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MANUAL

TÉCNICO
Técnico ambiental
1o período

Legislação Ambiental

Prof. Renato Horta


2008
Legislação Ambiental cecon
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CRONOGRAMA

1- Introdução ao Direito ambiental, evolução histórica do Direito ambiental e a


importância da legislação aplicada para o meio ambiente;

2- Legislação federal, estadual e municipal, Licenças e outorgas, Leis, decretos,


resoluções, medidas provisórias e outros instrumentos;

3- Políticas públicas para o saneamento ambiental;

4- Unidades de conservação, características, classificação e legislação;

5- ICMS ecológico, Lei de crimes ambientais e Termos de Ajuste de Conduta –


TAC.
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1. INTRODUÇÃO AO DIREITO AMBIENTAL

1.1. DIREITO AMBIENTAL

Conceito: É a ciência jurídica que estuda os problemas ambientais e sua relação


com seres humanos, tendo por finalidade a preservação ambiental associada a
melhoria da qualidade de vida.

É ciência que regula os direitos difusos.

Princípios:
Princípios são diretrizes que orientam uma ciência.
O Direito Ambiental, apesar de ser uma ciência nova, possui princípios bem definidos
que o distingue de outros ramos do Direito, sendo eles:

I- Principio da legalidade: É a obrigatoriedade de obediência a lei quando existirem;


II- Principio da supremacia do interesse público: A proteção ambiental, antes de ser
direito de todos é uma obrigação de todos;
III- Principio da precaução ou previsão: No Brasil a EIA/RIMA (art. 225, §1o da CF),
internacionalmente: Rio 92 “de modo a proteger o meio ambiente, o principio da
precaução deve ser amplamente observado pelos Estados, de acordo com suas
necessidades. Quando houver ameaça de danos sérios e irreversíveis, a ausência de
absoluta certeza cientifica não deve ser utilizada como razão para postergar medidas
eficazes e economicamente viáveis”.
IV- Principio da publicidade: Os estudos de impacto ambiental e seus relatórios têm
caráter publico por tratar de elementos que compõe o bem de todos. Resolução no 9
de 1987 do CONAMA;
V- Principio da participação: Exigência da participação popular na elaboração as lei,
políticas publicas e controle jurisdicional. Principio 10 da Rio 92.
VI- Principio da função sócio-ambiental da propriedade: Uso da propriedade só pode
ser concebido se respeitada sua função sócio-ambiental;
VII- Principio do poluidor-pagador: Rio 92, princípio 16, art. 4o PNMA, Lei de recursos
hídricos e CF/88, art. 225;

1.2. A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO AMBIENTAL

Meio Ambiente: A expressão meio ambiente é um pouco dúbia, pois tanto a


expressão ‘meio’ como a expressão ‘ambiente’ significam lugar. Portanto, seria mais
correto dialeticamente utilizar uma ou outra expressão já que apresentam a mesma
idéia.

Acontece que, este ‘pleonasmo’, que faz a expressão, pela junção dos temas é feito
de forma proposital para garantir o entendimento do que é meio ambiental. Neste
sentido, ambiente é uma expressão de reforço a meio, para avivar a idéia de que não
basta a versão estática de viver em algum lugar (meio) como também de interagir
com as coisas e seres desse lugar (meio ambiente). É o que nos ensina o professor
Cleucio Santos Nunes.

“O meio ambiente é entendido de variados modos pela doutrina, ou seja, é visto por óticas diversas.
Sobre a ótica do Direito, considera-se que o meio ambiente é o meio em que o homem vive, desta
forma, ele pode ser artificial, cultural e natural. O meio ambiente é considerado artificial por que é
constituído por ações humanas, como as cidades e suas constituições como casas, prédios, pontes,
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estradas, entre outras. Também é considerado cultural porque é resultado do gênio humano;
entretanto, possui significado especial, na medida em que representa a testemunha da história,
imprescindível à compreensão atual é futura do que o homem é, ou pode ser. Neste âmbito o meio,
ambiente pode ser o patrimônio histórico da humanidade, bem como a patrimônio artístico,
paisagístico e turístico.”

O meio ambiente natural representa os recursos naturais, a natureza propriamente


dita, a qual, como é inegável, é essencial a sobrevivência do homem. Mesmo que
este se negue a aceitar esta realidade e continue na atitude irresponsável e até
mesmo suicida de permanecer de forma criminosa a degradar o meio ambiente
natural, a dizer o planeta Terra, sem o homem.

O Direito Ambiental tutela todas as considerações possíveis do meio ambiental,


mesmo que, a maior atenção seja dada ao meio ambiente natural.

Já que se fala na ação humana sobre o meio ambiente, tentar-se-á explicar melhor a
idéia que se pretende apresentar: o homem faz parte do meio ambiente natural, é
componente do mesmo, havendo uma inter-relação com a natureza e a ecologia (que
é uma perspectiva de compreender o ambiente em que se vive para explicá-lo, ou
seja, para torná-lo mais adaptado a sua vida. O homem se relaciona como a
natureza para dela buscar melhoria das condições de vida).

Neste sentido nos ensina José Rubens Leite e Patrick de Araújo Ayala:

“Os séculos que selaram o iluminismo, etapa da história que de certa forma ainda não acabou,
significaram um marco relevante no processo de apropriação e transformação da natureza pelo
homem, processo este que, assenta suas bases históricas no desprendimento do homem em relação
a Deus, de modo que possa este, identificar-se como medida do universo, devendo tudo lhe ser
subjugado, já que é um ser constituído pela distinção da razão”.

Com a revolução industrial, o homem desenvolveu sobremaneira a técnica de


transformação da natureza para adaptá-la ao seu bem estar. Aquela era considerada
apenas como matéria prima para a produção dos mais diversos bens de consumo.
Neste contexto, os séc. XVIII e XIX foram de estrema exploração dos recursos
naturais, principalmente nos países ocidentais, inclusive em suas colônias de
exploração. No século XX com suas grandes guerras, os países ficaram
completamente destruídos, o que estimulou muito as indústrias para a reconstrução
destes países e do mercado, sempre, é claro, em detrimento de todos os recursos da
natureza. Bem como do aumento do acumulo de lixo industrial e dos bens de
consumo que em geral não são biodegradáveis. Sendo que, nem a população, nem
as indústrias se preocupavam com a destinação destes resíduos.

Os países capitalistas sempre procuravam produzir e vender seus produtos, para


tanto precisam de mercado consumidor e não é sempre que há este mercado
consumidor; é preciso que haja um estimulo dos países mais ricos aos países mais
pobres (normalmente importadores de bens de consumo). Essa cooperação se dá
através de acordo e tratado para encontrarem soluções multilaterais, ou seja, que
favoreçam ambas as partes e neste contexto de soluções de problemas multilaterais
é que a questão ambiental surgiu.

Então em 1972 foi realizada uma importante conferência da ONU sobre a questão
ambiental no mundo, que foi em Estocolmo, a qual é considerada como o mais
importante instrumento, até então, de preservação da natureza, pois foi gerada nesta
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conferência uma declaração, que apesar de não ter poderes coercitivos, se tornou
um instrumento valioso de conscientização aos diversos países do mundo.

Neste contexto o Brasil se posicionou oficialmente como um país em


desenvolvimento e que por isto não poderia adotar atividade preservacionistas, em
detrimento do desenvolvimento econômico.

Em 1992, no Rio de Janeiro, foi realizada a ECO / 92, que significou que os países
desenvolvidos e em desenvolvimento deveriam fazer um planejamento ambiental: A
questão do desenvolvimento sustentável e os três importantes documentos gerados
na ECO / 92:

I- a declaração do Rio de Janeiro sobre meio ambiente e desenvolvimento;

II- a agenda 21 e a declaração de princípios sobre florestas. Destes documentos o


mais importante é a agenda 21, que é um plano de ação global a ser implementado
até o século XXI, envolvendo os diversos governos, os órgãos da ONU e
organização não governamentais, em qualquer lugar onde a ação humana afete o
meio ambiente.

As normas jurídicas têm uma capacidade de impor sanções, ao seu descumprimento.


Então passa a ser função do Direito, a partir das convenções que se seguiram a de
Estocolmo, regular os limites da exploração de recursos naturais de um modo geral.
Estas normas têm que ter uma amplitude internacional, já que os danos ao meio
ambiente vão além das fronteiras dos países.

Os problemas ambientais brasileiros, vivenciados de forma mais grave em meados


do século XX até os dias atuais, são sobras da visão equivocada de desenvolvimento
perpetuada pelas gerações passadas e que, talvez, não dispunham de mecanismo
para dimensionar a situação hoje suportada pelas presentes gerações.

O direito do meio ambiente na forma de instrumento regulamentador da atividade


econômica, pertence ao sistema de Direito positivo brasileiro, cujo conteúdo se
voltam à organização e ao condicionamento da conduta dos indivíduos, frente às
vicissitudes dos diversos ecossistemas presentes no espaço geopolítico sobre o qual
o Brasil detém soberania.

A proteção ao meio ambiente foi assunto que só foi tratado pelas constituições dos
países recentemente, para ser mais específica, após 1970, e logo após, somente
veio a incluir o meio ambiente como bem a ser protegido constitucionalmente com a
carta de 1988.

Uma lei que é bastante importante é a 6.938 de 1981, que dispõe sobre a Política
Nacional do Meio Ambiente. Sua grande importância esta na definição dos conceitos
de poluição e poluidor e também ao estabelecimento de diretrizes a serem
implementadas pelo Estado e pela sociedade, como escopo de minimizar os
prejuízos da exploração predatória dos recursos naturais.

1.2.1. Evolução dos instrumentos legais

A preocupação com o ambiente é antiga no mundo e remonta a legislações como as


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Ordenações Filipinas do Século XVI – XVII que vigoraram até o século XIX.
Este ordenamento jurídico lusitano dispunha de Livro que traziam regramentos
acerca da exploração da fauna e flora local, dentre os quais se destacam os livros:
LXXV, LXXVIII, LXXXVI, LXXXVIII.

Já no Brasil, a legislação que trata acerca do meio ambiente é extremamente


extensa e complexa. As regras jurídicas são elaboradas sem cuidado e ao sabor da
pressão ou mídia do momento.

Apesar das críticas, se verifica uma crescente evolução legislativa ao longo dos
anos, merecendo destaques algumas legislações mais importantes:

Código de águas -1934;


Código de florestal - 1964;
Código de caça - 1967;
Código de mineração - 1967;
Lei 6938/81 – institui a política nacional do meio ambiente (visão holística);
Lei 7347/85 – disciplina ACP (ação civil pública);
CF/88 – art. 225;
Lei dos recursos hídricos - 9433/97;
Lei de crimes ambientais - 9605/98;
Lei de educação ambiental - 9433/97;
Lei do SNUC - 9985/00;
Estatuto das cidades - 10257/01;
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2. LEGISLAÇÕES

2.1. CONSTITUIÇÃO FEDERAL

O Direito Ambiental encontra seu conteúdo normativo destacado no Capítulo VI, da


Constituição Federal de 1988, em seu único artigo – art. 225 com seus Parágrafos e
incisos.

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de
defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.
§ 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies
e ecossistemas;
II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades
dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético;
III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem
especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada
qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;
IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de
significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará
publicidade;
V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que
comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;
VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a
preservação do meio ambiente;
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua
função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.
§ 2º - Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de
acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei.
§ 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores,
pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de
reparar os danos causados.
§ 4º - A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e
a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de
condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos
naturais.
§ 5º - São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias,
necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.
§ 6º - As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal,
sem o que não poderão ser instaladas.

2.1.1. Principais definições

Poder Público - é a expressão genérica que se refere a todas as entidades territoriais


públicas.
Direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado – pertence a todos, incluindo aí
as gerações presentes e as futuras, sejam brasileiros ou estrangeiros.
Dever de defender o meio ambiente e preservá-lo – é imputado ao Poder Público
e à coletividade.
Meio ambiente é bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida –
é um bem que não está na disponibilidade particular de ninguém, nem de pessoa
privada, nem de pessoa pública.
Processos ecológicos – são aqueles que asseguram as condições necessárias para
uma adequada interação biológica.
Prover o manejo ecológico das espécies – significa lidar com as espécies de modo a
conserva-las, recuperá-las, quando for o caso.
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Prover o manejo dos ecossistemas – significa cuidar do equilíbrio das relações entre
a comunidade biótica e o seu habitat.
Preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético – quer dizer preservar
todas as espécies, através do fator caracterizantes e diferenciador da imensa
quantidade de espécies vivas do País.
Definir espaços territoriais e seus componentes – significa estabelecer a delimitação
da área ecologicamente relevante, onde o uso do patrimônio, ali inserido, ficará
condicionado às disposições constantes de Lei.
Estudo Prévio de Impacto Ambiental – constitui um instrumento de prevenção de
degradações irremediáveis.
Promover a Educação Ambiental – significa, no futuro, o exercício de práticas
consciente.

2.1.2. Repartição da competência legislativa

A Constituição federal de 1988 cuidou de definir a competência legislativa de cada


ente da federação.

Na repartição de competências legislativas aplica-se o Princípio da Predominância do


Interesse, cabendo à União, na maior parte das questões ambientais, legislar sobre
as matérias de interesse nacional, aos Estados as de interesse regional, enquanto
aos Municípios as de interesse meramente local.

Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:
I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico;
VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais,
proteção do meio ambiente e controle da poluição;
VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico;
VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico,
estético, histórico, turístico e paisagístico;
§ 1º - No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas
gerais.
§ 2º - A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência
suplementar dos Estados.
§ 3º - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa
plena, para atender a suas peculiaridades.
§ 4º - A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que
lhe for contrário.

2.1.3. Repartição da competência executiva

A competência executiva ou administrativa se resume em atitudes efetivas de


controle e administração sendo conferido ao Poder Público a realização do
desempenho por meio do exercício do seu poder de polícia.

O poder de policia traduz-se na faculdade de que dispõe a administração pública de


limitar e restringir o uso de bens, o gozo de direitos e o exercício de atividades, tendo
em vista o interesse publico.

A execução dos deveres constitucionais terá como base a proteção do meio


ambiente como um todo, bem como o combate a poluição em qualquer de suas
formas, a preservação das florestas, da flora e da fauna, e a exploração de recursos
hídricos e minerais em seus territórios, cabendo a todos os Entes políticos tal
incumbência.
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De forma geral, para saber qual a competência executiva deve-se proceder ao


mesmo raciocínio da repartição legislativa, onde matérias de interesse local
pertencerão ao Município já quando a matéria extrapola os limites físicos do
Município, ou seja, os seus efeitos não ficam confinados na área física do Município
ou envolvam mais de um Município, desloca-se a competência do executivo
Municipal para o executivo Estadual; tratando-se de bens públicos estaduais e de
questões ambientais supramunicipais, a competência será do executivo Estadual;
nas hipóteses em que as matérias envolvam problemas internacionais de poluição
transfronteiriça ou duas ou mais unidades federadas brasileiras, a competência será
do Executivo Federal.

Art. 21. Compete à União:


XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão:
b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de água, em
articulação com os Estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos;
XIX - instituir sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos e definir critérios de outorga de
direitos de seu uso;
XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e
transportes urbanos;
XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e exercer monopólio estatal
sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio de
minérios nucleares e seus derivados, atendidos os seguintes princípios e condições:
a) toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos e mediante
aprovação do Congresso Nacional;
XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exercício da atividade de garimpagem, em forma
associativa.

Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:
III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os
monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos;
IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor
histórico, artístico ou cultural;
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;
VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
IX - promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de
saneamento básico;
XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recursos
hídricos e minerais em seus territórios;
Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados,
o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em
âmbito nacional.

Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os
princípios desta Constituição.
§ 1º - São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta
Constituição.

Art. 30. Compete aos Municípios:


VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle
do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano;

2.2. POLÍTICA NACIONAL DE MEIO AMBIENTE – LEI 6938/81

2.2.1. Apresentação da Lei

PNMA – Lei 6938/91


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O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber e econômicas;


que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono c) afetem desfavoravelmente a biota;
a seguinte Lei: d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do
meio ambiente;
Art 1º - Esta lei, com fundamento nos incisos VI e e) lancem matérias ou energia em desacordo com
VII do art. 23 e no art. 235 da Constituição, os padrões ambientais estabelecidos;
estabelece a Política Nacional do Meio Ambiente, IV - poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito
seus fins e mecanismos de formulação e público ou privado, responsável, direta ou
aplicação, constitui o Sistema Nacional do Meio indiretamente, por atividade causadora de
Ambiente (Sisnama) e institui o Cadastro de degradação ambiental;
Defesa Ambiental. V - recursos ambientais: a atmosfera, as águas
interiores, superficiais e subterrâneas, os
DA POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os
elementos da biosfera, a fauna e a flora.
Art. 2º. A Política Nacional do Meio Ambiente tem
por objetivo a preservação, melhoria e DOS OBJETIVOS DA POLÍTICA NACIONAL DO
recuperação da qualidade ambiental propícia à MEIO AMBIENTE
vida, visando assegurar, no País, condições ao
desenvolvimento sócioeconômico, aos interesses Art. 4º - A Política Nacional do Meio Ambiente
da segurança nacional e à proteção da dignidade visará:
da vida humana, atendidos os seguintes I - à compatibilização do desenvolvimento
princípios: econômico social com a preservação da qualidade
I - ação governamental na manutenção do do meio ambiente e do equilíbrio ecológico;
equilíbrio ecológico, considerando o meio II - à definição de áreas prioritárias de ação
ambiente como um patrimônio público a ser governamental relativa à qualidade e ao equilíbrio
necessariamente assegurado e protegido, tendo ecológico, atendendo aos interesses da União,
em vista o uso coletivo; dos Estados, do Distrito Federal, do Territórios e
II - racionalização do uso do solo, do subsolo, da dos Municípios;
água e do ar; III - ao estabelecimento de critérios e padrões da
III - planejamento e fiscalização do uso dos qualidade ambiental e de normas relativas ao uso
recursos ambientais; e manejo de recursos ambientais;
IV - proteção dos ecossistemas, com a IV - ao desenvolvimento de pesquisas e de
preservação de áreas representativas; tecnologia s nacionais orientadas para o uso
V - controle e zoneamento das atividades racional de recursos ambientais;
potencial ou efetivamente poluidoras; V - à difusão de tecnologias de manejo do meio
VI - incentivos ao estudo e à pesquisa de ambiente, à divulgação de dados e informações
tecnologias orientadas para o uso racional e a ambientais e à formação de uma consciência
proteção dos recursos ambientais; pública sobre a necessidade de preservação da
VII - acompanhamento do estado da qualidade qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico;
ambiental; VI - à preservação e restauração dos recursos
VIII - recuperação de áreas degradadas; ambientais com vistas á sua utilização racional e
IX - proteção de áreas ameaçadas de disponibilidade permanente, concorrendo para a
degradação; manutenção do equilíbrio ecológico propício à
X - educação ambiental a todos os níveis do vida;
ensino, inclusive a educação da comunidade, VII - à imposição, ao poluidor e ao predador, da
objetivando capacitá-la para participação ativa na obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos
defesa do meio ambiente. causados, e ao usuário, de contribuição pela
utilização de recursos ambientais com fins
Art. 3º - Para os fins previstos nesta Lei, entende- econômicos.
se por:
I - meio ambiente, o conjunto de condições, leis, Art. 5º - As diretrizes da Política Nacional do Meio
influências e interações de ordem física, química Ambiente serão formuladas em normas e planos,
e biológica, que permite, abriga e rege a vida em destinados a orientar a ação dos Governos da
todas as suas formas; União, dos Estados, do Distrito Federal, dos
II - degradação da qualidade ambiental, a Territórios e dos Municípios no que se relaciona
alteração adversa das características do meio com a preservação da qualidade ambiental e
ambiente; manutenção do equilíbrio ecológico, observados
III - poluição, a degradação da qualidade os princípios estabelecidos no art. 2º desta Lei.
ambiental resultante de atividades que direta ou Parágrafo único. As atividades empresariais
indiretamente: públicas ou privadas serão exercidas em
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem- consonância com as diretrizes da Política
estar da população; Nacional do Meio Ambiente.
b) criem condições adversas às atividades sociais
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DO SISTEMA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE DO CONSELHO NACIONAL DO MEIO


AMBIENTE
Art. 6º Os órgãos e entidades da União, dos
Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Art. 7º (Revogado pela Lei nº 8.028, de 1990)
Municípios, bem como as fundações instituídas
pelo Poder Público, responsáveis pela proteção e Art. 8º Compete ao CONAMA:
melhoria da qualidade ambiental, constituirão o I - estabelecer, mediante proposta do IBAMA,
Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, normas e critérios para o licenciamento de
assim estruturado: atividades efetiva ou potencialmente poluídoras, a
I - órgão superior: o Conselho de Governo, com a ser concedido pelos Estados e supervisionado
função de assessorar o Presidente da República pelo IBAMA;
na formulação da política nacional e nas diretrizes II - determinar, quando julgar necessário, a
governamentais para o meio ambiente e os realização de estudos das alternativas e das
recursos ambientais; possíveis conseqüências ambientais de projetos
II - órgão consultivo e deliberativo: o Conselho públicos ou privados, requisitando aos órgãos
Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), com a federais, estaduais e municipais, bem assim a
finalidade de assessorar, estudar e propor ao entidades privadas, as informações
Conselho de Governo, diretrizes de políticas indispensáveis para apreciação dos estudos de
governamentais para o meio ambiente e os impacto ambiental, e respectivos relatórios, no
recursos naturais e deliberar, no âmbito de sua caso de obras ou atividades de significativa
competência, sobre normas e padrões degradação ambiental, especialmente nas áreas
compatíveis com o meio ambiente consideradas patrimônio nacional.
ecologicamente equilibrado e essencial à sadia III - decidir, como última instância administrativa
qualidade de vida; em grau de recurso, mediante depósito prévio,
III - órgão central: a Secretaria do Meio Ambiente sobre as multas e outras penalidades impostas
da Presidência da República, com a finalidade de pela IBAMA;
planejar, coordenar, supervisionar e controlar, IV - homologar acordos visando à transformação
como órgão federal, a política nacional e as de penalidades pecuniárias na obrigação de
diretrizes governamentais fixadas para o meio executar medidas de interesse para a proteção
ambiente; ambiental; (VETADO);
IV* - órgão executor: o Instituto Brasileiro do Meio V - determinar, mediante representação do
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, IBAMA, a perda ou restrição de benefícios fiscais
com a finalidade de executar e fazer executar, concedidos pelo Poder Público, em caráter geral
como órgão federal, a política e diretrizes ou condicional, e a perda ou suspensão de
governamentais fixadas para o meio ambiente; participação em linhas de fiananciamento em
V - Órgãos Seccionais: os órgãos ou entidades estabelecimentos oficiais de crédito;
estaduais responsáveis pela execução de VI - estabelecer, privativamente, normas e
programas, projetos e pelo controle e fiscalização padrões nacionais de controle da poluição por
de atividades capazes de provocar a degradação veículos automotores, aeronaves e embarcações,
ambiental; mediante audiência dos Ministérios competentes;
VI - Órgãos Locais: os órgãos ou entidades VII - estabelecer normas, critérios e padrões
municipais, responsáveis pelo controle e relativos ao controle e à manutenção da qualidade
fiscalização dessas atividades, nas suas do meio ambiente com vistas ao uso racional dos
respectivas jurisdições; recursos ambientais, principalmente os hídricos.
§ 1º Os Estados, na esfera de suas competências Parágrafo único. O Secretário do Meio Ambiente
e nas áreas de sua jurisdição, elaboração normas é, sem prejuízo de suas funções, o Presidente do
supletivas e complementares e padrões Conama.
relacionados com o meio ambiente, observados
os que forem estabelecidos pelo CONAMA. DOS INSTRUMENTOS DA POLÍTICA NACIONAL
§ 2º O s Municípios, observadas as normas e os DO MEIO AMBIENTE
padrões federais e estaduais, também poderão
elaborar as normas mencionadas no parágrafo Art. 9º - São Instrumentos da Política Nacional do
anterior. Meio Ambiente:
§ 3º Os órgãos central, setoriais, seccionais e I - o estabelecimento de padrões de qualidade
locais mencionados neste artigo deverão fornecer ambiental;
os resultados das análises efetuadas e sua II - o zoneamento ambiental; (Regulamento)
fundamentação, quando solicitados por pessoa III - a avaliação de impactos ambientais;
legitimamente interessada. IV - o licenciamento e a revisão de atividades
§ 4º De acordo com a legislação em vigor, é o efetiva ou potencialmente poluidoras;
Poder Executivo autorizado a criar uma Fundação V - os incentivos à produção e instalação de
de apoio técnico científico às atividades do equipamentos e a criação ou absorção de
IBAMA. tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade
ambiental;
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VI - a criação de espaços territoriais outras licenças exigíveis.


especialmente protegidos pelo Poder Público § 1º Os pedidos de licenciamento, sua renovação
federal, estadual e municipal, tais como áreas de e a respectiva concessão serão publicados no
proteção ambiental, de relevante interesse jornal oficial do Estado, bem como em um
ecológico e reservas extrativistas; periódico regional ou local de grande circulação.
VII - o sistema nacional de informações sobre o § 2º Nos casos e prazos previstos em resolução
meio ambiente; do CONAMA, o licenciamento de que trata este
VIII - o Cadastro Técnico Federal de Atividades e artigo dependerá de homologação da IBAMA.
Instrumento de Defesa Ambiental; § 3º O órgão estadual do meio ambiente e IBAMA,
IX - as penalidades disciplinares ou esta em caráter supletivo, poderão, se necessário
compensatórias não cumprimento das medidas e sem prejuízo das penalidades pecuniárias
necessárias à preservação ou correção da cabíveis, determinar a redução das atividades
degradação ambiental. geradoras de poluição, para manter as emissões
X - a instituição do Relatório de Qualidade do gasosas, os efluentes líquidos e os resíduos
Meio Ambiente, a ser divulgado anualmente pelo sólidos dentro das condições e limites estipulados
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos no licenciamento concedido.
Naturais Renováveis - IBAMA; § 4º Compete ao Instituto Brasileiro do Meio
XI - a garantia da prestação de informações Ambiente e Recursos Naturais Renováveis -
relativas ao Meio Ambiente, obrigando-se o Poder IBAMA o licenciamento previsto no caput deste
Público a produzí-las, quando inexistentes; artigo, no caso de atividades e obras com
XII - o Cadastro Técnico Federal de atividades significativo impacto ambiental, de âmbito nacional
potencialmente poluidoras e/ou utilizadoras dos ou regional.
recursos ambientais.
XIII - instrumentos econômicos, como concessão Art. 11. Compete ao IBAMA propor ao CONAMA
florestal, servidão ambiental, seguro ambiental e normas e padrões para implantação,
outros. acompanhamento e fiscalização do licenciamento
previsto no artigo anterior, além das que forem
o
Art. 9 -A. Mediante anuência do órgão ambiental oriundas do próprio CONAMA.
competente, o proprietário rural pode instituir § 1º A fiscalização e o controle da aplicação de
servidão ambiental, pela qual voluntariamente critérios, normas e padrões de qualidade
renuncia, em caráter permanente ou temporário, ambiental serão exercidos pelo IBAMA, em
total ou parcialmente, a direito de uso, exploração caráter supletivo da atuação do órgão estadual e
ou supressão de recursos naturais existentes na municipal competentes.
propriedade. § 2º Inclui-se na competência da fiscalização e
o
§ 1 A servidão ambiental não se aplica às áreas controle a análise de projetos de entidades,
de preservação permanente e de reserva legal. públicas ou privadas, objetivando a preservação
o
§ 2 A limitação ao uso ou exploração da ou a recuperação de recursos ambientais,
vegetação da área sob servidão instituída em afetados por processos de exploração predatórios
relação aos recursos florestais deve ser, no ou poluidores.
mínimo, a mesma estabelecida para a reserva
legal. Art. 12. As entidades e órgãos de financiamento e
o
§ 3 A servidão ambiental deve ser averbada no incentivos governamentais condicionarão a
registro de imóveis competente aprovação de projetos habilitados a esses
o
§ 4 Na hipótese de compensação de reserva benefícios ao licenciamento, na forma desta Lei, e
legal, a servidão deve ser averbada na matrícula ao cumprimento das normas, dos critérios e dos
de todos os imóveis envolvidos. padrões expedidos pelo CONAMA.
o
§ 5 É vedada, durante o prazo de vigência da Parágrafo único. As entidades e órgãos referidos
servidão ambiental, a alteração da destinação da no caput deste artigo deverão fazer constar dos
área, nos casos de transmissão do imóvel a projetos a realização de obras e aquisição de
qualquer título, de desmembramento ou de equipamentos destinados ao controle de
retificação dos limites da propriedade. degradação ambiental e a melhoria da qualidade
do meio ambiente.
Art. 10 - A construção, instalação, ampliação e
funcionamento de estabelecimentos e atividades Art. 13. O Poder Executivo incentivará as
utilizadoras de recursos ambientais, considerados atividades voltadas ao meio ambiente, visando:
efetiva e potencialmente poluidores, bem como I - ao desenvolvimento, no País, de pesquisas e
os capazes, sob qualquer forma, de causar processos tecnológicos destinados a reduzir a
degradação ambiental, dependerão de prévio degradação da qualidade ambiental;
licenciamento de órgão estadual competente, II - à fabricação de equipamentos antipoluidores;
integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente III - a outras iniciativas que propiciem a
- SISNAMA, e do Instituto Brasileiro do Meio racionalização do uso de recursos ambientais.
Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - Parágrafo único. Os órgãos, entidades e
IBAMA, em caráter supletivo, sem prejuízo de programas do Poder Público, destinados ao
Legislação Ambiental cecon

incentivo das pesquisas científicas e ou de transporte;


tecnológicas, considerarão, entre as suas metas III - o crime é praticado durante a noite, em
prioritárias, o apoio aos projetos que visem a domingo ou em feriado.
adquirir e desenvolver conhecimentos básicos e § 2º Incorre no mesmo crime a autoridade
aplicáveis na área ambiental e ecológica. competente que deixar de promover as medidas
tendentes a impedir a prática das condutas acima
Art. 14 - Sem prejuízo das penalidades definidas descritas.
pela legislação federal, estadual e municipal, o
não cumprimento das medidas necessárias à Art. 16 - (Revogado pela Lei nº 7.804, de 1989)
preservação ou correção dos inconvenientes e
danos causados pela degradação da qualidade Art. 17. Fica instituído, sob a administração do
ambiental sujeitará os transgressores: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos
I - à multa simples ou diária, nos valores Naturais Renováveis - IBAMA
correspondentes, no mínimo, a 10 (dez) e, no I - Cadastro Técnico Federal de Atividades e
máximo, a 1.000 (mil) Obrigações Reajustáveis Instrumentos de Defesa Ambiental, para registro
do Tesouro Nacional - ORTNs, agravada em obrigatório de pessoas físicas ou jurídicas que se
casos de reincidência específica, conforme dedicam a consultoria técnica sobre problemas
dispuser o regulamento, vedada a sua cobrança ecológicos e ambientais e à indústria e comércio
pela União se já tiver sido aplicada pelo Estado, de equipamentos, aparelhos e instrumentos
Distrito Federal, Territórios ou pelos Municípios; destinados ao controle de atividades efetiva ou
II - à perda ou restrição de incentivos e benefícios potencialmente poluidoras;
fiscais concedidos pelo Poder Público; II - Cadastro Técnico Federal de Atividades
III - à perda ou suspensão de participação em Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de
linhas de financiamento em estabelecimentos Recursos Ambientais, para registro obrigatório de
oficiais de crédito; pessoas físicas ou jurídicas que se dedicam a
IV - à suspensão de sua atividade. atividades potencialmente poluidoras e/ou à
§ 1º Sem obstar a aplicação das penalidades extração, produção, transporte e comercialização
previstas neste artigo, é o poluidor obrigado, de produtos potencialmente perigosos ao meio
independentemente da existência de culpa, a ambiente, assim como de produtos e subprodutos
indenizar ou reparar os danos causados ao meio da fauna e flora.
ambiente e a terceiros, afetados por sua
atividade. O Ministério Público da União e dos Art. 17-A. São estabelecidos os preços dos
Estados terá legitimidade para propor ação de serviços e produtos do Instituto Brasileiro do Meio
responsabilidade civil e criminal, por danos Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis -
causados ao meio ambiente. Ibama, a serem aplicados em âmbito nacional,
§ 2º No caso de omissão da autoridade estadual conforme Anexo a esta Lei.
ou municipal, caberá ao Secretário do Meio
Ambiente a aplicação Ambiente a aplicação das Art. 17-B. Fica instituída a Taxa de Controle e
penalidades pecuniárias prevista neste artigo. Fiscalização Ambiental – TCFA, cujo fato gerador
§ 3º Nos casos previstos nos incisos II e III deste é o exercício regular do poder de polícia conferido
artigo, o ato declaratório da perda, restrição ou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
suspensão será atribuição da autoridade Recursos Naturais Renováveis – Ibama para
administrativa ou financeira que concedeu os controle e fiscalização das atividades
benefícios, incentivos ou financiamento, potencialmente poluidoras e utilizadoras de
cumprimento resolução do CONAMA. recursos naturais."
§ 4º (Revogado pela Lei nº 9.966, de 2000)
§ 5o A execução das garantias exigidas do Art. 17-C. É sujeito passivo da TCFA todo aquele
poluidor não impede a aplicação das obrigações que exerça as atividades constantes do Anexo VIII
de indenização e reparação de danos previstas desta Lei.
no § 1o deste artigo. § 1o O sujeito passivo da TCFA é obrigado a
entregar até o dia 31 de março de cada ano
Art. 15. O poluidor que expuser a perigo a relatório das atividades exercidas no ano anterior,
incolumidade humana, animal ou vegetal, ou cujo modelo será definido pelo Ibama, para o fim
estiver tornando mais grave situação de perigo de colaborar com os procedimentos de controle e
existente, fica sujeito à pena de reclusão de 1 fiscalização.
(um) a 3 (três) anos e multa de 100 (cem) a 1.000 § 2o O descumprimento da providência
(mil) MVR. determinada no § 1o sujeita o infrator a multa
§ 1º A pena e aumentada até o dobro se: equivalente a vinte por cento da TCFA devida,
I - resultar: sem prejuízo da exigência desta.
a) dano irreversível à fauna, à flora e ao meio
ambiente; Art. 17-D. A TCFA é devida por estabelecimento e
b) lesão corporal grave; os seus valores são os fixados no Anexo IX desta
II - a poluição é decorrente de atividade industrial Lei."
Legislação Ambiental cecon

§ 1o Para os fins desta Lei, consideram-se: parcelados de acordo com os critérios fixados na
I – microempresa e empresa de pequeno porte, legislação tributária, conforme dispuser o
as pessoas jurídicas que se enquadrem, regulamento desta Lei
respectivamente, nas descrições dos incisos I e II
do caput do art. 2o da Lei no 9.841, de 5 de Art. 17-I. As pessoas físicas e jurídicas que
outubro de 1999; II – empresa de médio porte, a exerçam as atividades mencionadas nos incisos I
pessoa jurídica que tiver receita bruta anual e II do art. 17 e que não estiverem inscritas nos
superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e respectivos cadastros até o último dia útil do
duzentos mil reais) e igual ou inferior a R$ terceiro mês que se seguir ao da publicação desta
12.000.000,00 (doze milhões de reais); Lei incorrerão em infração punível com multa de:
III – empresa de grande porte, a pessoa jurídica I – R$ 50,00 (cinqüenta reais), se pessoa física;
que tiver receita bruta anual superior a R$ II – R$ 150,00 (cento e cinqüenta reais), se
12.000.000,00 (doze milhões de reais). microempresa;
§ 2o O potencial de poluição (PP) e o grau de III – R$ 900,00 (novecentos reais), se empresa de
utilização (GU) de recursos naturais de cada uma pequeno porte;
das atividades sujeitas à fiscalização encontram- IV – R$ 1.800,00 (mil e oitocentos reais), se
se definidos no Anexo VIII desta Lei. empresa de médio porte;
§ 3o Caso o estabelecimento exerça mais de uma V – R$ 9.000,00 (nove mil reais), se empresa de
atividade sujeita à fiscalização, pagará a taxa grande porte.
relativamente a apenas uma delas, pelo valor Parágrafo único. Revogado.
mais elevado.
Art. 17-J.(Revogado pela Lei nº 10.165, de 2000)
Art. 17-E. É o Ibama autorizado a cancelar
débitos de valores inferiores a R$ 40,00 (quarenta Art. 17-L. As ações de licenciamento, registro,
reais), existentes até 31 de dezembro de 1999. autorizações, concessões e permissões
relacionadas à fauna, à flora, e ao controle
Art. 17-F. São isentas do pagamento da TCFA as ambiental são de competência exclusiva dos
entidades públicas federais, distritais, estaduais e órgãos integrantes do Sistema Nacional do Meio
municipais, as entidades filantrópicas, aqueles Ambiente.
que praticam agricultura de subsistência e as
populações tradicionais. Art. 17-M. Os preços dos serviços administrativos
prestados pelo Ibama, inclusive os referentes à
Art. 17-G. A TCFA será devida no último dia útil venda de impressos e publicações, assim como
de cada trimestre do ano civil, nos valores fixados os de entrada, permanência e utilização de áreas
no Anexo IX desta Lei, e o recolhimento será ou instalações nas unidades de conservação,
efetuado em conta bancária vinculada ao Ibama, serão definidos em portaria do Ministro de Estado
por intermédio de documento próprio de do Meio Ambiente, mediante proposta do
arrecadação, até o quinto dia útil do mês Presidente daquele Instituto.
subseqüente
Parágrafo único. Revogado. Art. 17-N. Os preços dos serviços técnicos do
§ 2o Os recursos arrecadados com a TCFA terão Laboratório de Produtos Florestais do Ibama,
utilização restrita em atividades de controle e assim como os para venda de produtos da flora,
fiscalização ambiental. serão, também, definidos em portaria do Ministro
de Estado do Meio Ambiente, mediante proposta
Art. 17-H. A TCFA não recolhida nos prazos e do Presidente daquele Instituto.
nas condições estabelecidas no artigo anterior
será cobrada com os seguintes acréscimos: Art. 17-O. Os proprietários rurais que se
I – juros de mora, na via administrativa ou judicial, beneficiarem com redução do valor do Imposto
contados do mês seguinte ao do vencimento, à sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com
razão de um por cento; base em Ato Declaratório Ambiental - ADA,
II – multa de mora de vinte por cento, reduzida a deverão recolher ao Ibama a importância prevista
dez por cento se o pagamento for efetuado até o no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29
último dia útil do mês subseqüente ao do de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.
vencimento § 1o-A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput
III – encargo de vinte por cento, substitutivo da deste artigo não poderá exceder a dez por cento
condenação do devedor em honorários de do valor da redução do imposto proporcionada
advogado, calculado sobre o total do débito pelo ADA.
inscrito como Dívida Ativa, reduzido para dez por § 1o A utilização do ADA para efeito de redução
cento se o pagamento for efetuado antes do do valor a pagar do ITR é obrigatória.
ajuizamento da execução § 2o O pagamento de que trata o caput deste
§ 1o-A. Os juros de mora não incidem sobre o artigo poderá ser efetivado em cota única ou em
valor da multa de mora parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo
§ 1o Os débitos relativos à TCFA poderão ser contribuinte para o pagamento do ITR, em
Legislação Ambiental cecon

documento próprio de arrecadação do Ibama. relativamente ao valor compensado.


§ 3o Para efeito de pagamento parcelado,
nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 Art. 17-Q. É o Ibama autorizado a celebrar
(cinqüenta reais). convênios com os Estados, os Municípios e o
§ 4o O inadimplemento de qualquer parcela Distrito Federal para desempenharem atividades
ensejará a cobrança de juros e multa nos termos de fiscalização ambiental, podendo repassar-lhes
dos incisos I e II do caput e §§ 1o-A e 1o, todos parcela da receita obtida com a TCFA."
do art. 17-H desta Lei.
§ 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, Art. 18. (Revogado pela Lei nº 9.985, de 2000)
caso os dados constantes do ADA não coincidam
com os efetivamente levantados pelos técnicos Art 19 -(VETADO).
do Ibama, estes lavrarão, de ofício, novo ADA,
contendo os dados reais, o qual será Art. 19. Ressalvado o disposto nas Leis nºs 5.357,
encaminhado à Secretaria da Receita Federal, de 17 de novembro de 1967, e 7.661, de 16 de
para as providências cabíveis. maio de 1988, a receita proveniente da aplicação
desta Lei será recolhida de acordo com o disposto
Art. 17-P. Constitui crédito para compensação no art. 4º da Lei nº 7.735, de 22 de fevereiro de
com o valor devido a título de TCFA, até o limite 1989.
de sessenta por cento e relativamente ao mesmo
ano, o montante efetivamente pago pelo Art. 20. Esta Lei entrará em vigor na data de sua
estabelecimento ao Estado, ao Município e ao publicação.
Distrito Federal em razão de taxa de fiscalização
ambiental. Art. 21. Revogam-se as disposições em contrário.
§ 1o Valores recolhidos ao Estado, ao Município
e ao Distrital Federal a qualquer outro título, tais Brasília, 31 de agosto de 1981; 160º da
como taxas ou preços públicos de licenciamento Independência e 93º da República.
e venda de produtos, não constituem crédito para
compensação com a TCFA. JOÃO FIGUEIREDO
§ 2o A restituição, administrativa ou judicial, Mário Andreazza
qualquer que seja a causa que a determine, da
taxa de fiscalização ambiental estadual ou distrital Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de
compensada com a TCFA restaura o direito de 2.9.1981
crédito do Ibama contra o estabelecimento,

* Lei 11516/07
o
Art. 1 Fica criado o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - Instituto Chico
Mendes, autarquia federal dotada de personalidade jurídica de direito público, autonomia administrativa
e financeira, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, com a finalidade de: I - executar ações da
política nacional de unidades de conservação da natureza, referentes às atribuições federais relativas à
proposição, implantação, gestão, proteção, fiscalização e monitoramento das unidades de conservação
instituídas pela União; II - executar as políticas relativas ao uso sustentável dos recursos naturais
renováveis e ao apoio ao extrativismo e às populações tradicionais nas unidades de conservação de
uso sustentável instituídas pela União; III - fomentar e executar programas de pesquisa, proteção,
preservação e conservação da biodiversidade e de educação ambiental; IV - exercer o poder de polícia
ambiental para a proteção das unidades de conservação instituídas pela União; e V - promover e
executar, em articulação com os demais órgãos e entidades envolvidos, programas recreacionais, de
uso público e de ecoturismo nas unidades de conservação, onde estas atividades sejam permitidas.
Parágrafo único. O disposto no inciso IV do caput deste artigo não exclui o exercício supletivo do poder
de polícia ambiental pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis -
IBAMA.

2.2.2. Comentários a PNMA

A PNMA visa a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental com fim


de preservar a vida sem perder o foco do desenvolvimento socioeconômico e os
interesses da segurança nacional (art. 2o).

A lei tenta apresentar caminhos para, ao mesmo tempo, preservar a natureza e


garantir o desenvolvimento socioeconômico, merecendo destaque os seguintes (art.
2o):
Legislação Ambiental cecon

a) Uso racional do solo, subsolo, água e ar;


b) Planejamento e fiscalização do uso dos recursos naturais;
c) Controle das atividades potencialmente poluidoras;
d) Incentivo ao estudo e a pesquisa de tecnologia com o fim prevarcionista;
e) Recuperação das áreas degradada;
f) Educação ambiental.

Sendo a Lei base do atual sistema normativo ambiental a legislação em comento


traça alguns conceitos basilares tais como:
Conceito amplo:
a) Degradação da qualidade ambiental consiste nas alterações das características do
meio ambiente;
Conceito restrito:
b) Poluição é a degradação da qualidade ambiental resultante de atividade que
prejudique a saúde, segurança e o bem estar populacional; ou prejudicar as
atividades sociais e econômicas; ou afetem desfavoravelmente a biota; ou afetem as
condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; ou lancem matéria ou enérgica
em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos;
c) Poluidor: Pessoa física ou jurídica responsável, que direta ou indiretamente, por
atividade causadora de degradação ambiental. Verifique que o poluidor não é apenas
aquele que cause prejuízo na forma do conceito de poluição acima, sendo, portanto
mais amplo sendo considerado poluidor aquele que cause degradação;
d) Recursos ambientais: atmosfera, água, solo, biosfera, fauna e flora.

Dos conceitos acima apresentados desdobram-se outros necessários a sua


compreensão, como:
a) Biota: conjunto de seres vivos – fauna e flora – que habitam determinado lugar;
b) Biosfera: conjunto de ecossistemas;
c) Ecossistema: conjunto de fatores bióticos e abióticos que atuam simultaneamente
sobre determinada região;
d) Biótico: seres vivos (animais, plantas bactérias...);
e) Abiótico: seres inanimados (água, solo, vento...).

Superados os conceitos básicos vislumbra-se no art. 4o a determinação legal


ordinária acerca da responsabilidade objetiva do poluidor, que deve restaurar o
ambiente degradado independentemente de culpa ou dolo.

Para que se implante a PNMA é necessário um conjunto de normas e execuções


destas por meio de órgãos que compõem o sistema nacional de meio ambiente
(SISNAMA), sendo estes (art. 6o):

a) Órgão superior – Assessorar o presidente da República;


b) CONAMA – Deliberar sobre as normas para licenciamento de atividades
efetivamente ou potencialmente poluidoras.
c) Órgão Central – Secretaria do Meio Ambiente, vinculada ao Meio Ambiente
competente para supervisionar e controlar se as PNMA estão sendo observadas.

a) IBAMA – Cumprir e fazer cumprir as políticas e diretrizes do governo federal.


Instituto Chico Mendes (Lei 11516/07) órgão executor federal para Unidades de
Conservação ambiental.
b) Órgãos seccionais – Órgão ou entidade estadual responsável pela execução de
programas, controle e fiscalização ambiental.
Legislação Ambiental cecon

c) Órgãos locais – Órgão ou entidade municipal responsável pela execução de


controle e fiscalização ambiental.

SISNAMA

Para implantação das PNMA são necessários instrumentos que viabilizem sua
efetivação, instrumentos estes que a legislação consagra no art. 9o, podendo ser
divididos instrumentos de comando e controle.

Há a conjugação de normas de fiscalização e aplicações de sanções com outras cuja


finalidade reside na imposição de custos ou no oferecimento de vantagens
econômicas para a preservação do patrimônio ambiental, como vejamos:

a) estabelecimentos de padrão de qualidade:


Compete ao CONOMA estabelecer normas, critérios e padrões relativos ao controle
e à manutenção da qualidade do meio ambiente.

Em atenção à obrigação legal o CONAMA foram editadas a Res. 357/05


(classificação dos corpos d’água e padrões de lançamentos de efluentes), Res. 5/89
(controle da qualidade do ar), Res. 16/86 (redução das emissões de gases por
veículos automotivos).

b) Zoneamento ambiental:
O zoneamento ambiental uma espécie de zoneamento que se pode subdividir em
urbano, industrial, ambiental, costeiro e ecológico-econômico.

O Zoneamento ambiental brasileiro concebe a possibilidade de se ter zonas


ambientais onde não é permitido qualquer tipo de intervenção humana, zonas em
que é aberta a visitação, zonas em que são permitidas pesquisas científicas e zonas
onde são concebidas conciliações entre o uso e sua proteção.

c) Avaliação de Impacto Ambiental (AIA):


É formado por um conjunto de forma Avaliativas dentre as quais se destaca o EIA
(Estudo de Impacto Ambiental), AAE (Avaliação Ambiental Estratégica), EVA (Estudo
de Viabilidade Ambiental), RAP (Relatório Ambiental Preliminar), RCA (Relatório de
Controle Ambiental).

 A Res. 01/86 do CONAMA vinculou a AIA ao licenciamento ambiental de


atividades ou empreendimentos potencialmente poluidores, que requerem a
Legislação Ambiental cecon

elaboração de EIA e de seu respectivo relatório (Rima).


Assim verifica-se que o EIA/Rima tem abrangência restrita, sendo exigido para
licenciamento de qualquer obra ou atividade que possa causar significativa
degradação ao meio ambiente.
A mesma Resolução acima digitada estabeleceu quais as atividades que
necessariamente precisam de EIA para sua instalação (art. 2o), sendo posteriormente
ampliadas conforme anexo I da Res. 237/97*, do CONAMA, sem, entretanto se tratar
de uma lista fechada, pois poderá o órgão ambiental exigir o mesmo Estudo a outras
atividades potencialmente poluentes.

* Anexo I da Res. 237/97 do CONAMA


ATIVIDADES OU EMPREENDIMENTOS SUJEITOS AO LICENCIAMENTO AMBIENTAL
Extração e Tratamento de Minerais
é Pesquisa mineral com guia de utilização;
é Lavra a céu aberto, inclusive de aluvião, com ou sem beneficiamento;
é Lavra subterrânea com ou sem beneficiamento;
é Lavra garimpeira;
é Perfuração de poços e produção de petróleo e gás natural.
Indústria de Produtos Minerais não Metálicos
é Beneficiamento de minerais, não metálicos, não associados à extração;
é Fabricação e elaboração de produtos minerais não metálicos tais como: produção de material
cerâmico, cimento, gesso, amianto e vidro, entre outros.
Indústria Metalúrgica
é Fabricação de aço e de produtos siderúrgicos;
é Produção de fundidos de ferro e aço/ forjados / arames / relaminados com ou sem
tratamento de superfície, inclusive galvanoplastia;
é Metalurgia dos metais não-ferrosos, em formas primárias e secundárias, inclusive ouro;
é Produção de laminados / ligas / artefatos de metais não-ferrosos com ou sem tratamento de
superfície, inclusive galvanoplastia;
é Relaminação de metais não - ferrosos, inclusive ligas;
é Produção de soldas e anodos;
é Metalurgia de metais preciosos;
é Metalurgia do pó, inclusive peças moldadas;
é Fabricação de estruturas metálicas com ou sem tratamento de superfície, inclusive galvanoplastia;
é Fabricação de artefatos de ferro / aço e de metais não-ferrosos com ou sem tratamento de
superfície, inclusive galvanoplastia;
é Têmpera e cementação de aço, recozimento de arames, tratamento de superfície.
Indústria Mecânica
é Fabricação de máquinas, aparelhos, peças, utensílios e acessórios com ou sem tratamento térmico
e/ou de superfície.
Indústria de Material Elétrico, Eletrônico e Comunicações
é Fabricação de pilhas, baterias e outros acumuladores;
é Fabricação de material elétrico, eletrônico e equipamentos para telecomunicação e informática;
é Fabricação de aparelhos elétricos e eletrodomésticos.
Indústria de Material de Transporte
é Fabricação e montagem de veículos rodoviários e ferroviários, peças e acessórios;
é Fabricação e montagem de aeronaves;
é Fabricação e reparo de embarcação e estruturas flutuantes.
Indústria de Madeira
é Serraria e desdobramento de madeira;
é Preservação de madeira;
é Fabricação de chapas, placas de madeira aglomerada, prensada e compensada;
é Fabricação de estruturas de madeira e de móveis.
Indústria de Papel e Celulose
é Fabricação de celulose e pasta mecânica;
é Fabricação de papel e papelão;
é Fabricação de artefatos de papel, papelão, cartolina, cartão e fibra prensada.
Indústria de Borracha
é Beneficiamento de borracha natural;
Legislação Ambiental cecon

é Fabricação de câmara de ar e fabricação e recondicionamento de pneumáticos;


é Fabricação de laminados e fios de borracha;
é Fabricação de espuma de borracha e de artefatos de espuma de borracha, inclusive látex.
Indústria de Couros e Peles
é Secagem a salga de couros e peles;
é Curtimento e outras preparações de couros e peles;
é Fabricação de artefatos diversos de couros e peles;
é Fabricação de cola animal.
Indústria Química
é Produção de substâncias e fabricação de produtos químicos;
é Fabricação de produtos derivados do processamento de petróleo, de rochas
betuminosas e da madeira;
é Fabricação de combustíveis não derivados de petróleo;
é Produção de óleos / gorduras / ceras vegetais-animais / óleos essenciais vegetais e outros produtos
da destilação da madeira;
é Fabricação de resinas e de fibras e fios artificiais e sintéticos e de borracha e látex sintéticos;
é Fabricação de pólvora / explosivos / detonantes / munição para caça-desporto, fósforo de segurança
e artigos pirotécnicos;
é Recuperação e refino de solventes, óleos minerais, vegetais e animais;
é Fabricação de concentrados aromáticos naturais, artificiais e sintéticos;
é Fabricação de preparados para limpeza e polimento, desinfetantes, inseticidas, germicidas e
fungicidas;
é Fabricação de tintas, esmaltes, lacas, vernizes, impermeabilizantes, solventes e secantes;
é Fabricação de fertilizantes e agroquímicos;
é Fabricação de produtos farmacêuticos e veterinários;
é Fabricação de sabões, detergentes e velas;
é Fabricação de perfumarias e cosméticos;
é Produção de álcool etílico, metanol e similares.
Indústria de Produtos de Matéria Plástica
é Fabricação de laminados plásticos;
é Fabricação de artefatos de material plástico.
Indústria Têxtil, de Vestuários, Calçados e Artefatos de Tecidos
é Beneficiamento de fibras têxteis, vegetais, de origem animal e sintéticos;
é Fabricação e acabamento de fios e tecidos;
é Tingimento, estamparia e outros acabamentos em peças do vestuário e artigo diversos de tecidos;
é Fabricação de calçados e componentes para calçados.
Indústria de Produtos Alimentares e Bebidas
é Beneficiamento, moagem, torrefação e fabricação de produtos alimentares;
é Matadouros, abatedouros, frigoríficos, charqueadas e derivados de origem animal;
é Fabricação de conservas;
é Preparação de pescados e fabricação de conservas de pescado;
é Preparação, beneficiamento e industrialização de leite e derivados;
é Fabricação e refinação do açúcar;
é Refino / preparação de óleo e gorduras vegetais;
é Produção de manteiga, cacau, gorduras de origem animal para alimentação;
é Fabricação de fermentos e leveduras;
é Fabricação de rações balanceadas e de alimentos preparados para animais;
é Fabricação de vinhos e vinagre;
é Fabricação de cervejas, chopes e maltes;
é Fabricação de bebidas não alcoólicas, bem como engarrafamento e gaseificação de águas minerais;
é Fabricação de bebidas alcoólicas.
Indústria de Fumo
é Fabricação de cigarros / charutos / cigarrilhas e outras atividades de beneficiamento do fumo.
Indústrias Diversas
é Usinas de produção de concreto;
é Usinas de asfalto;
é Serviços de galvanoplastia.
Obras Civis
é Rodovias, ferrovias, hidrovias, metropolitanos;
é Barragens e diques;
é Canais para drenagem;
é Retificação de curso de água;
é Abertura de barras, embocaduras e canais;
Legislação Ambiental cecon

é Transposição de bacias hidrográficas;


é Outras obras de arte.
Serviços de Utilidades
é Produção de energia term oelétrica;
é Transmissão de energia elétrica;
é Estações de tratamento de água;
é Interceptores, emissários, estação elevatória e tratamento de esgoto sanitário;
é Tratamento e destinação de resíduos industriais (líquidos e sólidos);
é Tratamento / disposição de resíduos especiais tais como: de agroquímicos e suas embalagens
usadas e de serviço de saúde, entre outros;
é Tratamento e destinação de resíduos sólidos urbanos, inclusive aqueles provenientes de fossas;
é Dragagem e derrocamentos em corpos d’água;
é Recuperação de áreas contaminadas ou degradadas.
Transporte, Terminais e Depósitos
é Transporte de cargas perigosas;
é Transporte por dutos;
é Marinas, portos e aeroportos;
é Terminais de minérios, petróleo e derivados e produtos químicos;
é Depósitos de produtos químicos e produtos perigosos.
Turismo
é Complexos turísticos e de lazer, inclusive parques temáticos e autódromos.
Atividades Diversas
é Parcelamento do solo;
é Distrito e pólo industrial.
Atividades Agropecuárias
é Projeto agrícola;
é Criação de animais;
é Projetos de assentamentos e de colonização.
Uso de Recursos Naturais
é Silvicultura;
é Exploração econômica da madeira ou lenha e subprodutos florestais;
é Atividade de manejo de fauna exótica e criadouro de fauna silvestre;
é Utilização do patrimônio genético natural;
é Manejo de recursos aquáticos vivos;
é Introdução de espécies exóticas e/ou geneticamente modificadas;
é Uso da diversidade biológica pela biotecnologia.

O EIA deve ser apresentado pelo empregador, que arcará com os custos de sua
realização, no momento em que formalizar o requerimento da licença ambiental (art.
8o). A elaboração do estudo compete a uma equipe multidisciplinar (art. 7o),
composta por profissionais legalmente habilitados, de diferentes áreas, que,
juntamente com o empregador, são responsáveis pelas informações oferecidas.

O Art. 5o da Res. 01/86 estabelece às diretrizes para a elaboração do EIA, sem


desprezar, obviamente, os princípios e determinações legais existentes na Lei de
PNMA.

Já o Art. 6o da Resolução em comento estabelece o que deve ser desenvolvido na


atividade técnica do desenvolvimento do EIA, dentre os quais, basicamente podemos
dividir em 3 partes, sendo elas: 1a - diagnóstico ambiental da área de influencia,
devendo ser considerados os meios físicos, biológicos, ecossistemas naturais e
socioeconômicos; 2a - prognóstico acerca dos impactos do projeto e suas
alternativas; 3a - a definição de medidas mitigadoras dos impactos negativos,
avaliando a eficiência de cada uma delas, combinada com a elaboração de
programas de acompanhamento e monitoramento dos impactos ambientais,
indicando os fatores e parâmetros a serem observados.
Legislação Ambiental cecon

O EIA deve observar os objetivos globais do empreendimento, não limitando a


trechos, partes ou etapas.
Sob pena de restar interrompida parte do empreendimento pendente de novos
estudos.

A Resolução, em reverencia ao princípio Constitucional da participação popular,


informação e publicidade, determina a confecção de Relatório de Impacto Ambiental
(Rima) com fim de dar oportunidade ao leigo de tomar conhecimento dos
empreendimentos a serem desenvolvidos (art. 9o).

O Rima deve ser confeccionado de forma simples e objetiva contendo a conclusão


do EIA para a compreensão do leigo.
No Relatório deve conter os objetivos e justificativas do projeto, além dos demais
elementos exigidos por meio de diretrizes constantes no EIA.

Para alcançar o objetivo da publicidade, o EIA/Rima devem estar sempre acessíveis


ao público, (art. 11) permanecendo sua cópia à disposição dos interessados nos
centros de documentação ou bibliotecas dos órgãos ambientais competentes ou
mesmo através da internet, vg, http://www.ibama.gov.br/licenciamento/.

 A Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), também chamada de Avaliação de


Impactos Ambientais de Políticas, Programas e Planos (AIA de PPP), tem por
finalidade considerar os impactos decorrentes das decisões de política e
planejamento, permitindo sejam considerados os impactos cumulativos e sinergéticos
que correrão em função das ações selecionadas.

A definição de políticas, programas e planos e a preparação e realização de projetos


correspondem a fases distintas e relativamente seqüenciais do processo de tomada
de decisões, o que conduz a diferentes abordagens de avaliação ambiental. A AAE
permite, justamente, que seja realizada uma prévia, de caráter mais global, embora
bastante complexa, eis que envolve diferentes atividades e relações de causa-efeito.

A AAE surge, em muitas situações, da necessidade de assegurar ba decisão a


consideração dos três objetivos da sustentabilidade, sendo eles, o crescimento
econômico, a equidade social e a proteção ambiental.
RESOLUÇÃO CONAMA Nº 001, de 23 de janeiro matéria ou energia resultante das atividades
de 1986 Publicado no D. O . U de 17 /2/86. humanas que, direta ou indiretamente, afetam:
I - a saúde, a segurança e o bem-estar da
O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE população;
- IBAMA, no uso das atribuições que lhe confere o II - as atividades sociais e econômicas;
artigo 48 do Decreto nº 88.351, de 1º de junho de III - a biota;
1983, para efetivo exercício das responsabilidades IV - as condições estéticas e sanitárias do meio
que lhe são atribuídas pelo artigo 18 do mesmo ambiente;
decreto, e Considerando a necessidade de se V - a qualidade dos recursos ambientais.
estabelecerem as definições, as
responsabilidades, os critérios básicos e as Artigo 2º - Dependerá de elaboração de estudo
diretrizes gerais para uso e implementação da de impacto ambiental e respectivo relatório de
Avaliação de Impacto Ambiental como um dos impacto ambiental - RIMA, a serem submetidos
instrumentos da Política Nacional do Meio à aprovação do órgão estadual competente, e
Ambiente, RESOLVE: do IBAMA em caráter supletivo, o licenciamento
de atividades modificadoras do meio ambiente,
Artigo 1º - Para efeito desta Resolução, considera- tais como:
se impacto ambiental qualquer alteração das I - Estradas de rodagem com duas ou mais
propriedades físicas, químicas e biológicas do faixas de rolamento;
meio ambiente, causada por qualquer forma de II - Ferrovias;
Legislação Ambiental cecon

III - Portos e terminais de minério, petróleo e I - Contemplar todas as alternativas tecnológicas


produtos químicos; e de localização de projeto, confrontando-as
IV - Aeroportos, conforme definidos pelo inciso 1, com a hipótese de não execução do projeto;
artigo 48, do Decreto-Lei nº 32, de 18.11.66; II - Identificar e avaliar sistematicamente os
V - Oleodutos, gasodutos, minerodutos, troncos impactos ambientais gerados nas fases de
coletores e emissários de esgotos sanitários; implantação e operação da atividade;
VI - Linhas de transmissão de energia elétrica, III - Definir os limites da área geográfica a ser
acima de 230KV; direta ou indiretamente afetada pelos impactos,
VII - Obras hidráulicas para exploração de denominada área de influência do projeto,
recursos hídricos, tais como: barragem para fins considerando, em todos os casos, a bacia
hidrelétricos, acima de 10MW, de saneamento ou hidrográfica na qual se localiza;
de irrigação, abertura de canais para navegação, lV - Considerar os planos e programas
drenagem e irrigação, retificação de cursos governamentais, propostos e em implantação na
d'água, abertura de barras e embocaduras, área de influência do projeto, e sua
transposição de bacias, diques; compatibilidade.
VIII - Extração de combustível fóssil (petróleo, Parágrafo Único - Ao determinar a execução do
xisto, carvão); estudo de impacto ambiental o órgão estadual
IX - Extração de minério, inclusive os da classe II, competente, ou o IBAMA ou, quando couber, o
definidas no Código de Mineração; Município, fixará as diretrizes adicionais que,
X - Aterros sanitários, processamento e destino pelas peculiaridades do projeto e características
final de resíduos tóxicos ou perigosos; ambientais da área, forem julgadas necessárias,
Xl - Usinas de geração de eletricidade, qualquer inclusive os prazos para conclusão e análise
que seja a fonte de energia primária, acima de dos estudos.
10MW;
XII - Complexo e unidades industriais e agro- Artigo 6º - O estudo de impacto ambiental
industriais (petroquímicos, siderúrgicos, desenvolverá, no mínimo, as seguintes
cloroquímicos, destilarias de álcool, hulha, atividades técnicas:
extração e cultivo de recursos hídricos); I - Diagnóstico ambiental da área de influência
XIII - Distritos industriais e zonas estritamente do projeto completa descrição e análise dos
industriais - ZEI; recursos ambientais e suas interações, tal como
XIV - Exploração econômica de madeira ou de existem, de modo a caracterizar a situação
lenha, em áreas acima de 100 hectares ou ambiental da área, antes da implantação do
menores, quando atingir áreas significativas em projeto, considerando:
termos percentuais ou de importância do ponto de a) o meio físico - o subsolo, as águas, o ar e o
vista ambiental; clima, destacando os recursos minerais, a
XV - Projetos urbanísticos, acima de 100ha. ou topografia, os tipos e aptidões do solo, os
em áreas consideradas de relevante interesse corpos d'água, o regime hidrológico, as
ambiental a critério da SEMA e dos órgãos correntes marinhas, as correntes atmosféricas;
municipais e estaduais competentes; b) o meio biológico e os ecossistemas naturais -
XVI - Qualquer atividade que utilize carvão a fauna e a flora, destacando as espécies
vegetal, em quantidade superior a dez toneladas indicadoras da qualidade ambiental, de valor
por dia. científico e econômico, raras e ameaçadas de
extinção e as áreas de preservação
Artigo 3º - Dependerá de elaboração de estudo de permanente;
impacto ambiental e respectivo RIMA, a serem c) o meio sócio-econômico - o uso e ocupação
submetidos à aprovação do IBAMA, o do solo, os usos da água e a sócio-economia,
licenciamento de atividades que, por lei, seja de destacando os sítios e monumentos
competência federal. arqueológicos, históricos e culturais da
comunidade, as relações de dependência entre
Artigo 4º - Os órgãos ambientais competentes e a sociedade local, os recursos ambientais e a
os órgãos setoriais do SISNAMA deverão potencial utilização futura desses recursos.
compatibilizar os processos de licenciamento com II - Análise dos impactos ambientais do projeto e
as etapas de planejamento e implantação das de suas alternativas, através de identificação,
atividades modificadoras do meio Ambiente, previsão da magnitude e interpretação da
respeitados os critérios e diretrizes estabelecidos importância dos prováveis impactos relevantes,
por esta Resolução e tendo por base a natureza o discriminando: os impactos positivos e negativos
porte e as peculiaridades de cada atividade. (benéficos e adversos), diretos e indiretos,
imediatos e a médio e longo prazos, temporários
Artigo 5º - O estudo de impacto ambiental, além e permanentes; seu grau de reversibilidade;
de atender à legislação, em especial os princípios suas propriedades cumulativas e sinérgicas; a
e objetivos expressos na Lei de Política Nacional distribuição dos ônus e benefícios sociais.
do Meio Ambiente, obedecerá às seguintes III - Definição das medidas mitigadoras dos
diretrizes gerais: impactos negativos, entre elas os equipamentos
Legislação Ambiental cecon

de controle e sistemas de tratamento de despejos, mitigadoras previstas em relação aos impactos


avaliando a eficiência de cada uma delas. negativos, mencionando aqueles que não
lV - Elaboração do programa de acompanhamento puderam ser evitados, e o grau de alteração
e monitoramento (os impactos positivos e esperado;
negativos, indicando os fatores e parâmetros a VII - O programa de acompanhamento e
serem considerados. monitoramento dos impactos;
Parágrafo Único - Ao determinar a execução do VIII - Recomendação quanto à alternativa mais
estudo de impacto Ambiental o órgão estadual favorável (conclusões e comentários de ordem
competente; ou o IBAMA ou quando couber, o geral).
Município fornecerá as instruções adicionais que Parágrafo único - O RIMA deve ser apresentado
se fizerem necessárias, pelas peculiaridades do de forma objetiva e adequada a sua
projeto e características ambientais da área. compreensão. As informações devem ser
traduzidas em linguagem acessível, ilustradas
Artigo 7º - O estudo de impacto ambiental será por mapas, cartas, quadros, gráficos e demais
realizado por equipe multidisciplinar habilitada, técnicas de comunicação visual, de modo que
não dependente direta ou indiretamente do se possam entender as vantagens e
proponente do projeto e que será responsável desvantagens do projeto, bem como todas as
tecnicamente pelos resultados apresentados. conseqüências ambientais de sua
implementação.
Artigo 8º - Correrão por conta do proponente do
projeto todas as despesas e custos referentes á Artigo 10 - O órgão estadual competente, ou o
realização do estudo de impacto ambiental, tais IBAMA ou, quando couber, o Município terá um
como: coleta e aquisição dos dados e prazo para se manifestar de forma conclusiva
informações, trabalhos e inspeções de campo, sobre o RIMA apresentado.
análises de laboratório, estudos técnicos e Parágrafo único - O prazo a que se refere o
científicos e acompanhamento e monitoramento caput deste artigo terá o seu termo inicial na
dos impactos, elaboração do RIMA e fornecimento data do recebimento pelo órgão estadual
de pelo menos 5 (cinco) cópias, competente ou pela SEMA do estudo do
impacto ambiental e seu respectivo RIMA.
Artigo 9º - O relatório de impacto ambiental - RIMA
refletirá as conclusões do estudo de impacto Artigo 11 - Respeitado o sigilo industrial, assim
ambiental e conterá, no mínimo: solicitando e demonstrando pelo interessado o
I - Os objetivos e justificativas do projeto, sua RIMA será acessível ao público. Suas cópias
relação e compatibilidade com as políticas permanecerão à disposição dos interessados,
setoriais, planos e programas governamentais; nos centros de documentação ou bibliotecas da
II - A descrição do projeto e suas alternativas SEMA e do estadual de controle ambiental
tecnológicas e locacionais, especificando para correspondente, inclusive o período de análise
cada um deles, nas fases de construção e técnica,
operação a área de influência, as matérias primas, § 1º - Os órgãos públicos que manifestarem
e mão-de-obra, as fontes de energia, os interesse, ou tiverem relação direta com o
processos e técnica operacionais, os prováveis projeto, receberão cópia do RIMA, para
efluentes, emissões, resíduos de energia, os conhecimento e manifestação,
empregos diretos e indiretos a serem gerados; § 2º - Ao determinar a execução do estudo de
III - A síntese dos resultados dos estudos de impacto ambiental e apresentação do RIMA, o
diagnósticos ambiental da área de influência do órgão estadual competente ou o IBAMA ou,
projeto; quando couber o Município, determinará o prazo
IV - A descrição dos prováveis impactos para recebimento dos comentários a serem
ambientais da implantação e operação da feitos pelos órgãos públicos e demais
atividade, considerando o projeto, suas interessados e, sempre que julgar necessário,
alternativas, os horizontes de tempo de incidência promoverá a realização de audiência pública
dos impactos e indicando os métodos, técnicas e para informação sobre o projeto e seus
critérios adotados para sua identificação, impactos ambientais e discussão do RIMA,
quantificação e interpretação;
V - A caracterização da qualidade ambiental futura Artigo 12 - Esta Resolução entra em vigor na
da área de influência, comparando as diferentes data de sua publicação.
situações da adoção do projeto e suas
alternativas, bem como com a hipótese de sua Flávio Peixoto da Silveira
não realização; (Alterada pela Resolução nº 011/86)
VI - A descrição do efeito esperado das medidas

d) Licenciamento ambiental
Legislação Ambiental cecon

A Lei exige (art. 10) que a construção, instalação, ampliação e funcionamento de


estabelecimentos e atividades utilizadoras de recursos naturais, capazes de causar
poluição ou degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento ambiental.

A Res. 237/97 do CONAMA traz alguns conceitos importantes:


Licença – é o ato administrativo final de outorga, que permite ao empreendedor a
localização, instalação e operação de empreendimentos ou atividades que gerem
impactos ao ambiente natural.
Licenciamento – é um procedimento administrativo, ou seja, uma série de atos
administrativos legalmente ordenados.

A Licença ambiental, uma vez concedida, não poderá ser revogada a qualquer tempo
sem motivo, porém, o fato de seguir todos os procedimentos devidos não garante ao
empreendedor a concessão ou a renovação de prazos de licença.

Como já enumerado acima, o anexo I da Res. 327/97 apresenta quais


empreendimentos necessitam inexoravelmente de licença ambiental, sem excluir
outras atividades a critério da autoridade.

O IBAMA é o Instituto executivo responsável pelo licenciamento ambiental em caráter


federal, sendo executado pela Diretoria de Licenciamento Ambiental; o COPAM –
Conselho Estadual de Política Ambiental, por intermédio das Câmaras
Especializadas, da FEAM –Fundação Estadual do Meio Ambiente, no tocante às
atividades industriais, minerárias e de infra-estrutura e do IEF – Instituto Estadual de
Florestas, no tocante às atividades agrícolas, pecuárias e florestais, é o órgão
mineiro responsável pelo licenciamento estadual.

COMPETENCIA PARA LICENCIAR


União (IBAMA) Estado/DF (COPAM/MG) Município
Caráter supletivo (art. 4º) Caráter geral (art. 5º) Caráter local (art. 6º)
Licenciamento de empreendimentos e Licenciamento de empre- Licenciamento de
atividades com significativo impacto endimentos e atividades: empreendimentos e
ambiental de âmbito nacional ou re- a) localizados ou de- atividades:
gional. senvolvidos em mais de a) locais;
a) regiões localizadas ou desenvol- um município ou em uni- b) delegados pelos
vidas conjuntamente no Brasil e em dades de conservação Estados, por instru-
pais limítrofe, no mar territorial, na pla- de domínio estadual ou mento legal ou com-
taforma continental, na zona econô- distrital; vênio.
micamente exclusiva, em terras indí- b) localizados ou de-
genas ou em UC; senvolvidos nas florestas
b) atividades localizadas ou desenvol- e demais formas de vê-
vidas em dois ou mais Estados; getação natural de pré-
c) cujos impactos diretos ultrapassem servação permanente;
os limites territoriais do país ou de c) cujos impactos am-
mais de um Estado; bientais ultrapassem os
d) bases ou empreendimentos milita- limites territoriais de um
res; ou mais municípios;
e) atividades destinados a pesquisa, d) delegados pela União
lavrar, produzir, beneficiar, transpor- aos Estados e DF, por
tar, armazenar e dispor de material ra- instrumento legal ou con-
dioativo, em qualquer estágio, ou que vênio.
utilizem energia nuclear em qualquer
de suas formas e aplicações.
Legislação Ambiental cecon

 Fases do processo de licenciamento:

O processo de licenciamento ambiental possui três etapas distintas: Licenciamento


Prévio, Licenciamento de Instalação e Licenciamento de Operação.

I – Definição pelo órgão ambiental, com a participação do empreendedor, dos


documentos, projetos e estudos ambientais necessários ao inicio do processo de
licenciamento EIA/Rima;
II – Formalização do requerimento da licença ambiental pelo empreendedor,
acompanhados dos documentos anteriormente definidos;
III – Analise pelo órgão ambiental dos documentos e Estudos;
IV – Solicitação de esclarecimentos e complementações;
V – Audiência pública para discussão do EIA/Rima, quando couber;
VI – Solicitação de esclarecimentos e complementações decorrentes da Audiência
pública;
VII – Emissão de parecer técnico conclusivo;
IX – Deferimento ou indeferimento do pedido de licença, que deve ser fundamentada
e publicada.

Licença Prévia (LP)

A primeira licença a ser outorgada é a Licença Prévia (LP), que aprova a localização
e atesta sua viabilidade ambiental. A referida licença terá prazo não superior há 5
(cinco) anos. Nesta etapa, quando necessário, serão confeccionados o EIA/Rima.
Nessa etapa são realizadas Audiências Públicas para que a comunidade interessada
e/ou afetada pelo empreendimento seja consultada.

Licença de Instalação (LI)

Cumprido os requisitos estabelecidos na LP, será concedida, mediante elaboração


do Plano Básico Ambiental, e conforme o caso (desmatamento), também a
elaboração de Inventário Florestal, para apoiar a decisão sobre o deferimento da
Autorização de Supressão de Vegetação, a Licença de Instalação (LI) que autoriza o
início da obra ou instalação do empreendimento. O prazo de validade dessa licença é
estabelecido pelo cronograma de instalação do projeto ou atividade, não podendo ser
superior a 6 (seis) anos. Empreendimentos que impliquem desmatamento
dependem, também, de "Autorização de Supressão de Vegetação".

Licença de Operação (LO)

A última Licença a ser obtida é a de Operação (LO) que deve ser solicitada antes de
o empreendimento entrar em operação, pois é essa licença que autoriza o início do
funcionamento da obra/empreendimento. Sua concessão está condicionada à vistoria
a fim de verificar se todas as exigências e detalhes técnicos descritos no projeto
aprovado foram desenvolvidos e atendidos ao longo de sua instalação e se estão de
acordo com o previsto nas LP e LI. O empreendedor também deve elaborar um
conjunto de relatórios descrevendo a implantação dos programas ambientais e
medidas mitigadoras previstas nas etapas de LP e LI.

O prazo de validade é estabelecido, não podendo ser inferior a 4 (quatro) anos e


superior a 10 (dez) anos.
Legislação Ambiental cecon

A Licença poderá ser renovada, devendo ser requerida 120 dias antes do término do
seu prazo de validade. Neste caso a Licença será prorrogada automaticamente até a
manifestação definitiva do órgão ambiental.

A nova Licença poderá ter seu prazo de validade aumentado ou reduzido; podendo
ainda as ser alteradas as condicionantes e as medidas de controle, tudo mediante
fundamentação.

Os órgãos ambientais, antes da concessão das Licenças devem ouvir os Órgãos


Ambientais (OEMAs) envolvidos no licenciamento e os Órgãos Federais de gestão
do Patrimônio Histórico (IPHAN), das Comunidades Indígenas (FUNAI), de
Comunidades Quilombolas (Fundação Palmares), de controle de endemias
(FUNASA), entre outros.

 Procedimento:

O empreendedor deverá primeiramente se inscrever no órgão a quem compete


expedir Licença ambiental.

Deverá o empreendedor preencher o formulário solicitando ao órgão a abertura de


processo administrativo com vistas ao licenciamento ambiental devendo este ser
entregue ao órgão competente.

O IBAMA fornece formulário, que será preenchido on-line (no caso de


empreendimentos do tipo: aproveitamento hidrelétrico, linhas de transmissão,
mineração, ferrovia, rodovia e dutos) pelo empreendedor, servirá também como uma
ficha de caracterização prévia do empreendimento. Para as demais tipologias o
formulário deverá ser preenchido, impresso e encaminhado à Diretoria de
Licenciamento Ambiental do Ibama.

 Audiência Pública:

A Audiência Pública não é obrigatória, mas é uma das etapas da avaliação do


impacto ambiental e o principal canal de participação da comunidade nas decisões
em nível local. Esse procedimento consiste em apresentar aos interessados o
conteúdo do estudo e do relatório ambiental, esclarecendo dúvidas e recolhendo as
críticas e sugestões sobre o empreendimento e as áreas a serem atingidas.

As audiências públicas poderão ser realizadas por determinação do órgão ambiental


competente, sempre que julgar necessário, ou por solicitação de entidade civil, do
Ministério Público ou de 50 ou mais cidadãos. O edital de realização da audiência é
publicado no Diário Oficial e em jornal regional ou local de grande circulação, rádios
e faixas, com indicação de data, hora e local do evento.

O local escolhido para realização da audiência deve ser de fácil acesso aos
interessados. Por isso, devido à localização geográfica das comunidades e grupos
interessados, poderá; haver mais de um evento sobre o mesmo projeto.

Na Audiência Publica reúnem-se a comunidade, o empreendedor, a empresa de


consultoria, órgão ambientais governamentais, sociedade civil organizada.

São apresentadas pelos órgãos do governo, pela empresa de consultoria e pelo


empreendedor detalhes do projeto, sendo posteriormente facultada a participação
Legislação Ambiental cecon

popular por meio de perguntas orais ou escritas.

 Cassação, Revogação, anulação e caducidade da Licença:

Cassação – violação ou inadequação de quaisquer condicionantes ou normas legais,


omissão ou falsa descrição de informações relevantes que subsidiaram a expedição
da licença;
Revogação – quando a licença deixa de ser conveniente e oportuno, cabendo
indenização.
Anulação – defeito do ato constitutivo é anulado tudo feito posteriormente a fraude.
Poderá haver indenização se o licenciado não concorreu pela fraude.
Caducidade – quando nova Lei não admite licenciamento.

Licenças ambientais e urbanísticas

Em centros urbanos são necessárias diversas licenças urbanísticas, tais como:


Alvará de construção, alvará de funcionamento, alvará localização, entre outros.

Caso o empreendedor atenda todos os requisitos exigidos a licença urbanística não


poderá ser-lhe negada, pois, diferente das licenças ambientais, as licenças
urbanísticas constituem ato vinculado da administração.

Procedimentos:
Estudo de viabilidade urbanística PLLILicenciamento da construçãoLO
Licenciamento da atividade.

Licenças ambientais e outorga de direitos de uso de recursos hídricos:

A outorga visa garantir o controle quantitativo e qualificativo dos usos da água e o


efetivo exercício do direito de acesso a água.

A outorga possui prazo máximo de 35 anos, possuindo o procedimento ampla


publicidade.

A competência para outorga reparte-se entre a União (ANA) e Estados/DF (MG-


IGAM), estando o uso sujeito a cobrança.

Deve haver compatibilização entre outorga e Licença Ambiental, PIS a captação,


derivação ou acumulação de água e lançamentos de efluentes, em geral, causam
impactos ambientais.

Procedimento:
1ª teoria, fundamentada na Res. 237/97, art. 10, §1º do CONAMA.

Outorga Licença Ambiental.

*2ª teoria, específica para lançamentos de efluentes, possui fundamento lógico, já


que, os estudos necessários a obtenção da Licença Ambiental são mais amplos que
o para obtenção da outorga.

Licença Ambiental  Outorga

*3ª teoria, fundamentada na Res. 65/06 do CNRH.


Legislação Ambiental cecon

Outorga preventiva/declaração de disponibilidade hídricaLPLIOutorga de


usoLO.

* correspondem os procedimentos mais aceitos pelos órgãos executores.

Pós-licenciamento:

Depois de conferida a Licença Ambiental é necessário que as atividades licenciadas


Legislação Ambiental cecon

sejam monitoradas a fim de se acompanhar o perfeito atendimento as condicionantes


e possíveis reações do ambiente á atividades praticadas que não tenham
eventualmente sido previstas pelo EIA/Rima.

Há o automonitoramento realizado pelo próprio empreendedor, que deve manter


relatórios atualizados e, quando fiscalizado, deverá demonstrar a precisão de suas
informações.

Os dados levantados através do automonitoramento podem conduzir a uma


modificação do projeto, contribuir para confecção de novas normas ambientais,
melhor previsão dos impactos ambientais de projeto ou programas semelhantes.

Recursos Hídricos

 Diagnostico hídrico mundial e brasileiro

• Distribuição de água mundial


66,7% do planeta Terra é coberto por água;

97,5% desta mesma água são salobras;


2,5% restantes são doces;

68,9% de água doce estão depositadas em calotas polares;


29,9% da água doce está depositada no subsolo;
0,3% da água doce está depositada em rios e lagos;
0,9% da água doce estão dispostas no solo e em forma de vapor;

• Água potável do planeta


1,2 bilhões de pessoas não dispõem de água potável;
1,8 bilhões não têm acesso a saneamento básico;
5 milhões morrem em razão de doenças relacionadas a precariedade do saneamento
básico.

• Utilização da água potável mundial


70% da água potável do planeta é utilizada na irrigação necessária para produção de
grãos.
Para a produção de grãos existe um dispêndio enorme de água potável na proporção
de 1000 para 1.

• Poluição dos recursos hídricos no Brasil


A ausência de saneamento básico e a agropecuária irregular são responsáveis por
cerca de 80% da poluição hídrica nacional.

Dos 15 milhões de m3 de esgoto produzidos diariamente no Brasil, apenas 5 milhões


recebem algum tipo de saneamento.
Como se não bastasse, a agropecuária descontrolada devasta em nosso país, por
meio de queimadas, 1 campo de futebol a cada 4 minutos.

• Escassez hídrica

78% da água potável de nosso país encontram-se na região amazônica onde a


densidade demográfica é muito pequena, existindo regiões onde há a falta deste
recurso.
Legislação Ambiental cecon

Em países onde já se sofre com a escassez hídrica a solução é importar água de


forma indireta, em forma de grãos.

 Domínio hídrico – Lei 9433/97

A CF/88 diz que a água é de domínio da União/Estados, porém o domínio não deve
ser interpretado como algo relativo a propriedade, mas sim, a guarda, a proteção e a
gestão, afim de, garantir a toda população este recurso.

Toda água é bem público, ainda que esteja localizada dentro de terrenos privados.

Para que o proprietário utilize a água localizada na sua área deverá obter outorga e
ainda poderá ser obrigado a pagar pelo uso do bem, exceto quando o suo for
insignificante.

• A água de chuva é também bem público, mas não sujeito a outorga ou cobrança
pelo seu uso, não podendo contudo, o proprietário da área impedir sua passagem
ou mesmo desviá-la.
• Água subterrânea está sob o domínio público exclusivo dos Estados membros da
federação, sem exceção.

A divisão dominical está estipulada nos artigos 20 e 26 da CF/88, que divide


respectivamente aqueles bens hídricos que pertence a cada ente federado.

Art. 20. São bens da União:


I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos;
II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções
militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei;
III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais
de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele
provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais;
IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas
oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas
áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II;(Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 46, de 2005)
V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva;
VI - o mar territorial;
VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos;
VIII - os potenciais de energia hidráulica;
IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo;
X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos;
XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.

Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:


I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, neste
caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União;
II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas sob
domínio da União, Municípios ou terceiros;
III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União.

 Gestão dos recursos hídricos


Objetivo: Assegurar o controle qualitativo e quantitativo da água os instrumentos para
se alcançar o objetivo são:
I – Outorga;
II – Cobrança;
Legislação Ambiental cecon

III – Enquadramento dos recursos hídricos;


IV – Plano de recursos hídricos;
V – Sistema de Informação.

I – Outorga:

Outorga é o ato administrativo que autoriza o uso da água em determinado local,


volume, período e vazão.

O CNHR (Conselho Nacional de Recursos Hídricos) é quem irá expedir critérios


gerais para concessão de outorgas.

O órgão executivo federal (ANA – Agência Nacional das Águas) ou regional (IGAM –
Instituto Mineiro de Gestão das Águas) irá avaliar a viabilidade do empreendimento.

A viabilidade é auferida através de:


EIA;
Quantidade e qualidade de água alocável.

O pedido de outorga e todos os atos para obtenção desta devem ser amplamente
divulgados com publicações em jornais de grande circulação e no diário oficial (art. 8º
da Lei 9984/00).

O prazo máximo renovável da outorga é de 35 (trinta e cinco) anos.

O prazo da outorga concedida às concessionárias e autorizatárias deve coincidir com


o tempo de vigência da concessão ou autorização.

A competência para expedir outorgas reparte-se entre União/Estados sendo o órgão


federal competente a ANA (Agencia Nacional das Águas) e estadual mineiro o IGAM
(Instituto de Gestão das Águas Mineiras).

O Procedimento inicia-se com o preenchimento do formulário integrado de


caracterização do empreendimento (FICEI), sendo conjugado tal formulário com
outro especifico para utilização de águas superficiais e/ou subterrâneas, conforme
especificações.

FFO
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CEEII

1. IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDEDOR

Razão social ou nome: ________________________________________________________________________

Nome Fantasia: _____________________________________________________________________________

CNPJ/CPF: __________________________________ Inscrição estadual: ______________________________


o
Endereço (Rua, Av. Rod. Etc.): _____________________________________________________N /km: ______

Complemento: ________________________________ Bairro/localidade: _______________________________

Município: ____________________ UF: _____ CEP: ____________________ Telefone: ( ) ______ - ________

Fax: ( )______ - __________ Caixa Postal: ____________ E-mail:______________________________ ____


Legislação Ambiental cecon

2. IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDIMENTO

Razão social ou nome: ________________________________________________________________________

CNPJ/CPF: _________________________________ Inscrição Estadual: _______________________________

Nome fantasia/apelido: _______________________________________________________________________


o
Endereço (Rua, Av. Rodovia, etc.): ________________________________________________ N /km: _______

Complemento: _____________________________ Bairro/localidade: __________________________________

Município: ______________________ UF: _____ CEP: __________________ Telefone: ( ) ______ - ________

Fax: ( )______ - _______ Caixa Postal: __________ E-mail: ______________________________________

Micro Empresa: [ ] SIM [ ] NÃO

3. ENDEREÇO PARA ENVIO DE CORRESPONDÊNCIA: [ ] REPETIR CAMPO 1 [ ] REPETIR


CAMPO 2
(informar endereço em área urbana, pois os correios não entregam correspondência em área rural)

Destinatário: ____________________________________________________ / __________________________


(nome da pessoa que vai receber a correspondência)
(vínculo com a empresa)
o
Endereço (Rua, Av., etc.): ___________________________________________________ N /km: ______/_____

Complemento: _______________________ Bairro/localidade: ______________________________________


Município: ____________________ UF: _____ CEP: ____________________ Telefone: ( ) ______ - ________
Fax: ( ) ______ - _________Caixa Postal: ________E-mail: _________________________________________

4. USO DE RECURSO HÍDRICO


4.1 – O empreendimento faz uso ou intervenção em recurso hídrico? [ ]NÃO (passe ao campo
5) [ ]SIM
4.2 – Utilização do Recurso Hídrico é/será exclusiva de Concessionária Local? [ ]NÃO [ ]SIM (passe
ao campo 5)

4.3 – Existe Processo de Outorga já solicitado junto ao IGAM (Em análise)


Nº Protocolo do IGAM: Nº Protocolo/ Ano _________ / ______; _________ / ______; _________ / ______

4.4 – Uso não Outorgado (ainda não possui Outorga):


Código do uso: ____ quantidade: ____; código do uso: _____ quantidade: ____; código do uso: ____
quantidade: ____.
Código do uso: ____ quantidade: ____; código do uso: _____ quantidade: ____; código do uso: ____
quantidade: ____.

4.5 – Uso Insignificante? [ ]SIM [ ]NÃO (Uso Insignificante é definido pela UPGRH em que o
empreendimento está localizado).
(Informe-se no site do SIAM através DN CERH 09/2004):
Código do uso: ____ quantidade: ____; código do uso: _____ quantidade: ____; código do uso: ____
quantidade: ____.

4.6 – Utilização do Recurso Hídrico é ou será Coletiva? [ ]NÃO [ ]SIM (Informar : DAC/IGAM
_____/_____)
(A Declaração de Área de Conflito DAC/IGAM, deverá ser solicitada ao IGAM ou através dos NARC’s)
Código do uso: ____ quantidade: ____; código do uso: _____ quantidade: ____; código do uso: ____
quantidade: ____.

4.7 – Possui Outorga? (Portaria de outorga publicada)


o o o
N da Portaria/ano: ________ / _____; N da Portaria/ano: ________ / _____; N da Portaria/ano:
________ / _____.

4.8 – Trata-se de Revalidação/Renovação de Outorga?


o o o
N da Portaria/ano: ________ / _____; N da Portaria/ano: ________ / _____; N da Portaria/ano:
________ / _____.

4.9 – Trata-se de Retificação de portaria de Outorga?


o o o
N da Portaria/ano: _______ / _____; N da Portaria/ano: ________ / _____; N da Portaria/ano:
________ / _____.
Legislação Ambiental cecon

5. Localização do empreendimento
5.1 – A área do empreendimento abrange outros municípios? [ ] NÃO [ ] SIM (Se sim, informar): __________
5.2 – A área do empreendimento abrange outros estados? [ ] NÃO [ ] SIM (Se sim, informar): ____________
5.3 – O empreendimento está localizado dentro de unidade de conservação (UC) de uso sustentável ou de
proteção integral, criada ou implantada, ou em outra área de interesse ambiental legalmente protegida?
[ ] NÃO [ ] SIM, nome: __________________________________________________
5.4 – O empreendimento está localizado em sua zona de amortecimento (ou entorno, no raio de 10 km ao redor
da UC), de alguma UC, exceto APA ou RPPN?
[ ] NÃO [ ] SIM, nome: ___________________________________________

6. AUTORIZAÇÃO PARA EXPLORAÇÃO FLORESTAL (APEF) E/OU INTERVENÇÃO EM ÁREA DE


PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) E/OU DECLARAÇÃO DE COLHEITA E COMERCIALIZAÇÀO (DCC)
6.1 – Caso já tenha processo de exploração florestal ou de intervenção em APP ou pedido de Declaração de
Colheita e Comercialização - DCC (protocolados) referente a esse empreendimento informar o (s) número (s):
____________/______; ____________/______; ____________/______; ____________/______;
____________/______.

6.2 – Caso já tenha Autorização para Exploração Florestal – APEF ou Declaração de Colheita e Comercialização
– DCC liberada para esse empreendimento informar o (s) número (s):
____________/______; ____________/______; ____________/______; ____________/______;
____________/______.
6.3 – O Empreendimento está localizado em área rural? [ ] SIM (preencha abaixo) [ ] NÃO (passe para o
campo 7)
6.3.1 – A propriedade possui regularização de reserva legal (Termo de Compromisso/IEF ou Averbação)? [ ]
SIM [ ] NÃO

6.4 – Haverá necessidade de nova supressão / intervenção neste empreendimento, além dos itens relacionados
nas perguntas 6.1 e 6.2? [ ] SIM (responda as perguntas abaixo) [ ] NÃO (passe ao campo 7)
6.5 – Ocorrerá supressão de vegetação? [ ] NÃO (passe ao item 6.7) [ ] SIM (preencha os campos
abaixo):
[ ] nativa (passe para o item 6.7) [ ] plantada, (responda as perguntas abaixo)
6.6 – É vinculada, legal ou contratualmente, a empresas consumidoras de produtos florestais? [ ] NÃO [ ]
SIM
6.7 – Ocorrerá supressão/intervenção em Área de Preservação Permanente (APP)? [ ] NÃO [ ] SIM

7. DADOS DA (S) ATIVIDADES (S) DO EMPREENDIMENTO


Descreva sucintamente a atividade fim do empreendimento – atual e futura:
___________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________________

8. Declaro sob as penas da lei que as informações prestadas são verdadeiras e que estou ciente de que a
falsidade na prestação destas informações constitui crime, na forma do artigo 299, do código penal (pena de
reclusão de 1 a 5 anos e multa), c/c artigo 3º da lei de crimes ambientais, c/c artigo 19, §3º, item 5, do decreto
39424/98, c/c artigo 19 da resolução CONAMA 237/97.

___/___/___ ____________________________________________ / ________________________ /


___________________
Data Nome legível do responsável pelo preenchimento do FCEI Assinatura
Vinculo com a empresa

NÃO SERÃO ACEITOS FORMULÁRIOS COM INSUFICIÊNCIA OU INCORREÇÃO DE DADOS.


PARA RETIFICAR OU COMPLEMENTAR INFORMAÇÕES JÁ PRESTADAS, PREENCHER NOVO FCEI.
* Formulário para uso de águas sob o domínio do Estado de Minas Gerais.

Após o preenchimento do formulário e também do formulário especifico, e atendida


às condições impostas, deverá ser requerida a outorga, por meio do seguinte
formulário:

Requerimento de outorga de direito de uso das águas *


o
Para uso do IGAM N Processo

(Cidade, Data)
Ilma. Senhora
Legislação Ambiental cecon

Dra. Cleide Izabel Pedrosa de Melo


DD. Diretora Geral Instituto Mineiro de Gestão das Águas / IGAM
Rua Espírito Santo, 495 – Centro
Belo Horizonte - Minas Gerais
CEP: 30160-030
Fone:(31) 3219-5783 Fax:(31) 3219-5826
E-mail: dg@igam.mg.gov.br
E-mail: outorgaprocesso@igam.mg.gov.br
Site: www.igam.mg.gov.br

Senhora Diretora,
o
(Nome do requerente), CPF (ou CNPJ) N (CPF - pessoa física ou CNPJ - pessoa jurídica), vem
pelo presente requerer desse Instituto (Tabela 1 - Modalidade de outorga), para a execução de
(Tabela 2 - Uso dos recursos hídricos), no ponto de coordenadas geográficas (Latitude e
Longitude), no (Nome do curso d’água - somente para água superficial), na(o) (Fazenda, sítio,
distrito etc), município de (Nome do município).

O requerimento em questão destina-se a (Tabela 3 - Finalidade do uso), fundamentadas nas


informações do relatório técnico anexo, executado pela (Nome da empresa – quando for o caso),
o
sob a responsabilidade de (Nome e N CREA do responsável técnico).

Declara, ainda, conhecer a legislação federal e estadual vigente sobre recursos hídricos e meio
ambiente, cujo descumprimento ensejará, além da perda do direito de uso eventualmente
deferido, a aplicação das penalidades previstas na mesma legislação, em especial a Lei nº
13.199, de 29 de janeiro de 1999, e sua regulamentação constante no Decreto nº 41.578, de 8 de
março de 2001, bem como acarretará a aplicação das sanções previstas na Lei de Crimes
Ambientais(Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998).

Nestes termos, pede deferimento.

Assinatura do requerente ou representante legal


Endereço completo para correspondência
Fone / Fax / E-mail

Completar os termos em negrito.


* Formulário para uso das águas sob o domínio do estado de Minas Gerais

A Lei 9433/97 traça quais usos necessitam de outorga e também suas exceções,
vejamos:

Outorga Dispensada a Outorga


Derivação ou captação de parcela de Uso de recursos hídricos para satisfação
água existente em um corpo hídrico, pa- de necessidades de pequenos núcleos
ra consumo final, inclusive abastecimen- populacionais distribuídos no meio rural
to público ou insumo de processo produ- (ex. Assudes);
tivo; Derivações, captações e lançamentos de
Extração de água subterrânea para efluentes considerados insignificantes,
consumo final de processo produtivo; tanto do ponto de vista de volume quanto
Lançamento de efluentes líquidos ou de carga poluente;
gasosos, tratados ou não; Acumulações de volumes d´água consi-
Uso para fins de aproveitamento de deradas insignificantes (Ex. piscina e
potenciais de potenciais hidrelétricos; pequenos lagos).
Qualquer uso que seja potencialmente
degradante.

O Comitê de Bacias (CB) propõe ao CNRH/CERH o volume que considera


Legislação Ambiental cecon

insignificante de acordo com a capacidade de cada Bacia.

É considerada insignificante, via de regra, a vazão de captação máxima instantânea


inferior a 1L/s.

Em Minas Gerais o CERH estabelece por meio da Deliberação Normativa 09/04 os


critérios de uso insignificante.

Deliberação Normativa CERH-MG n.º 09, de 16 de junho de 2004


(publicada no “Minas Gerais” em 28 de junho de 2004)
Define os usos insignificantes para as circunscrições hidrográficas no Estado de Minas Gerais.
O Conselho Estadual de Recursos Hídricos – CERH-MG, no uso de suas atribuições legais, e tendo
em vista o disposto no inciso VI, art. 41 da Lei nº 13.199, de 29 de janeiro de 1999, bem como no § 1º,
do art. 19, da Lei nº 13.771, de 11 de dezembro de 2000, e Considerando a necessidade de se definir,
para as Unidades de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos – UPGRH ou circunscrições
hidrográficas do Estado de Minas Gerais, as acumulações, derivações e as captações consideradas
insignificantes como parte essencial para aplicação dos critérios gerais de outorga, até que os comitês
de bacia hidrográfica assim o façam, DELIBERA:

Art. 1º As captações e derivações de águas superficiais menores ou iguais a 1 litro/segundo serão


consideradas como usos insignificantes para as Unidades de Planejamento e Gestão ou
Circunscrições Hidrográficas do Estado de Minas Gerais.
§ 1º Para as UPGRH – SF6, SF7, SF8, SF9, SF10, JQ1, JQ2, JQ3, PA1, MU1, Rio Jucuruçu e Rio
Itanhém, serão consideradas como usos insignificantes a vazão máxima de 0,5 litro/segundo para as
captações e derivações de águas superficiais.
3
Art 2º As acumulações superficiais com volume máximo de 5.000 m serão consideradas como usos
insignificantes para as Unidades de Planejamento e Gestão ou Circunscrições Hidrográficas do
Estado de Minas Gerais.
§ 1º Para as UPGRH – SF6, SF7, SF8, SF9, SF10, JQ1, JQ2, JQ3, PA1, MU1, Rio Jucuruçu e Rio
Itanhém, o volume máximo a ser considerado como uso insignificante para as acumulações
3
superficiais será de 3.000 m .
Art. 3º As captações subterrâneas, tais como, poços manuais, surgências e cisternas, com volume
3
menor ou igual a 10 m /dia, serão consideradas como usos insignificantes para todas as Unidades de
Planejamento e Gestão ou Circunscrições Hidrográficas do Estado de Minas Gerais.
§ 1º Estão excluídos do critério do caput a captação através de poços tubulares, dos quais serão
exigidos o instrumento da outorga.
Art. 4º As vazões insignificantes definidas nesta Deliberação não são aplicáveis nos casos definidos
na Deliberação Normativa CERH nº 07, de 04 de novembro de 2002.
Art. 5º As definições de usos insignificantes quando determinadas pelos comitês de bacia hidrográfica,
de acordo com os artigos 36 e 37 do Decreto n.º 41.578, de 08 de março de 2001, suspendem a
definição dada nos artigos anteriores, valendo os valores definidos pelos comitês, em suas respectivas
áreas de atuação.
Art. 6º O Instituto Mineiro de Gestão das Águas –IGAM deverá efetuar novos estudos para eventuais
revisões que se fizerem necessárias aos valores fixados nesta Deliberação, bem como para o
cumprimento do disposto nos artigos 36 e 37 do Decreto n.º 41.758/2001.
§1º A proposta do IGAM deverá ser apresentada ao comitê de bacia hidrográfica da respectiva
Unidade de Planejamento e Gestão ou Circunscrição Hidrográfica para análise, aprovação e
encaminhamento ao CERH.
Art. 7º Esta Deliberação Normativa entra em vigor na data de sua publicação.
Belo Horizonte, 16 de junho de 2004
José Carlos Carvalho
Secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
Presidente do Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CERH
A inexigibilidade de outorga não impede de outorga não impede o poder público de
exercer o poder de polícia para inspecionar e exigir o cadastro dos usuários.

Quando o uso for insignificante, ou seja, dispensada a outorga, é conferido ao


usuário um Certificado de Regularidade.

O registro estadual pode ser feito por intermédio de formulários simplificados na


internet (www.igam.mg.gov.br), ou nos Postos do IGAM, IEF e nos Balcões do
Legislação Ambiental cecon

SISEMA (Sistema Estadual do Meio Ambiente).

São dois os passos para se obter o Certificado de Regularidade, sendo eles:

1º. É necessário que o empreendimento seja caracterizado, seja como de uso


insignificante ou não, sendo feito através do preenchimento do formulário integrado
de caracterização do empreendimento (FICEI) conforme colacionado acima;

2º Caracterizado o uso como insignificante, deve o empreendedor requer o


Certificado de Regularidade de formulário semelhante ao seguinte:

Requerimento de certidão de registro de uso insignificante *


o
Para uso do IGAM N Processo
(Cidade, Data)
Ilma. Senhora
Dra. Cleide Izabel Pedrosa de Melo
EE. Diretora Geral Instituto Mineiro de Gestão das Águas / IGAM
Rua Espírito Santo, 495 – Centro
Belo Horizonte - Minas Gerais
CEP: 30160-030
Fone:(31) 3219-5783 Fax:(31) 3219-5826
E-mail: dg@igam.mg.gov.br
E-mail: outorgaprocesso@igam.mg.gov.br
Site: www.igam.mg.gov.br

Senhora Diretora,
o
(Nome do requerente), CPF (ou CNPJ) N (CPF - pessoa física ou CNPJ - pessoa jurídica), vem
pelo presente requerer desse Instituto a certidão de registro de uso insignificante, conforme
o
estabelecido pela DN n CERH 09/2004.

[ ] Declaro possuir o título de propriedade do imóvel em que será realizada a captação.

[ ] Declaro possuir carta de anuência do proprietário do imóvel.

Declara, ainda, conhecer a legislação federal e estadual vigente sobre recursos hídricos e meio
ambiente, cujo descumprimento ensejará, além da perda do direito de uso eventualmente deferido, a
aplicação das penalidades previstas na mesma legislação, em especial a Lei nº 13.199, de 29 de
janeiro de 1999, e sua regulamentação constante no Decreto nº 41.578, de 8 de março de 2001, bem
como acarretará a aplicação das sanções previstas na Lei de Crimes Ambientais(Lei nº 9.605, de 12
de fevereiro de 1998).

Nestes termos, pede deferimento.

Assinatura do requerente ou representante legal

Logradouro:________________________________ Nº:___ Telefone:( )_______-________


Complemento:_______________Bairro:________________ TeleFax :( )_______-________
Cep:_______-______ Caixa Postal:________________ E-mail :__________________
Cidade:____________________________________ UF:___ __________________________

Completar os termos em negrito.


* Formulário para uso de águas sob o domínio do Estado de Minas Gerais.

• Custo

O custo da outorga é suportado pelo outorgado conforme tabela a seguir (valor para
Legislação Ambiental cecon

avaliação e publicação do processo da outorga em Minas Gerais):

Valor Valor Insignificante


Código Uso Recurso Hídrico Análise/Publicação Certidão de
Outorga Regularidade
Captação em corpos de água (rios, lagoas
01 R$ 645,00 R$ 22,00
naturais,etc.)
Captação em barramento em curso de água, sem
02 R$ 852,00 R$ 22,00
regularização de vazão
Captação em barramento em curso de água, com
03 regularização de vazão (Área máxima inundada R$ 1.474,00 R$ 22,00
menor ou igual 5,00 HA)
Captação em barramento em curso de água, com
04 regularização de vazão (Área máxima inundada R$ 2.511,00 -
maior 5,00 HA)
05 Barramento em curso de água, sem captação R$ 852,00 R$ 22,00
Barramento em curso de água, sem captação
06 R$ 852,00 R$ 22,00
para regularização de vazão
07 Autorização para perfuração de poço tubular R$ 65,40 -
Captação de água subterrânea por meio de poço
08 R$ 645,00 -
tubular já existente
Captação de água subterrânea por meio de poço
09 R$ 645,00 R$ 22,00
manual (cisterna)
Captação de água subterrânea para fins de
10 R$ 7.518,31 -
rebaixamento de nível de água em mineração
11 Captação de água em surgência (nascente) R$ 645,00 R$ 22,00
12 Desvio parcial ou total de curso de água R$ 645,00 -
Dragagem, limpeza ou desassoreamento de curso
13 R$ 645,00 -
de água
Dragagem de curso de água para fins de extração
14 R$ 645,00 -
mineral
15 Canalização e/ou retificação de curso de água R$ 645,00 -
16 Travessia rodo-ferroviária (pontes e bueiros) R$ 645,00 -
17 Estrutura de transposição de nível (Eclusa) R$ 645,00 -
18 Lançamento de efluente em corpo de água - -
Lançamento de efluente na rede concessionária
19 - -
de esgoto local
20 Aproveitamento de potencial hidrelétrico R$ 5.059,05 -
21 Água fornecida pela concessionária de água local - -
Uso de recurso hídrico em corpo de água de
22 - -
domínio da União
Captação de água subterrânea para fins de
23 R$ 4.758,38 -
pesquisa hidrogeológica
Rebaixamento de nível de água subterrânea de
24 R$ 779,07 -
obras civis
Ver próxima tabela
25 Uso Coletivo – Processo único de outorga -
11
Dragagem em cava aluvionar para fins de
26 R$ 779,07 -
extração mineral
30 Retificação R$ 555,64 93,00

Uso Coletivo – Processo único de outorga

Código Qtde. Inicial Qtde. Final Valor Análise


25 3 5 R$ 3.233,53
Legislação Ambiental cecon

25 6 10 R$ 3.709,94
25 11 15 R$ 6.467,08
25 16 20 R$ 6.943,47
25 21 25 R$ 9.700,61
25 26 30 R$ 10.177,00
25 31 35 R$ 12.934,14
25 36 40 R$ 13.410,55
25 41 45 R$ 16.167,67
25 46 50 R$ 16.644,08
25 51 55 R$ 19.401,22
25 56 60 R$ 19.877,61
25 61 65 R$ 22.634,75
25 66 70 R$ 23.111,15
25 71 75 R$ 25.868,28
25 76 80 R$ 26.344,69
25 81 85 R$ 29.101,82
25 86 90 R$ 29.578,22
25 91 95 R$ 32.334,97
25 96 100 R$ 32.851,06

• Modalidades de Outorga

Existem duas modalidades de outorga: a autorização e a concessão. A autorização é


destinada a obras, serviços ou atividades desenvolvidas por pessoa física ou jurídica
de direito privado, quando não se caracterizam pela utilidade pública. O prazo
máximo é de cinco anos. A concessão tem o prazo máximo de 20 anos e é voltada
para pessoas jurídicas, cujas obras, serviços ou atividades sejam de utilidade pública.

• Suspensão da Outorga

A suspensão poderá ser total ou parcial ocorre quando há:

a) Descumprimento, por parte do outorgado, das condicionantes;


b) Não uso por 3 (três) anos consecutivos;
c) Necessidade de água para atender a situação de calamidade;
d) Necessidade de prevenir ou reverter grave degradação ambiental (vazão
ecológica);
e) Necessidade de se garantir a navegabilidade do corpo hídrico;
f) Morte do usuário;
g) Término do prazo da outorga sem pedido de renovação;
h) Falência.

Em nenhum destes casos o usuário será indenizado (Res. 16/01 CNRH).

A outorga poderá ser anulada se houver vício no ato constitutivo.

• Cobrança

É instrumento econômico de gestão que tem como objetivo atribuir a água um valor
econômico, incentivar a racionalização do uso e obter recursos para o financiamento
do programas e intervenções.
Legislação Ambiental cecon

A concessionária (COPASA) cobrará da população tarifa pelo serviço (captação,


tratamento, transporte e distribuição) estando embutido na tarifa o preço do serviço
somado ao valor pago ao Estado pelo uso do recurso.

• Enquadramento

O corpo hídrico é constituído por água tipo: doce, salobra ou salina, sendo estas
classificadas em classes de acordo com o grau de qualidade da água, tendo em vista
o volume das diferentes substâncias nela diluída.

O objetivo é traçar metas para garantir a melhoria na qualidade dos recursos hídricos.

A ANA ou o IGAM (em Minas Gerais) deve propor ao CB o enquadramento, que por
sua vez submete o enquadramento ao CNRH/CERH que irá analisar sua aprovação.

A ANA/IGAM irá apresentar sua proposta com várias alternativas de enquadramento


e melhoria da qualidade ao corpo hídrico.

O CB realizará audiência publica e uma dentre as várias alternativas será levada ao


CNRH/CERH.

A cada biênio os órgãos gestores (ANA/IGAM) encaminhará AP CNRH/CERH os


corpos hídricos que não atingiram as metas, e o CNRH/CERH determinará
providencias.

• Plano de recursos hídricos

Trata-se de um plano emblemático a ser estabelecido em longo prazo.

É confeccionada pelos gestores (ANA/IGAM) deverá ser revisto a cada 4 (quatro)


anos, supervisionado pela CB.

O plano diretor deve conter:

Os corpos d´água avaliados (país, Estado ou Bacia), o diagnóstico, alternativa de


crescimento demográfico, ocupação no solo, produtividade, disponibilidade e
demanda futura, as metas de racionalização, melhoria da qualidade e quantidade, as
medidas e projetos a serem desenvolvidos, prioridade de outorgas, critérios para
cobrança, criação de áreas de uso restrito.

O plano a ser elaborado deve respeitar as outorgas já existentes.

O plano de recursos hídricos deve ser dinâmico podendo ser editado a qualquer
tempo indicando metas e soluções a curto, médio ou longo prazo.
Legislação Ambiental cecon

3. POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O SANEAMENTO AMBIENTAL

3.1. PLANASA

A União passou a atuar na área do saneamento a partir da década de 1960, quando


foram criados o Banco Nacional da Habitação (BNH) e o FGTS. Uma política mais
incisiva só foi implantada na década de 1970, quando foi instituído o Plano Nacional
de Saneamento (Planasa).

O Planasa definiu o modelo institucional que ainda hoje é dominante no setor. Os


Estados constituíram empresas públicas ou sociedades de economia mista
(Companhias Estaduais de Saneamento Básico – CESBs – COPASA), que
passaram a prestar o serviço nos Municípios, mediante a celebração de contratos de
concessão.

Este modelo foi induzido pela União por meio dos critérios para destinação dos
financiamentos do FGTS, que foram alocados exclusivamente às empresas
estaduais. A prestação por empresas estaduais abrangeu aproximadamente 75%
dos Municípios. Os contratos de concessão entre as empresas estaduais e os
Municípios são muito vagos. Não há normas sobre a estrutura tarifária ou sobre as
obrigações da empresa. Na prática, o serviço é prestado como se fosse de
competência estadual, inexistindo qualquer regulação municipal.

A estrutura tarifária é a mesma em todos os Municípios de cada Estado, não se


levando em consideração os custos reais do serviço. Também não há qualquer
definição sobre os bens reversíveis ou fórmula para o cálculo de sua amortização. A
maior parte das atuais concessões foi celebrada pelo período de vigência de trinta
anos e encerram-se nos primeiros anos da atual década, momento em que os
Municípios deverão celebrar novos contratos.

O PLANASA apesar de não ser perfeito, trouxe grande expansão ao saneamento


básico e a distribuição de água:

Cobertura de redes de abastecimento de água e coleta de esgotos no Brasil


Percentual de domicílios urbanos atendidos
1970 1980 1990 2000
Água 60,5% 79,2% 86,3% 89,8%
Esgoto 22,2% 37% 47,9% 56%
Fonte: IBGE – Censos Demográficos

3.2. Evolução e diagnóstico

Desde que as cidades foram aumentando de tamanho e se distanciando dos


mananciais que as abastecem, o homem vem criado formas de canalizar e
transportar a água até sua moradia. Também com o crescimento das cidades adveio
a poluição dos cursos d’água por resíduos industriais e residenciais – e a
necessidade, em nome da melhoria da saúde pública, de se desenvolverem
mecanismos que impedissem a veiculação de doenças através da água dos pontos
de captação, sob pena de se dizimar boa parte da população.

O crescimento urbano e industrial nem sempre vem acompanhado de


desenvolvimento humano: o crescimento das cidades, particularmente dos chamados
países em industrialização, vem acompanhado de desigualdade de acesso a itens
básicos necessários a uma sobrevivência digna, como o acesso a educação,
Legislação Ambiental cecon

alimentação e saúde. Isso ocorre, especialmente, quando não há o devido


planejamento territorial das áreas a serem ocupadas. O acesso da população à
saúde passa, inescapavelmente, pelo binômio abastecimento de água – saneamento
básico.

Isso porque é através de veiculação hídrica que se propagam doenças tais como a
gastroenterite, cólera, a leishmaniose, a malária e a esquistossomose, as moléstias
diarréicas, e ainda, sob certas circunstâncias, hepatite, salmonelose, e outras,
responsáveis pela morbidade e mortalidade de um grande número de pessoas,
principalmente crianças. Isso dá especial relevância e torna prioritárias as políticas
não somente de tratamento, mas de prevenção de doenças, o que passa pelo
planejamento territorial, que tem de incluir um sistema de tratamento e distribuição da
água, tornando mais baratos e efetivos os programas de combate a certas doenças e
à mortalidade infantil.

O saneamento básico é a medida de saúde pública mais eficaz quando se fala em


prevenir doenças e reduzir gastos hospitalares, ou redireciona-los. Também é com o
saneamento básico que se reduz drasticamente a mortalidade infantil e se aumenta a
expectativa de vida de uma comunidade, sendo este um dos fatores componentes do
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de um país.

Sabendo da importância vital do saneamento básico para o desenvolvimento


humano, econômico e financeiro de uma região, e pensando no planejamento
territorial como medida para distribuir racionalmente este serviço à comunidade.

“Durante as últimas décadas, observou-se um incremento nos serviços de


saneamento no Brasil, principalmente efetuado pelo abastecimento de água em
regiões metropolitanas. (...) Vários problemas, contudo, ainda são encontrados no
que tange aos aspectos qualitativos e quantitativos do abastecimento de água. Uma
parcela considerável da população é abastecida com águas eventualmente
contaminadas, utiliza-se de fontes alternativas para o abastecimento de água ou
encontra-se em áreas com regime deficiente de abastecimento. Estes grupos, muitas
vezes apontados genericamente como carentes ou pobres, são socialmente
identificáveis e espacialmente delimitáveis”. (BARCELLOS et al., 1998).

O acesso das pessoas a serviços de saneamento básico, especialmente nos


chamados “países em industrialização”, como o Brasil, ainda é restrito a sua classe
econômica e sua distribuição geográfica. Isso acaba criando “bolsões” de pobreza:
em lugares onde não há saneamento básico, geralmente faltam hospitais, escolas,
postos policiais, ou seja, a população é completamente desassistida. O saneamento
básico é a medida mais elementar de controle de doenças, e deve ser pensado
desde os primórdios da ocupação de um território, pois dessa medida dependerá
grande parte do crescimento da cidade.

De acordo com o Estatuto da Cidade:

Art. 2º A política urbana tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da
cidade e da propriedade urbana, mediante as seguintes diretrizes gerais:
I - garantia do direito a cidades sustentáveis, entendido como o direito à terra urbana, à moradia, ao
saneamento ambiental, à infra-estrutura urbana, ao transporte e aos serviços públicos, ao trabalho e
ao lazer, para as presentes e futuras gerações;
IV - planejamento do desenvolvimento das cidades, da distribuição espacial da população e das
atividades econômicas do Município e do território sob sua área de influência, de modo a evitar e
corrigir as distorções do crescimento urbano e seus efeitos negativos sobre o meio ambiente;
V - oferta de equipamentos urbanos e comunitários, transporte e serviços públicos adequados aos
Legislação Ambiental cecon

interesses e necessidades da população e às características locais (...).”

Ao encontro da visão holística, muito propalada nas políticas e ciências ambientais


atualmente, vem também a política de saneamento básico que deve, na medida do
possível, estar coordenada com as políticas locais relativas a preservação do meio
ambiente e conseqüentemente à saúde humana. Isso pode ser notado, inclusive, em
leis aparentemente independentes da gestão de saneamento básico, como é o caso
da lei n.° 9. 433, de 08 de janeiro de 1997, que tr ata da Política Nacional de
Recursos Hídricos, que em seu art. n. ° 31 diz:

Na implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos, os Poderes Executivos do Distrito


Federal e dos municípios promoverão a integração das políticas locais de saneamento básico, de uso,
ocupação e conservação do solo e de meio ambiente com as políticas federal e estaduais de recursos
hídricos.

Essa integração e coordenação da política de saneamento básico com as demais


políticas locais, de meio ambiente e saúde pública, é necessária, e deve ser
implantada anteriormente a execução das mesmas, já que assim sendo, com o
planejamento prévio e detalhado das obras de saneamento básico a serem
executadas, ampliadas, melhoradas ou simplesmente mantidas, pode-se fazer um
adequado planejamento territorial, colocando-se as obras em locais apropriados,
localização dada principalmente pelo binômio necessidade-possibilidade,
direcionando-se todo um crescimento sustentável com base num planejamento
territorial prévio. Vale dizer que alguns limites para os locais a serem instaladas
obras de saneamento básico são dados por lei, principalmente as de proteção
ambiental, como por exemplo, a resolução do CONAMA n.° 005 de 15 de junho de
1988, que em seu artigo 1° sujeita à licenciamento as obras de saneamento
passiveis de provocar modificações ambientais significativas.

O planejamento territorial, para ser efetivo, deve contemplar, entre outros itens: o
crescimento da região; a prevenção contra a ocupação de áreas que possam trazer
riscos à população que a ocupa (por exemplo: áreas de encostas de morros, áreas
sujeitas a enchentes ou áreas próximas a lixões); a prevenção contra a ocupação de
áreas que possam trazer problemas ao restante da população (por exemplo: áreas
de mananciais e áreas de grande importância ecológica).

Com o planejamento territorial, pode-se designar espaços que venham a receber


áreas industriais, hospitalares, residenciais, de despejos de resíduos, etc.,
diminuindo danos das pessoas ao ambiente e evitando que o meio possa oferecer
riscos à saúde das pessoas. Reduz-se a possibilidade da contaminação de corpos
dágua pela proximidade de lixões e de por despejo de esgoto e lixo – caso
especialmente comum quando há ocupações irregulares. Previnem-se situações de
emergência, e mitigam-se ou excluem-se os danos causados por essas situações.
Economiza-se dinheiro, além de se evitar transtornos, perdas materiais e até de
vidas humanas.

O planejamento territorial passa pela política nacional de habitação, vinculada às


obras de saneamento básico, que por sua vez devem ser complementares aos
programas habitacionais. O problema reside justamente nas ações que visem levar
saneamento básico a conjuntos habitacionais já existentes, que equivale a adequar a
infra-estrutura urbana a um crescimento desregrado, não planejado, locais onde a
população sofre os males da falta de saúde de um modo geral, onde as políticas
públicas muitas vezes não alcançam. O saneamento básico, se devidamente
coordenado com o planejamento territorial, pode levar, conduzir, ao menos parte
Legislação Ambiental cecon

dessa população a lugares mais adequados às comunidades, que terão melhor


acesso à saúde pública, podendo inclusive adequar os movimentos urbanos ao meio
ambiente que deve ser preservado ou conservado da melhor forma possível. Se bem
planejadas e executadas essas ações podem ser de grande valia, tornando-se
verdadeiro instrumento de preservação da qualidade de vida e do meio ambiente.

3.3. Ocupação de áreas de mananciais

A ocupação de áreas de mananciais compromete a água que abastece a população,


não apenas através do descarte de resíduos na água ou em áreas próximas a ela,
mas também pelo desmatamento da mata ciliar, que ocasiona, entre outros
transtornos, o assoreamento do leito do rio e a probabilidade de maior incidência de
enchentes nas suas áreas marginais.

O planejamento territorial que coibisse a ocupação dessas áreas evitaria que


milhares de famílias que hoje ocupam essas áreas lá se instalassem, e impediria que
a qualidade da água que abastece a população fosse comprometida.

A população residente nas áreas de mananciais vive à margem da sociedade, e


coloca o poder público num dilema: prestar assistência a pessoas que se instalam
ilegalmente em áreas protegidas, correndo o risco de atrair para a área um número
ainda maior de pessoas, ou: deixar essa mesma população sem assistência,
relegando-a à marginalidade mesmo em relação aos serviços básicos, e
engrossando as estatísticas de doenças características de países subdesenvolvidos.

3.4. Novos Instrumentos De Gestão

Inúmeros são os dispositivos legais pertinentes à proposta em questão, além de


outras que se considera igualmente de extrema relevância.

Pode-se destacar, no âmbito federal, a seguinte legislação: a Constituição da


República Federativa do Brasil, art.22, inciso IV; o Decreto n.º 24.643, de 10 de julho
de 1934 (Código de Águas, revogados muitos de seus dispositivos); o Código Civil
brasileiro, art.99, I; a Lei federal n.º 9.433, de 08 de janeiro de 1997, (Lei das Águas),
que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema Nacional de
Gerenciamento de Recursos Hídricos, além de legislações Estaduais e Municipais.

A par disso, vários são os atos normativos regulamentadores, por exemplo, a


Portaria do Ministério do Interior n.º 124, de 20/08/1980, dispõe sobre a localização
de indústrias potencialmente poluidoras e construções ou estruturas que armazenam
substâncias capazes de causar poluição hídrica; as Portarias de n.º 323, de
29.11.1978 e de n.º 158, de 03.11.1980, proíbem o lançamento direto ou indireto do
vinhoto em qualquer coleção hídrica; e a de n.º 157, de 26.10.1982, proíbe o
lançamento das substâncias que especifica e de efluentes finais de indústrias.

As Resoluções do CONAMA que estabelecem critérios e padrões de qualidade


ambiental e de normas relativas ao uso e manejo de recursos ambientais, dentre
elas: a Resolução CONAMA n.º 001, de 23.01.1986 e n.º 237, de 19.12.1997,
relativas à avaliação de impacto ambiental e licenciamento ambiental,
respectivamente, além da Resolução n.º 20, de 18.06.1986, que dispõe sobre a
classificação das águas doces, salobras e salinas do Território Nacional.

 Legislação fundamental
Legislação Ambiental cecon

Especificamente vale destacar como de maior importância para a proposta em


questão, os dispositivos legais comentados a seguir:

A água é um dos elementos do meio ambiente. Isso faz com que se aplique à água o
enunciado do caput do art.225 da Constituição Federal: “Todos têm direito ao meio
ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo...”

Os problemas de poluição das águas ultrapassam as fronteiras municipais, estaduais


e muitas vezes nacionais, atingindo locais distantes da fonte poluidora, o que torna
inoperante a tentativa de diminuí-los sem a participação de todos os envolvidos,
acrescentando aí a sociedade civil.

Nos termos do art.99, I do Código Civil, as águas dos mares e dos rios são bens
públicos de uso comum do povo e pelo disposto no art.103 do mesmo código a
utilização pode ser gratuita ou restribuída, ou seja, poderá ser cobrada.

Independentemente de responsabilidade por danos institui ainda a Lei 9.433/97


advertência, multa administrativa e embargo como penalidades por infrações das
normas de utilização dos recursos hídricos elencados no art.49, entre outras
inovações, destacando-se a figura do usuário-pagador, a qual está sendo objeto de
estudo legislativo para colocá-la em prática efetivamente.

3.5. Abastecimento de águas

Os sistemas de abastecimento de água para fins de consumo humano são


constituídos de instalações e equipamentos destinados a fornecer água potável a
uma comunidade. Os indicadores físicos, químicos e biológicos da água potável, isto
é, aquela com qualidade adequada ao consumo humano, devem estar de acordo
com o que estabelece o dispositivo legal em vigor no Brasil. Este dispositivo é a
Portaria n.º 36, de 19.1.1990, do Ministério da Saúde, que aprova normas e o Padrão
de Potabilidade da água destinada ao consumo humano.

A portaria define o Padrão de Potabilidade como sendo o “conjunto de valores


máximos permissíveis das características de qualidade da água destinada ao
consumo humano”. Nela são listadas as características físicas, organolépticas e
químicas e seus valores máximos permissíveis (VMP) e as características de
qualidade bacteriológicas e radioativas.

3.5. Novos paradigmas de gestão

A gestão dos recursos hídricos deve ser feita de forma sistemática, buscando
quantidade e qualidade. Deve levar em conta as diferenças físicas, bióticas,
demográficas, econômicas, sociais e culturais das diversas regiões, que também
observará as diferenças entre as várias bacias hidrográficas que são as unidades
territoriais básicas (Lei n.º 9.433/97, art.2.º, VI), e não somente as regiões e os
Estados.

Assim, ao se propor a elaboração de um Plano Diretor de Saneamento Básico, tem-


se que, os recursos hídricos não podem ser geridos de forma isolada em relação ao
meio ambiente. O planejamento ambiental concernente à fauna, as florestas, o uso
do solo e o zoneamento ambiental das bacias hidrográficas são algumas das
matérias legais específicas que, da mesma forma, devem ser observadas na gestão
Legislação Ambiental cecon

das águas.

Neste sentido, as soluções recomendadas deverão ser compatíveis com os objetivos,


ações e programas voltados para a proteção e recuperação dos recursos hídricos
preconizados pela legislação vigente em conjunto com os planos (ou estudos, ou
diretrizes) dos respectivos Comitês de Bacias Hidrográficas.
Legislação Ambiental cecon

4. UNIDADES DE CONSERVAÇÃO, CARACTERÍSTICAS, CLASSIFICAÇÃO E


LEGISLAÇÃO

 Espaço Territorial Especialmente Protegido (ETEP).


A CF/88 prevê como uma das obrigações do poder público em criar em todas as
unidades da federação ETEP.

De acordo com o principio da legalidade para se criar um ETEP é necessária Lei e


em atenção ao principio da paridade dos atos é necessária Lei para alterar ou
extinguir o ETEP.

O ETEP é o gênero que inclui a AP, sobre o qual incidirá proteção jurídica integral ou
parcial.

 Áreas Protegidas (AP) é uma espécie de ETEP, sendo a AP constituída por


Unidades de Conservação, terras indígenas e territórios quilombolas.

 Unidades de Conservação (UC) é uma é uma espécie da AP criada pela Lei


9985/00 que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).

As UCs são todos aqueles espaços assim destinados na referida legislação,


existindo, entretanto exceções quanto algumas UCs estaduais e municipais.

 Zona de Amortização Ambiental foi criado pelo SNUC compreende o espaço ao


entorno de uma UC. Nesses locais a atividade humana está sujeita a normas e
restrições especificas, com o fim de evitar impacto negativo a UC. Sua instituição é
obrigatória.

 Corredor ecológico também criado pelo SNUC são porções de ecossistema


naturais ou semi-naturais, ligando UCs, que possibilitam entre eles o fluxo de genes
e o movimento de biota, facilitando a dispersão de espécies e a recolonizão de área
degredada, bem como a manutenção de populações que demandam para sua
sobrevivência áreas com extensão maior do que aquelas das Unidades Individuais.
Sua instituição não é obrigatória.

Corredor ecológico criado


pelo governo Australiano
com 2.800 km, por
sugestão de pesquisa-
dores e ambientalistas de
Queensland para recupe-
ração de áreas degrada-
das ou ocupadas indevida-
mente com atividades
predatórias ao Meio Am-
biente.

 Área de transição é o espaço de 10 (dez) km de raio além do espaço destinado a


UC. Assim independentemente do espaço destinado a zona de amortização,
qualquer atividade que possa afetar a biota ficará subordinada às normas editadas
pelo CONAMA.
Legislação Ambiental cecon

A Res. 13/90 do CONAMA determina que nestes locais é obrigatório o licenciamento


ambiental.

4.1. Unidades de Conservação - UC

A Lei 9985/00 (SNUC) elencou 12 categorias de manejo distintas, divididas em dois


grupos: Unidade de proteção integral, que não permite utilização direta dos recursos
naturais, e unidades de uso sustentável, que permite a utilização, de forma racional e
dentro dos limites previstos, dos recursos ambientais.

4.1.1. Estação ecológica:

Tem como objetivo a preservação da natureza e a realização de pesquisas


científicas, sendo a área de posse e domínio público.

A pesquisa científica necessita de prévia autorização, podendo ser utilizada no


máximo 3% da área protegida (limitada em 1500 hectares) quando o impacto
ambiental for maior que o causado pela simples observação ou coleta controlada de
componentes do ecossistema.

A finalidade da Estação ecológica é manter intacto o ecossistema, sendo vedada a


visitação, exceto para fins educacionais, impossibilitando assim qualquer tipo de
utilização, razão pela qual a área destinada deve ser de domínio público, devendo a
população que porventura viva em tais locais serem retiradas via desapropriação.

Ex. Água limpa, extensão de 7666 hectares, localizada no município de


Cataguase/MG.

4.1.2. Reserva biológica:

Possui os mesmos objetivos e finalidades da estação ecológica, contudo não admite


qualquer tipo de impacto ambiental.

Ex. Lapinha, extensão de 368,7 hectares, localizada no município de Leopoldina/MG.

4.1.3. Parque nacional/estadual:

A política de criação de Parques nacionais é a mais antiga do Brasil, sendo o Parque


Nacional de Itatiaia (RJ/SP) criado em 1937.
Legislação Ambiental cecon

A unidade tem como finalidade a preservação de ecossistemas naturais de grande


relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas
científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental,
a recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico.

Os Parques Nacionais devem ser abertos a visitação ainda que em parte da unidade
seja esta vedada, apesar de existirem parque fechados a visitação (sic).

Os Parques nacionais são de domínio público, devendo ser instituídos previamente e


sua área desapropriada.

Ex: Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, localizado na região metropolitana de


Belo Horizonte, com extensão de 3.941,09 hectares e aberto a visitação; Parque
Estadual da Baleia, com extensão de 102 hectares e fechado a visitações.

4.1.4. Monumento natural:

Tem como finalidade preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza
cênica, como por exemplo, uma montanha específica ou uma cachoeira específica.
Assim apenas o monumento receberia proteção especial, não o restante da área.

Poderá ser constituído em áreas particulares desde que seja possível compatibilizar
os objetivos da unidade de conservação com a utilização da terra e dos recursos
naturais pelo proprietário.

Ex.: Monumento natural Peter Lund (protege e conservar o sítio histórico-científico


Gruta de Maquiné, sua flora e sua fauna), com extensão de 72 hectares, localizado
em Cordisburgo/MG.

4.1.5. Refugio da vida silvestre:

Correspondem as áreas em que a proteção e o manejo são necessários para


assegurar a existência ou reprodução de determinadas espécies residentes ou
migratórias, ou comunidades da flora e da fauna.

Seria o caso de uma paia específica, onde ocorra a desova de tartarugas, ou local
em que ocorra o pouso de aves migratórias.

Assim como áreas de monumento natural o refugio da vida silvestre incide sobre
áreas muito pequenas, sendo compatível com o domínio privado, assim o proprietário
da área poderá escolher ter seu domínio restringido ou desapropriado.

O objetivo da criação da área de refúgio é garantir a existência do ciclo da vida ou


mesmo a existência de determinado biota.

Ex.: Rio Pandeiros, com extensão de 6.103 hectares, localizado no município de


Januária/MG.

4.1.6. Área de proteção ambiental - APA:

Trata-se de uma área em geral extensa, com certo grau de ocupação humana,
dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos e/ou culturais especialmente
importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas e tem
Legislação Ambiental cecon

como objetivo básico proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de


ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais.

Nessas áreas que podem ser de particulares, o Estado pode estabelecer limitações
ou mesmo proibições.

A fiscalização será realizada pelo IBAMA/IGAM/IEF.

Apesar de se tratar de uma espécie de UC está não possui zona de amortecimento,


pois não se trata de uma reserva intocada, sendo permitida a presença e atividades
humanas limitadas.

Ex.: Serra do Cipó, 100.000 hectares.

4.1.7. Área de relevante interesse ecológico - ARIE:

Semelhante a APA, podendo ser estabelecidas em terras públicas ou privadas.

A diferença reside no fato de que a ARIE é estabelecida em terras pequenas e com


pouca ou nenhuma ocupação humana.

4.1.8. Reserva de fauna:

É uma área natural com populações animais e espécies nativas, terrestres ou


aquáticas, residentes ou migratórias, adequadas para estudos técnico-científicos
sobre o manejo econômico sustentável de recursos faunísticos.

Trata-se da espécie de UC mais recente e ainda não posta em prática em virtude da


deficiência legislativa.

Tem como objetivo servir como laboratório para o desenvolvimento de técnicas


sustentáveis de exploração de recursos da fauna.

São de domínio e posse pública, sendo necessária a desapropriação, exceto quando


houver população tradicional na área à época de sua instituição, que poderão
permanecer.

4.1.9. Florestas nacionais - FloNa:

É uma área com cobertura florestal de espécies predominantemente nativas ou


mesmo plantada e tem como objetivo básico o uso múltiplo sustentável dos recursos
florestais e a pesquisa científica, com ênfase em métodos para a exploração
sustentável de florestas nativas.

A atividade a ser exercida por meio de concessão. Apesar de se tratar de uma UC as


maiorias das concessões destinam-se a extração de madeira, em profunda
contradição com o objetivo das UCs.

São de domínio e posse pública, sendo necessária a desapropriação, exceto quando


houver população tradicional na área à época de sua instituição, que poderão
permanecer.

Ex.: Floresta Nacional do Capão Bonito, com extensão de 4.344 hectares, localizado
Legislação Ambiental cecon

entre Capão bonito e Buri/SP.

4.1.10. Reservas extrativistas - ResEx:

São áreas utilizadas por populações extrativistas tradicionais, cuja subsistência


baseia-se no extrativismo e, completamente, na agricultura de subsistência e na
criação de animais de pequeno porte, e tem como objetivo básico proteger os meios
de vida e a cultura dessas populações e assegurar o uso sustentável dos recursos
naturais da unidade.

Não há ainda definição daquilo que seria “populações extrativistas tradicionais”,


sendo em todo caso aceito quando a população reúne características tais como: a
prática sustentável de exploração de recursos naturais, que promovam a
conservação da biodiversidade; a dependência, para sua sobrevivência física e
cultural, da natureza, seus ciclos e seus elementos; a importância das atividades de
subsistência e a territorialidade.

A área é de exclusivo domínio público, porém a posse se estabelecerá na forma de


concessão.

A população extrativista tradicional não deverá ser retirada de tais áreas, porém, não
sendo possível a manutenção desta no local, em razão da fragilidade do
ecossistema, estas devem ser reassentadas em local próximo para que não percam
laços culturais e familiares. Somente em último caso é que tais populações poderão
ser retiradas dos locais e indenizadas.

Ex. ResEx Chico Mendes, com extensão de 976.570 hectares, localizada no Estado
do Acre.

4.1.11. Reserva de desenvolvimento sustentável - RDS:

Muito semelhante a ResEx, visando a extração de recursos naturais de forma


sustentável e a proteção a história e cultura das populações que habitam a gerações
os locais.

A área é de domínio público havendo possibilidade de ser privada quando os donos


de tais áreas forem às próprias famílias que delas se utilizaram. Contudo, a qualquer
tempo poderá o Estado desapropriá-la, caso a propriedade privada venha a causar
impacto negativo ao meio ambiente.

Ex.: Reserva de desenvolvimento sustentável de Amaná, extensão de 2.350.000


hectares, localizado no Estado do Amazonas.

4.1.12. Reserva particular do patrimônio natural - RPPN:

É uma área privada, gravada com perpetuidade, com objetivo de conservar a


diversidade biológica, sendo permitida apenas a pesquisa científica e a visitação com
objetivos turísticos, recreativos e educacionais.

Sua criação parte da iniciativa exclusiva do particular, por meio de requerimento


endereçado ao órgão ambiental competente, não havendo qualquer indenização pelo
Poder Público.
Legislação Ambiental cecon

Se existirem requisitos que justifiquem sua criação esta se dará por meio de Lei,
passando o Estado a exercer fiscalização em toda a área.

Ao proprietário se dará isenção de ITR, podendo este conseguir recursos, por meio
de parcerias com organizações ambientalistas, para desenvolvimento de projetos
científicos, a faculdade de comercializar cotas de reserva florestal (compensação
legal).

Ex.: RPPN Recanto da Prata, extensão de 307,53 hectares, localizada no município


de Bonito/MS.

4.2. Órgão executor Estadual

O Instituto Estadual de Florestas (IEF) propõe e executa as políticas florestais, de


pesca e de aqüicultura sustentável. É autarquia vinculada à Secretaria de Estado de
Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, responsável pela preservação e a
conservação da vegetação, pelo desenvolvimento sustentável dos recursos naturais
renováveis; pela pesquisa em biomassas e biodiversidade; pelo inventário florestal e
o mapeamento da cobertura vegetal do Estado. Administra as unidades de
conservação estaduais, áreas de proteção ambiental destinadas à conservação e
preservação.

4.3. Outras áreas de conservação:

Como visto anteriormente, as UC são aquelas caracterizadas na Lei do SNUC e


criadas por meio de Lei específica. Contudo, coexistem também áreas de
preservação ambiental (APP e Reserva Legal) instituídas por Lei (Código Florestal)
que independe de outro ato legislativo para individualizar, sendo também por sua vez
ETEP.

O Código Florestal, Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965 define dois tipos de áreas
de conservação sendo a primeira as áreas de preservação permanente e a segunda
as áreas de reserva legal.

4.3.1. Áreas de preservação permanente - APP:

O objetivo das APP é a preservação dos recursos hídricos; a paisagem; a


estabilidade geológica; a biodiversidade; o fluxo gênico de fauna, flora e do solo;
assegurar o bem estar das populações humanas.

Desta forma a vegetação não pode sofrer corte raso ou ser utilizado diretamente
recursos naturais. O acesso de pessoas e animais é permitido apenas para obtenção
de água, desde que isso não signifique a supressão ou comprometa a regeneração e
manutenção a longo prazo da vegetação nativa. É permitido também o ecoturismo.

O art. 2º do Cod. Florestal considera como área de preservação permanente as


florestas e demais formas de vegetação natural situadas:
a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d´água desde o seu nível mais alto em
faixa marginal cuja largura mínima seja:
1) de 30 (trinta) metros para os cursos d´água de menos de 10 (dez) metros de
largura;
2) de 50 (cinqüenta) metros para os cursos d´água que tenham de 10 (dez) a 50
(cinqüenta) metros de largura;
Legislação Ambiental cecon

3) de 100 (cem) metros para os cursos d´água tenham de 50 (cinqüenta) a 200


(duzentos) metros de largura;
4) de 200 (duzentos) metros para os cursos d´água que tenham de 200 (duzentos) a
500 (quinhentos) metros de largura;
5) de 500 (quinhentos) metros para os cursos d´água que tenham largura superior a
600 (seiscentos) metros;
*b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d´água naturais ou artificiais (30m
para os que estejam situados em áreas urbanas consolidadas em 100m para os que
estejam em áreas rurais, com exceção dos corpos d´água com até 20ha de
superfície, cuja faixa marginal será de 50m);
c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d´água", qualquer
que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinqüenta) metros de
largura;
d) no topo de morros, montes, montanhas e serras;
e) nas encostas ou partes destas com declividade superior a 45º, equivalente a 100%
na linha de maior declive;
*f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues (a
restinga, em faixa mínima de 300m, e em qualquer localização ou extensão dos
manguezais e das dunas ou estabilizadora de mangues);
g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em
faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais;
h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a
vegetação.

Desta forma a área limitada nos critérios acima seria intocável.

* Entretanto, as alíneas “b” e “f” não eram precisas, sendo editadas respectivamente
as Resoluções 302 e 303 ambas do ano de 2002 do CONAMA para delimitá-las.

O Código Florestal, em seu art. 2º, parágrafo único assim dispõe:

Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros
urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o
território abrangido, obervar-se-á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo,
respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo.

Diante deste artigo, tem-se que caso a APP esteja localizada dentro de regiões
metropolitanas a lei municipal poderá alterar relativizar as áreas.

Alguns doutrinadores acreditam que pode o município instituir faixas inferiores as


contidas no Cod. Florestal, já que a norma falar de “limites”; outros entendem que se
tratando de lei geral, os limites só podem ser ampliados; e uma terceira corrente que
entende que por se tratar de área urbana, cabe exclusivamente ao município legislar.

Filio-me a primeira corrente, isto pois a Lei traça limites que não podem ser
extravasados, além do que não se poderia exigir em área menor (metrópole) maior
rigor que em áreas maiores (rurais).

Há ainda possibilidade de ser instituído pelo Poder Público APPs, em se tratando de


florestas e demais formas de vegetação natural destinadas:
a) a atenuar a erosão das terras;
b) a fixar as dunas;
c) a formar as faixas de proteção ao longo das rodovias e ferrovias;
d) a auxiliar a defesa do território nacional, a critério das autoridades militares;
Legislação Ambiental cecon

e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico;


f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçadas de extinção;
*g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas;
h) a assegurar condições de bem estar público.

Porém, estas modalidades de APPs necessitam de legislação que trate a respeito.


* Verificado que a população indígena é extremamente dependente dos recursos
naturais, sejam eles pequena agricultura ou mesmo extração destes, a MP 2166-
67/2001 determinou que: “a exploração dos recursos florestais em terras indígenas
somente poderá ser realizado pelas comunidades indígenas em regime de manejo
florestal sustentável, para atender a suas necessidades (...)”

4.3.2. Áreas de reserva legal:

A área de reserva legal, de propriedade publica ou privada, não pode sofrer corte
raso e tem como finalidade a manutenção de parte representativa de todos os
ecossistemas existentes no país.

Percebe-se assim que é permitida a utilização econômica da área desde que de


forma sustentável de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos.

Importante, desde já ressaltar que, as florestas e outras formas de vegetação nativa,


ressalvadas as APPs, são passiveis de supressão, desde que se mantenha, a titulo
de reserva legal, os seguintes percentuais, insuscetíveis de sofrer corte raso:

a) 80% na propriedade situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal;


b) 35% em área de cerrado situado na Amazônia Legal;
c) 20% nas demais regiões do país, seja qual for o ecossistema;
d) 20% em áreas de campos gerais localizados em qualquer região, inclusive na
Amazônia.

Desta forma temos que, reserva legal é a área localizada no interior de uma
propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação e reabilitação de fauna e
floras nativas.

A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual
competente. Será observada a maior conectividade entre áreas protegidas evitando-
se ilhar cercadas por degradações.

Aprovada, a área de reserva legal deverá ser averbada à margem da inscrição da


matricula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada sua alteração
a qualquer título.

Não há compensação entre APP e a reserva legal, exceto quando as somas das
duas áreas excedem:
a) 80% na propriedade situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal;
b) 50% da propriedade rural localizada nas demais regiões do país;
c) 25% da pequena propriedade rural.

 Cotas de reserva florestal – CRF – trata-se de um título representativo de


vegetação nativa sob o regime de servidão florestal, RPPN ou reserva legal,
instituída voluntariamente por proprietário rural sobre vegetação que excede, em sua
propriedade, aos percentuais exigidos pelo Cod. Florestal.
Legislação Ambiental cecon

Nesse caso, é obrigatório que o arrendamento ou o titulo digam respeito a áreas


localizadas na mesma microbacia e pertencentes ao mesmo ecossistema daqueles
onde está a propriedade desprovida de reserva legal. Constitui essa hipótese de
compensação um valioso instrumento econômico colocado a disposição de
proprietários rurais que queiram auferir ganhos com a conservação de áreas
vegetadas em percentual superior ao que é legalmente obrigatório a titulo de reserva
legal. Ou seja, a previsão de emissão de Cotas de reserva florestal, que podem ser4
negociadas com proprietários que necessitam compensar a falta de reserva legal,
torna economicamente interessante ao proprietário rural a preservação da vegetação
nativa localizada em sua propriedade, eis que os títulos dela decorrentes podem
gerar ganhos financeiros interessantes, que não demandam, a principio,
investimentos.
Legislação Ambiental cecon

5- ICMS ECOLÓGICO, LEI DE CRIMES AMBIENTAIS E TERMO DE AJUSTA-


MENTO DE CONDUTA – TAC.

5.1. ICMS ecológico

Ocorrendo a instituição legal de qualquer ETEP sobre a região onde esta for criada,
assim como em seus arredores, ocorrerá a limitação de atividade econômica.

Diante disto, os Municípios que têm como principais arrecadações provenientes do


IPTU, ITR e ISS viam-se prejudicados.

Com fim compensatório, os Municípios exigiam parcela da arrecadação Estadual ou


do DF para compensar as perdas financeiras decorrentes da Instituição dos ETEP
em seus territórios.

O clamor Municipal possui guarida Constitucional, a saber, inciso IV, do art. 158,
parágrafo único, II, onde revela que, 25% do produto da arrecadação do ICMS serão
destinados aos Municípios, sendo que dos 25%, 5% será distribuído conforme
critérios a serem estabelecidos por Lei Estadual.

Em dezembro de 2000, foi promulgada, em Minas Gerais, a Lei Estadual 13.803, que
veio regulamentar o dispositivo Constitucional supracitado, determinando em seu art.
1º, VIII que, 2,5% do total do ICMS arrecadado pelo Estado serão distribuídos aos
municípios cujos sistemas de tratamento ou disposição final de lixo ou de esgoto
sanitário, com operação licenciada pelo órgão ambiental estadual, atendam, no
mínimo, a, respectivamente, 70% (setenta por cento) e 50% (cinqüenta por cento) da
população, sendo que o valor máximo a ser atribuído a cada município não excederá
o seu investimento, estimado com base na população atendida e no custo médio "per
capita" dos sistemas de aterro sanitário, usina de compostagem de lixo e estação de
tratamento de esgotos sanitários, fixado pelo Conselho Estadual de Política
Ambiental – COPAM.

O restante, 2,5% dos recursos será distribuído com base no Índice de Conservação
do Município, calculado de acordo com o Anexo IV desta lei, considerando-se as
Unidades de Conservação – UC – estaduais, federais e particulares, bem como as
Unidades municipais que venham a ser cadastradas, observados os parâmetros e os
procedimentos definidos pelo órgão ambiental estadual – COPAM.

5.2. Lei de crimes ambientais


Antes de adentrar as leis de crimes ambientais é necessário que se apresente alguns
conceitos:

 Crime: é uma ação ou omissão típica, antijurídica e culpável.

 Tipo penal: é a expressão de um modelo descritivo de conduta, elencado em


termos genéricos e abstratos, de modo a incidir quando o caso concreto,
representado pela conduta, guarde encaixe ao comando da lei.

 Atualmente existe na Lei de crimes ambientais 3 tipos de penas:

a) Privativa de liberdade (aplicado exclusivamente a pessoa natural):


I – Reclusão: inicia-se em regime fechado, com progressão ao regime semi-aberto e
sucessivamente aberto;
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II – Detenção: inicia-se em regime semi-aberto e sucessivamente aberto.

b1) Restritivas de direito a pessoa natural:


I – Prestação de serviços a comunidade (atribuição ao condenado de tarefas
gratuitas junto a parques e jardins públicos e unidades de conservação, e, no caso
de dano da coisa particular, pública ou tombada, na restauração desta, se possível);
II – Interdição temporária de direito (proibição de o condenado contratar com o Poder
Público, de receber incentivos fiscais ou quaisquer outros benefícios, bem como de
participar de licitações, pelo prazo de cinco anos, no caso de crimes dolosos, e de
três anos, no de crimes culposos);
III – Suspensão parcial ou temporária de atividades (será aplicada quando estas não
estiverem obedecendo às prescrições legais);
IV – Prestação pecuniária (consiste no pagamento em dinheiro à vítima ou à entidade
pública ou privada com fim social, de importância, fixada pelo juiz, não inferior a um
salário mínimo nem superior a trezentos e sessenta salários mínimos. O valor pago
será deduzido do montante de eventual reparação civil a que for condenado o
infrator);
V – recolhimento domiciliar (baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade
do condenado, que deverá, sem vigilância, trabalhar, freqüentar curso ou exercer
atividade autorizada, permanecendo recolhido nos dias e horários de folga em
residência ou em qualquer local destinado a sua moradia habitual, conforme
estabelecido na sentença condenatória).

b2) Restritivas de direito a pessoa jurídica:


I - suspensão parcial ou total de atividades (será aplicada quando estas não
estiverem obedecendo às disposições legais ou regulamentares, relativas à proteção
do meio ambiente);
II - interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade (será aplicada
quando o estabelecimento, obra ou atividade estiver funcionando sem a devida
autorização, ou em desacordo com a concedida, ou com violação de disposição legal
ou regulamentar);
III - proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios,
subvenções ou doações (não poderá exceder o prazo de dez anos).
IV - prestação de serviços a comunidade (custeio de programas e de projetos
ambientais; execução de obras de recuperação de áreas degradadas; manutenção
de espaços públicos; contribuições a entidades ambientais ou culturais públicas).

c) Multa:
Os valores serão revertidos para o fundo penitenciário

5.3. Lei nº 9605/98

O capitulo V e as seções I a III traçam os tipos penais relativos a condutas


criminosas contrárias ao meio ambiente natural, vejamos:

CAPÍTULO V multa.
DOS CRIMES CONTRA O MEIO AMBIENTE § 1º Incorre nas mesmas penas:
Seção I I - quem impede a procriação da fauna, sem
Dos Crimes contra a Fauna licença, autorização ou em desacordo com a
Art. 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar obtida;
espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota II - quem modifica, danifica ou destrói ninho,
migratória, sem a devida permissão, licença ou abrigo ou criadouro natural;
autorização da autoridade competente, ou em III - quem vende, expõe à venda, exporta ou
desacordo com a obtida: adquire, guarda, tem em cativeiro ou depósito,
Pena - detenção de seis meses a um ano, e utiliza ou transporta ovos, larvas ou espécimes da
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fauna silvestre, nativa ou em rota migratória, bem III - quem fundeia embarcações ou lança detritos
como produtos e objetos dela oriundos, de qualquer natureza sobre bancos de moluscos
provenientes de criadouros não autorizados ou ou corais, devidamente demarcados em carta
sem a devida permissão, licença ou autorização náutica.
da autoridade competente. Art. 34. Pescar em período no qual a pesca seja
§ 2º No caso de guarda doméstica de espécie proibida ou em lugares interditados por órgão
silvestre não considerada ameaçada de extinção, competente:
pode o juiz, considerando as circunstâncias, Pena - detenção de um ano a três anos ou multa,
deixar de aplicar a pena. ou ambas as penas cumulativamente.
§ 3° São espécimes da fauna silvestre todos
aqueles pertencentes às espécies nativas, Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas
migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou quem:
terrestres, que tenham todo ou parte de seu ciclo I - pesca espécies que devam ser preservadas ou
de vida ocorrendo dentro dos limites do território espécimes com tamanhos inferiores aos
brasileiro, ou águas jurisdicionais brasileiras. permitidos;
§ 4º A pena é aumentada de metade, se o crime II - pesca quantidades superiores às permitidas,
é praticado: ou mediante a utilização de aparelhos, petrechos,
I - contra espécie rara ou considerada ameaçada técnicas e métodos não permitidos;
de extinção, ainda que somente no local da III - transporta, comercializa, beneficia ou
infração; industrializa espécimes provenientes da coleta,
II - em período proibido à caça; apanha e pesca proibidas.
III - durante a noite; Art. 35. Pescar mediante a utilização de:
IV - com abuso de licença; I - explosivos ou substâncias que, em contato
V - em unidade de conservação; com a água, produzam efeito semelhante;
VI - com emprego de métodos ou instrumentos II - substâncias tóxicas, ou outro meio proibido
capazes de provocar destruição em massa. pela autoridade competente:
§ 5º A pena é aumentada até o triplo, se o crime Pena - reclusão de um ano a cinco anos.
decorre do exercício de caça profissional. Art. 36. Para os efeitos desta Lei, considera-se
§ 6º As disposições deste artigo não se aplicam pesca todo ato tendente a retirar, extrair, coletar,
aos atos de pesca. apanhar, apreender ou capturar espécimes dos
Art. 30. Exportar para o exterior peles e couros grupos dos peixes, crustáceos, moluscos e
de anfíbios e répteis em bruto, sem a autorização vegetais hidróbios, suscetíveis ou não de
da autoridade ambiental competente: aproveitamento econômico, ressalvadas as
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. espécies ameaçadas de extinção, constantes nas
Art. 31. Introduzir espécime animal no País, sem listas oficiais da fauna e da flora.
parecer técnico oficial favorável e licença Art. 37. Não é crime o abate de animal, quando
expedida por autoridade competente: realizado:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e I - em estado de necessidade, para saciar a fome
multa. do agente ou de sua família;
Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir II - para proteger lavouras, pomares e rebanhos
ou mutilar animais silvestres, domésticos ou da ação predatória ou destruidora de animais,
domesticados, nativos ou exóticos: desde que legal e expressamente autorizado pela
Pena - detenção, de três meses a um ano, e autoridade competente;
multa. III – (VETADO)
§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza IV - por ser nocivo o animal, desde que assim
experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, caracterizado pelo órgão competente.
ainda que para fins didáticos ou científicos, Seção II
quando existirem recursos alternativos. Dos Crimes contra a Flora
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um Art. 38. Destruir ou danificar floresta considerada
terço, se ocorre morte do animal. de preservação permanente, mesmo que em
Art. 33. Provocar, pela emissão de efluentes ou formação, ou utilizá-la com infringência das
carreamento de materiais, o perecimento de normas de proteção:
espécimes da fauna aquática existentes em rios, Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou
lagos, açudes, lagoas, baías ou águas ambas as penas cumulativamente.
jurisdicionais brasileiras: Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena
Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou será reduzida à metade.
ambas cumulativamente. Art. 38-A. Destruir ou danificar vegetação
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas: primária ou secundária, em estágio avançado ou
I - quem causa degradação em viveiros, açudes médio de regeneração, do Bioma Mata Atlântica,
ou estações de aqüicultura de domínio público; ou utilizá-la com infringência das normas de
II - quem explora campos naturais de proteção:
invertebrados aquáticos e algas, sem licença, Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, ou
permissão ou autorização da autoridade multa, ou ambas as penas cumulativamente.
competente; Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena
Legislação Ambiental cecon

será reduzida à metade. ou industriais, madeira, lenha, carvão e outros


Art. 39. Cortar árvores em floresta considerada produtos de origem vegetal, sem exigir a exibição
de preservação permanente, sem permissão da de licença do vendedor, outorgada pela
autoridade competente: autoridade competente, e sem munir-se da via
Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou que deverá acompanhar o produto até final
ambas as penas cumulativamente. beneficiamento:
Art. 40. Causar dano direto ou indireto às Pena - detenção, de seis meses a um ano, e
Unidades de Conservação e às áreas de que multa.
trata o art. 27 do Decreto nº 99.274, de 6 de Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas
junho de 1990, independentemente de sua quem vende, expõe à venda, tem em depósito,
localização: transporta ou guarda madeira, lenha, carvão e
Pena - reclusão, de um a cinco anos. outros produtos de origem vegetal, sem licença
§ 1o Entende-se por Unidades de Conservação válida para todo o tempo da viagem ou do
de Proteção Integral as Estações Ecológicas, as armazenamento, outorgada pela autoridade
Reservas Biológicas, os Parques Nacionais, os competente.
Monumentos Naturais e os Refúgios de Vida Art. 47. (VETADO)
Silvestre. Art. 48. Impedir ou dificultar a regeneração
§ 2o A ocorrência de dano afetando espécies natural de florestas e demais formas de
ameaçadas de extinção no interior das Unidades vegetação:
de Conservação de Proteção Integral será Pena - detenção, de seis meses a um ano, e
considerada circunstância agravante para a multa.
fixação da pena. Art. 49. Destruir, danificar, lesar ou maltratar, por
§ 3º Se o crime for culposo, a pena será reduzida qualquer modo ou meio, plantas de
à metade. ornamentação de logradouros públicos ou em
Art. 40-A. (VETADO propriedade privada alheia:
§ 1o Entende-se por Unidades de Conservação Pena - detenção, de três meses a um ano, ou
de Uso Sustentável as Áreas de Proteção multa, ou ambas as penas cumulativamente.
Ambiental, as Áreas de Relevante Interesse Parágrafo único. No crime culposo, a pena é de
Ecológico, as Florestas Nacionais, as Reservas um a seis meses, ou multa.
Extrativistas, as Reservas de Fauna, as Art. 50. Destruir ou danificar florestas nativas ou
Reservas de Desenvolvimento Sustentável e as plantadas ou vegetação fixadora de dunas,
Reservas Particulares do Patrimônio Natural. protetora de mangues, objeto de especial
§ 2o A ocorrência de dano afetando espécies preservação:
ameaçadas de extinção no interior das Unidades Pena - detenção, de três meses a um ano, e
de Conservação de Uso Sustentável será multa.
considerada circunstância agravante para a Art. 50-A. Desmatar, explorar economicamente
fixação da pena. ou degradar floresta, plantada ou nativa, em
§ 3o Se o crime for culposo, a pena será terras de domínio público ou devolutas, sem
reduzida à metade. autorização do órgão competente:
Art. 41. Provocar incêndio em mata ou floresta: Pena - reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e
Pena - reclusão, de dois a quatro anos, e multa. multa.
Parágrafo único. Se o crime é culposo, a pena é § 1o Não é crime a conduta praticada quando
de detenção de seis meses a um ano, e multa. necessária à subsistência imediata pessoal do
Art. 42. Fabricar, vender, transportar ou soltar agente ou de sua família.
balões que possam provocar incêndios nas § 2o Se a área explorada for superior a 1.000 ha
florestas e demais formas de vegetação, em (mil hectares), a pena será aumentada de 1 (um)
áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento ano por milhar de hectare.
humano: Art. 51. Comercializar motosserra ou utilizá-la em
Pena - detenção de um a três anos ou multa, ou florestas e nas demais formas de vegetação, sem
ambas as penas cumulativamente. licença ou registro da autoridade competente:
Art. 43. (VETADO) Pena - detenção, de três meses a um ano, e
Art. 44. Extrair de florestas de domínio público ou multa.
consideradas de preservação permanente, sem Art. 52. Penetrar em Unidades de Conservação
prévia autorização, pedra, areia, cal ou qualquer conduzindo substâncias ou instrumentos próprios
espécie de minerais: para caça ou para exploração de produtos ou
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e subprodutos florestais, sem licença da autoridade
multa. competente:
Art. 45. Cortar ou transformar em carvão madeira Pena - detenção, de seis meses a um ano, e
de lei, assim classificada por ato do Poder multa.
Público, para fins industriais, energéticos ou para Art. 53. Nos crimes previstos nesta Seção, a
qualquer outra exploração, econômica ou não, pena é aumentada de um sexto a um terço se:
em desacordo com as determinações legais: I - do fato resulta a diminuição de águas naturais,
Pena - reclusão, de um a dois anos, e multa. a erosão do solo ou a modificação do regime
Art. 46. Receber ou adquirir, para fins comerciais climático;
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II - o crime é cometido: quem deixa de recuperar a área pesquisada ou


a) no período de queda das sementes; explorada, nos termos da autorização, permissão,
b) no período de formação de vegetações; licença, concessão ou determinação do órgão
c) contra espécies raras ou ameaçadas de competente.
extinção, ainda que a ameaça ocorra somente no Art. 56. Produzir, processar, embalar, importar,
local da infração; exportar, comercializar, fornecer, transportar,
d) em época de seca ou inundação; armazenar, guardar, ter em depósito ou usar
e) durante a noite, em domingo ou feriado. produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva
Seção III à saúde humana ou ao meio ambiente, em
Da Poluição e outros Crimes Ambientais desacordo com as exigências estabelecidas em
Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza leis ou nos seus regulamentos:
em níveis tais que resultem ou possam resultar Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
em danos à saúde humana, ou que provoquem a § 1º Nas mesmas penas incorre quem abandona
mortandade de animais ou a destruição os produtos ou substâncias referidos no caput, ou
significativa da flora: os utiliza em desacordo com as normas de
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. segurança.
§ 1º Se o crime é culposo: § 2º Se o produto ou a substância for nuclear ou
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e radioativa, a pena é aumentada de um sexto a
multa. um terço.
§ 2º Se o crime: § 3º Se o crime é culposo:
I - tornar uma área, urbana ou rural, imprópria Pena - detenção, de seis meses a um ano, e
para a ocupação humana; multa.
II - causar poluição atmosférica que provoque a Art. 57. (VETADO)
retirada, ainda que momentânea, dos habitantes Art. 58. Nos crimes dolosos previstos nesta
das áreas afetadas, ou que cause danos diretos Seção, as penas serão aumentadas:
à saúde da população; I - de um sexto a um terço, se resulta dano
III - causar poluição hídrica que torne necessária irreversível à flora ou ao meio ambiente em geral;
a interrupção do abastecimento público de água II - de um terço até a metade, se resulta lesão
de uma comunidade; corporal de natureza grave em outrem;
IV - dificultar ou impedir o uso público das praias; III - até o dobro, se resultar a morte de outrem.
V - ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, Parágrafo único. As penalidades previstas neste
líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou artigo somente serão aplicadas se do fato não
substâncias oleosas, em desacordo com as resultar crime mais grave.
exigências estabelecidas em leis ou Art. 59. (VETADO)
regulamentos: Art. 60. Construir, reformar, ampliar, instalar ou
Pena - reclusão, de um a cinco anos. fazer funcionar, em qualquer parte do território
§ 3º Incorre nas mesmas penas previstas no nacional, estabelecimentos, obras ou serviços
parágrafo anterior quem deixar de adotar, potencialmente poluidores, sem licença ou
quando assim o exigir a autoridade competente, autorização dos órgãos ambientais competentes,
medidas de precaução em caso de risco de dano ou contrariando as normas legais e
ambiental grave ou irreversível. regulamentares pertinentes:
Art. 55. Executar pesquisa, lavra ou extração de Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa,
recursos minerais sem a competente ou ambas as penas cumulativamente.
autorização, permissão, concessão ou licença, Art. 61. Disseminar doença ou praga ou espécies
ou em desacordo com a obtida: que possam causar dano à agricultura, à
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e pecuária, à fauna, à flora ou aos ecossistemas:
multa. Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre

Os atentados ecológicos são, em geral, irreversíveis. A atuação repressiva do Direito


Penal, por meio da punição das condutas definidas como crimes, desestimula a
prática de atos lesivos aos vens ambientais, por foca da maior eficácia dissuatória
que a sanção penal possui.

Antes do advento da Lei 9605/98, os crimes e contravenções ambientais estavam


espalhados por um emaranhado de leis, algumas pouco conhecidas, e grande parte
disposta no Código Florestal.

O tipo penal ambiental possui características que o tornam uma característica à


parte, uma delas é a expressiva ocorrência de normas penais em branco, isto é,
daquelas que dependem de uma complementação normativa prévia para sua
Legislação Ambiental cecon

adequada tipificação.

A Lei em comento dedica grande parte em apresentar tipos penais em prol do meio
ambiente natural, como a fauna e flora, poluição entre outros relativos ao meio
ambiente cultural.

A fauna é o conjunto de animais próprios de uma região. As principais condutas


tipificadas dizem respeito as que atentam contra a fauna silvestre, seja ela aquática
ou terrestre, que vivem fora de cativeiro.

Porém, a lei também protege contra práticas de abuso, maus-tratos, ferimento ou


mutilações os animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos
(art. 32).

A flora é o conjunto de espécies vegetais de uma determinada região, o que inclui


desde organismos mais complexos até fungos e bactérias. A flora compreende a
vegetação encontrada nas matas, nos pântanos, nos rios ou no meio marítimo e
refere-se a microorganismos, plantas, florestas e outros espécimes localizados em
diferentes ecossistemas.

São crimes contra a flora aqueles praticados contra florestas de preservação


permanente (art. 38 e 39); UC (art. 40 e 52); matas, florestas e demais formas de
vegetação (arts. 41, 42, 44 a 46, 48, 50 e 51); e plantas ornamentais de logradouros
públicos ou propriedades particulares (art. 49).

Uma das maiores penas prevista neste diploma legal é a reclusão de cinco anos
contida no art. 40, porém, para fins penais, a conduta tipificada é aquela que atenta
contra às UC deixando de lado outras espécies de ETEP, como as áreas indígenas e
os territórios quilombolas.

Os art. 54 a 61 da Lei 9605/98 tratam da poluição e outros crimes ambientais. Nos


crimes de poluição, o bem jurídico protegido é a qualidade de vida do ser humano, da
flora e da fauna, do solo, do ar e das águas.

 Responsabilidade penal da pessoa natural e jurídica.

Um ato só passa a ser considerado crime quando uma norma jurídica o qualifica
como tal.

A responsabilidade penal, isto é, a obrigação que o autor de um ilícito terá que


suportar em relação ás conseqüências penais de sua conduta, no sistema jurídico
brasileiro, é, de regra, atribuída às pessoas naturais.

Contudo a CF/88 em seu art. 225 determina que assim como a pessoa natural a
pessoa jurídica poderá responder administrativamente, civilmente e criminalmente.
Nesta esteira a Lei de crimes ambientais admite que a pessoa jurídica responderá
criminalmente pelas infrações cometidas por decisão de seu representante legal ou
contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício de sua entidade.
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5.4. Termo de Ajustamento de Conduta - TAC

O chamado "Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta", é um instrumento


destinado a adaptar a conduta dos interessados às exigências legais, mediante
cominações e, que terá eficácia de título executivo extrajudicial.

A figura jurídica do TAC foi introduzida no § 6º, do inciso II, do artigo 5º da chamada
Lei da Ação Civil Pública (Lei Federal nº 7.347, de 24 de julho de 1985).
Esclarecendo-se que a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao
meio ambiente encontra-se expressamente prevista no inciso I, do artigo 1º da Lei
que estabeleceu as normas processuais cabíveis para a ação.

A Ação Civil Pública pode ser proposta pelo Ministério Público, pela União, pelos
Estados e Municípios e também por autarquias, empresas públicas, fundações,
sociedades de economia mista ou associações, que estejam constituídas há mais de
um ano nos termos da lei e que incluam entre as suas finalidades institucionais a
proteção ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre
concorrência, ou ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico.

O termo de compromisso de ajustamento de conduta tem por objetivo a recuperação


do meio ambiente degradado, por meio da fixação de obrigações e condicionantes
técnicas que deverão ser rigorosamente cumpridas por quem se encontra em
desconformidade com a legislação ambiental.

Em razão disto e verificado que o bem ambiental é inalienável, não é dado ao


Ministério Público ou a Defensoria Pública, órgãos estes legitimados para tomar
compromisso de ajustamento de conduta, transigir acerca da reparação ambiental,
sendo esta condicionante para própria existência do TAC.

O TAC tem como destinatário os interessados em estabelecer obrigações para


ajustar sua conduta às exigências legais, podendo ser tomado no curso da ação
judicial ou independente da existência de qualquer ação judicial relativa ao fato,
suspendendo ou não a aplicação das penalidades administrativas.

O termo exige que sejam adotadas precauções e cautelas de cunho formal para a
sua lavratura e conseqüente validade legal. Percebe-se, portanto, que ao celebrar o
TAC, os proprietários cujos imóveis ou atividades não se encontrem em
conformidade com a legislação ambiental, irão dispor de maior lapso de tempo para
regularizar sua situação, implantando as medidas cabíveis para se ajustar ao
comando normativo.
Legislação Ambiental cecon

6- FONTES

A inaplicabilidade do Código Florestal em área urbana


Elaborado em: 03.2006.
Roberta Casali Bahia Damis e Taís de Souza Andrade
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=8762&p=1 / dia 22.11.2008 às 14:19

Arrocho no Agribusiness
Elaborado em: 15.01.2003
Cláudia Magalhães Guerra e Eduardo Diamantino Bonfim e Silva
http://www.conjur.com.br/static/text/7674,1 / dia 29.11.2008 às 13:51

Lei 6938/81, 9605/98, 9985/00


Atualizado até novembro de 2008.
Congresso Nacional Brasileiro
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/_lei-principal.htm

Constituição Federal da República Federativa do Brasil


Atualizado até novembro de 2008.
Congresso Nacional Brasileiro
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm / dia
23.11.2008 às 16:47

Cota de reserva florestal


Elaborado em: 10.2004
Julis Orácio Felipe
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=6121 / dia 22.11.2008 às 15:02

IBAMA
Ministério do Meio Ambiente
http://www.ibama.gov.br/licenciamento/ dia 23.11.2008 às 16:42

IGAM
SEMA
http://www.igam.mg.gov.br/ dia 23:11.2008 às 16:44

IEF
SEMA
http://www.ief.mg.gov.br/ dia 23:11.2008 às 16:44

Direito Ambiental
Ano: 15 março de 2008
Márcia Dieguez Leuzinger e Sandra Cureau
Editora: Elsevier/RJ
Coleção Direito Ponto a Ponto

Direito Ambiental Aplicado à Mineração


Ano: 2005
William Freire
Editora: Mineira/MG
Coleção Direito Ponto a Ponto