UNIFAE CENTRO UNIVERSITÁRIO MESTRADO EM ORGANIZAÇÕES E DESENVOLVIMENTO

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

INDÚSTRIAS QUÍMICAS E O MEIO AMBIENTE ESTUDO DAS PERCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS QUE ATUAM EM INDÚSTRIAS QUÍMICAS INSTALADAS EM UM MUNICÍPIO PARANAENSE

ANGELO GUIMARÃES SIMÃO

CURITIBA 2008

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ANGELO GUIMARÃES SIMÃO

INDÚSTRIAS QUÍMICAS E O MEIO AMBIENTE ESTUDO DAS PERCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS QUE ATUAM EM INDÚSTRIAS QUÍMICAS INSTALADAS EM UM MUNICÍPIO PARANAENSE

Dissertação apresentada ao Curso de Pós–Graduação Stricto Sensu em Organizações e Desenvolvimento, UNIFAE – Centro Universitário, como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Organizações e Desenvolvimento.

Orientador (a): Prof. Dr. José Edmilson de Souza-Lima

Curitiba, 10 de junho de 2008.

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Este trabalho é dedicado a minha esposa Carla, pelo carinho constante e por ter compartilhado comigo todos os momentos desta caminhada de construção do nosso futuro comum baseado na educação, e que agora novamente recomeça com o início do seu programa de mestrado.

A minha mãe Alcemira, ao meu pai Altevir e a todos os meus demais familiares pelo carinho, pela compreensão e pela administração dos momentos de ausência exigidos pelo mestrado.

Também dedico este trabalho em mesmo nível de importância, a todas as pessoas que ao longo da história da humanidade tiveram a coragem de abandonar as suas causas particulares para se dedicar a causas coletivas. É graças à atitude destas pessoas que podemos manter sempre acesa a esperança de uma sociedade mais justa e consequentemente de um mundo melhor.

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AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus. Apesar de não buscá-lo na Igreja, tenho a convicção de que ele sempre está comigo e de que sempre está presente nos momentos em que eu mais preciso dele. Aos profissionais das indústrias químicas que aceitaram participar desta pesquisa, os quais, mesmo sem ter total consciência, deram importantes contribuições para a construção de um mundo melhor. Ao meu amigo e orientador José Edmilson, pela humildade acadêmica, pelo exemplo da seriedade do seu trabalho, pela dedicação e pela disponibilidade demonstrada ao compartilhar os seus conhecimentos com o seu grupo de orientandos que aceitou o desafio de trilhar o caminho da complexidade. A família do Prof. José Edmilson por compreender a importância do seu trabalho, o qual exigiu a disponibilidade de seu tempo nos diversos sábados em que as reuniões de orientação foram realizadas. Aos amigos de longa data, Janaína e Carlos pelo incentivo do ingresso na vida acadêmica e pelos vários momentos que nela compartilhamos. Aos colegas da turma de mestrado de 2007, em especial aos colegas Dora, Júlio, Paulo Socher e Bernadete, colegas de orientação e com quem compartilhei a bela experiência de construção coletiva de um grupo de pesquisa. Aos amigos do observatório das indústrias, que em vários momentos, mesmo sem perceber, deram muitas contribuições para a realização desta dissertação. Em especial a minha amiga Erika, pelas várias trocas de idéias sobre a elaboração de uma pesquisa qualitativa.

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“O mundo está na nossa mente, a qual está no nosso mundo”.

“Nosso cérebro-mente ‘produz’ o mundo que produziu o cérebro-mente”

“Nós produzimos a sociedade que nos produz”

Edgar Morin

Para a realização deste estudo de percepção o tipo de pesquisa escolhido foi o exploratório. Juntas. Indústrias químicas. Palavras-chave: Meio ambiente. fatores que associados determinaram à ampliação da exploração dos recursos naturais e a deterioração do meio ambiente. em especial indústrias químicas de um município paranaense. este estudo procura estabelecer um diálogo com a parte mais criticada desta relação: a indústria de transformação. tendem a ser responsabilizadas por parte das condições favoráveis que possibilitaram o surgimento da crise ambiental discutida na contemporaneidade. produtora. Em razão da velocidade das novas tecnologias empregadas. consumidora. Como objetivo geral. . Percepção. como forma de conhecer como estas estabelecem as suas relações com o meio ambiente. e sociedade. a sociedade passou a contar com novas formas de produção que a possibilitaram desenvolver novos padrões de consumo. A análise dos dados e o delineamento da pesquisa foram realizados com base no método de análise de conteúdo. apresentar o perfil dos profissionais entrevistados em termos de formação e experiência de atuação no ramo industrial químico. Como conclusão. Neste estudo buscam-se respostas para o seguinte questionamento: como os profissionais que atuam em indústrias químicas instaladas em um município paranaense percebem as relações de sua organização com o meio ambiente? Como objetivos específicos este estudo busca apresentar o perfil ambiental das indústrias químicas analisadas. indústria de transformação.7 RESUMO A revolução industrial ocorrida a partir do século XVII inaugurou uma nova fase na relação existente entre sociedade e meio ambiente. O método de abordagem empregado foi a pesquisa de campo e o modo de coleta de dados se deu por meio da realização de entrevistas semi-estruturadas. caracterizar a forma como estes profissionais percebem o meio ambiente e como percebem as relações de sua organização com o meio ambiente. são apresentadas as percepções que os profissionais que atuam nas indústrias químicas têm sobre as relações de suas organizações com o meio ambiente. de natureza qualitativa.

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ABSTRACT

The industrial revolution occurred from the seventeenth century inaugurated a new phase in the existing relationship between society and environment. Because of the speed of the new technologies employed, the society become to rely on new forms of production that provided the development of new consumption patterns; considering these factors associated, they led to the extension of the natural resources exploitation and environment deterioration. Together, processing industry (producer) and society (consumer) tend to be responsible for the favorable conditions that allowed the appearance of environmental crisis discussed at present. As a general goal, this study tries to establish a dialogue with the most criticized part of this relationship: the processing industry, particularly the chemical industries of a community from Paraná, as a way of being aware of how they establish their relationship with the environment. In this study answers have been pursued regarding the following question: how the professionals that work at chemical industries which are located in a community from Paraná notice the relationship of their organization with the environment? Taking into account the specific goals, this study aims to present: the environmental profile of

chemical industries analyzed; the profile of professionals interviewed regarding education/training and experience of working in chemical industry; and, characterizing the way these professionals notice the environment and how they realize the relationship between their organization and the environment. For the realization of this perception study the type of research chosen was the exploratory, from qualitative nature. The method of approach employed was the field research and the method of collecting data was carried out through semi-structured interviews. Data analysis and survey management were conducted based on the analysis of content method. In conclusion, the perception of the professionals who work at chemical industries, about the relationship between their organizations and the environment is presented.

Keywords: Environment. Chemical industries. Perception.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 – Foto do Planeta Terra – Missão Apollo 8 ..................................................... 68 Figura 2 – Mapa de Domínios das Florestas Tropicais da África .................................. 77 Figura 3 – Mapa de Domínios das Florestas Tropicais da Ásia .................................... 77 Figura 4 – Mapa de Domínios das Florestas Tropicais da América Latina e do Caribe 78 Figura 5 – Projeção do Aumento de Temperatura na Terra .......................................... 80 Figura 6 – Temperatura, Nível do Mar e Cobertura de Neve no Hemisfério Norte........ 81 Figura 7 – Evolução do Índice Planeta Vivo .................................................................. 82 Figura 8 – Evolução do Índice Pegada Ecológica ......................................................... 83 Figura 9 – Impacto Humano nos Ambientes Marinhos.................................................. 85 Figura 10 – Luzes da Terra ........................................................................................... 86 Figura 11 – Perspectivas Humanas em Relação ao Futuro .......................................... 93 Figura 12 – Processo Básico de Obtenção de Garrafas PET a partir da Nafta........... 153 Figura 13 – Empregos na Indústria Química Européia e Norte-Americana................. 164 Figura 14 – Volume de Vendas Mundial (2006) .......................................................... 165 Figura 15 – Crescimento Internacional da Produção Química (1996 – 2006) ............. 166 Figura 16 – Taxa de Crescimento de Vendas em Países e Regiões Selecionadas.... 167 Figura 17 – Participação nas Vendas Mundiais (1996 e 2006) ................................... 168 Figura 18 – Relação das 30 (Trinta) Maiores Companhias Químicas (2006).............. 169 Gráfico 1 – Faturamento Líquido Indústria Química Brasileira por Segmentos (2006) 172 Gráfico 2 – Faturamento Líquido da Indústria Produtos Químicos Industriais (2006) . 173 Gráfico 3 – Participação da Indústria Química no PIB Total Brasileiro (2000 a 2006) 174 Gráfico 4 – Participação da Indústria Química no PIB Industrial (2005)...................... 175 Gráfico 5 – Estimativa de Faturamento Líquido da Indústria por Segmentos (2007) .. 176 Gráfico 6 – Evolução da Produção Produtos Químicos Uso Industrial (1990 a 2006) 176 Gráfico 7 – Importações/Exportações Brasileiras em US$ Bilhões (2000 a 2006)...... 178 Gráfico 8 – Total de Indústrias Químicas por Setor (2005) ......................................... 180 Gráfico 9 – Total de Empregados na Indústria Química por Setor (2005)................... 183 Figura 19 – Mapa da Presença do Programa Atuação Responsável no Mundo ......... 206 Figura 20 – Classificação dos Dados .......................................................................... 226

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LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Legenda dos Mapas de Exploração das Florestas..................................... 76 Quadro 2 – Crescimento da População Mundial (1970 a 2000).................................... 79 Quadro 3 – Projeção da População Mundial (2010 a 2050).......................................... 84 Quadro 4 – Caracterização da Primeira e da Segunda Modernidade ......................... 103 Quadro 5 – Perspectivas da Sociedade de Risco ....................................................... 107 Quadro 6 – Retrospectiva Histórica da Indústria Química Mundial ............................. 125 Quadro 7 – Retrospectiva Histórica da Indústria Química no Brasil............................ 134 Quadro 8 – Empresas Químicas Instaladas no Brasil entre 1920 e 1939 ................... 136 Quadro 9 – Empresas Químicas Instaladas no Brasil entre 1940 e 1945 ................... 138 Quadro 10 – Empresas Químicas Instaladas no Brasil entre 1946 e 1959 ................. 139 Quadro 11 – Pólo Petroquímico de São Paulo............................................................ 142 Quadro 12 – Pólo Petroquímico do Nordeste.............................................................. 143 Quadro 13 – Pólo Petroquímico do Sul ....................................................................... 144 Quadro 14 – Indústria Químicas por Tipo de Indústria................................................ 145 Quadro 15 – Fatos Ocorridos com a Indústria Química na Década de 1990 .............. 147 Quadro 16 – Classificação das Indústrias Químicas ................................................... 152 Quadro 17 – Capacidade de Produção dos Pólos Petroquímicos Brasileiros ............. 154 Quadro 18 – Classificações Adotadas pela Indústria Química Mundial ...................... 154 Quadro 19 – Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) ................... 158 Quadro 20 – Faturamento da Indústria Química Mundial (em US$ bilhões) ............... 162 Quadro 21 – Número de Empregados na Indústria Química (2000 a 2006).................163 Quadro 22 – Classificação ABIQUIM para Análises Estatísticas ................................ 171 Quadro 23 – Faturamento Indústria Brasileira em US$ Bilhões (2000 a 2006)........... 173 Quadro 24 – Total de Indústrias Químicas – Brasil, Região Sul e Paraná (2005)....... 180 Quadro 25 – Total de Indústrias Químicas por Região (2005) .................................... 181 Quadro 26 – Participação por Estados – Região Sul .................................................. 181 Quadro 27 – Número de Indústrias Químicas por Unidade da Federação (2005) ...... 182 Quadro 28 – Total de Pessoal Ocupado – Brasil, Região Sul e Paraná (2005) .......... 183 Quadro 29 – Pesquisas sobre os Efeitos Nocivos de Produtos Químicos .................. 186

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Quadro 30 – Acidentes Ocorridos com Indústrias Químicas/Produtos Químicos........ 188 Quadro 31 – Tratados, Acordos e Convenções para a Proteção do Meio Ambiente. . 196 Quadro 32 – Pesquisas de Opinião Pública sobre a Imagem da Indústria Química: .. 200 Quadro 33 – Dados sobre o Programa Atuação Responsável.................................... 202 Quadro 34 – Linhas de Pensamento sobre Percepção – Empirista X Intelectualista.. 208 Quadro 35 – Fontes de Dados X Indústrias Químicas Instaladas no Município.......... 233 Quadro 36 – Indústrias Químicas X Fontes de Dados ................................................ 236 Quadro 37 – Justificativas para a Não Inclusão das Indústrias na Pesquisa .............. 237 Quadro 38 – Total de Contatos Realizados ................................................................ 238 Quadro 39 – Justificativas das Empresas que não Aceitaram Participar da Pesquisa 239 Quadro 40 – Etapas Propostas para a Realização da Pesquisa................................. 241 Quadro 41 – Perfil Profissional dos Entrevistados ...................................................... 243 Quadro 42 – Atividades Desenvolvidas pelas Indústrias Químicas............................. 244 Quadro 43 – Tempo de Existência da Indústria X Tempo de Atuação no Município... 245 Quadro 44 – Declaração de Missão e Valores, SGA e Certificações Ambientais ....... 246 Quadro 45 – Indústrias Químicas X Matriz Energética................................................ 247 Quadro 46 – Gastos/Investimentos Realizados na Área Ambiental (Últimos 3 Anos). 248 Quadro 47 – Motivos para Gastos/Investimentos Ambientais ..................................... 253 Quadro 48 – Dificuldades Encontradas para Gastos ou Investimentos Ambientais.... 254 Quadro 49 – Indústria Química X Descrição dos Resíduos X Destino........................ 256 Quadro 50 – Ações Previstas na Área Ambiental para o Horizonte de 2015 .............. 259 Quadro 51 – Significados dos Entrevistados para Meio Ambiente.............................. 261 Quadro 52 – Relações das Organizações com o Meio Ambiente ............................... 277 Quadro 53 – Acidentes Ambientais ............................................................................. 270

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SUMÁRIO 1. 1.1. 1.2. 1.3. 1.3.1. 1.3.2. 1.4. 2. 2.1. 2.1.1. 2.1.2. 2.1.3. 2.1.4. 2.2. 2.2.1. 2.2.2. 2.2.3. 2.2.4. 2.2.5. 2.2.6. 2.2.7. 2.3. 2.3.1. 2.3.2. 2.3.3. 2.3.4. 2.3.5. 2.4. INTRODUÇÃO ............................................................................................. 14 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA.............................................................. 14 ESPECIFICAÇÃO DO PROBLEMA ............................................................ 22 OBJETIVOS ................................................................................................. 24 Objetivo Geral............................................................................................... 24 Objetivos Específicos ................................................................................... 24 JUSTIFICATIVA DO ESTUDO..................................................................... 24 FUNDAMENTOS TEÓRICOS ...................................................................... 30 FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS DO ESTUDO ............................... 30 Considerações Iniciais.................................................................................. 30 O Sucesso da Matriz Linear e suas Limitações............................................ 32 Noções de Refutabilidade e de Paradigma .................................................. 37 A Escolha pela Matriz da Complexidade ...................................................... 42 MEIO AMBIENTE......................................................................................... 51 A Busca por uma Definição Multidisplinar para Natureza e Meio Ambiente. 51 Reflexões sobre a Relação Ser Humano e Natureza ................................... 61 O Meio Ambiente e a Sociedade Contemporânea ....................................... 70 O Reconhecimento da Complexidade Ambiental ......................................... 86 A Proposta e o Discurso da Sustentabilidade .............................................. 91 A Iminência da Consolidação da Sociedade de Risco ............................... 102 As Organizações e a Sociedade de Risco ................................................. 116 INDÚSTRIAS QUÍMICAS........................................................................... 121 As Origens da Indústria Química no Mundo ............................................... 121 As Origens da Indústria Química no Brasil ................................................. 134 A Forma de Organização da Indústria Química ......................................... 150 A Indústria Química na Contemporaneidade.............................................. 159 Indústrias Químicas, Sociedade e Meio Ambiente ..................................... 184 PERCEPÇÃO............................................................................................. 207

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3. 3.1. 3.1.1. 3.1.2. 3.1.3. 3.1.4. 3.1.5. 3.1.6.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS................................................... 214 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA ......................................................... 214 Tipo de Estudo....................................................................................... 215 Natureza ................................................................................................ 216 Método de Abordagem .......................................................................... 220 Coleta dos Dados .................................................................................. 220 Análise dos Dados e Delineamento da Pesquisa .................................. 222 Universo e Amostra ............................................................................... 231

4. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DO ESTUDO.......................................... 240 4.1. 4.2. 4.3. 4.4. Perfil do Profissional................................................................................... 242 Perfil Ambiental da Indústria Química ........................................................ 244 Profissional e Meio Ambiente ..................................................................... 260 Indústria Química e Meio Ambiente............................................................ 268

CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................ 281 REFERÊNCIAS........................................................................................................... 290 ANEXOS ..................................................................................................................... 296

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1. INTRODUÇÃO 1.1. CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA

A natureza levou de 4,5 a 5 bilhões de anos para constituir um Planeta repleto de exuberância e de diversidade de formas de vidas. Os encontros e desencontros destes diferentes tipos de vida ao longo da história do planeta Terra resultaram na formação de uma grande rede viva na qual todos os organismos, desde os mais simples até os mais complexos, aprenderam a desenvolver suas relações de interdependência1. Do constante aprimoramento destas relações, surgiram as condições propícias para a perpetuação e sustentação da vida. Desde os tempos mais remotos, desde o surgimento do primeiro sinal de vida no planeta Terra, os primeiros organismos vivos passaram a desenvolver contínuos processos de autopoiese2 com o ambiente onde se encontravam inseridos, como forma de sustentar o milagre da recriação da vida. Por meio do estabelecimento de uma definição quanto ao seu limite físico, estes diferentes tipos de organismos passaram a se organizar como indivíduos ou sistemas fechados, estabelecendo uma complexa relação de equilíbrio entre os ambientes interno e externo, fato reconhecido posteriormente pela ciência no conceito clássico definido por Claude Bernard, denominado homeostase3. Ao estabelecer esta distinção entre ambiente interno e externo, os organismos vivos passaram a realizar freqüentes trocas com o meio onde se encontravam inseridos, como forma de sustentar a vida por meio de processos metabólicos. De acordo com Margulis citada por Capra (2005, p. 26), “o metabolismo, a química

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Para Rodrigues (1977) a interdependência envolve comportamento recíproco e de interação individual, caracterizados por situações de cooperação e de competição.

2 Segundo Capra (2005) a dinâmica da “autopoiese”, também conhecida como “autogeração” ou “autocriação” foi identificada como uma das características fundamentais da vida pelos biólogos Humberto Maturana e Francisco Varela. O conceito de “autopoiese” associa duas características que definem a vida celular: o limite físico e a rede metabólica. De acordo com o autor, a teoria da autopoiese considera que “o sistema vivo se liga estruturalmente ao seu ambiente, ou seja, liga-se ao ambiente através de interações recorrentes” (CAPRA, 2005, p. 51).

Para Branco (2005) é conceito segundo o qual, o meio interno, possuindo características químicas e físicas notavelmente constantes e estando em contato direto ou indireto com o meio externo, variável e inconstante, deve possuir mecanismos de regulação responsáveis por sua estabilidade.

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incessante da autoconservação, é uma característica essencial da vida [...]. Através do metabolismo perene, através de fluxos químicos e energéticos, a vida continuamente produz, repara e perpetua a si mesma”. Ao longo do estabelecimento do complexo modo de funcionamento desta grande rede viva, apenas um entre uma infinidade de seres vivos se destacou em termos de capacidades intelectuais capazes de promover profundas modificações no meio ocupado: o ser humano. Desde os tempos mais remotos e visando garantir a sua própria existência em um ambiente hostil, o ser humano sempre buscou estabelecer uma relação de domínio sobre a natureza com base em sua capacidade criativa e inovativa. Esta capacidade, que o levou a grandes feitos e descobertas, também lhe possibilitou a criação de uma ciência orientada para o estabelecimento do controle sobre as demais formas de vida, submetendo estas aos seus interesses por meio de diferentes formas de domínio. Desta forma, o ser humano gradativamente se colocou em uma condição de maior importância sobre os demais seres vivos, situação considerada por diversos pesquisadores como um dos elementos-chave responsáveis pelo surgimento do desequilíbrio no funcionamento da grande rede viva. Com as especializações e fragmentações do saber, promovidos ao longo da história da ciência, o ser humano estabeleceu um pensamento simplificador, baseado em processos de redução e de separação, responsável pelo distanciamento observado entre as ciências naturais das ciências humanas, entre objeto e observador, entre o ser humano e a natureza. Baseado neste pensamento simplificador, que limita a produção de uma ciência de característica holística, o ser humano acabou por estabelecer a principal matriz de pensamento responsável pela formação dos arquétipos mentais predominantes em sua sociedade. Neste processo de formação, no qual a ciência passou a ser gradualmente comandada pelos interesses econômicos e estatais, a maior parte da sociedade também passou a ser privada do seu direito de pensar, delegando ou submetendo o seu destino às comunidades econômicas que controlam as produções científicas voltadas para interesses de caráter exploratório. Paralelamente a este processo, boa

o ser humano já contribuiu diretamente para a extinção de um número incontável de espécies animais e vegetais. Talvez este processo “evolucionário” justifique o afastamento do ser humano em relação à natureza e o seu interesse em dominá-la. isolando-os de outras possibilidades para o desenvolvimento dos seus conhecimentos e para uma melhor compreensão do ambiente ocupado. também o impeçam de enxergar e avaliar as suas relações com o meio ambiente onde vive. e sim determinadas pelo ambiente externo no qual se encontra inserido. A formação fragmentada do conhecimento. Talvez estas condições impostas pela forma de pensamento dominante que o impedem de exercer a sua completa liberdade e determinar o seu destino. para a destruição e contaminação de inúmeros habitats4 naturais e para a poluição dos solos. o ser humano passou a limitar a sua capacidade de produção de um conhecimento holístico e a sua sensibilidade em relação ao meio ocupado.16 parte da sociedade também passou a aceitar como verdadeiro somente aquilo que é produzido pelos poderes vigentes e pela ciência. o ser humano teve a sua condição de indivíduo anulada. proposta pela matriz de pensamento linear. que demonstrou sua capacidade de predominância diante de outras alternativas de produção do conhecimento. 4 . passando a negar algumas de suas vontades próprias para assumir algumas verdades que não foram desenvolvidas em seu próprio interior. p. limitou os indivíduos e a sociedade em relação a sua capacidade de entendimento sobre outros fatores que determinam a sua existência. De acordo com Branco (2005. passando a exercer atividades que lhe são determinadas pelos padrões vigentes na sociedade. Nesta condição. As exigências estabelecidas pelas necessidades de atendimento às demandas geradas por esta matriz de pensamento exigiram dos sujeitos à especialização em áreas específicas do saber. Nos 5 milhões de anos que demarcam a sua existência no planeta Terra por meio do surgimento do seu primeiro ancestral. Neste longo processo de formação do arquétipo mental linear. 93) “hábitat corresponde a uma parte do ambiente que é normalmente ocupada por uma espécie em particular”. excluindo-se do processo de participação ativa da criação do seu modo de vida.

foi somente no início da década de 1960 que parte da sociedade voltou a sua atenção para os impactos produzidos pela humanidade no ambiente ocupado. De acordo com Stuart e Simmons citados por Shedrake (1993. em um período constante de tempo”. No caso específico do Paraná. pouco mais de 500 anos de ocupação foram necessários para a promoção de profundas modificações no ambiente natural. de muitas espécies de mamíferos. as evidências apontadas pela comunidade científica sobre os seus efeitos do aquecimento global no curto e médio prazo estão recebendo uma maior atenção por parte das sociedades mundiais em De acordo com Meadows (1978. S.59% as densas florestas que cobriam a quase totalidade da área do Estado (INSTITUTO AMBIENTAL DO PARANÁ (IAP). pouco mais de um século de franca expansão e ocupação comandados pelos interesses dominantes foi necessário para reduzir de 98. novamente em 2007. mencionadas por Santos. a exemplo da quase extinção da floresta atlântica e do sempre presente desmatamento da floresta amazônica. devido à sua caça excessiva ou à destruição de seu meio ambiente. E. 2007). como os Xetá.32% para 7. última etnia nativa do estado do Paraná a estabelecer contato com os colonizadores (MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. ao longo do desenvolvimento de suas atividades. p. os mamutes na Europa setentrional e o hipopótamo pigmeu no Chipre. tais como o tatu gigante na América do Sul. dos (2007) em sua reflexão sobre a origem e evolução histórica dos conceitos ambientais. 23) “uma quantidade apresenta crescimento exponencial quando cresce numa porcentagem constante do total. é possível que os seres humanos tenham sido os responsáveis pela extinção. Após sucessivas rodadas de discussões ao longo destes últimos 45 anos. há cerca de dez mil anos. No Brasil. 2007) e para extinguir as últimas culturas de povos milenares que aqui habitavam. E o que se deve esperar para o futuro em termos da provável ampliação da utilização dos recursos naturais para o suprimento das demandas de consumo de uma população mundial que cresce de forma exponencial5? Apesar da aventura humana no planeta Terra ter iniciado há aproximadamente 5 milhões de anos de um total de 5 bilhões de anos que a natureza levou para constituir a sua complexa rede viva integrada. 46): Na Europa e nas Américas.17 da água e do ar. p. 5 .

capazes de questionar as características de funcionamento de sua racionalidade predominante. Sugere ainda reflexões mais profundas. a qual determina a forma de ser e agir das sociedades contemporâneas e serve de abrigo para os elementos geradores da grande maioria das crises. Busca-se justamente pensar a crise Para Egri e Pinfield (1999). 6 . também se demonstrou capaz de chamar a atenção de diferentes atores sociais para o estado crítico da saúde ambiental planetária e para as possíveis conseqüências dela decorrentes nos campos social e econômico em escala global. Diferentemente da abordagem radical presente em relevantes trabalhos acadêmicos na área ambiental. O reconhecimento pela comunidade científica sobre o agravamento da crise entre “meio ambiente e sociedade” sugere a humanidade a necessidade de reflexões sobre suas ações e sobre a forma como compreende e desenvolve a sua relação com o ambiente natural. quanto à gravidade dos impactos ambientais gerados pelas diferentes organizações sociais ao longo de sua história. este estudo se apresenta para a sociedade como uma proposta para a promoção de reflexões e reavaliações sobre a forma como cada indivíduo ou organização estabelece a sua relação com o ambiente natural. ainda que em escala reduzida. em especial após o início da revolução industrial. que contribuiu para consolidar o fenômeno “aquecimento global” como uma séria evidência da crise sócio-econômicaambiental em curso. o paradigma social dominante representa a visão tradicional de mundo da sociedade industrializada contra a qual se voltam as perspectivas ambientalistas. Os resultados dos estudos científicos produzidos e divulgados pelos cientistas que integram o Intergovernmental Panel on Climate Change (2007) confirmam que o fenômeno do incremento da temperatura global deixou de ser apenas uma suposição científica para apresentar-se como uma eminente condição de risco para a manutenção da vida no planeta Terra. Com base nesta necessidade.18 relação à necessidade de uma urgente reflexão global para a realização de mudanças do paradigma social dominante6. não se busca aqui determinar responsáveis por este ou aquele tipo de atividade causadora de danos ao meio ambiente. Esta importante confirmação científica. Esta confirmação contribuiu para a ampliação da percepção da sociedade global.

Presentes tanto no seio das sociedades centrais como das sociedades periféricas e voltadas para a promoção e atendimento das demandas crescentes de consumo das sociedades humanas.19 ambiental em curso como resultado de um conjunto maior de ações oriundas do tipo de racionalidade hegemônica adotada por diferentes tipos de atores que determinam os comportamentos da sociedade global. Na periferia. Nas sociedades centrais encontram-se as maiores concentrações populacionais e nelas são desenvolvidos padrões de consumo inconseqüentes que contribuem significativamente para o comprometimento do futuro da vida e do meio ambiente. em especial do setor químico. A urgência do estabelecimento de uma nova reflexão coletiva nas diferentes esferas das sociedades locais para a institucionalização de uma nova racionalidade apresenta-se de forma evidente. Tais exigências. Esta urgência do estabelecimento de uma reflexão coletiva e global se dá tanto no seio das sociedades periféricas como das sociedades centrais em função do processo de retro-alimentação estabelecido. oriundas de legislações mais abrangentes e do aprimoramento do comportamento de uma sociedade que se faz cada vez mais crítica. as organizações industriais. Como agentes responsáveis pelo desenvolvimento econômico e social nos . deparam-se com uma crescente ampliação dos níveis de exigências em termos da sua participação no processo de manutenção do meio ambiente. Nas sociedades periféricas são desenvolvidas as atividades de produção extensiva orientadas para o atendimento das demandas dos grandes centros urbanos. determinam a estas organizações o exercício de um real papel de responsabilidade junto à sociedade. o ambiente natural sofre freqüentes pressões. uma vez que ações isoladas se revelam não suficientes para reverter ou pelo menos minimizar o quadro de catástrofes ambientais anunciadas. Nas sociedades centrais são desenvolvidas as principais ações de produção que contribuem para o agravamento dos efeitos do aquecimento global e para a contaminação do meio ambiente. cedendo espaço para o desenvolvimento das atividades econômicas orientadas para o atendimento das crescentes demandas de consumo oriundas das sociedades centrais.

estas organizações. envolvendo as variáveis meio ambiente e indústrias químicas. buscou-se apresentar algumas das insuficiências da matriz de pensamento linear para o desenvolvimento de um estudo de percepção de característica multidisciplinar. Por meio de suas ações.20 ambientes onde estão inseridas. foram analisadas algumas das principais características da matriz de pensamento linear e suas influências sobre a forma de ser e agir da sociedade contemporânea. No capítulo 2. são apresentados alguns dos motivos que levaram a escolha da matriz da complexidade para o . estas indústrias demonstraram que são capazes de interferir positivamente no comportamento de seus clientes. por meio da institucionalização de práticas que visem à promoção de um desenvolvimento local e global alinhado com propostas sustentáveis alicerçadas no respeito ao meio ambiente. que afetam positivamente a sociedade e que determinam à formação de uma nova consciência coletiva. o desenvolvimento de produtos biodegradáveis ou a utilização de embalagens recicláveis. O objetivo deste trabalho é identificar como os profissionais de indústrias químicas instaladas em um município paranaense percebem as relações de suas organizações com o meio ambiente.1. Para o atingimento do objetivo proposto foram concebidos cinco capítulos para a fundamentação teórica. funcionários e também nas diferentes esferas do poder público. Com base nesta reflexão. fornecedores. bem intencionadas ou não em relação aos seus verdadeiros interesses com relação às causas ambientais. podem ser percebidas nas organizações industriais que assumiram o discurso da importância do respeito ao meio ambiente. Por meio de ações como o marketing ecológico. que trata da fundamentação epistemológica do estudo. as indústrias químicas podem contribuir significativamente para o desenvolvimento de práticas de produção mais limpas orientadas para um maior respeito ao meio ambiente e para a formação de uma nova consciência coletiva em termos de produção e consumo. Além das limitações da matriz de pensamento linear. podem contribuir para a construção de um novo tipo de racionalidade mais compatível com as necessidades de preservação do meio ambiente e voltada para a concretização do sonho de construção de uma sociedade fundamentada em princípios sustentáveis. Algumas destas práticas.

2 busca-se promover algumas reflexões sobre meio ambiente e sociedade na contemporaneidade. na busca da construção de uma compreensão multidisciplinar para natureza e meio ambiente. Por este motivo. onde normalmente o tema meio ambiente é tratado apenas como uma variável subordinada aos interesses e ao controle das organizações. A opção pela manutenção e apresentação dos fatos históricos que tratam sobre o surgimento e a forma de organização da indústria química. A proposta de organização deste estudo possui características peculiares que o diferem das propostas de estudos desenvolvidas à luz da matriz do pensamento linear.3 é reservado para a caracterização da indústria química no mundo e no Brasil. Neste capítulo são também apresentadas algumas considerações sobre a relação ser humano e natureza. no capítulo 2. se deu pelo interesse . Desta forma. as quais visam possibilitar uma rápida leitura por parte daqueles leitores que já conhecem a realidade do setor. bem como a sua forma de organização e atuação. Em razão do pesquisador não possuir vínculos profissionais com o setor químico. O capítulo 2. os quais foram incorporados no presente estudo na forma de tabelas. bem como de alguns números que retratam de forma quantitativa a realidade do setor químico na atualidade. além de aspectos relacionados ao reconhecimento da complexidade ambiental e a iminência da consolidação do conceito de sociedade de risco proposto por Beck (2006). durante o desenvolvimento deste estudo optou-se primeiramente por caracterizar aspectos relevantes sobre meio ambiente e sociedade para somente depois caracterizar as indústrias químicas e a relação que estas estabelecem com o meio ambiente. se fez necessário resgatar alguns fatos históricos da indústria química. A concepção da elaboração deste estudo parte de interesses particulares do pesquisador avivados ao longo de sua participação no programa de mestrado em Organizações e Desenvolvimento e do seu reconhecimento quanto à necessidade do desenvolvimento de novos estudos que versem sobre as relações das organizações industriais e o meio ambiente e que sejam capazes de caracterizar as empresas apenas como uma parte integrante de um conjunto maior de elementos que constituem o próprio meio ambiente.21 desenvolvimento do presente estudo.

Neste capítulo também são apresentados alguns conceitos específicos sobre percepção ambiental e a sua importância para o desenvolvimento de estudos que envolvam a variável meio ambiente. os quais receberão uma cópia do trabalho em meio digital com sinal de retribuição pela sua participação. ESPECIFICAÇÃO DO PROBLEMA As indústrias de transformação7 desempenham um papel histórico na sociedade em termos de promoção do desenvolvimento econômico e social das regiões onde se encontram inseridas e também em relação aos impactos ambientais decorrentes de suas atividades. contratam serviços de terceiros. Segundo o próprio instituto. Como a definição do que seja um produto novo nem sempre é objetiva.22 do pesquisador em disponibilizar algumas informações sobre as indústrias químicas para os profissionais que participaram da pesquisa. elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007). o capítulo 3 trata dos procedimentos metodológicos adotados para o desenvolvimento da pesquisa e o capítulo 4 apresenta os resultados obtidos para este estudo de percepção. versão 2. Por meio do desenvolvimento de suas atividades. De acordo com Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). a indústria de transformação compreende as atividades que envolvem a transformação física. 1.4 apresenta alguns conceitos relacionados à percepção. geram empregos e renda para as populações das comunidades do seu entorno ou quando contribuem com tributos para as três esferas do poder público. substâncias e componentes com a finalidade de se obterem produtos novos. este fato gera dificuldades na determinação dos limites do que é considerado uma atividade da indústria de transformação (atualmente o CNAE possui 24 divisões de atividades econômicas).2. a fronteira entre a indústria de transformação e outras atividades nem sempre é clara. Por fim. os quais serviram de referência para o desenvolvimento do presente estudo. 7 . uma vez que a regra geral determina que as unidades da indústria manufatureira estão envolvidas com a transformação de insumos e materiais em um produto novo. que busca revelar quais são as percepções de profissionais que atuam na indústria química de um município paranaense em relação ao meio ambiente e como as organizações onde trabalham consideram a questão ambiental no desenvolvimento de suas atividades produtivas. as indústrias de transformação movimentam a economia quando adquirem matérias-primas para a fabricação de seus produtos. química e biológica de materiais.0. O capítulo 2.

Algumas cidades. S. tratamento e destino de resíduos. entre outros. a corrida pelo desenvolvimento industrial desencadeada na década de 1990 e baseada na concessão de benefícios fiscais. foi diretamente responsável pela implantação de novas indústrias que hoje contribuem significativamente para a dinamização da economia do Estado. dos (2007). passaram a exercer uma maior influência sobre o meio ambiente das regiões onde foram implantadas. E. em conjunto com as indústrias que estavam anteriormente instaladas. Este estudo busca identificar como as indústrias de transformação do setor de fabricação de produtos químicos instaladas em um município paranaense estabelecem as suas relações com o meio ambiente. como a otimização de processos industriais. S. Estes impactos produzidos junto ao meio ambiente se agravam quando há a ausência de medidas que visem mitigar os efeitos produzidos pelo processo de ocupação e aumento da utilização dos recursos naturais. além de plantas industriais receberam também um considerável incremento populacional. assim como em outros estados. fato que resultou em sérios problemas sociais. fato último retratado por Santos. Junto com o desenvolvimento econômico. quando analisa os impactos ambientais causados pela implantação do setor automotivo no Paraná. por meio da obtenção de respostas ao seguinte questionamento: . dos (2007). a ausência destas medidas pode representar danos irreparáveis ao meio ambiente. a exemplo da Região Metropolitana de Curitiba. as novas indústrias. de ocupação espacial e de pressão quanto à utilização de recursos naturais. a substituição de insumos e matérias-primas não renováveis por renováveis. quer seja por questões relacionadas à ampliação da utilização de recursos naturais ou por questões relacionadas à ampliação da produção de resíduos industriais. além de sérios impactos de ordem social e econômica. E. situação retratada por Santos. Em especial no setor de fabricação de produtos químicos.23 A importância que as indústrias de transformação representam em termos de desenvolvimento econômico para as diferentes regiões onde são implantadas pode ser constatada pelas recentes concessões fiscais oferecidas pelas esferas dos poderes estaduais e municipais para a atração de novos empreendimentos industriais. No Paraná.

4. • Caracterizar como os profissionais percebem o meio ambiente.3. 1.3. JUSTIFICATIVA DO ESTUDO O interesse em realizar um estudo envolvendo as variáveis “Meio Ambiente” e “Indústrias Químicas” surgiu em meio a crescentes inquietações avivadas ao longo do mestrado. Objetivo Geral Identificar como os profissionais de indústrias químicas instaladas em um município paranaense percebem as relações de suas organizações com o meio ambiente. a proposta inicial de pesquisa gradativamente se demonstrou insuficiente em relação às expectativas deste pesquisador em realizar uma pesquisa científica de natureza multidisciplinar alinhada com interesses mais amplos da sociedade.1. OBJETIVOS 1. Objetivos Específicos • Apresentar o perfil ambiental das indústrias químicas analisadas. acerca da real relevância da realização do projeto de dissertação original.2. 1. • Apresentar o perfil dos profissionais entrevistados em termos de formação e experiência de atuação no ramo industrial químico.24 Como os profissionais de indústrias químicas instaladas em um município paranaense percebem as relações de suas organizações com o meio ambiente? 1.3. o qual buscava revelar os impactos da utilização de tecnologias de informação por produtores rurais cooperados. Com um enfoque determinista e simplificador. . • Apresentar como os profissionais percebem as relações de sua organização com o meio ambiente.

que os apelos para consumo eram mais moderados e que a convivência com as pessoas era mais valorizada. que estavam até então adormecidas. 342) a ação racional instrumental corresponde a “ação baseada no cálculo. Este abandono se deu em razão da predominância de sua preocupação com a dimensão econômica. especificamente em uma área orientada para atendimento das necessidades de mercado: a informática. foi reavivado. Lembranças de infância. foram 8 De acordo com Serva (1996. A decisão de mudança do tema de estudo veio pelo reconhecimento e pelo interesse deste pesquisador em desenvolver um estudo envolvendo questões sociais e ambientais. da época em que os recursos financeiros eram mais limitados. o qual obedece à maioria dos padrões de estilo de vida adotados pela sociedade contemporânea. As evidências do distanciamento das questões sociais e ambientais estão representadas no estilo de vida adotado por este pesquisador. estas questões sociais e ambientais. que outrora estiveram mais próximas e que gradativamente foram ignoradas. As lembranças de um padrão de vida simples caracterizado pelo convívio social e por uma melhor utilização dos recursos naturais estão registradas na memória deste pesquisador. um antigo interesse pela área ambiental. em parte. orientada para o alcance de metas técnicas ou de finalidades ligadas a interesses econômicos ou de poder social. p. quando em companhia do seu pai efetuou os primeiros reconhecimentos do ambiente natural e recebeu as primeiras noções sobre a beleza e a importância da preservação da natureza. esquecido em meio à predominância da até então desconhecida ação racional instrumental8 e que contribuiu para a subtração de anos de reflexão deste pesquisador sobre temas complexos. Neste processo de busca. a qual acabou determinando.25 A insatisfação crescente com a proposta de pesquisa original acabou por despertar reflexões sobre a necessidade de encontrar um tema de especial relevância para o contexto da sociedade contemporânea. Com a realização das disciplinas do programa de mestrado multidisciplinar. . Lembranças das muitas pescarias realizadas na infância nos Rios Tibagi. através da maximização de recursos disponíveis”. pela sua escolha de graduação acadêmica na área de exatas. Guaraúna e Iapó antes da acentuação dos efeitos da poluição e da degradação do meio ambiente.

Dr. e a ordenar sua vida pessoal e social de acordo com ela. Belmiro Valverde Jobim Castor forneceu aos mestrandos relevantes informações para o entendimento das influências das diferentes racionalidades no funcionamento das organizações sociais e sobre o comportamento dos indivíduos que nelas trabalham. Dr. incluindo este pesquisador – fato que revela uma forte evidência sobre as insuficiências oriundas da formação educacional de caráter unidisciplinar. As contribuições destas duas disciplinas se complementaram com as discussões em torno das definições sobre as racionalidades instrumental e substantiva9 das organizações. Com uma abordagem fundamentada. política. ambiental. Belmiro Valverde Jobim Castor na disciplina denominada Delimitação de Sistemas Sociais. Christian Luiz da Silva e Meio Ambiente. a racionalidade pode ser definida como funcional ou instrumental quando é definida pelo cálculo de consequências. Cleverson Vitório Andreoli apresentou em sua disciplina evidências sobre a situação crítica do planeta Terra e sobre o futuro da humanidade. serviram para revelar a ausência de sensibilidade e um certo distanciamento por parte dos mestrandos em relação às questões ambientais. que também considerasse em mesmo nível de importância as dimensões social. Cleverson Vitório Andreoli. o conhecimento genuíno do falso. 9 . um novo tipo de desenvolvimento. com o Prof. Em sua disciplina. enquanto que a racionalidade substantiva se preocupa com as qualidades éticas dos fins e não leva em consideração conseqüências adversas. Outras importantes revelações sobre o processo de formação das matrizes de produção do conhecimento foram inicialmente obtidas junto aos amigos de longa data e também pesquisadores. Dr. Alberto Guerreiro Ramos e apresentadas com fidelidade por um dos seus discípulos. Christian Luiz da Silva sensibilizou os mestrandos sobre a necessidade de se pensar um novo tipo de desenvolvimento além daquele unicamente baseado na dimensão econômica. desenvolvidas pelo Prof. as quais. Em sua disciplina. o Prof. o Prof. além de provocar prolongados debates. o Prof. o Prof. os Professores Janaína Maria Bueno e Carlos Roberto Para Castor (2007) a razão é a força ativa do psiquismo humano que habilita o indivíduo a distinguir o bem do mal. Dr. com o Prof. cultural e espacial diretamente impactadas pelas preocupações unicamente centradas na dimensão econômica. Para o autor. Dr. fatos que associados contribuíram significativamente para a decisão de elaboração deste estudo envolvendo organizações e meio ambiente.26 novamente despertadas pelas disciplinas Desenvolvimento Sustentável. Dr.

Maria Auxiliadora Villar Castanheira. Dr. que em muitas rodadas de conversa no Lucca Café. Foi por meio desta disciplina e do conhecimento demonstrado pelo Prof. especialmente preparada e ministrada pelo Prof. que o entendimento sobre o real sentido de se produzir ciência com consciência foi consolidado e estabelecido por estes alunos que aceitaram o desafio de produzir suas dissertações à luz da teoria da complexidade e alinhadas com desafios emergentes enfrentados pela sociedade contemporânea. Nestes encontros. o construtivismo e a teoria crítica foram gradativamente reveladas. Dr. do qual ambos são integrantes. Dr. o Prof. em especial na atual experiência vivida por eles no Programa de Doutorado em Administração da Fundação Getúlio Vargas – São Paulo. José Edmilson Souza-Lima ofereceu em sua disciplina os estímulos necessários para que os futuros mestres em Organizações e Desenvolvimento articulassem seus trabalhos de pesquisa em torno de temas sociais. em consonância com o momento histórico vivido pela .27 Domingues. Julio César de Oliveira Sampaio de Andrade e Paulo Roberto Socher. José Edmilson Souza-Lima. o pós-positivismo. foi proporcionado aos mestrandos à oportunidade de conhecer as várias formas de produção do conhecimento na sociedade contemporânea. econômicos. A experiência vivenciada por este pesquisador e por seus colegas ao longo do mestrado e a sua decisão de troca do tema escolhido para o desenvolvimento de sua dissertação pode ser traduzida nas palavras de Severino (2002). as primeiras noções sobre as matrizes de produção do conhecimento científico envolvendo o positivismo. como forma de ampliar a sua compreensão para os diversos níveis de complexidade do mundo em que estão inseridos e sobre o qual atuam. Para o autor. Com a disciplina Epistemologia e Pesquisa Multidisciplinar. políticos e ambientais. cabe ao pós-graduando em geral desenvolver um trabalho de reflexão e pesquisa baseado em um projeto político-existencial. José Edmilson Souza-Lima em termos de seleção dos referenciais teóricos e da condução das atividades do grupo de pesquisa formado pelos alunos Angelo Guimarães Simão. Baseado em sua formação e experiência como professor e pesquisador. compartilharam gratuitamente os seus conhecimentos sobre epistemologia adquiridos ao longo de suas carreiras acadêmicas. Maria Bernadete Wolochen.

na qual se busca analisar a participação das organizações no desenvolvimento e o seu papel como agente no processo de desenvolvimento local. Para Cintra citado por Severino (2002. como vilãs do meio ambiente.28 sociedade concreta. p. p.. pela adoção de estratégias educacionais centradas unicamente no atendimento das necessidades de mercado. ela lhe diz respeito [. Um projeto que revele a sensibilidade do pós-graduando às condições que sua sociedade vive e às exigências de sua transformação. em especial as instituições privadas. bem como desenvolver pesquisas que versem sobre temas relacionados com o ambiente e o desenvolvimento. em vista de sua relação com o universo que o envolve.] não. obviamente. 113). em vista do seu crescimento constante. criativo e rigoroso. O autor ainda considera que as várias formas de trabalhos científicos têm em comum a necessária procedência de um trabalho de pesquisa e de reflexão que seja pessoal.. este trabalho está vinculado à linha de pesquisa "Sustentabilidade e Desenvolvimento Local". Esta situação pode ser . necessita ser pessoal no sentido em que “qualquer pesquisa. em qualquer nível. Cabe a presente pesquisa fazer incursões nesse campo de disputas para verificar possíveis insuficiências das abordagens anteriores e tentar ir adiante a termos explicativos das relações entre indústrias químicas e meio ambiente. Desta forma. em especial as indústrias químicas. 113): A temática deve ser realmente uma problemática vivenciada pelo pesquisador. situação gerada em função da superespecialização das disciplinas e do interesse de grande parte das instituições de ensino superior. mas no nível da avaliação da relevância e da significação dos problemas abordados para o próprio pesquisador. A escolha do tema de estudo foi motivada pela existência de estudos ou abordagens que apontam as indústrias de transformação. autônomo. num nível puramente sentimental. Outro fator que motivou a realização deste estudo foi a constatação do distanciamento ocorrido entre a formação universitária e as reflexões sobre os problemas sócio-ambientais. exige do pesquisador um envolvimento tal que seu objetivo de investigação passa a fazer parte de sua vida”. Para Severino (2002. assim como outros estudos que afirmam ou apontam evidências contrárias.

a autora cita Schön. em especial estudos sobre as organizações que atuam no Estado do Paraná. 2007.. principalmente nos cursos de graduação. Neste sentido Morales (2007). fato que contribui para que o conhecimento torne-se cada vez mais disciplinar. considera que o ensino superior dá ênfase à formação de profissionais que sejam produtivos para o mercado.. a universidade. acompanhando a lógica das novas práticas de desenvolvimento por meio da técnica e da ciência. para quem a racionalidade técnica. contribui para a formação de profissionais que saibam solucionar problemas instrumentais. gerar dados e massa crítica para o meio acadêmico para o desenvolvimento de novas pesquisas relacionadas às questões das organizações e o meio ambiente. inviabilizou o contato com os problemas sócioambientais... Em seu trabalho de pesquisa. p. Busca-se também por meio deste estudo. Esta constatação revela uma grave falha em termos de formação das diversas especializações profissionais para o devido tratamento das questões ambientais nas organizações contemporâneas.29 constatada em algumas citações presentes no estudo realizado por Morales (2007. o que implica não considerar o ser humano e suas interfaces nesse processo. 151). p. De acordo com Gonçalves e Carvalho citados por Morales (2007. Talvez este fato justifique a ausência de sensibilidade demonstrada por diferentes tipos de profissionais em relação a sua preocupação com o meio ambiente e consequentemente a carência de estudos organizacionais que tratem de questões ambientais. p. No meio profissional poderá contribuir para a promoção de reflexões e para o desenvolvimento de ações voltadas para a preservação do meio ambiente a partir de iniciativas geradas pelos diferentes tipos de profissionais no interior das organizações. por meio da aplicação de teoria e técnicas apropriadas derivadas do conhecimento sistemático. que considera que “. o pensamento moderno está impregnado de caráter utilitarista e pragmático”. distanciando-o”. ao criar um ensino de resultados. as paixões e as intuições. distanciando-se do saber totalizado” (MORALES. 151). Para a autora “. . 151) “se fez imperativo dominar o instinto.

FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS DO ESTUDO 2. por conseqüência. 10 . FUNDAMENTOS TEÓRICOS 2. das sociedades contemporâneas. Por se tratar de um tema complexo e de natureza crítica. 19).1. surgiram diversas evidências que revelaram as insuficiências da adoção da abordagem linear para o tratamento de um tema com características complexas. Ao longo da investigação e da elaboração da revisão bibliográfica. no sentido de possibilitar a adoção de novas estruturas cognitivas compatíveis para a realização desta pesquisa. pensar e agir da comunidade científica e. originando assim uma forte necessidade para o reconhecimento e aprofundamento do seu processo de Vasconcelos (2002) define que as práticas multidisciplinares correspondem a gama de campos de saber que propomos simultaneamente. Compreender melhor a essência dos fundamentos epistemológicos partindo de uma formação cultural e acadêmica influenciada pela corrente positivista representou um desafio pessoal em termos de aprimoramento das estruturas de pensamento e de percepção deste pesquisador.1. se fez necessário primeiramente estabelecer e compreender os fundamentos epistemológicos que influenciam os processos de formação dos arquétipos mentais que determinam o modo de ser. Aos poucos esta experiência tornou-se um sentimento maior. Considerações Iniciais Este capítulo visa apresentar as razões e os fundamentos epistemológicos que nortearam a concepção e a realização deste estudo. p. mas sem fazer aparecer as relações existentes entre eles. que aborda a discussão da relação polarizada existente entre meio ambiente e organizações industriais. Ao longo do processo de iniciação e aprendizado para o desenvolvimento de pesquisas científicas multidisciplinares. alinhando-se ao sentimento da “crise de meia idade” definido por Jung e citado por Vasconcelos (2002. se fez necessário conhecer e questionar em vários momentos a natureza de seu pensamento mecanicista e determinista. no sentido de torná-las mais abertas e aptas para a discussão de temas multidisciplinares10. evidências estas que foram identificadas de forma gradual e devidamente consideradas para o desenvolvimento do presente estudo.1.30 2.

18) considera “fundamental diferenciar individualização. incluindo nossa herança cultural. propostas encontradas na matriz epistemológica da complexidade. de natureza inclusiva e orientada para a promoção do diálogo entre as ciências naturais e sociais. Com base no estudo do contexto do surgimento da ciência moderna. e individuação. 168) comenta: Naturalmente. Sheldrake (1993. processo histórico e cultural em desenvolvimento nas elites das sociedades ocidentais de capitalismo central. é a experiência real. Conhecer um pouco mais sobre a natureza e o funcionamento das matrizes epistemológicas da linearidade e da complexidade contribuiu significativamente para a formação de um entendimento mais profundo do comportamento de risco das sociedades contemporâneas. p. foi possível contrapor a noção simplificadora da linearidade com a noção emergente da complexidade. . apresentada na disciplina de Epistemologia e Pesquisa Multidisciplinar. para um maior entendimento das possíveis origens e razões da atual crise ambiental. p. que tem mais importância para a conduta de nossas vidas. Se não nos cabe viver vidas duplas. e não apenas os aspectos artificialmente limitados da experiência correspondentes a um experimento ou a uma observação científicos. divididas entre uma realidade mecanicista impessoal e "objetiva" e o mundo "subjetivo" da experiência pessoal. que nos liga ao mundo em que vivemos. não seria suficiente para desenvolver 11 Vasconcelos (2002. Abordar o tema meio ambiente e indústrias químicas à luz da matriz da linearidade. processo de diferenciação e maturação psicológica de cada indivíduo ou pessoa”. somente a partir das teorias das ciências naturais ou somente a partir das teorias das ciências humanas e sociais. e para a realização de questionamentos sobre a necessidade de uma produção científica pluralista alinhada com reais interesses da sociedade. e não as limitadas abstrações da ciência.31 individuação11 em relação às questões sócio-ambientais. E é toda a nossa experiência. precisamos encontrar um meio de estender uma ponte entre esses dois domínios. compreensão esta exigida para a realização de estudos mais abrangentes. Como forma de reforçar esta reflexão. ou seja. Foi possível também perceber de que forma a matriz da linearidade limita a produção de um conhecimento científico holístico. para uma melhor compreensão da delicada relação existente entre organizações industriais e meio ambiente.

originada ou derivada dos trabalhos de René Descartes na primeira metade do século XVII e retratada em sua obra clássica “O Discurso do Método”. o sucesso da matriz do pensamento linear. o campo epistemológico proposto por Descartes ainda é o que mantém o maior número de representantes responsáveis por desempenhar o papel de perpetuação da lógica cartesiana na produção acadêmica e científica. A considerar o período de produção de seus estudos. 12 . dando origem a uma ciência de natureza antropocêntrica em substituição ao dogma teocêntrico vigente na época. a qual reproduz reflexos no contexto da vida social. 2. Termo utilizado por Souza-Lima (2007) para fazer referência aos pesquisadores que estão localizados na fronteira entre um paradigma vigente e um paradigma emergente. em razão de suas características limitantes para o desenvolvimento do conhecimento científico. O Sucesso da Matriz Linear e suas Limitações Apesar das limitações para o desenvolvimento de um pensamento científico mais amplo. influenciando diretamente as formas de organização social de grande parte da humanidade.1. realizados sob as influências religiosas repressoras da inquisição. Promover este diálogo entre diferentes atores das ciências natural e humana passou a ser considerado então um dos desafios identificados como necessário para o desenvolvimento do presente estudo. fez com que ela mantivesse sua condição hegemônica por mais de três séculos. passou a ser adotada como a matriz epistemológica que determina a forma de produção de conhecimentos científicos ao longo da história e na contemporaneidade.32 um estudo mais abrangente e que possibilitasse o conhecimento das percepções de profissionais da indústria química de um município paranaense sobre a relação de suas organizações com o meio ambiente. Descartes contribuiu significativamente para a inauguração de um novo campo epistemológico baseado na racionalidade e na busca de explicações lógicas para os fenômenos observados. Embora questionada pelos denominados “pesquisadores de fronteira”12. como o excessivo culto à razão e à verdade manifesta ou da disjunção sujeito-objeto e o estabelecimento da relação causa-efeito.2. Em razão deste sucesso.

e morta em vez de viva. Embora os detalhes do seu sistema fossem logo substituídos pelo universo newtoniano. Contrariando as idéias originalmente defendidas pelo pensamento linear. A matéria preenchia todo o espaço. ao assinalar que os mecanicistas “sempre temeram. Desde o tempo de Descartes. 20). conceito que proporcionou o surgimento da doutrina do dualismo. Para Sheldrake (1993. aos animais e ao homem. ele aplicava em tudo essa sua nova maneira mecânica de pensar.33 Talvez alguma justificativa para a razão desta perpetuação possa ser encontrada nas palavras de Sheldrake (2001. A alma também foi retirada do corpo humano. de certa forma. como tudo o que nele se continha. interage com a maquinaria do cérebro. p. O esteio da filosofia de Descartes pode ser resumido por sua famosa frase em latim: “Cogito. embora a maneira como as duas estão relacionadas continue sendo um mistério impenetrável. que se converteu num autômato mecânico. em princípio plenamente explicáveis nos termos da física e da química comuns. 2001. sendo espiritual em sua essência” (SHELDRAKE. essencialmente. 19). Para Sheldrake (2001). logo existo”. alojada numa pequena região do cérebro. foi proposta pela primeira vez como parte da filosofia mecanicista da natureza: o cosmo era uma máquina. inclusive os corpos humanos. ele assentou os alicerces da visão de mundo mecanicista tanto na física como na biologia. A mente. até mesmo às plantas. também denominada de não-linear e que será adotada para o desenvolvimento deste estudo. ergo sum“ ou “Penso. as almas foram eliminadas da totalidade do mundo natural. onde a matéria atômica se movimentava no vazio. desprovida de alma. de acordo com necessidades matemáticas. Na filosofia de Descartes. Descartes pensava que a terra e outros planetas eram levados a girar em torno do sol devido a tal redemoinho. a teoria mecanicista da vida proposta por Descartes. p. Sua ambição intelectual era ilimitada. ela rodopiava em vórtices. toda a natureza era inanimada. criticam . deixando-se apenas a alma racional. a glândula pineal. a idéia permanece a mesma. defensores da teoria da complexidade. que a aceitação da realidade de algo ‘misterioso’ ou ‘místico’ na esfera da vida implique o abandono das certezas laboriosamente adquiridas pela ciência”. e continuam a temer. essencialmente. 59): O universo de Descartes era um vasto sistema matemático de matéria em movimento. “apenas a mente consciente e racional do homem era diferente. mas. a região favorecida deslocara-se um par de polegadas em direção ao córtex cerebral. era a matriz universal. máquinas complexas. Segundo o campo epistemológico mecanicista. Sob uma forma sutil. p. segundo a qual todos os animais e plantas são. a mente consciente. Tudo no mundo material funcionava de maneira inteiramente mecânica.

Biologia e Antropossociologia. esta dissociação entre sujeito (ego cogitans) e objeto (res extensa) e para Capra (2005) a divisão entre a mente. Segundo Morin (1998). nessa bifurcação. 62) “a doutrina de Descartes. das emoções e da corporalidade. este racionalismo dualista cartesiano. quanto na abordagem mecanicista das ciências naturais. e a matéria. segundo a qual plantas e animais não passavam de máquinas. a “coisa extensa” (res extensa). impedindo o estabelecimento de comunicações entre elas. Para autores como Daly e Cobb. Para Thomaz citado por Sheldrake (1993. e o mundo dos sujeitos racionais que pensam sobre a sua existência. p. os saberes e o universo. bem como para uma dificuldade estrutural na abordagem dos fenômenos subjetivos.34 abertamente o conceito de dualismo proposto por Descartes. assunto que será foco deste estudo. Da mesma forma. tornando-as ciências totalmente isoladas e distintas. propostas por Descartes. Para Morin (1998). Morin (1998) complementa a sua reflexão mencionando que o estabelecimento deste pensamento isolou diversos campos das ciências como a Física. do seu ambiente e do seu observador. Ehrenfeld e Merchant citados por Egri e Pinfield (1999) este dualismo entre mente e matéria foi fundamental para a defesa pelos filósofos do século XVII. Para o autor. para o vertiginoso processo de destruição ambiental dos séculos XIX e XX. possibilitando que a primazia antropocêntrica e otimista da racionalidade humana sobre a natureza/corpo contribuísse. determinaram o surgimento de um pensamento linear fundamentado em um paradigma simplificador. que separa o sujeito pensante do objeto (natureza/corpo) contribuiu para uma disjunção paradigmática: o mundo dos objetos submetidos à observação. do domínio sobre a natureza como essencial para o progresso científico e social. em especial Descartes. favoreceu sua meta explícita de fazer dos homens ‘senhores e possuidores da natureza’”. a “coisa pensante” (res cogitans). Para outros autores como Vasconcelos (2002). experimentação e manipulação. com características de redução e de disjunção. as características híbridas e complexas dos fenômenos foram severamente reduzidas. contribuiu também significativamente para a inauguração de um novo período de . psíquicos. que foram reduzidos no dualismo cartesiano tanto na abordagem idealista da consciência. entre outras coisas. redução porque passou a unificar tudo aquilo que é múltiplo e de disjunção porque passou a isolar os objetos uns dos outros.

a sabedoria tradicional e as artes. ou quase isso.] em 1927. O mesmo acontece à maioria dos estudantes de ciência. Evidências como a valorização excessiva dos métodos quantitativos e a superespecialização das disciplinas.. à medida que a teoria quântica se desenvolvia.. Durante várias décadas mais.] o prestígio que esse método adquiriu. humanistas seculares e todos que advogam o primado da ciência sobre a religião. graças à física.35 certezas e para a crença na objetividade da produção científica. estabeleceu-o como o modelo do desprendimento científico. modelo cobiçado por biólogos. 66): [. p. no nível microscópico. presumia-se que essa aleatoriedade tinha pouca relevância para o mundo do dia-a-dia. previsíveis tão-somente em termos de probabilidades. p. Mas durante os últimos vinte anos. Para Sheldrake (1993. os processos físicos eram essencialmente indeterminados.. segundo o autor “tais modelos deixam de lado a maior parte da nossa experiência viva. os aspectos quantitativos do mundo podem. de fato. a crença na objetividade da ciência é artigo de fé para muitas pessoas no mundo moderno. Os manuais estão cheios de fatos supostamente inquestionáveis e dados quantitativos.. 97) estas insuficiências foram inicialmente percebidas no meio científico quando: [.. racionalistas.] muitos leigos ficam perplexos ante o poder e a aparente certeza do conhecimento científico.. tornou-se geralmente reconhecido que o indeterminismo é inerente . eles constituem uma via parcial de conhecimento”. tornou-se claro que. ser abstraídos e modelados matematicamente”. 66) busca justificar seus argumentos mencionando que “os sucessos práticos da ciência mecanicista dão testemunho da eficiência desse método. p. p. 133) revela a sua apreensão em relação aos reflexos do processo de uma produção científica baseada na lógica linear: [. porém. Aliás. apontam para as insuficiências da forma de produção científica tradicional quanto a sua capacidade de assumir de forma exclusiva o enfrentamento das situações de risco enfrentadas pela sociedade contemporânea. Tudo leva a crer que a ciência seja superiormente objetiva. Ela é imprescindível para a visão de mundo dos materialistas. sociólogos. economistas e por todos os que aspiram à objetividade científica. Para Sheldrake (1993. que impedem a comunicação entre saberes fragmentados e que impossibilitam a adoção de uma abordagem capaz de promover reflexões multidisciplinares envolvendo questões sócio-econômicas-ambientais no meio científico-acadêmico. Sheldrake (2001. Sheldrake (1993.

em processos "catastróficos". foi também responsável pela formação do pensamento mecanicista e determinista que impera desde as sociedades medievais até as sociedades industriais contemporâneas e que influencia no comportamento das organizações sociais nelas inseridas. em organismos vivos.36 em sistemas em todos os níveis de complexidade: em "processos dissipativos" afastados do equilíbrio termodinâmico. mas se desenvolvem em padrões complexos e não repetitivos. esta matriz passou a ser gradativamente criticada por pesquisadores que perceberam as suas limitações e que tiveram a coragem de propor novas alternativas a esta forma hegemônica de produção do conhecimento científico. onde pequenas flutuações podem ser amplificadas para produzir grandes efeitos (como na formação de células de convecção num fluido aquecido) (Prigogine e Stengers (1984)). 13 . Em razão da existência de fortes evidências anteriormente apresentadas que implicam nas insuficiências da matriz linear para o atendimento das necessidades de produção do conhecimento científico e consequentemente para a reprodução da vida em sociedade. Esses tipos de processos não podem ser efetivamente modelados em termos da física determinista ao velho estilo. responsável pelo surgimento da ciência. em cérebros. veja Gleik (1988)). conceito que será abordado ao longo deste estudo. em dinâmica da população e em ecologia. aparecem nos principais comportamentos sociais de risco que determinam o rito de passagem de uma “sociedade industrial” para o que o autor denomina de “sociedade de risco13”. em fenômenos meteorológicos. está a sua incapacidade de gerenciar a relação entre utilização de novas tecnologias e manutenção dos recursos naturais. a estrutura de pensamento linear. os sistemas de modelos não se assentam num equilíbrio simples. Para Egri e Pinfield (1999). encontram-se Karl Beck (2006) define sociedade de risco como a sociedade que substituirá a denominada sociedade industrial. Novas abordagens matemáticas são necessárias. justificando o surgimento da maior parte das crises sociais e ambientais planetárias até então percebidas. Em modelos matemáticos de processos caóticos. tais como o quebrar das ondas. as características deste pensamento serviram de alicerces ideológicos das Revoluções Científica e Industrial das sociedades contemporâneas e para autores como Beck (2006). Entre as características que definem esta sociedade. o fluxo turbulento de líquidos e as transições de fase (como na ebulição ou no congelamento). Dentre os vários pesquisadores que inauguraram novas linhas epistemológicas para propor outras formas para o desenvolvimento do conhecimento científico. das quais a mais importante é a "teoria do caos" (para uma boa introdução não-técnica à teoria do caos. e no comportamento da economia. Apesar de suas limitações. tornados possíveis graças aos computadores.

de serem sempre confirmadas. o positivismo constitui a base de quase todas as espécies de fanatismo e autoritarismo. 2. d) positivismo ético: atitude que consiste em tentar reduzir normas à fatos. b) coletivismo: consiste em atribuir ao coletivo um essência independente dos indivíduos que o compõem. Popper (2003) revela que as suas inquietações em relação às teorias positivistas se devem ao fato de sempre se adequarem. que tem uma necessidade constante não só de interpretação e afirmação como também de reinterpretação e reafirmação.37 Popper e Thomas Kuhn. o relativismo e o positivismo ético14. representantes da matriz linear. c) relativismo: caracteriza-se pela negação da existência de verdade objetiva e/ou pela afirmação da arbitrariedade da escolha entre duas asserções ou teorias.3. Baseado em suas reflexões e contrariando a idéia de verdade manifesta Popper (2003) estabelece as seguintes definições para as diferentes perspectivas consideradas inimigas da sociedade aberta: a) historicismo: atribuição à história um sentido pré-determinado e não passível de alterações pelos indivíduos. 14 . são na realidade a sua maior fraqueza. a partir da qual passam a ser abertamente criticadas e consideradas inimigas da sociedade aberta as perspectivas fundamentadas no positivismo como o historicismo. Popper dá uma significativa contribuição à comunidade científica e consequentemente para uma profunda reflexão quanto a real importância da elaboração deste estudo. Popper (2003) denuncia aspectos negativos ao apontar que ao mesmo tempo. e Edgar Morin. Em sua obra “Conjecturas e Refutações”. No seu entendimento. como o fato de ter encorajado os homens a pensarem por si próprios e de tornar possível a ciência moderna.1. quando materializa a idéia de hipóteses e refutações. um dos propositores da matriz da complexidade. Apesar de reconhecer aspectos positivos do positivismo. Noções de Refutabilidade e de Paradigma Popper é considerado um dos fundadores da linha epistemológica do racionalismo crítico. o coletivismo. e. ao questionar sobre até que ponto uma teoria deve ser classificada como científica e se existe algum critério que determine o seu caráter científico. e que exige uma autoridade que pronuncie e estabeleça o que deve constituir esta verdade manifesta. estas afirmações que constituem aos olhos daqueles que as admiram o seu ponto mais forte.

o autor defende a necessidade e a importância da teoria crítica. Para Popper (2003). Apesar de considerar o dogmatismo até certo ponto necessário. do comportamento dogmático15. como no discurso verificacionista neopositivista. soluções. testes de conseqüências dedutivas. Popper (2003) propõe a idéia de que seria possível aprender com os próprios erros. etc.] partindo da crítica ao positivismo lógico em direção a um evolucionismo racionalista em ciência. que mantém o sujeito agarrado às suas primeiras impressões. tentativas.38 defendida originalmente por Descartes e mantida pelos seus seguidores. e não confirmação. refutação de conjecturas. Popper afirma que toda observação indutiva é impregnada de teoria e/ou sustentada em instrumentos construídos a partir de teorias. possibilita o desenvolvimento de novos conhecimentos com base no questionamento dos conhecimentos anteriores.. que uma vez estando pronta para modificar os seus princípios. com diferentes graus de corroboração. como verdades e soluções provisórias. que aproxima o pesquisador da verdade. O conhecimento é construído a partir de hipóteses permanentemente colocadas a teste e refutação.. . Popper (2003) parece acreditar que a propensão para procurar padrões de regularidade e para impor leis à Natureza conduz ao fenômeno psicológico do pensamento dogmático ou. a importância da característica de “refutabilidade” para o progresso da ciência: as verdades provisórias devem estar abertas à refutação. a possibilidade da refutação de uma teoria constitui um passo a frente. em termos gerais. à busca e acumulação de evidências empíricas através da eliminação de erros. 15 . Daí. Popper (2003) define o comportamento dogmático com sendo aquele onde se espera encontrar regularidades em todo o lado. apresentando assim um sinal de uma crença mais fraca. Contrapondo-se a este fenômeno. Popper (2003) considera que este fenômeno é um indício de uma crença forte. inclusive onde elas não existem. Segundo Vasconcelos (2002. a atitude da promoção da livre discussão das teorias com a finalidade de identificar os seus pontos fracos e promover o seu aperfeiçoamento. acreditando que a compreensão da possibilidade de falhas e erros cometidos em uma investigação proporciona a imersão em uma série de críticas e autocríticas capazes de desenvolver ainda mais o conhecimento. permitindo assim que o aprendizado possa surgir a partir de erros. O autor ainda ressalta a importância da atitude crítica. que admita a dúvida e exija ser testada. 51): [. p.

. p. Dessa forma. fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes da ciência”. Desta forma. 220) informa que o termo paradigma pode ser utilizado em dois sentidos diferentes: . mas apenas que as investigações estão livres de erros grosseiros. como o suporte da tradição crítica (exigências de clareza no relato da investigação e consistência com a tradição na área) e a comunidade crítica (julgamento dos pares). não se garante a certeza dos resultados. durante algum tempo.39 Ao defender a idéia de que o conhecimento científico não se assenta no método indutivo e sim que a ciência deve se basear em hipóteses e refutações. dada à precariedade dos instrumentos sensoriais e cognitivos humanos. pela abertura da metodologia e dos resultados à análise e questionamento pela comunidade científica. Kuhn (2005. Popper contribuiu significativamente com a comunidade científica ao demonstrar que a transformação e o aprimoramento do conhecimento científico dependem da oportunidade para o estabelecimento de novas hipóteses e da possibilidade de sua refutação. que acreditavam que o conhecimento era construído ou justificado por fundamentos seguros. enfatiza-se o “multiplismo crítico”. sólidos e inquestionáveis. Popper contribuiu indiretamente para a proposta da construção de um ambiente científico baseado na dialógica. Assim. Kuhn (2005. mas que não podem nunca ser totalmente apreendidas. ou seja. diferente daquele unicamente caracterizado pela imposição de idéias. a aplicação de estratégias de triangulação que fazem uso de várias fontes e tipos de dados. 51): [. a idéia de objetividade constitui muito mais um “ideal regulatório”. 13) define ‘paradigmas’ como “as realizações científicas universalmente reconhecidas que. na medida em que o pesquisador pode apenas se aproximar dela. ou seja. p. visando corrigir e compensar mutuamente os limites de cada uma das metodologias específicas.] a partir da crítica às pretensões fundacionistas. Popper (1963/1982) propõe que o caminho seja a eliminação do erro grosseiro e das tendenciosidades do pesquisador através da “tradição crítica”. no qual o princípio da objetividade é reapropriado de forma não fundacionista: assume-se a existência de uma realidade externa regida por leis naturais ou históricas. Popper pode ser considerado como um precursor chave do chamado movimento pós-positivista.. apesar de considerar científica apenas as teorias derivadas da matriz linear. a crítica mútua exercida pelos cientistas. Outra contribuição significativa para o desenvolvimento da ciência e que também propiciou o aperfeiçoamento da estrutura cognitiva necessária para o desenvolvimento deste estudo refere-se à noção de paradigma idealizada por Thomas Kuhn em seu livro “A Estrutura das Revoluções Científicas”. p. sejam eles racionalistas ou empiricistas. Em sua obra. Nessa perspectiva. Além disso.. Para Vasconcelos (2002.

Para Vasconcelos (2002). que. o autor o define como aquilo que é compartilhado por membros de uma comunidade. capazes de fazer dialogar e produzir trocas entre os diversos campos de saber. dentro dos quais as verdades científicas teriam formas limitadas e relativas de validade.. como verdadeiros sistemas de crenças e referências quase sempre incompatíveis uns com os outros. mas por meio de rupturas ou paradigmas..] a ciência não avança de forma linear. surgem então crises que vão dar origem há um novo paradigma. partilhadas pelos membros de uma comunidade determinada [. sendo essas realizações reconhecidas durante algum tempo por alguma comunidade científica..] de um lado.] e de outro. denota um tipo de elemento dessa constelação: as soluções concretas de quebra-cabeças que. técnicas.40 [. empregadas como modelos ou exemplos.. Em sua obra. Quanto ao paradigma. Para Kuhn (2005). Em especial no caso das comunidades científicas. etc. 33). a crítica à perspectiva popperiana e pós-positivista é desenvolvida inicialmente por autores como Kuhn. Kuhn introduziu a idéia de que: [. Em função destas características.. que. a noção de paradigma passou a ser aceita no meio acadêmico e amplamente aplicada pela comunidade científica pelo fato de permitir aos cientistas testar as suas hipóteses em relação aos paradigmas vigentes. fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade praticante de uma ciência. durante algum tempo. apesar de suas posições . quando os fatos concretos não conseguem mais se encaixar dentro de paradigmas vigentes. Para Vasconcelos (2002. como forma de testar a sua validade. a crítica à especialização e à tecnoburocracia induziram a aspirações por práticas inter e transdisciplinares. são as realizações científicas universalmente conhecidas. Ele define a ciência normal como a pesquisa firmemente baseada em uma ou mais realizações científicas passadas. Somente quando o paradigma não consegue mais resolver os problemas pesquisados e provoca anomalias. o autor preocupa-se em diferenciar o conceito de ciência normal da definição de paradigma. podem substituir regras explícitas como base para a solução dos restantes quebracabeças da ciência normal. indica toda a constelação de crenças. evolutiva e cumulativa.. p.. Nessa mesma conjuntura. valores. acontecem as anomalias que vão forçar a emergência de novos paradigmas.

Ao que parece. sem o apelo a um relativismo radical. Assim.41 diferenciadas. É sempre possível fazer alterações nas hipóteses e teorias particulares sem alterar a teoria mais geral. pluralistas. apontando para a questão de que nas refutações.] nos períodos de “ciência normal”. conhecimentos aceitos são abandonados e há mudanças radicais na prática científica. 52): [. nas revoluções e crises das teorias científicas de grande amplitude. o surgimento da crise ambiental em larga escala já anunciada e os reflexos negativos percebidos pela sociedade. e chave para a construção de estratégias epistemológicas adequadas para práticas interdisciplinares explicitamente críticas. caminham em uma direção mais relativista.. p. o que está sendo testado é um conjunto complexo de teorias e hipóteses auxiliares. . Entretanto. e os resultados discrepantes não ameaçam a teoria ou paradigma pela modificação de uma hipótese anterior. Para Vasconcelos (2002). este estudo será desenvolvido à luz da teoria da complexidade proposta por Edgar Morin. a noção de “paradigma da complexidade” proposta por Edgar Morin torna-se crucial para o campo das teorias humanas e sociais. torna-se difícil afirmar quando uma teoria global deve ser considerada refutada e substituída por outra. baseadas em ações orientadas para a promoção do diálogo e para a inclusão do outro. em paralelo com as transformações nas visões de mundo na sociedade como um todo. numa tentativa de apontar algumas insuficiências do paradigma vigente e de contribuir para a construção de uma nova forma de se produzir ciência e sociedade. os problemas e soluções são colocados dentro de um paradigma adotado. Para Vasconcelos (2002. Em função de suas características peculiares. também denominada como teoria não-linear por autores como Fritjof Capra. A noção de refutabilidade apresentada por Popper e de paradigma definida por Kuhn são aplicadas no contexto deste estudo sobre meio ambiente e indústrias químicas. em especial pelas organizações industriais que já esboçam preocupações com questões sociais e ambientais. sugerem profundas reflexões quanto à necessidade da refutação de padrões tradicionais de produção do modo de vida das sociedades contemporâneas e a necessidade do estabelecimento ou adoção de um novo conceito capaz de repensar a forma de produção científica e industrial.. novos fenômenos são descobertos.

respectivamente. houve a necessidade de alinhar os objetivos deste estudo de forma a propiciar o diálogo entre duas áreas distintas da ciência. o resultado do estudo poderia gerar um entendimento de características reducionistas da mesma forma como o tema é muitas vezes percebido pela maior parte da sociedade. ou seja. Este estudo se propõe. das ciências humanas e naturais. poderia representar como resultado o desenvolvimento de um estudo parcial de característica unilateral. no caso o meio ambiente submetido ao interesse e controle por parte das organizações. a ouvir e a estabelecer um diálogo entre representantes de campos científicos distintos. ou seja. em termos de fundamentação teórica. apontou para as insuficiências da matriz linear em relação à concepção de uma pesquisa envolvendo um estudo de percepções. A Escolha pela Matriz da Complexidade A elaboração do projeto de estudo com característica multidisciplinar envolvendo as variáveis “meio ambiente” e “organizações”. à luz do pensamento linear. sem promover o diálogo entre os dois campos científicos distintos envolvidos ou sem considerar a relação polarizada existente entre os diferentes tipos de atores relacionados ao tema. a abordagem do meio ambiente poderia ser reduzida a uma variável controlada pelos interesses das organizações. ao elaborar um estudo partindo unicamente do ponto de vista de atores que defendem a preservação do meio ambiente de forma mais extremada e intocável. buscando promover um estudo multidisciplinar orientado para a promoção da aproximação entre ser humano e natureza. Na abordagem linear. de que as organizações industriais são as únicas responsáveis pela destruição do Planeta. originadas de campos científicos distintos e determinados. Ao elaborar um estudo unicamente a partir do ponto de vista das organizações. Por outro lado. Em razão destas insuficiências e da dinâmica envolvida na delicada relação existente entre as variáveis escolhidas.4.1. as questões relacionadas ao meio ambiente e organizações normalmente são tratadas de forma isolada. como se fossem domínios absolutamente incomunicáveis ou como se um fosse submetido ao controle do outro.42 2. de forma a ampliar a discussão sobre o tema a fim de que . Tratar o objeto de estudo proposto da forma tradicional. entre organizações e meio ambiente. ou seja.

mesmo o mais simples”. Morin define como princípio da complexidade aquele que estabelece a comunicação entre o objeto e o ambiente. Para Morin (1998). criando um mecanismo para que a ciência possa refletir sobre ela mesma. porém que a complexidade não compreende apenas quantidades de unidade e interações que desafiam as possibilidades de cálculo: compreende também incertezas. p. indeterminações. Para Morin (2006. a extrema quantidade de interações e de interferências entre um número muito grande de unidades”. 35). 17 16 . 2006. Como forma de defender a teoria da complexidade e conseqüentemente a idéia da necessidade da promoção da transdisciplinaridade16. que não sacrifica o todo à parte e estabelece uma relação entre as ciências humanas e naturais. reformando o seu modo de pensar. 35). O autor considera que a complexidade. O autor complementa sua definição informando que há uma tendência à estabilização e criação de campo de saber com autonomia teórica e operativa própria. A opção pela experimentação da matriz da complexidade como alternativa epistemológica para o desenvolvimento deste estudo surgiu a partir dos primeiros contatos com as formulações de Edgar Morin. Em sua obra. seja de moléculas numa célula. Ela está presente em qualquer “sistema auto-organizador (vivo). que “combina um número muito grande de unidades da ordem de bilhões. sempre tem relação com o acaso. é um fenômeno quantitativo. Morin alerta.43 possam ser encontrados os elementos necessários para o desenvolvimento da proposta do estudo de percepção. p. apresentadas em seu livro “Ciência com Consciência”. seja de células no organismo” (MORIN. fenômenos aleatórios. Vasconcelos (2002) define que as práticas transdisciplinares correspondem aos campos de interação de médio e longo prazo que pactuam uma coordenação de todos os campos de saberes individuais e interdisciplinares de um campo mais amplo. o modo tradicional é o modo de produção de conhecimento que há mais de três séculos não faz mais do que provar suas virtudes de verificação e de descoberta em relação a outros modos de conhecimento. num certo sentido. Morin (1998) propõe à comunidade científica uma nova forma de se fazer ciência com consciência e de produção do conhecimento científico como alternativa ao modo tradicional17 de produção científica. sobre a base de uma axiomática geral compartilhada. a complexidade “à primeira vista.

87): .. Ela suporta. reduzirse à idéia de complexidade. referir-se a uma lei da complexidade. mas ao mesmo tempo e em certos casos. desordem. uma vez que as relações existentes entre estas duas variáveis se apresentam em diferentes momentos como complementares e antagônicas: complementares no sentido que os diferentes tipos de organizações dependem do meio ambiente para o desenvolvimento de suas operações e antagônicas por que muitas vezes as organizações são julgadas pelo desenvolvimento de atividades consideradas prejudiciais ao meio ambiente. para ele. Para Morin (2006. acasos. as suas considerações sobre ordem e desordem podem ser concebidas em termos dialógicos. Ele associa dois termos ao mesmo tempo complementares e antagônicos”..44 Para Morin (2006. p. Morin propõe o entendimento de três princípios: o dialógico. Em seus próprios termos. p. que constituem nosso mundo fenomênico” (MORIN. 2006. Como forma de possibilitar uma melhor compreensão para a proposta da complexidade. este princípio será considerado na tentativa de aproximação das variáveis-chave “meio ambiente” e “indústrias químicas”. uma pesada carga semântica. pois que traz em seu seio confusão. retroações. interações. Para o autor. mas a redefinir novos problemas de pesquisa. o que não pode ser reduzido a uma lei nem a uma idéia simples. Em relação ao desenvolvimento deste estudo. ações. Sua primeira definição não pode fornecer nenhuma elucidação: é complexo o que não pode se resumir numa palavra-chave. O trecho revela que. determinações. Em outros termos. científica ou epistemológica. Para Morin (2006. o complexo não pode se resumir à palavra complexidade. p. 74). segundo os quais a ordem e a desordem projetam-se como dois adversários que se enfrentam na tentativa de um suprimir o outro. 5 e 6) algumas interpretações equivocadas quanto a sua proposta para a complexidade se devem ao entendimento estabelecido para o conceito da “palavra” complexidade: [. 13). “a complexidade é efetivamente o tecido de acontecimentos.] a palavra complexidade não tem por trás de si uma nobre herança filosófica. incerteza. “o princípio dialógico nos permite manter a dualidade no seio da unidade. ao contrário. colaborarem e produzirem organização e complexidade. a complexidade não se limita a apresentar soluções simplistas ou simplificadoras. p. o da recursão organizacional e o hologramático.

mas o todo está na parte”. p. Morin (2006. do outro seus problemas de relações humanas. de estrutura/superestrutura. p. p. Para Morin (2006. “os indivíduos produzem a sociedade que produz os indivíduos”. de outro a sociedade. Morin (2006. p. em parte. Com relação ao princípio da recursão organizacional. Os dois processos são inseparáveis e interdependentes.45 Não temos de um lado o indivíduo. que considerava não ser possível conceber o todo sem as partes e da mesma forma as partes sem o todo. no qual a menor parte contém a quase totalidade da informação do objeto representado. 74) considera que “um processo recursivo é um processo onde os produtos e os efeitos são ao mesmo tempo causas e produtores do que os produz”. “o princípio hologramático está presente no mundo biológico e no mundo sociológico”. de relações públicas. de um lado a espécie. de produto/produtor. Para o autor esta idéia recursiva é uma idéia em ruptura com a idéia linear de causa/efeito. de um lado a empresa com seu diagrama. seus estudos de mercado. Morin (2006. à idéia dialógica”. seu programa de produção. do outro os indivíduos. p. uma vez que tudo o que é produzido volta-se sobre o que o produz num ciclo autoconstrutivo. auto-organizador e autoprodutor. Para Morin (2006. a complexidade envolve ainda o princípio hologramático. quer sejam elas elementos do mundo sociológico ou biológico. ou seja. quando em desequilíbrio. mas a sociedade. que está ligada. retroage sobre os indivíduos e os produz”. de pessoal. 74) “a sociedade é produzida pelas interações entre indivíduos. Seguindo a idéia original de Pascal. Este princípio será explicitado ao longo do desenvolvimento deste estudo. Seguindo esta lógica. uma vez produzida. 74 e 75) considera que a “própria idéia hologramática está ligada a idéia recursiva. 74 e 75) ao desenvolver o princípio hologramático para a complexidade considera que “não apenas a parte está no todo. Para o autor a idéia paradoxal contida no princípio hologramático imobiliza o espírito linear da mesma forma . Para Morin (2006). no sentido de compreender e caracterizar as relações recursivas existentes entre “meio ambiente” e “indústrias químicas”. 74 e 75). pode-se considerar que as diferentes atividades desenvolvidas pelas organizações no Planeta Terra geram em maior ou menor grau de intensidade influências sobre o ambiente global e este. gera influências negativas sobre as diferentes partes que constituem o ambiente global.

Como divulgador das formulações de Morin. p. e há um tecido interdependente.62) compreende: [. exigindo a passagem de níveis epistemológicos diferentes.] o que foi tecido junto: de fato. pelo qual a análise ou intervenção em um fenômeno depende sempre da perspectiva do observador. há complexidade quando elementos diferentes são inseparáveis constitutivos do todo (como o econômico.. o afetivo. 62) considera que Morin contrapõe o “paradigma da simplicidade” com o que denominou de "paradigma da complexidade". p. Vasconcelos (2002. as partes e o todo. o psicológico. . interativo e inter-retroativo entre o objeto do conhecimento e seu contexto. os fenômenos complexos são marcados pelos processos de emergência. 74 e 75) “pode-se enriquecer o conhecimento das partes pelo todo e o do todo pelas partes. o mitológico). A complexidade segundo Morin citado por Vasconcelos (2002. pelos quais propriedades novas/diferentes surgem a partir da interação das partes ou dos diferentes níveis de realidade e organização. os fenômenos complexos são marcados pelos princípios da interação com o observador ou da implicação. aleatoriedade. Refletindo sobre os modos de produção científica. a complexidade é a união entre a unidade e a multiplicidade. em processo de interação contínua. indeterminismo) e ordem (auto-organização. Para Morin (2006.. marcando a necessidade de diferentes epistemologias e paradigmas para a abordagem destas descontinuidades. num mesmo movimento produtor de conhecimentos”. Vasconcelos (2002) reforça algumas características dos fenômenos complexos: os fenômenos complexos são passíveis de desordem (caos. descontinuidades e desconhecimento parcial. o conhecimento acerca dos fenômenos complexos implica incertezas. acaso. sabe-se muito bem que o adquirido no conhecimento das partes volta-se sobre o todo. às vezes dentro de um mesmo campo disciplinar. principalmente acerca dos níveis diferenciados de sua organização ou do sistema de interação entre eles ou entre níveis epistemológicos diversos. determinismo). os fenômenos complexos são marcados pela retroação ou recursão organizacional. mas que mantém os dois termos como antagônicos e complementares ao mesmo tempo. o sociológico. que diz respeito à recorrência de um efeito sobre as condições geradoras. Por isso.46 que na lógica recursiva. p. as partes entre si. o político.

a qual adotou a noção de que somos incapazes de pensar apesar de sermos seres humanos dotados de espírito e consciência enquanto Para Serva (1996. p. fez com que conceitos de indivíduo. Morin (1998) menciona que o desenvolvimento científico disciplinar das ciências não traz unicamente as vantagens da divisão do trabalho. na direção da responsabilidade e satisfação sociais”. Morin (1998) acredita que este mesmo pensamento que gerou o distanciamento das ciências da natureza das ciências do homem.47 As grandes crises sócio-econômicas-ambientais podem em parte ser explicadas pela ausência do entendimento das relações ocultas existentes entre os elementos que constituem as partes e o todo e em razão do distanciamento ocorrido entre o ser humano e o ambiente natural. daquilo que ele chama de ciências do homem. a ação racional substantiva é a “ação orientada para duas dimensões: na dimensão individual. introduzindo a noção de finalidade maior que redefine os elementos internos dos campos originais. homem e sociedade se perdessem em processos interdisciplinares19 ampliando os riscos dos saberes científicos serem acumulados apenas em banco de dados e de estarem sujeitos ao controle exercido pelos poderes econômicos e políticos. Vasconcelos (2002) define que as práticas interdisciplinares correspondem às práticas de interação participativa que inclui a construção e pactuação de uma axiomática comum a um grupo de campos de saber conexos. na dimensão grupal. estabeleceu um pensamento simplificador demarcado pela separação do ambiente e seu observador e pela redução ou unificação daquilo que é diverso ou múltiplo. desde que a ciência assumiu uma posição central e hegemônica. que se refere à auto-realização. Ao reforçar a sua crença na dominação e controle da natureza. definida no nível hierarquicamente superior. Como forma de contrapor as vantagens e desvantagens do desenvolvimento científico na atualidade. o ser humano desenvolveu uma ciência que originou as condições necessárias para o estabelecimento de uma sociedade dominante alicerçada em uma racionalidade instrumental. 340). Para Morin (1998). 19 18 . O autor considera que este mesmo desenvolvimento científico promoveu um desligamento entre a ciência da natureza. mas traz também os inconvenientes da superespecialização envolvendo o enclausuramento ou fragmentação do saber. responsável pela exclusão do espírito e da cultura responsáveis pela sua produção. compreendida como concretização de potencialidades e satisfação. que se refere ao entendimento. prejudicando ou minimizando desta forma o desenvolvimento de uma sociedade orientada para a ação racional substantiva18.

que o progresso dos aspectos benéficos da ciência convive com os aspectos nocivos e mortíferos. Morin (1998) apresenta a sua concepção de uma ciência que necessita ser realizada com consciência mencionando que o progresso inédito dos conhecimentos científicos convive com o progresso múltiplo da ignorância. Como forma de reforçar esta situação paradoxal. ou seja. Como relatado anteriormente. Morin (1998) complementa sua reflexão em torno dos efeitos nocivos da fragmentação considerando que o seu resultado leva ao anonimato. produzido pelo mesmo movimento das especializações. no qual o próprio especialista torna-se ignorante de tudo aquilo que não concerne a sua disciplina e o não-especializado renuncia prematuramente a toda a possibilidade de refletir sobre o mundo. se destinando cada vez mais a apenas ser acumulado em banco de dados para depois ser manipulado. Tal situação é explicada por Morin (1998. integrado na investigação individual de conhecimento e sabedoria. o fenômeno da especialização das ciências antropossociais que envolvem os conceitos molares de homem. 17) quando menciona que se trata de uma “situação paradoxal.48 seres vivos biologicamente constituídos. a vida e a sociedade. que não têm tempo nem meios conceituais para tanto. este pesquisador descobriu o quanto estava distante. meditado. Uma das citações do livro que teve um especial significado para a tomada de decisão quanto à escolha da teoria da complexidade para o desenvolvimento deste estudo é quando Morin (1998) alerta para a necessidade da não eliminação da hipótese de um neo-obscurantismo generalizado. o saber deixa de ser pensado. p. deixando esse cuidado aos cientistas. sem poder ser reconstituídos pelas tentativas interdisciplinares. refletido e discutido por seres humanos. e que o progresso ampliado dos poderes da ciência convivem com a . durante a sua participação no programa de mestrado e em meio ao desenvolvimento desta investigação epistemológica. de outras áreas do saber além daquelas que correspondem à sua área original de formação. Para Morin (1998). de indivíduo e de sociedade que perpassam várias disciplinas. em termos de reflexão. são de fato triturados ou dilacerados entre elas. em que o desenvolvimento do conhecimento instaura a resignação à ignorância e o da ciência significa o crescimento da inconsciência”.

parcelada é pobre [. se faz necessário repensar o sentido e o destino da produção do conhecimento científico. Em uma sociedade em que cada vez mais trabalhos acadêmicos são escritos para um número cada vez menor de leitores. há a psicologia humana [. etc”. Para Morin (1998). possibilidades e limites de nosso entendimento. Dessa forma. Em um contexto em que muitas vezes os membros da academia são avaliados por métricas quantitativas e não pela qualidade de suas produções... o que impede de se conceber a sua unidade. há todo um mundo de paixões.. mas esquece-se que no econômico.. considera que há uma realidade econômica de um lado. O autor defende a idéia que precisamos ir do físico ao social e também ao antropológico. 68 e 69).] a dimensão econômica contém as outras dimensões e não se pode compreender nenhuma realidade de modo unidimensional [. o pensamento de Morin contribuiu significativamente para a mudança da percepção deste pesquisador em relação à necessidade de se realizar uma produção científica com consciência. isto é. de nosso espíritocérebro de homo sapiens. uma realidade psicológica do outro. p.] a consciência da multidimensionalidade nos conduz à idéia de que toda visão unidimensional. Segundo o autor: Acredita-se que estas categorias criadas pelas universidades sejam realidades. por que todo conhecimento depende das condições. por exemplo.. toda visão especializada.] é preciso que .] atrás do dinheiro. Os fenômenos são cada vez mais fragmentados. fato que exige o alcance de uma condição de transdisciplinaridade. pois considera que a ciência nunca teria sido ciência se não tivesse sido transdisciplinar..49 impotência ampliada dos cientistas a respeito desses mesmos poderes.. estas dificuldades se devem ao fato de que cada vez mais as disciplinas se fecham e não se comunicam com as outras. mas também um desenvolvimento transdisciplinar. “a visão não complexa das ciências humanas.. Morin (1998) chama a atenção para o fato de que o desenvolvimento da ciência ocidental desde o século XVII não foi apenas disciplinar. há de se pensar na qualidade e na relevância daquilo que é produzido. de forma a efetivamente torná-lo mais útil para o atendimento das reais necessidades da sociedade. A dificuldade da busca de soluções ambientais compatíveis com as expectativas dos diferentes atores da sociedade reflete as mesmas dificuldades encontradas na produção do conhecimento científico. uma realidade demográfica de outro. há as necessidades e os desejos humanos [. Para Morin (2006. das ciências sociais.

as atividades químicas e elétricas do sistema nervoso. mencionando que o conhecimento científico da forma como foi desenvolvido até então. à ação que determina e à sociedade que transforma. p. da linguagem e da cultura. Morin (1998) reconhece que a ciência é elucidativa no sentido de resolver enigmas. muito se aprendeu sobre a base molecular dos organismos vivos. considerando-a conquistadora e triunfante. o que eles não seriam se não dispusessem da instrução. e consequentemente a sua forma de produção. a abordagem mecanicista da vida mostrou-se eficaz: na agricultura. o papel fisiológico dos hormônios. 2006. tais como a domesticação da energia nuclear e os princípios da engenharia genética. enriquecedora ao permitir a satisfação das necessidades sociais. mas nos encoraja . Em sua proposta da complexidade. exercem sobre a produção da vida em sociedade. o DNA. Corroborando as formulações de Morin. uma sociedade é produzida pelas interações entre indivíduos e essas interações produzem um todo organizador que retroage sobre os indivíduos para co-produzi-los enquanto indivíduos humanos. cada vez mais apresenta problemas graves que se referem ao conhecimento que produz. apesar de apontar diversas limitações da matriz hegemônica positivista para a produção do conhecimento.. (SHELDRAKE. na engenharia genética. Sheldrake (2001) reconhece que de muitas maneiras. Morin expõe a sua preocupação em relação às influências que a ciência. a natureza do material genético.50 ela seja ligada a outras dimensões. 69).. porém demonstra que apesar da ciência possuir todos estes atributos positivos. Para o autor: [. p. Morin (1998) não nega as suas contribuições. Com esta afirmação.] no âmbito da compreensão fundamental. 19) Tal como destacou Sheldrake. daí a crença de que se pode identificar a complexidade com a completude (MORIN. 2001. na biotecnologia e na medicina moderna prestam tributo à sua utilidade prática. determinou progressos técnicos inéditos. Para Morin (1998). Faz-se importante esclarecer que a adoção da teoria da complexidade para o desenvolvimento deste estudo não implica em deixar de reconhecer a importância e as contribuições do pensamento linear e das especializações para o desenvolvimento da ciência e da sociedade. O desafio da complexidade não nos faz renunciar para sempre o mito da elucidação total do universo. na agroindústria.

a produção de conhecimento. é ter metapontos de vista sobre nossa sociedade”.] só é possível se o observador-conceptor se integrar na observação e na concepção”.2. 2. o ambiente do qual são apenas uma parte integrante. “a única coisa possível do ponto de vista da complexidade e que já se revela muito importante. pessoal e da subjetividade dos pesquisadores. Na busca deste diálogo com o universo se faz necessário avançar da condição unidisciplinar para a busca da multidisciplinaridade. assumirem o seu processo de singularidade e individuação. criando o distanciamento percebido entre as ciências do homem e as ciências da natureza.. Este distanciamento ocorrido entre ser humano e natureza. em um maior grau de amplitude. MEIO AMBIENTE 2. determinou para a maior parte da humanidade. enquanto indivíduos ou como grupos particulares de pesquisa. e em um estado mais elevado pela busca pela transdisciplinaridade. condição que “[. que determinou a forma de produção científica e que produz influências diretas sobre a forma de ser e agir das sociedades contemporâneas foi também responsável por promover o fenômeno da superespecialização e fragmentação das ciências. a perda de sua capacidade em compreender. Para Morin (2006. Para o autor o desenvolvimento da criatividade e da inovação nessa esfera se sustentará fundamentalmente na capacidade dos pesquisadores. .2. 76).51 a prosseguir na aventura do conhecimento que é o diálogo com o universo.. e de forma mais direta nas ciências humanas e sociais. dependerá cada vez mais da experiência sócio-histórica. p. inclusive para diferentes comunidades detentoras de culturas milenares de relacionamento com o meio natural.1. Vasconcelos (2002) considera que de acordo com a perspectiva do paradigma da complexidade. Foi com base na proposta da complexidade de Morin e sob seus conceitos que foram construídas as bases epistemológicas que nortearam a realização deste estudo. A Busca por uma Definição Multidisplinar para Natureza e Meio Ambiente A matriz do pensamento linear.

1993. frequentemente associados com sua infância. Para o autor. p. O mundo vivo é celebrado em poemas. acima de tudo. p. destrutiva. fértil. p. A palavra latina natura significa. la nature em francês. natura em latim. ou sentem uma empatia com animais ou com plantas. segundo a qual as intervenções industriais sobre a natureza sempre podem reparar-se plenamente? Ou a visão das pessoas sensíveis. ou mudar-se para lá. 32) quando alguém utiliza a palavra “natureza”. em nosso mundo particular. 16) acredita que “o nosso relacionamento privado com a natureza pressupõe que esta seja viva e. p. a natureza sempre evocou emoções ambivalentes. 21): Á semelhança das mães humanas. de animais que falam e de transformações mágicas. Segundo o autor: Durante a infância. De acordo com Sheldrake (1993.. cantos e canções. 22): As próprias palavras que designam a natureza nas línguas européias são femininas – por exemplo. e. .] que modelo cultural de natureza é aquele que se dá por suposto? A natureza dominada. 15) Para Beck (2006. phusis em grego. opressiva e lida com a morte. É bela. as crianças frequentemente são criadas numa atmosfera animista de contos de fadas. Mas também é selvagem. literalmente. nutriz. die Natur em alemão. explorada até o esgotamento pela indústria? Ou a vida rural dos anos cinqüenta (tal como se contempla hoje retrospectivamente. ou tal com contemplavam então as pessoas que viviam no campo)? A solidão das montanhas antes de existir uma guia intitulada passeios nas montanhas solitárias? A natureza das ciências naturais? Ou a que se vende nos folhetos turísticos do supermercado? A visão realista do homem de negócios. caótica. Para Sheldrake (1993. (SHELDRAKE. não-oficial. comovidas pela natureza. a natureza é mais fortemente identificada com a região rural em oposição à cidade. ou em possuir uma segunda casa em ambiente rural. com as regiões selvagens e intactas. da mesma forma que são inspiradas pela beleza da natureza ou vivenciam um sentimento místico de unidade com o mundo natural. pelo menos de modo implícito. benevolente e generosa. que consideram que inclusive as intervenções em pequena escala podem causar danos irreparáveis? Sheldrake (1993. Milhões de pessoas que vivem na cidade sonham em dirigirse para o campo.52 Para Sheldrake (1993). imediatamente se estabelecem alguns questionamentos: [. muitas pessoas sentem uma ligação emocional com determinados lugares.. p. desordenada. e refletido em obras de arte. usualmente feminina”.

Por essa razão.53 “nascimento”. . 22) considera que “um dos significados fundamentais de ‘natureza’ é uma disposição ou caráter congênito. 22) a “natureza passa a significar o mundo físico. 22). A palavra grega phusis vem da raiz phu cujo significado básico também estava associado a nascimento (Partridge (1958)). têm suas origens no processo de dar à luz.. como um todo”. para Sheldrake (1993. Sheldrake (1993. p. um aspecto da Grande Mãe. p. está ligado à idéia da natureza como um impulso ou poder inato [. Quando a natureza é personificada “[. assim como natureza e natural.22). Em seu discurso. de criar e de proteger (mothering). Esta visão da natureza como mãe é retratada por diferentes culturas milenares ao redor do mundo. o Chefe Seatle retrata com fidelidade o processo de apropriação da natureza percebido na sociedade contemporânea. dizimada de forma assustadora por poderes hegemônicos ao longo dos últimos séculos em diversos locais no mundo. p. Para o autor: Este significado. como ocorre na expressão natureza humana”. como aquela expressada pelo Chefe Indígena Duwamish (Chefe Seattle) no discurso que fez ao Presidente Franklin Pierce em 1854. a causa imediata de todos os seus fenômenos (SHELDRAKE. Em suas palavras. em resposta a proposta de compra de suas terras pelo governo americano (ver Anexo 1).. por sua vez. 1993. nossas palavras física e físico. Desse modo. dando um exemplo da sabedoria da cultura indígena. desde aquelas que já desapareceram até aquelas que de alguma forma ainda resistem às pressões exercidas pela sociedade contemporânea sobre suas culturas e seus domínios. a natureza é o poder criativo e regulador que opera no mundo físico. o chefe indígena contrapõe a visão utilitarista do homem branco em relação ao domínio da natureza com o significado que esta representa para o homem vermelho.. ou natural..] ela é a Mãe Natureza. Poucas definições elaboradas pela ciência tradicional se revelam capazes de retratar em profundidade e sensibilidade o sentido de natureza simbólica presente na sabedoria indígena. e o ventre para o qual toda a vida retorna” (SHELDRAKE. 1993. a fonte e o sustentáculo de toda a vida.] numa escala mais ampla. p.

as crianças recém-nascidas eram colocadas no chão e depois levantadas para representar seu nascimento do ventre da terra. como forma de retornar ao seu ventre terrestre. Sheldrake (1993) considera que essas associações femininas desempenham um importante papel em nosso pensamento uma vez que revelam que a concepção de natureza está entrelaçada com idéias sobre as relações entre mulheres e homens. p. amplamente divulgada por movimentos ambientalistas. desejam ser enterradas em sua terra natal. De acordo com Sheldrake (1993. apenas negamos o princípio mãe por estarmos dele inconscientes. o homem branco virá com armas e tomará nossa terra”. Sheldrake (1993) apresenta evidências sobre este sentimento maior pela terra quando comenta que em muitas partes do mundo. p. Em sua reflexão. quais são as alternativas para a idéia da natureza como orgânica. Para o poeta grego Ésquilo citado por Sheldrake (1993. pois sabemos que se não o fizermos.54 A declaração do Chefe Seattle. e entre o feminino e o masculino em geral. 24). 24). sustenta-as e as recebe de novo em seu ventre”. porém. 1993. uma vez que “a própria palavra matéria deriva da mesma raiz de mãe – em latim. Para o autor. Para Sheldrake (1993) esta idéia da natureza como um sistema inanimado e . as palavras correspondentes são materia e mater todo o ethos do materialismo está permeado de metáforas maternas” (SHELDRAKE. p. entre deusas e deuses. nesse caso. p.25). viva e maternal?” (SHELDRAKE. sugere inúmeras reflexões sobre a relação ser humano-natureza e os comportamentos desenvolvidos pela sociedade da qual a grande maioria de nós faz parte. 25) na cultura indígena a terra é “sagrada tanto como a fonte de vida quanto como o receptáculo dos mortos”. pensar em sua oferta. o chefe indígena revela a força e a forma com a qual a sociedade contemporânea se apossou da natureza. Segundo Sheldrake (1993) uma delas é a que considera que a natureza consiste apenas em matéria inanimada em movimento. o autor questiona: “se preferirmos rejeitar essas associações sexuais tradicionais. 1993. Quando menciona “vamos. ela “dá vida a todas as coisas. e quando menciona que muitas pessoas que habitam modernas cidades industriais.

24) a concepção da natureza como máquina põe em jogo outro conjunto de metáforas: Muitos mecanicistas supõem que esse modo de pensar não tem equivalente em termos de objetividade. Sheldrake (1993. Projeções de mecanismos de relojoaria e projeções hidráulicas estavam em voga no século XVII. nada além de uma projeção. economistas ou proprietários rurais que enxergam suas terras apenas para fins lucrativos. bolas de bilhar e máquinas a vapor no século XIX. As únicas máquinas que conhecemos são feitas pelo homem. baseia-se. sobre o mundo inanimado que nos rodeia. ao tentar ver todos os aspectos da natureza como semelhantes a máquinas. da qual se pode tirar proveito para o desenvolvimento econômico”. a concepção de Deus como o planejador e o criador da máquina do mundo o moldou à imagem do homem tecnológico. vêem a idéia de natureza viva como antropocêntrica. uma finalidade ou um valor próprio. 21) considera que: A Mãe Natureza é menos amedrontadora se puder ser descartada como superstição. pelo menos durante as horas de trabalho. como um estilo poético ou como um arquétipo mítico confinado à mente humana. Além disso. para que o exploremos. . Muitos acreditam que os recursos naturais existem apenas para serem desdobrados e que seu único valor é aquele que as forças de mercado ou os planejadores oficiais neles imprimem. Nos séculos XVII e XVIII. de maneiras humanas de pensar. projetamos tecnologias correntes sobre o mundo que nos cerca. e tecnologias informáticas e de computação nos dias de hoje. Para o autor. A fabricação de máquinas é uma atividade exclusivamente humana.55 mecânico. a exemplo de cientistas. proporciona a confortadora sensação de que estamos no controle e a impressão gratificante da confirmação da crença de que o ser humano superou os modos de pensar primitivos e animistas. enquanto o mundo natural inanimado permanece onde está. 15) “no mundo oficial – o mundo do trabalho. na suposição de que a natureza é inanimada e neutra. dos negócios e da política – a natureza é concebida como a fonte inanimada dos recursos naturais. nada do que é natural possui uma vida. Para Sheldrake (1993. oriunda do pensamento mecanicista. p. a abordagem de diferentes tipos de atores que se fundamentam no pensamento mecanicista. e relativamente recente. Mas certamente a metáfora “máquina” é mais antropocêntrica do que a orgânica. p. tecnocratas. Para Sheldrake (1993 p. por outro lado. enquanto que. Para muitos desses e outros atores sociais.

o desejo pelo estabelecimento do completo domínio do ser humano sobre a natureza é reforçado a cada dia pela lógica de funcionamento da matriz de pensamento linear. o termo “natureza” cedeu espaço ao termo “meio ambiente”. . estudiosos consideram que a noção geral do termo “meio ambiente” não configura um conceito que possa ou que deva ser estabelecido de modo rígido e definitivo. Ao distanciar-se da natureza. um espaço inclusivo. 15) ao que tudo indica. Um estudo envolvendo a variável “meio ambiente” representa um tema complexo.. em razão do tema ser objeto de estudo em diferentes áreas da ciência. limitando a sua visão a uma condição simplificadora e reducionista marcada pela substituição do simbólico pelo material. redeclaradas.56 Ao que parece.. orientado pela teoria da complexidade. o que seria então o meio ambiente? Para Beck (2006) esta e outras perguntas. inicialmente nas ciências naturais e mais recentemente das ciências humanas. a humanidade. Em função destas características peculiares. de forma simultânea. caracterizado pelo diálogo e pelo debate. A definição semântica da variável de pesquisa “meio ambiente” envolve aspectos relacionados à multi e interdisciplinariedade. Para Hegel citado por Gray (2005. o que é terra virgem e o que é humano nos seres humanos necessitam ser recordadas.] a humanidade só se contentará quando estiver vivendo num mundo construído por si mesma”. adquira como principais características. em termos da amplitude da proposta e do crescente envolvimento de diferentes tipos de atores oriundos das mais áreas e matrizes de formação acadêmica. Esta característica faz com que um estudo sobre o meio ambiente. acabou por estabelecer as suas relações de domínio sobre o ambiente ocupado. orientadas para a exploração crescente dos recursos naturais sobre o falso pretexto da satisfação de suas necessidades de sobrevivência. Por esta razão. sendo definida de formas variadas por especialistas das mais diferentes áreas. Face ao sucesso do processo de formação do arquétipo mental linear. p. Desta forma a construção do conceito meio ambiente vem sendo discutida. ”[. demonstrando nova evidência de que o que era antes sentido passou a ser coisificado. como o que é natureza.

Barbieri (2006. p. tanto os naturais quanto os alterados e construídos pelos seres humanos. isto é. ambas originadas do francês antigo environer que significa circunscrevem. embora ninguém tenha as respostas. a partir do momento em que o meio ambiente deixou de ser percebido. Desta forma o autor considera que o meio ambiente compreende o ambiente natural e o artificial. destruído e construído pelos humanos com as . “a palavra ambiente vem do latim e o prefixo ambi dá a idéia de ‘ao redor de algo’ ou de ‘ambos os lados’” e “o verbo latino ambio. Barbieri (2006.57 reconsideradas e rediscutidas em um contexto transnacional.2) em outros idiomas como no idioma francês e no inglês “utilizam-se as palavras environnement e environment. o ambiente físico e biológico originais e o que foi alterado. Nestas tentativas de definições é possível perceber a distância entre sujeito e objeto. de modo que a expressão meio ambiente encerra uma redundância”. e que em Portugal e na Itália utiliza-se apenas a palavra ambiente. ambire significa ‘andar em volta ou em torno de alguma coisa’”.. Para Barbieri (2006) o que envolve os seres vivos e as coisas ou o que está ao seu redor é o planeta Terra com todos os seus elementos.. a partir do momento em que o próprio sujeito que estabelece suas definições não considera a sua própria participação ou quando assume uma visão antropocêntrica. cercar e rodear”. p. as palavras meio e ambiente trazem per se a idéia de entorno e envoltório. A própria necessidade da busca de definições para o termo “meio ambiente” revela indícios do distanciamento ocorrido entre ser humano e natureza.2) define que o “meio ambiente é tudo o que envolve ou cerca os seres vivos”. O autor menciona que essa expressão é consagrada no Brasil e nos países de língua hispânica (medio ambiente). respectivamente. p. Como representante das ciências humanas. vivido e sentido. para ser apenas coisificado.2) reforça a sua definição para meio ambiente mencionando que “. Para o autor. De acordo com Barbieri (2006. Esta dificuldade em relação à obtenção de uma definição revela o distanciamento ocorrido entre as diferentes áreas do conhecimento e as suas dificuldades de estabelecer conceitos que sejam abrangentes e capazes de se aproximar de seu sentido e seu significado. em especial da Administração.

p. industriais e rurais. que envolve áreas agrícolas. Seguindo a lógica da classificação oriunda do pensamento linear. Odum e Sarmiento citados por Barbieri (2006) tentam distinguir três tipos de ambientes: a) O fabricado ou desenvolvido pelos humanos. açudes. ferrovias e portos.. A parte . como precipitação.. portanto. a exemplo as matas virgens e outras regiões auto-sustentadas. podendo-se dizer. não limpam o ar e reciclam muito pouco as águas que utilizam.. uma característica importante dos ambientes naturais e até mesmo dos domesticados”.. Para o autor esses elementos condicionam a existência dos seres vivos. lagos artificiais. se caracterizam por serem parasitas dos ambientes naturais e domesticados. florestas plantadas. p. fluxo de água..58 áreas urbanas. esses ambientes não possuem capacidade de regeneração. b) O ambiente domesticado.. pelos parques industriais e corredores de transportes como rodovias. acionadas apenas pela luz solar e outras forças da natureza. Segundo Barbieri (2006.2): A vida ocorre apenas na biosfera. etc. mas a própria condição para a existência de vida na Terra. provendo alimentos e outras formas de energia. Para Odum e Sarmiento citados por Barbieri (2006) o ambiente de suporte à vida é aquela parte da Terra que satisfaz as necessidades fisiológicas vitais. nutrientes minerais.3). “. c) O ambiente natural.. e o atmosférico. ventos. constituído pelas cidades. que envolve os outros dois ambientes. que o meio ambiente não é apenas o espaço onde os seres vivos existem ou podem existir. ar e água.. e que não dependem de nenhum fluxo de energia controlado diretamente pelos humanos. Os autores consideram que os elementos que constituem o primeiro tipo de ambiente como tecnoecossistemas urbano-industriais. uma estreita faixa do Planeta constituída pela interação de três ambientes físicos: o ambiente terrestre ou litosfera. como ocorre nos dois outros ambientes. etc. Para Barbieri (2006. o aquático ou hidrosfera. uma vez que não produzem os alimentos que a sua população necessita.

2001).”. a exemplo da definição do artigo 207 da Constituição do Estado do Paraná: Art. envolve a biosfera e estendese muito além dos limites em que a vida é possível. Para Branco (2005). preferindo empregá-la quando se referem ao meio interno. Para o autor talvez este fato tenha contribuído para a consagração da expressão “meio ambiente” no sentido ecológico atribuído pelas autoridades brasileiras. o meio ambiente) ou como substantivo (o ambiente marinho. aos Municípios e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as gerações presente e futuras.. garantindo-se a proteção dos ecossistemas e o uso racional dos recursos ambientais (PARANÁ.. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (BRASIL. 207. impondo-se ao Estado. significados imprecisos. De acordo com Branco (2005. p. “. do animal ou vegetal”.59 terrestre da biosfera é apenas a camada sólida superficial da litosfera. quando estas iniciaram a política de proteção ambiental nacional. como condição de existência da vida. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. 1988). o termo “ambiente” é indiferentemente empregado “. os ecólogos parecem evitar o emprego da palavra ‘meio’ para indicar o ‘meio externo’. terrestre. representante das ciências naturais... . bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. “ambiente” e “meio ambiente” possuem de um modo geral. Evidências desta consagração podem ser percebidas no artigo 225 da Constituição Federal.. 225 Todos têm o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. que trata sobre a questão da proteção dos recursos naturais e que mais tarde influenciou outras interpretações e definições elaboradas pela sociedade brasileira. etc. p. Art.)”.90). a da atmosfera é a camada rente à crosta terrestre denominada de troposfera e que alcança cerca de 11 km de altitude nos pólos e 16 km no equador... Segundo o autor. De acordo com Branco (2005. como adjetivo (o ar ambiente. 90) “os autores e dicionaristas franceses estabelecem entre os vocábulos milieu e environnement distinção idêntica a que fazemos entre ‘meio’ e ‘ambiente’. biológico. O meio ambiente. principalmente ao que se refere a um emprego técnico consensual. em especial da Biologia. bem de uso comum e essencial à sadia qualidade de vida. palavras como “meio”..

p. tal como geralmente é empregada em biologia. dominados e excluídos pela racionalidade econômica dominante: a natureza superexplorada e a degradação socioambiental. fazendo com que a expressão “meio ambiente” adquira um caráter mais restritivo. Para Branco (2005) o termo “meio” possui uma conotação bioquímica e físicoquímica.] quando falamos em um ser que vive num ‘meio aquático’ parece que estamos nos referindo mais precisamente ao estado líquido em que ele reside. Já o termo “ambiente”.60 Para Branco (2005. p.. referindo-se a “lugar no espaço”. em vez de empregar simplesmente o substantivo ‘ambiente’” (BRANCO. e aos quais os organismos vivos devem estar adaptados para sobreviver e perpetuar-se. Branco (2005) considera que se a intenção dos autores da expressão era usar “meio” no sentido mais geral. “Seria como dizer ‘lugar ambiente’. 2005. tem uma conotação de substância. Para pesquisadores de fronteira o termo meio ambiente também é considerado restrito. mas não abrange o conceito sistêmico que considera os próprios organismos como parte de ambiente. 91): A palavra ‘meio’.. 91). perda da diversidade biológica e cultural. 92). não teria essa especificidade: “o ambiente é mutável e dinâmico em função da própria atividade vital que nele se desenvolve” (BRANCO. a palavra ‘meio’ é definida do ponto de vista biológico como: Conjunto de fatores que agem de maneira permanente ou durável sobre um animal. uma biocenose. p. isoladamente. motivo pelo qual ele é substituído pelo termo ambiente. mais que de entorno [. 2005. Em sua concepção não linear sobre ambiente Leff (2000. do que ao conjunto de seres e circunstâncias que convivem e interagem com ele nesse meio. p. 93). resultado da articulação sinérgica da produtividade ecológica. uma planta. segundo o autor. Ao mesmo tempo o ambiente emerge como um novo potencial produtivo. De acordo com o Grand dictionnaire encyclopédique Larousse citado por Branco (2005. O ambiente não é o meio que circunda as espécies e . a pobreza associada à destruição do patrimônio de recursos dos povos e a dissolução de suas identidades étnicas. 159 e 160) considera que: O ambiente está integrado por processos. p. Para o autor esta expressão se refere ao “meio circundante”. a distribuição desigual dos custos ecológicos do crescimento e a deterioração da qualidade de vida. então a expressão é simplesmente redundante. tanto de ordem física como social. da inovação tecnológica e da organização cultural.

de forma reducionista. da recomendação de pesquisadores para a adoção do termo “ambiente” e do reconhecimento que a melhor expressão para retratar o ambiente natural é “ambiente” ou “natureza”. Segundo o autor. admitia-se como certo o fato de que o mundo da natureza era vivo. Sheldrake (1993) considera que desde a época de nossos mais remotos antepassados até o século XVII. valores e saberes. De acordo com Collingwood citado por Sheldrake (1993). Acreditavam que pelo fato deste mundo possuir movimentos regulares e ordenados. os filósofos gregos já haviam desenvolvido uma sofisticada concepção da natureza como um organismo vivo. relativa a uma racionalidade social. configurada por comportamentos. passando a ser identificada por muitos. apenas como aquela que provê as matérias-primas necessárias para a subsistência do ser humano. o significado de natureza viva tal como é entendido pelas culturas primitivas. bem como pelas leis termodinâmicas de degradação de matéria e energia no processo produtivo. Apesar do reconhecimento da condição restritiva apontada por Branco (2005) em relação à utilização do termo “meio ambiente”. apesar dos debates a respeito dos detalhes. Reflexões sobre a Relação Ser Humano e Natureza Com o processo de franca expansão da sociedade.] não só era vivo como também inteligente. o animismo ocupava posição central. que ele “[. os grandes filósofos acreditavam que o mundo da natureza fosse vivo devido ao seu movimento incessante.2. é uma categoria sociológica (e não biológica). 2. o ambiente do sistema econômico está constituído pelas condições ecológicas da produtividade e regeneração dos recursos naturais. Neste sentido. cedeu espaço ao conceito de natureza dominada. Esta decisão foi tomada em razão da consagração obtida pela expressão nos meios acadêmicos e empresariais e por estar presente no senso comum da sociedade como definição para um ambiente mais abrangente. bem como novos potenciais produtivos.. optou-se conscientemente pela aplicação da expressão “meio ambiente” como denominação da variável utilizada para o desenvolvimento deste estudo. um animal imenso com uma alma e uma mente .2. como forma de facilitar a interpretação dos profissionais de indústrias químicas com relação à proposta de pesquisa. na qual..61 as populações biológicas.

H. apesar disso. Leonardo da Vinci viu o corpo humano como o microcosmo da Terra. quando a natureza tornou-se nada mais que matéria inanimada em movimento. Já Vladimir Ivanovitch Vernadsky viu o funcionamento da biosfera como uma força geológica que cria um desequilíbrio dinâmico. porém. Ainda segundo Tickell. muitas vezes em guerra entre si. p. por sua vez. 1993. Em 1785 o geólogo James Hutton viu a Terra como um sistema auto-regulador e T. p. 87) “na revolução científica do século XVII. negou-se à natureza os tradicionais atributos da vida. Para o autor: Esse processo foi levado às últimas conseqüências no século XVII. criada por Deus e mecanicamente obediente às suas leis eternas. promove a diversidade da vida. parasitas. o engenheiro todo-poderoso. Segundo Sheldrake (1993) a essência do pensamento grego foi herdada por nossos antepassados medievais. A natureza deixou de ser reconhecida como mãe. ciência e meio ambiente. Segundo o autor. denominado “A Vingança de Gaia”. Ela perdeu a sua autonomia”. Para Sheldrake (1993. Crispin Tickell revela fatos curiosos sobre as relações entre humanidade. a capacidade para o movimento espontâneo e a auto-organização. Segundo Sheldrake (1993) na medida em que a idéia de que a natureza . Giordano Bruno foi queimado na fogueira. e Deus. por sustentar que a terra estava viva. e a Terra como o macrocosmo do corpo humano. Para os gregos “cada planta ou animal participava psiquicamente do processo de vida da alma do mundo. doutrina central da ciência ortodoxa baseada na teoria mecanicista da natureza. e deixou de ser considerada viva. intelectualmente na atividade da mente do mundo. Huxley a percebeu da mesma forma em 1877. porém ele não sabia que o corpo humano é um macrocosmo dos elementos minúsculos de vida – bactérias. Tornou-se a máquina do mundo. que. nos três últimos séculos observou-se que um número cada vez maior de pessoas cultas passou a pensar a natureza como isenta de vida. mais de quatrocentos anos atrás. 53 e 54). e juntos constituindo mais do que as células do nosso corpo. (COLLINGWOOD CITADO POR SHELDRAKE. No prefácio do recente livro de James Lovelock. e materialmente na organização do corpo do mundo”.62 racional própria”. vírus –. e que outros planetas também podiam estar.

1993. então por que continuar acreditando que tudo é mecânico e inanimado? Sheldrake (1993) considera que o que justifica a poderosa razão para o apego à visão mecanicista reside no fato de ela ser mais cômoda. gerando a crença do materialismo moderno. com o subseqüente crescimento do ateísmo.] a natureza (ou matéria) é a fonte de todas as coisas. Ao final deste período. passou a ser considerada como a fonte de todas as coisas. espontânea. segundo o qual se acredita que “[. torna-se cada vez mais difícil justificar a negação da vida da natureza. p. oriundo de diferentes culturas milenares.. a ampliação dos efeitos indesejados percebidos no meio ambiente rapidamente contribuíram para revelar as insuficiências de um modelo de sociedade alicerçado na matriz de pensamento linear.63 funcionava de forma mecânica. Desta forma.. criativa. Para o autor. na medida em que a própria ciência se desenvolve e que a visão de mundo mecanicista está se tornando progressivamente ultrapassada. ao longo de mais de trezentos anos. a natureza está voltando à vida novamente no âmbito da teoria científica. a própria ciência baseada na matriz de pensamento linear e os poderes que a controlam passaram a promover a substituição do significado de natureza viva. Ainda segundo o autor. 82) efetua o seguinte questionamento: [. por novos conceitos onde a natureza passou a ser entendida de forma mecânica apenas como matéria disponível para o atendimento das necessidades criadas pelos seres humanos. do qual se origina a crença da possibilidade do desenvolvimento e do crescimento contínuo. 31). Deus foi automaticamente se tornando cada vez mais supérfluo. se a natureza é orgânica. p. a natureza. dela ainda constituir a . para o seu desaparecimento da visão científica do mundo. Sheldrake (1993. sozinha. toda a vida emerge dela. marcado pelo sucesso da construção e pela consolidação da matriz de pensamento linear. se os próprios organismos são mais semelhantes a organismos do que a máquinas. Sheldrake (1993) considera que a teoria mecanicista da natureza conquistou seu prestígio graças aos sucessos da ciência e da tecnologia. por volta do final do século XVIII.] se o cosmos assemelha-se mais a um organismo em desenvolvimento do que a uma máquina deixando de funcionar. À medida que esse processo vai ganhando impulso.. fato que contribuiu. e para ela toda a vida retorna” (SHELDRAKE.. Com base em suas reflexões.

conter revelações da própria natureza viva. e o clima está mudando. tanto literal como metaforicamente (SHELDRAKE. podem. que já eram de conhecimento de culturas milenares. uma pequena parte da ciência passou a se dedicar em restabelecer a sua compreensão sobre os efeitos complexos da atividade humana sobre o ambiente natural e sobre ela mesma. pois. Porém o autor alerta para o fato que ela pode não continuar sendo a mais cômoda por muito tempo: Decisões públicas estão reflorescendo. Nesta mesma década. na verdade. o livro “Primavera Silenciosa”. a mais forte das razões para se negar a vida da natureza esteja no fato de que admiti-la é algo que leva a conseqüências esmagadoras. que em 2007 comemorou 45 anos e que é considerada por Colborn. assim como de fato parecem contê-las no momento em que são vivenciadas. Para o autor: Experiências pessoais intuitivas de natureza não podem mais ser mantidas no comportamento selado da vida privada. p. 1993. Nada menos que uma revolução está se aproximando (SHELDRAKE. a visão da natureza como algo a ser conquistado está perdendo o seu encanto. A partir da década de 1960. Neste período. os impactos percebidos no meio ambiente apresentaram evidências sobre as insuficiências da matriz de pensamento linear e sobre as atividades danosas promovidas pela sociedade global. Dumanoski e Myers (2002) como a obra que incentivou o início do movimento ambientalista durante o pós-guerra. passaram a ser redescobertos e comprovados de . 83). Dúvidas a respeito da abordagem mecanicista da agricultura e da medicina estão aumentando. a cientista e escritora expôs pela primeira vez para a opinião pública os efeitos nocivos do uso indiscriminado de pesticidas e agrotóxicos sintéticos no ambiente natural. Sheldrake (1993) chega a considerar que talvez. as velhas certezas políticas e econômicas estão se desfazendo e se dissipando. em 1962. 83). animistas e religiosas não podem mais ser mantidas em xeque. Maneiras de pensar míticas. e descartadas como meramente subjetivas. 1993. Em sua obra.64 ortodoxia da civilização industrial. Muitos dos componentes envolvidos na relação ser humano e natureza. p. os efeitos negativos produzidos pelas indústrias e pela ciência dominada pelos interesses econômicos passaram a ser percebidos com mais intensidade pela sociedade depois que Rachel Carson publicou. alertando as sociedades globais para os riscos da contaminação química.

já que a unidade de seleção era o organismo. 20 . o reconhecimento pela ciência de que o planeta Terra é vivo. eles a consideraram desnecessária como explicação dos fatos da vida e da Terra. como ocorre nas atmosferas de Marte e de Vênus. Sheldrake (1993. Lovelock compreendeu que se os gases que constituem a atmosfera da terra estivessem em equilíbrio químico. Nesta conferência. Lovelock começou a formular suas idéias quando pensava a respeito da maneira de detectar vida em Marte. biológicos e humanos” (LOVELOCK. Os únicos cientistas a receberem bem a idéia foram uns poucos metereologistas e climatologistas. bem como 78 por cento de nitrogênio e 21 por cento de oxigênio. 2006. p. essa composição poderia ter surgido somente graças às atividades dos organismos vivos e somente poderia ser mantida graças à sua contínua atividade. na década de 1960. p.03 por cento de dióxido de carbono.. em que estavam representadas quatro grandes organizações voltadas para a mudança global. segundo o próprio Lovelock (2006). p. e era este sistema terrestre imenso que desenvolvia a autoregulação. foi ao retornar à discussão com os Darwinistas que em 1981 ele percebeu que. Para o pesquisador. durante a realização de uma conferência em Amsterdã. De acordo com Lovelock (2006. mais de mil delegados assinaram uma declaração que teve como sua primeira afirmação importante: “O sistema Terra se comporta como um sistema único e auto-regulador composto de componentes físicos. a idéia de auto-regulação global do clima e da química foi impopular entre os cientistas da Terra e os cientistas da vida.. ela contém apenas 0. Alguns biólogos logo desafiaram a hipótese. Na melhor das hipóteses. Durante o desenvolvimento de suas pesquisas. não a vida ou a biosfera sozinha”. Porém. na pior.65 forma científica por diferentes pesquisadores ao redor do globo. Segundo o autor. por meio da apresentação de sua hipótese denominada “Teoria de Gaia” 20 . químicos. 34). 33): Desde o seu início. idéia que pareceu inaceitável para muitos adeptos do pensamento convencional. veio somente mais tarde em 2001. De acordo com Tickell. 157) menciona que o proponente da hipótese de Gaia é a de que a Terra é um organismo vivo auto-regulador. “[.] Gaia era o sistema inteiro – a união de organismos e meio ambiente material –. nossa atmosfera deveria apresentar cerca de 99 por cento de dióxido de carbono. Segundo Lovelock (2006. condenaram-na imediatamente nos termos mais desdenhosos. Em vez disso. foi em 1972 que James Lovelock apresentou para a comunidade científica as suas idéias sobre um Planeta vivo. argumentando que um biosfera auto-reguladora jamais poderia ter se desenvolvido. 35). p. não a biosfera.

.] a evolução dos organismos ocorre de acordo com a visão de Darwin. 19). assim “como todas as teorias novas. ainda que parcialmente. e a evolução do mundo material das rochas. Lovelock (2006) menciona que muitos dos seus membros ainda agem como se o planeta fosse uma enorme propriedade pública possuída e compartilhada. Sheldrake (1993. porque teve de . Lovelock (2006) apresenta novas evidências sobre a força da matriz do pensamento linear. Para Sheldrake (1993) não se pode disfarçar o fato de que a hipótese de Gaia envolve uma mudança radical de pontos de vista centrados no humanismo: Em Gaia. Para Lovelock (2006). Para o autor na proposta da teoria de Gaia. Para o autor ”o seu apelo. estas duas evoluções que eram tratadas de forma distintas. de um planeta constituído de rocha inerte e morta. aceita. p. amplamente difundido. se limitando à visão dos séculos XIX e XX da Terra ensinada na escola e na Universidade. Nosso futuro depende muito mais de um relacionamento correto com Gaia do que com o drama infindável dos interesses humanos (LOVELOCK CITADO POR SHELDRAKE. razão pela qual ela é tão controversa”. 161).. 1993. muitos ainda acreditam que “[. esse tipo de omissão permite que os cientistas se declarem partidários da Teoria de Gaia ao mesmo tempo em que continuam a elaborar suas pesquisas de forma isolada como antes. não somos nem os proprietários nem os administradores deste planeta. p. 160 e 161) acredita que “a hipótese Gaia é. a Teoria de Gaia. somos apenas uma outra espécie. em que a vida e seu ambiente físico evoluem como uma entidade única.66 Apesar do reconhecimento da comunidade científica. depende da maneira pela qual ela volta a nos conectar com padrões de pensamento pré-mecanicistas e pré-humanistas”. um dos passos mais importantes em direção a um novo animismo. O autor considera que apesar da Declaração de Amsterdã ter representado um passo importante rumo à adoção da teoria de Gaia como modelo de trabalho para a Terra. as divisões territoriais e dúvidas persistentes impedem que os cientistas que assinaram a declaração enunciem a meta da Terra auto-reguladora. p. De acordo com Lovelock (2006. com vida abundante a bordo. Para Lovelock (2006. fazem parte de uma só história da Terra. p. ar e oceano. indubitavelmente. 44). levou décadas até ser. de acordo com a geologia dos livros didáticos”.

67 aguardar por dados para confirmá-la ou negá-la”.. p. O autor considera que a compreensão contemporânea emergente da Terra como viva. p. p. 131) “[. Neste momento. é fortemente influenciada por duas percepções caracteristicamente modernas: a visão obtida da Terra a partir do espaço. Além do reconhecimento das formas e cores.] vimos algo bem diferente de nossa expectativa de uma mera bola de rocha de tamanho planetário existindo dentro de uma camada fina de ar e água”. represente uma das experiências mais significativas e compartilhadas por uma boa parcela da humanidade. Para Sheldrake (1993.. muito diferente da visão tradicional e limitada até então aprendida nos bancos escolares. 153). Uma destas visões da Terra obtidas por astronautas a partir do espaço e que contribuiu para reavivar e reforçar o significado da Terra como um planeta vivo foi obtida em 24 de dezembro de 1968. “ao longo de toda a história. 131) “a Terra nunca havia sido vista como um todo até que os astronautas a observassem para nós de fora”. Talvez a imagem da Terra vista do espaço pelos astronautas. Esta visão contribuiu de forma significativa para a materialização do planeta “vivo”. embora arraigada em velhos padrões de pensamento mítico. Para Lovelock (2006. que a descoberta de que a regulação estava falhando e de que sistema da Terra rapidamente se aproxima do estado crítico em que a vida corre perigo tenha vindo tarde demais. e a compreensão de que nossas atividades econômicas estão mudando o clima global. tal como foi observada pelos astronautas e pelos cosmonautas. Para o autor é sabido agora que a Terra de fato se regula. porém lamenta que devido ao tempo decorrido para a coleta de dados. esta imagem contribuiu para revelar o sentimento que os astronautas tiveram quando consideraram a terra como o seu lar: . pelos astronautas que integravam o missão Apollo 8. praticamente toda a humanidade (e a maior parte dela ainda hoje) aceita como verdadeiro o fato de que a Terra é viva”. segundo Lovelock (2006.

70) acredita que “retornar à natureza é uma imagem que evoca a sensação de voltar para casa.. Nas noites de sexta-feira.. ou de se religar a fonte da vida”. Sheldrake (1993. Há algo a ser encontrado “na natureza”. de se retirarem para ambientes rurais.. ou de lá permanecerem durante todo o período de férias. a vida se torna mais tolerável ante a perspectiva de saírem a campo.68 Figura 1 – Foto do Planeta Terra – Missão Apollo 8 Fonte: Lunar and Planetary Institute (2008) Sheldrake (1993.. 27 e 28) faz considerações interessantes que retratam o sentimento de natureza tal como ele é muitas vezes percebido pela sociedade contemporânea: [. as estradas que saem das grandes cidades do mundo ocidental ficam intransitáveis.] somos os herdeiros de uma cultura e de um modo de vida que enfatiza a nossa . p. p. porém “[. Para milhões de habitantes das cidades modernas.. uma vez que todos ”[.. de que muitos de nós sentem necessidade.] poucas pessoas querem retornar à natureza por muito tempo”. nas sociedades “primitivas” reconhecemos um modo de vida harmonioso que perdemos – e que até mesmo essas sociedades estão perdendo rapidamente sob a influência da nossa civilização.] contrastamos hoje a paz dos primeiros tempos com os conflitos que vivenciamos. em fins de semana.

Para Capra (2005. os conquistadores da natureza. maior será a necessidade de retornar. regulam toda a biosfera e mantém as condições propícias à preservação da vida. dessa forma. “o meio ambiente diz respeito. .. p. da vida humana”. Para o autor o ambiente adquire uma nova dimensão onde não é mais possível dissociar os organismos das circunstâncias que o cercam. Neste contexto em que o sujeito tenta se reaproximar do que foi por muito tempo considerado como apenas um objeto de estudo e não como algo essencial para a perpetuação da sua própria vida e das gerações futuras. que não existe se não estiver associado às demais peças” [. Os animais dependem da fotossíntese das plantas para ter atendidas as suas necessidades energéticas. as plantas dependem do dióxido de carbono produzido pelos animais. p 70). 23): Não existe nenhum organismo individual que viva em isolamento. o barbarismo. há de se imaginar as dificuldades encontradas para o restabelecimento da ligação entre ser humano e natureza. antes. especialmente os hábitos de desprendimento científico.] “ele é parte integrante do ambiente” que “não é mais um meio circundante”. Branco (2005. Nossos sistemas políticos e econômicos ajudam a nos separar dos poderes destrutivos da natureza e da natureza humana.. objetivamente. Em suas considerações. bem como do nitrogênio fixado pelas bactérias em suas raízes. quando considera que “o ser vivo não é mais um ser independente e de comportamento livre: ele é. “a natureza tem vários significados e inspira diferentes tentativas de retorno”. Todos os antigos medos ainda estão nos bastidores para nos assombrar: o colapso da civilização. e em particular. a fome extrema. Para Branco (2005. Para Sheldrake (1993. à prevenção contra a extinção da vida em geral. quanto maior for o senso de separação da natureza. 104) reforça a visão mecanicista do mundo ao mesmo tempo de que apresenta evidências da existência do princípio hologramático proposto pela teoria da complexidade. Talvez uma das formas de estabelecer este retorno passe pela compreensão da importância do ambiente natural para a manutenção da vida. animais e microorganismos. vegetais.69 separação”. e todos juntos. p. 70): Somos os senhores da criação. p. a pestilência. Para Sheldrake (1993.9). Várias teorias e atitudes habituais reforçam e estendem esse distanciamento primário. da constante ameaça do caos. das forças que fazem surgir nossos medos mais básicos. uma peça de uma máquina complicada. p. E.

(SHELDRAKE. desde que as primeiras ferramentas foram fabricadas.70 Logo. os seres humanos passaram a estabelecer e a ampliar o seu poder de controle sobre o ambiente ocupado.2.3. uma posição diferenciada frente as diferentes formas de vida que integradas. pode-se concluir que refletir sobre as questões que envolvem a relação natureza e ser humano de forma unilateral. sociais. constituem o ambiente natural. a exemplo de inúmeras iniciativas já desenvolvidas. Para Sheldrake (1993) as diferentes culturas apenas se diferem quanto à intensidade de seu impulso de domínio e quanto ao sentido de afinidade que as mantêm em equilíbrio com o mundo natural. culturais e espaciais. “as justificativas filosóficas. p. mas sim o enorme aumento do poder humano”. em sua totalidade: [. De acordo com o autor. os seres humanos passaram a assumir de forma gradual. 47) “o que o mundo moderno tem de único não é o fato do poder humano em si mesmo. Por se tratarem de questões complexas. as questões ambientais exigem uma abordagem a partir da racionalidade e do comportamento da sociedade quanto à forma como o conjunto de indivíduos que a compõe estabelece as suas relações com o ambiente natural do qual é apenas uma parte integrante. contribui apenas para antecipar a crise sócio-econômica-ambiental já anunciada..] desde que o fogo foi subjugado pela primeira vez. nem o sentido de que a humanidade é alguma coisa sem paralelo. desde que os metais começaram a ser usados. Com o processo de crescimento de ampliação de suas populações. 1993. pensar o meio ambiente sem incluir o ser humano ou sem envolver aspectos econômicos. criação e inovação.. teológicas e mitológicas para o poder humano sobre o . p. o domínio do homem sobre a natureza. políticos. desde que os primeiros animais foram domesticados e as primeiras plantas cultivadas.envolveu. em graus diversos. 2. O Meio Ambiente e a Sociedade Contemporânea Com o passar dos séculos e graças às suas capacidades de organização. 46 e 47) Para Sheldrake (1993. ou seja. e desde que as primeiras cidades foram construídas . na história humana. De acordo com o autor.

foi também responsável por negar oportunidades aos representantes das ciências humanas quanto a uma melhor compreensão das relações existentes entre sociedade e natureza. Este processo de disjunção. Pela lógica da disjunção aplicada pela ciência para a produção de novos conhecimentos.. as relações entre sociedade e meio ambiente passaram a ser tratadas de forma dissociada pelo poderes controladores da produção científica.. p. 1993.71 mundo natural não constituem uma característica exclusiva da civilização moderna” [. tem precedentes antigos. O arquétipo do herói conquistando a natureza selvagem aparece no mito babilônico de Marduk triunfando sobre Tiamat.. Com o estabelecimento das especializações científicas.] concepções antropocêntricas da relação entre homem e natureza” (SHELDRAKE. no deus Egípcio Hórus vencendo o hipopótamo: no triunfo de Perseu sobre a Górgona. 1993. o monstro das profundezas. tão importante moderna ideologia do progresso. limitou os representantes das ciências naturais em termos da promoção de reflexões mais amplas sobre as relações existentes entre natureza e sociedade.] “elas são encontradas por toda parte”. Da mesma forma.. 47). Segundo o autor: Até mesmo o imaginário heróico da conquista da natureza pelo homem. portanto consideradas como “[. que por um lado é considerado importante para o aprofundamento de conhecimentos científicos específicos. o que era único foi separado. no de Apolo sobre Píton. Este padrão para a produção científica gerou reflexos diretos na formação do arquétipo mental e consequentemente nos comportamentos apresentados pela sociedade contemporânea. e no São Jorge sobre o dragão. situação que nos dias atuais é responsável pelos reflexos percebidos na forma de produção científica. p. 47) Nos séculos que marcaram o surgimento da ciência das especializações. (SHELDRAKE. sendo. os fenômenos relacionados ao ambiente natural passaram a ser estudados pelos representantes das ciências naturais enquanto que. Ao mesmo tempo em que a tornou detentora de inúmeros e importantes conhecimentos. os fenômenos sociais passaram a ser estudados pelas ciências humanas. limitando as pesquisas e a compreensão dos fenômenos observados às fronteiras préestabelecidas para o desenvolvimento do conhecimento científico. . inviabilizou a comunicação entre as diferentes disciplinas.

. “[. em seu trabalho que trata sobre políticas públicas voltadas para o cidadão como ator principal da esfera pública. Tais insuficiências do imaginário original. p. podem ser comprovadas quando da decisão política da criação de um novo imaginário “Curitiba. o qual “[. o crescimento das favelas e a ampliação da poluição. situação que demarca com clareza o momento em que a proposta original passou a receber críticas em relação ao nível de atenção dispensada para as questões sociais. Situações como o exemplo da capital ecológica.. amplamente divulgada pelo mundo afora como modelo de preservação ambiental. assumir uma posição pró-ativa e crítica na .] só é possível se o observador-conceptor se integrar na observação e na concepção”.. como mencionado anteriormente por Morin (2006. com algo que estava próximo e que com o tempo se tornou distante. se faz necessário. Capital Ecológica” descrito por Souza-Lima (2006). Trata-se de uma evidência da predominância do pensamento linear na esfera pública. Em seu estudo o autor demonstra que as diversas ações adotadas para a construção e o estabelecimento do imaginário esconderam outras realidades decorrentes do processo de crescimento urbano acelerado como o aumento da violência. uma vez que priorizou ações relacionadas ao marketing ecológico em detrimento de ações voltadas para a promoção do desenvolvimento do ser humano. 76). Capital Social”. Para compreender as situações geradas pela nossa sociedade no contexto atual e futuro. Este exemplo demonstra com clareza a noção de disjunção presente em políticas públicas fundamentadas na racionalidade instrumental. nos remetem a refletir sobre as formas superficiais com as quais a sociedade contemporânea tenta restabelecer suas relações com o meio ambiente.. apontadas pelo autor.] ter metapontos de vista sobre nossa sociedade”. Logo se faz necessário estabelecer um olhar diferente.72 impedindo que o conjunto da sociedade adquiri-se uma maior compreensão sobre os fenômenos observados. Um exemplo que comprova a disjunção ocorrida entre ser humano e natureza e que se apresenta como uma tentativa artificial de promover a reaproximação das massas com o ambiente natural envolve a construção do imaginário “Curitiba. assunto tratado por Socher (2008).

Para Sheldrake (1993) apesar da abordagem mecanicista ter propiciado progressos tecnológicos e industriais.73 busca do estabelecimento de um profundo envolvimento com a sociedade da qual fazemos parte e da qual emanam os inúmeros efeitos indesejáveis oriundos de nossas próprias ações e comportamentos. sobre a forma como a sociedade a qual pertencem estabelece suas relações com o ambiente natural. . são então projetadas sobre os genes. e todas as pessoas são influenciadas por eles. Várias são as tentativas entre os pesquisadores de fronteira para tentar definir este momento de transição. onde mudanças ou rupturas se revelam cada vez mais capazes de definir ou inaugurar o surgimento de novo período para a sociedade. Para o autor. Estes limites determinados pela lógica do pensamento mecanicista. como forma de representar o momento e as circunstâncias geradoras das mudanças responsáveis pela ampliação das crises sócio-ambientais percebidas na contemporaneidade. na qual cada indivíduo. boa parte dos indivíduos que integram nossa sociedade é desprovida do tempo e das condições necessárias para repensar o seu papel junto à sociedade que integram. Infelizmente. Trata-se de um exercício de enxergar e construir uma realidade diferente. ao assumir novas posições em termos de produção e de consumo. Trata-se de um exercício que exige reflexão e desapego em relação às regras vigentes na sociedade que impõe o modo de vida coletivo contemporâneo. os impedem de planejar e refletir sobre suas ações e sobre a sociedade que desejam. Neste contexto. passa a ser mais responsável pelas ações e comportamentos que desempenha na sociedade. Para compreender um pouco melhor a sociedade na qual estamos inseridos se faz necessário estabelecer algumas reflexões sobre diferentes períodos. egoístas e competitivas do homem. o mundo vivo é concebido à imagem de uma economia capitalista e as características individualistas. responsáveis por manter os seres humanos presos aos padrões estabelecidos pela vida em sociedade. ela também forneceu armas para um poder inimaginável. as economias modernas são construídas sobre alicerces mecanicistas. segundo o autor. e de ter oferecido melhores recursos para combater doenças. aceitas como verdadeiras pelas teorias econômicas da livre empresa. e consequentemente.

O autor considera que quando este fato é visto dessa maneira. p. as diferentes sociedades promoveram alterações no ambiente ocupado.74 Desde os tempos mais remotos. 171) estabelece uma comparação interessante entre o modo de vida das sociedades primitivas com as sociedades agrícolas: . e provocado mudanças definitivas nos habitats e nas populações de espécies como o orangotango e o panda. Ciochon. Segundo alguns pesquisadores. p. a passagem da caça-coleta para a agricultura é vista com freqüência. 171) isto se deve ao fato de que “estamos inclinados a pensar os caçadores-coletores como pobres por que não possuem nada. logo não têm que trabalhar para acumular mais. as primeiras mudanças provocadas por diversos tipos de sociedades no ambiente ocupado teriam provocado o seu rito de passagem da sociedade primitiva para a sociedade agrícola. Olsen e James citados por Sheldrake (1993) mencionam que no sudeste da Ásia o Homo erectus pode ter caçado certas espécies de primatas até a extinção. Gray (2005. 170): Só depois de extinguir os moas e devastar a população de focas da Nova Zelândia os primeiros colonos polinésios passaram a usar métodos mais intensivos de produção de alimentos. talvez seja melhor pensá-los. p. esses caçadores-coletores condenaram à extinção seu próprio modo de vida. como uma mudança comparável à revolução industrial dos tempos modernos. De acordo com Sheldrake (1993) embora pareça que as sociedades paleolíticas de caçadores-coletores tenham vivido em maior harmonia com a natureza do que as sociedades agrícola e industrial. como livres”. pela mesma razão. O autor justifica as suas considerações ao mencionar que os caçadores-coletores normalmente têm o suficiente para suas necessidades. é porque ambas aumentaram os poderes dos humanos sem ampliar sua liberdade. Como exemplo. Ao exterminar os animais dos quais dependiam. Para Gray (2005). Para Sahlins citado por Gray (2005. Por este motivo. a vida destes indivíduos se assemelha a pobreza. Esta constatação pode ser percebida no exemplo de Gray (2005. o autor considera que aos olhos daqueles para quem a riqueza significa ter objetos em abundância. elas também forjaram mudanças importantes em seu meio ambiente.

que gera o 'nomadismo'. A agricultura e a busca de novas terras vão juntas. savanas e arredores. compele os agricultores a expandir a terra que trabalham. p. Segundo o autor. e ao longo do tempo. não a caça. colonizar novas terras (. criou-se as condições necessárias para que a população mundial crescesse de forma exponencial. foi tanto um efeito quanto uma causa do crescimento da população humana. "são os agricultores.. que compõe a população rural que habita as áreas de florestas. 2005. é a agricultura. nestas regiões se concentram a maior parte da população pobre do planeta. O autor acredita que: A passagem para a agricultura não teve uma razão única. Assim. reassentar.75 Caçadores-coletores têm alta mobilidade. que trata sobre a pressão sofrida pelas florestas tropicais e bosques de savana ao redor do mundo. onde quer que tenha ocorrido. Sua sobrevivência depende de conhecer o meio local em seus mínimos detalhes. Mas sua vida não requer mudanças contínuas para novo território. a qual é composta por aproximadamente 70 milhões de pessoas. em sua maioria indígenas que habitam as áreas remotas das florestas. em diferentes épocas e em diferentes locais do mundo. 172 e 173) A partir do estabelecimento das sociedades agrícola e industrial. fato que garantiu a expansão das suas atividades e consequentemente determinou a ampliação da exploração dos recursos naturais e os impactos observados sobre o ambiente ocupado. Evidências destas constatações podem ser verificadas em um recente estudo elaborado por Chomitz (2007). Como escreve Hugh Brody. o seu controle sobre a natureza para possibilitar o aumento da produção e de consumo de produtos. . (GRAY. Para Gray (2005) as populações de caçadores-coletores que passaram para o cultivo das terras aumentaram mais em relação a populações que mantiveram os hábitos tradicionais de subsistência. A agricultura tornou-se indispensável por causa da população maior possibilitada por ela. com seu compromisso com terras específicas e grande número de filhos. e outras 735 milhões de pessoas. a humanidade passou a desenvolver e ampliar de forma crescente. Com base neste domínio orientado por interesses de natureza econômica.) Como um sistema. que são forçados a constantemente se mudar. A agricultura multiplica o número de humanos.. Mas.

Nelas a gestão florestal natural geralmente não pode competir (da perspectiva do proprietário da terra) com a agricultura ou silvicultura de plantação. uma crescente população urbana cada vez mais rica. as densidades populacionais mais altas. De acordo com Chomitz (2007). demonstra os reflexos das pressões exercidas pelo conjunto da sociedade sobre a natureza.76 Face aos diferentes tipos de pressões sofridos por estas áreas. situação que segundo o autor. e o controle é geralmente instável e em conflito. deve ser mantida ou ampliada com a manutenção da previsão de expansão de terras cultiváveis. Chomitz (2007) afirma que as florestas tropicais encolhem 5% a cada década. A seqüência de imagens apresentada a seguir. as florestas também sofrem pressões de madeireiros. em especial sobre os biomas das florestas tropicais e savanas. poucos habitantes (predominantemente indígenas) e onde há certa pressão sobre os recursos madeireiros. as taxas de desmatamento são altas. Para o autor. Marrom Amarela Verde Fonte: Adaptado de Chomitz (2007) . Representa as áreas denominadas de fronteiriças e contestadas. as cores aplicadas nestas imagens possuem os seguintes significados: Quadro 1 – Legenda dos Mapas de Exploração das Florestas Cor Significado Representa as terras de mosaico de floresta e agricultura. onde a propriedade de terras é geralmente melhor definida. pastos e plantações nas áreas de florestas naturais nos próximos 30 ou 50 anos. e a biodiversidade única é ameaçada. Ainda segundo o autor. Representa as terras denominadas de áreas além da fronteira agrícola – onde existem muitas florestas. uma vez que uma enorme população rural depende da agricultura de baixa produtividade para subsistência. uma vez que a população pobre necessita de lenha e a população rica necessita de madeira. esta expansão é justificada tanto pela pobreza quanto pela riqueza. e os mercados mais próximos. onde as pressões para desmatamento e degradação são altas ou crescentes. necessita dos produtos produzidos nas margens das florestas. Embora a floresta seja esparsa. enquanto que.

77 Figura 2 – Mapa de Domínios das Florestas Tropicais da África Fonte: Chomitz (2007) Figura 3 – Mapa de Domínios das Florestas Tropicais da Ásia Fonte: Chomitz (2007) .

urbana e industrial contribuem de forma crescente para ampliação do quadro de degradação do ambiente natural. as sociedades agrícola. Para Colborn.Mapa de Domínios das Florestas Tropicais da América Latina e do Caribe Fonte: Chomitz (2007) Com o advento da criação de novas tecnologias pelo ser humano. . do aumento das populações mundiais e da ampliação do consumo.78 Figura 4 . extrapolando os seus limites de auto-recuperação.

onde os poderes combinados da ciência e da tecnologia.294. transformaram a escala do impacto de localizado e regional para global.000 6. período em que as crises sócio-ambientais se intensificaram e passaram a ser discutidas em maior profundidade. dedicou apenas uma única página ao efeito estufa em uma obra de seiscentas páginas.451.470. Quadro 2 – Crescimento da População Mundial (1970 a 2000) Ano 1970 1980 1990 2000 População 3. autor do livro Climate: Present.124.79 Dumanoski e Myers (2002) o século XX é considerado um divisor de águas na relação entre o ser humano e a Terra.698. em função da .000 Fonte: Adaptado de Organização das Nações Unidas (ONU) (2007) De 1970 a 2000. aliados ao número pessoas que vivem sobre o planeta.000 5. observou-se a ampliação da exploração dos recursos naturais em escala mundial para o atendimento das novas demandas de consumo. e que mesmo o grande climatologista Hubert Lamb. fato que contribuiu significativamente para o agravamento dos impactos ambientais até então registrados. past and future publicado em 1972. Lovelock (2006) menciona que o aquecimento global foi ligeiramente discutido por vários autores em meados do século XX. percebe-se que as discussões ocorridas em torno das questões sócio-ambientais ao longo das últimas décadas foram acompanhadas de uma explosão demográfica mundial. a população mundial quase dobrou.676. De acordo com dados fornecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) (2007) e apresentados no quadro 2.879.123. De acordo com o autor. o tema só se tornou público por volta de 1988. fato que contribuiu para o agravamento da crise sócio-ambiental já percebida e agora consolidada pelo fenômeno do aquecimento global. Com este significativo incremento populacional.000 4.

Apesar dos conhecimentos limitados então disponíveis. A título de ilustração. Lovelock (2006) apresenta um fato revelador ao rememorar as previsões de clima realizadas no final da década de 1980.80 maior parte dos cientistas da atmosfera estar absorvida pela intrigante ciência da redução do ozônio estratosférico. Global warming. p. retratadas no livro de Stephen Schneider. de 1989. 56) . onde a linha pontilhada superior representa um cenário que julgavam ser quase de ficção científica. Lovelock (2006) acrescentou uma cruz como forma de destacar a situação atual mencionando ao lado a expressão “onde estamos agora”. os cientistas fizeram o possível para prever o clima futuro e apresentar os seus palpites na forma de linhas pontilhadas em um gráfico. conforme demonstrado na figura 5: Figura 5 – Projeção do Aumento de Temperatura na Terra Fonte: Lovelock (2006. Com relação ao aquecimento global. e que ilustram as idéias dos cientistas do clima em uma conferência realizada em 1987. de tão extremo.

Com base nos dados históricos sobre a mudança do clima no hemisfério norte. além das evidências do aumento da temperatura. Nível do Mar e Cobertura de Neve no Hemisfério Norte Fonte: Intergovernmental Panel on Climate Change (2007) . conforme demonstrado na figura 6: Figura 6 – Temperatura. a ciência tradicional finalmente confirmou o que já estava sendo percebido e anunciado nas últimas décadas por ambientalistas e especialistas do ambiente natural: a projeção de manutenção do incremento das temperaturas para os próximos anos.81 Dados do Intergovernmental Panel on Climate Change (2007). confirmaram a manutenção da projeção de aumento da temperatura no globo terrestre. Por meio dos dados coletados. uma previsão para aumento do nível do mar e para a redução da cobertura de neve na região. os cientistas apresentaram.

Com base em índices específicos obtidos pelo controle das populações de espécies selvagens (terrestres. de água doce e marinha). o índice Planeta Vivo registrou um decréscimo de 30%.300 espécies vertebradas de todo o mundo. ambos elaborados pelo World Wildlife Fund (WWF) (2007). um único índice é gerado visando representar o nível de saúde destes diferentes ecossistemas. com base em tendências apresentadas desde 1970 até 2003. caracterizando assim mais uma evidência da deterioração dos ecossistemas naturais sem precedentes na história da humanidade.82 Além dos dados fornecidos pelos cientistas que integram o Intergovernmental Panel on Climate Change (2007).600 populações com mais de 1. 344 espécies de água doce e 274 espécies marinhas. no âmbito de mais de 3. 21 . O índice “Planeta Vivo”21 retrata a saúde de diferentes ecossistemas. no mesmo período em que as primeiras discussões mundiais ocorreram e que houve também um sensível incremento de população mundial. Figura 7 – Evolução do Índice Planeta Vivo Fonte: World Wildlife Fund (WWF) (2007) De acordo com o World Wildlife Fund (WWF) (2007). É calculado como a média de três índices distintos que medem as tendências em populações de 695 espécies terrestres. Percebe-se na figura 7 que. o Índice Planeta Vivo é um indicador do estado da biodiversidade do mundo. medindo as tendências no âmbito da diversidade biológica do planeta Terra. as evidências dos impactos ambientais gerados pelo expressivo crescimento populacional e pela ampliação da utilização dos recursos naturais também podem ser observadas nos números apontados pelos índices “Planeta Vivo” e “Pegada Ecológica”.

Este índice considera a relação existente entre a população mundial e as áreas biologicamente produtivas utilizadas para o atendimento das necessidades humanas. a humanidade excedeu a capacidade natural do planeta Terra de repor os recursos naturais necessários para a sobrevivência dos seres vivos e de incorporar os resíduos gerados (ver figura 8). Dentro deste período. Em seu registro histórico. demonstradas no quadro 3. aponta para a incapacidade do planeta Terra em atender a demanda gerada pelo aumento da população em relação a sua capacidade de renovação dos recursos naturais e absorção dos resíduos gerados pelas atividades desenvolvidas pelas diferentes sociedades humanas. apontam para a repetição do fenômeno do crescimento populacional ao longo das próximas quatro décadas. . uma população ou uma atividade consome e para absorver o resíduo que geram. Figura 8 – Evolução do Índice Pegada Ecológica Fonte: World Wildlife Fund (WWF) (2007) Projeções realizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) (2007).83 O outro índice. a população 22 De acordo com o World Wildlife Fund (WWF) (2007) o índice “Pegada Ecológica” mede a quantidade de terra biologicamente produtiva e a área de água necessárias para produzir os recursos que um indivíduo. denominado “Pegada Ecológica”22. percebe-se que na transição ocorrida entre os anos 1980 e 1990. fornecendo tecnologia dominante e gestão de recursos.

ampliação das disputas territoriais para o domínio e controle dos recursos naturais.546. da miséria e da violência. destruição dos recursos naturais com perda definitiva da biodiversidade. elaborado pelo National Center for Ecological Analisys and Synthesis (2008) da Universidade da Califórnia.707.287.823. trata sobre o impacto das atividades humanas nos ambientes marinhos.191. tende a reforçar algumas abordagens que acentuam a crença de que a humanidade está sendo conduzida para uma sucessão de crises mundiais das mais variadas naturezas: catástrofes naturais.000 7. Outro estudo recente que demonstra os sérios impactos gerados pela sociedade global no ambiente natural. entre outros. Este estudo revela o estado crítico em que se encontram os oceanos em função do incremento das atividades humanas: .000 9.090. Quadro 3 – Projeção da População Mundial (2010 a 2050) Ano 2010 2020 2030 2040 2050 População 6.000 8.906.667. associada aos conceitos de crescimento vigentes nas sociedades agrícola e industrial alicerçados unicamente em um sistema econômico centrado em processos exploratórios. fato que certamente contribuirá para o agravamento da crise sócio-ambiental e para a escassez dos recursos naturais.317. ampliação da fome.84 mundial provavelmente triplicará o seu contingente em relação aos números observados no início da década de 1970. Percebe-se que a progressão exponencial do crescimento populacional.558.000 Fonte: Adaptado de Organização das Nações Unidas (ONU) (2007) Esta estimativa em relação ao provável crescimento desenfreado das populações mundiais representa um grande risco para muitas gerações periféricas do presente que já não dispõem de recursos mínimos para a sua sobrevivência e também inclui as gerações futuras daquelas que hoje usufruem dos recursos naturais sem consciência.000 8.

determinou o aumento do consumo de recursos não-renováveis. a partir de diversas fotos de satélite agrupadas. diferentes ambientes naturais deram lugar a ambientes artificiais construídos pela sociedade moderna. Na imagem elaborada pelo Defense Meteorological Satellite Program (2007). Por meio desta imagem é possível perceber o sucesso da expansão da população humana e do processo de ocupação no planeta Terra.85 Figura 9 – Impacto Humano nos Ambientes Marinhos Fonte: National Center for Ecological Analisys and Synthesis (2008) Os mesmos recursos tecnológicos que no passado possibilitaram aos astronautas revelarem a humanidade o seu sentimento pelo planeta Terra. a exemplo do petróleo. como as hidroelétricas. Em razão deste sucesso. além da necessidade de criação crescente de alternativas energéticas capazes de atender as novas demandas. as usinas termoelétricas e as usinas atômicas. fato que representou a necessidade da ampliação das atividades industriais e consequentemente. no presente permitem acompanhar o processo de franca expansão das atividades humanas. . é possível perceber os pontos onde se concentram a maior parte das populações mundiais e as principais atividades econômicas desenvolvidas no planeta.

desenvolvida com mais ênfase nas últimas cinco décadas. se mantida a atual forma de relação das diferentes sociedades mundiais com o ambiente natural. tudo indica que.4. Pelas diversas evidências apontadas ao longo deste estudo.2. O Reconhecimento da Complexidade Ambiental Apesar das importantes evidências apresentadas neste estudo e do reconhecimento de instituições científicas sobre os efeitos nocivos resultantes das . um período caracterizado pela ampliação dos riscos. de acordo com os dados confirmados pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (2007) e recentemente reforçados pelos dados do Goddard Institute for Spaces Studies (2008). que revelam que o ano de 2007 foi o segundo mais quente do século. perdendo apenas para o ano de 1998. 2. a sociedade global estará inaugurando um novo período em sua relação com o meio ambiente.86 Figura 10 – Luzes da Terra Fonte: Defense Meteorological Satellite Program (2007) Tais atividades contribuíram significativamente para a alteração das características originais do Planeta e para a alteração do clima em diferentes regiões do mundo.

Para Leff (2003). onde o risco ecológico questiona o conhecimento do mundo. 19) considera que: A problemática ambiental. se faz necessário um número infindável de ações que permitam que estes possam refletir sobre as insuficiências de sua racionalidade. e sim de uma transformação da natureza induzida pelas concepções metafísica. Para aproximar os diferentes indivíduos da crise ambiental anunciada. p. mais que uma crise ecológica.87 atividades humanas desenvolvidas ao longo de vários séculos. é um questionamento do pensamento e do entendimento. de forma que estas ações resultem em profundas transformações dos comportamentos da sociedade que integram. a crise ambiental representa uma crise do nosso tempo. da ciência e da razão tecnológica com as quais a natureza foi dominada e o mundo moderno foi economizado. filosófica. como formas de domínio e controle sobre o mundo. Para o autor. abriu a via da racionalidade científica e instrumental que produziu a modernidade como uma ordem coisificada e fragmentada. limite dos desequilíbrios ecológicos e das capacidades de sustentação da vida. científica e tecnológica do mundo. limite da pobreza e da desigualdade social. Para o autor representa também a crise do pensamento ocidental: da “determinação metafísica” que. Para Leff (2003. os motivos geradores desta realidade ainda estão distantes de serem compreendidos pela maior parte dos indivíduos que integram a sociedade contemporânea em função dos limites impostos pela sua racionalidade dominante. 19) “as mudanças catastróficas na natureza ocorreram nas diversas fases de evolução geológica e ecológica do planeta”. Para o autor esta crise se apresenta a nós como um limite no real que re-significa e re-orienta o curso da história: limite do crescimento econômico e populacional. Para Leff (2006) não basta postular a estabilização da economia e da população em algum momento no próximo século. sem questionar a possibilidade de deter a escala e desconstruir a economia para internalizar as condições de sustentabilidade . os entes e as coisas. ao pensar o ser como um ente. Leff (2003. ética. p. o que difere estas mudanças da crise ecológica atual é que pela primeira vez não se trata de uma mudança natural. da ontologia e da epistemologia com as quais a civilização ocidental compreendeu o ser.

Segundo o autor. como também a idéia de manter a economia em um estado estacionário. mais de vinte anos de políticas neoliberais e mais de 15 anos de uma busca de soluções através do paradigma emergente da economia ecológica – de que a racionalidade econômica contenha os mecanismos para poder desacelerar-se e alcançar um estado estacionário (em equilíbrio com a natureza). Ao defender sua proposta a construção de uma racionalidade ambiental23. Leff (2006) acredita que dentro da perspectiva atual. de significar e de dar valor às coisas do mundo. A ecologização da economia não é um problema de adequação de ritmos e escalas. A desconstrução da racionalidade econômica seria tão quimérica como tentar transformar um avião supersônico em pleno vôo em um helicóptero capaz de aterrisar neste mundo antes de estatelar-se contra o tempo. uma deseconomia global e generalizada. 231). que se expande e globaliza. (LEFF. é impossível manter um crescimento econômico sustentado. entre o fatalismo da morte entrópica e a esperança da vontade divina. p. e com isso ao da própria natureza. de sentir.. de formas diferentes de pensar. que o autor denomina de racionalidade ambiental. 23 . fato que não oferece saídas à crise do sistema. capaz de orientar a construção da sustentabilidade a partir de um encontro de racionalidades.88 ecológica. a economia trata-se de: [.. a inércia cumulativa da economia global alcançou uma escala que ultrapassa os limites de sustentabilidade do planeta. 2006. O autor acredita que: O problema não está em definir as regras que devem normatizar o processo econômico. mas de mudança de estrutura e construção de uma nova racionalidade. de imaginar. mas sim nas vias de transição para uma economia em estado estacionário.] uma razão totalitária. Leff (2006) afirma que a economia não mostrou ser uma disciplina capaz de delimitar seu campo de conhecimento. Desta forma. sem que o processo leve a seu colapso. de abrir-se à alteridade e à alternativa. uma vez que a racionalidade econômica – à diferença das sementes terminator – não tem inscritos em seu “código genético” os mecanismos de sua própria desativação. Para o autor. onde as externalidades do sistema geraram um estado de escassez absoluta. Leff (2006) considera que o destino do desenvolvimento sustentável estaria lançado numa encruzilhada. que impõe um processo de racionalização que vai ocupando todas as esferas da vida social e da ordem Leff (2006) apresenta a necessidade de construção de uma nova racionalidade. de acolher outras racionalidades. Mas não há sinais perceptíveis em parte alguma – depois de mais de trinta anos de ter-se apresentado os limites entrópicos do crescimento.

se a segunda lei da termodinâmica é inescapável. remete a suas origens. p. do saber. na alienação e na incerteza do mundo economizado. então uma razão guiada pelo instinto de sobrevivência e pela erotização da vida deve levar a humanidade a procurar novas vias civilizatórias. Além do propósito de incorporar os custos ecológicos dentro de uma racionalidade que os rechaça e exclui. assim como sua desaceleração e reconversão para uma economia ecologicamente sustentável. p. Para o autor: Apreender a complexidade ambiental implica um processo de desconstrução e reconstrução do pensamento. p. do sujeito e do objeto (Descartes). 232) considera que: Se os recursos da natureza são limitados. p. para apreender o mundo coisificando-o. o autor julga necessário construir outra racionalidade produtiva. em sua negatividade. se a capacidade da ciência e da tecnologia para reverter a entropia e para desmaterializar a economia é ilusória e incerta. mas uma visão situada a partir da . de um ajuste de contas entre paradigmas teóricos. Esta racionalidade dominante descobre a complexidade em seus limites. não é um problema metodológico. a ver os “erros” da história que se arraigaram em certezas sobre o mundo com falsos fundamentos. a transpor a esfera de produção para capitalizar a natureza e a cultura. A economia tende. por sua própria “natureza”. objetivando-o. implica sobretudo um processo histórico no qual as estratégias de poder no saber levaram a institucionalizar e legitimar a racionalidade econômica (LEFF. é necessário formular uma nova economia que funcione sobre a base dos potenciais ecológicos do planeta. Leff (2006. Leff (2003. A incorporação pela economia das condições ecológicas de sustentabilidade.89 ecológica. à compreensão de suas causas. na crença de que isso representa um estágio mais alto do desenvolvimento da civilização e que expressa a vontade dos deuses. Para Leff (2006) uma vez que o crescimento econômico não é sustentável e que a racionalidade econômica não contém os mecanismos para sua desativação. da ciência e tecnologia. a descobrir e reavivar o ser da complexidade que ficou no “esquecimento” com a cisão entre o ser e o ente (Platão). arrastado por um processo incontrolável e insustentável de produção (LEFF. não poderia encontrar uma solução pela via da racionalidade teórica e instrumental que constrói e destrói o mundo”. 16). e das formas culturais de significação da natureza. 231). do poder. se a seta do tempo é inelutável e se manifesta na desestruturação dos ecossistemas e na degradação do ambiente. 2006. 16 e 17) considera que: A hermenêutica ambiental não é uma exegese de textos em busca dos precursores do saber ambiental. Para Leff (2003. 2003. capaz de operar conforme os princípios da sustentabilidade. homogeneizando-o. antes de ficar enredada na complacência generalizada dentro do fanatismo totalitário da ordem econômica estabelecida. entendida como a crise de civilização. p.16) “a crise ambiental.

17). abriu . o saber ambiental retoma a questão do ser no tempo e o conhecer na história. tentou colmar sua incompletude com a idéia absoluta. um reaprender mais profundo e radical que a aprendizagem das “ciências ambientais” que buscam internalizar a complexidade ambiental dentro de uma racionalidade em crise. do saber e do conhecer.. Nessa empresa por compreender. p.] novas vias de transformação do conhecimento através do diálogo e da hibridação de saberes” (LEFF. do poder no saber e a vontade de poder. se projeta um futuro aberto. abrindo um espaço para o encontro entre o racional e o moral. por ordenar. 2003. 19). com uma razão ordenadora. p. ao submeter a natureza às leis de suas certezas e seu controle. com uma certeza e uma autoconsciência de seu lugar no mundo. sobre o diálogo dos saberes e a inserção da subjetividade dos valores e dos interesses na tomada de decisões e nas estratégias de apropriação da natureza. na qual a “[. Para o autor a crise ambiental problematiza o pensamento metafísico e a racionalidade científica.. sobre a hibridação do conhecimento na interdisciplinaridade e na transdisciplinaridade. a partir da pergunta pelas origens dessa racionalidade em crise” e “pelo conhecimento do mundo que tem sustentado a construção de um mundo insustentável”. de onde se desentranham as origens e as causas dessa crise. p.] reconstrução social se funda em um novo saber. p. Para Leff (2003. entre a racionalidade formal e a racionalidade substantiva. Para Leff (2003. 22): A complexidade ambiental abre uma nova reflexão sobre a natureza do ser. com base na diferenciação dos sentidos do discurso ambientalista”. Para Leff (2003. “neste sentido. 2003. A hermenêutica abre os sentidos bloqueados pelo hermetismo da razão. que é um querer saber” (LEFF. Mas também questiona as formas em que os valores permeiam o conhecimento do mundo. 17) “na crítica radical das causas da crise ambiental nas formas de conhecimento do mundo.. e da qual se projeta o pensamento (da complexidade) para a reconstrução do mundo. coisificou o mundo. Para o autor.. desestruturando a natureza e acelerando o desequilibro ecológico. 24 e 25): Na epopéia do ser humano por salvar sua falta em ser através do conhecimento. p. possibilitando “[. Para Leff (2003) o ato de aprender a aprender a complexidade ambiental exige uma reapropriação do mundo desde o ser e no ser.90 complexidade ambiental – entendida como expressão da crise de civilização –. por dominar e controlar.

Essa é a crise do nosso tempo. algumas transformações em termos de criação de novos instrumentos e aprimoramento das pesquisas científicas foram obtidas. . serviram apenas para demonstrar que os resultados desejados não foram plenamente ou suficientemente efetivados. de forma que possa representar o surgimento de uma realidade social baseada em um novo tipo de racionalidade de fato compatível com os interesses de manutenção da vida e de sustentação das gerações presentes e das futuras. a teoria de sistemas. Ao longo deste período.2. parece pouco provável que os objetivos pretendidos pelos discursos que pregam o desenvolvimento sustentável e a sustentabilidade possam ser de fato atingidos. p. Leff (2003. a complexidade da crise ambiental em curso exige uma urgente superação dos paradigmas dominantes baseados na matriz do pensamento linear para a reconstrução da realidade coletiva. A Proposta e o Discurso da Sustentabilidade Desde o alerta de Carson. as quase cinco décadas que demarcaram o fim do século XX e o início do século XXI serviram de palco para discussões mundiais em torno das questões sociais e ambientais. ao invés de neutralizar o surgimento de novas evidências em torno do agravamento da crise sócio-ambiental em curso. O fracionamento do corpo das ciências enfrenta a complexidade do mundo propondo a necessidade de construir um pensamento holístico reintegrador das partes fragmentadas do conhecimento para a retotalização de um mundo globalizado. Pelas razões explicitadas. mas ao que tudo indica. Sem a superação da forma racional de pensar dominante que prioriza a dimensão econômica em detrimento de outras dimensões.91 as comportas do caos e da incerteza.5. 40 e 41) considera que: A crise ecológica tem sido acompanhada pela emergência do pensamento da complexidade. os paradigmas interdisciplinares e a transdisciplinaridade do conhecimento surgem como antídotos para a divisão do conhecimento gerado pela ciência moderna. Ao que parece. daí a necessidade de entender suas raízes no pensamento para aprender a aprender a complexidade ambiental que oriente a reconstrução do mundo atual. 2. a teoria do caos e as estruturas dissipativas.

sem compreender que o todo é maior do que suas partes. a distribuição desigual de renda. a situação caótica da fome e da pobreza de grandes contingentes populacionais. No relatório. ao mesmo tempo em que exigem delas a sua atenção e sua ação. Apontaram também para os limites finitos dos recursos naturais. as afastam da possibilidade de refletir sobre o seu futuro e da sociedade em um contexto mais amplo. Neste relatório foram retratadas as análises de um grupo multidisciplinar formado por cientistas. sob o título Limites do Crescimento (também conhecido como relatório de Meadows. em homenagem a um de seus autores). a significação e as correlações de seus vários componentes. são . industriais e funcionários públicos de nível nacional e internacional. Um dos fatores que faz do relatório do Meadows relevante para o contexto da crise sócio-ambiental em curso são algumas evidências por ele retratadas sobre o comportamento dos indivíduos. além da necessidade do estabelecimento de um novo conceito de desenvolvimento. não conseguia compreender as origens. apesar do homem ser capaz de perceber a problemática. Meadows (1972) já apontava diferentes tipos de pressões e de problemas que as pessoas enfrentavam. recursos naturais. os quais. político e espacial. economistas. educadores. produção industrial e poluição. na busca de estabelecer uma melhor relação de equilíbrio em termos econômico. ambiental. em grande parte. os quais envolviam a população. sobre o complexo de problemas que afligiam os povos de todas as nações. a desigualdade social. Um dos estudos mais relevantes desenvolvidos neste período e que ainda se mantém atual em termos de proposta para reflexões sobre a crise sócio-ambiental contemporânea foi publicado pelo Clube de Roma em 1972. que a mudança em um dos elementos significa a mudança nos demais. Há mais de três décadas. social.92 Os diversos e diferentes estudos realizados ao longo deste período geraram profundas reflexões no meio científico quanto aos limites da racionalidade econômica e os seus reflexos indesejados na forma de ser e agir das sociedades contemporâneas. Meadows (1972) já indicava que o dilema da humanidade residia no fato de que. humanistas. produção agrícola. O relatório considerava que o fracasso ocorria. pela insistência dos seres humanos em examinar elementos isolados na problemática.

Tais situações foram ilustradas no relatório por meio da figura 11: Figura 11 – Perspectivas Humanas em Relação ao Futuro Fonte: Meadows (1972. como o fato das pessoas gastarem a maior parte do seu tempo tentando garantir para si e sua família o alimento do amanhã. de estarem interessadas no poder pessoal ou da nação onde vivem ou pela necessidade de preocuparem-se com uma guerra mundial no curso de sua vida. 14) Nesta figura. onde todo o interesse humano pode situar-se em algum ponto. Desta forma. as preocupações da humanidade estão assentadas nas dimensões de espaço e tempo. p. dependendo do espaço geográfico que ele abrange e até onde se prolonga no tempo. condição que as . a maioria das preocupações das pessoas estaria concentrada no ângulo inferior esquerdo do gráfico. de acordo com a representação gráfica.93 apontadas algumas evidências destes comportamentos.

. de 1980. desenvolvimento de pesquisas no campo de fontes energéticas renováveis. 16): A maioria da população mundial preocupa-se com questões que afetam somente a família ou os amigos. valorizando a relação de interdependência entre estes elementos. a satisfação das necessidades básicas das populações mais carentes. que se formulou a definição do desenvolvimento sustentável como “processo que permite satisfazer as necessidades da população atual sem comprometer a capacidade de atender às gerações futuras”. diversas plenárias mundiais foram estabelecidas na busca de novas alternativas para o crescimento e para o desenvolvimento. p. p. econômico e ecológico em escala global. mais conhecido como Relatório de Brundtland. ou têm visão mais ampla – uma cidade ou nação. adequação da produção industrial com base em tecnologias ecologicamente adaptadas. controle da urbanização desenfreada. foi no relatório denominado Nosso Futuro Comum. embora essa noção já tivesse se insinuado a partir dos textos da Estratégia Mundial de Conservação. a que originou a expressão desenvolvimento sustentável. contribuíram para o surgimento de novos debates em nível global. Durante a realização do estudo foram propostas diversas medidas para a busca do desenvolvimento em condições de equilíbrio: controle do crescimento populacional. Apenas muito poucas pessoas têm uma perspectiva global que se projeta em um futuro distante. Ao longo das últimas cinco décadas. garantia de produção de alimentos a longo prazo. em períodos curtos de tempo. De acordo com Leff (2006. preservação dos recursos naturais. Segundo o autor. As questões levantadas pelo relatório de Meadows.136 e 137) “nos anos 1980. Outros olham mais à frente. as estratégias do desenvolvimento foram deslocadas pelo discurso do desenvolvimento sustentável”. publicado em 1987 e que em 2007 comemorou 20 anos. melhor adequação da relação cidade-campo e em especial. foram efetuadas diversas reflexões no contexto social. No Relatório Brundtland. Para Meadows (1972.94 impediria de se preocuparem com situações relacionadas ao seu próprio futuro e ao futuro das próximas gerações envolvendo esferas maiores da sociedade. redução nos níveis de consumo de energia. dentre elas.

p. assim. abrindo uma nova visão do processo civilizatório da humanidade.95 De acordo com Leff (2006). problematiza as formas de conhecimento. “a noção de sustentabilidade emerge. 16). Para Leff (2006. p. Leff (2006) acredita que o discurso do desenvolvimento sustentável procura estabelecer um terreno comum para uma política de consenso capaz de integrar os . Para Leff (2006. quando menciona o significado da expressão “desenvolvimento sustentável” criada por Gisbert Glaser. a intenção da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento era a de avaliar os avanços dos processos de degradação ambiental e a eficácia das políticas ambientais. A crise ambiental veio questionar os fundamentos ideológicos e teóricos que impulsionaram e legitimaram o crescimento econômico. consultor sênior do International Council for Science: O desenvolvimento sustentável é um alvo móvel. negando a natureza e a cultura. Segundo o autor. 134). do reconhecimento da função que a natureza cumpre como suporte. A sustentabilidade ecológica aparece assim como um critério normativo para a reconstrução da ordem econômica. deslocando a relação entre o real e o simbólico. Representa o esforço constante em equilibrar e integrar os três pilares do bem-estar social. de forma a criar uma visão compartilhada por todas as nações do mundo sobre as condições para alcançar a sustentabilidade ecológica e a sobrevivência do gênero humano. Provavelmente parte da explicação deste fenômeno resida na explicação de Lovelock (2006. como uma condição para a sobrevivência humana e para um desenvolvimento durável. os valores sociais e as próprias bases da produção. As evidências do agravamento das crises sócio-ambientais demonstram que as recomendações para o atingimento do estado de desenvolvimento sustentável não obtiveram êxito. p. prosperidade econômica e proteção ambiental em benefício das gerações atual e futura. condição e potencial do processo de produção”.133 e 134): O princípio da sustentabilidade emerge no discurso teórico e político da globalização econômico-ecológica como a expressão de uma lei-limite da natureza diante da autonomização da lei estrutural do valor. foi a partir deste momento que a noção de desenvolvimento sustentável converteu-se no referente discursivo e no “saber de fundo” que organiza os sentidos divergentes em torno da construção das sociedades sustentáveis.

. equidade. 137). Martínez Alier e Escobar citados por Leff (2006. Para Redclift.] na perspectiva neoliberal. mas não oferece uma justificação rigorosa sobre a capacidade do sistema econômico para incorporar as condições ecológicas e sociais (sustentabilidade. que se traduz como desenvolvimento sustentado. povos e classes sociais que plasmam o campo conflitivo da apropriação da natureza. Desta forma. que integra dois significados: o primeiro. sendo empregadas pelos políticos para mostrar sua preocupação com o meio ambiente e suas credenciais verdes”. No entanto. dispersão de dejetos – do processo econômico. a partir dos anos 1980 o discurso neoliberal anunciou a desaparição da contradição entre ambiente e crescimento [. desaparecem as causas econômicas dos problemas ecológicos. o discurso do desenvolvimento sustentado/sustentável foi vulgarizado até se tornar parte do discurso oficial e da linguagem comum. Desta forma. Uma vez estabelecido o anterior – afirma o discurso do desenvolvimento sustentado -. atribuindo valores econômicos e direitos de propriedade aos recursos e serviços ambientais. 139) considera que: Se nos anos 1970 a crise ambiental tornou necessário que se colocasse um freio antes que o colapso ecológico fosse alcançado. para Leff (2006). A crise ambiental não é mais um efeito da acumulação de capital. diluição de contaminadores. mas resultado do fato de não haver outorgado direitos de propriedade (privada) e atribuído valores (de mercado) aos bens comuns. implica a perdurabilidade no tempo do progresso econômico. alguns pesquisadores como Lovelock (2006. 2006. Para o autor: A ambivalência do discurso do desenvolvimento sustentado/sustentável se expressa já na polissemia do termo sustainability. p. traduzível como sustentabilidade. p. as leis clarividentes do mercado se encarregariam de ajustar os desequilíbrios ecológicos e as diferenças sociais. Leff (2006. a equidade e a sustentabilidade. p. implica na incorporação das condições ecológicas – renovabilidade da natureza. justiça.. democracia) deste processo através da capitalização da natureza (LEFF. 82). então a sustentabilidade ecológica aparece como condição da sustentabilidade temporal do processo econômico. Com relação à apropriação indevida do termo.96 diferentes interesses dos países. consideram que “as expressões ‘desenvolvimento sustentável’ e ‘energia renovável’ entraram no jargão da política. o discurso do desenvolvimento sustentado chegou a afirmar o propósito de tornar sustentável o crescimento econômico através de mecanismos do mercado. Se a crise ambiental é produto da negação das bases naturais nas quais se sustenta o processo econômico. 138): . o segundo.

desencadeando um processo incontrolado e desregulado de produção. 2006. onde “o discurso da sustentabilidade opera como uma estratégia fatal. Para Leff (2006). reestruturando as condições da produção mediante uma gestão economicamente racional do ambiente. . p.97 As contradições não apenas se fazem manifestas pela falta de rigor do discurso. Enquanto existir uma disfunção do sistema.] As próprias causas tendem a desaparecer. humano e cultural.140) “a ideologia do desenvolvimento sustentado libera o mercado. 139 e 140) Para Daly citado por Leff (2006. Para Leff (2006. os processos ecológicos e simbólicos são reconvertidos em capital natural. “um cálculo de significação” (Baudrillard. p.. uma inércia cega que se precipita em direção á catástrofe”. que ocorre sem considerar sua autodefinição. Para Leff (2006. (LEFF. instrumentaliza-se uma operação simbólica. a cultura e a natureza como formas aparentes de uma mesma evidência: o capital. para serem assimilados pelo processo de reprodução e expansão da ordem econômica. Para o autor: A natureza está sendo incorporada ao capital mediante uma dupla operação: de um lado. gerando a intensificação de processos que operam no vazio. p. procura-se internalizar os custos ambientais do progresso atribuindo valores econômicos à natureza. “o discurso da sustentabilidade aparece assim como um simulacro que nega os limites do crescimento para afirmar a corrida desenfreada em direção à morte entrópica do planeta”. 140). Nossa sociedade está fundada na proliferação. Uma sociedade excrescente cujo desenvolvimento é incontrolável. p. quando surgem os dissensos em torno do discurso do desenvolvimento sustentado/sustentável e os diferentes sentidos que este conceito adota em relação aos interesses contrapostos pela apropriação da natureza. a se tornar indecifráveis. o discurso de Baudrillard se reflete e encontra seu referente no discurso do desenvolvimento sustentado e em manifestações da crise ambiental quando afirma que: Estamos governados não tanto pelo crescimento. por uma sorte de saturação [. ao mesmo tempo.. mas por crescimentos. O resultado é um congestionamento sistêmico bruto e um mau funcionamento causado por uma hipertelia: por um excesso de imperativos funcionais. um delírio da razão econômica. Assim. 139) “o discurso do desenvolvimento sustentado promove o crescimento econômico negando as condições ecológicas e termodinâmicas que estabelecem os limites e possibilidades de uma economia sustentável”. onde a acumulação de efeitos vai de mãos dadas com a desaparição das causas. em um crescimento que continua apesar de não poder medir-se diante de nenhum objetivo claro. 1974) que recodifica o homem. uma mania de crescimento”. mas também em sua colocação em prática.

] internalizar as condições ecológicas da produção. p.. p. um vôo e um aperto na razão”. convertendo-a em capital natural. de maneira que não é possível encontrar-se nenhum remédio.. erguendo assim “[. O que chamamos de crise é de fato a antecipação de sua inércia absoluta (BAUDRILLARD CITADO POR LEFF.] uma cortina de fumaça que mascara as causas da crise ecológica”. os valores culturais. O capital clona as identidades para assimilá-las a uma lógica.. Para o autor: O discurso do desenvolvimento sustentado colonizou a natureza. 2006. mas um salto mortal. não estamos contemplando mais uma crise e sim uma catástrofe [. 143). desabordando seus próprios fins.. Mas. fragmentando e recodificando a natureza como elementos do sistema: do capital globalizado e da ecologia generalizada” (LEFF. Leff (2006) acredita que a racionalidade econômica resiste à sua desconstrução por meio da sustentação do discurso do desenvolvimento sustentado. p. 2006. a uma razão. neste discurso a tecnologia desempenharia o papel de reverter os efeitos da degradação entrópica nos processos de produção. p. 2006. Leff (2006. .98 um desvio de leis conhecidas que governam sua operação. 142). Segundo o autor.]. 143) considera que o discurso do desenvolvimento sustentado não significaria “apenas mais uma volta na porca da racionalidade econômica. e sim postular o crescimento econômico como um processo “sustentável”. sempre existirá a perspectiva de transcender o problema. sustentado nos mecanismos do livre mercado e na tecnologia... Dessa maneira. Tudo é redutível a um valor de mercado e representável pelos códigos do capital. as potencialidades do homem e sua capacidade inventiva se transmutam em capital humano. a uma estratégia de poder para a apropriação da natureza como meio de produção e de reprodução da racionalidade econômica. quando o sistema se precipita sobre seus pressupostos básicos. distribuição e consumo de mercadorias. Em sua reflexão. que seriam meios eficazes para garantir o equilíbrio ecológico e a justiça ambiental (LEFF. as estratégias de sedução e de simulação do discurso do desenvolvimento sustentado constituem o mecanismo extra-econômico por excelência da pós-modernidade para manter o domínio sobre o homem e a natureza. Para o autor o seu objetivo final não seria: [. A força de trabalho. Neste contexto “o ambiente é reapropriado pela economia. p.143) “as políticas de desenvolvimento sustentado procuram conciliar os lados opostos contrários da dialética do desenvolvimento: o meio ambiente e o crescimento econômico”. 140). Para Leff (2006.

o processo de globalização – os crescentes intercâmbios comerciais. por efeito de sua extrema vontade de globalizar o mundo devorando todas as coisas e traduzindo-as aos códigos da racionalidade econômica. p. No entanto.99 Leff (2006. razão que sustenta a impossibilidade de pensar e agir conforme as condições da natureza. sem relação entre o valor de troca e a utilidade do valor de uso. inclusive. o homem – para reconvertê-las a sua forma unitária e universal. o valor de troca desvinculou-se de sua conexão com o real.147): No discurso do desenvolvimento sustentado. da vida e da cultura. a economia se desprendeu da condição de materialidade da natureza e da necessidade humana. p. a planetarização do aquecimento da atmosfera e. As estratégias fatais da globalização econômica conduzem a uma nova geopolítica da biodiversidade. teve início um processo de cinco séculos de economização do mundo. a generalização dos intercâmbios comerciais se converteu em uma lei universal. Leff (2006. Nesse sentido. Esse processo econômico não apenas exsuda externalidades que seu próprio metabolismo econômico não pode absorver. além disso. Com a invenção da ciência econômica e a institucionalização da economia como regras de convivência universal. o capital dá prosseguimento a uma inércia expansionista. A economia do desenvolvimento sustentado funciona dentro de um jogo de poder que outorga legitimidade à ficção do mercado. da mudança climática e do desenvolvimento sustentado. através de sua crença fundamentalista e totalitária. Para Leff (2006.145 e 146) considera que: No processo de objetivação do mundo. as telecomunicações eletrônicas com a interconexão imediata de pessoas e fluxos financeiros que parecem eliminar a dimensão espacial e temporal da vida. a cultura. conservando os pilares da racionalidade do lucro e o poder de apropriação da natureza fundado na propriedade privada do conhecimento científico-tecnológico. a fase atual do capital ecologizado e da capitalização da natureza aparece como um novo estágio no qual o capital seria capaz de exorcizar seus demônios e resolver contradições que o têm acompanhado desde sua acumulação originária até a globalização econômica atual. invadindo todos os domínios do ser e os mundos de vida das gentes. Tal processo de expansão da racionalidade econômica chegou a seu ponto de saturação e a seu limite. p. que descarrega sobre a natureza os desejos do processo de “criação destrutiva” do capital. e atenta contra um projeto de sustentabilidade global fundado na diversidade ecológica e cultural do planeta.145) acredita que assim: As estratégias do capital para reapropriar-se da natureza vão degradando o ambiente em um mundo sem referentes nem sentidos. tendo chegado ao seu limite e diante da impossibilidade de estabilizar-se como organismo vivo. se encrava no mundo destruindo o ser nas coisas – a natureza. a aceleração das migrações e das mestiçagens culturais – foi mobilizado e sobredeterminado pelo domínio da racionalidade econômica sobre os demais processos de globalização. A hipereconomização do mundo induz a homogeneização dos padrões de produção e consumo. mas. A geopolítica da biodiversidade e da mudança climática não apenas prolonga e intensifica os processos anteriores de .

que estabelece limites físicos e termodinâmicos do crescimento econômico. A racionalidade . enquanto sua inércia de crescimento desborda os limites da sustentabilidade do planeta. Porém. bem como sua capacidade para internalizar os custos ambientais através de um sistema de normas legais. O tema sustentabilidade se inscreve nas lutas sociais pela apropriação da natureza. (LEFF. antes de ter fundado a positividade de um novo paradigma econômico (de uma economia ecológica). que leva a construir uma racionalidade produtiva fundada no potencial ecológico da biosfera e nos sentidos civilizatórios da diversidade cultural. mas também altera as formas de intervenção e apropriação da natureza. Mas a teoria crítica da economia baseada nas leis da natureza. Herman Daly. este não logrou livrar-se das razões de força maior do mercado. José Neredo e Joan Martínez Alier já perceberam as limitações que o mercado tem para regulamentar efetivamente os equilíbrios ecológicos. 148) Leff (2006. da erosão genética e do aquecimento global. p. orientando a reflexão teórica e a ação política para o propósito de desconstruir a lógica econômica e construir uma racionalidade ambiental. p. levando ao seu limite a lógica econômica. De acordo com o autor. abriu as comportas ao campo emergente da ecologia política. de um princípio de precaução baseado no cálculo de risco e na incerteza e em limites impostos através de um debate científico-político afastado do mercado. de impostos ou de um mercado de licenças transacionáveis para a redução das emissões de gases que causam o aquecimento global do planeta. Para o autor: A lei da entropia. é negada pela teoria e pelas políticas de desenvolvimento sustentado. Leff (2006) menciona que economistas ecológicos como René Passet. Leff (2006.148) considera que a “racionalidade econômica carece de flexibilidade e maleabilidade para ajustar-se às condições de sustentabilidade ecológica do planeta” e que apesar do debate político ter sido enriquecido pelos aportes da ciência a respeito dos riscos ecológicos do desflorestamento. 2006.160) acredita que: A sustentabilidade emerge como uma fratura da razão modernizadora.100 apropriação destrutiva dos recursos naturais. onde o debate científico se desloca para os conflitos ambientais. p. estes economistas sugerem assim que: A economia deve contrair-se aos limites de uma expansão que assegure a reprodução das condições ecológicas de uma produção sustentável e de regeneração do capital natural.

É um retorno à ordem simbólica para ressignificar o mundo. reforça que o paradigma econômico tem sido incapaz de assimilar a crítica apresentada pela lei da entropia e da racionalidade econômica. às ficções e às especulações do discurso do desenvolvimento sustentado: as de uma ordem simbólica autônoma desprendida de sua conexão com o real.172 e 173): A crise ambiental irrompeu em um mundo no qual a economia ficou desprovida de lei e de valor. tanto no campo capitalista como no socialista. a teoria e as políticas econômicas procuram iludir o limite e acelerar o processo de crescimento. quando as estratégias do código econômico triunfam sobre a lei do valor. soou o alarme ecológico anunciando uma catástrofe tão inesperada como impensável na auto-complacência do progresso científicoecológico. em que o mundo se converte em um hiper-realidade onde o simbólico parece perder sua referencialidade e sua conexão com o real. quando a hiper-realidade gerada pelas estratégias fatais do código parecem burlar o pensamento e o discurso do desenvolvimento sustentável seduz o interesse prático ao procurar o equilíbrio guiado por um mercado sem valores. De acordo com o autor. quando o construtivismo e a hermenêutica conduzem o pensamento à conformidade e ao jogo de sentidos. Para Leff (2006. que surge da visibilidade da degradação ambiental desponta como uma crítica ao paradigma normal da economia. quando os conceitos perdem sua referência no real. Exatamente nesse ponto. p.101 ambiental não é a atualização da razão pura na complexidade ambiental. (LEFF. e a convicção. nesse vazio ontológico e nesse reino da dissimulação. é uma estratégia conceitual que orienta uma práxis de emancipação do mundo hiperobjetivado e do logocentrismo no conhecimento. quando o simbólico parece emancipar-se do fático e a ecologia fracassa em sua tentativa de enraizar o mundo na ordem da vida. A natureza se impõe às falácias. montando um dispositivo ideológico e uma estratégia de poder para capitalizar a natureza. quando são vencidas a lei e a norma fundadas na natureza e na ética. de onde surge o . p. mais além de qualquer determinismo ontológico. no qual a natureza se desnaturaliza e se coisifica. quando o projeto da racionalidade científica entra em colapso e o mundo parece flutuar na incerteza e na relatividade dos signos. 2006. Para Leff (2006. diante das propostas de colocar um freio no crescimento e da transição a uma economia de estado estacionário. 225) Desta forma Leff (2006). p. de que o desenvolvimento das forças produtivas abriria as portas para uma sociedade de pós-escassez e à liberação do homem do reino da necessidade. 225 e 226) a tomada de consciência a respeito dos limites do crescimento. em que a dialética procura ancorar-se nas leis da natureza. Para o autor: Na beira do precipício. emerge a entropia como lei-limite da racionalidade econômica.

o desafio proposto para a sociedade contemporânea para o real atingimento do estado de desenvolvimento sustentável somente será possível se contemplar urgentes reflexões e mundanças nas características da matriz de pensamento que determina as ações emanadas de sua racionalidade dominante.2.102 discurso neoliberal e a geopolítica do desenvolvimento sustentável. a grande maioria das organizações sociais ainda atua exclusivamente com foco nos resultados econômicos. falham por não considerar a adoção de alternativas compatíveis com o estabelecimento de um desenvolvimento de fato sustentável. Em função do senso comum vigente na sociedade. no qual está impresso que as indústrias químicas representam riscos para o conjunto do meio ambiente. Na busca de respostas para os objetivos definidos na proposta de realização desta pesquisa. ambiental. política e espacial na qual a sociedade. ao assumirem as premissas máximas de uma racionalidade centrada em aspectos econômicos orientados pela ação racional instrumental. notadamente vitais para a sobrevivência humana. e mais especificamente. Muitas dessas organizações sociais.6. se fez necessário primeiro compreender a realidade das racionalidades e das dimensões econômica. A Iminência da Consolidação da Sociedade de Risco No “epicentro” da crise sócio-ambiental já anunciada. se encontram diferentes tipos de organizações sociais. fato que originou os debates sociológicos ocorridos na década de 1990 que tentam captar e conceituar esta reconfiguração. Beck (2006) considera que em todo mundo. a sociedade contemporânea está submetida a uma mudança radical. 2. reafirmando o livre mercado como mecanismo mais clarividente e eficaz para ajustar os desequilíbrios ecológicos e as desigualdades sociais. sobre a qual . optou-se para o desenvolvimento do presente estudo pela adoção da abordagem elaborada por pelo sociólogo alemão Ulrich Beck em seu livro denominado “A Sociedade de Risco Global”. negando ou ignorando questões de caráter social e ambiental. contribuem para a perpetuação e o agravamento das evidências apresentadas. social. as indústrias químicas se encontram inseridas. Ao que tudo indica. que em sua grande maioria e no conjunto. Por força da racionalidade predominante na sociedade.

Lash). baseada no estado nacional. 24 . as quais o autor caracteriza da seguinte forma: Quadro 4 – Caracterização da Primeira e da Segunda Modernidade Corresponde a uma modernidade baseada nas sociedades de Estados-Nação. dissolução e desencantamento das fontes de significado e específicas de grupos (com o a crença no progresso. os quais o autor considera como conseqüências imprevistas da vitória da primeira modernização. Primeira Modernidade Segunda Modernidade ou Modernidade Reflexiva Fonte: Adaptado de Beck (2006) No período que o autor busca caracterizar como segunda modernidade. na qual as pautas coletivas de vida. Por essa razão o autor considera que em termos sociológicos e Para Beck (2006) o processo de individualização surge quando os indivíduos passam a assumir um sentimento maior de subjetividade. a consciência de classe) da cultura da sociedade industrial (cujos estilos de vidas e idéias de segurança também foram fundamentais para as democracias ocidentais e para as sociedades econômicas até bem entrado o século XX) conduzem a todo o trabalho de definição que desde então se espera ou impõem aos próprios indivíduos. um novo tipo de sociedade e um novo tipo de vida pessoal”. onde as relações e redes sociais e as comunidades se entendem essencialmente em um sentido territorial. Período que se configura como um autêntico desafio teórico e político. progresso. A partir do campo de estudos da sociologia. modernidade tardia (Giddens). momento em que assumem de forma ativa os destinos de sua sociedade. complexidades e incertezas. Harvey. Giddens. fatos que a tornam diferente de fases anteriores do desenvolvimento social. p. Em sua abordagem Beck (2006) considera que a sociedade contemporânea vive um momento de transição em algum ponto entre a primeira modernidade e uma segunda modernidade ou modernidade reflexiva. Segundo o autor. pleno emprego e exploração da natureza se encontram cercadas por cinco processos inter24 relacionados: a globalização. Haraway). controle. Beck (2006. Lyotard. a revolução dos gêneros. 2 e 3) acredita que “está construindo-se um novo tipo de capitalismo.103 alguns autores colocam grande ênfase na abertura do projeto humano em meio a novas contingências. um novo tipo de ordem global. no qual a sociedade deve responder simultaneamente a todos os desafios gerados na primeira modernidade. Beck (2006) cita algumas das abordagens e autores que tentam delimitar este período de transição: pós-modernidade (Bauman. a individualização . um novo tipo de economia. simples. o subemprego e os riscos globais (como a crise ecológica e o colapso dos mercados financeiros globais). este processo surge da exaustão. linear e industrial. era global (Albrow) ou modernidade reflexiva (Beck.

Em direção de sua expansão. inseguridade social e pobreza. catástrofes naturais. p. ingressos fiscais. mas também magia.104 políticos se faz necessário uma mudança de paradigma. 118 e 119): Os riscos sempre dependem de decisões: ou seja. um novo marco de referência. mas também para as vicissitudes das vidas individuais: acidentes. o regime do risco trata-se de uma função de ordem nova. Beck (2006) considera o risco25 como sendo o seu elemento principal. embora seja possível que os riscos técnicos tendam a zero. fome. p. sendo que a racionalidade na qual se baseia se deriva da racionalidade que está no núcleo desta sociedade: a racionalidade econômica. no caso de riscos pouco prováveis. Beck (2006) considera que a sociedade industrial se inclina além do limite da segurabilidade. ao afirmar que. p. uma vez que não é nacional. os riscos econômicos são potencialmente infinitos. 121): São as companhias seguradoras privadas as que estabelecem ou indicam a barreira fronteiriça da sociedade de risco. Beck (2006. Com a lógica do comportamento econômico contradizem as regras de segurança formuladas pelos técnicos e indústrias de perigo. cálculo dos riscos de exportação e conseqüências da guerra. transformando-se involuntariamente em uma sociedade de risco através de seus próprios perigos sistematicamente produzidos. e sim global. e por estar diretamente relacionado com o processo administrativo e técnico de decisão. mas de graves conseqüências. Para Beck (2006. morte. enfermidades. Para Beck (2006. Desta forma. O autor justifica sua afirmação mencionando que apesar de toda a sociedade ter experimentado perigos. a qual segundo ele não se trata de “pós-modernidade”. 5) entende como risco “o enfoque moderno da previsão e controle das conseqüências futuras da ação humana. deuses. demônios) se transformam em riscos calculáveis no curso do desenvolvimento do controle racional instrumental que o processo de modernização promove em todas as esferas da vida. As ameaças incalculáveis da sociedade pré-industrial (peste. mas sim de uma “segunda modernidade”. Isto caracteriza as situações e os conflitos nova sociedade clássica industrial e burguesa. 25 . guerras. as diversas conseqüências não desejadas da modernização radicalizada”. Em sua proposta de caracterização de um novo momento demarcado pela iminência da consolidação de uma sociedade de risco global. que por sua vez produz riscos). este não só é válido para a aplicabilidade das capacidades de produção. Surgem da transformação da incerteza e dos perigos em decisões (e exigem a tomada de decisões. pressupõem decisões.

Para o autor a sociedade de risco global abre o discurso público e a ciência social aos desafios da crise ecológica. chamando a atenção para o fato de que a globalização do risco não significa uma igualdade global do risco. A título de exemplo. O autor acredita que a partir do momento que a sociedade passou a desenvolver atividades que deixaram de ser cobertas por seguros. mas pela crescente marginalização e exclusão dos pobres.105 Desta forma. Para Beck (2006. que afirmam que mais de 2. contra os efeitos indesejados ocasionados pelo fenômeno do aquecimento global ou graves conseqüências que possam ser causadas por diversos tipos de tecnologias futuras. local. O autor acredita que de forma simultânea. p. substituindo muitas vezes as referências e as desigualdades associadas à classe. raça ou gênero”. ciências sociais e ciências naturais. 1. a sociedade de risco se caracteriza por ter invalidado as decisões que eram tomadas com base em normas fixas de calculabilidade associadas a meios e fins ou causas e efeitos. por um lado. O autor revela . Beck (2006) cita a ausência de seguros para a cobertura de desastres nucleares. não pela falta de comida ou pela seca. influencia as mudanças científicas e tecnológicas. 6) acredita que “os riscos se converteram em uma das principais forças de mobilização política. p. a autonomia individual e a insegurança no mercado de trabalho e em relação de gênero. a condição da iminência do risco foi institucionalizada.400 milhões de pessoas vivem sem saneamento. um número parecido carece de habitações e serviços sanitários e educativos adequados. segundo Beck (2006). a exemplo das novas tecnologias que envolvem a engenharia genética. e pessoal ao mesmo tempo. “o conceito de risco e sociedade de risco combina o que estava excluído mutuamente há tempos: sociedade e natureza.5). a nova preeminência do risco vincula. Beck (2006) menciona a primeira lei dos riscos ambientais a qual considera que a contaminação segue a pessoa pobre. que na contemporaneidade se faz global. Em seu estudo o autor apresenta algumas conseqüências da sociedade de risco. construção discursiva do risco e materialidade das ameaças”. O autor cita dados da Organização das Nações Unidas (ONU).500 milhões sofrem de desnutrição. Beck (2006. Como exemplos que evidenciam a existência do risco. por outro lado.200 milhões carecem de água potável segura. mais de 1.

são evitadas e anuladas. O autor considera que a época atual é mais moral que a dos anos 50 e 60. imagens da racionalidade e do controle linear. energia. neste sentido. Beck (2006) menciona que na atualidade se podem ilustrar os componentes constitutivos dos riscos do mercado global mediante a experiência da crise asiática. nem em termos de tempo. que o seu individualismo é mais moral e político em um sentido novo.106 ainda dados curiosos sobre os hábitos de consumo de determinados segmentos abastados da sociedade global. criadores de sua identidade. o qual. Beck (2006) considera que vivemos em uma era de risco que é global. que os filhos da liberdade têm sentimentos mais apaixonados e morais sobre uma ampla gama de questões. se pensada até suas últimas conseqüências. O autor considera que o conceito da teoria da sociedade de risco global pode ser respondida sob a luz de duas perspectivas: Beck (2006) acredita que apesar da geração do “primeiro eu” ser muito criticada. Nela seus desafios são os perigos produzidos pela civilização que não podem delimitar-se socialmente nem em termos de espaço. o consumo está praticamente fora de controle nos países mais ricos. estabilidade nacional. a exemplo da OMC e do Nafta. são as características centrais de nossa era. da mesma forma que em 1986 se podiam ilustrar os aspectos de risco tecnológico e ecológico global mediante o acidente nuclear ocorrido em Chernobil. desde o trato ao meio ambiente aos animais. segundo a ONU. Para o autor. Com base em seus estudos. raça e direitos humanos no mundo. onde a ética da auto-realização e sucesso individual são a corrente mais poderosa da sociedade ocidental moderna. O autor acredita que escolher. os vinte por cento mais ricos da população destes países consomem aproximadamente seis vezes mais comida. transporte. mencionando que graças a acordos cruciais para o livre comércio. 26 . água. tecnoeconômico. a sociedade de risco significa sociedade de risco global. individualista e mais moral do que supomos26. foi sextuplicado em menos de vinte e cinco anos. De acordo com os dados da entidade. as condições e princípios básicos da primeira modernidade como o antagonismo de classe. decidir e configurar indivíduos que aspiram a ser autores de sua vida. envolvendo questões de gênero. petróleo e minerais em relação ao que consumiam os seus pais. Para Beck (2006).

das plantas e dos alimentos não conhece fronteiras. instituições. indústrias. Segundo Beck (2006) até os anos 70 e 80 não se forjaram ou fizeram poderosas estas coalizões. que esboçam dentro do espaço público as questões de uma agenda global. Esta perspectiva se expressa em coisas tais como o desastre de Chernobil. ministérios de meio ambiente. a modelos globais de percepção. • • • • • Construtivista ou Social-Construtivista • • • • Fonte: Adaptado de Beck (2006) . Os perigos globais correspondem. Greenpeace. Mas também se manifesta no conhecimento que tem qualquer leitor de jornais ou telespectador maduro das sociedades industriais de que o envenenamento do ar. O novo estado do mundo é a base da crescente importância das instituições transnacionais. Isto requer a institucionalização do movimento ecologista e a construção de atores transnacionais que tentem abordar a gestão global dos problemas mundiais (WWF. eram as questões de classe ou sociais as que tinham uma importância primordial. na segunda. e na década atual. acordos nacionais e internacionais. e finalmente – se a objetividade suposta dá bastante impulso para a ação – atores e instituições transnacionais. mas em coalizações de discurso transnacionais (Hajer citado por Beck (2006)). Porém seria excessivamente simples supor que a ecologia superou a questão de classe. O realismo concebe a problemática ecológica como fechada. é bastante evidente. a globalidade é baseada unicamente na auto-autoridade ostensiva dos perigos objetivos. e é preciso destacar. do solo. Pelo lado realista. do mercado de trabalho e econômicas se sobrepõem e é muito possível que se agravem mutuamente. as conseqüências e perigos da produção industrial desenvolvida agora são globais. os atores transnacionais já tem que ter conseguido que se aceite a sua política discursiva. de maneira que a globalidade de questões ambientais seja decisiva para as percepções e exigências de ações sociais. são as questões ecológicas. É baseada na auto-evidência emprestada dos perigos realistas e a partir de atores.107 Quadro 5 – Perspectivas da Sociedade de Risco • • • • Realista ou Essencialista Nesta perspectiva. estratégias e recursos considerados decisivos em sua fabricação. de forma realista. Na perspectiva construtivista. entre outros). Na perspectiva realista. Na primeira. O construtivismo mantém o princípio de abertura em relação à discussão da problemática ecológica. ambas geram – a sombra de efeitos colaterais latentes – o romance dinâmico de conflito de uma sociedade de risco global. Nela o desenvolvimento de forças produtivas está entrelaçado com o desenvolvimento de forças destrutivas e. segundo o qual o desenvolvimento da indústria ou da sociedade industrial atravessou duas etapas distintas. tem começado a transformar a paisagem temática em torno dos problemas do planeta. falar da sociedade de risco global reflete a socialização global obrigatória devido aos perigos produzidos pela civilização. da água. que as crises ecológicas. em conjunto. fóruns mundiais de vida e ação pública. Esta perspectiva se apóia em descobertas científicas e nos debates da destruição em curso (da camada de ozônio. para contraste. O vigor do realismo também pode observar-se em seu claro manuscrito histórico. quando uma nuvem atômica aterrizou em toda a Europa e obrigou as pessoas a adotar mudanças importantes inclusive em sua vida privada cotidiana. ciência. Uma perspectiva social-construtivista em uma sociedade de risco global não se funda em uma globalidade cientificamente comprovada dos problemas. por exemplo). legislações. especialmente desde a cúpula da terra do Rio. Na perspectiva construtivista os diferentes atores necessitam ter êxito em suas atuações e afirmar-se continuamente contra poderosas contra-coalizações.

Para Beck (2006) por mais contraditórios que possam ser os enfoques essencialista-realista e construtivista em seus métodos e suposições básicos. os contextos em que atuam os atores. induzida pelos meios de comunicação de massas. isso não deve ser considerado como um forte motivo para que sejam minimizadas as suas diferenças. Beck (2006) acha particularmente notável o fato de o realismo enfatizar questões relacionadas ao risco global enquanto que o construtivismo enfatiza as questões relacionadas à sociedade. com todas as suas contradições e conflitos (movimentos sociais. os quais o autor considera como sendo anti-realistas. Para um. O autor considera que um ponto de vista realista irrefletido esquece ou suprime o fato de que o realismo é consciência coletiva sedimentada. apesar de existirem pontos convergentes em relação às duas perspectivas.). fragmentada. Para Beck (2006) a potência definidora do realismo descansa sobre a exclusão de questões que dizem mais em favor da superioridade interpretativa dos enfoques construtivistas. institutos de investigação. etc. Beck (2006) alerta para o fato de que. ambos estão de acordo em seus diagnósticos sobre a sociedade de risco global. são os perigos (os cenários de desastre total) da sociedade de risco global os que constituem o centro principal de atenção.... são as oportunidades. organizações ambientais. imprensa diária. Conforme sustenta Wynne citado por Beck (2006). os perigos globais devem dar lugar antes de mais nada a instituições e tratados internacionais. ao falar sobre os perigos ambientais já se supõem coalizões supranacionais de discurso comprometidas em uma ação com êxito. construídos e mediatizados culturalmente. televisão. carente de reconhecimento social. Para o outro. formam parte do tecido social do conhecimento. Segundo o autor a diferença reside no fato de que para um. o conhecimento público do risco muitas vezes não é conhecimento especializado mas sim profano. O autor menciona que as imagens e símbolos ecológicos não possuem uma certeza intrínseca: são percebidos.108 Com relação à perspectiva realista que fundamenta a sociedade de risco global. enquanto que para o outro. Beck (2006) chama a atenção para o fato de que basta uma visão superficial para mostrar como elas são fracas na realidade. De acordo com Beck (2006) muitos acreditam que assumir a objetividade dos perigos globais é potencializar a construção de instituições transnacionais .

dentro da natureza interiorizada industrialmente. Logo. cujo ponto de vista frequentemente se considera suspeito de ingenuidade. é desenvolvida pela teoria da sociedade de risco global em direção do construtivismo institucional. Na concepção de Beck (2006) a natureza e a destruição da natureza são produzidas institucionalmente e definidas. sugerindo uma única pergunta: como podemos administrar a natureza depois do seu fim? Para o autor esta pergunta que diferentes abordagens tratam de iluminar de formas diversas. ecologia e meio ambiente. e perigos. a teoria da sociedade de risco global traduz a pergunta pela destruição da natureza com outra pergunta: Como aborda a sociedade moderna as incertezas fabricadas autogeradas? Beck (2006) chama a atenção sobre a essência desta fórmula. na qual residem os riscos. individualização e globalização. que escaparam ou neutralizaram as exigências de controle da sociedade industrial. implica ou inclusive produz um considerável impulso de poder para levar a cabo uma política de “desenvolvimento sustentável”. O autor sugere que este marco se inicie além do dualismo existente entre sociedade e natureza e de conceitos chave aparentemente evidentes.109 (centralizadas). o conceito de prevenção de acidentes e desastres. as medidas profiláticas. perigo. mas sim como um mundo interior da sociedade. Em sua proposta para a sociedade de risco. Beck (2006) reforça o fato . Beck (2006) acredita que os temas e perspectivas centrais da sociedade de risco se relacionam com a incerteza fabricada dentro de nossa civilização: risco. em que a análise sócio ecológica dos problemas ecológicos não seja tratada como problemas de meio ambiente ou o mundo que nos rodeia. o principio de segurança. de natureza. segundo se denomina em uma nova frase mágica. Para Beck (2006) a sociedade de risco global compartilha o adeus ao dualismo sociedade-natureza. nos conflitos de leigos e especialistas. Como forma apresentar evidências sobre a sua existência. que dependem de decisões e que em princípio podem controlar-se. O autor atribui à existência dos riscos ao fato de que normas e instituições desenvolvidas dentro da sociedade industrial podem falhar: o cálculo de riscos. asseguramento. neste contexto. Beck (2006) propõe um novo marco conceitual. efeitos colaterais.

Ao mencionar que o conceito de irresponsabilidade organizada indica a existência de um movimento circular entre a normalização simbólica e as permanentes ameaças e destruições materiais. controle e produção oriundas do direito. Segundo Beck (2006) no sistema do industrialismo desenvolvido do perigo nada pode se fazer em nível nacional para garantir a saúde e a segurança dos cidadãos. Visto de outra forma. da indústria e da política são as responsáveis pela destruição material da natureza e pela sua normalização simbólica. as ameaças resultantes nos transformam em membros de uma sociedade de risco global. Como exemplos. Para Beck (2006) na medida em que as decisões ligadas à dinâmica científica. cita casos como a energia atômica. Para o autor as antigas rotinas de decisão. processos que se complementam e se acentuam mutuamente. O realismo econômico predominante nas companhias de seguro lhes impede ter alguma relação com um suposto risco zero. técnico-econômica seguem organizando-se em um nível de estado nação e a empresa individual. Desta forma. a gestão industrial e a investigação negociam critérios para determinar o que pode ser considerado racional e . rios ou lagos. da administração.110 de que indústrias e tecnologias consideradas controversas correspondem àquelas que não possuem um seguro privado ou que não conseguem um acesso a ele. que contestam o juízo de técnicos e autoridades importantes sobre o caráter inofensivo de produtos ou tecnologias que produzem. Para Beck (2006) a ausência de seguro revela que as companhias de seguro são dotadas de especialistas tecnológicos. da ciência. os próprios critérios que a modernidade industrial utiliza para cobrir os perigos que ela mesma gera podem converter-se em normas para a crítica. a sociedade de risco global avança fazendo equilíbrios além dos limites de segurança. Para Beck (2006) na medida em que a administração do estado. Acredita que não é a desobediência das normas mas sim as próprias normas que regulamentam a morte das espécies. Beck (2006) apresenta evidências sobre a existência do princípio de recursividade ou auto-geração citado por Morin. a engenharia genética (incluindo a pesquisa) e setores de alto risco da produção química. a política. nele os perigos aumentam devido ao fato de serem anônimos. para o autor.

pois os mercados de bens e serviços são baseados em princípios instáveis. Para o autor isto ocorre na medida em que os efeitos colaterais negativos de uma ação aparentemente calculada e que pode ser responsabilizada. segundo Beck (2006) propõe a substituição do discurso tradicional sobre a destruição da natureza. no sentido de que as grandes inversões pressupõem um consenso a longo prazo. no qual os efeitos colaterais invisíveis da produção industrial se transformam em conflitos ecológicos globais. as normativas de segurança. porém. onde mesmo que todas as instâncias e regulamentações desempenhem o seu papel e que todos os acordos válidos sejam respeitados. os mesmos nem sempre representarão segurança. Para Beck (2006) o fato de que as normas sejam respeitadas não impede que a opinião pública efetue suas críticas sobre as organizações que considere poluidoras do meio ambiente. na sociedade de risco global. Desta forma para Beck (2006). Tal consenso. ou seja. pela idéia-chave de que os problemas ambientais se originam de uma profunda crise da primeira fase da modernidade industrial. A teoria da sociedade de risco global. no qual a atividade econômica só passou a ser possível com o marco da legislação trabalhista. os projetos industriais se convertem em uma empresa política. Em termos de uma sociedade de risco global. Beck (2006) considera esta como sendo uma mudança decisiva em termos da compreensão da sociedade de risco global. entre outros. fogem do controle das empresas que aplicam remédios domésticos. Beck (2006) também considera que a situação da economia sofre uma mudança radical. acordos de tarifa. o qual foi seguido por um período de regulação estatal. revelam a insegurança fabricada em áreas centrais da ação e da gestão baseadas na racionalidade econômica. o buraco da camada de ozônio aumenta e as alergias se estendem massivamente. O .111 seguro. passam a ser vistos como tendências capazes de erosionar o sistema de forma a deslegitimar as bases de sua racionalidade. ocasiões que segundo o autor. já não é garantido – mas bem ameaçado – pelas antigas rotinas da simples modernização. Segundo o autor houve um tempo em que a indústria podia lançar projetos sem submetê-los a controles e regulações especiais.

Para o autor. Em sua concepção para a sociedade de risco global. ou seja. Para o autor. Para Beck (2006) a junção de diversos fatores confirma o diagnóstico de surgimento de uma sociedade de risco global. são exteriorizados para a economia. Para o autor o princípio de culpa está perdendo a sua eficácia. os métodos de produção ou o design dos produtos) fica agora potencialmente exposto a crítica pública. legitimados pelas ciências naturais e apresentados como inofensivos pela política. cujos efeitos gerados na sociedade a longo prazo não devem ser subestimados. os perigos produzidos na indústria. ao mesmo tempo em que a indústria aumenta a produtividade. mediante a força das limitações práticas (por exemplo. os problemas de eliminação de resíduo. a crise ecológica implica numa violação sistemática de direitos básicos. convertendo-se em globais e duradouros. Para Beck (2006) em termos de política social. Beck (2006) acredita que diferentes ameaças globais como conflitos ambientais. onde novos perigos estão eliminando as fundações convencionais do cálculo de segurança e os danos perdem seus limites espaço-temporal. situações que corroem o poder e a credibilidade das instituições e que só é evidenciado quando o sistema apresenta algum sinal de crise. corre o risco de perder sua legitimidade.112 que poderia negociar-se e implementar-se a porta fechada. pobreza e armas de destruição em massa podem muito bem complementar-se e acentuar-se mutuamente. A ordem legal já não garante a paz social porque generaliza e legitima as ameaças da vida e também da política. uma vez que em muitas ocasiões. onde a atividade das corporações mundiais e dos governos . se faz necessário considerar a interação entre a destruição ecológica. O autor considera que as denominadas ameaças globais conduziram a um mundo no qual foi corroída a base da lógica estabelecida do risco e no qual prevalecem perigos de difícil gestão em lugar de riscos quantificáveis. não podem ser definidas compensações financeiras aos danos causados e não faz sentido assegurar-se contra os piores efeitos possíveis da espiral de ameaças globais. as guerras e as conseqüências da modernização incompleta. Neste contexto surge um fenômeno que Beck (2006) denomina de subpolitização da sociedade mundial. individualizados pelo sistema legal.

mas também tendências opostas que desvelam este encobrimento. gerados a partir do processo de tomada de decisões. Segundo o autor. Dito de outro modo. Isto distingue a nossa época não somente da primeira fase da revolução industrial. Por tanto. desde meados do século XX as instituições sociais da sociedade industrial tem enfrentado a possibilidade. 106) chega a considerar que: O adversário mais influente da indústria da ameaça é própria indústria da ameaça. e perigo. os cidadãos estão descobrindo que o ato de comprar trata-se de um voto direto que sempre podem utilizar de forma política. Neste novo contexto de sociedade global. Expressando-se de outro modo. Para Beck (2006) os riscos presumem decisões e considerações de utilidade industrial.113 nacionais está se submetendo a pressão da esfera pública mundial. a sociedade de risco global se faz autocrítica. o resultado de uma decisão. diferindo-se dos desastres naturais préindustriais por sua origem no processo de tomada de decisão. o poder dos novos movimentos sociais não só se baseia neles mesmos. não importa quão grande e devastador fossem. mesmo embora sejam muito menos acusadas e sempre dependam do valor civil dos indivíduos e da vigilância dos movimentos sociais. as empresas. as organizações estatais e os políticos são responsáveis pelos riscos industriais. mas também na qualidade e o alcance das contradições nas quais incorrem as indústrias que produzem e administram os perigos na sociedade de risco. da destruição de todo vida no planeta por meio das decisões que se tomam. Para Beck (2006) as pessoas. mas 27 Luhmann citado por Beck (2006) apresenta a diferença entre risco. eram considerados golpes do destino que se descarregavam sobre a humanidade desde fora e que eram atribuídas a um outro: deuses. quer dizer. historicamente sem precedentes. à medida que se difunde a consciência do perigo. Beck (2006. os quais não se encontram nas mãos de indivíduos e sim de organizações e grupos políticos inteiros27. que se refere às múltiplas pessoas ou grupos que são afetados e afligidos pelos riscos que os outros adotam (e que podem evitar). Estas contradições se fazem públicas e escandalosas através de atividades provocadoras dos movimentos sociais. Para Beck (2006). demônios ou natureza. De acordo com Beck (2006) os perigos pré-industriais. a participação individual-coletiva nas redes de ação global é surpreendente e decisiva. não existe unicamente um processo autônomo de encobrimento dos perigos. tecnoeconômica. p. ao contrário do que ocorre como os riscos industriais. .

como o consenso sobre o progresso. Logo Beck (2006) defende a idéia de que a sociedade de risco não é uma opção que possa se escolher ou rejeitar no curso do debate político. as diferentes situações percebidas na sociedade de risco se criam em razão das verdades autoevidentes da sociedade industrial. não percebida. no colapso da racionalidade tecnocientífica e legal e das garantias de segurança políticas institucionais que estes perigos conspiram para todos. Para o autor. Para Beck (2006.. Para Beck (2006. Surge por meio do funcionamento automático de processos autônomos de modernização que são cegos e surdos às conseqüências e perigos.] as instituições da sociedade industrial produzem e legitimam perigos que não podem controlar”. Beck (2006) considera que a transição da modernidade industrial para a modernidade do risco se produz de forma não intencional.. os conflitos sobre a distribuição dos males que produz se sobrepõem aos conflitos sobre a distribuição dos bens sociais (renda. nucleares. Estes conflitos se desatam em torno da pergunta de como se . Para Beck (2006) o principal potencial sócio-histórico e político dos perigos ecológicos. emprego. p. no curso de uma dinâmica da modernização que se fez autônoma. situação que põe em questão a própria lógica de funcionamento da sociedade industrial. não importa o quão diversas e contraditórias tivessem podido ser em seus detalhes. p. a abstração das conseqüências e os perigos ecológicos que dominam o pensamento e a conduta dos seres humanos e instituições.114 também de todas as demais culturas e formas sociais. segurança social) que constituem o conflito fundamental da sociedade industrial e conduzem às tentativas de solucionar-lo em instituições adequadas. seguindo a pauta das conseqüências não desejadas. Este potencial reside no desmascaramento da anarquia concretamente existente que se desenvolveu a partir da negação da produção e administração sociais dos megaperigos. onde “[. Pode mostrar-se que os primeiros são os conflitos da exigência da responsabilidade. 115 e 116): Na sociedade de risco. 113 e 114) neste contexto “surge uma situação completamente distinta quando os perigos da sociedade industrial dominam os debates públicos. compulsivamente. químicos e genéticos é baseado no colapso da administração. político e privado”.

Em última instância. as mulheres. as subculturas. a escalada de armamentos e o crescente empobrecimento da humanidade que vive fora da sociedade industrial ocidental. engenharia genética. não refletem sobre as conseqüências e mantém uma política industrial do “mais do mesmo”. o reconhecimento da incalculabilidade dos perigos produzidos pelo desenvolvimento tecnoindustrial impõem a auto-reflexão sobre os fundamentos do contexto social e uma revisão das convenções e princípios predominantes de racionalidade. os jovens. Para Beck (2006. . não é um dos denominados “problemas ambientais”. inclusive corrigir as primeiras. O autor considera que a transformação das conseqüências não desejadas da produção industrial em fonte de problemas ecológicos globais não é em absoluto. ou seja. ou seja. movimentos sociais das mais diversas tendências e composições. uma sociedade autocrítica: Os especialistas em seguros contradizem os engenheiros especialistas em segurança.115 podem distribuir. inspecionar. entre outros. Desta forma. segundo Beck (2006) a sociedade de risco tende a ser ao mesmo tempo. a gestão industrial. a pesca e as empresas que dependem do turismo costeiro). a esfera pública. os primeiros consideram que se trata de um risco não assegurável. a sociedade se faz reflexiva (no sentido estrito da palavra). Estas podem desafiar. p. se converte em um tema e em um problema para si mesma. De acordo com Beck (2006). Os grupos de auto-ajuda criticam as burocracias. Os especialistas são relativizados ou destronados por não especialistas. a inteligência crítica. ameaças ao meio ambiente. as indústrias responsáveis pelos danos (por exemplo. e sim uma crise institucional da própria sociedade industrial. a das organizações de consumidores. evitar. controlar e legitimar as conseqüências dos riscos que acompanham a produção de mercadorias: tecnologia nuclear e química em grande escala. 128) ao longo da história mundial surgiram e desapareceram muitos candidatos a sujeito da crítica social: a classe trabalhadora. a indústria química responsável pela contaminação marinha) devem inclusive esperar encontrar a resistência de outras indústrias afetadas (neste caso. Para Beck (2006) na sociedade de risco. um problema do mundo que nos rodeia. Segundo o autor. as sociedades modernas se deparam com os princípios e limites do seu próprio modelo na medida em que não se transformam. na auto-concepção da sociedade de risco. Enquanto os últimos declaram risco nulo. Os políticos encontram a oposição das iniciativas cidadãs.

a matriz de pensamento linear e mecanicista surgida no cerne da ciência gerou influências diretas sobre a maior parte das organizações sociais. autônoma.. p 139) “[. sejam otimistas ou pessimistas em relação ao progresso. Para o autor. Para Beck (2006). Ao assumir as premissas definidas da racionalidade econômica. fascinaram a sociedade e a sua ciência durante cem anos? Para Beck (2006. 2. em especial as organizações industriais. a autocrítica significa que dentro e entre os sistemas e instituições (e não somente nas margens e nas áreas de sobreposição dos mundos da vida privados) surgem linhas de conflito que podem organizar-se e são susceptíveis de coalizões. neste contexto. p. Para Beck (2006. modelos que.2. 2006. para Egri e Pinfield (1999) as características deste pensamento serviram de alicerces ideológicos das revoluções científica e industrial das sociedades contemporâneas.7. os quais deixou para traz quando começou a operar além dos limites asseguráveis. antes de tudo. As Organizações e a Sociedade de Risco Com seria inevitável de ocorrer. as diferentes organizações industriais contribuíram para fortalecer os princípios da racionalidade instrumental em detrimento de outras alternativas. “a sociedade de risco só se inicia quando o debate sobre a reparação e reforma da sociedade industrial se define com clareza” (BECK. na sociedade de risco: Os centros de tomada de decisão e as leis objetivas do progresso científicotecnológico estão se convertendo em questões políticas. p 140). onde “a sociedade de risco nega os princípios de sua racionalidade”.] a sociedade de risco começa onde os princípios de cálculo da sociedade industrial submergem e anulam a continuidade da modernização automática e tempestuosamente triunfante”.116 Para o autor o que difere a sociedade de risco de outras sociedades é o fato da base da crítica ser. Como citado anteriormente. as organizações industriais . Como forma de garantir a expansão e o aumento dos resultados de suas operações.. Isto sugere uma pergunta: coincide a crescente consciência da sociedade de risco com a invalidação dos modelos lineares da tecnocracia. 128).

os representantes empresariais desenvolveram o argumento de que custos adicionais para as empresas para o controle da poluição comprometeriam a lucratividade. por meio de suas agências ambientais. convertendo os danos e as ameaças ao meio ambiente em custo direto para os negócios (DEMAJOROVIC. a exposição pela mídia de tragédias ambientais provocadas por grandes empresas contribuiu para colocar o setor industrial como alvo prioritário dos protestos de grupos ambientalistas. segundo Demajorovic (2003) a estratégia adotada pelas empresas. 34). p. a competitividade e a oferta de empregos. Para Demajorovic (2003. apesar de muitos defensores da forma atual de progresso econômico acreditarem que as tragédias ou os problemas mencionados são fatalidades ou acidentes de percurso do processo necessário para o desenvolvimento indústria. 33) “até meados da década de 1980. acionistas e consumidores. predominou no discurso empresarial uma resistência a qualquer iniciativa de minimizar os impactos socioambientais decorrentes da atividade produtiva”. gerando prejuízos às partes interessadas. De acordo com o autor. De acordo com Demajorovic (2003).117 gradativamente aprenderam a desenvolver mecanismos de proteção. a estratégia do discurso empresarial que enaltecia o papel exclusivo das empresas como fomentadoras da riqueza. encontraria cada vez menos respaldo na sociedade. trabalhadores. ou seja. segundo o jargão econômico. Demajorovic (2003) menciona que no mesmo período. Segundo Demajorovic (2003). poupando o verdadeiro causador de arcar com qualquer ônus para reverter o problema. como forma de garantir a rentabilidade de suas atividades. passou a ser a de externalizar os custos ambientais. 2003. p. Nesse contexto. cada vez menos o trinômio produtividade-progresso-riqueza se vê capaz de . o setor público. Segundo o autor: Ao mesmo tempo que a mobilização em torno da questão ambiental multiplicava os debates sobre essa temática em diversos países. como forma de estabelecer defesas em relação aos problemas de degradação ambiental. aprimorava a regulação ambiental. ou seja. Paralelo a estas questões. a partir de meados da década de 1980. transferi-los para a sociedade.

a incapacidade do conhecimento construído no século XX de controlar os efeitos gerados pelo desenvolvimento industrial” (DEMAJOROVIC. Para Demajorovic (2003) em razão do desenvolvimento de seu instrumental de controle. De acordo com Douglas e Wildavsky citados por Demajorovic (2003). que mostram. acima de tudo.] conseqüências inerentes da modernidade. o aumento de riscos de acidentes em função do grande número de veículos circulando nos centros urbanos ou ao risco da ampliação da degradação ambiental em função da concentração de empresas em determinadas regiões. que ameaçam os habitantes do planeta e o meio ambiente. são “[. a sociedade industrial aprendeu a controlar e a conviver de forma menos traumática com boa parte desses riscos. p. Para o autor. uma vez que as gerações futuras também serão afetadas e talvez de forma ainda mais dramática” (DEMAJOROVIC.. Como exemplos. Demajorovic (2003) afirma que a sociedade de risco não consegue se libertar da sociedade industrial. Logo. uma vez que o processo de decisão torna-se mais complexo para os gerentes em suas organizações. 2003. Demajorovic (2003) menciona que o processo de industrialização é indissociável do processo de produção de riscos. a principal responsável por gerar as ameaças que lhe dão origem. o autor considera que “as catástrofes e os danos ao meio ambiente não são surpresas ou acontecimentos inesperados”. Fundamentado em Beck. unida à ciência. Para Demajorovic (2003) está cada vez mais evidente que o agravamento dos problemas ambientais está diretamente ligado a escolhas com respeito à forma de aplicar o conhecimento técnico-científico no processo produtivo. uma vez que uma das principais conseqüências do desenvolvimento científico industrial é a exposição da humanidade a riscos e inúmeras formas de contaminação nunca observados anteriormente. p.. nunca nenhuma civilização anterior à contemporânea se . 2003.118 convencer a opinião pública. o que “agrava o problema é a percepção de que os riscos gerados hoje não se limitam à população atual. O autor considera que com um maior número de empresas competindo no mercado globalizado os riscos se ampliam. o autor cita o avanço tecnológico que ameaça os trabalhadores com o desemprego. 35). uma vez que é especialmente a indústria. 35).

as flutuações da taxa de inflação. considerando a volatilidade dos mercados financeiros. Demajorovic (2003) menciona que diversas empresas já são obrigadas pela regulação ambiental a apresentar estudos de risco. 28 . entre outros. as quais ameaçavam a própria solvência do De acordo com Shrivastava citado por Demajorovic (2003) este tipo de cálculo procura avaliar exclusivamente os riscos financeiros. Segundo o autor. com o objetivo de produzir uma infinidade de medidas compensatórias para uma população à mercê de um mundo cada vez mais incerto. Para o autor. os atuais riscos químicos. Demajorovic (2003) considera que nada é mais representativo do que o posicionamento assumido pelas empresas de seguro em relação ao risco. a população e o meio ambiente. dificultam a identificação do nexo causal entre o problema gerado e a sua origem e muitas vezes não podem ser compensados. ao desenvolver este instrumental para o enfrentamento das incertezas. A ampliação das exigências exercida sobre as organizações pelas novas regulamentações e pela sociedade confirmam a existência dos riscos. nucleares. muitas delas acabaram por incorporar o cálculo de risco28 em seu processo de tomada de decisão. destinados a reduzir a possibilidade de ocorrência de acidentes industriais que afetem seus funcionários. as várias seguradoras que vislumbraram grandes oportunidades de negócios na década de 1980 em função do aumento das regulamentações ambientais. Assim como Beck. rapidamente perceberam que a multiplicação dos acidentes revelava que a administração dos novos negócios não era tão simples. De acordo com Beck citado por Demajorovic (2003) é impossível calcular os riscos gerados para os indivíduos que ainda não nasceram e que serão afetados pelo desastre de Chernobyl.119 demonstrou tão preocupada em desenvolver técnicas de cálculo de risco. as mudanças tecnológicas. Para Demajorovic (2003) diferentemente dos riscos da fase inicial de industrialização. ecológicos e de engenharia genética apresentam três características fundamentais: não podem ser limitados no tempo e espaço. detectar a possibilidade de retornos monetários para o investimento realizado. ou seja. optando por incorporar o seguro ambiental em seus serviços tradicionais. Diversas seguradoras. preocupadas com os bilhões de dólares destinados ao pagamento das indenizações em virtude do aumento das reclamações por problemas ambientais. Além disso.

alteram a distribuição do poder no âmbito da tomada de decisão nas empresas”. ao acelerar o processo de conscientização. no ano da edição do seu livro. mais de 70 seguradoras de 25 países assinaram o acordo para incorporar a variável ambiental em suas operações. por parte do Poder Judiciário. representa apenas uma das variáveis importantes que afetam as organizações. Na realidade. p. os riscos da modernização. 2003. o processo social de reconhecimento de risco que está em curso. (DEMAJOROVIC. ainda que baseado muito mais em estimativas do que em sua real calculabilidade. desenvolvimento tecnológico e disposição dos resíduos. De acordo com o autor. forja o desenvolvimento de uma moral ecológica. 47) considera que. exigindo que decisões tomadas nas altas De acordo com Demajorovic (2003) em 1995 o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou a Declaração de Compromisso Ambiental para a Indústria de Seguros. Para o autor: Questões como escolha do processo produtivo. 46) Demajorovic (2003. p. tratadas anteriormente como assuntos de soberania exclusiva dos gerentes e administradores de unidades industriais. p. no aumento dos custos de operação. contudo. Novos grupos e atores sociais entram em cena. planejamento da produção. Para Demajorovic (2003. logo elevaram significativamente o valor dos prêmios. 29 . Para o autor: Esta não apenas questiona os aspectos econômicos e tecnológicos das ações empresariais. em um maior rigor das normas de comando e controle. Para Demajorovic (2003. choca-se com a moral ecológica”. ao mesmo tempo em que diminuíram a cobertura de seguros29. 45 e 46): Por mais que esses cientistas ou empresários se apeguem à dificuldade de calcular com exatidão os danos socioambientais produzidos por atividades industriais. tornando mais difícil que essa estratégia seja usada perante a opinião pública. criando uma variedade de novos desafios no ambiente em que atuam as indústrias. “com efeito. cresce a expectativa de que parcela significativa dos impactos previstos se concretizará no futuro caso o processo de degradação não comece a ser remediado no presente. p. das demandas de compensação por danos socioambientais. Tal expectativa enfraquece o argumento de dificuldade de cálculo. Essa constatação. levando representantes das corporações ao banco dos réus. mas se materializa também nas pressões políticas.120 setor. extrapolam os muros das plantas industriais. fundamentado em sua contribuição para o crescimento do emprego e do nível de renda. na maior inferência no processo de tomada de decisão dentro das organizações e no reconhecimento. 46) “o consenso criado em torno dos benefícios proporcionados pelas empresas.

a obtenção dos primeiros remédios extraídos de plantas. . Com o aprimoramento de suas capacidades intelectuais e inovativas. este estudo busca revelar qual é a percepção que os profissionais que atuam em indústrias químicas têm da relação de sua organização com o meio ambiente. bem como melhor regulamentadas e fiscalizadas pelo Estado. uma das primeiras reações químicas que o homem aprendeu a dominar. O fogo. o curtimento de couros. desde os períodos mais remotos. considera que: Em seu sentido mais amplo. até os períodos mais recentes.121 cúpulas administrativas sejam revistas e que processos de produção sejam modificados. a fiação.1. a química está presente em todas as facetas da vida do homem. p. desde o primitivo homem das cavernas ao homem atual.3. o ser humano passou a construir e a ampliar o seu conhecimento sobre a química. Por essa razão.3. tal como é conhecida atualmente. 8). que coincidem com o surgimento da sociedade industrial. Wongtschowski (2002. a elaboração de alimentos fermentados (panificação e bebidas alcoólicas). as atividades desenvolvidas pelas indústrias químicas passam a ser mais bem observadas pela mídia e pelas comunidades onde se encontram inseridas. a produção de lixívia para a limpeza pessoal e de utensílios. o tratamento e tingimento dos primeiros tecidos. 2. onde foram descobertas as primeiras reações químicas. As Origens da Indústria Química no Mundo O surgimento da indústria química mundial se confunde com diferentes períodos históricos vividos pela humanidade. Em função do novo contexto delineado pelo surgimento da sociedade de risco global e de seu histórico que será apresentado no próximo capítulo. INDÚSTRIAS QUÍMICAS 2. a metalurgia do bronze e do ferro. em razão dos riscos que representam para a sociedade e para o meio ambiente. por meio do estabelecimento de um diálogo direto com os diferentes atores que atuam no universo definido para o desenvolvimento desta pesquisa. são todas atividades precursoras da indústria química.

e consequentemente. esta capacidade de controle desenvolvida pela ciência passou a ser gradativamente controlada pelos interesses estatais e industriais. gradativamente revelaram a sua capacidade de estabelecer controles sobre o meio natural. quando menciona que os diversos produtos fabricados pela incipiente indústria química nos séculos XIX e XX tiveram origem em pesquisas desenvolvidas por membros de grupos científicos. com o advento da globalização. o autor cita o caso do professor de química Herbert Henry Dow. confirmando o princípio de recursão organizacional definido por Morin (2006).122 conhecimento este que contribuiu significativamente para o surgimento de uma ciência capaz de proporcionar inúmeras descobertas a favor e contra a humanidade. A estreita relação entre ciência e indústria pode ser percebida em Demajorovic (2003). para o fortalecimento das . A título de exemplo desta estreita relação. capazes de assegurar seu poder hegemônico e de gerar novos recursos para financiar suas próprias estruturas. As diferentes pesquisas desenvolvidas no interior desta ciência. dos quais se originaram nomes proeminentes da teoria química. Desta forma é possível perceber que a expansão e o crescimento da indústria química em termos de escala de produção e presença mundial são estabelecidos no período compreendido pelo surgimento e estabelecimento da sociedade industrial. subvencionada. alimentada e controlada pelos poderes econômicos e estatais. O Estado e a indústria passaram a financiar a ciência com o interesse estratégico de criar novos produtos. Com o advento da sociedade industrial. fundador da Dow Química. uma das mais importantes corporações do setor químico. Para Morin (1998) a atividade científica que era sociologicamente periférica. tornou-se uma poderosa instituição no centro da sociedade. inicialmente originadas pelo interesse dos seres humanos em estabelecer novas descobertas acerca do ambiente ocupado. gerando assim um ciclo recursivo onde recursos crescentes passaram a ser aplicados na produção de pesquisas científicas orientadas para o desenvolvimento e o atendimento de novas demandas. momento em que este tipo de indústria passou a ser considerada por diferentes nações como estratégica para a instalação e desenvolvimento de outras indústrias.

quando menciona a presença dos produtos químicos no cotidiano das pessoas. Reforçando a primeira constatação de Wongtschowski (2002). 65). p. p. fertilizantes. Para alguns autores como Jonhson citado por Demajorovic (2003. Demajorovic (2003) acredita que o fato de vivermos em uma era química se deve a uma característica marcante do desenvolvimento da pesquisa de novas substâncias químicas desde sua primeira fase de florescimento no século XIX: a sua capacidade de . tintas. muitas nações emergentes procuraram fomentá-la com o triplo intuito de criar um parque industrial gerador de empregos.123 economias dos Estados-Nação e para a manutenção do equilíbrio da balança comercial. “a indústria química transformou profundamente as relações dos seres humanos com o mundo natural. 25): Dado o papel representado pela indústria química. Esta constatação pode ser confirmada em Demajorovic (2003). transformar localmente matérias-primas em produtos de maior valor agregado. de “agente catalizador” do desenvolvimento industrial. Para Wongtschowski (2002) a indústria química tal como é compreendida na atualidade surge somente a partir do século XIX. Seguindo as premissas da racionalidade econômica e justificando o interesse demonstrado pelos Estados-Nação em relação ao desenvolvimento da indústria química. pois gera produtos finais amplamente demandados por consumidores e uma infinidade de insumos intermediários utilizados por outras indústrias em seus processos de produção. Para Wongtschowski (1999. melhorando seus saldos comerciais. automobilística. oriunda do êxito da realização de duas tarefas: a de descobrir novos produtos e materiais por meio de ensaios em laboratório (química) e a de extrapolar estes ensaios para produções em escala industrial (engenharia química). para exportá-los sob esta forma e livrarem-se das importações de produtos que passam a ser fabricados em seu país. Demajorovic (2003. entre outras). 65) considera que: A indústria química constitui um dos setores mais dinâmicos e vitais de qualquer economia industrializada. plásticos e borrachas) e indireta (insumos para as indústrias têxtil. de forma direta (produtos farmacêuticos. eletrônica. criando um novo tipo de dependência: a dos indivíduos por produtos químicos sintéticos”.

66) “é justamente a capacidade de inovar mais rapidamente do que os demais setores. que permitiu um notável crescimento à indústria química”.] uma análise mais ampla das mudanças observadas no período. racionalidade esta que se tornou um poder hegemônico no processo de formação do arquétipo mental adotado para o desenvolvimento da sociedade industrial. ou a “revolução química”. em unidades de grande porte. 8 e 9) menciona que a moderna indústria química mundial teve o seu desenvolvimento baseado em duas fontes distintas: i) Indústria química alemã. predominando por quase um século. a qual apresenta as bases de formação e expansão da indústria química mencionadas por Demajorovic (2003). Nesta retrospectiva histórica é possível identificar diversos elementos que apontam para a existência de um estreito vínculo de sua trajetória com as bases que constituem a matriz de pensamento linear caracterizada pela presença predominante da ação racional instrumental. Indústria química norte-americana: desenvolvida por engenheiros químicos a partir da química derivada do petróleo. desenvolvida por químicos a partir da química derivada do carvão. p. p. as quais também são retratadas nesta retrospectiva histórica. estabeleceriam as bases para a formação e expansão da indústria química. p. ii) Com base no estudo de Wongtschowski (2002). principal vetor da mudança social e econômica do século XX. Para Demajorovic (2003. em unidades de pequeno e médio portes. é apresentada no quadro 6 uma retrospectiva histórica. teria acontecido por ocasião de pesquisas anteriores. oferecendo sempre novos produtos e modificando processos. A verdadeira ruptura. predominando a partir da segunda metade do século XX. 66) considera que: [. De forma sintética. a partir da segunda metade do século XIX. Clow citado por Demajorovic (2003. . que. em geral descontínuas. não restrita às tecnologias mecânicas. o Wongtschowski (2002. concomitantes e posteriores ao período da Revolução Industrial. direcionadas para o desenvolvimento de novas matérias-primas. em geral de produção contínua.. revela que a famosa Revolução Industrial iniciada na Inglaterra não resultou de fato em uma revolução e sim uma mudança evolutiva. Cabe ressaltar as influências geradas pelas duas grandes guerras no processo de industrialização mundial.124 inovar continuamente..

produtos farmacêuticos e borracha sintética. até o fim da Segunda Guerra Mundial). considerada por especialistas como uma das maiores conquistas da química e da engenharia química. A fábrica foi instalada em Midland – Michigan. ao reconhecer a Engenharia Química como uma disciplina separada da Química. a Union Carbide. pesquisador da Universidade de Karlsruhe e Prêmio Nobel em 1918.125 Quadro 6 – Retrospectiva Histórica da Indústria Química Mundial Período • • Meados do Século XIX • • • Fatos Relevantes A Inglaterra era a sede da maior indústria química do mundo. O químico alemão Fritz Klatte desenvolve o primeiro termoplástico a partir de cloreto de vinila. sendo dividida em 1911 em várias companhias por decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos. produtos químicos para fotografia. aditivos para a indústria de borracha e até polímeros. A Alemanha ensaiava seus primeiros passos a caminho da industrialização. Em 1917. a Alemanha sobrepuja as indústrias de corantes inglesas e francesas. a empresa americana Standard Oil Company foi criada por John D. Indústrias inglesas e francesas dominam a produção mundial de corantes. A Alemanha transformou a sua indústria de corantes em indústria de produtos bélicos. A Standard Oil Company detinha 80% da capacidade de refino e 90% dos oleodutos norte-americanos. A indústria química mundial sofre uma série de mudanças importantes. Basf (1865) e Agfa (1867).. Período da Primeira Guerra Mundial. A Bayer desenvolve a Aspirina. A maior parte dos negócios da Standard Oil Company passou a então Standard Oil of New Jersey (atual Exxon). primeiro anti-sifílico efetivo sintetizado pelo homem. O Massachusetts Institute of Technology (MIT) contribui de forma decisiva para o desenvolvimento da indústria química mundial. Bayer (1863). onde existiam grandes jazidas de sal-gema. Fundação da empresa americana Dow Chemical pelo professor de química do curso secundário Herbert Henry Dow. Síntese direta da amônia. assumindo a liderança mundial no campo de corantes e logo depois no campo da indústria química em geral (liderança que perdurará por 30 anos. denominado de PVC.. emprego de cientistas e de investimentos em P&D) alicerçadas em seu sistema de educação. Rockfeller. Com base em vantagens competitivas (racionalização de seus processos produtivos. Em 1914. Processo desenvolvido por Fritz Haber. A Hoescht desenvolve o “Salvarsan”. junta-se com a PrestContinua (. A Inglaterra que ocupava um papel secundário no cenário mundial vive um período de expansão. Em 1870. de onde era extraído o bromo dos brometos existentes no sal-gema.) 1870 a 1880 • • • 1890 1897 • • 1900 • • 1912 • • 1913 • • 1914 a 1918 • • • 1910 . os Estados Unidos já eram a segunda potência mundial na fabricação de produtos químicos. A liderança assumida pela Alemanha possibilita a passagem da química de síntese de corantes para a química farmacêutica. Surgem as primeiras indústrias alemãs destinadas para a produção de corantes: Hoescht (1863). pesquisador da Basf e Prêmio Nobel em 1931. empresa americana fundada no final do século XIX para a produção de carbeto de cálcio. e Carl Bosch.

extração. por iniciativa de Carl Bosch. A participação da indústria química mundial. no desenvolvimento das fibras têxteis.) . Em 1921 a Union Carbide inaugurou a primeira unidade de craqueamento de gases naturais no mundo para a produção de eteno. Nos Estados Unidos. são reunidas na Alemanha as sete maiores indústrias químicas. baseada em grandes investimentos em P&D voltados para a pesquisa aplicada. A produção mundial de fibras artificiais sofreu um grande impulso nas décadas de 1920 e 1930 e começou a perder impulso na década de 1950. conhecido como acetato de celulose. marcou o desenvolvimento da indústria química mundial. a Basf e a Hoechst para formar a sociedade Interessengemeinschaft Farbenindustrie Aktiengesellschaft (IG Farben). introduzindo radicais acetato na molécula. Ostromislenski.126 • • • • 1919 .. além do bromo. Neste mesmo ano. inaugura a primeira unidade industrial de poliestireno para fabricar o produto Continua (.1939 • • • • O-Lite. problema que foi resolvido por meio do desenvolvimento de novos processos por empresas como a Union Carbide e BF Goodrich. a Linde Air Products Co. cloro e soda cáustica. A Dow Chemical passou a produzir. cria a tinta de secagem rápida para atender a indústria automotiva da época. discípulo de Lavoisier. Em 1919 a produção de fibras artificiais era de aproximadamente 11 mil toneladas. a Union Carbide inaugura a primeira planta industrial para a produção de eteno a partir de etano de gás natural. A partir da década de 1920.. I. fenol. O maior problema encontrado no PVC produzido era a sua extrema rigidez. (originalmente uma filial de uma empresa alemã) e a National Carbon Company para constituir a United Carbide and Carbon Company. Em 1925. também cloreto de cálcio. entre elas a Bayer. Em 1923. além de desenvolver outros avanços nas áreas de troca térmica. Outro tipo de fibra artificial. mas modifica a molécula da mesma. A adoção do processamento contínuo em instalações de petróleo e de petroquímicos criou uma vantagem competitiva para os Estados Unidos em relação à Alemanha nesse campo. Em 1920. O Departamento de Engenharia Química do MIT substitui o processamento em batelada pelo processamento contínuo. visando dar à mesma uma característica semelhante ao fio da seda. para produzir e comercializar os produtos derivados do eteno. em função dos trabalhos do quimico russo I. a DuPont. responsável pelo desenvolvimento de novos processos e produtos químicos. Neste ano a produção mundial de fibras artificiais passou para 60 mil toneladas. planta para a produção de cloridina a partir do eteno e planta de etilenoglicol a partir de cloridrina. antidetonante descoberto pela Ethyl. Período entre as duas grandes guerras. os cientistas começaram a desenvolver polímeros a partir do cloreto de vinila para a produção de PVC. a empresa norte-americana Naugatuck Chemical Company. As primeiras fibras artificiais partiam da celulose. parte também da celulose. utilizado para a produção do chumbo-tetraetila. com a introdução das fibras sintéticas. primeiramente nas artificiais (a base de celulose) e posteriormente nas totalmente sintéticas. Em 1924 a Dow Chemical. empresa americana fundada em 1802 pelo Francês Eleuthère Isidore DuPont. a Union Carbide cria a Carbide and Carbon Chemicals Corp. destilação e fluidodinâmica. em parceria com a empresa Ethyl Corporation produz o brometo de etila. cloreto de vinilideno (polímero conhecido como “Saran”) e etilcelulose. foi tão notável quanto o desenvolvimento do campo dos polímeros.

após os trabalhos de Carl Wulff na Basf e de Hermann Mark no desenvolvimento do processo de produção de estireno por desidratação do etilbenzeno e também da sua polimerização. a partir do eteno. Em 1926 é fundada a companhia inglesa Imperial Chemical Industries (ICI). a produção mundial de fibras artificiais passou para aproximadamente 200 mil toneladas. formada no ano anterior na Alemanha. sendo também construída nos Estados Unidos pela DOW a primeira fábrica baseada neste processo. chegando a desenvolver o processo de produção de ácido acético a partir do acitileno. a primeira fábrica surge nos Estados Unidos. em função do grande interesse que o país tinha em desenvolver a química da borracha sintética a partir deste produto. em parte porque sua grande concorrente.. trietilenoglicol e trietanolaminas. para aplicá-la na refinação de petróleos pesados que começavam a tornar-se mais freqüentes em suas refinarias. desenvolvendo diversos processos e/ou produtos: butanol secundário. Logo em seguida inaugura uma planta de estireno. isooctano (processo ácido Continua (. Nobel Industries. Apesar de boa parte da pesquisa de produção do estireno ter sido desenvolvida na Alemanha. França. Bristish Dyestuffs e a United Alkali.127 • • • • • “Victron”. Neste mesmo ano. A Union Carbide cria a primeira unidade de álcool etílico sintético. que foi o responsável pelas experiências nesta unidade durante 5 anos. Em 1930 a DuPont cria a primeira borracha sintética com características aceitáveis. a Standard Oil of New Jersey estava fazendo o mesmo e em parte porque a IG Farben e a sua síntese de hidrocarbonetos a partir do carvão poderia por em perigo sua penetração no mercado de combustíveis. ficando conhecido com o nome de “Thiokol”. A Shell. Neste mesmo ano. a partir do qual foi construída uma unidade piloto em Baton Rouge e cedido o pesquisador Paul Baumann. sendo toda a produção exportada para a Inglaterra. Várias tentativas de extrudar a resina na forma de fibras. Mond & Company. que embora não fosse o substituto ideal da borracha natural. produzindo um copolímero chamado “vinylite” que foi empregado nos discos da RCA Vitor. efetuadas pela Agfa em Wolfen na década de 1930. Em 1928 a Union Carbide inaugura as unidades de dietilenoglicol.) . resultado da junção das quatro maiores indústrias químicas inglesas da época: Brunner. foram infrutíferas. a IG Farben construiu várias fábricas de poliestireno na década de 30.. Em 1927 A Union Carbide inaugura a fábrica para fluído de refrigeração de motores à base de etilenoglicol. de origem britânica holandesa. A Dow Chemical inicia a produção de magnésio. Neste mesmo ano a Shell cria nos Estados Unidos a primeira unidade e diversas plantas industriais. Em 1929 a Union Carbide inaugura a unidade de copolimerização de cloreto de vinila e acetato de vinila. A Standard Oil of New Jersey negocia um acordo de troca de licenças com grupo alemão IG Farben. embora praticamente não houvesse mercado nos Estados Unidos. utilizado para a produção de dentaduras. O interesse dos americanos era dominar a técnica de hidrogenação a altas pressões. Esta junção de empresas visava fazer frente à empresa alemã IG Farben. a partir de dicloroetano e polissulfeto de sódio. que era a maior fábrica americana deste produto na época. decidiu atuar no campo da química ligada aos derivados de petróleo. A Dow Chemical produz um elastômero sintético. As resinas acrílicas foram patenteadas pela IG Farben. podia ser empregado em certos usos específicos. A Standard Oil of New Jersey negocia e assina com o grupo alemão IG Farben a licença do processo de hidrogenação à altas temperaturas do carvão em pó para a produção de hidrocarbonetos. Alemanha e Japão. Em 1929.

ao ler a patente do Nylon depositada pela DuPont. o que acarretou economias de um terço à metade do que seria investido para fazer a mesma fábrica no clima frio dos Estados do norte dos Estados Unidos (este modelo se tornou padrão para a construção de unidades químicas em regiões de climas tropicais e temperados de todo o mundo). os químicos ingleses J. Neste mesmo ano. Whinfield e J. Wallace H. e ficaram espantados com o progresso alemão na fabricação do “Nylon 6”. mas não citava os poliésteres aromáticos (contendo a estrutura de um anel benzênico). Gibson da ICI descobrem o polietileno. alquilfenóis. empresa produtora de resina fenol-formaldeído. da firma Aceta (IG Farben). Este produto. registrando a sua patente nos Estados Unidos com poucos meses de antecedência em relação à Union Carbide. que já trabalhava com fibras têxteis desde 1928. álcool isopropílico e acetona. Em 1935. usando caprolactama. por não apresentarem a estabilidade química das poliamidas (nylon) e terem ponto de fusão muito baixo. utilizado para a fabricação de bolas de bilhar em substituição do marfim. o laboratório da Aceta estava produzindo um fio denominado “Nylon 6”. E. na descrição de uma das patentes. A Dow Chemical constrói uma planta petroquímica na região da Costa do Golfo (Freeport – Texas) utilizando conceitos revolucionários para a época ao instalar equipamentos a céu aberto. recuperação de tolueno por destilação/extração e butadieno via diclorobutano. responsável por determinar as condições exatas nas quais a reação se processava.) . Dickson da Calico Printers Association. foi desenvolvido por Michael Perrin. sem tubulações de processo enterradas. que atualmente é o termoplástico de maior produção mundial. O. o que efetivamente ocorreu em 1939. com propriedades diferentes das apresentadas pelo fio de Nylon fabricado pela DuPont e que partia do caprolactama. imediatamente vislumbrou a possibilidade de produzir um fio semelhante. alguilação de parafinas com olefinas.128 • • • • • a frio). que continha 6 átomos de carbono. Esses pesquisadores testaram a reação de esterificação e polimerização entre o ácido tereftálico e o etilenoglicol. que poliésteres alifáticos (de cadeia reta) não eram adequados à formação de polímeros que pudessem ser transformados em fibras. profissional contratado pela DuPont em 1927. W. Carothers. Neste mesmo ano a Union Carbide já produzia e comercializava 35 produtos químicos produzidos a partir do eteno e 15 a partir do propeno. T. Este polímero que veio a se tornar o maior sucesso comercial de produto químico no mundo (desenvolvimento em escala industrial iniciado somente em 1939). R. decidindo fazer um intercâmbio de licenças de fabricação. o mínimo de edificações possível. sob a ação de catalisadores. poucos meses antes do início da Segunda Guerra Mundial. Em apenas alguns dias. O químico alemão Paul Schlack. a ICI desenvolve o polietileno de baixa densidade. No início da década de 1930. e logo chegaram à formação de um polímero que apresentava ótimas propriedades como fibra (algumas superiores ao nylon) além de um Continua (. Fawcett e R. Em 1934 o Nylon é descoberto pelo professor e pesquisador da Universidade de Harvard. Em 1939 a Union Carbide compra a Bakelite Company. começaram a estudar as patentes de Carothers e ficaram surpresos ao verificar que este havia incluído. atualmente conhecido como polietileno de baixa densidade e inicialmente aplicado para fins militares em radares de aviões em função de suas propriedades dielétricas.. Em 1938 alguns executivos da DuPont visitaram a fábrica da Aceta em Wolfen..

Novos defensivos agrícolas foram então desenvolvidos. Com a impossibilidade de acesso às fontes usuais de matérias-primas. A Alemanha contava com uma posição vantajosa. dieldrin. Minnesota. ficando ao fim da guerra. seguindo-se de várias outras descobertas como o BHC. para utilizar este processo na produção de gasolina sintética a partir do carvão. entre outros. Em razão do sucesso do processo. lindano. Guerra Mundial no qual foi promovido um avanço sem precedentes no desenvolvimento da indústria química mundial. Neste período dentre os processos e produtos desenvolvidos pelos norte-americanos destacam-se três: o craqueamento catalítico em leito fluidizado. Purdue. entretanto.) . No amplo acordo de trocas de Continua (. criando duas unidades de gasolina sintética. A Humble Oil Company.. desenvolvimento este que teve uma participação muito ativa da equipe do MIT e que é a base do sistema de refino de petróleo no mundo inteiro. e clordano. e as de Wisconsin. enquanto que os Estados Unidos não contavam com a mesma tradição química alemã. para servir como ponto de partida para a produção de amônia e metanol. a Alemanha produzia 20. toxafeno. a gasolina de avião e a borracha sintética. Em 1939. Em 1940. aldrin. procurou então desenvolver processos para produzir amônia e metanol. Ainda na década de 30. Neste período surge a maior realização da Standard Oil of New Jersey. Graças à introdução do conceito de Engenharia Química. bastante prejudicial aos homens e animais e tiveram o seu uso proibido. Como estas unidades geravam muito propano e butano. na área de defensivos agrícolas (“crop protection chemicals” ) e após 20 anos de pesquisa. os produtos necessários aos esforços de guerra. filiada da Standard Oil of New Jersey desenvolveu e produziu a maior parte da gasolina de avião utilizada pelos Estados Unidos durante a guerra. até a presente data. O primeiro processo prático para produção da acrilonitrila a partir do acetileno foi patenteado pela Bayer em 1939. que muitos desses compostos apresentavam uma persistência residual na natureza. e a ICI não sabia o que fazer com estes gases.. A esse poliéster deram o nome de “Terylene”. mas sobretudo pela empresa IG Farben. Pesquisas posteriores mostraram. o químico suiço Paul Müller descobriu o DDT. os Estados Unidos foram capazes de recuperar o tempo perdido. as nações em litígio foram obrigadas a lançar mão dos seus químicos e engenheiros químicos para sintetizarem e produzirem. praticamente equiparados à Alemanha no desenvolvimento de indústrias químicas. Este processo sintético de produção do metanol a partir de frações leves e gases naturais desenvolvido pela ICI é o mais empregado no mundo. enquanto os Estados Unidos produziam 1 tonelada de borracha sintética por dia (planta piloto da Goodyear). Período da 2ª. a ICI faz um acordo de licenças com o cartel que havia financiado as pesquisas do processo Bergius (ao qual pertenciam a Shell holandesa e a IG Farben). sem os inconvenientes daqueles.000 toneladas por ano. Texas e Cornell entre outras). inúmeras empresas quiseram licenciá-lo. trabalho desenvolvido por Otto Bayer e Peter Kurtz (resinas acrílicas).129 • • • 1939 a 1945 • • • • ponto de fusão elevado (240 ºC). benlate. desenvolvendo então um processo de reforma catalítica de hidrocarbonetos leves. considerado o primeiro inseticida moderno. o desenvolvimento do craqueamento catalítico em leito fluidizado. a partir de matérias-primas locais. formulado pelo MIT e logo seguido por muitas universidades norte-americanas (California Institute of Technology – Caltech. Delaware. não só pelo grande número de cientistas e químicos de que dispunha.

Em 1941 a fibra de poliéster denominada de “Terylene” foi patenteada pela empresa inglesa Calico Printers Association sob grande segredo. Em função do afastamento de Hans Tropsch. sabe-se hoje que os trabalhos de Ipatieff foram mais profundos e amplos que os de Sabatier. um dos “pais” da catálise. químico chefe do Departamento de Pesquisa da UOP havia feito antes do período da guerra. a Standard Oil of New Jersey recebeu informações sobre os dois processos alemães de fabricação de borracha sintética: a Buna S. acabando com o envio de borracha natural para o resto do mundo. tornando-a muito semelhante a lã natural. à base de acrilonitrila. A produção da borracha sintética a partir do estireno e do butadieno exigia a fabricação de destes insumos. que se dispunham a desenvolver novos processos ou melhorar os existentes. tendo como origem o benzeno que provinha da indústria metalúrgica (preparação do coque). atendendo a uma solicitação do governo britânico para todo o invento descoberto durante a Segunda Guerra Mundial que pudesse ter valor estratégico. químico francês. fundada em 1915 a partir da Standard Asphalt. Além de consultor da UOP. Neste mesmo ano. por motivos de doença. O estireno seria produzido pela Dow. só os norte-americanos tiveram condições de prosseguir com os trabalhos. Firestone e U. uma das maiores autoridades em catálise da época e considerado juntamente como Paul Sabatier.. e que trouxeram uma contribuição notável ao desenvolvimento da indústria química. Dentre elas a Universal Oil Products – UOP. à base de estireno e butadieno e a Buna N. Gustav Egloff. várias viagens à Alemanha para acompanhar o desenvolvimento da indústria química alemã. ambas as empresas descontinuaram as pesquisas. Ipatieff ocupava uma cátedra de química na Northwestern University.) . Rubber (depois Uniroyal). As investigações sobre as condições da reação de polimerização e a utilização de comonômeros tinham avançado bastante. As propriedades dessa fibra acrílica. Embora Sabatier tenha ganho o prêmio Nobel por seus trabalhos em catálise. levaram. sobretudo sua grande resistência à luz solar. talvez devido aos esforços de guerra. Durante o período da Segunda Guerra Mundial surgiram nos Estados Unidos muitas empresas de consultoria (algumas já existentes antes da guerra). pela Union Carbide e pela Koppers. em laboratórios próprios ou dos próprios clientes. a UOP contrata o cientista russo Vladimir Nicolaevitch Ipatieff. Goodrich. um dos cientistas envolvidos na criação da síntese. sendo possível produzir fibras tendo comonômeros como cloreto de vinila. Quando em 1942 os japoneses invadiram a Malásia. sobretudo a parte da síntese de combustíveis a partir do carvão. O butadieno tinha duas origens distintas: indústria petrolífera (desidrogenação de butenos.S. Ao fim da guerra. foi a partir das informações das patentes alemãs que a Rubber Reserve Company começou o programa de desenvolvimento e produção de borracha sintética nos Estados Unidos. A borracha sintética seria produzida pela Goodyear. além da DuPont. o solvente necessário para transformar a poliacrilonitrila em fibra. craqueamento de nafta e cloração-deidrocloração de butenos) e álcool etílico obtido por via fermentativa..130 • • licenças entre a Standard Oil of New Jersey e a IG Farben. Acabou convidando em uma dessas ocasiões para trabalhar nos Estados Unidos o cientista Hans Tropsch. denominado “dimetilformamida”. vinil-piridina e ésteres acrílicos. Estranhamente. também a Union Carbide e a Monsanto a desenvolverem Continua (. imunidade ao ataque de traças e à formação de mofo e sobretudo seu poder de “afofamento” (“bulking power”). surge de trabalhos independentes desenvolvidos tanto pela Bayer como pela DuPont. de 1930.

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processos para a sua fabricação. Em 1943 J.R. Whinfield, agora trabalhando para o Ministério de Suprimentos, negocia com a ICI a cessão de patentes da Calico Printers Association, ao mesmo tempo em que a ICI deveria desenvolver a tecnologia de fiação no estado de fusão. A ICI foi escolhida não só porque já produzia uma das matérias-primas (o etilenoglicol), mas também porque tinha conhecimento das técnicas de fiação no estado de fusão, conhecimento obtido através de um acordo com a DuPont (Nylon Agreement), feito em 1939. O acordo da Calico com a ICI só foi efetivamente assinado em 1946, e a primeira fábrica de Terylene começou a operar em 1948. A Basf desenvolve um novo processo de produção de polietileno que era fabricado pela ICI em 1935. Nos Estados Unidos a produção de resinas vinílicas, que era pouco superior a 450 toneladas por ano em 1939, saltou para 54 mil toneladas por ano, em 1945. As fábricas atuais de PVC têm capacidade individual de 500 mil e 1 milhão de toneladas por ano. Com o fim da guerra, a Inglaterra resolveu revelar as patentes de inventos considerados estratégicos (e o Terylene foi um deles), dando oportunidade à DuPont de conhecer este invento, agora de propriedade da ICI, idêntico ao que ela mesma havia desenvolvido em 1944. Como as duas companhias tinham um acordo para a cessão de licenças; a DuPont para a produção do polietileno e a ICI para a produção do nylon, a DuPont reconheceu a precedência inglesa na descoberta da fibra de poliéster e acabou negociando com a ICI os direitos de utilização da patente inglesa. A fibra de poliéster tem características que a distinguem do nylon, como a extrema insensibilidade à água depois de estirada a frio, a grande resistência à maioria dos solventes, a possibilidade de imitar a resilência da lã quando “encrespada”, a possibilidade de “reter o vinco” após a lavagem (que foi o seu grande apelo na fase de marketing) e a possibilidade de misturar-se a fibras naturais, sobretudo ao algodão. Além disso, seu contato com a pele é considerado pela maioria das pessoas, como mais agradável que o nylon. De todas as fibras sintéticas, é a de maior produção mundial, correspondendo a aproximadamente 20% da produção da totalidade de fibras (incluindo as naturais e artificiais) nos Estados Unidos e Europa Ocidental e a 40% no Japão. Para entrar no mercado de fibras, a Monsanto, por não ter experiência industrial em processamento de fibras, resolveu fazer uma joint venture com a Amercian Viscose, na época a maior produtora de raion dos Estados Unidos, dando origem a Chemstrand. Como resultado desta parceria, foi montada a fábrica de “Acrilan” (nome dado pela Monsanto para a sua fibra acrílica), a qual inicia as suas operações no início dos anos 50. O produto entretanto apresentava um sério defeito, as fibras rompiam-se quando tensionadas (por exemplo, ao dobrar-se um cotovelo) e aparecia o substrato da fibra que não era tingido. O produto teve que ser recolhido e a Chemstrand quase foi à falência. A partir da década de 50 a indústria química mundial, agora liderada pelos Estados Unidos, passou por um desenvolvimento acelerado, introduzindo no mercado novos polímeros, que vieram a substituir em muitas funções outros materiais como o papel, madeira, vidro e metais. Também no campo das fibras sintéticas o avanço foi notável, em substituição às fibras naturais e às fibras artificiais à base de celulose. No campo dos defensivos agrícolas foram desenvolvidos dezenas de inseticidas, herbicidas e fungicidas. Os polímeros termofixos precederam os termoplásticos, tanto em desenvolvimento como na utilização prática. Continua (...)

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• • • 1952

• 1953 • 1955 1961 • • 1980 • 1995

Como os produtos elaborados com alguns termofixos (como a resina fenolformaldeído) apresentavam odor residual e não podiam ser coloridos, foram desenvolvidas resinas do tipo uréia-formaldeído e melanina-formaldeído, que não tinham cor nem odor residual e podiam receber qualquer cor desejável. A American Cyanamid foi uma das primeiras empresas norte-americanas a produzir essa nova resina, que mais tarde ficou conhecida com o nome de “Fórmica”, ainda hoje muito utilizada. No início da década de 50, Karl Ziegler, do Instituto Max Planck, retorma as experiências realizadas pela IG Farben na produção do polietileno de baixa densidade para produzir o polietileno de alta densidade. A primeira fábrica deste produto foi implantada pela Hoechst, na Alemanha, em 1955. Em 1950, a DuPont construiu a sua primeira fábrica de fibra acrílica (que recebeu o nome de “Orlon”) em Camden, Carolina do Sul. Em 1952, a DuPont constrói uma fábrica de fibra cortada (“staple fiber”), tendo já neste ano, uma capacidade total de produção acrílicas de 17.000 toneladas por ano. Neste mesmo ano, a Union Carbide inaugura a sua fábrica de “Dynel”, fibra acrílica com 40% de acrilonitrila e 60% de cloreto de vinila, tendo capacidade de 3.600 toneladas por ano de fibra cortada. Esta fibra era lavável, não encolhia, podia ser tingida de qualquer cor, aceitava vinco permanente, tinha a textura da lã e custava exatamente a metade do preço da lã. A Bayer instala a primeira fábrica de fibra acrílica na Alemanha, para a produção de fibra cortada. Essa fibra recebeu o nome de “Dralon” e veio a se constituir em um importante produto de exportação da Bayer. A Monsanto retoma as pesquisas de laboratório para resolver os problemas apresentados pelo “Acrilan” em 1949 e o produto pode ser relançado, sem os inconvenientes do primeiro lançamento. A Monsanto compra a participação da American Viscose na Chemstrand e passa a ser a sua única proprietária. Com a introdução dos catalisadores chamados de 2ª. geração para a polimerização de olefinas e do tipo “metalocenos”, o número de tipos de polietilenos e polipropilenos com propriedades físicas e químicas diferentes pode chegar a alguns milhares. A produção mundial de fibras artificiais atinge o volume de 2.350 mil toneladas, correspondente a aproximadamente 6% da produção mundial de fibras, incluindo fibras naturais.

Fonte: Adaptado de Wongtschowski (1999)

O período analisado e apresentado por Wongtschowski (1999) permite a realização de algumas reflexões quanto ao tipo de racionalidade adotado para a expansão da indústria química no mundo, a qual se faz presente nos diferentes segmentos industriais que constituem a sociedade industrial contemporânea. Em razão de sua importância estratégica, a história da indústria química mundial se confunde com a história das duas grandes guerras, onde por meio dos dados apresentados por Wongtschowski (1999), é possível perceber que a indústria química e parte significativa

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das pesquisas científicas desenvolvidas na época passaram a ser amplamente controladas e conduzidas pelos poderes estatal e privado para a satisfação das necessidades militares e concomitantemente, para o atendimento de interesses de mercado. Para Demajorovic (2003, p. 66) a “tecnologia, pesquisa e ciência fundidas em busca da produtividade encontraram no setor químico o terreno ideal para o seu desenvolvimento”. De acordo com o autor:
Não por acaso o setor é denominado ‘indústria baseada em ciência’, cuja principal característica é a contínua inovação propiciada pelas atividades de pesquisa e desenvolvimento das ciências relacionadas nas universidades ou em outras instituições de pesquisa.(DEMAJOROVIC, 2003, p. 66 e 67)

Desta forma, a lógica da atuação da indústria química orientada para a produtividade, similar a de tantas outras organizações atuantes na sociedade industrial, pode ser associada ao domínio exercido pela racionalidade instrumental sobre a ciência na busca do atingimento de resultados e da obtenção de lucros. É importante ressaltar também que, apesar da indústria química produzir prioritariamente resultados orientados para o atendimento dos interesses estratégicos ou econômicos dos poderes que a controlam, é também responsável por produzir inúmeros benefícios a favor da humanidade. Segundo Wongtschowski (1999), somente no campo de produtos farmacêuticos, o desenvolvimento foi enorme, a começar pela penicilina e toda a família de antibióticos hoje conhecida, dando origem à indústria bioquímica, um campo muito particular da indústria química e que está atravessando uma fase de progresso enorme, através da engenharia genética. Apesar dos benefícios proporcionados à humanidade apresentados pelo autor e de outros aqui não relatados, é importante ressaltar que a maior parte das iniciativas promovidas pela indústria química mundial, a exemplo de outros tipos de organizações que operam sob a lógica econômica, visa atender objetivos econômicos atrelados aos interesses daqueles que a financiam e que dela esperam obter retorno financeiro. Esta constatação pode ser verificada, uma vez que a maior parte dos produtos produzidos

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pela indústria mundial somente estão disponíveis para as parcelas da sociedade que dispõe de recursos financeiros para a sua aquisição. 2.3.2. As Origens da Indústria Química no Brasil

A fabricação de produtos químicos no Brasil se inicia com o processo de colonização do país, com a necessidade primária de produzir localmente os primeiros artigos necessários para viabilizar a fixação dos colonizadores no novo mundo. Já o surgimento e a expansão da indústria química no Brasil segue a mesma lógica da indústria química em outros lugares do mundo, caracterizada pelo interesse econômico do desenvolvimento de uma indústria em solo nacional orientada para o suprimento das demandas locais, para a redução da dependência internacional (importações) e para a ampliação das exportações. Em seu estudo, Wongtschowski (1999) apresenta uma retrospectiva histórica envolvendo fatos relacionados ao surgimento e a expansão da indústria química no Brasil, que possibilitam estabelecer relações diretas desta com a história da indústria química mundial e com a racionalidade adotada pelo processo de expansão da sociedade industrial:

Quadro 7 – Retrospectiva Histórica da Indústria Química no Brasil
Período • Fatos Relevantes Instalação do primeiro engenho de açúcar no país. No final do século XVI a produção anual de açúcar na colônia chegava a 4.500 toneladas, geradas em 117 engenhos, localizados principalmente em Pernambuco e na Bahia. Associada à fabricação de açúcar ocorria a produção de aguardente. O sabão (produzido a partir de cinzas e de sebo de boi ou carneiro), o óxido de cálcio (obtido de sambaquis) e o hidróxido de cálcio foram produtos químicos fabricados desde cedo no País. Corantes de origem vegetal (como pau-brasil, anil, urucu) foram exportados já a partir de 1500-1530 em volumes crescentes. Início da produção de sal em escala comercial. Início da produção de salitre e, mais adiante, de pólvora. Ano em que D. João VI chegou ao Brasil. Neste ano, o Brasil já produzia açúcar, aguardente, sabão, medicamentos, potassa (carbonato de potássio), barrilha (carbonato de sódio), salitre (nitrato de potássio), cloreto de amônio e cal (óxido de cálcio). Produziam-se por extração, sal, drogas medicinais e resinas vegetais. Foram fundadas no País 5 fábricas de pólvora, 30 fábricas de sabões e velas, e 10 fábricas de produtos químicos diversos (medicamentos, potassa, hipoclorito de sódio, tintas e vernizes, graxas de lustro, tintas de escrever e água-de-colônia). Continua (...)

1500 a 1600

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1905 • • 1911 • • 1912 •

1909

Fundada em Sorocaba, São Paulo, a empresa F. Matarazzo, inicialmente operando no ramo alimentício. Inaugurada em Tremembé, São Paulo, a Companhia de Gaz e Óleos Minerais, primeira fábrica de ácido sufúrico. Inaugurada no Rio de Janeiro, a Companhia de Ácidos para produção de ácido sufúrico. Inaugurada em Maraú, Bahia, a John Grant & Co. para produção de ácido sufúrico. Foi fundada em São Paulo a indústria Dierberger Óleos Essenciais, voltada para a produção de produtos químicos e essências (existente até os dias atuais). Fundada em São Paulo a firma Queiroz, Moura e Companhia para a produção de ácidos e produtos químicos. Quando da Proclamação da República, o Brasil já possuía indústrias nas áreas de extração mineral, vegetal e animal, indústria siderúrgica, de papel, de vidro, de cimento, de sabões e velas e de adubos e inseticidas. Em termos de fabricação de produtos químicos, existiam inorgânicos de síntese (hipoclorito de sódio, carbonato de potássio, cloro, ácidos clorídrico e nítrico, iodeto de potássio, iodeto de ferro, cloreto mercuroso, bissulfato de cálcio, hipofosfito de cálcio, nitrato de prata, iodeto de chumbo, carbonato básico de chumbo e sulftato de magnésio) e produtos orgânicos (clorofórmio, éter dietílico, nitrato de etila, ácido tartárico e tartaratos, ácido acético e acetatos, ácido nítrico e citratos, ácido láctico e lactatos, iodofórmio, nitrocelulose e glicerina). Constituição da Companhia Melhoramentos de São Paulo para a implantação de uma fábrica de papel em Caieiras, São Paulo. Constituição da Companhia Antártica Paulista em São Paulo, para a produção de cervejas e bebidas em geral. Fundada em São Paulo a S.A. Fábricas Orion, para a produção de artefatos de borracha. Neste mesmo ano, foi consituída em São Paulo a Companhia Química Duas Âncoras, para a produção de cêras para assoalhos, pastas para calçados e saponáceos, e que ficou conhecida posteriormente pelo seu agressivo marketing de “Cito, Póx e Parquetina”. Inauguração da Companhia Vidraria Sta. Marina, pertencente ao grupo francês St. Gobain. Fundação em Santos, São Paulo, do Moinho Santista, empresa pertencente ao grupo multinacional argentino Bunge, que posteriormente implantou um respeitável conjunto de indústrias químicas no país: Sanbra (1934), Quimbrasil (1936), Serrana (1938) e Tintas Coral (fundada em 1654 e vendida para a ICI em 1996). Inauguração da fábrica do Ministério da Guerra, em Piquete, São Paulo, para a produção de ácido sulfúrico, ácido nítrico, pólvora e explosivos. Sob o nome de S.A. Indústrias Reunidas F. Matarazzo, muda-se para São Paulo, onde implanta uma moagem de trigo. Essa empresa foi responsável posteriormente, pela implantação de um grande parque industrial de fábricas químicas: óleos e gorduras (1920), raion-viscose (1924), pequena refinaria de petróleo (1936) e ácido nítrico (1942). Criação da Bayer do Brasil sob o nome de Frederico Bayer & Companhia, pertencente à Bayer da Alemanha. Criação da Companhia Brasileira de Carbureto de Cálcio em 1912, pertencente ao grupo belga Solvay. Criação da S.A. White-Martins, posteriormente pertencente à Union Carbide dos Estados Unidos. Continua (...)

136

1914 a 1918

• •

1918

1919 1951 1919 a 1939

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Período da Primeira Guerra Mundial. A indústria química brasileira ressentiu-se muito da ausência de matérias-primas, quase todas importadas. Várias indústrias surgiram neste período, sendo importante ressaltar a S.A. Indústria Votorantim (1918) em Sorocaba, para a produção de cerâmica e que deu origem ao grupo Votorantim, bastante forte no campo das indústrias químicas, entre as quais destaca-se a Nitro Química em São Miguel Paulista, São Paulo (1935). Fundação da Companhia Aga de Gás Acumulado, no Rio de Janeiro em 1915, para a produção de acitileno (pertence ao grupo sueco Aga). Pelo Decreto Legislativo nº. 3216 de 16/08/1917 o governo oferecia vantagens a quem em concorrência pública se propusesse a estabelecer a indústria de fabricação, em larga escala, de soda cáustica, a fim de atender as necessidades das fábricas de tecidos, de sabão e outros artigos. Essa fábrica só veio a surgir em 1945, quando a multinacional Solvay iniciou a sua implantação, no Alto da Serra do Mar, na parada Elclor, município de Santo André, de uma fábrica de cloro e soda. A empresa Queiroz, Moura e Companhia, que a partir de 1912 passou a se chamar Sociedade de Produtos Químicos L. Queiroz, já possuía quatro estabelecimentos industriais: fábrica de pólvora na estação de Sabaúna, fábrica de sulfeto de carbono na estação de São Caetano, fábricas de ácido sulfúrico, ácido clorídrico, salitre, sulfeto de carbono, amoníaco, adubos polysu, superfosfatos e sulfato de sódio na estação Barra Funda e drogaria Americana na Alameda Cleveland. Atualmente atua sobre a denominação de Elekeiroz S. A., com fábrica na cidade de Várzea Paulista, São Paulo. Criação da Companhia Química Rhodia Brasileira, pertencente ao grupo francês Rhône-Poulenc. A Geon do Brasil em associação com a norte-americana BF Goodrich inauguram uma fábrica para produção de PVC. São Paulo: Kodak Brasileira Com. Ind. Ltda. (1920) e Hélios S.A. Ind. e Com. (1922).

Fonte: Adaptado de Wongtschowski (1999)

De acordo com Wongtschowski (1999), no período entre as duas grandes guerras (1919 a 1939), o Brasil assistiu a um crescimento contínuo de sua indústria química, condizente com o desenvolvimento dos outros ramos da indústria, visando a substituição de produtos químicos até então importados. Neste mesmo período, empresas originadas de grupos multinacionais vieram a se instalar no País, conforme demonstrado no quadro 8:

Quadro 8 – Empresas Químicas Instaladas no Brasil entre 1920 e 1939
Ano de Fundação 1920 1921 Nome da Empresa Kodak Brasileira Com. Ind. Ltda. Usina Colombina Município da Unidade Fabril São Paulo (SP) São Caetano (SP) Produtos Produtos para Fotografia Ácido Sulfúrico e Produtos Químicos Diversos Continua (...)

Ácido Nítrico.137 1921 1921 1922 1923 1923 1923 1924 1924 1925 1926 1928 1928 1929 1929 1929 1932 1935 1935 1936 1936 1936 1937 1939 1939 1939 S. Glicose. Nacional Indústria de Anilinas S. ICI do Brasil Cia.A. E Ind.A. Artigos de Borracha Pneus. 76 e 77) De acordo com Wongtschowski (1999) em função da deflagração da Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945).A. Fábrica de Raion Destilaria Sul Riograndense Globo S. Merck S. Química Esso Química S. e Com. Químicas S.A. Reunidas F. Cerâmica Mauá Pirelli S.A. Inbra S. ENIA Cia. Papel Carbono. p. Tintas e Pigmentos Cia. Curtume Carioca Div. Inds.A. Câmaras de Ar. João Jorge Figueiredo S. Químicas Cia.A.A. Ind.A. Brasileira Rhodiaceta. Eletro-Chimica Fluminense Indústrias Matarazzo de Energia S. Fiat Lux de Fósforos de Segurança Indústrias Irmãos Lever Refinações de Milho Brasil Cia. Inds. Inds. Câmaras de Ar. Fio de Raion Refinaria de Petróleo Soda Cáustica e Cloro Refinaria de Petróleo Produtos Químicos Diversos Produtos Químicos Diversos Pneus. Nitro Química Brasileira Refinaria Ipiranga Cia. anidrido acético.A. abundantes e relativamente . as quais eram até então.A. a indústria química brasileira foi privada de sua fonte de matérias-primas importadas. Artigos de Borracha Fonte: Adaptado de Santa Rosa citado por Wongtschowski (1999. raion acetato Refinaria de Petróleo Pigmentos e Óxidos de Ferro Ácido Sulfúrico. Fitas para Máquina de Escrever Cerâmica Cabos e Condutores Elétricos. Cia. DuPont do Brasil S. Outros Produtos Derivados do Milho Ácido acético.A. Óleos. Brasileira de Cimento Portland Perus Com. Matarazzo Estabelec. Firestone do Brasil Rio de Janeiro (RJ) Rio de Janeiro (RJ) São Paulo (SP) Mauá (SP) Santo André (SP) Rio de Janeiro (RJ) São Paulo (SP) São Paulo (SP) Caieiras (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) Santo André (SP) Uruguaiana (RS) Mauá (SP) São Miguel (SP) Rio Grande (RS) Alcântara (RJ) São Caetano (SP) Barra Mansa (RJ) Diadema (SP) São Paulo (SP) Santo André (SP) Produtos Químicos para Curtume Produtos Derivados de Petróleo Tintas de Escrever. Dextrinas. Hélios S. Pneus e Artigos de Borracha Produtos Químicos e Farmacêuticos Raion-viscose Anilinas Cimento Cerâmicas Produtos Químicos Diversos Fósforos Sabões e Sabonetes Amidos. Goodyear do Brasil Produtos de Borracha Cia.

A. Pólvoras e Explosivos Ácido Láctico. E. carvão combustível por torta de algodão. Ácido Clorídico .A. com resultados econômicos. Lactato de Etila Película Transparente de Viscose (Papel Celofane) Ácido Cítrico Benzeno. extrair sais de potássio das cinzas da torta de algodão. Ind.R.A. Cia. Químicas Eletrocloro S. numa tentativa de suprir a ausência das matérias-primas importadas por substitutas nacionais. Estearina e Glicerina Ácido Sulfúrico. Lactato de Cálcio. duvidosos: enxofre importado por piritas brasileiras. – Elclor Município da Unidade Fabril São Paulo (SP) Sorocaba (SP) Piquete (SP) Itapira (SP) Comendador Ermelino (SP) Sta. O quadro 9 apresenta as iniciativas surgidas no período: Quadro 9 – Empresas Químicas Instaladas no Brasil entre 1940 e 1945 Ano de Fundação 1941 1941 1941 1942 1942 1942 1943 1943 1944 1945 1945 Nome da Empresa Ind. muitas vezes. S. Para o autor este período serviu para que fosse estabelecida a convicção entre o empresariado e técnicos do setor quanto à necessidade de estabelecer as bases definitivas da indústria química brasileira ao invés de promover a substituição de matérias-primas em situações emergenciais. Reunidas Matarazzo Societé Anonyme du Gaz de Rio de Janeiro Inds.A. Ácido Nítrico. Segundo Santa Rosa citado por Wongtschowski (1999). Peróxido de Hidrogênio (Água Oxigenada) e Ácido Oxálico 1945 Ind. Tolueno e Xileno Fósforos e Clorato de Potássio Produtos Farmacêuticos e Penicilina Tintas e Vernizes Soda Cáustica. Química Mantiqueira Lorena (SP) Fonte: Adaptado de Santa Rosa citado por Wongtschowski (1999. de Prod.138 baratas. Químicos Alca Ltda. p. Cloro. Reunidas Matarazzo S. de Tintas e Vernizes “Super” Inds. Ind. Rosa de Viterbo (SP) Rio de Janeiro (RJ) Jundiaí (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) Santo André(SP) Produtos Ácidos Graxos. Andrade Latorre S. 79) . Squibb e Sons do Brasil Ind. Brasileira de Alumínio Fábrica de Pólvora do Ministério da Guerra Ind. Sulfato de Alumínio Ácido Sulfúrico. Hipoclorito de Sódio Explosivos. Química Anastácio S.A. devido à enorme concorrência que faziam entre si as empresas IG Farben (Alemanha) e ICI (Inglaterra) pela conquista de novos mercados. criou-se nessa época uma mentalidade orientada para o improviso.

São Paulo.A. Químicas São Bernardo (SP) 1948 1948 1948 1948 1949 1949 1949 1949 Indústrias Químicas Brasileiras Duperial Union Carbide do Brasil S.A. BTX. e Com. Elekeiroz Cia. Maléicas e Fenólicas. Indústrias Votorantim Vulcan Artefatos de Borracha e Material Plástico S.A. essa unidade iniciou suas atividades em 1957. Chapas Rígidas. De acordo com Wongtschowski (1999) merece destaque o início da instalação em 1955. Cia. Naftalenos. pela Petrobrás. S. Bakol S.A. Segundo o autor. abastecendo de eteno as unidades de estireno da Companhia Brasileira de Estireno e de polietileno de baixa densidade da Union Carbide. Sais de Ácidos Graxos. Inds.A. Barra Mansa (RJ) Cubatão (SP) Sorocaba (SP) Mogi das Cruzes (SP) Várzea Paulista (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) .A..) 1947 Nitro Química Alba S. Amônia..A. Siderúrgica Nacional Município da Unidade Fabril Rio de Janeiro (RJ) Volta Redonda (RJ) Produtos Moldados de Resina FenolFormaldeído Alcatrões. e Chapas Flexíveis de Material Vinílico Ácido Sulfúrico e Superfosfatos Essências e Aromas Produtos Farmacêuticos Produtos Farmacêuticos Continua (. Ácido Nítrico. ambas em Cubatão e próximas à Refinaria. e Com. Óleos. anexa a Refinaria de Cubatão.A. Brasileira Givaudan Inds. Ind. Antraceno.A. de uma unidade de recuperação e purificação de eteno contido nos gases residuais. Óleo de Creosoto e Piche Colódio (Dinitrocelulose). Farmacêuticas FontouraWyeth S. Nitrocelulose para Explosivos Polietileno de Baixa Densidade Película Transparente de Viscose (Papel Celofane) Folhas. Nitrocelulose Industrial e Nitrocelulose para Pólvora (Trinitrocelulose) Formol e Hexametilenotetramina Ácidos Graxos. São Miguel (SP) 1947 1947 Curitiba (PR) São Paulo (SP) 1948 Resana S.139 No período posterior a Segunda Guerra Mundial novos empreendimentos foram inaugurados. Ind. Glicerina Resinas Alquidicas. Anidrido Maléico e Resina de Poliéster em 1956 Ácido Sulfúrico. No quadro 10. Adesivos e Laticícios Brasil-América Ceralit S. são apresentadas as indústrias químicas instaladas no Brasil entre 1946 e 1959: Quadro 10 – Empresas Químicas Instaladas no Brasil entre 1946 e 1959 Ano de Fundação 1946 1946 Nome da Empresa De La Rue Plásticos do Brasil S.

A. Câmaras e Artigos de Borracha Refinaria de Petróleo Refinaria de Petróleo Continua (. Ind. de Tintas e Vernizes R. Refinaria de Petróleo Manguinhos S. Inds. de Superfosfatos e Produtos Químicos Pan-Americana S. Acetato de Butila. Químicas Cia. Brasileira de Plásticos Koppers Cia.) 1953 1953 1953 1954 1954 1954 1954 1954 1954 Cia. Inds. Anidrido Acético e Acetatos Rilsan (Fibra de Poliamida de Classe do Nylon) Amônia Ácido Sulfúrico e Superfosfatos Soda Cáustica e Cloro Carbeto de Silício (Abrasivo) e Óxido de Alumínio (Coridón Artificial) Pesticida Benzeno Hexaclorado Poliestireno Estireno Butanol por via Fermentativa. Químicas Reunidas S. Eletroquímica Fluminense Carborundum S.A. Nitro Química Matarazzo Orquima Inds. Silicato de Zircônio. Inds. Matarazzo Refinaria Nacional de Petróleo S. Química Industrial – CIL Cia. Maléicas.A.A. Alba S. Brascola Ltda. Dunlop do Brasil S. Brasileira de Abrasivos Inds.A.A..A. Brasileira de Estireno Usina Victor Sence S.A. Refinaria e Exploração de Petróleo União S. S. Alquídicas e Copais Raion-Viscose Adesivos e Colas Soda Cáustica e Cloro Sulfeto de Sódio Cloreto de Cério. São Paulo (SP) Americana (SP) São Bernardo (SP) São Miguel (SP) São Caetano (SP) São Paulo (SP) Campinas (SP) Rio de Janeiro (RJ) Capuava (SP) . Rhodia Quimbrasil Cia. Inds.A.A. Ácido Acético e Acetona Resinas Fenólicas.140 1949 1949 1950 1950 1950 1950 1950 1951 1951 1951 1951 1951 1951 1952 1953 1953 1953 1953 1953 1953 1953 Plásticos Plavinil S. Reunidas F. Fongra Prods.A. Montesanto Fiação Brasileira de Raion “Fibra” S.A. Matarazzo Bristol-Labor S. Compostos de Tório e Urânio Pneus. Químicos S.A.A.A. Químicas Eletro Cloro S.. Reunidas F. São Paulo (SP) Suzano (SP) São Caetano (SP) São Paulo (SP) São Caetano (SP) Mataripe (BA) Cubatão (SP) São Paulo (SP) Capuava (SP) Rio de Janeiro (RJ) Várzea Paulista (SP) Santo André (SP) Osasco (SP) Santo André (SP) Santo André (SP) Alcântara (RJ) Salto (SP) Santo André (SP) São Bernardo (SP) Cubatão (SP) Campos (RJ) Filmes de Material Vinílico Produtos Químicos Diversos Soda Cáustica e Cloro Produtos Farmacêuticos Pesticida Benzeno Hexaclorado Refinaria de Petróleo Metanol Ácido Sulfúrico e Dióxido de Titânio Ácido Sulfúrico e Superfosfatos Soda Cáustica e Cloro Anidrido Ftálico e Ftalatos Ácido Acético. Cia.A. Químicas Elekeiroz Rhodia Rilsan Brasileira S.

A. Antoine Chiris Ltda. a grande arrancada e consolidação da indústria química brasileira ocorreu a partir desta década.A. Petrobrás Cia. 80 – 83) Segundo Demajorovic (2003) a estratégia de ampliação da produção de químicos foi assegurada com a construção de gigantescas unidades produtivas a partir da década de 1960. Tintas e Vernizes Refinaria de Petróleo Essências e Aromas Acetato de Polivilina Amônia. depois de duas tentativas frustradas de parceria com as empresas norteamericanas Gulf Oil Corporation e Phillips Petroleum.141 1955 1955 1955 1955 1955 1955 1955 1955 1955 1955 1956 1956 1956 1956 1957 1957 1958 1959 Nitro Química Quimbrasil Ind. proprietário da Refinaria União em Santo André. quando as companhias de petróleo passaram a produzir petroquímicos. Ácido Fórmico e Formiatos Raion-viscose Resinas Sintéticas em Geral. Lacas e Vernizes Cia. Indústria e Comércio Cia. Rhodosá de Raion S. de Petróleo da Amazônia S. Matarazzo Rhodia Quimbrasil Cia. Químicas S.A. Rhodia Fábrica de Fertilizantes de Cubatão (FAFER) – Petrobrás Quimbrasil São Miguel (SP) Santo André (SP) Mauá (SP) São Caetano (SP) Campinas (SP) São Caetano (SP) Cubatão (SP) São Caetano (SP) Cubatão (SP) Guaratinguetá (SP) Rio Claro (SP) São José dos Campos (SP) Santo André (SP) Manaus (AM) São Paulo (SP) Campinas (SP) Cubatão (SP) Santo André (SP) Ácido Sulfúrico Pigmentos Inorgânicos Óxido de Zinco Carbeto de Cálcio Ácido Acético. O autor menciona alguns dados sobre constituição dos pólos e sobre as primeiras empresas que participaram de suas constituições: a) Pólo Petroquímico de São Paulo: surgiu da iniciativa da indústria privada nacional (Grupo Soares Sampaio. Fábrica de Tintas. São Paulo). de Produtos Químicos Idrongal Anilinas Holandesas do Brasil S.A. O projeto somente pode ser . Brasileira de Pigmentos S. do Nordeste (1978) e do Sul (1982). p. Acetatos. Anidrido Acético.A.A. Esmaltes.A. Petroquímica Brasileira Copebrás Brasitex – Polimer Ind. Coral S. Petróleo Brasileiro S. De acordo com Wongtschowski (1999). com a criação dos três pólos petroquímicos: de São Paulo (1972). Reunidas F. Inds. Álcool Isopropílico Fenotiazina Negro de Fumo Resinas Acrílicas Refinaria de Petróleo Produtos Químicos Diversos Anilina. Ácido Nítrico e Fertilizantes Nitrogenados Fenol Fonte: Adaptado de Santa Rosa citado por Wongtschowski (1999.

30 .142 realizado com a participação da então recém criada Petroquisa30. No pólo petroquímico de São Paulo foram inicialmente instaladas as empresas apresentadas no quadro 11: Quadro 11 – Pólo Petroquímico de São Paulo Nome da Empresa Petroquímica União Ltda. para desenvolver e consolidar a indústria química e petroquímica no Brasil. Em 1969. Poliolefinas S. Plásticas S. De acordo com Wongtschowski (1999) a Petroquisa foi criada pelo decreto 61. p. por força da Lei 2004 que a criou. O-xileno. por meio de participações societárias em empresas do setor.A. e Com. que criou a Agência Nacional de Petróleo (ANP). Brasileira de Estireno Union Carbide do Brasil Eletroteno Inds.891 de 28/12/1967. Brasivil Resinas Vinílicas S. Tolueno. A Lei 2004 foi revogada pela Lei 9478 de 06/08/1997. Químicas e Têxteis S. 85) b) Pólo Petroquímico do Nordeste: surgiu na necessidade de expansão da produção brasileira de petroquímicos e da decisão pela implantação do segundo pólo petroquímico brasileiro. Ind. o General e então Presidente da República Emílio Medici.A. o estudo encomendado pelo Conder – Conselho de Desenvolvimento do Recôncavo (empresa estatal da Bahia) a Clan – Consultoria e Planejamento recomendava a instalação do segundo pólo petroquímico na Bahia. Rhodia Inds.A. Mistura de Xilenos e Resíduo Aromático Monômero de Cloreto de Vinila Polietileno de Baixa Densidade Cloreto de Polivinila Fenol Óxido de Eteno Tetrâmero de Propeno e Cumeno Estireno Expansão da Unidade de Polietileno de Baixa Densidade Polietileno de Alta Densidade Santo André (SP) Mauá (SP) Santo André (SP) Paulínia (SP) Mauá (SP) Mauá (SP) Cubatão (SP) Cubatão (SP) Santo André (SP) Fonte: Adaptado de ABIQUIM citado por Wongtschowski (1999. e Com. Oxiteno S. o que não era permitido à Petrobrás. Empresa Brasileira de Tetrâmero Cia. no lugar da ampliação do pólo petroquímico de São Paulo. sendo mais tarde regulamentada pelo Decreto 2455 de 15/01/98.A. mesmo minoritariamente. Butadieno.A. Benzeno. Pxileno. Com base em uma decisão política. Copamo – Consórcio Paulista de Monômeros Ltda. Ind. Propeno. Município da Unidade Fabril Santo André (SP) Produtos Eteno.

no município de Triunfo. é criada a Companhia Petroquímica do Sul Ltda. próximo à Refinaria Alberto Pasqualini. Propeno. a Petroquisa ficou responsável pelo projeto da Central de Matérias-Primas e pela criação de estímulos para a implantação de unidades de segunda geração. Pentaeritritol e Formiato de Sódio Monômero de Cloreto de Vinila e Cloreto de Polivinila Alquibenzeno Linear Estireno. Anidrido Maléico e Plastificantes Ftálicos Fibras Acrílicas Melamina Metanol Caprolactama e Sulfato de Amônio Dimetilereftalato Acrilonitrila e Ácido Cianídrico Tecido de Cordonéis de Nylon e de Poliéster Formaldeído. O quadro . O-xileno. previsões de órgãos federais apontavam para a falta de produtos petroquímicos em 1981 e 1982. Em função destas estimativas. Benzeno e Tolueno Octano. é definida a sua localização no Rio Grande do Sul. Hexametilenotetramina. Petroquímica de Camaçari – CPC Deten Estireno do Nordeste EDN Isocianatos Oxiteno Nordeste Polialden Polipropileno Politeno Produtos Eteno. P-xileno. Butanol e Isobutanol Andrido Ftálico. Em 1976. – Copesul. Mistura de Xilenos. a qual seria responsável pelo fornecimento de Nafta. decisão confirmada pela Resolução 02/70 do CDI em 21/07/1970. Para a criação do pólo. Butadieno. Etileno-glicóis. 86 – 87) c) Pólo Petroquímico do Sul: em 1975. Etanolaminas e Ésteres Glicólicos Polietileno de Alta Densidade Polipropileno Polietileno de Baixa Densidade Fonte: Adaptado de Suarez e ABIQUIM citados por Wongtschowski (1999. apesar do pólo petroquímico paulista já se encontrar em plena atividade e do pólo do nordeste estar em construção. Neste pólo foram instaladas as seguintes empresas: Quadro 12 – Pólo Petroquímico do Nordeste Nome da Empresa Copene Ciquine Petroquímica Ciquine Química Fisiba Melamina Ultra Metanor Nitrocarbono Pronor Acrinor Cobafi Copenor Cia. nos mesmos moldes da criação da Copene e para exercer a mesma função. em níveis equivalentes a um novo pólo. p. Poliestireno e Tolueno Tolueno Diisocianato Óxido de Eteno.143 oficializou a localização do segundo pólo em Camaçari. Para implantar a Central de Matérias-Primas a Petroquisa cria a Companhia Petroquímica do Nordeste – Copene (1972).

por se tratarem de gases. que na década de 1960 criou o Grupo Executivo da Indústria Química (GEIQUIM). Por meio da elaboração destes planos foi implantado um modelo que envolvia três elementos em sua composição societária: o capital privado nacional. p. responsável pela elaboração dos planos que culminaram na implantação dos pólos de São Paulo. são mais facilmente transportados por dutos. um terço com uma empresa estatal nacional (em geral a própria Petroquisa) e um terço 31 Segundo Wongtschowski (1999). Bahia e Rio Grande do Sul. Butadieno. Neste sistema cada empresa teria um terço do seu capital nas mãos da iniciativa privada nacional. 88) Para Nakano (2007) a formação de pólos consolidou-se como uma característica do setor. Para Wongtschowski (1999) foi a partir da experiência de criação do Pólo Petroquímico do Nordeste que se consolidou o sistema dos “terços” ou “tripartite” 31 anteriormente adotado pela Petroquisa para a criação do pólo paulista. Borracha Estireno-Butadieno Fonte: Adaptado de ABIQUIM citado por Wongtschowski (1999. esta situação determina que as indústrias de primeira e segunda gerações se localizem em aglomerados. uma vez que tanto o eteno e o propeno.144 abaixo apresenta as empresas instaladas no pólo em seus primeiros anos de atuação: Quadro 13 – Pólo Petroquímico do Sul Nome da Empresa Copesul Poliolefinas Petroquímica Triunfo Polisul PPH Petroflex Produtos Eteno. Propeno. o capital estrangeiro através do aporte de tecnologia e o capital público. por meio da adoção do sistema “tripartite” ficavam resguardados dois aspectos importantes no entendimento do governo federal: maioria do capital nas mãos da iniciativa privada (sócio privado nacional mais sócio privado estrangeiro) e maioria do capital nacional (sócio privado nacional mais sócio estatal nacional) . Nakano (2007) menciona que o setor petroquímico brasileiro se originou de uma iniciativa do governo federal. Benzeno e Xilenos Polietileno de Baixa Densidade Polietileno de Baixa Densidade Polietileno de Alta Densidade Polipropileno Etibenzeno. De acordo com o autor.

Wongtschowski (1999) menciona que outros tipos de indústrias químicas atingiram um notável desenvolvimento no Brasil entre as décadas de 1960 e 1990: fertilizantes32. mas de maneira mais completa no pólo baiano. definido pelo Governo Federal em 1974.145 com uma empresa privada estrangeira (em geral fornecedora do conhecimento necessário para a implantação dos processos). O autor revela um dado interessante sobre a indústria de cloro e soda cáustica quando menciona que diferentes estágios de desenvolvimento de um país podem determinar que apenas a soda cáustica apresente interesse comercial (caso do Brasil na primeira metade do século) ou que apenas o cloro e seus derivados apresentem potencial de interesse. 32 . fosfato de diamônio e NPK. O sal para a elaboração da salmoura tanto pode provir de minas subterrâneas (sal-gema). química fina e alcoolquímica. Implantação em 1978 da Valefértil em Uberaba. Além da indústria petroquímica. 33 Segundo Wongtschowski (1999) este tipo de indústria caracteriza-se pela produção simultânea de cloro e soda cáustica.3% ao ano. parte das empresas multinacionais. cloro e soda cáustica33. já que é resultante da eletrólise de uma salmoura de cloreto de sódio. ácido nítrico. como de salinas que evaporam água do mar (sal marinho). No quadro abaixo são apresentados alguns dados relevantes apresentados pelo autor sobre estas indústrias: Quadro 14 – Indústria Químicas por Tipo de Indústria Tipo de Indústria • • Fertilizantes • Fatos Relevantes Entre 1960 e 1994. em 1965. para a produção de amônia a partir dos gases da Refinaria Presidente Bernardes... ácido fosfórico. pois gera um produto sem valor comercial e de difícil descarte em termos ecologicamente aceitáveis. Minas Gerais. a indústria química sofreu um desenvolvimento notável a partir da década de 1960. por iniciativa do grupo Ultra em associação com a Phillips Petroleum norte-americana. Segundo o autor. foi desfeito na década de 1980 por um grande número de empresas que o integravam. nitrato de amônio. com um complexo de grande porte para a produção de ácido Continua (.) • De acordo com Wongtschowski (1999). com destaque para o Programa Nacional de Fertilizantes e Calcário Agrícola. Wongtschowski (1999) menciona que o modelo tripartite de participação acionária adotado pelas indústrias petroquímicas. Implantação em 1965 da Ultrafértil com um complexo de fertilizantes em Cubatão (São Paulo). Produção de ácido sulfúrico. O autor considera que em ambos os casos a indústria de cloro e soda cáustica é prejudicada. em geral detentoras de um terço do capital votante e fornecedoras do conhecimento necessário para a implantação dos processos resolveu vender sua participação aos acionistas brasileiros (privado e estatal). o crescimento da produção de fertilizantes foi de 8. já no pólo paulista.

1972 – fundação da Companhia Química do Recôncavo em Camaçari. Precedeu a petroquímica em quarenta anos. corantes. Criada para preencher uma das lacunas em termos de disponibilidade de produtos fabricados no Brasil como defensivos agrícolas. A unidade de butadieno permaneceu desativada até o início da década de Continua (. Entre as empresas pioneiras da indústria da química fina brasileira encontram-se: Norquisa. dos 600 laboratórios produzindo fármacos e intermediários para a indústria farmacêutica. fosfato de monoamônio e fertilizantes granulados. Em 1980 foi criada a Nordeste Química S. originalmente pela Petromin. Policarbonatos. que depois tornou-se Petromisa (Petrobrás) e atualmente arrendada à Companhia Vale do Rio Doce. Enia. Desenvolvimento e exploração das jazidas de sais de potássio (silvinita e carnalita) de Taquari-Vassouras. fertilizantes fosfatados de alta e baixa concentração. Entre os 50 maiores laboratórios responsáveis por 80% da produção. Secretaria de Minas e Energia da Bahia. Nitroclor. 45 eram estrangeiros e 5 nacionais. 1977 – fundação da Dow Química em Candeias. Bahia. CDI. CibaGeigy do Brasil. Suarez citado por Wongtschowski (1999) cita que 1982. Bahia. 1977 – fundação da Salgema em Maceió (Alagoas) e Companhia Petroquímica de Camaçari em Camaçari (Bahia). em Cabo. Sergipe. A fusão destas duas empresas originou a Trikem em 1996. Ceped e Petroquisa apontou para uma série de intermediários que poderiam ser produzidos no país.) . que viria a desempenhar para as indústrias de Química Fina o mesmo papel que a Petroquisa desempenhou para as indústrias de 2ª. ácido fosfórico. 1948 – fundação da Eletrocloro (Solvay) em Santo André. catalisadores.A. SmithKline do Nordeste. Pernambuco. Fibase. São Paulo. 1951 – fundação da Pan-Americana no Rio de Janeiro. e Araxá. Ciquine Química. Na década de 1960 o País já produzia derivados acéticos a partir do etanol. entre outras. aromatizantes e flavorizantes. Basf Química da Bahia. produziu polibutadieno com butadieno obtido a partir do etanol. Minas Gerais. originalmente da Metago (empresa do governo estadual de Goiás) e atualmente exploradas pela Copebrás e Ultrafértil. São Paulo. o éter dietílico e o ácido acético a partir do etanol. pela Serrana (pertencente ao grupo argentino Bunge). Na década de 1920 a Rhodia produzia o cloreto de etila (para o lança-perfume). em Tapira e Patos de Minas. um estudo conjunto realizado pela Secretaria de Tecnologia Industrial. fármacos. butanol e acetona na Usina Victor Sence e eteno na Eletroteno (Solvay) e Union Carbide. Em 1978. na Rhodia e na Fongra (posteriormente adquirida pela Hoechst). 520 eram nacionais e 80 eram estrangeiros.. Desenvolvimento e exploração das jazidas de fosfatos nacionais – em Jacupiranga.. por iniciativa da Companhia Base do Rio Doce. pigmentos.146 • • • • • • • • • Cloro e Soda Cáustica • • Química Fina • • • • Alcoolquímica • sulfúrico. Carbonor. Entre 1965 e 1971 a Coperbo. Minas Gerais. geração do pólo baiano. (Norquisa). 1963 – fundação da Carbocloro em Cubatão. São Paulo. aditivos. Ceme.

Para os produtos que alternativamente também podiam ser produzidos pro rota petroquímica (eteno. aldeído acético. O quadro 15 apresenta algumas destas informações: Quadro 15 – Fatos Ocorridos com a Indústria Química na Década de 1990 Tipo de Indústria • Petroquímica • Fatos Relevantes Na década de 1990 a indústria petroquímica sofreu fortemente com a abertura comercial e a simultânea redução dos preços dos seus produtos no mercado internacional no período de 1990 a 1994. de desestatização e ampliação dos níveis de exigência da legislação ambiental. Em 1982 o preço do etanol destinado às indústrias alcoolquímicas passou a ser equiparado ao preço da nafta petroquímica.. Para os produtos sem rota petroquímica alternativa (éteres glicólicos.147 • • • • • • 1980.813 de 16/11/82 definiu a sistemática para a fixação do preço do álcool destinado à indústria química. etilaminas) o preço do litro do álcool seria correspondente a 170% do preço FOB do litro de nafta. o Brasil passou a buscar fontes alternativas de matérias-primas visando a redução da dependência do petróleo importado. para a produção de acetato de vinila monômero. a partir do etanol.. com a crise do petróleo. iniciando-se uma competição entre o eteno derivado do etanol e o derivado da nafta. segundo Nakano (2007). o eteno petroquímico tornou-se disponível. mesma época em que. Fonte: Adaptado de Wongtschowski (1999) De acordo com Wongtschowski (1999). gerido pela Comissão Nacional do Álcool. localizada ao lado da Coperbo. Para a indústria química o governo resolveu subsidiar a produção de álcool daqueles derivados orgânicos que pudessem ser produzidos alternativamente por rota petroquímica. Em 1975 foi criado o Programa Nacional do Álcool (Proálcool). com a entrada em operação da Petroquímica União (1972) e da Copene (1978). Na década de 1970. ácido acético. Estes produtos foram utilizados pela Companhia Álcoolquímica Nacional. mantendo-se nas centrais petroquímicas – Continua (. quando foi modificada para permitir a produção de aldeído acético e eteno a partir do etanol. Pernambuco. acetato de vinila) o preço do litro do álcool seria correspondente a 100% do preço FOB do litro da nafta. em Igarassú. o governo federal retira a sua participação nas empresas. Em 1969 a Eleikeiroz do Nordeste iniciou a produção de 2-etilhexanol. a partir da década de 1990. dicloroetano. óxido de eteno. os diferentes tipos de indústrias químicas sofreram os efeitos decorrentes da abertura de mercado. Em 1973. O Decreto Lei 87. O processo de desestatização empreendido pelo governo federal após 1990 levou à saída da Petroquisa de praticamente todas as empresas.) .

Alcoolquímica. são vendidas as participações da Petrofértil em suas empresas controladas conforme os percentuais: Indag (33. da qual era parcialmente proprietária. Empresas que anteriormente possuíam controle compartilhado como Ciquine.33%).18% de participação acionária da Fertifós. em todos os casos.5% do valor da receita líquida. a Serrana. por um prazo de 25 anos.A. Copene e Unipar e a Politeno pela Conepar. a divisão de fertilizantes da Elekeiroz e consolidou seu controle sobre a Arafértil. incluindo a desestatização da Petrofértil e o Decreto 99. a Norquisa. Suzano e Sumitomo/Itochu.) . a Petrofértil controlava as empresas Ultrafértil.. com a compra da Takenaka.031 de 12/04/90 e o Decreto 99. Os outros 50% foram adquiridos pela Fertibrás. Companhia Brasileira de Estireno. a terem um controlador único. Nitriflex. Com a desestatização da Petrofértil e a compra das suas controladas pela indústria privada de fertilizantes.33%). à Petrobrás. Vale lembrar que a Fosfértil detém praticamente 100% do controle acionário da Ultrafértil. A Petroflex passou a ser controlada pela Suzano.06% da Fertifós. Ultrafértil (100%) e Arafértil (33. Oxiteno. a IAP. estas passaram a controlar acionariamente a Fertifós. passou a ser controlada por quatro dos principais grupos privados nacionais (Oderbrecht. em etapas posteriores. Ipiranga Petroquímica. única empresa que produzia superfosfatos no Paraná. com participações entre 15% a 18% do capital votante das empresas.463 de 16/08/90 que criou o PND.64%). Goiasfértil e ICC (além de ter como coligadas as empresas Arafértil e Indag) e a Petrobrás controlava a Petromisa. Neste processo a Petroquisa foi substituída. Como a Serrana e a Manah possuiam cada uma 23. por um ou mais sócios com os quais ela anteriormente compartilhava o controle. A partir de 1990 as reservas de silvinita e carnalita passaram a ser exploradas pela Companhia Vale do Rio Doce. Mariani). a Copesul passou a ter controle compartilhado entre Odebrecht e Ipiranga. A Serrana. Antes do Plano Nacional de Desestatização (PND). Copene e Copesul. e a Polibrasil entre Shell e Suzano. Polibrasil. do grupo argentino Bunge. O Decreto 844 de 24/06/93 retira do PND a Petrofértil e a Nitrofértil. cujas unidades industriais passam a ser controladas diretamente pela Petrobrás. além de adquirir 50% da Indústria de Fertilizantes de Cubatão. Indústria e Comércio. Em 1998. Nitrofértil. Oxiteno e Unigel. Continua (. compraram a Takenaka S. controladora da Fosfértil. Nitrocarbono. Estireno do Nordeste. a PQU entre Unipar. A Takenata detinha 6. Isopol e Proppet passaram. Outras como Acrinor. até então pertencente a Adubos Trevo. No caso da Copene o controlador.. Fosfértil (77. Fosfértil. Após a Lei 8. Ultra. mediante pagamento de royalties de 2. novo nome da Unidade Industrial de Mistura de Cubatão.226 de 27/04/90 que dissolvia a Petromisa. A Fertiza comprou o controle da Fospar. iniciou-se um processo de reagrupamento das indústrias de fertilizantes. Manah e Banco América do Sul.148 • • • • Fertilizantes • • • • PQU. Union Carbide. Polialden e OPP passaram a ter um único sócio controlador. Goiásfértil (82. Suzano. comprou a Fertisul.42%).

possibilitando que as empresas multinacionais ampliassem a sua participação e domínio do setor de química fina. já que apresentam grande dificuldade em sua destruição de forma ecologicamente aceitável. ésteres e etilaminas). que o governo havia eliminado em 1983.) . A indústria alcoolquímica dividia-se basicamente em dois grandes grupos: o que transformava o etanol em eteno ou acetaldeído (produção de polietileno. Com o retorno da cobrança da taxa de contribuição ao IAA em novembro de 1984. ácido acético. dicloroetano. para incentivar a exportação de produtos químicos produzidos via alcoolquímica. as indústrias do primeiro grupo pararam de consumir álcool. Além das pressões. Muitas unidades industriais foram desativadas. limitações na utilização de solventes clorados e reduções drásticas na utilização de cloro elementar como agente branqueador na indústria de papel. achando mais vantajoso importar o produto diretamente de suas fábricas no exterior.. que representavam. O objetivo central de tais movimentos era aumentar a competitividade das empresas. eliminação dos clorofluorcarbonos. Outras empresas passaram a importar diretamente o ácido acético que necessitavam para seus produtos. enormes passivos ambientais das unidades que operam com células a mercúrio. Neste período surgiram movimentos de junções. Continua (. tentativa de paralização das unidades que operavam com células a mercúrio. simplificando as organizações e investindo nas relações com o cliente. sendo as de natureza ambiental as mais significativas.149 • Cloro e Soda Cáustica • • Química Fina • • Alcoolquímica As indústrias de cloro e soda cáustica passaram a ser submetidas a vários tipos de pressão a partir da década de 1990. Com a queda das barreiras alfandegárias.. que somados correspondem a aproximadamente 70% do mercado da indústria química fina no Brasil. o que se esperava conseguir reduzindo custos fixos. estireno. gerando excesso de um dos dois produtos que tem de ser vendidos a preços marginais. solventes acéticos) e aquele que utilizava o etanol pela sua função química como álcool (produção de éteres glicólicos. sobretudo no campo dos fármacos e defensivos. algumas multinacionais paralisaram suas unidades de química fina. Dentre elas destacam-se: o perigo potencial representado pelo cloro e seus compostos. butadieno. em 1996. para consumir eteno obtido de nafta. tendências dos usuários finais em diminuir ou eliminar a utilização do cloro e de seus compostos. reagrupamentos e aquisições tanto entre empresas nacionais como entre empresas nacionais e empresas multinacionais já instaladas no país. campanhas sistemáticas de ativistas ambientais contra a produção de cloro e seus compostos (a tentativa de eliminação do uso do PVC foi emblemática). 29% da capacidade das indústrias de cloro e soda em nível mundial e 22% no Brasil. as indústrias de cloro e soda cáustica têm de enfrentar o problema crônico do desbalanceamento de consumo entre a soda cáustica e o cloro. como a Rhodia e a Coperbo. Foi o ramo da indústria química que sofreu os maiores impactos gerados a partir da abertura do mercado e das substanciais reduções de alíquotas de importação implantadas pelo governo Collor em 1990.

Uma forte evidência do sucesso da matriz de pensamento linear pode ser identificada pela ausência do conhecimento de grande parte da sociedade mundial quanto às reais dimensões da indústria química. uma vez que em função da ação racional instrumental. 15 bilhões de litros de álcool. Situando-se na faixa de 400 a 500 milhões de litros por ano. sindicatos e classificações de produtos.3. cuja existência é atestada por inúmeros fatos do mundo real.3. Segundo Furtado (2003). quando comparado com o álcool consumido como combustível.150 • O consumo de álcool etílico para a indústria alcoolquímica sempre foi pequeno. a dificuldade de delimitar as suas fronteiras ocorre em função de que estas indústrias muitas vezes realizam afiliações sindicais duplas ou triplas. fato que também permite caracterizá-las como indústrias químicas. No auge do programa Proálcool. o número de atores envolvidos e da diversidade de produtos produzidos. grande parte desta sociedade passou a ser privada de pensar o próprio mundo do qual é parte integrante. enquanto que as empresas desenvolvem-se criando novas atividades. se utilizam de uma infinidade de processos químicos. combinações de elementos e novas aplicações. Avaliando as informações disponibilizadas é possível perceber a grandeza e a complexidade da indústria química em termos econômicos. um processo que nem sempre . Para o autor indústrias como a farmacêutica ou a de alimentos. 2. A Forma de Organização da Indústria Química Para Furtado (2003) existem dificuldades para o estabelecimento de fronteiras claras e aceitas no setor químico. Para Furtado (2003). a química pela sua própria natureza. foram produzidos anualmente. estando a produção atual na faixa dos 12 – 14 bilhões de litros de álcool por ano. o que dificulta o acompanhamento e a definição da dimensão do setor. é criadora de substâncias. Fonte: Adaptado de Wongtschowski (1999) Novamente na retrospectiva histórica da indústria química nacional é possível perceber os traços da lógica racional predominante na sociedade industrial. envolvendo empresas.

O peso da atividade petrolífera representa uma massa econômica e financeira que dá sustentação a diversas empresas petroquímicas. Furtado (2003. onde a designação genérica “química e petroquímica” é em geral utilizada para classificar empresas de diversos setores: de produtos químicos básicos. ácido sufúrico. a indústria química é. cujas atividades consistem na transformação de matéria-prima em produtos intermediários (indústrias de base ou pesada) e destes em bens de consumo (indústrias leves). até perfumes e cosméticos. bem como a transformação de produtos semiacabados em bens de produção ou de consumo34. tanto quanto a produção de conhecimentos e a inovatividade das indústrias de base químico-farmacêutica alimenta a produção de novos produtos e processos nas indústrias química e petroquímica. também conhecidos como bens de capital. De acordo com o autor.151 respeita as fronteiras criadas por definições técnicas e censitárias. passando Segundo Cremasco (2005) bens de produção. Para o autor. como soda cáustica. um tipo de indústria de transformação. o setor químico reúne um conjunto diversificado de empresas. eteno e propeno. Apesar de reconhecer a importância de cada vetor. que se encontra o motor mais importante para o seu desenvolvimento. Segundo Nakano (2007). de um modo geral. com fundamentos científicos importantes e cada vez mais substantivos. a indústria química transforma-se por meio de um processo expansivo com diferentes vetores. Para Cremasco (2005) a indústria. dentre os quais estão a escala. resumidamente. são bens intermediários que servem para a produção de outros. o autor considera que é na tecnologia. p. este problema de compatibilidade entre a realidade das empresas e das atividades econômicas. pode ser entendida como um conjunto de atividades econômicas que visa a manipulação e a exploração de matérias-primas e fontes energéticas. a comercialização e a tecnologia. e as definições estatísticas com seus números-resultados. enquanto que os bens de consumo atendem diretamente à demanda a médio e longo prazo. 34 . dificilmente teriam condições de gerar uma solução única e unanimemente aceita. de um lado. 9) considera que: Os fundamentos científicos que permitem criar novos produtos e processos e alargar a fronteira desta indústria representam ao mesmo tempo um fator de expansão das empresas e um obstáculo à aplicação literal e sem nuanças de definições estatísticas estáticas. Segundo Furtado (2003).

entre outros. o PET[2]. Para o autor: De forma simplificada. Segundo o autor.. De acordo com Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) 35 . Geração . fazendo parte dos estágios iniciais de diversas cadeias produtivas. para representar o setor no País e no exterior. pesticidas e plásticos. que transforma os petroquímicos básicos em produtos intermediários. Continua (. o PVC[1]. produtos têxteis. É a chamada indústria downstream. a poliamida (o popular nylon) e os poliésteres. e a partir do propeno. que exige grandes investimentos em equipamentos e instalações. configurando os chamados pólos petroquímicos. fibras. utilidades domésticas. entre outros. ou seja. detergentes. 35 2ª. bem como prestadores de serviços ao setor nas áreas de distribuição. fertilizantes etc.) Segundo o Anuário da Indústria Química Brasileira elaborado pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b). A partir do eteno são produzidos. sendo considerado um setor intensivo em capital. o propeno (também conhecidos como etileno e propileno. principalmente a nafta petroquímica. médio e grande portes. materiais esses que têm grande presença em nosso cotidiano: embalagens. respectivamente) e os hidrocarbonetos aromáticos. automóveis. eletroeletrônico. 2007) Ainda segundo Nakano (2007) a indústria petroquímica é um setor meio. utilizados por outras empresas de segunda geração e finais (resinas termoplásticas. como o eteno e o propeno. automotivo. licenciamento de tecnologia. etc. borrachas. são associadas da ABIQUIM.. e o gás natural são as matérias-primas das centrais petroquímicas. a entidade foi fundada em 1964. a nafta petroquímica. produto obtido em refinarias de petróleo. As centrais transformam a nafta.152 por fertilizantes. e em muitos casos. Seus produtos são utilizados por outros setores produtivos como o têxtil. Geração Descrição No Brasil. Empresas químicas de pequeno. as indústrias químicas brasileiras são classificadas da seguinte forma: Quadro 16 – Classificação das Indústrias Químicas Geração 1ª. de embalagens. que compõem a primeira geração. transporte e tratamento de resíduos industriais. Em termos internacionais. logística. plásticos como o polietileno. um produto derivado do petróleo. pode-se classificar como “indústria petroquímica” a cadeia produtiva que se estrutura em torno da utilização de derivados do petróleo. As empresas de segunda geração normalmente se localizam ao redor das empresas de primeira geração.). que não tem contato com o mercado consumidor final. este tipo de indústria produz insumos para diversos outros setores. a ABIQUIM faz parte do Conselho da Indústria Química do Mercosul (CIQUIM) e do Conselho Internacional das Associações de Indústria Química (ICCA). da qual se produzem substâncias como o eteno. e o gás natural em produtos petroquímicos básicos. artigos eletro-eletrônicos. (NAKANO. o polipropileno.

Com a criação da Riopol em 2005. Geração É o último elo da cadeia produtiva. p. 40) De acordo com Cremasco (2005) a partir da destilação do petróleo é possível obter a nafta e o GLP. produtos intermediários ou de segunda geração (ex: etilenoglicol). entre outras. produtos finais ou de terceira geração (ex: resinas PET). materiais para construção civil. cujo detalhamento quanto a constituição societária e volumes de produção são apresentados na forma de diagramas extraídos do Anuário da Indústria Química Brasileira elaborado pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b) e disponibilizados para consulta nos Anexos 2 e 3 deste estudo: . brinquedos e utilidades domésticas. produtos que formam a base do setor petroquímico.153 3ª. embalagens. a partir da nafta: Figura 12 – Processo Básico de Obtenção de Garrafas PET a partir da Nafta Fonte: Cremasco (2005. como fibras têxteis. A partir destes produtos são obtidos compostos orgânicos classificados como produtos de base ou de primeira geração (ex: etileno). o Brasil passou a contar com quatro pólos petroquímicos. A denominação “terceira geração” é empregada basicamente para o conjunto das empresas que transformam as resinas termoplásticas em produtos finais. Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) Utilizando-se da mesma classificação adotada pela ABIQUIM. autopeças. para finalmente chegar na transformação (garrafas PET). Cremasco (2005) apresenta um processo básico para obtenção de garrafas PET.

no caso brasileiro) e para efeitos aduaneiros (definição da Tarifa Externa Comum (TEC). Porém o próprio autor reconhece que “infelizmente as definições adotadas pelos estudiosos do setor ou pelas associações nacionais ou regionais da indústria química não são homogêneas”.000 520. Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE).000 3. é adotada pelas Nações Unidas.135. para o conjunto da indústria química existem duas famílias de classificações: uma baseada em atividades e outra baseada em produtos. Criada em 1997. é adotada pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos e agências estatísticas dos países do NAFTA (Estados Unidos.280. Nomenclature Générale des Activités Économiques dans les Commnautés Européennes (NACE). no caso do Mercosul) • • Denominação Por Produto Central Product Classification (CPC). • • Por Atividade Permitir a coleta.000 1.154 Quadro 17 – Capacidade de Produção dos Pólos Petroquímicos Brasileiros Empresa Braskem Copesul PQU Riopol Total Localização Camaçari – BA Triunfo – RS Santo André – SP Duque de Caxias – RJ Capacidade Instalada – Produção de Eteno (em t/ano) 1. Segundo o autor. Canadá e México).000 500. é adotada pela Comunidade Européia. Criada em 1991. Criada em 1990. Criada em 1990. disseminação e análise de estatísticas econômicas • • Fonte: Adaptado de Wongtschowski (2002) . Criada em 1996. 37) considera que “o estudo da indústria química deve ser precedido de uma concreta definição de quais produtos ou atividades nela estão incluídos”. é adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM).435. é adotada pelo Brasil e demais países que integram o Mercosul. Criada em 1995. é adotada pelas Nações Unidas. Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). International Standard Industrial Classification of All Economic Activities (ISIC). North American Industry Classification System (NAICS). p. que substituiu a Standard Industrial Classification (SIC). No quadro 18 são apresentadas estas classificações: Quadro 18 – Classificações Adotadas pela Indústria Química Mundial Tipo de Classificação Objetivo Utilizadas principalmente para efeitos tributários (definições de alíquotas do IPI.000 Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) Wongtschowski (2002.

projetados para finalidades específicas do cliente e frequentemente vendidos para um grande número de clientes que compram pequenas quantidades. segundo European Inventory of Existing Commercial Substances (2007).155 Alguns fatores como a quantidade de produtos químicos. Diferenciam-se das commodities por não serem vendidas através de especificações de sua composição química. o grande número de atores que atuam em nível mundial. São exemplos: ácido acetilsalicílico. produtos de química fina e especialidades químicas. do tipo U. de acordo com padrões geralmente aceitos. Normalmente as commodities têm suas vendas concentradas em um número relativamente pequeno de clientes. ácido sulfúrico. pela qual são definidos quatro grupos de produtos químicos: commodities. aromatizantes e fármacos. que têm em comum com as commodities o fato de serem produzidos em larga escala. com especificações padronizadas. iv) Especialidades químicas: são produtos diferenciados. De acordo com Wongtschowski (2002.000 produtos químicos. para uma ou mais finalidades. eteno.195 substâncias. Entretanto. enzimas e aditivos em geral.S. que eram produzidos no mundo aproximadamente 70. a partir de matérias-primas em geral cativas. já atinge 100. as características principais de cada grupo são: i) Commodities: são compostos químicos produzidos em larga escala. frequentemente a partir de matérias-primas cativas. ii) iii) Produtos de química fina: assemelham-se às commodities por serem nãodiferenciados e geralmente não patenteados. quase sempre compradas por poucos clientes que são grandes consumidores. para um ou mais usos finais. Exemplos: catalisadores. . corantes. a dinâmica da pesquisa para o desenvolvimento de novos produtos. no ano de publicação de seu livro. 46). fibras artificiais e elastômeros. Wongtschowski (2002) afirmou. Wongtschowski (2002) cita a classificação por produto proposta por Charles H. metanol e gases industriais. são produzidos em pequena escala. p. Pharmacopeia ou Food Chemical Codex dos Estados Unidos ou seus equivalentes em outros países. São exemplos de commodities: amônia. São geralmente vendidos para um pequeno número de clientes. mas sim por especificações de desempenho. Alguns exemplos de pseudocommodities: resinas termoplásticas. em volumes pequenos. Pseudocommodities: são produtos diferenciados. pseudocommodities. os interesses econômicos e os diferentes padrões de classificação adotados pelas instituições para acompanhar o setor químico contribuem para dificultar o acompanhamento estatístico do setor. para uma gama variada de usos. Kline em 1976. número que. fabricados em pequenas quantidades geralmente com matérias-primas compradas de terceiros. sacarina.

As resinas plásticas são diferenciadas por diversas características tais como: resistência mecânica e química. ao estabelecer uma relação entre a classificação de produtos apresentada por Wongtschowski (2002) e a classificação das indústrias químicas elaborada pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a). cativos. e não do confronto direto entre elas: apesar de serem três as empresas de primeira geração. na prática. enquanto outra parte do desenvolvimento é obtido de fontes externas. brilho e transparência. através principalmente do desenvolvimento de melhores catalisadores e do controle de processo. enquanto uma terceira parte dessas características são introduzidas ou melhoradas pelo uso de aditivos durante a transformação das resinas puras em compostos finais. etc. e nas empresas de terceira geração. resistência à luz e temperatura. pseudocommodities. que divide seu tempo entre a operação e o desenvolvimento. e lançam mão com certa freqüência de acordos com universidades e centros de pesquisa para o desenvolvimento de novas soluções. polietileno. também considera que a classificação da indústria química já foi motivo de muitas divergências. Parte do esforço tecnológico é interno. Parte dessas características são intrínsecas ao composto químico. A inovação nessas empresas está localizada hoje principalmente em esforços de melhoria de processos: grau de pureza dos produtos. No que tange o desenvolvimento de novos produtos. desenvolvimento de catalisadores e desenvolvimento de aditivos. PET. e as especialidades: resinas especiais e os plásticos de engenharia. instalações e pessoal especializado para a busca das soluções. A inovação nessas empresas está centrada em três aspectos: desenvolvimento do processo. facilidade de transformação. etc). Parte das características ainda podem ser melhoradas (ou pioradas) no processo de transformação dentro das empresas de terceira geração. coordenando esforços com os fornecedores de equipamentos e fornecendo insumos.156 Nakano (2007) apresenta uma importante contribuição para a melhor compreensão sobre a forma de atuação da indústria química. elas não competem entre si de fato. eficiência energética e redução de efluentes. . desenvolvimento de catalisadores e controle de processos. Para essas atividades elas empregam corpo técnico reduzido. Os produtos das empresas de segunda geração podem ser divididos em três categorias: commodities (por exemplo o óxido de eteno). A busca por eficiência por parte dessas empresas vem da preocupação com a competitividade da cadeia à jusante. polipropileno. apresentada anteriormente: As empresas de primeira geração são produtoras de commodities. tanto para aumento de produtividade como para melhoria no grau de pureza do produto. seus clientes. as resinas plásticas (PVC. seus clientes são. Outra parte é obtida ou aprimorada pelo processo de polimerização. A Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b). as empresas de segunda geração mantém seu olhar em dois pontos: no mercado final que consome os produtos plásticos. Nessas empresas o esforço tecnológico atual é fortemente voltado para o aumento de eficiência de processo. que têm demandas específicas. pois pela distância entre os pólos petroquímicos. As empresas de segunda geração funcionam como líderes ou coordenadores do processo de desenvolvimento: levando as necessidades levantadas junto às empresas de terceira geração para os fornecedores de aditivos.

No Brasil. definiu. incluindo-a na revisão nº. em algumas ocasiões. segundo a publicação.93-2).51-7). eram confundidas com a indústria química propriamente dita. fertilizantes. preparações anti-sépticas. A química fina e suas especialidades. pode ser reconstituída. explosivos e outros produtos químicos. Desta forma.21-1) e (21. o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esta divisão compreende também a fabricação de produtos petroquímicos básicos e intermediários. por aproximação. a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma nova classificação internacional para a indústria química. (21. resinas e fibras. como os de resinas termoplásticas e de borracha sintética. Esta .157 fato que dificultava a comparação e a análise dos dados estatísticos referentes ao setor. (20. com especificidades tecnológicas próprias. no ano de 2006. (20. (20. (21. com o apoio da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM). a exemplo do refino do petróleo. 21 – Fabricação de Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos: esta divisão compreende a fabricação de produtos farmoquímicos. o IBGE redefiniu toda a estrutura da CNAE.94-1).0: 20 – Fabricação de Produtos Químicos: esta divisão compreende a transformação de matérias-primas orgânicas ou inorgânicas por processos químicos e a formulação de produtos e a produção de gases industriais. 3 da International Standard Industry Classification (ISIC) e mais recentemente. estabelecendo que os segmentos que compõem as atividades da indústria química fossem contemplados. tais como: curativos impregnados com qualquer substância. de acordo com as definições estabelecidas pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) na versão 2.29-1). promovendo o enquadramento de todos os produtos químicos nessa classificação. com o objetivo de eliminar divergências. uma nova Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). nas divisões “20 – Fabricação de Produtos Químicos” e “21 – Fabricação de Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos”. Segundo a entidade. indústrias independentes. não eram incluídos nas análises setoriais. produtos de limpeza e perfumaria. tintas. etc.22-0). a fabricação de medicamentos e de outros produtos farmacêuticos. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b). defensivos agrícolas e desinfetantes domissanitários. na revisão nº. enquanto que outros segmentos tipicamente químicos. com base nos critérios aprovados pela ONU. através da agregação das seguintes classes de atividades: (20.10-6). 4. mesmo não compondo um segmento específico da CNAE. a partir de janeiro de 2007.

73-8 20.14-2 20. produtos de perfumaria e de higiene pessoal Fabricação de sabões e detergentes sintéticos Fabricação de produtos de limpeza e polimento Fabricação de cosméticos. cosméticos. esmaltes.61-4 20.62-2 20.0 do CNAE.52-5 20.) . produtos de limpeza. solventes e produtos afins Fabricação de produtos e preparados químicos diversos Fabricação de adesivos e selantes Fabricação de explosivos Fabricação de aditivos de uso industrial Fabricação de catalisadores Continua (.31-2 20.13-4 20.63-1 20.7 20. vernizes.71-1 20.40-1 20. resinas e fibras Fabricação de produtos químicos orgânicos não especificados anteriormente Fabricação de resinas e elastômeros Fabricação de resinas termoplásticas Fabricação de resinas termofixas Fabricação de elastômeros Fabricação de fibras artificiais e sintéticas Fabricação de fibras artificiais e sintéticas Fabricação de defensivos agrícolas e desinfetantes domissanitários Fabricação de defensivos agrícolas Fabricação de desinfetantes domissanitários Fabricação de sabões.21-5 20.33-9 20.32-1 20. lacas e produtos afins Fabricação de tintas..158 divisão não compreende a fabricação de alimentos dietéticos.92-4 20.72-0 20.29-1 20.22-3 20. visando estabelecer um detalhamento mais adequado da organização da indústria química brasileira: Quadro 19 – Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) Divisão 20 20..9 20.12-6 20.94-1 Grupo Classe Denominação FABRICAÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS Fabricação de produtos químicos inorgânicos Fabricação de cloro e álcalis Fabricação de intermediários para fertilizantes Fabricação de adubos e fertilizantes Fabricação de gases industriais Fabricação de produtos químicos inorgânicos não especificados anteriormente Fabricação de produtos químicos orgânicos Fabricação de produtos petroquímicos básicos Fabricação de intermediários para plastificantes. Na nova versão 2.4 20. detergentes.3 20.91-6 20. as divisões 20 e 21 são ainda subdivididas em grupo e classe. complementos alimentares e semelhantes (divisão 10). vernizes.93-2 20.2 20.19-3 20. alimentos enriquecidos.1 20.5 20. produtos de perfumaria e de higiene pessoal Fabricação de tintas. esmaltes e lacas Fabricação de tintas de impressão Fabricação de impermeabilizantes.11-8 20.51-7 20.6 20.

optou-se pela adoção da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) – versão 2. em termos de atendimento de novas exigências do mercado e da sociedade. Solutia. Companhias como a Ciba-Geigy. onde suas capacidades. Vantico e Wintech. Cognis.4. estas empresas deram lugar a novas empresas: Novartis (fusão das áreas farmacêuticas da Ciba-Geisy e da Sandoz) e Aventis (fusão das áreas farmacêuticas da Hoechst e da Rhône-Poulenc). necessitam ser frequentemente revisadas e atualizadas. Ineos. Por meio de processos de fusão. os últimos anos têm testemunhado profundas alterações na indústria química mundial.21-1 21. se encontra inserida em um dos contextos mais dinâmicos do período reconhecido como sociedade industrial. Dynea.10-6 21. a segunda metade da década de 1990 viu surgirem empresas como Acordis.23-8 Fabricação de produtos químicos não especificados FABRICAÇÃO DE PRODUTOS FARMOQUÍMICOS E FARMACÊUTICOS Fabricação de produtos farmoquímicos Fabricação de produtos farmoquímicos Fabricação de produtos farmacêuticos Fabricação de medicamentos para uso humano Fabricação de medicamentos para uso veterinário Fabricação de preparações farmacêuticas Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007a) Com vistas a adotar uma classificação que possibilitasse uma aproximação dos dados obtidos neste estudo com outras pesquisas futuras desenvolvidas na área. Sandia.0. Noveon. Hoechst. Sensient. em empresas farmacêuticas. Imerys.99-1 20 21.22-0 21. Avecia. Segundo Wongtschowski (2002). assim como outros tipos de indústrias. Basell. enquanto que nomes tradicionais . Clariant. Solvin. Noviant.2 21. Solvias. como referência para a identificação das indústrias químicas envolvidas na presente pesquisa.1 21.159 20. A Indústria Química na Contemporaneidade A indústria química. Astaris. Rhône-Pounlec e Sandoz se transformaram primeiro em empresas especialistas em “ciências da vida” e em menos de três anos depois. 2.3. De acordo com o autor. Syngenta.

Hoechst. como conseqüência. Neste. Hüls. BP Solvay (BP. Para Nakano (2007) as grandes empresas internacionais são líderes em seus mercados em função de apresentarem um perfil integrado e de possuírem em geral base sólida na produção de petroquímicos básicos. três já haviam passado por processos de fusão. cuja margem é mais atrativa. Union Carbide. das sete empresas estudadas em detalhe por Hirutaka no início dos anos 2000 (Dow. Para o autor a estratégia comercial dessas empresas se caracteriza. Segundo Nakano (2007). Arco e Solvay). Millenium e Occidental) e Exxon Mobil. Amoco. a especialização e a descentralização geográfica. Segundo Nakano (2007). a concentração. a indústria química padronizou seus produtos em função das características da demanda de grande parte de seus clientes. Wongtschowski (2002) atribui estas transformações a globalização. da revolução nas comunicações e da abertura generalizada dos mercados. Allied Signal. Para o autor o setor passou por um processo de concentração na década de 1990. fator que contribuiu para a redução do número de empresas no contexto internacional. e pelo outro lado. Equistar (Lyondell.160 como Albright-Wilson. por um lado. fazendo . Nova e Solvay). Exxon-Mobil. pelo avanço em direção aos produtos mais diferenciados. Dow (Dow e Union Carbide). Arco Chemical. Para Wongtschowski (2002). pelo domínio do mercado de produtos menos diferenciados (commodities) por meio de uma política agressiva de preços. fruto de sua alta capacidade de produção e do aproveitamento das economias de escala. Upjohn e outros desapareceram. Shell e Montedison). Borealis (Borealis e PCD). Basf. as quais são definidas pelo autor abaixo: a) Globalização: trata-se de um reflexo da mobilidade de capital. Chevron/Phillips. Hirutaka citado por Nakano (2007). DSM. BP Almoco. apresenta algumas das principais fusões e aquisições ocorridas no setor: Basell (formada por ativos da Basf. que têm nos produtos químicos a sua principal atividade de produção ou uma expressiva porção de seu faturamento. o setor químico é dominado por grandes grupos de presença internacional.

Na produção de resinas plásticas há novas empresas. com produto idêntico e em iguais condições comerciais. b) Concentração: processo de criação de empresas de grande porte que se beneficiam do poder de escala de produção. com objetivos específicos. a ICI. d) Descentralização Geográfica: Wongtschowski (2002) considera este como sendo um fenômeno relativamente novo na indústria. Hüls. clientes globalizados desejam que seus fornecedores atendam a demandas em qualquer lugar do mundo. O autor cita como exemplos a 36 De acordo com Wongtschowski (2002).161 com que não haja relação geográfica direta entre cliente e fornecedor. Glaxo e Burroughs-Wellcome). executada pela formação de uma nova entidade jurídica. com a formação da BP Amoco (depois BP). da Bayer e da Basf. joint venture corresponde a associação de duas ou mais empresas. O autor cita que o fenômeno da concentração também ocorreu na indústria de petróleo. da TotalFinaElf e da ChevronTexaco. Beecham. a Ticona em plásticos de engenharia. a nona maior empresa química mundial em 2000. c) Especialização: Wongtschowski (2002) menciona que a especialização ocorre em muitos setores. e na indústria de produtos químicos industriais. a Equistar em eteno e polietilieno. Wongtschowski (2002) cita o processo de concentração que ocorreu na indústria farmacêutica com a criação da GlaxoSmithKline em 2000 (produto final da fusão entre a SmithKline. Segundo o autor. empresas de produtos de limpeza e higiene pessoal como a Unilever e a Henkel venderam as suas atividades químicas e a DyStar passou a concentrar o negócio de corantes da Hoechst. De acordo com Wongtschowski (2002). SKWTrostberg e Th. Para o autor. Upjohn e da área farmacêutica da Monsanto em 2000). entre outras. spin-off corresponde a separação de parte de uma empresa em uma nova entidade jurídica. Goldschmidt pela Degussa em 2000. reduziu de dez para quatro as suas áreas de atuação. da ExxonMobil. com a absorção da Union Carbide pela Dow em 1999 e da Degussa. da Novartis e da Pharmacia (produto final da fusão da Pharmacia. transformando-se em uma empresa de especialidades químicas. guardando ou não vínculos acionários com a empresa da qual se separou. 37 . spin-offs36 ou jointventures37 de grandes empresas que reduziram seu foco: a Basell em poliolefinas.

4 41.8 27.22% 65.81% 65.657.6 37.3 40.4 53.6 33.16%).0 462.4 44.9 60. o qual quase dobrou em apenas 6 anos.2 88.8 24.1 35.2 154.8 40.3 33.21% 78.2 28.4 104.5 23.578.6 bilhões (diferença de 87.2 99.0 540.8 75.3 30.3 119.1 227.8 99.6 28.1 2004 2.847.1 52.3 176.8 30.5 33.4 81.0 2001 1.2 37.9 48.3 50.05% 121.9 56.312.0 637.3 33.3 81.8 2003 2. o Brasil ampliou o faturamento de sua indústria química no período de 2000 a 2006.9 201.5 121.43% 76.7 33.2 66.0 76.4 107.16% 116.4 45.40% Fonte: Adaptado da Associação Brasileira da Indústria Química (2007b.7 125.9 43.4 58.1 24.4 124.80% 71.4 36.1 54.7 449.6 41.1 38.64% 39.162 produção de derivados de gás natural que migrou para os países em que esse insumo é excedente e portanto de baixo custo: Canadá.5 43.9 49. Chile.3 25.5 51.6 66.4 79.8 110.8 44.22% 85. Quadro 20 – Faturamento da Indústria Química Mundial (em US$ bilhões) Países/Anos Total Mundial Estimado Estados Unidos China Japão Alemanha França Coréia Reino Unido Itália Brasil Índia Espanha Suíça Holanda Rússia Bélgica Irlanda Taiwan Canadá 2000 1.1 2005 2.6 220.0 53.6 438.6 76.1 30.13% 128.9 189.8 30.4 99.8 64. condição que o colocou em 9º.6 44.5 245.1 35.6 78.4 72.0 93. 6 bilhões para US$ 81.3 55.1 59.6 93.4 30. Kuwait e Venezuela abrigarão crescentemente unidades de produção de derivados de eteno. lugar no ranking da indústria química mundial em 2006.6 26.6 203.6 Diferença Percentual entre 2000 e 2006 41.6 29.2 29.3 33.7 100.9 73.3 191.4 70.7 604.5 46.94% 87.1 222.6 181.6 125.1 29.0 2006 2.5 40. A exemplo dos demais países.2 80.2 190.2 120.7 152. A dinâmica de atuação e expansão da indústria química mundial pode ser melhor compreendida por meio da análise dos volumes crescentes de faturamento apresentados pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b).7 92.35% 1% 63.8 2002 1. 17) . p.8 55.8 41.4 59.737.0 49.5 39.4 22.6 44.4 46.14% 93.0 89. enquanto que a Malásia e as Filipinas atraem usuários de óleos láuricos.87% 211.708.3 310.22% 84.6 35.9 71. Indonésia.0 26. O volume crescente observado para os 18 (dezoito) países analisados pela entidade apresenta uma nova evidência inegável do sucesso econômico obtido pela sociedade industrial.3 45.004. passando de US$ 43.2 49. Arábia Saudita.0 27.5 38.7 487.8 32.5 36.2 52.8 223.78% 26. Nova Zelândia e Trinidad e Tobago abrigam grandes produtores de metanol.0 25.

d. n. concentrando a produção dos diferenciados em suas unidades centrais.d. n. n. Para Nakano (2007) os grandes grupos internacionais têm optado por fabricar produtos menos diferenciados em unidades localizadas em países periféricos.163 Com exceção do Japão. 84 n.d. 69 63 n.d. n. De acordo com Hirutaka citado por Nakano (2007) o setor se caracteriza pela tendência crescente do estabelecimento de uma divisão internacional de trabalho e de produção entre países.d.35%).1 bilhões em 2006 (diferença de 211. n. 36 n. n.d.d. n.d.d.d. n. onde se localizam também os seus laboratórios de pesquisa e desenvolvimento. n. Seguindo mais uma vez a lógica predominante da ação racional instrumental orientada para a otimização das estruturas visando à obtenção dos melhores resultados. que praticamente estabilizou o seu volume de faturamento no período analisado.d.d. 325 231 198 198 n. Cabe destacar o expressivo aumento de faturamento da China. p. todos os demais países obtiveram um considerável acréscimo.d. n. n. que passou de US$ 99.d. 2006 n.d. n.d. apesar do expressivo aumento dos volumes de faturamento.6 bilhões em 2000 para US$ 310. n. Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b.d. o número de empregos na indústria química mundial se manteve estável ou até mesmo foi reduzido.d. como é possível perceber nos dados de alguns países fornecidos pela ABIQUIM: Quadro 21 – Número de Empregados na Indústria Química em Milhares (2000 a 2006) Países/Anos EUA Alemanha Japão Brasil França Reino Unido Itália Espanha Canadá Holanda Bélgica Suíça México Suécia Irlanda 2000 980 470 366 311 235 235 206 134 83 76 70 60 69 38 23 2001 959 467 364 310 240 230 207 137 88 75 73 62 66 38 24 2002 928 462 354 310 241 229 208 133 88 75 71 62 72 39 25 2003 906 464 345 315 241 222 204 137 88 73 72 62 63 38 25 2004 887 445 341 320 235 207 198 133 85 73 70 62 61 36 23 2005 879 441 n. n.d. 17) .d.

o índice registrado aponta para um decréscimo de 2. o número de empregos na indústria química européia apresentou um decréscimo de 2.1% nos 10 últimos anos.7%. Segundo a entidade.164 Dados apresentados pelo European Chemical Industry Council (2007). sobre o emprego na indústria química européia e norte-americana reforçam os dados apresentados pela ABIQUIM. enquanto que nos Estados Unidos. conforme indicado na figura 13: Figura 13 – Empregos na Indústria Química Européia e Norte-Americana Fonte: European Chemical Industry Council (2007) .

os quais retratam o crescimento da produção química do continente asiático.165 O fenômeno da descentralização geográfica mencionado por Wongtschowski (2002) pode ser percebido pelos dados apresentados pelo European Chemical Industry Council (2007) na figura 14. que passou a ocupar em 2006 o primeiro lugar em vendas em nível mundial. fato justificado pelo aumento da participação em vendas da China e da Índia: Figura 14 – Volume de Vendas Mundial (2006) Fonte: European Chemical Industry Council (2007) .

a ampliação da utilização de recursos naturais: Figura 15 – Crescimento Internacional da Produção da Indústria Química (1996 a 2006) Fonte: European Chemical Industry Council (2007) Dados do European Chemical Industry Council (2007) indicam que as vendas de produtos químicos cresceu 5. são representadas as trajetórias de crescimento da produção química mundial. dado que revela a expansão de mercado e. consequentemente.166 Na figura 15. Estados Unidos.5% nos últimos 10 anos. enquanto que países como a . Europa e Japão apresentaram desempenho inferior ao percentual mundial.

percebe-se mais uma vez o crescimento da indústria química mundial. Índia e Brasil apresentaram desempenho superior.167 China. Neste mesmo gráfico. que passou de € 962 bilhões em 1996 para € 1641 bilhões em 2006. Turquia. conforme demonstrado na figura 16: Figura 16 – Taxa de Crescimento de Vendas em Países e Regiões Selecionadas Fonte: European Chemical Industry Council (2007) Na comparação entre os anos de 1996 e 2006 elaborada pelo European Chemical Industry Council (2007) e apresentados na figura 17. fortalecendo a tendência mundial da descentralização da produção: . pode ser constatado o aumento da participação do continente asiático nas vendas mundiais (excluindo Japão).

conforme demonstrado na figura 18: . De acordo com a entidade. elaborado pelo European Chemical Industry Council (2007). somente estas companhias foram responsáveis por € 526 bilhões de um total de € 1641 bilhões das vendas ocorridas no ano de 2006.168 Figura 17 – Participação nas Vendas Mundiais (1996 e 2006) Fonte: European Chemical Industry Council (2007) O fenômeno da concentração citado por Wongtschowski (2002) pode ser constatado por meio da relação das 30 (trinta) maiores companhias químicas do mundo.

169 Figura 18 – Relação das 30 (Trinta) Maiores Companhias Químicas (2006) Fonte: European Chemical Industry Council (2007) Nakano (2007) considera que devido ao processo de formação da indústria petroquímica nacional. determinados segmentos da indústria química são representados e acompanhados estatisticamente por associações congêneres. as centrais e as empresas de segunda geração são em sua maioria isoladas. O autor faz apenas uma ressalva para o caso da Braskem. contrárias à tendência mundial de integração que possibilita vantagens de economia de escala na produção e diluição das despesas em pesquisa em desenvolvimento. PP. PVC e PET. ou seja. apesar da entidade como associação representar a totalidade da indústria química brasileira. . que integrou a antiga Copene a empresas produtoras de resinas. No Brasil as principais estatísticas sobre o setor são geradas e disponibilizadas pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) no site da entidade e por meio de suas publicações anuais. ela ainda é caracterizada pelo seu baixo nível de integração. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b). PE.

a própria Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b) menciona que a entidade não acompanha estatisticamente todos os segmentos e produtos químicos. Para um acompanhamento estatístico mais detalhado do setor. associadas ou não à entidade e que figuram no cadastro de associados da ABIQUIM e no Guia da Indústria Química Brasileira produzido pela entidade. intermediários para resinas e fibras e outros).170 como FEBRAFARMA (produtos farmacêuticos). a classificação do IBGE. concentrando-se com algumas exceções. produtos químicos para fotografia e outros). gases industriais e outros). e ABRAFATI (tintas e vernizes). perfumaria e cosméticos). as estatísticas produzidas pela entidade acompanham cerca de aproximadamente 3. essa amostra segue. ANDA (fertilizantes). no segmento de produtos químicos de uso industrial utilizados no âmbito de outros setores industriais e da própria indústria química. resinas e elastômeros (resinas termoplásticas.000 (três mil) produtos fabricados aproximadamente 800 (oitocentas) empresas. catalisadores. aditivos de uso industrial. desde 1998. intermediários para fertilizantes. produtos orgânicos (produtos petroquímicos básicos. o que resultou no seguinte âmbito setorial: a) Produtos químicos de uso industrial: produtos inorgânicos (cloro e álcalis. Confirmando a dificuldade de se estabelecer fronteiras e controles estatísticos para o acompanhamento dos segmentos e produtos químicos existentes. Objetivando maior precisão nos levantamentos setoriais. . produtos e preparados químicos diversos (adesivos e selantes. o SINDAG (defensivos agrícolas) e a ABIHPEC (produtos de higiene pessoal. a ABIQUIM toma como base um painel formado por cerca de 200 (duzentos) produtos químicos de uso industrial. resinas termofixas e elastômeros). entre outras. Ainda segundo a entidade. De acordo com a entidade. a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) subdividiu alguns itens.

a abertura dos grupos de produtos grafados em itálico na tabela não aparece na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) Em função da ABIQUIM já realizar um levantamento desses grupos em separado. 38 . p. 19): Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b). entre outros.Fabricação de cloro e álcalis . perfumaria e cosméticos.Fabricação de resinas termoplásticas .Outros produtos químicos orgânicos . foco principal das estatísticas elaboradas pela entidade: Quadro 22 – Classificação ABIQUIM para Análises Estatísticas38 Classificação FABRICAÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS INORGÂNICOS Detalhamento da Classificação .Intermediários para plásticos .Fabricação de produtos químicos inorgânicos não especificados anteriormente . resinas e fibras .Fabricação de adesivos e selantes .Fabricação de intermediários para fertilizantes . sabões.Intermediários para fibras sintéticas . defensivos agrícolas. O quadro abaixo apresenta em detalhes.Fabricação de aditivos de uso industrial FABRICAÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS ORGÂNICOS FABRICAÇÃO DE RESINAS E ELASTÔMEROS FABRICAÇÃO DE PRODUTOS E PREPARADOS QUÍMICOS DIVERSOS Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b.Fabricação de produtos químicos orgânicos não especificados anteriormente .Intermediários para detergentes .Intermediários para resinas termofixas . detergentes e produtos de limpeza. adubos e fertilizantes.Intermediários para plastificantes .Fabricação de produtos petroquímicos básicos .171 b) Produtos químicos de uso final: produtos farmacêuticos. a entidade optou por manter essas subdivisões.Fabricação de resinas termofixas .Intermediários para plastificantes . esmaltes e vernizes.Solventes industriais .Plastificantes . p. a classificação de produtos químicos para uso industrial. tintas. 15) De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b.Fabricação de intermediários para plastificantes. higiene pessoal.Fabricação de elastômeros .Corantes e pigmentos orgânicos .

O gráfico abaixo apresenta a composição do faturamento líquido da indústria química brasileira por segmentos no ano de 2006. No cenário internacional.9 bilhões Sabões e Detergentes US$ 4. equivalentes a US$ 10. Houve aumento de 14.6 bilhões Higiene Pessoal.6%) seguido pela fabricação de produtos farmacêuticos.9 bilhões Produtos Farmacêuticos US$ 10. Perfumaria e Cosméticos US$ 6. consequentemente.6 bilhões. Esmaltes e Vernizes US$ 2.6 bilhões Adubos e Fertilizantes US$ 5. tem se mantido em patamares elevados. equivalentes a US$ 45. p.1% do total.7 bilhões.8% mais que no ano anterior. o faturamento líquido chegou ao recorde de US$ 81. considerando todos os segmentos que a compõem. resultando em receita de US$ 8.9% acima do valor do ano anterior. o que vem se refletindo em pressões sobre os preços. no mesmo ritmo.8 bilhões. O déficit na balança comercial brasileira de produtos químicos em 2006 ficou em US$ 8.2% no volume de exportações.38 bilhões.46 bilhões. com vendas totais de R$ 98. Medido em dólares. 20.9 bilhões Total: US$ 81. sem a contrapartida. De acordo com os dados fornecidos pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b) é possível perceber a predominância da fabricação de produtos químicos de uso industrial. Outros US$ 2.95 bilhões em 2005. destaca-se a forte elevação da cotação do barril de petróleo em 2006 e.3% superior ao de 2005. a indústria química teve um desempenho razoável. da elevação da oferta.4 bilhões. ano em que o PIB registrou alta de apenas 3. valor 2. contra US$ 7.4 bilhões Gráfico 1 – Faturamento Líquido da Indústria Química Brasileira por Segmentos (2006) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b. A demanda internacional por produtos químicos. Na seqüência os demais segmentos somados responderam por US$ 25. com expressivo reflexo no preço internacional de diversos produtos químicos. 13.4 bilhões (55.92 bilhões.6 bilhões Produtos Químicos de Uso Industrial US$ 45. o equivalente a 31. 20) .7 bilhões. impulsionada pelo crescimento da economia mundial.3% mais que no ano anterior.1 bilhões Defensivos Agrícolas US$ 3. alcançou R$ 177.9 bilhões (13. 13. da nafta petroquímica e do gás natural.3%). com faturamento de R$ 23. Apesar do baixo crescimento da economia brasileira em 2006.7%.172 Em 2006 o faturamento líquido da indústria química brasileira.3 bilhões Tintas. As importações também cresceram e atingiram o recorde de US$ 17.

4 45.9 3.8 3.4 bilhões Resinas Termoplásticas US$ 7.6 2. Perfumaria e Cosméticos Adubos e Fertilizantes Sabões e Detergentes Defensivos Agrícolas Tintas.6 3.5 1.0 bilhões Total: US$ 45.3 45.4 71. são apresentados os faturamentos líquidos obtidos por cada um dos grupos: Quadro 23 – Faturamento Indústria Química Brasileira em US$ Bilhões (2000 a 2006) Segmentos Produtos Químicos de Uso Industrial Produtos Farmacêuticos Higiene Pessoal. por segmentos da indústria química.2 bilhões Outros Inorgânicos US$ 2. realizou um faturamento de US$ 45.3 1.6 6.1 2.2 4. Esmaltes e Vernizes Outros Total 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 22.5 59. que em 2006.1 3.6 2. Na série histórica.9 3.5 1.9 3 3.7 5.6 1.1 1.4 bilhões.1 33 39.1 1. de 1990 a 2006.173 Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b).4 4. correspondendo a 55.2 10.0 bilhões Resinas Termof ixas US$ 1.8 2 2. destacaram-se os grupos de higiene pessoal.5 1.5 5.4 24.2 3.6 19. no Brasil.1 bilhões Cloro e Álcalis US$ 1.3 5.9 5.4 bilhões Gases Industriais US$ 2.0 bilhão Outros Produtos Químicos Orgânicos US$ 7. que apresentaram taxas de crescimento anual médio acima de 8.4 1.8 9.6 81.2 3.3 bilhões Elastômeros US$ 1.7 5.9 bilhões Intermediários para Resinas e Fibras US$ 4.5 bilhões Intermediários para Fertilizantes US$ 2.9 2. perfumaria e cosméticos.8 19.2 5. produtos farmacêuticos e defensivos agrícolas. no período de 1990 a 2006. p.4 bilhões Gráfico 2 – Faturamento Líquido da Indústria de Produtos Químicos Industriais (2006) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) .3 43.8 37.9 1.3 1.6 Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b.4 6. 19) No gráfico 2 é apresentado um detalhamento do faturamento líquido da indústria de fabricação de produtos químicos industriais.4 3 2.1 2.0%.7 bilhões Petroquímicos Básicos US$ 7.3 4.5 6.5 2.9 4.1 2. conforme mencionado anteriormente.6 5.4 1.6 38.5 1.6% do total de faturamento da indústria química brasileira: Produtos e Preparados Químicos Diversos US$ 8.3 2.

3 3. a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b) menciona que a participação da indústria química no PIB total em 2006 foi de 3.6 3.0 3. inclusive serviços e agricultura. maior que a participação de 2% registrada nos Estados Unidos (maior indústria química do mundo). 19) considera que “a indústria química participa ativamente de quase todas as cadeias e complexos industriais. 19) .Participação da Indústria Química no PIB Total Brasileiro (2000 – 2006) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (2007b.0 2. O gráfico abaixo demonstra a evolução histórica da participação da indústria química no PIB total brasileiro: 3.1%. A Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b.1 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Gráfico 3 . servindo de fornecedora de insumos e matérias-primas para a quase totalidade dos demais tipos de indústrias que operam na sociedade industrial. p.174 O sucesso da indústria química se deve principalmente ao seu nível de inserção no segmento industrial. p.7 3.2 3. desempenhando papel de destaque no desenvolvimento das diversas atividades econômicas do País”. Com base em dados recentemente revisados pelos IBGE.

3% 13.8% 8. a qual passaria dos US$ 81.8% 3.8% 1.3% 2. Refino.3 bilhões. Papel e Produtos de Papel Minerais Não Metálicos Edição.1% 3. ocorrido em dezembro de 2007.2% 3.3% do total. a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) apresentou uma nova estimativa apontando para um novo crescimento do faturamento da indústria química brasileira em 2007. Petróleo e Combustíveis Produtos Químicos Metalurgia Básica Veículos Automotores.2% 1.175 De acordo com os dados recentemente apresentados pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) no Encontro Nacional de Indústrias Químicas (ENAIQ).3% 2. conforme indicado no gráfico 4: Alimentos e Bebidas Coque. o setor químico ocupou em 2005 a terceira posição no PIB da indústria de transformação.6 bilhões registrados em 2006 para US$ 101.7% 5.8% 1.6% 3. respondendo por 11. Exclusive Máquinas e Equipamentos Artigos de Borracha e Plástico Celulose.7% 8.6% Gráfico 4 – Participação da Indústria Química no PIB Industrial (2005) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) No mesmo encontro. Reboques e Carrocerias Máquinas e Equipamentos Metal.5% 11. .2% 5.0% 17.1% 2. Impressão e Reprodução de Gravações Máquinas. Aparelhos e Materiais Elétricos Material Eletrônico Fabricação de Produtos Têxteis Indústria do Couro Outros Equipamentos de Transporte Móveis e Indústrias Diversas Outros 4.

0 40.9 bilhões Higiene Pessoal.0 0.3 154. pode-se imaginar que o aumento da produção significa a ampliação da utilização dos recursos naturais e consequentemente o aumento da geração de resíduos oriundos do aumento de produção.2 80.2 136. podem prejudicar o meio ambiente.6 bilhões Tintas.2 bilhões Gráfico 5 – Estimativa de Faturamento Líquido da Indústria por Segmentos (2007) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) Seguindo a lógica da produção em escala. responsável pelo fornecimento de recursos naturais.0 60. 180.8 123.0 120.1 bilhões Produtos Farmacêuticos US$ 13.6 bilhões Total: US$ 101.0 113.6 115.3 bilhões Produtos Químicos de Uso Industrial US$ 54.5 bilhões Adubos e Fertilizantes US$ 8. os valores crescentes de faturamento somente foram possíveis em função do aumento de produção. Perfumaria e Cosméticos US$ 9.0 20.2 138. que quando produzidos em quantidade.4 bilhões Defensivos Agrícolas US$ 4.2 100.0 162.9 100.3 106.3 117.176 Outros US$ 2.1 140.0 96.0 Índice 1990 = 100 139.9 bilhões Sabões e Detergentes US$ 5. Esmaltes e Vernizes US$ 2.8 160.4 134.0 145.0 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Gráfico 6 .4 154.1 125.Evolução Produção de Produtos Químicos de Uso Industrial (1990 a 2006) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) . Baseado no princípio da recursividade apresentado por Morin (1998).0 99.

2 bilhões. em 2006 a taxa de ocupação de capacidade manteve-se em 87%. um único projeto.4 bilhões. mesmo percentual registrado nos dois anos anteriores. diz respeito ao déficit da balança comercial brasileira. dependentes. para sua efetiva execução. Historicamente. o que indica a necessidade de novos investimentos para a ampliação da capacidade e construção de novas unidades industriais. refere-se a projetos ainda em estudo. Segundo a entidade. aproximadamente US$ 11. o Brasil sempre importou mais produtos químicos do que exportou. melhorias de processo. Outro dado interessante sobre a indústria química brasileira. este valor que sobe para US$ 15. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) a maior parte dos investimentos em expansão. segurança.6 bilhões.8 mil empregos diretos. meio ambiente e troca de equipamentos. De acordo com a entidade. envolve o equivalente a US$ 8. somam US$ 14. no segmento de produtos químicos para uso industrial. o que significa que o setor químico nacional contribui significativamente para o déficit da balança comercial brasileira. .177 Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) o setor opera perto do limite de sua capacidade instalada.6 bilhões quando computados projetos diversos em manutenção. No gráfico 7 são apresentados os dados históricos desta seqüência. As estimativas são de que esses projetos de investimento poderão gerar cerca de 5. Recentes estudos realizados pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) mostram que as previsões de investimentos em aumento de capacidade previstos até 2011. do comportamento da economia brasileira e da disponibilidade de matéria-prima. A entidade apenas ressalta que do total de investimentos previstos. o do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (COMPERJ).

As importações brasileiras de produtos químicos tiveram como principais origens a União Européia. superando o valor de US$ 8. p.8 4.8 10.5 3.7% mais que no ano anterior.4 4.9 bilhões.9 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Exportações Importações Gráfico 7 – Importações/Exportações Brasileiras em US$ Bilhões FOB (2000 a 2006) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b. a América do Norte (Canadá.5 milhões de toneladas em produtos químicos.4 milhões de toneladas.3 17.2 bilhões).2% na comparação com 2005.0 3.4% mais do que o registrado em 2005.4 bilhões.5% de todas as exportações realizadas em 2006 pelo Brasil e 19% do total das importações. com 17% (US$ 1.1 bilhões). com aumento de 13. Os produtos químicos representaram 6.9 7. 20) Segundo o Relatório Anual 2006 disponibilizado pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a): As exportações brasileiras de produtos químicos cresceram 20. com 30% (US$ 5. 6. foram exportadas pelo País mais de 9.4 8. Essa movimentação representa aumento de 14.0 15. Da Ásia. Ainda assim.9% foi superior a 21. As importações somaram US$ 17. o Brasil importou mais de US$ 2. o que representa incremento de 27% em relação a 2005. O volume de importações. Estados Unidos e México). o déficit na balança comercial brasileira de produtos químicos foi superior a US$ 8.7 10. com 20% (US$ 1. com 25% do total exportado (US$ 2.5 bilhão). estabelecendo um novo recorde. Em volume. com 29% (US$ 5. 10.8 bilhão).2 bilhões).178 14.8 5. . e a União Européia. Paraguai e Uruguai).8% em 2006.3%. e a América do Norte.1 11. As exportações brasileiras de produtos químicos para a Ásia somaram US$ 753 milhões. com crescimento de 8.4 bilhões.4 bilhões de produtos químicos.5 10. Os principais destinos foram os demais países do Mercosul (Argentina.

7 bilhões em exportações contra US$ FOB 23. o Relatório Anual 2006 elaborado pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) menciona que em 2006 existiam no país cerca de 4. para o desenvolvimento deste estudo. por critérios específicos definidos pela entidade responsável pela geração da informação ou por questões como a informalidade. apontavam para um total de 23.264 (sete mil duzentas e sessenta e quatro) indústrias do ramo químico (divisão 24 – Fabricação de Produtos Químicos).1 bilhões. Em função do nível de detalhamento das informações disponíveis.179 Dados mais recentes.0 e que considera apenas empresas com 30 (trinta) ou mais pessoas ocupadas. optou-se pela adoção dos dados apresentados na Pesquisa Industrial Anual 2005 (PIA). enquanto que dados do Anuário Estatístico da Relação Anual de Informes Sociais (RAIS). elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) com base no CNAE 1. No quadro abaixo são apresentados os totais de indústrias . Segundo a pesquisa. justificam possíveis divergências que dificultam uma clara definição das fronteiras da indústria química. Esta variação se justifica pela dificuldade encontrada pelas diferentes entidades no correto dimensionamento do setor. estabelecendo. se confirmado. 7. existiam no Brasil em 2005. divulgados pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) no Encontro Anual da Indústria Química (ENAIQ) estimavam um US$ FOB 10. um novo recorde no déficit na ordem de US$ FOB 13. Com relação a quantidade de indústrias químicas existentes no país. Esta ausência de critérios comuns ou a mudança deles ao longo do tempo.152 (vinte e três mil cento e cinqüenta e duas) indústria químicas em 2005. elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (2007). este número apresenta variações de acordo com os critérios adotados ou estabelecidos pelas entidades responsáveis durante a produção e publicação de dados estatísticos.52% do total de indústrias de transformação. por aspectos relacionados a mudanças de critérios (classificações). Apenas como um exemplo de divergência estatística.8 bilhões em importações em 2007.500 (quatro mil e quinhentas) indústrias químicas. o que correspondia a 4.

1% 1.856 13.5 Fabricação de Produtos Farmacêuticos 24.788 Total de Indústrias Químicas 7. detergentes.3 Fabricação de Resinas e Elastômeros 24. Em seguida aparecem os demais setores conforme apresentado no gráfico: 1.153 .4 Fabricação de Fibras. 3% 47 . Fios.52% 3. 11% 224 .259 .09% 3.180 químicas em relação às indústrias de transformação em níveis: Brasil. produtos de limpeza e artigos de perfumaria é o que apresenta o maior número de indústrias.61% Brasil Região Sul Paraná Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) Do total de 7.797 . 3% 1.9 Fabricação de Produtos e Preparados Químicos Diversos Gráfico 8 – Total de Indústrias Químicas por Setor (2005) Fonte: Adaptado do Instittuto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) . Esmaltes. 16% 24.2 Fabricação de Produtos Químicos Orgânicos 24. representado pelo total de 1. Lacas e Produtos Afins 24. Região Sul e Paraná (2005) Total de Indústrias de Transformação 160.357 498 Percentual 4. Cabos e Filamentos Contínuos Artificiais e Sintéticos 24. Produtos de Limpeza e Artigos de Perfumaria 24. 11% 775 . o setor de fabricação de sabões. Detergentes. 24% 184 . Vernizes.797 (mil setecentos e noventa e sete) ou 24% do total.7 Fabricação de Sabões. Região Sul e Paraná: Quadro 24 – Total de Indústrias Químicas – Brasil.1 Fabricação de Produtos Químicos Inorgânicos 24. 17% 999 .8 Fabricação de Tintas.264 1.684 43.264 (sete mil duzentas e sessenta e quatro) indústrias.6 Fabricação de Defensivos Agrícolas 24. 14% 827 .

78% 18.357 100.75% 100.00% Rio Grande do Sul Paraná Santa Catarina Total Região Sul Fonte: Adaptado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) Em 2005 o Paraná ocupava uma posição significativa no contexto nacional em termos de número de indústrias químicas instaladas. se situava na 5ª.78%). 498 (quatrocentas e noventa e oito) indústrias.73% 1.357 744 403 272 7. O segundo lugar é ocupado pela região sul. . a região sudeste apresenta o maior número de empresas.55% 3. com 1. representando um total de 36. No quadro abaixo é apresentado o percentual de participação de cada região: Quadro 25 – Total de Indústrias Químicas por Região (2005) Número de Indústrias Químicas 4.70% de participação na região sul.263 Participação (%) 61. Quadro 26 – Participação por Estados – Região Sul Número de Participação Indústrias Químicas (%) 537 39.181 Em termos de concentração.57% 498 36.68%).68% 10. O Paraná possuía em 2005. logo após dos Estados que possuem pólos petroquímicos.24% 5.357 (mil trezentas e cinqüenta e sete) indústrias (18.70% 322 23.00% Região Sudeste Região Sul Região Nordeste Região Centro-Oeste Região Norte Total Brasil Fonte: Adaptado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) Entre os Estados localizados na região sul.487 (quatro mil quatrocentas e oitenta e sete) indústrias (61. posição em nível nacional. o Rio Grande do Sul se destaca em função da presença de um pólo petroquímico.487 1. com 4.

61% 40 0.47% 28 0. sendo responsável por 91.06% 3 0.23% 15 0.77% 46 0.39% 26 0. Em seguida.55% 39 0.43% 193 2.54% 36 0.66% 135 1.00% São Paulo Minas Gerais Rio de Janeiro Rio Grande do Sul Paraná Santa Catarina Bahia Goiás Pará Pernambuco Ceará Mato Grosso Espírito Santo Maranhão Mato Grosso do Sul Paraíba Amazonas Sergipe Rio Grande do Norte Distrito Federal Alagoas Piauí Rondônia Tocantins Acre Amapá Roraima Total Brasil Fonte: Adaptado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) o número de pessoal ocupado na indústria química em 2005 era de 339.182 Quadro 27 – Número de Indústrias Químicas por Unidade da Federação (2005) Número de Indústrias Participação Químicas (%) 2947 40. são apresentadas as participações dos demais setores: .86% 322 4. o setor que detinha o maior número de empregados em 2005 era o de Fabricação de Produtos Farmacêuticos.261 (noventa e um mil duzentos e sessenta e um) ou 27%.42% 569 7.95% 56 0.39% 498 6.83% 537 7.43% 259 3.263 100.833 (trezentos e trinta e nove mil oitocentos e trinta e três) empregados.86% 121 1.02% 69 0.67% 74 1.63% 44 0.50% 34 0.04% 0 0.57% 249 3.00% 7.36% 17 0.21% 4 0.58% 902 12. Dentro deste universo.

3% 91. nas esferas nacional. Fios. Detergentes.73% 3. regional e estadual: Quadro 28 – Total de Pessoal Ocupado .362 .8 Fabricação de Tintas. 10% 15.973 Total de Indústrias Químicas 339.899 . 20% 11. Além de revelar as dimensões do setor químico em nível mundial e nacional. Lacas e Produtos Afins 24. 27% 5.261 .183 39. Esmaltes.590.53% Brasil Região Sul Paraná Fonte: Adaptado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) Os números apresentados neste capítulo apresentam a dimensão econômica e a velocidade de expansão da indústria química na contemporaneidade.906 . 12% 27.717 . estes números apresentam mais uma vez evidências do sucesso da racionalidade econômica no setor e apontam .Brasil. 5% 67. Produtos de Limpeza e Artigos de Perfumaria 24.3 Fabricação de Resinas e Elastômeros 24.833 43.7 Fabricação de Sabões. Cabos e Filamentos Contínuos Artificiais e Sintéticos 24.064 .6 Fabricação de Defensivos Agrícolas 24.259 .1 Fabricação de Produtos Químicos Inorgânicos 24. Região Sul e Paraná (2005) Total de Indústrias de Transformação 6.2 Fabricação de Produtos Químicos Orgânicos 24. 2% 24.732 .5 Fabricação de Produtos Farmacêuticos 24.4 Fabricação de Fibras.421 16.9 Fabricação de Produtos e Preparados Químicos Diversos Gráfico 9 – Total de Empregados na Indústria Química por Setor (2005) Fonte: Adaptado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) No quadro abaixo são apresentados os percentuais de pessoal ocupado nas indústrias químicas em relação às indústrias de transformação.222. 8% 45. 13% 35.46% 2. Vernizes.633 .334 479.472 1.964 Percentual 5.

das radiações ionizantes. inflamabilidade mais intensa que no carvão – que aumentam os riscos de acidentes e facilitam as contaminações por infiltração no solo e dispersão nas águas. 25) com os avanços tecnológicos alcançados no final do século XIX. De acordo com Lage e Valle (2004. fluidez. Indústrias Químicas. bromo. A evolução tecnológica trouxe também. anilinas. novos materiais produzidos pela síntese química – ácidos.3. comprovam a predominância da racionalidade instrumental no mundo corporativo e o poder político e econômico por ela oferecido aos . Os primeiros experimentos com os elementos radioativos e o uso. A introdução do gás para iluminação e como combustível contribuiu para melhorar as condições do ar nas grandes cidades. agregaram novos fatores de risco de acidentes com a chegada ao século XX.5. 2. álcalis. como resultado. cujos efeitos sobre a saúde humana e o meio ambiente eram ainda pouco conhecidos. vieram acompanhadas por uma lógica exponencial de destruição da natureza e consequentemente da criação de novos riscos. Infelizmente todas as vantagens obtidas pela capacidade humana de estabelecer o seu domínio sobre os meios de produção e sobre a ciência. introduziram novas variáveis – volatilidade. fato que poderá contribuir para níveis crescentes da utilização dos recursos naturais bem como para o aumento dos níveis de geração de resíduos que poderão contribuir de alguma forma para o agravamento da saúde ambiental planetária. flúor. p. o incremento da população mundial e o crescimento dos volumes de produção industrial. cádmio. mas trouxe mais riscos de vazamento e o fator pressão. e que em um primeiro momento prometiam o atingimento de melhores condições de vida. bem como aplicações para novos elementos químicos – cloro. se comparado com a queima do carvão. produzidos a partir do petróleo. os riscos se potencializaram: Os combustíveis líquidos. Sociedade e Meio Ambiente O sucesso econômico alcançado pela predominância da racionalidade instrumental na sociedade contemporânea pode ser facilmente percebido pelos números que comprovam a expansão da economia mundial. Os números apresentados neste estudo e que retratam o sucesso econômico obtido pela indústria química mundial.184 para a manutenção de sua expansão no futuro. inexistentes com o uso do carvão. ainda desprovido de proteções adequadas.

ao mesmo tempo. representada pela intensa mobilização da sociedade em torno da problemática ambiental. p. o setor aumentava os lucros na medida em que conseguia assegurar um mercado ávido por absorver uma quantidade e variedade de produtos cada vez maior. Sempre inovando. propiciar o crescimento da autocrítica.185 controladores das atividades econômicas. com efeitos muitas vezes desconhecidos sobre o meio ambiente e os seres humanos”. Embora por vezes ajudado por empréstimos e contratos governamentais. 72 e 73): Em diversos países desenvolvidos. 73) afirma que “nenhum outro setor produziu tamanha quantidade e variedade de resíduos tóxicos. portanto. desbancando as tradicionais garrafas de vidro. Segundo Demajorovic (2003. Para Demajorovic (2003). p. Sem se preocupar com a intervenção do setor público ou a pressão da sociedade. significou também o crescimento exponencial do volume de resíduos gerados. Contudo. garrafas plásticas passaram a ocupar espaços crescentes nas prateleiras dos supermercados. do emprego e das condições de atendimento de novas necessidades dos consumidores. até a década de 1960. particularmente nos Estados Unidos. transformando idéias em produtos comerciais e com uma eficiente campanha de divulgação que criava novas necessidades de consumo. e uma infinidade de novos pesticidas e adubos prometiam uma revolução verde no campo. apresentou. a análise restrita dos números encobriu uma faceta inerente ao desenvolvimento químico: o aumento dos riscos socioambientais. poucos setores industriais se desenvolveram de forma mais independente dos governos do que o setor químico. as empresas tiveram. Para o autor. autonomia quase total para comandar seus próprios negócios. Demajorovic (2003. uma incrível capacidade de autofinanciar seu crescimento. Fibras sintéticas ganharam mercados antes dominados pelas fibras de algodão. incrementando a produtividade das diversas monoculturas. poucos setores industriais contribuíram tanto para a emergência da modernização reflexiva ao criar uma variedade de riscos socioambientais e. o crescimento promissor das indústrias químicas. 73): Nada parecia ameaçar. de acordo com Demajorovic (2003) a expansão crescente da produção e do consumo não significou apenas o aumento do faturamento do setor. desde os anos de 1920. . p. De acordo com Demajorovic (2003. Apesar de considerar que a atividade química não seja a principal responsável pela geração de resíduos.

em quantidades cada vez maiores.186 A ampliação da produção mundial de produtos químicos com a conseqüente ampliação da geração de resíduos industriais e urbanos propiciou que os efeitos não desejados passassem a ser gradativamente detectados por especialistas e pelas diferentes sociedades locais que habitavam localidades próximas às indústrias químicas poluidoras. no mesmo momento em que grande parte da população nos países industrializados sorvia os benefícios de um boom econômico sem precedentes. cerca de 10% de todos os investimentos em novas unidades industriais passaram a ser destinados a programas de controle de poluição. Nos Estados Unidos. em 1972. De acordo com o autor. 74 e 75) . uma vez que o câncer já constituía um tema particularmente sensível entre a opinião pública norte-americana. Algumas destas situações passaram a ser gradativamente identificadas por especialistas entre as décadas de 1950 e 1970. Representou para as empresas químicas o início de grandes investimentos para cumprimento de regulamentações. p. conforme apresentado no quadro 29: Quadro 29 – Pesquisas sobre os Efeitos Nocivos de Produtos Químicos Ano 1950 Pesquisa Dois pesquisadores da Universidade de Siracusa (Nova Iorque). Além dos gastos com novos equipamentos industriais. alertavam para o fato de que o uso do Dicroro Difenil Tricloroetano (DDT) em excesso poderia alterar a química hormonal dos animais. Foi o combustível ideal para que os ambientalistas aumentassem sua pressão para banir o uso do produto. as grandes empresas tiveram de criar estruturas para organizar e coletar as informações exigidas pelo governo. em função do grande crescimento econômico e da prosperidade vividos nos quinze anos que se seguiram logo após o final da Segunda Guerra Mundial. eram simplesmente lançados em lixões a céu aberto ou em corpos d´água. continuava ignorando o fato de que alguns insumos e produtos estavam intoxicando trabalhadores e consumidores ou de que resíduos gerados. Segundo Piasecki citado por Demajorovic (2003) de 1970 a 1978 mais de um terço de todos os conflitos judiciais envolvendo unidades industriais nos Estados Unidos teve como protagonistas empresas do setor químico. De acordo com Demajorovic (2003). Verlus Frank Linderman e Howard Burlington. O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos publicou estudos indicando a maior incidência de tumores no fígado de camundongos expostos ao DDT. sem qualquer tipo de tratamento. 1962 1969 Década de 1970 Fonte: Adaptado de Demajorovic (2003. Publicação do livro Primavera Silenciosa. até os anos 1960 pouco se sabia sobre os subprodutos associados ao desenvolvimento industrial químico. o presidente Nixon declarou guerra total à doença e. Em 1971. a partir dessa década. de Rachel Carson – o primeiro livro a expor os efeitos nocivos do uso indiscriminado de produtos químicos. a EPA decretou o fim do uso do DDT no país. levando a uma acentuada queda de fertilidade.

p. 76). 2003. era barrar ou retardar a aprovação das leis de controle ambiental. De acordo com o autor. o setor químico mundial passou a sofrer maiores . neste momento a preocupação ambiental. nos processos e no acesso às informações em poder dos governos e das indústrias. “as entidades públicas e privadas que tradicionalmente conjugaram seus esforços visando o crescimento econômico viram-se em lados opostos. a maior união de indústrias químicas nos Estados Unidos. p. uma vez que “novas leis impostas pelos órgãos ambientais passaram a controlar de forma mais restritiva produtos e processos industriais químicos” (DEMAJOROVIC. Com a ampliação da produção. O esforço de indústrias importantes no cenário mundial como a DuPont ou a Dow Química. 76). já havia sido incorporada na sociedade dos países industrializados. especialmente em relação à indústria química. dos resíduos e consequentemente dos riscos inerentes de sua própria operação. a posição da maior parte das empresas do setor químico continuava a ser tipicamente reativa. 77). entre outras. O objetivo principal era reverter a imagem do setor perante a opinião pública visando reduzir os custos impostos pela legislação. p.187 De acordo com Demajorovic (2003. Segundo o autor. resultando em um grande número de adesões aos diversos grupos envolvidos na luta contra os produtos tóxicos. uma vez que ambos não podiam mais ignorar a pressão dos grupos não-governamentais organizados. nos produtos. Paralelamente. as empresas tratavam a nova situação regulatória como um complô dos grupos ambientalistas. De acordo com Demajorovic (2003) os resultados esperados para as campanhas não atingiram o objetivo de mudar a opinião pública. que restringiam as possibilidades de crescimento do setor (DEMAJOROVIC. estas situações ocorridas nos Estados Unidos contribuíram para o estabelecimento de uma nova relação entre empresas e órgãos de governo. Demajorovic (2003) menciona que apesar das mudanças decorrentes da pressão de grupos ambientalistas e da regulação ambiental mais restritiva. Segundo o autor: Para representantes da Chemical Manufactures Association (CMA). pelo menos no que concerne à problemática ambiental”. 2003. Dentre as principais reivindicações dos grupos organizados destacavam-se: mudanças no consumo de matérias-primas. as empresas passaram a financiar grandes campanhas publicitárias para “educar” o público em geral sobre os benefícios da indústria química.

Indústria química instalada às margens da baía de Minamata passa a lançar no mar efluentes contaminados com mercúrio. destino dos resíduos industriais. Estes fatos somados. p. 78) “os inúmeros acidentes envolvendo indústrias químicas em diversos países colocaram no centro do debate os problemas associados ao consumo de produtos tóxicos. fato que contribuiu para a ampliação da regulamentação do setor. Estes acidentes serviram para reforçar a opinião pública quanto aos riscos envolvidos na fabricação. 39 Uma ocorrência de smog próximo a Liège causa 100 vítimas fatais. causando mais de 120 mil mortes e provocando a contaminação radioativa de extensas áreas naquelas cidades. fumaça e vapores de água. Os efeitos do mercúrio sobre o organismo eram então desconhecidos.) 1914 Europa 1928 1929 1930 1932 Alemanha EUA Bélgica Japão 1945 Japão De acordo com Mundo e Educação (2007) A palavra “Smog” é uma junção de duas palavras da língua inglesa: “smoke” e “fog”. compostos voláteis orgânicos (VOC). Continua (. aerossóis ácidos e gases. formando uma grande massa de ar.188 pressões por parte da sociedade organizada em decorrência de acidentes de grandes proporções ocorridos nas mesmas décadas que demarcaram sua expansão. ao seu gerenciamento e à distribuição dos riscos decorrentes da expansão da atividade”. no transporte. De acordo com Demajorovic (2003. contra as cidades de Hiroshima e Nagasaki. gases tóxicos são utilizados por ambos os lados em combate. ao final da Segunda Guerra Mundial. Guerra Mundial e que naquela época os gases produzidos por indústrias químicas já eram utilizados como arma de guerra. no destino de resíduos industriais e no consumo. os quais revelam a existência de riscos na produção. Acidente com gás venenoso fosgênio em um fábrica de Hamburgo mata 10 pessoas e envenena gravemente outras 150. o smog é formado por óxidos de nitrogênio (NOx). 39 . Bombas atômicas são utilizadas. respectivamente. Este fato foi confirmado por um dos entrevistados que participou desta pesquisa. Smog é um fenômeno que ocorre principalmente nas grandes cidades. o qual revelou ao pesquisador que o seu pai havia lutado na 1ª. Mais precisamente.. fumaça e neblina. causando cerca de 100 mil mortes. se caracterizando como a mistura de gases. No quadro 30 são apresentados diversos fatos e acidentes ocorridos com produtos químicos e indústrias químicas em diferentes épocas e países. transporte e consumo de produtos químicos. dióxido de sulfureto.. Início da produção comercial de bifenilas policloradas (PCB´s). contribuíram direta e indiretamente para a formação de uma imagem negativa do setor perante a opinião pública: Quadro 30 – Acidentes Ocorridos com Indústrias Químicas/Produtos Químicos Ano Local Fato Ocorrido Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Desastres desse mesmo tipo se repetem em 1960 e 1972 no Iraque. O navio-tanque Heimvard lança cerca de 50.) .000 toneladas de óleo no mar. desfolhante associado a dioxinas. provavelmente. em 1963 no Paquistão e em 1966 na Guatemala. de sementes de trigo tratadas com fungicidas com base de mercúrio provoca muitas mortes. na cidade de Ludwigshafen. em uma vasta área de ilhas Britânicas. contamina com radioatividade uma área com cerca de 18 mil quilômetros quadrados do oceano e atinge algumas ilhas habitadas. Reator experimental na região de Detroit funde-se parcialmente devido à uma falha no sistema de refrigeração. causando 35 vítimas comprovadas e aumento dos casos de câncer na população nos anos subseqüentes. resultante da queima de carvão mineral. acarretando mais de quinhentas vítimas humanas fatais entre aquelas que se alimentaram com peixes e frutos do mar da região.189 1951 EUA 1952 Japão 1952 Inglaterra 1953 EUA 1953 Alemanha Federal Oceano Pacífico 1954 1956 Iraque 1957 Inglaterra 1957 União Soviética 1960 1961 1961 1961 1965 1966 1966 1966 1967 1967 Brasil Vietnã EUA URSS Japão Mar do Norte México EUA Mar do Norte Suécia Indústria do Estado de Ohio lança. Navio desconhecido lança cerca de 35. próximo de Vera Cruz. O navio-tanque Torrey Canyon lança cerca de 120. cerca de 200 toneladas de poeira radioativa no meio ambiente. O uso impróprio. Acidente em uma instalação nuclear.000 toneladas de óleo ao largo da costa. O navio-tanque Sinclair Petrolore lança cerca de 60. com autorização do governo. animais e o leite. Radiação disseminada no interior do primeiro submarino nuclear soviético mata o comandante e vários tripulantes. provoca emissões de tetraclorodibenzoparadioxina (TCDD).. libera quantidades de material radioativo que contaminam corpos d´água. um dos tipos de dioxina. Três técnicos morrem em um acidente com um reator nuclear experimental em Idaho Falls. O Presidente Kennedy autoriza o emprego da guerra química com o uso do agente laranja.000 toneladas de óleo na baía de Campeche. Quarenta lagos e rios são considerados contaminados com metilmercúrio originado. em decorrência desse acidente. que afetam 55 pessoas. de sementes tratadas com mercúrio. para alimentação. Continua (. Acidente com um reator de plutônio. no atol de Bikini. nos montes Urais. passa a ser habitada. devido a mudanças imprevistas na direção dos ventos. A área ocupada por um canal inacabado – o Love Canal. Identifica-se que a contaminação por mercúrio lançado na baía de Minamata é a causa de disfunções neurológicas em pessoas e animais.000 toneladas de óleo próximo à ilha de Hokkaido. no estado de Nova York – e posteriormente usada como depósito de resíduos tóxicos. Um acidente em uma indústria química. Relatório publicado em 1992 relata que mais de 8 mil pessoas haviam morrido. provoca a contaminação radioativa de uma vasta área e causa centenas de vítimas fatais devido à radiação recebida. O smog ocorrido em Londres durante cinco dias. Esta ação teve início em 1961 e terminou somente em 1971. Um teste nuclear com bomba de hidrogênio. acarretando graves conseqüências para a saúde dos seus moradores. França e Holanda. na usina de Windscale.000 toneladas de óleo no mar. O navio-tanque Anne Mildred Broving lança cerca de 20.. causa mais de 4 mil vítimas fatais. até aquele ano. afetando os litorais da Inglaterra.

Incêndio em usina nuclear no Alabama faz baixar o volume da água de resfriamento do reator a níveis alarmantes O navio-tanque British Ambassador lança cerca de 50. O navio-tanque Napier perde cerca de 40. O navio-tanque grego Tarik.000 toneladas de óleo próximo à costa belga.000 toneladas de óleo no oceano próximo a essas ilhas. O navio-tanque Yuyo Maru lança mais de 50.000 toneladas de óleo na costa de Honolulu. O navio-tanque Hawaiian Patriot lança cerca de 95.) .000 toneladas de óleo na baía de La Coruña.000 toneladas de óleo a 300 quilômetros da costa de Iwo Jima.000 toneladas de óleo no mar a 100 km da costa. Movimentos de conscientização para a poluição gerada pelo Pólo Industrial de Cubatão exigem a recuperação ambiental da região. O navio-tanque Othello lança cerca de 70.000 toneladas de óleo ao largo da costa da ilha de Honshu. Radiação emitida devido ao mau funcionamento de um reator experimental obriga à lacração da caverna onde estava instalado.000 toneladas de petróleo no litoral de São Paulo. O navio-tanque St. Mario Molina e L.000 toneladas de óleo no litoral. O navio-tanque Jacob Maersk lança cerca de 90.000 toneladas de óleo a 100 km da costa de Durban. O navio Urquiola encalha na costa e lança cerca de 95.000 toneladas de óleo no oceano Atlântico. Um curto-circuito na instalação nuclear de Lubmin causa um incêndio que quase provoca a fusão do núcleo do reator. uma indústria lança acidentalmente no ambiente 2.000 toneladas de óleo no estreito de Magalhães. O navio-tanque Ennerdale lança cerca de 50.5 quilos de dioxinas. Continua (.000 toneladas de óleo próximo de Chilung.000 toneladas de óleo no golfo de Omã.000 toneladas de óleo no oceano próximo à costa dos Açores. O navio-tanque Sea Star lança cerca de 130. derrama cerca de 6. O navio-tanque Julius Schindler lança cerca de 90. Rowland demonstram a relação entre os compostos de clorofluorcarbono (CFC´s) e a destruição do ozônio nas camadas superiores da atmosfera.000 toneladas de óleo perto da costa chilena.000 toneladas de óleo na costa de Portugal. O navio-tanque Amoco Cadiz derrama cerca de 6. próximo ao porto de Leixões. O navio Borag lança cerca de 35. O navio-tanque Amoco Cadiz lança cerca de 230. O navio-tanque Wafra lança 40. provocando contaminação de moradores e obrigando o sacrifício de cerca de 70 mil animais. O navio-tanque Metula lança cerca de 50...190 1968 1969 1969 1970 1970 1971 1971 1972 1973 1974 1974 1974 1975 1975 1975 1975 1975 1975 1976 1976 1976 1976 1977 1977 1978 1978 África do Sul Suíça Portugal Ilhas Seychelles Suécia África do Sul Mar do Norte Omã Oceano Pacífico EUA Japão Chile Brasil Porto Rico Alemanha (República Democrática) EUA Japão Portugal Espanha Colômbia Itália Brasil EUA China Brasil França O navio-tanque World Glory derrama cerca de 50. contaminando mais de 200 quilômetros da costa francesa. O navio-tanque Texaco Denmark lança cerca de 100. Na cidade de Seveso. fretado pela Petrobras. S.000 toneladas de óleo próximo à ponta de Manglares.000 toneladas de óleo na baía de Guanabara. O navio-tanque Epic Colocotronis lança cerca de 60. Peter lança cerca de 35.000 toneladas de óleo na baía de Tralhavet. Havaí.

000 toneladas de óleo próximo à costa da Bretanha. metal pesado venenoso. O navio-tanque Globe Asami lança cerca de 16. O navio-tanque Irenes Serenad lança cerca de 40. Em Lengerich uma fábrica de cimento contamina a região com tálio. próximo a Dumai. as empresas instaladas na região eliminavam diariamente cerca de 236.000 toneladas de óleo no mar. Uma plataforma de petróleo no golfo do México libera cerca de 170.000 toneladas de óleo no estreito de Málaca. Em 1982. O navio-tanque Gino lança cerca de 35. 109) a “Política Nacional do Meio Ambiente representou um marco histórico ao introduzir a responsabilização por crimes ambientais e eleger o Ministério Público como importante ator para a solução de conflitos judiciais ligados à degradação ambiental”. O navio-tanque Andro Patria lança cerca de 50.. causando a morte de pelo menos 68 pessoas. Continua (. com a qualidade de vida da população da região. p.000 toneladas de óleo na entrada da baía de Galveston. foi iniciado um plano de controle das fontes de poluição nas empresas de Cubatão.000 toneladas de óleo no oceano.3 toneladas de dióxido de enxofre.000 toneladas de petróleo no mar antes de ser controlada nove meses depois. funde parcialmente. 45 funcionários são expostos a radioatividade. 61 toneladas de óxido de nitrogênio e 78. entidades criam uma intensa movimentação da opinião pública em torno dos dramáticos impactos socioambientais provocados pelo descaso das indústrias instaladas em Cubatão. obrigando à evacuação de 226 mil moradores na cidade de Mississauga..191 1978 1978 1978 1979 1979 1979 1979 1979 1979 Indonésia Espanha Atlântico Norte Tobago Turquia Dubai EUA França EUA 1979 URSS 1979 1979 1979 1980 1980 Canadá EUA Alemanha Federal Mar do Norte Grécia O navio-tanque Tadotsu perde cerca de 45. O navio-tanque Atlantic Empress lança cerca de 278. na região de Toronto.000 toneladas de óleo no porto de Arzew.000 toneladas de óleo no estreito de Bósforo. entre outros gases. de 2. A organização ambientalista Greenpeace tenta impedir o lançamento. . em Three Mile Island. liberando água radioativa. no estado de São Paulo. um ano depois da instituição da Política 40 Nacional do Meio Ambiente . Uma fábrica de armas biológicas situada em Sverdlovsk liberou acidentalmente uma nuvem de esporos de antraz. Texas. Segundo estudos da época. 8.000 toneladas de óleo no mar Báltico.6 toneladas de fluoretos. 2. O navio-tanque Patianna derrama cerca de 40.) 1980 Brasil 1981 1981 40 URSS Japão De acordo com Demajorovic (2003. matando 123 pessoas. O navio-tanque Independenza lança cerca de 95. A plataforma Alexander Keillan naufraga no campo petrolífero de Ekofisk. tornando as terras impróprias para a agricultura e desfolhando árvores. que separa a Europa da Ásia.000 toneladas de óleo próximo à costa do cabo Villano.6 toneladas de poeira. em uma usina em Tsuruga. Descarrilhamento de trem com produtos químicos provoca incêndio e escapamento de cloro. Identificados casos de anomalias congênitas na população que vive na região do Pólo Industrial de Cubatão.000 toneladas de lixo nuclear no oceano. matando milhares de pássaros. pela Grã-Bretanha. Um dos reatores da usina nuclear de Harrisburg.7 toneladas de amônia. O navio Burmah Agate lança 35. próximo a esse emirado. em 1980. Na década de 1980.

Acidente com trem transportando gasolina em Pojuca. Explosão destrói uma base de submarinos nucleares causando 10 vítimas fatais imediatas e um número desconhecido de mortes posteriores provocadas por exposição à radiação. causa a morte de 37 pessoas. Vazamento de isocianato de metila. O navio-tanque Pericles GC lança cerca de 50.000 toneladas de óleo. As autoridades soviéticas informaram a ocorrência de 31 mortes devido ao acidente e a necessidade de evacuação de mais de 100 mil habitantes das regiões vizinhas. na atual República da Ucrânia. por parte da Grã-Bretanha e Holanda. Um incêndio e explosões na favela da Vila Socó. A organização Greenpeace documenta o lançamento de rejeitos atômicos no oceano. Seu conteúdo é utilizado por uma siderúrgica para fazer vergalhões de construção. Furto do combustível derramado por membros da população local provoca incêndio que causa 99 mortes. com intervalo de 6 meses. bacia de Campos. com explosões sucessivas de tanques de armazenamento e botijões de gás liquefeito de petróleo (GLP). na Bahia. O navio-tanque espanhol Castillo de Bellver. em São Paulo. Um dos quatro reatores da Usina Nuclear de Chernobyl. Incêndio em refinaria na Cidade do México. construída junto a oleodutos. contaminam o rio Reno com pesticidas e mercúrio. carregado com cerca de 260. é levada de um hospital em Juarez para um depósito de sucata.192 1982 1982 1983 1983 1983 1983 1983 Atlântico Sul Atlântico Norte África do Sul Golfo Pérsico Brasil Brasil Irã-Iraque 1983 México 1983 1983 1983 1984 1984 1984 Qatar EUA GrãBretanha Índia Brasil Brasil 1984 México 1985 1985 1986 URSS Irã URSS 1986 URSS 1986 Suíça O destróier Sheffield. Continua (. Armas químicas são utilizadas por esses dois países em guerra. provoca morte de 3. causando milhares de mortes. 3 milhões de litros de óleo vazam de oleoduto em Bertioga. com efeitos em diversos países vizinhos. supostamente devido a contaminação com antraz. da marinha britânica. seguido de explosão.) . explode.000 toneladas de óleo próximo à costa de Omã. em uma planta química. para onde o material foi exportado.000 mortes.400 pessoas (alguns cálculos chegam a 6. na Basiléia. suspeito de conduzir armas nucleares. De acordo com Demajorovic (2003) o acidente causou a morte de 10. contaminando centenas de prédios nos EUA. O navio-tanque Nova lança cerca de 70. estado de São Paulo. tem como conseqüência a morte de cerca de quinhentas pessoas e ferimentos em mais de 4 mil. Dois acidentes. em duas plantas químicas distintas. provocado por vazamento de gás no campo de Enchova. é afundado pela aviação argentina durante a Guerra das Malvinas.. mata mais de 100 pessoas.000 pessoas e mais um número incalculável de casos de câncer em vários países da Europa.000 toneladas de óleo na costa de Doha. Experimentos com armas biológicas provocam mais de 1. Vazamento na Central Nuclear de Philipsburg resulta no lançamento de iodo-131 no ambiente. afunda ao largo da costa de Table Bay. O navio-tanque Assimi lança cerca de 53.. em Bhopal. Uma cápsula de cobalto-60. causando intensa contaminação radioativa em toda a região. intensamente radioativa. Incêndio.000 toneladas de óleo próximo à ilha de Kharg. em Santos. Constata-se que a usina de reprocessamento nuclear de Sellafield está lançando no mar resíduos oleosos radioativos.400) e afeta seriamente a saúde de aproximadamente 200 mil. entre 1983 e 1988.

O navio-tanque Exxon Valdez encalha em um recife no estreito Prince William e lança cerca de 40. O navio-tanque ABT Summer se incendeia ao largo da costa de Angola. A cidade de Guadalajara é sacudida por uma explosão em seu sistema de esgoto municipal. O navio-tanque Khark 5 explode ao norte dessas ilhas. matando 167 dos 232 homens que trabalhavam em suas instalações. Próximo à costa da Alemanha. O navio-tanque Braer. A plataforma de petróleo Piper Alpha explode. Continua (. O navio-tanque Odyssey lança cerca de 132. perdendo cerca de 80. ao partir-se em dois. como conseqüência da destruição dos campos petrolíferos desse país promovida pelas tropas iraquianas. libera radiação que contamina e mata várias pessoas em um bairro de Goiânia. Três funcionários são contaminados ao entrar em um acelerador nuclear de partículas. Avião de carga transportando explosivos e produtos químicos cai nos arredores de Amsterdã. em Goiás.000 toneladas de óleo no oceano a 560 quilômetros da costa da Terra Nova. no mar Mediterrâneo. causada por infiltração de combustível. o cargueiro Oostzee enfrenta mar agitado transportando 4 mil tambores de epicloridrina.000 toneladas de óleo. O navio-tanque Katina P lança cerca de 72.000 toneladas de petróleo.000 quilômetros de costa. durante a Guerra do Golfo. 25 quarteirões destruídos e uma cratera de quase 2 quilômetros de comprimento.000 toneladas de óleo. lança cerca de 85. pagas ou pleiteadas. causando 43 mortes.000 toneladas de óleo. 5 mil curdos são mortos com gás mostarda e outras armas químicas utilizadas pelo exército iraquiano. matando milhares de animais e contaminando as águas da região numa extensão de mais de 2. Um grave acidente é evitado por pouco.000 toneladas de óleo na costa do Alasca.193 1987 1988 1988 1988 1988 1988 Brasil Canadá Iraque EUA Canal da Mancha Mar do Norte Uma cápsula de césio-137. acarretando mais de duzentos mortos.000 toneladas de óleo na baía de La Coruña. O navio-tanque Aegean Sea encalha e lança cerca de 80. O navio-tanque Haven se incendeia próximo a Gênova e afunda no mar Mediterrâneo com 143. O navio-tanque Aragon perde cerca de 25. carregado com 260. Explosão de fábrica que produzia perclorato de amônia (combustível para foguetes). causando 140 mortes e provocando a poluição com óleo na costa de Livorno. deixada em um hospital desativado é violada por um sucateiro. Acidente em uma planta química próxima a Frankfurt provoca danos à saúde de 192 pessoas. graças à pronta ação de salvamento realizada.000 toneladas de óleo no mar no Norte.000 toneladas de óleo na costa africana. sem a proteção de roupas adequadas. superam a cifra dos US$ 10 bilhões.) 1989 EUA 1989 1989 1989 Mar do Norte Ilhas Canárias Ilha da Madeira Kuwait 1991 1991 1991 1991 Itália Itália Angola 1992 México 1992 1992 1992 1992 1993 1993 1993 Moçambique Espanha Holanda França Alemanha Ilhas Shetland Indonésia . durante meses.. no deserto de Nevada. Centenas de milhares de toneladas de petróleo queimam diariamente. em Forbach.800 litros de acrilonitrila tóxica.. isótopo radioativo. O navio-tanque Maersk Navigator atinge a costa em Sumatra e perde uma quantidade desconhecida de óleo. Gasto com a limpeza das costas atingidas e ações de indenização. cerca de 15 mil desabrigados. em retirada. O ferry Moby Prince abalroa o navio-tanque Agip Abruzzo. O cargueiro Anne Broere afunda com 24.

O navio-tanque russo Nakhodka parte em dois. liberando 100. Após uma explosão a bordo.6 milhão de metros cúbicos de rejeitos de uma mina de cobre escoam para o rio Boac e três de seus afluentes. causando a morte de vários pacientes. provocadas possivelmente por furos efetuados para roubar combustível.000 toneladas de lama que contaminam com cianeto parte da bacia do rio Danúbio. lança cerca de 4. provoca 35 mortes Cerca de 150 toneladas de óleo combustível são lançadas ao mar quando o navio graneleiro New Carissa parte-se ao meio na costa do Oregon. o navio-tanque Petron lança cerca de 200. Centenas de passageiros são intoxicados. Uma barragem de mina se rompe próximo a cidade de Baia Mare. lançado por fanáticos religiosos. Das 17. O navio-tanque Bahía Paraíso afunda próximo ao Cabo Horn. abalroado por outro. Na ilha de Marinduque mais de 1. O navio-tanque Diamond Grace encalha próximo a Tóquio e perde cerca de 1. Continua (.3 milhão de litros de óleo na baía de Guanabara.000 toneladas de óleo que contaminam mais de 400 quilômetros de costa. Cerca de 12 toneladas de toluilendiamina escapam de uma indústria química em Dormagen. choca-se com um cargueiro e lança 25. atingindo a costa. carregado de 120. destruindo uma reserva natural e um santuário de pássaros. A parte da proa do navio é rebocada para alto-mar e torpedeada para que afunde. e sua popa afunda na costa do Japão. O navio Bona Fulmar. causam a morte de centenas de pessoas. Dois acidentes sucessivos em indústria química de Frankfurt contaminam o ar e o rio Meno. A ruptura de uma barragem de contenção de uma mina provoca uma avalanche de 5 milhões de metros cúbicos de lama contaminada com substâncias tóxicas.000 toneladas de óleo no estreito de Cingapura. Incêndio provocado por um caminhão no interior do túnel do monte Branco.. que liga os dois países. O navio-tanque Volgoneft 248 afunda na costa francesa.000 litros de óleo no mar na costa sul das Filipinas.000 toneladas de óleo que transportava. A qualidade imprópria da água utilizada por um hospital de Caruaru. afetando mais de 20 mil moradores na região.. vítimas do gás sarin (também denominado gás dos nervos). em Pernambuco.) . O navio-tanque Sea Empress encalha e lança cerca de 70. O navio-tanque Evoikos. Explosões em oleodutos.000 toneladas de óleo.500 toneladas de óleo. 6. contamina equipamentos de diálise renal. afetando também Hungria e Iugoslávia.000 toneladas de óleo diesel.194 1995 1995 Coréia do Sul Japão 1996 1996 1996 1996 Brasil Alemanha País de Gales Filipinas 1997 1997 1997 1997 Japão Canal da Mancha Filipinas Cingapura 1997 1997 Alemanha Japão 1998 Espanha 1999 1999 1999 Antártica França-Itália EUA 1999 Japão 1999 Turquia 2000 2000 2000 Romênia Nigéria Brasil Explosão provocada por vazamento de gás no metrô de Daegu provoca 101 mortes.000 toneladas de óleo na costa galesa.000 toneladas vazam para o mar. A ruptura de um oleoduto libera cerca de 1. lançando no mar cerca de 1. Não se registram vítimas humanas. Um acidente na planta de reprocessamento nuclear de Tokai-Mura provoca a contaminação de mais de quatrocentas pessoas pela radioatividade liberada. Doze pessoas morrem no metrô de Tóquio.000 toneladas de óleo no mar. dispersando cerca de 10. Rio de Janeiro. Cerca de 100 automóveis têm sua pintura danificada.

levando consigo o restante da carga. provocada pela cravação de uma estaca no local. de bandeira italiana. próximo a Shangai.000 litros de óleo diesel na costa da ilha Isabela.000 pessoas pelo impacto da explosão. ferindo 150 e destruindo grande parte da cidade. em São Paulo.) . O navio-tanque Taurus derrama cerca de 7. Ruptura de um duto lança um jato de 200. Derrama mais de 11.000 moradores no município de Barueri. incendeia-se ao largo da costa. Não houve vítimas fatais.000 toneladas que transportava e. conduzindo mais de 6. Continua (. O navio-tanque Jessica se acidenta nas ilhas Galápagos. obriga a evacuação de cerca de 2. que transportava 31. Explosão de fogos de artifício na cidade de Lima provoca 282 mortes e mais de 100 feridos.000 toneladas de produtos químicos (estireno.. A ruptura de um oleoduto libera cerca de 4 milhões de litros de óleo nos rios Barigui e Iguaçú. A plataforma afunda posteriormente. numa região que anteriormente já fora utilizada para dispor rejeitos nucleares e munições.000 automóveis. da Petrobras. Inundação provocada por chuvas intensas afeta uma indústria química. Não foram registradas mortes. afunda. com cerca de 300. O navio-tanque italiano Jolly Rubino. mata onze pessoas. Não houve vítimas fatais. Ruptura de um duto de gás liquifeito de petróleo.000 litros de ácido sulfúrico. metil-etil.000 litros de óleo combustível. cetona. Acidente com o navio-tanque Norma provoca derramamento de 400. O navio coreano Dayong lança 23. Operários em greve de uma fábrica têxtil descarregam propositalmente cerca de 5.000 litros de óleo combustível sobre um condomínio residencial em Barueri. Avalanche de lixo acumulado próximo a uma favela provoca centenas de mortes por soterramento em distrito urbano de Manila.195 2000 2000 Holanda Brasil 2000 Inglaterra 2000 2000 2001 2001 2001 2001 França Filipinas Equador China Brasil Brasil 2001 2001 2001 2001 2002 2002 2002 2002 2002 Brasil França Peru Brasil Equador República Tcheca África do Sul Iêmen EUA 2002 Espanha 2002 Japão 2002 Nigéria Uma fábrica de fogos de artifício explode na cidade de Enschede. Acidente em uma fábrica de munições na cidade de Lagos mata mais de 1. matando 20 pessoas. O navio-tanque francês Limborg explode e incendeia-se ao largo da costa carregado com 397. provocando mancha de óleo com 11 quilômetros de extensão..000 toneladas de petróleo. depois de colidir com outro navio. afetando áreas ambientalmente preservadas desse arquipélago. no Paraná. parte-se em frente à costa espanhola. resultando na liberação de gás cloro para a atmosfera. Trem cargueiro descarrila próximo a Knoxville. no arquipélogo de Galápagos.000 barris de petróleo. registrado nas Bahamas. em São Paulo.000 pessoas são mortas pisoteadas ou afogadas devido ao pânico. derramando cerca de 660. obrigando à evacuação de milhares de moradores da região.000 toneladas de estireno na foz do rio Yang-tse-kiang.000 litros de nafta no porto de Paranaguá. que transportava cerca de 4. Outras 1. Uma explosão na plataforma de petróleo P36. na bacia de Campos. álcool isopropílico e outros produtos) afunda no canal da Mancha. se incendeia depois de encalhar na costa japonesa.000 toneladas de óleo combustível das 70. O navio de carga Hual Europe. Explosão de fábrica de fertilizantes na região de Toulouse causa 31 mortes e fere 2.442 pessoas. O navio-tanque Prestige.000 litros de ácido sulfúrico no rio Meuse. no Paraná. O navio Ievoli Sun. Tennessee. registrado nas Bahamas.

O acidente foi causado pela faísca de um motor utilizado para perfurar o oleoduto a fim de roubar combustível.. Fonte: Adaptado de Demajorovic (2003) e Lage e Valle (2004. Explosão de oleoduto mata mais de 100 pessoas na região da Abia. acordos. fertilizantes. gasolina e algodão explode na cidade de Neyshabur. Dentre as diversas plenárias apresentadas no quadro 31 encontram-se algumas que tratam especificamente da produção e do uso de produtos químicos: Quadro 31 – Tratados. Firmam um tratado que dá fim aos testes nucleares acima do solo. em Minas Gerais..000 habitantes. provoca explosão que resulta em 15 mortos e mais de 200 feridos. convenções e regulamentos como forma de mitigar os efeitos industriais não desejados. Criação do Clube de Roma. O acidente foi atribuído a um curto circuito elétrico. não pode receber resíduos nem ter sua área utilizada para testes nucleares. Explosão em refinaria da cidade de Skikda mata 13 trabalhadores e fere pelo menos 74. a partir das quais foram elaborados tratados. Trem com vagões carregados de enxofre. Os diversos acidentes ocorridos e a ampliação dos riscos foram acompanhados da realização de diversas plenárias ao redor do mundo. causada por uma obra de construção civil em andamento próximo a Bruxelas. O Protocolo de Genebra proíbe o uso de armas químicas e biológicas. próximo a fronteira com a China.196 2003 2003 2003 Brasil Brasil Nigéria 2003 2004 2004 China Argélia Irã Coréia do Norte Bélgica 2004 2004 2004 Japão Ruptura de barragem de contenção de rejeitos de uma indústria de celulose provoca grande contaminação das águas dos rios Pomba e Paraíba do Sul. Entra em vigor o Tratado Antártico. Continua (. nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Vazamento de vapor não radioativo mata 4 trabalhadores e fere outros 7 na usina nuclear de Mihama. causando centenas de mortes e milhares de feridos. 198-214). deixa centenas de queimados e obriga a evacuação de 41. Acordo de proteção do rio Reno contra a poluição. Acidente com trem transportando produtos químicos provoca contaminação das águas que abastecem a cidade de Uberaba. Acordos e Convenções para a Preservação do Meio Ambiente Ano 1913 1925 1961 1963 1963 1968 1968 Evento Realização em Berna da Primeira Conferência Internacional sobre a Conservação da Natureza. Trem carregado com dinamite explode em Ryongchon. Constatadas as primeiras evidências da destruição da camada de ozônio. p. Explosão em um campo de gás natural na região de Chongqing libera uma nuvem de gases tóxicos que mata pelo menos 193 pessoas. Perfuração acidental de gasoduto subterrâneo. situada a 320 quilômetros a oeste de Tóquio. dedicado a estudos relacionados com a degradação da natureza. O acidente não liberou radioatividade. matando pelo menos 295 pessoas e ferindo mais de 200.) . que estipula que aquele continente somente pode ser utilizado para fins pacíficos.

concedido pela indústria química. Firmada a Convenção da Basiléia. Após o acidente de Bhopal. que cria mecanismos para a eliminação das substâncias que esgotam a camada de ozônio. Assinada em Londres a convenção internacional que proíbe o lançamento de rejeitos nucleares nos oceanos. produzido a pedido das Nações Unidas. Realiza-se no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. Este plano exigiu que todas as empresas do setor químico com dez ou mais empregados estimassem o volume das emissões de seus resíduos gasosos. mais conhecido como Relatório Brundtland. Continua (. Convenção de Londres sobre o Banimento do Despejo de Resíduos Radioativos nos Oceanos. Convênio relativo à intervenção em alto-mar nos casos de acidentes com óleo. Resposta e Cooperação em Caso de Poluição por Óleo (conhecida como OPRC/90) Firmado o Protocolo sobre Proteção Ambiental. Firmado o Protocolo de Montreal. Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios (conhecida como Marpol) Conferido pela primeira vez o selo ecológico Anjo Azul a produtos que se distinguem por suas qualidades ambientais. cujo capítulo 19 trata do tema de Segurança Química: todos os produtos químicos devem ter todas as suas características conhecidas e informadas aos usuários. Conferência Mundial das Nações Unidas para o Meio Ambiente e instituído o Dia Internacional do Meio Ambiente (5 de junho) Firmada a Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora (Cites) (Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies Ameaçadas). intitulado Os Limites do Crescimento. Convênio sobre responsabilidade civil na esfera de transporte marítimo de materiais nucleares. o Congresso Norte-Americano aprova a legislação Sara Title II.. voltada especialmente para as práticas de gerenciamento de unidades industriais químicas. É aprovado nos Estados Unidos o Emergency Planning and Community Right do Know Act (EPCRA). Convenção Internacional sobre Preparo. Criado o Comitê Técnico 207 da Organização Internacional para a Normalização (ISO) incumbido de criar um sistema de normas internacionais para a gestão ambiental. de modo a proteger a saúde humana e o meio ambiente. que regula internacionalmente os movimentos transfronteiriços de resíduos tóxicos. também conhecido como Sara Title III. Rio Grande do Sul. determinando mudanças nas políticas socioambientais das empresas do setor químico. Em meados da década de 1980. A Câmara de Comércio Internacional publica a Carta Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável. que transforma a Antártica em reserva natural. do qual resultaram as normas ISO 14000. para assegurar maior rigor ao gerenciamento ambiental nas unidades desse setor industrial em todo o mundo. dentre eles a Agenda 21. Publicado o primeiro relatório do Clube de Roma..197 1969 1969 1969 1972 1972 1972 1973 1973 1978 1982 1983 1984 1984 1985 1985 1986 1987 1987 1989 1990 1991 1991 1992 1993 1993 Convenção Internacional sobre Responsabilidade Civil por Danos Causados por Poluição por Óleo. Publicado o relatório da Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento. quando são assinados diversos acordos e convenções ambientais de alcance global. anexo ao Tratado Antártico. Suíça. Criado o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Bahia e São Paulo. Publicação da Diretiva de Seveso. Firmada a Convenção de Viena para a proteção da camada de ozônio.) . Realizada em Estocolmo a 1ª. líquidos e sólidos. Implantado pela primeira vez o Programa Atuação Responsável. a ampliação da pressão social resulta em uma atuação mais contundente dos órgãos ambientais nos grandes centros produtores: Rio de Janeiro. com a totalidade de sua área protegida.

Firmada na Suécia a Convenção de Estocolmo para o banimento de 12 poluentes orgânicos persistentes (POP´s).. É firmado o Protocolo de Kioto. Terminais. de 14/09/2000). Realiza-se em Johannesburgo. para o registro de substâncias químicas e de suas aplicações para permitir a sua comercialização na Comunidade Européia. Foram produzidos 3 documentos: a Declaração Política de Alto Nível (HLD). destacam-se o hexaclorobenzeno e o hexabutadieno. a Estratégia Política Ampla (OPS) e o Plano de Ação Global (GPA). Segundo a Associação dos Contaminados Profissionalmente por Organoclorados (ACPO). bem com o Sistema Globalmente Harmonizado para a Classificação e Rotulagem de Substâncias Químicas (GHS). a partir da qual foram estabelecidas regras para a eliminação de uma lista de produtos organoclorados e para o controle de dioxinas e furanos (Aldrin. Convenção de Roterdã sobre Consentimento Previamente Informado para o Comércio Internacional de Certas Substâncias Químicas e Agrotóxicos Perigosos (PIC) 3ª. de 12/12/2001). relacionados a problemas de câncer e graves problemas de intoxicação. Dieldrin. Criação do Fórum Intergovernamental de Segurança Química (IFCS). Entre os produtos. a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. Endrin. Convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Prevenção de Grandes Acidentes. DDT. África do Sul. Clordano. Proposta do “White Paper” da Comunidade Européia para produtos químicos. com a missão de promover a implementação do capítulo 19 da Agenda 21. Dutos. na qual são elaborados os documentos “Declaração da Bahia” e “Prioridades de Ação para Além do Ano 2000”. Heptaclor. Plataformas e Respectivas Instalações de Apoio (Resolução Conama nº.. Mirex. que estabelece metas para a redução das emissões de gases que contribuem para o efeito estufa. A Justiça de Cubatão determinou a total interdição da unidade química da Rhodia em Cubatão em razão da contaminação da sua planta com produtos altamente prejudiciais à vida humana e ao meio ambiente. 269. Publicação da Diretiva de Seveso II. Início da negociação da Convenção de Estocolmo sobre segurança química. Bifenilas Policloradas (PCB´s)). Início da negociação da Convenção de Roterdã sobre segurança de produtos.) 2002 2003 . também conhecida como Rio + 10.198 1993 1993 1994 1996 1996 1997 1997 1998 2000 2000 2001 2001 2001 2001 2002 Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (United Nations Framework Convention on Climate Change – UNFCCC). Continua (. particularmente no que tange a recursos hídricos. até 1999. a partir da qual foram estabelecidas regras para o Consentimento Previamente Informado de Produtos Químicos no Comércio Internacional (PIC). criado com o objetivo de estabilizar a concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera. Regulamento para Uso de Dispersantes Químicos em Derrames de Óleo no Mar (Resolução Conama nº. Plano de Emergência para Incidentes de Poluição por Óleo Originados em Instalações Portuárias. Início das negociações do sistema de controle baseado no “Reauthorization and Evaluation of Chemicals” (REACH). Nela foi aprovado o “Plano de Ação de Johannesburgo” cujo parágrafo 23 trata de produtos químicos e estabelece que “em 2020 os produtos químicos devem ser fabricados de modo tal que levem à minimização de efeitos adversos à saúde e ao meio ambiente” Código Internacional de Gerenciamento para Operação Segura de Navios e Prevenção da Poluição (conhecido como Código ISM) Início dos trabalhos de Abordagem Estratégica para a Gestão Internacional de Produtos Químicos – SAICM (Strategic Approach to International Chemicals Management). Reunião do Fórum Intergovernamental de Segurança Química (IFCS) em Salvador – Bahia. Hexaclorobenzeno. 293. Toxafeno. assinada por Ministros de Estado. Esta negociação destina-se a desenvolver a estratégia para garantir o atendimento do parágrafo 23 do Plano de Johannesburgo. sete funcionários já haviam morrido por causa da contaminação ocorrida.

que a população local desconhece os riscos das unidades industriais próximas. De acordo com Demajorovic (2003.199 2004 2004 2006 2006 Entra em vigor a Convenção de Estocolmo. Estes casos demonstram. da água e do solo. as organizações de caráter científico e a indústria (química. distribuição e consumo. Conferência Internacional. as organizações não governamentais. Criação do Sistema REACH (Registro. ou de primeira e segunda geração. Lage e Valle (2004. Como resultado. Com base nas informações prestadas pelas empresas. 83): [. novas ou existentes. Conferência Internacional de Gestão de Produtos Químicos (International Conference on Chemicals Management – ICCM). havendo a previsão de realização de eventos para avaliação dos progressos obtidos. Trata da criação de um sistema de registro com informações sobre os perigos e riscos de substâncias químicas.] embora outros setores industriais também sejam responsáveis por gerar acidentes ampliados ou maiores. uma vez que não está preparada para enfrentar eventos inesperados. tornando-se extremamente vulnerável em casos de acidentes. que proíbe o uso de 12 poluentes orgânicos persistentes (POP´s). Autorização e Restrição de Substâncias Químicas). explosões e vazamentos de gases. Demajorovic (2003).. que as autoridades locais não possuem informações e a organização necessárias para mitigar seus efeitos sobre a população e o meio ambiente e. apontando para a existência de insuficiências nos conceitos de segurança e controle de riscos desenvolvidos a partir das premissas da matriz de pensamento linear. as representações sindicais. que fabricam uma série de produtos empregados como matérias-primas em outras indústrias. proposta para 2009. p. que as normas de segurança das empresas mostram-se inadequadas para evitar ou gerenciar as ocorrências. e os riscos mais comuns são incêndio. Entra em vigor a Convenção de Roterdã que trata sobre a segurança de produtos Conclusão da negociação da SAICM e a realização da 1ª. serão autorizados os usos de produtos químicos naquele bloco. Fonte: Adaptado de Associação Brasileira de Indústrias Químicas (2007a). . 198-217). os governos. finalmente. Associação Brasileira de Indústrias Químicas (2008). metais e outras) deverão implementar os elementos da SAICM.. grande parte dos eventos ocorreu em indústrias químicas de base. incluindo agro-químicos. Avaliação. confirmam a existência dos riscos e da incerteza em diferentes etapas dos processos de produção. que incluirão a 2ª. firmada em 2001. O risco é inerente a essas unidades industriais em razão de seu próprio processo de produção e do tipo de produto gerado. segundo Rasmussen citado por Demajorovic (2003). fabricadas na União Européia ou importadas de outros países. Os fatos ocorridos ao longo das décadas de demarcaram a expansão da sociedade industrial. além da contaminação do ar. p.

conforme demonstrado no Quadro 32: Quadro 32 – Pesquisas de Opinião Pública sobre a Imagem da Indústria Química: Ano Responsável • 1986 Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) Dados Coletados Em 1986. É também o potencial de gravidade e extensão de seus efeitos ultrapassarem os seus limites espaciais de bairros. demonstrou que mais de 56% dos entrevistados eram mais preocupados com a indústria química em comparação com outras indústrias. o setor químico ocupou a segunda posição. As opiniões desfavoráveis aumentaram de 40% para 58% As opiniões favoráveis decresceram de 30% para 14% As pessoas que acreditavam que as empresas do setor químico não eram suficientemente regulamentadas aumentaram de 57% para 74% Aqueles que consideravam a indústria como essencial diminuíram de 49% para 38% Na pesquisa de opinião pública favorável feita em dez setores industriais norte-americanos. cidades e países – e temporais – como a teratogênese.) 41 Segundo Freitas citado por Demajorovic (2003) acidentes químicos ampliados correspondem a eventos agudos. embora sejam frequentemente conhecidos por isso. em especial do segmento químico. 1988 Chemical Manufactures Association (CMA) • • • • 1998 Janice Mazurek – The Use of Unilateral Agreements in the United States: The Responsible Care Initiative • .200 A ocorrência de acidentes químicos ampliados41 como os casos ocorridos na baia de Minamata no Japão. contribuíram significativamente para a ampliação da percepção de diferentes atores de sociedades locais sobre os riscos das atividades industriais em escala global. tais como explosões. como a destruição da camada de ozônio pelo uso indiscriminado de gases CFC´s e os diversos derramamentos de óleo em rios e oceanos. individualmente ou combinados. A maioria não confiava na indústria química e pensava que o governo deveria controlar a indústria química muito mais restritivamente e com uma legislação muito mais rigorosa. envolvendo uma ou mais substâncias perigosas com potencial de causar simultaneamente múltiplos danos ao meio ambiente e à saúde dos seres humanos expostos.. Bhopal e Seveso. associados com os danos ambientais causados por produtos químicos. mutagênese e danos a órgãos-alvo específicos. Esta situação pode ser evidenciada a partir dos resultados obtidos por diferentes relatos e pesquisas relacionadas.. perdendo apenas para a indústria de tabaco. incêndios e emissões. O índice de pessoas que se declararam favoráveis ao setor sofreu um decréscimo de 27% em 1991 para 21% em 1995. uma pesquisa realizada em várias cidades brasileiras. O que caracteriza os acidentes químicos ampliados não é somente a sua capacidade de causar grande número de óbitos. no período de 1990 e 1995. Continua (.

Demajorovic e Soares (2006). professores univertários. Chiummo (2004) e European Chemical Industry Council (2007) Em razão das pressões exercidas pela sociedade organizada sobre os governos e as indústrias químicas e pela imagem formada pela opinião pública sobre o setor químico. Pesquisa de imagem realizada na Europa. enquanto que 5% consideram a empresa onde trabalham como insegura. Pesquisa realizada pela ABIQUIM para avaliar a percepção dos públicos (externo e interno) e partes interessadas sobre os setores químico e petroquímico. Guedes – Dissertação: Programas ambientais de empresas multinacionais no Brasil: estudos de caso no setor químico • Em sua dissertação de mestrado apresentou dados de uma pesquisa realizada no Brasil que apontava o setor químico como aquele que acarreta mais risco ou problemas socioambientais.201 1999 Ana Lúcia M. De acordo com o autor. onde a indústria química ocupa a 6ª. foram devolvidos apenas 138). O setor químico ocupou a primeira posição da lista com um índice de 68%. na Argentina as pesquisas mostram que apenas 12% da população acredita que as empresas estão efetivamente preocupadas com a comunidade. universitários. A pesquisa revelou que o setor com imagem mais desfavorável era o químico e de petróleo. De acordo com Demajorovic (2003). este se viu obrigado a demonstrar preocupação com os efeitos não desejados . organizações não governamentais. 81% consideram que a indústria química agride o meio ambiente enquanto que 26% consideram que a empresa onde trabalham agride o meio ambiente. e somente 13% considera que o meio ambiente é assunto prioritário para elas. • 2001 Associação Brasileira de Indústrias Químicas (ABIQUIM) • • 2006 European Chemical Industry Council Fonte: Demajorovic (2003). A pesquisa do público externo envolveu amostras dos seguintes segmentos: público em geral. formadores de opinião (jornalistas. ficando a frente somente das atividades relacionadas a energia nuclear e petróleo. O resultado revelou que o público interno possui uma percepção diferente do público externo: 43% consideraram que a indústria química é insegura. comunidades vizinhas a indústrias. dados de pesquisas feitas em 1999 revelaram que na Argentina e na Inglaterra só as indústrias nuclear e de tabaco recebiam uma avaliação pior que a do setor químico. representantes do governo). posição entre 8 diferentes tipos de atividades. • Nelson Culer Representante da Câmara da Indústria Química e Petroquímica da Argentina 1999 Em uma declaração afirmou que a percepção da sociedade sobre a indústria química em diversos países é muito semelhante. ambos com 38%. Esta pesquisa também foi direcionada ao público interno das empresas associadas (dos 694 questionários enviados a comissões e diretores das empresas associadas.

planos e objetivos”. 42 . garantindo a transparência de suas atividades.. o Programa Atuação Responsável (Responsible Care) foi criado no Canadá em 1984 com o intuito de reverter a imagem pública das indústrias químicas por meio de ações que visem promover a ampliação da segurança e a redução dos riscos relacionados à indústria química. e dois novos comitês foram formados para o programa. Criados os princípios diretivos e definidos os elementos do Programa Atuação Responsável. Internacionalmente o programa é coordenado pelo Responsible Care Leadership Group – RCLG (Grupo de Liderança do Responsible Care) do International Council of Chemical Associations – ICCA (Conselho Internacional das Associações da Indústria Química) e no Brasil pela Associação Brasileira de Indústrias Químicas (ABIQUIM). A diretoria não aceitou a proposta de imediato.202 oriundos de suas atividades como forma de garantir a continuidade de suas operações.) 1990 1991 De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (2007a). Segundo Demajorovic (2003) foi por meio deste programa que iniciou-se uma campanha integrada com o objetivo de modificar práticas gerenciais no campo socioambiental para reverter a imagem negativa do setor perante a opinião pública.. Líderes de empresas nacionais que já tinham programas ambientais deram suporte à iniciativa. Início das primeiras discussões sobre o Responsible Care no Brasil. foi criado em decorrência dos sucessivos acidentes com grande repercussão e que afetaram a imagem da indústria química mundial deste o início da década de 1970. No quadro 33 são apresentados alguns dados relevantes sobre o processo de criação e implantação do Programa Atuação Responsável no mundo: Quadro 33 – Dados sobre o Programa Atuação Responsável Ano 1984 1987 1988 Fatos O programa tem sua origem em uma iniciativa da Canadian Chemical Producers Association (CCPA). solicitando seis meses para analisá-la. definido como um “compromisso do setor químico para a melhoria contínua em todos os aspectos relacionados à saúde. Implementado oficialmente em 1988 nos Estados Unidos por meio da Chemical Manufacturers Association (CMA). 1989 Criado o International Council of Chemical Associations (ICCA) com o objetivo de coordenar em nível mundial a implantação do programa Atuação Responsável. Em outubro do mesmo ano. O programa Atuação Responsável foi levado para os Estados Unidos e Inglaterra. De acordo com Lage e Valle (2004) o Programa Atuação Responsável. Continua (. O nome “Atuação Responsável” foi proposto e aceito pelo Comitê Ambiental da ABIQUIM. a exemplo da ação relacionada ao Programa Atuação Responsável42. à segurança e ao desempenho ambiental. o comitê apresentou os princípios do Programa Atuação Responsável para a Diretoria da ABIQUIM.

profissionais de empresas associadas e representantes das comunidades vizinhas. especialmente norteamericanas. Definição do novo modelo do Programa Atuação Responsável e início do processo de revisão. Disponibilização dos códigos de práticas. e da necessidade da sua atualização em relação a legislação brasileira e acordos internacionais (quando o programa foi lançado apenas algumas práticas gerenciais eram obrigatórias por lei). processo que permite às empresas acompanhar o andamento da implementação das Diretrizes. no mesmo ano da realização da Conferência de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (UNCED). Neste mesmo ano o programa passa a ser obrigatório para os membros da ABIQUIM. 50% o de prevenção a poluição e transporte e distribuição.. Publicação de guias dos códigos de práticas. Continua (. 118 ou 75% dos associados. Neste mesmo ano. que representavam mais de 90% das companhias líderes de mercado. o seu primeiro modelo de sistema de verificação externa do Programa Atuação Responsável. somente 74 de 103 companhias submeteram-se a avaliação. acabou revertendo a resistência à iniciativa. A ABIQUIM decidiu por não replicar os códigos e as guias de implementação do Responsible Care e colocou ênfase em liderança. denominado VerificAR. Neste ano as multinacionais americanas eram as mais avançadas na implementação do programa. 104 de 138 companhias químicas assinaram ou renovaram seu compromisso com o Programa Atuação Responsável. A ABIQUIM desenvolve seis códigos de práticas (com guias e checklists) para o Programa Atuação Responsável: segurança de processos. dos 133 membros 75% tinham implementado o código de segurança de processo. dos 156 membros da ABIQUIM. transporte e distribuição. A ABIQUIM reporta que 70% dos seus 133 membros tinham adotado o programa. segundo a ABIQUIM. fazendo com que em abril de 1992 fosse endossado o programa Atuação Responsável brasileiro. São gerados os primeiros indicadores. A ABIQUIM divulga o primeiro relatório público. De acordo com Mazurek citado por Demajorovic (2003) a iniciativa já atingia 43 países. cobrindo 87% da produção química mundial. participação do empregado e sistema de gestão. o programa inicialmente envolveu aproximadamente 90% da indústria brasileira do setor em termos financeiros).) 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 . Neste ano. A ABIQUIM promove a primeira auto-avaliação. Neste ano. proteção ambiental. os membros da ABIQUIM não eram obrigados a assinar o compromisso com o Programa Atuação Responsável. conhecida como “Eco 92”. e gerenciamento de produto. Neste mesmo ano inicia-se a aplicação do VerificAR. A ABIQUIM desenvolve em conjunto com empresas certificadoras. e 30% o de resposta a emergências e gerenciamento de produto. realizada na cidade do Rio de Janeiro.203 1992 Adoção do Programa Atuação Responsável pela Associação Brasileira de Indústrias Químicas (2007). resposta a emergências e diálogo com a comunidade. assinaram o compromisso com o Programa Atuação Responsável. segurança e saúde do trabalhador. A pressão de multinacionais atuando no país. com a participação de auditores de empresas certificadoras.. A ABIQUIM realiza uma pesquisa de imagem da indústria química. atendimento de novas demandas de empresas que já implantaram 100% do programa. Em maio do mesmo ano o programa foi oficialmente estabelecido no Brasil. em função do modelo se mostrar complexo e burocrático. Nesta época. com a participação de 50% dos associados da ABIQUIM (devido a participação de grandes empresas.

95). definidas no formato do ciclo do PDCA (Plain. Empresários nacionais também argumentavam que a iniciativa poderia atrair ainda mais a atenção dos órgãos ambientais para o setor. culminando em uma legislação ambiental mais restritiva. ou reduzir o grau de soberania das empresas associadas na medida em que preconizava um programa uniforme a ser implementado indistintamente . especialmente em seus países de origem. tais como o Global Reporting Initiative (GRI) e o Balanced Scorecard. Do. iniciada a revisão do VerificAR para possibilitar uma única auditoria integrada. a questão da imagem pública do setor limitava-se às corporações multinacionais. a implementação do Programa Atuação Responsável encontrou diversas barreiras. foram as próprias empresas multinacionais que optaram pela adoção desta alternativa racional visando o lucro. 2005 2006 Fonte: Associação Brasileira de Indústrias Químicas (2007). conjunto de diretrizes. com o objetivo de proteger a legitimidade da indústria química mundial para evitar legislações mais restritivas. para a implantação e para adaptação do Programa Atuação Responsável revela a resistência e as dificuldades apresentadas pelas indústrias químicas baseadas na racionalidade econômica em adaptar-se a uma nova realidade compatível com um desenvolvimento de fato. De acordo com Jonhson citado por Demajorovic (2003). nos critérios do Prêmio Nacional de Qualidade (PNQ). Produção do 1º. O seu conteúdo é integralmente adequado e incorporado nas novas Diretrizes. além das experiências das próprias empresas associadas. considerando outros tipos sistemas de gestão. iniciada a construção do novo espaço na internet dedicado ao Atuação Responsável (Canal AR) e. os antigos códigos e práticas deixam de existir. Com a revisão do Programa Atuação Responsável. visto que várias empresas nacionais questionavam a utilidade da iniciativa e sentiam-se inseguras sobre importar um programa na forma de “pacote fechado”. Apesar de amplo. Check e Action) e elaboradas com base em diversas normas nacionais e internacionais de gestão (Ex: ISO). início da redação do novo conjunto de práticas gerenciais do Programa Atuação Responsável. aprovação dos textos da Visão. para a aceitação. p. Missão e Princípios Diretivos do Programa. 112) isto se devia ao fato de que: Para muitos representantes de empresas químicas nacionais. sustentável. segundo o autor. Demajorovic (2003. Demajorovic e Soares (2006) e Relatório de Atuação Responsável (2007) O longo período exigido para o surgimento. o VerificAR não possuía total compatibilidade com as auditorias para normas de sistemas de gestão. Porém no Brasil. nos indicadores do Instituto Ethos e outros instrumentos reconhecidos. p. Segundo Demajorovic (2003. para equilibrar as forças em jogo e para incrementar suas operações.204 2004 Criação do Conselho Consultivo Nacional (CCN) reunindo diversas personalidades de diferentes áreas e setores.

as pequenas empresas. Para os autores normalmente estas duas fases são seguidas pelas fases da contemporização e da aceitação passiva para que somente depois ocorra a fase da ação pró-ativa e consciente que visa eliminar. a contaminação do ser humano pelo chumbo. a causa identificada. não associadas a conglomerados internacionais. não atinge a totalidade das indústrias químicas instaladas no território nacional. a fase do desconhecimento é caracterizada pela ausência de conhecimento sobre os efeitos danosos de certos agentes químicos. O Programa Atuação Responsável desenvolvido pela entidade que representa a indústria química em nível mundial e que é adotado pelas entidades que representam as indústrias químicas em nível local apresenta algumas limitações. na origem. é que a exigência para a sua adoção é aplicada apenas para as indústrias químicas associadas à ABIQUIM. Esta dificuldade para a aceitação do programa pelos responsáveis pelas indústrias químicas pode ser melhor compreendida pela definição de cinco fases propostas por Lage e Valle (2004): fase do desconhecimento. a exemplo do Brasil. diz respeito à dificuldade enfrentada para a sua adoção em escala global: provavelmente por razões políticas e interesses econômicos associados. conforme ilustrado na figura 19: . A primeira delas. apesar do programa envolver as maiores indústrias químicas existentes no país. apesar de já possuírem dados suficientes para admiti-lo. De acordo com Lage e Valle (2004) esta fase normalmente é seguida pela fase da contestação. Logo. Por fim. principalmente pequenas e médias empresas. Outra questão relevante. onde os responsáveis pela produção ou utilização desses produtos não reconhecem o nexo causal. o efeito tóxico de metais pesados e a ação dos clorofluorcarbonos (CFCs) sobre a camada de ozônio. Segundo os autores. preocupavam-se principalmente com a possibilidade de aumento dos custos que a iniciativa implicava sem gerar qualquer retorno financeiro.205 por todos os associados. responsáveis por uma considerável participação na produção industrial mundial. países como a China e a Rússia. como por exemplo. representam uma lacuna em termos globais para a efetivação do programa. fase da contestação. fase da contemporização. fase da aceitação passiva e a fase da ação pró-ativa.

nesse aspecto. Seu critério de desempenho é verificar se os códigos referentes aos sistemas de gestão foram implementados pelos associados nos diferentes países. Como se trata de um programa voluntário.206 Figura 19 – Mapa da Presença do Programa Atuação Responsável no Mundo Fonte: Associação Brasileira de Indústrias Químicas (2007a) Demajorovic (2003. De acordo com o autor. o projeto assemelha-se à ISO 14000. talvez esteja na forma escolhida para sua avaliação. p. limitando-se a certificar sistemas de gestão. Demajorovic (2003. p. com base em compromissos éticos com a sociedade”. 97) acredita que o maior problema do programa. O autor menciona que os seus representantes não o consideram propriamente um programa. buscar melhorar a percepção do público em relação às formas de gerenciamento das unidades químicas. uma vez que esta também não trabalha com indicadores de desempenho. 97) considera que “o Programa Atuação Responsável apresenta-se para as indústrias químicas como uma nova forma de conduzir seus negócios. ou fragilidade perante a opinião pública. o Atuação Responsável não impõe objetivos quantitativos para a redução da poluição ou prazos para que determinados tipos de emissão cessem ou diminuam. . mas sim uma mudança cultural na maneira como a indústria química realiza seus negócios de forma a na prática.

Estas indústrias se revelam diferentes pelo fato de não serem associadas às entidades que a representam em nível nacional. as tradicionais linhas de pensamento empirista e intelectualista divergiram sobre as suas respectivas concepções sobre percepção.207 Demajorovic e Soares (2006) acreditam que algumas críticas continuam sendo feitas ao desempenho do programa no Brasil. Em sua obra. para tentar identificar como estas estabelecem as suas relações com o meio ambiente. as tentativas de definição de .4. Este estudo apresentará a percepção de profissionais que atuam em indústrias químicas distantes da realidade enfrentada por grandes organizações do setor. um dos problemas verificados é o baixo retorno das auto-avaliações principalmente das pequenas e médias empresas. Comissão Mundial sobre Meio Ambiente (1991). PERCEPÇÃO Para este estudo. Sheldrake (2001) e Fernandes (2004). Chauí (2000) menciona que na história da filosofia. Egler e Silva (2007). Outro fator apresentado pelos autores é o receio das empresas em divulgar dados e informações sobre seu desempenho. por não possuírem vínculo com o Programa Atuação Responsável e por não serem consideradas em estudos relacionados a indústrias químicas. mesmo quando acordadas condições de garantia de sigilo. em função destas não contarem com dados sistematizados que permitam o fornecimento das informações solicitadas. que busca revelar algumas das percepções que os profissionais de indústrias químicas instaladas em um município paranaense têm das relações de suas organizações com o meio ambiente. 2. Este estudo busca estabelecer as percepções de um pequeno número de profissionais de empresas paranaenses do setor químico. De acordo como os autores. uma vez que a ABIQUIM tem dificuldades de manter o apoio efetivo de todos os associados. foram considerados os conceitos de percepção propostos pela Chauí (2000). A exemplo dos fatos ocorridos em outros campos científicos fundamentados na matriz do pensamento linear.

Empirista Intelectualista Fonte: Adaptado de Chauí (2000) . Nas teorias empiristas. sentir e perceber são fenômenos que dependem da capacidade do sujeito para decompor um objeto em suas qualidades simples (a sensação) e de recompor o objeto como um todo. causadas por estímulos externos que agem sobre nossos sentidos e sobre o nosso sistema nervoso.). o conhecimento é obtido por soma e associação das sensações na percepção e tal soma e associação dependem da freqüência. da repetição e da sucessão dos estímulos externos e de nossos hábitos. A passagem da sensação para a percepção é. sinto o cheiro da rosa. por exemplo. etc. a percepção é a única fonte do conhecimento. a sensação e a percepção dependem das coisas exteriores. estando na origem das idéias abstratas formuladas pelo pensamento. um sabor.208 um conceito para percepção também envolveram questões relacionadas à disjunção ocorrida entre sujeito e objeto. afirma que todo conhecimento é percepção e que existem dois tipos de percepção: as impressões (sensações. conforme demonstrado no quadro 34: Quadro 34 – Linhas de Pensamento sobre Percepção – Empirista X Intelectualista Linha de Pensamento Principais Características Nesta linha. indo ao cérebro e voltando às extremidades sensoriais. o sujeito é ativo e a coisa externa é passiva. Nesta linha. Nas teorias racionalistas intelectualistas. na sensação. A sensação seria pontual. mas sensações dispersas ou elementares. sinto o sabor de uma carne. trata-se de explicar e corrigir a percepção. emoções e paixões) e as idéias (imagens das impressões). Cada sensação é independente das outras e cabe à percepção unificá-las e organizá-las numa síntese. ou seja. Assim. sua organização ou síntese seria feita pela inteligência e receberia o nome de percepção. um ponto do objeto externo toca um de meus órgãos dos sentidos e faz um percurso no interior do meu corpo. Para a concepção racionalista intelectualista. elementares e. recebendo uma resposta que parte de nosso cérebro. Não haveria algo propriamente chamado percepção.. neste caso. a sensação e a percepção dependem do sujeito do conhecimento e a coisa exterior é apenas a ocasião para que tenhamos a sensação ou a percepção. um odor) ou uma associação de sensações numa percepção (vejo um objeto vermelho. volta a percorrer nosso sistema nervoso e chega aos nossos sentidos sob a forma de uma sensação (uma cor. dando-lhe organização e interpretação (a percepção). pois frequentemente a imagem percebida não corresponde à realidade do objeto. Hume. Nesse caso. “sabemos” que estamos tendo a sensação de um objeto que possui as qualidades sentidas por nós. na percepção. A causa do conhecimento sensível é a coisa externa.. Nesta linha de pensamento. isto é. dispersas. “sentimos” qualidades pontuais. que confere organização e sentido às sensações. o pensamento filosófico e científico deve abandonar os dados da percepção e formular as idéias em relação com o percebido. a percepção é considerada não muito confiável para o conhecimento porque depende das condições particulares de quem percebe e está propensa a ilusões. de modo que a sensação e a percepção são efeitos passivos de uma atividade de corpos exteriores sobre o nosso corpo. um ato realizado pelo intelecto do sujeito do conhecimento.

O conhecimento sensível alcança a mera aparência das coisas. pontuais ou elementares. a sensação conduz à percepção como uma síntese passiva. estas mudanças foram trazidas pela fenomenologia de Husserl e pela Psicologia da Forma ou teoria da Gestalt44. a sensação e a percepção são sempre confusas e devem ser abandonadas quando o pensamento formula as idéias puras”. as idéias são provenientes das percepções. . que a sensação não é reflexo pontual ou uma resposta físico-fisiológica a um estímulo externo também pontual. “para os empiristas. parte das idéias inatas e controla (por meio de regras) as investigações filosóficas. o conhecimento intelectual alcança a essência das coisas. p. que depende do objeto exterior”. memória e linguagem) é a causa do erro e deve ser afastado. Representando a filosofia. que a percepção não é uma atividade sintética feita pelo pensamento sobre as sensações. isto é. 152). 152 e 153). percepção. imaginação. que depois o espírito 43 Segundo Chauí (2000) Platão diferencia e separa radicalmente duas formas de conhecimento: o conhecimento sensível (crença e opinião) e o conhecimento intelectual (raciocínio e intuição). sensação. as linhas empirista e intelectualista concordavam em um aspecto no qual consideravam que a sensação era uma relação de causa e efeito entre pontos das coisas e pontos de nosso corpo e a percepção era considerada a atividade que unia as partes numa síntese que seria o objeto percebido. Segundo Chauí (2000) a fenomenologia e a Gestalt demonstram que não há diferença entre sensação e percepção. as idéias. criando as condições necessárias para a formulação de uma nova concepção do conhecimento sensível43. Ainda segundo a autora “para os empiristas. que depende da atividade do entendimento”. a sensação conduz à percepção como síntese ativa. sensações separadas de cada qualidade. De acordo com Chauí (2000). o conhecimento sensível (isto é. afirmando que somente o segundo alcança o Ser e a verdade. iii) Contra o empirismo e o intelectualismo. Para Descartes. científicas e técnicas. O conhecimento verdadeiro é puramente intelectual. Para Chauí (2000. p.209 De acordo com Chauí (2000. ou seja. isto é. enquanto que “para os intelectualistas. ii) Conta o intelectualismo. uma vez que nunca temos sensações parciais. este campo científico foi capaz de alterar estas duas tradições. sendo que ambas mostraram: i) Contra o empirismo. Para os intelectualistas. que não há diferença entre sensação e percepção. Chauí (2000) afirma que a partir do último século.

seus movimentos. de modo que a situação de nosso corpo e as condições de nosso corpo são tão importantes quanto a situação e as condições dos objetos percebidos. forma”. Para Chauí (2000. O cavalo-percebido não é um feixe de qualidades isoladas que enviam estímulos aos meus órgãos dos sentidos (como suporia o empirista). mas com uma estrutura diferente do pensamento abstrato. isto é. nem uma idéia (intelectualismo). O cavalo-percebido não é um mosaico de estímulos exteriores (empirismo). isto é. seu cheiro. p. a autora ilustra sua concepção de percepção: [. seu porte. Para Chauí (2000. pois somente percebemos algumas de suas faces de cada vez. figura estruturada.. exatamente. 156): A percepção sempre se realiza por perfis ou perspectivas. nosso intelecto compreende uma idéia de uma só vez. Uma paisagem. p. 153-155).. suas partes.] ter a sensação e a percepção de um cavalo é sentir/perceber de uma só vez sua cor (ou cores).210 juntaria e organizaria como percepção de um único objeto. que opera com idéias. isto é. No exemplo a seguir. 152) “Gestalt é uma palavra alemã que significa: configuração. nunca podemos perceber de uma só vez um objeto. sem precisar examinar cada uma de suas “faces”. no pensamento. Chauí (2000. ii) iii) É sempre uma experiência dotada de significação. o percebido é dotado de sentido e tem sentido em nossa história de vida. p. um cavalo-percebido. É o conhecimento de um sujeito corporal. . a percepção possui as seguintes características: i) É o conhecimento sensorial de configurações ou de totalidades organizadas e dotadas de sentido e não uma soma de sensações elementares. mas está organizado em formas e estruturas complexas dotadas de sentido. a percepção é considerada originária e parte principal do conhecimento humano. sua cara. nem um objeto indeterminado esperando que meu pensamento diga às minhas sensações: “Este objeto é um cavalo” (como suporia o intelectualista). ou seja. totalidades estruturadas dotadas de sentido ou de significação. seus ruídos. não é uma soma de coisas que estão apenas próximas umas das outras. uma vivência corporal. sensação e percepção são a mesma coisa. iv) O próprio mundo exterior não é uma coleção ou uma soma de coisas isoladas. fazendo parte de nosso mundo e de nossas vivências. por exemplo. 153) considera que sentimos e percebemos formas. mas é a percepção de coisas que 44 De acordo com Chauí (2000. A autora considera que na teoria fenomenológica do conhecimento. mas é. seu tamanho. p. seu lombo e seu rabo.

estruturado e estamos nele como sujeitos ativos. um rio e um caminho. tácteis. valor ou função. o verde do vale só pode ser percebido por contraste com o cinza ou o dourado da montanha. olfativas. tamanhos. não temos uma coleção de sensações que nos dariam as partes isoladas de seu corpo. Percebemos as coisas e os outros de modo positivo ou negativo. efetivamente e valorativamente. isto é. Em resumo: na percepção. v) A percepção é assim uma relação do sujeito com o mundo exterior e não uma reação físico-fisiológica de um sujeito físico-fisiológico a um conjunto de estímulos externos (como suporia o empirista). a partir da estrutura de relações entre nosso corpo e o mundo. essa paisagem será um espetáculo de contemplação se o sujeito da percepção estiver repousado. os corpos dos outros sujeitos e os corpos das coisas. em nossa sociedade. sonoras. reagimos positiva ou negativamente a cores. podem causar numa outra sociedade.211 formam um todo complexo e com sentido: o vale só é vale por causa da montanha. Quando percebemos uma outra pessoa. ou será um obstáculo. e por isso é mais adequado falar em campo perceptivo para indicar que se trata de uma relação complexa entre o corpo-sujeito e os corpos-objetos num campo de significações visuais. nossos desejos e paixões. sadia ou doentia. sedutora ou repelente) e por essa percepção definimos nosso modo de relação com ela. nossa história pessoal. e um não existe sem o outro. viii) A percepção depende das coisas e de nosso corpo. as árvores. motrizes. Por exemplo. distâncias. gustativas. temporais e lingüísticas. a percepção é uma maneira fundamental de os seres humanos estarem no mundo. O mundo é percebido qualitativamente. isto é. meios de nos vermos em imagem. significativo. percebemos as coisas como instrumentos ou como valores. depende do mundo e de nossos sentidos. nossa afetividade. nem uma idéia formulada pelo sujeito (como suporia o intelectualista). sabores. o azul do céu só pode ser percebido por causa do verde da vegetação e o marrom da terra. cuja altura e distância só podem ser avaliadas porque há o céu. um espelho ou uma fotografia são objetos funcionais ou artísticos. odores. depende do exterior e do interior. damos às coisas percebidas novos sentidos e novos valores. texturas. de modo que a percepção é uma forma de comunicação que estabelecemos com os outros e com as coisas. uma comunicação. se o sujeito da percepção for um viajante que descobre que precisa ultrapassar a montanha. vii) O mundo percebido é um mundo intercorporal. isto é. bela ou feia. mas será um objeto digno de ser visto por outros se o sujeito da percepção for um pintor. A relação dá sentido ao percebido e ao percebedor. x) A percepção envolve nossa vida social. mas a percebemos como tendo uma fisionomia (agradável ou desagradável. as relações se estabelecem entre nosso corpo. isto é. o mundo possui forma e sentido e ambos são inseparáveis do sujeito da percepção. pois as coisas fazem parte de nossas vidas e interagimos com o mundo. vi) O mundo percebido é qualitativo. A percepção é uma conduta vital. objetos que para nossa sociedade não causam temor. por exemplo. no . ix) A percepção envolve toda nossa personalidade. os significados e os valores das coisas percebidas decorrem de nossa sociedade e do modo como nela as coisas e as pessoas recebem sentido. Assim. serena ou agitada. espaciais. uma interpretação e uma valoração do mundo.

3) citam que: [. mas dado a sua dificuldade de visualização ele poder utilizar outros sentidos. como julgava a tradição. Para as autoras. p. os quais são influenciados por fatores externos e internos aos indivíduos. visão. xii) A percepção não é uma idéia confusa ou inferior. xi) A percepção nos oferece um acesso ao mundo dos objetos práticos e instrumentais. tato. Desta forma. Para Egler e Silva (2007. olfato. conceito que se aproxima da definição da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente (1991) a qual considera que a percepção é a maneira pela qual o homem sente e compreende o meio ambiente. a concepção de percepção na visão dos fenomenologistas é formada por dois mecanismos que se complementam: os sentidos e a cognição. as teorias sobre percepção encontram-se em diversas áreas e possuem enfoques diferenciados sobre o que venha a ser percepção. isto é. Egler e Silva (2007) evidenciam a presença da multidisciplinaridade nos estudos que tratam sobre percepção quando revelam que a compreensão dos campos da percepção não é tarefa de um único campo do conhecimento. p. que o permitirá ter outras sensações da realidade e por isso interpretá-la de um outro modo. paladar. 3). que são capazes de criar um “outro” mundo pela simples alteração que provoca em nossa percepção cotidiana e costumeira.212 entanto. por isso. para muitas sociedades indígenas. Para Egler e Silva (2007). ver a imagem de alguém ou a sua própria é ver a alma desse alguém e fazê-lo perder a identidade e a vida. Não que um cego. xiii) A percepção está sujeita a uma forma especial de erro: a ilusão. possua uma percepção reduzida. natural ou criado por ele. a percepção nos permite formar idéias.] um cego não pode possuir percepções do mundo igual a uma pessoa que detém a visão. imagens e compreensões do mundo que nos rodeia.. de modo que a percepção de um espelho ou de uma fotografia pode ser uma percepção apavorante. a percepção é uma forma de conhecimento e de ação fundamental para as artes. Egler e Silva (2007. até por que os estímulos externos são captados pelos sentidos audição. 3) consideram que: . nos orienta para a ação cotidiana e para as ações técnicas mais simples. Como forma de ilustrar esta concepção. p.. mas uma maneira de ter idéias sensíveis ou significações perceptivas. Egler e Silva (2007.

. para o autor. o ato de perceber o ambiente que se está inserido. se confundem. reage e responde diferentemente às ações sobre o ambiente em que vive. a teoria triunfa da experiência e uma doutrina metafísica é aceita como fato objetivo. aprendendo a proteger e a cuidar do mesmo. as crianças assim como os povos primitivos e ignaros são considerados gente confusa. Sendo que. que é mediada pela motivação. Ela se projeta para abarcar tudo o que vemos. a mente deve estender-se para além do corpo. Ora. morais. julgamentos e expectativas daqueles que percebem. Assim como a luz penetra nos olhos. Na questão específica de um estudo envolvendo a variável meio ambiente. Sheldrake (2001.213 [. Sujeito e objeto. Fazendo referência a Piaget. Sheldrake (2001. quando aprendem que os pensamentos e as percepções não estão fora. p. nossa mente se estira por distâncias astronômicas até tocar aqueles astros.] a luz penetra nos olhos. As respostas ou manifestações daí decorrentes são resultados das . mas nós também vamos até ele. Para o autor: Nossas percepções são construções mentais que envolvem a atividade interpretativa da mente.. Para Fernandes (2004). mas dentro de suas cabeças. 92) considera que “povos tradicionais do mundo inteiro raciocinam de modo diferente. em que se é possível interpretar o mundo.. de fato. a noção de percepção ambiental se faz importante. pelos valores éticos. as imagens e percepções se projetam dos olhos para o mundo que nos cerca”. a percepção ambiental pode ser definida como sendo uma tomada de consciência do ambiente pelo homem. os quais deveriam estar nitidamente separados. o sujeito do objeto. a visão escapa dos olhos”. Para Faggionato citado por Fernandes (2004). Do ponto de vista “erudito”. Graças às percepções. por não conseguirem distinguir o interno do externo. interesses. Se contemplamos as estrelas distantes. estão também fora de nossos corpos. 92) acredita que da mesma forma que “[.] a percepção é um processo ativo da mente. se são imagens em nossa mente. Sheldrake (2001) menciona que as crianças de nossa própria cultura também pensam o mesmo e que perdem esta noção com cerca de 11 anos. p. cada indivíduo percebe. ou seja. há uma contribuição da inteligência no processo perceptivo. A visão se projeta do corpo.. Desse modo. No entanto. o ambiente é trazido para dentro de nós. Acreditam em sua experiência pessoal. se se acham tanto dentro da mente quanto fora do corpo.

este estudo busca criar oportunidades para que profissionais da área e a sociedade da qual são apenas uma parte integrante. Para Marques citado por Fernandes (2008) a percepção ambiental desponta como uma arma na defesa do meio natural.214 percepções (individuais e coletivas). visando um futuro com mais qualidade de vida para todos. Para Demo (1987. O autor considera que um das dificuldades para a proteção dos ambientes naturais está na existência de diferenças nas percepções dos valores e da importância dos mesmos entre os indivíduos de culturas diferentes ou de grupos sócio-econômicos que desempenham funções distintas. nesses ambientes. formado por meta (para) e hodos (caminho). 3. pesquisa”. 19) a metodologia: . p. julgamentos e condutas. já que é capaz de despertar uma maior responsabilidade e respeito dos indivíduos em relação ao ambiente em que vivem. De acordo com Fernandes (2004) a importância da pesquisa em percepção ambiental para o planejamento do ambiente foi ressaltada pela UNESCO em 1973. suas expectativas. dos processos cognitivos. e poderia ser traduzido como “caminho para” ou então “prosseguimento. Além de revelar algumas das percepções dos profissionais da indústria química. O autor considera que um estudo da percepção ambiental é de fundamental importância para a melhor compreensão das inter-relações entre o homem e o ambiente. e ajuda a reaproximar o homem da natureza. anseios. satisfações e insatisfações. CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA Segundo Laville e Dionne (1999) o termo método deriva do grego methodos. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 3. reflitam sobre suas ações e sobre a necessidade do desenvolvimento de uma nova racionalidade que seja mais compatível com a correta utilização dos recursos naturais e a preservação do ambiente natural.1. julgamentos e expectativas de cada pessoa. no plano social.

classificando-as em três grandes grupos: exploratórias.] é uma preocupação instrumental. Cuida dos procedimentos. Para atingirmos tal finalidade. 3. p. S. E. para assegurar a si e aos demais que os resultados da pesquisa serão confiáveis e válidos”. elaborada por Santos. 41) “têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema. Tipo de Estudo De acordo com Gil (2002) é usual classificar as pesquisas com base em seus objetivos gerais. recursivo e hologramático presentes na proposta de Morin para a complexidade. Diferentemente das preocupações predominantes em pesquisas aplicadas de natureza quantitativa. elaborada por Wiens (2007) ou da pesquisa sobre a influência e a percepção do setor automotivo na sustentabilidade ambiental da região metropolitana de Curitiba. sem que isso represente a eliminação do rigor necessário para a realização de pesquisas. a exemplo da pesquisa sobre a proposta de criação de um índice de qualidade do ambiente sustentável para os bairros de Curitiba. p. dos caminhos. Este capítulo busca apresentar os “caminhos metodológicos” adotados para o desenvolvimento deste estudo exploratório de natureza qualitativa bem como apresentar os motivos e escolhas que justificam os procedimentos metodológicos adotados pelo pesquisador.. trata-se das formas de se fazer ciência. pois segundo Gil (2002. descritivas ou explicativas. imprescindível trabalhar com rigor. Quanto ao tipo de estudo esta pesquisa se caracteriza como sendo exploratória.. colocam-se vários caminhos. Para o autor estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de idéias ou a descoberta de intuições. sendo por tanto o seu planejamento bastante flexível. 11) é “..1. característica esta que possibilita a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado.215 [. A finalidade da ciência é tratar a realidade teórica e prática. com vistas a torná-lo mais explícito”. com método. optou-se pela adoção de procedimentos metodológicos que favorecessem os princípios dialógico. das ferramentas. Para Laville e Dionne (1999.1. Disto trata-se a metodologia. dos (2007).. .

M. que deve ser apresentada de forma descritiva”. M. p. 65): [. 3.216 Para Oliveira.] um processo de reflexão e análise da realidade através da utilização de métodos e técnicas para compreensão detalhada do objeto de estudo em seu contexto histórico e/ou segundo sua estruturação”. de (2007.. pode levantar um novo problema que será esclarecido através de uma pesquisa mais consistente”.. M. e como alternativa a forma tradicional de construção do saber científico... M.] um estudo exploratório é realizado quando o tema escolhido é pouco explorado. de (2007. Natureza Com o objetivo de atender princípios presentes na proposta da complexidade. 37) a pesquisa qualitativa é “[. ao dar uma explicação geral..] esse tipo de pesquisa desenvolve estudos que dão uma visão geral do fato ou fenômeno estudado [. a pesquisa exploratória. de (2007. Para a autora “. 65) “este tipo de pesquisa objetiva dar uma explicação geral sobre determinado fato. M... Segundo Oliveira. p. como o estabelecimento da dialógica entre campos científicos distintos. p.2. leitura e análise de documentos”. entrevistas e análise de dados. através da delimitação do estudo. caracterizada pelos princípios da .] implica em estudos segundo a literatura pertinente ao tema. levantamento bibliográfico. aplicação de questionários.. envolvendo as variáveis “Meio Ambiente” e “Indústrias Químicas”. A escolha pela realização de uma pesquisa de natureza qualitativa também se deu em razão das características complexas e subjetivas do tema de estudo proposto. sendo difícil a formulação e a operacionalização de hipóteses. da participação do pesquisador e da comunicação entre o tema e o ambiente. optou-se pelo desenvolvimento de um estudo de natureza qualitativa.. Para Oliveira. observações. como forma de promover uma aproximação entre pesquisador..1. Para a autora a pesquisa qualitativa “[. De acordo com Gil (2002) na maioria dos casos estas pesquisas envolvem um levantamento bibliográfico. entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado e análise de exemplos que estimulem a sua compreensão. sujeitos e objetos envolvidos no tema de pesquisa. teoria. M.

. indiretamente. não se harmoniza com a idéia de Para Laville e Dionne (1999. p. devem ser considerados. assim como qualquer explicação que resulte de idéias inatas ou anteriores a qualquer experiência. tendo uma origem diferente da experiência da realidade parece suspeito. “tirá-lo de cena” exatamente pela objetivação total do resultado da observação. Para os autores. 27). o conhecimento positivo parte da realidade como os sentidos a percebem e ajusta-se à realidade. em si. definidas por Guba e Lincoln citados por Mattos (2006. embora possível para fins práticos e tecnológicos. eventualmente manipulado. com novos contextos e perspectivas sociais. p. leva ao conhecimento objetivo. preferencialmente em linguagem formal e clara. ao mínimo. fica de fora. 16). que a ficção de um conhecimento sem a marca cultural do autor. o entrevistado. na pesquisa objetiva: Só fatos. que pode assim tornar-se produto. Desta forma qualquer conhecimento. Segundo os autores. este conceito considera que “o sujeito conhecedor (o pesquisador) não deve influenciar esse objeto de modo algum. cada vez mais. Segundo os autores. 355). aplicado e reproduzido. O entrevistador apenas faz perguntas. cada um deve reconhecê-lo tal como é”. p. O sujeito conhecedor não “deve” existir no texto científico. do empirismo46 ou da aplicação de métodos quantitativos. as respostas do personagem em cena. 2004. p. Para Santos citado por Mattos (2006). A análise racional deles. hoje é consensual. no caso a entrevista. situações tão novas para eles que as suas metodologias dedutivas tradicionais – questões e hipóteses de pesquisa derivadas de modelos teóricos e testadas sobre a evidência empírica – fracassam na diferenciação de objetos (FLICK. inclusive entre as ciências empíricas. 17). para quem as câmeras se voltam. Algumas justificativas para esta decisão podem ser encontradas nas considerações de Demo (1987. deve intervir o menos possível e dotar-se de procedimentos que eliminem ou reduzam. p.217 objetividade45. 18) Algumas limitações em termos da abordagem da objetividade empregada na forma tradicional da construção do saber científico podem ser encontradas nos preceitos básicos da pesquisa positivista. e toda a investigação se volta para o objeto de interesse. o conceito de objetividade considera que “o conhecimento positivo deve respeitar integralmente o objeto do qual trata o estudo. Para o autor: A mudança social acelerada e a conseqüente diversificação de esferas de vida fazem com que os pesquisadores sociais defrontem-se. Fatos são o que ele diz. o que fica gravado. que considera que as “realidades sociais se manifestam de formas mais qualitativas do que quantitativas. dificultando procedimentos de manipulação exata” e de Flick (2004. para quem a “relevância específica da pesquisa qualitativa para o estudo das relações sociais deve-se a pluralização das esferas da vida”. os efeitos não controlados dessas intervenções” 46 45 Para Laville e Dione (1999) o empirismo se define como um conhecimento gerado à partir de uma experiência. O trabalho de análise é.

M. conceito pelo qual o autor deve evitar ao máximo a subjetividade. p.218 ciência racionalmente sustentável. Frente aos fatos sociais tem preferências.. p. que se espera todavia ser racional. interesses particulares” [. p. Para os autores “em ciências humanas.] “interessa-se por eles e os considera a partir do seu sistema de valores”. isto é.. 102) a subjetividade “leva o pesquisador a sucumbir à magia dos métodos e técnicas. controlada e desvendada”. p. situação que coincide com o caso do pesquisador “. o pesquisador é mais que um observador objetivo: é um ator aí envolvido” (LAVILLE E DIONNE. Para os autores “é sob esse ângulo que.. frente aos fatos sociais. 47 . uma vez que os objetos de estudo pensam. agem e reagem”. M. para o autor. De acordo com Oliveira. M. e que os “fatos” também recebem codificação pessoal e social. de (2007) sugere uma neutralidade científica. de (2007. De acordo com Laville e Dionne (1999. relacionada mais ao sujeito pesquisador e seu procedimento do que ao objeto de pesquisa” (LAVILLE E DIONNE. Para os autores “são atores podendo orientar a situação de diversas maneiras. Segundo Minayo citado por Oliveira. inclinações. segundo o qual o pesquisador passa a ter consciência de que é ele quem provoca numerosas de suas observações e que sem a sua intervenção elas não aconteceriam. 34). p. 1999. p. define-se a objetividade. 39). A concepção deste estudo trata-se de uma tentativa de contribuir para a redefinição do conceito de objetividade defendido por Santos citado por Mattos (2006) e de testar a proposta de transformação do conceito de objetividade definido por Laville e Dionne (1999). o autor deve manter-se distante de suas emoções durante a construção do conhecimento de forma a evitar o “achismo” que pode interferir nos resultados da pesquisa. Para Laville e Dionne (1999. M. esquecendo-se do essencial.. 33) “em ciências humanas. de (2007. bem como sua eventual subjetividade47.. Para Laville e Dionne (1999. Logo. a partir de então. ter essa objetividade. ele também é um ator agindo e exercendo sua influência”. M. apagar-se desse modo. 34) “.. p.”. ou seja.. os fatos dificilmente podem ser considerados como coisas. se faz necessário redefinir o conceito original de objetividade. 39) “o papel do pesquisador passa a ser reconhecido. o pesquisador não pode. a fidedignidade às significações presentes no material e referida a relações sociais e dinâmicas”.. 60): Oliveira. 1999. M.

do lado daquele ao qual serão comunicados os resultados da pesquisa. oposto ao antigo paradigma. [. Para Laville e Dionne (1999.] é esse modo e essas razões que são o objeto da objetivação: de uma parte. 60) menciona que “todos os conceitos. Oliveira.. p. M. É esse princípio de objetivação que fundamenta a regra da prova e define a objetividade. a seu modo. Poder-se-ia dizer que a objetividade repousa sobre a objetivação da subjetividade (LAVILLE E DIONNE. aliás. p.. uma conexão entre a realidade cósmica e o homem. M. efetua as escolhas e as interpretações. sempre cuidando para não deformá-lo ou reduzi-lo”. escolhê-los e interpretá-los. de outra.219 A opção por uma abordagem qualitativa deve ter como principal fundamento a crença de que existe uma relação dinâmica entre o mundo real. p. das demais ciências” [. o pesquisador (a) deve ser alguém que tenta interpretar a realidade dentro de uma visão complexa. A opção pelo desenvolvimento de um estudo de natureza qualitativa justifica-se pela busca da experiência da objetivação. sua complexidade e o fato de ser livre a atuante. teorias e descobertas são limitados e aproximados” e que este tipo de postura do pesquisador “[. 43 e 44). 41) “a idéia de problema está no centro do realinhamento das ciências humanas. do lado do pesquisador do qual se espera que tome metodicamente consciência desses fatores e os racionalize. Parafraseando Cláudio Oliveira.] “trata-se de compreender. objetivo. portanto. como. de (2007. Para os autores: É a mente do pesquisador que. Para os autores. da promoção de reflexões sobre o tema Laville e Dionne (1999. p. De acordo com Laville e Dionne (1999) o que garante o valor deste saber é um princípio denominado objetivação48. considerando atentamente..] se fundamenta no novo paradigma da ciência contemporânea. retraçar seus múltiplos fatores. concreto e o sujeito. as coordenadas de seu problema de pesquisa e a perspectiva na qual o aborda” 48 . o pesquisador tem consciência que as compreensões assim produzidas são compreensões relativas e que dependem do talento do pesquisador para determinar o problema que escolhe para estudar. 1999. a natureza do objeto de estudo.. 335) definem objetivação como a “operação pela qual o pesquisador torna consciente. entre a objetividade e a subjetividade. que preconizava a verdade absoluta das coisas”. que espera que o pesquisador lhe informe tudo para que possa julgar a validade dos saberes produzidos. e por diversas razões. para ele e para os outros... Para a autora na abordagem qualitativa.

. o laboratório e a bibliografia". R. Para Barros e Lehfeld (2000. 89) “a coleta de dados significa a fase da pesquisa em que se indaga e se obtêm dados da realidade pela aplicação de técnicas”. ou seja. 28). a pesquisa de campo é aquela que “recolhe os dados in natura.4. A. dos (2002. não controlado (laboratório)”. como percebidos pelo pesquisador.220 pesquisado. foram utilizados como recursos metodológicos o diário de campo. p. 89) “em pesquisas de campo. Para Santos. 153). é “qualquer pesquisa realizada em ambiente natural (campo). p. é comum o uso de questionários e entrevistas”. 3. p.1.1. levantamento ou estudo de caso". pela preocupação do estabelecimento de uma relação de equilíbrio entre objetividade e subjetividade e pela intenção do compartilhamento das percepções dos entrevistados e do pesquisador sobre o tema de pesquisa. coleta de dados é a “operação através da qual se obtêm as informações (ou dados) a partir do fenômeno pesquisado”. Para a realização da coleta de dados.] o campo. Normalmente a pesquisa de campo se faz por observação direta. p.. 3. Método de Abordagem O tipo de abordagem utilizada foi a pesquisa de campo. . p. a escolha do instrumento de pesquisa dependerá do tipo de informação que se deseja obter ou do tipo de objeto de estudo. 27 e 28) "chama-se fontes de pesquisa os lugares/situações de onde se extraem os dados de que se precisa" e que ainda segundo o autor podem ser "[.3. dos (2002. Coleta dos Dados Para Appolinário (2004. de forma a produzir um estudo de características inclusivas sem intenções de ser conclusivo. Para Barros e Lehfeld (2000. Ainda para Santos. Para os autores. que de acordo com Fachin (2003. p. o questionário e a entrevista semi-estruturada de natureza qualitativa. A. 48). R.

instrumento mais usado para o levantamento de informações”. Para Oliveira. apenas as consideradas relevantes para o desenvolvimento deste estudo. crenças. de (2007. optou-se pela realização de entrevistas individuais com diferentes tipos de profissionais que atuam nas indústrias químicas em atividades relacionadas ao meio ambiente. 83): O questionário pode ser definido como uma técnica para a obtenção de informações sobre sentimentos. Em regra geral. p. de evitar um excesso de questões que tornariam o seu preenchimento pelo entrevistado pesquisado exaustivo. servindo também como uma agenda cronológica do trabalho de pesquisa. trata-se do “. 89) o diário de campo corresponde ao ”[.. Para a elaboração do questionário foi definida uma quantidade limitada de questões abertas e fechadas. incluindo impressões pessoais sobre o observado e o executado na pesquisa de campo. Para Barros e Lehfeld (2000. Nele foram registradas com exatidão as observações. p.221 Para Barros e Lehfeld (2000. . 90). p. M. este instrumento foi utilizado para registrar as atividades diárias e as não efetivadas com suas justificativas. como forma de possibilitar ao pesquisador conhecer as percepções destes profissionais sobre as relações de suas respectivas organizações com o meio ambiente.. Para a coleta dos dados que compõem o perfil dos profissionais entrevistados e o perfil ambiental das indústrias químicas pesquisadas. Para a realização das entrevistas foram entrevistados profissionais diretamente relacionados com gestão ambiental da organização. situações vivenciadas e sobre todo e qualquer dado que o pesquisador (a) deseja registrar para atender os objetivos do estudo. além da obtenção de algumas informações preliminares necessárias para a realização da entrevista semi-estruturada.] registro de fatos observados através de notas e/ou observações”. vivências e experiências obtidas na pesquisa. Seguindo a recomendação dos autores. percepções. visando atender a recomendação de Barros e Lehfeld (2000). os questionários têm como principal objetivo descrever as características de uma pessoa ou de determinados grupos sociais. M. foi aplicado um questionário antes da realização das entrevistas.. expectativas. visando criar uma aproximação entre o pesquisador e o entrevistado. Devido a natureza dialógica e qualitativa proposta para o estudo..

M. 86) considera que “a entrevista é um excelente instrumento de pesquisa por permitir a interação entre pesquisador (a) e entrevistado (a) e a obtenção de descrições detalhadas sobre o que se está pesquisando”. Corroborando com Barros e Lehfeld. 3. Oliveira. 90) o termo entrevista é “[. assim como reformulá-las para o atendimento das necessidades do entrevistado.. ter preocupação de algo. que segundo Laville e Dionne (1999. Entre indica a relação de lugar ou estado no espaço que separa das pessoas ou coisas” [. feitas verbalmente em ordem prevista. 188) corresponde a uma “série de perguntas abertas. Análise dos Dados e Delineamento da Pesquisa Para a análise dos dados e delineamento da pesquisa foi escolhido o método de análise de conteúdo de natureza qualitativa. por meio do qual se buscou a interpretação e a valorização das transcrições das falas dos entrevistados como elemento central para a análise dos dados coletados.. p. Para Laville e Dionne (1999) a entrevista oferece maior amplitude do que o questionário em relação à sua organização. de (2007. De acordo com Barros e Lehfeld (2000. 91) “a entrevista é uma técnica que permite o relacionamento estreito entre entrevistado e entrevistador”. Para o desenvolvimento deste estudo optou-se pela adoção de uma entrevista do tipo semi-estruturada. M. como proposta para o desenvolvimento deste estudo.] “o termo entrevistado refere-se ao ato de perceber o realizado entre duas pessoas”.] construído a partir de duas palavras. entre e vista. p. p. M. o entrevistador permite-se explicitar algumas questões no curso da entrevista. de (2007) recomenda a adoção deste tipo de entrevista como forma de se estabelecer um padrão de perguntas para cada pessoa ou grupo que se pretende entrevistar... evitou-se de forma proposital.5. Vista refere-se ao ato de ver. Desta forma. Para os autores.1. a aplicação do método de . p. M. uma vez que não está presa a condição de entrega de um documento para cada um dos interrogados. mas na qual o entrevistador pode acrescentar perguntas de esclarecimento”. Oliveira.222 Para Richardson citado por Barros e Lehfeld (2000.

em seguida. esquecendo a razão do seu uso (BARDIN CITADO POR MATTOS. inclusive à luz de teorias supostamente pertinentes ao .223 análise de conteúdo tradicional. 353). Em relação a análise de conteúdo e baseado em Bardin. Sucumbir à magia dos instrumentos metodológicos. Outro motivo que contribuiu para esta tomada de decisão foi o princípio da precaução. para um significado interpretativo? O autor considera que isso é precedido ou. na prática. aumenta a propensão à descoberta”. 354) considera que: [. mas só se completa na “descoberta dos conteúdos”. Mattos (2006. representa um risco de substituição dos significados originais por conceitos “pré-moldados”.] prevalece. Para Mattos (2006) a tecnicização.. A análise exaustiva “satisfaz as consciências”’ que precisam saber-se seguras contra uma “projeção da própria subjetividade”. Esta decisão foi tomada primeiramente pelo interesse do pesquisador em tentar atribuir um maior nível de fidelidade em relação ao tratamento dispensado aos dados coletados. numa tentativa de evitar a utilização autômata de recursos computacionais para a análise dos dados. por um trabalho de organizar as informações resultantes das entrevistas. de vários deles. 2006. por outro. uma conciliação estranha entre “o rigor e a descoberta”. Em sua análise sobre os possíveis riscos inerentes ao uso inadequado destas ferramentas. o autor confronta a recente multiplicação de softwares de análise de conteúdo com o que antes disso advertia Bardin: Isto [“a atitude de vigilância crítica”] sem que se caia na armadilha: construir por construir. buscando com isso a preservação da originalidade destes e das idéias espontâneas resultantes da transcrição literal das entrevistas. intermediado. aplicar a técnica para se afirmar a boa consciência.. p. para que seja possível proceder a inferências maiores. p. que por um lado permite a multiplicação da produção acadêmica e facilita a vida de mestrandos e pesquisadores menos experientes. um salto não-objetivável. pelo menos. ou como diz a autora “uma função heurística: a análise de conteúdo enriquece a tentativa exploratória. Para Mattos (2006) o problema metodológico da análise de conteúdo consiste em encontrar uma resposta para a seguinte questão: Como saltar legitimamente da fala de um entrevistado e. caracterizado pela realização de análises quantitativas de dados e pela utilização de softwares estatísticos.

um conjunto de vias possíveis nem sempre claramente balizadas. para produzir entendimento autêntico. Para Mattos (2006) há dois imperativos inseparáveis que. ou seja. e seu significado só surge desta relação. pois. Ela constitui. contudo.224 caso. 2006. afinal. em efetuar um recorte dos conteúdos em elementos que ele poderá em . pelo pesquisador. p. Para Mattos (2006. Desta forma para o autor: A objetivação torna-se possível por que a linguagem é um fenômeno social (fatos. de (2007). Para Laville e Dionne (1999. 216). Por se tratar da primeira experiência deste pesquisador no desenvolvimento de um estudo de natureza qualitativa. de Mattos (2006) e de Oliveira. tornam-se geradores de todas as dificuldades dos pesquisadores: criar significados e garantir objetivação em todo o trabalho. A compreensão exige a prática da objetivação. foram utilizados para a análise dos dados e o delineamento deste estudo as recomendações de Laville e Dionne (1999). e seu caráter problemático reside no fato de que ele não pode estar dissociado da própria produção. Mattos (2006) considera que a questão está exatamente neste trabalho de organização. o pesquisador tem que jogar com os fatos da relação lingüística. 351) “a reconciliação está na concepção pragmática e dialogal da linguagem produzida na entrevista”. no sentido de uma receita com etapas bem circunscritas que basta transpor em uma ordem determinada para ver surgirem belas conclusões. Para os autores: A análise de conteúdo não é. atos de fala. 351) Para Laville e Dionne (1999. M. M. algo identificável e ocorrente entre pessoas). antes. para a revelação – alguns diriam reconstrução – do sentido de um conteúdo (LAVILLE E DIONNE. p. sua criação pessoal. p. 216) “uma das primeiras tarefas do pesquisador consiste. p. De forma mais restrita. um método rígido. Assim. por parecerem irreconciliáveis. 1999. do novo significado interpretativo. (MATTOS. 214) o princípio da análise de conteúdo consiste em desmontar a estrutura e os elementos do conteúdo coletado para esclarecer suas diferentes características e extrair a sua significação. pertinente e sustentável em relação ao que enuncia. p.

. p. Para Larousse citado por Oliveira (2007. a um agrupamento de elementos que são sistematizados pelo pesquisador (a) após a pesquisa de campo. M. Desta forma cada questão ou tópico adotado para a realização das entrevistas serve como referencial para a criação das categorias empíricas. possibilitando a sistematização dos dados pesquisados. é que são definidos e construídos os instrumentais para a pesquisa de campo. p. De acordo com Oliveira. categorias empíricas e unidades de análise. mais precisamente. p... M. M. M. 93) “categoria é a classificação que se faz em função de certos princípios gerais e que tenham identidade comum”. de (2007. mais precisamente a partir da definição do tema central de estudo. M. de (2007.225 seguida ordenar dentro de categorias49”. Este afunilamento das leituras pertinentes ao objeto de estudo implica no estabelecimento de critérios para o aprofundamento do conteúdo que possam direcionar a posterior construção dos instrumentais de pesquisa. ou durante a análise de conceitos em livros didáticos. de (2007) com base no quadro teórico. M. a) Categorias Teóricas: para a autora as categorias teóricas vão surgindo na medida em que as leituras vão sendo assimiladas. b) Categorias Empíricas: segundo Oliveira. Para Oliveira.] portanto. M. de (2007) as informações obtidas durante o desenvolvimento de uma pesquisa podem ser classificadas em três níveis: categorias teóricas. cumpre que esses sejam portadores de sentido em relação ao material analisado e às intenções da pesquisa”. M. . das leituras convergentes e da definição das categorias teóricas. vamos ter em mente que a palavra categoria está relacionada à classificação ou. 49 Legendre citado por Oliveira. textos e documentos. 93) define categoria como sendo um “agrupamento de informações similares em função de características comuns”.] em pesquisa é preciso se estabelecer categorias para que se faça um trabalho sistematizado e coerente [.. 93): [. Para os autores “dado que a finalidade é evidentemente agrupar esses elementos em função de sua significação. no momento em que surge a necessidade de afunilamento dos conteúdos.

M. 219) . Para os autores: A ordem desses dois momentos da análise de conteúdo pode variar: às vezes. M. de (2007) para a classificação de dados em uma análise qualitativa. isto é. é uma tarefa que se reconhece primordial. ao longo dos progressos da análise. M. (LAVILLE E DIONNE. Para a autora dizem respeito a fala dos atores sociais. de (2007). a definição das categorias analíticas ou rubricas. Para um melhor entendimento sobre a estrutura de classificação proposta por Oliveira. anteriormente denominadas de categorias empíricas por Oliveira. sob as quais virão a se organizar os elementos de conteúdo agrupados por parentesco de sentido. mas em outros casos sua determinação é precedida do recorte dos conteúdos. M. M. de (2007) Para Laville e Dionne (1999) além do recorte dos conteúdos. M. de (2007) as unidades de análise correspondem aos dados e informações obtidos com a aplicação dos instrumentais de pesquisa (entrevistas/questionários). a autora propõe uma representação gráfica conforme demonstrado na figura 20: Categorias Gerais Categorias Empíricas Unidades de Análise Figura 20 – Classificação dos Dados Fonte: Oliveira. p. 1999. M. especialmente quando essas categorias são construídas de maneira indutiva. M. o pesquisador define primeiro suas categorias. a qual fornece os dados e informações que devem ser sistematizados para facilitar o processo de análise.226 c) Unidades de Análise: para Oliveira.

Logo em seguida. servindo-se dos dois modelos precedentes: categorias são selecionadas no início. a modificar uma ou outra. Durante o desenvolvimento da fundamentação teórica deste estudo foram identificadas as categorias teóricas “Meio Ambiente”. p. mesmo que isso o obrigue a ampliar o campo de suas categorias. de (2007). 222) “a construção de uma grade mista começa. Segundo os autores. foi empregado neste estudo o modo de definição das categorias pelo modelo denominado misto. “Indústrias Químicas” e “Percepção”. 219) existem três modos para a definição das categorias: a) Modelo Aberto: onde as categorias não são fixas no início. p. b) Modelo Fechado: onde o pesquisador decide a priori categorias. M. Em função de sua característica dialógica. apoiando-se em um ponto de vista teórico que se propõe o mais frequentemente submeter à prova da realidade. o pesquisador. pois. a eliminá-las.. com base nas quais foi desenvolvida a revisão teórica. c) Modelo Misto: situa-se entre os dois. ao adotar este modo de definição das categorias “[.. Isto posto. mas o pesquisador se permite modificá-las em função do que a análise aportará. foram inicialmente identificadas as categorias teóricas definidas por Oliveira.] não quer se limitar a modelos pré-determinados. mas tomam forma no curso da própria análise. espera poder levar em consideração todos os elementos que se mostram significativos. foram inicialmente definidas e propostas as seguintes categorias e unidades de análise: . com a definição de categorias a priori fundadas nos conhecimentos teóricos do pesquisador e no seu quadro operatório”.227 Para Laville e Dionne (1999. Para Laville e Dionne (1999. M. aperfeiçoar ou precisar as rubricas”. partindo das categorias teóricas e da definição do conceito de modo misto proposta por Laville e Dionne (1999).

228 a) Categoria Analítica: Perfil Ambiental da Indústria Química Unidades de Análise: • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • Ramo de atuação Classificação do Cadastro Nacional de Atividade Econômica (CNAE) Classificação da organização quanto ao porte Tipo de empresa (matriz ou filial) Tempo de existência da organização (em anos e meses) Tempo de atuação no município (em anos e meses) Produtos fabricados Declaração formal de valores e missão (se considera o meio ambiente) Sistema de gestão ambiental Tempo de existência do sistema de gestão ambiental (em anos e meses) Certificações na área ambiental Descrição dos cargos dos profissionais relacionados com a gestão ambiental Matriz energética Percentuais de gastos ou investimentos ambientais realizados nos últimos 3 anos com base na receita bruta (%) Descrição dos gastos ou investimentos em gestão ambiental nos últimos 3 anos (%) Descrição dos cursos realizados na área ambiental nos últimos 3 anos Considerações sobre a legislação aplicada a indústria química (nível de adequação) Principais motivações para gastos ou investimentos na área ambiental (além das exigências legais) Principais dificuldades encontradas para a realização de gastos ou investimentos na área ambiental (além da questão financeira) Histórico de acidente ambiental ocorrido na organização Geração de resíduo industrial (descrição e destino) Controle para emissão da poluição .

229 • • • Registro de reclamação da comunidade em relação às suas operações Seguro para acidentes ambientais Ações na área ambiental previstas para o horizonte de 2015. b) Categoria Analítica: Perfil do Profissional Unidades de Análise: • • • • • • Cargo Gênero Faixa etária Formação Tempo de experiência como profissional (em anos e meses) Tempo de experiência do profissional na indústria química (em anos e meses) c) Categoria Analítica: Profissional e Meio Ambiente Unidades de Análise: • • • • • Percepção do profissional sobre meio ambiente Percepção do profissional sobre a sua relação com o meio ambiente Percepção do profissional sobre o meio ambiente em suas tomadas de decisão Influências internas e/ou externas sofridas pelo profissional quanto a tomada de decisões relacionadas ao meio ambiente Importância atribuída pelo profissional do meio ambiente para a sua organização d) Categoria Analítica: Indústria Química e Meio Ambiente Unidades de Análise: .

K. de (2005). um melhor encaminhamento da . de conhecer melhor os sujeitos e os objetos envolvidos na pesquisa. foi possível conhecer algumas características relevantes dos sujeitos e objetos envolvidos na pesquisa. M. M. Já a elaboração das questões pertencentes à categoria “Perfil Ambiental da Indústria Química” foram inspiradas pelo contato com as pesquisas realizadas para a Cepal por Oliveira.230 • • • • • • • • • Percepção do profissional sobre como a indústria química é vista pela sociedade em relação às questões ambientais Lembrança de acidente ambiental provocado por indústrias químicas Riscos que a indústria química representa ao meio ambiente Lembrança de acidente ambiental ocorrido na organização Nível de risco que as atividades desenvolvidas pela organização representam para o meio ambiente Nível de suficiência das ações ambientais para evitar ou minimizar possíveis impactos ambientais Pressões exercidas sobre a organização para a adoção de medidas que visem a preservação do meio ambiente Percepção do profissional sobre a relação de sua organização como o meio ambiente Percepção do profissional sobre o futuro da relação da indústria química com o meio ambiente As duas primeiras categorias analíticas “Perfil Ambiental da Indústria Química” e “Perfil do Profissional” surgiram da necessidade identificada pelo pesquisador durante o planejamento do instrumento de pesquisa. Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) (1998). fato que possibilitou uma maior aproximação do pesquisador. A elaboração das questões pertencentes à categoria “Perfil do Profissional” foram inspiradas nas recomendações de Oliveira. de (2007) quanto à definição do perfil do entrevistado. que trata sobre o panorama do comportamento ambiental no setor empresarial no Brasil e na Pesquisa Gestão Ambiental na Indústria Brasileira realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). P. Por meio dos dados coletados para estas duas categorias.

com o objetivo de facilitar as atividades de realização das entrevistas e de tabulação dos dados coletados. o termo população ou universo significa a totalidade de pessoas que habita uma determinada área geográfica.231 entrevista com os entrevistados e consequentemente um melhor tratamento dos dados coletados. Esta categoria foi criada com o intuito de responder o problema de pesquisa proposto para esta pesquisa: Como os profissionais de indústrias químicas instaladas em um município paranaense percebem a relação de suas organizações com o meio ambiente? As perguntas de pesquisa foram desenvolvidas a partir das unidades de análise e agrupadas de acordo com a sua respectiva categoria. p.6. A terceira categoria analítica. As perguntas de pesquisa são apresentadas no instrumento de pesquisa (Anexos 4 e 5) e ao longo do capítulo que trata da apresentação dos resultados obtidos no estudo. M. M. 87) “em pesquisa. Para a autora. foi criada como o objetivo de buscar um entendimento sobre quais são as percepções individuais que os diferentes tipos de profissionais envolvidos com a gestão ambiental da organização têm em relação ao meio ambiente. independentemente das atividades que são praticadas pelas suas respectivas organizações. Esta categoria foi criada pelo pesquisador com o objetivo de tentar explicitar qual é a percepção de cada tipo de profissional em relação ao meio ambiente. 3. foi criada com o objetivo de buscar revelar quais são as percepções dos profissionais da indústria química sobre a relação de sua organização com o meio ambiente. ou o conjunto de elementos que compõem o objeto de nosso estudo”. denominada “Indústria Química e Meio Ambiente”. . Universo e Amostra Segundo Oliveira.1. denominada “Profissional e Meio Ambiente”. de (2007. A quarta e última categoria.

foram cruzadas informações cadastrais de 7 (sete) fontes de dados distintas..] cabe ao pesquisador (a). 88) “[. M. de. Por razões do compromisso de confidencialidade assumido junto aos profissionais que participaram da pesquisa. p.] o pesquisador (a) decide analisar um determinado fenômeno sem ter a preocupação de fazer generalizações em relação ao universo da pesquisa” (OLIVEIRA. o qual foi selecionado por ser considerado de pequeno porte e por possuir um número significativo de indústrias químicas instaladas. as indústrias químicas e os profissionais envolvidos na pesquisa não serão revelados. logo “[. “Sendo a amostra uma representação da população ou universo da pesquisa. Para o desenvolvimento deste estudo. 88 e 89).. 50 . Para a identificação das indústrias químicas que compõem o universo de pesquisa deste estudo. Esta condição foi assumida na proposta original da pesquisa com o objetivo de viabilizar a sua realização. os dados que permitem identificar o município. A escolha deste parâmetro de delimitação foi também motivada pelo interesse de que a pesquisa retrata-se as percepções de profissionais de indústrias químicas que compartilham um mesmo ambiente geográfico. de. faz-se necessário estabelecer critérios no processo de seleção para que ela seja significativa” (OLIVEIRA. M. Amostra não-probabilística porque “o pesquisador (a) determina a quantidade de elementos ou o número de pessoas aptas a responder um questionário” e intencional em função de que “[. sendo mantida ao longo do desenvolvimento do estudo. de (2007. 2007. definir o tamanho de sua amostra50”.. M.232 “nem sempre é possível pesquisar a totalidade desses elementos.. conforme apresentado no quadro 35: Para Oliveira. p. optou-se pela adoção da limitação geográfica de um município do Estado do Paraná. a partir da totalidade (universo).. 2007. M. ou todas as pessoas e grupos que se situam na área que delimitamos para nossa pesquisa de campo”.] a amostra é um subconjunto ou parte dos elementos que compõem o universo”.. 88). optou-se por uma amostra nãoprobabilística intencional. Para a delimitação do universo de pesquisa. M. p. M.

No caso específico destas duas entidades representativas do setor. a vinculação dos dados das indústrias que integram o Catálogo das Indústrias do Paraná 2006 dependia do interesse de adesão das próprias indústrias e que no caso do Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná (SINQFAR) e da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM). É provável que algumas destas fontes de dados ainda considerem indústrias que já encerraram suas atividades ou que desenvolvem atividades diferentes daquelas que caracterizam uma indústria química. ausência de padrão nos critérios aplicados para a classificação das indústrias. situação geradora de divergências e que pode ser atribuída a fatores como: a vinculação voluntária das indústrias aos cadastros das entidades. o total apresentado compreende apenas o número de indústrias que são associadas às respectivas entidades. número superior ao total de empresas originalmente previsto para a realização do estudo.br) Total de Indústrias Químicas Instaladas no Município 11 33 47 41 64 1 0 Fonte: O Autor (2008) O resultado do cruzamento de todas as fontes de dados apontou para um total de 119 (cento e dezenove) indústrias químicas instaladas no município. Este dado revelou a fragilidade das fontes de dados pesquisadas em termos de abrangência e de nível de atualização.233 Quadro 35 – Fontes de Dados X Indústrias Químicas Instaladas no Município Entidade Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) Associação Comercial e Industrial do Município Prefeitura Municipal Junta Comercial do Paraná (JUCEPAR) Instituto Ambiental do Paraná Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná (SINQFAR) Fonte de Dados Catálogo das Indústrias do Paraná 2006 Relatório Cadastral Relatório Cadastral Relatório Cadastral Relatório de Licenças Ambientais Fornecidas para Indústrias Químicas Guia da Indústria Química Brasileira 2007 Relação de Associados Disponível no Site da Entidade na Internet (www.sinqfar.org. Cabe ressaltar que no caso da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP). a ausência da adoção de procedimentos periódicos para a sua atualização e a informalidade. os números revelam um baixo nível de associação das indústrias químicas do .

as informações sobre as indústrias químicas juntamente com o histórico sobre autuações e acidentes ambientais envolvendo indústrias químicas instaladas no município. o instituto informou que de um total de 138 (cento e trinta e oito) ocorrências. os quais não poderiam ser disponibilizados em razão de uma decisão tomada em assembléia. o sindicato não havia manifestado interesse pela pesquisa. foi efetuado em 04 de dezembro de 2007 um contato por telefone com a entidade. Em resposta a solicitação. No caso do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). no intuito da obtenção dos dados cadastrais das indústrias químicas instaladas no município selecionado para o estudo. para a confirmação do total de indústrias químicas instaladas no município foram utilizadas as informações dos associados disponibilizadas no site da entidade (www. 30 (trinta) foram por lançamento de efluentes líquidos fora dos padrões exigidos em legislação própria e 108 (cento e oito) por construção. Até o fechamento deste estudo. foram solicitadas por carta encaminhada via correio eletrônico no dia 11 de dezembro de 2007 (ver Anexo 7).sinqfar. reforma e/ou sem a devida licença ambiental (não .234 município pesquisado em relação às entidades que as representam no contexto estadual e nacional. Quanto ao número de autuações ambientais ocorridas no município do período correspondente a 01 de janeiro de 2003 a 11 de dezembro de 2007. Por este motivo. o instituto limitou-se a informar que haviam no município 36 (trinta e seis) indústrias licenciadas. Com o intuito de levar ao conhecimento da entidade a proposta do estudo a ser realizado. foi encaminhada no mesmo dia uma carta via correio eletrônico ao Presidente do referido sindicato mencionando os objetivos da pesquisa (ver Anexo 6). Neste contato o pesquisador foi informado que a entidade não possuía dados sobre as indústrias químicas instaladas no Estado do Paraná e que somente possuía dados de seus associados. as quais apontaram a inexistência de indústrias químicas associadas ao sindicato patronal no município. No caso do Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná (SINQFAR).org.br). apesar da região possuir um número representativo de indústrias instaladas. sendo que destas apenas 15 (quinze) eram efetivamente classificadas como indústrias químicas e 21 (vinte e uma) consideradas como indústrias potencialmente impactantes devido à intensa utilização de produtos químicos.

Depois de muita insistência. pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e pela Junta Comercial do Estado do Paraná (JUCEPAR) representaram um fator limitante para a realização desta pesquisa. motivo pelo qual os dados cadastrais das indústrias químicas instaladas no município não estavam disponíveis. a qual apontou um total de 64 (sessenta e quatro) empresas. de abril de 2008 uma nova relação de indústrias químicas instaladas no município. por meio de vários contatos por telefone. total diferente do apresentado no primeiro retorno. por correio eletrônico e de uma visita pessoal. estes dados não foram disponibilizados nos relatórios fornecidos. No caso do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Junta Comercial do Estado Paraná (JUCEPAR). uma vez que a grande maioria das ocorrências ainda estava sendo discutida juridicamente. Em relação aos dados sobre autuações e acidentes ambientais. o IAP informou que o detalhamento sobre os mesmos não poderiam ser disponibilizados. o IAP informou que houveram 2 (duas) ocorrências. Do total das 119 (cento e dezenove) indústrias químicas apontadas. ABIQUIM e Associação Comercial e Industrial do Município). O quadro 36 revela a situação cadastral das 36 (trinta e seis) indústrias químicas em relação às fontes de dados pesquisadas: .235 obrigatoriamente indústrias químicas). Em razão do IAP ter disponibilizado apenas totais sem o fornecimento dos dados cadastrais e o detalhamento das autuações e acidentes envolvendo indústrias químicas. novos contatos foram estabelecidos com o intuito da obtenção dos dados originalmente solicitados. A ausência da disponibilização dos dados cadastrais como telefone e endereço das indústrias químicas instaladas no município nos relatórios fornecidos pela Prefeitura Municipal. foram identificados os dados de contato de apenas 36 (trinta e seis) empresas. de pesquisas complementares realizadas na internet (sites locais) e na lista telefônica do município. por meio dos dados cadastrais disponíveis em algumas das fontes de dados pesquisadas (FIEP. A Prefeitura Municipal informou que não dispunha destes dados em função de estar implantando um novo sistema. o IAP disponibilizou em 1º. Em relação aos acidentes ambientais envolvendo indústrias químicas no mesmo período. fato que impedia a sua disponibilização para efeitos de divulgação pública.

apenas 23 (vinte e três) foram consideradas para efeitos de desenvolvimento desta pesquisa.236 Quadro 36 – Indústrias Químicas X Fontes de Dados Indústrias Químicas Indústria 1 Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 Indústria 6 Indústria 7 Indústria 8 Indústria 9 Indústria 10 Indústria 11 Indústria 12 Indústria 13 Indústria 14 Indústria 15 Indústria 16 Indústria 17 Indústria 18 Indústria 19 Indústria 20 Indústria 21 Indústria 22 Indústria 23 Indústria 24 Indústria 25 Indústria 26 Indústria 27 Indústria 28 Indústria 29 Indústria 30 Indústria 31 Indústria 32 Indústria 33 Indústria 34 Indústria 35 Indústria 36 FIEP X X Associação Prefeitura Comercial Municipal X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Junta Comercial do Paraná IAP ABIQUIM X X X X X X X X SINQFAR X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Fonte: O Autor (2008) Das 36 (trinta e seis) indústrias químicas identificadas. As justificativas pelas quais 13 (treze) empresas foram desconsideradas são apresentadas no quadro 37: .

O proprietário informou que a empresa não fabrica produtos químicos. No convite constavam: o detalhamento dos objetivos da pesquisa. Nesta ocasião o pesquisador realizou uma visita a cada uma das empresas no intuito de confirmar a sua localização e de realizar o convite oficial por meio da entrega de um ofício nominal. Empresa não localizada O proprietário informou que a empresa deixou de atuar no ramo de fabricação de produtos químicos para atuar no segmento de reciclagem de resíduos industriais. orientações sobre a possibilidade de não-participação e dados de contato do pesquisador para o esclarecimento de eventuais dúvidas das empresas convidadas (ver Anexo 8). como forma de contribuir para a sua tomada de decisão quanto a participação na pesquisa. Empresa não localizada Empresa ainda estava em fase inicial de instalação de sua unidade industrial no município Fonte: O Autor (2008) No início do mês de dezembro de 2007 foram iniciados os contatos com as 23 (vinte e três) indústrias químicas consideradas para a realização do estudo. apenas aplica esmaltes nas telhas que fabrica. . Os resíduos são preparados para serem incinerados em fornos de cimenteiras Empresa encerrou suas atividades O proprietário informou que a empresa não fabrica produtos químicos. as condições de confidencialidade estabelecidas para a realização da pesquisa. apenas atua no ramo de comercialização e distribuição de adesivos. Além dos dados sobre a realização da pesquisa. as empresas convidadas também receberam uma cópia do instrumento de pesquisa (Anexos 4 e 5). incluindo resíduos gerados por indústrias químicas. A empresa apenas utiliza matéria-prima oriunda da indústria química no processo de fabricação de produtos cirúrgicos Empresa não localizada Empresa não localizada Empresa não localizada Empresa não localizada O proprietário informou que a empresa não fabrica produtos químicos. apenas atua no ramo de comercialização e distribuição de tintas.237 Quadro 37 – Justificativas para a Não Inclusão das Indústrias na Pesquisa Indústrias Químicas Indústria 24 Indústria 25 Indústria 26 Indústria 27 Indústria 28 Indústria 29 Indústria 30 Indústria 31 Indústria 32 Indústria 33 Indústria 34 Indústria 35 Indústria 36 Justificativas para a não Inclusão das Indústrias na Pesquisa O proprietário informou que a empresa não é classificada como indústria química em função de não fabricar substâncias químicas.

Apesar das várias tentativas realizadas pelo pesquisador para que um número maior de empresas participasse da pesquisa. conforme demonstrado no quadro 38: Quadro 38 – Total de Contatos Realizados Indústrias Químicas Indústria 1 Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 Indústria 6 Indústria 7 Indústria 8 Indústria 9 Indústria 10 Indústria 11 Indústria 12 Indústria 13 Indústria 14 Indústria 15 Indústria 16 Indústria 17 Indústria 18 Indústria 19 Indústria 20 Indústria 21 Indústria 22 Indústria 23 Número de Contatos 1 1 2 2 3 4 13 4 6 0 9 7 7 7 4 10 8 3 2 5 7 8 9 Status Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Convite não Aceito Convite não Aceito Convite não Aceito Convite não Aceito Convite não Aceito Convite não Aceito Retorno Pendente Retorno Pendente Retorno Pendente Convite não Aceito Convite não Aceito Retorno Pendente Retorno Pendente Retorno Pendente Fonte: O Autor (2008) Do total das 23 (vinte e três) indústrias convidadas. informando a sua impossibilidade de participação na pesquisa.13% aceitaram participar da pesquisa. apenas a Indústria 10 efetuou um retorno para o convite. As demais indústrias demandaram um esforço adicional do pesquisador quanto à necessidade de realização de novos contatos para a confirmação do seu interesse em participar na pesquisa.78% não aceitaram o convite e 6 (seis) empresas ou 26.238 Das 23 (vinte e três) indústrias contactadas. .09% não efetuaram retorno para os contatos estabelecidos. 9 (nove) empresas ou 39. 8 (oito) empresas ou 34.

Agradecemos seu interesse por nossa empresa e ficamos a sua disposição para dirimirmos possíveis dúvidas a respeito. Apesar do retorno negativo em relação à participação na pesquisa. Por favor.. mas. nossa empresa estava em férias coletivas no período em questão. Continua (. sobre sua solicitação queremos salientar que estamos lisonjeados pela escolha de nossa empresa. não podemos ajudá-los. o pesquisador efetuou um retorno para a mensagem eletrônica informando que mesmo diante das situações informadas pela empresa.” Depois de vários contatos realizados.Desta forma achamos muito difícil que para um trabalho de mestrado como este..) Indústria 11 Indústria 12 Indústria 13 . Agradecemos ao oficio recebido e as chamadas referente ao tema. este informou que a empresa passava por uma reestruturação e que somente teria condições de agendar uma reunião para 2009. 2. o proprietário da empresa enviou uma mensagem eletrônica ao pesquisador informando:” 1. quando a nova fábrica estivesse concluída. Gostaríamos de oportunizar este tema para um futuro devido a modificações estruturais que estão em curso na fábrica neste momento. que teria interesse que a empresa participasse do estudo..outra questão é a respeito dos resíduos. encontrar empresas do ramo químico que fabricam as matérias primas para transformação.239 As 8 (oito) empresas que não aceitaram participar da pesquisa apresentaram as seguintes justificativas: Quadro 39 – Justificativas das Empresas que não Aceitaram Participar da Pesquisa Indústrias Químicas Indústria 10 Justificativas O proprietário informou que a empresa estava nos meses de maior volume de produção e que os profissionais relacionados com a área ambiental não dispunham de tempo para participar da pesquisa. já que não temos muitas das informações que com certeza serão necessárias para conclusão do seu trabalho.Sa. A secretária responsável pelos retornos sempre informou que o proprietário não se encontrava na empresa ou que esta ocupado. Até o fechamento deste estudo. por diversos motivos. se possível. Agradeço a compreensão. ou seja a maioria de nossos produtos já vêem manipulados apenas fracionamos e envasamos os produtos já acabados. e o principal deles é que não somos uma Indústria total de transformação. contatar-nos para o segundo semestre deste ano. nossa empresa não tem resíduos para serem lançados fora. possamos ser úteis. Achamos que o melhor seria V. a empresa não havia se manifestado sobre o novo convite. o proprietário da empresa enviou uma mensagem eletrônica ao pesquisador informando: “Desculpe-nos a demora em responder sua solicitação a respeito do assunto acima. Depois de vários contatos realizados. realizando outras atividades. Depois de vários contatos realizados. as quais poderiam lhes dar melhores subsídios para seu trabalho.” Observação: a justificativa relacionada ao período de férias coletivas informada pelo proprietário não foi informada em nenhum dos 9 (nove) contatos estabelecidos com a empresa. todo nosso resíduo é remanipulado e reaproveitado para uso. no último contato telefônico estabelecido pelo pesquisador com o proprietário da empresa.

O responsável pela empresa informou que talvez fosse possível a participação na pesquisa a partir da metade do ano. a Indústria 22 chama a atenção por se tratar da única empresa instalada no município que é associada à Associação Brasileira de Indústrias Químicas (ABIQUIM). Depois de vários contatos realizados. apesar das várias tentativas de contato. eles estariam efetuando um retorno. Depois de vários contatos realizados. Até o fechamento deste estudo. a empresa não retornou a nenhum dos 8 (oito) contatos que foram realizados por meio de visita para entrega do convite. afirmando de forma enfática que caso os proprietários da empresa tivessem interesse em participar da pesquisa. criada com o intuito de proteger a bacia hidrográfica que fornece água para um reservatório de abastecimento existente próximo às instalações da empresa. um funcionário da empresa estabeleceu um contato com o pesquisador para informar que a empresa não participaria da pesquisa em virtude da química responsável pela área do meio ambiente estar de licença maternidade e do responsável pela produção estar afastado por licença médica. Apesar desta característica e do seu porte. Uma das hipóteses encontradas para a ausência de retorno por parte desta indústria reside no fato de que suas instalações se encontram dentro dos limites de uma Área de Proteção Ambiental (APA). o proprietário informou por meio de sua secretária que a empresa não participaria da pesquisa em função de diversos compromissos internos. o responsável pela empresa informou que a empresa estava passava por mudanças estruturais e que naquele momento não seria possível participar da pesquisa. Indústria 15 Indústria 19 Indústria 20 Fonte: O Autor (2008) Das 6 (seis) empresas que não efetuaram um retorno. 4. Depois de vários contatos realizados. Esta APA. conforme apresentado no quadro 40: . previa a realização das entrevistas em duas etapas distintas. uma funcionária da empresa informou que os proprietários ainda não haviam analisado o convite. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DO ESTUDO A proposta original de pesquisa apresentada no convite encaminhado para as empresas.240 Indústria 14 Depois de vários contatos realizados. telefonemas e mensagens eletrônicas. a empresa não havia se manifestado sobre o novo convite. foi estabelecida em data posterior à instalação da indústria no município.

entre outros. Alguns fatores se demonstraram limitantes para a realização da proposta das entrevistas em duas etapas como a ausência de disponibilidade de tempo por parte dos profissionais das empresas entrevistadas. Na segunda etapa. a primeira etapa propunha uma entrevista com o principal executivo da empresa.241 Quadro 40 – Etapas Propostas para a Realização da Pesquisa Etapas Descrição das Etapas Entrevista com o principal executivo da empresa. como forma de possibilitar o cruzamento de suas respostas e analisar pontos convergentes e divergentes no discurso. a dificuldade de acesso ao principal executivo da empresa (grandes empresas). motivo pelo qual a pesquisa foi realizada com 10 (dez) entrevistados. Das 9 (nove) empresas entrevistadas. como executivos. entre outros) Fonte: O Autor (2008) Esta divisão em etapas pretendia estabelecer uma melhor condição para a realização das entrevistas e por subseqüência. . para definir o perfil ambiental e identificar quais são os profissionais diretamente envolvidos com as questões ambientais na indústria química entrevistada. como forma de realizar uma primeira aproximação entre o pesquisador. a proposta consistia na realização de entrevistas com diferentes profissionais de uma mesma empresa. coordenadores da área de qualidade/SGA. o sujeito e o objeto de pesquisa. apenas na Indústria 3 foi possível entrevistar o principal executivo e o profissional responsável pela área ambiental. Etapa 1 Etapa 2 Entrevista com o principal executivo da empresa e com os profissionais identificados na etapa 1 (químicos. a proposta original para as entrevistas não pode ser efetivada. uma melhor qualidade dos resultados. Em função da existência de uma realidade diferente da idealizada pelo pesquisador. identificar o perfil ambiental da empresa e os profissionais diretamente envolvidos com a área ambiental. a ausência de quadro técnico composto por diferentes tipos de profissionais (pequenas empresas) e a própria condição da necessidade de convencimento de algumas empresas para que estas participassem da pesquisa. coordenadores de produção. químicos. Desta forma.

criada com o objetivo de possibilitar que as empresas convidadas avaliassem a proposta de pesquisa na íntegra antes de decidir sobre a sua participação. Esta decisão foi tomada em virtude da importância das empresas e de suas respostas para o contexto da pesquisa. Deste total. 8 (oito) ou 80% são do sexo masculino e 2 (duas) do sexo feminino. 1 (uma) ou 10% ter entre 51 e 60 anos. faixa etária e tempo de experiência profissional e de atuação na indústria química. 4. no tópico específico que trata sobre os procedimentos adotados para a análise de dados e o delineamento da pesquisa. 1 (um) ou 10% ter entre 31 e 40 anos e 1 (um) ou 10% ter entre 20 e 30 . profissional e meio ambiente. 7 (sete) ou 70% se declararam proprietários da empresa. Estas categorias serão utilizadas como forma de organização para a apresentação dos resultados da pesquisa. por meio da transcrição das respostas dos questionários. Conforme citado anteriormente no capítulo dos procedimentos metodológicos. Com relação à faixa etária. 1 (um) ou 10% encarregado de produção e 1 (um) ou 10% gerente de produção. Dentre os 10 (dez) entrevistados. 1 (uma) ou 10% técnica ambiental. e indústria química e meio ambiente. 4 (quatro) ou 40% dos entrevistados declarou ter entre 41 e 50 anos. Em virtude das duas empresas não terem aberto a possibilidade de realização de entrevistas. possibilitou que os profissionais da Indústria 1 e da Indústria 6 realizassem o preenchimento do questionário em substituição da realização da entrevista. 3 (três) ou 30% ter acima de 60 anos. as suas participações foram tratadas para efeitos de apresentação dos resultados deste estudo.1. Perfil do Profissional As entrevistas com os profissionais da indústria química revelaram a existência de uma diversidade de perfis profissionais em termos de cargos. Esta situação. perfil ambiental da indústria química. como proposta para a realização deste estudo foram idealizadas 4 (quatro) categorias de análise: perfil do profissional.242 Outro fator limitante relacionado à realização das entrevistas ocorreu em função da disponibilização do instrumento de pesquisa anexo ao convite.

composta por 8 (oito) entrevistados é constituída por profissionais acima de 41 (quarenta e um) anos. Grau (Incompleto) Técnico em Contábeis (1982) Técnico em Química (1988) Administração (2000) Engenheiro Civil (1984) 2º. Grau 47 anos 22 anos Indústria 4 Entrevistado 5 Proprietário Masculino 1º. Grau 48 anos 43 anos Indústria 5 Entrevistado 6 Proprietário Masculino 1º. Desta forma percebe-se que boa parte da amostra.243 anos. conforme indicado no quadro 41: Quadro 41 – Perfil Profissional dos Entrevistados Indústria Química Entrevistado Cargo Gênero Faixa Etária Formação (Ano de Conclusão) Engenharia Agronômica (1985) Especialização em Gerenciamento Ambiental (2004) Tempo de Experiência Profissional Tempo de Experiência na Indústria Química Indústria 1 Entrevistada 1 Técnica Ambiental Feminino Entre 41 e 50 anos 22 anos 10 anos Indústria 2 Entrevistado 2 Proprietário Masculino Entre 31 e 40 anos Entre 20 e 30 anos Acima de 60 anos Acima de 60 anos Acima de 60 anos Entre 41 e 50 anos Analista de Sistemas (Incompleto) Farmácia (2006) 25 anos 15 anos Indústria 3 Entrevistado 3 Encarregado de Produção Masculino 14 anos 10 anos Indústria 3 Entrevistado 4 Proprietário Masculino 1º. Grau 15 anos Não Informado Indústria 7 Entrevistado 8 Gerente de Produção Masculino Entre 41 e 50 anos 25 anos 25 anos Indústria 8 Entrevistado 9 Proprietário Masculino Entre 41 e 50 anos Entre 51 e 60 anos 28 anos 5 anos Indústria 9 Entrevistada 10 Proprietária Feminino 31 anos 31 anos Fonte: O Autor (2008) . Grau 60 anos 55 anos Indústria 6 Entrevistado 7 Proprietário Masculino 2º. dado que revela a constituição de um grupo que possui maior tempo de experiência profissional e de experiência na indústria química.

2. 2 (duas) possuem instalações visivelmente precárias em função das condições físicas de suas instalações e 2 (duas) desenvolvem suas atividades em instalações que carecem de adequações e melhorias em termos de infraestrutura. Perfil Ambiental da Indústria Química As 9 (nove) indústrias que participaram desta pesquisa estão distribuídas em 3 (três) regiões distintas do município. apenas a Indústria 1 conhecia o seu respectivo código da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE).03 Não Informado Não Informado Não Informado Não Informado Não Informado Não Informado Não Informado Não Informado Localização Área Urbana Área Industrial Área Urbana Área Urbana Área Urbana Área Industrial Área Urbana Área Industrial Área Industrial Fonte: O Autor (2008) Dentre as indústrias químicas entrevistadas. 4 (quatro) estão localizadas em áreas industriais e 5 (cinco) em áreas urbanas.1. As indústrias pesquisadas desenvolvem as atividades apresentadas no quadro 42: Quadro 42 – Atividades Desenvolvidas pelas Indústrias Químicas Indústrias Químicas Indústria 1 Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 Indústria 6 Indústria 7 Indústria 8 Indústria 9 Descrição das Atividades Cosméticos e Alimentos Nutricionais Tintas e Vernizes Produtos Fitoterápicos Água Sanitária Água Sanitária Resinas Uréicas Graxas e Óleos Fertilizantes Fertilizantes CNAE 21. As demais empresas desconheciam a existência do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) ou do seu respectivo código. dado que revela a ausência de .21. 4. Destas indústrias.244 As entrevistas com os profissionais também revelaram uma diversidade em termos de formação educacional e apontaram que apenas 2 (dois) profissionais ou 20% possuem formação relacionada com a área química e que apenas 1 (uma) profissional ou 10% possui formação na área ambiental. o que revela a inexistência de um zoneamento industrial que concentre as indústrias químicas instaladas no município. Dentre estas indústrias.

sendo que destas. números justificados pelo fato de que as empresas são nacionais e na maioria dos casos de origem local.11% declarou que era uma pequena empresa (de 20 a 99 empregados) e 2 (duas) indústrias declararam que eram de porte médio (de 100 a 499 empregados).56% iniciaram as suas atividades dentro do próprio município.67% declararam que eram micro empresas (até 19 empregados).245 conhecimento dos entrevistados com relação a este aspecto burocrático que rege a classificação das atividades da indústria de transformação no país. diferentemente da proposta original do estudo que previa classificar as atividades desenvolvidas pelas indústrias químicas entrevistadas por meio da utilização do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). Todas as unidades visitadas correspondem a matriz da empresa. Por este motivo. conforme indicado no quadro 43: Quadro 43 – Tempo de Existência da Indústria X Tempo de Atuação no Município Indústrias Químicas Indústria 1 Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 Indústria 6 Indústria 7 Indústria 8 Indústria 9 Tempo de Existência (Anos) 22 15 20 30 16 4 31 5 31 Tempo de Atuação no Município (Anos) 16 11 12 30 7 4 31 5 31 Fonte: O Autor (2008) No quadro 44 é possível perceber que a maioria das indústrias químicas pesquisadas possui um longo tempo de atuação no município. 6 (seis) indústrias ou 66. Sistema de Gestão Ambiental (SGA) e certificações na área ambiental. Quanto ao porte. 5 (cinco) indústrias ou 55. Com relação à declaração formal de missão e valores. 1 (uma) ou 11. foram adotadas as descrições das atividades fornecidas pelas próprias empresas. as indústrias apresentaram as seguintes respostas: .

eu não vejo antes disso. até a parte de saúde ocupacional e terceiro setor. Quando uma empresa exige alguma coisa na qual nós não nos enquadramos. Apesar da empresa não possuir certificações ambientais. seria segurança. se não atende nós não mudamos o nosso foco em função da exigência daquela empresa” (Entrevistado 8). A única exceção é a Indústria 1.89% não possui declaração de missão e valores. a empresa conta com a certificação ISO9001/2000. em especial das indústrias de menor porte demonstraram desconhecimento sobre missão e valores. se ela puder esperar nós fazemos negócio. Num futuro próximo. o qual também se encontra paralisado em função da prioridade de implantação da nova filial. porque o Brasil é um país continental onde você tem diversos tamanhos e diferentes necessidades. mas que os mesmos foram interrompidos em função da abertura de uma nova filial. daqui uns 5 ou 6 anos. são poucas as empresas que colocam isso como uma pré-condição. No caso da Indústria 7 a empresa informou que iniciou os procedimentos para a implantação da certficação ISO 9000. Quando questionado se algum cliente já havia exigido alguma certificação na área ambiental. SGA e Certificações Ambientais Indústrias Químicas Indústria 1 Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 Indústria 6 Indústria 7 Indústria 8 Indústria 9 Missão e Valores Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Sistema de Gestão Ambiental (SGA) Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Certificações Ambientais Não Não Não Não Não Não Não Não Não Fonte: O Autor (2008) A pesquisa revelou que 8 (oito) indústrias ou 88. a empresa somente conseguiu implantar um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ). você vai ter um universo maior de empresas exigindo isso: certificação ISO 9000 para ter rastreabilidade e ISO 14000 e 18000. que possui uma declaração formal de missão e valores que contempla a questão ambiental e um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) que conta com um profissional dedicado para o gerenciamento das atividades relacionadas às questões ambientais. sistema de gestão ambiental e certificações .246 Quadro 44 – Declaração de Missão e Valores. meio ambiente. Alguns entrevistados. nós colocamos a solicitação no nosso cronograma. sistema de gestão ambiental e certificações ambientais. o Entrevistado 8 informou: “Ainda não. Durante os preparativos para a implantação da ISO 9000. a exemplo da ISO 14000.

fato que revela um certo distanciamento das certificações ambientais da realidade destas indústrias. da eletricidade fornecida pela Companhia Paranaense de Energia Elétrica (COPEL). a maior parte das indústrias declarou que se utiliza. o óleo combustível para o funcionamento de um trator e a energia elétrica é utilizado para o funcionamento das máquinas do processo produtivo. as indústrias informaram: . a maior parte deste grupo de entrevistados confundiu o questionamento realizado com as licenças ambientais exigidas para a operação da empresa. em maior proporção para o seu processo produtivo. conforme demonstrado no quadro 45: Quadro 45 – Indústrias Químicas X Matriz Energética Indústrias Químicas Indústria 1 Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 Indústria 6 Indústria 7 Matriz Energética Energia Elétrica (100%) Energia Elétrica (95%) Óleo Combustível (5%) Energia Elétrica (100%) Energia Elétrica (100%) Energia Elétrica (100%) Energia Elétrica (95%) Lenha (5%) Energia Elétrica Lenha O entrevistado não soube informar os percentuais O pó de serra é utilizado para o funcionamento de uma caldeira. No caso específico das certificações. Algumas empresas declaram fontes energéticas complementares.247 ambientais. O entrevistado não soube informar os percentuais Observação O óleo combustível é utilizado para o funcionamento de uma caldeira Indústria 8 Energia Elétrica Pó de Serra Óleo Combustível Indústria 9 Energia Elétrica (90%) Lenha (10%) Fonte: O Autor (2008) Com relação aos gastos ou investimentos realizados na área ambiental nos últimos 3 (três) anos. Quanto a matriz energética.

019%) 2006 (0.5%) 2007 (0. o que demonstra evidências da ausência de controles específicos para o gerenciamento dos recursos aplicados na área ambiental. ele não saberia informar os percentuais. Os únicos gastos ou investimentos realizados nos últimos três anos foram a elaboração de um plano de contingência e de um plano emergência para situações de acidente que possam ocorrer na planta. apesar das realizações efetuadas na área. Reflorestamento no Entorno da Empresa (Contenção de Pó) Lavadora de Gases Sistema de Sucção da Fábrica Enclausuramento dos Barracões Tanque de Decantação Lavadora de Gases Filtros de Manga Lonas (Tipo Cortina) Indústria 6 Indústria 7 Não soube informar Indústria 8 2005 (3%) 2006 (3%) 2007 (3%) 2005 (0.008%) 2007 (0.5%) • • • • • • • • Indústria 9 Fonte: O Autor (2008) Com exceção da Indústria 1. as demais empresas apresentaram percentuais estimados de gastos ou investimentos realizados. que apresentou percentuais precisos baseados em controles internos. Este dado confirma a observação efetuada por .5%) 2006 (0.102%) 2005 (1%) 2006 (1%) 2007 (1%) 2005 (5%) 2006 (5%) 2007 (5%) 2005 (0%) 2006 (0%) 2007 (0%) 2005 (0%) 2006 (0%) 2007 (0%) 2005 (3%) 2006 (2%) 2007 (2%) • • • • • • • Descrição dos Gastos/Investimentos Tratamento de Efluentes Separação de Resíduos e Disposição Adequada Indústria 2 Contratação de empresa para co-processamento de resíduos Estação de Tratamento de Efluentes Despesas com Laboratório (Análises de Efluentes) Consultoria na Área Ambiental Não realizou gastos ou investimentos Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 • • • • • Não realizou gastos ou investimentos Recuperação de Água (Re-uso na Produção) Sistema de Decantação dos Resíduos (Re-uso na Produção) Captação de Água para Sistema de Resfriamentos O entrevistado mencionou que os gastos ou investimentos com a área ambiental não possuíam um centro de custo e que por este motivo.248 Quadro 46 – Gastos/Investimentos Realizados na Área Ambiental (Últimos 3 Anos) Indústrias Químicas Indústria 1 Percentuais de Gastos ou Investimentos 2005 (0.

segurança e meio ambiente. Percebe-se no quadro 46 que a maioria das empresas realizou investimentos na área ambiental. Cabe ainda ressaltar que. com exceção da Indústria 4 e da Indústria 5. boa parte dos gastos ou investimentos foram realizados em atendimento a exigências legais e a freqüente atuação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) no município. dado que revela que os diversos gastos ou investimentos realizados por estas empresas na área não contemplaram a formação e a atualização dos profissionais. Com relação aos cursos realizados na área ambiental nos últimos 3 (três) anos. a maior parte dos entrevistados informou que considerava a legislação pertinente e que estavam de acordo com as exigências estabelecidas. apenas a Indústria 1 e a Indústria 6 informaram ter realizado algum tipo de curso.78% não participaram de nenhum tipo de curso relacionado com a área ambiental. 7 (sete) indústrias ou 77. Quando questionados sobre o nível de adequação da legislação aplicada à indústria química. no caso da Indústria 3. Conforme relatado pelos entrevistados. Quando questionado sobre se achava o rigor bom ou ruim. Para o Entrevistado 9.249 Demajorovic e Soares (2006) quando mencionam que a ausência de controles sistematizados em empresas de pequeno e médio porte impede que estas disponibilizem dados para pesquisas realizadas na área. o Entrevistado 9 informou: . as quais mencionaram durante as entrevistas que enfrentaram nos últimos anos dificuldades financeiras em função de um contínuo decréscimo de produção. o que fez com que os valores investidos passassem a representar um percentual maior em relação à receita bruta. fato que contribuiu em parte para que os proprietários não realizassem novos investimentos em suas respectivas fábricas. em função da redução do faturamento observada nos últimos 3 (três) anos. A Indústria 1 informou que realizou os cursos de resíduos sólidos urbanos e da indústria e de gerenciamento de resíduos de laboratório (físico e químico). a legislação está cada vez mais rigorosa. Desta forma. enquanto que a Indústria 6 informou que realizou o curso de prevenção. os percentuais investidos são mais altos que os apresentados pelas demais empresas.

250 “Eu acho que. é o fato de que eles não se atualizam em relação aos ramos de atividade. eu acho que tem que ter mesmo. apresentando algumas evidências sobre a fragilidade da estrutura e dos processos de controle exercidos pelos órgãos de fiscalização. Não vou dizer que eu gosto né. e muitas vezes você tem uma legislação e depende da resposta que eles recebem do profissional. ou seja. Não havia exigência porque as leis ambientais eram outras. Eu falo isso. como eu tenho conhecimento técnico. ou seja. Correto está. mas é uma tendência que não depende da gente e a gente tem mais é que se adaptar. Eu trabalho no mercado há 25 anos. de manipulação. nós temos um plano de emergência que tem 9 anos. Se o meu ramo me exige isso. O Estado não tem esta condição. se não estiver certo eles dão um prazo para você regularizar aquilo” (Entrevistada 10). O que mais eu acho que complica não é a questão da quantidade de pessoal.. seja a prefeitura ou o próprio IAP. mas se a multa não é bem fundamentada. talvez tivessem algumas outras exigências pertinente a parte preventiva. Eles procuram orientar. Os órgãos ambientais. e se for uma empresa do setor químico. que se eles tivessem mais conhecimento (a fiscalização) com certeza. dão um parecer. Existem alguns riscos deste produto em termos de transporte. de armazenagem. Quando questionada se as exigências impactavam muito no desenvolvimento das atividades de sua empresa. não tem o que fazer. A Entrevistada 10 mencionou: “Eu acho que eles estão certos. Apesar da empresa já ter 31 anos. se tivéssemos um pessoal que conhecesse mais da sua região. Então aí eu diria o seguinte: nós teríamos um outro aparato técnico relativo à prevenção e até a efetiva cobrança.. . Como eu sou químico vou falar da área técnica não como representante da área gerencial da empresa. e nem sempre isso é verdadeiro. etc. eles tomam aquilo como grade fidedigna. O Entrevistado 8 fez algumas considerações importantes sobre nível de adequação da legislação. o ramo deles também. algumas são poluidoras em potencial e outras nem tanto. eu te digo isso com o máximo de propriedade: com certeza há uma legislação. só que eu penso que a forma como é cobrado das empresas é que não é apropriada. a empresa derruba a multa. a Entrevistada 10 afirmou: “Não. O corretivo. Só que eu teria de olhar as especificações do produto. das várias empresas que atuam na região. e nem sempre o que é colocado ali é levado a risca. Eu acho que tem que exigir mesmo” (Entrevistada 10). não é da legislação. já aconteceu o evento. Nós temos aqui 15 a 20 matérias-primas. eu tenho que fazer cursos para me manter no mercado. isto é líquido e certo. ficamos praticamente 21 anos sem plano de emergência. o pessoal dos dois órgãos ambientais eles não conhecem como deveriam os ramos aos quais eles vão fiscalizar. claro que para a gente tem que gastar mais dinheiro e as coisas ficam mais difíceis. tem que fazer alguma coisa porque senão daqui a alguns anos . quais produtos fabrica. e eu vejo que o Estado fiscaliza e multa.[hesitação]. é uma coisa que não depende da gente e a gente sabe que é um processo que cada vez será mais exigido” (Entrevistado 9). Para você fundamentar uma multa você tem que ter muito conhecimento técnico. ela poderia ser melhor aplicada. Na sua opinião: “O nível de adequação da legislação está correto. As necessidades cresceram e o staff de profissionais do IAP não foi incrementado.

não acompanha a evolução. Então tem os dois lados. Estou no mercado há 30 anos. e o motivo nem sempre é um motivo tecnicamente justificável. A química é dinâmica. então eles tem lá uma certa condenscendência e fazem o que. como é que eles fazem: novas empresas são rigorosamente fiscalizadas. como órgão fiscalizador fizer a sua parte já ajuda muito. E se eu sou um órgão fiscalizador/normatizador é pior ainda. então você não têm contingente suficiente. porque se eu sou um profissional da empresa e aqui eu respondo pela parte técnica e se eu disser para você que a química é mais rápida do que eu profissional eu estou errado. não tem contra-argumentação. na Europa e em qualquer lugar. então ele faz pró-forma e a empresa faz pró-forma também e é o pró-forma que gera esses acidentes ambientais homéricos que ocorrem não só no Brasil. não justifica. porque lá também tem isso. Eu concordo que esta dinâmica dificulta mas acho que o Estado é pesado em relação a isso e esse peso faz com que ele faça mal feito. e a pessoa acaba não pressionando mais. o Entrevistado 8 apresenta evidências sobre um certo distanciamento existente entre órgãos fiscalizadores e empresas: “Eu acho que tem que ter uma sintonia fina entre a empresa e o órgão fiscalizador e eu penso que qualquer tipo de legislação que possa ocorrer. e se para fiscalizar ele tem que ter informações do mercado que somos nós para se auto-regulamentar para depois fiscalizar seria o correto. Eu diria que falta talvez uma atualização ou uma reciclagem profissional. levar para um órgão ambiental e achar que a pessoa vai ser o big boss. ele não consegue falar com os profissionais do mercado com propriedade. ou o Estado é competente para fiscalizar. isto vai se estendendo. deveria ser feita de forma . a química era de um jeito. OK. Se eu falar que não polui. não polui” (Entrevistado 8). o expert” (Entrevistado 8). Quando questionado se estas questões poderiam ser atribuídas à dinâmica do setor químico. eu vou lhe dar um prazo X por complascência mesmo. ou seja. Em seu depoimento.251 isso eles tem. quando eu fiz engenharia química. as mais antigas para se adequar custa muito caro. E aí é assim. vamos dizer assim. e pior que isto. é do ramo de atividade da empresa autuada. Só que quando você chega na última exigência que estava naquela relação de termos de ajuste. mas ele não pode contestar porque falta argumentação. e aí você não tem esse time acertado e aí que está o problema. não há profissionais para fazer a fiscalização. eu mostro os meus conhecimentos técnicos e aí isso causa uma certa inibição. eu não vou estar concatenado com o mercado. até nisso é uma coisa que é um pouco complicada. Quando você faz um pedido de autorização de processo. A química é dinâmica e por ser dinâmica quem trabalha com a química precisa ser dinâmico. Eu concordo com você que a dinâmica dificulta. hoje já não é mais assim. Você faz algumas coisas. quando há contingente ou quando fiscaliza. por isso que eu digo que neste caso específico se o Estado. que é preciso as pessoas e os funcionários que administram os órgãos ambientais estejam em sintonia com o mercado. senão não acompanha a tecnologia. já mudou muita coisa. a legislação existe. tudo é dinâmico. no Brasil. e ela é uma resposta às vezes politicamente correta. eu não concordo com a justificativa da dinâmica da química. já houveram modificações ou na planta de processos ou na matéria-prima. Por isso é que eu digo. e esse prazo ele vai se dilatando. Na Europa. o Entrevistado 8 respondeu: “Eu estou falando para você como um profissional da química não como empresa. Mas eu penso que você não pode pegar alguém da academia. porque muitas vezes você não tem um OK para uma planta funcionar. e assina um termo de ajuste e tem uma dilação de prazo. Você dá uma resposta para ele. faz um dos termos que está colocado lá. ou seja. nos Estados Unidos. você tem que fazer o EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental).

a amplitude da fiscalização. a empresa não está se negando a participar. e pior. as principais motivações para a realização de gastos ou investimentos ambientais. Quando eu levo o protocolo no IAP eu tenho um cronograma que eu vou dizer para o IAP. E aí que eu acho que existe uma discrepância. Sem atenção para com a pessoa que está trabalhando. o Entrevistado 6 menciona: “São muitas exigências. e ela é co-responsável e eu levo aquilo e protocolo no IAP. porque ela é paga para aquilo. É muito comum você ter câmaras técnicas nos órgãos ambientais. os entrevistados informaram: . ao IAP que as 5 não-conformidades que ficaram pendentes não vão gerar riscos eminentes” (Entrevistado 8). Quando questionados sobre quais eram. há uma certa fobia da empresa em relação ao órgão ambiental. Apesar da legislação ser moderna. só que isto perdeu efetividade. então você vai gastar com o evento e gastar com a adequação. Quando você faz a auditoria compulsória. ela faz uma análise crítica. Então não há uma aproximação das empresas em relação aos órgãos ambientais. desde que eu diga a ele. e quando ele vem para dentro da empresa ele acaba inibindo. Se você precisa de alguma coisa eles mandam você ver na internet. do que esperar para multar. não são realizadas muitas cobranças” (Entrevistado 3). Vire-se. só que são câmaras técnicas que tratam de eventos que já aconteceram. Eu acredito que a maior parte da poluição é doméstica. você vai ter que adequar. então você mostra somente aquilo que ele quer ver. Quanto à amplitude da fiscalização. teve uma normativa do IAP que tinha que fazer uma auditoria compulsória. isenta. o Entrevistado 3 considera que: “Apenas gostaria que a fiscalização e a cobrança fossem as mesmas para empresas e residências. eu tenho 10 nãoconformidades. você percebe de A a Z quais são os seus problemas e aí você apresenta para o órgão ambiental um cronograma de acordo com o seu time (tempo). As empresas que fizeram. A FIEP (Federação das Indústrias do Paraná) entrou com uma liminar contra o IAP e derrubou isso. e das 10 eu vou fazer 5 em 2008 e 5 em 2009. Deveria ser o contrário. da postura autoritária de alguns fiscais. das limitações do órgão fiscalizador em termos de disponibilizar orientações antes de realizar as cobranças.252 conjunta. seja de orçamento. fizeram. Não sei se você acompanhou. Com relação às questões burocráticas e a disponibilização para orientações. se você tiver um evento na sua planta. Você contrata uma auditoria que vem para a sua fábrica. teve acho que fazem 2 ou 3 anos atrás aproximadamente. Isso foi uma das coisas mais certas que já ocorreram. Alguns dos entrevistados reclamaram sobre alguns aspectos relacionados às questões burocráticas. É melhor você gastar para prevenir do que você ter um evento que você gasta 3 ou 4 vezes mais. Estes órgãos deveriam auxiliar muito mais a empresas e dar referências sobre o que fazer para não errar. como nós fizemos. porque você ia verificar na sua planta de produção quais eram as suas mazelas. de condição técnica. além das questões legais. o problema é seu” (Entrevistado 6).

eu vou ter uma maior contaminação. Como o meu compromisso é com a empresa e não com a fiscalização. Se eu estudei química e eu sei que tem a lei de Lavosier que na natureza nada se cria. No caso eu gerencio a área de produção e respondo pela área técnica. a empresa vai fechar. certo. Não realizou gastos ou investimentos na área ambiental. “Melhorar o desempenho da empresa”. ele caminha. e uma outra questão é o critério de que tudo que não se resolve hoje você vai gerar um passivo ambiental para empresa que é quase incomensurável. As empresas que não se adequarem não vão conseguir continuar no ramo.253 Quadro 47 – Motivos para Gastos/Investimentos Ambientais Entrevistado Entrevistada 1 Entrevistado 2 • • • • • Motivos Informados Preservação do meio ambiente. Se eu contamino por exemplo um lençol freático. para o futuro”. Exigências de clientes certificados (um dos clientes estabeleceu um prazo de 5 anos para a empresa adequar-se). Entrevistados 3e4 • Entrevistado 5 Entrevistado 6 Entrevistado 7 • • • • Entrevistado 8 • Entrevistado 9 • • Entrevistada 10 Fonte: O Autor (2008) . Preservação do meio ambiente em nossa unidade fabril. É importante passar esta percepção para os clientes e para as autoridades”. você tem que pensar como homem de produção e se eu tenho parte da produção que eu não consigo aproveitar e que vai gerar um resíduo qualquer. Segundo ele “eu tenho responsabilidade: eu sei por exemplo que se peixes começarem a morrer e as autoridades comprovarem a minha responsabilidade. por tudo. pela saúde. Para o Entrevistado 4 “Interesse em isenção de impostos para medidas adotadas para preservação do meio ambiente”. Não realizou gastos ou investimentos na área ambiental. prevenção. Como é que eu posso quantificar o quanto aquilo contaminou para frente. Se eu sei que aquela matéria-prima é potencialmente poluidora e se eu descartar de forma errada no meio ambiente eu vou gerar um problema. A conseqüência disso é que a empresa terá que estar a altura das exigências das autoridades. O Entrevistado 8 informou “Critério ético eu diria. ele tem que ser bem destinado de forma adequada. Então eu vou ter uma contaminação. A Entrevistada 10 informou “Eu acho que é necessário. Porque que digo critério ético: porque nós temos profissionais e profissionais. ele não é estático. Uso seguro e responsável dos recursos naturais. mesmo que não tenha uma legislação. Além do desempenho. Para o Entrevistado 3. certo. Eu sei que se eu fabricar um creme e muitas pessoas tiverem problema de pele. “Preocupação com o meio ambiente e com a imagem da empresa”. Aí entra o critério ético. tudo se transforma. É o tipo de passivo que eu não tenho como mensurar a não ser numa condição generalizada”. se ela for levantada a montante ou a jusante. eu vou lutar para que isso não aconteça. saber que você está poupando problemas para a empresa” Fortalecer a marca da empresa (apelo ambiental .produtos naturais . É legal perceber que os clientes estão buscando empresas ecologicamente corretas. Reclamações de vizinhos em relação ao pó e aos odores emitidos pela empresa.respeita o meio ambiente). vai perceber que a partir das empresa onde nós estamos. O Entrevistado 3 acredita que “o cliente vai gostar mais da empresa se a empresa tiver uma imagem limpa. ou seja. Com o tempo todas as empresas terão que se adequar. Então a primeira coisa é o critério ético. porque você não consegue fazer uma análise extrapolando valores dos números de hoje para daqui 5 a 10 anos. a empresa vai fechar.

fazemos 100. Nós. tudo que tiver que ser feito seria feito com certeza.33% informaram registros de . além da questão financeira. priorizamos outras questões que é fazer o dia-a-dia em termos de produção e aí isso não fica no primeiro plano. Não investiu na área ambiental. Entrevistados 3e4 • • • Entrevistado 5 Entrevistado 6 Entrevistado 7 • Entrevistado 8 Entrevistado 9 Entrevistada 10 • • Fonte: O Autor (2008) Com relação aos históricos de acidentes ambientais ocorridos na empresa. que permitisse estabelecer a atual preocupação que a empresa tem com o meio ambiente. Muitos profissionais se preocupavam apenas com coisas supérfluas”. “Custo para montar a gestão de processamento de resíduos é alto”. tudo que tem que ser feito na área ambiental é feito. aí eu vou falar como empresa e não como profissional da área técnica. Se ele disser que tem que fazer 10. Apenas 3 (três) indústrias ou 33. “Eu acho que só financeira mesmo. Pelo nosso nível de faturamento e pelo pouco capital ou pelo pouco investimento necessário na área ambiental. fazemos 10. “Uma das principais dificuldades é encontrar empresas especializadas (prestadores de serviços e treinamento)”.254 Quando questionados sobre. Eu não diria que a questão financeira seja uma questão que hoje impacta. Faltam mais informativos referentes a aplicações especificas para cada segmento de mercado químico”. No nosso segmento existem profissionais que fornecem serviços especializados”. “Muitas informações só são encontradas quando de uma fiscalização ficamos sabendo do que é preciso ser realizado dentro da indústria. os entrevistados informaram: Quadro 48 – Dificuldades Encontradas para Gastos ou Investimentos Ambientais Entrevistado Entrevistada 1 Entrevistado 2 • • • Dificuldades Encontradas “A burocracia existente nos órgãos ambientais”. se ele disser para fazer 100. “Encontrar profissionais qualificados”. Este dado não pode ser confirmado em função da não disponibilização de informações detalhadas pelo IAP sobre acidentes e autuações envolvendo indústrias químicas no município. Não é a questão financeira que pega para a gente não fazer não. talvez a questão seja você priorizar. a questão financeira não é o problema. 6 (seis) indústrias ou 66. Nós não temos um setor específico que só pense meio ambiente”. O que importa é o seguinte: o órgão fiscalizador quando vier aqui tem que ter propriedade de dizer o que precisa ser feito. Aí é mais por que nós como empresa. “Desculpe. quais seriam as principais dificuldades encontradas para a realização de gastos ou investimentos na área ambiental. eu acho que não tem outras dificuldades. Outra dificuldade apontada foi em relação à mão-de-obra e sua manutenção “A empresa demorou para encontrar um profissional capacitado na área química. Não Investiu na área ambiental.67% informaram que não possuíam nenhum registro de ocorrências.

foi contido internamente. Dentre estas empresas. Desde o início da instalação da estação de efluentes. No caso da Indústria 1. há dois anos e meio. Quando questionados sobre a geração de resíduos. sendo que apenas 1 vez a gente falhou. a qual permite o total aproveitamento das matérias-primas sem a necessidade de geração de resíduos. quando precisávamos descartar efluente da estação de tratamento de efluentes. 3 e 7.56% informaram que não geram resíduos. Foi uma contaminação de extratos vegetais em nível microbiano (matériasprimas utilizadas pela indústria). foi parte com lodo biológico. Já na Indústria 7. e o segundo não. foram identificados problemas de contaminação na tubulação interna. O Entrevistado 8 mencionou que os acidentes estavam relacionados a derramamento de óleo de um tanque de armazenagem. Graças a nós termos o histórico do primeiro e a escola do primeiro fez com que nós fossemos mais eficientes no segundo e logicamente contivemos ele na área de produção” (Entrevistado 8). do local onde ocorreu o vazamento na parte interna e externa para fazer uma bioremediação. já foram feitas aproximadamente 440 amostras da indústria. o Entrevistado 8 informou que ocorreram dois eventos: “Um que foi eu diria o mais expressivo.255 acidentes ambientais: as Indústrias 1. Foi uma ocorrência importante. As 3 (três) outras indústrias que informaram não gerar resíduos (Indústrias 6. Por questão técnica operacional. a aí não teve maiores problemas não” (Entrevistado 8). No caso da Indústria 3. o IAP quis autuar" (Entrevistado 3). Segundo ele: “Um dos acidentes foi externo por que o óleo vazou para a área externa da empresa. interno os dois foram. só que um extrapolou os limites da empresa. no ano passado. a Indústria 4 e a Indústria 5 informaram que não geram nenhum tipo de resíduo industrial. e um outro que foi interno. que deve fazer entre 7 a 8 anos. 8 e 9) mencionaram que o seu processo industrial ocorre dentro de um circuito fechado. a Entrevistada 1 informou que: “Sim. . que ocasionou sobrecarga nas lagoas de tratamento” (Entrevistada 1). de mínimo impacto. Nós fizemos uma análise da extensão. em função das características de produção da água sanitária. 5 (cinco) indústrias ou 55. o Entrevistado 3 informou que: “Depois que a gente começou a cuidar da água e fazer exames de laboratório. onde eventuais resíduos são incorporados novamente na linha de produção. que exigiu uma manutenção de limpeza.

o Entrevistado 3 faz uma declaração que revela a presença da ação racional instrumental descrita por Serva (1996) nos negócios corporativos em relação às questões ambientais e a geração de resíduos: "A questão ambiental era secundária. das caldeiras nós temos que semestralmente . mencionaram que seguem as determinações estabelecidas pela legislação com relação a contratação de uma empresa especializada para a elaboração de relatórios de emissões. somente depois que se atingiu a qualidade dos produtos é que a gente começou a se preocupar com o resíduo" (Entrevistado 3). As 4 (quatro) empresas ou 44. 5 (cinco) indústrias ou 55.44% que informaram possuir controles.256 As 4 (quatro) empresas que informaram gerar resíduos industriais declararam as seguintes descrições e destinos para os resíduos: Quadro 49 – Indústria Química X Descrição dos Resíduos X Destino Indústria Química Indústria 1 Indústria 2 Descrição do Resíduo Resíduos Líquidos Resíduos Sólidos Borra de Tinta Resíduos Líquidos Resíduos Sólidos Resíduos de Fabricação de Extratos Vegetais Resíduos Líquidos Resíduos Sólidos Destino Estação de tratamento de efluentes Separação e disposição adequada Empresa especializada em tratar os resíduos industriais para serem incinerados no forno de cimenteiras Estação de tratamento de efluentes Catadores de papel e usinas de reciclagem Adubo orgânico para hotel fazenda pertencente ao proprietário da empresa Empresa de reciclagem de óleo Empresa especializada em tratar os resíduos industriais para serem incinerados no forno de cimenteiras e empresas de reciclagem Indústria 3 Indústria 7 Fonte: O Autor (2008) Com relação aos resíduos. No caso da Indústria 7. Ou seja. o Entrevistado 8 detalhou como funcionam os procedimentos para controle de emissão de gases e de monitoramento do lençol freático: “Nós fornecemos periodicamente ao IAP alguns documentos para que nós tenhamos a nossa licença de operação mantida.56% informaram que não possuem controles pelo fato de não realizarem emissões gasosas na atmosfera. Com relação à existência de controles de emissão de poluição. os quais são periodicamente disponibilizados aos órgãos ambientais.

e aí de uma forma muito companheira porque eles nos ajudaram nisso. tipos de voláteis. houveram uma série de reclamações. na parte de graxas. A cada três meses é feita a drenagem dos poços. apenas uma vez quando a estação de tratamento de efluentes foi instalada. fizeram até um abaixo-assinado junto ao IAP e ele veio aqui. Foi apenas uma reclamação verbal do supermercado vizinho em relação ao cheiro exalado. inicialmente. apenas 3 (três) indústrias informaram possuir registros de reclamação. depois condensador. o Entrevistado 9 também informou um único registro: “Somente reclamação verbal. Na questão relacionada à existência de registro de reclamações da comunidade em relação às suas operações. aí junto com a equipe técnica fizemos algumas alterações de processo (temperatura de cozimento. Por este motivo investimos recursos em melhorias. já chegou até a ter abaixoassinado para que nós saíssemos daqui em função disso. depois colocamos lavador de gases. Nós temos um contrato com uma empresa que faz o levantamento e o laudo para envio ao IAP (caldeiras). fazem a análise da água. situação que em uma semana foi resolvida” (Entrevistado 3). que eu diria que foram feitos a mais ou menos nove anos. ou seja. a situação foi um pouco mais séria. No caso da Empresa 7. que é para verificar até que ponto nós estamos mantendo o lençol freático tal como era antes de nós nos instalarmos aqui. No caso da Indústria 3. conforme explica o Entrevistado 8 “Como a fábrica já está aqui há mais de 20 anos.257 fornecer os mapas de emissões. Nós temos pontos de monitoramento na parte interna. Então toda a parte de voláteis do processo ficava no ambiente interno do prédio e uma parte saia. a exemplo do reflorestamento do entorno da fábrica” (Entrevistado 9). segundo o Entrevistado 8. Então nós temos um cheiro específico do nosso processo produtivo e aí ao longo do período. Logicamente hoje. Temos duas empresas terceirizadas que fazem estes controles” (Entrevistado 8). nós tínhamos uma série de problemas. era feito em tacho aberto. não há problemas com a comunidade. como eu falei. O nosso produto era feito. uma vez que o fato ocorrido quase determinou a mudança de endereço da empresa. fazem a coleta dos poços. mudança de matérias-primas). saímos de tanque aberto para tanque fechado. foram nos dando algumas orientações em relação ao nosso problema. vimos alguns equipamentos para o nosso processo. mas isso já está totalmente sanado” (Entrevistado 8). o Entrevistado 3 informou que se tratava de apenas uma ocorrência: “Sim. Em cima desta situação de reclamações nós fomos para o mercado. não temos nenhuma reclamação e temos o Ok do IAP. Já tivemos sim. No caso da Indústria 8. Da mesma forma que as pressões exercidas pela sociedade organizada foram fundamentais para que o governo e o setor químico assumissem uma nova atitude em . preenchem o documento que é enviado ao IAP para protocolo. Os vizinhos reclamavam do pó.

as companhias seguradoras impõem muitas exigências. Em suas respostas. A minha empresa atende apenas as exigências do bombeiro e da medicina do trabalho” (Entrevistado 5). A empresa já investiu mais de R$ 50. informa que a opção pela não contratação de seguros se deve ao fato de que considera que a . e para confirmar a afirmação de Beck (2006). de que a condição da iminência do risco se torna institucionalizada a partir do momento que a sociedade passa a desenvolver atividades que deixaram de ser cobertas por seguros. quando menciona: “Não possuo seguro. fiação elétrica. mas mesmo assim ainda não conseguiu atender os requisitos das seguradoras. enquanto que a Entrevistada 1. O Entrevistado 6 menciona que a sua empresa não possui seguro em função da falta de recursos para a sua contratação. devido ao nível de exigências das seguradoras. O último investimento realizado para atendimento de uma das exigências das seguradoras envolveu a transferência da armazenagem dos produtos da parte interna para a parte externa e mesmo assim o seguro não pode ser realizado” (Entrevistado 2).000. os profissionais entrevistados foram questionados se suas respectivas indústrias químicas possuíam algum tipo de seguro para acidentes ambientais. de modo a garantir a continuidade de suas operações.00 em melhorias. sistemas de comandos eletrônicos e motores a prova de explosão. Para confirmar a existência de riscos inerentes às atividades de fabricação e de manipulação de produtos químicos. As seguradoras não fazem este tipo de seguro e quando fazem algum tipo de orçamento de apólice. a exemplo de novas legislações e da criação do Programa Atuação Responsável. nos casos relatados pelas 3 (três) indústrias percebe-se que as reclamações dos vizinhos foram essenciais para que os problemas fossem solucionados. Foi a partir destas reclamações que as 3 (três) empresas buscaram adotar medidas para resolver os problemas apontados. todos os anos são realizadas tentativas porém o seguro nunca é obtido. alguns dos entrevistados confirmam a situação de iminência do risco retratada por Beck (2006) ao revelarem que não possuem seguro. O mesmo ocorre com o Entrevistado 5. O Entrevistado 3 informou que a sua empresa não possui em função do seguro ser muito caro e das exigências das seguradoras. O Entrevistado 2 informa que: “A dificuldade para a obtenção de seguro é muito grande para a própria empresa.258 relação ao tratamento dispensado para as questões ambientais. os custos são altos: exige troca das portas de madeira.

caminhão. Eu nunca vi. Realizar adaptações no processo produtivo para o re-uso da água Instalações próprias (adequadas). Obtenção de certificações.) Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 . Melhorar a estrutura interna da empresa. Continua (. Eu não sei dizer qual é o teor desta cláusula porque eu não conheço estes detalhes” (Entrevistado 8). não sei como se chama. Promover ações para separação de lixo reciclável.. Contratar uma empresa especializada para atendimento de situações de emergência (na atualidade a única alternativa é o bombeiro).259 atividade desempenhada pela empresa não gera riscos significativos de acidentes ambientais. uma vez que as empresas de seguro nunca haviam ofertado para sua empresa uma proposta de seguro nesta área. Realizar novos investimentos em segurança do trabalho. Implantação de um sistema de prevenção de incêndio. 8 e 9. No caso das Indústrias 6. a última questão desta categoria buscou identificar se haviam nestas empresas ações previstas na área ambiental para o horizonte de 2015. Segundo o Entrevistado 8: “No ramo seguro. Já o Entrevistado 9 foi categórico em afirmar que não. reciclagem. As respostas obtidas para estes questionamentos foram as seguintes: Quadro 50 – Ações Previstas na Área Ambiental para o Horizonte de 2015 Indústrias Químicas • Indústria 1 • • • • • • • • • • • Ações Previstas Separação e correta destinação do material de laboratório (incineração. há sim uma cláusula específica quanto a isso. 7. Não há projetos previstos. Manutenção das ações já realizadas. patrimonial. carro e patrimonial e as seguradoras nunca mencionaram” (Entrevistada 10).. Não há projetos previstos. a gente faz seguro aqui para o escritório. O mesmo ocorre com a Entrevistada 10 quando afirma que: “Até hoje as seguradoras nunca ofereceram este tipo de produto. compostagem). os entrevistados mencionaram que possuíam seguro de suas instalações. Como forma de avaliar qual é o nível de planejamento das indústrias químicas em relação às questões ambientais futuras. predial. porém ficaram em dúvida sobre a cobertura e até mesmo a existência de seguros para acidentes ambientais.

com a intenção de que as categorias de análise “Profissional e Meio Ambiente” e “Indústria Química e Meio Ambiente” pudessem ser melhor exploradas. Por entender a importância do indivíduo no contexto das organizações. como indivíduos. o Entrevistado 7. Com base na realização desta primeira etapa da pesquisa foi possível estabelecer uma aproximação entre pesquisador e entrevistados. 4.3. esta categoria se demonstrou fundamental para a exploração do tema de estudo proposto. uma vez que o pesquisador não atua no setor químico e não possui vínculos de relacionamento com os entrevistados que participaram desta pesquisa. Fonte: O Autor (2008) Como mencionado anteriormente. Com relação aos questionamentos efetuados para esta categoria. dar origem aos riscos. Criação de uma nova brigada de incêndio. Readequação e treinamento do quadro profissional em função da criação da nova filial no Rio de Janeiro. que optou pelo preenchimento do questionário ao invés da realização da entrevista. o principal objetivo da categoria de análise “Perfil Ambiental da Indústria Química” foi o de possibilitar uma aproximação entre o pesquisador. o Entrevistado 7 alegou que não havia respondido as questões por opção própria. uma vez que é dele que partem as decisões que podem. Criação de um novo plano de emergência. Quando do estabelecimento de um novo contato do pesquisador para a obtenção das respostas ausentes no questionário.260 Indústria 6 • • • • • • • • Indústria 7 Indústria 8 Indústria 9 Promover ações para a conservação do verde. por receio da divulgação de suas opiniões em função de . sujeitos e objetos de pesquisa. foi o único dentre os entrevistados a não fornecer respostas. revelassem quais eram as suas percepções sobre meio ambiente antes de realizar suas considerações sobre a relação de suas respectivas indústrias químicas e o meio ambiente. Criação de um novo plano de contingenciamento . Melhorar o sistema de lavagem de gases em relação a sua eficiência. Não há projetos previstos. Investir em melhorias. de acordo com Beck (2006). Profissional e Meio Ambiente Esta categoria de análise foi criada com a intenção de possibilitar que os profissionais envolvidos na pesquisa.

tentando estabelecer uma comparação. as quais serão utilizadas como estrutura de tópicos para a apresentação dos resultados obtidos. ele também faz parte do meio ambiente”. Continua (. é o relacionamento funcional dos funcionários e familiares. Devemos ter preocupação com o meio ambiente. Depende do relacionamento das pessoas e da evolução do homem dentro do meio. “Todo mundo entende meio ambiente somente como plantar árvores. preservação da água. que pode ser feita dentro de casa ou no trabalho. Em sua maior parte. os profissionais entrevistados realizaram declarações que possibilitam uma melhor compreensão sobre como o meio ambiente é por eles percebido. a) Para você. Mesmo diante da reafirmação do compromisso de confidencialidade assumido pelo pesquisador com relação à não disponibilização de dados que possibilitassem a identificação do município.. Quadro 51 – Significados dos Entrevistados para Meio Ambiente Entrevistados Entrevistada 1 Entrevistado 2 Significado para Meio Ambiente “É tudo que pode afetar a vida. não distinguindo o homem dos demais seres vivos” “Onde nós vivemos. Em alguns casos.. Cuidar com o futuro dos herdeiros” “É onde a gente mora. o Entrevistado 3 falou muito sobre religião. da comunidade onde as pessoas trabalham. o que é meio ambiente? Com relação ao significado de meio ambiente. Para esta categoria foram criadas 5 (cinco) questões. mencionando que o meio ambiente e a religião estão em todos os lugares. Onde tudo ocorre. o Entrevistado 7 manteve a sua opção de não responder aos questionamentos desta categoria. as respostas revelam um total distanciamento ou desconhecimento dos entrevistados sobre o que venha a ser meio ambiente. Para o Entrevistado 3 “A TV cria um imaginário que faz com que as pessoas pensem que o meio ambiente é algo que não faz parte da vida delas”.) Entrevistado 3 Entrevistado 4 . primeiro passo é educação. de forma objetiva ou cercadas de insegurança. as respostas foram fornecidas logo após momentos de hesitação e em muitos casos. fatos que podem indicar evidências do distanciamento ocorrido entre ser humano e meio ambiente. é educação da comunidade por que ela faz parte do meio ambiente.261 representar a indústria química. Em seu depoimento. é onde a gente trabalha”. O meio ambiente para mim faz parte do ambiente das empresas. O entendimento sobre o meio ambiente começa na educação básica. das indústrias químicas e dos entrevistados participantes da pesquisa. Primeiro educação e conscientização. Eu entendo o meio ambiente.

o mundo. tem que fazer com que o impacto seja o menor possível.. em especial na fala do Entrevistado 9. matériasprimas e o ambiente interno e externo. O meio ambiente para mim é qualquer lugar onde nós estamos inseridos. . para a gente que está nesse ramo é um problema. Toda vez que eu pego uma bala eu lembro do meu pai.. coloquei ela na boca e joguei o papel no chão. contratar profissionais para cuidar desta área. Aí as empresas que não tem toda esta estrutura. eu não consigo fazer produção sem ter o impacto ambiental. Meu pai falou para mim: meu filho. Para mim. eu gero impacto ambiental. O mercado exige que a gente tenha todas as adequações mas a rentabilidade do negócio não permite fazer quadro.. quando por exemplo. quando considera que o meio ambiente representa um problema em termos de gestão. que possuem pessoal. As exigências muitas vezes são feitas pensando em empresas mais estruturadas. Muitas vezes você precisa indicar as soluções para os terceiros. não se joga papel no chão. eu descasquei uma bala. padronizar os carrinhos dos catadores e da falta de iniciativas para educação da população. trabalho com terceiros que não tem um foco dedicado para a empresa. sem ele não há vida” Fonte: O Autor (2008) Nas respostas é possível perceber a ausência de simbolismo e a presença do antropocentrismo de Descartes. para os animais. Só que aí existe um pouco de utopia. Tem tantas coisas para falar: a primeira coisa é a educação do indivíduo. em usar a TV para orientar e educar a população. como que eu poderia te explicar. produtos. você vai ter definições e definições de meio ambiente. assim que eu aprendi. meio ambiente é isso. Meu pai era alemão e eu não quero dizer com isso que alemão seja melhor que os outros” “Dependendo do que você fala e de onde você está...262 Entrevistado 5 Entrevistado 6 Entrevistado 8 Entrevistado 9 Entrevistada 10 O Entrevistado 5 não conseguiu definir o que é para ele meio ambiente. tem dificuldades de se adequar. você resolve qualquer problema” “Meio ambiente. só o fato de eu me locomover da minha casa até aqui. Então eu penso que qualquer atividade. objetos.. desde a parte de equipamentos. Eu ri para o meu pai e meu pai segurou na minha orelha até eu juntar. Não tenho um profissional assim contratado full-time. Para a gente . bom eu vou ser bem sincero. onde nós temos todos os tipos de interação com coisas. Falou em aquecimento global.. para os seres humanos.. É assim que precisa ser feito. normalmente prejudicial ao meio ambiente. Vou lhe contar de que maneira eu fui criado: quando eu era criança meu pai me deu uma bala. é tudo. o meio ambiente é considerado apenas como algo necessário para a sobrevivência dos seres humanos.. é uma coisa necessária para a sobrevivência. Em algumas respostas percebe-se indícios da racionalidade instrumental. pessoas. “A preservação do nosso planeta. papel não se pode jogar no chão. a gente sempre tem que estar às voltas com isso aí. serviços e até lazer” “É a nossa casa.. Para a gente que é uma empresa pequena representa algum entrave. e eu como profissional devo trabalhar de maneira tal que devo conseguir manter este sincronismo de forma que um ajude ao outro. eu tenho que minimizar este impacto. Desde que você tenha recurso e profissionais especializados. Para nós aqui meio ambiente é onde nós estamos trabalhando e seria o que.

Ter recursos para manter uma entidade.263 Dentre as respostas. poderia dar maiores contribuições para o meio ambiente” (Entrevistado 2). Queira ou não queira. esta última no caso do entrevistado. do descuido ambiental e ela vive esta maquiagem. Ao ser questionado se encontrava dificuldades para ir além da separação do lixo. as noções de limpeza. porém presos a perspectiva realista definida por Beck (2006). eu faço pouco hoje. principalmente com o lixo e a preocupação com o futuro dos filhos. ao considerar que o homem faz parte do meio ambiente. gostam de brincar em shoppings. ambientes que aparentemente são limpos mas que geram muita sujeira. de higiene da criança são totalmente urbanas. retratado anteriormente por Sheldrake (1993): “Eu nunca tinha pensado nisso. o Entrevistado 4 revela que a percepção sobre o que é meio ambiente não depende apenas do nível de educação formal. mas o todo está na parte. e que envolve outros aspectos como a experiência de vida e a formação cultural. do pai que é agricultor e que sempre atou em projetos sociais. O Entrevistado 2 acredita que: “Poderia fazer mais pelo meio ambiente. aquisição de novos equipamentos. o Entrevistado 4 se aproxima do princípio hologramático proposto por Morin (1998). Em sua fala. O Entrevistado 3 declarou que busca ter cada vez mas cuidado. Ela sempre vai viver . algumas respostas revelaram indivíduos sensíveis às questões ambientais. o Entrevistado 3 apresentou novas evidências sobre o distanciamento ocorrido entre ser humano e natureza. o qual considera que não apenas a parte está no todo. nós hoje somos poluidores do meio ambiente. Ele comentou que sua sensibilidade para o tema vem de sua educação familiar. Quando menciona a importância da educação básica para a compreensão do meio ambiente. A criança vai se afastando das conseqüências. de origem japonesa. Para onde vai o lixo do shopping?. além de fazer compostagem do lixo biológico e da separação e destino do lixo em sua propriedade rural. uma em especial chamou a atenção do pesquisador em termos de clareza e posicionamento. uma vez que a sua formação é primária. fazer um reflorestamento. b) Como você enxerga a sua relação com o meio ambiente? Quando questionados sobre como os entrevistados enxergavam a sua relação com o meio ambiente.

eu considero que nos últimos anos está melhorando” (Entrevistado 6). Como é que você vai pegar uma árvore dessa. Eu vivo a relação com o meio ambiente na minha chácara. ocorrida em função da contaminação de agrotóxicos aplicada em uma plantação de tomate. o Entrevistado 6 fez questão de mencionar um fato ocorrido com ele: “Dia desses eu me deparei com um rapazinho que estava ameaçando quebrar uma árvore nova. Tenho procurado mecanismos que possam se adaptar a nossa comunidade. Deixei claro que se ele não tomasse as providências necessárias. faria uma denúncia para a fiscalização” (Entrevistado 4). Desde cedo. Por isso é que eu falo que o meio ambiente começa dentro de casa. Na chácara são recolhidas aproximadamente 200 garrafas pet que vem no rio e que ficam presas em três grades. nunca vai tomar uma água do rio. No Japão as crianças recebem educação orientadas para um maior contato com a natureza. participando. Mas está melhorando. do apartamento. Eu solicitei ao meu caseiro para que rastreasse a origem da poluição e quando ele descobriu eu fui falar com o proprietário para que ele tomasse as medidas necessárias para evitar novos acidentes. as quais se aproximam de algumas das características presentes na perspectiva construtivista definida por Beck (2006): “Eu me considero um homem consciente. Como forma de demonstrar que preserva o meio ambiente. diferente os seres humanos que possuem um maior contato com a natureza como os agricultores e os índios” (Entrevistado 3). o Entrevistado 5 menciona: “A natureza não tem explicação. conscientizando. educando. todos são responsáveis pela limpeza do ambiente que utilizam. todos aprendem a cuidar do ambiente. É importante conscientizar desde criança. o ser humano de um modo geral está se afastando da natureza e está perdendo a responsabilidade por que não é o primeiro a sentir os efeitos mas é o primeiro a causar os efeitos. Apresentando novas evidências da presença da racionalidade instrumental. é uma vida que está aí.264 dentro do shopping. Apresentando dificuldades em definir a sua relação com o meio ambiente. Nós seres da cidade. as Entrevistadas 1 e 10 consideram de forma objetiva que a sua relação com o meio . Desde pequeno eu recebi noções sobre o meio ambiente na minha educação. deixe que nasça. que demora tempo para crescer. Não é só falar. Em sua resposta. Eu falei para ele: meu amigo esta árvore é uma vida. além de outras coisas. É necessário proibir a concentração urbana. Se cada um fizer a sua parte seria importante” (Entrevistado 5). muitas plantas que existem na chácara onde eu moro foram plantadas pelo meu pai. o Entrevistado 4 revela traços de uma racionalidade substantiva ao mencionar sua proximidade com a natureza por meio de suas ações. Há um tempo atrás houve uma grande mortandade de peixes no rio que corta a chácara. que estava crescendo. que possam servir para o conjunto da sociedade. é praticar. meu pai sempre dizia: derrubou uma árvore plante duas. O ser humano precisa de mais orientação.

Da mesma forma o Entrevistado 8 mencionou que considera a sua relação pessoal com o meio ambiente bastante coerente em diferentes níveis: casa. o Entrevistado 9 afirmou: ”Particularmente. eu penso que eu estou sintonizado com o que eu preciso fazer para minimizar os impactos e faço tudo o que é possível de trabalhos para minimizar e procuro colocar para as pessoas abaixo ou acima do meu nível hierárquico todo tipo de informação para que isso seja difundido e implementado. na minha casa nós separamos o lixo. tem que ter ação. Eu gostaria de ter uma empresa mais enquandrada. Às vezes a gente se sente frustrado por que acaba não tendo condições de atender 100% as exigências.265 ambiente é boa. em cima das normas. Segundo ele: “Como eu ocupo um cargo de gerência eu tenho uma certa autonomia sobre a atividade. Em apenas uma das respostas foi possível identificar traços ou características presentes na perpectiva construtivista. é possível perceber que a maior parte do grupo de entrevistados se aproxima da perspectiva realista definida por Beck (2006). produtos com selo de qualidade. meus conhecimentos na parte técnica potencializam a autonomia em relação ao que eu posso ajudar e contribuir junto a alta administração. Eu particularmente procuro agir desta forma. Então é assim. consumir produtos recicláveis de indústrias que não agridam o meio ambiente. c) Você considera o meio ambiente em suas tomadas de decisão? . a qual rege o comportamento da grande maioria das organizações: “Eu gostaria de ter condições de atender até mais as exigências. Com base nas respostas. quando na realidade a gente consegue no máximo ficar dentro das normas” (Entrevistado 9). Quando questionado sobre a sua relação pessoal com o meio ambiente. faz bem agir desta forma” (Entrevistado 9). eu procuro fazer a minha parte. Busco reciclar. Eu penso que a minha condição hoje é inserido e comprometido para minimizar o impacto” (Entrevistado 8). O Entrevistado 9 faz uma revelação em tom de desabafo que revela limitações oriundas da racionalidade econômica vigente na sociedade industrial. porque só a palavra não resolve. A gente sempre acaba tendo que se adequar às exigências dos órgãos ambientais. família e trabalho. Eu separo lixo.

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Quando questionados se o meio ambiente era considerado durante as tomadas de decisão, todos os entrevistados foram unânimes em informar que sim. O Entrevistado 3 afirmou:
“Eu considero sim, mas ele é um dos fatores que eu considero. A primeira preocupação na tomada de uma decisão é que ela esteja de acordo com as normas sanitárias. A segunda preocupação é a rentabilidade/viabilidade financeira. Em terceiro as questões burocráticas de registros junto aos órgãos competentes, entre eles o IAP. O IAP é colocado por último, em função da necessidade de estar bem embasado para solicitar a autorização” (Entrevistado 3).

Para o Entrevistado 4 o meio ambiente é muito mais importante que qualquer outra questão. Em sua resposta ele dá novas evidências da presença da racionalidade substantiva em seus comportamentos e ações quando menciona:
“Considero que o meio ambiente seja mais importante que o econômico em função da minha concepção sobre o que é o meio ambiente. Não adianta eu ser economicamente perfeito, se o meio ambiente faz parte do homem dentro deste processo, e ele não tiver capacidade de evolução e relacionamento” (Entrevistado 4).

Demonstrando novamente a predominância da racionalidade instrumental em sua organização, o Entrevistado 8 declara:
“Sempre, eu sempre. Só que aí eu não vou destoar do nosso objeto social, que é produzir e vender lubrificantes. Se o impacto ambiental for de encontro à condição de produção eu tenho que ser flexível com a minha convicção, e aí eu tenho que ser um pouco permissível em algumas condições. Senão eu seria radical e não poderia estar aqui como eu estou há 20 anos. Eu acho que isso é um trabalho feito par e passo, eu não posso a toda hora ser impositivo, tem que ser negociador, e aí eu penso que eu poderia ter um aliado que seria o próprio Estado, que ajudaria muito. A empresa se enquadra quando você tem leis e fiscalização, só um ou só outro não vai resolver, é preciso ter um trabalho conjunto” (Entrevistado 8).

d) Você sofre alguma influência interna e/ou externa para considerar o meio ambiente em suas tomadas de decisão? De que tipo? Quando questionados se sofriam alguma influência interna e/ou externa para considerar o meio ambiente em suas tomadas de decisão, os entrevistados informaram que sofrem influências de diferentes naturezas: cumprimento da legislação, interesses econômicos, questões relacionadas à imagem da empresa, questões financeiras e reclamações dos vizinhos. O Entrevistado 3 considera que:

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“No momento não, porque estou atendendo as exigências legais. Porém considero que a maioria das empresas sofre influências relacionadas a questões financeiras, os empresários nunca falam sobre o meio ambiente. A maior pressão ocorreu antes da implantação quando da estação de tratamento, agora são apenas as fiscalizações” (Entrevistado 3).

Para o Entrevistado 8, as pressões internas e externas ocorrem da seguinte forma:
“Na parte interna, a alta administração não tem como objeto principal o meio ambiente e sim a parte de produzir e gerar lucro. Na parte externa, como a gente atende as exigências da legislação, não há pressões externas que comprometam as atividades” (Entrevistado 8).

e) Em um contexto geral, como você considera a importância do meio ambiente para a sua organização?

Para encerrar os questionamentos da categoria “Profissional e Meio Ambiente”, os entrevistados foram questionados sobre como, num contexto geral, consideram a importância do meio ambiente para as suas respectivas organizações. Apresentando evidências de um comportamento utilitarista, alguns dos entrevistados consideram em sua maioria que o meio ambiente é importante pelo fato de ser fornecedor da matériaprima necessária para a produção dos produtos que as respectivas indústrias fabricam. Como exemplo desta afirmação, o Entrevistado 2 considera que para a produção de tintas o meio ambiente é:
“100% importante para a empresa, pois a produção das resinas provém de matérias-primas de florestas plantadas, a exemplo do pinus que gera o breu” (Entrevistado 2).

Da mesma forma, o Entrevistado 3 caracteriza que o meio ambiente é importante em termos de fornecimento de matéria-prima:
“A empresa utiliza diversas matérias-primas que não são sintetizadas na indústria, que são oriundas do meio natural, a exemplo da água. Quanto mais suja estiver a água, maiores serão os gastos em produtos químicos para limpeza” (Entrevistado 3).

Confirmando novamente a sua posição baseada na racionalidade instrumental adotada pela sua empresa, o Entrevistado 8 acredita que:
“É importante, mas não é preponderante. Nós tomamos decisões considerando o meio ambiente, mas não colocando o meio ambiente em primeiro plano. Então o primeiro propósito é o que: a matéria-prima, produzir e vender. Sempre que possível comprar de uma

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empresa que não polua, produzir de forma que não polua e transportar da forma que não polua. Mas o primeiro objetivo é comprar, produzir e vender. Não é assim vou comprar uma matéria-prima que seja a menos impactante, produzir da maneira menos impactante, e transportar da forma menos impactante. É importante mas não é preponderante. Eu acho muito importante, eu acho importante. Se a gente quiser continuar com a empresa precisa estar adequado com as normas ambientais, se você não estiver adequado você não vai conseguir vender, não vai conseguir prosperar com o negócio” (Entrevistado 8).

4.4. Indústria Química e Meio Ambiente

Esta categoria de análise foi criada com a intenção de encontrar respostas sobre as relações das indústrias químicas e o meio ambiente, em especial a partir das percepções de profissionais que atuam em empresas instaladas em um município paranaense. Para esta categoria foram criadas 9 (nove) questões, as quais serão utilizadas como estrutura de tópicos para a apresentação dos resultados obtidos.

a) Na sua opinião, como a indústria química é vista pela sociedade em relação às questões ambientais?

Com relação a esta questão, boa parte dos entrevistados confirmou a condição verificada nos resultados de diferentes pesquisas apresentadas neste estudo (quadro 32), de que a indústria química é mal vista pela sociedade. Para o Entrevistado 2:
“Todos os acidentes ambientais de grande proporção estão relacionados com a indústria química, principalmente acidentes envolvendo estatais” (Entrevistado 2).

O Entrevistado 8 confirma a imagem negativa da indústria química perante a sociedade. Para ele a indústria química é vista:
“Como vilã, com certeza. A indústria sabe disso, a sociedade sabe disso e os órgãos ambientais sabem disso. Só que eu penso que a evolução tecnológica e de processos produtivos estão à frente da questão de legislação e pior que isso, se houver uma maior fiscalização, ou você vai ter que produzir menos, ou mudar algumas matérias-primas que vai impactar no aumento de preços, que não vai ter compromisso seu socializado, próximo ao seu cliente. Então eu penso que em detrimento dessas decisões que teriam efeitos colaterais é que existe este rótulo negativo das indústrias químicas e a indústria sabe disso, o mercado, a sociedade e também os órgãos ambientais. Não é uma visão positiva, é sempre vista como uma empresa ou que não polui que vai poluir ou já poluiu muito” (Entrevistado 8).

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Em sua resposta, o Entrevistado 9 também confirma a imagem negativa da indústria química:
“Acho que ela é vista como uma indústria poluidora, pelo próprio processo. É diferente uma indústria química de uma indústria de software, por exemplo, de um prestador de serviço, que fica dentro de um escritório, separa lixo, coloca uma lixeira e acha que faz sua parte. A gente faz notificações de processo, tem fornalha soltando fumaça, tem máquina circulando matéria-prima, então ela naturalmente é mais difícil de se adequar ao meio ambiente. No caso do setor metalúrgico, que pega o material pronto, não interessa se para produzir aquele ferro tenha poluído para caramba dali para trás, mas eles pegam o ferro bonitinho, limpinho, dentro do plástico, daí pegam uma lixeirinha e separam o plástico de um lado, os resíduos de limalhas de ferro do outro lado, então eles são ambientalmente super corretos. A gente não, a gente está na parte anterior da deles, a gente tem que fazer movimentação, tem que fazer processos de produção que geram resíduos, que geram poluição, então eu acho que as indústrias químicas nesse ponto, são vistas um pouco como poluidoras, pois naturalmente elas poluem alguma coisa. Já poluíram muito mais, hoje já com as normas as empresas estão se adequando, mas ainda existem resíduos de produção” (Entrevistado 9).

A Entrevistada 10 também acredita que a indústria química é mal vista, porém confirma a necessidade de sua existência:
“Muitos acidentes envolvem produtos químicos na natureza, resíduos. Porém é necessário, se não houver indústrias químicas [hesitação]... eu acho que é um mal necessário” (Entrevistada 10).

O Entrevistado 4 assumiu um posicionamento de que a indústria química não é a única culpada pela poluição ambiental. Ele considera que a indústria química é vista pela sociedade:
“Sempre como poluidora, que estraga a natureza. Os meios de comunicação divulgam muito os acidentes envolvendo a indústria química e meio ambiente. Porém eu acho que a indústria química não é a única poluente, o conjunto da sociedade é responsável pela poluição” (Entrevistado 4).

Já o Entrevistado 5 e o Entrevistado 6 apresentam evidências sobre o distanciamento da sociedade em relação às questões ambientais e o nível de importância que ela atribui a indústria química. Eles acreditam que:
“A sociedade não tem conhecimento do que é uma indústria química. O povo não conhece a realidade de uma indústria química” (Entrevistado 5). “Não sei, eu acredito que não se importam, está entendendo. Um sabonete que fazem, é cheiroso, está bom, é um desodorante que está cheiroso. Eles não ligam está entendendo, eles ligam para o preço, o preço da prateleira, isso aí é que eles ligam. Eles não se importam, não há interesse, você está entendendo. No meu ver, no meu parecer eu acredito

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que eles não conhecem o funcionamento de uma indústria química, eles não dão valor para isso” (Entrevistado 6).

A Entrevistada 1, ao se aproximar do discurso do desenvolvimento sustentável, acredita que:
“No passado, a indústria química recebia uma conotação apenas de poluidora. Com a atual legislação, mais rígida e atuante, hoje ela é vista como uma necessidade humana que pode ser ambientalmente sustentável” (Entrevista 1).

Ao considerar aspectos regionais, o Entrevistado 3 faz considerações relevantes:
“Depende da região. Eu acredito que os pólos químicos da região não são de química pesada, nós temos uma indústria voltada para a indústria cosmética. O Paraná, diferente de São Paulo, que tem uma indústria maior, é um Estado mais ligado em questões relacionadas ao meio ambiente. Em São Paulo, a indústria é mais mal vista, uma vez que a poluição industrial é mais facilmente percebida. A questão de acidentes ambientais é mais comum em São Paulo do que no Paraná. No Paraná eu acredito que a indústria química é bem vista” (Entrevistado 3).

b) Você lembra de algum acidente ambiental provocado por indústrias químicas?

Quando questionados se lembravam de algum acidente ambiental provocado por indústrias químicas, os entrevistados em sua grande maioria, lembraram de acidentes envolvendo a Petrobrás. No quadro 53 são apresentados os acidentes ambientais envolvendo produtos químicos ou indústrias químicas que foram mencionados pelos entrevistados:

Quadro 53 – Acidentes Ambientais
Entrevistados Entrevistada 1 Entrevistado 2 Entrevistado 3 Entrevistado 4 Entrevistado 5 Entrevistado 6 • • • • • • • • • • • Acidentes Ambientais Derramamento de Óleo pela Petrobrás em Araucária – PR Contaminação do Rio dos Sinos em Porto Alegre – RS Vazamento de gás em Bophal – Índia Derramamento de Óleo pela Petrobrás em Araucária – PR Acidente com a plataforma da Petrobrás no Rio de Janeiro – RJ Derramamento de Óleo pela Petrobrás em Araucária – PR Derramamento de Óleo no Porto de Paranaguá – PR Acidente nuclear de Chernobil – Ucrânia Derramamento de Óleo pela Petrobrás em Araucária – PR Derramamento de Óleo no Porto de Paranaguá – PR Lembrou de um acidente ocorrido há 30 anos atrás na cidade onde morava. Um concorrente seu, ao fabricar hipoclorito de sódio, teve problemas de vazamento na sua linha de produção. Como a empresa também fabricava Continua (...)

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Entrevistado 7 Entrevistado 8 Entrevistado 9 Entrevistada 10

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álcool, o fogo rapidamente tomou conta da fábrica. Na época os bombeiros foram na fábrica do Entrevistado 6 para pegar máscaras, porque na época eles não dispunham de equipamentos para trabalhar com produtos químicos. Não lembrou de nenhum acidente Derramamento de Óleo pela Petrobrás em Araucária – PR Contaminação da Shell em Paulínia – SP Contaminação por chumbo pela Indústria Plumbum – Adrianópolis – PR Não lembrou de nenhum acidente

Fonte: O Autor (2008) Como é possível perceber no quadro 53, a grande maioria dos entrevistados lembrou de acidentes ocorridos no Paraná, fato que pode revelar que os efeitos ocasionados por acidentes químicos são mais facilmente percebidos nas regiões onde ocorrem. Um dos fatores que provavelmente contribuiu para que acidentes ocorridos no Paraná tenham sido mais lembrados em relação a acidentes ocorridos em outros lugares do mundo pode estar associada a ampla cobertura jornalística local, situação que somente se repete em escala global quando acidentes ambientais atingem grandes proporções. A simples lembrança pelos entrevistados, de acidentes envolvendo indústrias químicas ou produtos químicos, reforça a questão dos riscos que este tipo de indústria de transformação representa para o meio ambiente, para as sociedades locais onde suas plantas industriais se encontram inseridas e consequentemente para as sociedades globais quando efeitos não desejados dos produtos que fabricam ou dos resíduos que geram atingem grandes proporções que extrapolam os limites de suas plantas industriais.

c) Você considera que a indústria química representa algum risco para o meio ambiente?

Quando questionados se a indústria química representa algum risco para o meio ambiente, a grande maioria dos entrevistados considerou que sim. A Entrevistada 1 acredita que a indústria química representa um risco elevado, principalmente se for priorizado apenas o lado econômico, enquanto que o Entrevistado 2 acredita que a indústria química representa riscos em termos de vazamentos e explosões. Da mesma

eles tem resíduos de produtos químicos que caem na cadeia alimentar. Por isso que eu acho que há um certo descompasso entre a indústria química poluidora e a condição de chegar matéria-prima até ela e de sair produtos dela para o mercado consumidor. Além de afirmar categoricamente que sim. as matérias-primas que são ou tóxicas ou poluidoras em potencial elas precisam ser transportadas do ponto de produção da matériaprima até o ponto de industrialização e isso gera um risco eminente do ponto A ao ponto B. não permita que as indústrias que não se adequaram dentro de um prazo de tempo adequado continuem funcionando” (Entrevistado 3). para a saúde e eu reforço que a legislação que é bastante adequada. nós temos uma 51 malha viária muito precária que oferece riscos eminentes. O condutor da carga perigosa não tem total ciência do que está transportando devido a sua má formação. porque você tem uma série de participantes neste ciclo produtivo. mencionando que os riscos não ficam restritos ao ambiente interno das indústrias: “Sim. na terra. com elos fracos que podem se romper. além de mencionar a questão do risco. Uma pessoa que entra em contato todos os dias com produtos químicos pode desenvolver uma mutação genética. uma alergia. Mesmo com SASSMAQ e tudo. pela própria atividade que ela desempenha. há bem pouco tempo que existe legislação específica do DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes) que normatiza cargas perigosas. se utiliza de uma justificativa associada a lógica instrumental para determinar a necessidade de . independente do cargo. quando já não estão rompidos” (Entrevistado 8). o produto acabado. isto já é uma revelação que a atividade pode representar algum risco de contaminação. O Entrevistado 5. uma doença. sem serem vigiadas. Quando você transporta. Por mais que ela tenha precaução em sua planta de processo. no ar que as indústrias químicas estão poluindo todos os dias. ou do ponto A ao ponto C.272 forma Entrevistada 10 acredita que sim. O Entrevistado 8 também acredita que sim. você não tem condição viária de transportar com segurança. as bactérias que vivem nos rios. Isto não existiria se fosse uma atividade boa. E os animais. por causa dos produtos que podem degradar a natureza. não só no Brasil. você não tem uma malha viária com segurança. desde o primeiro ponto. Se eu adotar segurança na minha planta e o meu transporte tiver segurança. Se estes animais tivessem câncer e morressem seria uma realidade. inclusive em função disso há acidentes freqüentes pelo mundo. Eu acredito que a indústria química representa muito risco para o meio ambiente. Só o fato desta condição existir. O problema é que muitos destes animais que tem câncer e morrem. você recebe um bônus no seu trabalho chamado risco de insalubridade. e indo além. Quando você trabalha na indústria química. além da questão dos seguros apontada por Beck (2006): “Com certeza. Você não tem uma condição preventiva e preditiva para você fazer um embarque de uma carga perigosa que você tenha toda a precaução. o Entrevistado 3 apontou mais uma evidência da existência do risco.

todos os entrevistados mantiveram as mesmas respostas fornecidas para esta mesma pergunta. Dentre os entrevistados. apenas o Entrevistado 9 e o Entrevistado 7 apresentaram opiniões diferentes para a questão do risco que a indústria química representa para o meio ambiente: “Não existem riscos. um amaciante de roupa. Ele considera que: “É uma faca de dois gumes. diferente da fabricação do hipoclorito de sódio que exige uma estrutura própria. Meio Ambiente e Qualidade.273 existência das atividades de sua empresa. conforme o tipo de produto fabricado. normalmente ocorre na ganância das empresas em obter resultados. Se eu fosse fazer aqui os órgãos ambientais não permitiriam” (Entrevistado 6). desde se trabalhe dentro das normas de segurança e ambiental” (Entrevistado 9). “Desde que respeitadas as legislações não vejo dessa forma” (Entrevistado 7). um desinfetante não vai prejudicar. Saúde. O Entrevistado 4 também concorda com a questão da existência do risco. o Entrevistado 6 afirma que: “Depende do que você vai fabricar. de que o risco depende do produto fabricado. momento em que deixam de se preparar adequadamente para realizar as suas atividades. Seguindo a mesma lógica defendida pelo Entrevistado 5. quando realizada na categoria “Perfil Ambiental da Indústria Química”. Se você vai fazer um detergente. apesar da existência de possíveis riscos. Trata-se de um serviço integrado desenvolvido pela entidade para a prevenção e atendimento de acidentes rodoviários envolvendo produtos químicos 51 . Esta questão foi propositalmente colocada de forma repetida no instrumento De acordo com a ABIQUIM (2007) a sigla SASSMAQ corresponde a Sistema de Avaliação de Segurança. d) Você lembra de algum acidente ambiental ocorrido na sua organização? Quando questionados se lembravam de algum acidente ocorrido em sua organização. o qual segundo ele. Porém dela depende a sobrevivência dos empregados” (Entrevistado 5). Uma indústria de soda eu não posso fazer aqui.

Para o Entrevistado 2 e para o Entrevistado 8. “Os funcionários que efetuam o manuseio são preparados e a empresa inclusive deixou de utilizar insumos que representassem risco de contaminação” (Entrevistado 2). 6.274 de pesquisa com o intuito de verificar se os entrevistados manteriam as informações originalmente informadas ou se ao longo da entrevista revelariam outras situações ocorridas e não mencionadas. O Entrevistado 6 também acredita que não. A Entrevistada 1 e o Entrevistado 3 acreditam que: ”Desde que cumpridas as normas legais. “Os produtos cosméticos e os alimentos que fabricamos são feitos para passar sobre a pele ou para ser ingeridos. É óbvio que o nível de toxidade destes produtos tem que ser o menor possível” (Entrevistado 3). em virtude do seu processo de fabricação ser fechado e que somente haveria risco se em sua planta industrial fosse fabricado o hipoclorito de sódio. 9 e 10 foram categóricos em afirmar que não. 5. os riscos não se limitam ao ambiente interno da empresa: . os Entrevistados 4. de acordo com a estrutura da empresa hoje considero ser risco zero” (Entrevistado 4). Para o Entrevistado 4: “Nenhum. O Entrevistado 3 e o Entrevistado 2 consideram que os maiores riscos estão na manipulação da matéria-prima: “O maior risco está na utilização da matéria-prima e nas atividades de manipulação dos produtos químicos” (Entrevistado 3). e) Você considera que as atividades desenvolvidas pela sua organização representam algum risco para o meio ambiente? Quando questionados se as atividades desenvolvidas pela sua organização representavam algum risco para o meio ambiente. Ele considera que os produtos que fabrica contribuem com a sociedade quando menciona que a água sanitária está matando até a dengue. 7. os riscos são mínimos” (Entrevistado 1).

275 “Durante o transporte pode ocorrer algum risco de vazamento” (Entrevistado 2). Dentre os entrevistados. vai ser via rodoviária. “Às vezes a gente não conhece o risco. eu estou tão acostumado com o que eu faço que eu às vezes não tenho a visão crítica da minha atividade. “Até chegar para nós e sair da nossa planta para chegar no nosso cliente. 9 (nove) entrevistados ou 90% afirmaram que sim. vai olhar no detalhe. a não ser que ocorra um problema de processo” (Entrevistado 8). crítica do risco. o consumo de matérias-primas é controlado (interesse econômico) e os resíduos líquidos são tratados. o Entrevistado 8 apresenta evidências da existência do risco em duas de suas colocações. não gera risco. vai passar por vários locais que vão estar vulneráveis. mas nós somos coresponsáveis. e aí ele vai fazer um raio X sobre como está a nossa planta” (Entrevistado 8). O Entrevistado 8 menciona que: . Apesar de considerar que as atividades desenvolvidas pela sua empresa não representam riscos. O Entrevistado 3 também considera que ações ambientais desenvolvidas pela empresa são suficientes mencionando alguns fatores: “A energia utilizada pela empresa é limpa (energia elétrica). ele vai fazer questionamentos para mim e para nossos colaboradores. quando menciona: “Então com certeza a nossa atividade em si. Se eu tenho um caminhão nosso indo para o Rio Grande do Sul. A Entrevistada 1 acredita que: “Sim. nós podemos ter problemas mas não problemas gerados diretamente por nós. principalmente pela máconservação das estradas” (Entrevistado 8). porém depois que passa do portão eu não sei para onde vai” (Entrevistado 3). Eu poderia somente me preocupar com o destino do lixo biológico que é separado. Um pessoal de fora que venha aqui. Eu gerencio a empresa há 10 anos. f) Você considera que as ações ambientais desenvolvidas em sua organização são suficientes para evitar ou minimizar possíveis impactos ambientais? Com relação a esta questão. apenas o Entrevistado 8 acredita que as ações ambientais promovidas pela empresa não são suficientes. pois há uma melhoria contínua na medida em que os processos de fabricação vão sendo alterados” (Entrevistada 1).

a Vigilância Sanitária e a Polícia Civil. até que eu não tenha nessa máquina produtividade. o que pode acontecer. eu não vou trocá-la. o Entrevistado 8 informou: “Existe. Dentre os entrevistados. muito mais segura. usando uma analogia: eu posso daqui a Curitiba de várias maneiras. 2. vai depender de um cuidado excessivo com o elemento humano para se precaver de uma condição que não é a mais apropriada. não são suficientes não. esta última em função da possibilidade de alguns produtos químicos serem utilizados para fabricação de entorpecentes.3 por exemplo. g) A sua organização recebe pressões de alguma natureza para a adoção de medidas que visem a preservação do meio ambiente? Quando questionados se a organização recebe pressões de alguma natureza para a adoção de medidas que visem a preservação do meio ambiente. Se eu faço uma aquisição de uma máquina qualquer. e aí ou vou poder ir mais rápido ou mais confortável. isto sem sombra de dúvidas.000. com certeza nós podemos ter muito mais artifícios e até modificação em equipamentos que você possa aí sim ter alguma coisa próxima do zero. mesmo que ela se deprecie eu não troco pela depreciação. eu vou daqui até lá sem problema nenhum. Mesmo de carro eu posso ir com um carro 1. de ônibus ou a pé. ir de carro. Só que aí vai depender de como eu vejo a questão ambiental no meu escopo de trabalho. aí sim eu vou ter aquela lacuna maior e isso potencializa o risco” (Entrevistado 8). apenas o Entrevistado 1 afirmou sofrer pressões do mercado em relação à necessidade de se criar uma imagem ambientalmente correta da empresa. Falando tecnicamente. porque eu não tenho a melhor condição tal qual eu poderia ter. eu vou trabalhar com ela mais tempo. só que eu tenho o que. eu tenho o pay-back do meu investimento. porque é assim. ainda é por questões econômicas. eu consigo ver lacunas onde pode ocorrer o erro. o que é perda. Como máquina é um bem durável. seguramente sim. Então não é por questões de eu ser ecologicamente correto. O que eu faço é ter procedimentos de trabalho que eu vou me salvaguardar. eu posso fazer tudo o que eu faço hoje de outra forma. pelos padrões de hoje. Então seguramente o que nós temos hoje não é o supra-sumo.0 ou 4. eu tenho hoje sistemas de processo muito mais moderno. enquanto ela não se depreciar. os entrevistados mencionaram que eram questionados somente pelos órgãos de fiscalização como o IAP. Quando questionado se esta situação poderia significar riscos. . Agora se eu for analisar criticamente o processo produtivo.276 “Não. porém eu não tenho riscos eminentes. Como a planta existe há 30 anos. Então se há algum tipo de risco. como associações de moradores. Da mesma forma é o sistema produtivo. só que vai demandar investimentos” (Entrevistado 8). Se o elemento humano falhar. na minha empresa. Por mais que você tenha. enquanto que em nenhuma das respostas foram citadas pressões exercidas por Organizações Não Governamentais (ONG) ou por outros tipos de entidades.

ela está cumprindo com suas obrigações”. Então hoje as preocupações giram mais em torno do faturamento do que com a consciência ambiental. Até injeção. uso racional de recursos. de aumentar as vendas. este estoque de matéria-prima não é renovável. tem muitos problemas de outras naturezas dentro dela. se encontra em uma situação de poluir o quanto menos.. E eu não estou falando por outras empresas. a fim de minimizar os impactos por ela causados”. “Boa. por questão de sobrevivência. é uma empresa de dono e não de profissionais. pelo menos. Em boa parte das respostas. O meu princípio é religioso: ama ao teu seu próximo como a ti mesmo”. foi possível realizar uma primeira aproximação sobre como estes profissionais enxergavam a relação de suas respectivas organizações com o meio ambiente. “A empresa ainda tem muitas coisas que precisam ser melhoradas. que são desafios que ela precisa vencer. houve. você gasta recursos que não são renováveis. “Nós respeitamos muito o meio ambiente.. para evitar a contaminação por bactérias”. porém os cuidados já implantados estão sendo mantidos como a estação de tratamento de efluentes e os testes de laboratório. de vendas.277 h) Como você enxerga a relação de sua organização com o meio ambiente? Uma vez reconhecida a posição pessoal e individual de cada um dos entrevistados sobre meio ambiente. “Está fazendo um bom trabalho. Faz parte da vida do ser humano. Existem cuidados que são tomados na empresa”. não deixo queimar a grama. daí é que eu digo se ela fosse mais efetiva esta consciência da empresa seria por obrigação. estou falando desta empresa onde eu trabalho há mais de 20 anos. programa com a comunidade local e compromisso com seus funcionários.) Entrevistado 2 Entrevistado 3 Entrevistado 4 Entrevistado 5 Entrevistado 6 Entrevistado 8 Entrevistado 9 . Houve melhorias. é um bem não renovável. eu que sou diabético levo para um hospital para não jogar no lixo. É claro que sempre polui um pouco. é possível perceber a predominância da racionalidade instrumental: Quadro 52 – Relações das Organizações com o Meio Ambiente Entrevistados Entrevistada 1 Relações das Organizações com o Meio Ambiente “A empresa tem programa de gerenciamento de todos os seus resíduos. Até um vidro quebrado nós separamos. “Como a nossa empresa não é profissionalizada como um todo. Neste momento as questões ambientais estão em segundo plano. nem queimar plásticos por que polui. A empresa se encontra agora em um momento de explorar um novo mercado. contribui com o meio ambiente. “É harmônica. eu não acho que ela tenha uma postura de todo integrada com a questão ambiental. como problemas de mercado. mais coerente e mais preparada para atuar de forma preventiva”. O básico e principal que é o tratamento da água do esgoto já foi feito. Eu não deixo queimar lixo lá fora. “Considero ser uma ótima relação. mas só a custa de acidentes ou por força da legislação. mas a preocupação é sempre poluir menos”. Falta maiores investimentos em educação orientada para a higiene. ou seja. apesar de que eu vejo também que todo tipo de atividade acaba denegrindo um pouco o meio ambiente. é um mineral retirado da natureza que gera Continua (. Com relação às exigências legais.

A Entrevistada 1 e o Entrevistado 4 pensam que: “Se prevalecer o lado econômico. Quanto maior o consumo maior a gana” (Entrevistado 4). Em algumas respostas é possível perceber o reconhecimento de que as atividades desenvolvidas pelas empresas geram impactos ambientais. E sem retorno rápido e com custo econômico e social” (Entrevistada 1). O Entrevistado 8. Em seu depoimento. em especial. . e sim da grande empresa. “Faço todo o possível para fazer tudo certo. Eu não estou falando da pequena empresa. o Entrevistado 8 revela fatos comuns a muitas empresas. “Se eu for considerar hoje esta evolução. apresenta em seu depoimento indícios da predominância da racionalidade instrumental na organização quando menciona que as preocupações da empresa estão voltadas muito mais para as questões relacionadas ao faturamento do que para as questões ambientais. esquecendo o meio ambiente. estaremos abreviando nossas vidas e das próximas gerações. algumas respostas revelam a sensibilidade de alguns dos entrevistados em relação às questões ambientais e quanto aos limites de expansão da racionalidade econômica.278 Entrevistada 10 impacto ambiental”. quando menciona que a empresa somente passou a efetivamente se preocupar com a questão ambiental depois que dois acidentes ocorreram e por força das exigências legais. eu acho que vai ser muito nefasta. para não prejudicar nada no meio ambiente”. boa parte dos entrevistados acredita que as suas empresas estabelecem um bom relacionamento como o meio ambiente. i) Como você enxerga o futuro da relação da indústria química com o meio ambiente? A última questão realizada aos entrevistados diz respeito ao futuro da relação da indústria química com o meio ambiente. Para esta questão. É extramente perigosa. Fonte: O Autor (2008) Com relação aos relatos. A continuidade nesta gana do ganho.

Quando questionado se a tecnologia seria capaz de estabelecer esta condição. muitas delas que nós nem entendemos” (Entrevistado 6). o Entrevistado 3 respondeu com convicção que: “A química consegue fazer qualquer coisa. porém ainda estão distantes da prática. Quando perguntado se a própria indústria química pode desenvolver novas tecnologias ou novos processos para resolver a sua relação com o meio ambiente. As indústrias químicas ainda aplicam técnicas tradicionais oriundas do período de sua descoberta. Eu acredito que a ciência vai encontrar soluções mais inteligentes para que o homem continue tendo a possibilidade de poluir. já que ele gosta de fazer isso. fazer mais investimentos. fabricar alguma substância para soltar no ar para fazer o seqüestro de carbono. “As indústrias químicas deveriam se preocupar mais com o meio ambiente. principalmente em função dos custos financeiros” (Entrevistado 3). vai ser alguma maluquice que eles vão inventar para limpar o meio ambiente. existe muita burocracia. aplicando sobre elas poucas inovações. Reforçando a lógica da racionalidade econômica. o Entrevistado 6 e o Entrevistado 8 novamente demonstram preocupações com a manutenção do seu negócio. quando consideram que: “As indústrias pequenas vão desaparecer. Para ele: “Cada vez mais a química produz soluções. Eu acredito que as propostas que estão sendo discutidas no mundo não serão capazes de salvar o meio ambiente. por exemplo. O Entrevistado 2 demonstra possuir uma opinião diferente do Entrevistado 7: “Dentro da nova filosofia na conservação do meio ambiente. Porém o homem ignora algumas soluções pelo fato de algumas reações químicas serem inviáveis financeiramente” (Entrevistado 3). . o Entrevistado 3 informou que sim. jogar bactérias no oceano que consumam o lixo.279 O Entrevistado 3 demonstra sua crença na ciência e na sua capacidade de resolver todos os problemas: “Eu acredito que a principal solução para esse problema. As empresas receptoras de produtos químicos deveriam receber mais treinamentos para reduzir as chances de acidentes ambientais” (Entrevistado 2). A única chance de sobrevivência do planeta terra e dos animais é criar novas tecnologias de reaproveitar os resíduos a nosso favor” (Entrevistado 3). Para fazer uma autorização da vigilância sanitária são muitas exigências. somos o segmento que mais se preocupa com o futuro da preservação ambientais” (Entrevistado 7). Algumas respostas apresentaram divergências.

A minha visão no médio e longo prazo são menos empresas. Para o Entrevistado 9 o futuro será cada vez mais harmonioso enquanto que para a Entrevistada 10 será uma batalha: “Será cada vez mais harmonioso. por exigências. ou você se adequa ou você fecha” (Entrevistado 9). até todo mundo se adaptar e ter uma visão que tem que preservar o meio ambiente e evitar acidentes” (Entrevistada 10). aí ela tem por questões de governança corporativa. As pressões serão cada vez maiores.280 “No futuro a médio e longo prazo eu diria que nós vamos ter menos empresas porque nós vamos ter mais exigências e por questões de investimentos em plantas de processo você vai ter um afunilamento. Tem que trabalhar a governança corporativa. Como nós temos uma questão ambiental cada vez mais. tudo fará parte do processo. vai fazer parte do processo. Vai chegar num ponto que isso vai ser normal. e outras coisas. “O meio ambiente vai exigir e até as indústrias chegarem naquilo que é necessário vai ser uma batalha. por isso que eu acho que vai deixar de ser um problema. com certeza nós vamos ter uma situação de menos empresas no mercado. Isto aí vai ser uma condição para o funcionamento. Aquilo que é um problema a tendência é você resolver e vai surgindo propostas de equipamentos e processos que se adequem a essas novas normas mais rigorosas e isso aí vai fazer parte da produção da empresa. cobrando ou cobrada. porque hoje ainda a gente está na fase de estar se adequando às normas. os dois lados. então você vai operar durante este tempo e quando chegar no deadline você vai ter que resolver: ou você aporta o capital e se ajusta ou você vai ser responsável por algo maior ou você vai estancar a atividade e mudar de ramo. a empresa que tem capital aberto com ações na bolsa. aí é com empresas grandes que podem perder valor se não tiverem essa consciência ecológica muito clara” (Entrevistado 8). você vai ter um tempo para se adequar. o Entrevistado 9 e a Entrevistada 10 se aproximam do princípio dialógico presente na complexidade de Morin (1998). para um ramo com menos exigências. para entrar mesmo no que tem que ser. e as que ficarem terão um responsabilidade ecológica maior por questões de obrigação não por opção. . e a gente nem vai lembrar que existe meio ambiente. se você não se adequar não vai conseguir continuar produzindo. O que acontece. Vai ser necessário muita pressão e multas. se não estiver adequado não vai continuar funcionando. ou seja. Em suas respostas.

os quais se apresentam na contemporaneidade como os principais elementos geradores da crise sócio-econômica-ambiental em curso. exigiu o reconhecimento do modo de funcionamento da matriz de pensamento linear de produção científica bem como as influências que esta gera sobre as ações e comportamentos desenvolvidos pela sociedade industrial. a exemplo da degradação dos recursos naturais e do aumento da geração de resíduos. Contrapor a noção hegemônica da linearidade com a noção da complexidade representou um desafio pessoal para este pesquisador em termos de reflexões sobre os limites estabelecidos pelo seu próprio arquétipo mental para o desenvolvimento de um estudo de características multi e interdisciplinares. foi possível perceber que o sucesso econômico obtido pela sociedade industrial e as inúmeras descobertas científicas trouxeram consigo não apenas os benefícios da modernidade. em especial as indústrias químicas e o meio ambiente. Compreender um pouco mais sobre as diferentes realidades e a complexidade das relações estabelecidas entre sociedade e meio ambiente. Representou também um desafio em termos de aproximação e de compreensão dos reais fatores que determinam a crise ambiental. Com base nas diferentes evidências apontadas ao longo deste estudo. O reconhecimento destas limitações fizeram este pesquisador sentir uma forte necessidade de substituir as certezas produzidas pela forma de produção do conhecimento tradicional por uma nova proposta de produção do conhecimento iluminada pelos princípios da complexidade. onde o risco ecológico torna-se capaz de questionar o conhecimento do mundo. a qual Leff (2003) considera como sendo uma crise do nosso tempo.281 CONSIDERAÇÕES FINAIS A proposta inicial de revelar as percepções de profissionais de indústrias químicas de um município paranaense sobre as relações de suas respectivas organizações com o meio ambiente gradativamente se transformou em um espaço maior para a promoção de reflexões sobre como este pesquisador e cada um dos mais de seis bilhões de indivíduos que integram a sociedade contemporânea estabelecem as suas relações particulares e coletivas com o meio ambiente. mas também a ampliação dos riscos e dos efeitos indesejados. .

estas evidências foram capazes de apontar que tais efeitos indesejados não resultam apenas de ações isoladas promovidas por um ou outro tipo de ator social. Pelos fatos que foram apresentados ao longo deste estudo. a exemplo das indústrias químicas. de que não basta postular a estabilização da economia e da população em algum momento no próximo século sem questionar a possibilidade de deter a escala e desconstruir a economia para internalizar as condições de sustentabilidade ecológica. uma vez que esta é considerada como uma indústria de base necessária para o desenvolvimento de outros tipos de indústrias. O autor considera que a ecologização da economia não se trata de um problema de adequação de ritmos e escalas. a partir da qual se espera que sejam criadas novas vias de transformação do conhecimento através do diálogo e da hibridação dos saberes. as quais apontam para o agravamento da crise sócio-ambiental anunciada. mas de mudança de estrutura e construção de uma nova racionalidade produtiva capaz de operar conforme os princípios da sustentabilidade e de promover o diálogo entre diferentes racionalidades. Ao longo do seu desenvolvimento. ao promover reflexões sobre uma das partes mais criticadas nas relações estabelecidas entre sociedade e meio ambiente: as indústrias químicas. Com o objetivo de gerar uma contribuição para a sociedade em termos da promoção de reflexões que possibilitem uma melhor compreensão da crise sócioeconômica-ambiental. mas sim de ações paralelas de produção e consumo desenvolvidas em escala global pelos diferentes atores que operam sob a lógica da racionalidade econômica. buscou-se tornar evidente a grandeza dos desafios que necessitam ser enfrentados. é possível perceber que o processo de expansão da indústria química mundial se confunde com a própria história de surgimento e expansão da sociedade industrial. Ao apresentar algumas das limitações da racionalidade econômica vigente. este estudo buscou caracterizar alguns dos desafios que necessitam ser enfrentados pela humanidade na busca pelo atingimento da sustentabilidade. a exemplo da reflexão de Leff (2006).282 Mais do que isso. este estudo buscou inspirações no princípio hologramático da complexidade ao tentar caracterizar a realidade do todo e das partes. Da mesma forma como observado no processo de expansão de .

este pesquisador se deparou com indústrias químicas diferentes das que havia inicialmente idealizado por meio de contatos com pesquisas e trabalhos especializados. Conforme os dados detalhados na categoria “Perfil Ambiental da Indústria Química” algumas das empresas se . estas indústrias passaram por um período de franca expansão dos seus próprios processos produtivos. Durante as visitas para a entrega dos convites e realização de entrevistas. a partir da promoção de um estudo das percepções dos profissionais que nelas operam. Durante as suas visitas. quando fugiram do controle de seus controladores. fato que demonstra o poder e a influência dos diferentes tipos de mídias e estudos científicos no processo de construção das percepções da sociedade em relação às organizações industriais. foram responsáveis pelos graves acidentes ocorridos em diferentes épocas e locais. Em razão da necessidade de ampliação da produção para o atendimento das demandas crescentes de consumo e do compromisso de geração de resultados impostos pela racionalidade econômica. esta pesquisa se deparou com empresas de menor porte que se distanciam da realidade das grandes organizações industriais. Diante da impossibilidade de estabelecer um diálogo com todos os representantes da indústria química mundial. o pesquisador teve a oportunidade de conhecer a localização e a estrutura física das empresas. os quais em seu conjunto contribuíram para a construção da imagem negativa da indústria química por diferentes sociedades em nível local e global. os quais. Diferente da realidade apresentada por entidades representativas e por grandes multinacionais do setor por meio da promoção de campanhas e da produção de peças publicitárias. este estudo buscou se aproximar da realidade de uma pequena parcela de indústrias químicas instaladas em um município paranaense. o sucesso obtido pela indústria química mundial e os inúmeros benefícios que ela gerou para a humanidade também foram acompanhados por uma crescente ampliação dos riscos e pela produção de efeitos indesejados.283 outros setores que constituem a ociedade industrial. no mesmo momento em que os novos conhecimentos científicos passaram a ser gradativamente patrocinados pela iniciativa privada e submetidos aos interesses e controles impostos pela lógica da racionalidade econômica.

as quais divulgam com freqüência por meio de publicações. situação que pode ser comprovada pelas descrições dos gastos e investimentos efetuados pelas indústrias na área ambiental (ver quadro 46). apesar deste ter recentemente sofrido ajustes para alinhar a classificação das atividades desenvolvidas pela indústria química nacional com os padrões internacionais estabelecidos para a classificação da indústria química mundial. associado ao tempo de experiência na indústria química. Ao longo do estabelecimento deste diálogo com representantes da indústria química local. Este dado revela o distanciamento da maioria das indústrias químicas entrevistadas em relação às suas entidades de representação em nível nacional. revistas especializadas e sites na internet as atividades que . revelou uma faceta interessante dos profissionais entrevistados: a de que seus conhecimentos sobre as atividades desenvolvidas são oriundos do seu tempo de experiência profissional na indústria química e não de uma formação específica na área química. Os questionamentos relacionados com a categoria “Perfil do Profissional” revelaram um baixo nível de formação educacional dos profissionais entrevistados em relação às atividades que desempenham na indústria química. Os dados informados indicam que as formações educacionais de uma parcela significativa dos profissionais entrevistados não possui vínculos diretos com as atividades desenvolvidas pela indústria química. Durante as visitas foi possível perceber que boa parte dos imóveis ocupados pelas indústrias não foi projetado para abrigar indústrias químicas. Este dado. como representante da sociedade. Ao efetuar os questionamentos da categoria “Perfil Ambiental da Indústria Química” foi possível perceber que boa parte dos profissionais das indústrias químicas entrevistadas desconhecia o Código Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). este pesquisador teve a oportunidade. de realizar uma série de questionamentos na busca de revelar algumas das percepções que os profissionais que atuam nestas indústrias tem das respectivas relações de suas organizações com o meio ambiente.284 encontravam instaladas em áreas urbanas enquanto que outras apresentavam uma infra-estrutura visivelmente precária para a realização de suas atividades.

Para a categoria “Indústria Química e Meio Ambiente” foram estabelecidos os principais questionamentos desta pesquisa. como representante da indústria química. O segundo fato diz respeito a dificuldade apresentada pela maior parte dos entrevistados em definir o que é meio ambiente. Para os questionamentos efetuados para a categoria “Profissional e Meio Ambiente” alguns fatos ocorridos chamaram a atenção. alguns dos entrevistados revelaram o histórico das ocorrências de acidentes ocorridos em suas respectivas indústrias. O primeiro deles diz respeito a resistência do Entrevistado 7 em fornecer respostas para os questionamentos desta categoria.285 realizam em prol das indústrias químicas. Em suas respostas. Esta dificuldade se apresentou para o pesquisador como uma forte evidência do distanciamento ocorrido entre ser humano e natureza. A questão dos riscos inerentes às atividades desenvolvidas pelas indústrias químicas foi confirmada por meio das respostas efetuadas para o questionamento sobre os acidentes ambientais ocorridos com as indústrias químicas entrevistadas e para o questionamento sobre a existência de seguros. Os questionamentos realizados na categoria “Perfil Ambiental da Indústria Química” também revelaram que as indústrias químicas entrevistadas realizaram gastos ou investimentos na área ambiental em função de exigências da fiscalização. Boa parte dos gastos ou investimentos efetuados foram realizados para a melhoria da infraestrutura física das empresas. uma vez que a maioria dos profissionais entrevistados confundiu certificação ambiental com licença ambiental. principalmente para o tratamento de resíduos gerados no processo de produção. fato que justifica alguns dos motivos pelos quais as companhias seguradoras oferecem resistência para a liberação de seguros de cobertura para empresas que atuam neste ramo de atividade. Da mesma forma foi possível perceber o distanciamento destas empresas da realidade dos Sistemas de Gestão Ambiental (SGA) e das certificações ambientais. Já na primeira questão sobre a imagem da . em fornecer respostas que pudessem comprometer a imagem da indústria química. Os motivos e as dificuldades encontrados para a realização dos gastos e investimentos foram apresentados no quadro 47 e no quadro 48. Este fato revelou o receio do entrevistado.

boa parte dos entrevistados considera que as atividades desenvolvidas pela sua respectiva organização não representam riscos para o meio ambiente. em especial. que as indústrias estavam desenvolvendo ações para minimizar o seu impacto ambiental.286 indústria perante a sociedade. Da mesma forma. a grande maioria dos entrevistados respondeu que sim. Da mesma forma. Além de possibilitar que os profissionais das indústrias químicas revelassem algumas de suas percepções sobre as relações de suas respectivas empresas com o meio ambiente. O primeiro deles diz respeito a ausência no Estado . acidentes ocorridos no Estado do Paraná. além de apresentar uma nova evidência da existência dos riscos nas atividades desenvolvidas pelas indústrias químicas: a questão do bônus pago a trabalhadores da indústria química por riscos de insalubridade. as questões ambientais eram colocadas em segundo plano. novamente os entrevistados demonstraram sinceridade aos citar vários acidentes ocorridos. confirmando os dados de pesquisas semelhantes descritos no quadro 32. a grande maioria dos profissionais entrevistados mencionou que considerava ser uma relação de boa qualidade. Contrariando as respostas anteriormente fornecidas. Quando questionados sobre a lembrança de algum acidente ambiental provocado por indústrias químicas. quando questionados se a indústria química representa algum risco para o meio ambiente. quando mencionado que por razões financeiras. fato que demonstra a predominância do sentimento de certeza na tecnociência oriundo da matriz de pensamento linear. que trata das pesquisas de opinião pública sobre a imagem da indústria química. boa parte dos entrevistados demonstrou sinceridade ao afirmar que a indústria química é mal vista. esta pesquisa revelou vários dados relevantes sobre a realidade da indústria química em nível estadual. a grande maioria dos entrevistados considera que as atividades ambientais desenvolvidas pela sua organização são suficientes para evitar ou minimizar possíveis impactos ambientais. Quando questionados sobre como enxergavam a relação de sua respectiva organização com o meio ambiente. Porém em algumas respostas foi possível perceber novamente a predominância da racionalidade econômica.

de um cadastro que contenha todas as informações cadastrais das indústrias químicas instaladas no município e dos respectivos produtos químicos que fabricam. No entendimento do pesquisador. Outro dado relevante diz respeito a ausência de uma estrutura adequada por parte do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para o atendimento das solicitações efetuadas pela comunidade. ficou evidente que os próprios funcionários públicos tem receio de disponibilizar dados sobre as indústrias químicas paranaenses. Durante os contatos realizados com o instituto.287 do Paraná e em especial no município pesquisado. Além das dificuldades apresentadas para o fornecimento dos dados solicitados. impediram que o pesquisador comparasse as respostas dos entrevistados com os fatos ocorridos no município. uma vez que não foi possível obter com precisão uma relação das indústrias químicas existentes no município bem como das atividades que cada uma desempenha. a ausência da disponibilização pública destes respectivos dados impede a participação efetiva da sociedade na fiscalização das indústrias que operam no Estado do Paraná. Outro fato que chamou a atenção do pesquisador diz respeito a ausência de preparo demonstrada por parte de algumas indústrias químicas convidadas a participar da pesquisa em realizar a devida análise e tratamento de suas correspondências. muitas . Apesar do convite nominal conter todas as orientações sobre como o convidado deveria proceder no caso do seu interesse de participar da pesquisa e deste convite ter sido entregue pessoalmente pelo pesquisador nas indústrias químicas selecionadas. A ausência deste controle revela mais uma condição favorável para a eminência da sociedade de risco proposta por Beck (2006). Os dados parciais obtidos junto ao instituto e que foram apresentados nesta pesquisa foram disponibilizados somente depois de muita insistência por parte do pesquisador. A ausência de dados detalhados sobre as autuações ambientais e os acidentes ocorridos no município pesquisado. autuações ambientais e acidentes ambientais ocorridos no Estado. o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) também não conta com nenhum serviço de consulta em seu site na internet que possibilite o acesso on-line a dados de licenças ambientais.

Diferentemente da realidade das grandes indústrias químicas que atuam no setor e que são responsáveis pelos maiores volumes de produção. apesar deste ter disponibilizado no convite formal todas as orientações sobre como o convidado deveria proceder caso não tivesse interesse de participar da pesquisa. receio de exposição pública. de uma parte que normalmente não é contemplada em pesquisas desenvolvidas por entidades do setor. ausência de preparo das indústrias químicas em relação ao atendimento de solicitações efetuadas pela sociedade. esta ausência de cuidado para solicitações realizadas pela sociedade. em especial a comunidade acadêmica. apresenta as condições necessárias para a efetivação do conceito de sociedade de risco defendido por Beck (2006). Na percepção do pesquisador. entre outros.288 empresas exigiram a realização de contatos adicionais para a confirmação de sua participação. sem os quais as entrevistas não teriam sido realizadas. as indústrias químicas entrevistadas figuram dentre aquelas muitas empresas brasileiras que apresentam maiores dificuldades de adaptação em termos de questões e condições relacionadas ao pleno atendimento das exigências legais estabelecidas na área ambiental. Nas entrevistas realizadas foi possível perceber as limitações financeiras que estas empresas enfrentam para a realização de novos investimentos na área ambiental e para a contratação de mão-de-obra especializada para a aplicação de novos procedimentos que possibilitem a adoção de melhores práticas produtivas. não deram nenhuma satisfação para o pesquisador. já revela a . A simples ausência de procedimentos regulares para a atualização de algumas bases de dados cadastrais pesquisadas. apesar de novas tentativas de contato realizadas. Este quadro. uma maior aproximação do pesquisador com relação à realidade da indústria química brasileira. O desenvolvimento deste estudo possibilitou dentre outras coisas. podem estar associadas a fatores como: ausência de interesse das indústrias na participação de pesquisas. Algumas das indústrias. associado com a predominância da racionalidade instrumental e econômica no ambiente de negócios e a ausência de infra-estrutura adequada do Estado para o exercício da fiscalização e controle das atividades desenvolvidas pelas indústrias químicas. as quais deveriam servir como referência para o estabelecimento dos controles sobre as operações desenvolvidas pelas indústrias químicas no Estado do Paraná.

Espera-se agora que o espaço criado para reflexões por meio deste estudo possa ser compartilhado com todos aqueles que buscam refletir sobre suas próprias ações e de suas organizações com vistas a criar melhores condições para a construção e reprodução da vida em sociedade.289 fragilidade e a existência das condições necessárias para o surgimento e efetivação da presença dos riscos. .

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a grande águia . Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. cada véu de neblina na floresta escura. ele exige muito de nós. terás de te lembrar que ela é sagrada e terás de ensinar a teus filhos que é sagrada e que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta os eventos e as recordações da vida de meu povo. O grande chefe manda dizer que irá reservar para nós um lugar em que possamos viver confortavelmente. pois sabemos que ele não precisa de nossa amizade. o cavalo. Portanto. ele vai embora. Isto é gentil de sua parte. As cristas rochosas. Se não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água. Arrebata a terra das mãos de seus filhos e não se importa. deixa para trás os túmulos de seus antepassados. o calor que emana do corpo de um mustang. Ficam . O grande chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano. o calor da terra? Tal idéia nos é estranha. quando . Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossos filhos.vai vagar por entre as estrelas. o grande chefe assegurou-nos também de sua amizade e benevolência. Portanto. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as recordações do homem vermelho. pois sabemos que se não o fizermos. cada clareira e inseto a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. Os rios são nossos irmãos. A terra não é sua irmã. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs. Esta água brilhante que corre nos rios e regatos não é apenas água. mas sim sua inimiga. Minha palavra é como as estrelas . porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. o cervo. e terás de dispensar aos rios a afabilidade que darias a um irmão. Como podes comprar ou vender o céu. Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. cada praia arenosa. Os nossos mortos nunca esquecem esta formosa terra. pensar em sua oferta.são nossos irmãos. O homem branco esquece a sua terra natal. Para ele um lote de terra é igual a outro. vamos considerar a tua oferta de comprar nossa terra. e nem se importa. Vamos. porque esta terra é para nós sagrada. Se te vendermos nossa terra. terás de te lembrar e ensinar a teus filhos que os rios são irmãos nossos e teus.elas não empalidecem. mas sim o sangue de nossos ancestrais.todos pertencem à mesma família.296 ANEXO 1 – Carta do Chefe Indígena Duwamish (Chefe Seatle) O grande chefe de Washington mandou dizer que desejava comprar a nossa terra. eles apagam nossa sede. o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. quando o grande chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra. Se te vendermos a terra. O rumorejar d'água é a voz do pai de meu pai. porém. cada folha reluzente de pinheiro. e o homem . e depois de a conquistar.depois de morto . pois ela é a mãe do homem vermelho. Mas não vai ser fácil. os sumos da campina. como então podes comprá-los? Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo.

também recebe o seu último suspiro. Como um moribundo em prolongada agonia. para que tenham respeito ao país. Mas talvez assim seja por ser eu um selvagem que nada compreende. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem. Tenho visto milhares de bisões apodrecendo na pradaria. saqueadas. O vento que deu ao nosso bisavô o seu primeiro sopro de vida. vamos considerar tua oferta para comprar nossa terra. as árvores. O homem branco parece não perceber o ar que respira. Sua voracidade arruinará a terra. o barulho parece apenas insultar os ouvidos. terás de te lembrar que o ar é precioso para nós. E se te vendermos nossa terra.e seu irmão . Se os homens cospem no chão. Porque tudo quanto acontece aos animais.fere os filhos da terra. Tudo está relacionado entre si. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante do que o bisão que (nós . como um lugar em que o próprio homem branco possa ir saborear o vento. porque todas as criaturas respiram em comum . Não há lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das asas de um inseto.como coisas que podem ser compradas. ou recendendo a pinheiro.o céu .297 esquecidos a sepultura de seu pai e o direito de seus filhos à herança. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. O índio prefere o suave sussurro do vento a sobrevoar a superfície de uma lagoa e o cheiro do próprio vento. adoçado com a fragrância das flores campestres. feita santuário. conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. Não sei. E que vida é aquela se um homem não pode ouvir a voz solitária do curiango ou. a conversa dos sapos em volta de um brejo? Sou um homem vermelho e nada compreendo. Se decidirmos aceitar. deixando para trás apenas um deserto. Mas se te vendermos nossa terra.os índios) matamos apenas para o sustento de nossa vida. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que de nada entende. o homem morreria de uma grande solidão de espírito. .os animais. Deves ensinar a teus filhos que o chão debaixo de seus pés são as cinzas de nossos antepassados. Tudo quanto fere a terra . A vista de tuas cidades causa tormento aos olhos do homem vermelho. Assim pois. deverás mantê-la reservada. vendidas como ovelha ou miçanga cintilante. ele é insensível ao ar fétido. farei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos. Nossos modos diferem dos teus. purificado por uma chuva do meio-dia. O ar é precioso para o homem vermelho. cospem sobre eles próprios. de noite. logo acontece ao homem. que o ar reparte seu espírito com toda a vida que ele sustenta. abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem em movimento. o homem. Sou um selvagem e desconheço que possa ser de outro jeito. Ele trata sua mãe . Não há sequer um lugar calmo nas cidades do homem branco.a terra .

Se te vendermos a nossa terra. quando todos os bisões forem massacrados. Os nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. os cavalos bravos domados. porém. E depois da derrota passam o tempo em ócio. sobrará para chorar. Continuas poluindo a tua cama e hás de morrer uma noite. "Nunca esqueças de como era esta terra quando dela tomaste posse": E . Compreenderíamos. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. A terra não pertence. e por serem ocultos. será para garantir as reservas que nos prometestes. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias. Ele é Deus da humanidade inteira e é igual sua piedade para com o homem vermelho e o homem branco. talvez. Nem o homem branco. por algum desígnio especial. e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra ou que têm vagueado em pequenos bandos pelos bosques. Porém. Os brancos também vão acabar. Os sonhos do homem branco são para nós ocultos. Mais algumas horas. agride os filhos da terra. como o sangue que une uma família. Onde ficará o emaranhado da mata? Terá acabado. disso temos certeza. Lá. Proteje-a como nós a protegíamos. sufocado em teus próprios desejos. as brenhas das florestas carregadas de odor de muita gente e a vista das velhas colinas empanada por fios que falam. envenenando seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes.eles não são muitos. temos de escolher nosso próprio caminho. cujo Deus com ele passeia e conversa como amigo para amigo. Talvez julgues. que o podes possuir do mesmo jeito como desejas possuir nossa terra. Tudo o que ele fizer à trama. porque nós a amamos como ama um recém-nascido o bater do coração de sua mãe. possamos viver os nossos últimos dias conforme desejamos. a alma do meu povo continuará vivendo nestas floresta e praias. lhes deu o domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho. Onde estará a águia? Irá acabar. Vamos ver. de uma coisa sabemos que o homem branco venha. sobre os túmulos um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso. talvez. se soubéssemos quais as esperanças que transmite a seus filhos nas longas noites de inverno.298 De uma coisa sabemos. Tudo quanto agride a terra. ao homem: é o homem que pertence à terra. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. a si próprio fará. apesar de tudo. mas não podes. selvagens. e causar dano à terra é cumular de desprezo o seu criador. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias . pode ser isento do destino comum. Restará dar adeus à andorinha e à caça. será o fim da vida e o começo da luta para sobreviver. quais as visões do futuro que oferece às suas mentes para que possam formar desejos para o dia de amanhã. pois não podemos imaginar como será. Se consentirmos. se conhecêssemos com que sonha o homem branco. agora. ama-a como nós a amávamos. pela força de Deus que os trouxe a este país e. Poderíamos ser irmãos. ao perecerem. Todas as coisas estão interligadas. Esta terra é querida por ele. mesmos uns invernos. talvez mais cedo do que todas as outras raças. Somos. um dia descobrir: nosso Deus é o mesmo Deus. Tudo está relacionado entre si. abrasados. talvez. vocês brilharão com fulgor. Esse destino é para nós um mistério.

conserva-a para teus filhos e ama-a como Deus nos ama a todos. De uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. .299 com toda a tua força o teu poder e todo o teu coração . Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum. esta terra é por ele amada.

300 ANEXO 2 – Estrutura da Indústria Petroquímica Brasileira Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b) .

301 ANEXO 3 – Estrutura da Indústria Petroquímica Brasileira Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b) .

Matriz Energética (descrever tipo e percentual de utilização): ( ) Gás Natural ( ) Carvão Mineral ( ) Lenha ( ) Bagaço de Cana ( ) Óleo Combustível . Possui uma declaração formal de valores e missão? Caso positivo.0 ( ) CNAE 2.0 ( ) 3.302 ANEXO 4 – Instrumento de Pesquisa – Perfil Ambiental da Empresa Perfil Ambiental da Indústria Química 1.0 ( ) Código: _____________________ CNAE 1.0 ( ) CNAE 2._____% . Nome e Descrição dos Cargos dos Profissionais Relacionados com a Gestão Ambiental: 12. Tempo de Atuação no Município (em anos e meses): 7._____% .0 ( ) Código: _____________________ CNAE 1. Classificação da Organização quanto ao Porte: ( ) Micro – até 19 empregados ( ) Pequena – de 20 a 99 empregados ( ) Média – de 100 a 499 empregados ( ) Grande – acima de 500 empregados Obs: Classificação CNI para pesquisas 4.0 ( ) Código: _____________________ CNAE 1. Produtos Fabricados: 8.0 ( ) CNAE 2._____% . ( ) Matriz ( ) Filial 5. Possui Alguma Certificação Relacionado a Área Ambiental? Qual(is)? 11._____% . Possui Sistema de Gestão Ambiental: ( ) Sim Tempo: __________ ( ) Não 10. esta considera o meio ambiente? 9. Ramo de Atuação: 2. Tempo de Existência da Organização (em anos e meses): 6.0 ( ) CNAE 2._____% . Código(s) do Cadastro Nacional de Atividade Econômica (CNAE): Código: _____________________ CNAE 1.

Possui algum controle para emissão de poluição ( ) Sim ( ) Não. tratamento e controle de emissão de gases. quais são as Principais Motivações para Gastos ou Investimentos na Área Ambiental: Exemplos: atendimento a requisitos legais. porque motivo: 24. Meio Ambiente de Trabalho. Descrição dos Gastos ou Investimentos em Gestão Ambiental nos últimos 3 anos Exemplos: tratamento e controle de efluentes líquidos e sólidos. Ações na Área Ambiental Previstas para o Horizonte de 2015: ( ) Não . quais são as Principais Dificuldades Encontradas para a Realização de Gastos ou Investimentos na Área Ambiental: 19._____% ( ) ______________________ . Percentuais de Gastos ou Investimentos Ambientais Realizados nos Últimos 3 Anos com base na Receita Bruta: 2005: _____% 2006: _____% 2007: _____% 14. Além da Questão Financeira. 18. entre outros). recirculação e recuperação da água. melhoria da gestão/política social. Gera Algum Tipo de Resíduo Industrial: ( ) Sim Descrição e Destino do Resíduo Industrial: 21. Se sim._____% . 15. Possui algum Registro de Reclamação da Comunidade em Relação às suas Operações: 23. entre outros.303 ( ) Coque de Carvão Mineral ( ) Hidroeletricidade ( ) Carvão Vegetal . tratamento e controle de ruídos e conservação de energia. acesso a novos mercados. adoção de fontes de energia mais limpas. Possui Seguro para Acidentes Ambientais: ( ) Sim ( ) Não Se não. melhoria do projeto/design e embalagem do produto. A Organização Possui algum Histórico de Acidente Ambiental: 20. entre outros 16._____% 13. melhoria da imagem da empresa. tratamento redução de perdas e refugos de materiais e produtos acabados._____% . Certificação ISO. Além das Questões Legais. Considerações sobre a Legislação Aplicada a Indústria Química/Nível de Adequação: 17. Descrição dos Cursos Realizados na Área Ambiental nos últimos 3 anos: Exemplos: Prevenção de Riscos Ambientais. qual? 22. implantação de sistema de gestão ambiental.

Profissional e o Meio Ambiente e Organização e o Meio Ambiente Perfil do Profissional 1. Tempo de Experiência como Profissional (em anos e meses): 6.304 ANEXO 5 – Instrumento de Pesquisa – Perfil Profissional. Faixa Etária: ( ) Entre 20 e 30 anos ( ) Entre 51 e 60 anos 4. Tempo de Experiência como Profissional de Indústria Química (em anos e meses): . Formação: ( ) Entre 31 e 40 anos ( ) Acima de 60 anos ( ) Entre 41 e 50 anos ( ) 1º Grau – ( ) Completo ( ) Incompleto ( ) 2º Grau – ( ) Completo ( ) Incompleto Se técnico. Gênero: ( ) Masculino ( ) Feminino 3. descrição: ______________________________________________ Graduação: Ano de Conclusão: Especialização: Ano de Conclusão: Mestrado: Ano de Conclusão: Doutorado: Ano de Conclusão: 5. Descrição do Cargo: 2.

Na sua opinião. Você lembra de algum acidente ambiental ocorrido na sua organização? 5. Como você enxerga a sua relação com o meio ambiente? 3. como você considera a importância do meio ambiente para a sua organização? Indústria Química e Meio Ambiente 1. Você considera que as atividades desenvolvidas pela sua organização representam algum risco para o meio ambiente? 6. o que é o meio ambiente? 2. Como você enxerga a relação de sua organização com o meio ambiente? 9. Você sofre alguma influência interna e/ou externa para considerar o meio ambiente em suas tomadas de decisão? De que tipo? 5. Para você. como a indústria química é vista pela sociedade em relação às questões ambientais? 2. Como você enxerga o futuro da relação da indústria química com o meio ambiente? . Você considera que as ações ambientais desenvolvidas em sua organização são suficientes para evitar ou minimizar possíveis impactos ambientais? 7. Você lembra de algum acidente ambiental provocado por indústrias químicas? 3.305 Profissional e o Meio Ambiente 1. A sua organização recebe pressões de alguma natureza para a adoção de medidas que visem a preservação do meio ambiente? 8. Você considera o meio ambiente em suas tomadas de decisão? 4. Você considera que a indústria química representa algum risco para o meio ambiente? 4. Em um contexto geral.

04 de dezembro de 2007 Prezado Sr. Atenciosamente. Angelo Guimarães Simão Aluno do Programa de Mestrado em Organizações e Desenvolvimento – UNIFAE Dados para contato: Angelo Guimarães Simão – angelogs@yahoo. em razão de uma decisão tomada pelos associados em assembléia. Caso o Sinqfar tenha interesse em conhecer a proposta de pesquisa na integra. recentemente eu estabeleci um contato com esta instituição com o intuito de obter os dados de contato das empresas que compõem o universo de pesquisa. Neiva. disponibilizo logo abaixo os meus dados para contatos futuros. empresas estas instaladas em um pequeno município paranaense. apenas no sentido de levar ao seu conhecimento a pesquisa que eu estarei realizando. Presidente do Sindicato de Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná Sou aluno do programa de mestrado em Organizações e Desenvolvimento – UNIFAE – e venho por meio desta levar ao seu conhecimento que estou desenvolvendo uma dissertação de mestrado sob o título: Indústrias Químicas e o Meio Ambiente Estudo das Percepções de Profissionais que atuam em Indústrias Químicas Instaladas em um Município Paranaense Em função do tema da dissertação escolhido envolver indústrias químicas representadas pelo Sinqfar.com – 9127-3965 . Durante o contato estabelecido com a Sra. Na ocasião eu fui gentilmente atendido pela Sra. eu solicitei a ela para que lhe encaminha-se este comunicado.306 ANEXO 6 – Carta ao Presidente do Sindicato de Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná (SINQFAR) Curitiba. Neiva e informado por ela que os dados solicitados não poderiam ser fornecidos.

alguns pontos importantes foram considerados: Esta pesquisa tem fins exclusivamente acadêmicos. solicito ao IAP a disponibilização das seguintes informações: • • • Relação de Indústrias Químicas Instaladas no Município de XXXXXX – PR Histórico de Autuação de Indústrias Químicas no Município de XXXXXX – PR (últimos 5 anos) Histórico de Acidentes Ambientais envolvendo Indústrias Químicas no Município de XXXXXX – PR (últimos 5 anos) Com relação a realização desta pesquisa. conforme compromisso firmado com as indústrias que participarão da pesquisa. Para a realização desta pesquisa. solicitar ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) a disponibilização de alguns dados necessários para a elaboração da pesquisa de dissertação sob o título: Indústria Química e o Meio Ambiente: Estudo das Percepções de Profissionais que Atuam em Indústrias Químicas Instaladas em um Município Paranaense Esta pesquisa trata-se de um estudo acadêmico de percepção. dos profissionais participantes e do município envolvidos na pesquisa. Os dados fornecidos pelo IAP que permitam identificar as indústrias ou os profissionais envolvidos na pesquisa serão tratados com rigorosa confidencialidade.307 ANEXO 7 – Carta ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) Curitiba. a sua realização visa o cumprimento de uma das etapas necessárias para a conclusão da dissertação. . 11 de dezembro de 2007 A/C: Diretoria de Controle de Recursos Ambientais – DIRAM Venho pela presente. Na versão final da dissertação de mestrado não serão apresentados dados que possibilitem a identificação das indústrias. que visa levantar alguns dados sobre como os profissionais de indústrias químicas instaladas em um município paranaense percebem as relações de sua organização com o meio ambiente. na condição de aluno do Programa de Mestrado em Organizações e Desenvolvimento – UNIFAE.

com a finalidade de produzir e disseminar conhecimento sobre organizações e desenvolvimento no exercício de funções decisórias para a promoção da sustentabilidade. Desde já agradeço a atenção e coloco-me à disposição para quaisquer esclarecimentos. Angelo Guimarães Simão Aluno do Programa de Mestrado em Organizações e Desenvolvimento – UNIFAE angelogs@yahoo.308 No caso dos dados fornecidos pelo IAP serão utilizados apenas os dados de natureza quantitativa. Esta pesquisa tem como objetivo desenvolver atividades de ensino e pesquisa de natureza interdisciplinar e formar pesquisadores para pesquisas científicas. capazes de integrar esforços e recursos. Atenciosamente.com – 9127-3965 .

Para atender aos objetivos propostos. convidar a sua indústria para participar da pesquisa de dissertação elaborada pelo aluno ANGELO GUIMARÃES SIMÃO. na condição de orientador e coordenador do Programa de Mestrado em Organizações e Desenvolvimento – UNIFAE. para definir o perfil ambiental e identificar quais são os profissionais diretamente envolvidos com as questões ambientais na indústria química entrevistada Etapa 2 Entrevista com o principal executivo da empresa e com os profissionais identificados na etapa 1 (químicos. 01 de dezembro de 2007 Empresa XXXXXX Venho pela presente.309 ANEXO 8 – Convite Enviado às Indústrias Químicas Instaladas no Município Pesquisado Curitiba. entre outros) Com relação a realização desta pesquisa. coordenadores da área de qualidade/SGA. sob o título: Indústria Química e o Meio Ambiente: Estudo das Percepções de Profissionais que Atuam em Indústrias Químicas Instaladas em um Município Paranaense Esta pesquisa visa levantar alguns dados sobre como os profissionais de indústrias químicas percebem as relações de sua organização com o meio ambiente. Na versão final da dissertação de mestrado não serão apresentados dados que possibilitem a identificação das indústrias e dos profissionais participantes envolvidos na pesquisa . alguns pontos importantes foram considerados: Esta pesquisa tem fins exclusivamente acadêmicos. a sua realização visa o cumprimento de uma das etapas necessárias para a formação do aluno Os dados das indústrias e dos profissionais participantes serão tratados com rigorosa confidencialidade. esta pesquisa será realizada em duas etapas: Etapa 1 Entrevista com o principal executivo da empresa.

apenas para facilitar o processo de transcrição dos depoimentos coletados. Apenas para fins de controle da pesquisa. Desde já agradecemos à atenção e colocamo-nos à disposição para quaisquer esclarecimentos . informando o motivo da não participação: angelogs@yahoo. nós respeitaremos a sua decisão. Esta pesquisa tem como objetivo desenvolver atividades de ensino e pesquisa de natureza interdisciplinar e formar pesquisadores para pesquisas científicas. solicitamos para que seja enviado um e-mail ao pesquisador. Prof.com. Caso a sua empresa opte em não participar da pesquisa. Como forma de valorizar e reconhecer a importância da participação de sua empresa. as indústrias participantes receberão uma cópia em meio digital da dissertação do mestrado. Atenciosamente.edu – 2105–4170 Mestrado em Organizações e Desenvolvimento . capazes de integrar esforços e recursos. depois de realizada a conclusão da pesquisa. Dr. com a finalidade de produzir e disseminar conhecimento sobre organizações e desenvolvimento no exercício de funções decisórias para a promoção da sustentabilidade. as entrevistas serão gravadas em fita de áudio (desde que previamente autorizado). José Edmilson de Souza-Lima Coordenador do Programa de Mestrado em Organizações edmilson@fae.310 Por se tratar de um estudo sobre percepção.

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