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RESUMOS DE ANESTESIOLOGIA – TÉCNICAS ANESTÉSICAS - Quanto maior o número do calibre da agulha,

menor será o diâmetro interno e externo.


Classificação das Técnicas Anestésicas Locais de acordo com Malamed: - infiltração local (anestesia pequeno ramos terminais), bloqueio de
- Agulha fina é contraindicada para
campo (anestesia maiores ramos terminais) e bloqueio de nervo.
Complicações Locais em Anestesiologia aspiração/punção. Agulha de calibre 25 tem
• Fratura da Agulha: a prevenção inclui → não usar agulhas curtas e/ou de calibre 30 (finas) para bloqueio do alveolar inferior em 100% de aspiração positiva.
adultos ou crianças maiores; não encurvar agulhas; não inserir uma agulha no tecido mole até o canhão. - Técnica linear de inserção da agulha = maior
• Parestesia (Anestesia Persistente): causas → trauma em nervo (promovendo “choque elétrico”) ou anestésico contaminado com deflexão. Técnica birrotacional (operador
álcool ou sangramento na bainha que provoca pressão sob o nervo e parestesia. Quando atinge o nervo lingual, o paladar pode ser efetua ¼ de volta durante a inserção) = menor
afetado. Em alguns casos de lesão de nervo não se observa parestesia (perda da sensação), mas sim hiperestesia (sensibilidade deflexão. Agulha de calibre 30 tem maior
aumentada a estímulo nocivo) ou disestesia (dor a estímulos não nocivos). Não existe prevenção ou tratamento conhecidos. deflexão quando comparadas a de calibre 25.
• Paralisia do Nervo Facial: o nervo facial inerva de forma motora os músculos da mímica facial. Causa → introdução de anestésico
na cápsula da glândula salivar parótida, ocorre quando se posiciona a agulha mais para a posterior durante um BNAI, ou ainda inserindo-a excessivamente durante um bloqueio de nervo
Vazirani-Akinosi. Paralisia do tipo transitória, cujo tratamento é esperar o efeito passar. Deixa a face do paciente “torta”. Esse problema é evitado quando se faz corretamente a técnica
anestésica.
• Trismo: é a restrição dos movimentos mandibular. Causas → trauma em músculos ou vasos sanguíneos na fossa infratemporal ou hemorragia ou infecção leve ou penetrações múltiplas
de agulhas ou volumes excessivos de solução anestésica local depositados em uma área restrita produzindo distensão dos tecidos. Prevenção → usar uma agulha afiada, estéril e
descartável; técnica asséptica e atraumática; e usar volumes mínimos de anestésico. Paciente relata dor e dificuldade de abertura de boca após o procedimento. Tratamento → terapia
pelo calor, lavagens com solução salina morna, analgésicos, se necessário, relaxantes musculares, e fisioterapia.
• Hematoma: causa → corte inadvertido de um vaso sanguíneo durante a anestesia. O edema e a descoloração da região geralmente diminuem gradualmente após 7 a 14 dias. Certas
técnicas estão associadas a um risco mais elevado de hematoma visível. O bloqueio de nervo ASP é o mais comum, seguido pelo BNAI (em um distante segundo lugar) e o bloqueio
do nervo mental/incisivo. Prevenção → realização da técnica corretamente. Complicações possíveis do hematoma incluem trismo e dor. Aplica gelo no local do hematoma.

Técnicas na MAXILA
• Injeção Supraperiosteal: erroneamente chamada de infiltração local, mas também chamada de injeção paraperiosteal. Anestesia polpa de dentes superiores. Usa agulha de calibre 27,
que é introduzida na prega muvestibular acima do ápice do dente a ser anestesiado e o bisel estará voltado para o osso e seringa paralela ao longo eixo do dente. Contraindicada em caso
de infecção, inflamação ou osso denso recobrindo o ápice dentário. Taxa de sucesso de 95% e aspiração positiva menor que 1%.
• Bloqueio do Nervo ASP: sinônimos = bloqueio da tuberosidade ou bloqueio zigomático. Anestesiará molares superiores (exceção da raiz MV do 1ºMS). Usa agulha curta (20cm) de
calibre 27 e penetra 16cm na prega mucovestibular acima do 2ºMS e bisel voltado para o osso e seringa fazendo ângulo de 45º nos três eixos. Contraindicado no caso de risco hemorrágico
(paciente hemofílico). Há risco de hematoma quando a agulha é introduzida posteriormente ao plexo pterigoideo. Taxa de sucesso maior que 95% e aspiração positiva de 3,1%. Para
bloqueio do nervo esquerdo o CD senta a frente do paciente na posição 10 horas, já se for o direito ele fica as 8 horas. Como o nervo mandibular (V3) está localizado lateralmente ao
nervo ASP, lateralmente à localização desejada pode produzir graus de anestesia mandibular. Indicado em caso de infecção e inflamação.
• Bloqueio do Nervo ASM: anestesiará pré-molares superiores e raiz MV do 1ºMS. Usa agulha curta ou longa de calibre 27, na altura da prega mucovestibular acima do 2ºPMS e bisel
voltado para o osso. Paciente relata dormência do lábio superior (sinal subjetivo). Tem aspiração positiva menor que 3%. Contraindicado em caso de inflamação e infecção.
Posicionamento do CD igual ao bloqueio do nervo ASP. Complicação rara de acontecer é o hematoma.
• Bloqueio do Nervo ASA: sinônimos = bloqueio do nervo infraorbitário (uso inadequado). Anestesiará nervo ASP, nervo ASM (em 72% dos casos) e nervo infraorbitário (pálpebra
inferior, nasal lateral e lábio superior). Agulha longa (para adultos) e curta (crianças) calibre 25 ou 27 e penetra 16 cm, que será introduzida na prega mucovestibular entre o 2ºPMS e
IC (o 1ºPM é o que proporciona menor trajeto) com direção a área alvo que é o forame infraorbitário, bisel voltado para o osso e agulha paralela ao longo eixo do dente escolhido.
Indicado para casos de infecção e inflamação. Aspiração positiva de 0,7%. CD na posição de 10 horas. Complicação rara de acontecer é o hematoma.

Técnicas no PALATO
• Bloqueio do Nervo Palatino Maior: sinônimo = bloqueio do nervo palatino anterior. Anestesiará palato de pré-molares e molares medialmente a linha média. Usa agulha curta de calibre
27, insere 5mm e administra entre 0,45 e 0,6ml de anestésico no tecido mole levemente anterior ao forame palatino maior (geralmente distal ao 2ºMS) e bisel voltado para tecido mole.
Contraindicado em caso de infecção e inflamação. Taxa de sucesso de 95% e aspiração positiva menos de 1%. Para bloqueio do nervo esquerdo o CD senta de frente ao paciente na
posição 11 horas, já se for o direito ele fica as 7 ou 8 horas. Tem que ter cuidado para não anestesiar o palato mole.
• Bloqueio do Nervo Nasopalatino: sinônimo = bloqueio do nervo incisivo ou bloqueio do nervo esfenopalatino. Anestesiará palato de canino a canino. Utiliza o mínimo de anestésico,
só ¼ do tubete. Contraindicado em caso de infecção e inflamação. Aspiração positiva menos de 1%. As técnicas para esse bloqueio são:
o Técnica da Injeção Única → usa agulha curta de calibre 27 e introduz 5mm na mucosa palatina lateral à papila incisiva (localizada na linha média atrás dos IC), formando
ângulo de 45º e bisel voltado para o tecido. CD na posição de 9 ou 10 horas voltado para a mesma direção do paciente.
o Técnica das Múltiplas Perfurações → usa agulha curta de calibre 27. Faz-se a punção em três áreas: freio labial (injeta 0,3ml) + papila entre os IC (agulha formando ângulo
reto e injetando 0,3ml) e tecidos moles palatinos laterais à papila incisiva (formando ângulo de 45º e injetando 0,3ml de anestésico).
• Bloqueio do Nervo Maxilar: sinônimos = bloqueio da segunda divisão ou bloqueio nervoso do V 2. Anestesiará uma hemimaxila. Indicado para casos de inflamação ou infecção.
Contraindicado para pacientes pediátricos, não cooperativos e com risco de hemorragia. Taxa de sucesso maior que 95% e aspiração positiva menor que 1%. As técnicas são:
o Abordagem da Tuberosidade Alta → usa agulha longa de calibre 25 e insere 30mm na altura da prega mucovestibular acima da face distal do 2ºMS e com bisel voltado para
o osso. Principal complicação é formação de hematoma. Para injeção da tuberosidade esquerda o CD senta de frente ao paciente na posição 10 horas, já se for o direito ele fica
as 8 horas.
o Abordagem Canal Palatino Maior (técnica de Carrea) → usa agulha longa de calibre 25 e insere 30mm nos tecidos moles palatinos diretamente sobre o forame palatino maior
e com bisel voltado para o tecido. Para bloqueio esquerdo o CD senta na mesma direção do paciente na posição de 10 a 11 horas, já se for o direito ele fica as 7 ou 8 horas.

Técnicas na MANDÍBULA
• Bloqueio do Nervo Alveolar Inferior: sinônimo = bloqueio pterigomandibular ou bloqueio mandibular (erroneamente). Anestesia os nervos alveolar inferior, incisivo, mentual, lingual
(comumente). Aspiração positiva de 10 a 15%, a mais altas entre as técnicas intraorais. Para bloqueio do nervo esquerdo o CD senta na posição 10 horas, já se for o direito ele fica as 8
horas. As complicações são: hematoma (raro), trismo e paralisia facial transitória. Esse bloqueio tem grande índice de insucesso, em 31 a 41% dos casos os molares não são anestesiados,
em 42% os pré-molares, em 46% o canino e 81% os incisivos, as prováveis causas para esses altos índices são:
o Teoria da inervação cruzada → nervos com inervações colaterais.
o Teoria das fibras centrais → as fibras mais externas (que inervam os dentes mais posteriores) são anestesiadas mais rápidas e as fibras internas (dentes anteriores) depois.
o Teoria do canal bífido → acidente anatômico do canal mandibular. Tem 4 tipos de classificação, sendo o 3 e 4 os mais difíceis de anestesiar.
• Técnica de Gow-Gates: sinônimos = bloqueio venoso da terceira divisão ou bloqueio venoso do V 3. Anestesiará alveolar inferior, lingual, milo-hioideo, mentual, incisivo,
auriculotemporal e bucal (em 75% dos casos). Não indicada para pacientes com trismo. Aspiração positiva de 2%. Usa agulha longa de calibre 25 e insere 25mm na membrana mucosa
na parte mesial do ramo mandibular, numa linha de incisura intertrágica até o canto da boca, imediatamente distal ao 2ºMS. Paciente em abertura máxima de boca. Complicações: trismo,
hematoma e paralisia temporária dos pares cranianos III, IV e VI.
• Técnica de Vazirani-Akinosi: sinônimos = técnica de Akinosi, bloqueio nervoso mandibular de boca fechada, técnica da tuberosidade. Anestesiará alveolar inferior, lingual, milo-
hioideo, mentual e incisivo. Indicado para pacientes com trismo ou com dificuldade de abertura de boca. Aspiração positiva menor que 10%. Uma desvantagem é o não contato ósseo.
Usa agulha longa de calibre 25 e insere 25mm nos tecidos moles sobrejacentes à borda medial (lingual) do ramo mandibular diretamente adjacente à tuberosidade maxilar, na parte alta
de junção mucogengival circunvizinha ao terceiro molar maxilar e bisel voltado ao lado oposto ao osso. Complicações: hematoma (10%), trismo e paralisia transitória do nervo facial.