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0601 PRINCÍPIOS DE FISCALIDADE


ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

ÍNDICE

Introdução .................................................................................................................. 3

Âmbito do manual..................................................................................................... 3

Objetivos ................................................................................................................. 3

Conteúdos programáticos .......................................................................................... 3

Carga horária ........................................................................................................... 4

1.Atividade financeira do Estado .................................................................................... 5

1.1. Receitas públicas ................................................................................................ 6

1.1.1. Receitas coativas e receitas voluntárias .......................................................... 7

1.1.2. Receitas patrimoniais e receitas creditícias ..................................................... 9

2.Direito financeiro, tributário e fiscal........................................................................... 10

2.1.Natureza e fontes do direito fiscal ....................................................................... 11

3.Impostos – conceitos gerais ..................................................................................... 14

3.1.Noção e fases do imposto .................................................................................. 15

3.2. Tributação direta e tributação indireta................................................................ 22

3.3. Classificação dos impostos ................................................................................ 23

3.4. Finalidades fiscais e extrafiscais dos impostos ..................................................... 26

3.5. Objetivos da tributação ..................................................................................... 27

3.6. Benefícios fiscais .............................................................................................. 28

4. Características dos impostos.................................................................................... 29

4.1. Impostos gerais sobre o consumo...................................................................... 30

4.2. Imposto plurifásico não cumulativo .................................................................... 31

4.3. Método de funcionamento do imposto................................................................ 32

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4.4. Neutralidade do imposto ................................................................................... 35

4.5. IVA e o princípio do destino .............................................................................. 36

5. Incidência dos impostos .......................................................................................... 38

5.1. Incidência real ou objetiva (art. 1.º CIVA) .......................................................... 40

5.2. Incidência pessoal ou subjetiva ......................................................................... 45

5.3. Localização das prestações de serviços (art. 6.º CIVA) ........................................ 47

5.4. Serviços relacionados com imóveis..................................................................... 51

5.5. Transporte intracomunitário de bens .................................................................. 52

5.6. Casos particulares ............................................................................................ 53

6.Funcionamento do sistema fiscal português ............................................................... 57

6.1. Reforma da tributação indireta .......................................................................... 58

6.2. Adoção do IVA como modelo comunitário de tributação....................................... 59

6.3. Isenções .......................................................................................................... 60

6.4. Valor tributável ................................................................................................ 65

6.5.Taxas ............................................................................................................... 70

6.6. Direito à dedução e apuramento de imposto ....................................................... 72

6.7.Reembolsos ...................................................................................................... 75

6.9. Obrigações ...................................................................................................... 79

6.10. Regimes especiais .......................................................................................... 83

6.11. Regime do IVA nas transações intracomunitárias............................................... 85

Bibliografia ................................................................................................................ 91

Termos e condições de utilização................................................................................. 92

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Introdução

Âmbito do manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de


curta duração nº 0601 – Princípios de fiscalidade, de acordo com o Catálogo
Nacional de Qualificações.

Objetivos

 Reconhecer a atividade financeira do Estado.


 Definir, interpretar e aplicar os princípios dos impostos.
 Descrever o sistema fiscal português.

Conteúdos programáticos

 Atividade financeira do estado


o Receitas públicas
 - Receitas coativas e receitas voluntárias
 - Receitas patrimoniais e receitas creditícias
 Direito financeiro, tributário e fiscal
o Natureza e fontes do direito fiscal
 Impostos – conceitos gerais
o Noção e fases do imposto
o Tributação direta e tributação indireta
o Classificação dos impostos
o Finalidades fiscais e extra fiscais dos impostos
o Objetivos da tributação
o Benefícios fiscais

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 Características dos impostos


o Imposto geral sobre o consumo
o Imposto plurifásico não cumulativo
o Método de funcionamento do imposto. Neutralidade do imposto
o IVA e o princípio do destino
 Incidência dos impostos
o Incidência real ou objetiva
o Incidência pessoal ou subjetiva
o Localização das operações tributárias
o Localização das prestações de serviços
o Os serviços relacionados com imóveis
o Transporte intracomunitário de bens
o Casos particulares
 Funcionamento do sistema fiscal português
o Reforma da tributação indireta
o Adoção do IVA como modelo comunitário de tributação
o Isenções
o Valor tributável
o Taxas
o Direito à dedução e apuramento do imposto
o Reembolsos
o Sujeitos passivos mistos
o Obrigações
o Regimes especiais
o Regime do IVA nas transações intracomunitárias

Carga horária

 50 horas

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1.Atividade financeira do Estado

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1.1. Receitas públicas

O Estado para poder desempenhar com eficácia as suas funções, necessita de realizar
gastos quer para suportar os encargos decorrentes da administração do território
(vencimentos dos funcionários, compra de equipamentos, etc.) quer para satisfazer as
necessidades coletivas (segurança, justiça, educação, etc.).

Estes gastos efetuados pelo Estado denominam-se despesas públicas.

Para poder realizar estas despesas, o Estado necessita de assegurar, previamente, os


recursos que permitam o seu funcionamento: as receitas públicas.

As receitas públicas são os recursos obtidos pelo Estado durante um período financeiro,
para fazer face às despesas públicas.

Receitas Públicas do Estado (milhões euros)1

Anos Total Receitas correntes Outras receitas


Total Impostos Impostos Outras Passivo Outras
diretos indiretos financeiro
1960 56,9 47,8 15,3 18,3 14,3 9,0

1970 163,4 148,3 44,4 61,8 42,1 15,1


1980 1.869,4 1.039,9 338,5 623,5 77,9 677,0 152,6
1990 17.148,2 10.166,9 3.610,9 734,6 5.821,3 5.503,6 1.477,7
2000 41.766,8 26.942,1 11.316,2 14.373,3 1.252,5 10.289,2 4.535,6
2005 88.096,9 32.198,4 11.519,2 18,916,5 1.762,7 54,735,1 1.163,4
2010 168.911,5 35.194,4 13.569,2 18.720,5 2.904,7 131.801,9 1.915,2
2011 154.624,3 35.540,7 15.046,9 19.312,3 3.469,7 114.862,5 6.000,0
2012 154,624,3 35.540,7 13.633,6 18.407,0 3.500,0 112.078,7 7.004,9

1
Fonte/Entidades: DGO/MF, PORDATA

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Receitas públicas estão subdivididas em receitas normais (patrimoniais e tributárias) e


não normais (creditícias).

Patrimoniais ou
voluntárias
Taxas

Diretos
Tributárias ou
Receitas públicas Impostos
coativas
Indiretos

Contribuições
à Segurança
Creditícias Social

1.1.1. Receitas coativas e receitas voluntárias

As necessidades coletivas (de instrução, de segurança, de saúde pública, de defesa


nacional, etc.) obrigam o Estado e outros entes públicos a suportarem avultadas despesas
– Despesas Públicas.

É através das receitas públicas que o Estado e os outros entes públicos fazem face às
despesas públicas.

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Na figura pode-se constatar resumidamente o funcionamento da sociedade e seus grupos


de intervenientes, no que diz respeito às trocas de trabalho, bens e serviços e capitais
entre os quais se incluem os impostos.

Receitas coativas

São as fixadas pelo Estado por via legislativa de forma autoritária, como por exemplo as
propinas cobradas aos alunos ou o imposto sobre os rendimentos das pessoas singulares
cobrado às pessoas que auferem rendimentos.

Receitas voluntárias

São aquelas em que o preço é estabelecido por via negocial ou contratual (ex.: receitas
provenientes da venda da madeira das explorações florestais do Estado). Estas receitas
denominam-se ainda receitas patrimoniais por derivarem do património do Estado.

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1.1.2. Receitas patrimoniais e receitas creditícias

Receitas patrimoniais

Receitas provenientes da venda de produtos e prestação de serviços a preços


contratualmente estabelecidos.

Receitas creditícias

Resultam do recurso ao crédito por parte do Estado (contração de empréstimos).


Modernamente tornou-se numa fonte de receitas da maior importância.

De acordo com o gabinete de estatística europeu, a dívida pública portuguesa era de


131,4% do PIB em Setembro. Comparativamente, a Grécia registava o valor mais elevado
(176% do PIB), seguida de Itália (131,8%). O valor em causa corresponde
aproximadamente a 1 ano e três meses de produção nacional, aproximadamente 21 mil
euros por habitante.

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2.Direito financeiro, tributário e fiscal

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2.1.Natureza e fontes do direito fiscal

Este ramo do direito (que por simplificação passaremos a designar por direito fiscal) é
composto por princípios e normas de diversos tipos de que se podem destacar:
o Princípios gerais do direito fiscal, que se encontram consagrados na Constituição da
República;
o Normas fiscais de natureza substantiva ou material que regulam os elementos
essenciais do imposto (incidência, determinação da matéria coletável, os benefícios
fiscais, as regras de territorialidade, etc.);
o Normas fiscais de natureza adjetiva ou processual, relativas ao procedimento
tributário e ao processo judicial tributário;
o Normas fiscais sancionatórias, relativas ao direito fiscal sancionatório, de natureza
contraordenacional e de natureza criminal;
o Normas relativas à organização dos serviços públicos fiscais;
o Normas de direito fiscal internacional (tratados, convenções, etc.).

Constituição

A Constituição é a lei do país com a mais elevada hierarquia. Consiste num conjunto de
normas que limitam e organizam o poder político, estabelecendo e protegendo os direitos,
liberdades e garantias dos cidadãos (sentido material). Nos termos do artigo 3.º 2 o Estado
subordina-se à Constituição.

Contém normas não especificamente fiscais mas com relevância para o direito fiscal, a
saber, normas sobre a igualdade jurídica; normas sobre direitos, liberdades e garantias,
normas sobre a validade interna do direito internacional, etc.

Contém também normas que integram a chamada constituição fiscal.

Leis da Assembleia da República

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Compete à Assembleia da República legislar sobre as seguintes matérias:


 Criação de impostos e sistema fiscal (elementos essenciais do imposto);
 Regime geral das taxas;
 Regime geral das contribuições financeiras a favor das entidades públicas;
 Regime geral das contraordenações (ilícitos de mera ordenação social) e do
processo de contraordenação;
 Definição dos crimes, penas e medidas de segurança;
 Estrutura do processo criminal.

Decretos-Lei do Governo

O Governo legisla através de Decretos-Lei numa dupla qualidade:


a) No exercício de competências próprias.
 Em matéria fiscal temos:
o Todas as matérias do sistema fiscal não reservadas à Assembleia da
República (Normas de liquidação e cobrança, processo, etc.
o Regulamentação das leis fiscais.
b) No exercício de autorizações da Assembleia da República em matérias fiscais que lhe
são reservadas.

Os Decretos-Lei publicados no âmbito de autorização da Assembleia da República devem


mencionar expressamente a lei de autorização.

Resoluções da Assembleia da República

As resoluções são uma forma frequente de aprovar atos da Assembleia da República. Em


matéria fiscal é através da Resolução que são aprovados os tratados internacionais (que
versam matérias fiscais e outras matérias).

Regulamentos

Os regulamentos são atos normativos secundários, que geralmente dão execução a uma lei
da Assembleia da República ou a um Decreto-Lei emanado do Governo.

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Face à complexidade de legislação fiscal, em que não seria possível ou até desejável prever
minuciosamente todos os aspetos necessários à sua aplicação, a própria legislação fiscal
emanada da Assembleia da República confere ao Governo a possibilidade de publicar
decretos regulamentares tendo em vista o desenvolvimento de normas genericamente
definidas nessa legislação.

Noutros casos, a mesma legislação atribui ao Ministro das Finanças a competência para
aprovar portarias ou despachos que desenvolvam e tornem exequíveis determinados
preceitos constantes nessa legislação, para publicar despachos normativos, aprovar
declarações fiscais, entre outras situações.

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3.Impostos – conceitos gerais

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3.1.Noção e fases do imposto

Conceito: é uma prestação pecuniária paga coercivamente ao Estado pelos particulares e


pelas empresas de forma unilateral e sem contrapartida imediata. Consiste no
financiamento que o sector público extrai do sector privado sob a forma coerciva, como
meio de contribuir para o financiamento geral da atividade pública.

O imposto é uma transferência coerciva e unilateral dos particulares para o Estado. Os


impostos sem contrapartida designam-se por impostos gerais. Os impostos com
contrapartida designam-se por taxas.

Prestação coativa

O imposto é uma prestação coativa, porque a obrigação de pagar imposto impõe-se ao


particular e é independente da sua vontade, no sentido de que não resulta de qualquer
acordo ou contrato existente entre ele e o Estado.

Pecuniária

Traduz-se numa obrigação de pagar uma quantia em dinheiro (ou equivalente em


dinheiro), característica esta que permite distinguir o imposto de outras prestações coativas
que o Estado, por vezes exige dos cidadãos, mas que não se analisam numa entrega em
dinheiro.

É o caso, por exemplo, da prestação de serviço militar, ou das requisições administrativas,


que não vêm pois classificadas como impostos.

Definitiva

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Não tem o prestador do imposto direito à sua restituição ou reembolso do imposto devido.
Por isso, se distingue imposto de empréstimo público, onde existe sempre reembolso.
Esta característica não é prejudicada com o reembolso do imposto que tiver sido pago em
excesso, ou daquele que resultou de um ato tributário que veio posteriormente a ser
anulado.

O imposto anulado, ou pago em excesso é um imposto indevido.

Unilateral

A natureza unilateral do imposto reside na inexistência de uma contrapartida


individualizada por parte do credor do imposto (Estado) para com o devedor (contribuinte).
Afasta-se pois, o imposto da taxa (onde existe uma contrapartida individualizada) e do
empréstimo público (a contraprestação assume a forma de juro).

Estabelecida por lei

A obrigação tributária decorre da verificação de um facto (conjugação de pressupostos


tributários) a que a lei, e só ela liga, como consequência a sujeição a imposto.

A favor de entidades que exercem funções públicas

Esta característica é uma consequência direta do facto de o imposto ser inerente à


atividade financeira: uma atividade de natureza política.

Para satisfação de fins públicos

Não é inteiramente correto dizer-se que os impostos destina-se a cobrir as despesas


públicas ou se destinam a obter receitas. Existem impostos em que a finalidade de
obtenção de receitas está de todo ausente, pretende-se com eles, tão-somente, satisfazer
mediante a sua cobrança necessidades coletivas.

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É o caso dos impostos extrafiscais de que se costuma dar o exemplo dos direitos
alfandegários protetores. A sua finalidade é a proteção da indústria de um país. Outro
exemplo será o dos impostos com finalidades ambientais, cujo objetivo é obter a redução
de certas produções a que se atribuem danos ambientais que se pretendem controlar.

Se o problema fosse o de cobrir as despesas públicas, sem mais considerações, não seriam
necessários impostos. Dispondo o Estado de soberania sobre os cidadãos, um meio fácil de
“financiamento” seria atribuir poder ao “soberano” de requisitar dos cidadãos o que
precisasse.

Esta situação conduziria a uma intolerável arbitrariedade, pois os que dispusessem ou


produzissem bens que mais interessam ao Estado seriam sobrecarregados relativamente
àqueles que dispusessem ou produzissem bens que ao Estado não interessam.

O meio de financiamento requisição seria intolerável pelo que toca à forma como os
encargos se distribuem pelos membros de uma coletividade política.

O mesmo se diria de um outro meio de financiamento, bem fácil e expedito – a emissão de


notas. Esse financiamento geraria inflação e esta opera uma redistribuição dos rendimentos
a dano dos titulares de rendimentos fixos ou pouco variáveis e a benefício dos titulares de
rendimentos variáveis ou especulativos.

Os impostos são então o meio escolhido para financiar as despesas públicas


porque, com eles se consegue uma distribuição dos encargos com os bens públicos que
surge como mais justa do que a resultante dos meios alternativos. São o meio por que se
consegue a produção de bens públicos sem inflação

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Fases do imposto

Positiva

Incidência real

Negativa

INCIDÊNCIA

Positiva

Incidência pessoal

Negativa

LANÇAMENTO

LIQUIDAÇÃO
1º Incidência

COBRANÇA

INCIDÊNCIA

Fase em que a lei determina o que vai estar sujeito a imposto (incidência real) e quem vai
estar sujeito a imposto (incidência pessoal).

Como elemento essencial do imposto, a incidência está sujeita ao princípio da legalidade


fiscal (art. 103.º 2 CRP).

A par da incidência positiva (definida pelas chamadas normas de incidência, reais e


pessoais), temos que considerar uma incidência negativa, integrada pelas normas que

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estabelecem isenções de imposto, quer excluindo da tributação situações que, a não ser a
norma de isenção, caberiam no âmbito de previsão da norma real impositiva (incidência
real negativa), quer excluindo do universo dos contribuintes, sujeitos que, sem a norma de
isenção, se constituiriam normalmente como devedores do imposto (incidência pessoal
negativa).

Um e outro caso são diferentes das situações de não tributação, em que o âmbito de
previsão da norma de incidência positiva não compreende os factos e os sujeitos
considerados, não sendo necessária nenhuma norma de isenção para que estes fiquem
fora do quadro legal de sujeição a imposto.

LANÇAMENTO

Corresponde ao momento do início da aplicação da lei. É a fase em que, do geral e


abstrato da incidência, se passa ao individual e concreto; é a fase em que se processam as
operações conducentes à identificação particular dos sujeitos passivos e à determinação
concreta da matéria coletável sobre que vai incidir o imposto.

Nos principais impostos que compõem atualmente o sistema fiscal português (IRS, IRC,
IVA), as operações de lançamento são efetuadas pelo próprio contribuinte, por isso se fala
em autolançamento do imposto.

LIQUIDAÇÃO

É a operação aritmética de aplicação de uma taxa à matéria coletável apurada na fase do


lançamento, para determinação do montante exato de imposto devido pelo sujeito passivo
(coleta).

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Naqueles impostos em que a lei prevê a possibilidade de deduções à coleta, a liquidação


abrange também os cálculos decorrentes destas deduções.

Hoje generaliza-se a tendência para agrupar sob a mesma designação "liquidação", quer as
operações de liquidação propriamente ditas que acabámos de referir, quer as operações de
lançamento mencionadas no ponto anterior.

Ao usarmos agora a expressão "liquidação", temos, pois, que distinguir entre uma
liquidação em sentido estrito (a operação aritmética de aplicação de uma taxa à matéria
coletável) e uma liquidação em sentido amplo, que abarca tanto a dita operação aritmética,
a liquidação em sentido estrito, como todas as outras operações de lançamento.

COBRANÇA

A cobrança e pagamento são expressões que traduzem a mesma realidade jurídica. A


primeira assumida do ponto de vista da administração fiscal, que cobra o imposto; a
segunda encarada do ponto de vista do contribuinte, que o paga. É a fase final da vida do
imposto, para que tende toda a relação jurídica fiscal.

Com a cobrança (pagamento) os valores correspondentes ao imposto vão dar entrada nos
cofres do Estado e com isso a relação jurídica fiscal, normalmente, extinguir-se-á.

OBRIGAÇÕES
ACESSÓRIAS

A obrigação principal tem por objeto o pagamento do imposto e a obrigação acessória


tem por objeto as prestações positivas (de fazer) e negativas (de não fazer), no interesse
da fiscalização e arrecadação dos impostos. A obrigação principal tem cunho

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eminentemente patrimonial (dar dinheiro) e a acessória não tem natureza patrimonial


(prestação de fazer ou não-fazer).

A relação jurídico-fiscal não se esgota na referida relação obrigacional, na obrigação fiscal,


que é aliás a obrigação central (pagamento do imposto).

Para concretizar, efetivar e fiscalizar a obrigação principal, surgem relações de diversa


natureza, a que aquela obrigação principal dá origem e cujos sujeitos passivos não são só
os contribuintes, mas também outras pessoas, estranhas à obrigação do imposto (ex.:
obrigação de prestar declarações, de permitir exames, de não praticar certos atos).

As obrigações acessórias são o conjunto de relações, também de natureza obrigacional,


que podem atingir outras pessoas além do contribuinte, que estão ligadas direta ou
indiretamente aos pressupostos de facto da tributação.

São obrigações de fazer, distinguindo-se obrigações acessórias declarativas, de escrituração


e conservação de livros e documentos, de comunicação e cooperação em geral.

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3.2. Tributação direta e tributação indireta

Os impostos diretos são os que recaem diretamente sobre o rendimento. Os mais


importantes deste tipo são o IRS (imposto sobre o rendimento de pessoas singulares) e o
IRC (imposto sobre o rendimento de pessoas coletivas), e a taxa de depósitos bancários.

Os impostos indiretos são os que recaem sobre a despesa. O mais importante é o IVA
(imposto sobre o valor acrescentado).

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3.3. Classificação dos impostos

Impostos estaduais e não-estaduais

o Impostos estaduais são os impostos cujo sujeito ativo é o Estado.

o Impostos não-estaduais são os impostos cujo sujeito ativo não é o Estado.

Nem sempre o Estado é o credor do imposto, o sujeito ativo da relação jurídico-tributária.


Esta constitui-se, muitas vezes, em benefício de uma autarquia local ou de um instituto
público. Daí a separação dos impostos estaduais dos não estaduais. A origem de uns e
outros é legal e, portanto, estadual, mas só em relação aos primeiros o Estado se
apresenta como credor.

Os impostos não estaduais são estruturados no sentido da sua atribuição a uma entidade
diversa do Estado (impostos regionais, provinciais, municipais...). Mas acontece
frequentemente que a receita de um imposto estadual seja cedida pelo Estado a outra
entidade pública, fato que não altera a natureza estadual do imposto.

É o que acontece com os impostos lançados e cobrados pelo Estado nas áreas das Regiões
Autónomas, de que estas podem “dispor” (art. 229, i) CRP), porque o Estado lhes cede as
respetivas receitas.

De modo semelhante, o Estado cede aos Municípios, juntamente com parte da receita de
outros impostos, receitas do IMI, do IMT e do imposto municipal sobre veículos. Mas isso
não parece modificar a natureza estadual destes impostos.

Impostos diretos e indiretos

Os Impostos Diretos são aqueles impostos que incidem diretamente sobre o rendimento,
quer das pessoas singulares quer das pessoas coletivas.

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o IRS (Imposto sobre o Rendimento Singular), e incide diretamente sobre o


rendimento das pessoas singulares.

o IRC (Imposto sobre o Rendimento Coletivo), e incide sobre o rendimentos das


empresas.

Os Impostos Indiretos são aqueles que incidem sobre o consumo ou a despesa,


e incidem sobre a generalidade dos bens que consumimos diariamente.

o IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado)

o IUC (Imposto Único de Circulação)

o IMT (Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis)

o ISP (Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos)

o IS (Imposto de Selo), etc.

Os impostos indiretos são os mais aplicados, pelos seguintes motivos:

o Há uma menor resistência psicológica, pois os contribuintes quando veem os


impostos incidirem diretamente sobre o próprio rendimento são mais cautelosos.

o Há menor possibilidade de fuga aos impostos.

Impostos reais e impostos pessoais

o Impostos reais são os que não têm em conta as condições pessoais, económicas e
familiares dos contribuintes.

o Impostos pessoais são os que têm em conta as situações pessoais, económicas e


familiares dos contribuintes.

Impostos proporcionais, progressivos e regressivos

o Impostos proporcionais – são impostos de taxa fixa (23% 15%, etc).

o Impostos progressivos – impostos onde taxa aumenta à medida que a matéria


coletável aumenta.

o Impostos regressivos – taxa diminui à medida que a matéria coletável aumenta.

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Impostos periódicos e de obrigação única

Atende à natureza permanente ou acidental dos factos sobre os quais incidem os


impostos. Os impostos são periódicos se tributam situações ou atividades que duram no
tempo, dando origem a sucessivas obrigações tributárias.

São impostos de obrigação única os que recaem sobre factos isolados, sem carácter de
continuidade.

o Impostos periódicos – cujo pagamento se processa periodicamente.

o Impostos de obrigação única – apenas há lugar ao pagamento do imposto quando o


facto que o origina acontece.

Impostos principais e acessórios

o Impostos principais – gozam de autonomia face aos restantes.

o Impostos acessórios – não são autónomos e acrescem aos impostos principais, de


que dependem, como por exemplo a derrama.

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3.4. Finalidades fiscais e extrafiscais dos impostos

Os impostos fiscais

São aqueles que são feitos a partir de receitas para satisfazer as necessidades públicas
aplicando os princípios e preceitos constitucionais da Lei fiscal.

Os impostos extrafiscais

São de natureza económico-social, integrando o direito económico fiscal ou seja não visa
receber receitas mas tem o objetivo de promover ou obstar a certos comportamentos
económicos e sociais (ex. imposto sobre produtos alcoólicos).

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3.5. Objetivos da tributação

A tributação visa a satisfação das necessidades financeiras do Estado e de outras entidades


públicas e promoção da justiça social, da igualdade de oportunidades e as necessárias
correções das desigualdades na distribuição da riqueza e do rendimento.

A tributação respeita os princípios da generalidade, da igualdade, da legalidade e da justiça


material. A tributação procura favorecer o emprego, a formação do aforro e o investimento
socialmente relevante.

A tributação deverá ter em consideração a competitividade e internacionalização da


economia portuguesa, no quadro de uma sã concorrência.

A tributação não discrimina qualquer profissão ou atividade nem prejudica a prática de atos
legítimos de carácter pessoal, sem prejuízo dos agravamentos ou benefícios excecionais
determinados por finalidades económicas, sociais, ambientais ou outras.

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3.6. Benefícios fiscais

Consideram-se benefícios fiscais os regimes especiais de tributação que envolvem uma


vantagem ou mero desagravamento fiscal perante o regime normal, constituído por
isenções, reduções de taxas, deduções à matéria coletável, amortizações e/ou outras
medidas fiscais desta natureza.

São medidas de carácter excecional instituídas para tutela de interesses públicos


extrafiscais relevantes superiores aos da própria tributação que impedem. Podem ser
deduzidos dos rendimentos declarados, ou subtraídos diretamente do montante da coleta.

Os benefícios fiscais são considerados despesas fiscais, e podem ser previstas no


Orçamento do Estado ou em documento anexo e, sendo caso disso, nos orçamentos das
regiões autónomas e das autarquias locais.

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4. Características dos impostos

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4.1. Impostos gerais sobre o consumo

O IVA é um imposto geral sobre o consumo, que incide sobre a generalidade das
transmissões de bens e prestações de serviços, efetuadas a título oneroso, no território
nacional, por um sujeito passivo, independentemente dos seus fins ou resultados, no
quadro de uma atividade económica.

Como operações tributáveis em sede de IVA temos as Transmissões de Bens, as Prestações


de Serviços, as Importações e as Aquisições Intracomunitárias de Bens. Ora, como iremos
observar, os conceitos das referidas operações encontram-se definidos pela positiva, à
exceção do conceito de Prestação de Serviços.

Este terá um carácter residual, encontrando-se delimitado pela negativa. Assim, através
deste conceito, consegue-se tributar todo o ato de consumo.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

4.2. Imposto plurifásico não cumulativo

O IVA é um imposto plurifásico, incidente em todas fases do circuito económico, desde a


produção ao retalho, sendo suportado efetivamente pelo consumidor final,
correspondendo, em termos de receitas geradas, a um imposto monofásico na fase do
retalhista, embora utilizando uma técnica diferente, fracionando o pagamento por todos os
intervenientes, através do chamado ‘método do crédito de imposto’, conforme se explicita
no ponto seguinte.

É também um imposto não cumulativo, na medida em que os operadores económicos


liquidam IVA a jusante, podendo deduzir o IVA suportado a montante (‘método do crédito
de imposto’), sendo entregue ao Estado por cada operador, apenas a parte relativa ao
‘valor acrescentado’ em cada fase - o IVA suportado nos inputs, não constitui como tal, em
princípio, um custo para as empresas, daí a sua não influência na construção dos preços a
praticar entre operadores ao longo de todo o circuito económico.

Pode também considerar-se um imposto proporcional, porque o imposto a pagar varia


proporcionalmente à base tributável, por aplicação de uma taxa única, igual para todos.
Ainda assim, contempla 3 taxas distintas consoante os bens e serviços a tributar.

É um imposto regressivo, uma vez que o esforço efetuado pelos consumidores diminui à
medida que aumenta a sua capacidade contributiva (rendimento), verificando-se que
consumidores mais abastados suportam efetivamente mais IVA em valor absoluto (porque
consomem mais), porém, o esforço efetuado é tendencialmente menor à medida que
aumentam os rendimentos.

Finalmente, quanto aos regimes de tributação, caracteriza-se fundamentalmente pela


existência de um regime geral de tributação (de periodicidade mensal ou trimestral e de
aplicação generalizada), em dois regimes especiais (destinados a contribuintes de reduzida

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

dimensão) e ainda, em vários regimes particulares (aplicáveis a determinadas atividades


específicas).

4.3. Método de funcionamento do imposto

O IVA visa tributar todo o consumo em bens materiais e serviços, abrangendo todas as
fases do circuito económico, desde a produção ao retalho, sendo porém a base tributável
limitada ao valor acrescentado em cada fase.

Resume-se à entrega ao Estado do seu valor através do circuito económico em que


intervêm empresas e o consumidor final, que, em última análise, é o agente económico que
suporta todo o seu valor.

IVA Apuramento = IVA liquidado - Iva Dedutível

o IVA liquidado – IVA aplicado aos clientes nas vendas que a empresa efetua.
o IVA dedutível – IVA aplicado às compras que a empresa efetua aos fornecedores.
o IVA apuramento – IVA que a empresa apura após as suas vendas e compras, donde
terá a receber ou a pagar ao Estado.

O IVA apuramento é assim, calculado em função das compras bem como demais
aquisições, e das vendas e prestações de serviços.

Todos os operadores ao longo do circuito económico (Importador, Produtor, Grossista e


Retalhista), liquidam (calculam e repercutem) imposto aos seus clientes, sobre o seu preço
de venda.

Porém, apenas são responsáveis pela entrega ao Estado da diferença entre esse imposto
liquidado nas vendas e o imposto suportado que onerou as suas compras, devidamente
faturado (liquidado) pelos fornecedores.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

Com este mecanismo, cada operador económico apenas entrega ao Estado uma fração do
total do imposto, que irá ser efetivamente suportado pelo consumidor final, conseguindo-se
por esta via uma receita idêntica à proporcionada por um imposto monofásico na fase do
retalho, sem fazer recair no retalhista o pagamento exclusivo do imposto.

O IVA rege-se então pelo ‘Método do Crédito de Imposto’ (em que o operador assume a
qualidade de devedor, perante o Estado, do imposto liquidado nas suas vendas num
determinado período (imposto a favor do Estado – IVA liquidado), ao mesmo tempo que é
credor do Estado, quanto ao imposto suportado nas compras relativas a esse mesmo
período (imposto a favor da empresa – IVA dedutível).

Desde que o imposto suportado conste de fatura legal passada pelo fornecedor, o mesmo é
imediatamente dedutível (nasce aí o crédito sobre o Estado), pelo que a dedução assume
uma natureza financeira e não física, na medida em que não se efetua produto a produto,
mas globalmente, sobre o conjunto da atividade do SP, num determinado período de
imposto (mês ou trimestre).

Deste modo, é irrelevante que um determinado bem adquirido para venda (existências),
seja vendido, ou não, no mesmo período de imposto, pois o direito à dedução (crédito
sobre o Estado) nasce no momento em que o fornecedor emite a fatura,
independentemente do momento posterior da venda do bem.

Assim, o crédito sobre o Estado, relativo ao IVA dedutível, não depende do pagamento das
faturas ao fornecedor, assim como o débito ao Estado pelo IVA liquidado, também não
depende do recebimento dos clientes.

Deste modo, os sujeitos passivos terão que entregar antecipadamente ao Estado o IVA que
não receberam dos clientes, tendo o direito a deduzir, também antecipadamente, o IVA
que não pagaram aos seus fornecedores, configurando uma situação de total
reciprocidade.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

No IVA, também é irrelevante a natureza dos ‘inputs’ adquiridos (existências, imobilizações,


fornecimentos e serviços externos), pois, em geral, é dedutível o imposto devido ou pago
pela aquisição de bens e serviços adquiridos ou utilizados pelo sujeito passivo para a
realização de operações tributáveis, ou seja, no âmbito da atividade da empresa, se esta
for tributável, que é o caso, em condições normais.

Na realidade, o funcionamento do IVA depende exatamente da possibilidade de dedução


do imposto suportado a montante (nos inputs), pois o imposto liquidado por um operador é
repercutido (na fatura) imediata e totalmente para o agente que lhe segue na cadeia, que
o vai poder deduzir e posteriormente liquidar nos seus outputs, e assim sucessivamente até
atingir o consumidor final, que suportará, então, a totalidade do imposto, embora o
transmitente final apenas entregue uma parte desse imposto.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

4.4. Neutralidade do imposto

Uma das grandes vantagens do IVA relativamente a outros impostos sobre as transações,
assenta na sua neutralidade, quer no plano interno, quer a nível internacional.

Consubstanciando-se na sua não influência na formação dos preços (sem efeitos


cumulativos e facilmente determinável), na estrutura (fases) do circuito económico (maior
ou menor concentração) e nas relações comerciais interestaduais (adoção do princípio do
destino). Porém, regressivo (não neutral) na ótica do consumidor.

É habitual distinguir-se a neutralidade dos impostos de transações relativamente aos


efeitos sobre o consumo e sobre a produção. Existirá neutralidade relativamente ao
consumo quando o imposto não interfere nas escolhas dos diversos bens e serviços por
parte dos consumidores.

Por sua vez, será neutro na perspetiva da produção se não induz os produtores a
alterações na forma de organização do seu processo produtivo.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

4.5. IVA e o princípio do destino

Conceito: segundo o princípio da tributação no destino, os bens e serviços são tributados


no país de consumo (de destino), sendo influenciados apenas pelas regras fiscais desse
país.

Tal pressupõe que os bens com destino ao estrangeiro devam sair ‘despidos’ de qualquer
carga fiscal implícita, o que implica a restituição aos exportadores do imposto suportado
nos inputs produtivos (para evitar IVA oculto), dando-se a tributação exclusivamente no
país importador (de destino) às taxas vigentes nesse país, colocando os produtos
importados em pé de igualdade com os produtos nacionais.

Assim, num contexto internacional, são tributadas as importações e isentas as exportações,


no caso de países terceiros, exigindo-se no entanto a intervenção de uma autoridade
alfandegária.

Entre países da CE, sujeitam-se a IVA as Aquisições Intracomunitárias de Bens, conferindo-


se uma isenção às Transmissões Intracomunitárias de Bens, sem recurso a fronteiras fiscais
ostensivas (IVA liquidado pelo adquirente).

O princípio de tributação no destino implica a prática dos chamados ajustamentos fiscais


nas fronteiras.

Ocorrendo a tributação no destino, há que assegurar que os bens saem do país de origem
desonerados de qualquer carga fiscal (através da concessão do direito à dedução do
imposto) e que no país de destino o importador pague um montante de imposto
equivalente àquele que incide, nesse mesmo país, sobre bens similares aos importados.

Refira-se que a tributação segundo o princípio do destino, porque exige a necessidade de


fronteiras fiscais (físicas ou não), é algo incoerente com a ideia de um verdadeiro mercado

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

comum intracomunitário, no qual, em última instância, não deveriam existir quaisquer


fronteiras, dando-se a tributação no país de origem, como se de um único país se tratasse.

Desta forma, transformar-se-iam as relações intracomunitárias em relações de puro


mercado interno, sendo para aí que se deve caminhar no futuro, embora para já existam
alguns obstáculos que inviabilizam tal solução, tais como: diferenças nas taxas de IVA entre
países da CE, a necessidade de implementação de um mecanismo de compensação com as
dificuldades inerentes, a regra da unanimidade existente em matérias fiscais e
desconfianças ao nível da eficácia na cobrança.

A ‘uniformização da base tributável’, teve também presente a resolução dos problemas


inerentes às receitas próprias da Comunidade, as quais contemplam, entre outras, uma
taxa (atualmente 1,4%) a incidir sobre uma base calculada de forma uniforme por todos os
EM, de acordo com as regras comunitárias vigentes.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

5. Incidência dos impostos

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

Conceito: a incidência determina o que está sujeito a imposto (incidência objetiva), quem
está sujeito a imposto (incidência subjetiva), quais os limites territoriais da sujeição e o
momento em que a mesma se concretiza.

As normas de incidência, em geral, têm como objetivo determinar o conjunto dos factos
tributários sujeitos a tributação, estabelecendo os respetivos pressupostos de aplicação dos
impostos.

Nesta medida, se sobre uma determinada situação da vida real se verificar não existir
incidência ou sujeição, tal significa que as normas respetivas (normas de incidência) não
contemplam tal situação ou expressamente a excluem, podendo concluir-se, então, que o
imposto não atinge tal realidade (arts. 1.º a 8.º).

Não sujeição é diferente de isenção, uma vez que para haver isenção terá forçosamente
que existir sujeição ou incidência, enquanto que se este último requisito não se verificar,
não pode sequer falar-se em isenção.

A verificação da incidência é assim um requisito mínimo indispensável para que se possam


aplicar as restantes normas do CIVA, incluindo as relativas às isenções.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

5.1. Incidência real ou objetiva (art. 1.º CIVA)

Conceito: a incidência objetiva ou real, prevista no artigo 1º do CIVA, determina o que é


que está sujeito a IVA, ou seja, quais são as operações que estão sujeitas a imposto.

Estão sujeitas a imposto sobre o valor acrescentado:


o As transmissões de bens e as prestações de serviços efetuadas no território
nacional, a título oneroso, por um sujeito passivo agindo como tal.
o As importações de bens.
o As operações intracomunitárias efetuadas no território nacional.

Transmissão de bens

Considera-se, em geral, como a transferência onerosa de bens corpóreos por forma


correspondente ao exercício do direito de propriedade.

Desta definição podemos retirar as seguintes ilações:


1. Regra geral, apenas as transmissões efetuadas a título oneroso são sujeitas a IVA.
2. Implica a existência de um bem corpóreo, móvel ou imóvel (em geral, bens
corpóreos são coisas materiais, palpáveis, com realidade física). Isto é, ficam fora
deste conceito as transferências onerosas de bens incorpóreos que serão tributáveis
em sede de IVA como prestações de serviços.
Refira-se, no entanto, desde já, que, para efeitos de IVA verifica-se que são
também considerados bens corpóreos, a energia elétrica, o gás, o calor, o frio e
similares.
Saliente-se, ainda, que devido a este facto é que a transmissão de bens on line, isto
é, em que a encomenda e a entrega dos bens são feitas eletronicamente, é
qualificada para efeitos deste imposto como uma PS.
Por último, de referir que o conceito de TB enunciado abrange a transmissão de
bens imóveis. Contudo, a tributação destes bens beneficia de uma isenção de IVA.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

3. Trata-se de um conceito de natureza económica.

Operações Assimiladas a Transmissões de Bens

O CIVA assimila diversas operações a Transmissões de Bens, quer porque os bens não são
corpóreos, quer para fazer prevalecer a substância económica do negócio, quer porque as
transmissões são gratuitas.

Deste modo, são também sujeitas a IVA:


a. A entrega material de bens em execução de um contrato de locação com cláusula,
vinculante para ambas as partes, de transferência de propriedade.
b. A entrega material de bens móveis no âmbito de um contrato de compra e venda
que preveja a reserva de propriedade até ao pagamento total ou parcial do preço
c. As transferências de bens entre comitente e comissário no âmbito de um contrato
de comissão, incluindo as transferências entre consignante e consignatário.
d. A não devolução, no prazo de 1 ano a contar da entrega ao destinatário, de
mercadorias enviadas à consignação.
e. A entrega de bens móveis produzidos ou montados por encomenda, quando a
totalidade dos materiais seja fornecida pelo SP que os produziu ou montou.
f. A afetação de bens da empresa a fins alheios à mesma, bem como a sua
transmissão gratuita, quando tenha havido previamente dedução de imposto-
g. A afetação de bens a sectores isentos e a afetação ao uso da empresa de bens
excluídos do direito à dedução, quando tenha havido dedução de imposto.

Prestações de Serviços

O CIVA, dá-nos um conceito de Prestações de Serviços muito amplo uma vez que são
consideradas como tal, as operações efetuadas a título oneroso que não constituam
transmissões, aquisições intracomunitárias ou importações de bens.

Assim se depreende que o IVA é um verdadeiro imposto geral sobre o consumo (de bens e
serviços), uma vez que o seu campo de incidência é de tal modo abrangente, que apenas
se excluirão algumas situações de não incidência ou não sujeição resultantes do próprio

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

conceito ou de outras normas constantes do CIVA. A incidência do IVA ganha assim uma
vocação de universalidade.

Assim, para efeitos deste imposto, são, designadamente, qualificadas como prestações de
serviços o exercício independente de uma profissão, os serviços de hotelaria e restauração,
a cedência de direitos, de marcas, patentes, a cedência de pessoal, a assunção de
obrigações de não concorrência, o pagamento de determinadas subvenções e
indemnizações e o débito de despesas a título de repartição de despesas comuns.

Operações Assimiladas a Prestações de Serviços

Tal como acontece relativamente às transmissões de bens, o CIVA assimila determinadas


situações, em princípio não enquadráveis no conceito referido anteriormente, as quais
deste modo são também tributáveis, tais como:
o A utilização de bens da empresa para uso próprio do seu titular, do pessoal, em
sectores isentos, ou em geral a fins alheios à mesma, quando tenha havido prévia
dedução de imposto relativamente a tais bens.
o As prestações de serviços efetuadas a título gratuito pela empresa com vista às
necessidades dos sócios, administradores, gerentes, do pessoal, ou, em geral, a fins
alheios à mesma
o A entrega de bens móveis produzidos ou montados sob encomenda (empreitadas
de bens móveis), com materiais que o dono da obra tenha fornecido para o efeito,
quer o empreiteiro tenha fornecido, ou não, parte dos materiais.
o Cedência temporária ou definitiva de um jogador, acordada entre clubes, com o
consentimento do atleta, durante a vigência do contrato com o clube de origem e as
indemnizações de promoção e valorização, previstas no contrato de trabalho
desportivo, devidas após a cessação do contrato.
o As operações realizadas por intervenção de um mandatário que age em nome do
mandante.

Operações excluídas do conceito de Prestação de Serviços

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

o A não sujeição só se aplica se o adquirente já for ou venha a ser um sujeito passivo


de IVA;
o Tais normas aplicam-se apenas a cessões a título definitivo, como tal, não
englobam, tal como se vincou anteriormente, as vulgares cedências de exploração,
as quais estão sujeitas a IVA, e não isentas, ou seja, grosso modo, deverá ser
liquidado IVA no final de cada período (mensalmente), a mencionar
obrigatoriamente numa fatura e a incidir sobre o valor da contraprestação (renda).
o As cedências de direitos só serão consideradas não sujeitas quando tais direitos
sejam cedidos como parte de um conjunto patrimonial, configurando-se como
suscetíveis de constituir um ramo de atividade independente.
o Consideram-se não sujeitas nos termos da referida disposição legal,
designadamente, as cedências do direito ao trespasse, ao arrendamento, marcas,
patentes, caso sejam efetuadas nas circunstâncias mencionadas.

Importações de Bens

O termo importação refere-se apenas a bens provenientes de um território ‘exterior’ à


Comunidade Europeia, ou seja, bens oriundos de países terceiros e de territórios terceiros,
respetivamente.

A tributação das importações de bens justifica-se tendo em consideração a adoção do


princípio de tributação no destino, que implica a prática dos chamados ajustamentos fiscais
nas fronteiras.

Ocorrendo a tributação no destino, há que assegurar que os bens saem do país de origem
desonerados de carga fiscal (através da concessão do direito à dedução do imposto) e que
no país de destino o importador pague um montante de imposto equivalente àquele que
incide, nesse mesmo país, sobre bens similares aos importados.

Entende-se por importação, a entrada no território nacional de:


o Bens originários ou provenientes de países terceiros e que não se encontrem em
livre prática;

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

o Bens procedentes de territórios terceiros e que se encontrem em livre prática (bens


que já foram objeto de desembaraço aduaneiro e do pagamento dos
correspondentes direitos aduaneiros num outro Estado Membro da CE.

A importação ocorre quando os bens entram no território da UE, dando-se desde logo a
importação com a consequente cobrança dos direitos alfandegários, daí a expressão ‘livre
prática’, no sentido que os bens circulam livremente até ao Estado Membro de destino após
a importação se ter verificado noutro Estado Membro.

Notas relevantes:

o A sujeição a IVA das Importações traduz o princípio de tributação no destino, pois


tributar as mercadorias no momento da importação, não é mais do que tributar no
país de destino ou no país onde as mercadorias vão ser consumidas (tal princípio
tem subjacente a isenção (completa) das exportações, para evitar dupla tributação);
o O devedor de imposto é o declarante na alfândega, o qual pode ser um particular.
o Seja qual for a qualidade do importador e o fim a que este destine os bens
importados, as importações são operações tributáveis em sede de IVA.
o Nas importações, o facto gerador do imposto não é coincidente com o momento em
que os bens são colocados à disposição do adquirente. Nas importações o IVA é
devido e torna-se exigível no momento determinado pelas disposições aplicáveis aos
direitos aduaneiros.
o A liquidação do IVA compete aos serviços alfandegários.
o Os importadores de bens que o façam no exercício de uma atividade económica,
terão direito à dedução do IVA devido pela importação de bens.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

5.2. Incidência pessoal ou subjetiva

Conceito: a incidência subjetiva ou pessoal determina quem é que está sujeito a IVA, ou
seja, quem é que são os sujeitos passivos de IVA.

Existe uma relação estreita entre as normas de incidência real e de incidência pessoal, uma
vez que as atividades que constituem o facto tributável só se consideram sujeitas a imposto
na medida em que sejam realizadas pelas pessoas que são definidas como sujeitos
passivos, o que, por sua vez, é feito com referência ao exercício de uma atividade
económica.

São sujeitos passivos do imposto, isto é, são devedores do imposto (artº 2):
o Pessoas singulares ou coletivas que exercem uma atividade económica,
nomeadamente, produção, comércio, prestação de serviços, atividades extrativas,
agrícolas e profissões liberais, com caráter de habitualidade;
o Pessoas, que do mesmo modo independente, realizem uma só operação tributável.
o Importadores.
o Pessoas que efetuem operações intracomunitárias.
o Sujeitos que liquidem devidamente o imposto.
o Adquirentes dos serviços prestados por não residentes.
o Estados e outras pessoas coletivas de direito público, quando realizem de forma
significativa as seguintes operações:
 Telecomunicações;
 Distribuição de água, gás e eletricidade;
 Prestação de serviços portuários e aeroportuários;
 Transporte de pessoas;
 Armazenagem;
 Cantinas;
 Outros.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

Em todas as operações referidas, a liquidação do respetivo imposto é efetuada pelo


adquirente dos bens ou serviços (fazem a autoliquidação do imposto) e não pelos
fornecedores ou prestadores de serviços).

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

5.3. Localização das prestações de serviços (art. 6.º CIVA)

Conceito: localizar uma operação para efeitos fiscais, significa determinar o território onde
vai ser tributável ou seja, o ordenamento jurídico fiscal que lhe será aplicável.

Através da localização de uma operação, o legislador, ao estabelecer determinados critérios


de conexão, permite identificar o Estado ao qual incumbe exigir o imposto devido por
operações efetuadas entre pessoas ou entidades estabelecidas ou residentes em Estados
diferentes.

A questão da localização das operações reveste-se de maior relevância, atendendo ao facto


de vigorarem nas Regiões Autónomas taxas de imposto diferentes das que vigoram no
Continente.

Assim, para apurar a taxa a aplicar a cada operação, será necessário determinar, antes de
mais, onde a mesma se considera localizada.

Neste sentido só as operações realizadas no território nacional ficam sujeitas a imposto.

Com o objetivo de precisar o alcance da incidência territorial do IVA, o CIVA inclui várias
definições de carácter territorial:
o Território Nacional: o território nacional, tal como é definido pelo artigo 5º da
Constituição da República Portuguesa;
o Comunidade e Território da Comunidade: o conjunto dos territórios nacionais
dos Estados-membros, tal como são definidos no artigo 227º do Tratado de Roma,
com exceção dos territórios referidos nos dois pontos seguintes;
o País Terceiro: um país não pertencente à CEE, incluindo os seguintes territórios
dos Estados-membros da CEE: ilha de Helgoland e território de Busingen, da
República Federal da Alemanha, Ceuta e Melilha, do Reino de Espanha, Livigno,
Campione d’Itália e águas nacionais do Lago de Lugano, da República Italiana;

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

o Território Terceiro: os seguintes territórios dos Estados-membros da CEE, os


quais, salvo disposição especial, serão tratados como países terceiros: Ilhas
Canárias, do Reino de Espanha, departamentos ultramarinos da República Francesa,
Monte Atos, da República Helénica, Ilhas Anglo-Normandas do Reino Unido da Grã-
Bretanha e Irlanda do Norte, Ilhas Aland, da República da Finlândia.

A regra geral aplicável depende da caracterização da natureza do adquirente:


o Quando o adquirente seja um sujeito passivo de IVA, os serviços prestados
serão, regra geral, tributados no local da sua sede, estabelecimento estável ou, na
sua falta, o domicílio fiscal, para o qual os serviços são prestados.
 Assim, se um sujeito passivo português prestar um determinado serviço a
um sujeito passivo espanhol, a operação não é tributada em Portugal, mas
sim em Espanha. Desta forma, o prestador dos serviços português não
deverá liquidar IVA, devendo o adquirente espanhol liquidá-lo em Espanha,
à taxa aí vigente.
o Quando o adquirente seja um não sujeito passivo de IVA (denominados
comummente de particulares), os serviços prestados serão, regra geral, tributados
na sede, estabelecimento estável ou domicílio do prestador dos serviços.
 Por exemplo, se um sujeito passivo português prestar um determinado
serviço a um não sujeito passivo italiano, a operação é tributada em
Portugal, devendo liquidar IVA em Portugal.

Exceções que abrangem, quer os serviços prestados a sujeitos passivos, quer os serviços
prestados a não sujeitos passivos:
o Prestações de serviços relacionadas com um imóvel sito fora do território nacional,
incluindo os serviços prestados por arquitetos, por empresas de fiscalização de
obras, por peritos e agentes imobiliários, e os que tenham por objeto preparar ou
coordenar a execução de trabalhos imobiliários, assim como a concessão de direitos
de utilização de bens imóveis e a prestação de serviços de alojamento efetuadas no
âmbito da atividade hoteleira ou de outras com funções análogas, tais como
parques de campismo;
o Prestações de serviços de transporte de passageiros, pela distância percorrida fora
do território nacional;

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

o Prestações de serviços de alimentação e bebidas, que não as referidas, que sejam


executadas fora do território nacional;
o Prestações de serviços de alimentação e bebidas, executadas a bordo de uma
embarcação, de uma aeronave ou de um comboio, durante um transporte
intracomunitário de passageiros, quando o lugar de partida do transporte ocorra
fora do território nacional;
o Prestações de serviços relativas ao acesso a manifestações de carácter cultural,
artístico, científico, desportivo, recreativo, de ensino e similares, incluindo o acesso
a feiras e exposições, assim como as prestações de serviços acessórias relacionadas
com o acesso, que não tenham lugar no território nacional;
o Locação de curta duração de um meio de transporte, quando o lugar da colocação à
disposição do destinatário se situe fora do território nacional.

Exceções que operam apenas em relação aos serviços prestados a não sujeitos passivos. O
principal objetivo das exceções, passa pela tributação das operações no local de consumo:
o Prestações de serviços de transporte de bens, com exceção do transporte
intracomunitário de bens, pela distância percorrida no território nacional;
o Prestações de serviços de transporte intracomunitário de bens, quando o lugar de
partida ocorra no território nacional;
o Prestações de serviços acessórias do transporte, que sejam materialmente
executadas no território nacional;
o Prestações de serviços que consistam em trabalhos efetuados sobre bens móveis
corpóreos e peritagens a eles referentes, quando executadas total ou
essencialmente no território nacional;
o Prestações de serviços efetuadas por intermediários agindo em nome e por conta
de outrem, quando a operação a que se refere a intermediação tenha lugar no
território nacional.
o Prestações de serviços de carácter cultural, artístico, científico, desportivo,
recreativo, de ensino e similares, incluindo feiras e exposições.
o Locação de um meio de transporte, que não seja de curta duração, quando o
destinatário for uma pessoa estabelecida ou domiciliada no território nacional.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

Não são tributáveis as seguintes prestações de serviços, quando o adquirente for uma
pessoa estabelecida ou domiciliada fora da Comunidade:
o Cessão ou concessão de direitos de autor, brevets, licenças, marcas de fabrico e de
comércio e outros direitos análogos;
o Prestações de serviços de publicidade;
o Prestações de serviços de consultores, engenheiros, advogados, economistas e
contabilistas, e de gabinetes de estudo em todos os domínios, compreendendo os
de organização, investigação e desenvolvimento;
o Tratamento de dados e fornecimento de informações;
o Operações bancárias, financeiras e de seguro ou resseguro, com exceção da
locação de cofres-fortes;
o Colocação de pessoal à disposição;
o Locação de bens móveis corpóreos, com exceção de meios de transporte;
o Cessão ou concessão do acesso a uma rede de gás natural ou a qualquer rede a ela
ligada, à rede de eletricidade, ou às redes de aquecimento e arrefecimento, bem
como prestações de serviços de transporte ou envio através dessas redes e
prestações de serviços diretamente conexas;
o Prestações de serviços de telecomunicações;
o Prestações de serviços de radiodifusão e de televisão;
o Prestações de serviços por via eletrónica.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

5.4. Serviços relacionados com imóveis

Regra geral são sujeitas a IVA em Portugal as prestações de serviços efetuadas a:

o Um sujeito passivo cuja sede, estabelecimento estável ou o domicílio, para o qual os


serviços são prestados, se situe no território português (regra business to business
“B2B”);
o Uma pessoa que não seja sujeito passivo, quando o prestador tenha no território
português a sede, estabelecimento estável ou domicílio a partir do qual os serviços
são prestados (regra business to consumer “B2C”).

Constituem exceções a regra geral os serviços materialmente executados em Portugal


relacionados com imóveis.

Ou seja, independentemente da localização do prestador ou da natureza do destinatário, as


duas regras gerais não são aplicáveis às prestações de serviços relacionados com imóveis:
a localização/tributação ocorre sempre no lugar onde se situa o imóvel.

Incluem-se nesta regra prestações de serviços relacionadas com um imóvel, incluindo os


serviços prestados por arquitetos, por empresas de fiscalização de obras, por peritos e
agentes imobiliários, e os que tenham por objeto preparar ou coordenar a execução de
trabalhos imobiliários, assim como a concessão de direitos de utilização de bens imóveis e a
prestação de serviços de alojamento efetuadas no âmbito da atividade hoteleira ou de
outras com funções análogas, tais como parques de campismo.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

5.5. Transporte intracomunitário de bens

Conceito: considera-se transporte intracomunitário de bens, o transporte de bens cujo


lugar de partida ou de chegada se situa em território nacional e termina, ou tem o início,
em outro Estado membro.

Considera-se lugar de partida, o lugar onde se inicia efetivamente o transporte, não


considerando os trajetos efetuados para chegar ao lugar onde se encontram os bens, e
lugar de chegada o lugar onde termina efetivamente o transporte dos bens.

Considera-se ainda transporte intracomunitário de bens, qualquer transporte interno de


bens (cujos lugares de partida e de chegada se situem no território nacional ou no interior
de qualquer Estado membro), sempre que esse transporte esteja diretamente ligado a um
transporte intracomunitário de bens.

As regras de localização a aplicar a este transporte serão as mesmas que se aplicam ao


transporte intracomunitário.

Regra geral, estes serviços são tributados no Estado membro de partida do transporte.

Esta regra geral, é afastada quando o adquirente do serviço for um sujeito passivo
devidamente identificado para efeitos de IVA e forneça o seu número de identificação fiscal
ao transportador.

Nestes casos, a prestação de serviços de transporte será localizada no Estado membro da


identificação do adquirente do serviço.

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5.6. Casos particulares

São tributáveis as prestações de serviços efetuadas a:


a. Um sujeito passivo dos referidos no artigo 2.º 5, cuja sede, estabelecimento
estável ou, na sua falta, o domicílio, para o qual os serviços são prestados, se
situe no território nacional, onde quer que se situe a sede, estabelecimento
estável ou, na sua falta, o domicílio do prestador;
b. Uma pessoa que não seja sujeito passivo, quando o prestador tenha no território
nacional a sede da sua atividade, um estabelecimento estável ou, na sua falta, o
domicílio, a partir do qual os serviços são prestados.

O disposto não tem aplicação relativamente às seguintes operações:


a. Prestações de serviços relacionadas com um imóvel sito fora do território
nacional, incluindo os serviços prestados por arquitetos, por empresas de
fiscalização de obras, por peritos e agentes imobiliários, e os que tenham por
objeto preparar ou coordenar a execução de trabalhos imobiliários, assim como a
concessão de direitos de utilização de bens imóveis e a prestação de serviços de
alojamento efetuadas no âmbito da atividade hoteleira ou de outras com funções
análogas, tais como parques de campismo;
b. Prestações de serviços de transporte de passageiros, pela distância percorrida
fora do território nacional;
c. Prestações de serviços de alimentação e bebidas, que não as referidas na alínea
d), que sejam executadas fora do território nacional;
d. Prestações de serviços de alimentação e bebidas, executadas a bordo de uma
embarcação, de uma aeronave ou de um comboio, durante um transporte
intracomunitário de passageiros, quando o lugar de partida do transporte ocorra
fora do território nacional;
e. Prestações de serviços relativas ao acesso a manifestações de carácter cultural,
artístico, científico, desportivo, recreativo, de ensino e similares, incluindo o
acesso a feiras e exposições, assim como as prestações de serviços acessórias
relacionadas com o acesso, que não tenham lugar no território nacional;

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f. Locação de curta duração de um meio de transporte, quando o lugar da


colocação à disposição do destinatário se situe fora do território nacional.

Não obstante, são tributáveis as seguintes operações:


a. Prestações de serviços relacionadas com um imóvel sito no território nacional,
incluindo os serviços prestados por arquitetos, por empresas de fiscalização de
obras, por peritos e agentes imobiliários, e os que tenham por objeto preparar
ou coordenar a execução de trabalhos imobiliários, assim como a concessão de
direitos de utilização de bens imóveis e a prestação de serviços de alojamento
efetuadas no âmbito da atividade hoteleira ou de outras com funções análogas,
tais como parques de campismo;
b. Prestações de serviços de transporte de passageiros, pela distância percorrida no
território nacional;
c. Prestações de serviços de alimentação e bebidas, que não as referidas na alínea
d), que sejam executadas no território nacional;
d. Prestações de serviços de alimentação e bebidas, executadas a bordo de uma
embarcação, de uma aeronave ou de um comboio durante um transporte
intracomunitário de passageiros, quando o lugar de partida do transporte ocorra
no território nacional;
e. Prestações de serviços relativas ao acesso a manifestações de carácter cultural,
artístico, científico, desportivo, recreativo, de ensino e similares, incluindo o
acesso a feiras e exposições, assim como as prestações de serviços acessórias
relacionadas com o acesso, que tenham lugar no território nacional;
f. Locação de curta duração de um meio de transporte, quando o lugar da
colocação à disposição do destinatário se situe no território nacional.

O disposto no n.º 6 al. b) não tem aplicação relativamente às seguintes operações:


a. Prestações de serviços de transporte de bens, com exceção do transporte
intracomunitário de bens, pela distância percorrida fora do território nacional;
b. Prestações de serviços de transporte intracomunitário de bens, quando o lugar de
partida ocorra fora do território nacional;
c. Prestações de serviços acessórias do transporte, que sejam materialmente
executadas fora do território nacional;

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d. Prestações de serviços que consistam em trabalhos efetuados sobre bens móveis


corpóreos e peritagens a eles referentes, quando executadas total ou
essencialmente fora do território nacional;
e. Prestações de serviços efetuadas por intermediários agindo em nome e por conta
de outrem, quando a operação a que se refere a intermediação tenha lugar fora do
território nacional.
f. Prestações de serviços de carácter cultural, artístico, científico, desportivo,
recreativo, de ensino e similares, incluindo feiras e exposições, não abrangidas pela
alínea e) do n.º 7, compreendendo as dos organizadores daquelas atividades e as
prestações de serviços que lhes sejam acessórias, que não tenham lugar no
território nacional.
g. Locação de um meio de transporte, que não seja de curta duração, quando o
destinatário for uma pessoa estabelecida ou domiciliada fora do território nacional.

Não obstante o disposto no n.º 6 al. b), são tributáveis as seguintes operações:
a. Prestações de serviços de transporte de bens, com exceção do transporte
intracomunitário de bens, pela distância percorrida no território nacional;
b. Prestações de serviços de transporte intracomunitário de bens, quando o lugar de
partida ocorra no território nacional;
c. Prestações de serviços acessórias do transporte, que sejam materialmente
executadas no território nacional;
d. Prestações de serviços que consistam em trabalhos efetuados sobre bens móveis
corpóreos e peritagens a eles referentes, quando executadas total ou
essencialmente no território nacional;
e. Prestações de serviços efetuadas por intermediários agindo em nome e por conta
de outrem, quando a operação a que se refere a intermediação tenha lugar no
território nacional.
f. Prestações de serviços de carácter cultural, artístico, científico, desportivo,
recreativo, de ensino e similares, incluindo feiras e exposições, não abrangidas pela
alínea e) do n.º 8, compreendendo as dos organizadores daquelas atividades e as
prestações de serviços que lhes sejam acessórias, que tenham lugar no território
nacional.

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g. Locação de um meio de transporte, que não seja de curta duração, quando o


destinatário for uma pessoa estabelecida ou domiciliada no território nacional.

Não obstante o disposto no n.º 6 al. b), não são tributáveis as prestações de serviços
adiante enumeradas, quando o adquirente for uma pessoa estabelecida ou domiciliada fora
da Comunidade:
a. Cessão ou concessão de direitos de autor, brevets, licenças, marcas de fabrico e de
comércio e outros direitos análogos;
b. Prestações de serviços de publicidade;
c. Prestações de serviços de consultores, engenheiros, advogados, economistas e
contabilistas, e de gabinetes de estudo em todos os domínios, compreendendo os
de organização, investigação e desenvolvimento;
d. Tratamento de dados e fornecimento de informações;
e. Operações bancárias, financeiras e de seguro ou resseguro, com exceção da locação
de cofres-fortes;
f. Colocação de pessoal à disposição;
g. Locação de bens móveis corpóreos, com exceção de meios de transporte;
h. Cessão ou concessão do acesso a uma rede de gás natural ou a qualquer rede a ela
ligada, à rede de eletricidade, ou às redes de aquecimento e arrefecimento, bem
como prestações de serviços de transporte ou envio através dessas redes e
prestações de serviços diretamente conexas;
i. Prestações de serviços de telecomunicações;
j. Prestações de serviços de radiodifusão e de televisão;
k. Prestações de serviços por via eletrónica, nomeadamente as descritas no anexo D;
l. Obrigação de não exercer, mesmo a título parcial, uma atividade profissional ou um
direito mencionado no presente número.

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6.Funcionamento do sistema fiscal português

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6.1. Reforma da tributação indireta

A reforma fiscal de 1988-1989, representou uma viragem histórica na fiscalidade


portuguesa ao substituir o sistema cedular-misto, que vinha sendo praticado há longos
anos, por uma fórmula de tributação tendencialmente unitária do rendimento.

A reforma fiscal de 1988-1989, orientada, em primeira linha, no sentido da substituição dos


impostos parcelares pela tributação unitária do rendimento mediante a instituição de um
imposto tendencialmente único e progressivo sobre o rendimento global, provocou uma
verdadeira transformação do sistema fiscal português.

Deste modo, o principal elemento da nova reforma residiu, naturalmente, na substituição


do sistema misto com preponderância dos elementos cedulares pela fórmula de tributação
unitária, sujeitando a totalidade dos rendimentos individuais a uma tabela única de taxas
escalonadas em progressividade.

No final, a reforma da tributação do rendimento comportou vários traços inovadores, tendo


o mais importante residido na completa transformação da morfologia da estrutura fiscal,
consagrando um sistema moderno de imposto sobre o rendimento das pessoas singulares e
das pessoas coletivas.

Desenvolveu-se um importante conjunto de trabalhos orientados para a melhoria da


eficácia do sistema fiscal, não só no que respeita à estrutura dos impostos, mas também à
organização e ao funcionamento da Administração Fiscal.

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6.2. Adoção do IVA como modelo comunitário de tributação

A adoção do IVA, em substituição do "Imposto de Transações", foi consequência da adesão


de Portugal à Comunidade Económica Europeia. O Código do Imposto sobre o Valor
Acrescentado entrou em vigor em 1 de Janeiro de 1986.

O “novo” imposto visou tributar todo o consumo, tanto em bens materiais, corpóreos, como
em serviços, abrangendo as diversas fases do circuito económico, desde o produtor ao
retalhista, incidindo a tributação, em cada fase, sobre o "valor acrescentado" aos bens. Por
isso o imposto se diz "plurifásico".

Consequentemente, o IVA determinou um acentuado alargamento do número de


contribuintes (maior incidência subjetiva). A par desse alargamento subjetivo da
tributação, reclamou o IVA um maior plano de incidência objetiva: é consideravelmente
maior o número de mercadorias e de serviços atingidos pelo imposto.

O IVA visa tributar todo o consumo (bens e serviços), abrangendo todas as fases do
circuito económico (da produção ao retalho), sendo a base tributável limitada ao valor
acrescentado em cada fase e a dívida tributária de cada operador calculada pelo método do
crédito de imposto.

O IVA, aplicado desta forma, corresponde a uma tributação por taxa idêntica, efetuada de
uma só vez na fase do retalhista. Este método assegura que os bens e serviços utilizados
na produção, não sejam em definitivo tributados, pois as aquisições (inputs) são feitas com
imposto, o qual é, em princípio, dedutível.

Em conclusão, a matéria coletável no IVA é constituída pelo valor tributável das


transmissões de bens e das prestações de serviços, efetuadas no território nacional, a título
oneroso, pelas importações de bens e pelas operações intracomunitárias (arts. 1.º a 3.º ss
CIVA; Regime do IVA nas Transações Intracomunitárias).

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6.3. Isenções

Qualquer situação de isenção constitui uma exceção às regras de incidência.

As isenções do IVA têm uma lógica diferente das isenções concedidas no âmbito dos
impostos sobre o rendimento.

Enquanto nos impostos sobre o rendimento a isenção libera o beneficiário do pagamento


do imposto, no IVA as situações de isenção consubstanciam-se na não liquidação e
consequente não entrega de imposto, por parte dos sujeitos passivos, nas operações ativas
que realizam (o beneficiário paga imposto nas operações passivas, mas não liquida nas
operações ativas).

Isto é, nas suas operações passivas (aquisições de bens e serviços) os sujeitos passivos de
IVA não beneficiam de isenção.

Regra geral, as isenções acolhidas no CIVA funcionam de forma automática, isto é, não é
necessário que o sujeito passivo solicite a respetiva aplicação.

No âmbito do IVA existem dois grandes tipos de isenções, com características e efeitos
substancialmente diferentes: isenções simples ou incompletas e isenções completas ou taxa
0.

É ao nível das operações realizadas a montante, mais concretamente ao nível da


dedutibilidade do IVA suportado, que estes dois tipos de isenções se revelam
substancialmente distintos.

o Isenções simples ou incompletas: o operador económico não liquida o imposto


nas suas operações mas também não pode deduzir o imposto que suporta nas suas
aquisições.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

o Isenções completas ou «taxa 0»: o operador não liquida o imposto nas suas
operações mas pode deduzir o imposto suportado nas suas aquisições.

As isenções incompletas aplicam-se, essencialmente, a determinadas atividades de


interesse público ou a atividades relativamente às quais se revela particularmente complexa
a aplicação do IVA.

De acordo com as suas características e por serem consideradas de interesse geral ou


social, se poderão agrupar nas seguintes categorias:
a) Saúde e assistência médica e hospitalar – médicos, enfermeiros e outros
paramédicos, hospitais, clínicas, dispensários e similares.
b) Assistência e segurança sociais.
c) Desporto.
d) Educação, ensino e outras atividades conexas.
e) Formação profissional.
f) Cultura, ciência e arte.
g) Transmissão de direitos de autor e de obras.
h) Assistência espiritual.
i) Prestações de Serviços e Transmissões de Bens conexas, efetuadas no interesse
coletivo dos seus associados, por organismos que prossigam objetivos de natureza
política, sindical, religiosa, humanitária, filantrópica, recreativa, desportiva, cultural,
cívica e económica e que sejam remuneradas apenas pela quota.
j) Prestações de serviços efetuadas por empresas funerárias e de cremação e TB
acessórias.
k) Operações bancárias e financeiras.
l) Operações de seguro e resseguro.
m) Operações de locação de imóveis.
n) Etc.

Estas isenções estão subdivididas em 4 grupos:

o Isenções nas operações internas.

o Isenções nas importações.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

o Isenções nas exportações, operações assimiladas a exportações e transportes


internacionais.

o Outras isenções.

Isenções nas operações internas (art. 9.º CIVA)

Apesar dos inconvenientes provocados pelas isenções (o sujeito passivo não liquidando
imposto nas suas operações, não poderá deduzir o imposto suportado nas suas aquisições,
originando assim efeitos cumulativos na cadeia económica) isentam-se certos sectores, não
só por uma questão de tradição, como também pelas dificuldades em tributar certo tipo de
atividades.

Estão isentas, entre outras, as seguintes operações ou atividades:

o Serviços prestados por médicos, paramédicos e outros profissionais médicos


e sanitários.

o Serviços prestados no âmbito do ensino e formação profissional.

o Direitos de autor transmitidos pelo próprio (de acordo com certos


requisites).

o Operações bancarias e serviços financeiros.

o Seguros e resseguros.

o Aquisição, arrendamento e locação de bens imoveis.

o Serviços de alimentação e bebidas fornecidas pela entidade patronal aos


seus trabalhadores.

Em determinadas condições, as empresas que desenvolvam algumas destas atividades


podem renunciar a isenção, passando a cobrar IVA nos serviços prestados e a deduzir o
IVA suportado.

Beneficiam desta opção, entre outras, as seguintes atividades:

o Serviços médicos e sanitários prestados por estabelecimentos hospitalares


privados.

o Formação profissional.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

o Transmissão, arrendamento e locação de bens imóveis.

o Serviços de alimentação e bebidas fornecidas pela entidade patronal aos


seus trabalhadores.

A renúncia a isenção e feita na declaração de inscrição no registo de sujeitos passivos ou


numa declaração de alterações, e é valida por, pelo menos, cinco anos.

Existem ainda operações ou atividades que beneficiam de isenção completa, pois embora
não liquidem o IVA, podem deduzir o IVA suportado:

o As exportações e operações assimiladas.

o As operações relacionadas com tráfego internacional.

o As transmissões intracomunitárias.

o Os transportes internacionais.

o Operações financeiras, de seguro ou resseguro, para destinatários não residentes


na EU.

Regime Especial de Isenção

O CIVA estabelece um regime especial de isenção aplicável às pequenas unidades de


produção, de comércio ou de prestação de serviços que, devido à sua reduzida dimensão,
não possuem a estrutura administrativa adequada.

O Ofício-Circulado n.º 030 138, de 27/12/2012 isenta os sujeitos passivos que:


o Não tenham nem sejam obrigados a ter contabilidade organizada para efeitos do
IRS ou IRC.
o Não pratiquem importações, exportações ou atividades conexas.
o Não exerçam atividades que consistam em transmissões de bens ou prestações de
serviços do setor de desperdícios, resíduos e sucatas recicláveis, mencionados no
anexo E do Código do IVA.
o Não tenham atingido, no ano civil anterior, um volume de negócios superior a €
10.000, ou, sendo retalhista, esse volume de negócios seja inferior a € 12.500.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

Podem, ainda, beneficiar do regime de isenção os retalhistas com um volume de negócios


superior a € 10.000 mas inferior a € 12.500, que, se fossem tributados, preencheriam as
condições de inclusão no regime dos pequenos retalhistas.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

6.4. Valor tributável

Conceito: o valor tributável é o valor dos bens ou dos serviços sobre o qual vai incidir a
taxa do imposto. Porque a tributação se faz tendo em conta o valor real da operação, o
valor tributável será a contraprestação obtida do adquirente do bem ou do serviço.

Note-se, no entanto, que o conceito de valor tributável num sistema de IVA baseado no
método do crédito de imposto, não tem o significado que normalmente lhe é atribuído em
sede de outros impostos, uma vez que o imposto devido não resulta diretamente da
aplicação da taxa a este valor (esta operação proporciona sim o valor do imposto a
suportar pelo cliente em cada transação), mas da diferença entre o resultado dessa
operação, relativamente à totalidade das vendas de bens e serviços num determinado
período, e o montante do imposto suportado (dedutível) nas aquisições de bens e serviços
nesse mesmo período.

Valor tributável nas operações internas

O valor tributável das transmissões de bens e das prestações de serviços sujeitas a imposto
é o valor da contraprestação obtida ou a obter do adquirente, do destinatário ou de um
terceiro (art. 16.º 1).

Nos casos das transmissões de bens e das prestações de serviços a seguir enumeradas, o
valor tributável é:
o No caso de mercadorias enviadas à consignação e não devolvidas no prazo de um
ano, o valor constante da fatura;
o No caso de afetação permanente de bens da empresa, cujo IVA tenha sido total ou
parcialmente deduzido, a uso próprio do seu titular, do pessoal ou em geral a fins
alheios à mesma, bem como nos casos da sua transmissão gratuita ou afetação a
sectores de atividade isentos, o VT será o preço de aquisição dos bens ou de bens
similares ou, na sua falta, o preço de custo, ambos reportados à data da realização
das operações;

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

o No caso de utilização de bens da empresa, que tenham originado dedução de


imposto, a uso próprio do seu titular, do pessoal ou a outros fins alheios à mesma,
de utilização em sectores de atividade isentos e no caso de prestações de serviços a
título gratuito, o VT será o valor normal do serviço;
o No caso de operações resultantes de atos de autoridades públicas, o VT será a
indemnização ou qualquer outra forma de compensação;
o Nos casos das transmissões de bens entre comitente e comissário (ou entre
consignante e consignatário), o VT será o preço de venda acordado pelo comissário
(consignatário), diminuído da comissão (no caso da comissão de venda e da
consignação), ou o preço de compra acordado pelo comissário aumentado da
comissão (no caso da comissão de compra);
o No caso das transmissões de bens em segunda mão, de objetos de arte, de coleção
ou antiguidades (regime particular do IVA), o VT será a diferença, devidamente
justificada, entre o preço de venda e o preço de compra, em conformidade com o
disposto em legislação especial.
o No caso de TB em virtude de arrematação, venda judicial ou administrativa, de
conciliação ou de contratos de transação, o valor tributável será aquele por que as
arrematações ou vendas forem efetuadas ou, sendo caso disso, o valor normal dos
bens transmitidos;
o No caso de contratos de locação financeira, o VT será o valor da renda (capital +
juros) recebida ou a receber do locatário.

Nos casos em que a contraprestação não seja definida, no todo ou em parte, em dinheiro,
o valor tributável é o montante recebido ou a receber, acrescido do valor normal dos bens
ou serviços dados em troca.

Para efeitos do imposto sobre o valor acrescentado, entende-se por valor normal de um
bem ou serviço:
a. O preço, aumentado dos elementos referidos no art. 16.º 5, na medida em que nele
não estejam incluídos, que um adquirente ou destinatário, no estádio de
comercialização em que é efetuada a operação e em condições normais de
concorrência, teria de pagar a um fornecedor ou prestador independente, no tempo

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

e lugar em que é efetuada a operação ou no tempo e lugar mais próximos, para


obter o bem ou o serviço ou um bem ou serviço similar;
b. Na falta de bem similar, o valor normal não pode ser inferior ao preço de aquisição
do bem ou, na sua falta, ao preço de custo, reportados ao momento em que a
transmissão de bens se realiza;
c. Na falta de serviço similar, o valor normal não pode ser inferior ao custo suportado
pelo sujeito passivo na execução da prestação de serviços.

O valor tributável das transmissões de bens e das prestações de serviços sujeitas a


imposto, inclui:
a. Os impostos, direitos, taxas e outras imposições, com exceção do próprio imposto
sobre o valor acrescentado;
b. As despesas acessórias debitadas, como sejam as respeitantes a comissões,
embalagem, transporte, seguros e publicidade efetuadas por conta do cliente;
c. As subvenções diretamente conexas com o preço de cada operação, considerando
como tais as que são estabelecidas em função do número de unidades transmitidas
ou do volume dos serviços prestados e sejam fixadas anteriormente à realização
das operações.

Do valor tributável referido são excluídos:


a. Os juros pelo pagamento diferido da contraprestação e as quantias recebidas a
título de indemnização declarada judicialmente, por incumprimento total ou parcial
de obrigações;
b. Os descontos, abatimentos e bónus concedidos;
c. As quantias pagas em nome e por conta do adquirente dos bens ou do destinatário
dos serviços, registadas pelo sujeito passivo em contas de terceiros apropriadas;
d. As quantias respeitantes a embalagens, desde que as mesmas não tenham sido
efetivamente transacionadas e da fatura constem os elementos referidos no artigo
36.º 5.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

VALOR Transmissões Descontos Despesas


TRIBUTÁVEL = de bens e abatimentos associadas
serviços ou bónus

Valor tributável nas importações

O valor tributável dos bens importados é constituído pelo valor aduaneiro, determinado de
harmonia com as disposições comunitárias em vigor. Serão exemplos os direitos
aduaneiros, as taxas e outros encargos.

O valor tributável dos bens importados inclui, na medida em que nele não estejam
compreendidos:
a. Os impostos, direitos aduaneiros, taxas e demais encargos devidos antes ou em
virtude da própria importação, com exclusão do imposto sobre o valor
acrescentado;
b. As despesas acessórias, tais como despesas de comissões, embalagem, transportes
e seguros, verificadas até ao primeiro lugar de destino dos bens em território
nacional, ou outro lugar de destino no território da Comunidade se este for
conhecido no momento em que ocorre o facto gerador na importação, com
exclusão das despesas de transporte a que se refere a alínea t) do n.º 1 do artigo
14.º;
c. O valor das operações referidas no artigo 14.º 1 p) e 15.º 1 b) a e).

Considera-se lugar de destino aquele que se encontre documentalmente comprovado


perante os serviços aduaneiros ou, na falta dessa indicação, o lugar em que ocorra a
primeira rutura de carga, se esta se efetuar no interior do país, ou, caso tal não se
verifique, o lugar da importação.

Do valor tributável dos bens importados são excluídas as reduções de preço resultantes do
desconto por pagamento antecipado e os descontos concedidos ao adquirente ou ao

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

destinatário no momento em que a operação se realiza e que figurem separadamente na


fatura.

Nos casos de reimportação de bens exportados temporariamente para fora do território da


Comunidade e que aí tenham sido objeto de trabalhos de reparação, transformação ou
complemento de fabrico, o valor tributável é o que corresponder à operação efetuada,
determinado de harmonia com o disposto nos números anteriores.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

6.5.Taxas

(Redação da Lei nº 82-B/2014, de 31 - 12)

As taxas de imposto são diferentes consoante as operações tributáveis sejam consideradas


localizadas no Continente ou nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

As taxas do imposto são as seguintes:


a. Para as importações, transmissões de bens e prestações de serviços constantes da
lista I, nomeadamente, aos bens alimentares essenciais, a taxa de 6%;
b. Para as importações, transmissões de bens e prestações de serviços constantes da
lista II, designadamente a gorduras e óleos comestíveis, conservas de carne, de
peixe e de moluscos, fruta e frutos secos, café (em grão ou em pó), vinhos comuns,
águas minerais, flores e plantas, equipamentos agrícolas e serviços de alimentação
e bebidas, a taxa de 13%;
c. Para as restantes importações, transmissões de bens e prestações de serviços, ou
seja, àqueles que não constam das Listas I e II, a taxa de 23%.

As taxas referidas são, respetivamente, de:


a. 5 %, 10 % e 18 %, relativamente às operações que se considerem efetuadas na
Região Autónoma dos Açores;
b. 5 %, 12 % e 22 %, relativamente às operações que se considerem efetuadas na
Região Autónoma da Madeira.

Taxa Portugal Madeira Açores


Continental
Normal 23% 22% 18%
Intermédia 13% 12% 10%
Reduzida 6% 5% 5%

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

Nas transmissões de bens constituídos pelo agrupamento de várias mercadorias, formando


um produto comercial distinto, aplicam-se as seguintes taxas:

a. Quando as mercadorias que compõem a unidade de venda não sofram alterações


da sua natureza nem percam a sua individualidade, a taxa aplicável ao valor global
das mercadorias é a que lhes corresponder ou, se lhes couberem taxas diferentes, a
mais elevada.
b. Quando as mercadorias que compõem a unidade de venda sofram alterações da
sua natureza e qualidade ou percam a sua individualidade, a taxa aplicável ao
conjunto é a que, como tal, lhes corresponder.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

6.6. Direito à dedução e apuramento de imposto

Direito à Dedução

À faculdade que o contribuinte tem de deduzir o imposto que suportou nas aquisições,
chama-se direito à dedução, elemento nuclear à volta do qual gravita todo o
funcionamento do IVA, consubstanciando-se no direito atribuído a cada sujeito passivo de,
no momento em que apure o imposto por si devido, relativo às suas vendas e prestações
de serviços, poder deduzir o imposto que suportou nas aquisições de bens e serviços
necessários à sua atividade, entregando apenas a diferença entre os dois montantes
considerados.

O direito à dedução opera através da compensação e, subsidiariamente, pelo reembolso.


Por compensação, porque o sujeito passivo subtrai ao montante de que é devedor (IVA
liquidado), num determinado período, o montante de imposto dedutível que suportou nesse
mesmo período (art. 22.º 1 CIVA). Por reembolso, porque o sujeito passivo poderá solicitar
que o Estado lhe restitua a quantia de que é credor.

O direito à dedução é, portanto, concebido como um direito creditório, em que o credor é o


sujeito passivo da obrigação tributária e o devedor é o sujeito ativo da relação tributária –
o Estado.

O credor, uma vez munido do título válido em seu nome e na sua posse – a fatura ou
documento equivalente passados em forma legal ou ainda o recibo comprovativo do
pagamento do IVA nas importações – pode fazer valer o seu direito (art. 19.º 2 e 36.º 5
CIVA).

O valor dedutível é calculado com base nas aquisições do sujeito passivo.


Só poderão deduzir o imposto as entidades que não usufruam de isenção simples. O
imposto só pode ser deduzido nos seguintes casos:

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

o Operações sujeitas a dedução.

o Transmissões de bens e prestação de serviços sujeitas a imposto e dele não isentas.

o Exportações.

O apuramento do IVA resulta da diferença entre o valor liquidado e o valor dedutível,


corrigida pelas regularizações provocadas por descontos ou despesas acrescidas.

Contudo, para que a dedução seja possível, é necessário que as aquisições de bens ou
serviços sejam feitas com vista à realização de operações tributáveis (art. 20.º 1 a), com
exceção das que gozam de isenção completa, tais como exportações, operações
assimiladas a exportações, algumas operações ligadas a importações e a regimes
aduaneiros suspensivos (art. 20.º 1 b) e ainda as transmissões intracomunitárias de bens
para outros Estados membros da Comunidade.

Não dão, pois, lugar à dedução as aquisições feitas para atividades fora do âmbito do
imposto, ou fora do conceito de atividade económica (atividades não sujeitas), nem as que
se destinem às operações isentas nos termos do art. 9.º CIVA (isenções simples ou
incompletas), ou quando efetuadas no âmbito do Regime Especial de Isenção previsto
no art. 53.º e seguintes.

Apuramento do IVA

Assim, para determinar o valor do imposto a entregar ao Estado, os sujeitos passivos


deduzirão ao imposto liquidado sobre as operações tributáveis que efetuaram (cfr. art. 19.º
CIVA):

o O imposto devido ou pago aos seus fornecedores pela aquisição de bens ou serviços
a outros sujeitos passivos.

o O imposto devido pela importação de bens.

o O imposto pago pela aquisição dos bens ou dos serviços indicados nas alíneas e),
h), i), j) e l) do artigo 2.º 1.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

o O imposto pago como destinatário de operações tributáveis efetuadas por sujeitos


passivos estabelecidos no estrangeiro, quando estes não tenham no território
nacional um representante legalmente acreditado e não tenham faturado o imposto.

o O imposto pago pelo sujeito passivo à saída dos bens de um regime de entreposto
não aduaneiro, de acordo com o art. 15.º 6.

Apuramento
= IVA
do IVA
= liquidado
IVA
dedutível
IVA
regularizações

O apuramento do IVA resulta da diferença entre o valor liquidado e o valor dedutível,


corrigida pelas regularizações provocadas por descontos ou despesas acrescidas.

Descontos, abatimentos ou Notas de


IVA
bónus, concedidos nas vendas crédito
ou prestações de serviços
REGULARIZAÇÕES
A FAVOR DA Notas de
Despesas associadas à
EMPRESA débito
compra ou aquisições

Descontos, abatimentos ou Notas de


IVA
bónus, concedidos nas crédito
compras ou aquisições
REGULARIZAÇÕES
A FAVOR DO
Despesas associadas à Notas de
ESTADO débito
venda ou prestações de
serviços

No caso de o imposto a deduzir exceder o imposto liquidado do respetivo período, o


excesso será deduzido nos períodos de imposto seguintes ou reembolsado pelo Estado nas

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

condições previstas no art. 22º do CIVA.

6.7.Reembolsos

Uma das características da estrutura declarativa do IVA traduz-se na possibilidade de os


sujeitos passivos ficarem numa situação de crédito perante o Estado e consequentemente
terem direito a esses créditos.

O reembolso é assim um critério supletivo que possibilita ao sujeito passivo, em


determinadas situações, o exercício efetivo do direito à dedução.

Situações em que o SP poderá solicitar o reembolso do IVA (art. 22º 5 e 6):

o Quando o crédito a favor do sujeito passivo persista durante 12 meses consecutivos


e o seu montante seja superior a € 250;
o Quando o crédito a favor do sujeito passivo exceder € 3000;
o Quando se verifiquem as seguintes situações e o crédito a favor do sujeito passivo
seja superior a € 25:
 Haja cessação de atividade;
 O sujeito passivo passe a praticar exclusivamente operações isentas de
imposto que não conferem direito à dedução (isenções incompletas);
 O sujeito passivo passe a enquadrar-se no regime normal e pretender a
aplicação do Regime Especial de Isenção previsto no art. 53º;
 O SP quando estando incluído no regime normal pretender a aplicação do
REPER previsto no art. 60º.

Quando o montante a reembolsar exceder o montante de € 30.000, poderá a DGCI exigir


caução, fiança bancária ou outra garantia adequada, que determinará a suspensão do

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

prazo de contagem de juros indemnizatórios, até à prestação da mesma, a qual deverá ser
mantida pelo prazo de seis meses.

Relativamente ao eventual indeferimento (total ou parcial) de reembolsos, tal cenário


poderá resultar das seguintes situações (art. 22º 11):
o Não apresentação, conjuntamente com o pedido, dos elementos previstos no
Despacho Normativo n.º 53/2005, de 15 de Dezembro;
o Falta de colaboração do SP ao não apresentar os elementos ou informações
consideradas pertinentes pela administração fiscal;
o O imposto dedutível, ou parte dele, referir-se a fornecedores com n.º fiscal
inexistente ou inválido ou que tenham suspenso ou cessado a atividade;
o Deteção de dívidas de IVA não regularizadas pelo sujeito passivo;
o Outras situações detetadas no âmbito da apreciação do pedido, designadamente, a
deteção de deduções indevidas ou de situações de falta de liquidação de IVA.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

6.8.Sujeitos passivos mistos

Conceito: sujeitos passivos mistos são aqueles que realizam operações tributadas (com
direito à dedução) e operações isentas (sem direito à dedução). Para estes operadores, o
direito à dedução é incompleto, pois apenas podem deduzir o imposto suportado para a
realização das operações tributadas.

Para a determinação do direito à dedução para estes sujeitos passivos, existem dois
métodos:
o O método de dedução ou pro rata, como método dominante;
o O método da afetação real, como método supletivo, para além de ainda se poder
aplicar simultaneamente estes dois métodos.

O método pro rata caracteriza-se pelo facto de o direito à dedução ser proporcional ao
valor das operações tributáveis e isentas com direito à dedução relativamente ao volume
de negócios total.

Esta proporção resulta de uma fração em que no numerador figura o valor anual, IVA
excluído, das transmissões de bens e prestações de serviços que dão direito à dedução
(operações tributáveis, incluindo as operações isentas com direito à dedução) e no
denominador o valor anual, IVA excluído, da totalidade das operações efetuadas pelo
sujeito passivo, incluindo as operações que estão fora do campo de aplicação do imposto e
as subvenções não tributadas que não sejam subsídios de equipamento.

Pro rata = (operações com direito à dedução ÷ total das operações) x %

São excluídos quer do numerador quer do denominador, as transmissões de bens do ativo


imobilizado utilizado na atividade da empresa, as operações imobiliárias e financeiras,
quando consideradas acessórias da atividade exercida pelo sujeito passivo e os subsídios
de equipamento.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

A percentagem do pro rata será sempre arredondada para a centésima imediatamente


superior.
No decorrer de cada exercício para determinação do imposto dedutível, os sujeitos passivos
aplicarão ao imposto suportado nas aquisições de bens e serviços de cada período o «pro
rata provisório» que é o definitivo do ano anterior.

Como os valores para a determinação do pro rata só são conhecidos no final do ano, o pro
rata aplicado durante um determinado ano será o do ano anterior, efetuando-se a sua
correção no ano seguinte, de acordo com os resultados obtidos através do pro rata
definitivo do ano em causa.

Temos assim que as deduções efetuadas com base no pro rata provisório são deduções
provisórias pelo que deverão ser regularizadas de acordo com o pro rata definitivo
determinado no ano seguinte.

Pro rata definitivo < Pro rata provisório = Regularização a favor do Estado
Pro rata definitivo > Pro rata provisório = Regularização a favor do sujeito
passivo

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

6.9. Obrigações

Os sujeitos passivos do IVA, com exceção daqueles enquadrados em regimes especiais, são
obrigados a apresentar mensalmente a declaração periódica (Mod. 106) e a entregar o
montante do imposto exigível.

A apresentação da declaração periódica é obrigatória, mesmo que não haja no período


correspondente, operações tributáveis.

Nas importações o pagamento do imposto é efetuado no ato de desembaraço alfandegário.

Assim, as obrigações dos sujeitos passivos podem-se agrupar em:


o Obrigações declarativas
o Obrigação de factoração
o Obrigação de escrituração
o Obrigação de arquivo e conservação de documentos

Obrigações declarativas

Os sujeitos passivos devem apresentar na Repartição de Finanças:

o A Declaração Periódica:
 Até ao 10º dia do 2º mês seguinte àquele a que respeitam as operações, no
caso dos sujeitos passivos enquadrados no regime mensal;
 Até ao 15º dia do 2º mês seguinte ao trimestre civil a que respeitam as
operações, no caso de sujeitos passivos enquadrados no regime trimestral.
o A Declaração de Inicio de Atividade antes de iniciar a atividade sujeita ao
imposto.
o A Declaração de Alteração de Atividade, no prazo de 15 dias a contar da data
da alteração de quaisquer elementos constantes da declaração de início de
atividade.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

o A Declaração de Cessação de Atividade, no prazo de 30 dias a contar da data


de cessação de atividade.
o A Declaração Recapitulativa a ser entregue nos seguintes prazos:
 Até ao dia 20 do mês seguinte ao das operações, no caso de sujeitos passivos
enquadrados no regime mensal do IVA.
 Até ao dia 20 do mês seguinte ao trimestre a que respeitem as operações, no
caso de sujeitos passivos enquadrados no regime trimestral do IVA quando o
valor das transmissões intracomunitárias durante o trimestre em curso ou em
qualquer dos quatro trimestres civis anteriores seja inferior a €50.000.
 Até ao dia 20 do mês seguinte ao das operações no caso de sujeitos passivos
enquadrados no regime trimestral do IVA quando o valor das transmissões
intracomunitárias durante o trimestre em curso ou em qualquer dos quatro
trimestres civis anteriores seja superior a €50.000.

Obrigação de faturação

Os sujeitos passivos devem emitir uma fatura ou documento equivalente, em duplicado, o


mais tardar no 5º dia útil, por cada transmissão de bens ou prestação de serviços.

A emissão de faturas globais deve ser previamente comunicados a DGCI e o seu


processamento não poderá ir além do 5º dia útil posterior ao termo do período a que
respeita.

Tratando-se de devoluções de bens anteriormente transacionados, o sujeito passivo deve


substituir as faturas ou documentos equivalentes por guias ou notas de devolução.

Os sujeitos passivos devem emitir uma Fatura (ou “Fatura-Recibo”) por cada transmissão
de bens ou prestação de serviços ou, em determinadas circunstâncias, uma Fatura
Simplificada.

Quando o valor tributável de uma operação ou o imposto correspondente sejam alterados


por qualquer motivo, incluindo inexatidão, deve ser emitido documento retificativo de
fatura (“Nota de Débito” ou “Nota de Crédito”).

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

As faturas e os documentos retificativos são processados através de programas


informáticos de faturação, produzido internamente (ou por empresa integrada no mesmo
grupo económico) ou adquirido a terceiros previamente certificado pela Autoridade
Tributária.

Estes documentos são emitidos numa ou mais séries, convenientemente referenciadas, de


acordo com as necessidades comerciais, devendo ser datadas e numeradas de forma
progressiva e contínua, dentro de cada série, por um período não inferior a um ano fiscal.

A utilização de faturas impressas em tipografias autorizadas com numeração pré-impressa


só é permitida se verificadas determinadas condições.

Autofaturação

A autofacturação é permitida se existir um acordo prévio, na forma escrita, entre o sujeito


passivo transmitente dos bens ou prestador dos serviços e o adquirente ou destinatário dos
mesmos e este provar que o transmitente dos bens ou prestador dos serviços tomou
conhecimento da emissão da fatura e aceitou o seu conteúdo.

O documento deve conter a menção “autofacturação”.

Faturação eletrónica

As faturas podem ser emitidas por via eletrónica desde que, aceite pelo destinatário, seja
garantida a autenticidade da sua origem, integridade do seu conteúdo e a sua legibilidade
através de quaisquer controlos de gestão que criem uma pista de auditoria fiável.

A assinatura eletrónica avançada ou EDI são exemplos de procedimentos que garantem a


autenticidade da origem e a integridade do conteúdo.

Obrigação de escrituração

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

Os sujeitos passivos devem dispor de contabilidade organizada de forma a possibilitar o


apuramento claro e inequívoco do imposto, bem como a respetiva e fiscalização do IVA.

Os Livros de escrituração deverão ser utilizados pelos contribuintes que não são obrigados
a possuir contabilidade regularmente organizada, desde que rubricados e assinados pela
Repartição de Finanças.

Obrigação de arquivo e conservação de documentos

Os sujeitos passivos são obrigados a arquivar e conservar em boa ordem, durante cinco
anos, todos os livros, faturas, guias ou notas de devolução, bem como todos os restantes
documentos de suporte, incluindo os relativos à análise, programação e execução de
tratamentos informáticos, quando a contabilidade é organizada por meios informáticos.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

6.10. Regimes especiais

A par de um regime apelidado de normal, em que o IVA é apurado pelo método do crédito
de imposto, E de dois regimes especiais: o regime especial de isenção e o regime especial
dos pequenos retalhistas, existem determinados bens e serviços e ainda certas situações
sujeitos a regimes ou regras especiais de tributação.

Os regimes em causa são os seguintes:


o Regime especial de tributação das agências de viagens e operadores de circuitos
turísticos;
o Regime especial de tributação dos tabacos manufaturados;
o Regime especial dos combustíveis;
o Regime especial de tributação dos bens em segunda mão, objetos de arte, de
coleção e antiguidades
o Regime especial de tributação das vendas de peixe, crustáceos e moluscos
efetuadas pelas lotas;
o Regime de substituição da responsabilidade pela entrega do imposto;
o Regime especial do ouro para investimento.

De referir, ainda, embora num âmbito diferente, as situações a seguir descritas, em que se
aplica a inversão do sujeito passivo:
o Tributação dos desperdícios, resíduos e sucatas recicláveis;
o Serviços de construção civil, incluindo a remodelação, reparação, manutenção,
conservação e demolição de bens imóveis, em regime de empreitada e
subempreitada; Transmissão de imóveis com renúncia à isenção.

Como especiais são ainda designados:


o O Regime Especial de Exigibilidade do IVA nas empreitadas e subempreitadas de
obras públicas;

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

o O Regime Especial de Exigibilidade do IVA nas entregas de bens às cooperativas


agrícolas;
o O Regime Especial de Exigibilidade do IVA nos transportes rodoviários nacionais de
mercadorias.

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6.11. Regime do IVA nas transações intracomunitárias

Conceito: o Regime do IVA nas Transações Intracomunitárias (RITI) instituído pela


Diretiva 91/680/CEE é um regime transitório especial, aplicável apenas às transações intra-
UE de bens. Este regime contudo mantêm-se atualmente em vigor.

Este regime é especial face ao Código do IVA., característica que traduz-se no facto de as
respetivas normas prevalecerem sobre as do Código do IVA, sendo aplicáveis as normas do
CIVA feitas as devidas adaptações, caso nenhuma norma do RITI seja aplicável.

Os aspetos gerais de aplicação do imposto continuam a ser disciplinados pelo Código,


como, v.g., os conceitos essenciais (designadamente, o de território nacional e de território
da UE), as regras de determinação do facto gerador da exigibilidade, do valor tributável,
das taxas, as obrigações dos contribuintes, etc., salvaguardando-se, em alguns casos,
pequenos ajustamentos feitos no RITI.

Assim, por exemplo, para saber se A, que faz transmissões de bens para um comerciante
das Canárias, está a fazer uma transmissão intra-UE de bens, teremos que recorrer ao
conceito de território da UE, previsto no Código.

Para sabermos em que regime ficará enquadrado B, que apenas realiza aquisições intra-UE
de bens localizadas em Portugal, iremos recorrer às regras gerais do Código do IVA.

Estrutura do RITI

O Regime do IVA nas transações intracomunitárias (RITI) prevê um regime geral e três
regimes especiais.

O regime geral é aplicável às transações intra-UE de bens efetuadas entre sujeitos passivos
do imposto de dois Estados membros, tendo o transporte dos bens tido início num Estado
membro e terminado noutro Estado membro.

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

Como regimes especiais previstos no RITI:


o O regime de derrogação do regime geral, que abrange as aquisições intra-UE de
bens efetuadas por sujeitos passivos totalmente isentos, o Estado e as demais
pessoas as coletivas de direito público.
o O regime das aquisições intra-UE de meios de transporte novos;
o O regime das vendas à distância.

Regime geral de tributação das aquisições intra-UE de bens

Em traços gerais, é possível caracterizar o RITI da seguinte forma:


a. Aplica-se a todas as transações intra-UE de bens efetuadas entre sujeitos passivos
do imposto, independentemente do tipo de bem em causa, desde que este tenha
sido expedido ou transportado de um Estado membro para outro Estado membro;
b. A transmissão intra-UE de bens, à semelhança das operações de exportação, é
isenta no Estado membro de origem ie., no Estado membro onde se iniciou a
expedição ou transporte do bem com destino a um outro Estado membro,
conferindo o direito à dedução do IVA suportado a montante para a respetiva
realização (isenção completa);
c. A aquisição intra-UE de bens, à semelhança das operações de importação, é uma
operação tributável no país de destino, ou seja, o Estado membro onde termina a
expedição ou transporte do bem, conferindo o direito à dedução do IVA liquidado. A
diferença relativamente às operações de exportação e de importação, resulta do
facto de deixar de existir fronteiras fiscais como imperativo da entrada em vigor do
mercado interno, o que implica que o IVA nestas operações deixe de ser liquidado
nos serviços aduaneiros;
d. Deixa de existir a intervenção dos serviços aduaneiros, dado o desaparecimento das
fronteiras fiscais e passa a ser o sujeito passivo que faz a aquisição intracomunitária
de bens quem liquida o IVA, a autoliquidação do IVA. Tendo o sujeito passivo
direito a deduzir este IVA, se o seu direito à dedução for integral trata-se de uma
mera operação contabilística cujo resultado é zero;
e. Os sujeitos passivos que fazem transações intra-UE de bens, passam, assim, a ter
como "novas obrigações", em geral:

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

o A liquidação do imposto devido nas aquisições intra-UE de bens que fazem;


o Uma nova obrigação declarativa: o envio de um anexo recapitulativo das
transmissões intra-UE de bens que efetuaram no seu período de tributação
(que, entretanto, passou a ser una declaração recapitulativa
o Novos requisitos a constar das faturas, designadamente, a aposição do prefixo
dos Estados membros do transmitente e do adquirente, seguido dos respetivos
números de identificação fiscal e a indicação do local de destino das
mercadorias;
f. Como mecanismos de controlo substitutivos das fronteiras fiscais temos, sobretudo,
o referido sistema VIES de troca de informações sobre as transações
intracomunitárias de bens e os instrumentos estatísticos, para além dos
mecanismos de cooperação administrativa já existentes.

Este regime fundamenta-se no facto de as transações de bens efetuadas entre sujeitos


passivos de diferentes Estados membros não serem tributadas na «passagem da
fronteira», visto desaparecer o conceito de importação e exportação no interior da
comunidade, alterando-se o facto gerador surgindo um novo conceito – o da aquisição
intracomunitária de bens.

Estão sujeitas a imposto as aquisições intracomunitárias de bens efetuadas no território


nacional a título oneroso, por um sujeito passivo agindo como tal, desde que o vendedor:
o Seja um sujeito passivo agindo como tal, devidamente registado para efeitos de
imposto em outro estado membro;
o Não esteja abrangido por um regime particular de isenção de pequenas empresas
no seu Estado membro;
o Não efetue no território nacional a instalação ou montagem dos bens expedidos ou
transportados a partir de outro Estado membro;
o Os bens transmitidos não devem estar sujeitos ao regime das vendas à distância.

Estão também sujeitas a imposto:


o As aquisições intracomunitárias de meios de transporte novos efetuadas no
território nacional, a título oneroso, por um sujeito passivo ou por um particular;

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ufcd 0601 - Princípios de fiscalidade

o As aquisições intracomunitárias de bens sujeitos a impostos especiais de consumo,


efetuadas no território nacional, a título oneroso, pelo Estado, pessoas coletivas de
direito público e sujeitos passivos isentos;
o As operações assimiladas a aquisições intracomunitárias de bens;
o As transmissões de meios de transporte novos efetuadas a título oneroso, por
qualquer pessoa, expedidos ou transportados pelo vendedor, pelo adquirente ou
por conta destes, a partir do território nacional, com destino a um adquirente
estabelecido ou domiciliado noutro Estado membro.

Conceito de aquisição intra-UE de bens

De acordo com o RITI, o conceito de aquisição é composto por dois aspetos: um primeiro
relacionado com a obtenção do poder de dispor de um bem e o outro relacionado com o
transporte ou expedição desse bem. Assim, para que haja uma aquisição intra-UE de bens
é necessário que, cumulativamente:
o Se obtenha o poder de dispor, por forma correspondente ao direito de propriedade,
de um bem móvel corpóreo, e
o O bem seja expedido ou transportado para o território nacional pelo vendedor, pelo
adquirente ou por conta destes, com destino ao adquirente (a expedição ou
transporte tem de ter inicio noutro Estado Membro).

Sujeitos passivos do imposto

No RITI poderemos distinguir duas categorias de sujeitos passivos.

Aqueles que já eram sujeitos passivos face às regras do Código do IVA e os "novos"
sujeitos passivos, i.e., aqueles que, não sendo sujeitos passivos para efeitos do CIVA, são-
no agora para efeitos do RITI: o Estado e as demais pessoas coletivas de direito público
sempre que efetuam aquisições intra-UE de, bens e os particulares, relativamente às
transações intra-UE de meios de transporte novos.

Assim, são sujeitos passivos pela aquisição intra-UE de bens:

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o Os sujeitos passivos mencionados no artigo 2.º 1 a), do Código, que realizem


transmissões de bens ou prestações de serviços que conferem direito à dedução
total ou parcial do imposto;
o Os sujeitos passivos mencionados no artigo 2.º 1 a), do Código, que realizem
exclusivamente transmissões de bens ou prestações de serviços que não conferem
qualquer direito à dedução (devido ao facto de efetuarem exclusivamente
operações isentas nos termos do artigo 9.º do Código ou por se encontrarem
isentos ao abrigo do disposto no artigo 53. o do Código);

São, ainda, sujeitos passivos pela aquisição ("novos" sujeitos passivos):


o O Estado e demais pessoas coletivas referidas no artigo 2.º 2 do Código do IVA, ou
qualquer outra pessoa coletiva. Isto é, o Estado e as demais pessoas coletivas de
direito público, ainda que atuem no âmbito dos seus poderes de autoridade, são
sempre sujeitos passivos quando efetuam aquisições intra-UE de bens exceto se,
conforme iremos verificar, beneficiarem do regime especial de derrogação do
regime geral das aquisições intra-UE de bens, previsto no artigo 5.º;
o Os particulares que efetuem aquisições intra-UE de meios de transporte novos;
o As pessoas singulares ou coletivas que ocasionalmente efetuem transmissões de
meios de transporte novos, expedidos ou transportados a partir do território
nacional, com destino a adquirentes estabelecidos ou domiciliados noutro Estado
membro.

Regras de localização

O artigo 8.º 1 prevê a regra geral de localização das aquisições intra-UE de bens:
localizam-se e são tributáveis no local onde os bens se encontram no momento em que
termina o transporte ou a expedição para o adquirente. Desta forma, assegura-se a
aplicabilidade do princípio de tributação no país de destino.

Determina-se ainda que as aquisições intra-UE de meios de transporte novos sujeitos a


registo licença ou matrícula no território nacional, são localizadas e, logo, tributáveis, em
território nacional.

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Assegura-se igualmente desta forma a tributação de todas as aquisições intra-UE de meios


de transporte novos em território nacional, independentemente da qualidade do
adquirente.

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Bibliografia

AA VV., Código do IVA e Legislação Complementar, Ed. Vida económica, 2012


Correia, Paulo, Fiscalidade – Manual de formação, Ed. Companhia própria, 2004
Américo Brás Carlos et al., Guia dos Impostos em Portugal 2013, Ed. Quid Iuris 2013
Palma, Clotilde Celorico, Introdução ao IVA, Almedina 2014
Nabais, José Casalta, Direito Fiscal, Almedina 2014

Sites Consultados

Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas


http://www.otoc.pt/

Portal das finanças


http://info.portaldasfinancas.pt

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Termos e condições de utilização

AVISO LEGAL

O presente manual de formação destina-se a utilização em contexto educativo.


É autorizada a respetiva edição e reprodução para o fim a que se destina.
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