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UNIVERSIDADE FEDERAL DA CAMPINA GRANDE

CENTRO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES


UNIDADE ACADÊMICA DE CIÊNCIAS EXATAS E DA NATUREZA
LICENCIATURA EM FÍSICA
PRÁTICA DO ENSINO DA FÍSICA NO ENSINO MÉDIO II

NOME: Cícero Marcos Meneses da Silva Nº MATRÍCULA: 217110082

ATIVIDADE DE REPOSIÇÃO I

Após a leitura da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9.394/96)


disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm, indique cinco
mudanças que, você destacaria, na proposta de reforma do Ensino Médio. Apresente em
um texto único as mudanças selecionadas e uma reflexão de seus impactos para o Ensino
de Física nessa etapa da Educação Básica.

Como outras mudanças no decorrer da história educacional brasileira, a Lei de


Diretrizes e Bases da Educação (LDB) está sendo modificada em sua normatização
estrutural destinada ao Ensino Médio, sob a justificativa governamental de que essa nova
proposta de flexibilizar o currículo deste nível de ensino, potencializa a resolução de
problemas como da evasão crescente, o ínfimo desempenho das escolas públicas nas
avaliações nacionais e o estado de “tédio” que o estudante deste nível vivencia em sala de
aula.
No entanto, Salviani (1990) já adverte que, ao ser promulgada uma legislação
educacional gera-se, equivocadamente, a crença que ela terá força, por si só, para realizar
as mudanças necessárias à educação. Logo, o discurso do governo de que a mudança
proposta será a salvação aos problemas mencionados, não condiz com toda a ação
realmente necessária para minimizar as dificuldades expostas. Ainda assim, as mudanças
apresentadas, talvez não sejam as almejadas pela sociedade; pois, como sempre, foram
frutos de uma imposição vertical (de cima para baixo), às vezes de pessoas que não estão
no dia a dia da sala de aula (teóricos do como fazer), que revela essa tendência autoritária
do governo para com aquilo que a escola deve seguir, sem ouvir as opiniões dos
estudantes, professores e pesquisadores do tema, como bem frisa Cardini e Sanchez (2018,
p. 59), que esses e outros fatores devem ser levados em consideração, pois,
[...] as tradições educacionais parecem funcionar como culturas basilares
e nem tanto como estruturas determinantes. Nesse sentido, é necessário
considerar que tais tradições e modelos de governança estão envolvidos
nos diversos contextos sociodemográficos (...) são estruturas
institucionais cristalizadas em sociedades com diferentes níveis de
população, receita, desigualdade e desenvolvimento dos sistemas
educacionais.

Assim, a proposta de legislar sobre a educação brasileira, sem levar em


consideração as estruturas apontadas pelos autores, condicionam as mudanças exigidas,
talvez, a mais um fracasso, por não abranger todos os pontos reais e necessários de
modificações, os quais resultariam num melhor desenvolvimento educacional brasileiro.
Sem atentar-se a esta perspectiva, o novo projeto educacional, proposto desde o
governo Michel Temer (Medida Provisória 746/2016) até a Lei nº 13.796, de 2019,
mudança mais recente e em vigência atualmente, provocaram modificações para o Ensino
Médio, tais como: 1) Divisão: a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) fará parte de
60% das matérias estudadas em sala de aula. O restante ficará reservado para uma das
áreas específicas, também chamadas de itinerários formativos; 2) flexibilização do
currículo – os estudantes terão que escolher um itinerário formativo já no início do ensino
médio. As opções são: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências
Humanas/Sociais e Formação Técnica/Profissional; 3) Base Nacional Comum Curricular
(BNCC): será formada pelos conteúdos das disciplinas obrigatórias e das disciplinas
tradicionais do ensino médio, como História, Geografia, Biologia, Física, Química e
Literatura. O conteúdo foi aprovado no final de 2018 pelo Conselho Nacional de Educação
e, dias depois, homologado pelo Ministério da Educação (MEC); 4) Aumento da carga
horária que era definida em 800 horas anuais. Com a sanção, as escolas terão cinco anos
para ampliar essa carga para mil horas anualmente, divididas em 200 dias letivos. 5)
Professores: a docência poderá ser exercida pelos profissionais com “notório saber”
(profissionais sem diploma de licenciatura), porém apenas para os alunos que escolherem a
área de Formação Técnica e Profissional. Como exemplo desta situação, um engenheiro
poderá dar aula no curso de Edificações (MEC, 2017). Mediante as cinco mudanças
elencadas, busca-se refletir quais os impactos das mesmas para o Ensino de Física nessa
etapa da Educação Básica.
O que se apresenta de forma concreta com tudo isso é a realidade de ser muito
difícil mudar o panorama educacional brasileiro, o qual sofre historicamente uma
deformação cultural desde os seus primórdios no período colonial perdurante até os dias de
hoje, consequência deste modelo inicial. Esse negativo de educação também revela
imagens de mesmo padrão para o ensino de física no Ensino Médio, que não sofrerá
mudanças significativas, simplesmente pelo fato de normatizar sobre como deva ser a
BNCC, voltada a dar ênfase em exatas ou humanidades, e não prepara o professor de
maneira mais qualificada – ou seja, a ideia governamental é: exijo mudanças, mas não
disponibilizo recursos para isso.
Pode-se refletir também sobre aumentar a tempo de permanência do aluno na escola
que, pela justificativa do governo, hoje o tempo exigido causa “tédio”; isso também nas
aulas de física. Se hoje os alunos estão entediados, imagina ampliar a quantidade de hora
sem melhorar a qualidade! De nada adiantará. Uma carga horária de cinco horas ruim –
como já acontece – ficará ainda pior se for de sete horas. Creio que haverá um desinteresse
ainda maior por parte dos estudantes para com os ensinamentos da física, sem estruturas
que estimule o aluno a se interessas por essa disciplina tão depreciada pela maior parte do
público estudantil.
Só esse dois itens abordados já exigem certa complexidade para ser implantados em
todas as realidades escolares do Brasil; um país de dimensões continentais. E deles
surgiriam outros questionamentos, como, por exemplo: com a ampliação da carga horária
aumentará a valorização salarial dos docentes? Pois, hoje, principalmente professores de
física, precisam, muitas vezes, ministrar aulas em instituições diferentes ou em várias
turmas resultando em uma perda de qualidade, porque quanto mais trabalho menos tempo
este profissional terá para se planejar de maneira que sua atuação junto aos alunos
proporcione uma aprendizagem significativa para eles.
Outro questionamento surge; as escolas possuem estrutura informatizada, espaços
esportivos, laboratórios modernos, bibliotecas com grande quantidade e diversidade de
livros, todos os docentes atuantes estão lecionando disciplinas que condizem com a sua
formação acadêmica, de tal forma que o aluno passe a maior tempo possível nesta, ou fique
de forma integral? Utilizando-se dos conhecimentos adquiridos na prática realizada na
disciplina de Estágio Supervisionado I, pode-se afirmar que não. Se assim os espaços
escolares fossem atualmente, sugere-se que o quadro da educação brasileira,
consequentemente, o ensino de física, possivelmente vivenciaria uma realidade bem mais
favorável de ajuda a um maior numero de jovens a estarem longe das “más” influências
sociais (drogas e violência, por exemplo), proporcionando a expectativa de uma vida
melhor para esse público estudantil.
Ainda é concebível afirmar que nenhum dos cinco itens, escolhidos dentre a
proposta de mudança para o Ensino Médio, será viável se não houver uma renovação
metodológica do cotidiano de sala de aula, pois é esta práxis pedagógica do interior das
salas de aula o embrião da aversão que os discentes apresentam ao conhecimento,
principalmente em se tratando da Física. O governo afirma que “o aluno deve ter
autonomia de escolher o que aprender”; mas, apenas uma norma jurídica não terá força de
incluir os alunos de forma ativa no processo de ensino-aprendizagem. Para que isso
aconteça outras ações devem ser implementadas, desde o processo de formação do
professor, a estrutura física e institucional do ambiente escolar até a metodologia aplicada
em sala de aula.
Por essa breve reflexão, evidencia-se que muitas questões estão entrelaçadas
quando o assunto é educação. Lógico que a LDB vem para ajudar e busca regulamentar o
assunto para que seja tratado com a seriedade legal que merece, mas como muitas leis em
nossa nação, existe outro desafio maior e que deveria vir antes da elaboração – fato que
quase não ocorre – é o legislador ouvir aquilo que já está pesquisado sobre a realidade do
que se busca legislar, para entender se será possível a sua execução e não tornar-se mais
uma “letra morta” da lei, por não haver uma aplicabilidade social viável dos anseios agora
normatizado.
Finalmente, observa-se que várias mudanças foram propostas em diversos
momentos históricos do Brasil em busca de “melhorar” a educação neste país. A mais
recente, esta que agora estamos vivenciando, poderá ser significativa ou não. Uma coisa e
certa, ela exigirá novas mudanças para educação brasileira como também, de forma mais
específica, ao ensino de física, e isso trará efeitos a todo o público estudantil que sentirá
consequências que poderá ser benéfica ou não ao processo de ensino e aprendizagem.
Assim, deve ser refletida, estudada, revista e reaplicada à visão dessa diversidade
geográfica e cultural do nosso país, pois se assim não for poderá acontecer retrocessos
impactantes até para outras áreas da sociedade brasileira.

Referências bibliográficas

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei número 9394, 20 de


dezembro de 1996. Disponível em < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm>.
Acesso em: 28 ago. 2019.
CAMPOS, Lorraine Vilela. "Novo Ensino Médio: entenda a reforma"; Brasil Escola.
Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/educacao/novo-ensino-medio-entenda-
reforma.htm. Acesso em 27 de agosto de 2019.

CARDINI, Alejandra; SANCHEZ, Belén. Modelos curriculares para o ensino médio :


desafios e respostas em onze sistemas educacionais. São Paulo : Metalivros, 2018.

SAVIANI, Dermeval. A Nova Lei de Diretrizes e Bases. In: Pro-Posições, Campinas, n. 1,


p. 7-13, mar. 1990. Disponível em:
<https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8644508/11927>.
Acesso em: 28 ago. 2019.

Sites consultados

PORTAL DO MEC, Novo Ensino Médio – Dúvidas. Disponível em:


<http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=40361 >. Acesso em: 28 ago. 2019.