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SINTOMATOLOGIA, TRATAMENTO E PREVENÇÃO DAS PATOLOGIAS

EM ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO

Filipe Santana Silva*

José Nilton Morais Santos Junior**

Carlos Henrique Jorge Gantois***

RESUMO

Este artigo tem como objetivo estudar os mecanismos de formação das


principais manifestações patológicas que ocorrem em estrutura de concreto
armado através de pesquisa em livros de autores da área, de outros artigos e
de normas regulamentadoras. Este artigo também irá mostrar as maneiras
mais adequadas de tratamento de cada manifestação patológica e
procedimentos a serem adotados na obra para minimizar sua incidência.

Palavras-chave: Concreto armado. Tratamento de patologias. Prevenção de patologias.

ABSTRACT

This article aims to study the mechanisms of formation of the main


pathological manifestations that occur in the structure of reinforced concrete
through research in books of authors of the area, other articles and
regulatory norms. This article will also show the most appropriate ways of
treating each pathological manifestation and procedures to be adopted in the
work to minimize its incidence.

Keywords: Reinforced Concrete. Treatment of pathologies. Prevention of pathologies.

1 INTRODUÇÃO

Na antiguidade, o homem construía sua habitação com pedra talhada nos mais
variados formatos. Seria uma boa alternativa, entretanto a pedra para a construção é um
recurso que demora milhões de anos para se renovar. Com esse problema, surgiu a

* Graduando em Engenharia Civil pela Unifacs – e-mail: filipesantana_s@hotmail.com


** Graduando em Engenharia Civil pela Unifacs – e-mail: morais355@hotmail.com
*** Docente da Unifacs – Universidade Salvador; mestre em Desenvolvimento Regional, Especialista
em Estudos Estratégicos Nacionais e em Engenharia Econômica. Email:carlos.gantois@unifacs.br
necessidade de existir algo semelhante e aí surgiu o concreto, no final do século XIX, a partir
de misturas dosadas de agregados miúdos, agregados graúdos, aglomerante, água e possíveis
aditivos. Já ao final deste século foi introduzido o aço ao concreto para resistir aos esforços de
tração. Entretanto, verificou-se que o concreto é um material poroso e sujeito a fissuras. No
caso do compósito concreto-aço (concreto armado), ele está sujeito às ações de manifestações
patológicas que podem degradá-lo em maior ou menor grau. Saber o mecanismo de formação
e principalmente formas de prevenção e tratamento torna-se, portanto imprescindível.
Este artigo se justifica na medida em que desde os tempos mais remotos, o homem se
preocupa com a construção de obras que venham atender as suas necessidades, seja uma casa
para morar, edifícios para trabalhar ou obras estruturantes de infraestrutura (RIPPER;
SOUZA, 1998). Por outro lado, a indústria da construção civil no Brasil, teve um crescimento
acentuado a partir do ano de 2006 por conta do Programa de aceleração do crescimento
(PAC), que impulsionou as obras no país, principalmente as de conjuntos habitacionais
oriundos do Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).
Como consequência houve um aumento na demanda de assistência técnica, pois
muitas unidades começavam a apresentar manifestações patológicas nas suas estruturas de
concreto armado dos mais variados tipos que serão explicados aqui neste artigo. Portanto,
tendo em vista que as manifestações patológicas sempre irão ocorrer, faz-se necessário o
estudo da mesma para que se diminua a intensidade de sua incidência e aumente a
durabilidade das estruturas em concreto armado usadas na construção civil.
O objetivo geral deste trabalho consiste em estudar os mecanismos de formação de
patologias em estruturas de concreto armado, buscando formas de impedir ou mitigar a
ocorrência das mesmas e indicar um tratamento adequado, evitando que uma estrutura de
concreto armado tenha sua integridade comprometida, sem análises de custos.
Neste artigo tem-se como objetivos específicos: Entender como se forma uma
manifestação patológica em uma estrutura de concreto armado; indicar a forma de tratamento
mais adequada para cada tipo de manifestação patológica de maneira que não haja
reincidência e propor caminhos preventivos para a eliminação ou minimização das
manifestações patológicas.
A metodologia aplicada na pesquisa foi feita utilizando-se do método da pesquisa
exploratória a fim de fazer uma varredura de questões aprofundadas ao envelhecimento, danos
e causas às estruturas de concreto armado, sejam elas de ações externas ou internas
submetidas a ambientes agressivos e sobrecargas. O método, ainda aqui citado, conta com
pesquisas bibliográficas das mais variadas literaturas de autores e especialistas ligados às
áreas correlatas de patologia de estruturas de concreto armado, fazendo um estudo minucioso
e cuidadoso dos principais tópicos aqui abordados.
Espera se que este artigo possa esclarecer mais acerca das manifestações patológicas,
de modo a contribuir com ações que permitam um aumento significativo da segurança e da
vida útil das estruturas dando a elas longos prazos de validade. Portanto, espera-se que a partir
de um diagnóstico mais preciso se proceda a indicação de tratamentos adequados, tornando,
assim, a estrutura mais confiável e segura, com maior vida útil e também analise os métodos
preventivos.

2 ANÁLISE GERAL DAS PATOLOGIAS

Patologia

O termo “patologia” foi adquirido da medicina e significa o ramo que vai estudar as
doenças contraídas pelo corpo humano. Analogamente, na construção civil, a patologia irá
estudar as “doenças” da edificação, ou seja, as manifestações patológicas que podem degradá-
la (SILVA, 2011). Portanto, a patologia pode ser entendida como a parte da engenharia que
estuda os sintomas, mecanismos, causas e origens dos defeitos das construções (OLIVEIRA,
2013). Conclui-se então que uma fissura não é uma patologia, mas sim um sintoma cujo
mecanismo de formação poderia ser corrosão da armadura, sobrecarga na estrutura, má
execução e assim por diante (SILVA, 2011).

ORIGEM DA FORMAÇÃO DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS

Grande parte dos elementos estruturais tem sua estabilidade comprometida devido a
danos sofridos de forma evolutiva. A deterioração de uma estrutura estar associadas a uma
série fatores que podem ser desde erros estruturais, escolhas de materiais inadequados, erros
de execução e da agressividade do meio ambiente (Bauer, 1994).
Uma lista de pesquisadores tem procurado definir quais atividades tem sido
responsável pela maior quantidade de erros ao longo do tempo em percentuais. Várias são as
causas de ocorrência de manifestações patológicas. As conclusões no quadro 1 abaixo, em
primeiro lugar, não se correspondem, pois foram feitas em continentes diferentes e em
segundo lugar, as causas de problemas patológicos são tantas que fica difícil determinar qual a
que predomina (RIPPER; SOUZA, 1998).
Quadro 1: Causas dos problemas patológicos em concreto armado

Fonte: Ripper (1998)

3 SINTOMATOLOGIA

O concreto armado sofre agressões continuamente que podem ser físicas (variações
térmicas, umidade, ciclos de umedecimento e secagem), químicas (carbonatação, corrosão) ou
biológicas (microrganismos, solos e águas contaminadas). Dentre essas agressões, destacam-
se as químicas e biológicas. Os sintomas delas são geralmente, fissuras, eflorescências,
desagregação, lixiviação e manchas (MEDEIROS, 2010).
Quando o concreto armado está se degradando, ele apresenta sintomas, que se
interpretados corretamente, principalmente nos primeiros dias, pode-se remediar sem maiores
transtornos à edificação. Se uma estrutura fissurar, isso quer dizer que tem alguma
movimentação interna fazendo-a existir, de mesmo modo, se começam a aparecer manchas,
algo está errado e uma vistoria deverá ser realizada o mais breve possível para se descobrir as
causas.

Fissuras

Apesar de indesejáveis, a fissuração é um fenômeno natural no concreto armado desde


que não ultrapasse certos limites (SILVA, 2003). Para isso é necessário haver um controle de
fissuração, pois ele vai garantir as condições de funcionalidade, estética e desempenho do
concreto armado. Conhecer o aumento do grau de fissuras de elementos estruturais é de
notada importância no quesito da sintomatologia, afim de aferir se a mesma se estabilizou,
garantindo a estabilidade da estrutura em serviço. (BAUER, 2003)
A pasta de cimento ou matriz possui componentes que são constituídos de caráter
expansivo, podendo levar o concreto a sua fissuração e acarretando problemas patológicos na
estrutura. Um dos constituintes do cimento que pode provocar um aumento de volume é o
óxido de magnésio, MgO, que também possui um caráter expansivo quando se encontra na
forma de pericálcio. No cimento Portland, a cal é um dos constituintes livre que quando
hidratada possui um caráter expansivo podendo causar fissuras na superfície do concreto e sua
possível deterioração.
Em qualquer construção onde se tem o uso do cimento será inevitável em que uma
peça estrutural fissure, podendo ocorrer durante anos, semanas ou logo após o lançamento da
concretagem. As fissuras estão classificadas de duas maneiras diferentes quanto à
movimentação; as fissuras “vivas” com movimentação e as fissuras “mortas” aquelas sem
movimentos. Apesar do aspecto nada estético e causando certo desconforto para quem a
observa, os elementos fissurados, trazem bastante preocupações decorrentes da corrosão das
armaduras devido a penetração de agentes agressivos externos, no concreto (BAUER, 2003).
Segundo Aïtcin (2000), grande parte das fissuras são oriundas de retração, a qual é
medida do concreto é na verdade o resultado de uma combinação de várias retrações
elementares, como a retração plástica, que é o tipo de retração que ocorre na superfície de um
concreto fresco submetido a secagem; a retração autógena (retração por auto secagem ou
química), que pode ser desenvolvida durante a hidratação do cimento; a retração hidráulica,
caracterizada quando concreto endurecido perde água devido a evaporação da água interna; a
retração térmica, associada a diminuição da temperatura do concreto; por falha de
dimensionamento dos componentes e impactos de cargas não previstas na estrutura para qual
ela não foi projetada.
As aberturas máximas admissíveis, considera a fissuração como nociva quando a
abertura na superfície do concreto é superior a 0,2 mm para peças não protegidas, em
ambientes agressivos ao qual a estrutura estará exposta; a 0,3 mm para peças não protegidas,
em ambientes não agressivo à estrutura; a 0,4 mm para peças protegidas devido à observância,
principalmente pelo correto adensamento e cura (ABNT, 2014).
Caso ocorram fissuras profundas, de modo a alcançar a armadura, essa abertura
permitirá a entrada e agentes agressivos como umidade e gases, facilitando assim a ocorrência
de corrosão (BAUER, 1995).

Porosidade

Quando os silicatos anidros do concreto reagem com a água, sua hidratação ocorre
devido ao fato de vários íons se combinarem para formar produtos hidratados que irão
preencher o local que antes era ocupado pela água. Entretanto em qualquer parte deste
processo alguns espaços não serão preenchidos, dando origem a vazios e poros capilares
(Aïtcin, 2000).
Busca-se sempre diminuir a intensidade da porosidade quando o objetivo é alcançar
uma resistência elevada e a durabilidade, de modo a aumenta a vida util. Quando a relação
água/cimento é reduzida, as partículas de cimento ficam mais próximas e os poros são
diminuídos. Entretanto há um tipo de porosidade que não se consegue eliminar, a que ocorre
pela contração química. Esta contração é responsável pela retração da pasta de cimento
quando a mesma não é adequadamente curada. Parte desta retração é contida pelo esqueleto
dos agregados, no entanto uma malha de microfissuras bem finas se desenvolverá em sua
superfície (AÏTCIN, 2000).

Deterioração do concreto resultante da erosão pela água.

A erosão causada pela água, que geralmente carrega consigo substâncias dissolvidas e
que são consideradas como impurezas tais como: gases, bases, sais, microrganismos, é um
dos fatores que acarretam na deterioração direta do concreto (GENTIL, 2012).
Essa deterioração é causada em longo prazo, pois a água dissolve os compostos à base
de cálcio. Durante esse processo é afastado o hidróxido de cálcio e em seguida outros
constituintes comprometendo assim a resistência mecânica do concreto. Com a resistência
mecânica comprometida, dá-se inicio às fissuras que por sua vez filtra a agua através do
concreto, deixando o calcário depositado na superfície, originado da reação do hidróxido de
cálcio com o dióxido de carbono do ar (GENTIL, 2012).
A água também pode causar a lixiviação. Ela é nociva ao concreto porque ao
transportar esses materiais, ocorrerá uma parda de resistência mecânica e por consequência, se
abrirão caminhos para a entrada de agentes nocivos à armadura e ao próprio concreto (SAN
JOSÉ, 2009).
Deterioração pela ação da carbonatação

A carbonatação é um fenômeno químico que ocorre na superfície do concreto. O


hidróxido de cálcio oriundo da reação de hidratação, presente nos poros do concreto reage
com o dióxido de carbono presente na atmosfera, formando o carbonato de cálcio, insolúvel à
agua e que se deposita nos poros do concreto fechando-os além de diminuir o seu ph.
Inicialmente uma fina camada de concreto irá carbonatar enquanto que seu interior fica
preservado. Estas regiões são chamadas de frentes de carbonatação e é formada por uma
superfície irregular separando a parte carbonatada da parte inalterada (BAUER, 1995). A
profundidade da carbonatação vai depender da porosidade e irá se intensificar com o tempo.
Quanto mais poroso for o concreto, mais susceptível ele será à carbonatação.
Vale salientar que sobre o concreto a carbonatação não oferece perigo e tem até um
efeito favorável, pois o carbonato de cálcio nos poros o torna mais compacto, aumentando sua
resistência e sua impermeabilidade. A superfície carbonatada forma uma barreira natural
protegendo o concreto do ataque de agentes externos. O mesmo não se pode afirmar sobre o
concreto armado, neste, a carbonatação só não será danosa caso a fissura seja superficial,
como ilustra a figura abaixo nos pontos B e E. Se a fissura for de grande abertura ,mesmo que
não atinja a armadura, haverá corrosão, pois a carbonatação penetra pelas paredes laterais com
a mesma profundidade que ocorre na superfície (pontos C e F), entretanto se a fissura for
profunda a ponto de passar da armadura, ela ainda será deteriorada, mas não pela
carbonatação e sim pelo ataque de agentes agressivos externos (Pontos A e D). A figura 1
abaixo ilustra bem o que foi dito.

Figura 1: Influência do tamanho da fissura na carbonatação

Fonte: BAUER (1995)

A umidade do ar tem relação direta com o fenômeno, pois ele não ocorre sem a
presença de água. É verdade que o ar seco favorece as trocas gasosas e a penetração do
dióxido de carbono, porém não encontra água para dissolver o hidróxido de cálcio e provocar
a carbonatação, da mesma forma em um concreto saturado de água, o dióxido de carbono não
consegue penetrar e iniciar a carbonatação. Há, portanto, uma zona de umidade em que a
carbonatação ocorra e está zona é em ambientes onde a umidade do ar pertence ao intervalo
entre 50 % e 70%, conforme ilustra a figura 2 abaixo (BAUER, 1995).
Figura 2: Influência da umidade na carbonatação

Fonte: BAUER (1995)

Degradação por ação de sulfatos


Segundo Bertolini (2010), os íons de sulfatos podem ser transportados pelas águas que
entram nos poros do concreto ou são dissolvidos no solo. Um produto de expansão pode ser
gerado pela reação dos sulfatos com os componentes da matriz do cimentícia, e devido a
dilatação sofrida, pode gerar fissuras e desagregação do concreto, conforme ilustram as
figuras 3 e 4. A presença de íons de sulfatos, principalmente os sulfatos de cálcio e magnésio
irão deteriorar o cobrimento do concreto armado através da formação do trissulfoaluminato de
cálcio ( ), também conhecido como etringita ou ainda sal de
candlot.
A formação da etringita é a mais perigosa, pois pode acarretar em maiores efeitos
expansivo devido à soma dos cristais que vão se formando e a absorção de água pela etringita
fazendo-a dilatar. O ataque ao concreto aumenta à medida que aumenta os teores de sulfatos
e consequentemente o grau de agressividade do ambiente (BERTOLINI, 2010).
Figura 3: Concreto sob ataque de sulfatos Figura 4: Concreto sob ataque de sulfatos

Fonte: instituto militar de engenharia, 2019 Fonte: UFPR, 2019


Deterioração pela ação de cloretos

Um dos fenômenos mais destrutivos é a penetração dos íons de cloretos na estrutura de


concreto armado. Os íons de cloretos ao penetrarem nas soluções intersticiais reagem com o
C3A dando origem a um monocloreto chamado monocloroaluminato
(3CaO.Al2O3.CaCl2.10H2O) que podem mudar a microestrutura do concreto ou de forma mais
grave, atingir a armadura, corroendo-a. A corrosão das armaduras provoca uma cadeia de
microfissuras favorecendo ainda mais a entrada de íons de cloretos fazendo com que ocorra o
desplacamento do recobrimento de concreto, ocasionado pela expansão resultante da ferrugem
como se observa na figura 5. Com o desplacamento do recobrimento do concreto deixa a
superfície da ferragem exposta aos íons de cloretos e o processo se repete. Com a pasta
mantendo fator água/aglomerante baixo os íons de cloretos são forçados a entrar em poros
capilares e consequentemente menos cloroaluminatos são formados. À medida que a
alcalinidade (pH) diminui a penetração aumenta drasticamente. (AÏTCIN, 2000)
O Cloreto de Sódio, NaCl, bastante solúvel, ataca significamente a proteção de
passividade do meio alcalino ou básico do concreto na pasta de cimento, fazendo diminuir a
resistividade do concreto e facilitando meio de corrosão das armaduras pelo processo
eletroquímico.
De acordo com Helene (1993). Apud Medeiros (2008. p.24), os cloretos do ambiente
podem penetrar na estrutura através de mecanismos clássicos de penetração de água
contaminada e difusão de íons, conforme ilustra a figura 6. Desse modo, para que ocorra a
contaminação do concreto armado por cloretos, estes íons precisam ser dissolvidos em água.
Como cristal sólido, o cloreto não oferece risco elevado para as estruturas, pois não penetra
nos poros do concreto que tem dimensões mais reduzidas que a dos cristais usuais. Apesar
disso, no estado sólido, o íon cloreto pode depositar-se por impactação na superfície do
concreto e aí permanecer até que uma chuva o dissolva e o transporte para o interior da
estrutura através de mecanismos como absorção capilar ou difusão.
Figura 5: Concreto sob ataque de cloretos Figura 6: Concreto sob ataque de cloetos

Fonte: axfiber.com.br, 2017 Fonte: sasoluções.com.br, 2016

Corrosão em armaduras de aço do concreto armado

O principal mecanismo de deterioração do concreto armado é a corrosão do aço de sua


armadura. Durante sua execução deve-se prever o cobrimento, e para isso existe a NBR
6118/2014 apresenta valores de acordo com a classe de agressividade ambiental, variando de I
(fraca) à IV (muito forte). A função do cobrimento é proteger a armadura dos ataques de
agentes agressivos que provocam a oxidação, entretanto por muitas vezes esse objetivo não é
alcançado, seja por uma relação água/aglomerante muito elevada ou cura insuficiente ou
mesmo inexistente (AÏTCIN, 2000).
Quando isso ocorre, os poros do concreto ficam cada vez mais evidentes, tornando-se
um caminho para a entrada de gases, como o dióxido de carbono e o oxigênio presente na
atmosfera, que encontram a armadura e dão início à reação de oxidação. Sendo assim, a
oxidação do aço ocorre devido sua despassivação tendo como causa o concreto com o pH
diminuído (AÏTCIN, 2000).
A oxidação do aço é acompanhada do aumento de volume gerado pela formação do
óxido férrico hidratado (Fe2O3.H2O), que por ser um material expansivo, inicialmente gera
microfissuras ou aumenta o número de microfissuras preexistentes no cobrimento devido à
cura inadequada, tal expansão vem acompanhada de dispersão na forma de pó e escama,
reduzindo a seção do aço. A figura 8 abaixo mostra que quando se tem um nível de
degradação do concreto tão elevado, não só a armadura é atacada como as camadas de
concreto mais profundas serão expostas à ação de íons de cloretos (AÏTCIN, 2000).
De acordo com Helene (1996) o mecanismo de formação da corrosão nas armaduras é
sobretudo eletroquímico, tal mecanismo é o mais importante para obras civis e tem potencial
de atingir graus de deterioração bastante significativos. A consequência deste tipo de corrosão
é a formação de pilhas eletroquímicas, onde haverá uma região anódica, que vai ceder
elétrons e consequentemente oxidar e reduzir sua seção, e outra região catódica, que receberá
elétrons e consequentemente vai expandir, conforme ilustra a figura 7.

Figura 7: Esquema da corrosão no aço Figura 8: Armadura corroída

Fonte: HELENE, 1986 Fonte: acweb.com.br, 2019

4 TRATAMENTO

Após a identificação da manifestação patológica, deve-se buscar o tratamento


adequado para cada uma delas, com o objetivo de restaurar a durabilidade da estrutura. Deve-
se ter em vista aspectos importantes como o mecanismo de formação e zona de agressividade,
de modo que o tratamento seja o mais eficaz possível.

Tratamento da corrosão do aço

Para que haja uma correção no concreto já degradado é necessário um corte profundo
da estrutura de concreto, a fim de inibir o processo de desintegração das armaduras. Assim
sendo, sempre que houver um estado de corrosão dos aços ou que ameaçam a ter a corrosão,
deve-se garantir a remoção integral do concreto degradado como também, a inserção de
barras de aço em um meio alcalino. O corte deverá ultrapassar as armaduras em 2 cm de
profundidade ou mesma espessura da armadura, atendendo sempre que possível, as condições
mais desfavoráveis. É de fundamental importância, que o corte seja feito apenas na parte
degradada do concreto, sem ferir o concreto intacto (RIPPER; SOUZA, 1998). Após a
remoção do concreto e exposição da armadura, realiza-se a limpeza da armadura e aplicação
de tinta antiferruginosa, conforme ilustra a figura 9, antes de concretá-la novamente
(SERQUEIRA; DIAS, 2017).

Figura 9: Aplicação de tinta antiferruginosa na armadura

Fonte: Revista téchne, 2013

Existem outras formas de tratar a corrosão como por exemplo realiza o lixamento e o
jateamento com areia, ambos têm por objetivo remover o óxido de ferro. À medida em que o
aço intacto é alcançado, deve-se proceder com a limpeza da poeira com jatos de ar ou escova
para depois realizar a aplicação de uma tinta anticorrosiva na armadura. Após a secagem da
tinta, deve-se aplicar uma resina epóxi tanto nas barras de aço quanto no concreto. Dentro da
cura da resina deve-se aplicar uma argamassa de cimento e areia no traço 1:2 ou 1:3 e aplica-
la energicamente contra a armadura e a cavidade do concreto e realizar a cura de preferência
com um tecido ou similar umedecidos (THOMAZ, 2007).

Tratamento das fissuras

Para iniciar o reparo de uma fissura, tem-se que saber qual o tipo dessa fissura, é
desejável saber se ela é ativa ou passiva, pois o tratamento é diferente para cada caso.
Segundo Ripper (1998), o tratamento das peças fissuras está relacionado com a devida
identificação das causas. O tratamento ainda dependerá da existência ou não de uma rede de
fissuras e do quão superficial ou profunda ela é, pois para as fissuras superficiais o tratamento
é mais simples, não sendo necessário a utilização de resinas epoxídicas.
No caso das fissuras ativas, deve-se criar uma barreira que se oponha ao transporte
nocivo de líquidos e gases para dentro da fissura. Não adianta fechar uma fissura ativa, pois o
local do fechamento ficará mais rígido e a fissura aparecerá em uma região próxima pois a
causa não foi eliminada (RIPPER; SOUZA, 1998).
Portanto, em se tratando de fissuras ativas, deve-se promover a vedação,
cobrindo os bordos externos da mesma e, eventualmente, preenchendo-a com
material elástico e não resistente. Deverá ser sempre uma obstrução macia, que
admita e conviva com a patologia instaurada, impedindo, no entanto, a degradação
do concreto (RIPPER; SOUZA, 1998, p.123).

Já nos reparos das fissuras passivas há a necessidade da restauração da monoliticidade


do concreto, logo deve-se realizar a aplicação de produtos de modo a unir as duas faces do
concreto. Para isso, existem três técnicas, a saber a técnica de injeção de fissuras, a técnica da
selagem de fissuras e a costuras de fissuras, também conhecida como grampeamento
(RIPPER; SOUZA, 1998).
A técnica de injeção de fissuras garante o perfeito enchimento da fenda pelo material
escolhido com o objetivo de estabelecer o monolitilismo das fendas passivas, nos casos em
que são utilizados materiais mais rígidos como epóxi ou grout ou para garantir a vedação de
fendas ativas, nos casos em que se utilizam resinas acrílicas ou poliuretanicas (RIPPER;
SOUZA, 1998).
A selagem é a técnica de vedação dos bordos da fissura pela utilização de materiais
aderentes, com boa resistência mecânica e não retrátil. Ela é utilizada para aberturas
superiores a 10 mm, sendo que até 30 mm, o procedimento a se seguir é encher a fenda com
graut, podendo em alguns casos proceder-se a selagem convencional das bordas com produto
à base de epóxi. Para fissuras superiores a 30 mm, a selagem é encarada como uma vedação
de uma junta de movimento, podendo ser um cordão de poliestireno extrudado ou a colocação
de juntas de neoprene (RIPPER; SOUZA, 1998).
Quando as fissuras ativas se desenvolvem segundo linhas isoladas e por deficiências
localizadas na capacidade resistente utiliza-se a costura de fissuras, que consiste na disposição
de uma armadura adicional para resistir à tração que provocou a fissuração. Essa disposição
tem a aparência de grampos, por este motivo esta técnica é conhecida também como
grampeamento. No entanto, ela é bastante discutível, pois caso o procedimento não seja
cumprido, a rigidez local da peça aumentará consideravelmente e novas fissuras ocorrerão nas
regiões adjacentes (RIPPER; SOUZA, 1998).

Tratamento do concreto armado carbonatado

O tratamento para o concreto armado carbonatado, está baseado no princípio de


repassivação das armaduras, fazendo com que a mesma volte a adquirir um estado de
passividade. Estruturas de concreto armado submetida à corrosão, favorecida pela
carbonatação, deve-se restabelecer condições de alcalinidade ao redor das barras de aço, a fim
de garantir sua proteção mesmo que o concreto esteja úmido. A repassivação das armaduras,
sobre uma estrutura de concreto contaminado por cloretos pode ser obtida substituindo o
concreto contaminado por uma argamassa a base de cimento sem cloretos. Além disso, Tal
tratamento está ligado à profundidade da fissura. Quando a profundidade de carbonatação é
menor que a de recobrimento, não é necessária a remoção do concreto, assim também, como a
profundidade de carbonatação é maior que a de recobrimento, também não necessita da
remoção do concreto, pois a corrosão não fissurou o recobrimento. No caso, em que a
carbonatação atingiu e superou as armaduras, a corrosão já fissurou o cobrimento, logo, é
necessário a remoção do concreto contaminado para o tratamento. (BERTOLINI, 2010).

Tratamento do concreto armado atacado por sulfatos.

Conforme diz Lapa (2008), na literatura existe ainda não há métodos de tratamento
para estruturas de concreto armado quando atacadas por sulfatos, entretanto há algumas
medidas preventivas, que serão relatadas mais adiante, a serem adotadas de maneira a evitar
este problema.

5 PREVENÇÃO

Prevenção contra corrosão das armaduras

Uma medida importante é respeitar o cobrimento de acordo com a zona de


agressividade de acordo com o quadro 2 abaixo. O concreto do cobrimento protegerá a
armadura dos ataques dos agentes agressivos que atingirão a armadura. Este concreto deverá
estar bem adensado de modo a diminuir a porosidade e assim reduzir o caminho para a
deterioração da armadura.
Quadro 2: Classes de agressividade ambiental

Fonte: ABNT (2014)


Além disso, de acordo com Aïtcin (2000), há ainda a possibilidade de revestir a
armadura buscando uma maior proteção. Pode-se usar barras de aço inoxidável, barras
galvanizadas, barras revestidas com epóxi e barras de fibra de vidro.
As armaduras de aço inoxidável, no concreto contaminado com cloretos, apresentam
um bom comportamento, porém é bastante desvantajoso, devido ao seu alto custo. Sua
utilização é recomendada para casos bastante extremos. Já as barras de aço galvanizados
podem resistir à corrosão devido a uma camada fina de zinco. O zinco que reveste a
armadura de aço sofre corrosão no lugar do aço e quando ele é consumido por completo, o
aço perde a sua proteção e fica exposto a uma nova corrosão. Por último, as barras revestidas
com epóxi são perfeitamente isolados de agentes agressivos. Por ser um material polimérico e
possuir alguns mícrons de espessuras, o epóxi, possui bastante resistência a corrosão e tem
servido com bastante sucesso. O problema está se esse material, por alguma razão vier ser
riscado ou lascado, por ser um material polimérico e não aderir bem ao aço pode permitir a
entrada de agentes agressivos e vir a corroer o aço (AÏTCIN, 2000).
As barras de fibras de vidro têm sido empregadas na construção civil recentemente.
Essas barras também são chamadas de barras compósitas e são construídas de um processo
chamado de pultrusão. As fibras de vidros são colocadas umas nas outras com resina de
poliéster. As barras de fibras de vidro estão dispostas uma nas outras de maneira diferente.
Elas apresentam um acabamento brilhante ou com acabamento de areia como a barra
revestida de epóxi (AÏTCIN, 2000).
A vantagem de se utilizar as barras de fibras de vidro é que elas são livres de
corrosão. As fibras de vidro não reagem com o concreto, pois elas são feitas de um vidro
resistente aos álcalis e porque cada fibra esta revestida em resina poliéster. As barras de fibra
de vidro apresentam uma desvantagem por não ter quase aderência nenhuma ao concreto e,
além disso, não são dúcteis. Elas rompem instantaneamente sem apresentar nenhuma
deformação plástica. Outra desvantagem é que as barras de fibras de vidro não podem ser
dobradas exigindo assim fôrmas complicadas (Aïtcin, 2000). Há ainda a opção de empregar o
concreto de alto desempenho para proteger a amadura.
Do ponto de vista dos materiais, o concreto de alto desempenho não é nada
mais do que um concreto com porosidade muito baixa. Essa porosidade muito baixa
é conseguida principalmente pelo uso de muito menos água de mistura do que no
concreto usual, de tal forma que as partículas de cimento e de material cimentício
suplementar estejam muito mais próximas umas das outras do que nos traços do
concreto usual (Aïtcin, 2000, p. 110).
Prevenção contra poros e fissuras

As estruturas de concreto armado sob ações de esforços físicos aos quais ela não foi
projetada podem sofrer com a disgregação, que é quando o concreto superficial se rompe por
forças de tração acima do que foi projetado produzindo fissuras. No entanto o concreto
disgregado ainda é considerado intacto, porém não resiste mais a esforços extras (VITÓRIO,
2003).
Um bom caminho de evitar que as fissuras é realizar da maneira mais adequada o
adensamento e a cura. O adensamento deve começar imediatamente após o lançamento do
concreto. Muito cuidado se deve ter quanto ao tempo de adensamento, pois se o concreto for
vibrado por muito tempo, há o risco de ocorrer exsudação e ocorrer a perda da água de
amassamento, comprometendo assim a resistência, por outro lado se a vibração for
insuficiente, as bolhas de ar não são expulsas e a porosidade aumenta. Há então, um ponto
certo de adensamento que é quando a superfície do concreto fica com aspecto brilhante,
quando se atinge este ponto, muda-se o local de adensamento buscando a uniformidade, além
disso, deve-se buscar a aplicação do vibrador com a agulha preferencialmente na posição
vertical, e não permitir que o vibrador toque as formas e a armadura de modo a evitar a
formação de bolhas de ar na peça (ABNT, 2004).
A cura também é de grande importância, pois ela evita a perda de água pela superfície
exposta, controla a temperatura da reação de hidratação, assegura uma superfície com
resistência adequada e forma uma capa superficial durável (BAUER, 1995). Há várias
maneiras de realizar a cura de elementos estruturais em concreto armado, ela pode ser por
molhagem constante, aspersão, irrigação, alagamento, coberturas com tecidos úmidos e cura
química (PEINADO, 2013).
O que vai determinar a técnica mais adequada para a cura é a análise do processo
construtivo aliado com a velocidade de desforma. Além disso, o custo e a disponibilidade
local indicarão a melhor técnica, sendo a cura com molhagem constante a mais usual
(HELENE, 2019).
De acordo com Vieira (2017, p. 26), a relação água/cimento exerce influência nos
vazios do concreto. Quanto menor for esta relação, menor será a porosidade, a incidência de
fissuras e consequentemente maior será a resistência (apud METHA e MONTEIRO, 2008).
Prevenção contra carbonatação
Se o concreto for bem adensado e curado, tiver dosagem correta, cobrimentos
prescritos pelas normas técnicas a rigor e fôrmas bem feita, a carbonatação não ultrapassa de
5 a 10 mm de profundidade, mesmo após dezenas de anos (BAUER, 1995). Pode-se ainda
adotar o cobrimento mínimo de acordo com a zona de agressividade, sendo que em casos
onde o cobrimento for maior que 6 cm, deve-se utilizar uma armadura de pele complementar.
Outra medida a ser adotada é adotar uma elação água/cimento inferior a 0,6, pois este valor
garante que a profundidade carbonatada não ultrapassa 5 mm, conforme ilustra a figura 10
abaixo (BAUER, 1995):
Figura 10: Influência do fator Água/cimento na profundidade de carbonatação

Fonte: BAUER, 1995

A utilização de concreto de alto desempenho é uma boa alternativa para prevenir a


carbonatação. O concreto de alto desempenho oferece maior proteção contra a carbonatação
devido à sua compacidade de sua microestrutura (AÏTCIN, 2000).
Aïtcin (2000) mostra um experimento realizado por C.Lévy (1992), no qual ele
comparou a profundidade da penetração e a velocidade de carbonatação entre um concreto de
60 Mpa e um de 40 Mpa, onde nenhum dos dois tinham sílica ativa em suas composições. O
experimento consistia em coloca o concreto em um envoltório especial em que simulava 300
anos de carbonatação durante 36 dias e foi verificado que mesmo após 72 dias o concreto de
alto desempenho não apresentou carbonatação ao passo que o concreto comum foi
carbonatado por diversos milímetros após 18 dias.

Prevenção ao ataque de sulfatos


Uma baixa permeabilidade do concreto é uma solução ideal para ambientes contendo
sulfatos, reduzindo o ataque por esse agente. Com a diminuição do fator água/cimento ou pelo
emprego de cimento com adições pozôlanicas, pode-se reduzir de uma forma significante o
transporte de sulfatos para as estruturas de concreto armado. O hidróxido de cálcio produzido
pela hidratação do clínquer é consumido quando reage com a pozolana, diminuindo as
consequências do ataque desses sulfatos. Pode-se também empregar cimentos com um baixo
teor de C3A e C4AF, sabendo que as normas preveem cimentos resistentes aos sulfatos,
sabendo que a quantidade de C3A abaixo de 3%-5% (BERTOLINI, 2010).
A figura 11 abaixo mostra a expansão de dois corpos de provas imersos em uma solução
de 0,5 M Na2SO4. Nestes corpos de prova, um deles é feito com cimento portland e o outro
com um cimento misturado com 30% de cinza volante (BERTOLINI, 2010).

Figura 11: Ação do NaSO4 em dois corpos de prova

Fonte: BERTOLINI, 2010

Quaisquer dos cinco tipos de cimento (CP I, CP II, CP III, CP IV e CP V) possuem


boa resistência aos sulfatos desde que obedeça pelo menos um dos seguintes requisitos: Seu
teor, em massa, de aluminato tricálcico (C3A) do clínquer deve ser no máximo 8% e o teor de
adições carbonaticas de 5%; os cimentos de alto forno deverão ter entre 60 e 70%, em massa,
de escoria de alto forno; e os cimentos pozolânicos deverão ter entre 25 e 40%, em massa, de
pozolana. Vale salientar que o CP II-F tem um teor superior a 5% de filer em sua composição
e não possui pozolana nem escoria de alto forno, se for utilizá-lo, ensaios específicos deverão
ser realizados para determinação da resistência aos sulfatos (ABCP, 2002).
Outra alternativa é a adição de sílica ativa na composição do concreto. Por ser muito
fina, as partículas de sílica ativa podem preencher os vazios entre as partículas de cimento
(AÏTCIN, 2000).
Devido ao tamanho extremamente reduzido de suas partículas, a adição de
sílica ativa reduz drasticamente tanto a exsudação interna como superficial da
mistura. Essa exsudação reduzida é muito importante do ponto de vista
microestrutural, porque transforma radicalmente as características microestruturais
da zona de transição entre a pasta de cimento e os agregados e entre a pasta de
cimento e o aço da armadura (Goldman and Bentur, 1989). Essas zonas de transição
são mais compactas do que a relativamente porosa geralmente obtida quando o
concreto não contém qualquer sílica ativa (AÏTCIN, 2000, p.162).
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após pesquisas realizadas e conteúdo exposto no presente artigo, percebeu-se que as


estruturas de concreto armado demandam cuidados simples para o perfeito funcionamento à
vida útil a qual foi projetada, entretanto caso haja negligência em algum desses cuidados, tal
estrutura pode apresentar manifestações patológicas que podem ter como consequência desde
um simples desconforto visual até ao comprometimento da sua integridade. Para cada
manifestação patológica existe um tratamento adequado, todavia ao atuar na prevenção
consegue-se resultados satisfatórios que, aliado ao correto uso prolongará a vida útil da
estrutura.
É de fundamental importância isolar o concreto amado da presença de sulfatos e
proteger da ação de cloretos com o intuito de preservar a armadura a assegurar a durabilidade
da estrutura. Procedimentos simples como o correto adensamento do concreto, cobrimento
adequado e a execução da cura terá impacto positivo principalmente por dificultar o
surgimento de fissuras e evitar o desenvolvimento da corrosão e surgimento de fissuras.
Embora não tenha sido o foco deste artigo, é possível inferir que o custo de um
tratamento de determinada manifestação patológica é bem maior que o da prevenção, haja
vista o emprego de uma mão de obra mais especializada e o empego de materiais mais caros,
desta forma, o executor deve ter total atenção nos procedimentos indicados nas normas e
literatura para a correta execução dos serviços.
Para as futuras obras é importante adequar o projeto à norma de desempenho, a NBR
15575/2013 com o intuito de garantir o conforto ao usuário final, e principalmente garantir
uma obra com a vida útil a qual foi projetada, diminuindo os índices de manifestações
patológicas que possam ocorrer.

7 REFERÊNCIAS

AÏTCIN, Pierre-Claude: Concreto de alto desempenho. São Paulo: PINI, 2000

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND. Guia básico de utilização de cimento


Portland. 7.ed. São Paulo, 2002

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 5737: Cimentos Portland


existentes a sulfatos. Rio de Janeiro, ABNT, 1992.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 6118: Projeto de estrutura


de concreto - Procedimento. Rio de Janeiro, ABNT, 2014.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 14931: Execução de


estrutura de concreto - Procedimento. Rio de Janeiro, ABNT, 2004.
BAUER, L. A. F. Materiais de Construção. Rio de Janeiro: LTC. 1994, v. 1

BAUER, L. A. F. Materiais de Construção. Rio de Janeiro: LTC. 1995, v. 2

BERTOLINI, Luca. Materiais de construção | patologia | reabilitação | prevenção. São Paulo:


Oficina de textos, 2010

GENTIL, Vicente: Corrosão. Rio de Janeiro: LTC. 2012

HELENE, Paulo. Cura do concreto: Conheça cada técnica, suas vantagens e cuidados Disponivel
em: < https://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/cura-do-concreto-conheca-cada-tecnica-suas-vantagens-
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LAPA, José Silva. Patologia, recuperação e reparo das estruturas de concreto. 2008. 56 f.
Monografia apresentada como requisito para obtenção de título de especialização em construção civil
da universidade federal de minas gerais.

MEDEIROS, Marcelo Henrique Farias de. Contribuição ao estudo da durabilidade de concretos


com proteção superficial frente à ação de íons cloretos. 2008. 156 f. Tese apresentada à escola
politécnica da universidade de São Paulo para obtenção de título de doutor em engenharia.

OLIVEIRA, Daniel F. Levantamento de causas de patologias na construção civil. 2013.107 f.


Projeto de Graduação apresentado ao curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica, Universidade
Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Engenheiro.

PEINADO, Hugo S. Conheça as alternativas para fazer a cura de elementos de concreto


Disponível em: <http://techne17.pini.com.br/engenharia-civil/201/conheca-as-alternativas-para-fazer-
a-cura-de-elementos-de-302570-1.aspx>. Acesso em: 14 Jun. 2019.

SAN JOSE, Patricia R. Qual a diferença entre lixiviação e carbonatação? Quais patologias podem
advir desses fenômenos? Como evitá-los?. Disponível em: <http://techne17.pini.com.br/engenharia-
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SILVA, Reginaldo Carneiro da. Vigas de concreto armado com telas soldadas: Analise teórica e
experimental da resistência à força cortante e do controle de fissuração. 2003. 340 f.

SOUZA, Vicente C.M; RIPPER, Thomaz. Patologia, recuperação e reforço de estruturas de


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THOMAZ, Ércio: Trincas em edifícios – causas, prevenção e recuperação. São Paulo: Pini: Escola
politécnica da Universidade de São Paulo: Instituto de pesquisas tecnológicas, 2007.

VIEIRA, Thamirys Luyze. Fissuras e concreto: Estudos de caso em Florianópolis. 2017. 111 f.

VITORIO, Afonso. Fundamentos das patologias das estruturas nas perícias de engenharia. 2003.
58 f.

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