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O problema da informação e o estudo da


economia do setor público [Information and
public economics]

ARTICLE in NOVA ECONOMIA · FEBRUARY 1998


Source: RePEc

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2 AUTHORS:

José Ricardo Nogueira Rozane Bezerra Siqueira


Federal University of Pernambuco Federal University of Pernambuco
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O PROBLEMA DA INFORMAÇÃO E O ESTUDO DA ECONOMIA DO SETOR
PÚBLICO1

José Ricardo Bezerra Nogueira Rozane Bezerra de Siqueira


Departamento de Economia
Universidade Federal de Pernambuco
Cidade Universitária
50670-901 Recife-PE
Tel.: (081) 271-8378, R-225 Fax: (081) 271-8378
E-mail: jrbn@decon.ufpe.br, rbs@decon.ufpe.br
URL: http://www.decon.ufpe.br

(Publicado em Nova Economia, vol.8, no.2, 1998)

1.Introdução

Um dos grandes marcos de avanço teórico em Economia tem sido proporcionado pelos
desenvolvimentos recentes da Teoria Econômica da Informação. Esta última tem enriquecido a
análise econômica em suas mais diversas áreas. É objetivo deste trabalho ressaltar alguns dos
principais impactos trazidos pela Teoria Econômica da Informação sobre a Teoria Econômica do
Setor Público, sob a perspectiva do que Schumpeter denominou de história da análise
econômica.2 Em particular, estamos interessados em discutir o conflito que existe entre o ideal da
obtenção de alocações ótimas baseadas em decisões individuais descentralizadas e o fato de os
modelos econômicos assumirem agentes “egoístas”. Em outras palavras, dada a natureza
individualista e descentralizada das decisões econômicas, é possível se gerar uma alocação
socialmente ótima na presença de fortes incentivos à não cooperação por parte dos agentes
econômicos?

Em Economia do Setor Público, geralmente estamos interessados em analisar como a


oferta de certos bens e serviços e outras atividades do governo podem ser realizadas de forma
economicamente eficiente. No caso de bens privados ou bens públicos com possibilidade de
exclusão e informação perfeita, a solução é simples e direta, com o sistema de preços sendo um
mecanismo adequado e eficiente de tomada de decisões. A questão se complica quando estamos
na presença de bens público puros e a informação não é perfeita. Grande parte do impacto da
Teoria Econômica da Informação sobre a Economia do Setor Público diz respeito ao estudo desse
último caso, e é sobre ele que o presente trabalho se concentra.

Antes de perseguir nosso objetivo, entretanto, é importante considerar, brevemente, o que


é a Teoria Econômica da Informação e a Teoria Econômica do Setor Público.

1
- Gostaríamos de agradecer as sugestões de um parecerista anônimo.
2
- A ênfase, então, é sobre o estudo do desenvolvimento de conceitos e instrumentais teóricos e suas aplicações
na análise econômica, ao invés da investigação com maior ênfase sobre as condições sócio-político-filosóficas que
influenciaram o desenvolvimento daquela análise, a qual é mais pertinente ao que tradicionalmente se chama de
história do pensamento econômico.
Os modelos tradicionais utilizados pelos economistas até os anos 60 lidavam quase que
exclusivamente3 com situações em que os agentes econômicos estão "bem informados" sobre
todas as características relevantes das variáveis que afetam suas decisões econômicas. Mas os
agentes econômicos, na realidade, não são bem informados. Pode-se até mesmo afirmar que não
é racional para um agente ser completamente bem informado, devido ao fato de que a obtenção
de informação inevitavelmente implica em custos de aquisição (Varian, 1984). Outro aspecto
importante do problema da informação é de que o estoque de informação é assimetricamente
dividido entre os agentes econômicos, de forma que temos no sistema econômico diferentes
indivíduos com diferentes dotações de informação. Além do mais, a capacidade de
processamento de informações é limitada e diferenciada entre indivíduos e instituições.

Desta caracterização do problema da informação decorre vários outros problemas, tais


como: seleção adversa, risco moral, problemas de agência, comportamento estratégico, mercados
incompletos etc., os quais têm um grande impacto sobre a análise econômica tradicional.4

Quanto à Teoria Econômica do Setor Público, ela se preocupa principalmente em analisar


os impactos que as ações governamentais produzem sobre o sistema econômico e os indivíduos
nele inseridos.5 Como tal, a Teoria Econômica do Setor Público está interessada em investigar
questões como: quais e como são organizadas as atividades que o governo desempenha, quais as
consequências daquelas atividades e como avaliar atividades alternativas abertas ao governo
(Stiglitz, 1988). Um ponto importante a destacar é que a abordagem aqui seguida é a
microeconômica, que é a que caracteriza predominantemente a moderna Economia do Setor
Público.6

A motivação principal que sublinha o interesse no desenvolvimento do presente trabalho


está ligada a uma velha dúvida nunca bem esclarecida pelos manuais tradicionais de economia.
Normalmente critica-se o mercado por certas falhas inerentes ao mesmo (tais como
externalidades, retornos crescentes, injustiça distributiva etc.), prescrevendo-se a partir daí a
intervenção do governo como remédio para a correção daquelas imperfeições do mercado.

Esta visão apresenta um problema fundamental: assume-se que o governo não falha.
Onipotente, onisciente e onipresente, o governo benevolente guia a "mão invisível" segundo os
desígnios da busca da maximização do bem-estar social. Os agentes econômicos são marionetes
manipuladas por um governo interessado na obtenção de um resultado socialmente justo.
A crítica da concepção de um governo benevolente e desinteressado tem posto em
3
- As palavras "quase que exclusivamente" são importantes aqui, pois pode-se apontar para vários casos
anteriores de autores lidando com a questão da informação na análise econômica (por exemplo, Coase, 1950).
Entretanto, como bem observou Varian (1984), "until 1960, virtually no discussion of the economics of information
was available in an explicit form. Since that time, however, there has been much significant work in the area".
4
- Para uma introdução a estes e vários outros conceitos em economia da informação, ver, por exemplo, Eatwell
et alii (1989).
5
- Seguimos, portanto, a visão de economia do setor público estabelecida, entre outros, por Atkinson e Stiglitz
(1987, p.3), que diz que o objetivo é "to describe in a systematic manner the principal consequences of [the]
economic activities by the government and their relation to social objectives".
6
- Ver, por exemplo, Brown e Jackson (1990).
cheque a concepção rousseuniana do governo benevolente "natural". Em outras palavras, o
governo, qualquer governo, é composto por indivíduos ligados a grupos de interesse, cujos
objetivos não são necessariamente coincidentes com aquele de um governo benevolente ideal.

A dúvida, então, que os manuais de economia não conseguem clarificar, é de como, e se,
podemos conciliar a idéia da existência de um governo benevolente com a visão mais realista de
que todo governo é em grande parte movido pela perseguição das agendas particulares de seus
integrantes.

Por outro lado, os defensores do mercado costumam alegar que os "fracassos de mercado"
são desajustes temporários que o próprio mercado se encarrega de eliminar. Este é o argumento
do Teorema de Coase na sua versão mais simplificada, e o mesmo também apresenta um
problema crucial: como o mercado corrige aquelas distorções temporárias? Se os indivíduos são
egoístas e desajustes existem, o que leva aqueles indivíduos ou parte deles a procurar sanar tais
desajustes? Não se poderia pensar que os desajustes existem em função de que os mesmos são do
interesse dos indivíduos ou parte deles?

A questão surge, portanto, acerca dos mecanismos que uma sociedade dispõe para
implementar decisões ótimas, seja no sentido de assegurar a existência de um governo
benevolente, seja no de prover o mercado com instrumentos de ajustes automáticos.

Nosso argumento é de que somente abrindo a "caixa preta" do processo pelo qual uma
sociedade toma decisões coletivas é que poderemos ter um entendimento mais adequado do
funcionamento do sistema econômico e da questão fundamental que permeia as discussões dentro
da teoria econômica do setor público, qual seja a da fronteira entre o mercado e o governo.

O processo pelo qual a sociedade toma decisões coletivas refere-se à maneira pela qual as
preferências individuais são agregadas em preferências coletivas. Tal problema é um dos mais
difíceis em teoria econômica. E na base de tal problema, e na dos outros a serem tratados a
seguir, está a questão da informação nas decisões econômicas. Quando assume-se que a
informação é imperfeita, vários dos resultados de primeiro melhor são profundamente afetados,
gerando em vários casos teoremas de impossibilidade que colocam a análise econômica numa
espécie de beco sem saída. Uma variante desses teoremas de impossibilidade, e que constitui o
foco de análise do presente trabalho, é aquela que afirma que mecanismos de decisão
completamente descentralizados falham, em geral, na obtenção de alocações socialmente
eficientes. Essa questão está no cerne dos problemas tratados pela Economia do Setor Público, e
achamos que uma reflexão sobre as implicações da mesma é algo importante de ser feito.

Nossa meta neste estudo é compor uma “narrativa” de como o problema da informação
emerge em Economia do Setor Público e impele os economistas a trabalharem em um mundo
distante daquele do primeiro melhor, ou seja, assumindo explicitamente as restrições que a
natureza imperfeita e assimétrica da informação impinge sobre a formulação de mecanismos
sociais de decisão. Para tanto, este trabalho está estruturado da seguinte maneira.

A seção 2 aborda o referencial básico da análise, ou seja, o mundo de primeiro melhor,


caracterizado por alocações ótimas de Pareto e pelos dois Teoremas Fundamentais do Bem-Estar.
É contra o pano de fundo representado por este mundo “ideal” que nossa análise procede,
enfatizando as hipóteses extremamente restritivas que são necessárias para se assegurar os
resultados de primeiro melhor. Na seção 3 aprofundamos a discussão das limitações do mundo
Paretiano, destacando os fortes incentivos à não cooperação existentes entre os indivíduos. Isto é
feito utilizando-se o caso da oferta de bens públicos puros. A seção 4 busca investigar como a
literatura econômica tem respondido à pergunta de se é possível a emergência de um
comportamento cooperativo em face de agentes “egoístas”; em outras palavras, é possivel ter-se
mecanismos sociais de decisão descentralizados e eficientes, simultaneamente?

Os resultados teóricos a partir da literatura de escolha social parecem ser desalentadores a


esse respeito. A seção 5 oferece uma excursão ao redor de alguns daqueles resultados,
denominados de teoremas de impossibilidade, centrando-se sobre os teoremas de Arrow e de
Gibbard-Satterthwaite. Esta seção também considera outros mecanismos coletivos de decisão,
que não os considerados na seção 4, de tal forma a enfatizar que mesmo contribuições mais
recentes da literatura de mecanismos de decisão não dão grande alento em relação ao problema
básico do conflito entre descentralização informacional e eficiência alocativa. Na seção 6
consideramos uma possível abordagem alternativa para a análise econômica, especialmente a do
Setor Público, baseada no contexto de um mundo de segundo melhor, onde a presença de
informação imperfeita e impõe uma restrição fundamental: a de que o próprio mecanismo
descentralizado de mercado gera obstáculos à emergência de uma solução cooperativa. Tal
restrição, talvez possa ser amenizada apenas com a introdução de instituições extra-mercado que
facilitem o surgimento de comportamento cooperativo entre os agentes econômicos. Finalmente,
a seção 7 apresenta os comentários finais.

2. Grandes Expectativas: O "Mundo Ideal" Paretiano e os Teoremas Fundamentais da


Teoria Econômica do Bem-Estar7

No mundo ideal do primeiro melhor dos economistas, o critério básico de avaliação de


decisões seria dado pelo princípio do ótimo de Pareto. Por este princípio, uma decisão desejável
seria aquela que melhorasse a situação de pelo menos um indivíduo na sociedade sem prejudicar
nenhum outro indivíduo. Quando tal decisão não é possível, tem-se um ótimo no sentido de
Pareto.

Os economistas conseguiram mostrar que uma economia de mercado perfeitamente


competitiva é capaz de gerar um equilíbrio social que é ótimo no sentido de Pareto. Este
resultado está contido no Primeiro dos chamados Teoremas Fundamentais da Teoria Econômica
do Bem-Estar, também conhecido como o Teorema da Mão Invisível, numa alusão à visão
smithiana de ações individuais não coordenadas (a não ser pelo sistema de preços de mercado)
levando ao máximo possível de bem-estar social.8

Pode-se também reverter o sentido da análise e mostrar que qualquer alocação Pareto-
ótima é passível de ser alcançada através das forças de mercado, através de uma adequada
redistribuição de recursos. Se a sociedade não está satisfeita, por qualquer razão, com uma dada
alocação, pode-se lançar mão de uma redistribuição da dotação inicial de recursos e, então, deixar

7
- Para efetuar esta revisão da literatura de Economia do Setor Público, nos baseamos fortemente em dois
trabalhos a nosso ver fundamentais: Hammond (1990) e Inman (1987).
8
- Os teoremas de existência de um equilíbrio geral para economias perfeitamente competitivas, conforme
demonstrados por Arrow, Debreu e MacKenzie, entre outros, dão respaldo formal a esta visão. Ver Arrow e Hahn
(1971) para uma exposição detalhada sobre a questão da existência de um equilíbrio competitivo.
as forças de mercado conduzirem as transações até a obtenção da alocacão pareto-ótima desejada.
Isto, em suma, é o que diz o Segundo Teorema Fundamental do Bem-Estar.9

O Segundo Teorema Fundamental do Bem-Estar contém a idéia de que o mercado por si


só não é capaz de assegurar a obtenção de alocações "justas".10 11 As forças de mercado são
"combinadas" com uma redistribuição dos recursos iniciais de forma a se atingir uma alocação
justa. E aí começam os problemas para os defensores do livre jogo das forças de mercado.

Quando uma redistribuição da dotação inicial de recursos se faz necessária, quem a


realiza? Desde que a metáfora do "maná" caído do céu (Fergunson, 1974) é claramente
insatisfatória, aquela pergunta tem que ser respondida através da explicitação do mecanismo ou
instituição que promove a política redistributiva. A resposta mais óbvia é invocar a figura do
governo como responsável pela redistribuição.

Em termos práticos essa resposta é adequada, pois no mundo real é fácil perceber que o
governo de fato é o principal responsável pela implementação de políticas redistributivas. Mas
em termos teóricos, entretanto, se a resposta é o governo, deve-se estar preparado para dar razões
lógicas para a mesma.

A literatura econômica tradicional tem se esquivado de encarar o problema de frente,


apelando para o conceito de transferências do tipo lump-sum. O governo tem o único papel, na
esfera econômica, de estabelecer impostos e subsídios de forma a realizar a redistribuição
desejada, sem que as condições de eficiência sejam alteradas (que é o que caracteriza grosso
modo as transferências do tipo lump-sum).

Transferências do tipo lump-sum são, no entanto, impraticáveis, seja do ponto de vista


operacional - pois todo imposto tende a alterar as decisões dos indivíduos - seja do ponto de vista
de justiça social - pois implicaria em uma discriminação dificilmente sustentável do ponto de
vista ético, como, por exemplo, tributar todos os indivíduos de olhos azuis.12

9
- Este teorema é muitas vezes utilizado para se argumentar que desigualdades distributivas não constituem um
obstáculo à análise baseada no princípio de Pareto. Na verdade, o que o segundo teorema faz é empurrar a questão
distributiva para debaixo do tapete através da utilização de políticas redistributivas do tipo lump-sum. Mais adiante
voltaremos a abordar este assunto.
10
- São notórios os exemplos de como um sistema econômico pode ser ao mesmo tempo eficiente no sentido de
Pareto e altamente injusto. Coles e Hammond (1986), por exemplo, mostram como um mercado perfeitamente
competitivo e Pareto-eficiente pode gerar uma alocação que deixa alguns indivíduos com uma dotação de recursos
insuficiente para lhes garantir a sobrevivência. E já clássico é o artigo de Bergstrom (1971), que mostra como um
sistema econômico baseado no trabalho escravo pode ser eficiente no sentido de Pareto. Em outras palavras, como
observou Hammond (1990), alocações Pareto-eficientes não são necessariamente eticamente aceitáveis.
11
- Hammond (1990) vaticina impiedosamente as deficiências do Primeiro Teorema Fundamental do Bem-Estar
da seguinte forma: "The invisible hand is blind to even the grossest inequalities of power and wealth within an
economy. Perhaps markets only cause gross inequality if initial endowments are very unjustly distributed. Yet the
invisible hand tends to preserve and possibly even reinforce the injustices that history hands down. So the first
efficiency theorem by itself has little to contribute to a serious study of ethically proper economic policy".
12
- Lerner (1947), Samuelson (1947) e Graff (1957) foram dos primeiros economistas a chamarem a atenção
para a impraticabilidade de se usar impostos do tipo lump-sum. Hammond (1990), por sua vez sublinha o caráter
altamente "subversivo" que políticas redistributivas do tipo lump-sum podem apresentar. Referindo-se ao trabalho
clássico de Mirrlees (1971), Hammond argumenta que um ótimo de primeiro melhor, caracterizado por funções
A crítica dos modelos econômicos baseados no funcionamento de mercados livres passou
a ganhar corpo e peso com o argumento da existência de falhas de mercado. Uma fonte
importante de falhas de mercado é a presença de informação imperfeita, e, como corolário, a
inexistência de incentivos fortes o suficiente para induzir os indivíduos a revelarem
honestamente o valor verdadeiro de suas preferências, tornando o sistema econômico vulnerável
a ações não cooperativas. Uma pergunta natural que resulta dessa conclusão é: Como, então, uma
sociedade poderia gerar uma solução cooperativa entre os indivíduos? A formação de instituições
tais como o governo, com o objetivo de implementar soluções cooperativas seria uma saída.
Como a Economia do Setor Público procura exatamente analisar os efeitos da intervenção do
estado na economia, na seção seguinte consideramos brevemente o argumento lógico da
surgimento da instituição governo como um possível mecanismo implementador de alocações
socialmente ótimas.

3. Falhas das Forças do Mercado: O Dilema de uma Sociedade Prisioneira do Egoísmo

Na seção anterior, destacamos as fortes restrições que devem ser impostas para se obter os
resultados de primeiro melhor, e de como o problema da informação está na base das limitações
de mercados completamente descentralizados em alcançar alocações socialmente eficientes.
Nesta seção, procuramos sublinhar como o problema da informação e do comportamento não
cooperativo levam a falhas de mercado e à necessidade lógica de um governo mais
intervencionista, e, portanto, mais dependente de informação sobre as preferências dos
indivíduos. Para isso, fazemos uso do resultado do Segundo Teorema Fundamental do Bem-Estar
dentro do contexto da oferta de um bem público puro.

Tradicionalmente, a literatura econômica destaca seis fatores que fazem com que o
mercado fracasse na obtenção do ótimo de Pareto. São eles: concorrência imperfeita, bens
públicos, externalidades, mercados incompletos, informação imperfeita e desequilíbrios
macroecônomicos.

utilidade idênticas e separáveis, equivaleria à famosa prescrição marxista: de cada um segundo sua capacidade, a
cada um segundo sua necessidade. Assim, os indivíduos mais produtivos/habilidosos trabalhariam mais, mas teriam
um nível de consumo igual ao daqueles indivíduos menos produtivos/habilidosos. Como resultado, os incentivos para
a aquisição, desenvolvimento e revelação de habilidades seriam destruídos.
No presente trabalho, dada a nossa ênfase na relação entre a Teoria Econômica da
Informação e a Análise Econômica do Setor Público, concentraremos a atenção na questão da
informação imperfeita como fonte de fracassos do mercado.13

A maneira mais tradicional de se visualizar o problema informacional como fonte de


falhas do mercado é a questão da oferta de bens públicos puros em uma sociedade composta por
indivíduos maximizadores de utilidade. Dada a natureza desses bens públicos, cujo consumo é
não excludente e não rival, inevitavelmente surge o problema do free rider.14

Basicamente, o mercado fracassa em ofertar o nível socialmente ótimo de bens públicos


porque não há incentivos suficientes para que os indivíduos ajam cooperativamente, desde que
cada indivíduo pode perfeitamente optar por não revelar suas preferências verdadeiras, e, assim,
agir contra o resultado socialmente eficiente. Na base dessa ação "anti-social" está o fato de que
os agentes econômicos são limitados em termos das informações que têm disponível para a
tomada de decisão. Se há uma desconfiança de que os outros não irão se basear na escolha
socialmente desejada, mas ao invés vão perseguir uma agenda particular, e em assim agindo
colhem benefícios extras, a decisão "egoísta" tenderá a prevalecer e um resultado socialmente
ineficiente é a consequência.

Este resultado pode ser visto como aquele derivado de um jogo do tipo do Dilema dos
Prisioneiros, onde a estratégia do free-riding, ou estratégia de não cooperação, é aquela
dominante para os agentes.15 Pode-se mostrar que o resultado cooperativo é o socialmente
preferido, mas que a desconfiança acima mencionada, com respeito às ações dos outros
indivíduos, impede a obtenção da solução cooperativa. O mercado, portanto, geraria uma
alocação socialmente ineficiente.16

Note que o ponto crucial do problema em questão é a falta de um mecanismo ou


instituição que implemente a solução descentralizada e cooperativa entre indivíduos egoístas. Na
ausência daquele mecanismo/instituição, o comportamento não cooperativo é endêmico ao
sistema econômico. Resta perguntar, que mecanismo ou instituição poderia garantir a emergência
da solução cooperativa?

13
- Na realidade, todas as fontes de fracasso do mercado podem ser, de uma forma ou de outra, entendidas,
fundamentalmente, como problemas de informação.
14
- Ver Samuelson (1954) para uma das primeiras exposições formais do problema da oferta de bens públicos
na presença de free riding. É interessante notar que já no século 18, em sua obra A Treatise of Human Nature, David
Hume caracterizava com clareza o problema do free rider e do comportamento não cooperativo: "Two neighbours
may agree to drain a meadow, which they possess in common; because 'tis easy for them to know each others mind;
and each must perceive, that the immediate consequence of his failing in his part, is, the abandoning the whole
project. But 'tis very difficult, and indeed impossible, that a thousand persons shou'd agree in any such action; it
being difficult for them to concert so complicated a design, and still more difficult for them to execute it; while each
seeks a pretex to freem himself of the trouble and expense, and wou'd lay the whole burden on others" (citado por
Inman, 1987).
15
- Formalmente, esta é uma estratégia do tipo de Nash, gerando um equilíbrio de Nash em um jogo não
cooperativo de soma finita.
16
- Referências da utilização do exemplo do Dilema dos Prisioneiros para representar a base racional dos
fracassos do mercado são abundantes na literatura econômica. Ver, por exemplo, Inman (1987).
O chamado Teorema de Hobbes17 estabelece que a coerção imposta pelo governo sobre os
membros da sociedade é uma condição necessária para se atingir uma alocação eficiente em
situações de barganha entre os cidadãos. O Leviatã estatal é necessário para evitar a anarquia
social derivada do comportamento não cooperativo por parte dos indivíduos.

Por outro lado, Nozick (1974) enfatizou como requisito básico para o sucesso do
funcionamento eficiente do mercado a existência de um sistema legal de direitos de propriedade
sobre as dotações iniciais de recursos e sobre os ganhos provenientes das trocas. Em outras
palavras, sem a proteção dos direitos de propriedade as trocas via mercado são insustentáveis
(Inman, 1987).

Nozick desenvolveu a idéia de um mecanismo semelhante à mão invisível smithiana que


geraria um sistema legal que garantisse os direitos individuais de propriedade.18 Desse modo,
todos os cidadãos concordariam em que a proteção dos direitos de propriedade seria algo
socialmente benéfico e aceitariam as regras prescritas pelo sistema legal.

Um problema com o argumento de Nozick é que a abordagem do "estado mínimo" não


comporta políticas redistributivas promovidas pelo governo. Segundo Nozick, tal fato constituiria
em uma agressão contra o direito essencial que todos os indivíduos "naturalmente" têm, de não
terem seus direitos de propriedade violados.19 A visão nozickiana é de que o mercado é justo
desde que baseado em regras legais justas, independentemente do resultado em termos de
distribuição dos recursos iniciais.

Entretanto, é razoável supor que pelo menos parte da sociedade estará preocupada
exatamente com os aspectos distributivos dos resultados obtidos através do processo de trocas de
mercado e usaria algum critério de justiça social para julgar as alocações finais geradas pelo
mercado. Como ilustração, as alocações geradas pelo processo social de trocas poderiam ser
julgadas de acordo com a dotação de recursos que cada indivíduo, ou grupo de indivíduos,
receberia ao final daquele processo.

Vimos anteriormente que o Segundo Teorema da Economia do Bem-estar afirma que é


possível se atingir qualquer alocação considerada eticamente desejável, bastando para isto
promover uma redistribuição do tipo lump-sum e deixar o mercado operar livremente. Mas
políticas redistributivas não caem do céu nem são logicamente deriváveis de acordos voluntários
entre indivíduos livres e egoístas. Um mecanismo ou instituição que imponha coercivamente a
solução cooperativa é necessário. A utilização de impostos e subsídios de forma a implementar
uma redistribuição de recursos requer a existência de alguma instituição que detenha o poder
legal de impor impostos sobre os cidadãos e promover transferências de recursos e riquezas entre

17
- Ver Cooter (1982), citado por Inman (1987).
18
- Bush e Mayer (1974) mostraram que quando a proteção dos direitos de propriedade sobre as dotações
iniciais de recursos gera economias de escala, uma coalizão de agentes surgirá e respaldará a regra social de não
apropriação dos recursos alheios, passando, então, a constituir a instituição que policiará a observância daquela
regra. Essa coalisão é conhecida na literatura como o "estado mínimo" de Nozick (Inman, 1987).
19
- Neste sentido, por exemplo, toda tributação distributivista constituiria numa violação das liberdades básicas
dos indivíduos.
os indivíduos na sociedade.

Consequentemente, conforme observou Inman (1987), o governo passa a representar um


papel bem maior do que aquele prescrito pelo Teorema de Nozick do "estado mínimo". O papel
básico do governo passa a ser o de implementar soluções cooperativas quando o mercado
fracassa em atingi-las.

Sendo que os mercados competitivos não constituem uma condição suficiente para se
garantir resultados socialmente desejáveis em situações em que cada indivíduo não tem
informação perfeita a respeito dos outros indivíduos, o governo emerge como uma necessidade.

Mas, então, se temos de avançar para além do "estado mínimo" nozickiano, uma
indagação vem logo à tona: é possível obter-se soluções cooperativas para jogos do tipo Dilema
dos Prisioneiros, onde os jogadores são indivíduos egoístas, maximizadores de utilidade, através
da instituição governo? Vejamos como a literatura teórica tem lidado com tal questão.

4. Em Busca de Instituições Perdidas ou Inexistentes

Filósofos e economistas políticos, entre outros, têm despendido um esforço enorme na


tentativa de enfrentar o espinhoso problema de traçar as bases lógicas do aparecimento de
instituições que servem de suporte para o processo social de decisões. Hobbes via como
inevitável, dados os interesses de sobrevivência individual ou grupal, o surgimento e
desenvolvimento do Leviatã governamental. Os gregos há muito já definiam o homem como um
animal político e social, cujas relações com outros indivíduos passavam por canais institucionais
e eram reguladas por formas de governo.

Kant idealizou o conceito de um contrato original, um sistema de leis que formava o


sustentáculo da defesa dos direitos e liberdades individuais.20 Por um raciocínio a priori, Kant via
como um imperativo categórico a busca do bem-estar social baseado nos princípios do direito e
da liberdade individuais. Um acordo social, portanto, é o resultado de uma necessidade lógica.

Rawls (1971), na tradição Kantiana, expôs a idéia do véu de ignorância, sob o qual os
indivíduos, na origem da formação da sociedade, decidiam que uma partilha justa do resultado do
processo social era a estratégia mais lógica de se adotar dada a incerteza que cada indivíduo tem
acerca de sua posição social ao cabo daquele processo. Em outras palavras, desde que cada
indivíduo não tem certeza sobre a alocação que lhe cabe ao final de um processo social de
produção e trocas, a estratégia minimizadora de custos (em termos da possibilidade de se obter
uma alocação não desejável ou insuficiente para se atingir determinado nível de utilidade), é
concordar a priori com uma distribuição eqüitativa da "riqueza" final produzida.

Processos sociais de decisão do tipo Wicksell-Lindahl, também chamados de "trocas


voluntárias", constituem outra maneira de se tentar formalizar ações coletivas eficientes. Tais
processos são baseados em decisões unânimes, as quais garantiriam a participação cooperativa
20
- "The act by which the people constitutes a state for itself, or more precisely, the mere idea of such an act
(which alone enables us to consider it valid in terms of right), is the original contract. By this contract, all members
of the people ... give up their external freedom in order to receive it back at once as members of a commonwealth,
i.e. of the people regarded as a state" (em Phelps, 1973, p.181).
por parte de todos os indivíduos ou grupos da sociedade. Aquela participação cooperativa seria
incentivada pela partilha de interesses entre os indivíduos em relação a certos objetivos.

Wicksell propôs a imposição de impostos sobre aqueles que se beneficiassem da oferta de


um dado serviço público. Os indivíduos assim taxados aceitariam pagar impostos na medida em
que chegassem à conclusão de que a utilidade derivada do consumo do serviço em questão fosse
maior que o custo a ser incorrido (os impostos a serem pagos). Lindahl desenvolveu a idéia de
Wicksell, concebendo as decisões coletivas como resultado de um processo iterativo, onde o
governo propõe um certo nível de impostos sobre os indivíduos e estes últimos respondem com
suas preferências em termos de níveis de gastos públicos. Com base nas preferências reveladas
pelos indivíduos o governo propõe um novo nível de impostos, e assim por diante.21

Finalmente, sem no entanto esgotar a lista de mecanismos de decisão propostos na


literatura, temos o "governo benevolente" da tradicional teoria econômica do bem-estar. O
governo aqui é capaz de estipular uma função de bem-estar social, a qual leva em conta as
utilidades de todos os indivíduos na sociedade, e de maximizá-la sujeito a seu orçamento.
Utilizando-se de transferências do tipo lump-sum, esse governo benevolente conduz o sistema
econômico ao ponto de eficiência máxima (ótimo de Pareto), sem que sua intervenção nas
atividades econômicas provoque distorções nas mesmas. Os dois Teoremas Fundamentais da
Economia do Bem-Estar acima mencionados reinam absolutos aqui.

As contribuições descritas acima têm seus méritos próprios. O trabalho de Wicksell e


Lindahl, por exemplo, é um importante exemplo de uma tentativa de chamar a atenção dos
economistas para o fato de que as decisões alocativas dentro do sistema econômico são na
verdade decisões políticas.22

O problema com todas essas contribuições é que é difícil imaginar como os processos
propostos podem ser viáveis quando se leva em consideração que severas limitações de
informação impedem que as instituições idealizadas para resolver o problema da tendência
"natural" ao comportamento não cooperativo tenham acesso livre à informação sobre as reais
preferências dos indivíduos.

Tome-se como exemplo o governo benevolente da teoria econômica do bem-estar. Como


defender a idéia de que tal governo tem acesso livre e sem custo a todas as (verdadeiras)
preferências dos indivíduos? E sem tal condição ser respeitada, como, então, poderia o governo
estabelecer transferências ótimas do tipo lump-sum sem conhecer perfeitamente as características
de cada indivíduo?

Por outro lado, Malinvaud (1971) mostrou como processos do tipo Wicksell-Lindahl são
dominados por estratégias não cooperativas. Este resultado de Malinvaud é altamente revelador.
Como Inman (1987) enfatizou, Malinvaud conseguiu mostrar que o que as contribuições de
Wicksell e Lindahl fazem, na verdade, é transferir o problema do comportamento não

21
- Os argumentos originais de Wicksell e Lindahl estão expostos em Wicksell (1896) e Lindahl (1919).
Johansen (1963) formalizou os processos do tipo Wicksell-Lindahl dentro de um arcabouço de equilíbrio geral,
determinando, assim, o que é conhecido na literatura como o equilíbrio de Lindahl.
22
- A volumosa literatura da "Nova Economia Política" é, em parte, uma evidência da enorme influência que os
trabalhos de Wicksell e Lindahl acabaram por exercer sobre os economistas.
cooperativo da esfera do mercado para a esfera das instituições governamentais.

Semelhantes observações podem ser feitas acerca dos outros mecanismos vistos acima. O
problema do comportamento não cooperativo é de natureza eminentemente informacional. Todos
os mecanismos descentralizados e voluntários resenhados nesta seção sofrem daquele problema,
não conseguindo assegurar, a não ser para situações altamente restritivas, que uma solução
cooperativa possa emergir a partir deles.

Será, então, que este problema com os mecanismos descentralizados de decisão é geral?
Em outras palavras, será que existe algum processo descentralizado de decisão que, substituindo
o mercado quando este fracassa, assegure uma alocação eficiente dos recursos da sociedade?

A literatura econômica teórica sugere que não se pode ter a melhor das combinações:
mecanismos descentralizados de decisão e eficiência econômica, simultaneamente. Isto é,
processos democráticos de decisão coletiva não são, geralmente, eficientes.

Talvez a busca por processos de decisão social democráticos e eficientes, seja mesmo
uma por instituições longamente perdidas no tempo, como o contrato social original
rousseauniano ou rawlsiano, ou ainda inexistentes, como o processo de Wicksell-Lindhal. A
próxima seção explora os chamados Teoremas de Impossibilidade, os quais demonstram as
tensões existentes entre descentralização e eficiência econômica.23

5. Ilusões Perdidas: Teoremas de Impossibilidade

Em 1951, Kenneth Arrow publicou um pequeno volume, Social Choice and Individual
Values, onde mostrou a inconsistência lógica de constituições democráticas que devem obedecer
certas condições "razoáveis" de decisão social. No seu trabalho, Arrow se propôs a responder à
questão de se um processo de escolha coletiva baseado nas preferências individuais é
logicamente consistente.24

Arrow impôs cinco condições "naturais" que um mecanismo descentralizado de escolha


coletiva deveria satisfazer:

(i) Racionalidade: o mecanismo de escolha social deve ser capaz de ordenar


completamente todas as alternativas envolvidas no processo de decisão, e todas as ordenações
devem obedecer o axioma da transitividade;25

23
- Na realidade, as implicações destes teoremas para a teoria econômica e o trabalho dos economistas são bem
mais profundas, como tentaremos argumentar mais adiante.
24
- É importante observar que a análise desenvolvida por Arrow é puramente formal, ou seja, acerca da lógica
da escolha social. Nas palavras de Arrow (1963, p.2), "we ask if it is formally possible to construct a procedure for
passing from a set of known individual tastes to a pattern of social decision-making, the procedure in question being
required to satisfy certain natural conditions".
25
- Mais precisamente, as ordenações devem ser transitivas seja para relações de preferência como para relações
de indiferença (Inman, 1987).
(ii) Domínio Irrestrito: o mecanismo de escolha social envolve todas as combinações de
ordenação de preferências individuais acerca das alternativas disponíveis;

(iii) Independência de Alternativas Irrelevantes: A escolha entre duas alternativas


quaisquer depende apenas das ordenações individuais destas duas alternativas;

(iv) Não-Ditadura: As preferências de um indivíduo qualquer nunca são sempre decisivas,


ou seja, não há nenhum indivíduo que faça com que sua ordenação de preferências sempre
prevaleça dentro do mecanismo de escolha social, mesmo que o restante dos indivíduos prefira o
contrário;

(v) Princípio de Pareto: se todos os indivíduos na sociedade preferem uma dada


alternativa x a uma outra y, o mecanismo de escolha social deve resultar em x preferido a y.

As condições (i)-(iii) asseguram que, uma vez que os indivíduos forneçam informação
sobre suas ordenações de preferência, o mecanismo de escolha social gerará uma decisão
coletiva. Em suma, preferências individuais são agregadas em uma Função de Bem-estar Social.
A condição (iv) assegura que o processo decisório seja democrático, enquanto que a condição (v)
assegura a eficiência do processo.

O Teorema da Impossibilidade de Arrow demonstra que não há nenhum mecanismo


descentralizado de escolha social que satisfaça as cinco condições acima, simultaneamente. Dado
que se exclui, pela imposição das condições (i)-(iii), comparações interpessoais de utilidade, "the
only methods of passing from individual tastes to social preferences which will be satisfactory
and which will be defined for a wide range of sets of individual orderings are either imposed or
dictatorial" (Arrow, 1963, p.59).26

O resultado obtido por Arrow é provocante e perturbador. E assim pareceu a muitos


economistas. Uma volumosa literatura passou a se desenvolver a partir daí procurando encontrar
falhas lógicas no argumento de Arrow ou tentando mostrar que o problema residia na escolha das
condições impostas sobre o processo social de decisão. Inman (1987, p.685) sentenciou
corretamente o fracasso de tais investidas contra a Impossibilidade arrowniana:

"The Arrow Possibility Theorem is true; there is no escaping that fact. The five axioms ...
cannot all be satisfied simultaneously by a collective choice process. There is only one way out
and that is to discard one or more of Arrow's original requirements ... This is the strategy which
has occupied social choice theorists for the past twenty years. The results are generally
discouraging".

Mas o impacto devastador provocado pelo resultado obtido por Arrow não parou por aí.
Com o desenvolvimento da teoria da informação e sua incorporação pela teoria da escolha social,
um resultado mais devastador ainda foi obtido.

O Teorema de Arrow, assim como a literatura imediatamente subsequente, não levou em


conta a possibilidade de comportamento não cooperativo por parte dos indivíduos participantes
do processo de escolha coletiva. Em outras palavras, não se considerava uma situação em que os

26
- Para uma prova formal do Teorema de Arrow, ver, entre outros, Arrow (1963) e Inman (1987).
indivíduos simplesmente não revelam verdadeiramente suas ordenações de preferências, de
forma que a questão da manipulação do processo decisório por parte dos indivíduos não era
contemplada na discussão.

Em dois trabalhos seminais, Gibbard (1973) e Satterthwaite (1975), provaram o que veio
ser a conhecido como o Teorema de Gibbard-Satterthwaite, o qual demonstra que o problema do
comportamento estratégico e da manipulação do processo decisório é endêmico aos processos de
votação. O Teorema de Gibbard-Satterthwaite impõe três condições sobre os mecanismos de
decisão, a saber:

(1) o mecanismo é não ditatorial;

(2) dizer a verdade é a estratégia dominante;

(3) o mecanismo de decisão engloba um número n≥3 de alternativas a serem votadas.

Dadas as três condições acima, o Teorema de Gibbard-Satterthwaite afirma que


mecanismos democráticos de decisão estão sempre sujeitos ao problema das estratégias de
manipulação.

Tomados conjuntamente, os Teoremas de Arrow e Gibbard-Satterthwaite implicam que


não existe um processo de escolha social que seja, simultaneamente, democrático, eficiente (em
termos alocativos e em termos de tomada de decisão) e imune a manipulações. Portanto, da
mesma forma que o mercado fracassa, o governo também parece estar sujeito a imperfeições.

Na base das imperfeições que assolam as alternativas institucionais existentes está o


problema dos limites impostos pelo que Arrow (1974) chamou de estrutura dos canais de
informação. As instituições são organizações que têm como objetivo fundamental processar
informação, mas para desempenhar este papel as mesmas incorrem, além dos custos tradicionais
mencionados pelos manuais de economia, em custos de transação, os quais são basicamente
custos de aquisição, processamento e transmissão de informação.

No exemplo clássico da oferta ótima de bens públicos, o problema informacional diz


respeito essencialmente ao não conhecimento das características particulares de cada indivíduo
na sociedade e da própria natureza do jogo que está sendo jogado. Uma forma de se tentar
superar esse problema é supor a existência de um "conhecimento comum" (common Knowledge),
o que implicaria na prevalência de uma espécie de conhecimento mútuo acerca das regras do jogo
e sobre todos os jogadores (Green, 1985).27

O problema informacional faz com que o estudo de organizações econômicas eficientes


tenha de incorporar, além das convencionais restrições de recursos de produção, as restrições
informacionais.28 29 A busca de regras ótimas equivale, assim, à procura da alocação social ótima
27
- Se o chamado Princípio da Revelação caracterizasse perfeitamente o comportamento dos agentes
econômicos, o problema informacional tenderia a ser contornado, já que as características verdadeiras dos indivíduos
constituiriam as "mensagens de equilíbrio", ou seja, revelar a verdade seria a melhor estratégia para todos os
jogadores.
28
- A teoria do principal-agente, por exemplo, destaca com especial atenção as restrições informacionais e
mostra como as mesmas resultam em decisões ótimas que necessariamente geram distorções no sistema econômico.
dadas as restrições de recursos e de informação com as quais o sistema econômico se defronta
(Holmstrom, 1985).

Como vimos acima, entretanto, mecanismos de alocação descentralizados, como o


mercado, fracassa, em geral, em gerar alocações eficientes em virtude do problema do
comportamento não cooperativo por parte dos indivíduos. Na presença de informação privada,
pode-se mostrar outro resultado de impossibilidade devido a Hurwicz(1960), ou seja, de que não
existe um processo descentralizado em termos de informação que seja Pareto-ótimo (ver Reiter,
1989; Marschak, 1989).30

Por outro lado, em um sistema social onde a informação é descentralizada, o governo é


compelido a utilizar mecanismos de decisão coletiva que sejam passíveis de implementação de
acordo com as preferências dos indivíduos. Em outras palavras, os mecanismos de decisão devem
ser compatíveis com os incentivos individuais (incentive compatible). No entanto, como mostra o
Teorema de Gibbard-Satterthwaite, um mecanismo de decisão que implementa alocações quando
o equilíbrio dominante é o Princípio da Revelação, é necessariamente ditatorial.

Consequentemente, supondo-se que os indivíduos podem influir decisivamente no


processo de escolha social, isto é, quando agir estrategicamente rende benefícios extras aos
participantes do jogo social, dizer a verdade não pode ser tomada como a estratégia dominante
(Laffont, 1987).

Em resumo, dada a presença de restrições informacionais (informação descentralizada ou


privada), há uma impossibilidade, por parte do mercado e do governo (ou de fato por parte de
qualquer instituição) em alcançar a eficiência de primeiro melhor.31

Para tentar encontrar uma saída para este resultado de impossibilidade, vários
mecanismos alternativos de decisão coletiva, que não os considerados na seção 4 acima, têm sido
desenvolvidos. Os resultados, entretanto, apesar dos avanços conseguidos no entendimento do
problema informacional, continuam a não ser muito animadores. A seguir consideraremos alguns
dos mecanismos propostos e de como os mesmos ainda ficam aquém de uma real solução para o
problema da revelação de preferências.

Mecanismos de votação, em princípio, poderiam constituir uma forma direta e


descentralizada de tomada de decisões. Se um equilíbrio único pudesse ser gerado por algum
processo eleitoral, tal que a preferência do eleitor médio fosse por ele representada, a oferta de
um bem público seria eficiente. Um processo deste tipo é o chamado mecanismo de Bower.

Ver, a esse respeito, Arrow (1986).


29
- Um outro tipo de restrição a ser observada é quanto à restrição da dotação institucional de cada sistema
econômico, já que diferentes estruturas institucionais implicam em diferentes estruturas de organização da
informação.
30
- Ver também Grossman e Stiglitz (1980) para a formulação de outro teorema de impossibilidade, mostrando
como não há possibilidade de se ter mercados informacionalmente eficientes.
31
- Este resultado é válido mesmo para mecanismos ditatoriais de decisão, pois mesmo um ditador enfrenta o
problema de informação incompleta sobre as verdadeiras características dos indivíduos por ele subjugados.
Supondo que os i agentes tenham preferências single-peaked, é fácil mostrar que a função
utilidade do eleitor i, Ui (Qp) - αiQp tem um único ponto de máximo, onde Qp é o bem público e
αi é a contribuição do indivíduo i no financiamento do mesmo. No equilíbrio de Bower , a
quantidade do bem público a ser ofertada é determinada pela preferência do eleitor mediano. O
problema com esta solução é que não necessariamente o eleitor mediano coincide com o eleitor
médio em termos de preferência pelo bem público. Como a priori não como se ter essa
informação, a qual é revelada apenas após a votação, nada garante que a oferta do bem público
seja eficiente como resultado do processo de votação, a não ser que se adote a suposição bastante
forte de que o eleitor mediano e o eleitor médio têm preferências idênticas (Varian, 1992).

Mecanismos decisórios baseados nos conceitos de equilíbrio de estratégia dominante, de


Bayes-Nash e de maximim, onde os indivíduos, apesar do problema de informação incompleta,
conseguem idealizar estratégias totalmente descentralizadas simplesmente através de raciocínio
puro, são soluções teoricamente possíveis mas representam, como Laffont (1987) colocou,
noções extremamente fortes de compatibilidade de incentivos. Portanto, de restrita utilidade
prática.

Uma contribuição fundamental à literatura de mecanismos de revelação de preferências é


baseado no leilão de Vickrey. Aqui, o agente que sinalizar o maior lance será o vencedor, mas
terá de pagar apenas o valor do segundo maior lance. Pode-se mostrar que para este processo a
revelação verdadeira das preferências é uma estratégia dominante e resulta em uma alocação
eficiente. Com base neste resultado, foi desenvolvido um mecanismo de decisão para o caso de
bens público: o mecanismo de Clarke-Groves (Varian, 1992; Laffont, 1987).

Cada agente i anuncia um “lance” em relação ao bem público. Tal lance representa a
contribuição (willingness to pay) que cada agente está disposto a fazer para o financiamento do
bem público e reflete, portanto, sua preferência pelo mesmo, a qual pode não ser verdadeiramente
revelada. Chamando aquela contribuição de ci, tem-se que o bem público será ofertado se o
somatório de ci , para todos os agentes, for não negativo. Para tornar este mecanismo compatível
em termos de incentivos, estipula-se que cada agente i receba uma transferência igual ao
somatório das contribuições dos outros agentes j, i≠j, no caso do bem público ser ofertado. A
transferência pode ser positiva ou negativa, de acordo com que o somatório das outras
contribuições for positivo ou negativo. O resultado é que “dizer a verdade”é uma estratégia
dominante. Isto é conseguido tornando a decisão de cada indivíduo interdependente com as
decisões dos demais indivíduos, fazendo com que cada agente se defronte, na verdade, com uma
decisão social, e não estritamente individual.

O problema com este engenhoso mecanismo de decisão está justamente relacionado com
a introdução das transferências individuais. Duas dificuldades básicas podem apontadas:

(i) O total das transferências pode assumir uma magnitude tal que seria muito alto o custo
de induzir os agentes a revelarem verdadeiramente suas preferências;

(ii) Uma alocação ótima de Pareto poderia ser alcançada se fosse factível balancear as
transferências, utilizando, por exemplo, uma função do tipo ti(ci) = Σcj + fi(cj), i≠j, onde
ti é a transferência feita para o agente i. Uma escolha adequada de fi(cj) balancearia as
transferências entre os indivíduos. No entanto, isto geralmente não é possível devido a
problemas informacionais (Laffont, 1987), mesmo impondo-se a restrição de uma
economia com preferências quase lineares, como no caso acima.
Contribuições recentes à literatura de mecanismos de incentivos não tem conseguido,
assim, reverter as conclusões pessimistas da literatura de escolha social acerca da impossibilidade
de se gerar alocações de primeiro melhor através de decisões completamente descentralizadas no
contexto de informação imperfeita. Se formos um passo adiante, e supormos que mesmo o
próprio indivíduo não tenha informação perfeita sobre a sua disposição a pagar pelo bem público,
devido, por exemplo, a custos de transação associados à obtençãode informação, o quadro se
complicaria ainda mais.

A implicação mais forte desse "estado de coisas" é que a priori não há como supor que
alocações Pareto-ótimas devam ser privilegiadas vis-à-vis alocações não Pareto-ótimas (Laffont,
1987). Bem vindo ao mundo do Segundo Melhor.

6. Uma Nova Aurora: Decisões Ótimas em um Mundo Distante do Primeiro Melhor

Quando se tem de levar em conta as restrições de informação, o melhor que podemos


fazer é tentar visualizar alocações eficientes condicionadas pelos incentivos individuais, ou seja,
alocações de "Segundo Melhor".

A melhor maneira de se ver isso é considerando-se a noção de "perdas irrecuperáveis"


(deadweight losses) utilizada na teoria econômica do bem-estar. Por exemplo, a teoria da
tributação ótima afirma que todos os impostos, a não ser os do tipo lump-sum, são distorcivos.
Hammond (1990) argumenta que, na realidade, não há distorções provocadas pela tributação. Se
os contribuintes revelassem honestamente suas informações privadas, alocações Pareto-
superiores poderiam ser geradas. Entretanto, como vimos acima, dizer a verdade em tal situação
não constitui uma estratégia dominante. O que nos resta é admitir que o comportamento real dos
seres humanos é bem mais complexo do que aquele que os tradicionais axiomas da teoria do
consumidor e da firma nos fazem crer.

Impostos ótimos do tipo de segundo melhor, como os derivados por Diamond and
Mirrlees (1971) são realmente ótimos dentro de um mundo imperfeito do ponto de vista da
distribuição da informação. São ótimos dada a impossibilidade de se utilizar impostos do tipo
lump-sum.32 Esta impossibilidade reflete o fato de que impostos ótimos de primeiro melhor não
são compatíveis com os incentivos que moldam as decisões dos indivíduos em um mundo onde
há informação privada.

Em um mundo de segundo melhor todas as possíveis alocações eficientes são Pareto-


restritas, ou seja, levam em consideração as restrições em termos de incentivos que impedem a
obtenção do resultado de primeiro melhor.

Isto abre caminho para a introdução explícita de conflitos entre objetivos e entre
instrumentos de política econômica. Por exemplo, utilizar-se de tarifas para atacar a questão da
desigualdade de renda é uma decisão de política econômica que deve ser analisada levando-se em
32
- Como Hammond (1990) sentenciou: "Deadweight loss is typically unavoidable at an optimal allocation
because history has left us with a world economy in which endowments are very unjustly distributed, and we lack the
information required for optimal lump-sum redistribution". As "perdas irrecuperáveis" são vistas, assim, como sunk
costs, ou seja, "costs which arise because of history".
conta as inerentes perdas de eficiência que tal política irá acarretar.

Como os fatores que restringem a obtenção do resultado de primeiro melhor são inúmeros
e complexos, tem-se que a formulação de políticas que visam o ótimo de Pareto está fadada a ser
igualmente complexa. Além do mais, vários desenvolvimentos recentes em teoria econômica
mostram claramente que a eficiência de primeiro melhor é algo quimérico. Como exemplo, a
literatura moderna sobre determinação de preços segundo o custo marginal demonstra que é bem
provável que não existam alocações de equilíbrio que sejam geradas por preços iguais ao custo
marginal.33

O melhor que se pode esperar da análise econômica parece ser mesmo a de identificar
melhorias no sentido de Pareto, abrindo-se mão da busca de um ótimo de primeiro melhor que
nunca está lá. Entre alguns teóricos, já há uma determinação de concentrar as pesquisas na
tentativa de definir o que se chama de "melhorias locais" (Hammond, 1990), isto é, identificar-se
direcionamentos que poderiam ser caracterizados pela obtenção de pequenas mudanças em
relação ao status quo, mas que poderiam ser vistas como inequivocamente levando a pequenas
melhorias na implementação de políticas econômicas.

A maneira tradicional de se analisar problemas do tipo discutido na teoria econômica do


bem-estar tem de ser reformulada, no entanto, pois a mesma incorpora contradições que muito
improvavelmente podem ser resolvidas dentro do arcabouço ortodoxo.

Por exemplo, a hipótese básica do modelo da "mão invisível" - a formalização tradicional


da teoria do equilíbrio geral - de que os indivíduos são egoístas maximizadores de utilidade
torna-se um obstáculo ao atingimento do próprio "primeiro melhor" que o modelo tão
cuidadosamente descreve. A razão disso está ligada ao problema da revelação de preferências
discutido ao longo do texto.

Isto aponta para a necessidade de se introduzir instituições extra-mercado na análise, de


forma a se tentar enfrentar o problema da informação. Por exemplo, pode-se pensar em discutir o
papel dos valores morais e culturais, dos códigos legais, da evolução bio-social das comunidades
etc., e analisar seus impactos sobre a formação e revelação de preferências dos indivíduos. Dentro
deste contexto mais rico, e portanto mais complexo, pode-se esperar um delineamento mais
preciso do trade-off entre eficiência e equidade, pois as regras de justiça social que embasariam a
questão distributiva teriam, então, de ser explicitadas a priori.34

Modelando explicitamente as instituições extra-mercado, os economistas teriam a


oportunidade de superar uma das contradições mais gritantes da teoria ortodoxa do bem-estar,
qual seja a de se supor um governo, ou um planejador ou ditador, benevolente, em meio a uma
multidão de indivíduos egoístas.

A visão convencional é de que o governo, através de seu poder de coerção, extrairia


cooperação de indivíduos egoístas relutantes ou indispostos a cooperar. Entretanto, isto é um
33
- Ver, entre outras referências, Guesnerie (1975) and Kamiya (1995).
34
- Talvez, então, os insights contidos em The Theory of Moral Sentiments, de Adam Smith, pudessem
finalmente ver a luz do dia entre os economistas, complementando as idéias absorvidas por aqueles últimos a partir
de A Riqueza das Nações, do mesmo autor.
resultado que vai de encontro à visão liberal que se costuma associar ao modelo da "mão
invisível". A busca do ótimo social guiada pelo "princípio de Pareto" pode, assim, ao contrário do
que é usualmente argumentado, levar a uma situação adversa do ponto de vista da filosofia
liberal.

Cooperação entre seres humanos, dentro da visão liberal, deve ser atingida por meios
democráticos, diferentemente, por exemplo, do tipo de cooperação encontrado entre as abelhas, a
qual parece ser estabelecida hierarquicamente.

O problema da informação, por outro lado, não pode ser resolvido simplesmente
apelando-se para mudanças tecnológicas, através do desenvolvimento e difusão de tecnologias
modernas de informação. Mesmo um mundo com informação tecnológica altamente sofisticada
estará sempre sujeito ao problema da informação "escondida" ou "não revelada" (hidden
information). Além disso, como Freud nos ensinou, os próprios indivíduos não se conhecem
perfeitamente. Está na hora, talvez, dos economistas levarem a sério a hipótese da "racionalidade
limitada", que até agora tem sido um conceito em busca de uma teoria.

7. Conclusão

Neste trabalho procuramos ressaltar alguns dos principais impactos produzidos pelo
desenvolvimento da Teoria Econômica da Informação sobre o estudo da Economia do Setor
Público. Nossa questão principal foi investigar como o problema da informação imperfeita afeta a
análise de decisões coletivas ótimas, através do estudo dos mecanismos sociais de tomada de
decisão.

A formalização da Teoria do Equilíbrio Geral nos deu uma definição rigorosa do


funcionamento dos mercados perfeitamente competitivos, enquanto que a Teoria Econômica da
Informação e a Teoria da Escolha Social contextualizam o problema da decisão coletiva como
sendo caracterizado pelo problema da revelação de preferências. Neste sentido, estas últimas
enfatizam os limites do atingimento do equilíbrio geral conforme tradicionalmente modelado, ao
mesmo tempo que indicam caminhos para se discutir o problema da decisão social em ambientes
que permitem incorporar a assimetria informacional entre indivíduos e entre instituições. Como
Malinvaud (1989) observou, “in the classical model of na exchange economy with a finite
number of consumers, no procedure can be found that would necessarily lead to a Pareto efficient
result in which individuals, acting as players in a non-cooperative game, would faithfully report”.

Parece claro, a partir dos resultados até agora obtidos pela Teoria da Escolha Social, que
há a necessidade de se abrir a "caixa preta" da tomada de decisões coletivas. Vários trabalhos,
como os citados ao longo do texto, têm sido desenvolvidos com essa perspectiva em mente, o que
sugere amplas oportunidades de avanço da teoria econômica e de seu intercâmbio com outras
ciências.

E aqueles que adotam uma filosofia liberal devem estar preparados para aceitar o fato de
que o mercado pode, em várias instâncias, tornar-se um obstáculo à obtenção de certos objetivos,
não por causa do mercado em si mesmo, mas pela característica não cooperativa do
comportamento social dos indivíduos que nele atuam.
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