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Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG

UNIDADE Carangola

Departamento de Ciências Humanas


Curso de Graduação em História
Disciplina: Historiografia Brasileira

ALUNO (a): Eutenciano da Silva chagas

RESENHA
TEXTO: REIS, José Carlos. Identidades do Brasil: de Varnhagen a FHC. Ler “Anos 1960:
Caio Prado Jr” (p. 173-202).

José Carlos Reis usou uma linguagem corrida e concisa para apresentar alguns dos
grandes autores que contribuíram na formação da historiografia brasileira e que influenciaram
de forma metodológica através do desenvolvimento de sua obras em suas distintas épocas e
posteriormente a elas, Reis apresentou críticas e elogios para tais autores em sua obra
“Identidades do Brasil: de Varnhagen a FHC” que os torna peças fundamentais para se
compreender a formação da historiografia brasileira.

Colocando em análise o capítulo “Anos 1960: Caio Prado Jr: A reconstrução crítica
do sonho de emancipação e autonomia nacional”. Caio Prado Jr. Nascido de família nobre,
no ano de 1907 na cidade de São Paulo, formado em geografia e direito, fundamentou-se e se
tornou militante nas lutas pela igualdade e liberdade, revolucionando as ideias marxistas sobre
as análises feitas sobre as lutas de classes no Brasil; “Caio Prado seria, então, um pensador
marxista desvinculado do modelo interpretativo e político democrático-burguês. Mantega
denomina o seu modelo de interpretação do Brasil “modelo do subdesenvolvimento
capitalista”, associado também a Gunder Frank, que predominará nos anos 1960, reavaliando
a derrota de 1964, reinterpretando o Brasil e propondo novas estratégias de ação
revolucionária.” (p.180). Ele fez uma análise entre o passado e visando como seria as mudanças
para o futuro; o que não parecia fazer muito sentido quando se analisa a sua posição de
“nobreza” ou de membro da aristocracia da época.

Caio Prado descreveu uma passagem entre o dogmatismo marxista (leninismo)


pregado à um marxismo com visões analíticas sobre a realidade brasileira e se adapta a tal,
podendo ser considerado o redescobridor do Brasil ao analisar a diversas regiões do país e suas
classes sociais. “Viajou pelo Brasil, conheceu as regiões, as classes, o campo, as derrotas e
vitórias dos excluídos. Observava, nessas viagens, o caleidoscópio dos múltiplos tempos do
Brasil.11 Em 1933, quando as lutas sociais desafiavam o pensamento, ele inaugurou uma
corrente de interpretação marxista do Brasil diferente e original, descentrada do PCB. (p. 175)
Podemos destacar em sua produções a Evolução política do Brasil (1933); Formação do Brasil
contemporâneo (1942); História do Brasil (1945) e A revolução brasileira (1966). Ele era visto
como um dos redescobridores do Brasil, pois, em suas analises ele via que tanto o “proletariado
urbano e o campesinato têm papel fundamental se se mantiveram autônomos em ação
revolucionaria” (p.201).

Essas obras foram usadas como inspirações para muitos estudiosos para Reis ele
“inaugurou um estilo de pensar a realidade brasileira, uma perspectiva crítica, que inaugurou
um estilo de pensar entre o passado e o presente e examina as possibilidades de mudanças no
futuro” (p.175). Para Reis, os críticos de suas obras se “perdem” ao tentar construir alguma
ligação que o desabone usando o estereótipo de ele era um economicista. “Os vários segmentos
poderiam ser descritos e analisados em qualquer sequência, pois guardam a mesma relação
com a categoria explicativa. A segmentação visa a facilitar a exposição, mostrando a
interpenetração das partes. Sua obra ultrapassa a visão segmentária e economicista. A crítica
de “economicista” não é consistente, conclui, pois o que conta é a coerência da obra (Novais,
1986). (p. 177-178)

Caio Prado Jr., busca conceituar o significado do termo “Revolução”, que para ele era
o momenta de transformações estruturais, econômicas e sociais que ocorrem em um curto
espaço de tempo e não o sentido de “revolução” como um ato de disputa ou violência aplicada.
De acordo com essa visão, o Brasil se encontra em uma permanente revolução. Caio Prado
considera que o Brasil já surgiu na História como Capitalista devido ao seu início de atividades
capitalistas de exploração e colonização, deixando ainda mais claro em sua obra “A Revolução
Brasileira” quando avalia o Brasil em sua única função como exportador de matéria-prima
função essa que não se modificou ao longo dos tempos, chegando a conclusão de que o
marxismo-leninismo não teria um resultado convincente aqui pois o Brasil não passou pela fase
de Feudalismo declarado; e a burguesia brasileira já fazia parte da classe dominante e não se
uniria aos camponeses e operários. Considerando assim que a revolução brasileira já vinha se
desenvolvendo desde a chegada da corte portuguesa em 1808 de forma lenta, pacífica e quase
imperceptível. Como podemos observar nos acontecimento de 1964, Caio Prado não estava
errado ao dizer que a revolução brasileira não poderia contar com o apoio direto da burguesia
mas foi inovador em suas ideias. É válido a colocação de que o Brasil nunca passou pelo sistema
de feudalismo, pois o país sempre foi uma peça de um jogo capitalista de colônia de exploração.
Mas não sei se concordo com Prado quando ele diz não haver necessidade de reforma agrária,
sempre acreditei que a distribuição de terras levaria a um maior desenvolvimento do campo e
do Brasil. Analisando as ideias de Caio Prado percebi que se o Estado controlasse os latifúndios
e esses fossem explorados para a nação, talvez realmente a reforma no campo não seria tão
necessária.

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