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Informativo 651-STJ (RESUMIDO)


Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO ADMINISTRATIVO

PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR


Se a infração disciplinar praticada for, em tese, também crime, o prazo prescricional do processo
administrativo será aquele que for previsto no art. 109 do CP, esteja ou não esse fato sendo
apurado na esfera penal

Importante!!!
Mudança de entendimento!
Atualize o Info 502-STJ
O prazo prescricional previsto na lei penal se aplica às infrações disciplinares também
capituladas como crime independentemente da apuração criminal da conduta do servidor.
Para se aplicar a regra do § 2º do art. 142 da Lei nº 8.112/90 não se exige que o fato esteja
sendo apurado na esfera penal (não se exige que tenha havido oferecimento de denúncia ou
instauração de inquérito policial).
Se a infração disciplinar praticada for, em tese, também crime, deve ser aplicado o prazo
prescricional previsto na legislação penal independentemente de qualquer outra exigência.
STJ. 1ª Seção. MS 20.857-DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Og Fernandes,
julgado em 22/05/2019 (Info 651).

DIREITO URBANÍSTICO
O art. 40 da Lei 6.766/79 prevê um poder-dever do Município
de regularizar os loteamentos irregulares ou clandestinos

Importante!!!

Atenção! PGM
Existe o poder-dever do Município de regularizar loteamentos clandestinos ou irregulares.
Esse poder-dever, contudo, fica restrito à realização das obras essenciais a serem implantadas
em conformidade com a legislação urbanística local (art. 40, caput e § 5º, da Lei nº 6.799/79).
Após fazer a regularização, o Município tem também o poder-dever de cobrar dos
responsáveis (ex: loteador) os custos que teve para realizar a sua atuação saneadora.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.164.893-SE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 23/11/2016 (Info 651).

Informativo 651-STJ (02/08/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


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DIREITO CIVIL

PRESCRIÇÃO
Prazo prescricional para a repetição de indébito por cobrança indevida de valores referentes a
serviços de telefonia fixa não contratados: 10 anos

A ação de repetição de indébito por cobrança indevida de valores referentes a serviços não
contratados de telefonia fixa tem prazo prescricional de 10 (dez) anos.
STJ. Corte Especial. EAREsp 738.991-RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 20/02/2019 (Info 651).

CLÁUSULA PENAL
Cláusula penal moratória não pode ser cumulada com indenização por lucros cessantes

Importante!!!
Mudança de entendimento!
Atualize os informativos 513 e 540 do STJ
A cláusula penal moratória tem a finalidade de indenizar pelo adimplemento tardio da
obrigação, e, em regra, estabelecida em valor equivalente ao locativo, afasta-se sua cumulação
com lucros cessantes.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.498.484-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 22/05/2019 (recurso
repetitivo) (Info 651).

DAÇÃO EM PAGAMENTO
Determinada empresa deu ao credor um terreno como pagamento da dívida (dação em
pagamento); se não foi feita nenhuma ressalva, presume-se que a transferência do imóvel
incluiu a plantação ali existente

Na dação em pagamento de imóvel sem cláusula que disponha sobre a propriedade das
árvores de reflorestamento, a transferência do imóvel inclui a plantação.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.567.479-PR, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 11/06/2019 (Info 651).

LOCAÇÃO COMERCIAL
É possível que empresa de telefonia celular proponha ação renovatória (art. 51 da Lei nº
8.245/91) para renovar a locação de imóvel onde está instalada a sua antena (ERB),
considerando que isso também compõe seu fundo de comércio

A “estação rádio base” (ERB) instalada em imóvel locado caracteriza fundo de comércio de
empresa de telefonia móvel celular, a conferir-lhe o interesse processual no manejo de ação
renovatória fundada no art. 51 da Lei nº 8.245/91.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.790.074-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 25/06/2019 (Info 651).

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CONDOMÍNIO
Não se pode proibir o condômino inadimplente de usar as áreas comuns do condomínio

Importante!!!
O condomínio, independentemente de previsão em regimento interno, não pode proibir, em
razão de inadimplência, condômino e seus familiares de usar áreas comuns, ainda que
destinadas apenas a lazer.
Assim, é ilícita a disposição condominial que proíbe a utilização de áreas comuns do edifício
por condômino inadimplente e seus familiares como medida coercitiva para obrigar o
adimplemento das taxas condominiais.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.564.030-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 9/8/2016 (Info 588).
STJ. 4ª Turma. REsp 1.699.022-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 28/05/2019 (Info 651).

SUCESSÃO
A reserva da quarta parte da herança, prevista no art. 1.832 do Código Civil,
não se aplica à hipótese de concorrência sucessória híbrida

Importante!!!
A reserva da quarta parte da herança, prevista no art. 1.832 do Código Civil, não se aplica à
hipótese de concorrência sucessória híbrida.
Concorrência sucessória híbrida ocorre quando o cônjuge/companheiro estiver concorrendo
com descendentes comuns e com descendentes exclusivos do falecido. Ex: José faleceu e
deixou como herdeiros Paula (cônjuge) e 5 filhos, sendo 3 filhos também de Paula e 2 de um
outro casamento anterior de José. Paula e cada um dos demais herdeiros receberá 1/6 da
herança.
Art. 1.832. Em concorrência com os descendentes (art. 1.829, inciso I) caberá ao cônjuge
quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça, não podendo a sua quota ser inferior à quarta
parte da herança, se for ascendente dos herdeiros com que concorrer.
Assim, essa reserva de um quarto da herança, prevista no art. 1.832 do CC, não se aplica em
caso de concorrência sucessória híbrida. A reserva de, no mínimo, 1/4 da herança em favor do
consorte do falecido ocorrerá apenas quando concorra com seus próprios descendentes (e
eles superem o número de 3).
STJ. 3ª Turma. REsp 1.617.650-RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 11/06/2019
(Info 651).

DIREITO DO CONSUMIDOR

PRÁTICAS COMERCIAIS
É válida a cláusula do contrato de “clube de turismo Bancorbrás” que prevê que o consumidor
perde o direito às diárias do hotel caso não as utilize no prazo de 1 ano

É possível a convenção de prazo decadencial para a utilização de diárias adquiridas em clube


de turismo.

Informativo 651-STJ (02/08/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


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Mesmo em contratos de consumo, é possível a convenção de prazos decadenciais, desde que


respeitados os deveres anexos à contratação: informação clara e redação expressa, ostensiva
e legível.
Caso concreto: Bancorbrás é uma pessoa jurídica que presta um serviço chamado de “Clube de
Turismo Bancorbrás”. Por meio dele, o cliente paga um valor mensal (ex: R$ 500) e, depois de
1 ano, pode utilizar 7 diárias em um dos milhares de hotéis que a Bancorbrás tem convênio,
no Brasil e no exterior. Ocorre que o contrato prevê que o cliente deverá utilizar essas diárias
no prazo de até 1 ano. Caso o consumidor não as utilize nesse interregno, ele perde esse
direito. O STJ afirmou que essa cláusula é válida, sendo razoável, não podendo ser reputada
como abusiva.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.778.574-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 18/06/2019 (Info 651).

COMPRA DE IMÓVEIS
Prevendo o contrato a incidência de multa moratória para o caso de descumprimento contratual
por parte do consumidor, a mesma multa deverá incidir em reprimenda do fornecedor, caso seja
deste a mora ou o inadimplemento

Importante!!!
No contrato de adesão firmado entre o comprador e a construtora/incorporadora, havendo
previsão de cláusula penal apenas para o inadimplemento do adquirente, deverá ela ser
considerada para a fixação da indenização pelo inadimplemento do vendedor.
As obrigações heterogêneas (obrigações de fazer e de dar) serão convertidas em dinheiro, por
arbitramento judicial.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.631.485-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 22/05/2019 (recurso
repetitivo) (Info 651).

COMPRA DE IMÓVEIS
Cláusula penal moratória não pode ser cumulada com indenização por lucros cessantes

A cláusula penal moratória tem a finalidade de indenizar pelo adimplemento tardio da


obrigação, e, em regra, estabelecida em valor equivalente ao locativo, afasta-se sua cumulação
com lucros cessantes.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.498.484-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 22/05/2019 (recurso
repetitivo) (Info 651).

DIREITO EMPRESARIAL

RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Plano de recuperação judicial pode prever que os credores serão pagos parceladamente e que o
saldo devedor será corrigido pela TR mais 1% ao ano

É válida a cláusula no plano de recuperação judicial que determina a TR como índice de


correção monetária e a fixação da taxa de juros em 1% ao ano.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.630.932-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 18/06/2019
(Info 651).

Informativo 651-STJ (02/08/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


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RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Aprovação do plano suspende os protestos tirados contra a empresa em recuperação, mas ficam
mantidos os protestos tirados contra eventuais coobrigados (ex: avalistas)

No plano de recuperação judicial é possível suspender tão somente o protesto contra a


recuperanda e manter ativo o protesto tirado contra o coobrigado.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.630.932-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 18/06/2019
(Info 651).

RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Se houve a migração da concordata para recuperação judicial, o crédito em moeda estrangeira
será calculado com base no câmbio do dia do processamento da concordata

Crédito em moeda estrangeira que deveria ter sido ou foi habilitado em concordata preventiva
(Decreto-Lei nº 7.661/45) que posteriormente vem a migrar para a recuperação judicial (Lei
nº 11.101/2005) deve ser convertido em moeda nacional pelo câmbio do dia em que foi
processada a concordata preventiva.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.319.085-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 21/05/2019 (Info 651).

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

AGRAVO DE INSTRUMENTO
Em caso de decisões interlocutórias complexas, qual critério será adotado
para saber se cabe ou não agravo de instrumento?

Em se tratando de decisão interlocutória com duplo conteúdo, é possível estabelecer como


critérios para a identificação do cabimento do recurso:
a) o exame do elemento que prepondera na decisão;
b) o emprego da lógica do antecedente-consequente e da ideia de questões prejudiciais e de
questões prejudicadas;
c) o exame do conteúdo das razões recursais apresentadas pela parte irresignada.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.797.991-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 18/06/2019 (Info 651).

Informativo 651-STJ (02/08/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 5


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DIREITO PROCESSUAL PENAL

PROVAS
É ilícita a revista pessoal realizada por agente de segurança privada

Importante!!!
Caso concreto: o homem passava pela catraca de uma das estações da Companhia Paulista de
Trens Metropolitanos (CPTM) com uma mochila nas costas, quando foi abordado por dois
agentes de segurança privada da empresa. Os seguranças acreditavam que se tratava de
vendedor ambulante e fizeram uma revista, tendo encontrado dois tabletes de maconha na
mochila do passageiro. O homem foi condenado pelo TJ/SP por tráfico de drogas (art. 33 da
Lei nº 11.343/2006).
O STJ, contudo, entendeu que a prova usada na condenação foi ilícita, considerando que obtida
mediante revista pessoal ilegal feita pelos agentes da CPTM.
Segundo a CF/88 e o CPP, somente as autoridades judiciais, policiais ou seus agentes estão
autorizados a realizarem a busca domiciliar ou pessoal.
Diante disso, a 5ª Turma do STJ concedeu habeas corpus para absolver e mandar soltar um
homem acusado de tráfico de drogas e condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo com
base em prova recolhida em revista pessoal feita por agentes de segurança privada da
Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
STJ. 5ª Turma. HC 470.937/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 04/06/2019 (Info 651).

Informativo 651-STJ (02/08/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 6


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Informativo 650-STJ (RESUMIDO)
Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO AMBIENTAL

RESPONSABILIDADE CIVIL
A responsabilidade administrativa ambiental é de natureza subjetiva

Importante!!!
A aplicação de penalidades administrativas não obedece à lógica da responsabilidade objetiva
da esfera cível (para reparação dos danos causados), mas deve obedecer à sistemática da
teoria da culpabilidade, ou seja, a conduta deve ser cometida pelo alegado transgressor, com
demonstração de seu elemento subjetivo, e com demonstração do nexo causal entre a conduta
e o dano.
Assim, a responsabilidade CIVIL ambiental é objetiva; porém, tratando-se de responsabilidade
administrativa ambiental, a responsabilidade é SUBJETIVA.
STJ. 1ª Seção. EREsp 1318051/RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 08/05/2019 (Info 650).

DIREITO CIVIL

LOCAÇÃO DE IMÓVEIS URBANOS


Não são exigíveis aluguéis no período compreendido entre o incêndio que destruiu imóvel
objeto de locação comercial e a efetiva entrega das chaves pelo locatário

Importante!!!
A locação consiste na cessão do uso ou gozo da coisa em troca de uma retribuição pecuniária,
isto é, tem por objeto poderes ou faculdades inerentes à propriedade.
Assim, extinta a propriedade pelo perecimento do bem, também se extingue, a partir desse
momento, a possibilidade de usar, fruir e gozar desse mesmo bem, o que inviabiliza, por
conseguinte, a manutenção do contrato de locação, já que o locatório não terá como realizar a
exploração econômica dessas faculdades da propriedade.
STJ. 3ª Turma. REsp 1707405/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. p/ Acórdão Min. Moura
Ribeiro, julgado em 07/05/2019 (Info 650).

Informativo 650-STJ (05/07/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


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LOCAÇÃO DE IMÓVEIS URBANOS


Notificado o locador ainda no período determinado da locação acerca da pretensão de
exoneração dos fiadores, os efeitos desta exoneração somente serão produzidos após o prazo
de 120 dias da data em que se tornou indeterminado o contrato de locação

O art. 40, X, da Lei nº 8.245/91 prevê o seguinte:


Art. 40. O locador poderá exigir novo fiador ou a substituição da modalidade de garantia, nos
seguintes casos:
X – prorrogação da locação por prazo indeterminado uma vez notificado o locador pelo fiador
de sua intenção de desoneração, ficando obrigado por todos os efeitos da fiança, durante 120
(cento e vinte) dias após a notificação ao locador.

Não é necessário que a notificação seja realizada apenas no período da indeterminação do


contrato de locação, podendo, assim, os fiadores, no curso da locação com prazo determinado,
notificarem o locador de sua intenção exoneratória, mas os seus efeitos somente poderão se
projetar para o período de indeterminação do contrato.
Notificado o locador ainda no período determinado da locação acerca da pretensão de
exoneração dos fiadores, os efeitos desta exoneração somente serão produzidos após o prazo
de 120 dias da data em que se tornou indeterminado o contrato de locação, e não da
notificação.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.798.924-RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 14/05/2019
(Info 650).

CONTRATO DE HONORÁRIOS
Os honorários advocatícios contratuais que adotarem a quota litis devem ser calculados com
base na quantia efetivamente recebida pelo cliente em razão da cessão de seu crédito a
terceiro, e não pelo valor apurado na liquidação da sentença

Ex: João (advogado) foi contratado para ajuizar reclamação trabalhista em favor de Pedro,
mediante celebração de contrato de prestação de serviços advocatícios com cláusula quota
litis, cuja remuneração seria de 20% sobre o crédito apurado em sentença em benefício do
reclamante. A reclamação foi julgada procedente e, na liquidação da sentença, ficou
reconhecido que a empregadora deveria pagar R$ 100 mil ao ex-empregado. Ocorre que a
empresa vencida entrou em processo de falência. Diante disso, Pedro (credor) realizou acordo
com terceiro cedendo seu crédito, com a finalidade de receber ao menos parte de sua verba
alimentar, por valor bem inferior ao judicialmente reconhecido. Assim, Pedro “vendeu” seu
crédito de R$ 100 mil, recebendo apenas R$ 10 mil. João (advogado) receberá 20% de 100 ou
de 10? R: 20% de 10.
Para o STJ, uma vez celebrado o contrato de prestação de serviços advocatícios com emprego
de cláusula quota litis, deve a remuneração ad exitum, ali fixada em percentual, ser calculada
com base no benefício efetivamente alcançado pela parte com a cessão de crédito, e não com
base no valor total do crédito reconhecido na demanda trabalhista e não satisfeito, ante a
manifesta insolvência da devedora falida.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.354.338-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Raul Araújo, julgado
em 19/03/2019 (Info 650).

Informativo 650-STJ (05/07/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2


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DIREITO DO CONSUMIDOR

VÍCIO DO SERVIÇO
A instituição financeira responde por vício na qualidade do produto ao
emitir comprovantes de suas operações por meio de papel termossensível

A instituição financeira, ao emitir comprovantes de suas operações por meio de papel


termossensível, acabou atraindo para si a responsabilidade pelo vício de qualidade do
produto. Isso porque, por sua própria escolha, em troca do aumento dos lucros - já que a
impressão no papel térmico é mais rápida e bem mais em conta -, passou a ofertar o serviço
de forma inadequada, emitindo comprovantes cuja durabilidade não atendem as exigências e
as necessidades do consumidor, vulnerando o princípio da confiança.
É da natureza específica do tipo de serviço prestado emitir documentos de longa vida útil, a
fim de permitir que os consumidores possam, quando lhes for exigido, comprovar as
operações realizadas.
A “fragilidade” dos documentos emitidos em papel termossensível acaba por ampliar o
desequilíbrio na relação de consumo, em vista da dificuldade que o consumidor terá em
comprovar o seu direito pelo desbotamento das informações no comprovante.
STJ. 4ª Turma. REsp 1414774/RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 16/05/2019 (Info 650).

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

PROCEDIMENTO
A prioridade na tramitação do feito é direito subjetivo da pessoa idosa e a lei lhe concede
legitimidade exclusiva para a postulação do requerimento do benefício

A pessoa com idade igual ou superior a 60 anos que figura como parte ou interveniente na
relação processual possui prioridade na tramitação do feito (arts. 71 da Lei nº 10.741/2003 e
art. 1.048 do CPC/2015).
Quem tem legitimidade para postular a prioridade de tramitação do feito atribuída por lei ao
idoso?
O próprio idoso. A pessoa idosa é a parte legítima para requerer a prioridade de tramitação
do processo, devendo, para tanto, fazer prova da sua idade.
A prioridade na tramitação depende, portanto, de manifestação de vontade do interessado,
por se tratar de direito subjetivo processual do idoso. A necessidade do requerimento é
justificada pelo fato de que nem toda tramitação prioritária será benéfica ao idoso,
especialmente em processos nos quais há alta probabilidade de que o resultado lhe seja
desfavorável.
Ex: determinada pessoa jurídica ajuizou execução contra um idoso e pediu prioridade na
tramitação do feito alegando que o executado possui mais de 60 anos. O pleito não foi aceito,
considerando que falta legitimidade e interesse à exequente para formular o referido pedido.
STJ. 3ª Turma. REsp 1801884/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 21/05/2019 (Info 650).

Informativo 650-STJ (05/07/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


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AGRAVO DE INSTRUMENTO / AÇÃO DE EXIGIR CONTAS


O recurso cabível contra decisão que julga procedente, na primeira fase,
a ação de exigir contas, é o agravo de instrumento

Importante!!!
Cabe agravo de instrumento contra a decisão que julga procedente, na primeira fase, a ação de
exigir contas, condenando o réu a prestar as contas exigidas.
Como essa decisão não gera o encerramento do processo, o recurso cabível será o agravo de
instrumento (arts. 550, § 5º, e 1.015, II, do CPC/2015).
Por outro lado, se a decisão extinguir o processo, com ou sem resolução de mérito (arts. 485 e
487), aí sim haverá sentença e o recurso cabível será a apelação.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.680.168-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, Rel. Acd. Min. Raul Araújo, julgado em
09/04/2019 (Info 650).

RECURSO ESPECIAL
O art. 1.035, § 5º do CPC/2015 não determina a suspensão automática dos processos, devendo
esse entendimento ser aplicado aos recursos especiais que impugnam acórdão publicado e com
a repercussão geral reconhecida na vigência do CPC/1973

O art. 1.035, § 5º do CPC/2015 prevê o seguinte:


§ 5º Reconhecida a repercussão geral, o relator no Supremo Tribunal Federal determinará a
suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que
versem sobre a questão e tramitem no território nacional.
A suspensão prevista nesse § 5º não é uma consequência automática e necessária do
reconhecimento da repercussão geral. Em outras palavras, ela não acontece sempre. O
Ministro Relator do recurso extraordinário paradigma tem discricionariedade para
determiná-la ou modulá-la (STF. Plenário. RE 966177 RG/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
7/6/2017).
Esse mesmo entendimento deve ser aplicado aos recursos especiais que impugnam acórdão
publicado e que tenha tido repercussão geral reconhecida na vigência do CPC/1973.
Assim, o STJ poderá julgar um recurso especial que esteja naquele Tribunal mesmo que o tema
a ser discutido esteja aguardando para ser julgado pelo STF sob a sistemática da repercussão
geral, salvo, obviamente, se o Ministro Relator do STF determinou a suspensão de todos os
processos pendentes.
STJ. Corte Especial. REsp 1.202.071-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 01/02/2019 (Info 650).

Informativo 650-STJ (05/07/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


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EXECUÇÃO FISCAL
É possível que seja dispensada a garantia do juízo para o oferecimento dos embargos à execução
se ficar demonstrado que o devedor não possui patrimônio para isso

Importante!!!
Deve ser afastada a exigência da garantia do juízo para a oposição de embargos à execução
fiscal, caso comprovado inequivocadamente que o devedor não possui patrimônio para
garantia do crédito exequendo.
STJ. 1ª Turma. REsp 1487772/SE, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 28/05/2019 (Info 650).

EXECUÇÃO FISCAL
O encargo do DL nº 1.025/69 não foi revogado pelo CPC/2015

Atenção! Concursos federais


O encargo do DL nº 1.025/69, embora nominado de honorários de sucumbência, não tem a
mesma natureza jurídica dos honorários do advogado tratados no CPC/2015, razão pela qual
o novo CPC não revogou o DL, em estrita observância ao princípio da especialidade.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.798.727-RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 09/05/2019 (Info 650).

MANDADO DE SEGURANÇA
O mandado de segurança deverá ter seu mérito apreciado independentemente de
superveniente trânsito em julgado da decisão questionada pelo mandamus

Importante!!!
É incabível mandado de segurança contra decisão judicial transitada em julgado (art. 5º, III,
da Lei nº 12.016/2009 e Súmula nº 268-STF).
No entanto, se a impetração do mandado de segurança for anterior ao trânsito em julgado da
decisão questionada, mesmo que este venha a acontecer posteriormente, o mérito do MS
deverá ser julgado, não podendo ser invocado o seu não cabimento ou a perda de objeto.
STJ. Corte Especial. EDcl no MS 22.157-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 14/03/2019
(Info 650).

DIREITO PENAL

DOSIMETRIA DA PENA
Súmula 636-STJ
Folha de antecedentes criminais é um documento válido
para comprovar maus antecedentes ou reincidência

Súmula 636-STJ: A folha de antecedentes criminais é documento suficiente a comprovar os


maus antecedentes e a reincidência.
STJ. 3ª Seção. Aprovada em 26/06/2019, DJe 27/06/2019.

Informativo 650-STJ (05/07/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 5


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ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA
Crime de embaraçar investigação previsto na Lei do Crime Organizado
não é restrito à fase do inquérito

Importante!!!
A Lei das organizações criminosas (Lei nº 12.850/2013) prevê o seguinte crime:
Art. 2º (...) § 1º Nas mesmas penas incorre quem impede ou, de qualquer forma, embaraça a
investigação de infração penal que envolva organização criminosa.
Quando o art. 2º, § 1º fala em “investigação”, ele está se limitando à fase pré-processual ou
abrange também a ação penal? Se o agente embaraça o processo penal, ele também comete
este delito?
SIM. A tese de que a investigação criminal descrita no art. 2º, § 1º, da Lei nº 12.850/2013
limita-se à fase do inquérito não foi aceita pelo STJ. Isso porque as investigações se prolongam
durante toda a persecução criminal, que abarca tanto o inquérito policial quanto a ação penal
deflagrada pelo recebimento da denúncia.
Assim, como o legislador não inseriu uma expressão estrita como “inquérito policial”,
compreende-se ter conferido à investigação de infração penal o sentido de “persecução penal”,
até porque carece de razoabilidade punir mais severamente a obstrução das investigações do
inquérito do que a obstrução da ação penal.
Ademais, sabe-se que muitas diligências realizadas no âmbito policial possuem o
contraditório diferido, de tal sorte que não é possível tratar inquérito e ação penal como dois
momentos absolutamente independentes da persecução penal.
O tipo penal previsto pelo art. 2º, §1º, da Lei nº 12.850/2013 define conduta delituosa que
abrange o inquérito policial e a ação penal.
STJ. 5ª Turma. HC 487.962-SC, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 28/05/2019 (Info 650).

DIREITO TRIBUTÁRIO

INCENTIVOS FISCAIS
Decreto regulamentar, em sede do programa REINTEGRA, que estipula a alíquota de cálculo do
crédito por período de tempo, e não por espécie de bem exportado, não extrapola o art. 22, §
1º, da Lei nº 13.043/2014

O crédito do REINTEGRA é um benefício fiscal, caracterizado por transferência financeira a


entidade privada para o custeio de atividade econômica setorial, daí porque se trata de
espécie de subvenção econômica.
O art. 22, § 1º, da Lei nº 13.043/2014 determina que o Poder Executivo estabeleça o fator
percentual de cálculo do valor do crédito, o qual pode variar entre 0,1% e 3%.
O decreto regulamentar que fixa percentuais variáveis, por períodos, não extrapola os limites
da delegação.
O critério temporal, entre outros, é relevante para a dinâmica própria do mercado de
exportação, e sua estipulação decorre da discricionariedade técnica que é exigida do
regulamento.
STJ. 1ª Turma. REsp 1732813/RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 14/05/2019 (Info 650).

Informativo 650-STJ (05/07/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 6


Informativo
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ICMS
Viola o art. 20, § 6º, da LC 87/96 a disposição contida em norma infralegal estadual que restrinja
seu âmbito de aplicação a produtos agropecuários da mesma espécie

O art. 20, § 6º, da LC 87/96 prevê a possibilidade de compensação do ICMS:


§ 6º Operações tributadas, posteriores a saídas de que trata o § 3º, dão ao estabelecimento que
as praticar direito a creditar-se do imposto cobrado nas operações anteriores às isentas ou
não tributadas sempre que a saída isenta ou não tributada seja relativa a:
I - produtos agropecuários;
II - quando autorizado em lei estadual, outras mercadorias.

Assim, a LC 87/96, em harmonia com a CF/88, assegura o direito à compensação, levando em


consideração o imposto devido em cada operação na qual haja circulação de mercadoria ou
prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, sem
impor que a operação antecedente refira-se a uma determinada mercadoria ou serviço.
Determinado Decreto estadual exigiu que a compensação ocorra entre produtos
agropecuários da mesma espécie da que originou o respectivo crédito (não estorno).
O STJ considerou que essa exigência viola o art. 20, § 6º, da LC 87/96, considerando que criou
regra nova de compensação do ICMS por ato infralegal.
STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 1.513.936-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em
27/05/2019 (Info 650).

Informativo 650-STJ (05/07/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 7


Informativo comentado:
Informativo 649-STJ (RESUMIDO)
Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO ADMINISTRATIVO

AUTOTUTELA
Súmula 633-STJ
É possível a aplicação, por analogia integrativa, do prazo decadencial de 5 anos previsto na Lei
do processo administrativo federal para Estados e Municípios que não tiverem leis sobre o tema

Súmula 633-STJ: A Lei nº 9.784/99, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial
para a revisão de atos administrativos no âmbito da Administração Pública federal, pode ser
aplicada, de forma subsidiária, aos estados e municípios, se inexistente norma local e
específica que regule a matéria.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/06/2019, DJe 17/06/2019.

PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR


Súmula 635-STJ
Termo inicial e causa de interrupção do prazo prescricional das infrações administrativas

Súmula 635-STJ: Os prazos prescricionais previstos no art. 142 da Lei nº 8.112/1990 iniciam-
se na data em que a autoridade competente para a abertura do procedimento administrativo
toma conhecimento do fato, interrompem-se com o primeiro ato de instauração válido -
sindicância de caráter punitivo ou processo disciplinar - e voltam a fluir por inteiro, após
decorridos 140 dias desde a interrupção.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/06/2019, DJe 17/06/2019.

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Súmula 634-STJ
As regras de prescrição em improbidade administrativa aplicáveis aos particulares que
participam do ato ímprobo são as mesmas do agente público também envolvido

Súmula 634-STJ: Ao particular aplica-se o mesmo regime prescricional previsto na Lei de


Improbidade Administrativa para o agente público.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/06/2019, DJe 17/06/2019.

Informativo 649-STJ (21/06/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


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DIREITO CIVIL
PRESCRIÇÃO / CONTRATOS
Prazo prescricional na responsabilidade contratual é, em regra, de 10 anos

Importante!!!
A pretensão indenizatória decorrente do inadimplemento contratual sujeita-se ao prazo
prescricional decenal (art. 205 do Código Civil), se não houver previsão legal de prazo
diferenciado.
STJ. Corte Especial. EREsp 1.281.594-SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Rel. Acd. Min. Felix Fischer,
julgado em 15/05/2019 (Info 649).

É decenal o prazo prescricional aplicável às hipóteses de pretensão fundamentadas em


inadimplemento contratual.
É adequada a distinção dos prazos prescricionais da pretensão de reparação civil advinda de
responsabilidades contratual e extracontratual.
Nas controvérsias relacionadas à responsabilidade CONTRATUAL, aplica-se a regra geral (art.
205 CC/2002) que prevê 10 anos de prazo prescricional e, quando se tratar de
responsabilidade extracontratual, aplica-se o disposto no art. 206, § 3º, V, do CC/2002, com
prazo de 3 anos.
Para fins de prazo prescricional, o termo “reparação civil” deve ser interpretado de forma
restritiva, abrangendo apenas os casos de indenização decorrente de responsabilidade civil
extracontratual.
STJ. 2ª Seção. EREsp 1.280.825-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/06/2018 (Info 632).
Resumindo. O prazo prescricional é assim dividido:
• Responsabilidade civil extracontratual (reparação civil): 3 anos (art. 206, § 3º, V, do CC).
• Responsabilidade contratual (inadimplemento contratual): 10 anos (art. 205 do CC).

ARRENDAMENTO RURAL
A outorga uxória é desnecessária nos pactos de arrendamento rural

Não é necessária a outorga uxória para validade e eficácia de contrato de arrendamento rural.
Nos termos do Decreto nº 59.566/66, o arrendamento rural é, por definição legal, o contrato
mediante o qual uma pessoa se obriga a ceder a outra, por tempo determinado ou não, o uso e
gozo de imóvel rural, mediante retribuição.
Não há exigência legal de forma especial para a sua plena validade e eficácia, sendo o
arrendamento rural um contrato não solene.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.764.873-PR, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 14/05/2019
(Info 649).

CONDOMÍNIO
É possível a criação de animais nas unidades autônomas do condomínio?

Acerca da regulamentação da criação de animais pela convenção condominial, podem surgir


três situações:

Informativo 649-STJ (21/06/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2


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a) Se a convenção não regular a matéria: o condômino pode criar animais em sua unidade
autônoma, desde que não viole os deveres previstos no art. 1.336, IV, do CC e no art. 19 da Lei
nº 4.591/64.
b) Se a convenção veda apenas a permanência de animais causadores de incômodos aos
demais moradores: essa norma condominial é válida (não apresenta nenhuma ilegalidade).
c) Se a convenção proíbe a criação e a guarda de quaisquer espécies de animais: essa restrição
se mostra desarrazoada, considerando que determinados animais não apresentam risco à
incolumidade e à tranquilidade dos demais moradores e dos frequentadores ocasionais do
condomínio. O impedimento de criar animais em partes exclusivas (unidades autônomas)
somente se justifica para a preservação da segurança, da higiene, da saúde e do sossego. Se
tais aspectos não estão em risco, não há motivo para a proibição.
Assim, é ilegítima a restrição genérica contida em convenção condominial que proíbe a criação
e guarda de animais de quaisquer espécies em unidades autônomas
STJ. 3ª Turma. REsp 1.783.076-DF, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 14/05/2019 (Info
649).

ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA
A alienação fiduciária firmada entre a construtora e o agente financeiro
não tem eficácia perante o adquirente do imóvel

Situação hipotética: João celebrou contrato de promessa de compra e venda para adquirir
determinado apartamento. Mesmo após quitar toda a dívida, não conseguiu a escritura
definitiva de compra e venda do imóvel. Foi, então, que descobriu que a construtora havia
assinado contrato de financiamento com uma instituição bancária e, como pacto acessório foi
celebrada uma alienação fiduciária, em que foi dada, em garantia, a unidade habitacional em
que mora João.
Essa a alienação fiduciária firmada entre a construtora e o agente financeiro não tem eficácia
perante o adquirente do imóvel (em nosso exemplo, João).
Aplica-se aqui, por analogia, o raciocínio da Súmula 308 do STJ: A hipoteca firmada entre a
construtora e o agente financeiro, anterior ou posterior à celebração da promessa de compra
e venda, não tem eficácia perante os adquirentes do imóvel.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.576.164-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/05/2019 (Info 649).

PATERNIDADE
É possível a inclusão de dupla paternidade em assento de nascimento de criança concebida
mediante as técnicas de reprodução assistida heteróloga e com gestação por substituição, não
configurando violação ao instituto da adoção unilateral

Situação hipotética: Daniel e João, que convivem em união estável homoafetiva, almejaram ter
um filho. Procuraram uma clínica de fertilização na companhia de Martha, irmã de João, para
um programa de inseminação artificial. Daniel e Martha se submeteram ao ciclo de
reprodução assistida, culminando na concepção de um embrião. Martha foi a “barriga de
aluguel”. Este embrião deu origem, então, a Letícia. Martha, mãe de substituição, por meio de
escritura pública, renunciou ao seu poder familiar em relação ao nascituro. Daí, Daniel e João
ajuizaram a ação postulando que ambos fossem declarados pais da criança recém-nascida.
Eles pediram que fossem reconhecidos como pai biológico (Daniel) e pai socioafetivo (João),
mantendo em branco os campos relativos aos dados da genitora, pois a concepção ocorreu
mediante inseminação artificial heteróloga e a gestação por substituição.

Informativo 649-STJ (21/06/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


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O pedido foi acolhido pelo STJ.


É possível a inclusão de dupla paternidade em assento de nascimento de criança concebida
mediante as técnicas de reprodução assistida heteróloga e com gestação por substituição.
A reprodução assistida e a paternidade socioafetiva constituem nova base fática para
incidência do preceito “ou outra origem” do art. 1.593 do Código Civil.
Os conceitos legais de parentesco e filiação exigem uma nova interpretação, atualizada à nova
dinâmica social, para atendimento do princípio fundamental de preservação do melhor
interesse da criança.
Vale ressaltar que não se trata de adoção, pois não se pretende o desligamento do vínculo com
o pai biológico, que reconheceu a paternidade no registro civil de nascimento da criança.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.608.005-SC, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 14/05/2019
(Info 649).

DIREITO DO CONSUMIDOR

CONCEITO DE CONSUMIDOR
O Código de Defesa do Consumidor é inaplicável ao contrato
de fiança bancária acessório a contrato administrativo

Não se aplica o CDC aos contratos administrativos, tendo em vista que a Administração Pública
já goza de outras prerrogativas asseguradas pela lei.
A fiança bancária, quando contratada no âmbito de um contrato administrativo, também sofre
incidência do regime publicístico, uma vez que a contratação dessa garantia não decorre da
liberdade de contratar, mas da posição de supremacia que a lei confere à Administração
Pública nos contratos administrativos. Pode-se concluir, portanto, que a fiança bancária
acessória a um contrato administrativo também não representa uma relação de consumo.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.745.415-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 14/05/2019
(Info 649).

DIREITO EMPRESARIAL

RECUPERAÇÃO JUDICIAL
No caso de crédito arrolado desde o ajuizamento da ação de recuperação judicial, não se
reconhece impugnação de crédito após o decurso do prazo do art. 8º da Lei nº 11.101/2005

O art. 8º da Lei nº 11.101/2005 prevê o seguinte:


Art. 8º No prazo de 10 (dez) dias, contado da publicação da relação referida no art. 7º, § 2º,
desta Lei, o Comitê, qualquer credor, o devedor ou seus sócios ou o Ministério Público podem
apresentar ao juiz impugnação contra a relação de credores, apontando a ausência de
qualquer crédito ou manifestando-se contra a legitimidade, importância ou classificação de
crédito relacionado.
A impugnação de crédito apresentada fora do prazo de 10 dias previsto no caput do art. 8º da
Lei nº 11.101/2005 não pode ter seu mérito apreciado pelo juízo.
A norma do art. 8º contém regra de aplicação cogente. Trata-se de prazo peremptório
específico, estipulado expressamente pela lei de regência.

Informativo 649-STJ (21/06/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


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Eventual superação de regra legal deve ser feita de forma excepcional, observadas
determinadas condições específicas, tais como elevado grau de imprevisibilidade, ineficiência
ou desigualdade, circunstâncias não verificadas na espécie.
STJ. 3ª Turma. REsp 1704201/RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. p/ Acórdão Min. Nancy
Andrighi, julgado em 07/05/2019 (Info 649).

RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Agravo de instrumento interposto contra decisão que julga impugnação de crédito pode se
submeter à técnica da ampliação do colegiado (art. 942, § 3º, II, do CPC/2015)

A impugnação de crédito não é um mero incidente processual na recuperação judicial, mas


uma ação incidental, de natureza declaratória, que tem como objeto definir a validade do
título (crédito) e a sua classificação.
No caso de haver pronunciamento a respeito do crédito e sua classificação, mérito da ação
declaratória, o agravo de instrumento interposto contra essa decisão, julgado por maioria,
deve se submeter à técnica de ampliação do colegiado prevista no art. 942, § 3º, II, do
CPC/2015.
No caso de haver pronunciamento a respeito do crédito e sua classificação, mérito da ação
declaratória, o agravo de instrumento interposto contra essa decisão, julgado por maioria,
deve se submeter à técnica de ampliação do colegiado prevista no art. 942, § 3º, II, do
CPC/2015.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.797.866-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 14/05/2019 (Info 649).

RECUPERAÇÃO JUDICIAL
O prazo do stay period, previsto no art. 6º, § 4º da Lei nº 11.101/2005,
deve ser computado em dias corridos

A Lei nº 11.101/2005, ao erigir o microssistema recuperacional e falimentar, estabeleceu, a


par dos institutos e das finalidades que lhe são próprios, o modo e o ritmo pelo qual se
desenvolvem os atos destinados à liquidação dos ativos do devedor, no caso da falência, e ao
soerguimento econômico da empresa em crise financeira, na recuperação.
O sistema de prazos adotado pela Lei nº 11.101/2005 revela a necessidade de se impor
celeridade e efetividade ao processo de recuperação judicial, notadamente pelo cenário de
incertezas quanto à solvibilidade e à recuperabilidade da empresa devedora e pelo sacrifício
imposto aos credores.
Não se pode conceber, assim, que o prazo do stay period, previsto no art. 6º, § 4º, da Lei nº
11.101/2005, seja alterado, por interpretação extensiva, em virtude da superveniência do
CPC/2015, até mesmo porque ele não possui natureza de prazo processual.
STJ. 3ª Turma. REsp 1698283/GO, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 21/05/2019 (Info 649).
STJ. 4ª Turma. REsp 1699528/MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 10/04/2018.

Informativo 649-STJ (21/06/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 5


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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMPETÊNCIA
Ação de empresas de telefonia contra a Anatel tratando sobre o valor de uso de rede móvel,
sendo que uma das litigantes se encontra em recuperação judicial: Justiça Federal

Compete à Justiça Federal processar e julgar ação que envolva concessionárias do serviço de
telefonia e a Anatel a respeito da precificação do VU-M (Valor de Uso de Rede Móvel) ainda que
um dos litigantes se encontre em recuperação judicial.
É competência da Justiça Federal analisar as questões relativas aos contratos de interconexão
e ao valor da interconexão propriamente dita (VU-M).
Reserva-se ao Juízo Estadual da Falência apenas aquilo que é relacionado com a recuperação
judicial (habilitação de crédito, classificação de credores, aprovação de plano). Não se pode,
contudo, admitir que o Juízo da Falência decida sobre questões que são de competência da
esfera federal. Assim, a fixação do VU-M é de competência da Justiça Federal.
STJ. 1ª Seção. CC 156.064-DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Herman Benjamin,
julgado em 14/11/2018 (Info 649).

TUTELA PROVISÓRIA
O ressarcimento dos prejuízos advindos com o deferimento da tutela provisória posteriormente
revogada por sentença que extingue o processo sem resolução de mérito, sempre que possível,
deverá ser liquidado nos próprios autos

Importante!!!
O CPC/2015, seguindo a mesma linha do CPC/1973, adotou a teoria do risco-proveito, ao
estabelecer que o beneficiado com o deferimento da tutela provisória deverá arcar com os
prejuízos causados à parte adversa, sempre que: i) a sentença lhe for desfavorável; ii) a parte
requerente não fornecer meios para a citação do requerido no prazo de 5 dias, caso a tutela seja
deferida liminarmente; iii) ocorrer a cessação da eficácia da medida em qualquer hipótese legal;
ou iv) o juiz acolher a decadência ou prescrição da pretensão do autor (art. 302).
Em relação à forma de se buscar o ressarcimento dos prejuízos advindos com o deferimento
da tutela provisória, o parágrafo único do art. 302 do CPC/2015 é claro ao estabelecer que “a
indenização será liquidada nos autos em que a medida tiver sido concedida, sempre que
possível”, dispensando-se, assim, o ajuizamento de ação autônoma para esse fim.
A obrigação de indenizar a parte adversa dos prejuízos advindos com o deferimento da tutela
provisória posteriormente revogada é decorrência ex lege da sentença de improcedência ou
de extinção do feito sem resolução de mérito, como no caso, sendo dispensável, portanto,
pronunciamento judicial a esse respeito, devendo o respectivo valor ser liquidado nos
próprios autos em que a medida tiver sido concedida, em obediência, inclusive, aos princípios
da celeridade e economia processual.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.770.124-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 21/05/2019 (Info 649).

Informativo 649-STJ (21/06/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 6


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DIREITO PROCESSUAL PENAL


INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
É desnecessária a remessa de cópias dos autos ao Órgão Ministerial prevista no art. 40 do CPP,
que, atuando como custos legis, já tenha acesso aos autos

No caso em que o Ministério Público tem vista dos autos, a remessa de cópias e documentos ao
Órgão Ministerial não se mostra necessária. O Parquet, na oportunidade em que recebe os
autos, pode tirar cópia dos documentos que bem entender, sendo completamente esvaziado o
sentido de remeter-se cópias e documentos.
Art. 40. Quando, em autos ou papéis de que conhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a
existência de crime de ação pública, remeterão ao Ministério Público as cópias e os
documentos necessários ao oferecimento da denúncia.
STJ. 3ª Seção. EREsp 1.338.699-RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 22/05/2019 (Info 649).
Existe julgado em sentido contrário: STJ. 2ª Turma. REsp 1.360.534-RS, Rel. Min. Humberto Martins,
julgado em 7/3/2013 (Info 519).

FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO


STJ não é competente para julgar crime praticado por Governador no exercício do mandato se o
agente deixou o cargo e atualmente voltou a ser Governador por força de uma nova eleição

Importante!!!
O STJ é incompetente para julgar crime praticado durante mandato anterior de Governador,
ainda que atualmente ocupe referido cargo por força de nova eleição.
Ex: José praticou o crime em 2009, quando era Governador; em 2011, foi eleito Senador; em
2019, assumiu novamente como Governador; esse crime praticado em 2009 será julgado em
1ª instância (e não pelo STJ).
Como o foro por prerrogativa de função exige contemporaneidade e pertinência temática
entre os fatos em apuração e o exercício da função pública, o término de um determinado
mandato acarreta, por si só, a cessação do foro por prerrogativa de função em relação ao ato
praticado nesse intervalo.
STJ. Corte Especial. QO na APn 874-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/05/2019 (Info 649).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO

APOSENTADORIA ESPECIAL
É possível reconhecer como especial a atividade de vigilante, com ou sem o uso de arma de fogo,
desde que comprovada a exposição do trabalhador à atividade nociva, de forma permanente,
não ocasional, nem intermitente

Atenção! Concursos federais


Para fins de aposentadoria especial, é possível reconhecer a caracterização da atividade de
vigilante como especial, com ou sem o uso de arma de fogo, mesmo após a publicação do
Decreto nº 2.172/97, desde que comprovada a exposição do trabalhador à atividade nociva,
de forma permanente, não ocasional, nem intermitente.
STJ. 1ª Seção. Pet 10.679-RN, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 22/05/2019 (Info 649).

Informativo 649-STJ (21/06/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 7


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PENSÃO VITALÍCIA DOS SERINGUEIROS


Não é cabível a percepção simultânea de benefício previdenciário
e da pensão vitalícia dos seringueiros (soldados da borracha)

Atenção! Concursos federais


A Lei nº 7.986/89 disciplinou a pensão vitalícia definindo como beneficiários o próprio
seringueiro e seus dependentes exigindo como requisitos a comprovação do exercício laboral na
atividade e a situação de carência, fixando o valor do benefício em dois salários mínimos mensais.
A pensão vitalícia para assistência dos seringueiros foi inserida no ordenamento jurídico
brasileiro como um auxílio financeiro àqueles trabalhadores que se encontravam em situação
de carência e necessitavam de amparo estatal.
A Lei estabelece como requisito para a concessão do benefício a demonstração de que o
beneficiário não possui meios para a sua subsistência e da sua família. Isso demonstra que a
manutenção do pagamento do benefício é incompatível com a existência de outra renda
mensal ou periódica que garanta o sustento familiar.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.755.140-AM, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 07/02/2019 (Info 649).

DESAPOSENTAÇÃO
Não há previsão legal do direito à desaposentação

No âmbito do Regime Geral de Previdência Social - RGPS, somente lei pode criar benefícios e
vantagens previdenciárias, não havendo, por ora, previsão legal do direito à desaposentação,
sendo constitucional a regra do art. 18, § 2º, da Lei nº 8.213/91.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.334.488-SC, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 27/03/2019 (recurso
repetitivo) (Info 649).

O STJ acompanhou o entendimento do STF, que já havia decidido em 2016:


No âmbito do Regime Geral de Previdência Social - RGPS, somente lei pode criar benefícios e
vantagens previdenciárias, não havendo, por ora, previsão legal do direito à "desaposentação", sendo
constitucional a regra do art. 18, § 2º, da Lei 8.213/1991.
STF. Plenário. RE 381367/RS, RE 661256/SC e RE 827833/SC, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgados
em 26 e 27/10/2016 (repercussão geral) (Info 845).

PREVIDÊNCIA PRIVADA
Cobrança de reserva matemática adicional em razão da majoração da
aposentadoria complementar por força de decisão judicial

Entidade fechada de previdência pode cobrar do beneficiário o pagamento da reserva


matemática adicional, em virtude da majoração, por força de sentença judicial transitada em
julgado, do benefício de aposentadoria complementar.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.624.273-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 21/05/2019 (Info 649).

Informativo 649-STJ (21/06/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 8


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Informativo 648-STJ
Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO CONSTITUCIONAL

DEFENSORIA PÚBLICA
Poder Judiciário não pode impor a nomeação de Defensores Públicos para atuar em processos
da Justiça Militar em discordância dos critérios de alocação de pessoal do órgão

Ao impor a nomeação de Defensores para atuar em processos na Justiça Militar do Distrito


Federal, em discordância com critérios de alocação de pessoal previamente aprovados pelo
Conselho Superior da Defensoria Pública do DF, a autoridade judiciária interfere na
autonomia funcional e administrativa do órgão.
Reconhecida a inexistência de profissionais concursados em número suficiente para atender
toda a população do DF, os critérios indicados pelo Conselho Superior da Defensoria Pública
do DF para a alocação e distribuição dos Defensores Públicos (locais de maior concentração
populacional e de maior demanda, faixa salarial familiar até 5 salários mínimos) revestem-se
de razoabilidade.
STJ. 5ª Turma. RMS 59.413-DF, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 07/05/2019 (Info 648).

DIREITO ADMINISTRATIVO

PODER DE POLÍCIA
O termo “bombeiro civil” pode ser utilizado pelos profissionais
de empresas privadas atuantes no ramo

Profissionais de empresas privadas que exerçam atividade de prevenção e combate ao


incêndio podem adotar a nomenclatura “bombeiro civil”.
O art. 2º da Lei nº 11.901/2009 dispõe que são “bombeiros civis” os empregados contratados
tanto por empresas públicas quanto privadas que exerçam atividade de prevenção e combate
ao incêndio.
A Lei nº 12.664/2012 não revogou a Lei nº 11.901/2009, mas apenas proibiu o uso de
uniformes que possuam insígnias, distintivos e emblemas representativos das instituições
públicas.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.549.433-DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 09/04/2019 (Info 648).

Informativo 648-STJ (07/06/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


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DIREITO CIVIL

ARBITRAGEM
É possível a penhora no rosto dos autos de procedimento de arbitragem

Importante!!!
É possível a penhora no rosto dos autos de procedimento de arbitragem para garantir o
pagamento de dívida cobrada em execução judicial.
A penhora no rosto dos autos consiste apenas numa averbação, cuja finalidade é atingida no
exato momento em que o devedor do executado toma ciência de que o pagamento - ou parte
dele - deverá, quando realizado, ser dirigido ao credor deste, sob pena de responder pela
dívida, nos termos do art. 312 do Código Civil.
Assim, é possível aplicar a regra do art. 860 do CPC ao procedimento de arbitragem a fim de
permitir que o juiz oficie o árbitro para que este faça constar em sua decisão final, acaso
favorável ao executado, a existência da ordem judicial de expropriação.
Ex: a empresa “A” ajuizou execução de título extrajudicial contra a empresa “B”; a exequente
sabia que a empresa “B” estava em procedimento de arbitragem com a empresa “C” discutindo
um contrato; diante disso, a exequente pediu e o juiz decretou a penhora dos direitos, bens e
valores que a empresa “B” eventualmente venha a receber caso seja vencedora no
procedimento arbitral; assim, se a empresa “C” perder a arbitragem, ela irá pagar os valores
não para a empresa “B”, mas sim para a empresa “A”.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.678.224-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 07/05/2019 (Info 648).

LOTEAMENTO
É válida a estipulação, na escritura de compra e venda, espelhada no contrato-padrão
depositado no cartório, de cláusula que preveja a cobrança, pela administradora do loteamento,
das despesas com manutenção e infraestrutura do loteamento

O art. 18, VI, da Lei nº 6.766/79, que dispõe sobre o parcelamento do solo urbano, exige que o
loteador submeta o projeto de loteamento ao registro imobiliário, acompanhado, dentre
outros documentos, do exemplar do contrato-padrão de promessa de venda ou de cessão ou
de promessa de cessão, do qual constarão, obrigatoriamente, as indicações previstas no seu
art. 26 e, eventualmente, outras de caráter negocial, desde que não ofensivas aos princípios
cogentes da referida lei.
É válida a estipulação, na escritura de compra e venda, espelhada no contrato-padrão
depositado no registro imobiliário, de cláusula que preveja a cobrança, pela administradora
do loteamento, das despesas realizadas com obras e serviços de manutenção e/ou
infraestrutura, porque dela foram devidamente cientificados os compradores, que a ela
anuíram inequivocamente.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.569.609-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 07/05/2019 (Info 648).

Informativo 648-STJ (07/06/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2


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DOAÇÃO
A doação remuneratória deve respeitar a legítima dos herdeiros e não pode ser universal

Importante!!!
A doação remuneratória é aquela feita como uma forma de recompensa dada pelo doador pelo
serviço prestado pelo donatário e que, embora quantificável pecuniariamente, não é
juridicamente exigível.
A doação remuneratória deve respeitar os limites impostos pelo legislador.
O Código Civil proíbe a doação universal (doação de todos os bens do doador sem que seja a
ele resguardado o mínimo existencial) e a doação inoficiosa (aquela que ocorre em prejuízo à
legítima dos herdeiros necessários).
O fato de a doação ser remuneratória não a isenta de respeitar essas limitações. Assim, a
doação remuneratória não pode se constituir em uma doação universal nem em uma doação
inoficiosa.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.708.951-SE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/05/2019 (Info 648).

DIREITO DO CONSUMIDOR

RESPONSABILIDADE PELO FATO DO SERVIÇO


Lanchonete não tem o dever de indenizar consumidor vítima de roubo ocorrido
no estacionamento externo e gratuito do estabelecimento

Importante!!!
A Súmula 130 do STJ prevê o seguinte: a empresa responde, perante o cliente, pela reparação
de DANO ou FURTO de veículo ocorridos em seu estacionamento.
Em casos de roubo, o STJ tem admitido a interpretação extensiva da Súmula 130 do STJ, para
entender que há o dever do fornecedor de serviços de indenizar, mesmo que o prejuízo tenha
sido causado por roubo, se este foi praticado no estacionamento de empresas destinadas à
exploração econômica direta da referida atividade (empresas de estacionamento pago) ou
quando o estacionamento era de um grande shopping center ou de uma rede de hipermercado.
Por outro lado, não se aplica a Súmula 130 do STJ em caso de roubo de cliente de lanchonete
fast-food, se o fato ocorreu no estacionamento externo e gratuito por ela oferecido. Nesta
situação, tem-se hipótese de caso fortuito (ou motivo de força maior), que afasta do
estabelecimento comercial proprietário da mencionada área o dever de indenizar.
Logo, a incidência do disposto na Súmula 130 do STJ não alcança as hipóteses de crime de
roubo a cliente de lanchonete praticado mediante grave ameaça e com emprego de arma de
fogo ocorrido no estacionamento externo e gratuito oferecido pelo estabelecimento
comercial.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.431.606-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas
Bôas Cueva, julgado em 15/08/2017 (Info 613).
STJ. 2ª Seção. EREsp 1.431.606/SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 27/03/2019 (Info 648).

Informativo 648-STJ (07/06/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


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ASPECTOS PROCESSUAIS
Qual é o prazo prescricional para o ajuizamento de ação coletiva de consumo?

Tema polêmico!
O prazo de 5 (cinco) anos para o ajuizamento da ação popular não se aplica às ações coletivas
de consumo.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.736.091-PE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/05/2019 (Info 648).
Obs: há inúmeros julgados em sentido contrário:
Inexistindo a previsão de prazo prescricional específico na Lei nº 7.347/85, aplica-se à Ação Civil
Pública, por analogia, a prescrição quinquenal instituída pelo art. 21 da Lei nº 4.717/65.
STJ. 1ª Turma. AgInt no AREsp 814391/RN, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em
27/05/2019.
STJ. 2ª Turma. REsp 1660385/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 05/10/2017.
STJ. 3ª Turma. REsp 1473846/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 21/02/2017.

DIREITO EMPRESARIAL

MARCA
A prescritibilidade do direito de alegar a nulidade de registro de marca, conforme previsto no
art. 174 da Lei nº 9.279/96, não pode ser afastada por meio de aplicação da teoria dualista das
nulidades

O art. 174 da Lei nº 9.279/96 preconiza que: “prescreve em 5 (cinco) anos a ação para declarar
a nulidade do registro, contados da data da sua concessão”.
Teoria dualista das nulidades: divide os atos administrativos defeituosos em nulos e
anuláveis, de sorte que os atos administrativos contaminados por vício de legalidade
poderiam ser invalidados a qualquer tempo pela Administração, em decorrência de seu poder
de autotutela.
A ação de nulidade da marca não pode ser considerada como imprescritível sob pena de
esvaziar o conteúdo normativo do art. 174, além de gerar instabilidade, não somente aos
titulares de registro, mas também a todo o sistema de defesa da propriedade industrial.
A imprescritibilidade não constitui regra no direito brasileiro, sendo admitida somente em
hipóteses excepcionalíssimas que envolvem direitos da personalidade, estado das pessoas,
bens públicos. Os demais casos devem se sujeitar aos prazos prescricionais do Código Civil ou
das leis especiais.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.782.024-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 07/05/2019 (Info 648).

Informativo 648-STJ (07/06/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
Em caso de sentenças prolatadas a partir de 18/03/2016, a condenação em honorários
advocatícios deverá observar o CPC/2015

A sentença, como ato processual que qualifica o nascedouro do direito à percepção dos
honorários advocatícios, deve ser considerada o marco temporal para a aplicação das regras
fixadas pelo CPC/2015.
Assim, nos casos de sentença proferida a partir do dia 18/3/2016, deverão ser utilizadas as
normas do novo CPC relativas aos honorários sucumbenciais.
STJ. Corte Especial. EAREsp 1255986/PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 20/03/2019 (Info 648).

EXECUÇÃO
É possível a penhora no rosto dos autos de procedimento de arbitragem

Importante!!!
É possível a penhora no rosto dos autos de procedimento de arbitragem para garantir o
pagamento de dívida cobrada em execução judicial.
A penhora no rosto dos autos consiste apenas numa averbação, cuja finalidade é atingida no
exato momento em que o devedor do executado toma ciência de que o pagamento - ou parte
dele - deverá, quando realizado, ser dirigido ao credor deste, sob pena de responder pela
dívida, nos termos do art. 312 do Código Civil.
Assim, é possível aplicar a regra do art. 860 do CPC ao procedimento de arbitragem a fim de
permitir que o juiz oficie o árbitro para que este faça constar em sua decisão final, acaso
favorável ao executado, a existência da ordem judicial de expropriação.
Ex: a empresa “A” ajuizou execução de título extrajudicial contra a empresa “B”; a exequente
sabia que a empresa “B” estava em procedimento de arbitragem com a empresa “C” discutindo
um contrato; diante disso, a exequente pediu e o juiz decretou a penhora dos direitos, bens e
valores que a empresa “B” eventualmente venha a receber caso seja vencedora no
procedimento arbitral; assim, se a empresa “C” perder a arbitragem, ela irá pagar os valores
não para a empresa “B”, mas sim para a empresa “A”.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.678.224-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 07/05/2019 (Info 648).

EXECUÇÃO FISCAL
Não cabe mandado de segurança para atacar decisão judicial
que se enquadra na hipótese do art. 34 da Lei nº 6.830/80

Importante!!!
Segundo o art. 34 da Lei nº 6.830/80, das sentenças de primeira instância proferidas em
execuções de valor igual ou inferior a 50 Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional - ORTN,
só se admitirão embargos infringentes e de declaração. Em outras palavras, não cabe apelação.
Essa previsão é constitucional: “É compatível com a Constituição o art. 34 da Lei 6.830/1980,
que afirma incabível apelação em casos de execução fiscal cujo valor seja inferior a 50 ORTN”
(STF ARE 637.975-RG/MG).

Informativo 648-STJ (07/06/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 5


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Vale ressaltar também que, contra essa decisão, cabe recurso extraordinário, nos termos da
Súmula 640 do STF: É cabível recurso extraordinário contra decisão proferida por juiz de
primeiro grau nas causas de alçada, ou por turma recursal de Juizado Especial Cível ou Criminal.
Considerando que não cabe apelação, seria possível a impetração de mandado de segurança
contra a sentença proferida nos termos do art. 40 da LEF? NÃO. Isso porque é incabível o
emprego do mandado de segurança como sucedâneo recursal.
Diante disso, o STJ fixou a seguinte tese:
Não é cabível mandado de segurança contra decisão proferida em execução fiscal no contexto
do art. 34 da Lei nº 6.830/80.
STJ. 1ª Seção. IAC no RMS 54.712-SP, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 10/04/2019 (Info 648).

EXECUÇÃO FISCAL
Para que haja o redirecionamento da execução fiscal, é necessária a instauração
de incidente de desconsideração da personalidade jurídica?

Para que haja o redirecionamento da execução fiscal, é necessária a instauração de incidente


de desconsideração da personalidade jurídica?
NÃO. Julgado da 2ª Turma do STJ
É prescindível o incidente de desconsideração da personalidade jurídica para o
redirecionamento da execução fiscal na sucessão de empresas com a configuração de grupo
econômico de fato e em confusão patrimonial.
Na ementa consta, de forma genérica, que o incidente de desconsideração seria incompatível
com a execução fiscal:
“A previsão constante no art. 134, caput, do CPC/2015, sobre o cabimento do incidente de
desconsideração da personalidade jurídica, na execução fundada em título executivo
extrajudicial, não implica a incidência do incidente na execução fiscal regida pela Lei nº
6.830/1980, verificando-se verdadeira incompatibilidade entre o regime geral do Código de
Processo Civil e a Lei de Execuções, que diversamente da Lei geral, não comporta a
apresentação de defesa sem prévia garantia do juízo, nem a automática suspensão do
processo, conforme a previsão do art. 134, § 3º, do CPC/2015. Na execução fiscal a aplicação
do CPC é subsidiária, ou seja, fica reservada para as situações em que as referidas leis são
silentes e no que com elas compatível (...)”
“Evidenciadas as situações previstas nos arts. 124, 133 e 135, todos do CTN, não se apresenta
impositiva a instauração do incidente de desconsideração da personalidade jurídica, podendo
o julgador determinar diretamente o redirecionamento da execução fiscal para
responsabilizar a sociedade na sucessão empresarial.”
STJ. 2ª Turma. REsp 1.786.311-PR, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 09/05/2019 (Info 648).

SIM, em algumas hipóteses. Julgado da 1ª Turma do STJ.


Como foi divulgado no Informativo:
É necessária a instauração do incidente de desconsideração da personalidade da pessoa
jurídica devedora para o redirecionamento de execução fiscal a pessoa jurídica que integra o
mesmo grupo econômico, mas que não foi identificada no ato de lançamento (Certidão de
Dívida Ativa) ou que não se enquadra nas hipóteses dos arts. 134 e 135 do CTN.
Para a 1ª Turma, o incidente somente é necessário em algumas situações de
redirecionamento. Podemos assim resumir:
• Não é necessária a instauração do incidente de desconsideração da personalidade jurídica
(art. 133 do CPC/2015) no processo de execução fiscal no caso em que a Fazenda Pública

Informativo 648-STJ (07/06/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 6


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exequente pretende alcançar pessoa distinta daquela contra a qual, originalmente, foi
ajuizada a execução, mas cujo nome consta na Certidão de Dívida Ativa, após regular
procedimento administrativo, ou, mesmo o nome não estando no título executivo, o Fisco
demonstre a responsabilidade, na qualidade de terceiro, em consonância com os arts. 134 e
135 do CTN.
• Por outro lado, é necessária a instauração do incidente de desconsideração da personalidade
da pessoa jurídica devedora para o redirecionamento de execução fiscal a pessoa jurídica que
integra o mesmo grupo econômico, mas que não foi identificada no ato de lançamento
(Certidão de Dívida Ativa) ou que não se enquadra nas hipóteses dos arts. 134 e 135 do CTN.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.775.269-PR, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 21/02/2019 (Info 643).

DIREITO PENAL

CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO


Adulterar o sistema de medição da energia elétrica para
pagar menos que o devido: estelionato (não é furto)

Importante!!!
A alteração do sistema de medição, mediante fraude, para que aponte resultado menor do que
o real consumo de energia elétrica configura estelionato.
Ex: as fases “A” e “B” do medidor foram isoladas por um material transparente, que permitia a
alteração do relógio fazendo com que fosse registrada menos energia do que a consumida.
STJ. 5ª Turma. AREsp 1.418.119-DF, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 07/05/2019 (Info 648).

Cuidado para não confundir:


• agente desvia a energia elétrica por meio de ligação clandestina (“gato”):crime de FURTO (há
subtração e inversão da posse do bem).
• agente altera o sistema de medição para que aponte resultado menor do que o real consumo: crime
de ESTELIONATO.

CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO


A aplicação financeira realizada por meio da aquisição de cotas de fundo de investimento no
exterior sem que isso seja declarado ao BACEN configura o crime do art. 22, parágrafo único,
parte final, da Lei nº 7.492/86

Importante!!!
A aplicação financeira não declarada à repartição federal competente no exterior se subsume
ao tipo penal previsto na parte final do parágrafo único do art. 22 da Lei nº 7.492/86.
Art. 22. (...) Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, a qualquer título, promove, sem
autorização legal, a saída de moeda ou divisa para o exterior, ou nele mantiver depósitos não
declarados à repartição federal competente.
Ex: indivíduo residente no Brasil subscreveu cotas de fundo de investimento sediado nas Ilhas
Cayman e não informou a existência de tais valores na declaração de capitais brasileiros no
exterior, que deveria ter sido entregue ao Bacen.
STJ. 5ª Turma. AREsp 774.523-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 07/05/2019 (Info 648).

Informativo 648-STJ (07/06/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 7


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DIREITO PROCESSUAL PENAL


COMPETÊNCIA
Compete à Justiça Estadual julgar crime cometido a bordo de balão

Importante!!!
Compete à Justiça Estadual o julgamento de crimes ocorridos a bordo de balões de ar quente
tripulados.
Os balões de ar quente tripulados não se enquadram no conceito de “aeronave” (art. 106 da
Lei nº 7.565/86), razão pela qual não se aplica a competência da Justiça Federal prevista no
art. 109, IX, da CF/88).
STJ. 3ª Seção. CC 143.400-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/04/2019 (Info 648).

INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA
É dever do Estado a disponibilização da integralidade das conversas advindas nos autos de
forma emprestada, sendo inadmissível a seleção pelas autoridades de persecução de partes dos
áudios interceptados

Situação concreta: durante uma investigação para apurar tráfico de drogas, o juiz da vara
criminal decretou a interceptação telefônica dos suspeitos. Durante os diálogos, constatou-se
a participação de um militar. O militar foi, então, denunciado na Justiça Militar. Os diálogos
interceptados foram juntados aos autos do processo penal militar como prova emprestada,
oriundos da vara criminal. Ocorre que o juiz da vara criminal não remeteu à Justiça Militar a
integralidade dos áudios, mas apenas os trechos em que se entendia que havia a participação
do militar.
O STJ entendeu que esse procedimento não foi correto. Isso porque houve “quebra da cadeia
de custódia da prova”.
A cadeia de custódia da prova consiste no caminho que deve ser percorrido pela prova até a
sua análise pelo magistrado, sendo certo que qualquer interferência indevida durante esse
trâmite processual pode resultar na sua imprestabilidade (RHC 77.836/PA, Rel. Min. Ribeiro
Dantas, julgado em 05/02/2019).
A defesa deve ter acesso à integralidade das conversas advindas nos autos de forma
emprestada, sendo inadmissível que as autoridades de persecução façam a seleção dos
trechos que ficarão no processo e daqueles que serão extraídos.
A apresentação de somente parcela dos áudios, cuja filtragem foi feita sem a presença do
defensor, acarreta ofensa ao princípio da paridade de armas e ao direito à prova, porquanto a
pertinência do acervo probatório não pode ser realizada apenas pela acusação, na medida em
que gera vantagem desarrazoada em detrimento da defesa.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.795.341-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 07/05/2019 (Info 648).
Obs: vale ressaltar que o caso acima explicado trata sobre falta de acesso à integralidade da
interceptação telefônica e não sobre falta de transcrição ou degravação integral das conversas
obtidas. O entendimento da jurisprudência do STF e do STJ é o de que não é obrigatória a transcrição
integral do conteúdo das interceptações telefônicas. Isso não foi alterado pelo julgado acima, que trata
sobre hipótese diferente.

Informativo 648-STJ (07/06/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 8


Informativo comentado:
Informativo 647-STJ (RESUMIDO)
Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO ADMINISTRATIVO

PODER DE POLÍCIA
Agência de turismo que faça câmbio é equiparada a instituição financeira
e está sujeita à fiscalização do BACEN

Atenção! Concursos federais


A agência de turismo devidamente credenciada para efetuar operações de câmbio é
equiparada a instituição financeira e subordina-se à regular intervenção fiscalizatória do
Banco Central.
Consideram-se instituições financeiras as pessoas jurídicas públicas ou privadas que tenham
como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos
financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor
de propriedade de terceiros (art. 17 da Lei nº 4.595/64).
STJ. 1ª Turma. REsp 1.434.625-CE, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 09/04/2019 (Info 647).
Obs: esse mesmo entendimento pode ser aplicado para a seara dos crimes contra o Sistema
Financeiro Nacional (art. 1º, I, da Lei nº 7.492/86): STJ. 5ª Turma. RHC 9.281/PR, Rel. Min. Gilson
Dipp, DJe 30/10/2000.

DIREITO CIVIL

RESPONSABILIDADE CIVIL
O companheiro que, com seu comportamento, assume o risco de transmissão do vírus HIV à
parceira, deve pagar indenização pelos danos morais e materiais a ela causados

Importante!!!
O parceiro que suspeita de sua condição soropositiva, por ter adotado comportamento
sabidamente temerário (vida promíscua, utilização de drogas injetáveis, entre outros), e,
mesmo assim, continua normalmente tendo relações sexuais com sua companheira sem
alertá-la para esse fato, assume os riscos de sua conduta e, se ela for contaminada, responde
civilmente pelos danos causados.
A negligência, incúria e imprudência mostram-se evidentes quando o cônjuge/companheiro,
ciente de sua possível contaminação, não realiza o exame de HIV, não informa o parceiro sobre
a probabilidade de estar infectado nem utiliza métodos de prevenção.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.760.943-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 19/03/2019 (Info 647).

Informativo 647-STJ (24/05/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


Informativo
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SEGURO
Súmula 632-STJ
Correção monetária nos contratos de seguro

Súmula 632-STJ: Nos contratos de seguro regidos pelo Código Civil, a correção monetária
sobre a indenização securitária incide a partir da contratação até o efetivo pagamento.
STJ. 2ª Seção. Aprovada em 08/05/2019, DJe 13/05/2019.

DIREITO DO CONSUMIDOR

CONTRATOS BANCÁRIOS
É válida a recusa das instituições financeiras de concederem empréstimo consignado nos casos
em que a soma da idade do cliente com o prazo de duração do contrato seja superior a 80 anos

A instituição financeira se recusa a fazer empréstimo consignado caso a idade do cliente


somada com o prazo do contrato for maior que 80 anos. Ex: cliente tem 78 anos e o contrato
de empréstimo teria prazo de pagamento de 3 anos. Neste caso, a instituição financeira não
aceita celebrar o pacto.
Essa restrição não representa uma discriminação abusiva contra os idosos.
A adoção de critério etário para distinguir o tratamento da população em geral é válida
quando adequadamente justificada e fundamentada no ordenamento jurídico, sempre
atentando-se para a sua razoabilidade diante dos princípios da igualdade e da dignidade da
pessoa humana.
Esse critério de vedação ao crédito consignado para tais hipóteses não representa
discriminação negativa que coloque em desvantagem exagerada a população idosa,
considerando que esta poderá se valer de outras modalidades de crédito bancário.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.783.731-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/04/2019 (Info 647).

DIREITO EMPRESARIAL

CHEQUE
O dever de garantia do emitente do cheque, previsto no art. 15 da Lei nº 7.357/85,
não pode ser afastado com fundamento nos costumes e no princípio da boa-fé objetiva

O emitente garante o pagamento do valor contido no cheque, considerando-se não escrita a


declaração pela qual se exima dessa garantia (art. 15 da Lei nº 7.357/85).
Esse dever de garantia do emitente do cheque não poder ser afastado com fundamento nos
costumes e no princípio da boa-fé objetiva.
Não há lacuna neste caso. Na ausência de lacuna, não cabe ao julgador se valer de um costume
para afastar a aplicação da lei, sob pena de ofensa ao art. 4º da LINDB.
De igual modo, a flexibilização do art. 15 da Lei nº 7.357/85, sob o argumento do princípio da
boa-fé objetiva, não tem o condão de excluir o dever de garantia do emitente do cheque, sob
pena de se comprometer a segurança na tutela do crédito, pilar fundamental das relações
jurídicas dessa natureza.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.787.274-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/04/2019 (Info 647).

Informativo 647-STJ (24/05/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2


Informativo
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ECA

PROCEDIMENTO
A contagem dos prazos nos ritos regulados pelo ECA ocorre em dias CORRIDOS
(não se aplica a regra dos dias úteis do CPC/2015)

Segundo o texto expresso do ECA, em todos os recursos, salvo os embargos de declaração, o


prazo será decenal (art. 198, II) e a sua contagem ocorrerá de forma corrida, excluído o dia do
começo e incluído o do vencimento, vedado o prazo em dobro para o Ministério Público (art.
152, § 2º).
Desse modo, por força do critério da especialidade, os prazos dos procedimentos regulados
pelo ECA são contados em dias corridos, não havendo que se falar em aplicação subsidiária do
art. 219 do CPC/2015, que prevê o cálculo em dias úteis.
STJ. 6ª Turma. HC 475.610/DF, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 26/03/2019 (Info 647).

DIREITO PROCESSUAL CIVIL


INTIMAÇÕES
Na hipótese de duplicidade de intimações, prevalece a intimação eletrônica
sobre aquela realizada por meio do Diário de Justiça

Importante!!!
A partir da leitura da Lei nº 11.419/2006 em conjunto com o art. 272 do CPC/2015, conclui-se
que a comunicação dos atos processuais aos advogados ocorre, em regra, mediante a
intimação por via eletrônica, valorizando-se a informatização dos processos judiciais.
Assim, a intimação eletrônica prevalece sobre a publicação no Diário de Justiça no caso de
duplicidade de intimações.
STJ. 2ª Turma. AgInt nos EDcl no AREsp 981.940/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em
16/05/2017.
STJ. 3ª Turma. AgInt no AREsp 903.091-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em
16/3/2017 (Info 601).
STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1330052/RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 26/03/2019
(Info 647).
Vale ressaltar que a posição acima não é pacífica e que existem precedentes em sentido contrário:
STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp 929.175/RJ, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 17/08/2017; STJ. 3ª
Turma. AgInt no AREsp 1101413/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 17/10/2017.

AÇÃO DE EXIGIR CONTAS


Termo inicial do prazo de 48 horas, previsto no art. 915, § 2º, do CPC/1973,
para a prestação de contas por parte do réu: data da intimação

O prazo de 48 horas para a apresentação das contas pelo réu, previsto no art. 915, § 2º, do
CPC/1973, deve ser computado a partir da intimação do trânsito em julgado da sentença que
reconheceu o direito do autor de exigir a prestação de contas.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.582.877-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/04/2019 (Info 647).

Informativo 647-STJ (24/05/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


Informativo
comentado

DIREITO PENAL

DOSIMETRIA DA PENA
Condenações anteriores transitadas em julgado não podem ser
utilizadas como personalidade ou conduta social desfavorável

Importante!!!
Eventuais condenações criminais do réu transitadas em julgado e não utilizadas para
caracterizar a reincidência somente podem ser valoradas, na primeira fase da dosimetria, a
título de antecedentes criminais, não se admitindo sua utilização também para desvalorar a
personalidade ou a conduta social do agente.
A conduta social e a personalidade do agente não se confundem com os antecedentes
criminais, porquanto gozam de contornos próprios - referem-se ao modo de ser e agir do autor
do delito -, os quais não podem ser deduzidos, de forma automática, da folha de antecedentes
criminais do réu. Trata-se da atuação do réu na comunidade, no contexto familiar, no trabalho,
na vizinhança (conduta social), do seu temperamento e das características do seu caráter, aos
quais se agregam fatores hereditários e socioambientais, moldados pelas experiências vividas
pelo agente (personalidade social).
Já a circunstância judicial dos antecedentes se presta eminentemente à análise da folha
criminal do réu, momento em que eventual histórico de múltiplas condenações definitivas
pode, a critério do julgador, ser valorado de forma mais enfática, o que, por si só, já demonstra
a desnecessidade de se valorar negativamente outras condenações definitivas nos vetores
personalidade e conduta social.
STJ. 3ª Seção. EAREsp 1.311.636-MS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 10/04/2019
(Info 947).

DIREITO PROCESSUAL PENAL

PRISÃO
A concessão da prisão domiciliar com base no art. 318-A do CPP
aplica-se também no caso de execução provisória da pena

Importante!!!
É possível a concessão de prisão domiciliar, ainda que se trate de execução provisória da pena,
para condenada gestante ou que seja mãe ou responsável por crianças ou pessoas com
deficiência.
Art. 318-A. A prisão preventiva imposta à mulher gestante ou que for mãe ou responsável por
crianças ou pessoas com deficiência será substituída por prisão domiciliar, desde que:
I - não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa;
II - não tenha cometido o crime contra seu filho ou dependente.
STJ. 5ª Turma. HC 487.763-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 02/04/2019 (Info 647).

Informativo 647-STJ (24/05/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


Informativo
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DIREITO TRIBUTÁRIO
PARCELAMENTO
É ilegal a cobrança de juros de mora sobre as multas de mora e de ofício perdoadas no
pagamento à vista do débito fiscal de acordo com o art. 1º, § 3º, inciso I da Lei nº 11.941/2009

O art. 1º, § 3º, inciso I, da Lei nº 11.941/2009 expressamente dispõe que o contribuinte optante
pelo pagamento à vista do débito fiscal será beneficiado com redução de 100% do valor das
multas moratória e de ofício.
A fim de estimular a quitação da dívida de uma só vez (“à vista”), o legislador optou por elidir, de
imediato, o ônus da multa que recairia sobre o contribuinte, antes da composição final do débito.
Procedimento inverso, consistente na apuração do montante total da dívida, mediante o
somatório do valor principal com o das multas para, só então, implementar a redução do
percentual, redundaria, ao final, em juros de mora indevidamente embutidos, subvertendo-se
o propósito desonerador da lei, em especial se considerada a opção pelo pagamento à vista.
Em outras palavras, tal entender conduziria à exigência de juros moratórios sobre multas
totalmente perdoadas, o que se revela desarrazoado.
Assim, é ilegal o art. 16, caput, da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 6/2009, que determina a
incidência dos juros de mora, no pagamento à vista do débito, sobre o somatório do valor
principal com as multas moratória e de ofício.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.573.873-PR, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 25/04/2019 (Info 647).

CONTRIBUIÇÕES
ICMS não integra a base de cálculo da CPRB

Os valores de ICMS não integram a base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a


Receita Bruta - CPRB, instituída pela Medida Provisória nº 540/2011, convertida na Lei nº
12.546/2011.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.624.297/RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 10/04/2019 (recurso
repetitivo) (Info 647).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO

PREVIDÊNCIA PRIVADA
O regulamento aplicável ao participante para fins de cálculo da renda mensal inicial é aquele
vigente no momento da implementação das condições de elegibilidade

O regulamento aplicável ao participante de plano fechado de previdência privada para fins de


cálculo da renda mensal inicial do benefício complementar é aquele vigente no momento da
implementação das condições de elegibilidade, haja vista a natureza civil e estatutária, e não
o da data da adesão, assegurado o direito acumulado.
Esse entendimento se aplica a quaisquer das modalidades de planos de benefícios, como os
Planos de Benefício Definido (BD), os Planos de Contribuição Definida (CD) e os Planos de
Contribuição Variável (CV).
STJ. 2ª Seção. REsp 1435837/RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. p/ Acórdão Min. Ricardo
Villas Bôas Cueva, julgado em 27/02/2019 (recurso repetitivo) (Info 647).

Informativo 647-STJ (24/05/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 5


Informativo comentado:
Informativo 646-STJ (RESUMIDO)
Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO ADMINISTRATIVO

SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS


Serviços sociais autônomos não devem figurar no polo passivo de ação proposta pelo
contribuinte discutindo a exigibilidade das contribuições sociais

As entidades dos serviços sociais autônomos não possuem legitimidade passiva nas ações
judiciais em que se discute a relação jurídico-tributária entre o contribuinte e a União e a
repetição de indébito das contribuições sociais recolhidas.
Os serviços sociais são meros destinatários de subvenção econômica e, como pessoas jurídicas
de direito privado, não participam diretamente da relação jurídico-tributária entre
contribuinte e ente federado.
O direito que tais entidades possuem à receita decorrente da subvenção não gera interesse
jurídico a ponto de justificar a ocorrência de litisconsórcio com a União. O interesse dos
serviços sociais autônomos nesta lide é reflexo e meramente econômico.
STJ. 1ª Seção. EREsp 1.619.954-SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 10/04/2019 (Info 646).

ACUMULAÇÃO DE CARGOS
Possibilidade de acumulação de cargos mesmo que a jornada semanal ultrapasse 60h

A acumulação de cargos públicos de profissionais da área de saúde, prevista no art. 37, XVI, da
CF/88, não se sujeita ao limite de 60 horas semanais. Isso porque não existe esse requisito na
Constituição Federal.
O único requisito estabelecido para a acumulação é a compatibilidade de horários no exercício
das funções, cujo cumprimento deverá ser aferido pela Administração Pública.
STF. 1ª Turma. RE 1176440/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 9/4/2019 (Info 937).
STF. 2ª Turma. RMS 34257 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 29/06/2018.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.767.955-RJ, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 27/03/2019 (Info 646).

DIREITO CIVIL

CONDOMÍNIO
Honorários de sucumbência decorrentes de ação de cobrança de
cotas condominiais não possuem natureza propter rem

As verbas de sucumbência, decorrentes de condenação em ação de cobrança de cotas


condominiais, não possuem natureza ambulatória (propter rem).

Informativo 646-STJ (10/05/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


Informativo
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O art. 1.345 do CC estabelece que o adquirente de unidade responde pelos débitos do


alienante, em relação ao condomínio, inclusive multas e juros moratórios.
A obrigação de pagar as verbas de sucumbência, ainda que sejam elas decorrentes de sentença
proferida em ação de cobrança de cotas condominiais, não pode ser qualificada como
ambulatória (propter rem), seja porque tal prestação não se enquadra dentre as hipóteses
previstas no art. 1.345 do CC para o pagamento de despesas indispensáveis e inadiáveis do
condomínio, seja porque os honorários constituem direito autônomo do advogado, não
configurando débito do alienante em relação ao condomínio, senão débito daquele em relação
ao advogado deste.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.730.651-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 09/04/2019 (Info 646).

DOAÇÃO
Possibilidade de cancelamento de cláusula de inalienabilidade
instituída pelos pais em relação ao imóvel doado aos filhos

É possível o cancelamento da cláusula de inalienabilidade de imóvel após a morte dos


doadores se não houver justa causa para a manutenção da restrição ao direito de propriedade.
A doação do genitor para os filhos e a instituição de cláusula de inalienabilidade, por
representar adiantamento de legítima, deve ser interpretada na linha do que prescreve o art.
1. 848 do CC, exigindo-se justa causa notadamente para a instituição da restrição ao direito de
propriedade.
Caso concreto: decidiu ser possível o cancelamento da cláusula de inalienabilidade após a
morte dos doadores, considerando que já se passou quase duas décadas do ato de liberalidade
e tendo em vista a ausência de justa causa para a manutenção da restrição. Não havendo justo
motivo para que se mantenha congelado o bem sob a propriedade dos donatários, todos
maiores, que manifestam não possuir interesse em manter sob o seu domínio o imóvel, há de
se cancelar as cláusulas que o restringem.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.631.278-PR, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 19/03/2019
(Info 646).

ALIMENTOS
O prazo para a interposição de recurso ordinário em habeas corpus contra decisão do TJ que
nega liberdade para devedor de alimentos é de 5 dias (não é 15 dias)

O prazo para interposição de recurso ordinário em habeas corpus, ainda que se trate de
matéria não criminal, continua sendo de 5 dias, nos termos do art. 30 da Lei nº 8.038/90, não
se aplicando à hipótese os arts. 1.003, §5º, e 994, V, do CPC/2015.
Ex: recurso ordinário contra decisão do TJ que negou habeas corpus a indivíduo que se
encontra preso em razão de dívida de alimentos.
STJ. 3ª Turma. RHC 109.330-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 09/04/2019 (Info 646).

Informativo 646-STJ (10/05/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2


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DIREITO DO CONSUMIDOR

PLANO DE SAÚDE
É vedada à operadora de plano de saúde a resilição unilateral imotivada dos
contratos de planos coletivos empresariais com menos de trinta beneficiários

O art. 13, parágrafo único, II, da Lei nº 9.656/98, que veda a resilição unilateral dos contratos
de plano de saúde, não se aplica às modalidades coletivas, tendo incidência apenas nas
espécies individuais ou familiares.
No entanto, no caso de planos coletivos empresariais com menos de trinta usuários, em vista
da vulnerabilidade da empresa estipulante, dotada de escasso poder de barganha, não se
admite a simples rescisão unilateral pela operadora de plano de saúde, havendo necessidade
de motivação idônea.
STJ. 3ª Turma. REsp 1553013/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 13/03/2018.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.776.047-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 23/04/2019 (Info 646).

DIREITO EMPRESARIAL

MARCA
A aquisição de distintividade de marca não gera como decorrência
lógica, direta e automática a exclusividade de seu uso

Marcas “fracas”, evocativas, descritivas ou sugestivas: são aquelas que apresentam baixo grau
de distintividade, por se constituírem a partir de expressões que remetem à finalidade,
natureza ou características do produto ou serviço por elas identificado. São formadas,
portanto, por expressões de uso comum, de pouca originalidade. Ex: “American Airlines”
(empresa de serviços de transporte aéreo).
Em caso de marcas evocativas ou sugestivas, a exclusividade conferida ao titular do registro
comporta mitigação, devendo ele suportar o ônus da convivência com outras marcas
semelhantes. Ex: “American Airlines” teve que aceitar outra marca registrada como “America
Air” (empresa brasileira que atua como táxi aéreo). Isso porque no caso de uso de marcas
evocativas ou descritivas, a anterioridade do registro não justifica o uso exclusivo de uma
expressão dotada de baixo vigor inventivo.
A “American Airlines” buscou anular o registro da marca nominativa “America Air” invocando
a teoria da “distintividade adquirida” (significação secundária ou secondary meaning). O
fenômeno da distintividade adquirida ocorre quando um signo de caráter comum, descritivo
ou evocativo foi utilizado durante tanto tempo, alcançando tantas pessoas, que passou a
adquirir eficácia distintiva suficiente, a ponto de possibilitar seu registro como marca.
O STJ não acolheu a tese. Diante do fato de as duas marcas serem evocativas e considerando
que as empresas prestam serviços distintos (não tendo sido constatada a possibilidade de
confusão junto ao público), inexiste qualquer razão jurídica que justifique a declaração de
nulidade do registro marcário da “America Air”.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.773.244/RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 02/04/2019 (Info 646).

Informativo 646-STJ (10/05/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


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TÍTULOS DE CRÉDITO
O instrumento de cessão fiduciária de direitos creditórios deve indicar,
de maneira precisa, o crédito, e não o título objeto de cessão

Na cessão fiduciária de direitos creditórios, para a perfectibilização do negócio fiduciário, o


correlato instrumento deve indicar, de maneira precisa, o crédito objeto de cessão e não os
títulos representativos do crédito.
O objeto da cessão fiduciária são os direitos creditórios que devem estar devidamente
especificados no instrumento contratual (e não o título objeto da cessão, que apenas os
representa).
STJ. 3ª Turma. REsp 1.797.196-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 09/04/2019 (Info 646).

SOCIEDADE LIMITADA
A sucessão civil e processual dos sócios de sociedade limitada, extinta por meio do distrato, é
efetivada por meio do procedimento de habilitação, e não pela via da desconsideração da
personalidade jurídica

A extinção da pessoa jurídica se equipara à morte da pessoa natural (art. 110 do CPC/2015),
atraindo a sucessão material e processual com os temperamentos próprios do tipo societário
e da gradação da responsabilidade pessoal dos sócios.
Em sociedades de responsabilidade limitada, após integralizado o capital social, os sócios não
respondem com seu patrimônio pessoal pelas dívidas titularizadas pela sociedade, de modo
que o deferimento da sucessão dependerá intrinsecamente da demonstração de existência de
patrimônio líquido positivo e de sua efetiva distribuição entre seus sócios.
A demonstração da existência de fundamento jurídico para a sucessão da empresa extinta
pelos seus sócios poderá ser objeto de controvérsia a ser apurada no procedimento de
habilitação, que é previsto no art. 687 do CPC/2015, aplicável por analogia à extinção de
empresas no curso de processo judicial.
A desconsideração da personalidade jurídica não é, portanto, via cabível para promover a
inclusão dos sócios em demanda judicial, da qual a sociedade era parte legítima, sendo medida
excepcional para os casos em que verificada a utilização abusiva da pessoa jurídica.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.784.032-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 02/04/2019 (Info 646).

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL


O prazo para a interposição de recurso ordinário em habeas corpus contra decisão do TJ que
nega liberdade para devedor de alimentos é de 5 dias (não é 15 dias)

O prazo para interposição de recurso ordinário em habeas corpus, ainda que se trate de
matéria não criminal, continua sendo de 5 dias, nos termos do art. 30 da Lei nº 8.038/90, não
se aplicando à hipótese os arts. 1.003, §5º, e 994, V, do CPC/2015.
Ex: recurso ordinário contra decisão do TJ que negou habeas corpus a indivíduo que se
encontra preso em razão de dívida de alimentos.
STJ. 3ª Turma. RHC 109.330-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 09/04/2019 (Info 646).

Informativo 646-STJ (10/05/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


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RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL


O juízo de admissibilidade do recurso ordinário em mandado de segurança
é feito pelo STJ (e não pelo TJ ou TRF recorrido)

Novo CPC
Em recurso ordinário em mandado de segurança, o exercício de juízo de admissibilidade por
tribunais federais e estaduais caracteriza usurpação de competência do Superior Tribunal de
Justiça, sendo cabível reclamação.
O recurso ordinário em mandado de segurança deve ser imediatamente remetido pelo TJ ou
TRF ao Tribunal Superior, independentemente de juízo prévio de admissibilidade.
STJ. 2ª Seção. Rcl 35.958-CE, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 10/04/2019 (Info 646).

PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE
A prescrição intercorrente por ausência de localização de bens não retira o princípio da
causalidade em desfavor do devedor, nem atrai a sucumbência para o exequente

Declarada a prescrição intercorrente por ausência de localização de bens, incabível a fixação


de verba honorária em favor do executado.
Por força dos princípios da efetividade do processo, da boa-fé processual e da cooperação, não
pode o devedor se beneficiar do não-cumprimento de sua obrigação.
O fato de o exequente não localizar bens do devedor não pode significar mais uma penalidade
contra ele, considerando que, embora tenha vencido a fase de conhecimento, não terá êxito
prático com o processo.
Do contrário, o devedor que não apresentou bens suficientes ao cumprimento da obrigação
ainda sairia vitorioso na lide, fazendo jus à verba honorária em prol de sua defesa, o que se
revelaria teratológico, absurdo, aberrante.
Assim, a responsabilidade pelo pagamento de honorários e custas deve ser fixada com base no
princípio da causalidade, segundo o qual a parte que deu causa à instauração do processo deve
suportar as despesas dele decorrentes.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.769.201/SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 12/03/2019 (Info 646).

DIREITO PENAL

CONFISSÃO
Súmula 630-STJ
Para ter direito à atenuante no caso do crime de tráfico de drogas, é necessário que o réu
admita que traficava, não podendo dizer que era mero usuário

Súmula 630-STJ: A incidência da atenuante da confissão espontânea no crime de tráfico ilícito


de entorpecentes exige o reconhecimento da traficância pelo acusado, não bastando a mera
admissão da posse ou propriedade para uso próprio.
STJ. 3ª Seção. Aprovada em 24/04/2019, DJe 29/04/2019.

Informativo 646-STJ (10/05/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 5


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INDULTO
Súmula 631-STJ
O indulto extingue somente a pena ou medida de segurança,
não interferindo nos efeitos secundários da condenação

Súmula 631-STJ: O indulto extingue os efeitos primários da condenação (pretensão


executória), mas não atinge os efeitos secundários, penais ou extrapenais.
STJ. 3ª Seção. Aprovada em 24/04/2019, DJe 29/04/2019.

DIREITO TRIBUTÁRIO

CONTRIBUIÇÕES
Serviços sociais autônomos não devem figurar no polo passivo de ação proposta pelo
contribuinte discutindo a exigibilidade das contribuições sociais

As entidades dos serviços sociais autônomos não possuem legitimidade passiva nas ações
judiciais em que se discute a relação jurídico-tributária entre o contribuinte e a União e a
repetição de indébito das contribuições sociais recolhidas.
Os serviços sociais são meros destinatários de subvenção econômica e, como pessoas jurídicas
de direito privado, não participam diretamente da relação jurídico-tributária entre
contribuinte e ente federado.
O direito que tais entidades possuem à receita decorrente da subvenção não gera interesse
jurídico a ponto de justificar a ocorrência de litisconsórcio com a União. O interesse dos
serviços sociais autônomos nesta lide é reflexo e meramente econômico.
STJ. 1ª Seção. EREsp 1.619.954-SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 10/04/2019 (Info 646).

Informativo 646-STJ (10/05/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 6


Informativo comentado:
Informativo 645-STJ (RESUMIDO)
Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO ADMINISTRATIVO

CONCURSO PÚBLICO
A candidata que está amamentando (lactante) na época do curso de formação para o cargo de
agente penitenciário tem direito de fazer o curso em um período posterior

Importante!!!
É constitucional a remarcação de curso de formação para o cargo de agente penitenciário
feminino de candidata que esteja lactante à época de sua realização, independentemente da
previsão expressa em edital do concurso público.
STJ. 1ª Turma. RMS 52.622-MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 26/03/2019 (Info 645).

DIREITO CIVIL

DIREITOS DA PERSONALIDADE
Não se exige que o indivíduo tenha deixado um documento escrito dizendo que desejava ser
submetido à criogenia, podendo essa vontade ser provada por outros meios, como a declaração
do familiar mais próximo

Importante!!!
Não há exigência de formalidade específica acerca da manifestação de última vontade do
indivíduo sobre a destinação de seu corpo após a morte, sendo possível a submissão do
cadáver ao procedimento de criogenia em atenção à vontade manifestada em vida.
A criogenia (ou criopreservação) é a técnica de congelamento do corpo humano após a morte,
em baixíssima temperatura, a fim de conservá-lo, com o intuito de reanimação futura da
pessoa caso sobrevenha alguma importante descoberta científica que possibilite o seu retorno
à vida. Em outras palavras, a criogenia consiste no congelamento de cadáveres a baixas
temperaturas, com a finalidade de que, com os possíveis avanços da ciência, sejam, um dia,
ressuscitados.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.693.718-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 26/03/2019 (Info 645).

Informativo 645-STJ (26/04/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


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PROPRIEDADE
A estipulação prevista no contrato social de integralização do capital social
por meio de imóvel indicado pelo sócio, por si, não opera a transferência
da propriedade do bem para a sociedade empresarial

O registro do título translativo no Cartório de Registro de Imóveis como condição


imprescindível à transferência de propriedade de bem imóvel entre vivos propugnada pela lei
civil não se confunde, tampouco pode ser substituído para esse efeito, pelo registro do
contrato social na Junta Comercial.
O contrato social que estabelece que a integralização do capital social será feita por meio da
transferência de um imóvel pelo sócio, depois de ser devidamente inscrito no Registro Público
de Empresas Mercantis (da Junta Comercial), torna-se um título translativo, ou seja, um título
que serve para transferir a propriedade imóvel, mas desde que seja levado a registro no
cartório de Registro de Imóveis, conforme determina o caput do art. 1.245 do CC.
Enquanto não for feito o registro do título translativo (contrato social) no Cartório de Registro
de Imóveis, o bem com o qual se deseja fazer a integralização não compõe ainda o patrimônio
da sociedade empresarial.
Ex: o contrato social previu que um dos sócios integralizaria o capital social transferindo
imóvel de sua propriedade para a sociedade empresária; mesmo após esse contrato social ser
registrado na Junta Comercial, o bem ainda não foi transferido; exige-se ainda o registro desse
contrato social no Cartório de Registro de Imóveis.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.743.088-PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/03/2019 (Info 645).

DIREITO EMPRESARIAL

RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Os créditos decorrentes do pensionamento fixado em sentença judicial podem ser equiparados
àqueles derivados da legislação trabalhista para fins de inclusão no quadro geral de credores de
sociedade em recuperação judicial

O pensionamento fixado em sentença judicial, decorrente de ação de indenização por acidente


de trânsito, pode ser equiparado ao crédito derivado da legislação trabalhista para fins de
inclusão no quadro geral de credores de sociedade em recuperação judicial.
Os créditos de natureza alimentar, ainda que não decorram especificamente de relação
jurídica submetida aos ditames da legislação trabalhista, devem receber tratamento análogo
para fins de classificação da ordem de pagamento nos processos de execução concursal.
Ex: João recebe pensão mensal vitalícia da sociedade empresária “X” em virtude de ter sido
atropelado pelo veículo da empresa; após vários meses de atraso nos pagamentos, a empresa
ingressou com pedido de recuperação judicial; o crédito de João será equiparado a crédito
trabalhista para fins de pagamento prioritário.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.799.041-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 02/04/2019 (Info 645).

Informativo 645-STJ (26/04/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2


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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

SUSPENSÃO DO PROCESSO
A suspensão do processo em razão da paternidade do único patrono da causa se opera tão logo
ocorra o nascimento ou adoção, não sendo necessária a comunicação imediata ao juízo

Importante!!!
Novo CPC
O art. 313, X, do CPC/2015 prevê que o advogado que se tornar pai tem direito à suspensão
dos prazos processuais desde que:
a) seja o único patrono da causa; e
b) tenha notificado seu cliente sobre esse fato.
O período de suspensão será de 8 dias, contado a partir da data do parto ou da concessão da
adoção.
Para que esse prazo de suspensão do processo se inicie, é necessário que o advogado informe
ao juízo que nasceu o seu filho? Somente após a comunicação ao juízo é que o processo será
suspenso?
NÃO. A suspensão do processo em razão da paternidade do único patrono da causa se opera
tão logo ocorra o fato gerador (nascimento ou adoção), independentemente da comunicação
imediata ao juízo.
Obs: a mesma conclusão acima exposta pode ser aplicada para o inciso IX do art. 313 do CPC.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.799.166-GO, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 02/04/2019 (Info 645).

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
Honorários devem seguir regra objetiva; equidade é critério subsidiário

Os honorários advocatícios só podem ser fixados com base na equidade de forma subsidiária,
ou seja:
• quando não for possível o arbitramento pela regra geral; ou
• quando for inestimável ou irrisório o valor da causa.
Assim, o juízo de equidade na fixação dos honorários advocatícios somente pode ser utilizado
de forma subsidiária, quando não presente qualquer hipótese prevista no § 2º do art. 85 do
CPC.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.746.072-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Raul Araújo, julgado em
13/02/2019 (Info 645).

Informativo 645-STJ (26/04/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


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AÇÃO RESCISÓRIA
Quando o inciso VII do art. 966 do CPC/2015 fala que é possível o ajuizamento de ação rescisória
com base em “prova nova”, isso abrange também a prova testemunhal

Importante!!!
Novo CPC
O art. 966, VII, do CPC/2015 prevê que cabe rescisória quando o autor obtiver, posteriormente
ao trânsito em julgado, “prova nova” cuja existência ignorava ou de que não pôde fazer uso,
capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável.
Quando esse inciso VII fala em prova nova, engloba não apenas a prova documental, mas
qualquer outra espécie de prova, inclusive a prova testemunhal.
Assim, no novo ordenamento jurídico processual, qualquer modalidade de prova, inclusive a
testemunhal, é apta a amparar o pedido de desconstituição do julgado rescindendo na ação
rescisória.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.770.123-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 26/03/2019 (Info 645).

AGRAVO DE INSTRUMENTO
Cabe agravo de instrumento contra decisão interlocutória que fixa
data da separação de fato do casal para efeitos da partilha dos bens

Importante!!!
Novo CPC
Cabe agravo de instrumento, nos termos do art. 1.015, II, do CPC/2015, contra decisão
interlocutória que fixa data da separação de fato do casal para efeitos da partilha dos bens.
Trata-se de decisão parcial de mérito, considerando que é uma decisão que resolve uma
parcela do pedido de partilha de bens.
Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:
II - mérito do processo;
STJ. 3ª Turma. REsp 1.798.975-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 02/04/2019 (Info 645).

AGRAVO DE INSTRUMENTO
É cabível agravo de instrumento contra decisão interlocutória que defere ou indefere a
distribuição dinâmica do ônus da prova ou quaisquer outras atribuições do ônus da prova
distinta da regra geral

Importante!!!
O CPC/2015 prevê que:
Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:
XI - redistribuição do ônus da prova nos termos do art. 373, § 1º;
Esse inciso XI abrange também as decisões interlocutórias que determinem a inversão da
prova com base no art. 6º, VIII, do CDC?
SIM. O art. 373, §1º, do CPC/2015, contempla duas regras jurídicas distintas, ambas criadas
para excepcionar a regra geral do caput do art. 373, sendo que a primeira diz respeito à
atribuição do ônus da prova, pelo juiz, em hipóteses previstas em lei, de que é exemplo a

Informativo 645-STJ (26/04/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


Informativo
comentado

inversão do ônus da prova prevista no art. 6º, VIII, do CDC, e a segunda diz respeito à teoria da
distribuição dinâmica do ônus da prova, incidente a partir de peculiaridades da causa que se
relacionem com a impossibilidade ou com a excessiva dificuldade de se desvencilhar do ônus
estaticamente distribuído ou, ainda, com a maior facilidade de obtenção da prova do fato
contrário.
Em outras palavras, a hipótese do art. 6º, VIII, do CDC está sim tratada no § 1º do art. 373 do
CPC uma vez que esse dispositivo dispõe também a inversão do ônus da prova nos casos
previstos em lei.
Para o STJ, a hipótese do inciso XI do art. 1.015 do CPC deve ser lida em sentido amplo de sorte
que:
É cabível agravo de instrumento contra decisão interlocutória que defere ou indefere a
distribuição dinâmica do ônus da prova ou quaisquer outras atribuições do ônus da prova
distinta da regra geral, desde que se operem ope judicis e mediante autorização legal.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.729.110-CE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 02/04/2019 (Info 645).

PRECATÓRIOS
Incidem juros da mora entre a data da realização dos cálculos e a da requisição ou do precatório

Incidem os juros da mora no período compreendido entre a data da realização dos cálculos e
a da requisição ou do precatório.
STF. Plenário. RE 579431/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 19/4/2017 (repercussão geral)
(Info 861).
STJ. Corte Especial. QO no REsp 1.665.599-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em
20/03/2019 (recurso repetitivo) (Info 645).
Obs: cuidado para não confundir com a SV 17: Durante o período previsto no parágrafo 1º (obs: atual
§ 5º) do artigo 100 da Constituição, não incidem juros de mora sobre os precatórios que nele sejam
pagos. O período de que trata este RE 579431/RS é anterior à requisição do precatório, ou seja,
anterior ao interregno tratado pela SV 17.

EXECUÇÃO FISCAL
Juiz pode deferir consulta ao CCS na execução fiscal em busca de bens do devedor

É legítimo o requerimento do Fisco ao juízo da execução fiscal para acesso ao Cadastro de


Clientes do Sistema Financeiro Nacional (CCS) como forma de encontrar bens que sejam
capazes de satisfazer a execução de crédito público.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.464.714-PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Benedito
Gonçalves, julgado em 12/03/2019 (Info 645).

Informativo 645-STJ (26/04/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 5


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DIREITO PENAL

FURTO DE ENERGIA ELÉTRICA


O pagamento do débito oriundo de furto de energia elétrica antes do
oferecimento da denúncia não é causa de extinção da punibilidade

Importante!!!
Atualize o Info 622-STJ
No caso de furto de energia elétrica mediante fraude, o adimplemento do débito antes do
recebimento da denúncia não extingue a punibilidade.
O furto de energia elétrica não pode receber o mesmo tratamento dado ao inadimplemento
tributário, de modo que o pagamento do débito antes do recebimento da denúncia não
configura causa extintiva de punibilidade, mas causa de redução de pena relativa ao
arrependimento posterior (art. 16 do CP). Isso porque nos crimes contra a ordem tributária,
o legislador (Leis nº 9.249/1995 e nº 10.684/2003), ao consagrar a possibilidade da extinção
da punibilidade pelo pagamento do débito, adota política que visa a garantir a higidez do
patrimônio público, somente. A sanção penal é invocada pela norma tributária como forma de
fortalecer a ideia de cumprimento da obrigação fiscal.
Já nos crimes patrimoniais, como o furto de energia elétrica, existe previsão legal específica
de causa de diminuição da pena para os casos de pagamento da “dívida” antes do recebimento
da denúncia. Em tais hipóteses, o Código Penal, em seu art. 16, prevê o instituto do
arrependimento posterior, que em nada afeta a pretensão punitiva, apenas constitui causa de
diminuição da pena.
Outrossim, a jurisprudência se consolidou no sentido de que a natureza jurídica da
remuneração pela prestação de serviço público, no caso de fornecimento de energia elétrica,
prestado por concessionária, é de tarifa ou preço público, não possuindo caráter tributário.
Não há como se atribuir o efeito pretendido aos diversos institutos legais, considerando que o
disposto no art. 34 da Lei nº 9.249/1995 e no art. 9º da Lei nº 10.684/2003 fazem referência
expressa e, por isso, taxativa, aos tributos e contribuições sociais, não dizendo respeito às
tarifas ou preços públicos.
STJ. 3ª Seção. RHC 101.299-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. Acd. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em
13/03/2019 (Info 645).

CRIME DO ART. 218-B DO CP


Cliente pode ser punido sozinho; a vulnerabilidade é relativa; o tipo penal não exige
habitualidade, comportando a aplicação da continuidade delitiva

Importante!!!
O “cliente” pode ser punido sozinho, ou seja, mesmo que não haja um proxeneta. Assim, ainda
que o próprio cliente tenha negociado o programa sem intermediários, haverá o crime
Nos termos do art. 218-B do Código Penal, são punidos tanto aquele que capta a vítima,
inserindo-a na prostituição ou outra forma de exploração sexual (caput), como também o
cliente do menor prostituído ou sexualmente explorado (§ 1º).
STJ. 5ª Turma. HC 371.633/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 19/03/2019 (Info 645).

Informativo 645-STJ (26/04/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 6


Informativo
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A vulnerabilidade no caso do art. 218-B do CP é relativa


No art. 218-B do Código Penal não basta aferir a idade da vítima, devendo-se averiguar se o
menor de 18 (dezoito) anos ou a pessoa enferma ou doente mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato, ou por outra causa não pode oferecer resistência.
STJ. 5ª Turma. HC 371.633/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 19/03/2019 (Info 645).

O tipo penal não exige habitualidade. Basta um único contato consciente com a adolescente
submetida à prostituição para que se configure o crime
O crime previsto no inciso I do § 2º do art. 218 do Código Penal se consuma independentemente
da manutenção de relacionamento sexual habitual entre o ofendido e o agente. Em outras
palavras, é possível que haja o referido delito ainda que tenha sido um único ato sexual.
Logo, como não se exige a habitualidade para a sua consumação, é possível a incidência da
continuidade delitiva, com a aplicação da causa de aumento prevista no art. 71 do Código Penal.
STJ. 5ª Turma. HC 371.633/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 19/03/2019 (Info 645).

DIREITO TRIBUTÁRIO

ICMS
O aproveitamento, pelo adquirente, do ICMS destacado na nota fiscal de compra de mercadorias
de contribuinte incluído no Regime Especial de Fiscalização sujeita-se à prova da arrecadação

O creditamento pelo adquirente em relação ao ICMS destacado nas notas fiscais de compra de
mercadorias de contribuinte devedor contumaz, incluído no regime especial de fiscalização,
pode ser condicionado à comprovação da arrecadação do imposto.
STJ. 2ª Turma. AREsp 1.241.527-RS, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 19/03/2019 (Info 645).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR
É válida a exigência de pagamento de joia para inscrição de beneficiário
no plano de previdência complementar para fazer jus à pensão por morte

É válida a exigência de pagamento de joia para inscrição de beneficiário no plano de


previdência complementar para fazer jus à pensão por morte.
Joia é uma espécie de “pedágio”, um valor que deve ser pago pela pessoa que deseja aderir ao
plano de previdência complementar. Este valor é calculado a partir de estudos atuariais que
levarão em consideração a idade do participante, o salário de participação, o tempo de serviço
prestado pelo beneficiário original ao patrocinador etc. A joia é necessária para que possa
manter as reservas do plano e o equilíbrio atuarial.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.605.346-BA, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 12/02/2019 (Info 645).

Informativo 645-STJ (26/04/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 7


Informativo comentado:
Informativo 644-STJ (RESUMIDO)
Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO ADMINISTRATIVO

SERVIDORES PÚBLICOS
Ainda que a hora-aula do professor não seja de 60 minutos, mas sim de 50 ou 45 minutos, esses
10 ou 15 minutos que sobram como intervalo são considerados como atividades de interação
com os educandos (e não como atividades extraclasse)

O art. 4º da Lei nº 11.738/2008 estabelece que os professores deverão cumprir sua jornada de
trabalho da seguinte forma:
• 2/3 da carga horária é para atividades de sala de aula; e
• 1/3 da carga horária pode ser utilizado para atividades extraclasse (ex: preparação das
aulas, reuniões pedagógicas, reuniões com os pais etc.).
Em alguns Estados, a hora-aula do professor não é de 60 minutos, mas sim de 50 minutos (se
diurna) ou 45 minutos (se noturna). Esses 10 ou 15 minutos que sobram como intervalo são
considerados como atividades de interação com os educandos (e não como atividades
extraclasse).
Assim, o cômputo dos 10 ou 15 minutos que faltam para que a “hora-aula” complete
efetivamente uma “hora de relógio” não pode ser considerado como tempo de atividade
extraclasse dos profissionais do magistério.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.569.560-RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, Rel. Ac. Min. Og Fernandes, julgado em
21/06/2018 (Info 644).

SERVIDORES PÚBLICOS
Não há que se falar em prescrição de fundo de direito
nas ações em que se busca a concessão do benefício de pensão por morte

Importante!!!
Não ocorre a prescrição do fundo de direito no pedido de concessão de pensão por morte,
estando prescritas apenas as prestações vencidas no quinquênio que precedeu à propositura
da ação.
STJ. 1ª Seção. EREsp 1.269.726-MG, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 13/03/2019
(Info 644).

Informativo 644-STJ (12/04/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


Informativo
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DIREITO CIVIL

MANDATO
Advogado substabelecente, em regra, não responde por atos ilícitos praticados por advogado
substabelecido, salvo se o substabelecente tivesse ciência da inidoneidade de seu colega

O advogado substabelecente somente irá responder por ato ilícito cometido pelo advogado
substabelecido se ficar evidenciado que, no momento da escolha, a despeito de possuir
inequívoca ciência acerca da inidoneidade do aludido causídico, ainda assim o elegeu para o
desempenho do mandato.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.742.246-ES, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 19/03/2019 (Info 644).

CONSÓRCIO
Se o consorciado faleceu durante o consórcio e o seguro prestamista quitou todo o saldo
devedor, a administradora do consórcio deverá fazer a liberação imediata da carta de crédito

A beneficiária do consorciado falecido tem direito à liberação imediata da carta de crédito, em


razão da quitação do saldo devedor pelo seguro prestamista contratado, independentemente
da efetiva contemplação ou do encerramento do grupo.
João celebrou com a “Itaú Consórcios” contrato de participação em grupo de consórcio
destinado à aquisição de um automóvel. Neste contrato, havia uma cláusula prevendo seguro
de vida e proteção financeira, ou seja, um seguro prestamista com cobertura para o risco de
morte. Isso significa que havia uma espécie de seguro de vida como pacto acessório ao
contrato de consórcio. Por meio deste seguro prestamista, a administradora do consórcio
afirmou o seguinte: se o contratante falecer antes de quitar todas as parcelas do consórcio, a
contratada (Itaú Consórcios) irá quitar o saldo devedor relativo à cota do consorciado falecido.
Antes do fim do consórcio, João faleceu. Ocorre que a administradora do consórcio recusou-se
a fazer a liberação imediata da carta de crédito dizendo que o herdeiro de João teria que
aguardar ser sorteado ou esperar terminar o consórcio. O STJ não concordou com a postura
da administradora e disse que a liberação, nestes casos, deve ser imediata, não havendo lógica
em se aguardar, considerando que já houve a liquidação antecipada da dívida pela seguradora.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.770.358-SE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/03/2019 (Info 644).
STJ. 4ª Turma. REsp 1.406.200-AL, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 17/11/2016 (Info 596).

RESPONSABILIDADE CIVIL
O fato de o condutor do veículo estar embriagado gera
uma presunção de que ele é o culpado pelo acidente de trânsito

Importante!!!
Em ação destinada a apurar a responsabilidade civil decorrente de acidente de trânsito,
presume-se culpado o condutor de veículo automotor que se encontra em estado de
embriaguez, cabendo-lhe o ônus de comprovar a ocorrência de alguma excludente do nexo de
causalidade.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.749.954-RO, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 26/02/2019 (Info 644).

Informativo 644-STJ (12/04/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2


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COLAÇÃO (SUCESSÕES)
Herdeiro necessário não precisa trazer à colação os valores que ele economizou ao morar
gratuitamente no imóvel do autor da herança enquanto este era vivo

É prescindível (dispensável) que o herdeiro necessário traga à colação o valor correspondente


à ocupação e ao uso a título gratuito de imóvel que pertencia ao autor da herança.
Ex: Pedro possuía três filhos (Alberto, Rodrigo e Vanessa). Enquanto estava vivo, Pedro
permitiu que sua filha ficasse morando, gratuitamente, em um apartamento que estava em seu
nome. Pedro faleceu. Vanessa (herdeira necessária) não precisa trazer à colação o valor dos
“alugueis” que ela deixou de pagar pelo fato de ter morado gratuitamente no imóvel.
O art. 2.002 do CC, ao tratar sobre a colação, fala em “doação”, o que não se confunde com
comodato.
Da mesma forma, o empréstimo gratuito não pode ser considerado gasto, para os fins do art.
2.010 do CC, na medida em que o autor da herança nada despendeu em favor da herdeira a fim
de justificar a necessidade de colação.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.722.691-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 12/03/2019
(Info 644).

DIREITO DO CONSUMIDOR

PRÁTICA ABUSIVA
Produtor do espetáculo que for vender seus ingressos na internet deverá fazer isso por meio de
mais de uma empresa e não poderá cobrar valor taxa extra por estar vendendo online

Importante!!!
É abusiva a venda de ingressos em meio virtual (internet) vinculada a uma única
intermediadora e mediante o pagamento de taxa de conveniência.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.737.428-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/03/2019 (Info 644).

PRÁTICA ABUSIVA
Não é prática abusiva a conduta do hotel que estipule
o horário do check-in às 15h e do check-out às 12h

Não é abusiva a cobrança de uma diária completa de 24 horas em hotéis que adotam a prática
de check-in às 15:00h e de check-out às 12:00h do dia de término da hospedagem.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.717.111-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 12/03/2019
(Info 644).

Informativo 644-STJ (12/04/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


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DIREITO EMPRESARIAL

REGISTRO DE MARCA
O INPI possui legitimidade para recorrer de decisão que extinguiu reconvenção
apresentada por litisconsorte passivo pedindo a nulidade de registro de marca

O INPI possui legitimidade para recorrer de decisão que extinguiu, sem resolução de mérito,
reconvenção apresentada por litisconsorte passivo, na qual se veiculou pedido de nulidade de
registro de marca.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.775.812-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 19/03/2019 (Info 644).

FALÊNCIA
Na fila de pagamentos da falência, o encargo do DL 1.025/69, apesar de não ter natureza de
crédito tributário, ocupa a mesma posição dos créditos tributários (art. 83, III, da LFR)

Importante!!!
O encargo do DL 1.025/69 tem as mesmas preferências do crédito tributário devendo, por isso,
ser classificado, na falência, na ordem estabelecida pelo art. 83, III, da Lei nº 11.101/2005.
O encargo de 20% do art. 1º do DL 1.025/69 possui natureza jurídica de “crédito não
tributário”. Em outras palavras, o encargo de 20% do art. 1º do DL 1.025/69 não é crédito
tributário (não é tributo).
Apesar disso, o § 4º do art. 4º da Lei nº 6.830/80 estendeu ao crédito não tributário inscrito
em dívida ativa (como é o caso do encargo do DL 1.025/69) a mesma preferência que é dada
ao crédito tributário.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.521.999-SP, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. Acd. Min. Gurgel de Faria, julgado em
28/11/2018 (recurso repetitivo) (Info 644).

RECUPERAÇÃO JUDICIAL
É possível que o plano da recuperação judicial preveja diferença de tratamento entre credores
de uma mesma classe, criando, assim, subclasses, desde que baseado em critérios objetivos

É possível a criação de subclasses entre os credores da recuperação judicial, desde que


estabelecido um critério objetivo, justificado no plano de recuperação judicial, abrangendo
credores com interesses homogêneos, ficando vedada a anulação de direitos de eventuais
credores isolados.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.634.844-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 12/03/2019 (Info 644).

Informativo 644-STJ (12/04/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

INTIMAÇÃO
É válida a intimação da ECT na pessoa do advogado que está cadastrado no PJe,
não sendo necessária a intimação em nome da entidade

É valida a intimação da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT realizada na pessoa


do advogado cadastrado no sistema PJe.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.574.008-SE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/03/2019 (Info 644).

AGRAVO DE INSTRUMENTO
Como se deve interpretar a expressão “decisões interlocutórias que versem
sobre tutelas provisórias” presente no art. 1.015, I, do CPC/2015?

Importante!!!
O conceito de “decisão interlocutória que versa sobre tutela provisória” previsto no art. 1.015,
I, do CPC/2015, abrange as decisões que digam respeito à:
1) à presença ou não dos pressupostos que justificam o deferimento, indeferimento,
revogação ou alteração da tutela provisória (é o chamado núcleo essencial);
2) ao prazo e ao modo de cumprimento da tutela;
3) à adequação, suficiência, proporcionalidade ou razoabilidade da técnica de efetivação da
tutela provisória; e
4) à necessidade ou dispensa de garantias para a concessão, revogação ou alteração da tutela
provisória.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.752.049-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/03/2019 (Info 644).

Não cabe agravo de instrumento contra a decisão interlocutória que impõe ao beneficiário o
dever de arcar com as despesas da estadia do bem móvel objeto da busca e apreensão em pátio
de terceiro.
Tal situação não pode ser enquadrada no art. 1.015, I, do CPC/2015 porque essa decisão não
se relaciona, de forma indissociável, com a tutela provisória.
Trata-se, na verdade, de decisão que diz respeito a aspectos externos relacionados com a
executoriedade, operacionalização ou implementação fática da busca e apreensão (e não com
a tutela provisória em si).
STJ. 3ª Turma. REsp 1.752.049-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/03/2019 (Info 644).

AGRAVO DE INSTRUMENTO
Cabe agravo de instrumento contra decisão interlocutória que exclui o litisconsorte;
não cabe este recurso contra a decisão que mantém o litisconsorte

Importante!!!
Segundo o inciso VII do art. 1.015, do CPC/2015: “cabe agravo de instrumento contra as
decisões interlocutórias que versarem sobre exclusão de litisconsorte”.
Essa previsão abrange somente a decisão que exclui o litisconsorte.
Assim, cabe agravo de instrumento contra a decisão interlocutória que exclui o litisconsorte.

Informativo 644-STJ (12/04/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 5


Informativo
comentado

Por outro lado, não cabe agravo de instrumento contra a decisão que indefere o pedido de
exclusão de litisconsorte (decisão que mantém o litisconsorte).
STJ. 3ª Turma. REsp 1.724.453-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/03/2019 (Info 644).

SUSPENSÃO DE SEGURANÇA
Para a formalização do pedido de suspensão de segurança, basta um requerimento
em simples petição dirigida ao presidente do tribunal, sem maiores formalidades

Importante!!!
A legislação não prevê requisitos formais no pedido de contracautela (suspensão de
segurança). Para sua análise, exige-se tão somente requerimento da pessoa jurídica que
exerce munus público, formalizado em simples petição dirigida ao presidente do tribunal ao
qual couber o conhecimento do respectivo recurso na causa principal.
STJ. Corte Especial. AgInt no AgInt na SLS 2.116-MG, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 07/11/2018
(Info 644).

CONEXÃO
Para saber se há conexão entre duas medidas cautelares preparatórias propostas pelo mesmo
contribuinte, deve-se analisar o pedido ou a causa de pedir das ações principais

O vínculo de conexão a justificar a reunião de medidas cautelares preparatórias está vinculado


com a identidade de objeto e/ou de causa de pedir existente entre as ações principais a serem
propostas e não do processo cautelar em si.
STJ. 1ª Turma. AREsp 832.354-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 21/02/2019 (Info 644).

DIREITO PROCESSUAL PENAL


COMPETÊNCIA
Compete à 3ª Seção do STJ julgar HC alegando problemas estruturais das Delegacias e do
sistema prisional do Estado e pedindo a liberdade dos presos ou medida cautelar diversa

Compete à Terceira Seção do STJ processar e julgar habeas corpus impetrado com fundamento
em problemas estruturais das delegacias e do sistema prisional do Estado.
STJ. Corte Especial. CC 150.965-DF, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 20/02/2019 (Info 644).

EXECUÇÃO PENAL
A alteração da data-base para concessão de novos benefícios executórios, em razão da
unificação das penas, não encontra respaldo legal

Importante!!!
No mesmo sentido do Info 621-STJ
A unificação de penas não enseja a alteração da data-base para concessão de novos benefícios
executórios.
STJ. 3ª Seção. ProAfR no REsp 1.753.509-PR, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/12/2018
(recurso repetitivo) (Info 644).

Informativo 644-STJ (12/04/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 6


Informativo comentado:
Informativo 643-STJ
Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO ADMINISTRATIVO

FUNDEF
É vedada a retenção de honorários advocatícios contratuais
sobre crédito relativo a diferenças do FUNDEF

Mudança de entendimento!
Atualize o Info 585-STJ
Importante!!!
É vedada a retenção de honorários advocatícios contratuais sobre crédito relativo a diferenças
do FUNDEF.
Os valores relacionados ao FUNDEF, hoje FUNDEB, encontram-se constitucional e legalmente
vinculados ao custeio da educação básica e à valorização do seu magistério, sendo vedada a
sua utilização em despesa diversa, tais como honorários advocatícios contratuais.
Ex: determinado Município do interior do Estado ajuizou ação contra a União com o objetivo de
conseguir o repasse integral de verbas do FUNDEF. Como o Município não possuía procuradores
municipais concursados, foi contratado um escritório de advocacia privado para patrocinar a
causa. No contrato assinado com os advogados ficou combinado que, se o Município vencesse a
demanda, pagaria 20% do valor da causa ao escritório. O pedido foi julgado procedente e
transitou em julgado. O Município requereu, então, que 20% do valor da condenação (verbas do
FUNDEF a serem pagas pela União) fosse separado para pagamento dos honorários contratuais
dos advogados que atuaram na causa, nos termos do art. 22, § 4º da Lei 8.906/94. Esse pedido
não deve ser acolhido. Não é possível a aplicação do art. 22, § 4º, da Lei 8.906/1994 nas
execuções contra a União em que se persigam quantias devidas ao FUNDEF/FUNDEB, devendo o
advogado credor buscar a satisfação de seu crédito por outros meios.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.703.697-PE, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10/10/2018 (Info 643).

DIREITO MILITAR
Nos casos em que não há nexo de causalidade entre a moléstia sofrida e a prestação do serviço
militar e o militar temporário não estável é considerado incapaz somente para as atividades
próprias do Exército, é cabível a desincorporação

O militar temporário não estável, considerado incapaz apenas para o serviço militar, somente
terá direito à reforma ex officio se comprovar o nexo de causalidade entre a moléstia sofrida e
a prestação das atividades militares.
STJ. Corte Especial. EREsp 1.123.371-RS, Rel. Min. Og Fernandes, Rel. Acd. Min. Mauro Campbell
Marques, julgado em 19/09/2018 (Info 643).

Informativo 643-STJ (29/03/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


Informativo
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DIREITO AMBIENTAL

CÓDIGO FLORESTAL
A legislação municipal não pode reduzir a proteção conferida às áreas de preservação
permanente previstas pelo Código Florestal

A legislação municipal não pode reduzir o patamar mínimo de proteção marginal dos cursos
d'água, em toda sua extensão, fixado pelo Código Florestal.
A norma federal conferiu uma proteção mínima, cabendo à legislação municipal apenas
intensificar o grau de proteção às margens dos cursos d'água, ou quando muito, manter o
patamar de proteção (jamais reduzir a proteção ambiental).
STJ. 2ª Turma. AREsp 1.312.435-RJ, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 07/02/2019 (Info 643).

AÇÃO CIVIL PÚBLICA


Suspensão da ações individuais que tratem do caso de
chumbo da mineradora Plumbum, em Adrianópolis (PR)

Até o trânsito em julgado das Ações Civis Públicas n. 5004891-93.2011.4004.7000 e n.


2001.70.00.019188-2, em tramitação na Vara Federal Ambiental, Agrária e Residual de
Curitiba, atinentes à macrolide geradora de processos multitudinários em razão de suposta
exposição à contaminação ambiental decorrente da exploração de jazida de chumbo no
Município de Adrianópolis-PR, deverão ficar suspensas as ações individuais.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.525.327-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 12/12/2018 (recurso
repetitivo) (Info 643).

DIREITO CIVIL

CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS


A abusiva a resilição unilateral e imotivada do contrato de prestação de
serviços advocatícios na hipótese em que houver cláusula de êxito

Configura abuso de direito a denúncia imotivada pelo cliente de contrato de prestação de


serviços advocatícios firmado com cláusula de êxito antes do resultado final do processo, salvo
quando houver estipulação contratual que a autorize ou quando ocorrer fato superveniente
que a justifique.
Em situações como essa, o STJ tem afirmado que deverão ser arbitrados honorários para
remunerar o advogado pelo trabalho desempenhado até o momento da resilição unilateral e
imotivada do contrato pelo cliente, a fim de evitar o locupletamento ilícito deste com a
atividade realizada por aquele.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.724.441-TO, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/02/2019 (Info 643).

Informativo 643-STJ (29/03/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2


Informativo
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DIVÓRCIO
Ação de partilha posterior ao divórcio deve tramitar no juízo que decretou o divórcio, mesmo
que um dos ex-cônjuges tenha mudado de domicílio e se tornado incapaz

Importante!!!
A incapacidade superveniente de uma das partes, após a decretação do divórcio, não tem o
condão de alterar a competência funcional do juízo prevento.
Assim, a ação de partilha posterior ao divórcio deve tramitar no juízo que decretou o divórcio,
mesmo que um dos ex-cônjuges tenha mudado de domicílio e se tornado incapaz.
Não se aplica, no caso a regra do art. 50 do CPC/2015, que prevê a competência do domicílio
do incapaz (competência territorial especial). Isso porque a competência funcional,
decorrente da acessoriedade entre as ações de divórcio e partilha, possui natureza absoluta.
Por outro lado, a competência territorial especial conferida ao autor incapaz, apesar de ter
como efeito o afastamento das normas gerais previstas no diploma processual, possui
natureza relativa.
As regras de competência absoluta preponderam em relação às das de competência relativa.
STJ. 2ª Seção. CC 160.329-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/02/2019 (Info 643).

DIREITO NOTARIAL
E REGISTRAL

PROTESTO DE CDA
É possível o protesto de CDA

Importante!!!
A Fazenda Pública possui interesse e pode efetivar o protesto da CDA, documento de dívida,
na forma do art. 1º, parágrafo único, da Lei n. 9.492/1997, com a redação dada pela Lei nº
12.767/2012.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.686.659-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 28/11/2018 (recurso
repetitivo) (Info 643).

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMPETÊNCIA
Compete à 1ª Seção do STJ (e não à 3ª Seção) julgar MS impetrado contra Portaria do Ministro
da Justiça que regulamenta o direito dos presos à visita íntima nas penitenciárias federais

Compete à Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça o processamento e o julgamento de


Mandado de Segurança impetrado contra ato do Ministro de Estado da Justiça e Segurança com
o objetivo de anular a Portaria nº 718/2017.
STJ. Corte Especial. CC 154.670-DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 19/12/2018
(Info 643).

Informativo 643-STJ (29/03/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


Informativo
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JUSTIÇA GRATUITA
Caso a parte faça o requerimento da gratuidade da justiça no recurso e o relator indefira o
pedido, deverá intimar o recorrente para realizar o preparo antes de decretar a deserção

Importante!!!
O interessado deverá ser intimado para a realização do preparo recursal nas hipóteses de
indeferimento ou de não processamento do pedido de gratuidade da justiça.
Nesse sentido é o art. 99, § 7º do CPC/2015:
§ 7º Requerida a concessão de gratuidade da justiça em recurso, o recorrente estará
dispensado de comprovar o recolhimento do preparo, incumbindo ao relator, neste caso,
apreciar o requerimento e, se indeferi-lo, fixar prazo para realização do recolhimento.
STJ. Corte Especial. EAREsp 742.240-MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 19/09/2018 (Info 643).

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
É vedada a retenção de honorários advocatícios contratuais
sobre crédito relativo a diferenças do FUNDEF

Mudança de entendimento!
Atualize o Info 585-STJ
Importante!!!
É vedada a retenção de honorários advocatícios contratuais sobre crédito relativo a diferenças
do FUNDEF.
Os valores relacionados ao FUNDEF, hoje FUNDEB, encontram-se constitucional e legalmente
vinculados ao custeio da educação básica e à valorização do seu magistério, sendo vedada a
sua utilização em despesa diversa, tais como honorários advocatícios contratuais.
Ex: determinado Município do interior do Estado ingressou com ação contra a União com o
objetivo de conseguir o repasse integral de verbas do FUNDEF. Como o Município não possuía
procuradores municipais concursados, foi contratado um escritório de advocacia privado para
patrocinar a causa. No contrato assinado com os advogados ficou combinado que, se o Município
vencesse a demanda, pagaria 20% do valor da causa ao escritório. O pedido foi julgado procedente
e transitou em julgado. O Município requereu, então, que 20% do valor da condenação (verbas do
FUNDEF a serem pagas pela União) fosse separado para pagamento dos honorários contratuais
dos advogados que atuaram na causa, nos termos do art. 22, § 4º da Lei nº 8.906/94. Esse pedido
não deve ser acolhido. Não é possível a aplicação do art. 22, § 4º, da Lei nº 8.906/1994 nas
execuções contra a União em que se persigam quantias devidas ao FUNDEF/FUNDEB, devendo o
advogado credor buscar a satisfação de seu crédito por outros meios.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.703.697-PE, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10/10/2018 (Info 643).

Informativo 643-STJ (29/03/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


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ASTREINTES
A Súmula 410 do STJ continuou válida mesmo após a edição das Leis nº 11.232/2005 e
11.382/2006 e mesmo depois que entrou em vigor o CPC/2015

Importante!!!
É necessária a prévia intimação pessoal do devedor para a cobrança de multa pelo
descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer antes e após a edição das Leis nº
11.232/2005 e 11.382/2006, nos termos da Súmula n. 410 do STJ.
Súmula 410-STJ: A prévia intimação pessoal do devedor constitui condição necessária para a
cobrança de multa pelo descumprimento da obrigação de fazer ou não fazer.
STJ. Corte Especial. EREsp 1.360.577-MG, Rel. Min. Humberto Martins, Rel. Acd. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 19/12/2018 (Info 643).

AGRAVO DE INSTRUMENTO
A decisão interlocutória que rejeita a ocorrência de prescrição ou decadência é uma decisão de
mérito, que enseja a agravo de instrumento com base no inciso II do art. 1.015 do CPC/2015

Importante!!!
A decisão interlocutória que afasta (rejeita) a alegação de prescrição é recorrível, de imediato,
por meio de agravo de instrumento com fundamento no art. 1.015, II, do CPC/2015. Isso
porque se trata de decisão de mérito.
Embora a ocorrência ou não da prescrição ou da decadência possam ser apreciadas somente
na sentença, não há óbice para que essas questões sejam examinadas por intermédio de
decisões interlocutórias, hipótese em que caberá agravo de instrumento com base no art.
1.015, II, do CPC/2015, sob pena de formação de coisa julgada material sobre a questão.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.738.756-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/02/2019 (Info 643).

AGRAVO DE INSTRUMENTO
Se a parte ajuizou ação urgente sem juntar procuração (art. 37 do CPC/1973), ela também
poderá, dentro do prazo de 15 dias previsto neste dispositivo, interpor recurso sem procuração

É admissível, em caso de urgência, nos termos do art. 37 do CPC/1973 (art. 104, § 1º, do
CPC/2015), a regularização da representação processual do autor/agravante, em segunda
instância, a partir do translado do instrumento de procuração a ser juntado na origem no
prazo assinado em lei.
STJ. 2ª Seção. EREsp 1.265.639-SC, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 12/12/2018 (Info 643).

EXECUÇÃO
É possível a cumulação da verba honorária fixada nos embargos à execução com a arbitrada na
própria execução contra a Fazenda Pública, vedada a compensação entre ambas

Importante!!!
Os embargos do devedor são ação de conhecimento incidental à execução, razão porque os
honorários advocatícios podem ser fixados em cada uma das duas ações, de forma
relativamente autônoma, respeitando-se os limites de repercussão recíproca entre elas, desde

Informativo 643-STJ (29/03/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 5


Informativo
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que a cumulação da verba honorária não exceda o limite máximo previsto no § 3º do art. 20
do CPC/1973.
STJ. Corte Especial. REsp 1.520.710-SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 18/12/2018
(recurso repetitivo) (Info 643).

Inexiste reciprocidade das obrigações ou de bilateralidade de créditos (pressupostos do


instituto da compensação, art. 368 do Código Civil), o que implica a impossibilidade de se
compensarem os honorários fixados em embargos à execução com aqueles fixados na própria
ação de execução.
STJ. Corte Especial. REsp 1.520.710-SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 18/12/2018
(recurso repetitivo) (Info 643).

EXECUÇÃO FISCAL
(In) aplicabilidade do incidente de desconsideração da personalidade jurídica na execução fiscal

Importante!!!
Não é necessária a instauração do incidente de desconsideração da personalidade jurídica
(art. 133 do CPC/2015) no processo de execução fiscal no caso em que a Fazenda Pública
exequente pretende alcançar pessoa distinta daquela contra a qual, originalmente, foi
ajuizada a execução, mas cujo nome consta na Certidão de Dívida Ativa, após regular
procedimento administrativo, ou, mesmo o nome não estando no título executivo, o Fisco
demonstre a responsabilidade, na qualidade de terceiro, em consonância com os arts. 134 e
135 do CTN.
Por outro lado, é necessária a instauração do incidente de desconsideração da personalidade
da pessoa jurídica devedora para o redirecionamento de execução fiscal a pessoa jurídica que
integra o mesmo grupo econômico, mas que não foi identificada no ato de lançamento
(Certidão de Dívida Ativa) ou que não se enquadra nas hipóteses dos arts. 134 e 135 do CTN.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.775.269-PR, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 21/02/2019 (Info 643).

DIREITOS DIFUSOS
Transportadora pode ser condenada, em ACP, a não trafegar com excesso de peso nas rodovias,
sob pena de multa civil (astreinte), e, além disso, ser condenada a pagar indenização por danos
morais coletivos e danos materiais

Transportadora que constantemente descumpre o Código de Trânsito e trafega com seus


veículos com cargas acima do peso permitido pode ser condenada ao pagamento de danos
morais coletivos e danos materiais.
O tráfego de veículos com excesso de peso gera responsabilidade civil em razão dos danos
materiais às vias públicas e do dano moral coletivo consistente no agravamento dos riscos à
saúde e à segurança de todos.
Neste caso, além da condenação a pagar a indenização, a transportadora também poderá ser
condenada a não mais trafegar com excesso de peso, sendo viável a aplicação de multa civil
(astreinte), como medida coercitiva, mesmo que já tenham sido imputadas as multas
administrativas previstas no CTB.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.574.350-SC, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 03/10/2017 (Info 643).

Informativo 643-STJ (29/03/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 6


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DIREITO PENAL

DOSIMETRIA DA PENA
A existência de condenações definitivas anteriores não se presta a fundamentar
o aumento da pena-base como personalidade voltada para o crime

Importante!!!
A existência de condenações definitivas anteriores não se presta a fundamentar a
exasperação da pena-base como personalidade voltada para o crime.
Condenações transitadas em julgado não constituem fundamento idôneo para análise
desfavorável da personalidade do agente.
STJ. 5ª Turma. HC 466.746/PE, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 11/12/2018.
STJ. 6ª Turma. HC 472.654-DF, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 21/02/2019 (Info 643).

DIREITO TRIBUTÁRIO
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Comprovação necessária para o MS impetrado objetivando
a declaração do direito à compensação tributária
Tratando-se de Mandado de Segurança impetrado com vistas a declarar o direito à
compensação tributária, em virtude do reconhecimento da ilegalidade ou
inconstitucionalidade da exigência da exação, independentemente da apuração dos
respectivos valores, é suficiente, para esse efeito, a comprovação de que o impetrante ocupa
a posição de credor tributário, visto que os comprovantes de recolhimento indevido serão
exigidos posteriormente, na esfera administrativa, quando o procedimento de compensação
for submetido à verificação pelo Fisco.
De outro lado, tratando-se de Mandado de Segurança com vistas a obter juízo específico
sobre as parcelas a serem compensadas, com efetiva investigação da liquidez e certeza dos
créditos, ou, ainda, na hipótese em que os efeitos da sentença supõem a efetiva homologação
da compensação a ser realizada, o crédito do contribuinte depende de quantificação, de
modo que a inexistência de comprovação cabal dos valores indevidamente recolhidos
representa a ausência de prova pré-constituída indispensável à propositura da ação.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.715.256-SP, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 13/02/2019
(recurso repetitivo) (Info 643).

PROTESTO DE CDA
É possível o protesto de CDA

Importante!!!
A Fazenda Pública possui interesse e pode efetivar o protesto da CDA, documento de dívida,
na forma do art. 1º, parágrafo único, da Lei n. 9.492/1997, com a redação dada pela Lei nº
12.767/2012.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.686.659-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 28/11/2018 (recurso
repetitivo) (Info 643).

Informativo 643-STJ (29/03/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 7


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DIREITO ADUANEIRO
O termo inicial para fins de multa e juros moratórios que decorrem da não exportação de
produtos que foram isentos do recolhimento de tributos em razão do Drawback-suspensão é a
data em que se encerra a condição suspensiva

No regime especial Drawback-suspensão, o termo inicial para fins de multa e juros moratórios
será o 31º dia do inadimplemento do compromisso de exportar, ou seja, quando escoado o
prazo da suspensão.
Antes disso, o contribuinte não está em mora, em razão do seu prazo de graça.
Assim, somente a partir do 31º dia ocorre a mora do contribuinte em razão do
descumprimento da norma tributária a qual determina o pagamento do tributo no regime
especial até 30 dias da imposição de exportar.
Ex: empresa importou peças e tinha 1 ano para exportar as máquinas fabricadas com essa
matéria-prima. Depois que esgotado o prazo de 1 ano, se a empresa não tiver exportado as
máquinas, terá 30 dias para pagar o imposto de importação que estava suspenso. Enquanto
não esgotado esse prazo, não há mora (não são devidos juros nem multa).
STJ. 1ª Turma. REsp 1.310.141-PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 26/02/2019
(Info 643).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO

DECADÊNCIA
O prazo decadencial de 10 anos (art. 103 da Lei 8.213/91) aplica-se para o requerimento de
benefício previdenciário mais vantajoso, cujo direito fora adquirido em data anterior à
implementação do benefício previdenciário ora em manutenção

Importante!!!
Incide o prazo decadencial previsto no caput do art. 103 da Lei nº 8.213/91 para
reconhecimento do direito adquirido ao benefício previdenciário mais vantajoso.
No âmbito da previdência social, é garantido ao segurado o direito adquirido sempre que,
preenchidos os requisitos para o gozo de determinado benefício, lei posterior o revogue,
estabeleça requisitos mais rigorosos para a sua concessão ou, ainda, imponha critérios de
cálculo menos favoráveis a ele.
O direito de pleitear o benefício mais vantajoso e que não foi garantido no momento da
concessão do benefício atual, deve ser exercido por seu titular no prazo decadencial de 10
anos. Isso porque o reconhecimento do direito adquirido ao benefício mais vantajoso
equipara-se ao ato revisional e, por isso, está submetido ao regramento legal.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.612.818-PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 13/02/2019
(recurso repetitivo) (Info 643).

Informativo 643-STJ (29/03/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 8


Informativo comentado:
Informativo 642-STJ (RESUMIDO)
Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO CONSTITUCIONAL

LIBERDADE DE EXPRESSÃO
É possível que o magistrado condene o autor da ofensa a divulgar a sentença condenatória nos
mesmos veículos de comunicação em que foi cometida a ofensa à honra

Importante!!!
O direito à retratação e ao esclarecimento da verdade possui previsão na Constituição da
República e na Lei Civil, não tendo sido afastado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento
da ADPF 130/DF.
O princípio da reparação integral (arts. 927 e 944 do CC) possibilita o pagamento da
indenização em pecúnia e in natura, a fim de se dar efetividade ao instituto da
responsabilidade civil.
Dessa forma, é possível que o magistrado condene o autor da ofensa a divulgar a sentença
condenatória nos mesmos veículos de comunicação em que foi cometida a ofensa à honra,
desde que fundamentada em dispositivos legais diversos da Lei de Imprensa.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.771.866-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/02/2019 (Info 642).

DIREITO CIVIL

USUCAPIÃO
Não cabe oposição em ação de usucapião

Importante!!!
Não cabe intervenção de terceiros na modalidade de oposição na ação de usucapião.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.726.292-CE, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 12/02/2019 (Info 642).

ALIMENTOS
Somente incidirá correção monetária para atualização do valor da pensão alimentícia
combinada no acordo se isso estiver expressamente previsto no pacto

Importante!!!
O acordo que estabelece a obrigação alimentar entre ex-cônjuges possui natureza consensual
e, portanto, a incidência de correção monetária para atualização da obrigação ao longo do
tempo deve estar expressamente prevista no contrato.
Os alimentos acordados voluntariamente entre ex-cônjuges, por se encontrarem na esfera de
sua estrita disponibilidade, devem ser considerados como verdadeiro contrato, cuja validade

Informativo 642-STJ (15/03/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


Informativo
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e eficácia dependem exclusivamente da higidez da manifestação de vontade das partes


apostas no acordo.
Não confundir:
• acordo de alimentos entre ex-cônjuges não prevê atualização monetária da pensão alimentícia
ao longo do tempo: o valor da obrigação se mantém pelo valor histórico (valor original).
• decisão judicial não prevê atualização monetária da pensão alimentícia: mesmo assim a
prestação deverá ser corrigida, atualizando-se o valor historicamente fixado.
Observação: a correção monetária explicada acima diz respeito à atualização da obrigação
original fixada no contrato e paga na data do vencimento. Não se estava tratando sobre
correção monetária de parcelas pagas em atraso. Mesmo que o contrato não preveja, haverá
incidência de correção monetária caso o alimentante pague a pensão alimentícia após a data
do vencimento.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.705.669-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/02/2019 (Info 642).

DIREITO DO CONSUMIDOR

FORNECEDOR
A empresa que utiliza marca internacionalmente reconhecida, ainda que não tenha sido a
fabricante direta do produto defeituoso, enquadra-se na categoria de fornecedor aparente

O conceito legal de “fornecedor” previsto no art. 3º do CDC abrange também a figura do


“fornecedor aparente”, que consiste naquele que, embora não tendo participado diretamente
do processo de fabricação, apresenta-se como tal por ostentar nome, marca ou outro sinal de
identificação em comum com o bem que foi fabricado por um terceiro, assumindo a posição
de real fabricante do produto perante o mercado consumidor.
O fornecedor aparente, em prol das vantagens da utilização de marca internacionalmente
reconhecida, não pode se eximir dos ônus daí decorrentes, em atenção à teoria do risco da
atividade adotada pelo CDC. Dessa forma, reconhece-se a responsabilidade solidária do
fornecedor aparente para arcar com os danos causados pelos bens comercializados sob a
mesma identificação (nome/marca), de modo que resta configurada sua legitimidade passiva
para a respectiva ação de indenização em razão do fato ou vício do produto ou serviço.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.580.432-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 06/12/2018 (Info 642).

RESPONSABILIDADE PELO FATO DO SERVIÇO


Companhia aérea é civilmente responsável por não promover condições dignas
de acessibilidade de pessoa cadeirante ao interior da aeronave

Importante!!!
A sociedade empresária atuante no ramo da aviação civil possui a obrigação de providenciar
a acessibilidade do cadeirante no processo de embarque quando indisponível ponte de
conexão ao terminal aeroportuário (“finger”).
Se não houver meio adequado (com segurança e dignidade) para o acesso do cadeirante ao
interior da aeronave, isso configura defeito na prestação do serviço, ensejando reparação por
danos morais.

Informativo 642-STJ (15/03/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2


Informativo
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Assim, caso a pessoa com deficiência (“cadeirante”) tenha que ser carregado pelos
funcionários da companhia aérea para entrar no avião, este fato configura defeito na
prestação do serviço, gerando indenização por danos morais.
A companhia aérea não se exime do pagamento da indenização alegando que o dever de fornecer
o equipamento para a entrada da pessoa com deficiência na aeronave seria da ANAC. Isso porque
a companhia aérea integra a cadeia de fornecimento, de forma que possui responsabilidade
solidária em caso de fato do serviço, nos termos do art. 14 do CDC. Ademais, tal alegação não se
amolda à excludente de responsabilidade por fato de terceiro (art. 14, § 3º, II, do CDC).
STJ. 4ª Turma. REsp 1.611.915-RS, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 06/12/2018 (Info 642).

RESPONSABILIDADE PELO FATO DO SERVIÇO


Concessionária de transporte ferroviário deve pagar indenização à passageira
que sofreu assédio sexual praticado por outro usuário no interior do trem?

Importante!!!
Atualize o Info 628-STJ
Concessionária de transporte ferroviário deve pagar indenização à passageira que sofreu
assédio sexual praticado por outro usuário no interior do trem?
O STJ está dividido sobre o tema:
• 3ª Turma do STJ: SIM:
A concessionária de transporte ferroviário pode responder por dano moral sofrido por
passageira, vítima de assédio sexual, praticado por outro usuário no interior do trem.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.662.551-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/05/2018 (Info 628).

• 4ª Turma do STJ: NÃO.


A concessionária de transporte ferroviário não responde por ato ilícito cometido por terceiro
e estranho ao contrato de transporte.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.748.295-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Marco Buzzi, julgado
em 13/12/2018 (Info 642).

PUBLICIDADE
A inserção de cartões informativos no interior das embalagens de cigarros não constitui prática
de publicidade abusiva apta a caracterizar dano moral coletivo

A Lei nº 9.294/96 estabelece que as fabricantes de cigarro são obrigadas a inserir, nas
embalagens e nos maços do produto, uma imagem e uma mensagem informando sobre os
malefícios do tabaco para a saúde.
O que algumas fabricantes de cigarro começaram a fazer? Inseriram, dentro das embalagens,
um “cartão” móvel, de papel, do tamanho exato da embalagem. Um dos lados do cartão traz a
mensagem e a foto determinados pelo Ministério da Saúde. No entanto, é possível virar o
cartão e, neste outro lado, há o logotipo da empresa. Assim, o consumidor pode retirar do
plástico esse cartão e virar o seu lado, de forma que a mensagem e a imagem de advertência
ficarão cobertos.
O STJ entendeu que a inserção de cartões informativos no interior das embalagens de cigarros
não constitui prática de publicidade abusiva apta a caracterizar dano moral coletivo.

Informativo 642-STJ (15/03/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


Informativo
comentado

O suposto dano moral coletivo estaria alicerçado na possibilidade de o consumidor utilizar os


cartões para obstruir a advertência sobre os malefícios do cigarro. Assim, a responsabilidade
civil estaria sendo imputada a alguém que não praticou o ato, além do dano ser presumido,
uma vez que não se tem notícia que algum consumidor os teria utilizado para encobrir as
advertências. O fumante que se utiliza dos cartões inserts ou onserts quer tampar a visão do
aviso dos malefícios que ele sabe que o cigarro causa à saúde.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.703.077-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Moura Ribeiro, julgado em
11/12/2018 (Info 642).

DIREITO EMPRESARIAL

RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Reserva de 40% dos honorários do administrador judicial (art. 24, § 2º da Lei)
se aplica apenas à falência, não à recuperação

A reserva de 40% dos honorários do administrador judicial, prevista no art. 24, § 2º, da Lei nº
11.101/2005, não se aplica no âmbito da recuperação judicial.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.700.700-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/02/2019 (Info 642).

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

INTIMAÇÃO
A habilitação de advogado em autos eletrônicos não é suficiente para a presunção de ciência
inequívoca das decisões, sendo inaplicável a lógica dos autos físicos

A habilitação de advogado em autos eletrônicos não é suficiente para a presunção de ciência


inequívoca das decisões, sendo inaplicável a lógica dos autos físicos.
A lógica da presunção de ciência inequívoca do conteúdo de decisão constante de autos físicos,
quando da habilitação de advogado com a carga do processo, não se aplica nos processos
eletrônicos.
Para ter acesso ao conteúdo de decisão prolatada e não publicada nos autos eletrônicos, o
advogado deverá acessar a decisão, gerando, automaticamente, informação no movimento do
processo acerca da leitura do conteúdo da decisão.
STJ. 3ª Turma. AgInt no REsp 1.592.443-PR, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em
17/12/2018 (Info 642).

ORDEM DOS PROCESSOS NOS TRIBUNAIS


Em caso de descumprimento do § 3º do art. 941 do CPC,
haverá nulidade do acórdão, mas não do julgamento

Importante!!!
Novo CPC
O § 3º do art. 941 do CPC/2015 prevê que:
§ 3º O voto vencido será necessariamente declarado e considerado parte integrante do
acórdão para todos os fins legais, inclusive de pré-questionamento.

Informativo 642-STJ (15/03/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


Informativo
comentado

Há nulidade do acórdão e do julgamento caso o § 3º do art. 941 do CPC seja descumprido? Há


nulidade se o voto vencido não tiver sido juntado ao acórdão?
• Haverá nulidade do acórdão.
• Não haverá nulidade do julgamento (salvo se o resultado proclamado não refletir a vontade
da maioria).
Em suma: haverá nulidade do acórdão que não contenha a totalidade dos votos declarados;
por outro lado, não haverá nulidade do julgamento se o resultado proclamado refletir, com
exatidão, a conjunção dos votos proferidos pelos membros do colegiado.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.729.143-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/02/2019 (Info 642).

DIREITO PROCESSUAL PENAL

PRISÃO PREVENTIVA
A SV 56 é inaplicável ao preso provisório (prisão preventiva) porque esse enunciado trata da
situação do preso que cumpre pena (preso definitivo ou em execução provisória da condenação)

Importante!!!
A SV 56 destina-se com exclusividade aos casos de cumprimento de pena, ou seja, aplica-se tão
somente ao preso definitivo ou àquele em execução provisória da condenação.
Não se pode estender a citada súmula vinculante ao preso provisório (prisão preventiva), eis que
se trata de situação distinta.
Por deter caráter cautelar, a prisão preventiva não se submete à distinção de diferentes regimes.
Assim, sequer é possível falar em regime mais ou menos gravoso ou estabelecer um sistema de
progressão ou regressão da prisão.
STJ. 5ª Turma. RHC 99.006-PA, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 07/02/2019 (Info 642).

COISA JULGADA
Havendo duas sentenças transitadas em julgado envolvendo fatos idênticos,
deverá prevalecer a que transitou em julgado em primeiro lugar

Importante!!!
Atualize o Info 616-STJ
Diante do duplo julgamento do mesmo fato, deve prevalecer a sentença que transitou em
julgado em primeiro lugar.
Diante do trânsito em julgado de duas sentenças condenatórias contra o mesmo condenado,
por fatos idênticos, deve prevalecer a condenação que transitou em primeiro lugar.
STJ. 6ª Turma. RHC 69.586-PA, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz,
julgado em 27/11/2018 (Info 642).

Informativo 642-STJ (15/03/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 5


Informativo
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DIREITO PENAL E
PROCESSUAL PENAL MILITAR

COMPETÊNCIA
A Lei 13.491/2017 deve ser aplicada imediatamente aos processos em curso, respeitando-se os
benefícios previstos na legislação penal mais benéfica ao tempo do crime

Importante!!!
É possível a aplicação imediata da Lei nº 13.491/2017, que amplia a competência da Justiça
Militar e possui conteúdo híbrido (lei processual material), aos fatos perpetrados antes do seu
advento, mediante observância da legislação penal (seja ela militar ou comum) mais benéfica
ao tempo do crime.
STJ. 3ª Seção. CC 161.898-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 13/02/2019 (Info 642).

Informativo 642-STJ (15/03/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 6


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Informativo 641-STJ (RESUMIDO)
Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO CONSTITUCIONAL

DIREITOS DOS IDOSOS


Idosos que gozam de gratuidade no transporte coletivo, além de não pagarem a passagem,
também são isentos das tarifas de pedágio e de utilização dos terminais

Importante!!!
A reserva de 2 (duas) vagas gratuitas por veículo para idosos com renda igual ou inferior a 2
(dois) salários-mínimos, prevista no art. 40, I, do Estatuto do Idoso, não se limita ao valor das
passagens, abrangendo eventuais custos relacionados diretamente com o transporte, em que
se incluem as tarifas de pedágio e de utilização dos terminais.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.543.465-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 13/12/2018
(Info 641).

DIREITO ADMINISTRATIVO

SERVIDORES PÚBLICOS
A Indenização por Trabalho em Localidade Estratégica somente podia ser paga
após a regulamentação da Lei nº 12.855/2013 pelo Poder Executivo

A Lei nº 12.855/2013, que instituiu a Indenização por Trabalho em Localidade Estratégica, é


norma de eficácia condicionada à prévia regulamentação, para definição das localidades
consideradas estratégicas, para fins de pagamento da referida vantagem.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.617.086-PR, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 28/11/2018 (recurso
repetitivo) (Info 641).

DIREITO DO CONSUMIDOR
TEORIA DO DESVIO PRODUTIVO
É cabível indenização por danos morais em caso de demora excessiva
para atendimento na fila do banco?

Importante!!!
A mera invocação de legislação municipal que estabelece tempo máximo de espera em fila de
banco não é suficiente para ensejar o direito à indenização.

Informativo 641-STJ (01/03/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


Informativo
comentado

Em outras palavras, o simples fato de a pessoa ter esperado por atendimento bancário por
tempo superior ao previsto na legislação municipal não enseja indenização por danos morais.
Ex: a lei estipulava o máximo de 15 minutos e o consumidor foi atendido em 25 minutos.
No entanto, se a espera por atendimento na fila de banco for excessiva ou associada a outros
constrangimentos, pode ser reconhecida como provocadora de sofrimento moral e ensejar
condenação por dano moral.
STJ. 3ª Turma. REsp 1662808/MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 02/05/2017.
STJ. 4ª Turma. REsp 1647452/RO, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 26/02/2019.

O descumprimento da lei municipal que estabelece parâmetros para a adequada prestação do


serviço de atendimento presencial em agências bancárias é capaz de configurar dano moral
de natureza coletiva.
A violação aos deveres de qualidade do atendimento presencial, exigindo do consumidor
tempo muito superior aos limites fixados pela legislação municipal pertinente, afronta valores
essenciais da sociedade, sendo conduta grave e intolerável, de forma que se mostra suficiente
para a configuração do dano moral coletivo.
A instituição financeira optou por não adequar seu serviço aos padrões de qualidade previstos
em lei municipal e federal, impondo à sociedade o desperdício de tempo útil e acarretando
violação injusta e intolerável ao interesse social de máximo aproveitamento dos recursos
produtivos, o que é suficiente para a configuração do dano moral coletivo.
A condenação em danos morais coletivos cumprirá sua função de sancionar o ofensor, inibir
referida prática ilícita e, ainda, de oferecer reparação indireta à sociedade, por meio da
repartição social dos lucros obtidos com a prática ilegal com a destinação do valor da
compensação ao fundo do art. 13 da Lei nº 7.347/85.
STJ. 2ª Turma. REsp 1402475/SE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 09/05/2017.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.737.412/SE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/02/2019 (Info 641).

BANCOS DE DADOS DE CONSUMIDORES


É lícita a manutenção do banco de dados conhecido como “cadastro de passagem” ou “cadastro
de consultas anteriores”, desde que subordinado às exigências previstas no art. 43 do CDC

O “cadastro de passagem” ou “cadastro de consultas anteriores” é um banco de dados de


consumo no qual os comerciantes registram consultas feitas a respeito do histórico de crédito
de consumidores que com eles tenham realizado tratativas ou solicitado informações gerais
sobre condições de financiamento ou crediário.
É lícita a manutenção do “cadastro de passagem”, ou seja, ele pode existir. No entanto, assim
como ocorre com todo e qualquer banco de dados ou cadastro de consumo, o “cadastro de
passagem” deve cumprir às exigências previstas no art. 43 do CDC.
Assim, somente poderão constar no “cadastro de passagem” informações dos consumidores
se essa inclusão tiver sido previamente comunicada ao respectivo consumidor.
A inserção de informações dos consumidores no “cadastro de passagem” sem prévia
comunicação é prática ilícita. Vale ressaltar, no entanto, que a prática é que é ilícita, não o
cadastro em si.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.726.270-BA, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
julgado em 27/11/2018 (Info 641).

Informativo 641-STJ (01/03/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2


Informativo
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DIREITO EMPRESARIAL

PROPRIEDADE INDUSTRIAL
Para analisar se houve imitação de trade dress, é indispensável a prova pericial

A caracterização de concorrência desleal por confusão, apta a ensejar a proteção ao conjunto-


imagem (trade dress) de bens e produtos é questão fática a ser examinada por meio de perícia
técnica.
É necessária a produção de prova técnica para se concluir que houve concorrência desleal
decorrente da utilização indevida do conjunto-imagem (trade dress) de produto da empresa
concorrente.
Assim, o indeferimento da perícia que havia sido oportunamente requerida para tal fim
caracteriza cerceamento de defesa.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.353.451-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 19/09/2017 (Info 612).
STJ. 4ª Turma. REsp 1.778.910-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 06/12/2018 (Info 641).

RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Empresas em recuperação podem celebrar contratos de factoring

Independentemente de autorização do juízo competente, as empresas em recuperação


judicial podem celebrar contratos de factoring no curso do processo de recuperação judicial.
Em regra, os administradores da empresa continuam sendo responsáveis pelos negócios
sociais, exceto se verificada alguma das causas de afastamento ou destituição legalmente
previstas.
O art. 66 da Lei nº 11.101/2005, contudo, prevê uma restrição: a empresa em recuperação não
poderá, sob determinadas condições, alienar ou onerar bens ou direitos de seu ativo
permanente.
Os bens alienados em decorrência de contratos de factoring são “direitos de crédito” e,
portanto, não se enquadram no conceito de “ativo permanente” da empresa. Assim, não incide
a proibição do art. 66 da Lei.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.783.068/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/02/2019 (Info 641).

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

CURADOR ESPECIAL
O recurso interposto pela Defensoria, na qualidade de curadora especial, não precisa de preparo

Importante!!!
Tendo em vista os princípios do contraditório e da ampla defesa, o recurso interposto pela
Defensoria Pública, na qualidade de curadora especial, está dispensado do pagamento de
preparo.
STJ. Corte Especial. EAREsp 978.895-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
18/12/2018 (Info 641).

Informativo 641-STJ (01/03/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


Informativo
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DIREITO PENAL
CRIMES DE TRÂNSITO
O crime do art. 307 do CTB somente se verifica em caso de violação de suspensão ou proibição
de dirigir imposta por decisão judicial (não vale suspensão imposta por decisão administrativa)

É atípica a conduta contida no art. 307 do CTB quando a suspensão ou a proibição de se obter
a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor advém de restrição
administrativa.
A conduta de violar decisão administrativa que suspendeu a habilitação para dirigir veículo
automotor não configura o crime do art. 307, caput, do CTB, embora possa constituir outra
espécie de infração administrativa, a depender do caso concreto.
STJ. 6ª Turma. HC 427.472-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 23/08/2018 (Info 641).

DIREITO PROCESSUAL PENAL


SENTENÇA
É válida a sentença proferida de forma oral na audiência e registrada em meio audiovisual,
ainda que não haja a sua transcrição

Importante!!!
Mudança de entendimento!
Atualize o Info 638-STJ
É válida a sentença proferida de forma oral na audiência e registrada em meio audiovisual,
ainda que não haja a sua transcrição.
O § 2º do art. 405 do CPP, que autoriza o registro audiovisual dos depoimentos, sem
necessidade de transcrição, deve ser aplicado também para os demais atos da audiência,
dentre eles os debates orais e a sentença.
O registro audiovisual da sentença prolatada oralmente em audiência é uma medida que
garante mais segurança e celeridade.
Não há sentido lógico em se exigir a degravação da sentença registrada em meio audiovisual,
sendo um desserviço à celeridade.
A ausência de degravação completa da sentença não prejudica o contraditório nem a
segurança do registro nos autos, do mesmo modo que igualmente ocorre com a prova oral.
STJ. 3ª Seção. HC 462.253/SC, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 28/11/2018 (Info 641).

DIREITO TRIBUTÁRIO
ICMS
Não se aplica o art. 166 do CTN para o caso de empresa que está pedindo o ICMS cobrado
indevidamente quando ela apenas transferiu as mercadorias para outra filial

Não é possível exigir da empresa contribuinte do ICMS, a satisfação da condição estabelecida no


art. 166 do CTN para repetir o tributo que lhe foi indevidamente cobrado pelo Estado de origem,
em razão de transferência de mercadorias para filial sediada em outra Unidade da Federação.
STJ. 1ª Turma. AREsp 581.679-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 04/12/2018 (Info 641).

Informativo 641-STJ (01/03/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


Informativo comentado:
Informativo 640-STJ (RESUMIDO)
Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO CONSTITUCIONAL

DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS


O STJ não pode determinar que as companhias aéreas ofereçam transporte gratuito para
pessoas com deficiência com base em um exercício hermenêutico da Lei nº 8.899/94

A Lei nº 8.899/94 previu que as pessoas com deficiência possuem direito à gratuidade no
transporte coletivo interestadual. Esta Lei foi regulamentada pela Portaria Interministerial nº
003/2001, que, no entanto, afirmou que apenas as empresas de transporte rodoviário,
ferroviário e aquaviário teriam o dever de oferecer essa gratuidade. Houve, assim, uma
omissão quanto ao transporte aéreo.
O MP propôs ação civil pública na qual pretendia garantir a gratuidade também no transporte
aéreo. Ao julgar um recurso neste processo, o STJ afirmou que não poderia conceder o pedido.
Isso porque:
O STJ não possui competência constitucional para ampliar os modais de transporte
interestadual submetidos ao regime da gratuidade prevista na Lei nº 8.899/94 e nos atos
normativos secundários que a regulamentam.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.155.590-DF, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 27/11/2018 (Info 640).

DIREITO ADMINISTRATIVO
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO
Concessionária de rodovia não responde civilmente por roubo e sequestro

Importante!!!
Concessionária de rodovia não responde por roubo e sequestro ocorridos nas dependências
de estabelecimento por ela mantido para a utilização de usuários.
A segurança que a concessionária deve fornecer aos usuários diz respeito ao bom estado de
conservação e sinalização da rodovia. Não tem, contudo, como a concessionária garantir
segurança privada ao longo da estrada, mesmo que seja em postos de pedágio ou de
atendimento ao usuário.
O roubo com emprego de arma de fogo é considerado um fato de terceiro equiparável a força
maior, que exclui o dever de indenizar. Trata-se de fato inevitável e irresistível e, assim, gera
uma impossibilidade absoluta de não ocorrência do dano.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.749.941-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 04/12/2018 (Info 640).
Cuidado. O STF já reconheceu a responsabilidade civil da concessionária que administra a rodovia
por FURTO ocorrido em seu pátio: STF. 1ª Turma. RE 598356/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
8/5/2018 (Info 901).

Informativo 640-STJ (15/02/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


Informativo
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DIREITO CIVIL

PROPRIEDADE INTELECTUAL
O ECAD pode fixar critério diferenciado para valoração de obras de background
(música de fundo) veiculadas em programas de televisão

O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição - ECAD pode definir critérios diferenciados


para distribuição de valores de direitos autorais de acordo com os diversos tipos de exibição
de músicas inseridos no contexto de obras audiovisuais, como nas chamadas músicas de fundo
(background).
STJ. 3ª Turma. REsp 1331103/RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/04/2013.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.552.227-RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 27/11/2018 (Info 640).

SEGURO
A seguradora não pode se recusar a contratar seguro com o consumidor
que tenha restrição de crédito se ele se comprometer a pagar à vista

A seguradora não pode recusar a contratação de seguro a quem se disponha a pronto


pagamento se a justificativa se basear unicamente na restrição financeira do consumidor
junto a órgãos de proteção ao crédito.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.594.024-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 27/11/2018 (Info 640).

SEGURO
É abusiva cláusula prevista em seguro de acidentes pessoais que exclua complicações
decorrentes de gravidez, parto, aborto, intoxicações alimentares, exames e tratamentos

É abusiva a exclusão do seguro de acidentes pessoais em contrato de adesão para as hipóteses de:
a) gravidez, parto ou aborto e suas consequências;
b) perturbações e intoxicações alimentares de qualquer espécie; e
c) todas as intercorrências ou complicações consequentes da realização de exames,
tratamentos clínicos ou cirúrgicos.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.635.238-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/12/2018 (Info 640).

CORRETAGEM
É devida a comissão de corretagem ainda que o resultado da intermediação imobiliária tenha
sido diferente do negócio que o contratante queria inicialmente celebrar

É devida a comissão de corretagem ainda que o resultado útil da intermediação imobiliária


seja negócio de natureza diversa da inicialmente contratada.
Ex: corretor foi contratado para procurar um interessado em comprar o terreno; encontrou
um interessado em fazer um contrato de parceria para loteamento urbano; o contrato de
parceria foi celebrado; mesmo o terreno não tendo sido vendido, o corretor deverá receber a
comissão por ter aproximado as partes, gerando um ganho para o seu contratante.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.765.004-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 27/11/2018 (Info 640).

Informativo 640-STJ (15/02/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2


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CONTRATO DE TRANSPORTE
O Vale-Pedágio e a dobra do frete, previstos na Lei nº 10.209/2001, não estão sujeitos à
supressio nem podem ser reduzidos com base no art. 412 do CC

A Lei nº 10.209/2001 estabelece que a empresa que contratar uma empresa de transporte
rodoviário deverá pagar, de forma antecipada e separada, os valores que o transportador terá
que arcar com os pedágios nas estradas. Esse pagamento é chamado de Vale-Pedágio.
O art. 8º da Lei prevê que o embarcador/contratante que não pagar ao transportador o valor
do pedágio estará sujeito a uma multa equivalente ao dobro do valor do frete. Essa multa é
conhecida como “dobra do frete”.
A obrigação de pagamento antecipado do Vale-Pedágio previsto pela Lei nº 10.209/2001 é
norma cogente que não admite o instituto da supressio. Isso significa que, mesmo que o
transportador não tenha cobrado o pagamento antecipado do pedágio durante longo período,
ele não perde o direito de exigir essa quantia.
Além disso, a dobra do frete (art. 8º da Lei nº 10.209/2001) é uma sanção legal, de caráter
especial, razão pela qual não é possível a convenção das partes para lhe alterar o conteúdo e
também não é possível a sua redução com base no art. 412 do CC.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.694.324-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Moura Ribeiro, julgado em
27/11/2018 (Info 640).

SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO


É possível a adjudicação direta do imóvel ao credor hipotecário que oferece o preço da
avaliação judicial do bem, independentemente da realização de hasta pública

Em ação de execução hipotecária, o credor hipotecário pode requerer a adjudicação do imóvel


penhorado pelo valor constante do laudo de avaliação, independentemente da realização de
hasta pública.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.721.731-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/11/2018 (Info 640).

ALIMENTOS
É admissível o uso da técnica executiva de desconto em folha de dívida de natureza alimentar
ainda que haja anterior penhora de bens do devedor

É admissível o uso da técnica executiva de desconto em folha de dívida de natureza alimentar


ainda que haja anterior penhora de bens do devedor.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.733.697-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/12/2018 (Info 640).

CURATELA
O rol de legitimados para propor a ação de levantamento de curatela,
previsto no art. 756, § 1º do CPC/2015, não é taxativo

O motivo que levou o juiz a decretar a curatela pode deixar de existir. Neste caso, deverá ser
ajuizada uma ação para levantamento da curatela.
É o que prevê o art. 756 do Código Civil:
Art. 756. Levantar-se-á a curatela quando cessar a causa que a determinou.

Informativo 640-STJ (15/02/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


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§ 1º O pedido de levantamento da curatela poderá ser feito pelo interdito, pelo curador ou
pelo Ministério Público e será apensado aos autos da interdição.
O rol de legitimados para propor a ação de levantamento de curatela, previsto no art. 756, §
1º do CPC/2015, não é taxativo.
Exemplo: João foi atropelado por um veículo conduzido por funcionário da empresa “X”. Em
razão das sequelas sofridas, João foi interditado. Em ação de indenização movida por João
contra a empresa, a ré foi condenada a pagar pensão mensal vitalícia em virtude de,
supostamente, o autor não poder mais trabalhar. Passados alguns anos, a empresa “X” ajuizou
ação de levantamento da curatela em face de João ao fundamento de que há prova, posterior
à sentença de interdição, que atestaria que o interdito não possui mais a enfermidade que
justificou a sua interdição. Por entender que existem elementos probatórios suficientes para
demonstrar que o interdito não possui mais a patologia que resultou em sua interdição, o que
poderia gerar também a cessação da pensão vitalícia, o STJ concluiu que a empresa, mesmo
não estando no rol do art. 756, § 1º do CPC/2015, possui legitimidade para o ajuizamento da
ação de levantamento da curatela.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.735.668-MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/12/2018 (Info 640).

DIREITO EMPRESARIAL

TÍTULOS DE CRÉDITO
Não é possível a oposição de exceções pessoais à empresa de factoring
que comprou duplicata mercantil com aceite

Importante!!!
Atualize o Info 564-STJ
Mudança de entendimento!
A duplicata mercantil, apesar de causal no momento da emissão, com o aceite e a circulação
adquire abstração e autonomia, desvinculando-se do negócio jurídico subjacente, impedindo
a oposição de exceções pessoais a terceiros endossatários de boa-fé, como a ausência ou a
interrupção da prestação de serviços ou a entrega das mercadorias.
STJ. 2ª Seção. EREsp 1.439.749-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 28/11/2018 (Info 640).

Informativo 640-STJ (15/02/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


Informativo
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
Tribunal deve condenar o apelante em honorários advocatícios em caso
de manutenção da sentença que indeferiu a petição inicial

Se a petição inicial é indeferida sem que tenha havido citação ou comparecimento espontâneo
do réu, a sentença não deve condenar o autor ao pagamento de honorários advocatícios
considerando que não há advogado constituído nos autos.
No entanto, se o autor recorre, o réu é intimado, apresenta contrarrazões e o Tribunal
confirma a sentença, então, neste caso, será cabível o arbitramento de honorários em prol do
advogado do réu/vencedor.
Dito de outro modo: em caso de indeferimento da petição inicial seguida de interposição de
apelação e a integração do executado à relação processual, mediante a constituição de advogado
e apresentação de contrarrazões, uma vez confirmada a sentença extintiva do processo, é
cabível o arbitramento de honorários em prol do advogado do vencedor (art. 85, § 2º, do CPC).
STJ. 4ª Turma. REsp 1.753.990-DF, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 09/10/2018 (Info 640).

DIREITO PENAL
LEI MARIA DA PENHA
Decisão que fixa alimentos em razão da prática de violência doméstica
pode ser executada sob o rito da prisão civil

Importante!!!
A decisão proferida em processo penal que fixa alimentos provisórios ou provisionais em favor
da companheira e da filha, em razão da prática de violência doméstica, constitui título hábil para
imediata cobrança e, em caso de inadimplemento, passível de decretação de prisão civil.
STJ. 3ª Turma. RHC 100.446-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 27/11/2018 (Info 640).

DIREITO PROCESSUAL PENAL


PROVAS
É nula decisão judicial que autoriza o espelhamento do WhatsApp para que
a Polícia acompanhe as conversas do suspeito pelo WhatsApp Web

Importante!!!
É nula decisão judicial que autoriza o espelhamento do WhatsApp via Código QR para acesso
no WhatsApp Web.
Também são nulas todas as provas e atos que dela diretamente dependam ou sejam
consequência, ressalvadas eventuais fontes independentes.
Não é possível aplicar a analogia entre o instituto da interceptação telefônica e o espelhamento,
por meio do WhatsApp Web, das conversas realizadas pelo aplicativo WhatsApp.
STJ. 6ª Turma. RHC 99.735-SC, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 27/11/2018 (Info 640).

Informativo 640-STJ (15/02/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 5


Informativo
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PROVAS / RECURSOS
É cabível RESE contra decisão que indefere a produção
antecipada de prova prevista no art. 366 do CPP

É cabível recurso em sentido estrito para impugnar decisão que indefere produção antecipada
de prova, nas hipóteses do art. 366 do CPP.
As hipóteses de cabimento de recurso em sentido estrito estão previstas no art. 581 do CPP,
sendo esse um rol taxativo (exaustivo). No entanto, apesar disso, é admitida a interpretação
extensiva dessas hipóteses legais de cabimento.
Se você observar as situações ali elencadas, verá que não existe a previsão de recurso em
sentido estrito contra a decisão que indefere o pedido de produção antecipada de provas.
Apesar disso, será possível a interposição de RESE contra essa decisão com base no inciso XVI
do art. 581: “Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença: XVI - que
ordenar a suspensão do processo, em virtude de questão prejudicial;”
A decisão que indefere a produção antecipada de provas com base no art. 366 deve ser
encarada, para fins de recurso, como sendo uma decisão que “ordena a suspensão do
processo” e, além disso, determina se haverá ou não a produção das provas. Logo, enquadra-
se no inciso XVI do art. 581 do CPP.
STJ. 3ª Seção. EREsp 1.630.121-RN, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 28/11/2018
(Info 640).

DIREITO TRIBUTÁRIO

ICMS
O adquirente de boa-fé não pode ser responsabilizado pelo tributo
que deixou de ser pago pela empresa vendedora

O adquirente de boa-fé não pode ser responsabilizado pelo tributo que deixou de ser
oportunamente recolhido pela empresa vendedora que realizou a operação mediante
indevida emissão de nota fiscal.
STJ. 1ª Turma. AREsp 1.198.146-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 04/12/2018 (Info 640).

Informativo 640-STJ (15/02/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 6


Informativo comentado:
Informativo 639-STJ (RESUMIDO)
Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO CIVIL

CONTRATOS
A abusividade de encargos acessórios do contrato não descaracteriza a mora

A abusividade de encargos acessórios do contrato não descaracteriza a mora.


STJ. 2ª Seção. REsp 1.639.259-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 12/12/2018
(recurso repetitivo) (Info 639).
Obs: o reconhecimento da abusividade dos encargos essenciais exigidos no período da normalidade
contratual descarateriza a mora (STJ. 2ª Seção. REsp 1061530/RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado
em 22/10/2008).

SEGURO
Ainda que contrato preveja a exclusão da cobertura em caso de embriaguez do segurado e
mesmo que o acidente tenha sido causado por essa embriaguez, a seguradora será obrigada a
indenizar a vítima, já que essa cláusula é ineficaz perante terceiros

Mudança de entendimento!
No contrato de seguro de automóvel, é lícita a cláusula que exclui a cobertura securitária para
o caso de o acidente de trânsito (sinistro) ter sido causado em decorrência da embriaguez do
segurado.
No entanto, esta cláusula é ineficaz perante terceiros (garantia de responsabilidade civil).
Isso significa que, mesmo que contrato preveja a exclusão da cobertura em caso de
embriaguez do segurado, a seguradora será obrigada a indenizar a vítima (terceiro) caso o
acidente tenha sido causado pelo segurado embriagado.
Em outras palavras, não se pode invocar essa cláusula contra a vítima.
Depois de indenizar a vítima, a seguradora poderá exigir seu direito de regresso contra o
segurado (causador do dano).
A garantia de responsabilidade civil não visa apenas proteger o interesse econômico do
segurado tendo, também como objetivo preservar o interesse dos terceiros prejudicados.
O seguro de responsabilidade civil se transmudou após a edição do Código Civil de 2002, de
forma que deixou de ser apenas uma forma de reembolsar as indenizações pagas pelo
segurado e passou a ser também um meio de proteção das vítimas, prestigiando, assim, a sua
função social.
É inidônea a exclusão da cobertura de responsabilidade civil no seguro de automóvel quando o
motorista dirige em estado de embriaguez, visto que somente prejudicaria a vítima já penalizada,
o que esvaziaria a finalidade e a função social dessa garantia, de proteção dos interesses dos
terceiros prejudicados à indenização, ao lado da proteção patrimonial do segurado.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.738.247-SC, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 27/11/2018 (Info 639).

Informativo 639-STJ (01/02/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


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DIREITO DO CONSUMIDOR

CLÁUSULAS ABUSIVAS E CONTRATOS BANCÁRIOS


É abusiva a previsão no contrato bancário de cobrança genérica
por serviços prestados por terceiros

É abusiva a cláusula que prevê a cobrança de ressarcimento de serviços prestados por


terceiros, sem a especificação do serviço a ser efetivamente prestado.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.578.553-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 28/11/2018
(recurso repetitivo) (Info 639).

CLÁUSULAS ABUSIVAS E CONTRATOS BANCÁRIOS


Em regra, o banco pode cobrar tarifa de avaliação do bem dado em garantia
Em regra, o banco pode cobrar o ressarcimento de despesa com o registro do contrato

É válida a tarifa de avaliação do bem dado em garantia, bem como da cláusula que prevê o
ressarcimento de despesa com o registro do contrato, ressalvadas:
• a abusividade da cobrança por serviço não efetivamente prestado; e
• a possibilidade de controle da onerosidade excessiva, em cada caso concreto.
Tarifa de avaliação do bem dado em garantia: valor cobrado do banco para remunerar o
especialista que realiza a avaliação do preço de mercado do bem dado em garantia.
Ressarcimento de despesa com o registro do contrato: valor cobrado pela instituição
financeira como ressarcimento pelos custos que o banco terá para fazer o registro do contrato
no cartório ou no DETRAN. Ex: despesas para registrar a alienação fiduciária de veículo no
DETRAN.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.578.553-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 28/11/2018
(recurso repetitivo) (Info 639).

CLÁUSULAS ABUSIVAS E CONTRATOS BANCÁRIOS


O banco não pode cobrar do consumidor o valor gasto
pela instituição com a comissão do correspondente bancário

É abusiva a cláusula que prevê o ressarcimento pelo consumidor da comissão do


correspondente bancário, em contratos celebrados a partir de 25/02/2011, data de entrada
em vigor da Resolução CMN 3.954/2011, sendo válida a cláusula no período anterior a essa
resolução, ressalvado o controle da onerosidade excessiva.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.578.553-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 28/11/2018
(recurso repetitivo) (Info 639).

CLÁUSULAS ABUSIVAS E CONTRATOS BANCÁRIOS


O banco não pode cobrar do consumidor o valor gasto com o registro do pré-gravame

É abusiva a cláusula que prevê o ressarcimento pelo consumidor da despesa com o registro do
pré-gravame, em contratos celebrados a partir de 25/02/2011, data de entrada em vigor da

Informativo 639-STJ (01/02/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2


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Resolução CMN 3.954/2011, sendo válida a cláusula pactuada no período anterior a essa
resolução, ressalvado o controle da onerosidade excessiva.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.639.259-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 12/12/2018
(recurso repetitivo) (Info 639).

CLÁUSULAS ABUSIVAS E CONTRATOS BANCÁRIOS


Instituição financeira não pode exigir que o contratante faça um seguro
como condição para a assinatura do contrato bancário

Nos contratos bancários em geral, o consumidor não pode ser compelido a contratar seguro
com a instituição financeira ou com seguradora por ela indicada.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.639.259-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 12/12/2018
(recurso repetitivo) (Info 639).

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TUTELA ANTECIPADA
A tutela antecipada antecedente (art. 303 do CPC) somente se torna estável se não houver
nenhum tipo de impugnação formulada pela parte contrária, de forma que a mera contestação
tem força de impedir a estabilização

Importante!!!
O CPC/2015 inovou na ordem jurídica ao trazer, além das hipóteses até então previstas no
CPC/1973, a possibilidade de concessão de tutela antecipada requerida em caráter
antecedente, a teor do que dispõe o seu art. 303.
Uma das grandes novidades trazidas pelo novo CPC a respeito do tema é a possibilidade de
estabilização da tutela antecipada requerida em caráter antecedente, instituto inspirado no
référé do Direito francês, que serve para abarcar aquelas situações em que ambas as partes se
contentam com a simples tutela antecipada, não havendo necessidade, portanto, de se
prosseguir com o processo até uma decisão final (sentença), nos termos do que estabelece o
art. 304, §§ 1º a 6º, do CPC/2015.
Assim, segundo o art. 304, não havendo recurso contra a decisão que deferiu a tutela
antecipada requerida em caráter antecedente, a referida decisão será estabilizada e o
processo será extinto, sem resolução de mérito.
No prazo de 2 anos, porém, contado da ciência da decisão que extinguiu o processo, as partes
poderão pleitear, perante o mesmo Juízo que proferiu a decisão, a revisão, reforma ou
invalidação da tutela antecipada estabilizada, devendo se valer de ação autônoma para esse fim.
É de se observar, porém, que, embora o caput do art. 304 do CPC/2015 determine que “a tutela
antecipada, concedida nos termos do art. 303, torna-se estável se da decisão que a conceder
não for interposto o respectivo recurso”, a leitura que deve ser feita do dispositivo legal,
tomando como base uma interpretação sistemática e teleológica do instituto, é que a
estabilização somente ocorrerá se não houver qualquer tipo de impugnação pela parte
contrária, sob pena de se estimular a interposição de agravos de instrumento,
sobrecarregando desnecessariamente os Tribunais, além do ajuizamento da ação autônoma,
prevista no art. 304, § 2º, do CPC/2015, a fim de rever, reformar ou invalidar a tutela
antecipada estabilizada.

Informativo 639-STJ (01/02/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


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No caso concreto analisado pelo STJ, a empresa ré não interpôs agravo de instrumento contra
a decisão que deferiu o pedido de antecipação dos efeitos da tutela requerida em caráter
antecedente, mas apresentou contestação, na qual pleiteou, inclusive, a revogação da tutela
provisória concedida. Diante disso, o Tribunal considerou que não houve a estabilização da
tutela antecipada, devendo, por isso, o feito prosseguir normalmente até a prolação da
sentença.
A ideia central do instituto é que, após a concessão da tutela antecipada em caráter
antecedente, nem o autor nem o réu tenham interesse no prosseguimento do feito, isto é, não
queiram uma decisão com cognição exauriente do Poder Judiciário, apta a produzir coisa
julgada material.
Por essa razão, é que, apesar de o caput do art. 304 do CPC/2015 falar em “recurso”, a leitura
que deve ser feita do dispositivo legal, tomando como base uma interpretação sistemática e
teleológica do instituto, é que a estabilização somente ocorrerá se não houver qualquer tipo
de impugnação pela parte contrária.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.760.966-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 04/12/2018 (Info 639).

TÉCNICA DE AMPLIAÇÃO DO COLEGIADO


A técnica de ampliação de julgamento (art. 942 do CPC/2015) deve ser utilizada quando o
resultado da apelação for não unânime, independentemente de ser julgamento que reforma ou
mantém a sentença impugnada

Importante!!!
Assim como ocorria com os embargos infringentes, para a aplicação da técnica de julgamento
do art. 942 do CPC exige-se que a sentença tenha sido reformada no julgamento da apelação?
NÃO. A técnica do julgamento ampliado vale também para sentença mantida pelo Tribunal no
julgamento da apelação por decisão não unânime.
A técnica de ampliação de julgamento prevista no art. 942 do CPC/2015 deve ser utilizada
quando o resultado da apelação for não unânime, independentemente de ser julgamento que
reforma ou mantém a sentença impugnada.
Assim, o que importa é que a decisão que julgou a apelação tenha sido por maioria (julgamento
não unânime), não importando que a sentença tenha sido mantida ou reformada.
Obs: cuidado com as hipóteses de cabimento do art. 942 do CPC nos casos de acórdão que julga
agravo de instrumento e ação rescisória.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.733.820-SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 02/10/2018 (Info 639).

AÇÃO RESCISÓRIA
O pedido de rescisão da sentença, em vez do acórdão que a substituiu, não conduz à
impossibilidade jurídica do pedido, constituindo mera irregularidade formal

O autor da ação rescisória pediu a rescisão da sentença. Ocorre que essa sentença já havia sido
confirmada pelo Tribunal de Justiça em sede de apelação. Logo, a ação rescisória deveria ter
pedido a rescisão do acórdão do TJ. Esse vício, contudo, constitui-se em mera irregularidade
formal, de modo que o Tribunal não deverá extinguir a ação rescisória por impossibilidade
jurídica do pedido, devendo superar o vício e enfrentar o mérito.
Esse entendimento é reforçado atualmente pela previsão do art. 968, §§ 5º e 6º do CPC/2015.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.569.948-AM, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 11/12/2018
(Info 639).

Informativo 639-STJ (01/02/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


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AGRAVO DE INSTRUMENTO
O rol do art. 1.015 do CPC/2015 é de taxatividade mitigada

Importante!!!
O rol do art. 1.015 do CPC é de taxatividade mitigada, por isso admite a interposição de agravo
de instrumento quando verificada a urgência decorrente da inutilidade do julgamento da
questão no recurso de apelação.
STJ. Corte Especial. REsp 1.704.520-MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/12/2018 (recurso
repetitivo) (Info 639).
Obs: a tese jurídica fixada e acima explicada somente se aplica às decisões interlocutórias proferidas
após a publicação do REsp 1704520/MT, o que ocorreu no DJe 19/12/2018.

DIREITO PENAL

DOSIMETRIA DA PENA
Condenações anteriores transitadas em julgado não podem
ser utilizadas como conduta social desfavorável

A circunstância judicial “conduta social”, prevista no art. 59 do Código Penal, representa o


comportamento do agente no meio familiar, no ambiente de trabalho e no relacionamento
com outros indivíduos.
Os antecedentes sociais do réu não se confundem com os seus antecedentes criminais. São
circunstâncias distintas, com regramentos próprios.
Assim, não se mostra correto o magistrado utilizar as condenações anteriores transitadas em
julgado como “conduta social desfavorável”.
Não é possível a utilização de condenações anteriores com trânsito em julgado como
fundamento para negativar a conduta social.
STF. 2ª Turma. RHC 130132, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 10/5/2016 (Info 825).
STJ. 5ª Turma. HC 475.436/PE, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 13/12/2018.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.760.972-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 08/11/2018 (Info 639).

CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA


Não pratica o crime do art. 3º, III, da Lei 8.137/90 o auditor fiscal que corrige minuta de
impugnação administrativa que posteriormente é ajuizada na Administração Tributária

É atípica a conduta de agente público que procede à prévia correção quanto aos aspectos
gramatical, estilístico e técnico das impugnações administrativas, não configurando o crime
de advocacia administrativa perante a Administração Fazendária.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.770.444-DF, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 08/11/2018 (Info 639).

Informativo 639-STJ (01/02/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 5


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CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA


A SV 24 pode ser aplicada a fatos anteriores à sua edição

Importante!!!
A Súmula Vinculante 24 tem aplicação aos fatos ocorridos anteriormente à sua edição.
Como a SV 24 representa a mera consolidação da interpretação judicial que já era adotada
pelo STF e pelo STJ mesmo antes da sua edição, entende-se que é possível a aplicação do
enunciado para fatos ocorridos anteriormente à sua publicação.
STF. 1ª Turma. RHC 122774/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 19/5/2015 (Info 786).
STJ. 3ª Seção. EREsp 1.318.662-PR, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 28/11/2018 (Info 639).

DIREITO PROCESSUAL PENAL

FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO


Crime cometido por Desembargador

Importante!!!
O Superior Tribunal de Justiça é o tribunal competente para o julgamento nas hipóteses em
que, não fosse a prerrogativa de foro (art. 105, I, da CF/88), o desembargador acusado
houvesse de responder à ação penal perante juiz de primeiro grau vinculado ao mesmo
tribunal.
Assim, mesmo que o crime cometido pelo Desembargador não esteja relacionado com as suas
funções, ele será julgado pelo STJ se a remessa para a 1ª instância significar que o réu seria
julgado por um juiz de primeiro grau vinculado ao mesmo tribunal que o Desembargador.
A manutenção do julgamento no STJ tem por objetivo preservar a isenção (imparcialidade e
independência) do órgão julgador.
STJ. Corte Especial. QO na APn 878-DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 21/11/2018 (Info 639).

Informativo 639-STJ (01/02/2019) – Márcio André Lopes Cavalcante | 6


Informativo comentado:
Informativo 638-STJ (RESUMIDO)
Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO ADMINISTRATIVO

ANISTIA POLÍTICA
Súmula 624-STJ

Súmula 624-STJ: É possível cumular a indenização do dano moral com a reparação econômica
da Lei nº 10.559/2002 (Lei da Anistia Política).
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.

DIREITO AMBIENTAL
OBRIGAÇÕES AMBIENTAIS
Súmula 623-STJ

Súmula 623-STJ: As obrigações ambientais possuem natureza propter rem, sendo admissível
cobrá-las do proprietário ou possuidor atual e/ou dos anteriores, à escolha do credor.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.

RESPONSABILIDADE CIVIL POR DANO AMBIENTAL


Súmula 629-STJ

Súmula 629-STJ: Quanto ao dano ambiental, é admitida a condenação do réu à obrigação de


fazer ou à de não fazer cumulada com a de indenizar.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.

DIREITO CIVIL

RESPONSABILIDADE CIVIL
Atraso de voo internacional não gera dano moral in re ipsa

Importante!!!
Na hipótese de atraso de voo, não se admite a configuração do dano moral in re ipsa.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.584.465-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 13/11/2018 (Info 638).

Informativo 638-STJ (19/12/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


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CONTRATO DE SEGURO
Súmula 620-STJ

Súmula 620-STJ: A embriaguez do segurado não exime a seguradora do pagamento da


indenização prevista em contrato de seguro de vida.
STJ. 2ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.

ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA
O credor fiduciário somente responde pelas dívidas condominiais após a imissão na posse

Importante!!!
O credor fiduciário, no contrato de alienação fiduciária de bem imóvel, tem responsabilidade
pelo pagamento das despesas condominiais deixadas pelo devedor fiduciante? NÃO.
• A responsabilidade pelo pagamento das despesas condominiais recai sobre o devedor
fiduciante enquanto estiver na posse direta do imóvel.
• O credor fiduciário somente responde pelas dívidas condominiais incidentes sobre o imóvel
se consolidar a propriedade para si, tornando-se o possuidor direto do bem.
Assim, a responsabilidade do credor fiduciário pelo pagamento das despesas condominiais
dá-se quando da consolidação de sua propriedade plena quanto ao bem dado em garantia, ou
seja, quando de sua imissão na posse do imóvel.
É o que prevê o § 8º do art. 27 da Lei nº 9.514/97:
§ 8º Responde o fiduciante pelo pagamento dos impostos, taxas, contribuições condominiais e
quaisquer outros encargos que recaiam ou venham a recair sobre o imóvel, cuja posse tenha
sido transferida para o fiduciário, nos termos deste artigo, até a data em que o fiduciário vier
a ser imitido na posse.
STJ. 3ª Turma. REsp 1696038/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 28/08/2018.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.731.735-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 13/11/2018 (Info 638).

ALIMENTOS
Em ação de alimentos, quando se trata de credor com plena capacidade processual, cabe
exclusivamente a ele provocar a integração posterior no polo passivo

O Código Civil prevê o seguinte:


Art. 1.698. Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em condições de
suportar totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os de grau imediato; sendo várias
as pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção dos
respectivos recursos, e, intentada ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a
integrar a lide.
Neste julgado, o STJ entendeu que este artigo possui natureza jurídica de “litisconsórcio
facultativo ulterior simples”.
Trata-se, contudo, de litisconsórcio com uma particularidade: em regra, a sua formação pode
ocorrer não apenas por iniciativa do autor, mas também por provocação do réu ou do
Ministério Público.
Vale ressaltar, contudo, uma exceção: se o credor dos alimentos (autor da ação) for menor
emancipado, possuir capacidade processual plena e optar livremente por ajuizar a demanda

Informativo 638-STJ (19/12/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2


Informativo
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somente em face do genitor, não pode o réu provocar o chamamento ao processo da genitora
do autor (codevedora).
Em ação de alimentos, quando se trata de credor com plena capacidade processual, cabe
exclusivamente a ele provocar a integração posterior no polo passivo.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.715.438-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 13/11/2018 (Info 638).

ALIMENTOS
Súmula 621-STJ

Súmula 621-STJ: Os efeitos da sentença que reduz, majora ou exonera o alimentante do


pagamento retroagem à data da citação, vedadas a compensação e a repetibilidade.
STJ. 2ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.

DIREITO DO CONSUMIDOR

PLANO DE SAÚDE
É legítima a recusa do plano de saúde em custear medicação importada não nacionalizada,
ou seja, sem registro vigente na ANVISA

Importante!!!
As operadoras de plano de saúde não estão obrigadas a fornecer medicamento não registrado
pela ANVISA.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.712.163-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 08/11/2018 (recurso
repetitivo) (Info 638).

DIREITO EMPRESARIAL

PROTESTO
Credor que havia protestado o título tem o dever de fornecer carta de anuência para
cancelamento do protesto, mas para isso precisa haver um pedido do devedor

Não há como impor tacitamente ao credor o dever de enviar, sem provocação, o documento
hábil ao cancelamento do legítimo protesto.
O credor tem o inequívoco dever de fornecer o documento hábil ao cancelamento do protesto,
mas para isso precisa ser previamente provocado.
Assim, se o devedor paga ao banco um título de crédito que estava protestado, o banco deverá
fornecer uma carta de anuência com a qual o devedor poderá cancelar o protesto. No entanto,
o credor não tem o dever de fornecer este documento automaticamente. É necessário que haja
um requerimento (um pedido) daquele que pagou.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.346.584-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 09/10/2018 (Info 638).

Informativo 638-STJ (19/12/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


Informativo
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TÉCNICA DE AMPLIAÇÃO DO COLEGIADO


Os novos julgadores convocados na forma do art. 942 do CPC/2015 poderão analisar todo o
conteúdo das razões recursais, não se limitando à matéria sobre a qual houve divergência

Importante!!!
Como ocorre a continuidade do julgamento na hipótese em que houve uma parte unânime e
outra não unânime? Ex: no julgamento de uma apelação contra sentença que havia negado
integralmente a indenização, a Câmara Cível entendeu de forma unânime (3x0) que houve
danos materiais e por maioria (2x1) que não ocorreram danos morais. Foram então
convocados dois Desembargadores para a continuidade do julgamento ampliado (art. 742).
Esses dois novos Desembargadores que chegam poderão votar também sobre a parte unânime
(danos materiais) ou ficarão restritos ao capítulo não unânime (danos morais)?
O colegiado formado com a convocação dos novos julgadores (art. 942 do CPC/2015) poderá
analisar de forma ampla todo o conteúdo das razões recursais, não se limitando à matéria
sobre a qual houve originalmente divergência.
Constatada a ausência de unanimidade no resultado da apelação, é obrigatória a aplicação do
art. 942 do CPC/2015, sendo que o julgamento não se encerra até o pronunciamento pelo
colegiado estendido, ou seja, inexiste a lavratura de acórdão parcial de mérito.
Os novos julgadores convocados não ficam restritos aos capítulos ou pontos sobre os quais
houve inicialmente divergência, cabendo-lhes a apreciação da integralidade do recurso.
O prosseguimento do julgamento com quórum ampliado em caso de divergência tem por
objetivo a qualificação do debate, assegurando-se a oportunidade para a análise aprofundada
das teses jurídicas contrapostas e das questões fáticas controvertidas, com vistas a criar e
manter uma jurisprudência uniforme, estável, íntegra e coerente.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.771.815-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 13/11/2018 (Info 638).

RECURSO ESPECIAL
Necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão proferida
pelo Tribunal de origem que inadmite o recurso especial

A decisão de inadmissibilidade do recurso especial não é formada por capítulos autônomos,


mas por um único dispositivo, o que exige sua impugnação total.
Em outras palavras, o agravante deve atacar, de forma específica, TODOS os fundamentos da
decisão que, na origem, inadmitiu o recurso especial.
STJ. Corte Especial. EAREsp 831.326-SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Rel. Acd. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 19/09/2018 (Info 638).

EXECUÇÃO
O agravo de instrumento não pode ser utilizado como meio de impugnação de
toda e qualquer decisão interlocutória proferida no processo de execução

Não cabe agravo de instrumento contra decisão do juiz que determina a elaboração dos
cálculos judiciais e estabelece os parâmetros de sua realização.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.700.305-PB, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 25/09/2018 (Info 638).

Informativo 638-STJ (19/12/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


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MANDADO DE SEGURANÇA
Súmula 628-STJ

Súmula 628-STJ: A teoria da encampação é aplicada no mandado de segurança quando


presentes, cumulativamente, os seguintes requisitos:
a) existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou informações e a que
ordenou a prática do ato impugnado;
b) manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas; e
c) ausência de modificação de competência estabelecida na Constituição Federal.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.

DIREITO PROCESSUAL PENAL

SENTENÇA
É nula a sentença proferida de forma oral e degravada
parcialmente sem o registro das razões de decidir

Importante!!!
É nula a sentença proferida de forma oral e degravada parcialmente sem o registro das razões
de decidir.
Nas alterações promovidas pela Lei nº 11.719/2008 no art. 405 do CPP, não se estabeleceu a
possibilidade de se dispensar a transcrição de sentença penal registrada por meio
audiovisual.
Ao contrário, manteve-se o art. 388 do CPP, que prevê a possibilidade da sentença “ser
datilografada”, admitindo-se, na atualidade, a utilização de outros meios tecnológicos
similares, como por exemplo o computador, para o seu registro escrito.
Daí a inaplicabilidade do disposto no art. 405, §§ 1º e 2º, do CPP - que permite a dispensa de
transcrição de depoimentos - à sentença penal.
STJ. 5ª Turma. HC 336.112/SC, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/10/2017.
STJ. 6ª Turma. HC 470.034-SC, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 09/10/2018 (Info 638).

TRIBUNAL DO JÚRI
É possível a pronúncia do acusado baseada exclusivamente
em elementos informativos obtidos na fase inquisitorial?

Importante!!!
É possível a pronúncia do acusado baseada exclusivamente em elementos informativos
obtidos na fase inquisitorial?
• NÃO. Haverá violação ao art. 155 do CPP. Além disso, muito embora a análise aprofundada
seja feita somente pelo Júri, não se pode admitir, em um Estado Democrático de Direito, a
pronúncia sem qualquer lastro probatório colhido sob o contraditório judicial, fundada
exclusivamente em elementos informativos obtidos na fase inquisitorial.
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1.740.921-GO, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 06/11/2018 (Info 638).
STJ. 6ª Turma. HC 341.072/RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 19/4/2016.

Informativo 638-STJ (19/12/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 5


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• SIM. É possível admitir a pronúncia do acusado com base em indícios derivados do inquérito
policial, sem que isso represente afronta ao art. 155. Embora a vedação imposta no art. 155 se
aplique a qualquer procedimento penal, inclusive dos do Júri, não se pode perder de vista o
objetivo da decisão de pronúncia não é o de condenar, mas apenas o de encerrar o juízo de
admissibilidade da acusação (iudicium accusationis). Na pronúncia opera o princípio in dubio
pro societate, porque é a favor da sociedade que se resolvem as dúvidas quanto à prova, pelo
Juízo natural da causa. Constitui a pronúncia, portanto, juízo fundado de suspeita, que apenas
e tão somente admite a acusação. Não profere juízo de certeza, necessário para a condenação,
motivo pelo qual a vedação expressa do art. 155 do CPP não se aplica à referida decisão.
STJ. 5ª Turma. HC 435.977/RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 15/05/2018.
STJ. 6ª Turma. REsp 1458386/PA, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 04/10/2018.
Obs: prevalece, no STJ, a segunda posição, ou seja, de que é possível a pronúncia.

DIREITO TRIBUTÁRIO

PRESCRIÇÃO
Parcelamento de ofício não interfere no curso do prazo prescricional

IPTU
Termo inicial do prazo prescricional em caso de IPTU

Parcelamento de ofício não interfere no curso do prazo prescricional


O parcelamento de ofício da dívida tributária não configura causa interruptiva da contagem
da prescrição, uma vez que o contribuinte não anuiu.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.658.517-PA, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 14/11/2018
(recurso repetitivo) (Info 638).

Termo inicial do prazo prescricional em caso de IPTU


O termo inicial do prazo prescricional da cobrança judicial do Imposto Predial e Territorial
Urbano - IPTU - inicia-se no dia seguinte à data estipulada para o vencimento da exação.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.658.517-PA, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 14/11/2018
(recurso repetitivo) (Info 638).

CRÉDITO TRIBUTÁRIO
Súmula 622-STJ

Súmula 622-STJ: A notificação do auto de infração faz cessar a contagem da decadência para a
constituição do crédito tributário; exaurida a instância administrativa com o decurso do prazo
para a impugnação ou com a notificação de seu julgamento definitivo e esgotado o prazo
concedido pela Administração para o pagamento voluntário, inicia-se o prazo prescricional
para a cobrança judicial.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.

Informativo 638-STJ (19/12/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 6


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COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Súmula 625-STJ

Súmula 625-STJ: O pedido administrativo de compensação ou de restituição não interrompe o


prazo prescricional para a ação de repetição de indébito tributário de que trata o art. 168 do
CTN nem o da execução de título judicial contra a Fazenda Pública.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.

IMPOSTO DE RENDA
Súmula 627-STJ

Súmula 627-STJ: O contribuinte faz jus à concessão ou à manutenção da isenção do imposto de


renda, não se lhe exigindo a demonstração da contemporaneidade dos sintomas da doença
nem da recidiva da enfermidade.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.

IPI
Não deve incidir IPI sobre a venda de produtos, na hipótese de roubo ou furto
da mercadoria antes da sua entrega ao comprador

Na hipótese em que ocorrer roubo/furto da mercadoria após a sua saída do estabelecimento


do fabricante não se configura o evento ensejador de incidência do IPI.
Não deve incidir IPI sobre a venda de produtos, na hipótese de roubo ou furto da mercadoria,
antes da sua entrega ao comprador. Isso porque, neste caso, como não foi concluída a operação
mercantil, não ficou configurado o fato gerador.
STJ. 1ª Seção. EREsp 734.403-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 14/11/2018 (Info 638).

ISS
Incide ISS sobre serviço de proteção ao crédito
oferecido por sindicato ou CDL aos seus associados?

Se uma entidade sem fins lucrativos, como é o caso do sindicato ou da câmara de dirigentes
lojistas, oferece serviço de consulta a cadastros de proteção ao crédito em favor de seus
associados, deverá pagar ISS?
1ª Turma: SIM
O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISSQN - incide sobre os serviços de proteção
ao crédito, ainda que prestados por entidade sindical a seus associados.
STJ. 1ª Turma. AREsp 654.401-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 04/10/2018 (Info 638).

2ª Turma: NÃO
A Câmara de Dirigentes Lojistas é uma associação cujos serviços destinam-se a atender seus
próprios sócios, os diretores de lojas, sem objetivo de lucro, mas visando a realização de seus
objetivos, tal como previsto em seu estatuto.
Assim, como o CDL realiza suas atividades sem fins lucrativos não está sujeito à incidência do ISS.
STJ. 2ª Turma. REsp 1338554/RS, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 07/05/2015.

Informativo 638-STJ (19/12/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 7


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IPTU
Súmula 626-STJ

Súmula 626-STJ: A incidência do IPTU sobre imóvel situado em área considerada pela lei local
como urbanizável ou de expansão urbana não está condicionada à existência dos
melhoramentos elencados no art. 32, § 1º, do CTN.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.

Informativo 638-STJ (19/12/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 8


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Informativo 637-STJ (RESUMIDO)
Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO CIVIL

RESPONSABILIDADE CIVIL
As agressões praticadas por jogador contra árbitro de futebol, durante final de importante
campeonato transmitida para todo o país, podem gerar indenização por danos morais

Importante!!!
Agressões físicas e verbais perpetradas por jogador profissional contra árbitro de futebol, na
ocasião de disputa de partida de futebol, constituem ato ilícito indenizável na Justiça Comum,
independentemente de eventual punição aplicada na esfera da Justiça Desportiva.
Caso concreto: na final do campeonato paulista de 2015, o jogador do Palmeiras, após ser
expulso, empurrou as costas do árbitro e proferiu xingamentos contra ele.
Vale ressaltar que a conclusão acima exposta não é a regra, ou seja, não é toda agressão em
uma partida de futebol que gerará indenização por danos morais.
O STJ entendeu, na situação concreta, que a conduta do jogador transbordou o mínimo
socialmente aceitável em partidas de futebol.
Além disso, o evento no qual as agressões foram perpetradas, final do Campeonato Paulista de
Futebol, envolvendo dois dos maiores clubes do Brasil, foi televisionado para todo o país, o
que evidencia sua enorme audiência e, em consequência, o número de pessoas que assistiram
o episódio.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.762.786-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 23/10/2018 (Info 637).

DOAÇÃO
A aposição da cláusula de impenhorabilidade e/ou incomunicabilidade em ato de liberalidade
não importa, automaticamente, na cláusula de inalienabilidade

Importante!!!
O art. 1.911 do Código Civil estabelece:
Art. 1.911. A cláusula de inalienabilidade, imposta aos bens por ato de liberalidade, implica
impenhorabilidade e incomunicabilidade.
A interpretação deste art. 1.911 nos permite chegar a quatro conclusões:
a) há possibilidade de imposição autônoma das cláusulas de inalienabilidade,
impenhorabilidade e incomunicabilidade, a critério do doador/instituidor. Em outras
palavras, o doador/instituidor pode impor só uma, só duas ou as três cláusulas.
b) uma vez aposto o gravame da inalienabilidade, pressupõe-se, ex vi lege (por força de lei),
automaticamente, a impenhorabilidade e a incomunicabilidade. Assim, se tiver sido imposta

Informativo 637-STJ (07/12/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


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cláusula de inalienabilidade ao imóvel, isso significa que ele, obrigatoriamente, será também
impenhorável e incomunicável.
c) a inserção exclusiva da proibição de não penhorar e/ou não comunicar não gera a
presunção da inalienabilidade. A aposição da cláusula de impenhorabilidade e/ou
incomunicabilidade em ato de liberalidade não importa, automaticamente, na cláusula de
inalienabilidade.
d) a instituição autônoma da impenhorabilidade, por si só, não pressupõe a
incomunicabilidade e vice-versa.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.155.547-MG, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 06/11/2018 (Info 637).

USUCAPIÃO
Pessoa jurídica brasileira, mesmo que tenha seu capital social controlado por estrangeiros, pode
adquirir imóvel rural no Brasil, inclusive por meio de usucapião, mas, para isso, precisará
cumprir as regras da Lei 5.709/71

É juridicamente possível a usucapião de imóveis rurais por pessoa jurídica brasileira com
capital majoritariamente controlado por estrangeiros, desde que observadas as mesmas
condicionantes para a aquisição originária de terras rurais por pessoas estrangeiras - sejam
naturais, jurídicas ou equiparadas.
A Lei nº 5.709/71 impõe uma série de condições para que estrangeiros adquiram terras rurais
no Brasil. Uma pessoa jurídica nacional que tenha seu capital social controlado por
estrangeiros também está sujeita às mesmas restrições, por força do art. 1º, § 1º, da Lei nº
5.709/71. Isso não significa que ela não possa adquirir imóveis rurais no Brasil. Podem sim,
inclusive mediante usucapião. No entanto, precisam cumprir as regras da Lei nº 5.709/71.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.641.038-CE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 06/11/2018 (Info 637).

DIVÓRCIO
A ação de divórcio não pode, em regra, ser ajuizada por curador provisório

Em regra, a ação de dissolução de vínculo conjugal tem natureza personalíssima, de modo que
o legitimado ativo para o seu ajuizamento é, por excelência, o próprio cônjuge.
Excepcionalmente, admite-se que o divórcio seja proposto pelo curador, na qualidade de
representante processual do cônjuge.
Justamente por ser excepcional o ajuizamento da ação de dissolução de vínculo conjugal por
terceiro em representação do cônjuge, deve ser restritiva a interpretação da norma jurídica
que indica os representantes processuais habilitados a fazê-lo, não se admitindo, em regra, o
ajuizamento da referida ação por quem possui apenas a curatela provisória.
Assim, em regra, a ação de divórcio não pode ser ajuizada por curador provisório. Isso pode
ser admitido em situações excepcionais, quando houver prévia autorização judicial e oitiva do
Ministério Público.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.645.612-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 16/10/2018 (Info 637).

Informativo 637-STJ (07/12/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2


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CURATELA
Situações nas quais o magistrado deverá decretar a prestação de contas pelo cônjuge curador

O art. 1.783 do CC prevê que se o curador for o cônjuge do curatelado e eles forem casados sob
o regime da comunhão universal, em regra, ele não será obrigado à prestação de contas dos
bens administrados durante a curatela, “salvo determinação judicial” que o obrigue a prestar.
O STJ identificou duas situações nas quais o juiz poderá determinar a prestação de contas.
Assim, o magistrado poderá (deverá) decretar a prestação de contas pelo cônjuge curador,
resguardando o interesse prevalente do curatelado e a proteção especial do interdito quando:
a) houver qualquer indício ou dúvida de malversação dos bens do incapaz, com a periclitação
de prejuízo ou desvio de seu patrimônio, no caso de bens comuns; e
b) se tratarem de bens incomunicáveis, excluídos da comunhão, ressalvadas situações
excepcionais.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.515.701-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 02/10/2018 (Info 637).

DIREITO DO CONSUMIDOR

RESPONSABILIDADE CIVIL
A lanchonete tem o dever de indenizar o consumidor
que sofreu roubo armado na fila do drive-trhu

Importante!!!
A lanchonete responde pela reparação de danos sofridos pelo consumidor que foi vítima de
crime ocorrido no drive-thru do estabelecimento comercial.
A lanchonete, ao disponibilizar o serviço de drive-thru em troca dos benefícios financeiros
indiretos decorrentes desse acréscimo de conforto aos consumidores, assumiu o dever
implícito de lealdade e segurança.
A empresa, ao oferecer essa modalidade de compra, aumentou os seus ganhos, mas, por outro
lado, chamou para si o ônus de fornecer a segurança legitimamente esperada em razão dessa
nova atividade.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.450.434-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 18/09/2018 (Info 637).

PLANO DE SAÚDE
A Sumula 302 do STJ se aplica à segmentação hospitalar (e não à ambulatorial)

O art. 12, II, “a”, da Lei nº 9.656/98 proíbe que os planos de saúde limitem o tempo para a
internação hospitalar. No mesmo sentido, foi editada a súmula do STJ:
Súmula 302-STJ: É abusiva a cláusula contratual de plano de saúde que limita no tempo a
internação hospitalar do segurado.
Vale ressaltar, no entanto, que o disposto no art. 12, II, “a” e na Súmula 302 do STJ referem-se,
expressamente, à segmentação hospitalar, e não à ambulatorial.
Assim, não é abusiva a cláusula inserta em contrato de plano de saúde individual que
estabelece, para o tratamento emergencial ou de urgência, no segmento atendimento
ambulatorial, o limite de 12 horas.

Informativo 637-STJ (07/12/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


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STJ. 3ª Turma. REsp 1.764.859-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 06/11/2018 (Info 637).

PLANO DE SAÚDE
O art. 31 da Lei 9.656/98 assegura que os aposentados paguem os mesmos preços praticados
aos funcionários em atividade, acrescido dos reajustes legais

O “pagamento integral” previsto no art. 31 da Lei nº 9.656/98 deve corresponder ao valor da


contribuição do ex-empregado, enquanto vigente seu contrato de trabalho, e da parte antes
subsidiada por sua ex-empregadora, pelos preços praticados aos funcionários em atividade,
acrescido dos reajustes legais.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.713.619-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 16/10/2018 (Info 637).

DIREITO EMPRESARIAL

FALÊNCIA
Se a parte já tem um título executivo, não precisa ir para a arbitragem
mesmo que o contrato contenha cláusula compromissória

A existência de cláusula compromissória não afeta a executividade do título de crédito


inadimplido e não impede a deflagração do procedimento falimentar, fundamentado no art.
94, I, da Lei nº 11.101/2005.
Caso concreto: o contrato entre as empresas “A” e “B” continha uma cláusula compromissória.
Com base nesse contrato, a empresa “A” forneceu mercadorias para a empresa “B”. A empresa
“B” não pagou a duplicata referente a essa venda. Diante disso, a empresa “A” poderá ingressar
com execução individual ou, então, pedir a falência da empresa “B” sem precisar instaurar o
procedimento arbitral. Havendo título executivo, o direito do credor só pode ser garantido por
meio do juízo estatal, já que o árbitro não possui poderes de natureza executiva.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.733.685-SP, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 06/11/2018 (Info 637).

FALÊNCIA
Na antiga Lei de Falência, os créditos tributários eram pagos antes dos encargos da massa

Os encargos da massa não preferem os créditos tributários nas falências processadas sob a
égide do Decreto-Lei nº 7.661/1945.
Em outras palavras, na antiga Lei de Falência, os créditos tributários eram pagos antes dos
encargos da massa.
STJ. Corte Especial. EREsp 1.162.964-RJ, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 07/03/2018 (Info 637).

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

EMBARGOS INFRIGENTES
Acórdão que, no julgamento de agravo de instrumento, por maioria de voto, reforma decisão
interlocutória para reconhecer que determinado bem é impenhorável

Informativo 637-STJ (07/12/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


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Baixa relevância
Nos processos ainda regidos pelo CPC/73, são cabíveis embargos infringentes contra acórdão
que, em julgamento de agravo de instrumento, por maioria de votos, reforma decisão
interlocutória para reconhecer a impenhorabilidade de bem, nos termos da Lei nº 8.009/90.
STJ. 2ª Seção. EREsp 1.131.917-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min. Marco Aurélio
Bellizze, julgado em 10/10/2018 (Info 637).

AÇÃO DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS


Ainda existe a ação autônoma de exibição de documentos ou coisas no CPC/2015

Novo CPC
É admissível o ajuizamento da ação de exibição de documentos, de forma autônoma, na
vigência do CPC/2015.
Admite-se o ajuizamento de ação autônoma para a exibição de documento, com base nos arts.
381 e 396 e seguintes do CPC, ou até mesmo pelo procedimento comum, previsto nos arts. 318
e seguintes do CPC.
Entendimento apoiado nos enunciados n. 119 e 129 da II Jornada de Direito Processual Civil.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.774.987-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 08/11/2018 (Info 637).

DIREITO PENAL
CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO
Venda premiada configura o crime do art. 16 da Lei 7.492/86, de competência da Justiça Federal

Importante!!!
A simulação de consórcio por meio de venda premiada, operada sem autorização do Banco
Central do Brasil, configura crime contra o sistema financeiro, tipificado pelo art. 16 da Lei nº
7.492/86, o que atrai a competência da Justiça Federal.
STJ. 3ª Seção. CC 160.077-PA, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 10/10/2018 (Info 637).

DIREITO TRIBUTÁRIO

IPI
Selo para controle de recolhimento de IPI não pode ser cobrado do contribuinte

Apenas concursos federais!


É incompatível com a CF/88 o art. 3º do Decreto-Lei 1.437/75, que autorizava que o Fisco
exigisse do contribuinte o ressarcimento pelo custo dos selos do IPI.
Assim, o selo para controle de recolhimento de IPI não pode ser cobrado do contribuinte, sob
pena de violação ao princípio da legalidade tributária (art. 150, I, da CF/88).
Nas palavras do STF:
“Ante o princípio da legalidade estrita, surge inconstitucional o artigo 3º do Decreto-Lei nº
1.437/75 no que transferida a agente do Estado – Ministro da Fazenda – a definição do

Informativo 637-STJ (07/12/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 5


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ressarcimento de custo e demais encargos relativos ao selo especial previsto, sob o ângulo da
gratuidade, no artigo 46 da Lei nº 4.502/64.”
STF. Plenário. RE 662113/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 12/2/2014 (Info 735).

É inexigível o ressarcimento de custos e demais encargos pelo fornecimento de selos de


controle de IPI, instituído pelo DL 1.437/1975, que, embora denominado ressarcimento
prévio, é tributo da espécie Taxa de Poder de Polícia, de modo que há vício de forma na
instituição desse tributo por norma infralegal, excluídos os fatos geradores ocorridos após a
vigência da Lei nº 12.995/2014.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.405.244-SP, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 08/08/2018
(recurso repetitivo) (Info 637).

Informativo 637-STJ (07/12/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 6


Informativo comentado:
Informativo 636-STJ (RESUMIDO)
Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO CIVIL

DANOS MORAIS
É possível a indenização por danos morais em novo processo judicial em razão de descumprimento
de ordem judicial em processo anterior, mesmo que tenha sido fixada multa cominatória

Importante!!!
É cabível o pedido de indenização por danos morais em razão de descumprimento de ordem
judicial em demanda pretérita envolvendo as mesmas partes, na qual foi fixada multa
cominatória.
A multa cominatória tem cabimento nas hipóteses de descumprimento de ordens judiciais,
sendo fixada com o objetivo de compelir a parte ao cumprimento daquela obrigação.
Por outro lado, a indenização visa a reparar o abalo moral sofrido em decorrência da
verdadeira agressão ou atentado contra a dignidade da pessoa humana. Encontra justificativa
no princípio da efetividade da tutela jurisdicional e na necessidade de se assegurar o pronto
cumprimento das decisões judiciais cominatórias.
Considerando, portanto, que os institutos em questão têm natureza jurídica e finalidades
distintas, é possível a cumulação.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.689.074-RS, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 16/10/2018 (Info 636).

DIREITO DO CONSUMIDOR

CONCEITO DE CONSUMIDOR
Contrato de conta-corrente mantida entre corretora de Bitcoin
e instituição financeira: não se aplica o CDC

Importante!!!
Contrato de conta-corrente mantida entre corretora de Bitcoin e instituição financeira: não se
aplica o CDC
A empresa corretora de Bitcoin que celebra contrato de conta-corrente com o banco para o
exercício de suas atividades não pode ser considerada consumidora. Não se trata de uma
relação de consumo.
A empresa desenvolve a atividade econômica de intermediação de compra e venda de
Bitcoins. Para realizar essa atividade econômica, utiliza o serviço de conta-bancária oferecido
pela instituição financeira.

Informativo 636-STJ (23/11/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


Informativo
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Desse modo, a utilização desse serviço bancário (abertura de conta-corrente) tem o propósito
de incrementar sua atividade produtiva de intermediação, não se caracterizando, portanto,
como relação jurídica de consumo, mas sim de insumo.
Em outras palavras, o serviço bancário de conta-corrente é utilizado como implemento de sua
atividade empresarial, não se destinando, pois, ao seu consumo final.
Logo, não se aplicam as normas protetivas do Código de Defesa do Consumidor.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.696.214-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 09/10/2018 (Info 636).

DIREITO EMPRESARIAL

CONTRATOS BANCÁRIOS
Banco que, após notificar a corretora de Bitcoin, decide encerrar contrato de conta-corrente
com a empresa não pratica ato que configure abuso de direito

Importante!!!
Contrato de conta-corrente mantida entre corretora de Bitcoin e instituição financeira: não se
aplica o CDC
A empresa corretora de Bitcoin que celebra contrato de conta-corrente com o banco para o
exercício de suas atividades não pode ser considerada consumidora. Não se trata de uma
relação de consumo.
A empresa desenvolve a atividade econômica de intermediação de compra e venda de
Bitcoins. Para realizar essa atividade econômica, utiliza o serviço de conta-bancária oferecido
pela instituição financeira.
Desse modo, a utilização desse serviço bancário (abertura de conta-corrente) tem o propósito
de incrementar sua atividade produtiva de intermediação, não se caracterizando, portanto,
como relação jurídica de consumo, mas sim de insumo.
Em outras palavras, o serviço bancário de conta-corrente é utilizado como implemento de sua
atividade empresarial, não se destinando, pois, ao seu consumo final.
Logo, não se aplicam as normas protetivas do Código de Defesa do Consumidor.

Banco que, após notificar a corretora de Bitcoin, decide encerrar contrato de conta-corrente com
a empresa não pratica ato que configure abuso de direito
O encerramento de conta-corrente usada na comercialização de criptomoedas, observada a
prévia e regular notificação, não configura prática comercial abusiva ou exercício abusivo do
direito.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.696.214-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 09/10/2018 (Info 636).

Informativo 636-STJ (23/11/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2


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DIREITO ECONÔMICO

DIREITOS ANTIDUMPING
A retenção de mercadoria importada até o pagamento dos direitos antidumping
não viola o enunciado da Súmula 323 do STF

Atenção! Juiz Federal, em especial TRF4


A retenção de mercadoria importada até o pagamento dos direitos antidumping não viola o
enunciado da Súmula 323 do STF.
Súmula 323-STF: É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para
pagamento de tributos.
A exigência do pagamento dos direitos antidumping como condição para a liberação das
mercadorias importadas não significa apreensão, mas tão somente a sua retenção enquanto
se aguarda o desembaraço aduaneiro.
A retenção das mercadorias trazidas para o Brasil e a exigência de recolhimento dos tributos
e multa é um procedimento que integra a operação de importação.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.728.921-SC, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 16/10/2018 (Info 636).

ECA

INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS
A hipossuficiência financeira ou a vulnerabilidade famíliar não é
suficiente para afastar a multa pecuniária prevista no art. 249 do ECA

O art. 249 do ECA prevê, como infração administrativa:


Art. 249. Descumprir, dolosa ou culposamente, os deveres inerentes ao poder familiar ou
decorrente de tutela ou guarda, bem assim determinação da autoridade judiciária ou
Conselho Tutelar:
Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência.
Até se admite que, por meio de decisão judicial fundamentada, o magistrado deixe de aplicar
a sanção pecuniária do art. 249 e, em seu lugar, faça incidir outras medidas mais adequadas e
eficazes para a situação específica.
No entanto, a hipossuficiência financeira ou a vulnerabilidade familiar não é suficiente, por si
só, para afastar a multa prevista no art. 249 do ECA.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.658.508-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/10/2018 (Info 636).

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
Os honorários advocatícios contratuais não se incluem nas
despesas processuais do art. 82, § 2º, do CPC/2015

O § 2º do art. 82 do CPC/2015 prevê que: “a sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor


as despesas que antecipou.”

Informativo 636-STJ (23/11/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


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O sucumbente deve arcar também com os honorários contratuais que foram pagos pela parte
vencedora? Não. O vencido deverá pagar apenas os honorários sucumbenciais.
Os honorários advocatícios contratuais não se incluem nas despesas processuais do art. 82, §
2º, do CPC/2015 (art. 20 do CPC/1973).
STJ. 3ª Turma. REsp 1.571.818-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 09/10/2018 (Info 636).

RECURSOS EM GERAL
Não se conta em dobro o prazo para recorrer, quando só um dos litisconsortes haja sucumbido

Importante!!!
É inaplicável a contagem do prazo recursal em dobro quando apenas um dos litisconsortes
com procuradores distintos sucumbe.
Nesse sentido existe, inclusive, uma súmula do STF, cujo entendimento continua válido com o
CPC/2015:
Súmula 641-STF: Não se conta em dobro o prazo para recorrer, quando só um dos
litisconsortes haja sucumbido.
Ex: ação de cobrança proposta contra Pedro e Tiago. Na sentença, o juiz julga procedente
quanto a Pedro e improcedente no que tange a Tiago. Pedro, única parte sucumbente, não terá
direito a prazo em dobro.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.709.562-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 16/10/2018 (Info 636).

AGRAVO DE INSTRUMENTO
O rol do art. 1.015 do CPC/2015 é de taxatividade mitigada

Importante!!!
O rol do art. 1.015 do CPC/2015 é de taxatividade mitigada
O rol do art. 1.015 do CPC é de taxatividade mitigada, por isso admite a interposição de agravo
de instrumento quando verificada a urgência decorrente da inutilidade do julgamento da
questão no recurso de apelação.
STJ. Corte Especial. REsp 1704520/MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/12/2018 (recurso
repetitivo).
Obs: a tese jurídica fixada e acima explicada somente se aplica às decisões interlocutórias proferidas
após a publicação do REsp 1704520/MT, o que ocorreu no DJe 19/12/2018.

Antes da decisão acima, o STJ chegou a admitir o cabimento de mandado de segurança


Com a entrada em vigor do CPC/2015, e antes da decisão do STJ no REsp 1704520/MT, havia
dúvida razoável na doutrina e na jurisprudência sobre o cabimento ou não de agravo de
instrumento contra a decisão interlocutória que examinava competência.
Diante disso, era possível a impetração de mandado de segurança contra decisão
interlocutória que examinava competência.
Vale ressaltar, contudo, que essa possibilidade de impetração de MS deixou de existir com a
publicação do REsp 1704520/MT (DJe 19/12/2018).
STJ. 4ª Turma. RMS 58.578-SP, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 18/10/2018 (Info 636).

Informativo 636-STJ (23/11/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


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CUMPRIMENTO DE SENTENÇA
A multa de 10% prevista no art. 523, § 1º, do CPC/2015
NÃO entra no cálculo dos honorários advocatícios

Importante!!!
A base de cálculo sobre a qual incidem os honorários advocatícios devidos em cumprimento
de sentença é o valor da dívida (quantia fixada em sentença ou na liquidação), acrescido das
custas processuais, se houver, sem a inclusão da multa de 10% pelo descumprimento da
obrigação dentro do prazo legal (art. 523, § 1º, do CPC/2015).
A multa de 10% prevista no art. 523, § 1º, do CPC/2015 NÃO entra no cálculo dos honorários
advocatícios.
A multa de 10% do art. 523, § 1º, do CPC/2015 não integra a base de cálculo dos honorários
advocatícios.
Os 10% dos honorários advocatícios deverão incidir apenas sobre o valor do débito principal.
Relembre o que diz o § 1º do art. 523:
Art. 523 (...) § 1º Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do caput, o débito será
acrescido de multa de dez por cento e, também, de honorários de advogado de dez por cento.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.757.033-DF, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 09/10/2018 (Info 636).

AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO


Se ficar comprovada a insuficiência do depósito, a ação deve ser julgada improcedente

Importante!!!
Em ação consignatória, a insuficiência do depósito realizado pelo devedor conduz ao
julgamento de improcedência do pedido, pois o pagamento parcial da dívida não extingue o
vínculo obrigacional.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.108.058-DF, Rel. Min. Lázaro Guimarães (Desembargador Convocado do TRF da
5ª Região), Rel. Acd. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 10/10/2018 (recurso repetitivo) (Info 636).

AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO


Legitimidade do banco de ajuizar ação de consignação em pagamento
para pagar dívida que foi gerada contra cliente em virtude de falha bancária

A instituição financeira possui legitimidade para ajuizar ação de consignação em pagamento


visando quitar débito de cliente decorrente de título de crédito protestado por falha no
serviço bancário.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.318.747-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 04/10/2018 (Info 636).

ARROLAMENTO SUMÁRIO
Para que ocorra a homologação da partilha no arrolamento sumário, não se exige prova do
cumprimento das obrigações tributárias principais ou acessórias relativas ao ITCMD

Novo CPC
No arrolamento sumário não se condiciona a entrega dos formais de partilha ou da carta de
adjudicação à prévia quitação dos tributos concernentes à transmissão patrimonial aos
sucessores.

Informativo 636-STJ (23/11/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 5


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Assim, a homologação da partilha no procedimento do arrolamento sumário não pressupõe o


atendimento das obrigações tributárias principais e tampouco acessórias relativas ao imposto
sobre transmissão causa mortis.
Isso não significa que no arrolamento sumário seja possível homologar a partilha mesmo sem
a quitação dos tributos relativos aos bens do espólio e às suas rendas.
A inovação normativa do § 2º do art. 659 do CPC/2015 em nada altera a condição estabelecida
no art. 192 do CTN, de modo que, no arrolamento sumário, o magistrado deve exigir a
comprovação de quitação dos tributos relativos aos bens do espólio e às suas rendas para
homologar a partilha e, na sequência, com o trânsito em julgado, expedir os títulos de
transferência de domínio e encerrar o processo, independentemente do pagamento do
imposto de transmissão.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.704.359-DF, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 28/08/2018 (Info 634).
STJ. 2ª Turma. REsp 1.751.332-DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 25/09/2018 (Info 636).

AÇÃO DE EXIGIR CONTAS


É cabível ação de prestação de contas proposta contra empresa administradora de consórcio
caso a empresa que promoveu as vendas não tenha concordado com os números apresentados

É cabível a propositura de ação de prestação de contas para apuração de eventual saldo, e sua
posterior execução, decorrente de contrato relacional firmado entre administradora de
consórcios e empresa responsável pela oferta das quotas consorciais a consumidores.
Caso concreto: a empresa 1 celebrou contrato com a empresa 2, por meio do qual a empresa 1
organizaria e administraria um consórcio e a empresa 2 ficaria responsável por oferecer e
comercializar as quotas consorciais aos consumidores. Vale ressaltar que, depois que o
consumidor firmava o contrato, ele deveria efetuar os pagamentos das prestações
diretamente para a empresa 1. A empresa 2 seria remunerada com um percentual dos
pagamentos.
Ao se analisar o ajuste celebrado, percebe-se que se trata de relação contratual que configura
típico contrato de agência, previsto no art. 710 do CC.
No contrato de agência, tanto uma parte como a outra possuem o dever de prestar contas:
O vínculo contratual colaborativo originado do contrato de agência importa na administração
recíproca de interesses das partes contratantes, viabilizando a utilização da ação da prestação
de contas e impondo a cada uma das partes o dever de prestar contas a outra.
Vale ressaltar, por fim, que, mesmo que a empresa 1 já tenha, extrajudicialmente, prestado
contas para a empresa 2, ainda assim persiste o interesse de agir de propor a ação. Isso porque
a apresentação extrajudicial e voluntária das contas não prejudica o interesse processual da
promotora de vendas, na hipótese de não serem elas recebidas como boas, ou seja, caso ela
não tenha concordado com os valores demonstrados.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.676.623-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 23/10/2018 (Info 636).

Informativo 636-STJ (23/11/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 6


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DIREITO PENAL
LEI DE DROGAS
A condenação pelo art. 28 da Lei 11.343/2006 (porte de droga para uso próprio)
NÃO configura reincidência

O porte de droga para consumo próprio, previsto no art. 28 da Lei nº 11.343/2006, possui
natureza jurídica de crime.
O porte de droga para consumo próprio foi somente despenalizado pela Lei nº 11.343/2006,
mas não descriminalizado.
Obs: despenalizar é a medida que tem por objetivo afastar a pena como tradicionalmente
conhecemos, em especial a privativa de liberdade. Descriminalizar significa deixar de
considerar uma conduta como crime.
Mesmo sendo crime, o STJ entende que a condenação anterior pelo art. 28 da Lei nº
11.343/2006 (porte de droga para uso próprio) NÃO configura reincidência.
Argumento principal: se a contravenção penal, que é punível com pena de prisão simples, não
configura reincidência, mostra-se desproporcional utilizar o art. 28 da LD para fins de
reincidência, considerando que este delito é punido apenas com “advertência”, “prestação de
serviços à comunidade” e “medida educativa”, ou seja, sanções menos graves e nas quais não há
qualquer possibilidade de conversão em pena privativa de liberdade pelo descumprimento.
Há de se considerar, ainda, que a própria constitucionalidade do art. 28 da LD está sendo
fortemente questionada.
STJ. 5ª Turma. HC 453.437/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 04/10/2018.
STJ. 6ª Turma. REsp 1672654/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 21/08/2018 (Info 632).

DIREITO PROCESSUAL PENAL


COMPETÊNCIA
Compete à Justiça Federal conceder medida protetiva em favor de mulher ameaçada por ex-
namorado que mora nos EUA e faz as ameaças por meio do Facebook

Importante!!!
Compete à Justiça Federal apreciar o pedido de medida protetiva de urgência decorrente de
crime de ameaça contra a mulher cometido por meio de rede social de grande alcance, quando
iniciado no estrangeiro e o seu resultado ocorrer no Brasil.
STJ. 3ª Seção. CC 150.712-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 10/10/2018 (Info 636).

DIREITO TRIBUTÁRIO
IPI
Cessionário de crédito-prêmio de IPI não pode suceder o cedente em execução contra a União

Apenas concursos federais!


Não é possível a sucessão processual em razão de cessão de crédito de título judicial, referente
a crédito-prêmio de IPI, com a finalidade de oportunizar a compensação tributária pela
cessionária.
STJ. 1ª Seção. EREsp 1.390.228-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 26/09/2018 (Info 636).

Informativo 636-STJ (23/11/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 7