Você está na página 1de 6

O impacto do não para mulheres impossibilitadas de engravidar

Conceição de Lourdes Penaforte Gomes da Silva; Gabriel Oliveira de


Arruda; Tatiane Batista dos Santos Cunha
Professor Fomentador: Fernanda Turma 7° MA
E-mail da responsável: tatiane.brios@gmail.com
Centro Universitário Brasileiro (UNIBRA)
Curso de Psicologia– Semana interdisciplinar 2018.2
RECIFE, PE

Palavras chave: Infertilidade, engravidar, família.

Introdução: Através de dados obtidos pela Organização Mundial da Saúde


(OSM), estimasse que entre 60 e 80 milhões de pessoas em todo o mundo
enfrentam dificuldades para levar adiante seu projeto de paternidade e
maternidade em algum momento da vida. Desejar ter filhos mas se deparar
com a impossibilidade desse processo produz uma ampla gama de
sentimentos, tais como medo, ansiedade, tristeza, frustração, desvalia e
vergonha, desencadeando, por vezes, quadros importantes de estresse. A
situação de infertilidade pode provocar efeitos devastadores tanto na esfera
individual como conjugal, interferir nas relações sociais e na qualidade de
vida. Mesmo nos dias atuais, a responsabilidade de engravidar ainda recai
sobre a mulher, que muitas vezes não conseguindo gerar, sente-se
rebaixada, triste e culpada.

Materiais e Métodos: Para a realização deste trabalho, foram realizadas


pesquisas bibliográficas em artigos onde os materiais consultados tem uma
grande relevância com o tema escolhido. Os artigos aqui usados foram
encontrados nas seguintes fontes: google acadêmico, Scielo, e artigos
científicos.

Objetivos: O presente estudo buscou compreender os impactos


psicossociais causados em mulheres com dificuldade para engravidar, ou
totalmente inférteis, podendo ser analisado o sofrimento ao projeto parental
de muitos casais, sendo de maior responsabilidade emocional e fértil para a
mulher, em grande parte dos casos.
Discussão:

A limitação imposta pela infertilidade aos casais que se deparam com o


impedimento de dar continuidade à própria existência, através de um filho
biológico, envolve elementos de ordem biológica e psíquica. Por mais que a
infertilidade deva ser considerada como um problema do casal, a mulher
parece ser vista como a principal responsável pelos problemas reprodutivos,
não só culturalmente, como também dentro da comunidade médica.
Historicamente, a maternidade foi construída como o ideal máximo da
mulher, representando um caminho para alcançar a plenitude e a realização
da feminilidade, atrelado a um sentido de abnegação e sacrifícios
prazerosos. Nas últimas décadas do século XVIII, e principalmente no século
XIX, as mulheres assumiram o papel da boa mãe, com dedicação integral
aos filhos e responsabilidade pelo espaço privado da família. Surge, assim, a
representação social de devotamento e sacrifício inerente à maternidade,
que passa a ser vista como um sofrimento voluntário e indispensável para a
mulher (Badinter, 1985; Borsa & Feil, 2008; Trindade & Enumo, 2002)

É bem verdade que a infertilidade é sentida e vivida como um evento


traumático para a maioria dos casais, sendo vivenciadas por eles como o
evento mais estressante de suas vidas (Klonoff-Cohen et al., 2001). A
pressão social e parental para a propagação do nome da família coloca um
grande peso sobre os casais inférteis (Monga, Alexandrescu & Katz, 2004).

Segundo Modelli & Levy (2006), Apesar de cada vez mais falarmos que o
casal é a figura envolvida neste tratamento, é para a mulher que as
atenções são dispensadas, com uma grande demanda de avaliações. Ao
homem, cabe executar exames simples de espermograma para poder
suspender a possibilidade de ozoospermia, ou baixa qualidade de esperma.
Caso este exame resulte normal, fica o homem isento de qualquer
'responsabilidade' que justifique a dificuldade de engravidar. Cabe uma
busca mais pormenorizada na mulher, mediante exames invasivos.

Segundo o código de ética médica artigo 24, o estado não pode obrigar
ninguém a nada, muito menos se a unidade hospitalar for privada apenas
quando se trata de um bem com interesse coletivo
Recorrera ajuda médica está se tornando algo muito visto na sociedade
moderna, e saber os riscos de tal tratamento se tornou muito bem peculiar
para as mulheres e os casais de muitos lugares. Por exemplo no artigo 34,
caso gerir dano a saúde ou se no caso o casal for incapaz tem que ser
informado ao representante legal, ou a pessoa que irá fazer os devidos
procedimentos.

Entre os principais tratamentos usados para a tentativa de engravidar, estão


indução de ovolução, inseminação artificial, fertilização in vitro, injeção
intracitoplasmática, reprodução assistida, todos esses tratamentos, a mulher
é mais afetada, pois ela é submetida a passar por tudo isso, sem saber se o
resultado será positivo. Diante da perda do controle sobre si, seu corpo e
seu projeto de vida, a mulher infértil depara-se com uma sensação de
tristeza, de incompletude, de solidão e de inferioridade. Percebendo que a
realização do seu desejo não está em seu poder, é comum se sentirem
impotentes, fracassadas, deficientes, humilhadas, desamparadas e
injustiçadas, apresentando sinais de depressão, inquietude e desânimo
(Oliveira, 2006).

A teoria biopsicossocial da infertilidade proposta por Gerrity concebe a


infertilidade como acontecimento humano no qual estão comprometidas uma
pessoa (homem ou mulher) e algumas relações (dos cônjuges entre si, com
a equipe médica e com o contexto social no qual estão inseridos). Nessa
perspectiva, o psicólogo pode desempenhar papel importante auxiliando os
casais na elaboração dos conflitos psicológicos desencadeados ou
agravados pela infertilidade. A atuação do psicólogo deve estar associada
ao tratamento médico, avaliando como o diagnóstico, a sugestão de
tratamento e os pedidos de exames estão sendo entendidos pelo casal e
identificando as dificuldades psicológicas que possam afetar a evolução do
tratamento. (Moreira 2005)

Por isso, a importância do cuidado não só biológico, mas também mental. E


uma equipe multidisciplinar se faz primordial, ao longo do tratamento ao qual
serão submetidos, o casal, ou apenas um dos indivíduos. O profissional de
saúde mental pode trabalhar nos serviços de reprodução humana como um
consultor, colaborando com as dinâmicas grupais e proporcionando
melhores condições emocionais para os profissionais envolvidos na situação
(Applegarth, 1995).

No ambiente hospitalar, o psicólogo têm à sua disposição um espaço de


escuta e apoio e podem contar com acompanhamento psicológico nas
diferentes fases do tratamento médico tanto na modalidade individual,
quanto de casal e de grupo. Outra possibilidade de intervenção em
situações que transcendam a indicação e a possibilidade de atendimento
dentro do enquadre de um centro médico é o encaminhamento para a
psicoterapia por outros profissionais.
A função do psicólogo, portanto, é conscientizar o casal infértil da magnitude
dos seus problemas dentro do contexto biopsicossocial, ajudando-o a
enfrentar mais adequadamente determinadas situações conflitivas inerentes
à infertilidade e procurar integrá-lo à equipe profissional dos serviços de
medicina reprodutiva. (Moreira 2005)

Referente a possibilidades de intervenção psicológica com casais inférteis,


estamos marcando a existência de diferentes modalidades terapêuticas que
são decorrentes do modelo teórico utilizado para a compreensão da
infertilidade. Destacam-se a psicoterapia de orientação psicanalítica, as
terapias cognitivas- -comportamentais e as propostas de Counselling.
Independentemente do modelo teórico-técnico adotado, a presença do
psicólogo ou de um profissional de saúde mental nas equipes que trabalham
com casais inférteis é de fundamental importância. Tal presença se justifica
pela necessidade de contemplar o fenômeno da infertilidade como um
problema de saúde lato sensu, ou seja, que requer, sobre o sujeito que
sofre, um olhar integrado a partir de um trabalho interdisciplinar. ( FARINATI
, RIGONI , MÜLLER 2006)

Para concluir, uma abordagem em Psicologia da Saúde prioriza o sujeito em


sua integralidade e propõe uma visão segundo a qual os processos físicos
estão intimamente relacionados com os psicológicos e sociais. A infertilidade
possui causas multideterminadas, portanto não se admite uma intervenção
que exclua a dimensão emocional e nem o contexto ambiental no qual está
inserida. (FARINATI, RIGONI, MÜLLER 2006)

Por isso se faz importante a ética profissional, respeitando sempre a


necessidade do paciente, mantendo-o sempre esclarecido de todo
procedimento, falando sempre a verdade, ainda que não seja o que o
casal ou individuo deseje ouvir.

Conclusão: Antigamente ter filhos era como uma obrigação, um dever


honrável que era concedido ao sexo feminino e quando a mesma não podia
engravidar era alvo de sua família, do marido e da sociedade em si.
Hoje vemos que muita coisa foi mudada principalmente sobre o dever da
mulher, nos dias atuais ser infértil não é um termo dado apenas para um
membro e sim para os dois até saber em órgão reprodutor se encontra o
problema, ao perceber que é estéril a mesma tem mais opções e pode ter
um controle emocional maior do que se tinha antes, pois em um ambiente
hospitalar se encontra toda equipe médica para dar apoio incluindo o
psicólogo que por sua vez é responsável de avisar ao casal ou caso forem
inférteis, ajudando-os a enfrentar de uma forma mais controlada e centrada,
evitando quaisquer tipos de depressão ou baixa autoestima, devido ao
número de processos terapêuticos que podem contribuir com a melhora da
mulher e do casal diante a descoberta. Não poder gerar filhos não torna a
mesma incapacitada de ser mãe, a medicina e a tecnologia avançou muito
dando possíveis tratamentos e caso não ocorra de engravidar tem-se a
adoção que é o método mais utilizado, podendo assim completar o sonho de
ser mãe.

Referências:

Applegarth, L. (1995). The psychological aspects of infertility. In W. Keve, R.


Chang, R. Rebar & M. Soules (Eds.), Infertility: evaluation and treatment.
New York.

Badinter, E. (1985) Um amor conquistado: o mito do amor materno. Rio de


Janeiro: Nova Fronteira.

Borsa, J. C. & Feil, C. F. (2008). O papel da mulher no contexto familiar: uma


breve reflexão. [online]. Disponível em:
<http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/A0419.pdf>. Acesso em: 11 dez.
2008.
Trindade, Z. A. & Enumo, S. R. F. (2002). Triste e Incompleta: Uma Visão
Feminina da Mulher Infértil. Psicologia USP (São Paulo), 13(2),151-182.

Modelli, A. & Levy, R. H. C. (2006). Esterilidade sem causa aparente:


possibilidades de intervenção. In: R. M. Melamed & J. Quayle
(Orgs.). Psicologia em reprodução assistida: experiências brasileiras (p. 49-
69). São Paulo: Casa do Psicólogo.

8 Miranda FE. A infertilidade feminina na pós-modernidade e seus reflexos


na subjetividade de uma mulher. PsicolRev (Belo Horizonte). 2005;11:271-3.

Monga, M., Alexandrescu, B., & Katz, S. E. (2004). Impact of infertility on


quality of life, marital adjustment, and sexual function. Urology, 63 (1), 126-
30.MOREIRA, Simone da Nóbrega Tomaz; LIMA, Josivan Gomes
de; SOUSA, Maria Bernardete Cordeiro de e AZEVEDO, George Dantas
de. Estresse e função reprodutiva feminina.Rev. Bras. Saude
Mater. Infantil. [conectados]. 2005, vol.5, n.1, pp.119-125. ISSN 1519-
3829. http://dx.doi.org/10.1590/S1519-38292005000100015.

FARINATI , RIGONI , MÜLLER Estudos de Psicologia I Campinas I 23(4) I


433-439 I outubro - dezembro 2006 Infertilidade: um novo campo da
Psicologia da saúde.

http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0874-
02832012000300019

http://www.hospitalpilar.com.br/down/termos/ginecologia_obstetricia/insemin
ao_artificial_intrauterina_heterologa.pdf