UNIFAE CENTRO UNIVERSITÁRIO MESTRADO EM ORGANIZAÇÕES E DESENVOLVIMENTO

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

INDÚSTRIAS QUÍMICAS E O MEIO AMBIENTE ESTUDO DAS PERCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS QUE ATUAM EM INDÚSTRIAS QUÍMICAS INSTALADAS EM UM MUNICÍPIO PARANAENSE

ANGELO GUIMARÃES SIMÃO

CURITIBA 2008

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ANGELO GUIMARÃES SIMÃO

INDÚSTRIAS QUÍMICAS E O MEIO AMBIENTE ESTUDO DAS PERCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS QUE ATUAM EM INDÚSTRIAS QUÍMICAS INSTALADAS EM UM MUNICÍPIO PARANAENSE

Dissertação apresentada ao Curso de Pós–Graduação Stricto Sensu em Organizações e Desenvolvimento, UNIFAE – Centro Universitário, como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Organizações e Desenvolvimento.

Orientador (a): Prof. Dr. José Edmilson de Souza-Lima

Curitiba, 10 de junho de 2008.

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Este trabalho é dedicado a minha esposa Carla, pelo carinho constante e por ter compartilhado comigo todos os momentos desta caminhada de construção do nosso futuro comum baseado na educação, e que agora novamente recomeça com o início do seu programa de mestrado.

A minha mãe Alcemira, ao meu pai Altevir e a todos os meus demais familiares pelo carinho, pela compreensão e pela administração dos momentos de ausência exigidos pelo mestrado.

Também dedico este trabalho em mesmo nível de importância, a todas as pessoas que ao longo da história da humanidade tiveram a coragem de abandonar as suas causas particulares para se dedicar a causas coletivas. É graças à atitude destas pessoas que podemos manter sempre acesa a esperança de uma sociedade mais justa e consequentemente de um mundo melhor.

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AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus. Apesar de não buscá-lo na Igreja, tenho a convicção de que ele sempre está comigo e de que sempre está presente nos momentos em que eu mais preciso dele. Aos profissionais das indústrias químicas que aceitaram participar desta pesquisa, os quais, mesmo sem ter total consciência, deram importantes contribuições para a construção de um mundo melhor. Ao meu amigo e orientador José Edmilson, pela humildade acadêmica, pelo exemplo da seriedade do seu trabalho, pela dedicação e pela disponibilidade demonstrada ao compartilhar os seus conhecimentos com o seu grupo de orientandos que aceitou o desafio de trilhar o caminho da complexidade. A família do Prof. José Edmilson por compreender a importância do seu trabalho, o qual exigiu a disponibilidade de seu tempo nos diversos sábados em que as reuniões de orientação foram realizadas. Aos amigos de longa data, Janaína e Carlos pelo incentivo do ingresso na vida acadêmica e pelos vários momentos que nela compartilhamos. Aos colegas da turma de mestrado de 2007, em especial aos colegas Dora, Júlio, Paulo Socher e Bernadete, colegas de orientação e com quem compartilhei a bela experiência de construção coletiva de um grupo de pesquisa. Aos amigos do observatório das indústrias, que em vários momentos, mesmo sem perceber, deram muitas contribuições para a realização desta dissertação. Em especial a minha amiga Erika, pelas várias trocas de idéias sobre a elaboração de uma pesquisa qualitativa.

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“O mundo está na nossa mente, a qual está no nosso mundo”.

“Nosso cérebro-mente ‘produz’ o mundo que produziu o cérebro-mente”

“Nós produzimos a sociedade que nos produz”

Edgar Morin

Neste estudo buscam-se respostas para o seguinte questionamento: como os profissionais que atuam em indústrias químicas instaladas em um município paranaense percebem as relações de sua organização com o meio ambiente? Como objetivos específicos este estudo busca apresentar o perfil ambiental das indústrias químicas analisadas. Como objetivo geral. este estudo procura estabelecer um diálogo com a parte mais criticada desta relação: a indústria de transformação. em especial indústrias químicas de um município paranaense. Em razão da velocidade das novas tecnologias empregadas. caracterizar a forma como estes profissionais percebem o meio ambiente e como percebem as relações de sua organização com o meio ambiente. Palavras-chave: Meio ambiente. tendem a ser responsabilizadas por parte das condições favoráveis que possibilitaram o surgimento da crise ambiental discutida na contemporaneidade. de natureza qualitativa. Como conclusão. são apresentadas as percepções que os profissionais que atuam nas indústrias químicas têm sobre as relações de suas organizações com o meio ambiente. Para a realização deste estudo de percepção o tipo de pesquisa escolhido foi o exploratório. como forma de conhecer como estas estabelecem as suas relações com o meio ambiente. consumidora.7 RESUMO A revolução industrial ocorrida a partir do século XVII inaugurou uma nova fase na relação existente entre sociedade e meio ambiente. O método de abordagem empregado foi a pesquisa de campo e o modo de coleta de dados se deu por meio da realização de entrevistas semi-estruturadas. apresentar o perfil dos profissionais entrevistados em termos de formação e experiência de atuação no ramo industrial químico. a sociedade passou a contar com novas formas de produção que a possibilitaram desenvolver novos padrões de consumo. indústria de transformação. Percepção. . e sociedade. produtora. fatores que associados determinaram à ampliação da exploração dos recursos naturais e a deterioração do meio ambiente. Juntas. A análise dos dados e o delineamento da pesquisa foram realizados com base no método de análise de conteúdo. Indústrias químicas.

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ABSTRACT

The industrial revolution occurred from the seventeenth century inaugurated a new phase in the existing relationship between society and environment. Because of the speed of the new technologies employed, the society become to rely on new forms of production that provided the development of new consumption patterns; considering these factors associated, they led to the extension of the natural resources exploitation and environment deterioration. Together, processing industry (producer) and society (consumer) tend to be responsible for the favorable conditions that allowed the appearance of environmental crisis discussed at present. As a general goal, this study tries to establish a dialogue with the most criticized part of this relationship: the processing industry, particularly the chemical industries of a community from Paraná, as a way of being aware of how they establish their relationship with the environment. In this study answers have been pursued regarding the following question: how the professionals that work at chemical industries which are located in a community from Paraná notice the relationship of their organization with the environment? Taking into account the specific goals, this study aims to present: the environmental profile of

chemical industries analyzed; the profile of professionals interviewed regarding education/training and experience of working in chemical industry; and, characterizing the way these professionals notice the environment and how they realize the relationship between their organization and the environment. For the realization of this perception study the type of research chosen was the exploratory, from qualitative nature. The method of approach employed was the field research and the method of collecting data was carried out through semi-structured interviews. Data analysis and survey management were conducted based on the analysis of content method. In conclusion, the perception of the professionals who work at chemical industries, about the relationship between their organizations and the environment is presented.

Keywords: Environment. Chemical industries. Perception.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 – Foto do Planeta Terra – Missão Apollo 8 ..................................................... 68 Figura 2 – Mapa de Domínios das Florestas Tropicais da África .................................. 77 Figura 3 – Mapa de Domínios das Florestas Tropicais da Ásia .................................... 77 Figura 4 – Mapa de Domínios das Florestas Tropicais da América Latina e do Caribe 78 Figura 5 – Projeção do Aumento de Temperatura na Terra .......................................... 80 Figura 6 – Temperatura, Nível do Mar e Cobertura de Neve no Hemisfério Norte........ 81 Figura 7 – Evolução do Índice Planeta Vivo .................................................................. 82 Figura 8 – Evolução do Índice Pegada Ecológica ......................................................... 83 Figura 9 – Impacto Humano nos Ambientes Marinhos.................................................. 85 Figura 10 – Luzes da Terra ........................................................................................... 86 Figura 11 – Perspectivas Humanas em Relação ao Futuro .......................................... 93 Figura 12 – Processo Básico de Obtenção de Garrafas PET a partir da Nafta........... 153 Figura 13 – Empregos na Indústria Química Européia e Norte-Americana................. 164 Figura 14 – Volume de Vendas Mundial (2006) .......................................................... 165 Figura 15 – Crescimento Internacional da Produção Química (1996 – 2006) ............. 166 Figura 16 – Taxa de Crescimento de Vendas em Países e Regiões Selecionadas.... 167 Figura 17 – Participação nas Vendas Mundiais (1996 e 2006) ................................... 168 Figura 18 – Relação das 30 (Trinta) Maiores Companhias Químicas (2006).............. 169 Gráfico 1 – Faturamento Líquido Indústria Química Brasileira por Segmentos (2006) 172 Gráfico 2 – Faturamento Líquido da Indústria Produtos Químicos Industriais (2006) . 173 Gráfico 3 – Participação da Indústria Química no PIB Total Brasileiro (2000 a 2006) 174 Gráfico 4 – Participação da Indústria Química no PIB Industrial (2005)...................... 175 Gráfico 5 – Estimativa de Faturamento Líquido da Indústria por Segmentos (2007) .. 176 Gráfico 6 – Evolução da Produção Produtos Químicos Uso Industrial (1990 a 2006) 176 Gráfico 7 – Importações/Exportações Brasileiras em US$ Bilhões (2000 a 2006)...... 178 Gráfico 8 – Total de Indústrias Químicas por Setor (2005) ......................................... 180 Gráfico 9 – Total de Empregados na Indústria Química por Setor (2005)................... 183 Figura 19 – Mapa da Presença do Programa Atuação Responsável no Mundo ......... 206 Figura 20 – Classificação dos Dados .......................................................................... 226

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LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Legenda dos Mapas de Exploração das Florestas..................................... 76 Quadro 2 – Crescimento da População Mundial (1970 a 2000).................................... 79 Quadro 3 – Projeção da População Mundial (2010 a 2050).......................................... 84 Quadro 4 – Caracterização da Primeira e da Segunda Modernidade ......................... 103 Quadro 5 – Perspectivas da Sociedade de Risco ....................................................... 107 Quadro 6 – Retrospectiva Histórica da Indústria Química Mundial ............................. 125 Quadro 7 – Retrospectiva Histórica da Indústria Química no Brasil............................ 134 Quadro 8 – Empresas Químicas Instaladas no Brasil entre 1920 e 1939 ................... 136 Quadro 9 – Empresas Químicas Instaladas no Brasil entre 1940 e 1945 ................... 138 Quadro 10 – Empresas Químicas Instaladas no Brasil entre 1946 e 1959 ................. 139 Quadro 11 – Pólo Petroquímico de São Paulo............................................................ 142 Quadro 12 – Pólo Petroquímico do Nordeste.............................................................. 143 Quadro 13 – Pólo Petroquímico do Sul ....................................................................... 144 Quadro 14 – Indústria Químicas por Tipo de Indústria................................................ 145 Quadro 15 – Fatos Ocorridos com a Indústria Química na Década de 1990 .............. 147 Quadro 16 – Classificação das Indústrias Químicas ................................................... 152 Quadro 17 – Capacidade de Produção dos Pólos Petroquímicos Brasileiros ............. 154 Quadro 18 – Classificações Adotadas pela Indústria Química Mundial ...................... 154 Quadro 19 – Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) ................... 158 Quadro 20 – Faturamento da Indústria Química Mundial (em US$ bilhões) ............... 162 Quadro 21 – Número de Empregados na Indústria Química (2000 a 2006).................163 Quadro 22 – Classificação ABIQUIM para Análises Estatísticas ................................ 171 Quadro 23 – Faturamento Indústria Brasileira em US$ Bilhões (2000 a 2006)........... 173 Quadro 24 – Total de Indústrias Químicas – Brasil, Região Sul e Paraná (2005)....... 180 Quadro 25 – Total de Indústrias Químicas por Região (2005) .................................... 181 Quadro 26 – Participação por Estados – Região Sul .................................................. 181 Quadro 27 – Número de Indústrias Químicas por Unidade da Federação (2005) ...... 182 Quadro 28 – Total de Pessoal Ocupado – Brasil, Região Sul e Paraná (2005) .......... 183 Quadro 29 – Pesquisas sobre os Efeitos Nocivos de Produtos Químicos .................. 186

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Quadro 30 – Acidentes Ocorridos com Indústrias Químicas/Produtos Químicos........ 188 Quadro 31 – Tratados, Acordos e Convenções para a Proteção do Meio Ambiente. . 196 Quadro 32 – Pesquisas de Opinião Pública sobre a Imagem da Indústria Química: .. 200 Quadro 33 – Dados sobre o Programa Atuação Responsável.................................... 202 Quadro 34 – Linhas de Pensamento sobre Percepção – Empirista X Intelectualista.. 208 Quadro 35 – Fontes de Dados X Indústrias Químicas Instaladas no Município.......... 233 Quadro 36 – Indústrias Químicas X Fontes de Dados ................................................ 236 Quadro 37 – Justificativas para a Não Inclusão das Indústrias na Pesquisa .............. 237 Quadro 38 – Total de Contatos Realizados ................................................................ 238 Quadro 39 – Justificativas das Empresas que não Aceitaram Participar da Pesquisa 239 Quadro 40 – Etapas Propostas para a Realização da Pesquisa................................. 241 Quadro 41 – Perfil Profissional dos Entrevistados ...................................................... 243 Quadro 42 – Atividades Desenvolvidas pelas Indústrias Químicas............................. 244 Quadro 43 – Tempo de Existência da Indústria X Tempo de Atuação no Município... 245 Quadro 44 – Declaração de Missão e Valores, SGA e Certificações Ambientais ....... 246 Quadro 45 – Indústrias Químicas X Matriz Energética................................................ 247 Quadro 46 – Gastos/Investimentos Realizados na Área Ambiental (Últimos 3 Anos). 248 Quadro 47 – Motivos para Gastos/Investimentos Ambientais ..................................... 253 Quadro 48 – Dificuldades Encontradas para Gastos ou Investimentos Ambientais.... 254 Quadro 49 – Indústria Química X Descrição dos Resíduos X Destino........................ 256 Quadro 50 – Ações Previstas na Área Ambiental para o Horizonte de 2015 .............. 259 Quadro 51 – Significados dos Entrevistados para Meio Ambiente.............................. 261 Quadro 52 – Relações das Organizações com o Meio Ambiente ............................... 277 Quadro 53 – Acidentes Ambientais ............................................................................. 270

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SUMÁRIO 1. 1.1. 1.2. 1.3. 1.3.1. 1.3.2. 1.4. 2. 2.1. 2.1.1. 2.1.2. 2.1.3. 2.1.4. 2.2. 2.2.1. 2.2.2. 2.2.3. 2.2.4. 2.2.5. 2.2.6. 2.2.7. 2.3. 2.3.1. 2.3.2. 2.3.3. 2.3.4. 2.3.5. 2.4. INTRODUÇÃO ............................................................................................. 14 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA.............................................................. 14 ESPECIFICAÇÃO DO PROBLEMA ............................................................ 22 OBJETIVOS ................................................................................................. 24 Objetivo Geral............................................................................................... 24 Objetivos Específicos ................................................................................... 24 JUSTIFICATIVA DO ESTUDO..................................................................... 24 FUNDAMENTOS TEÓRICOS ...................................................................... 30 FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS DO ESTUDO ............................... 30 Considerações Iniciais.................................................................................. 30 O Sucesso da Matriz Linear e suas Limitações............................................ 32 Noções de Refutabilidade e de Paradigma .................................................. 37 A Escolha pela Matriz da Complexidade ...................................................... 42 MEIO AMBIENTE......................................................................................... 51 A Busca por uma Definição Multidisplinar para Natureza e Meio Ambiente. 51 Reflexões sobre a Relação Ser Humano e Natureza ................................... 61 O Meio Ambiente e a Sociedade Contemporânea ....................................... 70 O Reconhecimento da Complexidade Ambiental ......................................... 86 A Proposta e o Discurso da Sustentabilidade .............................................. 91 A Iminência da Consolidação da Sociedade de Risco ............................... 102 As Organizações e a Sociedade de Risco ................................................. 116 INDÚSTRIAS QUÍMICAS........................................................................... 121 As Origens da Indústria Química no Mundo ............................................... 121 As Origens da Indústria Química no Brasil ................................................. 134 A Forma de Organização da Indústria Química ......................................... 150 A Indústria Química na Contemporaneidade.............................................. 159 Indústrias Químicas, Sociedade e Meio Ambiente ..................................... 184 PERCEPÇÃO............................................................................................. 207

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3. 3.1. 3.1.1. 3.1.2. 3.1.3. 3.1.4. 3.1.5. 3.1.6.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS................................................... 214 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA ......................................................... 214 Tipo de Estudo....................................................................................... 215 Natureza ................................................................................................ 216 Método de Abordagem .......................................................................... 220 Coleta dos Dados .................................................................................. 220 Análise dos Dados e Delineamento da Pesquisa .................................. 222 Universo e Amostra ............................................................................... 231

4. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DO ESTUDO.......................................... 240 4.1. 4.2. 4.3. 4.4. Perfil do Profissional................................................................................... 242 Perfil Ambiental da Indústria Química ........................................................ 244 Profissional e Meio Ambiente ..................................................................... 260 Indústria Química e Meio Ambiente............................................................ 268

CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................ 281 REFERÊNCIAS........................................................................................................... 290 ANEXOS ..................................................................................................................... 296

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1. INTRODUÇÃO 1.1. CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA

A natureza levou de 4,5 a 5 bilhões de anos para constituir um Planeta repleto de exuberância e de diversidade de formas de vidas. Os encontros e desencontros destes diferentes tipos de vida ao longo da história do planeta Terra resultaram na formação de uma grande rede viva na qual todos os organismos, desde os mais simples até os mais complexos, aprenderam a desenvolver suas relações de interdependência1. Do constante aprimoramento destas relações, surgiram as condições propícias para a perpetuação e sustentação da vida. Desde os tempos mais remotos, desde o surgimento do primeiro sinal de vida no planeta Terra, os primeiros organismos vivos passaram a desenvolver contínuos processos de autopoiese2 com o ambiente onde se encontravam inseridos, como forma de sustentar o milagre da recriação da vida. Por meio do estabelecimento de uma definição quanto ao seu limite físico, estes diferentes tipos de organismos passaram a se organizar como indivíduos ou sistemas fechados, estabelecendo uma complexa relação de equilíbrio entre os ambientes interno e externo, fato reconhecido posteriormente pela ciência no conceito clássico definido por Claude Bernard, denominado homeostase3. Ao estabelecer esta distinção entre ambiente interno e externo, os organismos vivos passaram a realizar freqüentes trocas com o meio onde se encontravam inseridos, como forma de sustentar a vida por meio de processos metabólicos. De acordo com Margulis citada por Capra (2005, p. 26), “o metabolismo, a química

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Para Rodrigues (1977) a interdependência envolve comportamento recíproco e de interação individual, caracterizados por situações de cooperação e de competição.

2 Segundo Capra (2005) a dinâmica da “autopoiese”, também conhecida como “autogeração” ou “autocriação” foi identificada como uma das características fundamentais da vida pelos biólogos Humberto Maturana e Francisco Varela. O conceito de “autopoiese” associa duas características que definem a vida celular: o limite físico e a rede metabólica. De acordo com o autor, a teoria da autopoiese considera que “o sistema vivo se liga estruturalmente ao seu ambiente, ou seja, liga-se ao ambiente através de interações recorrentes” (CAPRA, 2005, p. 51).

Para Branco (2005) é conceito segundo o qual, o meio interno, possuindo características químicas e físicas notavelmente constantes e estando em contato direto ou indireto com o meio externo, variável e inconstante, deve possuir mecanismos de regulação responsáveis por sua estabilidade.

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incessante da autoconservação, é uma característica essencial da vida [...]. Através do metabolismo perene, através de fluxos químicos e energéticos, a vida continuamente produz, repara e perpetua a si mesma”. Ao longo do estabelecimento do complexo modo de funcionamento desta grande rede viva, apenas um entre uma infinidade de seres vivos se destacou em termos de capacidades intelectuais capazes de promover profundas modificações no meio ocupado: o ser humano. Desde os tempos mais remotos e visando garantir a sua própria existência em um ambiente hostil, o ser humano sempre buscou estabelecer uma relação de domínio sobre a natureza com base em sua capacidade criativa e inovativa. Esta capacidade, que o levou a grandes feitos e descobertas, também lhe possibilitou a criação de uma ciência orientada para o estabelecimento do controle sobre as demais formas de vida, submetendo estas aos seus interesses por meio de diferentes formas de domínio. Desta forma, o ser humano gradativamente se colocou em uma condição de maior importância sobre os demais seres vivos, situação considerada por diversos pesquisadores como um dos elementos-chave responsáveis pelo surgimento do desequilíbrio no funcionamento da grande rede viva. Com as especializações e fragmentações do saber, promovidos ao longo da história da ciência, o ser humano estabeleceu um pensamento simplificador, baseado em processos de redução e de separação, responsável pelo distanciamento observado entre as ciências naturais das ciências humanas, entre objeto e observador, entre o ser humano e a natureza. Baseado neste pensamento simplificador, que limita a produção de uma ciência de característica holística, o ser humano acabou por estabelecer a principal matriz de pensamento responsável pela formação dos arquétipos mentais predominantes em sua sociedade. Neste processo de formação, no qual a ciência passou a ser gradualmente comandada pelos interesses econômicos e estatais, a maior parte da sociedade também passou a ser privada do seu direito de pensar, delegando ou submetendo o seu destino às comunidades econômicas que controlam as produções científicas voltadas para interesses de caráter exploratório. Paralelamente a este processo, boa

que demonstrou sua capacidade de predominância diante de outras alternativas de produção do conhecimento. As exigências estabelecidas pelas necessidades de atendimento às demandas geradas por esta matriz de pensamento exigiram dos sujeitos à especialização em áreas específicas do saber. isolando-os de outras possibilidades para o desenvolvimento dos seus conhecimentos e para uma melhor compreensão do ambiente ocupado. o ser humano teve a sua condição de indivíduo anulada. Talvez este processo “evolucionário” justifique o afastamento do ser humano em relação à natureza e o seu interesse em dominá-la. 4 . 93) “hábitat corresponde a uma parte do ambiente que é normalmente ocupada por uma espécie em particular”. passando a negar algumas de suas vontades próprias para assumir algumas verdades que não foram desenvolvidas em seu próprio interior. proposta pela matriz de pensamento linear. excluindo-se do processo de participação ativa da criação do seu modo de vida. Nesta condição.16 parte da sociedade também passou a aceitar como verdadeiro somente aquilo que é produzido pelos poderes vigentes e pela ciência. e sim determinadas pelo ambiente externo no qual se encontra inserido. o ser humano passou a limitar a sua capacidade de produção de um conhecimento holístico e a sua sensibilidade em relação ao meio ocupado. Neste longo processo de formação do arquétipo mental linear. A formação fragmentada do conhecimento. também o impeçam de enxergar e avaliar as suas relações com o meio ambiente onde vive. Nos 5 milhões de anos que demarcam a sua existência no planeta Terra por meio do surgimento do seu primeiro ancestral. passando a exercer atividades que lhe são determinadas pelos padrões vigentes na sociedade. De acordo com Branco (2005. para a destruição e contaminação de inúmeros habitats4 naturais e para a poluição dos solos. limitou os indivíduos e a sociedade em relação a sua capacidade de entendimento sobre outros fatores que determinam a sua existência. Talvez estas condições impostas pela forma de pensamento dominante que o impedem de exercer a sua completa liberdade e determinar o seu destino. o ser humano já contribuiu diretamente para a extinção de um número incontável de espécies animais e vegetais. p.

devido à sua caça excessiva ou à destruição de seu meio ambiente. pouco mais de um século de franca expansão e ocupação comandados pelos interesses dominantes foi necessário para reduzir de 98. foi somente no início da década de 1960 que parte da sociedade voltou a sua atenção para os impactos produzidos pela humanidade no ambiente ocupado. De acordo com Stuart e Simmons citados por Shedrake (1993. Após sucessivas rodadas de discussões ao longo destes últimos 45 anos.17 da água e do ar. a exemplo da quase extinção da floresta atlântica e do sempre presente desmatamento da floresta amazônica. mencionadas por Santos. as evidências apontadas pela comunidade científica sobre os seus efeitos do aquecimento global no curto e médio prazo estão recebendo uma maior atenção por parte das sociedades mundiais em De acordo com Meadows (1978. novamente em 2007. última etnia nativa do estado do Paraná a estabelecer contato com os colonizadores (MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. 2007). há cerca de dez mil anos. S. ao longo do desenvolvimento de suas atividades.59% as densas florestas que cobriam a quase totalidade da área do Estado (INSTITUTO AMBIENTAL DO PARANÁ (IAP). E. os mamutes na Europa setentrional e o hipopótamo pigmeu no Chipre. p. 5 . em um período constante de tempo”. p. tais como o tatu gigante na América do Sul.32% para 7. de muitas espécies de mamíferos. 2007) e para extinguir as últimas culturas de povos milenares que aqui habitavam. 23) “uma quantidade apresenta crescimento exponencial quando cresce numa porcentagem constante do total. pouco mais de 500 anos de ocupação foram necessários para a promoção de profundas modificações no ambiente natural. No Brasil. No caso específico do Paraná. dos (2007) em sua reflexão sobre a origem e evolução histórica dos conceitos ambientais. 46): Na Europa e nas Américas. E o que se deve esperar para o futuro em termos da provável ampliação da utilização dos recursos naturais para o suprimento das demandas de consumo de uma população mundial que cresce de forma exponencial5? Apesar da aventura humana no planeta Terra ter iniciado há aproximadamente 5 milhões de anos de um total de 5 bilhões de anos que a natureza levou para constituir a sua complexa rede viva integrada. é possível que os seres humanos tenham sido os responsáveis pela extinção. como os Xetá.

18 relação à necessidade de uma urgente reflexão global para a realização de mudanças do paradigma social dominante6. Esta confirmação contribuiu para a ampliação da percepção da sociedade global. em especial após o início da revolução industrial. o paradigma social dominante representa a visão tradicional de mundo da sociedade industrializada contra a qual se voltam as perspectivas ambientalistas. este estudo se apresenta para a sociedade como uma proposta para a promoção de reflexões e reavaliações sobre a forma como cada indivíduo ou organização estabelece a sua relação com o ambiente natural. quanto à gravidade dos impactos ambientais gerados pelas diferentes organizações sociais ao longo de sua história. Os resultados dos estudos científicos produzidos e divulgados pelos cientistas que integram o Intergovernmental Panel on Climate Change (2007) confirmam que o fenômeno do incremento da temperatura global deixou de ser apenas uma suposição científica para apresentar-se como uma eminente condição de risco para a manutenção da vida no planeta Terra. Com base nesta necessidade. 6 . Esta importante confirmação científica. também se demonstrou capaz de chamar a atenção de diferentes atores sociais para o estado crítico da saúde ambiental planetária e para as possíveis conseqüências dela decorrentes nos campos social e econômico em escala global. que contribuiu para consolidar o fenômeno “aquecimento global” como uma séria evidência da crise sócio-econômicaambiental em curso. Diferentemente da abordagem radical presente em relevantes trabalhos acadêmicos na área ambiental. ainda que em escala reduzida. não se busca aqui determinar responsáveis por este ou aquele tipo de atividade causadora de danos ao meio ambiente. Busca-se justamente pensar a crise Para Egri e Pinfield (1999). a qual determina a forma de ser e agir das sociedades contemporâneas e serve de abrigo para os elementos geradores da grande maioria das crises. capazes de questionar as características de funcionamento de sua racionalidade predominante. O reconhecimento pela comunidade científica sobre o agravamento da crise entre “meio ambiente e sociedade” sugere a humanidade a necessidade de reflexões sobre suas ações e sobre a forma como compreende e desenvolve a sua relação com o ambiente natural. Sugere ainda reflexões mais profundas.

deparam-se com uma crescente ampliação dos níveis de exigências em termos da sua participação no processo de manutenção do meio ambiente. Nas sociedades centrais são desenvolvidas as principais ações de produção que contribuem para o agravamento dos efeitos do aquecimento global e para a contaminação do meio ambiente. Na periferia. uma vez que ações isoladas se revelam não suficientes para reverter ou pelo menos minimizar o quadro de catástrofes ambientais anunciadas. Tais exigências. determinam a estas organizações o exercício de um real papel de responsabilidade junto à sociedade.19 ambiental em curso como resultado de um conjunto maior de ações oriundas do tipo de racionalidade hegemônica adotada por diferentes tipos de atores que determinam os comportamentos da sociedade global. as organizações industriais. Presentes tanto no seio das sociedades centrais como das sociedades periféricas e voltadas para a promoção e atendimento das demandas crescentes de consumo das sociedades humanas. A urgência do estabelecimento de uma nova reflexão coletiva nas diferentes esferas das sociedades locais para a institucionalização de uma nova racionalidade apresenta-se de forma evidente. o ambiente natural sofre freqüentes pressões. Nas sociedades centrais encontram-se as maiores concentrações populacionais e nelas são desenvolvidos padrões de consumo inconseqüentes que contribuem significativamente para o comprometimento do futuro da vida e do meio ambiente. Nas sociedades periféricas são desenvolvidas as atividades de produção extensiva orientadas para o atendimento das demandas dos grandes centros urbanos. oriundas de legislações mais abrangentes e do aprimoramento do comportamento de uma sociedade que se faz cada vez mais crítica. cedendo espaço para o desenvolvimento das atividades econômicas orientadas para o atendimento das crescentes demandas de consumo oriundas das sociedades centrais. Esta urgência do estabelecimento de uma reflexão coletiva e global se dá tanto no seio das sociedades periféricas como das sociedades centrais em função do processo de retro-alimentação estabelecido. Como agentes responsáveis pelo desenvolvimento econômico e social nos . em especial do setor químico.

envolvendo as variáveis meio ambiente e indústrias químicas. estas indústrias demonstraram que são capazes de interferir positivamente no comportamento de seus clientes. Para o atingimento do objetivo proposto foram concebidos cinco capítulos para a fundamentação teórica. podem ser percebidas nas organizações industriais que assumiram o discurso da importância do respeito ao meio ambiente. buscou-se apresentar algumas das insuficiências da matriz de pensamento linear para o desenvolvimento de um estudo de percepção de característica multidisciplinar. que trata da fundamentação epistemológica do estudo. Algumas destas práticas. Por meio de ações como o marketing ecológico. estas organizações. o desenvolvimento de produtos biodegradáveis ou a utilização de embalagens recicláveis. por meio da institucionalização de práticas que visem à promoção de um desenvolvimento local e global alinhado com propostas sustentáveis alicerçadas no respeito ao meio ambiente. funcionários e também nas diferentes esferas do poder público. Com base nesta reflexão. podem contribuir para a construção de um novo tipo de racionalidade mais compatível com as necessidades de preservação do meio ambiente e voltada para a concretização do sonho de construção de uma sociedade fundamentada em princípios sustentáveis. No capítulo 2. Além das limitações da matriz de pensamento linear. Por meio de suas ações.20 ambientes onde estão inseridas. são apresentados alguns dos motivos que levaram a escolha da matriz da complexidade para o .1. foram analisadas algumas das principais características da matriz de pensamento linear e suas influências sobre a forma de ser e agir da sociedade contemporânea. as indústrias químicas podem contribuir significativamente para o desenvolvimento de práticas de produção mais limpas orientadas para um maior respeito ao meio ambiente e para a formação de uma nova consciência coletiva em termos de produção e consumo. bem intencionadas ou não em relação aos seus verdadeiros interesses com relação às causas ambientais. fornecedores. O objetivo deste trabalho é identificar como os profissionais de indústrias químicas instaladas em um município paranaense percebem as relações de suas organizações com o meio ambiente. que afetam positivamente a sociedade e que determinam à formação de uma nova consciência coletiva.

Desta forma. os quais foram incorporados no presente estudo na forma de tabelas. no capítulo 2. Neste capítulo são também apresentadas algumas considerações sobre a relação ser humano e natureza. O capítulo 2.21 desenvolvimento do presente estudo.3 é reservado para a caracterização da indústria química no mundo e no Brasil. Por este motivo. A proposta de organização deste estudo possui características peculiares que o diferem das propostas de estudos desenvolvidas à luz da matriz do pensamento linear. se deu pelo interesse . se fez necessário resgatar alguns fatos históricos da indústria química. onde normalmente o tema meio ambiente é tratado apenas como uma variável subordinada aos interesses e ao controle das organizações. bem como de alguns números que retratam de forma quantitativa a realidade do setor químico na atualidade. A opção pela manutenção e apresentação dos fatos históricos que tratam sobre o surgimento e a forma de organização da indústria química. Em razão do pesquisador não possuir vínculos profissionais com o setor químico. durante o desenvolvimento deste estudo optou-se primeiramente por caracterizar aspectos relevantes sobre meio ambiente e sociedade para somente depois caracterizar as indústrias químicas e a relação que estas estabelecem com o meio ambiente. A concepção da elaboração deste estudo parte de interesses particulares do pesquisador avivados ao longo de sua participação no programa de mestrado em Organizações e Desenvolvimento e do seu reconhecimento quanto à necessidade do desenvolvimento de novos estudos que versem sobre as relações das organizações industriais e o meio ambiente e que sejam capazes de caracterizar as empresas apenas como uma parte integrante de um conjunto maior de elementos que constituem o próprio meio ambiente. bem como a sua forma de organização e atuação. as quais visam possibilitar uma rápida leitura por parte daqueles leitores que já conhecem a realidade do setor. além de aspectos relacionados ao reconhecimento da complexidade ambiental e a iminência da consolidação do conceito de sociedade de risco proposto por Beck (2006).2 busca-se promover algumas reflexões sobre meio ambiente e sociedade na contemporaneidade. na busca da construção de uma compreensão multidisciplinar para natureza e meio ambiente.

0. os quais serviram de referência para o desenvolvimento do presente estudo. 1. que busca revelar quais são as percepções de profissionais que atuam na indústria química de um município paranaense em relação ao meio ambiente e como as organizações onde trabalham consideram a questão ambiental no desenvolvimento de suas atividades produtivas. 7 . O capítulo 2. versão 2. De acordo com Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). uma vez que a regra geral determina que as unidades da indústria manufatureira estão envolvidas com a transformação de insumos e materiais em um produto novo. este fato gera dificuldades na determinação dos limites do que é considerado uma atividade da indústria de transformação (atualmente o CNAE possui 24 divisões de atividades econômicas). Segundo o próprio instituto. geram empregos e renda para as populações das comunidades do seu entorno ou quando contribuem com tributos para as três esferas do poder público. elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007). contratam serviços de terceiros. química e biológica de materiais.2. a indústria de transformação compreende as atividades que envolvem a transformação física. Como a definição do que seja um produto novo nem sempre é objetiva. os quais receberão uma cópia do trabalho em meio digital com sinal de retribuição pela sua participação. Por meio do desenvolvimento de suas atividades. o capítulo 3 trata dos procedimentos metodológicos adotados para o desenvolvimento da pesquisa e o capítulo 4 apresenta os resultados obtidos para este estudo de percepção. substâncias e componentes com a finalidade de se obterem produtos novos.22 do pesquisador em disponibilizar algumas informações sobre as indústrias químicas para os profissionais que participaram da pesquisa. ESPECIFICAÇÃO DO PROBLEMA As indústrias de transformação7 desempenham um papel histórico na sociedade em termos de promoção do desenvolvimento econômico e social das regiões onde se encontram inseridas e também em relação aos impactos ambientais decorrentes de suas atividades.4 apresenta alguns conceitos relacionados à percepção. as indústrias de transformação movimentam a economia quando adquirem matérias-primas para a fabricação de seus produtos. Neste capítulo também são apresentados alguns conceitos específicos sobre percepção ambiental e a sua importância para o desenvolvimento de estudos que envolvam a variável meio ambiente. a fronteira entre a indústria de transformação e outras atividades nem sempre é clara. Por fim.

Junto com o desenvolvimento econômico. a exemplo da Região Metropolitana de Curitiba. foi diretamente responsável pela implantação de novas indústrias que hoje contribuem significativamente para a dinamização da economia do Estado. E. Em especial no setor de fabricação de produtos químicos. dos (2007). fato último retratado por Santos.23 A importância que as indústrias de transformação representam em termos de desenvolvimento econômico para as diferentes regiões onde são implantadas pode ser constatada pelas recentes concessões fiscais oferecidas pelas esferas dos poderes estaduais e municipais para a atração de novos empreendimentos industriais. Estes impactos produzidos junto ao meio ambiente se agravam quando há a ausência de medidas que visem mitigar os efeitos produzidos pelo processo de ocupação e aumento da utilização dos recursos naturais. situação retratada por Santos. as novas indústrias. Este estudo busca identificar como as indústrias de transformação do setor de fabricação de produtos químicos instaladas em um município paranaense estabelecem as suas relações com o meio ambiente. quer seja por questões relacionadas à ampliação da utilização de recursos naturais ou por questões relacionadas à ampliação da produção de resíduos industriais. S. E. fato que resultou em sérios problemas sociais. de ocupação espacial e de pressão quanto à utilização de recursos naturais. S. quando analisa os impactos ambientais causados pela implantação do setor automotivo no Paraná. No Paraná. a ausência destas medidas pode representar danos irreparáveis ao meio ambiente. passaram a exercer uma maior influência sobre o meio ambiente das regiões onde foram implantadas. em conjunto com as indústrias que estavam anteriormente instaladas. entre outros. tratamento e destino de resíduos. assim como em outros estados. a substituição de insumos e matérias-primas não renováveis por renováveis. a corrida pelo desenvolvimento industrial desencadeada na década de 1990 e baseada na concessão de benefícios fiscais. dos (2007). como a otimização de processos industriais. além de sérios impactos de ordem social e econômica. além de plantas industriais receberam também um considerável incremento populacional. Algumas cidades. por meio da obtenção de respostas ao seguinte questionamento: .

1. 1. JUSTIFICATIVA DO ESTUDO O interesse em realizar um estudo envolvendo as variáveis “Meio Ambiente” e “Indústrias Químicas” surgiu em meio a crescentes inquietações avivadas ao longo do mestrado. Objetivo Geral Identificar como os profissionais de indústrias químicas instaladas em um município paranaense percebem as relações de suas organizações com o meio ambiente.24 Como os profissionais de indústrias químicas instaladas em um município paranaense percebem as relações de suas organizações com o meio ambiente? 1. .4. Com um enfoque determinista e simplificador.2.3. Objetivos Específicos • Apresentar o perfil ambiental das indústrias químicas analisadas. OBJETIVOS 1. o qual buscava revelar os impactos da utilização de tecnologias de informação por produtores rurais cooperados.3.3. acerca da real relevância da realização do projeto de dissertação original. 1. • Caracterizar como os profissionais percebem o meio ambiente. • Apresentar como os profissionais percebem as relações de sua organização com o meio ambiente. a proposta inicial de pesquisa gradativamente se demonstrou insuficiente em relação às expectativas deste pesquisador em realizar uma pesquisa científica de natureza multidisciplinar alinhada com interesses mais amplos da sociedade. • Apresentar o perfil dos profissionais entrevistados em termos de formação e experiência de atuação no ramo industrial químico.

que estavam até então adormecidas. esquecido em meio à predominância da até então desconhecida ação racional instrumental8 e que contribuiu para a subtração de anos de reflexão deste pesquisador sobre temas complexos. Lembranças de infância. Este abandono se deu em razão da predominância de sua preocupação com a dimensão econômica. pela sua escolha de graduação acadêmica na área de exatas. da época em que os recursos financeiros eram mais limitados. p. Lembranças das muitas pescarias realizadas na infância nos Rios Tibagi. especificamente em uma área orientada para atendimento das necessidades de mercado: a informática. 342) a ação racional instrumental corresponde a “ação baseada no cálculo. As lembranças de um padrão de vida simples caracterizado pelo convívio social e por uma melhor utilização dos recursos naturais estão registradas na memória deste pesquisador. estas questões sociais e ambientais. em parte. A decisão de mudança do tema de estudo veio pelo reconhecimento e pelo interesse deste pesquisador em desenvolver um estudo envolvendo questões sociais e ambientais. o qual obedece à maioria dos padrões de estilo de vida adotados pela sociedade contemporânea. um antigo interesse pela área ambiental. foi reavivado. quando em companhia do seu pai efetuou os primeiros reconhecimentos do ambiente natural e recebeu as primeiras noções sobre a beleza e a importância da preservação da natureza. Guaraúna e Iapó antes da acentuação dos efeitos da poluição e da degradação do meio ambiente. foram 8 De acordo com Serva (1996. orientada para o alcance de metas técnicas ou de finalidades ligadas a interesses econômicos ou de poder social. As evidências do distanciamento das questões sociais e ambientais estão representadas no estilo de vida adotado por este pesquisador. Com a realização das disciplinas do programa de mestrado multidisciplinar.25 A insatisfação crescente com a proposta de pesquisa original acabou por despertar reflexões sobre a necessidade de encontrar um tema de especial relevância para o contexto da sociedade contemporânea. que outrora estiveram mais próximas e que gradativamente foram ignoradas. que os apelos para consumo eram mais moderados e que a convivência com as pessoas era mais valorizada. a qual acabou determinando. Neste processo de busca. através da maximização de recursos disponíveis”. .

ambiental. Com uma abordagem fundamentada. a racionalidade pode ser definida como funcional ou instrumental quando é definida pelo cálculo de consequências. além de provocar prolongados debates. Para o autor. Alberto Guerreiro Ramos e apresentadas com fidelidade por um dos seus discípulos.26 novamente despertadas pelas disciplinas Desenvolvimento Sustentável. Cleverson Vitório Andreoli apresentou em sua disciplina evidências sobre a situação crítica do planeta Terra e sobre o futuro da humanidade. com o Prof. Dr. Dr. o Prof. Em sua disciplina. Dr. incluindo este pesquisador – fato que revela uma forte evidência sobre as insuficiências oriundas da formação educacional de caráter unidisciplinar. As contribuições destas duas disciplinas se complementaram com as discussões em torno das definições sobre as racionalidades instrumental e substantiva9 das organizações. o conhecimento genuíno do falso. Belmiro Valverde Jobim Castor forneceu aos mestrandos relevantes informações para o entendimento das influências das diferentes racionalidades no funcionamento das organizações sociais e sobre o comportamento dos indivíduos que nelas trabalham. Christian Luiz da Silva sensibilizou os mestrandos sobre a necessidade de se pensar um novo tipo de desenvolvimento além daquele unicamente baseado na dimensão econômica. desenvolvidas pelo Prof. cultural e espacial diretamente impactadas pelas preocupações unicamente centradas na dimensão econômica. 9 . Dr. com o Prof. que também considerasse em mesmo nível de importância as dimensões social. Dr. Cleverson Vitório Andreoli. o Prof. Belmiro Valverde Jobim Castor na disciplina denominada Delimitação de Sistemas Sociais. as quais. Dr. serviram para revelar a ausência de sensibilidade e um certo distanciamento por parte dos mestrandos em relação às questões ambientais. o Prof. e a ordenar sua vida pessoal e social de acordo com ela. enquanto que a racionalidade substantiva se preocupa com as qualidades éticas dos fins e não leva em consideração conseqüências adversas. os Professores Janaína Maria Bueno e Carlos Roberto Para Castor (2007) a razão é a força ativa do psiquismo humano que habilita o indivíduo a distinguir o bem do mal. Em sua disciplina. política. um novo tipo de desenvolvimento. Outras importantes revelações sobre o processo de formação das matrizes de produção do conhecimento foram inicialmente obtidas junto aos amigos de longa data e também pesquisadores. o Prof. fatos que associados contribuíram significativamente para a decisão de elaboração deste estudo envolvendo organizações e meio ambiente. Christian Luiz da Silva e Meio Ambiente.

José Edmilson Souza-Lima ofereceu em sua disciplina os estímulos necessários para que os futuros mestres em Organizações e Desenvolvimento articulassem seus trabalhos de pesquisa em torno de temas sociais. Maria Bernadete Wolochen. Dr. Com a disciplina Epistemologia e Pesquisa Multidisciplinar. Foi por meio desta disciplina e do conhecimento demonstrado pelo Prof. José Edmilson Souza-Lima em termos de seleção dos referenciais teóricos e da condução das atividades do grupo de pesquisa formado pelos alunos Angelo Guimarães Simão. cabe ao pós-graduando em geral desenvolver um trabalho de reflexão e pesquisa baseado em um projeto político-existencial. A experiência vivenciada por este pesquisador e por seus colegas ao longo do mestrado e a sua decisão de troca do tema escolhido para o desenvolvimento de sua dissertação pode ser traduzida nas palavras de Severino (2002). as primeiras noções sobre as matrizes de produção do conhecimento científico envolvendo o positivismo. em consonância com o momento histórico vivido pela . Nestes encontros. econômicos. foi proporcionado aos mestrandos à oportunidade de conhecer as várias formas de produção do conhecimento na sociedade contemporânea.27 Domingues. Dr. o Prof. Para o autor. José Edmilson Souza-Lima. o construtivismo e a teoria crítica foram gradativamente reveladas. em especial na atual experiência vivida por eles no Programa de Doutorado em Administração da Fundação Getúlio Vargas – São Paulo. Maria Auxiliadora Villar Castanheira. que o entendimento sobre o real sentido de se produzir ciência com consciência foi consolidado e estabelecido por estes alunos que aceitaram o desafio de produzir suas dissertações à luz da teoria da complexidade e alinhadas com desafios emergentes enfrentados pela sociedade contemporânea. como forma de ampliar a sua compreensão para os diversos níveis de complexidade do mundo em que estão inseridos e sobre o qual atuam. especialmente preparada e ministrada pelo Prof. Baseado em sua formação e experiência como professor e pesquisador. do qual ambos são integrantes. políticos e ambientais. o pós-positivismo. que em muitas rodadas de conversa no Lucca Café. Julio César de Oliveira Sampaio de Andrade e Paulo Roberto Socher. Dr. compartilharam gratuitamente os seus conhecimentos sobre epistemologia adquiridos ao longo de suas carreiras acadêmicas.

] não. assim como outros estudos que afirmam ou apontam evidências contrárias. criativo e rigoroso. ela lhe diz respeito [. 113).. p.28 sociedade concreta. p. 113): A temática deve ser realmente uma problemática vivenciada pelo pesquisador. Cabe a presente pesquisa fazer incursões nesse campo de disputas para verificar possíveis insuficiências das abordagens anteriores e tentar ir adiante a termos explicativos das relações entre indústrias químicas e meio ambiente. em especial as instituições privadas. obviamente. Desta forma. A escolha do tema de estudo foi motivada pela existência de estudos ou abordagens que apontam as indústrias de transformação. necessita ser pessoal no sentido em que “qualquer pesquisa. Um projeto que revele a sensibilidade do pós-graduando às condições que sua sociedade vive e às exigências de sua transformação.. em qualquer nível. pela adoção de estratégias educacionais centradas unicamente no atendimento das necessidades de mercado. na qual se busca analisar a participação das organizações no desenvolvimento e o seu papel como agente no processo de desenvolvimento local. situação gerada em função da superespecialização das disciplinas e do interesse de grande parte das instituições de ensino superior. Outro fator que motivou a realização deste estudo foi a constatação do distanciamento ocorrido entre a formação universitária e as reflexões sobre os problemas sócio-ambientais. em vista do seu crescimento constante. num nível puramente sentimental. exige do pesquisador um envolvimento tal que seu objetivo de investigação passa a fazer parte de sua vida”. em vista de sua relação com o universo que o envolve. autônomo. como vilãs do meio ambiente. bem como desenvolver pesquisas que versem sobre temas relacionados com o ambiente e o desenvolvimento. em especial as indústrias químicas. Esta situação pode ser . Para Severino (2002. este trabalho está vinculado à linha de pesquisa "Sustentabilidade e Desenvolvimento Local". mas no nível da avaliação da relevância e da significação dos problemas abordados para o próprio pesquisador. Para Cintra citado por Severino (2002. O autor ainda considera que as várias formas de trabalhos científicos têm em comum a necessária procedência de um trabalho de pesquisa e de reflexão que seja pessoal.

para quem a racionalidade técnica.. considera que o ensino superior dá ênfase à formação de profissionais que sejam produtivos para o mercado. distanciando-o”. que considera que “. por meio da aplicação de teoria e técnicas apropriadas derivadas do conhecimento sistemático. . ao criar um ensino de resultados. as paixões e as intuições. inviabilizou o contato com os problemas sócioambientais. Para a autora “. fato que contribui para que o conhecimento torne-se cada vez mais disciplinar. 151). p. o pensamento moderno está impregnado de caráter utilitarista e pragmático”. p. De acordo com Gonçalves e Carvalho citados por Morales (2007. No meio profissional poderá contribuir para a promoção de reflexões e para o desenvolvimento de ações voltadas para a preservação do meio ambiente a partir de iniciativas geradas pelos diferentes tipos de profissionais no interior das organizações. principalmente nos cursos de graduação.. Neste sentido Morales (2007).. Esta constatação revela uma grave falha em termos de formação das diversas especializações profissionais para o devido tratamento das questões ambientais nas organizações contemporâneas.29 constatada em algumas citações presentes no estudo realizado por Morales (2007.. Busca-se também por meio deste estudo. em especial estudos sobre as organizações que atuam no Estado do Paraná. 151) “se fez imperativo dominar o instinto. Talvez este fato justifique a ausência de sensibilidade demonstrada por diferentes tipos de profissionais em relação a sua preocupação com o meio ambiente e consequentemente a carência de estudos organizacionais que tratem de questões ambientais. contribui para a formação de profissionais que saibam solucionar problemas instrumentais. gerar dados e massa crítica para o meio acadêmico para o desenvolvimento de novas pesquisas relacionadas às questões das organizações e o meio ambiente. p. a autora cita Schön. 2007. 151). acompanhando a lógica das novas práticas de desenvolvimento por meio da técnica e da ciência. Em seu trabalho de pesquisa. o que implica não considerar o ser humano e suas interfaces nesse processo. a universidade. distanciando-se do saber totalizado” (MORALES.

das sociedades contemporâneas. que aborda a discussão da relação polarizada existente entre meio ambiente e organizações industriais. 19). no sentido de possibilitar a adoção de novas estruturas cognitivas compatíveis para a realização desta pesquisa. FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS DO ESTUDO 2. 10 . Aos poucos esta experiência tornou-se um sentimento maior. p. pensar e agir da comunidade científica e. Considerações Iniciais Este capítulo visa apresentar as razões e os fundamentos epistemológicos que nortearam a concepção e a realização deste estudo. originando assim uma forte necessidade para o reconhecimento e aprofundamento do seu processo de Vasconcelos (2002) define que as práticas multidisciplinares correspondem a gama de campos de saber que propomos simultaneamente.1. mas sem fazer aparecer as relações existentes entre eles.30 2.1. por conseqüência. Compreender melhor a essência dos fundamentos epistemológicos partindo de uma formação cultural e acadêmica influenciada pela corrente positivista representou um desafio pessoal em termos de aprimoramento das estruturas de pensamento e de percepção deste pesquisador. alinhando-se ao sentimento da “crise de meia idade” definido por Jung e citado por Vasconcelos (2002. FUNDAMENTOS TEÓRICOS 2.1. surgiram diversas evidências que revelaram as insuficiências da adoção da abordagem linear para o tratamento de um tema com características complexas. se fez necessário conhecer e questionar em vários momentos a natureza de seu pensamento mecanicista e determinista. evidências estas que foram identificadas de forma gradual e devidamente consideradas para o desenvolvimento do presente estudo. se fez necessário primeiramente estabelecer e compreender os fundamentos epistemológicos que influenciam os processos de formação dos arquétipos mentais que determinam o modo de ser. Por se tratar de um tema complexo e de natureza crítica. no sentido de torná-las mais abertas e aptas para a discussão de temas multidisciplinares10. Ao longo do processo de iniciação e aprendizado para o desenvolvimento de pesquisas científicas multidisciplinares. Ao longo da investigação e da elaboração da revisão bibliográfica.

não seria suficiente para desenvolver 11 Vasconcelos (2002. Foi possível também perceber de que forma a matriz da linearidade limita a produção de um conhecimento científico holístico. 18) considera “fundamental diferenciar individualização. . e para a realização de questionamentos sobre a necessidade de uma produção científica pluralista alinhada com reais interesses da sociedade. apresentada na disciplina de Epistemologia e Pesquisa Multidisciplinar. E é toda a nossa experiência. e não as limitadas abstrações da ciência. processo histórico e cultural em desenvolvimento nas elites das sociedades ocidentais de capitalismo central. 168) comenta: Naturalmente. somente a partir das teorias das ciências naturais ou somente a partir das teorias das ciências humanas e sociais. e individuação. Sheldrake (1993. para uma melhor compreensão da delicada relação existente entre organizações industriais e meio ambiente. incluindo nossa herança cultural. propostas encontradas na matriz epistemológica da complexidade. e não apenas os aspectos artificialmente limitados da experiência correspondentes a um experimento ou a uma observação científicos. Abordar o tema meio ambiente e indústrias químicas à luz da matriz da linearidade.31 individuação11 em relação às questões sócio-ambientais. Se não nos cabe viver vidas duplas. de natureza inclusiva e orientada para a promoção do diálogo entre as ciências naturais e sociais. que nos liga ao mundo em que vivemos. processo de diferenciação e maturação psicológica de cada indivíduo ou pessoa”. precisamos encontrar um meio de estender uma ponte entre esses dois domínios. compreensão esta exigida para a realização de estudos mais abrangentes. foi possível contrapor a noção simplificadora da linearidade com a noção emergente da complexidade. Com base no estudo do contexto do surgimento da ciência moderna. p. p. divididas entre uma realidade mecanicista impessoal e "objetiva" e o mundo "subjetivo" da experiência pessoal. para um maior entendimento das possíveis origens e razões da atual crise ambiental. Conhecer um pouco mais sobre a natureza e o funcionamento das matrizes epistemológicas da linearidade e da complexidade contribuiu significativamente para a formação de um entendimento mais profundo do comportamento de risco das sociedades contemporâneas. Como forma de reforçar esta reflexão. ou seja. que tem mais importância para a conduta de nossas vidas. é a experiência real.

Embora questionada pelos denominados “pesquisadores de fronteira”12. realizados sob as influências religiosas repressoras da inquisição. Termo utilizado por Souza-Lima (2007) para fazer referência aos pesquisadores que estão localizados na fronteira entre um paradigma vigente e um paradigma emergente. O Sucesso da Matriz Linear e suas Limitações Apesar das limitações para o desenvolvimento de um pensamento científico mais amplo. Descartes contribuiu significativamente para a inauguração de um novo campo epistemológico baseado na racionalidade e na busca de explicações lógicas para os fenômenos observados. em razão de suas características limitantes para o desenvolvimento do conhecimento científico.2. como o excessivo culto à razão e à verdade manifesta ou da disjunção sujeito-objeto e o estabelecimento da relação causa-efeito. influenciando diretamente as formas de organização social de grande parte da humanidade.32 um estudo mais abrangente e que possibilitasse o conhecimento das percepções de profissionais da indústria química de um município paranaense sobre a relação de suas organizações com o meio ambiente. A considerar o período de produção de seus estudos. passou a ser adotada como a matriz epistemológica que determina a forma de produção de conhecimentos científicos ao longo da história e na contemporaneidade. o campo epistemológico proposto por Descartes ainda é o que mantém o maior número de representantes responsáveis por desempenhar o papel de perpetuação da lógica cartesiana na produção acadêmica e científica. fez com que ela mantivesse sua condição hegemônica por mais de três séculos. 12 .1. dando origem a uma ciência de natureza antropocêntrica em substituição ao dogma teocêntrico vigente na época. originada ou derivada dos trabalhos de René Descartes na primeira metade do século XVII e retratada em sua obra clássica “O Discurso do Método”. 2. Em razão deste sucesso. a qual reproduz reflexos no contexto da vida social. o sucesso da matriz do pensamento linear. Promover este diálogo entre diferentes atores das ciências natural e humana passou a ser considerado então um dos desafios identificados como necessário para o desenvolvimento do presente estudo.

e morta em vez de viva. Desde o tempo de Descartes. de certa forma. logo existo”. A alma também foi retirada do corpo humano. p. a mente consciente. p. era a matriz universal. conceito que proporcionou o surgimento da doutrina do dualismo. que a aceitação da realidade de algo ‘misterioso’ ou ‘místico’ na esfera da vida implique o abandono das certezas laboriosamente adquiridas pela ciência”. alojada numa pequena região do cérebro. a idéia permanece a mesma. desprovida de alma. deixando-se apenas a alma racional. máquinas complexas. 20). toda a natureza era inanimada. criticam . essencialmente. mas. ao assinalar que os mecanicistas “sempre temeram. Para Sheldrake (1993. Embora os detalhes do seu sistema fossem logo substituídos pelo universo newtoniano. e continuam a temer. Sob uma forma sutil. 59): O universo de Descartes era um vasto sistema matemático de matéria em movimento. a região favorecida deslocara-se um par de polegadas em direção ao córtex cerebral. as almas foram eliminadas da totalidade do mundo natural. Sua ambição intelectual era ilimitada. embora a maneira como as duas estão relacionadas continue sendo um mistério impenetrável. defensores da teoria da complexidade. p. “apenas a mente consciente e racional do homem era diferente. Contrariando as idéias originalmente defendidas pelo pensamento linear. interage com a maquinaria do cérebro. Na filosofia de Descartes. a teoria mecanicista da vida proposta por Descartes. Para Sheldrake (2001). até mesmo às plantas. O esteio da filosofia de Descartes pode ser resumido por sua famosa frase em latim: “Cogito. aos animais e ao homem. Descartes pensava que a terra e outros planetas eram levados a girar em torno do sol devido a tal redemoinho. inclusive os corpos humanos. 19). ele aplicava em tudo essa sua nova maneira mecânica de pensar. sendo espiritual em sua essência” (SHELDRAKE. a glândula pineal. essencialmente. Tudo no mundo material funcionava de maneira inteiramente mecânica. 2001. onde a matéria atômica se movimentava no vazio. ergo sum“ ou “Penso. em princípio plenamente explicáveis nos termos da física e da química comuns. como tudo o que nele se continha. A matéria preenchia todo o espaço. de acordo com necessidades matemáticas. segundo a qual todos os animais e plantas são. ela rodopiava em vórtices. Segundo o campo epistemológico mecanicista. A mente. ele assentou os alicerces da visão de mundo mecanicista tanto na física como na biologia. que se converteu num autômato mecânico. foi proposta pela primeira vez como parte da filosofia mecanicista da natureza: o cosmo era uma máquina. também denominada de não-linear e que será adotada para o desenvolvimento deste estudo.33 Talvez alguma justificativa para a razão desta perpetuação possa ser encontrada nas palavras de Sheldrake (2001.

assunto que será foco deste estudo. possibilitando que a primazia antropocêntrica e otimista da racionalidade humana sobre a natureza/corpo contribuísse. Segundo Morin (1998). Biologia e Antropossociologia. impedindo o estabelecimento de comunicações entre elas. tornando-as ciências totalmente isoladas e distintas. para o vertiginoso processo de destruição ambiental dos séculos XIX e XX. experimentação e manipulação. a “coisa extensa” (res extensa). bem como para uma dificuldade estrutural na abordagem dos fenômenos subjetivos. Morin (1998) complementa a sua reflexão mencionando que o estabelecimento deste pensamento isolou diversos campos das ciências como a Física. e a matéria. Ehrenfeld e Merchant citados por Egri e Pinfield (1999) este dualismo entre mente e matéria foi fundamental para a defesa pelos filósofos do século XVII. Para o autor. redução porque passou a unificar tudo aquilo que é múltiplo e de disjunção porque passou a isolar os objetos uns dos outros. quanto na abordagem mecanicista das ciências naturais. p. as características híbridas e complexas dos fenômenos foram severamente reduzidas. a “coisa pensante” (res cogitans). que foram reduzidos no dualismo cartesiano tanto na abordagem idealista da consciência. os saberes e o universo. esta dissociação entre sujeito (ego cogitans) e objeto (res extensa) e para Capra (2005) a divisão entre a mente. determinaram o surgimento de um pensamento linear fundamentado em um paradigma simplificador. propostas por Descartes. psíquicos. este racionalismo dualista cartesiano. Da mesma forma. Para Thomaz citado por Sheldrake (1993. segundo a qual plantas e animais não passavam de máquinas. Para autores como Daly e Cobb. entre outras coisas. contribuiu também significativamente para a inauguração de um novo período de . do domínio sobre a natureza como essencial para o progresso científico e social. das emoções e da corporalidade. do seu ambiente e do seu observador. em especial Descartes. favoreceu sua meta explícita de fazer dos homens ‘senhores e possuidores da natureza’”. que separa o sujeito pensante do objeto (natureza/corpo) contribuiu para uma disjunção paradigmática: o mundo dos objetos submetidos à observação. nessa bifurcação. 62) “a doutrina de Descartes. Para outros autores como Vasconcelos (2002).34 abertamente o conceito de dualismo proposto por Descartes. com características de redução e de disjunção. e o mundo dos sujeitos racionais que pensam sobre a sua existência. Para Morin (1998).

Aliás. que impedem a comunicação entre saberes fragmentados e que impossibilitam a adoção de uma abordagem capaz de promover reflexões multidisciplinares envolvendo questões sócio-econômicas-ambientais no meio científico-acadêmico. eles constituem uma via parcial de conhecimento”.] em 1927. Os manuais estão cheios de fatos supostamente inquestionáveis e dados quantitativos. humanistas seculares e todos que advogam o primado da ciência sobre a religião. a sabedoria tradicional e as artes. p. p.. Ela é imprescindível para a visão de mundo dos materialistas. O mesmo acontece à maioria dos estudantes de ciência. 133) revela a sua apreensão em relação aos reflexos do processo de uma produção científica baseada na lógica linear: [. no nível microscópico.] muitos leigos ficam perplexos ante o poder e a aparente certeza do conhecimento científico. Tudo leva a crer que a ciência seja superiormente objetiva. 66): [. 66) busca justificar seus argumentos mencionando que “os sucessos práticos da ciência mecanicista dão testemunho da eficiência desse método. ser abstraídos e modelados matematicamente”. porém. tornou-se geralmente reconhecido que o indeterminismo é inerente . Sheldrake (1993. Mas durante os últimos vinte anos. p. ou quase isso. de fato.. Para Sheldrake (1993. graças à física. estabeleceu-o como o modelo do desprendimento científico. segundo o autor “tais modelos deixam de lado a maior parte da nossa experiência viva. sociólogos. modelo cobiçado por biólogos. à medida que a teoria quântica se desenvolvia. p.. Para Sheldrake (1993. os processos físicos eram essencialmente indeterminados. a crença na objetividade da ciência é artigo de fé para muitas pessoas no mundo moderno.. presumia-se que essa aleatoriedade tinha pouca relevância para o mundo do dia-a-dia. previsíveis tão-somente em termos de probabilidades.. Durante várias décadas mais.35 certezas e para a crença na objetividade da produção científica.. 97) estas insuficiências foram inicialmente percebidas no meio científico quando: [.] o prestígio que esse método adquiriu. tornou-se claro que. Sheldrake (2001. Evidências como a valorização excessiva dos métodos quantitativos e a superespecialização das disciplinas. os aspectos quantitativos do mundo podem. economistas e por todos os que aspiram à objetividade científica. racionalistas. apontam para as insuficiências da forma de produção científica tradicional quanto a sua capacidade de assumir de forma exclusiva o enfrentamento das situações de risco enfrentadas pela sociedade contemporânea.

Entre as características que definem esta sociedade. Em razão da existência de fortes evidências anteriormente apresentadas que implicam nas insuficiências da matriz linear para o atendimento das necessidades de produção do conhecimento científico e consequentemente para a reprodução da vida em sociedade. Novas abordagens matemáticas são necessárias. justificando o surgimento da maior parte das crises sociais e ambientais planetárias até então percebidas. em processos "catastróficos". Dentre os vários pesquisadores que inauguraram novas linhas epistemológicas para propor outras formas para o desenvolvimento do conhecimento científico. está a sua incapacidade de gerenciar a relação entre utilização de novas tecnologias e manutenção dos recursos naturais. onde pequenas flutuações podem ser amplificadas para produzir grandes efeitos (como na formação de células de convecção num fluido aquecido) (Prigogine e Stengers (1984)). esta matriz passou a ser gradativamente criticada por pesquisadores que perceberam as suas limitações e que tiveram a coragem de propor novas alternativas a esta forma hegemônica de produção do conhecimento científico. das quais a mais importante é a "teoria do caos" (para uma boa introdução não-técnica à teoria do caos. em cérebros. encontram-se Karl Beck (2006) define sociedade de risco como a sociedade que substituirá a denominada sociedade industrial. tais como o quebrar das ondas. as características deste pensamento serviram de alicerces ideológicos das Revoluções Científica e Industrial das sociedades contemporâneas e para autores como Beck (2006). Em modelos matemáticos de processos caóticos. foi também responsável pela formação do pensamento mecanicista e determinista que impera desde as sociedades medievais até as sociedades industriais contemporâneas e que influencia no comportamento das organizações sociais nelas inseridas. responsável pelo surgimento da ciência. os sistemas de modelos não se assentam num equilíbrio simples. mas se desenvolvem em padrões complexos e não repetitivos. aparecem nos principais comportamentos sociais de risco que determinam o rito de passagem de uma “sociedade industrial” para o que o autor denomina de “sociedade de risco13”. tornados possíveis graças aos computadores. em fenômenos meteorológicos. conceito que será abordado ao longo deste estudo. a estrutura de pensamento linear. 13 . o fluxo turbulento de líquidos e as transições de fase (como na ebulição ou no congelamento). em dinâmica da população e em ecologia. em organismos vivos. Esses tipos de processos não podem ser efetivamente modelados em termos da física determinista ao velho estilo.36 em sistemas em todos os níveis de complexidade: em "processos dissipativos" afastados do equilíbrio termodinâmico. veja Gleik (1988)). Para Egri e Pinfield (1999). Apesar de suas limitações. e no comportamento da economia.

quando materializa a idéia de hipóteses e refutações. No seu entendimento. Popper dá uma significativa contribuição à comunidade científica e consequentemente para uma profunda reflexão quanto a real importância da elaboração deste estudo. Em sua obra “Conjecturas e Refutações”. o positivismo constitui a base de quase todas as espécies de fanatismo e autoritarismo. e Edgar Morin. de serem sempre confirmadas. d) positivismo ético: atitude que consiste em tentar reduzir normas à fatos.1. a partir da qual passam a ser abertamente criticadas e consideradas inimigas da sociedade aberta as perspectivas fundamentadas no positivismo como o historicismo. um dos propositores da matriz da complexidade. 2. b) coletivismo: consiste em atribuir ao coletivo um essência independente dos indivíduos que o compõem. e que exige uma autoridade que pronuncie e estabeleça o que deve constituir esta verdade manifesta. são na realidade a sua maior fraqueza. representantes da matriz linear. Apesar de reconhecer aspectos positivos do positivismo. e. c) relativismo: caracteriza-se pela negação da existência de verdade objetiva e/ou pela afirmação da arbitrariedade da escolha entre duas asserções ou teorias. o coletivismo. Popper (2003) denuncia aspectos negativos ao apontar que ao mesmo tempo. 14 . como o fato de ter encorajado os homens a pensarem por si próprios e de tornar possível a ciência moderna. ao questionar sobre até que ponto uma teoria deve ser classificada como científica e se existe algum critério que determine o seu caráter científico.37 Popper e Thomas Kuhn.3. Noções de Refutabilidade e de Paradigma Popper é considerado um dos fundadores da linha epistemológica do racionalismo crítico. Baseado em suas reflexões e contrariando a idéia de verdade manifesta Popper (2003) estabelece as seguintes definições para as diferentes perspectivas consideradas inimigas da sociedade aberta: a) historicismo: atribuição à história um sentido pré-determinado e não passível de alterações pelos indivíduos. o relativismo e o positivismo ético14. que tem uma necessidade constante não só de interpretação e afirmação como também de reinterpretação e reafirmação. estas afirmações que constituem aos olhos daqueles que as admiram o seu ponto mais forte. Popper (2003) revela que as suas inquietações em relação às teorias positivistas se devem ao fato de sempre se adequarem.

Popper (2003) parece acreditar que a propensão para procurar padrões de regularidade e para impor leis à Natureza conduz ao fenômeno psicológico do pensamento dogmático ou. Popper (2003) propõe a idéia de que seria possível aprender com os próprios erros. refutação de conjecturas. 51): [. Para Popper (2003). Popper (2003) define o comportamento dogmático com sendo aquele onde se espera encontrar regularidades em todo o lado. com diferentes graus de corroboração. a importância da característica de “refutabilidade” para o progresso da ciência: as verdades provisórias devem estar abertas à refutação. como no discurso verificacionista neopositivista. inclusive onde elas não existem. acreditando que a compreensão da possibilidade de falhas e erros cometidos em uma investigação proporciona a imersão em uma série de críticas e autocríticas capazes de desenvolver ainda mais o conhecimento. que admita a dúvida e exija ser testada. e não confirmação. como verdades e soluções provisórias. O autor ainda ressalta a importância da atitude crítica. apresentando assim um sinal de uma crença mais fraca. 15 . que aproxima o pesquisador da verdade. testes de conseqüências dedutivas. Contrapondo-se a este fenômeno. permitindo assim que o aprendizado possa surgir a partir de erros. o autor defende a necessidade e a importância da teoria crítica. a atitude da promoção da livre discussão das teorias com a finalidade de identificar os seus pontos fracos e promover o seu aperfeiçoamento. que uma vez estando pronta para modificar os seus princípios. a possibilidade da refutação de uma teoria constitui um passo a frente. Apesar de considerar o dogmatismo até certo ponto necessário. que mantém o sujeito agarrado às suas primeiras impressões. Popper afirma que toda observação indutiva é impregnada de teoria e/ou sustentada em instrumentos construídos a partir de teorias.. Popper (2003) considera que este fenômeno é um indício de uma crença forte. p. à busca e acumulação de evidências empíricas através da eliminação de erros. O conhecimento é construído a partir de hipóteses permanentemente colocadas a teste e refutação. etc. tentativas. possibilita o desenvolvimento de novos conhecimentos com base no questionamento dos conhecimentos anteriores. do comportamento dogmático15. soluções. .] partindo da crítica ao positivismo lógico em direção a um evolucionismo racionalista em ciência. em termos gerais. Daí. Segundo Vasconcelos (2002..38 defendida originalmente por Descartes e mantida pelos seus seguidores.

a aplicação de estratégias de triangulação que fazem uso de várias fontes e tipos de dados. Além disso. ou seja. mas que não podem nunca ser totalmente apreendidas. p. Nessa perspectiva. 51): [. Popper (1963/1982) propõe que o caminho seja a eliminação do erro grosseiro e das tendenciosidades do pesquisador através da “tradição crítica”. sólidos e inquestionáveis. dada à precariedade dos instrumentos sensoriais e cognitivos humanos. como o suporte da tradição crítica (exigências de clareza no relato da investigação e consistência com a tradição na área) e a comunidade crítica (julgamento dos pares). Para Vasconcelos (2002. mas apenas que as investigações estão livres de erros grosseiros. Outra contribuição significativa para o desenvolvimento da ciência e que também propiciou o aperfeiçoamento da estrutura cognitiva necessária para o desenvolvimento deste estudo refere-se à noção de paradigma idealizada por Thomas Kuhn em seu livro “A Estrutura das Revoluções Científicas”. ou seja. no qual o princípio da objetividade é reapropriado de forma não fundacionista: assume-se a existência de uma realidade externa regida por leis naturais ou históricas. Em sua obra.] a partir da crítica às pretensões fundacionistas. Kuhn (2005. apesar de considerar científica apenas as teorias derivadas da matriz linear. na medida em que o pesquisador pode apenas se aproximar dela. sejam eles racionalistas ou empiricistas. 220) informa que o termo paradigma pode ser utilizado em dois sentidos diferentes: . a idéia de objetividade constitui muito mais um “ideal regulatório”. Assim. Kuhn (2005. não se garante a certeza dos resultados. pela abertura da metodologia e dos resultados à análise e questionamento pela comunidade científica. diferente daquele unicamente caracterizado pela imposição de idéias.39 Ao defender a idéia de que o conhecimento científico não se assenta no método indutivo e sim que a ciência deve se basear em hipóteses e refutações.. fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes da ciência”. que acreditavam que o conhecimento era construído ou justificado por fundamentos seguros. durante algum tempo. p. p. Popper pode ser considerado como um precursor chave do chamado movimento pós-positivista.. Dessa forma. enfatiza-se o “multiplismo crítico”. 13) define ‘paradigmas’ como “as realizações científicas universalmente reconhecidas que.. Desta forma. Popper contribuiu significativamente com a comunidade científica ao demonstrar que a transformação e o aprimoramento do conhecimento científico dependem da oportunidade para o estabelecimento de novas hipóteses e da possibilidade de sua refutação. visando corrigir e compensar mutuamente os limites de cada uma das metodologias específicas. a crítica mútua exercida pelos cientistas. Popper contribuiu indiretamente para a proposta da construção de um ambiente científico baseado na dialógica.

] a ciência não avança de forma linear. Nessa mesma conjuntura. a crítica à perspectiva popperiana e pós-positivista é desenvolvida inicialmente por autores como Kuhn.. quando os fatos concretos não conseguem mais se encaixar dentro de paradigmas vigentes.. dentro dos quais as verdades científicas teriam formas limitadas e relativas de validade. Em especial no caso das comunidades científicas. partilhadas pelos membros de uma comunidade determinada [. que. podem substituir regras explícitas como base para a solução dos restantes quebracabeças da ciência normal.. durante algum tempo.. o autor preocupa-se em diferenciar o conceito de ciência normal da definição de paradigma. Ele define a ciência normal como a pesquisa firmemente baseada em uma ou mais realizações científicas passadas. são as realizações científicas universalmente conhecidas. Para Vasconcelos (2002.40 [. que. evolutiva e cumulativa. Somente quando o paradigma não consegue mais resolver os problemas pesquisados e provoca anomalias.. valores..] e de outro. acontecem as anomalias que vão forçar a emergência de novos paradigmas. indica toda a constelação de crenças. apesar de suas posições . Em sua obra.] de um lado. técnicas. etc. Em função destas características.. fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade praticante de uma ciência. a crítica à especialização e à tecnoburocracia induziram a aspirações por práticas inter e transdisciplinares. denota um tipo de elemento dessa constelação: as soluções concretas de quebra-cabeças que. o autor o define como aquilo que é compartilhado por membros de uma comunidade. 33). como forma de testar a sua validade. como verdadeiros sistemas de crenças e referências quase sempre incompatíveis uns com os outros. sendo essas realizações reconhecidas durante algum tempo por alguma comunidade científica. empregadas como modelos ou exemplos. a noção de paradigma passou a ser aceita no meio acadêmico e amplamente aplicada pela comunidade científica pelo fato de permitir aos cientistas testar as suas hipóteses em relação aos paradigmas vigentes. capazes de fazer dialogar e produzir trocas entre os diversos campos de saber. Quanto ao paradigma. p. surgem então crises que vão dar origem há um novo paradigma. Para Kuhn (2005). mas por meio de rupturas ou paradigmas. Kuhn introduziu a idéia de que: [. Para Vasconcelos (2002).

. Assim. numa tentativa de apontar algumas insuficiências do paradigma vigente e de contribuir para a construção de uma nova forma de se produzir ciência e sociedade.] nos períodos de “ciência normal”.. em paralelo com as transformações nas visões de mundo na sociedade como um todo. Para Vasconcelos (2002). pluralistas. Ao que parece. em especial pelas organizações industriais que já esboçam preocupações com questões sociais e ambientais. também denominada como teoria não-linear por autores como Fritjof Capra. torna-se difícil afirmar quando uma teoria global deve ser considerada refutada e substituída por outra. baseadas em ações orientadas para a promoção do diálogo e para a inclusão do outro. Em função de suas características peculiares. caminham em uma direção mais relativista. e chave para a construção de estratégias epistemológicas adequadas para práticas interdisciplinares explicitamente críticas. novos fenômenos são descobertos. o surgimento da crise ambiental em larga escala já anunciada e os reflexos negativos percebidos pela sociedade. sugerem profundas reflexões quanto à necessidade da refutação de padrões tradicionais de produção do modo de vida das sociedades contemporâneas e a necessidade do estabelecimento ou adoção de um novo conceito capaz de repensar a forma de produção científica e industrial. Entretanto. A noção de refutabilidade apresentada por Popper e de paradigma definida por Kuhn são aplicadas no contexto deste estudo sobre meio ambiente e indústrias químicas. nas revoluções e crises das teorias científicas de grande amplitude. . sem o apelo a um relativismo radical. Para Vasconcelos (2002. conhecimentos aceitos são abandonados e há mudanças radicais na prática científica. e os resultados discrepantes não ameaçam a teoria ou paradigma pela modificação de uma hipótese anterior. p. a noção de “paradigma da complexidade” proposta por Edgar Morin torna-se crucial para o campo das teorias humanas e sociais. este estudo será desenvolvido à luz da teoria da complexidade proposta por Edgar Morin. 52): [. É sempre possível fazer alterações nas hipóteses e teorias particulares sem alterar a teoria mais geral. apontando para a questão de que nas refutações. o que está sendo testado é um conjunto complexo de teorias e hipóteses auxiliares. os problemas e soluções são colocados dentro de um paradigma adotado.41 diferenciadas.

a abordagem do meio ambiente poderia ser reduzida a uma variável controlada pelos interesses das organizações. o resultado do estudo poderia gerar um entendimento de características reducionistas da mesma forma como o tema é muitas vezes percebido pela maior parte da sociedade. de forma a ampliar a discussão sobre o tema a fim de que . em termos de fundamentação teórica. Em razão destas insuficiências e da dinâmica envolvida na delicada relação existente entre as variáveis escolhidas. sem promover o diálogo entre os dois campos científicos distintos envolvidos ou sem considerar a relação polarizada existente entre os diferentes tipos de atores relacionados ao tema. buscando promover um estudo multidisciplinar orientado para a promoção da aproximação entre ser humano e natureza. Ao elaborar um estudo unicamente a partir do ponto de vista das organizações. apontou para as insuficiências da matriz linear em relação à concepção de uma pesquisa envolvendo um estudo de percepções.1. poderia representar como resultado o desenvolvimento de um estudo parcial de característica unilateral. à luz do pensamento linear. ou seja. Na abordagem linear. entre organizações e meio ambiente. Por outro lado. como se fossem domínios absolutamente incomunicáveis ou como se um fosse submetido ao controle do outro. das ciências humanas e naturais.42 2. ou seja. Este estudo se propõe. no caso o meio ambiente submetido ao interesse e controle por parte das organizações. Tratar o objeto de estudo proposto da forma tradicional. de que as organizações industriais são as únicas responsáveis pela destruição do Planeta.4. A Escolha pela Matriz da Complexidade A elaboração do projeto de estudo com característica multidisciplinar envolvendo as variáveis “meio ambiente” e “organizações”. a ouvir e a estabelecer um diálogo entre representantes de campos científicos distintos. originadas de campos científicos distintos e determinados. as questões relacionadas ao meio ambiente e organizações normalmente são tratadas de forma isolada. houve a necessidade de alinhar os objetivos deste estudo de forma a propiciar o diálogo entre duas áreas distintas da ciência. respectivamente. ou seja. ao elaborar um estudo partindo unicamente do ponto de vista de atores que defendem a preservação do meio ambiente de forma mais extremada e intocável.

Como forma de defender a teoria da complexidade e conseqüentemente a idéia da necessidade da promoção da transdisciplinaridade16. num certo sentido. criando um mecanismo para que a ciência possa refletir sobre ela mesma. apresentadas em seu livro “Ciência com Consciência”. a extrema quantidade de interações e de interferências entre um número muito grande de unidades”. indeterminações. é um fenômeno quantitativo. p. Vasconcelos (2002) define que as práticas transdisciplinares correspondem aos campos de interação de médio e longo prazo que pactuam uma coordenação de todos os campos de saberes individuais e interdisciplinares de um campo mais amplo. mesmo o mais simples”. 17 16 . sobre a base de uma axiomática geral compartilhada. fenômenos aleatórios. o modo tradicional é o modo de produção de conhecimento que há mais de três séculos não faz mais do que provar suas virtudes de verificação e de descoberta em relação a outros modos de conhecimento. seja de moléculas numa célula. porém que a complexidade não compreende apenas quantidades de unidade e interações que desafiam as possibilidades de cálculo: compreende também incertezas. A opção pela experimentação da matriz da complexidade como alternativa epistemológica para o desenvolvimento deste estudo surgiu a partir dos primeiros contatos com as formulações de Edgar Morin. 2006. seja de células no organismo” (MORIN. Ela está presente em qualquer “sistema auto-organizador (vivo). Para Morin (1998). que “combina um número muito grande de unidades da ordem de bilhões. Morin alerta. Em sua obra. Morin (1998) propõe à comunidade científica uma nova forma de se fazer ciência com consciência e de produção do conhecimento científico como alternativa ao modo tradicional17 de produção científica. p. O autor complementa sua definição informando que há uma tendência à estabilização e criação de campo de saber com autonomia teórica e operativa própria. que não sacrifica o todo à parte e estabelece uma relação entre as ciências humanas e naturais. sempre tem relação com o acaso. reformando o seu modo de pensar. 35). Morin define como princípio da complexidade aquele que estabelece a comunicação entre o objeto e o ambiente. O autor considera que a complexidade. a complexidade “à primeira vista. Para Morin (2006. 35).43 possam ser encontrados os elementos necessários para o desenvolvimento da proposta do estudo de percepção.

p. científica ou epistemológica. reduzirse à idéia de complexidade. referir-se a uma lei da complexidade. “a complexidade é efetivamente o tecido de acontecimentos. pois que traz em seu seio confusão. incerteza. Para Morin (2006. mas ao mesmo tempo e em certos casos. que constituem nosso mundo fenomênico” (MORIN. Ele associa dois termos ao mesmo tempo complementares e antagônicos”. uma vez que as relações existentes entre estas duas variáveis se apresentam em diferentes momentos como complementares e antagônicas: complementares no sentido que os diferentes tipos de organizações dependem do meio ambiente para o desenvolvimento de suas operações e antagônicas por que muitas vezes as organizações são julgadas pelo desenvolvimento de atividades consideradas prejudiciais ao meio ambiente. Em seus próprios termos. mas a redefinir novos problemas de pesquisa. p. o que não pode ser reduzido a uma lei nem a uma idéia simples. 87): . para ele. uma pesada carga semântica. 5 e 6) algumas interpretações equivocadas quanto a sua proposta para a complexidade se devem ao entendimento estabelecido para o conceito da “palavra” complexidade: [. Sua primeira definição não pode fornecer nenhuma elucidação: é complexo o que não pode se resumir numa palavra-chave. Morin propõe o entendimento de três princípios: o dialógico. Ela suporta. acasos. Em outros termos. desordem. O trecho revela que. interações. p. Como forma de possibilitar uma melhor compreensão para a proposta da complexidade. segundo os quais a ordem e a desordem projetam-se como dois adversários que se enfrentam na tentativa de um suprimir o outro. p. ao contrário. as suas considerações sobre ordem e desordem podem ser concebidas em termos dialógicos.44 Para Morin (2006. ações. o da recursão organizacional e o hologramático. Em relação ao desenvolvimento deste estudo.] a palavra complexidade não tem por trás de si uma nobre herança filosófica.. Para o autor. a complexidade não se limita a apresentar soluções simplistas ou simplificadoras. 74). este princípio será considerado na tentativa de aproximação das variáveis-chave “meio ambiente” e “indústrias químicas”. retroações. o complexo não pode se resumir à palavra complexidade. determinações. Para Morin (2006.. 2006. colaborarem e produzirem organização e complexidade. 13). “o princípio dialógico nos permite manter a dualidade no seio da unidade.

seus estudos de mercado. 74 e 75). Morin (2006. 74) considera que “um processo recursivo é um processo onde os produtos e os efeitos são ao mesmo tempo causas e produtores do que os produz”. seu programa de produção. Seguindo esta lógica. de relações públicas. Com relação ao princípio da recursão organizacional. mas a sociedade. mas o todo está na parte”. Para Morin (2006. uma vez produzida. Para Morin (2006. que considerava não ser possível conceber o todo sem as partes e da mesma forma as partes sem o todo. no qual a menor parte contém a quase totalidade da informação do objeto representado. do outro seus problemas de relações humanas. Este princípio será explicitado ao longo do desenvolvimento deste estudo. Para o autor a idéia paradoxal contida no princípio hologramático imobiliza o espírito linear da mesma forma . Morin (2006. p. quer sejam elas elementos do mundo sociológico ou biológico.45 Não temos de um lado o indivíduo. Para o autor esta idéia recursiva é uma idéia em ruptura com a idéia linear de causa/efeito. de um lado a espécie. em parte. à idéia dialógica”. p. uma vez que tudo o que é produzido volta-se sobre o que o produz num ciclo autoconstrutivo. ou seja. de estrutura/superestrutura. p. quando em desequilíbrio. auto-organizador e autoprodutor. no sentido de compreender e caracterizar as relações recursivas existentes entre “meio ambiente” e “indústrias químicas”. Para Morin (2006). p. 74 e 75) ao desenvolver o princípio hologramático para a complexidade considera que “não apenas a parte está no todo. pode-se considerar que as diferentes atividades desenvolvidas pelas organizações no Planeta Terra geram em maior ou menor grau de intensidade influências sobre o ambiente global e este. retroage sobre os indivíduos e os produz”. “os indivíduos produzem a sociedade que produz os indivíduos”. gera influências negativas sobre as diferentes partes que constituem o ambiente global. p. Seguindo a idéia original de Pascal. Morin (2006. de um lado a empresa com seu diagrama. a complexidade envolve ainda o princípio hologramático. de produto/produtor. “o princípio hologramático está presente no mundo biológico e no mundo sociológico”. 74) “a sociedade é produzida pelas interações entre indivíduos. de outro a sociedade. 74 e 75) considera que a “própria idéia hologramática está ligada a idéia recursiva. que está ligada. do outro os indivíduos. de pessoal. Os dois processos são inseparáveis e interdependentes.

o mitológico). que diz respeito à recorrência de um efeito sobre as condições geradoras. os fenômenos complexos são marcados pelos princípios da interação com o observador ou da implicação. . e há um tecido interdependente. mas que mantém os dois termos como antagônicos e complementares ao mesmo tempo.. exigindo a passagem de níveis epistemológicos diferentes. as partes entre si. Como divulgador das formulações de Morin. aleatoriedade.46 que na lógica recursiva. Vasconcelos (2002. o psicológico. determinismo). Para Morin (2006. o sociológico. há complexidade quando elementos diferentes são inseparáveis constitutivos do todo (como o econômico. p. os fenômenos complexos são marcados pela retroação ou recursão organizacional. às vezes dentro de um mesmo campo disciplinar. Vasconcelos (2002) reforça algumas características dos fenômenos complexos: os fenômenos complexos são passíveis de desordem (caos. marcando a necessidade de diferentes epistemologias e paradigmas para a abordagem destas descontinuidades. o afetivo. descontinuidades e desconhecimento parcial. pelos quais propriedades novas/diferentes surgem a partir da interação das partes ou dos diferentes níveis de realidade e organização. indeterminismo) e ordem (auto-organização. 74 e 75) “pode-se enriquecer o conhecimento das partes pelo todo e o do todo pelas partes.62) compreende: [. o político. pelo qual a análise ou intervenção em um fenômeno depende sempre da perspectiva do observador. Por isso. 62) considera que Morin contrapõe o “paradigma da simplicidade” com o que denominou de "paradigma da complexidade". principalmente acerca dos níveis diferenciados de sua organização ou do sistema de interação entre eles ou entre níveis epistemológicos diversos.] o que foi tecido junto: de fato. Refletindo sobre os modos de produção científica. interativo e inter-retroativo entre o objeto do conhecimento e seu contexto. num mesmo movimento produtor de conhecimentos”. acaso. a complexidade é a união entre a unidade e a multiplicidade. os fenômenos complexos são marcados pelos processos de emergência. o conhecimento acerca dos fenômenos complexos implica incertezas. sabe-se muito bem que o adquirido no conhecimento das partes volta-se sobre o todo. as partes e o todo. A complexidade segundo Morin citado por Vasconcelos (2002. p. p.. em processo de interação contínua.

desde que a ciência assumiu uma posição central e hegemônica. prejudicando ou minimizando desta forma o desenvolvimento de uma sociedade orientada para a ação racional substantiva18. na dimensão grupal. compreendida como concretização de potencialidades e satisfação. que se refere ao entendimento. Como forma de contrapor as vantagens e desvantagens do desenvolvimento científico na atualidade. definida no nível hierarquicamente superior. O autor considera que este mesmo desenvolvimento científico promoveu um desligamento entre a ciência da natureza. fez com que conceitos de indivíduo. Para Morin (1998). homem e sociedade se perdessem em processos interdisciplinares19 ampliando os riscos dos saberes científicos serem acumulados apenas em banco de dados e de estarem sujeitos ao controle exercido pelos poderes econômicos e políticos. responsável pela exclusão do espírito e da cultura responsáveis pela sua produção. mas traz também os inconvenientes da superespecialização envolvendo o enclausuramento ou fragmentação do saber. Morin (1998) menciona que o desenvolvimento científico disciplinar das ciências não traz unicamente as vantagens da divisão do trabalho. que se refere à auto-realização. Vasconcelos (2002) define que as práticas interdisciplinares correspondem às práticas de interação participativa que inclui a construção e pactuação de uma axiomática comum a um grupo de campos de saber conexos. na direção da responsabilidade e satisfação sociais”. estabeleceu um pensamento simplificador demarcado pela separação do ambiente e seu observador e pela redução ou unificação daquilo que é diverso ou múltiplo. p.47 As grandes crises sócio-econômicas-ambientais podem em parte ser explicadas pela ausência do entendimento das relações ocultas existentes entre os elementos que constituem as partes e o todo e em razão do distanciamento ocorrido entre o ser humano e o ambiente natural. introduzindo a noção de finalidade maior que redefine os elementos internos dos campos originais. a ação racional substantiva é a “ação orientada para duas dimensões: na dimensão individual. 340). 19 18 . Morin (1998) acredita que este mesmo pensamento que gerou o distanciamento das ciências da natureza das ciências do homem. o ser humano desenvolveu uma ciência que originou as condições necessárias para o estabelecimento de uma sociedade dominante alicerçada em uma racionalidade instrumental. daquilo que ele chama de ciências do homem. a qual adotou a noção de que somos incapazes de pensar apesar de sermos seres humanos dotados de espírito e consciência enquanto Para Serva (1996. Ao reforçar a sua crença na dominação e controle da natureza.

48 seres vivos biologicamente constituídos. 17) quando menciona que se trata de uma “situação paradoxal. refletido e discutido por seres humanos. em que o desenvolvimento do conhecimento instaura a resignação à ignorância e o da ciência significa o crescimento da inconsciência”. Tal situação é explicada por Morin (1998. sem poder ser reconstituídos pelas tentativas interdisciplinares. Morin (1998) apresenta a sua concepção de uma ciência que necessita ser realizada com consciência mencionando que o progresso inédito dos conhecimentos científicos convive com o progresso múltiplo da ignorância. são de fato triturados ou dilacerados entre elas. integrado na investigação individual de conhecimento e sabedoria. que o progresso dos aspectos benéficos da ciência convive com os aspectos nocivos e mortíferos. Morin (1998) complementa sua reflexão em torno dos efeitos nocivos da fragmentação considerando que o seu resultado leva ao anonimato. Uma das citações do livro que teve um especial significado para a tomada de decisão quanto à escolha da teoria da complexidade para o desenvolvimento deste estudo é quando Morin (1998) alerta para a necessidade da não eliminação da hipótese de um neo-obscurantismo generalizado. este pesquisador descobriu o quanto estava distante. p. que não têm tempo nem meios conceituais para tanto. ou seja. o fenômeno da especialização das ciências antropossociais que envolvem os conceitos molares de homem. de indivíduo e de sociedade que perpassam várias disciplinas. deixando esse cuidado aos cientistas. Como forma de reforçar esta situação paradoxal. o saber deixa de ser pensado. durante a sua participação no programa de mestrado e em meio ao desenvolvimento desta investigação epistemológica. produzido pelo mesmo movimento das especializações. se destinando cada vez mais a apenas ser acumulado em banco de dados para depois ser manipulado. de outras áreas do saber além daquelas que correspondem à sua área original de formação. Como relatado anteriormente. e que o progresso ampliado dos poderes da ciência convivem com a . Para Morin (1998). meditado. em termos de reflexão. no qual o próprio especialista torna-se ignorante de tudo aquilo que não concerne a sua disciplina e o não-especializado renuncia prematuramente a toda a possibilidade de refletir sobre o mundo. a vida e a sociedade.

uma realidade demográfica de outro.. mas esquece-se que no econômico. isto é. A dificuldade da busca de soluções ambientais compatíveis com as expectativas dos diferentes atores da sociedade reflete as mesmas dificuldades encontradas na produção do conhecimento científico. Em uma sociedade em que cada vez mais trabalhos acadêmicos são escritos para um número cada vez menor de leitores. há todo um mundo de paixões. das ciências sociais.] a dimensão econômica contém as outras dimensões e não se pode compreender nenhuma realidade de modo unidimensional [. Para Morin (2006. Em um contexto em que muitas vezes os membros da academia são avaliados por métricas quantitativas e não pela qualidade de suas produções.] atrás do dinheiro. etc”.] é preciso que ...49 impotência ampliada dos cientistas a respeito desses mesmos poderes. possibilidades e limites de nosso entendimento. toda visão especializada. mas também um desenvolvimento transdisciplinar. fato que exige o alcance de uma condição de transdisciplinaridade.. 68 e 69). de nosso espíritocérebro de homo sapiens. p. considera que há uma realidade econômica de um lado... Para Morin (1998). se faz necessário repensar o sentido e o destino da produção do conhecimento científico. há de se pensar na qualidade e na relevância daquilo que é produzido. Dessa forma. de forma a efetivamente torná-lo mais útil para o atendimento das reais necessidades da sociedade. há a psicologia humana [. o que impede de se conceber a sua unidade. há as necessidades e os desejos humanos [. “a visão não complexa das ciências humanas.. uma realidade psicológica do outro. pois considera que a ciência nunca teria sido ciência se não tivesse sido transdisciplinar. o pensamento de Morin contribuiu significativamente para a mudança da percepção deste pesquisador em relação à necessidade de se realizar uma produção científica com consciência. parcelada é pobre [. Morin (1998) chama a atenção para o fato de que o desenvolvimento da ciência ocidental desde o século XVII não foi apenas disciplinar. Os fenômenos são cada vez mais fragmentados. O autor defende a idéia que precisamos ir do físico ao social e também ao antropológico. por que todo conhecimento depende das condições. estas dificuldades se devem ao fato de que cada vez mais as disciplinas se fecham e não se comunicam com as outras.] a consciência da multidimensionalidade nos conduz à idéia de que toda visão unidimensional. por exemplo.. Segundo o autor: Acredita-se que estas categorias criadas pelas universidades sejam realidades.

Sheldrake (2001) reconhece que de muitas maneiras.. a natureza do material genético. enriquecedora ao permitir a satisfação das necessidades sociais. à ação que determina e à sociedade que transforma. Morin expõe a sua preocupação em relação às influências que a ciência. O desafio da complexidade não nos faz renunciar para sempre o mito da elucidação total do universo. Morin (1998) reconhece que a ciência é elucidativa no sentido de resolver enigmas. (SHELDRAKE. Faz-se importante esclarecer que a adoção da teoria da complexidade para o desenvolvimento deste estudo não implica em deixar de reconhecer a importância e as contribuições do pensamento linear e das especializações para o desenvolvimento da ciência e da sociedade. p.. uma sociedade é produzida pelas interações entre indivíduos e essas interações produzem um todo organizador que retroage sobre os indivíduos para co-produzi-los enquanto indivíduos humanos. e consequentemente a sua forma de produção. daí a crença de que se pode identificar a complexidade com a completude (MORIN. o que eles não seriam se não dispusessem da instrução. tais como a domesticação da energia nuclear e os princípios da engenharia genética. na engenharia genética. na agroindústria. 2006. Corroborando as formulações de Morin. o DNA. muito se aprendeu sobre a base molecular dos organismos vivos. o papel fisiológico dos hormônios. considerando-a conquistadora e triunfante. Para Morin (1998). mencionando que o conhecimento científico da forma como foi desenvolvido até então. Com esta afirmação. as atividades químicas e elétricas do sistema nervoso. apesar de apontar diversas limitações da matriz hegemônica positivista para a produção do conhecimento. 19) Tal como destacou Sheldrake. determinou progressos técnicos inéditos. na biotecnologia e na medicina moderna prestam tributo à sua utilidade prática.50 ela seja ligada a outras dimensões. cada vez mais apresenta problemas graves que se referem ao conhecimento que produz.] no âmbito da compreensão fundamental. exercem sobre a produção da vida em sociedade. 2001. da linguagem e da cultura. p. 69). Para o autor: [. Morin (1998) não nega as suas contribuições. mas nos encoraja . Em sua proposta da complexidade. porém demonstra que apesar da ciência possuir todos estes atributos positivos. a abordagem mecanicista da vida mostrou-se eficaz: na agricultura.

76). Foi com base na proposta da complexidade de Morin e sob seus conceitos que foram construídas as bases epistemológicas que nortearam a realização deste estudo. A Busca por uma Definição Multidisplinar para Natureza e Meio Ambiente A matriz do pensamento linear. dependerá cada vez mais da experiência sócio-histórica. enquanto indivíduos ou como grupos particulares de pesquisa. a produção de conhecimento.2. Este distanciamento ocorrido entre ser humano e natureza. pessoal e da subjetividade dos pesquisadores. MEIO AMBIENTE 2. . Na busca deste diálogo com o universo se faz necessário avançar da condição unidisciplinar para a busca da multidisciplinaridade. 2. Vasconcelos (2002) considera que de acordo com a perspectiva do paradigma da complexidade. criando o distanciamento percebido entre as ciências do homem e as ciências da natureza. a perda de sua capacidade em compreender. Para o autor o desenvolvimento da criatividade e da inovação nessa esfera se sustentará fundamentalmente na capacidade dos pesquisadores. é ter metapontos de vista sobre nossa sociedade”. em um maior grau de amplitude.51 a prosseguir na aventura do conhecimento que é o diálogo com o universo. Para Morin (2006.. “a única coisa possível do ponto de vista da complexidade e que já se revela muito importante. p. inclusive para diferentes comunidades detentoras de culturas milenares de relacionamento com o meio natural. assumirem o seu processo de singularidade e individuação. que determinou a forma de produção científica e que produz influências diretas sobre a forma de ser e agir das sociedades contemporâneas foi também responsável por promover o fenômeno da superespecialização e fragmentação das ciências. condição que “[.. e de forma mais direta nas ciências humanas e sociais.] só é possível se o observador-conceptor se integrar na observação e na concepção”.2.1. determinou para a maior parte da humanidade. o ambiente do qual são apenas uma parte integrante. e em um estado mais elevado pela busca pela transdisciplinaridade.

ou mudar-se para lá..] que modelo cultural de natureza é aquele que se dá por suposto? A natureza dominada. ou em possuir uma segunda casa em ambiente rural. la nature em francês. em nosso mundo particular. que consideram que inclusive as intervenções em pequena escala podem causar danos irreparáveis? Sheldrake (1993. cantos e canções. muitas pessoas sentem uma ligação emocional com determinados lugares. opressiva e lida com a morte. O mundo vivo é celebrado em poemas. pelo menos de modo implícito. literalmente. acima de tudo. explorada até o esgotamento pela indústria? Ou a vida rural dos anos cinqüenta (tal como se contempla hoje retrospectivamente. imediatamente se estabelecem alguns questionamentos: [. . a natureza é mais fortemente identificada com a região rural em oposição à cidade. da mesma forma que são inspiradas pela beleza da natureza ou vivenciam um sentimento místico de unidade com o mundo natural.. De acordo com Sheldrake (1993.52 Para Sheldrake (1993). Mas também é selvagem. não-oficial. 22): As próprias palavras que designam a natureza nas línguas européias são femininas – por exemplo. p. e. benevolente e generosa. fértil. frequentemente associados com sua infância. natura em latim. A palavra latina natura significa. as crianças frequentemente são criadas numa atmosfera animista de contos de fadas. 32) quando alguém utiliza a palavra “natureza”. É bela. desordenada. (SHELDRAKE. com as regiões selvagens e intactas. e refletido em obras de arte. comovidas pela natureza. phusis em grego. usualmente feminina”. p. 21): Á semelhança das mães humanas. 15) Para Beck (2006. ou tal com contemplavam então as pessoas que viviam no campo)? A solidão das montanhas antes de existir uma guia intitulada passeios nas montanhas solitárias? A natureza das ciências naturais? Ou a que se vende nos folhetos turísticos do supermercado? A visão realista do homem de negócios. die Natur em alemão. Milhões de pessoas que vivem na cidade sonham em dirigirse para o campo. 16) acredita que “o nosso relacionamento privado com a natureza pressupõe que esta seja viva e. p. p. de animais que falam e de transformações mágicas. nutriz. a natureza sempre evocou emoções ambivalentes. ou sentem uma empatia com animais ou com plantas. Para Sheldrake (1993. p. Para o autor. segundo a qual as intervenções industriais sobre a natureza sempre podem reparar-se plenamente? Ou a visão das pessoas sensíveis. 1993. Segundo o autor: Durante a infância. caótica. destrutiva.

Esta visão da natureza como mãe é retratada por diferentes culturas milenares ao redor do mundo. p. 22) considera que “um dos significados fundamentais de ‘natureza’ é uma disposição ou caráter congênito. Em suas palavras. para Sheldrake (1993. têm suas origens no processo de dar à luz. Em seu discurso.. em resposta a proposta de compra de suas terras pelo governo americano (ver Anexo 1). desde aquelas que já desapareceram até aquelas que de alguma forma ainda resistem às pressões exercidas pela sociedade contemporânea sobre suas culturas e seus domínios. 22) a “natureza passa a significar o mundo físico.. 1993. como aquela expressada pelo Chefe Indígena Duwamish (Chefe Seattle) no discurso que fez ao Presidente Franklin Pierce em 1854. nossas palavras física e físico. Sheldrake (1993. p. por sua vez. um aspecto da Grande Mãe. a fonte e o sustentáculo de toda a vida. p. 1993. . a natureza é o poder criativo e regulador que opera no mundo físico. Para o autor: Este significado. A palavra grega phusis vem da raiz phu cujo significado básico também estava associado a nascimento (Partridge (1958)).53 “nascimento”.22).. assim como natureza e natural. Desse modo. está ligado à idéia da natureza como um impulso ou poder inato [. Poucas definições elaboradas pela ciência tradicional se revelam capazes de retratar em profundidade e sensibilidade o sentido de natureza simbólica presente na sabedoria indígena. 22).. ou natural. a causa imediata de todos os seus fenômenos (SHELDRAKE. e o ventre para o qual toda a vida retorna” (SHELDRAKE. p. Por essa razão. dando um exemplo da sabedoria da cultura indígena. dizimada de forma assustadora por poderes hegemônicos ao longo dos últimos séculos em diversos locais no mundo. como um todo”. de criar e de proteger (mothering). o Chefe Seatle retrata com fidelidade o processo de apropriação da natureza percebido na sociedade contemporânea. como ocorre na expressão natureza humana”.] ela é a Mãe Natureza. o chefe indígena contrapõe a visão utilitarista do homem branco em relação ao domínio da natureza com o significado que esta representa para o homem vermelho.] numa escala mais ampla. Quando a natureza é personificada “[.

ela “dá vida a todas as coisas. pois sabemos que se não o fizermos. e quando menciona que muitas pessoas que habitam modernas cidades industriais. Sheldrake (1993) considera que essas associações femininas desempenham um importante papel em nosso pensamento uma vez que revelam que a concepção de natureza está entrelaçada com idéias sobre as relações entre mulheres e homens. p. apenas negamos o princípio mãe por estarmos dele inconscientes. Sheldrake (1993) apresenta evidências sobre este sentimento maior pela terra quando comenta que em muitas partes do mundo. Em sua reflexão. nesse caso. 1993. sugere inúmeras reflexões sobre a relação ser humano-natureza e os comportamentos desenvolvidos pela sociedade da qual a grande maioria de nós faz parte. o homem branco virá com armas e tomará nossa terra”. uma vez que “a própria palavra matéria deriva da mesma raiz de mãe – em latim. Quando menciona “vamos. entre deusas e deuses. 24). 24). 1993. p. as crianças recém-nascidas eram colocadas no chão e depois levantadas para representar seu nascimento do ventre da terra. Segundo Sheldrake (1993) uma delas é a que considera que a natureza consiste apenas em matéria inanimada em movimento. desejam ser enterradas em sua terra natal. porém. o chefe indígena revela a força e a forma com a qual a sociedade contemporânea se apossou da natureza. De acordo com Sheldrake (1993. Para o poeta grego Ésquilo citado por Sheldrake (1993.54 A declaração do Chefe Seattle. amplamente divulgada por movimentos ambientalistas. como forma de retornar ao seu ventre terrestre. as palavras correspondentes são materia e mater todo o ethos do materialismo está permeado de metáforas maternas” (SHELDRAKE. sustenta-as e as recebe de novo em seu ventre”. 25) na cultura indígena a terra é “sagrada tanto como a fonte de vida quanto como o receptáculo dos mortos”. quais são as alternativas para a idéia da natureza como orgânica. e entre o feminino e o masculino em geral. Para Sheldrake (1993) esta idéia da natureza como um sistema inanimado e .25). p. p. pensar em sua oferta. viva e maternal?” (SHELDRAKE. o autor questiona: “se preferirmos rejeitar essas associações sexuais tradicionais. Para o autor.

bolas de bilhar e máquinas a vapor no século XIX. como um estilo poético ou como um arquétipo mítico confinado à mente humana. para que o exploremos. p. sobre o mundo inanimado que nos rodeia. A fabricação de máquinas é uma atividade exclusivamente humana. baseia-se. oriunda do pensamento mecanicista. . por outro lado. da qual se pode tirar proveito para o desenvolvimento econômico”. ao tentar ver todos os aspectos da natureza como semelhantes a máquinas. Para Sheldrake (1993. vêem a idéia de natureza viva como antropocêntrica. a abordagem de diferentes tipos de atores que se fundamentam no pensamento mecanicista. nada além de uma projeção. 15) “no mundo oficial – o mundo do trabalho. proporciona a confortadora sensação de que estamos no controle e a impressão gratificante da confirmação da crença de que o ser humano superou os modos de pensar primitivos e animistas. nada do que é natural possui uma vida. e relativamente recente. Muitos acreditam que os recursos naturais existem apenas para serem desdobrados e que seu único valor é aquele que as forças de mercado ou os planejadores oficiais neles imprimem. 24) a concepção da natureza como máquina põe em jogo outro conjunto de metáforas: Muitos mecanicistas supõem que esse modo de pensar não tem equivalente em termos de objetividade. Para Sheldrake (1993 p. Além disso. uma finalidade ou um valor próprio.55 mecânico. enquanto que. tecnocratas. Mas certamente a metáfora “máquina” é mais antropocêntrica do que a orgânica. economistas ou proprietários rurais que enxergam suas terras apenas para fins lucrativos. de maneiras humanas de pensar. projetamos tecnologias correntes sobre o mundo que nos cerca. na suposição de que a natureza é inanimada e neutra. p. pelo menos durante as horas de trabalho. Para muitos desses e outros atores sociais. Sheldrake (1993. As únicas máquinas que conhecemos são feitas pelo homem. dos negócios e da política – a natureza é concebida como a fonte inanimada dos recursos naturais. a concepção de Deus como o planejador e o criador da máquina do mundo o moldou à imagem do homem tecnológico. Projeções de mecanismos de relojoaria e projeções hidráulicas estavam em voga no século XVII. enquanto o mundo natural inanimado permanece onde está. Nos séculos XVII e XVIII. Para o autor. e tecnologias informáticas e de computação nos dias de hoje. a exemplo de cientistas. 21) considera que: A Mãe Natureza é menos amedrontadora se puder ser descartada como superstição.

15) ao que tudo indica.56 Ao que parece. Para Hegel citado por Gray (2005. acabou por estabelecer as suas relações de domínio sobre o ambiente ocupado. Face ao sucesso do processo de formação do arquétipo mental linear. adquira como principais características. Desta forma a construção do conceito meio ambiente vem sendo discutida. o que seria então o meio ambiente? Para Beck (2006) esta e outras perguntas.. demonstrando nova evidência de que o que era antes sentido passou a ser coisificado. o termo “natureza” cedeu espaço ao termo “meio ambiente”. caracterizado pelo diálogo e pelo debate. orientadas para a exploração crescente dos recursos naturais sobre o falso pretexto da satisfação de suas necessidades de sobrevivência. estudiosos consideram que a noção geral do termo “meio ambiente” não configura um conceito que possa ou que deva ser estabelecido de modo rígido e definitivo.. um espaço inclusivo. o desejo pelo estabelecimento do completo domínio do ser humano sobre a natureza é reforçado a cada dia pela lógica de funcionamento da matriz de pensamento linear. orientado pela teoria da complexidade. a humanidade. em razão do tema ser objeto de estudo em diferentes áreas da ciência. Por esta razão. redeclaradas. ”[. A definição semântica da variável de pesquisa “meio ambiente” envolve aspectos relacionados à multi e interdisciplinariedade.] a humanidade só se contentará quando estiver vivendo num mundo construído por si mesma”. de forma simultânea. Esta característica faz com que um estudo sobre o meio ambiente. em termos da amplitude da proposta e do crescente envolvimento de diferentes tipos de atores oriundos das mais áreas e matrizes de formação acadêmica. como o que é natureza. o que é terra virgem e o que é humano nos seres humanos necessitam ser recordadas. Um estudo envolvendo a variável “meio ambiente” representa um tema complexo. limitando a sua visão a uma condição simplificadora e reducionista marcada pela substituição do simbólico pelo material. Em função destas características peculiares. Ao distanciar-se da natureza. inicialmente nas ciências naturais e mais recentemente das ciências humanas. . sendo definida de formas variadas por especialistas das mais diferentes áreas. p.

destruído e construído pelos humanos com as . Barbieri (2006.2) define que o “meio ambiente é tudo o que envolve ou cerca os seres vivos”. Nestas tentativas de definições é possível perceber a distância entre sujeito e objeto. para ser apenas coisificado.. as palavras meio e ambiente trazem per se a idéia de entorno e envoltório. isto é. o ambiente físico e biológico originais e o que foi alterado. Desta forma o autor considera que o meio ambiente compreende o ambiente natural e o artificial. p. De acordo com Barbieri (2006.2) reforça a sua definição para meio ambiente mencionando que “. embora ninguém tenha as respostas. a partir do momento em que o próprio sujeito que estabelece suas definições não considera a sua própria participação ou quando assume uma visão antropocêntrica. Esta dificuldade em relação à obtenção de uma definição revela o distanciamento ocorrido entre as diferentes áreas do conhecimento e as suas dificuldades de estabelecer conceitos que sejam abrangentes e capazes de se aproximar de seu sentido e seu significado. Para o autor. p. tanto os naturais quanto os alterados e construídos pelos seres humanos. Para Barbieri (2006) o que envolve os seres vivos e as coisas ou o que está ao seu redor é o planeta Terra com todos os seus elementos. A própria necessidade da busca de definições para o termo “meio ambiente” revela indícios do distanciamento ocorrido entre ser humano e natureza. Como representante das ciências humanas. ambas originadas do francês antigo environer que significa circunscrevem.2) em outros idiomas como no idioma francês e no inglês “utilizam-se as palavras environnement e environment. de modo que a expressão meio ambiente encerra uma redundância”.. vivido e sentido. respectivamente. ambire significa ‘andar em volta ou em torno de alguma coisa’”.57 reconsideradas e rediscutidas em um contexto transnacional. e que em Portugal e na Itália utiliza-se apenas a palavra ambiente. em especial da Administração. O autor menciona que essa expressão é consagrada no Brasil e nos países de língua hispânica (medio ambiente). p. “a palavra ambiente vem do latim e o prefixo ambi dá a idéia de ‘ao redor de algo’ ou de ‘ambos os lados’” e “o verbo latino ambio. Barbieri (2006. cercar e rodear”. a partir do momento em que o meio ambiente deixou de ser percebido.

a exemplo as matas virgens e outras regiões auto-sustentadas. e o atmosférico.. etc. b) O ambiente domesticado. florestas plantadas. não limpam o ar e reciclam muito pouco as águas que utilizam. que envolve os outros dois ambientes. pelos parques industriais e corredores de transportes como rodovias. ferrovias e portos. “. se caracterizam por serem parasitas dos ambientes naturais e domesticados.. etc.58 áreas urbanas. uma estreita faixa do Planeta constituída pela interação de três ambientes físicos: o ambiente terrestre ou litosfera. Os autores consideram que os elementos que constituem o primeiro tipo de ambiente como tecnoecossistemas urbano-industriais. constituído pelas cidades.. que o meio ambiente não é apenas o espaço onde os seres vivos existem ou podem existir. esses ambientes não possuem capacidade de regeneração. Seguindo a lógica da classificação oriunda do pensamento linear.. Para Barbieri (2006. p. nutrientes minerais. lagos artificiais. Odum e Sarmiento citados por Barbieri (2006) tentam distinguir três tipos de ambientes: a) O fabricado ou desenvolvido pelos humanos. e que não dependem de nenhum fluxo de energia controlado diretamente pelos humanos. Segundo Barbieri (2006.. industriais e rurais.. Para Odum e Sarmiento citados por Barbieri (2006) o ambiente de suporte à vida é aquela parte da Terra que satisfaz as necessidades fisiológicas vitais. portanto. que envolve áreas agrícolas. ventos. A parte . ar e água. o aquático ou hidrosfera. uma vez que não produzem os alimentos que a sua população necessita. Para o autor esses elementos condicionam a existência dos seres vivos..2): A vida ocorre apenas na biosfera. açudes. acionadas apenas pela luz solar e outras forças da natureza. fluxo de água..3). provendo alimentos e outras formas de energia. como ocorre nos dois outros ambientes. mas a própria condição para a existência de vida na Terra. p. uma característica importante dos ambientes naturais e até mesmo dos domesticados”. podendo-se dizer. como precipitação. c) O ambiente natural.

principalmente ao que se refere a um emprego técnico consensual. aos Municípios e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as gerações presente e futuras. biológico. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. O meio ambiente. Segundo o autor..”. que trata sobre a questão da proteção dos recursos naturais e que mais tarde influenciou outras interpretações e definições elaboradas pela sociedade brasileira. etc. significados imprecisos. Evidências desta consagração podem ser percebidas no artigo 225 da Constituição Federal. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. como adjetivo (o ar ambiente. 207. 1988). a da atmosfera é a camada rente à crosta terrestre denominada de troposfera e que alcança cerca de 11 km de altitude nos pólos e 16 km no equador. Para Branco (2005). impondo-se ao Estado. 90) “os autores e dicionaristas franceses estabelecem entre os vocábulos milieu e environnement distinção idêntica a que fazemos entre ‘meio’ e ‘ambiente’. “ambiente” e “meio ambiente” possuem de um modo geral..90). a exemplo da definição do artigo 207 da Constituição do Estado do Paraná: Art. De acordo com Branco (2005. bem de uso comum e essencial à sadia qualidade de vida. . os ecólogos parecem evitar o emprego da palavra ‘meio’ para indicar o ‘meio externo’. De acordo com Branco (2005.. 225 Todos têm o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. envolve a biosfera e estendese muito além dos limites em que a vida é possível.. quando estas iniciaram a política de proteção ambiental nacional. terrestre.. Art. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (BRASIL. em especial da Biologia. palavras como “meio”. o meio ambiente) ou como substantivo (o ambiente marinho. 2001). “. preferindo empregá-la quando se referem ao meio interno. p. p. garantindo-se a proteção dos ecossistemas e o uso racional dos recursos ambientais (PARANÁ. Para o autor talvez este fato tenha contribuído para a consagração da expressão “meio ambiente” no sentido ecológico atribuído pelas autoridades brasileiras...59 terrestre da biosfera é apenas a camada sólida superficial da litosfera. o termo “ambiente” é indiferentemente empregado “. do animal ou vegetal”.)”. como condição de existência da vida.. representante das ciências naturais.

tem uma conotação de substância. e aos quais os organismos vivos devem estar adaptados para sobreviver e perpetuar-se. mais que de entorno [. dominados e excluídos pela racionalidade econômica dominante: a natureza superexplorada e a degradação socioambiental. 91): A palavra ‘meio’. p. Branco (2005) considera que se a intenção dos autores da expressão era usar “meio” no sentido mais geral. em vez de empregar simplesmente o substantivo ‘ambiente’” (BRANCO.60 Para Branco (2005. p. isoladamente. uma biocenose. da inovação tecnológica e da organização cultural. 2005. uma planta. Para o autor esta expressão se refere ao “meio circundante”. Para pesquisadores de fronteira o termo meio ambiente também é considerado restrito. p. não teria essa especificidade: “o ambiente é mutável e dinâmico em função da própria atividade vital que nele se desenvolve” (BRANCO.] quando falamos em um ser que vive num ‘meio aquático’ parece que estamos nos referindo mais precisamente ao estado líquido em que ele reside. a palavra ‘meio’ é definida do ponto de vista biológico como: Conjunto de fatores que agem de maneira permanente ou durável sobre um animal. tanto de ordem física como social. resultado da articulação sinérgica da produtividade ecológica. p. “Seria como dizer ‘lugar ambiente’. Ao mesmo tempo o ambiente emerge como um novo potencial produtivo. Em sua concepção não linear sobre ambiente Leff (2000. 159 e 160) considera que: O ambiente está integrado por processos. 2005. segundo o autor.. a distribuição desigual dos custos ecológicos do crescimento e a deterioração da qualidade de vida. 92). 91). O ambiente não é o meio que circunda as espécies e . De acordo com o Grand dictionnaire encyclopédique Larousse citado por Branco (2005. motivo pelo qual ele é substituído pelo termo ambiente. fazendo com que a expressão “meio ambiente” adquira um caráter mais restritivo. p. Para Branco (2005) o termo “meio” possui uma conotação bioquímica e físicoquímica. perda da diversidade biológica e cultural. do que ao conjunto de seres e circunstâncias que convivem e interagem com ele nesse meio. mas não abrange o conceito sistêmico que considera os próprios organismos como parte de ambiente. Já o termo “ambiente”. então a expressão é simplesmente redundante. 93).. tal como geralmente é empregada em biologia. referindo-se a “lugar no espaço”. a pobreza associada à destruição do patrimônio de recursos dos povos e a dissolução de suas identidades étnicas.

61 as populações biológicas. optou-se conscientemente pela aplicação da expressão “meio ambiente” como denominação da variável utilizada para o desenvolvimento deste estudo. os grandes filósofos acreditavam que o mundo da natureza fosse vivo devido ao seu movimento incessante. na qual. configurada por comportamentos. o ambiente do sistema econômico está constituído pelas condições ecológicas da produtividade e regeneração dos recursos naturais. bem como novos potenciais produtivos.2.] não só era vivo como também inteligente. da recomendação de pesquisadores para a adoção do termo “ambiente” e do reconhecimento que a melhor expressão para retratar o ambiente natural é “ambiente” ou “natureza”.. como forma de facilitar a interpretação dos profissionais de indústrias químicas com relação à proposta de pesquisa. os filósofos gregos já haviam desenvolvido uma sofisticada concepção da natureza como um organismo vivo. o animismo ocupava posição central. um animal imenso com uma alma e uma mente . o significado de natureza viva tal como é entendido pelas culturas primitivas. passando a ser identificada por muitos. Acreditavam que pelo fato deste mundo possuir movimentos regulares e ordenados. apenas como aquela que provê as matérias-primas necessárias para a subsistência do ser humano. é uma categoria sociológica (e não biológica). De acordo com Collingwood citado por Sheldrake (1993). Apesar do reconhecimento da condição restritiva apontada por Branco (2005) em relação à utilização do termo “meio ambiente”. Neste sentido. cedeu espaço ao conceito de natureza dominada. bem como pelas leis termodinâmicas de degradação de matéria e energia no processo produtivo. valores e saberes. 2.. que ele “[. Segundo o autor. apesar dos debates a respeito dos detalhes. Esta decisão foi tomada em razão da consagração obtida pela expressão nos meios acadêmicos e empresariais e por estar presente no senso comum da sociedade como definição para um ambiente mais abrangente. Sheldrake (1993) considera que desde a época de nossos mais remotos antepassados até o século XVII. Reflexões sobre a Relação Ser Humano e Natureza Com o processo de franca expansão da sociedade. de forma reducionista. relativa a uma racionalidade social.2. admitia-se como certo o fato de que o mundo da natureza era vivo.

denominado “A Vingança de Gaia”. Ainda segundo Tickell. e materialmente na organização do corpo do mundo”. promove a diversidade da vida. Já Vladimir Ivanovitch Vernadsky viu o funcionamento da biosfera como uma força geológica que cria um desequilíbrio dinâmico. e juntos constituindo mais do que as células do nosso corpo. Ela perdeu a sua autonomia”. quando a natureza tornou-se nada mais que matéria inanimada em movimento. e a Terra como o macrocosmo do corpo humano. 1993. Segundo Sheldrake (1993) na medida em que a idéia de que a natureza . Crispin Tickell revela fatos curiosos sobre as relações entre humanidade. Giordano Bruno foi queimado na fogueira. Leonardo da Vinci viu o corpo humano como o microcosmo da Terra.62 racional própria”. e Deus. Para o autor: Esse processo foi levado às últimas conseqüências no século XVII. 53 e 54). nos três últimos séculos observou-se que um número cada vez maior de pessoas cultas passou a pensar a natureza como isenta de vida. que. parasitas. Segundo Sheldrake (1993) a essência do pensamento grego foi herdada por nossos antepassados medievais. Huxley a percebeu da mesma forma em 1877. Em 1785 o geólogo James Hutton viu a Terra como um sistema auto-regulador e T. intelectualmente na atividade da mente do mundo. porém ele não sabia que o corpo humano é um macrocosmo dos elementos minúsculos de vida – bactérias. por sua vez. negou-se à natureza os tradicionais atributos da vida. por sustentar que a terra estava viva. mais de quatrocentos anos atrás. 87) “na revolução científica do século XVII. Segundo o autor. a capacidade para o movimento espontâneo e a auto-organização. porém. A natureza deixou de ser reconhecida como mãe. e deixou de ser considerada viva. p. muitas vezes em guerra entre si. p. e que outros planetas também podiam estar. No prefácio do recente livro de James Lovelock. Para Sheldrake (1993.H. o engenheiro todo-poderoso. Tornou-se a máquina do mundo. criada por Deus e mecanicamente obediente às suas leis eternas. doutrina central da ciência ortodoxa baseada na teoria mecanicista da natureza. apesar disso. vírus –. (COLLINGWOOD CITADO POR SHELDRAKE. Para os gregos “cada planta ou animal participava psiquicamente do processo de vida da alma do mundo. ciência e meio ambiente.

torna-se cada vez mais difícil justificar a negação da vida da natureza. do qual se origina a crença da possibilidade do desenvolvimento e do crescimento contínuo. passou a ser considerada como a fonte de todas as coisas. p. À medida que esse processo vai ganhando impulso. a natureza está voltando à vida novamente no âmbito da teoria científica. 31). dela ainda constituir a . a própria ciência baseada na matriz de pensamento linear e os poderes que a controlam passaram a promover a substituição do significado de natureza viva. segundo o qual se acredita que “[. espontânea. Sheldrake (1993. Ainda segundo o autor. então por que continuar acreditando que tudo é mecânico e inanimado? Sheldrake (1993) considera que o que justifica a poderosa razão para o apego à visão mecanicista reside no fato de ela ser mais cômoda. toda a vida emerge dela. Desta forma. na medida em que a própria ciência se desenvolve e que a visão de mundo mecanicista está se tornando progressivamente ultrapassada. a ampliação dos efeitos indesejados percebidos no meio ambiente rapidamente contribuíram para revelar as insuficiências de um modelo de sociedade alicerçado na matriz de pensamento linear. sozinha. para o seu desaparecimento da visão científica do mundo. gerando a crença do materialismo moderno. Ao final deste período. ao longo de mais de trezentos anos. Sheldrake (1993) considera que a teoria mecanicista da natureza conquistou seu prestígio graças aos sucessos da ciência e da tecnologia. oriundo de diferentes culturas milenares. e para ela toda a vida retorna” (SHELDRAKE. 82) efetua o seguinte questionamento: [. por volta do final do século XVIII... a natureza. Para o autor. com o subseqüente crescimento do ateísmo.] se o cosmos assemelha-se mais a um organismo em desenvolvimento do que a uma máquina deixando de funcionar. se a natureza é orgânica. criativa. p.. se os próprios organismos são mais semelhantes a organismos do que a máquinas. 1993. fato que contribuiu. por novos conceitos onde a natureza passou a ser entendida de forma mecânica apenas como matéria disponível para o atendimento das necessidades criadas pelos seres humanos. Com base em suas reflexões. Deus foi automaticamente se tornando cada vez mais supérfluo.] a natureza (ou matéria) é a fonte de todas as coisas.63 funcionava de forma mecânica. marcado pelo sucesso da construção e pela consolidação da matriz de pensamento linear..

que já eram de conhecimento de culturas milenares. Porém o autor alerta para o fato que ela pode não continuar sendo a mais cômoda por muito tempo: Decisões públicas estão reflorescendo. a mais forte das razões para se negar a vida da natureza esteja no fato de que admiti-la é algo que leva a conseqüências esmagadoras. a visão da natureza como algo a ser conquistado está perdendo o seu encanto. as velhas certezas políticas e econômicas estão se desfazendo e se dissipando. e o clima está mudando. p. Dúvidas a respeito da abordagem mecanicista da agricultura e da medicina estão aumentando. a cientista e escritora expôs pela primeira vez para a opinião pública os efeitos nocivos do uso indiscriminado de pesticidas e agrotóxicos sintéticos no ambiente natural. 1993. podem. alertando as sociedades globais para os riscos da contaminação química. uma pequena parte da ciência passou a se dedicar em restabelecer a sua compreensão sobre os efeitos complexos da atividade humana sobre o ambiente natural e sobre ela mesma. o livro “Primavera Silenciosa”. Dumanoski e Myers (2002) como a obra que incentivou o início do movimento ambientalista durante o pós-guerra. p. 83). que em 2007 comemorou 45 anos e que é considerada por Colborn. passaram a ser redescobertos e comprovados de . Para o autor: Experiências pessoais intuitivas de natureza não podem mais ser mantidas no comportamento selado da vida privada. tanto literal como metaforicamente (SHELDRAKE. Nesta mesma década. Muitos dos componentes envolvidos na relação ser humano e natureza. Sheldrake (1993) chega a considerar que talvez. conter revelações da própria natureza viva. os impactos percebidos no meio ambiente apresentaram evidências sobre as insuficiências da matriz de pensamento linear e sobre as atividades danosas promovidas pela sociedade global. os efeitos negativos produzidos pelas indústrias e pela ciência dominada pelos interesses econômicos passaram a ser percebidos com mais intensidade pela sociedade depois que Rachel Carson publicou. Nada menos que uma revolução está se aproximando (SHELDRAKE. Neste período. A partir da década de 1960. em 1962. 1993. e descartadas como meramente subjetivas. animistas e religiosas não podem mais ser mantidas em xeque. Em sua obra. Maneiras de pensar míticas. 83). na verdade.64 ortodoxia da civilização industrial. pois. assim como de fato parecem contê-las no momento em que são vivenciadas.

34). eles a consideraram desnecessária como explicação dos fatos da vida e da Terra. o reconhecimento pela ciência de que o planeta Terra é vivo. Sheldrake (1993. De acordo com Lovelock (2006. não a vida ou a biosfera sozinha”. Os únicos cientistas a receberem bem a idéia foram uns poucos metereologistas e climatologistas. Alguns biólogos logo desafiaram a hipótese. 33): Desde o seu início. na década de 1960. bem como 78 por cento de nitrogênio e 21 por cento de oxigênio. Lovelock compreendeu que se os gases que constituem a atmosfera da terra estivessem em equilíbrio químico. biológicos e humanos” (LOVELOCK. Lovelock começou a formular suas idéias quando pensava a respeito da maneira de detectar vida em Marte. p. foi ao retornar à discussão com os Darwinistas que em 1981 ele percebeu que.. 35). foi em 1972 que James Lovelock apresentou para a comunidade científica as suas idéias sobre um Planeta vivo. p. já que a unidade de seleção era o organismo.] Gaia era o sistema inteiro – a união de organismos e meio ambiente material –. segundo o próprio Lovelock (2006). essa composição poderia ter surgido somente graças às atividades dos organismos vivos e somente poderia ser mantida graças à sua contínua atividade. Na melhor das hipóteses. não a biosfera. argumentando que um biosfera auto-reguladora jamais poderia ter se desenvolvido. e era este sistema terrestre imenso que desenvolvia a autoregulação. Nesta conferência. Segundo Lovelock (2006. durante a realização de uma conferência em Amsterdã. “[. como ocorre nas atmosferas de Marte e de Vênus. De acordo com Tickell. na pior. Durante o desenvolvimento de suas pesquisas.03 por cento de dióxido de carbono.. p. idéia que pareceu inaceitável para muitos adeptos do pensamento convencional. veio somente mais tarde em 2001.65 forma científica por diferentes pesquisadores ao redor do globo. 2006. Em vez disso. a idéia de auto-regulação global do clima e da química foi impopular entre os cientistas da Terra e os cientistas da vida. mais de mil delegados assinaram uma declaração que teve como sua primeira afirmação importante: “O sistema Terra se comporta como um sistema único e auto-regulador composto de componentes físicos. químicos. p. Segundo o autor. Porém. em que estavam representadas quatro grandes organizações voltadas para a mudança global. ela contém apenas 0. 157) menciona que o proponente da hipótese de Gaia é a de que a Terra é um organismo vivo auto-regulador. condenaram-na imediatamente nos termos mais desdenhosos. 20 . Para o pesquisador. por meio da apresentação de sua hipótese denominada “Teoria de Gaia” 20 . nossa atmosfera deveria apresentar cerca de 99 por cento de dióxido de carbono.

p. em que a vida e seu ambiente físico evoluem como uma entidade única. amplamente difundido. De acordo com Lovelock (2006. esse tipo de omissão permite que os cientistas se declarem partidários da Teoria de Gaia ao mesmo tempo em que continuam a elaborar suas pesquisas de forma isolada como antes. aceita. a Teoria de Gaia. não somos nem os proprietários nem os administradores deste planeta. p. Lovelock (2006) menciona que muitos dos seus membros ainda agem como se o planeta fosse uma enorme propriedade pública possuída e compartilhada. ainda que parcialmente. p. 161). assim “como todas as teorias novas. se limitando à visão dos séculos XIX e XX da Terra ensinada na escola e na Universidade. Para Sheldrake (1993) não se pode disfarçar o fato de que a hipótese de Gaia envolve uma mudança radical de pontos de vista centrados no humanismo: Em Gaia. indubitavelmente. porque teve de .] a evolução dos organismos ocorre de acordo com a visão de Darwin.. Para o autor ”o seu apelo. razão pela qual ela é tão controversa”. de um planeta constituído de rocha inerte e morta. 44). depende da maneira pela qual ela volta a nos conectar com padrões de pensamento pré-mecanicistas e pré-humanistas”.66 Apesar do reconhecimento da comunidade científica. Para Lovelock (2006). e a evolução do mundo material das rochas. Nosso futuro depende muito mais de um relacionamento correto com Gaia do que com o drama infindável dos interesses humanos (LOVELOCK CITADO POR SHELDRAKE. 19). Sheldrake (1993. levou décadas até ser. com vida abundante a bordo. somos apenas uma outra espécie.. um dos passos mais importantes em direção a um novo animismo. muitos ainda acreditam que “[. estas duas evoluções que eram tratadas de forma distintas. p. 1993. Para o autor na proposta da teoria de Gaia. as divisões territoriais e dúvidas persistentes impedem que os cientistas que assinaram a declaração enunciem a meta da Terra auto-reguladora. fazem parte de uma só história da Terra. de acordo com a geologia dos livros didáticos”. Para Lovelock (2006. O autor considera que apesar da Declaração de Amsterdã ter representado um passo importante rumo à adoção da teoria de Gaia como modelo de trabalho para a Terra. Lovelock (2006) apresenta novas evidências sobre a força da matriz do pensamento linear. 160 e 161) acredita que “a hipótese Gaia é. ar e oceano.

represente uma das experiências mais significativas e compartilhadas por uma boa parcela da humanidade. porém lamenta que devido ao tempo decorrido para a coleta de dados.. é fortemente influenciada por duas percepções caracteristicamente modernas: a visão obtida da Terra a partir do espaço. 153). O autor considera que a compreensão contemporânea emergente da Terra como viva.67 aguardar por dados para confirmá-la ou negá-la”. Além do reconhecimento das formas e cores. pelos astronautas que integravam o missão Apollo 8. praticamente toda a humanidade (e a maior parte dela ainda hoje) aceita como verdadeiro o fato de que a Terra é viva”. 131) “a Terra nunca havia sido vista como um todo até que os astronautas a observassem para nós de fora”. esta imagem contribuiu para revelar o sentimento que os astronautas tiveram quando consideraram a terra como o seu lar: . que a descoberta de que a regulação estava falhando e de que sistema da Terra rapidamente se aproxima do estado crítico em que a vida corre perigo tenha vindo tarde demais. Para Sheldrake (1993. Para o autor é sabido agora que a Terra de fato se regula. segundo Lovelock (2006. Para Lovelock (2006. p.] vimos algo bem diferente de nossa expectativa de uma mera bola de rocha de tamanho planetário existindo dentro de uma camada fina de ar e água”. tal como foi observada pelos astronautas e pelos cosmonautas. p. 131) “[. Uma destas visões da Terra obtidas por astronautas a partir do espaço e que contribuiu para reavivar e reforçar o significado da Terra como um planeta vivo foi obtida em 24 de dezembro de 1968. p. Esta visão contribuiu de forma significativa para a materialização do planeta “vivo”. embora arraigada em velhos padrões de pensamento mítico. Talvez a imagem da Terra vista do espaço pelos astronautas. Neste momento.. “ao longo de toda a história. e a compreensão de que nossas atividades econômicas estão mudando o clima global. muito diferente da visão tradicional e limitada até então aprendida nos bancos escolares.

a vida se torna mais tolerável ante a perspectiva de saírem a campo... 70) acredita que “retornar à natureza é uma imagem que evoca a sensação de voltar para casa. Sheldrake (1993. p. Há algo a ser encontrado “na natureza”. Nas noites de sexta-feira.. em fins de semana.] contrastamos hoje a paz dos primeiros tempos com os conflitos que vivenciamos. ou de se religar a fonte da vida”. porém “[.. 27 e 28) faz considerações interessantes que retratam o sentimento de natureza tal como ele é muitas vezes percebido pela sociedade contemporânea: [.. ou de lá permanecerem durante todo o período de férias. Para milhões de habitantes das cidades modernas. de se retirarem para ambientes rurais. as estradas que saem das grandes cidades do mundo ocidental ficam intransitáveis..] somos os herdeiros de uma cultura e de um modo de vida que enfatiza a nossa .] poucas pessoas querem retornar à natureza por muito tempo”. de que muitos de nós sentem necessidade. p.68 Figura 1 – Foto do Planeta Terra – Missão Apollo 8 Fonte: Lunar and Planetary Institute (2008) Sheldrake (1993. nas sociedades “primitivas” reconhecemos um modo de vida harmonioso que perdemos – e que até mesmo essas sociedades estão perdendo rapidamente sob a influência da nossa civilização. uma vez que todos ”[.

Para Branco (2005. “a natureza tem vários significados e inspira diferentes tentativas de retorno”. a pestilência. o barbarismo. p. E. a fome extrema. Os animais dependem da fotossíntese das plantas para ter atendidas as suas necessidades energéticas. animais e microorganismos.. Todos os antigos medos ainda estão nos bastidores para nos assombrar: o colapso da civilização. e em particular. da vida humana”. Branco (2005. quando considera que “o ser vivo não é mais um ser independente e de comportamento livre: ele é.69 separação”. Neste contexto em que o sujeito tenta se reaproximar do que foi por muito tempo considerado como apenas um objeto de estudo e não como algo essencial para a perpetuação da sua própria vida e das gerações futuras.9). “o meio ambiente diz respeito. 104) reforça a visão mecanicista do mundo ao mesmo tempo de que apresenta evidências da existência do princípio hologramático proposto pela teoria da complexidade. p. das forças que fazem surgir nossos medos mais básicos. 70): Somos os senhores da criação. Para o autor o ambiente adquire uma nova dimensão onde não é mais possível dissociar os organismos das circunstâncias que o cercam. vegetais. p.] “ele é parte integrante do ambiente” que “não é mais um meio circundante”. p 70). . bem como do nitrogênio fixado pelas bactérias em suas raízes. Para Sheldrake (1993. Para Sheldrake (1993. Nossos sistemas políticos e econômicos ajudam a nos separar dos poderes destrutivos da natureza e da natureza humana. regulam toda a biosfera e mantém as condições propícias à preservação da vida. à prevenção contra a extinção da vida em geral. uma peça de uma máquina complicada. dessa forma. Talvez uma das formas de estabelecer este retorno passe pela compreensão da importância do ambiente natural para a manutenção da vida. os conquistadores da natureza. objetivamente. Para Capra (2005. há de se imaginar as dificuldades encontradas para o restabelecimento da ligação entre ser humano e natureza. da constante ameaça do caos. Várias teorias e atitudes habituais reforçam e estendem esse distanciamento primário. quanto maior for o senso de separação da natureza. especialmente os hábitos de desprendimento científico. Em suas considerações. p. 23): Não existe nenhum organismo individual que viva em isolamento. que não existe se não estiver associado às demais peças” [. as plantas dependem do dióxido de carbono produzido pelos animais. e todos juntos. antes.. maior será a necessidade de retornar.

em sua totalidade: [. p. em graus diversos. pensar o meio ambiente sem incluir o ser humano ou sem envolver aspectos econômicos. 46 e 47) Para Sheldrake (1993.] desde que o fogo foi subjugado pela primeira vez. as questões ambientais exigem uma abordagem a partir da racionalidade e do comportamento da sociedade quanto à forma como o conjunto de indivíduos que a compõe estabelece as suas relações com o ambiente natural do qual é apenas uma parte integrante.2. desde que as primeiras ferramentas foram fabricadas.. 1993. o domínio do homem sobre a natureza. (SHELDRAKE. 47) “o que o mundo moderno tem de único não é o fato do poder humano em si mesmo. na história humana. uma posição diferenciada frente as diferentes formas de vida que integradas. políticos. O Meio Ambiente e a Sociedade Contemporânea Com o passar dos séculos e graças às suas capacidades de organização. a exemplo de inúmeras iniciativas já desenvolvidas. culturais e espaciais. Para Sheldrake (1993) as diferentes culturas apenas se diferem quanto à intensidade de seu impulso de domínio e quanto ao sentido de afinidade que as mantêm em equilíbrio com o mundo natural. “as justificativas filosóficas. De acordo com o autor. constituem o ambiente natural.70 Logo.3. desde que os primeiros animais foram domesticados e as primeiras plantas cultivadas.envolveu. os seres humanos passaram a assumir de forma gradual.. mas sim o enorme aumento do poder humano”. Com o processo de crescimento de ampliação de suas populações. e desde que as primeiras cidades foram construídas . Por se tratarem de questões complexas. 2. sociais. contribui apenas para antecipar a crise sócio-econômica-ambiental já anunciada. De acordo com o autor. os seres humanos passaram a estabelecer e a ampliar o seu poder de controle sobre o ambiente ocupado. desde que os metais começaram a ser usados. teológicas e mitológicas para o poder humano sobre o . nem o sentido de que a humanidade é alguma coisa sem paralelo. criação e inovação. p. pode-se concluir que refletir sobre as questões que envolvem a relação natureza e ser humano de forma unilateral. ou seja.

.] “elas são encontradas por toda parte”.. . Este padrão para a produção científica gerou reflexos diretos na formação do arquétipo mental e consequentemente nos comportamentos apresentados pela sociedade contemporânea. Segundo o autor: Até mesmo o imaginário heróico da conquista da natureza pelo homem. p. no deus Egípcio Hórus vencendo o hipopótamo: no triunfo de Perseu sobre a Górgona. o que era único foi separado. p. Este processo de disjunção. os fenômenos sociais passaram a ser estudados pelas ciências humanas. Com o estabelecimento das especializações científicas. limitando as pesquisas e a compreensão dos fenômenos observados às fronteiras préestabelecidas para o desenvolvimento do conhecimento científico. O arquétipo do herói conquistando a natureza selvagem aparece no mito babilônico de Marduk triunfando sobre Tiamat. inviabilizou a comunicação entre as diferentes disciplinas. 1993. foi também responsável por negar oportunidades aos representantes das ciências humanas quanto a uma melhor compreensão das relações existentes entre sociedade e natureza. tem precedentes antigos. tão importante moderna ideologia do progresso. o monstro das profundezas. que por um lado é considerado importante para o aprofundamento de conhecimentos científicos específicos. Da mesma forma. e no São Jorge sobre o dragão. Pela lógica da disjunção aplicada pela ciência para a produção de novos conhecimentos. 47) Nos séculos que marcaram o surgimento da ciência das especializações. (SHELDRAKE. Ao mesmo tempo em que a tornou detentora de inúmeros e importantes conhecimentos. sendo. os fenômenos relacionados ao ambiente natural passaram a ser estudados pelos representantes das ciências naturais enquanto que. as relações entre sociedade e meio ambiente passaram a ser tratadas de forma dissociada pelo poderes controladores da produção científica.. no de Apolo sobre Píton.. 1993. 47). portanto consideradas como “[. situação que nos dias atuais é responsável pelos reflexos percebidos na forma de produção científica.71 mundo natural não constituem uma característica exclusiva da civilização moderna” [. limitou os representantes das ciências naturais em termos da promoção de reflexões mais amplas sobre as relações existentes entre natureza e sociedade.] concepções antropocêntricas da relação entre homem e natureza” (SHELDRAKE.

72 impedindo que o conjunto da sociedade adquiri-se uma maior compreensão sobre os fenômenos observados. Logo se faz necessário estabelecer um olhar diferente. Em seu estudo o autor demonstra que as diversas ações adotadas para a construção e o estabelecimento do imaginário esconderam outras realidades decorrentes do processo de crescimento urbano acelerado como o aumento da violência. assumir uma posição pró-ativa e crítica na . o qual “[.. como mencionado anteriormente por Morin (2006. com algo que estava próximo e que com o tempo se tornou distante.] ter metapontos de vista sobre nossa sociedade”. Capital Social”. em seu trabalho que trata sobre políticas públicas voltadas para o cidadão como ator principal da esfera pública. Um exemplo que comprova a disjunção ocorrida entre ser humano e natureza e que se apresenta como uma tentativa artificial de promover a reaproximação das massas com o ambiente natural envolve a construção do imaginário “Curitiba. Este exemplo demonstra com clareza a noção de disjunção presente em políticas públicas fundamentadas na racionalidade instrumental. 76). p. Situações como o exemplo da capital ecológica.. situação que demarca com clareza o momento em que a proposta original passou a receber críticas em relação ao nível de atenção dispensada para as questões sociais.. Capital Ecológica” descrito por Souza-Lima (2006). nos remetem a refletir sobre as formas superficiais com as quais a sociedade contemporânea tenta restabelecer suas relações com o meio ambiente. uma vez que priorizou ações relacionadas ao marketing ecológico em detrimento de ações voltadas para a promoção do desenvolvimento do ser humano. se faz necessário. “[. Para compreender as situações geradas pela nossa sociedade no contexto atual e futuro.. Trata-se de uma evidência da predominância do pensamento linear na esfera pública. podem ser comprovadas quando da decisão política da criação de um novo imaginário “Curitiba. Tais insuficiências do imaginário original. assunto tratado por Socher (2008).] só é possível se o observador-conceptor se integrar na observação e na concepção”. apontadas pelo autor. amplamente divulgada pelo mundo afora como modelo de preservação ambiental. o crescimento das favelas e a ampliação da poluição.

o mundo vivo é concebido à imagem de uma economia capitalista e as características individualistas. Trata-se de um exercício que exige reflexão e desapego em relação às regras vigentes na sociedade que impõe o modo de vida coletivo contemporâneo.73 busca do estabelecimento de um profundo envolvimento com a sociedade da qual fazemos parte e da qual emanam os inúmeros efeitos indesejáveis oriundos de nossas próprias ações e comportamentos. Para Sheldrake (1993) apesar da abordagem mecanicista ter propiciado progressos tecnológicos e industriais. boa parte dos indivíduos que integram nossa sociedade é desprovida do tempo e das condições necessárias para repensar o seu papel junto à sociedade que integram. como forma de representar o momento e as circunstâncias geradoras das mudanças responsáveis pela ampliação das crises sócio-ambientais percebidas na contemporaneidade. segundo o autor. aceitas como verdadeiras pelas teorias econômicas da livre empresa. e todas as pessoas são influenciadas por eles. sobre a forma como a sociedade a qual pertencem estabelece suas relações com o ambiente natural. ao assumir novas posições em termos de produção e de consumo. e de ter oferecido melhores recursos para combater doenças. onde mudanças ou rupturas se revelam cada vez mais capazes de definir ou inaugurar o surgimento de novo período para a sociedade. são então projetadas sobre os genes. Para o autor. Para compreender um pouco melhor a sociedade na qual estamos inseridos se faz necessário estabelecer algumas reflexões sobre diferentes períodos. as economias modernas são construídas sobre alicerces mecanicistas. Trata-se de um exercício de enxergar e construir uma realidade diferente. responsáveis por manter os seres humanos presos aos padrões estabelecidos pela vida em sociedade. Várias são as tentativas entre os pesquisadores de fronteira para tentar definir este momento de transição. . ela também forneceu armas para um poder inimaginável. Neste contexto. Estes limites determinados pela lógica do pensamento mecanicista. na qual cada indivíduo. os impedem de planejar e refletir sobre suas ações e sobre a sociedade que desejam. egoístas e competitivas do homem. passa a ser mais responsável pelas ações e comportamentos que desempenha na sociedade. e consequentemente. Infelizmente.

Ao exterminar os animais dos quais dependiam.74 Desde os tempos mais remotos. o autor considera que aos olhos daqueles para quem a riqueza significa ter objetos em abundância. De acordo com Sheldrake (1993) embora pareça que as sociedades paleolíticas de caçadores-coletores tenham vivido em maior harmonia com a natureza do que as sociedades agrícola e industrial. esses caçadores-coletores condenaram à extinção seu próprio modo de vida. pela mesma razão. é porque ambas aumentaram os poderes dos humanos sem ampliar sua liberdade. a passagem da caça-coleta para a agricultura é vista com freqüência. Para Sahlins citado por Gray (2005. Ciochon. Olsen e James citados por Sheldrake (1993) mencionam que no sudeste da Ásia o Homo erectus pode ter caçado certas espécies de primatas até a extinção. Segundo alguns pesquisadores. O autor justifica as suas considerações ao mencionar que os caçadores-coletores normalmente têm o suficiente para suas necessidades. e provocado mudanças definitivas nos habitats e nas populações de espécies como o orangotango e o panda. p. como uma mudança comparável à revolução industrial dos tempos modernos. 171) isto se deve ao fato de que “estamos inclinados a pensar os caçadores-coletores como pobres por que não possuem nada. Gray (2005. Como exemplo. talvez seja melhor pensá-los. O autor considera que quando este fato é visto dessa maneira. como livres”. as primeiras mudanças provocadas por diversos tipos de sociedades no ambiente ocupado teriam provocado o seu rito de passagem da sociedade primitiva para a sociedade agrícola. Para Gray (2005). elas também forjaram mudanças importantes em seu meio ambiente. logo não têm que trabalhar para acumular mais. p. as diferentes sociedades promoveram alterações no ambiente ocupado. p. 170): Só depois de extinguir os moas e devastar a população de focas da Nova Zelândia os primeiros colonos polinésios passaram a usar métodos mais intensivos de produção de alimentos. 171) estabelece uma comparação interessante entre o modo de vida das sociedades primitivas com as sociedades agrícolas: . a vida destes indivíduos se assemelha a pobreza. Por este motivo. Esta constatação pode ser percebida no exemplo de Gray (2005.

nestas regiões se concentram a maior parte da população pobre do planeta. Segundo o autor. "são os agricultores. Evidências destas constatações podem ser verificadas em um recente estudo elaborado por Chomitz (2007). colonizar novas terras (. em sua maioria indígenas que habitam as áreas remotas das florestas. com seu compromisso com terras específicas e grande número de filhos. Mas sua vida não requer mudanças contínuas para novo território.) Como um sistema. em diferentes épocas e em diferentes locais do mundo. O autor acredita que: A passagem para a agricultura não teve uma razão única. compele os agricultores a expandir a terra que trabalham. e outras 735 milhões de pessoas. Com base neste domínio orientado por interesses de natureza econômica. que são forçados a constantemente se mudar. que trata sobre a pressão sofrida pelas florestas tropicais e bosques de savana ao redor do mundo. Assim. Para Gray (2005) as populações de caçadores-coletores que passaram para o cultivo das terras aumentaram mais em relação a populações que mantiveram os hábitos tradicionais de subsistência.. A agricultura tornou-se indispensável por causa da população maior possibilitada por ela. p. criou-se as condições necessárias para que a população mundial crescesse de forma exponencial. a humanidade passou a desenvolver e ampliar de forma crescente. Como escreve Hugh Brody. A agricultura multiplica o número de humanos. onde quer que tenha ocorrido.75 Caçadores-coletores têm alta mobilidade. a qual é composta por aproximadamente 70 milhões de pessoas. . é a agricultura. Mas.. que gera o 'nomadismo'. 172 e 173) A partir do estabelecimento das sociedades agrícola e industrial. (GRAY. Sua sobrevivência depende de conhecer o meio local em seus mínimos detalhes. 2005. savanas e arredores. o seu controle sobre a natureza para possibilitar o aumento da produção e de consumo de produtos. reassentar. não a caça. e ao longo do tempo. foi tanto um efeito quanto uma causa do crescimento da população humana. que compõe a população rural que habita as áreas de florestas. fato que garantiu a expansão das suas atividades e consequentemente determinou a ampliação da exploração dos recursos naturais e os impactos observados sobre o ambiente ocupado. A agricultura e a busca de novas terras vão juntas.

Embora a floresta seja esparsa. A seqüência de imagens apresentada a seguir. poucos habitantes (predominantemente indígenas) e onde há certa pressão sobre os recursos madeireiros.76 Face aos diferentes tipos de pressões sofridos por estas áreas. pastos e plantações nas áreas de florestas naturais nos próximos 30 ou 50 anos. as florestas também sofrem pressões de madeireiros. Ainda segundo o autor. uma vez que a população pobre necessita de lenha e a população rica necessita de madeira. deve ser mantida ou ampliada com a manutenção da previsão de expansão de terras cultiváveis. onde a propriedade de terras é geralmente melhor definida. Marrom Amarela Verde Fonte: Adaptado de Chomitz (2007) . De acordo com Chomitz (2007). Nelas a gestão florestal natural geralmente não pode competir (da perspectiva do proprietário da terra) com a agricultura ou silvicultura de plantação. esta expansão é justificada tanto pela pobreza quanto pela riqueza. em especial sobre os biomas das florestas tropicais e savanas. situação que segundo o autor. onde as pressões para desmatamento e degradação são altas ou crescentes. enquanto que. as cores aplicadas nestas imagens possuem os seguintes significados: Quadro 1 – Legenda dos Mapas de Exploração das Florestas Cor Significado Representa as terras de mosaico de floresta e agricultura. as taxas de desmatamento são altas. Representa as terras denominadas de áreas além da fronteira agrícola – onde existem muitas florestas. demonstra os reflexos das pressões exercidas pelo conjunto da sociedade sobre a natureza. e o controle é geralmente instável e em conflito. e a biodiversidade única é ameaçada. uma crescente população urbana cada vez mais rica. as densidades populacionais mais altas. Para o autor. necessita dos produtos produzidos nas margens das florestas. Chomitz (2007) afirma que as florestas tropicais encolhem 5% a cada década. uma vez que uma enorme população rural depende da agricultura de baixa produtividade para subsistência. Representa as áreas denominadas de fronteiriças e contestadas. e os mercados mais próximos.

77 Figura 2 – Mapa de Domínios das Florestas Tropicais da África Fonte: Chomitz (2007) Figura 3 – Mapa de Domínios das Florestas Tropicais da Ásia Fonte: Chomitz (2007) .

do aumento das populações mundiais e da ampliação do consumo. . urbana e industrial contribuem de forma crescente para ampliação do quadro de degradação do ambiente natural. extrapolando os seus limites de auto-recuperação. as sociedades agrícola.Mapa de Domínios das Florestas Tropicais da América Latina e do Caribe Fonte: Chomitz (2007) Com o advento da criação de novas tecnologias pelo ser humano. Para Colborn.78 Figura 4 .

transformaram a escala do impacto de localizado e regional para global.294. fato que contribuiu significativamente para o agravamento dos impactos ambientais até então registrados. em função da .000 Fonte: Adaptado de Organização das Nações Unidas (ONU) (2007) De 1970 a 2000.879.676.124. período em que as crises sócio-ambientais se intensificaram e passaram a ser discutidas em maior profundidade.451.79 Dumanoski e Myers (2002) o século XX é considerado um divisor de águas na relação entre o ser humano e a Terra.000 4. a população mundial quase dobrou.698. past and future publicado em 1972. De acordo com o autor. percebe-se que as discussões ocorridas em torno das questões sócio-ambientais ao longo das últimas décadas foram acompanhadas de uma explosão demográfica mundial. aliados ao número pessoas que vivem sobre o planeta.000 6. Quadro 2 – Crescimento da População Mundial (1970 a 2000) Ano 1970 1980 1990 2000 População 3. fato que contribuiu para o agravamento da crise sócio-ambiental já percebida e agora consolidada pelo fenômeno do aquecimento global. onde os poderes combinados da ciência e da tecnologia. De acordo com dados fornecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) (2007) e apresentados no quadro 2. Lovelock (2006) menciona que o aquecimento global foi ligeiramente discutido por vários autores em meados do século XX. autor do livro Climate: Present.123. observou-se a ampliação da exploração dos recursos naturais em escala mundial para o atendimento das novas demandas de consumo. e que mesmo o grande climatologista Hubert Lamb. dedicou apenas uma única página ao efeito estufa em uma obra de seiscentas páginas. o tema só se tornou público por volta de 1988.470.000 5. Com este significativo incremento populacional.

Apesar dos conhecimentos limitados então disponíveis. 56) . de 1989. e que ilustram as idéias dos cientistas do clima em uma conferência realizada em 1987. Com relação ao aquecimento global. de tão extremo. Global warming. onde a linha pontilhada superior representa um cenário que julgavam ser quase de ficção científica.80 maior parte dos cientistas da atmosfera estar absorvida pela intrigante ciência da redução do ozônio estratosférico. os cientistas fizeram o possível para prever o clima futuro e apresentar os seus palpites na forma de linhas pontilhadas em um gráfico. Lovelock (2006) acrescentou uma cruz como forma de destacar a situação atual mencionando ao lado a expressão “onde estamos agora”. A título de ilustração. retratadas no livro de Stephen Schneider. conforme demonstrado na figura 5: Figura 5 – Projeção do Aumento de Temperatura na Terra Fonte: Lovelock (2006. p. Lovelock (2006) apresenta um fato revelador ao rememorar as previsões de clima realizadas no final da década de 1980.

os cientistas apresentaram. Nível do Mar e Cobertura de Neve no Hemisfério Norte Fonte: Intergovernmental Panel on Climate Change (2007) . uma previsão para aumento do nível do mar e para a redução da cobertura de neve na região.81 Dados do Intergovernmental Panel on Climate Change (2007). confirmaram a manutenção da projeção de aumento da temperatura no globo terrestre. conforme demonstrado na figura 6: Figura 6 – Temperatura. a ciência tradicional finalmente confirmou o que já estava sendo percebido e anunciado nas últimas décadas por ambientalistas e especialistas do ambiente natural: a projeção de manutenção do incremento das temperaturas para os próximos anos. Com base nos dados históricos sobre a mudança do clima no hemisfério norte. além das evidências do aumento da temperatura. Por meio dos dados coletados.

de água doce e marinha). Figura 7 – Evolução do Índice Planeta Vivo Fonte: World Wildlife Fund (WWF) (2007) De acordo com o World Wildlife Fund (WWF) (2007). Com base em índices específicos obtidos pelo controle das populações de espécies selvagens (terrestres. Percebe-se na figura 7 que.300 espécies vertebradas de todo o mundo. caracterizando assim mais uma evidência da deterioração dos ecossistemas naturais sem precedentes na história da humanidade. um único índice é gerado visando representar o nível de saúde destes diferentes ecossistemas. ambos elaborados pelo World Wildlife Fund (WWF) (2007). no mesmo período em que as primeiras discussões mundiais ocorreram e que houve também um sensível incremento de população mundial. O índice “Planeta Vivo”21 retrata a saúde de diferentes ecossistemas. o Índice Planeta Vivo é um indicador do estado da biodiversidade do mundo.600 populações com mais de 1. medindo as tendências no âmbito da diversidade biológica do planeta Terra. o índice Planeta Vivo registrou um decréscimo de 30%. É calculado como a média de três índices distintos que medem as tendências em populações de 695 espécies terrestres. as evidências dos impactos ambientais gerados pelo expressivo crescimento populacional e pela ampliação da utilização dos recursos naturais também podem ser observadas nos números apontados pelos índices “Planeta Vivo” e “Pegada Ecológica”. 344 espécies de água doce e 274 espécies marinhas. 21 . com base em tendências apresentadas desde 1970 até 2003. no âmbito de mais de 3.82 Além dos dados fornecidos pelos cientistas que integram o Intergovernmental Panel on Climate Change (2007).

demonstradas no quadro 3. Este índice considera a relação existente entre a população mundial e as áreas biologicamente produtivas utilizadas para o atendimento das necessidades humanas. a população 22 De acordo com o World Wildlife Fund (WWF) (2007) o índice “Pegada Ecológica” mede a quantidade de terra biologicamente produtiva e a área de água necessárias para produzir os recursos que um indivíduo. uma população ou uma atividade consome e para absorver o resíduo que geram. aponta para a incapacidade do planeta Terra em atender a demanda gerada pelo aumento da população em relação a sua capacidade de renovação dos recursos naturais e absorção dos resíduos gerados pelas atividades desenvolvidas pelas diferentes sociedades humanas. Em seu registro histórico. denominado “Pegada Ecológica”22. Figura 8 – Evolução do Índice Pegada Ecológica Fonte: World Wildlife Fund (WWF) (2007) Projeções realizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) (2007). a humanidade excedeu a capacidade natural do planeta Terra de repor os recursos naturais necessários para a sobrevivência dos seres vivos e de incorporar os resíduos gerados (ver figura 8). . percebe-se que na transição ocorrida entre os anos 1980 e 1990. apontam para a repetição do fenômeno do crescimento populacional ao longo das próximas quatro décadas. fornecendo tecnologia dominante e gestão de recursos.83 O outro índice. Dentro deste período.

Outro estudo recente que demonstra os sérios impactos gerados pela sociedade global no ambiente natural. Percebe-se que a progressão exponencial do crescimento populacional.090.707. entre outros. ampliação das disputas territoriais para o domínio e controle dos recursos naturais.191. elaborado pelo National Center for Ecological Analisys and Synthesis (2008) da Universidade da Califórnia.667.000 Fonte: Adaptado de Organização das Nações Unidas (ONU) (2007) Esta estimativa em relação ao provável crescimento desenfreado das populações mundiais representa um grande risco para muitas gerações periféricas do presente que já não dispõem de recursos mínimos para a sua sobrevivência e também inclui as gerações futuras daquelas que hoje usufruem dos recursos naturais sem consciência.906.000 7.000 9. tende a reforçar algumas abordagens que acentuam a crença de que a humanidade está sendo conduzida para uma sucessão de crises mundiais das mais variadas naturezas: catástrofes naturais.000 8. fato que certamente contribuirá para o agravamento da crise sócio-ambiental e para a escassez dos recursos naturais.287. Este estudo revela o estado crítico em que se encontram os oceanos em função do incremento das atividades humanas: . ampliação da fome. destruição dos recursos naturais com perda definitiva da biodiversidade.317.558.546. trata sobre o impacto das atividades humanas nos ambientes marinhos. da miséria e da violência.84 mundial provavelmente triplicará o seu contingente em relação aos números observados no início da década de 1970.000 8. Quadro 3 – Projeção da População Mundial (2010 a 2050) Ano 2010 2020 2030 2040 2050 População 6. associada aos conceitos de crescimento vigentes nas sociedades agrícola e industrial alicerçados unicamente em um sistema econômico centrado em processos exploratórios.823.

Na imagem elaborada pelo Defense Meteorological Satellite Program (2007). Por meio desta imagem é possível perceber o sucesso da expansão da população humana e do processo de ocupação no planeta Terra. Em razão deste sucesso. no presente permitem acompanhar o processo de franca expansão das atividades humanas. como as hidroelétricas. a partir de diversas fotos de satélite agrupadas. a exemplo do petróleo. as usinas termoelétricas e as usinas atômicas. determinou o aumento do consumo de recursos não-renováveis. além da necessidade de criação crescente de alternativas energéticas capazes de atender as novas demandas. fato que representou a necessidade da ampliação das atividades industriais e consequentemente. é possível perceber os pontos onde se concentram a maior parte das populações mundiais e as principais atividades econômicas desenvolvidas no planeta. .85 Figura 9 – Impacto Humano nos Ambientes Marinhos Fonte: National Center for Ecological Analisys and Synthesis (2008) Os mesmos recursos tecnológicos que no passado possibilitaram aos astronautas revelarem a humanidade o seu sentimento pelo planeta Terra. diferentes ambientes naturais deram lugar a ambientes artificiais construídos pela sociedade moderna.

4. tudo indica que. a sociedade global estará inaugurando um novo período em sua relação com o meio ambiente. desenvolvida com mais ênfase nas últimas cinco décadas. que revelam que o ano de 2007 foi o segundo mais quente do século.2.86 Figura 10 – Luzes da Terra Fonte: Defense Meteorological Satellite Program (2007) Tais atividades contribuíram significativamente para a alteração das características originais do Planeta e para a alteração do clima em diferentes regiões do mundo. se mantida a atual forma de relação das diferentes sociedades mundiais com o ambiente natural. de acordo com os dados confirmados pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (2007) e recentemente reforçados pelos dados do Goddard Institute for Spaces Studies (2008). O Reconhecimento da Complexidade Ambiental Apesar das importantes evidências apresentadas neste estudo e do reconhecimento de instituições científicas sobre os efeitos nocivos resultantes das . Pelas diversas evidências apontadas ao longo deste estudo. perdendo apenas para o ano de 1998. 2. um período caracterizado pela ampliação dos riscos.

os entes e as coisas. ao pensar o ser como um ente. como formas de domínio e controle sobre o mundo. filosófica. científica e tecnológica do mundo. e sim de uma transformação da natureza induzida pelas concepções metafísica. Para o autor. Para Leff (2003). da ontologia e da epistemologia com as quais a civilização ocidental compreendeu o ser. onde o risco ecológico questiona o conhecimento do mundo. limite dos desequilíbrios ecológicos e das capacidades de sustentação da vida. p. Para aproximar os diferentes indivíduos da crise ambiental anunciada. p. da ciência e da razão tecnológica com as quais a natureza foi dominada e o mundo moderno foi economizado. sem questionar a possibilidade de deter a escala e desconstruir a economia para internalizar as condições de sustentabilidade . Leff (2003. 19) considera que: A problemática ambiental.87 atividades humanas desenvolvidas ao longo de vários séculos. é um questionamento do pensamento e do entendimento. mais que uma crise ecológica. 19) “as mudanças catastróficas na natureza ocorreram nas diversas fases de evolução geológica e ecológica do planeta”. ética. limite da pobreza e da desigualdade social. Para Leff (2006) não basta postular a estabilização da economia e da população em algum momento no próximo século. a crise ambiental representa uma crise do nosso tempo. Para o autor representa também a crise do pensamento ocidental: da “determinação metafísica” que. de forma que estas ações resultem em profundas transformações dos comportamentos da sociedade que integram. se faz necessário um número infindável de ações que permitam que estes possam refletir sobre as insuficiências de sua racionalidade. Para o autor esta crise se apresenta a nós como um limite no real que re-significa e re-orienta o curso da história: limite do crescimento econômico e populacional. os motivos geradores desta realidade ainda estão distantes de serem compreendidos pela maior parte dos indivíduos que integram a sociedade contemporânea em função dos limites impostos pela sua racionalidade dominante. abriu a via da racionalidade científica e instrumental que produziu a modernidade como uma ordem coisificada e fragmentada. Para Leff (2003. o que difere estas mudanças da crise ecológica atual é que pela primeira vez não se trata de uma mudança natural.

mas de mudança de estrutura e construção de uma nova racionalidade.88 ecológica. de acolher outras racionalidades. Segundo o autor. sem que o processo leve a seu colapso. de sentir. de abrir-se à alteridade e à alternativa. como também a idéia de manter a economia em um estado estacionário. capaz de orientar a construção da sustentabilidade a partir de um encontro de racionalidades. de imaginar. a inércia cumulativa da economia global alcançou uma escala que ultrapassa os limites de sustentabilidade do planeta. que se expande e globaliza. uma deseconomia global e generalizada. entre o fatalismo da morte entrópica e a esperança da vontade divina. (LEFF. que impõe um processo de racionalização que vai ocupando todas as esferas da vida social e da ordem Leff (2006) apresenta a necessidade de construção de uma nova racionalidade. mas sim nas vias de transição para uma economia em estado estacionário.] uma razão totalitária. Leff (2006) acredita que dentro da perspectiva atual. A desconstrução da racionalidade econômica seria tão quimérica como tentar transformar um avião supersônico em pleno vôo em um helicóptero capaz de aterrisar neste mundo antes de estatelar-se contra o tempo. 23 . fato que não oferece saídas à crise do sistema. uma vez que a racionalidade econômica – à diferença das sementes terminator – não tem inscritos em seu “código genético” os mecanismos de sua própria desativação. 231). Desta forma. p. Ao defender sua proposta a construção de uma racionalidade ambiental23. onde as externalidades do sistema geraram um estado de escassez absoluta. 2006. é impossível manter um crescimento econômico sustentado. de significar e de dar valor às coisas do mundo. e com isso ao da própria natureza.. a economia trata-se de: [.. de formas diferentes de pensar. Leff (2006) considera que o destino do desenvolvimento sustentável estaria lançado numa encruzilhada. A ecologização da economia não é um problema de adequação de ritmos e escalas. Mas não há sinais perceptíveis em parte alguma – depois de mais de trinta anos de ter-se apresentado os limites entrópicos do crescimento. que o autor denomina de racionalidade ambiental. Para o autor. O autor acredita que: O problema não está em definir as regras que devem normatizar o processo econômico. mais de vinte anos de políticas neoliberais e mais de 15 anos de uma busca de soluções através do paradigma emergente da economia ecológica – de que a racionalidade econômica contenha os mecanismos para poder desacelerar-se e alcançar um estado estacionário (em equilíbrio com a natureza). Leff (2006) afirma que a economia não mostrou ser uma disciplina capaz de delimitar seu campo de conhecimento.

à compreensão de suas causas. por sua própria “natureza”. p. se a segunda lei da termodinâmica é inescapável. na alienação e na incerteza do mundo economizado. p. antes de ficar enredada na complacência generalizada dentro do fanatismo totalitário da ordem econômica estabelecida. do sujeito e do objeto (Descartes). Para o autor: Apreender a complexidade ambiental implica um processo de desconstrução e reconstrução do pensamento. Para Leff (2006) uma vez que o crescimento econômico não é sustentável e que a racionalidade econômica não contém os mecanismos para sua desativação. a ver os “erros” da história que se arraigaram em certezas sobre o mundo com falsos fundamentos. arrastado por um processo incontrolável e insustentável de produção (LEFF. Esta racionalidade dominante descobre a complexidade em seus limites. e das formas culturais de significação da natureza. homogeneizando-o. se a capacidade da ciência e da tecnologia para reverter a entropia e para desmaterializar a economia é ilusória e incerta. de um ajuste de contas entre paradigmas teóricos. o autor julga necessário construir outra racionalidade produtiva. remete a suas origens. capaz de operar conforme os princípios da sustentabilidade. Leff (2003. da ciência e tecnologia. p. na crença de que isso representa um estágio mais alto do desenvolvimento da civilização e que expressa a vontade dos deuses. do poder. 232) considera que: Se os recursos da natureza são limitados. Para Leff (2003. 2006. não poderia encontrar uma solução pela via da racionalidade teórica e instrumental que constrói e destrói o mundo”.89 ecológica.16) “a crise ambiental. a descobrir e reavivar o ser da complexidade que ficou no “esquecimento” com a cisão entre o ser e o ente (Platão). A economia tende. p. 16). é necessário formular uma nova economia que funcione sobre a base dos potenciais ecológicos do planeta. assim como sua desaceleração e reconversão para uma economia ecologicamente sustentável. objetivando-o. p. A incorporação pela economia das condições ecológicas de sustentabilidade. se a seta do tempo é inelutável e se manifesta na desestruturação dos ecossistemas e na degradação do ambiente. 16 e 17) considera que: A hermenêutica ambiental não é uma exegese de textos em busca dos precursores do saber ambiental. 2003. 231). em sua negatividade. mas uma visão situada a partir da . implica sobretudo um processo histórico no qual as estratégias de poder no saber levaram a institucionalizar e legitimar a racionalidade econômica (LEFF. não é um problema metodológico. do saber. para apreender o mundo coisificando-o. a transpor a esfera de produção para capitalizar a natureza e a cultura. então uma razão guiada pelo instinto de sobrevivência e pela erotização da vida deve levar a humanidade a procurar novas vias civilizatórias. Leff (2006. Além do propósito de incorporar os custos ecológicos dentro de uma racionalidade que os rechaça e exclui. entendida como a crise de civilização.

. abriu .] novas vias de transformação do conhecimento através do diálogo e da hibridação de saberes” (LEFF. Para Leff (2003) o ato de aprender a aprender a complexidade ambiental exige uma reapropriação do mundo desde o ser e no ser. por dominar e controlar. e da qual se projeta o pensamento (da complexidade) para a reconstrução do mundo. Para o autor a crise ambiental problematiza o pensamento metafísico e a racionalidade científica. 19).90 complexidade ambiental – entendida como expressão da crise de civilização –. abrindo um espaço para o encontro entre o racional e o moral. 17). Nessa empresa por compreender. com base na diferenciação dos sentidos do discurso ambientalista”. p..] reconstrução social se funda em um novo saber. A hermenêutica abre os sentidos bloqueados pelo hermetismo da razão. 22): A complexidade ambiental abre uma nova reflexão sobre a natureza do ser.. 2003. que é um querer saber” (LEFF. coisificou o mundo. Para Leff (2003. Para Leff (2003. sobre a hibridação do conhecimento na interdisciplinaridade e na transdisciplinaridade. p.. p. por ordenar. “neste sentido. Para Leff (2003. 17) “na crítica radical das causas da crise ambiental nas formas de conhecimento do mundo. a partir da pergunta pelas origens dessa racionalidade em crise” e “pelo conhecimento do mundo que tem sustentado a construção de um mundo insustentável”. p. possibilitando “[. p. do poder no saber e a vontade de poder. tentou colmar sua incompletude com a idéia absoluta. Mas também questiona as formas em que os valores permeiam o conhecimento do mundo. com uma certeza e uma autoconsciência de seu lugar no mundo. 2003. do saber e do conhecer. se projeta um futuro aberto. entre a racionalidade formal e a racionalidade substantiva. o saber ambiental retoma a questão do ser no tempo e o conhecer na história. sobre o diálogo dos saberes e a inserção da subjetividade dos valores e dos interesses na tomada de decisões e nas estratégias de apropriação da natureza. com uma razão ordenadora. um reaprender mais profundo e radical que a aprendizagem das “ciências ambientais” que buscam internalizar a complexidade ambiental dentro de uma racionalidade em crise. Para o autor. ao submeter a natureza às leis de suas certezas e seu controle. de onde se desentranham as origens e as causas dessa crise. na qual a “[. 24 e 25): Na epopéia do ser humano por salvar sua falta em ser através do conhecimento. desestruturando a natureza e acelerando o desequilibro ecológico.

mas ao que tudo indica. serviram apenas para demonstrar que os resultados desejados não foram plenamente ou suficientemente efetivados. parece pouco provável que os objetivos pretendidos pelos discursos que pregam o desenvolvimento sustentável e a sustentabilidade possam ser de fato atingidos. Ao longo deste período. a teoria do caos e as estruturas dissipativas. Essa é a crise do nosso tempo. a teoria de sistemas. de forma que possa representar o surgimento de uma realidade social baseada em um novo tipo de racionalidade de fato compatível com os interesses de manutenção da vida e de sustentação das gerações presentes e das futuras. p. os paradigmas interdisciplinares e a transdisciplinaridade do conhecimento surgem como antídotos para a divisão do conhecimento gerado pela ciência moderna. .2. as quase cinco décadas que demarcaram o fim do século XX e o início do século XXI serviram de palco para discussões mundiais em torno das questões sociais e ambientais.91 as comportas do caos e da incerteza. Leff (2003.5. Sem a superação da forma racional de pensar dominante que prioriza a dimensão econômica em detrimento de outras dimensões. a complexidade da crise ambiental em curso exige uma urgente superação dos paradigmas dominantes baseados na matriz do pensamento linear para a reconstrução da realidade coletiva. algumas transformações em termos de criação de novos instrumentos e aprimoramento das pesquisas científicas foram obtidas. daí a necessidade de entender suas raízes no pensamento para aprender a aprender a complexidade ambiental que oriente a reconstrução do mundo atual. A Proposta e o Discurso da Sustentabilidade Desde o alerta de Carson. 2. Ao que parece. ao invés de neutralizar o surgimento de novas evidências em torno do agravamento da crise sócio-ambiental em curso. Pelas razões explicitadas. 40 e 41) considera que: A crise ecológica tem sido acompanhada pela emergência do pensamento da complexidade. O fracionamento do corpo das ciências enfrenta a complexidade do mundo propondo a necessidade de construir um pensamento holístico reintegrador das partes fragmentadas do conhecimento para a retotalização de um mundo globalizado.

humanistas. Um dos fatores que faz do relatório do Meadows relevante para o contexto da crise sócio-ambiental em curso são algumas evidências por ele retratadas sobre o comportamento dos indivíduos. sem compreender que o todo é maior do que suas partes. apesar do homem ser capaz de perceber a problemática. sobre o complexo de problemas que afligiam os povos de todas as nações. a significação e as correlações de seus vários componentes. Meadows (1972) já apontava diferentes tipos de pressões e de problemas que as pessoas enfrentavam. ambiental. a distribuição desigual de renda. Um dos estudos mais relevantes desenvolvidos neste período e que ainda se mantém atual em termos de proposta para reflexões sobre a crise sócio-ambiental contemporânea foi publicado pelo Clube de Roma em 1972. pela insistência dos seres humanos em examinar elementos isolados na problemática.92 Os diversos e diferentes estudos realizados ao longo deste período geraram profundas reflexões no meio científico quanto aos limites da racionalidade econômica e os seus reflexos indesejados na forma de ser e agir das sociedades contemporâneas. político e espacial. economistas. social. recursos naturais. a desigualdade social. as afastam da possibilidade de refletir sobre o seu futuro e da sociedade em um contexto mais amplo. os quais envolviam a população. são . produção agrícola. em grande parte. Apontaram também para os limites finitos dos recursos naturais. a situação caótica da fome e da pobreza de grandes contingentes populacionais. educadores. Neste relatório foram retratadas as análises de um grupo multidisciplinar formado por cientistas. além da necessidade do estabelecimento de um novo conceito de desenvolvimento. produção industrial e poluição. No relatório. O relatório considerava que o fracasso ocorria. Meadows (1972) já indicava que o dilema da humanidade residia no fato de que. sob o título Limites do Crescimento (também conhecido como relatório de Meadows. em homenagem a um de seus autores). ao mesmo tempo em que exigem delas a sua atenção e sua ação. Há mais de três décadas. os quais. na busca de estabelecer uma melhor relação de equilíbrio em termos econômico. industriais e funcionários públicos de nível nacional e internacional. não conseguia compreender as origens. que a mudança em um dos elementos significa a mudança nos demais.

p. 14) Nesta figura. como o fato das pessoas gastarem a maior parte do seu tempo tentando garantir para si e sua família o alimento do amanhã. de estarem interessadas no poder pessoal ou da nação onde vivem ou pela necessidade de preocuparem-se com uma guerra mundial no curso de sua vida. a maioria das preocupações das pessoas estaria concentrada no ângulo inferior esquerdo do gráfico. as preocupações da humanidade estão assentadas nas dimensões de espaço e tempo. de acordo com a representação gráfica. condição que as . Tais situações foram ilustradas no relatório por meio da figura 11: Figura 11 – Perspectivas Humanas em Relação ao Futuro Fonte: Meadows (1972. dependendo do espaço geográfico que ele abrange e até onde se prolonga no tempo. onde todo o interesse humano pode situar-se em algum ponto. Desta forma.93 apontadas algumas evidências destes comportamentos.

p. a satisfação das necessidades básicas das populações mais carentes. As questões levantadas pelo relatório de Meadows. adequação da produção industrial com base em tecnologias ecologicamente adaptadas. preservação dos recursos naturais. foi no relatório denominado Nosso Futuro Comum. de 1980. mais conhecido como Relatório de Brundtland. diversas plenárias mundiais foram estabelecidas na busca de novas alternativas para o crescimento e para o desenvolvimento. que se formulou a definição do desenvolvimento sustentável como “processo que permite satisfazer as necessidades da população atual sem comprometer a capacidade de atender às gerações futuras”. melhor adequação da relação cidade-campo e em especial. foram efetuadas diversas reflexões no contexto social. 16): A maioria da população mundial preocupa-se com questões que afetam somente a família ou os amigos. contribuíram para o surgimento de novos debates em nível global. Segundo o autor. Ao longo das últimas cinco décadas. valorizando a relação de interdependência entre estes elementos. dentre elas. econômico e ecológico em escala global. as estratégias do desenvolvimento foram deslocadas pelo discurso do desenvolvimento sustentável”. em períodos curtos de tempo.136 e 137) “nos anos 1980. redução nos níveis de consumo de energia. Apenas muito poucas pessoas têm uma perspectiva global que se projeta em um futuro distante. p. De acordo com Leff (2006. Durante a realização do estudo foram propostas diversas medidas para a busca do desenvolvimento em condições de equilíbrio: controle do crescimento populacional. a que originou a expressão desenvolvimento sustentável. Outros olham mais à frente. publicado em 1987 e que em 2007 comemorou 20 anos. embora essa noção já tivesse se insinuado a partir dos textos da Estratégia Mundial de Conservação. ou têm visão mais ampla – uma cidade ou nação. controle da urbanização desenfreada. .94 impediria de se preocuparem com situações relacionadas ao seu próprio futuro e ao futuro das próximas gerações envolvendo esferas maiores da sociedade. No Relatório Brundtland. Para Meadows (1972. desenvolvimento de pesquisas no campo de fontes energéticas renováveis. garantia de produção de alimentos a longo prazo.

problematiza as formas de conhecimento. os valores sociais e as próprias bases da produção. “a noção de sustentabilidade emerge. Representa o esforço constante em equilibrar e integrar os três pilares do bem-estar social. 134). negando a natureza e a cultura. A sustentabilidade ecológica aparece assim como um critério normativo para a reconstrução da ordem econômica. Para Leff (2006. Leff (2006) acredita que o discurso do desenvolvimento sustentável procura estabelecer um terreno comum para uma política de consenso capaz de integrar os . p. Provavelmente parte da explicação deste fenômeno resida na explicação de Lovelock (2006. A crise ambiental veio questionar os fundamentos ideológicos e teóricos que impulsionaram e legitimaram o crescimento econômico.95 De acordo com Leff (2006). do reconhecimento da função que a natureza cumpre como suporte. deslocando a relação entre o real e o simbólico. de forma a criar uma visão compartilhada por todas as nações do mundo sobre as condições para alcançar a sustentabilidade ecológica e a sobrevivência do gênero humano. p. p. consultor sênior do International Council for Science: O desenvolvimento sustentável é um alvo móvel. foi a partir deste momento que a noção de desenvolvimento sustentável converteu-se no referente discursivo e no “saber de fundo” que organiza os sentidos divergentes em torno da construção das sociedades sustentáveis. prosperidade econômica e proteção ambiental em benefício das gerações atual e futura. como uma condição para a sobrevivência humana e para um desenvolvimento durável. As evidências do agravamento das crises sócio-ambientais demonstram que as recomendações para o atingimento do estado de desenvolvimento sustentável não obtiveram êxito. abrindo uma nova visão do processo civilizatório da humanidade. assim. quando menciona o significado da expressão “desenvolvimento sustentável” criada por Gisbert Glaser.133 e 134): O princípio da sustentabilidade emerge no discurso teórico e político da globalização econômico-ecológica como a expressão de uma lei-limite da natureza diante da autonomização da lei estrutural do valor. Para Leff (2006. condição e potencial do processo de produção”. Segundo o autor. a intenção da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento era a de avaliar os avanços dos processos de degradação ambiental e a eficácia das políticas ambientais. 16).

p. que se traduz como desenvolvimento sustentado. Leff (2006. equidade. p. implica a perdurabilidade no tempo do progresso econômico. 138): . o discurso do desenvolvimento sustentado chegou a afirmar o propósito de tornar sustentável o crescimento econômico através de mecanismos do mercado. 82). o discurso do desenvolvimento sustentado/sustentável foi vulgarizado até se tornar parte do discurso oficial e da linguagem comum.. mas resultado do fato de não haver outorgado direitos de propriedade (privada) e atribuído valores (de mercado) aos bens comuns. implica na incorporação das condições ecológicas – renovabilidade da natureza.. Martínez Alier e Escobar citados por Leff (2006. Com relação à apropriação indevida do termo. povos e classes sociais que plasmam o campo conflitivo da apropriação da natureza. mas não oferece uma justificação rigorosa sobre a capacidade do sistema econômico para incorporar as condições ecológicas e sociais (sustentabilidade. dispersão de dejetos – do processo econômico. Para Redclift.96 diferentes interesses dos países. o segundo. Desta forma. a partir dos anos 1980 o discurso neoliberal anunciou a desaparição da contradição entre ambiente e crescimento [. diluição de contaminadores.] na perspectiva neoliberal. sendo empregadas pelos políticos para mostrar sua preocupação com o meio ambiente e suas credenciais verdes”. Desta forma. justiça. No entanto. a equidade e a sustentabilidade. 137). alguns pesquisadores como Lovelock (2006. 139) considera que: Se nos anos 1970 a crise ambiental tornou necessário que se colocasse um freio antes que o colapso ecológico fosse alcançado. que integra dois significados: o primeiro. desaparecem as causas econômicas dos problemas ecológicos. traduzível como sustentabilidade. Se a crise ambiental é produto da negação das bases naturais nas quais se sustenta o processo econômico. democracia) deste processo através da capitalização da natureza (LEFF. A crise ambiental não é mais um efeito da acumulação de capital. Uma vez estabelecido o anterior – afirma o discurso do desenvolvimento sustentado -. consideram que “as expressões ‘desenvolvimento sustentável’ e ‘energia renovável’ entraram no jargão da política. p. então a sustentabilidade ecológica aparece como condição da sustentabilidade temporal do processo econômico. Para o autor: A ambivalência do discurso do desenvolvimento sustentado/sustentável se expressa já na polissemia do termo sustainability. 2006. para Leff (2006). as leis clarividentes do mercado se encarregariam de ajustar os desequilíbrios ecológicos e as diferenças sociais. atribuindo valores econômicos e direitos de propriedade aos recursos e serviços ambientais.

Para Leff (2006. Assim. 139) “o discurso do desenvolvimento sustentado promove o crescimento econômico negando as condições ecológicas e termodinâmicas que estabelecem os limites e possibilidades de uma economia sustentável”. Nossa sociedade está fundada na proliferação. mas por crescimentos. procura-se internalizar os custos ambientais do progresso atribuindo valores econômicos à natureza.. reestruturando as condições da produção mediante uma gestão economicamente racional do ambiente. um delírio da razão econômica. por uma sorte de saturação [. desencadeando um processo incontrolado e desregulado de produção. a se tornar indecifráveis. que ocorre sem considerar sua autodefinição. onde a acumulação de efeitos vai de mãos dadas com a desaparição das causas. uma mania de crescimento”. . O resultado é um congestionamento sistêmico bruto e um mau funcionamento causado por uma hipertelia: por um excesso de imperativos funcionais. 140). onde “o discurso da sustentabilidade opera como uma estratégia fatal. Enquanto existir uma disfunção do sistema. o discurso de Baudrillard se reflete e encontra seu referente no discurso do desenvolvimento sustentado e em manifestações da crise ambiental quando afirma que: Estamos governados não tanto pelo crescimento. 1974) que recodifica o homem. Para o autor: A natureza está sendo incorporada ao capital mediante uma dupla operação: de um lado. gerando a intensificação de processos que operam no vazio. “o discurso da sustentabilidade aparece assim como um simulacro que nega os limites do crescimento para afirmar a corrida desenfreada em direção à morte entrópica do planeta”. p. mas também em sua colocação em prática. os processos ecológicos e simbólicos são reconvertidos em capital natural. humano e cultural. uma inércia cega que se precipita em direção á catástrofe”. 2006. Para Leff (2006). quando surgem os dissensos em torno do discurso do desenvolvimento sustentado/sustentável e os diferentes sentidos que este conceito adota em relação aos interesses contrapostos pela apropriação da natureza. 139 e 140) Para Daly citado por Leff (2006. p.140) “a ideologia do desenvolvimento sustentado libera o mercado. (LEFF. “um cálculo de significação” (Baudrillard.97 As contradições não apenas se fazem manifestas pela falta de rigor do discurso. p. p. instrumentaliza-se uma operação simbólica. Uma sociedade excrescente cujo desenvolvimento é incontrolável. em um crescimento que continua apesar de não poder medir-se diante de nenhum objetivo claro..] As próprias causas tendem a desaparecer. para serem assimilados pelo processo de reprodução e expansão da ordem econômica. Para Leff (2006. ao mesmo tempo. a cultura e a natureza como formas aparentes de uma mesma evidência: o capital.

um vôo e um aperto na razão”. Tudo é redutível a um valor de mercado e representável pelos códigos do capital. O capital clona as identidades para assimilá-las a uma lógica. A força de trabalho. p. de maneira que não é possível encontrar-se nenhum remédio. desabordando seus próprios fins. Segundo o autor. O que chamamos de crise é de fato a antecipação de sua inércia absoluta (BAUDRILLARD CITADO POR LEFF. Neste contexto “o ambiente é reapropriado pela economia. que seriam meios eficazes para garantir o equilíbrio ecológico e a justiça ambiental (LEFF. 2006. distribuição e consumo de mercadorias. . os valores culturais.. erguendo assim “[. quando o sistema se precipita sobre seus pressupostos básicos.. Para o autor: O discurso do desenvolvimento sustentado colonizou a natureza.143) “as políticas de desenvolvimento sustentado procuram conciliar os lados opostos contrários da dialética do desenvolvimento: o meio ambiente e o crescimento econômico”.. p. a uma razão. 2006.. Leff (2006) acredita que a racionalidade econômica resiste à sua desconstrução por meio da sustentação do discurso do desenvolvimento sustentado. Para o autor o seu objetivo final não seria: [.] internalizar as condições ecológicas da produção.98 um desvio de leis conhecidas que governam sua operação. 140). sustentado nos mecanismos do livre mercado e na tecnologia. p. 143) considera que o discurso do desenvolvimento sustentado não significaria “apenas mais uma volta na porca da racionalidade econômica. p. a uma estratégia de poder para a apropriação da natureza como meio de produção e de reprodução da racionalidade econômica.. p. 143).. as estratégias de sedução e de simulação do discurso do desenvolvimento sustentado constituem o mecanismo extra-econômico por excelência da pós-modernidade para manter o domínio sobre o homem e a natureza.]. neste discurso a tecnologia desempenharia o papel de reverter os efeitos da degradação entrópica nos processos de produção. convertendo-a em capital natural. 2006. as potencialidades do homem e sua capacidade inventiva se transmutam em capital humano. Leff (2006. sempre existirá a perspectiva de transcender o problema. Mas. fragmentando e recodificando a natureza como elementos do sistema: do capital globalizado e da ecologia generalizada” (LEFF. Em sua reflexão. 142). mas um salto mortal. e sim postular o crescimento econômico como um processo “sustentável”. Para Leff (2006. não estamos contemplando mais uma crise e sim uma catástrofe [. Dessa maneira.] uma cortina de fumaça que mascara as causas da crise ecológica”.

Para Leff (2006. As estratégias fatais da globalização econômica conduzem a uma nova geopolítica da biodiversidade. e atenta contra um projeto de sustentabilidade global fundado na diversidade ecológica e cultural do planeta. p. A geopolítica da biodiversidade e da mudança climática não apenas prolonga e intensifica os processos anteriores de . invadindo todos os domínios do ser e os mundos de vida das gentes.99 Leff (2006. conservando os pilares da racionalidade do lucro e o poder de apropriação da natureza fundado na propriedade privada do conhecimento científico-tecnológico. p. que descarrega sobre a natureza os desejos do processo de “criação destrutiva” do capital.147): No discurso do desenvolvimento sustentado. o homem – para reconvertê-las a sua forma unitária e universal. a cultura. tendo chegado ao seu limite e diante da impossibilidade de estabilizar-se como organismo vivo. se encrava no mundo destruindo o ser nas coisas – a natureza. Com a invenção da ciência econômica e a institucionalização da economia como regras de convivência universal. A economia do desenvolvimento sustentado funciona dentro de um jogo de poder que outorga legitimidade à ficção do mercado.145) acredita que assim: As estratégias do capital para reapropriar-se da natureza vão degradando o ambiente em um mundo sem referentes nem sentidos. A hipereconomização do mundo induz a homogeneização dos padrões de produção e consumo. a generalização dos intercâmbios comerciais se converteu em uma lei universal. mas. Nesse sentido. Esse processo econômico não apenas exsuda externalidades que seu próprio metabolismo econômico não pode absorver. razão que sustenta a impossibilidade de pensar e agir conforme as condições da natureza. da mudança climática e do desenvolvimento sustentado. teve início um processo de cinco séculos de economização do mundo. da vida e da cultura. o capital dá prosseguimento a uma inércia expansionista. sem relação entre o valor de troca e a utilidade do valor de uso. No entanto. através de sua crença fundamentalista e totalitária. a fase atual do capital ecologizado e da capitalização da natureza aparece como um novo estágio no qual o capital seria capaz de exorcizar seus demônios e resolver contradições que o têm acompanhado desde sua acumulação originária até a globalização econômica atual. Tal processo de expansão da racionalidade econômica chegou a seu ponto de saturação e a seu limite. p. a economia se desprendeu da condição de materialidade da natureza e da necessidade humana. as telecomunicações eletrônicas com a interconexão imediata de pessoas e fluxos financeiros que parecem eliminar a dimensão espacial e temporal da vida. inclusive. o valor de troca desvinculou-se de sua conexão com o real. o processo de globalização – os crescentes intercâmbios comerciais. além disso. a aceleração das migrações e das mestiçagens culturais – foi mobilizado e sobredeterminado pelo domínio da racionalidade econômica sobre os demais processos de globalização.145 e 146) considera que: No processo de objetivação do mundo. Leff (2006. a planetarização do aquecimento da atmosfera e. por efeito de sua extrema vontade de globalizar o mundo devorando todas as coisas e traduzindo-as aos códigos da racionalidade econômica.

De acordo com o autor. orientando a reflexão teórica e a ação política para o propósito de desconstruir a lógica econômica e construir uma racionalidade ambiental. enquanto sua inércia de crescimento desborda os limites da sustentabilidade do planeta. A racionalidade .100 apropriação destrutiva dos recursos naturais. este não logrou livrar-se das razões de força maior do mercado. 148) Leff (2006. José Neredo e Joan Martínez Alier já perceberam as limitações que o mercado tem para regulamentar efetivamente os equilíbrios ecológicos. Mas a teoria crítica da economia baseada nas leis da natureza. Leff (2006. abriu as comportas ao campo emergente da ecologia política. Para o autor: A lei da entropia. levando ao seu limite a lógica econômica. Leff (2006) menciona que economistas ecológicos como René Passet. de impostos ou de um mercado de licenças transacionáveis para a redução das emissões de gases que causam o aquecimento global do planeta. que estabelece limites físicos e termodinâmicos do crescimento econômico. Porém. onde o debate científico se desloca para os conflitos ambientais. Herman Daly. de um princípio de precaução baseado no cálculo de risco e na incerteza e em limites impostos através de um debate científico-político afastado do mercado. p. O tema sustentabilidade se inscreve nas lutas sociais pela apropriação da natureza. (LEFF. que leva a construir uma racionalidade produtiva fundada no potencial ecológico da biosfera e nos sentidos civilizatórios da diversidade cultural. é negada pela teoria e pelas políticas de desenvolvimento sustentado. p.148) considera que a “racionalidade econômica carece de flexibilidade e maleabilidade para ajustar-se às condições de sustentabilidade ecológica do planeta” e que apesar do debate político ter sido enriquecido pelos aportes da ciência a respeito dos riscos ecológicos do desflorestamento. antes de ter fundado a positividade de um novo paradigma econômico (de uma economia ecológica). p. estes economistas sugerem assim que: A economia deve contrair-se aos limites de uma expansão que assegure a reprodução das condições ecológicas de uma produção sustentável e de regeneração do capital natural.160) acredita que: A sustentabilidade emerge como uma fratura da razão modernizadora. 2006. mas também altera as formas de intervenção e apropriação da natureza. bem como sua capacidade para internalizar os custos ambientais através de um sistema de normas legais. da erosão genética e do aquecimento global.

p. quando o projeto da racionalidade científica entra em colapso e o mundo parece flutuar na incerteza e na relatividade dos signos. 225) Desta forma Leff (2006). reforça que o paradigma econômico tem sido incapaz de assimilar a crítica apresentada pela lei da entropia e da racionalidade econômica. 2006. 225 e 226) a tomada de consciência a respeito dos limites do crescimento. mais além de qualquer determinismo ontológico. Para o autor: Na beira do precipício. que surge da visibilidade da degradação ambiental desponta como uma crítica ao paradigma normal da economia. Para Leff (2006. (LEFF. de onde surge o . Exatamente nesse ponto. diante das propostas de colocar um freio no crescimento e da transição a uma economia de estado estacionário. a teoria e as políticas econômicas procuram iludir o limite e acelerar o processo de crescimento. p. A natureza se impõe às falácias. em que a dialética procura ancorar-se nas leis da natureza. no qual a natureza se desnaturaliza e se coisifica. tanto no campo capitalista como no socialista. De acordo com o autor. quando os conceitos perdem sua referência no real. Para Leff (2006. de que o desenvolvimento das forças produtivas abriria as portas para uma sociedade de pós-escassez e à liberação do homem do reino da necessidade. em que o mundo se converte em um hiper-realidade onde o simbólico parece perder sua referencialidade e sua conexão com o real. às ficções e às especulações do discurso do desenvolvimento sustentado: as de uma ordem simbólica autônoma desprendida de sua conexão com o real. soou o alarme ecológico anunciando uma catástrofe tão inesperada como impensável na auto-complacência do progresso científicoecológico. quando são vencidas a lei e a norma fundadas na natureza e na ética. p. emerge a entropia como lei-limite da racionalidade econômica. é uma estratégia conceitual que orienta uma práxis de emancipação do mundo hiperobjetivado e do logocentrismo no conhecimento. quando a hiper-realidade gerada pelas estratégias fatais do código parecem burlar o pensamento e o discurso do desenvolvimento sustentável seduz o interesse prático ao procurar o equilíbrio guiado por um mercado sem valores.101 ambiental não é a atualização da razão pura na complexidade ambiental. montando um dispositivo ideológico e uma estratégia de poder para capitalizar a natureza. quando o construtivismo e a hermenêutica conduzem o pensamento à conformidade e ao jogo de sentidos. É um retorno à ordem simbólica para ressignificar o mundo. quando as estratégias do código econômico triunfam sobre a lei do valor.172 e 173): A crise ambiental irrompeu em um mundo no qual a economia ficou desprovida de lei e de valor. nesse vazio ontológico e nesse reino da dissimulação. e a convicção. quando o simbólico parece emancipar-se do fático e a ecologia fracassa em sua tentativa de enraizar o mundo na ordem da vida.

falham por não considerar a adoção de alternativas compatíveis com o estabelecimento de um desenvolvimento de fato sustentável. contribuem para a perpetuação e o agravamento das evidências apresentadas. ambiental. Muitas dessas organizações sociais. A Iminência da Consolidação da Sociedade de Risco No “epicentro” da crise sócio-ambiental já anunciada. negando ou ignorando questões de caráter social e ambiental. Por força da racionalidade predominante na sociedade. social. o desafio proposto para a sociedade contemporânea para o real atingimento do estado de desenvolvimento sustentável somente será possível se contemplar urgentes reflexões e mundanças nas características da matriz de pensamento que determina as ações emanadas de sua racionalidade dominante.6.2.102 discurso neoliberal e a geopolítica do desenvolvimento sustentável. ao assumirem as premissas máximas de uma racionalidade centrada em aspectos econômicos orientados pela ação racional instrumental. Na busca de respostas para os objetivos definidos na proposta de realização desta pesquisa. que em sua grande maioria e no conjunto. optou-se para o desenvolvimento do presente estudo pela adoção da abordagem elaborada por pelo sociólogo alemão Ulrich Beck em seu livro denominado “A Sociedade de Risco Global”. fato que originou os debates sociológicos ocorridos na década de 1990 que tentam captar e conceituar esta reconfiguração. Beck (2006) considera que em todo mundo. se fez necessário primeiro compreender a realidade das racionalidades e das dimensões econômica. Ao que tudo indica. e mais especificamente. no qual está impresso que as indústrias químicas representam riscos para o conjunto do meio ambiente. Em função do senso comum vigente na sociedade. 2. política e espacial na qual a sociedade. sobre a qual . notadamente vitais para a sobrevivência humana. a grande maioria das organizações sociais ainda atua exclusivamente com foco nos resultados econômicos. a sociedade contemporânea está submetida a uma mudança radical. se encontram diferentes tipos de organizações sociais. as indústrias químicas se encontram inseridas. reafirmando o livre mercado como mecanismo mais clarividente e eficaz para ajustar os desequilíbrios ecológicos e as desigualdades sociais.

um novo tipo de ordem global. na qual as pautas coletivas de vida. progresso. o subemprego e os riscos globais (como a crise ecológica e o colapso dos mercados financeiros globais). Haraway). era global (Albrow) ou modernidade reflexiva (Beck. Primeira Modernidade Segunda Modernidade ou Modernidade Reflexiva Fonte: Adaptado de Beck (2006) No período que o autor busca caracterizar como segunda modernidade. Beck (2006) cita algumas das abordagens e autores que tentam delimitar este período de transição: pós-modernidade (Bauman. um novo tipo de economia. Por essa razão o autor considera que em termos sociológicos e Para Beck (2006) o processo de individualização surge quando os indivíduos passam a assumir um sentimento maior de subjetividade. complexidades e incertezas. controle. Segundo o autor. a consciência de classe) da cultura da sociedade industrial (cujos estilos de vidas e idéias de segurança também foram fundamentais para as democracias ocidentais e para as sociedades econômicas até bem entrado o século XX) conduzem a todo o trabalho de definição que desde então se espera ou impõem aos próprios indivíduos. pleno emprego e exploração da natureza se encontram cercadas por cinco processos inter24 relacionados: a globalização. as quais o autor caracteriza da seguinte forma: Quadro 4 – Caracterização da Primeira e da Segunda Modernidade Corresponde a uma modernidade baseada nas sociedades de Estados-Nação. Em sua abordagem Beck (2006) considera que a sociedade contemporânea vive um momento de transição em algum ponto entre a primeira modernidade e uma segunda modernidade ou modernidade reflexiva. dissolução e desencantamento das fontes de significado e específicas de grupos (com o a crença no progresso. a revolução dos gêneros. baseada no estado nacional. fatos que a tornam diferente de fases anteriores do desenvolvimento social. p. Período que se configura como um autêntico desafio teórico e político. Lash). Beck (2006. A partir do campo de estudos da sociologia. Giddens. os quais o autor considera como conseqüências imprevistas da vitória da primeira modernização. no qual a sociedade deve responder simultaneamente a todos os desafios gerados na primeira modernidade.103 alguns autores colocam grande ênfase na abertura do projeto humano em meio a novas contingências. 2 e 3) acredita que “está construindo-se um novo tipo de capitalismo. linear e industrial. modernidade tardia (Giddens). Harvey. um novo tipo de sociedade e um novo tipo de vida pessoal”. Lyotard. a individualização . momento em que assumem de forma ativa os destinos de sua sociedade. 24 . este processo surge da exaustão. onde as relações e redes sociais e as comunidades se entendem essencialmente em um sentido territorial. simples.

5) entende como risco “o enfoque moderno da previsão e controle das conseqüências futuras da ação humana. mas também para as vicissitudes das vidas individuais: acidentes. e por estar diretamente relacionado com o processo administrativo e técnico de decisão. sendo que a racionalidade na qual se baseia se deriva da racionalidade que está no núcleo desta sociedade: a racionalidade econômica. mas também magia. p. Em direção de sua expansão. demônios) se transformam em riscos calculáveis no curso do desenvolvimento do controle racional instrumental que o processo de modernização promove em todas as esferas da vida. Surgem da transformação da incerteza e dos perigos em decisões (e exigem a tomada de decisões. p. 25 . Beck (2006) considera o risco25 como sendo o seu elemento principal. este não só é válido para a aplicabilidade das capacidades de produção. fome. cálculo dos riscos de exportação e conseqüências da guerra. a qual segundo ele não se trata de “pós-modernidade”. Em sua proposta de caracterização de um novo momento demarcado pela iminência da consolidação de uma sociedade de risco global. embora seja possível que os riscos técnicos tendam a zero. transformando-se involuntariamente em uma sociedade de risco através de seus próprios perigos sistematicamente produzidos. Desta forma. um novo marco de referência. uma vez que não é nacional. pressupõem decisões.104 políticos se faz necessário uma mudança de paradigma. enfermidades. Isto caracteriza as situações e os conflitos nova sociedade clássica industrial e burguesa. morte. Com a lógica do comportamento econômico contradizem as regras de segurança formuladas pelos técnicos e indústrias de perigo. catástrofes naturais. as diversas conseqüências não desejadas da modernização radicalizada”. guerras. Beck (2006) considera que a sociedade industrial se inclina além do limite da segurabilidade. 121): São as companhias seguradoras privadas as que estabelecem ou indicam a barreira fronteiriça da sociedade de risco. mas sim de uma “segunda modernidade”. no caso de riscos pouco prováveis. e sim global. que por sua vez produz riscos). Para Beck (2006. Para Beck (2006. deuses. 118 e 119): Os riscos sempre dependem de decisões: ou seja. ingressos fiscais. Beck (2006. ao afirmar que. As ameaças incalculáveis da sociedade pré-industrial (peste. O autor justifica sua afirmação mencionando que apesar de toda a sociedade ter experimentado perigos. inseguridade social e pobreza. o regime do risco trata-se de uma função de ordem nova. os riscos econômicos são potencialmente infinitos. mas de graves conseqüências. p.

O autor cita dados da Organização das Nações Unidas (ONU). que na contemporaneidade se faz global. a exemplo das novas tecnologias que envolvem a engenharia genética. Beck (2006) cita a ausência de seguros para a cobertura de desastres nucleares. 6) acredita que “os riscos se converteram em uma das principais forças de mobilização política. Como exemplos que evidenciam a existência do risco. chamando a atenção para o fato de que a globalização do risco não significa uma igualdade global do risco.105 Desta forma. Beck (2006. não pela falta de comida ou pela seca. mais de 1. e pessoal ao mesmo tempo. O autor acredita que de forma simultânea. Beck (2006) menciona a primeira lei dos riscos ambientais a qual considera que a contaminação segue a pessoa pobre.5). Para Beck (2006. 1. construção discursiva do risco e materialidade das ameaças”. a nova preeminência do risco vincula. O autor acredita que a partir do momento que a sociedade passou a desenvolver atividades que deixaram de ser cobertas por seguros. local. mas pela crescente marginalização e exclusão dos pobres. “o conceito de risco e sociedade de risco combina o que estava excluído mutuamente há tempos: sociedade e natureza. A título de exemplo. a condição da iminência do risco foi institucionalizada. a sociedade de risco se caracteriza por ter invalidado as decisões que eram tomadas com base em normas fixas de calculabilidade associadas a meios e fins ou causas e efeitos. O autor revela . p. um número parecido carece de habitações e serviços sanitários e educativos adequados. p. raça ou gênero”. Em seu estudo o autor apresenta algumas conseqüências da sociedade de risco. que afirmam que mais de 2. por um lado. ciências sociais e ciências naturais. Para o autor a sociedade de risco global abre o discurso público e a ciência social aos desafios da crise ecológica.400 milhões de pessoas vivem sem saneamento. substituindo muitas vezes as referências e as desigualdades associadas à classe. segundo Beck (2006). a autonomia individual e a insegurança no mercado de trabalho e em relação de gênero. influencia as mudanças científicas e tecnológicas. contra os efeitos indesejados ocasionados pelo fenômeno do aquecimento global ou graves conseqüências que possam ser causadas por diversos tipos de tecnologias futuras.500 milhões sofrem de desnutrição.200 milhões carecem de água potável segura. por outro lado.

mencionando que graças a acordos cruciais para o livre comércio. estabilidade nacional.106 ainda dados curiosos sobre os hábitos de consumo de determinados segmentos abastados da sociedade global. que o seu individualismo é mais moral e político em um sentido novo. são evitadas e anuladas. Para o autor. os vinte por cento mais ricos da população destes países consomem aproximadamente seis vezes mais comida. De acordo com os dados da entidade. água. as condições e princípios básicos da primeira modernidade como o antagonismo de classe. nem em termos de tempo. Para Beck (2006). tecnoeconômico. raça e direitos humanos no mundo. a sociedade de risco significa sociedade de risco global. Beck (2006) menciona que na atualidade se podem ilustrar os componentes constitutivos dos riscos do mercado global mediante a experiência da crise asiática. da mesma forma que em 1986 se podiam ilustrar os aspectos de risco tecnológico e ecológico global mediante o acidente nuclear ocorrido em Chernobil. onde a ética da auto-realização e sucesso individual são a corrente mais poderosa da sociedade ocidental moderna. energia. o consumo está praticamente fora de controle nos países mais ricos. que os filhos da liberdade têm sentimentos mais apaixonados e morais sobre uma ampla gama de questões. criadores de sua identidade. foi sextuplicado em menos de vinte e cinco anos. decidir e configurar indivíduos que aspiram a ser autores de sua vida. imagens da racionalidade e do controle linear. envolvendo questões de gênero. o qual. 26 . segundo a ONU. Com base em seus estudos. O autor considera que o conceito da teoria da sociedade de risco global pode ser respondida sob a luz de duas perspectivas: Beck (2006) acredita que apesar da geração do “primeiro eu” ser muito criticada. individualista e mais moral do que supomos26. se pensada até suas últimas conseqüências. petróleo e minerais em relação ao que consumiam os seus pais. são as características centrais de nossa era. Beck (2006) considera que vivemos em uma era de risco que é global. desde o trato ao meio ambiente aos animais. neste sentido. Nela seus desafios são os perigos produzidos pela civilização que não podem delimitar-se socialmente nem em termos de espaço. O autor considera que a época atual é mais moral que a dos anos 50 e 60. a exemplo da OMC e do Nafta. transporte. O autor acredita que escolher.

• • • • • Construtivista ou Social-Construtivista • • • • Fonte: Adaptado de Beck (2006) . ciência. tem começado a transformar a paisagem temática em torno dos problemas do planeta. Na perspectiva construtivista os diferentes atores necessitam ter êxito em suas atuações e afirmar-se continuamente contra poderosas contra-coalizações. O realismo concebe a problemática ecológica como fechada. quando uma nuvem atômica aterrizou em toda a Europa e obrigou as pessoas a adotar mudanças importantes inclusive em sua vida privada cotidiana. Os perigos globais correspondem. estratégias e recursos considerados decisivos em sua fabricação. Uma perspectiva social-construtivista em uma sociedade de risco global não se funda em uma globalidade cientificamente comprovada dos problemas. Nela o desenvolvimento de forças produtivas está entrelaçado com o desenvolvimento de forças destrutivas e. a globalidade é baseada unicamente na auto-autoridade ostensiva dos perigos objetivos. da água. segundo o qual o desenvolvimento da indústria ou da sociedade industrial atravessou duas etapas distintas. e na década atual. são as questões ecológicas. ambas geram – a sombra de efeitos colaterais latentes – o romance dinâmico de conflito de uma sociedade de risco global. Na perspectiva construtivista. especialmente desde a cúpula da terra do Rio. É baseada na auto-evidência emprestada dos perigos realistas e a partir de atores. O vigor do realismo também pode observar-se em seu claro manuscrito histórico. Esta perspectiva se expressa em coisas tais como o desastre de Chernobil. em conjunto. e finalmente – se a objetividade suposta dá bastante impulso para a ação – atores e instituições transnacionais. que as crises ecológicas. indústrias. para contraste. Na perspectiva realista. que esboçam dentro do espaço público as questões de uma agenda global. ministérios de meio ambiente. fóruns mundiais de vida e ação pública. Segundo Beck (2006) até os anos 70 e 80 não se forjaram ou fizeram poderosas estas coalizões. Esta perspectiva se apóia em descobertas científicas e nos debates da destruição em curso (da camada de ozônio. Greenpeace. as conseqüências e perigos da produção industrial desenvolvida agora são globais. na segunda. acordos nacionais e internacionais. falar da sociedade de risco global reflete a socialização global obrigatória devido aos perigos produzidos pela civilização. por exemplo). legislações. de forma realista. instituições. O construtivismo mantém o princípio de abertura em relação à discussão da problemática ecológica. a modelos globais de percepção. Isto requer a institucionalização do movimento ecologista e a construção de atores transnacionais que tentem abordar a gestão global dos problemas mundiais (WWF. os atores transnacionais já tem que ter conseguido que se aceite a sua política discursiva. eram as questões de classe ou sociais as que tinham uma importância primordial. Mas também se manifesta no conhecimento que tem qualquer leitor de jornais ou telespectador maduro das sociedades industriais de que o envenenamento do ar. mas em coalizações de discurso transnacionais (Hajer citado por Beck (2006)). de maneira que a globalidade de questões ambientais seja decisiva para as percepções e exigências de ações sociais. é bastante evidente. Pelo lado realista. O novo estado do mundo é a base da crescente importância das instituições transnacionais. do solo. das plantas e dos alimentos não conhece fronteiras. Porém seria excessivamente simples supor que a ecologia superou a questão de classe. Na primeira. e é preciso destacar.107 Quadro 5 – Perspectivas da Sociedade de Risco • • • • Realista ou Essencialista Nesta perspectiva. entre outros). do mercado de trabalho e econômicas se sobrepõem e é muito possível que se agravem mutuamente.

Para o outro. com todas as suas contradições e conflitos (movimentos sociais.108 Com relação à perspectiva realista que fundamenta a sociedade de risco global. os quais o autor considera como sendo anti-realistas. Beck (2006) chama a atenção para o fato de que basta uma visão superficial para mostrar como elas são fracas na realidade. Para um. Para Beck (2006) a potência definidora do realismo descansa sobre a exclusão de questões que dizem mais em favor da superioridade interpretativa dos enfoques construtivistas. enquanto que para o outro. apesar de existirem pontos convergentes em relação às duas perspectivas.. O autor menciona que as imagens e símbolos ecológicos não possuem uma certeza intrínseca: são percebidos. ao falar sobre os perigos ambientais já se supõem coalizões supranacionais de discurso comprometidas em uma ação com êxito.). imprensa diária. os perigos globais devem dar lugar antes de mais nada a instituições e tratados internacionais. etc. construídos e mediatizados culturalmente. ambos estão de acordo em seus diagnósticos sobre a sociedade de risco global. Conforme sustenta Wynne citado por Beck (2006). fragmentada. Beck (2006) alerta para o fato de que. os contextos em que atuam os atores. O autor considera que um ponto de vista realista irrefletido esquece ou suprime o fato de que o realismo é consciência coletiva sedimentada. Beck (2006) acha particularmente notável o fato de o realismo enfatizar questões relacionadas ao risco global enquanto que o construtivismo enfatiza as questões relacionadas à sociedade. Segundo o autor a diferença reside no fato de que para um.. formam parte do tecido social do conhecimento. institutos de investigação. organizações ambientais. induzida pelos meios de comunicação de massas. o conhecimento público do risco muitas vezes não é conhecimento especializado mas sim profano. televisão.. são os perigos (os cenários de desastre total) da sociedade de risco global os que constituem o centro principal de atenção. carente de reconhecimento social. Para Beck (2006) por mais contraditórios que possam ser os enfoques essencialista-realista e construtivista em seus métodos e suposições básicos. isso não deve ser considerado como um forte motivo para que sejam minimizadas as suas diferenças. são as oportunidades. De acordo com Beck (2006) muitos acreditam que assumir a objetividade dos perigos globais é potencializar a construção de instituições transnacionais .

efeitos colaterais. mas sim como um mundo interior da sociedade. as medidas profiláticas. individualização e globalização. em que a análise sócio ecológica dos problemas ecológicos não seja tratada como problemas de meio ambiente ou o mundo que nos rodeia. Para Beck (2006) a sociedade de risco global compartilha o adeus ao dualismo sociedade-natureza. na qual residem os riscos. Beck (2006) acredita que os temas e perspectivas centrais da sociedade de risco se relacionam com a incerteza fabricada dentro de nossa civilização: risco. dentro da natureza interiorizada industrialmente. Beck (2006) reforça o fato . sugerindo uma única pergunta: como podemos administrar a natureza depois do seu fim? Para o autor esta pergunta que diferentes abordagens tratam de iluminar de formas diversas. Beck (2006) propõe um novo marco conceitual. Na concepção de Beck (2006) a natureza e a destruição da natureza são produzidas institucionalmente e definidas. cujo ponto de vista frequentemente se considera suspeito de ingenuidade. o principio de segurança. Como forma apresentar evidências sobre a sua existência. neste contexto. O autor sugere que este marco se inicie além do dualismo existente entre sociedade e natureza e de conceitos chave aparentemente evidentes.109 (centralizadas). asseguramento. que dependem de decisões e que em princípio podem controlar-se. O autor atribui à existência dos riscos ao fato de que normas e instituições desenvolvidas dentro da sociedade industrial podem falhar: o cálculo de riscos. Em sua proposta para a sociedade de risco. Logo. é desenvolvida pela teoria da sociedade de risco global em direção do construtivismo institucional. perigo. de natureza. implica ou inclusive produz um considerável impulso de poder para levar a cabo uma política de “desenvolvimento sustentável”. a teoria da sociedade de risco global traduz a pergunta pela destruição da natureza com outra pergunta: Como aborda a sociedade moderna as incertezas fabricadas autogeradas? Beck (2006) chama a atenção sobre a essência desta fórmula. e perigos. ecologia e meio ambiente. que escaparam ou neutralizaram as exigências de controle da sociedade industrial. o conceito de prevenção de acidentes e desastres. segundo se denomina em uma nova frase mágica. nos conflitos de leigos e especialistas.

Para Beck (2006) na medida em que a administração do estado. Beck (2006) apresenta evidências sobre a existência do princípio de recursividade ou auto-geração citado por Morin. Acredita que não é a desobediência das normas mas sim as próprias normas que regulamentam a morte das espécies. controle e produção oriundas do direito. Ao mencionar que o conceito de irresponsabilidade organizada indica a existência de um movimento circular entre a normalização simbólica e as permanentes ameaças e destruições materiais.110 de que indústrias e tecnologias consideradas controversas correspondem àquelas que não possuem um seguro privado ou que não conseguem um acesso a ele. a engenharia genética (incluindo a pesquisa) e setores de alto risco da produção química. processos que se complementam e se acentuam mutuamente. para o autor. a sociedade de risco global avança fazendo equilíbrios além dos limites de segurança. Desta forma. Como exemplos. que contestam o juízo de técnicos e autoridades importantes sobre o caráter inofensivo de produtos ou tecnologias que produzem. as ameaças resultantes nos transformam em membros de uma sociedade de risco global. Para Beck (2006) na medida em que as decisões ligadas à dinâmica científica. cita casos como a energia atômica. a política. Visto de outra forma. a gestão industrial e a investigação negociam critérios para determinar o que pode ser considerado racional e . Para o autor as antigas rotinas de decisão. Segundo Beck (2006) no sistema do industrialismo desenvolvido do perigo nada pode se fazer em nível nacional para garantir a saúde e a segurança dos cidadãos. Para Beck (2006) a ausência de seguro revela que as companhias de seguro são dotadas de especialistas tecnológicos. técnico-econômica seguem organizando-se em um nível de estado nação e a empresa individual. da indústria e da política são as responsáveis pela destruição material da natureza e pela sua normalização simbólica. rios ou lagos. da administração. da ciência. os próprios critérios que a modernidade industrial utiliza para cobrir os perigos que ela mesma gera podem converter-se em normas para a crítica. O realismo econômico predominante nas companhias de seguro lhes impede ter alguma relação com um suposto risco zero. nele os perigos aumentam devido ao fato de serem anônimos.

O . onde mesmo que todas as instâncias e regulamentações desempenhem o seu papel e que todos os acordos válidos sejam respeitados.111 seguro. os mesmos nem sempre representarão segurança. no qual os efeitos colaterais invisíveis da produção industrial se transformam em conflitos ecológicos globais. passam a ser vistos como tendências capazes de erosionar o sistema de forma a deslegitimar as bases de sua racionalidade. já não é garantido – mas bem ameaçado – pelas antigas rotinas da simples modernização. Beck (2006) também considera que a situação da economia sofre uma mudança radical. porém. o buraco da camada de ozônio aumenta e as alergias se estendem massivamente. Beck (2006) considera esta como sendo uma mudança decisiva em termos da compreensão da sociedade de risco global. as normativas de segurança. A teoria da sociedade de risco global. Segundo o autor houve um tempo em que a indústria podia lançar projetos sem submetê-los a controles e regulações especiais. acordos de tarifa. entre outros. pois os mercados de bens e serviços são baseados em princípios instáveis. segundo Beck (2006) propõe a substituição do discurso tradicional sobre a destruição da natureza. os projetos industriais se convertem em uma empresa política. Para o autor isto ocorre na medida em que os efeitos colaterais negativos de uma ação aparentemente calculada e que pode ser responsabilizada. no sentido de que as grandes inversões pressupõem um consenso a longo prazo. ou seja. o qual foi seguido por um período de regulação estatal. Tal consenso. Em termos de uma sociedade de risco global. no qual a atividade econômica só passou a ser possível com o marco da legislação trabalhista. pela idéia-chave de que os problemas ambientais se originam de uma profunda crise da primeira fase da modernidade industrial. Para Beck (2006) o fato de que as normas sejam respeitadas não impede que a opinião pública efetue suas críticas sobre as organizações que considere poluidoras do meio ambiente. Desta forma para Beck (2006). revelam a insegurança fabricada em áreas centrais da ação e da gestão baseadas na racionalidade econômica. ocasiões que segundo o autor. na sociedade de risco global. fogem do controle das empresas que aplicam remédios domésticos.

legitimados pelas ciências naturais e apresentados como inofensivos pela política. Para o autor. não podem ser definidas compensações financeiras aos danos causados e não faz sentido assegurar-se contra os piores efeitos possíveis da espiral de ameaças globais.112 que poderia negociar-se e implementar-se a porta fechada. onde a atividade das corporações mundiais e dos governos . uma vez que em muitas ocasiões. situações que corroem o poder e a credibilidade das instituições e que só é evidenciado quando o sistema apresenta algum sinal de crise. ao mesmo tempo em que a indústria aumenta a produtividade. convertendo-se em globais e duradouros. os problemas de eliminação de resíduo. Para o autor o princípio de culpa está perdendo a sua eficácia. Para Beck (2006) a junção de diversos fatores confirma o diagnóstico de surgimento de uma sociedade de risco global. Para Beck (2006) em termos de política social. Neste contexto surge um fenômeno que Beck (2006) denomina de subpolitização da sociedade mundial. onde novos perigos estão eliminando as fundações convencionais do cálculo de segurança e os danos perdem seus limites espaço-temporal. são exteriorizados para a economia. individualizados pelo sistema legal. cujos efeitos gerados na sociedade a longo prazo não devem ser subestimados. pobreza e armas de destruição em massa podem muito bem complementar-se e acentuar-se mutuamente. mediante a força das limitações práticas (por exemplo. Em sua concepção para a sociedade de risco global. Beck (2006) acredita que diferentes ameaças globais como conflitos ambientais. O autor considera que as denominadas ameaças globais conduziram a um mundo no qual foi corroída a base da lógica estabelecida do risco e no qual prevalecem perigos de difícil gestão em lugar de riscos quantificáveis. os métodos de produção ou o design dos produtos) fica agora potencialmente exposto a crítica pública. ou seja. os perigos produzidos na indústria. A ordem legal já não garante a paz social porque generaliza e legitima as ameaças da vida e também da política. Para o autor. corre o risco de perder sua legitimidade. a crise ecológica implica numa violação sistemática de direitos básicos. as guerras e as conseqüências da modernização incompleta. se faz necessário considerar a interação entre a destruição ecológica.

o poder dos novos movimentos sociais não só se baseia neles mesmos. Para Beck (2006). ao contrário do que ocorre como os riscos industriais. gerados a partir do processo de tomada de decisões. mesmo embora sejam muito menos acusadas e sempre dependam do valor civil dos indivíduos e da vigilância dos movimentos sociais. historicamente sem precedentes. Para Beck (2006) as pessoas. Neste novo contexto de sociedade global. não existe unicamente um processo autônomo de encobrimento dos perigos. Beck (2006. não importa quão grande e devastador fossem. à medida que se difunde a consciência do perigo. 106) chega a considerar que: O adversário mais influente da indústria da ameaça é própria indústria da ameaça. as organizações estatais e os políticos são responsáveis pelos riscos industriais. as empresas. a sociedade de risco global se faz autocrítica. Segundo o autor. os quais não se encontram nas mãos de indivíduos e sim de organizações e grupos políticos inteiros27. . Para Beck (2006) os riscos presumem decisões e considerações de utilidade industrial. que se refere às múltiplas pessoas ou grupos que são afetados e afligidos pelos riscos que os outros adotam (e que podem evitar). e perigo. De acordo com Beck (2006) os perigos pré-industriais. mas 27 Luhmann citado por Beck (2006) apresenta a diferença entre risco. a participação individual-coletiva nas redes de ação global é surpreendente e decisiva. quer dizer. diferindo-se dos desastres naturais préindustriais por sua origem no processo de tomada de decisão. da destruição de todo vida no planeta por meio das decisões que se tomam. Por tanto.113 nacionais está se submetendo a pressão da esfera pública mundial. demônios ou natureza. eram considerados golpes do destino que se descarregavam sobre a humanidade desde fora e que eram atribuídas a um outro: deuses. Dito de outro modo. mas também na qualidade e o alcance das contradições nas quais incorrem as indústrias que produzem e administram os perigos na sociedade de risco. o resultado de uma decisão. mas também tendências opostas que desvelam este encobrimento. Expressando-se de outro modo. os cidadãos estão descobrindo que o ato de comprar trata-se de um voto direto que sempre podem utilizar de forma política. tecnoeconômica. desde meados do século XX as instituições sociais da sociedade industrial tem enfrentado a possibilidade. Isto distingue a nossa época não somente da primeira fase da revolução industrial. Estas contradições se fazem públicas e escandalosas através de atividades provocadoras dos movimentos sociais. p.

emprego. situação que põe em questão a própria lógica de funcionamento da sociedade industrial. compulsivamente. não percebida. 115 e 116): Na sociedade de risco. Beck (2006) considera que a transição da modernidade industrial para a modernidade do risco se produz de forma não intencional. político e privado”. como o consenso sobre o progresso. químicos e genéticos é baseado no colapso da administração. p.. onde “[. Este potencial reside no desmascaramento da anarquia concretamente existente que se desenvolveu a partir da negação da produção e administração sociais dos megaperigos.114 também de todas as demais culturas e formas sociais. a abstração das conseqüências e os perigos ecológicos que dominam o pensamento e a conduta dos seres humanos e instituições. Para Beck (2006. Surge por meio do funcionamento automático de processos autônomos de modernização que são cegos e surdos às conseqüências e perigos. Para o autor. seguindo a pauta das conseqüências não desejadas.] as instituições da sociedade industrial produzem e legitimam perigos que não podem controlar”. Para Beck (2006) o principal potencial sócio-histórico e político dos perigos ecológicos. Para Beck (2006. Estes conflitos se desatam em torno da pergunta de como se . as diferentes situações percebidas na sociedade de risco se criam em razão das verdades autoevidentes da sociedade industrial. Logo Beck (2006) defende a idéia de que a sociedade de risco não é uma opção que possa se escolher ou rejeitar no curso do debate político. não importa o quão diversas e contraditórias tivessem podido ser em seus detalhes. no curso de uma dinâmica da modernização que se fez autônoma. p. nucleares. Pode mostrar-se que os primeiros são os conflitos da exigência da responsabilidade. os conflitos sobre a distribuição dos males que produz se sobrepõem aos conflitos sobre a distribuição dos bens sociais (renda.. 113 e 114) neste contexto “surge uma situação completamente distinta quando os perigos da sociedade industrial dominam os debates públicos. no colapso da racionalidade tecnocientífica e legal e das garantias de segurança políticas institucionais que estes perigos conspiram para todos. segurança social) que constituem o conflito fundamental da sociedade industrial e conduzem às tentativas de solucionar-lo em instituições adequadas.

não refletem sobre as conseqüências e mantém uma política industrial do “mais do mesmo”. evitar. Para Beck (2006. inclusive corrigir as primeiras. Os especialistas são relativizados ou destronados por não especialistas. a das organizações de consumidores. as indústrias responsáveis pelos danos (por exemplo. Desta forma. a indústria química responsável pela contaminação marinha) devem inclusive esperar encontrar a resistência de outras indústrias afetadas (neste caso. ou seja. 128) ao longo da história mundial surgiram e desapareceram muitos candidatos a sujeito da crítica social: a classe trabalhadora. Em última instância. Segundo o autor. O autor considera que a transformação das conseqüências não desejadas da produção industrial em fonte de problemas ecológicos globais não é em absoluto. e sim uma crise institucional da própria sociedade industrial. p. as sociedades modernas se deparam com os princípios e limites do seu próprio modelo na medida em que não se transformam. os primeiros consideram que se trata de um risco não assegurável. na auto-concepção da sociedade de risco.115 podem distribuir. um problema do mundo que nos rodeia. a gestão industrial. não é um dos denominados “problemas ambientais”. as subculturas. a pesca e as empresas que dependem do turismo costeiro). Os grupos de auto-ajuda criticam as burocracias. se converte em um tema e em um problema para si mesma. o reconhecimento da incalculabilidade dos perigos produzidos pelo desenvolvimento tecnoindustrial impõem a auto-reflexão sobre os fundamentos do contexto social e uma revisão das convenções e princípios predominantes de racionalidade. a inteligência crítica. Estas podem desafiar. ameaças ao meio ambiente. a esfera pública. segundo Beck (2006) a sociedade de risco tende a ser ao mesmo tempo. movimentos sociais das mais diversas tendências e composições. Os políticos encontram a oposição das iniciativas cidadãs. ou seja. a escalada de armamentos e o crescente empobrecimento da humanidade que vive fora da sociedade industrial ocidental. De acordo com Beck (2006). entre outros. Para Beck (2006) na sociedade de risco. as mulheres. uma sociedade autocrítica: Os especialistas em seguros contradizem os engenheiros especialistas em segurança. . os jovens. engenharia genética. controlar e legitimar as conseqüências dos riscos que acompanham a produção de mercadorias: tecnologia nuclear e química em grande escala. Enquanto os últimos declaram risco nulo. a sociedade se faz reflexiva (no sentido estrito da palavra). inspecionar.

As Organizações e a Sociedade de Risco Com seria inevitável de ocorrer.. Como citado anteriormente.2. as diferentes organizações industriais contribuíram para fortalecer os princípios da racionalidade instrumental em detrimento de outras alternativas. modelos que. neste contexto.. antes de tudo. “a sociedade de risco só se inicia quando o debate sobre a reparação e reforma da sociedade industrial se define com clareza” (BECK. p 139) “[. Como forma de garantir a expansão e o aumento dos resultados de suas operações. fascinaram a sociedade e a sua ciência durante cem anos? Para Beck (2006. 2. sejam otimistas ou pessimistas em relação ao progresso.116 Para o autor o que difere a sociedade de risco de outras sociedades é o fato da base da crítica ser. 128).] a sociedade de risco começa onde os princípios de cálculo da sociedade industrial submergem e anulam a continuidade da modernização automática e tempestuosamente triunfante”. em especial as organizações industriais. a autocrítica significa que dentro e entre os sistemas e instituições (e não somente nas margens e nas áreas de sobreposição dos mundos da vida privados) surgem linhas de conflito que podem organizar-se e são susceptíveis de coalizões. onde “a sociedade de risco nega os princípios de sua racionalidade”. na sociedade de risco: Os centros de tomada de decisão e as leis objetivas do progresso científicotecnológico estão se convertendo em questões políticas. Ao assumir as premissas definidas da racionalidade econômica. para Egri e Pinfield (1999) as características deste pensamento serviram de alicerces ideológicos das revoluções científica e industrial das sociedades contemporâneas. 2006. Isto sugere uma pergunta: coincide a crescente consciência da sociedade de risco com a invalidação dos modelos lineares da tecnocracia. Para o autor. Para Beck (2006). p 140).7. as organizações industriais . p. a matriz de pensamento linear e mecanicista surgida no cerne da ciência gerou influências diretas sobre a maior parte das organizações sociais. Para Beck (2006. os quais deixou para traz quando começou a operar além dos limites asseguráveis. autônoma.

De acordo com o autor. Nesse contexto. Paralelo a estas questões. os representantes empresariais desenvolveram o argumento de que custos adicionais para as empresas para o controle da poluição comprometeriam a lucratividade. Para Demajorovic (2003. p. De acordo com Demajorovic (2003). cada vez menos o trinômio produtividade-progresso-riqueza se vê capaz de . ou seja. passou a ser a de externalizar os custos ambientais. a estratégia do discurso empresarial que enaltecia o papel exclusivo das empresas como fomentadoras da riqueza. Demajorovic (2003) menciona que no mesmo período. aprimorava a regulação ambiental. acionistas e consumidores. ou seja. Segundo o autor: Ao mesmo tempo que a mobilização em torno da questão ambiental multiplicava os debates sobre essa temática em diversos países. convertendo os danos e as ameaças ao meio ambiente em custo direto para os negócios (DEMAJOROVIC. poupando o verdadeiro causador de arcar com qualquer ônus para reverter o problema. encontraria cada vez menos respaldo na sociedade. gerando prejuízos às partes interessadas. como forma de estabelecer defesas em relação aos problemas de degradação ambiental. 33) “até meados da década de 1980. segundo Demajorovic (2003) a estratégia adotada pelas empresas. segundo o jargão econômico. 2003. apesar de muitos defensores da forma atual de progresso econômico acreditarem que as tragédias ou os problemas mencionados são fatalidades ou acidentes de percurso do processo necessário para o desenvolvimento indústria. a exposição pela mídia de tragédias ambientais provocadas por grandes empresas contribuiu para colocar o setor industrial como alvo prioritário dos protestos de grupos ambientalistas. como forma de garantir a rentabilidade de suas atividades. p. 34).117 gradativamente aprenderam a desenvolver mecanismos de proteção. a competitividade e a oferta de empregos. por meio de suas agências ambientais. predominou no discurso empresarial uma resistência a qualquer iniciativa de minimizar os impactos socioambientais decorrentes da atividade produtiva”. transferi-los para a sociedade. a partir de meados da década de 1980. trabalhadores. Segundo Demajorovic (2003). o setor público.

o que “agrava o problema é a percepção de que os riscos gerados hoje não se limitam à população atual. que mostram. unida à ciência. são “[. a sociedade industrial aprendeu a controlar e a conviver de forma menos traumática com boa parte desses riscos. uma vez que as gerações futuras também serão afetadas e talvez de forma ainda mais dramática” (DEMAJOROVIC. p. Para o autor. que ameaçam os habitantes do planeta e o meio ambiente.118 convencer a opinião pública. Logo. uma vez que é especialmente a indústria. a principal responsável por gerar as ameaças que lhe dão origem. acima de tudo. Para Demajorovic (2003) está cada vez mais evidente que o agravamento dos problemas ambientais está diretamente ligado a escolhas com respeito à forma de aplicar o conhecimento técnico-científico no processo produtivo. Fundamentado em Beck.] conseqüências inerentes da modernidade. 35). 35). p. uma vez que o processo de decisão torna-se mais complexo para os gerentes em suas organizações.. 2003. Para Demajorovic (2003) em razão do desenvolvimento de seu instrumental de controle. o aumento de riscos de acidentes em função do grande número de veículos circulando nos centros urbanos ou ao risco da ampliação da degradação ambiental em função da concentração de empresas em determinadas regiões. 2003. O autor considera que com um maior número de empresas competindo no mercado globalizado os riscos se ampliam. o autor cita o avanço tecnológico que ameaça os trabalhadores com o desemprego. Demajorovic (2003) afirma que a sociedade de risco não consegue se libertar da sociedade industrial. De acordo com Douglas e Wildavsky citados por Demajorovic (2003). Demajorovic (2003) menciona que o processo de industrialização é indissociável do processo de produção de riscos. o autor considera que “as catástrofes e os danos ao meio ambiente não são surpresas ou acontecimentos inesperados”. nunca nenhuma civilização anterior à contemporânea se .. Como exemplos. a incapacidade do conhecimento construído no século XX de controlar os efeitos gerados pelo desenvolvimento industrial” (DEMAJOROVIC. uma vez que uma das principais conseqüências do desenvolvimento científico industrial é a exposição da humanidade a riscos e inúmeras formas de contaminação nunca observados anteriormente.

as quais ameaçavam a própria solvência do De acordo com Shrivastava citado por Demajorovic (2003) este tipo de cálculo procura avaliar exclusivamente os riscos financeiros. destinados a reduzir a possibilidade de ocorrência de acidentes industriais que afetem seus funcionários. Para o autor. com o objetivo de produzir uma infinidade de medidas compensatórias para uma população à mercê de um mundo cada vez mais incerto. a população e o meio ambiente. ecológicos e de engenharia genética apresentam três características fundamentais: não podem ser limitados no tempo e espaço. detectar a possibilidade de retornos monetários para o investimento realizado. Demajorovic (2003) menciona que diversas empresas já são obrigadas pela regulação ambiental a apresentar estudos de risco. as várias seguradoras que vislumbraram grandes oportunidades de negócios na década de 1980 em função do aumento das regulamentações ambientais. Diversas seguradoras. optando por incorporar o seguro ambiental em seus serviços tradicionais. nucleares. muitas delas acabaram por incorporar o cálculo de risco28 em seu processo de tomada de decisão.119 demonstrou tão preocupada em desenvolver técnicas de cálculo de risco. Assim como Beck. entre outros. De acordo com Beck citado por Demajorovic (2003) é impossível calcular os riscos gerados para os indivíduos que ainda não nasceram e que serão afetados pelo desastre de Chernobyl. os atuais riscos químicos. as mudanças tecnológicas. A ampliação das exigências exercida sobre as organizações pelas novas regulamentações e pela sociedade confirmam a existência dos riscos. rapidamente perceberam que a multiplicação dos acidentes revelava que a administração dos novos negócios não era tão simples. 28 . considerando a volatilidade dos mercados financeiros. ao desenvolver este instrumental para o enfrentamento das incertezas. preocupadas com os bilhões de dólares destinados ao pagamento das indenizações em virtude do aumento das reclamações por problemas ambientais. Para Demajorovic (2003) diferentemente dos riscos da fase inicial de industrialização. dificultam a identificação do nexo causal entre o problema gerado e a sua origem e muitas vezes não podem ser compensados. Demajorovic (2003) considera que nada é mais representativo do que o posicionamento assumido pelas empresas de seguro em relação ao risco. as flutuações da taxa de inflação. ou seja. Além disso. Segundo o autor.

choca-se com a moral ecológica”. Tal expectativa enfraquece o argumento de dificuldade de cálculo. 45 e 46): Por mais que esses cientistas ou empresários se apeguem à dificuldade de calcular com exatidão os danos socioambientais produzidos por atividades industriais. mas se materializa também nas pressões políticas. tratadas anteriormente como assuntos de soberania exclusiva dos gerentes e administradores de unidades industriais. os riscos da modernização. Novos grupos e atores sociais entram em cena. (DEMAJOROVIC. forja o desenvolvimento de uma moral ecológica. ao mesmo tempo em que diminuíram a cobertura de seguros29. tornando mais difícil que essa estratégia seja usada perante a opinião pública. Para Demajorovic (2003. cresce a expectativa de que parcela significativa dos impactos previstos se concretizará no futuro caso o processo de degradação não comece a ser remediado no presente. Para o autor: Questões como escolha do processo produtivo. “com efeito. planejamento da produção. Para Demajorovic (2003. 47) considera que. fundamentado em sua contribuição para o crescimento do emprego e do nível de renda. por parte do Poder Judiciário. Para o autor: Esta não apenas questiona os aspectos econômicos e tecnológicos das ações empresariais. no ano da edição do seu livro. p. contudo. 2003. ao acelerar o processo de conscientização.120 setor. p. no aumento dos custos de operação. levando representantes das corporações ao banco dos réus. das demandas de compensação por danos socioambientais. extrapolam os muros das plantas industriais. 29 . mais de 70 seguradoras de 25 países assinaram o acordo para incorporar a variável ambiental em suas operações. Na realidade. alteram a distribuição do poder no âmbito da tomada de decisão nas empresas”. Essa constatação. exigindo que decisões tomadas nas altas De acordo com Demajorovic (2003) em 1995 o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou a Declaração de Compromisso Ambiental para a Indústria de Seguros. representa apenas uma das variáveis importantes que afetam as organizações. em um maior rigor das normas de comando e controle. p. ainda que baseado muito mais em estimativas do que em sua real calculabilidade. desenvolvimento tecnológico e disposição dos resíduos. 46) “o consenso criado em torno dos benefícios proporcionados pelas empresas. 46) Demajorovic (2003. na maior inferência no processo de tomada de decisão dentro das organizações e no reconhecimento. De acordo com o autor. logo elevaram significativamente o valor dos prêmios. criando uma variedade de novos desafios no ambiente em que atuam as indústrias. p. o processo social de reconhecimento de risco que está em curso.

bem como melhor regulamentadas e fiscalizadas pelo Estado. a fiação. em razão dos riscos que representam para a sociedade e para o meio ambiente. desde o primitivo homem das cavernas ao homem atual. O fogo. INDÚSTRIAS QUÍMICAS 2. onde foram descobertas as primeiras reações químicas. até os períodos mais recentes. a metalurgia do bronze e do ferro. Com o aprimoramento de suas capacidades intelectuais e inovativas. Wongtschowski (2002. o curtimento de couros. uma das primeiras reações químicas que o homem aprendeu a dominar. desde os períodos mais remotos. as atividades desenvolvidas pelas indústrias químicas passam a ser mais bem observadas pela mídia e pelas comunidades onde se encontram inseridas.3.1. o ser humano passou a construir e a ampliar o seu conhecimento sobre a química. Por essa razão. que coincidem com o surgimento da sociedade industrial. 2.121 cúpulas administrativas sejam revistas e que processos de produção sejam modificados. 8). a elaboração de alimentos fermentados (panificação e bebidas alcoólicas). p. o tratamento e tingimento dos primeiros tecidos. considera que: Em seu sentido mais amplo. este estudo busca revelar qual é a percepção que os profissionais que atuam em indústrias químicas têm da relação de sua organização com o meio ambiente. . As Origens da Indústria Química no Mundo O surgimento da indústria química mundial se confunde com diferentes períodos históricos vividos pela humanidade. por meio do estabelecimento de um diálogo direto com os diferentes atores que atuam no universo definido para o desenvolvimento desta pesquisa. tal como é conhecida atualmente. a química está presente em todas as facetas da vida do homem. a produção de lixívia para a limpeza pessoal e de utensílios. Em função do novo contexto delineado pelo surgimento da sociedade de risco global e de seu histórico que será apresentado no próximo capítulo.3. são todas atividades precursoras da indústria química. a obtenção dos primeiros remédios extraídos de plantas.

A estreita relação entre ciência e indústria pode ser percebida em Demajorovic (2003). para o fortalecimento das . quando menciona que os diversos produtos fabricados pela incipiente indústria química nos séculos XIX e XX tiveram origem em pesquisas desenvolvidas por membros de grupos científicos. O Estado e a indústria passaram a financiar a ciência com o interesse estratégico de criar novos produtos. gerando assim um ciclo recursivo onde recursos crescentes passaram a ser aplicados na produção de pesquisas científicas orientadas para o desenvolvimento e o atendimento de novas demandas. gradativamente revelaram a sua capacidade de estabelecer controles sobre o meio natural. A título de exemplo desta estreita relação. esta capacidade de controle desenvolvida pela ciência passou a ser gradativamente controlada pelos interesses estatais e industriais. fundador da Dow Química. Com o advento da sociedade industrial. momento em que este tipo de indústria passou a ser considerada por diferentes nações como estratégica para a instalação e desenvolvimento de outras indústrias. Desta forma é possível perceber que a expansão e o crescimento da indústria química em termos de escala de produção e presença mundial são estabelecidos no período compreendido pelo surgimento e estabelecimento da sociedade industrial. Para Morin (1998) a atividade científica que era sociologicamente periférica. tornou-se uma poderosa instituição no centro da sociedade.122 conhecimento este que contribuiu significativamente para o surgimento de uma ciência capaz de proporcionar inúmeras descobertas a favor e contra a humanidade. As diferentes pesquisas desenvolvidas no interior desta ciência. alimentada e controlada pelos poderes econômicos e estatais. confirmando o princípio de recursão organizacional definido por Morin (2006). com o advento da globalização. e consequentemente. subvencionada. o autor cita o caso do professor de química Herbert Henry Dow. dos quais se originaram nomes proeminentes da teoria química. capazes de assegurar seu poder hegemônico e de gerar novos recursos para financiar suas próprias estruturas. inicialmente originadas pelo interesse dos seres humanos em estabelecer novas descobertas acerca do ambiente ocupado. uma das mais importantes corporações do setor químico.

quando menciona a presença dos produtos químicos no cotidiano das pessoas. muitas nações emergentes procuraram fomentá-la com o triplo intuito de criar um parque industrial gerador de empregos. entre outras). eletrônica. 65) considera que: A indústria química constitui um dos setores mais dinâmicos e vitais de qualquer economia industrializada. fertilizantes. 25): Dado o papel representado pela indústria química. criando um novo tipo de dependência: a dos indivíduos por produtos químicos sintéticos”. p. automobilística. oriunda do êxito da realização de duas tarefas: a de descobrir novos produtos e materiais por meio de ensaios em laboratório (química) e a de extrapolar estes ensaios para produções em escala industrial (engenharia química). Para Wongtschowski (2002) a indústria química tal como é compreendida na atualidade surge somente a partir do século XIX. de forma direta (produtos farmacêuticos. transformar localmente matérias-primas em produtos de maior valor agregado. de “agente catalizador” do desenvolvimento industrial. pois gera produtos finais amplamente demandados por consumidores e uma infinidade de insumos intermediários utilizados por outras indústrias em seus processos de produção. Para alguns autores como Jonhson citado por Demajorovic (2003. plásticos e borrachas) e indireta (insumos para as indústrias têxtil. melhorando seus saldos comerciais. “a indústria química transformou profundamente as relações dos seres humanos com o mundo natural. Demajorovic (2003) acredita que o fato de vivermos em uma era química se deve a uma característica marcante do desenvolvimento da pesquisa de novas substâncias químicas desde sua primeira fase de florescimento no século XIX: a sua capacidade de . 65). Seguindo as premissas da racionalidade econômica e justificando o interesse demonstrado pelos Estados-Nação em relação ao desenvolvimento da indústria química. p. Para Wongtschowski (1999. Reforçando a primeira constatação de Wongtschowski (2002). para exportá-los sob esta forma e livrarem-se das importações de produtos que passam a ser fabricados em seu país.123 economias dos Estados-Nação e para a manutenção do equilíbrio da balança comercial. tintas. Demajorovic (2003. Esta constatação pode ser confirmada em Demajorovic (2003).

em unidades de pequeno e médio portes. 66) “é justamente a capacidade de inovar mais rapidamente do que os demais setores. Nesta retrospectiva histórica é possível identificar diversos elementos que apontam para a existência de um estreito vínculo de sua trajetória com as bases que constituem a matriz de pensamento linear caracterizada pela presença predominante da ação racional instrumental. Cabe ressaltar as influências geradas pelas duas grandes guerras no processo de industrialização mundial. 66) considera que: [. não restrita às tecnologias mecânicas. concomitantes e posteriores ao período da Revolução Industrial. p. principal vetor da mudança social e econômica do século XX.] uma análise mais ampla das mudanças observadas no período. oferecendo sempre novos produtos e modificando processos. De forma sintética. revela que a famosa Revolução Industrial iniciada na Inglaterra não resultou de fato em uma revolução e sim uma mudança evolutiva. Para Demajorovic (2003. Clow citado por Demajorovic (2003. em unidades de grande porte. .124 inovar continuamente. 8 e 9) menciona que a moderna indústria química mundial teve o seu desenvolvimento baseado em duas fontes distintas: i) Indústria química alemã. direcionadas para o desenvolvimento de novas matérias-primas. a qual apresenta as bases de formação e expansão da indústria química mencionadas por Demajorovic (2003). p. A verdadeira ruptura. predominando a partir da segunda metade do século XX. em geral descontínuas. racionalidade esta que se tornou um poder hegemônico no processo de formação do arquétipo mental adotado para o desenvolvimento da sociedade industrial. o Wongtschowski (2002. a partir da segunda metade do século XIX. Indústria química norte-americana: desenvolvida por engenheiros químicos a partir da química derivada do petróleo. ou a “revolução química”. desenvolvida por químicos a partir da química derivada do carvão. estabeleceriam as bases para a formação e expansão da indústria química.. é apresentada no quadro 6 uma retrospectiva histórica. as quais também são retratadas nesta retrospectiva histórica. que.. em geral de produção contínua. predominando por quase um século. teria acontecido por ocasião de pesquisas anteriores. que permitiu um notável crescimento à indústria química”. p. ii) Com base no estudo de Wongtschowski (2002).

A Inglaterra que ocupava um papel secundário no cenário mundial vive um período de expansão. emprego de cientistas e de investimentos em P&D) alicerçadas em seu sistema de educação. sendo dividida em 1911 em várias companhias por decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos. considerada por especialistas como uma das maiores conquistas da química e da engenharia química.125 Quadro 6 – Retrospectiva Histórica da Indústria Química Mundial Período • • Meados do Século XIX • • • Fatos Relevantes A Inglaterra era a sede da maior indústria química do mundo. e Carl Bosch. assumindo a liderança mundial no campo de corantes e logo depois no campo da indústria química em geral (liderança que perdurará por 30 anos. pesquisador da Universidade de Karlsruhe e Prêmio Nobel em 1918. A Alemanha ensaiava seus primeiros passos a caminho da industrialização. A fábrica foi instalada em Midland – Michigan. Indústrias inglesas e francesas dominam a produção mundial de corantes. os Estados Unidos já eram a segunda potência mundial na fabricação de produtos químicos. Síntese direta da amônia. ao reconhecer a Engenharia Química como uma disciplina separada da Química.) 1870 a 1880 • • • 1890 1897 • • 1900 • • 1912 • • 1913 • • 1914 a 1918 • • • 1910 . O Massachusetts Institute of Technology (MIT) contribui de forma decisiva para o desenvolvimento da indústria química mundial. a empresa americana Standard Oil Company foi criada por John D.. A Alemanha transformou a sua indústria de corantes em indústria de produtos bélicos.. Em 1917. Processo desenvolvido por Fritz Haber. até o fim da Segunda Guerra Mundial). junta-se com a PrestContinua (. Basf (1865) e Agfa (1867). A liderança assumida pela Alemanha possibilita a passagem da química de síntese de corantes para a química farmacêutica. de onde era extraído o bromo dos brometos existentes no sal-gema. Fundação da empresa americana Dow Chemical pelo professor de química do curso secundário Herbert Henry Dow. A Bayer desenvolve a Aspirina. A Hoescht desenvolve o “Salvarsan”. A indústria química mundial sofre uma série de mudanças importantes. aditivos para a indústria de borracha e até polímeros. Bayer (1863). Em 1870. denominado de PVC. A Standard Oil Company detinha 80% da capacidade de refino e 90% dos oleodutos norte-americanos. produtos químicos para fotografia. Surgem as primeiras indústrias alemãs destinadas para a produção de corantes: Hoescht (1863). empresa americana fundada no final do século XIX para a produção de carbeto de cálcio. Rockfeller. a Alemanha sobrepuja as indústrias de corantes inglesas e francesas. A maior parte dos negócios da Standard Oil Company passou a então Standard Oil of New Jersey (atual Exxon). Em 1914. pesquisador da Basf e Prêmio Nobel em 1931. Com base em vantagens competitivas (racionalização de seus processos produtivos. primeiro anti-sifílico efetivo sintetizado pelo homem. onde existiam grandes jazidas de sal-gema. produtos farmacêuticos e borracha sintética. Período da Primeira Guerra Mundial. a Union Carbide. O químico alemão Fritz Klatte desenvolve o primeiro termoplástico a partir de cloreto de vinila.

A partir da década de 1920. são reunidas na Alemanha as sete maiores indústrias químicas. Outro tipo de fibra artificial. Em 1920.. a Union Carbide inaugura a primeira planta industrial para a produção de eteno a partir de etano de gás natural. visando dar à mesma uma característica semelhante ao fio da seda. (originalmente uma filial de uma empresa alemã) e a National Carbon Company para constituir a United Carbide and Carbon Company. baseada em grandes investimentos em P&D voltados para a pesquisa aplicada. além do bromo. marcou o desenvolvimento da indústria química mundial.. a DuPont. A Dow Chemical passou a produzir. também cloreto de cálcio. I. utilizado para a produção do chumbo-tetraetila. A adoção do processamento contínuo em instalações de petróleo e de petroquímicos criou uma vantagem competitiva para os Estados Unidos em relação à Alemanha nesse campo. Em 1924 a Dow Chemical. Ostromislenski. em função dos trabalhos do quimico russo I. para produzir e comercializar os produtos derivados do eteno. O maior problema encontrado no PVC produzido era a sua extrema rigidez. por iniciativa de Carl Bosch. a Linde Air Products Co. foi tão notável quanto o desenvolvimento do campo dos polímeros. O Departamento de Engenharia Química do MIT substitui o processamento em batelada pelo processamento contínuo. parte também da celulose. mas modifica a molécula da mesma. Neste ano a produção mundial de fibras artificiais passou para 60 mil toneladas. a Union Carbide cria a Carbide and Carbon Chemicals Corp. empresa americana fundada em 1802 pelo Francês Eleuthère Isidore DuPont. Nos Estados Unidos. As primeiras fibras artificiais partiam da celulose. antidetonante descoberto pela Ethyl.1939 • • • • O-Lite. primeiramente nas artificiais (a base de celulose) e posteriormente nas totalmente sintéticas. A produção mundial de fibras artificiais sofreu um grande impulso nas décadas de 1920 e 1930 e começou a perder impulso na década de 1950.) . Em 1925. fenol. em parceria com a empresa Ethyl Corporation produz o brometo de etila. Período entre as duas grandes guerras. Em 1923. A participação da indústria química mundial. conhecido como acetato de celulose. Neste mesmo ano. destilação e fluidodinâmica. a empresa norte-americana Naugatuck Chemical Company. a Basf e a Hoechst para formar a sociedade Interessengemeinschaft Farbenindustrie Aktiengesellschaft (IG Farben). os cientistas começaram a desenvolver polímeros a partir do cloreto de vinila para a produção de PVC. responsável pelo desenvolvimento de novos processos e produtos químicos. no desenvolvimento das fibras têxteis. além de desenvolver outros avanços nas áreas de troca térmica. planta para a produção de cloridina a partir do eteno e planta de etilenoglicol a partir de cloridrina. entre elas a Bayer. cloro e soda cáustica. inaugura a primeira unidade industrial de poliestireno para fabricar o produto Continua (. cria a tinta de secagem rápida para atender a indústria automotiva da época. discípulo de Lavoisier. extração. cloreto de vinilideno (polímero conhecido como “Saran”) e etilcelulose. introduzindo radicais acetato na molécula. com a introdução das fibras sintéticas. problema que foi resolvido por meio do desenvolvimento de novos processos por empresas como a Union Carbide e BF Goodrich.126 • • • • 1919 . Em 1919 a produção de fibras artificiais era de aproximadamente 11 mil toneladas. Em 1921 a Union Carbide inaugurou a primeira unidade de craqueamento de gases naturais no mundo para a produção de eteno.

A Shell.. As resinas acrílicas foram patenteadas pela IG Farben. Apesar de boa parte da pesquisa de produção do estireno ter sido desenvolvida na Alemanha. Alemanha e Japão. Em 1928 a Union Carbide inaugura as unidades de dietilenoglicol. O interesse dos americanos era dominar a técnica de hidrogenação a altas pressões. em parte porque sua grande concorrente. sendo toda a produção exportada para a Inglaterra. a partir de dicloroetano e polissulfeto de sódio. Várias tentativas de extrudar a resina na forma de fibras. trietilenoglicol e trietanolaminas. A Union Carbide cria a primeira unidade de álcool etílico sintético. embora praticamente não houvesse mercado nos Estados Unidos.127 • • • • • “Victron”. utilizado para a produção de dentaduras. foram infrutíferas. efetuadas pela Agfa em Wolfen na década de 1930. para aplicá-la na refinação de petróleos pesados que começavam a tornar-se mais freqüentes em suas refinarias. Em 1929. Esta junção de empresas visava fazer frente à empresa alemã IG Farben. Em 1927 A Union Carbide inaugura a fábrica para fluído de refrigeração de motores à base de etilenoglicol. Em 1926 é fundada a companhia inglesa Imperial Chemical Industries (ICI). ficando conhecido com o nome de “Thiokol”. que embora não fosse o substituto ideal da borracha natural. podia ser empregado em certos usos específicos. sendo também construída nos Estados Unidos pela DOW a primeira fábrica baseada neste processo. a partir do eteno. Mond & Company. a Standard Oil of New Jersey estava fazendo o mesmo e em parte porque a IG Farben e a sua síntese de hidrocarbonetos a partir do carvão poderia por em perigo sua penetração no mercado de combustíveis. formada no ano anterior na Alemanha.) . de origem britânica holandesa. Neste mesmo ano. a partir do qual foi construída uma unidade piloto em Baton Rouge e cedido o pesquisador Paul Baumann. Nobel Industries. em função do grande interesse que o país tinha em desenvolver a química da borracha sintética a partir deste produto. produzindo um copolímero chamado “vinylite” que foi empregado nos discos da RCA Vitor. a primeira fábrica surge nos Estados Unidos. França. resultado da junção das quatro maiores indústrias químicas inglesas da época: Brunner. A Dow Chemical produz um elastômero sintético. chegando a desenvolver o processo de produção de ácido acético a partir do acitileno. A Dow Chemical inicia a produção de magnésio.. isooctano (processo ácido Continua (. a produção mundial de fibras artificiais passou para aproximadamente 200 mil toneladas. após os trabalhos de Carl Wulff na Basf e de Hermann Mark no desenvolvimento do processo de produção de estireno por desidratação do etilbenzeno e também da sua polimerização. Em 1930 a DuPont cria a primeira borracha sintética com características aceitáveis. A Standard Oil of New Jersey negocia um acordo de troca de licenças com grupo alemão IG Farben. decidiu atuar no campo da química ligada aos derivados de petróleo. Bristish Dyestuffs e a United Alkali. que era a maior fábrica americana deste produto na época. Neste mesmo ano a Shell cria nos Estados Unidos a primeira unidade e diversas plantas industriais. Em 1929 a Union Carbide inaugura a unidade de copolimerização de cloreto de vinila e acetato de vinila. desenvolvendo diversos processos e/ou produtos: butanol secundário. Logo em seguida inaugura uma planta de estireno. que foi o responsável pelas experiências nesta unidade durante 5 anos. A Standard Oil of New Jersey negocia e assina com o grupo alemão IG Farben a licença do processo de hidrogenação à altas temperaturas do carvão em pó para a produção de hidrocarbonetos. Neste mesmo ano. a IG Farben construiu várias fábricas de poliestireno na década de 30.

recuperação de tolueno por destilação/extração e butadieno via diclorobutano. o mínimo de edificações possível. Em apenas alguns dias. usando caprolactama. O. álcool isopropílico e acetona. ao ler a patente do Nylon depositada pela DuPont. Este produto. Neste mesmo ano. que atualmente é o termoplástico de maior produção mundial. Fawcett e R. No início da década de 1930. poucos meses antes do início da Segunda Guerra Mundial. na descrição de uma das patentes. Gibson da ICI descobrem o polietileno. sem tubulações de processo enterradas. W. Whinfield e J. o que efetivamente ocorreu em 1939. A Dow Chemical constrói uma planta petroquímica na região da Costa do Golfo (Freeport – Texas) utilizando conceitos revolucionários para a época ao instalar equipamentos a céu aberto. e logo chegaram à formação de um polímero que apresentava ótimas propriedades como fibra (algumas superiores ao nylon) além de um Continua (. por não apresentarem a estabilidade química das poliamidas (nylon) e terem ponto de fusão muito baixo. começaram a estudar as patentes de Carothers e ficaram surpresos ao verificar que este havia incluído. Carothers. o que acarretou economias de um terço à metade do que seria investido para fazer a mesma fábrica no clima frio dos Estados do norte dos Estados Unidos (este modelo se tornou padrão para a construção de unidades químicas em regiões de climas tropicais e temperados de todo o mundo). decidindo fazer um intercâmbio de licenças de fabricação. alguilação de parafinas com olefinas. alquilfenóis. R. atualmente conhecido como polietileno de baixa densidade e inicialmente aplicado para fins militares em radares de aviões em função de suas propriedades dielétricas. foi desenvolvido por Michael Perrin. Wallace H. Dickson da Calico Printers Association. empresa produtora de resina fenol-formaldeído. T. Esses pesquisadores testaram a reação de esterificação e polimerização entre o ácido tereftálico e o etilenoglicol. que continha 6 átomos de carbono. utilizado para a fabricação de bolas de bilhar em substituição do marfim.. registrando a sua patente nos Estados Unidos com poucos meses de antecedência em relação à Union Carbide. Em 1939 a Union Carbide compra a Bakelite Company.) . o laboratório da Aceta estava produzindo um fio denominado “Nylon 6”. profissional contratado pela DuPont em 1927. e ficaram espantados com o progresso alemão na fabricação do “Nylon 6”. Em 1934 o Nylon é descoberto pelo professor e pesquisador da Universidade de Harvard. a ICI desenvolve o polietileno de baixa densidade. O químico alemão Paul Schlack. Em 1938 alguns executivos da DuPont visitaram a fábrica da Aceta em Wolfen. Este polímero que veio a se tornar o maior sucesso comercial de produto químico no mundo (desenvolvimento em escala industrial iniciado somente em 1939).128 • • • • • a frio). responsável por determinar as condições exatas nas quais a reação se processava. que poliésteres alifáticos (de cadeia reta) não eram adequados à formação de polímeros que pudessem ser transformados em fibras. mas não citava os poliésteres aromáticos (contendo a estrutura de um anel benzênico). E. que já trabalhava com fibras têxteis desde 1928. com propriedades diferentes das apresentadas pelo fio de Nylon fabricado pela DuPont e que partia do caprolactama. da firma Aceta (IG Farben). Neste mesmo ano a Union Carbide já produzia e comercializava 35 produtos químicos produzidos a partir do eteno e 15 a partir do propeno. os químicos ingleses J.. sob a ação de catalisadores. imediatamente vislumbrou a possibilidade de produzir um fio semelhante. Em 1935.

No amplo acordo de trocas de Continua (. Texas e Cornell entre outras). mas sobretudo pela empresa IG Farben. seguindo-se de várias outras descobertas como o BHC. bastante prejudicial aos homens e animais e tiveram o seu uso proibido. as nações em litígio foram obrigadas a lançar mão dos seus químicos e engenheiros químicos para sintetizarem e produzirem. Novos defensivos agrícolas foram então desenvolvidos. Neste período surge a maior realização da Standard Oil of New Jersey. Graças à introdução do conceito de Engenharia Química. toxafeno. inúmeras empresas quiseram licenciá-lo. Ainda na década de 30. Em 1940. Período da 2ª. e as de Wisconsin. Delaware. procurou então desenvolver processos para produzir amônia e metanol. A Alemanha contava com uma posição vantajosa. aldrin. os Estados Unidos foram capazes de recuperar o tempo perdido.) . praticamente equiparados à Alemanha no desenvolvimento de indústrias químicas. entre outros. e a ICI não sabia o que fazer com estes gases. desenvolvimento este que teve uma participação muito ativa da equipe do MIT e que é a base do sistema de refino de petróleo no mundo inteiro. O primeiro processo prático para produção da acrilonitrila a partir do acetileno foi patenteado pela Bayer em 1939. trabalho desenvolvido por Otto Bayer e Peter Kurtz (resinas acrílicas). considerado o primeiro inseticida moderno. Como estas unidades geravam muito propano e butano. sem os inconvenientes daqueles. Em razão do sucesso do processo. o químico suiço Paul Müller descobriu o DDT. dieldrin. o desenvolvimento do craqueamento catalítico em leito fluidizado. lindano. formulado pelo MIT e logo seguido por muitas universidades norte-americanas (California Institute of Technology – Caltech. filiada da Standard Oil of New Jersey desenvolveu e produziu a maior parte da gasolina de avião utilizada pelos Estados Unidos durante a guerra. Em 1939. Minnesota. Purdue. Com a impossibilidade de acesso às fontes usuais de matérias-primas. ficando ao fim da guerra. e clordano. a gasolina de avião e a borracha sintética. na área de defensivos agrícolas (“crop protection chemicals” ) e após 20 anos de pesquisa. que muitos desses compostos apresentavam uma persistência residual na natureza. a Alemanha produzia 20.. para servir como ponto de partida para a produção de amônia e metanol. Este processo sintético de produção do metanol a partir de frações leves e gases naturais desenvolvido pela ICI é o mais empregado no mundo.. entretanto.000 toneladas por ano. benlate. Pesquisas posteriores mostraram. não só pelo grande número de cientistas e químicos de que dispunha. desenvolvendo então um processo de reforma catalítica de hidrocarbonetos leves. A Humble Oil Company. a partir de matérias-primas locais. até a presente data. para utilizar este processo na produção de gasolina sintética a partir do carvão. a ICI faz um acordo de licenças com o cartel que havia financiado as pesquisas do processo Bergius (ao qual pertenciam a Shell holandesa e a IG Farben). A esse poliéster deram o nome de “Terylene”. os produtos necessários aos esforços de guerra. enquanto que os Estados Unidos não contavam com a mesma tradição química alemã. enquanto os Estados Unidos produziam 1 tonelada de borracha sintética por dia (planta piloto da Goodyear).129 • • • 1939 a 1945 • • • • ponto de fusão elevado (240 ºC). criando duas unidades de gasolina sintética. Guerra Mundial no qual foi promovido um avanço sem precedentes no desenvolvimento da indústria química mundial. Neste período dentre os processos e produtos desenvolvidos pelos norte-americanos destacam-se três: o craqueamento catalítico em leito fluidizado.

Goodrich. denominado “dimetilformamida”. sobretudo a parte da síntese de combustíveis a partir do carvão. O butadieno tinha duas origens distintas: indústria petrolífera (desidrogenação de butenos. uma das maiores autoridades em catálise da época e considerado juntamente como Paul Sabatier. surge de trabalhos independentes desenvolvidos tanto pela Bayer como pela DuPont. As propriedades dessa fibra acrílica.130 • • licenças entre a Standard Oil of New Jersey e a IG Farben. Dentre elas a Universal Oil Products – UOP. a Standard Oil of New Jersey recebeu informações sobre os dois processos alemães de fabricação de borracha sintética: a Buna S. acabando com o envio de borracha natural para o resto do mundo. A borracha sintética seria produzida pela Goodyear. A produção da borracha sintética a partir do estireno e do butadieno exigia a fabricação de destes insumos. vinil-piridina e ésteres acrílicos. Rubber (depois Uniroyal). Em função do afastamento de Hans Tropsch. Acabou convidando em uma dessas ocasiões para trabalhar nos Estados Unidos o cientista Hans Tropsch. além da DuPont. atendendo a uma solicitação do governo britânico para todo o invento descoberto durante a Segunda Guerra Mundial que pudesse ter valor estratégico.. sobretudo sua grande resistência à luz solar. químico francês. Firestone e U. só os norte-americanos tiveram condições de prosseguir com os trabalhos.. Quando em 1942 os japoneses invadiram a Malásia. Em 1941 a fibra de poliéster denominada de “Terylene” foi patenteada pela empresa inglesa Calico Printers Association sob grande segredo. por motivos de doença. a UOP contrata o cientista russo Vladimir Nicolaevitch Ipatieff. Durante o período da Segunda Guerra Mundial surgiram nos Estados Unidos muitas empresas de consultoria (algumas já existentes antes da guerra). sendo possível produzir fibras tendo comonômeros como cloreto de vinila. várias viagens à Alemanha para acompanhar o desenvolvimento da indústria química alemã. talvez devido aos esforços de guerra. Gustav Egloff. imunidade ao ataque de traças e à formação de mofo e sobretudo seu poder de “afofamento” (“bulking power”). O estireno seria produzido pela Dow. ambas as empresas descontinuaram as pesquisas. tendo como origem o benzeno que provinha da indústria metalúrgica (preparação do coque). o solvente necessário para transformar a poliacrilonitrila em fibra. Neste mesmo ano. químico chefe do Departamento de Pesquisa da UOP havia feito antes do período da guerra. tornando-a muito semelhante a lã natural. um dos “pais” da catálise. Estranhamente. também a Union Carbide e a Monsanto a desenvolverem Continua (. foi a partir das informações das patentes alemãs que a Rubber Reserve Company começou o programa de desenvolvimento e produção de borracha sintética nos Estados Unidos. fundada em 1915 a partir da Standard Asphalt. de 1930. à base de acrilonitrila. um dos cientistas envolvidos na criação da síntese. As investigações sobre as condições da reação de polimerização e a utilização de comonômeros tinham avançado bastante. sabe-se hoje que os trabalhos de Ipatieff foram mais profundos e amplos que os de Sabatier. levaram. Embora Sabatier tenha ganho o prêmio Nobel por seus trabalhos em catálise. à base de estireno e butadieno e a Buna N.S. e que trouxeram uma contribuição notável ao desenvolvimento da indústria química. Além de consultor da UOP. Ipatieff ocupava uma cátedra de química na Northwestern University. em laboratórios próprios ou dos próprios clientes. pela Union Carbide e pela Koppers. craqueamento de nafta e cloração-deidrocloração de butenos) e álcool etílico obtido por via fermentativa. Ao fim da guerra.) . que se dispunham a desenvolver novos processos ou melhorar os existentes.

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processos para a sua fabricação. Em 1943 J.R. Whinfield, agora trabalhando para o Ministério de Suprimentos, negocia com a ICI a cessão de patentes da Calico Printers Association, ao mesmo tempo em que a ICI deveria desenvolver a tecnologia de fiação no estado de fusão. A ICI foi escolhida não só porque já produzia uma das matérias-primas (o etilenoglicol), mas também porque tinha conhecimento das técnicas de fiação no estado de fusão, conhecimento obtido através de um acordo com a DuPont (Nylon Agreement), feito em 1939. O acordo da Calico com a ICI só foi efetivamente assinado em 1946, e a primeira fábrica de Terylene começou a operar em 1948. A Basf desenvolve um novo processo de produção de polietileno que era fabricado pela ICI em 1935. Nos Estados Unidos a produção de resinas vinílicas, que era pouco superior a 450 toneladas por ano em 1939, saltou para 54 mil toneladas por ano, em 1945. As fábricas atuais de PVC têm capacidade individual de 500 mil e 1 milhão de toneladas por ano. Com o fim da guerra, a Inglaterra resolveu revelar as patentes de inventos considerados estratégicos (e o Terylene foi um deles), dando oportunidade à DuPont de conhecer este invento, agora de propriedade da ICI, idêntico ao que ela mesma havia desenvolvido em 1944. Como as duas companhias tinham um acordo para a cessão de licenças; a DuPont para a produção do polietileno e a ICI para a produção do nylon, a DuPont reconheceu a precedência inglesa na descoberta da fibra de poliéster e acabou negociando com a ICI os direitos de utilização da patente inglesa. A fibra de poliéster tem características que a distinguem do nylon, como a extrema insensibilidade à água depois de estirada a frio, a grande resistência à maioria dos solventes, a possibilidade de imitar a resilência da lã quando “encrespada”, a possibilidade de “reter o vinco” após a lavagem (que foi o seu grande apelo na fase de marketing) e a possibilidade de misturar-se a fibras naturais, sobretudo ao algodão. Além disso, seu contato com a pele é considerado pela maioria das pessoas, como mais agradável que o nylon. De todas as fibras sintéticas, é a de maior produção mundial, correspondendo a aproximadamente 20% da produção da totalidade de fibras (incluindo as naturais e artificiais) nos Estados Unidos e Europa Ocidental e a 40% no Japão. Para entrar no mercado de fibras, a Monsanto, por não ter experiência industrial em processamento de fibras, resolveu fazer uma joint venture com a Amercian Viscose, na época a maior produtora de raion dos Estados Unidos, dando origem a Chemstrand. Como resultado desta parceria, foi montada a fábrica de “Acrilan” (nome dado pela Monsanto para a sua fibra acrílica), a qual inicia as suas operações no início dos anos 50. O produto entretanto apresentava um sério defeito, as fibras rompiam-se quando tensionadas (por exemplo, ao dobrar-se um cotovelo) e aparecia o substrato da fibra que não era tingido. O produto teve que ser recolhido e a Chemstrand quase foi à falência. A partir da década de 50 a indústria química mundial, agora liderada pelos Estados Unidos, passou por um desenvolvimento acelerado, introduzindo no mercado novos polímeros, que vieram a substituir em muitas funções outros materiais como o papel, madeira, vidro e metais. Também no campo das fibras sintéticas o avanço foi notável, em substituição às fibras naturais e às fibras artificiais à base de celulose. No campo dos defensivos agrícolas foram desenvolvidos dezenas de inseticidas, herbicidas e fungicidas. Os polímeros termofixos precederam os termoplásticos, tanto em desenvolvimento como na utilização prática. Continua (...)

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• 1953 • 1955 1961 • • 1980 • 1995

Como os produtos elaborados com alguns termofixos (como a resina fenolformaldeído) apresentavam odor residual e não podiam ser coloridos, foram desenvolvidas resinas do tipo uréia-formaldeído e melanina-formaldeído, que não tinham cor nem odor residual e podiam receber qualquer cor desejável. A American Cyanamid foi uma das primeiras empresas norte-americanas a produzir essa nova resina, que mais tarde ficou conhecida com o nome de “Fórmica”, ainda hoje muito utilizada. No início da década de 50, Karl Ziegler, do Instituto Max Planck, retorma as experiências realizadas pela IG Farben na produção do polietileno de baixa densidade para produzir o polietileno de alta densidade. A primeira fábrica deste produto foi implantada pela Hoechst, na Alemanha, em 1955. Em 1950, a DuPont construiu a sua primeira fábrica de fibra acrílica (que recebeu o nome de “Orlon”) em Camden, Carolina do Sul. Em 1952, a DuPont constrói uma fábrica de fibra cortada (“staple fiber”), tendo já neste ano, uma capacidade total de produção acrílicas de 17.000 toneladas por ano. Neste mesmo ano, a Union Carbide inaugura a sua fábrica de “Dynel”, fibra acrílica com 40% de acrilonitrila e 60% de cloreto de vinila, tendo capacidade de 3.600 toneladas por ano de fibra cortada. Esta fibra era lavável, não encolhia, podia ser tingida de qualquer cor, aceitava vinco permanente, tinha a textura da lã e custava exatamente a metade do preço da lã. A Bayer instala a primeira fábrica de fibra acrílica na Alemanha, para a produção de fibra cortada. Essa fibra recebeu o nome de “Dralon” e veio a se constituir em um importante produto de exportação da Bayer. A Monsanto retoma as pesquisas de laboratório para resolver os problemas apresentados pelo “Acrilan” em 1949 e o produto pode ser relançado, sem os inconvenientes do primeiro lançamento. A Monsanto compra a participação da American Viscose na Chemstrand e passa a ser a sua única proprietária. Com a introdução dos catalisadores chamados de 2ª. geração para a polimerização de olefinas e do tipo “metalocenos”, o número de tipos de polietilenos e polipropilenos com propriedades físicas e químicas diferentes pode chegar a alguns milhares. A produção mundial de fibras artificiais atinge o volume de 2.350 mil toneladas, correspondente a aproximadamente 6% da produção mundial de fibras, incluindo fibras naturais.

Fonte: Adaptado de Wongtschowski (1999)

O período analisado e apresentado por Wongtschowski (1999) permite a realização de algumas reflexões quanto ao tipo de racionalidade adotado para a expansão da indústria química no mundo, a qual se faz presente nos diferentes segmentos industriais que constituem a sociedade industrial contemporânea. Em razão de sua importância estratégica, a história da indústria química mundial se confunde com a história das duas grandes guerras, onde por meio dos dados apresentados por Wongtschowski (1999), é possível perceber que a indústria química e parte significativa

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das pesquisas científicas desenvolvidas na época passaram a ser amplamente controladas e conduzidas pelos poderes estatal e privado para a satisfação das necessidades militares e concomitantemente, para o atendimento de interesses de mercado. Para Demajorovic (2003, p. 66) a “tecnologia, pesquisa e ciência fundidas em busca da produtividade encontraram no setor químico o terreno ideal para o seu desenvolvimento”. De acordo com o autor:
Não por acaso o setor é denominado ‘indústria baseada em ciência’, cuja principal característica é a contínua inovação propiciada pelas atividades de pesquisa e desenvolvimento das ciências relacionadas nas universidades ou em outras instituições de pesquisa.(DEMAJOROVIC, 2003, p. 66 e 67)

Desta forma, a lógica da atuação da indústria química orientada para a produtividade, similar a de tantas outras organizações atuantes na sociedade industrial, pode ser associada ao domínio exercido pela racionalidade instrumental sobre a ciência na busca do atingimento de resultados e da obtenção de lucros. É importante ressaltar também que, apesar da indústria química produzir prioritariamente resultados orientados para o atendimento dos interesses estratégicos ou econômicos dos poderes que a controlam, é também responsável por produzir inúmeros benefícios a favor da humanidade. Segundo Wongtschowski (1999), somente no campo de produtos farmacêuticos, o desenvolvimento foi enorme, a começar pela penicilina e toda a família de antibióticos hoje conhecida, dando origem à indústria bioquímica, um campo muito particular da indústria química e que está atravessando uma fase de progresso enorme, através da engenharia genética. Apesar dos benefícios proporcionados à humanidade apresentados pelo autor e de outros aqui não relatados, é importante ressaltar que a maior parte das iniciativas promovidas pela indústria química mundial, a exemplo de outros tipos de organizações que operam sob a lógica econômica, visa atender objetivos econômicos atrelados aos interesses daqueles que a financiam e que dela esperam obter retorno financeiro. Esta constatação pode ser verificada, uma vez que a maior parte dos produtos produzidos

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pela indústria mundial somente estão disponíveis para as parcelas da sociedade que dispõe de recursos financeiros para a sua aquisição. 2.3.2. As Origens da Indústria Química no Brasil

A fabricação de produtos químicos no Brasil se inicia com o processo de colonização do país, com a necessidade primária de produzir localmente os primeiros artigos necessários para viabilizar a fixação dos colonizadores no novo mundo. Já o surgimento e a expansão da indústria química no Brasil segue a mesma lógica da indústria química em outros lugares do mundo, caracterizada pelo interesse econômico do desenvolvimento de uma indústria em solo nacional orientada para o suprimento das demandas locais, para a redução da dependência internacional (importações) e para a ampliação das exportações. Em seu estudo, Wongtschowski (1999) apresenta uma retrospectiva histórica envolvendo fatos relacionados ao surgimento e a expansão da indústria química no Brasil, que possibilitam estabelecer relações diretas desta com a história da indústria química mundial e com a racionalidade adotada pelo processo de expansão da sociedade industrial:

Quadro 7 – Retrospectiva Histórica da Indústria Química no Brasil
Período • Fatos Relevantes Instalação do primeiro engenho de açúcar no país. No final do século XVI a produção anual de açúcar na colônia chegava a 4.500 toneladas, geradas em 117 engenhos, localizados principalmente em Pernambuco e na Bahia. Associada à fabricação de açúcar ocorria a produção de aguardente. O sabão (produzido a partir de cinzas e de sebo de boi ou carneiro), o óxido de cálcio (obtido de sambaquis) e o hidróxido de cálcio foram produtos químicos fabricados desde cedo no País. Corantes de origem vegetal (como pau-brasil, anil, urucu) foram exportados já a partir de 1500-1530 em volumes crescentes. Início da produção de sal em escala comercial. Início da produção de salitre e, mais adiante, de pólvora. Ano em que D. João VI chegou ao Brasil. Neste ano, o Brasil já produzia açúcar, aguardente, sabão, medicamentos, potassa (carbonato de potássio), barrilha (carbonato de sódio), salitre (nitrato de potássio), cloreto de amônio e cal (óxido de cálcio). Produziam-se por extração, sal, drogas medicinais e resinas vegetais. Foram fundadas no País 5 fábricas de pólvora, 30 fábricas de sabões e velas, e 10 fábricas de produtos químicos diversos (medicamentos, potassa, hipoclorito de sódio, tintas e vernizes, graxas de lustro, tintas de escrever e água-de-colônia). Continua (...)

1500 a 1600

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1905 • • 1911 • • 1912 •

1909

Fundada em Sorocaba, São Paulo, a empresa F. Matarazzo, inicialmente operando no ramo alimentício. Inaugurada em Tremembé, São Paulo, a Companhia de Gaz e Óleos Minerais, primeira fábrica de ácido sufúrico. Inaugurada no Rio de Janeiro, a Companhia de Ácidos para produção de ácido sufúrico. Inaugurada em Maraú, Bahia, a John Grant & Co. para produção de ácido sufúrico. Foi fundada em São Paulo a indústria Dierberger Óleos Essenciais, voltada para a produção de produtos químicos e essências (existente até os dias atuais). Fundada em São Paulo a firma Queiroz, Moura e Companhia para a produção de ácidos e produtos químicos. Quando da Proclamação da República, o Brasil já possuía indústrias nas áreas de extração mineral, vegetal e animal, indústria siderúrgica, de papel, de vidro, de cimento, de sabões e velas e de adubos e inseticidas. Em termos de fabricação de produtos químicos, existiam inorgânicos de síntese (hipoclorito de sódio, carbonato de potássio, cloro, ácidos clorídrico e nítrico, iodeto de potássio, iodeto de ferro, cloreto mercuroso, bissulfato de cálcio, hipofosfito de cálcio, nitrato de prata, iodeto de chumbo, carbonato básico de chumbo e sulftato de magnésio) e produtos orgânicos (clorofórmio, éter dietílico, nitrato de etila, ácido tartárico e tartaratos, ácido acético e acetatos, ácido nítrico e citratos, ácido láctico e lactatos, iodofórmio, nitrocelulose e glicerina). Constituição da Companhia Melhoramentos de São Paulo para a implantação de uma fábrica de papel em Caieiras, São Paulo. Constituição da Companhia Antártica Paulista em São Paulo, para a produção de cervejas e bebidas em geral. Fundada em São Paulo a S.A. Fábricas Orion, para a produção de artefatos de borracha. Neste mesmo ano, foi consituída em São Paulo a Companhia Química Duas Âncoras, para a produção de cêras para assoalhos, pastas para calçados e saponáceos, e que ficou conhecida posteriormente pelo seu agressivo marketing de “Cito, Póx e Parquetina”. Inauguração da Companhia Vidraria Sta. Marina, pertencente ao grupo francês St. Gobain. Fundação em Santos, São Paulo, do Moinho Santista, empresa pertencente ao grupo multinacional argentino Bunge, que posteriormente implantou um respeitável conjunto de indústrias químicas no país: Sanbra (1934), Quimbrasil (1936), Serrana (1938) e Tintas Coral (fundada em 1654 e vendida para a ICI em 1996). Inauguração da fábrica do Ministério da Guerra, em Piquete, São Paulo, para a produção de ácido sulfúrico, ácido nítrico, pólvora e explosivos. Sob o nome de S.A. Indústrias Reunidas F. Matarazzo, muda-se para São Paulo, onde implanta uma moagem de trigo. Essa empresa foi responsável posteriormente, pela implantação de um grande parque industrial de fábricas químicas: óleos e gorduras (1920), raion-viscose (1924), pequena refinaria de petróleo (1936) e ácido nítrico (1942). Criação da Bayer do Brasil sob o nome de Frederico Bayer & Companhia, pertencente à Bayer da Alemanha. Criação da Companhia Brasileira de Carbureto de Cálcio em 1912, pertencente ao grupo belga Solvay. Criação da S.A. White-Martins, posteriormente pertencente à Union Carbide dos Estados Unidos. Continua (...)

136

1914 a 1918

• •

1918

1919 1951 1919 a 1939

• • •

Período da Primeira Guerra Mundial. A indústria química brasileira ressentiu-se muito da ausência de matérias-primas, quase todas importadas. Várias indústrias surgiram neste período, sendo importante ressaltar a S.A. Indústria Votorantim (1918) em Sorocaba, para a produção de cerâmica e que deu origem ao grupo Votorantim, bastante forte no campo das indústrias químicas, entre as quais destaca-se a Nitro Química em São Miguel Paulista, São Paulo (1935). Fundação da Companhia Aga de Gás Acumulado, no Rio de Janeiro em 1915, para a produção de acitileno (pertence ao grupo sueco Aga). Pelo Decreto Legislativo nº. 3216 de 16/08/1917 o governo oferecia vantagens a quem em concorrência pública se propusesse a estabelecer a indústria de fabricação, em larga escala, de soda cáustica, a fim de atender as necessidades das fábricas de tecidos, de sabão e outros artigos. Essa fábrica só veio a surgir em 1945, quando a multinacional Solvay iniciou a sua implantação, no Alto da Serra do Mar, na parada Elclor, município de Santo André, de uma fábrica de cloro e soda. A empresa Queiroz, Moura e Companhia, que a partir de 1912 passou a se chamar Sociedade de Produtos Químicos L. Queiroz, já possuía quatro estabelecimentos industriais: fábrica de pólvora na estação de Sabaúna, fábrica de sulfeto de carbono na estação de São Caetano, fábricas de ácido sulfúrico, ácido clorídrico, salitre, sulfeto de carbono, amoníaco, adubos polysu, superfosfatos e sulfato de sódio na estação Barra Funda e drogaria Americana na Alameda Cleveland. Atualmente atua sobre a denominação de Elekeiroz S. A., com fábrica na cidade de Várzea Paulista, São Paulo. Criação da Companhia Química Rhodia Brasileira, pertencente ao grupo francês Rhône-Poulenc. A Geon do Brasil em associação com a norte-americana BF Goodrich inauguram uma fábrica para produção de PVC. São Paulo: Kodak Brasileira Com. Ind. Ltda. (1920) e Hélios S.A. Ind. e Com. (1922).

Fonte: Adaptado de Wongtschowski (1999)

De acordo com Wongtschowski (1999), no período entre as duas grandes guerras (1919 a 1939), o Brasil assistiu a um crescimento contínuo de sua indústria química, condizente com o desenvolvimento dos outros ramos da indústria, visando a substituição de produtos químicos até então importados. Neste mesmo período, empresas originadas de grupos multinacionais vieram a se instalar no País, conforme demonstrado no quadro 8:

Quadro 8 – Empresas Químicas Instaladas no Brasil entre 1920 e 1939
Ano de Fundação 1920 1921 Nome da Empresa Kodak Brasileira Com. Ind. Ltda. Usina Colombina Município da Unidade Fabril São Paulo (SP) São Caetano (SP) Produtos Produtos para Fotografia Ácido Sulfúrico e Produtos Químicos Diversos Continua (...)

Reunidas F. Brasileira Rhodiaceta. Fábrica de Raion Destilaria Sul Riograndense Globo S. Química Esso Química S. Eletro-Chimica Fluminense Indústrias Matarazzo de Energia S. Pneus e Artigos de Borracha Produtos Químicos e Farmacêuticos Raion-viscose Anilinas Cimento Cerâmicas Produtos Químicos Diversos Fósforos Sabões e Sabonetes Amidos. Outros Produtos Derivados do Milho Ácido acético. Nitro Química Brasileira Refinaria Ipiranga Cia.A. Artigos de Borracha Fonte: Adaptado de Santa Rosa citado por Wongtschowski (1999. a indústria química brasileira foi privada de sua fonte de matérias-primas importadas.A. Curtume Carioca Div. Fiat Lux de Fósforos de Segurança Indústrias Irmãos Lever Refinações de Milho Brasil Cia.A.A.A. Químicas S. e Com. anidrido acético.A. DuPont do Brasil S. 76 e 77) De acordo com Wongtschowski (1999) em função da deflagração da Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945). Ind. Inds. Inds. João Jorge Figueiredo S. Inbra S. Cerâmica Mauá Pirelli S. Artigos de Borracha Pneus. Tintas e Pigmentos Cia. Nacional Indústria de Anilinas S. Dextrinas. Químicas Cia.A. Papel Carbono. as quais eram até então. raion acetato Refinaria de Petróleo Pigmentos e Óxidos de Ferro Ácido Sulfúrico. Óleos.A. Câmaras de Ar. p. Matarazzo Estabelec. Goodyear do Brasil Produtos de Borracha Cia. Fio de Raion Refinaria de Petróleo Soda Cáustica e Cloro Refinaria de Petróleo Produtos Químicos Diversos Produtos Químicos Diversos Pneus.A. ENIA Cia. abundantes e relativamente . E Ind.A. ICI do Brasil Cia. Firestone do Brasil Rio de Janeiro (RJ) Rio de Janeiro (RJ) São Paulo (SP) Mauá (SP) Santo André (SP) Rio de Janeiro (RJ) São Paulo (SP) São Paulo (SP) Caieiras (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) Santo André (SP) Uruguaiana (RS) Mauá (SP) São Miguel (SP) Rio Grande (RS) Alcântara (RJ) São Caetano (SP) Barra Mansa (RJ) Diadema (SP) São Paulo (SP) Santo André (SP) Produtos Químicos para Curtume Produtos Derivados de Petróleo Tintas de Escrever.A.137 1921 1921 1922 1923 1923 1923 1924 1924 1925 1926 1928 1928 1929 1929 1929 1932 1935 1935 1936 1936 1936 1937 1939 1939 1939 S. Ácido Nítrico. Glicose. Hélios S. Merck S. Câmaras de Ar. Inds.A. Fitas para Máquina de Escrever Cerâmica Cabos e Condutores Elétricos. Brasileira de Cimento Portland Perus Com. Cia.

Lactato de Etila Película Transparente de Viscose (Papel Celofane) Ácido Cítrico Benzeno.A. E. Ácido Clorídico . Químicas Eletrocloro S.A.A.R. muitas vezes. Químicos Alca Ltda. de Prod.A. p. criou-se nessa época uma mentalidade orientada para o improviso. Para o autor este período serviu para que fosse estabelecida a convicção entre o empresariado e técnicos do setor quanto à necessidade de estabelecer as bases definitivas da indústria química brasileira ao invés de promover a substituição de matérias-primas em situações emergenciais. de Tintas e Vernizes “Super” Inds. Hipoclorito de Sódio Explosivos. Peróxido de Hidrogênio (Água Oxigenada) e Ácido Oxálico 1945 Ind. devido à enorme concorrência que faziam entre si as empresas IG Farben (Alemanha) e ICI (Inglaterra) pela conquista de novos mercados. numa tentativa de suprir a ausência das matérias-primas importadas por substitutas nacionais. Tolueno e Xileno Fósforos e Clorato de Potássio Produtos Farmacêuticos e Penicilina Tintas e Vernizes Soda Cáustica. Segundo Santa Rosa citado por Wongtschowski (1999). S. Ácido Nítrico. Brasileira de Alumínio Fábrica de Pólvora do Ministério da Guerra Ind. carvão combustível por torta de algodão.138 baratas. extrair sais de potássio das cinzas da torta de algodão. Andrade Latorre S. com resultados econômicos. Squibb e Sons do Brasil Ind. O quadro 9 apresenta as iniciativas surgidas no período: Quadro 9 – Empresas Químicas Instaladas no Brasil entre 1940 e 1945 Ano de Fundação 1941 1941 1941 1942 1942 1942 1943 1943 1944 1945 1945 Nome da Empresa Ind. Reunidas Matarazzo Societé Anonyme du Gaz de Rio de Janeiro Inds. – Elclor Município da Unidade Fabril São Paulo (SP) Sorocaba (SP) Piquete (SP) Itapira (SP) Comendador Ermelino (SP) Sta. Pólvoras e Explosivos Ácido Láctico. Ind. Ind. Lactato de Cálcio. Química Mantiqueira Lorena (SP) Fonte: Adaptado de Santa Rosa citado por Wongtschowski (1999. duvidosos: enxofre importado por piritas brasileiras. Rosa de Viterbo (SP) Rio de Janeiro (RJ) Jundiaí (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) Santo André(SP) Produtos Ácidos Graxos. Sulfato de Alumínio Ácido Sulfúrico. Reunidas Matarazzo S. Cloro. Química Anastácio S. 79) . Cia.A. Estearina e Glicerina Ácido Sulfúrico.

Siderúrgica Nacional Município da Unidade Fabril Rio de Janeiro (RJ) Volta Redonda (RJ) Produtos Moldados de Resina FenolFormaldeído Alcatrões. Elekeiroz Cia.139 No período posterior a Segunda Guerra Mundial novos empreendimentos foram inaugurados. BTX.. De acordo com Wongtschowski (1999) merece destaque o início da instalação em 1955. Farmacêuticas FontouraWyeth S. Maléicas e Fenólicas. ambas em Cubatão e próximas à Refinaria. e Com. Óleos. Ácido Nítrico.A.A. anexa a Refinaria de Cubatão. Anidrido Maléico e Resina de Poliéster em 1956 Ácido Sulfúrico. Naftalenos. e Com. Inds. Químicas São Bernardo (SP) 1948 1948 1948 1948 1949 1949 1949 1949 Indústrias Químicas Brasileiras Duperial Union Carbide do Brasil S. Nitrocelulose Industrial e Nitrocelulose para Pólvora (Trinitrocelulose) Formol e Hexametilenotetramina Ácidos Graxos. Sais de Ácidos Graxos. Cia. de uma unidade de recuperação e purificação de eteno contido nos gases residuais. S. Barra Mansa (RJ) Cubatão (SP) Sorocaba (SP) Mogi das Cruzes (SP) Várzea Paulista (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) . Indústrias Votorantim Vulcan Artefatos de Borracha e Material Plástico S. Brasileira Givaudan Inds. Chapas Rígidas. essa unidade iniciou suas atividades em 1957.A.A. abastecendo de eteno as unidades de estireno da Companhia Brasileira de Estireno e de polietileno de baixa densidade da Union Carbide. e Chapas Flexíveis de Material Vinílico Ácido Sulfúrico e Superfosfatos Essências e Aromas Produtos Farmacêuticos Produtos Farmacêuticos Continua (. Ind. No quadro 10.A. Amônia. Bakol S. pela Petrobrás. são apresentadas as indústrias químicas instaladas no Brasil entre 1946 e 1959: Quadro 10 – Empresas Químicas Instaladas no Brasil entre 1946 e 1959 Ano de Fundação 1946 1946 Nome da Empresa De La Rue Plásticos do Brasil S. Ind.A. Segundo o autor. São Paulo. Glicerina Resinas Alquidicas. Nitrocelulose para Explosivos Polietileno de Baixa Densidade Película Transparente de Viscose (Papel Celofane) Folhas.) 1947 Nitro Química Alba S. Antraceno. São Miguel (SP) 1947 1947 Curitiba (PR) São Paulo (SP) 1948 Resana S.A. Óleo de Creosoto e Piche Colódio (Dinitrocelulose).A..A. Adesivos e Laticícios Brasil-América Ceralit S.

A. Químicas Elekeiroz Rhodia Rilsan Brasileira S. Químicas Eletro Cloro S.A. São Paulo (SP) Americana (SP) São Bernardo (SP) São Miguel (SP) São Caetano (SP) São Paulo (SP) Campinas (SP) Rio de Janeiro (RJ) Capuava (SP) . de Superfosfatos e Produtos Químicos Pan-Americana S.. Anidrido Acético e Acetatos Rilsan (Fibra de Poliamida de Classe do Nylon) Amônia Ácido Sulfúrico e Superfosfatos Soda Cáustica e Cloro Carbeto de Silício (Abrasivo) e Óxido de Alumínio (Coridón Artificial) Pesticida Benzeno Hexaclorado Poliestireno Estireno Butanol por via Fermentativa.) 1953 1953 1953 1954 1954 1954 1954 1954 1954 Cia. S. Brascola Ltda. de Tintas e Vernizes R. Químicos S. Dunlop do Brasil S. Montesanto Fiação Brasileira de Raion “Fibra” S. Química Industrial – CIL Cia. Rhodia Quimbrasil Cia.140 1949 1949 1950 1950 1950 1950 1950 1951 1951 1951 1951 1951 1951 1952 1953 1953 1953 1953 1953 1953 1953 Plásticos Plavinil S. Silicato de Zircônio.A.A. Brasileira de Plásticos Koppers Cia. São Paulo (SP) Suzano (SP) São Caetano (SP) São Paulo (SP) São Caetano (SP) Mataripe (BA) Cubatão (SP) São Paulo (SP) Capuava (SP) Rio de Janeiro (RJ) Várzea Paulista (SP) Santo André (SP) Osasco (SP) Santo André (SP) Santo André (SP) Alcântara (RJ) Salto (SP) Santo André (SP) São Bernardo (SP) Cubatão (SP) Campos (RJ) Filmes de Material Vinílico Produtos Químicos Diversos Soda Cáustica e Cloro Produtos Farmacêuticos Pesticida Benzeno Hexaclorado Refinaria de Petróleo Metanol Ácido Sulfúrico e Dióxido de Titânio Ácido Sulfúrico e Superfosfatos Soda Cáustica e Cloro Anidrido Ftálico e Ftalatos Ácido Acético. Fongra Prods. Eletroquímica Fluminense Carborundum S.A. Acetato de Butila.A. Matarazzo Refinaria Nacional de Petróleo S.A. Inds. Matarazzo Bristol-Labor S.A.A. Brasileira de Abrasivos Inds. Cia. Refinaria e Exploração de Petróleo União S. Nitro Química Matarazzo Orquima Inds. Químicas Cia.A. Químicas Reunidas S. Reunidas F. Brasileira de Estireno Usina Victor Sence S. Ácido Acético e Acetona Resinas Fenólicas.A. Refinaria de Petróleo Manguinhos S. Maléicas.A.A.A.A. Inds. Alba S. Compostos de Tório e Urânio Pneus. Inds. Alquídicas e Copais Raion-Viscose Adesivos e Colas Soda Cáustica e Cloro Sulfeto de Sódio Cloreto de Cério. Inds.A. Reunidas F. Ind. Câmaras e Artigos de Borracha Refinaria de Petróleo Refinaria de Petróleo Continua (..

com a criação dos três pólos petroquímicos: de São Paulo (1972). Esmaltes. O autor menciona alguns dados sobre constituição dos pólos e sobre as primeiras empresas que participaram de suas constituições: a) Pólo Petroquímico de São Paulo: surgiu da iniciativa da indústria privada nacional (Grupo Soares Sampaio.A. Ácido Nítrico e Fertilizantes Nitrogenados Fenol Fonte: Adaptado de Santa Rosa citado por Wongtschowski (1999.141 1955 1955 1955 1955 1955 1955 1955 1955 1955 1955 1956 1956 1956 1956 1957 1957 1958 1959 Nitro Química Quimbrasil Ind. p. Rhodia Fábrica de Fertilizantes de Cubatão (FAFER) – Petrobrás Quimbrasil São Miguel (SP) Santo André (SP) Mauá (SP) São Caetano (SP) Campinas (SP) São Caetano (SP) Cubatão (SP) São Caetano (SP) Cubatão (SP) Guaratinguetá (SP) Rio Claro (SP) São José dos Campos (SP) Santo André (SP) Manaus (AM) São Paulo (SP) Campinas (SP) Cubatão (SP) Santo André (SP) Ácido Sulfúrico Pigmentos Inorgânicos Óxido de Zinco Carbeto de Cálcio Ácido Acético. Petrobrás Cia.A. Indústria e Comércio Cia.A. de Petróleo da Amazônia S. Fábrica de Tintas. Brasileira de Pigmentos S. Antoine Chiris Ltda. De acordo com Wongtschowski (1999). Anidrido Acético.A. de Produtos Químicos Idrongal Anilinas Holandesas do Brasil S. O projeto somente pode ser . Rhodosá de Raion S. Coral S. Álcool Isopropílico Fenotiazina Negro de Fumo Resinas Acrílicas Refinaria de Petróleo Produtos Químicos Diversos Anilina. quando as companhias de petróleo passaram a produzir petroquímicos. Lacas e Vernizes Cia. Acetatos. Petróleo Brasileiro S. Matarazzo Rhodia Quimbrasil Cia. Petroquímica Brasileira Copebrás Brasitex – Polimer Ind. Reunidas F. Inds. Químicas S.A. São Paulo).A. Tintas e Vernizes Refinaria de Petróleo Essências e Aromas Acetato de Polivilina Amônia. proprietário da Refinaria União em Santo André. do Nordeste (1978) e do Sul (1982).A. Ácido Fórmico e Formiatos Raion-viscose Resinas Sintéticas em Geral. a grande arrancada e consolidação da indústria química brasileira ocorreu a partir desta década. 80 – 83) Segundo Demajorovic (2003) a estratégia de ampliação da produção de químicos foi assegurada com a construção de gigantescas unidades produtivas a partir da década de 1960. depois de duas tentativas frustradas de parceria com as empresas norteamericanas Gulf Oil Corporation e Phillips Petroleum.

Poliolefinas S. p. Propeno.891 de 28/12/1967. Brasileira de Estireno Union Carbide do Brasil Eletroteno Inds. e Com. 30 .A.A. o que não era permitido à Petrobrás.A.142 realizado com a participação da então recém criada Petroquisa30. sendo mais tarde regulamentada pelo Decreto 2455 de 15/01/98. Mistura de Xilenos e Resíduo Aromático Monômero de Cloreto de Vinila Polietileno de Baixa Densidade Cloreto de Polivinila Fenol Óxido de Eteno Tetrâmero de Propeno e Cumeno Estireno Expansão da Unidade de Polietileno de Baixa Densidade Polietileno de Alta Densidade Santo André (SP) Mauá (SP) Santo André (SP) Paulínia (SP) Mauá (SP) Mauá (SP) Cubatão (SP) Cubatão (SP) Santo André (SP) Fonte: Adaptado de ABIQUIM citado por Wongtschowski (1999. por meio de participações societárias em empresas do setor. Pxileno. Empresa Brasileira de Tetrâmero Cia. Químicas e Têxteis S. Tolueno. Com base em uma decisão política. o General e então Presidente da República Emílio Medici. Rhodia Inds. Butadieno. Benzeno.A. Copamo – Consórcio Paulista de Monômeros Ltda.A. O-xileno. Plásticas S. Município da Unidade Fabril Santo André (SP) Produtos Eteno. e Com. 85) b) Pólo Petroquímico do Nordeste: surgiu na necessidade de expansão da produção brasileira de petroquímicos e da decisão pela implantação do segundo pólo petroquímico brasileiro. De acordo com Wongtschowski (1999) a Petroquisa foi criada pelo decreto 61. o estudo encomendado pelo Conder – Conselho de Desenvolvimento do Recôncavo (empresa estatal da Bahia) a Clan – Consultoria e Planejamento recomendava a instalação do segundo pólo petroquímico na Bahia. para desenvolver e consolidar a indústria química e petroquímica no Brasil. que criou a Agência Nacional de Petróleo (ANP). mesmo minoritariamente. No pólo petroquímico de São Paulo foram inicialmente instaladas as empresas apresentadas no quadro 11: Quadro 11 – Pólo Petroquímico de São Paulo Nome da Empresa Petroquímica União Ltda. Brasivil Resinas Vinílicas S. Ind. Em 1969. por força da Lei 2004 que a criou. Oxiteno S. A Lei 2004 foi revogada pela Lei 9478 de 06/08/1997. no lugar da ampliação do pólo petroquímico de São Paulo. Ind.

Propeno. no município de Triunfo. – Copesul. Benzeno e Tolueno Octano.143 oficializou a localização do segundo pólo em Camaçari. próximo à Refinaria Alberto Pasqualini. a qual seria responsável pelo fornecimento de Nafta. Em função destas estimativas. Mistura de Xilenos. a Petroquisa ficou responsável pelo projeto da Central de Matérias-Primas e pela criação de estímulos para a implantação de unidades de segunda geração. Em 1976. é criada a Companhia Petroquímica do Sul Ltda. previsões de órgãos federais apontavam para a falta de produtos petroquímicos em 1981 e 1982. decisão confirmada pela Resolução 02/70 do CDI em 21/07/1970. nos mesmos moldes da criação da Copene e para exercer a mesma função. O quadro . Etileno-glicóis. Butadieno. Para a criação do pólo. O-xileno. Poliestireno e Tolueno Tolueno Diisocianato Óxido de Eteno. Petroquímica de Camaçari – CPC Deten Estireno do Nordeste EDN Isocianatos Oxiteno Nordeste Polialden Polipropileno Politeno Produtos Eteno. em níveis equivalentes a um novo pólo. Neste pólo foram instaladas as seguintes empresas: Quadro 12 – Pólo Petroquímico do Nordeste Nome da Empresa Copene Ciquine Petroquímica Ciquine Química Fisiba Melamina Ultra Metanor Nitrocarbono Pronor Acrinor Cobafi Copenor Cia. p. Etanolaminas e Ésteres Glicólicos Polietileno de Alta Densidade Polipropileno Polietileno de Baixa Densidade Fonte: Adaptado de Suarez e ABIQUIM citados por Wongtschowski (1999. Butanol e Isobutanol Andrido Ftálico. apesar do pólo petroquímico paulista já se encontrar em plena atividade e do pólo do nordeste estar em construção. Para implantar a Central de Matérias-Primas a Petroquisa cria a Companhia Petroquímica do Nordeste – Copene (1972). Anidrido Maléico e Plastificantes Ftálicos Fibras Acrílicas Melamina Metanol Caprolactama e Sulfato de Amônio Dimetilereftalato Acrilonitrila e Ácido Cianídrico Tecido de Cordonéis de Nylon e de Poliéster Formaldeído. 86 – 87) c) Pólo Petroquímico do Sul: em 1975. P-xileno. Pentaeritritol e Formiato de Sódio Monômero de Cloreto de Vinila e Cloreto de Polivinila Alquibenzeno Linear Estireno. é definida a sua localização no Rio Grande do Sul. Hexametilenotetramina.

p. Propeno. Neste sistema cada empresa teria um terço do seu capital nas mãos da iniciativa privada nacional. De acordo com o autor. Bahia e Rio Grande do Sul. o capital estrangeiro através do aporte de tecnologia e o capital público. 88) Para Nakano (2007) a formação de pólos consolidou-se como uma característica do setor. uma vez que tanto o eteno e o propeno. por meio da adoção do sistema “tripartite” ficavam resguardados dois aspectos importantes no entendimento do governo federal: maioria do capital nas mãos da iniciativa privada (sócio privado nacional mais sócio privado estrangeiro) e maioria do capital nacional (sócio privado nacional mais sócio estatal nacional) . esta situação determina que as indústrias de primeira e segunda gerações se localizem em aglomerados. Butadieno. Para Wongtschowski (1999) foi a partir da experiência de criação do Pólo Petroquímico do Nordeste que se consolidou o sistema dos “terços” ou “tripartite” 31 anteriormente adotado pela Petroquisa para a criação do pólo paulista. Nakano (2007) menciona que o setor petroquímico brasileiro se originou de uma iniciativa do governo federal. por se tratarem de gases. responsável pela elaboração dos planos que culminaram na implantação dos pólos de São Paulo. um terço com uma empresa estatal nacional (em geral a própria Petroquisa) e um terço 31 Segundo Wongtschowski (1999). que na década de 1960 criou o Grupo Executivo da Indústria Química (GEIQUIM). Por meio da elaboração destes planos foi implantado um modelo que envolvia três elementos em sua composição societária: o capital privado nacional.144 abaixo apresenta as empresas instaladas no pólo em seus primeiros anos de atuação: Quadro 13 – Pólo Petroquímico do Sul Nome da Empresa Copesul Poliolefinas Petroquímica Triunfo Polisul PPH Petroflex Produtos Eteno. Benzeno e Xilenos Polietileno de Baixa Densidade Polietileno de Baixa Densidade Polietileno de Alta Densidade Polipropileno Etibenzeno. Borracha Estireno-Butadieno Fonte: Adaptado de ABIQUIM citado por Wongtschowski (1999. são mais facilmente transportados por dutos.

. a indústria química sofreu um desenvolvimento notável a partir da década de 1960. com destaque para o Programa Nacional de Fertilizantes e Calcário Agrícola. No quadro abaixo são apresentados alguns dados relevantes apresentados pelo autor sobre estas indústrias: Quadro 14 – Indústria Químicas por Tipo de Indústria Tipo de Indústria • • Fertilizantes • Fatos Relevantes Entre 1960 e 1994. Além da indústria petroquímica. já que é resultante da eletrólise de uma salmoura de cloreto de sódio. química fina e alcoolquímica. ácido fosfórico. foi desfeito na década de 1980 por um grande número de empresas que o integravam. cloro e soda cáustica33. 33 Segundo Wongtschowski (1999) este tipo de indústria caracteriza-se pela produção simultânea de cloro e soda cáustica. o crescimento da produção de fertilizantes foi de 8. Implantação em 1978 da Valefértil em Uberaba. já no pólo paulista. ácido nítrico. O autor revela um dado interessante sobre a indústria de cloro e soda cáustica quando menciona que diferentes estágios de desenvolvimento de um país podem determinar que apenas a soda cáustica apresente interesse comercial (caso do Brasil na primeira metade do século) ou que apenas o cloro e seus derivados apresentem potencial de interesse. Wongtschowski (1999) menciona que o modelo tripartite de participação acionária adotado pelas indústrias petroquímicas.145 com uma empresa privada estrangeira (em geral fornecedora do conhecimento necessário para a implantação dos processos). Wongtschowski (1999) menciona que outros tipos de indústrias químicas atingiram um notável desenvolvimento no Brasil entre as décadas de 1960 e 1990: fertilizantes32. Minas Gerais. O sal para a elaboração da salmoura tanto pode provir de minas subterrâneas (sal-gema). fosfato de diamônio e NPK. em 1965. O autor considera que em ambos os casos a indústria de cloro e soda cáustica é prejudicada. Produção de ácido sulfúrico. parte das empresas multinacionais. como de salinas que evaporam água do mar (sal marinho). em geral detentoras de um terço do capital votante e fornecedoras do conhecimento necessário para a implantação dos processos resolveu vender sua participação aos acionistas brasileiros (privado e estatal).. com um complexo de grande porte para a produção de ácido Continua (. mas de maneira mais completa no pólo baiano. por iniciativa do grupo Ultra em associação com a Phillips Petroleum norte-americana. Segundo o autor. Implantação em 1965 da Ultrafértil com um complexo de fertilizantes em Cubatão (São Paulo).) • De acordo com Wongtschowski (1999). 32 . para a produção de amônia a partir dos gases da Refinaria Presidente Bernardes.3% ao ano. definido pelo Governo Federal em 1974. pois gera um produto sem valor comercial e de difícil descarte em termos ecologicamente aceitáveis. nitrato de amônio.

1972 – fundação da Companhia Química do Recôncavo em Camaçari. originalmente pela Petromin. 520 eram nacionais e 80 eram estrangeiros. Sergipe. Ceme. São Paulo. 45 eram estrangeiros e 5 nacionais. Precedeu a petroquímica em quarenta anos. Desenvolvimento e exploração das jazidas de sais de potássio (silvinita e carnalita) de Taquari-Vassouras. Minas Gerais. Fibase. 1963 – fundação da Carbocloro em Cubatão. fosfato de monoamônio e fertilizantes granulados. 1977 – fundação da Salgema em Maceió (Alagoas) e Companhia Petroquímica de Camaçari em Camaçari (Bahia). Em 1978. Ciquine Química. Basf Química da Bahia. Entre 1965 e 1971 a Coperbo. que viria a desempenhar para as indústrias de Química Fina o mesmo papel que a Petroquisa desempenhou para as indústrias de 2ª. geração do pólo baiano. Bahia. CibaGeigy do Brasil. catalisadores. o éter dietílico e o ácido acético a partir do etanol. Em 1980 foi criada a Nordeste Química S. pela Serrana (pertencente ao grupo argentino Bunge). entre outras. Bahia. Criada para preencher uma das lacunas em termos de disponibilidade de produtos fabricados no Brasil como defensivos agrícolas. ácido fosfórico. Policarbonatos. Suarez citado por Wongtschowski (1999) cita que 1982. fármacos. um estudo conjunto realizado pela Secretaria de Tecnologia Industrial. pigmentos. Entre os 50 maiores laboratórios responsáveis por 80% da produção. produziu polibutadieno com butadieno obtido a partir do etanol. Desenvolvimento e exploração das jazidas de fosfatos nacionais – em Jacupiranga. na Rhodia e na Fongra (posteriormente adquirida pela Hoechst). em Cabo. Na década de 1960 o País já produzia derivados acéticos a partir do etanol. butanol e acetona na Usina Victor Sence e eteno na Eletroteno (Solvay) e Union Carbide. Carbonor. aromatizantes e flavorizantes. fertilizantes fosfatados de alta e baixa concentração. Ceped e Petroquisa apontou para uma série de intermediários que poderiam ser produzidos no país. por iniciativa da Companhia Base do Rio Doce. Secretaria de Minas e Energia da Bahia.146 • • • • • • • • • Cloro e Soda Cáustica • • Química Fina • • • • Alcoolquímica • sulfúrico. dos 600 laboratórios produzindo fármacos e intermediários para a indústria farmacêutica. SmithKline do Nordeste. 1948 – fundação da Eletrocloro (Solvay) em Santo André. (Norquisa). Nitroclor. que depois tornou-se Petromisa (Petrobrás) e atualmente arrendada à Companhia Vale do Rio Doce. e Araxá. originalmente da Metago (empresa do governo estadual de Goiás) e atualmente exploradas pela Copebrás e Ultrafértil. A fusão destas duas empresas originou a Trikem em 1996.A. aditivos. Minas Gerais.) ... em Tapira e Patos de Minas. São Paulo. Entre as empresas pioneiras da indústria da química fina brasileira encontram-se: Norquisa. A unidade de butadieno permaneceu desativada até o início da década de Continua (. CDI. 1951 – fundação da Pan-Americana no Rio de Janeiro. 1977 – fundação da Dow Química em Candeias. corantes. Na década de 1920 a Rhodia produzia o cloreto de etila (para o lança-perfume). Pernambuco. Enia. São Paulo.

O processo de desestatização empreendido pelo governo federal após 1990 levou à saída da Petroquisa de praticamente todas as empresas. a partir do etanol. Para os produtos que alternativamente também podiam ser produzidos pro rota petroquímica (eteno. etilaminas) o preço do litro do álcool seria correspondente a 170% do preço FOB do litro de nafta.. segundo Nakano (2007). Fonte: Adaptado de Wongtschowski (1999) De acordo com Wongtschowski (1999). o governo federal retira a sua participação nas empresas.147 • • • • • • 1980. Estes produtos foram utilizados pela Companhia Álcoolquímica Nacional. Em 1973. Em 1982 o preço do etanol destinado às indústrias alcoolquímicas passou a ser equiparado ao preço da nafta petroquímica. O quadro 15 apresenta algumas destas informações: Quadro 15 – Fatos Ocorridos com a Indústria Química na Década de 1990 Tipo de Indústria • Petroquímica • Fatos Relevantes Na década de 1990 a indústria petroquímica sofreu fortemente com a abertura comercial e a simultânea redução dos preços dos seus produtos no mercado internacional no período de 1990 a 1994. o eteno petroquímico tornou-se disponível. acetato de vinila) o preço do litro do álcool seria correspondente a 100% do preço FOB do litro da nafta. iniciando-se uma competição entre o eteno derivado do etanol e o derivado da nafta. mesma época em que. para a produção de acetato de vinila monômero.813 de 16/11/82 definiu a sistemática para a fixação do preço do álcool destinado à indústria química. Em 1969 a Eleikeiroz do Nordeste iniciou a produção de 2-etilhexanol. a partir da década de 1990. os diferentes tipos de indústrias químicas sofreram os efeitos decorrentes da abertura de mercado. Em 1975 foi criado o Programa Nacional do Álcool (Proálcool). dicloroetano. o Brasil passou a buscar fontes alternativas de matérias-primas visando a redução da dependência do petróleo importado. localizada ao lado da Coperbo. Pernambuco.) . Na década de 1970. mantendo-se nas centrais petroquímicas – Continua (. Para os produtos sem rota petroquímica alternativa (éteres glicólicos. óxido de eteno. O Decreto Lei 87. ácido acético. quando foi modificada para permitir a produção de aldeído acético e eteno a partir do etanol. gerido pela Comissão Nacional do Álcool. aldeído acético. com a crise do petróleo. de desestatização e ampliação dos níveis de exigência da legislação ambiental. Para a indústria química o governo resolveu subsidiar a produção de álcool daqueles derivados orgânicos que pudessem ser produzidos alternativamente por rota petroquímica. em Igarassú.. com a entrada em operação da Petroquímica União (1972) e da Copene (1978).

Após a Lei 8. com a compra da Takenaka. Isopol e Proppet passaram.06% da Fertifós. Continua (. Fosfértil. Copene e Unipar e a Politeno pela Conepar. controladora da Fosfértil. a IAP. A partir de 1990 as reservas de silvinita e carnalita passaram a ser exploradas pela Companhia Vale do Rio Doce.148 • • • • Fertilizantes • • • • PQU. Copene e Copesul.33%). em todos os casos. comprou a Fertisul. Mariani).. mediante pagamento de royalties de 2. Goiásfértil (82.18% de participação acionária da Fertifós. Union Carbide. compraram a Takenaka S. A Petroflex passou a ser controlada pela Suzano. Polialden e OPP passaram a ter um único sócio controlador. a divisão de fertilizantes da Elekeiroz e consolidou seu controle sobre a Arafértil. Como a Serrana e a Manah possuiam cada uma 23.64%). A Fertiza comprou o controle da Fospar.42%). além de adquirir 50% da Indústria de Fertilizantes de Cubatão.031 de 12/04/90 e o Decreto 99.A. Polibrasil. à Petrobrás. Oxiteno. O Decreto 844 de 24/06/93 retira do PND a Petrofértil e a Nitrofértil. são vendidas as participações da Petrofértil em suas empresas controladas conforme os percentuais: Indag (33. Indústria e Comércio. por um ou mais sócios com os quais ela anteriormente compartilhava o controle.226 de 27/04/90 que dissolvia a Petromisa. única empresa que produzia superfosfatos no Paraná. Empresas que anteriormente possuíam controle compartilhado como Ciquine.33%). a Norquisa. em etapas posteriores. a Petrofértil controlava as empresas Ultrafértil. a terem um controlador único. Com a desestatização da Petrofértil e a compra das suas controladas pela indústria privada de fertilizantes. No caso da Copene o controlador. Estireno do Nordeste. Suzano. estas passaram a controlar acionariamente a Fertifós. Manah e Banco América do Sul. A Serrana. Suzano e Sumitomo/Itochu. Ipiranga Petroquímica. Nitrocarbono. Alcoolquímica. Nitriflex. Nitrofértil.463 de 16/08/90 que criou o PND. A Takenata detinha 6. incluindo a desestatização da Petrofértil e o Decreto 99. com participações entre 15% a 18% do capital votante das empresas. Ultrafértil (100%) e Arafértil (33. e a Polibrasil entre Shell e Suzano. Oxiteno e Unigel. passou a ser controlada por quatro dos principais grupos privados nacionais (Oderbrecht.. do grupo argentino Bunge. cujas unidades industriais passam a ser controladas diretamente pela Petrobrás. Em 1998. Ultra. da qual era parcialmente proprietária. a PQU entre Unipar. iniciou-se um processo de reagrupamento das indústrias de fertilizantes.) . até então pertencente a Adubos Trevo. a Copesul passou a ter controle compartilhado entre Odebrecht e Ipiranga.5% do valor da receita líquida. Vale lembrar que a Fosfértil detém praticamente 100% do controle acionário da Ultrafértil. por um prazo de 25 anos. Outras como Acrinor. Neste processo a Petroquisa foi substituída. a Serrana. Os outros 50% foram adquiridos pela Fertibrás. novo nome da Unidade Industrial de Mistura de Cubatão. Companhia Brasileira de Estireno. Fosfértil (77. Antes do Plano Nacional de Desestatização (PND). Goiasfértil e ICC (além de ter como coligadas as empresas Arafértil e Indag) e a Petrobrás controlava a Petromisa.

Dentre elas destacam-se: o perigo potencial representado pelo cloro e seus compostos.149 • Cloro e Soda Cáustica • • Química Fina • • Alcoolquímica As indústrias de cloro e soda cáustica passaram a ser submetidas a vários tipos de pressão a partir da década de 1990.) . reagrupamentos e aquisições tanto entre empresas nacionais como entre empresas nacionais e empresas multinacionais já instaladas no país. que somados correspondem a aproximadamente 70% do mercado da indústria química fina no Brasil. em 1996. já que apresentam grande dificuldade em sua destruição de forma ecologicamente aceitável. dicloroetano. ácido acético. para consumir eteno obtido de nafta. ésteres e etilaminas). Muitas unidades industriais foram desativadas. possibilitando que as empresas multinacionais ampliassem a sua participação e domínio do setor de química fina. algumas multinacionais paralisaram suas unidades de química fina.. as indústrias de cloro e soda cáustica têm de enfrentar o problema crônico do desbalanceamento de consumo entre a soda cáustica e o cloro. as indústrias do primeiro grupo pararam de consumir álcool. butadieno. enormes passivos ambientais das unidades que operam com células a mercúrio. 29% da capacidade das indústrias de cloro e soda em nível mundial e 22% no Brasil. o que se esperava conseguir reduzindo custos fixos. Neste período surgiram movimentos de junções. Com a queda das barreiras alfandegárias. Outras empresas passaram a importar diretamente o ácido acético que necessitavam para seus produtos. que o governo havia eliminado em 1983. limitações na utilização de solventes clorados e reduções drásticas na utilização de cloro elementar como agente branqueador na indústria de papel. que representavam. tentativa de paralização das unidades que operavam com células a mercúrio. simplificando as organizações e investindo nas relações com o cliente. estireno. para incentivar a exportação de produtos químicos produzidos via alcoolquímica. tendências dos usuários finais em diminuir ou eliminar a utilização do cloro e de seus compostos. Foi o ramo da indústria química que sofreu os maiores impactos gerados a partir da abertura do mercado e das substanciais reduções de alíquotas de importação implantadas pelo governo Collor em 1990. achando mais vantajoso importar o produto diretamente de suas fábricas no exterior. solventes acéticos) e aquele que utilizava o etanol pela sua função química como álcool (produção de éteres glicólicos. gerando excesso de um dos dois produtos que tem de ser vendidos a preços marginais. Com o retorno da cobrança da taxa de contribuição ao IAA em novembro de 1984. O objetivo central de tais movimentos era aumentar a competitividade das empresas. eliminação dos clorofluorcarbonos. sobretudo no campo dos fármacos e defensivos.. A indústria alcoolquímica dividia-se basicamente em dois grandes grupos: o que transformava o etanol em eteno ou acetaldeído (produção de polietileno. Continua (. sendo as de natureza ambiental as mais significativas. como a Rhodia e a Coperbo. Além das pressões. campanhas sistemáticas de ativistas ambientais contra a produção de cloro e seus compostos (a tentativa de eliminação do uso do PVC foi emblemática).

Fonte: Adaptado de Wongtschowski (1999) Novamente na retrospectiva histórica da indústria química nacional é possível perceber os traços da lógica racional predominante na sociedade industrial. sindicatos e classificações de produtos. a dificuldade de delimitar as suas fronteiras ocorre em função de que estas indústrias muitas vezes realizam afiliações sindicais duplas ou triplas. 15 bilhões de litros de álcool. cuja existência é atestada por inúmeros fatos do mundo real. uma vez que em função da ação racional instrumental. o número de atores envolvidos e da diversidade de produtos produzidos.150 • O consumo de álcool etílico para a indústria alcoolquímica sempre foi pequeno. combinações de elementos e novas aplicações. Uma forte evidência do sucesso da matriz de pensamento linear pode ser identificada pela ausência do conhecimento de grande parte da sociedade mundial quanto às reais dimensões da indústria química. A Forma de Organização da Indústria Química Para Furtado (2003) existem dificuldades para o estabelecimento de fronteiras claras e aceitas no setor químico. quando comparado com o álcool consumido como combustível. se utilizam de uma infinidade de processos químicos. 2. Situando-se na faixa de 400 a 500 milhões de litros por ano. Avaliando as informações disponibilizadas é possível perceber a grandeza e a complexidade da indústria química em termos econômicos. envolvendo empresas.3. estando a produção atual na faixa dos 12 – 14 bilhões de litros de álcool por ano. fato que também permite caracterizá-las como indústrias químicas. Para Furtado (2003). o que dificulta o acompanhamento e a definição da dimensão do setor. Segundo Furtado (2003). a química pela sua própria natureza. é criadora de substâncias. Para o autor indústrias como a farmacêutica ou a de alimentos. um processo que nem sempre . enquanto que as empresas desenvolvem-se criando novas atividades. No auge do programa Proálcool. grande parte desta sociedade passou a ser privada de pensar o próprio mundo do qual é parte integrante. foram produzidos anualmente.3.

eteno e propeno. De acordo com o autor. 9) considera que: Os fundamentos científicos que permitem criar novos produtos e processos e alargar a fronteira desta indústria representam ao mesmo tempo um fator de expansão das empresas e um obstáculo à aplicação literal e sem nuanças de definições estatísticas estáticas. Segundo Furtado (2003). tanto quanto a produção de conhecimentos e a inovatividade das indústrias de base químico-farmacêutica alimenta a produção de novos produtos e processos nas indústrias química e petroquímica. o autor considera que é na tecnologia. cujas atividades consistem na transformação de matéria-prima em produtos intermediários (indústrias de base ou pesada) e destes em bens de consumo (indústrias leves). Apesar de reconhecer a importância de cada vetor. também conhecidos como bens de capital. de um modo geral. ácido sufúrico. a comercialização e a tecnologia. dentre os quais estão a escala. a indústria química é. Para Cremasco (2005) a indústria. 34 . Para o autor. Furtado (2003. p. com fundamentos científicos importantes e cada vez mais substantivos. e as definições estatísticas com seus números-resultados.151 respeita as fronteiras criadas por definições técnicas e censitárias. a indústria química transforma-se por meio de um processo expansivo com diferentes vetores. O peso da atividade petrolífera representa uma massa econômica e financeira que dá sustentação a diversas empresas petroquímicas. enquanto que os bens de consumo atendem diretamente à demanda a médio e longo prazo. o setor químico reúne um conjunto diversificado de empresas. onde a designação genérica “química e petroquímica” é em geral utilizada para classificar empresas de diversos setores: de produtos químicos básicos. Segundo Nakano (2007). um tipo de indústria de transformação. como soda cáustica. de um lado. resumidamente. passando Segundo Cremasco (2005) bens de produção. pode ser entendida como um conjunto de atividades econômicas que visa a manipulação e a exploração de matérias-primas e fontes energéticas. que se encontra o motor mais importante para o seu desenvolvimento. até perfumes e cosméticos. são bens intermediários que servem para a produção de outros. este problema de compatibilidade entre a realidade das empresas e das atividades econômicas. dificilmente teriam condições de gerar uma solução única e unanimemente aceita. bem como a transformação de produtos semiacabados em bens de produção ou de consumo34.

são associadas da ABIQUIM. respectivamente) e os hidrocarbonetos aromáticos. borrachas. para representar o setor no País e no exterior. configurando os chamados pólos petroquímicos. este tipo de indústria produz insumos para diversos outros setores. produtos têxteis. que compõem a primeira geração. o PVC[1].. De acordo com Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) 35 . que exige grandes investimentos em equipamentos e instalações. A partir do eteno são produzidos. um produto derivado do petróleo. e em muitos casos. Empresas químicas de pequeno. entre outros. Segundo o autor. As centrais transformam a nafta. bem como prestadores de serviços ao setor nas áreas de distribuição. É a chamada indústria downstream. a entidade foi fundada em 1964. a ABIQUIM faz parte do Conselho da Indústria Química do Mercosul (CIQUIM) e do Conselho Internacional das Associações de Indústria Química (ICCA). Geração Descrição No Brasil. automotivo. materiais esses que têm grande presença em nosso cotidiano: embalagens. ou seja. que não tem contato com o mercado consumidor final. Seus produtos são utilizados por outros setores produtivos como o têxtil. logística. e o gás natural são as matérias-primas das centrais petroquímicas. principalmente a nafta petroquímica. detergentes. Geração . como o eteno e o propeno. licenciamento de tecnologia. fertilizantes etc. Continua (. utilizados por outras empresas de segunda geração e finais (resinas termoplásticas. a nafta petroquímica. sendo considerado um setor intensivo em capital. o polipropileno. da qual se produzem substâncias como o eteno. produto obtido em refinarias de petróleo. Em termos internacionais. de embalagens.).152 por fertilizantes. a poliamida (o popular nylon) e os poliésteres. as indústrias químicas brasileiras são classificadas da seguinte forma: Quadro 16 – Classificação das Indústrias Químicas Geração 1ª.) Segundo o Anuário da Indústria Química Brasileira elaborado pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b). artigos eletro-eletrônicos. plásticos como o polietileno. o propeno (também conhecidos como etileno e propileno. utilidades domésticas. o PET[2]. automóveis. (NAKANO. pode-se classificar como “indústria petroquímica” a cadeia produtiva que se estrutura em torno da utilização de derivados do petróleo. fazendo parte dos estágios iniciais de diversas cadeias produtivas. fibras. etc.. 35 2ª. As empresas de segunda geração normalmente se localizam ao redor das empresas de primeira geração. entre outros. transporte e tratamento de resíduos industriais. e o gás natural em produtos petroquímicos básicos. que transforma os petroquímicos básicos em produtos intermediários. eletroeletrônico. e a partir do propeno. Para o autor: De forma simplificada. 2007) Ainda segundo Nakano (2007) a indústria petroquímica é um setor meio. médio e grande portes. pesticidas e plásticos.

materiais para construção civil. autopeças. A denominação “terceira geração” é empregada basicamente para o conjunto das empresas que transformam as resinas termoplásticas em produtos finais. Cremasco (2005) apresenta um processo básico para obtenção de garrafas PET. a partir da nafta: Figura 12 – Processo Básico de Obtenção de Garrafas PET a partir da Nafta Fonte: Cremasco (2005.153 3ª. produtos finais ou de terceira geração (ex: resinas PET). entre outras. Com a criação da Riopol em 2005. o Brasil passou a contar com quatro pólos petroquímicos. p. A partir destes produtos são obtidos compostos orgânicos classificados como produtos de base ou de primeira geração (ex: etileno). para finalmente chegar na transformação (garrafas PET). Geração É o último elo da cadeia produtiva. como fibras têxteis. Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) Utilizando-se da mesma classificação adotada pela ABIQUIM. brinquedos e utilidades domésticas. embalagens. cujo detalhamento quanto a constituição societária e volumes de produção são apresentados na forma de diagramas extraídos do Anuário da Indústria Química Brasileira elaborado pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b) e disponibilizados para consulta nos Anexos 2 e 3 deste estudo: . 40) De acordo com Cremasco (2005) a partir da destilação do petróleo é possível obter a nafta e o GLP. produtos intermediários ou de segunda geração (ex: etilenoglicol). produtos que formam a base do setor petroquímico.

Criada em 1997. North American Industry Classification System (NAICS).000 500. Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Porém o próprio autor reconhece que “infelizmente as definições adotadas pelos estudiosos do setor ou pelas associações nacionais ou regionais da indústria química não são homogêneas”. é adotada pela Comunidade Européia. Segundo o autor.435. p.000 520.000 3.000 Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) Wongtschowski (2002. Canadá e México). 37) considera que “o estudo da indústria química deve ser precedido de uma concreta definição de quais produtos ou atividades nela estão incluídos”. é adotada pelo Brasil e demais países que integram o Mercosul. Criada em 1996. para o conjunto da indústria química existem duas famílias de classificações: uma baseada em atividades e outra baseada em produtos. disseminação e análise de estatísticas econômicas • • Fonte: Adaptado de Wongtschowski (2002) . No quadro 18 são apresentadas estas classificações: Quadro 18 – Classificações Adotadas pela Indústria Química Mundial Tipo de Classificação Objetivo Utilizadas principalmente para efeitos tributários (definições de alíquotas do IPI. Criada em 1995. Criada em 1991. Nomenclature Générale des Activités Économiques dans les Commnautés Européennes (NACE). é adotada pelas Nações Unidas. Criada em 1990. • • Por Atividade Permitir a coleta. que substituiu a Standard Industrial Classification (SIC).135. International Standard Industrial Classification of All Economic Activities (ISIC). é adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM). no caso do Mercosul) • • Denominação Por Produto Central Product Classification (CPC). Criada em 1990. no caso brasileiro) e para efeitos aduaneiros (definição da Tarifa Externa Comum (TEC). Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). é adotada pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos e agências estatísticas dos países do NAFTA (Estados Unidos.280.154 Quadro 17 – Capacidade de Produção dos Pólos Petroquímicos Brasileiros Empresa Braskem Copesul PQU Riopol Total Localização Camaçari – BA Triunfo – RS Santo André – SP Duque de Caxias – RJ Capacidade Instalada – Produção de Eteno (em t/ano) 1. é adotada pelas Nações Unidas.000 1.

195 substâncias. para uma gama variada de usos. para um ou mais usos finais. fabricados em pequenas quantidades geralmente com matérias-primas compradas de terceiros. que eram produzidos no mundo aproximadamente 70. São geralmente vendidos para um pequeno número de clientes. 46). metanol e gases industriais. De acordo com Wongtschowski (2002. que têm em comum com as commodities o fato de serem produzidos em larga escala. Entretanto. frequentemente a partir de matérias-primas cativas. São exemplos de commodities: amônia. pseudocommodities. quase sempre compradas por poucos clientes que são grandes consumidores. Wongtschowski (2002) cita a classificação por produto proposta por Charles H. Exemplos: catalisadores. projetados para finalidades específicas do cliente e frequentemente vendidos para um grande número de clientes que compram pequenas quantidades. pela qual são definidos quatro grupos de produtos químicos: commodities. de acordo com padrões geralmente aceitos. a dinâmica da pesquisa para o desenvolvimento de novos produtos. eteno. Diferenciam-se das commodities por não serem vendidas através de especificações de sua composição química. ii) iii) Produtos de química fina: assemelham-se às commodities por serem nãodiferenciados e geralmente não patenteados. São exemplos: ácido acetilsalicílico. mas sim por especificações de desempenho. . em volumes pequenos. a partir de matérias-primas em geral cativas.S. aromatizantes e fármacos. os interesses econômicos e os diferentes padrões de classificação adotados pelas instituições para acompanhar o setor químico contribuem para dificultar o acompanhamento estatístico do setor. iv) Especialidades químicas: são produtos diferenciados. são produzidos em pequena escala.155 Alguns fatores como a quantidade de produtos químicos. sacarina. com especificações padronizadas. Kline em 1976. as características principais de cada grupo são: i) Commodities: são compostos químicos produzidos em larga escala. fibras artificiais e elastômeros. no ano de publicação de seu livro. do tipo U. enzimas e aditivos em geral. número que. ácido sulfúrico. produtos de química fina e especialidades químicas. o grande número de atores que atuam em nível mundial. segundo European Inventory of Existing Commercial Substances (2007). Alguns exemplos de pseudocommodities: resinas termoplásticas. já atinge 100. Pharmacopeia ou Food Chemical Codex dos Estados Unidos ou seus equivalentes em outros países. para uma ou mais finalidades. Normalmente as commodities têm suas vendas concentradas em um número relativamente pequeno de clientes. Wongtschowski (2002) afirmou. corantes. p.000 produtos químicos. Pseudocommodities: são produtos diferenciados.

que divide seu tempo entre a operação e o desenvolvimento. polietileno. facilidade de transformação. que têm demandas específicas. As empresas de segunda geração funcionam como líderes ou coordenadores do processo de desenvolvimento: levando as necessidades levantadas junto às empresas de terceira geração para os fornecedores de aditivos. desenvolvimento de catalisadores e desenvolvimento de aditivos. também considera que a classificação da indústria química já foi motivo de muitas divergências. seus clientes são. A inovação nessas empresas está centrada em três aspectos: desenvolvimento do processo. Parte do esforço tecnológico é interno. Outra parte é obtida ou aprimorada pelo processo de polimerização. as empresas de segunda geração mantém seu olhar em dois pontos: no mercado final que consome os produtos plásticos. enquanto uma terceira parte dessas características são introduzidas ou melhoradas pelo uso de aditivos durante a transformação das resinas puras em compostos finais. A inovação nessas empresas está localizada hoje principalmente em esforços de melhoria de processos: grau de pureza dos produtos. desenvolvimento de catalisadores e controle de processos. Parte dessas características são intrínsecas ao composto químico. polipropileno. A busca por eficiência por parte dessas empresas vem da preocupação com a competitividade da cadeia à jusante. PET. tanto para aumento de produtividade como para melhoria no grau de pureza do produto. seus clientes. Parte das características ainda podem ser melhoradas (ou pioradas) no processo de transformação dentro das empresas de terceira geração. pois pela distância entre os pólos petroquímicos. e as especialidades: resinas especiais e os plásticos de engenharia. resistência à luz e temperatura.156 Nakano (2007) apresenta uma importante contribuição para a melhor compreensão sobre a forma de atuação da indústria química. . elas não competem entre si de fato. ao estabelecer uma relação entre a classificação de produtos apresentada por Wongtschowski (2002) e a classificação das indústrias químicas elaborada pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a). A Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b). etc. apresentada anteriormente: As empresas de primeira geração são produtoras de commodities. Para essas atividades elas empregam corpo técnico reduzido. Nessas empresas o esforço tecnológico atual é fortemente voltado para o aumento de eficiência de processo. eficiência energética e redução de efluentes. etc). pseudocommodities. cativos. e lançam mão com certa freqüência de acordos com universidades e centros de pesquisa para o desenvolvimento de novas soluções. Os produtos das empresas de segunda geração podem ser divididos em três categorias: commodities (por exemplo o óxido de eteno). coordenando esforços com os fornecedores de equipamentos e fornecendo insumos. enquanto outra parte do desenvolvimento é obtido de fontes externas. No que tange o desenvolvimento de novos produtos. as resinas plásticas (PVC. instalações e pessoal especializado para a busca das soluções. As resinas plásticas são diferenciadas por diversas características tais como: resistência mecânica e química. e nas empresas de terceira geração. e não do confronto direto entre elas: apesar de serem três as empresas de primeira geração. através principalmente do desenvolvimento de melhores catalisadores e do controle de processo. brilho e transparência. na prática.

tintas. preparações anti-sépticas. de acordo com as definições estabelecidas pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) na versão 2.51-7). pode ser reconstituída. segundo a publicação. No Brasil. uma nova Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). explosivos e outros produtos químicos. em algumas ocasiões.22-0). promovendo o enquadramento de todos os produtos químicos nessa classificação. o IBGE redefiniu toda a estrutura da CNAE.10-6). 21 – Fabricação de Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos: esta divisão compreende a fabricação de produtos farmoquímicos. (21. Desta forma. a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma nova classificação internacional para a indústria química. produtos de limpeza e perfumaria. resinas e fibras. definiu. fertilizantes. com base nos critérios aprovados pela ONU.21-1) e (21. (20.93-2). estabelecendo que os segmentos que compõem as atividades da indústria química fossem contemplados. o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). incluindo-a na revisão nº. Esta . enquanto que outros segmentos tipicamente químicos. (20. com especificidades tecnológicas próprias. Esta divisão compreende também a fabricação de produtos petroquímicos básicos e intermediários. indústrias independentes. através da agregação das seguintes classes de atividades: (20. mesmo não compondo um segmento específico da CNAE.157 fato que dificultava a comparação e a análise dos dados estatísticos referentes ao setor.94-1). a partir de janeiro de 2007. nas divisões “20 – Fabricação de Produtos Químicos” e “21 – Fabricação de Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos”. por aproximação. a fabricação de medicamentos e de outros produtos farmacêuticos. eram confundidas com a indústria química propriamente dita. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b). tais como: curativos impregnados com qualquer substância. como os de resinas termoplásticas e de borracha sintética.0: 20 – Fabricação de Produtos Químicos: esta divisão compreende a transformação de matérias-primas orgânicas ou inorgânicas por processos químicos e a formulação de produtos e a produção de gases industriais. na revisão nº. (21. 4. (20. 3 da International Standard Industry Classification (ISIC) e mais recentemente. não eram incluídos nas análises setoriais. com o apoio da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM). Segundo a entidade. no ano de 2006.29-1). com o objetivo de eliminar divergências. etc. defensivos agrícolas e desinfetantes domissanitários. a exemplo do refino do petróleo. A química fina e suas especialidades.

alimentos enriquecidos.2 20..11-8 20. vernizes.33-9 20.) . solventes e produtos afins Fabricação de produtos e preparados químicos diversos Fabricação de adesivos e selantes Fabricação de explosivos Fabricação de aditivos de uso industrial Fabricação de catalisadores Continua (.14-2 20. resinas e fibras Fabricação de produtos químicos orgânicos não especificados anteriormente Fabricação de resinas e elastômeros Fabricação de resinas termoplásticas Fabricação de resinas termofixas Fabricação de elastômeros Fabricação de fibras artificiais e sintéticas Fabricação de fibras artificiais e sintéticas Fabricação de defensivos agrícolas e desinfetantes domissanitários Fabricação de defensivos agrícolas Fabricação de desinfetantes domissanitários Fabricação de sabões.63-1 20. produtos de perfumaria e de higiene pessoal Fabricação de tintas.12-6 20.73-8 20. cosméticos.31-2 20. detergentes.22-3 20.21-5 20.4 20.1 20.92-4 20.19-3 20. complementos alimentares e semelhantes (divisão 10).158 divisão não compreende a fabricação de alimentos dietéticos.7 20.29-1 20. esmaltes. produtos de limpeza.72-0 20. lacas e produtos afins Fabricação de tintas. Na nova versão 2.93-2 20.62-2 20.5 20. esmaltes e lacas Fabricação de tintas de impressão Fabricação de impermeabilizantes.61-4 20.40-1 20.94-1 Grupo Classe Denominação FABRICAÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS Fabricação de produtos químicos inorgânicos Fabricação de cloro e álcalis Fabricação de intermediários para fertilizantes Fabricação de adubos e fertilizantes Fabricação de gases industriais Fabricação de produtos químicos inorgânicos não especificados anteriormente Fabricação de produtos químicos orgânicos Fabricação de produtos petroquímicos básicos Fabricação de intermediários para plastificantes.13-4 20. produtos de perfumaria e de higiene pessoal Fabricação de sabões e detergentes sintéticos Fabricação de produtos de limpeza e polimento Fabricação de cosméticos.91-6 20.71-1 20.51-7 20.52-5 20.32-1 20.3 20.9 20.6 20. visando estabelecer um detalhamento mais adequado da organização da indústria química brasileira: Quadro 19 – Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) Divisão 20 20.0 do CNAE. as divisões 20 e 21 são ainda subdivididas em grupo e classe. vernizes..

Segundo Wongtschowski (2002). estas empresas deram lugar a novas empresas: Novartis (fusão das áreas farmacêuticas da Ciba-Geisy e da Sandoz) e Aventis (fusão das áreas farmacêuticas da Hoechst e da Rhône-Poulenc). em termos de atendimento de novas exigências do mercado e da sociedade. A Indústria Química na Contemporaneidade A indústria química.1 21. optou-se pela adoção da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) – versão 2.21-1 21. necessitam ser frequentemente revisadas e atualizadas. a segunda metade da década de 1990 viu surgirem empresas como Acordis.3. Imerys. Sandia. Por meio de processos de fusão. Noviant. onde suas capacidades. Cognis.0. Basell.2 21. Rhône-Pounlec e Sandoz se transformaram primeiro em empresas especialistas em “ciências da vida” e em menos de três anos depois. se encontra inserida em um dos contextos mais dinâmicos do período reconhecido como sociedade industrial. Hoechst. Solvias. enquanto que nomes tradicionais . Dynea. De acordo com o autor.4.10-6 21. Solutia. assim como outros tipos de indústrias. Syngenta. os últimos anos têm testemunhado profundas alterações na indústria química mundial. Astaris.22-0 21. como referência para a identificação das indústrias químicas envolvidas na presente pesquisa. em empresas farmacêuticas. 2. Ineos.159 20. Clariant. Companhias como a Ciba-Geigy. Vantico e Wintech. Noveon.99-1 20 21.23-8 Fabricação de produtos químicos não especificados FABRICAÇÃO DE PRODUTOS FARMOQUÍMICOS E FARMACÊUTICOS Fabricação de produtos farmoquímicos Fabricação de produtos farmoquímicos Fabricação de produtos farmacêuticos Fabricação de medicamentos para uso humano Fabricação de medicamentos para uso veterinário Fabricação de preparações farmacêuticas Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007a) Com vistas a adotar uma classificação que possibilitasse uma aproximação dos dados obtidos neste estudo com outras pesquisas futuras desenvolvidas na área. Sensient. Solvin. Avecia.

Chevron/Phillips.160 como Albright-Wilson. Dow (Dow e Union Carbide). Para Nakano (2007) as grandes empresas internacionais são líderes em seus mercados em função de apresentarem um perfil integrado e de possuírem em geral base sólida na produção de petroquímicos básicos. Shell e Montedison). Upjohn e outros desapareceram. apresenta algumas das principais fusões e aquisições ocorridas no setor: Basell (formada por ativos da Basf. como conseqüência. Para o autor o setor passou por um processo de concentração na década de 1990. Para o autor a estratégia comercial dessas empresas se caracteriza. as quais são definidas pelo autor abaixo: a) Globalização: trata-se de um reflexo da mobilidade de capital. fruto de sua alta capacidade de produção e do aproveitamento das economias de escala. Union Carbide. e pelo outro lado. Segundo Nakano (2007). Basf. da revolução nas comunicações e da abertura generalizada dos mercados. Wongtschowski (2002) atribui estas transformações a globalização. BP Almoco. Hoechst. Neste. pelo domínio do mercado de produtos menos diferenciados (commodities) por meio de uma política agressiva de preços. DSM. Borealis (Borealis e PCD). Allied Signal. cuja margem é mais atrativa. BP Solvay (BP. Nova e Solvay). fator que contribuiu para a redução do número de empresas no contexto internacional. Para Wongtschowski (2002). Arco e Solvay). Exxon-Mobil. três já haviam passado por processos de fusão. Millenium e Occidental) e Exxon Mobil. a especialização e a descentralização geográfica. Segundo Nakano (2007). fazendo . pelo avanço em direção aos produtos mais diferenciados. Hirutaka citado por Nakano (2007). Arco Chemical. das sete empresas estudadas em detalhe por Hirutaka no início dos anos 2000 (Dow. que têm nos produtos químicos a sua principal atividade de produção ou uma expressiva porção de seu faturamento. o setor químico é dominado por grandes grupos de presença internacional. Equistar (Lyondell. Hüls. Amoco. por um lado. a indústria química padronizou seus produtos em função das características da demanda de grande parte de seus clientes. a concentração.

com produto idêntico e em iguais condições comerciais. guardando ou não vínculos acionários com a empresa da qual se separou. com a absorção da Union Carbide pela Dow em 1999 e da Degussa. com objetivos específicos. empresas de produtos de limpeza e higiene pessoal como a Unilever e a Henkel venderam as suas atividades químicas e a DyStar passou a concentrar o negócio de corantes da Hoechst. executada pela formação de uma nova entidade jurídica. O autor cita como exemplos a 36 De acordo com Wongtschowski (2002). da TotalFinaElf e da ChevronTexaco. Na produção de resinas plásticas há novas empresas. Para o autor. e na indústria de produtos químicos industriais. da Bayer e da Basf. clientes globalizados desejam que seus fornecedores atendam a demandas em qualquer lugar do mundo. spin-offs36 ou jointventures37 de grandes empresas que reduziram seu foco: a Basell em poliolefinas.161 com que não haja relação geográfica direta entre cliente e fornecedor. a nona maior empresa química mundial em 2000. c) Especialização: Wongtschowski (2002) menciona que a especialização ocorre em muitos setores. Hüls. O autor cita que o fenômeno da concentração também ocorreu na indústria de petróleo. SKWTrostberg e Th. 37 . reduziu de dez para quatro as suas áreas de atuação. Upjohn e da área farmacêutica da Monsanto em 2000). com a formação da BP Amoco (depois BP). b) Concentração: processo de criação de empresas de grande porte que se beneficiam do poder de escala de produção. transformando-se em uma empresa de especialidades químicas. Glaxo e Burroughs-Wellcome). Wongtschowski (2002) cita o processo de concentração que ocorreu na indústria farmacêutica com a criação da GlaxoSmithKline em 2000 (produto final da fusão entre a SmithKline. Goldschmidt pela Degussa em 2000. Segundo o autor. a Ticona em plásticos de engenharia. a Equistar em eteno e polietilieno. d) Descentralização Geográfica: Wongtschowski (2002) considera este como sendo um fenômeno relativamente novo na indústria. spin-off corresponde a separação de parte de uma empresa em uma nova entidade jurídica. da Novartis e da Pharmacia (produto final da fusão da Pharmacia. a ICI. entre outras. joint venture corresponde a associação de duas ou mais empresas. Beecham. De acordo com Wongtschowski (2002). da ExxonMobil.

94% 87.4 22.737.4 41.9 73.7 100.5 51.7 487.4 53.8 75. Arábia Saudita.4 107.2 52.5 39.35% 1% 63.6 26.8 64.1 227.0 76.7 449. p.7 125.4 30.2 37.3 119.8 223.8 27.6 438.8 110.0 49.5 23.3 33.9 49.4 104.6 220.6 125. Nova Zelândia e Trinidad e Tobago abrigam grandes produtores de metanol.0 89.3 30.0 462.6 29.43% 76.0 637.6 41.5 43.312.8 24.1 29.8 30. Quadro 20 – Faturamento da Indústria Química Mundial (em US$ bilhões) Países/Anos Total Mundial Estimado Estados Unidos China Japão Alemanha França Coréia Reino Unido Itália Brasil Índia Espanha Suíça Holanda Rússia Bélgica Irlanda Taiwan Canadá 2000 1.2 88.3 55.1 35.5 33.1 54.847.708.16%). enquanto que a Malásia e as Filipinas atraem usuários de óleos láuricos.2 190.4 72.3 33.16% 116.87% 211.0 2001 1.13% 128.4 45. passando de US$ 43.22% 84.1 30.2 99.6 93.3 33.6 35.64% 39.40% Fonte: Adaptado da Associação Brasileira da Indústria Química (2007b.5 36.3 50.1 38.3 176.6 78.8 41.3 310.8 32.5 38.2 28. o qual quase dobrou em apenas 6 anos.3 25.22% 85.8 2003 2.8 55.3 40.05% 121.9 71. 6 bilhões para US$ 81.3 45. A exemplo dos demais países. A dinâmica de atuação e expansão da indústria química mundial pode ser melhor compreendida por meio da análise dos volumes crescentes de faturamento apresentados pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b).004.4 44.9 43.6 37.4 46.657.6 44.6 Diferença Percentual entre 2000 e 2006 41.162 produção de derivados de gás natural que migrou para os países em que esse insumo é excedente e portanto de baixo custo: Canadá.0 93.5 121. Chile.0 2006 2.6 76.6 bilhões (diferença de 87. 17) .1 52.6 33.5 245.1 24.22% 65.1 2004 2.6 66.4 99.0 27.5 46.2 49. lugar no ranking da indústria química mundial em 2006.3 191.7 152.81% 65.9 48.4 36.0 540.7 604.78% 26.7 92.6 203.9 60. O volume crescente observado para os 18 (dezoito) países analisados pela entidade apresenta uma nova evidência inegável do sucesso econômico obtido pela sociedade industrial.6 181. o Brasil ampliou o faturamento de sua indústria química no período de 2000 a 2006.2 80.3 81.2 29.14% 93.1 35. Kuwait e Venezuela abrigarão crescentemente unidades de produção de derivados de eteno.2 154.6 28.8 44.0 25.9 189.9 201. Indonésia.0 53.0 26.4 81.6 44.4 79.4 58.4 59.9 56. condição que o colocou em 9º.4 70.8 40.80% 71.1 59.5 40.8 99.8 2002 1.4 124.1 222.2 120.2 66.21% 78.7 33.578.1 2005 2.8 30.

n.d. 17) . n. n. 2006 n. n. que praticamente estabilizou o seu volume de faturamento no período analisado.d.d. Cabe destacar o expressivo aumento de faturamento da China. n.d. De acordo com Hirutaka citado por Nakano (2007) o setor se caracteriza pela tendência crescente do estabelecimento de uma divisão internacional de trabalho e de produção entre países. n. n.d.d.d. Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b. concentrando a produção dos diferenciados em suas unidades centrais.1 bilhões em 2006 (diferença de 211.d.d. n.d. o número de empregos na indústria química mundial se manteve estável ou até mesmo foi reduzido. onde se localizam também os seus laboratórios de pesquisa e desenvolvimento.d. apesar do expressivo aumento dos volumes de faturamento.d.d. 325 231 198 198 n.d. 84 n. 36 n.d.d. n.d. como é possível perceber nos dados de alguns países fornecidos pela ABIQUIM: Quadro 21 – Número de Empregados na Indústria Química em Milhares (2000 a 2006) Países/Anos EUA Alemanha Japão Brasil França Reino Unido Itália Espanha Canadá Holanda Bélgica Suíça México Suécia Irlanda 2000 980 470 366 311 235 235 206 134 83 76 70 60 69 38 23 2001 959 467 364 310 240 230 207 137 88 75 73 62 66 38 24 2002 928 462 354 310 241 229 208 133 88 75 71 62 72 39 25 2003 906 464 345 315 241 222 204 137 88 73 72 62 63 38 25 2004 887 445 341 320 235 207 198 133 85 73 70 62 61 36 23 2005 879 441 n. n.163 Com exceção do Japão. n.6 bilhões em 2000 para US$ 310. Para Nakano (2007) os grandes grupos internacionais têm optado por fabricar produtos menos diferenciados em unidades localizadas em países periféricos.d. todos os demais países obtiveram um considerável acréscimo. n.35%). n. p.d. 69 63 n.d. Seguindo mais uma vez a lógica predominante da ação racional instrumental orientada para a otimização das estruturas visando à obtenção dos melhores resultados. n. que passou de US$ 99.

1% nos 10 últimos anos. Segundo a entidade. conforme indicado na figura 13: Figura 13 – Empregos na Indústria Química Européia e Norte-Americana Fonte: European Chemical Industry Council (2007) . enquanto que nos Estados Unidos. o número de empregos na indústria química européia apresentou um decréscimo de 2. o índice registrado aponta para um decréscimo de 2. sobre o emprego na indústria química européia e norte-americana reforçam os dados apresentados pela ABIQUIM.7%.164 Dados apresentados pelo European Chemical Industry Council (2007).

os quais retratam o crescimento da produção química do continente asiático. que passou a ocupar em 2006 o primeiro lugar em vendas em nível mundial. fato justificado pelo aumento da participação em vendas da China e da Índia: Figura 14 – Volume de Vendas Mundial (2006) Fonte: European Chemical Industry Council (2007) .165 O fenômeno da descentralização geográfica mencionado por Wongtschowski (2002) pode ser percebido pelos dados apresentados pelo European Chemical Industry Council (2007) na figura 14.

166 Na figura 15. consequentemente. Estados Unidos.5% nos últimos 10 anos. são representadas as trajetórias de crescimento da produção química mundial. a ampliação da utilização de recursos naturais: Figura 15 – Crescimento Internacional da Produção da Indústria Química (1996 a 2006) Fonte: European Chemical Industry Council (2007) Dados do European Chemical Industry Council (2007) indicam que as vendas de produtos químicos cresceu 5. enquanto que países como a . Europa e Japão apresentaram desempenho inferior ao percentual mundial. dado que revela a expansão de mercado e.

conforme demonstrado na figura 16: Figura 16 – Taxa de Crescimento de Vendas em Países e Regiões Selecionadas Fonte: European Chemical Industry Council (2007) Na comparação entre os anos de 1996 e 2006 elaborada pelo European Chemical Industry Council (2007) e apresentados na figura 17. pode ser constatado o aumento da participação do continente asiático nas vendas mundiais (excluindo Japão). Turquia. Neste mesmo gráfico. percebe-se mais uma vez o crescimento da indústria química mundial. que passou de € 962 bilhões em 1996 para € 1641 bilhões em 2006.167 China. Índia e Brasil apresentaram desempenho superior. fortalecendo a tendência mundial da descentralização da produção: .

168 Figura 17 – Participação nas Vendas Mundiais (1996 e 2006) Fonte: European Chemical Industry Council (2007) O fenômeno da concentração citado por Wongtschowski (2002) pode ser constatado por meio da relação das 30 (trinta) maiores companhias químicas do mundo. conforme demonstrado na figura 18: . somente estas companhias foram responsáveis por € 526 bilhões de um total de € 1641 bilhões das vendas ocorridas no ano de 2006. De acordo com a entidade. elaborado pelo European Chemical Industry Council (2007).

ou seja. determinados segmentos da indústria química são representados e acompanhados estatisticamente por associações congêneres. PVC e PET.169 Figura 18 – Relação das 30 (Trinta) Maiores Companhias Químicas (2006) Fonte: European Chemical Industry Council (2007) Nakano (2007) considera que devido ao processo de formação da indústria petroquímica nacional. contrárias à tendência mundial de integração que possibilita vantagens de economia de escala na produção e diluição das despesas em pesquisa em desenvolvimento. PP. que integrou a antiga Copene a empresas produtoras de resinas. apesar da entidade como associação representar a totalidade da indústria química brasileira. . De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b). O autor faz apenas uma ressalva para o caso da Braskem. PE. as centrais e as empresas de segunda geração são em sua maioria isoladas. ela ainda é caracterizada pelo seu baixo nível de integração. No Brasil as principais estatísticas sobre o setor são geradas e disponibilizadas pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) no site da entidade e por meio de suas publicações anuais.

a própria Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b) menciona que a entidade não acompanha estatisticamente todos os segmentos e produtos químicos. Objetivando maior precisão nos levantamentos setoriais. Confirmando a dificuldade de se estabelecer fronteiras e controles estatísticos para o acompanhamento dos segmentos e produtos químicos existentes. o SINDAG (defensivos agrícolas) e a ABIHPEC (produtos de higiene pessoal. catalisadores. concentrando-se com algumas exceções. resinas e elastômeros (resinas termoplásticas. aditivos de uso industrial. Ainda segundo a entidade. intermediários para fertilizantes. desde 1998. perfumaria e cosméticos). a ABIQUIM toma como base um painel formado por cerca de 200 (duzentos) produtos químicos de uso industrial. ANDA (fertilizantes). De acordo com a entidade. produtos químicos para fotografia e outros). a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) subdividiu alguns itens.000 (três mil) produtos fabricados aproximadamente 800 (oitocentas) empresas. resinas termofixas e elastômeros). essa amostra segue. gases industriais e outros). entre outras. . associadas ou não à entidade e que figuram no cadastro de associados da ABIQUIM e no Guia da Indústria Química Brasileira produzido pela entidade. as estatísticas produzidas pela entidade acompanham cerca de aproximadamente 3. o que resultou no seguinte âmbito setorial: a) Produtos químicos de uso industrial: produtos inorgânicos (cloro e álcalis. a classificação do IBGE. no segmento de produtos químicos de uso industrial utilizados no âmbito de outros setores industriais e da própria indústria química.170 como FEBRAFARMA (produtos farmacêuticos). produtos e preparados químicos diversos (adesivos e selantes. produtos orgânicos (produtos petroquímicos básicos. Para um acompanhamento estatístico mais detalhado do setor. intermediários para resinas e fibras e outros). e ABRAFATI (tintas e vernizes).

p. esmaltes e vernizes. foco principal das estatísticas elaboradas pela entidade: Quadro 22 – Classificação ABIQUIM para Análises Estatísticas38 Classificação FABRICAÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS INORGÂNICOS Detalhamento da Classificação .Fabricação de resinas termoplásticas . a entidade optou por manter essas subdivisões.Corantes e pigmentos orgânicos .Intermediários para fibras sintéticas .Intermediários para detergentes .Plastificantes . detergentes e produtos de limpeza. 19): Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b).Fabricação de elastômeros .Fabricação de produtos químicos inorgânicos não especificados anteriormente . entre outros. a abertura dos grupos de produtos grafados em itálico na tabela não aparece na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) Em função da ABIQUIM já realizar um levantamento desses grupos em separado. higiene pessoal.Intermediários para resinas termofixas .Outros produtos químicos orgânicos .Fabricação de adesivos e selantes .Fabricação de aditivos de uso industrial FABRICAÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS ORGÂNICOS FABRICAÇÃO DE RESINAS E ELASTÔMEROS FABRICAÇÃO DE PRODUTOS E PREPARADOS QUÍMICOS DIVERSOS Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b.Fabricação de intermediários para fertilizantes .Intermediários para plastificantes . tintas. a classificação de produtos químicos para uso industrial.Fabricação de produtos químicos orgânicos não especificados anteriormente .Fabricação de produtos petroquímicos básicos . perfumaria e cosméticos. 38 .Solventes industriais .171 b) Produtos químicos de uso final: produtos farmacêuticos.Fabricação de intermediários para plastificantes. p. resinas e fibras . defensivos agrícolas. O quadro abaixo apresenta em detalhes.Fabricação de cloro e álcalis . 15) De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b.Intermediários para plásticos . adubos e fertilizantes.Fabricação de resinas termofixas .Intermediários para plastificantes . sabões.

9% acima do valor do ano anterior.3%).8% mais que no ano anterior.4 bilhões Gráfico 1 – Faturamento Líquido da Indústria Química Brasileira por Segmentos (2006) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b. No cenário internacional. 20) . 13. 20.1 bilhões Defensivos Agrícolas US$ 3.95 bilhões em 2005.4 bilhões (55. o faturamento líquido chegou ao recorde de US$ 81. com faturamento de R$ 23.3% mais que no ano anterior.6 bilhões Adubos e Fertilizantes US$ 5. da nafta petroquímica e do gás natural. considerando todos os segmentos que a compõem.38 bilhões.46 bilhões. consequentemente. Apesar do baixo crescimento da economia brasileira em 2006.7 bilhões. o equivalente a 31.3% superior ao de 2005. alcançou R$ 177.9 bilhões (13.9 bilhões Produtos Farmacêuticos US$ 10. impulsionada pelo crescimento da economia mundial. Medido em dólares. no mesmo ritmo. contra US$ 7.2% no volume de exportações.6 bilhões Higiene Pessoal. Perfumaria e Cosméticos US$ 6. tem se mantido em patamares elevados. sem a contrapartida.6%) seguido pela fabricação de produtos farmacêuticos. 13.1% do total. equivalentes a US$ 45. equivalentes a US$ 10.7 bilhões. com vendas totais de R$ 98. com expressivo reflexo no preço internacional de diversos produtos químicos.6 bilhões Produtos Químicos de Uso Industrial US$ 45.6 bilhões. Houve aumento de 14.172 Em 2006 o faturamento líquido da indústria química brasileira.9 bilhões Sabões e Detergentes US$ 4. A demanda internacional por produtos químicos. ano em que o PIB registrou alta de apenas 3. destaca-se a forte elevação da cotação do barril de petróleo em 2006 e.7%.8 bilhões. Na seqüência os demais segmentos somados responderam por US$ 25.4 bilhões. da elevação da oferta. De acordo com os dados fornecidos pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b) é possível perceber a predominância da fabricação de produtos químicos de uso industrial. p. As importações também cresceram e atingiram o recorde de US$ 17. O déficit na balança comercial brasileira de produtos químicos em 2006 ficou em US$ 8.92 bilhões. valor 2. resultando em receita de US$ 8. Outros US$ 2.9 bilhões Total: US$ 81. a indústria química teve um desempenho razoável. O gráfico abaixo apresenta a composição do faturamento líquido da indústria química brasileira por segmentos no ano de 2006. Esmaltes e Vernizes US$ 2.3 bilhões Tintas. o que vem se refletindo em pressões sobre os preços.

6 1.3 5. Esmaltes e Vernizes Outros Total 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 22.1 33 39. correspondendo a 55.2 3. no período de 1990 a 2006.0 bilhão Outros Produtos Químicos Orgânicos US$ 7.3 bilhões Elastômeros US$ 1. no Brasil.8 3.1 2.5 2.4 45.9 3.2 5.0%. de 1990 a 2006.9 1.3 4.0 bilhões Total: US$ 45.9 5.1 bilhões Cloro e Álcalis US$ 1.9 bilhões Intermediários para Resinas e Fibras US$ 4.1 2.5 1.4 1.4 4.6 5.7 bilhões Petroquímicos Básicos US$ 7.4 bilhões Resinas Termoplásticas US$ 7. Perfumaria e Cosméticos Adubos e Fertilizantes Sabões e Detergentes Defensivos Agrícolas Tintas.4 71. 19) No gráfico 2 é apresentado um detalhamento do faturamento líquido da indústria de fabricação de produtos químicos industriais. que apresentaram taxas de crescimento anual médio acima de 8. são apresentados os faturamentos líquidos obtidos por cada um dos grupos: Quadro 23 – Faturamento Indústria Química Brasileira em US$ Bilhões (2000 a 2006) Segmentos Produtos Químicos de Uso Industrial Produtos Farmacêuticos Higiene Pessoal.2 4.6 2.4 3 2. que em 2006.2 bilhões Outros Inorgânicos US$ 2.7 5.6 3.9 3.9 4.8 37.5 1.6% do total de faturamento da indústria química brasileira: Produtos e Preparados Químicos Diversos US$ 8. destacaram-se os grupos de higiene pessoal.4 bilhões.4 24.3 45.5 59.3 1.8 9.1 1.5 6.8 19.6 19.6 81.1 3.4 1.6 Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b.5 1.2 10.3 2.4 6.6 2.173 Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b).5 1.4 bilhões Gases Industriais US$ 2.7 5.6 6. Na série histórica.5 bilhões Intermediários para Fertilizantes US$ 2.9 2.3 1.6 38. por segmentos da indústria química. realizou um faturamento de US$ 45. perfumaria e cosméticos.9 3 3.8 2 2.4 bilhões Gráfico 2 – Faturamento Líquido da Indústria de Produtos Químicos Industriais (2006) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) . produtos farmacêuticos e defensivos agrícolas. conforme mencionado anteriormente.2 3.5 5. p.3 43.0 bilhões Resinas Termof ixas US$ 1.1 1.1 2.

O gráfico abaixo demonstra a evolução histórica da participação da indústria química no PIB total brasileiro: 3.Participação da Indústria Química no PIB Total Brasileiro (2000 – 2006) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (2007b. inclusive serviços e agricultura.7 3.6 3.1%.0 3. 19) considera que “a indústria química participa ativamente de quase todas as cadeias e complexos industriais. maior que a participação de 2% registrada nos Estados Unidos (maior indústria química do mundo). A Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b.0 2. 19) . desempenhando papel de destaque no desenvolvimento das diversas atividades econômicas do País”.2 3. p. p. servindo de fornecedora de insumos e matérias-primas para a quase totalidade dos demais tipos de indústrias que operam na sociedade industrial. a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b) menciona que a participação da indústria química no PIB total em 2006 foi de 3.174 O sucesso da indústria química se deve principalmente ao seu nível de inserção no segmento industrial.1 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Gráfico 3 .3 3. Com base em dados recentemente revisados pelos IBGE.

Reboques e Carrocerias Máquinas e Equipamentos Metal.8% 8. Petróleo e Combustíveis Produtos Químicos Metalurgia Básica Veículos Automotores. o setor químico ocupou em 2005 a terceira posição no PIB da indústria de transformação.8% 1.6% 3. conforme indicado no gráfico 4: Alimentos e Bebidas Coque.3% 13. respondendo por 11. Refino. Impressão e Reprodução de Gravações Máquinas.8% 1.7% 8.8% 3.3% do total.0% 17.3 bilhões.1% 3.2% 3.175 De acordo com os dados recentemente apresentados pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) no Encontro Nacional de Indústrias Químicas (ENAIQ). Aparelhos e Materiais Elétricos Material Eletrônico Fabricação de Produtos Têxteis Indústria do Couro Outros Equipamentos de Transporte Móveis e Indústrias Diversas Outros 4.3% 2. Exclusive Máquinas e Equipamentos Artigos de Borracha e Plástico Celulose. ocorrido em dezembro de 2007.2% 1.7% 5.3% 2.1% 2. a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) apresentou uma nova estimativa apontando para um novo crescimento do faturamento da indústria química brasileira em 2007.2% 5. .6 bilhões registrados em 2006 para US$ 101. Papel e Produtos de Papel Minerais Não Metálicos Edição.5% 11.6% Gráfico 4 – Participação da Indústria Química no PIB Industrial (2005) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) No mesmo encontro. a qual passaria dos US$ 81.

8 160.176 Outros US$ 2.0 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Gráfico 6 .9 bilhões Sabões e Detergentes US$ 5.4 bilhões Defensivos Agrícolas US$ 4.1 140.0 113.4 154.3 bilhões Produtos Químicos de Uso Industrial US$ 54. que quando produzidos em quantidade.4 134. os valores crescentes de faturamento somente foram possíveis em função do aumento de produção. Perfumaria e Cosméticos US$ 9.0 96.6 bilhões Total: US$ 101. podem prejudicar o meio ambiente.0 120.2 138.9 100.2 80.0 99. Baseado no princípio da recursividade apresentado por Morin (1998).2 100.2 bilhões Gráfico 5 – Estimativa de Faturamento Líquido da Indústria por Segmentos (2007) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) Seguindo a lógica da produção em escala.0 145.3 154. 180. responsável pelo fornecimento de recursos naturais.8 123.6 bilhões Tintas.3 117.0 40.0 Índice 1990 = 100 139.0 20.0 60.2 136. pode-se imaginar que o aumento da produção significa a ampliação da utilização dos recursos naturais e consequentemente o aumento da geração de resíduos oriundos do aumento de produção.9 bilhões Higiene Pessoal.1 125.5 bilhões Adubos e Fertilizantes US$ 8.Evolução Produção de Produtos Químicos de Uso Industrial (1990 a 2006) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) .3 106.6 115.0 162. Esmaltes e Vernizes US$ 2.0 0.1 bilhões Produtos Farmacêuticos US$ 13.

Historicamente. Recentes estudos realizados pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) mostram que as previsões de investimentos em aumento de capacidade previstos até 2011.8 mil empregos diretos.6 bilhões quando computados projetos diversos em manutenção. o Brasil sempre importou mais produtos químicos do que exportou. . o do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (COMPERJ).177 Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) o setor opera perto do limite de sua capacidade instalada.6 bilhões. em 2006 a taxa de ocupação de capacidade manteve-se em 87%.2 bilhões. De acordo com a entidade. A entidade apenas ressalta que do total de investimentos previstos. No gráfico 7 são apresentados os dados históricos desta seqüência. refere-se a projetos ainda em estudo. Segundo a entidade. melhorias de processo. segurança. diz respeito ao déficit da balança comercial brasileira. do comportamento da economia brasileira e da disponibilidade de matéria-prima. no segmento de produtos químicos para uso industrial. este valor que sobe para US$ 15. somam US$ 14. para sua efetiva execução. aproximadamente US$ 11. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) a maior parte dos investimentos em expansão. envolve o equivalente a US$ 8. meio ambiente e troca de equipamentos. um único projeto. Outro dado interessante sobre a indústria química brasileira. mesmo percentual registrado nos dois anos anteriores. As estimativas são de que esses projetos de investimento poderão gerar cerca de 5.4 bilhões. o que indica a necessidade de novos investimentos para a ampliação da capacidade e construção de novas unidades industriais. dependentes. o que significa que o setor químico nacional contribui significativamente para o déficit da balança comercial brasileira.

o que representa incremento de 27% em relação a 2005.3%.2% na comparação com 2005.4 8.9 7. 6.0 3.8% em 2006.1 11. com 30% (US$ 5.4% mais do que o registrado em 2005. Em volume. . Os principais destinos foram os demais países do Mercosul (Argentina.7 10.4 4. Da Ásia.4 bilhões de produtos químicos. o déficit na balança comercial brasileira de produtos químicos foi superior a US$ 8.8 5.5 10. com 20% (US$ 1.8 4.178 14.3 17. e a União Européia.8 bilhão). Paraguai e Uruguai). As importações somaram US$ 17.5 3.7% mais que no ano anterior. 20) Segundo o Relatório Anual 2006 disponibilizado pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a): As exportações brasileiras de produtos químicos cresceram 20.9% foi superior a 21. Essa movimentação representa aumento de 14.4 bilhões.4 milhões de toneladas. foram exportadas pelo País mais de 9.9 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Exportações Importações Gráfico 7 – Importações/Exportações Brasileiras em US$ Bilhões FOB (2000 a 2006) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b. As importações brasileiras de produtos químicos tiveram como principais origens a União Européia. com aumento de 13.1 bilhões). 10. estabelecendo um novo recorde. e a América do Norte.5% de todas as exportações realizadas em 2006 pelo Brasil e 19% do total das importações. O volume de importações. com crescimento de 8. o Brasil importou mais de US$ 2. com 29% (US$ 5. Os produtos químicos representaram 6. com 25% do total exportado (US$ 2. As exportações brasileiras de produtos químicos para a Ásia somaram US$ 753 milhões.0 15. p. superando o valor de US$ 8.5 bilhão). Estados Unidos e México).5 milhões de toneladas em produtos químicos. com 17% (US$ 1. a América do Norte (Canadá. Ainda assim.9 bilhões.2 bilhões).4 bilhões.2 bilhões).8 10.

179 Dados mais recentes. elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (2007). 7.500 (quatro mil e quinhentas) indústrias químicas. por aspectos relacionados a mudanças de critérios (classificações). Esta variação se justifica pela dificuldade encontrada pelas diferentes entidades no correto dimensionamento do setor. para o desenvolvimento deste estudo. se confirmado.52% do total de indústrias de transformação. apontavam para um total de 23. existiam no Brasil em 2005. estabelecendo.1 bilhões. o Relatório Anual 2006 elaborado pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) menciona que em 2006 existiam no país cerca de 4. No quadro abaixo são apresentados os totais de indústrias . o que correspondia a 4. Apenas como um exemplo de divergência estatística. Segundo a pesquisa.8 bilhões em importações em 2007. Com relação a quantidade de indústrias químicas existentes no país. Em função do nível de detalhamento das informações disponíveis.264 (sete mil duzentas e sessenta e quatro) indústrias do ramo químico (divisão 24 – Fabricação de Produtos Químicos).0 e que considera apenas empresas com 30 (trinta) ou mais pessoas ocupadas. divulgados pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) no Encontro Anual da Indústria Química (ENAIQ) estimavam um US$ FOB 10. justificam possíveis divergências que dificultam uma clara definição das fronteiras da indústria química. um novo recorde no déficit na ordem de US$ FOB 13. por critérios específicos definidos pela entidade responsável pela geração da informação ou por questões como a informalidade. elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) com base no CNAE 1. este número apresenta variações de acordo com os critérios adotados ou estabelecidos pelas entidades responsáveis durante a produção e publicação de dados estatísticos. enquanto que dados do Anuário Estatístico da Relação Anual de Informes Sociais (RAIS). Esta ausência de critérios comuns ou a mudança deles ao longo do tempo.152 (vinte e três mil cento e cinqüenta e duas) indústria químicas em 2005. optou-se pela adoção dos dados apresentados na Pesquisa Industrial Anual 2005 (PIA).7 bilhões em exportações contra US$ FOB 23.

8 Fabricação de Tintas. Esmaltes.52% 3. 16% 24.2 Fabricação de Produtos Químicos Orgânicos 24.1 Fabricação de Produtos Químicos Inorgânicos 24. Vernizes.9 Fabricação de Produtos e Preparados Químicos Diversos Gráfico 8 – Total de Indústrias Químicas por Setor (2005) Fonte: Adaptado do Instittuto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) .09% 3. representado pelo total de 1.856 13. produtos de limpeza e artigos de perfumaria é o que apresenta o maior número de indústrias. Região Sul e Paraná: Quadro 24 – Total de Indústrias Químicas – Brasil.259 .684 43. 1% 1.61% Brasil Região Sul Paraná Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) Do total de 7. Produtos de Limpeza e Artigos de Perfumaria 24.3 Fabricação de Resinas e Elastômeros 24.357 498 Percentual 4.6 Fabricação de Defensivos Agrícolas 24. 3% 1. detergentes.4 Fabricação de Fibras.7 Fabricação de Sabões.264 1. 17% 999 .5 Fabricação de Produtos Farmacêuticos 24. Cabos e Filamentos Contínuos Artificiais e Sintéticos 24.788 Total de Indústrias Químicas 7. 3% 47 . Em seguida aparecem os demais setores conforme apresentado no gráfico: 1. 11% 775 .180 químicas em relação às indústrias de transformação em níveis: Brasil. o setor de fabricação de sabões. 14% 827 .797 (mil setecentos e noventa e sete) ou 24% do total.153 . 24% 184 . Fios. Região Sul e Paraná (2005) Total de Indústrias de Transformação 160. Detergentes.264 (sete mil duzentas e sessenta e quatro) indústrias. Lacas e Produtos Afins 24.797 . 11% 224 .

75% 100. O Paraná possuía em 2005. representando um total de 36. 498 (quatrocentas e noventa e oito) indústrias.68% 10.181 Em termos de concentração. a região sudeste apresenta o maior número de empresas.00% Região Sudeste Região Sul Região Nordeste Região Centro-Oeste Região Norte Total Brasil Fonte: Adaptado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) Entre os Estados localizados na região sul. O segundo lugar é ocupado pela região sul. com 4. com 1.357 100. posição em nível nacional.78%).73% 1.68%). logo após dos Estados que possuem pólos petroquímicos.57% 498 36.24% 5.78% 18.00% Rio Grande do Sul Paraná Santa Catarina Total Região Sul Fonte: Adaptado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) Em 2005 o Paraná ocupava uma posição significativa no contexto nacional em termos de número de indústrias químicas instaladas.487 1. Quadro 26 – Participação por Estados – Região Sul Número de Participação Indústrias Químicas (%) 537 39.357 744 403 272 7.70% 322 23. o Rio Grande do Sul se destaca em função da presença de um pólo petroquímico. se situava na 5ª. .70% de participação na região sul.357 (mil trezentas e cinqüenta e sete) indústrias (18.55% 3.487 (quatro mil quatrocentas e oitenta e sete) indústrias (61.263 Participação (%) 61. No quadro abaixo é apresentado o percentual de participação de cada região: Quadro 25 – Total de Indústrias Químicas por Região (2005) Número de Indústrias Químicas 4.

57% 249 3.39% 498 6. Em seguida.39% 26 0. o setor que detinha o maior número de empregados em 2005 era o de Fabricação de Produtos Farmacêuticos. são apresentadas as participações dos demais setores: .47% 28 0.83% 537 7.261 (noventa e um mil duzentos e sessenta e um) ou 27%. sendo responsável por 91.36% 17 0.55% 39 0.77% 46 0.50% 34 0.58% 902 12.23% 15 0.95% 56 0.66% 135 1.00% 7.63% 44 0.43% 259 3.42% 569 7.61% 40 0.263 100. Dentro deste universo.67% 74 1.54% 36 0.86% 121 1.833 (trezentos e trinta e nove mil oitocentos e trinta e três) empregados.04% 0 0.02% 69 0.43% 193 2.00% São Paulo Minas Gerais Rio de Janeiro Rio Grande do Sul Paraná Santa Catarina Bahia Goiás Pará Pernambuco Ceará Mato Grosso Espírito Santo Maranhão Mato Grosso do Sul Paraíba Amazonas Sergipe Rio Grande do Norte Distrito Federal Alagoas Piauí Rondônia Tocantins Acre Amapá Roraima Total Brasil Fonte: Adaptado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) o número de pessoal ocupado na indústria química em 2005 era de 339.182 Quadro 27 – Número de Indústrias Químicas por Unidade da Federação (2005) Número de Indústrias Participação Químicas (%) 2947 40.06% 3 0.86% 322 4.21% 4 0.

334 479.46% 2.906 .472 1.3 Fabricação de Resinas e Elastômeros 24.73% 3. 5% 67. Produtos de Limpeza e Artigos de Perfumaria 24.421 16. Região Sul e Paraná (2005) Total de Indústrias de Transformação 6.6 Fabricação de Defensivos Agrícolas 24.833 43.717 .Brasil. regional e estadual: Quadro 28 – Total de Pessoal Ocupado .222.732 . Fios.362 . 10% 15.259 . 2% 24. 27% 5.4 Fabricação de Fibras.899 . 12% 27. Detergentes.964 Percentual 5.633 . 13% 35.064 . nas esferas nacional.261 .183 39. Lacas e Produtos Afins 24.53% Brasil Região Sul Paraná Fonte: Adaptado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) Os números apresentados neste capítulo apresentam a dimensão econômica e a velocidade de expansão da indústria química na contemporaneidade.1 Fabricação de Produtos Químicos Inorgânicos 24. Esmaltes. Além de revelar as dimensões do setor químico em nível mundial e nacional.590. 20% 11.7 Fabricação de Sabões. Cabos e Filamentos Contínuos Artificiais e Sintéticos 24. 8% 45.9 Fabricação de Produtos e Preparados Químicos Diversos Gráfico 9 – Total de Empregados na Indústria Química por Setor (2005) Fonte: Adaptado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) No quadro abaixo são apresentados os percentuais de pessoal ocupado nas indústrias químicas em relação às indústrias de transformação.2 Fabricação de Produtos Químicos Orgânicos 24.5 Fabricação de Produtos Farmacêuticos 24.973 Total de Indústrias Químicas 339.8 Fabricação de Tintas. Vernizes. 3% 91. estes números apresentam mais uma vez evidências do sucesso da racionalidade econômica no setor e apontam .

introduziram novas variáveis – volatilidade. cujos efeitos sobre a saúde humana e o meio ambiente eram ainda pouco conhecidos. De acordo com Lage e Valle (2004. inexistentes com o uso do carvão. 25) com os avanços tecnológicos alcançados no final do século XIX. Os números apresentados neste estudo e que retratam o sucesso econômico obtido pela indústria química mundial. vieram acompanhadas por uma lógica exponencial de destruição da natureza e consequentemente da criação de novos riscos. p. bem como aplicações para novos elementos químicos – cloro. bromo. 2. se comparado com a queima do carvão.5. fluidez. Indústrias Químicas. flúor.184 para a manutenção de sua expansão no futuro. fato que poderá contribuir para níveis crescentes da utilização dos recursos naturais bem como para o aumento dos níveis de geração de resíduos que poderão contribuir de alguma forma para o agravamento da saúde ambiental planetária. das radiações ionizantes.3. Infelizmente todas as vantagens obtidas pela capacidade humana de estabelecer o seu domínio sobre os meios de produção e sobre a ciência. cádmio. comprovam a predominância da racionalidade instrumental no mundo corporativo e o poder político e econômico por ela oferecido aos . os riscos se potencializaram: Os combustíveis líquidos. Os primeiros experimentos com os elementos radioativos e o uso. A evolução tecnológica trouxe também. produzidos a partir do petróleo. Sociedade e Meio Ambiente O sucesso econômico alcançado pela predominância da racionalidade instrumental na sociedade contemporânea pode ser facilmente percebido pelos números que comprovam a expansão da economia mundial. ainda desprovido de proteções adequadas. mas trouxe mais riscos de vazamento e o fator pressão. e que em um primeiro momento prometiam o atingimento de melhores condições de vida. anilinas. álcalis. inflamabilidade mais intensa que no carvão – que aumentam os riscos de acidentes e facilitam as contaminações por infiltração no solo e dispersão nas águas. novos materiais produzidos pela síntese química – ácidos. como resultado. agregaram novos fatores de risco de acidentes com a chegada ao século XX. A introdução do gás para iluminação e como combustível contribuiu para melhorar as condições do ar nas grandes cidades. o incremento da população mundial e o crescimento dos volumes de produção industrial.

representada pela intensa mobilização da sociedade em torno da problemática ambiental. incrementando a produtividade das diversas monoculturas. o setor aumentava os lucros na medida em que conseguia assegurar um mercado ávido por absorver uma quantidade e variedade de produtos cada vez maior. poucos setores industriais contribuíram tanto para a emergência da modernização reflexiva ao criar uma variedade de riscos socioambientais e. significou também o crescimento exponencial do volume de resíduos gerados. Para Demajorovic (2003). poucos setores industriais se desenvolveram de forma mais independente dos governos do que o setor químico. garrafas plásticas passaram a ocupar espaços crescentes nas prateleiras dos supermercados. 73): Nada parecia ameaçar. 73) afirma que “nenhum outro setor produziu tamanha quantidade e variedade de resíduos tóxicos. até a década de 1960. propiciar o crescimento da autocrítica. com efeitos muitas vezes desconhecidos sobre o meio ambiente e os seres humanos”. 72 e 73): Em diversos países desenvolvidos. Demajorovic (2003. p. Sempre inovando. do emprego e das condições de atendimento de novas necessidades dos consumidores. De acordo com Demajorovic (2003. ao mesmo tempo. particularmente nos Estados Unidos. Para o autor. uma incrível capacidade de autofinanciar seu crescimento. p. e uma infinidade de novos pesticidas e adubos prometiam uma revolução verde no campo. desde os anos de 1920. apresentou. o crescimento promissor das indústrias químicas. a análise restrita dos números encobriu uma faceta inerente ao desenvolvimento químico: o aumento dos riscos socioambientais. Embora por vezes ajudado por empréstimos e contratos governamentais. portanto. p.185 controladores das atividades econômicas. desbancando as tradicionais garrafas de vidro. autonomia quase total para comandar seus próprios negócios. as empresas tiveram. Sem se preocupar com a intervenção do setor público ou a pressão da sociedade. Fibras sintéticas ganharam mercados antes dominados pelas fibras de algodão. Contudo. Segundo Demajorovic (2003. . transformando idéias em produtos comerciais e com uma eficiente campanha de divulgação que criava novas necessidades de consumo. Apesar de considerar que a atividade química não seja a principal responsável pela geração de resíduos. de acordo com Demajorovic (2003) a expansão crescente da produção e do consumo não significou apenas o aumento do faturamento do setor.

p. conforme apresentado no quadro 29: Quadro 29 – Pesquisas sobre os Efeitos Nocivos de Produtos Químicos Ano 1950 Pesquisa Dois pesquisadores da Universidade de Siracusa (Nova Iorque). 74 e 75) . continuava ignorando o fato de que alguns insumos e produtos estavam intoxicando trabalhadores e consumidores ou de que resíduos gerados.186 A ampliação da produção mundial de produtos químicos com a conseqüente ampliação da geração de resíduos industriais e urbanos propiciou que os efeitos não desejados passassem a ser gradativamente detectados por especialistas e pelas diferentes sociedades locais que habitavam localidades próximas às indústrias químicas poluidoras. Verlus Frank Linderman e Howard Burlington. Além dos gastos com novos equipamentos industriais. Representou para as empresas químicas o início de grandes investimentos para cumprimento de regulamentações. levando a uma acentuada queda de fertilidade. alertavam para o fato de que o uso do Dicroro Difenil Tricloroetano (DDT) em excesso poderia alterar a química hormonal dos animais. Segundo Piasecki citado por Demajorovic (2003) de 1970 a 1978 mais de um terço de todos os conflitos judiciais envolvendo unidades industriais nos Estados Unidos teve como protagonistas empresas do setor químico. 1962 1969 Década de 1970 Fonte: Adaptado de Demajorovic (2003. Publicação do livro Primavera Silenciosa. uma vez que o câncer já constituía um tema particularmente sensível entre a opinião pública norte-americana. Algumas destas situações passaram a ser gradativamente identificadas por especialistas entre as décadas de 1950 e 1970. Nos Estados Unidos. Em 1971. em função do grande crescimento econômico e da prosperidade vividos nos quinze anos que se seguiram logo após o final da Segunda Guerra Mundial. de Rachel Carson – o primeiro livro a expor os efeitos nocivos do uso indiscriminado de produtos químicos. cerca de 10% de todos os investimentos em novas unidades industriais passaram a ser destinados a programas de controle de poluição. eram simplesmente lançados em lixões a céu aberto ou em corpos d´água. De acordo com o autor. em quantidades cada vez maiores. o presidente Nixon declarou guerra total à doença e. até os anos 1960 pouco se sabia sobre os subprodutos associados ao desenvolvimento industrial químico. as grandes empresas tiveram de criar estruturas para organizar e coletar as informações exigidas pelo governo. a EPA decretou o fim do uso do DDT no país. em 1972. Foi o combustível ideal para que os ambientalistas aumentassem sua pressão para banir o uso do produto. De acordo com Demajorovic (2003). no mesmo momento em que grande parte da população nos países industrializados sorvia os benefícios de um boom econômico sem precedentes. a partir dessa década. O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos publicou estudos indicando a maior incidência de tumores no fígado de camundongos expostos ao DDT. sem qualquer tipo de tratamento.

187 De acordo com Demajorovic (2003. dos resíduos e consequentemente dos riscos inerentes de sua própria operação. O objetivo principal era reverter a imagem do setor perante a opinião pública visando reduzir os custos impostos pela legislação. 77). Segundo o autor: Para representantes da Chemical Manufactures Association (CMA). 2003. a posição da maior parte das empresas do setor químico continuava a ser tipicamente reativa. 76). já havia sido incorporada na sociedade dos países industrializados. Segundo o autor. p. nos processos e no acesso às informações em poder dos governos e das indústrias. especialmente em relação à indústria química. p. De acordo com Demajorovic (2003) os resultados esperados para as campanhas não atingiram o objetivo de mudar a opinião pública. que restringiam as possibilidades de crescimento do setor (DEMAJOROVIC. as empresas passaram a financiar grandes campanhas publicitárias para “educar” o público em geral sobre os benefícios da indústria química. Demajorovic (2003) menciona que apesar das mudanças decorrentes da pressão de grupos ambientalistas e da regulação ambiental mais restritiva. o setor químico mundial passou a sofrer maiores . estas situações ocorridas nos Estados Unidos contribuíram para o estabelecimento de uma nova relação entre empresas e órgãos de governo. Paralelamente. p. as empresas tratavam a nova situação regulatória como um complô dos grupos ambientalistas. O esforço de indústrias importantes no cenário mundial como a DuPont ou a Dow Química. Com a ampliação da produção. era barrar ou retardar a aprovação das leis de controle ambiental. De acordo com o autor. neste momento a preocupação ambiental. 2003. nos produtos. Dentre as principais reivindicações dos grupos organizados destacavam-se: mudanças no consumo de matérias-primas. uma vez que ambos não podiam mais ignorar a pressão dos grupos não-governamentais organizados. entre outras. pelo menos no que concerne à problemática ambiental”. a maior união de indústrias químicas nos Estados Unidos. 76). resultando em um grande número de adesões aos diversos grupos envolvidos na luta contra os produtos tóxicos. “as entidades públicas e privadas que tradicionalmente conjugaram seus esforços visando o crescimento econômico viram-se em lados opostos. uma vez que “novas leis impostas pelos órgãos ambientais passaram a controlar de forma mais restritiva produtos e processos industriais químicos” (DEMAJOROVIC.

fato que contribuiu para a ampliação da regulamentação do setor. contra as cidades de Hiroshima e Nagasaki. p. formando uma grande massa de ar. Smog é um fenômeno que ocorre principalmente nas grandes cidades. destino dos resíduos industriais. gases tóxicos são utilizados por ambos os lados em combate. se caracterizando como a mistura de gases. Guerra Mundial e que naquela época os gases produzidos por indústrias químicas já eram utilizados como arma de guerra. no destino de resíduos industriais e no consumo. dióxido de sulfureto. Este fato foi confirmado por um dos entrevistados que participou desta pesquisa. 39 Uma ocorrência de smog próximo a Liège causa 100 vítimas fatais. No quadro 30 são apresentados diversos fatos e acidentes ocorridos com produtos químicos e indústrias químicas em diferentes épocas e países. causando cerca de 100 mil mortes. 39 . os quais revelam a existência de riscos na produção.) 1914 Europa 1928 1929 1930 1932 Alemanha EUA Bélgica Japão 1945 Japão De acordo com Mundo e Educação (2007) A palavra “Smog” é uma junção de duas palavras da língua inglesa: “smoke” e “fog”. aerossóis ácidos e gases. Acidente com gás venenoso fosgênio em um fábrica de Hamburgo mata 10 pessoas e envenena gravemente outras 150. Estes acidentes serviram para reforçar a opinião pública quanto aos riscos envolvidos na fabricação. ao seu gerenciamento e à distribuição dos riscos decorrentes da expansão da atividade”. o qual revelou ao pesquisador que o seu pai havia lutado na 1ª. ao final da Segunda Guerra Mundial. transporte e consumo de produtos químicos.. causando mais de 120 mil mortes e provocando a contaminação radioativa de extensas áreas naquelas cidades..188 pressões por parte da sociedade organizada em decorrência de acidentes de grandes proporções ocorridos nas mesmas décadas que demarcaram sua expansão. compostos voláteis orgânicos (VOC). Bombas atômicas são utilizadas. 78) “os inúmeros acidentes envolvendo indústrias químicas em diversos países colocaram no centro do debate os problemas associados ao consumo de produtos tóxicos. contribuíram direta e indiretamente para a formação de uma imagem negativa do setor perante a opinião pública: Quadro 30 – Acidentes Ocorridos com Indústrias Químicas/Produtos Químicos Ano Local Fato Ocorrido Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Estes fatos somados. Início da produção comercial de bifenilas policloradas (PCB´s). Continua (. fumaça e vapores de água. fumaça e neblina. no transporte. respectivamente. o smog é formado por óxidos de nitrogênio (NOx). De acordo com Demajorovic (2003. Os efeitos do mercúrio sobre o organismo eram então desconhecidos. Mais precisamente. Indústria química instalada às margens da baía de Minamata passa a lançar no mar efluentes contaminados com mercúrio.

provoca emissões de tetraclorodibenzoparadioxina (TCDD). Continua (. no atol de Bikini.000 toneladas de óleo próximo à ilha de Hokkaido. em decorrência desse acidente. O navio-tanque Heimvard lança cerca de 50. libera quantidades de material radioativo que contaminam corpos d´água. Três técnicos morrem em um acidente com um reator nuclear experimental em Idaho Falls. Esta ação teve início em 1961 e terminou somente em 1971.000 toneladas de óleo na baía de Campeche. Acidente com um reator de plutônio. de sementes de trigo tratadas com fungicidas com base de mercúrio provoca muitas mortes.. com autorização do governo. França e Holanda. provavelmente. provoca a contaminação radioativa de uma vasta área e causa centenas de vítimas fatais devido à radiação recebida. O uso impróprio. O smog ocorrido em Londres durante cinco dias. causando 35 vítimas comprovadas e aumento dos casos de câncer na população nos anos subseqüentes. para alimentação. Radiação disseminada no interior do primeiro submarino nuclear soviético mata o comandante e vários tripulantes. Reator experimental na região de Detroit funde-se parcialmente devido à uma falha no sistema de refrigeração. passa a ser habitada. de sementes tratadas com mercúrio. no estado de Nova York – e posteriormente usada como depósito de resíduos tóxicos. O navio-tanque Anne Mildred Broving lança cerca de 20. Um teste nuclear com bomba de hidrogênio. A área ocupada por um canal inacabado – o Love Canal. resultante da queima de carvão mineral. Identifica-se que a contaminação por mercúrio lançado na baía de Minamata é a causa de disfunções neurológicas em pessoas e animais.) . O navio-tanque Torrey Canyon lança cerca de 120. causa mais de 4 mil vítimas fatais. na usina de Windscale. próximo de Vera Cruz. em 1963 no Paquistão e em 1966 na Guatemala. acarretando mais de quinhentas vítimas humanas fatais entre aquelas que se alimentaram com peixes e frutos do mar da região. Um acidente em uma indústria química. O Presidente Kennedy autoriza o emprego da guerra química com o uso do agente laranja. desfolhante associado a dioxinas. nos montes Urais. um dos tipos de dioxina. até aquele ano. devido a mudanças imprevistas na direção dos ventos.000 toneladas de óleo ao largo da costa. animais e o leite. acarretando graves conseqüências para a saúde dos seus moradores. Acidente em uma instalação nuclear.189 1951 EUA 1952 Japão 1952 Inglaterra 1953 EUA 1953 Alemanha Federal Oceano Pacífico 1954 1956 Iraque 1957 Inglaterra 1957 União Soviética 1960 1961 1961 1961 1965 1966 1966 1966 1967 1967 Brasil Vietnã EUA URSS Japão Mar do Norte México EUA Mar do Norte Suécia Indústria do Estado de Ohio lança.000 toneladas de óleo no mar. afetando os litorais da Inglaterra. em uma vasta área de ilhas Britânicas.000 toneladas de óleo no mar. Desastres desse mesmo tipo se repetem em 1960 e 1972 no Iraque. cerca de 200 toneladas de poeira radioativa no meio ambiente. O navio-tanque Sinclair Petrolore lança cerca de 60. que afetam 55 pessoas. contamina com radioatividade uma área com cerca de 18 mil quilômetros quadrados do oceano e atinge algumas ilhas habitadas. Navio desconhecido lança cerca de 35.. Relatório publicado em 1992 relata que mais de 8 mil pessoas haviam morrido. Quarenta lagos e rios são considerados contaminados com metilmercúrio originado. na cidade de Ludwigshafen.

. Um curto-circuito na instalação nuclear de Lubmin causa um incêndio que quase provoca a fusão do núcleo do reator. O navio-tanque Hawaiian Patriot lança cerca de 95. contaminando mais de 200 quilômetros da costa francesa. O navio Borag lança cerca de 35. provocando contaminação de moradores e obrigando o sacrifício de cerca de 70 mil animais. O navio-tanque Napier perde cerca de 40. O navio-tanque Wafra lança 40.000 toneladas de óleo perto da costa chilena. S. O navio-tanque Metula lança cerca de 50. O navio-tanque Yuyo Maru lança mais de 50.000 toneladas de óleo ao largo da costa da ilha de Honshu. O navio-tanque Othello lança cerca de 70. O navio-tanque Texaco Denmark lança cerca de 100.000 toneladas de óleo no litoral.000 toneladas de óleo a 100 km da costa de Durban. O navio-tanque Sea Star lança cerca de 130. Rowland demonstram a relação entre os compostos de clorofluorcarbono (CFC´s) e a destruição do ozônio nas camadas superiores da atmosfera.000 toneladas de óleo a 300 quilômetros da costa de Iwo Jima.000 toneladas de óleo próximo de Chilung.000 toneladas de óleo na costa de Honolulu.000 toneladas de óleo próximo à ponta de Manglares. próximo ao porto de Leixões. O navio-tanque Julius Schindler lança cerca de 90. Movimentos de conscientização para a poluição gerada pelo Pólo Industrial de Cubatão exigem a recuperação ambiental da região.000 toneladas de óleo no oceano próximo a essas ilhas. O navio-tanque Ennerdale lança cerca de 50. Peter lança cerca de 35. Continua (.. O navio-tanque Amoco Cadiz derrama cerca de 6.000 toneladas de óleo próximo à costa belga.000 toneladas de óleo na baía de Guanabara.190 1968 1969 1969 1970 1970 1971 1971 1972 1973 1974 1974 1974 1975 1975 1975 1975 1975 1975 1976 1976 1976 1976 1977 1977 1978 1978 África do Sul Suíça Portugal Ilhas Seychelles Suécia África do Sul Mar do Norte Omã Oceano Pacífico EUA Japão Chile Brasil Porto Rico Alemanha (República Democrática) EUA Japão Portugal Espanha Colômbia Itália Brasil EUA China Brasil França O navio-tanque World Glory derrama cerca de 50.) . uma indústria lança acidentalmente no ambiente 2. O navio-tanque St.5 quilos de dioxinas. O navio-tanque Epic Colocotronis lança cerca de 60.000 toneladas de óleo na baía de Tralhavet.000 toneladas de óleo no oceano próximo à costa dos Açores. Mario Molina e L.000 toneladas de óleo na baía de La Coruña.000 toneladas de óleo no mar a 100 km da costa. Na cidade de Seveso. derrama cerca de 6. Havaí.000 toneladas de óleo no estreito de Magalhães. O navio Urquiola encalha na costa e lança cerca de 95. Radiação emitida devido ao mau funcionamento de um reator experimental obriga à lacração da caverna onde estava instalado. Incêndio em usina nuclear no Alabama faz baixar o volume da água de resfriamento do reator a níveis alarmantes O navio-tanque British Ambassador lança cerca de 50.000 toneladas de óleo no oceano Atlântico. fretado pela Petrobras. O navio-tanque Amoco Cadiz lança cerca de 230. O navio-tanque Jacob Maersk lança cerca de 90. O navio-tanque grego Tarik.000 toneladas de petróleo no litoral de São Paulo.000 toneladas de óleo no golfo de Omã.000 toneladas de óleo na costa de Portugal.

matando milhares de pássaros. funde parcialmente.) 1980 Brasil 1981 1981 40 URSS Japão De acordo com Demajorovic (2003. Continua (.000 toneladas de petróleo no mar antes de ser controlada nove meses depois. pela Grã-Bretanha. que separa a Europa da Ásia.6 toneladas de poeira.7 toneladas de amônia. na região de Toronto. obrigando à evacuação de 226 mil moradores na cidade de Mississauga.. foi iniciado um plano de controle das fontes de poluição nas empresas de Cubatão.000 toneladas de óleo no oceano. Um dos reatores da usina nuclear de Harrisburg. próximo a Dumai.000 toneladas de óleo no porto de Arzew. entidades criam uma intensa movimentação da opinião pública em torno dos dramáticos impactos socioambientais provocados pelo descaso das indústrias instaladas em Cubatão. O navio-tanque Gino lança cerca de 35. O navio-tanque Globe Asami lança cerca de 16. A plataforma Alexander Keillan naufraga no campo petrolífero de Ekofisk. entre outros gases. matando 123 pessoas.000 toneladas de óleo no estreito de Málaca. O navio-tanque Independenza lança cerca de 95. A organização ambientalista Greenpeace tenta impedir o lançamento. p. no estado de São Paulo.000 toneladas de óleo na entrada da baía de Galveston. O navio-tanque Andro Patria lança cerca de 50. Em Lengerich uma fábrica de cimento contamina a região com tálio. Em 1982. O navio-tanque Atlantic Empress lança cerca de 278. em 1980. causando a morte de pelo menos 68 pessoas. . O navio Burmah Agate lança 35. Identificados casos de anomalias congênitas na população que vive na região do Pólo Industrial de Cubatão. um ano depois da instituição da Política 40 Nacional do Meio Ambiente . O navio-tanque Irenes Serenad lança cerca de 40. de 2.6 toneladas de fluoretos. tornando as terras impróprias para a agricultura e desfolhando árvores. Uma plataforma de petróleo no golfo do México libera cerca de 170..000 toneladas de óleo próximo à costa do cabo Villano. 8. 2. 109) a “Política Nacional do Meio Ambiente representou um marco histórico ao introduzir a responsabilização por crimes ambientais e eleger o Ministério Público como importante ator para a solução de conflitos judiciais ligados à degradação ambiental”. Segundo estudos da época. Uma fábrica de armas biológicas situada em Sverdlovsk liberou acidentalmente uma nuvem de esporos de antraz.3 toneladas de dióxido de enxofre.000 toneladas de óleo no mar. O navio-tanque Patianna derrama cerca de 40. Na década de 1980. 45 funcionários são expostos a radioatividade.000 toneladas de lixo nuclear no oceano. Descarrilhamento de trem com produtos químicos provoca incêndio e escapamento de cloro. próximo a esse emirado.191 1978 1978 1978 1979 1979 1979 1979 1979 1979 Indonésia Espanha Atlântico Norte Tobago Turquia Dubai EUA França EUA 1979 URSS 1979 1979 1979 1980 1980 Canadá EUA Alemanha Federal Mar do Norte Grécia O navio-tanque Tadotsu perde cerca de 45. liberando água radioativa. em Three Mile Island. em uma usina em Tsuruga. metal pesado venenoso. com a qualidade de vida da população da região.000 toneladas de óleo próximo à costa da Bretanha.000 toneladas de óleo no estreito de Bósforo.000 toneladas de óleo no mar Báltico. Texas. as empresas instaladas na região eliminavam diariamente cerca de 236. 61 toneladas de óxido de nitrogênio e 78.

Incêndio em refinaria na Cidade do México. contaminando centenas de prédios nos EUA. intensamente radioativa. na Basiléia. tem como conseqüência a morte de cerca de quinhentas pessoas e ferimentos em mais de 4 mil. em São Paulo. com explosões sucessivas de tanques de armazenamento e botijões de gás liquefeito de petróleo (GLP). explode.192 1982 1982 1983 1983 1983 1983 1983 Atlântico Sul Atlântico Norte África do Sul Golfo Pérsico Brasil Brasil Irã-Iraque 1983 México 1983 1983 1983 1984 1984 1984 Qatar EUA GrãBretanha Índia Brasil Brasil 1984 México 1985 1985 1986 URSS Irã URSS 1986 URSS 1986 Suíça O destróier Sheffield.. Incêndio.) . causando milhares de mortes. por parte da Grã-Bretanha e Holanda. com efeitos em diversos países vizinhos.000 mortes. em duas plantas químicas distintas. construída junto a oleodutos. causando intensa contaminação radioativa em toda a região. Experimentos com armas biológicas provocam mais de 1. é afundado pela aviação argentina durante a Guerra das Malvinas. Acidente com trem transportando gasolina em Pojuca.000 toneladas de óleo. Explosão destrói uma base de submarinos nucleares causando 10 vítimas fatais imediatas e um número desconhecido de mortes posteriores provocadas por exposição à radiação. Seu conteúdo é utilizado por uma siderúrgica para fazer vergalhões de construção. provocado por vazamento de gás no campo de Enchova.400) e afeta seriamente a saúde de aproximadamente 200 mil.400 pessoas (alguns cálculos chegam a 6. Um incêndio e explosões na favela da Vila Socó. Continua (. Vazamento de isocianato de metila. em Bhopal. mata mais de 100 pessoas. da marinha britânica. afunda ao largo da costa de Table Bay.000 pessoas e mais um número incalculável de casos de câncer em vários países da Europa.000 toneladas de óleo próximo à costa de Omã. na Bahia. O navio-tanque Pericles GC lança cerca de 50. seguido de explosão. De acordo com Demajorovic (2003) o acidente causou a morte de 10. em uma planta química.. causa a morte de 37 pessoas.000 toneladas de óleo próximo à ilha de Kharg. Vazamento na Central Nuclear de Philipsburg resulta no lançamento de iodo-131 no ambiente. O navio-tanque Nova lança cerca de 70. 3 milhões de litros de óleo vazam de oleoduto em Bertioga. Armas químicas são utilizadas por esses dois países em guerra. com intervalo de 6 meses. Furto do combustível derramado por membros da população local provoca incêndio que causa 99 mortes. As autoridades soviéticas informaram a ocorrência de 31 mortes devido ao acidente e a necessidade de evacuação de mais de 100 mil habitantes das regiões vizinhas. provoca morte de 3. para onde o material foi exportado. A organização Greenpeace documenta o lançamento de rejeitos atômicos no oceano.000 toneladas de óleo na costa de Doha. Dois acidentes. em Santos. bacia de Campos. entre 1983 e 1988. O navio-tanque espanhol Castillo de Bellver. Um dos quatro reatores da Usina Nuclear de Chernobyl. Uma cápsula de cobalto-60. contaminam o rio Reno com pesticidas e mercúrio. estado de São Paulo. é levada de um hospital em Juarez para um depósito de sucata. O navio-tanque Assimi lança cerca de 53. suspeito de conduzir armas nucleares. na atual República da Ucrânia. carregado com cerca de 260. supostamente devido a contaminação com antraz. Constata-se que a usina de reprocessamento nuclear de Sellafield está lançando no mar resíduos oleosos radioativos.

. no deserto de Nevada. graças à pronta ação de salvamento realizada. O navio-tanque Aegean Sea encalha e lança cerca de 80. no mar Mediterrâneo. Centenas de milhares de toneladas de petróleo queimam diariamente. 25 quarteirões destruídos e uma cratera de quase 2 quilômetros de comprimento. O navio-tanque Odyssey lança cerca de 132.000 quilômetros de costa. durante meses.193 1987 1988 1988 1988 1988 1988 Brasil Canadá Iraque EUA Canal da Mancha Mar do Norte Uma cápsula de césio-137. Avião de carga transportando explosivos e produtos químicos cai nos arredores de Amsterdã.) 1989 EUA 1989 1989 1989 Mar do Norte Ilhas Canárias Ilha da Madeira Kuwait 1991 1991 1991 1991 Itália Itália Angola 1992 México 1992 1992 1992 1992 1993 1993 1993 Moçambique Espanha Holanda França Alemanha Ilhas Shetland Indonésia .000 toneladas de petróleo. o cargueiro Oostzee enfrenta mar agitado transportando 4 mil tambores de epicloridrina.. O navio-tanque Haven se incendeia próximo a Gênova e afunda no mar Mediterrâneo com 143.000 toneladas de óleo. carregado com 260. causando 140 mortes e provocando a poluição com óleo na costa de Livorno. em Goiás. Explosão de fábrica que produzia perclorato de amônia (combustível para foguetes).000 toneladas de óleo. sem a proteção de roupas adequadas. deixada em um hospital desativado é violada por um sucateiro. Gasto com a limpeza das costas atingidas e ações de indenização. O navio-tanque ABT Summer se incendeia ao largo da costa de Angola. pagas ou pleiteadas.000 toneladas de óleo na costa africana. durante a Guerra do Golfo. Próximo à costa da Alemanha.000 toneladas de óleo. O ferry Moby Prince abalroa o navio-tanque Agip Abruzzo.000 toneladas de óleo na costa do Alasca. A plataforma de petróleo Piper Alpha explode. O navio-tanque Katina P lança cerca de 72. Três funcionários são contaminados ao entrar em um acelerador nuclear de partículas. acarretando mais de duzentos mortos. causada por infiltração de combustível. O cargueiro Anne Broere afunda com 24. 5 mil curdos são mortos com gás mostarda e outras armas químicas utilizadas pelo exército iraquiano.000 toneladas de óleo na baía de La Coruña. superam a cifra dos US$ 10 bilhões.000 toneladas de óleo no mar no Norte. libera radiação que contamina e mata várias pessoas em um bairro de Goiânia. cerca de 15 mil desabrigados. lança cerca de 85.800 litros de acrilonitrila tóxica. O navio-tanque Maersk Navigator atinge a costa em Sumatra e perde uma quantidade desconhecida de óleo. O navio-tanque Khark 5 explode ao norte dessas ilhas. em Forbach. matando 167 dos 232 homens que trabalhavam em suas instalações. como conseqüência da destruição dos campos petrolíferos desse país promovida pelas tropas iraquianas. Um grave acidente é evitado por pouco. causando 43 mortes. A cidade de Guadalajara é sacudida por uma explosão em seu sistema de esgoto municipal. O navio-tanque Aragon perde cerca de 25. matando milhares de animais e contaminando as águas da região numa extensão de mais de 2. O navio-tanque Exxon Valdez encalha em um recife no estreito Prince William e lança cerca de 40. ao partir-se em dois. O navio-tanque Braer. perdendo cerca de 80. em retirada. isótopo radioativo.000 toneladas de óleo no oceano a 560 quilômetros da costa da Terra Nova. Acidente em uma planta química próxima a Frankfurt provoca danos à saúde de 192 pessoas. Continua (.

Não se registram vítimas humanas. 6. afetando também Hungria e Iugoslávia. que liga os dois países.6 milhão de metros cúbicos de rejeitos de uma mina de cobre escoam para o rio Boac e três de seus afluentes. destruindo uma reserva natural e um santuário de pássaros. choca-se com um cargueiro e lança 25.000 toneladas de óleo diesel.500 toneladas de óleo. Cerca de 12 toneladas de toluilendiamina escapam de uma indústria química em Dormagen. causando a morte de vários pacientes. Explosões em oleodutos.000 toneladas de óleo no mar. Cerca de 100 automóveis têm sua pintura danificada.3 milhão de litros de óleo na baía de Guanabara. contamina equipamentos de diálise renal. O navio-tanque russo Nakhodka parte em dois. O navio-tanque Sea Empress encalha e lança cerca de 70.194 1995 1995 Coréia do Sul Japão 1996 1996 1996 1996 Brasil Alemanha País de Gales Filipinas 1997 1997 1997 1997 Japão Canal da Mancha Filipinas Cingapura 1997 1997 Alemanha Japão 1998 Espanha 1999 1999 1999 Antártica França-Itália EUA 1999 Japão 1999 Turquia 2000 2000 2000 Romênia Nigéria Brasil Explosão provocada por vazamento de gás no metrô de Daegu provoca 101 mortes. afetando mais de 20 mil moradores na região. abalroado por outro.000 litros de óleo no mar na costa sul das Filipinas. Dois acidentes sucessivos em indústria química de Frankfurt contaminam o ar e o rio Meno. O navio-tanque Volgoneft 248 afunda na costa francesa. O navio-tanque Diamond Grace encalha próximo a Tóquio e perde cerca de 1.000 toneladas vazam para o mar.000 toneladas de óleo na costa galesa. vítimas do gás sarin (também denominado gás dos nervos). causam a morte de centenas de pessoas. A parte da proa do navio é rebocada para alto-mar e torpedeada para que afunde. em Pernambuco. Centenas de passageiros são intoxicados. Das 17. e sua popa afunda na costa do Japão.000 toneladas de óleo.. Na ilha de Marinduque mais de 1. Incêndio provocado por um caminhão no interior do túnel do monte Branco. A ruptura de uma barragem de contenção de uma mina provoca uma avalanche de 5 milhões de metros cúbicos de lama contaminada com substâncias tóxicas.000 toneladas de óleo que transportava. o navio-tanque Petron lança cerca de 200. lançando no mar cerca de 1. Um acidente na planta de reprocessamento nuclear de Tokai-Mura provoca a contaminação de mais de quatrocentas pessoas pela radioatividade liberada. provoca 35 mortes Cerca de 150 toneladas de óleo combustível são lançadas ao mar quando o navio graneleiro New Carissa parte-se ao meio na costa do Oregon. Doze pessoas morrem no metrô de Tóquio. O navio-tanque Evoikos. Uma barragem de mina se rompe próximo a cidade de Baia Mare. liberando 100. Rio de Janeiro. Continua (.000 toneladas de óleo no estreito de Cingapura.000 toneladas de lama que contaminam com cianeto parte da bacia do rio Danúbio. O navio Bona Fulmar.) .000 toneladas de óleo que contaminam mais de 400 quilômetros de costa. carregado de 120. O navio-tanque Bahía Paraíso afunda próximo ao Cabo Horn. provocadas possivelmente por furos efetuados para roubar combustível. lança cerca de 4. A ruptura de um oleoduto libera cerca de 1. lançado por fanáticos religiosos. A qualidade imprópria da água utilizada por um hospital de Caruaru. atingindo a costa. dispersando cerca de 10.. Após uma explosão a bordo.

Uma explosão na plataforma de petróleo P36. levando consigo o restante da carga. no Paraná. O navio-tanque Taurus derrama cerca de 7. em São Paulo.000 litros de óleo combustível. afetando áreas ambientalmente preservadas desse arquipélago. registrado nas Bahamas.000 pessoas pelo impacto da explosão. obriga a evacuação de cerca de 2. na bacia de Campos.195 2000 2000 Holanda Brasil 2000 Inglaterra 2000 2000 2001 2001 2001 2001 França Filipinas Equador China Brasil Brasil 2001 2001 2001 2001 2002 2002 2002 2002 2002 Brasil França Peru Brasil Equador República Tcheca África do Sul Iêmen EUA 2002 Espanha 2002 Japão 2002 Nigéria Uma fábrica de fogos de artifício explode na cidade de Enschede. no arquipélogo de Galápagos.000 litros de óleo diesel na costa da ilha Isabela. mata onze pessoas.000 moradores no município de Barueri. matando 20 pessoas. que transportava 31. Não houve vítimas fatais. Acidente em uma fábrica de munições na cidade de Lagos mata mais de 1. Derrama mais de 11. Operários em greve de uma fábrica têxtil descarregam propositalmente cerca de 5. A ruptura de um oleoduto libera cerca de 4 milhões de litros de óleo nos rios Barigui e Iguaçú.000 automóveis. Explosão de fábrica de fertilizantes na região de Toulouse causa 31 mortes e fere 2. registrado nas Bahamas. se incendeia depois de encalhar na costa japonesa. derramando cerca de 660. conduzindo mais de 6. Ruptura de um duto de gás liquifeito de petróleo. provocada pela cravação de uma estaca no local.000 toneladas de petróleo. obrigando à evacuação de milhares de moradores da região. resultando na liberação de gás cloro para a atmosfera.. Não houve vítimas fatais.. A plataforma afunda posteriormente.000 toneladas que transportava e. metil-etil. Não foram registradas mortes.000 litros de nafta no porto de Paranaguá.000 toneladas de estireno na foz do rio Yang-tse-kiang. Trem cargueiro descarrila próximo a Knoxville. O navio-tanque Prestige. O navio Ievoli Sun. O navio-tanque Jessica se acidenta nas ilhas Galápagos. próximo a Shangai. parte-se em frente à costa espanhola. com cerca de 300. Continua (.442 pessoas. O navio-tanque francês Limborg explode e incendeia-se ao largo da costa carregado com 397. depois de colidir com outro navio. que transportava cerca de 4. álcool isopropílico e outros produtos) afunda no canal da Mancha. Inundação provocada por chuvas intensas afeta uma indústria química. O navio coreano Dayong lança 23.) . Acidente com o navio-tanque Norma provoca derramamento de 400. Outras 1. numa região que anteriormente já fora utilizada para dispor rejeitos nucleares e munições. cetona.000 litros de óleo combustível sobre um condomínio residencial em Barueri. provocando mancha de óleo com 11 quilômetros de extensão.000 toneladas de produtos químicos (estireno. de bandeira italiana. Avalanche de lixo acumulado próximo a uma favela provoca centenas de mortes por soterramento em distrito urbano de Manila. em São Paulo.000 barris de petróleo. O navio de carga Hual Europe. Explosão de fogos de artifício na cidade de Lima provoca 282 mortes e mais de 100 feridos. Tennessee.000 toneladas de óleo combustível das 70. da Petrobras.000 pessoas são mortas pisoteadas ou afogadas devido ao pânico. ferindo 150 e destruindo grande parte da cidade. afunda. Ruptura de um duto lança um jato de 200.000 litros de ácido sulfúrico no rio Meuse.000 litros de ácido sulfúrico. O navio-tanque italiano Jolly Rubino. no Paraná. incendeia-se ao largo da costa.

fertilizantes. causando centenas de mortes e milhares de feridos. acordos. Explosão em um campo de gás natural na região de Chongqing libera uma nuvem de gases tóxicos que mata pelo menos 193 pessoas. provoca explosão que resulta em 15 mortos e mais de 200 feridos. Dentre as diversas plenárias apresentadas no quadro 31 encontram-se algumas que tratam especificamente da produção e do uso de produtos químicos: Quadro 31 – Tratados. Os diversos acidentes ocorridos e a ampliação dos riscos foram acompanhados da realização de diversas plenárias ao redor do mundo.000 habitantes. situada a 320 quilômetros a oeste de Tóquio. dedicado a estudos relacionados com a degradação da natureza..) . 198-214). não pode receber resíduos nem ter sua área utilizada para testes nucleares. matando pelo menos 295 pessoas e ferindo mais de 200. Entra em vigor o Tratado Antártico. Perfuração acidental de gasoduto subterrâneo. p. próximo a fronteira com a China. Trem com vagões carregados de enxofre. Fonte: Adaptado de Demajorovic (2003) e Lage e Valle (2004. O Protocolo de Genebra proíbe o uso de armas químicas e biológicas. Criação do Clube de Roma. convenções e regulamentos como forma de mitigar os efeitos industriais não desejados. Firmam um tratado que dá fim aos testes nucleares acima do solo. que estipula que aquele continente somente pode ser utilizado para fins pacíficos. Trem carregado com dinamite explode em Ryongchon. O acidente foi atribuído a um curto circuito elétrico. Acordo de proteção do rio Reno contra a poluição. a partir das quais foram elaborados tratados. O acidente foi causado pela faísca de um motor utilizado para perfurar o oleoduto a fim de roubar combustível. Explosão em refinaria da cidade de Skikda mata 13 trabalhadores e fere pelo menos 74. em Minas Gerais. causada por uma obra de construção civil em andamento próximo a Bruxelas. Constatadas as primeiras evidências da destruição da camada de ozônio. nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro.196 2003 2003 2003 Brasil Brasil Nigéria 2003 2004 2004 China Argélia Irã Coréia do Norte Bélgica 2004 2004 2004 Japão Ruptura de barragem de contenção de rejeitos de uma indústria de celulose provoca grande contaminação das águas dos rios Pomba e Paraíba do Sul. Explosão de oleoduto mata mais de 100 pessoas na região da Abia. Continua (. deixa centenas de queimados e obriga a evacuação de 41. Acidente com trem transportando produtos químicos provoca contaminação das águas que abastecem a cidade de Uberaba. Vazamento de vapor não radioativo mata 4 trabalhadores e fere outros 7 na usina nuclear de Mihama. gasolina e algodão explode na cidade de Neyshabur. Acordos e Convenções para a Preservação do Meio Ambiente Ano 1913 1925 1961 1963 1963 1968 1968 Evento Realização em Berna da Primeira Conferência Internacional sobre a Conservação da Natureza.. O acidente não liberou radioatividade.

Convenção Internacional sobre Preparo. Rio Grande do Sul. que cria mecanismos para a eliminação das substâncias que esgotam a camada de ozônio. Continua (. para assegurar maior rigor ao gerenciamento ambiental nas unidades desse setor industrial em todo o mundo. Criado o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). mais conhecido como Relatório Brundtland. Bahia e São Paulo. Firmada a Convenção de Viena para a proteção da camada de ozônio. Publicação da Diretiva de Seveso. É aprovado nos Estados Unidos o Emergency Planning and Community Right do Know Act (EPCRA). Em meados da década de 1980.. intitulado Os Limites do Crescimento. Convenção de Londres sobre o Banimento do Despejo de Resíduos Radioativos nos Oceanos. Assinada em Londres a convenção internacional que proíbe o lançamento de rejeitos nucleares nos oceanos. Publicado o relatório da Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento.. que transforma a Antártica em reserva natural. quando são assinados diversos acordos e convenções ambientais de alcance global. Após o acidente de Bhopal. voltada especialmente para as práticas de gerenciamento de unidades industriais químicas. Implantado pela primeira vez o Programa Atuação Responsável. a ampliação da pressão social resulta em uma atuação mais contundente dos órgãos ambientais nos grandes centros produtores: Rio de Janeiro.197 1969 1969 1969 1972 1972 1972 1973 1973 1978 1982 1983 1984 1984 1985 1985 1986 1987 1987 1989 1990 1991 1991 1992 1993 1993 Convenção Internacional sobre Responsabilidade Civil por Danos Causados por Poluição por Óleo. que regula internacionalmente os movimentos transfronteiriços de resíduos tóxicos. com a totalidade de sua área protegida. Realiza-se no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. A Câmara de Comércio Internacional publica a Carta Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável. concedido pela indústria química. Criado o Comitê Técnico 207 da Organização Internacional para a Normalização (ISO) incumbido de criar um sistema de normas internacionais para a gestão ambiental. Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios (conhecida como Marpol) Conferido pela primeira vez o selo ecológico Anjo Azul a produtos que se distinguem por suas qualidades ambientais. Resposta e Cooperação em Caso de Poluição por Óleo (conhecida como OPRC/90) Firmado o Protocolo sobre Proteção Ambiental. Suíça. Convênio relativo à intervenção em alto-mar nos casos de acidentes com óleo. Conferência Mundial das Nações Unidas para o Meio Ambiente e instituído o Dia Internacional do Meio Ambiente (5 de junho) Firmada a Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora (Cites) (Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies Ameaçadas). determinando mudanças nas políticas socioambientais das empresas do setor químico. produzido a pedido das Nações Unidas. cujo capítulo 19 trata do tema de Segurança Química: todos os produtos químicos devem ter todas as suas características conhecidas e informadas aos usuários. Firmado o Protocolo de Montreal. Este plano exigiu que todas as empresas do setor químico com dez ou mais empregados estimassem o volume das emissões de seus resíduos gasosos. também conhecido como Sara Title III.) . Firmada a Convenção da Basiléia. Publicado o primeiro relatório do Clube de Roma. dentre eles a Agenda 21. de modo a proteger a saúde humana e o meio ambiente. anexo ao Tratado Antártico. Convênio sobre responsabilidade civil na esfera de transporte marítimo de materiais nucleares. Realizada em Estocolmo a 1ª. líquidos e sólidos. do qual resultaram as normas ISO 14000. o Congresso Norte-Americano aprova a legislação Sara Title II.

destacam-se o hexaclorobenzeno e o hexabutadieno. Plano de Emergência para Incidentes de Poluição por Óleo Originados em Instalações Portuárias. Publicação da Diretiva de Seveso II. a Estratégia Política Ampla (OPS) e o Plano de Ação Global (GPA). Mirex. Criação do Fórum Intergovernamental de Segurança Química (IFCS). de 12/12/2001). Endrin. Terminais. a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. Segundo a Associação dos Contaminados Profissionalmente por Organoclorados (ACPO). 269. bem com o Sistema Globalmente Harmonizado para a Classificação e Rotulagem de Substâncias Químicas (GHS). Convenção de Roterdã sobre Consentimento Previamente Informado para o Comércio Internacional de Certas Substâncias Químicas e Agrotóxicos Perigosos (PIC) 3ª. assinada por Ministros de Estado. Início da negociação da Convenção de Estocolmo sobre segurança química.. É firmado o Protocolo de Kioto. relacionados a problemas de câncer e graves problemas de intoxicação. Toxafeno. Dutos. Nela foi aprovado o “Plano de Ação de Johannesburgo” cujo parágrafo 23 trata de produtos químicos e estabelece que “em 2020 os produtos químicos devem ser fabricados de modo tal que levem à minimização de efeitos adversos à saúde e ao meio ambiente” Código Internacional de Gerenciamento para Operação Segura de Navios e Prevenção da Poluição (conhecido como Código ISM) Início dos trabalhos de Abordagem Estratégica para a Gestão Internacional de Produtos Químicos – SAICM (Strategic Approach to International Chemicals Management). a partir da qual foram estabelecidas regras para o Consentimento Previamente Informado de Produtos Químicos no Comércio Internacional (PIC). Regulamento para Uso de Dispersantes Químicos em Derrames de Óleo no Mar (Resolução Conama nº. Início das negociações do sistema de controle baseado no “Reauthorization and Evaluation of Chemicals” (REACH).) 2002 2003 . a partir da qual foram estabelecidas regras para a eliminação de uma lista de produtos organoclorados e para o controle de dioxinas e furanos (Aldrin. Início da negociação da Convenção de Roterdã sobre segurança de produtos. criado com o objetivo de estabilizar a concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera. Foram produzidos 3 documentos: a Declaração Política de Alto Nível (HLD). Hexaclorobenzeno. Proposta do “White Paper” da Comunidade Européia para produtos químicos. Realiza-se em Johannesburgo. Entre os produtos. Convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Prevenção de Grandes Acidentes.198 1993 1993 1994 1996 1996 1997 1997 1998 2000 2000 2001 2001 2001 2001 2002 Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (United Nations Framework Convention on Climate Change – UNFCCC). 293. DDT. Bifenilas Policloradas (PCB´s)). Esta negociação destina-se a desenvolver a estratégia para garantir o atendimento do parágrafo 23 do Plano de Johannesburgo. com a missão de promover a implementação do capítulo 19 da Agenda 21. África do Sul. particularmente no que tange a recursos hídricos. Reunião do Fórum Intergovernamental de Segurança Química (IFCS) em Salvador – Bahia. até 1999. Firmada na Suécia a Convenção de Estocolmo para o banimento de 12 poluentes orgânicos persistentes (POP´s). Heptaclor. na qual são elaborados os documentos “Declaração da Bahia” e “Prioridades de Ação para Além do Ano 2000”. Dieldrin. Continua (. Plataformas e Respectivas Instalações de Apoio (Resolução Conama nº. A Justiça de Cubatão determinou a total interdição da unidade química da Rhodia em Cubatão em razão da contaminação da sua planta com produtos altamente prejudiciais à vida humana e ao meio ambiente. também conhecida como Rio + 10. para o registro de substâncias químicas e de suas aplicações para permitir a sua comercialização na Comunidade Européia. Clordano. que estabelece metas para a redução das emissões de gases que contribuem para o efeito estufa. sete funcionários já haviam morrido por causa da contaminação ocorrida.. de 14/09/2000).

fabricadas na União Européia ou importadas de outros países. uma vez que não está preparada para enfrentar eventos inesperados. segundo Rasmussen citado por Demajorovic (2003). Trata da criação de um sistema de registro com informações sobre os perigos e riscos de substâncias químicas. que proíbe o uso de 12 poluentes orgânicos persistentes (POP´s). Conferência Internacional. os governos. novas ou existentes. da água e do solo. que as autoridades locais não possuem informações e a organização necessárias para mitigar seus efeitos sobre a população e o meio ambiente e. Com base nas informações prestadas pelas empresas. além da contaminação do ar.. confirmam a existência dos riscos e da incerteza em diferentes etapas dos processos de produção. Os fatos ocorridos ao longo das décadas de demarcaram a expansão da sociedade industrial. havendo a previsão de realização de eventos para avaliação dos progressos obtidos.. ou de primeira e segunda geração. p. Lage e Valle (2004. tornando-se extremamente vulnerável em casos de acidentes. as organizações não governamentais. as representações sindicais.] embora outros setores industriais também sejam responsáveis por gerar acidentes ampliados ou maiores. Como resultado. Fonte: Adaptado de Associação Brasileira de Indústrias Químicas (2007a). que a população local desconhece os riscos das unidades industriais próximas. Associação Brasileira de Indústrias Químicas (2008). proposta para 2009. Criação do Sistema REACH (Registro. firmada em 2001. as organizações de caráter científico e a indústria (química. Demajorovic (2003). apontando para a existência de insuficiências nos conceitos de segurança e controle de riscos desenvolvidos a partir das premissas da matriz de pensamento linear. De acordo com Demajorovic (2003. 198-217). Entra em vigor a Convenção de Roterdã que trata sobre a segurança de produtos Conclusão da negociação da SAICM e a realização da 1ª. finalmente. e os riscos mais comuns são incêndio. 83): [. que incluirão a 2ª.199 2004 2004 2006 2006 Entra em vigor a Convenção de Estocolmo. Estes casos demonstram. distribuição e consumo. . que as normas de segurança das empresas mostram-se inadequadas para evitar ou gerenciar as ocorrências. Autorização e Restrição de Substâncias Químicas). O risco é inerente a essas unidades industriais em razão de seu próprio processo de produção e do tipo de produto gerado. p. grande parte dos eventos ocorreu em indústrias químicas de base. explosões e vazamentos de gases. que fabricam uma série de produtos empregados como matérias-primas em outras indústrias. metais e outras) deverão implementar os elementos da SAICM. Conferência Internacional de Gestão de Produtos Químicos (International Conference on Chemicals Management – ICCM). incluindo agro-químicos. serão autorizados os usos de produtos químicos naquele bloco. Avaliação.

como a destruição da camada de ozônio pelo uso indiscriminado de gases CFC´s e os diversos derramamentos de óleo em rios e oceanos. tais como explosões.. uma pesquisa realizada em várias cidades brasileiras. individualmente ou combinados. incêndios e emissões. 1988 Chemical Manufactures Association (CMA) • • • • 1998 Janice Mazurek – The Use of Unilateral Agreements in the United States: The Responsible Care Initiative • . no período de 1990 e 1995. contribuíram significativamente para a ampliação da percepção de diferentes atores de sociedades locais sobre os riscos das atividades industriais em escala global. conforme demonstrado no Quadro 32: Quadro 32 – Pesquisas de Opinião Pública sobre a Imagem da Indústria Química: Ano Responsável • 1986 Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) Dados Coletados Em 1986. É também o potencial de gravidade e extensão de seus efeitos ultrapassarem os seus limites espaciais de bairros. O que caracteriza os acidentes químicos ampliados não é somente a sua capacidade de causar grande número de óbitos. em especial do segmento químico. associados com os danos ambientais causados por produtos químicos. mutagênese e danos a órgãos-alvo específicos. envolvendo uma ou mais substâncias perigosas com potencial de causar simultaneamente múltiplos danos ao meio ambiente e à saúde dos seres humanos expostos. cidades e países – e temporais – como a teratogênese.) 41 Segundo Freitas citado por Demajorovic (2003) acidentes químicos ampliados correspondem a eventos agudos. As opiniões desfavoráveis aumentaram de 40% para 58% As opiniões favoráveis decresceram de 30% para 14% As pessoas que acreditavam que as empresas do setor químico não eram suficientemente regulamentadas aumentaram de 57% para 74% Aqueles que consideravam a indústria como essencial diminuíram de 49% para 38% Na pesquisa de opinião pública favorável feita em dez setores industriais norte-americanos. Bhopal e Seveso.. demonstrou que mais de 56% dos entrevistados eram mais preocupados com a indústria química em comparação com outras indústrias. perdendo apenas para a indústria de tabaco. o setor químico ocupou a segunda posição. embora sejam frequentemente conhecidos por isso. Esta situação pode ser evidenciada a partir dos resultados obtidos por diferentes relatos e pesquisas relacionadas. O índice de pessoas que se declararam favoráveis ao setor sofreu um decréscimo de 27% em 1991 para 21% em 1995.200 A ocorrência de acidentes químicos ampliados41 como os casos ocorridos na baia de Minamata no Japão. A maioria não confiava na indústria química e pensava que o governo deveria controlar a indústria química muito mais restritivamente e com uma legislação muito mais rigorosa. Continua (.

organizações não governamentais. O setor químico ocupou a primeira posição da lista com um índice de 68%. professores univertários. este se viu obrigado a demonstrar preocupação com os efeitos não desejados . comunidades vizinhas a indústrias. Guedes – Dissertação: Programas ambientais de empresas multinacionais no Brasil: estudos de caso no setor químico • Em sua dissertação de mestrado apresentou dados de uma pesquisa realizada no Brasil que apontava o setor químico como aquele que acarreta mais risco ou problemas socioambientais. e somente 13% considera que o meio ambiente é assunto prioritário para elas. ficando a frente somente das atividades relacionadas a energia nuclear e petróleo. Pesquisa realizada pela ABIQUIM para avaliar a percepção dos públicos (externo e interno) e partes interessadas sobre os setores químico e petroquímico. De acordo com Demajorovic (2003). representantes do governo). • Nelson Culer Representante da Câmara da Indústria Química e Petroquímica da Argentina 1999 Em uma declaração afirmou que a percepção da sociedade sobre a indústria química em diversos países é muito semelhante. foram devolvidos apenas 138). 81% consideram que a indústria química agride o meio ambiente enquanto que 26% consideram que a empresa onde trabalham agride o meio ambiente. onde a indústria química ocupa a 6ª. A pesquisa do público externo envolveu amostras dos seguintes segmentos: público em geral. O resultado revelou que o público interno possui uma percepção diferente do público externo: 43% consideraram que a indústria química é insegura. enquanto que 5% consideram a empresa onde trabalham como insegura. formadores de opinião (jornalistas. A pesquisa revelou que o setor com imagem mais desfavorável era o químico e de petróleo. Pesquisa de imagem realizada na Europa. na Argentina as pesquisas mostram que apenas 12% da população acredita que as empresas estão efetivamente preocupadas com a comunidade. posição entre 8 diferentes tipos de atividades. ambos com 38%. Chiummo (2004) e European Chemical Industry Council (2007) Em razão das pressões exercidas pela sociedade organizada sobre os governos e as indústrias químicas e pela imagem formada pela opinião pública sobre o setor químico. universitários. Esta pesquisa também foi direcionada ao público interno das empresas associadas (dos 694 questionários enviados a comissões e diretores das empresas associadas. • 2001 Associação Brasileira de Indústrias Químicas (ABIQUIM) • • 2006 European Chemical Industry Council Fonte: Demajorovic (2003).201 1999 Ana Lúcia M. Demajorovic e Soares (2006). dados de pesquisas feitas em 1999 revelaram que na Argentina e na Inglaterra só as indústrias nuclear e de tabaco recebiam uma avaliação pior que a do setor químico. De acordo com o autor.

foi criado em decorrência dos sucessivos acidentes com grande repercussão e que afetaram a imagem da indústria química mundial deste o início da década de 1970. a exemplo da ação relacionada ao Programa Atuação Responsável42. O programa Atuação Responsável foi levado para os Estados Unidos e Inglaterra. garantindo a transparência de suas atividades. Internacionalmente o programa é coordenado pelo Responsible Care Leadership Group – RCLG (Grupo de Liderança do Responsible Care) do International Council of Chemical Associations – ICCA (Conselho Internacional das Associações da Indústria Química) e no Brasil pela Associação Brasileira de Indústrias Químicas (ABIQUIM).. 1989 Criado o International Council of Chemical Associations (ICCA) com o objetivo de coordenar em nível mundial a implantação do programa Atuação Responsável. solicitando seis meses para analisá-la. Início das primeiras discussões sobre o Responsible Care no Brasil. à segurança e ao desempenho ambiental. Implementado oficialmente em 1988 nos Estados Unidos por meio da Chemical Manufacturers Association (CMA). o Programa Atuação Responsável (Responsible Care) foi criado no Canadá em 1984 com o intuito de reverter a imagem pública das indústrias químicas por meio de ações que visem promover a ampliação da segurança e a redução dos riscos relacionados à indústria química. A diretoria não aceitou a proposta de imediato. No quadro 33 são apresentados alguns dados relevantes sobre o processo de criação e implantação do Programa Atuação Responsável no mundo: Quadro 33 – Dados sobre o Programa Atuação Responsável Ano 1984 1987 1988 Fatos O programa tem sua origem em uma iniciativa da Canadian Chemical Producers Association (CCPA).202 oriundos de suas atividades como forma de garantir a continuidade de suas operações. planos e objetivos”.. o comitê apresentou os princípios do Programa Atuação Responsável para a Diretoria da ABIQUIM. Líderes de empresas nacionais que já tinham programas ambientais deram suporte à iniciativa. Continua (.) 1990 1991 De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (2007a). Criados os princípios diretivos e definidos os elementos do Programa Atuação Responsável. definido como um “compromisso do setor químico para a melhoria contínua em todos os aspectos relacionados à saúde. 42 . Segundo Demajorovic (2003) foi por meio deste programa que iniciou-se uma campanha integrada com o objetivo de modificar práticas gerenciais no campo socioambiental para reverter a imagem negativa do setor perante a opinião pública. O nome “Atuação Responsável” foi proposto e aceito pelo Comitê Ambiental da ABIQUIM. e dois novos comitês foram formados para o programa. De acordo com Lage e Valle (2004) o Programa Atuação Responsável. Em outubro do mesmo ano.

processo que permite às empresas acompanhar o andamento da implementação das Diretrizes. Neste ano. Neste mesmo ano inicia-se a aplicação do VerificAR. que representavam mais de 90% das companhias líderes de mercado. resposta a emergências e diálogo com a comunidade. Neste mesmo ano.. A ABIQUIM realiza uma pesquisa de imagem da indústria química. somente 74 de 103 companhias submeteram-se a avaliação. Neste mesmo ano o programa passa a ser obrigatório para os membros da ABIQUIM.203 1992 Adoção do Programa Atuação Responsável pela Associação Brasileira de Indústrias Químicas (2007). o programa inicialmente envolveu aproximadamente 90% da indústria brasileira do setor em termos financeiros). segundo a ABIQUIM. Nesta época. com a participação de 50% dos associados da ABIQUIM (devido a participação de grandes empresas. segurança e saúde do trabalhador. A ABIQUIM decidiu por não replicar os códigos e as guias de implementação do Responsible Care e colocou ênfase em liderança. A ABIQUIM promove a primeira auto-avaliação. participação do empregado e sistema de gestão. Em maio do mesmo ano o programa foi oficialmente estabelecido no Brasil. atendimento de novas demandas de empresas que já implantaram 100% do programa. A ABIQUIM desenvolve seis códigos de práticas (com guias e checklists) para o Programa Atuação Responsável: segurança de processos. De acordo com Mazurek citado por Demajorovic (2003) a iniciativa já atingia 43 países. e gerenciamento de produto. denominado VerificAR. 50% o de prevenção a poluição e transporte e distribuição. assinaram o compromisso com o Programa Atuação Responsável. realizada na cidade do Rio de Janeiro. fazendo com que em abril de 1992 fosse endossado o programa Atuação Responsável brasileiro. A ABIQUIM divulga o primeiro relatório público. 104 de 138 companhias químicas assinaram ou renovaram seu compromisso com o Programa Atuação Responsável. com a participação de auditores de empresas certificadoras. acabou revertendo a resistência à iniciativa. proteção ambiental. e 30% o de resposta a emergências e gerenciamento de produto. especialmente norteamericanas. cobrindo 87% da produção química mundial. A pressão de multinacionais atuando no país. A ABIQUIM desenvolve em conjunto com empresas certificadoras. São gerados os primeiros indicadores. Definição do novo modelo do Programa Atuação Responsável e início do processo de revisão. e da necessidade da sua atualização em relação a legislação brasileira e acordos internacionais (quando o programa foi lançado apenas algumas práticas gerenciais eram obrigatórias por lei). Disponibilização dos códigos de práticas. transporte e distribuição. Neste ano as multinacionais americanas eram as mais avançadas na implementação do programa. no mesmo ano da realização da Conferência de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (UNCED). Publicação de guias dos códigos de práticas. Neste ano. o seu primeiro modelo de sistema de verificação externa do Programa Atuação Responsável. profissionais de empresas associadas e representantes das comunidades vizinhas. dos 156 membros da ABIQUIM.) 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 . os membros da ABIQUIM não eram obrigados a assinar o compromisso com o Programa Atuação Responsável. Continua (. dos 133 membros 75% tinham implementado o código de segurança de processo. em função do modelo se mostrar complexo e burocrático. 118 ou 75% dos associados. A ABIQUIM reporta que 70% dos seus 133 membros tinham adotado o programa. conhecida como “Eco 92”..

2005 2006 Fonte: Associação Brasileira de Indústrias Químicas (2007). Empresários nacionais também argumentavam que a iniciativa poderia atrair ainda mais a atenção dos órgãos ambientais para o setor.204 2004 Criação do Conselho Consultivo Nacional (CCN) reunindo diversas personalidades de diferentes áreas e setores. Apesar de amplo. p. tais como o Global Reporting Initiative (GRI) e o Balanced Scorecard. a implementação do Programa Atuação Responsável encontrou diversas barreiras. início da redação do novo conjunto de práticas gerenciais do Programa Atuação Responsável. Produção do 1º. para equilibrar as forças em jogo e para incrementar suas operações. a questão da imagem pública do setor limitava-se às corporações multinacionais. os antigos códigos e práticas deixam de existir. De acordo com Jonhson citado por Demajorovic (2003). considerando outros tipos sistemas de gestão. visto que várias empresas nacionais questionavam a utilidade da iniciativa e sentiam-se inseguras sobre importar um programa na forma de “pacote fechado”. nos critérios do Prêmio Nacional de Qualidade (PNQ). conjunto de diretrizes. p. foram as próprias empresas multinacionais que optaram pela adoção desta alternativa racional visando o lucro. Check e Action) e elaboradas com base em diversas normas nacionais e internacionais de gestão (Ex: ISO). segundo o autor. sustentável. 112) isto se devia ao fato de que: Para muitos representantes de empresas químicas nacionais. Demajorovic e Soares (2006) e Relatório de Atuação Responsável (2007) O longo período exigido para o surgimento. Demajorovic (2003. Segundo Demajorovic (2003. iniciada a revisão do VerificAR para possibilitar uma única auditoria integrada. culminando em uma legislação ambiental mais restritiva. Com a revisão do Programa Atuação Responsável. 95). nos indicadores do Instituto Ethos e outros instrumentos reconhecidos. Porém no Brasil. com o objetivo de proteger a legitimidade da indústria química mundial para evitar legislações mais restritivas. para a implantação e para adaptação do Programa Atuação Responsável revela a resistência e as dificuldades apresentadas pelas indústrias químicas baseadas na racionalidade econômica em adaptar-se a uma nova realidade compatível com um desenvolvimento de fato. o VerificAR não possuía total compatibilidade com as auditorias para normas de sistemas de gestão. especialmente em seus países de origem. Do. além das experiências das próprias empresas associadas. O seu conteúdo é integralmente adequado e incorporado nas novas Diretrizes. ou reduzir o grau de soberania das empresas associadas na medida em que preconizava um programa uniforme a ser implementado indistintamente . iniciada a construção do novo espaço na internet dedicado ao Atuação Responsável (Canal AR) e. para a aceitação. Missão e Princípios Diretivos do Programa. definidas no formato do ciclo do PDCA (Plain. aprovação dos textos da Visão.

Para os autores normalmente estas duas fases são seguidas pelas fases da contemporização e da aceitação passiva para que somente depois ocorra a fase da ação pró-ativa e consciente que visa eliminar. o efeito tóxico de metais pesados e a ação dos clorofluorcarbonos (CFCs) sobre a camada de ozônio. Outra questão relevante. na origem. fase da aceitação passiva e a fase da ação pró-ativa. países como a China e a Rússia. preocupavam-se principalmente com a possibilidade de aumento dos custos que a iniciativa implicava sem gerar qualquer retorno financeiro. fase da contestação. Logo. De acordo com Lage e Valle (2004) esta fase normalmente é seguida pela fase da contestação. as pequenas empresas. Esta dificuldade para a aceitação do programa pelos responsáveis pelas indústrias químicas pode ser melhor compreendida pela definição de cinco fases propostas por Lage e Valle (2004): fase do desconhecimento. conforme ilustrado na figura 19: . a causa identificada.205 por todos os associados. é que a exigência para a sua adoção é aplicada apenas para as indústrias químicas associadas à ABIQUIM. como por exemplo. A primeira delas. fase da contemporização. principalmente pequenas e médias empresas. não atinge a totalidade das indústrias químicas instaladas no território nacional. onde os responsáveis pela produção ou utilização desses produtos não reconhecem o nexo causal. a exemplo do Brasil. representam uma lacuna em termos globais para a efetivação do programa. O Programa Atuação Responsável desenvolvido pela entidade que representa a indústria química em nível mundial e que é adotado pelas entidades que representam as indústrias químicas em nível local apresenta algumas limitações. responsáveis por uma considerável participação na produção industrial mundial. a fase do desconhecimento é caracterizada pela ausência de conhecimento sobre os efeitos danosos de certos agentes químicos. Segundo os autores. diz respeito à dificuldade enfrentada para a sua adoção em escala global: provavelmente por razões políticas e interesses econômicos associados. a contaminação do ser humano pelo chumbo. apesar do programa envolver as maiores indústrias químicas existentes no país. apesar de já possuírem dados suficientes para admiti-lo. Por fim. não associadas a conglomerados internacionais.

talvez esteja na forma escolhida para sua avaliação. Demajorovic (2003. ou fragilidade perante a opinião pública. buscar melhorar a percepção do público em relação às formas de gerenciamento das unidades químicas. com base em compromissos éticos com a sociedade”. uma vez que esta também não trabalha com indicadores de desempenho. 97) considera que “o Programa Atuação Responsável apresenta-se para as indústrias químicas como uma nova forma de conduzir seus negócios. nesse aspecto. De acordo com o autor.206 Figura 19 – Mapa da Presença do Programa Atuação Responsável no Mundo Fonte: Associação Brasileira de Indústrias Químicas (2007a) Demajorovic (2003. Seu critério de desempenho é verificar se os códigos referentes aos sistemas de gestão foram implementados pelos associados nos diferentes países. limitando-se a certificar sistemas de gestão. mas sim uma mudança cultural na maneira como a indústria química realiza seus negócios de forma a na prática. o projeto assemelha-se à ISO 14000. Como se trata de um programa voluntário. p. O autor menciona que os seus representantes não o consideram propriamente um programa. 97) acredita que o maior problema do programa. p. o Atuação Responsável não impõe objetivos quantitativos para a redução da poluição ou prazos para que determinados tipos de emissão cessem ou diminuam. .

Em sua obra. Egler e Silva (2007). as tradicionais linhas de pensamento empirista e intelectualista divergiram sobre as suas respectivas concepções sobre percepção. Comissão Mundial sobre Meio Ambiente (1991). as tentativas de definição de . por não possuírem vínculo com o Programa Atuação Responsável e por não serem consideradas em estudos relacionados a indústrias químicas. uma vez que a ABIQUIM tem dificuldades de manter o apoio efetivo de todos os associados. PERCEPÇÃO Para este estudo.4. Este estudo apresentará a percepção de profissionais que atuam em indústrias químicas distantes da realidade enfrentada por grandes organizações do setor. mesmo quando acordadas condições de garantia de sigilo. em função destas não contarem com dados sistematizados que permitam o fornecimento das informações solicitadas. A exemplo dos fatos ocorridos em outros campos científicos fundamentados na matriz do pensamento linear. Outro fator apresentado pelos autores é o receio das empresas em divulgar dados e informações sobre seu desempenho. Chauí (2000) menciona que na história da filosofia. Sheldrake (2001) e Fernandes (2004). 2. foram considerados os conceitos de percepção propostos pela Chauí (2000). De acordo como os autores. que busca revelar algumas das percepções que os profissionais de indústrias químicas instaladas em um município paranaense têm das relações de suas organizações com o meio ambiente. Estas indústrias se revelam diferentes pelo fato de não serem associadas às entidades que a representam em nível nacional. Este estudo busca estabelecer as percepções de um pequeno número de profissionais de empresas paranaenses do setor químico. para tentar identificar como estas estabelecem as suas relações com o meio ambiente. um dos problemas verificados é o baixo retorno das auto-avaliações principalmente das pequenas e médias empresas.207 Demajorovic e Soares (2006) acreditam que algumas críticas continuam sendo feitas ao desempenho do programa no Brasil.

neste caso.. Cada sensação é independente das outras e cabe à percepção unificá-las e organizá-las numa síntese. Empirista Intelectualista Fonte: Adaptado de Chauí (2000) . etc. a sensação e a percepção dependem do sujeito do conhecimento e a coisa exterior é apenas a ocasião para que tenhamos a sensação ou a percepção. Nesta linha. ou seja. Nas teorias racionalistas intelectualistas. Assim. por exemplo. A passagem da sensação para a percepção é. “sabemos” que estamos tendo a sensação de um objeto que possui as qualidades sentidas por nós. elementares e. um odor) ou uma associação de sensações numa percepção (vejo um objeto vermelho. a sensação e a percepção dependem das coisas exteriores. a percepção é a única fonte do conhecimento. o pensamento filosófico e científico deve abandonar os dados da percepção e formular as idéias em relação com o percebido. de modo que a sensação e a percepção são efeitos passivos de uma atividade de corpos exteriores sobre o nosso corpo.. da repetição e da sucessão dos estímulos externos e de nossos hábitos. afirma que todo conhecimento é percepção e que existem dois tipos de percepção: as impressões (sensações.208 um conceito para percepção também envolveram questões relacionadas à disjunção ocorrida entre sujeito e objeto. Nesse caso.). A sensação seria pontual. a percepção é considerada não muito confiável para o conhecimento porque depende das condições particulares de quem percebe e está propensa a ilusões. sentir e perceber são fenômenos que dependem da capacidade do sujeito para decompor um objeto em suas qualidades simples (a sensação) e de recompor o objeto como um todo. mas sensações dispersas ou elementares. Nas teorias empiristas. um ato realizado pelo intelecto do sujeito do conhecimento. causadas por estímulos externos que agem sobre nossos sentidos e sobre o nosso sistema nervoso. estando na origem das idéias abstratas formuladas pelo pensamento. um sabor. sinto o cheiro da rosa. o conhecimento é obtido por soma e associação das sensações na percepção e tal soma e associação dependem da freqüência. Não haveria algo propriamente chamado percepção. recebendo uma resposta que parte de nosso cérebro. Nesta linha de pensamento. trata-se de explicar e corrigir a percepção. o sujeito é ativo e a coisa externa é passiva. conforme demonstrado no quadro 34: Quadro 34 – Linhas de Pensamento sobre Percepção – Empirista X Intelectualista Linha de Pensamento Principais Características Nesta linha. “sentimos” qualidades pontuais. Hume. na sensação. Para a concepção racionalista intelectualista. um ponto do objeto externo toca um de meus órgãos dos sentidos e faz um percurso no interior do meu corpo. emoções e paixões) e as idéias (imagens das impressões). sua organização ou síntese seria feita pela inteligência e receberia o nome de percepção. na percepção. que confere organização e sentido às sensações. pois frequentemente a imagem percebida não corresponde à realidade do objeto. dispersas. indo ao cérebro e voltando às extremidades sensoriais. dando-lhe organização e interpretação (a percepção). volta a percorrer nosso sistema nervoso e chega aos nossos sentidos sob a forma de uma sensação (uma cor. sinto o sabor de uma carne. A causa do conhecimento sensível é a coisa externa. isto é.

que depois o espírito 43 Segundo Chauí (2000) Platão diferencia e separa radicalmente duas formas de conhecimento: o conhecimento sensível (crença e opinião) e o conhecimento intelectual (raciocínio e intuição). 152). que depende do objeto exterior”. isto é. enquanto que “para os intelectualistas. que depende da atividade do entendimento”. iii) Contra o empirismo e o intelectualismo. sensações separadas de cada qualidade. este campo científico foi capaz de alterar estas duas tradições. Chauí (2000) afirma que a partir do último século. as idéias. que a percepção não é uma atividade sintética feita pelo pensamento sobre as sensações. o conhecimento sensível (isto é. “para os empiristas. sendo que ambas mostraram: i) Contra o empirismo. p. ii) Conta o intelectualismo.209 De acordo com Chauí (2000. p. sensação. pontuais ou elementares. a sensação conduz à percepção como síntese ativa. afirmando que somente o segundo alcança o Ser e a verdade. a sensação e a percepção são sempre confusas e devem ser abandonadas quando o pensamento formula as idéias puras”. científicas e técnicas. percepção. Para Descartes. Para Chauí (2000. uma vez que nunca temos sensações parciais. Ainda segundo a autora “para os empiristas. De acordo com Chauí (2000). estas mudanças foram trazidas pela fenomenologia de Husserl e pela Psicologia da Forma ou teoria da Gestalt44. ou seja. imaginação. isto é. que não há diferença entre sensação e percepção. o conhecimento intelectual alcança a essência das coisas. O conhecimento sensível alcança a mera aparência das coisas. O conhecimento verdadeiro é puramente intelectual. . parte das idéias inatas e controla (por meio de regras) as investigações filosóficas. as linhas empirista e intelectualista concordavam em um aspecto no qual consideravam que a sensação era uma relação de causa e efeito entre pontos das coisas e pontos de nosso corpo e a percepção era considerada a atividade que unia as partes numa síntese que seria o objeto percebido. 152 e 153). Segundo Chauí (2000) a fenomenologia e a Gestalt demonstram que não há diferença entre sensação e percepção. Para os intelectualistas. Representando a filosofia. criando as condições necessárias para a formulação de uma nova concepção do conhecimento sensível43. as idéias são provenientes das percepções. a sensação conduz à percepção como uma síntese passiva. que a sensação não é reflexo pontual ou uma resposta físico-fisiológica a um estímulo externo também pontual. memória e linguagem) é a causa do erro e deve ser afastado.

um cavalo-percebido. isto é. 156): A percepção sempre se realiza por perfis ou perspectivas. seu lombo e seu rabo. nosso intelecto compreende uma idéia de uma só vez. mas é a percepção de coisas que 44 De acordo com Chauí (2000. p. sem precisar examinar cada uma de suas “faces”.210 juntaria e organizaria como percepção de um único objeto. de modo que a situação de nosso corpo e as condições de nosso corpo são tão importantes quanto a situação e as condições dos objetos percebidos. suas partes. 153) considera que sentimos e percebemos formas. a autora ilustra sua concepção de percepção: [. sua cara. mas é. totalidades estruturadas dotadas de sentido ou de significação. É o conhecimento de um sujeito corporal. A autora considera que na teoria fenomenológica do conhecimento. Para Chauí (2000. O cavalo-percebido não é um feixe de qualidades isoladas que enviam estímulos aos meus órgãos dos sentidos (como suporia o empirista). forma”. a percepção possui as seguintes características: i) É o conhecimento sensorial de configurações ou de totalidades organizadas e dotadas de sentido e não uma soma de sensações elementares.] ter a sensação e a percepção de um cavalo é sentir/perceber de uma só vez sua cor (ou cores). nem um objeto indeterminado esperando que meu pensamento diga às minhas sensações: “Este objeto é um cavalo” (como suporia o intelectualista). seus ruídos. No exemplo a seguir. que opera com idéias. Para Chauí (2000. seu porte. sensação e percepção são a mesma coisa. figura estruturada.. pois somente percebemos algumas de suas faces de cada vez. p. por exemplo. não é uma soma de coisas que estão apenas próximas umas das outras. a percepção é considerada originária e parte principal do conhecimento humano. seus movimentos. mas com uma estrutura diferente do pensamento abstrato. seu tamanho. seu cheiro. exatamente. p. iv) O próprio mundo exterior não é uma coleção ou uma soma de coisas isoladas. Uma paisagem. isto é. no pensamento. isto é. uma vivência corporal. 153-155). 152) “Gestalt é uma palavra alemã que significa: configuração. . fazendo parte de nosso mundo e de nossas vivências. o percebido é dotado de sentido e tem sentido em nossa história de vida. Chauí (2000. mas está organizado em formas e estruturas complexas dotadas de sentido. p. nunca podemos perceber de uma só vez um objeto. O cavalo-percebido não é um mosaico de estímulos exteriores (empirismo). ii) iii) É sempre uma experiência dotada de significação.. ou seja. nem uma idéia (intelectualismo).

isto é. se o sujeito da percepção for um viajante que descobre que precisa ultrapassar a montanha. o azul do céu só pode ser percebido por causa do verde da vegetação e o marrom da terra. de modo que a percepção é uma forma de comunicação que estabelecemos com os outros e com as coisas. vi) O mundo percebido é qualitativo. uma comunicação. um espelho ou uma fotografia são objetos funcionais ou artísticos. odores. reagimos positiva ou negativamente a cores. o mundo possui forma e sentido e ambos são inseparáveis do sujeito da percepção. por exemplo. ix) A percepção envolve toda nossa personalidade. Percebemos as coisas e os outros de modo positivo ou negativo. os corpos dos outros sujeitos e os corpos das coisas. valor ou função. objetos que para nossa sociedade não causam temor. espaciais. não temos uma coleção de sensações que nos dariam as partes isoladas de seu corpo. a percepção é uma maneira fundamental de os seres humanos estarem no mundo. gustativas. Em resumo: na percepção. podem causar numa outra sociedade. sedutora ou repelente) e por essa percepção definimos nosso modo de relação com ela. em nossa sociedade. isto é. olfativas. texturas. vii) O mundo percebido é um mundo intercorporal. nossa história pessoal. estruturado e estamos nele como sujeitos ativos. depende do mundo e de nossos sentidos. isto é. as relações se estabelecem entre nosso corpo. O mundo é percebido qualitativamente. as árvores. sonoras. tamanhos. um rio e um caminho. sadia ou doentia. mas a percebemos como tendo uma fisionomia (agradável ou desagradável. nem uma idéia formulada pelo sujeito (como suporia o intelectualista). A percepção é uma conduta vital. essa paisagem será um espetáculo de contemplação se o sujeito da percepção estiver repousado. meios de nos vermos em imagem. e um não existe sem o outro. sabores. nossa afetividade. bela ou feia. percebemos as coisas como instrumentos ou como valores. temporais e lingüísticas. isto é. distâncias. pois as coisas fazem parte de nossas vidas e interagimos com o mundo.211 formam um todo complexo e com sentido: o vale só é vale por causa da montanha. tácteis. motrizes. mas será um objeto digno de ser visto por outros se o sujeito da percepção for um pintor. o verde do vale só pode ser percebido por contraste com o cinza ou o dourado da montanha. cuja altura e distância só podem ser avaliadas porque há o céu. depende do exterior e do interior. e por isso é mais adequado falar em campo perceptivo para indicar que se trata de uma relação complexa entre o corpo-sujeito e os corpos-objetos num campo de significações visuais. viii) A percepção depende das coisas e de nosso corpo. x) A percepção envolve nossa vida social. Quando percebemos uma outra pessoa. serena ou agitada. uma interpretação e uma valoração do mundo. os significados e os valores das coisas percebidas decorrem de nossa sociedade e do modo como nela as coisas e as pessoas recebem sentido. Assim. Por exemplo. v) A percepção é assim uma relação do sujeito com o mundo exterior e não uma reação físico-fisiológica de um sujeito físico-fisiológico a um conjunto de estímulos externos (como suporia o empirista). A relação dá sentido ao percebido e ao percebedor. significativo. efetivamente e valorativamente. damos às coisas percebidas novos sentidos e novos valores. no . a partir da estrutura de relações entre nosso corpo e o mundo. nossos desejos e paixões. ou será um obstáculo.

que o permitirá ter outras sensações da realidade e por isso interpretá-la de um outro modo. p. Desta forma. paladar. Para Egler e Silva (2007). natural ou criado por ele. 3) consideram que: . de modo que a percepção de um espelho ou de uma fotografia pode ser uma percepção apavorante. p.. xii) A percepção não é uma idéia confusa ou inferior. 3). as teorias sobre percepção encontram-se em diversas áreas e possuem enfoques diferenciados sobre o que venha a ser percepção. p. mas dado a sua dificuldade de visualização ele poder utilizar outros sentidos. por isso. para muitas sociedades indígenas. nos orienta para a ação cotidiana e para as ações técnicas mais simples. Egler e Silva (2007.. mas uma maneira de ter idéias sensíveis ou significações perceptivas. visão. isto é. ver a imagem de alguém ou a sua própria é ver a alma desse alguém e fazê-lo perder a identidade e a vida. 3) citam que: [. Egler e Silva (2007. tato. os quais são influenciados por fatores externos e internos aos indivíduos. possua uma percepção reduzida. a percepção nos permite formar idéias. Egler e Silva (2007) evidenciam a presença da multidisciplinaridade nos estudos que tratam sobre percepção quando revelam que a compreensão dos campos da percepção não é tarefa de um único campo do conhecimento. Como forma de ilustrar esta concepção. a percepção é uma forma de conhecimento e de ação fundamental para as artes. Não que um cego. conceito que se aproxima da definição da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente (1991) a qual considera que a percepção é a maneira pela qual o homem sente e compreende o meio ambiente. imagens e compreensões do mundo que nos rodeia. a concepção de percepção na visão dos fenomenologistas é formada por dois mecanismos que se complementam: os sentidos e a cognição. que são capazes de criar um “outro” mundo pela simples alteração que provoca em nossa percepção cotidiana e costumeira. Para Egler e Silva (2007. como julgava a tradição. até por que os estímulos externos são captados pelos sentidos audição. olfato.212 entanto. xiii) A percepção está sujeita a uma forma especial de erro: a ilusão.] um cego não pode possuir percepções do mundo igual a uma pessoa que detém a visão. xi) A percepção nos oferece um acesso ao mundo dos objetos práticos e instrumentais. Para as autoras.

a mente deve estender-se para além do corpo.. Se contemplamos as estrelas distantes. as imagens e percepções se projetam dos olhos para o mundo que nos cerca”. Desse modo. Fazendo referência a Piaget. Sujeito e objeto.. o ato de perceber o ambiente que se está inserido. cada indivíduo percebe. p. se são imagens em nossa mente. se se acham tanto dentro da mente quanto fora do corpo. há uma contribuição da inteligência no processo perceptivo. No entanto. o ambiente é trazido para dentro de nós. mas dentro de suas cabeças. Sheldrake (2001) menciona que as crianças de nossa própria cultura também pensam o mesmo e que perdem esta noção com cerca de 11 anos. Para o autor: Nossas percepções são construções mentais que envolvem a atividade interpretativa da mente. ou seja. estão também fora de nossos corpos. pelos valores éticos. Ela se projeta para abarcar tudo o que vemos. o sujeito do objeto. Do ponto de vista “erudito”. Para Fernandes (2004). por não conseguirem distinguir o interno do externo. a visão escapa dos olhos”.] a luz penetra nos olhos. que é mediada pela motivação. As respostas ou manifestações daí decorrentes são resultados das . reage e responde diferentemente às ações sobre o ambiente em que vive. 92) considera que “povos tradicionais do mundo inteiro raciocinam de modo diferente. nossa mente se estira por distâncias astronômicas até tocar aqueles astros. as crianças assim como os povos primitivos e ignaros são considerados gente confusa. de fato. 92) acredita que da mesma forma que “[. para o autor. interesses. se confundem. p.. quando aprendem que os pensamentos e as percepções não estão fora. Na questão específica de um estudo envolvendo a variável meio ambiente. aprendendo a proteger e a cuidar do mesmo. Sheldrake (2001. Acreditam em sua experiência pessoal. a teoria triunfa da experiência e uma doutrina metafísica é aceita como fato objetivo. Ora. a noção de percepção ambiental se faz importante.213 [. Para Faggionato citado por Fernandes (2004). a percepção ambiental pode ser definida como sendo uma tomada de consciência do ambiente pelo homem. Sendo que.] a percepção é um processo ativo da mente. em que se é possível interpretar o mundo. julgamentos e expectativas daqueles que percebem. Sheldrake (2001. Graças às percepções. Assim como a luz penetra nos olhos. morais.. mas nós também vamos até ele. A visão se projeta do corpo. os quais deveriam estar nitidamente separados.

e ajuda a reaproximar o homem da natureza. no plano social. julgamentos e condutas. formado por meta (para) e hodos (caminho). O autor considera que um das dificuldades para a proteção dos ambientes naturais está na existência de diferenças nas percepções dos valores e da importância dos mesmos entre os indivíduos de culturas diferentes ou de grupos sócio-econômicos que desempenham funções distintas. 19) a metodologia: . PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 3. reflitam sobre suas ações e sobre a necessidade do desenvolvimento de uma nova racionalidade que seja mais compatível com a correta utilização dos recursos naturais e a preservação do ambiente natural. De acordo com Fernandes (2004) a importância da pesquisa em percepção ambiental para o planejamento do ambiente foi ressaltada pela UNESCO em 1973. anseios. O autor considera que um estudo da percepção ambiental é de fundamental importância para a melhor compreensão das inter-relações entre o homem e o ambiente. 3. este estudo busca criar oportunidades para que profissionais da área e a sociedade da qual são apenas uma parte integrante. e poderia ser traduzido como “caminho para” ou então “prosseguimento.1. nesses ambientes. pesquisa”. dos processos cognitivos.214 percepções (individuais e coletivas). CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA Segundo Laville e Dionne (1999) o termo método deriva do grego methodos. Para Demo (1987. já que é capaz de despertar uma maior responsabilidade e respeito dos indivíduos em relação ao ambiente em que vivem. p. Além de revelar algumas das percepções dos profissionais da indústria química. visando um futuro com mais qualidade de vida para todos. satisfações e insatisfações. Para Marques citado por Fernandes (2008) a percepção ambiental desponta como uma arma na defesa do meio natural. suas expectativas. julgamentos e expectativas de cada pessoa.

pois segundo Gil (2002. .. A finalidade da ciência é tratar a realidade teórica e prática. elaborada por Wiens (2007) ou da pesquisa sobre a influência e a percepção do setor automotivo na sustentabilidade ambiental da região metropolitana de Curitiba. Tipo de Estudo De acordo com Gil (2002) é usual classificar as pesquisas com base em seus objetivos gerais. sendo por tanto o seu planejamento bastante flexível. Quanto ao tipo de estudo esta pesquisa se caracteriza como sendo exploratória. 11) é “. Para o autor estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de idéias ou a descoberta de intuições. trata-se das formas de se fazer ciência. S.1. sem que isso represente a eliminação do rigor necessário para a realização de pesquisas. classificando-as em três grandes grupos: exploratórias.. Para atingirmos tal finalidade. elaborada por Santos. Disto trata-se a metodologia. descritivas ou explicativas. das ferramentas.1. 41) “têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema. 3. recursivo e hologramático presentes na proposta de Morin para a complexidade. Cuida dos procedimentos. optou-se pela adoção de procedimentos metodológicos que favorecessem os princípios dialógico. Este capítulo busca apresentar os “caminhos metodológicos” adotados para o desenvolvimento deste estudo exploratório de natureza qualitativa bem como apresentar os motivos e escolhas que justificam os procedimentos metodológicos adotados pelo pesquisador.215 [. dos caminhos. Para Laville e Dionne (1999. p. colocam-se vários caminhos.] é uma preocupação instrumental. imprescindível trabalhar com rigor. a exemplo da pesquisa sobre a proposta de criação de um índice de qualidade do ambiente sustentável para os bairros de Curitiba. com método. característica esta que possibilita a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado. p. para assegurar a si e aos demais que os resultados da pesquisa serão confiáveis e válidos”. E.. dos (2007). com vistas a torná-lo mais explícito”.. Diferentemente das preocupações predominantes em pesquisas aplicadas de natureza quantitativa.

p. 65) “este tipo de pesquisa objetiva dar uma explicação geral sobre determinado fato. Para Oliveira. M. p. pode levantar um novo problema que será esclarecido através de uma pesquisa mais consistente”. M.. de (2007. a pesquisa exploratória. sendo difícil a formulação e a operacionalização de hipóteses. ao dar uma explicação geral. caracterizada pelos princípios da . entrevistas e análise de dados.] esse tipo de pesquisa desenvolve estudos que dão uma visão geral do fato ou fenômeno estudado [. leitura e análise de documentos”. de (2007.] um processo de reflexão e análise da realidade através da utilização de métodos e técnicas para compreensão detalhada do objeto de estudo em seu contexto histórico e/ou segundo sua estruturação”. M. teoria. levantamento bibliográfico. Natureza Com o objetivo de atender princípios presentes na proposta da complexidade. M.. optou-se pelo desenvolvimento de um estudo de natureza qualitativa. e como alternativa a forma tradicional de construção do saber científico. p. como o estabelecimento da dialógica entre campos científicos distintos.1.. sujeitos e objetos envolvidos no tema de pesquisa. De acordo com Gil (2002) na maioria dos casos estas pesquisas envolvem um levantamento bibliográfico.216 Para Oliveira.2. de (2007.] um estudo exploratório é realizado quando o tema escolhido é pouco explorado. 37) a pesquisa qualitativa é “[... como forma de promover uma aproximação entre pesquisador.. A escolha pela realização de uma pesquisa de natureza qualitativa também se deu em razão das características complexas e subjetivas do tema de estudo proposto. da participação do pesquisador e da comunicação entre o tema e o ambiente. observações. 65): [. através da delimitação do estudo. Segundo Oliveira. envolvendo as variáveis “Meio Ambiente” e “Indústrias Químicas”.. aplicação de questionários.. que deve ser apresentada de forma descritiva”. Para a autora “... entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado e análise de exemplos que estimulem a sua compreensão. 3. Para a autora a pesquisa qualitativa “[. M. M.] implica em estudos segundo a literatura pertinente ao tema.

p. no caso a entrevista. tendo uma origem diferente da experiência da realidade parece suspeito. cada vez mais. O sujeito conhecedor não “deve” existir no texto científico. devem ser considerados. na pesquisa objetiva: Só fatos. Segundo os autores. situações tão novas para eles que as suas metodologias dedutivas tradicionais – questões e hipóteses de pesquisa derivadas de modelos teóricos e testadas sobre a evidência empírica – fracassam na diferenciação de objetos (FLICK. “tirá-lo de cena” exatamente pela objetivação total do resultado da observação. preferencialmente em linguagem formal e clara. deve intervir o menos possível e dotar-se de procedimentos que eliminem ou reduzam. o conceito de objetividade considera que “o conhecimento positivo deve respeitar integralmente o objeto do qual trata o estudo. que considera que as “realidades sociais se manifestam de formas mais qualitativas do que quantitativas. este conceito considera que “o sujeito conhecedor (o pesquisador) não deve influenciar esse objeto de modo algum. indiretamente. 355). O entrevistador apenas faz perguntas. que a ficção de um conhecimento sem a marca cultural do autor. para quem a “relevância específica da pesquisa qualitativa para o estudo das relações sociais deve-se a pluralização das esferas da vida”. os efeitos não controlados dessas intervenções” 46 45 Para Laville e Dione (1999) o empirismo se define como um conhecimento gerado à partir de uma experiência. 17). p. . p. em si. p. o que fica gravado. Para os autores. embora possível para fins práticos e tecnológicos. que pode assim tornar-se produto. as respostas do personagem em cena. aplicado e reproduzido. Para Santos citado por Mattos (2006). fica de fora. Segundo os autores. o conhecimento positivo parte da realidade como os sentidos a percebem e ajusta-se à realidade. leva ao conhecimento objetivo. não se harmoniza com a idéia de Para Laville e Dionne (1999. 18) Algumas limitações em termos da abordagem da objetividade empregada na forma tradicional da construção do saber científico podem ser encontradas nos preceitos básicos da pesquisa positivista. A análise racional deles. Fatos são o que ele diz. definidas por Guba e Lincoln citados por Mattos (2006. Para o autor: A mudança social acelerada e a conseqüente diversificação de esferas de vida fazem com que os pesquisadores sociais defrontem-se. eventualmente manipulado.217 objetividade45. com novos contextos e perspectivas sociais. ao mínimo. Algumas justificativas para esta decisão podem ser encontradas nas considerações de Demo (1987. o entrevistado. inclusive entre as ciências empíricas. p. assim como qualquer explicação que resulte de idéias inatas ou anteriores a qualquer experiência. 16). O trabalho de análise é. cada um deve reconhecê-lo tal como é”. e toda a investigação se volta para o objeto de interesse. para quem as câmeras se voltam. 27). Desta forma qualquer conhecimento. dificultando procedimentos de manipulação exata” e de Flick (2004. 2004. do empirismo46 ou da aplicação de métodos quantitativos. hoje é consensual.

39) “o papel do pesquisador passa a ser reconhecido.”. de (2007. agem e reagem”. o pesquisador é mais que um observador objetivo: é um ator aí envolvido” (LAVILLE E DIONNE. Para os autores “em ciências humanas. p. p. o pesquisador não pode. isto é.. 102) a subjetividade “leva o pesquisador a sucumbir à magia dos métodos e técnicas.. M.218 ciência racionalmente sustentável. 34). situação que coincide com o caso do pesquisador “. De acordo com Oliveira. frente aos fatos sociais.] “interessa-se por eles e os considera a partir do seu sistema de valores”. ou seja. p. inclinações. e que os “fatos” também recebem codificação pessoal e social. o autor deve manter-se distante de suas emoções durante a construção do conhecimento de forma a evitar o “achismo” que pode interferir nos resultados da pesquisa... para o autor. M. Para Laville e Dionne (1999. interesses particulares” [.. se faz necessário redefinir o conceito original de objetividade. 34) “. bem como sua eventual subjetividade47. 47 . esquecendo-se do essencial. De acordo com Laville e Dionne (1999. p. uma vez que os objetos de estudo pensam. a fidedignidade às significações presentes no material e referida a relações sociais e dinâmicas”. os fatos dificilmente podem ser considerados como coisas. relacionada mais ao sujeito pesquisador e seu procedimento do que ao objeto de pesquisa” (LAVILLE E DIONNE. ele também é um ator agindo e exercendo sua influência”. M. conceito pelo qual o autor deve evitar ao máximo a subjetividade. apagar-se desse modo. de (2007) sugere uma neutralidade científica. controlada e desvendada”. 33) “em ciências humanas. Para os autores “são atores podendo orientar a situação de diversas maneiras... 39). p. p. 1999. Logo. p. 60): Oliveira. que se espera todavia ser racional. Frente aos fatos sociais tem preferências. A concepção deste estudo trata-se de uma tentativa de contribuir para a redefinição do conceito de objetividade defendido por Santos citado por Mattos (2006) e de testar a proposta de transformação do conceito de objetividade definido por Laville e Dionne (1999). M. 1999. ter essa objetividade. Para Laville e Dionne (1999. de (2007. M. Segundo Minayo citado por Oliveira. Para os autores “é sob esse ângulo que.. M. a partir de então. define-se a objetividade. segundo o qual o pesquisador passa a ter consciência de que é ele quem provoca numerosas de suas observações e que sem a sua intervenção elas não aconteceriam.

de (2007. e por diversas razões. M. as coordenadas de seu problema de pesquisa e a perspectiva na qual o aborda” 48 . [. da promoção de reflexões sobre o tema Laville e Dionne (1999. o pesquisador tem consciência que as compreensões assim produzidas são compreensões relativas e que dependem do talento do pesquisador para determinar o problema que escolhe para estudar.. como.219 A opção por uma abordagem qualitativa deve ter como principal fundamento a crença de que existe uma relação dinâmica entre o mundo real. entre a objetividade e a subjetividade. de outra. efetua as escolhas e as interpretações. que espera que o pesquisador lhe informe tudo para que possa julgar a validade dos saberes produzidos.. retraçar seus múltiplos fatores. teorias e descobertas são limitados e aproximados” e que este tipo de postura do pesquisador “[.. objetivo. concreto e o sujeito. 1999. Oliveira. Para os autores: É a mente do pesquisador que. do lado daquele ao qual serão comunicados os resultados da pesquisa.. 41) “a idéia de problema está no centro do realinhamento das ciências humanas. portanto. oposto ao antigo paradigma. escolhê-los e interpretá-los. o pesquisador (a) deve ser alguém que tenta interpretar a realidade dentro de uma visão complexa. Para a autora na abordagem qualitativa. uma conexão entre a realidade cósmica e o homem. M. p. Parafraseando Cláudio Oliveira. p. a seu modo. a natureza do objeto de estudo. p.. para ele e para os outros.] se fundamenta no novo paradigma da ciência contemporânea. do lado do pesquisador do qual se espera que tome metodicamente consciência desses fatores e os racionalize.] é esse modo e essas razões que são o objeto da objetivação: de uma parte. que preconizava a verdade absoluta das coisas”. p. Para Laville e Dionne (1999. Poder-se-ia dizer que a objetividade repousa sobre a objetivação da subjetividade (LAVILLE E DIONNE. 43 e 44). A opção pelo desenvolvimento de um estudo de natureza qualitativa justifica-se pela busca da experiência da objetivação. É esse princípio de objetivação que fundamenta a regra da prova e define a objetividade.] “trata-se de compreender. considerando atentamente. aliás. sua complexidade e o fato de ser livre a atuante. Para os autores. 335) definem objetivação como a “operação pela qual o pesquisador torna consciente. das demais ciências” [. 60) menciona que “todos os conceitos. sempre cuidando para não deformá-lo ou reduzi-lo”.. De acordo com Laville e Dionne (1999) o que garante o valor deste saber é um princípio denominado objetivação48.

27 e 28) "chama-se fontes de pesquisa os lugares/situações de onde se extraem os dados de que se precisa" e que ainda segundo o autor podem ser "[. .4. p. dos (2002. levantamento ou estudo de caso". Método de Abordagem O tipo de abordagem utilizada foi a pesquisa de campo. Para os autores.3. A. p.220 pesquisado. Para Santos. Coleta dos Dados Para Appolinário (2004. a pesquisa de campo é aquela que “recolhe os dados in natura. Para Barros e Lehfeld (2000.1. 3. que de acordo com Fachin (2003. A. p. não controlado (laboratório)”. Normalmente a pesquisa de campo se faz por observação direta. o laboratório e a bibliografia". ou seja. como percebidos pelo pesquisador.] o campo. Para a realização da coleta de dados. 153). Ainda para Santos. é comum o uso de questionários e entrevistas”. p. 28). dos (2002. é “qualquer pesquisa realizada em ambiente natural (campo). coleta de dados é a “operação através da qual se obtêm as informações (ou dados) a partir do fenômeno pesquisado”. 48). p. foram utilizados como recursos metodológicos o diário de campo.. Para Barros e Lehfeld (2000.1. 3. R. 89) “a coleta de dados significa a fase da pesquisa em que se indaga e se obtêm dados da realidade pela aplicação de técnicas”. de forma a produzir um estudo de características inclusivas sem intenções de ser conclusivo. R.. o questionário e a entrevista semi-estruturada de natureza qualitativa. 89) “em pesquisas de campo. a escolha do instrumento de pesquisa dependerá do tipo de informação que se deseja obter ou do tipo de objeto de estudo. pela preocupação do estabelecimento de uma relação de equilíbrio entre objetividade e subjetividade e pela intenção do compartilhamento das percepções dos entrevistados e do pesquisador sobre o tema de pesquisa. p.

89) o diário de campo corresponde ao ”[. percepções. Para Oliveira. servindo também como uma agenda cronológica do trabalho de pesquisa. 90). Para a realização das entrevistas foram entrevistados profissionais diretamente relacionados com gestão ambiental da organização. trata-se do “.221 Para Barros e Lehfeld (2000.. Devido a natureza dialógica e qualitativa proposta para o estudo. p. Para a elaboração do questionário foi definida uma quantidade limitada de questões abertas e fechadas.] registro de fatos observados através de notas e/ou observações”. situações vivenciadas e sobre todo e qualquer dado que o pesquisador (a) deseja registrar para atender os objetivos do estudo. Para Barros e Lehfeld (2000. instrumento mais usado para o levantamento de informações”. optou-se pela realização de entrevistas individuais com diferentes tipos de profissionais que atuam nas indústrias químicas em atividades relacionadas ao meio ambiente.. . como forma de possibilitar ao pesquisador conhecer as percepções destes profissionais sobre as relações de suas respectivas organizações com o meio ambiente. p. M. de evitar um excesso de questões que tornariam o seu preenchimento pelo entrevistado pesquisado exaustivo. Seguindo a recomendação dos autores. visando atender a recomendação de Barros e Lehfeld (2000). M. crenças. expectativas. apenas as consideradas relevantes para o desenvolvimento deste estudo. Nele foram registradas com exatidão as observações. os questionários têm como principal objetivo descrever as características de uma pessoa ou de determinados grupos sociais. vivências e experiências obtidas na pesquisa. 83): O questionário pode ser definido como uma técnica para a obtenção de informações sobre sentimentos. de (2007. além da obtenção de algumas informações preliminares necessárias para a realização da entrevista semi-estruturada. incluindo impressões pessoais sobre o observado e o executado na pesquisa de campo.. visando criar uma aproximação entre o pesquisador e o entrevistado. p. Em regra geral. Para a coleta dos dados que compõem o perfil dos profissionais entrevistados e o perfil ambiental das indústrias químicas pesquisadas.. este instrumento foi utilizado para registrar as atividades diárias e as não efetivadas com suas justificativas. foi aplicado um questionário antes da realização das entrevistas.

Oliveira..1. 90) o termo entrevista é “[. uma vez que não está presa a condição de entrega de um documento para cada um dos interrogados.] construído a partir de duas palavras.. p. feitas verbalmente em ordem prevista. De acordo com Barros e Lehfeld (2000. Oliveira. de (2007. Análise dos Dados e Delineamento da Pesquisa Para a análise dos dados e delineamento da pesquisa foi escolhido o método de análise de conteúdo de natureza qualitativa. 3. p. p. p. o entrevistador permite-se explicitar algumas questões no curso da entrevista. Corroborando com Barros e Lehfeld. por meio do qual se buscou a interpretação e a valorização das transcrições das falas dos entrevistados como elemento central para a análise dos dados coletados. Desta forma.] “o termo entrevistado refere-se ao ato de perceber o realizado entre duas pessoas”. M. ter preocupação de algo. Para Laville e Dionne (1999) a entrevista oferece maior amplitude do que o questionário em relação à sua organização.222 Para Richardson citado por Barros e Lehfeld (2000. evitou-se de forma proposital.5. 91) “a entrevista é uma técnica que permite o relacionamento estreito entre entrevistado e entrevistador”. entre e vista. como proposta para o desenvolvimento deste estudo. 188) corresponde a uma “série de perguntas abertas. de (2007) recomenda a adoção deste tipo de entrevista como forma de se estabelecer um padrão de perguntas para cada pessoa ou grupo que se pretende entrevistar.. M. Para o desenvolvimento deste estudo optou-se pela adoção de uma entrevista do tipo semi-estruturada. Entre indica a relação de lugar ou estado no espaço que separa das pessoas ou coisas” [. Para os autores. Vista refere-se ao ato de ver. que segundo Laville e Dionne (1999. a aplicação do método de .. assim como reformulá-las para o atendimento das necessidades do entrevistado. mas na qual o entrevistador pode acrescentar perguntas de esclarecimento”. M. M. 86) considera que “a entrevista é um excelente instrumento de pesquisa por permitir a interação entre pesquisador (a) e entrevistado (a) e a obtenção de descrições detalhadas sobre o que se está pesquisando”.

numa tentativa de evitar a utilização autômata de recursos computacionais para a análise dos dados. Mattos (2006. aplicar a técnica para se afirmar a boa consciência.223 análise de conteúdo tradicional. um salto não-objetivável. o autor confronta a recente multiplicação de softwares de análise de conteúdo com o que antes disso advertia Bardin: Isto [“a atitude de vigilância crítica”] sem que se caia na armadilha: construir por construir. Em sua análise sobre os possíveis riscos inerentes ao uso inadequado destas ferramentas. que por um lado permite a multiplicação da produção acadêmica e facilita a vida de mestrandos e pesquisadores menos experientes. ou como diz a autora “uma função heurística: a análise de conteúdo enriquece a tentativa exploratória. para um significado interpretativo? O autor considera que isso é precedido ou.. esquecendo a razão do seu uso (BARDIN CITADO POR MATTOS. intermediado. Para Mattos (2006) a tecnicização. em seguida. A análise exaustiva “satisfaz as consciências”’ que precisam saber-se seguras contra uma “projeção da própria subjetividade”. caracterizado pela realização de análises quantitativas de dados e pela utilização de softwares estatísticos. por um trabalho de organizar as informações resultantes das entrevistas. 353). aumenta a propensão à descoberta”. p. Em relação a análise de conteúdo e baseado em Bardin. na prática. representa um risco de substituição dos significados originais por conceitos “pré-moldados”. p. 2006. para que seja possível proceder a inferências maiores. Sucumbir à magia dos instrumentos metodológicos. Outro motivo que contribuiu para esta tomada de decisão foi o princípio da precaução. buscando com isso a preservação da originalidade destes e das idéias espontâneas resultantes da transcrição literal das entrevistas.] prevalece.. uma conciliação estranha entre “o rigor e a descoberta”. 354) considera que: [. Esta decisão foi tomada primeiramente pelo interesse do pesquisador em tentar atribuir um maior nível de fidelidade em relação ao tratamento dispensado aos dados coletados. inclusive à luz de teorias supostamente pertinentes ao . de vários deles. por outro. pelo menos. mas só se completa na “descoberta dos conteúdos”. Para Mattos (2006) o problema metodológico da análise de conteúdo consiste em encontrar uma resposta para a seguinte questão: Como saltar legitimamente da fala de um entrevistado e.

tornam-se geradores de todas as dificuldades dos pesquisadores: criar significados e garantir objetivação em todo o trabalho. atos de fala. p. Ela constitui. Para Mattos (2006. ou seja. M. Para Laville e Dionne (1999. De forma mais restrita. (MATTOS. e seu significado só surge desta relação. sua criação pessoal. Por se tratar da primeira experiência deste pesquisador no desenvolvimento de um estudo de natureza qualitativa. Para Mattos (2006) há dois imperativos inseparáveis que. Mattos (2006) considera que a questão está exatamente neste trabalho de organização. do novo significado interpretativo. pois. p. um conjunto de vias possíveis nem sempre claramente balizadas. Assim. por parecerem irreconciliáveis. de Mattos (2006) e de Oliveira.224 caso. para produzir entendimento autêntico. um método rígido. e seu caráter problemático reside no fato de que ele não pode estar dissociado da própria produção. foram utilizados para a análise dos dados e o delineamento deste estudo as recomendações de Laville e Dionne (1999). p. para a revelação – alguns diriam reconstrução – do sentido de um conteúdo (LAVILLE E DIONNE. de (2007). Desta forma para o autor: A objetivação torna-se possível por que a linguagem é um fenômeno social (fatos. pelo pesquisador. contudo. 214) o princípio da análise de conteúdo consiste em desmontar a estrutura e os elementos do conteúdo coletado para esclarecer suas diferentes características e extrair a sua significação. 2006. 351) Para Laville e Dionne (1999. pertinente e sustentável em relação ao que enuncia. 216). antes. no sentido de uma receita com etapas bem circunscritas que basta transpor em uma ordem determinada para ver surgirem belas conclusões. algo identificável e ocorrente entre pessoas). afinal. 351) “a reconciliação está na concepção pragmática e dialogal da linguagem produzida na entrevista”. M. 1999. p. o pesquisador tem que jogar com os fatos da relação lingüística. A compreensão exige a prática da objetivação. Para os autores: A análise de conteúdo não é. em efetuar um recorte dos conteúdos em elementos que ele poderá em . 216) “uma das primeiras tarefas do pesquisador consiste. p.

p. 49 Legendre citado por Oliveira. . textos e documentos.] em pesquisa é preciso se estabelecer categorias para que se faça um trabalho sistematizado e coerente [.. M. 93) “categoria é a classificação que se faz em função de certos princípios gerais e que tenham identidade comum”. M. 93) define categoria como sendo um “agrupamento de informações similares em função de características comuns”.. no momento em que surge a necessidade de afunilamento dos conteúdos. categorias empíricas e unidades de análise. Para Larousse citado por Oliveira (2007. de (2007. p. de (2007) as informações obtidas durante o desenvolvimento de uma pesquisa podem ser classificadas em três níveis: categorias teóricas. M. de (2007) com base no quadro teórico. Para Oliveira. De acordo com Oliveira. M. mais precisamente. 93): [. M. M. Para os autores “dado que a finalidade é evidentemente agrupar esses elementos em função de sua significação. b) Categorias Empíricas: segundo Oliveira. Este afunilamento das leituras pertinentes ao objeto de estudo implica no estabelecimento de critérios para o aprofundamento do conteúdo que possam direcionar a posterior construção dos instrumentais de pesquisa.225 seguida ordenar dentro de categorias49”. é que são definidos e construídos os instrumentais para a pesquisa de campo.. cumpre que esses sejam portadores de sentido em relação ao material analisado e às intenções da pesquisa”. M. possibilitando a sistematização dos dados pesquisados. a um agrupamento de elementos que são sistematizados pelo pesquisador (a) após a pesquisa de campo. Desta forma cada questão ou tópico adotado para a realização das entrevistas serve como referencial para a criação das categorias empíricas. mais precisamente a partir da definição do tema central de estudo. vamos ter em mente que a palavra categoria está relacionada à classificação ou. p.. a) Categorias Teóricas: para a autora as categorias teóricas vão surgindo na medida em que as leituras vão sendo assimiladas. M. ou durante a análise de conceitos em livros didáticos. das leituras convergentes e da definição das categorias teóricas. de (2007.] portanto.

isto é. M. p. M. M. especialmente quando essas categorias são construídas de maneira indutiva. de (2007). o pesquisador define primeiro suas categorias. M. mas em outros casos sua determinação é precedida do recorte dos conteúdos. M. é uma tarefa que se reconhece primordial. ao longo dos progressos da análise. Para os autores: A ordem desses dois momentos da análise de conteúdo pode variar: às vezes. a definição das categorias analíticas ou rubricas. de (2007) Para Laville e Dionne (1999) além do recorte dos conteúdos. (LAVILLE E DIONNE. a autora propõe uma representação gráfica conforme demonstrado na figura 20: Categorias Gerais Categorias Empíricas Unidades de Análise Figura 20 – Classificação dos Dados Fonte: Oliveira. a qual fornece os dados e informações que devem ser sistematizados para facilitar o processo de análise. anteriormente denominadas de categorias empíricas por Oliveira. Para a autora dizem respeito a fala dos atores sociais. 1999. M.226 c) Unidades de Análise: para Oliveira. 219) . M. Para um melhor entendimento sobre a estrutura de classificação proposta por Oliveira. sob as quais virão a se organizar os elementos de conteúdo agrupados por parentesco de sentido. de (2007) para a classificação de dados em uma análise qualitativa. M. de (2007) as unidades de análise correspondem aos dados e informações obtidos com a aplicação dos instrumentais de pesquisa (entrevistas/questionários).

c) Modelo Misto: situa-se entre os dois. Durante o desenvolvimento da fundamentação teórica deste estudo foram identificadas as categorias teóricas “Meio Ambiente”. Isto posto. mas o pesquisador se permite modificá-las em função do que a análise aportará.. 219) existem três modos para a definição das categorias: a) Modelo Aberto: onde as categorias não são fixas no início. de (2007). servindo-se dos dois modelos precedentes: categorias são selecionadas no início. foi empregado neste estudo o modo de definição das categorias pelo modelo denominado misto. ao adotar este modo de definição das categorias “[. mesmo que isso o obrigue a ampliar o campo de suas categorias. pois. Para Laville e Dionne (1999. Em função de sua característica dialógica. a eliminá-las. foram inicialmente definidas e propostas as seguintes categorias e unidades de análise: . a modificar uma ou outra. p. Segundo os autores.227 Para Laville e Dionne (1999. partindo das categorias teóricas e da definição do conceito de modo misto proposta por Laville e Dionne (1999).] não quer se limitar a modelos pré-determinados. M. p. com a definição de categorias a priori fundadas nos conhecimentos teóricos do pesquisador e no seu quadro operatório”. apoiando-se em um ponto de vista teórico que se propõe o mais frequentemente submeter à prova da realidade. aperfeiçoar ou precisar as rubricas”. 222) “a construção de uma grade mista começa. o pesquisador. b) Modelo Fechado: onde o pesquisador decide a priori categorias. espera poder levar em consideração todos os elementos que se mostram significativos.. com base nas quais foi desenvolvida a revisão teórica. foram inicialmente identificadas as categorias teóricas definidas por Oliveira. Logo em seguida. M. “Indústrias Químicas” e “Percepção”. mas tomam forma no curso da própria análise.

228 a) Categoria Analítica: Perfil Ambiental da Indústria Química Unidades de Análise: • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • Ramo de atuação Classificação do Cadastro Nacional de Atividade Econômica (CNAE) Classificação da organização quanto ao porte Tipo de empresa (matriz ou filial) Tempo de existência da organização (em anos e meses) Tempo de atuação no município (em anos e meses) Produtos fabricados Declaração formal de valores e missão (se considera o meio ambiente) Sistema de gestão ambiental Tempo de existência do sistema de gestão ambiental (em anos e meses) Certificações na área ambiental Descrição dos cargos dos profissionais relacionados com a gestão ambiental Matriz energética Percentuais de gastos ou investimentos ambientais realizados nos últimos 3 anos com base na receita bruta (%) Descrição dos gastos ou investimentos em gestão ambiental nos últimos 3 anos (%) Descrição dos cursos realizados na área ambiental nos últimos 3 anos Considerações sobre a legislação aplicada a indústria química (nível de adequação) Principais motivações para gastos ou investimentos na área ambiental (além das exigências legais) Principais dificuldades encontradas para a realização de gastos ou investimentos na área ambiental (além da questão financeira) Histórico de acidente ambiental ocorrido na organização Geração de resíduo industrial (descrição e destino) Controle para emissão da poluição .

b) Categoria Analítica: Perfil do Profissional Unidades de Análise: • • • • • • Cargo Gênero Faixa etária Formação Tempo de experiência como profissional (em anos e meses) Tempo de experiência do profissional na indústria química (em anos e meses) c) Categoria Analítica: Profissional e Meio Ambiente Unidades de Análise: • • • • • Percepção do profissional sobre meio ambiente Percepção do profissional sobre a sua relação com o meio ambiente Percepção do profissional sobre o meio ambiente em suas tomadas de decisão Influências internas e/ou externas sofridas pelo profissional quanto a tomada de decisões relacionadas ao meio ambiente Importância atribuída pelo profissional do meio ambiente para a sua organização d) Categoria Analítica: Indústria Química e Meio Ambiente Unidades de Análise: .229 • • • Registro de reclamação da comunidade em relação às suas operações Seguro para acidentes ambientais Ações na área ambiental previstas para o horizonte de 2015.

Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) (1998). A elaboração das questões pertencentes à categoria “Perfil do Profissional” foram inspiradas nas recomendações de Oliveira. M. foi possível conhecer algumas características relevantes dos sujeitos e objetos envolvidos na pesquisa. P. um melhor encaminhamento da . que trata sobre o panorama do comportamento ambiental no setor empresarial no Brasil e na Pesquisa Gestão Ambiental na Indústria Brasileira realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). K.230 • • • • • • • • • Percepção do profissional sobre como a indústria química é vista pela sociedade em relação às questões ambientais Lembrança de acidente ambiental provocado por indústrias químicas Riscos que a indústria química representa ao meio ambiente Lembrança de acidente ambiental ocorrido na organização Nível de risco que as atividades desenvolvidas pela organização representam para o meio ambiente Nível de suficiência das ações ambientais para evitar ou minimizar possíveis impactos ambientais Pressões exercidas sobre a organização para a adoção de medidas que visem a preservação do meio ambiente Percepção do profissional sobre a relação de sua organização como o meio ambiente Percepção do profissional sobre o futuro da relação da indústria química com o meio ambiente As duas primeiras categorias analíticas “Perfil Ambiental da Indústria Química” e “Perfil do Profissional” surgiram da necessidade identificada pelo pesquisador durante o planejamento do instrumento de pesquisa. de (2005). de conhecer melhor os sujeitos e os objetos envolvidos na pesquisa. Por meio dos dados coletados para estas duas categorias. M. Já a elaboração das questões pertencentes à categoria “Perfil Ambiental da Indústria Química” foram inspiradas pelo contato com as pesquisas realizadas para a Cepal por Oliveira. de (2007) quanto à definição do perfil do entrevistado. fato que possibilitou uma maior aproximação do pesquisador.

A terceira categoria analítica. Universo e Amostra Segundo Oliveira. o termo população ou universo significa a totalidade de pessoas que habita uma determinada área geográfica. M. denominada “Indústria Química e Meio Ambiente”. Esta categoria foi criada pelo pesquisador com o objetivo de tentar explicitar qual é a percepção de cada tipo de profissional em relação ao meio ambiente. . Para a autora. independentemente das atividades que são praticadas pelas suas respectivas organizações. M. p. A quarta e última categoria. denominada “Profissional e Meio Ambiente”. 87) “em pesquisa.1. foi criada como o objetivo de buscar um entendimento sobre quais são as percepções individuais que os diferentes tipos de profissionais envolvidos com a gestão ambiental da organização têm em relação ao meio ambiente. 3. de (2007. ou o conjunto de elementos que compõem o objeto de nosso estudo”. foi criada com o objetivo de buscar revelar quais são as percepções dos profissionais da indústria química sobre a relação de sua organização com o meio ambiente. com o objetivo de facilitar as atividades de realização das entrevistas e de tabulação dos dados coletados. As perguntas de pesquisa são apresentadas no instrumento de pesquisa (Anexos 4 e 5) e ao longo do capítulo que trata da apresentação dos resultados obtidos no estudo.231 entrevista com os entrevistados e consequentemente um melhor tratamento dos dados coletados. Esta categoria foi criada com o intuito de responder o problema de pesquisa proposto para esta pesquisa: Como os profissionais de indústrias químicas instaladas em um município paranaense percebem a relação de suas organizações com o meio ambiente? As perguntas de pesquisa foram desenvolvidas a partir das unidades de análise e agrupadas de acordo com a sua respectiva categoria.6.

ou todas as pessoas e grupos que se situam na área que delimitamos para nossa pesquisa de campo”. de (2007... optou-se por uma amostra nãoprobabilística intencional. M. M. M. optou-se pela adoção da limitação geográfica de um município do Estado do Paraná. 88 e 89). de. sendo mantida ao longo do desenvolvimento do estudo. o qual foi selecionado por ser considerado de pequeno porte e por possuir um número significativo de indústrias químicas instaladas. faz-se necessário estabelecer critérios no processo de seleção para que ela seja significativa” (OLIVEIRA. Amostra não-probabilística porque “o pesquisador (a) determina a quantidade de elementos ou o número de pessoas aptas a responder um questionário” e intencional em função de que “[. M. logo “[. M.. de. definir o tamanho de sua amostra50”.. 88) “[. os dados que permitem identificar o município. as indústrias químicas e os profissionais envolvidos na pesquisa não serão revelados. Por razões do compromisso de confidencialidade assumido junto aos profissionais que participaram da pesquisa. A escolha deste parâmetro de delimitação foi também motivada pelo interesse de que a pesquisa retrata-se as percepções de profissionais de indústrias químicas que compartilham um mesmo ambiente geográfico. a partir da totalidade (universo). 2007. p. “Sendo a amostra uma representação da população ou universo da pesquisa. Para a delimitação do universo de pesquisa. Esta condição foi assumida na proposta original da pesquisa com o objetivo de viabilizar a sua realização. M..] cabe ao pesquisador (a). foram cruzadas informações cadastrais de 7 (sete) fontes de dados distintas. p. 2007. conforme apresentado no quadro 35: Para Oliveira. 50 .] a amostra é um subconjunto ou parte dos elementos que compõem o universo”. p..] o pesquisador (a) decide analisar um determinado fenômeno sem ter a preocupação de fazer generalizações em relação ao universo da pesquisa” (OLIVEIRA. Para a identificação das indústrias químicas que compõem o universo de pesquisa deste estudo. Para o desenvolvimento deste estudo. 88).232 “nem sempre é possível pesquisar a totalidade desses elementos.

Cabe ressaltar que no caso da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP). número superior ao total de empresas originalmente previsto para a realização do estudo. a vinculação dos dados das indústrias que integram o Catálogo das Indústrias do Paraná 2006 dependia do interesse de adesão das próprias indústrias e que no caso do Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná (SINQFAR) e da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM). ausência de padrão nos critérios aplicados para a classificação das indústrias. os números revelam um baixo nível de associação das indústrias químicas do . Este dado revelou a fragilidade das fontes de dados pesquisadas em termos de abrangência e de nível de atualização. É provável que algumas destas fontes de dados ainda considerem indústrias que já encerraram suas atividades ou que desenvolvem atividades diferentes daquelas que caracterizam uma indústria química. No caso específico destas duas entidades representativas do setor. o total apresentado compreende apenas o número de indústrias que são associadas às respectivas entidades.org.sinqfar.br) Total de Indústrias Químicas Instaladas no Município 11 33 47 41 64 1 0 Fonte: O Autor (2008) O resultado do cruzamento de todas as fontes de dados apontou para um total de 119 (cento e dezenove) indústrias químicas instaladas no município. situação geradora de divergências e que pode ser atribuída a fatores como: a vinculação voluntária das indústrias aos cadastros das entidades.233 Quadro 35 – Fontes de Dados X Indústrias Químicas Instaladas no Município Entidade Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) Associação Comercial e Industrial do Município Prefeitura Municipal Junta Comercial do Paraná (JUCEPAR) Instituto Ambiental do Paraná Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná (SINQFAR) Fonte de Dados Catálogo das Indústrias do Paraná 2006 Relatório Cadastral Relatório Cadastral Relatório Cadastral Relatório de Licenças Ambientais Fornecidas para Indústrias Químicas Guia da Indústria Química Brasileira 2007 Relação de Associados Disponível no Site da Entidade na Internet (www. a ausência da adoção de procedimentos periódicos para a sua atualização e a informalidade.

Quanto ao número de autuações ambientais ocorridas no município do período correspondente a 01 de janeiro de 2003 a 11 de dezembro de 2007.br). Até o fechamento deste estudo. o sindicato não havia manifestado interesse pela pesquisa.234 município pesquisado em relação às entidades que as representam no contexto estadual e nacional. as informações sobre as indústrias químicas juntamente com o histórico sobre autuações e acidentes ambientais envolvendo indústrias químicas instaladas no município. apesar da região possuir um número representativo de indústrias instaladas. sendo que destas apenas 15 (quinze) eram efetivamente classificadas como indústrias químicas e 21 (vinte e uma) consideradas como indústrias potencialmente impactantes devido à intensa utilização de produtos químicos. foi encaminhada no mesmo dia uma carta via correio eletrônico ao Presidente do referido sindicato mencionando os objetivos da pesquisa (ver Anexo 6). para a confirmação do total de indústrias químicas instaladas no município foram utilizadas as informações dos associados disponibilizadas no site da entidade (www. Neste contato o pesquisador foi informado que a entidade não possuía dados sobre as indústrias químicas instaladas no Estado do Paraná e que somente possuía dados de seus associados. as quais apontaram a inexistência de indústrias químicas associadas ao sindicato patronal no município. Por este motivo. foi efetuado em 04 de dezembro de 2007 um contato por telefone com a entidade. 30 (trinta) foram por lançamento de efluentes líquidos fora dos padrões exigidos em legislação própria e 108 (cento e oito) por construção. reforma e/ou sem a devida licença ambiental (não . o instituto limitou-se a informar que haviam no município 36 (trinta e seis) indústrias licenciadas. Em resposta a solicitação. Com o intuito de levar ao conhecimento da entidade a proposta do estudo a ser realizado. no intuito da obtenção dos dados cadastrais das indústrias químicas instaladas no município selecionado para o estudo.org.sinqfar. os quais não poderiam ser disponibilizados em razão de uma decisão tomada em assembléia. foram solicitadas por carta encaminhada via correio eletrônico no dia 11 de dezembro de 2007 (ver Anexo 7). No caso do Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná (SINQFAR). o instituto informou que de um total de 138 (cento e trinta e oito) ocorrências. No caso do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

por meio de vários contatos por telefone. uma vez que a grande maioria das ocorrências ainda estava sendo discutida juridicamente. por correio eletrônico e de uma visita pessoal. estes dados não foram disponibilizados nos relatórios fornecidos. Em razão do IAP ter disponibilizado apenas totais sem o fornecimento dos dados cadastrais e o detalhamento das autuações e acidentes envolvendo indústrias químicas. foram identificados os dados de contato de apenas 36 (trinta e seis) empresas. No caso do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Junta Comercial do Estado Paraná (JUCEPAR). A ausência da disponibilização dos dados cadastrais como telefone e endereço das indústrias químicas instaladas no município nos relatórios fornecidos pela Prefeitura Municipal. de pesquisas complementares realizadas na internet (sites locais) e na lista telefônica do município. fato que impedia a sua disponibilização para efeitos de divulgação pública. A Prefeitura Municipal informou que não dispunha destes dados em função de estar implantando um novo sistema. ABIQUIM e Associação Comercial e Industrial do Município). Do total das 119 (cento e dezenove) indústrias químicas apontadas. O quadro 36 revela a situação cadastral das 36 (trinta e seis) indústrias químicas em relação às fontes de dados pesquisadas: . pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e pela Junta Comercial do Estado do Paraná (JUCEPAR) representaram um fator limitante para a realização desta pesquisa. Em relação aos dados sobre autuações e acidentes ambientais. total diferente do apresentado no primeiro retorno.235 obrigatoriamente indústrias químicas). motivo pelo qual os dados cadastrais das indústrias químicas instaladas no município não estavam disponíveis. Em relação aos acidentes ambientais envolvendo indústrias químicas no mesmo período. de abril de 2008 uma nova relação de indústrias químicas instaladas no município. a qual apontou um total de 64 (sessenta e quatro) empresas. o IAP informou que o detalhamento sobre os mesmos não poderiam ser disponibilizados. o IAP disponibilizou em 1º. o IAP informou que houveram 2 (duas) ocorrências. por meio dos dados cadastrais disponíveis em algumas das fontes de dados pesquisadas (FIEP. Depois de muita insistência. novos contatos foram estabelecidos com o intuito da obtenção dos dados originalmente solicitados.

236 Quadro 36 – Indústrias Químicas X Fontes de Dados Indústrias Químicas Indústria 1 Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 Indústria 6 Indústria 7 Indústria 8 Indústria 9 Indústria 10 Indústria 11 Indústria 12 Indústria 13 Indústria 14 Indústria 15 Indústria 16 Indústria 17 Indústria 18 Indústria 19 Indústria 20 Indústria 21 Indústria 22 Indústria 23 Indústria 24 Indústria 25 Indústria 26 Indústria 27 Indústria 28 Indústria 29 Indústria 30 Indústria 31 Indústria 32 Indústria 33 Indústria 34 Indústria 35 Indústria 36 FIEP X X Associação Prefeitura Comercial Municipal X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Junta Comercial do Paraná IAP ABIQUIM X X X X X X X X SINQFAR X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Fonte: O Autor (2008) Das 36 (trinta e seis) indústrias químicas identificadas. apenas 23 (vinte e três) foram consideradas para efeitos de desenvolvimento desta pesquisa. As justificativas pelas quais 13 (treze) empresas foram desconsideradas são apresentadas no quadro 37: .

. incluindo resíduos gerados por indústrias químicas. Além dos dados sobre a realização da pesquisa. apenas atua no ramo de comercialização e distribuição de adesivos. apenas atua no ramo de comercialização e distribuição de tintas. as condições de confidencialidade estabelecidas para a realização da pesquisa. apenas aplica esmaltes nas telhas que fabrica. Nesta ocasião o pesquisador realizou uma visita a cada uma das empresas no intuito de confirmar a sua localização e de realizar o convite oficial por meio da entrega de um ofício nominal. No convite constavam: o detalhamento dos objetivos da pesquisa. Empresa não localizada O proprietário informou que a empresa deixou de atuar no ramo de fabricação de produtos químicos para atuar no segmento de reciclagem de resíduos industriais. como forma de contribuir para a sua tomada de decisão quanto a participação na pesquisa. Os resíduos são preparados para serem incinerados em fornos de cimenteiras Empresa encerrou suas atividades O proprietário informou que a empresa não fabrica produtos químicos. Empresa não localizada Empresa ainda estava em fase inicial de instalação de sua unidade industrial no município Fonte: O Autor (2008) No início do mês de dezembro de 2007 foram iniciados os contatos com as 23 (vinte e três) indústrias químicas consideradas para a realização do estudo.237 Quadro 37 – Justificativas para a Não Inclusão das Indústrias na Pesquisa Indústrias Químicas Indústria 24 Indústria 25 Indústria 26 Indústria 27 Indústria 28 Indústria 29 Indústria 30 Indústria 31 Indústria 32 Indústria 33 Indústria 34 Indústria 35 Indústria 36 Justificativas para a não Inclusão das Indústrias na Pesquisa O proprietário informou que a empresa não é classificada como indústria química em função de não fabricar substâncias químicas. A empresa apenas utiliza matéria-prima oriunda da indústria química no processo de fabricação de produtos cirúrgicos Empresa não localizada Empresa não localizada Empresa não localizada Empresa não localizada O proprietário informou que a empresa não fabrica produtos químicos. O proprietário informou que a empresa não fabrica produtos químicos. as empresas convidadas também receberam uma cópia do instrumento de pesquisa (Anexos 4 e 5). orientações sobre a possibilidade de não-participação e dados de contato do pesquisador para o esclarecimento de eventuais dúvidas das empresas convidadas (ver Anexo 8).

13% aceitaram participar da pesquisa. Apesar das várias tentativas realizadas pelo pesquisador para que um número maior de empresas participasse da pesquisa. conforme demonstrado no quadro 38: Quadro 38 – Total de Contatos Realizados Indústrias Químicas Indústria 1 Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 Indústria 6 Indústria 7 Indústria 8 Indústria 9 Indústria 10 Indústria 11 Indústria 12 Indústria 13 Indústria 14 Indústria 15 Indústria 16 Indústria 17 Indústria 18 Indústria 19 Indústria 20 Indústria 21 Indústria 22 Indústria 23 Número de Contatos 1 1 2 2 3 4 13 4 6 0 9 7 7 7 4 10 8 3 2 5 7 8 9 Status Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Convite não Aceito Convite não Aceito Convite não Aceito Convite não Aceito Convite não Aceito Convite não Aceito Retorno Pendente Retorno Pendente Retorno Pendente Convite não Aceito Convite não Aceito Retorno Pendente Retorno Pendente Retorno Pendente Fonte: O Autor (2008) Do total das 23 (vinte e três) indústrias convidadas.238 Das 23 (vinte e três) indústrias contactadas. 9 (nove) empresas ou 39.09% não efetuaram retorno para os contatos estabelecidos. . 8 (oito) empresas ou 34. apenas a Indústria 10 efetuou um retorno para o convite.78% não aceitaram o convite e 6 (seis) empresas ou 26. informando a sua impossibilidade de participação na pesquisa. As demais indústrias demandaram um esforço adicional do pesquisador quanto à necessidade de realização de novos contatos para a confirmação do seu interesse em participar na pesquisa.

possamos ser úteis..) Indústria 11 Indústria 12 Indústria 13 . que teria interesse que a empresa participasse do estudo.Sa. a empresa não havia se manifestado sobre o novo convite. Até o fechamento deste estudo. já que não temos muitas das informações que com certeza serão necessárias para conclusão do seu trabalho. realizando outras atividades. Agradecemos ao oficio recebido e as chamadas referente ao tema. Agradecemos seu interesse por nossa empresa e ficamos a sua disposição para dirimirmos possíveis dúvidas a respeito.” Depois de vários contatos realizados. o pesquisador efetuou um retorno para a mensagem eletrônica informando que mesmo diante das situações informadas pela empresa. Achamos que o melhor seria V. ou seja a maioria de nossos produtos já vêem manipulados apenas fracionamos e envasamos os produtos já acabados.” Observação: a justificativa relacionada ao período de férias coletivas informada pelo proprietário não foi informada em nenhum dos 9 (nove) contatos estabelecidos com a empresa. o proprietário da empresa enviou uma mensagem eletrônica ao pesquisador informando:” 1.. Por favor. Apesar do retorno negativo em relação à participação na pesquisa. A secretária responsável pelos retornos sempre informou que o proprietário não se encontrava na empresa ou que esta ocupado. e o principal deles é que não somos uma Indústria total de transformação. nossa empresa não tem resíduos para serem lançados fora. as quais poderiam lhes dar melhores subsídios para seu trabalho.Desta forma achamos muito difícil que para um trabalho de mestrado como este. Depois de vários contatos realizados.outra questão é a respeito dos resíduos.. quando a nova fábrica estivesse concluída. contatar-nos para o segundo semestre deste ano. este informou que a empresa passava por uma reestruturação e que somente teria condições de agendar uma reunião para 2009. se possível. sobre sua solicitação queremos salientar que estamos lisonjeados pela escolha de nossa empresa. mas. Continua (. Depois de vários contatos realizados.239 As 8 (oito) empresas que não aceitaram participar da pesquisa apresentaram as seguintes justificativas: Quadro 39 – Justificativas das Empresas que não Aceitaram Participar da Pesquisa Indústrias Químicas Indústria 10 Justificativas O proprietário informou que a empresa estava nos meses de maior volume de produção e que os profissionais relacionados com a área ambiental não dispunham de tempo para participar da pesquisa. Agradeço a compreensão. todo nosso resíduo é remanipulado e reaproveitado para uso. 2. nossa empresa estava em férias coletivas no período em questão. por diversos motivos. encontrar empresas do ramo químico que fabricam as matérias primas para transformação. não podemos ajudá-los. Gostaríamos de oportunizar este tema para um futuro devido a modificações estruturais que estão em curso na fábrica neste momento. o proprietário da empresa enviou uma mensagem eletrônica ao pesquisador informando: “Desculpe-nos a demora em responder sua solicitação a respeito do assunto acima. no último contato telefônico estabelecido pelo pesquisador com o proprietário da empresa.

4. Depois de vários contatos realizados. Depois de vários contatos realizados. Uma das hipóteses encontradas para a ausência de retorno por parte desta indústria reside no fato de que suas instalações se encontram dentro dos limites de uma Área de Proteção Ambiental (APA). Depois de vários contatos realizados. O responsável pela empresa informou que talvez fosse possível a participação na pesquisa a partir da metade do ano. a Indústria 22 chama a atenção por se tratar da única empresa instalada no município que é associada à Associação Brasileira de Indústrias Químicas (ABIQUIM). o proprietário informou por meio de sua secretária que a empresa não participaria da pesquisa em função de diversos compromissos internos. uma funcionária da empresa informou que os proprietários ainda não haviam analisado o convite. Esta APA. apesar das várias tentativas de contato. um funcionário da empresa estabeleceu um contato com o pesquisador para informar que a empresa não participaria da pesquisa em virtude da química responsável pela área do meio ambiente estar de licença maternidade e do responsável pela produção estar afastado por licença médica. foi estabelecida em data posterior à instalação da indústria no município. previa a realização das entrevistas em duas etapas distintas. afirmando de forma enfática que caso os proprietários da empresa tivessem interesse em participar da pesquisa. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DO ESTUDO A proposta original de pesquisa apresentada no convite encaminhado para as empresas. a empresa não retornou a nenhum dos 8 (oito) contatos que foram realizados por meio de visita para entrega do convite. a empresa não havia se manifestado sobre o novo convite. o responsável pela empresa informou que a empresa estava passava por mudanças estruturais e que naquele momento não seria possível participar da pesquisa. eles estariam efetuando um retorno. criada com o intuito de proteger a bacia hidrográfica que fornece água para um reservatório de abastecimento existente próximo às instalações da empresa. telefonemas e mensagens eletrônicas. Até o fechamento deste estudo.240 Indústria 14 Depois de vários contatos realizados. Apesar desta característica e do seu porte. Indústria 15 Indústria 19 Indústria 20 Fonte: O Autor (2008) Das 6 (seis) empresas que não efetuaram um retorno. conforme apresentado no quadro 40: .

como executivos. Etapa 1 Etapa 2 Entrevista com o principal executivo da empresa e com os profissionais identificados na etapa 1 (químicos. como forma de realizar uma primeira aproximação entre o pesquisador. coordenadores da área de qualidade/SGA. Desta forma. como forma de possibilitar o cruzamento de suas respostas e analisar pontos convergentes e divergentes no discurso. Em função da existência de uma realidade diferente da idealizada pelo pesquisador. uma melhor qualidade dos resultados. o sujeito e o objeto de pesquisa. Alguns fatores se demonstraram limitantes para a realização da proposta das entrevistas em duas etapas como a ausência de disponibilidade de tempo por parte dos profissionais das empresas entrevistadas. para definir o perfil ambiental e identificar quais são os profissionais diretamente envolvidos com as questões ambientais na indústria química entrevistada. a proposta original para as entrevistas não pode ser efetivada.241 Quadro 40 – Etapas Propostas para a Realização da Pesquisa Etapas Descrição das Etapas Entrevista com o principal executivo da empresa. motivo pelo qual a pesquisa foi realizada com 10 (dez) entrevistados. a proposta consistia na realização de entrevistas com diferentes profissionais de uma mesma empresa. a primeira etapa propunha uma entrevista com o principal executivo da empresa. coordenadores de produção. entre outros. Na segunda etapa. a ausência de quadro técnico composto por diferentes tipos de profissionais (pequenas empresas) e a própria condição da necessidade de convencimento de algumas empresas para que estas participassem da pesquisa. químicos. apenas na Indústria 3 foi possível entrevistar o principal executivo e o profissional responsável pela área ambiental. . entre outros) Fonte: O Autor (2008) Esta divisão em etapas pretendia estabelecer uma melhor condição para a realização das entrevistas e por subseqüência. Das 9 (nove) empresas entrevistadas. a dificuldade de acesso ao principal executivo da empresa (grandes empresas). identificar o perfil ambiental da empresa e os profissionais diretamente envolvidos com a área ambiental.

1 (um) ou 10% ter entre 31 e 40 anos e 1 (um) ou 10% ter entre 20 e 30 . 4. possibilitou que os profissionais da Indústria 1 e da Indústria 6 realizassem o preenchimento do questionário em substituição da realização da entrevista. Em virtude das duas empresas não terem aberto a possibilidade de realização de entrevistas. Perfil do Profissional As entrevistas com os profissionais da indústria química revelaram a existência de uma diversidade de perfis profissionais em termos de cargos. 8 (oito) ou 80% são do sexo masculino e 2 (duas) do sexo feminino. 7 (sete) ou 70% se declararam proprietários da empresa. faixa etária e tempo de experiência profissional e de atuação na indústria química. as suas participações foram tratadas para efeitos de apresentação dos resultados deste estudo. Dentre os 10 (dez) entrevistados. por meio da transcrição das respostas dos questionários. no tópico específico que trata sobre os procedimentos adotados para a análise de dados e o delineamento da pesquisa.242 Outro fator limitante relacionado à realização das entrevistas ocorreu em função da disponibilização do instrumento de pesquisa anexo ao convite. perfil ambiental da indústria química. Esta decisão foi tomada em virtude da importância das empresas e de suas respostas para o contexto da pesquisa. criada com o objetivo de possibilitar que as empresas convidadas avaliassem a proposta de pesquisa na íntegra antes de decidir sobre a sua participação. Com relação à faixa etária. profissional e meio ambiente. Estas categorias serão utilizadas como forma de organização para a apresentação dos resultados da pesquisa. Deste total. 1 (uma) ou 10% ter entre 51 e 60 anos. Conforme citado anteriormente no capítulo dos procedimentos metodológicos. 1 (um) ou 10% encarregado de produção e 1 (um) ou 10% gerente de produção.1. e indústria química e meio ambiente. como proposta para a realização deste estudo foram idealizadas 4 (quatro) categorias de análise: perfil do profissional. 1 (uma) ou 10% técnica ambiental. 4 (quatro) ou 40% dos entrevistados declarou ter entre 41 e 50 anos. 3 (três) ou 30% ter acima de 60 anos. Esta situação.

conforme indicado no quadro 41: Quadro 41 – Perfil Profissional dos Entrevistados Indústria Química Entrevistado Cargo Gênero Faixa Etária Formação (Ano de Conclusão) Engenharia Agronômica (1985) Especialização em Gerenciamento Ambiental (2004) Tempo de Experiência Profissional Tempo de Experiência na Indústria Química Indústria 1 Entrevistada 1 Técnica Ambiental Feminino Entre 41 e 50 anos 22 anos 10 anos Indústria 2 Entrevistado 2 Proprietário Masculino Entre 31 e 40 anos Entre 20 e 30 anos Acima de 60 anos Acima de 60 anos Acima de 60 anos Entre 41 e 50 anos Analista de Sistemas (Incompleto) Farmácia (2006) 25 anos 15 anos Indústria 3 Entrevistado 3 Encarregado de Produção Masculino 14 anos 10 anos Indústria 3 Entrevistado 4 Proprietário Masculino 1º. Grau 48 anos 43 anos Indústria 5 Entrevistado 6 Proprietário Masculino 1º. Grau 15 anos Não Informado Indústria 7 Entrevistado 8 Gerente de Produção Masculino Entre 41 e 50 anos 25 anos 25 anos Indústria 8 Entrevistado 9 Proprietário Masculino Entre 41 e 50 anos Entre 51 e 60 anos 28 anos 5 anos Indústria 9 Entrevistada 10 Proprietária Feminino 31 anos 31 anos Fonte: O Autor (2008) . Grau (Incompleto) Técnico em Contábeis (1982) Técnico em Química (1988) Administração (2000) Engenheiro Civil (1984) 2º. Desta forma percebe-se que boa parte da amostra. Grau 60 anos 55 anos Indústria 6 Entrevistado 7 Proprietário Masculino 2º. dado que revela a constituição de um grupo que possui maior tempo de experiência profissional e de experiência na indústria química. Grau 47 anos 22 anos Indústria 4 Entrevistado 5 Proprietário Masculino 1º.243 anos. composta por 8 (oito) entrevistados é constituída por profissionais acima de 41 (quarenta e um) anos.

Perfil Ambiental da Indústria Química As 9 (nove) indústrias que participaram desta pesquisa estão distribuídas em 3 (três) regiões distintas do município. Dentre estas indústrias. As indústrias pesquisadas desenvolvem as atividades apresentadas no quadro 42: Quadro 42 – Atividades Desenvolvidas pelas Indústrias Químicas Indústrias Químicas Indústria 1 Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 Indústria 6 Indústria 7 Indústria 8 Indústria 9 Descrição das Atividades Cosméticos e Alimentos Nutricionais Tintas e Vernizes Produtos Fitoterápicos Água Sanitária Água Sanitária Resinas Uréicas Graxas e Óleos Fertilizantes Fertilizantes CNAE 21. As demais empresas desconheciam a existência do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) ou do seu respectivo código.1. 4 (quatro) estão localizadas em áreas industriais e 5 (cinco) em áreas urbanas. dado que revela a ausência de . o que revela a inexistência de um zoneamento industrial que concentre as indústrias químicas instaladas no município. apenas a Indústria 1 conhecia o seu respectivo código da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). 2 (duas) possuem instalações visivelmente precárias em função das condições físicas de suas instalações e 2 (duas) desenvolvem suas atividades em instalações que carecem de adequações e melhorias em termos de infraestrutura. 4.03 Não Informado Não Informado Não Informado Não Informado Não Informado Não Informado Não Informado Não Informado Localização Área Urbana Área Industrial Área Urbana Área Urbana Área Urbana Área Industrial Área Urbana Área Industrial Área Industrial Fonte: O Autor (2008) Dentre as indústrias químicas entrevistadas. Destas indústrias.2.21.244 As entrevistas com os profissionais também revelaram uma diversidade em termos de formação educacional e apontaram que apenas 2 (dois) profissionais ou 20% possuem formação relacionada com a área química e que apenas 1 (uma) profissional ou 10% possui formação na área ambiental.

Sistema de Gestão Ambiental (SGA) e certificações na área ambiental.11% declarou que era uma pequena empresa (de 20 a 99 empregados) e 2 (duas) indústrias declararam que eram de porte médio (de 100 a 499 empregados). 6 (seis) indústrias ou 66. sendo que destas. Por este motivo. as indústrias apresentaram as seguintes respostas: . números justificados pelo fato de que as empresas são nacionais e na maioria dos casos de origem local.67% declararam que eram micro empresas (até 19 empregados).245 conhecimento dos entrevistados com relação a este aspecto burocrático que rege a classificação das atividades da indústria de transformação no país. Todas as unidades visitadas correspondem a matriz da empresa. 5 (cinco) indústrias ou 55. 1 (uma) ou 11.56% iniciaram as suas atividades dentro do próprio município. Com relação à declaração formal de missão e valores. Quanto ao porte. diferentemente da proposta original do estudo que previa classificar as atividades desenvolvidas pelas indústrias químicas entrevistadas por meio da utilização do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). conforme indicado no quadro 43: Quadro 43 – Tempo de Existência da Indústria X Tempo de Atuação no Município Indústrias Químicas Indústria 1 Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 Indústria 6 Indústria 7 Indústria 8 Indústria 9 Tempo de Existência (Anos) 22 15 20 30 16 4 31 5 31 Tempo de Atuação no Município (Anos) 16 11 12 30 7 4 31 5 31 Fonte: O Autor (2008) No quadro 44 é possível perceber que a maioria das indústrias químicas pesquisadas possui um longo tempo de atuação no município. foram adotadas as descrições das atividades fornecidas pelas próprias empresas.

você vai ter um universo maior de empresas exigindo isso: certificação ISO 9000 para ter rastreabilidade e ISO 14000 e 18000. sistema de gestão ambiental e certificações . sistema de gestão ambiental e certificações ambientais. Quando uma empresa exige alguma coisa na qual nós não nos enquadramos.246 Quadro 44 – Declaração de Missão e Valores. a exemplo da ISO 14000. daqui uns 5 ou 6 anos. o qual também se encontra paralisado em função da prioridade de implantação da nova filial. nós colocamos a solicitação no nosso cronograma. Num futuro próximo. eu não vejo antes disso. em especial das indústrias de menor porte demonstraram desconhecimento sobre missão e valores. a empresa conta com a certificação ISO9001/2000. A única exceção é a Indústria 1. até a parte de saúde ocupacional e terceiro setor. seria segurança. SGA e Certificações Ambientais Indústrias Químicas Indústria 1 Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 Indústria 6 Indústria 7 Indústria 8 Indústria 9 Missão e Valores Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Sistema de Gestão Ambiental (SGA) Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Certificações Ambientais Não Não Não Não Não Não Não Não Não Fonte: O Autor (2008) A pesquisa revelou que 8 (oito) indústrias ou 88. Durante os preparativos para a implantação da ISO 9000. mas que os mesmos foram interrompidos em função da abertura de uma nova filial. são poucas as empresas que colocam isso como uma pré-condição. Apesar da empresa não possuir certificações ambientais. se não atende nós não mudamos o nosso foco em função da exigência daquela empresa” (Entrevistado 8). porque o Brasil é um país continental onde você tem diversos tamanhos e diferentes necessidades. meio ambiente. se ela puder esperar nós fazemos negócio. a empresa somente conseguiu implantar um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ). No caso da Indústria 7 a empresa informou que iniciou os procedimentos para a implantação da certficação ISO 9000. o Entrevistado 8 informou: “Ainda não. que possui uma declaração formal de missão e valores que contempla a questão ambiental e um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) que conta com um profissional dedicado para o gerenciamento das atividades relacionadas às questões ambientais. Quando questionado se algum cliente já havia exigido alguma certificação na área ambiental.89% não possui declaração de missão e valores. Alguns entrevistados.

as indústrias informaram: . a maior parte das indústrias declarou que se utiliza. Quanto a matriz energética. Algumas empresas declaram fontes energéticas complementares. em maior proporção para o seu processo produtivo. conforme demonstrado no quadro 45: Quadro 45 – Indústrias Químicas X Matriz Energética Indústrias Químicas Indústria 1 Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 Indústria 6 Indústria 7 Matriz Energética Energia Elétrica (100%) Energia Elétrica (95%) Óleo Combustível (5%) Energia Elétrica (100%) Energia Elétrica (100%) Energia Elétrica (100%) Energia Elétrica (95%) Lenha (5%) Energia Elétrica Lenha O entrevistado não soube informar os percentuais O pó de serra é utilizado para o funcionamento de uma caldeira. da eletricidade fornecida pela Companhia Paranaense de Energia Elétrica (COPEL). a maior parte deste grupo de entrevistados confundiu o questionamento realizado com as licenças ambientais exigidas para a operação da empresa. fato que revela um certo distanciamento das certificações ambientais da realidade destas indústrias.247 ambientais. No caso específico das certificações. O entrevistado não soube informar os percentuais Observação O óleo combustível é utilizado para o funcionamento de uma caldeira Indústria 8 Energia Elétrica Pó de Serra Óleo Combustível Indústria 9 Energia Elétrica (90%) Lenha (10%) Fonte: O Autor (2008) Com relação aos gastos ou investimentos realizados na área ambiental nos últimos 3 (três) anos. o óleo combustível para o funcionamento de um trator e a energia elétrica é utilizado para o funcionamento das máquinas do processo produtivo.

Reflorestamento no Entorno da Empresa (Contenção de Pó) Lavadora de Gases Sistema de Sucção da Fábrica Enclausuramento dos Barracões Tanque de Decantação Lavadora de Gases Filtros de Manga Lonas (Tipo Cortina) Indústria 6 Indústria 7 Não soube informar Indústria 8 2005 (3%) 2006 (3%) 2007 (3%) 2005 (0. que apresentou percentuais precisos baseados em controles internos. Os únicos gastos ou investimentos realizados nos últimos três anos foram a elaboração de um plano de contingência e de um plano emergência para situações de acidente que possam ocorrer na planta. o que demonstra evidências da ausência de controles específicos para o gerenciamento dos recursos aplicados na área ambiental.5%) 2007 (0.248 Quadro 46 – Gastos/Investimentos Realizados na Área Ambiental (Últimos 3 Anos) Indústrias Químicas Indústria 1 Percentuais de Gastos ou Investimentos 2005 (0. as demais empresas apresentaram percentuais estimados de gastos ou investimentos realizados.008%) 2007 (0. apesar das realizações efetuadas na área.102%) 2005 (1%) 2006 (1%) 2007 (1%) 2005 (5%) 2006 (5%) 2007 (5%) 2005 (0%) 2006 (0%) 2007 (0%) 2005 (0%) 2006 (0%) 2007 (0%) 2005 (3%) 2006 (2%) 2007 (2%) • • • • • • • Descrição dos Gastos/Investimentos Tratamento de Efluentes Separação de Resíduos e Disposição Adequada Indústria 2 Contratação de empresa para co-processamento de resíduos Estação de Tratamento de Efluentes Despesas com Laboratório (Análises de Efluentes) Consultoria na Área Ambiental Não realizou gastos ou investimentos Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 • • • • • Não realizou gastos ou investimentos Recuperação de Água (Re-uso na Produção) Sistema de Decantação dos Resíduos (Re-uso na Produção) Captação de Água para Sistema de Resfriamentos O entrevistado mencionou que os gastos ou investimentos com a área ambiental não possuíam um centro de custo e que por este motivo.5%) 2006 (0. ele não saberia informar os percentuais. Este dado confirma a observação efetuada por .019%) 2006 (0.5%) • • • • • • • • Indústria 9 Fonte: O Autor (2008) Com exceção da Indústria 1.

249 Demajorovic e Soares (2006) quando mencionam que a ausência de controles sistematizados em empresas de pequeno e médio porte impede que estas disponibilizem dados para pesquisas realizadas na área. Desta forma. os percentuais investidos são mais altos que os apresentados pelas demais empresas. o Entrevistado 9 informou: . fato que contribuiu em parte para que os proprietários não realizassem novos investimentos em suas respectivas fábricas. Percebe-se no quadro 46 que a maioria das empresas realizou investimentos na área ambiental. apenas a Indústria 1 e a Indústria 6 informaram ter realizado algum tipo de curso. Quando questionado sobre se achava o rigor bom ou ruim. no caso da Indústria 3. a maior parte dos entrevistados informou que considerava a legislação pertinente e que estavam de acordo com as exigências estabelecidas. A Indústria 1 informou que realizou os cursos de resíduos sólidos urbanos e da indústria e de gerenciamento de resíduos de laboratório (físico e químico). dado que revela que os diversos gastos ou investimentos realizados por estas empresas na área não contemplaram a formação e a atualização dos profissionais. segurança e meio ambiente. enquanto que a Indústria 6 informou que realizou o curso de prevenção. as quais mencionaram durante as entrevistas que enfrentaram nos últimos anos dificuldades financeiras em função de um contínuo decréscimo de produção. Cabe ainda ressaltar que. 7 (sete) indústrias ou 77. Com relação aos cursos realizados na área ambiental nos últimos 3 (três) anos. com exceção da Indústria 4 e da Indústria 5. em função da redução do faturamento observada nos últimos 3 (três) anos. Para o Entrevistado 9. boa parte dos gastos ou investimentos foram realizados em atendimento a exigências legais e a freqüente atuação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) no município. o que fez com que os valores investidos passassem a representar um percentual maior em relação à receita bruta. a legislação está cada vez mais rigorosa.78% não participaram de nenhum tipo de curso relacionado com a área ambiental. Conforme relatado pelos entrevistados. Quando questionados sobre o nível de adequação da legislação aplicada à indústria química.

O que mais eu acho que complica não é a questão da quantidade de pessoal. etc. Eu trabalho no mercado há 25 anos. se tivéssemos um pessoal que conhecesse mais da sua região. Como eu sou químico vou falar da área técnica não como representante da área gerencial da empresa. ela poderia ser melhor aplicada. ficamos praticamente 21 anos sem plano de emergência.. eu te digo isso com o máximo de propriedade: com certeza há uma legislação. só que eu penso que a forma como é cobrado das empresas é que não é apropriada. . é uma coisa que não depende da gente e a gente sabe que é um processo que cada vez será mais exigido” (Entrevistado 9). e muitas vezes você tem uma legislação e depende da resposta que eles recebem do profissional. nós temos um plano de emergência que tem 9 anos. Para você fundamentar uma multa você tem que ter muito conhecimento técnico. é o fato de que eles não se atualizam em relação aos ramos de atividade. não é da legislação.250 “Eu acho que. Existem alguns riscos deste produto em termos de transporte. se não estiver certo eles dão um prazo para você regularizar aquilo” (Entrevistada 10). As necessidades cresceram e o staff de profissionais do IAP não foi incrementado. Apesar da empresa já ter 31 anos. Então aí eu diria o seguinte: nós teríamos um outro aparato técnico relativo à prevenção e até a efetiva cobrança. eles tomam aquilo como grade fidedigna. O Entrevistado 8 fez algumas considerações importantes sobre nível de adequação da legislação.. Eu falo isso. ou seja. o pessoal dos dois órgãos ambientais eles não conhecem como deveriam os ramos aos quais eles vão fiscalizar. Não vou dizer que eu gosto né. não tem o que fazer. A Entrevistada 10 mencionou: “Eu acho que eles estão certos. e se for uma empresa do setor químico. de manipulação. Eu acho que tem que exigir mesmo” (Entrevistada 10). tem que fazer alguma coisa porque senão daqui a alguns anos . o ramo deles também. ou seja. como eu tenho conhecimento técnico. talvez tivessem algumas outras exigências pertinente a parte preventiva. e nem sempre o que é colocado ali é levado a risca. já aconteceu o evento. Eles procuram orientar. e eu vejo que o Estado fiscaliza e multa. dão um parecer.[hesitação]. e nem sempre isso é verdadeiro. mas é uma tendência que não depende da gente e a gente tem mais é que se adaptar. claro que para a gente tem que gastar mais dinheiro e as coisas ficam mais difíceis. Os órgãos ambientais. Não havia exigência porque as leis ambientais eram outras. que se eles tivessem mais conhecimento (a fiscalização) com certeza. Correto está. eu acho que tem que ter mesmo. Nós temos aqui 15 a 20 matérias-primas. seja a prefeitura ou o próprio IAP. de armazenagem. algumas são poluidoras em potencial e outras nem tanto. quais produtos fabrica. Quando questionada se as exigências impactavam muito no desenvolvimento das atividades de sua empresa. a empresa derruba a multa. a Entrevistada 10 afirmou: “Não. O Estado não tem esta condição. mas se a multa não é bem fundamentada. das várias empresas que atuam na região. O corretivo. isto é líquido e certo. Na sua opinião: “O nível de adequação da legislação está correto. apresentando algumas evidências sobre a fragilidade da estrutura e dos processos de controle exercidos pelos órgãos de fiscalização. Só que eu teria de olhar as especificações do produto. Se o meu ramo me exige isso. eu tenho que fazer cursos para me manter no mercado.

Na Europa. não justifica. Eu concordo com você que a dinâmica dificulta. ou seja. a química era de um jeito. e assina um termo de ajuste e tem uma dilação de prazo. ou seja. nos Estados Unidos. ele não consegue falar com os profissionais do mercado com propriedade. e a pessoa acaba não pressionando mais. e pior que isto. mas ele não pode contestar porque falta argumentação. já mudou muita coisa. Se eu falar que não polui. então ele faz pró-forma e a empresa faz pró-forma também e é o pró-forma que gera esses acidentes ambientais homéricos que ocorrem não só no Brasil. eu vou lhe dar um prazo X por complascência mesmo. o expert” (Entrevistado 8). quando eu fiz engenharia química. por isso que eu digo que neste caso específico se o Estado. o Entrevistado 8 apresenta evidências sobre um certo distanciamento existente entre órgãos fiscalizadores e empresas: “Eu acho que tem que ter uma sintonia fina entre a empresa e o órgão fiscalizador e eu penso que qualquer tipo de legislação que possa ocorrer. Por isso é que eu digo. Você dá uma resposta para ele. Então tem os dois lados. como é que eles fazem: novas empresas são rigorosamente fiscalizadas. vamos dizer assim. isto vai se estendendo. Eu diria que falta talvez uma atualização ou uma reciclagem profissional. A química é dinâmica. tudo é dinâmico. você tem que fazer o EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental). então você não têm contingente suficiente. na Europa e em qualquer lugar. como órgão fiscalizador fizer a sua parte já ajuda muito. é do ramo de atividade da empresa autuada.251 isso eles tem. Em seu depoimento. ou o Estado é competente para fiscalizar. quando há contingente ou quando fiscaliza. não há profissionais para fazer a fiscalização. OK. porque se eu sou um profissional da empresa e aqui eu respondo pela parte técnica e se eu disser para você que a química é mais rápida do que eu profissional eu estou errado. faz um dos termos que está colocado lá. já houveram modificações ou na planta de processos ou na matéria-prima. Eu concordo que esta dinâmica dificulta mas acho que o Estado é pesado em relação a isso e esse peso faz com que ele faça mal feito. eu não concordo com a justificativa da dinâmica da química. deveria ser feita de forma . e ela é uma resposta às vezes politicamente correta. e o motivo nem sempre é um motivo tecnicamente justificável. eu mostro os meus conhecimentos técnicos e aí isso causa uma certa inibição. Estou no mercado há 30 anos. no Brasil. porque muitas vezes você não tem um OK para uma planta funcionar. a legislação existe. Quando você faz um pedido de autorização de processo. então eles tem lá uma certa condenscendência e fazem o que. o Entrevistado 8 respondeu: “Eu estou falando para você como um profissional da química não como empresa. e esse prazo ele vai se dilatando. não tem contra-argumentação. Quando questionado se estas questões poderiam ser atribuídas à dinâmica do setor químico. A química é dinâmica e por ser dinâmica quem trabalha com a química precisa ser dinâmico. as mais antigas para se adequar custa muito caro. e se para fiscalizar ele tem que ter informações do mercado que somos nós para se auto-regulamentar para depois fiscalizar seria o correto. hoje já não é mais assim. E aí é assim. eu não vou estar concatenado com o mercado. não polui” (Entrevistado 8). E se eu sou um órgão fiscalizador/normatizador é pior ainda. Você faz algumas coisas. que é preciso as pessoas e os funcionários que administram os órgãos ambientais estejam em sintonia com o mercado. porque lá também tem isso. levar para um órgão ambiental e achar que a pessoa vai ser o big boss. não acompanha a evolução. senão não acompanha a tecnologia. Só que quando você chega na última exigência que estava naquela relação de termos de ajuste. Mas eu penso que você não pode pegar alguém da academia. até nisso é uma coisa que é um pouco complicada. e aí você não tem esse time acertado e aí que está o problema.

e ela é co-responsável e eu levo aquilo e protocolo no IAP. a amplitude da fiscalização. teve acho que fazem 2 ou 3 anos atrás aproximadamente. É muito comum você ter câmaras técnicas nos órgãos ambientais. ela faz uma análise crítica. se você tiver um evento na sua planta. há uma certa fobia da empresa em relação ao órgão ambiental. Eu acredito que a maior parte da poluição é doméstica. além das questões legais. você percebe de A a Z quais são os seus problemas e aí você apresenta para o órgão ambiental um cronograma de acordo com o seu time (tempo). porque ela é paga para aquilo. Quanto à amplitude da fiscalização. da postura autoritária de alguns fiscais. Se você precisa de alguma coisa eles mandam você ver na internet. É melhor você gastar para prevenir do que você ter um evento que você gasta 3 ou 4 vezes mais. Estes órgãos deveriam auxiliar muito mais a empresas e dar referências sobre o que fazer para não errar. só que isto perdeu efetividade. ao IAP que as 5 não-conformidades que ficaram pendentes não vão gerar riscos eminentes” (Entrevistado 8). eu tenho 10 nãoconformidades. desde que eu diga a ele. Quando você faz a auditoria compulsória. das limitações do órgão fiscalizador em termos de disponibilizar orientações antes de realizar as cobranças. as principais motivações para a realização de gastos ou investimentos ambientais. porque você ia verificar na sua planta de produção quais eram as suas mazelas. só que são câmaras técnicas que tratam de eventos que já aconteceram. você vai ter que adequar. Não sei se você acompanhou. Então não há uma aproximação das empresas em relação aos órgãos ambientais. E aí que eu acho que existe uma discrepância. o Entrevistado 6 menciona: “São muitas exigências. As empresas que fizeram. Vire-se. a empresa não está se negando a participar. não são realizadas muitas cobranças” (Entrevistado 3). de condição técnica.252 conjunta. Você contrata uma auditoria que vem para a sua fábrica. Isso foi uma das coisas mais certas que já ocorreram. teve uma normativa do IAP que tinha que fazer uma auditoria compulsória. o problema é seu” (Entrevistado 6). como nós fizemos. Deveria ser o contrário. do que esperar para multar. isenta. e das 10 eu vou fazer 5 em 2008 e 5 em 2009. e pior. os entrevistados informaram: . Com relação às questões burocráticas e a disponibilização para orientações. Apesar da legislação ser moderna. então você mostra somente aquilo que ele quer ver. Quando questionados sobre quais eram. A FIEP (Federação das Indústrias do Paraná) entrou com uma liminar contra o IAP e derrubou isso. o Entrevistado 3 considera que: “Apenas gostaria que a fiscalização e a cobrança fossem as mesmas para empresas e residências. seja de orçamento. fizeram. e quando ele vem para dentro da empresa ele acaba inibindo. então você vai gastar com o evento e gastar com a adequação. Alguns dos entrevistados reclamaram sobre alguns aspectos relacionados às questões burocráticas. Quando eu levo o protocolo no IAP eu tenho um cronograma que eu vou dizer para o IAP. Sem atenção para com a pessoa que está trabalhando.

Eu sei que se eu fabricar um creme e muitas pessoas tiverem problema de pele. O Entrevistado 3 acredita que “o cliente vai gostar mais da empresa se a empresa tiver uma imagem limpa. Então a primeira coisa é o critério ético. mesmo que não tenha uma legislação. vai perceber que a partir das empresa onde nós estamos. ele caminha. Como é que eu posso quantificar o quanto aquilo contaminou para frente. ou seja. Uso seguro e responsável dos recursos naturais. eu vou lutar para que isso não aconteça. Além do desempenho. Então eu vou ter uma contaminação. pela saúde. Reclamações de vizinhos em relação ao pó e aos odores emitidos pela empresa. É importante passar esta percepção para os clientes e para as autoridades”. A conseqüência disso é que a empresa terá que estar a altura das exigências das autoridades. porque você não consegue fazer uma análise extrapolando valores dos números de hoje para daqui 5 a 10 anos. É o tipo de passivo que eu não tenho como mensurar a não ser numa condição generalizada”. e uma outra questão é o critério de que tudo que não se resolve hoje você vai gerar um passivo ambiental para empresa que é quase incomensurável. eu vou ter uma maior contaminação. se ela for levantada a montante ou a jusante. Preservação do meio ambiente em nossa unidade fabril. Não realizou gastos ou investimentos na área ambiental. “Preocupação com o meio ambiente e com a imagem da empresa”. Para o Entrevistado 3. ele não é estático. Se eu sei que aquela matéria-prima é potencialmente poluidora e se eu descartar de forma errada no meio ambiente eu vou gerar um problema.respeita o meio ambiente). Como o meu compromisso é com a empresa e não com a fiscalização.253 Quadro 47 – Motivos para Gastos/Investimentos Ambientais Entrevistado Entrevistada 1 Entrevistado 2 • • • • • Motivos Informados Preservação do meio ambiente. ele tem que ser bem destinado de forma adequada. saber que você está poupando problemas para a empresa” Fortalecer a marca da empresa (apelo ambiental . prevenção. No caso eu gerencio a área de produção e respondo pela área técnica. a empresa vai fechar. Para o Entrevistado 4 “Interesse em isenção de impostos para medidas adotadas para preservação do meio ambiente”. As empresas que não se adequarem não vão conseguir continuar no ramo. Entrevistados 3e4 • Entrevistado 5 Entrevistado 6 Entrevistado 7 • • • • Entrevistado 8 • Entrevistado 9 • • Entrevistada 10 Fonte: O Autor (2008) . A Entrevistada 10 informou “Eu acho que é necessário. a empresa vai fechar. Se eu estudei química e eu sei que tem a lei de Lavosier que na natureza nada se cria. Se eu contamino por exemplo um lençol freático. certo. Aí entra o critério ético. Exigências de clientes certificados (um dos clientes estabeleceu um prazo de 5 anos para a empresa adequar-se). você tem que pensar como homem de produção e se eu tenho parte da produção que eu não consigo aproveitar e que vai gerar um resíduo qualquer. Segundo ele “eu tenho responsabilidade: eu sei por exemplo que se peixes começarem a morrer e as autoridades comprovarem a minha responsabilidade. Não realizou gastos ou investimentos na área ambiental. tudo se transforma.produtos naturais . Porque que digo critério ético: porque nós temos profissionais e profissionais. certo. por tudo. É legal perceber que os clientes estão buscando empresas ecologicamente corretas. para o futuro”. Com o tempo todas as empresas terão que se adequar. O Entrevistado 8 informou “Critério ético eu diria. “Melhorar o desempenho da empresa”.

a questão financeira não é o problema.67% informaram que não possuíam nenhum registro de ocorrências. quais seriam as principais dificuldades encontradas para a realização de gastos ou investimentos na área ambiental. Pelo nosso nível de faturamento e pelo pouco capital ou pelo pouco investimento necessário na área ambiental. O que importa é o seguinte: o órgão fiscalizador quando vier aqui tem que ter propriedade de dizer o que precisa ser feito. Não investiu na área ambiental. Entrevistados 3e4 • • • Entrevistado 5 Entrevistado 6 Entrevistado 7 • Entrevistado 8 Entrevistado 9 Entrevistada 10 • • Fonte: O Autor (2008) Com relação aos históricos de acidentes ambientais ocorridos na empresa. Não Investiu na área ambiental. Outra dificuldade apontada foi em relação à mão-de-obra e sua manutenção “A empresa demorou para encontrar um profissional capacitado na área química. além da questão financeira. tudo que tiver que ser feito seria feito com certeza. fazemos 100.33% informaram registros de . Não é a questão financeira que pega para a gente não fazer não. Apenas 3 (três) indústrias ou 33. “Uma das principais dificuldades é encontrar empresas especializadas (prestadores de serviços e treinamento)”. que permitisse estabelecer a atual preocupação que a empresa tem com o meio ambiente. Nós não temos um setor específico que só pense meio ambiente”. Faltam mais informativos referentes a aplicações especificas para cada segmento de mercado químico”. “Muitas informações só são encontradas quando de uma fiscalização ficamos sabendo do que é preciso ser realizado dentro da indústria. 6 (seis) indústrias ou 66. Muitos profissionais se preocupavam apenas com coisas supérfluas”. se ele disser para fazer 100. aí eu vou falar como empresa e não como profissional da área técnica. Se ele disser que tem que fazer 10. eu acho que não tem outras dificuldades. talvez a questão seja você priorizar.254 Quando questionados sobre. No nosso segmento existem profissionais que fornecem serviços especializados”. Aí é mais por que nós como empresa. Nós. os entrevistados informaram: Quadro 48 – Dificuldades Encontradas para Gastos ou Investimentos Ambientais Entrevistado Entrevistada 1 Entrevistado 2 • • • Dificuldades Encontradas “A burocracia existente nos órgãos ambientais”. tudo que tem que ser feito na área ambiental é feito. “Custo para montar a gestão de processamento de resíduos é alto”. “Desculpe. “Eu acho que só financeira mesmo. Este dado não pode ser confirmado em função da não disponibilização de informações detalhadas pelo IAP sobre acidentes e autuações envolvendo indústrias químicas no município. priorizamos outras questões que é fazer o dia-a-dia em termos de produção e aí isso não fica no primeiro plano. fazemos 10. “Encontrar profissionais qualificados”. Eu não diria que a questão financeira seja uma questão que hoje impacta.

há dois anos e meio. Nós fizemos uma análise da extensão. o IAP quis autuar" (Entrevistado 3). no ano passado. que ocasionou sobrecarga nas lagoas de tratamento” (Entrevistada 1). 8 e 9) mencionaram que o seu processo industrial ocorre dentro de um circuito fechado. foi parte com lodo biológico. em função das características de produção da água sanitária. o Entrevistado 3 informou que: “Depois que a gente começou a cuidar da água e fazer exames de laboratório. Foi uma ocorrência importante. No caso da Indústria 3. Segundo ele: “Um dos acidentes foi externo por que o óleo vazou para a área externa da empresa. Desde o início da instalação da estação de efluentes. a Indústria 4 e a Indústria 5 informaram que não geram nenhum tipo de resíduo industrial. foram identificados problemas de contaminação na tubulação interna. O Entrevistado 8 mencionou que os acidentes estavam relacionados a derramamento de óleo de um tanque de armazenagem.255 acidentes ambientais: as Indústrias 1. a Entrevistada 1 informou que: “Sim. foi contido internamente. que deve fazer entre 7 a 8 anos. a aí não teve maiores problemas não” (Entrevistado 8). . 5 (cinco) indústrias ou 55. As 3 (três) outras indústrias que informaram não gerar resíduos (Indústrias 6. Foi uma contaminação de extratos vegetais em nível microbiano (matériasprimas utilizadas pela indústria). Por questão técnica operacional. 3 e 7.56% informaram que não geram resíduos. a qual permite o total aproveitamento das matérias-primas sem a necessidade de geração de resíduos. Graças a nós termos o histórico do primeiro e a escola do primeiro fez com que nós fossemos mais eficientes no segundo e logicamente contivemos ele na área de produção” (Entrevistado 8). que exigiu uma manutenção de limpeza. Dentre estas empresas. e um outro que foi interno. quando precisávamos descartar efluente da estação de tratamento de efluentes. o Entrevistado 8 informou que ocorreram dois eventos: “Um que foi eu diria o mais expressivo. No caso da Indústria 1. já foram feitas aproximadamente 440 amostras da indústria. Já na Indústria 7. de mínimo impacto. do local onde ocorreu o vazamento na parte interna e externa para fazer uma bioremediação. onde eventuais resíduos são incorporados novamente na linha de produção. Quando questionados sobre a geração de resíduos. interno os dois foram. só que um extrapolou os limites da empresa. sendo que apenas 1 vez a gente falhou. e o segundo não.

somente depois que se atingiu a qualidade dos produtos é que a gente começou a se preocupar com o resíduo" (Entrevistado 3). 5 (cinco) indústrias ou 55. das caldeiras nós temos que semestralmente . o Entrevistado 3 faz uma declaração que revela a presença da ação racional instrumental descrita por Serva (1996) nos negócios corporativos em relação às questões ambientais e a geração de resíduos: "A questão ambiental era secundária. o Entrevistado 8 detalhou como funcionam os procedimentos para controle de emissão de gases e de monitoramento do lençol freático: “Nós fornecemos periodicamente ao IAP alguns documentos para que nós tenhamos a nossa licença de operação mantida. No caso da Indústria 7. As 4 (quatro) empresas ou 44. mencionaram que seguem as determinações estabelecidas pela legislação com relação a contratação de uma empresa especializada para a elaboração de relatórios de emissões. Ou seja. os quais são periodicamente disponibilizados aos órgãos ambientais.44% que informaram possuir controles. Com relação à existência de controles de emissão de poluição.256 As 4 (quatro) empresas que informaram gerar resíduos industriais declararam as seguintes descrições e destinos para os resíduos: Quadro 49 – Indústria Química X Descrição dos Resíduos X Destino Indústria Química Indústria 1 Indústria 2 Descrição do Resíduo Resíduos Líquidos Resíduos Sólidos Borra de Tinta Resíduos Líquidos Resíduos Sólidos Resíduos de Fabricação de Extratos Vegetais Resíduos Líquidos Resíduos Sólidos Destino Estação de tratamento de efluentes Separação e disposição adequada Empresa especializada em tratar os resíduos industriais para serem incinerados no forno de cimenteiras Estação de tratamento de efluentes Catadores de papel e usinas de reciclagem Adubo orgânico para hotel fazenda pertencente ao proprietário da empresa Empresa de reciclagem de óleo Empresa especializada em tratar os resíduos industriais para serem incinerados no forno de cimenteiras e empresas de reciclagem Indústria 3 Indústria 7 Fonte: O Autor (2008) Com relação aos resíduos.56% informaram que não possuem controles pelo fato de não realizarem emissões gasosas na atmosfera.

não há problemas com a comunidade. a situação foi um pouco mais séria. na parte de graxas. Então nós temos um cheiro específico do nosso processo produtivo e aí ao longo do período. tipos de voláteis. fizeram até um abaixo-assinado junto ao IAP e ele veio aqui. apenas 3 (três) indústrias informaram possuir registros de reclamação. situação que em uma semana foi resolvida” (Entrevistado 3). o Entrevistado 3 informou que se tratava de apenas uma ocorrência: “Sim. saímos de tanque aberto para tanque fechado. como eu falei. Os vizinhos reclamavam do pó. fazem a análise da água. a exemplo do reflorestamento do entorno da fábrica” (Entrevistado 9). Nós temos pontos de monitoramento na parte interna. segundo o Entrevistado 8. inicialmente. O nosso produto era feito. depois colocamos lavador de gases. houveram uma série de reclamações. Então toda a parte de voláteis do processo ficava no ambiente interno do prédio e uma parte saia. foram nos dando algumas orientações em relação ao nosso problema. conforme explica o Entrevistado 8 “Como a fábrica já está aqui há mais de 20 anos. Em cima desta situação de reclamações nós fomos para o mercado. No caso da Indústria 3. e aí de uma forma muito companheira porque eles nos ajudaram nisso. No caso da Empresa 7. Nós temos um contrato com uma empresa que faz o levantamento e o laudo para envio ao IAP (caldeiras). Da mesma forma que as pressões exercidas pela sociedade organizada foram fundamentais para que o governo e o setor químico assumissem uma nova atitude em . preenchem o documento que é enviado ao IAP para protocolo. Na questão relacionada à existência de registro de reclamações da comunidade em relação às suas operações. que eu diria que foram feitos a mais ou menos nove anos. ou seja. mudança de matérias-primas). não temos nenhuma reclamação e temos o Ok do IAP. A cada três meses é feita a drenagem dos poços. nós tínhamos uma série de problemas. uma vez que o fato ocorrido quase determinou a mudança de endereço da empresa. apenas uma vez quando a estação de tratamento de efluentes foi instalada. Por este motivo investimos recursos em melhorias. era feito em tacho aberto. Foi apenas uma reclamação verbal do supermercado vizinho em relação ao cheiro exalado. já chegou até a ter abaixoassinado para que nós saíssemos daqui em função disso. o Entrevistado 9 também informou um único registro: “Somente reclamação verbal. aí junto com a equipe técnica fizemos algumas alterações de processo (temperatura de cozimento. Logicamente hoje. depois condensador. Já tivemos sim. Temos duas empresas terceirizadas que fazem estes controles” (Entrevistado 8). que é para verificar até que ponto nós estamos mantendo o lençol freático tal como era antes de nós nos instalarmos aqui. No caso da Indústria 8. fazem a coleta dos poços. vimos alguns equipamentos para o nosso processo. mas isso já está totalmente sanado” (Entrevistado 8).257 fornecer os mapas de emissões.

informa que a opção pela não contratação de seguros se deve ao fato de que considera que a . fiação elétrica. Foi a partir destas reclamações que as 3 (três) empresas buscaram adotar medidas para resolver os problemas apontados. nos casos relatados pelas 3 (três) indústrias percebe-se que as reclamações dos vizinhos foram essenciais para que os problemas fossem solucionados. os custos são altos: exige troca das portas de madeira. de modo a garantir a continuidade de suas operações. os profissionais entrevistados foram questionados se suas respectivas indústrias químicas possuíam algum tipo de seguro para acidentes ambientais. sistemas de comandos eletrônicos e motores a prova de explosão. Para confirmar a existência de riscos inerentes às atividades de fabricação e de manipulação de produtos químicos. as companhias seguradoras impõem muitas exigências. O Entrevistado 6 menciona que a sua empresa não possui seguro em função da falta de recursos para a sua contratação. quando menciona: “Não possuo seguro. e para confirmar a afirmação de Beck (2006). O mesmo ocorre com o Entrevistado 5. de que a condição da iminência do risco se torna institucionalizada a partir do momento que a sociedade passa a desenvolver atividades que deixaram de ser cobertas por seguros. O Entrevistado 3 informou que a sua empresa não possui em função do seguro ser muito caro e das exigências das seguradoras. A empresa já investiu mais de R$ 50.258 relação ao tratamento dispensado para as questões ambientais.00 em melhorias.000. enquanto que a Entrevistada 1. mas mesmo assim ainda não conseguiu atender os requisitos das seguradoras. a exemplo de novas legislações e da criação do Programa Atuação Responsável. Em suas respostas. O último investimento realizado para atendimento de uma das exigências das seguradoras envolveu a transferência da armazenagem dos produtos da parte interna para a parte externa e mesmo assim o seguro não pode ser realizado” (Entrevistado 2). As seguradoras não fazem este tipo de seguro e quando fazem algum tipo de orçamento de apólice. A minha empresa atende apenas as exigências do bombeiro e da medicina do trabalho” (Entrevistado 5). todos os anos são realizadas tentativas porém o seguro nunca é obtido. devido ao nível de exigências das seguradoras. O Entrevistado 2 informa que: “A dificuldade para a obtenção de seguro é muito grande para a própria empresa. alguns dos entrevistados confirmam a situação de iminência do risco retratada por Beck (2006) ao revelarem que não possuem seguro.

carro e patrimonial e as seguradoras nunca mencionaram” (Entrevistada 10). a gente faz seguro aqui para o escritório. a última questão desta categoria buscou identificar se haviam nestas empresas ações previstas na área ambiental para o horizonte de 2015. 8 e 9. Continua (.) Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 . Realizar adaptações no processo produtivo para o re-uso da água Instalações próprias (adequadas). Realizar novos investimentos em segurança do trabalho. As respostas obtidas para estes questionamentos foram as seguintes: Quadro 50 – Ações Previstas na Área Ambiental para o Horizonte de 2015 Indústrias Químicas • Indústria 1 • • • • • • • • • • • Ações Previstas Separação e correta destinação do material de laboratório (incineração. Melhorar a estrutura interna da empresa. não sei como se chama. Contratar uma empresa especializada para atendimento de situações de emergência (na atualidade a única alternativa é o bombeiro).. Já o Entrevistado 9 foi categórico em afirmar que não. porém ficaram em dúvida sobre a cobertura e até mesmo a existência de seguros para acidentes ambientais. Não há projetos previstos. há sim uma cláusula específica quanto a isso. Obtenção de certificações. compostagem). Promover ações para separação de lixo reciclável. patrimonial. No caso das Indústrias 6. os entrevistados mencionaram que possuíam seguro de suas instalações. Não há projetos previstos. Eu não sei dizer qual é o teor desta cláusula porque eu não conheço estes detalhes” (Entrevistado 8). uma vez que as empresas de seguro nunca haviam ofertado para sua empresa uma proposta de seguro nesta área. reciclagem.. predial. Segundo o Entrevistado 8: “No ramo seguro. Manutenção das ações já realizadas.259 atividade desempenhada pela empresa não gera riscos significativos de acidentes ambientais. Implantação de um sistema de prevenção de incêndio. Como forma de avaliar qual é o nível de planejamento das indústrias químicas em relação às questões ambientais futuras. 7. O mesmo ocorre com a Entrevistada 10 quando afirma que: “Até hoje as seguradoras nunca ofereceram este tipo de produto. Eu nunca vi. caminhão.

Quando do estabelecimento de um novo contato do pesquisador para a obtenção das respostas ausentes no questionário. Com relação aos questionamentos efetuados para esta categoria. sujeitos e objetos de pesquisa. Fonte: O Autor (2008) Como mencionado anteriormente. Profissional e Meio Ambiente Esta categoria de análise foi criada com a intenção de possibilitar que os profissionais envolvidos na pesquisa. com a intenção de que as categorias de análise “Profissional e Meio Ambiente” e “Indústria Química e Meio Ambiente” pudessem ser melhor exploradas. o principal objetivo da categoria de análise “Perfil Ambiental da Indústria Química” foi o de possibilitar uma aproximação entre o pesquisador. esta categoria se demonstrou fundamental para a exploração do tema de estudo proposto. que optou pelo preenchimento do questionário ao invés da realização da entrevista. Readequação e treinamento do quadro profissional em função da criação da nova filial no Rio de Janeiro.3. uma vez que é dele que partem as decisões que podem. como indivíduos. Criação de uma nova brigada de incêndio. dar origem aos riscos. Criação de um novo plano de contingenciamento . Melhorar o sistema de lavagem de gases em relação a sua eficiência. Por entender a importância do indivíduo no contexto das organizações. de acordo com Beck (2006). foi o único dentre os entrevistados a não fornecer respostas.260 Indústria 6 • • • • • • • • Indústria 7 Indústria 8 Indústria 9 Promover ações para a conservação do verde. 4. Investir em melhorias. Com base na realização desta primeira etapa da pesquisa foi possível estabelecer uma aproximação entre pesquisador e entrevistados. uma vez que o pesquisador não atua no setor químico e não possui vínculos de relacionamento com os entrevistados que participaram desta pesquisa. Criação de um novo plano de emergência. Não há projetos previstos. o Entrevistado 7 alegou que não havia respondido as questões por opção própria. revelassem quais eram as suas percepções sobre meio ambiente antes de realizar suas considerações sobre a relação de suas respectivas indústrias químicas e o meio ambiente. o Entrevistado 7. por receio da divulgação de suas opiniões em função de .

primeiro passo é educação. tentando estabelecer uma comparação. Onde tudo ocorre. Em sua maior parte. o que é meio ambiente? Com relação ao significado de meio ambiente. Em seu depoimento. Quadro 51 – Significados dos Entrevistados para Meio Ambiente Entrevistados Entrevistada 1 Entrevistado 2 Significado para Meio Ambiente “É tudo que pode afetar a vida. “Todo mundo entende meio ambiente somente como plantar árvores. Continua (. Em alguns casos. os profissionais entrevistados realizaram declarações que possibilitam uma melhor compreensão sobre como o meio ambiente é por eles percebido. Para o Entrevistado 3 “A TV cria um imaginário que faz com que as pessoas pensem que o meio ambiente é algo que não faz parte da vida delas”. mencionando que o meio ambiente e a religião estão em todos os lugares. preservação da água. Eu entendo o meio ambiente. Depende do relacionamento das pessoas e da evolução do homem dentro do meio. as respostas foram fornecidas logo após momentos de hesitação e em muitos casos.261 representar a indústria química. é onde a gente trabalha”.. fatos que podem indicar evidências do distanciamento ocorrido entre ser humano e meio ambiente. é educação da comunidade por que ela faz parte do meio ambiente. da comunidade onde as pessoas trabalham. ele também faz parte do meio ambiente”. O entendimento sobre o meio ambiente começa na educação básica. é o relacionamento funcional dos funcionários e familiares.. a) Para você. as quais serão utilizadas como estrutura de tópicos para a apresentação dos resultados obtidos. Mesmo diante da reafirmação do compromisso de confidencialidade assumido pelo pesquisador com relação à não disponibilização de dados que possibilitassem a identificação do município. Devemos ter preocupação com o meio ambiente. o Entrevistado 3 falou muito sobre religião. que pode ser feita dentro de casa ou no trabalho. as respostas revelam um total distanciamento ou desconhecimento dos entrevistados sobre o que venha a ser meio ambiente. O meio ambiente para mim faz parte do ambiente das empresas. de forma objetiva ou cercadas de insegurança. não distinguindo o homem dos demais seres vivos” “Onde nós vivemos. Para esta categoria foram criadas 5 (cinco) questões. das indústrias químicas e dos entrevistados participantes da pesquisa. Primeiro educação e conscientização. o Entrevistado 7 manteve a sua opção de não responder aos questionamentos desta categoria. Cuidar com o futuro dos herdeiros” “É onde a gente mora.) Entrevistado 3 Entrevistado 4 .

contratar profissionais para cuidar desta área. assim que eu aprendi. eu gero impacto ambiental. Vou lhe contar de que maneira eu fui criado: quando eu era criança meu pai me deu uma bala. bom eu vou ser bem sincero. você vai ter definições e definições de meio ambiente. Toda vez que eu pego uma bala eu lembro do meu pai. As exigências muitas vezes são feitas pensando em empresas mais estruturadas. desde a parte de equipamentos. coloquei ela na boca e joguei o papel no chão. o mundo. Muitas vezes você precisa indicar as soluções para os terceiros. meio ambiente é isso. Falou em aquecimento global. Para mim. É assim que precisa ser feito. eu tenho que minimizar este impacto. a gente sempre tem que estar às voltas com isso aí. em usar a TV para orientar e educar a população. para os animais. O mercado exige que a gente tenha todas as adequações mas a rentabilidade do negócio não permite fazer quadro. tem dificuldades de se adequar. quando por exemplo. pessoas.. em especial na fala do Entrevistado 9.. padronizar os carrinhos dos catadores e da falta de iniciativas para educação da população. o meio ambiente é considerado apenas como algo necessário para a sobrevivência dos seres humanos. Desde que você tenha recurso e profissionais especializados. Aí as empresas que não tem toda esta estrutura. Para a gente que é uma empresa pequena representa algum entrave.. para a gente que está nesse ramo é um problema. Então eu penso que qualquer atividade. Não tenho um profissional assim contratado full-time.. tem que fazer com que o impacto seja o menor possível.. onde nós temos todos os tipos de interação com coisas. matériasprimas e o ambiente interno e externo... você resolve qualquer problema” “Meio ambiente. como que eu poderia te explicar. eu não consigo fazer produção sem ter o impacto ambiental. sem ele não há vida” Fonte: O Autor (2008) Nas respostas é possível perceber a ausência de simbolismo e a presença do antropocentrismo de Descartes. e eu como profissional devo trabalhar de maneira tal que devo conseguir manter este sincronismo de forma que um ajude ao outro. não se joga papel no chão. Em algumas respostas percebe-se indícios da racionalidade instrumental. O meio ambiente para mim é qualquer lugar onde nós estamos inseridos. é uma coisa necessária para a sobrevivência.. Tem tantas coisas para falar: a primeira coisa é a educação do indivíduo. Meu pai falou para mim: meu filho. . para os seres humanos. só o fato de eu me locomover da minha casa até aqui.. produtos. normalmente prejudicial ao meio ambiente. serviços e até lazer” “É a nossa casa. “A preservação do nosso planeta. Só que aí existe um pouco de utopia. objetos. é tudo. quando considera que o meio ambiente representa um problema em termos de gestão. Para nós aqui meio ambiente é onde nós estamos trabalhando e seria o que.262 Entrevistado 5 Entrevistado 6 Entrevistado 8 Entrevistado 9 Entrevistada 10 O Entrevistado 5 não conseguiu definir o que é para ele meio ambiente. trabalho com terceiros que não tem um foco dedicado para a empresa. eu descasquei uma bala. Meu pai era alemão e eu não quero dizer com isso que alemão seja melhor que os outros” “Dependendo do que você fala e de onde você está. Eu ri para o meu pai e meu pai segurou na minha orelha até eu juntar. que possuem pessoal.. papel não se pode jogar no chão. Para a gente .

Queira ou não queira. e que envolve outros aspectos como a experiência de vida e a formação cultural. b) Como você enxerga a sua relação com o meio ambiente? Quando questionados sobre como os entrevistados enxergavam a sua relação com o meio ambiente. do descuido ambiental e ela vive esta maquiagem. O Entrevistado 2 acredita que: “Poderia fazer mais pelo meio ambiente. algumas respostas revelaram indivíduos sensíveis às questões ambientais. uma vez que a sua formação é primária. nós hoje somos poluidores do meio ambiente. O Entrevistado 3 declarou que busca ter cada vez mas cuidado. principalmente com o lixo e a preocupação com o futuro dos filhos. o Entrevistado 4 se aproxima do princípio hologramático proposto por Morin (1998). mas o todo está na parte. o Entrevistado 3 apresentou novas evidências sobre o distanciamento ocorrido entre ser humano e natureza. de higiene da criança são totalmente urbanas. poderia dar maiores contribuições para o meio ambiente” (Entrevistado 2). ao considerar que o homem faz parte do meio ambiente. o Entrevistado 4 revela que a percepção sobre o que é meio ambiente não depende apenas do nível de educação formal. A criança vai se afastando das conseqüências. porém presos a perspectiva realista definida por Beck (2006). Ele comentou que sua sensibilidade para o tema vem de sua educação familiar. Em sua fala. Quando menciona a importância da educação básica para a compreensão do meio ambiente. eu faço pouco hoje. gostam de brincar em shoppings.263 Dentre as respostas. esta última no caso do entrevistado. as noções de limpeza. o qual considera que não apenas a parte está no todo. Ter recursos para manter uma entidade. Para onde vai o lixo do shopping?. Ela sempre vai viver . aquisição de novos equipamentos. retratado anteriormente por Sheldrake (1993): “Eu nunca tinha pensado nisso. fazer um reflorestamento. ambientes que aparentemente são limpos mas que geram muita sujeira. Ao ser questionado se encontrava dificuldades para ir além da separação do lixo. além de fazer compostagem do lixo biológico e da separação e destino do lixo em sua propriedade rural. de origem japonesa. uma em especial chamou a atenção do pesquisador em termos de clareza e posicionamento. do pai que é agricultor e que sempre atou em projetos sociais.

Como é que você vai pegar uma árvore dessa. participando. Desde pequeno eu recebi noções sobre o meio ambiente na minha educação. eu considero que nos últimos anos está melhorando” (Entrevistado 6). que demora tempo para crescer. O ser humano precisa de mais orientação. o Entrevistado 5 menciona: “A natureza não tem explicação. Em sua resposta. todos são responsáveis pela limpeza do ambiente que utilizam. diferente os seres humanos que possuem um maior contato com a natureza como os agricultores e os índios” (Entrevistado 3). Eu solicitei ao meu caseiro para que rastreasse a origem da poluição e quando ele descobriu eu fui falar com o proprietário para que ele tomasse as medidas necessárias para evitar novos acidentes. as quais se aproximam de algumas das características presentes na perspectiva construtivista definida por Beck (2006): “Eu me considero um homem consciente. Apresentando dificuldades em definir a sua relação com o meio ambiente. que estava crescendo. o ser humano de um modo geral está se afastando da natureza e está perdendo a responsabilidade por que não é o primeiro a sentir os efeitos mas é o primeiro a causar os efeitos. ocorrida em função da contaminação de agrotóxicos aplicada em uma plantação de tomate. conscientizando. o Entrevistado 4 revela traços de uma racionalidade substantiva ao mencionar sua proximidade com a natureza por meio de suas ações. que possam servir para o conjunto da sociedade. Se cada um fizer a sua parte seria importante” (Entrevistado 5). Como forma de demonstrar que preserva o meio ambiente. No Japão as crianças recebem educação orientadas para um maior contato com a natureza. Eu vivo a relação com o meio ambiente na minha chácara. Deixei claro que se ele não tomasse as providências necessárias. as Entrevistadas 1 e 10 consideram de forma objetiva que a sua relação com o meio . É importante conscientizar desde criança. o Entrevistado 6 fez questão de mencionar um fato ocorrido com ele: “Dia desses eu me deparei com um rapazinho que estava ameaçando quebrar uma árvore nova.264 dentro do shopping. muitas plantas que existem na chácara onde eu moro foram plantadas pelo meu pai. meu pai sempre dizia: derrubou uma árvore plante duas. educando. Mas está melhorando. Por isso é que eu falo que o meio ambiente começa dentro de casa. Nós seres da cidade. Na chácara são recolhidas aproximadamente 200 garrafas pet que vem no rio e que ficam presas em três grades. Não é só falar. é uma vida que está aí. faria uma denúncia para a fiscalização” (Entrevistado 4). do apartamento. nunca vai tomar uma água do rio. deixe que nasça. Tenho procurado mecanismos que possam se adaptar a nossa comunidade. Apresentando novas evidências da presença da racionalidade instrumental. É necessário proibir a concentração urbana. todos aprendem a cuidar do ambiente. Eu falei para ele: meu amigo esta árvore é uma vida. além de outras coisas. Desde cedo. é praticar. Há um tempo atrás houve uma grande mortandade de peixes no rio que corta a chácara.

Segundo ele: “Como eu ocupo um cargo de gerência eu tenho uma certa autonomia sobre a atividade. Com base nas respostas. Eu gostaria de ter uma empresa mais enquandrada. consumir produtos recicláveis de indústrias que não agridam o meio ambiente. eu procuro fazer a minha parte. é possível perceber que a maior parte do grupo de entrevistados se aproxima da perspectiva realista definida por Beck (2006). produtos com selo de qualidade. O Entrevistado 9 faz uma revelação em tom de desabafo que revela limitações oriundas da racionalidade econômica vigente na sociedade industrial. Eu penso que a minha condição hoje é inserido e comprometido para minimizar o impacto” (Entrevistado 8). em cima das normas. Quando questionado sobre a sua relação pessoal com o meio ambiente. Busco reciclar. A gente sempre acaba tendo que se adequar às exigências dos órgãos ambientais. c) Você considera o meio ambiente em suas tomadas de decisão? . o Entrevistado 9 afirmou: ”Particularmente. na minha casa nós separamos o lixo. família e trabalho. Em apenas uma das respostas foi possível identificar traços ou características presentes na perpectiva construtivista. Eu particularmente procuro agir desta forma. eu penso que eu estou sintonizado com o que eu preciso fazer para minimizar os impactos e faço tudo o que é possível de trabalhos para minimizar e procuro colocar para as pessoas abaixo ou acima do meu nível hierárquico todo tipo de informação para que isso seja difundido e implementado. Às vezes a gente se sente frustrado por que acaba não tendo condições de atender 100% as exigências.265 ambiente é boa. meus conhecimentos na parte técnica potencializam a autonomia em relação ao que eu posso ajudar e contribuir junto a alta administração. Da mesma forma o Entrevistado 8 mencionou que considera a sua relação pessoal com o meio ambiente bastante coerente em diferentes níveis: casa. porque só a palavra não resolve. Então é assim. quando na realidade a gente consegue no máximo ficar dentro das normas” (Entrevistado 9). tem que ter ação. a qual rege o comportamento da grande maioria das organizações: “Eu gostaria de ter condições de atender até mais as exigências. Eu separo lixo. faz bem agir desta forma” (Entrevistado 9).

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Quando questionados se o meio ambiente era considerado durante as tomadas de decisão, todos os entrevistados foram unânimes em informar que sim. O Entrevistado 3 afirmou:
“Eu considero sim, mas ele é um dos fatores que eu considero. A primeira preocupação na tomada de uma decisão é que ela esteja de acordo com as normas sanitárias. A segunda preocupação é a rentabilidade/viabilidade financeira. Em terceiro as questões burocráticas de registros junto aos órgãos competentes, entre eles o IAP. O IAP é colocado por último, em função da necessidade de estar bem embasado para solicitar a autorização” (Entrevistado 3).

Para o Entrevistado 4 o meio ambiente é muito mais importante que qualquer outra questão. Em sua resposta ele dá novas evidências da presença da racionalidade substantiva em seus comportamentos e ações quando menciona:
“Considero que o meio ambiente seja mais importante que o econômico em função da minha concepção sobre o que é o meio ambiente. Não adianta eu ser economicamente perfeito, se o meio ambiente faz parte do homem dentro deste processo, e ele não tiver capacidade de evolução e relacionamento” (Entrevistado 4).

Demonstrando novamente a predominância da racionalidade instrumental em sua organização, o Entrevistado 8 declara:
“Sempre, eu sempre. Só que aí eu não vou destoar do nosso objeto social, que é produzir e vender lubrificantes. Se o impacto ambiental for de encontro à condição de produção eu tenho que ser flexível com a minha convicção, e aí eu tenho que ser um pouco permissível em algumas condições. Senão eu seria radical e não poderia estar aqui como eu estou há 20 anos. Eu acho que isso é um trabalho feito par e passo, eu não posso a toda hora ser impositivo, tem que ser negociador, e aí eu penso que eu poderia ter um aliado que seria o próprio Estado, que ajudaria muito. A empresa se enquadra quando você tem leis e fiscalização, só um ou só outro não vai resolver, é preciso ter um trabalho conjunto” (Entrevistado 8).

d) Você sofre alguma influência interna e/ou externa para considerar o meio ambiente em suas tomadas de decisão? De que tipo? Quando questionados se sofriam alguma influência interna e/ou externa para considerar o meio ambiente em suas tomadas de decisão, os entrevistados informaram que sofrem influências de diferentes naturezas: cumprimento da legislação, interesses econômicos, questões relacionadas à imagem da empresa, questões financeiras e reclamações dos vizinhos. O Entrevistado 3 considera que:

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“No momento não, porque estou atendendo as exigências legais. Porém considero que a maioria das empresas sofre influências relacionadas a questões financeiras, os empresários nunca falam sobre o meio ambiente. A maior pressão ocorreu antes da implantação quando da estação de tratamento, agora são apenas as fiscalizações” (Entrevistado 3).

Para o Entrevistado 8, as pressões internas e externas ocorrem da seguinte forma:
“Na parte interna, a alta administração não tem como objeto principal o meio ambiente e sim a parte de produzir e gerar lucro. Na parte externa, como a gente atende as exigências da legislação, não há pressões externas que comprometam as atividades” (Entrevistado 8).

e) Em um contexto geral, como você considera a importância do meio ambiente para a sua organização?

Para encerrar os questionamentos da categoria “Profissional e Meio Ambiente”, os entrevistados foram questionados sobre como, num contexto geral, consideram a importância do meio ambiente para as suas respectivas organizações. Apresentando evidências de um comportamento utilitarista, alguns dos entrevistados consideram em sua maioria que o meio ambiente é importante pelo fato de ser fornecedor da matériaprima necessária para a produção dos produtos que as respectivas indústrias fabricam. Como exemplo desta afirmação, o Entrevistado 2 considera que para a produção de tintas o meio ambiente é:
“100% importante para a empresa, pois a produção das resinas provém de matérias-primas de florestas plantadas, a exemplo do pinus que gera o breu” (Entrevistado 2).

Da mesma forma, o Entrevistado 3 caracteriza que o meio ambiente é importante em termos de fornecimento de matéria-prima:
“A empresa utiliza diversas matérias-primas que não são sintetizadas na indústria, que são oriundas do meio natural, a exemplo da água. Quanto mais suja estiver a água, maiores serão os gastos em produtos químicos para limpeza” (Entrevistado 3).

Confirmando novamente a sua posição baseada na racionalidade instrumental adotada pela sua empresa, o Entrevistado 8 acredita que:
“É importante, mas não é preponderante. Nós tomamos decisões considerando o meio ambiente, mas não colocando o meio ambiente em primeiro plano. Então o primeiro propósito é o que: a matéria-prima, produzir e vender. Sempre que possível comprar de uma

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empresa que não polua, produzir de forma que não polua e transportar da forma que não polua. Mas o primeiro objetivo é comprar, produzir e vender. Não é assim vou comprar uma matéria-prima que seja a menos impactante, produzir da maneira menos impactante, e transportar da forma menos impactante. É importante mas não é preponderante. Eu acho muito importante, eu acho importante. Se a gente quiser continuar com a empresa precisa estar adequado com as normas ambientais, se você não estiver adequado você não vai conseguir vender, não vai conseguir prosperar com o negócio” (Entrevistado 8).

4.4. Indústria Química e Meio Ambiente

Esta categoria de análise foi criada com a intenção de encontrar respostas sobre as relações das indústrias químicas e o meio ambiente, em especial a partir das percepções de profissionais que atuam em empresas instaladas em um município paranaense. Para esta categoria foram criadas 9 (nove) questões, as quais serão utilizadas como estrutura de tópicos para a apresentação dos resultados obtidos.

a) Na sua opinião, como a indústria química é vista pela sociedade em relação às questões ambientais?

Com relação a esta questão, boa parte dos entrevistados confirmou a condição verificada nos resultados de diferentes pesquisas apresentadas neste estudo (quadro 32), de que a indústria química é mal vista pela sociedade. Para o Entrevistado 2:
“Todos os acidentes ambientais de grande proporção estão relacionados com a indústria química, principalmente acidentes envolvendo estatais” (Entrevistado 2).

O Entrevistado 8 confirma a imagem negativa da indústria química perante a sociedade. Para ele a indústria química é vista:
“Como vilã, com certeza. A indústria sabe disso, a sociedade sabe disso e os órgãos ambientais sabem disso. Só que eu penso que a evolução tecnológica e de processos produtivos estão à frente da questão de legislação e pior que isso, se houver uma maior fiscalização, ou você vai ter que produzir menos, ou mudar algumas matérias-primas que vai impactar no aumento de preços, que não vai ter compromisso seu socializado, próximo ao seu cliente. Então eu penso que em detrimento dessas decisões que teriam efeitos colaterais é que existe este rótulo negativo das indústrias químicas e a indústria sabe disso, o mercado, a sociedade e também os órgãos ambientais. Não é uma visão positiva, é sempre vista como uma empresa ou que não polui que vai poluir ou já poluiu muito” (Entrevistado 8).

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Em sua resposta, o Entrevistado 9 também confirma a imagem negativa da indústria química:
“Acho que ela é vista como uma indústria poluidora, pelo próprio processo. É diferente uma indústria química de uma indústria de software, por exemplo, de um prestador de serviço, que fica dentro de um escritório, separa lixo, coloca uma lixeira e acha que faz sua parte. A gente faz notificações de processo, tem fornalha soltando fumaça, tem máquina circulando matéria-prima, então ela naturalmente é mais difícil de se adequar ao meio ambiente. No caso do setor metalúrgico, que pega o material pronto, não interessa se para produzir aquele ferro tenha poluído para caramba dali para trás, mas eles pegam o ferro bonitinho, limpinho, dentro do plástico, daí pegam uma lixeirinha e separam o plástico de um lado, os resíduos de limalhas de ferro do outro lado, então eles são ambientalmente super corretos. A gente não, a gente está na parte anterior da deles, a gente tem que fazer movimentação, tem que fazer processos de produção que geram resíduos, que geram poluição, então eu acho que as indústrias químicas nesse ponto, são vistas um pouco como poluidoras, pois naturalmente elas poluem alguma coisa. Já poluíram muito mais, hoje já com as normas as empresas estão se adequando, mas ainda existem resíduos de produção” (Entrevistado 9).

A Entrevistada 10 também acredita que a indústria química é mal vista, porém confirma a necessidade de sua existência:
“Muitos acidentes envolvem produtos químicos na natureza, resíduos. Porém é necessário, se não houver indústrias químicas [hesitação]... eu acho que é um mal necessário” (Entrevistada 10).

O Entrevistado 4 assumiu um posicionamento de que a indústria química não é a única culpada pela poluição ambiental. Ele considera que a indústria química é vista pela sociedade:
“Sempre como poluidora, que estraga a natureza. Os meios de comunicação divulgam muito os acidentes envolvendo a indústria química e meio ambiente. Porém eu acho que a indústria química não é a única poluente, o conjunto da sociedade é responsável pela poluição” (Entrevistado 4).

Já o Entrevistado 5 e o Entrevistado 6 apresentam evidências sobre o distanciamento da sociedade em relação às questões ambientais e o nível de importância que ela atribui a indústria química. Eles acreditam que:
“A sociedade não tem conhecimento do que é uma indústria química. O povo não conhece a realidade de uma indústria química” (Entrevistado 5). “Não sei, eu acredito que não se importam, está entendendo. Um sabonete que fazem, é cheiroso, está bom, é um desodorante que está cheiroso. Eles não ligam está entendendo, eles ligam para o preço, o preço da prateleira, isso aí é que eles ligam. Eles não se importam, não há interesse, você está entendendo. No meu ver, no meu parecer eu acredito

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que eles não conhecem o funcionamento de uma indústria química, eles não dão valor para isso” (Entrevistado 6).

A Entrevistada 1, ao se aproximar do discurso do desenvolvimento sustentável, acredita que:
“No passado, a indústria química recebia uma conotação apenas de poluidora. Com a atual legislação, mais rígida e atuante, hoje ela é vista como uma necessidade humana que pode ser ambientalmente sustentável” (Entrevista 1).

Ao considerar aspectos regionais, o Entrevistado 3 faz considerações relevantes:
“Depende da região. Eu acredito que os pólos químicos da região não são de química pesada, nós temos uma indústria voltada para a indústria cosmética. O Paraná, diferente de São Paulo, que tem uma indústria maior, é um Estado mais ligado em questões relacionadas ao meio ambiente. Em São Paulo, a indústria é mais mal vista, uma vez que a poluição industrial é mais facilmente percebida. A questão de acidentes ambientais é mais comum em São Paulo do que no Paraná. No Paraná eu acredito que a indústria química é bem vista” (Entrevistado 3).

b) Você lembra de algum acidente ambiental provocado por indústrias químicas?

Quando questionados se lembravam de algum acidente ambiental provocado por indústrias químicas, os entrevistados em sua grande maioria, lembraram de acidentes envolvendo a Petrobrás. No quadro 53 são apresentados os acidentes ambientais envolvendo produtos químicos ou indústrias químicas que foram mencionados pelos entrevistados:

Quadro 53 – Acidentes Ambientais
Entrevistados Entrevistada 1 Entrevistado 2 Entrevistado 3 Entrevistado 4 Entrevistado 5 Entrevistado 6 • • • • • • • • • • • Acidentes Ambientais Derramamento de Óleo pela Petrobrás em Araucária – PR Contaminação do Rio dos Sinos em Porto Alegre – RS Vazamento de gás em Bophal – Índia Derramamento de Óleo pela Petrobrás em Araucária – PR Acidente com a plataforma da Petrobrás no Rio de Janeiro – RJ Derramamento de Óleo pela Petrobrás em Araucária – PR Derramamento de Óleo no Porto de Paranaguá – PR Acidente nuclear de Chernobil – Ucrânia Derramamento de Óleo pela Petrobrás em Araucária – PR Derramamento de Óleo no Porto de Paranaguá – PR Lembrou de um acidente ocorrido há 30 anos atrás na cidade onde morava. Um concorrente seu, ao fabricar hipoclorito de sódio, teve problemas de vazamento na sua linha de produção. Como a empresa também fabricava Continua (...)

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Entrevistado 7 Entrevistado 8 Entrevistado 9 Entrevistada 10

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álcool, o fogo rapidamente tomou conta da fábrica. Na época os bombeiros foram na fábrica do Entrevistado 6 para pegar máscaras, porque na época eles não dispunham de equipamentos para trabalhar com produtos químicos. Não lembrou de nenhum acidente Derramamento de Óleo pela Petrobrás em Araucária – PR Contaminação da Shell em Paulínia – SP Contaminação por chumbo pela Indústria Plumbum – Adrianópolis – PR Não lembrou de nenhum acidente

Fonte: O Autor (2008) Como é possível perceber no quadro 53, a grande maioria dos entrevistados lembrou de acidentes ocorridos no Paraná, fato que pode revelar que os efeitos ocasionados por acidentes químicos são mais facilmente percebidos nas regiões onde ocorrem. Um dos fatores que provavelmente contribuiu para que acidentes ocorridos no Paraná tenham sido mais lembrados em relação a acidentes ocorridos em outros lugares do mundo pode estar associada a ampla cobertura jornalística local, situação que somente se repete em escala global quando acidentes ambientais atingem grandes proporções. A simples lembrança pelos entrevistados, de acidentes envolvendo indústrias químicas ou produtos químicos, reforça a questão dos riscos que este tipo de indústria de transformação representa para o meio ambiente, para as sociedades locais onde suas plantas industriais se encontram inseridas e consequentemente para as sociedades globais quando efeitos não desejados dos produtos que fabricam ou dos resíduos que geram atingem grandes proporções que extrapolam os limites de suas plantas industriais.

c) Você considera que a indústria química representa algum risco para o meio ambiente?

Quando questionados se a indústria química representa algum risco para o meio ambiente, a grande maioria dos entrevistados considerou que sim. A Entrevistada 1 acredita que a indústria química representa um risco elevado, principalmente se for priorizado apenas o lado econômico, enquanto que o Entrevistado 2 acredita que a indústria química representa riscos em termos de vazamentos e explosões. Da mesma

Isto não existiria se fosse uma atividade boa. isto já é uma revelação que a atividade pode representar algum risco de contaminação. além de mencionar a questão do risco. O Entrevistado 8 também acredita que sim. no ar que as indústrias químicas estão poluindo todos os dias. nós temos uma 51 malha viária muito precária que oferece riscos eminentes. pela própria atividade que ela desempenha. as matérias-primas que são ou tóxicas ou poluidoras em potencial elas precisam ser transportadas do ponto de produção da matériaprima até o ponto de industrialização e isso gera um risco eminente do ponto A ao ponto B. independente do cargo. uma alergia. O Entrevistado 5. com elos fracos que podem se romper. as bactérias que vivem nos rios. Uma pessoa que entra em contato todos os dias com produtos químicos pode desenvolver uma mutação genética. Além de afirmar categoricamente que sim. Eu acredito que a indústria química representa muito risco para o meio ambiente. o produto acabado. porque você tem uma série de participantes neste ciclo produtivo. Quando você transporta. além da questão dos seguros apontada por Beck (2006): “Com certeza.272 forma Entrevistada 10 acredita que sim. e indo além. desde o primeiro ponto. não permita que as indústrias que não se adequaram dentro de um prazo de tempo adequado continuem funcionando” (Entrevistado 3). você não tem condição viária de transportar com segurança. eles tem resíduos de produtos químicos que caem na cadeia alimentar. há bem pouco tempo que existe legislação específica do DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes) que normatiza cargas perigosas. Se estes animais tivessem câncer e morressem seria uma realidade. Quando você trabalha na indústria química. o Entrevistado 3 apontou mais uma evidência da existência do risco. sem serem vigiadas. O condutor da carga perigosa não tem total ciência do que está transportando devido a sua má formação. mencionando que os riscos não ficam restritos ao ambiente interno das indústrias: “Sim. Mesmo com SASSMAQ e tudo. uma doença. E os animais. Se eu adotar segurança na minha planta e o meu transporte tiver segurança. para a saúde e eu reforço que a legislação que é bastante adequada. O problema é que muitos destes animais que tem câncer e morrem. você não tem uma malha viária com segurança. Por isso que eu acho que há um certo descompasso entre a indústria química poluidora e a condição de chegar matéria-prima até ela e de sair produtos dela para o mercado consumidor. na terra. você recebe um bônus no seu trabalho chamado risco de insalubridade. por causa dos produtos que podem degradar a natureza. se utiliza de uma justificativa associada a lógica instrumental para determinar a necessidade de . ou do ponto A ao ponto C. quando já não estão rompidos” (Entrevistado 8). não só no Brasil. inclusive em função disso há acidentes freqüentes pelo mundo. Por mais que ela tenha precaução em sua planta de processo. Você não tem uma condição preventiva e preditiva para você fazer um embarque de uma carga perigosa que você tenha toda a precaução. Só o fato desta condição existir.

o qual segundo ele. Se você vai fazer um detergente. apesar da existência de possíveis riscos. momento em que deixam de se preparar adequadamente para realizar as suas atividades. “Desde que respeitadas as legislações não vejo dessa forma” (Entrevistado 7). o Entrevistado 6 afirma que: “Depende do que você vai fabricar. Meio Ambiente e Qualidade. d) Você lembra de algum acidente ambiental ocorrido na sua organização? Quando questionados se lembravam de algum acidente ocorrido em sua organização. desde se trabalhe dentro das normas de segurança e ambiental” (Entrevistado 9). Porém dela depende a sobrevivência dos empregados” (Entrevistado 5). Se eu fosse fazer aqui os órgãos ambientais não permitiriam” (Entrevistado 6). um amaciante de roupa. Trata-se de um serviço integrado desenvolvido pela entidade para a prevenção e atendimento de acidentes rodoviários envolvendo produtos químicos 51 . conforme o tipo de produto fabricado. todos os entrevistados mantiveram as mesmas respostas fornecidas para esta mesma pergunta. Seguindo a mesma lógica defendida pelo Entrevistado 5.273 existência das atividades de sua empresa. normalmente ocorre na ganância das empresas em obter resultados. um desinfetante não vai prejudicar. Esta questão foi propositalmente colocada de forma repetida no instrumento De acordo com a ABIQUIM (2007) a sigla SASSMAQ corresponde a Sistema de Avaliação de Segurança. Ele considera que: “É uma faca de dois gumes. de que o risco depende do produto fabricado. Saúde. Uma indústria de soda eu não posso fazer aqui. apenas o Entrevistado 9 e o Entrevistado 7 apresentaram opiniões diferentes para a questão do risco que a indústria química representa para o meio ambiente: “Não existem riscos. O Entrevistado 4 também concorda com a questão da existência do risco. diferente da fabricação do hipoclorito de sódio que exige uma estrutura própria. Dentre os entrevistados. quando realizada na categoria “Perfil Ambiental da Indústria Química”.

É óbvio que o nível de toxidade destes produtos tem que ser o menor possível” (Entrevistado 3). e) Você considera que as atividades desenvolvidas pela sua organização representam algum risco para o meio ambiente? Quando questionados se as atividades desenvolvidas pela sua organização representavam algum risco para o meio ambiente. O Entrevistado 3 e o Entrevistado 2 consideram que os maiores riscos estão na manipulação da matéria-prima: “O maior risco está na utilização da matéria-prima e nas atividades de manipulação dos produtos químicos” (Entrevistado 3). Ele considera que os produtos que fabrica contribuem com a sociedade quando menciona que a água sanitária está matando até a dengue. 5. 7. os riscos são mínimos” (Entrevistado 1). 9 e 10 foram categóricos em afirmar que não. de acordo com a estrutura da empresa hoje considero ser risco zero” (Entrevistado 4). “Os funcionários que efetuam o manuseio são preparados e a empresa inclusive deixou de utilizar insumos que representassem risco de contaminação” (Entrevistado 2). A Entrevistada 1 e o Entrevistado 3 acreditam que: ”Desde que cumpridas as normas legais. 6.274 de pesquisa com o intuito de verificar se os entrevistados manteriam as informações originalmente informadas ou se ao longo da entrevista revelariam outras situações ocorridas e não mencionadas. os Entrevistados 4. os riscos não se limitam ao ambiente interno da empresa: . Para o Entrevistado 2 e para o Entrevistado 8. “Os produtos cosméticos e os alimentos que fabricamos são feitos para passar sobre a pele ou para ser ingeridos. Para o Entrevistado 4: “Nenhum. O Entrevistado 6 também acredita que não. em virtude do seu processo de fabricação ser fechado e que somente haveria risco se em sua planta industrial fosse fabricado o hipoclorito de sódio.

Dentre os entrevistados. Eu gerencio a empresa há 10 anos. pois há uma melhoria contínua na medida em que os processos de fabricação vão sendo alterados” (Entrevistada 1).275 “Durante o transporte pode ocorrer algum risco de vazamento” (Entrevistado 2). quando menciona: “Então com certeza a nossa atividade em si. e aí ele vai fazer um raio X sobre como está a nossa planta” (Entrevistado 8). nós podemos ter problemas mas não problemas gerados diretamente por nós. 9 (nove) entrevistados ou 90% afirmaram que sim. não gera risco. a não ser que ocorra um problema de processo” (Entrevistado 8). porém depois que passa do portão eu não sei para onde vai” (Entrevistado 3). “Até chegar para nós e sair da nossa planta para chegar no nosso cliente. vai ser via rodoviária. f) Você considera que as ações ambientais desenvolvidas em sua organização são suficientes para evitar ou minimizar possíveis impactos ambientais? Com relação a esta questão. vai olhar no detalhe. eu estou tão acostumado com o que eu faço que eu às vezes não tenho a visão crítica da minha atividade. vai passar por vários locais que vão estar vulneráveis. ele vai fazer questionamentos para mim e para nossos colaboradores. Eu poderia somente me preocupar com o destino do lixo biológico que é separado. Um pessoal de fora que venha aqui. “Às vezes a gente não conhece o risco. o Entrevistado 8 apresenta evidências da existência do risco em duas de suas colocações. O Entrevistado 8 menciona que: . crítica do risco. O Entrevistado 3 também considera que ações ambientais desenvolvidas pela empresa são suficientes mencionando alguns fatores: “A energia utilizada pela empresa é limpa (energia elétrica). apenas o Entrevistado 8 acredita que as ações ambientais promovidas pela empresa não são suficientes. o consumo de matérias-primas é controlado (interesse econômico) e os resíduos líquidos são tratados. A Entrevistada 1 acredita que: “Sim. mas nós somos coresponsáveis. Se eu tenho um caminhão nosso indo para o Rio Grande do Sul. Apesar de considerar que as atividades desenvolvidas pela sua empresa não representam riscos. principalmente pela máconservação das estradas” (Entrevistado 8).

esta última em função da possibilidade de alguns produtos químicos serem utilizados para fabricação de entorpecentes. de ônibus ou a pé. . eu vou trabalhar com ela mais tempo. muito mais segura. Por mais que você tenha. porém eu não tenho riscos eminentes. porque eu não tenho a melhor condição tal qual eu poderia ter. apenas o Entrevistado 1 afirmou sofrer pressões do mercado em relação à necessidade de se criar uma imagem ambientalmente correta da empresa. Como a planta existe há 30 anos. com certeza nós podemos ter muito mais artifícios e até modificação em equipamentos que você possa aí sim ter alguma coisa próxima do zero. Dentre os entrevistados. só que vai demandar investimentos” (Entrevistado 8). o Entrevistado 8 informou: “Existe. o que é perda. Mesmo de carro eu posso ir com um carro 1. seguramente sim. eu não vou trocá-la. até que eu não tenha nessa máquina produtividade. Se eu faço uma aquisição de uma máquina qualquer.3 por exemplo. eu posso fazer tudo o que eu faço hoje de outra forma. o que pode acontecer. O que eu faço é ter procedimentos de trabalho que eu vou me salvaguardar. Só que aí vai depender de como eu vejo a questão ambiental no meu escopo de trabalho. pelos padrões de hoje. vai depender de um cuidado excessivo com o elemento humano para se precaver de uma condição que não é a mais apropriada. não são suficientes não. Agora se eu for analisar criticamente o processo produtivo.000. na minha empresa. 2. os entrevistados mencionaram que eram questionados somente pelos órgãos de fiscalização como o IAP. eu vou daqui até lá sem problema nenhum. ir de carro. isto sem sombra de dúvidas.276 “Não.0 ou 4. como associações de moradores. enquanto que em nenhuma das respostas foram citadas pressões exercidas por Organizações Não Governamentais (ONG) ou por outros tipos de entidades. Como máquina é um bem durável. Então se há algum tipo de risco. e aí ou vou poder ir mais rápido ou mais confortável. g) A sua organização recebe pressões de alguma natureza para a adoção de medidas que visem a preservação do meio ambiente? Quando questionados se a organização recebe pressões de alguma natureza para a adoção de medidas que visem a preservação do meio ambiente. eu tenho hoje sistemas de processo muito mais moderno. Se o elemento humano falhar. só que eu tenho o que. enquanto ela não se depreciar. Da mesma forma é o sistema produtivo. a Vigilância Sanitária e a Polícia Civil. eu consigo ver lacunas onde pode ocorrer o erro. Então não é por questões de eu ser ecologicamente correto. porque é assim. mesmo que ela se deprecie eu não troco pela depreciação. eu tenho o pay-back do meu investimento. ainda é por questões econômicas. usando uma analogia: eu posso daqui a Curitiba de várias maneiras. Quando questionado se esta situação poderia significar riscos. aí sim eu vou ter aquela lacuna maior e isso potencializa o risco” (Entrevistado 8). Falando tecnicamente. Então seguramente o que nós temos hoje não é o supra-sumo.

Com relação às exigências legais. mais coerente e mais preparada para atuar de forma preventiva”. é possível perceber a predominância da racionalidade instrumental: Quadro 52 – Relações das Organizações com o Meio Ambiente Entrevistados Entrevistada 1 Relações das Organizações com o Meio Ambiente “A empresa tem programa de gerenciamento de todos os seus resíduos. é um mineral retirado da natureza que gera Continua (. mas só a custa de acidentes ou por força da legislação. “Como a nossa empresa não é profissionalizada como um todo. não deixo queimar a grama. “A empresa ainda tem muitas coisas que precisam ser melhoradas. O básico e principal que é o tratamento da água do esgoto já foi feito. ela está cumprindo com suas obrigações”.277 h) Como você enxerga a relação de sua organização com o meio ambiente? Uma vez reconhecida a posição pessoal e individual de cada um dos entrevistados sobre meio ambiente. uso racional de recursos. O meu princípio é religioso: ama ao teu seu próximo como a ti mesmo”. Em boa parte das respostas. Houve melhorias. tem muitos problemas de outras naturezas dentro dela. pelo menos. A empresa se encontra agora em um momento de explorar um novo mercado. “É harmônica. se encontra em uma situação de poluir o quanto menos. Até injeção. apesar de que eu vejo também que todo tipo de atividade acaba denegrindo um pouco o meio ambiente. Neste momento as questões ambientais estão em segundo plano. Existem cuidados que são tomados na empresa”. eu que sou diabético levo para um hospital para não jogar no lixo. mas a preocupação é sempre poluir menos”. “Nós respeitamos muito o meio ambiente. contribui com o meio ambiente. nem queimar plásticos por que polui. eu não acho que ela tenha uma postura de todo integrada com a questão ambiental. como problemas de mercado. Eu não deixo queimar lixo lá fora. Faz parte da vida do ser humano. de vendas. “Está fazendo um bom trabalho. que são desafios que ela precisa vencer.. porém os cuidados já implantados estão sendo mantidos como a estação de tratamento de efluentes e os testes de laboratório. por questão de sobrevivência. de aumentar as vendas.) Entrevistado 2 Entrevistado 3 Entrevistado 4 Entrevistado 5 Entrevistado 6 Entrevistado 8 Entrevistado 9 . Então hoje as preocupações giram mais em torno do faturamento do que com a consciência ambiental. É claro que sempre polui um pouco. foi possível realizar uma primeira aproximação sobre como estes profissionais enxergavam a relação de suas respectivas organizações com o meio ambiente. estou falando desta empresa onde eu trabalho há mais de 20 anos. a fim de minimizar os impactos por ela causados”. houve. daí é que eu digo se ela fosse mais efetiva esta consciência da empresa seria por obrigação. “Boa.. você gasta recursos que não são renováveis. E eu não estou falando por outras empresas. é um bem não renovável. este estoque de matéria-prima não é renovável. “Considero ser uma ótima relação. ou seja. Até um vidro quebrado nós separamos. para evitar a contaminação por bactérias”. Falta maiores investimentos em educação orientada para a higiene. é uma empresa de dono e não de profissionais. programa com a comunidade local e compromisso com seus funcionários.

Em seu depoimento. apresenta em seu depoimento indícios da predominância da racionalidade instrumental na organização quando menciona que as preocupações da empresa estão voltadas muito mais para as questões relacionadas ao faturamento do que para as questões ambientais.278 Entrevistada 10 impacto ambiental”. Eu não estou falando da pequena empresa. Em algumas respostas é possível perceber o reconhecimento de que as atividades desenvolvidas pelas empresas geram impactos ambientais. Fonte: O Autor (2008) Com relação aos relatos. i) Como você enxerga o futuro da relação da indústria química com o meio ambiente? A última questão realizada aos entrevistados diz respeito ao futuro da relação da indústria química com o meio ambiente. em especial. A continuidade nesta gana do ganho. “Faço todo o possível para fazer tudo certo. boa parte dos entrevistados acredita que as suas empresas estabelecem um bom relacionamento como o meio ambiente. algumas respostas revelam a sensibilidade de alguns dos entrevistados em relação às questões ambientais e quanto aos limites de expansão da racionalidade econômica. E sem retorno rápido e com custo econômico e social” (Entrevistada 1). O Entrevistado 8. Quanto maior o consumo maior a gana” (Entrevistado 4). estaremos abreviando nossas vidas e das próximas gerações. “Se eu for considerar hoje esta evolução. e sim da grande empresa. esquecendo o meio ambiente. . Para esta questão. quando menciona que a empresa somente passou a efetivamente se preocupar com a questão ambiental depois que dois acidentes ocorreram e por força das exigências legais. A Entrevistada 1 e o Entrevistado 4 pensam que: “Se prevalecer o lado econômico. para não prejudicar nada no meio ambiente”. o Entrevistado 8 revela fatos comuns a muitas empresas. É extramente perigosa. eu acho que vai ser muito nefasta.

As empresas receptoras de produtos químicos deveriam receber mais treinamentos para reduzir as chances de acidentes ambientais” (Entrevistado 2). o Entrevistado 3 informou que sim. Para ele: “Cada vez mais a química produz soluções. Quando perguntado se a própria indústria química pode desenvolver novas tecnologias ou novos processos para resolver a sua relação com o meio ambiente. porém ainda estão distantes da prática. Quando questionado se a tecnologia seria capaz de estabelecer esta condição. principalmente em função dos custos financeiros” (Entrevistado 3). somos o segmento que mais se preocupa com o futuro da preservação ambientais” (Entrevistado 7). A única chance de sobrevivência do planeta terra e dos animais é criar novas tecnologias de reaproveitar os resíduos a nosso favor” (Entrevistado 3). Eu acredito que as propostas que estão sendo discutidas no mundo não serão capazes de salvar o meio ambiente. As indústrias químicas ainda aplicam técnicas tradicionais oriundas do período de sua descoberta. o Entrevistado 6 e o Entrevistado 8 novamente demonstram preocupações com a manutenção do seu negócio. fazer mais investimentos. jogar bactérias no oceano que consumam o lixo. o Entrevistado 3 respondeu com convicção que: “A química consegue fazer qualquer coisa. vai ser alguma maluquice que eles vão inventar para limpar o meio ambiente. Porém o homem ignora algumas soluções pelo fato de algumas reações químicas serem inviáveis financeiramente” (Entrevistado 3). Reforçando a lógica da racionalidade econômica. aplicando sobre elas poucas inovações. quando consideram que: “As indústrias pequenas vão desaparecer. existe muita burocracia. muitas delas que nós nem entendemos” (Entrevistado 6). O Entrevistado 2 demonstra possuir uma opinião diferente do Entrevistado 7: “Dentro da nova filosofia na conservação do meio ambiente. Algumas respostas apresentaram divergências.279 O Entrevistado 3 demonstra sua crença na ciência e na sua capacidade de resolver todos os problemas: “Eu acredito que a principal solução para esse problema. fabricar alguma substância para soltar no ar para fazer o seqüestro de carbono. “As indústrias químicas deveriam se preocupar mais com o meio ambiente. Para fazer uma autorização da vigilância sanitária são muitas exigências. já que ele gosta de fazer isso. por exemplo. Eu acredito que a ciência vai encontrar soluções mais inteligentes para que o homem continue tendo a possibilidade de poluir. .

Isto aí vai ser uma condição para o funcionamento. A minha visão no médio e longo prazo são menos empresas. e outras coisas. por isso que eu acho que vai deixar de ser um problema. a empresa que tem capital aberto com ações na bolsa. O que acontece. o Entrevistado 9 e a Entrevistada 10 se aproximam do princípio dialógico presente na complexidade de Morin (1998). Como nós temos uma questão ambiental cada vez mais. vai fazer parte do processo. tudo fará parte do processo. por exigências. Vai ser necessário muita pressão e multas. com certeza nós vamos ter uma situação de menos empresas no mercado. para um ramo com menos exigências. Tem que trabalhar a governança corporativa. se não estiver adequado não vai continuar funcionando. e as que ficarem terão um responsabilidade ecológica maior por questões de obrigação não por opção. então você vai operar durante este tempo e quando chegar no deadline você vai ter que resolver: ou você aporta o capital e se ajusta ou você vai ser responsável por algo maior ou você vai estancar a atividade e mudar de ramo. As pressões serão cada vez maiores. Vai chegar num ponto que isso vai ser normal. “O meio ambiente vai exigir e até as indústrias chegarem naquilo que é necessário vai ser uma batalha. e a gente nem vai lembrar que existe meio ambiente. Aquilo que é um problema a tendência é você resolver e vai surgindo propostas de equipamentos e processos que se adequem a essas novas normas mais rigorosas e isso aí vai fazer parte da produção da empresa. os dois lados. se você não se adequar não vai conseguir continuar produzindo.280 “No futuro a médio e longo prazo eu diria que nós vamos ter menos empresas porque nós vamos ter mais exigências e por questões de investimentos em plantas de processo você vai ter um afunilamento. você vai ter um tempo para se adequar. cobrando ou cobrada. . ou você se adequa ou você fecha” (Entrevistado 9). ou seja. Em suas respostas. até todo mundo se adaptar e ter uma visão que tem que preservar o meio ambiente e evitar acidentes” (Entrevistada 10). porque hoje ainda a gente está na fase de estar se adequando às normas. para entrar mesmo no que tem que ser. aí ela tem por questões de governança corporativa. aí é com empresas grandes que podem perder valor se não tiverem essa consciência ecológica muito clara” (Entrevistado 8). Para o Entrevistado 9 o futuro será cada vez mais harmonioso enquanto que para a Entrevistada 10 será uma batalha: “Será cada vez mais harmonioso.

em especial as indústrias químicas e o meio ambiente. foi possível perceber que o sucesso econômico obtido pela sociedade industrial e as inúmeras descobertas científicas trouxeram consigo não apenas os benefícios da modernidade. os quais se apresentam na contemporaneidade como os principais elementos geradores da crise sócio-econômica-ambiental em curso. onde o risco ecológico torna-se capaz de questionar o conhecimento do mundo. Contrapor a noção hegemônica da linearidade com a noção da complexidade representou um desafio pessoal para este pesquisador em termos de reflexões sobre os limites estabelecidos pelo seu próprio arquétipo mental para o desenvolvimento de um estudo de características multi e interdisciplinares. exigiu o reconhecimento do modo de funcionamento da matriz de pensamento linear de produção científica bem como as influências que esta gera sobre as ações e comportamentos desenvolvidos pela sociedade industrial.281 CONSIDERAÇÕES FINAIS A proposta inicial de revelar as percepções de profissionais de indústrias químicas de um município paranaense sobre as relações de suas respectivas organizações com o meio ambiente gradativamente se transformou em um espaço maior para a promoção de reflexões sobre como este pesquisador e cada um dos mais de seis bilhões de indivíduos que integram a sociedade contemporânea estabelecem as suas relações particulares e coletivas com o meio ambiente. Representou também um desafio em termos de aproximação e de compreensão dos reais fatores que determinam a crise ambiental. mas também a ampliação dos riscos e dos efeitos indesejados. a exemplo da degradação dos recursos naturais e do aumento da geração de resíduos. Compreender um pouco mais sobre as diferentes realidades e a complexidade das relações estabelecidas entre sociedade e meio ambiente. . O reconhecimento destas limitações fizeram este pesquisador sentir uma forte necessidade de substituir as certezas produzidas pela forma de produção do conhecimento tradicional por uma nova proposta de produção do conhecimento iluminada pelos princípios da complexidade. Com base nas diferentes evidências apontadas ao longo deste estudo. a qual Leff (2003) considera como sendo uma crise do nosso tempo.

de que não basta postular a estabilização da economia e da população em algum momento no próximo século sem questionar a possibilidade de deter a escala e desconstruir a economia para internalizar as condições de sustentabilidade ecológica. este estudo buscou inspirações no princípio hologramático da complexidade ao tentar caracterizar a realidade do todo e das partes. é possível perceber que o processo de expansão da indústria química mundial se confunde com a própria história de surgimento e expansão da sociedade industrial. este estudo buscou caracterizar alguns dos desafios que necessitam ser enfrentados pela humanidade na busca pelo atingimento da sustentabilidade. mas sim de ações paralelas de produção e consumo desenvolvidas em escala global pelos diferentes atores que operam sob a lógica da racionalidade econômica. as quais apontam para o agravamento da crise sócio-ambiental anunciada. Ao longo do seu desenvolvimento. ao promover reflexões sobre uma das partes mais criticadas nas relações estabelecidas entre sociedade e meio ambiente: as indústrias químicas. uma vez que esta é considerada como uma indústria de base necessária para o desenvolvimento de outros tipos de indústrias. Pelos fatos que foram apresentados ao longo deste estudo. Com o objetivo de gerar uma contribuição para a sociedade em termos da promoção de reflexões que possibilitem uma melhor compreensão da crise sócioeconômica-ambiental.282 Mais do que isso. O autor considera que a ecologização da economia não se trata de um problema de adequação de ritmos e escalas. buscou-se tornar evidente a grandeza dos desafios que necessitam ser enfrentados. mas de mudança de estrutura e construção de uma nova racionalidade produtiva capaz de operar conforme os princípios da sustentabilidade e de promover o diálogo entre diferentes racionalidades. Ao apresentar algumas das limitações da racionalidade econômica vigente. a exemplo das indústrias químicas. a partir da qual se espera que sejam criadas novas vias de transformação do conhecimento através do diálogo e da hibridação dos saberes. Da mesma forma como observado no processo de expansão de . a exemplo da reflexão de Leff (2006). estas evidências foram capazes de apontar que tais efeitos indesejados não resultam apenas de ações isoladas promovidas por um ou outro tipo de ator social.

quando fugiram do controle de seus controladores. este estudo buscou se aproximar da realidade de uma pequena parcela de indústrias químicas instaladas em um município paranaense. o pesquisador teve a oportunidade de conhecer a localização e a estrutura física das empresas. Conforme os dados detalhados na categoria “Perfil Ambiental da Indústria Química” algumas das empresas se . os quais. esta pesquisa se deparou com empresas de menor porte que se distanciam da realidade das grandes organizações industriais. foram responsáveis pelos graves acidentes ocorridos em diferentes épocas e locais. fato que demonstra o poder e a influência dos diferentes tipos de mídias e estudos científicos no processo de construção das percepções da sociedade em relação às organizações industriais. este pesquisador se deparou com indústrias químicas diferentes das que havia inicialmente idealizado por meio de contatos com pesquisas e trabalhos especializados. a partir da promoção de um estudo das percepções dos profissionais que nelas operam. os quais em seu conjunto contribuíram para a construção da imagem negativa da indústria química por diferentes sociedades em nível local e global.283 outros setores que constituem a ociedade industrial. o sucesso obtido pela indústria química mundial e os inúmeros benefícios que ela gerou para a humanidade também foram acompanhados por uma crescente ampliação dos riscos e pela produção de efeitos indesejados. estas indústrias passaram por um período de franca expansão dos seus próprios processos produtivos. Durante as suas visitas. Diferente da realidade apresentada por entidades representativas e por grandes multinacionais do setor por meio da promoção de campanhas e da produção de peças publicitárias. Diante da impossibilidade de estabelecer um diálogo com todos os representantes da indústria química mundial. Em razão da necessidade de ampliação da produção para o atendimento das demandas crescentes de consumo e do compromisso de geração de resultados impostos pela racionalidade econômica. no mesmo momento em que os novos conhecimentos científicos passaram a ser gradativamente patrocinados pela iniciativa privada e submetidos aos interesses e controles impostos pela lógica da racionalidade econômica. Durante as visitas para a entrega dos convites e realização de entrevistas.

284 encontravam instaladas em áreas urbanas enquanto que outras apresentavam uma infra-estrutura visivelmente precária para a realização de suas atividades. apesar deste ter recentemente sofrido ajustes para alinhar a classificação das atividades desenvolvidas pela indústria química nacional com os padrões internacionais estabelecidos para a classificação da indústria química mundial. de realizar uma série de questionamentos na busca de revelar algumas das percepções que os profissionais que atuam nestas indústrias tem das respectivas relações de suas organizações com o meio ambiente. as quais divulgam com freqüência por meio de publicações. revistas especializadas e sites na internet as atividades que . Durante as visitas foi possível perceber que boa parte dos imóveis ocupados pelas indústrias não foi projetado para abrigar indústrias químicas. Este dado. este pesquisador teve a oportunidade. Os dados informados indicam que as formações educacionais de uma parcela significativa dos profissionais entrevistados não possui vínculos diretos com as atividades desenvolvidas pela indústria química. revelou uma faceta interessante dos profissionais entrevistados: a de que seus conhecimentos sobre as atividades desenvolvidas são oriundos do seu tempo de experiência profissional na indústria química e não de uma formação específica na área química. Este dado revela o distanciamento da maioria das indústrias químicas entrevistadas em relação às suas entidades de representação em nível nacional. Os questionamentos relacionados com a categoria “Perfil do Profissional” revelaram um baixo nível de formação educacional dos profissionais entrevistados em relação às atividades que desempenham na indústria química. associado ao tempo de experiência na indústria química. Ao efetuar os questionamentos da categoria “Perfil Ambiental da Indústria Química” foi possível perceber que boa parte dos profissionais das indústrias químicas entrevistadas desconhecia o Código Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). Ao longo do estabelecimento deste diálogo com representantes da indústria química local. situação que pode ser comprovada pelas descrições dos gastos e investimentos efetuados pelas indústrias na área ambiental (ver quadro 46). como representante da sociedade.

Os motivos e as dificuldades encontrados para a realização dos gastos e investimentos foram apresentados no quadro 47 e no quadro 48.285 realizam em prol das indústrias químicas. Já na primeira questão sobre a imagem da . Os questionamentos realizados na categoria “Perfil Ambiental da Indústria Química” também revelaram que as indústrias químicas entrevistadas realizaram gastos ou investimentos na área ambiental em função de exigências da fiscalização. fato que justifica alguns dos motivos pelos quais as companhias seguradoras oferecem resistência para a liberação de seguros de cobertura para empresas que atuam neste ramo de atividade. Em suas respostas. principalmente para o tratamento de resíduos gerados no processo de produção. Este fato revelou o receio do entrevistado. O segundo fato diz respeito a dificuldade apresentada pela maior parte dos entrevistados em definir o que é meio ambiente. Da mesma forma foi possível perceber o distanciamento destas empresas da realidade dos Sistemas de Gestão Ambiental (SGA) e das certificações ambientais. alguns dos entrevistados revelaram o histórico das ocorrências de acidentes ocorridos em suas respectivas indústrias. A questão dos riscos inerentes às atividades desenvolvidas pelas indústrias químicas foi confirmada por meio das respostas efetuadas para o questionamento sobre os acidentes ambientais ocorridos com as indústrias químicas entrevistadas e para o questionamento sobre a existência de seguros. Para os questionamentos efetuados para a categoria “Profissional e Meio Ambiente” alguns fatos ocorridos chamaram a atenção. Esta dificuldade se apresentou para o pesquisador como uma forte evidência do distanciamento ocorrido entre ser humano e natureza. uma vez que a maioria dos profissionais entrevistados confundiu certificação ambiental com licença ambiental. como representante da indústria química. em fornecer respostas que pudessem comprometer a imagem da indústria química. O primeiro deles diz respeito a resistência do Entrevistado 7 em fornecer respostas para os questionamentos desta categoria. Boa parte dos gastos ou investimentos efetuados foram realizados para a melhoria da infraestrutura física das empresas. Para a categoria “Indústria Química e Meio Ambiente” foram estabelecidos os principais questionamentos desta pesquisa.

Contrariando as respostas anteriormente fornecidas. a grande maioria dos entrevistados respondeu que sim. Quando questionados sobre a lembrança de algum acidente ambiental provocado por indústrias químicas. Da mesma forma. acidentes ocorridos no Estado do Paraná. que as indústrias estavam desenvolvendo ações para minimizar o seu impacto ambiental. Porém em algumas respostas foi possível perceber novamente a predominância da racionalidade econômica. em especial. fato que demonstra a predominância do sentimento de certeza na tecnociência oriundo da matriz de pensamento linear. O primeiro deles diz respeito a ausência no Estado . a grande maioria dos profissionais entrevistados mencionou que considerava ser uma relação de boa qualidade. Da mesma forma. além de apresentar uma nova evidência da existência dos riscos nas atividades desenvolvidas pelas indústrias químicas: a questão do bônus pago a trabalhadores da indústria química por riscos de insalubridade. boa parte dos entrevistados considera que as atividades desenvolvidas pela sua respectiva organização não representam riscos para o meio ambiente.286 indústria perante a sociedade. Quando questionados sobre como enxergavam a relação de sua respectiva organização com o meio ambiente. Além de possibilitar que os profissionais das indústrias químicas revelassem algumas de suas percepções sobre as relações de suas respectivas empresas com o meio ambiente. as questões ambientais eram colocadas em segundo plano. boa parte dos entrevistados demonstrou sinceridade ao afirmar que a indústria química é mal vista. quando mencionado que por razões financeiras. esta pesquisa revelou vários dados relevantes sobre a realidade da indústria química em nível estadual. que trata das pesquisas de opinião pública sobre a imagem da indústria química. confirmando os dados de pesquisas semelhantes descritos no quadro 32. a grande maioria dos entrevistados considera que as atividades ambientais desenvolvidas pela sua organização são suficientes para evitar ou minimizar possíveis impactos ambientais. quando questionados se a indústria química representa algum risco para o meio ambiente. novamente os entrevistados demonstraram sinceridade aos citar vários acidentes ocorridos.

de um cadastro que contenha todas as informações cadastrais das indústrias químicas instaladas no município e dos respectivos produtos químicos que fabricam.287 do Paraná e em especial no município pesquisado. ficou evidente que os próprios funcionários públicos tem receio de disponibilizar dados sobre as indústrias químicas paranaenses. Outro fato que chamou a atenção do pesquisador diz respeito a ausência de preparo demonstrada por parte de algumas indústrias químicas convidadas a participar da pesquisa em realizar a devida análise e tratamento de suas correspondências. A ausência deste controle revela mais uma condição favorável para a eminência da sociedade de risco proposta por Beck (2006). No entendimento do pesquisador. Os dados parciais obtidos junto ao instituto e que foram apresentados nesta pesquisa foram disponibilizados somente depois de muita insistência por parte do pesquisador. uma vez que não foi possível obter com precisão uma relação das indústrias químicas existentes no município bem como das atividades que cada uma desempenha. autuações ambientais e acidentes ambientais ocorridos no Estado. impediram que o pesquisador comparasse as respostas dos entrevistados com os fatos ocorridos no município. a ausência da disponibilização pública destes respectivos dados impede a participação efetiva da sociedade na fiscalização das indústrias que operam no Estado do Paraná. Durante os contatos realizados com o instituto. Além das dificuldades apresentadas para o fornecimento dos dados solicitados. Outro dado relevante diz respeito a ausência de uma estrutura adequada por parte do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para o atendimento das solicitações efetuadas pela comunidade. o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) também não conta com nenhum serviço de consulta em seu site na internet que possibilite o acesso on-line a dados de licenças ambientais. Apesar do convite nominal conter todas as orientações sobre como o convidado deveria proceder no caso do seu interesse de participar da pesquisa e deste convite ter sido entregue pessoalmente pelo pesquisador nas indústrias químicas selecionadas. A ausência de dados detalhados sobre as autuações ambientais e os acidentes ocorridos no município pesquisado. muitas .

em especial a comunidade acadêmica. podem estar associadas a fatores como: ausência de interesse das indústrias na participação de pesquisas. as quais deveriam servir como referência para o estabelecimento dos controles sobre as operações desenvolvidas pelas indústrias químicas no Estado do Paraná. Na percepção do pesquisador. Algumas das indústrias. já revela a . receio de exposição pública. apesar de novas tentativas de contato realizadas. apresenta as condições necessárias para a efetivação do conceito de sociedade de risco defendido por Beck (2006).288 empresas exigiram a realização de contatos adicionais para a confirmação de sua participação. de uma parte que normalmente não é contemplada em pesquisas desenvolvidas por entidades do setor. Nas entrevistas realizadas foi possível perceber as limitações financeiras que estas empresas enfrentam para a realização de novos investimentos na área ambiental e para a contratação de mão-de-obra especializada para a aplicação de novos procedimentos que possibilitem a adoção de melhores práticas produtivas. não deram nenhuma satisfação para o pesquisador. entre outros. as indústrias químicas entrevistadas figuram dentre aquelas muitas empresas brasileiras que apresentam maiores dificuldades de adaptação em termos de questões e condições relacionadas ao pleno atendimento das exigências legais estabelecidas na área ambiental. O desenvolvimento deste estudo possibilitou dentre outras coisas. sem os quais as entrevistas não teriam sido realizadas. uma maior aproximação do pesquisador com relação à realidade da indústria química brasileira. Diferentemente da realidade das grandes indústrias químicas que atuam no setor e que são responsáveis pelos maiores volumes de produção. ausência de preparo das indústrias químicas em relação ao atendimento de solicitações efetuadas pela sociedade. Este quadro. apesar deste ter disponibilizado no convite formal todas as orientações sobre como o convidado deveria proceder caso não tivesse interesse de participar da pesquisa. esta ausência de cuidado para solicitações realizadas pela sociedade. A simples ausência de procedimentos regulares para a atualização de algumas bases de dados cadastrais pesquisadas. associado com a predominância da racionalidade instrumental e econômica no ambiente de negócios e a ausência de infra-estrutura adequada do Estado para o exercício da fiscalização e controle das atividades desenvolvidas pelas indústrias químicas.

289 fragilidade e a existência das condições necessárias para o surgimento e efetivação da presença dos riscos. Espera-se agora que o espaço criado para reflexões por meio deste estudo possa ser compartilhado com todos aqueles que buscam refletir sobre suas próprias ações e de suas organizações com vistas a criar melhores condições para a construção e reprodução da vida em sociedade. .

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são nossos irmãos. quando . pois ela é a mãe do homem vermelho. pois sabemos que se não o fizermos. terás de te lembrar que ela é sagrada e terás de ensinar a teus filhos que é sagrada e que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta os eventos e as recordações da vida de meu povo.elas não empalidecem. pois sabemos que ele não precisa de nossa amizade. deixa para trás os túmulos de seus antepassados. Os rios são nossos irmãos.depois de morto . Como podes comprar ou vender o céu. O grande chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano. As flores perfumadas são nossas irmãs. o calor que emana do corpo de um mustang. O grande chefe manda dizer que irá reservar para nós um lugar em que possamos viver confortavelmente.vai vagar por entre as estrelas. a grande águia . cada clareira e inseto a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. vamos considerar a tua oferta de comprar nossa terra. Portanto. quando o grande chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra. Para ele um lote de terra é igual a outro. Vamos.296 ANEXO 1 – Carta do Chefe Indígena Duwamish (Chefe Seatle) O grande chefe de Washington mandou dizer que desejava comprar a nossa terra. Ficam . Isto é gentil de sua parte. e terás de dispensar aos rios a afabilidade que darias a um irmão. e nem se importa. Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. o cervo.todos pertencem à mesma família. cada folha reluzente de pinheiro. terás de te lembrar e ensinar a teus filhos que os rios são irmãos nossos e teus. eles apagam nossa sede. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as recordações do homem vermelho. o cavalo. o grande chefe assegurou-nos também de sua amizade e benevolência. porque esta terra é para nós sagrada. Somos parte da terra e ela é parte de nós. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossos filhos. Arrebata a terra das mãos de seus filhos e não se importa. mas sim sua inimiga. e depois de a conquistar. Mas não vai ser fácil. o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. Se te vendermos a terra. Os nossos mortos nunca esquecem esta formosa terra. e o homem . O rumorejar d'água é a voz do pai de meu pai. cada praia arenosa. Se não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água. Se te vendermos nossa terra. Portanto. A terra não é sua irmã. cada véu de neblina na floresta escura. pensar em sua oferta. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Esta água brilhante que corre nos rios e regatos não é apenas água. ele vai embora. mas sim o sangue de nossos ancestrais. As cristas rochosas. o calor da terra? Tal idéia nos é estranha. os sumos da campina. O homem branco esquece a sua terra natal. porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. ele exige muito de nós. porém. como então podes comprá-los? Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo. Minha palavra é como as estrelas .

Mas talvez assim seja por ser eu um selvagem que nada compreende. E que vida é aquela se um homem não pode ouvir a voz solitária do curiango ou. adoçado com a fragrância das flores campestres. o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Como um moribundo em prolongada agonia. para que tenham respeito ao país. Não há sequer um lugar calmo nas cidades do homem branco. Nossos modos diferem dos teus. O vento que deu ao nosso bisavô o seu primeiro sopro de vida. farei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos. E se te vendermos nossa terra. abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem em movimento. purificado por uma chuva do meio-dia. Não sei. ou recendendo a pinheiro. Tenho visto milhares de bisões apodrecendo na pradaria. logo acontece ao homem. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. que o ar reparte seu espírito com toda a vida que ele sustenta. porque todas as criaturas respiram em comum . vendidas como ovelha ou miçanga cintilante. Assim pois. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante do que o bisão que (nós .297 esquecidos a sepultura de seu pai e o direito de seus filhos à herança. deverás mantê-la reservada. A vista de tuas cidades causa tormento aos olhos do homem vermelho.e seu irmão . como um lugar em que o próprio homem branco possa ir saborear o vento. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem. Sou um selvagem e desconheço que possa ser de outro jeito. Não há lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das asas de um inseto. ele é insensível ao ar fétido. Ele trata sua mãe .fere os filhos da terra.o céu . Sua voracidade arruinará a terra. cospem sobre eles próprios. Mas se te vendermos nossa terra. Deves ensinar a teus filhos que o chão debaixo de seus pés são as cinzas de nossos antepassados. Se decidirmos aceitar. também recebe o seu último suspiro. . O índio prefere o suave sussurro do vento a sobrevoar a superfície de uma lagoa e o cheiro do próprio vento. o barulho parece apenas insultar os ouvidos.os animais. O ar é precioso para o homem vermelho.como coisas que podem ser compradas. Tudo está relacionado entre si. de noite. Se os homens cospem no chão. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que de nada entende. Porque tudo quanto acontece aos animais. o homem.a terra . saqueadas. feita santuário. vamos considerar tua oferta para comprar nossa terra. Tudo quanto fere a terra . conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. terás de te lembrar que o ar é precioso para nós. as árvores. O homem branco parece não perceber o ar que respira.os índios) matamos apenas para o sustento de nossa vida. a conversa dos sapos em volta de um brejo? Sou um homem vermelho e nada compreendo. deixando para trás apenas um deserto.

envenenando seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Ele é Deus da humanidade inteira e é igual sua piedade para com o homem vermelho e o homem branco. de uma coisa sabemos que o homem branco venha. será o fim da vida e o começo da luta para sobreviver. porque nós a amamos como ama um recém-nascido o bater do coração de sua mãe. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. sufocado em teus próprios desejos. que o podes possuir do mesmo jeito como desejas possuir nossa terra. Esse destino é para nós um mistério. quando todos os bisões forem massacrados. Tudo quanto agride a terra. a si próprio fará. Onde estará a águia? Irá acabar. Tudo o que ele fizer à trama. talvez. será para garantir as reservas que nos prometestes. como o sangue que une uma família. Talvez julgues. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. sobrará para chorar. selvagens. Continuas poluindo a tua cama e hás de morrer uma noite. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias. ao homem: é o homem que pertence à terra. se soubéssemos quais as esperanças que transmite a seus filhos nas longas noites de inverno. pois não podemos imaginar como será. Restará dar adeus à andorinha e à caça. "Nunca esqueças de como era esta terra quando dela tomaste posse": E . Lá. quais as visões do futuro que oferece às suas mentes para que possam formar desejos para o dia de amanhã. Tudo está relacionado entre si. Nem o homem branco. Todas as coisas estão interligadas. Os sonhos do homem branco são para nós ocultos. agora. possamos viver os nossos últimos dias conforme desejamos. talvez.298 De uma coisa sabemos. Os brancos também vão acabar. Esta terra é querida por ele. um dia descobrir: nosso Deus é o mesmo Deus. e causar dano à terra é cumular de desprezo o seu criador. ao perecerem. e por serem ocultos. cujo Deus com ele passeia e conversa como amigo para amigo. Porém. as brenhas das florestas carregadas de odor de muita gente e a vista das velhas colinas empanada por fios que falam. A terra não pertence. pela força de Deus que os trouxe a este país e. os cavalos bravos domados. abrasados. talvez mais cedo do que todas as outras raças. Compreenderíamos. disso temos certeza. Onde ficará o emaranhado da mata? Terá acabado. temos de escolher nosso próprio caminho. a alma do meu povo continuará vivendo nestas floresta e praias. Se te vendermos a nossa terra. ama-a como nós a amávamos. agride os filhos da terra. porém. mas não podes.eles não são muitos. Os nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. Somos. Mais algumas horas. lhes deu o domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho. Vamos ver. se conhecêssemos com que sonha o homem branco. e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra ou que têm vagueado em pequenos bandos pelos bosques. talvez. apesar de tudo. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias . vocês brilharão com fulgor. E depois da derrota passam o tempo em ócio. Proteje-a como nós a protegíamos. pode ser isento do destino comum. mesmos uns invernos. sobre os túmulos um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso. Se consentirmos. por algum desígnio especial. Poderíamos ser irmãos.

.299 com toda a tua força o teu poder e todo o teu coração . Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum. esta terra é por ele amada. De uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus.conserva-a para teus filhos e ama-a como Deus nos ama a todos.

300 ANEXO 2 – Estrutura da Indústria Petroquímica Brasileira Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b) .

301 ANEXO 3 – Estrutura da Indústria Petroquímica Brasileira Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b) .

_____% .0 ( ) CNAE 2.0 ( ) CNAE 2.0 ( ) 3. Tempo de Atuação no Município (em anos e meses): 7. esta considera o meio ambiente? 9. Ramo de Atuação: 2. ( ) Matriz ( ) Filial 5._____% . Tempo de Existência da Organização (em anos e meses): 6. Matriz Energética (descrever tipo e percentual de utilização): ( ) Gás Natural ( ) Carvão Mineral ( ) Lenha ( ) Bagaço de Cana ( ) Óleo Combustível .0 ( ) CNAE 2. Nome e Descrição dos Cargos dos Profissionais Relacionados com a Gestão Ambiental: 12. Possui Sistema de Gestão Ambiental: ( ) Sim Tempo: __________ ( ) Não 10.0 ( ) Código: _____________________ CNAE 1. Produtos Fabricados: 8.302 ANEXO 4 – Instrumento de Pesquisa – Perfil Ambiental da Empresa Perfil Ambiental da Indústria Química 1.0 ( ) Código: _____________________ CNAE 1. Código(s) do Cadastro Nacional de Atividade Econômica (CNAE): Código: _____________________ CNAE 1._____% .0 ( ) CNAE 2. Possui uma declaração formal de valores e missão? Caso positivo._____% . Classificação da Organização quanto ao Porte: ( ) Micro – até 19 empregados ( ) Pequena – de 20 a 99 empregados ( ) Média – de 100 a 499 empregados ( ) Grande – acima de 500 empregados Obs: Classificação CNI para pesquisas 4.0 ( ) Código: _____________________ CNAE 1._____% . Possui Alguma Certificação Relacionado a Área Ambiental? Qual(is)? 11.

tratamento e controle de emissão de gases. tratamento e controle de ruídos e conservação de energia._____% . Meio Ambiente de Trabalho. implantação de sistema de gestão ambiental. quais são as Principais Dificuldades Encontradas para a Realização de Gastos ou Investimentos na Área Ambiental: 19. Se sim. Ações na Área Ambiental Previstas para o Horizonte de 2015: ( ) Não . melhoria da gestão/política social. adoção de fontes de energia mais limpas.303 ( ) Coque de Carvão Mineral ( ) Hidroeletricidade ( ) Carvão Vegetal . entre outros). A Organização Possui algum Histórico de Acidente Ambiental: 20. porque motivo: 24._____% 13. Gera Algum Tipo de Resíduo Industrial: ( ) Sim Descrição e Destino do Resíduo Industrial: 21. quais são as Principais Motivações para Gastos ou Investimentos na Área Ambiental: Exemplos: atendimento a requisitos legais. Descrição dos Cursos Realizados na Área Ambiental nos últimos 3 anos: Exemplos: Prevenção de Riscos Ambientais. melhoria do projeto/design e embalagem do produto. recirculação e recuperação da água. Possui algum Registro de Reclamação da Comunidade em Relação às suas Operações: 23. Além das Questões Legais. 18._____% ( ) ______________________ . Percentuais de Gastos ou Investimentos Ambientais Realizados nos Últimos 3 Anos com base na Receita Bruta: 2005: _____% 2006: _____% 2007: _____% 14. tratamento redução de perdas e refugos de materiais e produtos acabados. entre outros 16. Possui algum controle para emissão de poluição ( ) Sim ( ) Não. 15. qual? 22. acesso a novos mercados. Descrição dos Gastos ou Investimentos em Gestão Ambiental nos últimos 3 anos Exemplos: tratamento e controle de efluentes líquidos e sólidos. Considerações sobre a Legislação Aplicada a Indústria Química/Nível de Adequação: 17. melhoria da imagem da empresa. entre outros. Possui Seguro para Acidentes Ambientais: ( ) Sim ( ) Não Se não. Certificação ISO. Além da Questão Financeira._____% .

Faixa Etária: ( ) Entre 20 e 30 anos ( ) Entre 51 e 60 anos 4. Tempo de Experiência como Profissional (em anos e meses): 6. Tempo de Experiência como Profissional de Indústria Química (em anos e meses): .304 ANEXO 5 – Instrumento de Pesquisa – Perfil Profissional. Formação: ( ) Entre 31 e 40 anos ( ) Acima de 60 anos ( ) Entre 41 e 50 anos ( ) 1º Grau – ( ) Completo ( ) Incompleto ( ) 2º Grau – ( ) Completo ( ) Incompleto Se técnico. Gênero: ( ) Masculino ( ) Feminino 3. Profissional e o Meio Ambiente e Organização e o Meio Ambiente Perfil do Profissional 1. descrição: ______________________________________________ Graduação: Ano de Conclusão: Especialização: Ano de Conclusão: Mestrado: Ano de Conclusão: Doutorado: Ano de Conclusão: 5. Descrição do Cargo: 2.

Você considera que a indústria química representa algum risco para o meio ambiente? 4. Para você. Como você enxerga a relação de sua organização com o meio ambiente? 9.305 Profissional e o Meio Ambiente 1. como você considera a importância do meio ambiente para a sua organização? Indústria Química e Meio Ambiente 1. Em um contexto geral. Na sua opinião. Como você enxerga o futuro da relação da indústria química com o meio ambiente? . Como você enxerga a sua relação com o meio ambiente? 3. Você sofre alguma influência interna e/ou externa para considerar o meio ambiente em suas tomadas de decisão? De que tipo? 5. Você lembra de algum acidente ambiental ocorrido na sua organização? 5. Você considera que as atividades desenvolvidas pela sua organização representam algum risco para o meio ambiente? 6. Você lembra de algum acidente ambiental provocado por indústrias químicas? 3. o que é o meio ambiente? 2. como a indústria química é vista pela sociedade em relação às questões ambientais? 2. Você considera o meio ambiente em suas tomadas de decisão? 4. Você considera que as ações ambientais desenvolvidas em sua organização são suficientes para evitar ou minimizar possíveis impactos ambientais? 7. A sua organização recebe pressões de alguma natureza para a adoção de medidas que visem a preservação do meio ambiente? 8.

Angelo Guimarães Simão Aluno do Programa de Mestrado em Organizações e Desenvolvimento – UNIFAE Dados para contato: Angelo Guimarães Simão – angelogs@yahoo. Na ocasião eu fui gentilmente atendido pela Sra.306 ANEXO 6 – Carta ao Presidente do Sindicato de Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná (SINQFAR) Curitiba. recentemente eu estabeleci um contato com esta instituição com o intuito de obter os dados de contato das empresas que compõem o universo de pesquisa. eu solicitei a ela para que lhe encaminha-se este comunicado. Presidente do Sindicato de Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná Sou aluno do programa de mestrado em Organizações e Desenvolvimento – UNIFAE – e venho por meio desta levar ao seu conhecimento que estou desenvolvendo uma dissertação de mestrado sob o título: Indústrias Químicas e o Meio Ambiente Estudo das Percepções de Profissionais que atuam em Indústrias Químicas Instaladas em um Município Paranaense Em função do tema da dissertação escolhido envolver indústrias químicas representadas pelo Sinqfar. em razão de uma decisão tomada pelos associados em assembléia. Neiva e informado por ela que os dados solicitados não poderiam ser fornecidos. 04 de dezembro de 2007 Prezado Sr. Neiva. apenas no sentido de levar ao seu conhecimento a pesquisa que eu estarei realizando.com – 9127-3965 . Atenciosamente. empresas estas instaladas em um pequeno município paranaense. Durante o contato estabelecido com a Sra. Caso o Sinqfar tenha interesse em conhecer a proposta de pesquisa na integra. disponibilizo logo abaixo os meus dados para contatos futuros.

a sua realização visa o cumprimento de uma das etapas necessárias para a conclusão da dissertação. solicito ao IAP a disponibilização das seguintes informações: • • • Relação de Indústrias Químicas Instaladas no Município de XXXXXX – PR Histórico de Autuação de Indústrias Químicas no Município de XXXXXX – PR (últimos 5 anos) Histórico de Acidentes Ambientais envolvendo Indústrias Químicas no Município de XXXXXX – PR (últimos 5 anos) Com relação a realização desta pesquisa. . dos profissionais participantes e do município envolvidos na pesquisa. Os dados fornecidos pelo IAP que permitam identificar as indústrias ou os profissionais envolvidos na pesquisa serão tratados com rigorosa confidencialidade. conforme compromisso firmado com as indústrias que participarão da pesquisa. que visa levantar alguns dados sobre como os profissionais de indústrias químicas instaladas em um município paranaense percebem as relações de sua organização com o meio ambiente. alguns pontos importantes foram considerados: Esta pesquisa tem fins exclusivamente acadêmicos. na condição de aluno do Programa de Mestrado em Organizações e Desenvolvimento – UNIFAE. 11 de dezembro de 2007 A/C: Diretoria de Controle de Recursos Ambientais – DIRAM Venho pela presente. Para a realização desta pesquisa. solicitar ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) a disponibilização de alguns dados necessários para a elaboração da pesquisa de dissertação sob o título: Indústria Química e o Meio Ambiente: Estudo das Percepções de Profissionais que Atuam em Indústrias Químicas Instaladas em um Município Paranaense Esta pesquisa trata-se de um estudo acadêmico de percepção. Na versão final da dissertação de mestrado não serão apresentados dados que possibilitem a identificação das indústrias.307 ANEXO 7 – Carta ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) Curitiba.

308 No caso dos dados fornecidos pelo IAP serão utilizados apenas os dados de natureza quantitativa. Esta pesquisa tem como objetivo desenvolver atividades de ensino e pesquisa de natureza interdisciplinar e formar pesquisadores para pesquisas científicas. Atenciosamente. capazes de integrar esforços e recursos. com a finalidade de produzir e disseminar conhecimento sobre organizações e desenvolvimento no exercício de funções decisórias para a promoção da sustentabilidade.com – 9127-3965 . Angelo Guimarães Simão Aluno do Programa de Mestrado em Organizações e Desenvolvimento – UNIFAE angelogs@yahoo. Desde já agradeço a atenção e coloco-me à disposição para quaisquer esclarecimentos.

01 de dezembro de 2007 Empresa XXXXXX Venho pela presente. a sua realização visa o cumprimento de uma das etapas necessárias para a formação do aluno Os dados das indústrias e dos profissionais participantes serão tratados com rigorosa confidencialidade.309 ANEXO 8 – Convite Enviado às Indústrias Químicas Instaladas no Município Pesquisado Curitiba. entre outros) Com relação a realização desta pesquisa. Na versão final da dissertação de mestrado não serão apresentados dados que possibilitem a identificação das indústrias e dos profissionais participantes envolvidos na pesquisa . na condição de orientador e coordenador do Programa de Mestrado em Organizações e Desenvolvimento – UNIFAE. sob o título: Indústria Química e o Meio Ambiente: Estudo das Percepções de Profissionais que Atuam em Indústrias Químicas Instaladas em um Município Paranaense Esta pesquisa visa levantar alguns dados sobre como os profissionais de indústrias químicas percebem as relações de sua organização com o meio ambiente. convidar a sua indústria para participar da pesquisa de dissertação elaborada pelo aluno ANGELO GUIMARÃES SIMÃO. esta pesquisa será realizada em duas etapas: Etapa 1 Entrevista com o principal executivo da empresa. alguns pontos importantes foram considerados: Esta pesquisa tem fins exclusivamente acadêmicos. coordenadores da área de qualidade/SGA. Para atender aos objetivos propostos. para definir o perfil ambiental e identificar quais são os profissionais diretamente envolvidos com as questões ambientais na indústria química entrevistada Etapa 2 Entrevista com o principal executivo da empresa e com os profissionais identificados na etapa 1 (químicos.

com a finalidade de produzir e disseminar conhecimento sobre organizações e desenvolvimento no exercício de funções decisórias para a promoção da sustentabilidade. Dr. Esta pesquisa tem como objetivo desenvolver atividades de ensino e pesquisa de natureza interdisciplinar e formar pesquisadores para pesquisas científicas. capazes de integrar esforços e recursos. Atenciosamente. as indústrias participantes receberão uma cópia em meio digital da dissertação do mestrado. informando o motivo da não participação: angelogs@yahoo. José Edmilson de Souza-Lima Coordenador do Programa de Mestrado em Organizações edmilson@fae. solicitamos para que seja enviado um e-mail ao pesquisador. depois de realizada a conclusão da pesquisa. Apenas para fins de controle da pesquisa. Como forma de valorizar e reconhecer a importância da participação de sua empresa.310 Por se tratar de um estudo sobre percepção. apenas para facilitar o processo de transcrição dos depoimentos coletados.edu – 2105–4170 Mestrado em Organizações e Desenvolvimento . Caso a sua empresa opte em não participar da pesquisa.com. Desde já agradecemos à atenção e colocamo-nos à disposição para quaisquer esclarecimentos . as entrevistas serão gravadas em fita de áudio (desde que previamente autorizado). nós respeitaremos a sua decisão. Prof.

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