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Índice

1. Introdução ................................................................................................................................. 2
2. Resumo Teórico ........................................................................................................................ 2
2.1 Carta de Smith ......................................................................................................................... 2
2.2. Utilizando a Carta de Smith ................................................................................................... 4
2.3. Admitâncias na Carta de Smith .............................................................................................. 9
3. Casos Particulares ................................................................................................................... 12
4. O Uso da Carta de Smith no Casamento de impedâncias ....................................................... 13
4.1. Alguns tipos de rede de casamento ...................................................................................... 14
4.1.1. Transformador de quarto de onda ..................................................................................... 14
4.1.2. Casamento de toco simples ............................................................................................... 14
4.1.2.1. Toco simples em paralelo ............................................................................................... 15
4.1.3.Casamento de toco duplo ................................................................................................... 17
5. Conclusão ................................................................................................................................ 20
Bibliografia ................................................................................................................................. 20

Índice de Figuras
Figura 1: Círculos de resistência (r)................................................................................................................3

Figura 2: Linhas de reactância (x)....................................................................................................................4

Figura 3: Diagrama polar para impressão complexa dos coeficientes de reflexão....................5

Figura 4: Carta de Smith.......................................................................................................................................6

Figura 5: Escala de comprimento de onda na borda da carta..............................................................7

Figura 6: Sentido do gerador e da carga........................................................................................................8

Figura 7: Valor máximo e mínimo da impedância da linha de transmissão..................................9

Figura 8: Admitâncias na Carta de Smith...................................................................................................10

Figura 9: Resposta do exercício proposto..................................................................................................12

Figura 10: Rede de casamento de impedâncias.......................................................................................13

Figura 11: Casamento com transformador com um quarto de onda.............................................14

Figura 12: Casamento de toco simples em série e em paralelo........................................................15

Figura 13: Casamento com toco duplo em paralelo..............................................................................17

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1. Introdução
O presente trabalho tem por objectivo abordar sobre Carta de Smith, desde as suas
principais características e o seu uso para simplificar os cálculos para determinar as
características de uma Linha de Transmissão (LT), e por ultimo fazer-se-á uma breve
inferência sobre a Carta de Smith.

2. Resumo Teórico

2.1 Carta de Smith


É um tipo de gráfico criado no tempo em que começaram a ser utilizados os Radares em
larga escala e que serve para calcular características de Linhas de transmissão tais como

 Impedância,
 Transmissão
 Reflexão de ondas, entre outros parâmetros.

A matemática necessária para projectar e analisar as LT é complexa. Isso ocorre porque

as impedâncias envolvidas são complexas, com elementos resistivos e reactivos.

As impedâncias estão na forma rectangular: 𝑅 + 𝑗𝑋. Cálculos com números complexos


são longos e demorados, e envolve relações trigonométricas.

Um dos recursos gráficos para cálculos de linhas de transmissão mais utilizado é o que
foi idealizado por Philip Hagar Smith em 1939. O método se baseia numa carta de
impedâncias denominada Carta de Smith que consiste em lugares geométricos de
valores de resistência constante e de reactância constante traçados num diagrama polar.

Para explicar como usar a Carta de Smith vamos apresentar como ela foi projectada, a
partir da equação da transformação de impedâncias ao longo da linha de transmissão.

𝑍𝐿 + 𝑗𝑍𝑂 tan(𝛽. 𝑧) 1 + Γ𝐿 . 𝑒 −𝑗.2.𝛽.𝑙


𝑍(𝑍) = 𝑍𝑂 . = 𝑍𝑂 .
𝑍𝑂 + 𝑗𝑍𝐿 tan(𝛽. 𝑧) 1 − Γ𝐿 . 𝑒 −𝑗.2.𝛽.𝑙

Onde: 𝑙 = −𝑧

Utiliza-se a variável auxiliar:

𝑤 = Γ𝐿 . 𝑒 −𝑗.2.𝛽.𝑙 = 𝑢 + 𝑗𝑣

O valor da impedância ao long00o da linha de transmissão é normalizado pelo valor da


impedância característica (𝑍𝑂 ) dela, de forma a tornar a expressão válida para qualquer
valor de impedância característica.

𝑍(𝑍) 1 + 𝑤 1 + (𝑢 + 𝑗𝑣)
= 𝑟 + 𝑗𝑥 = =
𝑍𝑂 1 − 𝑤 1 − (𝑢 + 𝑗𝑣)

2
Onde:

𝑟 = Parte real da impedância normalizada

𝑥 = Parte imaginária da impedância normalizada

Esta equação pode ser separada em parte real e imaginária:

1 − (𝑢2 + 𝑣 2 ) 2𝑣
𝑟= 𝑒 𝑥=
(1 − 𝑢)2 + 𝑣 2 (1 − 𝑢)2 + 𝑣 2

Ou, escrevendo de outra forma:

𝑟 2 1 1 2 1
(𝑢 − ) + 𝑣2 = 𝑒 (𝑢 − 1)2 + (𝑣 − ) = 2
1+𝑟 (1 + 𝑟)2 𝑥 𝑥

A última forma nos mostra duas equações de famílias de círculos para r = constante e
x=constante.

Se construirmos o gráfico dos lugares geométricos dos valores de resistência constante


(r = constante) no plano complexo w (com u e v servindo de coordenadas rectangulares)
veremos que eles são círculos com centros no eixo u em [ r/(1+r), 0 ] e com raios
[1/(1+r)]. Veja a figura 1.

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Figura 1: Círculos de resistência (r).

Se construirmos o gráfico dos lugares geométricos dos valores de reactância constante


(x = constante) no plano complexo w (com u e v servindo de coordenadas
rectangulares) veremos que eles são círculos com centros em [1, 1/x] e com raios [1/|x|].
Veja a figura 2.

Figura 2: Linhas de reactância (x).

Em um ponto qualquer em uma linha de transmissão, numa dada condição de trabalho,


a impedância terá um valor com parte real (resistência) positiva entre 0 e +∞, e parte
imaginária (reactância) indutiva ou capacitiva entre -∞ e +∞. O interior da Carta de
Smith permite indicar qualquer destes valores, bastando procurar o ponto que é a
intersecção entre a curva do valor de r desejado e a curva do valor de x desejado.

2.2. Utilizando a Carta de Smith


Quando utilizamos a Carta de Smith, podemos ter, primariamente, dois objectivos
distintos:

a) Tendo o valor da impedância de carga (normalizada), projectar o comportamento do


circuito, avaliando os valores de impedância que ocorrem ao longo da LT e demais
parâmetros;

4
b) Tendo o comportamento de uma determinada LT, determinar o valor da impedância
de carga ZL.

No primeiro caso, determina-se o valor da impedância de carga normalizada (ZL/ZO),


separando as partes Real e Imaginária. Com estes valores marcamos um ponto na Carta
de Smith.

Traça-se uma recta com origem no centro da carta e que passa pelo ponto marcado até
atingir a borda da carta. Esta recta define o que chamamos de Plano de Carga.

Medindo-se com uma régua o tamanho do trecho de recta que vai do ponto central da
carta até o ponto de impedância marcado e dividindo-se este valor pelo tamanho total da
recta desenhada (que é o raio do círculo maior da carta), é obtido o módulo do
coeficiente de reflexão.

O ângulo do coeficiente de reflexão é obtido directamente na borda da carta e é medido


no sentido anti-horário iniciando no ponto de r = ∞, até o ponto de intersecção com a
recta desenhada.

Com um compasso, traça-se um círculo com centro no ponto central da carta e com um
raio de tal forma que ele passe pelo ponto de impedância marcado. Este círculo é, então,
o lugar geométrico de todos os valores de impedância que apresentam o mesmo valor
para o módulo do coeficiente de reflexão, pois tem sempre a mesma relação de tamanho
de segmentos de recta citado anteriormente. Veja a figura 3.

Figura 3: Diagrama polar para impressão complexa dos coeficientes de reflexão.

5
Em uma linha de transmissão sem perdas (ou com perdas desprezíveis), o coeficiente de
reflexão terá o mesmo módulo quando medido em qualquer ponto desta LT, somente
variando sua fase. Então, o círculo traçado anteriormente é também o lugar geométrico
de todos os valores de impedância que irão ocorrer naquela LT terminada com aquela
carga específica.

Pode ser observado que, à medida que deslocamos ao longo do círculo, estamos
variando os valores das partes Real e Imaginária da impedância, ou seja, em cada ponto
da LT temos um valor diferente para r e x. Após darmos uma volta inteira sobre o
círculo traçado, temos novamente o mesmo valor de impedância. Veja a figura 4.

Figura 4: Carta de Smith.

6
Observando a fórmula da impedância ao longo de uma LT, para que a impedância repita
o seu valor é necessário que a tangente do arco l.β repita o valor anterior, ou seja:

𝜆
tan(𝛽. 𝑙2 ) = tan(𝛽. 𝑙1 ) 𝑜𝑢 𝛽. 𝑙2 − 𝛽. 𝑙1 = 𝑛. 𝜋 𝑜𝑢 𝑙2 − 𝑙1 = 𝑛.
2
Ou seja, cada volta inteira sobre o círculo traçado na Carta de Smith corresponde a uma
distância percorrida na LT igual a ½ comprimento de onda. A borda da carta é então
graduada em milésimos de comprimento de onda, de 0.000 a 0.499. Veja figura 5.

Figura 5: Escala de comprimento de onda na borda da carta.

Um outro factor importante de se definir é o sentido de giro na Carta de Smith. Girando-


se no sentido horário equivale a "andar" na LT em direcção ao Gerador. Girando-se no
sentido anti-horário, estaremos percorrendo a LT em direcção à Carga. É óbvio que,
se estamos em cima da carga só é permitido girar em direcção ao gerador, e vice-versa.
Pode ser observado que, excepto de distâncias exactas de ½ comprimento de onda, ao se

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girar distâncias iguais num sentido e em outro, são obtidos valores diferentes de
impedâncias.

Figura 6: Sentido do gerador e da carga.

Se calcularmos o ponto onde ocorre um máximo de onda estacionária ao longo da LT, e


com aquela posição calcularmos o valor da impedância naquele ponto, encontraremos
um valor de impedância que é Real puro, ou seja, o valor da reactância é nulo. O mesmo
ocorre para o ponto de mínimo de onda estacionária. Estes pontos são, então, os valores
máximo e mínimo de impedância ao longo da LT.

Como são pontos onde a parte imaginária é nula, estarão no eixo de x=0. Observando
onde o círculo traçado anteriormente corta este eixo, temos os valores de impedância
máxima e de impedância mínima ao longo da LT e podemos determinar a qual distância
da carga eles ocorrem. Deve ser notado que estes são os dois únicos valores de
impedância que ocorrem ao longo da LT que são reais puros.

Os valores de impedância nos pontos de máximo e de mínimo são dados por:

1 + |Γ𝐿 | 1 − |Γ𝐿 | 𝑍𝑂
𝑍𝑀Á𝑋 = 𝑍𝑂 . = 𝑍𝑂 . 𝑉𝑆𝑊𝑅 𝑒 𝑍𝑀Í𝑁 = 𝑍𝑂 . =
1 − |Γ𝐿 | 1 + |Γ𝐿 | 𝑉𝑆𝑊𝑅

ou

1
𝑍̅𝑀Á𝑋 = 𝑉𝑆𝑊𝑅 𝑒 𝑍̅𝑀Í𝑁 =
𝑉𝑆𝑊𝑅
Então, o valor da impedância máxima ao longo da LT, além de ser um número real
puro, tem o seu valor normalizado igual ao valor do VSWR (razão de onda estacionária)
na LT. Desta forma, na Carta de Smith o valor do VSWR é obtido lendo-se o valor do
círculo de r = constante que passa pelo ponto de intersecção do círculo traçado com a
recta x=0, no lado que este possui o maior valor.

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Figura 7: Valor máximo e mínimo da impedância da linha de transmissão.

2.3. Admitâncias na Carta de Smith


Se invertermos

1+w
𝑍̅ =
1−w
̅ = 1⁄𝑍̅ obtém-se:
E atendermos a que 𝑌

1 − w 1 + (−w) 1 − w y
𝑌̅ = = =
1 + w 1 − (−w) 1 + w y
Que permite escrever, também:

𝑌̅ − 1
w y = −𝑤 =
𝑌̅ + 1

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Note que é colocado y no índice superior do coeficiente de reflexão (w y ) quando este se
refere à carta de admitâncias. Assim, diferencia-se este de w e evita-se confusões.
Obviamente, se for w y que é marcado na Carta de Smith, os valores lidos na grelha da
carta são valores de admitância normalizada.

Tomando em conta as anteriores equações, verifica-se que a Carta de Smith permite


facilmente obter o valor da admitância a partir da impedância ou vice-versa. Uma vez
que multiplicar um complexo por −1 significa roda-lo de ±180° no plano, infere-se de
imediato o procedimento de transformação 𝑍̅ → 𝑌̅ e 𝑌̅ → 𝑍̅ exemplificado na figura 8.

Nesta figura, sabe-se o valor de 𝑍̅1 e calcula-se o valor de 𝑌̅1. Conhece-se também 𝑌̅2,
o que permite calcular 𝑍̅2. Note que o ponto médio das setas cai exactamente sobre o
centro da carta de Smith.

Figura 8: Admitâncias na Carta de Smith.

Obtém-se, assim a partir da Carta de Smith, graficamente e de maneira bastante simples,


os seguintes valores:

 O módulo do coeficiente de reflexão;


 O ângulo do coeficiente de reflexão;
 O VSWR ou SWR;
 Os pontos onde ocorrem o máximo e o mínimo de onda estacionária na LT;
 A impedância máxima e mínima ao longo da LT;
 Todos os valores possíveis de impedância que ocorreram ao longo da LT;
 Conversão entre impedância e admitância.

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Exercício Proposto

Uma LT com 5,2cm de comprimento, que utiliza um cabo coaxial com dieléctrico de ar
e tem 100Ω de impedância característica, está operando numa frequência de 750MHz e
é interligada a uma impedância de carga ZL=(30+j50)Ω. Considerando que as perdas
são desprezíveis e que a velocidade de propagação da onda no cabo é aproximadamente
igual à velocidade da luz, determinar:

a) O coeficiente de reflexão;
b) O VSWR;
c) O valor da impedância vista a uma distância de 2,0cm da carga;
d) O valor da admitância neste mesmo ponto;
e) O valor da impedância vista na entrada da LT;
f) O valor da admitância neste mesmo ponto.

Nas condições apresentadas, o comprimento de onda é de 40 cm. Podemos então


converter:

2 cm = 0,05λ e 5,2 cm = 0,130λ

A impedância de carga normalizada é dada por:

(30 + j 50) / 100 = 0,3 + j0,5

Para demais respostas, ver a figura 9.

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Figura 9: Resposta do exercício proposto.

3. Casos Particulares
Sabendo que a impedância normalizada da L T é:

𝑍𝐿̅ + 𝑗 tan(𝛽. 𝑧)
̅ =
𝑍(𝑧)
1 + 𝑗 𝑍̅𝐿 . tan(𝛽. 𝑧)

E Sabendo que a admitância normalizada da L T é:

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𝑌̅𝐿 + 𝑗 tan(𝛽. 𝑧)
𝑌̅(𝑧) =
1 + 𝑗 𝑌̅𝐿 . tan(𝛽. 𝑧)

Existem alguns casos particulares de 𝑍̅(𝑧), Considere-se a linha terminada por um curto-
circuito, denominada stub (toco) em curto-circuito. Uma vez que 𝑍𝐿̅ = 0 rapidamente
se calcula:

𝑍̅(𝑧)𝑐𝑐 = 𝑗 tan(𝛽. 𝑧)

A linha terminada por um circuito aberto, denominada stub em circuito aberto, e


caracterizada por 𝑍𝐿̅ → ∞. Calculando 𝑍̅(𝑧) neste limite obtém-se:

̅
𝑍(𝑧)𝑐𝑎 = −𝑗 cot(𝛽. 𝑧)

4. O Uso da Carta de Smith no Casamento de impedâncias


Quando temos uma linha de transmissão terminada numa Carga descasada (𝑍𝐿 ≠ 𝑍0 )
devemos tomar certas providências a fim de se conseguir uma melhor transferência de
potência da linha de transmissão para a Carga. Isto é conseguido adicionando elementos
reactivos em pontos específicos da LT de modo a conseguir, a partir daquele ponto, que
o gerador "veja" uma carga casada com a linha.

O princípio de cálculo se baseia em que, quando uma LT termina numa carga


descasada, a impedância vista na linha varia ponto a ponto. Neste ponto de vista,
primeiramente, determina-se uma posição ao longo da linha de transmissão onde a
impedância seja da forma: 𝑍(𝑧) = 𝑍0 + 𝑗𝑋. Neste ponto, adiciona-se uma reactância
série (−𝑗𝑋) de forma a anular o efeito reactivo (indutivo, no exemplo). A partir deste
ponto, a linha é vista pelo gerador como uma linha de transmissão casada, e toda
energia é transferida para a carga (condição de máxima transferência de potência).
Resumindo o casamento de impedâncias é feito de modo à:

 Evitar reflexão de potência para o gerador;


 Impedância de entrada independente do comprimento exacto da linha.

Figura 10: Rede de casamento de impedâncias.

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4.1. Alguns tipos de rede de casamento
 Transformador de quarto de onda (para cargas resistivas)
 Casador de toco simples (stub simples)
 Casador de toco duplo (sub duplo)

4.1.1. Transformador de quarto de onda


Recordamos a transformação de impedância provocada por uma linha de transmissão
sem perdas de comprimento 𝜆/4 e impedância característica 𝑍𝑚 ∈ ℝ:
2
𝑍𝐿 + 𝑗𝑍𝑚 tan 𝛽. ℓ 𝑍𝑚
𝑍𝑖𝑛 = 𝑍𝑚 =
𝑍𝑚 + 𝑗𝑍𝐿 tan 𝛽. ℓ 𝑍𝐿

Desejamos utilizar esse trecho de linha para casar a carga com outra linha sem perdas de
impedância 𝑍0. Assim:

𝑍𝑖𝑛 = 𝑍0 ⇒ 𝑍𝑚 = √𝑍0 𝑍𝐿

Notamos que esse casamento somente é possível quando 𝑍𝐿 ∈ ℝ, isto é, quando a carga
é puramente resistiva.

Figura 11: Casamento com transformador com um quarto de onda.

4.1.2. Casamento de toco simples


Quando o casamento não é possível com o transformador de quarto de onda, uma
alternativa é o uso de pequenos trechos de linha terminados em curto-circuito ou aberto
e posicionados em série ou paralelo com a linha principal para efectuar o casamento.

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Figura 12: Casamento de toco simples em série e em paralelo.

Devemos determinar os comprimentos ℓ e 𝑑 da rede de casamento. No caso do toco em


paralelo é mais conveniente trabalharmos com admitâncias ao invés de impedâncias.

4.1.2.1. Toco simples em paralelo


Procedimento

1. Localizar 𝑌̅𝐿 diametralmente oposto a 𝑍̅𝐿 na circunferência de |ΓL | constante;


2. Mover-se em direcção ao gerador até uma das intersecções com a circunferência
𝐺̅ = 1;
3. Determinar a condutância normalizada 𝑌̅𝑑 da intersecção e o comprimento de
linha 𝑑 percorrido;
4. Localizar a admitância da extremidade do toco (zero ou infinita);
5. Mover-se em direcção ao gerador até atingir a susceptância 𝑌̅ℓ = 1 − 𝑌̅𝑑 ;
6. Determinar o comprimento do toco ℓ percorrido.

Normalmente prefere-se a solução de menor comprimento, a menos que haja algum


impedimento prático. Caso seja preciso, sabemos ainda que é possível adicionarmos
trechos de 𝜆/2 sem alteração das impedâncias de entrada.

Exercício Proposto

Dado a impedância característica, 𝑍0 = 50Ω, e a impedância de carga, 𝑍𝐿 = (35 −


𝑗47)Ω, calcule as distâncias d e ℓ do toco simples em paralelo.

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Solução 1:

𝑑 = 0,058𝜆
{
ℓ = 0,111𝜆

Solução 2:

𝑑 = 0,223𝜆
{
ℓ = 0,388𝜆

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4.1.3.Casamento de toco duplo
Oferece maior flexibilidade mecânica e de sintonização, pois a posição dos tocos ao
longo da linha pode ser fixada arbitrariamente, sendo apenas os comprimentos dos tocos
responsáveis pelo casamento. Estes podem ser conectados em série ou paralelo, com
terminações em aberto ou curto-circuito.

Da mesma maneira que para o toco simples Y ̅=


̅d deve estar sobre a circunferência de G
̅:
1, enquanto ℓ2 serve para anular a susceptância B

̅d = 1 − jB
Y ̅

Assim, ̅Y𝒶 estará sobre a mesma circunferência rotacionada no sentido da carga de uma
distância 𝑑 conhecida.

O valor de ℓ1 é então escolhido para transportar 𝑌𝐿 para a circunferência rotacionada


com:

Yℓ1 = Y𝒶 − YL

Figura 13: Casamento com toco duplo em paralelo.

Procedimento

1. Localizar ̅
YL diametralmente oposto a Z̅L na circunferência de |ΓL | constante;
̅ = 1 rotacionada de 𝑑 em direcção à carga;
2. Traçar a circunferência G
3. Determinar o ponto ̅ Y𝒶 em uma das intersecções entre a circunferência
rotacionada anteriormente e a circunferência G̅𝒶 constante;

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4. Determinar ̅ Yℓ1 = ̅
Y𝒶 − ̅YL e o comprimento do toco ℓ1 que produz essa
susceptância partindo de um curto-circuito ou aberto;
5. Mover Y̅𝒶 sobre a circunferência de |Γ𝒶 | constante por um trecho de tamanho 𝑑 ,
̅𝑑 com condutância unitária;
obtendo Y
6. Determinar Y ̅ℓ2 = 1 − Y
̅𝑑 e o comprimento do toco ℓ2 que produz essa
susceptância partindo de um curto ou aberto.

Dependendo do valor da carga e da distância entre os tocos, é possível que não haja
̅𝒶 não pode ser determinado). Neste caso pode-se
solução para o casador de toco duplo (Y
alterar 𝑑 ou introduzir um novo trecho de linha entre a carga e o primeiro toco para
corrigir o problema.

Exercício Proposto

Dado a impedância característica, 𝑍0 = 50Ω, a impedância de carga, 𝑍𝐿 = (35 −


𝜆
𝑗47)Ω, e sabendo que 𝑑 = 8 , calcule as distâncias ℓ1 e ℓ2 do toco duplo em paralelo.

Solução:
𝜆
Z̅L = 0,7 − 𝑗0,94 𝑑=8

̅
YL = 0,5 + 𝑗0,68 ̅
Yℓ1 = ̅
Y𝒶 − ̅
YL = −j0,55

⇒ ℓ1 = 0,169λ

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ℓ1 = 0,169λ
{
ℓ2 = 0,151λ

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5. Conclusão
E por último a partir do trabalho realizado podemos inferir que a Carta de Smith se
torna um poderoso auxiliar para simplificar os cálculos complexos envolvido no
trabalho com circuitos de RF e permite uma visualização dos fenómenos que ocorrem
dentro de uma estrutura de guiagem de ondas electromagnéticas. E a Carta de Smith
pode-se aplicar para:

 Conversão gráfica entre impedância e coeficiente de reflexão;


 Determinação gráfica da impedância localizada ao longo de uma LT;
 Determinação gráfica do coeficiente de onda estacionária;
 Conversão entre impedância e admitância;
 Determinação gráfica da impedância de associações em série e paralelo;
 Casamentos de impedância.

Bibliografia
 FREIRE, Gabriel F. O. DINIZ, Aroldo B. Ondas Electromagnéticas. São Paulo:
Livros Técnicos e Científicos, 194 – 201 pág., 1973.
 KENNEDY, George. Electronic Communications Systems. Tóquio: McGraw-
Hill Kogakusha, 228 - 238 pág., 1997.

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