;
III – valor dos depósitos mensais e da indenização rescisória do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS);
IV – salário mínimo;
V – valor nominal do décimo terceiro salário;
VI – remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
VII – proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;
VIII – salário-família;
IX – repouso semanal remunerado;
X – remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em 50% (cinquenta por cento) à do
normal;
XI – número de dias de férias devidas ao empregado;
XII – gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal;
XIII – licença-maternidade com a duração mínima de cento e vinte dias;
XIV – licença-paternidade nos termos fixados em lei;
XV – proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei;
XVI – aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei;
XVII – normas de saúde, higiene e segurança do trabalho previstas em lei ou em normas regulamentadoras do
Ministério do Trabalho;
XVIII – adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas;
XIX – aposentadoria;
XX – seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador;
XXI – ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os
trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho;
XXII – proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador com
deficiência;
XXIII – proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito anos e de qualquer trabalho a
menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos;
XXIV – medidas de proteção legal de crianças e adolescentes;
XXV – igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador
avulso;
XXVI – liberdade de associação profissional ou sindical do trabalhador, inclusive o direito de não sofrer, sem sua
expressa e prévia anuência, qualquer cobrança ou desconto salarial estabelecidos em convenção coletiva ou acordo
coletivo de trabalho;
XXVII – direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e
sobre os interesses que devam por meio dele defender;
XXVIII – definição legal sobre os serviços ou atividades essenciais e disposições legais sobre o atendimento das
necessidades inadiáveis da comunidade em caso de greve;
XXIX – tributos e outros créditos de terceiros;
XXX – as disposições previstas nos arts. 373-A, 390, 392, 392-A, 394, 394-A, 395, 396 e 400 desta Consolidação.
Parágrafo único. Regras sobre duração do trabalho e intervalos não são consideradas como normas de
saúde, higiene e segurança do trabalho para os fins do disposto neste artigo.

RESUMO
QUANTO À EXISTÊNCIA DOS SERES COLETIVOS
PRINCÍPIO DA LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO E LIBERDADE SINDICAL
PRINCÍPIO DA AUTONOMIA SINDICAL
QUANTO À RELAÇÃO ENTRE OS SERES COLETIVOS
PRINCÍPIO DA EQUIVALÊNCIA DOS SERES COLETIVOS
PRINCÍPIO DA INTERVENIÊNCIA SINDICAL NA NEGOCIAÇÃO COLETIVA
QUANDO À RELAÇÃO ENTRE A NORMA COLETIVA NEGOCIADA E A
LEGISLAÇÃO HETERÔNOMA ESTATAL
PRINCÍPIO DA CRIATIVIDADE JURÍDICA NA NEGOCIAÇÃO COLETIVA
PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SETORIAL NEGOCIADA

DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO

DIPLOMA DISPOSITIVO
CLT Artigos 611-A e 611-B
CF Artigos 5º, XX e 8º

BIBLIOGRAFIA UTILIZADA

 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: LTr Editora, 2016;

 MOURA, Marcelo. Reforma Trabalhista – Comentários à Lei nº 13.467/2017. Salvador: Juspodivm, 2018.