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Quarta Teoria Política: uma breve


apresentação
Abas primárias
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Alexander Dugin

Agora estamos totalmente preparados e armados para interpretar corretamente o mundo


(político) ao nosso redor, e também para tratá-lo como ele merece. O modo mais fácil
de compreender o que é a Quarta Teoria Política é concentrando-se atenciosamente no
seguinte conjunto de imagens:
1. A Quarta Teoria Política: seu símbolo significa o número 4 e o sinal de Júpiter, o
planeta da Ordem e da Monarquia. É o símbolo patriarcal indo-europeu do Deus dos
Céus - Dyaus, Zeus, Deus.

2. 2. Todas as Teorias Políticas são definidas pelos paradigmas da História - sendo


inteiramente dependentes deles. Então, para compreender a QTP corretamente,
precisamos considerar quais são seus três paradigmas básicos:

Pré-modernidade (sociedade tradicional)

Modernidade (sociedade moderna)

Pós-modernidade (um tipo de pós-sociedade ou dissociedade onde todos os laços


sociais e todas as formas de identidade coletiva - incluindo gênero - são destruídas, ou
transformadas em "opcionais")
3. As três principais teorias políticas (liberalismo, comunismo e nacionalismo -
"fascismo") pertencem ao segundo paradigma - ou seja, a Modernidade. Todas essas
três ideologias são essencialmente modernas e lidam com o mapa ontológico e o
gnoseológico (epistemológico) da filosofia do Iluminismo, com conceitos cartesianos
tendo o sujeito como centro.
4. As três Teorias Políticas podem ser situadas no espaço com características de
direções especiais. Então, a Primeira Teoria Política (liberalismo) tem seu lugar
topológico no centro e no ponto mais alto do círculo aberto (esse aspecto é essencial!).
A Segunda Teoria Política (comunismo/socialismo) está à esquerda. A Terceira Teoria
Política (nacionalismo e fascismo) fica à direita. Estando ao centro, a posição do
liberalismo é central no sentido filosófico. É o ponto que define onde fica a esquerda e
onde fica a direita. Esquerda e Direita só obtém significado em relação à Primeira
Teoria Política. Essa é razão pela qual o liberalismo é tão importante. E esse é o motivo
de essa teoria vencer enquanto a Modernidade permanece inquestionável e sem
oponentes.
5. As três Teorias Políticas propõem três versões cartesianas de identificação do sujeito,
identificando-o:

- Com o indivíduo (Primeira Teoria Política - Liberalismo)

- Com a classe (Segunda Teoria Política - Comunismo/Socialismo)

- Com a nação/raça (Terceira Teoria Política - Nacionalismo/Fascismo/Nazismo)


6. As relações e alianças entre as três Teorias Políticas podem ser diferentes: há (ou
haviam) tais opções como Primeira Teoria Política + Segunda Teoria Política versus
Terceira Teoria Política (Segunda Guerra Mundial), ou Segunda Teoria Política +
Terceira Teoria Política versus Primeira Teoria Política (o Pacto de Ribbentrop-
Molotov). A História mostra que os dois tipos de alianças foram testadas no século XX,
onde a competição entre as três Teorias Políticas era a principal estaca ideológica.
7. Depois da vitória comum da Primeira Teoria Política + Segunda Teoria Política
contra a Terceira Teoria Política na Segunda Guerra Mundial, a Terceira Teoria Política
desapareceu da realidade política. De 1945 em diante, ou ela passou a pertencer ao
passado, ou perdeu completamente seu significado e a influência real na política
mundial e nas sociedades. A partir desse momento, a luta entre a Primeira Teoria
Política e a Segunda Teoria Política começou. Esse foi o sentido da segunda metade do
século XX do ponto de vista da ideologia.
8. O fim do século XX se esgotou, por ter visto o o fim da batalha entre PTP e a STP. A
PTP definitivamente ganhou e, a partir desse momento, permanece como a única Teoria
Política que representa a Modernidade como tal, a nível ideológico. O liberalismo
triunfou e se tornou o sistema universal de pensamento (Pensée Unique) na escala
mundial. Daí veio a globalização, e assim por diante. A partir de 1991, com a queda do
muro de Berlim, entramos no contexto do Império Liberal planetário. Não pode haver
mais nem TTP, nem STP. Tudo o que vagamente nos faz lembrar dessas teorias são
simulacros liberais.

9. O momento histórico em que vivemos é essencialmente unipolar - não só geopolítica


(com EUA e OTAN como centro global), mas também ideologicamente - com a clara e
absoluta dominação do liberalismo (de todos os tipos - esquerda, direita, extrema
esquerda ou extrema direita). Podemos aceitar tal status quo (como as elites políticas
globais e as massas convencidas e controladas mentalmente por elas) ou desafiá-lo. Mas
o problema é que não podemos mais nos opor à PTP usando ideologias da STP e TTP -
ambas são instrumentalizadas pelos liberais. Então, estamos numa espécie de armadilha.
A dominação absoluta do liberalismo (PTP) não nos deixa ter nenhuma alternativa séria
fingindo que não há nada desse tipo e que não possa haver. Assim, nós somos obrigados
a descansar no momento unipolar, ou a rodar pelas curvas dos labirintos dos simulacros
artificiais - entre o liberalismo anarco-comunista de extrema esquerda e o liberalismo de
capital de extrema direita.
10. Aqui, aparece o horizonte da QTP. Se ainda insistirmos na Alternativa (porque,
como humanos, somos essencialmente livres, assim, podemos aceitar ou rejeitar
qualquer coisa) e compreendemos o significado ideológico da história da Modernidade
(recusando-nos a fazer uma união com os campos pseudo-esquerdistas e pseudo-
direitistas), nós precisamos de uma alternativa para além da Segunda Teoria Política e
da Terceira Teoria Política. Disso, logicamente segue-se a necessidade da Quarta Teoria
Política (QTP).

Precisamos observar que a Modernidade termina precisamente com a vitória global da


PTP (Liberalismo). Então, o Fim da História descrito por F. Fukuyama é, na realidade, o
Fim da Modernidade. E, então, este é o início da Pós-Modernidade. Mas a Pós-
Modernidade é essencialmente liberal, porque manifesta a si mesma dentro do
liberalismo (não fora dele). Assim, é o liberalismo que define as condições da Pós-
Modernidade. Pós-Modernidade não é (como é dado agora) uma alternativa à
Modernidade. Ela é a fase mais elevada, a culminação da modernidade. Então, Pós-
Modernidade é algo baseado na vitória completa e absoluta da PTP.

Essa é a razão da pós-modernidade ter a necessidade de ser global (unindo a implosão


do homem aos fragmentos sub-humanos no nível micro e, ao mesmo tempo, insistindo
na integração progressiva nos níveis macro, global e transnacional). A Pós-
Modernidade não pode ser meramente local ou regional.

Mas é justamente neste momento de passagem da Modernidade para a Pós-


Modernidade (liberal / pós-liberal), onde os próprios princípios de ordem social, política
e geopolítica estão estremecendo, que temos a oportunidade de propor a Alternativa.
Não só uma alternativa ao liberalismo (PTP), mas sim uma Alternativa à Modernidade
em si - porque a PTP é a expressão política essencial da Modernidade política. A PTP
lutou durante os últimos séculos contra a TTP e a STP pelo direito de encarnar a própria
natureza da Modernidade - e venceu. Assim, aqueles que estão em busca da Alternativa
(QTP) não devem mais ser hipnotizados pela Modernidade ou seduzidos pelo seu
desenvolvimento pervertido pós-moderno.

A redescoberta da pré-modernidade é o único passo lógico. Aqui, estamos nos


encontrando com a filosofia tradicionalista e com os críticos essenciais do mundo
moderno como um conceito.Construindo a QTP, chegamos à redescoberta da pré-
modernidade, entendida não como o passado, mas como a estrutura atemporal de
princípios e valores pertencentes ao Universo filosófico (onde existem a Eternidade,
Deus - ou deuses -, anjos, almas, diabo, o Fim dos Tempos e a ressurreição dos mortos).
O conceito de passado (como algo que não é mais), com sua conotação pejorativa, é
essencialmente um conceito moderno baseado, por sua vez, na negação da dimensão da
Eternidade e a absolutização do tempo (o tornar-se).

A pré-modernidade não é o passado. A Pré-modernidade é a sociedade, a cultura, o


Weltanschauung[1] e o sistema político construído sobre a crença fundamental na
Eternidade. A Modernidade nega essas coisas - daí sua epistemologia cronocêntrica[2].
No contexto da Modernidade, estamos lidando com o sujeito cartesiano. Sua verdadeira
interpretação normativa é liberal - o indivíduo. Portanto, precisamos desconstruir esse
conceito de apelo individual para a compreensão pré-moderna do ser humano e sua
essência.
11. Mas o problema é: onde podemos encontrar o fulcro? A Modernidade e a Pós-
Modernidade - precisamente por meio do Terceiro Totalitarismo (desta vez, liberal) - já
destruíram a humanidade e a substituíram pela assembleia de indivíduos (a doutrina dos
direitos humanos). Recusando-se o sujeito normativo do liberalismo onipresente (o
indivíduo e - no futuro próximo - a espécie pós-humana), ficamos no vazio, porque o
liberalismo não aceita institucionalmente nenhuma forma de ontologia e antropologia
não-individuais.

E a versão pré-moderna do sujeito, da natureza humana, é considerada obsoleta e


miserável - no caso extremo, criminosa. Se insistirmos, no entanto, eles qualificar-se-ão
como o residui[3], e nos tratarão da mesma maneira como nos trataram na primeira fase
do Iluminismo - simplesmente matando-nos como os jacobinos e bolcheviques mataram
os sacerdotes cristãos e príncipes. Pode ser que isso seja uma opção para certos homens
e mulheres. O caminho do martírio é um grande caminho.Mas há outra solução.

Não sendo capazes de certificar nossa própria existência no campo conceitual do


liberalismo totalitário, podemos fazer apelo ao conceito de Dasein de Heideger. Quando
o conceito de ser humano é obrigatoriamente falso e a cultura totalitária liberal divide a
figura humana cada vez mais, privando-a de qualquer ordem ou unidade, bem como de
qualquer identidade coletiva (mais do que isso, privando-a de qualquer identidade em
todos os aspectos). O Dasein, no entanto está aqui - está sempre aqui, ou
melhor, aqui/aqui. É aqui - existente de forma autêntica ou inautêntica, mas é aqui!

Assim, a QTP o convida a tomar o Dasein como o fulcro axial quando todo o resto está
em falta. O retorno à Tradição e à Eternidade não pode ser realizado nem pelo
indivíduo, nem pela classe ou pela nação. O Dasein é a raiz ontológica do ser humano, o
núcleo do Ser. O Dasein pode ser colocado no modo errado de funcionamento, mas
ainda está presente. Portanto, é o nosso argumento final e a principal característica da
QTP. A Quarta teoria política é existencial. E a partir do Dasein podemos fazer o salto
escatológico para a tradição. Caso contrário, não teríamos o ponto de apoio.
Tradicionalismo é ser existencial, senão seria apenas um simulacro a mais.
12. Então, chegamos à principal estrutura da QTP. Agora, tudo está perfeitamente claro
(espero eu). Logo.
13. Todas essas considerações filosóficas (passos conceituais que tornam explícita a
estrutura da Quarta Teoria Política) podem ser traduzidas na práxis política. É apenas
um dentre muitos dos meios pelos quais é possível projetar para a realidade a ideia
principal da QTP, mas é a aplicação mais evidente. No último esquema, observamos
onde estamos politicamente, contra quem devemos lugar e quais tipos de alianças
devemos concluir. Esse mapa da realidade ideológica se torna, a cada dia, mais e mais
transparente e óbvio. Então, agora estamos plenamente preparados e armados para
interpretar corretamente o mundo (político) ao nosso redor, e tratá-lo como ele merece.
Notas:

* Todas as imagens presentes neste texto são adaptações das imagens disponibilizadas
no site Geopolitica.ru; o tradutor do texto [Jean A. G. S. Carvalho] alterou as palavras
nas imagens, traduzindo-as. Os créditos das imagens originais são do site Geopolitica.ru
e de Alexandr Dugin; os créditos das imagens traduzidas aqui disponibilizadas são do
Avante e do tradutor [Jean A. G. S. Carvalho].

[1] Termo em alemão que designa um conjunto ordenado de sentimentos, concepções,


valores, impressões e dados de natureza intuitiva, que são anteriores à atividade
reflexiva, relativos à época ou ao mundo no qual se vive; cosmovisão, mundividência;
visão pré-lógica da realidade.

[2] Centrada no tempo, na cronologia.


[3] Aquilo que permanece depois de uma parte ser removida, rejeitada, descartada ou
utilizada; remanescente, restante, resto, sobra.

Fonte: Avante

Tradução: Jean A. G. S. Carvalho

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