Você está na página 1de 7

CROMATOGRAFIA GASOSA

Igor Alexsander da Silva Milagres1; João dos Santos2; Matheus Gonçalves Miziara3; Wesley Alves
de Assis Júnior4; Áurea de Andrade Pinto5; Wilson Sousa Benjamin6.
1, 2,3,4,5,6
Universidade de Uberaba
i.alexsander97@gmail.com; gestor.quimica@uniube.br

Resumo
A cromatografia é um método de separação de amostra até os sistemas de detecção. A
misturas que busca fazer análises qualitativas e execução do trabalho baseou-se em uma vasta
quantitativas de determinadas amostras. Seu busca bibliográfica, a qual contou com um
objetivo é separar individualmente os diversos aporte teórico de 3 artigos e 5 livros que
constituintes de uma mistura de substâncias compreenderam o período de 1992 a 2012. Ao
seja para identificação, quantificação ou final pode se concluir que a cromatografia,
obtenção da substância pura para os mais com ênfase à gasosa, é um dos métodos
diversos fins. Tal separação se dá através da analíticos mais utilizados, tanto pela sua grade
migração da amostra através de uma fase capacidade de resolução, possuir alta
estacionária por intermédio de um fluido (fase confiabilidade e principalmente possuir um
móvel). Após a introdução da amostra no ótimo custo benefício.
sistema cromatográfico, os componentes da
Palavras-chave: Fase Estacionária. Fase
amostra se distribuem entre as duas fases e
Móvel. Resolução. Custo Benefício
viajam mais lentamente que a fase móvel
1 Introdução
devido à diferença de polaridade entre as duas
Devido a sua simplicidade,
fases. Sendo assim, buscou-se no referido
sensibilidade e efetividade para separar os
trabalho dar principal ênfase a cromatografia
componentes de misturas, a análise
gasosa, em que a fase móvel é um gás, devido
cromatográfica é um dos métodos físico-
a sua grande gama de aplicações, como por
químicos mais importantes na busca de
exemplo, nas indústrias químicas,
resultados em alguns casos no estudo da
farmacêuticas, alimentos, cosméticos,
química. É amplamente usada para análises
petroquímicas, laboratórios de análises clínicas
quantitativas e qualitativas de espécies
e ambiental, forense entre outras. Contudo,
químicas e para determinar constantes
nota-se que ela é um método complexo, devido
termoquímicas tais como calores de solução e
a sua forma de análise e todos os princípios
vaporização, pressão de vapor e coeficientes
químicos envolvidos, desde a injeção da
UNIUBE Campus Aeroporto – Uberaba/MG
de atividades. Muito útil também em processos se ‘cromatografia líquida’ ou ‘CL’. É possível
industriais, análises no campo medicinal, em utilizar um fluído supercrítico como fase
produtos alimentícios, na identificação de móvel, criando o método conhecido como
analitos, por meio da comparação com padrões cromatografia de fluído supercrítico ou ‘CFL’.
previamente existentes ou ainda, pode servir Todos esses métodos podem ser divididos em
para a purificação de compostos, separando-se subcategorias em função de seu mecanismo de
as substâncias indesejáveis. (SKOOG, 2006) separação e tipo de fase estacionária. (HAGE,
A data histórica da cromatografia, com 2012)
importância científica, foi em 1906, quando o O método cromatográfico baseia-se na
botânico russo Mihail Tswett descreveu seu migração de uma ou mais fases de uma
trabalho sobre a separação de pigmentos de determinada solução, que ocorre devido a
folhas como a clorofila e a xantofila. Ele diferentes interações entre duas fases
passou soluções desses componentes em uma imiscíveis, sendo uma fase fixa que tem uma
coluna de vidro empacotada com carbonato de grande área superficial chamada fase
cálcio finamente dividido e o extrato de estacionária, e a outra uma fase que se move
plantas separou-se em faixas e cores através da estacionaria, sendo chamada de fase
diferentes. Devido à coloração separada dos móvel. A cromatografia pode ser aplicada em
extratos observados, o método utilizado por dois tipos de sistemas, em coluna e planar. O
Mihail Tswett passou a ser denominado Tswett sistema de coluna é o sistema mais utilizado e
de “cromatografia”, do grego chroma = cor e mais abrangente na cromatografia. A coluna
graphein = escrita (NETO, 2004). A partir daí consiste em um tubo contendo um suporte
as aplicações e variações da cromatografia sólido revestido, no qual o revestimento do
evoluíram vertiginosamente e atualmente é um suporte interage com uma amostra à medida
dos mais importantes métodos de separação de que passa pelo sistema, a amostra original e
misturas da atualidade. fase móvel é aplicada em uma extremidade da
Há diversas formas de cromatografia. “coluna” para que a fase móvel percorre a
Todas elas podem ser classificadas de acordo coluna sendo separada da fase estacionaria até
com a suas fases móvel, estacionaria e suporte. chegar ao detector ou o dispositivo de coleta.
A principal maneira de categorizar técnicas de No sistema planar temos a mesma ideia, no
cromatografia é de acordo com a sua fase entanto, para que a fase móvel se mova através
móvel. Se um gás é a fase móvel, o método do meio (papel ou placa de vidro). (HAGE,
utilizado é da ‘cromatografia gasosa’ ou ‘GC’. 2012)
Se a fase móvel é um líquido a técnica chama-

UNIUBE Campus Aeroporto – Uberaba/MG


É importante ressaltar que a seleção do
tipo de cromatografia a ser utilizada depende 2.2 Sistema de gás de arraste
do material a ser isolado, da amostra, analito Depende do tipo de detector utilizado e
envolvido, por isso, frequentemente, diversos dos componentes a determinar. Gases de
métodos cromatográficos podem ser usados arrastre para cromatografia tem que ser de alta
em sequência, além de serem associados a pureza e inertes, como o hélio (He), argônio
outras diversas técnicas instrumentais, (Ar), nitrogênio (N2) e hidrogênio (H2). Alguns
buscando assim, análises cada vez mais cromatógrafos tem um filtro molecular para a
precisas (PERES, 2002). remoção de impurezas e água. (COLLINS,
Neste artigo será dado maior ênfase à 1993)
cromatografia gasosa, por ela ser uma das 2.3 Partição
técnicas analíticas mais utilizadas, além de A fase estacionária é um líquido
possuir alto poder de resolução, ela é bastante depositado ou quimicamente ligado a um
vantajosa, já que possibilita detecções em suporte sólido de um tubo capilar de sílica
escala de nano a pictogramas. A cromatografia fundida (CG). As moléculas dos componentes
gasosa possui alta confiabilidade e custo a serem separados se distribuem entre a fase
benefício, tem aplicação em diversas áreas, por estacionária ligada e a fase móvel líquida
isso é tão bem-conceituada e empregada. (HPLC) ou fase móvel gasosa (CG) de acordo
com sua afinidade relativa: Kpart = [dissolvido
2 Desenvolvimento
na FE] / [dissolvido na FM]. Compostos com
2.1 Cromatografia gasosa diferentes constantes de partição são
É um processo de análise química separados. A FM carrega as moléculas nela
instrumental que separa os compostos dissolvidas. Para reestabelecer o equilíbrio,
químicos e uma amostra complexa. Usa-se um moléculas na FE passam para a FM e são
tubo estreito que dá o fluxo (coluna), através arrastadas. Tem-se um equilíbrio dinâmico em
de diferentes compostos de uma amostra cada segmento da coluna. Como a FM está em
passam em uma corrente de gás (gás condutor, contínuo movimento, esta acaba retirando
ou transportador, a fase móvel), em diferentes todas as moléculas da coluna, (COLLINS,
taxas. Os compostos químicos que saem no 1993).
final da coluna, são detectados e 2.4 Alargamento de banda e problemas
identificados por meios eletrônicos. A fase gerais das colunas
estacionária tem função de separar ‘’A eficiência de uma coluna
componentes diferentes. (ARGENTON, 2010) cromatográfica é afetada pela grandeza do
UNIUBE Campus Aeroporto – Uberaba/MG
alargamento de banda que ocorre quando o interagirem com a fase estacionária a maior
composto passa pela coluna.’’ (Skoog 2006, p parte do tempo deixando a banda larga,
881). O alargamento da banda ocorre por gerando consequências no tempo de eluição
diversos fatores de interação com amostra a que é muitas vezes chamado de tempo de
ser analisada, com a fase estacionaria e móvel. retenção, tr. A razão entre os tempos de
Para que uma determinada amostra possa ser retenção de dois compostos A e B é a retenção
analisada, durante o processo cromatográfico é relativa, αab. (BURROWS, 2012)
necessária energia entre as moléculas O alargamento dessas bandas dado pelo
envolvida no processo cromatográfico para tr pode fazer com que o processo
que elas se desloquem pela coluna, e essa cromatográfico fique ineficiente e pode fazer
energia vem de suas vizinhas, assim o tempo que fique eficiente se obtiver um tr controlado,
de residência em uma dada fase pode ser curto pois, se obtivermos uma análise com t r das
após algumas transferências e relativamente amostras de forma que se tenha eficiência em
longo após outras, pois, para que ocorra o separar os compostos um do outro com bandas
deslocamento através da coluna as moléculas medianas, teremos uma análise eficaz, mas, se
da amostra devem estar interagindo com a fase obtivermos uma análise com tr extremamente
móvel. É necessário entender que a fase móvel grande, teremos uma separação boa dos
carreia a amostra sobre a fase estacionaria em analitos, no entanto ainda sim pode ser uma
uma velocidade constante, entretanto, é análise ineficaz devido ao tempo da mesma.
preciso conhecer o coeficiente de partição das (SKOOG, 2006)
soluções dentro da coluna (fase estacionaria e 2.5 Colunas de cromatografia gasosa
fase móvel) e ter o controle de pressão e A separação da cromatografia gasosa
temperatura da coluna, pois, esse coeficiente normalmente ocorre nas colunas, sendo elas:
determina a interação da amostra à ser empacotadas ou capilares. Onde divide-se
analisado, (BURROWS, 2012). entre fase móvel e estacionária, sendo a fase
A amostra é particionada entre as fases estacionaria, como diz o nome, a fase parada,
móvel e estacionária. Para um composto ao deixando que os componentes interajam entre
coeficiente de partição, K, é dado em função si, já na fase móvel temos um gás de arraste,
da divisão da fase estacionária pela fase que normalmente é um gás de alta pureza e
móvel. Certos analitos acabam movendo quimicamente inertes, esse gás tem uma
rapidamente em virtude de sua inclusão na interação maior com algum de uns
fase móvel na maior parte do tempo, enquanto componentes da mistura, arrastando-os para
outras se atrasam porque aconteceu de elas fora da mistura consigo. (HAGE, 2012)
UNIUBE Campus Aeroporto – Uberaba/MG
2.6 Sistemas de detecção precisa ter uma similaridade de resposta a
Os sistemas de detecção são acoplados todos os solutos ou, no mínimo, um resposta
ao equipamento de cromatografia e de acordo altamente confiável e seletiva a uma ou mais
com o que é detectado, são emitidos sinais por classes de soluto; e principalmente o detector
esses sistemas, sendo possível assim analisar ideal não deve destruir a amostra (SKOOG,
as amostras. Uma grande quantidade de 2006). É importante ressaltar que nenhum
detectores é usada e empregada em separações detector atualmente existente apresenta todas
cromatográficas. A eficiência desses detectores essa caraterísticas, por isso existem diversos
vai depender do tipo de amostrar que estão tipos de detectores, que são empregados em
analisando, além de fatores técnicos do próprio análises de amostras específicas.
equipamento de cromatografia, como a 2.8 Tipos de detector
presença de impurezas nas fases móvel e Segundo Peres (2002) os detectores são
estacionária, vazamentos, sujeira ou coluna dispositivos que transformam as variações na
mal condicionada. Todos esses aspectos vão composição do gás de arraste em sinais
determinar uma maior eficiência e uma melhor elétricos.
capacidade de detecção, permitindo assim Existe uma gama muito grande de
resultados qualitativos e quantitativos mais detectores que podem ser empregados em
satisfatórios (PERES, 2002). cromatografia gasosa. A seleção desses
2.7 Característica do detector ideal detectores irá depender das amostras a que
Para a cromatografia gasosa o detector serão aplicados (SKOOG, 2006), abaixo
a ser utilizado precisa estar dentro de diversos seguem alguns exemplos de detectores e suas
parâmetros e apresentar algumas aplicações:
características. O detector ideal deve ter uma Detectores de ionização de chama:
sensibilidade adequada; boa estabilidade e utilizados apenas para compostos orgânicos,
reprodutividade; “resposta linear às amostras hidrocarbonetos, com baixa sensibilidade para
que se estenda a várias ordens de grandeza; formaldeído e ácido fórmico, incluindo
possuir uma faixa de temperatura que varia amostra orgânicas contaminadas com água e
desde a temperatura ambiente até pelo menos óxidos de nitrogênio e enxofre (PERES, 2002).
400 ºC; ter um tempo de resposta curto e Detectores de condutividade térmica:
independente da vazão; possuir uma alta usados para compostos orgânicos, inorgânicos
confiabilidade e facilidade de uso” (SKOOG, derivados de petróleo, etc. Conhecido como
2006, p. 903), para isso deve tolerar a ação de detector universal, foi um dos primeiros
operadores inexperientes; o detector ideal
UNIUBE Campus Aeroporto – Uberaba/MG
detectores cromatografia gasosa (SKOOG, envolvidos, desde a injeção da amostra até os
2006). sistemas de detecção. Isso é observado no
Detectores de captura de elétrons: tópico “alargamento de banda e problemas
usados principalmente na detecção de gerais da coluna”, em que a escolha errada da
pesticidas e drogas, compostos halogêneos. O fase estacionaria e móvel ou o
detector é insensível a grupos funcionais como desconhecimento do coeficiente de partição da
aminas, álcoois e hidrocarbonetos (SKOOG, amostra pode causar problemas em todo o
2002). processo cromatográfico, e isto, sendo apenas
Um dos detectores mais eficientes para uma das etapas. Devido a essa complexidade
a cromatografia gasosa é o espectrômetro de é necessário ter um grande conhecimento do
massa. A sua utilização é permitida associando processo cromatográfico e do equipamento,
2 técnicas de análise instrumental, a para que se possa obter resultados corretos e
cromatografia gasosa e a espectrometria de tornar o método de análise cada ver mais
massas. Ele é ajustável a qualquer espécie satisfatório.
química, possuindo uma ótica resposta e uma 4 Conclusão
Com este artigo foi possível descrever
grande capacidade de identificação (SKOOG,
o método de cromatografia, seu princípio base
2006).
de funcionamento e análise. Expor suas
É importante enfatizar que em todos os
diversas utilidades, baseando-se em sua
sistemas de detecção as amostrar e sinais
eficiência e diversas vantagens que o método
emitidos são comparados a um padrão de
possui. Logo, é possível concluir que a
compostos e funções, para que se tenha uma
cromatografia, com ênfase à gasosa, é um dos
possível relação e confiabilidade na análise,
métodos analíticos mais utilizados, tanto pela
tornando eficiente a técnica instrumental.
sua grade capacidade de resolução, possuir alta
3 Discussão
Diante dos resultados obtidos através confiabilidade e principalmente possuir um
das pesquisas realizadas e do artigo em ótimo custo benefício.
questão é possível definir que a cromatografia
Referências
é um método de análise eficiente e vantajoso.
A cromatografia gasosa possui várias ATKINS, Peter.; JONES, Loretta. Princípios
aplicações, o que implica em sua utilização em de Química: questionando a vida moderna e o
diversas áreas. Contudo, nota-se que ela é um meio ambiente. Porto Alegre, 2001. Editora
método complexo, devido a sua forma de Bookmam.
análise e todos os princípios químicos

UNIUBE Campus Aeroporto – Uberaba/MG


BURROWS, A.; HOLMAN, J.; PAESONS, NETO, A.; RADLER F. et. al.
A.; PILLING, G.; PRICE, G. Química3: Cromatografia: princípios básicos e técnicas
introdução à química inorgânica, orgânica e afins. Rio de Janeiro: Interciência, 2004.
físico-química. Rio de Janeiro: LTC, 2012.
PERES, Terezinha Bonanho. Noções Básicas
COLLINS, C.H.; BRAGA, G.L. e BONATO, de Cromatografia. Centro de Pesquisa e
P.S. Introdução a métodos cromatográficos. Desenvolvimento Ambiental-Instituto
5ª ed. Campinas: Editora da Unicamp, 1993. Biológico, São Paulo, v. 64, n. 2, p. 227-229,
jul. / dez, 2002. Disponível
EWING, Galen W. Métodos Instrumentais em:<http://www.biologico.sp.gov.br/docs/bio/
de Análise Química. São Paulo, 2002. Editora v64_2/peres.pdf>. Acesso em: 5 maio 2016.
Edgar Blücher.
SKOOG, Douglas A. et al. Fundamentos de
HAGE, D. S.; CARR, J. D. Química analítica Química Analítica. 8. ed. Thomson, 2006.
e análise quantitativa. 1. ed. São Paulo:
Pearson Prentice Hall, 2002.

UNIUBE Campus Aeroporto – Uberaba/MG