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Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Piauí Campus Parnaíba

Monitoria de Física do Ensino Médio


Monitor João Paulo Carvalho
Queda Livre e Lançamento Oblíquo

1. Queda Livre chegarem ao chão em tempos diferentes são as


forças de resistência do ar. Portanto, na ausência
1.1. Entendendo a queda de um corpo dessas forças, ou seja, no vácuo, dois corpos
abandonados a uma mesma altura sempre
O primeiro registro a respeito do estudo chegarão juntos ao chão independente de suas
da queda de um corpo foi feito na Grécia antiga, massas.
mais precisamente por Aristóteles. Ele afirmava
que se duas pedras caíssem de uma mesma 1.2. Função horária do espaço
altura, a mais pesada atingiria o solo primeiro.
Essa foi a verdade absoluta por muito tempo, até Como vimos, a queda de um corpo nada
o século XVII, quando Galileu Galilei provou mais é do que um M.U.V. (Movimento
que as idéias Aristotélicas sobre a queda livre de Uniformemente Variado) pois descreve um copo
um corpo estavam erradas. sob a ação da aceleração da gravidade. Logo, se
queremos determinar o tempo que um corpo vai
Vamos agora entender como acontece a demorar para cair, desprezando a resistência do
queda de um corpo, segundo Galileu. ar, tudo o que precisamos fazer é utilizar o
conhecimento que já adiquirimos sobre M.U.V.
Agora vamos pegar a função horária do espaço:

Essa equação nos dá:


• posição do corpo;
h • velocidade inicial do corpo;
• aceleração do corpo;
• tempo para chegar em determinada
posição.

Porém, na queda livre as variáveis são outras:


• altura do corpo;
• ao ser abandonado, parte do repouso, ou
seja, sua velocidade inicial é zero;
• aceleração da gravidade;
Todo corpo sobre a superfície da Terra • tempo para cair uma determinada altura.
está suscetível a ação de sua gravidade. Essa
ação ocorre através da aceleração da Então, basta substituir o que temos pelas novas
gravidade, representada pelo vetor no variáveis:
esquema acima, que tem módulo de
aproximadamente 9,98 m/s² e que comumente é
arredondado para 10 m/s² a fim de facilitar os
cálculos.
O que faz dois corpos de diferentes
massas que caem de uma mesma altura
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Onde temos: 1.5. Conclusão


• h = altura da queda; Após tudo isso, já somos capazes de explicar o
• g = aceleração da gravidade; fenômeno da queda livre de um corpo. Podemos
• t = tempo da queda. ainda fazer alguns cálculos utilizando:
1.3. Determinando velocidade em
determinado tempo
Pela função horária da velocidade, temos:
para determinar a altura da qual o corpo caiu ou
o tempo da queda,

Como já vimos, basta substituir as variáveis.


Logo, para determinar a velocidade do corpo em
determinado tempo de queda,

Onde temos:
• V = velocidade depois de algum tempo
para determinar a velocidade do corpo sabendo
de queda;
o quanto ele já caiu.
• g = aceleração da gravidade;
• t = tempo da queda.
1.6. Exercícios
1.4. Determinando velocidade em Exercício 1. (UERJ) Foi veiculada na televisão
determinada altura uma propaganda de uma marca de biscoitos com
a seguinte cena: um jovem casal está num
Pela equação de Torricelli, temos:
mirante sobre um rio e alguém deixa cair lá de
cima um biscoito. Passados alguns segundos, o
rapaz se atira do mesmo lugar de onde caiu o
biscoito e consegue agarrá-lo no ar. Em ambos
Substituindo os valores, ficamos com: os casos, a queda é livre, as velocidades iniciais
são nulas, a altura da queda é a mesma e a
resistência do ar é nula. Para Galileu Galilei, a
situação física desse comercial seria interpretada
Onde temos: como:
• V = velocidade em uma altura definida
da queda; a) impossível, porque a altura da queda não era
• g = aceleração da gravidade; grande o suficiente.
• h = quanto o corpo já caiu. b) possível, porque o corpo mais pesado cai com
maior velocidade.
c) possível, porque o tempo de queda de cada
corpo depende de sua forma.
d) impossível, porque a aceleração da gravidade
não depende da massa dos corpos.
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Exercício 2. Uma esfera de massa igual a 3 kg é arremessada, para que as duas atinjam o solo no
solta do alto de um prédio, cuja altura é 40 m. mesmo instante, é:
Calcule a velocidade dessa esfera quando ela a) 12,5 m/s
atinge o chão, considerando a aceleração da b) 7,50 m/s
gravidade como 10 m/s2.
c) 75,0 m/s
Exercício 3. Um objeto é abandonado do alto de d) 1,25 m/s
um prédio e inicia uma queda livre. Sabendo que e) 0,75 m/s
esse objeto leva 3s para atingir o chão, calcule a
altura desse prédio, considerando a aceleração Exercício 7. Partindo do repouso, duas
da gravidade como 10 m/s2. pequenas esferas de aço começam a cair,
simultaneamente, de pontos diferentes
Exercício 4. (UFMS) Um corpo em queda livre localizados na mesma vertical, próximos da
sujeita-se à aceleração gravitacional g = 10 m/s2. superfície da Terra. Desprezando a resistência do
Ele passa por um ponto A com velocidade 10 ar, a distância entre as esferas durante a queda
m/s e por um ponto B com velocidade de 50 irá:
m/s. A distância entre os pontos A e B é: a) aumentar.
a) 100 m b) diminuir.
b) 120 m c) permanecer a mesma.
c) 140 m d) aumentar, inicialmente, e diminuir,
d) 160 m posteriormente.
e) 240 m e) diminuir, inicialmente, e aumentar,
posteriormente.

Exercício 5. Uma pedra, deixada cair do alto de Exercício 8. Uma pedra é solta de um balão que
um edifício, leva 4,0s para atingir o solo. sobe verticalmente com velocidade constante de
Desprezando a resistência do ar e considerando 10 m/s. Se a pedra demora 10s para atingir o
g = 10 m/s², escolha a opção que indica a altura solo, a que altura estava o balão no instante em
do edifício em metros. que se soltou a pedra?
a) 20 m (Use g = 10 m/s² e despreze a resistência do ar).
b) 40 m
c) 80 m 2. Lançamento Oblíquo
d) 120 m 2.1. Entendendo o lançamento oblíquo de um
e) 160 m corpo

Exercício 6. Uma bola é solta de uma altura de Afinal de contas, o que vem a ser “lançamento
45,0m e cai verticalmente. Um segundo depois, oblíquo”? O lançamento oblíquo de um corpo,
outra bola é arremessada verticalmente para projétil ou partícula é nada mais do que o
baixo. Sabendo que a aceleração da gravidade lançamento de um corpo no espaço na direção
no local é 10 m/s² e desprezando a resistência do diagonal de forma que a trajetória do corpo
ar, a velocidade com que a última bola deve ser descreva uma parábola.
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2.2. Decomposição de vetores

O esquema acima representa perfeitamente o


que vem a ser um lançamento oblíquo ou
diagonal. Lembre-se que estamos estudando este
movimento desconsiderando as forças de Como vimos, o movimento é descrito de uma
resistência do ar. forma diferente na direção vertical e horizontal.
Então, precisamos encontrar uma maneira de
Como já vimos, todo corpo em queda está sob separar a velocidade do corpo em uma
ação da aceleração da gravidade. Podemos componente horizontal e outra vertical para
estender isso para qualquer corpo em poder desenvolver o nosso estudo. Faremos isso
movimento vertical. Por isso, quando jogamos através da decomposição de vetores para
uma caneta para cima, ela inicia seu movimento transformar o nosso vetor em dois vetores
com uma velocidade não nula, tendo direção e que quando somados resultam no nosso
vertical e sentido para cima, chega a um ponto
vetor velocidade inicial:
em que para de subir e então inverte o sentido
do seu movimento, caindo. Isso pode ser
explicado por que a aceleração da gravidade tem Mas então, como fazer isso? É bem simples!
sentido para baixo, enquanto a velocidade da Vamos lá…
caneta tem sentido para cima, o que descreve um
movimento retardado ou retrógrado como já foi
estudado em M.U.V.
Por outro lado, ao lançar horizontalmente um Vy
corpo no espaço, deixando de lado toda e
qualquer resistência do ar, não existe aceleração
contrária ou favorável ao movimento do corpo Analisando um vetor qualquer e o ângulo
lançado, já que a aceleração da gravidade age formado entre ele e o eixo x, podemos fazer as
apenas verticalmente. Portanto, ele mantem a relações de sen(α) e cos(α):
sua velocidade constante, ou seja, um
lançamento horizontal descreve um M.U.
(Movimento Uniforme).
Ao lançar qualquer corpo na diagonal, a
trajetória sempre será parabólica, como o ilustra
Perceba que o vetor é o resultante da soma
o esquema acima, sendo o movimento vertical
vetorial de e (aplicando Teorema de
uniformemente acelerado pela gravidade e o
horizontal sempre uniforme. Pitágoras). Ou seja, conseguimos o que
queríamos. Portanto, podemos expressar as
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componentes horizontal e vertical de nossa


velocidade inicial da forma:

Acabamos de expressar o tempo para o corpo


chegar a altura máxima, mas o que queremos é o
tempo total de vôo. Contudo, sabemos que o
2.3. Determinar o tempo de vôo tempo para o corpo cair é o mesmo para chegar
Vamos determinar agora o tempo de vôo. Para à altura máxima, ou seja, eles são iguais. Se eles
isso utilizaremos algumas ideias que vamos são iguais, o tempo total é o dobro do tempo
abstrair a partir dos nossos estudos desde para chegar na altura máxima. Logo, ficamos
M.U.V. até agora: com:
• o tempo que um corpo leva para subir até
a altura máxima em um lançamento
oblíquo é o mesmo tempo que ele
demora para cair da mesma altura
máxima; 2.4. Determinar o alcance do lançamento
• na altura máxima a velocidade em y é O alcance de um lançamento oblíquo é o quão
nula ( . longe o corpo consegue ir longe do seu ponto de
partida. Em outras palavras, é o deslocamento
Bom, agora vamos ao que interessa. do corpo (medido horizontalmente).
Expressaremos a função horária da velocidade
para esse movimento na vertical. Retome o esquema de lançamento da página
anterior. Vamos agora tentar calcular este
alcance. Como o movimento na horizontal é um
M.U., podemos escrever uma função horário do
Essa equação nos dá: espaço para ele da seguinte forma:
• velocidade do corpo;
• aceleração do corpo;
• tempo para atingir determinada
velocidade.
Essa equação nos dá:
Porém, no movimento vertical as variáveis são • posição do corpo;
outras: • velocidade do corpo;
• velocidade em y; • tempo para chegar em determinada
• aceleração da gravidade (com sinal posição.
negativo pois está em sentido oposto à
velocidade do corpo); Porém, no movimento horizontal as variáveis
• tempo para chegar na altura máxima. são outras:
Substituindo, temos: • alcance do lançamento;
• velocidade em x (horizontal);
• tempo de duração do lançamento.
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Como já fizemos, vamos novamente substituir


as variáveis aqui. Temos que , logo,

Note que a expressão depende do tempo total de


vôo. Podemos deduzir uma forma de calcular o
alcance sem esse tempo. Como temos que
, podemos substituir e ficar
com:
2.6. Conclusão

Após todo esse estudo, você já é capaz


de explicar muito a respeito dos lançamentos
oblíquos, além de poder fazer alguns cálculos
utilizando:

Pronto. Agora temos duas fórmulas pelas quais


podemos calcular o alcance máximo de um
lançamento oblíquo. para decompor o seu vetor de velocidade inicial
em componentes horizontal e vertical,

2.5. Determinar a altura máxima do


lançamento
Depois de toda essa dor de cabeça,
para determinar o tempo total de vôo de um
calcular a altura máxima vai parecer fácil. E
corpo lançado obliquamente,
realmente é bem simples. Pegando a função
horária do espaço no M.U.V. e fazendo as
devidas substituições, ficamos com:
para determinar o alcance do lançamento
sabendo o tempo que o corpo passou em vôo,

para determinar o alcance de um lançamento


Sabendo que , temos:
apenas sabendo a velocidade inicial e o ângulo
de lançamento (sem saber o tempo),
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Exercício 10. A bala de um canhão, com massa


de 15 kg, é lançada com velocidade de 1080
km/h. Determine o alcance horizontal máximo
para determinar a altura máxima que um corpo do projétil para o caso de o ângulo formado
pode atingir ao ser lançado. entre o canhão e a horizontal ser de 15°.
Não se esqueça que você ainda pode usar
Dados: Sen 30° = 0,5; g = 10 m/s2.
a vontade as equações do M.U.V. para a direção
vertical do movimento. O mesmo vale para usar
a função horária do espaço na direção Exercício 11. Marque a alternativa incorreta a
horizontal. Só não se esqueça de decompor a respeito do lançamento oblíquo.
velocidade no sentido em que irá trabalhar. a) O ângulo que fornecerá o maior alcance
horizontal possível é o de 45°.
2.7. Exercícios
b) Ao chegar na altura máxima a componente
Exercício 9. (Fatec-SP) Em um jogo de futebol, vertical da velocidade do móvel é nula.
o goleiro, para aproveitar um contra-ataque,
c) A componente horizontal da velocidade
arremessa a bola no sentido do campo
adversário. Ela percorre, então, uma trajetória mantêm-se inalterada, uma vez que no eixo x o
parabólica, conforme representado na figura, em movimento é classificado como retilíneo e
4 segundos. uniforme.
d) A componente vertical da velocidade diminui
desde o solo até se tornar nula na altura máxima,
o que classifica o movimento como sendo
acelerado.
e) A componente horizontal da velocidade pode
ser determinada pelo produto da velocidade do
objeto com o cosseno do ângulo com o qual o
corpo abandona o solo.
Desprezando a resistência do ar e com base nas
informações apresentadas, podemos concluir Exercício 12. (UECE) Um projétil foi lançado a
que os módulos da velocidade V, de lançamento, partir do solo com velocidade (em módulo)
e da velocidade , na altura máxima, são, em segundo um ângulo θ ≠ 0, acima da horizontal.
Desprezando o atrito com o ar, o módulo da
metros por segundos, iguais a, respectivamente,
velocidade do projétil no topo da sua trajetória
Dados: senβ = 0,8; cosβ = 0,6. é:
a) 15 e 25. a)
b) 15 e 50. b)
c) 25 e 15. c)
d) 25 e 25. d)
e) 25 e 50.
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Exercício 13. Um robô se movimenta num 02. No ponto B, a resultante das forças que atua
plano horizontal com velocidade v = 2,5 m/s, em sobre a bola é nula.
relação a um observador. O robô lança 04. No ponto A, a velocidade resultante da bola
verticalmente para cima, em seu sistema de é para a direita e para cima.
referência em movimento, uma bolinha de ferro 08. No ponto B, a velocidade resultante da bola
com velocidade inicial de 4,0 m/s e a apanha de é nula.
volta. Para o observador, que distância percorre 16. No ponto A, a energia total da bola é maior
a bolinha na direção horizontal? que no ponto B.
Dê, como resposta, a soma das alternativas
a) 2,0 m corretas.
b) 4/5 m
Exercício 16. Um canhão dispara projéteis
c) 5/4 m sempre com a mesma velocidade. Observa-se
d) 4,0 m que, variando a inclinação de tiro, o alcance
Exercício 14. Do alto de um edifício, lança-se máximo que se obtém é 360 m. Desprezando a
horizontalmente uma pequena esfera de chumbo resistência do ar, a velocidade com que o projétil
com velocidade de 8m/s. Essa esfera toca o solo sai do canhão é, em m/s:
horizontal a uma distância de 24 m da base do
prédio, em relação à vertical que passa pelo Dados: g = 10m/s²
ponto de lançamento. Ignorando a resistência do a) 6
ar, a altura deste edifício é: b) 36
Dados: g = 10m/s² c) 60
a) 45 m d) 1.296
b) 40 m e) 3.600
c) 35 m
d) 30 m
e) 20 m
Exercício 15. O goleiro de um time de futebol
bate um tiro de meta e a bola percorre a
trajetória esquematizada abaixo. Despreze a
resistência do ar e assinale o que for correto (o
ponto B corresponde ao instante em que a bola
atinge o solo).

01. No ponto A, a resultante das forças que atua


sobre a bola é para a direita e para cima.
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3. Gabaritos
Exercício 1. D

Exercício 2. v = 28,3 m/s

Exercício 3. h = 45 m

Exercício 4. B

Exercício 5. C

Exercício 6. A

Exercício 7. C

Exercício 8. 400 m

Exercício 9. C

Exercício 10. C

Exercício 11. D

Exercício 12. A

Exercício 13. A

Exercício 14. A

Exercício 15. 12

Exercício 16. C