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ELET0056 - GERAÇÃO, TRANSMISSÃO E

DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA

Aula 06:
Geradores
Geradores de Energia Elétrica

Gerador síncrono: conversor de potência mecânica em potência elétrica

Principalmente

Os geradores síncronos trifásicos representam a máquina mais comum de


geração em um sistema de potência.

A palavra síncrona significa que o campo girante no entreferro tem a mesma


velocidade angular que a do rotor

A freqüência f da tensão induzida é diretamente proporcional ao número de pólos


e à velocidade de rotação do rotor. A freqüência é determinada por:

‘p’ é o número de pólos da máquina


‘n’ velocidade do rotor [rpm]
Geradores de Energia Elétrica
EXERCÍCIO 1

Sistema de geração da usina de Itaipu: turbina Francis/gerador com velocidade


de 92,3 rpm a 60 Hz (lado brasileiro) e 90,9 rpm a 50 Hz (lado paraguaio).
Determine o número de pólos das máquinas.

‘p’ é o número de pólos da máquina


‘n’ velocidade do rotor [rpm]
Geradores de Energia Elétrica - ROTOR

Rotor Parte girante da máquina, constituído de um material ferromagnético


envolto em um enrolamento chamado de enrolamento de campo, que
tem como função produzir um campo magnético constante para interagir
com o campo produzido pelo enrolamento do estator.

A tensão aplicada ao enrolamento do rotor é contínua e a intensidade da


corrente suportada por esse enrolamento é muito menor que o enrolamento do
estator.

A corrente cc no enrolamento de campo produz um fluxo magnético constante


por pólo

A rotação do rotor com relação ao estator causa a indução de tensão nos


enrolamentos de armadura.
Geradores de Energia Elétrica - ROTOR

O rotor pode conter dois ou mais enrolamentos, sempre em número par e todos
conectados em série sendo que cada enrolamento será responsável pela
produção de um dos pólos do eletroimã.
Geradores de Energia Elétrica - ESTATOR

Os enrolamentos de armadura de um gerador trifásico se encontram no estator,


podem ser associados em estrela ou triângulo:

A ligação ‘estrela’ é utilizada na maioria dos geradores dos sistemas de


energia elétrica. Geralmente, o neutro é aterrado neste tipo de ligação sendo
este aterramento feito através de uma resistência ou reatância cuja finalidade é a
de reduzir a corrente de curto circuito.
Geradores Síncronos – Tipos de Rotores

rotores de pólos salientes e rotores de pólos lisos ou simplesmente, rotores


cilíndricos.

Os rotores de pólos salientes são em geral acionados por turbinas hidráulicas


de baixa velocidade (entre 50 e 300 rpm) a fim de extrair a máxima potência de
uma queda d’água.

Os rotores cilíndricos são acionados por turbinas a vapor de alta velocidade


(até 3600 rpm).

Nas máquinas de pólos salientes porque o rotor está diretamente ligado ao eixo
da turbina e o valor de freqüência nominal é de 60 Hz, é necessário um grande
número de pólos. Os rotores de baixa velocidade possuem um grande diâmetro
para prover o espaço necessário aos pólos.
Geradores Síncronos – Tipos de Rotores

Os geradores síncronos de alta rotação são mais eficientes que seus


equivalentes de baixa rotação.

Para gerar a freqüência desejada o número de pólos não poderá ser inferior a
dois e assim a velocidade máxima fica determinada por:

Para 60 Hz a velocidade máxima é de 3600 rpm. A alta velocidade de rotação


produz uma alta força centrífuga, a qual impõe um limite superior ao diâmetro do
rotor.

No caso de um rotor girando a 3600 rpm, o limite elástico do aço impõe um


diâmetro máximo de 1,2m. Por outro lado, para construir um gerador de
1000MVA a 1500MVA o volume do rotor tem de ser grande. Para isso os rotores
de alta potência, alta velocidade são bastante longos.
Geradores Síncronos – Tipos de Rotores

EX. A Tabela apresenta os dados dos geradores da usina Xingó,


pertencente à CHESF.

CLASSE F – 155°C
Geradores Síncronos – Questão de concurso

Questão de concurso para Engenheiro Eletricista

a) V – V – V – V
b) V – F – V – V
c) F – V – F – F
d) V – F – V – F
e) F – V – F - V
Geradores Síncronos – Questão de concurso

Questão de concurso para Engenheiro Eletricista - PETROBRAS

a) RTA: C
Geradores Síncronos – Controle de Carga-
Freqüência

O controle da freqüência e da tensão em um gerador síncrono é realizado por


reguladores de velocidade (RV) e reguladores de tensão (RT), respectivamente.

O controle carga-freqüência em um sistema elétrico é normalmente


efetuado em duas etapas:

A primeira etapa é chamada de regulação primária ou controle primário de


freqüência. A regulação primária é realizada por reguladores automáticos de
velocidade das unidades geradoras do sistema.

A regulação primária tem por objetivo limitar a variação da freqüência e atua no


sentido de elevar ou reduzir a potência mecânica da máquina primária
restabelecendo o equilíbrio carga-geração, mas permite um erro de freqüência
no sistema que é proporcional ao montante do desequilíbrio ocorrido.

Reserva de potência primária de potência ativa deve ser provida pelas unidades
geradoras para efetuar o controle primário de freqüência.
Geradores Síncronos – Controle de Carga-
Freqüência

No Brasil, o controle primário de freqüência e a reserva de potência primária


devem ser realizados por todas as unidades geradoras integrantes do Sistema
Interligado Nacional – SIN, sem ônus para os demais agentes e consumidores.

Sistema de Controle da Geração


Geradores Síncronos – Controle de Carga-
Freqüência

A segunda etapa do controle carga-frequência é chamada de regulação


secundária, ou controle secundário de freqüência.

O controle secundário de freqüência é o controle realizado pelas unidades


geradoras participantes do Controle Automático de Geração – CAG, destinado a
restabelecer o valor programado da freqüência do sistema e a manter e/ou
restabelecer os valores programados dos intercâmbios de potência ativa
eliminando desvios resultantes da ação da regulação primária.

As unidades de geração participantes do CAG apresentam reserva de potência


ativa para efetuar o controle secundário de freqüência.

O regulador de velocidade (GOV) é responsável pelo controle da velocidade e,


portanto, da freqüência do gerador para que seja mantida constante atuando
sobre o registro para controle do fluxo de entrada.
Geradores Síncronos – Controle de Tensão

Um Regulador Automático de Tensão (RT) monitora a tensão terminal do gerador


e controla sua excitação para manter a tensão nos terminais dentro de uma faixa
especificada de tensão.

As máquinas síncronas modernas são equipadas por um sistema de excitação


estático para controle automático de tensão.

O sistema de excitação alimenta o enrolamento de campo do gerador através de


pontes trifásicas tiristorizadas totalmente controladas conectadas aos terminais
do estator por meio de um transformador abaixador.

O sistema de controle automático de tensão compara a tensão estatórica com a


tensão de referência e, através de um regulador PI, atua diretamente no ângulo
de disparo do conversor estático, aumentado ou diminuído a tensão de campo
do gerador.
Controle Automático de Tensão
Geradore Síncrono – Controle de Tensão
Modelo Simplificado de Gerador Síncrono

O Circuito Equivalente Por Fase do Gerador Síncrono sob condição de estado


permanente é:

Para qualquer corrente de carga

Dependendo da impedância da carga, a corrente Ia em cada fase de um gerador


síncrono pode ser atrasada, em fase, ou adiantada da tensão terminal Vt
Modelo Simplificado de Gerador Síncrono

Considerando um gerador ligado a um barramento infinito em que Vt é mantida


constante, a magnitude da tensão induzida Eg é controlada regulando a
excitação do campo CC.

À medida que a magnitude do campo de excitação CC aumenta, a tensão


gerada Eg e a potência reativa de saída aumentam.

Um limite na capacidade de potência reativa de saída é alcançado quando a


corrente de campo CC atinge seu valor máximo permissível.

Quando o gerador está suprindo potência reativa ao sistema de barramento


infinito, o gerador está operando a um fator de potência atrasado – o gerador vê
o sistema como se fosse uma carga indutiva.

Se a magnitude da f.e.m. gerada Eg excede a tensão terminal Vt, o gerador é


dito estar operando no modo superexcitado. Ainda, pode ocorrer um
sobreaquecimento do rotor quando operando a um fator de potência atrasado.
Modelo Simplificado de Gerador Síncrono

À medida que o campo de excitação CC diminui, a magnitude da f.e.m gerada Eg


diminui até igualar-se à tensão terminal. Sob estas circunstâncias, o gerador é
dito estar operando a uma excitação normal e aproximadamente a um fator de
potência unitário.

Se a excitação de campo CC é diminuída ainda mais, o gerador iniciará a


absorver potência reativa do sistema

O gerador estará operando com um fator de potência adiantado – o gerador vê o


sistema como se fosse um capacitor.

Nestas circunstâncias, a magnitude da f.e.m gerada Eg é inferior à da tensão


terminal Vt, e o gerador estará operando no modo subexcitado.
Modelo Simplificado de Gerador Síncrono

A capacidade do gerador em manter sincronismo sob estas condições é


enfraquecida dada que a corrente de excitação é pequena. Portanto, a
capacidade de produzir ou absorver reativos é controlado pelo nível de
excitação.

Aumentando-se a excitação, aumentam os reativos produzidos. Reduzindo-se a


excitação, diminuem os reativos produzidos e o gerador passará a absorver
reativo do sistema.

Por convenção, os reativos supridos (sobreexcitado) pelo gerador recebem


sinal positivo, ao passo que os reativos absorvidos (subexcitado) recebem sinal
negativo.
Representação Gráfica dos Estados e
Operação do Gerador Síncrono
Desconsiderando a resistência de armadura da máquina

P > 0, Q > 0 P > 0, Q = 0 P > 0, Q < 0

Gerador Síncrono conectado a Barramento Infinito Operando Superexcitado,


Normal e Subexcitado

Como Eg sempre adianta a V nos 3 casos então operação como gerador Leinayqui p2.95
Estados e Operação do Gerador Síncrono
(Para Refletir)

EXERCÍCIO.- Responda as seguintes perguntas sobre um motor síncrono que


tem uma resistência de armadura de 0,22 Ω e uma reatância síncrona de 3,0 Ω:

a) Se Ea = 430 < 13,5° e Vt = 440 < 0° V, esta máquina está consumindo ou


fornecendo potência ativa ao sistema de potência? está consumindo ou
fornecendo potência reativa para o sistema?;

b) O funcionamento da máquina está dentro de sua operação normal, nestas


circunstâncias?

RTA:
a) Esta máquina está fornecendo potência ativa para o sistema, porque Ea está
adiantada de Vt. Ele está consumindo energia reativa porque Ea.cos δ < Vt
b) Um motor nunca fornece potência ativa
Estados e Operação do Gerador Síncrono
(resumo)

(a) Gerador síncrono superexcitado (FP atrasado): rede é vista pelo gerador
como carga indutiva e o gerador é visto pela rede como capacitor.
(b) Gerador síncrono subexcitado (FP adiantado): rede é vista pelo gerador
como um capacitor e gerador é visto pela rede como indutor.
Estados e Operação do Gerador Síncrono
(resumo)

Quando uma planta de geração alimenta um sistema na hora de ponta de carga,


a excitação dos geradores será no modo sobre-excitado – injetando reativo na
rede para melhoria do perfil de tensão.

Em horário fora da ponta existe excedente de reativo na rede (elevação no perfil


da tensão) e o gerador deve operar no modo subexcitado para absorver reativo
da rede.
Curva de capabilidade do Gerador

Os geradores possuem curvas de capabilidade que delimitam sua região de


operação.

A parte direita do eixo horizontal indica os Mvar supridos ao sistema, enquanto a


parte esquerda indica os Mvar absorvidos pelo gerador.
Curvas que delimitam a capabilidade do
Gerador
Curvas que delimitam a capabilidade do
Gerador

A operação do gerador fora das curvas limites delineadas na Figura pode


provocar problemas de superaquecimento.

A condição B-C corresponde a um valor constante de potência aparente de saída


dada por:

Uma potência aparente constante corresponde a um círculo centrado na origem


de um plano P x Q, cujo raio é Vt.Ia. Como Vt é mantido constante e Ia é
considerado em seu valor limite térmico, tem-se que a curva B-C define o limite
de operação da máquina, além do qual resultaria em sobre-aquecimento do
estator.
Curvas que delimitam a capabilidade do
Gerador

Consideração semelhante pode ser feita para a primeira condição (a), curva A-B
de operação. Tem-se que:

Pelo triângulo de tensões representado pela anterior tem-se:

Da Equação 1 e 2 resulta para o triângulo de potência:


Curvas que delimitam a capabilidade do
Gerador

Esta Equação corresponde a um círculo centrado em P=0 e Q = -Vt2/XS com raio


igual a (VtEg)2/Xs2, e determina o limite de aquecimento do enrolamento de
campo na operação da máquina.

É comum especificar o valor nominal da máquina (potência aparente e fator de


potência) como sendo o ponto de interseção das curvas limites de aquecimento
de armadura e campo (Ponto B).
Curvas que delimitam a capabilidade do
Gerador

Se uma unidade opera além de sua capacidade especificada, o excesso de calor


no estator e no rotor fará com que o isolamento dos enrolamentos se deteriore
com rapidez. Isolamento exposto ao calor intenso torna-se quebradiço,
apresenta fissuras e pode eventualmente transformar-se em material condutor.

O gerador é protegido de gerar e absorver potência reativa além de sua


capabilidade através da proteção de super- e sub-excitação.
Unidade de Geração e seu Controle
Automático de Geração
Sincronismo e Paralelismo

A conexão de um gerador síncrono à rede é feita por meio de mecanismo


automático de sincronismo.
Em operação normal a potência de saída pode ser levada próximo de zero antes
de uma conexão ou uma desconexão. Isto evita a existência de transitórios de
tensão e surtos de corrente durante a conexão ou desligamento da rede.

requisitos básicos para o paralelismo de geradores à rede

q Efetuar a partida do gerador, sem carga, de modo a obter velocidade de


rotação nominal e tensão nominal nos terminais da máquina;

q Certificar-se se as seqüências de fase do gerador e da rede são as


mesmas.
q Fechar chave de conexão.
Exercício 2

Em um aproveitamento hidrelétrico, o nível de montante encontra-se na cota de


890 m e o de jusante na cota de 750 m. Sabendo-se que a vazão é de 60
m3/s, o comprimento equivalente de encanamento de adução de 4,5 m de
diâmetro é de 1000 m, o rendimento total da turbina, 0,92 e do alternador
0,94, determinar:
a) As quedas e os trabalhos específicos bruto e disponível;
b) As potências bruta, disponível, no eixo e elétrica;
c) Os rendimentos do sistema de admissão e total do aproveitamento.
Assumir adução com encanamento de aço soldado, com λ=115.

λ: coeficiente que depende do material da tubulação

ρ: densidade da água = 1000 Kg/m3


Exercício 3

Um gerador síncrono 3φ de rotor cilíndrico de 100 KVA – 250 V, tem impedância


síncrona de:

Determinar sua regulação a tensão de plena carga com fator de potência unitário
e 0,8 indutivo.
Exercício 4

Um gerador síncrono 3φ de rotor cilíndrico de 50 MVA 20 KV está conectado a


uma barra infinita de 20 KV y entrega à rede 32 MW com f.d.p. de 0,8
(indutivo). A reatância da máquina é Xd = 1,25 p.u. e sua resistência é
desprezível. Pede-se:
a) Determinar a f.e.m. “E” da máquina, o ângulo de potência e a corrente I que
entrega à máquina.
b) Se é aumentado o f.d.p. para 1 pu , atuando-se sobre a excitação, determinar
a potencia ativa, o ângulo de potência, a corrente e a f.e.m. da máquina.
Exercício 5

A seguinte figura mostra uma instalação trifásica composta de um alternador de


A.T alimentando um transformador redutor e uma rede de B.T de impedância
total de 0,06 + j0,08 Ω/fio, que alimenta ao final do mesmo um motor assíncrono
trifásico, existindo ainda instalado na metade da linha de B.T um motor síncrono
que é utilizado para movimentar uma carga mecânica e além disso corrigir a
potência reativa da instalação.

• TRANSFORMADOR: 400 KVA, conexão Yy0, 6600/440 V, Pcc = 6 Kw, tensão


relativa de curto-circuito εcc = 4%; Io = desprezível.
• MOTOR ASINCRONO: Pot. Mecânica 200 KW, 400 V, 4 pólos, 50 Hz,
conexão estrela, velocidade 1440 rpm. Sabe-se que a impedância do estator é
desprezível e a reatância do rotor é 12 vezes a resistência do mesmo. Perdas
mecânicas e corrente de vazio desprezíveis.
Exercício 5 (Cont.)

• MOTOR SÍNCRONO: 150 KVA, 400 V, 8 pólos, 50 Hz, conexão estrela,


Perdas mecânicas e perdas no ferro desprezíveis.
• ALTERNADOR: 400 KVA, 6600 V, 6 pólos, 50 Hz, conexão estrela,
impedância síncrona Zs = 2 + j8 Ω/fase. A curva de vazio do alternador está
definida pela equação:

Onde: Eo é a f.e.m de linha e,


Ie corrente de excitação do alternador
Exercício 5 (Cont.)

• Considera-se no problema que o motor assíncrono opera a plena carga: 200 KW


girando a 1440 rpm.

a) Se a tensão nos terminais do motor assíncrono é 400 V, calcular a tensão que


deve existir nos terminais do motor síncrono para que cumpram as
especificações de funcionamento do motor assíncrono;
b) Calcular a potência aparente e o fdp com que trabalha o motor síncrono, sabendo
que absorve da rede 60 KW e que deve elevar o fdp da instalação no ponto C para
unitário;
c) Calcular a tensão secundária do trafo para que o motor assíncrono funcione a
plena carga com tensão nominal de 400 V, levando em conta o consumo na
metade da linha (MS);
d) Calcular no caso anterior a tensão primária do trafo;
e) Calcular a corrente de excitação necessária no alternador para que funcione toda
a instalação nas condições indicadas.
Exercício 5 (Cont.)

Respostas do Exercício 5 das notas de aula:

a) Vc(linha) = 425,8 V
b) 128,12 KVA fdp = 0,468 (+)
c) VB (linha) = 446,1 V
d) VA (linha) = 6775,4 V
e) Ie = 9,1 A