Você está na página 1de 76

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

FACULDADE DE AGRONOMIA E MEDICINA VETERINÁRIA


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRICULTURA
TROPICAL

DEFICIÊNCIA DE MACRO E MICRONUTRIENTES EM SORGO

ADALBERTO SANTI

CUIABÁ – MT
2004
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
FACULDADE DE AGRONOMIA E MEDICINA VETERINÁRIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRICULTURA
TROPICAL

DEFICIÊNCIA DE MACRO E MICRONUTRIENTES EM SORGO

ADALBERTO SANTI
Engenheiro Agrônomo

Orientadora: Profª Dra. SÂNIA LÚCIA CAMARGOS


Co-orientadora: Profª Dra. WALCYLENE L. MATOS PEREIRA

Dissertação apresentada à Faculdade de


Agronomia e Medicina Veterinária da
Universidade Federal de Mato Grosso, para
obtenção do título de Mestre em Agricultura
Tropical.

CUIABÁ – MT
2004
FICHA CATALOGRÁFICA

S235 Santi, Adalberto


Deficiência de macro e micronutrientes em sorgo /
Adalberto Santi. – 2004.
xiii, 61p. : il. ; color.

Dissertação (Mestrado ) – Universidade Federal de


Mato Grosso, Faculdade de Agronomia e Medicina
Veterinária, 2004.
“Orientação: Profª Drª Sânia Lúcia Camargos”.

CDU – 633.174:631.81.095.337

Índice para Catálogo Sistemático

1. Sorgo – Deficiência mineral


2. Nutrição mineral – Sorgo
3. Cultivo hidropônico – Sorgo
4. Deficiência mineral - Sorgo
DEDICATÓRIA

Aos meus pais: Pedro Santi e Maria Nemeth Santi

À minha esposa: Marli Monteiro Rosa Santi

Aos meus filhos: Eduarda Monteiro Santi e Humberto Santi


AGRADECIMENTOS

À Deus pela presença constante em minha vida e de minha família.


À Universidade Federal de Mato Grosso pela oportunidade de realização do
curso.
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
pela concessão da bolsa de estudo.
Ao Laboratório Biosintética pelo financiamento da pesquisa.
A empresa Agrícola Cachimbo que permitiu que segui-se em minha
caminhada, pelo apoio e amizade.
A Empresa de Pesquisa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão
Rural S/A (EMPAER) pela realização de análises químicas, através da colaboração
de seu técnico Licíneo.
Aos professores Dra. Sânia Lúcia Camargos, Dra. Walcylene Lacerda Matos
Pereira e Dr. José Fernando Scaramuzza pelo apoio, amizade e orientação, sempre
eficiente, criteriosa e disponível.
Aos Professores Maria de Fátima Coelho, Maria Cristina de Figueiredo
Albuquerque, Sebastião Carneiro e Maria Selma e Silva Duarte, pelas valiosas
contribuições.
Aos professores e funcionários que participam do Curso de Pós-graduação em
Agricultura Tropical, pelos conhecimentos adquiridos.
Aos meus amigos Olaurildes Corrente e Oscar Mitsuo Yamashita, pelas
contribuições recebidas.
A todos os amigos e colegas do curso, pela ajuda mútua, amizade e agradável
convivência.
A todos aqueles que de alguma forma contribuíram, direta ou indiretamente
para a realização deste trabalho.
SUMÁRIO

Página
LISTA DE FIGURAS..................................................................................... vii
LISTA DE TABELAS.................................................................................... viii
RESUMO................................................................................................……. x
ABSTRACT..................................................................................................... xii
1. INTRODUÇÃO..................................................................................…..... 1
2. REVISÃO DE LITERATURA.................................................................. 3
2.1. Importância sócio-econômica do sorgo..................................................... 3
2.2. Aspectos nutricionais da cultura................................................................ 4
2.3. Elementos essenciais................................................................................. 6
2.3.1. Nitrogênio......................................................................................... 6
2.3.2. Fósforo.............................................................................................. 7
2.3.3. Potássio............................................................................................. 8
2.3.4. Cálcio................................................................................................ 8
2.3.5. Magnésio........................................................................................... 9
2.3.6. Enxofre.............................................................................................. 10
2.3.7. Boro................................................................................................... 10
2.3.8. Cobre................................................................................................. 11
2.3.9. Ferro.................................................................................................. 12
2.3.10. Manganês........................................................................................ 12
2.3.11. Zinco............................................................................................... 13
2.4. Nutrição mineral........................................................................................ 14
2.5. Avaliação do estado nutricional................................................................. 16
3. MATERIAL E MÉTODOS....................................................................... 19
3.1. Espécie vegetal e local do experimento..................................................... 19
v

3.2. Semeadura e transplante............................................................................ 19


3.3. Delineamento experimental e tratamentos................................................ 19
3.4. Condução do experimento......................................................................... 21
3.5. Área foliar.................................................................................................. 22
3.6. Acúmulo e teores de nutrientes.................................................................. 22
3.7. Análise estatística...................................................................................... 22
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................ 23
4.1. Sintomatologia visual das deficiências...................................................... 23
4.1.1. Nitrogênio......................................................................................... 23
4.1.2. Fósforo.............................................................................................. 24
4.1.3. Potássio............................................................................................. 25
4.1.4. Cálcio................................................................................................ 25
4.1.5. Magnésio........................................................................................... 26
4.1.6. Enxofre.............................................................................................. 27
4.1.7. Boro................................................................................................... 29
4.1.8. Cobre................................................................................................. 29
4.1.9. Ferro.................................................................................................. 30
4.1.10. Manganês........................................................................................ 30
4.1.11. Zinco............................................................................................... 31
4.2. Produção de massa seca............................................................................. 33
4.3. Área foliar.................................................................................................. 35
4.4.Acúmulo de nutrientes................................................................................ 36
4.5. Teores de nutrientes................................................................................... 38
4.5.1. Nitrogênio......................................................................................... 38
4.5.2. Fósforo.............................................................................................. 39
4.5.3. Potássio............................................................................................. 39
4.5.4. Cálcio................................................................................................ 41
4.5.5. Magnésio........................................................................................... 43
4.5.6. Enxofre.............................................................................................. 44
4.5.7. Boro................................................................................................... 45
4.5.8. Cobre................................................................................................. 46
vi

4.5.9. Ferro.................................................................................................. 48
4.5.10. Manganês........................................................................................ 49
4.5.11. Zinco............................................................................................... 50
5. CONCLUSÕES........................................................................................... 52
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................... 53
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................................... 54
LISTA DE FIGURAS

Página
Figura 1 - Plantas tratadas com solução nutritiva completa (Compl) e - N,
- P, - K, - Ca, - Mg, - S................................................................ 28
Figura 2 - Plantas tratadas com solução nutritiva completa (Compl) e - B,
- Cu, - Fe, - Mn, - Zn................................................................... 32
Figura 3 - Produções médias de área foliar de sorgo nos diferentes
tratamentos.................................................................................. 36
LISTA DE TABELAS

Página
Tabela 1 - Concentração de nitrogênio, fósforo e potássio, com base na
massa seca em produtos econômicos e resíduos de culturas
anuais, tropicais ou subtropicais.................................................. 5
Tabela 2 - Extração média de nutrientes pela cultura do sorgo, em
diferentes níveis de produtividades............................................. 5
Tabela 3 - Extração de nutrientes pelo sorgo granífero, em solo aluvial,
média de dois anos...................................................................... 6
Tabela 4 - Elementos essenciais, formas de absorção e funções na
planta........................................................................................... 14
Tabela 5 - Teores adequados de nutrientes em sorgo cultivado em
diferentes condições e ambientes................................................ 16
Tabela 6 - Composição química das soluções nutritivas estoques, em
molar (M), e dos tratamentos, em mL/L, utilizadas nesse
estudo........................................................................................... 20
Tabela 7 - Produções médias de massa seca das folhas, colmo, raízes e
total do sorgo, nos tratamentos.................................................... 33
Tabela 8 - Produção massa seca (MS), teor e acúmulo (Ac) dos macro e
micronutrientes nas folhas, colmo e raízes de sorgo, em função
dos tratamentos (média de 3 repetições)..................................... 37
Tabela 9 - Teores médios de nitrogênio nas folhas, colmo, raízes em
sorgo em função dos tratamentos................................................ 38
Tabela 10 - Teores médios de fósforo nas folhas, colmo, raízes em sorgo
em função dos tratamentos.......................................................... 40
ix

Tabela 11 - Teores médios de potássio nas folhas, colmo, raízes em sorgo


em função dos tratamentos.......................................................... 41
Tabela 12 - Teores médios de cálcio nas folhas, colmo, raízes em sorgo
em função dos tratamentos.......................................................... 42
Tabela 13 - Teores médios de magnésio nas folhas, colmo, raízes em
sorgo em função dos tratamentos................................................ 43
Tabela 14 - Teores médios de enxofre nas folhas, colmo, raízes em sorgo
em função dos tratamentos.......................................................... 44
Tabela 15 - Teores médios de boro nas folhas, colmo, raízes em sorgo em
função dos tratamentos................................................................ 46
Tabela 16 - Teores médios de cobre nas folhas, colmo, raízes em sorgo
em função dos tratamentos.......................................................... 47
Tabela 17
- Teores médios de ferro nas folhas, colmo, raízes em sorgo em
48
função dos tratamentos..........................................................
Tabela 18 - Teores médios de manganês nas folhas, colmo, raízes em
sorgo em função dos tratamentos................................................ 50
Tabela 19 - Teores médios de zinco nas folhas, colmo, raízes em sorgo
em função dos tratamentos.......................................................... 51
DEFICIÊNCIA DE MACRO E MICRONUTRIENTES EM SORGO

Autor: Adalberto Santi


Orientadora: Profª. Dra. Sânia Lúcia Camargos
Co-orientadora: Profª. Dra. Walcylene Lacerda Matos Pereira

RESUMO
A planta de sorgo se adapta a uma ampla variação de ambientes sob
condições desfavoráveis à maioria dos outros cereais. A procura de informações
sobre sorgo tem aumentado e parece estar associada ao seu maior potencial
produtivo, maior resistência ao déficit hídrico, o surgimento de novos cultivares com
boas características para a produção de grãos e expansão do seu cultivo na região do
cerrado. Com base nisso, os objetivos do presente trabalho foi verificar os sintomas
típicos e individualizados de deficiência nutricional de macronutrientes e
micronutrientes na cultura do sorgo, através da observação dos efeitos da omissão de
nutrientes no desenvolvimento das plantas e avaliar os efeitos dessas omissões na
composição mineral do sorgo. Foram cultivadas plantas de sorgo em solução
nutritiva completa de Sarruge (1975), submetidas aos seguintes tratamentos: omissão
de N, P, K, Ca, Mg, S, B, Cu, Fe, Mn e Zn. Aos dois dias após o início do ensaio, as
plantas apresentaram os primeiros indícios de deficiência, que foram descritos,
fotografados e caracterizados. Quando os sintomas estavam definidos as plantas
foram coletadas, lavadas, separadas em folhas, colmo e raízes, colocadas para secar,
para posterior determinação de massa seca, área foliar e teores de macro e
micronutrientes. Os sintomas visuais de deficiência de nutrientes mostraram-se de
uma maneira geral facilmente caracterizáveis, com exceção do tratamento com
omissão de Mn. Os tratamentos que mais afetaram a massa seca das diferentes partes
das plantas e as áreas foliares foram ás omissões de nitrogênio, cálcio, magnésio e
xi

ferro. A produção de massa seca não foi afetada pela omissão de manganês. O
acúmulo de nutrientes pelas plantas obedeceu à seguinte ordem decrescente:
N>K>Ca>Mg>P>S>Fe>Mn>Zn>Cu>B.

Palavras chave: Nutrição mineral, deficiência mineral, diagnóstico visual, cultivo


hidropônico, Sorghum bicolor.
MACRO AND MICRONUTRIENTS DEFICIENCY IN SORGHUM

Author: Adalberto Santi


Adviser: Sânia Lúcia Camargos
Co-adviser: Walcylene Lacerda Matos Pereira

ABSTRACT
The Sorghum plant adapt to ample different environment in bad conditions if
compared to other cereals. The searching for information about Sorghum is getting
bigger and seems to be connected to the big productive potential, bigger resistance to
hydro potential, the forthcoming of new cultivate with good characteristics for the
grain production and expansion of your culture in the bushy region. Based on this,
the objectives of this work was to verify the typical symptoms and unique nutritional
differences of macro and micronutrients in the sorghum cultivate, by observation of
the effects in the omission of nutrients in the development of the plants and this
omission effects in the mineral composition of sorghum. Were cultivated sorghum
plants in nutritive complete solution of Sarruge (1975), subordinate to the following
elements omissions: N, P, K, Ca, Mg, S, B, Cu, Fe, Mn and Zn. Two days after the
start of the experience the plants showed already the deficiency that was described,
photographed and characterized. When the symptoms were decisive the plants were
collected, washed, separated in leaves, culms, roots, and put to dry, for a posterior
determination of dried mass, leave’s area and macro and micronutrients values. The
visual symptoms of nutrients deficiency were easily seen with just one exception
with the Mn omission. The treatments that most affect the dry mass of the different
parts of the plants even the leaves were the Nitrogen omission, Calcium, Magnesium
and Iron. The production of dry mass was not affected by Manganese omission. The
xiii

accumulation of nutrients by the plants obey the following order going down:
N>K>Ca>Mg>P>S>Fe>Mn>Zn>Cu>B.

Keywords: Mineral Nutrition, Mineral Deficiency, Visual diagnostics, Hydroponics’


Cultivate, Sorghum bicolor.
1 INTRODUÇÃO

O cerrado brasileiro é o segundo maior bioma nacional, com uma área de 207
milhões de hectares, correspondendo a cerca de 20% do território nacional. Nessa
região o cultivo do sorgo (Sorghum bicolor (L.) Moench), assume destaque em
substituição ao milho (Zea Mays) como suplemento energético trazendo vantagens
econômicas ao produtor, uma vez que essa substituição é tecnicamente viável,
especialmente nas fronteiras agrícolas, onde os preços são menores, tornando-se
extremamente vantajoso o uso de grãos de sorgo.
O conhecimento da nutrição mineral das plantas destaca-se como um dos
fatores de produção que vão dar base a recomendações de adubação. Pouco se tem
estudado sobre a cultura nesta década, principalmente sobre os distúrbios
ocasionados pelas deficiências e excessos de nutrientes. A procura de informações
sobre o sorgo tem aumentado, parece estar associada ao seu maior potencial
produtivo, maior resistência ao déficit hídrico e ao surgimento de novos cultivares
com boas características para a produção.
Os nutrientes têm funções essenciais e específicas no metabolismo das
plantas. Dessa forma, quando um dos nutrientes essenciais não está presente em
quantidades satisfatórias ou em condições que o tornam pouco disponível, a sua
deficiência nas células promoverá alterações no seu metabolismo. Os sintomas de
carências minerais são mais ou menos características para cada nutriente,
dependendo também da severidade, do cultivar e de fatores ambientais.
A diagnose visual de deficiências minerais em sorgo, juntamente com o
conhecimento dos teores de nutrientes, pode constituir uma técnica auxiliar na
avaliação da necessidade de fertilizantes e corretivos para a espécie em questão. A
desordem nutricional quer sejam, por deficiências ou excessos dos nutrientes
minerais, causam diminuição na produção de qualquer cultura, inclusive para o
sorgo.
2

A técnica de cultivo de plantas em solução nutritiva tem permitido avanços


no conhecimento da nutrição de plantas por controlar mais adequadamente a
composição do meio e eliminar a heterogeneidade e complexidade do solo.
A análise da concentração de nutrientes nos tecidos vegetais permite detectar
as desordens nutricionais (deficiências, excessos e desequilíbrios) e com isso gerar
informações, que avalie o estado nutricional das culturas.
O presente trabalho teve como objetivo verificar os sintomas típicos e
individualizados de deficiência nutricional de macronutrientes e micronutrientes na
cultura do sorgo, através da observação dos efeitos da omissão de nutrientes no
desenvolvimento das plantas e avaliar os efeitos dessas omissões na composição
mineral da raiz e parte aérea.
2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Importância sócio-econômica do sorgo

O concentrado energético comumente usado tem sido o milho e a crescente


procura desse cereal para alimentação humana, aliada a produções limitadas em
determinados anos, tem levado à necessidade de se utilizarem fontes alternativas na
alimentação animal (Zago, 1997).
Coelho et al. (2002) descreveram que uma parte da demanda brasileira de
grãos, de 10 a 20% pode ser atendida com maior economicidade com a cultura do
sorgo (Sorghum bicolor (L.) Moench), com uma cotação estimada entre 20 a 30%
inferior a do milho, nos mercados nacional e internacional. Nesse particular, o grão
de sorgo, por suas características nutricionais, tem sido pesquisado como sucedâneo
do milho, por ser componente importante do mix de insumos energéticos que entram
na composição de rações para aves, suínos e bovinos (Zago, 1997).
Rodrigues et al. (2003) relataram que o sorgo está entre os cinco cereais mais
cultivados em todo o mundo, ficando atrás do arroz, trigo, milho e cevada. A
produção mundial de grãos de sorgo foi de 58,9 milhões de toneladas métricas em
julho de 2002. A área total cultivada com sorgo granífero é de cerca de 37 milhões
de ha, e deste total a Ásia e a África participam com 82%. No entanto, são obtidos a
maior produção e produtividade na América do Norte. Os Estados Unidos e o
México juntos produzem 34% da produção mundial. Entre os maiores produtores de
grãos de sorgo do mundo, a Índia detém a maior área plantada, com cerca de 11
milhões de ha.
Na América do Sul, a Argentina é o maior produtor, seguido pelo Brasil, que
está muito próximo de fazer parte do grupo dos dez maiores produtores. A produção
brasileira tem crescido nos últimos anos e poderá, ainda nesta década, se igualar ou
superar a posição da Argentina no continente (Rodrigues et al., 2003).
4

A área cultivada e a produção brasileira de sorgo granífero cresceram


substancialmente nos últimos 30 anos (1973 a 2002), representando,
respectivamente, aumentos de 317.400 ha e de 529.090 t, atingindo 496.862 ha e
produção total de 1.057.958 t na safra 2002. Entretanto, verifica-se que o maior
incremento ocorreu, principalmente, a partir da segunda metade da década de 90.
Apesar desse crescimento significativo em área e produção verifica-se que a
produtividade é baixa (1.500 a 2.500 kg/ha) e extremamente variável ao longo dos
anos, típica de uma cultura semeada em condições marginais de clima e
principalmente sem uso de tecnologias (Coelho et al., 2002).
Até a década de 90 o cultivo do sorgo concentrava-se basicamente nos
estados do Rio Grande do Sul e de São Paulo (Pinazza, 1993). A região sul ,
tradicionalmente produtora de sorgo, vem apresentando redução na área plantada e
produção em torno de 2,81% e 2,74% ao ano, respectivamente, o que significa uma
redução aproximada de 80% no período. Em situação oposta encontra-se a região
centro-oeste, que no mesmo período apresentou aumentos anuais em torno de 2,24%
em área plantada e 2,25% na produção, representando aumento aproximado da
ordem de 70% para esses dois parâmetros (Coelho et al., 2002).
Um aspecto interessante da análise da cultura do sorgo no Brasil está
relacionado aos ganhos em produtividade ao longo dos anos. De um modo geral,
todas as regiões apresentaram ao longo do período analisado (30 anos), redução na
produtividade, onde a média brasileira sofreu uma diminuição em torno de 14 kg/ha
por ano (Coelho et al., 2002). O fato da cultura ser desenvolvida em terras fracas e
durante todos os meses do ano, inclusive naqueles em que as condições climáticas
são desfavoráveis, pesam negativamente sobre os níveis de produtividade (Pinazza,
1993).

2.2 Aspectos nutricionais da cultura

Uma grande quantidade de nutrientes é removida pelas culturas. Segundo


Magalhães et al. (2000) a cultura do sorgo é exigente em nutrientes, em especial
nitrogênio, fósforo e potássio (Tabela 1).
5

Tabela 1 - Concentração de nitrogênio, fósforo e potássio, com base na massa seca


em produtos econômicos e resíduos de culturas anuais, tropicais ou
subtropicais

N (%) P (%) K (%)


Cultura Órgão mín. – máx. mín. – máx. Mín. – máx.
Sorgo Grão 1,00 – 3,20 0,13 – 0,65 0,25 – 0,70
Palha 0,35 – 1,20 0,05 – 0,30 0,80 – 2,80
Milho Grão 0,90 –2,20 0,16 – 0,80 0,17 – 0,60
Palha 0,40 – 1,40 0,04 – 0,40 0,40 – 2,40
Trigo Grão 1,00 – 3,30 0,16 – 0,60 0,30 – 0,80
Palha 0,40 – 1,05 0,03 – 0,45 0,70 – 2,70
Fonte: Magalhães et al. (2000).

Coelho et al. (2002) constataram que o requerimento nutricional, pelo sorgo


varia diretamente com o potencial de produção. Observaram, que as extrações de
fósforo, potássio, cálcio e magnésio aumentaram linearmente com o aumento da
produtividade, e que o nitrogênio e o potássio, foram os nutrientes mais exigidos
seguido pelo cálcio, magnésio e fósforo (Tabela 2).

Tabela 2 – Extração média de nutrientes pela cultura do sorgo, em diferentes níveis


de produtividades

Massa seca total Grãos Nutrientes extraídos


N P K Ca Mg S
kg/ha % kg/ha
5.0001 - 65 10 48 16 12 7
7.8202 37 93 13 99 22 8 -
9.9503 18 137 21 113 27 28 -
12.5403 16 214 26 140 34 26 -
16.5803 18 198 43 227 50 47 -
Fonte: (1) Malavolta (1980), (2) Pitta et al. (2001), (3) Fribourg et al. (1976).
6

Durante o crescimento do sorgo grandes quantidades de potássio, cálcio e


magnésio são utilizados. Elementos como o ferro, manganês, boro e cobre são
também exigidos pela cultura (Pitta et al., 1997). Na Tabela 3 observa-se as
quantidades de nutrientes requeridas pelo sorgo granífero em função de diferentes
níveis de nitrogênio aplicado em cobertura.

Tabela 3 – Extração de nutrientes pelo sorgo granífero, em solo aluvial, média de


dois anos

Adub. nitrog. Massa seca Grãos Nutrientes extraídos


Cobertura1 total2
N P K Ca Mg
kg/ha kg/ha % kg/ha
0 7.111 34 80 14 97 24 8
60 7.820 37 93 13 99 22 8
240 7.585 40 111 13 101 21 9
(1)
A adubação de plantio constou de 10 kg/ha de N;
(2)
Palhada + grãos.
Fonte: Pitta et al. (1997).

2.3 Elementos essenciais


2.3.1 Nitrogênio

O nitrogênio (N) é o nutriente mineral mais exigido pelas plantas. A


atmosfera, que possui aproximadamente 79% de N na forma de N2 é uma fonte
natural gasosa e não diretamente aproveitado pelas plantas (Fasabi, 1996). Os tecidos
vegetais apresentam, em geral, teores de N que variam de 10 a 50 g/kg da massa seca
(Fontes, 2001).
Veloso (1993) detectou que a deficiência de N em plantas de pimenteira do
reino (Piper nigrun), foi a primeira a se manifestar, com clorose nas folhas mais
velhas, as plantas apresentavam-se pouco desenvolvidas e com caules finos. Esses
mesmos sintomas foram observados por Fasabi (1996), em plantas de malva (Urena
lobata ).
Vasconcellos et al. (1988) descreveram que a deficiência de N na cultura do
sorgo se caracterizava por apresentar plantas com reduzido desenvolvimento
vegetativo e coloração verde-pálida, onde o amarelecimento ocorreu inicialmente nas
7

folhas baixeiras, ou seja, as mais velhas e podendo progredir para as folhas mais
novas com o agravo da deficiência. Coelho et al. (2002) descreveram, ainda, como
sintomas visuais na parte inferior da planta: clorose; amarelecimento da ponta para a
base em forma de “V”; secamento começando na ponta das folhas mais velhas e
progredindo ao longo da nervura principal; necrose seguida de dilaceramento e
colmos finos.

2.3.2 Fósforo

A exigência do fósforo (P), de maneira geral é menor que a do nitrogênio, sua


necessidade normalmente se iguala à do enxofre (Malavolta, 1980). Apesar da sua
menor exigência, isto não reflete na quantidade de adubo aplicada, pois é um dos
nutrientes mais utilizados em adubação no Brasil. Nas regiões tropicais e
subtropicais é o elemento cuja falta no solo, mais freqüentemente limita a produção,
principalmente em culturas anuais. Isto se deve ao baixo teor na maioria dos solos
devido a sua “fixação” nos óxidos de Fe e Al (Novais e Smyth, 1999). Plantas com
ótimo desenvolvimento requerem cerca de 1,0 a 5,0 g/kg na massa seca (Boaretto et
al., 1999).
Em plantas de cajú (Anacardium occidentale), Avilán e Brasil Sobrinho
(1976) observaram que os sintomas de deficiência de P, se apresentaram nas folhas
mais velhas com uma coloração verde-escuro, sendo mais evidente nas margens do
limbo, e que com a intensificação da deficiência houve queda prematura das folhas.
Os mesmos sintomas foram observados em malva por Fasabi (1996).
A deficiência de P em sorgo acarreta redução no crescimento das plantas e do
sistema radicular; as folhas mais velhas apresentam coloração arroxeada; o
aparecimento nas folhas mais velhas de uma larga faixa amarelada, na margem e na
ponta das folhas, também tem sido descrito como sintoma de deficiência de P
(Vasconcellos et al., 1988). Coelho et al. (2002) descreveram que plantas de sorgo
deficientes em P apresentavam coloração verde-escuro nas folhas mais velhas
seguindo-se tons roxos nas pontas e margens, podendo o colmo ficar roxo.

2.3.3 Potássio
8

O potássio (K) ocorre no solo em diversos minerais que podem liberar o


nutriente às culturas. Incluem-se minerais primários, como micas e feldspatos, e
secundários, como os minerais de argila 2:1, ilita e vermiculita (Raij, 1982). Embora,
o K seja de maneira geral, o segundo nutriente mais exigido pelas culturas, perdendo
apenas para o N, o mesmo não se encontra nos solos em teores limitantes quanto o P
(Malavolta e Crocomo, 1982).
O requerimento de K para o ótimo crescimento das plantas está
aproximadamente entre 20 a 50 g/kg na massa seca, variando em função da espécie e
da parte da planta analisada (Malavolta et al., 1997).
Sob ausência de K na solução, Marrocos (1997) observou que as folhas das
plantas de macadâmia (Macadamia integrifolia), apresentaram leve clorose, seguida
de enrolamento das pontas e das margens foliares e de necrose. Pereira (2001), em
capim-Mombaça (Panicum maximum cv. Mombaça), verificou clorose nas margens
das folhas, além de observar que as plantas apresentaram crescimento reduzido, com
colmos finos e raquíticos.
Coelho et al. (2002) relataram que plantas de sorgo com deficiência de K
exibiram clorose nas pontas e margens das folhas mais velhas seguidas por
secamento, necrose (“queima”) e dilaceração do tecido; colmos com internódios mais
curtos; folhas mais novas podendo mostrar clorose internerval típica da falta de Fe.

2.3.4 Cálcio

O cálcio (Ca) é um nutriente exigido em quantidades variáveis em diferentes


culturas, sendo mais exigido pelas dicotiledôneas que as monocotiledôneas. Os
teores de Ca nos tecidos foliares também variam amplamente entre diferentes
espécies, desde 3,0 até cerca de 45 g/kg para culturas bem nutridas (Fontes, 2001).
Ao contrário dos outros macronutrientes, uma alta proporção de Ca na planta
encontra-se nas paredes celulares. Este fato é devido ao Ca integrar a lamela média
das paredes celulares, sendo também requerido para alongação e divisão celular e
isto reflete drasticamente no crescimento radicular (Malavolta et al., 1997).
9

Em folhas de castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa), Camargos (1999)


verificou que com o avanço da deficiência de Ca, os tecidos tornaram-se cloróticos e
depois necrosados nas margens e ápice, tanto nas folhas novas como nas velhas; as
folhas novas apresentaram um crescimento irregular, com limbo ligeiramente
ondulado. Na espécie de maracujá (Passiflora quadrangularis), Avilán (1974)
observou os mesmos sintomas, diferindo na caracterização da clorose, a qual se
apresentou entre as nervuras.
Em condições de deficiência de Ca em sorgo Vasconcellos et al. (1988)
descreveram acentuada redução no crescimento das plantas; ausência de
perfilhamento; folhas mais novas apresentando clorose internerval com as margens
esbranquiçadas e dilaceradas; as folhas novas não se desenvolveram e se
apresentaram enrugadas.
Plantas de sorgo sob deficiência de Ca apresentam clorose na parte superior,
onde as pontas das folhas mais novas gelatinizam e quando secas grudam umas às
outras. Nas folhas superiores, também aparecem sucessivamente amarelecimento,
secamento, necrose, dilaceração das margens, clorose internerval (faixas largas) e
morte da região de crescimento (Coelho et al., 2002).

2.3.5 Magnésio

O magnésio (Mg) é tido como um macronutriente secundário, tem sua fonte


primária nas rochas ígneas, além de fazer parte da estrutura de minerais de argila
(Fasabi, 1996). Os teores nas folhas das plantas normais variam pouco entre as
espécies, estando em geral na faixa de 1,5 a 5,0 g/kg na massa seca (Boaretto et al.,
1999).
Nucci (1996) em kiwi (Actinidia deliciosa var. deliciosa), observaram em
plantas deficientes manchas cloróticas entre as nervuras, as quais se desenvolveram e
se uniram, dando a impressão de listras amareladas entre as nervuras verdes. Em
capim-Mombaça Pereira (2001), encontrou sintomas semelhantes aos encontrados
por Nucci (1996), além de crescimento reduzido das plantas.
Vasconcellos et al. (1988) constataram redução no crescimento e ausência de
perfilhos em plantas de sorgo, além de clorose internerval nas folhas mais velhas e
10

coloração bronzeada em listras longitudinais. Coelho et al. (2002) detectaram que as


folhas velhas amareleceram nas margens e depois entre as nervuras dando aspecto de
estrias, em alguns casos ocorrendo necrose das regiões cloróticas, onde os sintomas
podem progredir para as folhas mais novas.

2.3.6 Enxofre

Para as plantas, a fonte primária de enxofre (S) são as rochas ígneas, nas quais
o elemento ocorre em geral em pequenas proporções como sulfato. Estudos têm
mostrado que SO2 atmosférico pode ser absorvido através dos estômatos das folhas e
metabolizado, fazendo-o, porém, de modo pouco eficiente (Fasabi, 1996). Os teores
nas plantas são da ordem de 1,5 a 5,0 g/kg de S na massa seca (Fontes, 2001).
Nucci (1996), em plantas de kiwi com carência de S, verificou clorose de
folhas novas, perda do brilho do limbo, enquanto as folhas velhas permaneciam
verde-escuras, além da queda das folhas. Sob deficiência de S em plantas de
macadâmia, Marrocos (1997) observou clorose internerval das folhas novas,
começando pelas pontas e margens, estendendo-se ligeiramente às folhas mais
velhas. Folhas novas e recém-formadas com coloração amarelo-pálido ou verde
suave foram sintomas relatados por Coelho et al. (2002) em plantas de sorgo.

2.3.7 Boro

O boro (B) é um elemento que ocorre nos minerais sempre combinado com o
oxigênio, formando os boratos. Embora os solos do Brasil na sua maioria sejam
considerados bem supridos de B nos sistemas de produção agrícola, tem-se
constatado em determinadas regiões deficiência desse elemento para diferentes
espécies (Dantas, 1991). Em geral, plantas dicotiledôneas requerem quantidade
maior deste nutriente que as monocotiledôneas e na literatura encontram-se variações
de B da ordem de 10 a 100 mg/kg na massa seca de folhas (Dechen et al., 1991).
Em castanheira-do-brasil, Camargos (1999) notou que os sintomas de
carência de B caracterizam-se por amarelecimento partindo do centro para as pontas
11

das folhas mais novas e com necrose começando no ápice, e com o decorrer do
período as gemas terminais apresentaram-se de tamanho reduzido.
A carência nutricional observada por Maffeis et al. (2000), em eucalipto
(Eucalyptus citriodora), foram folhas novas encarquilhadas, coriáceas, com clorose
marginal e no estágio mais avançado ocorreu morte dos meristemas apicais com
posterior seca do ponteiro. Coelho et al. (2002) revelaram como sintomas da
deficiência de B em plantas de sorgo, faixas alongadas aquosas ou transparentes que
depois ficam brancas ou secas nas folhas novas e com morte do ponto de
crescimento.

2.3.8 Cobre

As plantas retiram do solo todo o cobre (Cu) de que necessitam e nele as


quantidades do elemento são relativamente pequenas e são função do material de
origem, da rocha, dos processos que sobre ela atuaram para a formação do solo.
Associam-se os teores de Cu mais elevados aos solos derivados de rochas básicas
(basalto) e os menores àqueles originados de rochas ácidas (granito).
O Cu, que no solo está quase que exclusivamente em forma cúprica, aparece
em menor proporção adsorvido aos minerais da argila, aos hidróxidos de ferro e a
matéria orgânica (Ferreira e Cruz, 1991). Apesar das múltiplas e importantes funções
do Cu nas plantas, ele ocorre na massa seca em teores que variam, normalmente de 2
a 20 mg/kg, raramente excedendo a 10 mg/kg (Mengel e Kirkby, 1987).
Cereda et al. (1991) observaram em maracujá doce (Passiflora alata), em
plantas sob a omissão de Cu, que as mesmas apresentavam desenvolvimento maior
que o normal, com folhas grandes, de coloração verde sem brilho e que nas margens
apresentaram-se onduladas voltadas para baixo.
Em rúcula (Eruca sativa), Grangeiro et al. (2003) verificaram que as plantas
caracterizaram-se por folhas pequenas, amareladas e plantas com tamanho reduzido.
Coelho et al. (2002) observaram em plantas de sorgo amarelecimento das folhas
novas logo que começam a se desenrolar, com posterior encurvamento e necrose,
podendo ser verificado ainda folhas amarelas com faixas semelhantes às provocadas
pela carência de ferro, o colmo é macio e sujeito ao acamamento.
12

2.3.9 Ferro

O ferro (Fe) constitui cerca de 5% em peso da crosta terrestre, estando


presente invariavelmente em todos os solos. Em rochas ígneas o Fe é mais abundante
em lavas basálticas que em granitos. Das rochas sedimentares, os folhelhos são
aqueles que apresentam concentrações mais elevadas. O Fe está amplamente
distribuído em todos os tipos de solos. Sendo que em alguns solos brasileiros sua
concentração pode ultrapassar a 10% (Bataglia, 1991a). Dechen et al. (1991)
relataram que o teor de Fe em plantas, geralmente é da ordem de 100 mg/kg na
massa seca, sendo menor em grãos de cereais, tubérculos e raízes.
Sob ausência de Fe, Veloso et al. (1998b) obtiveram em pimenteira-do-reino
uma clorose generalizada nas folhas novas, que com a evolução do sintoma
apresentaram coloração amarelo-pálida e esbranquiçada. Amaral et al. (1999)
confirmaram os mesmos sintomas em manjericão (Ocimum sp.), diferindo que com a
evolução dos sintomas, foram constatados a presença de necroses irregulares, que
culminaram com a queda das folhas.
Coelho et al. (2002), em plantas de sorgo, descreveram como sintomas
iniciais da carência de Fe a clorose internerval em toda extensão da lâmina foliar,
permanecendo verdes apenas as nervuras (reticulado fino das nervuras).

2.3.10 Manganês

O manganês (Mn) é um dos micronutrientes mais abundantes na litosfera,


sendo os óxidos e sulfetos de Mn as formas mais freqüentemente encontradas nos
solos, comumente associado ao Fe. Solos derivados de rochas eruptivas básicas são
ricas em Mn, já nos solos formados a partir de arenitos, nem sempre esse elemento é
disponível em teores elevados (Borkert, 1991). O teor crítico de Mn para a maioria
das plantas é da ordem de 10 a 20 mg/kg na massa seca (Dechen et al., 1991).
O amarelecimento das folhas novas com faixas de tecido verde circundando a
nervura mediana e as nervuras principais, e ainda, a redução no crescimento da planta
foram os sintomas observados por Veloso et al. (1998b), em pimenteira-do-reino;
13

além da redução no crescimento da planta. Salvador et al. (1999b) verificaram em


goiabeira (Psidium guajava), a emissão de folhas menores, mais claras e com uma
clorose internerval nos lançamentos novos.
Coelho et al. (2002) obtiveram como sintomas da carência de Mn em plantas
de sorgo a clorose internerval das folhas mais novas (reticulado grosso de nervuras) e
posteriormente de todas elas, quando a deficiência foi moderada e em casos mais
severos observaram faixas longas e brancas podendo ocorrer a morte do tecido na
área clorótica, com posterior desprendimento.

2.3.11 Zinco

O zinco (Zn) ocorre nos minerais primários, em rochas básicas


(ferromagnesianas e magnetita) e na biotita e hornblenda. A crosta terrestre contém
de 65 a 80 mg/kg, as rochas ígneas de 40 (granito) a 130 mg/kg (basalto) e as rochas
sedimentares, 20 (calcário), 16 (arenito) e 95 mg/kg (folhelho) de Zn em média. Por
outro lado, existem na natureza solos com baixos teores de Zn (Souza e Ferreira,
1991). A concentração de Zn nas plantas varia bastante, dependendo das espécies e
de fatores do solo. Normalmente, os teores encontram-se na faixa de 20 a 50 mg/kg,
sendo freqüentes sintomas de deficiência quando as plantas apresentam valores
menores que 20 mg/kg na massa seca (Dechen et al., 1991).
Em maracujá-doce, Cereda et al. (1991) observaram folhas de tonalidade
verde claro, folhas mais velhas com áreas cloróticas do ápice para base junto ao
pecíolo. Já Salvador et al. (1999b) observaram, em goiabeira, folhas jovens
pequenas, mais estreitas e pontiagudas, com nervuras salientes e encurvamento da
lâmina para cima e, às vezes para baixo ao longo da nervura principal, além de
também uma forte clorose internerval.
Vasconcellos et al. (1988), verificaram que os sintomas da deficiência de Zn
na cultura do sorgo caracterizam-se por apresentar em plantas de pequeno porte com
internódios curtos e folhas superiores com listras amareladas entre as nervuras,
enquanto que as mais novas exibiam tonalidade praticamente branca. Além dos
sintomas descritos acima, Coelho et al. (2002) constataram, ainda, em plantas de
sorgo, necrose das margens das folhas e a ocorrência de tons arroxeados.
14

2.4 Nutrição mineral

Mengel e Kirkby (1987) relacionaram os elementos essenciais quanto à forma


de absorção e funções nas plantas, conforme apresentado na Tabela 4.

Tabela 4 – Elementos essenciais, formas de absorção e funções na planta

Elementos Formas de absorção Funções na planta


essenciais
C, H, O, N, S Íons em solução (HCO3-, Constituintes de substâncias
NO3-, NH4+, SO42-), ou orgânicas. Elementos essenciais
gases da atmosfera (O2, N2, envolvidos em processos enzimáticos
SO2)
P, B Íons em solução (H2PO4-, Reações de transferência de energia e
H3BO3) movimento de carboidratos
K, Mg, Ca, Cl Íons em solução (K+, Mg2+, Funções não específicas, ou
Ca2+, Cl-) componentes específicos de
compostos orgânicos, ou manutenção
do balanço iônico.
Cu, Fe, Mn, Mo, Íons em solução (Cu2+, Transporte eletrônico e ativadores
e Zn Fe2+, Mn2+, MoO42-, Zn2+) enzimáticos.
Fonte: Mengel e Kirkby (1987).

Do ponto de vista fisiológico, a nutrição das plantas é uma atividade bastante


complexa e completa, desta forma, o estado nutricional das plantas é refletido em
função do balanço que se obtém entre a absorção e o transporte dos nutrientes,
através da fertilidade natural dos solos e, ou da adição de fertilizantes, para os gastos
exigidos pela evolução vegetativa da planta e sua produção (Fráguas e Silva, 1998).
A ocorrência de desordem nutricional está freqüentemente relacionada com
as condições de solo e, em alguns casos, nem a aparência da cultura, as evidências
disponíveis levam a uma diagnose confiável. Uma análise química do tecido vegetal
será então necessária, para comparação com os valores críticos de concentração do
nutriente na cultura em questão (Magalhães, 1988).
15

Reuter e Robinson (1986), Jones et al. (1991), Malavolta et al. (1997),


Boaretto et al. (1999) e Martinez et al. (1999) consideraram como adequados
nutricionalmente os níveis foliares na planta de sorgo apresentados na Tabela 5.
Quando se faz uma análise das exigências nutricionais de plantas, visando o
cultivo em solução nutritiva, deve-se enfocar as relações existentes entre os
nutrientes, pois essa é uma indicação da relação de extração do meio de crescimento
(Martinez, 2002).
Furlani et al. (1999) relataram que as quantidades totais absorvidas
apresentaram importância secundária, uma vez que no cultivo hidropônico procura se
manter relativamente constante as concentrações dos nutrientes no meio de
crescimento, diferente do que ocorre no solo, onde se fornecem as quantidades
exigidas pelas plantas através do conhecimento prévio das quantidades disponíveis
existentes no próprio solo.
Existe uma relação bem definida entre o crescimento, a produção das culturas
e o teor dos nutrientes em seus tecidos, onde o conhecimento dos teores permite que
por meio de sua análise, se avalie o estado nutricional das culturas e se possa
direcionar programas de adubação (Bataglia, 1991b; Martinez et al., 1999; Pereira,
2001).
Para realização da adubação equilibrada infere-se duas perguntas: “o quê?” e
“qual elemento (ou elementos) estão em falta?”. Antigamente se fazia uso apenas da
análise do solo, nos últimos dez anos começou a ser usada no Brasil, em escala
crescente, a análise foliar, associada à de solo, como um meio de avaliar,
indiretamente, a fertilidade do solo e a necessidade de adubo, “Solo Fértil = alto teor
de elemento na folha = pouca ou nenhuma necessidade de adubo” (Malavolta et al.,
2000).
16

Tabela 5 – Teores adequados de nutrientes em sorgo cultivado em diferentes


condições e ambientes

Teores Adequados
Nutriente (1) (2) (3) (4) (5)
s
g/kg
N 32,0 – 42,0 35,0 – 51,0 13,0 – 15,0 25,0 – 35,0 23,1 – 29,0
P 2,0 – 6,0 3,0 – 6,0 4,0 – 8,0 2,0 – 4,0 4,4
K 20,0 – 30,0 30,0 – 45,0 25,0 – 30,0 14,0 – 25,0 13,0 – 30,0
Ca 1,5 – 9,0 9,0 – 13,0 4,0 – 6,0 2,5 – 6,0 2,1 – 8,6
Mg 2,0 – 5,0 3,5 – 5,0 4,0 – 6,0 1,5 – 5,0 2,6 – 3,8
S - - 0,8 – 1,0 1,5 – 3,0 1,6 – 6,0
mg/kg
B 1,0 – 10,0 4,0 – 13,0 20,0 4,0 – 20,0 -
Cu 2,0 – 15,0 8,0 – 15,0 10,0 5,0 – 20,0 10,0 – 30,0
Fe 55,0 – 220,0 160,0 – 250,0 200,0 65,0 – 100,0 68,0 – 84,0
Mn 6,0 – 100,0 40,0 – 150,0 100,0 10,0 – 190,0 34,0 – 72,0
Mo - - - 0,1 – 0,3 -
Zn 20,0 – 40,0 30,0 – 60,0 20,0 15,0 – 50,0 12,0 – 22,0
(1)
Reuter e Robinson (1986) - Terceira folha a partir do ápice no período entre a diferenciação do
ponto de crescimento e o emborrachamento;
(2)
Jones et al. (1991) - Parte aérea de plantas na diferenciação do ponto de crescimento;
(3)
Malavolta et al. (1997) - Folhas medianas no início do perfilhamento;
(4)
Boaretto et al. (1999) - Folha + 4 ou a quarta folha com a bainha visível a partir do ápice no
florescimento;
(5)
Martinez et al. (1999) - Folhas em posição mediana na planta no período de emborrachamento.

2.5 Avaliação do estado nutricional

Podem ser destacados por serem mais usados na avaliação do estado


nutricional, a diagnose visual, a análise química de plantas, os ensaios de vegetação
com subtração de nutrientes e a análise química dos solos (Fageria, 1989).
A diagnose foliar pode ser feita por meio da observação visual de sintomas de
distúrbios nutricionais (diagnose visual) ou através de procedimentos mais
sofisticados como a análise química das folhas (Bataglia e Santos, 2001).
17

Comparando-se os valores dos elementos na amostra com um padrão (plantas


normais), é possível diagnosticar desequilíbrios nutricionais nas plantas (Bataglia,
1991b; Malavolta et al., 1997; Martinez et al., 1999; Miyazawa et al., 1999). A
técnica do elemento faltante é um sistema biológico de avaliação, conduzida
geralmente em casa-de-vegetação, em que se comparam plantas que recebem
tratamento “completo” com outras da mesma espécie e idade que foram submetidas a
tratamentos onde houve omissão de cada nutriente (Fasabi, 1996).
Os efeitos de concentração e de diluição de nutrientes minerais precisam ser
cuidadosamente considerados em interpretações de teores em condições de
antagonismo e sinergismo durante a absorção, principalmente quando as
concentrações dos nutrientes estão em níveis deficientes ou tóxicos (Haag et al.,
1991).
O processo de diagnose nutricional inclui considerações de todas as
evidências disponíveis, incluindo a possibilidade de outra causa no sintoma em
questão. A diagnose baseada em sintomas visíveis requer um acompanhamento
sistemático, pois os sintomas de deficiência tornam-se claramente visíveis, quando a
mesma é aguda e os níveis de desenvolvimento e de produção já estão severamente
afetados. A checagem através de análise química e a prática de conhecimento da
cultura, faz-se necessário para a distinção entre sintomas foliares de deficiência de
nutrientes, daqueles causados por pragas e moléstias (Dechen et al., 1991).
Em face disso, três princípios de diagnose de deficiências devem ser
considerados: o sintoma deve apresentar-se de uma forma simétrica na planta; em um
gradiente direcionado de desenvolvimento; e ser generalizado na cultura e não
apenas em plantas isoladas (Magalhães, 1988).
Bataglia (1991b) relatou que a diagnose visual tem grande desvantagem em
relação à análise química de plantas porque os sintomas, tanto de deficiência como
de excesso, são visíveis apenas em faixas de concentração, onde há redução da
produtividade, o mesmo não ocorrendo através da “fome oculta”, em que os níveis de
nutrientes são críticos, mas não se expressam efeitos passíveis de se detectar através
da diagnose visual.
O diagnóstico visual consiste em caracterizar, descrever e, ou, fotografar mais
precoce e detalhadamente possível, os sintomas de deficiências na planta problema,
18

que aparecem primeiro nas folhas velhas, caso o nutriente seja móvel na planta, no
entanto se o nutriente for pouco móvel, ocorre primeiro nas folhas novas. A clorose e
necrose são critérios para a diagnose e os sintomas visíveis de deficiência nutricional
são mais específicos (Dechen et al., 1991; Fontes, 2001).
O equilíbrio nutricional envolve diretamente os nutrientes sendo necessário
identificar suas principais funções fisiológicas e distúrbios causados pela deficiência
ou excesso (Fráguas e Silva, 1998). As deficiências e os excessos nutricionais
refletem-se principalmente nas folhas, que por isso, é a parte da planta mais indicada
como amostra para determinação do teor dos nutrientes (Paula et al., 1998).
De acordo com a redistribuição no interior das plantas, os nutrientes podem
ser classificados em três grupos: móveis (NO3, NH4, P, K, Mg), intermediários (S,
Mn, Fe, Zn, Cu e Mo) e imóveis (Ca e B). Essa classificação é muito útil na
identificação de sintomas de deficiência de um determinado nutriente (Marschner,
1995; Furlani et al., 1999). A classificação dada acima – móveis, intermediários,
imóveis – é mais “didática” do que “fisiológica”. A redistribuição sempre ocorre,
mas em muitos casos e condições, não é suficiente para atender às exigências dos
órgãos mais novos.
No estudo de nutrição mineral de plantas é necessário considerar os nutrientes
como um todo porque, no processo de absorção, um pode exercer influência sobre o
outro, alterando desta maneira, a composição mineral das folhas (Raij, 1991).
3 MATERIAL E MÉTODOS

3.1 Espécie vegetal e local do experimento

A espécie em estudo está classificada na divisão Angiospermae; classe


Monocotiledoneae; ordem Graminales; família Poaceae; subfamília Panicoideae;
gênero Sorghum; espécie Sorghum bicolor (L.) Moench; cultivar Dow Agrosciences
822 (granífero).
O trabalho foi realizado em casa-de-vegetação na Faculdade de Agronomia e
Medicina Veterinária (FAMEV) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) ,
em Cuiabá/MT.

3.2 Semeadura e transplante

As sementes de sorgo, foram germinadas em recipientes contendo areia


lavada e irrigada diariamente com água destilada. Aos dez dias, transplantou-se as
plântulas em número de três, para os vasos plásticos com dois litros de capacidade
contendo solução nutritiva completa, (Tabela 6), na proporção ¼ de força iônica, em
sistema de aeração artificial contínuo, por um período de quatro dias. Decorrido este
período, substituiu-se a solução por uma outra de ½ força iônica por mais oito dias.

3.3 Delineamento experimental e tratamentos

O experimento foi instalado em blocos casualizados, com doze tratamentos e


três repetições, num total de 36 unidades experimentais. Cada unidade experimental
foi representada por um vaso plástico.
Tabela 6 - Composição química das soluções nutritivas estoques, em molar (M), e dos tratamentos, em mL/L, utilizadas nesse estudo,
SARRUGE (1975)

Conc. Tratamentos (mL/L)


Solução Estoque (M) Compl. -N -P -K -Ca -Mg -S -B -Cu -Fe -Mn -Zn
KH2PO4 1 1 1 - - 1 1 1 1 1 1 1 1
KNO3 1 5 - 5 - 5 3 3 5 5 5 5 5
Ca(NO3)2.4H2O 1 5 - 5 5 - 4 4 5 5 5 5 5
MgSO4.7H2O 1 2 2 2 2 2 - - 2 2 2 2 2
KCl 1 - 5 1 - - 2 2 - - - - -
CaCl2.2H2O 1 - 5 - - - 1 1 - - - - -
NH4H2PO4 1 - - - 1 - - - - - - - -
NH4NO3 1 - - - 2 5 - - - - - - -
(NH4)2SO4 1 - - - - - 2 - - - - - -
Mg(NO3)2.6H2O 1 - - - - - - 2 - - - - -
Micronutrientes1– Fe - 1 1 1 1 1 1 1 - - 1 - -
Micronutrientes1 – B - - - - - - - - 1 - - - -
Micronutrientes1 – Cu - - - - - - - - - 1 - - -
Micronutrientes1 – Mn - - - - - - - - - - - 1 -
Micronutrientes1 – Zn - - - - - - - - - - - - 1
Fe – EDTA2 - 1 1 1 1 1 1 1 1 1 - 1 1
1
Solução estoque de micronutrientes (g/L): H3BO3 – 2,86; MnCl2.4H2O - 1,81; ZnCl2 – 0,10; CuCl2.2H2O – 0,04; H2MoO4.H2O – 0,02.
2
Dissolver 26,1g de EDTA dissódico em 286 mL de NaOH 1,0 M, misturar com 24,9g de FeSO4.7H2O e arejar por uma noite e completar o volume para 1.000 mL.

20
21

Os tratamentos utilizados foram os seguintes: Completo (Compl.) e com


omissão individual dos nutrientes: nitrogênio (-N), fósforo (-P), potássio (-K),
cálcio (-Ca), magnésio (-Mg), enxofre (-S), boro (-B), cobre (-Cu), ferro (-Fe),
manganês (-Mn) e zinco (-Zn).

3.4 Condução do experimento

Após doze dias de adaptação das plantas à solução, foram iniciados os


tratamentos de omissão de nutrientes. Utilizou-se de soluções estoque para compor
as soluções dos tratamentos (Tabela 6). As soluções foram preparadas com reagentes
p. a. e a composição da solução nutritiva completa (Sarruge, 1975), apresentou a
seguinte característica: N - 210 mg/L, P - 31 mg/L, K – 234 mg/L, Ca – 200 mg/L,
Mg – 48 mg/L, S – 64 mg/L, B – 0,5 mg/L, Cu – 0,02 mg/L, Fe – 5,0 mg/L,
Mn – 0,5 mg/L, Zn – 0,05 mg/L, Mo – 0,01 mg/L.
Durante a condução do ensaio a solução nutritiva foi mantida a pH 5,9 ± 0,1 e
quando necessário foram feitas às correções com HCl 1,0 M ou NaOH 1,0 M. A
renovação das soluções ocorreu a cada seis dias e o seu arejamento foi contínuo
através de sistema de compressão de ar. Foi avaliado diariamente o volume das
soluções nos vasos e quando necessário foi completado com água deionizada, com
posterior controle do pH.
A sintomatologia das omissões de nutrientes foi descrita e acompanhada até a
completa definição dos sintomas e, após esse período, as plantas foram coletadas
separando-as em parte aérea e raízes. O material coletado foi lavado em água
corrente e posteriormente enxaguado em água destilada e deionizada para remoção
do excesso de solução nutritiva. Após a lavagem o material foi acondicionado em
sacos de papel e colocado para secagem em estufa com circulação forçada de ar (70
– 75ºC) até peso constante.
Após a secagem, o material foi pesado, obtendo-se assim, a massa seca para
cada parte da planta, moído em moinho tipo “Wiley”, com peneira de 20 mesh para
posterior análise química.
22

3.5 Área foliar

Para determinação da área foliar, destacou-se as folhas da planta e estas foram


dispostas sobre uma superfície, com cotas conhecidas e assim fotografadas. As
imagens obtidas foram digitalizadas com posterior determinação da área foliar
através do programa SigmaScan Pro 5.0.
Após a realização dessa medida o material vegetal foi acondicionado em
sacos de papel, identificados, levados para estufa secadora até peso constante e em
seguida foi pesado para determinação de sua massa foliar. Com os valores do produto
da relação massa e área foliar conhecidos de uma planta por tratamento, assim,
determinou-se as áreas foliares das demais plantas dos tratamentos através do
conhecimento das suas respectivas massas de materiais secos foliares.

3.6 Acúmulo e teores de nutrientes

As determinações de P, K, S, B nas raízes, colmo e folhas foram feitas


segundo Malavolta et al. (1997) e N, Ca, Mg, Cu, Fe, Mn e Zn segundo Miyazawa et
al. (1999).
O N foi mineralizado via digestão sulfúrica e para os demais elementos foi
utilizada a digestão nítrico-perclórica. As determinações do N foram através do semi-
micro Kjedahl; o P foi dosado pela colorimetria; o K pela fotometria de emissão de
chama; o Ca, Mg, Cu, Fe, Mn e Zn por espectrofotometria de absorção atômica; o S
por turbidimetria e o B foi determinado através de digestão por via seca (incineração)
seguida de determinação colorimétrica por azometina-H.
O acúmulo foi determinado através do somatório das diferentes partes da
planta e esse por sua vez do produto da sua respectiva massa seca e teor.

3.7 Análise estatística

Os dados coletados foram submetidos a teste de normalidade e


homogeneidade de variância, sendo que a média dos tratamentos foram comparadas
pelo teste Tukey a 5%. Para execução da análise estatística foi utilizado o programa
estatístico SAEG 8.0.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 Sintomatologia visual das deficiências

Segundo Epstein (1975) quando a concentração de um nutriente no tecido


desce abaixo do nível necessário para o crescimento ótimo, diz-se que a planta está
deficiente. Assim, o conhecimento da sintomatologia numa espécie fornece pouca
ajuda para identificá-la em outra.

4.1.1 Nitrogênio

Dois dias após o início do tratamento com omissão de N, foram observados


os primeiros sintomas de deficiência desse nutriente nas plantas de sorgo.
Inicialmente, as plantas de sorgo exibiam clorose nas folhas velhas e nas folhas
novas as nervuras principais apresentavam uma tonalidade amarelada. Com a
evolução da deficiência a clorose evoluiu para as folhas mais novas (Figura 1).
O aparecimento desses sintomas, inicialmente nas folhas mais velhas, deve-se
à grande mobilidade do nutriente na planta, que em condições de deficiência é
retranslocado para as partes mais novas em crescimento (Marschner, 1995).
Observou-se, também, plantas de porte reduzido, com área foliar pequena,
plantas com colmo fino, quando comparado com o tratamento completo.
Vasconcellos et al. (1988) e Coelho et al. (2002) relataram características similares
de deficiência de N em seus trabalhos com sorgo.
Para Raij (1991), o N, além de participar da composição da molécula de
clorofila, participa também da reação de síntese protéica. A inibição dessa síntese
reduz o processo de divisão celular e, conseqüentemente, afeta o crescimento da
planta (Malavolta et al., 1997).
O N é o nutriente que mais interfere sobre a produção de material verde, de
forma que a sua deficiência afeta sensivelmente o crescimento da planta. Isso se deve
24

a um somatório de fatores fisiológicos, que interagem com o elemento e contribuem


para que a planta sintetize menos açúcares, aminoácidos e ácidos nucléicos,
resultando em menor massa total de planta (Maia, 1998).

4.1.2 Fósforo

Os sintomas de deficiência de P apareceram oito dias após a aplicação do


tratamento com omissão desse nutriente, onde toda a planta exibia uma coloração
sem brilho, dando as plantas um aspecto de coloração verde mais escuro quando
comparadas com o tratamento completo (Figura 1). Verificou-se, ainda, presença de
folhas estreitas, colmos finos e diminuição dos ângulos de inserção das folhas em
relação ao colmo, desta forma as folhas apresentaram-se mais eretas.
O surgimento de manchas arroxeada nas folhas mais velhas, relatados por
Vasconcellos et al. (1988) e Coelho et al. (2002), em sorgo não foi verificado. Este
sintoma é decorrente do acúmulo de fotoassimilados nos tecidos, o que favorece a
síntese de antocianina, pigmento que confere essa coloração (Mengel e Kirkby,
1987).
Veloso (1993), Fasabi (1996) e Camargos (1999), em pimenteira-do-reino,
malva e castanheira-do-brasil, respectivamente, verificaram que no tratamento de
omissão do elemento a diagnose visual foi pouco evidente.
Marschner (1995) descreve vários sintomas de deficiências causados pela
omissão de P, entre eles crescimento retardado; frequentemente com uma coloração
avermelhada devido ao aumento da formação de antocianinas; plantas com coloração
verde mais escura quando comparadas com plantas normais; redução generalizada de
muitos processos metabólicos, incluindo divisão e expansão celular, respiração e
fotossíntese. Dos sintomas descritos acima, alguns foram observados no presente
experimento, tais como aspecto de coloração verde e redução da expansão celular,
concordando em parte com o autor.
25

4.1.3 Potássio

A deficiência de K começou a se manifestar aos três dias após o início da


aplicação dos tratamentos, e se caracterizou, inicialmente pelo avermelhamento
marginal descontínuo nas folhas inferiores, que evoluíram para o centro da folha
entre as nervuras, com posterior secamento e necrose, dando um aspecto de queima
nas folhas.
Com o decorrer do agravo da sintomatologia, verificou-se a presença de
necrose em todas as pontas das folhas (Figura 1). Observou-se, ainda, redução do
porte da planta, presença de colmo fino e o aspecto de encarquilhamento para cima
nas folhas novas.
Os sintomas descritos acima corroboram com os descritos por Mengel e
Kirkby (1987), para outras espécies, os quais relataram que primeiramente houve
redução na taxa de crescimento, posteriormente ocorreram clorose e necrose das
folhas. Esses sintomas, geralmente, ocorrem nas folhas mais velhas, iniciando-se nas
margens e nas extremidades das folhas.
A ocorrência de necrose decorreu da possibilidade de ter havido um acúmulo
de putrescina (tetrametileno diamino), cuja síntese é desencadeada pela falta de K
(Malavolta, 1980).
Sintomas semelhantes foram descritos por Godinho et al. (1995b), Monteiro
et al. (1995),Veloso et al. (1998a), Pereira (2001) e Mattos et al. (2002), quando
omitiram o elemento K em plantas de rami, braquiária, pimenteira-do-reino, capim-
Mombaça e capim-Tanzânia, respectivamente.

4.1.4 Cálcio

A deficiência de Ca teve o seu início constatado dois dias após a aplicação


dos tratamentos. Observou-se uma redução drástica do crescimento, afetando parte
aérea, caule e redução da área foliar.
Tanto as folhas superiores como as inferiores apresentaram-se com aspecto
encharcado, com pontuações avermelhadas e a ocorrência de amarelecimento seguido
por secamento e necroses circundadas por um halo vermelho na margem da folha. As
pontas das folhas mais novas grudaram-se umas às outras à medida que as plantas
26

cresceram, com posterior murcha e morte das regiões de crescimento (Figura 1).
As raízes apresentaram-se pouco desenvolvidas com encurtamento das raízes
secundárias e de coloração castanho-escuro e com ligeiro apodrecimento.
Mengel e Kirkby (1987) descreveram os sintomas de deficiência de Ca
apresentando uma redução no crescimento do tecido meristemático, observada
primeiramente na região do crescimento apical e nas folhas mais novas, que se
tornam deformadas e cloróticas e nos estágios mais avançados ocorre uma necrose
das margens das folhas e os tecidos afetados tornaram-se mais “flácidos”, devido à
dissolução da parede celular. De acordo com estes autores, o Ca é fundamental para a
permeabilidade das membranas e manutenção da integridade celular, sendo requerido
para a divisão e expansão das células.
A redução no tamanho das plantas, a ocorrência de necroses nas margens das
folhas, também, foram observados por Figueira (1998), Scaramuzza et al. (2001) e
Conceição et al. (2002), em artemísia, maracujá e derris, respectivamente.
As reduções de crescimento apresentadas pelas plantas sob deficiência de
nutrientes estão relacionadas às alterações que esses nutrientes provocam no
metabolismo geral das plantas. De acordo com Marschner (1995), as alterações de
crescimento dependem da espécie, estádio de desenvolvimento e órgão da planta.

4.1.5 Magnésio

Os primeiros sintomas de deficiências de Mg puderam ser observados três


dias após o início dos tratamentos. As folhas inferiores amareleceram da margem
para o centro e depois entre as nervuras. A nervura principal permaneceu verde. Com
o progresso do quadro sintomatológico as folhas novas foram atingidas (Figura 1).
As características da deficiência de Mg descritas para sorgo, coincidem com
as apresentadas na maioria das culturas, como por exemplo, as observadas por
Monteiro et al. (1995), Utumi et al. (1999) e Pereira (2001), em plantas de
braquiária, estévia e capim-Mombaça, respectivamente.
De acordo com Malavolta et al. (1997), os sintomas de deficiência de
magnésio são descritos por uma clorose das folhas, usualmente começando e sendo
mais severa nas mais velhas, seguido por um amarelecimento internerval e, em casos
27

extremos, tornam-se necróticas. Na base das folhas observa-se pequenas manchas


verdes escuras, devido ao acúmulo de clorofila em contraste com folhas de cor
amarelo pálido.
A presença do Mg como átomo central da molécula de clorofila, função
bioquímica bem conhecida do elemento, é uma característica determinante dos
efeitos de sua deficiência, pois sua diminuição acarreta queda no teor de clorofila,
provocando conseqüentemente, clorose (Mengel e Kirkby, 1987).

4.1.6 Enxofre

A deficiência de S manifestou-se oito dias após o início dos tratamentos de


omissão do elemento. As folhas novas e recém-formadas no cartucho, apresentaram a
coloração verde-claro, quando comparado com o tratamento completo (Figura 1). Os
sintomas ocorreram nas folhas novas, indicando que os tecidos mais velhos não
puderam contribuir para o suprimento de S para os tecidos novos. Sintomas similares
foram descritos por Salvador et al. (1998 e 1999a) e Amaral et al. (1999) em plantas
de goiaba e manjericão, respectivamente.
Como o S é um dos constituintes dos aminoácidos essenciais cisteína, cistina
e metionina (Mengel e Kirkby, 1987; Marschener, 1995) e estes, por sua vez das
proteínas, é concebível que a deficiência do nutriente provoque a inibição da síntese
protéica ou um efeito depressivo da sua qualidade, e conseqüentemente, paralização
no desenvolvimento.
Os sintomas de deficiência de S são muito semelhantes aos de carência de N.
Entretanto, como S é pouco móvel na planta, os sintomas de deficiência ocorrem
inicialmente nas folhas superiores, ao contrário do N (Malavolta et al., 1997)
28

-N -P

-K - Ca

- Mg -S

Figura 1 – Plantas tratadas com solução nutritiva completa (Compl) e (-N), (-P),
(-K), (-Ca), (-Mg) e (–S).
29

4.1.7 Boro

Aos cinco dias do início do tratamento com omissão de B, começaram


aparecer os primeiros sintomas de deficiência desse nutriente nas plantas. Os
sintomas caracterizaram-se pela presença de faixas aquosas e transparentes paralelas
à nervura central, que depois ficaram brancas e secas nas folhas novas,
caracterizados pela ausência de clorofila nessas faixas (Figura 2). Essa
sintomatologia relaciona-se com a descrita em plantas de sorgo por Coelho et al.
(2002).
O B tem baixa mobilidade nas plantas e seu transporte das raízes à parte aérea
ocorre de modo passivo, sob forma inorgânica ou como complexos boratos-açúcares,
na corrente transpiratória. Admite-se, de modo geral, que é transportado somente no
xilema, sendo praticamente imóvel no floema. Assim sendo, a redistribuição
insuficiente do B tem as seguintes conseqüências: os sintomas de deficiência
aparecem primeiramente nos órgãos mais novos e regiões de crescimento com
redução no tamanho e deformação das folhas mais novas, morte da gema terminal,
menor crescimento das raízes (Malavolta, 1980).
Sgarbi et al. (1999) verificaram redução no crescimento de plantas de
eucalipto nos tratamentos em que o B foi omitido da solução, devido à ocorrência da
seca do ponteiro decorrente dessa deficiência.

4.1.8 Cobre

Os sintomas de deficiência de Cu surgiram oito dias após o início dos


tratamentos. Inicialmente, os cartuchos tornaram-se cloróticos, onde as folhas novas
exibiam uma clorose internerval leve, com a ocorrência de necroses nas margens
(Figura 2) e as plantas exibiam o aspecto de murcha nas folhas jovens.
Sintomas típicos de deficiência de Cu como clorose internerval nas folhas
jovens, necroses nas margens e plantas com tamanho reduzido foram descritos por
Cereda et al. (1991), Salvador et al. (1999b) e Grangeiro et al. (2003), em plantas de
maracujá, goiaba e rúcula, respectivamente, concordando com os observados na
presente pesquisa com sorgo.
30

O Cu é pouco móvel no floema e, portanto, os sintomas de deficiência


aparecem comumente nas folhas novas das plantas, manifestando murcha, clorose
em geral verde cinza e necroses (Magalhães, 1988).
Segundo Mengel e Kirkby (1987), a deficiência de Cu pode inibir o
funcionamento da cadeia de transporte de elétrons, causando também redução na
quantidade do CO2 fixado pela fotossíntese. Conforme Malavolta (1980), o Cu atua
no metabolismo das plantas, ativando enzimas que dele são dependentes e
participando de reações da fotossíntese.

4.1.9 Ferro

A deficiência de Fe teve o seu início no segundo dia após a omissão desse


nutriente. Inicialmente, observou-se a clorose internerval nas folhas novas, mais
intensa da base para o ápice das folhas, as quais apresentavam-se mais verde. Apenas
as nervuras permaneceram de cor verde durante algum tempo destacando-se como
um reticulado fino. Sintomas semelhantes a estes foram descritos por Veloso (1993),
Amaral et al. (1999) e Salvador et al. (1999b).
Com o agravamento da deficiência, o sintoma progrediu para as demais
folhas, atingindo em poucos dias a metade superior das plantas, as quais
apresentaram um branqueamento generalizado do cartucho (Figura 2).
Segundo Epstein (1975), nos sintomas de deficiência de Fe nas plantas ocorre
uma clorose geral das folhas que depois se tornam esbranquiçadas. No princípio, as
nervuras podem permanecer verdes, mas na maioria das espécies, elas também se
tornam eventualmente cloróticas.

4.1.10 Manganês

Os primeiros sinais de deficiência de Mn puderam ser observados doze dias


após o início dos tratamentos. Inicialmente, observou-se uma clorose internerval leve,
sob um reticulado grosso de nervuras (Figura 2). O sintoma de deficiência de Mn foi
o último a aparecer e de pouca evidência; este fato relaciona-se provavelmente ao
31

fornecimento do mesmo antes da instalação dos tratamentos de omissão ou devido a


cultura apresentar menor exigência do nutriente.
Como conseqüência da redistribuição insuficiente do Mn os sintomas de
carência se manifestam nas folhas mais novas, que inicialmente mostram clorose
internerval e as nervuras formam uma rede verde sobre fundo amarelo, como no caso
dos sintomas de deficiência de Fe. Entretanto, a diferença é que na deficiência de Mn
as nervuras e uma estreita faixa do tecido ao longo das mesmas permaneceram
verdes (o chamado reticulado grosso), geralmente não há diminuição no tamanho das
folhas (Epstein, 1975; Malavolta, 1980; Mengel e Kirkby, 1987; Dechen et al.,
1991).
Fasabi (1996) e Coelho et al. (2002), relataram características similares,
observados pelos autores citados acima, de deficiência de Mn em seus trabalhos com
malva e sorgo, respectivamente, diferenciando dos observados no presente trabalho,
que foram pouco evidenciados.

4.1.11 Zinco

Os primeiros sintomas de deficiência de Zn apareceram oito dias após a


omissão desse nutriente. As folhas superiores apresentaram-se com listras brancas
entre as nervuras e as margens. Nas folhas intermediárias ocorreram tons roxos na
margem ao longo de toda extensão da folha, com posterior avermelhamento
internerval do ápice da folha para a base (Figura 2). Observou-se também a redução
do crescimento dos internódios das plantas, quando comparado com o tratamento
completo.
A carência de Zn na cultura do sorgo é caracterizada por apresentar plantas de
pequeno porte e com internódios curtos e folhas superiores apresentando listras
amareladas entre as nervuras, seguida de necroses, que foram relatadas por
Vasconcellos et al. (1988) e Coelho et al. (2002).
Pelas descrições das deficiências anteriores, as manifestações de carências de
B, Cu, Fe, Mn e Zn, estabeleceram-se mais visivelmente no terço superior das
plantas, justificando as afirmações de Marschner (1995) e Malavolta et al. (1997)
sobre a baixa redistribuição desses nutrientes.
32

-B - Cu

- Fe - Mn

- Zn

Figura 2 – Plantas tratadas com solução nutritiva completa (Compl) e (-B), (-Cu),
(-Fe), (-Mn) e (-Zn).
33

Devido à imobilidade do Zn no floema e sua associação com reguladores de


crescimento, os sintomas de deficiência de Zn se manifestaram em geral nas partes
novas das plantas, com encurtamento dos internódios, deformações e clorose das
folhas mais novas. A deficiência de Zn é muito peculiar à espécie, por isso, seus
sintomas ocorrerem nas folhas novas, bem como nas partes mais velhas da planta
(Magalhães, 1988).

4.2 Produção de massa seca

Como indicadores do desenvolvimento, utilizaram-se os dados de produção


de massa seca das diferentes partes das plantas, em função dos tratamentos. Os dados
de massa seca total (MST), e nos diferentes órgãos de plantas de sorgo em função
dos tratamentos de omissões, encontram-se na Tabela 7.

Tabela 7 – Produções médias de massa seca das folhas, colmo, raízes e total do
sorgo, nos tratamentos

Tratamento Folhas Colmo Raízes MST


g/planta
Completo 3,4 a 1,8 a 1,9 a 7,2 a
Omissão de N 0,7 e 0,4 f 0,5 e 1,5 f
Omissão de P 1,6 d 1,0 de 1,5 b 4,1 cd
Omissão de K 1,7 d 0,7 ef 0,6 de 3,0 de
Omissão de Ca 0,6 e 0,4 f 0,4 e 1,4 f
Omissão de Mg 0,8 e 0,4 f 0,4 e 1,7 ef
Omissão de S 2,4 bc 1,4 bcd 1,4 b 5,2 bc
Omissão de B 2,4 bc 1,5 abc 1,2 bc 5,1 bc
Omissão de Cu 2,2 cd 1,1 d 1,0 cd 4,3 cd
Omissão de Fe 0,8 e 0,4 f 0,4 e 1,6 ef
Omissão de Mn 3,0 ab 1,6 ab 1,5 ab 6,1 ab
Omissão de Zn 2,0 cd 1,1 cd 1,2 bc 4,3 cd
Médias seguidas por letras minúsculas iguais nas colunas, não diferem entre si pelo teste Tukey a 5%.
De uma maneira geral, observou-se que as médias de todos os tratamentos
com omissão de nutrientes foram inferiores ao completo com relação à produção de
34

MST e nas diferentes partes da planta, concordando com os dados encontrados por
Veloso (1993).
Para a MST, verificou-se na Tabela 7 que em todos os tratamentos de
omissão de um determinado nutriente as médias obtidas foram inferiores a média do
tratamento completo. Os nutrientes que mais limitaram o crescimento de sorgo
foram: Ca (1,4 g/planta), N (1,5 g/planta), Fe (1,6 g/planta), Mg (1,7 g/planta). O
menor efeito foi observado na ausência de Mn (6,1 g/planta), não diferindo
significativamente do completo (7,2 g/planta). Maia (1994) e Fasabi (1996), também
relataram em seus trabalhos que o Ca e o N apresentaram as menores produções de
MST. Já Veloso (1993) verificou que foram N e Fe.
Os macronutrientes apresentaram as menores produções de MST, exceto o S,
caracterizando assim a sua definição como macronutriente, por serem os mais
exigidos pela cultura. A redução na produção de MST de plantas de sorgo, ocorreu
na seguinte ordem decrescente: Ca>N>Fe>Mg>K>P>Cu>Zn>B>S>Mn.
Os efeitos da omissão dos nutrientes não se deram de forma similar, quando
se considerou partes da planta separadamente, mas se observou uma certa
similaridade na disposição de efeitos da deficiência, quando comparou-se a média
dos tratamentos.
Nas folhas as menores produções de massa seca foram registradas nos
tratamentos com omissão de Ca (0,6 g/planta), N (0,7 g/planta), Mg (0,8 g/planta),
Fe (0,8 g/planta) e seguidos pelos tratamentos P (1,6 g/planta), K (1,7 g/planta), Zn
(1,7 g/planta), Cu (2,2 g/planta), S (2,4 g/planta) e B (2,4 g/planta). O menor efeito
foi registrado na omissão de Mn (3,03 g/planta),que não diferiu estatisticamente do
tratamento completo (3,43 g/planta).
Os menores valores de massa seca do colmo ocorreram na omissão de N, Fe,
Mg, Ca, K, P, Cu, Zn e S, com produções respectivas de 0,4; 0,4; 0,4; 0,4; 0,7; 1,0;
1,1; 1,1 e 1,3 g/planta, estatisticamente inferiores ao obtido no completo
(1,8 g/planta). As omissões nos tratamentos B (1,5 g/planta), e Mn (1,6 g/planta),
embora com valores absolutos inferiores na produção de massa seca do colmo, foram
semelhantes estatisticamente ao tratamento completo.
35

Nas raízes, a omissão de Ca, Mg, Fe, N, K, Cu, B, Zn, S e P, em ordem


crescente, na produção de massa seca diferiram do tratamento completo. Enquanto, o
tratamento com omissão de Mn apresentou resultado semelhante ao completo.
Segundo Epstein (1975) plantas deficientes em Ca são incapazes de assimilar
nitrato, pois este elemento atua no metabolismo do N, ocorrendo alterações no
metabolismo com conseqüentes prejuízos de ambos os nutrientes no
desenvolvimento da planta. O efeito foi observado no presente trabalho com omissão
de Ca e N limitando a produção de massa seca.

4.3 Área foliar

Os efeitos da omissão dos nutrientes, quando se relacionou massa seca foliar


com a área foliar, foram similares.
Quanto à área foliar, que as menores áreas foliares foram observadas nos
tratamentos Ca (130,6 cm2), N (142,7 cm2), Fe (164,4 cm2), Mg (181,4 cm2), P
(350,7 cm2), K (365,2 cm2), Zn (428,0 cm2), Cu (474,0 cm2), S (517,5 cm2), e B
(524,8 cm2), que foram estatisticamente inferiores ao tratamento completo
(747,3 cm2). As plantas submetidas ao tratamento com omissão de Mn (660,2 cm2),
apesar de apresentarem área foliar inferior ao completo, tiveram seus valores
estatisticamente semelhantes (Figura 3).
As plantas dos tratamentos com omissão de Ca e N, mais afetaram área foliar,
concordando com os resultados de Fasabi (1996).
A redução na área foliar de plantas de sorgo ocorreu na seguinte ordem
decrescente: Ca>N>Fe>Mg>P>K>Zn>Cu>S>B>Mn. Quando comparou-se com a
ordem de redução na produção de MST, descrita anteriormente, notou-se uma certa
similaridade na distribuição, com uma pequena alternância nas posições entre os
elementos P e K, Zn e Cu , S e B.
A carência de resultados, envolvendo área foliar em função da omissão de
nutrientes, é fato marcante na literatura.
36

800,0 a

Área foliar (cm²) ab

600,0 bc bc
cd
cd
d
400,0 d

e e
200,0 e e

0,0

- Mg

- Mn
Compl

-P

-S

- Zn
- Fe
- Cu
- Ca
-N

-K

-B
Tratamentos

Figura 3 – Produções médias de área foliar de sorgo nos diferentes tratamentos (barras
seguidas por letras iguais não diferem entre si por Tukey a 5 %).

4.4 Acúmulo de nutrientes

Todos os tratamentos nos quais se omitiu um nutriente, o teor e o acúmulo


deste nutriente nas diversas partes da planta foi, geralmente, menor quando
comparado com os do tratamento completo (Tabela 8).
A absorção de nutrientes pelas plantas obedeceu à seguinte ordem
decrescente: N>K>Ca>Mg>P>S>Fe>Mn>Zn>Cu>B. Estes resultados concordam
parcialmente com aqueles encontrados por Veloso (1993), Fasabi (1996) e Camargos
(1999).
37

Tabela 8 – Produção massa seca (MS), teor e acúmulo (Ac) dos macro e
micronutrientes nas folhas, colmo e raízes de sorgo, em função dos
tratamentos (média de 3 repetições)

Partes da planta
Folhas Colmo Raízes
Tratamento MS Teor AC MS Teor AC MS Teor AC
g/planta g/kg mg/planta g/planta g/kg mg/plant g/planta g/kg mg/planta
a

Omissão de N 0,7 16,4 10,8 0,4 8,2 3,2 0,5 9,3 4,6

Completo 3,4 34,9 120,0 1,8 25,7 43,8 1,9 18,0 34,2

Omissão de P 1,61 0,9 1,5 1,0 0,8 0,8 1,5 0,8 1,2

Completo 3,4 3,6 12,4 1,8 3,4 6,3 1,9 3,0 5,5

Omissão de K 1,7 4,2 7,1 0,7 4,7 3,2 0,6 2,1 1,3

Completo 3,4 17,7 60,7 1,8 25,3 46,7 1,9 7,0 13,3

Omissão de Ca 0,6 2,9 1,7 0,4 1,3 0,6 0,4 1,2 0,5

Completo 3,4 6,5 22,3 1,8 10,2 18,7 1,9 7,8 14,7

Omissão de Mg 0,8 1,5 1,2 0,4 1,7 0,7 0,4 1,1 0,5

Completo 3,4 4,1 14,1 1,8 7,2 13,3 1,9 5,6 10,6

Omissão de S 2,4 0,6 1,4 1,3 0,3 0,4 1,4 0,5 0,7

Completo 3,4 1,2 4,2 1,8 1,1 2,1 1,9 3,6 6,9
g/planta mg/kg µg/planta g/planta mg/kg µg/planta g/planta mg/kg µg/planta

Omissão de B 2,4 2,0 4,8 1,5 1,7 2,5 1,2 2,0 2,4

Completo 3,4 2,5 8,7 1,8 1,9 3,5 1,9 2,1 4,0

Omissão de Cu 2,2 13,7 29,8 1,1 16,3 18,2 1,0 19,0 18,6

Completo 3,4 14,3 49,2 1,8 19,0 35,0 1,9 17,0 32,3

Omissão de Fe 0,8 224,7 169,8 0,4 73,0 30,0 0,4 290,7 129,2

Completo 3,4 450,0 1545,0 1,8 107,7 198,6 1,9 528,7 1004,5

Omissão de Mn 3,0 34,3 104,1 1,6 10,0 15,9 1,5 13,7 20,8

Completo 3,4 108,7 373,1 1,8 71,7 132,2 1,9 55,7 105,8

Omissão de Zn 2,0 13,3 26,2 1,1 9,7 11,0 1,2 10,7 12,9

Completo 3,4 26,7 91,6 1,8 12,3 22,8 1,9 12,7 24,1
38

4.5 Teores de nutrientes

4.5.1 Nitrogênio

Verifica-se que a omissão de N ocasionou uma redução no teor desse


nutriente em todas as partes da planta, quando comparado com o do tratamento
completo (Tabela 9).

Tabela 9 - Teores médios de nitrogênio nas folhas, colmo e raízes em sorgo em


função dos tratamentos

Tratamento Folhas Colmo Raízes


g/kg
Completo 34,9 d 25,7 de 18,0 c
Omissão de N 16,4 f 8,2 f 9,3 d
Omissão de P 24,4 e 20,0 e 18,8 c
Omissão de K 39,8 bc 36,7 abc 29,0 ab
Omissão de Ca 45,0 a 31,1 cd 29,6 ab
Omissão de Mg 44,2 ab 36,5 abc 29,8 ab
Omissão de S 28,0 e 28,0 cde 33,2 a
Omissão de B 38,5 cd 32,9 bcd 30,5 ab
Omissão de Cu 38,8 cd 36,2 abc 28,2 b
Omissão de Fe 47,8 a 43,9 a 30,4 ab
Omissão de Mn 35,7 cd 30,3 cd 18,7 c
Omissão de Zn 39,1 cd 41,9 ab 29,4 ab
Médias seguidas por letras minúsculas iguais nas colunas, não diferem entre si pelo teste Tukey a 5%.

Os mesmos fatos relatados anteriormente foram observados por Amaral


(1999) e Viégas et al. (2002). No tratamento completo, o maior teor de N encontrou-
se nas folhas, indicando a alta mobilidade do elemento para esse dreno (Epstein,
1975; Mengel e Kirkby, 1987; Marschner, 1995).
Os maiores teores de N nas folhas e colmo, foram observados na omissão de
Fe, já para as raízes a omissão de S apresentou teores mais elevados. Maia (1994) e
Camargos (1999) relataram que os maiores teores de N em todas as partes da planta
39

foram observados na omissão de Ca, enquanto Viégas et al. (2002), observaram na


omissão de K.
Veloso (1993) e Monteiro et al. (1995) relataram que, em geral, as plantas
deficientes em S apresentaram elevados teores de N nas raízes. Os dados obtidos no
presente estudo apresentam concordância com os encontrados pelos autores acima
mencionados.
Reuter e Robinson (1986) e Boaretto et al. (1999), consideraram como
adequados os teores de 32,0 a 42,0 g/kg de N e 25,0 a 35,0 g/kg,respectivamente. O
teor foliar encontrado nesse estudo no tratamento completo foi de 34,9 g/kg,
concordando com os mesmos autores anteriormente mencionados, como adequados.

4.5.2 Fósforo

O menor teor de P nas partes da planta foi observado, quando houve omissão
desse nutriente da solução nutritiva, comparando-se com os demais tratamentos
(Tabela 10).
O maior teor de P nas folhas foi observado na ausência de Zn, concordando
com o relatado por Salvador et al. (1999b). No colmo, ocorreu na omissão de K e nas
raízes na ausência de Mg. O mesmo efeito nas raízes foi observado por Monteiro et
al. (1995), Amaral et al. (1999) e Viégas et al. (2002).
No presente trabalho, foi encontrado valor de 3,6 g/kg de P para folhas de
sorgo no tratamento completo, considerados adequados por Reuter e Robinson
(1986), Jones et al. (1991) e Boaretto et al. (1999).

4.5.3 Potássio

Os teores médios de K nas diversas partes das plantas de sorgo em função dos
tratamentos diminuiu com a omissão desse nutriente (Tabela 11). O mesmo fato foi
observado em rami (Godinho et al., 1995a), em kiwi no cultivar ¨Bruno¨ (Nucci,
1996) em capim Tanzânia (Mattos et al., 2002).
40

Tabela 10 - Teores médios de fósforo nas folhas, colmo e raízes em sorgo em função
dos tratamentos

Tratamento Folhas Colmo Raízes


g/kg
Completo 3,6 d 3,4 b 2,9 de
Omissão de N 3,2 d 3,6 b 3,9 ab
Omissão de P 0,9 e 0,8 c 0,8 f
Omissão de K 4,5 abc 4,7 a 4,0 ab
Omissão de Ca 4,4 abc 3,5 b 3,5 bcd
Omissão de Mg 4,3 bc 4,2 ab 4,3 a
Omissão de S 4,2 c 4,1 ab 3,7 abc
Omissão de B 4,5 abc 4,1 ab 3,1 cde
Omissão de Cu 4,7 ab 3,9 ab 3,8 abc
Omissão de Fe 4,6 abc 4,2 ab 4,0 ab
Omissão de Mn 4,2 c 3,5 b 3,0 cde
Omissão de Zn 4,9 a 3,5 b 2,4 e
Médias seguidas por letras minúsculas iguais nas colunas, não diferem entre si pelo teste Tukey a 5%.

Observou-se que os maiores teores de K nas folhas ocorreram na omissão de


Mg e Cu. Fasabi (1996) também observou o mesmo fato com a omissão de Mg. No
colmo os maiores teores ocorreram na ausência de Cu e Zn. Para as raízes foi
observado maior teor na omissão de Mg, concordando com a observação feita por
Veloso (1993) e Marrocos (1997).
Verificou-se ainda, que o colmo apresentou maiores teores de K, em relação
às demais partes da planta, este fato foi observado também por Mattos et al. (2002).
Maiores teores de K nos tratamentos com omissão de Mg eram esperados,
devido a competição na absorção entre os íons K+ e Mg+2, não existir. Os baixos
teores de K, observados na omissão de Ca confirmam o efeito segundo o qual, o Ca
em baixas concentrações estimula a absorção de K “efeito Viets” (Malavolta, 1980).
41

Tabela 11 - Teores médios de potássio nas folhas, colmo e raízes em sorgo em


função dos tratamentos

TRATAMENTO FOLHAS COLMO RAÍZES


g/kg
Completo 17,7 a 25,3 abc 7,0 fg
Omissão de N 15,3 b 22,0 bc 20,0 c
Omissão de P 16,3 ab 26,0 abc 14,3 cdef
Omissão de K 4,2 c 4,7 d 2,1 g
Omissão de Ca 16,0 ab 19,0 c 10,3 def
Omissão de Mg 22,7 a 32,7 ab 30,7 a
Omissão de S 16,0 ab 19,3 c 18,3 cd
Omissão de B 19,3 ab 30,3 abc 15,7 cde
Omissão de Cu 22,7 a 37,3 a 19,0 c
Omissão de Fe 19,3 ab 34,7 ab 30,0 ab
Omissão de Mn 19,3 ab 28,3 abc 8,7 efg
Omissão de Zn 19,3 ab 37,0a 22,0 bc
Médias seguidas por letras minúsculas iguais nas colunas, não diferem entre si pelo teste Tukey a 5%.

O teor de K observado nas plantas sob tratamento completo foi de 17,7 g/kg,
este nível é considerado adequado por Boaretto et al. (1999) e Martinez et al. (1999).
No entanto Reuter e Robinson (1986), Jones et al. (1991) e Malavolta et al. (1997)
consideram esse valor abaixo do adequado.

4.5.4 Cálcio

Em todas as partes da planta, evidenciou-se que a menor média foi devido à


omissão de Ca (Tabela 12). Além disso, observou-se que nos tratamentos com
ausência de N, P, Zn e Mg, os teores de Ca nas raízes não diferiram estatisticamente
do tratamento com omissão desse nutriente.
42

Tabela 12 - Teores médios de cálcio nas folhas, colmo e raízes em sorgo em função
dos tratamentos

Tratamento Folhas Colmo Raízes


g/kg
Completo 6,5 bc 10,2 b 7,8 ab
Omissão de N 5,0 d 4,4 e 2,0 de
Omissão de P 4,8 d 4,5 e 2,9 cde
Omissão de K 12,3 a 15,0 a 7,7 ab
Omissão de Ca 2,9 e 1,3 f 1,2 e
Omissão de Mg 5,7 cd 7,0 cd 4,7 bcde
Omissão de S 5,7 cd 6,6 d 6,5 abc
Omissão de B 6,5 bc 7,0 cd 6,0 abc
Omissão de Cu 6,8 b 8,0 cd 9,2 a
Omissão de Fe 7,4 b 6,3 de 5,5 abcd
Omissão de Mn 6,6 bc 8,9 bc 7,3 ab
Omissão de Zn 6,6 bc 6,2 de 4,6 bcde
Médias seguidas por letras minúsculas iguais nas colunas, não diferem entre si pelo teste Tukey a 5%.

Observa-se maior teor de Ca nas folhas na ausência de K. Utumi et al. (1999),


Scaramuzza et al. (2001) e Viégas et al. (2002) estudando os efeitos de omissão de
nutrientes, encontraram os mesmos resultados. O colmo também apresentou
resultado semelhante às folhas. O aumento da concentração de Ca era esperado, uma
vez que a ausência de K condicionou menor competição na absorção de Ca
(Malavolta, 1980). Por outro lado, a redução dos teores de Ca nas folhas e colmo foi
observada com as omissões de N e P, tal fato foram também observados por Viégas
et al. (2002). Nas raízes encontrou-se maior concentração de Ca, quando se omitiu o
Cu.
Os teores de Ca encontrado no presente estudo para o tratamento completo
(6,5 g/kg), são considerados adequados por Reuter e Robinson (1986), Jones et al.
(1991) e Martinez et al. (1999) e está acima do adequado, considerado por Malavolta
et al. (1997) e Boaretto et al. (1999).
43

4.5.5 Magnésio

Verificou-se redução no teor de Mg em todas as partes das plantas, quando o


mesmo foi omitido da solução nutritiva (Tabela 13). Resultados semelhantes foram
encontrados por Veloso (1993) e Camargos (1999). Além do fato que as omissões de
N, P e Mg, em relação ao colmo, não diferiram estatisticamente do tratamento com
ausência de Mg. Nas raízes, apenas na solução em que se omitiu Ca, verificou-se
resultados estatisticamente semelhantes.

Tabela 13 - Teores médios de magnésio nas folhas, colmo e raízes em sorgo em


função dos tratamentos

Tratamento Folhas Colmo Raízes


g/kg
Completo 4,1 cd 7,2 cd 5,6 bcd
Omissão de N 2,2 g 2,9 g 2,6 e
Omissão de P 2,3 g 2,5 g 5,4 bcd
Omissão de K 7,8 a 12,1 a 2,8 e
Omissão de Ca 5,3 b 5,5 ef 2,2 ef
Omissão de Mg 1,5 h 1,7 g 1,1 f
Omissão de S 3,1 f 5,0 f 4,3 d
Omissão de B 3,9 de 6,6 cdef 7,3 a
Omissão de Cu 3,2 f 7,1 cde 5,8 bc
Omissão de Fe 3,4 ef 6,0 def 4,6 cd
Omissão de Mn 3,6 def 9,1 b 6,0 ab
Omissão de Zn 4,8 bc 8,2 bc 4,3 d
Médias seguidas por letras minúsculas iguais nas colunas, não diferem entre si pelo teste Tukey a 5%.

A ausência de K fez aumentar o teor de Mg nas folhas e colmo, que segundo


Epstein (1975), é uma evidência da inibição competitiva do K, na absorção do Mg.
Este antagonismo é bastante conhecido, ocorrendo principalmente no processo de
absorção catiônica (Malavolta, 1980). No entanto, nas raízes a omissão de B
proporcionou maior teor de Mg.
44

O teor de Mg encontrado nas folhas das plantas do tratamento completo foi


4,1 g/kg, definido como adequado Reuter e Robinson (1986), Jones et al. (1991),
Malavolta et al. (1997) e Boaretto et al. (1999). Entretanto Martinez et al. (1999),
consideram esse valor acima do adequado.

4.5.6 Enxofre

Verificou-se que no tratamento em que se omitiu o S, os teores desse


elemento foram reduzidos significativamente nas diferentes partes da planta
analisadas, quando comparado com o tratamento completo (Tabela 14). O que
demonstra uma vez mais que a falta de um determinado elemento na nutrição da
planta afeta o teor do mesmo.

Tabela 14 - Teores médios de enxofre nas folhas, colmo e raízes em sorgo em


função dos tratamentos

Tratamento Folhas Colmo Raízes


g/kg
Completo 1,2 e 1,1 cde 3,6 a
Omissão de N 1,2 e 0,7 ef 3,0 a
Omissão de P 1,2 e 0,8 def 3,3 a
Omissão de K 1,5 de 1,9 a 3,1 a
Omissão de Ca 2,3 ab 1,6 abc 3,4 a
Omissão de Mg 2,0 bc 1,4 abc 3,4 a
Omissão de S 0,6 f 0,3 f 0,5 b
Omissão de B 1,8 cd 1,2 bcd 3,9 a
Omissão de Cu 2,0 bc 1,5 abc 3,7 a
Omissão de Fe 2,4 a 1,7 ab 3,5 a
Omissão de Mn 1,7 cd 1,1 cde 3,8 a
Omissão de Zn 1,8 cd 1,4 abc 3,3 a
Médias seguidas por letras minúsculas iguais nas colunas, não diferem entre si pelo teste Tukey a 5%.
45

Tais fatos foram demonstrados também em outras culturas, como em plantas


de pimenteira-do-reino descritas por Veloso (1993), em malva por Fasabi (1996), em
maracujá por Scaramuzza et al. (2001) e em graviola por Viégas et al. (2002).
Esses resultados acima contrapõem as afirmações feitas por Malavolta
(1980), que a velocidade de absorção do S na forma de sulfato depende do cátion
acompanhante, obedecendo à seguinte série crescente: Ca+2, Mg+2, Na+, NH4+2, K+.
Conforme Marschner (1995), o metabolismo do S e do N apresentam relação estreita,
porque o S é constituinte estrutural de alguns aminoácidos e estes, por sua vez, das
proteínas.
Nas raízes, os teores médios de S não diferiram entre todos os tratamentos,
com exceção do tratamento com omissão de S, que foi significativamente inferior.
Nas raízes foram encontrados os maiores teores de S em relação ao colmo e folhas, o
mesmo efeito foi verificado por Veloso (1993), Monteiro et al. (1995), Amaral et al.
(1999), Camargos (1999) e Viégas et al. (2002).
O valor obtido no presente trabalho, para o teor foliar das plantas no
tratamento completo foi de 1,2 g/kg de S, teor esse considerado abaixo do adequado
por Boaretto et al. (1999) e Martinez et al. (1999) e acima por Malavolta et al.
(1997).

4.5.7 Boro

No tratamento com omissão de boro (Tabela 15), verificou-se que apesar dos
valores dos teores nas diferentes partes da planta serem inferiores ao completo, estes
não diferiram estatisticamente do mesmo.
Na omissão de N e K, houve os maiores teores de B nas folhas. No colmo e
raízes observou-se maior teor na omissão de K. Maia (1994) observou que nas raízes
de menta, o teor de B também foi mais elevado, na falta de K na solução nutritiva.
Nas raízes verificou-se, ainda, que as omissões de Mg, P, Ca e N
apresentaram teores de B inferiores ao da omissão de B, apesar de não deferenciarem
estatisticamente do mesmo.
46

Tabela 15 - Teores médios de boro nas folhas, colmo e raízes em sorgo em função
dos tratamentos

Tratamento Folhas Colmo Raízes


mg/kg
Completo 2,5 abc 1,9 ab 2,1 abc
Omissão de N 3,0 a 2,0 ab 1,6 c
Omissão de P 2,6 abc 2,0 ab 1,8 abc
Omissão de K 2,8 ab 2,2 a 2,4 a
Omissão de Ca 2,2 bc 1,8 b 1,7 bc
Omissão de Mg 2,3 bc 2,0 ab 1,9 abc
Omissão de S 2,6 abc 1,9 ab 2,2 abc
Omissão de B 2,0 c 1,7 b 2,0 abc
Omissão de Cu 2,5 abc 1,9 ab 2,3 ab
Omissão de Fe 2,6 abc 2,0 ab 2,0 abc
Omissão de Mn 2,3 bc 1,9 ab 2,3 ab
Omissão de Zn 2,4 abc 1,7 b 2,0 abc
Médias seguidas por letras minúsculas iguais nas colunas, não diferem entre si pelo teste Tukey a 5%.

Reuter e Robinson (1986) consideram o teor do tratamento completo


(2,5 mg/kg), como adequado. Enquanto Jones et al. (1991), Malavolta et al. (1997) e
Boaretto et al. (1999), o consideram abaixo do adequado.

4.5.8 Cobre

Os menores teores de Cu nas folhas, foram encontrados nos tratamentos de


omissão N, P, K, S e Zn (Tabela 16). No colmo foi na ausência de Mn. Enquanto que
nas raízes foi observado nas omissões de Mg e S.
O tratamento de omissão de Cu, não diferiu estatisticamente nas diversas
partes da planta dos demais tratamentos de omissão, exceto nas raízes com ausência
de P e Zn.
47

Tabela 16 - Teores médios de cobre nas folhas, colmo e raízes em sorgo em função
dos tratamentos

Tratamento Folhas Colmo Raízes


mg/kg
Completo 14,3 ab 19,0 abc 17,0 def
Omissão de N 7,3 b 15,3 abcd 21,7 bcde
Omissão de P 7,33 b 25,0 a 35,7 a
Omissão de K 8,0 b 21,0 ab 12,0 ef
Omissão de Ca 12,7 ab 25,0 a 23,7 abcde
Omissão de Mg 11,0 ab 22,7 ab 5,0 f
Omissão de S 5,7 b 13,3 bcde 6,7 f
Omissão de B 18,7 a 15,7 abcd 25,0 abcd
Omissão de Cu 13,7 ab 16,3 abc 19,0 cde
Omissão de Fe 14,7 ab 4,7 de 29,3 abc
Omissão de Mn 15,0 ab 2,7 e 13,7 def
Omissão de Zn 7,7 b 9,0 cde 33,3 ab
Médias seguidas por letras minúsculas iguais nas colunas, não diferem entre si pelo teste Tukey a 5%.

A ausência de Cu proporcionou teor inferior ao tratamento completo nas


folhas e colmo, porém nas raízes foi superior. Apesar de não haver diferença
estatística, como mencionado acima. Esse efeito pode ser explicado em parte,
possivelmente pelo efeito inverso ao da diluição.
Embora as inibições competitivas entre Cu e os nutrientes Zn e Fe sejam
consideradas comuns por Malavolta et al (1997), estas não foram observadas no
presente trabalho, quando da análise das folhas e do colmo, concordando com as
observações de Grangeiro et al. (2003), mas quando se considerou apenas as raízes, o
efeito foi verificado na omissão de Zn e Fe, ou seja a mesma apresentou teor de Cu
superior a omissão do mesmo.
A habilidade que o Cu apresenta em deslocar os íons, principalmente Fe e Zn,
dos sítios de troca tem sido a principal causa dessa inibição (Mengel e Kirkby, 1987).
Os teores de Cu no tratamento completo (14,3 mg/kg) e na omissão do
mesmo (13,7 mg/kg), são considerados adequados pelos autores Reuter e Robinson
48

(1986), Jones et al. (1991), Boaretto et al. (1999), Martinez et al. (1999) e exceto por
Malavolta et al. (1997). Na diagnose visual os sintomas de Cu, foram um dos últimos
a serem detectados, e com pouca nitidez, o que reforça a discussão acima.

4.5.9 Ferro

Observou-se que quando se omitiu N, Mg e S, esses tratamentos


apresentaram teores foliares de Fe superiores ao da ausência de Fe (Tabela 17). No
colmo foi observado com a omissão de Zn e nas raízes com as omissões de N, S, B,
Cu e Zn.

Tabela 17 - Teores médios de ferro nas folhas, colmo e raízes em sorgo em função
dos tratamentos

Tratamento Folhas Colmo Raízes


mg/kg
Completo 450,0 ab 107,7 ab 528,7 bcde
Omissão de N 824,3 a 110,3 ab 586,7 abcd
Omissão de P 485,0 ab 93,0 ab 392,3 cde
Omissão de K 394,3 ab 123,7 ab 452,0 bcde
Omissão de Ca 666,3 ab 101,3 ab 396,0 cde
Omissão de Mg 790,7 a 140,0 ab 348,0 de
Omissão de S 710,0 a 95,7 ab 738,3 ab
Omissão de B 358,3 ab 96,7 ab 714,0 ab
Omissão de Cu 536,7 ab 87,7 b 645,0 abc
Omissão de Fe 224,7 b 73,0 b 290,7 e
Omissão de Mn 402,7 ab 114,3 ab 515,3 bcde
Omissão de Zn 462,0 ab 162,0 a 850,3a
Médias seguidas por letras minúsculas iguais nas colunas, não diferem entre si pelo teste Tukey a 5%.
49

Não houve diferença estatística no teor de Fe entre o tratamento completo e a


ausência de Fe nas diferentes partes da planta, apesar do teor no completo apresentar
valores superiores ao da omissão. Estes resultados concordam com os apresentados
por Fasabi (1996) e Marrocos (1997).
Malavolta et al. (1997) mencionaram que absorção de Fe, é
consideravelmente influenciada pela competição de cátions como K, Ca, Mg, Cu, Zn
e principalmente Mn no meio. Tal fato pode ser observado com a falta de Mg nas
folhas e omissão de Zn no colmo e raízes. À medida que se omitiu esses nutrientes o
teor de Fe aumentou consideravelmente quando comparado a omissão do mesmo.
Tanto o tratamento completo (450,0 mg/kg), como o da ausência de Fe
(224,7 mg/kg), apresentaram teores foliares acima do adequado, segundo Reuter e
Robinson (1986), Malavolta et al. (1997), Boaretto et al. (1999) e Martinez et al.
(1999).

4.5.10 Manganês

Nas folhas todos os tratamentos foram superiores no teor de Mn, quando


comparado com o da omissão do mesmo (Tabela 18). O maior teor encontrado na
ausência de Ca e Fe, concordam em parte com os resultados obtidos por Veloso
(1993). No colmo exceto o tratamento em que se omitiu P, foi superior no teor de
Mn. Para as raízes o fato foi observado com a omissão de S, B, Zn e tratamento
completo.
Os teores de Mn nas diferentes partes da planta nas omissões de K, Ca, Mg,
Cu e Fe, foram superiores ao da omissão de Mn. Isso, possivelmente, está
relacionado com o fato do Mn, ter propriedades químicas semelhantes aos nutrientes
relacionados acima, e por isso, não ter ocorrido efeito de inibição na absorção e
transporte do elemento (Malavolta et al., 1997).
O teor de Mn nas folhas da solução nutritiva completa foi de 108,7 mg/kg,
considerado adequado por Jones et al. (1991) e Boaretto et al. (1999). Porém o valor
de 34,3 mg/kg, encontrado na omissão de Mn é considerado adequado por Reuter e
Robinson (1986) e Martinez et al. (1999). Na diagnose visual os sintomas de Mn foi
o último a aparecer e com pouca nitidez, o que reforça a discussão acima.
50

Tabela 18 - Teores médios de manganês nas folhas, colmo e raízes em sorgo em


função dos tratamentos

Tratamento Folhas Colmo Raízes


mg/kg
Completo 108,7 cd 71,7 bc 55,7 de
Omissão de N 149,3 bc 106,0 ab 293,0 ab
Omissão de P 99,3 d 48,7 cd 253,0 abc
Omissão de K 152,3 b 142,0 a 191,3 bcd
Omissão de Ca 227,0 a 77,0 bc 168,3 bcd
Omissão de Mg 152,3 b 118,3 ab 172,0 bcd
Omissão de S 117,7 bc 99,3 abc 116,7 cde
Omissão de B 120,0 bcd 87,0 bc 127,3 cde
Omissão de Cu 138,3 bcd 100,7 ab 167,7 bcd
Omissão de Fe 201,0 a 107,0 ab 380,7 a
Omissão de Mn 34,3 e 10,0 d 13,7 e
Omissão de Zn 146,7 bc 98,0 abc 110,7 cde
Médias seguidas por letras minúsculas iguais nas colunas, não diferem entre si pelo teste Tukey a 5%.

4.5.11 Zinco

Os maiores teores de Zn foram observados no colmo com a omissão de Mg e


K (Tabela 19) e nas raízes com a omissão de N. Ambos os casos foram superiores ao
tratamento de ausência de Zn e ao tratamento completo.
Não foi detectada diferença estatística entre os teores de Zn do tratamento
completo, quando comparado com omissão do mesmo, nas diferentes partes da
planta. Este fato também foi observado por Marrocos (1997) e Camargos (1999).
À medida que se omitiu K, Mg e Fe, os teores de Zn em ambas as partes da
planta aumentaram, quando comparadas com a omissão de Zn. Este fato reflete o
efeito de inibição descrito por Malavolta (1980).
O valor obtido no presente trabalho, para o teor foliar das plantas sem
deficiência, foi de 26,7 mg/kg de Zn, teor esse considerado adequado por Reuter e
51

Robinson (1986) e Boaretto et al. (1999). Já o valor encontrado na omissão de Zn


13,3 mg/kg, é considerado adequado por Martinez et al. (1999).

Tabela 19 - Teores médios de zinco nas folhas, colmo e raízes em sorgo em função
dos tratamentos

Tratamento Folhas* Colmo Raízes


mg/kg
Completo 26,7 12,3 cd 12,7 cd
Omissão de N 44,7 24,3 abcd 31,3 a
Omissão de P 25,0 25,7 abc 16,3 bcd
Omissão de K 29,3 38,3 a 25,3 abc
Omissão de Ca 41,0 21,7 bcd 27,0 ab
Omissão de Mg 41,7 39,0 a 23,7 abc
Omissão de S 19,7 18,0 bcd 17,3 bcd
Omissão de B 21,0 17,3 bcd 17,7 bcd
Omissão de Cu 25,7 21,0 bcd 18,3 bcd
Omissão de Fe 35,0 30,3 ab 24,0 abc
Omissão de Mn 22,3 14,0 cd 16,7 bcd
Omissão de Zn 13,3 9,7 d 10,7 d
Médias seguidas por letras minúsculas iguais nas colunas, não diferem entre si pelo teste Tukey a 5%.
*
Não significativo pelo teste F a 5%.
5 CONCLUSÕES

Com exceção do tratamento com omissão de Mn os sintomas visuais de


deficiências de nutrientes mostraram-se de uma maneira geral facilmente
caracterizáveis.
A produção de massa seca não foi afetada pela omissão de Mn.
Os tratamentos que mais afetaram a massa seca das diferentes partes das
plantas e as áreas foliares, foram as omissões de nitrogênio, cálcio, magnésio e ferro.
O acúmulo de nutrientes nas plantas de sorgo obedeceu à seguinte ordem
decrescente: N>K>Ca>Mg>P>S>Fe>Mn>Zn>Cu>B.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O requerimento nutricional pela cultura do sorgo no estádio inicial (35 dias),


seguiu a seguinte ordem decrescente para macronutrientes: N>Ca>K>Mg>P>S e
micronutrientes Fe>B>Cu>Zn>Mn. Os teores de nutrientes obtidos foram compatíveis
com a literatura, mas há uma grande variação nos valores considerados adequados
pelos autores consultados.
Em relação ao potássio, esperava-se que houvesse maior resposta, ou que este
nutriente juntamente com o nitrogênio, cálcio e magnésio, afetasse a produção de
massa seca total, uma vez que este nutriente é bastante requerido pelas gramíneas, de
modo geral. Isto de deve provavelmente ao fato das plantas serem colhidas assim que
os sintomas aparecessem, que no caso do potássio foi aos três dias.
Seria de grande interesse estudos de nutrição da cultura do sorgo, relacionado
com o ambiente de cerrado, devido o sorgo assumir destaque de cultivo nessa região.
Em relação à condução do trabalho, grande atenção deve ser dada a solução
nutritiva com relação ao uso da fonte de ferro, uma vez que o uso de Fe-EDTA se
precipita com facilidade e assim induz a deficiência deste nutriente. Além disso, houve
falta de oxigenação da solução através do sistema de aeração contínuo, devido a
menor abertura da saída de ar e também pela ausência de energia elétrica durante
algumas horas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMARAL, J. F. T. do; FONSECA, A. F. A. da; MARTINEZ, H. E. P.; PEREIRA, P.


R.; FONTES, P. C. R. Deficiências de macronutrientes, Fe e B em manjericão
(Ocimum sp.), em cultivo hidropônico. Revista Ceres, Viçosa, v.46, n.265, p.297-308,
1999.

AVILÁN, L. R. Efectos de la deficiencia de macronutrientes sobre el crescimiento y la


composicion química de la parcha granadina (Passiflora quadrangularis L.) cultivada
em soluciones nutritivas. Agronomia Tropical, CENIAP/ Maracay, v.24, n.2, p.133-
140, 1974.

AVILÁN, L. R.; BRASIL Sobº . Estúdio de las deficiências de los macronutrientes


sobre el crescimiento y la composición mineral del merey (Anacardium occidentale
L.) cultivado en soluciones nutritivas. Agronomia Tropical, CENIAP/ Maracay, v.26,
n.2, p.143-154, 1976.

BATAGLIA, O. C. Ferro. In: FERREIRA, M. E. & CRUZ, M. C. P. da. (Eds).


Micronutrientes na agricultura. Piracicaba: POTAFOS/CNPq, p.159-172, 1991a.

BATAGLIA, O. C. Análise química de plantas. In: FERREIRA, M. E.; CRUZ, M. C.


P. da. (Eds). Micronutrientes na agricultura. Piracicaba: POTAFOS/CNPq, p.289-
308, 1991b.

BATAGLIA, O. C.; SANTOS, W. R. dos. Estado nutricional de plantas perenes:


avaliação e monitoramento., Piracicaba: POTAFOS, p. 3-8, 2001. (Encarte do
informações agronômicas Nº 96)

BOARETTO, A. E.; CHITOLINA, J. C.; RAIJ, B. V.; SILVA, F. C. da; TEDESCO, M.


J.; CARMO, C. A. F. de S. do. Amostragem, acondicionamento e preparação das
amostras de plantas para análise química. In: SILVA, J. C. Manual de análise
químicas de solos, plantas e fertilizantes. Brasília: EMBRAPA, p. 49-73, 1999.
55

BORKERT, C. M. Manganês. In: FERREIRA, M. E.; CRUZ, M. C. P. da. (Eds).


Micronutrientes na agricultura. Piracicaba: POTAFOS/CNPq, p.173-190, 1991.

CAMARGOS, S. L. Diagnose de deficiência, teor e acúmulo de nutrientes em


castanheira-do-brasil. 1999. 90 f. Tese (Doutorado em Ciências) – CENA/USP,
Piracicaba, 1999.

CEREDA, E.; ALMEIDA, I. M. L. de; GRASSI FILHO, H. Distúrbios nutricionais


em maracujá doce (Passiflora alata Dryand) cultivado em solução nutritiva. Revista
Brasileira de Fruticultura, Cruz das Almas, v.13, n.4, p.241-244, 1991.

COELHO, A. M.; WAQUIL, J. M.; KARAN, D.; CASELA, C. R.; RIBAS, P. M. Seja
o doutor do seu sorgo. Piracicaba: POTAFOS, 2002. 24p. (Arquivo do agrônomo – nº
14)

CONCEIÇÃO, H. E. O. da; PINTO, J. E. B. P.; SANTIAGO, E. J. A. de;


GONÇALVES, A. A. da S. Crescimento e desenvolvimento de Derris urucu (Killip et
Smith) Macbride na ausência de macronutrientes em solução nutritiva. Revista
Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v.26, n.3, p.472-479, 2002.

DANTAS, J. P. Boro. In: FERREIRA, M. E.; CRUZ, M. C. P. da. (Eds).


Micronutrientes na agricultura. Piracicaba: POTAFOS/CNPq, p.113-130, 1991.

DECHEN, A. R.;HAAG, H. P.; CARMELLO, Q. A. DE C. Diagnose visual. In:


FERREIRA, M. E.; CRUZ, M. C. P. da. (Eds). Micronutrientes na agricultura.
Piracicaba: Potafos/CNPq, p. 273-308,1991.

EPSTEIN, E. Nutrição mineral de plantas – princípios e perspectivas. Rio de


Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1975. 341p.

FAGERIA, N. K. Solos tropicais e aspectos fisiológicos das culturas. Brasília:


EMBRAPA/DPU, 1989. 425p.

FASABI, J. A. V. Carências de macro e micronutrientes em plantas de malva


(Urena lobata), variedade BR-01. 1996. 90 f. Dissertação (Mestrado em solos e
nutrição de plantas) – FCAP, Belém, 1996.
56

FERREIRA, M. E.; CRUZ, M. C. P. da. Cobre. In: FERREIRA, M. E.; CRUZ, M. C.


P. da. (Eds). Micronutrientes na agricultura. Piracicaba: POTAFOS/CNPq, p.131-
157, 1991.

FIGUEIRA, G. M. Nutrição mineral, produção e concentração de artemisinina em


Artemísia annua L. In: MING, L. C.; SCHEFFER, M. C.; CORRÊA JÚNIOR, C.;
BARROS, I. B. I. de; MATTOS, J. K. de A. (Eds). Plantas medicinais aromáticas e
condimentares avanços na pesquisa agronômica. Botucatu: UNESP, v.1, p.89-107,
1998.

FONTES, P. C. R. Diagnóstico do estado nutricional das plantas. Viçosa: UFV,


2001. 122 p.

FRÁGUAS, J. C.; SILVA, D. J. Nutrição e adubação da videira em regiões tropicais.


Informe agropecuário, Belo Horizonte, v.19, n.197, p.70-75, 1998.

FRIBOURG, H. A.; BRYAN, W. E.; LESSMAN, G. M.; MANNING, D. M. Nutrient


uptake by corn and grain sorghum silage as affected by soil type, planting date, and
moisture regime. Agronomy Journal, v. 68, p. 260 –263, 1976.

FURLANI, P. R.; BOLONHESI, D.; SILVEIRA, L. C. P.; FAQUIN, V. Nutrição


mineral de hortaliças, preparo e manejo de soluções nutritivas. Informe
agropecuário, Belo Horizonte, v.20, n.200-201, p.90-98, 1999.

GODINHO, V. de P. C.; MONNERAT, P. H.; UTUMI, M. M.; FONTES, P. C. R.;


PEREIRA, P. R. G. Composição mineral e concentração crítica de potássio em folhas
de rami cultivado em solução nutritiva. Revista Ceres, Viçosa, v.42, n.240, p.122-138,
1995a.

GODINHO, V. de P. C.; MONNERAT, P. H.; UTUMI, M. M.; FONTES, P. C. R.;


PEREIRA, P. R. G. Sintomas visuais de deficiência de potássio, acúmulo de matéria
seca e características das fibras de rami em resposta a níveis de potássio na solução
nutritiva. Revista Ceres, Viçosa, v.42, n.240, p.139-154, 1995b.

GRANGEIRO, L. C.; COSTA,C. C.; CECÍLIO FILHO, A. B.; GRILLI, G. V. G.;


COELHO, R. L.; BERGAMIN, L. G. Produção de rúcula em hidroponia com
diferentes concentrações de cobre. Horticultura Brasileira, Brasíla, v.21, n.1, p. 69-
72, 2003.
57

HAAG, H. P.;DECHEN, A. R.; CARMELLO, Q. A. DE C.; MONTEIRO, F. A.


Princípios de nutrição mineral – aspectos gerais. In: FERREIRA, M. E.;
CASTELLANE, P. D.; CRUZ, M. C. P. da. (Eds). Nutrição e adubação de
hortaliças. Piracicaba: POTAFOS/CNPq, p.51-74, 1991.

JONES JR., J. B.; WOLF, B.; MILLS, H. A. Plant analysis hand book. Georgia:
Paradise, 1991. 213p.

MAIA, N. B. Efeito da nutrição mineral na qualidade do óleo essencial da menta


(Mentha arvensis L.) cultivada em solução nutritiva. 1994. 69f. Dissertação
(Mestrado em solos e nutrição de plantas) – ESALQ/USP, Piracicaba, 1994

MAIA, N. B. Efeito da nutrição mineral na qualidade do óleo essencial da menta


(Mentha arvensis L.) cultivada em solução nutritiva. In: MING, L. C.; SCHEFFER,
M. C.; CORRÊA JÚNIOR, C.; BARROS, I. B. I. de; MATTOS, J. K. de A. Plantas
medicinais aromáticas e condimentares avanços na pesquisa agronômica.
UNESP/Botucatu, v.2, p.81-95, 1998.

MAFFEIS, A. R.; SILVEIRA, R. L. V. de A.; BRITO, J. O. Reflexos das deficiências


de macronutrientes e boro no crescimento de plantas, produção e qualidade de óleo
essencial em Eucalyptus citriodora. Scientia Forestalis, Piracicaba, n.57, p.87-98,
2000.

MAGALHÃES, J. R. Diagnose de desordens nutricionais em hortaliças. Brasília:


EMBRAPA/DPU, 1988. 64p.

MAGALHÃES, P. C.; DURÃES, F. O. M.; SCHAFFERT, R.E. Fisiologia da planta


de sorgo. Sete Lagoas: EMBRAPA/CNPMS, 2000. 46p.

MALAVOLTA, E. Elementos de nutrição mineral de plantas. São Paulo:


Agronômica Ceres, 1980. 251 p.

MALAVOLTA, E.; CROCOMO, O. J. O potássio e a planta. In: YAMADA, T.; IGUE,


K.; MUZILLI, O.; USHERWOOD, N. R. (Eds). Potássio na agricultura brasileira:
anais. Piracicaba: POTAFOS: Instituto Internacional da Potassa, p. 95-162, 1982.
58

MALAVOLTA, E.; VITTI, G. C.; OLIVEIRA, S. A. de.Avaliação do estado


nutricional das plantas – Princípios e aplicações. 2.ed. Piracicaba: POTAFOS,
1997. 319p.

MALAVOLTA, E.; PIMENTEL, F. G.; ALCARDE, J. C. Adubos e adubações. São


Paulo: Nobel, 2000. 200p.

MARROCOS, P. C. L. Nutrição mineral da Macadamia integrifolia Maiden &


Betche. 1997. 91 f. Tese (Doutorado em Fitotecnia) – UFV, Viçosa, 1997.

MARSCHNER, H. Mineral nutrition of higher plants. 2.ed. London : Academic


Press, 1995. 889p.

MARTINEZ, H. E. P. O uso do cultivo hidropônico de plantas em pesquisa. 2 ed.


Viçosa: UFV, 2002. 61p.

MARTINEZ, H. E. P.; CARVALHO, J. G. de.; SOUZA, R. B. de. Diagnose foliar IN:


RIBEIRO, A. C.; GUIMARÃES, P. T. G.; ALVAREZ V., V. H. (eds.) Recomendações
para uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais – 5ª aproximação. Viçosa:
Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais, p.143-168, 1999.

MATTOS, W. T. de; SANTOS, A. R. dos; ALMEIDA, A. A. Da S.; CARREIRO, B.


D. C.; MONTERIRO, F. A. Aspectos produtivos e diagnose nutricional do capim-
Tanzânia submetido a doses de potássio. Magistra, Cruz das Almas, v. 14, n. 1, p. 37-
44, 2002.

MENGEL, K.; KIRKBY, E. A. Principles of plant nutrition. 4ªed. Berne:


International Potash Institute, 1987. 593p.

MIYAZAWA, M; PAVAN, M. A.; MURAOKA, T.; CARMO, C. A. F.de S. do;


MELLO, W. J. de. Análise química de tecido vegetal. In: SILVA, J. C. Manual de
análise químicas de solos, plantas e fertilizantes. Brasília: EMBRAPA, p. 171-224,
1999.

MONTEIRO, F. A.; RAMOS, A. K. B.; CARVALHO, D. D. de; ABREU, J. B. R. de;


DAIUB, J. A. S.; SILVA, J. E. P. da; NATALE, W. Cultivo de Brachiaria brizantha
Stapf. Cv. Marandu em solução nutritiva com omissões de macronutrientes. Scientia
Agrícola, Piracicaba, v.52, n.1, p.135-141, 1995.
59

NOVAIS, R. F. de; SMYTH, T. J. Fósforo em solo e planta em condições tropicais.


Viçosa: UFV, DPS, 1999. 399p.

NUCCI, T. A. de. Macronutrientes em kivi cultivares bruno e monty: teores,


síntomas de carência e exportação pelos frutos. 1996. 95f. Dissertação (Mestrado
em Solos e Nutrição de Plantas) – ESALQ/USP, Piracicaba, 1996.

PAULA, M. B. de; MESQUITA, H. A. de; NOGUEIRA, F. D. Nutrição e adubação do


abacaxizeiro. Informe agropecuário, Belo Horizonte, v.19, n.195, p.33-39, 1998.

PEREIRA,W. L. M. Doses de potássio e de magnésio em solução nutritiva para


capim-mombaça. 2001.124f. Tese (Doutorado em Solos e Nutrição de Plantas) –
ESALQ/USP, Piracicaba, 2001.

PINAZZA, L. A. Perspectivas da cultura do milho e do sorgo no Brasil. In: BULL, L.


T.; CANTARELLA, H. Cultura do milho: fatores que afetam a produtividade.
Piracicaba: POTAFOS, p. 1-10, 1993.

PITTA, G. V. E.; FRANÇA, G. E.; COELHO, A. M. Calagem e adubação do sorgo


forrageiro. In: EMBRAPA/CNPMS. Manejo cultural do sorgo para forragem. Sete
Lagoas: EMBRAPA/CNPMS, p. 31 - 36, 1997.

PITTA, G. V. E.; VASCONCELLOS, C. A.; ALVES, V. M. C. Fertilidade do solo e


nutrição mineral do sorgo forrageiro. In: CRUZ, J. C.; PEREIRA FILHO, I. A.
RODRIGUES, J. A.S.; FERREIRA, J. J. (eds). Produção e utilização de silagem de
milho e sorgo. Sete Lagoas: EMBRAPA Milho e sorgo, p. 243 – 262, 2001.

RAIJ, B. Van. Disponibilidade de potássio em solos do Brasil. In: YAMADA, T.;


IGUE, K.; MUZILLI, O.; USHERWOOD, N. R.. Potássio na agricultura brasileira:
anais. Piracicaba: POTAFOS/Instituto Internacional da Potassa, p. 67-76, 1982.

RAIJ, B. Van. Fertilidade do solo e adubação. Piracicaba: Agronômica Ceres/


POTAFOS, 1991. 343p.

REUTER, D. J.; ROBINSON, J. B. Planta analysis: An interpretation manual.


Melbourne: Inkata, 1986. 218p.
60

RODRIGUES, J. A. S.; VERSIANI, R. P.; FERREIRA, M. T. R. Sistema de


produção de sorgo. Disponível em : < htpp: // www.cnpms.embrapa.br/ sorgo/ index.
htm 2003 >. Acesso em 12 nov. 2003, 16:30:30.

SALVADOR, J. O.; MOREIRA, A.; MURAOKA, T. Deficiência nutricional em


mudas de goiabeira decorrente da omissão simultânea de dois macronutrientes.
Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.33, n.10, p.1623 –1631, 1998.

SALVADOR, J. O.; MOREIRA, A.; MURAOKA, T. Efeito da omissão combinada de


N, P, K e S nos teores foliares de macronutrientes em mudas de goiabeira. Scientia
Agrícola, Piracicaba, v.56, n.2, p.501-507, 1999a.

SALVADOR, J. O.; MOREIRA, A.; MURAOKA, T. Sintomas visuais de deficiências


de micronutrientes e composição mineral de folhas em mudas de goiabeira. Pesquisa
Agropecuária Brasileira, Brasília, v.34, n.9, p.1655-1662, 1999b.

SARRUGE, J. R. Soluções nutritivas. Summa Phytopathologica, v.1, n.3, p.231-233,


1975. (Nota técnica).

SCARAMUZZA, J. F.; COSTA, A. F. da; MARTINEZ, H. E. P.; PEREIRA, P. R. G.;


FONTES, P. C. R. Deficiências de macronutrientes em mudas de maracujazeiro-
amarelo cultivadas em solução nutritiva. Revista Ceres, Viçosa, v.48, n.279, p.517-
527, 2001.

SGARBI, F.; SILVEIRA, R.L. V. de; TAKAHASHI, E. N.; CAMARGO, M. A. F. de.


Crescimento e produção de biomassa de clone de Eucalyptus grandis x Eucalyptus
uropphylla em condições de deficiência de macronutrientes, B e Zn. Scientia
Forestalis, Piracicaba, n.56, p.69-82, 1999.

SOUZA, E. C. A. de; FEREIRA, M. E. Zinco. In: FERREIRA, M. E. & CRUZ, M. C.


P. da. (Eds). Micronutrientes na agricultura. Piracicaba: POTAFOS/CNPq, p.219-
242, 1991.

UTUMI, M. M.; MONNERAT, P. H.; PEREIRA, P. R. G.; FONTES, P. C. R.;


GODINHO, V. de P. C. Deficiência de macronutrientes em estévia: Sintomas visuais e
efeitos no crescimento, composição química e produção de estevosídeo. Pesquisa
Agropecuária Brasileira, Brasília, v.34, n.6, p.1039-1043, 1999.
61

VASCONCELLOS, C. A.; SANTOS, H. L. dos; FRANÇA, G. E. Calagem e adubação


na cultura do sorgo In: EMBRAPA/CNPMS (Ed). Recomendações técnicas para o
cultivo do sorgo. 3. ed. Sete Lagoas: EMBRAPA/CNPMS, p. 19-26, 1988.

VELOSO, C. A. C. Deficiências de macro e micronutrientes e toxidez de alumínio


e manganês na pimenteira-do-reino (Piper nigrun L.). 1993. 145f. Tese (Doutorado
em agronomia) – ESALQ, Piracicaba, 1993.

VELOSO, C. A. C.; MURAOKA, T.; MALAVOLTA, E.; CARVALHO, J. G. de.


Diagnose de deficiências de macronutrientes em pimenteira-do-reino. Pesquisa
Agropecuária Brasileira, Brasília, v.33, n.11, 1998a.

VELOSO, C. A. C.; MURAOKA, T.; MALAVOLTA, E.; CARVALHO, J. G. de.


Deficiências de micronutrientes em pimenteira-do-reino. Pesquisa Agropecuária
Brasileira, Brasília, v.33, n.11, 1998b.

VIÉGAS, I. de J. M. ; BATISTA, M. M. F.; FRAZÃO, D.A.C; CARVALHO, J. G. de;


SILVA, J.F.da Avaliação dos teores de N, P, K, Ca, Mg e S em plantas de gravioleira
cultivadas em solução nutritiva com omissão de macronutrientes. Revista Ciências
Agrárias, Belém, n. 38, p. 17-28, 2002.

ZAGO, C. P. Utilização do sorgo na alimentação de ruminantes. In:


EMBRAPA/CNPMS. Manejo cultural do sorgo para forragem. Sete Lagoas:
EMBRAPA/CNPMS, p. 9-26, 1997.