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Bioética

Manual de Bioética – Sgreccia

História da Bioética

Experiências feitas e desenvolvimento científico (Séc XX)


Bioética: Uma nova sabedoria que associa o conhecimento biológico aos conhecimentos do sistema
dos valores humanos. Van Rensselaer Potter (Ciência da Sobrevivência) – Criou o termo “Bioética”
Valores éticos e fatos biológicos

Ética (Reflexão dos Princípios) e Moral (Normas)

Bioética trata do homem e de todos os outros seres vivos.

Toda ação do homem (experimentação) é sujeita a avaliação moral. (H. Jonas)

André Hellegers foi quem introduziu o termo “Bioética” no mundo acadêmico. É uma maiêutica entre
medicina, filosofia e ética. Introduz também uma metodologia para este estudo. Estudo revitalizado da
ética médica (não só na biologia, mas nos princípios morais serão a base para o estudo).

1ª Definição: “Estudo sistemático da conduta humana no âmbito das ciências da vida e da saúde,
conduta avaliada à luz dos valores e princípios” (Enciclopédia de Bioética, 1978)

Bioética # Moral ética

Conceito restritivo: ética médica ampliada a ética das pesquisas biomédicas


Conceito amplo: inclui problemas sociais, ambientais e globais da saúde e da ciência da vida.

Documentos do Magistério:
- Humanae Vitae
- Iura et Bona
- Salvifici Doloris
- Donum Vitae
- Veritatis Splendor
- Evangelium Vitae

Hipócrates (430 a.C.): Medicina faz-se da prática ao conceito de reflexão. Partes do juramento de
Hipócrates: bem do doente, nem darei remédio mortal, nem dar a mulher substância abortiva;
conservarei imaculada minha vida e minha arte; e conservarei o segredo médico.

Etapas da Medicina:
- ética médica hipocrática
- moral médica de inspiração teológica
- filosofia moderna: liberalismo ético – anti-paternalismo médico
- reflexão sobre os direitos humanos
A vida: as formas, a origem, o sentido

vida em geral e vida do homem


Vida e vida biológica-orgânica são equivalentes?
A vida é um problema biológico?

A vida tem um aspecto ontológico fundamental. Somente na vida se pode dizer o “eu”.

Ser vivo (capacidade de ação imanente – atividade que tende a aperfeiçoá-lo e capacidade de ser causa
e fim da própria ação) e ser não-vivo

3 níveis de vida: vegetativa (nutrição, crescimento e reprodução), sensitiva (vegetativa + capacidade de


autorregulação) e intelectiva (corrente do mecanicismo [diferença de grau e complexidade] e corrente
do vitalismo [diferença qualitativa e substancial / existe um princípio substancial, pelo qual o tudo
regula as partes e suas funções])

Vida intelectiva revela grau de superioridade e não só de complexidade.

A causa final nos objetos inanimados é externa, presente na mente do artífice. Nos seres animados a
causa final é imanente.

Origem da vida

Aspecto Biológico (organização da vida) Aspecto Filosófico (valor e antropologia)

A Bioética vê a totalidade do ser humano e seus valores.


Não existe geração espontânea (evolucionismo). Evolucionismo substitui a teoria do Fixismo. Lamark
= transformação das espécies deriva da adaptação ao ambiente devido ao uso ou falta de uso de
determinados órgão (não está focado nas espécies). A fonte da mudança é o ambiente. Diferente de
Darwin que foca na seleção natural / luta dentro da própria espécie.

- Neodarwinismo: A modificação se dá na reprodução dos indivíduos e germoplasma. Mutações por


salto (espécie com novas características).
- Genética: Flaming (descoberta dos cromossomos).

Problema filosófico dentro do biológico:

- Princípio da Criação
- Princípio da espiritualidade do homem

O vivente não é simples resultado da composição de órgãos capazes de viver. Exige uma forma
substancial. O ser não pode originar-se do não-ser. É preciso uma causa inteligente, externa e primária.
Seres contingentes não podem dar o ser a si mesmo. É preciso uma causa primeira e reguladora da
finalidade desses seres.

Modelos de Bioética vão ser feitos a partir das diversas definições de vida
Vida:
- Bem-estar (qualidade de vida)
- Ação imanente auto-aperfeiçoante
- movimento físico-imanente
- dom sobrenatural / pessoa

* Ética “Não-Antropocêntrica” (Homem tem o mesmo valor moral de todos os seres e do universo =
ecologistas; holísticas; eco-feminista; dos direitos dos animais e da terra) – o homem se dissolve. Vida
como fator global, não existem diferenciações.
* Ética Antropocêntrica

- Princípio antrópico: o homem é o único capaz de colher a inteligibilidade do universo

Estatuto de Bioética: Estudo sistemático das dimensões morais da ciência da vida e da saúde.
Aspecto qualitativo da realidade
Qual a perspectiva ética que fornece o melhor ponto de partida para a resolução dos problemas
bioéticos.
Ligada à ética tradicional ou ligada às mudanças do tempo (ex.: qualidade de vida).

Sistema Epistemiológico:

Dado Biológico -----------------------------Valores Morais

Conduta – Caso concreto

* Estatuto Epistemiológico de Erice:

Examinar natureza do fato biomédico -------------------------- Verificar as repercussões sob a pessoa

Individualizar e justificar as “soluções”


Formação de base da Bioética: Biomedicina, Filosofia, Antropologia, Direito, Teologia, Gestão
Ambiental.

Ciência Experimental

- Observação
- Hipótese
- Experiência
- Verificação
- Falsificabilidade
(toda hipótese científica pdoe ser contestada)

Esquemas epistemológicos
Sgreccia, pai da Bioética, repropõe o método triangular:

Quadro Antropológico (Valores de referência)

Dado científico ---------------------------------------------------- Indicação ética

Corrente Não-Cognitivista: não se pode conhecer o valor moral (é abstrato: verdadeiro e falso são
intuitivos, não tem valor científico), não se pode passar do descritivo (dado científico) para o
prescritivo (dever / moral) (Lei de Hume: ser => não posso => dever ser). Baseada no Empirismo (só o
dado objetivo, científico, verificável pela experiência sensível).

Conceito de Pessoa:
Emmanuel Monier (3 a 5 min)

Meta Bioética: discutir os princípios e fundamentos, e não só os casos particulares.

* Modelos de Bioética:

- Sociobiologista (naturalista)
Empirismo. Evolucionismo de Darwin (luta entre as espécies).
Aqui se trata da evolução da sociedade. Mas qual o fundamento da evolução? Progresso tecnológico,
sucesso, pessoas bem-sucedidas.
Relativismo ético.
Seleção natural de seres humanos (eugenismo): sentido positivo = modificação genética melhorada;
sentido negativo = eliminação de pacientes com doenças incuráveis.
Homem reduzido a um momento histórico.
Indiferença à escolha moral.
Ausência de responsavilidade (niilismo ético).

- Liberal-radical (subjetivista-irracionalista)
Critério: total autonomia da pessoa. Liberdade.
Moralidade = Liberdade = Valor Máximo
Implicações: aborto; eutanásia; liberdade absoluta dos cientistas; living will (testamento: ex.: se eu tiver
uma doença degenerativa ou incurável, quero morrer).
Liberdade pressupõe a vida. Exige responsabilidade. Exige o respeito em comparação com aqueles que
não podem exercê-lo.
O único limite é a liberdade do outro.
Liberdade = sem restrições externas, sem vínculos.

- Pragmático-utilitarista (intersubjetivo-racionalista)
O princípio básico é o cálculo das consequências da ação com base na relação custo/benefício.
Muito custo e pouco benefício: não tem sentido. A indústria farmacêutica, por exemplo, vai querer
ganhar mais do que visar o benefício.
Utilitarismo: a maximização do bem-estar para o número maior de pessoas.
Implicações: qualidade de vida é avaliada em relação à minimização da dor e frequentemente dos
custos econômicos. Seres humanos não conscientes não devem ser tutelados.
Qualidade de vida mesmo no sofrimento (concepção cristã). Concepção desta corrente: eliminar o
sofrimento em nome do bem-estar e da relação custo-benefício.

- Contratualístico
Acordo ou normas estabelecidas por uma classe de pessoas, para critérios de escolha. Quem é esta
comunidade moral para decidir? No Brasil, hoje, é a suprema corte (STF). É a comunidade que vai
determinar o bem e o mal.
Implicações:
Lei subjetiva de um grupo => Lei positiva (desprezo da lei natural; Direito Lábil ligado à
subjetividade).
Determinação arbitrária de uma comunidade moral. Ampla justificação de um poder político absoluto.
Lei positiva se torna o parâmetro moral.

- Personalista (objetivista-racionalista)
A pessoa humana em sua objetividade no centro da avaliação ética, ponto de referência e medida entre
o lícito e o ilícito.
Pessoa: qualidades primárias (alma, razão = capacidade de conhecimento, substância) e qualidades
secundárias.
Os julgamentos morais são objetivamente justificados (objetivo = ontológico, metafísico).
Reconhecimento da lei moral inscrita na natureza humana.
Superação da falácia naturalista: o dever ser é derivado do ser.
* Conceito de Pessoa:
- Funcionalista atualista: definir pessoa a partir de critérios biológicos ou sociais (qualidades
secundárias).
- Substancialista ou do Personalismo ontológico: Substância individual de natureza racional.
* Partir de questões biológicas (várias classificações):
- Teoria do Cariograma (é preciso ter perfeição cromossômica para ser pessoa)
- Teoria da Geminação (é indivíduo só depois que se divide a célula, então pode manipular o embrião
antes da divisão celular)
- Teoria da Implantação (só é pessoa quando o embrião se instalar no útero)
- A formação da linha primitiva (14º dia se forma o sistema nervoso central, antes desse dia não é
pessoa)
- Presença da atividade cerebral (só é pessoa enquanto há atividade cerebral).
* Partir de questões psico-sociais:
- Teoria Monofatorial: (racionalidade; relacionalidade; reconhecimento; intenção de filiação)
- Teoria Multifatorial:
- Teoria de Singer: Autocontrole, senso de passado, senso de futuro, relacionalidade,
comunicação, curiosidade.
- Teoria de Engelhardt: Participação na comunidade moral e capacidade de desenhar um
julgamento moral.
Pessoa (interpretação funcionalista-atualista): conceito abstrato definido por uma lista de propriedades
e funções não necessariamente do ser humano. Só pessoa tem direito. O embrião, as crianças, a pessoa
em coma, não são pessoa ou não é mais pessoa, e por isso não tem mais direitos.

Principialismo - Comissão Belmont

Identificar princípios éticos fundamentais e regular a conduta e experimentação ou terapia nos homens.
Três princípios: respeito à pessoa, beneficência (não-maleficência) e justiça.
Beauchamp: estender os princípios à toda a área biomédica; utilitarismo e deontologia prima facie
(norma aplicada imediatamente)

- Princípio da autonomia: intenção do paciente, capacidade de escolha da pessoa consciente, informada


e coerente. Tutela da pessoa. Respeito e leva a pessoa a participar do processo. Contraposto ao
“paternalismo” médico antigo. Aplicação: segredo médico; recusa das curas, aborto, living will
(testamento de querer morrer), consentimento informado. Conflito: peso moral dos critérios médicos vs
paciente; capacidade física e mental; autonomia do médico, paciente e família, custo elevado do
Estado.

- Princípio de Beneficência: promover o bem do paciente; remover o mal e o dano; não causar nenhum
mal ou dano. O objetivo essencial seria o melhor interesse do paciente; é autorizado a tratar o paciente
sem o consentimento e até escondendo a verdade. Conflito: remoção de órgãos de alguém vivo;
experimentação não terapêutica; intervenção em mulheres grávidas para o bem do feto; suicídio
assistido. É contraditório.

- Princípio de Justiça: equidade social e solidariedade; casos semelhantes devem ser tratados de modo
semelhante. Não funciona. Quais e quantos tratamentos? Qual a prioridade no caso de recursos
limitados? Seleção no caso de transplante de órgãos? E no caso de doenças causadas por uma escolha
de vida? Conflitos: única encubadora para dois prematuros; remédios ou terapias salva-vidas para
poucas pessoas.

Todos estes princípios recordam: deveres imediatos entram em contraste. Qual princípio terá a
preeminência. Ausência de lógica e hierarquia. O principialismo engana. Não existe correlação
sistemática entre eles, não são unificados por não ter uma teoria moral.

Respostas ao Principialismo

- Manter o sistema dos princípios, mas dentro de uma teoria ética, tendo como prioridade o valor
fundamental do bem da pessoa (Sgreccia).
- Os princípios não funcionam, então só precisa organizar as regras.
- Substituir os princípios.

Teoria ética

Princípios Morais

Regras

Juízos Morais Particulares


O personalismo traz um princípio ontológico. Ética objetiva.

- Princípio da vida física: proteção da vida de cada pessoa (inviolável), mesmo diante do bem de outras
pessoas. Promoção da saúde: saúde de alguém em risco por outra pessoa; qualidade de vida; saúde
como bem supremo; saúde individual e coletiva; aceitação da dor, do sacrifício e da morte.
“Direito à saúde” não é bom, porque não se sabe o conceito de saúde. “Direito aos meios e tratamentos
indispensáveis” aqui sim!
- Conceito de saúde na Grécia Antiga: equilíbrio entre o corpo entre si e entre o corpo e alma
(psiquê). Doença é qualquer desequilíbrio que causa sofrimento, dano objetivo ou subjetivo. É uma
questão qualitativa. Equilíbrio da alma: prática das virtudes. E isso é fundamental na relação com o
corpo.
- Conceito de saúde na cultura moderna: paradigma positivista e quantitativa; medicina como
ciência da natureza.
- Sáude relacionado com o sistema social
- Saúde é uma construção por nome (nominalismo)
- Interpretação subjetivista (fenomenológico)
- Saúde como condição vital completa do sujeito (não só o tratamento, mas o cuidado
com a pessoa (care))
- Conceito de saúde na cultura pós-moderna: noção líquida de saúde; bem-estar: equilíbrio
psicológico, emotivo, em relações; fitness: progressiva capacidade de enfrentar problemas / combates
físicos.
Reino vegetal e animal têm valor intrínseco
- Princípio da totalidade: A corporeidade humana é um todo unitário resultado de partes distintas,
organicamente e hierarquicamente unificadas entre elas. Para retirar algum órgão: salvaguardar a vida
da pessoa; a intervenção deve ser direcionada para a parte doente; não deve existir outra alternativa; o
benefício é igual ou maior do que o risco; deve-se obter o consentimento do paciente. Deve-se ter
sempre em consideração o bem total, moral e espiritual da pessoa. Aplicações: retirada de órgãos ou
mutilações físicas; esterilização terapêutica; retirada de tumor do útero.
Duplo efeito: intenção positiva; intervenção positiva; efeito positivo seja proporcionalmente maior ou
pelo menos equivalente ao negativo; não existam outras intervenções sem efeitos negativos.
- Princípio da liberdade responsável: “Liberdade para”. Ponderar as consequências. Aliança terapêutica
(entre médico e paciente) = humanização do tratamento. Subordinado ao princípio de defesa da vida.
- Princípio da subsidiariedade social (sociabilidade): realização de si mesmo na participação do bem
comum. Bem pessoal e social. Doação de sangue e de órgãos; experimentação não terapêutica:
responsabilidade pelo bem pessoal. A comunidade deve ajudar mais onde é maior a necessidade e não
deve anular a iniciativa individual ou dos grupos, mas garantir seu funcionamento. Vai contra uma
visão utilitarista (eutanásia social: esterilização em grupo). Todos devem receber os meios para
promover a sua própria saúde. Socialização da medicina (distribuição de recurso na saúde).

Hierarquia: 1º Defesa da vida; 2º Liberdade e Responsabilidade; 3º Princípio Terapêutico; 4º Princípio


de Sociabilidade

Qualidade de vida X Sacralidade da vida

- Fecundação: processo de união de dois gametas, desenvolvimento de um novo indivíduo.


- Donum Vitae: Deve-se respeitar o ser humano como pessoa desde o primeiro instante da sua
existência, ou seja, desde a fecundação (novo, individualizado com um único genoma, autônomo e
contínuo).
- Aborto: é uma expulsão prematura do útero do produto da fecundação de um embrião ou de um feto
não vital.
- Gravida: mulher que tem um embrião em fase de desenvolvimento

Mudanças semânticas nas definições no âmbito científico:


- 1972: gravidez se inicia na nidação

- Aborto direto e Aborto indireto

* princípio terapêutico: atuar na parte doente para salvar o todo

Aborto Terapêutico: diferente do princípio terapêutico. Refere-se à interrupção da gravidez na presença


de risco e saúde para a vida da mãe. Como único meio para defender ou preservar a saúde da mãe.
- Risco da morte da mãe e do feto
- Risco da morte da mãe e esperança de salvar o feto.
- Risco de morte mais do que dano à saúde
- Piora permanente da saúde da mãe
- Dano à saúde (conceito de saúde pode colocar qualquer situação)
- Incidência sanitária (modelo utilitarista)

- Contracepção: prevenção da fecundação


Contracepção de emergência: qualquer método feminino, farmacológico ou não, utilizado depois de
uma relação sexual com possível fecundação, com o objetivo de impedir uma gravidez não desejada.
(ex.: pílula do dia seguinte)
- Hormonal (menstruação induzida por aumento de hormônios) e DIU

Documentos: Evangelium Vitae; Humanae Vitae; Donum Vitae; Instrução sobre o esclarecimento sobre
o aborto provocado.
- Aborto: excomunhão latae sententiae

- As mulheres que fazem o aborto tem a taxa de mortalidade maior que as que acolhem a gestação
(maior parte tem morte por problemas cerebrais, suicídio, etc.).
- Mais nível de ansiedade e depressão nas mulheres que fizeram o aborto (mulheres entre 15-25 anos).
- Mais nível de suicídio nos primeiros anos após o aborto em adolescentes e também em mulheres entre
15-25 anos.
- Distúrbios emocionais, perda de interesse, distúrbio de comunicação e alimentação, distúrbio de
relações afetivas, TOC, falta de prazer sexual a nível psicológico, flash backs do aborto.
Muitas consequências físicas, psicológicas na vida da mulher.

Diferentes Perspectivas para se considerar o embrião humano:


- Estatuto Biológico; Ontológico; Antropológico; Ético; Jurídico; Teológico.
Não “o que é”, mas “quem é”.
Não é uma estrutura pré-orgânica (não individualizada), é um indivíduo da espécie humana.
Existe uma programação biológica teleologicamente: identidade genética, autonomia biológica,
capacidade de diferenciação. Processo contínuo, gradual e coordenado. Em todas as fases se trata de
uma pessoa. Ser humano como unidade de corpo e alma. Nenhum valor pode superar a superioridade
da pessoa: dignidade. Não é permitida nenhuma discriminação e nenhuma instrumentalização e nem a
supressão.

A Homossexualidade

O termo homossexual foi criado em 1869 pelo húngaro Kàroly Mària: pessoa que sente atração erótica
e/ou afetiva, exclusiva ou prevalecente, com ou sem relações físicas, para com adultos do mesmo sexo.
Chamava-se sodomia, pederastia, pecado contra a natureza.

(Quanto mais cedo se tem relação sexual, menor é a estrutura para diferencia ou concatenar a dimensão
sexual da afetiva. Mais confusão se tem; principalmente se é relação homossexual)

Estados intersexuais: tem relação com desenvolvimenteo defeituoso e disarmônico da sensualidade do


corpo, com repercussões sobre o sexo psíquico (hemafrodita). Problema genético.

Transexualismo: desordem de identidade; é um sujeito bem estruturado no sentido masculino e


feminino do ponto de vista corpóreo, não se autoidentifica de uma forma consistente com o sexo
corpóreo. Doença psiquiátrica.

Orientação Homossexual:
- Atração para com pessoas do mesmo sexo
- Pouca ou nenhuma atração erótica para com pessoas do sexo oposto; mesmo em caso de bissexuais, a
tendência homossexual tende a se tornar dominante com o passar do tempo;
- Desejo, pelo menos na imaginação e fantasia, para praticar atos homossexuais como uma fonte de
prazer psíquico e genital.

Fala-se de “condição homossexual” para indicar esta forma particular de se relacionar com os outros,
estar no mundo, perceber-se.

Frequência / Dados atuais


2-3% homens e 1,5% mulheres (Homossexualidade genuína)
O triplo de indivíduos tiveram alguma experiência isolada ou prolongada de relação homossexual

Formas de comportamento homossexual


- Homossexualidade genuína
- Homossexualidade em idade evolutiva
- Comportamento homossexual transitório
- Comportamento homossexual acidental
- Comportamento homossexual interessado (prostituição)
- Homossexualidade em contexto psiquiátrico

Gênese da orientação homossexual

Teorias do tipo Biológico / Teorias do tipo Psicológico


Não existe nenhum fator determinante (a não ser em caso, por exemplo, do hemafrodita)
São fatores influenciantes (no caso da homossexualidade genuína).
Tipo Biológico:
- Diferenças de estruturas anatômicas e habilidades sensoriais.
Homem: visão pontual
Mulher: visão periférica e global
Não resolve! Não vale!
- Razão entre o comprimento dos dedos e orientação sexual em mulheres.
Não resolve! Não vale!
- Diferenças neuroanatômicas (comissuras nos hemisférios cerebrais)
Não resolve! Não vale!
- Genética
Homossexualidade maior nas famílias que tem já um homossexual. Maior índice em gêmeos
monozigóticos.
Não resolve! Não vale! Mas apresenta que a constituição familiar já tendo um homossexual se torna um
fator importante.
- Hipótese Endócrina
Alguns desequilíbrios são realmente hormonais

Tipo Psicológico:
- A homossexualidade vem de uma alteração do desenvolvimento psicossexual em situações familiares
difíceis.
- Autoerotismo
- Fixação inadequada

→ Deficit no desenvolvimento para uma maturidade afetiva-sexual: Pai ; Mãe; Relação triangular
(destaque defensivo do pai; relação com coetâneos). “Ausência” do pai (não atua, não interfere) está
em quase 100% dos casos. Mãe dominadora, controladora. Pai agressivo também é um fator de não-
identificação do filho. Isso no caso da homossexualidade genuína (acontece na fase da infância). A
homossexualidade não genuína (acontece na adolescência), pode até ter a identificação com o pai ou a
mãe, mas por causa da baixa auto-estima e carência desde a infância, busca por aspecto afetivo. Os
homossexuais genuínos não buscam muito o casamento, pois tem a tendência de ter vários parceiros,
têm uma maior obsessão pelo sexo e a dimensão afetiva, por isso, não é muito grande. Os
homossexuais não genuínos são os que desejam as “paradas gays” e busca do casamento, pois têm a
busca de identificação e autoafirmação.

Causas sócio-ambientais

- Abuso sexual (50 a 60%)


- Exposição prematura à sexualidade por parte de um homem adulto
- Educação sexual
- Erotismo difuso
- Relativismo
- Edonismo subjetivo
- Relação homem-mulher
- Modelos masculinos propostos

As hipóteses são muitas e é preciso levar em conta vários fatores interligados sobre a origem da
homossexualidade. São interligados, mas devem manter-se separados:
- gestão social da homossexualidade
- julgamento moral
- aceitabilidade como variante normal do comportamento sexual

Homossexualidade na Antiguidade

Pederastia grega: relação com escravos e prostitutos de profissão. Rejeitado o papel passivo e por
dinheiro.
Homossexualidade romana: não se aceitava a pederastia. Aceitavam as relações homossexuais com
escravos ou consensual entre adultos.
Judeus: contra desde sempre a homossexualidade.

Princípios fundamentais para a Pastoral para as Pessoas Homossexuais:


- Valor absoluto da pessoa humana (não se chama “homossexual”, mas “pessoa homossexual”).
- Verdadeiro valor da sexualidade
- Graça da castidade, amizade
- Chamado à santidade
- Reta doutrina da Igreja
- Contributo das ciências humanas: 65% com mudança de orientação sexual depois de um
acompanhamento

Em 1952, na Associação Americana de Psiquiatria, era considerada como desordem ou distúrbio


sociopático. Em 1968, foi retirada de distúrbio sociopático para somente desvio sexuais. Até aqui
poderia ser sujeito a terapia. Em 1980, diferenciaram em homossexualidade egodistônica (não tem
desconforto) e a distônica (é desconfortável com a homossexualidade. Aqui poderia se tratar). Em
1994, até a distônica não precisa ser tratada, trata-se qualquer sofrimento sobre a autoaceitação, mas
não mais a homossexualidade.
Na OMS em 1977 era doença mental; em 1990, é colocada como opção sexual.

Ideologia de Gênero

- Identidade de Gênero: convicção própria de pertencer ao sexo masculino ou feminino


- Papel de Gênero: comportamento
- Orientação Sexual: atração

Revolução sexual: free love


W. Reich e H. Marcuse
Eros sem Ethos
Repressão à moral cristã e familiar

Feminismo
Libertação dos padrões opressores
Simone de Beauvoir
Divisão homem/mulher, feminilidade/maternidade, atividade sexual/procriação
Luta pela destruição da família tradicional
Desaparecimento e dessacralização da pessoa e a idolatria do corpo, reducionismo biológico.
Corpos pós-humanos: sexo cibernético (mutações do corpo com robótica).