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Filosofia do Direito:

THOMAS HOBBES

3. Thomas Hobbes: o estado soberano em que o


homem é o lobo do homem.
O filosofo contratualista e cientista político inglês,
nasceu em 1588, na aldeia de Westport, Malmesbury, e
faleceu em 1679 em Hardwick. Recebeu sua educação
na Oxford University, Inglaterra, onde estudou os
clássicos, concluindo o seu bacharelado em 1608
(SILVA, p. 81).

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O pensador Inglês, adotou no Leviatã, o Realismo da Lei da


Natureza. A natureza é explicada com a noção do movimento e as
qualidades sensíveis das coisas, com os movimentos transmitidos
pelos corpos terrestres.
Na primeira parte do Leviatã, após teoria acerca do
conhecimento, Hobbes aponta para uma hipótese em que o homem
encontrava-se lançado à sua própria sorte em um momento
hipotético que é o Estado de Natureza (HOBBES, 2008, p.5).

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Destaca Hobbes que no Estado de Natureza todos estão


em risco, devido a ausência de regras preestabelecidas nesse
cenário em que as convenções decadentes são ditadas pelo
individualismo e pelos mais fortes (SILVA, 2012, 81).

No Leviatã, sua maior e mais polêmica obra, que


engloba um Sistema de Ética, Psicologia, Antropologia,
Educação, Método, Economia, Política, e Jurisprudência
analítica, ele explica o estado artificial este é apresentado ao
leitor em quatro capítulos (HOBBES, 2008, 6;7).
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a) o primeiro trata do homem, como artifice e imitador da


natureza. Nesse capítulo Hobbes ocupa-se inicialmente, com uma
típica teoria do conhecimento e passa a discutir desde a sensação,
como modo de percepção, abordando temas como comunicação e
linguagem, até a relação do homem com seus pares em uma
situação pré-estatal;

b) o segundo, trata da constituição do homem artificial, ou


seja, o Estado; encontram-se os postulados de sua organização
política, bem como as convenções que legitimam o poder (SILVA,
2012, p.81-82);
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c) no capítulo terceiro, o autor trata de responder o que é um


Estado Cristão a partir da análise do sagrado e as dimensões do
poder eclesiástico; e

d) por fim no quarto capítulo, após a discussão dos poderes


soberano, divino e humano, o pensador, em um sentido
escatológico, passa a apresentar o chamado “reino das trevas”
(SILVA, 2012, p. 82).

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3.2 O Homem é o lobo do homem: do estado de


natureza ao estado Leviatã
A conhecida expressão “o homem é o lobo do homem”, é
um exemplo típico de uma frase que adianta o seu
autor. Quando Hobbes afirmou isto ele estava tratando
de um Estado Absolutista em oposição ao Estado
Liberal almejado por alguns setores da sociedade
inglesa de sua época (SILVA, 2012, p. 82).

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A obra de Thomas Hobbes mostra-se, acima de tudo,


como uma resposta aos questionamentos de seu tempo. O
século em que o autor viveu foi bastante tumultuado no que
tange ao cenário político. Sua infância foi marcada pelo medo
da invasão da Inglaterra pelos espanhois, ao tempo da rainha
Elizabete I (1558-1603). O autor articula uma teoria
contratualista de Estado (SILVA, 2012, p. 82).
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O que significa o Contrato para Hobbes?


O contrato é um translação ou troca mútua de
direitos. Assim, na compra e venda e em outros
atos realizados sob contrato, uma promessa
equivale a um pacto, sendo, portanto
obrigatório (HOBBES, 2008, p.102).

O Leviatã, expõe uma visão pessimista do homem


concebendo-o como um ser individualista que não tem pudor para
alcançar os seus deleites pessoais, mesmo que signifique uma luta
de todos contra todos (SILVA, 2012, p.82).
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A chamada luta de todos contra todos é descrita no Leviatã,


como condição natural do homem em um Estado de Natureza, mas
afinal o que isto significa?
O Estado de Natureza é a instância em que a sociabilidade
humana, expressa por ações pautadas na independência de vontades
individuais o que acarretava uma desordem, que culminava na já
mencionada luta de todos contra todos (SILVA, 2012, p. 83).

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No capítulo XVII, intitulado do Estado, Hobbes ao


analisar o comportamento das abelhas e das formigas, que
vivem em harmonia dentro do Estado de Natureza, formula
seis hipoteses pelas quais o homem se difere destes animais
e, por conseguinte, não apresenta a possibilidade de
organizar-se sem a figura do Estado Absolutista (SILVA,
2012, p. 83).
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As teses de Hobbes para explicar os motivos pelos quais o homem


difere dos animais ditos sociais em pleno Estado de Natureza:
1º) os homens portadores de um marcante sentimento de
inveja e ódio que desencadeia a condição de guerra;
2º) a condição de guerra é agravada porque o homem
somente encontra prazer quando se compara com outro homem,
motivo pelo qual temos um atrito entre o bem comum e o bem
individual;
3º) O homem se vale da razão para julgar a administração da
coisa comum, e por conseguinte, sempre imagina ser mais
capacitado para gerenciar a coisa comum;
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4º) o homem utiliza-se da “arte das palavras” para enganar e


ttransmudar o bem em mal e o mal em bem, fato este que semeia o
descontentamento e acena para a falta de paz;
5º) a satisfação do homem não é suficiente para afastá-lo do
desejo de ofender o seu semelhante;
6º) a sociabilidade entre as abelhas e as formigas é fruto de
algo natural, ao passo que essa perspectiva nos homens é
formulada através de um acordo artificial. Sendo certo que esse
acordo artificial não terá efeito duradouro sem o elemento da
sanção imposto pelo Estado Soberano (SILVA, 2012, p. 83).

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A fundamentação do Estado hobbesiano está no contrato


formulado por ato de liberdade dos seus signatários, ou ainda,
pelo contrato imposto na aquisição decorrente da conquista
do território. Essas, portanto, são as duas maneiras de se
elaborar e, ainda, aceitar-se o pacto social ( SILVA, 2012, p.
83).

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Para Hobbes (2012, p. 103), em um pacto, em que ninguém


cumpre prontamente sua parte, havendo confiança mútua na
condição de simples natureza (condição de guerra entre todos), se
houver uma mínima suspeita, desde que seja razoável, o pacto
torna-se nulo. Entretanto, se existir um poder acima daquele dos
contratantes com força e direito suficientes para impor o
cumprimento do pacto, ele não será nulo.

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Partidário do poder absoluto, Hobbes dá origem à idéia


do Pacto Social, não estabelecendo contradição entre ambos.
Pelo pacto social, os homens, desistindo de seu direito
natural, submetem-se ao poder de um Soberano, absoluto,
irresistível, que não se submete a qualquer lei, visando
apenas à salvação dos homens em sociedade, por garantir a
paz (HOBBES, 2008, p. 68).
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O Estado para Hobbes, é constituído a partir de um


contrato coletivo, que tem o poder de impor aos seus súditos
o medo para que a vontade da maioria, representada na figura
do Soberano, seja obedecida. Este acordo coletivo transforma
alguém em Soberano e todos os outros em súditos (SILVA,
2012, p. 84).
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Em suma, temos o poder como fundamento do Estado,


este poder tem origem no contrato de atribuição de poderes
firmado sobretudo no medo. É deste documento que nasce a
própria estrutura do Estado, pois cada indivíduo abre mão de
seu autogoverno para atribuí-lo a outrem: o Soberano Leviatã
(SILVA, 2012, p. 84).
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3.3 A finalidade do Estado para Hobbes e a


concentração de poder do soberano

O Estado para Thomas Hobbes tem o seu objetivo centrado na


garantia do bem comum. Desse modo, o pensador afirma que
a preservação da paz e da justiça é o objetivo de todos os
Estados.
Mas para a garantia da paz e da justiça, o Soberano tem poder
de vida e de morte sobre os seus súditos (SILVA, 2012, p. 84).

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O poder sem limites do Soberano que não está


sujeito a prestação de contas aos seus súditos,
haja vista que o ato de prestar contas, no
contexto do Leviatã, significa debilidade e falta
de poder. Neste contexto, o Soberano diante da
ausência da obrigação de dar satisfação de seus
atos, concentra todo o poder, motivo pelo qual
toda a administração do Estado está em suas
mãos (SILVA, 2012, p.85).

Quais as consequências? A perda das liberdades individuais.

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Dependendo da organização representativa constante no


pacto, o poder será exercido por uma assembléia ou por uma
única pessoa.
Existem três tipos de governo na filosofia política de
Hobbes:
A monarquia;
A democracia ou Estado Popular;
E a Aristocracia.
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É necessário destacar que “a função do soberano, seja ele


um monarca ou uma, consiste no fim para o qual lhe foi
confiado o soberano poder, ou seja, a obtenção da segurança
do povo, ao qual está obrigado pela lei da natureza e do qual
tem de prestar contas a Deus, o autor dessa lei, e a mais
ninguém além d'Ele” (SILVA, 2012, p. 85)
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REFERÊNCIAS

HOBBES, Thomas. Leviatã, ou a Matéria, Forma e Poder


de um Estado Eclesisástico e Civil; tradução Rosina
D'Angina – São Paulo: Ícone, 2008.

SILVA, Ivan de Oliveira. Curso Moderno de Filosofia


do Direito. São Paulo: Editora Atlas, 2012.

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