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Divisão:

DIREITO CIVIL
1. LINDB
2. CC PARTE GERAL
3. OBRIGACIONAL
4. CONTRATOS
5. REAL
6. FAMÍLIA
7. SUCESSÕES

LINDB – DECRETO LEI Nº 4.657/42


É chamada de código de normas ou código sobre normas ou LEX LEGUM, ou seja, uma lei que trata sobre
outras leis.
Divisão:
Arts. 1º e 2º - vigência
Art. 3º - obrigatoriedade
Art. 4º - integração
Art. 5º - interpretação
Art. 6º - direito intertemporal
Arts. 7º ao 19 – direito espacial
Arts. 20 a 30 – interpretação da lei pelos agentes públicos
VIGÊNCIA
Como exceção, é a existência da norma após a publicação (certificação ou autenticação da norma), já que a
regra é se não tiver o vacatio legis.
VACATIO LEGIS
Conceito: é o tempo para a sociedade e juristas se adaptarem a lei.
No Brasil, em regra, o tempo da publicação e a data para começar a vigorar a lei será de 45 dias, sendo
exceção quando a lei trouxer disposição em contrário (na data de sua publicação – quando o
Congresso Nacional considera de pequena repercussão social).
Contagem de prazo: § 1º do Art. 8º da Lei Complementar nº 95/93 – inclui-se o primeiro dia da publicação e
o último – passando a contar a vigência após o último dia, não importando se é sábado, domingo ou feriado,
ao qual não será prorrogada.
Ex: Vacatio Legis de 5 dias, se a publicação foi no dia 05/03/2019, conta o dia 05/03 e diante (05, 06, 07, 08
e 09) e vai até o dia 09/03/2019.
Obs: No exterior será 3 meses, excluindo o tempo de Vacatio Legis no Brasil, ou seja, não tem que terminar
o tempo no Brasil, para começar o do estrangeiro. Os dois começam ao mesmo tempo. Outra informação é
que, caso o Vacatio Legis no Brasil seja maior de 3 meses, no estrangeiro não terá Vacatio Legis mais.
Considerando o mesmo exemplo, começará a vigorar a lei em 05/06/2019.
Obs: Se houver alteração na Lei, resultará em uma nova publicação antes de entrar em vigor e o
Vacatio Legis será alterado, começando a contar novamente. Se for depois da vigência, somente com
uma Lei nova, em razão do Princípio da Continuidade, exceto nas normas temporárias e circunstanciais (que
valerá apenas durante uma determinada circunstância ou evento. Ex: Lei geral da Copa do Mundo no
Brasil).
DIFERENÇA ENTRE VALIDADE, VIGÊNCIA E EFICÁCIA
Validade: quando a lei obedeceu aos trâmites do Processo Legislativo.
Vigência: após a data em vigor ou entrada no mundo jurídico
Eficácia: produção dos efeitos em si.
VIGÊNCIA NAS LEIS TEMPORÁRIAS
Ocorre nos seguintes motivos, podendo ser individual ou em conjunto:
1. Tem termo certo (data do fim);
2. Termina com a consecução de seus fins (quando acaba um serviço, obra); e
3. Ocorre na implementação de condição resolutiva (caso fortuito ou força maior).
REVOGAÇÃO
Ocorre, em regra, nas Leis Permanentes, visto que nas temporárias/transitóriasjá tem um tempo de vigência
certo. Se for total, será chamada de AB-ROGAÇÃO e se for parcial, será DERROGAÇÃO (Ex: CC/02
derrogou o Código Comercial).
Tipos:
1. Revogação Expressa ou Direta: Segundo o Art. 2045 do CC, ocorrerá quando expressamente o
declare; e
2. Revogação Tácita ou Indireta: No mesmo artigo, quando a Nova Lei for incompatível com a anterior
ou regule inteiramente a matéria.
Obs: Art. 2º §2º da LINDB - podem ter 2 leis vigentes a par (ao lado) da outra que regulam o mesmo
assunto, mesmo não acontecendo nenhuma das 2 possibilidades de revogação: expressa ou tácita.
Obs: ultratividade ou pós atividade normativa ou pós eficácia normativa – hipótese excepcional na qual
aplicará nos dias de hoje uma lei já revogada. Ex: 1784 e 1787 do CC – direito sucessório – Princípio Droit
de Saisane – a sucessão começa com a morte e a lei do momento do óbito regulará a sucessão. Ex: se a
morte foi em 2000, mas regida pelo CC/16 e julgada pelo CC/02, será utilizado o CC/16.
PRINCÍPIO DO PARALELISMO DAS FORMAS
Conceito: uma lei só pode revogar outra se for do mesmo nível. Portanto, uma lei geral não pode revogar
uma lei especial e vice-versa.
REPRISTINAÇÃO AUTOMÁTICA
Conceito: é quando uma lei revogada volta a vigorar após a lei revogadora ser revogada.
No Brasil não existe a repristinação automática, contudo, caso a lei traga a previsão, será aceita a
repristinação, sendo chamada de expressa.
Obs: Efeito Repristinatório ou Repristinação Indireta/Oblíqua – nascimento da lei revogada sem disciplina
expressa. Ex: STF pelo controle concentrado por ADIN ou ADC ou ADPF declara a inconstitucionalidade
da Lei Revogadora, com efeitos ERGA OMNIS e EX TUNC, somente com todos esses requisitos.
DIFERENÇA ENTRE NORMA COGENTE E NORMA DISPOSITIVA
Norma Cogente: são imperativas, absolutas, obrigatórias e ligadas ao interesse público.
Ex: CF, artigos de códigos impositivos com natureza “deve”
Norma Dispositiva: são relativas ou facultativas. Divide-se em permissivas (pode ou não) e supletivas
(incremento)
Ex: artigos de códigos com escolha para a pessoa permitindo poder fazer ou não alguma coisa, sãonormas
com natureza “pode”.
ARTIGOS IMPORTANTES DA LINDB
Art. 3º - Obrigatoriedade ou Eficácia Geral e Abstrata - Ninguém pode se escusar (desculpar) da lei
alegando que não a conhece. Tem relação com o princípio da legalidade, ou seja, a lei determina uma pessoa
fazer ou deixar de fazer alguma coisa, existindo a presunção de conhecimento, contudo, não é absoluta,
conforme Art. 139 do CC (erro de direito).
Obs: Obrigatoriedade Simultânea ou Vigência Sincrônica – a norma obrigará a todos do nosso país, de uma
vez só.

Art. 4º - Integração Normativa ou Colmatação de Lacunas – na omissão da lei, nessa ordem, usa a analogia,
os costumes e os princípios gerais do direito.
Obs: Art. 140 do CPC – vedação “ao non liquet”, ou seja, o juiz tem que decidi mesmo na omissão da lei,
usando a integração.
Obs: a lei tem um caráter de generalidade ou abstração, para fins de atingir a todos (erga omnes). O caso
concreto é uma situação definida. A subsunção é a aplicação da lei ao caso concreto, sem haver omissão.
Analogia – na lacuna da Lei que no caso é omissa, usa-se uma lei semelhante para gerar a subsunção. Tipos:
legal ou LEGIS (diante da lacuna o operador escolherá uma única lei e aplicará essa lei) ou jurídica ou
IURIS (diante da lacuna, o operador escolherá um conjunto de leis. Ex: utilizou as leis da união estável para
aplicar nas uniões homoafetivas).Obs: analogia só pode ser utilizada IN BONA PARTEM.
Costumes – é a prática reiterada da sociedade.
Tipos:
1. SecundumLegem – segundo a lei. É um exemplo de costumes secundumlegem - Art 113 do CC/02 –
uso da Boa Fé nos costumes, mas não é um meio de integração.
2. PraeterLegem – não previsto em lei. Ex: Cheque pré-datado (Sum.370/STF), Fila, Procriação de
Cachorros e Engorda de Porcos.
3. Contra Legem – são contra a lei. Ex: Adultério, cidade que a população não usa o cinto de segurança,
determinados povos que tem rituais de homicídio.
Obs: só pode ser usado pelo magistrado, apenas os Secundum e PraeterLegem.
Princípios Gerais do Direito – são idéias fundamentais e basilares do Sistema Jurídico. Tem em cada área do
Direito.
EQUIDADE
Conceito: é o justo que independe de lei escrita, mas, não é o justo para o Juiz (conceito pessoal), mas o
espírito de justiça que rege o direito.
Ex. de aplicação da Equidade prevista no Direito: Art. 7º do CDC ou Codecon, Art. 8º da CLT e Art. 6º do
JECRIM e JEC.
Obs: Art. 140 do CPC - a equidade só pode ser utilizada quando a lei expressamente a autoriza. Ex: Art. 944
do CC/02 – responsabilidade civil sobre reparação ou compensação integral – a indenização se mede pela
extensão do dano, com exceção se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa (culpa mínima)
e o dano (dano máximo). Ex: bituca de cigarro jogado na mata e causando um incêndio de grandes
proporções.
ANTINOMIA
Conflito entre regras ou entre regras e princípios.
Tipos:
1. Real - caso grave de conflito. Nesse caso terá que uma das regras ser revogada.
2. Aparente – pode ser resolvido pela interpretação. Como resolver no conflito de 1º grau?
a. Processo Hierárquico – a lei superior prevalece sobre a inferior.
b. Processo Cronológico – a lei mais nova (posterior) prevalece sobre a mais antiga (anterior).
c. Processo da Especialidade – a lei especial prevalece sobre a Geral.
Ex: o ECA prevalece sobre o Código Civil.

Como resolver no conflito de 2º grau? (ou seja, tem que usar dois critérios)
Se as leis tiverem hierarquia diferente e cronologia ou especialidade diferentes, então sempre a hierarquia
prevalecerá. Se forem antagônicas em função da especialidade e cronologia, prevalecerá a especialidade.
Obs: se no final, a antinomia não puder ser resolvida por nenhum processo de 1º ou 2º grau e o Estado não
revogar nenhuma das normas, então o critério a utilizar será o da lei mais favorável.

Art. 5º - INTERPRETAÇÃO NORMATIVA - a aplicação da lei atenderá aos fins sociais (princípio da
finalidade) e as exigências do bem comum. Também é um dos critérios hermenêuticos. Métodos de
interpretação: gramatical ou literal, lógico, sistemático (sistema de leis), histórico e teleológico (finalidade).
Todos esses métodos se somam para gerar o resultado interpretativo. Resultados interpretativos:
- Ampliativo ou Extensivo: amplia o alcance da norma. Ex: direitos e garantias fundamentais.
- Declaratório: declara os exatos termos da norma. Ex: utilizada no Direito Administrativo em razão do
Princípio da Legalidade
- Restritivo: restringe o alcance da norma. Ex: renúncia dos negócios jurídicos gratuitos.
Origem da interpretação:
1. Judiciária – feito pelo Judiciário.
2. Doutrinária – feito pela Doutrina.
3. Autêntica – feita pelo Legislativo.

Art. 6º - DIREITO INTERTEMPORAL – estuda a sucessão de leis no temp.Quando uma lei entra em vigor,
o efeito é geral e imediato (em regra, não retroage e se aplica com o fato futuro, mas tem o fato pendente,
onde serão aplicadas apenas as partes novas. Ex: CPC15 com relação aos novos atos processuais), contudo,
deverá ser respeitado o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada, mesmo se forem
contrários a nova lei.
Ato Jurídico Perfeito – Ato humano realizado e consumado, executado de acordo com a lei da época do ato.
Direito Adquirido – é aquele que a pessoa já pode exercer, derivado de um ato jurídico perfeito. Ato ilegal
não gera direito adquirido. Nem todo Ato Jurídico Perfeito gera direito adquirido, mas todo Direito
Adquirido advém de um Ato Jurídico Perfeito.
Coisa Julgada – Advém de decisão que não cabe mais recurso, ou seja, sofreu trânsito em julgado.
IRRETROATIVIDADE DA LEI
Em regra, a lei não pode retroagir. Tem efeitos Ex Nunc, só da data da lei para frente.
Exceções:
1. Quando vem expresso em lei.
2. Quando não ferir Ato Jur. Perfeito, Direito Adquirido ou Coisa Julgada.
3. Lei Penal mais benéfica.
DIREITO ESPACIAL OU EXTRATERRITORIALIDADE OU DIREITO
INTERNACIONAL PRIVADO – ART. 7º
O Brasil adotou a territorialidade moderada ou mitigada ou abrandada, ou seja, a pessoa domiciliada no
estrangeiro, aplica-se a lei do país do domicílio, no que tange aos direitos de personalidade, nome,
capacidade e direitos de família. É o chamado Estatuto Pessoal, onde se aplica a lei do domicílio e não a
Lei da Nacionalidade. Ex: João é nascido na Itália, domiciliado no Peru e no Brasil a turismo – a lei aplicada
será a Peruana – é a LEX DOMICILII. Obs: as questões de ordem pública devem ser respeitadas, como, por
exemplo, a Monogamia, mesmo o domicílio ser em outro país, com outros costumes.
Outras Exceções:
1. Embaixadas no Brasil
2. Consulados no Brasil
3. Navios ou Aeronaves de guerra em qualquer lugar
4. Navios Mercantes em águas territoriais de outro Estado ou alto mar.
5. Aeronaves ComerciaisEstrangeiras no espaço aéreo brasileiro
Art. 8º - Bens – a lei será a do país onde o bem está situado (LEX RES SITAE), mas se for bens móveis,
será a lei do domicílio do proprietário e se for penhor, a lei será do domicílio que estiver com a posse do
bem.
Art. 9º - Contratos – a lei do país em que se constituírem, exceto se previsto serviços no Brasil de forma
expressa no contrato. Ex: Contrato celebrado na Alemanha com execução do serviço no Brasil. Se surgirem
obrigações desse contrato, serão utilizadas as leis de residência do proponente da obrigação.
Art. 10 – sucessão por morte ou ausência – no país onde morreu ou desapareceu, qualquer que seja a
situação do bem (LEX DOMICILII), contudo, será aplicada a lei brasileira se os herdeiros forem filhos
brasileiros ou cônjuge. Obs: se os bens do defunto tiverem no Brasil, conforme o Art. 23 do CPC, o processo
correrá no Brasil e serão utilizadas as leis brasileiras (COMPETÊNCIA TERRITORIAL EXCLUSIVA).
SENTENÇAS ESTRANGEIRAS
Sentenças Estrangeiras, Cartas Rogatórias e Laudo Pericial Estrangeiro – pode ser cumprido no Brasil, para
tanto, tem uns requisitos:
- tradução por intérprete autorizado
- comprovação do trânsito em julgado no estrangeiro com o devido processo legal (Sum. 420/STF)
- filtragem constitucional, ou seja, não pode violar a soberania nacional, ordem pública e bons costumes. Ex:
Pena de morte.
Homologação: ocorre no STJ – até a EC nº 45/2004, era o STF.
Resultado: é a emissão do exequatur (é o cumpra-se), feito por qualquer Justiça Federal.

Arts. 20 a 30 – aplicação mais no Direito Administrativo – não se decidirá com base em valores jurídicos
abstratos sem que sejam consideradas as conseqüências práticas da decisão, ou seja, o administrador deve
demonstrar a proporcionalidade, necessidade e adequação da medida. Deve se utilizar a orientação atual e
não antiga, para gerar uma interpretação mais uníssoma.

CÓDIGO CIVIL/2002–PARTE GERAL


Definição: é o conjunto de normar dedicado a regular as relações privadas ou entre particulares, desde o
nascituro até depois da sua morte.
Conceitos importantes:
1. Direito Natural (é o direito de caráter universal e que é anterior as próprias leis – é de uma corrente
Jusnaturalista) x Direito Positivo (são as leis construídas na sociedade que variam de acordo com
cada cultura social – é de uma corrente Juspositivista);
2. É uma divisão do Direito Positivado: Direito Objetivo (é a lei em si) x Direito Subjetivo (é a
faculdade que expressa um direito determinado na lei objetiva, ou seja, decorre de lei, e relaciona-se
ao sujeito);
3. Direito Potestativo: o titular do direito potestativo tem o poder de ingressar na esfera jurídica de
outra pessoa e submetê-la. Ex: o direito de reconhecer ser filho de meu pai por meio de uma ação de
reconhecimento de paternidade;
4. Direito Público (dedica-se a regular as relações verticais entre o Estado e o Particular. Ex: Direito
Tributário, Constitucional, Administrativo, Processual) x Direito Privado (é um direito horizontal
entre particulares. Ex: Direito Civil, Consumidor, Empresarial).

Lei nº 10.406/2002
Divide-se:
1. Parte Geral: sujeito, objeto e relação jurídica.
2. Parte Especial: obrigações, contratos, responsabilidade civil, reais, família e sucessões.

PESSOA NATURAL OU PESSOA FÍSICA OU DE EXISTÊNCIA VISÍVEL


PERSONALIDADE JURÍDICA
Definição: ter a condição humana de adquirir todos os direitos e deveres inerentes a condição humana.
Quem tem personalidade jurídica é chamado de sujeito do direito que pode ser a Pessoa Física (ente dotado
de estrutura biopsicológica) ou Pessoa Jurídica (criação artificial). Os animais não tem personalidade
jurídica, sendo conceituados como bens móveis ou semoventes (Art. 82 do CC).
Obs: entes despersonalizados são os desprovidos de personalidade jurídica. Ex: Massa Falida, Espólio,
Herança Jacente, etc. Apesar de não serem sujeitos do direito, praticam atos e atuam na vida civil, portanto,
são regulados também no art. 78 do CPC.
“Art. 2o A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a
concepção, os direitos do nascituro.”
Início: com o nascimento com vida, na primeira respiração comprovado com a DNV – Declaração de
Nascido Vivo. O Natimorto (para saber realiza o exame médico chamado Docimasia Hidrostática de Galeno,
ou seja, coloca o recém nascido em uma bacia com água para verificar se vai boiar ou afundar. Obs: o
embrião foi concebido, mas ainda não tem vida intra uterina, essa é a diferença do nascituro ou início do
natimorto, ou seja, ainda está congelado ou crioconservado. Os direitos do Embrião estão regidos em Lei
específica de Biosegurança – Lei 11.105/2005 e se não utilizado serve para pesquisa científica, caso seja
autorizados pelos genitores) não tem direito de personalidade, mas tem direito ao nome (tem registro em
um livro específico), imagem e sepultura (a família tem direito ao enterro), já o nascituro que é o filho
dentro da barriga (vida intra uterina) da mãe que ainda não nasceu é protegido desde a concepção.Obs: entre
a DNV e o registro da Declaração de Nascimento tem alguns dias, mas a Declaração de Nascimento tem
natureza declaratória com efeitos extunc, ou seja, retroage a data da DNV, inclusive registrando a hora de
nascimento.
Teorias da Personalidade Jurídica para o Nascituro:
1. Natalista: exige o nascimento com vida para adquirir a personalidade, sendo uma teoria negativista
para o nascituro. De forma prepoderante o CC adota a Teoria Natalista. Doutrinadores: Vicente Rao,
Sílvio Rodrigues, Arnold Vald;
2. Concepcionista: de raiz francesa, dar-se-a a personalidade jurídica desde a concepção, sendo uma
teoria afirmativa. Doutrinadores: Silmara JunyShinelato, Francisco Amaral, Maria Helena Diniz.
3. Condicionalista: ficam em cima do muro, tendo alguns direitos sob condição, porque aguardam o
nascimento com vida.
Fim: com a morte real ou presumida, exceto quando se continuam protegendo os direitos de
personalidade.
Tipos:
1. Personalidade Jurídica Formal: relaciona-se a direitos extrapatrimoniais adquiridos desde a
concepção a exemplo dos direitos de personalidade: vida, proteção pré-natal, direito ao exame de
DNA (Reclamação do STF nº 2040), direito ao Seguro Obrigatório DPVAT, em casos de acidente de
carro por morte, inclusive com possibilidade de danos morais;
2. Personalidade Jurídica Material: relaciona-se a direitos patrimoniais adquiridos desde a concepção,
que ficam sob condição, aguardando o nascimento com vida à exemplo da propriedade. Obs: Pode
doar um imóvel ao nascituro (art. 542 do CC) e beneficiado por herança (art. 1798 do CC) e pode ter
nomeado um curador (nomeado para gerir direitos de um incapaz por meio de um processo de
interdição, gerando uma curatela estendida) para defesa dos seus interesses (art. 1779 do CC), mas
fica sob condição ao nascimento com vida.

CAPACIDADE DE DIREITOS
“Art. 1o Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.”
Art. 1º CC – capacidade de assumir direitos e obrigações que é mesmo antes do nascimento (nascituro)
desde a concepção.
Divisão da Capacidade Jurídica:
1. Direito ou Gozo: inerente a toda pessoa sem exceção – Art. 1º do CC
2. Fato ou Exercício ou Atividade ou Ação – nem todas as pessoas tem capacidade de fato, por
proibições contidas na lei, aos quais são chamadas de incapazes, sendo de forma absoluta ou relativa.
CAPACIDADE DE DIREITO (Tem a capacidade de receber direitos - toda pessoa, inclusive nascituro,
jovens, idosos, etc) + CAPACIDADE DE FATO (direito de exercer direitos) = CAPACIDADE PLENA
(atingida aos 18 anos).
CAPACIDADE DE EXERCÍCIO
É a capacidade real de sofrer direitos e obrigações. Ex: um menor pode ter um carro, contudo não pode
dirigir, porque não tem o direito civil de poder dirigir. Mas, se ele dirigir e se envolver em um acidente, ele
terá responsabilidade penal, administrativa (multa), contudo, só terá responsabilidade civil se ficar
configurada a culpa ou nos casos de responsabilidade objetiva (Art. 928 CC – o incapaz responde pelos
prejuízos que causar se não tiver responsáveis para assumir ou se os responsáveis não puderem arcar com os
danos, ou ainda afetarem).
INCAPACIDADES
A capacidade de direito não tem como ser abrandada, já a de fato sofre restrições, por meio dos critérios:
1. Objetivo ou cronológico/etário: menores de 16 anos (absolutamente incapazes e os atos só podem ser
feito com um representante) e entre 16 e 18 anos (relativamente incapazes e os atos só poderão ser
feitos com um assistente)
2. Subjetivo ou Psíquico: definida por uma patologia e culminada em decisão judicial em função de um
processo de interdição ou curatela extraordinária, determinada por perícia médica obrigatória.
“Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 (dezesseis)
anos.” – é a Incapacidade Absoluta dos menores impúberes e serão representados.
“Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: é a Incapacidade Relativa e
serão assistidos.
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; - são os menores púberes
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; - são os alcóolotras ou embriagados naturais
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; - são os
limitados
por alguma questão médica (pessoas em tratamento médico intensivo, idosos ou jovens) ou
condição física (surdos-mudos), que com a reforma da EPD, passou a ser relativamente
incapaz, deixando de ser absolutamente incapaz e foi retirado os deficientes físicos.
IV - os pródigos.– é aquele que se defaz do próprio patrimônio sem uma causa justificadora. Ex:
sujeitos viciados em jogo ou pessoas compradoras compulsivas.
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial.– Lei 6.001/1973 –
Estatuto dos Índios, contudo, os silvícolas são absolutamente incapazes, já que não
conhecem as nossas leis e nem tem hábitos urbanos e vivem em um local remoto.”
Obs: existe a incapacidade natural, onde o indivíduo mesmo maior de 18 anos e não
interditado é visivelmente incapaz.
Obs: A lei nº 13.146/2015 – que é o EPD – Estatuto das Pessoas com Deficiência – ou LBI – Lei Brasileira
de Inclusão – que acabou com a idéia que a deficiência é sinônimo de incapacidade, em decorrência do
Brasil assinar o Tratado criado na Convenção de Nova Iorque.
Obs: No caso do surdo-mudo é relativamente incapaz, não pela condição de ser surdo-mudo, mas pelo fato
de não poder ou ser incapaz de expressar a sua vontade. Analogamente, o idoso, pelo fato de ser idoso, não é
causa de incapacidade para promover interdição, contudo, se tiver uma doença incapacitante, poderá ser
interditado. Se o maior de 70 anos vier a se casar, será pelo regime obrigatório de separação de bens (Art.
1641 II do CC), que não se configura incapacidade, mas uma forma protetiva do idoso para evitar o golpe do
baú.
Obs: Não se pode confundir incapacidade com vulnerabilidade, já que o vulnerável não é necessariamente
incapaz, como no caso dos idosos, consumidores, menores, deficientes, etc.
Obs: O fim da incapacidade ocorre quando acontece um fato gerador de capacidade ou por meio da
emancipação que é uma antecipação da capacidade e serve tão somente para os atos da vida civil, sendo em
3 espécies: voluntária (é aquela conferida por ambos os pais, ou por um deles na falta (incapaz, ausente,
morto, etc) do outro (Obs: quando um dos genitores estiver com guarda unilateral que não põe fim ao poder
familiar, deve se pedir autorização. No caso de conflito entre os pais, caberá ao juiz decidir o que é melhor
para o menor), ao menor com 16 anos completos, por escritura pública e independente de homologação
judicial. É um ato irrevogável e irretrátavel, portanto, se o menor efetuar danos ele responderá pelos atos
praticados (ônus e bônus), mas não será retirada a responsabilidade dos genitores por inteiro, já que seguirão
solidariamente pelos danos praticados),judicial (é aquela concedida pelo tutor (é um múnus público, que
não são os pais) ao tutelado que tenha pelo menos 16 anos através de decisão judicial e após Parecer do MP.
O tutor não será solidário.), e legal (é aquela automática que ocorre em algumas situações previstas em lei
que são incompatíveis com a incapacidade e que não gera solidariedade como: casamento (é automática),
exercício de emprego público efetivo (não é aprovação em concurso público e nem cargo temporário. Caso
acontece normalmente nos serviços públicos militares), colação em grau de nível superior (não é aprovação
em Enem ou em Vestibular, nem colação em curso técnico), que promoveu a criação de estabelecimento
civil ou comercial ou como empregado deles estabeleceu economia própria. Obs: a emancipação voluntária
e judicial deve ser levado ao registro de nascimento para que tenha os seus efeitos (Art. 9º do CC).
Art. 5º - Cessação da Incapacidade – desde o 1º minuto em que completar 18 anos.
Exceções:
1. Índios – 21 anos;
2. Doentes Mentais Permanentes (enquanto viver).
Art. 5º - CAPACIDADE CIVIL PLENA ou GERAL – é a soma da capacidade de direito com a capacidade
de fato.
Obs: Tem também a Capacidade Negocial ou Privada que é estabelecida por uma espécie de legitimação
como, por exemplo, na venda de um imóvel do ascendente para o descendente (art. 496 do CC – que precisa
um consentimento expresso (não presumido) dos demais descendentes e cônjuge (se o casamento não for no
regime de separação obrigatória)), que se comporta como uma autorização, mesmo tendo a capacidade civil
plena. Se for cometido sem o consentimento, será um ato anulável com um prazo decadencial de 2 anos (art.
179).

Art. 6º - Com a morte real (tem um cadáver ou um corpo, onde um profissional da medicina atesta o óbito
por meio do atestado de óbito, declarando a morte encefálica – Lei 9.434/1997) ou ficta/presumida (Art. 7º -
quando não se encontra os corpos) ou por ausência (Art. 22) – ambas as mortes presumidas só valem após
decisão judicial. É o FIM DA CAPACIDADE DE DIREITOS E DE EXERCÍCIO, exceto nos Direitos de
Personalidade do “de cujus”, quando se promoverem a proteção da honra de um morto e também em casos
dos direitos reais de propriedade que ficam no nome do morto até que a sucessão seja finalizada. Por
exemplo: se o patrimônio estiver no nome do “de cujus” que efetua um testamento para ser aberto 100 anos
depois de sua morte, o patrimônio será administrado por alguém, mas continuará na propriedade do “de
cujus” até ser aberto o inventário.
MORTE FÍCTA ou PRESUMIDA
Tipos:
1. Com declaração de ausência – é aberto um processo judicial chamado de Processo de Justificativa do
Óbito ou Justificação do Óbito, que se submete a 3 fases: curadoria ou arrecadação de bens (Art. 22 do
CC, pode ser feito por qualquer interessado ou Ministério Público a comunicação do desaparecimento. O
curador é nomeado pelo juiz para gerenciar os bens do ausente, não sendo o curador da pessoa do agente,
mas do patrimônio – Art. 25 do CC traz um rol dos possíveis curadores em ordem de prioridade: 1º -
cônjuge do ausente desde que não esteja separado a mais de 2 anos, 2º - pais do ausente, os descendentes
sendo os mais próximos preferirão aos mais remotos, curador dativo – é alguém da confiança do juiz. Em
regra demora um ano, podendo ser dilatado para até 3 anos, caso o ausente tenha deixado um procurador que
tenha aceitado o exercício do encargo), sucessão provisória(é a conversão da curadoria de forma precária
(em regra os imóveis do ausente não poderão ser vendidos ou onerados, exceto por ordem do juiz ou
desapropiação) – Arts. 27 e 28 do CC que solicitam nessa ordem: cônjuge, herdeiros, credores do ausente e
MP. Para imitir na posse, os herdeiros tem que dá uma garantia e guardar 50% dos frutos, exceto cônjuge,
descendentes e ascendentes) e sucessão definitiva (vencidos 10 anos, começará a sucessão definitiva e só
nessa fase é declarada a morte).Obs: Art. 38 do CC, se o ausente tiver mais de 80 anos de idade e mais de 5
anos datarem as suas últimas notícias, poderá ir direto para a sucessão definitiva.
2. Sem declaração de ausência – nos casos de acidentes sem corpos, ou quando estava em guerra ou
campanha/missão militar e não retornou em 2 anos depois que acabou.

Obs: o juiz determinará a data provável da morte após encerramento das buscas e averiguações e poderá
reverter a morte se o corpo for encontrado ou se a pessoa reaparecer.Se reapareceu na 1ª fase, retira o
curador e retorna os bens ao ausente, se for na 2ª fase o ausente terá direito aos bens no estado em que
deixou ou como deixou, como também direito ao caução, a depreciação acima da média social e aos 50%
dos frutos, contudo, se for uma ausência justificada, perderá os frutos e, por fim, se retornar depois de 10
anos, receberá os bens de acordo de como estão ou aquilo que se subrogou (substituição dentro da realidade
de valor do bem vendido/alienado e não o bem no preço final, naqueles casos em que vendeu um bem por
100.000,00 e depois no tempo valia 200.000,00).
Obs: Art. 1571 do CC – a ausência põe fim ao casamento, mas não diz quando. Conforme a doutrina,
quando for requisitado e se não for requisitado, no momento da sucessão definitiva.
Obs: Comoriência: é a morte conjunta, sendo uma presunção relativa (júris tantum, porque admite prova em
contrário) de morte simultânea, em que dois ou mais indivíduos faleceram na mesma ocasião (ao mesmo
tempo, mesmo que sejam em acidentes diversos). Ex: desastre de avião, naufrágio, um casal, sendo que um
morreu de acidente de moto e outro de carro, etc.

PESSOA JURÍDICA
Definição: é a soma de esforços humanos (corporação) ou destinação de um patrimônio (fundação),
objetivando uma finalidade lícita e visando a função social (toda empresa tem função social, sem exceção).
Em que momento adquire? Art. 45 – no momento do registro dos atos constitutivos que pode ser um
Estatuto (sociedade anônima, fundação, associação e partidos políticos) ou um Contrato Social (demais
sociedades), sendo necessário uma autorização ou aprovação do Poder Executivo. O Partido Político após o
registro civil deverá ser registrado no TST (Art. 17 da CRFB/88).
Prazo para anulação da constituição do registro: decairá 3 anos após a publicação da inscrição da PJ no
registro (parágrafo único do Art. 45 do CC).
Teoria adotada para aquisição da personalidade jurídica: é a Teoria da Realidade Técnica, pois não basta que
ela realmente funcione, mas tem que ter o registro.
Paralelo com a personalidade jurídica da pessoa física: a PF tem no registro de nascimento um ato
declaratório e com efeitos extunc (retroativos), já a PJ é um ato constitutivo de direito e com efeitos ex nunc
(não retroativos).
Obs: após o registro, a empresa ficará regida pelo princípio da separação, independência ou autonomia, que
trata do seguinte: após o registro, o patrimônio da empresa será separado do patrimônio dos sócios, ou seja,
os sócios não respondem em tese pelos bens da empresa e vice versa, contudo, com o instituto da
Desconsideração da Personalidade Jurídica, que é uma medida excepcional e episódica, através do qual o
patrimônio dos integrantes de uma PJ, passa a responder por dívidas contraídas pela PJ.
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA (“Disregard Doutrine”)
É uma relativização da autonomia ou da independência da PJ.
Requisitos: (Art. 50 do CC)
1. Pedido expresso feito pela parte ou pelo MP; e
2. Abuso da personalidade que pode se dá pelo desvio de finalidade ou Confusão Patrimonial
(mistura entre o patrimônio da PF com o da PJ, chamada também de promiscuidade patrimonial).
Enunciados: 146, 281 e 282, todos do CJF, todos os requisitos merecem interpretação restritiva.
Obs: não cabe a desconsideração de ofício feito pelo juiz, porque a lei determina que deve ter um
pedido expresso.
Obs: O CC adota uma teoria maior (exige um número maior de requisitos que os demais diplomas
legislativos como o CDC no art. 28 § 5º, portanto, é mais difícil ser efetuada) e objetiva (não exige nem
culpa, nem dolo).
Questões polêmicas sobre a Desconsideração da PJ:
1. Não é capaz de extinguir a PJ, ou seja, não é sinônimo de extinguir a PJ, portanto, não podemos
confundir Desconsideração com Despersonalização (significa retirar a personalidade, ou seja,
realizar a extinção da PJ) – Enunciado nº 284 do CJF;
2. Atinge qualquer modalidade de PJ, sem exceção, mesmo as sem fins lucrativos;
3. Pode ser arguida até pela própria PJ porque ela é parte do processo (ré) – Enunciado nº 285 do CJF e
final do caput do art. 50 do CC;
4. Pode ser na modalidade inversa ou indireta ou reversa (Definição: é a desconsideração da PF para a
PJ. Muito utilizada nas causas familiares e principalmente em divórcios, pois alguns cônjuges
promovem a venda patrimonial para evitar que sejam divididos no divórcio) – Enunciado nº 283 do
CJF e art. 133 § 2º do CPC e informativo nº 440 do STJ;
5. Desconsideração Expansiva – se expande de uma empresa para outra objetivando penalizar os
sócios, efetuada na esfera administrativa. (ocorre em casos de empresas penalizadas, onde os sócios
delas criam uma nova empresa para participar de novos certames licitatórios, mesmo que a
desconsideração seja efetuada em âmbito administrativo – é um direito potestativo sem prazo para
exercício);
6. Desconsideração por Sucessão de Empresas – será somada as duas hipóteses de desconsideração, ou
seja, a direta com a indireta/inversa, para evitar a transferência do patrimônio de uma empresa para
outra empresa, feita pelo sócio, com o intuito de frustrar a futura desconsideração que poderá ser
efetuada pelos credores;
7. Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica – Art. 133 do CPC – é uma nova
modalidade de intervenção de terceiros, para dá o devido contraditório e defesa ao terceiro, para
evitar o abuso contra o terceiro. Na prática, é feito pela parte ou MP, inclusive na inversa (§ 2º), onde
será suspenso o processo principal e será discutido o incidente, podendo ser efetuado em todas as
fases do processo de conhecimento, devendo o sócio ou a empresa se manifestar no prazo máximo de
15 dias. O juiz decidirá se é necessário ou não o agendamento de uma audiência de instrução e já
será julgado e, nesse caso será uma decisão interlocutória atacada por agravo de instrumento. É
possível na desconsideração se solicitar antecipação de tutela, inclusive em todas as modalidades de
desconsideração.
CLASSIFICAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS
Quanto à Nacionalidade: o que se considera é o local de seu ato constitutivo, não importando capital, nem
nacionalidade dos sócios.
1. Nacional
2. Estrangeira
Obs: pode existir uma PJ Nacional, mas com o capital estrangeiro ou gerida por alguém do exterior.

Quanto à Atividade Executada:


1. Direito Público – pode ser de D.P. Interno (Art. 41 – União, Estados, DF, Territórios e Municípios,
autarquias e demais entidades de caráter público criadas por lei, inclusive associações públicas) ou
D.P. Externo (Art. 42 – Estados Estrangeiros, Entidades Governamentais Públicas (ONU, etc).
2. Direito Privado - (Art. 44 – Associações (pode ser público também e a diferença está na criação da
associação, já que a pública, será constituída como pública), Sociedades, Fundações (pode ser
público também e a diferença está na criação da fundação, já que a pública, será constituída como
pública), Organizações Religiosas (o motivo é porque o Estado Brasileiro é Leigo, Laico e Não
Confessional, portanto, no Brasil não tem religião oficial e não tolher novas religiões), Partidos
Políticos (o motivo é porque no Brasil existe o pluripartidarismo democrático e não podemos tolher a
criação de partidos, tendo apenas regras de representatividade), EIRELI – é um rol exemplificativo
segundo a doutrina, porque podem ser acrescentados a Sociedade de Economia Mista e
Empresa Pública).
Quanto à estrutura:
1. Corporações: é a soma de esforços humanos (universitaspersonarum) podem ser sociedades
(organizadas em regra por um contrato social (exceção a regra – S/A) que visa o lucro. Podem ser
simples (antes chamadas de civis – parágrafo único do Art. 966 do CC – Ex: Escritório de
Advocacia, Clínica Odontológica, etc e outro critério é o local de registro que é no Cartório de
Registros da Pessoa Jurídica) ou empresária (antes chamadas de comerciais ou mercantis –
Caput do Art. 966 do CC – trata do objeto da atividade e outro critério é o local de registro que
é na Junta Comercial)) ou associações (definição: Art. 53 do CC - é a união de associados
organizados através de um Estatuto (Art. 54 do CC – elementos essenciais do Estatuto) e que
buscam uma finalidade não econômica ou ideal (não é que a associação não pode ter lucros, mas é
vedado o partilhamento do lucro com os associados, devendo ser reinvestido na finalidade ideal da
associação). Obs: os associados não tem direitos e deveres recíprocos, mas direitos perante a
associação de forma igualitária, mas pode determinar vantagens especiais para determinadas
categorias (parágrafo único do Art. 53 do CC). O direito do associado é intransmissível (Art. 56),
mas pode ser disposto em Estatuto e para a exclusão tem que ter justa causa, com direito de defesa e
recurso (Art. 57). Art. 61 – se dissolvida a associação, depois de deduzidas as quotas ou frações
ideais , será destinado o patrimônio líquido à entidade de fins não econômicos designada no Estatuto,
ou, se omisso, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhante.);
2. Fundações – tem como destinação de patrimônio ou universalidade de bens (universitasbonorum) –
Art. 62 caput – tem dois caminhos para a destinação do patrimônio: escritura pública (produz efeitos
inter vivos, em vida, sendo um ato irretratável – Art. 64 do CC) ou testamento (produz efeitos
“Mortis Causa” – é um ato revogável).Obs: Art. 63 do CC - se o patrimônio for insuficiente, os bens
serão incorporados em outra fundação que se proponha a fim igual ou semelhante. Possíveis
finalidades (§ único do Art. 62):
I – assistência social;
II – cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico;
III – educação;
IV – saúde;
V – segurança alimentar e nutricional;
VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento
sustentável;
VII – pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de sistemas de
gestão, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos;
VIII – promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos humanos;
IX – atividades religiosas.
Requisitos para alterar o estatuto das Fundações Antigas para as novas regras, já que foi ampliado o
rol de fundações na reforma de 2015 – Art. 67 do CC:
I - seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação (Obs: Art. 68 –
a minoria vencida tem direito a impugnação no prazo de 10 dias);
II - não contrarie ou desvirtue o fim desta;
III – seja aprovada pelo órgão do Ministério Público no prazo máximo de 45 dias, findo o qual ou no
caso de o Ministério Público a denegar, poderá o juiz supri-la, a requerimento do interessado(O
FISCAL DAS FUNDAÇÕES É O MP ESTADUAL, MAS SE A FUNDAÇÃO TIVER
ABRANGÊNCIA NACIONAL, O MP DE CADA ESTADO EFETUARÁ A FISCALIZAÇÃO
NO SEU ESTADO E SE FOR NO DF, SERÁ EFETUADA PELO MPDFT).
Obs: Art. 69 do CC - No caso de a Fundação ser extinta, por ser ilícita, impossível ou inútil ou
vencido o prazo de sua existência, o MP ou qualquer interessado poderá solicitar e o patrimônio será
incorporado em outra Fundação de finalidade igual ou semelhante.
EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA
Tipos:
1. Voluntária: pela própria pessoa que criou, por meio do Distrato;
2. Administrativa: Art. 45 do CC – autorização ou aprovação do Poder Executivo;
3. Judicial: Art. 45 parágrafo único – por decisão do juiz;
4. Legal – em algumas situações previstas em lei, como: morte de todos os sócios em mais de 180
dias, Sociedade com apenas um sócio por mais de 180 dias.

DIREITOS DE PERSONALIDADE
Conceito: são mecanismos de proteção da Personalidade Jurídica.
Obs: Direitos e Garantias Fundamentais (Art. 5º e parágrafos da CRFB/88 – rol exemplificativo, tendo
outros espalhados na CRFB/88) e Dignidade da Pessoa Humana (Art. 1º III da CRFB/88 – sendo a
argamassa que liga os dois, por meio de uma ponderação dos direitos) são ligados com os Direitos da
Personalidade (Art. 11 a 21 do CC – traduzem o reflexo intraconstitucional dos Direitos e Garantias
Fundamentais e são ponderados de acordo com a Dignidade da Pessoa Humana – Enunciado nº 274 do CJF),
em razão de sua semelhança e proteção.
Obs: Súm. 364/STJ – bens de família – abrange também o imóvel de pessoas separadas, solteiras e viúvas.
Obs: Bullying – Lei nº 13.185/2015 – combate à intimidação sistêmica – trata de um rol com várias
possibilidades que é uma afronta aos direitos de personalidade – pode ser física ou psicológica, causando
dor e angústia a vítima.
ATRIBUTOS ou CARACTERÍSTICAS
Não são absolutas, já que sofrem limitações, desde que não sejam permanentes nem gerais, portanto,
transitórias e específicas:
1. Irrenunciáveis – não podem ser renunciados – Art. 11
2. Intransmissíveis – não podem ser transferidos – Art. 11
3. Não pode sofrer limitação voluntária – são ilimitados – Art. 11
4. Absolutos – são erga omnes (para todos)– doutrina, mas sujeito a relativização
5. Extrapatrimoniais – não precisa adquirir ou valorar– doutrina, porque não tem um conteúdo
econômico intrínseco.
6. Indisponíveis – não pode dispor – doutrina (tem exceções como o direito de imagem)
7. Imprescritíveis – não prescrevem - doutrina
8. Impenhoráveis – não pode ser dado como garantia - doutrina
9. Vitalícios – para toda a vida– doutrina, contudo o Art. 11 do CC fala que alguns deles são
transitórios. Mesmo após a morte, na tentativa de lesionar a personalidade do morto, configurará lesão
indireta, reflexa, oblíqua ou ricochete, por causar danos de personalidade para o cônjuge ou
sobrevivente/companheiro, ascendentes ou descendentes (parente em linha reta) e colaterais até o 4º grau (2º
- irmãos, 3º sobrinhos e tios, 4º primos) - Art. 12 parágrafo único do CC. Obs: tem uma exceção apenas para
o direito de personalidade relacionado a imagem, que tem pessoas específicas para aplicação contra o dano,
retirando apenas os colaterais até o 4º grau. Em todos os casos são um rol de legitimidade autônoma, ou seja,
pode ser um ou pode ser coletivo. Tem que litigar em nome próprio e direito próprio e não em direito alheio.
10. Inatos – inerente a pessoa desde o seu nascimento, ou seja, não são escolhidos, são natos (Teoria
Jusnaturalista).
Pontos polêmicos:
Posso transferir o meu nome? Não, são intransmissíveis.
Posso pedir para retirar minha vida? Não, são irrenunciáveis.
É determinada uma quantidade de direitos de personalidade por pessoa? Não, são ilimitados.
É aplicado para todos? Sim, erga omnes.
Preciso pagar para tê-los? Não, são extrapatrimoniais.
Posso vender um órgão para salvar uma vida? Não, são extrapatrimoniais.
Posso penhorar uma parte do corpo? Não, são impenhoráveis.
Posso dispor da minha vida para salvar a vida do meu filho? Não, são indisponíveis.
Se não registrei na época certa o meu filho com certidão de nascimento, posso fazer depois? Sim, são
imprescritíveis.
Perco o meu direito de honra e imagem em determinada época da vida? Não, são vitalícios.
PROTEÇÃO AO DIREITO DE PERSONALIDADE POR MEIO DE AÇÃO
A lei estabelece proteção contra ameaça ou lesão aos direitos. Se conferir crime, precisa pleitear o
cessamento da prática, com perdas e danos mais outras sanções previstas em lei.
TUTELA OU MEDIDAS PROCESSUAIS
1. Preventivas ou Inibitórias – evitar que o dano não aconteça;
2. Repressiva ou Compensatória ou Cominatórias – reprimir uma atitude tomada erradamente, como
tirar o nome do SPC/SERASA, por meio de uma compensação financeira ou indenização, podendo
pleitear dano material, moral e estético (Sum 387/STJ). São civilmente responsáveis pelo
ressarcimento do dano causado tanto o autor do escrito, quanto o proprietário da divulgação ou
veículo de comunicação (Súm. 221/STJ).
Modos: HC, HD, MS e MI.
CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS DE PERSONALIDADE
INTEGRIDADE FÍSICA OU DISPOSIÇÃO DO PRÓPRIO CORPO VIVO – Art. 13
É o direito da integridade física que é um direito de personalidade, não podendo dispor ou renunciá-lo,
RESULTANDO NO DANO ESTÉTICO.
Exceção: salvo exigência médica (Enunciado nº 6º do CJF) para TRATAMENTO ou
TRANSPLANTE (Lei nº 3434/1997 – requisitos: gratuidade, em vida somente os órgãos dúplices ou
regenerável e poderá ser escolhido o receptor e será preferencialmente um parente do doador). Nunca
poderá sercomercializado órgãos.
Obs: transplante só vale para cônjuge ou parente até o 4º grau. Outra pessoa, só com autorização judicial. Só
é permitido se não acarretar risco de vida ou não comprometer a integridade física, ou ainda não acarretar
comprometimento físico ou mental.
DISPOR DO CORPO APÓS A MORTE – ART. 14
Só pode para fins científicos (em universidades) ou altruístico (fazer o bem a alguém), de forma
gratuita.
Obs: pode ser revogado a qualquer tempo em vida (é o chamado CONSENSO AFIRMATIVO – se foi
declarado em vida, não pode ser alterado, mas se for silente, poderá os familiares decidir por isso).
Requisitos: gratuidade, ilimitado, não pode escolher o beneficiário, necessidade de ter a morte encefálica e
consentimento dos familiares depois que houve a morte.
AUTONOMIA DO PACIENTE OU LIVRE CONSENTIMENTO INFORMADO – Art. 15
Só com anuência da pessoa, ou seja, não pode ser constrangido ou obrigado a tratamento médico ou
intervenção cirúrgica, sendo necessária a assinatura de um Termo de Consentimento Informado. A
Resolução 1995/2012 – CFM - dispõe que o médico deve levar em consideração, vontades antecipadas
deixadas por escrito, quando no momento, o paciente não puder exprimir a sua vontade. A manutenção da
vida, sempre pesará na decisão do médico, nos casos em que o paciente não puder exprimir a sua vontade já
expressa ou não, ou seja, em casos de emergência. A manutenção da vida sempre prevalecerá sobre a
autonomia da vontade.
Segundo o Enunciado 403 da V Jornada de Direito Civil – CJF, o direito de crença da Testemunha de Jeová
que não aceita transfusão de sangue deve ser respeitado, mas tem que ter capacidade plena e a manifestação
deve ser livre.

Diretivas Antecipadas de Vontade: é uma declaração de vontade antecipada em que o cidadão pratica
conscientemente e faz declarações restritivas em intervenções médicas futuras nas terminalidades da vida ou
doenças terminais (devem se evitar os tratamentos fúteis ou obstinação terapêutica). Podem ser:
1. Testamento Vital – declaração por escrito com duas testemunhas promovida em Cartório;
2. Mandado Duradouro – quando o cidadão eleger alguém que faça as escolhas quando não mais
poderá fazê-las;
3. História de Valor – são declarações que o paciente faz ao médico e reduz em prontuário e por
convencimento estabelece as suas medidas.
INTEGRIDADE PSÍQUICA OU MORAL
Art. 20 do CC + Súm. 403/STJ – a providencia primeira é uma tutela específica para seja prolatada uma
decisão judicial visando paralisar a divulgação COM COMINAÇÃO DE ASTREINTES + DANO MORAL
PURO (In Re Ipsa – que se configura com a simples conduta, não importando se é positiva ou negativa, ou
seja, independe de prova ou prejuízo).
Tipos:
1. Imagem – são características identificadoras de alguém (imagem retrato ou fisionômicas (retrato,
pôster, fotografia – podendo ser positiva (bonita) ou negativa (feia)), atributo (qualitativo social –
pode ser positiva (probo, honesto, etc) ou negativa (não vale nada) e imagem voz (timbre sonoro
identificador)) – tem sede constitucional Art. 5º V e X e CC no Art. 20 (exige para veiculação da
imagem uma autorização que pode ser expressa ou tácita, obrigatória para fins comerciais
independente de a pessoa ser pública ou não, contudo, existem exceções: para administração da
justiça ou para a manutenção da ordem pública, tem também situações em que não se precisa de
autorização: liberdade de imprensa por direito a informação, pessoas públicas em locais públicos,
coadjuvantes que estiverem com a pessoa pública). Obs: no caso da biografia violada por informação
em livros ou mídias em geral, prevalece a liberdade de informação, em relação ao direito de imagem,
contudo, não é pacífico. Direito de resposta ou retificação da imagem: Lei nº 13.188/2015 – regula
esse direito que deve ser gratuito e proporcional ao agravo(mesma publicidade, periodicidade
(mesmo dia da divulgação) e duração) e retira a possibilidade da empresa divulgadora (jornal ou
página na internet) ser responsabilizada por comentário agravante efetuado por usuário. Da data que
se iniciou a divulgação, terá 60 dias (prazo decadencial) para o direito de resposta, pedida por
comunicação com aviso de recebimento pelo ofendido ou representante legal quando for PJ e em até
7 dias do recebimento do pedido. Se não ocorrer, começará o interesse de agir, onde a competência
será no domicílio do ofendido ou lugar onde o agravo tenha maior repercussão. O processo tem rito
especial concedido para durar 30 dias com provas do agravo e da retificação desatendida, além do
texto de resposta. Não pode cumular pedidos, reconvenção, litisconsórcio, assistência e intervenção
de terceiros. Também não se admite a prova da verdade (exceção de verdade), sendo o objeto mais
restrito, onde será citado o responsável em 24 h, para que, em igual prazo apresente as razões, como
também um prazo de 3 dias para, contados da citação, ofereça suas respostas à demanda
(contestação) – não sendo respondido no prazo legal, o juiz poderá determinar multa ou determinar
como será realizado o direito de resposta. Com a sentença, se houver conversão em perdas e danos, o
rito ficará mais lento.;
2. Privacidade ou Vida Privada – Art. 5º XII da CRFB/88 e Art. 21 do CC – é inviolável. Apesar do CC
caminhar nesta linha, é possível sob a ótica legal, poderá ser relativizada, com quebra do sigilo
bancário, fiscal, comunicações, etc.;
3. Honra – é a reputação do sujeito dividida em subjetiva (é a sua reputação perante a si próprio) e
objetiva (é a reputação social);
4. Nome – Roberto de Ruggiero – é a sua etiqueta social – Lei nº 6.015/73 – lei de registros públicos
prescreve no art. 55 § único que não pode expor o cidadão ao ridículo e quem faz esse juízo é o que
registra o nome. Art. 13 da CRFB/88 – não pode ser grafado em língua estrangeira.
NOME – ART. 16
Compõe-se: prenome (nome da pessoa) + sobrenome ou patronímico (família) + agnome (elemento
acidental, secundário ou acessório que evita a homonímia – Ex: Júnior, Neto ou Sobrinho)
Tanto o prenome como o sobrenome pode ser simples (uma única palavra) ou composto (duas palavras)
A alteração é mais fácil para o prenome (cartório) do que o sobrenome.
Motivos que ensejam alteração do nome: existe uma imutabilidade relativa.
1. Quando expõe a pessoa ao ridículo;
2. Erro de grafia;
3. Homonímia (para evitar nomes iguais porque atrapalha na identificação);
4. Mudança de sexo ou transgenitilização (pode mudar o nome e o gênero);
5. Adoção durante a menoridade;
6. Proteção de vítimas e testemunhas;
7. Apelido público notório. Ex: Xuxa, Pelé, etc.
8. Nome Social (como é apresentado)
Casos de alteração para o sobrenome: existe uma imutabilidade relativa.
1. Casamento;
2. Divórcio;
3. Adoção.
Art. 17 – Não pode expor o nome em publicação, internet e jornais que possa causar desprezo público, ainda
que não haja intenção difamatória (é um caso de responsabilidade civil que independe de culpa, portanto,
objetiva).
Art. 18 – Em propaganda comercial, só com autorização da pessoa (igual ao direito de imagem).
Art. 19 – O cognome (apelido ou alcunha ou pseudônimo) é também protegido para atividades lícitas. A lei
de registros públicos no art. 58 dispõe ser viável a inclusão do pseudônimo no nome da pessoa.
INTEGRIDADE INTELECTUAL
Criações do intelecto humano que abrange:
1. Direitos Autorais
2. Propriedade Industrial

Obs. final: A pessoa jurídica tem titularidade de alguns direitos de personalidade. Art. 52 – aplica-se no que
couber, a proteção dos direitos de personalidade. Tem direito a nome, imagem e privacidade. Súm. 227/STJ
– a PJ pode sofrer danos morais ou materiais, inclusive o IN RE IPSA. Enunciado nº 286 – a PJ não é titular
dos direitos de personalidade, mas terá a proteção no que couber.

DOMICÍLIO
Divisão:
1. Domicílio da Pessoa Física: pessoal (Art. 70 do CC – é o local em que estabelece a sua residência –
objetivo, com ânimus definitivo – subjetivo. Morada (efêmera ou transitória), Residência
(habitualidade maior em determinado local) e Domicílio (é onde tem a intenção de permanecer com
ânimus definitivo – Art. 71 – é possível ter uma pluralidade de domicílios onde alternadamente vivo
sem ter a intenção de viver em nenhuma delas) são conceitos diversos), profissional (exercita as
relações concernentes a profissão, podendo ter vários, sendo diferente do pessoal) e aparente ou
ocasional (Art. 73 do CC – é aquele em que a pessoa for encontrada, não tendo residência. Ex: quem
moram nas ruas, em um circo, viajantes, etc).
2. Domicílio da Pessoa Jurídica: Art. 75 do CC – para ambas as entidades do Dir. Público Interno e do
Dir. Público Privado. Na União será no DF, no Estados e Territórios será na capital de cada Estado,
nos Municípios será na Administração Municipal e para as demais pessoas jurídicas, será no lugar
onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações ou no caso de elegerem Domicílio
Especial no seu Estatuto ou Atos Constitutivos (Contrato Social). Se a PJ tem diversas filiais, o
domicílio será plural, ou seja, terá vários domicílios. Se a empresa for multinacional e tiver a
diretoria e sede no estrangeiro, o domicílio será no local onde a empresa está situada no Brasil.
Obs: o CC não adota a teoria da unicidade domiciliar.
Classificação do domicílio:
1. Voluntário ou Convencional: dividido em Geral (Art. 74 do CC - é a grande regra geral onde a PF e
PJ escolhem o seu domicílio e pode ser transferido/alterado, desde que mude a sua residência) ou
Especial/Eleitoral (Art. 78 do CC e Art. 63 do CPC - é o domicílio do contrato escrito e tem que
aludir expressamente a determinado negócio jurídico – é o chamado Foro de Eleição – obriga
também herdeiros e sucessores).
2. Legal ou Cogente ou Necessário ou Obrigatório:Arts 76 e 77 do CC - é imposição de domicílio pelo
legislador, sendo uma exceção, como, por exemplo: incapaz (é o do seu representante ou assistente),
servidor público (lugar em que exerce permanentemente suas funções), militar (onde servir),
marítimo (onde o navio estiver matriculado) e o preso (onde estiver cumprindo a sentença e não no
local onde foi condenado). No Art. 77 do CC, prescreve que o agente diplomático do Brasil terá o
seu domicílio no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde esteve.
Obs: Nos artigos 1º, 50 e 101 do CDC, dispõe que nas relações de consumo, o consumidor tem foro
privilegiado, por ser hipossuficiente. O consumidor invariavelmente poderá propor sua ação no foro do seu
domicílio.

BENS JURÍDICOS
Definição: é toda utilidade física ou ideal, que seja objeto de um direito subjetivo.
Tipos:
1. Físico ou Corpóreo ou Material: que tem corpo físico.
2. Ideal ou Incorpóreo ou Imaterial:honra, liberdade, etc.
Classificação:
1. Bens considerados em si mesmo: é o que ocorre de forma isolada. Divide-se em Móveis (subdivide-
se em Por Sua Natureza (Art. 82 do CC – os bens suscetíveis de movimento próprio ou semoventes e
os que são removidos por força alheia sem alterar a sua substância ou destinação econômico-social,
como câmeras, filmadoras, etc) ou Por Força da Lei – Arts. 83 e 84 do CC – energias que tem valor
econômico (sêmen de touro reprodutor), objetos móveis em geral e direitos pessoais de caráter
patrimonial e os materiais destinados a determinada construção que ainda não forem empregados e
os decorrentes de demolição de algum prédio) e Imóveis (subdivide-se em Por Sua Natureza (Art. 79
do CC – será o solo e tudo quanto se incorporar natural ou artificialmente) ou Por Força da Lei –
Arts. 80 e 81 do CC – é aquele por equiparação legal como, por exemplo, o direito de sucessão
aberta e os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem). Divide-
se em Fungíveis (que podem ser substituídos por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade) e
Infungíveis (não podem ser substituídos) – alguns bens fungíveis podem por questões subjetivas,
podem ser considerados infungíveis. Divide-se também em Consumíveis (Art. 86 do CC - importa
destruição imediata do bem) e Não Consumíveis (dura no tempo). Divide-se em Divisíveis (Art. 87
do CC – podem ser fracionados sem alteração de sua substância, diminuição considerável de valor ou
prejuízo do uso a que se destinam – Ex: café) e Indivisíveis – Art. 88 do CC - bens divisíveis podem
ser considerados indivisíveis por força da lei ou por força da vontade das partes – Ex: terra é
naturalmente divisível, mas não pode ser divisível em uma menor que uma unidade rural. Divide-se
em Singulares (Art. 89 do CC - é aquele considerado em si mesmo ou de PER SI,
independentemente de estar reunidos com outro) e Coletivos/Universalidades (só existe com outros,
que pode ser de fato (Art. 90 do CC – é a pluralidade de bens singulares pertinentes a mesma pessoa,
tenham destinação unitária) ou de direito (Art. 91 do CC – é o complexo de relações jurídicas de uma
pessoa, dotadas de valor econômico. Ex: herança);
2. Bens reciprocamente considerados: analisa os bens em relação, dividindo-se em principal (tem
existência de PER SI. Ex: carro e casa) e acessório (tem existência em função do principal. Ex: som
do carro. Subdivide-se em: FRUTOS (tem uma utilidade renovável que a coisa produz
periodicamente. Ex: Árvore que produz frutos – podem ser: naturais (produzido sem um homem),
industriais (produzido pelo homem) ou civis (frutos financeiros que geram renda, como aluguéis).
Outra divisão dos frutos: colhidos ou percebidos (foram destacados da coisa principal), pendentes
(ainda ligados a coisa principal), percipiendos (que deveria ter sido colhido, mas ainda não foi),
estantes (já foi colhido e armazenado na estante) e consumidos (colhidos e consumidos),
PRODUTOS – é uma utilidade não renovável que a coisa produz, portanto, a retirada reduz a
substância da coisa. Ex: carvão, petróleo, PERTENÇAS – Art. 93 do CC – é um bem acessório que
não sendo parte integrante, se destina de modo duradouro ao uso, serviço ou aformoseamento do
bem principal. Ex: trator da fazenda, BENFEITORIAS – Art. 97 do CC - sempre decorrerá da mão
do homem, sendo sempre artificiais, configurando melhoramentos ou acréscimos ao bem principal –
tem uma classificação que não é acordo com o valor, mas com a finalidade: voluptuárias (são
apenas para o mero deleite ou recreio e não vai aumentar o uso eventual do bem. Ex: piscina), úteis
(vai aumentar ou facilitar o uso do bem. Ex: Despensa em uma cozinha) ou necessárias (tem por
objetivo evitar que a coisa venha a se deteriorar), PARTES INTEGRANTES – é um bem que
integra ao bem principal para o seu funcionamento. Ex: lâmpada). OBS: Art. 92 do CC - Princípio da
Gravitação Jurídica ou Universal – diz que o acessório segue a sorte do bem principal, contudo, tem
exceções, são as Pertenças (Art. 94 do CC) – Ex: se comprar a fazenda, o trator não vem junto, ou
seja, não presume que venha junto.
3. Bens Públicos e Privados: varia de acordo com o titular do domínio, se for uma entidade de Direito
Público Interno será público (Art. 98 do CC), os demais serão privados, inclusive nas Estatais. Obs:
Enunciado nº 287 do CJF – também deve ser considerado o critério da afetação (destinação) do bem
para uma finalidade pública. Classificação dos bens públicos (Art. 99 do CC): uso comum do povo
(rios, mares, praças, etc), uso especial (edifícios ou terrenos) e dominical (bens de uso como objeto
de direito pessoal ou real, de cada uma dessas entidades, sendo os bens que sobram ou o resto de
bens não citados nas outras classificações).
Regime protetivo ou diferenciado dos bens públicos:
1. Inalienável – Art. 100 – uso comum do povo + uso especial, enquanto conservarem a sua
qualificação. O dominical pode ser alienado, observadas as exigências da lei;
2. Usucapidos – Art. 102 e Súm. 340/STF – não podem ser usucapido, nem o dominical.
3. Imprescritíveis – não tem prescrição ou validade.
4. Pode ser gratuito ou retribuído – Art. 103 – só para os bens de uso comum do povo, podendo ser
cobrada uma taxa, caso seja prevista em lei. Ex: banheiros públicos no RJ, Parques Ecológicos
que cobram a visitação.
TEORIA DO FATO, ATO e NEGÓCIO JURÍDICO
Classificação do Fato:
1. Material: é o que não tem nenhuma repercussão para o direito. Ex: raio caiu no mar.
2. Jurídico: é o que tem repercussão jurídica.

2.1. Natural ou Stricto Sensu: decorre da natureza. Ex:


2.1.1. Ordinário: acontece corriqueiramente. Ex: nascimento, morte, passar do tempo.
2.1.2. Extraordinário: esporadicamente. Ex: Tsunami, Furacão.

2.2. Humano ou Lato Sensu: com intervenção do homem, sendo um ATO JURÍDICO.
2.2.1. Ilícito: ilegal ou contrário ao Direito.
2.2.2. Lícito: legal.
2.2.2.1. Ato Jurídico Stricto Sensu: apesar de decorrer da vontade humana, tem todos os seus efeitos
determinados na lei (EFEITOS EX LEGEM). Ex: domicílio, reconhecimento voluntário de
filiação.
2.2.2.2. Negócio Jurídico:a conduta humana tem um espaço maior de atuação, podendo inclusive
regular as consequências do negócio jurídico (EFEITOS EX VOLUNTATE). Ex: contrato.
2.2.2.3. Ato-Fato: é uma criação doutrinária, porque começa com uma vontade humana, sendo um
ATO, mas termina como um FATO. Ex: dá um dinheiro para a criança comprar uma coisa
que não poderá adquirir por proibições legais, não abraçada pelo Direito.

NEGÓCIO JURÍDICO
Conceito: é a manifestação da vontade humana, objetivando criar, modificar, conservar ou extinguir relações
jurídicas. Ex: Contratos e Testamentos
Estudado com base em 3 planos de análise: segundo Pontes de Miranda deve ser observado como se fosse
uma escada (ESCADA PONTEANA).
1. Existência: primeiro degrau – não está regulado no CC, sendo uma criação doutrinária. Está no Plano
do SER composto pelos elementos que são somados: agente, objeto, forma e vontade exteriorizada
(Consentimento). A falta de um desses, ocasionará a inexistência do negócio jurídico.
2. Validade: segundo degrau – Art. 104 do CC - é um juízo de adequação ou pertinência, ou seja, se é
abraçado pelo Direito. Requer: agente capaz (legitimado ou capacidade do agente já estudado),
objeto lícito (Possibilidade Jurídica), possível (Possibilidade Material ou factível), determinado (é o
objeto que tem gênero, quantidade e qualidade) ou determinável (tem apenas gênero e quantidade.
Ex: 10 sacas de cacau) e forma prescrita ou não defesa em lei (a regra geral é que os negócios
tenham forma livre – Art. 107 do CC, contudo, excepcionalmente pode ter uma forma única ou
cogente ou vinculada ou determinada, que se divide em por força da vontade (Art. 109 do CC – Ex:
instrumento público) ou por força da lei (Art. 108 do CC – Ex: escritura pública)).Se for
desrespeitada a forma única, ocorrerá a nulidade absoluta do negócio (Art. 166 do CC). A doutrina
acrescenta o consentimento válido não previsto no Art. 104, que é o consentimento livre e
desembaraçado, externado de forma escrita. Obs: Art. 111 - Se o consentimento não for expresso,
sendo silente, pode ser válido, quando as circunstâncias ou os usos (costumes) o autorizarem e
não for necessária a declaração de vontade expressa.Ex: Art. 539 do CC - Doação Pura ou não
sujeita a encargo (que não pede nada em troca). Obs: tem a Teoria das Invalidades ou Nulidades -
nunca são implícitas (exigem sempre texto de lei) e não há invalidade sem prejuízo. A falta de
validade gera as nulidades absolutas (são muito severas, também chamadas só de nulidades,
normalmente ocorrendo para os incapazes absolutos) e relativas (são menos severas, também
chamadas de anulabilidades, normalmente ocorrendo para os incapazes relativos). Para cada tipo de
invalidades tem as hipóteses e características: Nulidades Absolutas – Hipóteses: Art. 166 e 167 do
CC:
“Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;
IV - não revestir a forma prescrita em lei;
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção.
Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na
substância e na forma.”
Características das Nulidades Absolutas:
- atinge interesse público superior,
- Pode ser arguida pelas partes, MP, terceiro interessado e o juiz de ofício (contudo, em razão do Art.
10 do CPC, o juiz antes da decisão deve conceder o contraditório. Corroborado pelo parágrafo único
do Art. 168 do CC – pode conhecer, mas não pode supri-la).
- A ação declaratória de nulidade tem efeitos“extunc” e desconstrói o ato, desde o seu nascedouro.
- Não tem prazo de arguição, nem prescricional ou decadencial, podendo ser a qualquer tempo.
- Não admite confirmação (ratificação ou saneamento ou convalidação), mas pode admitir conversão
(Arts. 169 e 170 do CC)
Anulabilidades Relativas – Hipóteses: Art. 171 do CC:
“Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico:
I - por incapacidade relativa do agente;
II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores.”
Características das Anulabilidades Relativas:
- atinge interesse particular.
- Somente pode ser arguida pelos legítimos interessados.
- Tem prazo decadencial de arguição da anulabilidade que pode ser de 4 anos (art. 178 do CC) ou 2
anos (Art. 179 do CC – quando a lei não fixa o prazo. Ex: Art. 496 do CC – venda de imóvel de
ascendente para descendente que exige consentimento de todas as partes da família, mas não fixa
prazo)
Obs: Princípio da Conservação dos Atos – Art. 112 do CC – na declaração de vontade, se atenderá
mais a intenção do que literalidade da lei. Formado por 3 diretrizes: conversão substancial (é
decidido pelo juiz a conversão para um instrumento correto aproveitando a intenção - Art. 170 do CC
e Enunciado nº 13 do CJF–tem que ter um requisito subjetivo (aproveitamento da manifestação de
vontade original) e um objetivo (aproveitamento dos elementos materiais originários). Ex: Título de
crédito sem todos os requisitos, compra e venda sem contrato, convertendo-o para a Promessa de
Compra e Venda), convalidação (outros nomes: saneamento, ratificação ou confirmação – pode ser
expressa ou tácita) e Redução do Negócio Jurídico (buscará uma invalidade parcial do defeito na
parte acessória – Art. 184 do CC).
Obs: se o negócio é existente e válido, então produzirá os seus efeitos.
3. Eficácia: último degrau–tem como elementos acidentais/acessórios/secundários com 3 elementos que
funcionam como fatores de autolimitação aos efeitos do negócio: condição (Art. 121 – é o evento
futuro e incerto que deriva exclusivamente da vontade das partes envolvidas no negócio e
subordinará os efeitos do negócio, podendo ser ainda SUSPENSIVA (Art. 125 - enquanto não
implementada, fica suspenso os efeitos do negócio tanto da aquisição quanto do exercício do direito -
ou RESOLUTIVA – Arts. 127 e 128 - o negócio já produz efeitos de plano (pronto ou logo) e
quando implementada a condição o negócio se resolve ou extingue, sendo automática e não precisa
de notificação ou interpelação, tendo efeitos ex nunc. Existe a Condição Puramente Potestativa que
subordina os efeitos do negócio jurídico ao puro arbítrio de uma das partes, sendo, portanto, ilícita –
Ex: emprestar um carro dizendo sob a condição de não usá-lo. Tem também a Condição
Simplesmente/Meramente Potestativa que atrela os efeitos do negócio jurídico a um fator exterior,
sendo lícita. Ex: premiação a atletas esportivos, caso consiga a medalha), Termo (é um evento futuro
e certo. Pode ser inicial ou “a quo” que é aquele que marcará o início do exercício de um direito. Já o
final será “ad quem” marcará o término do exercício de um direito – o lapso de tempo entre os dois
termos, chama-se prazo, conforme o Art. 132 do CC – excluindo o dia do começo e incluído o
vencimento, prorrogando se não cair em dia útil. Art. 133 do CC – se presume o termo do testamento
para o herdeiro e o do contrato para o devedor) e Modo ou Encargo (é o ônus que haverá de ser
cumprido pela parte para que tenha um benefício que se entenda superior. Ex: dou o meu carro, caso
você transporte os meus filhos para a escola por 3 anos. Art. 136 – o encargo não suspende a
aquisição nem o exercício do direito).
REGRAS INTERPRETATIVAS DO NEGÓCIO
Tipos:
1. Boa fé (REGRA DE OURO DA INTERPRETAÇÃO DOS NEGÓCIOS): pode ser subjetiva (se liga
a psique do indivíduo – surgiu na Roma Antiga com o nome “Bona Fides”) e objetiva (se liga a uma
boa fé externa, derivada do Direito Civil Alemão, chamada de “Treuund Glauber”, que significa
lealdade e confiança. Previsão: Arts 113 e 422 do CC. Tem 3 funções principais: interpretativa
(devem ser interpretados e executados de acordo com a boa fé), integrativa (ela decorre do Art. 422
do CC e Enunciado nº 24 do CJF, onde todo negócio jurídico tem deveres que são anexos e
independe de previsão contratual expressa – implícitos/laterais/satelitários/de conduta. Ex: dever de
informação no contrato, dever de assistência técnica, de zelo, o de mitigação por parte do credor das
perdas/prejuízos (DutytoMitigatetheLoss ou dever do credor de mitigar as próprias perdas)) e
restritiva ou limitadora (o poder judiciário com base na boa fé pode revisar o contrato para limitar
os seus efeitos. Ex: taxas abusivas no contrato para adequá-lo a boa fé). A Boa Fé não só acontece na
celebração e execução do instrumento do negócio jurídico, mas atinge também antes (pré-contrato) e
depois (pós-contrato) da execução contratual (Enunciados nº 25 e 170, ambos do CJF);
2. Art. 112 – nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção do que ao sentido literal da
linguagem;
3. Art. 114 – os negócios jurídicos benéficos (gratuito – Ex: Doação, Contrato de Fiança (Art. 829 CC e
Súm. 214/STJ) e Transação (acordo – Art. 843 CC) e a renúncia interpretam-se estritamente
(interpretação restritiva).
DEFEITOS OU VÍCIOS DO NEGÓCIO JURÍDICO
Tipos:
1. Consentimento ou Vontade: erro (ou ignorância – diz respeito a uma percepção equivocada da
realidade que é cometido sozinho – Art. 138 – gera anulação do negócio somente se for um erro
substancial/principal/essencial e percebido por verificação de pessoa normal. Obs: Art. 142 – o erro
acessório/secundário/acidental diz respeito à indicação da pessoa ou coisa cogitada que não viciará o
negócio e não tem consequência nenhuma para o direito. Obs: Art. 139 – modalidades de erro
principal: erro sobre o negócio (tipo de negócio – error in negotio – Art. 140 – o falso motivo só
vicia (ou anula) o negócio quando estiver expresso como causa determinante), erro sobre o objeto
(error in corpore - qualidade ou quantidade), erro sobre a pessoa (error in persona – qualidades
essenciais ou identificação da pessoa) e erro sobre o direito (error in lures – não é negativo quanto à
aplicação da lei ou desconhecimento da lei, mas é um equívoco sobre o seu alcance)), dolo (Art. 145
– é o induzimento malicioso para que alguém pratique um ato contra a sua vontade. Gera a anulação
do negócio jurídico quando é a causa principal, substancial, determinante. O Dolo acessório,
secundário ou acidental ocasionará perdas e danos, diferente do erro acessório que não causa efeitos
jurídicos. Modalidades: negativo ou por omissão (silêncio intencional para induzir a contraparte a
praticar um ato contra a sua própria vontade. Ex: contrato de seguro), decorrente da conduta de
terceiro (Art. 148 – se a parte em que aproveita o dolo, soubesse ou devesse saber da conduta do
terceiro, deverá ser anulado, a parte prejudicada poderá pleitear perdas e danos), do representante
legal ou convencional/voluntária (art. 149 – se for legal, o representado apenas responderá na
medida do seu proveito econômico, mas se for convencional, o representado responderá
solidariamente) – Art. 150 - o dolo recíproco ou bilateral não tem decorrência jurídica porque
ninguém pode se aproveitar da sua própria torpeza), coação moral (é a pressão ou ameaça ou terror
emocional ou psicológico para que pratique um ato contra a sua própria vontade – poderá ocorrer
anulação do ato, desde que atenda a alguns requisitos: a coação seja a causa do ato ou razão
determinante, haverá de ser grave causando um temor de dano sério, tem que ser injusta ou ilícita ou
contrária a lei, tem que ser iminente ou atual e se for praticada contra a vítima e seus bens e parentes
da vítima e seus bens e terceiros e seus bens. Art. 154 e 155 – pode decorrer da intervenção de
terceiro, tendo o prejudicado o direito de pedir perdas e danos em face da parte que aproveita e do
terceiro e responderão solidariamente), lesão (Art. 157 – objetiva promover a justiça contratual onde
o dano não é conhecido pela outra parte e envolve bens patrimoniais. Tem dois requisitos: objetivo (é
a manifesta desproporção entre as parcelas pactuadas verificadas no momento da celebração do
negócio jurídico) e subjetivo (premente necessidade ou inexperiência. O resultado do CC é a revisão
de forma preferencial do ato prevista no § 2º ou anulação em último caso – Arts. 171 e 178. Os
requisitos da lesão não se presumem)), estado de perigo (Art. 156 – é a aplicação do estado de
necessidade aos defeitos do negócio jurídico, gerando um grave dano conhecido pela outra parte e
envolve um risco pessoal. Ex: cheque caução em emergência médica, embarcação naufragando e
chega outra embarcação para salvar e um sujeito condiciona o salvamento ao pagamento de uma
quantia. Com relação a um terceiro, tem que se analisar as circunstância dos atos. Os resultados são
sempre a anulação do ato conforme arts. 171 e 178). Todos os tipos de vícios de consentimento
causam nulidade relativa.
2. Sociais: fraude contra credores (causa nulidade relativa – requisitos somados: anterioridade do
crédito (só pode fraudar o que já existe), dano ao credor (EventusDamni - não é qualquer ato do
devedor que gera dano ao credor, mas aquele que gera a insolvência ou aprofunde-a), má-fé
(Consilium Fraudis – é a intenção de lesar e nos atos gratuitos, teremos uma presunção. Ex:
Remissão ou perdão, doação. O resultado é a Ação Pauliana, que objetiva a anulação do ato no prazo
decadencial de 4 anos, voltando a esfera do devedor, para depois ser executado no concurso de
credores e nem sempre recebe recursos, melhorando apenas a situação dos credores)) e simulação
(causa nulidade absoluta – é uma declaração enganosa de vontade que pode ser de 2 modalidades:
absoluta (chamada só de simulação – gera nulidade absoluta – objetivo é burlar a lei fazendo um ato
sem objetivo claro. Ex: Caio casado com Ana e o relacionamento vai mal e nota que o divórcio está
próximo, então começa a transferir os seus bens por doações, mas continua usando os imóveis, faz só
a transferência no papel) e relativa (será chamada de dissimulação – tem que fazer uma análise – é
um ato simulado de fachada cujo objetivo é acobertar um ato dissimulado, cuja conseqüência
demanda análise. Ex: Caio casado com Ana que tem um amante e Ana simular uma compra e venda
e deixa acobertada uma doação – Art. 167 do CC)).
Obs: Art. 110 do CC – Definição de RESERVA MENTAL: é quando uma das partes deixa escondida a sua
intenção de não cumprir com o pactuado. A conseqüência será nenhuma para o Direito. O que tiver
conhecimento não poderá exigir o cumprimento da obrigação. Ex: um cão de estimação desapareceu e
distribuo cartazes com o pagamento de R$ 300,00 se acharem o cachorro, mas com a intenção de nunca
pagar a quantia, mesmo que alguém descubra a minha intenção, não vou ter conseqüências.
Obs: A responsabilidade civil no Brasil é patrimonial, portanto, o devedor responde com o seu patrimônio
que é o domicílio da garantia do crédito.

PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA
Tempo – é um fato jurídico natural ordinário ou corriqueiro.
Definição: São perdas em função do decorrer do tempo.
Prescrição: Art. 189 do CC – é a perda de uma pretensão (é a possibilidade de coercitivamente exigir de
outrem o cumprimento de um determinado direito) em virtude do passar do tempo relativa a um direito
subjetivo, patrimonial e disponível remanejado através de uma Ação Condenatória.
Obs: existem pretensões imprescritíveis que são ajuizadas através de uma Ação Declaratória. Ex: Direito
de ser filho de meu pai, sou filho, mas o pai nunca reconheceu os meus direitos.
Obs: Em cada processo tem a soma de pretensões como no caso de Petição de Filiação (imprescritível) c/c
Petição de Herança (não é imprescritível)
Prazos Prescricionais: Arts. 205 (se a lei não falar são 10 anos) e 206 (prescrição especial – vai de 1 a 5
anos, dispostos em cada parágrafo do 1º ao 5º). Contudo, pode acontecer uma causa impeditiva (Arts. 197,
198 e 199 – é preexistente ao nascimento da pretensão, portanto, impedi o início do prazo) ou suspensiva
(mesmas da impeditiva, só que ocorre depois de já ter começada a pretensão, ou seja, em curso,
suspendendo-a) ou interruptiva (Arts. 202 a 204 – é aquela que quando atinge o processo, provoca o início
do prazo prescricional, ou zera o prazo, provocando a recontagem da prescrição, só acontecendo uma única
vez a pedido de qualquer interessado).
Exceção: acontece quando você argui um direito em defesa na inicial ou na contestação. O prazo
prescricional é o mesmo.
Momento: Art. 193 - em qualquer grau de jurisdição pela parte que aproveita.
Não corre a prescrição: Art. 195 – contra absolutamente incapaz.
Corre a prescrição até para os seus sucessores: Art. 196.
“Art. 205. A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor.
Art. 206. Prescreve:
§ 1o Em um ano:
I - a pretensão dos hospedeiros ou fornecedores de víveres destinados a consumo no próprio
estabelecimento, para o pagamento da hospedagem ou dos alimentos;
II - a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele, contado o prazo:
a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder à
ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do
segurador;
b) quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da pretensão;
III - a pretensão dos tabeliães, auxiliares da justiça, serventuários judiciais, árbitros e peritos, pela
percepção de emolumentos, custas e honorários;
IV - a pretensão contra os peritos, pela avaliação dos bens que entraram para a formação do capital de
sociedade anônima, contado da publicação da ata da assembléia que aprovar o laudo;
V - a pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas e os liquidantes, contado o prazo da
publicação da ata de encerramento da liquidação da sociedade.
§ 2o Em dois anos, a pretensão para haver prestações alimentares, a partir da data em que se vencerem.
§ 3o Em três anos:
I - a pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos;
II - a pretensão para receber prestações vencidas de rendas temporárias ou vitalícias;
III - a pretensão para haver juros, dividendos ou quaisquer prestações acessórias, pagáveis, em períodos
não maiores de um ano, com capitalização ou sem ela;
IV - a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa;
V - a pretensão de reparação civil;
VI - a pretensão de restituição dos lucros ou dividendos recebidos de má-fé, correndo o prazo da data em
que foi deliberada a distribuição;
VII - a pretensão contra as pessoas em seguida indicadas por violação da lei ou do estatuto, contado o
prazo:
a) para os fundadores, da publicação dos atos constitutivos da sociedade anônima;
b) para os administradores, ou fiscais, da apresentação, aos sócios, do balanço referente ao exercício em
que a violação tenha sido praticada, ou da reunião ou assembléia geral que dela deva tomar conhecimento;
c) para os liquidantes, da primeira assembléia semestral posterior à violação;
VIII - a pretensão para haver o pagamento de título de crédito, a contar do vencimento, ressalvadas as
disposições de lei especial;
IX - a pretensão do beneficiário contra o segurador, e a do terceiro prejudicado, no caso de seguro de
responsabilidade civil obrigatório.
§ 4o Em quatro anos, a pretensão relativa à tutela, a contar da data da aprovação das contas.
§ 5o Em cinco anos:
I - a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular;
II - a pretensão dos profissionais liberais em geral, procuradores judiciais, curadores e professores pelos
seus honorários, contado o prazo da conclusão dos serviços, da cessação dos respectivos contratos ou
mandato;
III - a pretensão do vencedor para haver do vencido o que despendeu em juízo.”
DECADÊNCIA OU CADUCIDADE
É a perda de um direito potestativo em virtude do passar do tempo e relacionado a uma ação constitutiva
positiva ou negativa.
Obs: Art. 192 – na prescrição os prazos legais e não podem ser alterados pela vontade das partes. Já na
decadência, que pode ser legal (estabelecida em lei – Art. 178 e 179 do CC) ou convencional, somente a
convencional pode ser alterado, como no caso de contratos.
Obs: Art. 191 – na prescrição é permitida a renúncia por ser uma matéria de defesa, mas na decadência, não
existe renúncia na decadência legal (Art. 209), já na convencional pode ser renunciada.
Obs: Arts. 210 e 211 e 487 do CPC – na prescrição pode ser declarada de ofício em qualquer grau ou
circunstância, já na decadência, se for legal, deve o juiz conhecê-la de ofício, se convencional, a parte a
quem aproveita pode alegá-la em qualquer grau de jurisdição, mas o juiz não pode supri-la.
Obs: Arts. 195, 198 I, 207 e 208, todos do CC: o prazo prescricional pode ser interrompido, suspensa ou
interrompida, mas na decadência, salvo prevista na lei (para o absolutamente incapaz), isso não acontece.

DIREITO DAS OBRIGAÇÕES


Conceito: é uma relação jurídica travada entre o credor e o devedor, girando em torno de uma prestação.
Elementos das obrigações:
1. Subjetivo: credor (sujeito ativo) e devedor (sujeito passivo)
2. Objetivo: prestação de 2 tipos: DAR, FAZER ou NÃO FAZER, utilizando a boa-fé, lealdade e
confialidade.
3. Virtual ou Espiritual: vínculo com uma vontade livre. Adotou a Teoria Dualista com dois elementos:
Débito/Debitum/Schuld e Responsabilidade do Pagamento/Obligatio/Haftung.
CLASSIFICAÇÕES DAS OBRIGAÇÕES DE ACORDO COM A TEORIA DUALISTA
1. Civil: é a soma de um débito + responsabilidade do pagamento. A responsabilidade civil é um dever
sucessivo originário de não causar dano a outrem e se causar dano de repará-lo.
2. Natural: não tem exigibilidade, mas tem um débito. Ex: Prescrição, empréstimo de mútuo ou de
consumo quando praticado por um menor.
3. De Garantia: tem a responsabilidade do pagamento, contudo, não tem o débito. Ex: Fiança (o fiador
assume uma responsabilidade sem que ainda haja um débito), Pais em relação aos filhos.
TODA OBRIGAÇÃO SURGE DA VONTADE?
Não, porque a Obrigação Propter Rem surge em razão da coisa ou da titularidade de um direito real (mas
não é Direito Real). Não significa apenas uma prestação pecuniária, mas pode ter uma AÇÃO DE DAR,
FAZER ou NÃO FAZER.
Ex: Condomínio adquirido com taxas em atraso que deverá ser arcada pelo novo, mesmo não sendo ele que
causou. Adquirir uma fazenda com problemas ambientais, onde o novo deverá reparar o dano causado não
por ele.
MODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES
Classificações:
1. Básica
1.1. Obrigação de Dar: coisa certa ou incerta (positiva)
1.2. Obrigação de Fazer: impor tarefa (positiva)
1.3. Obrigação de Não Fazer: ocorre uma abstenção (negativa)
2. Especial: prevista no CC/02
2.1. Obrigação Alternativa
2.2. Obrigação Divisível: são para bens divisíveis que suportam fracionamento em razão do valor
do bem (Art. 285 do CC). Tem pluralidade de devedores ou credores, ou ambos. Existe uma
presunção de divisão em partes iguais (CONCURSU PARTES FIUNT). Cada devedor
responde por sua parte.
2.3. Obrigação Indivisível: não suportam fracionamento. Art. 259 do CC - Todos os devedores
respondem por toda a dívida e se um pagar tudo, poderá cobrar dos outros devedores por sub-
rogação do direito do credor, a quantia já paga. Art. 263 do CC – perde a qualidade de
indivisível aquela Ação de Obrigação que se converter em perdas e danos.
2.4. Obrigação Solidária: pode ser ativa (Art. 267 c/c 268 do CC – é a pluralidade de credores
com um devedor, onde a dívida inteira poderá ser cobrada por um credor ou todos os credores
aodevedor e este poderá efetuar o pagamento a quem desejar e como desejar a qualquer um
dos credores, antes de eventual demanda. Se foi proposta ação de cobrança, o devedor só
poderá pagar ao credor que demandou a ação), passiva ou mista. Estão todos obrigados a
dívida toda, já que é indivisível o objeto, contudo, se previsto em lei pode existir em objetos
divisíveis (REFRAÇÃO DO CRÉDITO) (Art. 263 – quando houver a conversão em perdas e
danos a dívida será solidária – isso só serve para obrigações indivisíveis, não se aplicando nas
solidárias), art. 271 (subsiste a solidariedade, mesmo que a dívida seja convertida em perdas e
danos, inclusive na forma solidária), art. 272 (no caso de perdão ou remissão, onde o devedor
não pagará a dívida do que foi perdoado aos outros credores) e art. 273 (acontece quando um
dos credores aplicou a coação do devedor para realizar um negócio jurídico (uma das
exceções pessoais), neste caso o devedor só poderá se defender perante o credor que lhe
efetuou a coação e não a todos os credores)e art. 274 alterado pelo Art. 1068 do CPC/15 (o
julgamento contrário a um dos credores não atinge os demais, mas o julgamento favorável
aproveita a todos os outros credores) do CC. Ela não é presumida, pois advém da lei ou
das partes. Se um dos devedores pagar tudo, ocorre a sub-rogação do credor para cobrar dos
outros devedores.
Na solidariedade passiva (Art. 275 do CC) ocorre a pluralidade de devedores e um credor,
onde todos os devedores pagarão a sua quota parte, inclusive no caso de morte pelos
herdeiros (Art. 276 - REFRAÇÃO DO DÉBITO).Art. 277 – a quantia paga por um dos
devedores se aproveita até o valor da quantia paga. Art. 278 – Princípio da Relatividade da
Obrigação ou RES INTER ALIOS ACTA/Princípio da Relatividade dos Efeitos do Contrato
– qualquer cláusula adicional feita com um dos devedores deve ser consentida pelos outros
devedores. Art. 279 – por perdas e danos, só o culpado responde (responsabilidade subjetiva).
Art. 280 – todos respondem por juros de mora, ainda que a ação tenha sido proposta apenas
para um dos devedores, mas o culpado responde aos outros pela obrigação acrescida. Art. 281
– exceção pessoal e a exceção comum a todos (Ex: alegação de prescrição) pode ser
aproveitada por todos.
OBRIGAÇÃO DE DAR
Tipos de obrigações de coisas certas:
1. Transferir o Bem ou Stricto Sensu – Arts. 233 ao 237do CC – cumprir a transferência da compra e
venda, inclusive com os acessórios, onde se aplica o Princípio da Gravitação Jurídica que sustenta a
idéia de que o acessório seguirá o principal, caso não seja decidido de forma adversa pelas partes.
Art. 313 do CC – trabalha com o Princípio da Exatidão ou da Correspondência do Pagamento, ou
seja, o credor não é obrigado aceitar uma prestação diversa da que foi pactuada, exceto no caso da
Dação em Pagamento preconizada no Art. 356 do CC.
PERDA DO BEM - se ocorreu a perda da coisa, deve se analisar se houve culpa ou não, porque o CC
utiliza a responsabilidade subjetiva:
- Art. 234 - sem culpa do devedor antes da tradição:resolvida a obrigação, sendo arcado pelo devedor
o valor do bem perdido em caso fortuito ou força maior ecom perca do valor adiantado pelo credor,
se houver;
- Art. 235 – com culpa do devedor antes da tradição: terá perdas e danos + valor do bem
(equivalente).
Aplica-se o RES PERIT DOMINO – a coisa se perde para o dono.
Obs: quem sofrerá a perda do bem é o devedor ou vendedor, no caso da perca do bem antes da
tradição, que perderá o valor do bem perdido e do credor, no caso do valor adiantado. Sendo o
devedor e credor em situação invertida na obrigação.

DETERIORIZAÇÃO – analisasse também a culpa do devedor:


Art. 235 - sem culpa do devedor- poderá o credor resolver a obrigação ou aceitar a coisa deduzida do
valor da deteriorização.
Art. 236 – com culpa do devedor - poderá aceitar a coisa do jeito que está ou reclamar em outra ação,
indenização por perdas e danos.

2. Restituir – Arts. 238 ao 242 do CC– devolução do bem ao seu titular. Tem que verificar a culpa:
PERDA DO BEM:
- Art. 238 - sem culpa do devedor antes da tradição:resolvida a obrigação, sendo arcada pelo credor.
(RES PERIT DOMINO)
- Art. 239 - com culpa do devedor antes da tradição: equivalente + perdas e danos.
Obs: quem sofrerá a restituição do bem perdido é o credor, no caso da falta de restituição do valor
adiantado, antes da tradição. Sendo o devedor e credor em situação invertida na obrigação.

DETERIORIZAÇÃO: Arts. 240 e 241 – igual ao previsto nosarts. 235 e 236

3. Contribuir – em situações de rateio de despesa. Ex: Condomínio, Cônjuges no casamento.


4. Solver dívidas em dinheiro – pagamento em dinheiro. Ex: Contas de luz, água, cartão de crédito.

Tipos de obrigações de coisa incerta ou genéricas (Art. 243): em que o bem pode ser substituído e
expressado em gênero e quantidade. Ex: 1 kg de tomate, 400 sacas de café, 10 vacas. A escolha é o
momento da concentração da prestação ou do débito. Quem cabe a escolha é o devedor. (FAVOR
DEBITORIS)
OBRIGAÇÃO DE FAZER
Tipos:
1. Personalíssima: infungível (INTUITU PERSONAE) – Art. 247 – não pode substituir o devedor
(prestador do serviço). Se o devedor se recusa a cumprir a obrigação ou por sua culpa se tornou
impossível a sua conduta, responde por perdas e danos.
2. Não personalíssima: Art. 249 – que pode ser substituído o devedor. Se o devedor se recusa a cumprir,
poderá o credor optar em reclamar indenização por perdas e danos ou mandar executar às custas do
devedor. Neste caso, é possível a autotutela civil nas obrigações fungíveis, desde que haja urgência
(parágrafo único do Art. 249 do CC). Se não for urgente e for executado o serviço por outro devedor,
será configurado um abuso de direito.
Outra classificação:
1. Meio: o devedor utiliza todos os esforços, mas não se compromete com o resultado. Ex: Serviços
Advocatícios em geral.
2. Resultado ou Fim: se compromete com o resultado. Ex: Cirurgias Estéticas.
OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER
Tipos:
1. Pautada na lei – Ex: Uso indevido da Propriedade (Atos emulativos)
2. Pautada entre as partes – Ex: perfumista obrigado ao dever de sigilo.
Obs: É possível se falar em autotutela civil prevista no art. 251 no parágrafo único, desde que configurada a
urgência.
OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS OU DISJUNTIVA
Obs: Difere da CONJUNTIVA/CUMULATIVA (o devedor deve cumprir todas as prestações para resolver a
obrigação, sendo o outro tipo de obrigação composta) e da FACULTATIVA (o devedor tem a faculdade de
escolha da obrigação, sendo uma obrigação simples e não composta desde o seu início. Ela não é
estabelecida no CC/02, mas utilizada pela Doutrina. Um exemplo é quando o devedor se resguarda de
entregar outra coisa no vencimento da dívida, mas o credor consente receber esta outra coisa, mesmo antes
do vencimento da dívida. Obs: não é o caso de Dação em Pagamento, porque tem que necessariamente tem
que ter vencida a dívida, para receber a outra coisa. Não existe concentração do débito e quando acontece
um problema em uma das prestações, ocorre a resolução da obrigação).
Definição: é um dos tipos de obrigação composta, onde existem mais de um elemento prestacional desde o
seu início. Se o devedor cumpre com quaisquer das prestações, ele se exime do dever obrigacional.
Obs: Concentração do Débito: é quando na obrigação uma das obrigações passa a ser a oficial, por não
poder ser feita a outra prestação por perda ou impossibilidade. Vale nas obrigações compostas, tanto
Disjuntiva como Conjuntiva.
ESCOLHA – Art. 252 do CC/02
Definição: é o momento de concentração do débito. Regra Geral: em favor do devedor (FAVOR
DEBITORIS)
Art. 254 e 255 do CC - Se uma ou todas as prestações não podem ser cumpridas – tem que olhar se
relaciona-se ao devedor ou credor. Se for ao devedor, subsiste a outra prestação e se for ao credor, sem culpa
do devedor, subsiste a outra prestação, contudo, se houver culpa do devedor, o credor poderá exigir a
prestação subsistente ou o valor em dinheiro da prestação impossibilitada (últimas não cumpridas), acrescida
de perdas e danos. Se todas forem impossíveis, estará resolvida a obrigação se não for culpa do devedor,
mas se for com culpa, cabe ao credor solicitar o valor das prestações que faltam mais perdas e danos.
TIPOS DE PAGAMENTO DAS OBRIGAÇÕES:
1. Pagamento
2. Consignação em Pagamento
3. Dação em Pagamento
4. Confusão
5. Compensação
6. Novação
7. Cessão
PAGAMENTO
Pagamento Direto: tem os elementos subjetivos (quem paga é o devedor e quem recebe é o credor) e os
elementos objetivos (o que se paga e como paga)
Quem paga? Normalmente, é o devedor ou Solvens, mas outra pessoa pode pagar por ele, ou seja, um
terceiro (Art. 304 e seguintes do CC) – quando um terceiro paga, ele se sub-roga no direito creditício. Pode
ser interessado (avalista, fiador – se sub-roga no direito creditício) ou não interessado (não tem interesse
jurídico, mas afetuoso, que fica com o direito do reembolso e não creditício – Ex: pai ou mãe que paga
dívida do filho). (Súm 549/STJ)
Quem Recebe? Normalmente, é o credor (Art. 308 e ss do CC) ou Accipiens ou alguém que o represente.
Obs: se o credor for putativo (imaginário), o pagamento se for de boa fé, será válido.
O que se paga? – Art. 313 do CC – o credor não é obrigado a aceitar uma prestação diversa ainda que seja
mais valiosa – Princípio da Exatidão ou Correspondência do Pagamento. Art. 314 – Princípio da Identidade
Física da Prestação – mesmo sendo divisível não pode ser o credor obrigado a receber nem o devedor a
pagar em parte, salvo se tiver disposição expressa no contrato. Art. 315 do CC – Princípio do Nominalismo
– nas obrigações pecuniárias as dívidas em dinheiro devem ser pagas em moeda nacional corrente e pelo
valor nominal – observar a referência do Art. 318 do CC, que dispõe quando não for observado o previsto no
Art. 315 do CC, ela será nula, ou seja, se for pago em ouro (CLÁUSULA OURO) ou moeda estrangeira
(OBRIGAÇÃO VALUTÁRIA), será nulo o pagamento. Art. 316 do CC – Claúsula de Escala Móvel ou
Cláusula de Escalonamento – é lícito convencionar aumento progressivo das prestações sucessivas. Art. 317
c/c Art. 478 (acrescenta os fatos ou motivos extraordinários) do CC – é uma exceção ao Princ. Do
Nominalismo – por fato imprevisível pode ocorrer uma diferença entre a prestação devida e a do momento
da execução, onde o juiz pode corrigir para que assegure o valor real da prestação, que é uma revisão do
contrato por fato superveniente imprevisível que se soma a uma onerosidade excessiva – representa a Teoria
da Imprevisão.
Como se paga? Art. 320 do CC – Elementos da quitação:
1. Valor expresso da obrigação
2. Especificidade da dívida quitada
3. Identificação do devedor ou de quem esteja em seu lugar
4. Tempo e Lugar do pagamento
5. Assinatura do Credor ou seu representante dando a quitação total/parcial.
O pagamento pode ser iniciado com um princípio de pagamento ou sinal, são no CC chamado de Arras –
Arts. 417 ao 420 do CC. As arras pode ser:
1. Confirmatórias: Arts. 418 e 419 – não cabe o arrependimento, sendo cabível uma indenização
suplementar. Ex:
2. Penitenciais: Art. 420 – cabe o arrependimento e deve ser expresso no Contrato (não é Juris Tantum
ou presumido), não sendo cabível indenização suplementar, por expressa previsão legal.
Obs: todas as arras adotam uma regra geral: SE AQUELE QUE DEU ARRAS VIER A DESISTIR DO
CONTRATO, AQUELE QUE AS RECEBEU PODERÁ:
1. DESFAZER O CONTRATO; ou
2. RETER O VALOR.
PORÉM, SE FOR AQUELE QUE RECEBEU ARRAS E VIER A DESISTIR DO CONTRATO,
PODERÁ AQUELE QUE DEU O SINAL:
1. DESFAZER; ou
2. PEDIR O VALOR DE VOLTA; ou
3. PEDIR O VALOR + O EQUIVALENTE PARA COBRIR O PREJUÍZO COM INDENIZAÇÃO
(Art. 419 do CC) (Art. 420 do CC – quando ocorre arrependimento expresso, não cabe indenização
suplementar, portanto, esse item 3 não poderá ser uma das opções, no caso de arras penitenciais).
REGRAS ESPECIAIS DE PAGAMENTO
São atos unilaterais:
1. Pagamento em Consignação: está vinculado a uma obrigação de DAR, ou seja, um depósito feito
pelo devedor para que seja liberada a obrigação assumida (exonerar do liame obrigacional, afastando
as hipóteses de inadimplemento – Art. 334 e ss do CC. No Art. 335 tem um rol exemplificativo
segundo o STF. Art. 336 – requisitos de validade da consignação) diante do credor, podendo ser na
esfera judicial ou extrajudicial (feito no banco) e quando ocorre negativa por parte do credor (mora
do credor).
2. Imputação do Pagamento: é atribuir/indicar/apontar que pagamento será realizado – Arts. 352 e ss do
CC – elementos: identidade de devedor e credor, existência de dois ou mais débitos de mesma
natureza, dívidas líquidas e vencidas e certas quanto a existência. Quem realiza em regra é o
devedor, mas será pelo credor quando o devedor se quedar silente (Art. 353 do CC) e, por fim, se o
devedor ou credor não se manifestarem, será feito por uma norma jurídica.
3. Sub-rogação legal: é a substituição de uma coisa por outra (SUBROGAÇÃO REAL – Art. 346 –
pode ser a LEGAL (Art. 346 – envolvem pagamentos por terceiros interessados na dívida) ou
CONVENCIONAL (Art. 347 – envolvem pagamentos por terceiros não interessados na dívida)) com
os mesmos ônus e atributos ou substituição de uma pessoa por outra (SUBROGAÇÃO PESSOAL)
que terá os mesmos direitos e ações.
Formas de pagamento indireto que são atos bilaterais conhecidos como negócios jurídicos:
1. Dação em Pagamento: é um recebimento de uma prestação diversa da que foi pactuada, não sendo a
substituição de uma obrigação por outra. Elemento principal: deve ter consentimento expresso do credor. O
objeto pode ser uma prestação qualquer, portanto, não precisa ser bem móvel por bem móvel, imóvel por
imóvel. Em dinheiro não é permitido em dinheiro, porque não se configurará uma Dação em Pagamento,
somente bens móveis e imóveis e também fatos e abstenções. Não pode ser confundida com Novação Real
que é a criação de uma nova obrigação acabando com a anterior. Obs: Art. 359 – a evicção (previsão nos
Arts. 447 ao 457 – é a perda do bem por sentença ou apreensão administrativa) pode afetar brutalmente a
Dação em Pagamento, perdendo o bem e as partes retornaram ao status primitivo ou a quo.
2. Novação: é a extinção da obrigação anterior para a criação de uma nova – Arts. 360 e ss – sendo o
efeito principal: é a extinção da obrigação primitiva com todos os acessórios e garantias (caso não tenha
estipulação em contrário no contrato). Pode ser: parcial (acordo pelas partes) ou total (regra geral).
Elementos essenciais: obrigação anterior, obrigação nova, intenção de novar (animus novandi). Portanto,
não se pode aplicar a novação em obrigações nulas ou extintas (Art. 367 do CC), contudo, se for anulável,
pode ser confirmada pela novação como, por exemplo, convalidação do negócio em caso de anulabilidade
(Princ. Da Conservação do Negócio Jurídico). Espécies:
- Real ou Objetiva: modalidade mais comum por contração de nova dívida;
- Subjetiva ou Pessoal: criação de um novo sujeito na relação obrigacional por sucessão, sendo
passiva (do devedor – Art. 360 II – pode ser por expromissão (Art. 362 II – não existe o
consentimento do devedor) ou por delegação (ocorre o consentimento do devedor originário)) ou
ativa (Art. 360 III - credor).
Obs: Ocorrida a novação, segundo o STJ, é possível discutir quando se dá a caracterização de
oneração excessiva.
3. Compensação: Art. 368 do CC - 2 ou + pessoas forem ao mesmo tempo credoras e devedoras, onde
duas obrigações são extintas até o ponto em que se encontrarem. Elementos:
- Obrigações certas quanto a existência e determinadas quanto ao valor, ou seja, líquidas;
- Obrigações vencidas ou atuais podendo ser cobradas;
- Constituídas por coisas substituíveis ou fungíveis/consumíveis (dinheiro).
4. Confusão: quando estão na mesma pessoa a figura do credor e devedor. Se dá por ato intervivos ou por
causa mortis.
5. Remissão: é o perdão da dívida.
Lugar do Pagamento: onde se paga a quantia devida (Art. 327 do CC) – diante da possibilidade de as
partes pactuarem o local antes do pagamento. Não sendo pactuado, o pagamento será feito no local
(domicílio) do devedor (quérable/quesível) como regra geral do CC e se for no domicílio do credor
(portable/portável). Se houver vinculação com um imóvel, dar-se-a no local onde o imóvel está situado. Art.
329 – se houver grave motivo, o pagamento pode ser em outro local, sendo uma flexibilização do PACTA
SUNT SERVANDA. Art. 330 do CC – trabalha o supressio (é a supressão ou redução do conteúdo
obrigacional, em razão da inércia prolongada da outra parte – Ex: quando o pagamento é reiteradamente
feito em outro local, onde faz presumir uma renúncia daquilo que foi previsto em outro local e se o credor
vai no local do devedor, seria um supressio para o credor e um surrectio para o devedor) e surrectio (é a
ampliação do conteúdo obrigacional, em razão da inércia prolongada da outra parte).
Tempo do Pagamento: quando se paga. Trabalha o Princípio da Satisfação Imediata – Art. 331 do CC – em
regra, o pagamento se dá à vista, diante de uma obrigação instantânea. As obrigações podem ser
instantâneas (à vista) e diferidas (cheque pré datado – Súm. 370/STJ – executada no futuro, mas com
apenas um único pagamento) e continuada (execução continuada ou de trato sucessivo, sendo de várias
parcelas)
OBRIGAÇÃO PORTABLE X OBRIGAÇÃO QUERABLE
Portable ou Portável: o devedor deve cumprir a obrigação até o credor. Deve estar prevista no contrato.
Querable ou Quesível: é a regra geral do CC/02. O credor deve buscar a obrigação no endereço do devedor.
INADIMPLEMENTO DE OBRIGAÇÕES
Cláusula Penal – Arts. 408 e ss do CC – é uma média aritmética de antecipação de perdas e danos
estabelecida conjuntamente ou em ato posterior, sendo uma penalidade civil com função coercitiva, visando
evitar a inadimplência. Pode ser estabelecida em caso de descumprimento:
1. Total ou Compensatória (Art. 410) – descumprimento total.
2. Parcial ou Moratória (Art. 411) – descumprimento de uma mora.
Obs: Art. 412 – o limite da cláusula penal é o total da obrigação principal.
Obs: Art. 413 - o juiz poderá reduzir a penalidade civil disposta na cláusula penal quando for exorbitante e
segundo o Art. 416 a parte lesada não é obrigada a comprovar o prejuízo.
Tipos de inadimplemento:
1. Total – descumprimento total da obrigação.
2. Absoluto – nem todo inadimplemento total será absoluto. É a modalidade em que a parte se sentiu
lesada não tem mais o interesse em receber a prestação. Ex: Maria vai casar e contrato o fotógrafo e
ele não aparece na data do casamento (Inadimplemento Total). Depois o fotógrafo foi se desculpar e
solicitou fazer trabalhos outros trabalhos pelo valor já pago, mas, mesmo assim Maria não quis
aceitar, por raiva devido a falta do cumprimento do serviço, ou seja, sem interesse de Maria
(Inadimplemento Absoluto).
3. Parcial
4. Relativo

DIREITO DOS CONTRATOS


Arts. 421 e ss
PRINCÍPIOS
1. Art. 421 – Princípio da Função Social - a liberdade de contratar tem o limite da função social (é a
busca da justiça contratual, colocando as partes em pé de igualdade, para gerar o equilíbrio contratual, sendo
uma nova visão do contrato). O contrato deve ser julgado quanto ao merecimento para que possa ser
verificada a função social em dois aspectos: Eficácia Interna ou Endógena(produz somente efeitos entre as
partes. Ex: Art. 424 - Fiança no Contrato de Adesão fere ao Princ. da Função Social e será nula de pleno
direito) e Eficácia Externa ou Exógena (produz efeitos que atingem além das partes, os terceiros. Ex: Súm.
308/STJ – hipoteca firmada entre o agente construtor e o agente financeiro não pode trazer prejudicialidade
ao terceiro adquirente do imóvel. Se a hipoteca foi firmada entre o vendedor e o banco, não pode ser
utilizada contra o comprador do imóvel no caso de inadimplência do Contrato de Mútuo Feneratício
(Empréstimo Financeiro) efetuado entre o comprador e o Banco, mesmo que o comprador tenha a
propriedade do imóvel). Enunciado nº 21do CJF – a função social impõe a revisão do Princípio da
Relavidade dos Efeitos dos Contratos (RES INTER ALIOS ACTA) perante terceiros implicando na Tutela
Externa do Crédito, ou seja, é uma relativização da relatividade dos efeitos do contrato ou mitigação em
razão da função social. Enunciado nº 22 do CJF – a função social assegura o Princípio da Conservação do
Contrato, já que a resolução (extinção) do contrato será a finalidade ultima ratio. Enunciado nº 431 do CJF –
violação do Art. 421 acarretará a invalidade ou ineficácia do contrato, bem como das cláusulas contratuais;
2. Princípio da PACTA SUNT SERVANDA – significa a força obrigatória do contrato, onde o contrato
é a representação da lei entre as partes, contudo, deve existir o equilíbrio entre as partes para que tenha
eficácia total;
3. Princípio da Boa Fé Objetiva e Probidade –Art. 422 do CC – é a idéia da confiança e da lealdade –
Enunciados nºs. 25 e 170 do CJF – a boa fé deve ser observada em todas as fases do contrato:
- pré contratual ou puntuação: são as negociações preliminares e tratativas, que representam os debates
prévios;
- proposta ou policitação ou oblação: é uma fase final configurando uma proposta (Art. 427 do CC e Art. 30
do CDC). Em regra, obriga o proponente, contudo, conforme previsto no Art. 428, pode se dá entre
presentes (tem uma facilidade na comunicação, faz com que se possa analisar e observar uma situação) e
ausentes (Art. 434 do CC – tem dificuldade na comunicação, como a conversa por e-mail ou outro meio não
online).
- contrato preliminar ou Pacto de Contraendo – Art. 462 do CC – observa a regra do Art. 107 do CC, ou seja,
assume uma forma livre, mas deve conter todos os requisitos do contrato definitivo, exceto a sua forma. Art.
463 – trata da cláusula de arrependimento que não é Juris Tantum, portanto, não é presumida e deve estar
expressa. Tem que ser levado no registro competente. Enunciado nº 30 do CJF – não é obrigatório o registro,
mas sem o registro só terá eficácia apenas entre as partes e não erga omnes. Normalmente, vem com um
prazo para se converter em um contrato definitivo que se não for finalizado no contrato definitivo, poderá o
juiz decidir pela conversão.
- contrato definitivo
- execução contratual ou pos pactum infinitum.
Funções da boa fé objetiva:
1. Interpretativa – Art. 113 – tem que interpretar o negócio jurídico de acordo com a boa fé;
2. Controladora – Art. 187 – tem que evitar o abuso de direito no negócio jurídico;
3. Integrativa – Art. 422 – visa a comunhão da idéia dos deveres principais (Dar, Fazer e Não Fazer –
se descumprir cai no inadimplemento total, absoluto, relativo ou parcial) mais os deveres acessórios
ou anexos ou laterais ou satelitários (proteção, informação ou cooperação – se cair cai no
inadimplemento dos deveres anexos, gerando uma violação positiva do contrato – Enunciado 24
CJF)
Figuras parcelares da boa fé objetiva:
1. VENIRE CONTRA FACTUM PROPRIUM – Enunciado 362 do CJF – é a Teoria dos Atos Próprios
–é vedada a idéia do comportamento contraditório. Tem 4 requisitos ou pressupostos:
comportamento, expectativa, investimento na expectativa gerada e um comportamento contraditório.
Não é exclusiva do Direito Civil, pois tem no Consumidor, Administrativo e Tributário.
2. SUPRESSIO (restrição) E SURRECTIO (ampliação)
3. DUTY TO MITIGATE THE LOSS – é obrigação do credor mitigar o seu próprio prejuízo –
Enunciado nº 169 do CJF.
4. TU QUOQUE FILI MIO – até tu Brutus – não faça com os outros, o que você não quer que façam
contra você. Ex: Art. 476 do CC – exceção do contrato não cumprido.

- Princípio da Interpretação mais favorável ao Aderente – Art. 423 e 424 do CC - só é aplicado no contrato
de adesão, porque é utilizado pelo aderente. Obs: não confundir com o Art. 47 do CDC, que é mais
favorável ao consumidor, independente do contrato, sendo para qualquer espécie contratual, já o CC só trata
do Contrato de Adesão.

- Princípio da Pacta Corvina – Art. 426 do CC – veda que seja realizado um contrato que envolva uma
herança de pessoa viva e, conforme o Art. 166 do CC será nulo de pleno direito.
VICÍOS REDIBITÓRIOS
Difere do CDC: tem os vícios: aparente ou de fácil constatação e o oculto. O CC só traz proteção para o
vício oculto, chamado de redibitório.
Somente se aplica aos contratos onerosos.
Obs: o CC no Art. 441 parágrafo único – será aplicado também em doações onerosas.
Também se aplica aos contratos comutativos, ou seja, diferente dos aleatórios (contratos em que são
observados os riscos ou alia – Art. 458, 459, 460 e 461 – se relaciona a coisa já existente expostas ao risco
ou fatos futuros e incertos)
Pode ser aplicado em bens móveis ou imóveis.
O que fazer quando for encontrado um vício redibitório? São propostas as ações edilícias (Art. 442 do CC)
que podem ser: Ação Redibitória (visa resolver ou extinguir ou redibir o negócio jurídico) ou Ação
Estimatória ou Quantis Minoris (visa o abatimento). Só pode propor uma ou outra, nunca as duas ao mesmo
tempo. Podem ser cumuladas com perdas e danos? Art. 443 do CC – pode ser cumulado, desde que o
adquirente possa comprovar que o alienante conhecia o vício e atuou de má fé. Se não puder comprovar a
culpa, só receberá o valor do bem sem perdas e danos. Prazos: Art. 445 do CC – tem natureza decadencial,
sendo 30 dias para bens móveis e 1 ano para bens imóveis, contados da entrega efetiva. Se a pessoa tiver
posse do bem o prazo será reduzido a metade, contados da alienação (Exemplo de Tradição Fícta que se
divide em duas: TRADITIO BREVI MANU (aquele que possui em nome alheio passa a possuir em nome
próprio – 2ª parte do Art. 445) e CONSTITUO POSSESSÓRIO (inverso do anterior)). Enunciado nº 174 do
CJF – o prazo do parágrafo 1º do Art. 445 para conhecer o vício (180 dias – bens móveis e 1 ano – bens
imóveis) e o prazo do caput para demandar (30 – bens móveis e 1 ano – bens imóveis), posicionamento
corroborado pelo STJ desde 2014.
Ex: A compra de um apartamento tem um prazo máximo para se descobrir o vício de 1 ano, mas a pessoa
descobriu o vício oculto com 10 meses, o tempo para demandar máximo seria de 1 ano da data da
descoberta. Se passar desse prazo, nada mais poderá ser feito.
Compra de um carro tem um prazo máximo para se descobrir o vício é de 180 dias, mas a pessoa descobriu
o vício com 90 dias, o tempo máximo para demandar será de 30 dias da data da descoberta. Se descobrir o
vício com 265 dias, nada mais poderá ser realizado.
GARANTIA DOS CONTRATOS
Garantia: se for estipulada uma garantia no contrato, a garantia total do bem será a garantia legal + garantia
contratual, onde os tempos são somados.
EXTINÇÃO DOS CONTRATOS - Art. 472 e ss do CC
Podemos verificar em diversos motivos e situações:
1. Pagamento: é uma das formas já estudada anteriormente.
2. Término do Prazo
3. Causas anteriores: causas motivantes por uma situação anterior ao contrato, como, por exemplo,
dolo, coação, fraude contra credores, que acarretam a extinção da obrigação. São os vícios ou defeitos do
negócio jurídico. Tipos: vícios de consentimento ou da vontade e os vícios sociais.
Vício de consentimento: são anuláveis por Ação Anulatória, que, segundo o Art. 178 do CC terá um prazo
decadencial de 4 anos.
- Erro
- Dolo
- Coação
- Estado de Perigo
- Lesão: Art. 157 do CC - o contrato já nasce desiquilibrado.
Vícios Sociais:
- Fraude contra credores
- Simulação (é o único vício que acarreta a nulidade absoluta, que não se sujeita a prescrição ou decadência).
4. Causas posteriores a celebração do contrato: tipos:
- Distrato ou Resilição: Art. 472 do CC – tem que ocorrer da mesma forma exigida para o contrato. Se o
contrato exige escritura pública, o distrato exigirá escritura pública, ou seja, sempre tem que acompanhar a
forma exigida no contrato, sendo uma exceção do Princ. Da Liberdade das Formas – Art. 107 do CC. A
Resilição (é uma extinção por vontade) pode ser unilateral (Art. 473 – por uma única vontade) e bilateral
(Art. 472 – por mútuo acordo). Obs: Cuidado, pois Resilição é diferente de Resolução (que é a extinção por
razão de inadimplência).
- Cláusula Resolutiva: pode ser expressa (Arts. 474 e 475 – ocorre de pleno direito. Enunciado 361 do CJF –
trabalha com a Teoria da Substancial Performance ou Teoria do Adimplemento Substancial. Ex:
financiamento de automóvel com 40 parcelas e a parte devedora cumpriu com 36 parcelas, não poderá sofrer
Resolução por inadimplemento) ou tácita (Art. – depende de uma interpelação judicial, já que o magistrado
averigua o grau de lesividade do contrato).
- Exceção do Contrato não cumprido (EXCEPTIO NON ADIMPLETI CONTRACTUS): é um meio de
defesa em face do contrato não cumprido, sendo permitido por uma das partes, quando a outra parte não
cumpre a sua parte. Aplicado nos contratos de natureza bilateral. Obs: Tem ainda a Exceção de Inseguridade
(EXCEPTIO NO RITE ADIMPLETI CONTRACTUS) que é o meio de defesa em razão de uma
insegurança. Obs: Cláusula solve et repete – significa cumpra e depois cobre e não se pode alegar a exceção
do contrato não cumprido. A doutrina proíbe o uso dessa cláusula por ser abusiva (ofendendo o Art. 424 do
CC) nos contratos de adesão.
- Resolução por Onerosidade Excessiva – Art. 478 do CC -: o contrato se torna desiquilibrado no
decorrer da sua execução. Éa Teoria da Imprevisão advinda da França aplicada nos contratos de execução
continuada (execução em vários meses, não instantâneos)/diferida (se projeta para o futuro que é executado
de uma única vez), em fatos extraordinários/imprevisíveis que causam uma onerosidade excessiva e que
geram extrema vantagem para uma das partes, culminando no final uma REVISÃO ou RESOLUÇÃO do
contrato e, por fim, a sentença tem efeitos ex tunc porque retroagem a data da citação. Obs: DIFERENÇAS
COM A TEORIA DA IMPREVISÃO: o CDC adotou a Teoria da Base Objetiva do Negócio Jurídico
prevista no Art. 6º V 2ª parte do CDC, sendo uma Teoria Alemã aplicada em contratos
continuados/diferidos, em casos de fatos supervenientes (são os previstos, mas não esperados) que causam
apenas a onerosidade excessiva, gerando apenas no final uma REVISÃO, com continuidade do contrato.
- Morte: causa a extinção dos contratos personalíssimos.
EVICÇÃO
Art. 447. Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evicção. Subsiste esta garantia ainda que a
aquisição se tenha realizado em hasta pública.
Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade pela
evicção.
Art. 449. Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se esta se der, tem direito o evicto a
receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube do risco da evicção, ou, dele informado, não o
assumiu.
Art. 450. Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da restituição integral do preço ou das
quantias que pagou:
I - à indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir;
II - à indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente resultarem da evicção;
III - às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído.
Parágrafo único. O preço, seja a evicção total ou parcial, será o do valor da coisa, na época em que se
venceu, e proporcional ao desfalque sofrido, no caso de evicção parcial.
Art. 451. Subsiste para o alienante esta obrigação, ainda que a coisa alienada esteja deteriorada, exceto
havendo dolo do adquirente.
Art. 452. Se o adquirente tiver auferido vantagens das deteriorações, e não tiver sido condenado a indenizá-
las, o valor das vantagens será deduzido da quantia que lhe houver de dar o alienante.
Art. 453. As benfeitorias necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a evicção, serão pagas pelo
alienante.
Art. 454. Se as benfeitorias abonadas ao que sofreu a evicção tiverem sido feitas pelo alienante, o valor delas
será levado em conta na restituição devida.
Art. 455. Se parcial, mas considerável, for a evicção, poderá o evicto optar entre a rescisão do contrato e a
restituição da parte do preço correspondente ao desfalque sofrido. Se não for considerável, caberá somente
direito a indenização.
Art. 457. Não pode o adquirente demandar pela evicção, se sabia que a coisa era alheia ou litigiosa.
REPRESENTAÇÃO
É a projeção da personalidade alheia, ou melhor, é a projeção da exteriorização da vontade alheia.
Ex: pai representando o filho na escola (incapaz que não tem capacidade de fato ou exercício)
Tipos: depende da origem
1. Legal –na lei, como os pais em relação aos filhos, portanto, não precisa de procuração, como
também os advogados públicos.
2. Convencional – brota da autonomia privada ou CONTRATO DE MANDATO (tem o mandante
(quem contrata) e mandatário (que representa) - pode ser extrajudicial ou judicial) – o mandato é
feito por outorga em instrumento público, mas o substabelecimento pode ser por instrumento
particular), por meio de procuração expressa ou tácita (em casos de urgência) e verbal ou
escrita. Essa procuração deve instruir a petição inicial, exceto nos casos de urgência onde deve ser
deferido pelo juiz após um prazo pré-estabelecido e nos casos de advogar em causa própria. Ex:
advogados privados
3. Judicial –quando o magistrado indica alguém para representar outra pessoa. Segundo o Art. 692 do
CC, só se aplica o CC de forma supletiva, devendo seguir as normas pertinentes. Ex: inventariante,
Advogado AD HOC ou síndico da massa falida.
Obs: Art. 674 CC - Se houver mudança do mandante por morte, interdição ou mudança de estado, deve o
mandatário concluir o negócio já começado, se houver perigo na demora.
TIPOS DE CONTRATOS
CONTRATOS ALEATÓRIOS
Que envolvam risco ou alia, sendo dos seguintes tipos:
1. Coisas ou fato futuro (Arts. 458 – Venda da esperança – Emptio Spei e 459 – Venda da esperança
quanto a quantidade – Emptio Rei Spenctae)
2. Coisas já existentes – Arts. 460 e 461 - já exposta ao risco.
CONTRATO DE ADESÃO (Art. 424)
É o autorizado por uma autoridade competente e que as cláusulas são predispostas por uma das partes.
CONTRATO DE COMPRA E VENDA – Art. 481 e ss
É a compra de coisa com dinheiro. Quando pura é obrigatória e perfeita. É uma modalidade de Contrato
Aleatório. A coisa deve ter as mesmas características de amostras, protótipos ou modelos apresentados. Se
houver diversidade de preço e não houver acordo, prevalecerá o preço médio. Art. 489 – é nulo o contrato
onde se deixa ao arbítrio exclusivo de uma das partes a fixação do preço. Art. 490 – despesas de escritura e
registro com o comprador e as despesas de tradição ao cargo do vendedor. Art. 491 – o vendedor não é
obrigado a entregar a coisa antes de receber o preço, no caso de venda à vista. Art. 492 – até a tradição, os
riscos da coisa é do vendedor e do preço do comprador. Art. 493 – a tradição do bem ocorrerá no lugar onde
se encontrava, ao tempo da venda.
“Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do
alienante expressamente houverem consentido.
Parágrafo único. Em ambos os casos, dispensa-se o consentimento do cônjuge se o regime de bens for o da
separação obrigatória.
Art. 497. Sob pena de nulidade, não podem ser comprados, ainda que em hasta pública:
I - pelos tutores, curadores, testamenteiros e administradores, os bens confiados à sua guarda ou
administração;
II - pelos servidores públicos, em geral, os bens ou direitos da pessoa jurídica a que servirem, ou que
estejam sob sua administração direta ou indireta;
III - pelos juízes, secretários de tribunais, arbitradores, peritos e outros serventuários ou auxiliares da
justiça, os bens ou direitos sobre que se litigar em tribunal, juízo ou conselho, no lugar onde servirem, ou a
que se estender a sua autoridade;
IV - pelos leiloeiros e seus prepostos, os bens de cuja venda estejam encarregados.
Parágrafo único. As proibições deste artigo estendem-se à cessão de crédito.”
Art. 499 – é lícita a compra e venda entre cônjuges, com relação a bens excluídos da comunhão.
CONTRATO DE TRANSPORTE – Art. 730 CC
É o transporte de pessoas ou coisas de um lugar para outro. A obrigação é de resultado e a
responsabilidade civil é objetiva (porém não é integral, já que em casos de interrupção por caso fortuito e
força maior não podem responder para dano moral ou material, mas responde pelo direito de transporte, ou
seja, ou devolve o dinheiro ou remarca o transporte para outro tempo) para o caso de não acontecer. A regra
é mediante retribuição, ou seja, remunerado.
Obs: todo contrato de transporte tem cláusula de incolumidade – qualidade de transportar uma coisa e deixá-
la incólume e íntegra. Também está amparado pelo código de defesa do consumidor, salvo nos casos de
carona ou transporte de cortesia, pois não existe oneração.
Exemplos de contrato que não podem ser executado:Overbooking – tem mais gente do que vaga e outro
exemplo é a passagem de ônibus vendida para 2 pessoas por erro da transportadora.
Art. 732 – são aplicáveis as normas do CC e na falta se aplicará o CDC de forma supletiva.
Art. 734 – trata da responsabilidade das pessoas, bagagens e coisas (animais)
Art. 735 – a responsabilidade não se elide no caso de acontecer batida provocada por terceiro(acidente de
veículo – Art. 735 CC e Súm. 187/STF), ou seja, pela cláusula de incolumidade (todos os contratos de
transporte têm cláusula de incolumidade que atua em todos os casos, exceto em caso de força maior – Ex:
roubo em ônibus, bala perdida, vandalismo de arremessar pedras, etc. Atenção é proibido no contrato de
transporte a cláusula de não indenizar –Súm. 161/STF)
Obs: Art. 736 CC e Súm. 145/STJ - a carona ou transporte gratuito ou transporte desinteressado obedece à
responsabilidade civil por dano material e moral quando houver dolo ou culpa grave. Não se enquadra em
transporte gratuito quando, embora não tenha remuneração, existem vantagens indiretas (Ex: ônibus de
shopping Center que transporta clientes sem cobrar por isso, para que possam comprar mercadorias).
Art. 742 – não podendo ser efetuada a viagem, o transportador deve pagar hospedagem, estada e
alimentação para os passageiros até que a viagem, contudo, caso não seja paga ainda a viagem, o
transportador tem direito de retenção da bagagem.
Art. 733 e Art. 756 – trata do contrato de transporte cumulativo, ou seja, cada transportador responde pelo
seu percurso. Todos respondem de forma solidária, salvo se os transportadores convencionarem entre eles
um culpado.
Art. 740 – direito potestativo de rescindir o contrato de transporte antes de iniciar a viagem
(arrependimento) – receberá o dinheiro de volta, desde que seja dado tempo ao transportador de renegociar
nova venda de passagem. Tem o direito de interromper a viagem – parágrafo 1º - mesmo depois de iniciar a
viagem, receberá restituição proporcional, desde que comprove que outra pessoa foi no meu lugar – é
possível instituir uma multa compensatória pelo transportador em no máximo 5% - parágrafo 3º.

CONTRATO DE EMPREITADA
Generalidades: é encomenda de uma obra certa e determinada, envolvendo uma obrigação de fazer e de
resultado.
Partes: Empreiteiro (trabalho (somente trabalho chama-se Empreitada de Lavor – Art. 610 CC) e materiais
(deve ser expresso – quando tem materiais chama-se Empreitada Mista)) x Dono da Obra ou Comitente
(quem contrata e paga)
Art. 617 CC – responsabilidade civil do empreiteiro, quando recebe os materiais e por imperícia ou
negligência os inutilizar.
Art. 618 CC – prazo de 5 anos para o empreiteiro responder pela obra, mas deve sinalizar em no máximo
180 dias da identificação do problema, sob pena de decadência (parágrafo único).
Art. 626 CC- o contrato não se extingue pela morte de uma das partes, por ser impessoal, portanto não é
contrato personalíssimo.

Contrato de Empreitada (obrigação de fazer e de resultado, pois envolve presunção de culpa ou culpa
presumida, ou seja, o dono da obra só precisa dizer que o serviço não foi feito, não precisando provar nada) -
diferença - Prestação de Serviços (envolve uma prestação positiva ou negativa de dar (entrega) ou de fazer
(atividade), por ser uma obrigação de meio onde não há presunção de culpa, devendo ser provada a falta do
serviço – segundo o Art. 593/594 se não tiver obrigação trabalhista, será regulada pelo CC – o objeto pode
ser um serviço material (para colocar um gesso) ou imaterial (escrever uma poesia ou um livro) – Art. 595 –
se uma das partes não souber ler nem escrever, poderá ser assinado a rogo e subscrito por 2 testemunhas –
Preço ou Retribuição quando não é estipulado, nem chegado por um acordo entre as partes, o preço será
fixado por arbitramento judicial (em uma Ação de Cobrança), de acordo com o mercado ou os costumes do
lugar Ex: médica fez um parto de urgência e não deu tempo de negociar o valor – Art. 598 o prazo máximo
de vigência da prestação do serviço não pode ser mais de 4 anos, ainda que não concluída a obra – Art. 599
não se podendo aferir o prazo de vigência é possível fazer a resilição, bastando apenas fazer um aviso
prévio: 8 dias (serviço de 30 dias), 4 dias (se for semanal) e de véspera (se for menos de 7 dias) – Art. 600
não se conta o prazo do contrato, se parar de prestar o serviço por suspensão do trabalho como férias e
outros motivos. Arts. 605/607 Se houver morte do contratante, encerra o Contrato de Prestação de Serviço,
pois não se transfere a outrem, por ser personalíssimo. O Terceiro Aliciador também chamado de Terceiro
Ofensor: admite-se um Contrato normal com contratante e contratado em plena execução para até 3 anos,
daí aparece um terceiro que mantenha contrato com o fornecedor do serviço pedindo para acabar com o
contrato e contrate comigo que vou pagar mais. O contratante ofendido pode obter reparação civil (Art. 608
– inclusive estipula um valor, sendo o valor para até 2 anos).

CONTRATO DE CORRETAGEM
É a mediação entre um determinado negócio como de compra e venda de imóveis. É uma pessoa que é
ligada a uma das partes, sendo uma obrigação de resultado. Art. 724 – se não for determinada, será arbitrada.
Art. 725 – mas para se pagar precisa ser efetivado o resultado da contratação. Art. 728 – se houver
participado vários corretores será pago a todos de forma proporcional.
Art. 729 – permite a aplicação da Lei nº 6.530/1978 que também regula a corretagem, sendo uma legislação
extravagante.
Art. 726 – se for feito o negócio sem o corretor não será pago nada ao corretor, salvo se constar no contrato
de corretagem cláusula de exclusividade.
Art. 727 – se o dono do bem dispensar o corretor, mas o negócio se realizar pela intermediação do corretor,
este terá o direito a remuneração.

CONTRATO DE LOCAÇÃO DE COISAS DO CC


Art. 565 CC – uma parte cede a outra por tempo determinado (o locador não pode reivindicar a coisa
antes do vencimento da vigência, senão ressarcindo as perdas ao locatário, ou seja, gerando multa ou
perdas e danos) ou não o uso ou gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição.
Partes: Locador ou Proprietário (receberá a retribuição ou aluguel, pois se não tiver será comodato) – Art.
1.228 CC x Locatário (será convertido para possuidor direto com o contrato)
Deveres do Locatário:
Art. 569 I – deve se utilizar a coisa para o fim que ela presta, ou seja, não posso alugar um carro para
promover um assalto ou racha, alugar uma carroça para servir de uma horta ou floricultura, um touro
reprodutor para utilizar em vaquejada.
II – pagar pontualmente o aluguel
III – avisar sobre possíveis turbações
IV – findo o contrato, restituir a coisa nas mesmas condições, salvo as deteriorizações normais ao uso
regular.
Art. 572 – é permitida Ação Revisional ou Pedido de revisão ao juiz a estipulação de novo valor.
Art. 573 – extinção automática – quando se findar o tempo de prazo estipulado, independente de notificação
ou aviso.
Art. 574 - prorrogação tácita – após um prazo estabelecido e passa a ser indeterminado.
Art. 576 - se houver uma alienação da coisa antecipadamente a conclusão do prazo estipulado com venda a
terceiro, se não houver previsão no contrato de vigência para a venda ou não for expressa cláusula de
registro, poderá não ser respeitado o contrato pelo adquirente.
Art. 577 - se houver alguma morte de uma das partes, os herdeiros continuam, por ser impessoal o contrato
de locação, por tempo indeterminado.
Art. 578 – direito de retenção do locatário – salvo disposição em contrário, o locatário goza do direito de
retenção, no caso de benfeitorias necessárias, ou ainda úteis, se houver consentimento prévio do locador.

CONTRATO DE SEGURO – Art. 757 CC


O segurador mediante o pagamento do prêmio se compromete a garantir interesse legítimo do segurado
relativo à pessoa ou coisa contra riscos pré-determinados, portanto, envolve uma obrigação de garantia.
Comprovação ou prova: é pela apólice ou bilhete de seguro ou qualquer documento que comprove o
pagamento do prêmio.
CONTRATO DE FIANÇA – Art. 827 CC
Fiança é uma garantia pessoal
O fiador demandado pelo pagamento da lide, tem direito ao benefício de ordem, ou seja, tem direito de
primeiro pedir que sejam executados primeiro os bens de devedor e depois os seus. Obs: não se aproveita
esse benefício de ordem se for recusado expressamente previsto em contrato.

RESPONSABILIDADE CIVIL
Definição: é um dever sucessivo (é igual à reparação do injusto) que surge em razão da violação de um
dever originário de não causar danos a outrem (NEMNEM LAEDERE – significa não causar dano a
outrem), pois, caso venha a causar dano a outra pessoa, terá que reparar o injusto causado.
Pressupostos da Responsabilidade Civil: conduta, culpa, nexo causal e dano.
CONDUTA
Pode ser fundamentada em um ato lícito (Ex: um delegado de polícia que prende um meliante várias vezes
que colocou a mão na cintura e o delegado pensou que ia atirar, resolveu atirar e sem querer atingiu uma
senhora) ou ato ilícito (Art. 927 do CC - pode ser subjetivo (Art. 186 – acarreta responsabilidade civil
subjetiva) ou objetivo (Art. 187 – acarreta responsabilidade civil objetiva e trata do abuso de direito que se
trata de um ato ilícito objetivo, sendo a origem dele lícita, cujas finalidades são ilícitas. Enunciado 37 do
CJF – uma vez praticado o abuso de direito, o resultado será uma responsabilidade civil objetiva)).
CULPA
É a regra no CC/02, sendo a natureza de responsabilidade civil subjetiva com a verificação da culpa o
padrão.
Obs: Art. 927 parágrafo único – só será R.C. Objetiva quando a lei dispuser ou quando a atividade
desenvolvida pela parte for de risco. O CC trabalha com a chamada Teoria do Risco da Atividade e não
adotou a Teoria do Risco Integral.
Graus da culpa: todos os casos de grau da culpa resultam na indenização – Art. 944 – que será proporcional
ao grau de culpa ou gravidade do dano. No parágrafo único do Art. 944, poderá o juiz reduzir a indenização,
caso entenda ser desproporcional.
1. Leve
2. Mediana
3. Grave
Culpa Concorrente – Art. 945 do CC – não se trata de uma causa excludente da responsabilidade, sendo uma
causa minorante do valor indenizatório. Aplica-se em todos os casos de Responsabilidade Civil (Subjetiva e
Objetiva).
NEXO DE CAUSALIDADE
É o liame entre a conduta do agente e o resultado danoso.
Teorias:
1. Conditio Sine Qua Non ou Teoria da Equivalência das Condições: não diferencia os antecedentes do
resultado danoso, ou seja, tudo aquilo que concorra para o evento será considerado como causa. Ela
não é aplicada no Direito Civil Brasileiro. Ex: uma pessoa comprou um carro, foi festejar, bebeu, foi
dirigir e matou uma pessoa atropelada, nesse caso, o dono da concessionária seria responsável
porque vendeu o carro, o dono da boate seria responsável porque vendeu a bebida e o motorista
bêbado.
2. Teoria do Dano Direto e Imediato (Art. 403 do CC – defendida pelo STF): somente a causa direta e
imediata é a causa adotada para responsabilização.
DANO
Tipos:
1. Material ou Patrimonial: divide-se em Danos Emergentes (é a perda no patrimônio já existente) e
Lucros Cessantes (é aquilo que deixou de ganhar). Tem que ser sempre provado.
2. Moral: é a violação de um dos direitos da personalidade. Súms./STJ:
Súm. 37: é possível cumular o dano moral com material decorrente de um mesmo fato.
Súm. 227: a PJ pode sofrer dano moral. (Art. 931 do CC – respondem de forma objetiva pelos
produtos postos em circulação)
Súm. 370: é um exemplo de um dano IN RE IPSA que é um dano presumido, onde dispõe que a
apresentação antecipada de um cheque pré-datado configura dano moral, pois viola a confiança e a
lealdade pactuada entre as partes, gerando R.C. Objetiva;
Súm. 385: o nome sujo ou negativado de forma devida não gera dano moral apenas o cancelamento
do registro, sendo apenas gerado dano moral quando se paga a dívida e o nome neste caso é
negativado por erro pela instituição de forma indevida.
Súm. 387: o dano estético é uma lesão duradoura que não precisa ser irreversível ou definitiva para
que seja configurado. Ex: cicatriz – é duradoura, mas pode ser reversível, portanto, não é definitivo.
É lícita a cumulação do dano estético com o dano moral.
Súm. 388: IN RE IPSA – a devolução indevida de cheque caracteriza dano moral.
Súm. 402: o contrato de seguro por danos pessoais compreende os danos morais, salvo se tiver
cláusula expressa em contrário.
Súm. 403: IN RE IPSA – o uso indevido do nome da pessoa sem a sua autorização independe de
prova, por ser presumido.
Súm. 595: IN RE IPSA – o não reconhecimento do diploma de nível superior pelo MEC não
efetuado pela faculdade.
Obs: Segundo o STJ, em regra, não cabe dano moral se a construtora/incorporadora descumprir o
prazo de entrega do imóvel, contudo, em situações excepcionais pode acontecer, já que o simples
inadimplemento contratual não é capaz de gerar o dano moral.
Obs: o mero aborrecimento não constitui dano moral.
Obs: Em uma teoria francesa que trata da Perda de Uma Chance ou Programa do Show do Milhão,
foi tratada no STJ concedeu uma indenização na quantia da chance de possibilidade de acertar a
resposta de uma determinada pergunta. Resume-se no desvio produtivo do tempo ou teoria da perda
do tempo livre (Prof. Marcus Desaune). Em razão da desídia e do desleixo do Fornecedor em
resolver o problema, por perda do desvio do tempo, estão sendo concedidos o dano moral.
Ex: Show do Milhão – uma mulher conseguiu chegar nos R$ 500.000,00 – o Sílvio Santos perguntou
se ela queria continuar, se acertasse ganharia 1 milhão, se errasse perderia tudo e ela disse que sim,
mas a pergunta de 1 milhão não tinha resposta, como ela tinha errado, perdeu tudo, entrou na justiça
pela imprecisão da resposta, o STJ decidiu que ela teria direito a R$ 125.000,00 porque a pergunta
tinha 4 respostas (a, b, c e d), ou seja, 25% de chance de acertar, sendo o valor 25% de R$
500.000,00.
TIPOS DE RESPONSABILIDADE CIVIL
RESPONSABILIDADE CIVIL PELO FATO DE OUTREM
Art. 932 do CC – REPARAÇÃO CIVIL - se o dano foi causado por um terceiro em que é responsável,
arcará pelo dano, nos casos de:
I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia;
II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições;
III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que
lhes competir, ou em razão dele;
IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para
fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos;
V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia.
Art. 933 do CC - em todos os casos previstos no Art. 932 respondem mesmo que não tenham culpa,
portanto, são casos de R.C. Objetiva.
Art. 934 do CC – aquele que indenizar um fato de outrem, terá direito de reaver o que houver pago, salvo se
for descendente seu, absolutamente ou relativamente incapaz. (POSSIBILIDADE DO DIREITO DE
REGRESSO, mas no caso dos pais com relação ao filhos, nunca, em hipótese nenhuma – Art. 932 I)

RESPONSABILIDADE CIVIL X RESPONSABILIDADE PENAL – Art. 935


R. Civil independe da criminal, sendo suspenso o processo até que o juiz penal julgue. Reconhecida a
autoria e materialidade, a decisão transita automaticamente no processo cível e nada impede que o processo
cível seja julgado antes do penal.

O incapaz responde civilmente? Segundo o STJ, a responsabilidade é subsidiária, condicional, mitigada e


equitativa. Enunciados ns. 38 ao 41 do CJF c/c Art. 928 do CC (o incapaz responde pelos prejuízos que
causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios
suficientes). Tem uma exceção, quando houver a emancipação voluntária.

RESPONSABILIDADE CIVIL PELO FATO DO ANIMAL – Art. 936 do CC


Trata-se de hipótese de R.C. Objetiva, que independe de culpa.
Existe a excludente de responsabilidade do dono:
1. Culpa exclusiva da vítima - CC
2. Força Maior – CC – Força Maior é uma inevitabilidade
3. Caso fortuito – doutrina/jurisprudência – Caso Fortuito é uma imprevisibilidade
4. Fato praticado por terceiro – doutrina/jurisprudência

RESPONSABILIDADE CIVIL PELA RUÍNA – Art. 937 do CC


Trata-se nos casos de ruínas de edifícios ou construções, sendo R.C. Objetiva, onde responde o dono do
edifício ou construção.

RESPONSABILIDADE CIVIL POR COISAS CAÍDAS OU LANÇADAS – Art. 938


Trata-se, por exemplo, de um vaso no parapeito de um prédio ou varanda que atingiu uma pessoa ou coisa,
sendo uma R.C. Objetiva, onde o responsável é o habitante, ou seja, se for caso de locação, quem assumirá é
o locatário, nunca o locador. Se for em um condomínio, onde não se sabe quem atirou ou de onde partiu, a
vítima poderá processar todos os condôminos no Condomínio, mesmo nos casos do Condomínio ser
dividido em Blocos separados e distantes do acidente, em razão da Teoria de Pulverização dos Danos, mas
se o Condomínio descobrir quem foi, poderá efetuar uma ação regressiva contra aquele condômino em
específico.

RESPONSABILIDADE CIVIL POR COBRANÇA INDEVIDA – Arts. 939 e 940


“Art. 939. O credor que demandar o devedor antes de vencida a dívida, fora dos casos em que a lei o permita, ficará
obrigado a esperar o tempo que faltava para o vencimento, a descontar os juros correspondentes, embora
estipulados, e a pagar as custas em dobro.
Art. 940. Aquele que demandar por dívida já paga, no todo ou em parte, sem ressalvar as quantias recebidas ou
pedir mais do que for devido, ficará obrigado a pagar ao devedor, no primeiro caso, o dobro do que houver cobrado
e, no segundo, o equivalente do que dele exigir, salvo se houver prescrição.”
DIREITO DE FAMÍLIA
PRINCÍPIOS
1. Respeito à dignidade da pessoa humana (art. 226, parágrafo 7º CF) – respeito,
proteção e intocabiliade a pessoa humana em todos os sentidos, com atenção aos
previstos na CF;
2. Igualdade Jurídica dos Cônjuges (casados) e Companheiros (união estável e
concubinato) – (art. 226 – parágrafo 5º - CF) - direitos e deveres são iguais para os
dois;
3. Igualdade Jurídica de todos os filhos (art. 227 – parágrafo 6º - CF) – todos os filhos
são iguais, independente de terem sido gerados geneticamente pelos pais, adotados,
decorrentes de relações fora do casamento, etc;
4. Paternidade Responsável e Planejamento Familiar (art. 266, parágrafo 7º CF) – pais ou
genitores são responsáveis pela educação, saúde, segurança, lazer, etc, dos filhos até a
fase adulta, ou seja, 18 anos. Quanto ao Planejamento Familiar, as famílias são livres
para escolher a quantidade de filhos, sendo o Estado impedido de controlar isso, em
qualquer de suas esferas de governo;
5. Comunhão plena da vida baseada na afeição entre os Cônjuges/Companheiros –
prioriza a convivência familiar;
6. Liberdade de constituir uma vida familiar – direito de constituir família;
7. Solidariedade Familiar (ECA – Art. 4º) – Cônjuges/Companheiros devem contribuir
para o crescimento responsável dos filhos na proporção de seus rendimentos e bens,
pelo menos até os 18 anos;
Obs: Em leis da Previdência Social específicas, admitem-se benefícios até os 21 anos,
porque obedece ao Código Civil de 1916 e as leis ainda não foram modificadas.
8. Afetividade – a sócio-afetividade prevalece sobre os laços sanguíneos e/ou
patrimoniais;
9. Convivência Familiar – as relações familiares são provenientes de relações duradouras
com coabitação. Essa questão da coabitação não é regra sempre, não sendo necessário
coabitar para que a convivência familiar seja estabelecida, presume-se que deve haver
a coabitação apenas;
10. Melhor interesse do menor – criança e/ou adolescente tem os seus direitos
priorizados, ou seja, o menor tem o direito de decidir.
Obs: em função das últimas mudanças na legislação, o princípio da monogamia perdeu o
status, visto que o conceito de família sendo apenas a família matrimonial caiu por terra,
sendo considerada também como família, convivência familiar formada só por um pai ou
só uma mãe ou nenhum dos dois, ou ainda de pais não biológicos.
DIREITOS REAIS
TIPOS:
1. NA PRÓPRIA COISA
2. NA COISA EM SI
3. COISA ALHEIA – Divide-se em direitos reais de gozo e fruição (usufruto e uso e
habitação) e de garantia (penhor, hipoteca e anticrese)
TIPOS DE DIREITOS E GOZO OU FRUIÇÃO
1. USUFRUTO (Art. 1390 ao 1411 - CC)
Pode recair em um ou mais bens móveis ou imóveis e patrimônio inteiro abrangendo frutos e
utilidades.
Proprietário (Art. 1228 CC) – tem o grudi (gozar, reaver, usar e dispor do bem) – ele
transfere o poder de gozar e usar perdendo o domínio útil total ou parcialmente dos bens
móveis e imóveis (passa a ser chamado de núproprietário), criando o usufrutuário, podendo
fruir (extrair os frutos) e utilidades, bem como usar. Passa a ter a posse direta, sendo
protegido pelos interditos possessórios (legítima defesa da posse, desforço incontinente, ação
de reintegração de posse, ação de interdito proibitório, ação de manutenção de posse - Arts.
1.196 ao 1.224 – CC – é a disciplina da autonomia da posse – o usufrutuário, possuidor
direto, tem legitimidade ad causam inclusive contra o núproprietário).
Definição: é um direito real na coisa alheia de gozo e fruição por meio do qual o proprietário
transfere ao usufrutuário a posse direta e o gozo e a fruição do bem, ou seja, transfere o
domínio útil da posse direta, por meio de escritura através de um registro público.
Regime Jurídico: tem o caráter personalíssimo do usufruto (é intuito personae) e é
inalienável - são os Artigos:
1.393 CC – fala da não alienação, ou seja, o legislador dispõe que não quer a
comunicabilidade ou inalienabilidade ou impenhorável (Súm 44/STF); e
1.410 – Inciso I – CC – a morte do usufrutuário extingue o usufruto e se o núproprietário
morrer, o usufruto é transferido aos descendentes (dispor), inclusive podendo ser
constrangido.
Direitos do usufrutuário:
Art. 1394 e seguintes – tem o direito possessório (posse com o uso, administração (gestão) e
frutos). Obs: Art. 1.400 e 1.401– o proprietário pode antes de assumir o usufruto estabelecer
cláusula acerca do direito de inventariar e solicitar caução, antes da formalização do
usufruto. Se o usufrutuário não fizer a relação dos bens, poderá perder o direito de
administrar os bens.
Também tem o direito de ajuizamento de ações possessórias (ação de reintegração de posse,
ação de interdito proibitório e ação de manutenção de posse)

AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE – AÇÃO REPARATÓRIA


Cabimento: quando perder a posse, no caso do esbulho possessório, perdendo a posse mansa
e pacífica.
Causa de pedir possessório: ocorre uma distinção do juízo petitório (Art. 1228 CC -
envolvem ações reais que acontece para o proprietário porque envolve o direito de
propriedade e só serve para o núproprietário – se for bem imóvel será uma Ação Real
Imobiliária ou Ação Reivindicatória de Propriedade ou se for bem móvel será uma Ação de
Busca e Apreensão) e juízo possessório (Art. 1.196 e 1.197 e 1.394 CC - são as ações
possessórias, porque é um mero possuidor e foi admoestado)
AÇÃO DE MANUTENÇÃO DA POSSE – AÇÃO REPARATÓRIA
Cabimento: não se perde a posse, mas sofre algum tipo de lesão, que no caso é a turbação.

AÇÃO DE INTERDITO PROIBITÓRIO – AÇÃO PREVENTIVA


Cabimento: não se perde a posse, mas sofre algum tipo de lesão, que no caso é uma
promessa de invasão.

DEVERES DO USUFRUTUÁRIO:
Arts. 1400 e seguintes – tem o dever de inventariar os bens, desde que exigido pelo
núproprietário. Tem também o dever de dar caução se for exigido pelo núproprietário.
Obs:Art. 1.400 parágrafo único - não acontece da doação com reserva de usufruto não há
dever de dar caução.
Também é obrigado a pagar as despesas ordinárias (condomínio), tributos e seguro.

2. USO (Arts. 1.412 e 1.413 do CC)


Distinção com o usufruto: é a limitação da quantidade de frutos/utilidades do usuário. Girará
em torno das necessidades do usuário e da família do usuário, dentro de um contexto da
condição social e do lugar ou local onde essa pessoa vive. Portanto, o usufruto é maior que o
uso.
Ex: uma fazenda com cabeças de gado – o uso eu apenas poderei retirar o leite para consumo
meu e da minha família, já no usufruto, além do consumo, posso vender também o leite.
Art. 1.413 – ao uso se aplica toda a disciplina jurídica do usufruto, portanto, o usuário terá
um gozo e fruição com um poder limitado.
3. DIREITO REAL DE HABITAÇÃO
Tem duas esferas jurídicas:
1. Direitos Reais (Arts. 1.414 (autonomia privada – Ex: registro do direito latu sensu em
cartório da habitação)ao 1.416 CC); e
2. Direitos Sucessórios (Art. 1.831 (casamento) e Art. 7º parágrafo único da Lei nº
9.278/1996 (união estável).
Definição de Habitação: é o uso gratuito de casa alheia.
Ex: morar na casa dos outros por força de contrato (contrato de uso – comodato – TEORIA
DOS CONTRATOS – NÃO E DIREITO REAL) ou por força de direito sucessório
(DIREITO REAL).
Ex: casamento de um senhor com 75 anos(como ele tem acima de 70 anos o Art. 1.641 CC
fala que o regime deve ser de separação obrigatória) que tem uma casa com Maria que não
tem nenhum imóvel e depois tiveram2 filhos – o casamento será no regime de separação
obrigatória de bens, ou seja, os bens não se comunicam e será apenas dele. Se o senhor
morrer os filhos serão herdeiros em condomínio (Art. 1.829 inciso I CC) e Maria tem o
Direito Real de Habitação (Art. 1.831 CC), portanto, Maria não será despejada porque
também tem um direito sucessório.
Vedações: não podeefetuar pagamento de aluguel ou locar o imóvel.

4. SERVIDÃO

5. DIREITO DE SUPERFÍCIE
DIREITOS REAIS DE GARANTIA
Pressupõe uma obrigação principal (empréstimo, contrato de compra e venda,etc) que tenha
algum bem para incidência do Direito Real (obrigação acessória ou satelitária – TEORIA
DA GRAVITAÇÃO JURÍDICA – o acessório seguindo a obrigação principal)

Disposições gerais: Art. 1.419 até 1.430 do CC – primeiro, obedece ao princípio da


especialidade ou especificação,prevista no Art. 1.419 CC – o bem dado em garantia
(hipoteca, penhor ou anticrese) fica sujeito ao vínculo real até o cumprimento da obrigação
principal). Tem também o Pressuposto de toda a constituição da Garantia Real – Art. 1.420
CC – é o poder de alienação, ou seja, só quem tem o poder de vender, pode penhorar,
hipotecar ou efetuar anticrese. Tem também o Art. 1.421 CC – traz a regra da
indivisibilidade da garantia e uma exceção (o pagamento parcial da obrigação principal não
gera o diminutivo da garantia, salvo se for pactuado pelas partes). O art. 1.422 traz a
conseqüência quando a obrigação principal não é paga, onde o credor tem o direito de excutir
o bem, ou seja, promover o ajuizamento de uma execução de um penhor ou hipoteca,
podendo ganhar a propriedade do bem. Para a anticrese é o Art. 1.423, onde o credor pode
reter o bem por até 15 anos, portanto, o devedor anticrético não perde a propriedade do bem.
NATUREZA DAS GARANTIAS - TIPOS:
1. Pessoais (fiança e seguro) – todos respondem por todos os bens penhoráveis em uma
possível execução – Art. 391 CC.
2. Reais (penhor, hipoteca e anticrese) – apenas o bem dado em garantia real é que
poderá responder – Art. 1.419 CC.
TIPOS DE GARANTIAS DE DIREITO REAL DE GARANTIA (Art. 1.424 CC)
Feito por meio de um contrato onde serão estipulados o bem, o seu valor, juros e prazo. Por
fim, deve ser registrado em cartório de títulos, notas e documentos (penhor) e cartório de
imóveis (hipoteca e Anticrese).
1. Penhor –é uma garantia sob bem móvel, que tem como regra a transferência da posse
empenhada.
2. Hipoteca –(dois tipos: legal ou judiciária) – envolvem bem imóvel sem transferência
da posse aocredor, apenas por ajuizamento da execução, onde ocorrerá uma
expropriação.
3. Anticrese –envolvem bem imóvel sem transferência da posse ao credor, apenas uma
retenção por até 15 anos.
Obs: Art. 1.428 CC – é nula a cláusula que autoriza o credor pignoratício a ficar com o
objeto da garantia se a dívida não for paga no vencimento – é a chamada VEDAÇÃO AO
PACTO COMISSÓRIO. No Brasil é nulo o PACTO COMISSÓRIO, porque gera abuso do
poder econômico.
Obs: Herdeiros do Devedor de uma garantia real de imóvel (Arts. 1.429 CC) – se o devedor
morre, surge um condomínio indivisível que é um espólio, só podendo ser pago no valor
integral da dívida.
TIPOS DE GARANTIA EM ESPÉCIE
1. Penhor – Arts. 1.431 ao 1.472 CC –para bens móveis – conceito: é a transferência
efetiva da posse de um bem alienável móvel em garantia que seja passível de
expropriação. O instrumento do penhor será registrado (averbado) no Cartório de
Títulos, Notas e Documentos. Direitos (Art. 1.433 CC – a posse direta da coisa
empenhada e a tutela possessória (ações possessórias – 3 ações na parte de usufruto),
tem o direito de retenção, indenização por prejuízo decorrente de vício da coisa,
inclusive vícios ocultos (redibitórios), promover execução e efetuar venda amigável) e
Deveres (custódia da coisa por ser depositário da coisa, ressarcindo se a coisa for
perdida sob qualquer forma, defesa da posse cientificando o dono da coisa, imputar o
valor dos frutos, restituir a coisa e a sobra do preço - Ação de Busca e Apreensão de
Coisa Móvel se não for restituída pelo credor) do credor pignoratício. Art. 1.436 CC –
extinção da Penhora – quando a obrigação principal for extinta ou o perecimento da
coisa ou a renúncia ou a confusão (mesma pessoa acumula as qualidades de credor e
devedor) ou adjudicação ou remissão. Art. 1.437 CC – cancelamento do registro. Art.
1.438 – modalidades do penhor (rural agrícola ou pecuário, industrial, título de
crédito, veículos e o legal)
2. Hipoteca – o registro é averbado em Cartório de Imóveis. Cabimento (Art. 1.473 CC)
– não envolve apenas bens imóveis, mas atua também em aeronaves ou navais que são
bens móveis especiais. Tem a possibilidade da alienação do bem hipotecado (Art.
1.475 CC) – é nula a cláusula que não permite o credor alienar o imóvel
hipotecado.Pode se ter várias hipotecas sobre o mesmo bem em favor do mesmo
credor ou de outro (Art. 1.476 CC). Remissão (perdão ou liquidação do adquirente do
imóvel hipotecado – Art. 1.481 CC). Indivisibilidade dessa garantia (regra) x detalhe
do loteamento (Art. 1.488 CC - exceção). Tipos: legal (Art. 1.489 CC – aquela que
brota da lei e não se opera de pleno direito, ou seja, não é automática e exige processo
judicial de especialização chamada de Ação de Especialização da Hipoteca e
judiciária. Art. 1.499 – extinção da Hipoteca.
3. Anticrese – Art. 1.506 ao 1.510 CC – é um instituto em que o devedor ou terceiro com
a entrega (cessão) do imóvel ao credor para utilizar o meu bem e extrair os frutos e
utilidades para compensar a dívida.
DIREITO SUCESSÓRIO