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English Reading Club - Shakespeare’s Sonnets

Sonnet 15
When I consider everything that grows A
Holds in perfection but a little moment, B
That this huge stage presenteth nought but shows A
Whereon the stars in secret influence comment; B
5 When I perceive that men as plants increase, C
Cheered and check'd even by the selfsame sky, D
Vaunt in their youthful sap, at height decrease, C
And wear their brave state out of memory; D’
Then the conceit of this inconstant stay’ E
10 Sets you most rich in youth before my sight, F
Where wasteful Time debateth with Decay E
To change your day of youth to sullied night; F
And all in war with Time for love of you, G
As he takes from you, I engraft you new. G

Soneto 15

Quando observo que tudo quanto cresce


Desfruta a perfeição de um só momento,
Que neste palco imenso se obedece
À secreta influição do firmamento;
5 Quando percebo que ao homem, como à planta,
Esmaga o mesmo céu que lhe deu glória,
Que se ergue em seiva e, no ápice, aquebranta
E um dia enfim se apaga da memória:
Esse conceito da inconstante sina
10 Mais jovem faz-te ao meu olhar agora,
Quando o Tempo se alia com a Ruína
Para tornar em noite a tua aurora.
E crua guerra contra o Tempo enfrento,
Pois tudo que te toma, eu te acrescento.

(trad. Ivo Barroso)


2

Sonnet 18
Shall I compare thee to a summer’s day? A
Thou art more lovely and more temperate: B
Rough winds do shake the darling buds of May, A
And summer’s lease hath all too short a date; B
5 Sometime too hot the eye of heaven shines, C
And often is his gold complexion dimm'd; D
And every fair from fair sometime declines, C
By chance or nature’s changing course untrimm'd; D
But thy eternal summer shall not fade, E
10 Nor lose possession of that fair thou ow’st; F
Nor shall death brag thou wander’st in his shade, E
When in eternal lines to time thou grow’st: F
So long as men can breathe or eyes can see, G
So long lives this, and this gives life to thee. G

Soneto 18

Devo igualar-te a um dia de verão?


Mais afável e belo é o teu semblante:
O vento esfolha Maio inda em botão,
Dura o termo estival um breve instante.
5 Muitas vezes a luz do céu calcina,
Mas o áureo tom também perde a clareza:
De seu belo a beleza enfim declina,
Ao léu ou pelas leis da Natureza.
Só teu verão eterno não se acaba
10 Nem a posse de tua formosura;
De impor-te a sombra a Morte não se gaba
Pois que esta estrofe eterna ao Tempo dura.
Enquanto houver viventes nesta lida,
Há-de viver meu verso e te dar vida.

(trad. Ivo Barroso)


3

Sonnet 130
My mistress' eyes are nothing like the sun; A
Coral is far more red than her lips' red; B
If snow be white, why then her breasts are dun; A
If hairs be wires, black wires grow on her head. B
5 I have seen roses damasked, red and white, C
But no such roses see I in her cheeks; D
And in some perfumes is there more delight C
Than in the breath that from my mistress reeks. D
I love to hear her speak, yet well I know E
10 That music hath a far more pleasing sound; F
I grant I never saw a goddess go; E
My mistress, when she walks, treads on the ground. F
And yet, by heaven, I think my love as rare G
As any she belied with false compare. G

Soneto 130

Seus olhos nada têm de um sol que arda


E mais rubro é o coral que sua boca:
Se a neve é branca, sua tez é parda;
São fios negros seu cabelo em touca.
5 Vi rosas mesclas de rubor e alvura,
Mas tais rosas não vejo em sua face.
Sei de perfumes que têm mais doçura
Que o hálito da amada se evolasse.
Amo ouvi-la falar, porém insisto
10 Que mais me agrada ouvir uma canção.
De deusas nunca devo o andar ter visto —
Minha amante ao andar pisa no chão.
No entanto, pelos céus, acho-a mais rara
Do que a mulher que em falso se compara.

(trad. Ivo Barroso)


4

Sonnet 106
When in the chronicle of wasted time A
I see descriptions of the fairest wights, B
And beauty making beautiful old rhyme A
In praise of ladies dead, and lovely knights, B
5 Then, in the blazon of sweet beauty’s best, C
Of hand, of foot, of lip, of eye, of brow, D
I see their antique pen would have express’d C
Even such a beauty as you master now. D
So all their praises are but prophecies E
10 Of this our time, all you prefiguring; F
And, for they look’d but with divining eyes, E’
They had not skill enough your worth to sing: F
For we, which now behold these present days, G
Had eyes to wonder, but lack tongues to praise. G

Soneto 106

Quando vejo nas crônicas antigas


A descrição dos seres mais perfeitos,
E o belo a embelezar velhas cantigas
Em honra à dama e aos paladins eleitos,
5 No blasonar da formosura rara
Que em mãos, pés, lábios, olhos, face aflora,
Sinto que a musa antiga decantara
Mesmo a beleza que deténs agora.
Não passa tal louvor de profecia
10 Do nosso tempo, e já te prefigura;
Mas como só na mente é que te via,
Não pôde o teu valor cantar à altura.
E hoje, que temos olhos para ver,
Verbo nos falta para enaltecer.

(trad. Ivo Barroso)


5

Sonnet 23
As an unperfect actor on the stage A
Who with his fear is put besides his part, B
Or some fierce thing replete with too much rage, A
Whose strength’s abundance weakens his own heart; B
5 So I, for fear of trust, forget to say C
The perfect ceremony of love’s rite, D
And in mine own love’s strength seem to decay, C
O’ercharged with burden of mine own love’s might. D
O, let my books be then the eloquence E
10 And dumb presagers of my speaking breast, F
Who plead for love and look for recompense E
More than that tongue that more hath more expressed. F
O, learn to read what silent love hath writ; G
To hear with eyes belongs to love’s fine wit. G

Soneto 23

Como no palco o ator que é imperfeito


Faz mal o seu papel só por temor,
Ou quem, por ter repleto de ódio o peito
Vê o coração quebrar-se num tremor,
5 Em mim, por timidez, fica omitido
O rito mais solene da paixão;
E o meu amor eu vejo enfraquecido,
Vergado pela própria dimensão.
Seja meu livro então minha eloquência,
10 Arauto mudo do que diz meu peito,
Que implora amor e busca recompensa
Mais que a língua que mais o tenha feito.
Saiba ler o que escreve o amor calado:
Ouvir com os olhos é do amor o fado.

(Trad. Barbara Heliodora)