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Penicilina G acilase: microorganismo utilizado na produção

de antibióticos

Penicillin G acylases: microorganism used in production

Camila T. Sais, Jakeline T. C. Barros, Raquel C. Amador, Thiago da S. Santos

Resumo: A maior parte dos custos do processo biológico envolve etapas de separação e
purificação. Um clássico processo industrial é usado para a produção de Penicilina G
através da extração do produto com solvente orgânico. Bacillus megaterium é um
microorganismo aeróbico utilizado para a produção de penicilina sendo esse, o principal
objetivo. Conclui-se que a Penicilina G pode ser obtida através de enzimas produzidas
por microorganismos Escherichia coli, Proteus rettgeri e Kluyvera citrofila, sendo o
principal o Bacillus megaterium.
Palavras-chave: Penicilina G, Bacillus megaterium.

1. INTRODUÇÃO

O processamento final de biotecnológicos, o qual envolve as etapas de


separação, concentração e purificação, é freqüentemente responsável pela maior parte
dos custos de produção desses compostos (Barros, 2008).

A produção de penicilina G constitui um clássico processo industrial, realizado


através da extração do produto com solvente orgânico. No Brasil, a única empresa que
ainda detém tecnologia para a produção de penicilina G é a Prodotti S/A. O processo
clássico para produção da penicilina G na indústria se utiliza da extração com um
solvente altamente hidrofóbico, como o acetato de amila, por exemplo, para separação
do antibiótico do meio de cultivo (Barros, 2008).

2. RESUMO BIBLIOGRÁFICO

2.1 ANTIBIÓTICOS
Os antibióticos por sua vez são produtos do metabolismo secundário de alguns
microorganismos que inibem o processo de crescimento de outros organismos. Eles são
reconhecidos como um tipo especial de agentes quimioterápicos pelo fato de serem
produtos metabólicos ativos, mesmo em concentrações muito pequenas. Todos os
antibióticos beta-lactâmicos (penicilinas e cefalosporinas) interferem na síntese de
parede celular bacteriana (Barros, 2008).

2.2 PENICILINA

A penicilina foi o primeiro antibiótico descoberto que encontrou uso prático no


homem. As primeiras penicilinas biossintéticas ou naturais, ainda hoje estão em uso
clinico (Ligon, 2004).

As penicilinas sintéticas, chamadas também de penicilinas naturais, são


conseguidas a partir do cultivo de microorganismo. As de maior interesse devido a sua
importância terapêutica são penicilinas G e V. A diferença entre elas esta na cadeia
lateral ligada ao acido 6-aminopenicilamico (6-APA). Na penicilina G este radical
ligado é um fenilacetila e na penicilina V é um radical fenoxiacetila ( Silva, 2003).

2.2 PENICILINA G

A penicilina G ou benzilpenicilina é o derivado benzílico do 6-APA (ácido 6-


amino penicilânico), apresenta-se sob a forma de sal alcalino sódico ou potássico. Os
sais alcalinos da penicilina apresentam-se como um pó cristalino, inodoro, branco,
facilmente solúvel em água e instável em solução aquosa devido ao seu anel lactâmico.
É um ácido orgânico fraco (Menezes, 2000).

2.3 PENICILINA G ACILASE

A penicilina G acilase foi primeiramente isolada pela Penicillium


chrysogenum. (Parmar et.al., 2000) De acordo com a fonte a partir da qual a enzima
penicilina acilase foi isolada, esta pode ser classificada em dois tipos, as penicilinas
acilase provenientes de bactérias tem maior afinidade para hidrolisar a penicilina G,
enquanto as penicilinas acilase provenientes de actinomicetos e fungos tem maior
afinidade para hidrolisar a penicilina V (Silva, 2003).
O nome oficial da penicilina G acilase é penicilina amido hidrolase e sua
importância reside na utilização como catalisador na hidrólise da penicilina G para a
obtenção de 6-APA e ácido fenilacético, em processo com enzimas imobilizadas
(Savidge, 1984).

As enzimas podem provir de diferentes microorganismos, apresentando


diferentes características e propriedades, com diferentes pesos moleculares e afinidade
pelo substrato. As enzimas utilizadas podem ser obtidas dos seguintes microorganismos:
Escherichia coli, Bacillus megaterium, Proteus rettgeri e Kluyvera citrofila.

2.4 BACILLUS MEGATERIUM

O Bacillus megaterium é um microorganismo aeróbio, utilizado na produção


de penicilina G, que apesar de ser considerado um microoganismo proveniente do solo,
pode ser encontrado em alimentos desidratados, água marinha, sedimentos, peixes, e até
mesmo mel de abelha (Vary, 1994).

Há uma relação da importância econômica do microorganismo Bacillus


megaterium à sua capacidade de produzir penicilina acilase, amilases,
glicosedesidrogenase, antibióticos, esteróides, hidrolases, além de ser o microorganismo
aeróbio maior produtor de vitamina B12. Além do mais, é um microorganismo
promissor para a manipulação genética, seja como hospedeiro, ou fornecedor de genes
(Kang et al., 1991).

Em nível industrial o que se procura é o condicionamento do microorganismo


de modo a aumentar a produtividade da enzima, pela formulação adequada de meio e
condições de fermentação. A formulação adequada do meio de cultura é fundamental
para a obtenção de um rendimento maior. A produção da enzima é controlada por
diversos mecanismos regulatórios que dependem das condições ambientais do meio de
cultura (Silva, 2003).
3. DISCUSSÃO

A engenharia mostrou um empreendimento extraordinário que foi o


desenvolvimento do processo de cultura submersa para a produção industrial de
penicilina. O Bacillus megaterium é um microorganismo promissor para manipulação
genética, sendo utilizado na produção de penicilina G acilase, através da enzima
produzida por esse microorganismo em sua utilização como catalisador na hidrólise da
penicilina G para a obtenção de 6-APA, precursor da penicilina G, e ácido fenilacético,
em processo com enzimas imobilizadas.
REFERÊNCIAS

BARROS, André Nogueira Castro de. Purificação de Penicilina G por adsorção em


resinas hidrofóbicas. 2008.

KANG, J.H. Hwang, Y.; Yoo, O.J. Expression of Penicillin G Acylase gene from
Bacillus megaterium ATCC 14945 in Escherichia coli and Bacillus Subtilis. Journal
of Biotechnology, 1991.

LIGON, B.L. Penicillin: Its Discovery and Early Development. Seminars in


Pediatric Infectius Diseases, 2004.

MENEZES, J.C. Análise e Modelação da Produção de Penicilina-G à Escala Piloto


Industrial, Tese Doutorado, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, 1996.

SAVIDGE, T.A. Enzymatic Conversions used in the Production of Penicillins and


Cephalosporins. In: Biotechnology of Industrial Antibiotics, 1984.

SILVA, Roseineide Gomes da. Inferência de Variáveis do Processo de Produção de


Penicilina G Acilase por Bacillus megaterium ATCC 14945, 2003.

VARY, P.S. Prime Time for Bacillus megaterium. Microbiology, 1994.